Conclusions
Patients with endometriosis have higher percentages of
peripheral NK cells, as well as a gr eater prevalence of positive ANA
compared to those without endometriosis. The concentration of peripheral
NK cells increases in pat ients with endometriosis, pr edominantly in patients
with advanced stages of the disease and th ose in whom the rectosigmoid is
affected. Therefore, the concentration of NK cells in peri pheral blood could
be used as a diagnostic marker of this type of endometriosis, particularly
when evaluated together with patients’ symptoms.
Descriptors: 1.Endometriosis 2.Natural Ki ller cells 3.Autoantibodies
4.Biological markers
Introdução 1
1 INTRODUÇÃO
A endometriose é uma doença que compromete 10-15% das
mulheres na menacme, caracterizada pelo desenvolvimento de tecido
endometrial (epitélio glandul ar e/ou estroma) em loca lização extra-uterina,
normalmente nos ovários e peritônio pélvi co e mais raramente em porções
dos tratos digestivo e ur inário (Giudice e Kao, 2004). Os sintomas mais
freqüentes são dismenorréia, dispareun ia de profundidade, dor pélvica
acíclica, infertilidade, além de sint omas intestinais e urinários cíclicos
(Bulun, 2009). As portadoras dessa afecção podem esperar muito tempo
desde o início dos sintomas até que se faça o diagnóstico, percorrendo
hospitais e consultórios por até 7 anos desde o início dos sintomas até que o
diagnóstico seja estabelecido (Arruda et al., 2003).
Os implantes de endometriose podem ser em superficiais e
profundos, na dependência de apresen tarem-se com profundidade de
infiltração menor ou maior/igual a 5mm, tendo sido demonstrado que a
doença profunda relacionada-se a maior intensidade de dor (Cornillie et al. ,
1990). Nisolle e Donnez, em 1997, lanç aram um conceito que dividiu a
endometriose em três doenças distintas: peritoneal superficial, ovariana e de
septo retovaginal. A doença peritoneal seria uma doença superficial com
menos que 5mm de prof undidade, a ovariana incl uiria os implantes
Introdução 2
superficiais de ovário e os endometriomas. Já doença que naquele momento
foi chamada de septo retovaginal, seri a aquela que causar ia obliteração do
fundo-de-saco posterior (Nisolle & Donnez, 1997). Hoje denominada doença
profunda, caracteriza-se por focos de profundidade superior a 5mm
acometendo as regiões retro-cervical , para-cervical, septo reto-vaginal,
diversas porções do tubo digestivo como retossigmóide, além de ureteres e
bexiga (Chapron et al., 2004).
Dentre as teorias clássicas sobre a etiopatogenia da doença destacam-
se a da menstruação retrograda (Sampson, 1927) e da metaplasia celômica
(Meyer, 1919). Contudo a presença de células endometriais viáveis durante
a menstruação é encontrada em até 90% das mulheres (Halme et al., 1984),
no entanto nem todas desenvolvem a doenç a, o que sugere a contribuição
de outros fatores para o desenvolvimento da doença.
Existem evidências de que fatore s imunológicos, inflamatórios,
genéticos e ambientais tenham impor tância nos processos que permitem
que as células endometri ais localizadas em ambi ente extra-uterino se
implantem e/ou desenvolvam, permiti ndo o aparecimento da endometriose
(Simoens et al. , 2007; Bulun, 2009). Esse s fenômenos poderiam gerar
alterações imunes celulares, de su bstâncias como citocinas ou alguns
anticorpos em sangue perifér ico, o que em tese poder ia ser usado para se
estabelecer algum tipo de marcador di agnóstico para e ssa afecção (Abrao
et al., 1999; Bedaiwy et al., 2002).
Introdução 3
1.1 Considerações gerais sobre o sistema imune
O sistema imune consiste numa comp lexa interação entre diferentes
tipos celulares como linfócitos, monóc itos, macrófagos, neutrófilos, células
natural killer (NK) e substâncias secretadas por essas células como
anticorpos (Acs), interleucinas (I Ls) e componentes do sistema
complemento. Sua função é identificar e destruir micro-organismos, células
neoplásicas ou que não sejam da própria pe ssoa. Classifica-se a resposta
imune em inata e adquirida. A resposta inata caracteriza-se pela ausência
de necessidade de estímulos ou memóri a imunológica prévia, utiliza
barreiras epiteliais, células fagocitárias (neutrófilos, monócitos, macrófagos),
células que liberam mediadores infl amatórios como o complemento e
citocinas (basófilos, mastócitos e eosinófilos) e as células NK para destruir
microorganismos estranhos (Benjamini, 2002).
A resposta imune adquirida é um padrão de resposta mais
especializado, que envolv e a proliferação de li nfócitos B e T antígeno-
específicos que ocorre quando receptor es de membrana dessas células
entram em contato com antígenos estr anhos ao organismo, com o objetivo
de otimizar a resposta imune, além de gerar mecanismos de memória
imunológica (Abbas, 2008).
Todas as células do sistema imune apresentam em sua membrana
celular algumas proteínas que são utiliz adas como receptores que norteiam
a resposta imunológica a determinados estímulos. Essas proteínas são
utilizadas como marcadores fenotípicos, que podem diferenciar os tipos
Introdução 4
celulares, ou seja um grupamento de diferenciação, sendo designadas como
Cluster of Differentiation (CD). Os linfócitos humanos podem ser divididos
em 3 principais categorias (Linfócitos T, Linfócitos B e células NK) baseados
nas suas funções biológicas e presença de determinados antígenos de
superfície (CD), por exemplo, as células NK podem ser caracterizadas
conforme seus antígenos de super fície como (CD3-/CD56+/CD16+),
enquanto outros linfócitos são CD3+. Os linfócitos T podem ser classificados
em Linfócitos T Helper ou auxiliadores (CD3+C D4+CD8-) e linfócitos T
supressores ou citotóxicos (CD3+CD4-C D8+). Os linfócitos B apresentam
em suas membranas receptores para pr oteínas do Comple xo Principal de
Histocompatibilidade (CPH) de classe II além de CD19+ e CD21+ (Delves e
Roitt, 2000a).
A figura 01 ilustra de forma resumida os principais aspectos do
sistema imune. Normalment e, a primeira linha de defesa imunológica é
constituída pelos macrófagos e células natural killer (NK), ambos com a
função de destruir sem a necessidade de memória imunológica as células
alvo ou antígenos estranhos. Cabe a célula s como os macrófagos destruir
esses elementos, além de processá-los e apresentá-los a linfócitos T fato
que irá deflagrar uma proliferação de linfócitos T (Abbas, 2008), com
funções que serão descritas a seguir.
Introdução 5
Figura 1 - Representação esquemática resumida do sistema imune
Paralelamente aos mecanismos citotóxicos dos macrófagos e das
células NK, os linfócitos B entram em contato com essas células e antígenos
estranhos através de imunoglobulin as de membrana permitindo o
reconhecimento desses antígenos como “próprios” ou “não-próprios”.
Graças a esse reconhecimento, ocorre proliferação de clones de linfócitos B,
que serão responsáveis pela produção de anticorpos (Delves e Roitt, 2000a).
Esses por sua vez, otimizam a respos ta imune, quer seja inativando
antígenos solúveis, quer se ja facilitando a fagocitos e dos macrófagos, quer
seja estimulando resposta s imunes mediadas por an ticorpos em células
NK. Esse tipo de resposta imune é c hamada de resposta imune humoral
(Abbas, 2008).
Introdução 6
Os anticorpos são proteínas (i munoglobulinas) secretadas pelos
linfócitos B com duas cadeias leves e duas cadeias pesadas de
aminoácidos. Graças à conformação das cadeias pesadas, podemos
classificar essas substâncias como imunoglobulinas de cinco classes
principais: IgG, IgM, IgA, IgE e IgE. Cada classe tem mecanismos e locais
de ações específicos, semp re com fins de otimizar a resposta imune
(Delves e Roitt, 2000a).
Algumas situações clínicas pod em levar à produção de anticorpos
contra antígenos próprios, o que gera uma resposta auto-imune e destruição
de células próprias, caracterizando assim doenças auto-imunes causadas
por auto-anticorpos. Entre essas doenças podemos citar o lúpus eritematoso
sistêmico (anticorpos anti- nucleares e contra outra s proteínas celulares),
miastenia gravis ( anticorpos anti-receptor de ac etilcolina) e tireoidite auto-
imune de Hashimoto (anticor pos anti-tiroglobulina e/ou anti-tiroperoxidase)
(Delves e Roitt, 2000b).
A apresentação de antígenos pelos macrófagos aos linfócitos T
ocorre através de proteínas de memb rana celular chamadas de Complexo
Principal de Histocompatibilidade (CPH ) classificadas como do tipo I e II, e
essa apresentação gera proliferação dos linfócitos T e produção de diversas
citocinas (Benjamini, 2002). Os linfóci tos T CD8+ estimulados através de
proteínas do CPH tipo I irão produzir citocinas que têm a capacidade de
estimular a atividade citotóxica dos macrófagos e células NK, além de
destruírem diretamente os antígenos ou células alvo, sendo por isso
chamados de linfócitos T citotóxicos). Já os linfócitos T CD4+ estimulados
Introdução 7
através da apresentação antigênica atra vés de proteínas do CPH tipo II
produzem citocinas que auxiliam os linfócitos B a produzir anticorpos,
otimizando assim a resposta imune hum oral, sendo por isso chamados de
linfócitos T auxiliadores (Delves e Roitt, 2000b).
As células NK são uma linha gem de células do sistema imune,
originadas predominantemente na medula óssea de um precursor comum ao
linfócito T e constituem 5-20% da subpopulação linfocitária no sangue
periférico (Abbas, 2008). Sua função é a de destruir células infectadas por
vírus e células neoplásicas através de liberação de substâncias como
perforinas e proteases que causam nas células alvo necrose ou apoptose.
Além disso as células NK secretam cito cinas inflamatórias como o interferon
gama, que ativa os macrófagos, aument ando sua capacidade de fagocitose.
Fenotipicamente as células NK caract erizam-se como CD3- CD16+ CD56+,
existindo ainda alguns autores que utiliz am o CD57+ no lugar do 56 para a
identificação dessas células (Delves e Roitt, 2000a).
Essas células reconhecem seus alvos de duas maneiras. O mecanismo
de reconhecimento mais importante, que é característico das células NK, é o
de receptores de membrana semelhantes a imunoglobulinas chamados Killer
Imunoglobulin-like receptor (KIR) que podem ser ativadores e inibidores (killer
imunoglobulin-like-activating receptor e killer imunoglobuli n-like-inhibitory
receptor). Os KIRs ativadores da células NK re conhecem moléculas
presentes na superfície de todas as células nucleadas, enquanto os
receptores inibidores reconhecem moléculas do CPH Classe I, as quais
também estão presentes em todas as células nucleadas (Moretta et al., 1995).
Introdução 8
Assim, ao entrar em contato com as célu las de nosso organismo, as células
NK graças aos seus receptores ativado res irão destruir essa célula, no
entanto, se o receptor inibitório for ativado, graças à presença do CPH-I não
haverá destruição. Esses receptores inibitórios reconhecem as células como
próprias e normais graças ao contato com as moléculas da classe I do CPH
expressas nessas células (Moretta et al., 2002). Todas as células nucleadas
humanas expressam moléculas do CPH Classe I, mas perdem essa
capacidade ao serem infectadas por ví rus ou ao sofrerem transformações
neoplásicas. Por não expressarem essas proteínas, acabam não ativando os
receptores inibitórios das células NK e com isso as cé lulas NK acabam
destruindo essas células próprias “modificadas”, graças ao contato pelos KIRs
ativadores (Delves e Roitt, 2000a).
No segundo mecanismo de ação das células NK, elas possuem
receptores onde se ligam a Imunoglobulina G (IgG), o que permite que as células
NK se adiram a antígenos reconhecidos por esses anticorpos; esses receptores
são identificados como CD16 e esse tipo de respos ta imune é chamada de
citotoxicidade celular dependente de anticorpos (Moretta et al., 2002).
Além da regulação mediada pelos receptores ativadores, inibitórios e
relacionados aos anticorpos, as célula s NK podem ser ativadas através de
estímulos diretos pelas citocinas IL-12, IL-15 e IL-18 e por altas
concentrações de IL-2 (Delves e Roi tt, 2000a). A principal citocina efetora
produzida pelas células NK é o inte rferon gama (IFN-gama), que aumenta a
atividade da própria célula NK além de estimular a atividade fagocítica de
macrófagos (Abbas, 2008).
Introdução 9
1.2 O sistema imune e suas re lações com a endometriose
A endometriose é associada a alte rações do sistema imune inato e
adquirido, tanto nos componentes hum oral quanto celular (Lebovic et al. ,
2001). Nos anos 80, Weed e Arquembourg fo ram os pioneiros em propor a
participação do sistema imune nas pacientes com endometriose; estudando
o binômio infertilidade e endometriose com a hipótese de que nas pacientes
com endometriose, os endometriomas funcionariam como antígenos, que
causariam resposta auto-imune, com produção de auto-anticorpos contra
antígenos endometriais e do complemento, elementos que se depositariam à
distância, no endométrio tópico das portadoras da doença (Weed e
Arquembourg, 1980). Na mesma década estudou-se macacas Rhesus com
e sem endometriose, detectando-se di minuição da resposta imune celular
nas macacas portadoras de endometriose (Dmowski et al. , 1981). Desde
então, diversos autores têm se dedicado ao estudo da participação do papel
do sistema imune na endometriose, postulando-se que através da
menstruação retrograda, as células endometriais penetrariam na cavidade
peritoneal e graças a di sfunções imunológicas ocorreria desenvolvimento
destas células, formando o foco inicial da doença (Harada et al. , 2001;
Bulun, 2009).
Em 1988, Hill et al. caracterizaram os tipos de leucócitos encontrados
no sangue e fluido peritoneal de 33 pacientes com endometriose
comparadas com 9 pacientes com in fertilidade sem causa aparente e 8
pacientes férteis. Esses autores não encontraram diferenças nos subtipos de
Introdução 10
leucócitos (macrófagos, linfócitos B, linfócitos T e células NK) no sangue
periférico das pacientes com ou sem end ometriose. No lí quido peritoneal
foram encontrados mais macrófagos e células NK nas portadoras de
endometriose, independentemente do estadiamento (Hill et al., 1988).
Além de elementos celulares, s ubstâncias como citocinas e auto-
anticorpos vêm sendo estudados tant o no sangue periférico quanto no
líquido peritoneal e os resultados quanto a suas quantificações e
prevalências são conflitantes (Barcz et al. , 2000; Podgaec et al. , 2007).
Iremos nos concentrar nos estudos que avaliaram as relações entre as
células NK e os principais fenômenos auto-imunes mediados por anticorpos
nas pacientes com endometriose.
Células Natural Killer
As células NK participam ativam ente dos mecanismos imunes frente
às células endometriais regurgitadas para a cavidade peritoneal. O primeiro
estudo publicado em língua i nglesa sobre o comportamento das células NK
em pacientes com endometriose foi realizado na Bé lgica. Em 1991,
Oosterlynck e colaboradores publicar am um interessante trabalho no qual
avaliaram o percentual de células NK em relação à subpopulação linfocitária
em sangue periférico, al ém de avaliar a citotoxicidade das mesmas em
relação ao endométrio tópico dessas pac ientes. Para isso avaliaram 34
pacientes, submetidas a videolapar oscopia por dor e/ou infertilidade,
divididas segundo os achados laparoscópicos em 24 com endometriose e 10
pacientes sem endometriose. Inicialmente os autores avaliaram por
Introdução 11
citometria de fluxo o percentual de células NK no s angue periférico,
encontrando 17.1% e 18.1% de NK entre os linfócitos circulantes nos grupos
sem e com endometriose, sem encontrar diferença estatística. Ao avaliar a
citotoxicidade in vitro os autores notaram que as células NK foram
responsáveis pela lise de células endometriais e que a citotoxicidade das
células NK periféricas das pacientes com endometriose era menor que as do
grupo controle, e que quanto maior o estadiamento, menor a capacidade
citotóxica das célu las NK (Oosterlynck et al. , 1991). Esse mesmo grupo
relatou diminuição da atividade das cé lulas NK também no líquido peritoneal
das portadoras de endometriose(Oosterlynck et al., 1992).
Tanaka et al . em 1992 também realizar am estudo avaliando a
citotoxicidade das células NK periféricas, sem avaliar o percentual de células
NK em sangue periférico. A citotoxici dade das células NK periféricas foi
avaliada contra células alvo obtidas de pacientes com leucemia mielóide,
chamadas de células humanas K562 (diferentemente do estudo de
Oosterlynck de 1991, que estudou a citotoxicidade contra células
endometriais tópicas). Além disso, os autores também avaliaram as
repercussões do soro de pacientes co m endometriose sobre um ensaio de
citotoxicidade realizado entre células NK de doadores hígi dos e as mesmas
células alvo K562. Ficou demonstr ada uma diminuição estatisticamente
significativa da citotoxicidade das cé lulas NK no grupo de pacientes com
endometriose. Além disso, o soro de pacientes com endometriose foi capaz
de inibir a ação citotóxica de células NK de maneira significativa em relação
ao soro de pacientes sem endometriose (Tanaka et al., 1992).
Introdução 12
Iwasaki et al., (1993) realizaram quantificação de células
mononucleares no sangue periférico e no liquido per itoneal em 45
pacientes, das quais 19 com endomet riose demonstrando um aumento
significativo da concentração dessas no líquido peritoneal das pacientes com
endometriose. Ao avaliar os subtipos de células mononucleares, detectou-se
um aumento significativo de linfóci tos T supressores e diminuição
significativa de linfócito s T citotóxicos nas pacientes com endometriose,
tanto no sangue quanto no líquido peritoneal. Ao se determinar a
subpopulação linfocitária, quanto às células NK ficou demonstrado um
percentual de células NK elevado nas pacientes com endometriose em
relação ao grupo controle, mas sem atingi r significância estatística tanto no
líquido peritoneal (21,39,0 x 17,8 9.9, respectivamente), quanto no sangue
periférico, onde o percentual de células NK foi de 23.3 9.6 nas portadoras
de endometriose e de 18.6 8.9 no grupo controle. (Iwasaki et al., 1993).
Kikuchi et al., (1993) avaliaram o percentual de células NK no sangue
periférico de 10 pacientes com endom etriose comparando com 10 pacientes
com miomas e 9 mulheres hígidas . Esses autores encontraram uma
diminuição do percentual das células NK nas pacientes com endometriose
(Kikuchi et al., 1993).
Assim, não existe consenso sobre a quantificação de células NK em
relação aos linfócitos no sangue e lí quido peritoneal. Por outro lado, a
diminuição da atividade das células NK foi sistematicamente comprovada
pelos estudos citados ac ima, assim como por outros estudos publicados
(Kanzaki et al. , 1992; Hirata et al. , 1994). Os motivos da diminuição da
Introdução 13
atividade citotóxica das células NK seriam uma expressão aumentada de
receptores KIR inibitórios nas células NK (Maeda et al. , 2002), assim como
um aumento da expressão de molécu las de CPH classe I no endométrio
tópico e ectópico das pacientes com endometriose(Semino et al. , 1995)
(Vernet-Tomas Mdel et al., 2006).
Mais recentemente as células NK foram avaliadas em pacientes com
endometriose, agora buscando utilizar ensaios que demonstrassem a
diminuição da citotoxicidade como marcadores diagnósticos. Nesse sentido,
foi realizado um estudo piloto que av aliou 58 portadoras de endometriose e
25 pacientes de um grupo controle; ao encontrar uma diminuição na
produção da citocina interferon gama pelas células NK após exposição
dessas ao soro de pacientes com endom etriose, esses autores relataram
que a diminuição da atividade das célu las NK poderia ser usada como
ferramenta diagnostica par a endometriose sem calcular a acurácia desse
método para o diagnóstico da endometriose (Bohler et al., 2007).
Imunidade Humoral
Nas portadoras de endometriose, paralelamente à diminuição da
efetividade da resposta imune celular citotóxica (graças à diminuição da
atividade de células NK e linfócitos T citotóxicos), parece ocorrer um
aumento da atividade de linfócitos B, com conseqüente aumento de
produção de auto-anticorpos (Yeaman et al. , 2002). Os dois primeiros
estudos que observaram maior prevalênc ia de anticorpos contra antígenos
endometriais detectados no soro, líquido peritoneal, no tecido endometrial
Introdução 14
tópico e ectópico portadores de endom etriose pélvica foram realizados na
década de 80 (Mathur et al., 1982; Mathur et al., 1988), demonstrando assim
a participação da imunidade humoral na doença, tanto a ní vel local quanto
sistêmico.
Em 1985, Grimes e co laboradores realizaram um interessante estudo
caso-controle avaliando 109 pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico
(LES) e 109 mulheres e scolhidas randomicamente na instituição, sem
diagnóstico de Lúpus. Es ses autores descreveram um aumento de duas
vezes no risco de desenvolver LES nas portadoras de endometriose, sem
atingir significância estatística, além do fato de que as mulheres submetidas a
histerectomia ou laqueadura tubária tinham um efeito protetor sobre o risco de
desenvolvimento do LES; os autores indagaram assim a eventual participação
da menstruação retrograda como co-fator de risco para o desenvolvimento de
fenômenos auto-imunes como o LES (Grimes et al., 1985).
Kennedy et al., (1989) avaliaram 40 pacientes com endometriose e 65
pacientes presumidamente sem a doença (por não apresentarem sintomas),
com objetivos de estudar a prevalênc ia alguns auto-anticorpos; esses
autores demonstraram maior prevalência de anticorpos anticardiolipina (IgG)
nas portadoras de endometriose (7,5%) em relação ao grupo controle
(nenhum caso). Não houve diferenças estatísticas relacionadas ao
estadiamento da doença. Para isso, os autores estabeleceram que a amostra
seria positiva se ultrapassasse 4 desvios padrão da média das cardiolipinas
da população controle (Kennedy et al. , 1989). Esses resultados foram
semelhantes aos publicados por outro grupo em 1991 (Kilpatrick et al., 1991).
Introdução 15
Outros anticorpos como anticorpos antinucleares (ANA), anticoagulante
lúpico também foram encontrados em maior prevalência nas portadoras de
endometriose (Kim et al., 1997).
Ao avaliar 112 pacientes portador as de endometriose operadas no
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), foi
observada prevalência de 41% de positividade para ANA ( titulo de 1/80 ou
mais). Esse estudo mostrou aind a não haver diferenças quanto ao
estadiamento ou sintomas como infertilidade nas pacientes com
endometriose na dependência da presenç a ou não desses auto-anticorpos,
sugerindo que a presença desses auto-an ticorpos seria um epifenômeno,
sem relações com a gravidade da doença (Dias et al., 2006).
Reações auto-imunes contra a glândula tireóide também foram
estudadas nas pacientes com endometrios e. A avaliação de anticorpos
antitiroperoxidase (Ac Anti-TPO) de 438 pac ientes inférteis por diferentes
fatores foi comparada com a de 100 mulheres férteis com idade semelhante.
Foram encontradas prevalências seme lhantes desses auto-anticorpos nos
dois grupos, no entanto, ao se dividir o grupo de pacientes inférteis segundo
a causa da infertilidade, notou-se que o grupo de pacientes inférteis com
endometriose apresentava prevalência estatisticamente superior desses
anticorpos em relação ao grupo cont role (29% x 8%, p=0,016); esses
autores demonstraram ai nda que o risco relativo de uma paciente com
infertilidade por endometriose apresent ar positividade para o Ac anti-TPO
era de 3.57, com intervalo de co nfiança variando de 1,09 a 11,8 (Poppe et
al., 2002). Resultados semelhantes haviam sido publicados por (Gerhard et
Introdução 16
al., 1991), ao estudarem 185 pacientes inférteis nas quais avaliaram a
presença de anticorpos antit iroglobulina (Ac Anti-TG) e de Ac Anti-TPO.
Esses autores relataram uma prev alência de 44% de endometriose nas
pacientes com presença desses auto- anticorpos, ao passo que apenas 8%
das pacientes que apresentavam-se sem a presença desses tinham
endometriose.
Por outro lado, em nosso país, pacientes com endometriose pélvica
apresentaram prevalência de Ac anti- TPO e/ou Ac anti-TG semelhantes a
um grupo controle. Essa conclusão foi obtida ao se estudar 148 pacientes
com confirmação cirúrgica de endometriose, comparadas com 154 pacientes
de um grupo controle. Vale ressaltar que o grupo controle desse estudo foi
composto por pacientes sem sintomas de endometriose, que no entanto não
foram submetidas a vídeo-laparoscopia para a efetiva exclusão da doença
(Petta et al., 2007).
Graças às publicações demonstr ando maior prevalência de auto-
anticorpos em pacientes com endomet riose levantou-se duas hipóteses: a
presença desse auto-anticorpos seria um epifenômeno ou a endometriose seria
uma doença auto-imune por apresentar uma série de características comuns a
este tipo de doença como ativação po liclonal de células B, anormalidades
imunológicas nas funções das células T e B, dano tecidual, envolvimento de
diversos órgãos, possível ocorrência familiar com base gené tica associada
além da presença de uma série de aut o-anticorpos para uma variedade de
fosfolípides, histonas e polinucleotídeos (Gleicher et al., 1987). No entanto, até
os dias atuais, nenhum auto-antic orpo conseguiu ser evidenciado como
Introdução 17
marcador específico para endometriose, além de nenhum estudo ter provado a
manifestação da endometriose em anima is normais após tr ansferência de
imunoglobulinas séricas ou tecidos afetados de cobaias doentes, o que definiria
uma doença auto-imune real (Nothnick, 2001).
Com base nestas informações, o que permitiria o implante de
endométrio na cavidade peritoneal das portadoras de endometriose, seria a
diminuição do poder de citotoxicidade das células NK contra esse tecido
ectópico. Esse fato estaria associ ado a um processo inflamatório, com
alterações no padrão de secreção de al gumas citocinas, e paralelamente a
isso, as pacientes com endometriose pélvica demonstrariam maior produção
de auto-anticorpos. Assim, o presente estudo se propõe a avaliar de maneira
conjunta a prevalência de auto-anticor pos e a concentração de células NK
no sangue periférico, avaliando assi m fenômenos imunológicos sistêmicos
relacionados à endometriose e a ev entual utilização desses fenômenos
como marcadores diagnósticos de endometriose em suas diversas
apresentações.
Objetivos 18
2 OBJETIVOS
2.1 Principal
Avaliar no sangue periférico o percent ual de células NK em relação
ao número total de linfócitos e a pr esença de anticorpos antinucleares,
antitiroglobulina, ant itiroperoxidase, ant icardiolipinas (IgG, IgM, IgA) e
antifosfatidilserina (IgG, IgM e IgA) em pacientes com e sem endometriose .
2.2 Secundários
2.2.1) Relacionar em pacientes com e sem endometriose, as dosagens
séricas das células NK e a presença dos auto-anticorpos acima citados com:
estadiamento da American Soci ety for Reproductive Medicine
(ASRM, 1997)
locais de acometimento da endometriose;
classificação histológica da endometriose;
2.2.2) avaliar a aplicação da dosagem destas substâncias no diagnóstico da
endometriose.
Métodos 19
3 MÉTODOS
Realizamos um estudo tran sversal, avaliando 155 pacientes
consecutivas submetidas a videolapar oscopia no período de dezembro de
2004 a dezembro de 2007, as quais foram divididas em grupo com (n=100) e
sem (n=55) endometriose pélvica.
Em decorrência das diversas av aliações a que nos propusemos no
presente estudo, além da discrepância nos resultados encontrados na
literatura, optamos por realizar um estudo expl oratório no qual o total de
pacientes participantes foi determinado baseando-se na possibilidade de
realizar esse número de pr ocedimentos cirúrgicos no período do trabalho.
Ao final do estudo calculamos o poder estatístico da amostra para os
resultados encontrados.
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital
das Clínicas da Faculdade de Medi cina da Universidade de São Paulo
(Anexo 1) e todas as pacientes leram e assinaram o termo de consentimento
pós-informação (Anexo 2). A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
São Paulo (FAPESP) possibilitou a realização do presente estudo (Processo
05/01218-3).
Métodos 20
3.1 Critérios de inclusão e exclusão
Os critérios de inclusão para o gr upo de pacientes com endometriose
foram: idade entre 18 e 40 anos; conf irmação histológica da doença nos
espécimes obtidos durante a cirurgia. Pa ra o grupo controle , os critérios de
inclusão foram: idade entre 18 e 40 anos e ausência de confirmação
laparoscópica ou anatomopatológica ( quando realizada biópsia de lesão
suspeita) de endometriose.
Os critérios de exclusão para am bos os grupos foram: presença
de diagnóstico de neoplasias mali gnas; presença de doenças auto-
imunes conhecidas; diagnóstico de pr ocessos infecciosos nos 3 meses
antecedentes ao procedimento cirúrgico; sinais clínicos ou laboratoriais
de insuficiência ovariana; utiliza ção de terapêutica hormonal nos 3
meses antecedentes ao procedimento cirúrgico (análogos mensais do
GnRH, progestógenos e contracept ivos hormonais) ou utilização de
análogos trimestrais do GnRH nos 6 meses antecedentes ao
procedimento.
Doenças neoplásicas, infecciosas ou auto-imunes foram excluídas
por anamnese dirigida e quando necess ários, exames de imagem ou
laboratoriais foram utilizados.
Métodos 21
3.2 Dinâmica do estudo
A figura 2 esquematiza a dinâmica do estudo. Inicialmente 167
pacientes foram avaliadas e tiveram hist ória clínica, exame físico, e exames
complementares (ultrassonografia pél vica e /ou transvaginal com preparo
intestinal, ressonância magnética ou ecoc olonoscopia) realizados conforme
indicação clínica. Tal rotina obedecia à propedêutica clínica para suspeita de
endometriose e indicação de vídeo-laparo scopia realizadas no Setor de
Endometriose do HCFMUSP. A vídeo- laparoscopia foi indicada em
pacientes sintomáticas (dor e/ ou infertilidade) quando a paciente
apresentava índices de CA 125 super iores a 100 U/ml ou método de
imagem (ultrassom ou ressonância magnética) sugestivos de endometriose,
na forma de endometriomas ovarianos ou doença profunda. Nas pacientes
com dor, o procedimento cirúrgico tam bém foi indicado mesmo na ausência
dos fatores citados acima, naqueles casos em que essas pacientes não
apresentassem melhora dos sintomas após seis meses de tentativas de
tratamento clínico com uso de contra ceptivos hormonais orais combinados
e/ou antiinflamatórios.
Dessas 167 pacientes, quatro não foram submetidas a
videolaparoscopia por razões pessoai s (desistiram de operar) e duas por
terem engravidado. Foram então subm etidas a videolaparoscopia 161
pacientes, das quais 6 foram excluídas por não preencherem os critérios de
inclusão ou exclusão (3 por idade supe rior a 40 anos, 2 por terem referido
febre (temperatura ≥37,8
oC) nas semanas anteriores ao procedimento
Métodos 22
cirúrgico, 1 por apresentar sinais de salpingite aguda, com exsudato
purulento perianexial).
Imediatamente antes da anestesia, fo ram colhidos 15ml de sangue
periférico que foram distribuídos em um tubo seco e em um tubo contendo
EDTA (ácido etilenediamin otetraacetico). A paci ente foi submetida à
laparoscopia, seguindo a rotina habitual do serviço e nessa data foi anotado
o dia do ciclo menstrual em que a paciente se encontrava.
A laparoscopia separou os dois grupos de estudo: o grupo com
endometriose, com confirmação histológica das amostras teciduais das
áreas suspeitas, e o grupo controle no qual descartou-se a presença dessa
doença.
Ambos os tubos foram imediatamente transportados para o
laboratório onde a determinação da concentração das células Natural Killer
(NK) foi realizada no mesmo dia da ciru rgia no material transportado no tubo
com EDTA. O restante do material (t ubo seco) foi cent rifugado, aliquotado
e congelado em freezer a -80ºC. D epois de estocado, o mesmo foi
descongelado apenas após a coleta completa de todos os dados, para
realização das dosagens de ANA, Ac Anti-TG, Ac anti-TPO, anticorpos
anticardiolipina IgG, IgM e IgA (aCL -G, aCL-M, aCL-A) e anticorpos
antifosfatidilserina IgG, IgM e IgA (aPS-G, aPS -M, aPS –A).
Métodos 23
Figura 2 - Dinâmica do estudo
3.3 Quadro clínico
As pacientes foram questionada s quanto à presença dos sintomas
mais comumente associados a endometriose, tais como:
a. Dismenorréia: dor em cólica no período menstrual, conforme
classificação abaixo (Eskenazi et al., 2001)
Leve, quando a paciente refe riu dor que melhorou sem
utilização de medicação analgésica;
Métodos 24
Moderada, quando a paciente re feriu dor que melhorou com
uso de analgésicos;
Severa, quando a paciente referiu que a dor não melhorou
completamente com analgésicos, mas não a impediu de
exercer suas atividades habituais;
Incapacitante, quando a pacie nte referiu que a dor não
melhorou e a impediu de exercer suas atividades habituais.
Para melhor avaliação das pac ientes com sintomas mais
significativos, consideramos a dismenorréia de intensidade severa ou
incapacitante.
b. Dispareunia de prof undidade: dor pélvica e/ou relatada como
localizada no fundo da vagina que ocorresse durante a relação
sexual,
c. Dor pélvica acíclica: dor pélvica sem relação com o ciclo menstrual
por pelo menos seis meses, sem melhora com a utilização de
analgésicos.
d. Infertilidade: t entativa de engravidar em casal possuindo vida
sexual ativa sem utilizar método c ontraceptivo por pelo menos um
ano. Pacientes sem parceiros se xuais no momento do estudo ou
que nunca haviam tentado engrav idar, ou que porventura
Métodos 25
estivessem usando métodos contraceptivos naturais ou de barreira
foram classificadas como “sem tentativa”.
e. Sintomas intestinais cíclicas: dor à evacuação, incluindo puxo ou
tenesmo ou ainda sangramento nas fezes durante o período
menstrual.
f. Sintomas urinários cíclicos: si ntomas urinários durante o período
menstrual incluindo disúria, hem atúria, polaciúria e urgência
miccional.
3.4 Estadiamento da Endometriose
As pacientes com endometriose foram estadiadas durante o
procedimento cirúrgico pelo critério da American Society for Reproductive
Medicine revisado em 1996 em estádios de I a IV ( Figura 3 )
(ASRM, 1997).
Métodos 26
Estádio I (mínima): 1-5 Estádio II (leve): 6-15
Estádio III (moderada): 16-40 Estádio IV (severa): > 40
ENDOMETRIOSE 3 cm
Superficial
Profunda
D superficial
Profunda
E superficial
Profunda
OBLITERA‚ Ì O DO FUNDO
DE SACO POSTERIOR
1
2
1
4
1
4
2
4
2
16
2
16
4
6
4
20
4
20
Parcial Completa
4 40
OVç RIO
PERITï NIO
ADERæNCIAS 2/3 Envolvidos
D Velamentosa
Densa
E Velamentosa
Densa
1
4
1
4
1
4*
2
8
2
8
2
8*
4
16
4
16
4
16 TROMPA
OVç RIO
D Velamentosa
Densa
E Velamentosa
Densa
1
4*
2
8*
4
16
* Se as fímbrias tubárias estiverem totalmente envolvidas por aderências, mude o escore para 16.
Figura 3 - Classificação da American Society for Reproductive Medicine
revisada em 1996, extraída do texto original
PERITÔNIO
OVÁRIO
OVÁRIO
OBLITEREÇÃO
ADERÊNCIAS
TROMPA
Métodos 27
3.5 Endometriose: locais de doença e classificação histológica
As pacientes com endometriose fo ram avaliadas quanto a presença
de focos de doença em peritônio, ovário e/ou em localização infiltrativa
profunda (nas regiões retrocervical, c úpula vaginal, retossigmóide, ureteres
e bexiga e outras porções do t ubo digestivo, como íleo e apêndice),
conforme podemos observar exemplos nas figuras 4, 5 e 6.
Figura 4 - Fotos de videolaparoscopi a em pacientes com endometriose
peritoneal superficial
Métodos 28
Figura 5 - Fotos de laparoscopia em pacientes com endometriomas
ovarianos
Figura 6 - Fotos de laparoscopia em pacientes com endometriose
profunda intestinal
Métodos 29
A análise histológica dos tecidos excisados seguiu os padrões da
classificação (Abrao et al., 2003) que divide a doença em:
padrão estromal: presença de estroma morfologicamente
similar ao do endométrio tópico em qualquer fase do ciclo
(Figura 7a);
padrão glandular bem difer enciado: quando o epitélio
glandular era composto por células epiteliais com
morfologia indistinguível dos endométrios tópicos nas
diferentes fases do ciclo menstrual (Figura 7b);
padrão glandular indiferencia do: presença de epitélio
glandular sem as característi cas morfológicas vistas no
epitélio endometrial tópico (Figuras 7c e 7d);
padrão glandular misto de dife renciação: presença na
mesma localização de epitélios de padrão bem diferenciado
e indiferenciado.
Métodos 30
Figura 7 - Fotomicrografias ópticas de espécimes com endometriose
Para análise estatística, os locais de doença foram categorizados, em
doença peritoneal (pacientes com focos per itoneais superficiais, sem
doença ovariana ou profunda), ovariana (pacientes com endometriomas
ovarianos, independentemente da presença de focos peritoneais superficiais
e sem doença profunda) e doença profunda (pacientes com focos
classificados como profundos, independentemente da presença ou ausência
de focos peritoneais superficiais ou endometriomas ovarianos. O tipo
histológico foi dividido em dois grupos para a realização da análise
Métodos 31
estatística: endometriose com indiferenciação, quando qualquer dos focos
apresentava tipo histológico indiferenciado ou misto; e endometriose sem
indiferenciação, quando em nenhum dos focos foi encontrado os tipos
histológicos indiferenciado ou misto.
3.6 Método laboratorial
3.6.1 Células NK
A identificação e quantif icação do percentual das células NK foi
realizada no dia da cirurgia, logo no momento do recebimento do material
através de citometria de fluxo no tubo com EDTA. Antes da análise do
percentual de células NK obteve-se a quantificação total e diferencial dos
leucócitos utilizando metodologia aut omatizada (Sysmex SF3000 – Roche
Diagnosticos, Brasil), obtendo-se assim o número absoluto de leucócitos
assim como os linfócitos. Após adicionarmos o sangue ao reagente
comercialmente obtido, chamado BD TriTEST CD3 FI TC / CD16+56 PE /
CD45 PerCP (BECTON DICKINSON , San Diego, Calif órnia, Estados
Unidos), com isso, os anticorpos do kit comercial marcados com
fluorescência aderem-se aos antígenos específicos de membrana das
células da amostra a ser estudada e ao se avaliar a amostra, o citômetro de
fluxo obtém o percentual de células ma rcadas por fluorescência. As células
NK foram caracterizadas conforme seus antígenos de superfície como
Métodos 32
(CD3-/CD56+/CD16+) (Figura 8). O citometro de fluxo utilizado foi o
FACSCalibur (BECTON DICKINSON , San Diego, Calif órnia, Estados
Unidos). Quanto aos resultados obti dos, utilizamos para esse estudo o
percentual de células NK obtidos entre os linfócitos.
Legenda: Figura 8A : Total de linfócitos analisados em 10.000 eventos, porcentagem de
linfócitos T e porcentagem de cél. NK. Figura 8B : População de linfócitos. Figura 8C :
Separação dos linfócitos conforme legenda de cores
Figura 8 - Laudo ilustrativo emitido após citometria de fluxo para
quantificação de células Natural Killer em citômetro de fluxo
FACSCalibur
3.6.2 Auto-Anticorpos
Todos os auto-anticorpos foram avaliados em conjunto ao final do
estudo. A avaliação do ANA foi realizado por imunof luorescência indireta
(IFI), utilizando células HEp-2 como substrato (Hemagen , Columbia,
Maryland, Estados Unidos). A imunofl uorescência é um método que permite
a localização de um antígeno utilizan do um anticorpo marcado com uma
Métodos 33
molécula fluorescente. Microscópios equipados com luz ultravioleta são
utilizados para visualização dos antic orpos fluorescentes presentes no
espécime. Numa primeira etapa ocorre reação entre a amostra da paciente e
um anticorpo específico não marcado, em seguida adiciona-se uma anti-
imunoglobulina marcada com um grupo fluorescente, a qual mostrará à
microscopia a existência dos aut o-anticorpos. Foram consideradas
“positivas” amostras com títulos de AN A iguais ou superiores à titulação de
1/80 (Adams e Mutasim, 2000).
A detecção dos auto-anticorpos circulantes do tipo IgG, IgM e IgA
dirigidos contra a cardiolip ina e fosfatidilserina foi realizada por teste ELISA,
técnica de ensaio imunoenzimático quantitat ivo tipo sanduíche. As placas
onde os antígenos de cardiolipina e fo sfatidilserina foram desenvolvidas
segundo metodologia previamente descrita (Canoso e de Oliveira, 1988).
Foram realizadas diluições das amostras a 1/51 (10μl da amostra/ 500
μl do diluente). As microcavidades de placas contendo antígenos específicos
( CL e FS) fora m adicionados 100 μl de cada amostra. Nas amostras com
anticorpos presentes, estes ligavam-se aos antígenos presentes nas placas.
Estas foram incubadas por 30 minutos em temperatura ambiente (20 a 25ºC).
Procederam-se a quatro lavagens da placa com solução de lavagem e
transferiram-se 100 μl de conjugado Anti-IgG ou IgM ou IgA (anti-anticorpo
específico), utilizando-se pipetador mu lticanal. As placas foram novamente
incubadas por um período de 30 mi nutos e novamente lavadas. Foram
adicionados 100 μl de Tetrametilbenzidina (TMB-substrato que dá cor à
reação) a cada cavidade das placas, seguindo-se de incubação por 10
Métodos 34
minutos. Foi adicionado ácido sulfúrico 1N (50 μl) a cada cavi dade para a
parada da reação enzimática. A leitur a foi realizada imed iatamente em um
leitor de microplacas a 450 nm. A intensidade da cor está relacionada à
quantidade de anticorpos presentes na amostra. Para avaliação estatística de
todas as cardiolipinas e fo sfatidilserinas, consideramos como positivos os
concentrações acima de 40 GPL, MPL e APL para IgG, IgM e IgA
respectivamente(Miyakis et al., 2006).
Vale ressaltar que também fora m feitas avaliações para esses
anticorpos utilizando como critério de positividade amostras acima do
percentil 99, assim como a comparação das medianas e todas as avaliações
apresentaram resultados semelhantes. Optamos por demonstrar apenas os
valores como positivo ou negativo na dependência dos resultados
apresentarem-se maiores ou menores que 40.
Anticorpos antitiroglobulina (Anti-TG ) e antitiroperoxidase (Anti-TPO)
foram avaliados através da técnica de eletroquimioluminescência utilizando-se
kits comerciais com an tígenos recombinantes e anticorpos monoclonoclonais
(Roche Diagnosticos , Brasil). Resumidamente, partículas magnéticas
revestidas com estreptavi dina são utilizadas como fase sólid a. O primeiro
reagente consiste de tiroglobulina ou peroxidase ligados à biotina. Após adição
do soro do paciente, os anticorpos são revelados ut ilizando-se anti-
imunoglobulina humana e revelados por eletroquimioluminescência. Conforme
recomendações do fabricante, foram considerados positivos anticorpos anti-TG
com concentrações acima de 115 UI/ml. Para anti corpos anti-TPO, foram
consideradas amostras positivas no caso de concentrações acima de 34 UI/ml.
Métodos 35
3.7 Método estatístico
As variáveis categóricas foram analisadas pelo test e qui-quadrado ou
teste exato de Fisher, com nível de si gnificância de 5%, considerando dois
grupos inicialmente para comparação: grupo controle (sem endometriose) e
grupo com endometriose. Quanto às vari áveis quantitativas contínuas, foi
realizada a comparação das concentraçõ es das células NK entre os dois
grupos em estudo, pelo teste t de Student para amos tras independentes,
com nível de significância de 5%. As pacientes com endometriose foram
categorizadas de acordo com o estádio e local da doença e de acordo com a
classificação histológica. Para essa s comparações, foi realizada análise de
variância (Anova) e, quando signif icativo, foi realizado o teste post-hoc de
comparações múltiplas de Bonferroni, para verificar se as dosagens no soro
foram semelhantes ou diferentes, alternativamente.
As variáveis que apresentaram diferenças estatísticas entre os grupos
pesquisados, foram então estudadas co m objetivos de utilização como
marcadores diagnósticos. Nesse sent ido, nas variáveis qualitativas
avaliamos a sensibilidade, especificid ade, valor preditivo positivo (VPP),
valor preditivo negativo (VPN) e acur ácia. A relação de sensibilidade e
especificidade foi avaliada através de curva ROC ( receiver operator
characteristic) para o percentual de células NK . Finalmente realizamos uma
regressão logísitca com as variáv eis que apresentaram significância
estatística para tentar se obter um modelo para detecção de endometriose.
Os cálculos estatísticos fora m realizados pelo software SPSS (SPSS
Inc ., USA).
Resultados 36
4 RESULTADOS
Foram estudadas 155 mulheres, sendo 100 com endometriose
(casos) e 55 sem endometriose (controle s). A média de idade das pacientes
com endometriose foi 32,0 (±5,5) anos , semelhante ao grupo controle, com
média igual a 32,5 (±5,0) anos (p=0,582). Na tabela 1 mostramos as
características clínicas das pacientes estudadas. Nota-se que as pacientes
do grupo com endometriose apresentavam mais dismenorréia, dispareunia
de profundidade, infertilidade e sintomas intestinais cíclicos ( 66%, 58%,
63% e 48%) que as do grupo controle ( 27,3%, 38,2%, 22,4%, 7,3%), com
diferenças estatisticamente signific ativas. As pacientes com endometriose
também tiveram um número médio menor de gestações e partos prévios em
relação às do grupo controle.
Resultados 37
Tabela 1 - Características clínicas das pacientes estudadas
* 114 pacientes estavam tentando engravidar, 65 do grupo com endometriose e 49 do grupo controle
Característica clínica
Casos
(n=100)
Controles
( n=55)
p
Idade (média DP) ( anos) 32,0 (±5,5) 32,5 (±5,0) 0,582
Fase do Ciclo
- Proliferativa (1o–14o dias do ciclo) 76 (76,0%) 37 (67,3%)
- Secretora (15o – 30o dias do ciclo) 24 (24,0%) 18 (32,7%) 0,242
Dismenorréia severa / incapacitante 66 (66,0%) 15 (27,3%) <0,001
Dispareunia de profundidade 58 (58,0%) 21 (38,2%) 0,018
Dor pélvica acíclica 44 ( 44,0%) 17 (30,9%) 0,110
Infertilidade * 41 (63,1%) 11 (22,4%) <0,001
Tempo de Infertilidade (anos) (média DP) 2,87 (1,73) 2,18 (0,60) 0,205
Sintomas Intestinais Cíclicos 48 (48,0%) 7,3% (4) <0,001
Sintomas Urinários Cíclicos 4 (4,0%) 2 (3,6%) 1,000
Número de gestações prévias (média DP) 0,54(0,91) 1,82(1,67) <0,001
Número de partos prévios (média DP) 0,39(1,53) 0,72(1,56) <0,001
Número de abortos prévios (média DP) 0,15(0,41) 0,18(0,39) 0,639
Resultados 38
Na tabela 2 observamos os achados cirúrgicos das pacientes do
grupo com endometriose, das quais 61% foram classificadas como estádios
avançados (III e IV). A pr edominância de mulheres com doença mais grave
pode ainda ser notada pelo fato de 66% delas apresentarem doença
profunda e 72% com classificação histológica de doença indiferenciada.
Tabela 2 - Achados cirúrgicos e histopat ológicos das pacientes com
endometriose
Característica estuda n (%)
Estadiamento (ASRM 1996)
Inicial: I/II 39 (39)
Avançada: III/IV 61 (61)
Locais de Doença
Endometriose Peritoneal Superficial 14 (14)
Endometrioma Ovariano 20 (20)
Endometriose Profunda 66 (66)
- Retrocervical + Cúpula Vaginal 53 (53)
- Retossigmóide 41 (41)
- Ureter 8 ( 8)
- Bexiga 7 ( 7)
- Apêndice 6 ( 6)
- Íleo 2 ( 2)
Classificação Histológica
- Endometriose sem Indiferenciação 28 (28)
- Endometriose com Indiferenciação 72 (72)
Resultados 39
Na tabela 3 comparamos os percentuais das células NK, assim como
a prevalência dos auto-anticorpos es tudados nos dois grupos. Pacientes
com endometriose apresentaram perc entual de células NK de 15,3 9,8%,
enquanto as do grupo controle apr esentavam percentual de 10,6 5,8,
p<0,001. Quanto aos auto- anticorpos, as pacientes com endometriose
apresentaram prevalência de auto- anticorpos contra cardiolipina,
fosfatidilserina, tiroglo bulina e tiroperoxidase semelhantes em ambos os
grupos estudados. Já a prevalência de ANA foi estatisticamente superior nas
pacientes com endometriose ( 33/100, 33 %) em relação ao grupo controle
(7/55, 12,7%), com p=0,006.
Tabela 3 - Dosagem de células NK e auto-anticorpos nas pacientes com e
sem endometriose
Endometriose
n=100
Controle
n=55
p
% de Células NK - (média DP) 15,3 9,8 10,6 5,8 <0,001
ANA Positivo n(%) 33 (33%) 7 (12,7%) 0,006
Ac-TG Positivo - n(%) 15 (15%) 6 (10.9%) 0,640
Ac-TPO Positivo - n(%) 18 (18%) 11 (20%) 0,760
Ac-TPO e / ou Ac-TG Positivo - n(%) 24 (24%) 13 (23,6%) 0,959
Ac-aCL IgG Positivo - n(%) 3 (3,0%) 1 (1,8%) 0,554
Ac-aCL IgM Positivo - n(%) 0 0
Ac-aCL IgA Positivo - n(%) 5 (5,0%) 1 (1,8%) 0,305
Ac-aPS IgG Positivo - n(%) 1 (1,0%) 0 1,000
Ac-aPS IgM Positivo - n(%) 0 0
Ac-aPS IgA Positivo - n(%) 3 (3,0%) 0 0,309
ANA Positivo: Títulos≥ 1/80; Ac-TG Positivo: concentrações ≥ 115 UI/ml; Ac-TPO Positivo: concentrações≥ 34 UI/ml;
Ac-aCL, Ac-aPS Positivo: IgG >40 GPL ; IgM >40 MPL ; IgA >40 APL.
Resultados 40
A tabela 4 ilustra a relação entre a fase do ciclo menstrual e as
características pesquisadas no sangue periférico. Como podemos observar,
não houve influências nas dosagens das células NK, assim como na
prevalência de auto-anticorpos relacionada s à fase do ciclo no dia da coleta
da amostra nas pacientes com ou sem endometriose.
Tabela 4 - Achados Laboratoriais das pacientes divididas conforme a fase
do ciclo menstrual
Endometriose Controle
1
o
– 14
o
dias do
ciclo
15
o
– 30
o
dias do
ciclo
p* 1
o
– 14
o
dias do
ciclo
15
o
– 30
o
dias do
ciclo
p**
n 24 76 18 37
% de Células NK - (média DP) 15,310,4 14,5 9,7 0,961 9,13,1 11,3 6,7 0,566
ANA Positivo n(%) 6 (25,0%) 27 (35,5%) 0,339 1 (5,6%) 6 (16,2%) 0,457
Ac-TG Positivo - n(%) 4 (16,7%) 11 (14,5%) 0,180 3 (16,7%) 3 (8,1%) 0,381
Ac-TPO Positivo - n(%) 5 (20,8%) 13 (17,1%) 0,104 5 (27,8%) 6 (16,2%) 0,315
Ac-TPO e / ou Ac-TG Positivo - n(%) 6 (25%) 18 (23,7%) 0,347 3 (33,3%) 7 (18,9%) 0,238
Ac-aCL IgG Positivo - n(%) 1 (4,2%) 2 (2,6%) 0,565 0 1 (2,7%) 1,000
Ac-aCL IgM Positivo - n(%) 0 0 0 0
Ac-aCL IgA Positivo - n(%) 1 (4,2%) 4 (5,3%) 1,000 0 1 (2,7%) 1,000
Ac-aPS IgG Positivo - n(%) 0 1 (1,3%) 1,000 0 0
Ac-aPS IgM Positivo - n(%) 0 0 0 0
Ac-aPS IgA Positivo - n(%) 0 3 (3,9%) 1,000 0 0
ANA Positivo: Títulos≥ 1/80; Ac-TG Positivo: concentrações ≥ 115 UI/ml; Ac-TPO Positivo: concentrações≥ 34
UI/ml; Ac-aCL, Ac-aPS Positivo: IgG >40 GPL ; IgM >40 MPL ; IgA >40 APL
* Comparação nas pacientes com endometriose ; ** Comparação nas pacientes sem endometriose
Resultados 41
Prosseguindo a avaliação das paci entes com endometriose, esse
grupo foi subdividido conforme o estadi amento, os locais comprometidos
pela doença e a classificação histológi ca, tentando identificar um subgrupo
de pacientes no qual as alteraç ões detectadas acima foram mais
importantes. Na tabela 5 , observamos as pacientes do grupo com
endometriose divididas quanto ao estadi amento. Nota-se que o percentual
de células NK elevou-se no grupo co m endometriose predominantemente
em decorrência das pacientes com doença avançada. No grupo controle
(n=55) o percentual de célu las NK encontrado foi de 10,6 5,8%, nas
pacientes com endometriose inicial (n=39) 11,8 7,3% e nas com
endometriose avançada (n=61) o percentual foi de 17,8 10,6%, p=0,001. As
pacientes em endometriose avançada mo straram níveis de NK superiores
tanto ao grupo controle quanto ao gr upo com doença inicial (p<0,05). Não
houve diferenças entre o grupos com endo metriose inicial e controle quanto
às células NK.
Quanto ao ANA, notamos aument o da prevalência desse auto-
anticorpo tanto nas pacientes com doença inicial (13/39; 33%) como
naquelas com doença avanç ada (20/61; 32,8%) em relação ao grupo
controle(7/55; 12,7%), p=0,022. Não houve diferenças na prevalência dos
outros auto-anticorpos estudados quando o grupo endometrio se foi dividido
em doença inicial e avançada.
Resultados 42
Tabela 5 - Dosagem de células NK e auto-anticorpos nas pacientes sem e
com endometriose, divididas conforme o estadiamento
Controle
( n=55)
Endometriose
Inicial
(n=39)
Endometriose
Avançada
(n=61)
P
% de Células NK - (média DP) 10,65,8 11,8 7,3 17,8 10,6 <0,001
ANA Positivo - n(%) 7 (12,7% ) 13 (33,3%) 20 (32,8%) 0,022
Ac-TG Positivo - n(%) 6 (10. 9%) 7 (17.9%) 8 (13.1%) 0,747
Ac-TPO Positivo - n(%) 11 (2 0%) 7 (17,9%) 11 (18,0%) 0,954
Ac-TPO e / ou Ac-TG Positivo - n(%) 13 (23,6%) 10 (25,6% ) 14 (23,0%) 0,953
Ac-aCL IgG Positivo - n(%) 1 (1,8%) 0 3 (4,9%) 0,453
Ac-aCL IgM Positivo - n(%) 0 0 0
Ac-aCL IgA Positivo - n(%) 1 (1,8%) 0 5 (8,2%) 0,092
Ac-aPS IgG Positivo - n(%) 0 0 1 (1,6%) 1,000
Ac-aPS IgM Positivo - n(%) 0 0 0
Ac-aPS IgA Positivo - n(%) 0 2 (2,6%) 2 (3,3%) 0,471
ANA Positivo: Títulos≥ 1/80; Ac-TG Positivo: concentrações ≥ 115 UI/ml; Ac-TPO Positivo: concentrações≥ 34UI/ml;
Ac-aCL, Ac-aPS Positivo: IgG >40 GPL ; IgM >40 MPL ; IgA >40 APL.
Na tabela 6 mostramos os achados labor atoriais das pacientes
estudadas, dividindo aquelas com endometriose segundo o local
comprometido pela doença. As células NK mostram-se elevadas nas
pacientes com doença profunda com 17,3 10,5% em relação ao grupo
controle com 10,6 5,8%, e ao grupo de pacient es com endometriose sem
comprometimento profundo com 11,7 7,3%, p=0,001. Não houve diferenças
quanto ao percentual de célu las NK entre as pacientes com endometriose
sem comprometimento profundo e aquel as do grupo controle. Não houve
diferenças quanto aos auto-anticorpos, exceto o ANA que manteve-se com
Resultados 43
maior prevalência nas portadoras de endometriose em relação ao controle,
sem no entanto haver diferenças entre o grupo de pacientes com
endometriose com ou sem focos profundos.
Tabela 6 - Achados Laboratoriais das pac ientes estudadas, divididas
conforme o local comprometido pela endometriose
Controle Endometriose
(n=55) SEM Doença
Profunda(n=34)
COM Doença
Profunda(n=66)
p
% de Células NK - (média DP) 10,65,8 11,7 7,3 17,3 10,5 <0,001
ANA Positivo - n(%) 12,7% (7) 38.2% (13) 30,0% (20) 0,015
Ac-TG Positivo - n(%) 10.9% (6) 17.6%(6) 13.64% (9) 0,665
Ac-TPO Positivo - n(%) 20,0% (11) 20.6% (7) 16,7% (11) 0,852
Ac-TPO e / ou Ac-TG Positivo - n(%) 23,6% (13) 26,5% (9) 22,7% (15) 0,916
Ac-aCL IgG Positivo - n(%) 1,8%(1) 0%(0) 4,5%(3) 0,545
Ac-aCL IgM Positivo - n(%) 0 0 0
Ac-aCL IgA Positivo - n(%) 1,8% (1) 0% (0) 7,6% (5) 0,152
Ac-aPS IgG Positivo - n(%) 0% (0) 0% (0) 1,5% (1) 1,000
Ac-aPS IgM Positivo - n(%) 0 0 0
Ac-aPS IgA Positivo - n(%) 0% (0) 2,9% (1) 3,0%(2) 0,442
ANA Positivo: Títulos≥ 1/80; Ac-TG Positivo: concentrações ≥ 115 UI/ml; Ac-TPO Positivo: concentrações≥ 34 UI/ml;
Ac-aCL, Ac-aPS Positivo: IgG >40 GPL ; IgM >40 MPL ; IgA >40 APL
A avaliação mais detalhada de nossos dados mostrou que as
pacientes com endometriose com co mprometimento de retossigmóide são
as principais responsávei s pelo aumento do percent ual das células NK no
sangue periférico. Como podemos observar na tabela 7, nas pacientes com
comprometimento de retossigmóide, o per centual de NK encontrado foi de
19,8 10,3%, enquanto naquelas com endometriose sem comprometimento
Resultados 44
de retossigmóide e as do grupo controle os percentuais de NK foram de
12,48,3% e 10,6 5,8%, respectivamente, p< 0,001. Não houve diferenças
entre o subgrupo com endometriose sem comprometimento de
retossigmóide e o grupo controle. Essa subdivisão também evidenciou que a
prevalência dos ANA não relacionou-se com algum local específico de
doença, como o retossigmóide, pois encontramos nessa comparação
prevalência de ANA semelhantes nos dois grupos com endometriose e em
ambos significativamente maiores que no grupo controle.
Tabela 7 - Achados Laboratoriais das pa cientes estudadas, divididas
conforme o local comprometido pela endometriose, destacando-se as
pacientes com comprometimento de retossigmóide
Controle
(n=55)
Com Endometriose
Sem
endometriose de
retossigmóide
(n=59)
Com
Endometriose de
retossigmóide
(n=41)
p
% de Células NK - (média DP) 10,6 5,8 12,4 8,3 19,8 10,3 <0,001
ANA Positivo - n(%) 7 (12,7%) 18 (30,5%) 15 (36,6%) 0,016
Ac-TG Positivo - n(%) 6 (10.9%) 10 (16,9%) 5 (12,2%) 0,943
Ac-TPO Positivo - n(%) 11 (20,0%) 11 (18,6%) 7 (17,1%) 0,966
Ac-TPO e / ou Ac-TG Positivo - n(%) 13 (23,6%) 16 (27,1%) 8 (19,5%) 0,680
Ac-aCL IgG Positivo - n(%) 1 (1,8%) 1 (1,7%) 2 (4,9%) 0,678
Ac-aCL IgM Positivo - n(%) 0 0 0
Ac-aCL IgA Positivo - n(%) 1 (1,8%) 1 (1,7%) 4 (9,8%) 0,126
Ac-aPS IgG Positivo - n(%) 0 0 1 (2,4%) 0,265
Ac-aPS IgM Positivo - n(%) 0 0 0
Ac-aPS IgA Positivo - n(%) 0 1 (1,7%) 2 (4,9%) 0,268
ANA Positivo: Títulos ≥ 1/80; Ac-TG Positivo : concentrações ≥ 115 UI/ml ; Ac-TPO Positivo: concentrações≥ 34 UI/ml;
Ac-aCL, Ac-aPS Positivo: IgG >40 GPL ; IgM >40 MPL ; IgA >40 APL
Resultados 45
Na tabela 8 observamos que existem relações entre as
concentrações de células NK e a classi ficação histológica da endometriose,
fato que não ocorreu com os auto-antic orpos estudados. As portadoras de
endometriose com tipo histológico indife renciado ou misto apresentaram
percentual de células NK de 17,5 10,2%, enquanto as com endometriose,
mas com tipo histológico sem indifer enciação quer seja na forma pura, quer
na forma mista apresentaram um per centual de células NK de 10,1 6,4%,
p=0,001.
Tabela 8 - Achados Laboratoriais das pacientes com endometriose, divididas
conforme a classificação histológica da endometriose
Sem indiferenciação
n=28
Com indiferenciação
n=72
p
% de Células NK - (média DP) 10,16,4 17,5 10,2 <0,001
ANA Positivo - n(%) 9 (32,1%) 24 (33,3%) 0,909
Ac-TG Positivo - n(%) 6 (21.4%) 9 ( 12.5%) 0,349
Ac-TPO Positivo - n(%) 7 (25%) 11 (15,3%) 0,256
Ac-TPO e / ou Ac-TG Positivo - n(%) 9 (32,1%) 15 (20,8%) 0,234
Ac-aCL IgG Positivo - n(%) 0 4,2%(3) 0,369
Ac-aCL IgM Positivo - n(%) 0 0
Ac-aCL IgA Positivo - n(%) 1 (3,6%) 4 (5,6%) 1,000
Ac-aPS IgG Positivo - n(%) 1 (3,6%) 0 0,280
Ac-aPS IgM Positivo - n(%) 0 0
Ac-aPS IgA Positivo - n(%) 2 (7,1%) 1 (1,4%) 0,189
ANA Positivo: Títulos≥ 1/80; Ac-TG Positivo: concentrações ≥ 115 UI/ml; Ac-TPO Positivo: concentrações≥ 34UI/ml;
Ac-aCL, Ac-aPS Positivo: IgG >40 GPL ; IgM >40 MPL ; IgA >40 APL
Resultados 46
Com o achado de percentual de células NK elevado no sangue
periférico de pacientes com endometri ose em relação ao grupo controle
principalmente graças às paci entes com endometriose profunda,
especificamente naquelas com comprometimento de retossigmóide, assim
como a maior prevalência de ANA nas portadoras de endometriose
tentamos estabelecer um modelo para a utilização desses marcadores como
ferramenta no diagnóstico de endometriose.
Quanto ao ANA, esse auto-ant icorpo não se mostrou como
ferramenta útil na predição da endometriose. Sua positividade com títulos de
1/80 ou mais mostrou sensibilidade de 33%, especificidade de 87%, valor
preditivo positivo de 82% e valor pr editivo negativo de 41%. Sua utilização
também não mostrou resultados de aplic abilidade clínica para a predição de
endometriose profunda ou de retossigmóide.
Quanto às células NK, por se trat ar de uma variável não paramétrica,
buscou-se através de curvas ROC es tabelecer o ponto de corte do
percentual de células NK que ence rrasse melhor sensibilidade e
especificidade na prediç ão de diagnóstico de endom etriose, endometriose
profunda e endometriose de retossigmói de. Curvas ROC referentes ao
percentual de NK não apr esentaram áreas sobre a curva com boa
capacidade preditiva para pacientes co m endometriose (0,628; IC de 95%
0,541-0,715) ou para aquelas com endometriose profunda sem
especificação do local comprometido pe la doença (0,669; IC de 95% 0,580-
0,748). Já naquelas com endometriose de retossigmóide encontramos área
sob a curva de 0,735 com 95% do IC ent re 0,640-0,831. Ou seja, uma área
Resultados 47
maior que 0,7 como podemos observar no gráfico 1 , indicando boa
capacidade preditiva do percentual de células NK para esse desfecho
(Cantor e Kattan, 2000). Procurando-se associar a maior sensibilidade
possível, sem baixa de especificidade, chegou-se ao ponto de corte de 12,5
% de células NK (Tabela 9).
Gráfico 1 - Curva ROC, analisando sensibi lidade e especificidade do
percentual de células NK para pr edição de endometriose, endometriose
profunda ou endometriose com comprometimento de retossigmóide
Resultados 48
Tabela 9 - Sensibilidade e espec ificidade, valores preditivos positivo,
negativo e acurácia do percentual da s células NK na predição de
endometriose de retossigmóide
Teste
Positivo
Sensibilidade
( 95% IC )
Especificidade
( 95% IC )
VPP
( 95% IC )
VPN
(95% IC)
Acurácia
(95% IC)
NK ≥11,5% 78,0%
(62,0%- 88,9%)
61,4%
(51,8%- 70,2%)
42,1%
(31,0%- 54,0%)
88,6%
(79,0%- 94,3%)
65,8%
(57,8%-73,2%)
NK ≥12,5% 73,2%
(56,8%- 85,2%)
64,9%
(55,3%- 73,5%)
42,9%
(31,3%- 55,2%)
87,1%
(77,6%- 93,1%)
67,1%
(59,1%-74,4%)
NK ≥13,5% 65,9%
(49,3%- 79,4%)
67,5%
(58,0%- 75,8%)
42,2%
(30,2%- 55,2%)
84,6%
(75,2%- 91,0%)
67,1%
(59,1%-74,4%)
A avaliação global de nossos dados mostrou algumas variáveis
significativamente relacionadas à endom etriose. Do ponto de vista clínico
vale citar dismenorréia, dispareunia de profundidade, infertilidade e sintomas
intestinais cíclicos. Laborat orialmente os itens estudados não se mostraram
como bons marcadores diagnósticos de endometriose. No entanto as células
NK mostraram-se efetivas para detec tar pacientes com endometriose de
retossigmóide. Com essas informações realizamos uma regressão logística
utilizando essas variáveis tendo co mo objetivo a detecção do desfecho
endometriose de retossigmóide.
Assim, na tabela 10 percebemos que na avaliação em conjunto das
quatro variáveis clínicas associ adas à variável NK com valor ≥ 12,5%
percebemos que variáveis como dismenorréia severa/incapacitante,
dispareunia de profundidade, e infertilidade perdem a significância estatística
para predição de endometriose de retossi gmóide. Por outro lado, sintomas
Resultados 49
intestinais cíclicos e concentração de células NK em sangue periférico
mantiveram-se como variáveis capaz es de predizer endometriose de
retossigmóide. Assim, pacientes com sint omas intestinais cíclicos têm 7,3
vezes mais chance de apresentar endom etriose e aquelas com dosagem de
células NK maior ou igual a 12,5% apresentam chance 4,7 vezes maior de
terem esses desfecho.
Tabela 10 - Regressão logística para o diagnóstico endometriose de
retossigmóide
Os dados dessa regressão logística, permitem a aplicação de um
modelo de probabilidades em nossa população estudada, conforme
mostrado a seguir, com o objetivo de diagnosticar endometriose de
retossigmóide.
)...( 121211
1
1)(
nn xxx
eYP
Onde:
- P(Y): probabilidade de endometriose de retossigmóide ;
- e: exponencial
- e 1: coeficientes de regressão (variáveis estimados pelo modelo de regressão logística)
- x 1 : sintoma intestinal cíclico
- x 2 : NK ≥ 12,5%
Razão de chances de
Endometriose Retossigmóide
IC de 95%
Dismenorréia severa / incapacitante 2,114 0,523 -8,554
Dispareunia de Profundidade 1,910 0,527 - 6,929
Sintomas intestinais cíclicos 7,338 2,189 - 24,593
Infertilidade 2,638 0,831 – 8,376
NK ≥12,5% 4,692 1,487 - 14,807
Resultados 50
Na tabela 11 observamos que a probabilid ade de uma paciente ter
endometriose de retossigmóide no caso dela apresentar-se com sintoma
intestinal cíclico e com percentual de NK ≥ 12,5 é de 60,4%. Por outro lado,
se ela tiver apenas sintomas intesti nais cíclicos, essa probabilidade será
41,3%; se a paciente apresentar apenas NK ≥ 12,5 a probabilidade seria de
36,5%.
Tabela 11 - Resultados em modelo de probabi lidades para endometriose de
retossigmóide
Probabilidade de ter
endometriose de
retossigmóide
1
Sintoma
intestinal
cíclico
2 NK >12,5%
60,4% -1,349 0,997 sim 0,773 sim
41,3% -1,349 0,997 sim 0,773 não
36,0% -1,349 0,997 não 0,773 sim
20,6% -1,349 0,997 não 0,773 não
Discussão 51
5 DISCUSSÃO
Muitos aspectos desafiadores fazem da endometriose uma das
afecções ginecológicas mais pesquisa das nos últimos anos . As sociedades
européias e americana de medicina reprodutiva (ESHRE e ASRM) publicaram
“guidelines” objetivando normatização do diagnóstico e tratamento da doença
(Kennedy et al. , 2005; ASRM, 2008). Paralelamente, aspectos
etiopatogênicos vêem sendo estudados e nesse sentido a imunologia é uma
das principais linhas de pesquisa. A associação da endometriose com
infertilidade permanece desafiadora, e a participação do sistema imune neste
binômio foi um dos motivos do início das pesquisas relacionando o sistema
imune à endometriose (Weed e Arquembourg, 1980).
As pesquisas mostram que a endom etriose é uma doença que deve
originar-se com por meio de implante ou metaplasia e que aspectos
genéticos e de meio ambiente imbrica m-se à permissão imunológica para o
seu desenvolvimento (Giudice e Kao, 2004). Fenômenos como diminuição
da efetividade da resposta celula r das células NK contra antígenos
endometriais (Oosterlynck et al. , 1992), associados a um alterações na
secreção de citocinas gerando re sposta inflamatória (Noble et al. , 1997;
Harada et al., 2001) e maior produção de certos auto-anticorpos (Shanti et al.,
Discussão 52
1999) nos fizeram procurar estudar de uma maneira glo bal os fenômenos
sistêmicos específicos (com dosagem das células NK e a pesquisa de auto-
anticorpos) dessa intrigante doença.
Visando analisar didaticamente os parâmetros estudados, dividiremos
esta discussão em avaliação dos aspectos clínicos dos grupos estudados,
da prevalência de auto-anticorpos e ní veis de células NK nas pacientes
estudadas e finalmente discutiremos a utilização das células NK como
marcador diagnóstico de endometriose em retossigmóide.
5.1 Aspectos Clínicos dos grupos estudados e a dinâmica
do estudo
Inicialmente, avaliando o quadro clínic o, vale citar a maior prevalência
de sintomas como dismenorréia severa ou incapacitante (66%), dispareunia
de profundidade (58%), infertilidade (63%) e sintomas intestinais cíclicos
(48%) nas portadoras de endometriose . Em série de 535 pacientes com
endometriose e 200 sem a doença publica dos pela Universidade de Yale,
nos Estados Unidos, sintomas de dism enorréia e dispareunia e dor acíclica
também foram mais freqüentes no grupo com endometriose, sendo
relatados em 70% e 49% e 79% das pacientes. Esse mesmo estudo
demonstrou que as portadoras da doença têm menor número de gestações
do que o grupo controle, resultados seme lhantes aos encontrados em nosso
estudo (Matalliotakis et al., 2008).
Discussão 53
Nossos grupos foram divididos em casos ou controles graças à
laparoscopia, que permitiu a visualização de focos de endometriose em
pacientes sintomáticas (com dor e/ou infertilidade). Esse método nos
permitiu isolar a endometriose como variável que poderia ou não se
relacionar aos achados laboratoriais pesquisados. Quando se escolhe esse
tipo de grupo controle, fica a discussão de outros grupos controles possíveis
que teriam benefícios em relação ao por nós estudado.
Poderíamos, por exemplo, esco lher um grupo de pacientes sem
sintomas sugestivos da doença, que não precisariam ser submetidas a
videolaparoscopia, onde estimaríamos em 5-10% a prevalência de
endometriose (Giudice e Kao, 2004) e ut ilizaríamos esse dado na realização
dos cálculos estatísticos. O nítido bene fício desse grupo seria o de se obter
um número maior de pacientes, o que reforçaria o poder dos achados da
pesquisa. Por outro lado, esse grupo teria aspectos negativos: não
poderíamos presumir os eventuais loca is comprometidos por endometriose
(peritônio, ovário e prof unda) nos 5% da população do “grupo controle”, o
que inviabilizaria ou no mínimo causaria discussões sobre achados como os
níveis de células NK na popul ação com endometriose profunda de
retossigmóide.
Outro tipo de grupo controle seri a o de pacientes multíparas que
seriam submetidas a l aqueadura tubária. Esse grupo seria interessante pelo
fato de também haver a documentação laparoscópica da ausência de
endometriose, no entanto, esse grupo so fre com a ausência de sintomas,
fato que não encontramos em nossa prátic a clínica diária, o que minimizaria
Discussão 54
os achados encontrados quando pensamos em usar os elementos avaliados
como marcadores de doença. Assim, optamos pelo grupo controle de
pacientes sintomáticas, o que em no ssa opinião pode homogeneizar os
grupos estudados, utilizando-se como única diferença a presença ou não da
endometriose.
Uma característica marcante de no sso estudo foi a alta prevalência
das formas mais graves da endometriose. Como pode ser observado na
tabela 2, encontramos uma prevalência de estádios avançados de 61%,
além de 66% das pacientes apresentarem formas profundas da doença. Isso
obviamente deve-se ao fato do estudo te r sido realizado em um serviço de
referência para tratamento dessa afecçã o. Se por um lado isto aumentou a
prevalência de formas mais graves, por outro facilitou a avaliação dessa
forma da doença, possibilitando termos encontrado exatamente nas
pacientes com endometriose avançada, com focos profundos os
interessantes achados de maior percentual de células NK no sangue
periférico. Todos os outros estudos sobre o tema foram realizados com
casuísticas menores ou em populações menos selecionadas, o que pode ter
contribuído para o ineditismo de no ssos achados. Quanto à classificação
histológica, 72% apresentavam focos com formas indiferenciadas ou mistas
da doença, dados semelhantes aos pub licados por nosso grupo no ano de
2003, onde as formas mais graves asso ciavam-se a tipos histológicos misto
ou indiferenciado (Abrao et al., 2003).
Discussão 55
5.2 Prevalência de auto-anticorpos e níveis de células NK
nas pacientes estudadas
O presente estudo fund amenta-se no fato de existir um papel do sistema
imune para o desenvolvimento da endometriose (Ulukus e Arici, 2005) e
em nosso questionamento se essa eventual alteração imunológica
poderia ser detectada no sangue perifér ico. Assim procuramos dosar o
percentual das células NK e de al guns auto-anticorpos, pois esses
parâmetros são freqüentemente re lacionados à endometriose e
infertilidade, além de serem exames disponíveis na prática clínica de
muitos laboratórios. Nesse s entido a comparação dos achados
laboratoriais nos tr ouxe algumas informações relevantes. Em
decorrência dos resultados conflitantes obtidos na liter atura, além da
dificuldade em obter dados homogêneos quanto a mé todos laboratoriais
optamos por realizar um estudo ex ploratório, incluindo todas as
pacientes submetidas consecutiv amente a laparoscopia em nosso
serviço. Calculamos então, após os dados obtidos, o poder estatístico da
amostra estudada. O poder estatístico da amostra estudada, utilizando-
se um índice alfa de 5%, para a comparação entre as pacientes com e
sem endometriose foi de 96,3% par a as células NK e de 78,5% para
avaliação dos ANA. Já para os outro s auto-anticorpos o poder estatístico
variou entre 5-37%.
Discussão 56
5.2.1 Endometriose e Auto-Anticorpos
Alguns estudos sugerem que a relação de linfócitos T helper /
linfócitos T supressor no sangue e líqui do peritoneal esteja aumentada nas
portadoras de endometriose, com maio r número relativo de linfócitos T
helper (Hill et al. , 1988); essa relação alte rada estaria associada a
exacerbações na resposta imune humoral, o que explicaria a maior
produção de auto-anticorpos nas port adoras de endometriose (Cunningham
et al., 1992). Nesse sentido, e baseados na maior prevalência descrita para
alguns auto-anticorpos, pesquisamos os auto-anticorpos ANA, Anti-TG, Anti-
TPO, Anti-cardiolipinas e antifosfatidilserinas, que são auto-anticorpos que já
foram estudados e previamente most raram-se relacionados a endometriose
e/ou infertilidade.
Gleicher et al., (1987) encontraram uma maior prevalência de auto-
anticorpos em pacientes com endomet riose, sugerindo uma ativação
policlonal de linfócitos B. Esses aut ores chegaram a essa conclusão
estudando inicialmente 59 pacient es portadoras de endometriose,
comparando os níveis de anticorpos ant inucleares (ANA) com 50 mulheres
férteis, sem sintomas de endometrio se. Encontraram positividade para ANA
(títulos acima de 1/80) em 20.3% das pacientes com endometriose. Esse
estudo avaliou ainda diversos outros potenciais auto-anticorpos em 31
portadoras de endometriose . Compararam os resultados com as 50
mulheres assintomáticas descritas ac ima e consideraram como positivo,
apenas as amostras nas quais os títulos ou concentrações dos auto-
Discussão 57
anticorpos estivessem acima de 2 desvios-padrão dos títulos e
concentrações médios encontrados no grupo controle. Dos diversos auto-
anticorpos estudados, os autores salientaram reatividade para IgG
antifosfatidilserina em 41.9% das portadoras de endometriose, além de
outros anticorpos contra diversos fosfol ípides (entre eles anticardiolipina,
com 25.8%; fosfatidilinusitol com 19.4%) foram mais prevalentes nas
portadoras de endometriose (Gleicher et al., 1987).
Comparando com esses resultados , nossa população de pacientes
com endometriose também apresentou maio r prevalência de ANA (33%) em
relação ao grupo controle (12,7%), no entanto, nossos resultados
demonstraram que a prevalência de ant icorpos antifosfatidilserina e
anticardiolipina foi semelhante nos gr upos estudados. É importante ressaltar
que Gleicher et al (1987) utilizaram como critério para positividade dos
anticorpos aCL e aPS concentrações superiores a dois desvios-padrão da
média da população do grupo controle. Além disso, o grupo controle de
Gleicher et al (1987) , foi constituído por pacientes assintomáticas sem a
confirmação laparoscópica da ausência da endometriose, o que pode ser um
viés na comparação com nossos dados.
Assim como nossos resultados, out ros estudos também relataram
maior prevalência de ANA nas pacientes com endometriose, como em nosso
meio, quando (Pasoto et al. , 2005) estudaram 45 portadoras de
endometriose, comparando a prevalência de ANA com 21 pacientes de um
grupo controle de pacientes férteis su bmetidas a laqueadura tubária e 15
Discussão 58
pacientes lúpicas. Esse estudo encontrou positividade para ANA em 18% da
população com endometriose, 0 no grupo controle e em 93% das lúpicas.
Em 1991, Taylor e colaboradores estudaram a prevalência de ANA,
anticorpos anticardiolipina (aCL) das classes IgG e IgM, além de
anticoagulante lúpico e níveis de imunoglobulinas e complemento no sangue
periférico de 71 pacientes com endomet riose diagnosticadas por vídeo-
laparoscopia, usando como grupo controle as amostras de banco de sangue
de uma série de 109 mulheres não grávidas de 20 a 40 anos, independente
de sintomas, fertilidade ou co-morbidades. Esses autores relataram
prevalências significativamente super iores de positividade para ANA, aCL
(IgG ou IgM) e anticoagulante lúpico nas mulheres com endometriose
(27,8% , 9,9% e 4,3%) em relação ao gr upo controle ( 4,6%, 0 e 0). Ao se
avaliar o pool de auto-anticorpos estudados, 58% das pacientes com
endometriose ( 41 / 71) e 12% do grupo c ontrole (13/109) apresentaram
algum auto-anticorpo positivo, diferença estatisticament e significativa. Vale
ainda ressaltar que esses autores re lataram que a prevalência de ANA foi
diretamente proporcional ao estadiamento e que, ao contrario, a prevalência
de aCL foi inversamente proporcional ao estadiamento da endometriose
(Taylor et al., 1991).
Novamente comparando com nossos re sultados, ressaltamos que as
pacientes com endometriose apr esentaram prevalência de ANA
significativamente superior ao grupo c ontrole (12,7%), mesmo quando o
grupo de portadoras de endometriose foi subdividi do em estádios iniciais
(32,8%) e avançados (33,3%), o que ta mbém foi relatado no estudo de
Discussão 59
Pasoto et al., 2005. Nossos dados também mostraram não haver diferenças
quanto a prevalência de quaisquer outro s auto-anticorpos estudados na
dependência dos locais de doença, fato que não foi estudado por outros
autores na literatura.
Ainda em nosso meio (Abrao et al. , 1997) estudaram 35 portadoras
de endometriose e 15 de um grupo contro le de pacientes submetidas a
laqueadura tubária. Esses autores rela taram que houve aumento nos níveis
de AcL IgM em relação a aos níveis do grupo controle, e maior prevalência
de positividade para esse auto-anticorpo, utilizando o nível de corte 10 MPL.
Nossos resultados diferem dos publicados nesse estudo, mesmo quando
usamos um nível de corte semelhante aos relatados por Abrao, pois
encontramos prevalências semelhantes de aCL e aPS dos tipos IgG, M e A
nos dois grupos estudados.
Avaliando-se criticamente a dos agem de ANAs, estudos mostram que
esses anticorpos podem estar pres entes na população geral livre de
doenças como o lúpus e a prevalência da positividade par a esse anticorpo
depende do titulação. Considerando-se títulos de até 1/40, até 30% da
população normal apresenta ANA +, ao passo que valore s de 1/80 ou mais
estão presentes em até 13% da po pulação normal (semelhante ao
encontrado em nosso grupo controle ), sendo por isso os valores
considerados com importância clínica (Adams e Mutasim, 2000).
Anticorpos aCL e aPS são antic orpos antifosfolípides que são auto-
anticorpos associados a fenômenos tr omboembólicos e abortamentos de
repetição (Ulcova-Gallova et al., 2005). Da mesma maneira que o ANA, nem
Discussão 60
todos os portadores desses auto- anticorpos desenvolverão a doença e
esses auto-anticorpos podem apresenta r-se transitoriamente presentes
graças a processos infecciosos ou uso de determinados fármacos como
clorpromazina, fenito ína, hidralazina, pr ocainamida, quinidina,
estreptomicina, fenotiazinas (Canos o e de Oliveira, 1988). A Síndrome
Antifosfolípide, entidade clínica re lacionada a anticorpos antifosfolípides
caracteriza-se por critérios clínicos bem estabelecidos como tromboses,
acidentes vasculares cerebrais, aborta mentos de repetiç ão à presença de
determinados anticorpos como o antic oagulante lúpico e os anticorpos
anticardiolipina do tipo IgG ou IgM (Miyakis et al. , 2006); salientamos que
nenhuma de nossas pacientes apresentav a episódios prévios de trombose,
três ou mais abortamentos ou mau passado obstétrico.
Salientamos ainda q ue além das avaliaç ões demonstradas em
nossas tabelas, também avaliamos es tatisticamente os aCL e aPS de três
outras maneiras: através da comparação de suas médias e DPs, através da
categorização em positivo ou negativo segundo o critério de o valor daquela
aCL ou aPS estar acima da média mais dois DPs e finalmente utilizando o
critério de positividade na dependência do valor esta r acima do percentil 99
da população estudada. Nenhuma des sas três avaliações mostrou
resultados estatísticos diferentes dos apresentados com o ponto de corte em
40 GPL, MPL ou APL.
Ao compararmos os resultados dos anticorpos antifosfolípides
estudados com publicações prévia s, notamos que nossos resultados
mostram prevalência desses auto-ant icorpos semelhantes nos grupos
Discussão 61
estudados, enquanto outros estudos dem onstram maior prevalência de
positividade desses auto- anticorpos nas portadoras de endometriose.
(Kennedy et al., 1989; Taylor et al., 1991; Abrao et al., 1997). Isso pode ser
explicado pelo fato do corte por nós utilizado ser superior a outras
publicações. Outra explic ação para essa discrepância é o grupo controle
utilizado em nosso estudo, que é um gr upo de pacientes sintomáticas (dor
e/ou infertilidade), o que difere dos c ontroles utilizados nos estudos citados,
que foram compostos por amostras de bancos de sangue de pacientes
assintomáticas ou de pacientes submetidas a laqueadura tubária.
Um interessante estudo caso-cont role foi realizado nos Estados
Unidos com o objetivo de determinar a prevalência de determinadas
doenças auto-imunes e metabólicas nas pacientes com endometriose. Para
isso os autores enviaram um questionário às mulheres da Associação
Americana de Endometriose e compararam os resultados com a prevalência
dos mesmos agravos na população norte-americana obtidos por pesquisa
em bancos de dados como Pubmed ou por relatórios do Centro de Controle
de Doenças (CDC). As portadoras de endometriose (n=3680) relataram
maior prevalência de LES (0,8%), fibr omialgia (5,9%), artrite reumatóide
(1,8%) do que a população geral que apresenta as prevalências 0,04%,
3,4% e 1,2%, respectivamente (Sinaii et al., 2002).
A prevalência de fenômenos auto- imunes contra a tireóide na
população geral é maior nas mulheres que nos homens e varia entre 3-25%;
sabemos que aumenta propor cionalmente à idade tend o sido relatada em
18% nas mulheres de 25 a 30 anos de i dade e de 24,9% naquelas com 40-
Discussão 62
45 anos de idade em um a grande série de pacientes estudadas na
Dinamarca (n=3712) (Bulow Pedersen et al., 2006).
No que tange aos anticorpos ant itireóide, a no ssa população
apresentou positividade par a anticorpos anti-TPO e anti-TG no grupo com
endometriose (15% e 18% respectivament e) semelhantes ao grupo controle
(10,9% e 20% respectivamente). Esses achados são semelhantes aos
publicados por (Petta et al. , 2007), que estudaram em nosso meio 148
pacientes com endometriose confirm ada cirurgicamente comparadas a 158
mulheres que freqüentavam o ambulatór io de planejamento familiar da
Universidade de Campinas, que não fora m submetidas a videolaparoscopia
mas foram consideradas como não por tadoras de endometriose por não
apresentarem história prévia ou si ntomas sugestivos da doença. Esses
autores relataram anticorpos anti-TPO e anti-TG no grupo com endometriose
(11,5% e 8,1% respectivamente) se melhantes ao grupo controle (19,6,% e
8.2% respectivamente). Esse estudo também mostrou não haver diferenças
na prevalência de fenômenos auto-i munes relacionados ao estadiamento da
doença, resultados semelhantes aos obtidos em nosso estudo.
5.2.2 Endometriose e as Célu las NK no sangue periférico
Utilizamos a citometria de fluxo para a dosagem das células NK no
sangue periférico, por tratar-se de um método consagrado e altamente
reprodutível. A maioria dos trabalhos previamente publicados utilizou a
mesma tecnologia laboratorial, mas out ros utilizaram métodos laboratoriais
Discussão 63
menos reprodutíveis, como Hill et al . (1988), que usaram uma leitura em
microscopia óptica, com marcadores fluor escentes para as células NK. Com
esse método, estudou 33 pacientes co m endometriose e 8 mulheres férteis
sem endometriose. Esses autores relataram número maior de células NK no
líquido peritoneal e semel hante no sangue periféric o de portadoras de
endometriose em relação ao grupo controle (Hill et al., 1988).
No ano de 2003 um estudo multicêntrico realizado no Canadá avaliou
o número de leucócitos e seus subt ipos no sangue periféricos de 175
portadoras de endometriose e 131 contro les (pacientes submetidas a
laparoscopia para re-anastomose ou laqueadura tubária) no período de 1997
a 2001. Os autores encontraram perc entuais semelhantes de leucócitos,
assim como de células NK nas pacientes com (9,9 5,3 %) e sem ( 9,2
5,7%) endometriose (Gagne et al. , 2003b), o que diferiu dos resultados
obtidos em nosso estudo, pois encontramos concentração significativamente
maior de células NK no sangue perif érico de portadoras de endometriose
(19,8 10,3%) em relação ao grupo controle (10,6 5,8%). Algumas
características importantes do estudo canadense merecem ser citadas, para
comparação com os dados obtidos em nossas pacientes:
- os autores não relataram o es tadiamento das pacientes operadas
por endometriose, não estabelecendo assim eventuais diferenças
relacionadas à gravid ade da doença. A observação cuidadosa de
nossos dados mostra que as cé lulas NK aumentam no sangue
periférico graças a casos mais avançados de endometriose e não
temos essas informações no estudo canadense;
Discussão 64
- o marcador da célula NK utilizada foi o CD3-/CD56+,
diferentemente do no sso, que identificou a cé lula NK de maneira
mais específica, através dos marcadores de membrana CD3- /
CD56+ / CD16+. O CD16+ é um dos marcadores característicos
da célula NK, funcionando como um receptor para a fração Fc dos
anticorpos IgG, caracterizando assim um tipo de NK com atividade
citotóxica ativada por anticorpos. (Moretta et al. , 1989; Dosiou e
Giudice, 2005; Fettback et al., 2009).
Outros estudos também avaliaram o percentual de células NK no
sangue periférico ou no líquido peritoneal e os resultados são conflitantes.
Ho et al., (1995) estudando uma população de 14 mulheres com
endometriose em estádios III e IV, comparou o número e percentual de
células NK (utilizando citômetro de fluxo com anticorpos monoclonais) no
sangue periférico e liquido peritoneal, assim como a citotoxicidade das
células NK. Esses autores relataram número semelhante de células NK e
menor atividade citotóxica no líqui do peritoneal da portadoras de
endometriose. Em sangue per iférico não foram encontradas diferenças no
número ou na atividade das células NK (Ho et al. , 1995). Número
semelhante de células NK nos grupos com e sem endometriose também
foram relatados por (Oosterlynck et al. , 1991; Provinciali et al. , 1995); por
outro lado (Kikuchi et al., 1993) relataram menor número de células NK nas
portadoras de endometriose em relação ao grupo controle.
Discussão 65
Não existem dados na literatura relacionando a concentração de
células NK com características espec íficas das portadoras de endometriose,
como os locais comprometidos pela doença ou a classificação histológica da
mesma. Nossos dados demonstraram maior percentual de células NK
relacionadas aos estádios avançados (III e IV), à endom etriose profunda,
predominantemente de retossigmói de e ao tipo histológico com
indiferenciação do componente epitelial dos focos de endometriose.
Quanto às características histológicas da endometriose, aceita-se que
a doença profunda esteja mais relacionada à classificação indiferenciada ou
mista da doença (Abrao et al. , 2003; Kamergorodsky et al. , 2009), o
que relaciona-se com o achado porcentagem de células NK
aumentadas em pacientes com endomet riose intestinal e com tipo
histológico indiferenciado.
Quais seriam os motivos dos nossos achados de aumento do
percentual de células NK nas portador as de endometriose em estádios
avançados com comprometimento profundo de retossigmóide?
Os achados de mais células NK circulantes nas pacientes com
endometriose em relação ao grupo controle associado ao fato
exaustivamente demonstrado na literat ura de diminuição da atividade das
células NK nas pacientes com endometriose (Kanzaki et al., 1992; Tanaka et
al., 1992; Vigano et al. , 1993; Oosterlynck et al. , 1994a; Oosterlynck et al. ,
1994b; Wilson et al. , 1994; Garzetti et al. , 1995) nos levam à conclusão de
que nas pacientes com endometriose, o aumento periférico das células NK
encontrado em nosso trabalho é uma re sposta sistêmica do organismo ao
Discussão 66
desenvolvimento da doença. Essa hi pótese ganha força ao salientarmos
alguns aspectos, como:
I. observarmos que o subgrupo responsável por esse aumento
sistêmico é o de pacientes com doença avançada, profunda ,
predominantemente em loca lização de retossigmóide ; nossos
dados demonstraram cl aramente que nos est ádios iniciais ou
naquelas em que não há doença profunda, não existe um aumento
significativo dos níveis das células NK.
II. algumas publicações que avaliaram a atividade das células NK
demonstraram que a maior queda na atividade dessas células
ocorreu em estádios avançados (Wilson et al., 1994; Garzetti et al.,
1995). Com menor atividade haveria uma tentativa do organismo
de aumentar o número dessas célula s com objetivos de diminuir o
desenvolvimento da endometriose.
E quais seriam os motivos para a diminuição da atividade das células
NK nas portadoras de endometriose? Temos alguns dados interessantes na
literatura que podem nos ajudar a entender esse fenômeno:
I. Substâncias solúveis no líquido peritoneal ou no soro:
Kanzaki e
colaboradores avaliaram em 1992 a ação do soro de pacientes
com endometriose sobre a atividade citotóxica de células natural
killer. Para isso, adicionaram o soro de pacientes com e sem
endometriose a um ensaio de cito toxicidade. Demonstraram uma
diminuição da ativida de citotóxica significativa frente à exposição
Discussão 67
do soro das pacientes portadoras de endometriose, (Kanzaki et al.,
1992). Achados semelhantes foram também relatados pelo grupo
de Oosterlynck (Oosterlynck et al., 1993). Nos últimos anos, o setor
de endometriose do HCFMUSP avaliou diversas citocinas em
pacientes com e sem endometriose, tanto no sangue quanto no
líquido peritoneal. Vale citar os achados de aumento nas
concentrações de IL-12 no lí quido peritoneal encontrado nas
portadoras de endometriose em est ádios avançados (Fairbanks et
al., 2009), assim como o aumento das concentrações do interferon-
gama (Podgaec et al., 2007) e das IL-2 e IL-6 (Ejzenberg, 2007)
nas portadoras de endometrios e. Percebemos com esses
resultados que a endometriose é uma doença inflamatória, com
uma alteração no padrão de secreção das citocinas. Finalmente,
vale lembrar o fato das células NK poderem ser estimuladas por
citocinas como IL-12 e que uma das principais citocinas secretadas
pelas células NK é o Interferon-gama (Abbas, 2008).
II. Papel do Complexo Principal de Histocompatibilidade
: Ao
avaliarmos o comportamento das células NK frente a tumores,
postula-se que as células tumorais podem tornar-se alvos para
essas células ao diminuírem a expressão de moléculas de
superfície do CPH, os chamados antígenos leucocitários humanos
ou HLA (Benjamini, 2002) e s abemos que as pacientes com
endometriose apresentam maior expressão de CPH-I no
endométrio tópico e ectópico (Semino et al. , 1995; Kitawaki et al. ,
Discussão 68
2002). Em 1995, Semino et al demonstraram que a resistência das
células endometriais tópicas e ec tópicas a ação citotóxica de
linfócitos e células NK seria proporcional à expressão HLA-I nas
células endometriais. Ao se esti mular a expressão de HLA-I nas
culturas de células endometriais com interferon gama, esses
autores também demonstraram que ocorreu uma resistência ainda
maior à ação citotóxica das célu las efetoras estudadas (o que
também demonstra a possível interação de substâncias solúveis do
líquido peritoneal ou do s angue periférico). Mais recentemente,
estudou-se a expressão de HLA-I por imunohistoquímica no tecido
endometrial tópico, relatando expressão significativamente superior
de HLA-I nas glândulas e no es troma endometrial tópico de
pacientes com endometriose em relação àquelas sem
endometriose (Vernet-Tomas Mdel et al., 2006).
III. Receptores Inibitórios das células NK:
conforme citado
anteriormente, as células NK expr essam receptores KIR inibitórios
e ativadores. Alguns desses KIRs inibitórios reconhecem
antígenos do CPH Classe I, sendo esse o gatilho para a inibição da
citotoxicidade das células NK. Maeda et al em 2002, ao comparar
40 pacientes sem endometriose com 42 pacientes com
endometriose demonstraram uma rela ção entre a diminuição da
atividade citotóxica das células NK e aumento da expressão de
determinados KIRs inibitórios (KIR2DL1) na superfície dessas
células NK, fato que ocorreu excl usivamente naquelas pacientes
Discussão 69
em estádios avançados, já que a expressão dos KIRs mostrou
semelhante nas pacientes em estádios iniciais em relação ao grupo
controle (Maeda et al., 2002).
5.3 Utilização das células NK como marcador diagnóstico
de endometriose em retossigmóide
Vários pesquisadores tentaram desenvolver marcadores sorológicos
diagnósticos para endomet riose, o que baseia-se em achados de
substâncias que podem partic ipar na gênese da doença e
conseqüentemente podem estar com suas concentrações alteradas no
sangue periférico, líquido peritoneal, sangue menstrual ou mesmo em
biópsias endometriais. Essas altera ções seriam então utilizadas como
marcadores da doença, e obviamente o ma is prático seria a utilização de
algum marcador sorológico (Evers et al. , 1993; Lambrinoudaki et al. , 2009;
Lermann et al. , 2009). O marcador isolado que mais utilizado foi o CA 125
que inicialmente foi utilizado para diagnóstico de tumores ovarianos. Abrao
et al., em 1997 publicaram estudo de 50 pacientes, demonstrando que o CA
125 mostrava-se significativamente elevad o (níveis superiores a 100 UI/ml)
nos casos de endometriose estádio III e IV (Abrao et al. , 1997). Outros
autores relatam que a sensibilida de do CA125 para o diagnóstico de
endometriose é baixa. Um interess ante estudo realizado na Itália
demonstrou que o CA125 num nível superior a 35 UI/ml apresenta
Discussão 70
sensibilidade de 27% e especificida de de 97%. Esses mesmos autores
também avaliaram outros marcadores como IL-6 e CA19-9, mas esses
marcadores não adicionar am acurácia ao CA 125 no diagnóstico de
endometriose (Somigliana et al., 2004).
Atualmente as publicações tendem a utilizar diversos marcadores em
conjunto, formando um painel diagnóstico para proporcionar melhor
sensibilidade e especificid ade diagnóstica. (Gupta et al. , 2006; Nalbanski e
Kiurkchiev, 2008). Em 2008, um inte ressante trabalho publicado por Seeber
et al avaliaram um painel de sete potenciais marcadores: IL-6, TNF-alfa, MIF
(fator inibitório da migração de macrófagos), MCP-1(proteína quimiotática de
macrófago) IFN-gama, leptina, e CA-125. Avaliaram todos esses
marcadores em 63 pacientes com endometriose e 78 sem endometriose
(sintomáticas, e com laparoscopia sem endometriose). A associação de três
marcadores ( CA-125, leptina e MCP-1) propiciou maior acurácia diagnóstico
de endometriose, com especificidade de 94% (95% IC: 86%, 98%) e com
sensibilidade de 49% (95% IC: 36%, 62%) (Seeber et al., 2008).
Nossos resultados demonstram que ANA e células NK também não
se prestam ao diagnóstico de endometriose na população geral.
Consideramos que podemos adicionar um provável marcador diagnóstico
mas que prestar-se-á ao diagnóstico de formas mais graves da doença,
como as pacientes com comprometi mento de retossigmóide. O uso da
dosagem das células NK não se most rou eficaz para o diagnóstico de
endometriose (com área sob a curva RO C de 0,587) , mas a sua utilização
numa população de pacientes sintomát icas pode aumentar a suspeita de
Discussão 71
endometriose profunda de retossigmóide. Ao utilizarmos o valor de 12,5%
de células NK como cut-off obtivemos sensibilidade de 78% e especificidade
de 61% para o diagnóstico de endometriose de retossigmóide; com essa
informação, poderíamos facilitar o di recionamento dessas pacientes para
centros terciários, especializados no diagnóstico e tratamento de formas
mais graves de endometriose. Salientamos ainda que a dosagem do
percentual de células NK é um método não invasivo, altamente reprodutível
e que não sofre variações relacionadas à fase do ciclo, como nossos dados
e da literatura demonstraram (Yovel et al., 2001; Rai et al., 2005). Quanto à
fase do ciclo existem descrições que mostram que ocorre diminuição na
atividade (e não do percentual) das célu las NK periféricas na fase lútea
(Souza et al. , 2001). Não encontramos est udos na literatura utilizando a
dosagem de células NK no sangue perif érico com objetivos de diagnóstico
de endometriose ou de endometriose profunda de retossigmóide.
Vale citar uma pesquisa realiz ada por Gagne et al (2003), que
avaliou 173 mulheres com endometriose e 195 controles com o objetivo de
associar ao CA125 sérico os resultado s de um painel de marcadores de
leucócitos pesquisados no endométri o tópico (obtidos por biópsia
endometrial). Essa associação demonstrou sensibilidade de 61% e
especificidade de 95% para o diagnósti co de endometriose. Entre os
leucócitos avaliados, as diferenças na concentração de células NK
(caracterizadas como CD 16+) fizeram parte do modelo pr editivo utilizado
para o diagnóstico de endometriose (Gagne et al., 2003a).
Discussão 72
Outro aspecto inédito de nosso est udo foi a tentativa de estabelecer
um modelo estatístico de probabilidades. Ao realizarmos inicialmente uma
regressão logística conseguimos is olar variáveis que em pacientes
sintomáticas podem relacionar-se à endometriose de retossigmóide:
sintomas intestinais cíclicos e dosagem de células NK ≥12,5%. A utilização
dessas variáveis em uma população sint omática, demonstrou que pacientes
com ambas variáveis positivas teriam aproximadamente 60% de
probabilidade de apres entar endometriose de retossigmóide. O
comprometimento intestinal da endom etriose é estimado em 5-12% das
portadoras de endometriose, e o local mais freqüentemente comprometido é
o retossigmóide, responsável por 70-93% de todas as lesões intestinais, ou
seja, podemos estimar que a prevalência de endometriose de retossigmóide
na população geral vari a entre 3-11% (Darai et al. , 2005). Obviamente
nossos dados ainda devem ser validados em populações maiores e não tão
selecionadas. Poderemos com a utilizaç ão desse modelo proporcionar às
pacientes maior agilidade diagnóstica , ou seja, triando aquelas que
necessitam passar por exames de im agem mais detalhados e com maior
acurácia para o diagnóstico desse tipo de endometriose, como ultrassom
transvaginal com preparo intestinal, ressonância magnética de pelve ou
ecoendoscopia (Dumontier et al. , 2000; Abrao et al. , 2007; Chamie et al. ,
2009; Goncalves et al. , 2009) o que possibilitaria um melhor preparo da
equipe cirúrgica e portanto menos comp licações relacionadas ao tratamento
cirúrgico da endometriose.
Discussão 73
Nosso estudo foi pioneiro ao ava liar em conjunto as células NK e
alguns auto-anticorpos, evidenciando que existem alterações imunes
sistêmicas relacionadas à endometrios e. A identificação do aumento das
células NK periféricas em pacientes com doença avançada é uma
informação relevante que abre espaço pa ra novas linhas de pesquisa no
sentido de entender as relações existentes entre essas células e os focos de
endometriose, além do potencial uso desse tipo celular em modelos de
diagnóstico e eventualmente do tratamento da endomet riose. Paralelamente
a maior prevalência de ANA encont rada em nosso estudo corrobora com
dados existentes na literatura e também nos dá uma sinaliz ação no sentido
da co-existência de fenômenos de imuni dade humoral em pacientes com
endometriose, fenômeno esse que precisa ser mais estudado e
compreendido.
A continuidade desse estudo passa pela validação de nosso modelo
de probabilidades para o diagnóstico de endometriose de retossigmóide
através de estudos envolvendo mais pacientes. Além disso pretendemos
em laboratórios de pesquisa básica av aliar os mecanismos imunológicos
envolvidos com aumento de células NK. Pa ra isso deveremos avaliar quais
as relações entre a diminuição da a at ividade das células NK, a expressão
de KIRs, expressão dos diversos tipos de HLA-I no tecido endometrial tópico
e ectópico, padrão de produç ão de citocinas, com fo co principal na doença
profunda de retossigmóide.
Conclusões 74
6 CONCLUSÕES
6.1) A concentração de células NK, assim como a prevalência de ANA no
sangue periférico encontram-se elevadas nas portadoras de
endometriose;
6.2) A prevalência em sangue periférico de auto-anticorpos antitiroglobulina,
antitiroperoxidase, anticardiolipina ( IgG, IgM, IgA) e antifosfatidilserina
(IgG, IgM e IgA) foi semelhante nas pacientes com e sem endometriose;
6.3) Pacientes com endometriose em estádios avançados apresentam
concentrações superiores de células NK no sangue periférico;
6.4) Pacientes com endometrios e de retossigmóide apresentam
concentrações superiores de células NK no sangue periférico;
6.5) Pacientes com endometriose co m padrão histológico indiferenciado
apresentam maiores concentrações sanguíneas de células NK;
6.6) Não existem relações entre as prevalências de auto-anticorpos anti-TG,
anti-TPO, aCL ( IgG, IgM, IgA), aPS ( IgG, IgM e IgA) e ANA com o
estadiamento, local de doença ou tipo histológico da endometriose.
6.7) Concentração de células NK acima de 12,5% em pacientes com
sintomas intestinais cíclico re laciona-se a maior probabilidade
diagnóstico de endometriose de retossigmóide.
Anexos 75
7 ANEXOS
Anexo 01 - Aprovação do Comitê de Ética e pesquisa da FMUSP
Anexos 76
Anexo 2 – Termo de Consentimento
HOSPITAL DAS CLÍNICAS
DA
FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
TERMO DE CONSENTIMENTO PÓS -INFORMAÇÃO
(Obrigatório Para Pesquisas Científicas em Seres Humanos - Resolução Nº 01 de 13.6.1988 - CNS)
____________________________________________________________________
I - DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE OU RESPONSÁVEL LEGAL
1. NOME DO PACIENTE .:........................................................................................................................................
DOCUMENTO DE IDENTIDADE Nº : ........................... SEXO : M F DATA NASCIMENTO: / /
ENDEREÇO ................................................................................................ Nº .................... APTO: ......................
BAIRRO: ........................................................................ CIDADE : .......................................................................
CEP: . ................................................ TELEFONE: DDD (............) .......................................................................
2. RESPONSÁVEL LEGAL .......................................................................................................................................
NATUREZA (grau de parentesco, tutor, curador etc.) ................................................................................................
DOCUMENTO DE IDENTIDADE Nº : ........................... SEXO : M F DATA NASCIMENTO: / /
ENDEREÇO ................................................................................................ Nº .................... APTO: ......................
BAIRRO: ........................................................................ CIDADE : .......................................................................
CEP: . ................................................ TELEFONE: DDD (............) .......................................................................
___________________________________________________________________________________________
II - DADOS SOBRE A PESQUISA CIENTÍFICA
1. TÍTULO DO PROTOCOLO DE PESQUISA ....................................................................................
Avaliação de marcadores imunológicos no sa ngue e fluido peritoneal de pacientes
portadoras de endometriose comparando com um grupo de pacientes sem
endometriose.
2. PESQUISADOR: João Antonio Dias Junior
CARGO/FUNÇÃO: Médico Ginecologista /Obstetra INSCRIÇÃO CONSELHO REGIONAL Nº 89.292
UNIDADE DO HCFMUSP: Departamento de Ginecologia
3. AVALIAÇÃO DO RISCO DA PESQUISA: SEM RISCO RISCO MÍNIMO
(probabilidade de que o indivíduo sofra algum dano RISCO MÉDIO X RISCO MAIOR
como consequência imediata ou tardia do estudo)
4. DURAÇÃO DA PESQUISA : .3 anos
Anexos 77
___________________________________________________________________________________________
III - EXPLICAÇÕES DO PESQUIS ADOR AO PACIENTE OU SEU
REPRESENTANTE LEGAL:
1. justificativa e os objetivos da pesquisa (explicitar): Existe grande
probabilidade de a senhora ser por tadora de uma doença chamada
endometriose. Nesta doença, o endomé trio, que a parte do útero que se
desprende e sangra na menstruação, pode crescer fora do útero, em outros
lugares, como os ovários, o tecido que reveste o abdome internamente
(chamado de peritônio) e outras locali zações como o intestino,bexiga, entre
outros órgãos. Esta doença ( a endome triose) pode causar sintomas como
aqueles que a senhora tem. A endometr iose acomete um grande número de
mulheres, podendo também causar difi culdade para engravidar, sendo
interessante avaliar se alguns exam es de sangue( como os que serão
realizados na senhora) poderiam aj udar no diagnóstico da doença, assim
como na avaliação da dificuldade de gravidez. Para o tratamento da sua
doença, a senhora terá que ser subme tida a uma cirugia. O objetivo deste
estudo é avaliar através da coleta de sangue de seu braço e de líquido que
existe em seu abdome no início da cirurgia podem ajudar no diagnóstico e
tratamento da sua doença que se chama endometirose.
2. procedimentos que serão utilizados e propósitos, incluindo a
identificação dos procedimentos que são experimentais: (explicitar) : A
senhora será ainda submetida a uma vi deolaparoscopia, que é um tipo de
cirurgia na qual são reliza dos 3 ou 4 pequenos cortes na barriga e os médicos
realizam a cirurgia observando o interi or da barriga em uma televisão. O
tratamento da senhora não será prej udicado caso a senhora não concorde em
participar deste estudo, pois a cirurgia já está indicada e será realizada mesmo
que a senhora não queira participar do estudo. No momento do início da
cirurgia colheremos uma amostra de sangue de uma de suas veias
(costumeiramente no braço) e de líquido do abdômen durante esta cirurgia.
3. desconfortos e riscos esperados: (explicitar): os riscos da cirurgia para a senhora serão os
mesmos que a senhora teria se não participasse deste estudo, ou seja , durante a cirurgia podem ocorrer
complicações, já que a senhora esta rá anestesiada, mas, conforme comentado, sua doença exige esta
Anexos 78
cirurgia. Todo o procedimento da pesquisa será r ealizado enquanto a senhora es tiver anestesiada. Os
desconfortos podem ocorrer depois, como: dor no local da cirurgia, fraqueza, vômito (pela anestesia),
infecção no corte e hematoma (mancha roxa na pele) ou infecções.
4. benefícios que poderão ser obtidos: (explicitar): com esta pesquisa da qual
a senhora está partic ipando, tentamos descobrir se com os exames de sangue
e do líquido de seu abdômen poderíamos evitar a cirurgia nos casos de
endometriose.
5. procedimentos alternativos que possa m ser vantajosos para o indivíduo :
(explicitar): Ao invés de ser realizada cirurgia , existe tratamento com remédios
por boca para a endometriose, sendo que muitas pacientes apresentam
melhora sem necessidade de operar. Para o tipo de en dometriose que a
senhora provavelmente apresenta, sabemos que o tratamento só com remédios
costuma ser insuficiente para melhor ar os sintomas, sendo a cirurgia uma
etapa importante do tratamento.
IV – ESCLARECIMENTO DADOS PELO PESQUISADOR SOBRE
GARANTIAS DO SUJEITO DA PESQUISA:
1. acesso, a qualquer tempo, às informações sobre procedimentos,
riscos e benefícios relacionados à pesquisa, inclusive para dirimir
eventuais dúvidas.
Sim Não
2. liberdade de retirar seu consent imento a qualquer momento e de
deixar de participar do estudo, sem que isto traga prejuízo à
continuidade da assistência.
Sim Não
3. compromisso sobre a segurança de que nao se identificará o
indivíduo e que se manterá o caráter confidencial da informação
relacionada com a sua privacidade:
Sim Não
Anexos 79
4. disponibilidade de assistência no HCFMUSP, por eventuais danos
à saúde, decorrentes da pesquisa.
Sim Não
5. compromisso de proporcionar informação atualizada obtida
durante o estudo, ainda que esta possa afetar a vontade do
indivíduo em continuar participando:
Sim Não
___________________________________________________________________________________________
V. INFORMAÇÕES DE NOMES, ENDEREÇOS E TELEFONES DOS
RESPONSÁVEIS PELO ACOMPANHAM ENTO DA PESQUISA, PARA
CONTATO EM CASO DE INTERCORR ÊNCIAS CLÍNICAS E REAÇÕES
ADVERSAS.
João Antonio Dias Junior
R. São Sebastião, 550
São Paulo – SP
F: 5182-8205 / 9631-6179
Pronto‐Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
R. Enéas de Carvalho Aguiar – 255
Cerqueira César – São Paulo – SP
Fone: 3069-6000
11. OBSERVAÇÕES COMPLEMENTARES:
......................................................................................................................................................................................
......................................................................................................................................................................................
......................................................................................................................................................................................
......................................................................................................................................................................................
Anexos 80
___________________________________________________________________________________________
IV - CONSENTIMENTO PÓS-ESCLARECIDO
Declaro que, após ter sido convenientemente esclarecido pelo pesquisador, conforme registro
nos itens 1 a 11,
do inciso III, consinto em participar, na qualidade de paciente, do Projeto de Pesquisa
referido no inciso II
São Paulo, de de 20 .
___________________________________________ ____________________________________________
assinatura do paciente ou responsável legal assinatura do pesquisa dor que obteve o consentimento
(carimbo ou nome Legível)
___________________________________________________________________________________________
NOTA: Este termo deverá ser el aborado em duas vias, ficando uma via em poder do paciente ou seu
representante legal e outra deverá ser juntada ao prontuário pelo paciente.
Anexo 3 – Lista de Pacientes, com dados avaliados no estudo.
81
Código
idade
dia ciclo
dis mod
dis sev
dispareunia
dor acíclica
infertilidade
sintoma intestinal cíclico
sintoma urinário cíclico
Gesta
Para
Aborto
tempo infertilidade
estadiamento ASRM
agrupado
edt peritoneo
LADO OVARIO COM EDT
edt ovário DIR
edt ovário ESQ
edt profunda
RETROCERVICAL
reto/sigm
13 7 50101 0 0 0 1 10 0 INICIAL E NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
23 9 50100 0 0 0 1 10 0 INICIAL NÃO ESQUERDO NÃO E + I NÃO NÃO NÃO
33 2 30101 0 1 0 1 10 0 INICIAL E + M NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
43 3 90000 1 0 0 0 00 2 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
52 7 41001 0 0 0 1 10 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
64 0 80101 0 0 0 3 21 0 A V ANÇADO NÃO DIREITO E + I NÃO NÃO NÃO NÃO
73 7 71011 0 0 0 4 31 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
83 3 2 7 0111 1 1 0 0 00 2 INICIAL NÃO DIREITO E NÃO NÃO NÃO NÃO
93 1 30100 1 0 0 0 00 2 A V ANÇADO E + M BILATERAL E + M E + M SIM E + M NÃO
1 0 3 0 11001 0 S T 0 0 0 00 0 INICIAL NÃO ESQUERDO NÃO E + BD NÃO NÃO NÃO
1 1 3 3 1 0 0111 0 1 0 1 10 0 A V ANÇADO NÃO ESQUERDO NÃO E SIM NÃO E + BD
1 2 4 0 1 1 1011 0 S T 1 0 0 00 0 A V ANÇADO NÃO DIREITO E + M NÃO SIM NÃO E + I
1 3 3 3 1 0 1000 0 S T 0 0 0 00 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 4 2 8 1 2 1000 0 S T 0 0 0 00 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 5 3 0 40110 0 0 0 7 70 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 6 2 9 81000 0 0 0 3 21 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 7 3 8 20001 0 0 0 1 10 0 A V ANÇADO NÃO BILATERAL E E SIM E + M NÃO
1 8 2 0 2 4 0100 0 S T 0 0 0 00 0 A V ANÇADO NÃO BILATERAL E + BD E + BD SIM E + I NÃO
1 9 2 4 1 9 1001 1 1 0 1 10 3 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
2 0 1 8 40101 0 S T 0 0 0 00 0 INICIAL NÃO ESQUERDO NÃO E + BD NÃO NÃO NÃO
2 1 3 5 30110 1 1 0 0 00 2 A V ANÇADO E + I NÃO NÃO NÃO SIM E + M E + M
2 2 4 0 30110 1 1 0 1 10 4 A V ANÇADO E + BD BILATERAL E E + M SIM não E + M
2 3 2 5 30110 0 S T 1 0 0 00 0 INICIAL NÃO ESQUERDO NÃO E + BD NÃO NÃO NÃO
2 4 3 8 2 6 1001 0 0 0 1 10 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
2 5 3 7 2 6 0100 0 S T 1 0 0 00 0 A V ANÇADO não DIREITO E + M NÃO SIM NÃO E + M
2 6 2 7 70111 1 1 0 0 00 3 A V ANÇADO não DIREITO E + M NÃO SIM E + M E + M
2 7 2 9 1 6 0101 0 S T 0 0 0 00 0 INICIAL NÃO ESQUERDO NÃO E NÃO NÃO NÃO
2 8 3 4 21000 1 0 0 0 00 1 , 5 INICIAL E + BD NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
2 9 4 0 91000 0 0 0 4 31 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
3 0 3 6 20100 1 1 0 2 11 5 A V ANÇADO E + M ESQUERDO NÃO E + M NÃO NÃO NÃO
3 1 2 5 1 3 0110 0 S T 0 0 0 00 0 INICIAL NÃO ESQUERDO NÃO E + BD NÃO NÃO NÃO
3 2 3 6 41011 0 0 0 3 30 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
3 3 3 0 1 4 1010 0 S T 0 0 0 00 0 INICIAL E NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
3 4 2 6 21001 0 S T 0 0 0 00 0 INICIAL NÃO DIREITO E + BD NÃO NÃO NÃO NÃO
3 5 2 6 90110 0 0 0 1 10 0 INICIAL E + BD NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
3 6 3 6 50001 0 1 0 3 30 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
3 7 3 4 20001 0 0 0 1 10 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
3 8 3 6 2 6 1000 0 0 0 0 00 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
3 9 3 5 71000 0 S T 0 0 0 00 0 A V ANÇADO NÃO BILATERAL E + BD E + BD SIM E + BD NÃO
4 0 2 3 31010 0 S T 0 0 0 00 0 INICIAL E + BD NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
4 1 3 9 90111 0 S T 1 0 0 00 0 INICIAL NÃO ESQUERDO NÃO E NÃO NÃO NÃO
4 2 2 8 51000 0 0 0 2 11 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
4 3 3 5 1 9 0111 1 1 0 0 00 3 A V ANÇADO E + M ESQUERDO NÃO E + M SIM NÃO E + M
4 4 4 0 1 7 0100 1 1 0 0 00 4 A V ANÇADO E ESQUERDO NÃO E + M SIM E + M E + M
4 5 3 4 31010 1 0 0 0 00 3 A V ANÇADO NÃO BILATERAL E + M E + M SIM E + M NÃO
4 6 3 0 90111 1 1 0 0 00 3 A V ANÇADO E + BD BILATERAL E + BD E + BD SIM E + BD E + M
4 7 3 6 81000 1 0 0 0 00 1 INICIAL E + BD NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
4 8 2 9 1 1 0100 0 S T 1 1 0 00 0 A V ANÇADO E DIREITO E + M NÃO NÃO NÃO NÃO
4 9 3 3 60010 0 S T 1 0 0 00 0 A V ANÇADO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO E + M
5 0 3 8 51000 0 0 0 1 10 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
5 1 3 1 50110 0 S T 0 0 0 00 0 INICIAL E + BD NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
52
3 1 41010 0 S T 0 0 0 00 0 INICIAL E + BD ESQUERDO NÃO E + BD NÃO NÃO NÃO
5 3 3 8 81000 1 0 0 0 00 3 INICIAL NÃO DIREITO E + BD NÃO NÃO NÃO NÃO
5 4 3 3 10111 0 1 0 1 10 0 A V ANÇADO E + I NÃO NÃO NÃO SIM NÃO E + I
5 5 4 0 1 3 0111 0 1 0 2 20 0 INICIAL E + M NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
5 6 2 8 31000 0 0 0 2 11 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
5 7 3 7 11001 0 0 0 3 30 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
5 8 4 0 90111 0 0 0 5 50 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
5 9 3 6 2 1 1000 1 0 0 0 00 3 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
6 0 3 2 1 0 1000 0 0 0 2 11 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
6 1 3 9 90111 1 1 0 0 00 5 A V ANÇADO E + BD ESQUERDO NÃO E + M SIM NÃO E + M
6 2 2 7 1 0 1010 0 0 0 2 11 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
6 3 4 0 20111 0 S T 0 0 0 00 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
Anexos
Anexo 3 – Lista de Pacientes, com dados avaliados no estudo.
82
Código
Bexiga
URETER
outros
vagina
apendice
ileo
BD
misto
Estromal
Indiferenciado
Linfócitos mm/.notdef.g0001
NK%
Número de NK
aCL G
aCL M
aCL A
aPS G
aPS M
aPS A
AntiTG
AntiTPO
FAN
1 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO 2000 9 180 12,39 7,15 21,08 8,68 2,98 23,09 5,00 7,10 negativo
2 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM 1680 6 100,8 14,78 9,69 9,85 2,41 6,39 16,91 < 10 8,42 positivo
3 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 1670 7 116,9 8,46 1,09 4,74 7,53 1,56 8,62 < 10 6,75 negativo
4 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2610 10 261 8,83 2,84 32,03 6,12 4,90 20,08 11,79 10,34 negativo
5 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 3300 26 858 7,85 4,36 15,78 20,12 9,09 12,28 12,29 10,37 positivo
6 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM 1490 7 104,3 9,69 2,04 12,04 17,67 5,33 14,80 13,57 8,88 positivo
7 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1830 17 311,1 6,32 2,13 9,49 7,38 2,11 11,71 < 10 6,04 negativo
8 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO 1000 4 40 7,79 3,36 9,95 1,05 1,44 13,90 12,08 47,24 positivo
9 E + M NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 3800 13 494 13,55 8,80 17,15 6,52 4,24 18,46 933,40 17,94 negativo
10 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 2660 13 345,8 31,27 7,92 12,59 5,67 6,51 14,39 302,80 600,00 negativo
11 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 1680 19 319,2 14,47 3,02 46,81 44,67 4,40 41,46 11,25 9,25 negativo
12 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM 2460 36 885,6 14,10 10,43 50,82 2,56 9,80 20,33 121,60 254,10 positivo
13 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1710 3 51,3 39,25 15,58 24,27 3,71 7,67 14,07 723,40 210,30 positivo
14 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 730 4 29,2 10,55 2,97 15,15 15,41 4,31 9,35 13,35 10,02 negativo
15 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2150 14 301 10,04 5,88 12,37 9,39 7,77 18,46 18,21 11,24 negativo
16 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1520 9 136,8 11,03 4,54 10,45 4,82 3,67 15,04 13,58 6,59 negativo
17 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 2360 24 566,4 8,03 5,56 17,24 2,41 4,21 14,07 30,09 10,01 negativo
18 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM SIM 1950 9 175,5 17,29 4,24 21,72 10,49 6,68 22,68 11,58 8,82 negativo
19 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2500 12 300 19,87 11,41 3,01 27,95 10,58 16,18 10,06 9,47 negativo
20 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 2480 3 74,4 13,55 4,20 6,11 10,24 4,43 11,87 30,34 11,03 negativo
21 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM 2030 7 142,1 10,30 1,91 28,47 2,61 2,79 15,77 63,62 10,77 negativo
22 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM NÃO 3850 27 1040 9,75 6,65 5,11 12,35 7,67 9,76 < 10 10,07 negativo
23 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 1130 24 271,2 4,60 2,79 3,28 1,81 7,81 41,22 5,00 10,39 positivo
24 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2940 11 323,4 10,18 5,99 4,93 5,07 5,35 15,53 < 10 8,38 negativo
25 não NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 1320 11 145,2 13,18 5,76 4,20 4,07 2,44 8,62 < 10 7,12 negativo
26 não NÃO NÃO NÃO NÃO E + M NÃO SIM SIM NÃO 1000 14 140 38,75 2,20 19,07 14,10 1,82 10,41 < 10 8,34 positivo
27 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO 1580 11 173,8 20,97 2,84 21,81 7,63 7,17 16,67 11,04 7,54 positivo
28 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 2250 8 180 28,45 8,08 27,01 5,37 20,72 13,50 136,90 17,51 positivo
29 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 930 9 83,7 8,89 0,88 9,14 10,00 1,09 10,00 12,35 8,84 negativo
30 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 2010 6 120,6 23,42 6,01 17,61 5,82 7,32 12,68 29,28 8,76 negativo
31 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 2090 3 62,7 12,33 8,44 12,96 5,57 2,63 12,68 42,30 42,40 positivo
32 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 4220 27 1139 10,06 3,02 15,42 4,12 2,39 21,06 < 10 6,37 positivo
33 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO 2240 6 134,4 18,83 10,71 16,70 14,25 2,60 21,06 5,00 7,79 positivo
34 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 2580 8 206,4 14,23 17,38 33,94 5,42 10,09 12,03 4000,00 121,10 positivo
35 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 2370 15 355,5 15,02 4,22 20,44 4,57 5,40 13,33 10,40 17,15 negativo
36 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 3460 4 138,4 14,04 1,75 28,19 3,11 18,30 18,37 55,56 10,05 negativo
37 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1910 23 439,3 12,82 8,19 50,82 3,96 3,20 27,40 12,01 9,67 negativo
38 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1280 11 140,8 14,17 2,38 13,59 1,96 1,37 11,87 13,49 9,03 negativo
39 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 1600 6 96 16,00 2,34 11,68 6,52 2,25 12,36 1903,00 11,81 negativo
40 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 2070 16 331,2 11,77 16,88 7,21 5,02 3,32 14,72 17,72 7,41 negativo
41 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO 5680 4 227,2 10,36 4,31 15,69 6,27 9,42 10,08 11,09 8,53 negativo
42 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2450 14 343 20,11 4,81 23,63 4,82 2,68 13,41 37,90 18,72 negativo
43 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 1370 14 191,8 44,27 8,30 20,44 2,86 10,35 17,89 < 10 7,93 negativo
44 NÃO E NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 3120 32 998,4 4,17 0,88 17,88 2,96 0,57 26,26 < 10 7,76 negativo
45 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 2690 29 780,1 10,49 4,90 22,90 7,48 0,85 15,20 24,00 11,35 positivo
46 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM NÃO 1550 28 434 2,82 3,13 7,30 2,16 12,60 8,62 < 10 5,80 positivo
47 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 1400 6 84 17,17 3,81 4,29 17,87 7,25 9,76 650,40 600,00 negativo
48 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 2630 24 631,2 7,97 5,19 14,78 1,96 2,63 14,07 65,86 19,56 negativo
49 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 4620 25 1155 21,40 8,01 13,14 2,91 5,07 6,99 19,97 19,03 negativo
50 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1950 8 156 11,94 2,29 10,49 6,98 3,05 13,82 908,80 600,00 positivo
51 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 3980 18 716,4 29,13 4,49 9,12 5,77 3,81 12,28 13,21 9,02 negativo
52 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 1210 8 96,8 22,14 2,59 20,26 9,94 5,02 18,94 139,50 480,10 positivo
53 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 1680 8 134,4 16,50 2,38 10,49 3,26 1,87 12,36 36,70 3,57 negativo
54 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM 2340 9 210,6 12,08 5,31 11,22 14,60 22,97 15,37 11,83 3,97 negativo
55 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 4790 32 1533 22,50 3,54 8,76 2,81 4,21 8,54 11,48 7,07 positivo
56 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2480 13 322,4 6,50 1,77 12,59 2,51 1,23 8,29 31,48 45,52 negativo
57 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1930 14 270,2 16,04 2,00 12,94 4,32 3,91 14,09 16,70 13,66 negativo
58 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 4100 11 451 1,84 5,92 6,05 1,35 7,78 1,07 10,22 13,60 negativo
59 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 3250 12 390 22,32 1,20 20,07 6,62 2,23 14,31 50,22 139,00 negativo
60 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 4290 23 986,7 19,44 1,18 18,16 4,52 3,22 19,51 50,94 28,67 negativo
61 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM NÃO 4340 35 1519 13,92 2,36 9,95 12,75 4,07 13,74 453,70 453,20 negativo
62 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1660 9 149,4 25,63 8,23 11,95 2,41 13,78 12,85 195,40 24,09 positivo
63 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2520 10 252 16,19 3,18 13,23 5,57 2,82 14,72 87,61 88,55 positivo
Anexos
Anexo 3 – Lista de Pacientes, com dados avaliados no estudo.
83
Código
idade
dia ciclo
dis mod
dis sev
dispareunia
dor acíclica
infertilidade
sintoma intestinal cíclico
sintoma urinário cíclico
Gesta
Para
Aborto
tempo infertilidade
estadiamento ASRM
agrupado
edt peritoneo
LADO OVARIO COM EDT
edt ovário DIR
edt ovário ESQ
edt profunda
RETROCERVICAL
reto/sigm
6 4 3 7 2 7 1000 0 0 0 2 20 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
6 5 3 6 30101 0 1 0 2 20 0 A V ANÇADO E + M NÃO NÃO NÃO sim NÃO E + M
6 6 3 2 1 5 0110 0 0 0 2 20 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
6 7 2 4 80101 0 0 0 3 30 0 A V ANÇADO NÃO DIREITO E + I NÃO NÃO NÃO NÃO
6 8 3 9 2 8 0110 0 0 0 2 20 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
6 9 2 1 1 7 0110 1 0 0 0 00 2 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
7 0 3 1 61001 0 S T 1 0 0 00 0 A V ANÇADO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO E + M
7 1 3 6 20111 1 0 0 1 01 4 A V ANÇADO NÃO DIREITO E + M NÃO SIM E + M E + M
7 2 2 8 50100 0 S T 0 0 0 00 0 INICIAL NÃO ESQUERDO NÃO E + BD NÃO NÃO NÃO
7 3 2 6 60100 0 0 0 2 20 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
7 4 3 8 30111 0 0 0 1 10 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
7 5 3 2 80101 0 1 0 2 11 0 A V ANÇADO NÃO BILATERAL E + BD E + BD SIM E + BD NÃO
7 6 3 4 51001 0 0 0 3 30 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
7 7 3 7 30111 1 1 0 0 00 4 A V ANÇADO NÃO BILATERAL E E + M NÃO NÃO NÃO
7 8 3 1 60000 1 0 0 0 00 3 A V ANÇADO E + M NÃO NÃO NÃO SIM NÃO E + M
7 9 3 3 2 2 1001 0 S T 0 0 0 00 0 A V ANÇADO NÃO ESQUERDO NÃO E + I SIM NÃO E + I
8 0 3 4 80111 1 0 0 0 00 2 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
8 1 2 2 30111 0 S T 0 0 0 00 0 A V ANÇADO E + M DIREITO E + M NÃO sim E + M NÃO
8 2 2 9 90111 1 1 0 0 00 4 A V ANÇADO E + M NÃO NÃO NÃO SIM E + M NÃO
8 3 3 5 11011 1 1 1 0 00 1 A V ANÇADO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO E + M
8 4 3 9 21001 1 0 0 0 00 1 0 INICIAL NÃO ESQUERDO NÃO E + M NÃO NÃO NÃO
8 5 3 7 20111 0 1 0 3 30 0 A V ANÇADO E DIREITO E + I NÃO sim não E + BD
8 6 2 9 40101 1 1 0 0 00 2 A V ANÇADO E + BD ESQUERDO NÃO E + BD SIM E + BD E + M
8 7 2 3 41001 0 0 0 1 10 0 A V ANÇADO NÃO BILATERAL E + M E + M SIM E E + I
8 8 2 6 40101 0 S T 1 0 0 00 0 INICIAL E + BD NÃO NÃO NÃO sim E + BD NÃO
8 9 2 7 51000 1 0 0 0 00 2 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
9 0 2 7 1 0 1011 1 1 0 0 00 3 INICIAL E + M NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
9 1 2 9 31010 0 0 0 1 10 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
9 2 3 7 30111 0 S T 1 0 0 00 0 A V ANÇADO NÃO NÃO NÃO NÃO sim E + M NÃO
9 3 3 9 71001 0 1 0 3 30 0 INICIAL E + M NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
9 4 3 6 2 0 0111 1 0 0 0 00 4 A V ANÇADO E + BD DIREITO E + M NÃO NÃO NÃO NÃO
9 5 3 0 40110 1 1 0 0 00 1 A V ANÇADO E + M ESQUERDO NÃO E + I SIM E + I E + I
9 6 2 9 30111 1 0 0 0 00 2 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
9 7 3 3 80101 0 1 0 2 11 0 A V ANÇADO E + M NÃO NÃO NÃO SIM E + M E + M
9 8 3 0 2 8 1010 0 S T 0 0 0 00 0 A V ANÇADO E NÃO NÃO NÃO SIM E NÃO
9 9 3 8 1 4 1010 1 0 0 2 02 2 A V ANÇADO NÃO BILATERAL E + BD E sim E + M NÃO
1 0 0 1 6 60100 0 S T 0 0 0 00 0 INICIAL E NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 0 1 3 3 41010 1 0 0 0 00 2 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 0 2 3 7 20000 0 0 0 2 20 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 0 3 2 8 2 6 1010 0 0 0 2 20 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 0 4 3 0 2 6 0110 1 1 0 0 00 2 A V ANÇADO E + M ESQUERDO NÃO E + M SIM E + M E + M
1 0 5 3 6 40111 1 1 0 0 00 3 A V ANÇADO NÃO BILATERAL E + M E SIM NÃO E + M
1 0 6 3 3 70010 0 0 0 3 30 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 0 7 3 7 1 3 0010 0 0 0 4 40 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 0 8 2 6 71000 0 0 0 4 31 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 0 9 3 2 71010 0 0 0 3 30 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 1 0 3 5 3 0 0000 0 0 0 4 31 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 1 1 3 8 2 4 0000 0 0 0 3 00 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 1 2 2 9 60000 0 0 0 3 00 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 1 3 3 4 50110 0 S T 1 0 0 00 0 A V ANÇADO não BILATERAL E + I E + I SIM não E + BD
1 1 4 3 3 2 6 1000 0 0 0 4 40 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
11
5 2 4 2 1 0111 0 S T 0 0 0 00 0 A V ANÇADO E + M NÃO NÃO NÃO SIM E + I E + I
1 1 6 3 0 1 1 0110 1 0 0 0 00 2 A V ANÇADO E + BD NÃO NÃO NÃO SIM E + BD E + BD
1 1 7 3 9 1 1 0111 0 1 0 3 21 0 INICIAL E + BD NÃO NÃO NÃO não não não
1 1 8 2 9 10110 0 S T 0 0 0 00 0 INICIAL E + BD NÃO NÃO NÃO SIM E + BD E + I
1 1 9 3 1 2 2 0111 0 1 0 5 41 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 2 0 3 2 90100 0 0 0 1 10 0 INICIAL E + BD NÃO NÃO NÃO não não não
1 2 1 3 5 1 8 0010 0 S T 1 0 0 00 0 A V ANÇADO não ESQUERDO NÃO E + BD SIM E + I E + M
1 2 2 2 9 1 2 1010 1 0 0 0 00 1 INICIAL E + I NÃO NÃO NÃO SIM E + I NÃO
1 2 3 3 1 3 0 0110 1 1 0 0 00 1 INICIAL E + I NÃO NÃO NÃO SIM E + I E + M
1 2 4 2 9 1 4 0110 0 S T 1 1 0 00 0 A V ANÇADO não ESQUERDO NÃO E + BD sim E + I E + I
1 2 5 3 5 2 3 0110 1 0 0 0 00 1 A V ANÇADO não BILATERAL E + I E + I SIM E + M E + M
1 2 6 3 7 1 0 0000 0 0 0 1 10 0 A V ANÇADO não DIREITO E + M NÃO SIM não não
Anexos
Anexo 3 – Lista de Pacientes, com dados avaliados no estudo.
84
Código
Bexiga
URETER
outros
vagina
apendice
ileo
BD
misto
Estromal
Indiferenciado
Linfócitos mm/.notdef.g0001
NK%
Número de NK
aCL G
aCL M
aCL A
aPS G
aPS M
aPS A
AntiTG
AntiTPO
FAN
64 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1890 12 226,8 9,63 5,10 19,62 2,66 8,45 13,25 32,97 600,00 negativo
65 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 1410 18 253,8 23,00 3,49 9,31 5,82 6,49 9,11 75,35 235,60 positivo
66 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2090 10 209 10,85 3,33 11,86 2,96 5,56 27,48 < 10 9,53 negativo
67 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM 1710 21 359,1 15,70 4,83 14,87 7,33 6,09 13,74 17,21 12,30 negativo
68 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2120 7 148,4 23,73 2,52 30,75 1,15 2,13 23,82 12,59 14,02 negativo
69 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1610 9 144,9 17,42 4,15 20,07 4,12 3,34 9,84 56,99 94,39 negativo
70 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 3000 12 360 7,60 2,88 10,86 2,91 3,88 16,10 34,19 52,60 negativo
71 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 5200 14 728 9,75 2,11 9,67 2,36 2,44 12,68 707,40 600,00 positivo
72 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 1290 3 38,7 19,50 11,95 18,70 2,41 6,82 16,91 22,49 259,80 negativo
73 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2500 19 475 3,80 6,87 13,61 2,12 6,50 9,14 13,87 9,77 negativo
74 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2020 10 202 17,23 2,06 8,03 3,56 3,46 10,24 15,93 136,30 negativo
75 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM SIM 2340 8 187,2 15,87 2,81 17,34 7,43 2,77 16,83 < 10 7,68 negativo
76 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1450 4 58 16,50 5,40 9,58 33,62 2,37 18,70 < 10 5,72 negativo
77 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 850 6 51 17,84 2,79 18,80 5,12 2,01 15,69 < 10 11,20 negativo
78 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 1910 31 592,1 18,89 3,29 22,90 22,99 13,99 17,07 12,44 10,45 positivo
79 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM 2180 37 806,6 10,61 6,37 12,86 3,91 2,51 11,30 23,82 24,64 negativo
80 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1180 14 165,2 7,79 3,86 12,23 1,91 1,49 13,01 60,64 52,18 negativo
81 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 3810 34 1295 20,42 3,45 13,23 11,74 4,40 15,12 52,06 87,02 negativo
82 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 1540 11 169,4 21,89 1,02 53,10 11,99 0,92 22,93 < 10 9,13 positivo
83 E + m NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 4580 25 1145 23,36 5,15 14,78 29,71 5,35 11,38 16,65 9,94 positivo
84 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 990 14 138,6 3,19 6,57 10,29 6,17 1,33 13,10 < 10 26,04 negativo
85 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM SIM 1840 12 220,8 2,58 5,43 5,86 5,98 11,90 20,90 < 10 11,82 negativo
86 não E NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM NÃO 4110 37 1521 21,65 9,05 24,00 3,26 8,19 26,50 15,84 16,92 negativo
87 NÃO não NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM 1880 18 338,4 41,45 7,21 40,78 6,37 4,52 78,86 350,60 14,86 negativo
88 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 2670 6 160,2 19,99 3,81 29,56 7,98 4,66 13,01 23,04 16,25 negativo
89 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1980 4 79,2 12,45 1,18 34,58 6,93 4,21 34,55 28,62 23,45 negativo
90 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 1630 21 342,3 12,08 4,56 16,33 3,26 5,61 22,76 13,24 13,23 negativo
91 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1930 7 135,1 63,59 4,29 28,74 4,82 3,58 13,01 20,65 20,30 negativo
92 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 470 4 18,8 15,02 6,87 13,32 2,91 21,83 21,95 90,91 220,80 positivo
93 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 2390 20 478 13,00 1,97 8,30 6,07 3,24 8,94 137,30 20,61 negativo
94 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM NÃO 3680 15 552 3,19 7,10 15,30 6,83 14,02 20,07 < 10 8,90 negativo
95 não não NÃO não NÃO NÃO não SIM SIM SIM 1790 29 519,1 15,02 9,96 30,75 8,28 5,97 18,29 11,89 6,77 positivo
96 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 4250 16 680 3,43 6,84 8,46 5,01 5,36 7,43 < 10 9,30 negativo
97 não E + M NÃO não NÃO NÃO NÃO SIM SIM não 1000 23 230 2,70 14,88 11,33 4,24 4,81 7,86 109,50 424,80 positivo
98 NÃO NÃO NÃO E + I NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM 4860 8 388,8 5,52 11,02 9,51 3,09 3,94 2,86 < 10 10,22 negativo
99 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM NÃO 1890 2 37,8 41,08 5,37 32,29 0,25 10,62 15,57 < 10 9,11 negativo
100 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO 4770 14 667,8 21,46 7,98 18,68 5,59 6,00 16,00 5,00 7,53 negativo
101 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2650 19 503,5 3,13 16,11 36,13 2,51 5,31 12,14 22,93 15,68 negativo
102 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 3310 14 463,4 2,15 11,60 13,93 1,74 3,30 11,29 13,81 7,49 negativo
103 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1630 7 114,1 4,97 10,59 12,37 3,28 9,84 15,14 399,80 135,70 negativo
104 NÃO E + M NÃO NÃO E + M E + M NÃO SIM SIM NÃO 3740 27 1010 5,60 2,50 25,90 4,10 33,10 20,60 < 10 33,00 Positivo
105 NÃO NÃO NÃO E + M NÃO NÃO NÃO SIM SIM NÃO 1270 5 63,5 3,00 3,50 7,10 2,50 5,30 6,10 < 10 33,00 Negativo
106 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 4500 8 360 15,50 2,30 12,00 7,90 2,40 16,10 < 10 33,00 Negativo
107 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1490 17 253,3 6,10 4,90 6,00 2,40 15,00 13,80 < 10 33,00 Negativo
108 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 3360 6 201,6 11,60 7,70 13,70 4,30 11,30 14,00 < 10 33,00 Negativo
109 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2800 11 308 6,80 5,90 26,40 2,30 15,30 29,10 < 10 33,00 Negativo
110 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2010 11 221,1 16,40 6,80 8,60 12,80 5,60 19,50 1581,00 277,00 Negativo
111 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2700 6 162 2,80 3,10 3,50 4,10 2,90 6,60 < 10 1,00 negativo
112 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2080 5 104 9,40 11,20 10,30 8,20 3,10 6,60 < 10 1,00 negativo
113 NÃO não NÃO NÃO NÃO NÃO SIM não SIM SIM 1560 16 249,6 9,80 4,20 39,50 4,50 4,60 24,50 847,00 141,00 Positivo
114 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2180 3 65,4 3,50 3,10 15,70 1,60 4,70 4,00 < 10 33,00 Negativo
115 E + I E + I NÃO E + I NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM 1840 7 128,8 9,10 5,40 48,00 5,00 10,90 33,30 < 10 33,00 Positivo
116
E +
BD
E +
BD NÃO não NÃO NÃO SIM não SIM não 1680 5 84 3,80 7,00 9,60 1,20 12,20 2,90 5,00 33,00 Negativo
117 não não NÃO não NÃO NÃO SIM não SIM não 1070 18 192,6 3,10 3,50 10,70 1,00 9,70 11,00 5,00 33,00 Negativo
118 não NÃO NÃO não NÃO NÃO SIM não SIM SIM 2780 25 695 5,40 4,60 27,20 1,90 10,40 13,20 < 10 33,00 Negativo
119 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1820 11 200,2 10,00 16,40 17,60 3,50 4,70 7,90 98,00 33,00 Negativo
120 não não não não NÃO NÃO SIM não SIM não 3630 15 544,5 4,00 3,70 9,30 3,80 5,90 10,90 5,00 33,00 Positivo
121 não não NÃO E + I NÃO NÃO SIM SIM SIM SIM 3350 23 770,5 12,10 4,20 12,30 5,20 8,20 9,40 < 10 33,00 Negativo
122 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO não não SIM SIM 2830 26 735,8 6,50 2,80 17,90 5,00 5,30 13,40 < 10 33,00 Negativo
123 não não NÃO E + I NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM 1030 13 133,9 4,70 2,60 24,10 2,90 5,10 18,60 < 10 33,00 Positivo
124 E + I NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM não SIM SIM 4110 28 1151 5,90 8,00 18,60 4,30 15,70 18,90 < 10 33,00 Positivo
125 não não NÃO NÃO NÃO NÃO não SIM SIM SIM 670 7 46,9 3,70 2,40 10,80 3,50 3,50 8,40 < 10 33,00 Negativo
126 não não NÃO não E + I não não SIM SIM SIM 3410 32 1091 8,90 8,50 6,80 2,50 10,30 7,70 < 10 33,00 Negativo
Anexos
Anexo 3 – Lista de Pacientes, com dados avaliados no estudo.
85
Código
idade
dia ciclo
dis mod
dis sev
dispareunia
dor acíclica
infertilidade
sintoma intestinal cíclico
sintoma urinário cíclico
Gesta
Para
Aborto
tempo infertilidade
estadiamento ASRM
agrupado
edt peritoneo
LADO OVARIO COM EDT
edt ovário DIR
edt ovário ESQ
edt profunda
RETROCERVICAL
reto/sigm
1 2 7 2 8 1 5 0111 1 0 0 0 00 3 A V ANÇADO E + I DIREITO E + BD NÃO SIM E NÃO
1 2 8 3 2 2 1 1001 1 0 0 0 00 2 A V ANÇADO não DIREITO E + BD NÃO SIM E + BD não
1 2 9 2 2 2 8 0100 0 S T 0 1 0 00 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 3 0 2 2 1 3 1000 0 S T 0 0 0 00 0 A V ANÇADO NÃO BILATERAL E + I E + M NÃO NÃO NÃO
1 3 1 3 7 50000 1 0 0 0 00 1 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 3 2 3 7 21000 0 0 0 4 22 0 INICIAL não NÃO NÃO NÃO SIM E + I NÃO
1 3 3 3 6 2 8 0110 1 1 0 1 01 7 INICIAL NÃO NÃO NÃO NÃO SIM E + BD NÃO
1 3 4 3 6 81000 1 0 0 0 00 2 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 3 5 3 6 1 2 0111 1 0 0 0 00 2 INICIAL não DIREITO E + BD NÃO SIM E NÃO
1 3 6 3 2 40110 1 0 0 1 01 3 A V ANÇADO E ESQUERDO NÃO E + I SIM E + M NÃO
1 3 7 2 8 1 5 0010 0 0 0 1 10 0 A V ANÇADO não ESQUERDO NÃO E + I SIM E + I E + I
1 3 8 3 5 1 5 0110 1 1 0 0 00 1 A V ANÇADO E BILATERAL E + M E + BD SIM NÃO E + M
1 3 9 3 9 1 0 1000 1 0 0 2 11 3 INICIAL E + I NÃO NÃO NÃO SIM E NÃO
1 4 0 3 5 2 9 0111 0 0 0 1 10 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 4 1 3 1 2 2 0000 0 0 0 2 20 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 4 2 3 8 2 8 0100 0 S T 0 0 0 00 0 A V ANÇADO E + I BILATERAL E + I E + I SIM NÃO E + M
1 4 3 3 4 2 7 0110 1 1 0 0 00 2 A V ANÇADO E NÃO NÃO NÃO SIM E + I E + M
1 4 4 2 6 2 5 0110 0 S T 1 0 0 00 0 A V ANÇADO não DIREITO E + I NÃO SIM E + M E + I
1 4 5 3 1 2 1 1010 1 0 0 0 00 2 A V ANÇADO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM E + I E + I
1 4 6 2 8 2 5 0110 0 1 0 1 01 0 INICIAL não não não não sim E + I não
1 4 7 2 1 10100 0 S T 0 0 0 00 0 INICIAL E + I NÃO NÃO NÃO SIM E + I NÃO
1 4 8 4 0 1 4 1000 0 0 0 2 20 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 4 9 4 0 31010 0 0 0 2 11 0 INICIAL E + I ESQUERDO E + I NÃO SIM E + I NÃO
1 5 0 2 4 91000 0 S T 0 0 0 00 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 5 1 2 7 2 3 0101 0 S T 0 0 0 00 0 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 5 2 3 1 1 7 0110 1 1 1 0 00 3 CONTROLE NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1 5 3 3 0 50110 0 1 1 1 10 0 A V ANÇADO E + BD BILATERAL E + M E + BD SIM E + M E + M
1 5 4 2 7 81000 0 S T 1 0 1 10 0 A V ANÇADO E + I ESQUERDO NÃO E + I SIM E + I NÃO
1 5 5 3 1 50110 1 1 0 1 10 3 INICIAL E + BD NÃO NÃO NÃO SIM E + I E + I
Anexos
Anexo 3 – Lista de Pacientes, com dados avaliados no estudo.
86
Código
Bexiga
URETER
outros
vagina
apendice
ileo
BD
misto
Estromal
Indiferenciado
Linfócitos mm/.notdef.g0001
NK%
Número de NK
aCL G
aCL M
aCL A
aPS G
aPS M
aPS A
AntiTG
AntiTPO
FAN
127 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM não SIM SIM 3060 21 642,6 1,50 2,40 6,00 1,00 6,70 24,60 72,00 33,00 Positivo
128 E não não não NÃO não SIM não SIM não 4470 24 1073 1,60 2,50 7,00 2,90 7,20 10,40 5,00 33,00 Negativo
129 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2970 11 326,7 10,10 2,60 11,60 1,20 6,40 13,40 < 10 33,00 Negativo
130 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM 2000 6 120 4,40 5,40 11,60 4,00 16,20 17,40 < 10 33,00 Positivo
131 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1370 7 95,9 5,80 4,90 8,60 1,70 12,60 11,70 56,00 33,00 Negativo
132 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM 880 9 79,2 2,80 2,20 9,30 1,80 4,60 14,90 < 10 33,00 negativo
133 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 1830 5 91,5 4,40 5,60 6,00 1,50 3,10 4,10 5,00 33,00 Negativo
134 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1200 4 48 1,70 4,50 14,50 6,90 16,90 13,50 < 10 33,00 Negativo
135 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO 680 4 27,2 1,20 1,80 20,70 1,90 11,00 12,80 5,00 33,00 Negativo
136 NÃO NÃO NÃO NÃO E + I NÃO NÃO SIM SIM SIM 1250 5 62,5 5,20 5,70 11,00 4,20 6,60 3,40 45,00 140,00 Positivo
137 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM 2010 13 261,3 2,50 3,90 8,30 1,00 3,00 9,20 44,00 33,00 Negativo
138 NÃO E + M NÃO
E +
BD E + M NÃO SIM SIM SIM NÃO 2980 38 1132 6,20 13,20 15,80 2,50 7,80 13,70 < 10 33,00 Negativo
139 NÃO NÃO NÃO NÃO E + I NÃO NÃO NÃO SIM SIM 2090 6 125,4 24,00 1,30 7,60 27,30 1,70 9,80 < 10 33,00 Negativo
140 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2090 8 167,2 5,80 2,80 3,40 3,10 2,40 9,70 161,00 33,00 Negativo
141 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1840 4 73,6 3,00 1,30 11,90 15,80 1,70 4,60 < 10 33,00 Positivo
142 E + I NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM 1460 3 43,8 5,30 1,00 27,50 4,60 4,40 25,50 < 10 33,00 Negativo
143 NÃO NÃO NÃO NÃO E + I NÃO NÃO SIM SIM SIM 4160 22 915,2 3,80 4,30 12,40 2,90 5,40 15,80 < 10 33,00 Negativo
144 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM 2750 13 357,5 4,60 3,70 15,10 7,30 5,80 15,08 < 10 33,00 Negativo
145 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM 1690 3 50,7 1,90 11,60 7,60 2,30 8,60 8,70 < 10 33,00 Negativo
146 não não NÃO não não não não não sim SIM 2070 8 165,6 1,50 3,40 9,00 4,10 4,80 13,90 < 10 33,00 Negativo
147 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM 2640 11 290,4 3,70 3,80 4,10 3,00 6,00 9,70 189,00 33,00 Negativo
148 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1770 3 53,1 8,30 3,50 13,80 4,90 4,80 21,20 < 10 33,00 Negativo
149 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM 3150 12 378 1,00 1,30 8,30 2,60 6,30 9,80 < 10 33,00 Negativo
150 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1570 3 47,1 1,00 2,50 12,00 1,80 2,30 3,90 < 10 33,00 Negativo
151 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 1430 5 71,5 18,50 2,10 16,50 4,60 6,10 11,30 < 10 33,00 Negativo
152 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 3320 14 464,8 4,60 1,00 11,00 3,80 3,10 6,30 < 10 33,00 Negativo
153 não NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM NÃO 2680 29 777,2 3,70 1,00 1,00 7,10 2,70 26,20 < 10 33,00 Negativo
154 não E + I NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM 3380 17 574,6 5,00 2,70 11,70 2,40 13,80 8,90 326,00 162,00 Negativo
155 não NÃO NÃO não NÃO NÃO SIM NÃO SIM SIM 2640 20 528 4,10 2,20 8,30 2,50 5,60 12,10 < 10 33,00 Positivo
Anexos
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