Keywords
Adenomyosis, miRNA, Drosha, Dicer, Exportin-5, bleeding.
SUMÁRIO
1. FIGURAS ................................................................................................................ 17
2. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 31
2.1. Adenomiose ................................................................................................................. 31
2.2. Patogênese da Adenomiose ......................................................................................... 32
2.3. Expressão e regulação dos miRNAs na adenomiose ................................................... 37
2.4. Desregulação das proteínas reguladoras da biogênese dos miRNAs .......................... 38
3. OBJETIVOS............................................................................................................ 42
3.1. Objetivo Geral ............................................................................................................. 42
4. CASUÍSTICA, PACIENTES E MÉTODOS ......................................................... 44
4.1. Delineamento do estudo .............................................................................................. 44
4.2. Pacientes ...................................................................................................................... 44
4.3. Dados clínicos ............................................................................................................. 45
4.4. Imunohistoquímica ...................................................................................................... 46
4.5. Análise das imagens histológicas ................................................................................ 47
4.6. Análise digital quantitativa das imagens ..................................................................... 48
4.7. Análise estatística ........................................................................................................ 49
5. RESULTADOS ....................................................................................................... 51
5.1. Avaliação clínica dos pacientes ................................................................................... 51
5.2. Caracterização qualitativa da expressão das pro teínas reguladoras da biogênese dos
miRNAs................................................................................................................................... 51
5.3. Avaliação quantitativa da expressão das proteínas reguladoras da biogênese dos
miRNAs................................................................................................................................... 51
6. CONCLUSÃO ........................................................................................................ 59
7. TABELAS ............................................................................................................... 61
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................... 70
Figuras
FIGURAS
Figura 1. Modelo de lesão e reparo de tecido (TIAR) que representa os mecanismos da gênese das lesões
adenomióticas. Fonte: Adaptada de (MALL, 2009).
Figura 2. Biogênese dos miRNAs, com início no núcleo, onde o pri -miRNA origina-se a
partir do DNA, posteriormente é processado a partir das proteínas Drosha e seu cofator ,
formando um pré -miRNA, que será transportado para citoplasma atrav és da Exportina. No
citoplasma o pré -miRNA irá interagir com a Dicer, tornando -se então miRNA maduro. Fonte:
Adaptada de (OLENA; PATTON, 2010).
Figura 3. Regulação da expressão dos miRNAs. Fonte: Adaptado de Iorio;Crocio (201 3)
(MANUSCRIPT, 2013).
Figura 4. Delineamento Experimental. Amostras biológicas foram retrospectivamente
coletados. Realizada análise imunohistoquímica das pacientes com adenomiose e controle.
Fonte: Elaborado pela autora.
Figura 5 – Controles positivos para cada marcador. A. Para o controle positivo de Drosha foi
utilizado amostra de tecido de adenocarcinoma de pulmão B. Para controle positivo do
marcador Exportina -5 foi utilizado amostra de cólon normal. C. Amostra de placenta para
controle positivo do marcador Dicer. Fonte: Elaborado pela autora.
Figura 6. Análise quantitativa digital das amostras no software QuPath. A. Ferramentas de
desenho polygon e brush. B e C- Delimitação de uma região usa ndo linhas finas poligonais e
seleção da região de interesse através do pincel de espessura variável. D e E. Detecção dos
limites das células de acordo com sua variação morfológica. Fonte: Elaborado pela autora.
Figura 7 - Localização dos marcad ores nas amostras de endométrio. A. Drosha possuí
localização nuclear e celular. B. Exportina-5 localização citoplasmática. C. Dicer apresenta
localização citoplasmática. Fonte: Elaborado pela autora.
Figura 8. Percentual de células positivas no endométrio eutópico de mulheres controles e com
adenomiose para os marcadores Drosha, Exportina-5 e Dicer. Fonte: Elaborado pela autora.
Figura 9 - Percentual de células positivas no endométrio eutópico e endométrio ectópico de
mulheres com adenomiose para os marcadores Drosha, Exportina -5 e Dicer. Fonte: Elaborado
pela autora.
Figura 10. Análise da correlação do percentual de células positivas no endométrio eutópico e
endométrio ectópico de mulheres com adenomiose para o marcador Drosha. Fonte: Elaborado
pela autora.
Figura 11 . Marcação imunohistoquímica da proteína Drosha no endométrio eutópico (A) e
ectópico de mulheres com adenomiose (B) e no endométrio eutópico de pacientes controles (C).
Fonte: Elaborado pela autora.
Figura 12. Marcação imunohistoquímica da proteína Exportina-5 no endométrio eutópico (A) e
ectópico de mulheres com adenomiose (B) e no endométrio eutópico de pacientes controles (C).
Fonte: Elaborado pela autora.
Figura 13. Marcação imunohistoquímica da proteína Dicer no endométrio eutópico (A) e
ectópico de mulheres com adenomiose (B) e no endométrio eutópico de pacientes controles (C).
Fonte: Elaborado pela autora.
30
Introdução
31
1. INTRODUÇÃO
1.1. Adenomiose
A adenomiose é uma condição gineco lógica caracterizada pela presença de
tecido endometrial glandular e estromal dentro do miométrio uterino. Ela foi
inicialmente descrita em meados do século XVIX (BENAGIANO et al., 2012) e estima-
se que afeta cerca de 20% das mulheres em idade reprodutiva (DEVLIEGER;
D’HOOGHE; TIMMERMAN, 2003). Estudos apontam que mulheres com menos de 40
anos representam 20% dos casos, enquanto mulh eres com idade entre 40 e 50 anos,
80% dos casos de adenomiose (ARTICLE, 2016) . Do ponto de vista clínico, está
associada à dor pélvica, sangramento uterino anormal (AUB) e infertilidade
(VANNUCCINI et al. , 2017) , no entanto estima -se que um terço das mulheres seja
assintomático (PERIC; FRASER, 2006) . Todavia, esses sintomas também estão
associados a outras condições muitas vezes superpostas, como endometriose e
leiomiomas, o que dificulta o diagnóstico (LAZZERI et al., 2014). Um segundo ponto
é a falta de uniformidade nos critérios histológicos para o diagnóstico da doença
(VERCELLINI et al., 2006).
Classicamente ela tem sido descrita como uma condição que acomete mulheres
multíparas, entre a 4ª e 5ª década de vida (PARAZZINI et al. , 1997) e aquelas
submetidas a cirurgias uterinas como curetagem, cesárea, e miomect omia, pois estas
intervenções podem interromper a interface endometrial -miometrial (EMI) e facilitar a
invasão, implantação, incorporação e estabelecimento de colônias endometriais dentro
da parede miometrial, aumentando o risco de adenomiose (GUO, 2020) . Em
contrapartida o tabagismo tem sido apontado como um fator protetor (VERCELLINI et
al., 2006) . Mas assim como a prevalência, os fatores de risco associados não estão
definidos com precisão.
Via de regra, o padrão ouro para o diagnóstico é a análise histológica de material
obtido por biopsia ou histerectomia. Já o diagnóstico pré -operatório é um d esafio
(LEVGUR, 2007) . Recentemente, a padronização da reportagem dos achados
ultrassonográficos, particularmente com o consenso do Morphological Uterus
Sonographic Assessment (MUSA) (GUPTA et al., 2016) parece estar contribuindo para
isso, inclusive, com uma proposta de classificação morfológica e de extensão da doe nça
32
(CLINIC; HOSPITAL, [ s. d. ]). Assim como o ultrassom, a ressonância magnética
também tem emergido como ferramenta não invasiva promissora no d iagnóstico
presumido da doença (TELLUM et al., 2019). Ambos os métodos parecem ter uma boa
acurácia (CHAMPANERIA et al., 2010), embora ela precise ser confirmada em estudos
futuros.
O tratamento padrão da adenomiose é a histerectomia, mas não há terapia
médica para tratar os sintomas e, ao mesmo tempo , permitir que as pacientes
engravidem (PONTIS et al. , 2017) . As terapias médicas são tratamentos hormonais,
uma vez que a adenomiose é uma condição dependente de estrogênio e responde ao
tratamento médico com drogas antiestrogênicas e agonista do hormônio libe rador de
gonadotrofina (GnRh-a) (ANGIONI et al., 2014) que podem induzir temporariamente a
regressão da adenomiose e melhorar os sintomas (PONTIS et al., 2017).
1.2.Patogênese da Adenomiose
É sugerido que a(s) causa(s) da endometriose e adenomiose parecem estar
intimamente relacionadas a alguns dos proce ssos fisiológicos de reprodução
(LEYENDECKER; WILDT, 2011) . Trauma seguido de resposta inflamatória tecidua l
específica e reparo envolvendo mecanismos específicos, ainda que fisiológicos,
celulares, bioquímicos e moleculares podem ser considerados os principais eventos no
desenvolvimento da doença (LEYENDECKER; WILDT, 2011) . Os mecanismos
envolvidos na etiologia da adenomiose ainda n ão estão completamente elucidados e há
duas teorias mais amplamente aceitas, a teoria da invaginação e a da metaplasia
(GARCÍA-SOLARES et al., [s. d.]). A primeira e mais popular hipótese aponta que os
focos adenomi óticos surgem durante os períodos de regeneração, cicatrização e
reepitelização do endométrio (BENAGIANO et al. , 2012) , após eventos uterinos
traumáticos que ocasionam uma invaginação da parte profunda do endométrio entre os
feixes de fibras musculares lisas do miométrio, através da zona juncional (JZ)
interrompida por crônicas contrações peristálticas miometrais (GARGETT; SCHWAB;
DEANE, 2016; LEYENDECK ER et al. , 2015; VANNUCCINI; PETRAGLIA, 2019)
possivelmente devido à perda de coesão do tecido causada por enzimas específicas,
como Bcl-2 (DEVLIEGER; D’HOOGHE; TIMMERMAN, 2003; UEKI et al., 2004). A
JZ representa o terço interno do miométrio (BROSENS et al., 2010). Este mecanismo é
denominado de mecanismo de lesão e reparo tecidual (TIAR), que tem sido renovada
pela teoria da ruptura da interface endometrial-miometrial (EMID) (GUO, 2020).
33
Do ponto de vista da expressão prot éica, o endométrio ectópico a presenta uma
maior expres são de receptores de estrogênio (ER) , acompanhado por uma expressão
consistente de Bcl-2 ao longo do ciclo menstrual, em comparação ao endométrio
eutópico (UEKI et al. , 2004) . Isso evidencia que uma constante expressão de B cl-2,
juntamente com ER ao longo do ciclo pode promover a proliferação de glândulas
adenomióticas e estromais (UEKI et al. , 2004) . A produção suprafisiológica de
estrogênio (hiperestrogenismo) devido à atividade parácrina local no endométrio
eutópico e e ctópico de pacientes com adenomiose pode ser um estado preliminar,
contribuindo para a origem da doença (GARCÍA-SOLARES et al. , [ s. d. ]). O
hiperestrogenismo pode possibilitar elevada atividade uterina mediada pela ocitocina,
resultando em aumento de tensões mecânicas que podem lesar as células na zona
juncional (ZJ), ativando o mecanismo TIAR em resposta à autotraumatização do tecido
(LEYENDECKER et al. , 2015; LEYENDECKER; WILDT, 2011; MALL, 2009;
SHAKED; JAFFA; GRISARU, 2014) . As contrações miometriais peristálticas crônicas
induzem microtrauma à JZ, causando um ciclo vicioso no qual a produção local de
estrogênio, mediada por COX -2(CHEN et al. , 2010) e induzida por interleucina -1
(GARCÍA-SOLARES et al., [s. d.]), resulta na produção da prostaglandina E2 (PGE2),
que por sua vez ativa a prot eina StAR (proteína reguladora aguda esteroidogênica) e a
aromatase P450 (MALL, 2009) . Essa ativação aumenta os níveis de estradiol,
contribuindo para o estad o hiperestrogênico n o endométrio eutópico (GARCÍA-
SOLARES et al., [s. d.]) (Figura 1). Por sua vez, a tividade hiperperistáltica sustentada
e lesão crônica, proliferação e inflamação atrasam o processo de cicatrizaç ão e resultam
em aumento do número de focos de “infiltração” tecidual (VANNUCCINI et al., 2017).
As propriedades migratórias e invasivas das células epiteliais endometriais
intensificadas pelo estrogênio fundamentam a capacidade do endométrio para infiltrar a
zona juncional miometrial e o crescimento do tecido ectópico (PHYSIOLOGY, 2015).
A segunda teoria, a teoria da metaplasia, aponta que as les ões adenomi óticas
podem se originar de restos de c élulas müllerianas (FERENCZY, 1998). É sabido que o
endométrio é rico em v árias popula ções de c élulas-tronco (HUFNAGEL; TAYLOR,
2015). Embora essas c élulas tenham um papel importante na fisiologia, regenera ção e
reparo endometrial, potencialmente também desempenham um papel relevante na
geração de endometriose (HUFNAGEL; TAYLOR, 2015) . Como as c élulas-tronco
adultas têm um papel fundamental na manuten ção da homeostase do tecido, é provável
34
que sua fun ção seja aberrante na doen ça ginecológica benigna associada à proliferação
endometrial alterada (GARGETT; SCHWAB; DEANE, 2016), incluindo a adenomiose.
As c élulas progenitoras que transpassam a ZJ e atingem o miométrio podem levar à
adenomiose uterina focal. Alternativamente, a adenomiose pode se diferenciar de
células-tronco multipotentes originadas da medula óssea e outras fontes
(VANNUCCINI et al., 2017) , embora essa alternativa seja mais remota e a literatura
tenha explorado pouco essa possibilidade.
Desde o final do século XX, mais especificamente a partir do século XXI, houve
um grande desenvolvimento das capacidades de processamento computacional e da
compreensão da genômica humana. Isso tem permitido melhorarmos nossa
compreensão sobre a biologia das doenças de um modo nunca visto antes
(GUTTMACHER; COLLINS; PH, 2003). E isso não tem sido diferente para as doenças
ginecológicas. Vários estudos têm investigado as alterações genéticas e epigenéticas
envolvidas na orquestração da fisiopatologia da adenomiose (ARTICLE, 2019; D et al.,
2010; GROOTHUIS, 2007; HUANG et al., 2010; JUO et al., 2006; KADO et al., 2002;
KANG et al., 2010; KITAWAKI et al., 2001, 2004; KIYOMIZU; KITAWAKI;
OBAYASHI, 2006; MOROSOVA et al., 2012; ROZATI; VANAJA; NASARUDDIN,
2010; SHAN et al., 2006; TSAI et al., 2018). A desregulação de genes e vias no
endométrio eutópico envolvidos na síntese de hormônios esteróides sexuais, e em
eventos celulares como proliferação e fibrose, inflamação e neuroangiogênese, podem
predispor à migração ectópica e implantação (VANNUCCINI et al., 2017). Muitos
genes são expressos diferencialmente em adenomiose, incluindo CXCL10, Calbindin D-
28K, fatores relacionados à prostaglandina, COX-2 e genes relacionados ao câncer e
morte celular (HEVER et al., 2006). Evidências recentes também têm indicado que uma
desregulação da expressão dos microRNAs podem ter papel chave na fisiopatologia da
endometriose e adenomiose (OHLSSON TEAGUE; PRINT; HULL, 2009), uma vez
que desempenham papéis importantes nos processos de apoptose, invasão, proliferação
celular, remodelamento da matriz, hipóxia, inflamação e angiogênese (OHLSSON
TEAGUE; PRINT; HULL, 2009). Apesar de terem suas particularidades, tanto a
endometriose quanto a adenomiose resultam da invasão e proliferação ectópica das
células endometriais, apresentando assim, uma patogênese semelhante em muitos
sentidos (HAWKINS et al., 2015).
35
Os microRNAs (miRNAs) são pequenas moléculas de RNA não codificantes
que contém cerca de 22 nucleotídeos (18 a 25). São bem conservados do ponto de vista
evolutivo, e tem como principal função a regulação gênica pós transcricional. Estima-se
que eles têm como alvo cerca de 60% dos genes de humanos. Os miRNAs modulam o
processo pós-transcricional por interagirem diretamente com o RNA mensageiro
(mRNA) através do pareamento de bases complementares. Este pareamento é perfeito
em plantas, mas não em animais. Os miRNAs são capazes de reconhecer um mRNA
alvo (geralmente uma sequência da região não traduzida na extremidade 3’ do mRNA -
3'UTR) usando apenas 2-7 nucleotídeos (seed region) da extremidade 5’ do miRNA.
Curiosamente, os mRNAs alvos de miRNAs em espécies de mamíferos são altamente
conservados (FRIEDMAN et al., 2009). A atuação do miRNA maduro sobre o mRNA
se dá com auxílio de um complexo enzimático chamado complexo de indução do
silenciamento do RNA (RISC), impossibilitando que o ribossomo acesse a informação
no mRNA, diminuindo ou bloqueando a síntese da proteína. Em suma, essa interação
culmina no silenciamento do mRNA através de repressão translacional ou degradação
do mRNA. Embora a promoção da sub-regulação transcricional dos genes seja o mais
frequente, já foi observado que alguns miRNA podem promover ativação da transcrição
e intensificação da tradução, inclusive em humanos (ZHANG; FAN; ZHANG, 2014).
A biogênese dos miRNAs inclui sua transcrição no núcleo celular, exportação
para o citoplasma e subsequente processamento e maturação (Figura 2) (ZHAO; TANG;
WU, 2014). Os miRNA primários (pri-miRNAs), transcrito pela RNA polimerase II
(SUN; TSAO, 2008; ZHAO; TANG; WU, 2014) são inicialmente processados no
núcleo da célula por um complexo nuclear formado pela ribonuclease III Drosha e seu
cofator DGCR8 (LEE et al., 2003; ZAMORE et al., 2014). A Drosha é uma proteína
nuclear (160 kD) da família de ribonucleases III, forma um grande complexo de
microprocessadores ~ 650 kDa juntamente com a proteína dsRBD DGCR8 em humanos
(GREGORY; YAN; AMUTHAN, 2004) e um complexo de ~500 kDa juntamente com
a proteína dsRBD Pasha em moscas (Drosophila melanogaster) (DENLI; TOPS;
PLASTERK, 2004; HAN et al., 2004; LUND, 2014). A molécula representativa do pri-
miRNA exibe uma estrutura secundária complexa em formato de grampo (harpin), com
uma haste em dupla fita, uma alça com bases não complementares e sequências
flanqueadoras (BARTEL; LEE; FEINBAUM, 2004). Esta estrutura é exportada para o
citoplasma por meio da exportina-5 (Exp-5) (SINGH et al., 2008). A Exp-5 é uma
proteína membro da família da carioferina de fatores de transporte núcleo-
36
citoplasmáticos e desempenha um papel na passagem de miRNAs do núcleo para o
citoplasma (IVAN; SCHMITTGEN, 2008) . No caso de depleção de Exp-5 por RNA de
interferência (RNAi), o nível de miRNAs maduros diminui, mas o pré-miRNA não se
acumula no núcleo. A falta de acumulação pode ser devido à instabilidade do pré-
miRNA. Isto sugere a possibilidade de que a interação de pré-miRNA com Exp-5 é
necessário para a estabilidade do pré-miRNA (BRENNECKE; COHEN, 2003).
No citoplasma, os pri -miRNAs são liberados por hidrólise do fator de
exportação e clivados pela Dicer (CHENDRIMADA et al., 2005) uma ribonuclease III
(~220 kDa) dependente de ATP com múltiplos domínios sendo responsável por clivar
RNAs de ~70 nucleotídeos (pré -miRs) em miRs maduros, removendo a alça na
estrutura stem -loop (IVAN; SCHMITTGEN, 2008; SUN; TSAO, 2008; ZHANG;
DAHLBERG; TAM, 2007) resultando na formação de um dúplex de RNA (IVAN;
SCHMITTGEN, 2008; SINGH et al. , 2008) . Este dúplex de RNA é incorporado ao
complexo de silenciamento induzido por RNA (RISC), no qual as duas fitas de RNA
são separadas (SINGH et al., 2008; ZHANG; DAHLBERG; TAM, 2007) . O complexo
de silenciamento induzido por RNA (RISC) possui um membro da família Argonauta
(proteína catalítica) e uma fita guia de RNA. Uma das fitas permanece associada ao
RISC e constitui o miRNA maduro (DALMAY, 2008; IVAN; SCHMITTGEN, 2008) ,
ao passo que a fita complementar sofre degradação (Figura 2).
37
1.3.Expressão e regulação dos miRNAs na adenomiose
Alguns estudos têm avaliado o perfil de ex pressão de miRNA na adenomiose.
Recentemente, pesquisas demonstraram que miRNAs têm função importante como
mediadores significativos em fisiologia celular e fisiopatologia (YANG et al., 2016) e
parecem ser potentes reguladores da expressão gênica na endometriose/adenomiose e
estão associados a distúrbios reprodutivos, aumentando a perspectiva de usar os
miRNAs como biomarcadores e, eventualmente, alvos terapêuticos (OHLSSON
TEAGUE; PRINT; HULL, 2009) . Herdon et al. (2016), verificaram através de análises
transcriptômicas globais que o endométrio eutópico de mulher es com adenomiose exibe
uma desregulação das vias que predispõem o desenvolvimento, migração e sobrevida
dos implantes endometriais ectópicos, sendo a via da apoptose a mais
significativamente desr egulada no endométrio de mulheres com adenomiose
(HERNDON et al., 2016). Comparando os transcriptomas do endométrio proliferativo
de mulheres com e sem adenomiose observaram 140 alterações e 884 genes
desregulados nas amostras de adenomiose em comparação com o controle. Os genes
mais altamente expressos foram os pequenos genes nucléicos de RNA C / D (SNORD),
que foram aumentados de 2 a 15 vezes (HERNDON et al. , 2016) . Através de
sequenciamento de nova geração (NGS) foi possível identificar que o gene KRAS
apresenta grande recorrência de mutações em adenomiose (INOUE et al., 2019), além
de apresentar alterações recorrentes em algumas patolo gias, c omo carcinoma uterino
(CANCER; ATLAS, 2013) e endometriose (OGAWA et al., 2017).
Também já foi observado que diversos transcritos de miRNA apresentam
expressão alterada em adenomiose. Os miR -9,miR-1, miR -139, miR -149, miR -
197,miR-326 e miR -339 (HERNDON et al. , 2016) miR-181a, miR -191, miR -195e
miR-200b (BORISOV et al., [s. d.]) tiveram sua expressão aumentada em adenomiose,
enquanto os miR -10b, miR -200c, miR -10a, miR -221 e miR -31estão regulados
negativamente em adenomiose (BORISOV et al., [s. d.]). Outro achado interess ante é
que a expressão do miR -17 nos tecidos endometriais eutópicos de pacientes com
adenomiose é significativamente aumentada enquanto a expressão da proteína PTEN é
reduzida, indicando que o miR -17 pode regular a expressão de PTEN e,
consequentemente, af etar a expressão de proteínas envolvi das na apoptose e ciclo
celular , uma vez que o gene regula negativamente a via PI3K / Akt, estimulando a
apoptose e bloqueando a prolifera ção e crescimento celular, sugerindo que miR -17
38
pode desempenhar um papel na promoção da viabilidade celular, invasão e metástase no
desenvolvimento de adenomiose (HU; LI; HE, 2017).
Guo et al. (2015), identificaram 156 miRNAs com expressão diferencial, dentre
eles, 46 miR NAs estão significantemente des regulados em lesões adenomióticas
ectópicas em comparação com o endométrio normal. Os miR -10b, miR-371b-5p, miR-
92b-5p, miR -30c e miR -100 aprese ntaram-se significativamente downregulated
enquanto os miR-143, miR-532-3p, miR-513a, miR-466 e miR-451a upregulated (28).
Nas células epiteliais endometriais isoladas do endométrio ectópico da
adenomiose, a superexpressão do miR -10b diminuiu significativ amente a taxa de
migração e invasão celular, sugerindo que o miR -10b pode desempenhar um papel
inibidor no desenvolvimento das lesões, por reprimir a invasão de células epiteliais
adenomióticas (PHYSIOLOGY, 2015).
Análises do perfil de expressão de miRNAs das células musculares lisas das
zonas juncionais (JZSMCs) em adenomiose indicam que os nív eis de expressão de
miRNAs associados à proliferação e apoptose, incluindo Let -7a, miR -16, miR -181 e
miR-20a foram alterados, e Let -7a apresentou uma diferença significativa em sua
expressão, apresentando-se downregulated em amostras de pacientes com adeno miose
(HUANG et al. , 2021) . Recentemente, tem sido proposto que a identificação de
miRNAs reciprocamente desregulados (particularmente miR -10b, miR-200c, miR-191)
na fase proliferativa do endométrio eutópico de mulheres com adenomiose podem
ajudar no diagnóstico minimamente invasivo da condição (BORISOV et al., [s. d.]).
Enfim, apesar dos dados serem inequívocos na demonstração do papel dos
miRNAs na fisiologia da adenomiose os estudos são muito hetero gêneos de modo a não
termos até o presente momento um padrão uniforme de quais miRNAs são realmente
importantes no processo da doença. Isso pode ser devido aos métodos de arranjos,
heterogeneidade dos tecidos, métodos de sequenciamento ou interferência das proteínas
reguladoras da biogênese dos miRNAs.
1.4.Desregulação das proteínas reguladoras da biogênese dos miRNAs
A desregulação global do miRNA é frequentemente o resultado de defeitos na
via de biogênese do miRNA, como mutação genômica ou expressão / localização
aberrante de enzimas e cofatores responsáveis pela maturação do miRNA (GURTNER
et al., 2016). A maquinaria da biogênese dos miRNAs é finamente regulada. Diferentes
39
mecanismos reguladores podem controlar a expressão do miRNA em nível genético ou
epigenético, além de envolver o mecanismo de biogênese ou o recrutamento de fatores
específicos de transcrição (MANUSCRIPT, 2013) . (Figura 3). Essa regulação ocorre
em diferentes níveis, desde a transcrição do pri-miR, seu processamento (Dicer e
Drosha) transporte (Exportina-5) e modificação (via edição, metilação, uridilação e
adenilação) e carregamento na proteína Argonauta (HA; KIM, 2014). Alterações nos
níveis de expressão de Dicer e Drosha acompanham as desregulações de miRNAs em
várias neoplasias, incluindo cânceres de mama e de ovário (BERNSTEIN et al., 2003).
A expressão alterada dos genes envolvidos na biogênese do miRNA tem sido implicada
como uma possível causa das diferenças nos perfis de miRNA entre tecidos normais e
cancerígenos, e potencialmente responsáveis por características comportamentais das
células como sobrevivência em ambiente ectópico, invasividade, e proliferação(76,77).
A desre gulação de diferentes cofatores, como o DGCR8, pode afetar a
expressão do miRNA com importantes implicações biológicas . Por exemplo,
camundongos knock -out para DG CR8, apresentaram alterações na proliferação e
diferenciação de células ES (WANG et al. , 2007) , fo i possível observar uma perda
global de miRNAs em células knock -out para DCGR8, evidenciando que DGCR8 é
determinante na maturação dos miRNA. Além disso, as adenosina desaminases que
atuam no RNA (ADARs) podem afetar a expressão de microRNAs que reconhecem
resíduos de adenosina, conforme relatado para o miR -142: a edição do pri -miR-142
resulta na supressão de seu processamento por Drosha, degradação por um componente
de complexo RISC e níveis reduzidos do produto maduro (YANG et al., 2006).
O acúmulo de pri -miRNAs e a depleção correspondente de miRNAs maduros
ocorre em cânceres humanos em comparação com tecidos normais, indicando
fortemente que o comprometimento de etapas cruciais na biogênese de miRNA poderia
ser a causa subjacente da desrregulação dos miRNAs (GURTNER et al. , 2016) . A
inibição da biogênese de microRNA, pela depleção de Dicer1 e Drosha, tende acelerar a
transformação celular e aumentar a tumorigênese in vivo (KUMAR et al. , 2007) . A
perda condicional de Dicer1 , por exemplo , nos tecidos pulmonares de camundongos
aumenta o desenvolvimento de tumores pulmonares (KUMAR et al., 2009). Alterações
de expressão dos principais reguladores da biogênese de miRNAs estão presentes no
tecido canceroso endometrial e podem ser potencialmente responsáveis pelos perfis
alterados de miRNAs observados na doença (TORRES et al. , 2011) .Também foi
40
observado que perda de Dicer e / ou Drosha também tem sido inversamente
correlacionada com o desfecho no câncer de pulmão (KARUBE et al., 2005), câncer do
epitélio ovariano (SPANNUTH et al., 2009) e, mais recentemente, em outros tipos de
tumores como carcinoma nasofaríngeo (GUO et al., 2012) , neuroblastoma (OLENA;
PATTON, 2010) e mama (RIMOKH et al., 2009).
Nossa hipótese é que variações na expressão das proteínas envolvidas no
processo de biogênese dos miRNAs em lesões adenomióticas, caso existam, possam ser
a base da explicação da variabilidade no conjunto de miRNAs associados à adenomiose
disponíveis na literatura. Também poderia abrir novas frentes de investigação do papel
dessas proteínas na fisiopatologia da doença.
41
Objetivo
42
2. OBJETIVO
2.1. Objetivo Geral
Avaliar a expressão das proteínas Dicer, D rosha, E xportina-5 no endométrio
eutópico e ectópico de pacientes com adenomiose.
43
Casuística, pacientes e
métodos
44
3. CASUÍSTICA, PACIENTES E MÉTODOS
3.1. Delineamento do estudo
O estudo é retrospectivo com base em uma série prospectiva. O estudo foi
aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da instituição (CAAE:
79643617.8.0000.5440 ), no qual foi solicitado dispensa do termo de consentimento
livre e esclarecido. Foram incluídos neste estudo dados clínicos resgatados de
prontuários médicos, e spécimes de endométrio ectópico oriundos de mulheres com
adenomiose dispostos em blocos de parafina e espécimes adicionais de endométrio
eutópico oriundos de mulheres submetidas à histerectomia sem doenças do endométrio,
também dispostos em blocos de parafina, previamente coletados, entre 2005 a 2017. O
Material
foi identificado no Serviço de Patologia (SERPAT) do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HC -FMRP-
USP), através de busca eletrônica e listagem de todos os diagnósticos histológicos de
adenomiose e endométrio normal. Os blocos corre spondentes foram revistos,
consecutivamente, por ordem cronológica decrescente, com objetivo de checar quesitos
técnicos da qualidade do bloco, e representatividade do tecido -alvo (endométrio
eutópico e endométrio ectópico) (Figura 4). Este trabalho foi de senvolvido no
laboratório de Oncopatologia, do Departamento de Patologia, da Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo (FMRP/USP) em colaboração com o Serviço de
Patologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo (SERPAT) do HC-FMRP-USP.
3.2.Pacientes
Este estudo incluiu 22 espécimes de endométrio de pacientes com adenomiose e
10 espécimes de endométrio eutópico de mulheres sem doenças do endométrio. Foram
incluídas no estudo amostras oriundas de mulheres com adenomiose não nulíparas, com
dor pélvica e sangramento uterino anormal não responsivo ao tratamento clínico com
contraceptivos hormonais, sem patologias associadas como leiomiomatose,
endometriose, e/ou pólipo endometrial que foram submetidas à histerectomia total e que
relataram não estar fazendo uso de medicamentos hormonais nos últimos dois meses,
não usuárias de dispositivo intrauterino de qualquer tipo. Foram selecionadas apenas
amostras histológicas que foram compatíveis com a fase proliferativa do ciclo
menstrual. Os critérios de elegibilidade para as amostras controle foram: mulheres não
45
nulíparas, submetidas à histerectomia total e salpingooforectomia para tratamento de
tumores epiteliais benignos de ovário sem história de dor pélvica ou sangramento
uterino anormal, ou uso de contraceptivos hormonais nos últimos dois meses. Também
foram selecionadas apenas amostras histológicas que foram compatíveis com a fase
proliferativa do ciclo menstrual. Fizemos uma primeira seleção das amostras inferindo a
fase do ciclo menstrual pelo dia da última menstruação informada no prontuário
médico. Confirmamos a fase com a identificação morfológica das seguintes
características: glândulas retas e estreitas, e epitélio glandular cubo-colunar. Cromatina
nuclear dispersa e figuras mitóticas presentes. Células estromais também com atividade
mitótica e bordas mal definidas. Na fase proliferativa tardia, glândulas com maior
tamanho e tortuosas com pseudoestratificação do epitélio, mostrando núcleos em
diferentes níveis. Células estromais pequenas e com formato de fuso semelhante às
células pré-decíduais.
3.3.Dados clínicos
Os dados clínicos abaixo listados foram coletados nos prontuários registrados no
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP/USP das
pacientes. Esses dados são registrados rotineiramente pela equipe clínica que
acompanha a paciente e encontram-se disponíveis para uso em pesquisa, mediante
aprovação em comitê de ética.
(i) Caracterização das pacientes:
Idade
Paridade
Patologias associadas
Menarca
Data da última menstruação (DUM)
(ii) Características ultrassonográficas seguindo a classificação
proposta por Van den Bosch et al., 2018 (88),quando possível:
Localização na parede uterina: anterior, posterior, lateral esquerda,
lateral direita ou fúndica
Diferenciação: focal, difusa ou adenomioma
Lesões císticas ou não císticas
46
Envolvimento da parede uterina: tipo 1 (zona juncional), tipo 2
(camada intermediária do miométrio) ou tipo 3 (camada externa do
miométrio)
Extensão da adenomiose: moderada ou severa
Tamanho das lesões
3.4. Imunohistoquímica
As amostras de endometrio eutópico e ectópico de mulheres com adenomiose
foram analisados de forma pareada. Em virtude da heterogeneidade do componente
tissular do estroma, optamos por fazer a análise apenas do tecido epitelial glandular.
As amostras de tecido incluídas em parafina foram cortadas no micrótomo
(LEICA RM2245) em secções de 4 µm de espessura e depositadas em lâminas de vidro
previamente tratadas (ENTELLAN®) para realização das re ações de
imunohistoquímica. O material foi submetido a desparafinizaçãoem xilol por três vezes
de cinco minutos e em sequência submetido à desidratação em gradiente de álcool
(absoluto I, absoluto II, 95%, 90%, 80% e 70%) por um minuto cada. Foi feita a
hidratação em água corrente e água destilada. Posteriormente, a recuperação antigênica
foi realizada através da fervura dos cortes, em tampão citrato 0,1M pH 6.0, por 40
minutos na panela à vapor (90°C), exceto para o anticorpo Anti -Dicer, que foi feito a
recuperação antigênica utilizando o tampão de recuperação DIVA Reveal Decloaker
10x. Após recuperação, as lâminas foram deixadas em temperatura ambiente por 20
minutos e em sequência foi realizado o bloqueio da peroxidase endógena com hidrogen
peroxidase b lock, (DHP -125, Spring Bioscience , USA) . Posteriormente, as lâminas
foram lavadas em TBST ( TRIS-Buffered Saline 0.05 with Tween 20) por cinco minutos.
Para bloqueio das ligações inespecíficas foi utilizado o kit ULTRAV ( BIOGEN,
Cambridge, Massachusetts, EUA ) por 10 minutos. Em seguida foi realizada a
incubação com o anticorpo primário anti-human diluído em BSA 0,1% (albumina de
soro bovino), para os seguinte s marcadores (tabela abaixo) overnight à -4ºC. Os
anticorpos utilizados na imunohistoquímica, marca, clone e diluição estão apresentados
na Tabela 1.
Após a incubação com anticorpo primário, feita a lavagem com TBST ( TRIS-
buffered saline) e adição de REVEAL Complement (DCMT-15, Spring Bioscience,
USA) - anticorpo secundário - por 10 minutos. Em seguida o material foi incubado por
47
15 minutos em HRP Conjugate (Horseradish peroxidase , DHRR -125, Spring
Bioscience, USA). A reação foi revelada com crómogeno DAB ( 3,3′-
Diaminobenzidina, Spring Bioscience, USA). As lâminas foram lavadas em água
destilada por cinco minutos e contracoradas com Hematoxilina de Harris durante 40
segundos. Os cortes foram então hidratados em gradientes crescentes de álcool e
diafinizados em xilol, e montados em meio permanente para obervação ao microscópio.
Os tecidos utilizados como controle positivo na imunoh istoquímica para os
marcadores Drosha, Exportina-5 e Dicer foram, consecutivamentes, adenocarcinoma de
pulmão, cólon normal e pla centa. Como controle negativo de cada caso utilizou -se uma
seção do tecido analisado incubado apenas com o diluente do anticorpo e protéina sérica
bovina (BSA) (Figura 5).
3.5.Análise das imagens histológicas
As lâminas foram selecionadas de acordo com a maior representatividade de
tecido epitelial típico de endométrio (eutópico ou ectópico) por um consenso de dois
observadores. Para avaliação da imunocoloração, foi utilizado um microscópio de luz
convencional (Axiostar Plus, Zeiss, Göttingen, Alemanha) e foram examinados todos os
campos que continham as lesões, sendo consideradas células positivas aquelas coradas
de marrom escuro após as reações. Em cada lâmina foram analisados 10 campos de
aumento 40 x, com priorização dos campos de marcação mais intensa. As categorias
foram definidas por porcentagem de células positivas: 0 (0% –5%), + (6% –25%), ++
(26%–50%), e +++ (51%–100%) (TAN et al., 2011; ZHANG et al., 2016).
Foi realizado o processo de leitura automatizada das lâminas utilizando imagens
das lâminas escaneadas por um sistema Olympus BX61VS Slide Scanner ( Olympus
Optical do Bras il Ltda, São Paulo, Brasil ) através do software VS120 Virtual Slide
Microscope ( Olympus Optical do Brasil Ltda, São Paulo, Brasil ), localizado no
Laboratório Multiusuário de Microscopia Eletrônica (LMME) do Departamento de
Biologia Celular e Bioagentes Patogênicos, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
(FMRP). Foram digitalizados cinco áreas de lesões adenomióticas e duas áreas de
endométrio eutópico para cada lâmina, utilizando a objetiva com aumento de 20 x,
todas as imagens foram geradas no formato tiff.
48
3.6. Análise digital quantitativa das imagens
Para a análise digital quantitativa das imagens, utilizou-se a ferramenta QuPath
(https://qupath.github.io) (Universidade de Edinburgh, Reino Unido) (BANKHEAD et
al., 2017) . Inicialmente foram criados projetos específicos (endometrio eutópico de
mulheres controle; endometrio eutópico de mulheres com adenomiose; e endometrio
ectópico) onde as imagens foram carregadas como tipo brightfield, adequada a
coloração com DAB que utilizamos. Esta etapa é importante e interfere no processo de
separação automatizada das marcações. Ela usa um método de deconvolução de cores
dentro do espectro RGB (do inglês red, green, e blue) (RUIFROK; JOHNSTON, 2001).
O software permite a seleção de vetores específicos para identificação de imagens
imunohistoquímicas marcadas com hematoxilina e DAB.
Uma vez carregadas, as imagens foram anotadas. Esse processo de anotação
representa a seleção de objetos ou áreas de interesse da análise. Embora esse processo
pudesse ser automatizado, nós preferimos selecionar manualmente todo o tecido
glandular representado na imagem. Para isso usamos duas ferramentas de desenho
disponíveis (polygon e brush). No primeiro, era possível delimitar uma região usando
linhas finas poligonais, e na segunda, era possível selecionar uma região usando um
pincel de espessura variável (Figura 6).
Após a etapa de seleção das áreas de interesse, nós procedemos com o processo
de detecção de células usando uma função build-in chamada ‘positive cell detection’,
pois foi a que mais se adaptou às nossas análises preliminares (Figura 6). Os parâmetros
referentes à detecção de núcleos, células, e intensidade de background foram, via de
regra, padronizados entre as imagens dentro de cada projeto, utilizando os ajustes
padrões sugeridos pelo software. Ajustes individuais finos foram feitos no parâmetro de
detecção dos limites das células devido a uma variação morfológica do tamanho das
mesmas entre as lâminas (Figura 6).
Usamos como parâmetro de detecção de intensidade a média de marcação
nuclear ou celular, respectivamente para os anticorpos com marcação exclusiva nuclear
ou mista (nuclear e citoplasmática). Classificamos a intensidade de marcação em +, ++,
ou +++ usando os limiares de detecção de cor de 0.2, 0.4 e 0.6, respectivamente. A
razão entre a contagem de células positivas (independente da intensidade) e a contagem
total de células foi usada para gerar o índice de marcação celular, expresso em
porcentagem. A classificação da intensidade de marcação também foi analisada, mas de
49
maneira qualitativa.
3.7.Análise estatística
A quantificação da imunomarcação dos anticorpos foi expressa pela média e o
erro padrão do percentual de células positivas entre o total de células identificadas por
amostra. Para análise da diferença do número percentual de células epiteliais marcadas
positivamente pelos anticorpos ente o endométrio eutópico de mulheres sem
adenomiose e o endométrio eutópico de mulheres com adenomiose, foi utilizado o teste
de Mann Whitney para dois grupos independentes. Para análise da diferença do número
percentual de células epiteliais marcadas positivamente pelos anticorpos entre o
endométrio eutópico e o endométrio ectópico de mulheres com adenomiose, utilizamos
o teste de Wilcoxon para duas amostras pareadas (Wilcoxon signed rank test). Para
análise de correlação entre o número percentual de células epiteliais marcadas
positivamente pelos anticoropos entre o endométrio eutópico e o endométrio ectópico
de mulheres com adenomiose, foi utilizado o método de correlação de Spearman.
Usamos o teste exato de Fisher para testar a hipótese nula da avaliação subjetiva da
proporção de células comprometidas em cada tecido, referente à cada proteína.
50
Resultados
51
4. RESULTADOS
4.1.Avaliação clínica dos pacientes
A caracterização da casuística está detalhada nas Tabela 2 e Tabela 3.
4.2.Caracterização qualitativa da expressão das proteínas reguladoras da biogênese
dos miRNAs
Detectamos através da detecção de intensida de de marcação, a localização das
proteínas, sendo os parâmetros utilizados: nuclear ou celular ou mista (nuclear e
citoplasmática). Foi possível verificar que a proteína Drosha tem localização nuclear e
celular, enquanto as proteínas Exportina -5 e Dicer e stão localizadas apenas no
citoplasma das células endometriais (Figura 7). As células epiteliais foram o foco da
imunomarcação, uma vez que o estroma é muito heterogêneo na composição celular e
pode inviabilizar uma análise adequada. As análises de intensidade de marcação foram
realizadas de maneira qualitativa, classificando em +, ++ ou +++.
4.3.Avaliação quantitativa da expressão das proteínas reguladoras da biogênese dos
miRNAs
A média (Me) e o erro padrão (se) do percentual de células positivas estão
representados na tabela 4. O percentual de células examinadas para cada condição está
representado nas tabelas 5, 6 e 7.
Observamos menor expressão de Drosha no endom étrio eutópico de mulheres
com adenomiose em comparação com o endom étrio eutópico das mulheres sem a
doença (p = 0.016) (IC 95% da diferença: 3.4% a 27.4%) (Figura 8). Além disso,
observamos men or expressão de Drosha no endomé trio ectópico de mulheres com
adenomiose do que no endomé trio eutópico das mesmas mulheres ( p = 0.004 ; IC 95%
da diferença: 2.3% a 16.7 %) (Figura 9). Também foi possível observar uma correlação
moderada entre a expressão de Drosha no endom étrio ectópico de mulheres com
adenomiose e no endom étrio eutópico das mesmas mulheres ( p = 0.034, rho = 0.454 )
(Figura 10).
Não observamos diferença na expressão de Exportina -5 entre o endométrio
eutópico de mulheres com adenomiose e o endométrio eutópico das mulheres sem a
doença: p = 0.428 (IC9 5% da diferença: -18.1% a 7.9%) (Figura 8). Também não
52
observamos diferença na expressão de Expor tina-5 entre o endométrio ectópico de
mulheres com adenomiose e o endométrio eutópico das mesmas mulheres: p=0.337
(IC95% da diferença: -4.0% a 13.6%) (Figura 9).
Em relação à expressão de Dicer, não identificamos diferença entre o
endométrio eutópico de mulheres com adenomiose e o endométrio eutópico das
mulheres sem a doença: p=0.399 (IC95% da diferença: -0.01% a 2.01%) (Figura 6) .
Não observamos diferença na expressão de Dicer entre o endométrio ectópico de
mulheres com adenomiose e o endomé trio eutópico das mesmas mulheres: p = 0.218
(IC95% diferença: -0.3% a 0.05%) (Figura 10).
53
.
Discussão
54
DISCUSSÃO
Nosso estudo mostra que a expressão imunohistoquímica de Drosha é
progressivamente menor no endométrio eutópico e ectópico de mulheres com
adenomiose quando comparados ao endométrio eutópico de mulheres sem a doença. A
correlação observada no percentual de células imunomarcadas para a Drosha nos
tecidos eutópicos e ectópicos pareados sugere uma expressão coordenada entre os sítios.
Quanto à Dicer e Exportina-5 não identificamos diferenças significativas da expressão
nos tecidos estudados. No entanto, algumas observações precisam ser apontadas. Com
relação à Dicer, a baixa expressão, ao menos na fase proliferativa, e o número reduzido
da casuística podem ser as responsáveis pela impossibilidade de rejeitar a hipótese de
nulidade. Quanto à expressão de Exportina-5, a maior heterogeneidade (dispersão) da
sua expressão no endométrio eutópico de mulheres sem adenomiose pode ser a
responsável por essa impossibilidade.
As razões para as alterações que detectamos são desconhecidas. Não é possível
afirmar se essas alterações detectadas são herdadas ou se são adquiridas pelas células de
alguma maneira ao longo da vida. De todo modo, estudos re centes têm mostrado que
essas proteínas têm papel relevante na receptividade endometrial e infertilidade (LOKE;
RAINCZUK; DIMITRIADIS, 2019), e também no câncer endometrial (TORRES et al.,
2011). Neste último, a expressão reduzida pode inclusive estar diretamente associada a
desfechos clínicos desfavoráveis e diminuição da sobrevida (TORRES et al. , 2011) .
Com base nesses achados, embora plausível, não é possível garantir se essas alterações
comuns podem justificar o aumento de risco de câncer de endométrio em mulheres com
adenomiose (JOHNATTY et al., 2020). Outro ponto interessante é com relação à baixa
expressão de D icer. Do ponto de vista biológico, a deleção de Dicer pode direta ou
indiretamente causar a depleção d os receptores de progesterona (HAWKINS et al. ,
2012), cuja menor expressão também é observado na adenomiose (INOUE et al., 2019).
A express ão diferencial de Drosha entre os endom étrios eut ópicos e ect ópicos
pode justificar a express ão alterada dos miRNAs em adenomiose , uma vez que,
alterações nos níveis de expressão de Drosha acompanham as desregulações de
microRNAs em várias neoplasias, incluindo cânceres de mama e de ovário
(BERNSTEIN et al., 2003). Torres et al. (2011), verificou que alterações de expressão
dos principais reguladores da biogênese dos microRNAs estão presentes no tecido
55
cancerígeno endometrial e podem ser potencialmente responsáveis pelos perfis alterados
dos microRNAs observados nessa neoplasia (TORRES et al. , 2011) : os níveis de
expressão de Drosha foram significativamente mais baixos em amostras de câncer de
endométrio em comparação com os controles e a expressão diminuída de Drosha se
correlacionou com o maior grau histológico da doença (TORRES et al. , 2011) . O s
níveis de mRNA de Dicer e Drosha c orrelacionados com os n íveis de expr essão da
proteína correspondente encontram -se reduzidos nas amostras de c âncer de ov ário
(SPANNUTH et al. , 2009) , além disso, a express ão de mRNA de Dicer e Drosha é
variável entre espécimes de câncer de ovário epitelial invasivo e em linhas de células de
câncer de ov ário e est ão significativamente associadas à sobrevivência, indicando que
os níveis de mRNA de Dicer e Drosha em c élulas de câncer de ovário são clinicamente
relevantes (SPANNUTH et al., 2009).
Drosha e seu cofator, DGCR8, formam o complexo microprocessador e s ão
cruciais para a etapa inicial de matura ção de miRNA: processamento nuclear de p ri-
miRNAs (PONG; GULLEROVA; ROAD, 2018) . Al ém dos pri -miRNAs, a Drosha
também pode ter como alvo outros transcritos contendo a estrutra hairpin, como
hairpins encontrados em éxons de mRNA (PONG; GULLEROVA; ROAD, 2018) .O
mapeamento de todo o genoma de substratos nascentes de Drosha atrav és formaldehyde
cross-linking immunoprecipitation and sequencing (fCLIP -seq) revelou que Drosha
também processa substratos n ão canônicos, sugerindo que pode ter fun ções diferentes
da matura ção de miRNA (KIM; KIM, 2018) . Pong; Gullerova (2018) (PONG;
GULLEROVA; ROAD, 2018) publicaram uma revisão sobre as fun ções não canônicas
das prote ínas reguladoras da biog ênese dos miRNAs. A aus ência do complexo
microprocessador durante o desenvolvimento leva à perda das propriedades das células-
tronco e à diferenciação prematura em progenitores neurais do prosencéfalo de murinos,
a Drosha desestabiliza diretamente o mRNA da Neurogenina 2 (Ngn2) e, assim, diminui
os n íveis de Ngn2, um fator de transcri ção neurog ênico (PONG; GULLEROVA;
ROAD, 2018) . Outro estudo apontado na revis ão mostrou que a abla ção de DGCR8
prejudica a corticog ênese em camundongos de forma mais pronunc iada do que a
depleção de Dicer, um fenômeno causado pela desregulação do transcrito da proteína T-
box cerebral 1 (Tbr1), que previu estruturas em hairpin em sua sequ ência de
codificação, concluindo que, e DGCR8 s ão, portanto, importantes para manter a
propriedade de auto -renovação de progenitores neurais murinos, que é alcançada pela
56
desestabilização de transcritos que codificam fatores de diferencia ção. Além de
implicações na neurog ênese, Drosha est á implicada no desenvolvimento mieloide, em
que desestabiliza diretamente o mRNA da cadeia leve 9 da miosina (Myl9) e o mRNA
alvo de Drosha 1 (Todr1), cujos produtos prot éicos são inibidores da mielopoiese e s ão
essenciais para o desenvolvimento das c élulas dendr íticas(PONG; GULLEROVA;
ROAD, 2018).
Das proteínas estudadas, a Exportin-5 é a mais altamente regulada pelo
estrogênio. Já o efeito da progesterona parece fundamental para o aumento da expressão
de Dicer, e pode induzir uma redução na expressão da Drosha (NOTHNICK, 2012), ao
menos no tecido sadio. Talvez isso explique a baixa expressão identificada no nosso
estudo. A identificação de baixa expressão de Dicer nessa fase do ciclo menstrual tanto
no endométrio eutópico quanto no endométrio ectópico de mulheres com adenomiose,
sugere que esse componente da biogênese não deve ser o responsável pelas alterações
na modulação da maturidade dos miRNAs associados a esta patologia. Outra
justificativa poderia ser o envolvimento dos hormônios esteroides sexuais no processo
de regulação da expressão de miRNAs. É sabido que os receptores nucleares para os
hormônios esteroides, inclusive que o receptor alfa do estrogênio modula a biossíntese
de miRNAs (FUJIYAMA-NAKAMURA; YAMAGATA; KATO, 2010) e que a
expressão desta isoforma do receptor é diferentemente expressa no endométrio
adenomiótico (MEHASSEB et al., 2011).
Do ponto de vista da susceptibilidade genética, alguns estudos têm identificado
uma associação entre polimorfismos de D icer e/ou Drosha e risco para endometriose
(MEDEIROS et al. , 2021) e aborto espontâneo reccorrente (GHASEMI et al. , 2019) ,
condições sabidamente associadas à adenomiose (LEYENDECKER et al. , 2015;
SOMIGLIANA et al. , 2006) . Outra hipótese que pode ser aventada, embora também
não seja segura em explicar a variação na expressão dessas proteínas em espécimes de
adenomiose é o envolvimento das proteínas p53, p63 e p73 (BOOMINATHAN, 2010) .
Essas proteínas podem modular a expressão de Dicer e Drosha (BOOMINATHAN,
2010) e parecem estar alterados em espécimes de adenomiose (HOSPITAL, 1996;
NETO; FERREIRA; RAMALHO, 1975) .
Nosso estudo algumas limitações. A sele ção de pacientes e controles foi muito
rigorosa. Embora importante, o uso de critérios estritos levou a uma redução
57
significativa da elegibilidade. De qualquer forma, consideramos esse ponto fundamental
para um estudo piloto. A padronização da fase do cicl o menstrual também parece ser
muito importante, pois os esteróides sexuais podem interferir drasticamente na
expressão dessas proteínas (NOTHNICK, 2011). Neste estudo não incluímos amostras
de mulheres que estavam em uso de progestagênio, pois acreditamos que isso poderia
ter interferido na análise da expressão tecidual das proteínas -alvo. Além disso, nossa
casuística também não contém amostras da fase secretória, uma vez que boa parte das
cirurgias de histerectomia são realizadas no período proliferativo do ciclo menstrual.
Outro ponto é a utilização da técnica imunohistoquímica apenas. No entanto,
apesar do sequenciamento de RNA (RNAseq) ser considerado o padrão ouro para
avaliação de perfis de genes ao nível da tr anscrição, a avaliação da expressão de
proteínas pela imunohistoquímica em amostras teciduais embebidas em parafina e
fixadas em formalina (formalin -fixed paraffin -embedded tissue samples) demonstrou
correlações altas e estatisticamente significativas com o RNAseq (SOROKIN et al. ,
2020).O uso da metodologia de análise digital das imagens com supervisão de
conferência de um patologista agrega valor substancial à mensuração quantitativa da
marcação imunohistoquímica (RIZZARDI et al., 2012).
58
Conclusão
59
5. CONCLUSÃO
A expressão de Drosha é reduzida aparentemente de maneira coordenada no
endométrio eutópico e ectópico de mulheres com adenomiose. Esse achado, juntamente
com a evidência da relação entre essa proteína e o câncer endometrial, justifica o
direcionamento de pesquisas futuras para compreender o papel da Drosha na
fisiopatologia da adenomiose e, eventualmente, sua relação com o câncer de endométrio
evidencia a importância. O comprometimento da expressão dessa proteína, e talvez da
Dicer/Exportina-5, pode justificar a importância da via de biogênese dos miRNAs na
fisiopatologia da doença e, consequentemente, na interpretação dos sintomas e na
proposição de terapias efetivas.
60
Tabelas
61
6. TABELAS
Tabela 1: Anticorpos utilizados na imunohistoquímica.
Anticorpo Marca Clone Diluição Controle
positivo
Anti- Drosha ABCAM/UK ab102015 1:100 Adenocarcinoma
de pulmão
Anti- Dicer ABCAM/UK ab82539 1:60 Placenta
Anti-Exportin-
5
ABCAM/UK ab129006 1:200 Cólon
Nota: para controle negativo não utilizamos anticorpo primário
62
Tabela 2: Caracterização clínica das pacientes incluídas no estudo.
Casos (n = 22) Controles (n = 10) p value
Idade (média±dp) 41.8±3.6 42.2±3.1 .751
Menarca (média±dp) 11.9±1.7 12.6±1.1 .258
Gestações (mediana,intervalo) 4, 0-8 2.5, 2-4 .073
Paridade (mediana, intervalo) 2.5, 0-4 2, 1-4 .298
Localização (n, %)
--- ---
Parede anterior 6, 27.3 --- ---
Parede posterior 8, 36.4 --- ---
Mista 8, 36.4
Envolvimento da camada uterina
--- ---
Tipo 1-2 15, 68.2 --- ---
Tipo 2-3 5, 22.7 --- ---
Tipo 1-2-3 2, 9.1 --- ---
Notas: tipo 1 = zona de junção; tipo 2 = miométrio médio; tipo 3 = miométrio externo.
63
Tabela 3: Informações clínicas das pacientes controles incluídas no estudo.
Idade Paridade Patologias
Associadas Menarca Hábitos D.U.M Data da
cirurgia
39 anos G4P4A0C4 DPC e SOP 13 anos Ex-
tabagista 06/05/2010 17/05/20
10
38 anos G4P3A1C1 Nega 13 anos Nega 10/2006 23/10/20
06
36 anos G5P2A4PN2 Nega 14 anos Nega 17/04/2007 20/04/20
07
46 anos G2P2A0PN2 Fibromialgia 9 anos Nega 02/2006 08/02/20
06
47 anos G3P3A0PN3 Anemia 8 anos Nega 04/04/2007 09/04/20
07
39 anos G2P2A0PN2 HAS 12 anos Nega 14/09/2008 15/09/20
08
38 anos G1 Anemia 13 anos Nega 29/10/2007 09/11/20
07
48 anos G5P3A2C Nega 11 anos Ex-
tabagista 21/03/2009 27/03/20
09
39 anos G2P2A0PN2 Nega 9 anos Nega 03/09/2007 14/09/20
07
44 anos G2P1A1PN1 DPC 10 anos Ex-
tabagista 07/10/2006 16/10/20
06
45 anos G4P3A1PN3
NIC I e
NICII 13 anos Não
informado 10/06/2008 22/06/20
08
48 anos G2P2A0C2 Nega 13 anos
Não
informado 17/07/2007 25/07/20
07
43 anos G4P2A2C2 Nega 10 anos
Não
informado 15/07/2006 21/07/20
06
45 anos G8P8A0N8 NIC II 13 anos Não
informado 25/04/2006 04/05/20
06
39 anos G4P4C1A0
Dispareunia
e anemia 14 anos Nega 26/09/2007 31/09/20
07
42 anos G6P2A4C2 Nega 12 anos Etilismo
Social 12/08/2007 19/08/20
07
39 anos G4P4A0PN4 Nega 14 an Não 24/02/2006 02/03/20
06
64
Notas: Data da última menstruação (D.U.M). Gravidez (G). Parto(s) (P). Aborto (A).
Cesárea (C). Parto Normal (PN).
os informado
41 anos G4P2A2PN2 Nega 13 anos Não
informado 13/08/2007 19/08/20
07
43 anos G4P3A1C1P
N3
Nega 13 anos Ex-
tabagista 05/2006 12/05/20
06
40 anos G4P3A1PN3 Nega 11 anos Nega 13/01/2007 17/01/20
07
43 anos G2P2A0C2 DMII 12 anos Nega Dezembro
de 2008
13/02/20
09
37 anos G3P2A0C1 Nega 12 anos Nega Não
informado
13/08/20
08
65
Tabela 4: Percentual de células epiteliais positivas para cada anticorpo em cada condição.
Anticorpo Condição Endométrio % (Me±se) Contagem de
células
Anti-Drosha
Controle Eutópico
85.2±2.9
3168
Adenomiose
Eutópico 69.9±3.4 3818
Ectópico 59.6±3.2 2562
Anti-Dicer
Controle Eutópico 2.4±1.8 2932
Adenomiose
Eutópico 0.1±0.0 3015
Ectópico 0.2±0.0 2232
Anti-Exportina-
5
Controle Eutópico 67.8±7.6 3352
Adenomiose
Eutópico 76.3±2.6 3190
Ectópico 72.4±3.4 2436
66
Tabela 5: Percentual de células positivas para o marcador Drosha.
Notas: Diferença entre endométrio normal e eut ópico (Teste exato de Fisher, p = 0.0058) e diferença
entre endométrio normal e ectópico (teste exato de Fisher, p = 0.0058).
DROSHA 0&1 2 3
endométrio normal 0(%) 4(%) 6(%)
endométrio eutópico 0(%) 0(%) 22(%)
endométrio ectópico 0(%) 0(%) 22(%)
67
Tabela 6: Percentual de células positivas para o marcador Exportina-5.
EXPORTINA-5 0 1 2 3
endométrio normal 1(%) 0(%) 3(%) 6(%)
endométrio eutópico 0(%) 0(%) 3(%) 19(%)
endométrio ectópico 0(%) 0(%) 3(%) 19(%)
Notas: Diferença entre endométrio normal e eutó pico (Teste exato de Fisher, p = 0.3204) e diferença
entre endométrio normal e ectópico (teste exato de Fisher, p = 0.3204).
68
Tabela 7: Percentual de células positivas para o marcador Dicer.
Notas: Diferença entre endométrio normal e eut ópico (Teste exato de Fisher, p = 0 .6367) e diferença
entre endométrio normal e ectópico (teste exato de Fisher, p = 0.6367)
DICER 0&1 2&3
endométrio normal 9(%) 1(%)
endométrio eutópico 17(%) 5(%)
endométrio ectópico 17(%) 5(%)
69
Referências Bibliográficas
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7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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