Conclusions
This study confirms the association between different localizations of
endometriosis lesions and specific pain symptoms, as well as the influence of the
number of deep endometriosis compartments affected on the severity of pain
symptoms and the chance of infertility.
Descriptors: Endometriosis; Signs and symptoms; Dysmenorrhea; Dyspareunia;
Chronic pelvic pain; Infertility.
INTRODUÇÃO
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1. INTRODUÇÃO
1.1. Endometriose
A endometriose é caracterizada pela presença de tecido endometrial
(glândulas ou estroma) fora da cavidade uterina e acomete cerca de 10 a 15% das
mulheres em idade reprodutiva (1).
O sintoma mais comum observado no momento do diagnóstico é a
dismenorreia (62 - 79%), seguido de dor pélvica acíclica (56 - 69%) e dispareunia
(45 - 54%). Disquezia e disúria são menos frequentes (29% e 10% ,
respectivamente) (2, 3). Em mulheres com dor pélvica crônica , estima-se que 71 -
87% possuem endometriose e naquelas com infertilidade entre 20 - 50% t êm o
diagnóstico da doença (4).
É frequente haver um atraso de 4 a 11 anos entre o início dos sintomas e o
diagnóstico, o que causa grande repercussão na qualidade de vida da mulher além
de diminuir significativamente sua produtividade e onerar a saúde pública e privada
(5, 6). Esse impacto na qualidade de vida pode ser mensurado através da aplicação
de questionários direcionados, como o SF -36 (Short Form 36 ) (7), em que são
observados prejuízos nos domínios da saúde física e mental diretamente
proporcionais à intensidade da dor da paciente (8).
Poucas características foram associadas de forma consistente a um aumento
do risco de endometriose, como: baixo peso ao nascer, menarca precoce, ciclos
menstruais curtos, menor paridade e baixo índice de massa corpórea ( IMC).
Entretanto, existe uma dificuldade em interpretar se essas condições são fatores de
risco ou consequências da doença, devido a problemas metodológicos no desenho
desses estudos (9).
Algumas comorbidades são observadas com maior frequência em mulheres
com endometriose, provavelmente devido à fatores etiológicos em comum, como
por exemplo: distúrbios tireoidianos, doenças autoimunes (lúpus eritematoso
3
sistêmico, síndrome de Sjögren, artrite reumatoide, doença celíaca, esclerose
múltipla e doença inflamatória intestinal) , alergias e asma (10-13). Doenças
cardiovasculares e alguns tipos de câncer (ovário, melanoma, linfoma não Hodgkin)
também podem estar associados (12). Outras doenças encontradas em associação
têm em comum a presença de sintomas dolorosos, com mecanismos de gênese e
perpetuação da dor semelhantes, como: síndrome do intestino irritável, síndrome
miofascial, síndrome da bexiga dolorosa, enxaqueca e fibromialgia (14-18). Além
disso, a coexistência de distúrbios psiquiátricos já é bem estabelecida, com maiores
incidências de depressão, ansiedade e transtornos de humor (19).
O diagnóstico da endometriose é realizado principalmente através de exames
de imagem especializados, além de uma anamnese e exame clínico detalhados.
Entretanto, a laparoscopia com biópsia ainda é considerada o padrão ouro para a
confirmação da doença (20).
Em relação aos exames de imagem, atualmente a ultrassonografia
transvaginal e abdominal com preparo intestinal é considerada o método de primeira
linha, por apresentar alta sensibilidade e especificidade (89 – 98% e 97 – 100%,
respectivamente), além de baixo custo, fácil acesso, não necessita de sedação ou
contraste e te m capacidade de acessar todos os possíveis sítios pélvicos
comprometidos pela doença profunda (20-22).
Outros métodos que podem ser utilizados são a ultrassonografia transretal e a
ressonância magnética de abdome e pelve, ambos também com elevada acurácia.
A ultrassonografia transretal deve ser considerada como ferramenta diagnóstica de
segunda linha por ser um exame invasivo , que requer sedação, e ter sensibilidade
comparável a ultrassonografia transvaginal apenas na avaliação de endometriose
de retossigmoide. A ressonância magnética pode ser utilizada como alternativa em
locais onde não há profissional treinado para realizar a ultr assonografia com
preparo, uma vez que é um exame com custo elevado (23).
Quanto à classificação da endometriose, morfologicamente, a doença pode
ser dividida em superficial, ovariana e profunda (24). A endometriose superficial é
caracterizada por focos de endométrio localizados no peritônio de forma superficial,
a doença ovariana por cistos de conteúdo achocolatado e a profunda por implantes
4
endometriais de profundidade maior que 5 mm. Essa classificação atualmente é a
mais aceita, uma vez que esses três tipos de les ão possuem fisiopatogenia
diferentes entre si (25).
A classificação revisada da American Society for Reproductive Medicine (r-
ASRM, 1997) divide a endometriose em estádios I, II, III e IV conforme um escore
calculado através dos achados cirúrgicos, como tamanho das lesões, presença de
aderências e de bloqueio de fundo de saco posterior (26). Essa classificação é ainda
a mais utilizada em pesquisa, porém, atualmente, é bastante criticada uma vez que
não consegue predizer a intensidade dos sintomas, a resposta ao tratamento
clínico, o risco de recorrência da doença, tampouco tem correlação com medidas
de qualidade de vida (27).
1.2. Topografia das lesões de endometriose pélvica
Os sítios pélvicos que podem ser acometidos pela endometriose incluem:
peritônio (65,9% – 66,3%), ovários (60,2% – 66,9%), ligamentos uterossacros ou
região retrocervical (45,5 – 85,3%), vagina (12,3 – 22,2%), tubas uterinas ( 3,8 –
11,8%) e ligamentos redondos (2,5 – 6,7%) (28-32).
Em 8-12% dos casos, a endometriose pode acometer o trato gastrointestinal,
sendo o local mais frequente o reto e a junção retossigmoide (65,7%), seguido do
sigmoide (17,4%), apêndice (6,4%), ceco e válvula ileocecal (4,1%), intestino
delgado (4,7%) e omento (1,7%) (28, 33). A endometriose do reto médio geralmente
faz parte de um nódulo complexo que envolve a região retrocervical, fórnice vaginal
e parede anterior do reto com obstrução do fundo de saco posterior (34). É comum
a associação com lesões em outras topografias, como ovário (48%) e retrocervical
(84%), além da presença de mais de uma lesão intestinal na mesma paciente.
Multifocalidade e multicentricidade são observadas em 62% e 38% dos casos ,
respectivamente (33). Além do tecido endometrial ectópico, as lesões intestinais são
constituídas também de fibras musculares lisas e tec ido fibrótico, este último
podendo representar até 80% da lesão. Essa característica justifica a dificuldade e
complexidade da abordagem cirúrgica da doença (33, 34).
5
A incidência da endometriose do trato urinário varia de 1-5,5% e envolve mais
frequentemente a bexiga (84%) e o ureter (10%), sendo também descrito o
acometimento dos rins (4%) e da uretra (2%) (35, 36) . Apesar de ambas
pertencerem ao sistema urinário, a endometriose da bexiga e do ureter se
comportam de forma bastante distinta. A endometriose vesical associa-se à
presença de sintomas urinários como disúria, polaciúria e hematúria e é incomum
encontrar-se em conjunto com lesões de compartimento posterior. Já a doença de
ureter parece ter correlação com uma maior intensidade da dismenorreia e com a
presença de endometriose de retossigmoide e retrocervical (35). Em 30% dos casos
pode ser assintomática e apresentar-se como perda silenciosa da função renal (36).
Existe uma preferência pelo acometimento do lado esquerdo e do terço distal
do ureter, entre 3 a 4 cm da junção vesicoureteral. Atualmente, entende-se que a
endometriose ureteral, na maioria das vezes, tem origem como uma extensão lateral
da endometriose retrocervical em direção ao paramétrio. Pode ser classificada
como extrínseca, quando atinge apenas a adventícia, ou intrínseca, quando há
invasão da camada muscular. (37).
Diversos estudos descreveram uma distribuição assimétrica da endometriose
em relação à lateralidade e comp artimentos da pelve e abdome acometidos (28-
30). As lesões pélvicas são mais frequentes do lado esquerdo (67,8%) e no
compartimento posterior (94,3%). Já as lesões abdominais são mais prevalentes do
lado direito (apêndice, ceco e íleo), assim como a doença do diafragma e do tórax
(28). Essa distribuição reforça o papel da menstruação retrógrada e do fluxo de
fluido peritoneal na etiologia da endometriose , uma vez que esse fluxo ocorre no
sentido horário e termina do lado esquerdo da pelve (29).
1.3. Fisiopatogenia da dor
Apesar da grande associação da endometriose com dor pélvica , a
manifestação dos sintomas é bastante heterogênea, sendo comum tanto pacientes
com estádios avançados da doença serem assintomáticas, quanto aquelas com
doença peritoneal superficial apresentarem dor incapacitante. Essa
6
heterogeneidade nos leva a pensar que o mecanismo de desenvolvimento da dor
possa ser multifatorial (38, 39).
A dor é um sintoma bastante subjetivo e pode sofrer influência de diversos
fatores, como a nocicepção, contexto do estímulo doloroso, questões psicológicas
e experiências passadas. Além disso, um estímulo periférico recorrente pode causar
sensibilização do sistema nervoso central e consequente cronificação e
amplificação da dor (40).
Diversos estudos observaram a presença de fibras nervosas nas lesões de
endometriose, e que estas poderiam gerar estímulo doloroso através de indução de
dor neuropática ou inflamação neurogênica (41, 42) . O processo de i nflamação
neurogênica seria desencadeado pela produção de fator de crescimento nervoso e
ação do estrogênio, que causariam redução das fibras simpáticas e aumento das
fibras sensitivas . Estas últimas iniciam um processo inflamatório através da
liberação de neuropeptídios (42).
Outros autores demonstraram que essas terminações nervosas estariam
distribuídas de forma heterogênea nos diferentes tipos de doença, sendo mais
numerosas nos focos profundos e menos presentes na endometriose ovariana (43-
45). Além disso, parece haver uma relação direta entre a quantidade de fibras
nervosas e de citocinas inflamatórias no fluido peritoneal e a intensidade da dor (44-
47). Wang et al . (43) encontraram associação entre um maior número de fibras
nervosas em algumas topografias e a presença de determinados sintomas, como:
lesões de ligamentos uterossacro s e dor pélvica , lesões de tórus uterino e septo
retovaginal com disquezia e dispareunia. Através desses achados é possível inferir
que a quantidade de terminações nervosas expressa s em diferentes locais da
doença pode ria influenciar na percepção de sintomas específicos, como
dispareunia, por exemplo.
No caso da endometriose peritoneal , também é observado esse processo de
neurogênese, a ssim como a produção de mediadores inflamatórios, como
prostaglandinas, interleucinas e histamina, que poderiam estimular nociceptores e
participar da formação do estímulo doloroso. (41, 42). Esses fatores podem justificar
7
o motivo de lesões pequenas superficiais poderem causar dor intensa
desproporcional ao seu tamanho.
Alterações no sistema nervoso central também podem ser observadas em
pacientes com endometriose e dor pélvica crônica como: diminuição do limiar de
dor, disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e modificações na atividade e no
volume de áreas cerebrais relacionadas à percepção dolorosa (40). Esses
mecanismos podem ser responsáveis p or perpetuação dos sintomas dolorosos
mesmo após a remoção do estímulo periférico (40, 48). Além disso, explicam em
parte a associação de endometriose com outras doenças causadoras de dor crônica
em diferentes regiões do corpo, como fibromialgia e enxaqueca (49).
1.4. Associação entre estadiamento e sintomas
Diversos estudos tentaram correlacionar os estádios da r -ASRM com a
intensidade dos sintomas da doença e não observaram associação estatisticamente
significativa (50-53).
Vercellini et al., em 1996, avaliaram 244 pacientes com endometriose
confirmada cirurgicamente e que tinham como principal sintoma dor pélvica com
uma duração mínima de 6 meses. Os sintomas dismenorreia, dispareunia e dor
pélvica acíclica foram verificados através de questionários estruturados e da escala
visual analógica (EVA) de 0 a 10 e o estadiamento revisado da antiga American
Fertility Society (r-AFS) de 1985 foi realizado durante o procedimento cirúrgico. Foi
observado que o estadiamento não estava relacionado com a frequência e
severidade da dismenorreia e da dor acíclica. Além disso, constataram que
pacientes com endometriose ovariana isolada apresentavam uma menor frequência
e intensidade de dismenorreia e dispareunia e que aquelas com doença profunda
tinham uma maior frequência de dispareunia de profundidade (p=0,018, OR=2,55)
(52).
O Gruppo Italiano per lo Studio de ll’Endometriosi, em estudo multicêntrico
realizado em 2001 (51) com 469 mulheres e metodologia semelhante à Vercellini et
al. em 1996 (52), também observaram que a intensidade d a dismenorreia, da
8
dispareunia e da dor acíclica não estavam relacionadas com o estadiamento da
doença. Houve também uma tendência de menor intensidade dos escores de dor
em pacientes com doença ovariana e maior frequência de dispareunia na presença
de doença profunda, porém sem significância estatística (51).
Szendei et al. , em 2005, ava liaram 181 pacientes com endometriose que
apresentavam dor pélvica como principal sintoma e foram submetidas a
procedimento cirúrgico para confirmação da doença e estadiamento da r-AFS. Os
sintomas dismenorreia, dispareunia e dor pélvica acíclica foram avaliados por meio
de questionário estruturado antes e após o procedimento cirúrgico. O grupo também
não observou associação entre a intensidade da dor e o estadiamento (50).
Em 2015, Schliep et al. em estudo de coorte retrospectiva, compararam os
sintomas de mulheres com e sem endometriose submetidas à laparoscopia para
avaliação de dor pélvica, massa pélvica, miomas, laqueadura tubária e infertilidade.
A intensidade da dor foi avaliada através de EVA de 0 a 10 e o estadiamento da r -
ASRM foi avaliado durante a laparoscopia. As pacientes com endometriose
apresentaram uma incidência significativamente maior de dor pélvica crônica
(44,2% versus 30,2%, p=0.04), dor pélvica cíclica (49,5% versus 33.1%, p<0.001),
dispareunia de profundidade (53,2% versus 30,9%, p<0,001) e disquezia (44,2%
versus 25,7%, p=0,002) em relação às pacientes com a pelve normal , porém não
houve associação desses sintomas com a topografia das lesões nem o
estadiamento da doença (53).
Os achados desses estudos podem ser justificados pelo fato do estadiamento
da r -ASRM considerar o volume do endometrioma ovariano e a presença de
aderências como principais fatores para ganho de pontos, sendo pouco relevante o
tamanho das lesões profundas para a classificação da gravidade da doença.
Evidências atuais demonstram que a endometriose ovariana parece ter pouca
contribuição para a intensidade dos sintomas dolorosos, uma vez que possui menor
densidade de fibras nervosas do que as lesões profundas (43-45). Além disso, a
quantidade de fibras nervosas presentes nas lesões de endometriose parece não
ter relação com o estadiamento da doença (43).
9
Chapron et al. , em 2012 (54), em estudo retrospectivo com 300 pacientes
consecutivas submetidas à cirurgia para tratamento de endometriose e com
endometrioma ovariano maior que 2 cm , observaram que o tamanho do
endometrioma não estava relacionado com a intensidade dos sintomas , e, sim, à
presença de doença profunda. Pacientes com endometriose ovariana e profunda
associadas apresentaram maiores escores de dismenorreia (7,8±1,9 versus
5,9±2,0, p<0,001), dispareunia de profundidade (5,2±3,1 versus 3,2±3,3, p<0,001),
dor pélvica acíclica ( 3,8±3,1 versus 2,2±3,0, p<0,001), sintomas gastrointestinais
(6,0±3,2 versus 1,8±2,8, p<0,001) e sintomas urinários (1,4±2,8 versus 0,1±0,5,
p<001) quando comparadas àquelas com en dometriose ovariana isolada e sem
doença profunda.
Outros trabalho s confirmaram a relação entre a presença da endometriose
profunda e a intensidade da dismenorreia (55-57).
Em 2003, Chapron et al., avaliaram 209 pacientes submetidas à cirurgia para
endometriose profunda e após análise múltipla concluíram que a endometriose
profunda do compartimento posterior d o reto e da vagina e a presença de
aderências anexiais foram os únicos fatores associados com uma maior intensidade
da dismenorreia (55).
Em 2012, Dai et al. , realizaram estudo para comparar os sintomas de 177
pacientes com endometriose superficial e 177 com doença profunda diagnosticadas
através de videolaparoscopia e também observaram que as mulheres com
endometriose profunda apresentavam maior duração dos sintomas dolorosos e
maior intensidade da dismenorreia (56).
Mais recentemente, em 2016, Apostolopoulos et al . realizaram estudo
prospectivo com 144 mulheres submetidas à laparoscopia diagnóstica para dor
pélvica crônica, 96 dessas com diagnóstico de endometriose. As pacientes com
endometriose foram divididas em dois grupos conforme o estadiamento da ASRM:
estádio I-II (n=42) e estádio III-IV (n=54) e foi constatado que aquelas com estádio
III-IV apresentavam maior intensidade da dismenorreia (p=0,02). Além disso, as
pacientes com endometriose retovaginal apresentaram maiores intensidades de
dismenorreia e disquezia quando comparadas àquelas sem lesões nessa topografia
10
(p=0,002 e 0,0001 respectivamente). Aquelas com doença profunda também
apresentaram maior intensidade de dismenorreia e dispareunia em relação às com
somente doença superficial (p=0,001 e 0,004 respectivamente) (57).
Portanto, as evidências apontam que o principal fator relacionado com a
intensidade dos sintomas dolorosos é a presença da endometriose profunda e que
o estadiamento da r-ASRM nem sempre é capaz de predizer a gravidade da doença
e de suas manifestações clínicas.
1.5. Associação entre topografia das lesões e sintomas
A associação entre a topografia das lesões de endometriose e os sintomas
dolorosos das pacientes ainda é controve rsa. A lguns trabalhos observaram
ausência de associação (51, 53), enquanto outros demonstraram relação de lesões
retrocervicais/ ligamentos uterossacros e vaginais com dispareunia (31, 52, 54, 58-
60), de fundo de saco posterior e compartimento posterior com dispareunia (32, 61),
de vagina e septo retovaginal com disquezia (31, 57) , de doença intestinal com
sintomas gastrointestinais (31, 54, 59, 60, 62) e de doença vesical com sintomas
urinários (31, 35, 60 , 63) . Entretanto, a maioria dos estudos possui amostra
pequena, o que pode ter limitado o poder estatístico , além de utilizarem diferentes
metodologias para estabelecer as topografias das lesões e mensurar a intensidade
dos sintomas.
Em 2001, o Gruppo Italiano per lo Studio dell’Endometriosi (51) realizou estudo
incluindo 469 mulheres com diagnóstico cirúrgico de endometriose entre 1998 e
1999, e que apresentavam dor pélvica como principal indicação do procedimento.
Os sintomas dolorosos foram avaliados através de EVA de 0 a 10 e não houve
associação entre a frequência e intensidade da dismenorreia, dor pélvica acíclica e
dispareunia e os locais da doença. Schliep et al. , em 2015 (53), avaliaram os
sintomas de 190 pacientes com diagnóstico cirúrgico incidental de endometriose e
também não encontraram nenhum padrão consistente entre as características dos
sintomas dolorosos e a topografia das lesões. Entretanto, em ambos os estudos
não houve descrição detalhada de como foi realizada a classificação dos locais de
11
doença das pacientes e por isso não é possível afirmar que todas as localizações
foram corretamente avaliadas.
Em relação à associação de lesões retrocervicais / ligamentos uterossacros e
vaginais com dispareunia, os trabalhos mostram resultados mais consistentes (31,
52, 54, 58-60).
Em 2002, Fauconnier et al. (31), em estudo retrospectivo com 225 pacientes
submetidas à cirurgia para endometriose entre 1992 e 1999, avaliaram os sintomas:
dismenorreia, dispareunia, dor pélvica acíclica, disquezia e disúria no período
menstrual, além de outros sintomas intestinais e urinários crônicos. A topografia das
lesões foi analisada retrospectivamente através da descrição cirúrgica, do relatório
do estadiamento da r -AFS e de desenhos das localizações anatômicas. Foi
observada associação entre lesões de ligamentos uterossacros e dispareun ia de
profundidade (OR=3,4; IC 95% 1,4 – 8,2), que se manteve após regressão logística.
Ferrero et al. (58), em 2005, dividiram 309 mulheres submetidas à laparoscopia para
infertilidade, dor pélvica ou massa anexial entre 2001 e 2003 em três gru pos:
pacientes com endometriose do ligamento uterossacro, com endometriose sem
acometimento do ligamento uterossacro e grupo controle (sem endometriose).
Antes da cirurgia a intensidade da dispareunia de profundidade foi aferida através
de EVA de 0 a 100 e as pacientes preencheram um questionário de saúde sexual .
Foi constatado que as mulheres com lesão de ligamento uterossacro apresentavam
maiores scores de dispareunia em relação àquelas de outros grupos (p<0,05), além
de orgasmos menos satisfatórios (p<0,05), menos relaxamento e satisfação após o
sexo em relação ao grupo controle (p<0,05). Chapron et al. , em 2012, também
observaram uma associação entre lesões de ligamentos uterossacros e dispareunia
de profundidade (OR=2,0; IC 95% 1,1 – 3,5) (54).
Dois autores observaram relação entre lesões vaginais e dispareunia e
profundidade (52, 59). Em 1996, Vercellini et al. (52) encontraram uma associação
entre lesões vaginais e maior chance de dispareunia de profundidade (OR=2,55; IC
95% 1,21 – 5,39). Dai et al. (59), em 2010, compararam os sintomas de pacientes
com endometriose de compartimento posterior (n=176) e sem endometriose nesse
compartimento (n=179) diagnosticadas por laparoscopia e encontraram uma maior
12
incidência de dispareunia de profundidade naquelas com lesão de fórnice vaginal
(p<0,05).
Outros trabalhos associaram a presença desse sintoma com lesões d e fundo
de saco posterior e compartimento posterior da pelve (32, 61). Vercellini et al., em
2007 (61), avaliaram uma amostra de 1 .054 pacientes consecutivas que foram
submetidas à cirurgia para tratamento de endometriose no período de 1996 e 2002.
Os sintomas dismenorreia, dispareunia de profundidade e dor pélvica acíclica foram
avaliados através de uma escala multidimensional categórica de 0 a 3 e também
pela EVA de 0 a 10. Os sintomas intestinais e urinários não foram avaliados. Foi
observada uma forte associação entre lesões de fundo de saco posterior e
dispareunia de profundidade (OR=2,64; p=0.001), porém a informação sobre
dispareunia não pôde ser obtida em 309 casos. Em 2014, Menakaya et al. , em
estudo observacional prospectivo com 104 pacientes consecutivas submetidas à
laparoscopia para tratamento de endometriose, encontraram uma associação forte
entre dispareunia de profundidade e lesões de compartimento posterior (p=0,0086)
e lateral (p=0,0004) (32).
Mais recentemente, Montanari et al., em um trabalho retrospectivo publicado
em 2019 (60), avaliaram os sintomas de 245 mulheres submetidas à cirurgia para
endometriose profunda entre 2014 e 2018 através de EVA de 0 a 10 e encontraram
uma associação entre lesões de ligamento uterossacro e paramétrio com
dispareunia (p=0,002). O tamanho das lesões foi classificado em 3 cm e também foi observada uma associação entre o tamanho das lesões
de ligamento uterossacro e paramétrio com a intensidade da dispareunia (p=0,046).
A endometriose intestinal também tem sido frequentemente relacionada à
presença de disquezia e sintomas intestinais cíclicos (31, 54, 59, 60, 62).
Em 2012, Roman et al. (62) realizaram estudo prospectivo comparativo entre
três grupos de pacientes com endom etriose: doença superficial isolada (n=21),
doença profunda sem acometimento intestinal (n=42) e doença profunda com
acometimento intestinal (n=53). Os sintomas intestinais foram avaliados no pré e
pós-operatório através de questionários gastrointestinais padronizados e a
presença de estenose intestinal foi verificada por meio de colonoscopia virtual
13
baseada em tomografia computadorizada. Os autores o bservaram que mulheres
com endometriose profunda intestinal apresentavam maior frequência de disquezia
(38,1% versus 42,9% versus 67,9%, respectivamente; p=0,02), constipação cíclica
(33,3% versus 26,2% versus 54,7%, respectivamente; p=0,01) e distúrbios do
apetite (19,1% versus 7,1% versus 34%, respectivamen te; p<0,01) . Além disso,
após regressão logística, a presença de estenose intestinal foi um fator relacionado
à dificuldade de esvaziamento retal de forma independente (p=0,013).
Dai et al. (59), em 2010, também encontraram associação entre endometriose
de retossigmoide e a presença de disquezia (p<0,05). Montanari et al . (60), em
2019, além da a ssociação entre lesões intestinais e disquezia (p<0,001), também
verificaram que o tamanho das lesões estava relacionado com a intensidade desse
sintoma (p<0,001).
Em 2002, Fauconnier et al. (31), observaram que pacientes com endometriose
intestinal apresentavam maior incidência de sintomas gastrointestinais (cíclicos e
não cíclicos) como diarreia, constipação, sangramento retal, tenesmo e dor retal
(OR=4,4; IC 95% 1,7 – 11,4), em relação àquelas sem doença nessa topografia .
Chapron et al. (54), em 2012, também encontraram a mesma associação entre
endometriose intestinal e sintomas gastrointestinais (OR=7,1; IC 95% 3,3 – 15,3).
O sintoma disquezia também foi associado à presença de lesões vaginais e
de septo retovaginal por alguns autores, o que pode ser atribuído à coexistência da
endometriose intestinal com as lesões nessas topografias (31, 57).
Em relação aos sintomas urinários cíclicos e disúria , existem evidências de
associação entre essas queixas e a presença de endometriose vesical (31, 60).
Fauconnier et al. (31), em 2002, observaram que mulheres com endometriose
vesical (n=21) apresentavam uma maior incidência de sintomas urinários como
disúria, hematúria, polaciúria e infecções urinárias de repetição (OR=51,8; IC 95%
13,6 – 197,7). Entretanto, o intervalo de confiança alargado demonstra que a
amostra foi pequena, provavelmente pela baixa frequência de endometriose nessa
topografia. Em 2019, Montanari et al. (60) realizaram estudo incluindo 35 pacientes
com endometriose vesical e também observaram associação entre lesões de bexiga
e a presença de disúria (p<0,001).
14
Alguns autores avaliaram os sintomas de pacientes com endometriose do trato
urinário e observaram que aquelas com doença vesical apresentavam maior
incidência de sintomas urinários em relação àquelas com doença ureteral. (35, 63).
Em 2009, Abrao et al. (35) compararam três grupos de pacientes submetidas
à videolaparoscopia para o tratamento de endometriose: endometriose ureteral
(n=12), vesical (n=26) e grupo controle sem doença nessas topografias (n=652). Foi
observado que as mulheres com endometriose vesical apresentavam maior
incidência de sintomas urinários cíclicos em relação àquelas com doença ureteral e
sem doença do trato urinário (34,6% versus 16,7% versus 9,8%, respectivamente;
p<0,05). Gabriel et al., em estudo retrospectivo publicado em 2011 (63), avaliaram
os sintomas de 43 pacientes submetidas à laparoscopia para o tratamento de
endometriose do trato urinário (ureteral ou vesical). Encontraram uma maior
frequência de sintomas urinários como: disúria (49% versus 13%), hematúria (12%
versus 0%) e infecções urinárias de repetição com polaciúria (18% versus 4%) nas
mulheres com endometriose vesical , em comparação àquelas sem doença nessa
topografia (p<0,01).
Outros estudos observaram associação entre uma maior intensidade da
dismenorreia e a presença de endometriose em localizações consideradas mais
graves, como endometriose intestinal, de paramétrio ou ureter (35, 54, 62, 64).
Roman et al. , em 2012 (62), observaram que pacientes com endometriose
profunda intestinal apresentavam uma maior duração da dismenorreia em
comparação àquelas com doença profunda sem acometimento intestinal (5,8±3,5
versus 4±2; p<0,01). Chapron et al. , em 2012 (54), após análise multivariada,
também encontraram uma associação entre endometriose intestinal e maior
intensidade da dismenorreia (OR=5,2; IC 95% 2,7 – 10,3). Em 2019, Mabrouk et al.
(64) constataram que pacientes com endometriose de paramétrio apresentavam
maior intensidade da dismenorreia (p<0,001), além de maior frequência de sintomas
urinários (p<0,001) e de constipação intestinal (p=0,02) do que aquelas sem doença
nessa topografia. Abrao et al., em 2009, também encontraram associação de lesões
ureterais (que também podem ser consideradas como marcadores de doença de
paramétrio) e dismenorreia incapacitante (35).
15
No caso da endometriose peritoneal superficial, pouc os pesquisadores
avaliaram sua associação com os sintomas dolorosos, principalmente quando
presente de forma isolada (62, 65-69).
Estudo publicado em 2020 de Reis et al. (65), comparou os sintomas entre
dois grupos de pacientes submetidas à cirurgia para tratamento de doenças
ginecológicas: um com endometriose peritoneal isolada com confirmação
histológica (n=203) e outro sem endometriose (n=1292). Foi encontrada uma
associação da doença superficial com dismenorreia moderada a severa (80,8%
versus 56,0%; p<0,0001) e dispareunia de profundidade moderada a severa (46,5%
versus 29,9%; p <0,0001), além de infertilidade primária (33,2% versus 18,3%;
p<0,0001). Roman et al. (62), em 2012, também encontraram associação entre um
maior scor e de dispareunia de profundidade na EVA em pacientes com
endometriose peritoneal isolada, quando comparada àquelas com doença profunda
sem acometimento intestinal e com acometimento intestinal (7,6±2,1 versus 6,2±2,1
versus 5,4±2,2, respectivamente; p<0,01).
Khan et al., em coorte retrospectiva publicada em 2012 (68), compararam dois
grupos de mulheres submetidas a procedimentos cirúrgicos e com endometrioma
ovariano: um com e ndometriose ovariana e peritoneal associadas (n=269) e outro
com endometriose ovariana isolada (n=81). Foi constatada uma maior incidência de
dor pélvica em pacientes com endometrioma ovariano e endometriose peritoneal
concomitantes em comparação àquela s com endometrioma ovariano isolado
(85,4% versus 38,3%; p<0,01), o que sugere um papel importante da doença
superficial na etiologia da dor pélvica.
Apesar das evidência s atuais sugerirem existir uma associação entre a
endometriose peritoneal isolada e os sintomas dolorosos, poucos autores tentaram
correlacionar a topografia das lesões superficiais com sintomas específicos. Em
2011, Hsu et al. (69) realizaram estudo com 96 mulheres com endometriose e dor
pélvica submetidas à laparoscopia para tratamento da doença . Os sintomas
dolorosos foram quantificados por EVA de 0 a 10 no pré-operatório e as lesões de
endometriose foram descritas detalhadamente em relação ao tamanho, localização
e profundidade após a cirurgia. Foi encontrada uma associação entre lesões
16
peritoneais vesicais e disúria (OR 3,5; IC 95% 1,2 – 10,6), o que indica que a
topografia da doença peritoneal isolada também pode interferir no tipo de sintoma
da paciente.
1.6. Associação entre topografia das lesões e infertilidade
Alguns m ecanismos podem explicar a infertilidade em mulheres com
endometriose, como: distorções da anatomia pélvica com obstrução tubária,
alterações do fluido peritoneal, distúrbios do transporte tubário, distúrbios
ovulatórios, distúrbios da implantação e da receptividade endometrial, diminuição
da qualidade dos oócitos e embriões (70). No caso da doença peritoneal, a presença
de citocinas inflamatórias no fluido peritoneal parece ter um papel importante nesse
impacto na fertilidade (71).
Apenas três estudos compararam as topografias das lesões de endometriose
e as características das pacientes com e sem infertilidade. Todos encontraram
associação estatisticamente significativa entre infertilidade e endometriose
peritoneal superficial na forma isolada (72-74).
Hassa et al., em 2005 (74), avaliaram 68 mulheres com diagnóstico cirúrgico
de endometriose peritoneal e/ ou ovariana e encontraram uma associação entre a
presença de infertilidade e endometriose peritoneal isolada (p=0,008). Em 2018,
Aliani et al. (72) comparam três grupos de pacientes com endometriose
diagnosticada por laparoscopia: infertilidade primária (n=139), inferti lidade
secundária (n=54) e dor pélvica (n= 11). Foi observada uma maior incidência de
endometriose peritoneal em mulheres com infertilidade primária e secundária em
comparação com àquelas sem infertilidade (47,5% e 44,4% versus 9,1% ; p=0,01).
Entretanto, esses dois autores classificaram as pacientes apenas quanto à
presença de endometriose peritoneal isolada, ovariana isolada e peritoneal em
associação com ovariana, sem avaliação da doença profunda (72, 74).
Em 2016, Santulli et al. (73) realizaram estudo com 870 pacientes com
endometriose diagnosticada por laparoscopia e confirmação histológica , e
compararam dois grupos: com infertilidade (n=307) e sem infertilidade (n=563).
17
Verificaram que aquelas com infertilidade apresentavam maior frequência de
endometriose peritoneal superficial (22,8% versus 13,7%; p<0,001) e endometriose
profunda intestinal (62,8% versus 45,6% ; p=0,009). Após análise multivariada,
outros fatores também associados com infertilidade foram idade maior que 32 anos
e antecedente de cirurgia prévia por endometriose , provavelmente devido à
influência dos mesmos na reserva ovariana (73).
1.7. Relevância do tema
Diante do exposto, é possível depreender que a maioria dos estudos que
avaliaram a associação entre os sintomas apresentados pel as pacientes e a
topografia das lesões de endometriose, possuem pequenas amostras, metodologia
heterogênea, além de resultados discordantes . Essa lacuna da literatura é ainda
maior quando consideramos a endometriose peritoneal e a infertilidade.
Na prática clínica, observa-se com frequência que a ressecção de lesões em
determinadas topografias ocasiona a melhora de sintomas específicos, como no
caso de lesões retrocervicais e de ligamentos uterossacros e dispareunia de
profundidade (75). Além disso, é comum que pacientes com endometriomas
volumosos sejam assintomáticas, ou apresentem sintomas compatíveis apenas
com as lesões de endometriose profunda ou peritoneal (54, 68).
Portanto, existe a neces sidade de confirmar se há associ ação entre a
topografia das lesões de endometriose e determinados sintomas, para que o
tratamento cirúrgico dessas lesões possa ser individualizado conforme as queixas
e necessidades de cada paciente.
OBJETIVOS
19
2. OBJETIVOS
2.1. Objetivo geral
• Avaliar a associação entre os sintomas (dismenorreia, dispareunia de
profundidade, dor pélvica acíclica, disquezia, disúria e infertilidade) e as
diferentes topografias das lesões de endometriose.
2.2. Objetivos específicos
• Avaliar a associação entre os sintomas e as características sociodemográficas
e clínicas das pacientes;
• Avaliar a associação entre os sintomas e a severidade da doença conforme o
estadiamento da r-ASRM;
• Avaliar a associação entre os sintomas e a classificação da endometriose
(superficial, ovariana e profunda);
• Avaliar a associação entre os sintomas e os compartimentos acometidos pelas
lesões superficiais e profundas;
• Avaliar a associação entre os sintomas e o tamanho das lesões superficiais e
profundas;
• Avaliar a associação entre as comorbidades das pacientes e a classificação da
endometriose (superficial, ovariana e profunda).
20
MÉTODOS
21
3. MÉTODOS
3.1. Desenho do estudo
Foi realizado estudo retrospectivo incluindo um total de 1 .116 pacientes
consecutivas em idade reprodutiva submetidas à laparoscopia para tratamento de
endometriose, com confirmação histológica da doença. Os dados coletados foram
provenientes de prontuários do Setor de Endometriose da Divisão de Ginecologia
do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da U niversidade de São Paulo
(HC-FMUSP) e da Clínica Medicina da Mulher (CNPJ: 58.933.144/0001 -80) no
período de 2009 a 2019. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética
para Análise de Projetos de Pesquisa (CAPPesq) do HC -FMUSP (parecer
3.079.709).
A indicação da cirurgia foi baseada nos achados d a ultrassonografia com
preparo intestinal e pela presença dos sintomas dolorosos ou da infertilidade. No
pré-operatório, todas as pacientes foram avaliadas quanto à presença dos
sintomas: dismenorreia, dispareunia, dor pélvica acíclica, sintomas intestinais
cíclicos (disquezia) e sintomas urinários cíclicos (disúria), com mensuração da sua
intensidade conforme EVA de 0 a 10. (76).
No pós-operatório, as lesões foram imediatamente descritas pelos cirurgiões
em uma ficha padronizada de nossa instituição (anexo A) e as pacientes
classificadas conforme os estádios da r -ASRM (1997) (26). A presença de
endometriose e a topografia das lesões foi definida pela visualização laparoscópica
e posteriormente confirmadas com biópsia.
Foram considerados os seguintes critérios para a seleção da casuística:
• Critérios de inclusão : pacientes em idade reprodutiva submetidas à
laparoscopia para o tratame nto de endometriose com confirmação
histológica da doença.
22
• Critérios de exclusão: pacientes com diminuição da função ovariana (com
sinais clínicos – amenorreia – e/ou laboratoriais – FSH > 30UI – de pós-
menopausa), com histerectomia prévia, com vida sexual inativa , sem
confirmação de endometriose no exame anatomopatológico.
Dados sociodemográficos e da história clínica da paciente foram obtidos
através do prontuário médico. As seguintes variáv eis foram coletadas: data e local
da cirurgia, idade, etnia, escolaridade, estado civil, IMC, comorbidades, atividade
física regular, tabagismo, antecedente de cirurgia para endometriose e de outras
cirurgias abdominais, uso de tratamento hormonal nos 3 meses que antecederam a
cirurgia, história familiar de endometriose, intervalo do ciclo menstrual e quantidade
do fluxo menstrual, paridade, abortamentos prévios, história de infertilidade e de
tentativa de gravidez . Atividade física regular foi considerada uma frequência de
pelo menos três vezes por semana, tabagismo como uso diário de cigarro e outras
cirurgias abdominais prévias como qualquer cir urgia que envolve a cavidade
abdominal com exceção da cesariana. As pacientes que fizeram uso de medicação
hormonal nos últimos 3 meses antes da cirurgia foram consideradas como em uso
atual de medicação hormonal.
Para a avaliação de cada sintoma as pacientes foram divididas em dois grupos
conforme a sua intensidade na EVA: escore <7 e escore ≥7. Esse ponto de corte foi
adotado por ser o que utilizamos para considerar a falha do t ratamento clínico e
consequentemente indicar o tratamento cirúrgico , além de já ter sido utilizado em
outros estudos semelhantes (54). O sintoma infertilidade foi definido como ausência
de gravidez após um período de tentativa de 1 ano.
As localizações das lesões foram classificadas nos seguintes grupos:
peritônio, ovário, retrocervical, vagina, bexiga, retossigmoide, intestinal direita
(apêndice, ceco ou íleo), ureter, ligamento redondo, pararretal e tubas.
As pacientes foram divididas conforme o estadiamento da r-ARSM (1997) em
estádio I, II, III e IV (26) e conforme a classificação da endometriose em superficial,
ovariana e prof unda. Endometriose superficial foi considerada quando a paciente
apresentava apenas lesões peritoneais superficiais, sem doença profunda ou
ovariana. Endometriose ovariana quando apresentava endometrioma ovariano com
23
ou sem doença peritoneal associada , por ém sem endometriose profunda. Na
presença de qualquer lesão profunda a paciente foi classificada como endometriose
profunda.
As lesões superficiais e profundas foram posteriormente divididas em
compartimentos (anterior, posterior e lateral) e em grupos de tamanhos (<1 cm, ≥1
e <3 cm, ≥3 cm) para a análise estatística. O compartimento anterior incluiu lesões
em bexiga e ligamentos redondos; o compartimento posterior, lesões retrocervicais,
de ligamentos uterossacros, vagina, fundo de saco posterior, retossigmoide e
pararretal; o compartimento lateral ureter, periuret ral, ligamento largo, fossas
ováricas, tubas e mesossalpinge.
Os dados coletados foram tabulados utilizando a ferramenta REDCap
(Research Eletronic Data Capture ) (77) e posteriormente submetidos à análise
estatística para avaliação da associação entre os sintomas e as características das
lesões.
Não houve necessidade do uso de Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE), uma vez que os dados utilizados no estudo foram provenientes
de prontuário médico, além de não ter sido realizada nenhuma intervenção adicional
ou alteração na conduta terapêutica das pacientes.
3.2. Tamanho amostral
Para o cálculo do tamanho amostral foram consideradas as incidências dos
sintomas de endometriose com intensidade maior ou igual a 7 observados em
estudo realizado por Chapron et al. em 2012 (54). A incidência de dismenorreia foi
de 61,7%, dispareunia 26,7%, dor pélvica acíclica 15,3%, sintomas intestinais
cíclicos 25% e sintomas urinários cíclicos 3,7%. Dessa forma, essas informações
foram utilizadas para calcular o tamanho amostral de ste estudo para a proporção
de ocorrência dos sintomas, considerando 0,05 de significância e variando a
margem de erro (2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10 pontos percentuais). Os possíveis
tamanhos amostrais são apresentados na tabela 1.
24
Tabela 1 - Tamanho amostral para proporção, considerando a significância de 0,05
e variando a margem de erro
Margem
de erro Dismenorreia Dispareunia
Dor pélvica
acíclica
Sintomas
intestinais
Sintomas
urinários
2% 2219 1845 1229 1769 341
3% 999 828 550 794 152
4% 564 468 310 448 85
5% 362 300 199 287 55
6% 252 208 138 200 38
7% 185 153 101 147 28
8% 142 117 78 112 21
9% 112 93 61 89 17
10% 91 75 50 72 14
Foi escolhido o tamanho amostral de 1.000 pacientes, que corresponde a uma
margem de erro de 3% para a dismenorreia, devido a esse sintoma ter sido o com
necessidade de maior amostra.
3.3. Análise Estatística
Os dados foram descritos considerando a média, o desvio padrão, o valor
máximo, mínimo e quartis para as variáveis quantitativas; e tabelas de frequência
para as variáveis qualitativas.
As características das pacientes foram relacionadas com cada sintoma
(categorizados em intensidade <7 ou ≥7) pelo teste de Qui-Quadrado (ou Exato de
Fisher) para as variáveis qualitativas e teste t de Student (ou Mann-Whitney) para
as variáveis quantitativas.
Posteriormente, para verificar a relação conjunta das características das
pacientes com cada sintoma, foi realizada uma regressão logística múltipla. Para
isso, foram selecionadas apenas as características que obtiver am um valor de p
menor que 0 ,2 nas análises simples, exceto para as variáveis de local da doença
25
(as quais todas foram inclusas na análise ). Foram consideradas as interações de
segunda (paciente com dois locais de doença simultaneamente) e terceira (paciente
com três locais de doença simultaneamente) ordem.
Em todo estudo, foram considerados significativos valores de p menores que
0,05. As análises foram realizadas no software SPSS versão 25.
RESULTADOS
27
4. RESULTADOS
As características das 1116 pacientes incluídas no estudo estão descritas nas
tabelas 2, 3 e 4.
A média de idade foi de 35,6 anos, a maioria das mulheres eram brancas
(87,1%), com nível superior de escolaridade (88,9%) e casadas (65,6%) (tabela 2).
A maior parte das pacientes apresentavam IMC normal ( 65,2%), com uma
prevalência de sobrepeso de 22,4% e obesidade de 7,6% (tabela 3).
As comorbidades mais frequente s foram as doenças tireoidianas (16,3%),
seguida das doenças cardiovasculares e metabólicas (13,8%), síndromes dolorosas
(7,5%), doenças psiquiátricas (6,7%) , doenças pulmonares (3,3%) e doenças
autoimunes (2,7%). A maioria das mulheres era nuligesta (71,6%) e apenas 12,4%
tiveram duas ou mais g estações prévias. História familiar de endometriose foi
relatada em 19,8% das pacientes e 29,7% tinham antecedente de pelo menos uma
cirurgia prévia por endometriose. Quase metade (49,5%) das mulheres estavam em
uso de medicação hormonal no momento da ciru rgia e os tratamentos mais
utilizados foram aqueles administrados por via oral ( 73,5%). Apesar da maioria da
amostra apresentar menstrua ções regulares (67%) e fluxo menstrual normal
(50,7%), c iclos menstruais curtos ou irregulares foram referidos por 19,8% da s
pacientes e fluxo menstrual aumentado por 37,5% (tabela 3).
Dentre os sintomas com intensidade ≥ 7 o mais frequente foi a dismenorreia
(76,5%), seguido da dispareunia (44,2%) e dor pélvica acíclica (36,6%). Infertilidade
estava presente em 41,9% da amostra. Em relação aos locais de doença, o s mais
observados foram a endometriose retrocervical (75,3%), peritoneal (64,6%) , de
retossigmoide (47,7%) e ovário (33,4%) . O compartimento posterior foi o mais
acometido tanto pela endometriose superficial isolada ( 75,3%) como pela
endometriose profunda (79,6%). A maioria das pacientes apresentavam
endometriose profunda (83,7%) e estadiamento IV da r-ARSM (35,4%) (tabela 4).
28
continua
Tabela 2 - Análises descritivas das características das pacientes : dados
sociodemográficos
DP: desvio padrão
Tabela 3 - Análises descritivas das características das pacientes: dados clínicos
Características Média ± DP n (%)
Idade 35,6 ± 6,4
Etnia
Branca 964 (87,1%)
Parda 81 (7,3%)
Negra 37 (3,3%)
Amarela 25 (2,3%)
Escolaridade
Analfabeto 1 (0,1%)
Fundamental 21 (1,9%)
Médio 97 (8,8%)
Superior 981 (88,9%)
Pós-graduação 3 (0,3%)
Estado civil
Casada 729 (65,6%)
Divorciada 26 (2,3%)
Separada 32 (2,9%)
Solteira 276 (24,8%)
Viúva 4 (0,4%)
União estável 45 (4,0%)
Características Média ± DP n (%)
IMC
<18,5
18,5-24
25-29
≥30
23,6 ± 4,1
53 (4,8%)
718 (65,2%)
247 (22,4%)
84 (7,6%)
Comorbidades
Doenças cardiovasculares/ metabólicas 154 (13,8%)
Cardiopatias 19 (1,7%)
Doenças vasculares 9 (0,8%)
Doenças tromboembólicas 21 (1,9%)
Doenças psiquiátricas 75 (6,7%)
Síndromes dolorosas 83 (7,4%)
Doenças autoimunes 30 (2,7%)
Doença inflamatória intestinal 9 (0,8%)
Doenças tireoidianas 182 (16,3%)
Malformações congênitas 13 (1,2%)
Câncer (exceto tireoide) 10 (0,9%)
Doenças renais 12 (1,1%)
Doenças neurológicas 11 (1,0%)
Doenças hepáticas 14 (1,3%)
Doenças pulmonares 37 (3,3%)
Outras comorbidades 63 (5,7%)
Atividade física regular 356 (42,6%)
Tabagismo 52 (4,8%)
29
DP: desvio padrão; EE: etinilestradiol; GnRH: hormônio liberador de gonadotrofinas; IMC: índice de massa
corpórea; SIU-LNG: sistema intrauterino liberador de levonorgestrel;
Tabela 3 - Análises descritivas das características das pacientes : dados
clínicos - conclusão
Características Média ± DP n (%)
História familiar de endometriose
Mãe e/ou irmã
Tias e/ou primas e/ou avós
211 (19,8%)
108 (10,1%)
117 (11%)
Paridade 1,2 ± 0,9
0 798 (71,6%)
1 179 (16,1%)
2 118 (10,6%)
≥3 20 (1,8%)
Abortamento 0,5 ± 0,7
0 953 (85,5%)
1 128 (11,5%)
2 25 (2,2%)
≥3 9 (0,8%)
Cirurgias prévias por endometriose
0 785 (70,3%)
1 238 (21,3%)
2 61 (5,5%)
≥3 32 (2,9%)
Outras cirurgias abdominais prévias
0 749 (67,3%)
1 241 (21,7%)
2 89 (8,0%)
≥3 34 (3,1%)
Uso atual de medicação hormonal 551 (49,5%)
Anticoncepcional oral combinado 224 (40,7%)
Progesterona oral 181 (32,8%)
SIU-LNG 65 (11,8%)
Análogo de GnRH 37 (6,7%)
Progesterona intramuscular 10 (1,8%)
Anel vaginal de etonogestrel + EE 17 (3,1%)
Adesivo de norelgestromina + EE 7 (1,3%)
Gestrinona 5 (0,9%)
Outro 5 (0,9%)
Intervalo do ciclo menstrual
Irregular 145 (14,0%)
Até 25 dias 60 (5,8%)
De 26 a 35 dias 692 (67,0%)
De 36 dias ou mais 33 (3,2%)
Ausência de menstruação 103 (10,0%)
Quantidade do fluxo menstrual
Diminuído 111 (11,8%)
Normal 478 (50,7%)
Aumentado 353 (37,5%)
30
Tabela 4 - Análises descritivas dos sintomas, topografia das lesões, classificação e
estadiamento da endometriose
Características n (%)
Sintomas
Dismenorreia ≥7 854 (76,5%)
Dispareunia ≥7 493 (44,2%)
Dor pélvica acíclica ≥7 409 (36,6%)
Disquezia ≥7 355 (31,8%)
Disúria ≥7 115 (10,3%)
Infertilidade = sim 468 (41,9%)
Classificação endometriose*
Profunda 934 (83,7%)
Superficial 149 (13,3%)
Ovariana 33 (3%)
Topografia das lesões
Retrocervical 840 (75,3%)
Peritônio 721 (64,6%)
Retossigmoide 532 (47,7%)
Ovário 373 (33,4%)
Tubas 231 (20,7%)
Vagina 207 (18,5%)
Intestinal direita 191 (17,2%)
Bexiga 68 (6,1%)
Ligamento redondo 57 (5,1%)
Ureter 48 (4,3%)
Pararretal 38 (3,4%)
Compartimento das lesões superficiais**
Posterior 107 (75,3%)
Anterior 69 (48,6%)
Lateral 66 (46,5%)
Compartimento das lesões profundas
Posterior 888 (79,6%)
Anterior 114 (10,2%)
Lateral 48 (4,3%)
Estadiamento r-ASRM
I 256 (22,9%)
II 278 (24,9%)
III 187 (16,8%)
IV 395 (35,4%)
DP: desvio padrão; r-ASRM: classificação revisada da American Society for
Reproductive Medicine de 1997
*Classificação de acordo com o tipo mais grave de endometriose, conforme descrito nos
métodos
**Consideradas apenas pacientes com endometriose superficial isolada
31
Os resultados das análises simples para avaliar a associação entre os
sintomas, as características das pacientes e as topografias das lesões encontram-
se nas tabelas 5 e 6.
A média de idade das pacientes com dismenorreia ≥7 e com infertilidade foi
menor do que daquelas sem esses sintomas (35,18 ± 6, 41 versus 3 7,2 ± 6, 22;
p<0,01 e 36,29 ± 4,73 versus 38,87 ± 6,77; p<0,01 , respectivamente) (tabelas 5 e
6).
As seguintes variáveis foram associadas à dismenorreia com intensidade ≥7:
maior frequência de sobrepeso e obesidade (p=0,01), uso atual de medicação
hormonal (p=0,02), intervalo do ciclo irregular (p<0,01), fluxo menstrual aumentado
(p<0,01) e estadiamento IV da r -ASRM (p<0,01). Em relação à classificação da
endometriose, houve associação com uma maior frequência de endometriose
profunda e menor frequência de endometriose superficial ( p=0,01). As topografias
relacionadas com esse sintoma foram: retrocervical (p=0,02), retossigmoide
(p<0,01), ureter (p=0,03), ligamentos redondos (p<0,01) e tubas (p<0,01) (tabela 5).
Em relação ao sintoma dispareunia as características associadas à
intensidade ≥7 foram: maior frequência de uso atual de medicação hormonal
(p=0,02), intervalo do ciclo irregular (p<0,01) e fluxo menstrual aumentado (p<0,01),
endometriose profunda (p=0,04) e de retossigmoide (p<0,01) (tabela 5).
Dor pélvica acíclica com intensidade ≥7 apresentou associação com as
seguintes variáveis: maior frequência de sobrepeso e obesidade (p<0,01), maior
número de cirurgias prévias por endometriose (p<0,01) e de outras cirurgias
abdominais prévias (p=0,05), maior frequência de uso atual de medicação hormonal
(p<0,01), intervalo do ciclo irregular (p<0,01), fluxo menstrual aumentado (p<0,01)
e estadiamento IV da r -ASRM (p=0,05). Em relação às topografias das lesões de
endometriose houve associação com uma menor frequência de doença peritoneal
(p<0,01) e de vagina (p=0,03) e maior frequência de doença de ligamento redondo
(p=0,05) e tubas (p<0,01) (tabela 5).
O sintoma d isquezia com intensi dade ≥7 foi associado às seguintes
características das pacientes: maior número de cirurgias prévias por endometriose
(p<0,01), maior frequência de uso atual de medicação hormonal (p=0,03), intervalo
32
do ciclo irregular (p=0,02), fluxo menstrual aumentado (p<0,01) e estadiamento IV
da r -ASRM (p<0,01). Em relação à classificação da endometriose, houve
associação com uma maior frequência de endometriose profunda e menor
frequência de endometriose superficial (p<0,01). As topografias relacionadas com
esse sintoma foram: retrocervical (p<0,01), vagina (p<0,01), retossigmoide (p<0,01),
intestinal direita (p=0,02), ureter (p<0,01), pararretal (p=0,04) e tubas (p<0,01)
(tabela 6).
A presença de disúria com intensidade ≥7 foi associada às seguintes variáveis:
maior número de cirurgias prévias por endometriose (p=0,03), maior frequência de
ciclo menstrual irregular (p=0,02), fluxo menstrual aumentado (p=0,01) ,
estadiamento IV da r -ASRM (p=0,05) e endometriose profunda (p=0,02) . Em
relação às topografias d as lesões, houve associação com endometriose
retrocervical (p=0,05), de bexiga (p<0,01), retossigmoide (p<0,01), intestinal direita
(p<0,01), ligamento redondo (p<0,01) e tubas (p<0,01) (tabela 6).
As características das pacientes que foram associadas à presença de
infertilidade foram: maior frequência de baixo peso e IMC normal (p<0,01), maior
número de cirurgias prévias por endometriose (p<0,01), menor frequência de outras
cirurgias abdominais prévias (p<0,01), menor frequência de uso atual de medicação
hormonal (p<0,01), maior frequência de intervalo normal do ciclo (p<0,01), fluxo
menstrual normal (p=0,01) e estadiamento IV da r -ASRM (p<0,01). As topografias
de endometriose relacionadas com esse s intoma foram: peritônio (p<0,01),
retrocervical (p<0,01), vagina (p<0,01), retossigmoide (p<0,01), ligamento redondo
(p=0,01), pararretal (p=0,04) e tubas (p<0,01) (tabela 6).
Após a análise multivariada incluindo todas as variáveis , foram encontradas
as seguintes associações em relação às características das pacientes e topografias
das lesões : dismenorreia ≥7 e menor idade (OR=0,93; IC 0,91 -0,95; p<0,01),
aumento do risco de sobrepeso e intervalo menstrual irregular (OR=2,11; IC 1,40 -
3,17; p<0,01 e OR=2,34; IC 1,36-4,00; p<0,01, respectivamente), endometriose de
retossigmoide e tubas (OR=1,53; IC 1,12-2,09; p<0,01 e OR=1,93; IC 1,25 -2,99;
p<0,01, respectivamente) ; dispareunia ≥7 e menor idade (OR=0,98; 0,96 -1,00;
p=0,03), maior risco de intervalo menstrual irregular (OR=2,38; IC 1,65 -3,45;
33
p<0,01), endometriose de retossigmoide (OR=1,54; IC 1,19 -1,98; p<0,01) ; dor
pélvica acíclica ≥7 e aumento do risco de sobrepeso, obesidade e intervalo
menstrual irregular (OR=1,44; IC 1,04-1,99; p=0,03, OR=2,30; IC 1,41-3,76; p<0,01,
OR=3,16; IC 2,16 -4,61, p<0,01, respectivamente) , redução do risco de
endometriose de peritônio e vagina (OR=0,67; IC 0,51 -0,90; p<0,01, OR=0,64; IC
0,45-0,93; p=0,02, respectivamente) , aumento do risco de endometriose de tubas
(OR=1,47; IC 1,06 -2,03; p=0,02) ; disquezia ≥7 e aumento do risco de cirurgia s
prévias por endometriose e uso de medicação hormonal (OR=1,35; IC 1,02 -1,80;
p=0,04, OR=1,52; IC 1,16-1,99; p<0,01, respectivamente), endometriose de vagina,
ureter e retossigmoide (OR=1,46; IC 1,05 -2,03; p=0,02, OR=1,90; IC 1,04 -3,49;
p=0,04; OR=2,29; IC 1,74 -3,00; p<0,01, respectivamente) ; disúria ≥7 e
endometriose de bexiga, tubas e intestinal direita (OR=6,46; IC 3,75-11,13; p<0,01,
OR=1,61; IC 1,01-2,55; p=0,04, OR=1,64; IC 1,02 -2,65; p=0,04, respectivamente);
infertilidade e menor idade (OR=0,94; IC 0,91 -0,98; p<0,01), redução do risco de
sobrepeso e obesidade (OR=0,62; IC 0,41 -0,93; p=0,02, OR=0,46; IC 0,22 -0,87;
p=0,02, respectivamente), aumento do risco de cirurgias prévias por endometriose
(OR=2,35; IC 1,57-3,52; p<0,01), endometriose de peritônio, vagina, retossigmoide
e tubas (OR=1,70; IC 1,14-2,53; p<0,01, OR=1,88; IC 1,14-3,10; p=0,01, OR=1,60;
IC 1,09-2,35; p=0,02 e OR=2,21; IC 1,37-3,54; p<0,01, respectivamente) (tabela 7).
34
continua
Tabela 5 - Análises simples sintomas dismenorreia, dispareunia e dor pélvica acíclica e características das pacientes
Variáveis DSM ≥7 DSM <7 p DSP ≥7 DSP <7 p DPA ≥7 DPA <7 p
n = 854* n = 262* n = 493* n = 623* n = 409* n = 707*
Idade (média ± DP) 35,18 ± 6,41 37,20 ± 6,22 <0,01 35,32 ± 6,15 35,92 ± 6,61 NS 35,78 ± 6,52 35,58 ± 6,36 NS
IMC
<18,5 41 (4,9%) 12 (4,7%) 20 (4,1%) 33 (5,4%) 16 (4,0%) 37 (5,3%)
18,5-24 527 (62,4%) 191 (74,0%) 0,01 306 (63,0%) 412 (66,9%) NS 226 (55,9%) 492 (70,5%) <0,01
25-29 206 (24,4%) 41 (15,9%) 116 (23,9%) 131 (21,3%) 113 (28,0%) 134 (19,2%)
≥30 70 (8,3%) 14 (5,4%) 44 (9,1%) 40 (6,5%) 49 (12,1%) 35 (5,0%)
Cir. prévias EDT
0 584 (68,4%) 201 (76,7%) 341 (69,2%) 444 (71,3%) 260 (63,6%) 525 (74,3%)
1 194 (22,7%) 44 (16,8%) NS 109 (22,1%) 129 (20,7%) NS 104 (25,4%) 134 (19,0%) <0,01
2 50 (5,9%) 11 (4,2%) 28 (5,7%) 33 (5,3%) 27 (6,6%) 34 (4,8%)
≥3 26 (3,0%) 6 (2,3%) 15 (3,0%) 17 (2,7%) 18 (4,4%) 14 (2,0%)
Outras cir. abd. prévias 278 (32,7%) 86 (32,8%) NS 167 (34,0%) 197 (31,7%) NS 148 (36,4%) 216 (30,6%) 0,05
Uso medic. hormonal 444 (52,1%) 107 (41,0%) 0,02 273 (55,5%) 278 (44,7%) 0,02 226 (55,4%) 325 (46,0%) <0,01
Intervalo ciclo
Irregular 127 (16,2%) 18 (7,3%) 88 (19,4%) 57 (9,8%) 86 (23,1%) 59 (8,9%)
Até 25 dias 47 (6,0%) 13 (5,2%) 29 (6,4%) 31 (5,4%) 19 (5,1%) 41 (6,2%)
De 26 a 35 dias 504 (64,2%) 188 (75,8%) <0,01 270 (59,5%) 422 (72,9%) <0,01 205 (55,0%) 487 (73,8%) <0,01
De 36 dias ou mais 23 (2,9%) 10 (4,0%) 12 (2,6%) 21 (3,6%) 12 (3,2%) 21 (3,2%)
Amenorreia 84 (10,7%) 19 (7,7%) 55 (12,1%) 48 (8,3%) 51 (13,7%) 52 (7,9%)
Fluxo menstrual
Diminuído 80 (11,3%) 31 (13,4%) 51 (12,6%) 60 (11,2%) 46 (14,2%) 65 (10,5%)
Normal 332 (46,7%) 146 (63,2%) <0,01 176 (43,5%) 302 (56,2%) <0,01 131 (40,3%) 347 (56,2%) <0,01
Aumentado 299 (42,1%) 54 (23,4%) 178 (44,0%) 175 (32,6%) 148 (45,5%) 205 (33,2%)
Classificação
Superficial 100 (11,7%) 49 (18,7%) 52 (10,5%) 97 (15,6%) 52 (12,7%) 97 (13,7%)
Ovariana 25 (2,9%) 8 (3,1%) 0,01 13 (2,6%) 20 (3,2%) 0,04 11 (2,7%) 22 (3,1%) NS
Profunda 729 (85,4%) 205 (78,2%) 428 (86,8%) 506 (81,2%) 346 (84,6%) 588 (83,2%)
Topografia das lesões
Peritônio 545 (63,8%) 176 (67,2%) NS 304 (61,7%) 417 (66,9%) NS 239 (58,4%) 482 (68,2%) <0,01
Ovário 297 (34,8%) 76 (29,0%) NS 166 (33,7%) 207 (33,2%) NS 144 (35,2%) 229 (32,4%) NS
Retrocervical 657 (76,9%) 183 (69,8%) 0,02 384 (77,9%) 456 (73,2%) NS 318 (77,8%) 522 (73,8%) NS
Vagina 158 (18,5%) 49 (18,7%) NS 88 (17,8%) 119 (19,1%) NS 62 (15,2%) 145 (20,5%) 0,03
Bexiga 57 (6,7%) 11 (4,2%) NS 27 (5,5%) 41 (6,6%) NS 22 (5,4%) 46 (6,5%) NS
Retossigmoide 431 (50,5%) 101 (38,5%) <0,01 261 (52,9%) 271 (43,5%) <0,01 198 (48,4%) 334 (47,2%) NS
Intestinal direita 153 (17,9%) 38 (14,6%) NS 86 (17,5%) 105 (16,9%) NS 73 (17,9%) 118 (16,7%) NS
35
continua
Tabela 5 - Análises simples sintomas dismenorreia, dispareunia e dor pélvica acíclica e características das pacientes
– conclusão
Variáveis DSM ≥7 DSM <7 p DSP ≥7 DSP <7 p DPA ≥7 DPA <7 p
n = 854* n = 262* n = 493* n = 623* n = 409* n = 707*
Ureter 43 (5,0%) 5 (1,9%) 0,03 24 (4,9%) 24 (3,9%) NS 22 (5,4%) 26 (3,7%) NS
Lig. redondo 53 (6,2%) 4 (1,5%) <0,01 20 (4,1%) 18 (2,9%) NS 28 (6,8%) 29 (4,1%) 0,05
Pararretal 29 (3,4%) 9 (3,4%) NS 27 (5,5%) 30 (4,8%) NS 17 (4,2%) 21 (3,0%) NS
Tubas 200 (23,4%) 31 (11,8%) <0,01 110 (22,3%) 121 (19,4%) NS 106 (25,9%) 125 (17,7%) <0,01
Estadiamento r-ASRM
I 177 (20,7%) 79 (30,2%) 106 (21,5%) 150 (24,1%) 85 (20,8%) 171 (24,2%)
II 198 (23,2%) 80 (30,5%) <0,01 115 (23,3%) 163 (26,2%) NS 90 (22,0%) 188 (26,6%) 0,05
III 143 (16,7%) 44 (16,8%) 94 (19,1%) 93 (14,9%) 69 (16,9%) 118 (16,7%)
IV 336 (39,3%) 59 (22,5%) 178 (36,1%) 217 (34,8%) 165 (40,3%) 230 (32,5%)
Abd.: abdominais; cir.: cirurgias; DP: desvio padrão; DPA: dor pélvica acíclica; DSM: dismenorreia; DSP: dispareunia; EDT: endometriose; IMC: índice de massa corpórea; Lig.:
ligamento; medic.: medicações; NS: não significativo; r-ASRM: classificação revisada da American Society for Reproductive Medicine de 1997; * O número total da amostra pode
variar nos subgrupos devido à possibilidade de dados faltantes (missing)
Tabela 6 - Análises simples sintomas disquezia, disúria e infertilidade e características das pacientes
Variáveis DSQ ≥7 DSQ <7 p DSU ≥7 DSU <7 p INF = sim INF = não p
n = 355* n = 760* n = 115* n = 1001* n = 468* n = 270*
Idade (média ± DP) 35,59 ± 5,97 35,69 ± 6,62 NS 34,94 ± 5,20 35,74 ± 6,54 NS 36,29 ± 4,73 38,87 ± 6,77 <0,01
IMC
<18,5 13 (3,7%) 40 (5,3%) 4 (3,5%) 49 (5,0%) 23 (5,0%) 4 (1,5%)
18,5-24 221 (63,3%) 497 (66,1%) NS 74 (65,5%) 644 (65,1%) NS 312 (67,2%) 151 (57,2%) <0,01
25-29 79 (22,6%) 167 (22,2%) 26 (23,0%) 221 (22,3%) 97 (20,9%) 78 (29,5%)
≥30 36 (10,3%) 48 (6,4%) 9 (8,0%) 75 (7,6%) 32 (6,9%) 31 (11,7%)
Cir. prévias EDT
0 224 (63,1%) 561 (73,8%) 70 (60,9%) 715 (71,4%) 284 (60,7%) 200 (74,1%)
1 94 (26,5%) 143 (18,8%) <0,01 28 (24,3%) 210 (21,0%) 0,03 122 (26,1%) 55 (20,4%) <0,01
2 23 (6,5%) 38 (5,0%) 10 (8,7%) 51 (5,1%) 41 (8,8%) 9 (3,3%)
≥3 14 (3,9%) 18 (2,4%) 7 (6,1%) 25 (2,5%) 21 (4,5%) 6 (2,2%)
Outras cir. abd. prévias 117 (33,1%) 247 (32,5%) NS 38 (33,3%) 326 (32,6%) NS 150 (32,2%) 145 (53,7%) <0,01
Uso medic. hormonal 206 (58,2%) 344 (45,3%) 0,03 70 (60,9%) 481 (48,1%) NS 182 (38,9%) 140 (52,0%) <0,01
Intervalo ciclo
Irregular 57 (17,8%) 88 (12,3%) 26 (24,8%) 119 (12,8%) 66 (15,0%) 37 (14,7%)
36
Tabela 6 - Análises simples sintomas disquezia, disúria e infertilidade e características das pacientes – conclusão
Variáveis DSQ ≥7 DSQ <7 p DSU ≥7 DSU <7 p INF = sim INF = não p
n = 355* n = 760* n = 115* n = 1001* n = 468* n = 270*
Até 25 dias 23 (7,2%) 37 (5,2%) 7 (6,7%) 53 (5,7%) 23 (5,2%) 14 (5,6%)
De 26 a 35 dias 193 (60,3%) 499 (70,0%) 0,02 60 (57,1%) 632 (68,1%) 0,02 312 (71,1%) 160 (63,5%) <0,01
De 36 dias ou mais 9 (2,8%) 24 (3,4%) 3 (2,9%) 30 (3,2%) 13 (3,0%) 5 (2,0%)
Amenorreia 38 (11,9%) 65 (9,1%) 9 (8,6%) 94 (10,1%) 25 (5,7%) 36 (14,3%)
Fluxo menstrual
Diminuído 44 (15,3%) 67 (10,2%) 18 (18,2%) 93 (11,0%) 48 (11,5%) 30 (13,7%)
Normal 122 (42,5%) 356 (54,4%) <0,01 37 (37,4%) 441 (52,3%) 0,01 227 (54,2%) 91 (41,6%) 0,01
Aumentado 121 (42,2%) 232 (35,4%) 44 (44,4%) 309 (36,7%) 144 (34,4%) 98 (44,7%)
Classificação
Superficial 29 (8,2%) 120 (15,8%) 9 (7,8%) 140 (14,0%) 47 (10,0%) 41 (15,2%)
Ovariana 8 (2,3%) 25 (3,3%) <0,01 0 (0,0%) 33 (3,3%) 0,02 13 (2,8%) 9 (3,3%) NS
Profunda 318 (89,6%) 615 (80,9%) 106 (92,2%) 828 (82,7%) 408 (87,2%) 220 (81,5%)
Topografia das lesões
Peritônio 215 (60,6%) 506 (66,6%) 0,05 69 (60,0%) 652 (65,1%) NS 323 (69,0%) 153 (56,7%) <0,01
Ovário 117 (33,0%) 256 (33,7%) NS 44 (38,3%) 329 (32,9%) NS 163 (34,8%) 79 (29,3%) NS
Retrocervical 295 (83,1%) 544 (71,6%) <0,01 95 (82,6%) 745 (74,4%) 0,05 371 (79,3%) 191 (70,7%) <0,01
Vagina 93 (26,2%) 113 (14,9%) <0,01 20 (17,4%) 187 (18,7%) NS 105 (22,4%) 38 (14,1%) <0,01
Bexiga 23 (6,5%) 45 (5,9%) NS 26 (22,6%) 42 (4,2%) <0,01 33 (7,1%) 13 (4,8%) NS
Retossigmoide 226 (63,7%) 306 (40,3%) <0,01 69 (60,0%) 463 (46,3%) <0,01 256 (54,7%) 117 (43,3%) <0,01
Intestinal direita 75 (21,2%) 116 (15,3%) 0,02 31 (27,0%) 160 (16,0%) <0,01 95 (20,3%) 43 (15,9%) NS
Ureter 24 (6,8%) 24 (3,2%) <0,01 7 (6,1%) 41 (4,1%) NS 21 (4,5%) 13 (4,8%) NS
Lig. redondo 23 (6,5%) 34 (4,5%) NS 12 (10,4%) 45 (4,5%) <0,01 130 (27,8%) 45 (16,7%) 0,01
Pararretal 18 (5,1%) 20 (2,6%) 0,04 3 (2,6%) 35 (3,5%) NS 20 (4,3%) 4 (1,5%) 0,04
Tubas 94 (26,5%) 137 (18,0%) <0,01 36 (31,3%) 195 (19,5%) <0,01 130 (27,8%) 45 (16,7%) <0,01
Estadiamento r-ASRM
I 44 (12,4%) 212 (27,9%) 19 (16,5%) 237 (23,7%) 80 (17,1%) 78 (28,9%)
II 86 (24,2%) 191 (25,1%) <0,01 25 (21,7%) 253 (25,3%) 0,05 112 (23,9%) 75 (27,8%) <0,01
III 58 (16,3%) 129 (17,0%) 17 (14,8%) 170 (17,0%) 77 (16,5%) 40 (14,8%)
IV 167 (47,0%) 228 (30,0%) 54 (47,0%) 341 (34,1%) 199 (42,5%) 77 (28,5%)
Abd.: abdominais; cir.: cirurgias; DP: desvio padrão; DSQ: disquezia; DSU: disúria; EDT: endometriose; IMC: índice de massa corpórea; INF: infertilidade; Lig.: ligamento; medic.:
medicações; NS: não significativo; r-ASRM: classificação revisada da American Society for Reproductive Medicine d e 1997; * O número total da amostra pode variar nos
subgrupos devido à possibilidade de dados faltantes (missing)
37
Tabela 7 - Regressão logística* sintomas e todas as variáveis
Sintoma Variável OR IC p
Dismenorreia ≥7 Idade 0,93 0,91 – 0,95 <0,01
IMC – sobrepeso 2,11 1,40 – 3,17 <0,01
Int. menstrual irregular 2,34 1,36 – 4,00 <0,01
Retossigmoide 1,53 1,12 – 2,09 <0,01
Tubas 1,93 1,25 – 2,99 <0,01
Dispareunia ≥7 Idade 0,98 0,96 – 1,00 0,03
Int. menstrual irregular 2,38 1,65 – 3,45 <0,01
Retossigmoide 1,54 1,19 – 1,98 <0,01
Dor pélvica acíclica ≥7 IMC – sobrepeso 1,44 1,04 – 1,99 0,03
IMC – obesidade 2,30 1,41 – 3,76 <0,01
Int. menstrual irregular 3,16 2,16 – 4,61 <0,01
Peritônio 0,67 0,51 – 0,90 <0,01
Vagina 0,64 0,45 – 0,93 0,02
Tubas 1,47 1,06 – 2,03 0,02
Disquezia ≥7 Cirurgias prévias EDT 1,35 1,02 – 1,80 0,04
Uso medicação hormonal 1,52 1,16 – 1,99 <0,01
Vagina 1,46 1,05 – 2,03 0,02
Ureter 1,90 1,04 – 3,49 0,04
Retossigmoide 2,29 1,74 – 3,00 <0,01
Disúria ≥7 Bexiga 6,46 3,75 – 11,13 <0,01
Tubas 1,61 1,01 – 2,55 0,04
Intestinal direita 1,64 1,02 – 2,65 0,04
Infertilidade Idade 0,94 0,91 – 0,98 <0,01
IMC – sobrepeso 0,62 0,41 – 0,93 0,02
IMC – obesidade 0,46 0,22 – 0,87 0,02
Cirurgias prévias EDT 2,35 1,57 – 3,52 <0,01
Peritônio 1,70 1,14 – 2,53 <0,01
Vagina 1,88 1,14 – 3,10 0,01
Retossigmoide 1,60 1,09 – 2,35 0,02
Tubas 2,21 1,37 – 3,54 <0,01
EDT: endometriose; IC: intervalo de confiança; IMC: índice de massa corpórea; Int.: intervalo; OR: odds ratio
*Em todos os ajustes foi considerado o intercepto (constante), entretanto optado por não apresentar esse dado
pois este não influencia na interpretação dos resultados no contexto das análises realizadas
38
As tabelas 8 e 9 apresentam os resultados das análises simples da associação
entre os sintomas e os compartimentos das lesões de endometriose profunda e
superficial, respectivamente.
Em relação à endometriose profunda, foi observada associação de lesões de
compartimento anterior e lateral com uma maior frequência de dispareunia ≥7
(14,1% versus 7,7%; p=0,02 e 6,1% versus 2,6%; p=0,05, respectivamente), lesões
de compartimento lateral com uma maior frequência de disquezia ≥7 (7,7% versus
4,1%; p=0,02 ), le sões de compartimento anterior com uma maior frequência de
disúria ≥7 (31,4% versus 10,2%; p<0,01) e lesões de compartimento posterior com
uma menor frequência de disúria ≥7 (95,2% versus 99,4%; p<0,01). Houve também
uma maior incidência de infertilidade nas pacientes com endometriose profunda de
compartimentos anterior e posterior (13,2% versus 7,4%; p =0,01 e 83,1% versus
75,2%; p<0,01, respectivamente) (tabela 8).
No que concerne a endometriose superficial , foi encontrada apenas
associação entre uma maior frequência de dismenorreia ≥7 e lesões de
compartimento posterior (81,3% versus 63,0%; p=0,02). Não houve correlação entre
os compartimentos da endometriose superficial e os outros sintomas dolo rosos ou
infertilidade (tabela 9).
Foi realizada regressão logística múltipla incluindo pacientes com
endometriose superficial isolada em comparação com aquelas com endometriose
ovariana e os diferentes compartimentos de endometriose profunda (tabela 10). Foi
encontrada associação entre os compartimentos das lesões de endometriose
profunda e todos os sintomas dolorosos com intensidade ≥7. Dismenorreia ≥7 e
disquezia ≥7 apresentaram associação com endometriose profunda de
compartimento posterior iso lada (OR=1,6; IC 1,09 – 2,34; p=0,02 e OR=2,09; IC
1,36 – 3,23; p<0,01, res pectivamente) e em combinação com outros
compartimentos. A combinação dos compartimentos posterior e lateral foi a que
apresentou maiores valores de OR (OR=3,55 para dismenorreia ≥7 e OR=4,40 para
disquezia ≥7). Dispareunia ≥7 foi associada apenas à endometriose profunda de
compartimento posterior (OR=1,62; IC 1,12 – 2,34; p=0,01). Dor pélvica acíclica ≥7
apresentou associação com a combinação de compartimentos posterior e lateral
39
(OR=2,24; IC 1,04 – 4,08; p=0,04). Disúria ≥7 foi associada às lesões de
compartimento anterior (OR=15,56; IC 3,79 – 63,78; p<0,01) e suas combinações.
Infertilidade foi associada à endometriose de compartimento posterior isolada
(OR=1,6; IC 1,06 – 2,54; p=0,04) e em combinação com compartimento anterior
(OR=2,62; IC 1,29 – 5,29; p<0,01), sendo esta última com o maior valor de OR .
Endometriose superficial e ovariana não foram relacionadas com nenhum sintoma
doloroso ou infertilidade (tabela 10).
40
Tabela 8 – Análises simples sintomas e compartimentos das lesões profundas
Sintomas
(EVA) n
Anterior
n (%)
Lateral
n (%)
Posterior
n (%)
Dismenorreia
<7 195 15 (7,7) 5 (2,6) 193 (99,0)
≥7 703 99 (14,1) 43 (6,1) 695 (98,9)
p 0,02 0,05 NS
Dispareunia
<7 483 64 (13,3) 24 (5,0) 477 (98,8)
≥7 415 50 (12,0) 24 (5,8) 411 (99,0)
p NS NS NS
Dor pélvica acíclica
<7 566 69 (12,2) 26 (4,6) 558 (98,6)
≥7 332 45 (13,6) 22 (6,6) 330 (99,4)
p NS NS NS
Disquezia
<7 586 72 (12,3) 24 (4,1) 577 (98,5)
≥7 311 42 (13,5) 24 (7,7) 310 (99,7)
p NS 0,02 NS
Disúria
<7 793 81 (10,2) 41 (5,2) 788 (99,4)
≥7 105 33 (31,4) 7 (6,7) 100 (95,2)
p <0,01 NS <0,01
Infertilidade
Não 270 20 (7,4) 13 (4,8) 203 (75,2)
Sim 468 62 (13,2) 21 (4,5) 389 (83,1)
p 0,01 NS <0,01
EVA: escala visual analógica; NS: não significativo
41
Tabela 9 – Análises simples sintomas e compartimentos das lesões superficiais
Sintomas
(EVA) n
Anterior
n (%)
Lateral
n (%)
Posterior
n (%)
Dismenorreia
<7 46 23 (50,0) 24 (52,2) 29 (63,0)
≥7 96 46 (47,9) 42 (43,8) 78 (81,3)
p NS NS 0,02
Dispareunia
<7 90 42 (46,7) 45 (50,0) 65 (72,2)
≥7 52 27 (51,9) 21 (40,4) 42 (80,8)
p NS NS NS
Dor pélvica acíclica
<7 92 44 (47,8) 42 (45,7) 72 (78,3)
≥7 50 25 (50,0) 24 (48,0) 35 (70,0)
p NS NS NS
Disquezia
<7 114 55 (48,2) 53 (46,5) 85 (74,6)
≥7 28 14 (50,0) 13 (46,4) 22 (78,6)
p NS NS NS
Disúria
<7 133 63 (47,4) 62 (46,6) 100 (75,2)
≥7 9 6 (66,7) 4 (44,4) 7 (77,8)
p NS NS NS
Infertilidade
Não 36 18 (50,0) 14 (38,9) 24 (66,7)
Sim 46 21 (45,7) 27 (58,7) 35 (76,1)
p NS NS NS
EVA: escala visual analógica; NS: não significativo
42
Tabela 10 – Regressão logística sintomas e classificação da endometriose
Sintoma Compartimento OR IC p
Dismenorreia ≥7 Posterior 1,60 1,09 – 2,34 0,02
Anterior e posterior 3,14 1,57 – 6,32 <0,01
Posterior e lateral 3,55 1,18 – 10,67 0,02
Dispareunia ≥7 Posterior 1,62 1,12 – 2,34 0,01
Dor pélvica acíclica ≥7 Posterior e lateral 2,24 1,04 – 4,80 0,04
Disquezia ≥7 Posterior 2,09 1,36 – 3,23 <0,01
Anterior e posterior 2,56 1,42 – 4,61 <0,01
Posterior e lateral 4,40 2,00 – 9,73 <0,01
Anterior, posterior e
lateral
3,62 1,21 – 10,80 0,02
Disúria ≥7 Anterior 15,56 3,79 – 63,78 <0,01
Anterior e posterior 5,74 2,53 – 13,05 <0,01
Anterior, posterior e
lateral
5,66 1,50 – 21,35 0,01
Infertilidade Posterior 1,60 1,06 – 2,54 0,04
Anterior e posterior 2,62 1,29 – 5,29 <0,01
IC: intervalo de confiança; OR: odds ratio
*Em todos os ajustes foi considerado o intercepto (constante), entretanto optado por não apresentar esse dado
pois este não influencia na interpretação dos resultados no contexto das análises realizadas
43
As tabelas 11 e 12 demonstram a associação entre os sintomas e o tamanho
das lesões superficiais, ovarianas e profundas. A presença de dismenorreia e
dispareunia de intensidade ≥7 apresentaram associação com uma maior frequência
de endometriose peritoneal com tamanho ≥1 cm e <3 cm (49,1% versus 39,5%;
p<0,01 e 53,1% versus 42,2%; p=0,02, respectivamente). Disquezia de intensidade
≥7 foi associada a uma maior frequência de endometriose peritoneal de tamanho
≥1 cm e <3 cm (53,7% versus 43,9%; p=0,02) , endometriose retrocervical ≥3 cm
(48,6% versus 30,0%; p<0,01) e endometriose de bexiga de tamanho ≥1 cm e <3
cm (86,4% versus 61,4%; p<0,01) . A presença de disúria apresentou associação
com endometriose de bexiga de tamanho ≥3 cm (44,0% versus 19,5%; p=0,05) .
Infertilidade teve associação com uma maior frequência de endometriose peritoneal
≥3 cm (29,5% versus 17,1%; p <0,01) e retrocervical ≥3 cm (39,4% versus 31,3%;
p=0,02). Os tamanhos das lesões de endometriose ovariana , de vagina e de
retossigmoide não apresentaram correlação com nenhum sintoma (tabelas 11 e 12).
Na tabela 13 pode-se observar os resultados da análise da associação entre
as comorbidades e a classificação da endometriose em superficial, ovariana e
profunda. Foi encontrada uma maior frequência de endometriose superficial isolada
e uma menor frequência de endometriose profunda nas pacientes com síndromes
dolorosas (12,8% versus 6,6%; p<0,01 e 6,6% versus 11,5%; p=0,02,
respectivamente) (tabela 13).
44
Tabela 11 - Associação entre os sintomas dismenorreia, dispareunia e dor pélvica acíclica e o tamanho das lesões
superficiais, ovarianas e profundas
Variáveis DSM ≥7 DSM <7 p DSP ≥7 DSP <7 p DPA ≥7 DPA <7 p
Peritônio n = 521 n = 172 n = 288 n = 405 n = 225 n = 468
< 1 cm 111 (21,3%) 58 (33,7%) 60 (20,8%) 109 (26,9%) 51 (22,7%) 118 (25,2%)
≥ 1 cm e < 3 cm 256 (49,1%) 68 (39,5%) <0,01 153 (53,1%) 171 (42,2%) 0,02 118 (52,4%) 206 (44,0%) NS
≥ 3 cm 154 (29,6%) 46 (26,7%) 75 (26,0%) 125 (30,9%) 56 (24,9%) 144 (30,8%)
Ovário n = 286 n = 75 n = 157 n = 204 n = 134 n = 227
< 1 cm 3 (1,0%) 2 (2,7%) 0 (0,0%) 5 (2,5%) 1 (0,7%) 4 (1,8%)
≥ 1 cm e < 3 cm 105 (36,7%) 28 (37,3%) NS 60 (38,2%) 73 (35,8%) NS 48 (35,8%) 85 (37,4%) NS
≥ 3 cm 178 (62,2%) 45 (60,0%) 97 (61,8%) 126 (61,8%) 85 (63,4%) 138 (60,8%)
Retrocervical n = 631 n = 173 n = 364 n = 440 n = 302 n = 502
< 1 cm 38 (6,0%) 16 (9,2%) 23 (6,3%) 31 (7,0%) 18 (6,0%) 36 (7,2%)
≥ 1 cm e < 3 cm 351 (55,6%) 106 (61,3%) NS 211 (58,0%) 246 (55,9%) NS 166 (55,0%) 291 (58,0%) NS
≥ 3 cm 242 (38,4%) 51 (29,5%) 130 (35,7%) 163 (37,0%) 118 (39,1%) 175 (34,9%)
Vagina n = 156 n = 47 n = 85 n = 118 n = 60 n = 143
< 1 cm 10 (6,4%) 1 (2,1%) 6 (7,1%) 5 (4,2%) 4 (6,7%) 7 (4,9%)
≥ 1 cm e < 3 cm 79 (50,6%) 30 (63,8%) NS 40 (47,1%) 69 (58,5%) NS 26 (43,3%) 83 (58,0%) NS
≥ 3 cm 67 (42,9%) 16 (34,0%) 39 (45,9%) 44 (37,3%) 30 (50,0%) 53 (37,1%)
Bexiga n = 55 n = 11 n = 27 n = 39 n = 21 n = 45
< 1 cm 1 (1,8%) 0 (0,0%) 0 (0,0%) 1 (2,6%) 0 (0,0%) 1 (2,2%)
≥ 1 cm e < 3 cm 40 (72,7%) 6 (54,5%) NS 18 (66,7%) 28 (71,8%) NS 13 (61,9%) 33 (73,3%) NS
≥ 3 cm 14 (25,5%) 5 (45,5%) 9 (33,3%) 10 (25,6%) 8 (38,1%) 11 (24,4%)
Retossigmoide n = 401 n = 92 n = 241 n = 252 n = 182 n = 311
< 1 cm 20 (5,0%) 6 (6,5%) 13 (5,4%) 13 (5,2%) 11 (6,0%) 15 (4,8%)
≥ 1 cm e < 3 cm 210 (52,4%) 53 (57,6%) NS 138 (57,3%) 125 (49,6%) NS 96 (52,7%) 167 (53,7%) NS
≥ 3 cm 171 (42,6%) 33 (35,9%) 90 (37,3%) 114 (45,2%) 75 (41,2%) 129 (41,5%)
DPA: dor pélvica acíclica; DSM: dismenorreia; DSP: dispareunia; NS: não significativo
45
Tabela 12 - Associação entre os sintomas disquezia, disúria e infertilidade e o tamanho das lesões superficiais, ovarianas
e profundas
Variáveis DSQ ≥7 DSQ <7 p DSU ≥7 DSU <7 p INF = sim INF = não p
Peritônio n = 205 n = 488 n = 63 n = 630 n = 315 n = 146
< 1 cm 37 (18,0%) 132 (27,0%) 15 (23,8%) 154 (24,4%) 69 (21,9%) 49 (33,6%)
≥ 1 cm e < 3 cm 110 (53,7%) 214 (43,9%) 0,02 34 (54,0%) 290 (46,0%) NS 153 (48,6%) 72 (49,3%) <0,01
≥ 3 cm 58 (28,3%) 142 (29,1%) 14 (22,2%) 186 (29,5%) 93 (29,5%) 25 (17,1%)
Ovário n = 110 n = 251 n = 37 n = 324 n = 157 n = 74
< 1 cm 0 (0,0%) 5 (2,0%) 0 (0,0%) 5 (1,5%) 2 (1,3%) 1 (1,4%)
≥ 1 cm e < 3 cm 48 (43,6%) 85 (33,9%) NS 12 (32,4%) 121 (37,3%) NS 59 (37,6%) 26 (35,1%) NS
≥ 3 cm 62 (56,4%) 161 (64,1%) 25 (67,6%) 198 (61,1%) 96 (61,1%) 47 (63,5%)
Retrocervical n = 280 n = 523 n = 87 n = 717 n = 355 n = 179
< 1 cm 12 (4,3%) 42 (8,0%) 4 (4,6%) 50 (7,0%) 17 (4,8%) 19 (10,6%)
≥ 1 cm e < 3 cm 132 (47,1%) 324 (62,0%) <0,01 45 (51,7%) 412 (57,5%) NS 198 (55,8%) 104 (58,1%) 0,02
≥ 3 cm 136 (48,6%) 157 (30,0%) 38 (43,7%) 255 (35,6%) 140 (39,4%) 56 (31,3%)
Vagina n = 90 n = 112 n = 20 n = 183 n = 104 n = 37
< 1 cm 6 (6,7%) 5 (4,5%) 0 (0,0%) 11 (6,0%) 9 (8,7%) 0 (0,0%)
≥ 1 cm e < 3 cm 43 (47,8%) 65 (58,0%) NS 9 (45,0%) 100 (54,6%) NS 56 (53,8%) 21 (56,8%) NS
≥ 3 cm 41 (45,6%) 42 (37,5%) 11 (55,0%) 72 (39,3%) 39 (37,5%) 16 (43,2%)
Bexiga n = 22 n = 44 n = 25 n = 41 n = 33 n = 13
< 1 cm 1 (4,5%) 0 (0,0%) 0 (0,0%) 1 (2,4%) 0 (0,0%) 0 (0,0%)
≥ 1 cm e < 3 cm 19 (86,4%) 27 (61,4%) <0,01 14 (56,0%) 32 (78,0%) 0,05 25 (75,8%) 9 (69,2%) NS
≥ 3 cm 2 (9,1%) 17 (38,6%) 11 (44,0%) 8 (19,5%) 8 (24,2%) 4 (30,8%)
Retossigmoide n = 208 n = 285 n = 61 n = 432 n = 234 n = 106
< 1 cm 9 (4,3%) 17 (6,0%) 2 (3,3%) 24 (5,6%) 6 (2,6%) 6 (5,7%)
≥ 1 cm e < 3 cm 101 (48,6%) 162 (56,8%) NS 30 (49,2%) 233 (53,9%) NS 120 (51,3%) 57 (53,8%) NS
≥ 3 cm 98 (47,1%) 106 (37,2%) 29 (47,5%) 175 (40,5%) 108 (46,2%) 43 (40,6%)
DSQ: disquezia; DSU: disúria; INF: infertilidade; NS: não significativo
46
Tabela 13 - Associação entre as comorbidades e a classificação da endometriose
Comorbidades Superficial
Sim
Superficial
não
p Ovariana
sim
Ovariana
não
p Profunda
sim
Profunda
não
p
n = 149 n = 967 n = 33 n = 1083 n = 925 n = 191
DCV/ metabólicas 19 (12,8%) 135 (14,0%) NS 6 (18,2%) 148 (13,7%) NS 126 (13,6%) 28 (14,7%) NS
Cardiopatias 1 (0,7%) 18 (1,9%) NS 2 (6,1%) 17 (1,6%) NS 16 (1,7%) 3 (1,6%) NS
D. vasculares 2 (1,3%) 7 (0,7%) NS 1 (3,0%) 8 (0,7%) NS 6 (0,6%) 3 (1,6%) NS
D. tromboembólicas 5 (3,4%) 16 (1,7%) NS 0 (0,0%) 21 (1,9%) NS 16 (1,7%) 5 (2,6%) NS
D. psiquiátricas 9 (6,0%) 66 (6,8%) NS 2 (6,1%) 73 (6,7%) NS 63 (6,8%) 12 (6,3%) NS
S. dolorosas 19 (12,8%) 64 (6,6%) 0,01 2 (6,1%) 81 (7,5%) NS 61 (6,6%) 22 (11,5%) 0,02
D. autoimunes 5 (3,4%) 25 (2,6%) NS 3 (9,1%) 27 (2,5%) NS 22 (2,4%) 8 (4,2%) NS
D. I. intestinal 1 (0,7%) 8 (0,8%) NS 0 (0,0%) 9 (0,8%) NS 8 (0,9%) 1 (0,5%) NS
D. tireoidianas 30 (20,1%) 152 (15,7%) NS 5 (15,2%) 177 (16,3%) NS 145 (15,7%) 37 (19,4%) NS
Malf. congênitas 3 (2,0%) 10 (1,0%) NS 0 (0,0%) 13 (1,2%) NS 10 (1,1%) 3 (1,6%) NS
Câncer 2 (1,3%) 8 (0,8%) NS 0 (0,0%) 10 (0,9%) NS 8 (0,9%) 2 (1,0%) NS
D. renais 3 (2,0%) 9 (0,9%) NS 0 (0,0%) 12 (1,1%) NS 9 (1,0%) 3 (1,6%) NS
D. neurológicas 1 (0,7%) 10 (1,0%) NS 0 (0,0%) 11 (1,0%) NS 10 (1,1%) 1 (0,5%) NS
D. hepáticas 4 (2,7%) 10 (1,0%) NS 0 (0,0%) 14 (1,3%) NS 10 (1,1%) 4 (2,1%) NS
D. pulmonares 3 (2,0%) 34 (3,5%) NS 0 (0,0%) 37 (3,4%) NS 34 (3,7%) 3 (1,6%) NS
D.: doenças; DCV: doenças cardiovasculares; D.I.: doença inflamatória; Malf.: malformações; NS: não significativo; S.: síndromes
47
DISCUSSÃO
48
5. DISCUSSÃO
No presente estudo foi avaliada a associação entre os sintomas e as diferentes
topografias de endometriose pélvica em uma casuística de 1116 pacientes. Foi
realizada também uma análise dos dados sociodemográficos e clínicos da amostra,
além das diferentes características das lesões de endometriose (tamanho,
compartimentos afetados, classificação e estadiamento da r-ASRM); e sua
respectiva associação com os sintomas da doença.
Dados sociodemográficos e clínicos
A média de idade d a amostra estudada foi de 35 anos, superior à média de
30-33 anos encontrada na literatura em estudos semelhantes (3, 31, 54, 78). Essa
diferença pode ser reflexo de um maior atraso no diagnóstico da endometriose ou
de um viés de seleção por se tratar de pacientes submetidas à tratamento cirúrgico
em centros de referência.
Observou-se que 87,1% das mulheres eram brancas e 88,9% com nível
superior de escolaridade , em concordância com estudos prévios realizados no
Brasil e em outros países (1, 3) . O motivo para ess a predominância ainda é
desconhecido, porém pode estar relacionado ao fato de mulheres com maior
escolaridade e nível socioe conômico terem mais acesso à informação e aos
serviços de saúde e, portanto, serem mais frequentemente diagnosticadas com a
doença (1). Outra explicação para mulheres brancas serem mais afetadas seria uma
maior frequência de fatores genéticos em comum relacionados à etiologia da
endometriose nessa população (79). Além disso, encontramos que a maioria das
pacientes era casada (65,6%), o que pode estar associado a uma maior exposição
a relações sexuais e consequentemente ao sintoma dispareunia. O papel do
parceiro na percepção dos sintomas da doença pela mulher e na busca pelo
diagnóstico também deve ser ressaltado, uma vez que é comum que as mulheres
49
afetadas sofram muitos ano s com dor até terem o diagnóstico da endometriose,
frequentemente por acreditarem que os sintomas seriam normais (80).
Também é relatado na literatura uma associação da endometriose com baixo
IMC (9, 81, 82) e no presente estudo foi observado que a maioria das pacientes
apresentavam IMC normal (65,2%), com uma prevalência de sobrepeso de 22,4%
e obesidade de 7,6%. No Brasil , a estimativa de sobrepeso e obesidade em
mulheres em 2019 foi de 62,6% e 29,5%, respectivamente; muito superior ao
encontrado em nossa amostra (83). Uma possível hipótese para esses achad os é
que mulheres com so brepeso e obesidade teriam maiores chances de ciclos
oligomenorréicos devido a anovulação e menos menstruações retrógradas,
ademais é possível que exista uma associação de determinados biotipos com uma
maior frequência de fatores genéticos e epigenéticos relacionados com a etiologia
da endometriose (9).
Dentre as comorbidades, as mais frequentemente observadas neste estudo
foram doenças tireoidianas (16,3%), doenças cardiovasculares e metabólicas
(13,8%), síndromes dolorosas (7,5%), doenças psiquiátricas (6,7%), doenças
pulmonares (3,3%) e doenças autoimunes (2,7%), em concordância com trabalhos
anteriores (10-13). É possível que essa associação esteja relacionada à presença
de fatores etiológicos em comum entre essas doenças, como mecanismos
imunológicos envolvidos na formação da endometriose , além de neurogênese e
modificações no sistema nervoso central e na sensibilidade visceral (13, 41, 48, 49).
Diversos autores associam endometriose com uma alta prevalência de transtornos
psiquiátricos e a presença destes pode ser um preditor de maior intensidade dos
sintomas dolorosos e maior necessidade de medicações para alívio da dor (19, 84).
Em relação à paridade, a maioria das mulheres da amostra estuda da era
nuligesta (71,6%) e apenas 12,4% tiveram duas ou mais gestações prévias. Estudos
anteriores observaram uma relação inversa entre paridade e o risco de
endometriose, provavelmente devido à associação da doença com infertilidade (9,
82). A nuliparidade também poderia representar um fator de risco para a formação
da doença, uma vez que levaria a uma maior exposição à menstruação retrógrad a
50
e menor exposição a condições hormonais protetoras relacionadas à gestação,
puerpério e lactação (9).
História familiar de endometriose foi relatada em 19,8% das pacientes, sendo
10,1% em parentes de 1º grau. Bellelis et al. , em 2010 (3), encontraram uma
prevalência de 5,3% de endometriose em familiares de 1º grau de pacientes com a
doença em uma amostra semelhante a de nosso estudo, coletada entre 1999 e
2009. Um aumento da frequência de diagnóstico de endometriose nos últimos anos
pode justificar essa maior prevalência de hi stória familiar referida pelas pacientes.
Um estudo populacional realizado com irmãs gêmeas com endometriose estima
uma contribuição de 47% de fatores genéticos na etiologia da endometriose (85),
portanto a prevalência em nossa amostra pode ainda estar bastante subestimada.
Cirurgias prévias por endometriose tiveram uma alta frequência na amostra
estudada, sendo 21,3% uma cirurgia , 5,5% duas cirurgias e 2,9% três ou mais
cirurgias. Chapron et al., em 2012, encontraram uma prevalência semelhante de
33% de antecedente de uma ou duas cirurgias e 4,3% de três ou mais cirurgias (54).
Diversos autores ressaltam possíveis sequelas decorrentes das múltiplas cirurgias
para o tratamento da endometriose, como redução da reserva ovariana, risco
aumentado de complicações decorrentes do procedimento e persistência de dor
pélvica após a cirurgia (86-88).
O tratamento hormonal é uma opção eficaz para o alívio dos sintomas da
endometriose (89) e em nossa casuística cerca de metade das mulheres estavam
em uso desse tipo de medicação no momento da cirurgia . A via oral (73,5%) e os
anticoncepcionais combinados ( 40,7%) foram os mais utilizad os, provavelmente
devido à maior facilidade de acesso e administração . Apesar do uso frequente de
contraceptivos na amostra, que sabidamente causa m redução do volume
menstrual, fluxo aumentado foi referido por 37,5% das mulheres. Além disso, cerca
de 20% das pacientes relataram ciclos menstruais irregulares ou curtos. Ambos os
sintomas são citados como fatores de risco para o surgimento da endometriose na
literatura, provavelmente devido a uma maior exposição às menstruações
retrógradas (1, 9, 39) . Outra possível justificativa para a alta frequência de fluxo
51
menstrual aumentado seria a presença de adenomiose em concomitância com a
endometriose, que pode ocorrer em torno de 20% dos casos (90).
A prevalência de sintomas sev eros, com intensidade ≥7 na EVA, e de
infertilidade foram semelhantes à descrita por outros trabalhos com amostras
compostas predominantemente por endometriose profunda (2, 3, 73). Dismenorreia
severa foi relatada por 76,5% das pacientes e é o principal sintoma associado à
endometriose na literatura (2). A localização mais frequentemente observada foi a
retrocervical (75,3%), semelhante ao encontrado por Fauconnier et al. Em 2002
(85,3%) (31). Foi encontrada uma baixa frequência de endometriose ovariana
(33,4%), em relação à relatada previamente na literatura (60,2% – 66,9%) (29, 30),
o que pode estar associado a uma maior facilidade de diagnóstico desse tipo de
endometriose e, dessa forma, esta ser menos frequentemente encaminhad a para
centros de referência. O fato do estudo em questão ter sido realizado em dois
serviços de referência no tratamento da endometriose pode ter levado à uma
seleção de casos mais graves e, portanto, justifica a alta prevalência de
endometriose profun da (83,7%), de retossigmoide (47,7%) e estadiamento IV
(35,4%) observados. A predominância de acometimento do compartimento
posterior tanto pela endometriose profunda (79,6%) como pela superficial isolada
(75,3%) é relatada por outros autores e pode ser explicada pela teoria da
menstruação retrógrada em conjunto com o padrão de circulação do fluido
peritoneal (28, 29).
Associação sintomas e características das pacientes
Após regressão logística múltipla, as seguintes variáveis foram associadas a
uma maior chance de sintomas de intensidade ≥7 e infertilidade: idade, IMC,
intervalo menstrual irregular, cirurgias prévias por endometriose e uso atual de
medicação hormonal.
Foi observada associação entre idade mais jovem e os sintomas dismenorreia
e dispareunia de intensidade ≥7, além de maior chance de infertilidade. No caso da
dispareunia, a associação foi marginal com OR=0,98 e intervalo de confiança
52
passando pelo valor de 1,0. Em relação à dismenorreia esse achado pode estar
relacionado ao surgimento mais precoce de sse sintoma em mulheres com
endometriose. Estudos com adolescentes observam que a dismenorreia severa é o
primeiro e muitas vezes o único sintoma da endometriose nessa faixa etária e que
aquelas c om dismenorreia intensa ou incapacitante tem um risco aumentado de
desenvolver endometriose no futuro (91, 92).
Quanto à infertilidade, poucos autores co mpararam a média de idade entre
pacientes com endometriose férteis e inférteis, e os resultados encontrados foram
discordantes (72, 73). Santulli et al., em 2016 (73), observaram que a idade acima
de 32 anos foi um fator independente associado à presença de infertilidade após
regressão logística múltipla (OR=1,9 ; IC 1,4 -2,5; p<0,001) e que as pacientes
inférteis (n=307) apresentavam média de idade superior às férteis (n=563) (32,5 ±
4,0 versus 31,3 ± 5,9; p<0,001). Em 2018, Aliani et al. (72) encontraram uma média
de idade menor em pacientes com endometriose e infertilidade primária (n=139) e
secundária (n=54), em relação àquelas sem infertilidade (n=11) (30,9 ± 5,3 versus
32,8 ± 4,9 versus 34,0 ± 7,9, respectivamente ; p<0,01). Esse s mesmos autores
observaram que a média de idade da primeira gestação de pacientes com
infertilidade secundária e daquelas férteis era semelhante e bem abaixo das médias
citadas anteriormente (24,2 ± 5,3 versus 23,0 ± 2,4, p=0,2). Estudos que tentaram
avaliar a história natural da endometriose observaram que a doença provavelmente
tem surgimento durante a adolescência e se mantém estável após os 25-30 anos
(93, 94). Considerando que a média de idade das pacientes com infertilidade no
presente trabalho foi de 36 anos e nos estudos citados foram de 30 a 32 anos (72,
73), é possível que esse sintoma estivesse presente muito antes dessas mulheres
procurarem o serviço de referência e/ ou iniciarem as tentativas de gr avidez.
Portanto, essas diferenças encontradas entre os estudos provavelmente estão
relacionadas à idade de início de tentativa de gravidez e demora para o diagnóstico
da doença e não ao momento de surgimento da infertilidade em si.
Em relação ao IMC , foi observad o um aumento do risco de sobrepeso e
obesidade em pacientes com dismenorreia e dor pélvica acíclica ≥7 e uma
diminuição desse risco na quelas com infertilidade. Menor IMC foi relacionado
53
previamente na literatura à presença de endometriose profunda ou estádio IV, o que
pode justificar a associação encontrada em nossa amostra com infertilidade (95-
97). Tang et al., em 2020 (98), encontraram uma associação entre a presença de
obesidade e um aumento do risco de dismenorreia severa (EVA ≥8) em uma
amostra de 357 pacientes chinesas com endometriose cirurgicamente confirmada
(OR=3,64; IC 1,20-10,15; p=0,025). Esses achados podem indicar que existe uma
diferença de padrão de biotipos quando comparamos as mulheres com
endometriose e dor severa com aquelas que apresentam a infertilidade como
principal m anifestação. A o besidade causa aumento da produção periférica de
estrogênio, o que pode influenciar diretamente na gravidade e nos sintomas da
endometriose. Além disso, a endometriose está relacionada a diferentes graus de
resistência à progesterona, o que pode explicar a complexidade da correlação entre
a doença e possíveis fatores etiológicos que implicam em modificações da produção
hormonal (99).
A associação entre dismenorreia, dispareunia e dor pélvica acíclica de
intensidade ≥7 e uma frequência aumentada de intervalo menstrual irregular na
regressão logística múltipla também pode ser explicada por alterações hormonais
causadoras de desequilíbrio entre estrogênio e progesterona, que poderiam resultar
tanto em uma maior intensidade de dor como em distúrbios ovulatórios (99). Nas
análises simples também foi encontrada uma correlação entre todos os sintomas
dolorosos de intensidade severa e uma maior frequência de ciclos menstruais
irregulares e fluxo menstrual aumentado e, p or outro lado , a infertilidade foi
associada a uma menor frequência desses distúrbios menstruais. Entretanto, esses
achados não foram confirmados após a análise multivariada. A correlação entre
dismenorreia severa e fluxo menstrual aumentado pode estar associada à presença
de adenomiose em concomitância com a endometriose, conforme já descrito por
diversos autores (90, 100, 101) . Em 2019, Montanari et al. (60), em trabalho que
avaliou a correlação entre as topografias das lesões de endometriose de acor do
com a classificação de ENZIAN e os sintomas dolorosos das pacientes, também
observaram uma associação entre a presença de adenomiose e maior intensidade
da dismenorreia (p=0,005).
54
Um maior número de c irurgias prévias por endometriose foi associad o à
presença de endometriose profunda e intestinal na literatura (102), além de maior
incidência de sintomas gastrointestinais severos (54) e infertilidade (103). Em nossa
casuística encontramos associação entre uma maior chance de cirurgi as prévias
por endometriose e disquezia ≥7 e infertilidade, em concordância com os estudos
prévios. Devido à cirurgia para endometriose profunda ser um procedimento de alta
complexidade, principalmente quando há comprometimento intestinal, é comum que
ocorram cirurgias incompletas e as pacientes necessitem de novas intervenções por
persistência de lesões residuais ou dor pélvica (102).
Uso atual de medicação hormonal também apresentou correlação com
disquezia severa, provavelmente devido à associação desse sintoma com
endometriose intestinal e uma maior necessidade de uso de tratamentos para alívio
dos sintomas no pré-operatório (33, 104).
Associação sintomas, topografias e estadiamento das lesões
No presente estudo foi encontrada associação entre os sintomas e
determinadas topografias das lesões de endometriose pélvica em uma casuística
de 1116 pacientes, a maior descrita até o momento em trabalhos semelhantes.
Em relação ao estadiamento da r-ASRM foi observada uma associação entre
o estádio IV e uma maior frequência de dismenorreia, dor pélvica acíclica, disquezia
e disúria de intensidade ≥7 e infertilidade. Essa correlação provavelmente ocorreu
devido à alta prevalência de endometriose intestinal em nossa amostra, que é
responsável por sintomas severos e na maioria das vezes é classificada como
estádio IV. Estudos prévios observaram uma associação de sintomas severos com
uma maior frequência de endometriose profunda , principalmente quando exist e
acometimento intestinal (52, 55, 56) . Apostolopoulos et al ., em 2016 (57),
constataram que pacientes com estádio III-IV apresentavam maior intensidade da
dismenorreia em comparação àquelas com estádio I -II (p=0,02) e também que
mulheres com endometriose retovaginal apresenta vam maiores intensidades de
55
dismenorreia e disquezia quando comparadas àquelas sem lesões nessa topografia
(p=0,002 e 0,0001 respectivamente).
Após regressão logística múltipla foi observada associação entre dismenorreia
≥7 e endometriose de retossigmoide e tubas. O acometimento de retossigmoide é
considerado uma forma grave de endometriose e foi associad o à uma maior
severidade da dismenorreia por vários autores (54, 55, 57, 62). Entretanto, não há
relatos na literatura de correlação entre endometriose de tubas e a intensidade dos
sintomas dolorosos. Possíveis hipóteses para esse achado seria a presença de
endometriose intestinal em concomitância como um viés ou alterações da
contratilidade uterina induzidos pela obstrução tubária, uma vez que é descrito um
aumento da frequência de dismenorreia após o procedimento de laqueadura tubária
(105). Mayrhofer et al. , em 2022 (106), em uma coorte retrospectiva de 275
pacientes com endometriose submetidas à laparoscopia com cromotubagem devido
à infertilidade, observaram que quanto ma ior o estadiamento da r -ASRM maior a
chance de obstrução tubária (OR=2,18; IC 1,19-3,99; p=0,012).
Dispareunia ≥7 foi associada apenas à endometriose de retossigmoide, tanto
nas análises simples como na multivariada, e não às lesões retrocervicais, conforme
observado em trabalhos anteriores (31, 54, 58, 60). É possível que esse resultado
seja decorrente da frequente associação entre endometriose de retossigmoide e
retrocervical, o que pode ter funcionado como um fator de confusão. Outra hipótese
seria que a dispareunia seja um sintoma relacionado a outras disfunções sexuais
não anatômicas que são frequentemente encontradas em mulheres com
endometriose e não foram avaliadas nesse estudo, como vaginismo, vulvodínia,
síndrome miofascial pélvica, disfunções do desejo e excitação (58, 107).
Dor pélvica acíclica ≥7 apresentou associação com menor chance de
endometriose de peritônio e vagina , e maior chance de endometriose de tubas na
análise multivariada. Não há descrição de achados semelhantes na literatura. De
maneira oposta, Fauconnier et al. encontraram associação entre endometriose de
vagina e uma maior frequência de dor pélvica acíclica, em comparação às pacientes
sem lesão nessa topografia (47,6% versus 16,4%; p<0,05) (31). Esses mesmos
autores também encontraram uma correlação entre a presença de dor pélvica
56
acíclica e uma maior chance de endometriose intestinal e menor chance de
infertilidade após regressão logística múltipla ( OR=10,6; IC 3,6-30,8 e OR=0,3; IC
0,2-0,6, respectivamente). Chapron et. al, em 2012 (54), observaram associação
entre dor pélvica acíclica de intensidade ≥7 e maior frequência de endometriose
intestinal e maior nú mero de cirurgias prévias por endometriose ( 41,3% versus
27,2%; p=0,053 e 47,8% versus 30,3%; p=0,007, respectivamente ). Nas análises
simples do presente estudo, encontramos associação entre dor pélvica acíclica ≥7
e uma maior frequência de cirurgias prévias por endometriose e também outras
cirurgias abdominais prévias, o que pode indicar um papel da presença de fibrose
e aderências nesse tipo de dor. Da mesma forma, a correlação desse sintoma com
endometriose de tubas pode também estar relacionada à presença de aderências ,
que frequentemente ocorre m nessa topografia (108). Portanto, mais estudos são
necessários para compreender os fatores relacionados à presença de dor pélvica
fora do período menstrual em mulheres com endometriose.
Disquezia ≥7 apresentou associação com as topografias retossigmoide,
vagina e ureter na regressão logística múltipla. No caso da endometriose de vagina
e ureter foi observado um menor poder estatístico , com intervalo de confiança
próximo de 1,0. Portanto, é possível que esse resultado represente apenas um viés
pela concomitância com endometriose intestinal. Disquezia e outros sintomas
intestinais cíclicos foram associados à presença de endometriose intestinal por
diversos autores (31, 54, 59, 60, 62) . Montanari et al. (60) encontraram correlação
entre a presença de lesões de retossigmoide e disquezia (p<0,001), assim como
entre a intensidade da disquezia e o tamanho da lesão intestinal (p<0,001).
Entretanto, em nossa casuística , quando realizamos a análise dos tamanhos das
lesões não encontramos associação entre disquezia ≥7 e endometriose de
retossigmoide, mas , sim, com o tamanho da lesão retrocervical. Esse resultado
levanta a hipótese de que quando a endometriose de retossigmoide e retrocervical
coexistem, o principal fator associado aos sintomas descritos é a distorção
anatômica causada na região retrouterina , e não a lesão intestinal em si. Abrão et
al. (104), em estudo incluindo 164 pacientes com endometriose intestinal ,
observaram que mulhe res com dispareunia severa apresentavam uma maior
57
circunferência média da lesão intestinal em comparação com aquelas sem esse
sintoma (27.2 ± 1.2% vs 24.1 ± 1.5%, p=0.037), o que pode estar relacionad o à
concomitância de lesão retrocervical, que ocorreu em 90% dos casos. Da mesma
forma, é possível que a endometriose de vagina e ureter também possam causar
maior distorção anatômica do compartimento posterior , por geralmente estarem
associadas a lesões ma is extensas e mais baixas da região retrocervical e de
retossigmoide (37, 64).
A associação entre disúria ≥7 e endometriose de bexiga foi a que apresentou
o maior poder estatístico, com OR=6,46 na regressão logística múltipla. Fauconnier
et al . (31), em estudo retrospectivo incluind o 255 mulheres com endometriose
profunda realizado em 2002, também encontraram uma forte associação entre
endometriose de bexiga e a presença de sintomas urinários após regressão
logística múltipla (OR=51,8). Além disso, observamos uma correlação entre lesões
vesicais ≥3 cm e disúria severa, o que reforça essa associação. As lesões vesicais
de tamanho ≥1 cm e <3 cm apresentaram correlação com a presença de disquezia
≥7, o que pode indicar uma frequente coexistência dessa topografia com
endometriose intestinal. Em nossa amostra, d isúria severa também apresentou
associação com endometriose intestinal direita (apêndice, ceco ou íleo) e de tubas.
Abrão et al., em 2010 (109), avaliaram os fatores associados à endometriose de
apêndice e encontraram uma maior frequência de coexistência de lesões de bexiga
nos casos com acometimento de apêndice (n=26), em comparação àqueles sem
essa topografia (n=711) (23,1% versus 3,7%; p<0,001). Em 2019, Qi et al. (108)
observaram que pacientes com mú ltiplo acometimento de órgãos pela
endometriose apresentavam um a elevada frequência de acometimento tubário
(43,9%), o que pode justificar a coexistência com endometriose de bexiga e
consequentemente maior chance de disúria.
Na análise multivariada infertilidade foi associada de forma independente a
endometriose de peritônio, vagina, retossigmoide e tubas, esta última com o maior
valor de OR (OR=2,21). O fator tubário é reconhecido como uma das causas d e
infertilidade relacionada à endometriose e parece ser mais frequente quanto maior
o estadiamento da doença (106). Santulli et al. , em 2016 (73), encontraram
58
associação entre infertilidade e uma maior frequência de endometriose intestinal
(p=0,039), estadiamento IV da r-ASRM (P<0,001) e maior número médio de lesões
de endometriose profunda (p=0,004). A endometriose vaginal pode coexistir com a
de retossigmoide, porém a relação entre e ssa topografia e a infertilidade não foi
relatada por outros autores . É possível que esteja relacionada às mesmas
distorções anatômicas causadas pela endometriose de retossigmoide, uma vez que
ambas estão localizadas no compartimento posterior da pelve. Na análi se do
tamanho das lesões encontramos associação entre infertilidade e a presença de
lesões retrocervicais ≥3 cm, que frequentemente se encontram em associação com
a endometriose de retossigmoide e vagina (104). Alguns es tudos prévios
associaram a endometriose peritoneal de forma isolada à presença de infertilidade
(65, 72 -74), sendo que um deles incluiu também pacientes com endometriose
profunda (73). No presente trabalho, ao ava liarmos os tamanhos das lesões ,
observamos que quanto maior a lesão peritoneal (tanto de forma isolada como
associada a outros fenótipos da endometriose), maior a frequência de infertilidade,
o que reforça essa associação. Portanto, de forma paradoxal, o sintoma infertilidade
parece estar relacionado tanto às formas mais graves da endometriose, como à
doença peritoneal superficial.
Associação sintomas e classificação da endometriose
No presente estudo foi observada associação entre sintomas dolorosos
severos (dismenorreia, dispareunia, disquezia e disúria de intensidade ≥7) e uma
maior incidência de endometriose profunda , além de menor incidência de
endometriose superficial. Importante destacar que nessa análise as pacientes foram
classificadas conforme um único fenótipo da endometriose (superficial, ovariana ou
profunda), priorizando o tipo mais grave, o que reduziu o viés de ass ociação de
diferentes fenótipos em uma mesma paciente. Esse achado foi previamente descrito
em diversos estudos (54-57), porém sem a relevância de uma amostra robusta de
pacientes com endometriose histologicamente confirmada. Ademais, foi encontrada
uma associação entre sintomas específicos e os diferentes compartimentos
59
acometidos pela endometriose profunda, semelhante a estudos prévios com
amostras menores (32, 60, 61), assim como uma correlação entre o acometimento
de múltiplos compartimentos e uma maior chance de sintomas dolorosos severos e
infertilidade.
Após regressão logística múltipla , foi observada uma associação entre
dismenorreia, dispareunia e disquezia de intensidade ≥7 e endometriose profunda
de compartimento posterior. A endometriose desse compartimento geralmente é
constituída por um nódulo fibrótico que envolve a região retrocervical e pode se
estender para o reto e/ ou sigmoide (33, 104). Na literatura é relatada a associação
entre endometriose intestinal e dismenorreia severa, disquezia e outros sintomas
gastrointestinais cíclicos (54, 56, 60, 62). Diversos autores correlacionam o sintoma
dispareunia com a presença de endometriose da região retrocervical, de ligamentos
uterossacros e vagina (31, 54, 59, 60). Menakaya et al., em 2014 (32), encontraram
uma associação forte entre dispareunia de profundidade e lesões de compartimento
posterior (p=0,0086) e lateral (p=0,0004), em estudo prospectivo com 104 pacientes
com endometriose confirmada por laparoscopia.
Foi observada também uma associação entre dismenorreia, dor pélvica
acíclica e disquezia de intensidade ≥7 e uma maior chance de endometriose
profunda de compartimentos posterior e lateral em conjunto, com um OR maior do
que o encontrado para o compartimento posterior isolado. Esse maior valor de OR
representa uma força de associação mais relevante estatisticamente . A
endometriose do compartimento lateral ocorre quando há envolvimento dos
paramétrios e / ou ureteres pela doença, sendo considerada um tipo grave e
complexo de endometriose devido à possibilidade d e estenose ureteral e
comprometimento do plexo hipogástrico inferior, além de estar associada à
sintomas dolorosos mais intensos na literatura (35, 64, 110) . Mobrouk et al., em
2019 (64), realizaram estudo comparativo entre 231 pacientes com endometriose
de paramétrio e 1.129 controles com endometriose profunda em outras topografias
e encontraram uma associação entre endometriose de paramétrio e uma maior
severidade da dismenorreia (p<0,001).
60
Uma possível justificativa para a maior severidade dos sintomas nesses
compartimentos seria uma quantidade superior de fibras nervosas e de expr essão
de fator de crescimento nervoso pelo tecido endometriótico em algumas topografias
(43, 44, 111, 112) . Wang et al., em 2010 (43), encontraram associação entre uma
maior quantidade de fibras nervosas em determinadas topografias do
compartimento posteri or (tórus uterino e septo retovaginal) e a presença de
disquezia e dispareunia. Esses achados reforçam a teoria de que a quantidade de
fibras nervosas expressas em determinadas topografias poderia influenciar
diretamente na intensidade dos sintomas apresentados e explica a heterogeneidade
de manifestações clínicas da doença que observamos na prática clínica. No
presente estudo também observamos uma correlação entre dismenorreia severa e
endometriose superficial de compartimento posterior. Dessa forma, é possível que
essa expressão de fibras nervosas seja aumentada em determinados
compartimentos da pelve, independentemente do tipo de endometriose
apresentado (superficial ou profunda).
Disúria com intensidade ≥7 apresentou associação com en dometriose
profunda de compartimento anterior tanto nas análises simples como na análise
multivariada, esta última com um OR bastante significativo de 15,56. Disúria e
endometriose do compartimento anterior vêm sendo correlacionadas por diversos
autores de forma consistente, o que foi confirmado pelo elevado valor de OR
encontrado no presente estudo (31, 35, 60).
A combinação de múltiplos compartimentos acometidos pela endometriose
profunda foi associada a uma maior frequência de sintomas dolorosos severos
(dismenorreia ≥7, dor pélvica acíclica ≥7, disquezia ≥7) e também a uma maior
chance de infertilidade. De forma similar, Montanari et al. em 2019 (60) observaram
uma correlação entre o número de compartimentos envolvidos pela endometriose e
uma maior intensidade dos sintomas dismenorreia (p<0,001) e disquezia (p=0,012).
Chapron et al. em 2012 (54) também encontraram que pacientes com 2 ou mais
lesões de endometriose profunda apresentaram maiores valores médios de score
de sintomas gastrointestinais em comparação àquelas com apenas 1 lesão (6,4 ±
2,9 versus 3,9 ± 3,5, p<0,001). Em 2016, Santulli et al. (73) observaram que as
61
pacientes com infertilidade apresentavam um maior número médio de lesões de
endometriose profunda (3,2 ± 2 versus 2,7 ± 1,8; p=0,004) e uma maior frequência
de endometriose intestinal (45,3% versus 26%; p<0,001) em comparação àquelas
sem esse sintoma. Esses achados parecem estar relacionados ao fat o da
endometriose de retossigmoide estar frequentemente associada a múltiplas outras
topografias de endometriose profunda e da mesma forma ser considerada
responsável pela presença de dismenorreia severa, sintomas gastrointestinais e
infertilidade por diversos autores (54, 60, 62, 73, 104).
Em relação à endometriose superficial, apesar de estudos anteriores relatarem
uma associação desse tipo de endometriose com a presença de sintomas dolorosos
(62, 65), no presente estudo observamos que essas pacientes apresentaram uma
menor intensidade de dor quando comparadas àquelas com endometriose
profunda. Além disso, quando avaliamos a associação entre os compartimentos
acometidos pela endometriose superficial isolada e os sintomas, foi encontrada
apenas correlação entre compartimento posterior e dismenorreia severa. O número
limitado de pacientes da amostra com esse tipo de endometriose (n=149) pode ter
influenciado no poder estatístico, portanto novos estudos com maiores casuísticas
são necessários para esclarecer essa associação. Entretanto, ao avaliarmos o
tamanho das lesões peritoneais de forma não isolada, encontramos associação
entre lesões ≥1 cm e <3 cm e os sintomas dismenorreia, dispareunia e disquezia
severas. Como essa correlação não ocorreu de forma linear entre as categorias de
tamanhos de lesões analisados, é possível que tenha ocorrido viés devido à
coexistência com endometriose profunda.
Da mesma forma, a endometriose ovariana não foi relacionada a nenhum
sintoma doloroso nem à infertilidade, o que já foi previamente confirmado por
diversos autores (31, 54, 73) . Uma menor quantidade de fibras nervosas
encontradas nas lesões de e ndometriose superficial e ovariana em comparação à
endometriose profunda é descrita na literatura e pode explicar esses achados (43-
45, 113).
Em uma análise posterior comparando os diferentes fenótipos da
endometriose (superficial, ovariana e profunda) e sua respectiva associação com as
62
comorbidades encontradas em nossa amostra, foi observada uma associação entre
a presença de síndromes dolorosas (enxaqueca, fibromialgia, síndrome do intestino
irritável, síndrome miofascial e síndrome da bexiga dolorosa) e uma maior
frequência de end ometriose superficial e menor de endometriose profunda. É
comum a presença de outras doenças causadoras de dor crônica em concomitância
com a endometriose, fato relacionado a alterações no sistema nervoso periférico
em comum, como hipersensibilidade visceral, por exemplo (48). McKinnon et al., em
2012 (44), encontraram correlação entre uma maior intensidade de dor durante a
menstruação em pacientes com endometriose peritoneal associada à presença de
fibras nervosas , em comparação àquelas em que não foram identificadas fibras
nervosas em sua proximidade (8,8 ± 0,5 versus 6,5 ± 0,8; p=0,018) . Além disso,
esses mesmos autores não observaram essa mesma diferença nas pacientes com
endometriose profunda. Essa divergência na quantidade de fibras nervosas
encontradas nas lesões de endometriose peritoneal pode explicar o motivo pelo qual
algumas mulheres apresentam dor intensa e outras são assintomáticas. Como as
pacientes selecionadas para a casuística do pr esente estudo foram aquelas com
indicação de cirurgia, é possível que tenha ocorrido uma seleção de mulheres com
maior sensibilidade dolorosa e consequentemente endometriose superficial mais
sintomática, além de uma maior chance de outras doenças causadora s de dor
crônica em concomitância.
Na análise estatística envolvendo a classificação da endometriose (superficial,
ovariana e profunda) , a presença de infertilidade foi associada à endometriose
profunda dos compartimentos anterior e posterior, e não à endometriose superficial
isolada. Na análise das topografias das lesões encontramos uma associação entre
endometriose peritoneal (tanto isolada como em concomitância com outras lesões)
e infertilidade, em conco rdância com outros estudos prévios (72-74). Entretanto,
dentre os três estudos existentes na literatura que avaliam a associação entre
infertilidade e as topografias de endometriose, apenas um incluiu pacientes com
endometriose profunda e utilizou a mesma classificação da endometriose que
utilizamos (73). Santulli et al., em 2016 (73), encontraram uma incidência
aumentada de endometriose superficial isolada e endometriose profunda intestinal
63
em mulheres com infertilidade, em comparação com aquelas sem esse sintoma
(22,8% versus 13,7%; p<0,001 e 37,5% versus 30,6%; p=0,039, respectivamente).
Dois possíveis vieses podem ter influenciado esses resultados discordantes:
primeiro, a possibilidade de concomitância de diferentes fenótipos da endometriose
na mesma paciente (por exemplo : superficial e profunda, superficial e ovariana) ;
segundo, como nossa amostra incluiu apenas pacientes cirúrgicas, pode ter
ocorrido seleção de uma menor proporção de mul heres com endometriose
superficial e infertilidade em comparação àquelas com endometriose superficial e
dor, devido a diferentes critérios utilizados para a indicação de cirurgia. Reis et al.,
em 2020 (65), compar aram 203 mulheres com endometriose peritoneal isolada
confirmada com 1 292 controles sem endometriose e encontraram um risco
aumentado de infertilidade primária no grupo com endometriose superficial (razão
de prevalência ajustada de 1,83; IC 1,46-2,24). Portanto, é provável que a
associação entre infertilidade superficial isolada e infertilidade exista, porém não foi
identificada em nossa amostra.
Considerações finais
No presente trabalho observamos associação entre as diferentes topografias
da endometriose pélvica e a ocorrência de sintomas específicos (dismenorreia,
dispareunia, dor pélvica acíclica, disquezia, disúria e infertilidade), em uma amostra
de 1116 pacientes, a maior descrita até o momento em estudos semelhantes. Foi
reforçada a correlação entre endometriose profunda e os diferentes compartimentos
acometidos pela mesma e sintomas dolorosos severos, assim como maior chance
de infertilidade. Além disso, encontramos associação entre algumas características
clínicas das pacientes , o estadiamento da r -ASRM, o tamanho das lesões e a
intensidade dos sintomas.
Os pontos fortes deste estudo são a sua grande amostra com um mínimo de
dados faltantes, a coleta dos dados intraoperatórios com as localizações das lesões
em uma ficha padronizada e a confirmação histológica de todos os casos.
64
Como limitações, podemos citar o modelo retrospectivo e o fato de ter sido
realizado com pacientes cirúrgicas captadas em centros de referência para o
tratamento da endometriose, o que pode ter contribuído para a seleção de mulheres
mais sintomáticas e com doença mais gra ve. Além disso, não foi a valiada a
presença de adenomiose, que pode representar um fator de confusão para a
intensidade dos sintomas.
Alguns achados necessitam de novos estudos para um melhor
esclarecimento. Dentre eles podemos citar: outros fatores que possam influenciar
na intensidade dos sintomas dispareunia e dor pélvica acíclica, o papel da
endometriose superficial isolada na in fertilidade, a associação entre os diferentes
compartimentos da endometriose superficial e sintomas específicos.
Os resultados encontrados podem ser de grande valia na prática clínica para
a interpretação dos sintomas das pacientes e sua correlação com os exames de
imagem e achados cirúrgicos, além de auxiliarem na decisão de um tratamento mais
individualizado e na investigação de outras possíveis causas de dor quando
pertinente.
65
CONCLUSÕES
66
6. CONCLUSÕES
• As características das pacientes, como idade, IMC e padrão menstrual,
influenciam na intensidade dos sintomas dolorosos e infertilidade;
• As diferentes topografias das lesões de endometriose pélvica estão
associadas a sintomas específicos;
• O estadiamento IV da r -ASRM está associado a sintomas dolorosos mais
severos e infertilidade;
• A endometriose profunda está associada a sintomas dolorosos mais severos
e infertilidade;
• Os compartimentos da endometriose profunda estão associados a sintomas
específicos;
• A combinação de compartimentos da endometriose profunda está associada
a sintomas dolorosos mais severos e infertilidade.
67
ANEXOS
68
7. ANEXO A - Ficha de coleta de dados da laparoscopia e estadiamento da
endometriose.
Nome:
Hospital:
Sala: Circulante:
ADHESION:( ) Sim ( ) Não
LASER: ( ) Sim ( ) Não
Eq.
Cirurgia Realizada:
Data: Estadio: Ciclo:
Endométrio:
( ) Normal
( ) Pólipo
( ) Espessamento
Histeroscopia:
( ) Não
( ) Cirúrgica
( )Diagnóstica/
normal
Exame Físico - Toque:
( ) Normal
( ) Nódulo
retrocervical/sigmoide
( ) Outros
Exame Físico - Toque:
( ) Normal
( ) Nódulo
retrocervical/sigmoide
( ) Outros
___________________
AP: CA125: DUM:
Mirena: ( )Sim / ( )Não
Aderências
Bloqueio de Fundo de saco Parcial
Completo
Peritônio
Bexiga
Ureter (aderido/extrínseco)
Outros (especificar)
Ovário direito
Superficial
Endometrioma
Outro Cisto
Ovário esquerdo
Superficial
Endometrioma
Outro Cisto
Bexiga (Muscular)
Ureter
(Infiltrado/Intrínseco)
Hidronefrose
Retrocervical (LUS)
Septo:
Vagina (Muscular)
Retossigmóide
Delgado
Apêndice
69
Tubas
Lesão Serosa Leve
Lesão Serosa Moderada / Moderada
Imobilidade Imobilidade Severa
Obstrução Completa
Pararretal
Ligamento redondo
Outros
- EDT parede
- Miomas
- Adenomiose
- Outros
Cromotubagem Positiva à esq Negativa à esq
Negativa à dir Positiva à dir
Ressecção de todos focos visíveis: ( ) Sim / ( ) Não
[__________________________________________] Complicações:
70
Estadio I ( 1 – 5 pontos) ____
Estadio II (6-15 pontos) ____
Estadio III (16-40 pontos) ____
Estadio IV (> 40 pontos) ____
ENDOMETRIOSE 3 cm
Peritônio
SUPERFICIAL 1 2 4
PROFUNDA 2 4 6
OVÁRIO D
SUPERFICIAL 1 2 4
PROFUNDA 4 16 20
E
SUPERFICIAL 1 2 4
PROFUNDA 4 16 20
OBLITERAÇÃO DO FUNDO DE
SACO POSTERIOR
PARCIAL COMPLETA
4 40
ADERÊNCIAS 2/3 Envolvidos
OVÁRIO D
MEMBRANOSA 1 2 4
DENSA 4 8 16
E
MEMBRANOSA 1 2 4
DENSA 4 8 16
TROMPA D
MEMBRANOSA 1 2 4
DENSA 4* 8* 16
E
MEMBRANOSA 1 2 4
DENSA 4* 8* 16
*Se as fímbrias tubárias estiverem totalmente envolvidas por aderências, mude o escore para 16.
Endometriose Adicional: ______________
Patologias Associadas: _______________
Usar em caso de trompas
e ovários normaisE D
Usar em caso de trompas
e ovários anormaisE D
71
REFERÊNCIAS
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