Conclusions
Chemokines CX3CL1 and CXCL12 were more expressed in
intestinal endometriosis and CCL17 expression was h igher in eutopic
endometrium of the patients with rectosigmoid lesions. These results suggest
that those chemokines participate in the inflammatory response that occurs in
pelvic endometriosis.
Descriptors: endometriosis; N atural Killers cells; T regulatory limphocytes;
chemokines; endometrium.
1
1. INTRODUÇÃO
2
Endometriose representa uma afecção ginecológica comum, que
atinge de 10 a 15% das mulheres no período reprodutivo e até 50% das
mulheres com dor pélvica crônica e/ou infertilidade (Viganò, et al., 2004;
Bellelis, et al., 2010) . Estima -se que o número de mulheres com
endometriose seja de 7 milhões nos Estados Unidos da América e de mais
de 70 milhões no mundo . Em países industrializados, é uma das principais
causas de hospitalização ginecológica (Vercellini, et al., 2007).
Esta doença é definida como a implantação de estroma e/ou epitélio
glandular endometrial em localização extrauterina (Gao, et al., 2006) ,
podendo comprometer diversos locais, entre eles ovários, peritôn io,
ligamentos útero ssacros, região retrocervical, septo retovaginal,
retossigmóide, íleo terminal, apêndice, bexiga e ureteres (Vinatier, et al.,
2001; Abrao, et al., 2006; Vercellini, et al., 2007; Podgaec, et al., 2008).
Nisole e Donnez, em 1997 , dividiram esta doença em três afecções
distintas: peritoneal, ovariana e de septo retovaginal, sendo esta última
chamada de endometriose inf iltrativa profunda (Cornille, et al., 1990) . No
primeiro caso, estariam incluídas as pacientes com implantes superficiais; no
segundo os cistos ovarianos típicos da doença e no terceiro caso, a
endometriose infiltrativa com lesões com 5mm ou mais de espessura que
podem acometer as regiões retro e paracervical, de fórnice vaginal e vagina,
além dos tratos gastrointestinais e urinário.
Apesar de ser uma das doenças mais estudadas em ginecologia
(Ulukus, et al., 2009) , alguns aspectos continuam sendo alvo de pesquisa,
destacando-se a busca pela etiopatogenia (Abrao, et al., 2006; Podgaec,et
al., 2008 ; Ascien & Velasco, 2013 ). Duas correntes principais de hipóteses
etiopatogênicas são citadas há quase um século: a t eoria da metaplasia
celômica (Meyer, 1919) e a da menstruação retrógrada (Sampson, 1927) .
Esta segunda teoria seria possível por influência de um ambiente hormonal
favorável e de f atores imunológicos que não eliminariam as células
endometriais da cavidade peritoneal (Harada, et al., 2001; Podgaec, et al.,
2007; Berbic & Fraser, 2013).
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Pacientes portadoras de endometriose podem ser assintomáticas ou
apresentarem queixas clínicas em diferentes intensidades, sendo as
principais dismenorr éia, dor pé lvica crônica, infertilidade, dispareunia de
profundidade e sintomas intestinais e urinários cíclicos, como dor ou
sangramento ao evacuar ou urinar durante o período menstrual. A demora do
diagnóstico da endometriose pode ser explicada pela inespecificidad e do
quadro clínico e, eventualmente, pela falta de correlação entre sintomas e
gravidade da doença ( Arruda, et al., 2003; Hemmings, et al., 2004; Kashima,
et al., 2004; Heilier, et al., 2007).
Considerações gerais sobre os aspectos imunológicos
Nos últimos anos, muito tem se estudado acerca dos fatores
imunológicos na patogênese da endometriose e muitas anomalias foram
encontradas (Berkkanoglu and Arici, 2003; Podgaec, et al., 2007; Fairbanks,
et al., 2009 ; Berbic & Fraser, 2013 ), sendo que o principal mecanismo
avaliado é complem entar à teoria da menstruação retrógrada. Por algum
motivo, ainda indeterminado, as células endometriais que adentra ram à
cavidade endometrial não seriam eliminadas e deste modo, seria permitido a
elas se implantarem e desenvolverem a doença (Harada, et al., 2001; Berbic
& Fraser, 2013).
As células que caem na cavidade abdominal deveriam ser
identificadas como antígenos e serem submetidas à resposta imune local.
Algumas células, como os macrófagos, funcionam como apresentadoras de
antígenos aos linfócitos T através do complexo de histocompatibilidade
principal (CHP). O CHP pode s er classe I ou II, sendo que no primeiro caso
atrai os linfócitos T citotóxicos e no segundo os lintócitos T helper
(auxiliadores). Os citotóxicos secretam substâncias letais que provocam a
morte da célula -alvo e os T -helper secretam citocinas que induzem
mecanismos e fatores que podem levar à morte celular (Abbas, et al., 2011).
Deste modo, existem dois tipos de resposta imune: a inata e a
adaptativa ou adquirida. Em um dos mecanismos da resposta inata,q uando
um antígeno invade o organismo, um grupo de células tenta destruí -lo po r
4
meio da fagocitose. Estas células podem ser monócitos, macrófagos,
neutrófilos e/ou células Natural Killer . Este tipo de reconhecimento é
inespecífico, pois as células fagocitam vários tipos de micro -organismos e
fazem parte d a primeira linha de defesa do organismo . Já a adaptativa, é
uma resposta específica e conta com a atuação dos linfócitos, que
reconhecem o patógeno invasor (Abbas, et al., 2011).
Existem vários tipos de linfócitos, dentre os quais destacam -se os
linfócitos B, que produzem anticorp os que se ligam ao antígeno para eliminá-
lo, os linfócitos T, que estão envolvidos na produção de linfócitos B, auxiliam
na fagocitose, atuam na eliminação antigênica e na replicação da resposta
imune e as células NK que não apresentam em sua superfície ma rcadores
que são encontrados nas células B, nem os que caracterizam as células T.
No sangue circulante, 10 -15% dos linfócitos são NK. Estas, por sua vez,
atacam as células neoplásicas e células infectadas por vírus sem
necessidade de estímulo prévio. (Robertson, 2002; Abbas, et al., 2011) .
Nesse tópico, o balanço entre imunidade e tolerância é impo rtante para
manter a homeostase imune, onde muitos mecanismos são utilizados para
manter a resposta imune sob controle, incluindo -se a atividade das células
Natural Killer (NK) e T-reguladoras (T-reg) (Ota, et al., 2002; Qin, et al., 2008;
Engel and Kronenberg, 2012) e do importante papel de outros mediadores da
resposta imune como as quimiocinas (Clore and Gronenborn, 1995; Rollins,
1997).
Quimiocinas
As quimiocinas são uma grande família de citocinas estruturalmente
homólogas, de aproximadamente 8 a 12kD , que estimulam o movimento dos
leucócitos (quimiocinese) e regulam a migração destes do sangue para os
tecidos (quimiotaxia) sendo, portanto, citocinas quimiotáticas (Clore and
Gronenborn, 1995; Rollins, 1997). As citocinas, por sua vez, são mensageiros
do sist ema imunológico. Correspondem a um extenso grupo de moléculas
que atuam emitindo sinais entre as células durante o desencadeamento da
resposta imune, atuando em diferentes etapas desta resposta (Abbas, et al.,
2011). As quimiocinas envolvidas em reações inflamatórias são produzidas
5
por leucócitos em resposta a estímulos externos e as quimiocinas que
regulam o tráfego celular entre os tecidos são produzidas e constituídas por
várias células, como endotélio, fibroblastos e megacariócitos (Moser and
Loetscher, 2001; Abbas, et al., 2011).
As moléculas da estrutura das quimiocinas possuem duas alça s
internas de dissulfeto e são divididas em duas subfamílias dependendo da
posição de seus resíduos de cisteína aminoterminais imediatamente
adjacentes ( cys-cys) ou separados por um aminoácido ( cys-X-cys). Estas
diferenças se correlacionam com a organizaçã o de duas subfamílias
principais (CC e CXC) em aglomerados separados de genes. Cada
subfamília possui seu próprio receptor e tem funções diferenciadas uma da
outra. As quimiocinas CXC são quimiotáxicas para neutrófilos, enquanto a s
CC não agem neste último grupo celular, mas atraem monócitos, basófilos e
linfócitos. Uma terceira família tem como única representante a fractalquina
(CX3CL1), em que a característica estrutural é a presença de duas cisteínas
separadas por três aminoácidos (CX3C) e tem por funçã o a quimiotaxia de
linfócitos T e monócitos, além de promover a adesão de leucócitos com
células endoteliais. Finalmente, a quarta família, que tem dois
representantes, a linfotactina (XCL1) e linfotactina (XCL2), possui uma
única cisteína (família C) que promove a atração de células T. Esta
classificação foi realizada pela International Union of Immunological
Societies/World Health Organization Subcommittee on Chemokine
Nomenclature (Bacon, et al., 2003).
Quimiocinas atuam por meio de receptores trans -membranas de alta
afinidade expostos na superfície de células circulantes. Onze receptores
diferentes para quimiocinas CC (chamadas CCR1 a CCR11) e seis para
quimiocinas CXC (chamadas CXCR1 a CXCR6) foram identificados (Moser
and Loetscher, 2001; Raman, et al., 2011) . Os receptores de quimiocinas
possuem sítios de ligação que podem ser específicos (CCR9, CXCR6), mas,
comumente, o mesmo receptor pode ser alvo de ligação de várias
quimiocinas do mesmo grupo (Tabela 1 -Gonçalves, et al., 2007).
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Os receptores de quimiocinas são expressos em leucóci tos, com o
maior número de receptores diferentes vistos em linfócitos T. A expressão
dos receptores de quimiocinas pode definir subtipos de linfócitos T , como
Th1, Th2, Th17 ou mesmo Treg (Ekman, et al., 2013). Além disso, linfócitos T
periféricos maduros expressam diferentes receptores de quimiocinas
dependendo do seu fenótipo funcional. Estas diferenças determinam, em
parte, o tipo de resposta imune que irá se desenvolver em um sítio de
inflamação (Sallusto, et al., 1998; Bacon, et al., 2003; Ekman, et al., 2013).
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Tabela 1 - Quimiocinas humanas identificadas até o momento – modificado
e atualizado de Gonçalves R, Teixeira A, Campos W and Orefice F. O papel
das quimiocinas nas uveítes. 2007 Arq Bras Oftalmol pp. 363-370.
Família Quimiocina Nome Original Receptores Localização no Gene
CXC CXCL1 GRO / MIP-2 CXCR2 24q21
CXCL2 GRO CXCR2 4q21
CXCL3 GRO CXCR2 4q21
CXCL4 PF-4 CXCR3 4q21
CXCL5 ENA-78 CXCR2 4q21
CXCL6 GCP-2 CXCR2 24q21
CXCL7 NAP-2 CXCR2 4q21
CXCL8 IL-8 CXCR2+CXCR1 24q21
CXCL9 MIG CXCR3 4q21
CXCL10 IP-10 CXCR3 4q21
CXCL11 I-TAC CXCR3 4q21
CXCL12 SDF-1 CXCR4 10q11.21
CXCL13 BCA-1 CXCR5 4q21
CXCL14 BRAK Não determinado 5q31.1
CXCL15 Lungkine Não determinado Não determinado
CXCL16 CXCL16 CXCR6 17p13
CC CCL1 I-309 CCR8 17q11
CCL2 MCP-1 CCR2 17q12
CCL3 MIP-1 CCR1, CCR5 17q12
CCL4 MIP-1 CCR5 17q12
CCL5 RANTES CCR5 17q12
CCL6 C10 Não determinado Não determinado
CCL7 MCP-3 CCR1, CCR2, CCR3 17q11
CCL8 MCP-2 CCR3, CCR5 17q11
CCL9 MIP-1 Não determinado Não determinado
CCL10 CCL10 Não determinado Não determinado
CCL11 Eotaxin CCR3 17q11
CCL12 MCP-5 CCR2 Não determinado
CCL13 MCP-4 CCR2, CCR3 17q11
CCL14 HCC-1 CCR1, CCR5 17q12
CCL15 HCC-2/MIP-1/Leotactin-1 CCR1, CCR3 17q12
CCL15 HCC-4/LEEC CCR1, CCR2 17q12
CCL17 TARC CCR4 16q13
CCL18 PARC/DC-CK1 Não determinado 17q12
CCL19 MIP-3/ELC CCR7 9p13.3
CCL20 LARC/MIP-3 CCR6 2q36.3
CCL21 SLC/6Ckine CCR7 9p13.3
CCL22 MDC CCR4 16q13
CCL23 MPIF-1 CCR1 17q12
CCL24 Eotaxin-2/MPIF-2 CCR3, CCR5 7q11
CCL25 TECK CCR9 19q13.3
CCL26 Eotaxin-3 CCR3 7q11
CCL27 ESkine/MCC/Ctack CCR10 9p13.3
CCL28 MEC CCR3, CCR10 5p12
XC XCL1 Linfotactina XCR1 1q24
XCL2 Linfotactina XCR1 1q24
CX3C CX3CL1 Fractalkine CX3CR1 16q13
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Após serem ativados pelas quimiocinas, os receptores das quimiocinas
iniciam uma complexa cascata de sinalização que leva à ativação de
moléculas de integrina na superfície celular. As integrinas são moléculas
essenciais para que ocorra a adesão das células de defesa aos tecidos
envolvidos nos processos inflamatórios (Cameron and Kelvin, 2003).
Além das funções como agente quimiotático de linfócitos, os estudos
com as quimiocinas e seus receptores revelaram outros importantes papéis
para estas moléculas, como a sua relação com metástases tumorais e,
contraditoriamente, a inibição do crescimento de células tumorais, assim
como infecções e doenças autoimunes, como artrite reumatóide e esclerose
múltipla (Loetscher and Moser, 2002; Dong, et al., 2003; Raman, et al., 2011).
As quimiocinas exercem um papel soberano na progressão tumoral.
Processos inflamatórios crônicos promovem a formação tumoral e tanto as
células tumorais como as células do estroma, produzem quimiocinas e
citocinas. Estas atuam tanto por mecanismos autócr inos, como parácrinos
para sustentar o crescimento da célula tumoral, induzir a angiogênese e
facilitar a diminuição da vigilância imunológica (Raman, et al., 2007).
As quimiocinas e seus receptores também têm papel importante no
desenvolvimento e manutenção da imunidade inata e adaptativa (Raman, et
al., 2007) Além disso, atuam no processo de cicatrização de feridas e
angiogênese (Raman, et al., 2011) . Quando o papel fisiológico das
quimiocinas é subvertido ou cronicamente ampliado, a doença pode se
desenvolver. Como estão envolvidas na fisiopatolog ia da inflamação crônica,
tumorigênese e metástase, assim como nas doenças autoimunes, tem sido
avaliado o uso potencial de antagonistas de quimiocinas para terapia salvo
apropriadas (Raman, et al., 2011) . Apesar da ação das quimiocinas na
modulação da atividade de outras células do sistema imune ainda não ter
sido completamente elucidado, algumas de suas ações em outros
mediadores imunológicos como as células T -reguladoras e NK já são
bastante conhecidas (Qin, et al., 2008; Robertson, 2002).
9
Células T-reguladoras
O balanço entre imunidade e tolerância é importante para manter a
homeostase imune. Muitos mecanismos são utilizados para manter a
resposta imune sob controle, como a anergia de linfócitos T, a apoptose e a
ignorância imunológica (Abbas, et al., 2011). Um quarto mecanismo de
tolerância periférica é a supressão ativa por células reguladoras como células
T CD4 +CD25high (T-reg) que expressam, constitutivamente, as moléculas
CTLA-4, GITR e Foxp3 (Fontenot, et al., 2005) , células Th3 produtoras de
TGF-beta, células Tr1 produtoras de IL-10 e células T CD8+CD28- (Maloy and
Powrie, 2001 ; Askenasy, et al., 2008 ). As células T reguladoras foram
primeiramente descritas no início dos anos 70, mas como fatores
supressores solúveis hipotéticos não puderam ser identificados em nível
molecular e marcadores celulares apropriados não eram conhecidos
(Sakaguchi, et al., 1995) . O conceito de célula T supressora permaneceu
esquecido por um longo tempo. A descoberta de Sakaguchi e colaboradores
de que a transferência adotiva de uma população de células T depletadas da
molécula CD25 induzia uma série de doenças autoimunes órgão -específicas
em recipientes imunodeficientes, colocou o modelo de células T reguladoras
novamente no foco da imunologia (Sakaguchi, et al., 1995) . As células T
CD4+CD25high foram denominadas células T reguladoras (T -reg) e, desde
então, as mesmas têm sido intensivamente estudadas (Long and Buckner,
2011; Filaci, et al., 2011; Selmi, 2011)
Inicialmente, acreditava -se que eram células derivadas do timo
(Seddon and Mason, 2000), entretanto, depois verificou-se que essas células
também podem ser geradas na periferia (Waldmann and Cobbold, 2001) . As
células T-reg podem ser ativadas por antígenos próprios ou não próprios e,
uma vez ativadas, podem suprimir células T de maneira antígeno não
específica (Jonuleit and Schmitt, 2003; Sakaguchi, et al., 2010) . Os efeitos
supressivos dessas células não são restritos ao sistema imune adaptativo
(células T e B), mas podem também influenciar a ativação e a função de
células do sistema imune inato (monócitos, macrófagos, células dendríticas).
Após a ativação do TcR (receptor de células T para antígeno de superfície),
10
as células T -reg naturais inibem respostas imunes in vivo e in vitro de
maneira antígeno não específica, CHP não restrito e via um processo
independente de células apresentadoras de antígenos (CAA). Células T -reg
adaptativas são induzidas por antígenos, desenvolvem -se na perife ria e
exercem sua função por meio da secreção de citocinas inibitórias (como IL-10
e TGF-β) ou tolerizando CAA por interações célula -célula (Maloy and Powrie,
2001; Selmi, 2011).
O Foxp3 foi identificado como um marcador molecular específico para
células T-reg e sua expressão é essencial para o desenvolvimento e a função
desta célula. A expressão ectópica de Foxp3 em linfócitos T convencionais
pode conferir atividade supressora aos mesmos e estes também passam a
apresentar altos níveis de CD25. Aparentemente, o Foxp3 age estabelecendo
e mantendo o programa genético da T -reg e funciona como um regulador
negativo da ativação de células T e talvez como efetor transcricional de
programas de citocinas anti-inflamatórias (Fontenot, et al., 2005; Filaci, et al.,
2011; Josefowicz, et al., 2012).
No entanto, a identificação das células T -reg permanece problemática
porque não existe consenso acerca de seus marcadores. Algumas evidências
sugerem que todos os marcadores atualmente utilizados (CD25, CTLA -4,
GITR, LAG -3. CD127 e o próprio Foxp3) podem representar marcadores
gerais de linfócitos T, ao invés de serem realment e específicos para as
células T-reg. (Askenasy, et al., 2008; Corthay, et al., 2009). Apesar de que
as evidências mais recentes, assim como uma grande revisão sistemática
sobre o tema , demonstraram a especificidade de ação do Foxp3 como
marcador específico e efetor transcricional das células T -reg (Josefowicz, et
al., 2012; Peterson, et al., 2012)
Sabe-se que em humanos, as células T -reg são reguladas pelas
quimiocinas CCL17 e CCL21 (ligantes de CCR4 e CCR7) que podem
modular e expressar a sua atividade nos tecidos (Qin, et al., 2008).
11
Células Natural Killer
As células Natural Killer (NK) estão entre as principais células do
sistema imune dos vertebrados. O papel das células NK é análogo ao de
células T citotóxicas na resposta imune adaptativa. As células NK fornecem
respostas rápidas para as células infectadas por vírus e respondem à
formação de tumores, começando a atuar cerca de 3 dias após a infecção.
Sendo assim, desempenham importante papel na resposta inata podendo
diferenciar células infectadas por vírus, células neoplásicas e células normai s
(Sikora, et al., 2011; Rudensky, 2011; Vivier, et al., 2011).
As células NK são linfócitos e possuem a habilidade de eliminar
células-alvo de acordo com o reconhecimento do complexo de
histocompatibilidade principal (CHP) expresso em suas superfícies. Elas
reconhecem as células que expressam o CHP classe I como própr ias, sendo
destruídas aquelas células que não o apresentam. Foram nomeadas natural
killers por causa da noção inicial de que não necessitam de ativação para
eliminar as células sem marcadores self do CHP classe I. São definidas como
linfócitos granulares grandes (LGG) e constituem o terceiro tipo de células
diferenciadas do antepassado comum linf óide que gera linfócitos B e T. Elas
podem também c ontribuir, po r meio da produção de citocinas, na resposta
imune adaptativa contra patógenos intracelulares e células malignas
(Robertson, 2002; Rudensky, 2011; Vivier, et al., 2011).
Além do conhecimento que as células NK são efetores da imuni dade
inata, uma pesquisa revelou informações sobre a atividad e tanto na ativação
quanto na inibição dos receptores das células NK, os quais desempenh am
importante papel, tanto na função de auto -tolerância quanto na sustentação
da atividade das células NK (Arina, et al., 2007). Elas também desempenham
um papel na resposta imune adaptativa. Numerosas experiências têm
trabalhado para demonstrar a sua capa cidade de facilmente adaptar -se ao
meio ambiente de forma quase que imediata e formular memória imunológica
antígeno específica , fundamental para responder a infecções secundárias
com o mesmo antígeno (Vivier, et al., 2011). A capacidade das células NK
para atuar tanto na resposta imune inata quanto na adaptativa tem se tornado
12
objeto de pesquisa importante, na tentativa de se utilizar seus resultados em
potenciais terapias (Arina, et al., 2007).
Nos humanos células NK migram em resposta a ligantes conhecidos
das quimiocinas CXCR3 (CXCL9, 10, 11) e CXCR4 (CXCL12) e a quimiotaxia
de células NK é estimulada por XCL1 e CX3CL1 (Robertson, 2002).
Considerações sobre endometriose, células NK e células T-reg
Devido à função das células NK e T -reg, postula -se que elas
desempenhem importante papel na gênese da endometriose.
A primeira publicação em inglês avaliando a relação das células NK e
endometriose vem da Bélgica, em 1991(Oosterlynck, et al., 1991). Este grupo
avaliou o percentual de células NK em relação à subpopulação linfocitária em
sangue periférico e sua citotoxicidade em relação ao endométrio tópico das
mesmas pacientes. A atividade das células NK e a citotoxicidade contra o
endométrio tópico autólogo estava diminuída nas pacientes com
endometriose e, além disto, se correlacionava com a severidade da doença.
Após avaliação in vitro puderam observar que a citotoxicidade das células
NK era menor nas pacientes com endometriose quando comparadas às
mulheres sem a doença e que esta diminuição era menor, quanto maior fosse
o estadiamento da doença. O mes mo grupo ainda relatou uma diminuição da
atividade das células NK no fluido peritoneal de pacientes com endometriose
(Oosterlynck, et al., 1992).
Da mesma forma, Kikuchi et al, (Kikuchi, et al., 1993) avaliaram o
percentual de células NK em sangue periféricos de 10 mulheres com
endometriose, 10 mulheres com miomas e 9 mulheres hígidas e encontraram
uma diminuição do percentual de células NK nas po rtadoras de
endometriose.
Dias Jr et al., em 2012, realiz aram citometria de fluxo em sangue
periférico de 155 mulheres, sendo 100 pacientes com endometriose e 55
mulheres submetidas à laqueadura tubária. Estas mulheres foram
13
submetidas à laparoscopia e encontraram diferenças nas concentrações de
células NK em pacientes com endometriose profunda. Estas pacientes
apresentaram uma maior concentração de células NK no sangue periférico
(15,3%), em comparação às pacientes sem endometriose (9,8%). Ao
avaliarem as pacientes com está dio avançado da doença (especialmente
àquelas com doença de retossigmóide), esta diferença foi ainda maior (19,8%
vs. 10,3%).
Apesar de resultados díspares na literatura, sugere -se que as células
NK efetivamente participam do clearance das células endometriais
regurgitadas para a cavidade abdominal , durante o período menstrual
(Maeda, et al., 2002; Berbic & Fraser, 2013).
Em relação às células T-reguladoras, Berbic et al. (Berbic, et al., 2010)
demonstraram um aumento da expressão de Foxp3, em avaliação
imunoistoquímica, no endométrio tópico de pacientes com endometriose
durante a fase secretora do ciclo menstrual. Os autores postularam haver
diminuição da habilidade dos leucócitos em reconhecer e marcar
efetivamente antígenos endometriais regurgitados pela menstruação,
permitindo sua sobrevivência e, desta forma, a capacidade de se implantar
em sítios ectópicos. Além disto, a variabilidade da e xpressão do Foxp3
nestes sítios ectópicos, te ve correlação com a fase do ciclo menstrual e com
as características e estádios de cada lesão.
Braundmeier et al. (Braundmeier, et al., 2012) , utilizaram um modelo
animal de endometriose (Papio anubis) e avaliaram a expressão de Foxp3 no
sangue periférico (imunoistoquímica) e endométrio tópico (RT -PCR) de
animais controles e com endometriose induzida. A expressão de Foxp3 e
células T-reg também estava reduzida no endométrio tópico comparad a com
os animais controles , ao passo que estes parâmetros estavam aumentados
no endométrio ectópico quando comparados com o endométrio tópico.
Assim como na endometriose, no câncer parece haver um distúrbio da
resposta imune e algumas pesquisas têm tentado demonstrar que a inibição
das células T -reg poderia permitir uma melhor resposta às terapias
14
imunológicas contra a doenç a. Existem evidências de que certos regimes de
quimioterapia são capazes de mediarem seus efeitos, pelo menos em parte,
por meio da inibição das células T -reg. Já foi demonstrado que a
ciclofosfamida e o paclitaxel acarretam uma diminuição da população de
células T -reg maior do que outras células do sistema imune, diminuindo
também seu papel inibitório e possibilitando assim uma resposta mais
adequada das células do sistema imune (Menetrier-Caux, et al., 2012).
Podgaec et al, 2012, avaliaram 98 mulheres, sendo 70 com
endometriose e 28 sem a doença. Primeiramente, foram isolados os linfócitos
do fluído peritoneal e as células CD4 +CD25high por meio da citometria de
fluxo. A seguir, foi utilizado o RT -PCR para se v erificar a expressão de
Foxp3 nestas células. De todos os linfócitos isolados no fluído peritoneal das
mulheres com endometriose, 36,5% (mediana) foram CD4 +CD25high, ao
passo que nas mulheres sem doença, somente 1,15% (mediana). O
resultado da expressão do Foxp3 foi semelhante, sendo 50 (pacientes com
endometriose) versus 5 (grupo controle).
Assim, para a hipótese do presente estudo, salientamos que a atuação
deste grupo de mediadores da resposta inflamatória parece ter importante
papel na coordenação da re sposta imune contra as células endometriais.
Como demonstrado por Dias et al., 2012, as células NK estão aumentadas no
sangue periférico de pacientes com endometriose profunda e por Podgaec et
al, 2012, mostraram que as células T -reg também estão aumentada s no
fluido peritoneal das pacientes com endometriose, provavelmente, as células
endometriais, quando presentes na cavidade peritoneal não seriam
eliminadas desse local impróprio por ação deficiente em várias etapas da
resposta imune. Talvez o aumento das células NK seja compensatório pela
diminuição em sua citotoxicidade. Ou ainda que o aumento das células T -reg
poderia bloquear a resposta imune e, desta forma, permitir a implantação das
células endometriais. Este aumento poderia ainda ser compensatório, p ara
bloquear a exacerbação da resposta imune contra a instalação da
endometriose.
15
Sabemos que macrófagos e células dendríticas, que são células
apresentadoras de antígenos , podem estar ativadas e aumentadas, porém,
suprimidas pela ação das células T -reg aumentadas (Corthay, 2009 ;
Peterson, 2012).
Sabendo que as células NK são reguladas pelas quimiocinas CXCL9,
CXCL10, CXCL11, CXCL12, XCL1 e CX3CL1 e as T -reguladoras pelas
quimiocinas CCL17 e CCL21, o estudo destes mediadores que modulam a
atividade e migração destas células pode permitir uma melhor compreensão
de mais uma etapa da resposta imune e ainda contribuir, no futuro, para
eventuais tratamentos desta doença. Se estas células estão aumentadas, as
quimiocinas que regulam sua migração devem ter um expressão diferenciada
nas pacientes com endometriose.
16
2. OBJETIVOS
17
Objetivo principal
Avaliar a expressão gênica de quimiocinas reguladoras da
atividade de células Natural Killer (CXCL9, CXCL10, CXCL11,
CXCL12, XCL1 e CX3CL1) e T -reguladoras (CCL17 e CCL21) no
tecido endometrial tópico e na lesão endometriótica de pacientes
com endometriose profunda (retossigmóide e retrocervical).
Objetivos específicos
Relacionar, em pacientes com endometriose profunda, a expressão
gênica das quimiocinas reguladoras da atividade de células Natural
Killer e T-reguladoras com:
a. fase do ciclo menstrual;
b. quadro clínico;
c. estadiamento da endometriose (ASRM, 1996);
d. localização da doença: retrocervical e retossigmóide.
18
3. PACIENTES E MÉTODOS
19
3.1 Pacientes
3.1.1 Local de estudo e pacientes
O estudo foi realizado no Setor de Endometriose da Divisão de Clínica
Ginecológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (HC -FMUSP). As pacientes foram divididas em
três grupos: paciente s com endometriose de retossigmó ide confir mada
histologicamente (grupo A), pacientes com endometriose retrocervical
confirmada histologicamente (grupo B) e pacientes sem endometriose
submetidas à cirurgia de laqueadura tubária como método de planejamento
familiar (grupo C). O estudo foi aprovado p elo Comitê de Ética da instituição
(nº0025/10). As pacientes foram previa mente informadas sobre o estudo e o
Material
foi coletado após a assinatura do termo de consentimento livre e
esclarecido, pelas mesmas. A coleta das amostras respeitou os princípios
éticos, práticos e de biossegurança estipulados pelo Ministério da Saúde e
pelas Comissões de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da instituição.
3.1.2 Número de paciente estudados
Trata-se de estudo caso -controle prospectivo exploratório, com
um n de 64 pacientes entre casos e controles, que foi o número de casos
operados consecutivamente em um ano.
3.1.3 Critérios de inclusão/exclusão
Determinou-se para os grupos A e B os seguintes critérios de inclusão:
Idade entre 18 e 40 anos;
Ciclos menstruais eumenorreicos com o intervalo entre os ciclos
variando de 26 a 34 dias;
Endometriose comprovada histologicamente em região de
retossigmóide (A) ou retrocervical (B);
20
Ausência de doenças autoimunes comprovadas por anamnese,
exame físico e laboratoriais quando necessário;
Não utilização de terapêutica hormonal nos três meses que
antecederam a cirurgia, incluindo análogos de GnRH,
progestagênios e contraceptivos hormonais orais.
Para o grupo C, foram selecionadas mulheres respeitando os mesmos
critérios acima, com exceção da confirmação histológica de endometriose.
3.2 Métodos
3.2.1 Dinâmica do Estudo
Todas as pacientes foram avaliadas do ponto de vista clínico pela
história, exame físico e de imagem (ultrassonografia pélvica e/ou transvaginal
e ressonância magnética, quando apropriado), de acordo com a indicação
clínica para confirmação da suspeita de endometriose e posterior indicação
cirúrgica.
A decisão sobre a realização de tratamento clinico ou cirúrgico
depende, de forma preponderante, do quadro clínic o, assim como do desejo
reprodutivo, idade da paciente e das características das lesões. No grupo A,
as pacientes foram submetidas à cirurgia quando da presença de lesão em
retossigmóide à ultrassonografia e que não apresentaram melhora clínica
após 6 a 12 meses de tratamento, ou ainda, quando havia quadro sugestivo
de suboclusão intestinal. No grupo B, foram encaminhadas para cirurgia as
pacientes com ultrassom sugestivo de lesões retrocervicais e que
apresentavam falha do tratamento clínico após 6 a 12 meses de tentativa.
Com relação ao grupo C, foram encaminhadas para cirurgia de
laqueadura tubária, pacientes com prole constituída e sem desejo
reprodutivo. Durante a cirurgia foi possível confirmar a ausência de lesões de
endometriose.
21
No momento da v ídeo-laparoscopia foi anotado o dia do ciclo
menstrual, sendo considerado como fase folicular do primeiro ao décimo
quarto dia do ciclo e fase lútea do décimo quinto até o último dia do ciclo
menstrual.
Os fragmentos de endométrio das participantes do estud o foram
coletados com cureta de Pipelle antes do início da vídeo -laparoscopia. Os
fragmentos das lesões de endometriose foram coletados apos a exérese dos
mesmos durante o procedimento terapêutico. Foi coletado aproximadamente
3cm2 de tecido por paciente.
Cada fragmento coletado foi dividido em duas partes iguais: a primeira
foi armazenada em tubo com RNAlatter ( Qiagen® -Ontario- CA code 76106 )
a -80ºC e a segunda encaminhada para o Departamento de Anatomia
Patológica, para seguir os trâmites habituais do diagnóstico histológico da
doença.
3.2.2 Quadro Clínico
Todas as pacientes foram questionadas sobre os seis sintomas
relacionados à endometriose:
1. Dismenorréia – dor em cólica durante o período menstrual;
2. Dispareunia de profundidade – dor pélvica durante o ato sexual;
3. Dor pélvica acíclica – dor pélvica sem relação com o período
menstrual, constante, sem melhora com o uso de analgésicos;
4. Infertilidade – dificuldade para um casal, sem o uso de métodos
contraceptivos, engravidar por pelo menos um ano de tenta tiva, com
vida sexual ativa (duas ou mais relações por semana);
5. Alteração intestinal cíclica – dor e/ou sangramento à evacuação no
período menstrual;
22
6. Alteração urinária cíclica – dor e/ou sangramento à micção no período
menstrual.
Todos os quadros álgicos tiveram sua intensidade avaliada de acordo com
uma escala analógica de dor (anexo 1).
Quadro 1 – Representação esquemática da dinâmica de estudo
3.2.3 Estadiamento da Endometriose
As pacientes do grupo A foram estadiadas segundo a classificação da
American Society for Reproductive Medicine (1996) (Figura 1). Para fins
estatísticos, agrupamos os estádios I e II como “estádio inicial ” e os estádios
III e IV como “estádio avançado”.
23
Figura 1: Estadiamento da endometriose proposto pela American Society for
Reproductive Medicine (1996)
24
3.3 Detecção das quimiocinas por PCR em tempo real no endométrio
tópico e nas lesões endometrióticas
● Extração de RNA
Células do endométrio tópico e lesão endometriótica, obtidas durante o
procedimento cirúrgico dos pacientes e dos indivíduos controle, foram
descongeladas, pulverizadas em gral com nitrogênio líquido e submetidas à
extração do RNA total, por meio da técnica descrita por Chomizinski and
Sacchi em 1987, a qual utiliza solução de Trizol (Life Techn ologies, Grand
Island, NY, USA) para isolamento de RNA total.
O RNA obtido dos fragmentos de endométrio e das lesões
endometrióticas foi extraído por meio da adição de 1ml de trizol, incubação à
temperatura ambiente por 5 minutos e, após adição de 0,2 ml de clo rofórmio,
agitação vigorosa por 15 segundos e incuba ção à temperatura ambiente, por
3 minutos. A separação de fases foi feita por centrifugação a 12.000g por 15
minutos a 4ºC. O RNA presente na fase aquosa (superior) foi transferido para
outro tubo e preci pitado pela adição de 0,5 ml de isopropanol por 10 minutos
à temperatura ambiente. Posteriormente, a amostra foi centrifugada a
12.000g por 10 minutos a 4ºC. O sedimento foi lavado com 1 ml de etanol a
75% (com o uso de vórtex), centrifugado a 7000g por 5 minutos, seco à
temperatura ambiente e ressuspenso em água contendo DEPC
(dietilpirocarbonato). Após este procedimento, o material foi mantido a –
80ºC, para manutenção da integridade das amostras.
● Quantificação de RNA
Após a extração, o RNA obtido foi quantificado por meio de leitura em
espectrofotômetro ( Nano Vue plus , GE – New Jersey , USA) nos
comprimentos de onda (λ) de 260 e 280 nm. O grau de pureza da amostra foi
verificado por meio da análise da relação entre 260 e 280nm, sendo
considerados valores entre 1,7 e 2,0 (Sambrook, 1989).
25
As amostras de RNA foram tratadas com DNAse I (Life Technologies,
Grand Island, NY, USA) para descartar possível contaminação com DNA.
Além disto, uma alíquota de RNA foi submetida à eletroforese em gel
de agaro se 1% , corado com brometo de etídio para visualização da
integridade das amostras.
● Reação de PCR em tempo real (RT-PCR)
A expressão dos genes foi avaliada por PCR em tempo real utilizando
100ng de RNA em equipamento Step One (Applied Biosystems – Foster City,
CA – USA) com o kit Super Script III Platinum SYBR® Green One -Step
qRT.PCR (11736-051- Invitrogen Carlsbad, CA - USA) que contem SYBR®
Green I como fluoróforo. A quantificação da expressão gênica foi realizada
por 2-ΔΔCT
(Livak et AL, 2001), usando o gene da Beta2 -microglobulina como
controle interno. As seqüências dos primers específicos que foram utilizados,
assim como as temperaturas de hibridização e tamanhos dos fragmentos
encontram-se na Tabela 2.
Tabela 2 : Lista de Primers das qu imiocinas CCL17, CCL21, CXCL9,
CXCL10, CXCL11, CXCL12, XCL1 e CX3CL1 utilizados no presente estudo.
GENE GENE BANK SENSE REVERSE PB
CCL17 NM_002987 ACTGAAGATGCTGGCCCTGGTC AAACGATGGCATCCCTGGAGC 182
CCL21 NM_002989 CCCAGCTATCCTGTTCTTGC TCAGTCCTCTTGCAGCCTTT 201
CXCL9 NM_002416.1 TGCTGGTTCTGATTGGAGTG TTTGGCTGACCTGTTTCTCC 246
CXCL10 NM_001565 CTGTACGCTGTACCTGCATCA TTCTTGATGGCCTTCGATTC 172
CXCL11 NM_005409 AGAGGACGCTGTCTTTGCAT TGGGATTTAGGCATCGTTGT 154
CXCL12 AY802782 GTCAGCCTGAGCTACAGATGC CTTTAGCTTCGGGTCAATGC 162
XCL1 NM_002995 TGGCATCTGCTCTCTCACTG ATTTCCTGTCCATGCTCCTG 236
CX3CL1 NM002996 TCTGCCATCTGACTGTCCTG CTGTGCTGTCTCGTCTCCAA 169
A representação esquemática de todo o processo da detecção da
expressão gênica das quimiocinas pelo PCR em tempo real no endométrio
tópico e nas lesões endometrióticas se encontra no quadro 2.
26
Quadro 2 – Representação esquemática da detecção das quimiocinas por
PCR em tempo real no endométrio tópico e nas lesões de endometriose.
3.4 – Método Estatístico
Para responder aos objetivos do estudo, as características
quantitativas foram descritas segundo grupos com uso de medidas resumo
(média, desvio padrão, mediana, mínimo e máximo). A idade foi comparada
entre os grupos com uso d o teste ANOVA (Neter, et. al., 1996). Para
comparação das queixas clínicas entre os grupos foi aplicado o teste Kruskal-
Wallis, seguido de comparações múltiplas não paramétr icas (Neter, et. al.,
1996), para identificar entre quais grupos ocorre a diferença.
As características qualitativas das mulheres foram descritas segundo
grupos com uso de freqü ências absolutas e relativas, verificada a existência
de associação entre as medidas e os grupos, com uso de testes da razão de
verossimilhanças (Kirkwood e Sterne, 2006).
27
As quimiocinas foram descritas segundo grupos e locais de avaliação
com uso de medidas resumo e comparadas entre os grupos e locais, uso do
teste ANOVA com medidas repetidas, sendo o fator local hierárquico ao fator
grupo (Singer e Andrade, 2000). As análises foram seguidas de comparações
múltiplas de Tukey (Neter, et. al., 1996) para verificar entre quais grupos e
locais ocorreram as diferenças. Todos os resultados foram padronizados pelo
valor do grupo controle, sendo este considerado como 1 e os demais como
uma comparação com relação a este valor.
Os resultados das qu imiocinas foram descritos no endométrio tópico
segundo grupo de pacientes e segundo fase do ciclo menstrual, com uso de
medidas resumo e comparados os valores de quimiocinas, segundo grupos e
fase com uso de ANOVA com dois fatores (Neter, et. al., 1996).
Os resultados foram ilustrados com gráficos de barras representando
as médias c om os respectivos e rros padrões e os testes foram realizados
com nível de significância de 5%.
28
4. RESULTADOS
29
Cento e vinte e duas pacientes foram submet idas a tratamento
cirúrgico no Setor de endometriose do Hospital das Clínicas da Universidade
de São Paulo, sendo que 64 foram incluídas em nosso estudo quando
avaliadas, por cumprirem os critérios para participação do mesmo . A seguir,
foram divididas nos seguintes grupos: A: 22 pacientes com endometriose
intestinal, B: 10 pacientes com endometrios e retrocervical e C: 32 pacientes
submetidas a laqueadura tubária para contracepção definitiva. A média etária
no grupo A foi de 34,14 (DP=4,87), no grupo B de 34,70 (DP=5,66) e no
grupo C de 31,97 (DP=3,46), o que não mostrou dife rença significativa (p =
0,102) na comparação entre os grupos.
Como exposto na tabela 3, todas as queixas clínicas avaliadas
apresentaram diferenças estatísticas significativas entre os grupos
(p<0,001), sendo o valor no grupo controle estatisticamente menor que nos
grupos de pacientes.
30
Tabela 3 – Descrição das características referentes ao quadro clínico das
pacientes com endometriose retrocervical e de retossigmóide e mulheres
sem endometriose (grupo controle).
Grupo
% de
pacientes
acometidas
Média
(EVA) DP N p
Dismenorréia
Controle 37,50% 1,38 2 32
<0,001 EDT RS 86,36% 7,55 3,26 22
EDT RC 80% 6,9 3,93 10
Dispareunia
Controle 0 0 0 32
<0,001 EDT RS 54,54% 3,5 3,67 22
EDT RC 60% 2,3 2,75 10
DPC
Controle 0 0 0 32
<0,001 EDT RS 36,36% 2,59 3,57 22
EDT RC 50% 2,2 3,19 10
Alterações
intestinais
cíclicas
Controle 0 0 0 32
<0,001 EDT RS 40,90% 2,82 3,71 22
EDT RC 40% 2,1 3,45 10
Alterações
urinárias
cíclicas
Controle 0 0 0 32
<0,001 EDT RS 18,18% 1,36 3,06 22
EDT RC 0 0 0 10
DP = desvio padrão
EVA = escala visual analógica de dor
EDT RS = pacientes com endometriose de retossigmóide
EDT RC = pacientes com endometriose retrocervical
Conforme demonstrado pelos gráficos 1 a 4, as quimiocinas CX3CL1,
CXCL12 e CCL17 apresentaram médias estatisticamente diferentes entre os
grupos ou locais de avaliação (p<0,05). Quando as quimiocinas com
diferenças estatísticas significativas foram avaliadas isoladamente, pudemos
observar que duas delas (CX3CL1 e CXCL12) eram reguladoras da atividade
das células NK.
31
Considerando as quimiocinas relacionadas à atividade das células NK,
a CX3CL1 (Fraktalkine) apresentou maior expressão n a lesão endometriótica
da doença retrocervical quando comparado aos demais gr upos (p<0,05) .
(Gráfico1).
Gráfico 1 – Expressão relativa da quimiocina CX3CL1 em endométrio tópico
e lesão endometriótica de pacientes com endometriose retrocervical e de
retossigmóide e endométrio tópico de pacientes sem endometriose.
Tanto as pacientes com endometriose retrocervical, como aquelas com
doença de retossigm óide, possuíam uma expressão da CXCL12 maior no
foco de doença do que no endométrio tópico das mulheres com endometriose
e daquelas submetidas à laqueadura tubária (p < 0,05) (Gráfico 2).
32
Gráfico 2– Expressão relativa da quimiocina CXCL12 em endométrio tópico
e lesão endometriótica de pacientes com endometriose retrocervical e de
retossigmóide e endométrio tópico de pacientes sem endometriose.
Nas demais quimiocinas r elacionadas com a atividade e/ou migração
das células NK, não foram encontradas diferenças significativas na
comparação entre os grupos e/ou locais avaliados, apesar de verificarmos
uma certa tendência em alguns casos, como a XCL1, que parece ser menos
expressa na endometriose de retossigmóide e a CXCL9, que parece estar
diminuída na lesão endometriótica das pacientes com endometriose de
retossigmóide, porém, as duas sem confirmação estatística.
33
Quadro 3– Expressão relativa da quimiocina CXCL9, CXCL10, CXCL11 e
XCL1 em endométrio tópico e lesão endometriótica de pacientes com
endometriose retrocervical e de retossigmóide e endométrio tópico de
pacientes sem endometriose.
Das quimiocinas relacionadas à atividade das células T-reg, a CCL17
apresentou resultado significativo. Ela foi mais expressa no endométrio tópico
de p acientes com lesão em retossigmó ide quando comparada aos demais
grupos (p<0,05) (Gráfico 3).
34
Gráfico 3– Expressão relativa da quimiocina CCL17 em endométrio tópico e
lesão endometriótica de pacientes com endometriose retrocervical e de
retossigmóide e endométrio tópico de pacientes sem endometriose.
Quando avaliamos a CCL21, não encontramos diferenças
significativas na expressão gênica entre os grupos (Gráfico 4).
35
Gráfico 4– Expressão relativa da quimiocina CCL21 em endométrio tópico e
lesão endometriótica de pacientes com endometriose retrocervical e de
retossigmóide e tópico de pacientes sem endometriose
Nenhuma das duas f ases do ciclo menstrual teve predominância
significativa em nenhum dos 3 grupos, não mostrando diferenças
significativas nas expressões gênicas das quimiocinas quando comparadas
as fases do ciclo menstrual (Tabela 4).
36
Tabela 4 – Descrição da expressão gênica das quimiocinas XCL1, CX3CL1,
CXCL9, CXCL10, CXCL11, CXCL12, CXCL17 e CCL21 nas pacientes com e
sem endometriose segundo as fases do ciclo menstrual, folicular e lútea.
Fase do ciclo menstrual
Quimiocina Folicular Lútea p
Média DP N Média DP N
XCL1 1,335 1,487 29 0,998 1,147 35 0,189
CX3CL1 1,087 0,914 29 1,086 1,095 35 0,845
CXCL9 1,066 1,058 29 1,786 4,097 35 0,919
CXCL10 0,973 1,053 29 2,183 6,478 35 0,399
CXCL11 1,009 1,183 29 1,449 1,927 35 0,157
CXCL12 1,669 1,812 29 1,395 1,766 35 0,430
CCL17 2,414 1,919 29 3,374 4,631 35 0,751
CCL21 3,917 9,995 29 6,353 25,919 35 0,147
A tabela 5 mostra que pacientes com endometriose e com
dismenorréia apresentam estatisticamente menor valor da quimiocina
CXCL11 (NK) no endométrio tópico que pacientes sem dismenorréia (p =
0,019).
37
Tabela 5 – Descrição da expressão gênica das quimiocinas XCL1, CX3CL1,
CXCL9, CXCL10, CXCL11, CXCL12, CXCL17 e CCL21 nas pacientes com
endometriose de retossigmóide e retrocerv ical segundo a presença de
dismenorréia.
Dismenorréia
Quimiocina Não Sim p
Média DP N Média DP N
XCL1 0,396 0,513 5 0,889 0,875 27 0,220
CX3CL1 0,498 0,250 5 0,945 0,637 27 0,087
CXCL9 0,685 0,395 5 0,878 1,134 27 0,880
CXCL10 1,698 1,520 5 0,665 0,398 27 0,060
CXCL11 2,273 1,661 5 0,700 0,524 27 0,019
CXCL12 0,592 0,636 5 1,796 2,353 27 0,511
CCL17 3,822 2,883 5 3,328 4,590 27 0,511
CCL21 2,336 2,399 5 2,405 2,920 27 0,725
A tabela 6 mostra que a presença de dispareunia não influencia
estatisticamente nos valores das quimiocinas em pacientes com
endometriose (p > 0,05).
Tabela 6 – Descrição da expressão gênica das quimiocinas XCL1, CX3CL1,
CXCL9, CXCL10, CXCL11, CXCL12, CXCL17 e CCL21 nas pacientes com
endometriose de retossigmóide e retrocervical segundo a presença de
dispareunia de profundidade.
Dispareunia
Quimiocina Não Sim p
Média DP N Média DP N
XCL1 1,012 0,949 14 0,657 0,739 18 0,301
CX3CL1 0,922 0,765 14 0,839 0,485 18 0,561
CXCL9 0,570 0,262 14 1,064 1,359 18 0,722
CXCL10 0,857 1,045 14 0,803 0,461 18 0,398
CXCL11 1,182 1,312 14 0,761 0,534 18 0,639
CXCL12 1,172 1,311 14 1,947 2,707 18 0,808
CCL17 3,826 5,660 14 3,078 3,080 18 0,985
CCL21 2,227 2,598 14 2,524 3,031 18 >0,999
Pela tabela 7, tem-se que pacientes com endometriose que possuem
dor pélvica crônica apresentam estatisticamente menores valores de CCL17
e de CCL21 (T -reg) (p = 0,001 e p = 0,005 respectivamente) e apresentam
38
maiores valores de XCL1 e CXCL12 (NK) (p = 0,045 e p = 0,049
respectivamente).
Tabela 7 – Descrição da expressão gênica das quimiocinas XCL1, CX3CL1,
CXCL9, CXCL10, CXCL11, CXCL12, CXCL17 e CCL21 nas pacientes com
endometriose de retossigmóide e retrocervical segundo a presença de dor
pélvica crônica.
Dor Pélvica Cronica
Quimiocina Não Sim p
Média DP N Média DP N
XCL1 0,593 0,795 19 1,133 0,833 13 0,045
CX3CL1 0,900 0,699 19 0,838 0,485 13 0,734
CXCL9 0,986 1,326 19 0,647 0,369 13 0,970
CXCL10 0,888 0,940 19 0,738 0,383 13 0,880
CXCL11 1,139 1,155 19 0,663 0,488 13 0,209
CXCL12 1,005 1,423 19 2,489 2,861 13 0,049
CCL17 4,776 5,229 19 1,402 0,416 13 0,001
CCL21 3,369 3,273 19 0,969 0,786 13 0,005
A tabela 8 mostra que a presença de alterações intestinais não
influencia estatisticamente nos valores das quimiocinas estudadas em
pacientes com endometriose (p > 0,05).
Tabela 8 – Descrição da expressão gênica das quimiocinas XCL1, CX3CL1,
CXCL9, CXCL10, CXCL11, CXCL12, CXCL17 e CCL21 nas pacientes com
endometriose de retossigmóide e retrocervical segundo a presença de
alterações intestinais.
Alterações intestinais cíclicas
Quimiocina Não Sim p
Média DP N Média DP N
XCL1 0,703 0,765 19 0,972 0,952 13 0,650
CX3CL1 0,845 0,557 19 0,918 0,709 13 0,970
CXCL9 1,031 1,309 19 0,581 0,385 13 0,223
CXCL10 0,896 0,901 19 0,725 0,501 13 0,650
CXCL11 0,994 1,127 19 0,874 0,685 13 0,970
CXCL12 1,557 2,096 19 1,683 2,457 13 0,910
CCL17 4,330 5,431 19 2,055 0,966 13 0,448
CCL21 2,792 3,353 19 1,813 1,705 13 0,762
39
A tabela 9 mostra que pacientes com estadiamento avançado (ASRM,
1996) apresentam estatisticamente maior expressão de CCL21 (T -reg)
quando comparas às pacientes com estadiamento inicial (p = 0,041).
Tabela 9 – Descrição da expressão gênica das quimiocinas XCL1, CX3CL1,
CXCL9, CXCL10, CXCL11, CXCL12, CXCL17 e CCL21 nas pacientes com
endometriose de retossigmóide e retrocervical segundo estadiamento inicial
(1 e 2) e avançado (3 e 4) – ASRM 1996.
Estadiamento
Quimiocina Inicial (1 e 2) Avançado (3 e 4) p
Média DP N Média DP N
XCL1 1,107 0,435 3 0,782 0,872 29 0,286
CX3CL1 0,429 0,092 3 0,921 0,626 29 0,082
CXCL9 0,405 0,225 3 0,894 1,093 29 0,207
CXCL10 0,528 0,450 3 0,858 0,783 29 0,457
CXCL11 1,512 1,563 3 0,887 0,900 29 0,580
CXCL12 0,728 0,668 3 1,699 2,300 29 >0,999
CCL17 1,638 0,714 3 3,589 4,515 29 0,457
CCL21 0,377 0,136 3 2,603 2,873 29 0,041
40
5. DISCUSSÃO
41
A tentativa de identificação da etiopatogenia da endometriose é um
dos assuntos mais estudados nos últimos anos ( Ulukus et al., 2009) . Apesar
de novas hipóteses terem sido levantadas, divers as pesquisas têm
encontrado evidências de que a teoria da menstruação retrógrada
complementada por fatores imunológicos parece ter importante papel na
gênese desta doença (Podgaec et al., 2010; Herington et al., 2011;
Fassbender et al., 2011).
Levando em consideração as diversas alterações no sistema
imunológico observadas até o momento e, considerando que as células T-reg
e NK desempenhem importante papel nesta resposta imunológica (Podgaec,
et al., 2012 e Dias Jr, et al., 2012), resolvemos estudar o que poderia
modificar o comportamento destes dois importantes agentes do sistema
imune, as quimiocinas.
As quimiocinas são um grupo de, pelo menos, 47 proteínas correlatas,
fazendo delas a maior família de citocinas conhecida (Robertson et al., 2002;
Abbas et al., 2011) e são divididas em quatro subgrupos: CXC (ou a), CC (ou
b), CX3C e subfamílias C. Cada quimiocina consegue se ligar a mais de um
receptor e cada receptor interage com mais de uma quimiocina (Nishida et
al., 2011).
Conforme a própria nomenclatu ra, quimiocinas são citocinas
quimiotáticas. Elas atuam se ligando a receptores de membrana e podem,
desta forma, modular a atividade de algumas células mediadoras da resposta
inflamatória, incluindo -se as células T -reg e NK. A migração e a atividade
dessas células nos tecidos -alvo pode m ser influenciada s pela ação deste
grupo de proteínas (Qin et al., 2008).
A correlação entre a atividade das células T -reg e células NK na
endometriose ainda é assunto pouco esclarecido. Se considerarmos ainda
que suas açõe s podem ser moduladas por outros mediadores da resposta
inflamatória como as quimiocinas, abrimos um leque ainda maior de
perguntas.
42
Budiu et al (2009) avaliaram a presença da glicoproteína mucina 1,
(MUC1) na endometriose. Estas são normalmente expressas no epitélio
luminar e glandular em endométrio humano e pouco expressas nas células
epiteliais do ovário. No entanto, são superexpressadas em carcinomas
ovarianos de células claras e endometrióides. Além disto, alguns estudos
visando uma terapia antígeno -específica contra o câncer foram
desenvolvidos avaliando uma possível vacina contra a MUC1 (Cramer, et al.,
2005 e Oei, et al., 2008) e, desta forma, os autores deste grupo resolveram
avaliar o comportamento desta glicoproteína em um modelo animal de
endometriose ovariana, além de avaliarem sua resposta inflamatória.
Encontraram um aumento da expressão de MUC1 na superfície ovariana e
uma predominância da subclasse IgG1, sugerindo uma resposta Th2 e um
acúmulo de linfócitos Foxp3+ CD4 nos linfonodos nos estágios avançados de
doença.
Basta et al (2010) avaliaram 47 mulheres, sendo 16 submetidas à
laparoscopia para tratamento de gestação ectópica tubárea, 16 mulheres
submetidas à laparoscopia para tratamento de endometrioma ovaria no e 15
pacientes submetidas à laqueadura tubárea que foram denominadas grupo
controle. Neste estudo, o percentual de Foxp3+ com a subpopulação de
linfócitos T CD4+CD25high encontrados na decídua do grupo com gestação
ectópica foi significativamente menor quando comparados tanto aos tecidos
das pacientes com endometriomas ovarianos quanto ao endométrio do grupo
controle. Os autores especularam que os distúrbios do equilíbrio do
endometrioma e da decídua na gestação ectópica seriam devidos a
alterações da população de células T-reg nestes locais.
Berbic et al., em 2010, realizaram um estudo em que analisaram por
imunoistoquimica a expressão de Foxp3 em amostras de 127 endométrios
tópicos e 59 lesões endometrióticas peritoneais. Foi demonstrado que nas
pacientes com endometriose, a expressão de células Foxp3+ CD4 +CD25high
não tiveram o declí nio esperado na fase secretora do ciclo menstrual. Isto
poderia contribuir para a diminuição na habilidade de recrutar novos
leucócitos ou outras células do sistema imune para permitir uma resposta
43
imunológica efetiva contra os fragmentos endometriais que adentram à
cavidade peritoneal, impedindo ou, ao menos, dificultando o desenvolvimento
dos implantes endometrióticos.
André et al., 2011, mostraram a presença de certos polimorfismos no
Foxp3 em pacientes inférteis e com endometriose quando comparadas a
mulheres normais. Utilizaram uma coorte de 419 mulheres, sendo 177
mulheres inférteis e com endometriose, 71 mulheres com infertilidade
idiopática e 171 mulheres férteis como controle. Avaliaram amostras de
sangue periférico e os polimorfismos foram identificados por meio do uso de
PCR. Após análise estatís tica, encontraram que o polimosfismo rs3761549
estava fortemente associado à endometriose. Foi o primeiro estudo avaliando
polimorfismos do Foxp3 com a endometriose e infertilidade, sugerindo uma
relação entre os mesmos.
Qin et al., 2008 mostraram que as células T -reg sofrem influência de
algumas quimiocinas (CCL17 e 21) podendo fazer com que o desemp enho
de sua função seja exacerbado ou mesmo comprometido, através da inibição
de sua ação. Em nosso trabalho pudemos observar uma diferença estatística
significativa n a avaliação da quimiocina CCL17, que foi mais expressa no
endométrio tópico das pacientes com endometriose de retossigmóide.
Sabemos que a quimiocina CCL17 pode modular a ação das células
T-reg (Qin et al., 2008, Heiseke et al., 2012). Muitos estudos já
demonstraram a ação desta quimiocina na gênese de doenças intestinais,
como a doença de Crohn (Izcue et al., 2008; Park et al., 2010; Heiseke et al.,
2012). Experimentos usando camundongos deficientes em C CL17
confirmaram que esses animais não são capazes de desenvolver sinais
clínicos relevantes de doenças autoimunes intestinais, mesmo quando
avaliados em diferentes espaços de tempo . Estes resultados sugerem que a
inflamação é colocada em xeque e pode ser inibida por fatores imunes
regulados em camundongos deficientes em CCL17 , já que esta quimiocina
parece ser essencial para o desenvolvimento da inflamação no intestino de
camundongos. A CCL17 tem um efeito autócrino nas células dendríticas que
promove a produção de citocinas inflamatórias e a ativação das respostas
44
Th1 e Th17, que reduzem a expansão de células T-reg. Desta forma, Heiseke
et al., em 2012, demonstraram que os camundon gos deficientes em CCL17
têm maior propensão à expansão clonal de células T-reg em comparação aos
camundongos competentes em CCL17. Ou seja, a falta de CCL17 permite
que as células T -reg tenham uma expansão de seu nú mero e, desta forma,
uma maior ação na manutenção da resposta imune.
Sendo assim, a sua concentra ção diminuída na lesão endometriótica
de pacientes com endometriose de retossigmóide quando comparado ao
endométrio tópico de pacientes controles, nos leva a pensar em uma possível
associação com a gênese de outras doenças autoimunes intestinais. Esta
diminuição de CCL17 encontrada na lesão de retossigmóide, permitiria a
expansão clonal de células T -reg neste local. Isto ainda vai ao encontro do
que já foi rela tado por outros autores (Budiu et al., 2009; Berbic et al., 2010;
Basta et al., 2010; Prieto, 2011) e mesmo com o relatado por nosso grupo em
2012, quando Podgaec, et al., demonstraram um percentual maior de
linfócitos CD4 +CD25high no fluído peritoneal de mulheres com endometriose .
O aumento da concentração das células T -reg no fluído peritoneal de
pacientes com endometriose e ainda, a sua maior concentração nos
endometriomas ovarianos nos leva a uma hipótese de que esta maior
concentração leve a um funcion amento defeituoso das outras células do
sistema imune. Sendo assim, o encontrado em nosso estudo complementaria
a descrição d e um ambiente propenso à maior concentração destas células
que atuam de forma tão intensa na resposta imune. Além disto, a maior
concentração de CCL17 n o endométrio tópico das paciente s com
endometriose intestinal indica a baixa propensão das células T -reg em se
concentrar nesta localização, permitindo um maior acúmulo na cavidade
peritoneal e ocasionando algumas das modificações da resposta imune que
poderiam ser parte da resposta para a instalação desta doença.
As células NK, assim como outras células T e B, são um dos maiores
subconjuntos de linfócitos que foram identificados em todas as espécies de
vertebrados examinados (Linsen et al., 2005) . São linfócitos distintos das
células T e B e que desempenham importante p apel nas respostas imunes
45
inata e adaptativa . O termo natural killer deriva do fato de que estas células
são capazes de realizar sua função de morte sem a necessidade d e
expansão clonal e/ou diferenciação, fato necessário por outras células
assassinas do sistema imune, como os linfócitos T citotóxicos (CTL)
(Robertson, 2002).
Como as células NK participam do clearance das células endometriais
regurgitadas para a cavidade abdominal, imagina -se que elas estejam
subativadas na endometriose ou não reconheçam o tecido endometrial
ectópico como sendo um material em apoptose e que deveria ser eliminado
(Ota et al., 2002). Entretanto, o número de células NK é um tema um tanto
quanto controverso. Diversos trabalhos são conflitantes, mostrando que este
número pode estar diminuído (Ota et al., 2002), aumentado (Hill et al., 1988 e
Masubayashi et al., 2001), inalterado (Oosterlynck et al., 1994) ou variável de
acordo com o estádio (ASRM, 1986) da doença (Dias Jr et al., 2005).
A atividade das células NK pode ser modulada pela presença de
algumas quimiocinas (Robertson, 2002). Seja pelo aumento da migração
destas células em resposta à presença de determinadas quimiocinas (CXCL
9, 10, 1 1 e 12, XCL1 e CX3CL1), como pelo aumento de sua atividade
citolítica quando na presença de quimiocinas específicas (CXCL10 e
CX3CL1) (Robertson, 2002; Moris and Ley, 2004; Groom and Luster, 2011).
A presença diferenciada de algumas quimiocinas encontradas em
nosso trabalho, como a CX3CL1 e a CXCL12, mostra exatamente esta ação
deficitária de células NK em pacientes com endometriose. Apesar de não
termos resultados estatisticamente significativos, a s quimiocinas XCL1,
CXCL9, CXCL10 e CXCL11 foram mais expre ssas no grupo controle que em
pacientes com endometriose. Principalmente se levarmos em consideração a
XCL1 e a CXCL9 que tiveram resultados aparentemente mais expressivos e,
como elas atuam de modo a estimular a migração das células NK, isto iria ao
encontro do acima exposto, sugerindo uma migração deficitária de células NK
para sítios de endometriose, permitindo, desta forma um comprometimento
da resposta imune local e o posterior desenvolvimento da doença.
46
A CX3CL1 ( Fraktalkine) é uma das quimiocinas mai s estudadas em
endometriose (Zhang et al., 2004; Shimoya et al., 2005; Watanabe et al.,
2006; Nishida et al., 2011). Watanabe et al., 2006 avaliando mulheres sem
endometriose, demonstraram que a CX3CL1 é mais presente no endométrio
tópico na fase secretora, quando comparada à proliferativa, exemplificando
ainda que a presença dela poderia ser uma das responsáveis pela regulação
do ambiente imunológico, atraindo células NK.
Nosso estudo encontrou uma diferença estatística significativa no que
diz respeito à presença de CX3CL1 no endométrio ectópico de pacientes com
endometriose retrocervical. Q uando comparadas ao endométrio tópico das
pacientes dos demais grupos, apresentavam uma expressão aumentada. Isto
talvez mostre uma tentativa do organismo em aumentar a quimiotaxia para
células de defesa, como as NK e, desta forma tentar diminuir os danos
causados por esta doença.
CXCL12 (SDF-1a - Stromal cell -derived factor -1) foi identificado com
um produto d e gene que é regulado de uma maneira consistente pelo
estrogênio, além de também estar relacionada com a migração de células NK
(Glace et al., 2009). Neste grupo encontramos uma concentração menor no
endométrio tópico de pacientes e controles, quando compa rado às lesões
das pacientes com endometriose . Também nos estranha o fato da sua
concentração ser maior n a lesão de endometriose , mas usando da mesma
hipótese levantada para a CX3CL1, acreditamos ser uma resposta do
organismo, na tentativa de tentar aument ar a concentração de células de
defesa contra a endometriose.
Utilizando um modelo animal com camundongos, Glace et al., em
2009, também demonstraram um aumento na expressão de CXCL12 nas
lesões em casos de endometriose ovariana em comparação ao endométrio
tópico, mostrando ainda que este aumento pode ser reprimido pelo raloxifeno
e pela progesterona. Da mesma maneira, Furuya et al., em 2007, mostrou
diferenças no comportamento das quimiocinas CXC em pacientes com
endometriose ovariana e com carcinomas ovar ianos, quando comparados a
pacientes livres de doença . Encontraram também um aumento da expressão
47
de CXCL12 nas lesões ovarianas quando comparados aos endométrios
tópicos (Furuya et a., 2007).
Em 2009, Al -Jefout et al., publicaram interessante estudo dupl o cego
que trouxe novas perspectivas para o diagnóstico não invasivo da
endometriose. Neste estudo, os autores utilizaram a detecção de fibras
nervosas no endométrio de pacientes com endometriose, através da biópsia
endometrial e imunoistoquímica. Os resul tados mostraram que, em 64
mulheres com diagnóstico laparoscópico de endometriose, a média de
densidade de fibras nervosas na biópsia endometrial foi de 2,7 fibras
nervosas por milímetro quadrado. Apenas uma mulher com
endometriose não teve fibras nervosas detectáveis. Seis mulheres tiveram
fibras nervosas detectadas, mas não tinham endometriose ativa vista
na laparoscopia. Com altas sensibilidade e especificidade, a densidade das
fibras nervosas não variou nas diferentes fases do ciclo menstrual. Além
disto, as mulheres com endometriose e sintomas de dor têm maior densidade
de fibras nervosas em comparação com mulheres inférteis, mas sem dor.
Utilizando esta mesma prerrogativa de um diagnóstico não invasivo
para endometriose e, também pensando na biópsia endometrial como
alternativa, avaliamos a expressão das quimiocinas estudadas de acordo
com os sintomas apresentados. Desta forma, pudemos observar diferenças
estatísticas significativas quando avaliamos a dismenorréia e a dor pélvica
crônica. No primeiro caso, tivemos uma maior expressão de CXCL11 no
endométrio tópico das mulheres que não apresentavam dismenorréia. No
caso da dor pélvica crônica, tivemos uma maior expressão de CXCL12 no
endométrio tópico das mulheres que apresentavam a queixa e uma maior
expressão de CCL17 e CCL21 naquelas que não apresentavam a queixa
clínica.
Quando avaliamos alterações intestinais cíclicas e dispareunia, não
encontramos diferenças significativas. As alterações urinárias cíclicas não
foram avaliadas pois eram pacientes sem endometriose do trato urinário e
também não avaliamos o aspecto infertilidade visto que em nosso grupo
controle, todas as pacientes eram multíparas.
48
Não foi encontrado nenhum estudo na literatura para que pudéssemos
discutir sobre o fat o de termos encontrado uma maior expressão de CCL21
no endométrio tópico de pacientes com estádios avançados da doença.
A endometriose é uma entidade em estudo e que muitas dúvidas ainda
pairam no ar. A te oria imunológica é alvo de muita s pesquisas atualmente.
Diversos estudos têm tratado a endometriose como uma doença imunológica
(Agic et al., 2006; Podgaec et al., 2007; Barrier, 2010) e, provavelmente, a
busca por um diagnóstico não invasivo e mesmo por um tratamen to ou
profilaxia definitivos poderão vir desta teoria.
A ação de células mediadoras da resposta inflamatória como as
células T-reg e NK, parece ter papel fundamental na gênese desta doença.
Além disto, como visto pela primeira vez em nosso estudo, o papel de
algumas quimiocinas, como a CCL17, CX3 CL1 e CXCL12, na modulação
desta resposta inflamatória fará parte do quebra -cabeças para a resposta
inflamatória da endometriose.
49
6. CONCLUSÕES
50
1. Com relação às quimiocinas relacionadas à atividade das células NK,
as pacientes com endometriose profunda apresentam:
expressão de CX3CL1 e CXCL12 aumentadas de forma
significativa no foco de endometriose, quando comparadas ao
endométrio tópico das pacientes com e sem endometriose.
as quimiocinas CXCL9, CXCL10, CXCL11 e XCL1 não tiveram
diferenças estatísticas significativas nos grupos estudados.
2. Com relação às quimiocinas relacionadas à atividade das células T -
reg, as pacientes com endometriose profunda apresentam:
expressão de C CL17 aumentada no endométrio tópico das
pacientes com endometriose de retossigmóide em comparação ao
endométrio tópico das pacientes com endometriose retrocervical e
sem endometriose e, quando comparada ao foco de endometriose
nas pacientes com endometriose retrocervical e de retossigmóide.
a expressão da quimiocinas CCL21 não apresentou diferenças
estatísticas significativas nos grupos estudados.
3. Com relação à fase do ciclo menstrual, não se observou diferenças
significativas na expressão das quimiocinas.
4. Em relação ao quadro clínico, encontramos que as pacientes com
dismenorréia e endometriose apresentam menor valor de CXCL11 no
endométrio tópico. Aquelas com dor pélvica crônica apresentam
valores menores de CCL17 e CCL21 e maiores de XCL1 e CXCL12 no
endométrio tópico. Os demais sintomas não tem correlação com a
expressão das quimiocinas.
5. Pacientes com estadiamento avançado (ASRM, 1996) da doença
apresentam maior valor de CCL21 no endométrio tópico.
51
6. ANEXOS
52
Anexo 1
ESCALA VISUAL ANALÓGICA – EVA
A Escala Visual Analógica – EVA auxilia na aferição da intensidade da dor
no paciente, é um instrumento importante para verificarmos a evolução do
paciente durante o tratamento e mesmo a cada atendimento, de maneira
mais fidedigna. Também é útil para analisarmos se o tratamento está sendo
efetivo, quais procedimentos têm surtido melhores resultados, assim como se
há alguma deficiência no tratamento, de acordo com o grau de melhora ou
piora da dor.
A EVA pode ser utilizada no início e no final de cada atendimento, registrando
o resultado sempre na evolução. Para utilizar a EVA o atendente deve
questionar o paciente quanto ao seu grau de dor, sendo que 0 significa
ausência total de dor e 10 o nível de dor máxima suportável pelo paciente.
Dicas sobre como interrogar o paciente:
Você tem dor?
Como você classifica sua dor? (deixe ele falar livremente, faça
observações na pasta sobre o que ele falar)
Questione-o:
a) Se não tiver dor, a classificação é zero.
b) Se a dor for moderada, seu nível de referência é cinco.
c) Se for intensa, seu nível de referência é dez.
OBS.: Procure estabelecer variações de melhora e piora na escala acima
tomando cuidado para não sugestionar o paciente.
53
Anexo 2 – Aprovação Comitê de Ética e Pesquisa - HCFMUSP
54
Anexo 3 – Termo de consentimento livre e esclarecido (pacientes)
55
56
57
Anexo 4 – Termo de consentimento livre e esclarecido (controles)
58
59
60
Anexo 5 – Expressão das quimiocinas XCL1, CX3CL1, CXCL9, CXCL10, CXCL11, CXCL12, CXCL17 e CCL21 do
endométrio tópico das pacientes submetidas à laqueadura tubária.
Iniciais XCL1 CX3CL1 CXCL9 CXCL10 CXCL11 CXCL12 CXCL17 CCL21
VDR 0,643361 0,921856149 0,197470211 0,599773761 0,298133084 3,910586949 0,00128226 0,189582597
MHS 0,335341 1,225706489 2,301711376 0,659063926 0,717986383 0,181543246 2,211315689 11,95795215
MEGC 0,971778 1,846269999 1,386749243 0,591106632 0,90627977 1,223814724 0,009936166 1,287790969
AS 1,837443 4,716162891 1,699024831 0,538676231 1,112672014 1,132401183 6,671009057 1,878913222
MAJF 0,489948 2,833555673 0,584675052 0,6006058 1,09052919 2,456127001 2,102207385 0,55783039
CAAS 0,486901 0,535743204 0,722318456 38,78670489 10,35336895 0,441469343 0,513310971 0,182364705
MLO 0,39576 0,57618881 0,364428309 0,439974042 1,022448649 0,200320943 1,08065424 0,135644122
VMS 0,442485 0,59526895 0,379114867 5,196320126 0,931113141 1,737948294 1,374498183 0,183124717
CSA 0,531706 1,230814674 3,783461954 0,271399565 1,615553343 0,261047665 3,221884999 54,2630576
PGOS 0,225891 0,513919232 0,266592285 1,058110511 0,229573558 0,506763724 1,384058574 0,442239084
COJ 1,418828 1,145211092 0,745203801 2,792370378 0,497589652 3,578574864 3,084218551 0,044283051
NMAB 5,932743 6,47829223 11,29574044 0,186272979 1,680660574 1,791769631 13,70760861 154,4395491
SMS 1,051683 0,858335485 0,318796333 1,309022879 0,368319169 1,112176039 1,413140587 0,121995382
MJSL 1,321979 2,16237022 1,355388971 1,172420673 0,806098692 5,312478735 0,010130892 6,82532828
SRS 0,777384 1,48618483 0,749867155 0,768698795 1,039599891 0,592293912 7,594236878 0,944025959
SMK 0,260021 1,149186977 0,268818985 1,120770053 0,638619445 0,937821436 1,084405999 2,373306514
SDF 0,526206 1,409920238 0,459681636 0,874475768 0,638176941 0,855230471 6,385966568 0,725425034
MLS 7,157617 0,483696347 1,080336641 0,584996668 0,381813068 1,419630191 2,296337985 0,666182073
LLS 0,438822 0,98046195 1,178716638 6,261031296 5,600743613 0,45387759 0,622814743 0,722920265
IASQ 2,716463 1,057321078 3,655495403 1,071535994 1,154284127 2,758062522 6,08874545 1,978940776
CMS 0,412424 0,293020509 0,537311618 0,812652408 1,109037684 1,789808409 0,722107234 0,553071704
SRS 1,8757 1,173919555 1,189791633 0,54242302 0,544139471 1,326059179 2,366614954 1,494163927
VAF 1,343726 0,547649041 1,713386869 0,303561411 1,346914606 0,175764444 0,031207465 0,033773335
EMD 1,495667 0,885806537 0,726452784 0,577198843 0,766627889 0,392802267 2,598654797 6,162895966
61
SDM 0,560326 0,933397526 1,28136451 2,353797669 4,342989266 0,830311832 1,849909892 3,482826094
EMS 1 1 22,4589245 1,29635452 0,897807708 1 0,608257876 0,658268669
EUR 2,779893 0,382261961 0,799130453 0,552019185 0,710934419 1,776016717 1,678142235 0,526176396
JUJ 1,427588 0,540697484 0,85341001 0,767543442 1 1,502052419 2,545192896 1,033277985
LOM 1,833715 1,054700623 1,521085172 0,858315712 1,010660456 3,561179513 1,44086483 2,149481119
MLB 1,477706 0,731993909 0,456714006 0,681157493 0,475810293 0,775777673 1,34089382 0,630220434
PZF 1,206167 0,657195063 0,918763175 1,104972383 0,9881544 0,491187299 2,075264176 0,540654344
LHJM 4,31102 1,136370707 1,014623821 3,41165157 5,45216184 1,292035009 1,005612857 2,170516572
62
Anexo 6 – Expressão das quimiocinas XCL1, CX3CL1, CXCL9, CXCL10, CXCL11, CXCL12, CXCL17 e CCL21 nas lesões de
endometriose das pacientes com endometriose de retossigmóide.
Iniciais XCL1 CX3CL1 CXCL9 CXCL10 CXCL11 CXCL12 CXCL17 CCL21
GHM 0,461275111 0,752421797 0,284737998 1,91386665 0,266097781 6,535896607 0,001586326 4,819549963
FFB 0,185269764 2,487356934 0,034284658 0,099890432 0,180995833 12,12897021 0,00816068 1,776328538
MEGC 0,097645634 0,194469195 0,095305741 0,354164205 0,092527652 9,430832708 0,340070319 0,486630428
ASS 0,152904138 2,522079143 0,052874171 0,177327761 0,138795085 11,48266143 0,530308949 1,553905142
MDM 0,016777823 0,961003472 0,328441182 0,829601445 3,931359749 4,294187427 0,030520132 0,608740154
MFD 0,014414847 2,093059825 0,027369387 0,082898529 0,126835314 23,67652031 0,042715545 1,104886701
ACC 0,345725604 0,3873242 0,094581835 0,571763453 0,163688899 3,571141159 0,032015292 0,61000731
MLB 1 0,843589795 0,039437364 0,29351178 0,301457888 8,860481874 0,112726999 0,699258813
MFD 0,183735124 1,164421634 0,124801479 0,297196764 0,369085864 1,717589362 0,027165229 1,308485954
AAS 0,045588993 2,938935197 0,731534057 2,701611663 6,401404113 7,418436515 0,151772783 1,715725124
MFD 0,528043744 1,3995117 1,073749111 0,405768932 0,804072998 9,222099051 0,009024827 2,541162153
DRB 1 3,093764857 0,232389524 0,424671828 0,433786899 33,91696471 0,183043062 1,685572214
SFR 0,472180168 3,294303668 0,505922721 0,536909305 1,490801718 10,05474899 0,005412703 5,059302275
MFE 0,079171739 5,32954935 0,750430795 0,676860444 0,941457835 23,88222192 0,07875662 0,085231967
ASD 0,09040832 3,096596806 0,589973041 0,321892376 1,287032413 35,9556145 0,049797772 2,77821536
PLS 0,036184091 0,425261911 1,550675632 0,23724183 0,047584924 4,971375788 0,014381171 0,707978983
SET 0,017138437 1,251730125 1,319847219 0,422144936 0,992355115 7,860086347 0,079732129 1,835277777
SDF 0,114259764 1,412943276 0,618746746 0,333764013 2,030279551 11,38825787 0,094003938 1,767007836
FF 0,10787402 0,891695813 0,63891811 0,219356644 0,388322818 9,002496673 0,081856171 2,180982868
IA 0,208523134 4,866564069 0,289196688 0,452475102 1,283024204 15,9867543 0,111033352 2,563257538
MS 0,225869183 1,294732042 1,620506646 0,869911362 1,287433922 10,01989275 0,099977343 2,855668349
PBB 0,142977432 2,342426124 0,735869037 0,857923142 1,519628197 13,7314794 0,010655152 1,994667722
63
Anexo 7 – Expressão das quimiocinas XCL1, CX3CL1, CXCL9, CXCL10, CX CL11, CXCL12, CXCL17 e CCL21 no
endométrio tópico das pacientes com endometriose de retossigmóide.
Iniciais XCL1 CX3CL1 CXCL9 CXCL10 CXCL11 CXCL12 CXCL17 CCL21
GHM 0,01861616 0,257673048 0,406606994 1,009394627 1,097353529 0,055030878 3,149024539 1,845355072
FFB 0,040015406 0,893545778 0,360658902 1,89669843 2,06197721 0,126165132 7,371228086 6,399230519
MEGC 0,022292456 0,341892232 0,32257509 0,464738256 0,505235664 0,028903443 1,172757722 2,44850041
ASS 0,015535359 0,420627054 0,418618199 0,60814629 0,661140311 0,104776361 4,181165066 3,012368862
MDM 0,014758597 0,88246658 0,263286771 0,381959165 0,415243182 0,03630684 2,063230493 6,319885573
MFD 0,044492296 1,631968882 0,668827901 1,182213264 1,285231626 0,088718892 5,486571857 11,68753222
ACC 0,006231086 0,309200284 0,783881204 4,241252315 4,610836111 0,23822309 6,267564769 2,214373277
MLB 0,461275111 1,422682319 0,6393629 0,641486279 0,697385555 0,037822412 22,78330282 10,18870252
MFD 0,036694289 0,479503599 0,425640382 1,050801607 1,142368724 0,086832875 2,707394273 3,43401999
AAS 0,018652843 0,74026491 5,339027343 0,785389553 0,853828596 0,079790741 13,03153387 5,30149201
MFD 0,017712226 0,200140293 3,81482516 0,617037601 0,670806413 0,130327656 5,545528659 1,433327649
DRB 0,046132566 0,589593918 1,259470157 0,079307456 0,086218328 0,015252031 2,29969893 4,222444433
SFR 2,953937609 1,782650089 0,221732006 0,226063552 0,304176033 1,336273353 0,891270339 1,386904489
MFE 2,63914269 0,679777044 0,682115021 0,424177591 0,367327392 1,235414494 1,101649278 0,423486662
ASD 1,41969336 2,34302695 0,552510175 0,460655554 0,704620516 3,860894576 1,794528704 1,581801357
PLS 1,244261184 1,068964208 1,347062638 1,702565513 1,94001578 8,748557515 1,456893077 2,077946395
SET 2,523470734 1,915782192 0,623188682 0,742730286 0,599606691 1,190299941 1,647107823 0,39973573
SDF 2,142268565 1,690644757 0,5769279 0,72107954 0,502441796 1,262816627 1,828049327 0,914565522
FF 1,011509139 1,051955406 0,758889078 0,653083929 0,48771099 7,839682139 2,121059365 1,688437103
IA 1,355109426 2,508410647 0,598794526 1,47553722 2,295484017 2,892456297 1,953139507 1,721956189
MS 0,764829118 0,441539236 0,520377662 0,599765446 1,335785526 0,607924961 1,513433201 0,44876076
PBB 0,76678252 0,572426969 0,39506582 0,299241114 0,414170983 4,846136903 1,392449494 0,401187466
64
Anexo 8 – Expressão das quimiocinas XCL1, CX3CL1, CXCL9, CXCL10, CXCL11, CXCL12, CXCL17 e CCL21 nas lesões de
endometriose das pacientes com endometriose retrocervical.
Iniciais XCL1 CX3CL1 CXCL9 CXCL10 CXCL11 CXCL12 CXCL17 CCL21
PPD 0,991510087 1,183954426 1,769947953 1,007297831 0,754204878 5,405339228 1,628907861 0,589228222
MFC 0,325944753 4,001701479 0,64113805 0,210587296 0,434680833 23,26977186 0,038926731 2,281366823
MJS 0,079422928 4,508393833 0,239103464 0,312188719 0,313606722 16,92853428 0,174936713 2,371662033
FV 0,367215626 1,504843594 0,433380738 1 0,871775393 8,909751295 0,007779564 2,058935217
CI 0,138763434 5,016264942 0,132742931 0,368181824 0,175924508 17,72096375 0,030946177 1,134375625
CP 0,245334045 2,563639757 0,689985016 2,307867363 1,19413702 14,9504309 0,133220222 1,825306121
CC 0,972061404 3,506625953 1,609861904 0,662269495 0,866323878 12,04619123 0,605851028 2,741049606
ADV 1,901739125 4,619682008 3,75212252 0,917939078 0,575476287 10,90120084 7,121716469 5,150556923
EDT 1,964264697 4,519626483 2,986875155 1,175252144 0,882726483 17,67728933 2,517069409 3,93100565
MGS 0,086662962 1,824515678 0,293492784 0,228701909 0,343596772 10,23000653 0,125930967 1,84543182
65
Anexo 9 – Expressão das quimiocinas XCL1, CX3CL1, CXCL9, CXCL10, CXCL11, CXCL12, CXCL17 e CCL21 n o
endométrio tópico das pacientes com endometriose retrocervical.
Iniciais XCL1 CX3CL1 CXCL9 CXCL10 CXCL11 CXCL12 CXCL17 CCL21
PPD 0,825705577 0,564206199 1,2515422 1 1 0,569348995 1,063562636 0,084079531
MFC 0,504420689 0,704943389 1 0,279998366 0,136032982 2,147093713 0,924602392 1,809885509
MJS 0,957071992 0,515101272 1,326575639 0,403737728 0,439223876 1,093827441 1,329519558 1
FV 0,959729241 0,514153398 0,548934887 0,937239922 3,155849459 1,448324785 0,993715656 0,220354526
CI 0,252035586 0,83971078 0,272193956 0,912243147 0,413519821 0,333182645 2,07039351 0,102870301
CP 0,513832253 0,700359589 0,627517213 0,513996454 0,724430095 3,364996866 3,736441669 1,01389513
CC 0,636317787 0,643352895 0,095963324 1,094680845 0,489434731 2,486635696 1 0,957569056
ADV 0,781733818 0,58166733 0,333948361 0,307355523 0,386906907 3,975772377 2,75743141 0,561885641
EDT 1,395468303 0,38012128 0,561273923 0,693472372 0,423750915 1,056992516 0,939662774 0,842716009
MGS 1,596817409 0,330605491 0,144914809 0,045905802 0,044090095 0,128800952 2,406147359 0,461204482
66
Anexo 10 – Idade, raça, paridade, prática de exercícios fís icos e fase do
ciclo menstrual das pacientes submetidas à laqueadura tubária.
Iniciais Idade Fase do
Ciclo
Menstrual
VDR 31 Folicular
MHS 26 Folicular
MEGC 29 Folicular
AS 39 Folicular
MAJF 32 Lútea
CAAS 24 Lútea
MLO 30 Lútea
VMS 31 Folicular
CSA 36 Folicular
PGOS 29 Folicular
COJ 28 Lútea
NMAB 27 Lútea
SMS 34 Lútea
MJSL 33 Folicular
SRS 31 Folicular
SMK 34 Lútea
SDF 34 Lútea
MLS 32 Folicular
LLS 34 Lútea
IASQ 33 Folicular
CMS 38 Lútea
SRS 29 Lútea
VAF 35 Lútea
EMD 30 Folicular
SDM 29 Folicular
EMS 35 Lútea
EUR 33 Lútea
JUJ 33 Folicular
LOM 29 Lútea
MLB 33 Folicular
PZF 37 Lútea
LHJM 35 Folicular
67
Anexo 11 – Idade, raça, paridade, prática de exercícios fís icos e fase do
ciclo menstrual das pacientes com endometriose de retossigmóide.
Iniciais Idade Fase do
Ciclo
Menstrual
GHM 30 Folicular
FFB 36 Lútea
MEGC 41 Folicular
ASS 30 Lútea
MDM 29 Lútea
MFD 35 Lútea
ACC 37 Lútea
MLB 40 Lútea
MFD 25 Lútea
AAS 38 Lútea
MFD 33 Folicular
DRB 34 Folicular
SFR 39 Folicular
MFE 30 Lútea
ASD 32 Lútea
PLS 33 Lútea
SET 37 Lútea
SDF 36 Folicular
FF 45 Folicular
IA 27 Folicular
MS 30 Lútea
PBB 34 Lútea
68
Anexo 12 – Idade, raça, paridade, prática de exercícios físicos e fase do
ciclo menstrual das pacientes com endometriose retrocervical.
Iniciais Idade Fase do
Ciclo
Menstrual
PPD 34 Lútea
MFC 36 Lútea
MJS 47 Lútea
FV 35 Lútea
CI 32 Lútea
CP 31 Folicular
CC 38 Folicular
ADV 27 Folicular
EDT 29 Folicular
MGS 38 Folicular
69
Anexo 13 – Queixas clínicas das pacientes submetidas à laqueadura
tubária (notas atribuídas por meio da aplicação da escala visual
analógica de dor)
Iniciais Dismenorréia Dispareunia
de
profundidade
Dor
pélvica
crônica
Alteração
Intestinal
Alteração
Urinária
VDR 0 0 0 0 0
MHS 0 0 0 0 0
MEGC 5 0 0 0 0
AS 0 0 0 0 0
MAJF 6 0 0 0 0
CAAS 4 0 0 0 0
MLO 2 0 0 0 0
VMS 0 0 0 0 0
CSA 4 0 0 0 0
PGOS 5 0 0 0 0
COJ 0 0 0 0 0
NMAB 0 0 0 0 0
SMS 0 0 0 0 0
MJSL 0 0 0 0 0
SRS 0 0 0 0 0
SMK 0 0 0 0 0
SDF 2 0 0 0 0
MLS 0 0 0 0 0
LLS 0 0 0 0 0
IASQ 0 0 0 0 0
CMS 0 0 0 0 0
SRS 0 0 0 0 0
VAF 0 0 0 0 0
EMD 0 0 0 0 0
SDM 0 0 0 0 0
EMS 2 0 0 0 0
EUR 3 0 0 0 0
JUJ 2 0 0 0 0
LOM 4 0 0 0 0
MLB 5 0 0 0 0
PZF 0 0 0 0 0
LHJM 0 0 0 0 0
70
Anexo 14 – Queixas clínicas das pacientes com endometriose de
retossigmóide (notas atribuídas por meio da aplicação da escala visual
analógica de dor)
Iniciais Dismenorréia Dispareunia
de
profundidade
Dor
pélvica
crônica
Alteração
Intestinal
Alteração
Urinária
GHM 0 0 0 0 0
FFB 0 0 0 0 0
MEGC 5 0 0 0 0
ASS 0 0 0 0 0
MDM 6 0 0 0 0
MFD 4 0 0 0 0
ACC 2 0 0 0 0
MLB 0 0 0 0 0
MFD 4 0 0 0 0
AAS 5 0 0 0 0
MFD 0 0 0 0 0
DRB 0 0 0 0 0
SFR 0 0 0 0 0
MFE 0 0 0 0 0
ASD 0 0 0 0 0
PLS 0 0 0 0 0
SET 2 0 0 0 0
SDF 0 0 0 0 0
FF 0 0 0 0 0
IA 0 0 0 0 0
MS 0 0 0 0 0
PBB 0 0 0 0 0
71
Anexo 15 – Queixas clínicas das pacientes com endometriose
retrocervical (notas atribuídas através da aplicação da escala visual
analógica de dor)
Iniciais Dismenorréia Dispareunia
de
profundidade
Dor
pélvica
crônica
Alteração
Intestinal
Alteração
Urinária
PPD 8 6 2 5 0
MFC 10 1 2 1 0
MJS 0 1 0 0 0
FV 0 0 0 0 0
CI 9 3 2 0 0
CP 5 0 0 0 0
CC 9 5 8 0 0
ADV 10 7 0 10 0
EDT 8 0 8 0 0
MGS 10 0 0 5 0
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9. ARTIGO PUBLICADO
Transcriptional changes in the
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Edmund Chada Baracat, M.D., Ph.D., a Mauricio Sim~oes Abr~ao, M.D., Ph.D.,a and Sergio Podgaec, M.D., Ph.D. a
a Department of Obstetrics and Gynecology, University of S~ao Paulo, b Medical Investigation Laboratory (LIM 51), School of
Medicine, University of S ~ao Paulo, and c Albert Einstein Israeli Hospital, S ~ao Paulo, Brazil