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FLÁVIA FAIRBANKS LIMA DE OLIVEIRA MARINO
Avaliação das dosagens das interleucinas 12 e 18 no
sangue e no fluido peritoneal de pacientes com
endometriose pélvica
Dissertação apresentada à Faculdade de Medicina
da
Universidade de São Paulo para obtenção do título de
Mestre em Ciências
Área de concentração: Obstetrícia e Ginecologia
Orientador: Prof. Dr . Mauricio Simões Abrão
São Paulo
2006
Dedico este trabalho
Ao meu pai,
pelo eterno incentivo, apoio e amizade.
À minha mãe,
pelo amor e carinho que sempre me dedicou.
À Letícia,
minha filha querida, pela compreensão.
Ao Miguel,
pelo companheirismo destes anos juntos.
AGRADECIMENTOS
Ao Prof. Dr. Mauricio Simões Abrão pela excelente dedicação e orientação;
Aos colegas Sergio Podgaec e João Antonio Dias Jr., pelas contribuições,
sugestões e análises;
Ao meu marido, Miguel, pelo auxílio e contribuições;
Ao meu irmão, Rafael, pelo auxílio na elaboração do trabalho;
À minha sogra, Maria Tereza, pela correção em Língua Portuguesa;
À Profa. Ângela Maggio da Fonseca, pelo apoio e contribuições;
Ao Prof. Edmund Chada Baracat, pelas sugestões e oportunidade de realizar
esse trabalho;
Ao Prof. Dr. Luiz Vicente Rizzo pelas sugestões e contribuições;
Ao Dr. Ricardo de Oliveira pelas sugestões e contribuições;
À Srta. Júlia Fukushima, pela análise estatística;
À Srta. Cláudia, secretária da Pós-Graduação da Ginecologia do Hospital das
Clínicas, pelo auxílio;
À Srta. Ana Cristina, pelo auxílio com o material de laboratório;
Ao RDO Diagnósticos Médicos pelo uso do laboratório;
A todos os colegas do Setor da Endometriose do Hospital das Clínicas da
FMUSP, pelo auxílio com a coleta do material;
À FAPESP pelo apoio financeiro;
Às pacientes pela possibilidade de realização deste trabalho.
SUMÁRIO
Lista de abreviaturas
Lista de tabelas
Resumo
Summary
1.INTRODUÇÃO................................................................................1
1.1 A imunologia e a endometriose....................................................7
1.2 Papel das citocinas na etiopatogenia da endometriose.............10
1.3 Interleucina 12............................................................................12
1.4 Interleucina 18............................................................................16
2.PACIENTES E MÉTODOS...........................................................22
2.1Critérios de inclusão....................................................................23
2.2 Dinâmica do estudo....................................................................24
2.3 Estadiamento da endometriose..................................................26
2.4 Método laboratorial.....................................................................28
3.ANÁLISE ESTATÍSTICA...............................................................29
4.RESULTADOS..............................................................................30
5.DISCUSSÃO.................................................................................36
6.CONCLUSÕES.............................................................................49
7.ANEXOS.......................................................................................51
7.1 Artigo..........................................................................................64
8.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..............................................77
Marino FFLO. Avaliação das dosagens das interleucinas 12 e 18 no sangue e
no fluido peritoneal de pacientes com endometriose pélvica [dissertação]. São
Paulo: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; 2006.
O objetivo deste trabalho foi analisar o comportamento das interleucinas 12 (IL-
12) e 18 (IL-18) em pacientes com endometriose pélvica comparando-as a
pacientes de um grupo controle com sintomas sugestivos de endometriose e
ausência comprovada da doença. Av aliamos, também, as dosagens das
referidas interleucinas em relação à fase do ciclo menstrual, quadro clínico,
local da doença, estadiamento e classificação histológica. PACIENTES E
MÉTODOS: Foram avaliadas 105 pacientes entre 18 e 40 anos submetidas à
videolaparoscopia, ; divididas em 2 grupos: 72 pacientes com endometriose e
33 controles. Colheu-se sangue periférico e fluido peritoneal no intra-operatório
e procedeu-se a avaliação das inte rleucinas, relacionando-se as dosagens
entre o grupo controle e o grupo com endometriose e também entre os
parâmetros já mencionados. Dividimos as pacientes segundo a fase do ciclo
menstrual, o quadro clínico, o local de maior gravidade da doença (peritoneal,
ovariana ou profunda), o estadiamento e a classificação histológica. As
dosagens das interleucinas foram feitas através do método de ELISA e a
análise estatística pela aplicação dos testes Kruskal-Wallis e Dunn.
RESULTADOS: A média das dosagens da IL-12 no fluido peritoneal foi
significativamente maior nas pacientes com endometriose (82,37 +/- 16,61
pg/mL) que no grupo controle (29,20 +/- 10,21pg/mL), p < 0,001. Não houve
diferenças significativas na comparação das dosagens séricas de IL-12 entre
pacientes e grupo controle. As médi as das dosagens da IL-12 no sangue de
pacientes com endometriose avançada foi significativamente mais elevada
(196,74 +/- 33,71 pg/mL) que aquela de pacientes com doença inicial (82,04 +/-
16,63 pg/mL), p = 0,007. Não houve diferenças significativas entre as
dosagens de IL-18 no sangue e no fluido peritoneal de pacientes e grupo
controle, nem em relação à comparação entre doença inicial e doença
avançada. As médias das dosagens de IL -12 no fluido peritoneal foram mais
elevadas em pacientes com endometriose com dismenorréia
severa/incapacitante (82,21 +/- 20,54 pg/mL; p = 0,02), dispareunia de
profundidade (101,62 +/- 29,25 pg/mL; p = 0,02) e dor acíclica (101,93 +/- 26,14
pg/mL; p = 0,02). As médias das dos agens de IL-18 no sangue foram mais
elevadas em pacientes com endometriose com dismenorréia
severa/incapacitante (77,59 +/- 16,50 pg/mL; p = 0,01) e dispareunia de
profundidade (61,34 +/- 14,05 pg/mL; p = 0,03). Não houve diferenças
significativas entre as dosagens de IL-12 e IL-18, no sangue ou no fluido
peritoneal, de acordo com a localização da doença (peritônio, ovário ou doença
profunda). Não houve diferenças significativas entre as dosagens de IL-12 e IL-
18, no sangue ou no fluido peritoneal, de acordo com a classificação histológica
da doença (estromal, bem-diferenciada, padrão misto de diferenciação e
indiferenciada). CONCLUSÕES: A interleucina 12 esteve aumentada no fluido
peritoneal de pacientes com endometri ose, e no sangue nos estádios
avançados da doença. Não houve difer enças nas dosagens da interleucina 18
no sangue ou fluido peritoneal na endomet riose em relação a mulheres sem a
doença.
Descritores: endometriose/imunologia, interleucina 12, interleucina 18, ciclo
menstrual, local, estadiamento, histologia/classificação.
Marino FFLO. Evaluation of the levels of interleukines 12 and 18 in blood and
peritoneal fluid of patients with pelvic endometriosis [ dissertation ]. São Paulo:
College of Medicine of the University of São Paulo; 2006.
The aim of this work was to evaluate the behavior of interleukines 12 (IL-12) and
18 (IL-18) in patients with pelvic endometriosis comparing them with a control
group that presented suggestive symptoms of endometriosis and proven
absence of the disease, evaluating, also , the levels of the interleukines in
relation to the phase of menstrual cycle, clinical symptoms, primary location,
disease stage and histological classification. PATIENTS AND METHODS: 105
patients aging from 18 to 40 years have been submitted to the laparoscopic
surgery and classified in 2 groups: 72 patients with endometriosis and 33
controls. Peripheral blood and peritoneal fluid were extracted and interleukins
were evaluated, correlating the levels between the control group and the group
with endometriosis, and also between the parameters previously mentioned.
Patients were grouped according to the phase of the menstrual cycle, clinical
symptoms, primary location, disease stage and histological classification.
Interleukin levels have been measured by ELISA . Statistical analysis was
performed by the application of Kruskal-Wallis and Dunn tests. RESULTS:
Average levels of IL-12 in the peritoneal fluid was significantly higher in patients
with endometriosis (82,37 +/- 16.61 pg/mL) when compared to the control group
(29,20 +/- 10,21pg/mL), p < 0,001. No significant differences were found in the
comparison of the serum levels of IL-12 between patients and control group.)
Average levels of IL-12 in blood of patients with advanced endometriosis were
significantly increased (196,74 +/- 33.71 pg/mL) when compared to patients with
initial disease (82,04 +/- 16,63 pg/mL), p = 0,007. There were no significant
differences between the levels of IL-18 in blood and in peritoneal fluid of patients
and control group, nor between patients with initial disease and advanced
disease. Average levels of IL-12 in peritoneal fluid were higher in patients with
endometriosis with complaints of severe / incapacitating dysmenorrhea (82.21
+/- 20,54 pg/mL; p = 0,02), deep dyspareunia (101,62 +/- 29,25 pg/mL; p = 0,02)
and acyclic pain (101,93 +/- 26,14 pg/mL; p = 0,02). Average levels of IL-18 in
the blood were higher in patients with endometriosis and severe /incapacitating
dysmenorrhea (77,59 +/- 16,50 pg/mL; p = 0,01) and deep dyspareunia (61,34
+/- 14,05 pg/mL; p = 0,03). There were no significant differences between the
levels of IL-12 and IL-18, in blood or in peritoneal fluid, according to the primary
location of the disease (peritoneal, ovarian or deep infiltrative disease). No
significant differences were found between the levels of IL-12 and IL-18, in blood
or peritoneal fluid, in accordance to the histological classification of the disease
(estromal, well-differentiated, combined standard of differentiation and
undifferentiated). CONCLUSIONS: Interleukin 12 wss increased in peritoneal
fluid of patients with endometriosis, and in blood in advanced stages of the
disease. There were no differences in the levels of interleukin 18 in blood or
peritoneal fluid in endometriosis compared to women without the disease.
Desciptors: endometriosis/immunology; interleukin-12; interleukin-18; menstrual
cycle; neoplasm staging; histology/classification.
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1
INTRODUÇÃO
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2
Introdução
Endometriose caracteriza-se pelo implante, crescimento e
desenvolvimento de glândula e/ou es troma endometriais em localização
extra-uterina (D’Hooghe et al., 2003).
Estima-se que 10% da população fe minina na menacme apresentam
essa doença (Missmer e Cramer,2003) e, quando são estudadas populações
específicas de mulheres com dor pélvi ca, dismenorréia ou infertilidade, a
prevalência varia de 6 a 58% dos casos (Matorras et al.,1995; Izzo et al.,
2000).
Os impactos econômico e social c ausados pela endometriose são
significativos. Nos Estados Unidos da América, análises demostraram que
um terço das internações hospitalare s por causas ginecológicas foram
devidas à endometriose (Dmowski et al ., 1997). Outrossim, essas mulheres
devem ser acompanhadas cuidadosam ente do ponto de vista ginecológico
ao longo de toda sua vida, pois podem apr esentar maior risco de câncer de
ovário, mama, pele, além de risco elev ado de outras doenças imunológicas
(Giudice e Kao, 2004). Estudos mais recentes defendem que o enfoque
multidisciplinar é fundamental na abordagem da paciente com endometriose,
priorizando, além de aspectos médico s, o acompanhamento psicológico das
mesmas, pois têm risco elevado de sí ndromes depressivas, provavelmente
devido às dores crônicas que apresentaram (Belaisch e Allart, 2006).
Do ponto de vista da et iopatogenia, Meyer, em 1919, descreveu a
teoria da metaplasia celômica. Seg undo essa teoria, células do epitélio
celômico transformar-se-iam em cé lulas endometriais em localizações
anômalas. Esse raciocínio explicava coerentemente a ocorrência da doença
em sítios longínquos da pelve, como a pleura e os pulmões, e também a
endometriose em homens; mais tarde ta mbém se atribuiu à metaplasia
celômica a explicação da endometriose em mulheres sem menstruação
retrógrada e nos endometriomas profundos do ovário (Witz, 2002).
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Em 1927, Sampson propôs a teoria da menstruação retrógrada,
segundo a qual células endometriais co m capacidade de proliferação e
implantação refluiriam pelas tubas ut erinas, pérvias no período menstrual,
alojando-se, principalmente, na superfície dos ovários, no peritônio pélvico e
no fundo-de-saco posterior. Essa teoria pôde ser comprovada por diversos
estudos que permitiram a visualiz ação do refluxo menstrual por via
videolaparoscópica em mais de 90% das mulheres (Koninckx et al., 1999),
por obtenção de tecido endometrial viáv el no fluido perit oneal e ainda por
outros estudos que conseguiram desenvolver experimentalmente a
endometriose em modelos animais, tr ansplantando endométrio humano (Wu
e Ho, 2003).
Em tempos recentes, após a avaliação de que a menstruação
retrógrada era um fenômeno quase univers al entre as mulheres e de que
somente parte delas desenv olvia endometriose, algun s autores cogitaram a
existência de fatores imunológicos na etiopatogenia da doença (Nothnick,
2001). Pensou-se que, provavelment e, a alteração do mecanismo
imunológico fosse restrita ao am biente peritoneal, mas que pudesse
envolver as duas facetas da resposta imune, a celular e a humoral. Assim,
passou a vigorar o conceito de que a endometriose seria um processo
inflamatório pélvico local com al terações nas funções das células
imunológicas do ambiente peritoneal (Harada et al., 2001; Wu e Ho, 2003). A
base fundamental do processo seria um a alteração da resposta imunológica
ao tecido endometrial refluído pelas tr ompas, o que explicaria, assim, a
origem e a manutenção da lesão endometrial, havendo fundamentalmente
redução da capacidade de depuração dos debris menstruais da cavidade
peritoneal (Lebovic et al., 2001).
Os estudos para avaliação das funç ões imunológicas em pacientes
com endometriose são numerosos, of erecendo resultados promissores no
sentido de um entendimento mais cl aro da doença (Berkkanoglu e Arici,
2003).
Introdução
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4
Conceitos básicos de imunologia
O sistema imune do ser humano é complexo. Seus principais
constituintes são as células, que tê m funções diversas, sempre com um
objetivo comum: destruir o antígeno resp onsável pela ativação inicial da
resposta imunológica. Os principais grupos celulares envolvidos são os
leucócitos, divididos em linfócitos, fagócitos e células auxiliares e outras
células diversas teciduais, espalhadas nos diferentes sistemas do organismo
(Roitt et al., 2003)
Ao iniciar sua participação na resposta imunológica, as células
produzem e secretam diferentes substâncias responsáveis pela
comunicação intercelular e pelo mec anismo final de destruição do antígeno,
sendo elas, respectivamente, as citocinas e os anticorpos (Benjamini et al.,
2002).
Dentre os tipos celulares acima mencionados as células fagocíticas,
os linfócitos T e B têm papel de desta que. Os fagócitos reconhecem os
antígenos e os interiorizam para proce ssá-los no ambiente intracelular. São
representados pelos monóc itos sangüíneos, células de Kupffer no fígado,
células sinoviais nas articulações e macrófagos teciduais. A função básica
das células fagocíticas é proce ssar os antígenos quebrando-os em
pequenos fragmentos para posterior apres entação aos linfócitos T (Roitt et
al., 2003).
Os linfócitos são as células re sponsáveis pelo reconhecimento
específico dos antígenos. Há dois tipos de linfócitos: T e B, com atividades
distintas na resposta imune. De ac ordo com o linfócito envolvido e com a
função por ele desempenhada, modula-se o tipo de resposta imune, celular
(relacionada com o linfócito T) ou humor al (relacionada com o linfócito B)
(Roitt et al, 2003).
Os linfócitos T, por sua vez, s ão subdivididos em três grupos: T
auxiliares tipo 1 ou Th1, T auxiliares tipo 2 ou Th2 e T citotóxicos. Os
linfócitos Th1 interagem diretamente com os fagócitos, reconhecendo os
Introdução
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5
antígenos por eles apresentados e desencadeando mecanismos celulares
de destruição antigênica. Os linfócitos Th2, por outro lado, interagem com os
linfócitos B, transformando-os em pl asmócitos, após reconhecer os
antígenos por eles apresentados, det erminando a secreção de anticorpos
específicos contra esses antígenos. Já os linfócitos T citotóxicos
reconhecem e destroem células infecta das por parasitas intracelulares,
como, por exemplo, os vírus (Roitt et al., 2003).
O reconhecimento dos antígenos, seja pelas células T ou B, exige a
participação de moléculas especiais lo calizadas na superfície celular onde
esses antígenos se fixam, chamadas de moléculas do complexo principal de
histocompatibilidade (CPH). Ambos os tipos de linfócitos possuem
receptores específicos, que são atraídos pelo CPH para iniciar o processo
de reconhecimento antigênico. Há duas cl asses de moléculas do CPH, (1 e
2) , sendo as de classe 1 responsáve is pelo reconhecimento de antígenos
endógenos intracelulares – tendo relação direta com as células T citotóxicas
– e as de classe 2 responsáveis pelo reconhecimento de antígenos
exógenos, portanto diretamente envolvi das com a função das células T
auxiliares (Benjamini et al, 2002).
Após todas as etapas acima descr itas terem sido cumpridas, e
estabelecido o reconhecimento adequado dos antígenos, os linfócitos
ativados iniciam a produção de mediador es solúveis denominados citocinas,
responsáveis pela comunicação entre as células do sistema imune,
controlando a resposta imune em divers os níveis, como inflamação, defesa
infecciosa e proliferação dos clones celulares T e B (Ulukus e Arici, 2005).
A estrutura molecular das citocinas aproxima-se daquela de pequenas
proteínas com peso molecular inferior a 80 KDa. Normalmente, as citocinas
têm ação autócrina ( sobre as própria s células que as produziram) ou
parácrina ( sobre células próximas às de sua produção), sendo consideradas
“mensageiras” solúveis (Barcz et al., 2000).
O termo citocina engloba várias s ubstâncias com funções diversas e
altamente específicas, como as interl eucinas, interferons, fatores de
Introdução
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necrose tumoral, fatores de crescimento, fatores estimuladores de colônias
e quimioscinas. Há mais de duzentos tipos de citocinas isoladas em
laboratório que, para fa cilidade de estudo e pesquisa, são agrupadas em
famílias de acordo com a semelhança de estrutura molecular (D’Hooghe et
al., 2001).
O padrão local de secreção das citocinas é responsável pela seleção
dos mecanismos efetores dos linfócit os nas respostas polarizadas Th1 e
Th2. Na resposta Th1, estão envol vidos, fundamentalment e, o interferon
gama, o fator de necrose tumoral beta e a interleucina 2, que promovem a
fixação dos fatores do complemento, a ativação dos macrófagos e a
citotoxicidade celular. Já na resposta Th2, as principais citocinas envolvidas
são as interleucinas 4, 5 e 10 , que determinam o padrão de resposta
humoral dependente dos anticorpos. A ssim, de um modo simplificado,
assume-se que a resposta imune Th1 esteja mais associada às reações
inflamatórias mediadas por células, enquanto a resposta Th2, às respostas
mediadas por anticorpos e alérgicas (Abbas et al., 1996).
Para que haja uma definição por um ou outro tipo de resposta – Th1
ou Th2 -, as células Th primordiais indiferenciadas sofrem a influência de
alguns fatores, como o sítio de apres entação do antígeno, os tipos de
moléculas co-estimuladoras, as afinid ades com as moléculas CPH classe 2
(afinidade elevada favorece resposta T h1 e baixa Th2) e, principalmente, o
perfil e o equilíbrio das citocinas provocadas pelo antígeno (Abbas et al,
1996).
Merece destaque em todo esse me canismo o papel exercido pelas
interleucinas 12 e 18 no desencadear do processo. Essas citocinas são de
fundamental importância na ativação dos linfócitos T helper e,
conseqüentemente, nas etapas sucessoras. (Mazzeo et al., 1998).
Introdução
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A imunologia e a endometriose
Quando o tecido endometrial reflui pelas tubas e atinge a cavidade
pélvica, ocorre uma resposta imune celular (Th1) e humoral (Th2). A
resposta Th1 envolve os macrófagos peritoneais que fagocitam o tecido,
neste caso representando o antí geno, processam-no no ambiente
intracelular, exteriorizando fragmentos desse tecido através do complexo
principal de histocompatibilidade classe 2 ativando os linfócitos T helper que
, por sua vez, estimulam as células ex terminadoras naturais (“natural killer”)
a destruírem o macrófago e, conseqüentem ente, o antígeno nele contido. A
resposta Th2 participa com a secreção de anticorpos específicos. Esse é o
mecanismo de funcionamento normal do sistema imunológico que ocorre em
mulheres hígidas, lembrando que o re fluxo menstrual é um fenômeno
universal (Berkkanoglu e Arici, 2003).
Desde a proposição inicial da teoria imunológica, no início da década
de 1980, aceitou-se que, na mul her portadora de endometriose, o
mecanismo fisiológico apresentava def iciências. Nessa ocasião, Weed e
Arquembourg observaram que a freqüênc ia de endometriose associada à
infertilidade era muito elevada, princi palmente relacionada à infertilidade
secundária na qual cerca de 18 a 38% dos casos por eles estudados,
mesmo quando não havia grandes dist orções anatômicas, podiam ser
atribuídos à doença em ques tão. Questionou-se, naquela ocasião, a razão
pela qual a endometriose, me smo em estádios inic iais, poderia determinar
infertilidade e também como a infertilidade podia permanecer naquelas
pacientes mesmo após a remoção dos focos da doença. Como resposta,
postulou-se que, talvez, a endometriose causasse uma reação auto-imune
com secreção de proteínas pelos focos ectópicos, que não conseguiriam ser
removidas e, então, desencadeariam um sinal para que os mecanismos
imunológicos de fagocitose e remoç ão de debris as depurassem como
elementos antigênicos. A velocidade e capacidade de remoção de tais
proteínas, características individuai s de cada paciente, poderiam explicar
como algumas delas conseguiam conceber, mesmo com endometriose
Introdução
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avançada, e outras não o faziam, apesar de doença leve. Afirmou-se que,
como a reação auto-imune podia ser revertida pela remoção cirúrgica dos
endometriomas ou pela supressão prolongada da função ovariana, o sistema
imune deveria estar envolvido na endometriose. Essa foi a primeira proposta
da teoria imunológica na etiopatogenia da endometriose.
O fato de a endometriose promover at ivação policlonal dos linfócitos
B, o padrão familiar de ocorrência, o dano tecidual causado e o envolvimento
de diversos órgãos, além do predomínio em mulheres e coexistência de
outras doenças auto-imunes permitiram levantar a hipótese de a
endometriose também poder ser consi derada doença auto-imune (Nothnick,
2001).
Auto-anticorpos podem estar pres entes e imunoglobulinas podem
estar alteradas na endometriose, demonstrando o envolvimento da
imunidade humoral na et iopatogenia do processo (Badawy et al., 1989). O
anticorpo antinuclear, anticoagulante lúpico e anticorpo anti-IgG podem estar
aumentados em pacientes com endometriose (Gleicher et al., 1987) e estudo
mais recente, realizado em nosso meio por Pasoto et al. (2005), também
mostrou aumento dos anticorpos ant inucleares na endometriose,
corroborando a hipótese de que o sistema imune apresente alguma falha em
seus mecanismos reguladores nessa s pacientes. Ainda em nosso meio,
Podgaec (2006) estudou as resposta s Th1 e Th2 em pacientes com
endometriose e encontrou aumento das dos agens de interferon-gama, da
interleucina-10 e alteração nas relações entre as citocinas do braço Th1 e
Th2 apontando a ativação das duas vias na doença.
Além das alterações dos mecanismos imunológicos humorais, os
mecanismos celulares também se m odificam na endometriose. Dmowski et
al., em 1981, apresentaram o primeiro trabalho afirmando que as mulheres
com endometriose tinham imunidade celula r deficiente. A partir de então,
foram demonstradas diferenças nos números absoluto e relativo de linfócitos
T auxiliar (Th) e T supressor na circulaç ão periférica e no fluido peritoneal
(Badawy et al., 1987), redução significat iva na capacidade citotóxica das
Introdução
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células natural-killer (Oosterlynck et al., 1991) , aumento dos níveis das
interleucinas 6 e 10 no fluido peritoneal (Punnonen et al, 1996) , redução da
função ativadora das células T auxiliares tipo 1 (Th1) do ambiente peritoneal,
facilitando o implante e o crescimento do tecido endometrial ectópico (Wu e
Ho, 2003), aumento do número e da conc entração de macrófagos ativados
no fluido peritoneal e também dos produtos destes macrófagos, como o fator
de necrose tumoral alfa (TNF- α), a interleucina 6 (I L-6) , o fator de
crescimento transformador beta 1 (TGF β1) (D’Hooghe et al., 2001; Pizzo et
al., 2002) e o fator de crescimento dos hepatócitos (Khan et al., 2006) .
Observou-se que, na endometriose, os macrófagos infiltravam o tecido
endometrial ectópico, desencadeando a resposta imunológica, que resultava
num acúmulo de fluido peritoneal com níveis elevados de citocinas pró-
inflamatórias do braço Th1 (resposta imune celular), como IL-6, IL-1 fração β
e TNF-α (Punnonen et al., 1996).
Os macrófagos peritoneais são ativ ados e estimulam linfócitos,
culminando com a secreção de citoci nas, que modulam o crescimento e o
comportamento inflamatório dos implant es endometriais (Roitt et al., 2003).
A secreção de proteínas mitogênicas pelas lesões endometrióticas contribui
significativamente com os fenôm enos de adesão, proliferação,
neoangiogênese e quimioatra ção celular aos focos de endometriose recém-
implantados (Lebovic et al, 2001). As células “natural killer” têm sua
capacidade citotóxica reduzida, contribuindo para pior desempenho do
sistema dependente das células para a defesa contra o implante endometrial
ectópico (Berkkanoglu e Arici, 2003).
Introdução
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Papel das citocinas na etiopatogenia da endometriose
Em 1997, Nisolle e Donnez propuseram que a endometriose ovariana,
peritoneal e de septo retovaginal se riam doenças distintas, englobadas
numa única entidade. Apesar dessa diferença, já aceita atualmente por parte
dos estudiosos no assunto, também se postula que tais doenças se
desenvolvem por existir alteração imuno lógica basal prévia na paciente,
sendo que a função das citocinas tem papel de relevância no quadro em
questão.
Para que um fragmento de tecido endom etrial refluído pelas trompas
consiga se implantar e desenvolver no sítio ectópico, uma sucessão de
eventos se faz necessária. As etapas mais importantes são a adesão,
implantação, angiogênese, pr ogressão e infiltração. Em todos os processos
anteriores, as citocinas estão envolvidas (Harada et al., 2001).
Em 1999, Koninckx et al. propuseram uma nova teoria etiopatogênica,
por eles chamada teoria da doença endometriótica, que considera a
endometriose uma doença semelhante a um tumor benigno. Seu
embasamento, para tal, fundamentou-se nas evidências de que na
endometriose havia redução da imunidade ce lular, redução da atividade das
células “natural-killer”, favorecimento hereditário à aquisição da doença e
aspectos genéticos alterados. Destacou o envolvimento de algumas
citocinas, comprovando o aumento das concentrações do fator
transformador de crescimento beta (T GF-beta) e fator de crescimento
endotelial vascular (VEGF) no fluido peritoneal, o que favoreceria a
neovascularização necessária para o crescimento do foco endometriótico.
O fluido peritoneal é o principal fa tor de controle do microambiente
peritoneal. Seu volume varia com a époc a do ciclo menstrual, atingindo um
máximo no período ovulatório. Dent re seus componentes, encontram-se
diversas células imunológicas, co mo macrófagos, células mesoteliais,
linfócitos e eosinófilos (Harada et al., 2001).
Introdução
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O possível processo inflamatório pélvico local que existe na
endometriose determina alterações nas células contidas no líquido
peritoneal, bem como em outros elemen tos, incluindo até o volume de
líquido que, conforme dem onstrado por Syrop e Halm e, em 1987, é menor
nas pacientes com endometriose quando comparadas às pacientes inférteis
sem endometriose.
A resposta inflamatória associada à endometriose, o reparo tecidual e
a neovascularização dependem dos macróf agos do fluido peritoneal e de
seus produtos de secreção, particula rmente das citocinas. Os macrófagos
teciduais na endometriose estão mais ativados e, por isso, secretam maiores
quantidades de citocinas (Halme et al., 1984). Diversos estudos propuseram-
se a analisar as diferentes citoci nas conhecidas e seu comportamento na
endometriose. Foi comprovada a maior se creção de IL-1, IL-6 , IL-8 , TNF-
alfa , TGF-beta e VEGF no fluido peritonea l de pacientes com endometriose
( Barcz et al., 2000; Iwabe, 2002; K han et al., 2002; Wu e Ho, 2003). Em
outros estudos, foram encontradas menores concentrações de outras
citocinas, como o interferon-gama, sendo que as mesmas sofreram elevação
quando as pacientes foram tratadas com análogos do GnRH (Ho et al.,
1996). Há ainda pesquisadores que não encontraram diferenças
significativas nas concentrações de determinadas citocinas no fluido
peritoneal comparando mulheres hígidas e portadoras de endometriose, bem
como entre pacientes com outras doenças pélvicas e pacientes com
endometriose, como o estudo das c oncentrações de IL-6 nesses dois
grupos, realizado por Buyalos et al. em 1992.
Uma visão mais geral do processo permite enquadrar a endometriose
num processo inflamatório com fenômenos locais de reparação, envolvendo
a ativação de polimorfonucleares e cé lulas mononucleares que, quando
ativadas, secretam citocinas de uma m aneira peculiar que permite a criação
de um microambiente favo rável à implantação das células endometriais
refluídas ou metaplásicas (Pizzo et al., 2002).
Introdução
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12
A necessidade da busca de mét odos pouco ou minimamente
invasivos para o diagnóstico da endometri ose motiva estudiosos há anos. O
padrão-ouro atualmente aceito é a abor dagem cirúrgica com obtenção de
amostras para confirmação anatomopat ológica (Giudice e Kao, 2004). Isso
envolve custos pessoais e econômic os elevados, afastamento do trabalho e
atividades cotidianas, além dos riscos decorrentes da internação hospitalar,
anestesia e cirurgia.
A interleucina 12
A identificação e purificação da in terleucina 12 (IL-12) foi feita por
Kobayashi et al (1989), quando buscavam uma explicação para a
proliferação de células natural-killer (NK).
Evidências prévias mostravam a nece ssidade de linfócit os B, células
CD4 e altas concentrações de inte rleucina 2 para que se obtivesse a
proliferação do clone NK. O mecanismo exato para que os eventos
ocorressem era desconhecido, mas rec onhecia-se um papel importante do
interferon-gama no início do processo. K obayashi et al. (1989) estimularam
os clones de células B linfoblastoíticas infectadas com o vírus Epstein-Barr e
então encontraram uma nova citoci na por elas secretada, que era
diretamente envolvida na produção de interferon-gama, na citotoxicidade das
células NK e também aumentava a resposta das células T a agentes
específicos. Essa citocina foi cham ada inicialmente de “N atural Killer
Stimulatory Factor (N KSF)”, devido às suas propriedades biológicas.
Recentemente, passou a ser denominada interleucina 12.
Sua estrutura molecular é composta de um dímero glicoproteico de
peso 70 KDa, dividida em duas cadeias, leve e pesada, com
respectivamente 35 e 40 KDa (Barcz et al., 2000). A expressão das duas
cadeias é necessária para que a IL-12 se ja funcionalmente ativa; a cadeia
leve pode ser codificada pela maio ria das células do organismo, mas a
cadeia pesada só é produzida pelas célula s ligadas à função biológica desta
Introdução
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13
citocina, principalmente as células mielomonocíticas representadas pelos
macrófagos (Mazzeo et al., 1998). O conhecimento da necessidade da
expressão das duas cadeias para a ação da IL-12 foi demonstrado no
estudo de D’Andrea et al. em 1992. Esses autores verificaram que se células
periféricas monocíticas eram estimuladas com cepas de Staphylococcus
aureus Cowan I, cujo controle infeccioso dependia da resposta imune celular
tipo Th1, havia grande liberação do comp lexo dimérico de 70 KDa; por outro
lado, quando se administrava apenas um a das cadeias, leve (35KDa) ou
pesada (40KDa), às células previam ente infectadas, a resposta imune era
extremamente deficitária permitindo o alastramento da infecção.
Além da informação da necessidade das duas cadeias para a função
imune adequada, sabe-se que a cadeia pes ada, isoladamente, atua como
antagonista natural da própria IL-12, conforme demonstraram Somigliana et
al., em 1999.
A IL-12 é considerada uma molécu la-chave do sistema imune. Suas
atividades primordiais ex ercem-se sobre as células T e NK(D’Andrea et al,
1992) , a saber:
• indução da transcrição e secreção de outras citocinas, principalmente
interferon-gama;
• aumento da citotoxicidade das células NK;
• indução da proliferação das células NK.
Essas ações têm início a partir do estímulo que ocorre quando a IL-12
induz a produção de interferon-gama s obre as células T e NK, controlando,
portanto, a diferenciação das célu las T primordiais para o padrão Th1
(Somigliana et al., 1999).
A IL-12 é um elemento de grande impor tância no equilíbrio entre as
respostas imunes Th1/Th2. O recept or para IL-12 é composto de duas
cadeias, ditas beta-1 e beta-2, expre ssas conjuntamente apenas nas células
do padrão Th1. As células do padrão Th2 podem expressar a cadeia beta-1,
Introdução
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14
mas a cadeia beta-2 é induzida pelo interferon-gama e inibida pela IL-4
(Gazvani et al., 2001). A expressão do receptor incompleto torna-o não-
funcional.
Em 2004, Ledée-Bataille et al. estudaram o papel das interleucinas 12
e 18 em pacientes com falhas repeti das de implantação após fertilização
assistida. Estudos anteriores mostrava m que, em altas concentrações, tanto
a IL-12 isolada quanto em sinergismo com IL-18 favoreciam abortamentos,
mas em doses baixas ou fisiológicas eram necessárias nos estágios iniciais
da implantação para a ocorrência da remodelação vascular e
estabelecimento das relações materno-feta is iniciais (Yoshi no et al, 2001;
Chaouat et al, 2002). Confirmaram, ne sse estudo, o envolvimento da IL-12
em altas concentrações nos abortament os precoces e falhas repetidas de
implantação, atribuindo esse fato à ativação das células NK e ao excesso de
produção de interferon-gama.
Ainda em estudos relaciona dos à reprodução humana, outros
pesquisadores investigaram o padrão de resposta imune predominante em
abortamentos de repetição e a possibi lidade de alguma ação atribuível às
interleucinas. Wilson et al. (2004) estudaram 75 mulheres, sendo 25 não-
gestantes sem antecedentes de abortamentos sucessivos e 50 com
antecedentes de pelo menos 3 abortamentos prévios; encontraram níveis
significativamente mais elevados de IL-12 e interferon-gama nas pacientes
com abortamentos de repetição.
Visto já haver diversos trabalhos com IL-12 em vasta gama de
doenças, grupos de pesquis adores aplicaram à end ometriose raciocínios
semelhantes, estudando o papel da citocina na mesma. Talvez a IL-12
pudesse ser um dos fatores responsáveis pela falha do controle das células
NK no combate ao foco ectópico (Barcz et al., 2000).
Mazzeo et al, em 1998, realizaram um estudo com a dosagem da IL-
12 e da subunidade de 40 KDa (p40) no fluido peritoneal de 33 pacientes
com endometriose comprovada por vi deolaparoscopia e 40 pacientes sem
endometriose e encontraram concentraçõ es semelhantes da IL-12 total em
Introdução
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ambos os grupos, porém concentrações mais elevadas da subunidade p40
no grupo com endometriose. A razão IL-12 + p40/ IL-12 revelou-se
diretamente proporcional à severidade da endometriose, mostrando haver
um desequilíbrio nas portadoras da doença quanto à produção de IL-12, com
aumento da proporção da cadei a pesada que compete em nível de receptor
com a IL-12 clássica, inibindo suas funções.
Em 1999, Somigliana et al. propuseram o uso de modelos
experimentais animais para o es tudo da endometriose e citocinas.
Inicialmente, estudaram ratos imunol ogicamente competentes, que foram
submetidos à inoculação de impl antes peritoneais de endometriose e
sacrificados após 3 semanas da interv enção, quando os implantes eram
analisados quanto à área e ao peso. Posteriormente, o mesmo modelo foi
usado e nos animais previamente inoc ulados foi administrada IL-12; quando
sacrificados no mesmo tempo para obser vação constatou-se que a adição
de IL-12 foi capaz de prevenir os impl antes e de reduzir o peso e a área dos
tecidos em que conseguiram se implantar, corroborando a teoria de que a IL-
12 atuava como molécula fundamental no estímulo inicial da resposta imune
celular contra o endométrio ectópico.
Em análise do fluido peritoneal de pacientes com e sem
endometriose, Gazvani et al. (2001) es tudaram as concentrações de IL-12 e
encontraram distribuição similar nos dois grupos, sem diferenças nos
diversos estádios da doença, nas fa ses do ciclo menstrual ou quanto às
queixas de dismenorréia, infertilidade ou dor pélvica crônica.
Somigliana et al., também em 2001, estudaram em modelos animais
os mecanismos imunológicos envolv idos na endometriose e a participação
específica da IL-12. Inocularam tecido endometrial na cavidade peritoneal de
ratos modificados geneticamente, divididos em dois grupos, sendo o primeiro
deficiente em beta2-microglobulina (o que sabidamente os deixava com o
número absoluto e relativo de linfócit os T reduzido) e o segundo deficiente
na cadeia pesada da IL-12 (também comprometendo a resposta imune
celular). Seus resultados não só apontaram que nos animais do grupo
Introdução
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deficiente na cadeia p40 da IL-12 houve maior facilidade no crescimento e
desenvolvimento dos implantes inoculados, mas também que em ambos os
grupos a progressão da endometriose foi maior do que quando comparados
a um terceiro grupo imunologicamente competente.
Em 2004, Gallinelli et al. estudaram o comportamento da IL-12 e IL-13
em 80 pacientes submeti das à videolaparoscopia por diferentes causas,
como endometriose, dor pélvica, infertilidade, reanastomose ou laqueadura
tubárea. A IL-13 é uma interleucina envolvida no estímulo da secreção de IL-
4 no fenótipo Th2. Os resultados mostra ram aumento dos níveis de IL-12 no
fluido peritoneal das pacientes com endo metriose estádios III ou IV, quando
comparadas às demais pacientes e, com relação à IL-13, revelaram o
contrário, sendo as dosagens peritoneai s maiores nas portadoras de outras
doenças quando comparadas às pacientes com endometriose,
independentemente da severidade da mesma.
A interleucina 18
A interleucina 18 (IL-18) foi inic ialmente denominada Fator Indutor do
Interferon Gama. Trata-se de uma glic oproteína membro da superfamília da
interleucina 1, sendo secretada por dive rsos tipos celulares. No sangue
periférico, é liberada como pró-IL- 18, molécula com peso molecular de
24KDa, e posteriormente passa por pr ocesso de clivagem extracelular pela
enzima conversora da IL-1, transfo rmando-se na IL-18 ativa, agora com
peso de 18KDa (Arici et al., 2003). Em sua produção, estão envolvidos,
principalmente, os macrófagos ativados.
A IL-18 tem participação nos dois braços da resposta imune (Th1 e
Th2). Isoladamente, a IL-18 é uma cito cina promotora da resposta Th2 com
estímulo à produção de angiopoetina 2, aumentando os fatores vasculares
locais, além de favorecer a liberação de IL-4, IL-5 , IL-10 e IL-13 (Zhang et
al, 2004). Pode, também, comportar-se como uma citocina Th1, agindo
sinergicamente com a IL-12, co-est imulando a produção de interferon-gama
Introdução
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e, conseqüentemente, participando da ativação de células T e NK.
Experimento realizado em 2001, por Esf andiari et al., mostrou que, em ratas
com lúpus eritematoso sistêmico induzi do, a adição de IL-12 associada a IL-
18 exacerbava o “rash” cutâneo em asa de borboleta, mas a adição isolada
de IL-18 resultava na remissão do “rash” facial e aumentava os níveis de
auto-anticorpos, mostrando a participação da IL-18 ora na resposta Th1, ora
na Th2.
Conforme já mencionado anteriorm ente, a IL-18 é necessária em
doses fisiológicas para o processo de implantação da gestação inicial, mas
em doses elevadas tem participação nos abortamentos de repetição
(Chaouat et al., 2002). A resposta básic a Th1 é fundament al no processo
inicial de implantação para haver esti mulação e ativação das células NK
uterinas, que, por sua vez, seriam essenciais no estabelecimento da
angiogênese endometrial (Ledée-Bataille et al, 2005).
Assume-se, atualmente, que a IL-18 tem as seguintes funções
biológicas ( Gracie et al., 2003):
• é o mais potente indutor da produç ão e secreção do interferon-gama;
• induz a produção de IL-12 e TNF-alfa;
• favorece a liberação de IL -4, IL-5, IL-10 e IL-13;
• participa dos dois braços de resposta imune Th1 e Th2.
Arici et al., em 2003, coletaram o fluido peritoneal de 74 pacientes
durante a videolaparoscopia, sendo 50 portadoras de endometriose não-
tratada, 8 com endometriose tratada co m análogos do GnRH previamente e
18 sem endometriose, e nelas dosaram a concentração de IL-18 no fluido
peritoneal. Seus resultados mostraram que a concentração de IL-18 no
grupo das pacientes com endometriose era significativamente maior que
naquelas sem a doença, salientando, ai nda, que, na fase secretora, as
concentrações eram sempre mais el evadas em todos os grupos. Houve
ainda relação estatisticamente signifi cativa quando a endometriose era
Introdução
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18
peritoneal (maiores concentrações) e comparada à das pacientes com
endometriomas ovarianos.
Em 2004, Oku et al. compararam as concentrações sérica e no fluido
peritoneal de IL-18 de 39 pac ientes com endometriose e 19 sem a doença.
As concentrações no fluido peritoneal das portadoras de endometriose foram
significativamente superiores às das pacientes sem a doença, mas em
relação às concentrações séricas não se encontraram diferenças estatísticas
nem quando se considerou o estadiamento segundo a Sociedade Americana
de Medicina Reprodutiva. Em outro estudo, Zhang et al., em 2004,
estudaram 44 pacientes submetidas à videolaparoscopia, sendo 22 delas
com endometriose e 22 controles. Enc ontraram concentrações mais baixas
da IL-18 no fluido peritoneal das portadoras de endometriose do que no
grupo controle e também não observara m diferenças estatisticamente
significativas nas concentrações séricas dos dois grupos estudados, mesmo
considerando o estadiamento da doença ou as diferentes fases do ciclo.
Interpretaram seus resultados defendend o a hipótese de que a redução da
concentração da IL-18 determinaria prejuízo globa l nas funções
imunológicas celulares, favorecendo o implante e o crescimento dos focos
endometriais ectópicos.
Em nosso meio, Glitz (2006) não encontrou diferenças nas dosagens
sérica e peritoneal de IL-18 entre um grupo de mulheres férteis sem
endometriose comparado a outro grupo de pacientes com infertilidade e
endometriose mínima ou leve, sugerindo que não seria a alteração da IL-18
a possível causa da associação de infertilidade e endometriose inicial.
Luo et al. (2006) estudaram a ex pressão do RNA m ensageiro da IL-
18 no endométrio tópico e em foco s de endometriose de um grupo de
mulheres hígidas, comparando-as co m pacientes com endometriose.
Observaram que nas pacientes co m a doença a expressão do RNA
mensageiro da IL-18 estava signifi cativamente diminuída tanto no
endométrio tópico quanto ectópico, o que fortaleceria a hipótese da
participação da IL-18 na etiopatogenia do processo.
Introdução
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Conforme salientado, há incertez as sobre a etiopatogenia da
endometriose, principalmente no âmbito da imunidade. Nesse quesito, as
interleucinas 12 e 18 têm papel importante por atuarem como
desencadeadoras das respostas imunes Th1 e Th2 a partir de estímulos
sobre os linfócitos T primordiais (D’Andrea et al., 1992; Gazvani et al., 2002).
Adicionalmente, são c onflitantes os dados sobre a participação dessas
interleucinas na endometriose pélvica. Esse estudo foi realizado visando a
aprofundar os conhecimentos de modo a dirimir algumas dúvidas acerca da
participação das interleucinas 12 e 18 em pacientes nesta doença,
ressaltando a inexistência de outros estudos em que t enha sido feita a
correlação das referidas citocinas com a fase do ciclo menstrual de coleta
das amostras, o estadiamento, o loca l e a classificação histológica da
doença.
Introdução
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PROPOSIÇÃO
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Proposição
Propusemo-nos neste estudo a:
1. avaliar o comportamento das interleucinas 12 e 18 em pacientes
com endometriose pélvica através de suas dosagens no sangue e no fluido
peritoneal;
2. relacionar em pacientes com endometriose, as dosagens séricas e
no fluido peritoneal das interleucinas 12 e 18 com:
• a fase do ciclo menstrual;
• o quadro clínico;
• os locais de acometimento: peritônio, ovário e doença
profunda;
• o estadiamento da endometriose
• a classificação histológica da endometriose.
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PACIENTES E MÉTODOS
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Pacientes e Métodos
Avaliamos 105 pacientes do sexo fe minino que foram submetidas à
videolaparoscopia no Setor de Endometri ose do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo durante o período de
abril de 2004 a dezembro de 2005. Fora m subdivididas em dois grupos,
casos e controles, após a realização do procedimento cirúrgico, de acordo
com a presença ou ausência da endomet riose. No grupo dos casos com
endometriose foram incluídas 72 pacientes e no grupo controle 33.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesqui sa do Hospital
das Clínicas da Faculdade de Medi cina da Universidade de São Paulo
(anexo A).
Todas as pacientes leram e assinaram o termo de consentimento pós-
informação (anexo B).
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
(FAPESP) auxiliou a realização deste es tudo com a aprovação de verba no
processo 05/01218-3
Critérios de inclusão
Os critérios de inclusão para o grupo de pacientes com endometriose
(anexos C, D e E) foram:
• idade entre 18 e 40 anos;
• endometriose confirm ada histologicamente;
• ausência de doenças auto-im unes, confirmada através de
anamnese e exames laboratoriais quando necessário;
• ciclos menstruais regulares;
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• não utilização de terapêutica horm onal nos 3 meses antecedentes
ao procedimento cirúrgico, inclui ndo análogos do GnRH, derivados
progestogênicos e contraceptivos hormonais;
• ausência de contaminação hemática no fluido peritoneal.
Para o grupo controle (anexos C, D e E), foram selecionadas
pacientes com quadro clínico sugestivo de endometriose, com indicação de
videolaparoscopia, com os mesmos cr itérios de inclusão citados para o
grupo dos casos, exceto pela confirmação da ausência de endometriose
durante a cirurgia.
Dinâmica do estudo
As pacientes encaminhadas ao Seto r de Endometriose do Hospital
das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo eram
inicialmente submetidas à consulta gi necológica com avaliação das queixas
clínicas, exame físico e exames subs idiários pertinentes, como a dosagem
sérica do marcador tumoral CA-125 nos três primeiros dias do ciclo
menstrual, ultra-sonografia pélvica e/ ou transvaginal e, quando havia
necessidade, ressonância nuclear magnética da pelve.
Nos casos em que a suspeita clínica, laboratorial (CA-125 maior ou
igual a 100 µg/mL) e/ou por imagem (cistos anexiais ou sinais de doença
profunda) sugeriram endom etriose, ou se houvesse normalidade nos
exames, mas ausência de melhora com tratamento clínico com analgésicos
e/ou anti-inflamatórios por 6 meses a 1 ano, a pa ciente era submetida à
videolaparoscopia. Durante o procedi mento, na dependência de terem sido
observadas lesões compatíveis com endometriose, eram realizadas biópsias
com posterior confirmação anatom opatológica. Quando confirmada a
endometriose, a paciente er a incluída no grupo de caso s. Na ausência de
lesões visíveis no intraoperatório, ela era incluída no grupo controle.
Pacientes e Métodos
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Anotamos o dia do ciclo menstrual em que a paciente se encontrava
no momento do procedimento cirúrgico. Dessa forma, subdividimos as
pacientes em fase folicular e fase lú tea e nelas avaliamos o comportamento
das interleucinas 12 e 18.
Antes da anestesia geral para a vi deolaparoscopia, colheram-se 5mL
de sangue periférico em tubo seco. A pacie nte foi submetida à laparoscopia,
seguindo a rotina habitual do serviço. Pela punção secundária, realizou-se a
coleta de líquido peritoneal depositado em fundo de saco anterior e/ou
posterior, variando de volume entre 2 e 10mL, e armazenado em tubo seco.
O material foi encaminhado ao laboratór io para ser centrifugado, aliquotado
e congelado em freezer a -20ºC. Depo is de estocado, o mesmo somente foi
descongelado com a coleta completa de todos os dados, para realização das
dosagens das interleucinas 12 e 18.
Ainda durante o ato cirúrgico, foi observado o local dos implantes da
endometriose. Foram consideradas três localizações para a classificação:
doença peritoneal, ovariana e doença prof unda (regiões retro-cervical, para-
cervical, septo reto-vaginal, reto-sigmóide, ureteres e bexiga). Para a análise
estatística foi considerado como critér io de gravidade a ordem crescente:
doença peritoneal, doença ovar iana e doença prof unda infiltrativa, conforme
postulado por Nisolle e Donnez (1997).
Em relação à avaliação das dosagens das interleucinas segundo a
classificação histológica, agrupamos as pacientes em duas categorias
histológicas (sem indiferenciação e com indiferenciação). O critério para tal
divisão baseou-se na classificação hist ológica proposta por Abrão et al.
(2003), com quatro tipos histológicos de apresentação da doença (estromal,
bem-diferenciada, padrão misto de dife renciação e indiferenciada). As
pacientes do grupo com endometriose foram subdivididas em dois
subgrupos (sem indiferenciação e co m indiferenciação). As classes
histológicas estromal e bem-diferenc iada foram categorizadas como “sem
indiferenciação” (n = 28), enquanto as formas mista e indiferenciadas foram
categorizadas como “com indifer enciação” (n = 44), considerando o
Pacientes e Métodos
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comportamento da doença estromal e bem-diferenciada menos agressivo e
o comportamento da doença com padr ões misto de diferenciação e
indiferenciada mais agressivo.
Estadiamento da Endometriose
As pacientes com endometriose tiveram sua doença classificada
durante o procedimento cirúrgico pelo critério da American Society for
Reproductive Medicine (1996) em estádios de I a IV (Figura 1). Para melhor
análise estatística, os estádios I e II foram agrupados como estádio inicial e
os estádios III e IV foram agrupados como estádio avançado.
Pacientes e Métodos
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FIGURA 1 - Classificação da endometriose proposta pela American
Society for Reproductive Medicine (revisada em 1996).
Estádio I (mínima): 1-5 Estádio II (leve): 6-15
Estádio III (moderada): 16-40 Estádio IV (severa): > 40
ENDOMETRIOSE 3 cm
Superficial
Profunda
D superficial
Profunda
E superficial
Profunda
OBLITERAÇÃO DO FUNDO
DE SACO POSTERIOR
1
2
1
4
1
4
2
4
2
16
2
16
4
6
4
20
4
20
Parcial Completa
4 40
OVÁRI O
PERI TÔNIO
ADERÊNCIAS 2/3 Envolvidos
D Velamentosa
Densa
E Velamentosa
Densa
1
4
1
4
1
4*
2
8
2
8
2
8*
4
16
4
16
4
16 TROM PA
OVÁRIO
D Velamentosa
Densa
E Velamentosa
Densa
1
4*
2
8*
4
16
* Se as fímbrias tubáreas estiverem totalmente envolvidas por aderências, mude o escore
para 16.
Usar em caso de trompas
e ovários anormaisED
Usar em caso de trompas
e ovários normaisED
Pacientes e Métodos
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28
Método laboratorial
O método laboratorial utilizado para as dosagens das interleucinas 12
e 18 foi o ELISA, téni ca de ensaio imunoenzimát ico quantitativo tipo
sanduíche: anticorpos monoclonais específicos para as referidas
interleucinas são pré-fixados em uma placa de ELISA. Padrões, amostras e
os conjugados (anticorpos policlonais c ontra IL-12 e contra IL-18 ligados à
enzima peroxidase) foram pipetados. Quaisquer IL-12 ou IL-18 presentes
nas amostras ligaram-se aos antic orpos imobilizados e aos conjugados,
formando um complexo anticorpo-antí geno-anticorpo conjugado. Após uma
etapa de lavagem, para remover quaisquer substâncias não ligadas, uma
solução contendo o substrato (tetrame tilbenzidina + peróxido de hidrogênio)
foi adicionada, observando-se o desenvol vimento de cor proporcionalmente
à quantidade das interleucin as ligadas. A reação fo i então estabilizada por
meio da adição de uma solução de ácido sulfúrico 2N e a intensidade da cor
foi medida por um leitor de ELISA. Como padrões, foram usadas 6 soluções
de concentrações diferentes e conheci das de IL-12 e IL-18 recombinantes.
Utilizamos os kits IL-12 (p70) Humana (Human IL-12 p70 Kit, BD
Biosciences, San Diego, USA) para a IL-12 e IL-18 ELISA (IL-18 ELISA, IBL,
Hamburg, Alemanha). O limite de dete cção do kit de IL-12 preconizado pelo
laboratório foi de 4 pg/mL e o do kit de IL-18 foi de 9,2 pg/mL.
Para o cálculo dos resultados, foram criadas curvas-padrão com
base nos resultados dos padrões (média dos conjuntos de padrões
ensaiados em duplicata), utilizando-se um programa de computador
específico (SPSS versão 10.0).
Pacientes e Métodos
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Análise Estatística
Para cada interleucina, fora m comparadas as concentrações
verificadas no sangue e no líquido peritoneal nos casos e nos controles.
Foram avaliadas as médias (teste t de Student) e as proporções por faixa de
dispersão (testes chi-quadrado e Fisher).
As variáveis quantitativas foram apresentadas descritivamente em
gráficos. Os grupos foram comparados com o teste não paramétrico de
Kruskal-Wallis; quando significante, co mplementou-se com o teste de Dunn
para discriminar a(s) diferença(s).
Os valores de p<0,05 foram considerados estatisticamente
significantes.
Os casos foram categorizados para avaliação estatística segundo a
fase do ciclo, sintomas, local da d oença, estadiamento e classificação
histológica .
Pacientes e Métodos
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30
RESULTADOS
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31
Resultados
Os dados do estudo foram obtidos at ravés de comparações entre os
resultados do grupo de pacientes com endometriose e do grupo controle em
relação a diversos parâmetros.
Na tabela 1 está a distribuição das pacientes conforme sintomas,
localização da doença, estadiamento e classificação histológica da
endometriose .
Tabela 1 - Comparação entre os grupos controle e com endometriose
em relação aos sintomas, locais de doença, estadiamento e
classificação histológica
CARACTERÍSTICA GRUPO COM ENDOMETRIOSE GRUPO CONTROLE p
N % N %
DISMENORRÉIA SEVERA OU INCAPACITANTE 47 83,9% 9 16,0% 0,001*
DISPAREUNIA DE PROFUNDIDADE 36 51,4% 12 36,3% 0,153
ALGIA PÉLVICA ACÍCLICA 44 62,8% 13 39,3% 0,025*
INFERTILIDADE 26 37,1% 8 25,0% 0,227
ALTERAÇÃO INTESTINAL CÍCLICA 37 52,8% 2 6,0% 0,001*
ALTERAÇÃO URINÁRIA CÍCLICA 2 2,8% 0 0% 1
DOENÇA PERITONEAL 33 47,1%
DOENÇA OVARIANA 41 58,5%
DOENÇA PROFUNDA 36 51,4%
ENDOMETRIOSE INICIAL (ESTÁDIOS I E II) 28 38,9%
ENDOMETRIOSE AVANÇADA (ESTÁDIOS III E IV) 44 61,1%
ENDOMETRIOSE MISTA E/OU INDIFERENCIADA 44 61,1%
ENDOMETRIOSE ESTROMAL E/OU BEM DIFERENCIADA 28 38,9%
* : p<0,05
A avaliação das dosagens das interl eucinas 12 e 18, comparando o
grupo com endometriose em geral (n=72) em relação ao grupo controle foi
analisada, e os resultados estão apresentados na tabela 2.
_________________________________________________________________
____________________________________________________________________
32
Tabela 2 – Comparação das dosagens das interleucinas 12 e 18 entre o
grupo controle e o grupo de pacientes com endometriose (pg/mL)
IL 12 IL18
sangue Fluido peritoneal sangue Fluido peritoneal
Controle 97,13+/-19,02 29,20+/-10,21 62,07+/-8,08 112,51+/-29,24
EDT 152,14+/-22,59 82,37+/-16,61 70,52+/-0,00 142,54+/-23,39
p 0,16 <0,001* 0,39 0,22
Também procedemos à análise das dos agens das interleucinas 12 e
18 em relação à fase do ciclo mens trual em que as pacientes foram
submetidas ao procedimento videolapar oscópico. Os resultados estão
apresentados na tabela 3.
Tabela 3 – Comparação das dosagens das interleucinas 12 e 18 no
sangue e no fluido peritoneal entre o grupo controle e pacientes com
endometriose em relação à fase do ciclo menstrual (média +/- erro
padrão em pg/mL)
Controle ENDOMETRIOSE
sangue Fluido peritoneal sangue Fluido peritoneal
IL12 Fase folicular 101.98 + 24.21 36.04 + 13.2 125.25 + 19.46 82.54 + 16.58
IL12 Fase lútea 81.98 + 22.32 7.83 + 3.83 152.69 + 45.98 40.56 + 14.2
p 0,753 0,176 0,644 0,231
IL18 Fase folicular 56.29 + 7.67 126.62 + 37.05 57.57 + 10.17 159.98 + 29.94
IL18 Fase lútea 80.12 + 23.25 68.38 + 32.34 56.49 + 26.09 91.2 + 33.28
p 0,542 0,444 0,542 0,479
Comparamos as dosagens das interl eucinas 12 e 18 entre o grupo
controle e as pacientes com endometriose segundo os sintomas
apresentados, conforme demonstrado na tabela 4.
Resultados
_________________________________________________________________
____________________________________________________________________
33
Tabela 4 – Comparação das dosagens das interleucinas 12 e 18 no
sangue e no fluido peritoneal entr e o grupo controle e o grupo com
endometriose, segundo os sintomas apresentados.
n sangue FP n sangue FP sangue FP
Dismenorréia severa
12 9 86.92 + 23.68 35.94 + 23.17 47 151.87 + 27.54 82.21 + 20.54 0,77 0,02*
18 9 97.16 + 13.19 199.79 + 86.79 47 77.59 + 16.5 158.68 + 30.03 0,01* 0,86
Dispareunia de profundidade
12 12 158.81 + 41.77 44.83 + 23.39 38 132.27 + 30.59 101.62 + 29.25 0,26 0,02*
18 12 82.45 + 13.81 161.81 + 69.81 38 61.34 + 14.05 162.19 + 38.09 0,03* 0,36
Dor acíclica
12 13 126.64 + 31.82 40.08 + 19.91 44 165.67 + 29.2 101.93 + 26.14 0,89 0,02*
18 13 49.86 + 11.05 146 + 65.34 46 86.45 + 17.32 147.85 + 32.07 0,46 0,47
Infertilidade
12 8 97.03 + 22.53 44.53 + 25.55 28 167.63 + 40.4 122.76 + 41.61 0,70 0,27
18 8 84.45 + 22.16 173.65 + 90.26 28 50.3 + 7.37 103.22 + 25.09 0,30 0,42
Alterações intestinais cíclicas
12 2 75.27 + 12.17 11.28 + 7.28 39 162.18 + 31.34 105.59 + 29.56 1,00 0,11
18 2 26.3 + 15.07 59.99 + 20.98 39 63.16 + 13.14 161.87 + 30.5 0,36 0,73
Alterações urinárias cíclicas
12 0 2 134.92 + 56.03 380.86 + 300.85
18 0 2 32.24 + 10.75 210.65 + 77.38
pVariável IL Controle Endometriose
*: p<0,05
Realizamos a avaliação das dosagens das interleucinas 12 e 18 entre
o grupo de pacientes com endometrio se segundo o local da doença e os
resultados estão representados na tabela 5.
Tabela 5 – Comparação entre as dosagens das interleucinas 12 e 18 no
sangue e no fluido peritoneal em relação à localização da doença,
segundo critério de gravidade (pg/mL).
Média Erro
padrão Média Erro
padrão Média Erro
padrão
IL - 12 sg 146,43 43,86 96,86 28,00 178,50 35,24 0,31
FP 53,02 15,20 71,59 19,32 103,98 30,83 0,62
IL - 18 sg 68,91 17,32 103,56 38,08 57,70 13,43 0,42
FP 142,26 56,52 109,89 37,86 156,30 29,95 0,31
Variável p
Ovário (n=21) Peritônio (n=15) Profunda (n=36)
Resultados
_________________________________________________________________
____________________________________________________________________
34
De acordo com o estadiamento pr oposto pela Sociedade Americana
de Medicina Reprodutiva dividimo s as pacientes do grupo com
endometriose. Realizamos a comparação das dosagens das interleucinas 12
e 18 entre o grupo controle e o grupo com endometriose que também foi
subdividido segundo o estadiamento. Os resultados estão apresentados nas
tabelas 6 e 7.
Tabela 6 – Comparação das dosagens da interleucina 12 no sangue e
no fluido peritoneal entre o gr upo controle e pacientes com
endometriose subdivididas segundo o estadiamento (ASRM, 1996;
média +/- erro padrão em pg/mL)
IL-12 estádios I/II(n=28) estádios III/IV(n=44)
sangue FP sangue FP
média 82,04 62,54 196,74 94,98
erro padrão 16,63 14,13 33,91 25,61
p-value 0,007* 0,71
* : p<0,05
Tabela 7 - Comparação das dosagens da interleucina 18 no sangue e
no fluido peritoneal entre o gr upo controle e pacientes com
endometriose subdivididas segundo o estadiamento (ASRM, 1996;
média +/- erro padrão em pg/mL)
IL-18 estádios I/II(n=28) estádios III/IV(n=44)
sangue FP sangue FP
média 51,28 97,21 82,77 171,38
erro padrão 10,56 27,21 17,49 33,65
p-value 0,63 0,05
Resultados
_________________________________________________________________
____________________________________________________________________
35
De acordo com a classificação histológica da endometriose
realizamos a comparação das dosagens de IL-12 e IL-18 no sangue e no
fluido peritoneal. Verificamos que não houve diferença estatisticamente
significante entre as categorias hist ológicas e as dosagens das referidas
interleucinas, mas houve uma tendência ao aumento da IL-12 sérica em
pacientes com formas mais indiferenc iadas da endometriose. Os resultados
estão demonstrados nas tabelas 8 e 9.
Tabela 8 – Comparação das dosagens da interleucina 12 no sangue e
no fluido peritoneal no grupo de pacientes com endometriose, de
acordo com a categoria histológica .
IL12 Fluido peritoneal IL12 Sérica
nm é d i a erro
padrão nm é d i a erro
padrão
Sem indiferenciação 28 63,21 13,77 28 104,04 21,01
Com indiferenciação 44 94,56 25,70 44 182,74 33,86
p 0,9120 0,1149
Categoria Histológica
Tabela 9 – Comparação das dosagen s da interleucina 18 no sangue e
no fluido peritoneal no grupo de pacientes com endometriose, de
acordo com a categoria histológica.
IL18 Fluido peritoneal IL18 Sérica
nm é d i a erro
padrão n média erro
padrão
Sem indiferenciação 28 123,39 29,30 28 80,17 22,89
Com indiferenciação 44 154,72 33,55 44 64,39 12,16
p 0,8524 0,7859
Categoria Histológica
Resultados
_________________________________________________________________
____________________________________________________________________
36
DISCUSSÃO
_________________________________________________________________
____________________________________________________________________
37
Discussão
Nosso trabalho avaliou o comportamento das interleucinas 12 e 18 no
sangue e no fluido peritoneal em um grupo controle composto por 33
pacientes com quadro clínico sugestivo e ausência comprovada de
endometriose e em 72 pacientes com endometriose com diferentes
características. Até o presente mom ento inexiste na literatura trabalho
semelhante que correlacione essas duas citocinas com a fase do ciclo
menstrual, sintomas, estadiamento, lo cal e classificação histológica da
doença, o que apresenta um panorama global dos di versos aspectos da
endometriose, todos envolvidos no ent endimento completo da mesma. O
estudo desses parâmetros correlaci onados às dosagens das referidas
interleucinas poderia representar um a nova proposta no entendimento mais
claro da fisiopatologia da endometriose.
Sabidamente, a IL-12 e a IL- 18 participam ativamente da base
imunológica, fundamentalmente da reposta Th1 (Gazvani et al., 2001; Gracie
et al., 2003). Reconhecemos ser esse um dos principais mecanismos
responsáveis pelo desenvolvimento da doença, daí a importância do
conhecimento mais profundo acerca do comportamento de cada elemento
dele constituinte nos eventos rela cionados ao processo etiopatogênico
(Podgaec et al., 2007).
Quando o tecido endometrial refluído pelas tubas uterinas atinge a
cavidade pélvica, inicia-se uma res posta imune. Os macrófagos peritoneais
são as primeiras células recrutadas , reconhecem o tecido endometrial como
antigênico e fagocitam-no para proce ssá-lo no ambiente intracelular.
Partículas do tecido fagocitado são expostas na superfície dos macrófagos e
reconhecidas por linfócitos Th pr imordial. Nesse momento, com a
participação das interleucinas 12 e 18, há a transformação desses linfócitos
Th primordial em Th1, determinando a via de resposta imune celular.
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38
A IL-12 atua nesse processo aumentando a citotoxicidade das células
NK e estimulando a secreção de outra s citocinas, principalmente o
interferon-gama. A IL-18 igualmente atua de modo signific ativo, induzindo a
produção e secreção do interferon-gama, além de estimular a própria
produção da IL-12, do TNF-alfa e de ci tocinas do braço Th2. Portanto, sob
estímulo das interleucinas 12 e 18 sintetizadas por células NK e macrófagos,
os linfócitos Th primordial diferenciam-se em Th1 (Podgaec & Abrão, 2005).
Assumindo-se que a ocorrência da resposta imune Th1 seja de
fundamental importância para o controle do ambiente peritoneal com limpeza
das células refluídas, inferimos que o mecanismo fisiológico anteriormente
descrito apresente alterações na en dometriose, propici ando o implante e
crescimento dos focos ectópicos. Hsu et al. (1997) creditaram ao
desequilíbrio entre as respostas Th1 e Th2, pendendo para a resposta Th2,
a explicação para as alterações imunológicas encontradas em mulheres com
endometriose. A importância de tal desequi líbrio já havia sido demonstrada
em outros processos fisiológicos, como nas falhas de implantação e
abortamentos de repetição (Chaouat et al., 2002; Lédée-Bataillle et al.,
2004). Podgaec (2006) encontrou aumento das citocinas Th2 nas pacientes
com endometriose.
Apesar do melhor conhecimento dos mecanismos envolvidos na
etiopatogenia da endometriose dive rsos aspectos ainda permanecem
obscuros, sendo vasto o campo de pesquisa nesta área. Trabalhos recentes
em imunologia têm trazido esclarecim entos da base fisiopatológica do
processo explicando-nos os passos fundamentais que culminam na
permissão para o implante, crescim ento e desenvolvimento do tecido
endometrial em sítio extra-uterino. Além disso, as terapias atualmente
disponíveis para o trat amento da doença baseiam-se na citorredução e
citossupressão das células ectópi cas, logo, quando suspensas, não
conseguem impedir a recidiva ou o avanç o da mesma (Lebovic et al., 2001).
Por outro lado as terapias mais eficaz es existentes em nossos dias apóiam-
se na interrupção com bloqueio do fluxo menstrual (Petta et al.,2005, de Sa
Rosa e Silva et al., 2006; Hansen e Eyster, 2006); salie ntando que muitas
Discussão
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39
das pacientes têm desejo reprodutivo, e ssas técnicas tornam-se dificultosas
à obtenção da gestação. O entendiment o mais profundo dos mecanismos
fisiopatológicos envolvidos na gênes e da endometriose poderia permitir o
desenvolvimento de terapias mais adequadas ao combate das causas
fundamentais do processo com ações mais duradouras e efetivas.
A fase do ciclo menstrual pode ser entendida como relevante para o
entendimento do comportamento das in terleucinas na endometriose.
Sabendo que o estímulo à resposta oco rre durante a fase menstrual, que é
justamente quando acontece a chegada do tecido endometrial à cavidade
pélvica, poderíamos inferir que as dosagens das interleucinas relacionadas a
essa resposta deveriam ser mais elev adas nessa época. Esse, no entanto,
não foi o resultado observado por Gazvani et al. (2001) que não encontraram
diferenças nas dosagens de IL-12 nas fa ses folicular e lút ea. Arici et. al
(2003) encontraram elevação das dosag ens peritoneais de IL-18 na fase
lútea em comparação com a fase folic ular. Luo et al. (2006) também
avaliaram as diferentes fases do ciclo em relação à secreção de IL-18 e
verificaram que, em mulheres hígidas, a secreção dessa citocina estava
bastante elevada na fase secretór ia quando comparada à fase folicular,
entretanto tal diferença não era observada entre as pacientes com
endometriose. Podgaec et al. (2007), estudando outra citocinas envolvidas
nas respostas Th1 e Th2 em pacie ntes com endometriose, encontrou
aumento das dosagens de IL-10 na fase folicular em mulheres com a doença
quando comparadas a um grupo controle sem a doença. Nossos resultados
em relação à fase do ciclo não most raram diferenças nas dosagens sérica
ou no fluido peritoneal das interleucinas 12 e 18.
Estudamos os dois grupos (casos e controles) em relação aos
sintomas apresentados. Ressaltamos que nosso grupo controle era
composto por mulheres com quadro cl ínico sugestivo de endometriose,
motivo pelo qual foram submetidas à videolaparoscopia. Os sintomas
clássicos mais relacionados à presenç a de endometriose foram analisados
(dismenorréia severa ou incapacitante, dispareunia, algia pélvica acíclica,
infertilidade, alterações intestinais e alterações urinárias cíclicas). Os
Discussão
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40
sintomas da mulher com endometriose podem ser ricos, mas trabalhos
anteriores já demonstraram que a in tensidade dos sintomas não se
correlaciona, necessariamente, com a severidade da doença (Zeyneloglu et
al., 1998). Em nossa casuística, três sintomas mostraram-se relevantes e
com diferença do ponto de vista estatístico: a dismenorréia
severa/incapacitante, a dispareunia de profundidad e e a dor acíclica. A
interleucina 12 estava aumentada no fluido peritoneal de pacientes com
endometriose que apresentavam as três queixas; a interleucina 18, por outro
lado, apresentou-se significativament e aumentada, no sangue, na presença
de dispareunia de profundidade. Avalia mos, em ambos os casos, o
comportamento destes sintomas em relação à doença profunda que estava
presente em 65,3% das pacientes com dismenorréia severa/incapacitante,
62,5% das pacientes com dispar eunia de profundidade e 75,8% das
pacientes com dor acíclica. Estabel ecemos, assim, um raciocínio: na
presença de doença profunda, os sintom as anteriormente mencionados são
mais prevalentes; como a doença pr ofunda desencadeia resposta imune
mais intensa, as interleucinas da via Th1 estão mais elevadas. Até o
presente momento inexistem, na literatura, estudos semelhantes.
Esta foi uma vantagem em avalia rmos um grupo controle onde os
sintomas de dor pélvica em suas diferentes apresentações (dismenorréia,
dispareunia ou dor acíclica) ou infert ilidade, considerados primordiais em
mulheres com endometriose, também estivessem presentes. Desta forma,
quando a análise estatística em relação aos sintomas mostrou diferença,
podemos relacionar tais diferenças devido à presença da endometriose.
Estudo anterior realizado em nosso meio avaliando 244 pacientes do
Ambulatório de Endometriose da Clíni ca Ginecológica do Hospital das
Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo encontrou
prevalência de dismenorréia em 86% dos casos, representando a queixa
mais importante; em relação às altera ções intestinais, apesar de não terem
sido tão freqüentes (29,1% dos casos), apresentaram forte correlação com o
acometimento intestinal nas formas de doença profunda (Neme e Abrão,
2000).
Discussão
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41
A análise do local da doenç a foi realizada respei tando o critério de
gravidade onde a doença pr ofunda é considerada a mais agressiva e a
forma peritoneal a mais branda. Inicialmente avaliamos se as interleucinas
12 e 18, tanto no sangue quanto no fluido periton eal, sofriam alguma
alteração na presença isolada da doença peritoneal , mas não encontramos
diferenças significativas. Sendo assim, aplicamos o mesmo raciocínio para
avaliar a doença profunda isoladamente e também não encontramos
diferenças estatisticamente significativas.
A classificação atualmente aceita para a endometriose foi proposta
em 1985 pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva e revisada
pela mesma entidade em 1996. Baseia-s e, fundamentalmente, no tamanho
dos implantes, em sua profundidade e na presença de aderências em
relação ao peritônio, ov ários e fundo-de-saco de D ouglas. Determina quatro
estadiamentos diferentes, de I a IV, co m severidade crescente, baseado na
somatória de pontos de achados intraoperatór ios. Essa classificação é falha
em não avaliar e separar formas mais graves da doença como o
comprometimento dos tratos urinário e intestinal, o que foi melhor abordado
por Nisolle & Donnez, em 1997, com a pr oposta de dividir a endometriose
em três entidades distintas (ovário, peritônio e septo-retovaginal).
Realizamos a divisão do grupo de pacientes com endometriose em
relação ao estadiamento da doença agrupando-as em doença inicial
(estádios I e II) e doença avançada (estádi os III e IV). Em nossa casuística
28 pacientes tinham doença inicial ( 38,9%) e 44 pacientes tinham doença
avançada (61,1%). A anális e das dosagens de IL-12 mostrou que, no fluido
peritoneal, a mesma se encontrava significativamente aumentada em
pacientes com endometriose em relaç ão ao grupo controle; no sangue esta
citocina estava mais elevada em pac ientes com endometriose avançada do
que nas pacientes com doença inic ial. Portanto, quando subdivididas
segundo o estadiamento, as pacientes com endometriose avançada
apresentavam dosagens séricas de IL- 12 significativamente maiores que na
endometriose inicial. Isso pode reflet ir que nas pacientes com a doença há
Discussão
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42
realmente uma ativação imunológica visando à via de resposta celular inicial
em combate ao antígeno representado pelo tecido endometrial.
Assim encontramos nesse resultado de elevação de IL-12 no fluido
peritoneal um primeiro im portante indício da ativ ação imunológica do
microambiente peritoneal na doença. Entendemos que a chegada de células
endometriais à cavidade pélvica desencadeia, de imediato, a resposta imune
Th1.
Estudos semelhantes ao nosso fora m realizados em outros meios.
Zeyneloglu et al., em 1998, compararam as dosagens de IL-12 no fluido
peritoneal de mulheres hígidas que seriam submetidas à laqueadura tubárea
e pacientes com endometriose e não encontraram diferenças
estatisticamente significantes entre os grupos estudados. Mazzeo et al.
(1998) mostraram que a principal al teração relacionada à IL-12 em
pacientes com endometriose era o aume nto da secreção da cadeia pesada
(p40) em relação à cadeia leve ( p35), ressaltando que a cadeia pesada
funcionaria como inibidor da própria f unção da IL-12, por competição direta
no receptor específico, prejudicando, a ssim, a ativação secundária do clone
NK e, conseqüentemente, a resposta Th1. Em ambos os estudos
mencionados, o grupo controle era co mposto de pacientes que seriam
submetidas à laqueadura tubárea, ou seja, sem queixas clínicas sugestivas
de endometriose, como ocorria no nosso grupo controle, o que talvez possa
explicar as diferenças nos resultados encontrados. Gazvani et al. (2001)
também não encontraram diferenças nas dosagens de IL-12 no fluido
peritoneal de pacientes com endometri ose e grupo controle, nem mesmo
quando comparadas as diferentes fases do ciclo menstrual. Neste estudo,
diferentemente dos anterio res, o grupo controle assemelhava-se ao nosso,
com pacientes submetidas à cirurg ia videolaparoscópica por doenças
benignas, incluindo dor abdominal, infe rtilidade e indicação de laqueadura
tubárea; o kit de dosagem de IL-12 ut ilizado é que diferia do nosso (R&D
Systems, Abingdon, UK), com limite de detecção in ferior ao limite que
usamos (2 pg/mL).
Discussão
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43
Nossos resultados também mostraram que as dosagens de IL-12
mostraram-se significativamente mais el evadas nos estádios avançados (III
e IV) da endometriose, quando comparadas aos estádios iniciais (I e II).
Associando esses achados com o mecani smo fisiopatológico da resposta
imune Th1, poderíamos inferir que, quanto mais agressiva e profunda a
doença, mais intenso seria o processo imunológico desencadeado por ela,
de modo que isso explicaria, em parte , a elevação da IL-12. A dosagem
peritoneal aumentada da IL- 12 nas pacientes com endometriose em relação
àquela do grupo controle, bem como ní veis mais avançados da referida
interleucina quanto mais agressiva a doença, demonstra-nos, claramente,
que, em pacientes sem endometriose, não há a ativação imunológica da via
Th1 e também que essa ativação é tão mais intensa quanto mais severo for
o estímulo antigênico representado pelos focos ectópicos da doença.
A IL-18 está envolvida em ambas as respostas imunes, Th1 e Th2.
Seu papel mais relevante na etiopat ogenia da endometriose é o estímulo à
resposta Th1; dependendo do micr oambiente encontrado, pode haver
supressão ou inibição da resposta Th2 (Lewkowich et al., 2002). Antes de
ser caracterizada como uma citocina específica, era conhecida como fator
indutor do interferon-gama. Integra a superfamília da IL-1 e é secretada
como pró-IL-18, sofrendo clivagem posterior na forma madura IL-18 no
ambiente extracelular (Nakanishi et al., 2001). O reconhecimento inicial
caracterizou-a como uma citocina pr ó-inflamatória, mas posteriormente
foram ressaltadas diversas outras funções como a secreção de outras
citocinas e angiogênese (Park et al., 2001).
Trabalhos foram publicados sobre o comportamento da IL-18 nas
mulheres com endometriose. Seus resultados são conflitantes, de modo que,
até o momento, não há consenso na liter atura sobre a relação da IL-18 com
a doença, o que nos motivou a averiguar ta l situação em pacientes de nosso
meio.
O trabalho de Zhang et al. (2004) encontrou menores dosagens da
IL-18 peritoneal em mulheres com endometriose; por outro lado, não
Discussão
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44
encontrou correlação entre as dosagens sérica e peritoneal desta citocina.
Em outros dois trabalhos (Arici et al ., 2003; Oku et al., 2004), as dosagens
peritoneais de IL-18 na endometriose estavam aumentadas. Em nosso meio,
Glitz (2006) não encontrou diferenças ent re as dosagens sérica e peritoneal
de IL-18 em pacientes com endomet riose mínima. Nosso trabalho não
encontrou diferenças estatisticamente si gnificantes nas dosagens sérica ou
peritoneal da IL-18 na comparação de pac ientes com endometriose e grupo
controle, mas tendência ao aumento de IL-18 peritoneal nos estádios
avançados da doença.
Os trabalhos analisados têm algumas semelhanças e muitas
diferenças, o que poderia explicar a divergência nos resultados encontrados.
Novamente observamos que os grupos de pacientes estudados, quer seja o
de casos ou de controles, não eram uniformes, prejudicando a comparação
entre os mesmos. Arici et al. (2003) estudaram 50 pacientes com
endometriose não tratada e 8 pacientes tratadas com análogos do GnRH,
comparando-as com 18 pacientes que seriam submetidas à laqueadura
tubárea por via laparoscópica. Esses critérios diferiam dos nossos em
relação ao uso de medicação no moment o da cirurgia pelas 8 mulheres e
também em relação ao grupo cont role sem queixas sugestivas de
endometriose. Questionamos se o uso de análogo do GnRH no momento da
cirurgia não teria alterado os resultados encontrados por diminuir o processo
inflamatório pélvico nessas pacientes.
Zhang et al. (2004) estudaram 44 pacientes submetidas à
videolaparoscopia por doenças ginecol ógicas benignas, comparando-as a
um grupo controle de 22 pacientes que seriam submetidas à laqueadura
tubárea. Dentre as 44 pacientes do gr upo de casos foram selecionadas 22
em que a endometriose foi confirmada. Esses critérios assemelharam-se aos
nossos em relação ao grupo de casos, mas diferiram em relação ao grupo
controle, mais uma vez assintomático em relação à endomet riose. Essa, no
nosso ponto de vista, seria a maior diferença entre nosso trabalho e o de
Zhang et al., além da diferença no kit utilizado, podendo estar implicada na
divergência dos resultados encontrados.
Discussão
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45
Oku et al. (2004) utilizaram critér ios para a inclusão nos grupos de
casos e controles muito semelhantes aos nossos, sendo 39 pacientes com
endometriose comprovada e 19 paci entes com outras condições
ginecológicas benignas; no entanto a diferença encontrada foi que nesse
estudo todas as amostras foram colhidas na fase folicular do ciclo menstrual.
Dessa forma, utilizando critérios semelhantes, seus resultados diferiram dos
nossos com dosagens mais elevadas de IL-18 no fluido peritoneal de
pacientes com endometriose.
No estudo de Glitz (2006) fora m avaliadas 34 mulheres com
infertilidade e endometriose inicial no grupo de casos e 22 mulheres hígidas
submetidas à laqueadura tubárea. Co mo os grupos eram diferentes
daqueles por nós estudados, os resultados também puderam ser
interpretados de maneira diferente.
A via comumente envolvida na secreção da IL-12 passa, inicialmente,
pela secreção de IL-18 que, como vimos, é cofator importante para sua
liberação. Nossos resultados mostraram, na avaliação das dosagens da IL-
18, que houve tendência ao aumento da me sma em estádios avançados da
doença, não existindo diferenças nos estádios iniciais, nos quais foi
encontrada a diferença anteriormente mencionada em relação à IL-12
peritoneal. Como interpretar tal discor dância entre as dosagens peritoneais
de IL-12 e IL-18 se assumíssemos ser um processo encadeado?
Deparamo-nos, aqui, com um conceito recente, de que nem sempre a
produção de IL-12 seja dependente do estím ulo de IL-18. Já se acredita que
exista uma outra via de produção de IL-12, que independe do estímulo de IL-
18 (Morita et al., 2005). Essa, talv ez, seja a via predominantemente
envolvida na endometriose, explicando o porquê do aumento das dosagens
de IL-12 sem modificação significativa das dosagens de IL-18.
Outra classificação baseada nos difere ntes aspectos histológicos da
doença foi proposta por Abrão et al. em 2003. Nela a doença foi agrupada
em quatro categorias (estromal, be m-diferenciada, padrão misto de
diferenciação e indiferenciada), de acordo com sua maior ou menor
Discussão
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46
semelhança com o endométrio tópico. Tal proposta mostrou-se útil na
possibilidade de pr edizer o padrão de compor tamento da doença, sendo o
padrão indiferenciado considerado como o de pior prognóstico e também o
que diferenciava a evolução mais agr essiva da doença. Fizemos a análise
dos 72 casos em relação ao tipo histológico, sendo que 28 pacientes foram
categorizadas como sem indiferencia ção, ou seja, só apresentavam as
formas estromal e/ou bem-difer enciada da doença, e 44 pacientes
categorizadas como com indiferencia ção por apresentarem as formas mista
ou indiferenciada da endometriose. Após a avaliação dos dados, verificamos
que, em nossa amostra, quando o es tadiamento da endometriose foi
correlacionado com o tipo histológico da doença, a forma avançada
(estádios III e IV) apresentou maior prevalência de tipos mais indiferenciados
(formas mista e indiferenciada). Consideramos que, na doença mais
agressiva, tanto a evolução para estádios mais avançados é mais rápida
quanto o tipo histológico já é, por natur eza, mais indiferenciado e agressivo.
O contrário também se revelou ver dadeiro, pois a avaliação das pacientes
com estádios iniciais (I e II) mostrou maiores prevalências das formas menos
agressivas (estromal e bem-diferenciada).
Ao realizarmos a análise estatística da comparação das dosagens
sérica e no fluido peritoneal das in terleucinas 12 e 18 em relação à
classificação histológica não observamos diferenças significativas. Houve,
no entanto, tendência a maiores dosagens de IL-12 sérica nas pacientes
com formas mais indiferenciadas da doença (p = 0,11). Ressaltamos,
novamente, a proposta mais recente da via independente de produção da IL-
12. Provavelmente na doença mais agre ssiva e indiferenciada, possamos
assumir que a ativação imunológica já seja mais intensa desde o início do
processo. Isso posto, acreditamos que a elevação da IL-12 nesta forma mais
agressiva pode demonstrar esse recr utamento do sistem a imune tentando
controlar o avanço da mesma.
De modo geral, nossos resultados mostram que a resposta Th1
(celular) está mais ativada em pacientes com endometriose e em mulheres
com quadro clínico sugestivo, mas sem a doença. Algumas críticas podem
Discussão
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47
ser feitas, fundamentalmente a respei to do tipo de grup o controle que
utilizamos, que difere de outros trabalhos publicados, nos quais o que mais
se encontra são mulheres que es tão sendo submetidas à laqueadura
tubárea por via laparoscópica. Defen demos a utilização de um grupo
controle com quadro clínico semelhant e e comprovadamente sem a doença,
pois esta é um forma eficaz de evitarmos o viés que somente a dor crônica
poderia dar na secreção das citocinas inflamatórias. Quando ambos os
grupos apresentam queixas clínicas seme lhantes, e os resultados mostram
que a dosagem da IL-12 peritoneal é maior no grupo com endometriose, que
a dosagem de IL-12 sérica eleva-se conforme o avanço da doença (estádios
III e IV) e que a dosagem de IL-18 per itoneal sofre tendência a aumentar
também com o avanço da doença, podemos inferir que tal diferença é
decorrente da presença da própria endometriose.
Nosso trabalho pôde avaliar o comportamento da doença e da
secreção das interleucinas 12 e 18 em pacientes de um grupo controle com
quadro clínico sugestivo e comprovação de ausência de endometriose e nos
diferentes estádios da doença. Pudemos também estudar as localizações da
doença e o estadiamento da endometri ose, correlacionando-os com o
comportamento das citocinas referi das e em relação à fase do ciclo
estudada. Incluímos, ainda, em nossa aná lise, a classificação histológica da
endometriose, demonstrando tendência ao aumento da IL-12 sérica em
pacientes com formas mais indiferenciadas da doença .
Entendemos, também, pelas di ferenças de comportamento
apresentadas em relação às dosagens de IL-12 e IL-18, que na
endometriose a via alternativa de se creção de IL-12 independente de IL-18
possa estar fortemente ativada.
Nenhum outro trabalho analisado fe z estudo semelhante, de modo
que apresentamos resultados que podem contribuir no entendimento da
fisiopatologia da endometriose e auxiliar no desenvolvimento de novas
técnicas diagnósticas e terapêuticas. Outros estudos se fazem necessários
para que consigamos compreender, de modo definitivo, o papel imunológico,
Discussão
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histológico e outros diferentes par âmetros envolvidos nesta complexa
entidade globalmente conhecida como endometriose.
Discussão
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CONCLUSÕES
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Conclusões
Nossos resultados permitiram concluir que:
• pacientes com endometriose apresent aram dosagens mais elevadas de
Interleucina 12 no fluido peritoneal em relação às pacientes do grupo
controle;
• não houve diferenças nas dosagens sérica da Interleucina 12, nem nas
dosagens sérica ou no fluido peritoneal da interleucina 18 em pacientes
com endometriose comparadas ao grupo controle;
• não houve diferenças em relação às dosagens de Interleucina 12 e 18 no
sangue ou no fluido peritoneal em relação à fase do ciclo menstrual nas
pacientes com endometriose;
• a interleucina 12 esteve aumentada no fluido peritoneal de pacientes com
dismenorréia severa/incapacitante, di spareunia de profundidade e dor
acíclica;
• a interleucina 18 esteve aument ada, no sangue, em pacientes com
dispareunia de profundidade;
• não houve diferenças nas dosagens das interleucinas 12 e 18 ao
compararmos a doença de peritônio, ovário e profunda;
• pacientes com endometriose em es tádios avançados apresentaram
dosagens séricas de Interleucina 12 mais elevadas em relação aos
estádios iniciais da doença;
• não houve diferença em relação às dosagens de Interleucina 18 entre os
estádios da doença;
• não houve diferença nas dosagens de Interleucina 12 e 18 no sangue e
no fluido peritoneal em relação à clas sificação histológica nas pacientes
com endometriose.
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ANEXOS
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52
Anexo A – Aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa do HCFMUSP
Anexos
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53
Anexo B: Termo de Consentimento pós-informação.
HOSPITAL DAS CLÍNICAS
DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
TERMO DE CONSENTIMENTO PÓS -INFORMAÇÃO
(Obrigatório Para Pesquisas Científicas em Seres Humanos - Resolução Nº 01 de 13.6.1988 - CNS)
I - DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE OU RESPONSÁVEL LEGAL
1. NOME DO PACIENTE:
____________________________________________________________________________________
DOCUMENTO DE IDENTIDADE Nº: _________________________SEXO: M F X DATA
NASCIMENTO:___/___/___
ENDEREÇO: _________________________________________________________________Nº_____APTO_____
BAIRRO: __________________________________________________CIDADE:
_______________________________________
CEP: _____________ TELEFONE: (___) _________________________
2. RESPONSÁVEL LEGAL:
___________________________________________________________________________________
NATUREZA (grau de parentesco, tutor, curador etc.): _________________________________
DOCUMENTO DE IDENTIDADE Nº: _________________________SEXO: M F X DATA
NASCIMENTO:___/___/___
ENDEREÇO: _________________________________________________________________Nº_____APTO_____
BAIRRO: __________________________________________________CIDADE:
_______________________________________
CEP: _____________ TELEFONE: (___) _________________________
II - DADOS SOBRE A PESQUISA CIENTÍFICA
1. TÍTULO DO PROTOCOLO DE PESQUISA: Avaliação das dosagens das interleucinas 12 e 18 no sangue e no
fluido peritoneal de pacientes com endometriose pélvica
2. PESQUISADOR: Flávia Fairbanks Lima de Oliveira Marino
CARGO/FUNÇÃO: Médico Pós-Graduando INSCRIÇÃO CONSELHO REGIONAL Nº: 93879
UNIDADE DO HCFMUSP: Departamento de Ginecologia
3. AVALIAÇÃO DO RISCO DA PESQUISA: SEM RISCO RISCO MÍNIMO
(probabilidade de que o indivíduo sofra algum dano RISCO MÉDIO X RISCO MAIOR
como consequência imediata ou tardia do estudo)
4. APROVAÇÃO DO PROTOCOLO DE PESQUISA PELA COMISSÃO DE ÉTICA PARA ANÁLISE DE
PROJETOS DE PESQUISA- CAPPESQ/HC.
5. DURAÇÃO DA PESQUISA: .2 anos
III - EXPLICAÇÕES DO PESQUISADOR AO PACIENTE OU SEU REPRESENTANTE
LEGAL
1. Justificativa e objetivos da pesquisa: para o tratamento da sua doença, a senhora terá que
ser submetida a uma cirurgia. O objetivo deste estudo é avaliar se a coleta de sangue de seu
braço e de líquido que existe em seu abdome no início da cirurgia pode ajudar no diagnóstico
e tratamento da sua doença que se chama endometriose.
2. Procedimentos que serão utilizados e propósitos, incluindo a identificação dos procedimentos que são
experimentais: conforme comentado acima, a senhora será submetida a cirurgia e também a coleta de
sangue do braço e de líquido do abdômen durante esta cirurgia.
Anexos
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54
3. Desconfortos e riscos esperados: durante a ciru rgia podem ocorrer complicações, já que a senhora
estará anestesiada, mas, conforme comentado, sua do ença exige esta cirurgia. Todo o procedimento da
pesquisa será realizado enquanto a senhora estiver an estesiada. Os desconfortos podem ocorre depois,
como: dor no local da cirurgia, fraqueza, vômito (pela anestesia), infecção no corte e hematoma
(mancha roxa na pele).
4. Benefícios que poderão ser obtidos: com esta pesqui sa da qual a senhora está participando, tentamos
descobrir se com os exames de sangue e do líquido de seu abdome poderíamos evitar a cirurgia nos
casos de endometriose.
5. Procedimentos alternativos que possam ser vantajosos para o indivíduo: não há.
6. Esclarecimento sobre a garantia de receber resposta a qualquer pergunta ou esclarecimento, a
qualquer dúvida acerca dos procedimentos, riscos, benefícios e outros assuntos relacionados com a
pesquisa e o tratamento do indivíduo:
X Sim Não
7. Esclarecimento sobre a liberdade de retirar seu consentimento a qualquer momento e deixar de
participar no estudo, sem que isto traga prejuízo à continuação do seu cuidado e tratamento:
X Sim Não
8. Compromisso sobre a segurança de que não se id entificará o indivíduo e que se manterá o caráter
confidencial da informação relacionada com a sua privacidade:
X Sim Não
9. Compromisso de proporcionar informação atuali zada obtida durante o estudo, ainda que esta possa
afetar a vontade do indivíduo em continuar participando:
X Sim Não
10. Disponibilidade de assistência no HCFMUSP:
X Sim Não
11. OBSERVAÇÕES COMPLEMENTARES:
___________________________________________________________
IV - CONSENTIMENTO PÓS-ESCLARECIDO
Declaro que, após ter sido convenientemente esclarecido pelo pesquisador, conforme registro nos itens 1
a 11,
do inciso III, consinto em participar, na qualidade de paciente, do Projeto de Pesquisa referido no inciso
II
São Paulo, ____de ____________de 20___.
___________________________________________ ________________________________________
assinatura do paciente ou responsável legal assinatura do pesquisador que obteve o
c o n s e n t i m e n t o
(carimbo ou nome Legível)
NOTA: Este termo deverá ser elaborado em duas vias, ficando uma via em poder do paciente ou seu representante legal e outra
deverá ser juntada ao prontuário pelo paciente.
Anexos
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55
Anexo C - Idade, dia do ciclo menstrual (relativo às coletas de sangue e
fluido peritoneal) e quadro clínico das pacientes e controles
GRUPO Iniciais idade dia ciclo dism dispar dor ac infert alt. intest alt urin
ENDOMETRIOSE CFO 37 5 sim não sim não não não
ENDOMETRIOSE SMM 32 3 sim não sim não sim não
ENDOMETRIOSE FMO 18 4 sim não sim não não não
ENDOMETRIOSE COM 34 2 não não não sim não não
ENDOMETRIOSE MSQM 26 9 sim sim não não não não
ENDOMETRIOSE AR 23 3 não sim não não não não
ENDOMETRIOSE MLOC 40 13 sim sim sim não sim não
ENDOMETRIOSE CAC 27 10 não sim sim sim sim não
ENDOMETRIOSE SVFB 39 7 não não sim sim sim não
ENDOMETRIOSE RCA 30 5 sim não não não não não
ENDOMETRIOSE DRD 33 27 sim sim sim sim sim não
ENDOMETRIOSE ST 30 1 não não sim não não não
ENDOMETRIOSE LPM 28 5 sim não não não sim não
ENDOMETRIOSE FCSSD 25 3 sim sim não não sim não
ENDOMETRIOSE SAW 29 16 sim não sim não não não
ENDOMETRIOSE MIRCB 30 1 não sim sim não não não
ENDOMETRIOSE JCP 25 13 sim sim não não não não
ENDOMETRIOSE FAG 30 14 não sim não não não não
ENDOMETRIOSE IGS 26 2 não não sim não não não
ENDOMETRIOSE CRNB 39 9 sim sim sim não sim não
ENDOMETRIOSE VMF 36 8 não não não sim não não
ENDOMETRIOSE APMJM 31 5 sim sim não não não não
ENDOMETRIOSE FBF 31 4 não sim não não não não
ENDOMETRIOSE PRGL 38 8 não não não sim não não
ENDOMETRIOSE RCSS 39 2 não não sim sim não não
ENDOMETRIOSE VCPS 28 5 sim não não sim não não
ENDOMETRIOSE VIS 23 4 não não sim não não não
ENDOMETRIOSE DFSR 26 4 sim não sim não sim não
ENDOMETRIOSE TJ 33 6 não não não sim não não
ENDOMETRIOSE BEM 29 11 sim não não não sim sim
ENDOMETRIOSE TCB 22 3 sim sim sim não não não
ENDOMETRIOSE MASS 34 24 sim não sim não não não
ENDOMETRIOSE AESF 37 2 sim sim sim não sim não
ENDOMETRIOSE RGP 31 3 sim não não não não não
ENDOMETRIOSE CEM 33 10 sim sim sim não sim não
ENDOMETRIOSE HMBV 40 11 não sim sim não sim não
ENDOMETRIOSE MCCS 38 2 não não sim não não não
ENDOMETRIOSE JJ 20 24 sim não não não não não
ENDOMETRIOSE MNNS 35 3 sim sim não sim sim não
ENDOMETRIOSE CMPG 40 3 sim sim não sim sim não
ENDOMETRIOSE ITPS 40 8 sim não sim não não não
ENDOMETRIOSE HOC 37 26 sim não não não sim não
ENDOMETRIOSE ASF 27 7 sim sim sim sim sim não
ENDOMETRIOSE ASS 36 2 sim não não não sim não
ENDOMETRIOSE CN 35 19 sim sim sim sim sim não
ENDOMETRIOSE LMJ 37 17 não sim não sim não não
ENDOMETRIOSE JZP 40 17 sim não não sim sim não
Anexos
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56
GRUPO Iniciais idade dia ciclo dism dispar dor ac infert alt. intest alt urin
ENDOMETRIOSE STK 34 3 não sim não sim não não
ENDOMETRIOSE LGRC 30 9 sim sim sim sim sim não
ENDOMETRIOSE CK 33 6 não sim não não sim não
ENDOMETRIOSE SF 33 1 sim sim sim não sim não
ENDOMETRIOSE MHTS 39 9 sim sim sim sim sim não
ENDOMETRIOSE JGD 36 3 sim não sim não sim não
ENDOMETRIOSE AAS 31 6 não não sim não sim não
ENDOMETRIOSE ECMH 36 2 sim sim sim sim não não
ENDOMETRIOSE EAS 32 8 sim não sim não sim não
ENDOMETRIOSE NJM 37 3 sim sim sim sim sim não
ENDOMETRIOSE CR 31 6 não não não sim não não
ENDOMETRIOSE MSV 33 22 não não sim não não não
ENDOMETRIOSE TG 29 9 sim sim sim não sim não
ENDOMETRIOSE MAT 35 1 não sim sim sim sim sim
ENDOMETRIOSE KNML 29 4 sim não sim sim sim não
ENDOMETRIOSE SEVG 37 3 sim sim sim não sim não
ENDOMETRIOSE VPSC 24 5 sim não sim não não não
ENDOMETRIOSE MLRM 36 8 sim sim sim sim sim não
ENDOMETRIOSE GF 30 9 sim sim sim sim sim não
ENDOMETRIOSE EPAS 35 8 sim sim sim não não não
ENDOMETRIOSE SSS 28 25 não não não sim sim não
ENDOMETRIOSE AS 29 2 sim sim sim sim sim não
ENDOMETRIOSE LQPA 33 7 sim não sim não sim sim
ENDOMETRIOSE ICM 30 7 não sim não não não não
ENDOMETRIOSE MPBL 35 6 sim sim sim não não não
CONTROLE MELS 33 9 não não não sim não não
CONTROLE EBMM 27 4 não não sim não não não
CONTROLE LMMC 28 12 não não não não não não
CONTROLE AAP 33 10 não não não não não não
CONTROLE SCM 30 4 sim sim não não não não
CONTROLE ETS 29 8 não não não sim não não
CONTROLE PSS 24 19 não não sim sim sim não
CONTROLE MPMF 37 7 não sim sim não não não
CONTROLE LFM 38 26 não não sim não não não
CONTROLE MHBC 40 9 não não não não não não
CONTROLE FGBM 36 4 não sim sim não não não
CONTROLE LAS 36 5 não não sim não sim não
CONTROLE NQM 34 2 não não sim não não não
CONTROLE SRRBS 36 26 não não não não não não
CONTROLE VHS 28 5 não não não não não não
CONTROLE RGC 38 5 não não não não não não
CONTROLE MLC 28 3 não não não não não não
CONTROLE RSA 37 1 não não sim não não não
CONTROLE LRSC 40 9 sim sim sim não não não
CONTROLE JMX 36 21 não não não sim não não
CONTROLE ACVB 32 10 não não não não não não
CONTROLE PLS 27 10 não sim não não não não
CONTROLE MSM 40 2 sim sim sim não não não
CONTROLE CARS 37 27 não não não sim não não
CONTROLE AMSS 32 15 sim sim não não não não
Anexos
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57
GRUPO Iniciais idade dia ciclo dism dispar dor ac infert alt. intest alt urin
CONTROLE MSS 39 28 sim sim não não não não
CONTROLE DPS 21 17 sim sim não sim não não
CONTROLE MBA 26 6 sim não não não não não
CONTROLE TRCJ 34 5 não não sim não não não
CONTROLE YT 38 3 sim sim sim sim não não
CONTROLE JAS 29 3 não sim não não não não
CONTROLE MAS 34 8 sim sim sim sim não não
CONTROLE EGMA 27 5 não não não sim não não
Legenda: dism – dismenorréia severa/incapacitante, dispar – dispareunia
de profundidade, dor ac – dor acíclica, infert – infertilidade, alt. instest –
alterações intestinais cíclicas, alt. urin – alterações urinárias cíclicas
Anexos
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Anexo D – Estadiamento, local da doença e classificação histológica
GRUPO Iniciais estadio peritônio ovário profunda tipo histol
ENDOMETRIOSE CFO 1 sim não não E
ENDOMETRIOSE SMM 1 sim não não E + M
ENDOMETRIOSE FMO 1 não sim não E + BD
ENDOMETRIOSE COM 1 sim não não BD
ENDOMETRIOSE MSQM 1 sim não não E + BD
ENDOMETRIOSE AR 1 sim não não E + BD
ENDOMETRIOSE MLOC 1 sim não não E + M
ENDOMETRIOSE CAC 1 sim não não E + M
ENDOMETRIOSE SVFB 1 sim não não E + M
ENDOMETRIOSE RCA 2 não sim não E + I
ENDOMETRIOSE DRD 2 sim sim não E + M
ENDOMETRIOSE ST 2 não sim não E + BD
ENDOMETRIOSE LPM 2 sim sim não E + M
ENDOMETRIOSE FCSSD 2 não sim não E + BD
ENDOMETRIOSE SAW 2 não sim não E
ENDOMETRIOSE MIRCB 2 sim não sim E + I
ENDOMETRIOSE JCP 2 não sim não E + BD
ENDOMETRIOSE FAG 2 sim não não E
ENDOMETRIOSE IGS 2 não sim não E + BD
ENDOMETRIOSE CRNB 2 não sim não E
ENDOMETRIOSE VMF 2 sim não não E + BD
ENDOMETRIOSE APMJM 2 sim não não E + BD
ENDOMETRIOSE FBF 2 sim sim não E + BD
ENDOMETRIOSE PRGL 2 não sim não E + BD
ENDOMETRIOSE RCSS 2 não sim não E + M
ENDOMETRIOSE VCPS 2 não sim não E + BD
ENDOMETRIOSE VIS 2 não sim não E + M
ENDOMETRIOSE DFSR 2 sim não sim E + BD
ENDOMETRIOSE TJ 3 sim não sim E + M
ENDOMETRIOSE BEM 3 não sim não E + M
ENDOMETRIOSE TCB 3 não sim não E + M
ENDOMETRIOSE MASS 3 sim sim não E + M
ENDOMETRIOSE AESF 3 sim sim sim E + BD
ENDOMETRIOSE RGP 4 sim sim sim E + M
ENDOMETRIOSE CEM 4 não sim sim E + BD
ENDOMETRIOSE HMBV 4 não sim sim E + I
ENDOMETRIOSE MCCS 4 não sim sim E + M
ENDOMETRIOSE JJ 4 sim sim sim E + I
ENDOMETRIOSE MNNS 4 não não sim E + M
ENDOMETRIOSE CMPG 4 não sim sim E + M
ENDOMETRIOSE ITPS 4 não sim sim E + BD
ENDOMETRIOSE HOC 4 não não sim E + BD
ENDOMETRIOSE ASF 4 não sim sim E + M
ENDOMETRIOSE ASS 4 sim sim não E + M
ENDOMETRIOSE CN 4 não sim sim E + M
ENDOMETRIOSE LMJ 4 sim sim sim E + M
ENDOMETRIOSE JZP 4 sim sim sim E + M
ENDOMETRIOSE STK 4 não sim sim E+ M
ENDOMETRIOSE LGRC 4 sim sim sim E + M
Anexos
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59
GRUPO Iniciais estadio peritônio ovário profunda tipo histol
ENDOMETRIOSE CK 4 não não sim E + M
ENDOMETRIOSE SF 4 sim sim sim E + M
ENDOMETRIOSE MHTS 4 não não sim E + M
ENDOMETRIOSE JGD 4 não não sim E + M
ENDOMETRIOSE AAS 4 não não sim E + M
ENDOMETRIOSE ECMH 4 não sim sim E + M
ENDOMETRIOSE EAS 4 não sim sim E + BD
ENDOMETRIOSE NJM 4 sim sim sim E + M
ENDOMETRIOSE CR 4 não não sim E + M
ENDOMETRIOSE MSV 4 sim sim sim E + BD
ENDOMETRIOSE TG 4 sim não sim E + M
ENDOMETRIOSE MAT 4 não não sim E + M
ENDOMETRIOSE KNML 4 não sim sim E + M
ENDOMETRIOSE SEVG 4 não não sim E + M
ENDOMETRIOSE VPSC 2 sim não não E + BD
ENDOMETRIOSE MLRM 2 sim não não E + BD
ENDOMETRIOSE GF 2 não sim não E + M
ENDOMETRIOSE EPAS 2 não não sim E + M
ENDOMETRIOSE SSS 2 sim não não E + BD
ENDOMETRIOSE AS 2 não não sim E + M
ENDOMETRIOSE LQPA 2 não sim não E + BD
ENDOMETRIOSE ICM 2 não não sim E + M
ENDOMETRIOSE MPBL 2 sim não não BD
CONTROLE MELS na na na na na
CONTROLE EBMM na na na na na
CONTROLE LMMC na na na na na
CONTROLE AAP na na na na na
C O N T R O L E S C M n an an an a n a
C O N T R O L E E T S n an an an a n a
CONTROLE PSS na na na na na
CONTROLE MPMF na na na na na
C O N T R O L E L F M n an an an a n a
CONTROLE MHBC na na na na na
CONTROLE FGBM na na na na na
C O N T R O L E L A S n an an an a n a
CONTROLE NQM na na na na na
CONTROLE SRRBS na na na na na
C O N T R O L E V H S n an an an a n a
CONTROLE RGC na na na na na
C O N T R O L E M L C n an an an a n a
CONTROLE RSA na na na na na
CONTROLE LRSC na na na na na
C O N T R O L E J M X n an an an a n a
CONTROLE ACVB na na na na na
C O N T R O L E P L S n an an an a n a
C O N T R O L E M S M n an an an a n a
CONTROLE CARS na na na na na
CONTROLE AMSS na na na na na
C O N T R O L E M S S n an an an a n a
CONTROLE DPS na na na na na
Anexos
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60
GRUPO Iniciais estadio peritônio ovário profunda tipo histol
C O N T R O L E M B A n an an an a n a
CONTROLE TRCJ na na na na na
CONTROLE YT na na na na na
C O N T R O L E J A S n an an an a n a
CONTROLE MAS na na na na na
CONTROLE EGMA na na na na na
Legenda: tipo histol – tipo histológico, E – padrão estromal, BD – padrão
bem diferenciado, M – padrão misto, I – padrão indiferenciado (classificação
descrita na seção Pacientes e Métodos), na – não se aplica
Anexos
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61
Anexo E – Dosagens das IL 12 e IL 18 no sangue e fluido peritoneal
GRUPO Iniciais IL12 FP IL18 FP IL12 sg IL18 sg
ENDOMETRIOSE CFO 25,503 73,284 41 17,139
ENDOMETRIOSE SMM 93,744 31,914 63,01 19,503
ENDOMETRIOSE FMO 44,443 30,732 36,82 8,274
ENDOMETRIOSE COM 138,032 15,366 31,8 12,411
ENDOMETRIOSE MSQM 25,781 254,13 204 30,732
ENDOMETRIOSE AR 35,251 85,104 100,6 23,049
ENDOMETRIOSE MLOC 70,531 412,704 24,755 51,588
ENDOMETRIOSE CAC 195,076 101,891 79,604 114,64
ENDOMETRIOSE SVFB aus aus 57,747 78,587
ENDOMETRIOSE RCA 61,155 53,781 61,89 23,049
ENDOMETRIOSE DRD aus aus 31,08 39,096
ENDOMETRIOSE ST 299,027 33,096 56,32 27,186
ENDOMETRIOSE LPM 26,617 43,143 32,64 33,687
ENDOMETRIOSE FCSSD 42,772 27,186 31,52 11,82
ENDOMETRIOSE SAW 50,97 46,566 25,39 18,321
ENDOMETRIOSE MIRCB 56,977 26,595 30,69 73,875
ENDOMETRIOSE JCP 38,594 61,464 29,29 28,959
ENDOMETRIOSE FAG 114,635 72,693 63,56 23,64
ENDOMETRIOSE IGS 30,795 43,143 61,34 34,869
ENDOMETRIOSE CRNB 28,845 105,198 39,05 36,642
ENDOMETRIOSE VMF 33,21 39,098 79,45 25,413
ENDOMETRIOSE APMJM 236,729 461,426 39,601 103,176
ENDOMETRIOSE FBF 107,88 91,97 85,79 279,435
ENDOMETRIOSE PRGL 49,499 454,261 112,184 51,588
ENDOMETRIOSE RCSS aus aus 109,709 51,588
ENDOMETRIOSE VCPS 105,173 353,951 41,663 38,691
ENDOMETRIOSE VIS 119,67 156,89 357,149 93,145
ENDOMETRIOSE DFSR 176,84 97,06 369,522 143,3
ENDOMETRIOSE TJ 52,799 18,321 118,2 11,229
ENDOMETRIOSE BEM 80,016 288,033 78,89 42,99
ENDOMETRIOSE TCB 28,879 1114,874 101,874 103,176
ENDOMETRIOSE MASS 199,05 201,4 358,387 279,435
ENDOMETRIOSE AESF aus aus 104,76 37,258
ENDOMETRIOSE RGP 24,945 56,736 70,53 20,094
ENDOMETRIOSE CEM 132,461 33,687 51,86 2,955
ENDOMETRIOSE HMBV 32,466 43,734 33,47 7,092
ENDOMETRIOSE MCCS 36,366 30,141 161,4 4,728
ENDOMETRIOSE JJ 34,416 80,967 78,33 27,186
ENDOMETRIOSE MNNS aus aus 25,39 23,049
ENDOMETRIOSE CMPG 20,489 24,231 37,1 17,139
ENDOMETRIOSE ITPS 33,302 26,595 24,56 9,456
ENDOMETRIOSE HOC 36,505 269,496 185,6 16,548
ENDOMETRIOSE ASF 29,681 41,961 55,48 4,137
ENDOMETRIOSE ASS 85,388 24,822 204,5 17,73
ENDOMETRIOSE CN 28,566 106,38 182 26,595
ENDOMETRIOSE LMJ 98,45 79,26 108,75 21,9
ENDOMETRIOSE JZP 51,685 81,558 136,7 26,595
ENDOMETRIOSE STK 32,745 151,887 234,6 15,366
Anexos
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62
GRUPO Iniciais IL12 FP IL18 FP IL12 sg IL18 sg
ENDOMETRIOSE LGRC 51,964 63,828 42,95 13,002
ENDOMETRIOSE CK 16,507 717,933 46,2 38,691
ENDOMETRIOSE SF 18,981 133,269 28,466 21,495
ENDOMETRIOSE MHTS 75,068 217,816 87,44 77,382
ENDOMETRIOSE JGD aus aus 81,666 471,457
ENDOMETRIOSE AAS 24,342 502,983 185,178 98,877
ENDOMETRIOSE ECMH aus aus 419,834 81,681
ENDOMETRIOSE EAS 75,48 505,849 376,532 98,877
ENDOMETRIOSE NJM 65,17 103,176 68,882 53,021
ENDOMETRIOSE CR aus aus 104,348 140,434
ENDOMETRIOSE MSV 126,618 288,033 85,378 42,99
ENDOMETRIOSE TG 97,337 454,261 32,59 51,588
ENDOMETRIOSE MAT 681,709 133,269 190,952 21,495
ENDOMETRIOSE KNML 493,242 342,487 619,436 110,341
ENDOMETRIOSE SEVG 143,938 217,816 472,29 77,382
ENDOMETRIOSE VPSC 10,733 90,279 21,455 455,694
ENDOMETRIOSE MLRM 17,59 83,29 171,569 75,949
ENDOMETRIOSE GF 164,146 289,466 882,135 80,248
ENDOMETRIOSE EPAS 299,413 181,991 581,495 30,093
ENDOMETRIOSE SSS 111,771 48,722 440,042 100,31
ENDOMETRIOSE AS 823,987 163,362 112,184 73,083
ENDOMETRIOSE LQPA 501,23 324,82 337,354 167,661
ENDOMETRIOSE ICM 67,99 65,918 986,06 81,681
ENDOMETRIOSE MPBL 93,74 65,918 34,652 458,56
CONTROLE MELS 12,383 32,505 46,2 10,047
CONTROLE EBMM 3,722 112,29 12,27 13,002
CONTROLE LMMC 20,51 72,102 32,89 20,094
CONTROLE AAP 94,75 67,965 53,72 13,002
CONTROLE SCM 97,45 137,703 24,62 59,1
CONTROLE ETS 65,88 63,237 51,561 134,157
CONTROLE PSS 19,36 39,006 63,108 11,229
CONTROLE MPMF 38,9 96,43 232,605 7,092
CONTROLE LFM 0 41,37 48,674 11,229
CONTROLE MHBC 83,05 67,53 8,671 26,595
CONTROLE FGBM 212,98 398,06 427,258 18,321
CONTROLE LAS 18,569 80,967 87,44 41,37
CONTROLE NQM 18,94 33,97 23,517 23,64
CONTROLE SRRBS 73,82 50,48 56,097 19,503
CONTROLE VHS 6,609 65,01 65,89 24,231
CONTROLE RGC 48,93 78,52 37,539 74,516
CONTROLE MLC 67,1 52,85 7,021 37,258
CONTROLE RSA 179,405 342,487 225,181 110,341
CONTROLE LRSC 62,95 454,261 86,202 93,145
CONTROLE JMX 257 312,97 107,235 143,3
CONTROLE ACVB 26,404 349,652 37,127 114,64
CONTROLE PLS 214,871 298,064 101,049 41,557
CONTROLE MSM 23,76 0 114,246 68,784
CONTROLE CARS 34,652 214,95 81,666 50,155
CONTROLE AMSS 67,9 65,99 226,419 108,908
CONTROLE MSS 76,34 89,03 29,703 116,073
CONTROLE DPS 3,31 214,95 42,9 180,558
Anexos
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63
GRUPO Iniciais IL12 FP IL18 FP IL12 sg IL18 sg
CONTROLE MBA 12,383 181,991 63,933 54,454
CONTROLE TRCJ 89,01 104,57 119,194 54,454
CONTROLE YT 77,13 197,13 49,499 118,939
CONTROLE JAS 123,31 208,93 426,433 100,31
CONTROLE MAS 209,923 772,387 165,383 74,516
CONTROLE EGMA 83,316 42,99 218,171 71,65
Legenda: FP – fluido peritoneal, sg – sangue, aus – fluido peritoneal
ausente
Anexos
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64
“A concentração da interleucina 12 está aumentada em pacientes com
endometriose e se correlaciona com a severidade da doença”
INTRODUÇÃO
A endometriose caracteriza-se pelo implante, crescimento e
desenvolvimento de tecido endometrial em localização extra-uterina
(D’Hooghe et al., 2003). Acomete cerca de 10% da população feminina na
menacme (Missmer & Cramer, 2003) e sua a etiopatogenia exata
permanece desconhecida (Berkanoglu & Arici, 2003). Com o conhecimento
mais profundo dos mecanismos imunológicos envolvidos no reconhecimento
de antígenos e sabendo que o tecido endom etrial na cavidade peritoneal
funcionava como tal, houve espaço para a investigação de diversos
aspectos envolvidos no processo, principalmente o papel das diversas
citocinas, fatores de crescimento e angiogênicos e também papel de células
diretamente relacionadas como as células natural-killer e macrófagos
peritoneais (Harada et al., 2001; Pasoto et al., 2005; Dias Jr et al., 2006).
Aceita-se, atualmente, que as interleuc inas 1, 4, 5, 6, 8, 10, fator de
necrose tumoral alfa (TNF- α) e fator endotelial de crescimento vascular
(VEGF) estejam aumentadas na endometriose (Harada et al., 2001;
Podgaec et al., 2007). A interleucina 12 (I L-12) tem como principais funções
biológicas a indução da transcrição e secreção de outras citocinas,
principalmente o interferon-gama (IFN- γ); aumento da citotoxicidade bem
como indução da proliferação das célu las natural-killer (D’Andrea et al.,
1992). Por todas essas características e funções é considerada uma
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65
molécula-chave do sistema imune det erminando a conversão das células T
primordiais para o padrão Th1 (Gazvani et al., 2001).
Gallinelli et al. (2004) demonstraram aumento dos níveis de IL-12 no
fluido peritoneal das pacientes com endo metriose estádios III ou IV, mas
Gazvani et al. (2001) não encontraram diferenças na comparação das
dosagens de IL-12 nos diversos estádios da doença, nas diferentes fases do
ciclo menstrual ou em relação às queixas de dismenorréia, infertilidade ou
dor pélvica crônica.
A interleucina 18 (IL-18) parti cipa ativamente na a produção do
interferon-gama e, conseqüentemente, at ivando a proliferação dos clones
celulares de linfócitos T e células NK , além de estimular a liberação de
diversas citocinas como IL-4, 5, 10 e 13, além de estimular a produção de
angiopoetina 2 e fatores vasculares locais (Zhang et al., 2004). É necessária
em doses fisiológicas para os pr ocessos de implantação embrionária
(Chaouat et al., 2002), mas, em doses elevadas está implicada nos
abortamentos de repetição (Lédée-Bata ille et al., 2005). Suas funções
biológicas principais s ão a indução da produção e secreção do interferon-
gama, indução da produção de IL-12 e TNF-alfa e liberação das citocinas do
braço Th2 (Gracie et al, 2003).
Inicialmente demonstrou-se que a IL-1 8 do fluido peritoneal estaria
mais elevada em pacientes com endometriose do que em mulheres
saudáveis (Arici et al., 2003), no entant o outro estudo mostrou resultados
bastante discordantes com os anterior es com dosagens inferiores da IL-18
peritoneal em pacientes com endometriose (Zhang et al., 2004).
Conforme salientado, há incertez as sobre a etiopatogenia da
endometriose, principalmente no âmbi to da imunidade. Neste quesito as
interleucinas 12 e 18 têm papel importante por atuarem como
desencadeadoras da resposta imune Th1 a partir de estímulos sobre os
linfócitos Th0 (D’Andrea et al., 1992; Gazvani et al., 2001). Adicionalmente
os dados são conflitantes sobre a par ticipação destas interleucinas na
endometriose pélvica. Este estudo fo i realizado visando aprofundar os
Anexos
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66
conhecimentos sobre algumas dúvi das acerca da participação das
interleucinas 12 e 18 em pacientes com endometriose pélvica.
PACIENTES E MÉTODOS
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital das
Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde
foram avaliadas 105 pacientes no Setor de Endometriose da Clínica
Ginecológica deste hospital no período de fevereiro de 2004 a dezembro de
2005. Todas apresentavam quadro clínico sugestivo de endometriose,
representado pelas queixas clínicas de dismenorréia severa ou
incapacitante, dispareunia de prof undidade, algia pélvica crônica,
infertilidade, alterações urinárias ( dor e/ou sangramento) ou intestinais
cíclicas (dor e/ou sangram ento) e, por esse motivo, foram submetidas à
videolaparoscopia.
Foram adotados como critério de inclusão idade entre 18 e 40 anos,
ciclos menstruais eumenorreicos, aus ência de doenças auto-imunes e não-
utilização de medicamentos hormonai s nos 3 meses que antecederam a
cirurgia. Os critérios de exclusão foram ausência de líquido peritoneal
durante o procedimento laparoscópico e co-existência de outros fatores
causadores de infertilidade.
Avaliamos ainda a fase do ciclo em que se encontrava a paciente no
momento da videolaparoscopia (fases folicular e lútea).
As pacientes do grupo com endomet riose foram estadiadas segundo
a classificação da American Societ y for Reproductive Medicine (1996).
Agrupamos os estádios I e II como “est ádios iniciais” e os estádios III e IV
como “estádios avançados”; 28 pacientes foram classificadas como estádios
iniciais e 44 pacientes como estádios avançados.
Estudamos também a localização mais importante da doença, usando
um critério de severidade do órgão acometido. Estabelecemos três
categorias : doença peritoneal, ovar iana e doença profunda, a qual
englobava o acometimento retrocervica l (lesões profundas, com mais que
Anexos
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67
5mm de profundidade) , intestinal e de trato urinário (ambas quando atingiam
camadas musculares).
Utilizando a classificação histológic a da endometriose (Abrão et al.,
2003) que subdivide a doença em quatro apresentações histológicas de
acordo com sua maior ou menor semelhança com o endométrio tópico
(estromal, bem-diferenciada, padr ão misto de diferenciação e doença
indiferenciada) agrupamos as pac ientes com endometriose em duas
categorias, sem indiferenciação (fo rmas estromal ou bem-diferenciada, n =
28) e com indiferenciação (formas mista e indiferenciada, n = 44).
Antes da anestesia geral foram co lhidos 5 mL de sangue periférico e
também foi anotado o dia do cicl o menstrual em que a paciente se
encontrava. Foi realizado o preparo habitual para a videolaparoscopia com
punção umbilical e pneumoperitôneo sem instilação de soro fisiológico na
cavidade. Após a punção auxiliar foi colhido o fluido peritoneal depositado
nos fundos-de-saco anterior e posteri or quando estava presente, cujo
volume variou entre 2 e 10mL O material foi armazenado em tubo seco e
encaminhado ao laboratório para ser centrifugado, ali quotado e congelado
em freezer à -20ºC. Depois de estocado, o mesmo somente foi
descongelado com a coleta completa de todos os dados, para realização das
dosagens das interleucinas 12 e 18. Utiliz amos os kits IL-12 (p70) Humana
(Human IL-12 p70 Kit, BD Biosciences, Sa n Diego, USA) para a IL-12 e IL-
18 ELISA (IL-18 ELISA, IB L, Hamburg, Alemanha). Os limites de detecção
do kit de IL-12 preconizado pelo laboratório foi de 4 pg/mL e do kit de IL-18
foi de 9,2 pg/mL.
A análise estatística dos dados obtidos foi realizada através da
comparação das dosagens das interleucinas 12 e 18, no sangue e no fluido
peritoneal, em relação aos diversos parâmetros anteriormente mencionados.
As variáveis estudadas tinham com portamento não-paramétrico e foram
analisadas através da aplicação do teste de Kruskal-Wallis quando
significante, complementou-se com o teste de Dunn para discriminar a(s)
diferença(s). Utilizou-se, para tanto, o “software” SPSS versão 10.0.
Anexos
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RESULTADOS
Das 105 pacientes submetidas à videolaparoscopia com quadro
clínico sugestivo de endometriose dia gnosticou-se a doença em 72; foram,
portanto, subdivididas em dois grupos: pacientes com endometriose (n = 72)
e grupo controle (n = 33).
A média das dosagens de IL-12, dosada no fluido peritoneal, mostrou-
se aumentada nas pacientes com endom etriose em relação ao grupo
controle (p < 0,001).As concentrações séricas de IL-12 não apresentaram
diferenças estatísticas na avaliação gl obal entre casos e controles, mas
houve aumento significativo da mesma na comparação dos estádios mais
avançados em relação aos estádios in iciais ( p = 0,007). Em relação à
dosagem de IL-18 não houve diferença estatística nas amostras sérica ou no
fluido peritoneal (tabelas 1 e 2)
Tabela 1 – Comparação das médias das dosagens das interleucinas 12
e 18 no sangue e no fluido peritoneal entre o grupo controle e o grupo
com endometriose.
IL 12 IL18
sangue Fluido peritoneal sangue Fluido peritoneal
Controle 97,13+/-19,02 29,20+/-10,21 62,07+/-8,08 112,51+/-29,24
EDT 152,14+/-22,59 82,37+/-16,61 70,52+/-0,00 142,54+/-23,39
p 0,16 <0,001* 0,39 0,22
Anexos
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69
Tabela 2 – Comparação das médias das dosagens das
interleucinas 12 e 18 sérica e no fl uido peritoneal entre o grupo com
endometriose subdivididos segundo o estadiamento (pg/mL)
Interleucina IL-12 IL-18
estádios I/II estádios III/IV estádios I/II estádios III/IV
sangue FP sangue FP sangue FP sangue FP
média 82,04 62,54 196,74 94,98 51,28 97,21 82,77 171,38
erro padrão 16,63 14,13 33,91 25,61 10,56 27,21 17,49 33,65
p-value 0,007* 0,71 0,63 0,05
A análise das dosagens das interl eucinas 12 e 18 no sangue e no
fluido peritoneal em relação à fase do ciclo de coleta das amostras não
apresentou diferença esta tisticamente significativ a, conforme demonstrado
na tabela 3 .
Tabela 3 – Comparação das dosagens das interleucinas 12 e 18 sérica e
no fluido peritoneal entre as paci entes com endometriose e o grupo
controle nas fases folicular e lútea do ciclo menstrual (pg/mL)
Controle ENDOMETRIOSE
sangue Fluido peritoneal sangue Fluido peritoneal
IL12 Fase folicular 101.98 + 24.21 36.04 + 13.2 125.25 + 19.46 82.54 + 16.58
IL12 Fase lútea 81.98 + 22.32 7.83 + 3.83 152.69 + 45.98 40.56 + 14.2
p 0,753 0,176 0,644 0,231
IL18 Fase folicular 56.29 + 7.67 126.62 + 37.05 57.57 + 10.17 159.98 + 29.94
IL18 Fase lútea 80.12 + 23.25 68.38 + 32.34 56.49 + 26.09 91.2 + 33.28
p 0,542 0,444 0,542 0,479
Também foram analisadas as concentra ções de interleucinas 12 e 18
sérica e no fluido pe ritoneal em relação à localização da doença e à
Anexos
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70
classificação histológica da endometriose (Abrão et al., 2003). Neste quesito
15 pacientes apresentavam a doença exclusivamente peritoneal, 21
pacientes doença ovariana e 36 pacientes doença profunda, ressaltando que
mais de uma forma poderia coexistir na paciente sendo sempre considerada
a forma mais grave. Não houve difer ença estatisticamente significativa em
relação a esses dois parâmetros estudados para nenhuma das interleucinas,
conforme demonstrado nas tabelas 4 e 5.
Tabela 4 – Comparação das dosagens das interleucinas 12 e 18 no
sangue e no fluido peritoneal de pacientes com endometriose em
relação ao local de doença
Média Erro
padrão Média Erro
padrão Média Erro
padrão
IL - 12 sg 146,43 43,86 96,86 28,00 178,50 35,24 0,31
FP 53,02 15,20 71,59 19,32 103,98 30,83 0,62
IL - 18 sg 68,91 17,32 103,56 38,08 57,70 13,43 0,42
FP 142,26 56,52 109,89 37,86 156,30 29,95 0,31
Variável p
Ovário (n=21) Peritônio (n=15) Profunda (n=36)
Tabela 5 – Comparação das dosagens das interleucinas 12 e 18 no
sangue e no fluido peritoneal de pacientes com endometriose em
relação à classificação histológica
IL12 Fluido peritoneal IL12 Sérica IL18 Fluido peritoneal IL18 Sérica
nm é d i a erro
padrão média erro
padrão média erro
padrão média erro
padrão
Sem indiferenciação 28 63,21 13,77 104,04 21,01 123,39 29,30 80,17 22,89
Com indiferenciação 44 94,56 25,70 182,74 33,86 154,72 33,55 64,39 12,16
p 0,9120 0,1149 0,8524 0,7859
Categoria Histológica
Anexos
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71
DISCUSSÃO
O presente estudo avaliou o comportamento das interleucinas 12 e 18
no sangue e no fluido peritoneal em um grupo controle composto por 33
pacientes com quadro clínico sugestivo e ausência comprovada de
endometriose e em 72 pacientes com endometriose com diferentes estádios,
locais de doença, subtipos histológicos e coletas nas duas fases do ciclo
menstrual. A análise destes parâmetros correlacionados às dosagens das
referidas interleucinas representa uma nova proposta no entendimento da
fisiopatologia da endometriose. Sabidamente, a IL-12 e a IL-18 participam da
resposta imunológica, em especial da reposta Th1. Reconhecemos ser este
um dos prováveis mecanismos envolvidos na etiopatogenia da doença, daí a
importância do conhecim ento mais profundo acerca do comportamento das
duas citocinas estudadas.
A fase do ciclo menstrual pode ser entendida como de relevância para
o entendimento do comporta mento das interleucinas na endometriose.
Entendemos que o refluxo de células endometriais para a cavidade pélvica
desencadeie a resposta imunológica e inflamatória agudamente, esperando,
portanto, aumento das dos agens de citocinas inflamatórias nessas
circunstâncias. Nossos resultados, no entanto, não mostraram diferenças
significativas nas comparações das dosagens de IL-12 e IL-18 nas fases
folicular e lútea do ciclo menstrual independente de a pac iente ter ou não
endometriose. Outros trabalhos da literatura também não haviam
demonstrado tal diferença (Gazvani et al., 2001) e alguns mostraram
diferenças com elevação das dosagens peritoneais de IL-18 na fase lútea
em comparação com a fase secretória em pacientes com endometriose
(Arici et al., 2003).
A análise das dosagens de IL-12 mo strou que, no flui do peritoneal, a
mesma se encontrava significativ amente aumentada de pacientes com
endometriose em relação ao grupo contro le; no sangue esta citocina estava
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mais elevada em pacientes com endometriose avançada do que nas
pacientes com doença in icial. Portanto, quando subdivididas segundo o
estadiamento, as pacientes com endometriose avançada apresentavam
dosagens séricas de IL-12 significativa mente maiores que na endometriose
inicial. Outros estudos, com metodologia semelhante, encontraram
resultados diferentes, apontando não haver diferenças nas dosagens de IL-
12, quer tenha sido feita análise no sangue ou fluido peritoneal (Mazzeo et
al., 1998; Zeyneloglu et al., 1998; Gazvani et al., 2001). Nossos resultados
podem refletir que nas pacientes co m a doença há realmente uma ativação
imunológica visando à via de resposta celular inicial em combate ao
antígeno representado pelo tecido endom etrial, desencadeada rapidamente
quando o mesmo chega à cavidade pélvica. Como a diferença estatística
marcante também foi encontrada entre as pacientes do grupo controle e os
estádios I e II da endometriose, é possí vel desenhar um raciocínio que a
chegada de células endometriais à ca vidade pélvica desencadeia, de
imediato, a resposta imune Th1.
A interleucina 18 não mostrou diferenças estatisticamente
significativas quando realizada a aval iação segundo o estadiamento, mas
notamos uma tendência de elevação das dosagens de IL-18 no fluido
peritoneal em estádios av ançados da doença (p = 0,08). Três trabalhos
foram publicados sobre o comportame nto da IL-18 nas mulheres com
endometriose. Seus resultados são conflitantes de modo que até o momento
não há consenso na literatura sobre a relação da IL-18 na doença, o que nos
motivou a averiguar tal situação em pac ientes de nosso meio (Arici et al.,
2003; Oku et al., 2004; Zhang et al ., 2004). Nosso trabalho não encontrou
diferenças estatisticamente significant es nas dosagens sérica ou peritoneal
da IL-18 na comparação de pacientes com endometriose e grupo controle,
mas uma tendência ao aumento de IL-18 peritoneal nos estádios avançados
da doença.
A via comumente envolvida na secreção da IL-12 passa, inicialmente,
pela secreção de IL-18 que, como vimos, é cofator importante para sua
liberação. Nossos resultados mostraram, na avaliação das dosagens da IL-
Anexos
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18 houve tendência ao aum ento da mesma em estádios avançados da
doença, não tendo diferenças nos estádios iniciais , onde foi encontrada a
diferença anteriormente mencionada em relação à IL-12 peritoneal. Como
interpretar tal discordância entre as dosagens peritoneais de IL-12 e IL-18 se
assumíssemos ser um processo encadeado?
Deparamo-nos, aqui, com um conceito recente, de que nem sempre a
produção de IL-12 seja dependente do estím ulo da IL-18. Já se acredita que
exista uma outra via de produção de IL-12 que independe do estímulo de IL-
18 (Morita et al., 2005). Esta, talvez, seja a via predominantemente envolvida
na endometriose, explicando o porquê do aumento das dosagens de IL-12
sem modificação significativa das dosagens de IL-18.
A análise do local da doença foi real izada respeitando o critério de
gravidade onde a doença pr ofunda é considerada a mais agressiva e a
forma peritoneal a mais branda. Inicialmente avaliamos se as interleucinas
12 e 18, tanto no sangue quanto no fluido periton eal, sofriam alguma
alteração na presença isolada da doença peritoneal , mas não encontramos
diferenças significativas. Sendo assim, aplicamos o mesmo raciocínio para
avaliar a doença profunda isoladamente e também não encontramos
diferenças estatisticamente significativas.
Em relação à classificação hist ológica (Abrão etal., 2003) útil na
possibilidade de predizer o padrão de comportamento da doença, não
encontramos diferenças estatisticamente significativas. Houve, no entanto,
uma tendência a maiores dosagens de IL-12 sérica nas pacientes com
formas mais indiferenciadas da doença. Novamente ressaltamos a proposta
mais recente da via independ ente de produção da IL- 12. Provavelmente na
doença mais agressiva e indiferenciada possamos assumir que a ativação
imunológica seja mais intensa já desde o início do processo; sendo assim
acreditamos que a elevação da IL-12 nesta forma mais agressiva pode
demonstrar esse recrutamento do si stema imune tentando controlar o
avanço da mesma.
Entendemos, também, pelas diferenças de comportamento
apresentadas em relação às dosagens de IL-12 e IL-18 que na endometriose
Anexos
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a via alternativa de secreção de IL- 12 independente de IL-18 possa estar
fortemente ativada.
Nenhum outro trabalho analisado fez estudo semelhante, de modo
que apresentamos resultados que podem contribuir no entendimento da
fisiopatologia da endometriose e auxiliar no desenvolvimento de novas
técnicas diagnósticas e terapêuticas. Fu turos estudos se fazem necessários
para que consigamos compreender, de modo definitivo, o papel imunológico,
histológico e outros diferentes par âmetros envolvidos nesta complexa
entidade globalmente conhecida como endometriose.
Agradecimentos: FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
São Paulo) pelo apoio financeiro.
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Referências Bibliográficas
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