Endometriosis; Quality of life; Anxiety; Depression; Pain.
RESUMEN
CANETE, A.C.S. Endometriosis: asociación entre la calidad de vida
relacionada con la salud y los síntomas de ansiedad, depresión y dolor.
2021. 88 p. Disertación (Maestría en Enf ermería en Salud Pública) - Facultad
de Enfermería de Ribeirão Preto de la Universidad de São Paulo, Ribeirão
Preto, 2021.
El objetivo del presente estudio fue evaluar la calidad de vida relacionada con la
salud (CVRS) de mujeres con endometriosis (EDM) e investigar si existe
asociación entre CVRS y variables sociodemográficas, antecedentes de salud,
ansiedad, depresión y dolor. Se trata de un estudio cuantitativo, transversal y
descriptivo y correlacional, realizado en un ambulatorio de ginecología y dolor
pélvico de un hospital público, ubicado en el interior de São Paulo. Participaron
35 mujeres. Para la recolección de datos se utilizaron los siguientes
instrumentos: Cuestionario de datos sociodemográficos y clínicos; Cuestionario
sobre el perfil de salud de la endometriosis (EHP -30); Escala Hospitalaria de
Ansiedad y Depresión -HADS; Escala numérica visual (EVN). Para evaluar la
asociación entre variables sociodemográficas y clínicas, utilizamos las pruebas
no paramétricas de Mann -Whitney y Kruskal-Wallis. Para evaluar la correlación
de la CVRS con síntomas de ansiedad y depresión, utilizamos el Test de
Correlación de Spearman. Para evaluar la asociación entre CVRS y dolor se
utilizó la prueba no paramétrica de Kruskal-Wallis. El nivel de significancia fue α
= 0.05. Hubo pérdidas en la CVRS (puntuación media = 68,9) y las pérdidas
medias más altas se produjeron en la sección sobre relaciones sexuales
(puntuación media = 68,2) y la sección sobre tratamiento (puntuación media =
64,2). No hubo asociación entre CVRS y variables sociodemográficas y
antecedentes de salud. Los participantes tenían síntomas de ansiedad y
depresión - media para la subescala de ansiedad = 9,2 puntos (DE = 4,9);
media para la subescala de depresión = 8,8 puntos (DE = 4,6). No hubo
asociación entre la CVRS y los síntomas de ansiedad (p = 0,064) (puntuación
media = 9,2). Hubo una asociación entre la CVRS y los síntomas de depresión
(p = 0,001) (puntuación media = 8,8). Hubo una asociación entre la CVRS y el
dolor (p = <0,001). Los hallazgo s de este estudio corroboran los datos de la
literatura, mostrando la EDM como una enfermedad crónica y debilitante que
interfiere negativamente con la calidad de vida de las mujeres que la padecen.
Ante la agudización de sus síntomas, requiere, además de una evaluación
exhaustiva de sus causas e impacto en el paciente, la implementación de
estrategias terapéuticas farmacológicas, quirúrgicas y psicológicas adecuadas.
Palabras llave: Endometriosis; Calidad de vida; Ansiedad; Depresión; Dolor.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 Fluxograma das mulheres que
responderam a pesquisa de forma online
..............33
Figura 2 Fluxograma da amostra final da pesquisa 34
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 Distribuição de mulheres atendidas no AGDP/HCFMRP-
USP segundo características pessoais e clínicas (n=35 ).
Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021
......41
Tabela 2 Medidas de tendência e estatísticas descritivas dos
questionários centrais e modulares EHP-30 das mulheres
atendidas no AGDP/HCFMRP -USP (n=35). Ribeirão
Preto, SP, Brasil, 2021
......43
Tabela 3 Escores totais do questionário central EHP-30 entre os
grupos das variáveis de características pessoais e
clínicas das mulheres atendidas no AGDP/HCFMRP-USP
(n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021
......44
Tabela 4 Medidas de tendência e estatísticas descritivas da escala
HADS das mulheres atendidas no AGDP/HCFMRP-USP
(n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021
......46
Tabela 5 Matriz de correlação de Spearman do escore global do
questionário central EHP-30 com a escala HADS (n=35).
Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021
......46
Tabela 6 Escores totais do questionário central EHP-30 entre o
grupo de variáveis da EVN (N=35), Ribeirão Preto, SP,
Brasil, 2021
......47
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
EDM
QV
QVRS
OMS
EHP-30
HADS
EVN
EVA
AGDP
HCFMRP
CEP
TCLE
Endometriose
Qualidade de vida
Qualidade de vida relacionada a saúde
Organização Mundial da Saúde
Endometriosis Health Profile Questionnaire
Hospital Anxiety and Depression Scale
Escala Visual Numérica
Escala Visual Analógica
Ambulatório de Ginecologia e Dor Pélvica
Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
Comitê de Ética em Pesquisa
Termo de Consentimento Livre Esclarecido
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 20
2 QUESTÃO DO ESTUDO .............................................................................. 28
3 OBJETIVO GERAL ....................................................................................... 31
3.1 Objetivos Especificos .................................................................................. 31
4 MÉTODO ...................................................................................................... 33
4.1 Delineamento do estudo ............................................................................. 33
4.2 Local do estudo ........................................................................................... 33
4.3 Participantes do estudo .............................................................................. 34
4.4 Aspectos Éticos .......................................................................................... 34
4.5 Coleta de dados .......................................................................................... 34
4.5.1 Procedimentos para coleta de dados ........................................................ 35
4.5.2 Instrumento para avaliação da QVRS ....................................................... 38
4.5.3 Instrumento para avaliação dos sintomas de ansiedade e depressão ...... 39
4.5.4 Instrumento para avaliação da intensidade de dor ................................... 40
4.6 Variáveis de estudo .................................................................................... 40
4.7 Análise de dados ........................................................................................ 41
5 RESULTADOS .............................................................................................. 43
5.1 Qualidade de vida relacionada à saúde de mulheres com diagnóstico de
EDM e associação com variáveis sociodemográficas e clínicas ....................... 43
5.2 Qualidade de vida relacionada à saúde de mulheres com diagnóstico de
endometriose e associação com sintomas de ansiedade e depressão ............. 49
5.3 Qualidade de vida de mulheres com diagnóstico de endometriose e
associação com a dor sentida ........................................................................... 50
6 DISCUSSÃO ................................................................................................. 52
7 CONCLUSÕES ............................................................................................. 64
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................... 66
9 LIMITAÇÕES DO ESTUDO .......................................................................... 69
REFERÊNCIAS ................................................................................................. 71
Apêndice 1 - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO ......... 82
Apêndice 2 - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (via
eletrônica).......................................................................................................... 83
Apêndice 3 - Formulário para coleta de dados no prontuário ............................ 84
Anexo A - Endometriosis Health Profile Questionnaire - EHP-30 ...................... 86
Anexo B - Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS) ............................... 90
ANEXO C - Escala Visual Numérica (EVN)....................................................... 91
19
Introdução
20
1 INTRODUÇÃO
A endometriose (EDM) é uma doença ginecológica , definida pelo
desenvolvimento e crescimento de estroma e glândulas endometriais fora da
cavidade uterina. É uma doença inflamatória crônica em mulheres em idade
reprodutiva, que pode causar dor e infertilidade (TANBO; FEDORCSAK, 2017).
Os atrasos no diagnóstico são comuns e podem levar a um declínio no potencial
reprodutivo e na fertilidade (PARASAR; OZCAN; TERRY, 2017).
Embora as estimativas da prevalência e incidência da EDM sejam
difíceis de calcular devido à ausência de um método diagnóstico não invasivo,
conclui-se que aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva
sofrem de EDM. No entan to, a prevalência pode ser subestimada devido à
dificuldade em realizar o diagnóstico (SHAFRIR et al., 2018).
Autores comentam que a EDM pode permanecer sem diagnóstico por 8-12
anos, uma v ez que o estágio da doença não se relaciona com a presença ou
gravidade dos sintomas (KIESEL; SOUROUNI, 2019). Outros relatam que uma
proporção de mulheres portadoras de EDM é assintomática (2 a 11%), no entanto,
na maioria das vezes apresentam sintomas significativos, sendo os principais: dor
pélvica crônica, infertilidade, dispareunia de profundidade e sintomas intestinais e
urinários cíclicos, como dor ou sangramento ao evacuar ou urinar, e dor durante o
período menstrual (MARQUI, 2014; ZONDERVAN; BECKER; MISSMER, 2020).
A EDM é uma d oença debilitante que impacta a qualidade de vida (QV)
de mulheres adultas e adolescentes (PARASAR; OZCAN; TERRY, 2017). Pelo
fato de se caracterizar como uma doença crônica, que nem sempre apresenta
remissão satisfatória dos sintomas e ainda levar à infertilidade, a EDM está
associada, além da morbidade física, a um impacto negativo no que se refere
às questões psicossociais, como depr essão, ansiedade, angústia, tristeza e
irritabilidade, com consequente diminuição da QV (MARQUI, 2014; MINSON et
al., 2012; STRATTON; BERKLEY, 2011).
Entendemos que a QV é fortemente influenciada por esta patologia, uma
vez que as mulheres podem apresentar dismenorreia e também dores pélvicas
crônicas. Isso pode afetar o trabalho, o lazer e as relações sociais e amorosas.
21
A dor relacionada à EDM também afeta o aspecto psicológico, comprometendo
a qualidade do sono, tornando a mulher ansiosa e deprimida.
Endometriose, Qualidade de Vida e Qualidade de Vida Relacionada à
Saúde
A Organização Mundial de Saúde (OMS) ( 1998) define QV como “a
percepção do indivíduo de sua ins erção na vida, no contexto da cultura e
sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos,
expectativas, padrões e preocupações”
Na conceituação de QV são identificadas duas tendências do termo na
área da saúde: um conceito mais genéri co e um relacionado à saúde, que
designa uma série de modelos conceituais, que definem o constructo através
de dimensões da vida e da percepção individual da saúde (CAMPOLINA et al.,
2011; LOTTI et al., 2008).
Desta forma, a QV pode se constituir em um indicador de saúde, tanto
no seu uso em novas terapias e medicamentos, quanto em análise de sua
qualidade, e para isso procuram -se maneiras para a validação de tais índices,
com base na avaliação do estado físico geral, capacidade funcional para o
trabalho, atividade doméstica, intera ção social no ambiente de trabalho e
familiar, função cognitiva em relação à concentração (memória) e , finalmente,
ao estado emocional dos pacientes , com respeito à ansiedade e depressão
(CAMPOLINA et al., 2011; LOTTI et al., 2008).
Qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) envo lve, de maneira
geral, a ideia da saúde e dos aspectos sociais, psicológicos e físicos sobre el a,
que incluem aqueles relacionados à saúde, mas excluem outros mais genéricos
como, por exemplo, ganho salarial, liberdade e qualidade do meio ambiente
(ZANNI; BIANCHIN; MARQUES, 2009).
De acordo com (COLWELL et al., 1998) o conceito de QVRS é
multidimensional e abarca aspectos psicossociais e físicos. Costuma ser
mensurada por meio de instrumentos que avaliam o paciente , levando em
conta os aspectos globais de sua vida, nos quais são questionados sobre os
sintomas mais recentes e o atual funcionamento físico, psicológico e social
(DETMAR, 2003; MENGARDA et al., 20 08). Nesse contexto, o uso de
questionários que medem QV (GAO et al., 2006), permite uma avaliação ampla,
22
que transcende os aspectos biológicos do indivíduo (DUBERNARD et al., 2008;
MINSON et al., 2012).
Segundo Mengarda et al., (2008), para avaliação de QVRS em mulheres
com EDM, dois instrumentos específicos estão disponibilizados: o
Endometriosis Health Profile Questionnaire (EHP-30) (ANEXO A), desenvolvido
por Jones et al. (2001), e que foi traduzido para o Português e validado por
Mengarda et al. (2008). O segundo é o Health-related Quality-of-life Instrument,
elaborado por Colwell et al. (1998). No entanto, somente o EHP -30 teve seus
itens gerados diretamente a partir de entrevistas com mulheres com EDM, além
de avaliar a QVRS (MENGARDA et al., 2008) , sendo então esco lhido e
utilizado para a coleta de dados do presente estudo.
Pesquisas já realizadas mostraram a aplicabilidade do EHP -30 para
avaliar a QVRS de mulheres com EDM. Este questionário foi utilizado em
estudo com 1686 mulheres norte-americanas com EDM, para avaliar melhorias
na QVRS delas, após uso de medicação ao longo de seis meses, e mostrou-se
adequado para atender ao objetivo proposto (TAYLOR et al., 2020) . Ainda
nesse sentido, estudo realizado com 61 mulheres com diagnóstico de EDM nos
Estados Unidos utilizou o EHP-30 para avaliar QVRS antes e após a rea lização
da cirurgia laparoscópica e também houve adequabilidade do instrumento para
atingir os resultados esperados (RINDOS; FULCHER; DONNELLAN, 2020).
Endometriose e Sintomas de ansiedade e depressão
Autores como Minson et al. (2012)e Marqui, (2014) relatam que como a
doença e a dor são crônicas, as mulheres com EDM apresentam redução da
QV, assim como de suas atividades, o que pode causar problemas
psicossociais, frustração e isolam ento (MATHIAS et al., 1996) . Além de
impacto econômico por redução ou perda de horas de trabalho, internações
hospitalares devido à dor (WEIR et al., 2005) e necessidade de cirurgia para
diagnóstico ou para avaliar recorrências (BUSACCA et al., 2006; MENGARDA
et al., 2008).
Dada a etiologia complexa da doença e a presença de aspectos
multidimensionais, uma parcela das mulheres submetidas a intervenções
medicamentosas e /ou cirúrgicas não apresenta remissão satisfatória dos
23
sintomas, permanecendo com dor, o que, em geral, contribui para a redução da
QV (MARQUI, 2014; MINSON et al., 2012; STRATTON; BERKLEY, 2011).
Di Donato et al. (2014), observaram associação entre depressão, tipo e
níveis de estresse, e intensidade da dor em mulheres com EDM, e confirmaram
a importância de se tratar a doença do ponto de vista psicossomático, uma vez
que seus sintomas afetam a mulher em níveis físicos e emocionais, de mo do
concomitante. Apontam que a EDM é uma doença de múltiplas facetas e
influencia na vida das mulheres em diversos níveis, devendo, portanto, ser
cuidada nesta mesma dimensão.
Outros autores norte-americanos afirmam que a s mulheres com
diagnóstico de EDM p odem apresentar maior risco de depressão e ansiedade
em relação àquelas sem diagnóstico da doença (ESTES et al., 2021). Além de
riscos mais elevados , quando esses sintomas são apresentados, os níveis de
depressão e ansiedade nessas mulheres são também mais elevado s do que
entre as saudáveis, como mostrou estudo israelense realizado com 247
mulheres, sendo 135 com diagnóstico de EDM e 112 sem a doença (ESTES et
al., 2021).
Esses dados demonstram a necessidade de se detectar esses sintomas ,
no sentido de atuar de alguma forma sobre eles e amenizar o sofrimento de
mulheres com EDM. Uma das fo rmas seria a utilização de instrumentos que
medem os níveis de ansiedade e depressão.
Em relação à avaliação de depressão e ansiedade, estudo por meio de
revisão, publicado recentemente, aponta que existem diversos instrumentos
descritos na literatura com essa finalidade , citando como importantes e
bastante utilizados a Escala de Ansiedade de Hamilton, o Inventário de
Ansiedade e Depressão de Beck, o Inventário de Ansiedade IDATE I e II e a
Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (Hospital Anxiety and Depression
Scale- HADS), (VANZELER, 2020).
Ainda segundo Vanzeler, (2020), a maioria das escalas que investigam
ansiedade e depressão foi criada para avaliar pacientes com transtornos
psiquiátricos. Já a HADS foi inicialmente construída para avaliar pacientes em
hospitais e clínicas não psiquiátricas , e em seguida começou a ser usada para
pacientes não internados e livres de transtornos psiquiátricos.
24
Estudo italiano realizado com 2121 pacientes adultos , internados com
câncer, utilizou a HADS para rastrear estado s de ansiedade e depressão. Os
resultados mostraram que a HADS foi satisfatória para este fim e, portan to,
pode ser aplicável na prática clínica (ANNUNZIATA et al., 2020).
Outro estudo realizado no Reino Unido , com 600 participantes, utilizou a
HADS para investigar dados referentes à ansiedade e depressão na população
em geral , de forma online, durante o período de distanciamento social em
razão da pandemia de COVID -19 e most rou que a escala HADS é bastante
adequada para tal propósito (WHITE; VAN DER BOOR, 2020).
Dessa forma, apesar de termos abordad o uma população de mulheres
com EDM, foi escolhid a a escala HADS (ZIGMOND; SNAITH, 1983) , em s ua
versão traduzida e validad a para o Português (BOTEGA et al., 1995) (ANEXO
B), para o presente estudo.
A HADS se apresenta com índice de consistência interna ideal para
instrumentos de triagem, sendo que o alfa de Cronbach para as subescalas de
ansiedade e depressão é de 0, 68 e 0,77, respectivamente (BOTEGA et al.,
1995).
Endometriose e intensidade de dor sentida
A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) define dor
como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a, ou
semelhante àquela associada a dano real ou potencial ao tecido (RAJA et al.,
2020). Já a dor crônica foi definida como dor persistente ou recorrente com
duração superior a 3 meses (TREEDE et al., 2015) . Devido a sua longa
duração, a dor crônica perde a função de manter a homeostase e de ser sinal
de alerta, causa comprometimento funcional, sofrimento, incapacidade
progressiva e custo socioeconômico (MARTINEZ et al., 2004).
Os problemas de dor crônica que envolvem o sistema reprodutivo
feminino são os principais problemas de saúde em mulheres de todas as
idades. Um exemplo é a do r pélvica crônica por função da EDM (LEEN et al.,
2018). Os mecanismos na origem da dor associada à EDM são múltiplos e
complexos (BORGHESE et al., 2018).
A dor associada à EDM está ligada a alteraç ões como redução da
inervação d o sistema nervoso simpático, aumento da inervação sensorial e
25
alterações nos marcadores inflamatórios no fluido peritoneal (COXON;
HORNE; VINCENT, 2018).
Apesar dos avanços recentes nos tratamentos que modificam a doença,
a dor continua sendo o sintoma mais importante para muitas mulheres com
EDM. O tratamento da dor associada à EDM requer , além de uma avaliação
detalhada de suas causas e impacto para a paciente, o fornecimento
coordenado de estratégias terapêuticas farmacológicas, cirúrgicas e
psicológicas (MOROTTI; VINCENT; BECKER, 2017).
Mulheres com diagnóstico de EDM apontam que sentem uma dor que
beira o insuportável, que pode ultrapassar qualquer mensuração e, em especial
destacam que somente é reconhecida e legitimada por quem a vivencia de fato
(BENTO; MOREIRA, 2018).
A avaliação da dor pode ser feita, inicialmente por meio da autoavaliação
e observação clínica , mas existem os instrumentos de mensuração, como as
escalas, que funcionam como medida complementar. Atualmente , há uma
grande variedade de instr umentos de mensuração, podendo ser
unidimensionais (mensuram uma única dimensão ou domínio) ou
multidimensionais (mensuram diferentes dimensões ou domínios) (BARBOSA
et al., 2020).
Revisão realizada em 2019 , sobre as principais escalas de mensuração
da dor do paciente oncológico, mostrou que as mais utilizadas pelo profissional
de enfermagem são a Escala Visual Analógica (EVA) e a Escala Vi sual
Numérica (EVN) , por serem objetivas e consideradas uma forma mais rápida
de indicação da dor (OLIVEIRA; ROQUE; MAIA, 2019).
A escala visual numérica (EVN) (ANEXO C) é um instrumento
unidimensional, graduada de zero a dez, em que zero significa “ausência de
dor” e dez, “pior dor imaginável” ; é um instrumento de fácil aplicação e de
entendimento da forma sobre como ser utilizado (HERRERO et al., 2018).
Estudo brasileiro , realizado recentemente, com 51 crianças , utilizou a
EVN para avaliar a dor no pós -operatório de cirurgia ortopédica. A conclusão
foi que a escala EVN mostra consistência para avaliar a intensidade da dor
(FORNELLI et al., 2019).
26
Dessa forma, utilizamos a EVN, considerando que ela cumpriria a função
de mensurar adequadamente e de forma objetiva, a intensidade de dor sentida,
relacionada à EDM, relatada pelas participantes da presente pesquisa.
27
Questão do estudo
28
2 QUESTÃO DO ESTUDO
Diante do exposto, e considerando a proposta deste estudo, de avaliar a
QVRS de mulheres com diagnóstico de EDM e explorar as associações desse
constructo com variáveis sociodemográficas e clínicas, com os sintomas de
ansiedade e depressão, e dor, pretendemos responder as seguintes questões:
1) Como se apresenta a QVRS de mulheres com diagnóstico de EDM?
2) Existe associação entre a QVRS de mulheres com diagnóstico de
EDM e variáveis sociodemográficas (idade, escolaridade , ocupação, estado
civil, cor) e clí nicas (idade no diagnóstico, número de gestações, número de
partos normais, núme ro de partos cesáreas, número de abortos, tempo de
cirurgia, medicamento para EDM, tipo de EDM, localização dos focos de EDM,
doenças clínicas, medicação para doenças clínicas)?
3) Existe associação entre a QVRS de mulheres com diagnóstico de
EDM e os sintomas de ansiedade e depressão?
4) Existe associação entre a QVRS de mulheres com diagnóstico de
EDM e dor relacionada à doença?
De acordo com a revisão da literatura e com nossa experiência clínica,
estabelecemos as hipóteses nulas (H0) e verdadeiras (H 1) para as questões:
Hipótese 1:
H0: Não existe associação entre a QVRS de mulheres com diagnóstico de EDM
e variáveis sociodemográficas e clínicas.
H1: Existe associação entre a QVRS de mulheres com diagnóstico de EDM e
variáveis sociodemográficas e clínicas.
Hipótese 2:
H0: Não existe associação entre a QVRS de mulheres com diagnóstico de EDM
e os sintomas de ansiedade e depressão.
H1: Existe associação entre a QVRS de mulheres com diagnóstico de EDM e
os sintomas de ansiedade e depressão.
Hipótese 3:
29
H0: Não existe associação entre QVRS de mulheres com diagnóstico de EDM e
dor relacionada à doença.
H1: Existe associação entre QVRS de mulheres com diagnóstico de EDM e dor
relacionada à doença.
30
Objetivos
31
3 OBJETIVO GERAL
Avaliar a QVRS de mulheres com EDM.
3.1 Objetivos Especificos
Investigar se há a associação entre QVRS e variáveis
sociodemográficas de mulheres com EDM;
Investigar se há associação entre QVRS e o histórico de saúde de
mulheres com EDM;
Investigar se há ocorrência de ansiedade e/ou depressão em
mulheres com EDM;
Investigar se há associação entre QVRS e os sintomas de
ansiedade e/ou depressão de mulheres com EDM;
Investigar se há a associação entre QVRS e dor de mulheres com
EDM.
32
Método
33
4 MÉTODO
4.1 Delineamento do estudo
Trata-se de uma pesquisa quantitativa, de corte transversal e de caráter
descritivo correlacional.
A pesquisa quantitativa é caracterizada por empregar a quantificação
dos dados, tanto nas mod alidades de coleta de dados , quanto no tratamento
dos mesmos ; por meio de técnicas estatísticas , ela busca validação das
hipóteses mediante utilização de dados estruturados, estatísticos, com análise
de um grande número representativo dos dados coletados, como também,
quantifica e generaliza os resultados das amostras (OLIVEIRA, 2011).
Já a pesquisa transversal é aquela em que as variáveis são identificadas
num ponto do tempo, e as relações entre as mesmas são determinadas. O
caráter descritivo considera qu e tal delineamento tem como objetivo observar,
descrever e documentar aspectos de uma situação. O aspecto correlacional do
mesmo é determinado pela investigação sistemática da natureza das relações
ou associações entre as variáveis, em vez de relações dire tas de causa e
efeito. Os estudos correlacionais descritivos descrevem as variáveis e as
relações que ocorrem entre as mesmas (POLIT, 2019).
4.2 Local do estudo
O estudo foi desenvolvido, em parte, na forma presencial e, em parte, na
forma remota, com pacien tes do Ambulatório de Ginecologia e dor pélvica do
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo (AGDP/HCFMRP-USP), onde os atendimentos
acontecem às sextas-feiras, a uma média de 50 mulheres por dia. Esse
ambulatório é responsável por prestar assistência às mulheres com diagnóstico
de dor pélvica crônica , que são referenciadas por médicos das unidades de
saúde de Ribeirão Preto e da região.
Cabe lembrar que grande parte da coleta de dados foi realizada em meio
à pandemia de COVID -19, período no qual todo o atendimento presencial foi
suspenso.
34
4.3 Participantes do estudo
Para definição das participantes do estudo foram considerados os
seguintes critérios:
Critérios de inclusão: mulheres entre 18 e 50 anos; com diagnóstico
confirmado EDM; que estivesse m em atendimento no AGDP/HCFMRP-USP;
que tivessem acesso à internet. O limite de idade de 50 anos teve o intuito de
abordar mulheres que estivessem na menacme.
Critério de descontinuidade no estudo : mulheres que apresenta ssem
dificuldades para responder ao formulário de forma presencial ou remota.
A amostragem foi realizada por conveniência, composta por 35 mulheres
com diagnóstico de EDM, s endo que 14 participaram do estudo de forma
presencial e 21 de forma remota.
4.4 Aspectos Éticos
O estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa -CEP (CAAE
19896819.7.0000.5393/ Número do Parecer: 3.635.924), e respeita os
procedimentos éticos para pesquisas com seres humanos, contidos na
resolução 466/12, do Conselho Nacional de Saúde.
As mulheres que preenchera m os critérios de elegibilidade foram
contatadas durante atendimento no AGDP/HCFMRP-USP ou via telefone .
Aquelas que previamente concordaram em participar, e cuja coleta de dados
aconteceu de forma presencial , receberam pessoalmente o Termo de
Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) (Apêndice 1).
Já as que participaram de forma remota, receberam por
email/whatsapp, um link do Google docs , com o TCLE via eletr ônica
(Apêndice 2). Para estas, o aceite em participar se dava co m a resposta aos
instrumentos de coleta de dados.
Independente da forma de participação, o TCLE continha informações
sobre o objetivo do estudo, ressaltando a participação voluntária. Além disso,
foi assegurado sigilo de suas identidades, direito à recusa , e a possibilidade
de interromper sua participação na pesquisa a qualquer momento, sem que
qualquer prejuízo à sua pessoa e/ou tratamento no serviço.
4.5 Coleta de dados
35
4.5.1 Procedimentos para coleta de dados
Os dados foram coletados e analisados pela pesquisadora, autora deste
estudo, sendo que a coleta teve início em março de 2020, de forma presencial
no AGDP/HCFMRP-USP, quando foram coletados dados de quatro participantes.
Em função do advento da pandemia de COVID -19, a coleta presencial foi
interrompida.
Em seguida, o projeto foi novamente submetido ao CEP para
autorização de coleta de dados por meio eletrônico. Assim, s eguindo as
orientações da OMS e autoridades de saúde do país (Ministério da Saúde)
para o distanciamento social, devido à pandemia de COVID -19, entre junho e
dezembro de 2020 os dados foram coletados por meio eletrônico , após nova
aprovação do CEP . Para o contato com as prováveis participantes foi utilizada
uma listagem das mulheres com EDM que frequentaram o ambulatório para
tratamento no ano de 2019.
Aquelas que fizeram parte da amostra que preencheu os instrumentos
de forma online foi composta, portanto, da seguinte maneira: das 128 mulheres
que compunham a lista de atendimentos do ano de 2019 do AGDP/HCFMRP-
USP, 50 números de telefone , ao serem chamados, respondiam com a
mensagem de encaminhamento à caixa postal ou de que o número não existia;
33 mulheres não atenderam a ligação após três tentativas de contato; uma
mulher informou que estava grávida; duas mulheres tinham mais de 50 anos e
estavam fora dos critérios de inclusão; duas mulheres informaram que não
tinham diagnóstico confirmado de EDM ; 40 mulheres atenderam a ligação e
informaram que poderiam participar. Apesar de confirmarem a disponibilidade
para participação, 19 mulheres não responderam à pesquisa após 3 tentativas
de contato. Ao final, 21 responderam à pesquisa na forma online.
36
Figura 1 – Fluxograma das mulheres que responderam a pesquisa de
forma online
Lista de atendimentos
no AGDC-HCFMRP-
USP (n=128)
Telefone na caixa
postal ou número não
existe (n=50)
Não atenderam após
três tentativas (n=33)
Estava grávida (n=1)
Informaram não ter
diagnóstico confirmado
(n=2)
Tinham mais de 50
anos (n=2)
Atenderam ao telefone
(n=40)
Não responderam após
três tentativas (n=19)
Responderam a
pesquisa (n=21)
37
Com o retorno parcial dos a tendimentos presenciais no AGDP/HCFMRP-
USP, a coleta também voltou a ser presencial, no período entre janeiro e março
de 2021, quando foram coletados os dados de mais 10 mulheres.
Figura 2 – Fluxograma da amostra final da pesquisa
Para início dos procedimentos, foram selecionadas as mulheres mediante
os critérios de inclusão propostos . A quelas que responderam à pesquisa de
forma presencial foram abordadas no saguão de espera do AGDP/HCFMRP-USP,
foram informadas sobre a pesquisa, e as que aceitaram participar receberam o
TCLE (Apêndice 1), o EHP -30 (Anexo A), a HADS (Anexo B) e a EVN (Anexo
C).
Dados coletados
presencialmente em
março/2020 (n=4)
Dados coletados online
em 2020 (n=21)
Dados coletados
presencialmente entre
janeiro e
março/2021(n=10)
Total de participantes
da pesquisa (n=35)
38
As mulheres que responderam de maneira online foram comunicadas
por telefone e a quelas que confirmaram que tinham acesso à internet foram
informadas sobre a pesquisa. As que aceitaram participar receberam por email
ou whatsapp, um link do Google docs , contendo o TCLE via eletrônica
(Apêndice 2), o EHP-30 (Anexo A), a HADS (Anexo B) e a EVN (Anexo C).
O formulário para caracterização das p articipantes, com questões sobre
dados pessoais e dados médicos (Apê ndice 3) foi preenchido pela
pesquisadora, baseando-se nas informações d os prontuários médicos. Ao
responder aos questionários, as mulheres consideraram adequadas as
orientações do TCLE e concordaram com elas.
Vale destacar que nenhuma mulher apresentou dificuldades para
responder ao formulário, seja de forma presencial ou remota.
4.5.2 Instrumento para avaliação da QVRS
O EHP -30 é um instrumento de autorrelato, desenvolvido no Reino
Unido em 2001 e validado para o Brasil em 2008 (MENGARDA et al., 2008) .
Seu objetivo é avaliar a QVRS, especificamente para EDM, com itens
desenvolvidos a partir de entrevistas com as pacientes e com perfil
psicométrico estabelecido (STRATTON; BERKLEY, 2011) . Consiste em um
questionário central composto d e 30 itens que avaliam cinco dimensões: dor,
controle e impotência, bem-estar emocional, apoio social e autoimagem.
O EHP-30 constitui-se também de um questionário modular que pode não
se destinar a todas as mulheres, sendo de caráter facultativo seu preenchimento
em algumas seções, pois a mulher pode não se enquadrar no contexto das
questões (como não estar trabalhando ou não possuir filhos), e ela ainda tem a
opção de não responder algumas seções caso as julgue “não importantes”. Ele é
composto por 23 itens distribuídos em seis seções – Seção A: trabalho; Seção B:
relação com os filhos ; Seção C: relações sexuais; Seção D: sentimento em
relação aos médicos que realizam o tratamento da mulher com endometriose ;
Seção E: sentimento em relação ao tratamento; Seção F: sentimento em relação
à dificuldade para engravidar. Todas as perguntas, dos dois questionários ,
central e modular, são respondidas considerando-se as últimas quatro semanas.
39
Cada escala é transformada em um escore de 0 a 100, em que o menor
escore significa melhor QV (MENGARDA et al., 2008) . C ada item do
instrumento possui cinco categorias de resposta (nunca, raramente, algumas
vezes, muita s vezes e sempre, pontuadas de 0 a 100, respectivamente).
Assim, o escore d o módulo é igual ao escore total (somatória dos escores
brutos de cada item), divi dido pela pontuação bruta máxima possível de todos
os itens do módulo, multiplicado por 100 (JONES et al., 2001).
A relevância do EPH-30, em relação à construção de seus itens se deve
aos achados de literatur a, que apontam que a avaliação realizada pelas
pacientes de sua saúde e bem-estar difere da avaliação realizada por
profissionais da saúde (MENGARDA et al., 2008).
Este instrumento foi validado para o Português, em 2008, e foi aplicado a
uma amostra de 54 mulheres com diagnóstico de EDM, sendo que a avaliação
da consistência interna apresentou valores de α=0,8 a 0,9, sugerindo
homogeneidade entre as questões (MENGARDA et al., 2008).
O EHP -30 está disponível na plataforma de domínio público; foi
comunicado por e-mail a uma das autoras sobre a utilização do instrumento
neste trabalho , e informado qu e, ao término da pesquisa, os resultados do
estudo serão encaminhados a elas, caso seja de seu interesse. A autora
contatada colocou -se à disposição , em caso de dúvidas a respeito do
instrumento.
4.5.3 Instrumento para avaliação dos sintomas de ansiedade e depressão
Para a avaliação dos sintomas de ansiedade e depressão pelo
diagnóstico de EDM, foi utilizada a HADS (ZIGMOND; SNAITH, 1983), em sua
versão adaptada para o Português (BOTEGA et al., 1995).
O instrumento HADS poss ui 14 questões (sete para ansiedade e sete
para depressão), que abordam sintomas somáticos e psicológicos, com escala
de resposta de quatro pontos. Os valores das respostas variam de zero a três,
cuja soma pode variar de zero a 21 pontos, para cada um dos transtornos
emocionais pesquisados.
Assim, no presente estudo , a avaliação das respostas foi realizada com
o valor total de cada subescala (HADS -ansiedade e HADS -depressão).
40
Considera-se 8 como nota de corte para cada subescala (BOTEGA et al.,
1995).
4.5.4 Instrumento para avaliação da intensidade de dor
A escala utilizada para a avaliação da dor foi a EVN, graduada de
zero a dez, na qual zero significa ausência de dor e dez, a pior dor
imaginável (PEDROSO; CELICH, 2006). A mulher deveria assinalar um dos
números na linha, indi cando o quanto ela sente de dor relacionada à
endometriose, sendo o número zero, nenhuma dor ; os números um, dois e
três, pouca dor ; os números quatro, cinco e seis , dor razoável ; números
sete, oito e nove, dor média e o número dez, dor excessiva.
4.6 Variáveis de estudo
Para o desenvolvimento do estudo, no sentido de atingir os objetivos
propostos, foram consideradas as seguintes variáveis.
Qualidade de Vida de mulheres com EDM: Foi utilizado o EHP- 30
para avaliar a QV das particpantes;
Ansiedade: Foi utilizado o instrumento HADS para percepç ão de
sintomas de ansiedade;
Depressão: Foi utilizado o instrumento HADS para percepção de
sintomas de depressão;
Dor: Foi utilizada EVN para avaliação da dor autorrelatada em
função da EDM;
Idade: Definida pela data de nascimento da paciente que consta
no prontuário médico;
Escolaridade: Refere -se ao tempo de permanência e progressão
do ensino escolar da paciente;
Ocupação: Diz respeito à função ou profissão da paciente;
Estado Civil: É o termo jurídico que faz referência à situação de
um cidadão em relação ao matrimônio;
Cor/raça: A cor ou raça da paciente com base na autodeclaração;
Idade no diagnóstico: A idade que a paciente tinha quando foi
diagnósticada com EDM;
Número de gestaçõe s: Refere -se ao número de gestações
prévias;
41
Número de partos normais: Refere -se ao número de vezes que a
gestação foi finalizada por parto normal;
Número de partos cesáreas: Refere-se ao número de vezes que a
gestação foi finalizada por parto cesárea;
Número de abortos: Refere -se à interrupção precoce de uma
gestação antes que o feto seja capaz de sobreviver fora do corpo
da mãe;
Tempo de cirurgia: Trata -se da quantidade em meses em que a
paciente realizou cirurgia;
Medicamento para EDM: Via de medicação q ue as pacientes
usam para tratamento da doença;
Tipo de EDM: É a caracterização dos tipos EDM em superficial,
endometriomas ovarianos e EDM infiltrante profunda;
Localização dos focos de EDM: Refere-se à localização dos focos
nas pacientes;
Doenças : Se as pacientes com diagnóstico de EDM apresentam
diagnósticos de outras doenças clínicas;
Medicação para doenças clínicas: Se as pacientes tomam
medicações para outras doenças clínicas;
4.7 Análise de dados
Os dados foram primeiramente inseridos no programa Office Excel 2010,
com a técnica de dupla digitação das respostas obtidas e posterior validação. Em
seguida, foram transportados para o Programa IBM® SPSS® Statistics versão
25.
Para avaliarmos associação entre variáveis sociodemográficas e
clínicas, utilizamos os testes não paramétricos Mann -Whitney e Kruskal -Wallis.
Para avaliarmos a correlação da QVRS com os sintomas de ansiedade e
depressão utilizamos o Teste de Correlação de Spearman. Já para avaliarmos
associação entre QVRS e dor , foi utilizado o teste n ão paramétrico Kruskal -
Wallis. O nível de significância foi de α=0,05.
42
Resultados
43
5 RESULTADOS
Os resultados estão apresentados conforme os objetivos estabelecidos.
Dessa maneira, na primeira seção (5.1), apresenta-se a análise descritiva da
amostra e análise estatística, a fim de veri ficar associações entre QVRS e as
variáveis sociodemográficas e clínicas das mulheres com diagnóstico de EDM.
Na seção (5.2), está descrita a análise estatística com o prop ósito de
investigar associações entre QVRS e o sintomas de ansiedade e depressão.
Por fim, na última seção (5.3), está exposta a análise estatística
realizada com o o bjetivo de averiguar associação entre QVRS e a dor sentida
pelas mulheres com diagnóstico de EDM.
5.1 Qualidade de vida relacionada à saúde de mulheres com
diagnóstico de EDM e associação com variáveis sociodemográficas e
clínicas
Entre as 35 mulheres do AGDP/HCFMRP-USP que participaram do
estudo, a média de idade foi de 38 anos (DP= 4,94), variando de 27 a 50 anos.
A maioria era casada (51,4%), possuía o ensino médio (54,3%), trabalhava
formalmente (65,7%) e tinha pele de cor branca (80,0%).
Em relação às suas condições de saúde, 40,0% delas tiveram duas
gestações ou mais e a maioria não teve abortos espontâneos (88,6%). No que
diz re speito aos tipos de partos real izados pelas participantes , 45,9% d elas
realizaram pelo menos uma ces ária e 34,4% realiz aram pelo menos um parto
normal. Vale ressaltar que 14,3% das mulheres realizaram os dois tipos de
parto.
A maior parte dos diagnósticos de endometriose ocorreu na faixa de idade
de 30 a 39 anos (68,6%) , com média de idade de 33 anos (DP=5,31). J á a
cirurgia para o tratamento da endometriose havia ocorrido há mais de 24 meses
entre 40,0% das participantes, sendo que 37,1% de mulheres não realizaram a
cirurgia.
A respeito do uso de medicação para controle para endometriose, 48,6%
faziam uso de medicação por via oral , 20 ,0% por via injetável, 5,7% usavam
dispositivo intrauterino e 25,7% não faziam uso de medicação.
44
Em relação à localização de focos de endometriose, a maior parte das
pacientes apresentou um local de foco (77,1%) e tinha endometriose do tipo
profunda (71,4%). A maioria das mulheres apresentou outras doenças , como
doenças do sistema endócrino, circulatório, respir atório entre outros (65,7%) e
60% do total delas tomavam medicações para essas doenças.
Tabela 1 - Distribuição de mulheres atendidas no AGDP/HCFMRP-USP segundo
características pessoais e clínicas (n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021
(Continua)
Variáveis Frequência %
Idade (anos)
27 – 35 9 25,7%
36 – 50 27 74,3%
Escolaridade
1º Grau/Ensino fundamental 6 17,1%
2º Grau/Ensino médio 19 54,3%
Ensino superior/Pós-graduação 10 28,6%
Ocupação
Dona de casa 7 20,0%
Autônoma 5 14,4%
Trabalhadora registrada 23 65,7%
Estado civil
Solteira 10 28,6%
Casada 18 51,4%
Divorciada/Desquitada 7 20,0%
Cor
Branca 28 80,0%
Parda/Negra 7 20,0%
Idade no diagnóstico (anos)
18 – 29 7 20,0%
30 – 39 24 68,6%
40 – 49 4 11,4%
Número de gestação
Nenhuma 11 31,4%
Uma 10 28,6%
Duas ou mais 14 40,0%
Número de parto normal
Nenhum 23 65,7%
Um 8 22,9%
Dois ou mais 4 11,5%
45
Tabela 1 - Distribuição de mulheres atendidas no AGDP/HCFMRP-USP segundo
características pessoais e clínicas (n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021
(Conclusão)
Variáveis Frequência %
Número de parto cesárea
Nenhum 19 54,3%
Um 10 28,6%
Dois ou mais 6 17,1%
Número de aborto
Nenhum 31 88,6%
Um 4 11,4%
Tempo que realizou a cirurgia
(meses)
Até 24
8 22,9%
>24 24 40,0%
Não realizou cirurgia 13 62,9%
Medicamento para
endometriose
Via oral 17 48,6%
Via injetável 7 20,0%
Dispositivo intrauterino 2 5,7%
Não usa medicação 9 25,7%
Tipo da endometriose
Outras 10 28,5%
Profunda 25 71,5%
Quantidade de focos de
endometriose
Um local 27 77,1%
Dois ou mais 8 22,9%
Tem outra patologia
Sim 23 65,7%
Não 12 34,3%
Uso de medicação para
doenças
Sim 21 60,0%
Não 14 40,0%
Dados do autor, 2021
Na avaliação da QVRS, no questionário central , a média f oi de 68,9
pontos (DP= 16,9), indicando prejuízo na QVRS , uma vez que quanto maior a
pontuação (mais próxima de 100), menor a QV.
46
Na Tabela 2 estão apresentados os módulos que compõe m o EHP- 30.
Destaca-se que na seção A, 31,4% das mulheres declararam que não estão
trabalhando; n a seçã o B, sobre relacionament os com os fi lhos, 34,3%
afirmaram que não têm filhos; na seção C, sobre relaç ões sexuais, apenas
5,7% indicaram que esse item era “não importante”. Na seção E, relacionada
ao tratamento, 5,7% das mulhe res não responderam por considera rem “não
importante” essa questão . Na seção F, sobre dificuldade para engravidar,
34,3% das participantes não responderam, pois também a consideravam “não
importante”.
Tabela 2 - Medidas de tendência e estatísticas descritiv as dos questionários
centrais e modulares EHP -30 das mulheres atendidas no AGDP/HCFMRP-USP
(n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021
Variáveis n válido Mínimo – Máximo Média (DP)
Questionário
central 35 22,0 – 86,7 68,9 (16,9)
Seção A –
Trabalho 24 20,0 – 84,0 48,5 (20,6)
Seção B –
Relacionamento
com os filhos 23 20,0 – 90,0 51,3 (20,0)
Seção C-
Relações Sexuais 33 20,0 – 100,0 68,2 (21,5)
Seção D-
Relacionamento
com médicos 35 20,0 – 90,0 39,0 (21,1)
Seção E-
Tratamento 33 20,0 – 100,0 64,2 (21,5)
Seção F-
Dificuldade para
engravidar 23 20,0 – 100,0 60,4 (20,9)
Dados do autor, 2021
Os resultados da aplicação dos testes estatísticos Mann-Whitney e
Kruskal-Wallis não mostraram associações entre QVRS e variáv eis de
características pessoais e clínicas [H0 é verdadeira nesta questão], (Tabela 3).
47
Tabela 3- Escores totais do questionário central EHP-30 entre os grupos das
variáveis de características pessoais e clínicas das mulheres atendidas no
AGDP/HCFMRP-USP (n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021
(Continua)
Variáveis
n
válido
Mínimo –
Máximo
Média
(DP) Valor p
Idade (anos)
0,110*
27 – 35 9 58,0 - 86,7
72,6
(10,4)
36 – 50 26 22,0 - 85,3
66,4
(18,1)
Escolaridade
0,124**
1º Grau/Ensino fundamental 6 74,7 - 85,3 80,4 (3,8)
2º Grau/Ensino médio 19 22,0 - 84,0
69,0
(15,0)
Ensino superior/Pós-
graduação 10 23,3 - 86,7
61,8
(21,8)
Ocupação
0,545**
Dona de casa 7 22,0 - 85,3
71,5
(22,5)
Autônoma 5 46,0 - 82,7
69,5
(14,1)
Trabalhadora registrada 23 23,3 - 86,7
68,0
(16,2)
Estado civil
0,942**
Solteira 10 22,0 - 86,7
68,2
(19,5)
Casada 18 23,3 - 85,3
68,1
(18,6)
Divorciada/Desquitada 7 62,0 - 83,3 72,0 (7,7)
Cor
0,920*
Branca 28 22,0 - 86,7
69,3
(15,7)
Parda/Negra 7 23,3 - 85,3
67,3
(22,4)
Idade no diagnóstico
(anos)
0,648**
18 – 29 7 54,7 - 83,3
69,5
(11,5)
30 – 39 24 22,0 - 86,7
67,3
(19,1)
40 – 49 4 68,0 - 83,3 77,5 (6,7)
Número de gestação
0,746**
Nenhuma 11 23,3 - 86,7
66,9
(20,8)
Uma 10 48,7 - 84,0
68,3
(12,6)
Duas ou mais 14 22,0 - 85,3
70,9
(17,2)
48
Tabela 3- Escores totais do questionário central EHP -30 entre os grupos das
variáveis de características pessoais e clínicas das mulheres atendidas no
AGDP/HCFMRP-USP (n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021
(Continua)
Variáveis n válido
Mínimo –
Máximo Média (DP) Valor p
Número de parto normal
0,135**
Nenhum 23 23,3 - 86,7
69,8
(16,5)
Um 8 22,0 - 82,7
61,3
(19,5)
Dois ou mais 4 68,0 - 85,3 79,1 (7,7)
Número de parto cesárea
0,817**
Nenhum 19 23,3 - 86,7
68,3
(17,3)
Um 10 22,0 - 84,0
66,8
(19,5)
Dois ou mais 6 52,0 - 83,3
74,4
(11,4)
Número de aborto
0,277*
Nenhum 31 22,0 - 86,7
67,7
(17,5)
Um 4 68,0 - 83,3 78,1 (7,2)
Tempo que realizou a cirurgia
(meses)
1,000*
Até 24 9 22,0 - 83,3 68,5 (19,6)
>24 13 23,3 - 85,3 67,5 (19,1)
Medicamento para
endometriose
0,860**
Via oral 17 22,0 - 86,7 69,1 (18,3)
Via injetável 7 58,0 - 81,3 71,3 (7,8)
Dispositivo intrauterino 2 58,0 - 83,3 70,6 (17,9)
Não usa medicação
Tipo da endometriose
0,070*
Outras 10 52,0 - 85,3 75,7 (11,9)
Profunda 25 22,0 - 86,7 66,2 (18,0)
49
Tabela 3- Escores totais do questionário central EHP -30 entre os grupos das
variáveis de características pessoais e clínicas das mulheres atendidas no
AGDP/HCFMRP-USP (n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021
(Conclusão)
Localização dos focos de
endometriose
0,206*
Um local 27 46,0 - 86,7 72,2 (11,9)
Dois ou mais 8 22,0 - 82,7 57,8 (26,1)
Tem outra doença clínica
0,482*
Sim 23 22,0 - 86,7 67,0 (18,5)
Não 12 40,0 - 84,0 72,5 (13,4
Uso de medicação para
doença clínica
0,881*
Sim 21 22,0 -86,7 67,5 (19,2)
Não 14 40,0 - 84,0 71,1 (13,0)
5.2 Qualidade de vida relacionada à saúde de mulheres com
diagnóstico de endometriose e associação com sintomas de ansiedade e
depressão
Na Tabela 4 , observa-se a análise da escala HADS para avaliação da
percepção de sintomas de ansiedade e depressão. A média para sintomas de
ansiedade foi de 9,2 (DP= 4,9) e para depressão foi de 8,8 (DP= 4,6), indicando
que as mulheres d este estudo apresenta ram sintomas de ansiedade e
depressão.
Tabela 4- Medidas de tendência e estatísticas descritivas da escal a HADS das
mulheres atendidas no AGDP/HCFMRP-USP (n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil,
2021
Variáveis n válido Mínimo – Máximo Mediana Média (DP)
Ansiedade 35 1,0 – 19,0 11,0 9,2 (4,9)
Depressão 35 1,0 – 19,0 10,0 8,8 (4,6)
Dados do autor, 2021
Ao realizar a análise estatística para verificar a associação entre QVRS e
sintomas de ansie dade e depressão, observa -se na Tabela 5 que, segundo o
teste de correlação de Spearman, existe associação entre QVRS e sintomas de
50
depressão (p= 0,001) e não existe associação entre QVRS e sintomas de
ansiedade (p= 0,064). Sendo assim, a hipótese pensada para essa questão é
verdadeira para a associação com depressão e nula para associação com
ansiedade.
Tabela 5 - Matriz de correlação de Spearman do escore global do questionário
central EHP-30 com a escala HADS (n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021
Escore global
HADS
Ansiedade Depressão
Coeficiente de Correlação de Spearman 0,316 0,541
Valor p 0,064 0,001
n válido 35 35
Dados do autor, 2021
5.3 Qualidade de vida de mulheres com diagnóstico de endometriose e
associação com a dor sentida
Ao analisar a escala EVN , constatou-se que 40,0% das mulheres
classificou a dor sentida como média . Para 28 ,6% das mulheres , a dor é
excessiva; 20,0% classificaram a dor como razoável, 5,7% como pouca dor e
5,7% como nenhuma dor.
Na Tabela 6, conforme o Teste Kruskal -Wallis, verificou -se que existe
associação entre QVRS e dor (p < 0,001) [H1 é verdadeira].
Tabela 6 - Escores totais do questionário central EHP-30 entre o grupo de
variáveis da EVN (N=35), Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021
Variáveis n válido
Mínimo –
Máximo Mediana
Média
(DP) Valor p
Classificação -
<0,001**
Nenhuma (0) 2 22,0 - 23,3 22,6 22,6 (0,9)
Pouca (1 a 3) 2 40,0 - 54,7 47,3
47,3
(10,4)
Razoável (4 a 6) 7 46,0 - 68,0 58,0 59,0 (9,1)
Média (7 a 9) 14 52,0 - 84,0 76,3 74,5 (9,0)
Excessiva (10) 10 74,0 - 86,7 82,7 81,5 (3,9)
**Teste Kruskal-Wallis.
51
Discussão
52
6 DISCUSSÃO
A EDM é uma doença crônica que atinge mulheres na idade reprodutiva ,
e na presente investigação a média de idade das participantes foi de 38 anos.
Dados apresentados por outro estudo realizado no Brasil , com 237 mulheres ,
apresentaram média de idade de 36 anos (CARDOSO et al., 2020) , e estudo
espanhol (MUNDO-LÓPEZ et al., 2020) que a maioria da s 230 mulheres
pesquisadas era casada e trabalhava fora, e dessa forma, ambos vão ao
encontro dos achados deste estudo.
Conhecendo os sintomas da EDM e diante da cronicidade da do ença,
esses dados nos permitem inferir que essas mulheres jovens, em idade
produtiva e reprodutiva ficam expostas a graves consequências, tanto na vida
familiar, como na afetiva e no trabalho , merecendo atenção especial da equipe
de saúde que as assiste.
Já em relação ao nível de escolaridade, a maioria das mulheres
espanholas (MUNDO-LÓPEZ et al., 2020) e também as de um estudo norte -
americano com 495 mulheres, apresentava nível superior (84,7%) (HEMMERT
et al., 2019) enquanto que as participantes do presente estudo apresentavam
nível médio , indicando uma escolaridade reduzida , em compara ção com
aquelas de país desenvolvido. Esse fator pode interferir, tanto no acesso aos
serviços de saúde, quanto no entendimento das orientações e cuidados,
especialmente aqueles relativos à EDM.
Houve predomínio de mulheres brancas nesta pesquisa. Nesse sentido,
uma revisão sistemática , publicada em 2019 , mostrou que embora o
diagnóstico de EDM pareça ser meno s frequente em mulheres negras , em
comparação com brancas, isso pode acontece r devido a uma diferença na
apresentação dos sintomas ou até mesmo ser uma tendência entre os
profissionais de saúde em não considerar em esse diagnóstico em mulheres
pretas (BOUGIE et al., 2019) . Sendo assim, ainda não é possível concluir com
segurança que a EDM tem maior prevalência em mulheres brancas.
Sobre as condições de saúde, foi constatado que a maioria das mulheres
que pesquisamos teve mais de dois partos e somente 11,4% referiram abortos
espontâneos, contrariando dados de e studos que indicam a endometriose
como um fator de risc o para esta condição (EXACOUSTOS et al., 2016;
53
MINEBOIS et al., 2017) . Autores complementam afirmando que m ulheres com
diagnóstico de EDM podem apresentar mais complicações durante a gravidez
como parto prematuro, placenta prévia, descolamento prematuro da placenta e
hipertensão, quando comparadas ao grupo de mulheres sem diagnóstico da
doença (EXACOUSTOS et al., 2016) . Estes dados não foram investigados na
presente pesquisa.
O tipo de parto mais frequente entre as partici pantes deste e studo foi o
parto cesárea. Nesse sentido, e studo dinamarquês, publicado em 2017,
mostrou que mulheres com diagnóstico de EDM apresentam risco aumentado
de pré-eclâmpsia, parto prematuro e cesariana (GLAVIND et al., 2017) e outros
autores afirmam ainda que a endometriose aumenta o risco de complicações
obstétricas, morbidade e mortalidade neonatal (BERLAC et al., 2017) . Cabe
destacar, no entanto, que apesar dessas considerações, a as sistência
obstétrica no Brasil apresenta, em geral , uma prevalência de cesarianas
bastante elevada (ZAIDEN et al., 2020).
O atraso no diagnóstico é outro fator importante na vida das mulheres
que convivem com os sintomas de EDM. A maior parte das participantes de
estudo realizado na Austrália e Nova Zelândia , com 2061 mulheres com
diagnóstico de EDM , tinha em média 24 anos quando recebeu o diagnóstico
(RUSH et al., 2019), dado diferente do encontrado no presente estudo, em que
as mulheres tinham em média 33 anos, ou seja, demoraram mais tempo para
serem diagnósticas. No presente estudo não foi possível analisar a idade inicial
dos sintomas de EDM, uma vez que esses dados não estavam disponíveis nos
prontuários médicos , mas ainda assim, a idade registrada mostra uma
diferença para mais, quando comparada à dos países desenvolvidos . Esse
atraso pode ser prejudicial à mulher, física e emocionalmente, principalmente
se os sintomas por ela apresentados forem intensos.
Estudo sueco publ icado em 2020, comenta que o atraso no diagnóstico
das 431 mulheres analisadas foi de cerca de cinco anos. Esse tempo foi
medido desde a primeira consulta por causa dos sintomas relacionados à EDM
até o diagnóstico (GRUNDSTRÖM et al., 2020).
Estudo realizado na Suécia mostra que os atrasos no diagnóstico geram
prejuízos financeiros, uma vez que as mulheres com EDM utilizam mais
cuidados de saúde do que as sem diagnóstico da doença , tanto antes como
54
depois do diagnóstico. O fato de reduzir o tempo de diagnóstico e a umentar a
conscientização sobre a doença, tanto entre mulheres quanto entre a equipe de
saúde, permite que as mulheres comecem a desenvolver mecanismos de
enfrentamento e assim possam aumentar a produtividade e resultar em melhor
QV (GRUNDSTRÖM et al., 2020).
Ainda em relação à sintomatologia, a equipe médica deve estar atenta
aos padrões diferentes de sintomas e incluir a EDM em seus diagnósticos para
mulheres adolescentes e adultas jovens que apresentam dor pélvica não cíclica
(DIVASTA et al., 2018) . Armour et al. ( 2020) realizaram estudo com 409
mulheres australiana s, e constataram que houve diminuição significativa no
tempo de diagnóstico da EDM, ao longo dos anos, provavelmente devido à
melhoria nas diretrizes para diagnóstico e tratamento e maior conscientização
das mulheres para se atentarem aos sintomas, através de ações como o Mês
da Conscientização da Endometriose. Entretanto, o atraso do diagnóstico ainda
existe e gera uma carga negativa para as mulheres com sintomas de EDM.
Outro aspecto que merece atenção é a realização da cirurgia para
exploração e ressecç ão dos focos de EDM. No presente estudo , 37,1% das
mulheres haviam realizado a cirurgia há mais de dois anos , à época da coleta
dos dados. A cirurgia para ressecção dos focos de endometriose pode trazer
melhora significativa nos resultados da fertilidade e nos sintomas de dor, no
entanto, ainda não existe consenso sobre quando indicá-la (KHO et al., 2018).
Em relação à cirurgia para EDM ovariana foi constatado que pode
ocorrer impacto na reserva ovariana, por isso todos os fa tores devem ser
considerados antes da realização (KHO et al., 2018). É necessário que a
equipe médica faça um diagnóstico preciso sobre as condições das pacientes e
por meio disso elabore um tratamento personalizado, considerando as
vantagens e desvantagen s de cada possibilidade de intervenção (LEE et al.,
2020). Com os avanços tecnológicos e das técnicas cirúrgicas , é possível
reduzir a angústia e o sofrimento das mulheres que sofre m de EDM (NEZHAT
et al., 2019).
Verificou-se que maioria das mulheres des ta amostra faz uso de
medicação por via oral para tratamento da doença. Em relação ao tratamento
médico da EDM, este é direcionado ao controle da dor e à supressão do tecido
do endométrio. Ao longo dos anos, novas opções terapêuticas foram
55
produzidas e usa das com sucesso para atingir esse objetivo e novas
possibilidades estão sendo desenvolvidas com rapidez. As terapias hormonais
que dependem da supressão dos tecidos endometriais incluem
anticoncepcionais orais combinados, anticoncepcionais apenas com
progesterona, agonistas do hormônio liberador de gonadotrofina, inibidores da
aromatase e danazol. Apesar do grande êxito que alcançam, apresentam
efeitos colaterais desagradáveis secundários como irritabilidade, náuseas,
insônia e precisam ser monitorados de perto (RAFIQUE; DECHERNEY, 2017).
O tratamento medicamentoso pode fornecer um alívio temporário, porém
a maioria das pacientes obtêm alívio da dor em longo prazo quando combinado
com intervenção cirúrgica (NEZHAT et al., 2019).
Em relação às les ões de EDM, a maioria delas está localizada na
cavidade pélvica. Entretanto, podem ser encontradas na cavidade abdominal,
diafragma e na pleura e de forma excepcional nas regiões intra -
parenquimatosas como fígado, pulmão e cérebro (BORGHESE et al., 2018).
A EDM po de ser caracterizada pelos seguintes tipos : endometriose
superficial, endometriomas ova rianos e endometriose infiltrante profunda
(AUDEBERT et al., 2018) . No presente estudo , a maioria das mulheres
apresentou endometriose do tipo profunda e com focos localizados em uma
região. A EDM do tipo profunda é definida como invasão subperitoneal por
lesões endometrióticas que excedem 5 mm de profundidade (COUTINHO et al.,
2011). As apresentações clínicas de cada um dos tipos de EDM variam entre as
mulheres, assim como as recomendações de tratamento geralmen te são
baseadas de acordo com os sintomas e a presença de inf ertilidade (KHO et al.,
2018).
Como discutido anteriormente , a EDM apresenta como principais
sintomas dismenorreia, dor pélvica crônica e infertilidade, que podem resultar na
diminuição da QV das mulheres com esse diagnóstico . Pesquisadores afirmam
que atualmente existe grande interesse em incorporar a avaliação da QVRS
nos estudos clínicos e no manejo clínico de rotina de doenças, incluindo a EDM
(ADOAMNEI et al., 2021) . No presente estudo, para esta avaliação, a
pontuação média das mulheres pesquisadas foi de 69,9 pontos (DP= 16,9) no
questionário central do EPH -30. De acordo com a análise do instrumento ,
56
quanto maior a pontuação, menor é a QV. Dessa forma, este valor sugere que
as mulheres desse estudo apresentam redução expressiva da QVRS.
As questões quanto à dor e ao seu controle, assim como impotência,
bem-estar emocional, apoio social e autoimagem , no questionário aplicado às
participantes, estão relacionadas a insatisfações nos mais diferentes aspectos .
A pontuação acima apontada indica que sua QV pode estar prejudicada,
considerando-se que esses fatores têm impacto no seu dia a dia, e com isso as
alterações negativas podem interferir na auto confiança, prejudicando as
interações sociais, as tarefas que deixam de realizar diariamente e até mesmo
a escolha da roupa, uma vez que sintomas como dor e inchaço abdominal
podem limitar essa escolha.
Nesse sentido, as evidências científicas afirmam que a EDM
normalmente tem impacto na QV de pacientes, com consequências negativas
nas atividades de vida diária, função sexual e relações pessoais (CHAPRON et
al., 2019) . Segundo Soliman et al. (2017) em estudo realizado nos Estados
Unidos, com o intuito de examinar a carga sintomática da EDM na Q VRS, à
medida que a gravidade dos sintomas e o número de sintomas aumentam, a
QVRS piora. Outro estudo que investigou a QV de mulheres com EDM mostrou
que a doença abala várias áreas da vida e que a melhoria do bem -estar geral,
por meio do tratamento , deve ser o principal objetivo dos ginecologistas
(FLORENTINO et al., 2019).
Em relação à QVRS, estudo espanhol mostrou que as pacient es com
diagnóstico de EDM têm prejuízo quando comparadas com mulheres sem
diagnóstico da doença. Ademais, não foram demonstradas difere nças
significativas na QVRS entre pacientes com EDM assintomática e o grupo
controle, demonstrando que os sintomas ou a gravidade da EDM têm grande
impacto na QVRS dessas mulheres (ADOAMNEI et al., 2021).
Outro impacto observado no contexto de vida de nossas participantes
está relacionado ao trabalho. Nesta seção, o questionário aplicado aborda
questões relativas à produtividade e necessidade de se ausentar do trabalho
devido aos sintomas da doença . Neste estudo, a média no questionário
modular na seção sobre trabalho foi de 48,5 pontos (DP= 20,6), mostrando um
comprometimento moderado.
57
Uma pesquisa online, realizada com mulheres americanas , mostrou que
existe relação ent re a gravidade dos sintomas relatados e a perda de
produtividade no trabalho. Sintomas como dor pélvica crônica, dismenorreia e
dispareunia podem levar à diminuição da produtividade (SOLIMAN et al., 2017).
Acrescenta-se que a s mulheres com diagnóstico de EDM apresentam menor
capacidade para o trabalho devido aos sintoma s e tiram mais licenças médicas
quando comparadas com mulheres que não são afetadas pela doença (ROSSI
et al., 2021).
Dessa forma, as mulhere s com diagnóstico de EDM podem apresentar
mais dificuldades no trabalho, uma vez que nem sempre o empregador entende
seus pedidos de afastamentos por conta da doença , gerando assim uma
sobrecarga estressante. Os afastamentos não trazem problemas apenas par a
os empregadores, mas sobretudo para as mulheres que passam a se sentir
culpadas por não cumprir a carga horá ria e suas responsabilidades com o
trabalho.
As mulheres com EDM podem apresentar ainda algumas limitações
físicas devido à dor, e isso pode influenciar na relação com os filhos. Pacientes
relatam que gostariam de sair e brincar com as crianças sem precisar parar
devido à dor ou assistir a um filme sem ficar desconfortável na posição sentada
(KITCHEN et al., 2021).
O questionário EHP -30 apresenta uma seção direcionada ao
relacionamento com os filhos. A média encontrada neste est udo foi de 51 ,3
pontos (DP=20,0), indicando que esse é um fator com influ ência na diminuição
da QV das participantes. As mulheres podem ficar frustradas por não conseguir
brincar e cuidar dos filhos da maneira que gostariam, uma vez que a EDM
apresenta sintomas que prejudicam a capacidade física e com isso dificulta a
realização dessas atividades.
Há também evidências na literatura , inclusive em publicações recentes,
apontando os prejuízos que os sintomas da EDM causam na vida das mulheres
com esse diagnóstico, incluindo aqueles relativos à vida sexual. Autores que
estudaram a QV sexual de mulheres com EDM mostra m que o impacto da
doença é grande. A dispareunia é um dos principais sintomas da doença, afeta a
vida sexual dos casais visto que, diminui a frequê ncia das relações sexuais,
58
piorando a QV sexual do casal (BERNAYS et al., 2020; DELLA CORTE et al.,
2020).
Corroborando esses dados, n este estudo, a maior média encontrada no
questionário modular foi na seção relacionada a relações sexuais (média de
68,2 pontos) (DP= 21,5), que discute diversas questões, inclusive o sentimento
de frustações e culpa que as mulheres sentem por não ter bom desempenho
nas relações e na vida sexual, por conta dos sintomas da EDM.
A última seção avaliada pelo questionário modular é relacionada a
dificuldades para engravidar , trazendo aspectos como preocupação e
sentimento de incapacidade por não conseguir ter filhos e i nfluência da
infertilidade no casamento . A m édia apresentada neste estudo foi de 60,4
pontos (DP=20,9), indicando um aspecto relevante para a redução da QVRS
das mulheres estudadas.
A infertilidade é um fator que acompanha a endometriose, por isso
muitas mulheres têm grande preocupação com essa questão, especialmente se
encontram-se em idade reprodutiva, ou próximo de ultrapassá-la. As causas da
infertilidade associada à EDM são múltiplas. Pode haver um papel óbvio para
as distorções anatômicas e o processo de adesão ass ociado às lesões de
EDM, impactando notavelmente a permeabilidade tubária (BORGHESE et al.,
2018). Autores discutem que aproximadamente 30% a 50% das mulheres que
têm o diagnóstico de EDM também lutam contra a infertilidade (EVANS;
DECHERNEY, 2017).
O tratamento da infertilidade associada à EDM consiste em reduzir ou
remover os focos endometria is e restaurar a anatomia pélvica normal por meio
de tratamento clínico ou cirúrgico e podendo utilizar tecnologia de reprodução
assistida (FILIP et al., 2020). Além disso, como a EDM é uma doença que pode
apresentar risco para a função ovariana, causando falência pr ematura do
órgão, é necessário ofertar técnicas de preservação para fertilidade (CALAGNA
et al., 2020).
A infe rtilidade pode afetar não só o bem -estar das pacientes, como
também as relações pessoais, uma vez que have ndo a infertilidade a paciente
pode apresentar sentimentos de preocupação e melancolia que refletem em
suas relações. Considerando a ideia construída pela sociedade de que a
mulheres devem ser capazes de conceber uma vida, o fato de não conseguir
59
engravidar pode gerar julgamentos internos e externos (SILVA et al., 2021) ,
piorando a situação da mulher que já enfrenta os diversos e incômodos
sintomas da EDM.
A EDM apresenta, portanto, um quadro complexo e, diante de tantas
consequências maléficas, vale lembrar que os fatores psicológicos representam
papel importante na indicação da gravidade dos sintomas e da eficácia dos
tratamentos. Em relação a isso, os resultados do presente estudo mostraram
que a média encontrada com a aplicação da HADS para a subescala de
ansiedade foi de 9,2 pontos (DP=4,9) e para subescala de depressão a média
foi de 8,8 pontos (DP=4,6), indicando , dessa forma, que as participantes
apresentavam sintomas de ansiedade e depressão, uma vez que o ponto de
corte da escala é de 8 pontos.
Estudos apontam que m ulheres com EDM correm risco de ansiedade,
sintomas depressivos e outros transtornos psiquiátricos (LAGANÀ et al., 2017) ,
e que a dor relacionada à EDM afeta o aspecto psicológico, comprometendo a
qualidade do sono, tornando a mulher ansiosa e deprimida (DELLA CORTE et
al., 2020).
No presente estudo observou-se associação entre a QVRS das mulheres
com diagnóstico de EDM e sintomas de depressão. Esse achado é corroborado
pela literatura , com estudo publica do em 2019 , trazendo que a associação
entre EDM e sintomas de depressão é determinada , principalmente pela dor
crônica, sintoma recorrente em mulher es com o diagnóstico da doença. A dor
ocasionada pela EDM pode aumentar o desencadeamento da depressão e não
a doença em si (WARZECHA et al., 2020) . Além disso, pode estar relacionado
a outros fatores de vulnerabilidades individuais e contextuais (GAMBADAURO;
CARLI; HADLACZKY, 2019).
Ainda nessa direção, estudo espanhol mostrou que sintomas como a dor
pélvica crônica e dor no momento das eliminações intestinais aumentam o risco
de transtorno depressivo. Os sintomas relacionados à EDM e a intensidade da
dor correlacionaram-se com a prevalência de depressão. Com isso, percebe -se
que a dor pode ser um determinante maior dos sintomas depressivos do que a
doença sozinha (ADOAMNEI et al., 2021).
Pesquisa canadense apontou ainda que as mulheres com diagnóstico de
EDM tê m pior saúde mental e física comparado a mulheres que não
60
apresentam diagnóstico da doença. Além disso, o estudo trouxe que as
mulheres diagnosticadas com EDM apresentam maior impacto na saúde mental
do que na física (SOLIMAN et al., 2020).
Com relação à QVRS e a dor sentida pelas mulhe res com EDM, este
estudo mostrou que existe associação entre esses fatores. Nessa direção,
autores comentam que o s mecanismos predominantes da dor em um indivíduo
podem ser identificados pela avaliação crítica dos sintomas e sinais clínicos,
exames laborato riais e de imagem. A i nflamação, alterações endócrinas e
alterações estruturais na periferia e no Sistema Nervoso Central (SNC) podem
contribuir para a dor associada à EDM (MOROTTI; VINCENT; BECKER, 2017).
Os sintomas de dor física e as dificuldades na regulação da emoção
estão negativamente associados à QVRS por meio do estresse psicológico em
mulheres que vivem com EDM (MÁRKI et al., 2017 ). Além disso, entre as
mulheres com EDM, a dor é um importante fator de risco para transtornos de
humor subsequentes (ESTES et al., 2021).
No intuito de melhorar a QV das mulheres com EDM, vários
medicamentos são comumente usados na clínica para aliviar a dor e inibir o
desenvolvimento de lesões (WEI et al., 2020) . Atualmente, muitos estudos
relatam que o tratamento medicamentoso é uma das principais opções da dor
pélvica crônica, principalmente porque podemos utilizá -la de forma recorrente,
com diversos tipos de drogas, e em muitas situações, como na adolescência ,
antes e após os tratamentos cirúrgicos, para prevenção e o tratamento de
doenças recorrentes, e durante o período pó s-parto, sem medo de perda da
função ovariana (CHAICHIAN et al., 2017).
Nesse sentido, o tratamento da dor associada à EDM demanda, além de
uma avaliação minuciosa de suas causas e impac to na vida da paciente, a
inclusão de estratégias terapêuticas farmacológ icas, cirúrgicas e psicológicas
(MOROTTI; VINCENT; BECKER, 2017).
Acrescentamos aqui o s sentimentos em relação aos médicos , que é
outro fator analisado pelo EHP -30, uma vez que este aspecto pode interferir no
tratamento e na aderência das mulheres a ele. No presente estudo, a média
das participantes foi de 39 ,0 pontos (DP= 21,1), a menor média obtida entre as
sessões, mostrando que este é um fator com menor impacto negativo.
Esse resultado d emonstra sua satisfação com o profissional da saúde
61
que conduz seu tr atamento, indicando ainda que ele se preocupa com sua
condição de saúde, considera suas queixas e tem conhecimento sobre a
doença e sobre as formas de amenizar/controlar os sintomas e suas
consequências desagradáveis e que comprometem a QV de quem as
apresenta.
Essa média pode ser explicada pelo fato de essas mulheres serem
atendidas em um centro de referência com equipe profissional devidamente
preparada e disponível para ouvir e atender as queixas das pacientes.
Os fatores que podem influenciar os sentim entos das mulheres com
EDM em relação aos médicos estão associados à falta de eficiência do
tratamento cirúrgico, atendimentos de emergência e acesso a cuidados
complementares de saúde. Cada fator identificado oferece uma oportunidade
de agir para melhorar a percepção da profissão médica em mulheres com
endometriose (NG et al., 2020).
Já em relação ao atendimento geral das pacientes com EDM, é
apropriado que sejam direcionados a centros de referência, a fim de buscar
uma abordagem centrada e adaptada às condições e desejos específicos da
paciente (FOTI et al., 2018) . Na seção do questionário modular, referente ao
tratamento, foram abordadas questões a respeito da quantidade de tratamentos
realizados, sentimento de frustações e efeitos adversos, e a média foi de 64,2
pontos (DP= 21,5) . Essa pontu ação indica que as mulheres apresentam
insatisfação com o tratamento realizado, seja porque acham que não está
surtindo efeito ou porque apresenta muitos efeitos colaterais.
As diretrizes recomendam o uso de diferentes estratégias de manejo da
doença, com base na extensão e gravidade das lesões endometriais ; o manejo
em longo prazo é altamente recomendado para prevenir a exacerbação e a
recorrência da doença (DAI et al., 2018) . Segundo Chapron et al. (2019), o
padrão ouro para o tratamento da endometriose atualmente é a abordagem
individualizada, considerando a situação clínica e prioridades da paciente.
Comenta ainda que é importante parar de considerar cirurgia para todas as
pacientes após o diagnóstico de EDM como uma solução imediata.
O atraso no diagnóstico e a falta de consciência sobre a EDM entre as
mulheres, seus familiares e companheiros, assim como profissionais de saúde
e a população em geral, mantêm a estigmatização e efeitos negativos na saúde
62
e no bem -estar psicossocial (SIMS et al., 2021) . A literatura mostra que é
necessário ampliar a prática interdisciplinar durante o tratamento dessas
pacientes, a fim de abranger o cuidado da saúde mental (BRASIL et al., 2020).
Pacientes que apresentarem sintomas de depressão devem ser tratadas logo
após o diagnóstico, a fim de evitar que os mesmos interfiram na QVRS (SILVA;
MEDEIROS; TROVÓ DE MARQUI, 2016).
63
Conclusões
64
7 CONCLUSÕES
1) Houve prejuízos na QVRS (pontuação média= 68,9)
*Maiores médias de prejuízos : seção sobre relações sexuais (pontuação
média= 68,2) e seção sobre tratamento (pontuação média= 64,2)
2) Não houve associação entre QVRS e variáveis sociodemogr áficas e
histórico de saúde
3) As p articipantes apresentavam sintomas de ansiedade e depressão –
média para a subescala de ansiedade = 9,2 pontos (DP=4,9); média para a
subescala de depressão = 8,8 pontos (DP=4,6) [HADS]
4) Não houve a ssociação entre QVRS e sintomas de ansiedade (p=0,064)
(pontuação média = 9,2)
5) Houve a ssociação entre QVRS e sintomas de Depressão ( p= 0,001)
(pontuação média = 8,8)
6) Houve associação entre QVRS e dor (p= < 0,001)
65
Considerações Finais
66
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os achados deste estudo corroboraram dados da literatura,
evidenciando a EDM como uma doença crônica, debilitante e que interfere
negativamente na qualidade de vida das mulheres que a apresentam. O fato de
nem sempre apresentar remissão satisfatória dos sintomas, e ainda levar à
infertilidade potencializou a morbidade física e gerou impacto negativo nas
questões psicossociais.
Apesar de os testes estatísticos não terem mostrado associação da
qualidade de vida com dados sociodemográficos e histórico de saúde das
participantes, entendemos que estes devem ser sempre considerados, pois de
forma geral, mulheres com menor nível socioeconômico e de escolaridade,
assim como as mulheres negras, costumam ser mais vulneráveis à demora no
diagnóstico e no tratamento, não só da EDM, como das mais variadas
enfermidades. D ados científicos apontam que isso pode gerar prejuízos
financeiros, faltas e sérios problemas no trabalho, pois requer mais cuidados de
saúde, neces sitando, às vezes, de internações . Afirmam ainda que o fato de
reduzir o tempo de diagnóstico e aumentar a conscientização das mulheres e
da equipe de saúde sobre a EDM, permitirá que essas mulheres enfrentem
melhor todo o processo da doença.
Em relação a os aspectos psicossociais, as mulheres deste estudo
apresentavam sintomas de ansiedade e depressão , apesar de não ter havido
associação entre os sintomas de ansiedade e a qualidade de vida.
Nesse sentido, é importante dar relevância a essas dimensões, pois
apesar da possibilidade de tratamento da EDM, nem todas as mulheres
submetidas a intervenções medicamentosas e/ou cirúrgicas ficam livres dos
sintomas, nem conseguem manter a fertilidade; e a dor, um dos principais e mais
debilitantes, pode levar especialmente à ansiedade e à depressão, impactando de
forma negativa na qualidade de vida.
No que diz respeito à dor provocada pela EDM, houve associação com
diminuição d a qualidade vida entre as mulheres aqui pesquisadas, e isso
demonstra a necessidade de inter venções precoces, uma vez que essa dor
pode ultrapassar qualquer mensuração e chegar próximo do insuportável.
67
Pensamos que esse fator assim como a possibilidade da infertilidade ,
também pode ter sido o motivo de se destacarem, entre as participantes aqui
pesquisadas, os prejuízos na qualidade de vida pertinentes às relações sexuais
e ao tratamento. A insatisfação com os resultados do tratamento pode ser
devido à não resolução da dor apresentada, assim como da infertilidade
instalada, e o conjunto desses aco ntecimentos pode ter levado a uma
instabilidade emocional e prejudicado o desempenho nas relações sexuais e na
vida sexual.
A EDM debilita a vida das mulheres que sofrem com sua sintomatologia
exacerbada e requer, além de uma avaliação minuciosa de suas c ausas e do
impacto para a paciente, a implementação de adequadas estratégias
terapêuticas farmacológicas, cirúrgicas e psicológicas.
68
Limitações do estudo
69
9 LIMITAÇÕES DO ESTUDO
Em função da pandemia de COVID -19, a coleta de dados de forma
presencial foi interrompida e por um longo período passou a ser realizada no
formato online, para que se adequasse à s orientações das autoridades
sanitárias e do Ministério da Saúde do Brasil. Dessa forma, a coleta de dados
de forma presencial te ve seu tempo bastante reduzido, e o número de
participantes foi menor do que o inicialmente planejado. Mesmo havendo
confirmado a participação na pesquisa, algumas mulheres não retornaram as
ligações quando contatadas para responder aos instrumentos de col eta de
dados.
Outro fator limitante foi a falta de dados no prontuário médico, relativos à
idade da mulher no início do tratamento, assim como aqueles concernentes às
intercorrências obstétricas devido à EDM.
70
Referências
71
REFERÊNCIAS
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http://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMra1810764. Acesso em: 09 de agosto de
2021.
82
Apêndice 1 - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E
ESCLARECIDO
Você está sendo convidada a participar desta pesquisa que tem o objetivo de avaliar a qualidade
de vida relacionada à saúde (QVRS) de mulheres com diagnóstico de endometriose e explorar as
associações entre a QVRS e variáveis sociodemográficas e entre QVRS e sintomas de ansiedade
e depressão. Caso você concorde em participar, vamos precisar de sua colabora ção,
respondendo às perguntas de um formulário com questões sociodemográficas (idade,
naturalidade, ocupação, estado civil, religião). Depois disso, você deverá responder ao
questionário EHP-30, que é composto de 30 itens que avaliam cinco dimensões: dor, controle e
impotência, bem-estar emocional, apoio social e autoimagem, e de um questionário com 23 itens
distribuídos em seis partes: relações sexuais, trabalho, profissão médica, infertilidade,
relacionamento com filhos e tratamento e o instrumento HADS q ue possui 14 questões (sete
para ansiedade e sete para depressão), que abordam sintomas somáticos e psicológicos. Para
isso, você gastará aproximadamente 30 minutos . Os questionários deverão ser respondidos nos
dias de seus retornos ao Hospital das Clínica s da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, em
um local que mantenha sua privacidade, no próprio hospital ou em uma sala reservada no
Laboratório Saúde da Mulher na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de
São Paulo, que fica bem próxima ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto onde você estará sendo atendida, e poderemos nos locomover a pé até lá. Se você
preferir, poderemos também agendar um dia e horário de sua preferência em sua residência. Os
possíveis riscos de sua participação podem ser devido ao desconforto e/ou constrangimento em
fornecer informações sobre o fato de você ter endometriose e sobre as consequências dessa
patologia. Caso esses desconfortos ocorram, estarei à disposição para lhe ajudar, conve rsando e
esclarecendo suas dúvidas ou desconforto. Você poderá também desistir de sua participação já
neste momento ou em qualquer outro, sem prejuízo ao seu atendimento no Hospital das
Clínicas. Além disso, você tem direito à indenização conforme as leis vigentes no país caso
ocorra dano decorrente de sua participação na pesquisa e seu nome verdadeiro não irá aparecer.
Sua identidade será mantida em sigilo e os resultados dessa pesquisa serão divulgados apenas
em revistas e/ou apresentados em eventos científicos. Não haverá custo para você e também não
receberá nenhum auxílio financeiro por participar. Os resultados desta pesquisa não trarão
benefícios diretos para você neste momento, mas sua participação será importante, pois os seus
resultados ajudarão no conhecimento sobre qualidade de vida relacionada à saúde de mulheres
com diagnóstico de endometriose e no seu atendimento pela equipe de saúde. Esta pesquisa foi
aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo (CEP -EERP/USP), que tem como função proteger eticamente o
participante de pesquisa. Você receberá uma via deste documento, assinada pelas pesquisadoras
(Ana Carolina e Marislei).
Eu,_____________________________________________________ concordo em participar
da pesquisa “Endometriose: associação entre qualidade de vida e sintomas de ansiedade e
depressão”, realizada por Ana Carolina Sipoli Canete sob orientação da Profª Drª Marislei
Sanches Panobianco. Endereço e telefone para contato com as pesquisadoras: Av. Bandeirantes,
3900 (Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP) – (16) 3315-3480 ou (16) 981098659. Em
caso de necessidade você poderá entrar em contato com o Comitê de Ética – Escola de
Enfermagem de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo, no endereço: Av. Bandeirantes,
3900 Bairro: Vila Monte Alegre Ribeirão Preto/SP, Telefone: (16) 33159197. Horário de
atendimento do CEP: segunda a sexta-feira, em dias úteis, das 10h às 12h e das 14h às 16h.
Ribeirão Preto, ____de______ de ________ .
Assinatura da informante: _____________________________________________
Pesquisadoras:
Ana Carolina Sipoli Canete Marislei Sanches Panobianco
83
Apêndice 2 - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E
ESCLARECIDO (via eletrônica)
Você está sendo convidada a participar da pesquisa “Endometriose: associação entre
qualidade de vida e sintomas de ansiedade e depressão” que tem o objetivo de avaliar
a qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) de mulhe res com diagnóstico de
endometriose e explorar as associações entre a QVRS e variáveis sociodemográficas
e entre QVRS e sintomas de ansiedade e depressão. Caso você concorde em
participar, vamos precisar de sua colaboração, respondendo ao questionário EHP -30,
que é composto de 30 itens que avaliam cinco dimensões: dor, controle e impotência,
bem-estar emocional, apoio social e autoimagem, e de um questionário com 23 i tens
distribuídos em seis partes: relações sexuais, trabalho, profissão médica, infertilidade,
relacionamento com filhos e tratamento ; o instrumento HADS que possui 14 questões
(sete para ansiedade e sete para depressão), que abordam sintomas somáticos e
psicológicos e a Escala Visual Numérica (EVN), graduada de zero a dez, na qual zero
significa ausência de dor e dez, a pior dor imaginável. Você deverá assinalar um dos
números na linha, indi cando o quanto sente de dor . Para isso, você gastará
aproximadamente 30 minutos. Os questionários /escala estarão logo abaixo do seu
aceite em participar da pesquisa. O s possíveis riscos de sua participação , ao
responder aos questionários/escala, podem ser devido ao desconforto e/ou
constrangimento em fornecer informações sobre o fato de você ter endometriose e
sobre as consequências dessa doença. Caso esses desconfortos ocorram, estarei à
disposição para lhe ajudar, conversando e esclarecendo suas dúvidas ou desconforto.
Você poderá também desistir de sua participação já neste momento ou em qualquer
outro, sem prejuízo ao seu atendimento no Hospital das Clínicas. Além disso, você tem
direito à indenização conforme as leis vigentes no país caso ocorra dano decorrente de
sua participação na pesquisa e seu nome verdadeiro não irá aparecer. Sua identidade
será mantida em sigilo e os resultados dessa pesquisa serão divulgados apenas em
revistas e/ou apresentados em eventos científicos. Não haverá custo para você e
também não receberá nenhum auxílio financeiro por participar. Os resultados desta
pesquisa não trarão benefícios diretos para você neste momento, mas sua
participação será importante, pois os seus resultados ajudarão no conhecimento sobre
qualidade de vida relacionada à saúde de mulheres com diagnóstico de endometriose
e no seu atendimento pela equipe de saúde.
Caso necessite, seguem os contatos com as pesquisadoras:
Pesquisadora: Ana Carolina Sipoli Canete email:
[email protected], telefone: 16 -
981098659
Pesquisadora/orientadora: Marislei Sanches Panobianco – Escola de Enfermagem de
Ribeirão Preto (EERP – USP) – sala 100, Ribeirão Preto-SP, telefone: 16-3315-3480.
Esta pesquisa foi analisada e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com
Seres Humanos (CEP) da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP (EERP/USP.
O CEP também tem a finalidade de proteger as pessoas que participam da pesquisa e
preservar seus direitos. Assim, se for necessário, entre em contato com o CEP da
EERP/USP situado na Av. Bandeirantes, 3.900 - Ribeirão Preto-SP, ou pelo telefone
16-3315-9197, que funciona de 2ª à 6ª feira, em dias úteis, das 10 às 12 e das 14 às
16h, e-mail
[email protected].
Declaro que entendi os objetivos, riscos e benefícios de minha participação na
pesquisa e concordo em participar. Declaro que entendi os objetivos, riscos e
benefícios de minha participação na pesquisa e concordo em participar.
84
Apêndice 3 - Formulário para coleta de dados no
prontuário
Prontuário:_______________ Iniciais do nome:______________ Coleta de
Dados: ___ _/____/___ Naturalidade:
___________________________Procedência:
_______________________________
Cor/raça:__________________________ Idade: _______ anos Data de
Nasc.: ____/____/____
Estado Civil: ( ) solteira ( ) casada ( ) separada/divorciada ( ) viúva
Ocupação:
_______________________________________________________________
_______
Nível de escolaridade da paciente: ( ) analfabeto ( ) fundamental incompleto
( ) fundamental completo ( ) ensino médio incompleto ( ) ensino médio
completo ( ) ensino técnico ( ) superior incompleto ( ) superior completo (
) pós-graduação
Data do diagnóstico: _____/_____/_____ Idade no diagnóstico:
________________ anos
Tipo da endometriose: ( ) Endometriose superficial ( ) End ometriomas
ovarianos ( ) Endometriose infiltrante profunda
Dados Obstétricos: Gestações ( ) Sim ( ) Não
( ) Parto normal/ Quantos?__ ( ) Cesária/ quantos? _____ ( ) Aborto:
Quantos?___
Tipo de Tratamento Realizado: ( )Medicação ( )Cirurgia
Cirurgia: Data__/__/___
Locais dos focos:
_______________________________________________________________
________
Medicações:
85
_______________________________________________________________
Doenças clínicas em tratamento: ( ) Doenças metabólicas ( ) Doen ças
cardiovasculares ( ) Doenças psiquiátricas ( ) Doenças respiratórias ( )
Fibromialgia ( )Doença reumática
Medicação para doenças clínicas:
_______________________________________________________________
86
Anexo A - Endometriosis Heal th Profile Questionnaire -
EHP-30
87
88
89
90
Anexo B - Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS)
ANEXO C - Escala Visual Numérica (EVN)