{"paper_id":"3f10ef47-e54e-45fb-a2e8-55fa971a54f2","body_text":"1 \n \n \nUNIVERSIDADE DE SÃO PAULO \n \nESCOLA DE ENFERMAGEM DE RIBEIRÃO PRETO \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nANA CAROLINA SIPOLI CANETE \n \n \n \n \n \nEndometriose: associação entre qualidade de vida \nrelacionada à saúde e sintomas de ansiedade, depressão \ne dor \n  \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nRIBEIRÃO PRETO \n2021 \n\n \nANA CAROLINA SIPOLI CANETE \n \n \n \n \n \nEndometriose: associação entre qualidade de vida \nrelacionada à saúde e sintomas de ansiedade, depressão \ne dor  \n \n \n \n \n \n \n \n \nDissertação apresentada à Escola de \nEnfermagem de Ribeirão Preto da Universidade \nde São Paulo, para obtenção do título de \nMestre em Ciências, Programa de Pós -\nGraduação em Enfermagem em Saúde Pública.  \n \nLinha de pesquisa: Assistência à saúde da \nmulher no ciclo vital \n \nOrientador: Marislei Sanches Panobianco \n \n \n \n \n \n \n \nRIBEIRÃO PRETO \n2021 \n\n \nAutorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio \nconvencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte.  \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nCanete, Ana Carolina Sipoli  \npppEndometriose: associação entre qualidade de vida relacionada à saúde e \nsintomas de ansiedade, depressão e dor . Ribeirão Preto, 2021. \nppp91 p. : il. ; 30 cm \n \npppDissertação de Mestrado, apresentada à Escola de Enfermagem de \nRibeirão Preto/USP. Área de concentração: Enfermagem em Saúde Pública.  \npppOrientador: Marislei Sanches Panobianco \np \n \n1. Endometriose. 2. Qualidade de vida. 3.Ansiedade. 4.Depressão. 5.Dor.  \n\n \nCANETE, Ana Carolina Sipoli  \n \nEndometriose: associação entre qualidade de vida relacionada à saúde e \nsintomas de ansiedade, depressão e dor  \n \nDissertação apresentada  à Escola de \nEnfermagem de Ribeirão Preto da Universidade \nde São Paulo, para obtenção do título de \nMestre em Ciências, Programa de Pós -\nGraduação em Enfermagem em Saúde Pública.  \n \n \n \n \nAprovado em ........../........../............... \n \n \nPresidente \n \nProf. Dr. ________________________________________________________ \nInstituição: ______________________________________________________ \nComissão Julgadora \n \nProf. Dr. ________________________________________________________ \nInstituição: ______________________________________________________ \n \nProf. Dr. ________________________________________________________ \nInstituição: ______________________________________________________ \n \nProf. Dr. ________________________________________________________ \nInstituição: ______________________________________________________ \n\n \nDEDICATÓRIA \nDedico o presente trabalho aos meus pais Lílian e Teodoro e irmãos Sofia e Bruno \npor serem apoio e conforto ao longo dessa caminhada. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n \nAGRADECIMENTOS \n \nA Deus, por conduzir meus caminhos e me sustentar em todos os desafios. \nAos meus pais, por todo amor, cuidado e amparo. \nA meus irmãos, pelo companheirismo e apoio. \nÀ minha família, fonte de amor e inspiração. \nÀs minhas amigas Aline, Ana Beatriz, Gabriela, Carolina e Erika, pelas infinitas \nconversas, risadas e desabafos que trouxeram leveza a essa jornada. \nÀ minha orientadora Profa. Dra. Marislei, pelos ensinamentos, paciência e \ncuidado ao longo dessa jornada, por ter me acompanhado desde a graduação, \nensinando com dedicação e compartilhando seus conhecimentos. \nÀ companheira de Mestrado Larissa, por sua companhia e apoio essencial nesse \npercurso. \nÀs mulheres, participantes da pesquisa, pela disponibilidade e generosidade para \nparticiparem da pesquisa. \nÀ equipe do Ambulatório de Ginecologia e Dor Pélvica, pela colaboração ao longo \nda pesquisa. \nÀ estatística Miyeko Hayashida, pela análise dos dados, trabalho essencial para \ndesenvolvimento da pesquisa.  \nÀ Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, pelo \naprendizado ao longo da graduação e do Mestrado. \nAo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, pelo apoio \nfinanceiro ao longo da pesquisa \nO presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento \nde Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001 \n \n \n \n\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nE ainda que tivesse o dom de profecia,  \ne conhecesse todos os mistérios \n e toda a ciência,  \ne ainda que tivesse toda a fé,  \nde maneira tal que transportasse os montes,  \ne não tivesse amor, nada seria. \n(1 Coríntios 13:2) \n \n\n \nRESUMO \n \nCANETE, A.C.S. Endometriose: associação entre qualidade de vida \nrelacionada à saúde e sintomas de ansiedade, depressão e dor. 2021. 88 p. \nDissertação (Mestrado em Enfermagem em Saúde Pública) – Escola de \nEnfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, \n2021. \n \nO objetivo do presente estudo foi avaliar a qualidade de vida relacionada à \nsaúde ( QVRS) de mulheres com endometriose ( EDM) e investigar se há \nassociação de QVRS c om variáveis sociode mográficas, histórico de saúde, \nansiedade, depressão e dor. Trata -se de um estudo quantitativo , de corte \ntransversal e de c aráter descritivo correlacional, desenvolvido em um \nambulatório de ginecologia e dor pélvica de um hospital público, localizado no \ninterior de São Paulo. Participaram de 35 mulheres. Foram utilizados os \nseguintes instrumentos para coleta de dados: Questionário de dados \nsociodemográficos e dados clínicos; Endometriosis Health Profile Questionnaire \n(EHP-30); Hospital Anxiety and Depressio n Scale - HADS; Escala Visual \nNumérica (EVN) . Para avaliarmos associação entre variáveis \nsociodemográficas e clínicas, utilizamos os testes não paramétricos Mann -\nWhitney e Kruskal -Wallis. Para avaliarmos a correlação da QVRS com os \nsintomas de ansiedade e d epressão utilizamos o Teste de Correlação de \nSpearman. Já para avaliarmos associação entre QVRS e dor , foi utilizado o \nteste não paramétrico Kruskal -Wallis. O nível de significância foi de α=0,05 . \nHouve prejuízos na QVRS (pontuação média= 68,9)  e as m aiores médias de \nprejuízos foram nas seção  sobre relações sexuais (pontuação média= 68,2) e \nseção sobre tratamento (pontuação média= 64,2). Não houve associação entre \nQVRS e variáveis sociodemográficas e histórico de saúde . As participantes \napresentavam sintomas de ansiedade e depressão – média para a subescala \nde ansiedade = 9,2 pontos (DP=4,9); média para a s ubescala de depressão = \n8,8 pontos (DP=4, 6). Não houve associação entre QVRS e sintomas de \nansiedade (p=0,064) (pontuação média = 9,2 ). Houve a ssociação entre QVRS \ne sintomas de Depressão ( p= 0,001) (pontuação média = 8,8 ). Houve \nassociação entre QVRS e do r (p= < 0,001) . Os achados deste estudo \ncorroboraram dados da literatura, evidenciando a EDM como uma doença \n\n \ncrônica, debilitante e que interfere negativamente na qualidade de vida das \nmulheres que a apresentam.  Diante de s ua sintomatologia exacerbada requer, \nalém de uma avaliação minuciosa de suas causas e do impacto para a \npaciente, a implementação  de adequadas  estratégias terapêuticas \nfarmacológicas, cirúrgicas e psicológicas. \n \nPalavras chave:  Endometriose; Qualidade de vida; Ansiedade; Depressão; \nDor. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n \n \nABSTRACT \n CANETE, A. C. S. Endometriosis: association between health -related \nquality of life and symptoms of anxiety, depression and pain. 2021. 88 p.. \nDissertation (Masters in Public Health Nursing) – University of São Paulo at \nRibeirão Preto College of Nursing, Ribeirão Preto, 2021. \n \nThe aim of the present study was to assess the HRQoL of women with EDM \nand investigate whether there are associations between HRQL and \nsociodemographic variables, health history, anxiety, depression and pain. This \nis a quantitative, cross -sectional and descriptive and correlational study, \ndeveloped in a gynecology and pelvic pain outpatient clinic of a hospital located \nin the interior of São Paulo. A total of 35 women participated in the study. The \nfollowing instruments were used for data collection: Sociodemographic and \nclinical data questionnaire; Endometriosis Health Profile Questionnaire (EHP -\n30); Hospital Anxiety and Depression Scale - HADS; Visual Numerical Scale \n(EVN). To assess the association between sociodemographic and clinical \nvariables, we used the nonparametric Mann -Whitney and Kruskal -Wallis tests. \nTo assess the correlation of HRQoL with symptoms of anxiety and depression, \nwe used the Spearman Correlation Test. In order to assess the asso ciation \nbetween HRQoL and pain, the Kruskal -Wallis non -parametric test was used. \nThe level of significance was α = 0.05. There were losses in HRQOL (mean \nscore = 68.9) and the highest means of losses were in the section on sexual \nintercourse (mean score = 68.2) and section on treatment (mean score = 64.2). \nThere was no association between HRQoL and sociodemographic variables \nand health history. Participants had symptoms of anxiety and depression - mean \nfor the anxiety subscale = 9.2 points (SD = 4.9); mean for the depression \nsubscale = 8.8 points (SD = 4.6). There was no association between HRQL and \nanxiety symptoms (p = 0.064) (mean score = 9.2). There was an association \nbetween HRQL and symptoms of depression (p = 0.001) (mean score = 8.8). \nThere was an association between HRQL and pain (p = <0.001). The findings of \nthis study corroborate literature data, showing EDM as a chronic, debilitating \ndisease that negatively interferes with the quality of life of women who have it. \n \n\n \nKeywords: Endometriosis; Quality of life; Anxiety; Depression; Pain. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n \nRESUMEN \nCANETE, A.C.S. Endometriosis: asociación entre la calidad de vida \nrelacionada con la salud y los síntomas de ansiedad, depresión y dolor.  \n2021. 88 p. Disertación (Maestría en Enf ermería en Salud Pública) - Facultad \nde Enfermería de Ribeirão Preto de la Universidad de São Paulo, Ribeirão \nPreto, 2021. \nEl objetivo del presente estudio fue evaluar la calidad de vida relacionada con la \nsalud (CVRS) de mujeres con endometriosis (EDM) e investigar si existe \nasociación entre CVRS y variables sociodemográficas, antecedentes de salud, \nansiedad, depresión y dolor. Se trata de un estudio cuantitativo, transversal y \ndescriptivo y correlacional, realizado en un ambulatorio de ginecología y dolor  \npélvico de un hospital público, ubicado en el interior de São Paulo. Participaron \n35 mujeres. Para la recolección de datos se utilizaron los siguientes \ninstrumentos: Cuestionario de datos sociodemográficos y clínicos; Cuestionario \nsobre el perfil de salud  de la endometriosis (EHP -30); Escala Hospitalaria de \nAnsiedad y Depresión -HADS; Escala numérica visual (EVN). Para evaluar la \nasociación entre variables sociodemográficas y clínicas, utilizamos las pruebas \nno paramétricas de Mann -Whitney y Kruskal-Wallis. Para evaluar la correlación \nde la CVRS con síntomas de ansiedad y depresión, utilizamos el Test de \nCorrelación de Spearman. Para evaluar la asociación entre CVRS y dolor se \nutilizó la prueba no paramétrica de Kruskal-Wallis. El nivel de significancia fue α \n= 0.05. Hubo pérdidas en la CVRS (puntuación media = 68,9) y las pérdidas \nmedias más altas se produjeron en la sección sobre relaciones sexuales \n(puntuación media = 68,2) y la sección sobre tratamiento (puntuación media = \n64,2). No hubo asociación entre CVRS y variables sociodemográficas y \nantecedentes de salud. Los participantes tenían síntomas de ansiedad y \ndepresión - media para la subescala de ansiedad = 9,2 puntos (DE = 4,9); \nmedia para la subescala de depresión = 8,8 puntos (DE = 4,6). No hubo \nasociación entre la CVRS y los síntomas de ansiedad (p = 0,064) (puntuación \nmedia = 9,2). Hubo una asociación entre la CVRS y los síntomas de depresión \n(p = 0,001) (puntuación media = 8,8). Hubo una asociación entre la CVRS y el \ndolor (p = <0,001). Los hallazgo s de este estudio corroboran los datos de la \nliteratura, mostrando la EDM como una enfermedad crónica y debilitante que \ninterfiere negativamente con la calidad de vida de las mujeres que la padecen. \n\n \nAnte la agudización de sus síntomas, requiere, además de una evaluación \nexhaustiva de sus causas e impacto en el paciente, la implementación de \nestrategias terapéuticas farmacológicas, quirúrgicas y psicológicas adecuadas. \n \nPalabras llave: Endometriosis; Calidad de vida; Ansiedad; Depresión; Dolor. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n  \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n \nLISTA DE ILUSTRAÇÕES \n \nFigura 1 Fluxograma das mulheres que \nresponderam a pesquisa de forma online \n \n..............33 \nFigura 2 Fluxograma da amostra final da pesquisa     34 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n \n \nLISTA DE TABELAS \n \nTabela 1 Distribuição de mulheres atendidas  no AGDP/HCFMRP-\nUSP segundo características pessoais e clínicas (n=35 ). \nRibeirão Preto, SP, Brasil, 2021 \n......41 \nTabela 2 Medidas de tendência e estatísticas descritivas dos \nquestionários centrais e modulares EHP-30 das mulheres \natendidas no AGDP/HCFMRP -USP (n=35). Ribeirão \nPreto, SP, Brasil, 2021 \n......43 \nTabela 3 Escores totais do questionário central EHP-30 entre os \ngrupos das variáveis de características pessoais e \nclínicas das mulheres atendidas no AGDP/HCFMRP-USP \n(n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021 \n......44 \nTabela 4 Medidas de tendência e estatísticas descritivas da escala \nHADS das mulheres atendidas no AGDP/HCFMRP-USP \n(n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021 \n......46 \nTabela 5 Matriz de correlação de Spearman do escore global do \nquestionário central EHP-30 com a escala HADS (n=35). \nRibeirão Preto, SP, Brasil, 2021 \n......46 \nTabela 6 Escores totais do questionário central EHP-30 entre o \ngrupo de variáveis da EVN (N=35), Ribeirão Preto, SP, \nBrasil, 2021 \n \n......47 \n \n \n \n \n \n \n \n\n \n \nLISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS \n \nEDM \nQV \nQVRS \nOMS \nEHP-30 \nHADS \nEVN \nEVA \nAGDP \nHCFMRP \nCEP \nTCLE \nEndometriose \nQualidade de vida \nQualidade de vida relacionada a saúde \nOrganização Mundial da Saúde \nEndometriosis Health Profile Questionnaire \nHospital Anxiety and Depression Scale \nEscala Visual Numérica \nEscala Visual Analógica \nAmbulatório de Ginecologia e Dor Pélvica \nHospital das Clinicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto \nComitê de Ética em Pesquisa \nTermo de Consentimento Livre Esclarecido \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n \nSUMÁRIO \n \n1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 20 \n2 QUESTÃO DO ESTUDO .............................................................................. 28 \n3 OBJETIVO GERAL ....................................................................................... 31 \n3.1 Objetivos Especificos .................................................................................. 31 \n4 MÉTODO ...................................................................................................... 33 \n4.1 Delineamento do estudo ............................................................................. 33 \n4.2 Local do estudo ........................................................................................... 33 \n4.3 Participantes do estudo .............................................................................. 34 \n4.4 Aspectos Éticos .......................................................................................... 34 \n4.5 Coleta de dados .......................................................................................... 34 \n4.5.1 Procedimentos para coleta de dados ........................................................ 35 \n4.5.2 Instrumento para avaliação da QVRS ....................................................... 38 \n4.5.3 Instrumento para avaliação dos sintomas de ansiedade e depressão ...... 39 \n4.5.4 Instrumento para avaliação da intensidade de dor ................................... 40 \n4.6 Variáveis de estudo .................................................................................... 40 \n4.7 Análise de dados ........................................................................................ 41 \n5 RESULTADOS .............................................................................................. 43 \n5.1 Qualidade de vida relacionada à saúde de mulheres com diagnóstico de \nEDM e associação com variáveis sociodemográficas e clínicas ....................... 43 \n5.2 Qualidade de vida relacionada à saúde de mulheres com diagnóstico de \nendometriose e associação com sintomas de ansiedade e depressão ............. 49 \n5.3 Qualidade de vida de mulheres com diagnóstico de endometriose e \nassociação com a dor sentida ........................................................................... 50 \n6 DISCUSSÃO ................................................................................................. 52 \n7 CONCLUSÕES ............................................................................................. 64 \n8 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................... 66 \n9 LIMITAÇÕES DO ESTUDO .......................................................................... 69 \nREFERÊNCIAS ................................................................................................. 71 \nApêndice 1 - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO ......... 82 \nApêndice 2 - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (via \neletrônica).......................................................................................................... 83 \nApêndice 3 - Formulário para coleta de dados no prontuário ............................ 84 \nAnexo A - Endometriosis Health Profile Questionnaire - EHP-30 ...................... 86 \nAnexo B - Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS) ............................... 90 \n\n \nANEXO C - Escala Visual Numérica (EVN)....................................................... 91 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n19 \n \n \nIntrodução  \n \n \n \n \n \n \n  \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n  \n\n20 \n \n \n  \n1 INTRODUÇÃO \nA endometriose (EDM) é uma  doença ginecológica , definida pelo \ndesenvolvimento e crescimento de estroma e glândulas endometriais fora da \ncavidade uterina.  É uma doença inflamatória crônica em mulheres em idade \nreprodutiva, que pode causar dor e infertilidade (TANBO; FEDORCSAK, 2017). \nOs atrasos no diagnóstico são comuns e podem levar a um declínio no potencial \nreprodutivo e na fertilidade (PARASAR; OZCAN; TERRY, 2017). \nEmbora as estimativas da prevalência e incidência da EDM sejam \ndifíceis de calcular devido à ausência de um método diagnóstico não invasivo, \nconclui-se que aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva \nsofrem de EDM. No entan to, a  prevalência pode ser subestimada devido à \ndificuldade em realizar o diagnóstico (SHAFRIR et al., 2018). \nAutores comentam que a EDM pode permanecer sem diagnóstico por 8-12 \nanos, uma v ez que o estágio da doença não se relaciona com a presença ou \ngravidade dos sintomas (KIESEL; SOUROUNI, 2019). Outros relatam que uma \nproporção de mulheres portadoras de EDM é assintomática (2 a 11%), no entanto, \nna maioria das vezes apresentam sintomas significativos, sendo os principais: dor \npélvica crônica, infertilidade, dispareunia de profundidade e sintomas intestinais e \nurinários cíclicos, como dor ou sangramento ao evacuar ou urinar, e dor durante o \nperíodo menstrual (MARQUI, 2014; ZONDERVAN; BECKER; MISSMER, 2020). \nA EDM é uma d oença debilitante que impacta a qualidade de vida (QV) \nde mulheres adultas e adolescentes (PARASAR; OZCAN; TERRY, 2017). Pelo \nfato de se caracterizar como uma doença crônica, que nem sempre apresenta \nremissão satisfatória dos sintomas e ainda levar à infertilidade, a EDM está \nassociada, além da morbidade física, a um impacto negativo no que se refere \nàs questões psicossociais, como depr essão, ansiedade, angústia, tristeza e \nirritabilidade, com consequente diminuição da QV (MARQUI, 2014; MINSON et \nal., 2012; STRATTON; BERKLEY, 2011). \nEntendemos que a QV é fortemente influenciada por esta patologia, uma \nvez que as mulheres podem apresentar dismenorreia e também  dores pélvicas \ncrônicas. Isso pode afetar o trabalho, o lazer e as relações sociais e amorosas. \n\n21 \n \n \nA dor relacionada à EDM também afeta o aspecto psicológico, comprometendo \na qualidade do sono, tornando a mulher ansiosa e deprimida. \n \nEndometriose, Qualidade de Vida e Qualidade de Vida Relacionada à \nSaúde  \nA Organização Mundial de Saúde (OMS) ( 1998) define QV como  “a \npercepção do indivíduo de sua ins erção na vida, no contexto da cultura e \nsistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, \nexpectativas, padrões e preocupações” \nNa conceituação de QV são identificadas duas tendências do termo na \nárea da saúde: um conceito mais genéri co e um relacionado à saúde, que \ndesigna uma série de modelos conceituais, que definem o constructo através \nde dimensões da vida e da percepção individual da saúde (CAMPOLINA et al., \n2011; LOTTI et al., 2008). \nDesta forma, a  QV pode se constituir em um indicador de saúde, tanto \nno seu uso em novas terapias e medicamentos, quanto em análise de sua \nqualidade, e para isso procuram -se maneiras para a validação de tais índices, \ncom base na avaliação do estado físico geral, capacidade funcional para o \ntrabalho, atividade doméstica, intera ção social no ambiente de trabalho e \nfamiliar, função cognitiva em relação à concentração (memória) e , finalmente, \nao estado emocional dos pacientes , com respeito à ansiedade e depressão \n(CAMPOLINA et al., 2011; LOTTI et al., 2008). \nQualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) envo lve, de maneira \ngeral, a ideia da saúde e dos aspectos sociais, psicológicos e físicos sobre el a, \nque incluem aqueles relacionados à saúde, mas excluem outros mais genéricos \ncomo, por exemplo, ganho salarial, liberdade e qualidade do meio ambiente \n(ZANNI; BIANCHIN; MARQUES, 2009). \nDe acordo com (COLWELL et al., 1998) o conceito de QVRS é \nmultidimensional e abarca aspectos psicossociais e físicos.  Costuma ser \nmensurada por meio de instrumentos que avaliam o paciente , levando em \nconta os aspectos globais de sua vida, nos quais são questionados sobre os \nsintomas mais recentes e o atual funcionamento físico, psicológico e social \n(DETMAR, 2003; MENGARDA et al., 20 08). Nesse contexto, o uso de \nquestionários que medem QV (GAO et al., 2006), permite uma avaliação ampla, \n\n22 \n \n \nque transcende os aspectos biológicos do indivíduo (DUBERNARD et al., 2008; \nMINSON et al., 2012). \nSegundo Mengarda et al., (2008), para avaliação de QVRS em mulheres \ncom EDM, dois  instrumentos específicos estão disponibilizados: o \nEndometriosis Health Profile Questionnaire (EHP-30) (ANEXO A), desenvolvido \npor Jones et al.  (2001), e que foi traduzido para o Português e validado por \nMengarda et al. (2008). O segundo é o Health-related Quality-of-life Instrument, \nelaborado por Colwell et al.  (1998). No entanto, somente o EHP -30 teve seus \nitens gerados diretamente a partir de entrevistas com mulheres com EDM, além \nde avaliar a QVRS (MENGARDA et al., 2008) , sendo então esco lhido e \nutilizado para a coleta de dados do presente estudo. \nPesquisas já realizadas mostraram a aplicabilidade  do EHP -30 para \navaliar a QVRS de mulheres com EDM. Este questionário foi utilizado em \nestudo com 1686 mulheres norte-americanas com EDM, para avaliar melhorias \nna QVRS delas, após uso de medicação ao longo de seis meses, e mostrou-se \nadequado para atender  ao objetivo proposto (TAYLOR et al., 2020) . Ainda \nnesse sentido, estudo realizado com 61 mulheres com diagnóstico de EDM nos \nEstados Unidos utilizou o EHP-30 para avaliar QVRS antes e após a rea lização \nda cirurgia laparoscópica e também houve adequabilidade do instrumento para \natingir os resultados esperados (RINDOS; FULCHER; DONNELLAN, 2020). \n \nEndometriose e Sintomas de ansiedade e depressão \nAutores como Minson et al. (2012)e Marqui, (2014) relatam que como a \ndoença e a dor são crônicas, as mulheres com EDM apresentam redução da \nQV, assim como de suas atividades, o que pode causar problemas \npsicossociais, frustração e isolam ento (MATHIAS et al., 1996) . Além de \nimpacto econômico por redução ou perda de horas  de trabalho, internações \nhospitalares devido à dor (WEIR et al., 2005)  e necessidade de cirurgia para \ndiagnóstico ou para avaliar recorrências (BUSACCA et al., 2006; MENGARDA \net al., 2008).  \nDada a etiologia complexa da doença e a presença de aspectos \nmultidimensionais, uma parcela das mulheres submetidas a intervenções \nmedicamentosas e /ou cirúrgicas não apresenta remissão satisfatória dos \n\n23 \n \n \nsintomas, permanecendo com dor, o que, em geral, contribui para a redução da \nQV (MARQUI, 2014; MINSON et al., 2012; STRATTON; BERKLEY, 2011). \nDi Donato et al.  (2014), observaram associação entre depressão, tipo e \nníveis de estresse, e intensidade da dor em mulheres com EDM, e confirmaram \na importância de se tratar a doença do ponto de vista psicossomático, uma vez \nque seus sintomas afetam a mulher em níveis físicos e emocionais, de mo do \nconcomitante. Apontam  que a EDM é uma doença de múltiplas facetas e \ninfluencia na vida das mulheres em diversos níveis, devendo, portanto, ser \ncuidada nesta mesma dimensão. \nOutros autores norte-americanos afirmam que a s mulheres com \ndiagnóstico de EDM p odem apresentar maior risco de depressão e  ansiedade \nem relação àquelas sem diagnóstico da doença (ESTES et al., 2021). Além de \nriscos mais elevados , quando esses sintomas  são apresentados, os níveis de \ndepressão e ansiedade nessas mulheres são  também mais elevado s do que \nentre as  saudáveis, como mostrou estudo israelense realizado com 247 \nmulheres, sendo 135 com diagnóstico de EDM e 112 sem a doença (ESTES et \nal., 2021).   \nEsses dados demonstram a necessidade de se detectar esses sintomas , \nno sentido de atuar de alguma forma sobre eles e amenizar  o sofrimento de \nmulheres com EDM. Uma das fo rmas seria a utilização de instrumentos que \nmedem os níveis de ansiedade e depressão.  \nEm relação à avaliação de depressão e ansiedade, estudo por meio de  \nrevisão, publicado recentemente, aponta que  existem diversos instrumentos \ndescritos na literatura com  essa finalidade , citando como importantes e \nbastante utilizados a  Escala de Ansiedade de Hamilton, o Inventário de \nAnsiedade e Depressão de Beck, o Inventário de Ansiedade IDATE I e II e a \nEscala Hospitalar de Ansiedade e Depressão  (Hospital Anxiety and Depression \nScale- HADS), (VANZELER, 2020). \nAinda segundo Vanzeler, (2020), a maioria das escalas que investigam \nansiedade e depressão foi  criada para avaliar pacientes com transtornos \npsiquiátricos. Já a HADS foi inicialmente construída para avaliar pacientes em \nhospitais e clínicas não psiquiátricas , e em seguida começou a ser usada para \npacientes não internados e livres de transtornos psiquiátricos.  \n\n24 \n \n \nEstudo italiano realizado com 2121 pacientes adultos , internados com \ncâncer, utilizou a HADS para rastrear estado s de ansiedade e depressão. Os \nresultados mostraram que a HADS foi satisfatória para este fim  e, portan to, \npode ser aplicável na prática clínica (ANNUNZIATA et al., 2020). \nOutro estudo realizado no Reino Unido , com 600 participantes, utilizou a \nHADS para investigar dados referentes à ansiedade e depressão na população \nem geral , de forma online, durante o período de distanciamento social em \nrazão da pandemia de COVID -19 e most rou que a escala HADS é bastante \nadequada para tal propósito (WHITE; VAN DER BOOR, 2020). \nDessa forma, apesar de termos abordad o uma população de mulheres \ncom EDM, foi escolhid a a escala HADS (ZIGMOND; SNAITH, 1983) , em s ua \nversão traduzida e validad a para o Português (BOTEGA et al., 1995) (ANEXO \nB), para o presente estudo.  \nA HADS se apresenta  com índice de consistência interna ideal  para \ninstrumentos de triagem, sendo que o alfa de Cronbach para as subescalas de \nansiedade e depressão  é de 0, 68 e 0,77, respectivamente  (BOTEGA et al., \n1995). \n \nEndometriose e intensidade de dor sentida \nA Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP)  define dor \ncomo uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a, ou \nsemelhante àquela associada a  dano real ou potencial ao tecido (RAJA et al., \n2020). Já  a dor crônica foi definida como dor persistente ou recorrente com \nduração superior a 3 meses  (TREEDE et al., 2015) . Devido a sua longa \nduração, a dor crônica perde a função de manter a homeostase e de ser sinal \nde alerta, causa comprometimento funcional, sofrimento, incapacidade \nprogressiva e custo socioeconômico (MARTINEZ et al., 2004). \nOs problemas de dor crônica que envolvem o sistema reprodutivo \nfeminino são os principais problemas de saúde em mulheres de todas as \nidades. Um exemplo é a do r pélvica crônica por função da EDM (LEEN et al., \n2018). Os mecanismos na origem da dor associada à EDM são múltiplos e \ncomplexos (BORGHESE et al., 2018). \nA dor associada à EDM está  ligada a alteraç ões como redução da \ninervação d o sistema nervoso simpático, aumento da inervação sensorial e \n\n25 \n \n \nalterações nos marcadores inflamatórios no fluido peritoneal (COXON; \nHORNE; VINCENT, 2018). \nApesar dos avanços recentes nos tratamentos que modificam a doença, \na dor continua sendo o sintoma mais importante para muitas mulheres com \nEDM. O tratamento da dor associada à EDM requer , além de uma avaliação \ndetalhada de suas causas e impacto para a  paciente, o fornecimento \ncoordenado de estratégias terapêuticas farmacológicas, cirúrgicas e \npsicológicas (MOROTTI; VINCENT; BECKER, 2017). \nMulheres com diagnóstico de EDM apontam que sentem uma dor que \nbeira o insuportável, que pode ultrapassar qualquer mensuração e, em especial \ndestacam que somente é reconhecida e legitimada por quem a vivencia de fato \n(BENTO; MOREIRA, 2018).  \nA avaliação da dor pode ser feita, inicialmente por meio da autoavaliação \ne observação clínica , mas existem os instrumentos de mensuração, como as \nescalas, que funcionam como medida complementar. Atualmente , há uma \ngrande variedade de instr umentos de mensuração, podendo ser  \nunidimensionais (mensuram uma única dimensão ou domínio) ou \nmultidimensionais (mensuram diferentes dimensões ou domínios)  (BARBOSA \net al., 2020). \nRevisão realizada em 2019 , sobre as principais escalas de mensuração \nda dor do paciente oncológico, mostrou que as mais utilizadas pelo profissional \nde enfermagem são  a Escala Visual Analógica (EVA) e a Escala Vi sual \nNumérica (EVN) , por serem objetivas e consideradas uma forma mais rápida \nde indicação da dor (OLIVEIRA; ROQUE; MAIA, 2019). \nA escala visual numérica  (EVN) (ANEXO C) é um instrumento \nunidimensional, graduada de zero a dez, em que  zero significa “ausência de \ndor” e dez, “pior dor imaginável” ; é um instrumento de fácil aplicação e de \nentendimento da forma sobre como ser utilizado (HERRERO et al., 2018). \nEstudo brasileiro , realizado recentemente, com 51 crianças , utilizou a \nEVN para avaliar a dor no pós -operatório de cirurgia ortopédica. A conclusão \nfoi que a escala EVN mostra consistência para avaliar a intensidade da dor \n(FORNELLI et al., 2019). \n\n26 \n \n \nDessa forma, utilizamos a EVN, considerando que ela cumpriria a função \nde mensurar adequadamente e de forma objetiva, a intensidade de dor sentida, \nrelacionada à EDM, relatada pelas participantes da presente pesquisa. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n27 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n Questão do estudo   \n \n\n28 \n \n \n2  QUESTÃO DO ESTUDO \nDiante do exposto, e considerando a proposta deste estudo, de avaliar a \nQVRS de mulheres com diagnóstico de EDM e explorar as associações desse \nconstructo com variáveis sociodemográficas  e clínicas,  com os sintomas de \nansiedade e depressão, e dor, pretendemos responder as seguintes questões:  \n1) Como se apresenta a QVRS de mulheres com diagnóstico de EDM?  \n2) Existe associação entre a QVRS de mulheres com diagnóstico de \nEDM e variáveis sociodemográficas (idade, escolaridade , ocupação, estado \ncivil, cor) e clí nicas (idade no diagnóstico, número de gestações, número de \npartos normais, núme ro de partos cesáreas, número de abortos, tempo de \ncirurgia, medicamento para EDM, tipo de EDM, localização dos focos de EDM, \ndoenças clínicas, medicação para doenças clínicas)?  \n3) Existe associação entre a QVRS de mulheres com diagnóstico de \nEDM e os sintomas de ansiedade e depressão?  \n4) Existe associação entre a QVRS de mulheres com diagnóstico de \nEDM e dor relacionada à doença?  \nDe acordo com a revisão da literatura e com nossa experiência clínica, \nestabelecemos as hipóteses nulas (H0) e verdadeiras (H 1) para as questões: \nHipótese 1:  \nH0: Não existe associação entre a QVRS de mulheres com diagnóstico de EDM \ne variáveis sociodemográficas e clínicas.  \nH1: Existe associação entre a QVRS de mulheres com diagnóstico de EDM e \nvariáveis sociodemográficas e clínicas.  \nHipótese 2:  \nH0: Não existe associação entre a QVRS de mulheres com diagnóstico de EDM \ne os sintomas de ansiedade e depressão.   \nH1: Existe associação entre a QVRS de mulheres com diagnóstico de EDM e \nos sintomas de ansiedade e depressão.  \nHipótese 3:  \n\n29 \n \n \nH0: Não existe associação entre QVRS de mulheres com diagnóstico de EDM e \ndor relacionada à doença.  \nH1: Existe associação entre QVRS de mulheres com diagnóstico de EDM e dor \nrelacionada à doença. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n30 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nObjetivos   \n \n\n31 \n \n \n3 OBJETIVO GERAL \n \nAvaliar a QVRS de mulheres com EDM. \n \n3.1 Objetivos Especificos   \n Investigar se há  a associação entre QVRS e variáveis \nsociodemográficas de mulheres com EDM; \n Investigar se há associação entre QVRS e o histórico de saúde de \nmulheres com EDM; \n Investigar se há  ocorrência de ansiedade e/ou depressão em \nmulheres com EDM; \n Investigar se há  associação entre QVRS e os sintomas de \nansiedade e/ou depressão de mulheres com EDM; \n Investigar se há a associação entre QVRS e dor de mulheres com \nEDM. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n32 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nMétodo \n\n33 \n \n \n4 MÉTODO \n4.1 Delineamento do estudo \nTrata-se de uma pesquisa  quantitativa, de corte transversal e de caráter \ndescritivo correlacional. \nA pesquisa quantitativa é caracterizada por empregar a quantificação \ndos dados, tanto nas mod alidades de coleta de dados , quanto no tratamento \ndos mesmos ; por meio de técnicas estatísticas , ela busca validação das \nhipóteses mediante utilização de dados estruturados, estatísticos, com análise \nde um grande número representativo dos dados coletados, como também, \nquantifica e generaliza os resultados das amostras (OLIVEIRA, 2011). \nJá a pesquisa transversal é aquela em que as variáveis são identificadas \nnum ponto do tempo, e as relações entre as mesmas são determinadas. O \ncaráter descritivo considera qu e tal delineamento tem como objetivo observar, \ndescrever e documentar aspectos de uma situação. O aspecto correlacional do \nmesmo é determinado pela investigação sistemática da natureza das relações \nou associações entre as variáveis, em vez de relações dire tas de causa e \nefeito. Os estudos correlacionais descritivos descrevem as variáveis e as \nrelações que ocorrem entre as mesmas (POLIT, 2019). \n \n4.2 Local do estudo \n \nO estudo foi desenvolvido, em parte, na forma presencial e, em parte, na \nforma remota, com pacien tes do Ambulatório de Ginecologia e dor pélvica do \nHospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão  Preto da \nUniversidade de São Paulo  (AGDP/HCFMRP-USP), onde os atendimentos \nacontecem às sextas-feiras, a uma média de 50 mulheres por dia. Esse \nambulatório é responsável por prestar assistência às mulheres com diagnóstico \nde dor pélvica crônica , que são referenciadas por médicos das unidades  de \nsaúde de Ribeirão Preto e da região. \nCabe lembrar que grande parte da coleta de dados foi realizada em meio \nà pandemia de COVID -19, período no qual todo o atendimento presencial foi \nsuspenso. \n \n\n34 \n \n \n4.3  Participantes do estudo \nPara definição das participantes do estudo foram considerados os \nseguintes critérios: \nCritérios de inclusão: mulheres entre 18 e 50 anos; com diagnóstico \nconfirmado EDM; que estivesse m em atendimento  no AGDP/HCFMRP-USP; \nque tivessem acesso à internet. O limite de idade de 50 anos teve o intuito de \nabordar mulheres que estivessem na menacme. \nCritério de descontinuidade no estudo : mulheres que apresenta ssem \ndificuldades para responder ao formulário de forma presencial ou remota. \nA amostragem foi realizada por conveniência, composta por 35 mulheres \ncom diagnóstico de  EDM, s endo que 14 participaram do estudo de forma \npresencial e 21 de forma remota. \n4.4  Aspectos Éticos \nO estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa -CEP (CAAE \n19896819.7.0000.5393/ Número do Parecer: 3.635.924), e respeita os \nprocedimentos éticos para pesquisas com seres humanos, contidos na \nresolução 466/12, do Conselho Nacional de Saúde.  \nAs mulheres que preenchera m os critérios de elegibilidade foram \ncontatadas durante atendimento  no AGDP/HCFMRP-USP ou via telefone . \nAquelas que previamente concordaram em participar, e cuja coleta de dados \naconteceu de forma presencial , receberam pessoalmente o Termo de \nConsentimento Livre Esclarecido (TCLE) (Apêndice 1). \nJá as que participaram de forma remota, receberam por \nemail/whatsapp, um link do Google docs , com o TCLE  via eletr ônica \n(Apêndice 2). Para estas, o aceite em participar se dava co m a resposta aos \ninstrumentos de coleta de dados.  \nIndependente da forma de participação, o TCLE continha informações \nsobre o objetivo do estudo, ressaltando a participação  voluntária. Além disso, \nfoi assegurado sigilo de suas identidades, direito à recusa , e a possibilidade \nde interromper sua participação na pesquisa a qualquer momento, sem que \nqualquer prejuízo à sua pessoa e/ou tratamento no serviço. \n \n4.5 Coleta de dados  \n\n35 \n \n \n4.5.1 Procedimentos para coleta de dados \nOs dados foram coletados e analisados pela pesquisadora, autora deste \nestudo, sendo que a coleta teve  início em março de 2020, de forma presencial \nno AGDP/HCFMRP-USP, quando foram coletados dados de quatro participantes. \nEm função do advento  da pandemia de COVID -19, a coleta presencial  foi \ninterrompida.  \nEm seguida, o projeto foi novamente submetido ao CEP para \nautorização de coleta de dados por meio eletrônico. Assim, s eguindo as \norientações da OMS e autoridades de saúde do país (Ministério da Saúde) \npara o distanciamento  social, devido à pandemia de COVID -19, entre junho e \ndezembro de 2020  os dados foram coletados por meio eletrônico , após nova \naprovação do CEP . Para o contato com as prováveis participantes foi utilizada \numa listagem das  mulheres com EDM que frequentaram  o ambulatório  para \ntratamento no ano de 2019.  \nAquelas que fizeram parte da amostra que preencheu os instrumentos \nde forma online foi composta, portanto, da seguinte maneira: das 128 mulheres \nque compunham a lista de atendimentos do ano de 2019 do AGDP/HCFMRP-\nUSP, 50 números de telefone , ao serem chamados, respondiam com a \nmensagem de encaminhamento à caixa postal ou de que o número não existia; \n33 mulheres não atenderam a ligação após três tentativas de contato; uma \nmulher informou que estava grávida; duas mulheres tinham mais de 50 anos e \nestavam fora dos critérios de inclusão; duas  mulheres informaram que não \ntinham diagnóstico confirmado  de EDM ; 40 mulheres atenderam a ligação e \ninformaram que poderiam participar. Apesar de confirmarem a disponibilidade \npara participação, 19 mulheres não responderam à pesquisa após 3 tentativas \nde contato. Ao final, 21 responderam à pesquisa na forma online. \n  \n\n36 \n \n \nFigura 1 – Fluxograma das mulheres que responderam a pesquisa de \nforma online \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nLista de atendimentos \nno AGDC-HCFMRP-\nUSP (n=128) \nTelefone na caixa \npostal ou número não \nexiste (n=50) \nNão atenderam após \ntrês tentativas (n=33) \nEstava grávida (n=1) \nInformaram não ter \ndiagnóstico confirmado \n(n=2) \nTinham mais de 50 \nanos (n=2) \nAtenderam ao telefone \n(n=40) \nNão responderam após \ntrês tentativas (n=19) \nResponderam a \npesquisa (n=21) \n\n37 \n \n \nCom o retorno parcial dos a tendimentos presenciais no AGDP/HCFMRP-\nUSP, a coleta também voltou a ser presencial, no período entre janeiro e março \nde 2021, quando foram coletados os dados de mais 10 mulheres. \n \nFigura 2 – Fluxograma da amostra final da pesquisa \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nPara início dos procedimentos, foram selecionadas as mulheres mediante \nos critérios de inclusão propostos . A quelas que responderam à pesquisa de \nforma presencial foram abordadas no saguão de espera do AGDP/HCFMRP-USP, \nforam informadas sobre a pesquisa, e as que aceitaram participar receberam o \nTCLE (Apêndice 1), o EHP -30 (Anexo A), a HADS (Anexo B) e a EVN (Anexo \nC).  \nDados coletados \npresencialmente em \nmarço/2020 (n=4) \nDados coletados online \nem 2020 (n=21) \nDados coletados \npresencialmente entre \njaneiro e \nmarço/2021(n=10) \nTotal de participantes \nda pesquisa (n=35) \n\n38 \n \n \nAs mulheres que responderam de maneira online foram comunicadas \npor telefone e a quelas que confirmaram que tinham  acesso à internet foram \ninformadas sobre a pesquisa. As que aceitaram participar receberam por email \nou whatsapp, um link do Google docs , contendo o TCLE  via eletrônica \n(Apêndice 2), o EHP-30 (Anexo A), a HADS (Anexo B) e a EVN (Anexo C).  \nO formulário para caracterização das p articipantes, com questões sobre \ndados pessoais e dados médicos (Apê ndice 3) foi preenchido pela  \npesquisadora, baseando-se nas informações d os prontuários médicos. Ao \nresponder aos questionários, as mulheres  consideraram adequadas as \norientações do TCLE e concordaram com elas. \nVale destacar que nenhuma mulher apresentou dificuldades para \nresponder ao formulário, seja de forma presencial ou remota.  \n \n4.5.2 Instrumento para avaliação da QVRS \n \nO EHP -30 é um instrumento de autorrelato, desenvolvido no Reino \nUnido em 2001 e validado para o Brasil em 2008  (MENGARDA et al., 2008) . \nSeu objetivo é avaliar a QVRS, especificamente para EDM, com itens \ndesenvolvidos a partir de entrevistas com as pacientes e com perfil \npsicométrico estabelecido (STRATTON; BERKLEY, 2011) . Consiste em um \nquestionário central composto d e 30 itens que avaliam cinco dimensões: dor, \ncontrole e impotência, bem-estar emocional, apoio social e autoimagem. \nO EHP-30 constitui-se também de um questionário modular que pode não \nse destinar a todas as mulheres, sendo de caráter facultativo seu preenchimento \nem algumas seções, pois a mulher pode não se enquadrar no contexto das \nquestões (como não estar trabalhando ou não possuir filhos), e ela ainda tem a \nopção de não responder algumas seções caso as julgue “não importantes”. Ele é \ncomposto por 23 itens distribuídos em seis seções – Seção A: trabalho; Seção B: \nrelação com os filhos ; Seção C: relações sexuais; Seção D: sentimento em \nrelação aos médicos que realizam o tratamento da mulher com endometriose ; \nSeção E: sentimento em relação ao tratamento; Seção F: sentimento em relação \nà dificuldade para engravidar. Todas as perguntas, dos dois questionários , \ncentral e modular, são respondidas considerando-se as últimas quatro semanas. \n\n39 \n \n \nCada escala é transformada em um escore de 0 a 100, em que o menor \nescore significa melhor QV (MENGARDA et al., 2008) . C ada item do \ninstrumento possui cinco categorias de resposta (nunca, raramente, algumas \nvezes, muita s vezes e sempre, pontuadas de 0 a 100, respectivamente). \nAssim, o escore d o módulo é igual ao escore total (somatória dos escores \nbrutos de cada item), divi dido pela pontuação bruta máxima possível de todos \nos itens do módulo, multiplicado por 100 (JONES et al., 2001). \nA relevância do EPH-30, em relação à construção de seus itens se deve \naos achados de literatur a, que apontam que a avaliação realizada pelas \npacientes de sua saúde e bem-estar difere da avaliação realizada por \nprofissionais da saúde (MENGARDA et al., 2008). \nEste instrumento foi validado para o Português, em 2008, e foi aplicado a \numa amostra de 54 mulheres com diagnóstico de EDM, sendo que a avaliação \nda consistência interna apresentou valores de α=0,8 a 0,9, sugerindo \nhomogeneidade entre as questões (MENGARDA et al., 2008). \nO EHP -30 está disponível na plataforma de domínio público; foi \ncomunicado por e-mail a uma das autoras sobre a utilização do instrumento \nneste trabalho , e informado qu e, ao término da pesquisa, os resultados do \nestudo serão encaminhados a elas, caso seja de seu interesse. A autora \ncontatada colocou -se à disposição , em caso de dúvidas a respeito do \ninstrumento. \n4.5.3 Instrumento para avaliação dos sintomas de ansiedade e depressão \n \nPara a avaliação dos sintomas de ansiedade e depressão pelo \ndiagnóstico de EDM, foi utilizada a HADS (ZIGMOND; SNAITH, 1983), em sua \nversão adaptada para o Português (BOTEGA et al., 1995). \nO instrumento HADS poss ui 14 questões (sete para ansiedade e sete \npara depressão), que abordam sintomas somáticos e psicológicos, com escala \nde resposta de quatro pontos. Os valores das respostas variam de zero a três, \ncuja soma pode variar de zero a 21 pontos, para cada um dos transtornos \nemocionais pesquisados.  \nAssim, no presente estudo , a avaliação das respostas foi  realizada com \no valor total de cada subescala (HADS -ansiedade e HADS -depressão). \n\n40 \n \n \nConsidera-se 8 como nota de corte para cada subescala (BOTEGA et al., \n1995). \n4.5.4 Instrumento para avaliação da intensidade de dor  \nA escala utilizada para a avaliação da dor foi a EVN, graduada de \nzero a dez, na qual zero significa ausência de dor e dez,  a pior dor \nimaginável (PEDROSO; CELICH, 2006). A mulher deveria assinalar um dos \nnúmeros na linha, indi cando o quanto ela sente de dor  relacionada à \nendometriose, sendo o número zero, nenhuma dor ; os números um, dois e \ntrês, pouca dor ; os números quatro, cinco e seis , dor razoável ; números \nsete, oito e nove, dor média e o número dez, dor excessiva. \n4.6 Variáveis de estudo \nPara o desenvolvimento do estudo, no sentido de atingir os objetivos \npropostos, foram consideradas as seguintes variáveis. \n Qualidade de Vida de mulheres com EDM: Foi utilizado o EHP- 30 \npara avaliar a QV das particpantes; \n Ansiedade: Foi utilizado o instrumento HADS para percepç ão de \nsintomas de ansiedade; \n Depressão: Foi utilizado o instrumento HADS para percepção de \nsintomas de depressão; \n Dor: Foi utilizada EVN para avaliação da dor autorrelatada em  \nfunção da EDM; \n Idade: Definida pela data de nascimento da paciente que consta \nno prontuário médico; \n Escolaridade: Refere -se ao tempo de permanência e  progressão \ndo ensino escolar da paciente; \n Ocupação: Diz respeito à função ou profissão da paciente; \n Estado Civil: É o termo jurídico que faz referência à situação de \num cidadão em relação ao matrimônio; \n Cor/raça: A cor ou raça da paciente com base na autodeclaração; \n Idade no diagnóstico: A idade que a paciente tinha quando foi \ndiagnósticada com EDM; \n Número de gestaçõe s: Refere -se ao número de gestações \nprévias; \n\n41 \n \n \n Número de partos normais: Refere -se ao número de vezes que a \ngestação foi finalizada por parto normal; \n Número de partos cesáreas: Refere-se ao número de vezes que a \ngestação foi finalizada por parto cesárea; \n Número de abortos: Refere -se à interrupção precoce de uma \ngestação antes que o feto seja capaz de sobreviver fora do corpo \nda mãe; \n Tempo de cirurgia: Trata -se da quantidade em meses em que a \npaciente realizou cirurgia; \n Medicamento para EDM: Via de medicação q ue as pacientes \nusam para tratamento da doença; \n Tipo de EDM: É a caracterização dos tipos EDM em superficial, \nendometriomas ovarianos e EDM infiltrante profunda; \n Localização dos focos de EDM: Refere-se à localização dos focos \nnas pacientes; \n Doenças : Se as pacientes com diagnóstico de EDM apresentam \ndiagnósticos de outras doenças clínicas; \n Medicação para doenças clínicas: Se as pacientes tomam \nmedicações para outras doenças clínicas; \n \n \n4.7 Análise de dados \nOs dados foram primeiramente inseridos no programa Office Excel 2010, \ncom a técnica de dupla digitação das respostas obtidas e posterior validação. Em \nseguida, foram transportados para o Programa IBM® SPSS® Statistics versão \n25.  \nPara avaliarmos associação entre variáveis sociodemográficas e \nclínicas, utilizamos os testes não paramétricos Mann -Whitney e Kruskal -Wallis. \nPara avaliarmos a correlação da QVRS com os sintomas de ansiedade e \ndepressão utilizamos o Teste de Correlação de Spearman. Já para avaliarmos \nassociação entre QVRS e dor , foi utilizado o teste n ão paramétrico Kruskal -\nWallis. O nível de significância foi de α=0,05. \n \n\n42 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nResultados \n \n\n43 \n \n \n \n5 RESULTADOS \nOs resultados estão apresentados conforme os objetivos estabelecidos. \nDessa maneira, na primeira seção (5.1), apresenta-se a análise descritiva da \namostra e análise estatística, a fim de veri ficar associações entre QVRS e as \nvariáveis sociodemográficas e clínicas das mulheres com diagnóstico de EDM. \nNa seção (5.2), está descrita a análise estatística com o prop ósito de \ninvestigar associações entre QVRS e o sintomas de ansiedade e depressão. \nPor fim, na última seção (5.3), está exposta a análise estatística \nrealizada com o o bjetivo de averiguar associação entre QVRS e a dor sentida  \npelas mulheres com diagnóstico de EDM. \n \n5.1 Qualidade de vida  relacionada à saúde de mulheres com \ndiagnóstico de EDM e associação com variáveis  sociodemográficas e \nclínicas  \nEntre as 35 mulheres do AGDP/HCFMRP-USP que participaram do \nestudo, a média de idade foi de 38 anos (DP= 4,94), variando de 27 a 50 anos.  \nA maioria era casada (51,4%), possuía o ensino médio (54,3%), trabalhava \nformalmente (65,7%) e tinha pele de cor branca (80,0%). \nEm relação às suas condições de saúde,  40,0% delas tiveram duas \ngestações ou mais e a maioria não teve abortos espontâneos (88,6%). No que \ndiz re speito aos tipos de partos real izados pelas participantes , 45,9% d elas \nrealizaram pelo menos uma ces ária e 34,4% realiz aram pelo menos um parto \nnormal. Vale ressaltar que 14,3%  das mulheres realizaram  os dois tipos de \nparto. \nA maior parte dos diagnósticos de endometriose ocorreu na faixa de idade \nde 30 a 39 anos (68,6%) , com média de idade de 33 anos  (DP=5,31). J á a \ncirurgia para o tratamento da endometriose havia ocorrido há mais de 24 meses \nentre 40,0% das participantes, sendo que 37,1% de mulheres não realizaram a \ncirurgia.  \nA respeito do uso de medicação para controle para endometriose, 48,6% \nfaziam uso de medicação por via oral , 20 ,0% por via injetável, 5,7%  usavam \ndispositivo intrauterino e 25,7% não faziam uso de medicação.  \n\n44 \n \n \nEm relação à localização de focos de endometriose, a maior parte das \npacientes apresentou um local de foco (77,1%) e tinha endometriose do tipo \nprofunda (71,4%).  A maioria das mulheres apresentou outras doenças , como \ndoenças do sistema endócrino, circulatório, respir atório entre outros  (65,7%) e \n60% do total delas tomavam medicações para essas doenças. \n \nTabela 1 - Distribuição de mulheres atendidas no AGDP/HCFMRP-USP segundo \ncaracterísticas pessoais e clínicas (n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021 \n(Continua) \nVariáveis Frequência % \nIdade (anos) \n  27 – 35 9 25,7% \n36 – 50 27 74,3% \nEscolaridade \n  1º Grau/Ensino fundamental 6 17,1% \n2º Grau/Ensino médio 19 54,3% \nEnsino superior/Pós-graduação 10 28,6% \nOcupação \n  Dona de casa 7 20,0% \nAutônoma 5 14,4% \nTrabalhadora registrada 23 65,7% \nEstado civil \n  Solteira 10 28,6% \nCasada 18 51,4% \nDivorciada/Desquitada 7 20,0% \nCor \n  Branca 28 80,0% \nParda/Negra 7 20,0% \nIdade no diagnóstico (anos) \n  18 – 29 7 20,0% \n30 – 39 24 68,6% \n40 – 49 4 11,4% \nNúmero de gestação  \n  Nenhuma 11 31,4% \nUma 10 28,6% \nDuas ou mais 14 40,0% \nNúmero de parto normal \n  Nenhum 23 65,7% \nUm 8 22,9% \nDois ou mais 4 11,5% \n \n\n45 \n \n \nTabela 1 - Distribuição de mulheres atendidas no AGDP/HCFMRP-USP segundo \ncaracterísticas pessoais e clínicas (n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021 \n(Conclusão) \n   \nVariáveis Frequência % \nNúmero de parto cesárea  \n  Nenhum 19 54,3% \nUm 10 28,6% \nDois ou mais 6 17,1% \n \nNúmero de aborto \n  Nenhum 31 88,6% \nUm 4 11,4% \nTempo que realizou a cirurgia \n(meses) \n  \nAté 24 \n \n8 22,9% \n>24 24 40,0% \nNão realizou cirurgia 13 62,9% \nMedicamento para \nendometriose \n  Via oral 17 48,6% \nVia injetável 7 20,0% \nDispositivo intrauterino 2 5,7% \nNão usa medicação 9 25,7% \nTipo da endometriose \n  Outras 10 28,5% \nProfunda 25 71,5% \nQuantidade de focos de \nendometriose \n  Um local 27 77,1% \nDois ou mais 8 22,9% \nTem outra patologia \n  Sim 23 65,7% \nNão 12 34,3% \nUso de medicação para \ndoenças   \n  Sim 21 60,0% \nNão 14 40,0% \nDados do autor, 2021 \n \nNa avaliação da QVRS, no  questionário central , a média f oi de 68,9 \npontos (DP= 16,9), indicando prejuízo na QVRS , uma vez que quanto maior a \npontuação (mais próxima de 100), menor a QV.  \n\n46 \n \n \nNa Tabela 2  estão apresentados os módulos que compõe m o EHP- 30. \nDestaca-se que na seção A, 31,4% das mulheres declararam que  não estão \ntrabalhando; n a seçã o B, sobre relacionament os com os fi lhos, 34,3% \nafirmaram que não têm filhos; na seção C, sobre relaç ões sexuais, apenas \n5,7% indicaram que esse item era “não importante”. Na seção E, relacionada \nao tratamento, 5,7% das mulhe res não responderam por considera rem “não \nimportante” essa questão . Na seção F, sobre dificuldade para engravidar, \n34,3% das participantes não responderam, pois também a consideravam “não \nimportante”. \nTabela 2 - Medidas de tendência e estatísticas descritiv as dos questionários \ncentrais e modulares EHP -30 das mulheres atendidas no AGDP/HCFMRP-USP \n(n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021 \nVariáveis n válido Mínimo – Máximo Média (DP) \nQuestionário \ncentral 35 22,0 – 86,7 68,9 (16,9) \nSeção A – \nTrabalho 24 20,0 – 84,0 48,5 (20,6) \nSeção B – \nRelacionamento \ncom os filhos 23 20,0 – 90,0 51,3 (20,0) \nSeção C- \nRelações Sexuais 33 20,0 – 100,0 68,2 (21,5) \nSeção D- \nRelacionamento \ncom médicos 35 20,0 – 90,0 39,0 (21,1) \nSeção E- \nTratamento 33 20,0 – 100,0 64,2 (21,5) \nSeção F- \nDificuldade para \nengravidar 23 20,0 – 100,0 60,4 (20,9) \nDados do autor, 2021 \n \n Os resultados da aplicação dos testes estatísticos  Mann-Whitney e \nKruskal-Wallis não mostraram associações entre QVRS e variáv eis de \ncaracterísticas pessoais e clínicas [H0 é verdadeira nesta questão], (Tabela 3). \n\n47 \n \n \nTabela 3- Escores totais do questionário central EHP-30 entre os grupos das \nvariáveis de características pessoais e clínicas das mulheres atendidas no \nAGDP/HCFMRP-USP (n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021 \n(Continua) \nVariáveis \nn \nválido \nMínimo – \nMáximo \nMédia \n(DP) Valor p \nIdade (anos) \n   \n0,110* \n27 – 35 9 58,0 - 86,7 \n72,6 \n(10,4) \n \n36 – 50 26 22,0 - 85,3 \n66,4 \n(18,1) \n Escolaridade \n   \n0,124** \n1º Grau/Ensino fundamental 6 74,7 - 85,3 80,4 (3,8) \n \n2º Grau/Ensino médio 19 22,0 - 84,0 \n69,0 \n(15,0) \n Ensino superior/Pós-\ngraduação 10 23,3 - 86,7 \n61,8 \n(21,8) \n Ocupação \n   \n0,545** \nDona de casa 7 22,0 - 85,3 \n71,5 \n(22,5) \n \nAutônoma 5 46,0 - 82,7 \n69,5 \n(14,1) \n \nTrabalhadora registrada 23 23,3 - 86,7 \n68,0 \n(16,2) \n Estado civil \n   \n0,942** \nSolteira 10 22,0 - 86,7 \n68,2 \n(19,5) \n \nCasada 18 23,3 - 85,3 \n68,1 \n(18,6) \n Divorciada/Desquitada 7 62,0 - 83,3 72,0 (7,7) \n Cor \n   \n0,920* \nBranca 28 22,0 - 86,7 \n69,3 \n(15,7) \n \nParda/Negra 7 23,3 - 85,3 \n67,3 \n(22,4) \n Idade no diagnóstico \n(anos) \n   \n0,648** \n18 – 29 7 54,7 - 83,3 \n69,5 \n(11,5) \n \n30 – 39 24 22,0 - 86,7 \n67,3 \n(19,1) \n 40 – 49 4 68,0 - 83,3 77,5 (6,7) \n Número de gestação  \n   \n0,746** \nNenhuma 11 23,3 - 86,7 \n66,9 \n(20,8) \n \nUma 10 48,7 - 84,0 \n68,3 \n(12,6) \n \nDuas ou mais 14 22,0 - 85,3 \n70,9 \n(17,2) \n  \n \n\n48 \n \n \nTabela 3- Escores totais do questionário central EHP -30 entre os grupos das \nvariáveis de características pessoais e clínicas das mulheres atendidas no \nAGDP/HCFMRP-USP (n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021 \n(Continua) \nVariáveis n válido \nMínimo – \nMáximo Média (DP) Valor p \nNúmero de parto normal \n   \n0,135** \nNenhum 23 23,3 - 86,7 \n69,8 \n(16,5) \n \nUm 8 22,0 - 82,7 \n61,3 \n(19,5) \n Dois ou mais 4 68,0 - 85,3 79,1 (7,7) \n Número de parto cesárea  \n   \n0,817** \nNenhum 19 23,3 - 86,7 \n68,3 \n(17,3) \n \nUm 10 22,0 - 84,0 \n66,8 \n(19,5) \n \nDois ou mais 6 52,0 - 83,3 \n74,4 \n(11,4) \n Número de aborto \n   \n0,277* \nNenhum 31 22,0 - 86,7 \n67,7 \n(17,5) \n Um 4 68,0 - 83,3 78,1 (7,2) \n      \nTempo que realizou a cirurgia \n(meses) \n   \n1,000* \nAté 24 9 22,0 - 83,3 68,5 (19,6) \n >24 13 23,3 - 85,3 67,5 (19,1) \n Medicamento para \nendometriose \n   \n0,860** \nVia oral 17 22,0 - 86,7 69,1 (18,3) \n Via injetável 7 58,0 - 81,3 71,3 (7,8) \n Dispositivo intrauterino 2 58,0 - 83,3 70,6 (17,9) \n Não usa medicação \n    Tipo da endometriose \n   \n0,070* \nOutras 10 52,0 - 85,3 75,7 (11,9) \n Profunda 25 22,0 - 86,7 66,2 (18,0) \n  \n \n\n49 \n \n \nTabela 3- Escores totais do questionário central EHP -30 entre os grupos das \nvariáveis de características pessoais e clínicas das mulheres atendidas no \nAGDP/HCFMRP-USP (n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021 \n(Conclusão) \nLocalização dos focos de \nendometriose \n  \n \n \n \n \n \n0,206* \nUm local 27 46,0 - 86,7 72,2 (11,9) \n Dois ou mais 8 22,0 - 82,7 57,8 (26,1) \n Tem outra doença clínica \n   \n0,482* \nSim 23 22,0 - 86,7 67,0 (18,5) \n Não 12 40,0 - 84,0 72,5 (13,4 \n Uso de medicação para \ndoença clínica \n   \n0,881* \nSim 21 22,0 -86,7 67,5 (19,2) \n Não 14 40,0 - 84,0 71,1 (13,0) \n  \n5.2 Qualidade de vida relacionada à saúde de mulheres com \ndiagnóstico de endometriose e associação com sintomas de ansiedade e \ndepressão \nNa Tabela 4 , observa-se a análise da  escala HADS para avaliação da \npercepção de sintomas de ansiedade e depressão.  A média para sintomas de \nansiedade foi de 9,2 (DP= 4,9) e para depressão foi de 8,8 (DP= 4,6), indicando \nque as mulheres d este estudo apresenta ram sintomas de ansiedade e \ndepressão. \n \nTabela 4- Medidas de tendência e estatísticas descritivas da escal a HADS das \nmulheres atendidas no AGDP/HCFMRP-USP (n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, \n2021 \nVariáveis n válido Mínimo – Máximo Mediana Média (DP) \nAnsiedade 35 1,0 – 19,0 11,0 9,2 (4,9) \nDepressão 35 1,0 – 19,0 10,0 8,8 (4,6) \nDados do autor, 2021 \nAo realizar a análise estatística para verificar a associação entre QVRS e \nsintomas de ansie dade e depressão, observa -se na Tabela 5 que, segundo o \nteste de correlação de Spearman, existe associação entre QVRS e sintomas de \n\n50 \n \n \ndepressão (p= 0,001) e não existe associação entre QVRS e  sintomas de  \nansiedade (p= 0,064). Sendo assim, a hipótese pensada para essa questão é \nverdadeira para a associação com depressão e nula para associação com \nansiedade. \nTabela 5 - Matriz de correlação de Spearman do escore global do questionário \ncentral EHP-30 com a escala HADS (n=35). Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021 \nEscore global  \nHADS \n Ansiedade        Depressão \nCoeficiente de Correlação de Spearman 0,316 0,541 \nValor p 0,064 0,001 \nn válido 35 35 \nDados do autor, 2021 \n \n5.3  Qualidade de vida de mulheres com diagnóstico de endometriose  e \nassociação com a dor sentida \nAo analisar a escala EVN , constatou-se que  40,0% das mulheres \nclassificou a dor sentida como média . Para 28 ,6% das mulheres , a dor é \nexcessiva; 20,0% classificaram a dor como razoável, 5,7% como pouca dor e \n5,7% como nenhuma dor. \nNa Tabela 6, conforme o Teste Kruskal -Wallis, verificou -se que existe \nassociação entre QVRS e dor (p < 0,001) [H1 é verdadeira]. \n \nTabela 6 - Escores totais do questionário central EHP-30 entre o grupo de \nvariáveis da EVN (N=35), Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2021 \nVariáveis n válido \nMínimo – \nMáximo Mediana \nMédia \n(DP) Valor p \nClassificação -  \n    \n<0,001** \nNenhuma (0) 2 22,0 - 23,3 22,6 22,6 (0,9) \n \nPouca (1 a 3) 2 40,0 - 54,7 47,3 \n47,3 \n(10,4) \n Razoável (4 a 6) 7 46,0 - 68,0 58,0 59,0 (9,1) \n Média (7 a 9) 14 52,0 - 84,0 76,3 74,5 (9,0) \n Excessiva (10) 10 74,0 - 86,7 82,7 81,5 (3,9) \n **Teste Kruskal-Wallis. \n \n \n\n51 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nDiscussão \n\n52 \n \n \n6 DISCUSSÃO \n \nA EDM é uma doença crônica que atinge mulheres na idade reprodutiva , \ne na presente investigação a média de idade das participantes foi de 38 anos. \nDados apresentados por outro estudo realizado no Brasil , com 237 mulheres , \napresentaram média de idade de 36 anos (CARDOSO et al., 2020) , e estudo \nespanhol (MUNDO-LÓPEZ et al., 2020)  que a maioria da s 230 mulheres \npesquisadas era casada e trabalhava  fora, e dessa forma, ambos vão  ao \nencontro dos achados deste estudo.  \nConhecendo os sintomas da EDM  e diante da cronicidade da do ença, \nesses dados nos permitem inferir que essas mulheres jovens, em idade \nprodutiva e reprodutiva ficam expostas a  graves consequências, tanto na vida \nfamiliar, como na afetiva e no trabalho , merecendo atenção especial da equipe \nde saúde que as assiste.  \nJá em relação ao nível de escolaridade, a maioria das mulheres \nespanholas (MUNDO-LÓPEZ et al., 2020)  e também as de um estudo norte -\namericano com 495 mulheres, apresentava nível superior (84,7%) (HEMMERT \net al., 2019)  enquanto que as participantes do presente estudo  apresentavam \nnível médio , indicando uma escolaridade reduzida , em compara ção com \naquelas de país desenvolvido. Esse fator pode interferir, tanto no acesso aos \nserviços de saúde, quanto no entendimento das orientações e cuidados, \nespecialmente aqueles relativos à EDM.  \nHouve predomínio de mulheres brancas nesta pesquisa. Nesse sentido, \numa revisão sistemática , publicada em 2019 , mostrou que embora o \ndiagnóstico de EDM pareça ser meno s frequente  em mulheres negras , em \ncomparação com brancas, isso pode acontece r devido a  uma diferença na \napresentação dos sintomas ou até mesmo ser uma tendência entre os \nprofissionais de saúde em não considerar em esse diagnóstico em mulheres \npretas (BOUGIE et al., 2019) . Sendo assim, ainda não é possível concluir com \nsegurança que a EDM tem maior prevalência em mulheres brancas.  \nSobre as condições de saúde, foi constatado que a maioria das mulheres \nque pesquisamos teve mais de dois partos e somente 11,4% referiram abortos \nespontâneos, contrariando dados de e studos que indicam a endometriose \ncomo um fator de risc o para esta condição (EXACOUSTOS et al., 2016; \n\n53 \n \n \nMINEBOIS et al., 2017) . Autores complementam afirmando que m ulheres com \ndiagnóstico de EDM podem apresentar mais complicações durante a gravidez \ncomo parto prematuro, placenta prévia, descolamento prematuro da placenta e \nhipertensão, quando comparadas ao grupo de mulheres sem diagnóstico da \ndoença (EXACOUSTOS et al., 2016) . Estes dados não foram investigados na \npresente pesquisa. \nO tipo de parto mais frequente entre as partici pantes deste e studo foi o \nparto cesárea. Nesse sentido, e studo dinamarquês, publicado em 2017, \nmostrou que mulheres com diagnóstico de EDM apresentam risco aumentado \nde pré-eclâmpsia, parto prematuro e cesariana (GLAVIND et al., 2017) e outros \nautores afirmam ainda que a endometriose aumenta o risco de complicações \nobstétricas, morbidade e mortalidade neonatal (BERLAC et al., 2017) . Cabe \ndestacar, no entanto, que  apesar dessas considerações, a as sistência \nobstétrica no Brasil apresenta, em geral , uma prevalência de cesarianas \nbastante elevada (ZAIDEN et al., 2020). \nO atraso no diagnóstico é outro fator importante na vida das mulheres \nque convivem com os sintomas de EDM. A maior parte das participantes de \nestudo realizado na Austrália e Nova Zelândia , com 2061 mulheres com \ndiagnóstico de EDM , tinha em média 24 anos quando recebeu  o diagnóstico  \n(RUSH et al., 2019), dado diferente do encontrado no presente estudo, em que \nas mulheres tinham em média 33 anos, ou seja, demoraram mais tempo para \nserem diagnósticas. No presente estudo não foi possível analisar a idade inicial \ndos sintomas de EDM, uma vez que esses dados não estavam disponíveis nos \nprontuários médicos , mas ainda  assim, a idade registrada mostra uma \ndiferença para mais, quando comparada à dos países desenvolvidos . Esse \natraso pode ser prejudicial  à mulher, física e emocionalmente, principalmente \nse os sintomas por ela apresentados forem intensos. \nEstudo sueco publ icado em 2020, comenta que o atraso no diagnóstico \ndas 431 mulheres analisadas foi de cerca de cinco anos. Esse tempo foi \nmedido desde a primeira consulta por causa dos sintomas relacionados à EDM \naté o diagnóstico (GRUNDSTRÖM et al., 2020). \nEstudo realizado na Suécia mostra que os atrasos no diagnóstico geram \nprejuízos financeiros, uma vez que as mulheres com EDM utilizam mais \ncuidados de saúde  do que as sem diagnóstico da doença , tanto antes como \n\n54 \n \n \ndepois do diagnóstico. O fato de  reduzir o tempo de diagnóstico e a umentar a \nconscientização sobre a doença, tanto entre mulheres quanto entre a equipe de \nsaúde, permite  que as mulheres comecem a desenvolver mecanismos de \nenfrentamento e assim possam aumentar a produtividade e resultar em melhor \nQV (GRUNDSTRÖM et al., 2020). \nAinda em relação à sintomatologia, a  equipe médica deve estar atenta \naos padrões diferentes de sintomas e incluir a EDM em seus diagnósticos para \nmulheres adolescentes e adultas jovens que apresentam dor pélvica não cíclica \n(DIVASTA et al., 2018) . Armour et al. ( 2020) realizaram estudo com  409 \nmulheres australiana s, e constataram  que houve  diminuição significativa no \ntempo de diagnóstico da EDM, ao longo dos anos, provavelmente devido à \nmelhoria nas diretrizes para diagnóstico e tratamento  e maior conscientização  \ndas mulheres para se atentarem aos sintomas, através de ações como o Mês \nda Conscientização da Endometriose. Entretanto, o atraso do diagnóstico ainda \nexiste e gera uma carga negativa para as mulheres com sintomas de EDM.  \nOutro aspecto que merece atenção é a realização da cirurgia para \nexploração e ressecç ão dos focos de EDM. No presente estudo , 37,1% das \nmulheres haviam realizado a cirurgia há mais de dois anos , à época da coleta \ndos dados. A cirurgia para ressecção dos focos de endometriose pode trazer \nmelhora significativa nos resultados da fertilidade e  nos sintomas de dor, no \nentanto, ainda não existe consenso sobre quando indicá-la (KHO et al., 2018). \nEm relação à cirurgia para EDM ovariana foi constatado que pode \nocorrer impacto na reserva ovariana, por isso todos os fa tores devem ser \nconsiderados antes da realização (KHO et al., 2018). É necessário que a \nequipe médica faça um diagnóstico preciso sobre as condições das pacientes e  \npor meio  disso elabore  um tratamento personalizado, considerando as \nvantagens e desvantagen s de cada possibilidade de intervenção (LEE et al., \n2020). Com os avanços tecnológicos e das  técnicas cirúrgicas , é possível \nreduzir a angústia e o sofrimento das mulheres que sofre m de EDM (NEZHAT \net al., 2019). \nVerificou-se que maioria das mulheres des ta amostra faz uso de \nmedicação por via oral para tratamento da doença. Em relação ao  tratamento \nmédico da EDM, este é direcionado ao controle da dor e à supressão do tecido \ndo endométrio. Ao longo dos anos, novas opções terapêuticas foram \n\n55 \n \n \nproduzidas e usa das com sucesso para atingir esse objetivo e novas \npossibilidades estão sendo desenvolvidas com rapidez.  As terapias hormonais \nque dependem da supressão dos tecidos endometriais incluem \nanticoncepcionais orais combinados, anticoncepcionais apenas com \nprogesterona, agonistas do hormônio liberador de gonadotrofina, inibidores da \naromatase e danazol. Apesar do grande êxito que alcançam, apresentam \nefeitos colaterais desagradáveis secundários  como irritabilidade, náuseas, \ninsônia e precisam ser monitorados de perto (RAFIQUE; DECHERNEY, 2017). \nO tratamento medicamentoso pode fornecer um alívio temporário, porém \na maioria das pacientes obtêm alívio da dor em longo prazo quando combinado \ncom intervenção cirúrgica (NEZHAT et al., 2019). \nEm relação às les ões de EDM, a  maioria delas está localizada na \ncavidade pélvica. Entretanto, podem ser encontradas na cavidade abdominal, \ndiafragma e na pleura e de forma excepcional nas regiões intra -\nparenquimatosas como fígado, pulmão e cérebro (BORGHESE et al., 2018).  \nA EDM po de ser caracterizada pelos seguintes tipos : endometriose \nsuperficial, endometriomas ova rianos e endometriose  infiltrante profunda \n(AUDEBERT et al., 2018) . No presente estudo , a maioria das mulheres \napresentou endometriose do tipo profunda e com focos localizados em uma \nregião. A EDM do tipo profunda é definida como invasão subperitoneal por \nlesões endometrióticas que excedem 5 mm de profundidade (COUTINHO et al., \n2011). As apresentações clínicas de cada um dos tipos de EDM variam entre as \nmulheres, assim como as recomendações de tratamento geralmen te são \nbaseadas de acordo com os sintomas e a presença de inf ertilidade (KHO et al., \n2018). \nComo discutido anteriormente , a EDM apresenta como principais \nsintomas dismenorreia, dor pélvica crônica e infertilidade, que podem resultar na \ndiminuição da QV das mulheres com esse diagnóstico . Pesquisadores afirmam \nque atualmente existe grande interesse em incorporar a avaliação da QVRS \nnos estudos clínicos e no manejo clínico de rotina de doenças, incluindo a EDM \n(ADOAMNEI et al., 2021) . No presente estudo, para esta avaliação, a \npontuação média das mulheres pesquisadas foi de 69,9 pontos (DP= 16,9) no \nquestionário central do EPH -30. De acordo com a análise do instrumento , \n\n56 \n \n \nquanto maior a pontuação, menor é a QV. Dessa forma, este valor sugere  que \nas mulheres desse estudo apresentam redução expressiva da QVRS.  \nAs questões quanto à dor e ao seu  controle, assim como  impotência, \nbem-estar emocional, apoio social e autoimagem , no questionário aplicado às \nparticipantes, estão relacionadas a insatisfações nos mais diferentes aspectos . \nA pontuação acima apontada  indica que sua QV pode estar  prejudicada, \nconsiderando-se que esses fatores têm impacto no seu dia a dia, e com isso as \nalterações negativas podem interferir na auto confiança, prejudicando as \ninterações sociais, as tarefas que deixam de realizar diariamente e até mesmo \na escolha da roupa, uma vez que sintomas como dor e inchaço abdominal \npodem limitar essa escolha.  \nNesse sentido, as evidências científicas afirmam  que a EDM \nnormalmente tem impacto na QV de pacientes, com consequências negativas \nnas atividades de vida diária, função sexual e relações pessoais  (CHAPRON et \nal., 2019) . Segundo Soliman et al.  (2017) em estudo realizado nos Estados \nUnidos, com o intuito de examinar a carga sintomática da EDM na Q VRS, à \nmedida que a gravidade dos sintomas e o número de sintomas aumentam, a \nQVRS piora. Outro estudo que investigou a QV de mulheres com EDM mostrou \nque a doença abala várias áreas da vida e que a melhoria do bem -estar geral, \npor meio  do tratamento , deve ser o principal objetivo dos ginecologistas \n(FLORENTINO et al., 2019). \nEm relação à QVRS, estudo espanhol mostrou que as pacient es com \ndiagnóstico de EDM têm prejuízo quando comparadas com mulheres sem \ndiagnóstico da doença. Ademais, não foram demonstradas difere nças \nsignificativas na QVRS entre pacientes com EDM assintomática e o grupo \ncontrole, demonstrando que os sintomas ou a gravidade da EDM têm grande \nimpacto na QVRS dessas mulheres (ADOAMNEI et al., 2021). \nOutro impacto observado no  contexto de vida de nossas participantes  \nestá relacionado ao trabalho. Nesta seção, o questionário  aplicado aborda \nquestões relativas  à produtividade e necessidade de se ausentar do trabalho  \ndevido aos sintomas da doença . Neste estudo, a média no questionário \nmodular na seção sobre trabalho foi de 48,5 pontos (DP= 20,6), mostrando um \ncomprometimento moderado. \n\n57 \n \n \nUma pesquisa online, realizada com mulheres americanas , mostrou que \nexiste relação ent re a gravidade dos sintomas relatados e a perda de \nprodutividade no trabalho. Sintomas como dor pélvica crônica, dismenorreia e \ndispareunia podem levar à diminuição da produtividade (SOLIMAN et al., 2017). \nAcrescenta-se que a s mulheres com diagnóstico de EDM apresentam menor \ncapacidade para o trabalho devido aos sintoma s e tiram mais licenças médicas \nquando comparadas com mulheres que não são afetadas pela doença (ROSSI \net al., 2021).  \nDessa forma, as mulhere s com diagnóstico de EDM podem apresentar \nmais dificuldades no trabalho, uma vez que nem sempre o empregador entende \nseus pedidos de  afastamentos por conta da doença , gerando assim uma \nsobrecarga estressante. Os afastamentos não trazem problemas apenas par a \nos empregadores, mas sobretudo para as mulheres que passam a se sentir \nculpadas por não cumprir a carga horá ria e suas responsabilidades com o  \ntrabalho. \nAs mulheres com EDM podem apresentar ainda algumas limitações \nfísicas devido à dor, e isso pode influenciar na relação com os filhos. Pacientes \nrelatam que gostariam de sair e brincar com as crianças sem precisar parar \ndevido à dor ou assistir a um filme sem ficar desconfortável na posição sentada \n(KITCHEN et al., 2021).   \nO questionário EHP -30 apresenta uma seção direcionada ao \nrelacionamento com os filhos. A média encontrada neste est udo foi de 51 ,3 \npontos (DP=20,0), indicando que esse é um fator com influ ência na diminuição \nda QV das participantes. As mulheres podem ficar frustradas por não conseguir \nbrincar e cuidar dos filhos da  maneira que gostariam, uma vez que a EDM \napresenta sintomas que prejudicam a capacidade física e com isso dificulta a \nrealização dessas atividades. \nHá também evidências na literatura , inclusive em publicações recentes,  \napontando os prejuízos que os sintomas da EDM causam na vida das mulheres \ncom esse diagnóstico, incluindo aqueles relativos à  vida sexual. Autores que \nestudaram a QV sexual de mulheres com EDM mostra m que o impacto da \ndoença é grande. A dispareunia é um dos principais sintomas da doença, afeta a \nvida sexual dos casais visto que, diminui a frequê ncia das relações sexuais, \n\n58 \n \n \npiorando a QV sexual do casal (BERNAYS et al., 2020; DELLA CORTE et al., \n2020). \nCorroborando esses dados, n este estudo, a maior média  encontrada no \nquestionário modular foi na seção relacionada a relações sexuais  (média de \n68,2 pontos) (DP= 21,5), que discute diversas questões, inclusive o sentimento \nde frustações e culpa  que as mulheres sentem por não ter bom desempenho \nnas relações e na vida sexual, por conta dos sintomas da EDM.  \nA última seção avaliada pelo questionário modular é relacionada a \ndificuldades para engravidar , trazendo aspectos como preocupação  e \nsentimento de incapacidade  por não conseguir ter filhos  e i nfluência da \ninfertilidade no casamento . A m édia apresentada neste estudo foi de 60,4 \npontos (DP=20,9), indicando um  aspecto relevante para a redução da QVRS \ndas mulheres estudadas.  \nA infertilidade é um fator que acompanha a endometriose, por isso \nmuitas mulheres têm grande preocupação com essa questão, especialmente se \nencontram-se em idade reprodutiva, ou próximo de ultrapassá-la. As causas da \ninfertilidade associada à EDM são múltiplas. Pode haver um papel óbvio para \nas distorções anatômicas e o processo de adesão ass ociado às lesões de \nEDM, impactando notavelmente a permeabilidade tubária (BORGHESE et al., \n2018). Autores discutem que aproximadamente 30% a 50% das mulheres que \ntêm o diagnóstico de EDM também lutam contra a infertilidade (EVANS; \nDECHERNEY, 2017). \nO tratamento da infertilidade associada à EDM consiste em reduzir ou \nremover os focos endometria is e restaurar a anatomia pélvica normal por meio \nde tratamento clínico ou cirúrgico e podendo utilizar tecnologia de reprodução \nassistida (FILIP et al., 2020). Além disso, como a EDM é uma doença que pode \napresentar risco para a função ovariana, causando falência pr ematura do \nórgão, é necessário ofertar técnicas de preservação para fertilidade (CALAGNA \net al., 2020). \nA infe rtilidade pode afetar não só o bem -estar das pacientes, como \ntambém as relações pessoais, uma vez que have ndo a infertilidade a paciente \npode apresentar sentimentos de preocupação e melancolia que refletem em \nsuas relações. Considerando a ideia construída pela sociedade de que a \nmulheres devem ser capazes de conceber uma vida, o fato de não conseguir \n\n59 \n \n \nengravidar pode gerar julgamentos internos e externos (SILVA et al., 2021) , \npiorando a situação da mulher que já enfrenta os diversos e incômodos \nsintomas da EDM. \nA EDM apresenta, portanto,  um quadro complexo e, diante de tantas \nconsequências maléficas, vale lembrar que os fatores psicológicos representam \npapel importante na indicação da  gravidade dos sintomas e da eficácia dos \ntratamentos. Em relação a isso, os resultados do presente estudo mostraram \nque a média encontrada com a aplicação da  HADS para a subescala de \nansiedade foi de 9,2 pontos (DP=4,9) e para subescala de depressão a média \nfoi de 8,8  pontos (DP=4,6), indicando , dessa forma,  que as participantes  \napresentavam sintomas de ansiedade e depressão, uma vez que o ponto de \ncorte da escala é de 8 pontos.  \nEstudos apontam que m ulheres com EDM correm risco de ansiedade, \nsintomas depressivos e outros transtornos psiquiátricos (LAGANÀ et al., 2017) , \ne que a dor relacionada à EDM afeta o aspecto psicológico, comprometendo a \nqualidade do sono, tornando a mulher ansiosa e deprimida (DELLA CORTE et \nal., 2020). \nNo presente estudo observou-se associação entre a QVRS das mulheres \ncom diagnóstico de EDM e sintomas de depressão. Esse achado é corroborado \npela literatura , com estudo publica do em 2019 , trazendo que a associação \nentre EDM e sintomas de depressão é determinada , principalmente  pela dor \ncrônica, sintoma recorrente em mulher es com o diagnóstico da doença. A dor \nocasionada pela EDM pode aumentar o desencadeamento da depressão e não  \na doença em si (WARZECHA et al., 2020) . Além disso, pode estar relacionado \na outros fatores de vulnerabilidades individuais e contextuais (GAMBADAURO; \nCARLI; HADLACZKY, 2019).  \nAinda nessa direção, estudo espanhol mostrou que sintomas como a dor \npélvica crônica e dor no momento das eliminações intestinais aumentam o risco \nde transtorno depressivo. Os sintomas relacionados à EDM e a intensidade da \ndor correlacionaram-se com a prevalência de depressão. Com isso, percebe -se \nque a dor pode ser um determinante maior dos sintomas depressivos do que a \ndoença sozinha (ADOAMNEI et al., 2021). \nPesquisa canadense apontou ainda que as mulheres com diagnóstico de \nEDM tê m pior  saúde mental e física comparado  a mulheres que não \n\n60 \n \n \napresentam diagnóstico da doença. Além disso, o estudo trouxe que as \nmulheres diagnosticadas com EDM apresentam maior impacto na saúde mental \ndo que na física (SOLIMAN et al., 2020). \nCom relação à QVRS e a dor sentida pelas mulhe res com EDM, este \nestudo mostrou que existe associação entre esses fatores.  Nessa direção, \nautores comentam que o s mecanismos predominantes da dor em um indivíduo \npodem ser identificados pela avaliação crítica dos sintomas e sinais clínicos, \nexames laborato riais e de imagem. A i nflamação, alterações endócrinas e \nalterações estruturais na periferia e no Sistema Nervoso Central (SNC)  podem \ncontribuir para a dor associada à EDM (MOROTTI; VINCENT; BECKER, 2017). \nOs sintomas de dor física e as dificuldades na regulação da emoção  \nestão negativamente associados à QVRS por meio do estresse psicológico em \nmulheres que vivem com EDM (MÁRKI et al., 2017 ). Além disso, entre as \nmulheres com EDM, a dor é um importante fator de risco para transtornos de \nhumor subsequentes (ESTES et al., 2021).  \nNo intuito  de melhorar a QV das mulheres com EDM, vários \nmedicamentos são comumente usados na clínica para aliviar a dor e inibir o \ndesenvolvimento de lesões  (WEI et al., 2020) . Atualmente, muitos estudos \nrelatam que o tratamento medicamentoso é uma das principais opções da dor \npélvica crônica, principalmente porque podemos utilizá -la de forma recorrente, \ncom diversos tipos de drogas, e em muitas situações, como na adolescência , \nantes e após os tratamentos cirúrgicos, para prevenção e o tratamento de \ndoenças recorrentes, e durante o período pó s-parto, sem medo de perda da \nfunção ovariana (CHAICHIAN et al., 2017). \nNesse sentido, o tratamento da dor associada à EDM demanda, além de \numa avaliação minuciosa  de suas causas e impac to na vida da  paciente, a \ninclusão de estratégias terapêuticas farmacológ icas, cirúrgicas e psicológicas \n(MOROTTI; VINCENT; BECKER, 2017). \nAcrescentamos aqui o s sentimentos em relação aos médicos , que  é \noutro fator analisado pelo EHP -30, uma vez que este aspecto pode interferir no \ntratamento e na aderência das mulheres a ele. No presente estudo, a média \ndas participantes foi de 39 ,0 pontos (DP= 21,1), a menor média obtida entre as \nsessões, mostrando que este é um fator com menor impacto negativo. \nEsse resultado d emonstra sua satisfação com o profissional da saúde \n\n61 \n \n \nque conduz seu tr atamento, indicando ainda que ele se preocupa com sua \ncondição de saúde, considera suas queixas e tem conhecimento sobre a \ndoença e sobre as formas de amenizar/controlar os sintomas e suas \nconsequências desagradáveis e que comprometem a QV de quem as \napresenta. \nEssa média pode ser explicada pelo fato de essas mulheres serem \natendidas em um centro de referência com equipe profissional devidamente \npreparada e disponível para ouvir e atender as queixas das pacientes.  \nOs fatores que podem influenciar os sentim entos das mulheres com \nEDM em relação aos médicos estão associados à falta de eficiência do \ntratamento cirúrgico, atendimentos de emergência e acesso a cuidados \ncomplementares de saúde. Cada fator identificado oferece uma oportunidade \nde agir para melhorar  a percepção da profissão médica em mulheres com \nendometriose (NG et al., 2020).  \nJá em relação ao atendimento geral das pacientes com EDM, é \napropriado que sejam direcionados a  centros de referência, a fim de buscar \numa abordagem centrada e adaptada às condições e desejos específicos da \npaciente (FOTI et al., 2018) .  Na seção do questionário modular, referente ao \ntratamento, foram abordadas questões a respeito da quantidade de tratamentos \nrealizados, sentimento de frustações e efeitos adversos,  e a média foi de 64,2 \npontos (DP= 21,5) . Essa pontu ação indica que as mulheres apresentam \ninsatisfação com o tratamento realizado, seja porque acham que não está \nsurtindo efeito ou porque apresenta muitos efeitos colaterais.  \nAs diretrizes recomendam o uso de diferentes estratégias de manejo da \ndoença, com base na extensão e gravidade das lesões endometriais ; o manejo \nem longo prazo é altamente recomendado para prevenir a exacerbação e a \nrecorrência da doença (DAI et al., 2018) . Segundo Chapron et al.  (2019), o \npadrão ouro para o tratamento da endometriose atualmente é a abordagem \nindividualizada, considerando a situação clínica e prioridades da paciente. \nComenta ainda que é importante parar de considerar cirurgia para todas as \npacientes após o diagnóstico de EDM como uma solução imediata. \nO atraso no diagnóstico e a falta de consciência sobre  a EDM entre as \nmulheres, seus familiares e companheiros, assim como profissionais de saúde \ne a população em geral, mantêm a estigmatização e efeitos negativos na saúde \n\n62 \n \n \ne no bem -estar psicossocial (SIMS et al., 2021) . A literatura mostra que é \nnecessário ampliar a prática interdisciplinar durante o tratamento dessas \npacientes, a fim de abranger o cuidado da saúde mental (BRASIL et al., 2020). \nPacientes que apresentarem sintomas de depressão devem ser tratadas logo \napós o diagnóstico, a fim de evitar que os mesmos interfiram na QVRS (SILVA; \nMEDEIROS; TROVÓ DE MARQUI, 2016). \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n63 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nConclusões  \n \n\n64 \n \n \n7 CONCLUSÕES \n1) Houve prejuízos na QVRS (pontuação média= 68,9) \n*Maiores médias de prejuízos : seção  sobre relações sexuais (pontuação \nmédia= 68,2) e seção sobre tratamento (pontuação média= 64,2) \n2) Não houve  associação entre QVRS e variáveis sociodemogr áficas e \nhistórico de saúde \n3) As p articipantes apresentavam sintomas de ansiedade e depressão  – \nmédia para a subescala de ansiedade = 9,2 pontos (DP=4,9); média para a \nsubescala de depressão = 8,8 pontos (DP=4,6) [HADS] \n4) Não houve a ssociação entre QVRS e sintomas de ansiedade (p=0,064) \n(pontuação média = 9,2) \n5) Houve a ssociação entre QVRS e sintomas de Depressão ( p= 0,001) \n(pontuação média = 8,8) \n6) Houve associação entre QVRS e dor (p= < 0,001) \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n65 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nConsiderações Finais \n\n66 \n \n \n8 CONSIDERAÇÕES FINAIS \nOs achados deste estudo corroboraram dados da literatura, \nevidenciando a EDM como uma doença crônica, debilitante e que interfere \nnegativamente na qualidade de vida das mulheres que a apresentam. O fato de \nnem sempre apresentar remissão satisfatória dos sintomas, e ainda levar à \ninfertilidade potencializou a morbidade física e gerou impacto negativo nas \nquestões psicossociais.  \nApesar de os testes estatísticos não terem mostrado associação da \nqualidade de vida com dados sociodemográficos e histórico de saúde das \nparticipantes, entendemos que estes devem ser sempre considerados, pois de \nforma geral, mulheres com menor nível socioeconômico e de escolaridade, \nassim como as mulheres negras, costumam ser mais vulneráveis à demora no \ndiagnóstico e no tratamento, não só da EDM, como das mais variadas \nenfermidades. D ados científicos apontam que isso pode gerar  prejuízos \nfinanceiros, faltas e sérios problemas no trabalho, pois requer mais cuidados de \nsaúde, neces sitando, às vezes, de internações . Afirmam ainda que o  fato de \nreduzir o tempo de diagnóstico e aumentar a conscientização  das mulheres e \nda equipe de saúde  sobre a EDM, permitirá  que essas mulheres enfrentem \nmelhor todo o processo da doença.  \nEm relação a os aspectos psicossociais, as mulheres deste estudo \napresentavam sintomas de ansiedade e depressão , apesar de não ter havido \nassociação entre os sintomas de ansiedade e a qualidade de vida. \nNesse sentido, é importante dar relevância a essas dimensões, pois  \napesar da possibilidade de tratamento da EDM, nem todas as mulheres \nsubmetidas a intervenções medicamentosas e/ou cirúrgicas ficam livres  dos \nsintomas, nem conseguem manter a fertilidade; e a dor, um dos principais e mais \ndebilitantes, pode levar especialmente à ansiedade e à depressão, impactando de \nforma negativa na qualidade de vida.  \nNo que diz respeito à dor provocada pela EDM, houve associação com \ndiminuição d a qualidade vida  entre as mulheres aqui pesquisadas, e isso \ndemonstra a necessidade de inter venções precoces, uma vez que essa dor \npode ultrapassar qualquer mensuração e chegar próximo do insuportável. \n\n67 \n \n \nPensamos que esse  fator assim como a possibilidade da infertilidade , \ntambém pode ter sido o motivo de se destacarem, entre as participantes aqui \npesquisadas, os prejuízos na qualidade de vida pertinentes às  relações sexuais \ne ao tratamento. A insatisfação com os resultados do tratamento pode ser \ndevido à não resolução da dor apresentada, assim como da infertilidade  \ninstalada, e o conjunto desses aco ntecimentos pode  ter levado a  uma \ninstabilidade emocional e prejudicado o desempenho nas relações sexuais e na \nvida sexual.  \nA EDM debilita a vida das mulheres que sofrem com sua sintomatologia \nexacerbada e requer, além de uma avaliação minuciosa de suas c ausas e do \nimpacto para a paciente, a implementação  de adequadas  estratégias \nterapêuticas farmacológicas, cirúrgicas e psicológicas. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n68 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nLimitações do estudo \n\n69 \n \n \n9 LIMITAÇÕES DO ESTUDO \nEm função da pandemia de COVID -19, a coleta de dados  de forma \npresencial foi interrompida e por um longo período passou a ser realizada no \nformato online, para que se adequasse à s orientações das autoridades \nsanitárias e do  Ministério da Saúde do Brasil. Dessa forma, a coleta de dados \nde forma presencial te ve seu tempo bastante reduzido, e o número de \nparticipantes foi menor do que o inicialmente planejado. Mesmo havendo \nconfirmado a participação na pesquisa, algumas mulheres não retornaram as \nligações quando contatadas para responder aos instrumentos de col eta de \ndados. \nOutro fator limitante foi a falta de dados no prontuário médico, relativos à \nidade da mulher no início do tratamento, assim como aqueles concernentes às \nintercorrências obstétricas devido à EDM.  \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n70 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nReferências   \n\n71 \n \n \nREFERÊNCIAS \nADOAMNEI, E et al. . Health-Related Quality of Life in Adult Spanish Women \nwith Endometriomas or Deep Infiltrating Endometriosis: A Case -Control Study. \nInternational Journal of Environmental Research and Public Health , [S. l.], \nv. 18, n. 11, p . 5586, 2021. DOI: 10.3390/ijerph18115586. 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Depois disso, você deverá responder ao \nquestionário EHP-30, que é composto de 30 itens que avaliam cinco dimensões: dor, controle e \nimpotência, bem-estar emocional, apoio social e autoimagem, e de um questionário com 23 itens \ndistribuídos em seis partes: relações sexuais, trabalho, profissão médica, infertilidade, \nrelacionamento com filhos e tratamento e o instrumento HADS q ue possui 14 questões (sete \npara ansiedade e sete para depressão), que abordam sintomas somáticos e psicológicos. Para \nisso, você gastará aproximadamente 30 minutos . Os questionários deverão ser respondidos nos \ndias de seus retornos ao Hospital das Clínica s da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, em \num local que mantenha sua privacidade, no próprio hospital ou em uma sala reservada no \nLaboratório Saúde da Mulher na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de \nSão Paulo, que fica bem próxima  ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de \nRibeirão Preto onde você estará sendo atendida, e poderemos nos locomover a pé até lá. Se você \npreferir, poderemos também agendar um dia e horário de sua preferência em sua residência. Os \npossíveis riscos de sua participação podem ser devido ao desconforto e/ou constrangimento em \nfornecer informações sobre o fato de você ter endometriose e sobre as consequências dessa \npatologia. Caso esses desconfortos ocorram, estarei à disposição para lhe ajudar, conve rsando e \nesclarecendo suas dúvidas ou desconforto. Você poderá também desistir de sua participação já \nneste momento ou em qualquer outro, sem prejuízo ao seu atendimento no Hospital das \nClínicas. Além disso, você tem direito à indenização conforme as leis vigentes no país caso \nocorra dano decorrente de sua participação na pesquisa e seu nome verdadeiro não irá aparecer. \nSua identidade será mantida em sigilo e os resultados dessa pesquisa serão divulgados apenas \nem revistas e/ou apresentados em eventos científicos. Não haverá custo para você e também não \nreceberá nenhum auxílio financeiro por participar. Os resultados desta pesquisa não trarão \nbenefícios diretos para você neste momento, mas sua participação será importante, pois os seus \nresultados ajudarão no  conhecimento sobre qualidade de vida relacionada à saúde de mulheres \ncom diagnóstico de endometriose e no seu atendimento pela equipe de saúde. Esta pesquisa foi \naprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da \nUniversidade de São Paulo (CEP -EERP/USP), que tem como função proteger eticamente o \nparticipante de pesquisa. Você receberá uma via deste documento, assinada pelas pesquisadoras \n(Ana Carolina e Marislei).  \nEu,_____________________________________________________  concordo em participar \nda pesquisa “Endometriose: associação entre qualidade de vida e sintomas de ansiedade e \ndepressão”, realizada por Ana Carolina Sipoli Canete sob orientação da Profª Drª Marislei \nSanches Panobianco. Endereço e telefone para contato com as pesquisadoras: Av. Bandeirantes, \n3900 (Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP) – (16) 3315-3480 ou (16) 981098659. Em \ncaso de necessidade você poderá entrar em contato com o Comitê de Ética – Escola de \nEnfermagem de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo, no endereço: Av. Bandeirantes, \n3900 Bairro: Vila Monte Alegre Ribeirão Preto/SP, Telefone: (16) 33159197. Horário de \natendimento do CEP: segunda a sexta-feira, em dias úteis, das 10h às 12h e das 14h às 16h.  \nRibeirão Preto, ____de______  de  ________  .  \nAssinatura da informante: _____________________________________________    \nPesquisadoras:  \nAna Carolina Sipoli Canete                                                       Marislei Sanches Panobianco \n\n83 \n \n \nApêndice 2 - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE  E \nESCLARECIDO (via eletrônica) \n \nVocê está sendo convidada a participar da pesquisa “Endometriose: associação entre \nqualidade de vida e sintomas de ansiedade e depressão” que tem o objetivo de avaliar \na qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) de mulhe res com diagnóstico de \nendometriose e explorar as associações entre a QVRS e variáveis sociodemográficas \ne entre QVRS e sintomas de ansiedade e depressão.  Caso você concorde em \nparticipar, vamos precisar de sua colaboração, respondendo ao questionário EHP -30, \nque é composto de 30 itens que avaliam cinco dimensões: dor, controle e impotência, \nbem-estar emocional, apoio social e autoimagem, e de um questionário com 23 i tens \ndistribuídos em seis partes: relações sexuais, trabalho, profissão médica, infertilidade, \nrelacionamento com filhos e tratamento ; o instrumento HADS que possui 14 questões \n(sete para ansiedade e sete para depressão), que abordam sintomas somáticos e \npsicológicos e a Escala Visual Numérica (EVN), graduada de zero a dez, na qual zero \nsignifica ausência de dor e dez, a pior dor imaginável. Você deverá assinalar um dos \nnúmeros na linha, indi cando o quanto  sente de dor . Para isso, você gastará \naproximadamente 30 minutos. Os questionários /escala estarão logo abaixo  do seu \naceite em participar da pesquisa. O s possíveis riscos de sua participação , ao \nresponder aos questionários/escala,  podem ser devido ao desconforto e/ou \nconstrangimento em fornecer informações  sobre o fato de você ter endometriose e \nsobre as consequências dessa doença. Caso esses desconfortos ocorram, estarei à \ndisposição para lhe ajudar, conversando e esclarecendo suas dúvidas ou desconforto. \nVocê poderá também desistir de sua participação já neste momento ou em qualquer \noutro, sem prejuízo ao seu atendimento no Hospital das Clínicas. Além disso, você tem \ndireito à indenização conforme as leis vigentes no país caso ocorra dano decorrente de \nsua participação na pesquisa e seu nome verdadeiro não  irá aparecer. Sua identidade \nserá mantida em sigilo e os resultados dessa pesquisa serão divulgados apenas em \nrevistas e/ou apresentados em eventos científicos. Não haverá custo para você e \ntambém não receberá nenhum auxílio financeiro por participar. Os resultados desta \npesquisa não trarão benefícios diretos para você neste momento, mas sua \nparticipação será importante, pois os seus resultados ajudarão no conhecimento sobre \nqualidade de vida relacionada à saúde de mulheres com diagnóstico de endometriose \ne no seu atendimento pela equipe de saúde.  \nCaso necessite, seguem os contatos com as pesquisadoras: \nPesquisadora: Ana Carolina Sipoli Canete  email: ana.canete@usp.br, telefone: 16 - \n981098659 \nPesquisadora/orientadora: Marislei Sanches Panobianco – Escola de Enfermagem de \nRibeirão Preto (EERP – USP) – sala 100, Ribeirão Preto-SP, telefone: 16-3315-3480. \nEsta pesquisa foi analisada e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com \nSeres Humanos (CEP) da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP (EERP/USP. \nO CEP também tem a finalidade de proteger as pessoas que participam da pesquisa e \npreservar seus direitos. Assim, se for necessário, entre em contato com o CEP da \nEERP/USP situado na Av. Bandeirantes, 3.900 - Ribeirão Preto-SP, ou pelo telefone \n16-3315-9197, que funciona de  2ª à 6ª feira, em dias úteis, das 10 às 12 e das 14 às \n16h, e-mail cep@eerp.usp.br. \n \nDeclaro que entendi os objetivos, riscos e benefícios de minha participação na \npesquisa e concordo em participar.  Declaro que entendi os objetivos, riscos e \nbenefícios de minha participação na pesquisa e concordo em participar. \n \n \n\n84 \n \n \nApêndice 3  - Formulário para coleta de dados no \nprontuário \nProntuário:_______________ Iniciais do nome:______________ Coleta de \nDados: ___ _/____/___ Naturalidade: \n___________________________Procedência: \n_______________________________ \nCor/raça:__________________________   Idade: _______ anos     Data de \nNasc.: ____/____/____ \nEstado Civil: (   ) solteira  (   ) casada (   ) separada/divorciada  (   ) viúva  \nOcupação: \n_______________________________________________________________\n_______ \nNível de escolaridade da paciente: (  ) analfabeto  (  ) fundamental incompleto  \n(  ) fundamental completo     (  ) ensino médio incompleto  (  ) ensino médio \ncompleto   (  ) ensino técnico  (  ) superior incompleto    (  ) superior completo  (  \n) pós-graduação \n Data do diagnóstico: _____/_____/_____         Idade no diagnóstico: \n________________ anos  \nTipo da endometriose:   ( ) Endometriose superficial  ( ) End ometriomas \novarianos ( ) Endometriose infiltrante profunda  \nDados Obstétricos: Gestações (  ) Sim ( ) Não \n( ) Parto normal/ Quantos?__ (  ) Cesária/ quantos? _____  ( ) Aborto: \nQuantos?___ \nTipo de Tratamento Realizado:    (  )Medicação    (  )Cirurgia  \nCirurgia:   Data__/__/___ \nLocais dos focos: \n_______________________________________________________________\n________ \nMedicações:  \n\n85 \n \n \n_______________________________________________________________ \nDoenças clínicas em tratamento: (  ) Doenças metabólicas (  ) Doen ças \ncardiovasculares (  ) Doenças psiquiátricas (   ) Doenças respiratórias  (   ) \nFibromialgia (    )Doença reumática \nMedicação para doenças clínicas: \n_______________________________________________________________ \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n86 \n \n \nAnexo A - Endometriosis Heal th Profile Questionnaire - \nEHP-30 \n \n\n\n87 \n \n \n \n \n \n \n \n\n\n88 \n \n \n \n \n \n \n\n\n89 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n90 \n \n \nAnexo B - Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS) \n \n \n\n\n \n \n \nANEXO C - Escala Visual Numérica (EVN)","source_license":"CC0","license_restricted":false}