DA BROI, MG. Follicular fluid fro m infertile women with mild endometriosis may
compromise the meiotic spindle of methaphase II oocytes. Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2011.
The mechanisms involved in the etiopathogenesis of infertility in patients with endometriosis
have not been fully elucidated. The i nfertility presented by patients with moderate and severe
disease (stages III and IV, respectively) would be partly due to anatomical pelvic changes
associated with endometriosis. However, there are evidences that subtle lesions or
endometriosis implants in the early stages (stages I and II) might also contribute to the
etiophatogenesis of infertility. Impaired oocyte quality may be involved in lower implantation
rates after in vitro fertilization in these patients . We question if alterations in the follicular
microenvironment of infertile patients with endometriosis might affect oocyte competence
acquisition and compromise the natural fertility and assisted reproduction treatment outcomes
in women with this disease. It is known that to be competent and capable of fertilizing, the
oocyte must be mature and have a morpholog ically functional spindle, which ensure the
fidelity of chromosome segregation during meiosis. Thus, the aim of this study was to
evaluate the potential impact of different concentrations of follicular fluid (FF) of infertile
women with and without mild endometriosis on spindle integrity, chromosomes alignment
and actin microfilaments organization of bovine oocytes in vitro matured. We performed an
experimental study, where FF samples were consecutively obtained from 22 infertile patients
(11 with mild endometriosis and 11 with tubal or male factors of infertility ) submitted to
ovarian stimulation for intracytoplasmic sperm injection. Immature bovine oocytes were
submitted to in vitro maturation (IVM) without FF and with 4 concentrations (1%, 5%, 10%,
and 15%) of 2 samples of FF (1 from a woman with endometriosis and one from a woman
without endometriosis). We performed 11 IV M and each FF sample was used only once. The
oocytes were then fixed, stained by immunofluorescence for morphological visualization of
microtubules, chromatin and actin microfilaments , and then, analyzed by confocal
microscopy. The percentage of abnormal MII oocytes was significantly higher for those
matured with FF from patients with endometriosis (1%: 55.56%, 5%: 63.26%, 10%: 54.54%,
15%: 48 .84%) when compared with oocytes matured with FF from patients without
endometriosis (1%: 19 .15%, 5%: 23 .44%, 10%: 25%, 15%: 23 .81%) and those matured
without FF (23.53%), with no differences among the tested concentrations in each group. We
can conclude that bovine oocytes matured in vitro in the presence of FF from infertile women
with mild endometriosis have higher frequency of meiotic abnormalities. These data suggest
that FF from women with endometriosis may compromise oocyte quality by promoting
spindle and/or chromosomal damage.
Key words: mild endometriosis; female infertility; in vitro maturation; follicular fluid;
meiotic spindle, oocyte quality.
Lista de figuras
Figura 1. Esquema de preparo das diluições a fim de manter a suplementação adequada
do meio de maturação. ..................................................................................................... pág. 38
Figura 2. Microscopia Confocal: oócitos em Metáfase I (normal e normal ................... pág. 41
Figura 3. Microscopia Confocal: oócitos em Telófase I (normal e normal). ................ pág. 42
Figura 4. Microscopia Confocal: o ócitos em Metáfase II normais, visão sagital e
polar. ................................ ................................ ................................ ................. pág. 43
Figura 5. Microscopia Confocal: oócitos em Metáfase II anormais visão sagital........... pág. 44
Figura 6. Microscopia Confocal: o ócitos em Metáfase II anormais visão sagital e
polar. ................................ ................................ ................................ ................. pág. 45
Figura 7. Microscopia Confocal: o ócitos em Metáfase II anormais visão sagital e
polar. ................................ ................................ ................................ ................. pág. 46
Lista de tabelas
Tabela 1 - Estágios de maturação nuclear (metáfase I, telófase I e metáfase II) oocitária
nos grupos Sem Fluido, Controle e Endometriose. .......................................................... pág.50
Tabela 2 – Porcentagens de oócitos em metáfase II normais e anormais nos grupos Sem
Fluido, Controle e Endometriose. ..................................................................................... pág.51
Lista de siglas
AI – Anáfase I
ASRM – American Society for Reproductive Medicine
BSA(V) – Albumina sérica bovina fração V
CA – cromossomos alinhados
CD – Cromossomos desalinhados
CG – células da granulosa
COC – Complexo cumulus-oócito
DNA – Ácido desoxirribonucléico
DTT – Ditiotreitol
FACA – Fuso anormal e cromossomos alinhados
FACD – Fuso anormal e cromossomos desalinhados FF – Fluido folicular
FITC – Fluorocromo isotiocianato
FIV – Fertilização in vitro
FMRP – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
FNCA – Fuso normal e cromossomos alinhados
FNCD – Fuso normal e cromossomos desalinhados
FP – Fluido peritoneal
FSH – Hormônio folículo estimulante
FSHr – Hormônio folículo estimulante recombinante
GnRHa – Análogo do hormônio liberador de gonadotrofinas
hCG – Gonadotrofina coriônica humana
HIV – Vírus da imunodeficiência humana
ICSI – Injeção intracitoplasmática de espermatozóide
IL-1 – Interleucina-1
IL-1β – Interleucina-1 beta
IL-6 – Interleucina-6
IL-10 – Interleucina-10
IMC – Índice de massa corporal
LH – Hormônio luteinizante
MgCl2 – Cloreto de magnésio
MHz – Mega hertz
MI – Metáfase I
MII – Metáfase II
MIV – Maturação in vitro
MTSB XF – Fixador tampão estabilizador de microtúbulos
NaCl – Cloreto de sódio
NaN3 – Azida sódica
PBS – Tampão Fosfato- salino
RA – Reprodução assistida
SFB – Soro fetal bovino
TFM – Taxa de fecundidade mensal
TI – Telófase I
TNF-α –Fator de necrose tumoral alfa
TRA – Técnicas de reprodução assistida
UI – Unidade internacional
USP – Universidade de São Paulo
USTV – Ultrassonografia transvaginal
VEGF – Fator de crescimento de endotélio vascular
Sumário
1. Introdução ........................................................................................................................... 19
Endometriose .....................................................................................................................................20
Endometriose e Infertilidade ..............................................................................................................21
Endometriose e Técnicas de Reprodução Assistida ...........................................................................23
Microambiente folicular.....................................................................................................................23
Competência oocitária .......................................................................................................................25
2. Justificativa ......................................................................................................................... 28
3. Objetivos .............................................................................................................................. 31
Objetivo Geral ....................................................................................................................................32
Objetivos Específicos ........................................................................................................................32
4. Casuística e Métodos .......................................................................................................... 33
Critérios de Inclusão ..........................................................................................................................34
Critérios de exclusão ..........................................................................................................................34
Protocolo de Estimulação ..................................................................................................................35
Coleta e processamento do fluido folicular........................................................................................36
Coleta dos complexos cumulus-oócito de bovinos ............................................................................36
Maturação in vitro ..............................................................................................................................37
Fixação dos oócitos ............................................................................................................................38
Imunofluorescência ............................................................................................................................39
Avaliação dos oócitos ........................................................................................................................39
Análise estatística ..............................................................................................................................40
5. Resultados ........................................................................................................................... 47
6. Discussão ............................................................................................................................. 52
7. Conclusões ........................................................................................................................... 59
Referências Bibliográficas ..................................................................................................... 61
ANEXOS .................................................................................................................................. 66
Anexo 1- Termos de Consentimento Livre e Esclarecido ........................................................ 67
Anexo 2- Manuscrito ................................................................................................................ 74
1. Introdução
Introdução | 20
Endometriose
A endometriose é uma doença caracterizada por implante e crescimento de tecido
endometrial (glândulas e/ou estroma) fora da cavidade uterina (GUPTA et al., 2006). Embora
assintomática em alguns casos, esta doença pode também se manifestar clinicamente, sendo
que os d iferentes sintomas apresentados variam de intensidade conforme a paciente
(BELLELIS et al., 2010). Os implantes endometriais ectópicos podem induzir à ocorrência de
reação inflamatória crônica, cicatrizes e adesões (SIGNORILE; BALDI, 2010), distorcendo a
anatomia pélvica e promovendo a ocorrência de dor, dismenorréia e dispaurenia, o que tende
a afetar o bem-estar físico, psicológico e social dessas mulheres. Além diss o, a endometriose
é freqüentemente associada à infertilidade, sendo que 30 a 50% das suas portadoras são
inférteis (BULLETTI et al., 2010).
É importante salientar que a endometriose possui alta prevalência, acometendo de 6 a
10% da população feminina geral (BULLETTI et al., 2010) , além de se r uma das maiores
causas ginecológicas de admissões hospitalares nos países industrializados. Estima-se que, em
todo o mundo, o número de mulheres com endometriose ultrapasse os 70 milhões
(BELLELIS et al., 2010) . Dessa forma, tanto por seu impacto na saúde física e psicológica
das pacientes (BULLETTI et al., 2010) , como pelo impacto sócio -econômico diante dos
custos de diagnóstico e tratamento, esta doença pode ser considerada um problema atual de
saúde pública (SIGNORILE; BALDI, 2010) e merece maior atenção.
A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva ( ASRM) classifica a endometriose
em 4 estágios, conforme a severidade da doença. A presença de focos endometrióticos
isolados e ausência de aderências significativas caracterizam o estágio I ou endometriose
mínima, sendo esta a sua forma mais branda. Lesões ectó picas superficiais, com menos de 5
cm e ausência de aderências significativas são características do estágio II ou endometriose
leve, não havendo alterações anatômicas da pelve. Presença de múltiplos implantes
Introdução | 21
endometrióticos, com aderências peritubárias e periovarianas evidentes são características do
estágio III ou endometriose moderada. Já a presença de múltiplos implantes superficiais e
profundos, incluindo endometriomas, aderências densas e firmes caracterizam o estágio IV ou
endometriose grave. (Revised American Society for Reproductive Medicine classification of
endometriosis: 1996, 1997).
Endometriose e Infertilidade
Um aspecto muito interessante em portadoras de endometriose é a sua enigmática
associação com a infertilidade, observada em grande parte das pacientes
(AGARWAL;GUPTA; SHARMA, 2005; AGARWAL;GUPTA; SIKKA, 2006; MINJAREZ;
SCHLAFF, 2000). A literatura afirma que a taxa de fecundidade mensal (TFM) para casais
normais em idade reprodu tiva corresponde a cerca de 30% nos primeiros 3 ciclos e decai a
4% após 1 ano de tentativas de gestação. Entretanto, a TFM para casais inférteis com
endometriose varia de 2 a 10% por mês, podendo mesmo a endometriose mínima estar
associada à infertilidade (GUPTA et al., 2008).
Embora estudos apoiem o conceito de diminuição de fecundidade nas portadoras desta
doença (BULLETTI et al., 2010; GARRIDO et al., 2002) e muitos mecanismos tenham sido
propostos para explicar a presença de infertilidade nestas pacientes, entre eles , defeitos
imunológicos e características al teradas do fluido peritoneal envolvendo citocinas e
macrófagos (SUZUKI et al., 2005) , os exatos mecanismos envolvidos na sua etiopatogênese,
principalmente nos casos de endometriose mínima (estágio I) e leve (estágio II), em que não
se observa alteração mecânica do trato reprodutivo, ainda não foram precisamente elucidados
(HOLOCH; LESSEY, 2010).
A infertilidade apresentada por pacientes com as formas moderada e grave de
endometriose (estágios III e IV, respectivamente) poderia ser explicada pela presença de
Introdução | 22
alterações anatômicas, como adesões pélvicas ou peritubárias que perturbariam a
comunicação entre ovário e tuba uterina e, assim, prejudicariam a liberação, captação ou
transporte do óvulo (BULLETTI et al., 2010) . Entretanto, há crescentes evidências de que
lesões sutis ou implantes endometrióticos em estágios iniciais (est ágios I e II ) também
poderiam contribuir com a etiopatogênese da infertilidade , apesar da ausência de danos
anatômicos pélvicos. (HOLOCH; LESSEY, 2010).
De acordo c om D’Hooghe et al (2003) , parece haver uma relação causal entre a
presença de endometriose nas formas leves e a ocorrência de subfertilidade nas suas
portadoras. Alguns autores relatam uma tendência à taxa de fecundidade mensal estar
diminuída em mulheres inférteis com endometriose mínima e leve, em comparação com
mulheres com infertilidade sem causa aparente. Além disso, há evidências de menor TFM
após a inseminação uterina de mulheres com endometriose mínima e leve em comparação
com aquelas sem a doença, bem como, de um aumento na TFM e taxa cumulativa de gravidez
após remoção cirúrgica dos focos de endometriose mínima e leve (D'HOOGHE et al., 2003) .
Entretanto, há controvérsias a respeito da associação entre endometriose mínima (estágio I) e
infertilidade. Segundo Matorras et al (2010), as taxas de gestação são semelhantes quando
comparadas mulheres normais e mulheres com endometriose mínima (MATORRAS et al.,
2010). Além disso, alguns autores sugerem que a forma mínima da doença possa estar
presente em grande parte das mulheres, porém, sem a maioria delas apresentar efeitos sobre a
fertilidade (HOLOCH; LESSEY, 2010) . Diante destes dados, poderia -se conferir maior
atenção à endometriose leve, a fim de se elucidar os mecanismos envolvidos na sua relação
com a infertilidade.
Introdução | 23
Endometriose e Técnicas de Reprodução Assistida
Novas abordagens para o tratamento da infertilidade relacionada à endometriose têm
surgido, destacando -se a aplicação cada vez mais rotineira das técnicas de reprodução
assistida (TRA) de alta complexidade, sendo que seus resultados podem ser utilizados como
importante ferramenta para o entendimento da etiopatogênese envolvida nesta doença. A
literatura apresenta dados contraditórios acerca dos resultados da fertilização in vitro (FIV)
em pacientes com endometriose, o que vem sendo foco de diversos estudos e hipóteses nos
últimos anos (GARCIA-VELASCO; ARICI, 1999; GARRIDO et al., 2000; KUMBAK et al.,
2008). Trabalhos sugerem a ocorrência de menores taxas de fertilização, implanta ção e de
gestação em portadoras dessa afecção (AL-FADHLI et al., 2006;
BARNHART;DUNSMOOR-SU; COUTIFARIS, 2002) , o que poderia ser decorrente do
comprometimento da qualidade oocitária e, conseqüentemente, embrionária e/ou de defeitos
endometriais ou da interação entre o endométrio e o embrião (BRIZEK et al., 1995;
KUMBAK et al., 2008; PELLICER et al., 1995) . Assim, o comprometimento da qualidade
embrionária poderia ser decorrente tanto de defeitos relacionados à foliculogênese e qualidade
oocitária, como de eventos posteriores à fertilização (GUERIN;EL MOUATASSIM;
MENEZO, 2001).
Microambiente folicular
Os fluidos peritoneal, folicular e de hidrossalpinge são microambientes reprodutivos
que abrigam gametas, zigotos e embriões por tempo variável, de modo que alterações em sua
composição química podem ter efeitos adversos nos processos reprodutivos.
(AGARWAL;GUPTA; SHARMA, 2005)
O microambiente folicular pode ter um papel crítico na qualidade oocitária,
fertilização e desenvolvimento embrionário. Sabe -se que o fluido folicular, que mantém
Introdução | 24
íntima relação com o oócito durante a fase de crescimento e matur ação celular, constitui um
microambiente metabolicamente ativo, contendo hormônios esteróides, fatores de
crescimento, citocinas, espécies reativas, antioxidantes, entre outros, produzidos pelas células
da granulosa, células endoteliais e leucócitos (ATTARAN et al., 2000; PASQUALOTTO et
al., 2004).
Diferentes estudos avaliando os níveis de constituintes dos fluidos peritoneal
(BERBIC et al., 2009; GUPTA et al. , 2008; MANSOUR et al., 2009; MANSOUR et al.,
2010) e f olicular (ANDRADE et al., 2010; JO ZWIK;WOLCZYNSKI; SZAMATOWICZ,
1999; PELLICER et al., 1998; PELLICER et al., 1998) apontam à existência de alterações em
pacientes com endometriose. Segundo Bulletti et al (2010), mulheres com a doença possuem
um maior volume de fluido peritoneal, com altas concentrações de macrófagos ativados,
prostaglandinas, interleucina-1 ( IL-1), Fator de necrose tumoral alfa ( TNF-α) e proteases,
podendo ter efeito adverso na função oocitária, do espermatozóide, embrião, ou trompa de
falópio (BULLETTI et al., 2010). Outros estudos evidenciaram diferenças em constituintes do
fluido folicular, como aumento dos níveis de interleucina-6 ( IL-6), interleucina-10 ( IL-10),
interleucina-1 beta (IL-1β), TNF-α e diminuição de fator de crescimento de endotélio vascular
(VEGF) quando comparadas portadoras de endometriose e controles (GARRIDO et al., 2000;
GUPTA et al., 2008; PASQUALOTTO et al., 2004; WUND ER et al., 2005) . Entretanto, a
maioria dos autores não faz distinção entre os estágios de endometriose, o que impossibilita
uma avaliação precisa do papel da progressão da doença sobre a infertilidade.
Questionamos a possibilidade de ocorrência de alguma alteração no microambiente
folicular de pacientes inférteis com endometriose, que poderia afetar a aquisição de
competência oocitária (AGARWAL;GUPTA; SIKKA, 2006; BARCELOS et al., 2009;
FERREIRA et al., 2009) e, consequentemente, comprometer a fertilidade natural e os
resultados dos tratamentos de reprodução assistida em mulheres com esta doença
Introdução | 25
(AGARWAL;SALEH; BEDAIWY, 2003; A L-FADHLI et al., 2006;
BARNHART;DUNSMOOR-SU; COUTIFARIS, 2002).
Competência oocitária
O fuso meiótico de oócitos humanos em metáfase II (MII) é uma estrutura temporária
e dinâmica, em forma de barril, composta por microtúbulos formados por dímeros de tubulina
que se polimerizam e despolimeriz am nos diversos estágios do ciclo celular (CHOI et al.,
2007) e está associada ao córtex oocitário e s ua rede de microfilamentos subcorticais (KIM et
al., 1998; MANDELBAUM et al., 2004; WANG; KEEFE, 2002) , sendo essencial para
garantir a fidelidade da segregação cromossômica durante a meiose (DE SANTIS et al., 2005;
VAN BLERKOM; DAVIS, 2001; VOLARCIK et al., 1998) . Desta forma, a fecundação e o
desenvolvimento embrionário depe ndem da integridade morfológica e funcional desta
estrutura celular.
Além disso, o fuso é extremamente sensível à ação de diversos fatores
(EICHENLAUB-RITTER;SHEN; TINNEBERG, 2002; HU et al., 2001; MULLEN et al.,
2004), entre os quais o estresse oxidativo, passível de promover anomalias meióticas,
instabilidade cromossômica, aumento da apoptose e comprometimento do desenvolvimento
embrionário pré-implantação (LIU et al., 2003; NAVARRO et al., 2006; NAVARRO;LIU;
KEEFE, 2004) . Estudos avaliando os potenciais mecanismos envolvidos na gênese das
alterações do fuso celular relacionadas ao estresse oxidativo, evidenciaram que o mesmo pode
danificar diversas prot eínas intracelulares (BERLETT; STADTMAN, 1997; STADTMAN,
1992), algumas das quais, importantes para a organização do fuso celular (ABRIEU et al.,
2001; ANTONIO et al., 2000; FUNABIKI; MURRAY, 2000) podendo promover lesões no
DNA e induzir o inadequado alinhamento cromossômico (BECKMAN; AMES, 1998;
LIMOLI et al., 1998).
Introdução | 26
As anomalias meióticas podem, por sua vez, contribuir para a falência do
desenvolvimento celular por meio de diferentes vias, que vão desde a inabilidade do oócito
em completar a maturação, tornando -se incapaz de ser fertilizado, até a ocorrência de erros
que não impossibilitem a fertilização, mas comprometam o desenvolvimento embrionário pré
e/ou pós -implantação, bem como a viabilidade futura do concepto (ARMSTRONG, 2001;
LONERGAN et al., 1994; PAVLOK;LUCAS-HAHN; NIEMANN, 1992).
Um estudo de Mansour et al (2009) demonstrou que o fluido peritoneal de mulheres
com endometriose pode promover anomalias nos microtúbulos e cromossomos de oócitos de
camundongos, além de aumento da apoptose embrionária n este modelo animal. Estas
anomalias foram reduzidas após suplementação do meio de cultivo com L-carnitina, um
antioxidante, sugerindo que substâncias presentes no fluido peritoneal de portadoras desta
doença promovem comprometimento da qualidade oocitária e embrionária, tendo o estresse
oxidativo como provável mediador (MANSOUR et al., 2009). Recentemente, o mesmo grupo
publicou novo trabalho avaliando o efeito do FP de mulheres com endometriose sobre o
citoesqueleto de oócitos de camundongos em MII, sendo novamente encontrada uma maior
freqüência de fuso meiótico anormal e cromossomos de salinhados em oócitos incubados com
fluido destas pacientes, quando comparadas a controles. Além disso, o dano ao citoesqueleto
oocitário foi positivamente correlacionado com a duração da infertilidade e o estágio da
doença (MANSOUR et al., 2010) . Estes achados sugerem haver alterações no FP de
portadoras de endometriose, as quais estariam comprometendo a qualidade oocitária, podendo
o estresse oxidativo ter participação neste processo.
Embora haja trabalhos avaliando o efeito do FP de mulheres com endometriose sobre
a qualidade oocitária (MANSOUR et al., 2009; MANSOUR et al., 2010) e dosando diferentes
componentes em soro, FF ou FP de pacientes com a doença, não encontramos nenhum estudo
que tenha avaliado o efeito do fluido folicular de mulheres inférteis com endometriose leve na
Introdução | 27
gênese de anomalias meióticas oocitárias. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi avaliar o
potencial impacto de diferentes concentrações de fluido folicular de mulheres inférteis com e
sem endometriose sobre a gênese de anomalias meióticas oocitárias, durante maturação in
vitro (MIV), utilizando modelo experimental bovino.
2. Justificativa
Justificativa | 29
A endometriose, doença caracterizada por implante e cr escimento de tecido
endometrial fora da cavidade uterina (GUPTA et al., 2006) , apresenta elevada prevalência
populacional (BULLETTI et al., 2010) . Entre suas manifestações clínicas mais
freqüentemente relacionadas, destaca -se a infertilidade, presente em 30 a 50% das su as
portadoras (BULLETTI et al., 2010) , as quais parecem ter uma menor taxa de fecundidade
mensal em ciclos naturais (GUPTA et al., 2008) e piores resultados de FIV em tratamentos de
reprodução assistida (AL-FADHLI et al., 2006; BARNHART;DUNSMOOR -SU;
COUTIFARIS, 2002) quando comparadas a mulheres sem a doença.
Alterações anatômicas parecem estar relacionadas à infertilidade em pacientes com as
formas graves de endometriose (BULLETTI et al., 2010) , porém, em casos de doença leve,
sem alterações anatômicas pélvicas , os mecanismos envolvidos na sua etiopatogênese ainda
não foram precisamente elucidados (HOLOCH; LESSEY, 2010).
Embora haja trabalhos avaliando o efeito do FP de mulheres com endometriose sobre
a qualidade oocitária (MANSOUR et al., 2009; MANSOUR et al., 2010) e dosando diferentes
componentes em soro, FF ou FP de pacientes com a doença, n ão encontramos nenhum estudo
que tenha avaliado o potencial impacto do fluido folicular de mulheres inférteis com
endometriose leve na gênese de anomalias meióticas oocitárias.
A observação de maior incidência de anomalias meióticas em oócitos incubados com
fluido folicular de mulheres inférteis com endometriose leve poderia colaborar com a
elucidação dos mecanismos envolvidos na etiopatogênese da infert ilidade relacionada a este
estágio da doença, assim como, sugerir uma possível justificativa, ao menos parcial, para as
menores taxas de implantação observadas neste grupo de mulheres , abrindo perspectivas para
novas abordagens terapêuticas.
Diante do número reduzido de oócitos huma nos destinados à pesquisa, a
experimentação com animais torna -se relevante em estudos de maturação in vitro. Dessa
Justificativa | 30
forma, o uso de modelo experimental bovino neste estudo se justifica pela similaridade no
tamanho e morfologia dos ovários humano e bovino, por ambas as espécies serem
monovulatórias e policíclicas e por ser um material abundante, barato, de fácil manipulação
(MALHI;ADAMS; SINGH, 2005).
3. Objetivos
Objetivos | 32
Objetivo Geral
Avaliar o potencial impacto de diferentes concentrações (15%, 10%, 5%, 1%) de fluido
folicular de mulheres inférteis com endometriose leve e sem endometriose submetidas à
estimulação ovariana controlada para a realização de injeção intracitoplasmática de
espermatozóide (ICSI) sobre a integridade do fuso celular , a distribuição cromossômica e a
organização dos microfilamentos de actina oocitários, em modelo experimental bovino.
Objetivos Específicos
1. Comparar o grau de maturidade nuclear oocitária (estágios da Meiose) entre as diferentes
concentrações de fluido folicular dentro de cada grupo (endometriose leve e controle).
2. Comparar o grau de maturidade nuclear oocitária (estágios da Meiose) de cada
concentração de fluido folicular entre os grupos endometriose, controle e sem fluido.
3. Comparar a integridade do fuso celular, o alinhamento cromossômico e a organização dos
microfilamentos de actina oocitários entre as diferentes concentrações de fluido folicular
dentro de cada grupo (endometriose leve e controle).
4. Comparar a integridade do fuso celular, o alinhamento cromossômico e a organização dos
microfilamentos de actina oocitários de cada concentração de fluido f olicular entre os
grupos endometriose leve, controle e sem fluido.
4. Casuística e Métodos
Casuística e Métodos | 34
Realizou-se um estudo prospectivo de fevereiro de 2009 a fevereiro de 2011 junto ao
Setor de Reprodução Humana do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da FMRP -USP.
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), Universidade de São Paulo (USP) e pela
Comissão de Ética em Experimentação Animal da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
(FMRP), Universidade de São Paulo (USP). As pacientes que preencheram os critérios de
inclusão e manifestaram o desejo de participar do projeto e concordaram em ceder amostras de
fluido folicular, assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (Anexo 1) previamente
à inclusão no estudo.
Critérios de Inclusão
No grupo endometriose, foram selecionadas pacientes com infertilidade associada à
endometriose diagnosticada e classificada por videolaparoscopia (segundo os critérios da
American Society for Reproductive Medicine, 1997), com estadiamento da doença definid o
como grau II (endometriose leve). No grupo controle, incluíram-se pacientes apenas com
infertilidade por fator masculino e/ou tubário. Todas as pacientes do grupo controle foram
submetidas à videolaparoscopia diagnóstica como procedimento de rotina para investigação da
infertilidade conjugal, sendo excluída a presença de endometriose.
Critérios de exclusão
Foram critérios de exclusão: idade maior ou igual a 38 anos, índice de massa corporal
(IMC) maior que 30 Kg/m², nível sérico de hormônio folículo estimulante (FSH) no terceiro dia
do ciclo menstrual maior ou igual a 10mUI/ml, anovulação crônica, presença de hidrossalpinge
e doenças crônicas como diabetes m ellitus ou outras endocrinopatias, doença cardiovascular,
Casuística e Métodos | 35
dislipidemia, lupus eritematoso sistêmico e outras doenças reumatológicas, infecção pelo vírus
HIV, qualquer infecção ativa, tabagismo, uso constante de medicações hormonais e de
antiinflamatórios hormonais e não-hormonais nos seis meses anteriores à inclusão no estudo.
Protocolo de Estimulação
Com o objetivo de sincronizar e programar o início do ciclo de estimulação ovariana
controlada utilizou-se a programação da menstruação, que consiste em se administrar diariamente
anticoncepcionais orais combinados, iniciados no período menstrual do ciclo precedente até cinco
dias antes do previsto para o início da estimulação ovariana, suspendendo sua administração de tal
forma que o início do sangramento menstrual coincida com a realização da ultrassonografia
transvaginal (USTV) basal para se observar o padrão endometrial e afastar a presença de cistos
ovarianos que pudessem interferir na resposta à administração das gonadotrofinas exógenas e na
monitorização ultrassonográfica do crescimento folicular.
O bloqueio hipofisário com análogo do hormônio libera dor de gonadotrofinas
(GnRHa) foi iniciado 10 dias antes do dia de realização da USTV basal (protocolo longo), no
período vespertino, por meio da administração de acetato de leuprolide (Lupron®, Abott,
Brasil; Reliser®, Serono, Brasil) na dose de 0,5mg/di a (10 UI), por via subcutânea, mantida
durante todo o período de estimulação ovariana controlada até o dia da administração da
gonadotrofina coriônica humana (hCG) (Ovidrel®, Serono, Brasil).
A hiperestimulação ovariana controlada foi iniciada entre o segu ndo e o quarto dia do
ciclo menstrual. As pacientes receberam 150 a 300 UI por dia de FSH recombinante (FSHr)
(Gonal-F®, Serono, Brasil; Puregon®, Organon, Brasil), via intramuscular, nos primeiros 6
dias da indução. A partir do sétimo dia da indução da ov ulação, a dose foi ajustada de acordo
com o crescimento folicular e a espessura endometrial, monitorados com USTV diariamente
ou em dias alternados.
Casuística e Métodos | 36
Na presença de, pelo menos, dois folículos com 18 mm de diâmetro médio, foram
administrados 250 µg de hCG r ecombinante (Ovidrel®, Serono, Brasil) às 22:00. A captação
dos oócitos foi realizada 34 a 36h após a administração do hCG recombinante.
Coleta e processamento do fluido folicular
Cerca de 34 a 36 horas após a administração do hCG, as pacientes foram submetidas à
captação oocitária, sob sedação endovenosa com propofol. A aspiração folicular foi realizada por
meio de ultra-sonografia com transdutor transvaginal de 5 MHz, acoplado a guia de punção.
Para a coleta de fluido folicular, utilizaram -se tubos estéreis, individuais, aquecidos a
37°C, sem meio de cultura. Foi aspirado todo o conteúdo do primeiro folículo com diâmetro
médio ≥ 15 mm do primeiro ovário puncionado de cada paciente. Apenas os f luidos
foliculares livres de contaminação sanguínea à inspeção visual e que apresentaram células da
granulosa (CG) ou células da granulosa e um oócito maduro foram selecionados para o
trabalho. Desta forma, não foram incluídas no estudo amostras de fluido folicular contaminadas com
sangue ou meio de cultivo, ou que não continham CG e/ou oócitos maduros.
As amostras de fluido foram centrifugadas a 1500 rpm por 7 minutos e armazenadas a -
80°C, em tubo individual, para posterior utilização nos experimentos.
Coleta dos complexos cumulus-oócito de bovinos
Os ovários, provenientes de vacas abatidas em frigorífico, foram imediatamente
transportados ao laboratório, mantidos em solução fisiológica (0,9% NaCl) acrescida de 0,05
g/L de sulfato de estreptomicina, a u ma temperatura de 35 -38,5°C. Posteriormente, foram
borrifados com álcool 70%, lavados em solução fisiológica pré -aquecida a 38,5ºC e mantidos
nesta mesma solução, em banho-maria, até o final da aspiração. Os complexos cumulus-oócito
Casuística e Métodos | 37
(COC) imaturos foram aspirados de folículos de 2 a 8 mm de diâmetro, utilizando -se agulhas
25 x 7 acopladas a seringas de 20ml e, então, sele cionados sob estereomicroscópio em placas
de Petri de 100 mm contendo o meio de lavagem Talp Hepes. Para o cultivo in vitro, somente
os COCs morfologicamente saudáveis foram selecionados, ou seja, aqueles com citoplasma
homogêneo e pelo menos três camadas de células do cumulus-oophorus.
Maturação in vitro
Utilizou-se o meio de maturação padrão TCM -199 com sais Earle e bicarbonato
(Invitrogen, Gibco Laboratories Life Techonogies Inc., Grand Island, NY), suplementado com
0,2 µM de piruvato, 100 UI/ml de Penicilina, 0,1 mg/ml de Estreptomicina, 0,5 µg/ml de
FSH, 5,0 µg/ml de LH e 10% de Soro Fetal Bovino (SFB) (FERREIRA et al., 2009).
A fim de manter a concentração adequada de suplementação após a adição de fluido
folicular, eliminando-se, assim, o efeito da diluição d os suplementos, optou-se por preparar
um TCM 15% mais concentrado, ao qual, de acordo com cada diluição, foi adicionado fluido
folicular e/ou meio TCM filtrado não suplementado, conforme esquema apresentado na figura
1.
Imediatamente após a seleção, os COCs foram randomicamente divididos em 9
grupos: 1) COC s cultivados em meio padrão (sem suplementação de fluido folicular); 2)
COCs cultivados em meio padrão + fluido folicular de mulheres com endometriose leve nas
concentrações 15%, 10%, 5% e 1%; 3) COC s cultivados em meio padrão + fluido folicular
das pacientes controle nas c oncentrações 15%, 10%, 5% e 1%. O cultivo foi feito em placas
Nunc de 24 poços , em um volume total de 200 µl de meio ou meio acrescido de fluido
folicular, sem óleo mineral, a 38,5°C, 95% de umidade, 5% de CO 2 em ar, por um período de
22 a 24 horas. Após a maturação, os oócitos foram desnudados por agitação mecânica, em
meio tamponado Talp Hepes.
Casuística e Métodos | 38
Figura 1. Esquema de preparo das diluições a fim de manter a concentração adequada de
suplementação após a adição de fluido folicular.
Fixação dos oócitos
Ocorrido o desnudamento, os oócitos foram colocados em solução fixadora MTSB
XF, composta por 1X de Tampão E stabilizador (0,1M de Pipes, 5mM de MgCl 2 e 2,5mM de
EGTA), 50% de Óxido de Deutério, 0,01% de Aprotinina de pulmão bovino, 1 mM de DTT,
1 μM de Taxol, 0,5% de Triton -X, 2% de Formaldeído e água de MilliQ, aquecida
previamente por 30 minutos em estufa a 37°C, permanecendo nesta solução a 4°C até o
processamento da imunofluorescência e confecção das lâminas.
Casuística e Métodos | 39
Imunofluorescência
Os oócitos previamente fixados foram lavados em solução tampão composta por 0,02% de
NaN3, 0,01% de Triton -X, 0,2% de leite desnatado, 2% de Soro Normal de Cabra, 0,1M de
Glicina, 2% de BSA(V) e tampão PBS, onde permaneceram a 4°C overnight. Passado esse
período, foram novamente lavados em solução tampão e incubados overnight, a 4°C, com o
anticorpo primário anti-β-tubulina de camundongo (diluição 1:1000). Após nova lavagem em
solução tampão, foram incubados com o anticorpo secundário imunoglobulina de cabra a nti-
camundongo conjugada com Fluoresceína isotiocianato (FITC) (Zymed Laboratories, Invitrogen
Corporation, Calsbad, CA, USA, diluição 1:500) por 2 horas a 37°C. Depois de lavadas, as
amostras foram marcadas para os filamentos de actina com faloidina conj ugada a rodamina
(1:1000), lavadas novamente e, então, os cromossomos foram marcados com Hoechst 33342 (10
µg/ml), em meio de montagem composto por 50% de glicerol e 25 mg/ml de NaN3, durante 10
minutos, à temperatura ambiente e montados entre lâmina e lamínula.
As lâminas foram estocadas a 4°C até observação em Microscópio Confocal Leica
TCS SP5 (Leica Microsystems, Mannheim, Germany), sendo 7 dias o intervalo máximo entre
a confecção e a leitura das mesmas.
Avaliação dos oócitos
Os oócitos visualizados foram, primeiramente, classificados quanto à fase da divisão
meiótica em que se encontravam : metáfase I (MI - Figura 2), anáfase I (AI), telófase I ( TI -
Figura 3) ou metáfase II (MII – Figuras 4, 5, 6 e 7). Posteriormente, aqueles em MII foram
classificados quanto à posição de visualização do fuso meiótico, sendo considerados fusos
analisáveis apenas aqueles em visão sagital, permitindo avaliação global de fuso ,
cromossomos e microfilamentos de actina (Figura 4A e 4B). Aqueles em visão polar foram
considerados não analisáveis devido à impossibilidade de avaliação dos microtúbulos, tendo
Casuística e Métodos | 40
apenas os cromossomos e microfilamentos de actina analisados (Figura 4C e 4D). Os oócitos
considerados analisáveis foram avaliados quan to à integridade do fuso (microtúbulos),
alinhamento e condensação dos cromossomos e organização dos microfilamentos de actina ,
enquanto os não analisáveis foram avaliados apenas quanto ao alinhamento e condensação
dos cromossomos e organização dos microfilamentos de actina.
Considerou-se o fuso como normal quando em forma de barril, com pólos definidos e
tamanho adequado (Figura 4A e 4B), e anormal quando desorganizado, com tamanho e forma
anormais, integridade comprometida e/ou pólos não -definidos (Figuras 5, 6 e 7 ). Os
cromossomos foram considerados normais quando alinhados na placa metafásica (Figura 4) e
anormais quando desalinhados ( Figuras 5, 6 e 7 ). Os microfilamentos de actina foram
considerados normais quando distribuídos homogeneamente no citoplasma oocitário (Figura
4) e anormais, quando superconcentrados na região do fuso (Figuras 7A e 7D).
Os fluidos foliculares utilizados nas maturações in vitro foram provenientes de 22
pacientes inférteis, sendo 11 com endometriose leve e 11 com fator masculino e/ou tubário.
Análise estatística
As análises foram realizadas pelo procedimento GENMOD do programa estatístico
SAS 2003 (2002-2003, SAS Institute Inc., Cary, NC, USA).
Para comparação inter e intra -grupos das variáveis de contagem (oócitos em MI, TI e
MII, actina normal) considerou-se a Distribuição de Poisson.
Para comparação inter e intra-grupos das variáveis de porcentagem (proporção de fuso
normal e cromossomos alinhados, fuso normal e cromossomos desalinhados, fuso anormal e
cromossomos desalinhados, fuso anormal e cromossomos alinhados, cromossomos alinhados,
cromossomos desalinhados, total de normais e total de anormais) utilizou-se a Distribuição Gama.
Foi considerado significativo p<0,05.
Casuística e Métodos | 41
Figura 2. Imagens de microscopia confocal evidenciando microtúbulos (verde), cromossomos
(azul) e microfilamentos de actina (ver melho), em oócitos bovinos em Metáfase I. A -
Metáfase I normal (visão polar). B - Metáfase I anormal (visão polar). C - Metáfase I normal (visão
sagital). D- Metáfase I anormal (visão sagital).
Casuística e Métodos | 42
Figura 3. Imagens de microscopia confocal evidenciando microtúbulos (verde), cromossomos (azul) e
microfilamentos de actina (vermelho), em oócitos bovinos em Telófase I. A e C - Telófase I normal .
B e D- Telófase I anormal.
Casuística e Métodos | 43
Figura 4. Imagens de microscopia confocal evidenciando microtúbulos (verde), cromossomos (azul) e
microfilamentos de actina (vermelho), em oócitos bovinos em Metáfase II normal.A e B: Fuso normal
e cromossomos alinhados (visão sagital). C e D: Cromossomos alinhados (visão polar).
A e C: Telófase I normal. B e D: Telófase I anormal.
Casuística e Métodos | 44
Figura 5. Imagens de microscopia confocal evidenciando microtúbulos (verde), cromossomos (azul) e
microfilamentos de actina (vermelho), em oócitos bovinos em Metáfase II anormal. A-D: Fuso
anormal e cromossomos desalinhados (visão sagital).
Casuística e Métodos | 45
Figura 6. Imagens de microscopia confocal evidenciando microtúbulos (verde), cromossomos (azul) e
microfilamentos de actina (vermelho), em oócitos bovinos em Metáfase II anormal. A e C:
Cromossomos desalinhados / anormais (visão polar). B: Fuso anormal e cromossomos alinhados
(visão sagital). D: Fuso anormal e cromossomos desalinhados (visão sagital).
B
Casuística e Métodos | 46
Figura 7. Imagens de microscopia confocal evidenciando microtúbulos (verde), cromossomos (azul) e
microfilamentos de actina (vermelho), em oócitos bovinos em Metáfase II anormal. A: Fuso anormal,
cromossomos desalinhados e actina anormal (visão sagital). B: Fuso an ormal, cromossomos alinhados
(visão sagital). C: Cromossomos anormais (visão polar). D: actina anormal, cromossomos anormais
(visão polar).
5. Resultados
Resultados | 48
Os resultados obtidos são apresentados nas tabelas 1 e 2.
Um total de 1324 complexos cummulus-oócito foram maturados in vitro,
randomicamente divididos entre os 9 grupos ( sem fluido, FF controle nas concentrações 1%,
5%, 10% e 15% e FF endometriose nas concentrações 1%, 5%, 10% e 15%). Deste total, 1128
foram fixados e 1038 visualizados em microscopia confocal. Um total de 921 oócitos foi
classificado em MII, sendo 466 considerados com fuso analisável (visão sagital) e 455 com
fuso não-analisável (visão polar, apenas avaliação de cromossomos e actina).
Não houve diferença significativa para nenhuma das variáveis analisadas quando
comparadas as concentrações de fluido folicular de mulheres com endometriose entre si. Da
mesma forma, não se encontrou diferença significativa para nenhuma das variáveis analisadas
quando comparadas as concentrações de fluido folicular de pacientes controles entre si
(Tabelas 1 e 2).
Com relação ao estágio de maturação, não foi observada diferença significativa no
total de oócitos em TI, MI e MII entre os grupos endometriose, controle e sem fluido, bem
como, não houve diferença significativa entre os grupos quanto à porcentagem de oócitos
normais nos estágios MI e TI (Tabela 1).
Não se encontrou oócitos em AI em nenhum dos grupos estudados.
Daqueles em estágio de MII, quando considerados conjuntamente os oócitos
analisáveis e não analisáveis ( em visão sagital e visão polar, respectivamente), não houve
diferença significativa na s porcentagens de normalidade (fuso normal + cromossomos
alinhados e cromossomos alinhados) entre os grupos endometriose, controle e sem fluido
(Tabela 2).
Quando considerados apenas os oócitos MII analisáveis (visão sagital), foi encontrado
maior percentual de anormalidades meióticas (fuso anormal + cromossomos alinhado s, fuso
anormal + cromossomos desalinhados, fuso normal + cromossomos desalinhados) nos oócitos
Resultados | 49
maturados em meio padrão acrescido de fluido folicular de mulheres com endometriose leve
quando comparados aos maturados em meio padrão acrescido de fluido foli cular de mulheres
controle e àqueles maturados sem adição de fluido (p<0,01). Consequentemente, houve uma
maior porcentagem de fuso + distribuição cromossômica normais entre os oócitos do grupo
controle com relação aos do grupo endometriose , entretanto, se m apresentar diferença
significativa para o grupo sem fluido (p<0,01). Da mesma forma, encontrou-se
significativamente maior porcentagem de oócitos com fuso e distribuição cromossômica
normais entre os maturados em meio padrão (sem fluido) quando comparado s aos maturados
em meio padrão acrescido de fluido folicular de mulheres com endometriose leve (p<0,01).
(Tabela 2)
Não foi encontrada diferença significativa na distribuição cromossômica normal de
oócitos em visão polar entre nenhum dos grupos estudados ( Tabela 2) . A análise das
anormalidades dos oócitos em visão polar (CD) não convergiu devido ao pequeno número de
ocorrências.
Não foi encontrada diferença significativa para a organização dos microfilamentos de
actina entre os grupos.
Resultados | 50
Tabela1 – Estágios de maturação nuclear (metáfase I, telófase I e metáfase II) oocitária nos grupos Sem Fluido, Controle e Endometriose.
Concentração FF (%) Total Oócitos fixados (n) Total oócitos
visualizados (n)
Metáfase I Telófase I Metáfase II
Total Normal n (%) Total Normal
n (%) Total
Sem
Fluido
0 119 115 9 (7,82) 7 (77,78) 6 (5,22) 5 (83,34) 100 (86,96)
FF Controle
1 129 117 6 (5,12) 6 (100) 4 (3,42) 2 (50) 107 (91,46)
5 133 118 4 (3,38) 4 (100) 1 (0,85) 1 (100) 113 (95,77)
10 126 119 13 (10,92) 8 (61,54) 5 (4,20) 4 (80) 101 (84,88)
15 124 111 6 (5,40) 4 (66,67) 4 (3,60) 2 (50) 101 (91)
FF Endometriose
1 125 115 12 (10,43) 8 (66,67) 2 (1,74) 1 (50) 101 (87,83)
5 124 113 16 (14,16) 8 (50) 1 (0,088) 0 96 (84,96)
10 125 118 13 (11,01) 11 (84,62) 2 (1,70) 2 (100) 103 (87,29)
15 123 112 9 (8,03) 6 (66,67) 4 (3,58) 3 (75) 99 (88,39)
Nota. Não houve diferença significativa entre os grupos. Nível de significância de 5%.
Resultados | 51
Tabela 2 – Porcentagens de oócitos em metáfase II normais e anormais nos grupos Sem Fluido, Controle e Endometriose.
Concentração FF (%) Total de MII
Analisáveis Não Analisáveis
Total
n (%)
Normais Anormais n (%)
Total
n (%)
Normais Anormais
FNCA
n (%)
Total
n (%)
FACA
n (%)
FACD
n (%)
FNCD
n (%)
CA
n (%)
CD
n (%)
Sem
Fluido
0 100 51 (51) 39 (76,47) 12 (23,53) 3 (25) 6 (50) 3 (25) 49 (49) 49 (100) 0
FF Controle 1 107 47 (43,93) 38 (80,85) 9 (19,15) 3 (33,33) 6 (66,67) 0 60 (56,07) 59 (98,33) 1 (1,67)
5 113 64 (56,64) 49 (76,56) 15 (23,44) 6 (40) 8 (53,34) 1 (6,66) 49 (43,36) 48 (97,96) 1 (2,04)
10 101 60 (59,40) 45 (75) 15 (25) 6 (40) 7 (46,67) 2 (13,33) 41 (40,60) 40 (97,56) 1 (2,44)
15 101 63 (62,38) 48 (76,19) 15 (23,81) 8 (53,34) 6 (40) 1 (6,66) 38 (37,62) 38 (100) 0
FF Endometriose
1 101 45 (44,55) 20 (44,44) 25 (55,56) 9 (36) 15(60) 1 (4) 56 (55,45) 52 (92,56) 4 (7,14)
5 96 49 (51,04) 18 (36,74) 31 (63,26) 17 (54,84) 14 (45,16) 0 47 (48,96) 45 (95,75) 2 (4,25)
10 103 44 (42,72) 20 (45,46) 24 (54,54) 12 (50) 12(50) 0 59 (57,28) 59 (100) 0
15 99 43 (43,43) 22 (51,16) 21 (48,84) 11 (52,38) 9 (42,85) 1 (4,77) 56 (56,57) 55 (98,21) 1 (1,79)
Nota. Analisáveis: oócitos com fuso em visão sagital. Não analisáveis: oócitos com fuso em visão polar. FNCA: fuso normal e cromossomos alinhados.
FACA: fuso anormal e cromossomos alinhados. FACD: fuso anormal e cromossomos desalinhados. FNCD: fuso normal e cromossomos de salinhados. CA:
cromossomos alinhados. CD: cromossomos desalinhados.
p<0,01 quando comparados FNCA e total de anormais entre os grupos Controle e Endometriose e entre os grupos Sem Fluido e Endo metriose nas
concentrações 1%, 5%, 10% e 15%. A análise dos CD não convergiu.
6. Discussão
Discussão | 53
A endometriose é uma doença caracterizada por implante e crescimento de tecido
endometrial ectópico (GUPTA et al., 2006) , destacando-se a infertilidade como uma de suas
manifestações clínicas mais freqüentes (BULLETTI et al., 2010) . Entretanto, os mecanismos
envolvidos na sua etiopatogênese, principalmente nos casos de doença mínima e leve , ainda
não foram precisamente elucidados (HOLOCH; LESSEY, 2010). Sendo o ambiente folicular
extremamente importante para o processo de ma turação oocitária, possíveis alterações nos
componentes do fluido folicular podem ter influência sobre maturidade e qualidade oocitárias
e, assim, afetar fertilização, desenvolvimento embrionário inicial e taxas de gestação (MA et
al., 2010), o que poderia explicar, parcialmente, a infertilidade e os piores resultados nos TRA
apresentados por mulheres com endometriose.
Embora haja trabalhos reportando o efeito do fluido peritoneal de mulheres com
endometriose sobre a qualidade oocitária (MANSOUR et al., 2009; MANSOUR et al., 2010)
e diferenças nos níveis de componentes em soro (ANDRADE et al., 2010; CAMPOS
PETEAN et al., 2008; JACKSON et al., 2005) , fluido folicular (ATTARAN et al., 2000;
BEDAIWY et al., 2007; CAMPOS PETEAN et al., 2008; GARRIDO et al., 2000;
PASQUALOTTO et al., 2004; WIENER -MEGNAZI et al., 2004) ou fluido peritoneal
(BULLETTI et al., 2010; FUJII;NAKAYAMA; NAKAGAWA, 2008; GUPTA et al., 2008;
MINICI et al., 2008) de pacientes com a doença, não se encontrou nenhum estudo que tenha
avaliado o efeito do fluido folicular de mulheres inférteis com endometriose sobre fuso ,
cromossomos e microfilamentos de actina oocitários. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi
avaliar o potencial impacto de diferentes concentrações de fluido folicular de mulheres
inférteis com e sem endometriose sobre a gênese de anomalias meióticas oocitárias, durante
maturação in vitro (MIV), utilizando modelo experimenta l bovino. Diante da inconsistência
dos dados relacionando endometriose mínima e infertilidade (HOLOCH; LESSEY, 2010;
Discussão | 54
MATORRAS et al., 2010) , o presente estudo restringiu -se a apenas avaliar o efeito do fluido
folicular de mulheres com endometriose leve sobre qualidade oocitária.
É importante salientar que, idealmente, para correlacionar a presença de
anormalidades meióticas oocitárias com o ambiente folicular na endometriose , o fuso celular,
a distribuição cromossômica e os microfilamentos de actina deveriam ser analisad os em
oócitos humanos maturados in vivo (BARCELOS et a l., 2009) . Entretanto, d iante da baixa
quantidade de oócitos captados em MII, do número reduzido de oócitos humanos destinados à
pesquisa, e, sendo a análise por imunofluorescência um método invasivo que necessita de
fixação da amostra, a utilização de modelo animal tornou-se importante alternativa neste
estudo. O uso d e oócitos bovinos pode ser justificado pela similaridade no tamanho e
morfologia dos ovários humanos e bovinos, por ambas as espécies serem monovulatórias e
policíclicas e por ser um material abundante, barato, de fácil manipulação (MALHI;ADAMS;
SINGH, 2005) . Sabe-se, também, que a maturação in vitro , por si só , pode promover
aumento significativo da ocorrência de anormalidades meióticas oocitárias (BARCELOS et
al., 2009). Todavia, a mesma metodologia de MIV foi aplicada para os três diferentes grupos,
de modo que as diferenças encontradas provavelmente são decorrentes de diferenças nos
constituintes do fluido folicular (obtidos das mulheres inférteis c om endometriose leve e
controles: fatores masculino e/ou tubário) e não devido ao processo de maturação in vitro.
De acordo com os resultados obtidos, não foi observad a diferença significativa no
número de o ócitos em estágio de MI, TI e MII entre os grupos, o que demonstra não haver
comprometimento da maturação nuclear dos oócitos cultivados com adição de FF de mulheres
com endometriose leve. Estes achados discordam de outro estudo anteriormente realizado no
mesmo serviço de RA , que av aliou maturação, integridade do fuso meiótico e distribuição
cromossômica de oócitos de mulheres inférteis com endometriose e controles maturados in
vitro e encontrou uma tendência a maior proporção de oócitos em telófase I no grupo
Discussão | 55
endometriose, apesar de não ter evidenciado anomalias meióticas, o que sugere possível
retardo no processo de meiose I (BARCELOS et al., 2009) . Entretanto, Barcelos et al (2009)
não analisaram separadamente os diferentes est ágios de endometriose . No referido estudo
foram incluídos na análise oócitos maturados in vitro oriundos de ciclos estimulados de
mulheres inférteis com endometriose mínima, leve, moderada e grave, de modo que a
severidade da doença pode ter sido responsáv el pelo atraso na maturação, o que explicaria
esta divergência.
Quando avaliada a estrutura de divisão celular de oócitos em MII com visão sagital,
observou-se maior porcentagem de anormalidades meióticas entre aqueles maturados com FF
de pacientes com endometriose leve quando comparados aos maturados com FF de mulheres
sem a doença ou em meio de cultivo padrão apenas. A hipótese de que a qualidade oocitária
pode ser prejudicada em mulheres com endometriose não é nova, mas não há um consenso
geral a resp eito. De acordo com Gianaroli et al (2010) , o tipo de infertilidade tem efeito
significativo sobre erros meióticos oocitários, sendo estes com maior incidência na presença
de endometriose ou fator ovulatório (GIANAROLI et al., 2010) , o que foi confirmado pelo
presente estudo com relação à endometriose. Um estudo de Mansour et al (2009) demonstrou
que o fluido peritoneal de mulheres com endometriose pode promover anomalias nos
microtúbulos e cromossomos de oócitos de camundongos maturados in vivo, as quais foram
reduzidas após suplementação do meio de cultivo com o antioxidante L-carnitina, sugerindo
que componentes presentes no fluido peritoneal de portadoras desta doença promove riam
comprometimento da qualidade oocitária e embrionária, tendo o estresse oxidativo como
provável mediador. Recentemente, o mesmo grupo publicou novo trabalho avaliando o efeito
do FP de mulheres com endometriose sobre o citoesqueleto de oócitos de camundongos em
MII, sendo novamente encontrada uma maior freqüência de fuso meiótico anormal e
cromossomos desalinhados em oócitos incubados com fluido desta s pacientes quando
Discussão | 56
comparadas a controles (MANSOUR et al., 2010) . Como o o ócito permanece no
microambiente folicular durante o processo de maturação, em íntim a relação com o fluido
folicular e mantém contato com FP após a ovulação e durante o trajeto inicial pela tuba
uterina (MA et al., 2010) , os efeitos destes dois microambientes poderiam se somar e
promover possível efeito cumulativo sobre a estrutura de divisão meiótica. Assim, os achados
do presente estudo , evidenciando que oócitos bovinos imaturos submetidos à maturação in
vitro na presença de fluido folicular de mulheres inférteis com endometriose leve apresentam
maior freqüência de anomalias meióticas do que os maturados na ausência de fluido folicular
ou na presença de fluido folicular de mulheres inférteis sem a doença, corroboram os de
Mansour et al (2009, 2010) e agregam mais evidências à literatura acerca do potencial efeito
deletério destes dois microambientes reprodutivos de mulh eres inférteis com endometriose
sobre a gênese de anomalias meióticas oocitárias, contribuindo para o entendimento de mais
um possível mecanismo da infertilidade relacionada à endometriose. Por outro lado, os
resultados do presente estudo contrariam os obtidos por Barcelos et al (2009), os quais não
demonstraram diferenças significativas na freqüência de anormalidades meióticas entre
oócitos em MII de pacientes com endometriose versus controles. Porém, estes autores
utilizaram oócitos humanos maturados in vitro, oriundos de ciclos estimulados de mulheres
inférteis com diferentes estágios de endometriose, incluindo uma pequena casuística, não
sendo passível extrapolarmos os dados obtidos em virtude destas diferenças metodológicas e
potenciais viéses.
É importante salientar que os efeitos deletérios sobre a estrutura de divisão meiótica
oocitária encontrados foram promovidos diante da incubação com fluidos foliculares apenas
de pacientes com endometriose leve, indicando haver possível relação entre este estágio da
doença e infertilidade, de modo que estes achados poderiam justificar os piores resultados de
RA em portadora s da doença, como conseqüência de um comprometimento da aquisição de
Discussão | 57
competência e, assim, piora da qualidade oocitárias. Dessa forma, o presente estudo corrobora
a hipótese de D’Hooghe et al (2003), que afirma haver evidências de uma relação causal entre
a presença de endometriose nas formas leves e a ocorrên cia de subfertilidade nas suas
portadoras (D'HOOGHE et al., 2003).
Sendo o fuso celular essencial para garantir a fidelidade da segregação cromossômica
durante a meiose (DE SANTIS et al., 2005; VAN BLERKOM; DAVIS, 2001; VOLARCIK et
al., 1998) e podendo as anomalias meióticas contribuir para a inabilidade do oócito em
completar a maturação tornando-se incapaz de ser fertilizado, assim como, para a ocorrência
de erros que não impossibilitem a fertilização, mas comprometam o desenvolvimento
embrionário pré e/ou pós -implantação ou a viabilidade futura do concepto (ARMSTRONG,
2001; LONERGAN et al., 1994; PAVLOK;LUCAS -HAHN; NIEMANN, 1992) , as
anormalidades meióticas encontradas neste estudo podem ser a explicação para os relatados
piores resultados de RA em pacientes com a doença (AL-FADHLI et al., 2006;
BARNHART;DUNSMOOR-SU; COUTIFARIS, 2002).
O fato de não ter se encontrado diferença significativa para a frequência de
distribuição cromossômica normal quando avaliados os oócitos em MII com visão polar pode
ser explicado pela impossibilidade de análise fidedigna do fuso e cromossomos nesta posição.
Por outro lado, os danos cromossômicos podem não aparecer necessariamente n este estágio
da meiose e só se tornarem evidentes nos estágios seguintes, com segregação inadequada das
cromátides-irmãs (FRAGOULI et al., 2011) . Como não se encontrou diferença para
porcentagem de normalidade quando avaliados conjuntamente os oócitos em visão polar e
sagital, apenas havendo diferença significativa desta variável para os oócitos em visão sagital,
sugere-se que a posição do fuso seja extremamente importante para a avaliação da divisão
celular, de modo que a visão polar parece mascarar os danos aos microtúbulos e/ou
cromossomos possivelmente observados em visão sagital.
Discussão | 58
Com relação às concentrações de fluido folicular testadas, não foi observada diferença
significativa na freqüência de normalidade do fuso em MII entre 1%, 5%, 10% e 15% de
fluido folicular no grupo endometriose, ass im como, no grupo controle, evidenciando que as
concentrações não interferiram nos resultados e podendo-se inferir que 1% de FF de pacientes
com endometriose é a menor concentração testada capaz de promover dano meiótico e,
possivelmente, comprometer a qualidade oocitária em mulheres com endometriose leve.
7. Conclusões
Conclusões | 60
A adição de fluido folicular de mulheres inférteis com endometriose leve submetidas à
estimulação da ovulação, nas quatro con centrações utilizadas, não promo veu atraso ou
bloqueio no processo de maturação oocitária em modelo experimental bovino.
Observou-se um efeito deletério do fluido folicular de mulheres inférteis com
endometriose leve sobre o fuso meiótico e a distribuição cromossômica de oócitos bovinos em
MII, submetidos à MIV na presença de FF. Não se observou diferença significativa nas
freqüências de anomalias meióticas encontradas nas quatro concentrações de fluido folicular
(1%, 5%, 10% e 15%) adicionadas ao meio de cultivo padrão, de modo que o efeito não foi
dependente da concentração utilizada. Assim, 1% de fluido folicular apresentou -se como a
menor concentração testada capaz de promover aumento significativo na freqüência de danos
meióticos oocitários.
O fluido folicular de mulheres inférteis com endometriose leve submetidas à
estimulação ovariana, adicionado ao meio de maturação in vitro de oócitos bovinos, é capaz
de promover anomalias meióticas, o que pode ocasionar potencial piora da qualidade
oocitária. Sugerimos que este mecanismo possa estar envolvido tanto na redução da
fecundidade, como na piora dos resultados dos procedimentos de reprodução assistida em
portadoras de infertilidade relacionada à endometriose leve, o que precisa ser avaliado com
metodologias pertinentes.
Futuros estudos, com maior casuística, que analisem possíveis componentes alterados
no fluido folicular de mulheres inférteis com endometriose, correlacionem esses dados com os
resultados de RA dessas pacientes, dosem diferentes marcadores de estresse oxidativo no FF e
proponham a adição de antioxidantes às MIVs , são imprescindíveis para se tentar elucidar
potenciais fatores promotores dos danos meióticos oocitários encontrados no presente estudo,
em decorrência da adição de FF de mulheres com a doença ao meio de maturação.
.
Referências Bibliográficas
Referências Bibliográficas | 62
ABRIEU, A. et al. Mps1 is a kinetochore-associated kinase essential for the vertebrate mitotic
checkpoint. Cell, v.106, n.1, Jul 13, p.83-93. 2001.
AGARWAL, A.; GUPTA, S.; SHARMA, R.K. Role of oxidative stress in female
reproduction. Reprod Biol Endocrinol, v.3, p.28. 2005.
AGARWAL, A.; GUPTA, S.; SIKKA, S. The role of free radicals and antioxidants in
reproduction. Curr Opin Obstet Gynecol, v.18, n.3, Jun, p.325-32. 2006.
AGARWAL, A.; SALEH, R.A.; BEDAIWY, M.A. Role of reactive oxygen species in the
pathophysiology of human reproduction. Fertil Steril, v.79, n.4, Apr, p.829-43. 2003.
AL-FADHLI, R. et al. Effects of different stages of endometriosis on the outcome of in vitro
fertilization. J Obstet Gynaecol Can, v.28, n.10, Oct, p.888-91. 2006.
ANDRADE, A.Z. et al. [Serum markers of oxidative stress in infertile women with
endometriosis]. Rev Bras Ginecol Obstet, v.32, n.6, Jun, p.279-85. 2010.
ANTONIO, C. et al. Xkid, a chromokinesin required for chromosome alignment on the
metaphase plate. Cell, v.102, n.4, Aug 18, p.425-35. 2000.
ARMSTRONG, D.T. Effects of maternal age on oocyte developmental competence.
Theriogenology, v.55, n.6, Apr 1, p.1303-22. 2001.
ATTARAN, M. et al. The effect of follicular fluid reactive oxygen species on the outcome of
in vitro fertilization. Int J Fertil Womens Med, v.45, n.5, Sep-Oct, p.314-20. 2000.
BARCELOS, I.D. et al. Comparative analysis of the spindle and chromosome configurations
of in vitro-matured oocytes from patients with endometriosis and from control subjects: a
pilot study. Fertil Steril, v.92, n.5, Nov, p.1749-52. 2009.
BARNHART, K.; DUNSMOOR-SU, R.; COUTIFARIS, C. Effect of endometriosis on in
vitro fertilization. Fertil Steril, v.77, n.6, Jun, p.1148-55. 2002.
BECKMAN, K.B.; AMES, B.N. The free radical theory of aging matures. Physiol Rev, v.78,
n.2, Apr, p.547-81. 1998.
BEDAIWY, M. et al. Differential expression of follicular fluid cytokines: relationship to
subsequent pregnancy in IVF cycles. Reprod Biomed Online, v.15, n.3, Sep, p.321-5. 2007.
BELLELIS, P. et al. Epidemiological and clinical aspects of pelvic endometriosis-a case
series. Rev Assoc Med Bras, v.56, n.4, Jul-Aug, p.467-71. 2010.
BERBIC, M. et al. Macrophage expression in endometrium of women with and without
endometriosis. Hum Reprod, v.24, n.2, Feb, p.325-32. 2009.
Referências Bibliográficas | 63
BERLETT, B.S.; STADTMAN, E.R. Protein oxidation in aging, disease, and oxidative stress.
J Biol Chem, v.272, n.33, Aug 15, p.20313-6. 1997.
BRIZEK, C.L. et al. Increased incidence of aberrant morphological phenotypes in human
embryogenesis--an association with endometriosis. J Assist Reprod Genet, v.12, n.2, Feb,
p.106-12. 1995.
BULLETTI, C. et al. Endometriosis and infertility. J Assist Reprod Genet, v.27, n.8, Aug,
p.441-7. 2010.
CAMPOS PETEAN, C. et al. Lipid peroxidation and vitamin E in serum and follicular fluid
of infertile women with peritoneal endometriosis submitted to controlled ovarian
hyperstimulation: a pilot study. Fertil Steril, v.90, n.6, Dec, p.2080-5. 2008.
CHOI, W.J. et al. Oxidative stress and tumor necrosis factor-alpha-induced alterations in
metaphase II mouse oocyte spindle structure. Fertil Steril, v.88, n.4 Suppl, Oct, p.1220-31.
2007.
D'HOOGHE, T.M. et al. Endometriosis and subfertility: is the relationship resolved? Semin
Reprod Med, v.21, n.2, May, p.243-54. 2003.
DE SANTIS, L. et al. Polar body morphology and spindle imaging as predictors of oocyte
quality. Reprod Biomed Online, v.11, n.1, Jul, p.36-42. 2005.
EICHENLAUB-RITTER, U.; SHEN, Y.; TINNEBERG, H.R. Manipulation of the oocyte:
possible damage to the spindle apparatus. Reprod Biomed Online, v.5, n.2, Sep-Oct, p.117-
24. 2002.
FERREIRA, E.M. et al. Prematuration of bovine oocytes with butyrolactone I reversibly
arrests meiosis without increasing meiotic abnormalities after in vitro maturation. Eur J
Obstet Gynecol Reprod Biol, v.145, n.1, Jul, p.76-80. 2009.
FRAGOULI, E. et al. The cytogenetics of polar bodies: insights into female meiosis and the
diagnosis of aneuploidy. Mol Hum Reprod, Apr 14. 2011.
FUJII, E.Y.; NAKAYAMA, M.; NAKAGAWA, A. Concentrations of receptor for advanced
glycation end products, VEGF and CML in plasma, follicular fluid, and peritoneal fluid in
women with and without endometriosis. Reprod Sci, v.15, n.10, Dec, p.1066-74. 2008.
FUNABIKI, H.; MURRAY, A.W. The Xenopus chromokinesin Xkid is essential for
metaphase chromosome alignment and must be degraded to allow anaphase chromosome
movement. Cell, v.102, n.4, Aug 18, p.411-24. 2000.
GARCIA-VELASCO, J.A.; ARICI, A. Is the endometrium or oocyte/embryo affected in
endometriosis? Hum Reprod, v.14 Suppl 2, Dec, p.77-89. 1999.
Referências Bibliográficas | 64
GARRIDO, N. et al. The endometrium versus embryonic quality in endometriosis-related
infertility. Hum Reprod Update, v.8, n.1, Jan-Feb, p.95-103. 2002.
GARRIDO, N. et al. Follicular hormonal environment and embryo quality in women with
endometriosis. Hum Reprod Update, v.6, n.1, Jan-Feb, p.67-74. 2000.
GIANAROLI, L. et al. Predicting aneuploidy in human oocytes: key factors which affect the
meiotic process. Hum Reprod, v.25, n.9, Sep, p.2374-86. 2010.
GUERIN, P.; EL MOUATASSIM, S.; MENEZO, Y. Oxidative stress and protection against
reactive oxygen species in the pre-implantation embryo and its surroundings. Hum Reprod
Update, v.7, n.2, Mar-Apr, p.175-89. 2001.
GUPTA, S. et al. Role of oxidative stress in endometriosis. Reprod Biomed Online, v.13,
n.1, Jul, p.126-34. 2006.
GUPTA, S. et al. Pathogenic mechanisms in endometriosis-associated infertility. Fertil Steril,
v.90, n.2, Aug, p.247-57. 2008.
HOLOCH, K.J.; LESSEY, B.A. Endometriosis and infertility. Clin Obstet Gynecol, v.53,
n.2, Jun, p.429-38. 2010.
HU, Y. et al. Effects of low O2 and ageing on spindles and chromosomes in mouse oocytes
from pre-antral follicle culture. Hum Reprod, v.16, n.4, Apr, p.737-48. 2001.
JACKSON, L.W. et al. Oxidative stress and endometriosis. Hum Reprod, v.20, n.7, Jul,
p.2014-20. 2005.
JOZWIK, M.; WOLCZYNSKI, S.; SZAMATOWICZ, M. Oxidative stress markers in
preovulatory follicular fluid in humans. Mol Hum Reprod, v.5, n.5, May, p.409-13. 1999.
KIM, N.H. et al. Microtubule and microfilament organization in maturing human oocytes.
Hum Reprod, v.13, n.8, Aug, p.2217-22. 1998.
KUMBAK, B. et al. In vitro fertilization in normoresponder patients with endometriomas:
comparison with basal simple ovarian cysts. Gynecol Obstet Invest, v.65, n.3, p.212-6. 2008.
LIMOLI, C.L. et al. Apoptosis, reproductive failure, and oxidative stress in Chinese hamster
ovary cells with compromised genomic integrity. Cancer Res, v.58, n.16, Aug 15, p.3712-8.
1998.
LIU, L. et al. Oxidative stress contributes to arsenic-induced telomere attrition, chromosome
instability, and apoptosis. J Biol Chem, v.278, n.34, Aug 22, p.31998-2004. 2003.
Referências Bibliográficas | 65
LONERGAN, P. et al. Effect of follicle size on bovine oocyte quality and developmental
competence following maturation, fertilization, and culture in vitro. Mol Reprod Dev, v.37,
n.1, Jan, p.48-53. 1994.
MA, C.H. et al. Effects of tumor necrosis factor-alpha on porcine oocyte meiosis progression,
spindle organization, and chromosome alignment. Fertil Steril, v.93, n.3, Feb, p.920-6. 2010.
MALHI, P.S.; ADAMS, G.P.; SINGH, J. Bovine model for the study of reproductive aging in
women: follicular, luteal, and endocrine characteristics. Biol Reprod, v.73, n.1, Jul, p.45-53.
2005.
MANDELBAUM, J. et al. Effects of cryopreservation on the meiotic spindle of human
oocytes. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol, v.113 Suppl 1, Apr 5, p.S17-23. 2004.
MANSOUR, G. et al. L-carnitine supplementation reduces oocyte cytoskeleton damage and
embryo apoptosis induced by incubation in peritoneal fluid from patients with endometriosis.
Fertil Steril, v.91, n.5 Suppl, May, p.2079-86. 2009.
MANSOUR, G. et al. Endometriosis-induced alterations in mouse metaphase II oocyte
microtubules and chromosomal alignment: a possible cause of infertility. Fertil Steril, v.94,
n.5, Oct, p.1894-9. 2010.
MATORRAS, R. et al. Fertility in women with minimal endometriosis compared with normal
women was assessed by means of a donor insemination program in unstimulated cycles. Am
J Obstet Gynecol, v.203, n.4, Oct, p.345 e1-6. 2010.
MINICI, F. et al. Endometriosis and human infertility: a new investigation into the role of
eutopic endometrium. Hum Reprod, v.23, n.3, Mar, p.530-7. 2008.
MINJAREZ, D.A.; SCHLAFF, W.D. Update on the medical treatment of endometriosis.
Obstet Gynecol Clin North Am, v.27, n.3, Sep, p.641-51. 2000.
MULLEN, S.F. et al. The effect of osmotic stress on the metaphase II spindle of human
oocytes, and the relevance to cryopreservation. Hum Reprod, v.19, n.5, May, p.1148-54.
2004.
NAVARRO, P.A. et al. Arsenite induces aberrations in meiosis that can be prevented by
coadministration of N-acetylcysteine in mice. Fertil Steril, v.85 Suppl 1, Apr, p.1187-94.
2006.
NAVARRO, P.A.; LIU, L.; KEEFE, D.L. In vivo effects of arsenite on meiosis,
preimplantation development, and apoptosis in the mouse. Biol Reprod, v.70, n.4, Apr,
p.980-5. 2004.
PASQUALOTTO, E.B. et al. Effect of oxidative stress in follicular fluid on the outcome of
assisted reproductive procedures. Fertil Steril, v.81, n.4, Apr, p.973-6. 2004.
Referências Bibliográficas | 66
PAVLOK, A.; LUCAS-HAHN, A.; NIEMANN, H. Fertilization and developmental
competence of bovine oocytes derived from different categories of antral follicles. Mol
Reprod Dev, v.31, n.1, Jan, p.63-7. 1992.
PELLICER, A. et al. The follicular and endocrine environment in women with endometriosis:
local and systemic cytokine production. Fertil Steril, v.70, n.3, Sep, p.425-31. 1998.
PELLICER, A. et al. Exploring the mechanism(s) of endometriosis-related infertility: an
analysis of embryo development and implantation in assisted reproduction. Hum Reprod,
v.10 Suppl 2, Dec, p.91-7. 1995.
PELLICER, A. et al. The follicular endocrine environment in stimulated cycles of women
with endometriosis: steroid levels and embryo quality. Fertil Steril, v.69, n.6, Jun, p.1135-41.
1998.
Revised American Society for Reproductive Medicine classification of endometriosis: 1996.
Fertil Steril, v.67, n.5, May, p.817-21. 1997.
SIGNORILE, P.G.; BALDI, A. Endometriosis: new concepts in the pathogenesis. Int J
Biochem Cell Biol, v.42, n.6, Jun, p.778-80. 2010.
STADTMAN, E.R. Protein oxidation and aging. Science, v.257, n.5074, Aug 28, p.1220-4.
1992.
SUZUKI, T. et al. Impact of ovarian endometrioma on oocytes and pregnancy outcome in in
vitro fertilization. Fertil Steril, v.83, n.4, Apr, p.908-13. 2005.
VAN BLERKOM, J.; DAVIS, P. Differential effects of repeated ovarian stimulation on
cytoplasmic and spindle organization in metaphase II mouse oocytes matured in vivo and in
vitro. Hum Reprod, v.16, n.4, Apr, p.757-64. 2001.
VOLARCIK, K. et al. The meiotic competence of in-vitro matured human oocytes is
influenced by donor age: evidence that folliculogenesis is compromised in the reproductively
aged ovary. Hum Reprod, v.13, n.1, Jan, p.154-60. 1998.
WANG, W.H.; KEEFE, D.L. Prediction of chromosome misalignment among in vitro
matured human oocytes by spindle imaging with the PolScope. Fertil Steril, v.78, n.5, Nov,
p.1077-81. 2002.
WIENER-MEGNAZI, Z. et al. Oxidative stress indices in follicular fluid as measured by the
thermochemiluminescence assay correlate with outcome parameters in in vitro fertilization.
Fertil Steril, v.82 Suppl 3, Oct, p.1171-6. 2004.
WUNDER, D.M. et al. Steroids and protein markers in the follicular fluid as indicators of
oocyte quality in patients with and without endometriosis. J Assist Reprod Genet, v.22, n.6,
Jun, p.257-64. 2005.
Anexos
Anexos | 68
Anexo 1- Termos de Consentimento Livre e Esclarecido
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
(Fluido Folicular - Grupo CONTROLE)
1. NOME DA PESQUISA: “Avaliação do potencial impacto dos fluidos folicular e
peritoneal de pacientes inférteis com endometriose na gênese de anomalias meióticas
oocitárias e no desenvolvimento embrionário, utilizando modelo experimental bovino”
2. PESQUISADOR RESPONSÁVEL: Prof. Dra. Paula Andrea de A. Salles Navarro
Você está sendo convidada a participar da pesquisa intitulada “Avaliação do potencial
impacto dos fluidos folicular e peritoneal de pacientes inférteis com endometriose na gênese
de anomalias meióticas oocitárias e no desenvolvimento embrionário, utilizando modelo
experimental bovino”
Sabemos que o estresse oxidativo (que aparece quando ocorre um desequilíbrio entre as
defesas antioxidantes e a produção de espécies reativas) compromete a fertilidade masculina.
Temos suspeita de que o estresse oxidativo possa comprometer também a fertilidade feminina,
porém até o presente momento encontramos poucos dados sobre este assunto, os quais, muitas
vezes, são cont raditórios. A endometriose é uma causa bastante comum de dificuldade para
engravidar (denominada infertilidade) e estuda -se a possibilidade do estresse oxidativo
participar da ocorrência desta freqüente doença, podendo, inclusive, contribuir para a
infertilidade associada à mesma. Temos indícios de que o estresse oxidativo possa prejudicar a
qualidade dos óvulos, levando à redução das chances de gravidez, mesmo quando se realizam
procedimentos de reprodução assistida. Nas mulheres inférteis com endometriose , questiona-se
se um dos motivos responsáveis pela maior dificuldade em engravidar seja a inadequada
qualidade dos óvulos (oócitos), que poderão produzir embriões também de má qualidade e,
conseqüentemente, gerar uma gestação menos viável.
Assim, a aval iação do efeito do fluido folicular (fluido contido no folículo onde os
óvulos se desenvolvem) de mulheres inférteis com endometriose sobre a qualidade dos óvulos
e embriões poderia auxiliar a descoberta de alguns dos mecanismos envolvidos na causa da
infertilidade, o que ajudaria na identificação de tratamentos futuros. Contudo, para podermos
dizer se o efeito do fluido folicular de mulheres inférteis com endometriose é diferente daquele
Anexos | 69
de mulheres inférteis sem a doença, precisamos de um grupo tido como controle, composto por
fluido folicular de mulheres com outra causa de infertilidade, onde você estaria incluída.
Para estudarmos o possível efeito prejudicial do fluido folicular de mulheres com
endometriose e compará-lo com o que ocorre em mulheres sem a doença, propomos avaliar o
efeito da adição de fluido folicular no cultivo in vitro de óvulos e embriões bovinos (de
vacas). Assim, para a realização dessa pesquisa, será necessária uma amostra de fluido
folicular coletada no dia da captação dos óvulos, sem necessidade de intervenções
complementares, já que este é um procedimento padrão, sem riscos adicionais à paciente. O
fluido folicular colhido junto com o oócito é normalmente descartado, não tendo utilidade no
procedimento de reprodução assistida, de modo que seu uso neste estudo não prejudicará o
tratamento, pois os óvulos obtidos serão normalmente utilizados no seu tratamento da
infertilidade.
Desta forma, você está sendo convidada para participar deste estudo na posição de
paciente do grupo control e, ou seja, cujo fluido folicular seja considerado como padrão de
normalidade, para fins de comparação com os fluidos das pacientes com endometriose. Sua
colaboração, portanto, no fornecimento de amostra de fluido folicular será imprescindível para
um melh or conhecimento do efeito do fluido folicular de pacientes com dificuldade para
engravidar mas sem endometriose, sobre os oócitos e embriões (utilizando um modelo animal
para esta avaliação, ou seja, utilizando óvulos e embriões de vaca). Estes dados serão
comparados aos de mulheres com dificuldade para engravidar devido à endometriose. Este
conhecimento no futuro poderá ser usado no sentido de facilitar a identificação de um
tratamento mais eficaz da infertilidade associada a esta doença. Contudo, ressalta mos que você
não terá nenhum tipo de benefício imediato participando do presente estudo.
É importante ressaltarmos que este estudo não trará nenhuma despesa para você e seu
companheiro. Todo o material obtido será utilizado exclusivamente para cultivo de óvulos e
embriões bovinos. Também devemos ressaltar que a sua participação no presente estudo não
implicará na realização de nenhum procedimento complementar durante o seu tratamento para
tentar engravidar.
Fui informada de que, após o isolamento dos óv ulos, o fluido folicular é desprezado,
uma vez que não apresenta qualquer utilidade para o procedimento de reprodução ao qual serei
submetida. Fui informada, também, de que o fluido será utilizado para cultivo de óvulos e
embriões bovinos. Desta forma, aut orizo a utilização do fluido folicular obtido durante o
procedimento de captação dos óvulos, após a identificação e separação dos óvulos pela bióloga
Anexos | 70
responsável, como realizado na prática do laboratório de reprodução, exclusivamente no
presente estudo.
3. INFORMAÇÕES ADICIONAIS: Todas as dúvidas com relação ao estudo que,
porventura, possam ocorrer durante o seu tratamento para engravidar, serão prontamente
esclarecidas pelos pesquisadores responsáveis pelo presente estudo. Você tem a liberdade de
retirar o seu consentimento e de deixar de participar do estudo, a qualquer momento, sem que
isto traga qualquer prejuízo à continuidade do seu tratamento. Asseguramos o total sigilo em
relação aos nomes dos integrantes deste estudo, bem como garantimos que se rá mantido o
caráter confidencial de toda informação relacionada a sua privacidade. Temos o compromisso
de que serão prestadas informações atualizadas durante todo o estudo, ainda que isto possa
afetar a sua vontade de continuar dele participando. Assegura mos o compromisso de que você
será devidamente acompanhada e assistida durante todo o período de participação neste
projeto, bem como de que será garantida a continuidade do seu tratamento, após a conclusão
dos trabalhos da pesquisa.
Eu, _________________ ____________________________, RG nº:___________ abaixo
assinada, declaro que fui informada e estou inteiramente de acordo com o exposto acima e
aceito livremente participar do estudo em questão, fornecendo amostras de fluido folicular.
Autorizo a pesquis adora abaixo mencionada a utilizá -las para a pesquisa: “Avaliação do
potencial impacto dos fluidos folicular e peritoneal de pacientes inférteis com endometriose na
gênese de anomalias meióticas oocitárias e no desenvolvimento embrionário, utilizando
modelo experimental bovino”, estando ciente que terei a liberdade de retirar o meu
consentimento e de deixar de participar do estudo a qualquer momento, sem que isto traga
qualquer prejuízo à continuidade do meu tratamento.
Ribeirão Preto _______ / _______ / _________
_______________________________ ___________________________
Assinatura- Paciente Assinatura do Pesquisador
4. PESQUISADORAS RESPONSÁVEIS:
Prof. Dra. Paula Andrea de A. Salles Navarro – CRM: 84930 – SP
Michele Gomes Da Broi
Pós-graduanda do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia – FMRP-USP
Anexos | 71
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
(Fluido Folicular - GRUPO ENDOMETRIOSE)
1. NOME DA PESQUISA: “Avaliação do potencial impacto dos fluidos folicular e
peritoneal de pacientes inférteis com endometriose na gênese de anomalias meióticas
oocitárias e no desenvolvimento embrionário, utilizando modelo experimental bovino”
2. PESQUISADOR RESPONSÁVEL: Prof. Dra. Paula Andrea de A. Salles Navarro
Você está sendo convidada a participar da pesquisa intitulada “Avaliação do potencial
impacto dos fluidos folicular e peritoneal de pacientes inférteis com endometriose na gênese
de an omalias meióticas oocitárias e no desenvolvimento embrionário, utilizando modelo
experimental bovino”
Sabemos que o estresse oxidativo (que aparece quando ocorre um desequilíbrio entre as
defesas antioxidantes e a produção de espécies reativas) compromete a fertilidade masculina.
Temos suspeita de que o estresse oxidativo possa comprometer também a fertilidade feminina,
porém até o presente momento encontramos poucos dados sobre este assunto, os quais, muitas
vezes, são contraditórios. A endometriose é uma causa bastante comum de dificuldade para
engravidar (denominada infertilidade) e estuda -se a possibilidade do estresse oxidativo
participar da ocorrência desta freqüente doença, podendo, inclusive, contribuir para a
infertilidade associada à mesma. Temos indícios de que o estresse oxidativo possa prejudicar a
qualidade dos óvulos, levando à redução das chances de gravidez, mesmo quando se realizam
procedimentos de reprodução assistida. Nas mulheres inférteis com endometriose, questiona -se
se um dos motivos responsáveis pela maior dificuldade em engravidar seja a inadequada
qualidade dos óvulos (oócitos), que poderão produzir embriões também de má qualidade e,
conseqüentemente, gerar uma gestação menos viável.
Desta forma, a avaliação do efeito do fluido folicular (fluido contido no folículo onde
os óvulos se desenvolvem) de mulheres inférteis com endometriose sobre a qualidade dos
óvulos e embriões poderia auxiliar a descoberta de alguns dos mecanismos envolvidos na causa
da infertilidade, o que ajudaria na identificação de tratamentos futuros.
Para estudarmos o possível efeito prejudicial do fluido folicular de mulheres com
endometriose e compará-lo com o que ocorre em mulheres sem a doença, propomos avaliar o
efeito da adição de fluido folicular no cult ivo in vitro de óvulos e embriões bovinos (de
vacas). Assim, para a realização dessa pesquisa, será necessária uma amostra de fluido
Anexos | 72
folicular coletada no dia da captação dos óvulos, sem necessidade de intervenções
complementares, já que este é um procedim ento padrão, sem riscos adicionais à paciente. O
fluido folicular colhido junto com o oócito é normalmente descartado, não tendo utilidade no
procedimento de reprodução assistida, de modo que seu uso neste estudo não prejudicará o
tratamento, pois os óvulo s obtidos serão normalmente utilizados no seu tratamento da
infertilidade.
Desta forma, você está sendo convidada para participar deste estudo na posição de
paciente do grupo endometriose, para fins de comparação com os fluidos das pacientes
controle, ou s eja, consideradas como padrão de normalidade. Sua colaboração, portanto, no
fornecimento de amostra de fluido folicular será imprescindível para um melhor
conhecimento do efeito do fluido folicular de mulheres com endometriose sobre os oócitos e
embriões ( utilizando um modelo animal para esta avaliação, ou seja, utilizando óvulos e
embriões de vaca, cultivados com o seu fluido folicular). Este conhecimento no futuro poderá
ser usado no sentido de propiciar um tratamento mais eficaz da infertilidade associa da a esta
doença. Contudo, ressaltamos que você não terá nenhum tipo de benefício imediato
participando do presente estudo.
É importante ressaltarmos que este estudo não trará nenhuma despesa para você e seu
companheiro. Todo o material obtido será utiliz ado exclusivamente para cultivo de óvulos e
embriões bovinos. Também devemos ressaltar que a sua participação no presente estudo não
implicará na realização de nenhum procedimento complementar durante o seu tratamento para
tentar engravidar.
Fui informada de que, após o isolamento dos óvulos, o fluido folicular é desprezado,
uma vez que não apresenta qualquer utilidade para o procedimento de reprodução ao qual serei
submetida. Fui informada, também, de que o fluido será utilizado para cultivo de óvulos e
embriões bovinos. Desta forma, autorizo a utilização do fluido folicular obtido durante o
procedimento de captação dos óvulos, após a identificação e separação dos óvulos pela bióloga
responsável, como realizado na prática do laboratório de reprodução, ex clusivamente no
presente estudo.
3. INFORMAÇÕES ADICIONAIS: Todas as dúvidas com relação ao estudo que,
porventura, possam ocorrer durante o seu tratamento para engravidar, serão prontamente
esclarecidas pelos pesquisadores responsáveis pelo presente estu do. Você tem a liberdade de
retirar o seu consentimento e de deixar de participar do estudo, a qualquer momento, sem que
isto traga qualquer prejuízo à continuidade do seu tratamento. Asseguramos o total sigilo em
relação aos nomes dos integrantes deste e studo, bem como garantimos que será mantido o
Anexos | 73
caráter confidencial de toda informação relacionada a sua privacidade. Temos o compromisso
de que serão prestadas informações atualizadas durante todo o estudo, ainda que isto possa
afetar a vossa vontade de co ntinuar dele participando. Asseguramos o compromisso de que
você será devidamente acompanhada e assistida durante todo o período de participação neste
projeto, bem como de que será garantida a continuidade do seu tratamento, após a conclusão
dos trabalhos da pesquisa.
Eu, _______________________________ ______________, RG nº:___________ abaixo
assinada, declaro que fui informada e estou inteiramente de acordo com o exposto acima e
aceito livremente participar do estudo em questão, fornecendo amostras flu ido folicular.
Autorizo a pesquisadora abaixo mencionada a utilizá -las para a pesquisa : “Avaliação do
potencial impacto dos fluidos folicular e peritoneal de pacientes inférteis com endometriose na
gênese de anomalias meióticas oocitárias e no desenvolvim ento embrionário, utilizando
modelo experimental bovino”, estando ciente que terei a liberdade de retirar o meu
consentimento e de deixar de participar do estudo a qualquer momento, sem que isto traga
qualquer prejuízo à continuidade do meu tratamento.
Ribeirão Preto _______ / _______ / _________
_______________________________ ___________________________
Assinatura- Paciente Assinatura do Pesquisador
4. PESQUISADORA RESPONSÁVEL:
Prof. Dra. Paula Andrea de A. Salles Navarro – CRM: 84930 – SP
Telefone de contato: 16-3602-2231
Endereço: Av. Bandeirantes, 3900 - 1º andar (Hospital das Clínicas - Setor de
Reprodução Humana), Ribeirão Preto – SP. CEP: 14049-900.
Michele Gomes Da Broi
Pós-graduanda do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia – FMRP-USP
Telefone de contato: 16-3602-2231
Endereço: Av. Bandeirantes, 3900 - 1º andar (Hospital das Clínicas - Setor de
Reprodução Humana), Ribeirão Preto – SP. CEP: 14049-900.
Anexos | 74
Anexo 2- Manuscrito
Follicular fluid from infertile women with mild endometriosis may compromise the
meiotic spindle of methaphase II oocytes
Michele Gomes Da Broia, Helena Malvezzi a, Rui Alberto Ferriani a,b, MD, PhD, Claudia Paro
de Pazc, PhD, Paula Andrea Navarro a,b*, MD, PhD.
a Human Reproduction Division, Department of Obstetrics and Gynecology, Faculty of
Medicine of Ribeirão Preto, University of São Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brazil.
b National Institute of Hormones and Woman’s Health, CNPq, Brazil
c Department of Genetics , Faculty of Medicine of Ribeirão Preto, University of S ão Paulo,
Ribeirão Preto, SP, Brazil.
Institution: Faculty of Medicine of R ibeirão Preto, University of São Paulo, Ribeirão Preto,
SP, Brazil.
*Corresponding author:
Paula A. Navarro
Avenida Bandeirantes, 3900 - Ribeirão Preto, SP, Brazil.
CEP: 14049-900
Tel.: +55 16 3602 28 21
Fax: +55 16 3633 1028
E-mail:
[email protected]
FINANCIAL SUPPORT
This study received financial support from the National C ouncil for Scientific and
Technological Development (CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico).
Anexos | 75