iNKT cells and subtypes iNKT DN e iNKT DN IL17+ have
been altered in patients with dee p endometriosis. Specific subtypes of iNKT
cells are altered in patients with deep endometriosis in patients with severe
xx
dysmenorrhea and acyclic pain. The phases of the menstrual cycle are
related to changes in the frequencies of iNKT cells and subtypes iNKT CD4+
CD25+, iNKT DN, iNKT DN IL17+ and iNKT DN CD25+ in patients with deep
endometriosis. These results suggest the participation of iNKT cells in the
development of endometriosis.
Descriptors: endometriosis; natural killer T -cells; interleukins; fl ow
cytometry; microscopy, confocal; pelvic pain.
1
1 Introdução
Introdução 2
1 INTRODUÇÃO
A endometriose é caracterizada pela presença de glândulas
endometriais e/ou estroma fora da cavidade uterina, que acomete,
principalmente, mulheres no períod o reprodutivo ( Giudice; Kao, 2004). Carl
Von Rokitansky, em 1860, descreveu, pela primeira vez focos de endométrio
ectópico em peças de autópsia, caracterizando a endometriose . Entretanto,
estudos históricos relatam sintomas sugestivos da doença encontrados em
mulheres há mais de dois mil anos ( Nezhat et al., 2012). Estima-se que 10%
a 15% das mulheres no período reprodutivo tenham endometriose, mas esta
pode ser encontrada em 2 a 4% das mulheres após a menopausa (Strathy et
al., 1982; Moen, 1991). A doença tem impacto severo em relação ao bem -
estar geral, físico, mental e social das mulheres acometidas ( Damario; Rock,
1995; Ferrero et al., 2005; Luisi et al., 2009; Bassi et al., 2011).
Dismenorréia, dispareunia profunda, dor pélvica crônica, sangramento
anormal e infertilidade são os principais sintomas associados à
endometriose ( Kennedy et al., 2005 ). Sintomas intestinais como disquezia,
hematoquezia, obstipação, tenesmo, distensão abdominal e sintomas
urinários como polaciúria, dor ao urinar e hematúria, também, podem ocorrer
dependendo da localiza ção das lesões nesses órgãos ( Abrao et al., 1994 ;
Kennedy et al., 2005 ; Giudice, 2010 ). Os primeiros sintomas da
endometriose manifestam-se na adolescência antes dos 15 anos em 38%, e,
antes dos 20 anos em, aproximadamente, 66% das mulheres acometidas
Introdução 3
(Ballweg, 2003). O início precoce dos sintomas e a pouca importância dada
ao sintoma de dismenorréia pelos profi ssionais de saúde e pela própria
paciente contribuem para longo tempo entre o início do qu adro clínico e o
diagnóstico da doença. Arruda et al. (2003) demonstraram que o tempo para
o diagnóstico da endometriose desde o início dos sintomas é de 7 anos e
12,1 anos, em média, quando os sintomas iniciaram antes dos 19 anos de
idade. A falta de um exame não invasivo, factível e com boa acurácia é um
dos fatores que contribuem para o retardo no diagnóstico (Arruda et al.,
2003; Ballard et al., 2006 ; Garry, 2006; Nnoaham et al., 2011 ; Riazi et al.,
2015).
As lesões de endometriose se apresentam de formas e localizações
variadas, o que dificulta a sua padronização e classificação. A doença pode
ser dividida em profunda ou superficial quando apresenta mais ou menos de
cinco milímetros de diâmetro, respectivamente, d e acordo com a definição
de Cornillie ( Cornillie et al., 1990 ). Em 1997, com objetivo de facilitar a
padronização da doença, Nisolle e Donnez propuseram uma classificação da
endometriose em três tipos: a endometriose peritoneal, a endometriose
ovariana e a endometriose do septo retovaginal. A doença pe ritoneal foi
caracterizada pela presença de lesões superfi ciais no peritônio; a doenç a
ovariana foi descrita pela presença de endometriose superficial ou os cistos
de endometriose conhecidos como endometrioma; e a doença do septo
retovaginal, foi caracterizada por lesões que acomet eriam as regiões
retrocervical, paracervical, o septo retovaginal, o retossigmoide, os ureteres
e a bexiga de forma infiltrativa e profunda com lesões maiores do que cinco
Introdução 4
milímetros em profundidade ( Nisolle; Donnez, 1997 ). Várias classificações
para endometriose já foram propostas por diversos autores ( ASRM, 1997;
Adamson, 2011; Haas et al., 2013). A classificação proposta pela associação
americana de medicina reprodutiva (ASRM), revisada em 1996, mais
amplamente utilizada nos estudos sobre endometriose propõe a divisão da
doença em quatro estádios (estádio I – mínima, estádio II – leve, estádio III –
moderada e estádio IV – severa) de acordo com os achados cirúrgicos
(ASRM, 1997). Essa classificação foi desenvolvida, principalmente, para
avaliar o impacto na fertilidade da mulher, mas sua correlação com a
intensidade de dor é fraca (Canis et al., 1993 ; ASRM, 1997; Vercellini et al.,
2007).
Em função da diversidade de sinais, sintomas e var iedade de lesões
que envolvem a doença, diagnóstico clínico da endometriose é difícil e
incerto. Pesq uisas sobre o diagnóstico da endometrios e são realizadas
comparando-se as manifestações clínicas, as técnicas de imagem,
marcadores biológicos e as técnicas cirúrgicas (Scarselli et al., 2005; Riazi et
al., 2015 ). Entretanto, a laparoscopia com visualização das lesões e
confirmação histológica da presença de glândulas e estroma endometriais
ainda é o método de escolha para o diagnóstico de endometriose ( Nnoaham
et al., 2012 ; Fassbender et al., 2015 ). O quadro clínico é importante em
relação à definição de quais pacientes devem ser submetidas a uma
investigação mais profunda e específica para endometriose. No exame
físico, o toque vag inal bimanual apresenta acurácia de 63% e 55% no
diagnóstico da endometriose de reto -sigmoide e retrocervical,
Introdução 5
respectivamente ( Abrao et al., 2007 ). Os diversos tipos de marcadores
investigados para o diagnóstico da endometriose avaliados isoladamente ou
em painéis apresentam baixa acurácia e não tem aplicação clínica ( May et
al., 2010). A ressonância nuclear magnética e a ultrassonografia transvaginal
com preparo intestinal tem excelente acurácia e aplicação clínica no
diagnóstico das lesões de endometriose infiltrativa profunda e dos
endometriomas ovarianos (Abrao et al., 2007; Bazot; Darai, 2008; Gonçalves
et al., 2009 ). A ultrassonografia transvaginal é o exame de imagem que
apresenta a melhor relação custo -benefício na endometriose profunda e
ovariana e, portanto, a primeira escolha no diagnóstico da doença ( Abrao et
al., 2009; Gonçalves et al., 2010).
Apesar de a doença ter sido descrita há mais de um século e meio, a
patogênese da endometriose, ainda, não foi esclarecida. Várias teorias
foram propostas para explicar o desenvolvimento da doença. A principal
hipótese d a patogênese da endometriose baseia -se em algumas teorias,
dentre as quais é possível destacar duas de maior relevância: a teoria da
metaplasia celômica e a teoria da menstruação retrógrada. Uma das teorias
mais antiga s, a da metaplasia, proposta por Meyer em 1919, sugere que,
sob diversas influências, o tecido celômico poderia se transformar em
endométrio (Vinatier et al., 2001 ; Vercellini et al., 2014 ). A teoria mais citada
na literatura, proposta por Sampson em 1927, pro põe que o fenômeno
fisiológico do refluxo de endomé trio pelas trompas uterinas durante a
menstruação poderia, em certas condições, sobrepor aos mecanismos de
defesa locais, implantar e proliferar ( Sampson, 1927 ). As razões para a
Introdução 6
ocorrência da endometriose são provavelmente n umerosas e envolvem o
endométrio, o sistema imunológico, o peritônio e as tubas uterinas ( Vinatier
et al., 2001).
1.1 Considerações gerais sobre o sistema imunológico
Existem, fundamentalmente, dois tipos de resposta imune com
características diferentes, a inata e a adquirida ( Delves; Roitt, 2000a; Yatim;
Lakkis, 2015).
A resposta imune inata proporciona a primeira linha de defesa contra
microrganismos. Os principais componentes utilizados na resposta imune
inata são as barreiras físicas e químicas como o epitélio e as substâncias
produzidas na sua superfície; as células fagocíticas como os neutrófilos,
monócitos e macrófagos; as células que l iberam mediadores inflamatórios
como os basófilos, mastócitos e eosinófilos; e as células NK responsáveis
pela destruição dos microrganismos ( Flajnik; Kasahara, 2010 ; Beaulieu et
al., 2015). Os componentes molecula res da resposta imune inata incluem o
complemento, proteínas de fase aguda e citocinas (Delves; Roitt, 2000a).
A resposta imune adquirida é um modelo de resposta mais elaborada
que envolve a prol iferação de linfócitos B e T que ocorre quando os
receptores de superfície dessas células se ligam aos antígenos estranhos ao
organismo (Delves; Roitt, 2000b). Uma característica desse tipo de resposta
imunológica é o mecanismo de memória imunológica e a sua capacidade de
melhorar a resposta após exposições repetidas ao antígeno. As células B
Introdução 7
secretam imunoglobulinas, os anticorpo s antígeno-específicos responsáveis
pela eliminação dos microrganismos extracelulares. Os linfócitos T auxiliam
os linfócitos B a produzir anticorpos e podem erradicar patógenos
intracelulares ativando os macrófagos e matando as células infectadas
(Delves; Roitt, 2000b; Silverstein, 2003; Balenga; Rafati, 2007; Litman et al.,
2010).
Os linfócitos humanos podem ser divididos em três categorias
principais baseados em suas funções biológicas e presença de
determinados antígenos de superfície, os Linfócitos B, os Linfó citos T e as
células NK (Brandtzaeg, 1996; Abbas, 2012). Os linfócitos apresentam em
sua membrana celular, proteínas que são utilizadas como marcadores
fenotípicos na distinção funcional das diferentes populações de linfócitos,
denominados Cluster of Differentiation (CD) (Zola, 2001; Abbas, 2012).
Os linfócitos B são os responsáveis pela resposta imune humoral por
meio da produção de anticorpos, que são proteínas (imunoglobulinas)
divididas em cinco classes, IgG, IgA, IgM, IgD e IgE de acordo com a
sequência de aminoácidos na região constante da ca deia pesada
(Ramanarayanan, 1985; Delves; Roitt, 2000a; Abbas, 2012).
Os linfócitos T são células relacionadas a imunidade celular, com
capacidade de reconhecer antígenos de microrganismos intracelulares e
destruí-los ou às células infectadas. Esses linfócitos possuem, em sua
membrana, moléculas que at uam como receptores de antígenos distintas
dos anticorpos. As células T apresentam uma especificidade no
reconhecimento dos antígenos. Apenas antígenos, ligados a proteínas do
Introdução 8
hospedeiro codificadas pelo complexo maior de histocompatibilidade (MHC –
Major Histocompatibility Complex ) e que se expressam na superfície de
outras células, são reconhecidos pelos linfócitos T ( Borrego et al., 2002 ;
Goldberg; Rizzo, 2015a, Goldberg ; Rizzo, 2015b). De acordo com as suas
funções, os linfócitos T são divididos em subpopulações, sendo as
populações mais bem caracterizadas as células T Helper (Th) ou
auxiliadores e os linfócitos T citolíticos ou citotóxicos (CLTs). Após
estimulação antigênica, as células Th secretam citocinas que têm a função
de estimular a proliferação e diferenciação das células T, a ativação de
células B, dos macrófagos e de outros leucócitos. Os linfócitos Th, em
relação aos antígenos de superfície, são CD3+CD4+CD8 -, sendo, assim,
identificados fenotipicamente (Onoe et al., 2007). Os CLTs são responsáveis
por destruir as células infe ctadas por vírus e outros microrganismos
intracelulares que produzem antígenos estranhos. Esses linfócitos são
identificados pelos antígenos de superfície CD3+CD4 -CD8+. Alguns
linfócitos T têm como função principal inibir as respostas imunológicas e são
chamadas de células T reguladoras (Treg) ( Delves; Roitt, 2000a ; Delves;
Roitt, 2000b; Langier et al., 2010 ; Abbas, 2012; Benoist; Mathis, 2012; Barbi
et al., 2013; Rothstein; Camirand, 2015)
A terceira classe de linfócitos são as células NK que constituem 5% a
20% das células mononucleares no sangue e no baço, mas são raras nos
órgãos linfoides ( Barao; Ascensao, 1998). As células NK são derivadas de
precursores da medula óssea, mostram -se como linfócitos grandes com
grânulos citoplasmáticos numerosos e com antígenos de superfície CD3 -
Introdução 9
CD56+CD16+ (Moretta et al., 2002a, Moretta et al., 2002b; Caligiuri, 2008).
Entretanto, em função da diferença de fenótipos de superfície e linhagem
celular, essas células não constituem linfócitos T, tampouco linfócitos B,
além de não expressarem receptores antigênicos semelhantes às células T
e B. As células NK reconhecem as células infectadas destruindo -as
diretamente e secretando citocinas inflamatórias. Esses linfócitos NK são,
ainda, uma fonte importante de Interferon gama (IFN -gama) que ativa os
macrófagos para destruir os microrganismos fagocitados ( Moretta et al.,
2002a, Moretta et al., 2002b ; Caligiuri, 2008 ). As principais citocinas do
sistema imune inato que estimulam as funções das células NK são as IL-12,
IL-15, IL-18 e o IFN -gama. Essas citocinas aumentam a atividade citotóxica
das células NK e a quantidade de IFN -gama secretada por estas ( Delves;
Roitt, 2000a; Delves; Roitt, 2000b; Sinkovics; Horvath, 2005; Abbas, 2012).
A resposta imune inata, além de fornecer a primeira defesa contra
microrganismos, também, inicia a resposta imune adaptativa por meio de
sinais que induzem em associa ção com o antígeno a proliferação e a
diferenciação de linfócitos T e B com especificidade aos antígenos. O
sistema imune adaptativo utiliza três estratégias principais para combater a
maioria dos microrganismos: o reconhecimento dos antígenos pelos
linfócitos; a imunidade celular com ativação dos linfócitos T e eliminação dos
microrganismos intracelulares e a imunidade humoral com ativação dos
linfócitos B e eliminação dos microrganismos extracelulares ( Delves; Roitt,
2000a; Delves; Roitt, 2000b; Abbas, 2012). Os antígenos são apresentados
aos linfócitos pelas células apresentadoras de antígenos (APC – do inglês –
Introdução 10
antigen presenting cells ). As células dendríticas são as APCs mais
especializadas com função de capturar os antígenos microbianos e os
transportar até os órgãos li nfoides e apresentá -los aos linfócitos T. Os
linfócitos ativados pelos antígenos desencadeiam vários mecanismos com a
função de eliminá -los. Os linfócitos Th ativados se transformam em células
efetoras cujas funções são mediadas em grande parte pelas citoc inas
secretadas (Delves; Roitt, 2000a; Delves; Roitt, 2000b; Abbas, 2012). Uma
delas é a interleucina 2 (IL -2), que atua como fator de crescimento sobre os
linfócitos Th CD4+ ativados por antígenos e estimula a sua proliferação em
forma de expansão clonal. Esses linfócitos efetores deixam os órgãos
linfóides e migram para os locais de infecção e inflamação. Outras células
Th CD4+ efetoras secretam citocinas que recrutam leucócitos e que
estimulam a produção de substâncias microbicidas nos fagócitos ajudando -
os a destruir os microrganismos. Os linfócitos CD8+ ativados diferenciam -se
em CLTs que destroem as células com microrganismos no citoplasma e
eliminam os reservatórios da infecção. Os linfócitos B ativados proliferam e
diferenciam-se em células secretoras de anticorpos (Abbas, 2012).
Para a adequada resposta os linfócitos B aos antígenos proteicos, há
necessidade de sinais ativadores dos linfócitos Th CD4+. Uma parcela das
células B diferenciam -se em plasmócitos secretore s de anticorpos. Os
anticorpos se ligam a microrganismos e os impedem de infectar outras
células do organismo ou colonizar os tecidos. A imunoglobulina G (IgG)
recobre os microrganismos e os transformam em alvos para a fagocitose por
neutrófilos e macrófag os. Paralelamente, as imunoglobulinas G e M (IgG e
Introdução 11
IgM) ativam o sistema complemento cujos produtos promovem a fagocitose
ou a destruição direta dos microrganismos (Abbas, 2012).
Existe uma classificação de células T CD4+ de acordo com suas
características funcionais como o tipo de citocinas que elas produzem
(Forsthuber; Ji, 2007; Abbas, 2012). Três tipos principais de células T CD4+,
ou seja, Th1, Th2 e Th17, funcionam na defesa do hospedeiro contra
diferentes tipos de microrganismos e estão envolvidos em tipos diferentes de
lesão ao tecido nas patologias imunomediadas (Mosmann, 1989; Forsthuber;
Ji, 2007 ; Abbas, 2012 ). Essas células se diferenciam a partir de células T
virgens em resposta a determinadas citocinas presentes no início das
respostas imunes. Da mesma forma, as células Th1, Th2 e Th17 expressam
diferentes proteínas de superfície que determina fenótipo diverso entre elas
(Abbas, 2012 ). Vários estudos têm demonstrado que a resposta anormal
com a perda do equilíbrio entre as respostas Th1, Th2 e Th17 pode estar
associada a uma varieda de de doenças como o lúpus eritematoso, o
mieloma múltiplo, a dermatite atópica, a pré -eclâmpsia, a osteoporose, a
uveíte, a artrite reumatóide, a asma e a endometriose ( Serrano Hernandez,
2009; Andreoli et al., 20 11; Santodomingo-Garzon; Swain, 2011; Dolff et al.,
2011; Shi et al., 2011 ; Campanati et al., 2014 ; Zhang et al., 2014 ; Batista et
al., 2015; Feng et al., 2015; Talaat et al., 2015; Vargas-Rojas et al., 2015).
As células Th1 se diferenciam induzidas, principalmente, pelas
citocinas IL -12 e IFN -gama em reposta a microrganismos que ativam as
células dendríticas, macrófagos e células NK. Os principais microrganismos
cujos antígenos estimulam essa diferenciação são as bactérias
Introdução 12
intracelulares, as micobactérias e alguns parasitas capazes de infectar
células dendríticas e macrófagos. Essas cél ulas desenvolvidas secretam
IFN-gama que amplifica o padrão induzido ao promover mais diferenciação
em Th1. O IFN-gama, ainda, pode inibir a diferenciação de células T virgens
nos subtipos Th2 e Th17, promovendo, então, a polarização de resposta
imune em u ma direção. A principal citocina produzida pelas células Th1
efetoras é o IFN -gama que participa da resposta imune por meio de um
conjunto de ações como a ativação dos macrófagos que culmina na
destruição por estes, dos microrganismos fagocitados. Outras c itocinas
produzidas pelas células Th1 são o fator de necrose tumoral (TNF do inglês
– tumor necrosis factor ) e a IL -10. O TNF e as diversas quimiocinas
produzidas pelas células Th1 contribuem para o recrutamento de leucócitos
e aumento da inflamação. A IL -10 atua, principalmente, inibindo as células
dendríticas e os macrófagos suprimindo, portanto, a reposta Th1,
caracterizando uma resposta com feedback negativo ( Abbas, 2012; Ahn et
al., 2015 ; Kralickova; Vetvicka, 2015 ). As células Th1 têm importante
atuação imunológica nas doenças autoimunes e dano ao tecido associado a
infecções crônicas.
As células Th2, por sua vez, se diferenciam pelo estímulo da citocina
IL-4 em resposta aos antígenos do helmintos e de alergenos, que causam
estimulação crônica das células T. Essas células respondem ao estímulo
crônico e persistent e por patógenos e antígenos com pouca inflamação e
pouca produção de citocinas pró-inflamatórias, diferentemente das respostas
Th1 e Th17 em que há muita inflamação ( Abbas, 2012 ). As células Th2
Introdução 13
expressam, em sua superfície, os genes das citocinas IL -4, IL-5 e IL -13. A
IL-4 produz um feedback positivo em relação às células Th2, aumentando
sua diferenciação, amplificando sua reação. Além disso a produção dessa
citocina tem a função de inibir o desenvolvimento das células e respostas
Th1 e Th17. Essa citocina é o maior estimulo à produção de anticorpos IgE
pelas células Th2. A IgE é muito importante na resposta imune mediada por
eosinófilos contra infecções por helmintos, além de mediar as reações de
hipersensibilidade como as alergias ( Damsker et al., 2010 ; Abbas, 2012). A
IL-13 tem ação semelh ante à da IL -4 com produção de efeitos biológicos
associados à inflamação alérgica e à defesa contra helmintos. A associação
da IL -13 com a IL -4 induz à ativação dos macrófagos alternativos que
contribuem para a reparação de tecidos e fibrose. A IL-5 tem como principais
ações ativar os eosinófilos maduros e estimular o crescimento e
diferenciação de eosinófilos. Essa citocina, ainda, serve como ligação
principal entre a ativação das células T e a inflamação por eosinófilos
(Abbas, 2012).
Nos últimos anos, houve grande interesse em relação a estudos sobre
as células Th17, descobertas há menos t empo que as Th1 e Th2
(Forsthuber; Ji, 2007 ; Andreoli et al., 2011 ). As principais citocinas
produzidas pelos linfócitos Th17 são a IL -17, IL -22 e a IL -21. As células
Th17 efetoras têm papel de induzir a inflamação por neutrófi los para destruir
bactérias e fungos extracelulares. Além disso, estudos demonstraram a
importância dessas células para o patogênese de doenças inflamatórias
como a psoríase, artrite reumatoide, esclerose múltipla entre outras (Boissier
Introdução 14
et al., 2008 ; Hedegaard et al., 2008 ; Meloni et al., 2009; Quaglino et al.,
2011; Ekman et al., 2013; Campanati et al., 2014, ; Javadian et al., 2014; Xia
et al., 2015 ). A IL-17 tem atuação como importante ligação entre o sistema
imune adaptativo mediado pelas células T e o sistema imune inato por meio
do seu componente inflamatório; como indutoras de reações inflamatórias
ricas em neutrófilos e como estimuladora da produção de substâncias
antimicrobianas. A IL -22 contribui para a inflamação loc al e para lesão
tecidual, e a IL-21 tem uma grande variação de afeitos nas células B, T e NK
com importante função em relação às respostas dos anticorpos e a
proliferação de células T CD8+ e das células NK (Abbas, 2012).
1.2 Considerações sobre os sistemas imunológico e a endometriose
Estudos revelam que o sistema imunológico está associado à
patogênese da endometriose e que a falta de uma imunovigilância no
peritônio é considerada fator causal comum de ssa doença. Distúrbios na
homeostase imunológica podem facilitar a implantação, proliferação e
angiogênese do tecido endometrial ( Oral; Arici, 1997; Matarese et al., 2003 ;
Christodoulakos et al., 2007).
A interação de moléculas como o fator de crescimento endotelial
vascular (VEGF) e as angiopoetinas é responsável pela regulação da
angiogênese. Uma variedade de citocinas tais como IL-1, IL -6 e IL -8
estimulam a expressão do VEGF nas células endometriais (Ahn et al., 2015).
O estradiol tem um papel importante para a estimulação da expressão de
Introdução 15
VEGF nas células endometriais ( Shifren et al., 1996 ). Vários estudos
demostraram a associação de níveis elevados de VEGF e endometriose.
Níveis maiores de VEGF no fluido peritoneal foram encontrados em
mulheres com endometriose avançada comparados com mulheres com
endometriose leve ou saudáveis ( McLaren et al., 1996b ). Foi observado,
também, uma associação direta entre elevados níveis de VEGF no plasma e
no fluido peritoneal com aumento da atividade proliferativa e densidade de
micro-vasos nas lesões de endometriose ( Bourlev et al., 2006 ). Alguns
estudos demonstraram que macrófagos peritoneais ativados e neutrófilos,
também, são capazes de produzir e secretar VEGF ( McLaren et al., 1996a ;
Mueller et al., 2000 ; Gargett; Masuda, 2010 ). Com base nessa s
observações, pode -se concluir que alterações imunológicas de fatores e
citocinas que estimulam a angiogênese no ambiente peritoneal tem relação
direta com o desenvolvimento da endometriose.
A endometriose está associada a uma redistribuição da população de
linfócitos e da citotoxicidade das células Natural Killer (NK) e Th1, induzida
pela produção de citocinas pró -inflamatórias e anti -inflamatórias do tipo Th2
(Nap et al., 2004 ; Agic et al., 2006 ; Martinez et al., 2007 ). Pacientes com
endometriose têm maior efeito imunossupressor sobre a citotoxicidade das
células NK, levando à diminuição da atividade citotóxica podendo permitir o
desenvolvimento de f ragmentos de endométrio em lesões endometriais
ectópicas (Ho et al., 1995; Somigliana et al., 1996). Alterações no número de
células dendríticas estão relacionadas à endometriose. Dois estudos
mostraram resultados divergentes e opostos sobre o efeito da depleção de
Introdução 16
células dendríticas na endometriose. O primeiro observou aumento das
lesões de endometriose ( Stanic et al., 2014 ) e o segundo uma atenuação
das lesões de endometriose relacionados à depleção do número de células
dendríticas (Pencovich et al., 2014).
As citocinas têm um papel essencial na re sposta imune normal contra
patógenos ou injurias. Vários autores já demonstraram que a desregulação
no número e na função das citocinas tem sido associado à presença ou
desenvolvimento da endometriose (Monsanto et al., 2016).
Outros autores já demonstraram níveis aumentados de citocinas IL-1,
IL-4, IL-6, IL-8, IL-10 e TNF -α em mulheres com endometriose ( Gilmore et
al., 1992; Arici et al., 1996 ; Tseng et al ., 1996 ; Harada et al., 1997 ;
Antsiferova et al., 2005; Gmyrek et al., 2005; Kalu et al., 2007; Gmyrek et al.,
2008; Osuga et al., 2011 ; Lambert et al., 2014 ; Malutan et al., 2015 ;
Monsanto et al., 2016).
Podgaec et al. identificaram um perfil pre dominante de citocinas
séricas e do fluido peritoneal associado com respostas Th1 (TNF -α, IFN-γ,
IL-2) e Th2 (IL -4, IL -10) em pacientes com endometriose. Os resultados
sugerem que a endometriose é uma doença que envolve um comportamento
inflamatório complexo com um claro componente Th2, apesar do aumento
dos níveis de IFN-γ (Podgaec et al., 2007). Em um estudo similar, Fairbanks
et al. (2009) avaliaram os níveis de IL -12 e IL -18 e compararam com o
estádio, o local da doença e sua classificação histológica. Embora nã o
existam diferenças em relação aos padrões de resposta imune Th1/Th2 e o
local das lesões, sintomas clínicos específicos podem estar associados a
Introdução 17
uma maior produção de citocinas específicas, com padrão de resposta
imune Th1 e, também, à endometriose profu nda ( Fairbanks et al., 200 9;
Podgaec et al., 2010).
1.3 As células Natural Killer T
Nos últimos anos, as pesquisas sobre o papel das células T Natural
Killer (Natural Killer T - NKT) têm revelado a sua importância em relação ao
controle da resposta imune Th1 e Th2 e sua possível relação com algumas
doenças (Au-Yeung; Fowell, 2007). As células NKT são uma subclasse de
linfócitos T que expressam o receptor de células T (TCR) α/β com um
repertório restrito ( Godfrey et al., 2000 ; Godfrey et al., 2005, Godfrey et al.,
2010). Essas células, também, expressam uma gama muito mais limitada da
região de genes de TCR variável. Em ratos, o mais expresso é um rearranjo
de cadeia TCR invariante ( V14-J18), com região CDR3 conservada e
com coexpressão de V8.2, V2 ou V7. Células T similares estão
presentes em humanos e outras espécies de mamíferos. Em humanos, a
população homóloga de células NKT expressam um rearranjo de TCR
cadeia (V24-J18) contendo uma cadeia (V11). Essas células são
extremamente conservadas na evolução, de forma que células NKT de ratos
reconhecem o CD1d humano ligado a antígeno glicolipídico e vice -versa,
fato que sugere a importância dessas células em pontos críticos e únicos do
sistema imune ( Dellabona et al., 1994 ; Brossay et al., 1998 ; Godfrey et al.,
2004b). As células NKT compartilham as propriedades das células T e das
Introdução 18
células Natural Killer (NK), e constituem cerca de 0,2% de todas as células T
do sangue periférico (Godfrey et al., 2000; Macho-Fernandez; Brigl, 2015).
Contrariamente aos linfócitos T e T reguladores, o TCR da célula NKT
não interage com antígenos apresentados pelo complexo principal de
histocompatibilidade (MHC) de classe I e cl asse II. Essas células NKT
reconhecem, apenas, glicolipídeos apresentados pel o CD1d, uma molécula
apresentadora de antígenos não clássica que se associa à microglobulina β2
(Kronenberg; Gapin, 2002; Godfrey; Kronenberg, 2004a). A expressão CD1d
ocorre em queratinócitos epidermais na pele, e em várias outras células
periféricas epiteliais ou estromais em diversos órgãos como intestino grosso,
intestino delgado, estômago, esô fago, vesícula biliar, fígado, rim, pâncreas,
conjuntiva, testículo e epidídimo, mama, pele e útero ( Canchis et al., 1993 ;
Sieling, 2000 ; Fishelevich et al., 2006 ). Canchis et al. demonstraram, por
imunoistoquímica, a presença de moléculas CD1d tanto no epitélio quanto
em células e stromais no tecido endometrial ( Canchis et al., 1993 ). A
expressão da molécula CD1d ao nível celular ocorre em células dendríticas,
timócitos, células B, monócitos, macrófagos, células epiteliais e estromais
(Balato et al., 2012).
As células NKT respondem de forma diferente à produção de
citocinas da resposta imune Th1 e Th2 ou citocinas regulatórias, de acordo
com o glicoesfingolipídeo apresentado ( Balato et al., 2009 ; Godfrey;
Kronenberg, 2004). Em virtude de reconhecerem, especificamente, apenas,
antígenos glicolipídicos em associa ção ao CD1d, as células NKT
reconhecem classes de antígenos ignorados pelas células T convencionais.
Introdução 19
O composto mais eficiente em relação à ativação da maioria das células
NKT é um glicolipídio sintético (derivado da esponja marinha) conhecido
como -galactosylceramida ( -GalCer) ( Sidobre et al., 2002 ; Hayakawa et
al., 2004). O complexo formado pela -GalCer e o CD1d se liga ao receptor
TCR das células NKT e desencadeia a resposta destas. Outros antígenos
glicolipídicos como o gangliosidio GD3, o glicofosfatidilinositol, a
fosfoetanolamina e outras formas de -GalCer foram testados em sua
capacidade d e estimular as células NKT (Godfrey; Kronenberg, 2004 ). As
células NKT são classificadas em dois tipos principais de células, as NKT
tipo I e tipo II. As células NKT tipo I, também conhecidas como células NKT
clássicas, NKT V14 invariante (V 14i), ou células NKT invariantes (iNKT),
são as mais estudadas e caracterizadas pelo seu receptor TCR e pelo
reconhecimento do complexo CD1d + -GalCer que induz a resposta rápida
essas células. As células NKT tipo II ou não clássicas diferem-se das células
clássicas por apresentarem um TCR com repertório diverso e por não
reconhecerem o antígeno -GalCer. Existe, ainda, um grupo heterogêneo de
células “ NKT-similares” que não são CD1d restritas ( Godfrey; Kronenberg,
2004; Boyson et al., 2008).
As células iNKT, rapidamente, secretarem grandes quantidades tanto
citocinas Th1 incluindo IFN- e TNF quanto Th2 incluindo IL-4, IL-10 e IL-13,
após estimulação do seu receptor TCR ( Taniguchi et al., 2003 ; Kronenberg,
2005; Au-Yeung; Fowell, 2007 ; Bendelac et al., 2007 ). Michel et al., em
2007, identificaram a produção de IL -17 por células iNKT estimuladas por
antígenos diversos ( Michel et al., 2007 ). Em 2008, Niemeyer et al., em um
Introdução 20
estudo de avaliação do perfil de expressão gênica das células iNKT
identificaram aumento em relação à expressão dos genes da IL -17 e do
receptor IL-17R. A descoberta desses autores caracteriza uma am pliação no
espectro de ação destas células que incluem resposta Th1, Th2 e Th17.
Além disso, as células iNKT têm a característica importante de servir como
ligação entre o sistema imune inato e o sistema imune adaptativo. Isto se
deve à capacidade destas c élulas de induzirem a ativação de subtipos de
leucócitos como as células B, as células dendríticas e as células NK
(Bezbradica et al., 2005).
Estudos têm demonstrado a capacidade das células iNKT em mediar
as funções imunes tanto pr otetoras quanto regulatórias, tais como rejeição
tumoral, proteção contra microrganismos infecciosos, manutenção da
tolerância aos transplantes e inibição do desenvolvimento das doenças
autoimunes ( Taniguchi et al., 2003 ). Apesar da capacidade de estimular a
liberação de citocinas do tipo Th1 e Th2 simultaneamente, a ativação das
células iNKT pode polarizar a resposta autoimune em direção ao perfil Th1
em alguns casos e Th2 em outras condições ( Godfrey; Kronenberg, 2004 ;
Balato et al., 2009).
Outros estudos demonstraram que defeitos seletivos no número de
células iNKT e da produção de citocinas estão presentes em indivíduos
afetados por diferentes doenças, tais como diabetes tipo I, lúpus
eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, cirrose biliar primária, asma
alérgica, esclerose múltipla, infecção pelo vírus imunodeficiência humana -1
e tuberculose pulmonar ( Yanagihara et al., 1999 ; Oishi et al., 2001 ; van der
Introdução 21
Vliet et al., 2002 ; Chan et al., 2003 ; Lin et al., 2005 ; Snyder-Cappione et al.,
2007; Fletcher; Baxter, 2009). Carvalho et al. demonstraram uma diminuição
no número absoluto de células iNKT em pacientes com imunodeficiência
comum variável (CVID) comparados ao grupo controle ( Carvalho et al.,
2010).
A função e a atividade de diferentes tipos de células imunológicas que
medeiam a im unossupressão ou imunoregulação direcionam os resultados
da resposta imune na saúde e doença. Esses tipos celulares incluem as
células T regulatórias (Treg), as células supressoras derivadas da medula e
as células iNKT. As células iNKT tipo I e tipo II têm importante papel em
relação à indução ou prevenção de doenças autoimunes, inflamação e
câncer ( Kumar; Delovitch, 2014 ). Os efeitos patogênicos e protetores das
células iNKT e seus subtipos, após a est imulação agonista in vivo são
determinados, principalmente, pelo momento da ativação, pela estrutura de
antígenos lipídicos reconhecido, pela interação com diferentes células
dendríticas e pelo perfil de secreção de citocinas. Estudos recentes
mostraram que tipos distintos de CD1d ligados às células dendríticas podem
regular diferentes perfis de citocinas secretadas pelas células iNKT, tipo Th1
(IL-12, IFN), tipo Th2 (IL -4, IL-9, IL-10, IL-13, fator estimulador de colônias
granulócitos – macrófagos) ou Th17 (IL -17A, IL-21 e IL -22) in vivo (Kumar;
Delovitch, 2014 ; Lindau et al., 2013 ; Viale et al., 2012 ). Outras citocinas
secretadas pelas células iNKT incluem IL -2, IL -5, IL -6, TNF e TGF β.
Portanto, dependendo do tipo de interação entre os subtipos de células
iNKT, células dendríticas e citocinas secretadas pelas células iNKT ativadas
Introdução 22
podem ativar ou suprimir a resposta imune adaptativa ( Kumar; Delovitch,
2014).
1.4 Subtipos de células iNKT
As células iNKT podem ser divi didas de acordo com os marcadores
de superfície expressos e de forma ampla em subtipos CD4+ ou CD4 - e
CD8+ ou CD8 -. Portanto, os subtipos de células iNKT podem ser definidos
como CD4+, CD4 -CD8- ou duplo negativo (DN) e CD8+. Em 1999 um
estudo demonstrou fe nótipo, função e desenvolvimentos heterogêneo nos
distintos subtipos de células iNKT e que estas estão distribuídas,
diferentemente, em um padrão tecido -específico ( Hammond et al., 1999 ).
Diferenças subtipo -específicas na expressão de marcadores de superfície
foram descritas com iNKT CD4+ exibindo baixa expressão de CCR5 mas
expressão aumentada de CCR4 em relação a iNKT CD4-. Estas, por sua
vez, expressam CCR1, CCR6, CXCR6 e NKG2D mas todas as iNKT
expressam altos níveis de CXCR3 e CXCR 4. O subtipo CD4 - expressa
baixos níveis de CD62L e altos níveis de CD11a, sugerindo fenótipo tecidual
infiltrativo enquanto o subtipo CD4+ expressa, preferencialmente, CD62L
exibindo um fenótipo direcionado a linfonodos ( Kim et al., 2002 ; Juno et al.,
2012).
A identificação dessas subpopulações pode explicar o comportamento
biológico paradoxal d as células iNKT que, ao produzirem rapidamente
grandes quantidades de citocinas Th1 e Th2, promovem imunidade mediada
Introdução 23
por células em uma situação e suprimem a mesma imunidade celular em
outra situação. As atividades das células iNKT podem ser benéficas ou
prejudiciais em diferentes situações, aspecto este relacionado ao balanço
entre as repostas imunes Th1 e Th2 mediadas pelas células iNKT (Lin et al.,
2006). Em humanos as células iNKT CD4+ produzem citocinas de ambas as
respostas Th1 e Th2 ( IFN, TNF, IL-4, IL-10 e IL-13). De forma diversa, as
células iNKT CD8+ e iNKT CD4-CD8- (duplo negativo, DN) produzem,
primariamente, citocinas Th1 (IFN, TNF) (Gumperz et al., 2002 ; Coquet et
al., 2008).
Em estudo publicado em 2011 sobre subtipos de células iNKT
expandidas e estimuladas de doadoras saudáveis , os autores observaram
um percentual de expressão de subtipos de iNKT frescas de 15,6±9,0%,
48,6 ± 15,4% e 33,5 ± 18,1% para CD4 +, DN e CD8 + respectivamente. Foi
observado, também, que os três subtipos de células iNKT são capazes de
secretar citocinas Th1 e Th2 com iNKT CD8+ demonstrando atividade Th1 /
citolítica mais potente e as células CD4 + a atividade Th2 mais intensa. As
células NKTDN apresentaram atividade intermediária entre perfil Th1/Th2.
Ainda em relação a esse estudo, os autores avaliaram a secreção das
citocinas de resposta Th1, Th2, Th9, Th17 e Th22 (IFN , IL-1, IL-2, IL-4, IL-
5, IL -6, IL -9, IL-10, IL -12p70, IL -13, IL -17a e IL -22) por citometria de fluxo
após estimulação dos três subtipos de iNKT (O'Reilly et al., 2011 ). Os
resultados foram descritos de acordo com a intensidade da secreção da
citocina nos subtipos CD4+, DN e CD8+.
Introdução 24
Tabela 1 - Intensidade de secreção de citocinas pelos subtipos de células
iNKT CD4+, DN e CD8+ após estimulação. Adaptado de O'Reilly
et al., 2011
Citocina CD4+ DN CD8+
IFN - ± +
TNFα - ± +
IL-2 + ± ±
IL-4 + ± -
IL-5 + ± -
IL-6 + + +
IL-9 + 0 0
IL-10 + - -
IL-12p70 + + +
IL-13 + ± -
IL-17a 0 + 0
IL-22 0 0 0
(+) = mais intensa, (±) = intermediária (-) = menos intensa e (0) = ausente.
Os diferentes perfis de citocinas prod uzidas pelas células iNKT
sugerem que essas células podem ter ações diferentes nas diversas células
imunes efetoras importantes nas respostas imunes Th1 e Th2 ( Lin et al.,
2006). Após estimulação das subpopulações de células iNKT (CD4+, CD8+
e CD4-CD8-), este estudo observou que as células iNKT CD4+ induziram a
maior ativação das células NK e células B sem ativação das células T CD8+,
as células iNKT CD8+ induziram a ativação das células envolvidas na
resposta Th1 (células NK e células T CD8+) e as células iNKT DN induziram
a menor ativação das células NK e B, moderada atividade estimuladora
sobre as células T CD4+ e ausência de atividade sobre as célul as T CD8+
(Lin et al., 2006).
Introdução 25
Em 2013, um estudo australiano demonstrou a heterogeneidade entre
diferentes tecidos e sangue periférico dentro das s ubpopulações CD4+ e
CD4- das células iNKT (Chan et al., 2013 ). Nesse estudo, a analise
comparativa revelou alta heterogeneidade na expressão de antígenos de
superfície por subtipos de células iNKT CD4+ e CD4-. Além disso os autores
identificaram vários antígenos cuja expressão diferencial correlaciona com a
resposta à citocina ( Chan et al., 2013 ). Os achados revelam que a
classificação de subtipos de células iNKT CD4+ e CD4 - é deficiente em
demonstrar a diversidade desta linhagem celular (Chan et al., 2013).
As células iNKT CD4+, DN e CD8+ podem ajudar na diferenciação
das células B e induzir a secreção de anticorpos pelos linfócitos B ( Zeng et
al., 2013 ). Em 2013 demonstrou -se que todos os principais subtipos de
células iNKT expandidas induziram a secreção de IgG, IgA e IgM por células
B autólogas, mas não de IgE (Bai et al., 2001, Zeng et al., 2013).
Vários estudos demonstraram que alterações na frequência e funções
dos subtipos de células iNKT foram observadas em indivíduos com doenças
(Araki et al., 2003 ; Kenna et al., 2003 ; Montoya et al., 2007 ; Im et al., 2008 ;
Bricard et al., 2009 ). Nos últimos anos, estudos têm demonstrado
possibilidade de terapia imunológica com estimulação específica de subtipos
de iNKT para alguns tipos d e doenças. Vários grupos estão tentando
modular o perfil efetor das células iNKT com fins de aplicação terapêutica
por meio de modificação do ambiente de citocinas, do modo de ativação
celular e da estrutura dos antígenos glicolipídicos (O'Reilly et al., 2011).
Introdução 26
As células iNKT são caracterizadas pela expressão de um receptor de
células T invariante com os marcadores V 24j18 e V 11. A partir da
identificação de linfócitos T viáveis, as células iNKT podem ser selecionadas
por citometria de fluxo utilizando -se os marcadores V 24j18 e V 11
específicos para estas células.
1.5 Células iNKT e endometriose
Apesar da com provada relação entre a endometriose e sistema
imunológico, não há na literatura estudo que tenha avaliado a correlação
entre endometriose e células iNKT.
Diante das importantes informações que correlacionam alterações
no sistema imunológico com a endome triose e da importância das células
iNKT no controle do sistema imune identificamos a hipótese de que essas
células podem estar alteradas em pacientes com endometriose pélvica
profunda. A comprovação dessa hipótese é importante passo no sentido de
identificar o papel das células iNKT em relação ao fator imunológico da
doença, permitindo, assim, maior entendimento sobre o sistema imune e a
gênese da endometriose.
27
2 Objetivos
Objetivos 28
2. OBJETIVOS
Este estudo tem como objetivos:
a) Analisar a presença de células iNKT e seus subtipos no sangue
em pacientes com endometriose profunda infiltrativa e em
pacientes sem a doença;
b) Analisar a secreção de citocinas pelas células iNKT e seus
subtipos em pacientes endometriose e sem a doença;
c) Relacionar a presença de células iNKT e seus subtipos no sangue
em pacientes com endometriose e:
c.1) sintomas clínicos
c.2) fase do ciclo menstrual
c.3) estadiamento da endometriose
d) Analisar a presença de células iNKT no tecido comparando lesão
de endometriose com área adjacente sem endometriose.
29
3 Métodos
Métodos 30
3. MÉTODOS
Realizamos um estudo transversal no Setor de Endometriose da
Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (HCF MUSP), em que foram avaliadas 73
pacientes consecutivas submetidas à videolaparosc opia no período de julho
de 2013 a julho de 2015 . As pacientes foram divididas em dois grupos,
sendo grupo endometriose (n=47) aquelas com endometriose profunda
infiltrativa e grupo controle (n=26) as pacientes sem endometriose.
Previamente ao início do estudo, o calculo amostral foi realizado
supondo confiança de 95% e poder de 80%, sabendo que estudos anteriores
mostraram que o percentual de células iNKT no sangue em mulheres
normais varia de 0,1% a 2%, logo, foi considerado o valor médio dessa
variabilidade para cálculo da amostra (0,95%) e dado um desvio padrão
aproximado de 0,27% nas células iNKT seriam necessárias 29 mulheres em
cada grupo para identificar diferença média de 0,2% de células iNKT entre
mulheres com e sem endometriose (Carvalho et. al., 2010). Caso a diferença
esperada seja de pelo menos 0,5% entre os grupos, a amostra necessária
para realização do estudo é de 5 mulheres em cada grupo.
O presente estudo foi aprovad o pelo Comitê de Ética e Pesquisa do
Hospital das Clínicas de Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo (Anexo 1). Todas as pacientes foram esclarecidas sobre o estudo,
leram e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo 2
Métodos 31
e 3). Este estudo foi realizado com apoio da Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), processo 2012/05425-7.
3.1 Critérios de inclusão e exclusão
As pacientes com endometriose foram selecionadas segundo os
seguintes critérios de inclusão : idade entre 18 e 49 anos; presença
endometriose profunda infiltrativa intestinal e/ou retrocervical com
comprovação histológica em espécimes obtidos durante a cirurgia; períodos
menstruais eumenorreicos, com intervalo entre os ciclos variando de 26 -34
dias. Para o grupo controle, os critérios de inclusão foram: idade entre 18 e
49 anos; ausência endometriose confirmada pela laparoscopia ou
anatomopatologia (em casos de biópsia de lesões suspeitas); períodos
menstruais eumenorreicos, com intervalo entre os ciclos variando de 26 -34
dias.
Os critérios de exclusão utilizados para ambos os grupos foram:
presença de doenças autoimunes confirmadas por anamnese, exame físico
e por exames laboratoriais quando necessário; presença de neoplasia
maligna suspeita ou diagnosticada; diagnóstico de processos infecciosos
nos três meses prévios à cirurgia; presença de sinais clínicos ou
laboratoriais de falência ovariana; utilização de terapêutica hormonal
(análogos do GnRH, progestagênios e contraceptivos hormonais) nos
últimos três meses que antecederam a coleta da amostra.
Métodos 32
3.2 Dinâmica do estudo
As pacientes com suspeita clínica de endometriose foram avaliadas
com história clínica, exame físico e exames complementares como a
ultrassonografia pélvica transvaginal com p reparo intestinal e a ressonância
nuclear magnética de acordo com a rotina do Setor de Endometriose do
HCFMUSP. A cirurgia foi indicada para os casos de pacientes com sintomas
de dor e/ou infertilidade em consonância com os achados dos exames
clínicos e ra diológicos. Nos casos de pacientes com dor, mas sem achados
relevantes nos exames de imagem, a cirurgia foi indicada quando não houve
melhora dos sintomas ao tratamento clínico com contraceptivos hormonais
orais combinados e/ou antiinflamatórios. Em relaçã o às pacientes
submetidas a videolaparoscopia por endometriose no período do estudo,
foram selecionados 47 casos que se adequavam aos critérios de inclusão e
exclusão.
O grupo controle foi formado por pacientes submetidas à laparoscopia
para laqueadura tu bária no HCFMUSP que não infringiam os critérios de
inclusão e exclusão propostos no estudo.
A videolaparoscopia, em ambos os grupos, foi realizada de acordo
com o protoc olo do setor do HCFMUSP . As pacientes do grupo com
endometriose tiveram as lesões re ssecadas. Durante o procedimento
cirúrgico, foram identificados os locais das lesões e feito o estadiamento da
doença. No grupo controle, foi realizado inventário minucioso da cavidade
abdominal para descartar a presença de lesões de endometriose e realiza da
Métodos 33
biópsia nas lesões eventualmente suspeitas. A história clínica das pacientes
e as características intraoperatórias da doença foram transcritas em
formulário específico para uso posterior dos dados nos cálculos estatísticos.
As amostras de sangue foram coletadas das pacientes com
endometriose no momento da realização da laparoscopia. Os dados
provenientes das pacientes portadoras de endometriose foram considerados
após exame histológico (estadiamento e local) das lesões de endometriose.
Como grupo contro le, foram utilizadas amostras de sangue de pacientes
saudáveis, não portadoras de endometriose, obtidas durante procedimento
para laqueadura tubária. Um total de 73 amostras de sangue foi avaliado
neste estudo.
O sangue periférico foi coletado por punção venosa no antebraço,
após indução da anestesia geral. Em seguida, foi transferido para um tubo
contendo anticoagulante. Após a coleta das amostras de todos os casos,
foram realizadas a separação das células e armazenadas para futuros
experimentos.
3.3 Quadro clínico
Quanto aos sintomas clínicos, foram considerados os seis sintomas
mais frequentes associados à endometriose, descritos abaixo. Todas as
pacientes do estudo foram inqueridas sobre a presença e a intensidade
destes sintomas com uso da Escala Visual Analógica (EVA) de dor ( Anexo
Métodos 34
4). Os sintomas foram classificados em leves ou intensos de acordo com
EVA < 7 ou EVA ≥ 7, respectivamente.
a) dismenorreia: dor em cólica no período menstrual;
b) dispareunia de profundidade: dor pélvica e/ou no fundo vaginal
durante a relação sexual;
c) dor pélvica acíclica: dor pélvica sem relação com o c iclo menstrual
por, pelo menos, três meses, sem melhora com uso de analgésicos;
d) alterações urinárias cíclicas: sintomas urinários durante o período
menstrual, incluindo disúria, hematúria, polaciúria e/ou urgência
miccional;
e) alterações intestinais cíclicas: sintomas intestinais durante o período
menstrual, incluindo aceleração ou diminuição do trânsito intestinal,
dor à evacuação, puxo, tenesmo e/ou sangramento nas fezes;
f) infertilidade: dificuldade para engravidar em casal com vida sexual
ativa (duas ou mais relações sexuais por semana) e sem método
contraceptivo por, pelo menos, um ano. Pacientes em uso de métodos
naturais ou de barreira e pacientes não expostas a gravidez até o
momento do estudo foram classificadas como “sem tentativa”.
3.4 Estadiamento da Endometriose
As lesões de endometriose foram classificadas durante o
procedimento cirúrgico de acordo com os critérios da American Society for
Reproductive Medicine (ASMR), revisado em 1996, em estádios de I – IV
(Figura 1).
Métodos 35
Figura 1 – Classificação de endometriose da American Society for
Reproductive Medicine, revisada em 1996
Para fins de comparação e cálculos estatísticos, definimos os estádios
I e II como estádios iniciais e os estádios III e IV como estádios avançados
(ASRM, 1997).
Métodos 36
3.5 Locais da endometriose
As pacientes com endometriose foram selecionadas de acordo com a
presença de lesão de endometriose profunda infiltrativa no retossigmoide
e/ou na região retrocervical (Figuras 2).
Figura 2 - A - Endometriose profunda d e retossigmoide aderida à região
retrocervical. B - Endometriose profunda de região retrocervical,
envolvendo os ligamentos útero-sacros bilaterais
3.6 Confirmação da endometriose
Os tecidos excisados na cirurgia foram fixados em formalina e
blocos de parafina, posteriormente coradas com Hematoxilina-Eosina (HE) e
avaliadas em microscópio ótico para confirmação do diagnóstico da
endometriose.
A
B
Métodos 37
3.7 Obtenção das células mononucleares do sangue periférico
3.7.1 Sangue heparinizado
O sangue foi centr ifugado a 3000 rpm a 10° C durante 8 min. O
plasma foi descartado.
O precipitado de leucócitos totais foi retirado e lavado com solução
fisiológica (previamente aquecida em banho -maria à 37°C), centrifugado
novamente a 3000 rpm a 10° C durante 8 min. O so brenadante foi
descartado. Em seguida, as células foram colocadas em 2 mL de meio de
cultura DMEM contendo soro bovino fetal 10% (previamente aquecida em
banho-maria a 37°C) para contagem, em câmara de Neubauer, do número
total de células.
Os leucócitos t otais foram estocados em nitrogênio líquido em
alíquotas contendo 2x 106 células em 1 mL de meio de congelamento (soro
bovino fetal + 5% DMSO, em temperatura ambiente.
3.8 Análise dos marcadores de células iNKT por citometria de fluxo
3.8.1 Descongelamento das células mononucleares do sangue
periférico (CMSP)
Esse procedimento foi realizado em cabine de segurança biológica
nível 2, previamente esterilizada por 15 minutos sob luz ultravioleta.
Métodos 38
As amostras de CMSP criopreservadas foram mantidas em gelo seco
até o momento do seu descongelamento. Os criotubos foram parcialmente
descongelados em banho -maria a 37ºC. Foi adicionado 1mL de meio de
cultura R10 nas células, gotejado lentamente. Posteriormente, foi transferido
o conteúdo total da amostra para um t ubo cônico contendo R10,
previamente identificado, utilizando -se, também, do procedimento de
gotejamento. Para a realização da lavagem das células, foi adicionado mais
1mL de R10 e esse volume transferido para o tubo contendo R10.
Em seguida, o tubo foi c entrifugado por 10 min a 250 x g em
temperatura de 4 a 6ºC; o sobrenadante desprezado e adicionados 2mL de
R10, para realização da contagem celular por meio da câmara de Neubauer
e do contador celular automatizado Countess™ (Invitrogen), utilizando os
mesmos procedimento e cálculos descritos anteriormente.
Novamente o tubo foi centrifugado e as células ressuspendidas em
R10 no volume de 1,0x10 6 células/ml e as células foram transferidas,
respectivamente, para uma placa de 96 poços com fundo em V (NUNC®
Brand Products), previamente identificada.
3.8.2 Imunofenotipagem de superfície celular em células
mononucleares do sangue periférico
Com o objetivo de caracterizar as células T Natural Killer – iNKT do
sangue periférico, as amostras descongeladas foram pr ocessadas para
Métodos 39
realização de imunofenotipagem de superfície celular utilizando -se a técnica
de citometria de fluxo.
Após a transferência das células para uma placa de 96 poços com
fundo em V (NUNC® Brand Products), previamente identificada, a placa foi
centrifugada a 250 x g por 5 min., para a lavagem celular. Em seguida, o
sobrenadante foi desprezado e as células ressuspendidas em 170 μL de
Tampão MACS, composto por 498ml de tampão salina fosfatada 7,2
(GIBCO™) (PBS 1X), 2 mL de EDTA [500mM], 2,5 g de albu mina de soro
bovino (SIGMA®) (BSA). Após centrifugação subsequente, o sobrenadante
foi desprezado.
Para iniciar a marcação das proteínas presentes na superfície das
células, foram adicionados tampão MACS, e os anticorpos monoclonais CD3
(clone UCHT1), V β11 (clone C21) e V α24 (clone C15) da Beckman Coulter
(Califórnia, CA, EUA) ; CD4 (clone RPA -T4), CD8 (clone RFT -8), CD14
(clone M5E2), CD19 (clone HIB19), CD25 (clone M-A251) da Biolegend (San
Diego, CA, USA) e CCR7 (clone 3D12) da BD Bioscience (San Jose, C A,
USA) previamente titulados, assim como o marcador de viabilidade
Live/Dead. As células permaneceram sob incubação por 30 minutos, no
escuro, em temperatura ambiente. Após o término da incubação, a placa foi
centrifugada a 250 x g por 5 minutos, o sobrena dante foi desprezado e as
células foram lavadas com 170 μL de tampão MACS, para serem
novamente, centrifugadas , por duas vezes. Na etapa final da técnica de
imunofenotipagem de superfície celular, foram adicionados 100 µl de
paraformaldeído a 1% (PFA 1%), composto por 9 mL de PBS (1x) e 1 mL de
Métodos 40
paraformaldeído 10x (SIGMA®), visando promover a fixação dos anticorpos
monoclonais à superfície celular.
Em seguida, as células foram transferidas, respectivamente, para
microtubos (Fisherbrand®, Houston, TX) previamente identificados e
permaneceram armazenadas sob ref rigeração até o momento da leitura no
citômetro de fluxo modelo LSRFortessa (BD), dotado de detectores capazes
de adquirir e analisar eventos com até 14 cores.
Os linfócitos foram identificados entre as células mononucleares do
sangue periférico por meio da citometria de fluxo utilizando -se o Forward-
scattered light (FSC) que avalia as partículas de acordo com a área de
superfície celular ou tamanho da célula e o Side-scattered light (SSC) que
avalia a granularidade celular ou a complexidade interna da cél ula ( Figura
6A). Dessa forma é possível diferenciar os linfócitos das outras células
mononucleares. A partir da identificação dos linfócitos por tamanho (FSC) e
complexidade (SSC), foi, então, realizada a avaliação da viabilidade celular
utilizando-se os marcadores live/dead ( Figura 6B). Os marcadores CD14 e
CD19 foram utilizados para diferenciar os linfócitos T dos monócitos que
expressam o CD14 e o linfócito B que expressa o CD19 ( Figura 6B). Após
essa estratégia de obrigatoriamente ser negativo para CD 14/CD19 e
marcador de viabilidade, precedeu-se à marcação de linfócitos T utilizando a
proteína CD3.
Identificados os linfócitos T, realizou -se um dot plot com os
marcadores CD4 e CD8 para identificar os subtipos de linfócitos ( Figura 6C)
e outro dot pl ot com marcadores Vβ11 e Vα24 duplos marcados específicos
Métodos 41
para células iNKT (Figura 6D). As células iNKT foram selecionadas do gate
Vβ11+ Vα24+ para posterior identificação dos subtipos de células iNKT. Os
subtipos de linfócitos e de células iNKT foram ide ntificados com uso dos
marcadores CD4, CD8, CD25 e CCR7 ( Figuras 6, 7 e 8). Foram verificadas
as frequências de linfócitos T CD3+, CD3+CCR7+, CD3+CD4+,
CD3+CD4+CCR7+, CD3+CD4+CD25+, CD3+CD8+, CD3+CD8+CCR7+,
CD3+CD8+CD25+, CD3+CD25+) e de células iNKT e seu s subtipos
NKTCD8+, iNKT CD8+ CCR7+, iNKT CD8+ CD25+, iNKT DP, iNKT CD4+,
iNKT CD4+ CCR7+, iNKT CD4+ CD25+, iNKT DN, iNKT DN CCR7+ e iNKT
DN CD25+.
Figura 3 - Representação gráfica de Imunofenotipagem. Density Plot de
citometria de fluxo de linfócitos ( 3a), seleção de gate para
análise de viabilidade celular ( 3b), seleção de gate de lin fócitos
CD3 para CD4+ e CD8+ ( 3c) e células natural Killer T (iNKT)
(3d)
3c
3b
3a
3d
Métodos 42
Figura 4 - Representação gráfica de Imunofenotipagem. Density Plot de
citometria de fluxo de li nfócitos CD3 ( 4a), CD3+CCR7+ ( 4b) e
CD3+CD25+ ( 4c). Density Plot de citometria de flu xo de
linfócitos CD4+ e CD8+ ( 4d), seleção de gate de linfócitos
CD8+CCR7+ ( 4e), CD8+CD25+ ( 4f) e linfócitos CD4+CCR7+
(4g) e CD4+CD25+ (4h)
Métodos 43
Figura 5 - Representação gráfica de Imunofenotipagem de células iNKT e
seus sub-tipos (5b – 5h). Density Plot de citometria de fluxo de
células iNKT com marcadores Vbeta11 e Valpha24 (5a), seleção
de gate de células iNKT CD4+ e iNKT CD8+ ( 5b), seleção de
gate de células iNKT CD8+ CCR7+ ( 5c) e iNKT CD8+ CD25+
(5d), seleção de gate de células iNKT DN CCR7+ (5e) e iNKT
DN CD25+ (5f), seleção de gate de células iNKT CD4+CCR7+
(5g) e iNKT CD4+CD25+ (5h)
O resultado da citometria de fluxo identificou as porcentagens de
células iNKT e seus subtipos no sangue periférico das pacientes dos dois
grupos de estudo.
Métodos 44
3.8.3 Estimulação das células iNKT para medição de citocinas
Para a medição d a produção de citocinas, as células mononucleares
do sangue periférico foram descongeladas e inc ubadas na presença de α -
galactosilceramida (αGalCer), uma substancia agonista específica de iNKT.
Após 1 hora a 37 oC e CO2 a 5%, adicionou-se Monensina (Golgi Stop, BD
Biosciences) e Brefeldina A (Golgi Plug, BD Biosciences). Após incubação
durante 18 h, a s células foram lavadas e incubadas com anticorpos
monoclonais para a superfície. As células foram lavadas e fixadas e
permeabilizadas utilizando reagentes de fixação / permeabilização da Life
Technologies de acordo com as instruções do fabricante. As célu las foram
incubadas com IL -10 (clone JES3 -1931), da Beckman Coulter (Califórnia,
CA, EUA), IL-6 (clone MQ2-13A5) da BD (San Jose, CA, EUA) e IL-17 (clone
: BL168) da Biolegend (San Diego, CA, EUA). As células foram adquiridas
em um citômetro de fluxo LSR F ortessa (BD Biosciences). Células não
estimuladas foram usadas para cada painel, para análise intracelular. Todas
as amostras foram adquiridas usando o software FACSDiva (BD
Biosciences) e, em seguida, analisadas com o software FlowJo versão 9.9
(Tree Star).
Métodos 45
3.8.4 Marcação por imunofluorescência na microscopia confocal
As lesões de endometriose foram cortadas em seções de 5mM para a
realização marcação da imunofluorescência. As lâminas foram coradas
com hematoxilina e eosina, para a realização da leitura por um patologista
para definir o local específico das lesões de endometriose e áreas saudáveis
nas seções. Depois disto, as secções foram despar afinadas e submetidas a
uma etapa de recuperação de epitopos incubados aquecido durante 15
minutos em mi croondas em solução tampão de citrato de sódio. Depois
disto, fora m incubados durante a noite a 4° C, com anticorpos primários,
anticorpo CD1d de camundongo anti-humano de (BD Biosciences) e
anticorpo policlonal de coelho CD3 anti-humano da Abcam (Cambridge, UK).
Em seguida, os tecidos foram lavados e incubados com anticorpos
secundários Alexa 488 anti -camundongo e Alexa 568 anti -coelho da Life
Technologies, Thermo Fisher Scientific (Waltham, MA, EUA), durante 2
horas à temperatura ambiente. Em seguida, os t ecidos foram lavados e
incubados com anti -CD4 (clone RPA -T4), por 2 horas. E finalmente,
incubado com DAPI por 5 minutos e a fixação da lâmina foi realizada com o
reagente antifade da Prolong Golg Life Technologies, Thermo Fisher
Scientific (Waltham, MA, E UA). As imagens foram adquiridas em
microscópio confocal LSM 710 (Carl Zeiss, Jena, Alemanha). As seções
foram gravadas usando uma versão 11.0 do ZEN 2012 SP2 (preto, 64 bits)
(Carl Zeiss, Jena, Alemanha).
Métodos 46
3.9 Análise estatística
Para elaboração do estu do proposto nesta tese, foram observadas
mulheres com endometriose profunda infiltrativa intestinal e/ou retrocervical
e mulheres sem endometriose relativamente ao percentual de células iNKT e
subtipos no sangue periférico.
Além das células iNKT e subtipo s, as mulheres foram avaliadas
segundo grau de sintomas apresentados com uso de escalas visuais
analógicas (EVA).
O objetivo do estudo é verificar se os percentuais de células iNKT e
seus subtipos diferem entre os grupos de mulheres com endometriose e sem
endometriose.
As características pessoais e clínicas qualitativas foram descritas
segundo grupos com uso de frequências absolutas e relativas e verificada a
associação com os grupos com uso de testes qui -quadrado ou testes exatos
(teste exato de Fisher ou teste da razão de verossimilhanças) (Kirkwood ;
Sterne, 2006), os escores de sintomas foram descritos segundo grupos com
uso de medidas, mínimos e máximos e comparado entre os grupos com uso
de testes Mann -Whitney (Kirkwood ; Sterne, 2006) e as idades e I MC dos
pacientes foram descritos segundo grupos com uso de média e desvio
padrão e comparados entre os grupos com uso de testes t -Student
(Kirkwood; Sterne, 2006).
Os níveis de iNKT e percentuais de cada tipo de célula foram
descritos segundo grupos c om u so de medidas resumo (média, desvio
Métodos 47
padrão, mediana, mínimo e máximo) e comparado entre os grupos com uso
de testes Mann-Whitney.
Apenas nos pacientes com endometriose profunda, foram descritos os
valores de iNKT e dos percentuais de cada tipo de célula s egundo cada
sintoma categorizado como ausente/leve e grave (≥ 7 pontos), infertilidade e
estádio com uso de medidas resumo e comparados os valores das células
iNKT e percentuais de cada tipo de célula segundo os sintomas com uso de
testes Mann -Whitney. Para ambos os grupos as células iNKT e os
percentuais de cada tipo foram comparados entre as fases do ciclo
menstrual e em cada fase do ciclo foram comparados os grupos com uso de
testes Mann-Whitney, porém devido ao número de comparações da mesma
variável foi considerado nível de significância de 0,0125 (p= 0,0125)
conforme correção de Bonferroni.
As análises foram realizadas com uso do software IBM-SPSS for
Windows versão 20.0 e tabulados com uso do software Microsoft-Excel 2003
e os testes foram realizados com nível de significância de 5%.
48
4 Resultados
Resultados 49
4. RESULTADOS
4.1 Dados demográficos e clínicos
Os dados clínicos das pacientes selecionadas foram comparados
para avaliação de semelhança entre os grupos. A Tabela 2 mostra que não
houve diferença significativa na idade média das pacientes no dia da cirurgia
(p=0,0876). Entretanto, o IMC médio das pacientes com endometriose
profunda foi estatisticamente menor do que daquelas do grupo controle (p =
0,046). Da mesma forma, a fase do ciclo menstrual na data da cirurgia não
foi diferente entre os grupos estudados (p=0,067) (Tabela 2).
Tabela 2 - Avaliação de semelhança dos dados clínicos de idade, índice de
massa corpórea e fase do ciclo menstrual entre as pacientes
com endometriose profunda infiltrativa e sem endometriose
Variável
Grupo
Total
p Controle Endometriose
(N=26) (N=47) (N=73)
Idade (anos), média ± DP 34,5 ± 4,6 34,3 ± 6,2 34,4 ± 5,7 0,876 **
IMC (Kg/m²), média ± DP 24,1 ± 3,1 22,5 ± 3,3 23 ± 3,3 0,046**
Fase do ciclo menstrual, n (%) 0,067
Proliferativa 14 (53,8) 15 (31,9) 29 (39,7)
Secretora 12 (46,2) 32 (68,1) 44 (60,3)
Teste qui-quadrado; * Teste exato de Fisher; # Teste da razão de verossimilhanças; ** Teste
t-Student; £ Teste Mann-Whitney
Resultados 50
A intensidade dos sintomas clínicos, segundo escala visual
analógica de dor, foi comparada para avaliação de semelhança entre os
grupos de endometriose profunda e sem endometriose (Tabela 3). O número
de pacientes com níveis de sintomas intensos (EVA ≥ 7) foi estatisticamente
maior nas pacientes com endometriose profunda para os sintomas de
dismenorréia (p<0,001), dor pélvica acíclica (p<0,001), dispareunia
(p<0,038) e alteração intestinal cíclica (p0,999). A infertilidade também foi estatisticamente maior nas mulheres
com endometriose profunda quando comparadas ao grupo sem
endometriose (p < 0,001).
Resultados 51
Tabela 3 - Avaliação de semelhança dos sintomas clínicos entre as
pacientes com endometriose profunda infiltrativa e sem
endometriose
Teste qui-quadrado; * Teste exato de Fisher; # Teste da razão de verossimilhanças; ** Teste
t-Student; £ Teste Mann-Whitney. Sintomas clínicos baseados na escala visual analógica de
dor (0 – 10). DM: dismenorréia; DPA: dor pélvica acíclica; DP: dispareunia; AIC: alteração
intestinal cíclica; AUC: alteração urinária cíclica.
Grupo
Variável Controle Endometriose Total p
(N = 26) (N = 47) (N = 73)
DM, n (%)
<0,001
EVA < 7 23 (88,5) 17 (36,2) 40 (54,8)
EVA ≥ 7 3 (11,5) 30 (63,8) 33 (45,2)
mediana (mín.; máx.) 0 (0; 10) 8 (0; 10) 5 (0; 10) <0,001£
DPA, n (%)
0,308*
EVA < 7 24 (92,3) 38 (80,9) 62 (84,9)
EVA ≥ 7 2 (7,7) 9 (19,1) 11 (15,1)
mediana (mín.; máx.) 0 (0; 10) 0 (0; 10) 0 (0; 10) 0,038£
DP, n (%)
0,084*
EVA < 7 25 (96,2) 37 (78,7) 62 (84,9)
EVA ≥ 7 1 (3,8) 10 (21,3) 11 (15,1)
mediana (mín.; máx.) 0 (0; 8) 0 (0; 10) 0 (0; 10) <0,001£
AIC, n (%)
0,046*
EVA 0,999*
EVA < 7 26 (100) 46 (97,9) 72 (98,6)
EVA ≥ 7 0 (0) 1 (2,1) 1 (1,4)
mediana (mín.; máx.) 0 (0; 0) 0 (0; 8) 0 (0; 8) 0,191£
Infertilidade, n (%)
<0,001#
Não 26 (100) 9 (19,1) 35 (47,9)
Sim 0 (0) 25 (53,2) 25 (34,2)
Sem tentativa 0 (0) 13 (27,7) 13 (17,8)
Resultados 52
4.2 Estadiamento da endometriose
O estadiamento da doença fo i avaliado nas pacientes com a doença.
A tabela 4 mostra os resultados encontrados onde há um nú mero de
pacientes com endometriose estádio III e IV é três vezes superior ao de
pacientes com endometriose grau I e II (Tabela 4).
Tabela 4 - Avaliação de semelhança em relação ao estádio da
endometriose entre as pacientes com endometriose profunda
infiltrativa
Grupo
Variável Controle Endometriose Total
(N = 26) (N = 47) (N = 73)
Estadio, n (%)
I/II 0 (0%) 11 (23,4) 11 (23,4)
III/IV 0 (0%) 36 (76,6) 36 (76,6)
Estadiamento I-II: mínimo-leve, III-IV: moderado-grave.
Resultados 53
4.3 Análise das frequências das células iNKT
As células iNKT foram avaliadas em relação sua frequência no
sangue periférico entre os dois grupos do estudo . Houve diferença
estatisticamente significativa em relação ao percentual d e células iNKT no
sangue (p=0,010 ) de pacientes com endometriose profunda infiltrativa e m
comparação àquelas sem endometriose (Tabela 5).
Tabela 5 - Descrição das médias das frequên cias das células iNKT no
sangue periférico segundo grupos de pacientes com
endometriose profunda infiltrativa e sem endometriose e
resultado da comparação entre os grupos
Grupo
Variável Controle Endometriose Total p
(N = 26) (N = 47) (N = 73)
NKT, média ± DP 0,23 ± 0,25 0,17 ± 0,55 0,2 ± 0,46 0,010
Teste de Mann-Whitney; DP = desvio padrão.
Resultados 54
No Gráfico 1 podemos observar a distribuição das frequências de
células iNKT nos dois grupos de estudo (Gráfico 1).
Gráfico 1 - Representação em dotplot da distribuição das frequências das
células iNKT no sangue periférico segundo grupos de
pacientes com endometriose profunda infiltrati va e sem
endometriose
p=0,01
0
Resultados 55
4.4 Análise das frequências dos subtipos de células iNKT
A frequência dos subtipos das células iNKT CD4+, DN e a expressão
de marcadores CCR7 e CD25 nessas células foi avaliada comparativamente
entre as pacientes com e sem endometriose. Foi observado uma menor
frequência de células iNKT DN nas mulheres com endometriose em relação
àquelas sem endometriose (p=0,020). Não houve diferença significativa nos
outros subtipos CD4+ e DN (Tabela 6).
Tabela 6 - Descrição das médias das frequências dos subtipos de células
iNKT CD4+, DN e a expressão de marcadores CCR7 e CD25
no sangue periférico s egundo grupos de pacientes com
endometriose profunda infiltrativa e sem endometriose e
resultado da comparação entre os grupos. Resultados em
média e desvio padrão
Grupo
Variável Controle Endometriose Total p
(N = 26) (N = 47) (N = 73)
iNKT CD4+ 32,2 ± 21 37 ± 27,4 35,2 ± 25,1 0,673
iNKT CD4+/CCR7 31,6 ± 31 35,6 ± 30,6 34,1 ± 30,6 0,439
iNKT CD4+/CD25 25,8 ± 18,5 33,5 ± 23,1 30,8 ± 21,8 0,168
iNKT DN 48,2 ± 21,4 34,6 ± 24,5 39,6 ± 24,2 0,020
iNKT DN/CCR7 6,76 ± 14,08 11,18 ± 15,87 9,54 ± 15,27 0,801
iNKT DN/CD25 33,8 ± 29,8 39,7 ± 31,8 37,4 ± 30,9 0,416
Teste Mann-Whitney
Resultados 56
Os subtipos de células iNKT CD4+, CD8+ e DN foram avaliadas em
relação secreção de IL -6, IL-10 e IL -17. A frequência das células iNKT DN
IL17 menor no grupo de pacie ntes com endometriose c omparadas ao grupo
controle sem endometriose (p=0,050). Não houve diferença signific ativa nos
outros subtipos CD4+, CD8+ e DN (Tabela 7).
Tabela 7 - Descrição das médias das frequências dos subtipos de células
iNKT secretoras de IL -6, IL -10 e IL -17 no sangue periférico
segundo grupos de pacientes com endometriose profunda
infiltrativa e sem endometriose e resultado da comparação
entre os grupos. Resultados em média e desvio padrão
Grupo
Variável Controle Endometriose Total p
(N = 26) (N = 47) (N = 73)
iNKT CD4+/IL6 5,55 ± 5,71 1,37 ± 1,94 3,09 ± 4,34 0,081
iNKT CD4+/IL10 3,08 ± 2,26 4,36 ± 5,51 3,86 ± 4,48 0,856
iNKT CD4+/IL17 13 ± 4 8,7 ± 5,5 10,4 ± 5,3 0,160
iNKT CD8+/IL6 6,37 ± 5,8 3,44 ± 4,25 4,42 ± 4,89 0,196
iNKT CD8+/IL10 3,81 ± 2,91 4,53 ± 3,88 4,29 ± 3,53 0,881
iNKT CD8+/IL17 9,11 ± 4,65 10,99 ± 14,18 10,36 ± 11,75 0,455
iNKT DN/IL6 1,99 ± 2,57 0,74 ± 1,12 1,21 ± 1,86 0,127
iNKT DN/IL10 0,35 ± 0,39 0,44 ± 0,88 0,41 ± 0,72 0,356
iNKT DN/IL17 11,5 ± 5 7,8 ± 4,2 9,2 ± 4,8 0,050
Teste Mann-Whitney
Resultados 57
No Quadro 1 podemos observar a distribuição das frequências de
células iNKT DN e iNKT DN IL-17+ nos dois grupos de estudo (Quadro 1).
Quadro 1 - Representação em dotplot da distribuição das frequências das
células iNKT DN (A) e iNKT DN IL17+ (B) no sangue periférico
segundo grupos de pacientes com endometriose profunda
infiltrativa e sem endometriose
p=0,050
p=0,020
A
B
Resultados 58
4.5 Análise das frequências das células iNKT e subtipos em relação
aos sintomas da endometriose
As células iNKT e os subtipos estudados foram avaliadas em relação
às suas frequências e a intensidade dos sintomas de dismenorréia,
dispareunia, dor pélvica acíclica, alteração intestinal cíclica e alteração
urinária cíclica nas pacientes com endometriose pro funda infiltrativa. A
intensidade dos sintomas foi dividida em dois grupos < 7 e ≥ 7 de acordo
com a EVA de dor.
No Gráfico 2, mostramos o resultado da comparação das médias das
frequências das células iNKT, subtipos iNKT CD4+, iNKT DN e a expressão
de marcadores CCR7 e CD25 no sangue periférico de pacientes com
endometriose profunda infiltrativa versus o grupo controle e a intensidade do
sintoma clínico de dismenorré ia. Foi observado uma significativa menor
frequência das células iNKT CD4+ CCR7 nas pacientes com endometriose
profunda em comparação as pacientes sem a doença . Não houve diferença
significativa em relação aos o utros subtipos de iNKT com expressão dos
marcadores CCR7 e CD25 . As frequências dos subtipos de células iNKT
CD4+, CD8+ e DN secretoras de IL-6, IL-10 e IL-17 também foram avaliadas
nas pacientes com endometriose pro funda infiltrativa e grupo controle em
relação à intensidade da dismenorréia (Gráfico 2). A frequência das células
iNKT CD4+ IL17 foi significativamente menor no grupo de pacientes com
dismenorréia leve (EVA < 7) comparadas ao grupo com dismenorréia
Resultados 59
intensa (EVA ≥ 7). Não houve diferença signific ativa nos outros subtipos de
células CD4+, CD8+ e DN secretoras de IL-6, IL-10 e IL-17 (Gráfico 2).
Gráfico 2 - Médias das frequências de células iNKT e subtipos no sangue
periférico de pacientes com endometriose profu nda infiltrativa e
sintomas clínicos de dismenorréia com intensidade <7 e ≥ 7
segundo a EVA
Resultados 60
No Quadro 2 podemos observar a distribuição das frequências de
células iNKT CD4+ CCR7+ e iNKT CD4+ IL -17+ no sangue periférico de
pacientes com endometriose pro funda infiltrativa e intensidade de sintoma
de dismenorréia (Quadro 2).
Quadro 2 - Representação em dotplot da distribuição das frequências das
células iNKT CD4+ CCR7+ (A) e iNKT CD4+ IL17+ (B) no sangue
periférico de pacientes com endometriose profund a infiltrativa e
intensidade de sintoma de dismenorréia
p=0,022
p=0,038
A
B
EVA<
7
EVA ≥ 7
EVA<
7
EVA ≥ 7
Resultados 61
A seguir demonstramos o resultado da comparação das médias das
frequências das células iNKT, subtipos iNKT CD4+, iNKT DN e a expressão
de marcadores CCR7 e CD25 no sangue periférico de pacientes c om
endometriose profunda infiltrativa versus o grupo controle e a intensidade do
sintoma clínico de dor pélvica acíclica. Não foi observado diferença
estatisticamente significativa na frequência destas células e a intensidade da
dor pélvica acíclica . As fr equências dos subtipos de células iNKT CD4+,
CD8+ e DN secretoras de IL -6, IL-10 e IL -17 também foram avaliadas nas
pacientes com end ometriose profunda infiltrativa em relação ao grupo
controle e a intensidade da dor pélvica acíclica (Gráfico 3). Dentre es tas,
apenas a frequência das células iNKT CD4+ IL17 foi significativamente
menor no grupo de pacientes com dor pélvica acíclica leve comparadas ao
grupo com dor intensa (Gráfico 4). Não houve diferença signific ativa nos
outros subtipos CD4+, CD8+ e DN.
Resultados 62
Gráfico 3 - Médias das frequências de células iNKT e subtipos no sangue
periférico segundo grupos de pacientes com endometriose
profunda infiltrativa e sem endometriose e sintomas clínicos de
dor pélvica acíclica com intensidade <7 e ≥ 7 segundo a EVA
Gráfico 4 - Representação em dotplot da distribuição das frequências das
células iNKT CD4+ IL17+ no sangue periférico de pacientes
com endometriose profunda infiltrativa e intensidade de
sintoma de dor pélvica acíclica
EVA< 7
EVA ≥ 7
p=0,048
Resultados 63
Os resultado s da comparação das médias das frequências das
células iNKT, subtipos iNKT CD4+, iNKT DN e a expressão de marcadores
CCR7 e CD25 no sangue periférico de pacientes com endometriose
profunda infiltrativa versus pacientes do grupo controle e a intensidade do
sintoma clínico de dispareunia estão demonstrados no Gráfico 5 . Não foi
observado diferença estatisticamente significativa na frequência destas
células e a intensidade da dispareunia entre os grupos . As frequências dos
subtipos de células iNKT CD4+, CD8+ e DN secretoras de IL-6, IL-10 e IL-17
também foram avaliadas nas pacientes com endometriose profunda
infiltrativa e no grupo controle. Não houve diferença significativa nos subtipos
CD4+, CD8+ e DN entre os grupos (Gráfico 5).
Gráfico 5 - Médias das f requências de células iNKT e subtipos no sangue
periférico segundo grupos de pacientes com endometriose
profunda infiltrativa e sem endometriose e sintomas clínicos de
dispareunia com intensidade <7 e ≥ 7 segundo a EVA
Resultados 64
Os resultados da comparação das médias das frequências das
células iNKT, subtipos iNKT CD4+, iNKT DN e a expressão de marcadores
CCR7 e CD25 no sangue periférico de pacientes com endometriose
profunda infiltrativa versus o grupo controle e a intensidade do sintoma
clínico de alteração intestinal cíclica estão demonstrados no Gráfico 6. Não
foi observado diferença estatisticamente significativa na frequência destas
células e a intensidade da alteração intestinal cíclica entre os grupos . As
frequências dos subtipos de células iNKT CD4+, CD8+ e DN secretoras de
IL-6, IL-10 e IL-17 também foram avaliadas nas pacientes com endometriose
profunda infiltrativa e no grupo controle . Não houve diferença signific ativa
nas frequências dos subtipos CD4+, CD8+ e DN (Gráfico 6).
Gráfico 6 - Médias das frequências de células iNKT e subtipos no sangue
periférico segundo grupos de pacientes com endometriose
profunda infiltrativa e sem endometriose e sintomas clínicos de
alteração intestinal cíclica com intensidade <7 e ≥ 7 segundo a
EVA
Resultados 65
Os resultados da comparação das médias das frequências das
células iNKT, subtipos iNKT CD4+, iNKT DN e a expressão de marcadores
CCR7 e CD25 no sangue periférico de pacientes com endo metriose
profunda infiltrativa e de pacientes do grupo controle em relação a
intensidade do sintoma clínico de alteraçã o urinária cíclica estão
demonstrados no Gráfico 7 . Não foi observado diferença estatisticamente
significativa na frequência destas células e a intensidade da alteração
urinária cíclica. As f requências dos subtipos de células iNKT CD4+, CD8+ e
DN secretoras de IL -6, IL-10 e IL-17 também foram avaliadas nas pacientes
com endometriose profunda infiltrativa e sem endometriose . Não houve
diferença signific ativa nos subt ipos CD4+, CD8+ e DN entre o s grupos
(Gráfico 7).
Gráfico 7 - Médias das frequências de células iNKT e subtipos no sangue
periférico segundo grupos de pacientes com endometriose
profunda infiltrativa e sem endometriose e sintomas clínicos de
alteração urinária cíclica com intensidade <7 e ≥ 7 segundo a
EVA
Resultados 66
4.6 Análise das células iNKT e o estádio da endometriose
Um outro aspecto avaliado no presente estudo foi a relação entre a
frequência das células iNKT e seus subtipos com o estádio da endometriose.
As médias das frequências das células iNKT, subtipos iNKT CD4+, iNKT DN
com a expressão de marcadores CCR7 e CD25, assim como dos subtipos
de células iNKT CD4+, CD8+ e DN secretoras de IL -6, IL -10 e IL -17 no
sangue periférico de pacientes com estádio I/II foram comparados àquelas
com estádio III/IV de endometriose.
Das 46 pacientes com endometriose 11 (23 ,4%) tiveram a doença
classificada em está dio I/II e 35 (76,6 %) em estádio III/IV. Entretanto, só foi
possível detectar as frequências das células iNKT CD4+/IL6, iNKT
CD4+/IL10, iNKT CD4+/IL17, iNKT CD8+/IL6, iNKT CD8+/IL10, iNKT
CD8+/IL17 em uma das pacientes com estádio I/II de endometriose. Da
mesma forma , não foi possível medir as frequências das células iNKT
DN/IL6, iNKT DN/IL10, iNKT DN–/IL17 em nenhuma das pacientes com
endometriose es tádio I/II. Nos casos em que os cálculos estatísticos
puderam ser realizados de forma adequada, não foi observada diferença
significativa na s frequências das células avaliadas e o estádio da
endometriose profunda (Gráfico 8).
Resultados 67
Gráfico 8 - Médias das frequências de células iNKT e subtipos no sangue
periférico segundo estádio I/II ou III/IV da doença nas pacientes
com endometriose profunda
Resultados 68
4.5 Avaliação das células iNKT nas diferentes fases do ciclo menstrual
Por fim, foi inv estigado a influê ncia da fase do ciclo menstrual nas
células iNKT assim como nos seus subtipos analisados neste estudo. Foram
comparadas as frequências das células iNKT, subtipos iNKT CD4+, iNKT DN
com a expressão de marcadores CCR7 e CD25, assim como dos subtipos
de células iNKT CD4+, iNKT CD8+ e iNKT DN secretoras de IL-6, IL-10 e IL-
17 no sangue periférico de pacientes das pacientes com endometriose
profunda versus pacientes sem endometriose em cada fase do ciclo
menstrual separadamente.
Realizamos ainda a comparação das frequências das mesmas células
descritas acima dentro de cada grupo isoladamente comparando a fase
proliferativa com a fase secretora. Portanto, comparamos dentro do grupo
controle as frequências das células iNKT e subtipos entre as pacientes que
se encontrava m na fase proliferativa com aquelas que se encontravam na
fase secretora ao momento da cirurgia. De forma idêntica realizamos a
comparação dentro do grupo de pacientes com endometriose profunda.
Os resultados identificaram que pacientes na fase secretora com
endometriose profunda apresentaram uma menor frequência células iNKT
quando comparadas as pacientes sem a doença na mesma fase do ciclo
menstrual. Entre as pacientes que se encontravam na fase proliferativa
foram observadas duas diferenças sign ificativas. As células iNKT CD4+
CD25 apresentaram uma maior frequência nas pacientes com endometriose
profunda quando comparadas as pacientes do grupo controle. No entanto,
Resultados 69
as células iNKT CD4+ DN foram identificadas em menor frequência nas
pacientes com endometr iose quando comparadas as pacientes sem
endometriose. No grupo de pacientes com endometriose profunda
identificamos uma maior frequênc ia das células iNKT DN CD25 na fase
proliferativa quando comparada com a fase secretora (tabela 8). Além disso,
na fase se cretora do ciclo menstrual, encontramos menor frequência de
células iNKT DN IL17+ nas pacientes com endometriose profunda quando
comparadas as pacientes do grupo controle (Tabela 8).
Resultados 70
Tabela 8 - Descrição das médias das frequências de células iNKT e
subtipos no sangue periférico segundo grupos de pacientes
com endometriose profunda infiltrativa (grupo endometriose) e
sem endometriose (grupo controle) e a fase do ciclo menstrual.
Resultado da comparação entre os grupos e entre as fases do
ciclo menstrual
Variável
Fase do
ciclo
menstrual
Grupo
p Controle Endometriose
iNKT
Proliferativa 0,07 (0,02; 0,56) 0,04 (0; 0,19) 0,128
Secretora 0,25 (0,01; 0,94) 0,05 (0; 3,61) 0,030
p 0,295 0,880
iNKT CD4+
Proliferativa 31,1 (7,2; 73,1) 30,1 (0; 100) 0,734
Secretora 28,6 (0; 69,6) 34,1 (0; 81,1) 0,747
p 0,936 0,479
iNKT CD4+/CCR7
Proliferativa 41,3 (0; 83,1) 53,8 (0; 77,5) 0,470
Secretora 0 (0; 92,3) 40,6 (0; 83,5) 0,460
p 0,316 0,368
iNKT CD4+/CD25
Proliferativa 33,2 (0; 58,6) 44,6 (0; 60) 0,022
Secretora 25,6 (0; 57,7) 30 (0; 81,7) 0,555
p 0,674 0,121
iNKT DN
Proliferativa 55,8 (23,1; 87,5) 28,8 (0; 73,3) 0,011
Secretora 53,1 (0; 69,2) 30,6 (0; 81,7) 0,357
p 0,611 0,542
iNKT DN/CCR7
Proliferativa 0,5 (0; 36,6) 4,27 (0; 48,6) >0,999
Secretora 0,1 (0; 45,5) 6,9 (0; 60) 0,745
p 0,689 0,897
iNKT DN/CD25
Proliferativa 46,2 (0; 76,2) 62,5 (0; 100) 0,101
Secretora 17 (0; 72,3) 37,3 (0; 87,5) 0,722
p 0,437 0,032
iNKT CD4+/IL6
Proliferativa 4,17 (0; 14,9) 0 (0; 1,89) 0,250
Secretora 2,98 (1,13; 4,83) 1,59 (0; 6,19) 0,667
p 0,857 0,543
iNKT CD4+/IL10
Proliferativa 3,01 (0; 7,46) 1,82 (0; 3,77) 0,571
Secretora 2,32 (1,93; 2,71) 3,31 (0; 20) 0,400
p 0,381 0,260
iNKT CD4+/IL17
Proliferativa 14,8 (8,3; 16) 8,6 (3,8; 16,4) 0,786
Secretora 11,7 (6,6; 16,9) 9,8 (0; 17,5) 0,711
p >0,999 >0,999
iNKT CD8+/IL6
Proliferativa 4,52 (0; 16,8) 0 (0; 10,7) 0,571
Secretora 5,74 (1,27; 10,2) 0,8 (0; 10) 0,308
p >0,999 0,808
continua
Resultados 71
Tabela 8 (conclusão) - Descrição das méd ias das frequências de células
iNKT e subtipos no sangue periférico segundo grupos de
pacientes com endometriose profunda infiltrativa (grupo
endometriose) e sem endometriose (grupo controle) e a fase do
ciclo menstrual. Resultado da comparação entre os gr upos e
entre as fases do ciclo menstrual
Teste Mann-Whitney; Dados expressos como mediana (mín.; máx.).
Variável Fase do ciclo
menstrual
Grupo p Controle Endometriose
iNKT CD8+/IL10
Proliferativa 3,85 (1,32; 9,8) 7,14 (0; 9,52) >0,999
Secretora 2,68 (2,53; 2,82) 3,01 (0; 11,1) 0,923
p 0,857 0,639
iNKT CD8+/IL17
Proliferativa 6,15 (4,07; 17,6) 13,3 (9,52; 14,3) 0,250
Secretora 10,8 (9,6; 12) 3,95 (0; 54,5) 0,308
p 0,381 0,139
iNKT DN/IL6
Proliferativa 1,28 (0; 7,66) 2,27 (0; 3,45) 0,786
Secretora 0,61 (0,48; 3,57) 0 (0; 1,96) 0,217
p >0,999 0,142
iNKT DN/IL10
Proliferativa 0,52 (0; 1,02) 0 (0; 2,27) >0,999
Secretora 0,19 (0; 0,3) 0 (0; 2,44) 0,573
p 0,571 0,836
iNKT DN/IL17
Proliferativa 10,2 (5,2; 13,9) 13,6 (3,2; 13,8) >0,999
Secretora 14 (8,1; 21,4) 7,1 (0; 13,8) 0,049
p 0,393 0,446
Resultados 72
No Gráfico 9 podemos observar a distribuição das frequências de
células iNKT na fase secretora nos dois grupos de estudo (Gráfico 9).
Gráfico 9 - Representação em dotplot da di stribuição das frequências das
células iNKT no sangue periférico de pacientes com
endometriose profunda infiltrativa e grupo controle na fase
secretora do ciclo menstrual
p=0,030
Resultados 73
No Quadro 3 podemos observar a distribuição das frequências de
células iNKT CD4+ CD25+ e iNKT DN na fase proliferativa em pacientes
com en dometriose e grupo controle, iNKT DN CD25+ em pacientes com
endometriose profunda na fase proliferativa e secretora do ciclo menstrual e
iNKT DN IL17+ na fase secretora em pacientes com endometriose e grupo
controle (Quadro 3).
Quadro 3 - Representação em dotplot da distribuição das frequências das
células (A) iNKT CD4+ CD25+ na fase proliferativa em
pacientes com endometriose e grupo controle; ( B) iNKT DN na
fase proliferativa em pacientes com end ometriose e grupo
controle; (C) iNKT DN CD25+ em pacientes com endometriose
profunda na fase proliferativa e secretora do ciclo menstrual;
(D) iNKT DN IL17+ na fase secretora em pacientes com
endometriose e grupo controle
B
C
A
D
p=0,022
p=0,011
p=0,032
p=0,049
Resultados 74
4.7 Avaliação das células iNKT nas lesões de endometriose
Para avaliar a possível relação entre do número de células iNKT
tecidual e a endometriose realizamos analise por imunocoloração confocal
dessas células no tecido com lesão de endometriose comparando com o
tecido saudável, sem endometriose, adjacente (Figura 6).
Figura 6 - Imunocoloração confocal de células iNKT em lesões de
endometriose. (A) Mesclagem representativa de células coradas
marcadas com CD3 (vermelho), CD1D (verde), CD4 (amarelo) e
DAPI (azul) de áreas saudáveis e áreas de endometriose. (B)
Porcentagem de células iNKT em áreas saudáveis e
endometriose do tecido (n = 9)
Resultados 75
No Gráfico 10 podemos observar que não houve diferença
estatística nas média s das frequências de células iNKT e células CD3+ no
tecido com lesão de e ndometriose e tecido normal sem lesão de
endometriose (Gráfico 10).
Gráfico 10 - Representação em dotplot da distribuição das frequências das
células iNKT e células CD3+ no tecido com lesão de
endometriose e tecido normal sem lesão de endometriose
*
p=0,14
76
5 Discussão
Discussão 77
5. DISCUSSÃO
O papel do sistema imunológico na patogênese da endometriose foi
amplamente demonstra do nas últimas décadas. E studos anteriores
observaram que diversas citocinas podem ser anormalmente expressas ou
produzidas em pacientes com endometriose (Bergqvist et al., 2001; Bedaiwy
et al., 2002; Cheong et al., 2002; Berkkanoglu ; Arici, 2003; Kyama et al.,
2006; Kalu et al., 2007; Othman et al., 2008; Salmassi et al., 2008; Ahn et al.,
2015, Thiruchelvam et al., 2015; Mons anto et al., 2016; Miller et al., 2017).
Da mesma forma, o comportamento variável da resposta Th1, Th2 e Th17 foi
observado por alguns autores em mulheres com endometriose (Antsiferova
et al., 2005; Podgaec et al., 2007; Fairbanks et al., 2009; Podgaec et al.,
2010; Szymanowski et al., 2013 ; Osuga et al., 2016 ). Outros estudos
demonstraram atividade irregular ou diferente em componentes celulares do
sistema imunológico como macrófagos, linfócitos T e B, células NK e células
dendríticas nas pacientes com end ometriose (Berkkanoglu. Arici, 2003;
Kyama et al., 2006; Dias Jr et al., 2012; Capobianco , Rovere-Querini, 2013;
Ahn et al., 2015; Thriruchelvam et al., 2015) . Considerando as diversas
alterações no sistema imunológico previamente observadas na
endometriose e ainda o importante papel das células iNKT na resposta
imune (Bendelac et al., 2007; Balato et al., 2009), decidimos avaliar se as
células iNKT estão alteradas em pacientes com endometriose.
Discussão 78
O estudo foi realizado com dois grupos distintos de paciente s, um
formado por portadoras de endometriose profunda e o outro por pacientes
sem endometriose. A escolha do grupo de pacientes especificamente com
endometriose prof unda se deve a alguns fatores: a maior parte das
pacientes com indicação para cirurgia no s erviço é portadora de lesão
profunda infilt rativa e para se evitar o viés de colocar no mesmo grupo
pacientes com diferentes tipos de lesão de endometriose. O grupo controle
foi composto apenas por pacientes submetidas à laqueadura tubária bilateral
laparoscópica por três razões: fertilidade prévia comprovada, indicação
cirúrgica não relacionada a patologias pélvicas e possibilidade de confirmar
a ausência de lesões de endometriose pela laparoscopia.
Os grupos de estudo foram equivalentes em relação às
características basais dos pacientes, como idade e fase do ciclo menstrual.
No entanto, foi observado um IMC médio maior no grupo controle do que
nas pacientes com endometriose profunda. Esse resultado está de acordo
com achados de pesquisas anteriores em que o IMC médio observado foi
menor em pacientes com endometriose quando comparados a mulheres
saudáveis sem endometriose (Backonja et al., 2017; Liu; Zhang, 2017).
O número de pacientes com dismenorréia intensa (EVA ≥ 7) e
sintomas intestinais foi significativamente superior no grupo com
endometriose profunda. Esse achado é considerado normal e esperado em
função das características clinicas da endometriose cujos sintomas de dor
pélvica intensa são frequentes, em especial a dismenorréia, com prevalência
entre 50% a 90% entre as portadoras da doença. (Giudice et al., 2010).
Discussão 79
Nos resultados desta pesquisa encontramos uma frequência
significativamente menor de células iNKT no sangue periférico de pacientes
com endometriose profunda em comparação com mulheres sem
endometriose. Frequências diminuídas de células iNKT foram previamente
descritas em diferentes doenças, tais como, infecção por HIV e HTLV e
imunodeficiência comum variável ( Fulcher et al., 2009 ; Ndhlovu et al., 200 9;
Snyder-Cappiobe et al., 2009). Outros estudos observaram que defeitos
seletivos na quantidade de células iNKT e produção de citocinas estão
presentes em indivíduos afetados por diferentes doenças, como diabetes
tipo I, lúpus eritematoso sistêmico, artri te reumatoide, cirrose biliar primária,
asma alérgica, esclerose múltipla, ví rus da imunodeficiência humana -1 e
tuberculose pulmonar (Yanagihara et al., 1999; Oishi et al., 2001; van der
Vliet et al., 2002; Chan et al., 2003; Lin et al., 2005; Snyder -Cappione et al.,
2007; Fletcher e Baxter, 2009) . Entretanto, o tipo de ação (patogênico ou
protetor) das células iNKT é bastante complexo, variável e dependente de
fatores como: momento da ativação, tipo de estimulo recebido, interação
com diferentes células dendríticas e perfil de citocinas secretadas.
Diante da relação entre diminuição das células iNKT e a
endometriose, procuramos entender de que forma a alteração destas células
estaria envolvida no desenvolvimento, manutenção ou evolução da doença.
Sabemos po r estudos anteriores que a endometriose está associada a
alterações na distribuição de linfócitos, nas células NK e nas respostas
imunes Th1, Th2 e Th17 que levam a modificações na liberação de citocinas
(Nap et al., 2004; Agic el al., 2006; Martinez et al ., 2007, Podgaec et al.,
Discussão 80
2007). Por outro lado, as células iNKT, quando estimuladas e dependendo
no tipo de estimulo, tem a propriedade de secretar grandes quantidades de
citocinas com padrão Th1, Th2 e Th17 (Taniguchi et al., 2003 ; Kronenberg,
2005; Au-Yeung; Fowell, 2007; Bendelac et al., 2007; Michel et al., 2007).
Aggarwal et al ., em 2014 avaliaram a atividade citolítica das células
NK e iNKT e citocinas de resposta Th1 e Th2 em pacientes com artrite
reumatoide (AR). Os autores observaram uma diminuição da significativa na
frequências das células iNKT nas pacientes com AR comparado s aos
controles saudáveis (p<0,001). Além disso, enc ontraram aumento de
expressão nas células iNKT das citocinas Th1 pró-inflamatórias IFN, TNF,
IL-8 e IL-18 e diminuição da citocina Th2 anti -inflamatória IL-4 em pacientes
com AR. Outro achado relevante foi a relação direta entre o aumento das
citocinas I FN, TNF e IL-18 e a diminuição da IL-4 com a gravidade da
doença.
Alterações das cél ulas iNKT também tem papel relevante no Lupus
Eritematoso Sistemico (LES). As células iNKT estão diminuídas em
frequência e em número absoluto em pacientes com LES. Como
consequência há também nesses casos um desequilíbrio na relação
Th1/Th2, aumento na se creção de IL -17, alteração na supressão da
produção de auto -anticorpos e na função das células dendríticas, com
implicação relevante na imunorregulaçao da doença (Chen et al., 2015).
Portanto, as alterações na frequência de células iNKT, neste caso a
diminuição, podem alterar ou polarizar o perfil de resposta imune com
aumento ou diminuição na secreção de determinadas citocinas pró -
Discussão 81
inflamatórias ou anti -inflamatórias que podem ser relacionadas ao
desenvolvimento, manutenção e evolução da endometriose.
Outro aspecto relevante é a possível influencia da fase do ciclo
menstrual no sistema imune especialmente nos órgãos reprodutivos.
Estrogênio e progesterona são suficientes para controlar varias d as funções
endometriais, regulando a expressão de milhares de g enes durante o ciclo
menstrual (Bulu n, 2009). Um perfil diferente nas frequências de células
inflamatórias e secreção de citocinas é observado no sangue periférico, no
líquido peritoneal e na urina de mulheres com endometriose , dependendo
da fase do ciclo menstrual (Whitcomb et al., 2014; Sikora et al. , 2015;
Rakhila et al., 2016) . Esses dados sugerem um papel importante dos
hormônios esteróides sexuais na f isiologia do microambiente imunológico
(Whitcomb et al., 2014; Sikora et al., 2015; Rakhila et al., 2016). A
importância do estrogênio no desenvolvimento e manutenção da
endometriose está bem estabelecida (Zhao et al., 2015).
Mostramos, no presente estudo, que as células iNKT ainda estão
diminuídas na fase secretora no grupo de pacientes com endometrios e
profunda em comparação com aquele de pacientes sem endometriose. Essa
diferença pode estar relacionada a anormalidades na secreção ou ação da
progesterona em pacientes com endometriose (Patel, 2017; Patel, 2018). A
resistência do receptor de progesterona é um dos fatores que tem sido
relacionado ao desenvolvimento e manutenção da endometriose (Patel
2017; Patel 2018). Anormalidades na fisiologia da progesterona estão
diretamente ligadas a modificações no ambiente imune no endométrio tópico
Discussão 82
e ectópico. Portanto, supomos que as células iNKT diminuídas em pacientes
com endometriose podem estar relacionadas à disfunção da progesterona
frequentemente associada à doença.
No mesmo contexto, nós indagamos se os subtipos de células iNKT
estarão diminuídos na doenç a. Observamos uma diminuição dos sub tipos
iNKT DN, os mais predominantes em humanos e que apresentam funções
efetoras importantes durante a resposta imune (Gumperz et al., 2002; Lee et
al., 2002).
Questionamos ainda se as células iNKT poderiam expressar o utros
marcadores de superfície, como os marcadores de ativação. Lee et al. 2002,
mostraram que os su btipos de células iNKT CD4+ em indivíduos saudáveis
expressam exclusivamente cadei a alfa da interleucina 2 (CD25). Neste
estudo demonstramos que as células iNKT DN expressaram CD25 com
maior frequência na fase proliferativa comparado à fase secretora de
pacientes com endometriose profunda. Em contrapartida, não foi observado
esse mesmo resultado em relação à expressão de CD25 pelas células iNKT
CD4+. Estes resultados demonstraram que pacientes com endometriose têm
subgrupos iNKT DN regulados e mostram um perfil regulatório na fase
proliferativa da endometriose.
Aspectos relacionados ao perfil hormonal das fases do ciclo
menstrual, ação hormonal normal ou anor mal (secreção, mutações de
receptores, resistência à progesterona) e resposta imune à estimulação
hormonal podem ter um papel nas variações observadas nessas células.
Além disso, a homogeneidade entre os grupos estudados no ciclo menstrual
Discussão 83
é essencial para evitar erros e resultados falsos. Os dados basais do
presente estudo mostram frequência semelhante de pacientes em fase
proliferativa e secretora entre a endometriose e o grupo controle.
Nosso estudo também compa rou as frequências de células iNKT no
sangue periférico de acordo com os sintomas de endometriose
(dismenorréia, dispareunia, dor pélvica acíclica , alterações intestinais
cíclicas, alterações urinárias cíclicas) e estado de fertilidade. Identificamos
diminuição das células iNKT CD4+ CCR7 + em pacientes com endometriose
e dismenorreia intensa (EVA ≥ 7). A s evidências sugerem que cada
subpopulação de células iNKT (CD4 +, CD8 + e CD4 -CD8-) produz um perfil
de citocinas e ativação de células NK e B leva ndo a uma resposta Th
diferente (Lin et al., 2006). O'Reilly et al., 2011, observaram um padrão de
secreção diverso de citocinas IFNγ, TNFα, IL -1β, IL-2, IL-4, IL-5, IL-6, IL-9,
IL-10, IL -12p70, IL -13, IL -17a e IL -22 após estimulação de células iNKT
CD4+, CD8 + e iNKT CD4- CD8-. Vários estudos demonstraram que a
frequência e as funções de sub tipos de células iNKT foram observadas em
pacientes com diferentes doenças (Araki et al., 2003; Kenna et al., 2003;
Montoya et al., 2007; Im et al., 2008; Bricard et a l., 2009; Laganà et al.,
2016).
As células iNKT DN possuem um importante padrão Th1, liberando
maiores quantidades de IFNγ e TNFα após a estimulação (L iao et al., 2011).
Neste aspecto , nossos resultados atuais demonstram uma porcentagem
diminuída de iNKT DN em pa cientes com endometriose. Como as células
iNKT DN produz em uma resposta Th1, como o equilíbrio T h1 / Th2 é
Discussão 84
essencial para a homeostase imune e como as irregularidades Th1 / Th2 são
observadas em pacientes com endometriose, é plausível supor uma
implicação dessa anormalidade na fisiopatologia da endo metriose
(Antsiferova et al. , 2005; Podgaec et al., 2007; Fairbanks et al., 2009;
Podgaec et al., 2010; Liao et al., 2011; Szymanowski et al., 2013). No
entanto, neste estudo, não foi possível demonstrar o perfil Th1 (IFNg e
TNFa) em células iNKT DN ou em outros subtipos . No entanto,
demonstramos que as cél ulas iNKT DN secretam citocinas IL -17 em menor
proporção em pacientes com endometriose quando comparadas com
mulheres sem endometriose. Foi observado também que estas células ainda
estão diminuídas na fase secretora em pacientes com endometriose
profunda.
Por outro lado, mostramos um aumento na frequência de células
iNKT CD4+ IL17 + em pacientes com endometriose e dismenorréia intensa
(EVA ≥ 7) versus dismenorréia leve (EVA < 7). Além disso, observou-se um
aumento da frequência de células iNKT CD4+ IL17+ em pacientes com
endometriose e dor pélvica acíclica intensa (EVA ≥ 7) em comparação com
pacientes com dor pélvica acíclica leve (EAV < 7) . A dismenorreia é o
sintoma mais comum relacionado à endometrios e. O número de linfócitos T
CD4+ e os níveis de IL -17 estão relacionados ao mecanismo de dor na
condição inflamatória. A interleucina -17 é um membro de uma família de
citocinas, que são predo minantemente produzidas por células T CD4 +
ativadas. A IL -17 possui potentes propriedades pró -inflamatórias e está
envolvida na modulação da resposta imune em distúrbios inflamatórios e dor
Discussão 85
(Iwakura et al., 2011; Sun et al., 2017). Estudos anteriores mostr aram que
níveis aumentados de IL -17 estão implicados na dor visceral e neuropática
(Noma et al., 2011; Day et al., 2014). Demonstrou -se que o comportamento
associado à dor está reduzido em camundongos após bloqueio da produção
de IL-17 em modelos inflamató rios em nervos plantar ou isquiático e em
modelos de lesão em nervos periféricos (Meng et al., 2013; Knier et al.,
2015).
As frequências anormais de iNKT CD4+ IL17 + observadas em
nossos resultados podem ser, em parte, uma possível explicação para os
sintomas de dor relacionados à endometriose. Como a frequência de células
iNKT neste estudo não foi influenciada de acordo com os diferentes estágios
da doença, é plausível pensar em uma provável homogeneidade na
frequência das células iNKT, independente de alg umas caracte rísticas da
doença. A diferença observada na frequência de células iNKT em pacientes
com endometriose pode desempenhar um papel relevante no diagn óstico da
doença, uma vez que as células podem ser um marcador potencial para a
presença de endometriose ou alguns tipos de lesões de endometriose como
a endometriose profunda infiltrativa.
Em conjunto, os resultados de nosso estudo e o conhecimento
prévio sobre a relação entre o sistema imune e a endometriose nos levam a
supor que as células iNKT e seus subtipos podem desempenhar um papel
importante na patogênese dessa doença. Anormalidades na frequência de
células iNKT podem prejudicar o bom funcionamento do sistema
Discussão 86
imunológico, permitindo a implantação e proliferação de lesões
endometriose.
As células iNKT também podem ter uma importância no tratamento
da endometriose. Uma vez que outros estudos demonstraram recentemente
um efeito positivo da imunoterapia pela ativação de células iNKT com
diferentes antígenos na doença hepática, doença s autoimunes como AR e
LES e terapia antitumoral, existe uma possibilidade real no uso desta forma
de tratamento para outras doenças inflamatórias como endometriose
(Subleski et al., 2011; Ghinnagow et al., 2017).
As células iNKT têm um papel importante na homeostase
imunológica e podem ser uma peça essencial no quebra -cabeça desta
doença enigmática chamada endometriose. Os resultados do nosso estudo
podem contribuir para o entendimento da fisiopatologia da endometriose e
podem auxiliar no desenvolvimento de novos agent es diagnósticos e
terapêuticos. Mais estudos são necessários para se chegar a conclusões
definitivas a respeito do papel das células iNKT na endometriose.
87
6 Conclusões
Conclusões 88
6. CONCLUSÕES
Este estudo permitiu as seguintes conclusões:
Pacientes com endometriose profunda tem a frequência de células
iNKT, iNKT DN e iNKT DN IL17+ diminuída em relação às pacientes sem
endometriose.
A frequência das células iNKT não estão alteradas nas pacientes
com endometriose profunda em relação aos sintomas de clínicos da doença.
A frequência das células iNKT CD4+ CCR7+ encontra -se diminuída
em pacientes com endometriose profunda e dismenorréia intensa.
A frequência das células iNKT CD4+ IL17+ encontra -se aumentada
em pacientes com endometriose profunda e dismeno rréia intensa e
diminuída em pacientes com dor pélvica acíclica intensa em relação àquelas
com dor pélvica acíclica leve.
Não existe diferença nas frequências das células iNKT e os subtipos
estudados em relação ao estádio da endometriose I/II ou III/IV.
A fase secretora do ciclo menstrual está associada a menor
frequência de células iNKT e iNKT DN IL17+ nas pacientes com
endometriose profunda.
As células iNKT CD4+ CD25+ e iNKT DN encontram-se com menor
frequência na fase proliferativa do ciclo menstrual em comparação com os
controles.
Conclusões 89
As células iNKT DN CD25+ estão diminuídas na fase secretora em
comparação a fase proliferativa nas pacientes com endometriose profunda.
90
7 Anexos
Anexos 91
7. ANEXOS
Anexo 1 - Parecer consubstanciado do comitê de éti ca e pesquisa com
aprovação do estudo.
Anexos 92
Anexo 1 (Cont.) - Parecer consubstanciado do comitê de ética e pesquisa com
aprovação do estudo.
Anexos 93
Anexo 2 - Termo de consentimento livre e esclarecido para pacientes com
endometriose.
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DA
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO-HCFMUSP
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
____________________________________________________________________________________
I - DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO DA PESQUISA OU RESPONSÁVEL
LEGAL
1. NOME:
DOCUMENTO DE IDENTIDADE Nº : SEXO M F
DATA NASCIMENTO: ./ /.
ENDEREÇO: Nº . APTO: ..................
BAIRRO: CIDADE:......................................................................
CEP:
TELEFONE: DDD (............)......................................................................
2. RESPONSÁVEL LEGAL: .
NATUREZA (grau de parentesco, tutor, curador etc.):.
DOCUMENTO DE IDENTIDADE: SEXO: M F
DATA NASCIMENTO: ./ /
ENDEREÇO: Nº:……… APTO:…………….
BAIRRO: CIDADE: ……………………………………………...
CEP:
TELEFONE: DDD (………)………………………………………………..
_______________________________________________________________________________________
II - DADOS SOBRE A PESQUISA
1. TÍTULO DO PROTOCOLO DE PESQUISA: “AVALIAÇÃO DAS CÉLULAS iNKT EM
PACIENTES COM ENDOMETRIOSE”
PESQUISADOR: MAURICIO SIMÕES ABRÃO
CARGO/FUNÇÃO: PROFESSOR DOUTOR - INSCRIÇÃO CONSELHO REGIONAL Nº
.CRM-SP: 52842
UNIDADE DO HCFMUSP: DEPARTAMENTO DE GINECOLOGIA
2. AVALIAÇÃO DO RISCO DA PESQUISA:
RISCO MÍNIMO RISCO MÉDIO
RISCO BAIXO RISCO MAIOR
3. DURAÇÃO DA PESQUISA: 03 ANOS
X
Anexos 94
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DA
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO-HCFMUSP
1 – A endometriose é uma doença ginecológica que acontece quando o tecido da parte
interna do útero (endométrio) se espalha em outros órgãos e regiões do abdômen, tais como:
ovário, intestino, bexiga e peritôneo. Essa doença pode causar dores intensas no abdômen,
principalmente cólicas no período menstrual, prejudicando muito a qualidade de vida das
mulheres portadoras de endometriose.
2 - A Senhora está sendo convidada a participar de uma pesquisa que tem como objetivo
verificar a presença de células que possam ser importantes na endometriose. A análise será
feita em uma pequena quantidade de líquido presente no abdome e em uma pequena
quantidade de sangue. Essas informações estão sendo fornecidas para sua participação
voluntária neste estudo.
3 – Neste estudo, não serão realizados procedimentos experimentais.
4 - Será realizado procedimento rotineiro de coleta de sangue venoso (30 ml) no antebraço
imediatamente antes do início do ato cirúrgico, esta coleta é igual à coleta de sa ngue para
exames laboratoriais comuns. A coleta do líquido peritoneal (líquido que se encontra livre no
interior do abdome) será realizada no início da cirurgia por meio de aspiração com seringa
conectada a uma cânula de aspiração. Não há necessidade de pu ncionar ou penetrar com a
cânula em qualquer órgão ou tecido para coleta do líquido peritoneal. A cirurgia é indicada
para diagnóstico e tratamento da endometriose. A cirurgia será realizada por
videolaparoscopia (cirurgia realizada por 3 a 4 pequenos orif ícios de 5mm a 10mm de
diâmetro) em que será feita uma avaliação minuciosa da cavidade e órgãos pélvicos e
abdominais e identificação das lesões de endometriose. Caso seja necessário pode haver
mudança no local e tamanho das incisões por necessidade técnic a da cirurgia. Os dados do
seu prontuário médico, referentes a esta internação, também serão consultados.
5 – Não se espera que haja qualquer efeito adverso adicional para a paciente, além do risco
mínimo da coleta de sangue (pequeno hematoma no local da p unção no antebraço) e dos
riscos da própria cirurgia, quando também será coletado o fluido peritoneal. A coleta do
liquido peritoneal não acrescenta risco adicional à realização da cirurgia.
6 – Não há benefício direto para o participante: Trata-se de estudo testando a hipótese de que
poderemos identificar células que possivelmente estejam envolvidas na progressão da
endometriose. Somente, ao final do estudo, poderemos concluir algum benefício para a
paciente, ou seja, conhecer melhor a doença e posteriorme nte contribuir para a escolha do
melhor tratamento.
7 – Não há procedimentos alternativos que possam ser vantajosos, pelos quais a paciente
possa optar.
8 – Em qualquer etapa do estudo, você terá acesso aos profissionais responsáveis pela
pesquisa para esc larecimentos de eventuais dúvidas. O principal investigador é o Dr.
Frederico José Silva Corrêa, que pode ser encontrado no endereço (Hospital das Clínicas –
Av. Dr. Enéas de Carvalho, 255 – Divisão de Clínica Ginecológica, 10° andar, sala 10.166 –
São Pau lo/SP, Tel.(11) 2661 -6647. Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre a
ética da pesquisa, entre em contato com o Comité de Ética em Pesquisa (CEP) – Rua Ovídio
Anexos 95
Pires de Campos, 225 – 5° andar, tel: (11) 2661 -6442, ramais 16, 17, 18 ou 20. FAX: (11)
2661-6442 – ramal 26. E-mail:
[email protected]
9 – É garantida a liberdade da retirada de consentimento a qualquer momento e deixar de
participar do estudo, sem qualquer prejuízo à continuidade de seu tratamento na Instituição.
10 – As informações obtidas serão analisadas em conjunto com outras pacientes, não sendo
divulgada a identificação de nenhuma paciente.
11 – A paciente tem o direito de se manter atualizada sobre todos os resultados parciais da
pesquisa.
12 – Não há despesas pessoais par a o participante em qualquer fase do estudo, incluindo
exames e consultas. Também não há compensação financeira relacionada à sua participação.
13 – Os dados obtidos e o material coletado serão utilizados somente para o estudo em
questão.
Acredito ter sid o suficientemente informada a respeito das informações que li ou
que foram lidas para mim, descrevendo o estudo “AVALIAÇÃO DAS CÉLULAS iNKT EM
PACIENTES COM ENDOMETRIOSE”.
Ficaram claros para mim quais são os propósitos do estudo, os procedimentos a serem
realizados, seus desconfortos e riscos, as garantias de confidencialidade e de esclarecimentos
permanentes. Ficou claro, também, que minha participação é isenta de despesas e que tenho
garantia do acesso ao tratamento hospitalar quando necessário. Concord o, voluntariamente,
em participar deste estudo e poderei retirar o meu consentimento a qualquer momento, antes
ou durante o desenvolvimento deste, sem penalidades ou prejuízo ou perda de qualquer
benefício que eu possa ter adquirido, ou no meu atendimento neste Serviço.
__________________________________ Data: ____/____/____
Assinatura do paciente/representante legal
______________________________________ Data: ____/____/____
Assinatura da testemunha
(para casos de pacientes menores de 18 anos, analfabet os, semianalfabetos ou portadores de
deficiência auditiva ou visual)
Declaro que obtive, de forma apropriada e voluntária, o Consentimento Livre e Esclarecido
desta paciente ou representante legal para a participação neste estudo.
__________________________________ Data: ____/____/____
Assinatura do responsável pelo estudo
Dr. Frederico José Silva Corrêa
Anexos 96
Anexo 3 - Termo de consentimento livre e esclarecido para pacientes sem
endometriose.
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DA
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO-HCFMUSP
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
___________________________________________________________________________________
I - DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO DA PESQUISA OU RESPONSÁVEL
LEGAL
1. NOME:
DOCUMENTO DE IDENTIDADE Nº : SEXO M F
DATA NASCIMENTO: ./ /.
ENDEREÇO: Nº . APTO: ..................
BAIRRO: CIDADE:......................................................................
CEP:
TELEFONE: DDD (............)......................................................................
2. RESPONSÁVEL LEGAL: .
NATUREZA (grau de parentesco, tutor, curador etc.):.
DOCUMENTO DE IDENTIDADE: SEXO: M F
DATA NASCIMENTO: ./ /
ENDEREÇO: Nº:……… APTO:…………….
BAIRRO: CIDADE: …………………………………………………...
CEP:
TELEFONE: DDD (………)………………………………………………..
_______________________________________________________________________________________
II - DADOS SOBRE A PESQUISA
1. TÍTULO DO PROTOCOLO DE PESQUISA: “AVALIAÇÃO DAS CÉLULAS iNKT
EM PACIENTES COM ENDOMETRIOSE”
PESQUISADOR: MAURÍCIO SIMÕES ABRÃO
CARGO/FUNÇÃO: PROFESSOR DOUTOR INSCRIÇÃO CONSELHO REGIONAL Nº
.CRM-SP: 52842
UNIDADE DO HCFMUSP: DEPARTAMENTO DE GINECOLOGIA
2. AVALIAÇÃO DO RISCO DA PESQUISA:
RISCO MÍNIMO RISCO MÉDIO
RISCO BAIXO RISCO MAIOR
3. DURAÇÃO DA PESQUISA: 03 ANOS
X
Anexos 97
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DA
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO-HCFMUSP
1 – A endometriose é uma doença ginecológica que acontece quando o tecido da parte
interna do útero (endométrio) se espalha em outros órgãos e regiões do abdômen, tais como:
ovário, intestino, bexiga e peritôneo. Essa doença pode causar dores intensa s no abdômen,
principalmente cólicas no período menstrual, prejudicando muito a qualidade de vida das
mulheres portadoras de endometriose.
2 - A Senhora está sendo convidada a participar de uma pesquisa que tem como objetivo
verificar a presença de célula s que possam ser importantes na endometriose. A análise será
feita em uma pequena quantidade de líquido presente no abdome e em uma pequena
quantidade de sangue. Essas informações estão sendo fornecidas para sua participação
voluntária neste estudo.
3 – Neste estudo, não serão realizados procedimentos experimentais.
4 - Será realizado procedimento rotineiro de coleta de sangue venoso (30 ml) no antebraço
imediatamente antes do início do ato cirúrgico, esta coleta é igual à coleta de sangue para
exames laboratoriais comuns. A coleta do líquido peritoneal (líquido que se encontra livre no
interior do abdome) será realizada no início da cirurgia por meio de aspiração com seringa
conectada a uma cânula de aspiração. Não há necessidade de puncionar ou penetrar c om a
cânula em qualquer órgão ou tecido para coleta do líquido peritoneal. A cirurgia é indicada
para laqueadura tubária bilateral (ligadura das trompas) A cirurgia será realizada por
videolaparoscopia (cirurgia realizada por 3 a 4 pequenos orifícios de 5 mm a 10mm de
diâmetro) em que será feita uma avaliação minuciosa da cavidade e órgãos pélvicos e
abdominais e identificação de possíveis lesões e ligadura das trompas. Caso seja necessário
pode haver mudança no local e tamanho das incisões por necessidade técnica da cirurgia. Os
dados do seu prontuário médico, referentes a esta internação, também serão consultados.
5 – Não se espera que haja qualquer efeito adverso adicional para a paciente, além do risco
mínimo da coleta de sangue (pequeno hematoma no loca l da punção no antebraço) e dos
riscos da própria cirurgia, quando também será coletado o fluido peritoneal. A coleta do
liquido peritoneal não acrescenta risco adicional à realização da cirurgia.
6 – Não há benefício direto para o participante: Trata-se de estudo testando a hipótese de que
poderemos identificar células que possivelmente estejam envolvidas na progressão da
endometriose. Somente no final do estudo poderemos concluir algum benefício para a
paciente, ou seja, conhecer melhor a doença e posteri ormente contribuir para a escolha do
melhor tratamento.
7 – Não há procedimentos alternativos que possam ser vantajosos, pelos quais a paciente
possa optar.
8 – Em qualquer etapa do estudo, você terá acesso aos profissionais responsáveis pela
pesquisa para esclarecimentos de eventuais dúvidas. O principal investigador é o Dr.
Frederico José Silva Corrêa, que pode ser encontrado no endereço (Hospital das Clínicas –
Av. Dr. Enéas de Carvalho, 255 – Divisão de Clínica Ginecológica, 10° andar, sala 10.166 –
São Paulo/SP, Tel.(11) 2661 -6647. Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre a
ética da pesquisa, entre em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) – Rua Ovídio
Anexos 98
Pires de Campos, 225 – 5° andar, tel: (11) 2661 -6442, ramais 16, 17, 18 ou 20. FAX: (11)
2661-6442 – ramal 26. E-mail:
[email protected]
9 – É garantida a liberdade da retirada de consentimento a qualquer momento e deixar de
participar do estudo, sem qualquer prejuízo à continuidade de seu tratamento na Instituição.
10 – As informações obtidas serão analisadas em conjunto com outras pacientes, não sendo
divulgada a identificação de nenhuma paciente.
11 – A paciente tem o direito de se manter atualizada sobre todos os resultados parciais da
pesquisa.
12 – Não há despesas pessoais para o participante em qualquer fase do estudo, incluindo
exames e consultas. Também não há compensação financeira relacionada à sua participação.
13 – Os dados obtidos e o material coletado serão utilizados somente para o estudo em
questão.
Acredito ter sido suficientemente informada a respeito das informações que li ou
que foram lidas para mim, descrevendo o estudo “AVALIAÇÃO DAS CÉLULAS iNKT EM
PACIENTES COM ENDOMETRIOSE”.
Ficaram claros para mim quais são os propósitos do estudo, os procedimentos a se rem
realizados, seus desconfortos e riscos, as garantias de confidencialidade e de esclarecimentos
permanentes. Ficou claro também que minha participação é isenta de despesas e que tenho
garantia do acesso a tratamento hospitalar quando necessário. Concord o, voluntariamente,
em participar deste estudo e poderei retirar o meu consentimento a qualquer momento, antes
ou durante o mesmo, sem penalidades ou prejuízo ou perda de qualquer benefício que eu
possa ter adquirido, ou no meu atendimento neste Serviço.
__________________________________ Data: ____/____/____
Assinatura do paciente/representante legal
______________________________________ Data: ____/____/____
Assinatura da testemunha
(Para casos de pacientes menores de 18 anos, analfabetos, semianalfa betos ou portadores de
deficiência auditiva ou visual.)
Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e Esclarecido
desta paciente ou representante legal para a participação neste estudo.
__________________________________ Data: ____/____/____
Assinatura do responsável pelo estudo
Dr. Frederico José Silva Corrêa
Anexos 99
Anexo 4 - Escala Visual Analógica (EVA)
Anexos 100
Anexo 5 - Tabela com a d escrição e comparação das médias das
frequências das células iNKT e subtipos avaliados, no sangue periférico ,
segundo grupos de pacientes com endometriose profunda infiltrativa e sem
endometriose e resultado da comparação entre os grupos . Resultados com
média e desvio padrão.
Grupo
Variável Controle Endometriose p
(N = 26) (N = 47)
iNKT 0,23 ± 0,25 0,17 ± 0,55 0,010
iNKT CD4+ 32,2 ± 21 37 ± 27,4 0,673
iNKT CD4+/CCR7 31,6 ± 31 35,6 ± 30,6 0,439
iNKT CD4+/CD25 25,8 ± 18,5 33,5 ± 23,1 0,168
iNKT DN 48,2 ± 21,4 34,6 ± 24,5 0,020
iNKT DN/CCR7 6,76 ± 14,08 11,18 ± 15,87 0,801
iNKT DN/CD25 33,8 ± 29,8 39,7 ± 31,8 0,416
iNKT CD4+/IL6 5,55 ± 5,71 1,37 ± 1,94 0,081
iNKT CD4+/IL10 3,08 ± 2,26 4,36 ± 5,51 0,856
iNKT CD4+/IL17 13 ± 4 8,7 ± 5,5 0,160
iNKT CD8+/IL6 6,37 ± 5,8 3,44 ± 4,25 0,196
iNKT CD8+/IL10 3,81 ± 2,91 4,53 ± 3,88 0,881
iNKT CD8+/IL17 9,11 ± 4,65 10,99 ± 14,18 0,455
iNKT DN/IL6 1,99 ± 2,57 0,74 ± 1,12 0,127
iNKT DN/IL10 0,35 ± 0,39 0,44 ± 0,88 0,356
iNKT DN/IL17 11,5 ± 5 7,8 ± 4,2 0,050
Teste Mann-Whitney
Anexos 101
Anexo 6 - Tabela com a descrição e comparação das médias d as
frequências das células iNKT e subtipos avaliados, no sangue periférico, em
pacientes com endometriose profunda infiltrativa e sintoma de dismenorréia
de intensidade pela EVA < 7 ou ≥ 7. Resultados em média e desvio padrão.
Dismenorréia
Variável < 7 ≥ 7 p
(N = 17) (N = 30)
iNKT 0,08 ± 0,1 0,23 ± 0,69 0,538
iNKT CD4+ 38,4 ± 23,6 36,1 ± 29,8 0,613
iNKT CD4+/CCR7 51 ± 21,7 26,9 ± 31,8 0,022
iNKT CD4+/CD25 31,2 ± 21,7 34,9 ± 24,3 0,547
iNKT DN 27,5 ± 23,7 39,3 ± 24,3 0,098
iNKT DN/CCR7 12,67 ± 15,57 10,27 ± 16,28 0,330
iNKT DN/CD25 48,1 ± 28,5 35 ± 33,1 0,193
iNKT CD4+/IL6 1 ± 1,17 1,61 ± 2,4 >0,999
iNKT CD4+/IL10 3,21 ± 2,67 5,02 ± 6,76 0,925
iNKT CD4+/IL17 4,3 ± 4 11,1 ± 4,7 0,038
iNKT CD8+/IL6 3,87 ± 5,19 3,2 ± 3,97 0,835
iNKT CD8+/IL10 5,64 ± 4,5 3,91 ± 3,63 0,461
iNKT CD8+/IL17 14,11 ± 22,78 9,26 ± 7,61 0,593
iNKT DN/IL6 0,65 ± 0,92 0,77 ± 1,25 0,867
iNKT DN/IL10 0,2 ± 0,41 0,55 ± 1,03 0,706
iNKT DN/IL17 5,4 ± 4,2 8,9 ± 4 0,246
Teste Mann-Whitney
Anexos 102
Anexo 7 - Tabela com a desc rição e comparação das médias das
frequências das células iNKT e subtipos avaliados, no sangue periférico, em
pacientes com endometriose profunda infiltrativa e sintoma de dor pélvica
acíclica de intensidade pela EVA < 7 ou ≥ 7. Resultados em média e desvio
padrão.
Dor pélvica aciclica
Variável < 7 ≥ 7 p
(N = 38) (N = 9)
iNKT 0,19 ± 0,6 0,08 ± 0,09 0,593
iNKT CD4+ 36,8 ± 27,1 38,2 ± 31,7 0,958
iNKT CD4+/CCR7 34,4 ± 30,1 42,2 ± 35,1 0,635
iNKT CD4+/CD25 32,4 ± 23,4 39,5 ± 22,9 0,493
iNKT DN 34,4 ± 25,1 36,2 ± 22,4 0,851
iNKT DN/CCR7 11,81 ± 16,94 8,07 ± 9,01 >0,999
iNKT DN/CD25 39,7 ± 31,8 39,9 ± 34,8 0,894
iNKT CD4+/IL6 0,74 ± 1,02 3,89 ± 3,25 0,267
iNKT CD4+/IL10 4,8 ± 6,5 3,18 ± 1,13 0,921
iNKT CD4+/IL17 7 ± 5,2 13,1 ± 3,9 0,048
iNKT CD8+/IL6 3,72 ± 4,83 2,73 ± 2,76 0,945
iNKT CD8+/IL10 5,2 ± 4,24 2,84 ± 2,44 0,454
iNKT CD8+/IL17 13,27 ± 16,36 5,31 ± 2,92 0,539
iNKT DN/IL6 0,93 ± 1,3 0,31 ± 0,35 0,710
iNKT DN/IL10 0,34 ± 0,77 0,67 ± 1,18 0,503
iNKT DN/IL17 8,3 ± 5 6,7 ± 1,3 0,503
Teste Mann-Whitney
Anexos 103
Anexo 8 - Tabela com a descrição e comparação das médias das
frequências das células iNKT e subtipos avaliados, no sangue periférico, em
pacientes com endometriose profunda infiltrativa e sintoma de dispareunia
de intensidade pela EVA < 7 ou ≥ 7. Resultados em média e desvio padrão.
Dispareunia
Variável < 7 ≥ 7 p
(N = 37) (N = 10)
iNKT 0,21 ± 0,61 0,05 ± 0,07 0,111
iNKT CD4+ 38 ± 27,2 32,7 ± 29,5 0,582
iNKT CD4+/CCR7 39,2 ± 31,4 21,7 ± 23,7 0,209
iNKT CD4+/CD25 33,5 ± 23,7 33,5 ± 22,2 0,960
iNKT DN 34,4 ± 25,1 35,7 ± 23,4 0,702
iNKT DN/CCR7 13,4 ± 17,09 3,05 ± 5,22 0,092
iNKT DN/CD25 42,4 ± 32,2 29,1 ± 29,7 0,311
iNKT CD4+/IL6 1,32 ± 2,05 1,79 ± 0 0,800
iNKT CD4+/IL10 4,71 ± 6,1 2,8 ± 0,16 0,909
iNKT CD4+/IL17 8,1 ± 5 11 ± 9,2 0,582
iNKT CD8+/IL6 3,25 ± 4,26 3,92 ± 4,86 >0,999
iNKT CD8+/IL10 5 ± 4,25 3,34 ± 2,93 0,454
iNKT CD8+/IL17 11,05 ± 16,09 10,86 ± 9,76 0,635
iNKT DN/IL6 0,96 ± 1,2 0 ± 0 0,161
iNKT DN/IL10 0,33 ± 0,73 0,81 ± 1,41 0,811
iNKT DN/IL17 7,6 ± 4,3 8,6 ± 4,6 0,811
Teste Mann-Whitney
Anexos 104
Anexo 9 - Tabela com a descrição e comparação das médias das
frequências das células iNKT e subtipos avaliados, no sangue periférico, em
pacientes com endometriose profunda infiltrativa e sintoma de alteração
intestinal cíclica de intensidade pela EVA < 7 ou ≥ 7. Resultados em média e
desvio padrão.
Alteração intestinal cíclica
Variável < 7 ≥ 7 p
(N = 40) (N = 7)
iNKT 0,18 ± 0,59 0,11 ± 0,1 0,701
iNKT CD4+ 34 ± 26,3 55 ± 29 0,081
iNKT CD4+/CCR7 37,6 ± 31,7 24,7 ± 22,8 0,293
iNKT CD4+/CD25 34,6 ± 23,5 27,4 ± 21,6 0,363
iNKT DN 36,9 ± 24,3 20,6 ± 22,4 0,171
iNKT DN/CCR7 12,36 ± 16,7 4,12 ± 6,5 0,297
iNKT DN/CD25 41,7 ± 32,2 28,4 ± 29,5 0,370
iNKT CD4+/IL6 0,59 ± 1,01 3,19 ± 2,6 0,183
iNKT CD4+/IL10 4,83 ± 6,49 3,11 ± 1,16 >0,999
iNKT CD4+/IL17 8,6 ± 6,2 8,7 ± 3,7 0,630
iNKT CD8+/IL6 2,99 ± 4,27 5,09 ± 4,63 0,291
iNKT CD8+/IL10 5,03 ± 4,17 2,67 ± 2,06 0,555
iNKT CD8+/IL17 12,83 ± 15,62 4,26 ± 0,65 0,555
iNKT DN/IL6 0,83 ± 1,26 0,41 ± 0,36 >0,999
iNKT DN/IL10 0,55 ± 0,98 0,08 ± 0,15 0,937
iNKT DN/IL17 7,9 ± 4,8 7,3 ± 0,4 0,811
Teste Mann-Whitney
Anexos 105
Anexo 10 - Tabela com a descrição e comparação das médias das
frequências das células iNKT e subtipos avaliados, no sangue periférico, em
pacientes com endometriose profunda infiltrativa e sint oma de alteração
urinária cíclica de intensidade pela EVA < 7 ou ≥ 7. Resultados em média e
desvio padrão.
Alteração urinária cíclica
Variável < 7 ≥ 7 p
(N = 46) (N = 1)
iNKT 0,18 ± 0,55 0,03 ± 0 0,591
iNKT CD4+ 36,7 ± 27,6 50 ± 0 0,714
iNKT CD4+/CCR7 34,5 ± 30,2 77,5 ± 0 0,154
iNKT CD4+/CD25 32,8 ± 23 60 ± 0 0,200
iNKT DN 34,4 ± 24,7 45 ± 0 0,698
iNKT DN/CCR7 10,27 ± 14,91 48,6 ± 0 0,143
iNKT DN/CD25 39,1 ± 32 62,5 ± 0 0,615
iNKT CD4+/IL6 1,31 ± 2,05 1,89 ± 0 0,600
iNKT CD4+/IL10 4,42 ± 5,81 3,77 ± 0 0,727
iNKT CD4+/IL17 9,1 ± 5,5 3,8 ± 0 0,545
iNKT CD8+/IL6 3,7 ± 4,31 0 ± 0 0,429
iNKT CD8+/IL10 4,14 ± 3,75 9,52 ± 0 0,286
iNKT CD8+/IL17 11,11 ± 14,76 9,52 ± 0 0,857
iNKT DN/IL6 0,61 ± 1,07 2,27 ± 0 0,308
iNKT DN/IL10 0,29 ± 0,72 2,27 ± 0 0,308
iNKT DN/IL17 7,3 ± 4 13,6 ± 0 0,462
Teste Mann-Whitney
Anexos 106
Anexo 11 - Tabela com a descrição e comparação das médias das
frequências das células iNKT e subtipos avaliados, no sangue periférico, em
pacientes com endometriose profunda infiltrativa estádio I/II ou III/IV .
Resultados em média e desvio padrão.
Estadio
Variável I/II III/IV p
(N = 11) (N = 33)
iNKT 0,08 ± 0,1 0,21 ± 0,63 0,574
iNKT CD4+ 32,2 ± 24,9 38,4 ± 28,3 0,652
iNKT CD4+/CCR7 39,1 ± 26 34,4 ± 32,4 0,716
iNKT CD4+/CD25 37,3 ± 15,9 32,2 ± 25,2 0,770
iNKT DN 41,8 ± 21 32,2 ± 25,4 0,146
iNKT DN/CCR7 15,7 ± 16,61 9,58 ± 15,56 0,081
iNKT DN/CD25 44,8 ± 26 37,7 ± 34 0,842
iNKT CD4+/IL6 0 ± 0 1,52 ± 1,99 0,600
iNKT CD4+/IL10 6,45 ± 0 4,15 ± 5,76 0,364
iNKT CD4+/IL17 3,2 ± 0 9,2 ± 5,4 0,364
iNKT CD8+/IL6 9,09 ± 0 3 ± 4,09 0,429
iNKT CD8+/IL10 9,09 ± 0 4,17 ± 3,8 0,429
iNKT CD8+/IL17 54,5 ± 0 7,65 ± 6,93 0,143
iNKT DN/IL6
0,74 ± 1,12
iNKT DN/IL10
0,44 ± 0,88
iNKT DN/IL17 7,8 ± 4,2
Teste Mann-Whitney
Anexos 107
Anexo 12 - Dados clinicos de 47 pacientes com endometriose profunda
N° Idade Raça IMC DM DPA DP AIC AUC Infertilidade Estadio Fase ciclo
1 28 Branca 19,8 6 6 0 4 0 Sim III/IV Secretora
2 21 Branca 23,2 8 2 6 5 0 Sim III/IV Proliferativa
3 31 Branca 21,8 5 0 0 0 0 Sim III/IV Secretora
4 41 Branca 21,9 3 0 2 0 0 Sim I/II Secretora
5 41 Branca 19,6 9 0 7 9 0 Não III/IV Proliferativa
6 34 Parda 22,3 9 4 0 0 0 Sim I/II Secretora
7 33 Amarela 23,1 5 0 0 0 0 Não tentou III/IV Secretora
8 31 Branca 18,6 0 0 8 7 0 Sim III/IV Secretora
9 40 Branca 21,3 9 6 7 5 0 Sim III/IV Secretora
10 35 Branca 27,5 7 7 0 0 0 Sim III/IV Secretora
11 27 Branca 19,1 9 8 5 0 0 Não tentou III/IV Proliferativa
12 49 Branca 19,4 0 0 1 0 0 Não III/IV Proliferativa
13 36 Branca 24,3 7 0 0 4 0 Não tentou III/IV Proliferativa
14 36 Branca 21,1 0 0 0 0 0 Não tentou I/II Secretora
15 34 Branca 18,4 9 0 6 0 0 Não III/IV Secretora
16 32 Branca 23,8 8 0 0 0 0 Sim III/IV Secretora
17 35 Branca 21,9 0 0 0 0 0 Não III/IV Secretora
18 30 Branca 20,7 9 0 4 0 8 Sim III/IV Proliferativa
19 30 Branca 19,8 9 6 10 9 0 Não III/IV Proliferativa
20 38 Branca 17,9 0 0 0 0 0 Sim III/IV Secretora
21 47 Branca 22,0 7 8 7 0 0 Não tentou III/IV Secretora
22 29 Branca 22,1 7 0 5 0 0 Sim III/IV Secretora
23 39 Branca 20,8 8 5 4 0 4 Sim III/IV Proliferativa
24 35 Branca 20,6 9 9 9 0 0 Sim III/IV Secretora
25 30 Branca 22,2 9 0 0 10 0 Não tentou III/IV Proliferativa
26 35 Branca 24,2 10 7 0 6 5 Não tentou III/IV Secretora
27 25 Negra 17,7 8 6 7 0 0 Sim I/II Secretora
28 30 Branca 20,7 8 5 7 0 0 Sim III/IV Proliferativa
29 37 Branca 23,2 10 0 0 0 0 Não tentou III/IV Proliferativa
30 43 Branca 25,2 8 0 7 9 0 Sim I/II Secretora
31 29 Branca 20,3 5 0 0 0 0 Sim I/II Proliferativa
32 37 Negra 20,2 8 0 0 0 0 Sim III/IV Secretora
33 37 Branca 25,1 1 0 0 0 0 Não III/IV Secretora
34 37 Branca 27,2 10 0 0 3 0 Não tentou I/II Secretora
35 36 Branca 23,1 9 0 2 0 0 Não tentou III/IV Secretora
36 27 Branca 25,8 8 0 0 0 0 Não tentou I/II Proliferativa
37 28 Branca 18,2 4 2 0 0 0 Não tentou I/II Secretora
38 45 Branca 33,3 5 0 0 0 0 Não III/IV Proliferativa
39 45 Branca 26,1 5 0 5 0 0 Sim I/II Secretora
40 27 Branca 22,6 7 10 0 0 0 Não III/IV Secretora
41 30 Branca 23,9 3 0 2 0 0 Sim I/II Secretora
42 36 Amarela 22,0 8 7 0 7 0 Não tentou III/IV Secretora
43 38 Branca 23,2 6 3 0 0 0 Não III/IV Secretora
44 32 Branca 21,9 0 0 0 0 0 Sim III/IV Secretora
45 21 Branca 20,9 10 8 0 7 0 Sim III/IV Secretora
46 37 Branca 32,4 10 10 10 0 0 Sim III/IV Secretora
47 39 Branca 25,4 8 0 3 0 0 Sim III/IV Proliferativa
Anexos 108
Anexo 13 - Dados clinicos de 26 pacientes com endometriose profunda
N° Idade Raça IMC DM DPA DP AIC AUC Infertilidade Fase ciclo
1 31 Branca 26,1 0 0 0 0 0 Não Proliferativa
2 34 Negra 20,4 0 0 0 0 0 Não Secretora
3 39 Parda 24,2 0 0 0 0 0 Não Proliferativa
4 35 Parda 19,4 0 0 0 0 0 Não Proliferativa
5 30 Branca 20,7 0 0 0 0 0 Não Proliferativa
6 25 Parda 24,6 0 0 0 0 0 Não Proliferativa
7 31 Branca 25,1 0 0 0 0 0 Não Secretora
8 35 Parda 26,1 0 0 0 0 0 Não Proliferativa
9 43 Branca 23,0 6 8 8 0 0 Não Secretora
10 43 Branca 22,3 7 5 0 0 0 Não Secretora
11 32 Branca 21,5 0 0 0 0 0 Não Proliferativa
12 36 Branca 26,8 0 0 0 0 0 Não Proliferativa
13 33 Parda 24,1 0 0 0 0 0 Não Proliferativa
14 35 Branca 23,6 0 0 0 0 0 Não Proliferativa
15 38 Parda 28,4 0 0 0 0 0 Não Proliferativa
16 37 Branca 25,7 0 0 0 0 0 Não Secretora
17 33 Branca 30,8 0 0 0 0 0 Não Secretora
18 36 Parda 23,6 0 0 0 0 0 Não Secretora
19 33 Branca 21,6 0 0 0 0 0 Não Secretora
21 33 Parda 22,9 4 0 0 0 0 Não Secretora
22 34 Branca 20,3 0 0 0 0 0 Não Secretora
23 44 Branca 19,8 4 5 0 5 0 Não Secretora
24 27 Branca 21,7 10 0 0 0 0 Não Secretora
25 30 Parda 31,1 0 0 0 0 0 Não Proliferativa
26 32 Branca 26,4 2 0 0 0 0 Não Proliferativa
27 39 Branca 25,4 10 10 0 5 0 Não tentou Proliferativa
Anexos 109
Anexo 14 – Resultado das frequências das células iNKT e subtipos de 47 pacientes com endometriose profunda.
continua
N iNKT iNKT
CD4+
iNKT
CD4+/
CCR7
iNKT
CD4+/
CD25
iNKT DN
iNKT
DN/
CCR7
iNKT
DN/
CD25
iNKT
CD4+ /
IL6
iNKT
CD4+/
IL10
iNKT
CD4+/
IL17
iNKT
CD8+/
IL6
iNKT
CD8+/
IL10
iNKT
CD8+/
IL17
iNKT
DN/ IL6
iNKT
DN/ IL10
iNKT
DN/ IL17
1 0,083 16,2 67,7 0 0 0,00 0 0 8,33 1,96 0 9,8
2 0,002 100 0 50 66,7 0,00 100 3 0,000 40,9 41,3 17,63 28 0,00 28,6 0 0 0 0 11,1 0 0 0 0
4 0,102 60 55,6 27,5 37,7 6,90 34,5 5 0,039 73 44,6 40,3 1,38 0,00 66,7 6 0,036 16,7 0 0 50 0,00 0 7 0,012 44,4 75 0 0 0,00 8 0,000 53 13,6 0 0 0,00 0 1,79 2,680 4,46 10 5 5 0 0 7,14
9 0,049 40 0 0 54,3 0,00 0 0 0 25 0 0 13,8
10 0,038 52,9 79,7 70,3 45 23,80 66,7 0 0 7,14
11 0,034 67 66,7 50,3 14,9 14,30 85,7 12 0,035 55,1 68,4 54,3 28,6 20,00 80 13 0,031 30,3 55 44,6 22,5 22,20 66,7 14 0,034 71,3 45,4 32,1 5,5 23,50 58,8 0 6,450 3,23 9,09 9,09 54,5 15 0,160 60,3 0 18,2 18,2 0,00 0 16 0,109 10,6 0 0 81,2 44,90 68,1 0 20,000 10 7,14 7,14 0 0 0 8,47
17 0,036 81,1 0 16,2 16,2 0,00 0 18 0,033 50 77,5 60 45 48,60 62,5 1,89 3,770 3,77 0 9,52 9,52 2,27 2,27 13,6
19 0,190 18,4 0 40,3 40,3 0,00 6,9 20 0,303 12,7 48,6 68,3 69 10,00 68,3 2,22 3,7 9,63 0,274 3,01 2,74 0,649 0,812 4,71
21 0,000 0,00 2,91 17,5 0 6,45 9,68 0 2,44 4,88
22 0,094 46,6 83,5 57,7 28,4 55,90 54,2 23 0,047 13,3 73,3 24 0,017 0 0 30 60 0,00 0 25 0,159 93,6 0 0 0 0,00 0
Anexos 110
Anexo 14 – Resultado das frequências das células iNKT e subtipos de 47 pacientes com endometriose profunda (conclusão).
N iNKT iNKT
CD4+
iNKT
CD4+/
CCR7
iNKT
CD4+/
CD25
iNKT
DN
iNKT
DN/
CCR7
iNKT
DN/
CD25
iNKT
CD4+ /
IL6
iNKT
CD4+/
IL10
iNKT
CD4+/
IL17
iNKT
CD8+/
IL6
iNKT
CD8+/
IL10
iNKT
CD8+/
IL17
iNKT
DN/
IL6
iNKT
DN/
IL10
iNKT
DN/
IL17
26 0,040 76 0 2,38 4,76 0,00 0 27 0,000 0 11,2 53,3 30,6 8,89 53,3 28 0,174 10,1 53,8 55,9 52,3 4,27 55,9 29 0,061 0 0 8,35 16,7 0,00 0 0 0,000 8,57 0 0 13,3 0 0 3,23
30 0,017 66,7 50 48,3 46,7 14,30 50 31 0,020 24,3 72,2 42,1 29,7 9,09 54,5 32 0,851 28,2 0 5,56 5,56 0,00 0 33 0,000 0 42,4 28,6 12,50 56,2 34 0,030 14,8 0 31,8 61,5 0,00 0 35 3,610 6,09 0 81,7 81,7 0,00 2,25 36 0,096 29,9 44,8 39 29 11,50 49 37 0,062 76,9 60,00 87,5 38 0,070 17 65,6 47,8 15,6 0,00 80 39 0,349 11,8 49 54,1 66,9 15,40 41,3 40 0,151 8,18 66,7 48,4 56,8 8,00 40 41 0,104 26,9 63,1 44,45 24,8 23,10 64,1 42 0,247 25 39,8 35,5 35,5 10,40 47 6,19 4,420 11,5 4,46 1,91 3,82 0,585 0 7,02
43 0,111 44,7 48,7 20,8 20,8 22,20 19,4 44 0,042 55,6 18,5 45 1,59 2,220 10,2 0,795 1,1 3,95 0,642 0,253 7,77
46 5,66 1,89 3,77 47 0 1,820 16,4 10,7 7,14 14,3 3,45 0 13,8
Anexos 111
Anexo 15 – Resultado das frequências das células iNKT e subtipos de 26 pacientes sem endometriose profunda
N iNKT iNKT
CD4+
iNKT
CD4+/CCR
7
iNKT
CD4+/
CD25
iNKT
DN
iNKT
DN/
CCR7
iNKT
DN/
CD25
iNKT
CD4+
/IL6
iNKT
CD4+/
IL10
iNKT
CD4+/
IL17
iNKT
CD8+/
IL6
iNKT
CD8+/
IL10
iNKT
CD8+/
IL17
iNKT
DN/
IL6
iNKT
DN/
IL10
iNKT
DN/
IL17
1 0,558 7,15 40,3 36,1 66,6 3,88 44 14,9 7,460 14,9 16,8 4,8 9,07 7,66 0,806 13,9
2 0,580 41,5 39,5 5,87 52,5 1,78 43,7 3 0,024 73,1 60,8 30,4 23,1 6,04 64 4 0,379 68,8 54,5 36,4 31,2 0,03 60 5 0,270 8,38 42,3 5,63 59,1 1,45 43,1 1,85 3,7 14,8 4,52 1,58 4,07 1,28 1,02 8,44
6 0,032 36,4 59,6 36 51,7 0,00 55,4 12 0 16 7,89 1,32 5,26 2,08 0 10,4
7 0,193 50 60 12 40 0,00 55 8 0,058 31,6 62,2 18,9 55,8 0,00 48 9 0,620 25,2 0 37,1 62,6 0,15 0 10 0,382 69,6 0 41,5 26,7 0,10 0 11 0,098 19,5 0 36 73,4 0,25 0 12 0,053 20,7 0 0 31 0,08 0 13 0,039 43,5 0 0 52,2 0,00 0 14 0,507 11,3 0 58,6 87,5 0,50 0 15 0,100 14,7 40 26 57,4 1,30 46,2 16 0,101 44,4 0 0 38,9 0,01 0 4,83 1,93 16,9 10,2 2,82 9,6 0,608 0,304 14
17 0,061 0 0 0 0,02 0 18 0,306 38,2 0 28 54,5 0,02 0 19 0,938 28,6 34 23,2 63,2 1,61 34 1,13 2,71 6,55 1,27 2,53 12 0,477 0,191 8,11
20 0,052 0 0 0 0 0,09 0 21 0,303 26,9 57,1 28,5 69,2 0,01 66,7 22 0,034 66,2 34,00 72,3 3,57 0 21,4
23 0,013 21,1 92,3 57,7 53,7 45,50 68,2 24 31,7 0 3,01 8,27 0 3,85 6,15 0,258 0,517 5,17
25 0,063 62,6 83,1 49,3 31,3 36,60 69 4,17 2,78 13,9 3,92 9,8 17,6 0 0 10,2
26 0,066 30,6 58,3 35,70 76,2
112
8 Referências
Referências 113
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