Keywords
Endometriosis. Angiogenesis. cell proliferation. Apoptosis.
Propranolol. Rats.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Avaliação do Kappa de
Cohen...............................................................
36
Tabela 2 - Comparações entre as variáveis relacionadas a
imunohistoquímica.....
39
Tabela 3 - Concordância entre as variáveis da lesão e do útero em cada
grupo.....................................................................................................
41
Tabela 4 - Comparação da expressão gênica de Pcna (Lesão) entre os
grupos....................................................................................................
43
Tabela 5 - Comparação da expressão gênica de Sparc (Lesão) entre os
grupos....................................................................................................
43
Tabela 6 - Comparação da expressão gênica de Cald1 (Lesão) entre os
grupos....................................................................................................
43
Tabela 7 - Comparação da expressão gênica de Tnf (Lesão) entre os
grupos....................................................................................................
44
Tabela 8 - Comparação da expressão gênica de Vegfa (Lesão) entre os
grupos....................................................................................................
44
Tabela 9 - Comparação da expressão gênica de Vegfa (Útero) entre os
grupos....................................................................................................
44
Tabela 10
-
Comparação da expressão gênica de Tnf (Útero) entre os
grupos....................................................................................................
45
Tabela 11 Comparação da expressão gênica de Pcna (Útero) entre os
- grupos....................................................................................................
45
Tabela 12
-
Comparação da expressão gênica de Sparc (Útero) entre os
grupos....................................................................................................
45
Tabela 13
-
Comparação da expressão gênica de Cald1 (Útero) entre os
grupos....................................................................................................
46
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Rata submetida a laparotomia.............................................................
30
Figura 2 - Técnica de indução de lesão de endometrios e. Ressecado cerca de
4 cm do corno uterino direito seguido de sutura do coto proximal......
31
Figura 3 - Corno uterino ressecado submetendo-se a preparo...........................
31
Figura 4 - Fragmento de corno uterino................................................................ 32
LISTA DE ABREVIATURAS
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas
ACTB: Beta cytoskeletal actin
ARS: Prof. Dr. Alfredo Arruda e Silva
B2M: Beta-2-microglobulin
BM: Membrana basal
C2: grupo de ratas controle
PA: grupo de ratas que receberam alta dose da droga propranolol
CALD1: Caldesmon CALM2: Calmodulin 2(phosporilase kinase, delta)
CASPASE 8: caspase 8
PB: grupo de ratas que receberam baixa dose da droga propranolol
Cd; Cádimo
cDNA: Ácido desóxi-ribonucléico
CU: Cobre
DAB: 3,3 diaminobenzina
FMRP-USP: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo
HE: Hematoxilina-eosina
Hg: Mercúrio
JZ: Mestre em Patologia Juliana Zanetti
KDa: Kilodalton- unidade de massa molecular
L: lesão
MEC: Matriz extracelular
MMPs: Metaloproteínases
MT1 e MT2: Metalotioneinas
ON: Osteonectina
PBS: Tampão de solução salina
PCNA: Antígeno nuclear celular proliferativo
PCR: Reação em cadeia da polimerase
PH: Potencial hidrogeniônico
PPIA: Peptidyl-prolyl cis-trans isomerase
RNA: Ácido ribonucleico
SPARC: Secreted protein acidic and rich in cysteine
SNP: Polimorfismo nucleotídeo individual
TBS: Tris buffered saline
TIMPs: Inibidor tecidual de Metaloproteínases
TNF: Fator de necrose tumoral
TNFR: Receptor Fator de necrose tumoral-Receptor
U: útero
USP: Universidade de São Paulo
UK: United Kingdom
VEGF: Fator de crescimento endotelial vascular
Zn: Zinco
LISTA DE SÍMBOLOS
%: porcentagem
g/L: grama por litro
g: grama
M: molar
mg: miligrama
mg/kg: miligrama por kilograma
mL: mililitro
mM: milimolar
ng: nanograma
ºC: graus Celsius
µg: micrograma
µL: microlitro
SUMÁRIO
1 Introdução…………………………………………………………………..………… 18
2Justificativa..…………………………………………..…………………………... 24
3 Objetivos.....………………………………………………………………………….. 26
3.1 Objetivo geral................................................................................................... 27
3.2 Objetivos específicos…………………………………………………………….. 27
4 Metodologia…..................…………………………………………………………... 28
4.1 Aspectos éticos.................……………………………………………………….... 29
4.2 Técnica de indução das lesões de endometriose..………………………….... 30
4.3 Obtenção das lesões para análise histológica e molecular............................. 32
4.4 Protocolo de imunohistoquímica.........…………….……………………………... 33
4.5 Expressão gênica (extração do RNA total, síntese do cDNA, quantificação
por PCR em tempo real..............................................…………………..………….
34
4.6 Análise estatística.......……………………………………………………………... 35
5 Resultados..........................................………..………………………………..... 37
5.1 Caracterização dos grupos e perdas...........……………………………..……… 38
5.2 Imunohistoquímica..........................……………………………………………. 38
5.3 Expressão gênica............................................................................................. 42
6 Discussão………………………………………………………………………...…... 47
7 Conclusões..................……………………………………………………………… 55
Referências bibliográficas…………………………………………………........... 57
Anexo.................................................................................................................... 76
Apêndice............................................................................................................... 78
18
1. Introdução
19
A endometriose é definida pela presença de tecido endometrial, seja ele
glandular ou estromal, fora da cavidade uterina, denominado endométrio ectópico
(Farquhar, 2007). Afeta 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva (Dabrosin et
al., 2002).
A endometriose é considerada atua lmente um problema de saúde pública
devido ao seu impacto na saúde física e psicológica, bem como ao impacto
socioeconômico diante dos custos para o seu diagnóstico, tratamento e
monitoramento (Gao et al., 2006; Signorile e Baldi, 2010; Nnoaham et al., 2012).
A patogenia da endometriose ainda não pode ser compreendida por apenas
uma hipótese. A presença de células epiteliais endometriais com características de
adesão, implantação, crescimento e angiogênese no fluid o peritoneal (Kruitwagen et
al., 1991), bem como a associação entre fluxo menstrual obstruído e o diagnóstico
de endometriose corroboram para que a hipótese da menstruação retrógrada de
Sampson seja a mais aceita . Entretanto, é importante salientar que apenas o
refluxo tubário não é suficiente para estabelecer a doença, pois, 90% das mulheres
possuem menstruação retrógrada e apenas 10 a 15% destas desenvolvem
endometriose (Sampson, 1927; Olive e Henderson, 1987).
Outras conjecturas são ampla mente discutidas, como a imunológica e
metaplasia celômica. O aparecimento de endometriose em homens, mulheres que
nunca menstruaram e pré -puberes, bem como em locais como as meninges e a
cavidade pleural pode ser explicado pela metaplasia de células da li nhagem
peritoneal. O surgimento de lesões de endometriose na pleura, cicatriz umbilical,
espaço retroperitoneal, vagina e colo do útero pode ser explicado pela disseminação
linfática e hematogênica de células endometriais (Ridley, 1968; Suginami, 1991;
Braun et al., 2002; Chung, H. W. et al., 2002; Witz et al., 2002).
O sistema imunológico também é de suma importância no desenvolvimento
de endometriose, pois acredita -se que o endométrio ectópico possui a capacidade
de promover uma resposta autoimune patológica devido a supressão de células do
sistema imune e a imunovigilância debilitada de pacientes que desenvolveram
endometriose (Lebovic et al., 2001; Siristatidis et al., 2006)
A proliferação das células endometria is e a adesão ao peritônio podem
ocorrer pela produção de citocinas inflamatórias por essas células endometriais
ectópicas. As células endometriais, após a adesão, são induzidas principalmente
20
pelas enzimas metalopr oteinases de matriz (MMPs) a invadirem a matriz
extracelular. Macrófagos locais produzem as interleucinas 1 e 8 (IL -1 e IL -8), que
estimulam a produção de MMPs, facilitando o desenvolvimento de endometriose (Liu
et al., 2015; Xin et al., 2015; Yang et al., 2015). Em seguida, o fator de crescimento
vascular endotelial (VEGF) e o fator de transformação do crescimento beta (TGF -β)
produzidos por macrófagos, juntamente com IL -8 e o fator de necrose tumoral alfa
(TNF-α) estimulam a angiogênese, possibilitando o cresci mento de células
endometriais e contribuindo para a manutenção do endométrio ectópico (Dela Cruz e
Reis, 2015).
A interleucina (IL) 1β, a IL -1 dominante secretada por macrófagos peritoneais
ativados, desempenha um importante papel na neovascularização de lesões
endometrióticas (Lebovic et al., 2000). Foi evidenciada a secreç ão de IL-6 e IL-8 de
forma robusta por culturas de células do estroma endometrial humano de mulheres
com endometriose (Rocha et al., 2012). IL-6 é uma proteína multifuncional potente,
que promove a proliferação de células do endométrio e a angiogênese (Giudice et
al., 1994; Cohen et al. , 1996) ; a sua secreção é elevada no tecido endometrial
ectópico e as suas concentrações são elevadas no fluido peritoneal de pacientes
com e ndometriose (Keenan et al. , 1994) . IL -8 é uma citocina pró -inflamatória q ue
induz a quimiotaxia de neutrófilos e tem um efeito estimulador potente da
angiogênese (Koch et al., 2001; Arici, 2002).
A expressão e a secreção de IL -8 e VEGF, a partir de células estromais do
endométrio humano é modulada pela Activina A. O endométrio humano é uma fonte
e destino de Activina A, que é um membro da superfamília de fator de crescimento
transformante β, com efeitos sobre a inflamação e a angiogênese (Florio et al. ,
2007). VEGF é um dos fatores angio gênicos mais potentes e específicos. Os seus
efeitos incluem a proliferação celular endotelial, migração, organização em túbulos, e
permeabilidade melhorada, os quais participam na cascata angiogênica (Muller e
Griesmacher, 2000). A expressão endometrial de VEGF é aumentada pelo estradiol
e as suas concentrações estão correlacionados com a neovascularização e aumento
da permeabilidade vascular durante a fase proliferativa tardia (Charnock-Jones et al.,
2000). Alterações cíclicas na expressão de VEGF ao longo do ciclo menstrual são
observados com expressão máxima durante a fase secretora e menstruação
(Shifren et al. , 19 96; Charnock -Jones et al. , 2000; Mclaren, 2000) ; VEGF foi
21
observada no epitélio e em células do estroma de implantes de endometriose, sendo
mais expresso no epitélio. Além disso, as células de endometriose podem sintetizar
e secretar o VEGF (Shifren et al., 1996; Gargett e Masuda, 2010).
Portanto a angiogênese também representa um importante passo nesse
processo. Visto que, semelhante aos tumores metastáticos, implantes
endometrióticos dependem de neovascularização para se estabelecerem,
implantarem e invadirem (Fujishita et al., 1999; Taylor et al., 2002; Gescher et al.,
2003). De fato, uma peculiar característica dos implantes endometrióticos são suas
vascularizações densa s (Nisolle et al. , 1993) . Isso nos traz a ideia de que a
supressão do desenvolvimento de vasos sanguíneos por meio da inibição de fatores
angiogênicos específicos pode ser uma nova opo rtunidade terapêutica no
tratamento da endometriose (Hull et al., 2003; Nap et al., 2004; Olive et al., 2004).
O padrão ouro no diagnóstico de endometriose é a visualização direta de
lesões por via laparoscópica, a companhada de confirmação histológica da presença
de pelo menos duas das seguintes características: macrófagos contendo
hemossiderina ou epitélio endometrial, glândulas ou estroma (Bulletins--Gynecology,
2000).
As opções terapêuticas vigentes para o tratamento de endometriose in cluem
cirurgia, tratamentos clínicos, e a associação de ambos. A opção a ser adotada
depende de fatores como o estadiamento da doença, sintomatologia, a idade da
paciente e desejo de concepção (Petta et al., 2009).
As abordagens, no entanto, têm limitações significativas. Os tratamentos
clínicos que atuam por meio de modulações hormonais (contraceptivos hormonais,
progestágenos, anti-progestágenos, análogos e antagonistas do GnRH, e inibidores
da aromatase) podem bl oquear a ovulação e culminam com um microambiente
hipoestrogênico (Brown e Farquhar, 2014) . Logo, essa opção é inadequada para
pacientes que possuem infertilidade associada à endometriose e que pretendam
conceber normalmente (Dunselman et al. , 2014) . Além disso, pode haver
significativa recidiva dos sintomas (Streuli et al. , 2013) e até 25% das pacientes
terão efeitos secundários intoleráveis, ou resposta clínica insuficiente (Vercellini et
al., 2009) . Possivelmente, lesões com fibrose extensa e eventuais distorções
anatômicas s ão menos susceptíveis à modulação hormonal (Remorgida et al. ,
2005). A intervenção cirúrgica é o tratamento de escolha para formas graves de
22
endometriose refratárias ao tratamento clínico, como endometriose profund a
infiltrativa com acometimento intestinal sintomático, eventuais estenoses de ureter e
grandes massas anexiais sintomáticas (Vercellini et al., 2009; Meuleman et al., 2011;
Abrao et al., 2015).
A remoção cirúrgica das lesões de endometriose profunda infiltrativa pode ser
complexa e os resultados são altamente dependentes das habilidades e experiência
da equipe cirúrgica. Uma recente meta -análise revelou que as taxas de
complicações para a anastomose do intestino e m ressecção de lesões de
endometriose foram de 2,7% de fístula reto -vaginal, de 1,5% para deiscência de
anastomose e 0,34% para os abscessos pélvicos. As técnicas menos agressivas
apresentaram taxas ligeiramente mais baixas, mas foram associadas com um
aumento da recorrência, entre 5,8-17,6% (Meuleman et al., 2011).
Portanto, em virtude da ausência de um tratamento que contemple melhora
clínica significativa associada à possibilidade de gestação espontânea, sem que
aumente os riscos ou a morbidade da paciente, compreende -se haver uma lacuna
no tratamento de endometriose, e, por conseguinte, novas opções terapêuticas
deverão ser aventadas.
O propranolol é um antagonista competitivo dos receptores adrenérgicos
beta-1 e beta -2. Foi um dos primeiros β -bloqueadores desenvolvidos para uso na
clínica (Mak e Weglicki, 2004). O bloqueio competitivo do recep tor beta-adrenérgico
foi demonstrado no homem através de um deslocamento paralelo para a direita da
curva de resposta da frequência cardíaca aos beta -agonistas versus dose, tal como
a isoprenalina (Black et al., 1965). Cloridrato de propranolol é uma mistura racêmica
cuja forma ativa é o isômero S( -)-propranolol. Com exceção da inibição da
conversão da tiroxina à triiodotironina , é improvável que qualquer propriedade
adicional inerente ao isômero R(+) do propranolol desencadeie efeitos terapêuticos
diferentes, em comparação com a mistura racêmica (Silber e Riegelman, 1980) . O
propranolol é completamente absorvido após administração oral, e as concentrações
plasmáticas máximas ocorrem entre 1 e 2 horas após a administração em pacientes
em jejum (Routledge e Shand, 1979) . O fígado remove até 90% de uma dose oral,
com uma meia -vida de eliminação de 3 a 6 horas. O propranolol é ampla e
rapidamente distribuído pelo corpo, sendo que concentrações mais altas ocorrem
23
nos pulmões, fígado, rins, cérebro e coração. O propranolol apresenta um alto índice
de ligação às proteínas plasmáticas (90-95%) (Shand, 1976).
Há relatos de que β -bloqueadores como o propranolol possuem efeitos
anticancerígeno em diferentes tipos de tumores (Glasner et al., 2010; Storch e
Hoeger, 2010; Ji et al. , 2012; Xu et al. , 2013) . Também se observou o efeito
antitumoral dos β-bloqueadores em sarcomas in vivo e in vitro (Ji et al., 2012; Stiles
et al. , 2013) , diversos tumo res vasculares possuem receptores β -adrenérgicos
(Chisholm et al., 2012). Por fim, Pasquier e colaboradores relataram a existência de
um sinergismo entre quimioterapia e β -bloqueadores em câncer de mama e
neuroblastoma, por mecanismos ainda não totalmente elucidados (Pasquier et al. ,
2011; Pasquier et al., 2013). Em conjunto, tais a chados sugerem que o propranolol
pode contribuir clinicamente exercendo papel sobre a inibição de neoangiogênese, e
tal efeito resultar em um impacto sobre as lesões de endometriose.
A condução de estudos em endometriose que versem sobre a resposta clínica
frente à intervenção medicamentosa requer métodos invasivos. E, portanto, para
que novas opções terapêuticas sejam testadas lança -se mão de modelos animais
definidos (Rosa-E-Silva et al. , 2010) . Modelos experimentais têm sido produzidos
cirurgicamente em animais de pequeno porte, como coelhos, ratos e camundongos
(Vernon e Wilson, 1985; Sharpe -Timms, 2002; Rosa-E-Silva et al., 2010). O modelo
em roedores proposto por Jones é amplamente aceito (Jones, 1984). Com técnica
cirúrgica simples, permite implantação com sucesso das lesões o que torna a
indução de endometriose efetiva e reprodutível (Schor et al., 1999).
Em face à sugestão de que o propranolol possa contribuir clinicamente
exercendo papel sobre a inibição de neoangiogênese e tal efeito resultar em um
impacto sobre as lesões de endometriose, foi proposto o uso dessa droga em um
modelo experimental consagrado (Jones, 1984; Vernon e Wilson, 1985; Schor et al.,
1999; Sharpe -Timms, 2002; Rosa -E-Silva et al. , 2010) para a observação do
comportamento de lesões de endometriose in vivo, com e sem tratamento, e aventar
uma nova opção terapêutica clínica no tratamento de pacientes com endometriose.
24
2. Justificativa
25
A patogênese da endometriose necessita de atividade de neoangiogênese. A
cascata angiogênica inclue a proliferação celular endotelial, migração, organizaçã o
em túbulos, e permeabilidade melhorada, regulada por fatores de crescimento e
citocinas, e regulação metabólica em que intervém agentes estimuladores e
inibidores da matriz intersticial tumoral. Drogas com ação de inibição angiogênica
devem ter efeito sobre as lesões endometrióticas experimentalmente induzidas.
26
3. Objetivos
27
3.1 Objetivo geral
Avaliar o efeito do propranolol sobre endometriose experimentalmente
induzida em ratas.
3.2 Objetivos específicos
Avaliar a influência do propranolol e seu efeito antiangiogênico sobre o útero e
lesões de endometriose experimentalmente induzidas:
1) Investigar o comportamento de marcadores de diferenciação (MT1 e MT2
– Metalotioneínas 1 e 2 ), invasão (MMP9 – matrix metallopeptidase 9 e
TIMP2 – metallopeptidase inhibitor 2 ), proliferação (PCNA- proliferating
cell nuclear antigen ) e apoptose celular (CASP8 – caspase 8 ) por
imunohistoquímica;
2) Avaliar a expressão de genes envolvidos em adesão e motilidade (Cald1 –
caldesmon 1), angiogênese (Vegfa – vascular endothelial growth factor A e
Sparc – secreted protein acidic and cysteine rich ), regulação da
proliferação celular, indução de apoptose e resposta inflamatória ( Tnf –
tumor necrosis factor ) nas lesões de endometr iose e útero por PCR em
tempo real de ratas submetidas ao tratamento.
28
4. Metodologia
29
4.1 Aspectos éticos
Após uma vasta revisão da literatura sobre o tema e aprovações pela
Comissão de Pesquisa do Departamento de Gineco logia e Obstetrícia da Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto (protocolo nº 339/2011) e pela Comissão de Ética em
Experimentação Animal (protocolo 183/2011), foram solicitadas as ratas e aplicado o
modelo técnico -cirúrgico para indução de lesões de endom etriose (Jones, 1984;
Vernon e Wilson, 1985; Schor et al., 1999; Sharpe-Timms, 2002; Rosa-E-Silva et al.,
2010).
O estudo foi realizado no Departamento de Ginecologia e Obstetrícia,
Departamento de Patologia e Med icina Legal e Setor de Cirurgia Experimental da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP -
USP). Foram utilizadas trinta ratas Wistar, virgens, da mesma ninhada, de
aproximadamente 250 g no início do experimento, idade de qu arenta e nove dias,
provenientes do Serviço de Biotério do Campus Universitário de Ribeirão Preto. Tais
ratas, mantidas em ad libitum (livre acesso à água e ração Nuvilab CR1
autoclavável), inicialmente permaneceram por sete dias para ambientarem -se em
gaiolas metabólicas (41 cm x 32 cm x 17 cm) sob controle de umidade e temperatura
(22º a 25°C) e regime de luz com ciclo claro -escuro de 12/12 horas. Após este
período, os grupos, descritos abaixo, foram submetidos à laparotomia para indução
da lesão de endometriose.
Os animais foram alocados em 3 grupos de 10 animais divididos da seguinte
forma:
Grupo C (controle, n=10): ratas com endometriose induzida
experimentalmente e sem tratamento da droga no pós-operatório.
Grupo PB (propranolol baixa dose, n=10): rata s que receberam diariamente
droga propranolol em baixa dose (0,05 mg/Kg) por 2 semanas após 4 semanas da
cirurgia para indução das lesões.
Grupo PA (propranolol alta dose, n=10): ratas que receberam diariamente
droga propranolol em alta dose (0,1 mg/kg) po r 2 semanas após 4 semanas da
cirurgia para indução das lesões.
4.2 Técnica de indução das lesões de endometriose
30
A indução da lesão de endometriose foi realizada após injeção intramuscular
com 1 ml de Xilazina 2 mg/mL (Dopaser, Hertape Calier), e 1 ml cloridrato de
cetamina 10% (Ketamina Agener, União Química Farmacêutica Nacional AS, Uso
veterinário), sendo 0,15 unidades para cada 100 g de peso do animal. A figura 1
representa as estruturas observadas no momento da laparotomia.
Figura 1 – Rata subme tida a laparotomia. Identificação de estruturas. A:
ovário; B: trompa uterina; C: útero (lobo esquerdo); D: cérvix
uterino; E: gordura abdominal: F: fígado; G: cécum; H: intestino
delgado.
Após anestesia, foi realizado tricotomia pélvica, seguida dos cuid ados de
antissepsia com lavagem das luvas de látex com soro fisiológico para redução da
formação de aderências. Todos os procedimentos foram realizados pelo mesmo
pesquisador. A cavidade pélvica foi aberta com incisão longitudinal mediana de
aproximadamente 2 cm, sendo a 2 cm do púbis do animal. Posteriormente,
ressecado cerca de 4 cm do corno uterino direito seguido de sutura do coto
proximal. A porção uterina dissecada foi imersa em soro fisiológico 0,9% a 4°C por
cerca de 2 minutos e então incisada longi tudinalmente, sendo retirado dois
fragmentos de 5 x 5mm. Estes fragmentos de tecido endometrial foram suturados ao
peritônio próximo ao trato reprodutivo da rata utilizando fio Vicryl 6.0 com a face
endometrial livre voltada para a cavidade abdominal, send o um fragmento suturado
31
a direita e outro a esquerda, com posterior fechamento da incisão cirúrgica.
Nenhuma suplementação hormonal ou antimicrobiana foi administrada antes ou
após a laparotomia.
Figura 2 – Técnica de indução de lesão de endometriose. Re ssecado cerca de 4 cm do corno
uterino direito seguido de sutura do coto proximal.
32
Figura 3 – Corno uterino ressecado submetendo -se a preparo. Corno uterino ressecado submetido
a
incisão longitudinal e 2 fragmentos de 5mm x 5mm são suturados ao peritôni o em cada
lado da parede abdominal com a face endometrial voltada para a cavidade
Figura 4 – Fragmento de corno uterino. Fragmento de corno uterino que será suturado ao
peritônio pélvico com a face endometrial voltada para a cavidade peritoneal.
33
4.3 Obtenção das lesões para análise histológica e molecular
Quatro semanas após a cirurgia, tempo necessário para a implantação da
lesão (Rosa E Silva, 2004; Rodriguez -Romaguera et al., 2009), os grupos de estudo
receberam diariamente a injeção intraperitoneal de propranolol ( PB = 0,05mg/Kg ou
PA = 0,1mg/kg) por 2 semanas, sendo então eutanasiadas. O grupo controle foi
eutanasiado após estas quatro semanas de seguimento inicial.
Ao término do protocolo, as ratas foram e utanasiadas e realizado o inventário
da cavidade abomino -pélvica, identificando e documentando as lesões. Após esta
etapa, as lesões de endometriose foram excisadas para análise histológica e
molecular.
As ratas foram pesadas após 4 semanas, e a cada seman a de droga
administrada, fizemos o ajuste de dose da medicação conforme estabelecido
previamente pelo protocolo dose/peso.
Os tecidos retirados foram divididos ao meio, sendo que metade seguiu o
protocolo para técnicas de Imunohistoquímica e a outra metade foi incluída em RNA
later Solution (Ambion, par number AM7020) e após 24hs à 4 C, o tecido foi
armazenado à -80C para posteriores análises de expressão gênica.
4.4 Protocolo de Imunohistoquímica
A parte extraída destinada à avaliação imunohistoquímica foi fixada em formol
10%, processada para inclusão em parafina e corada por hematoxilina e eosina (HE)
com objetivo de identificar a presença de lesões compatíveis com endometriose e
posterior realização de Imunohistoquímica. Foram realizados cortes histológicos com
4 a 5µm. Os cortes foram desparafinizados em xileno e desidratados em uma série
de álcoois. A atividade da peroxidase endógena foi bloqueada em uma solução
contendo 0,3% de peróxido de hidrogênio por 30 minutos. Os cortes foram
submetidos à recup eração antigênica com tampão de citrato a 10 mM e colocados
em panela a vapor por 40 minutos e, logo após, as amostras foram resfriadas por 30
minutos em temperatura ambiente e incubadas a 4º C overnight com o anticorpo
primário. Aplicado o protocolo de sequências conforme o Kit Mach 4:
- Primeiro dia: recuperação antigênica: Tampão citrato pH 6.0, 35 minutos,
lavagem com Tris Buffered Saline -TBS, bloqueio da peroxidase endógena 10
34
minutos, lavagem com TBS por 5 minutos, bloqueio da proteína BSA 2% por 1 0
minutos, lavagem com TBS e incubação com anticorpo primário overnight;
- Segundo dia: lavagem, incubação no pós primário por 30 minutos, lavagem
com TBS por 3 minutos, incubação no polímero por 30 minutos, lavagem com TBS e
aplicação de DAB (3,3 diaminobenzina).
Os anticorpos utilizados neste estudo, suas diluições e respectivas marcas
foram: PCNA (1:500, PC10:SC -56, Santa Cruz Biotechnology, INC), CASP8 (1:100,
clone 11B6, Novacastra Laboratories, United Kingdom), MTs (1:100, clone E9, Dako,
USA), TIMP -2 (1:100, 3A4, Novacastra Laboratories, United Kingdom), MMP -9
(1:100, 15W2, Leica Biosystem, United Kingdom).
O tecido coletado foi analisado por Imunohistoquímica quanto aos seguintes
marcadores:
Índice de proliferação celular através da marcação do PCNA (proliferative cell
nuclear antigen), marcação de núcleo;
Índice de apoptose através da marcação da Caspase -8, marcação de
citoplasma e núcleo;
Expressão de moléculas envolvidas na diferenciação celular como
Metalotioneínas (Monoclonal Mouse Anti-Metallothionein Clone E9), marcação de
citoplasma.
Marcadores de invasão tecidual como MMP -9 (Mouse Monoclonal Antibody
Matrix Metaloproteínases 9) e TIMP -2 (Tissue Inhibitor of Matrix Metaloproteínases
2), marcação de citoplasma.
As lâminas foram analisadas por dois médicos (ARS e JVCZ). As células
foram marcadas positiva ou negativamente, para cada marcador, segundo critérios
utilizados na literatura - Imuno Reactive Score (Weigel et al., 2012).
Assim, para os marcadores MMP-9, MTs, TIMP-2 e CASP8:
1) a ausência de marcação (0%) foi definida como “1+”;
2) marcações entre 1 e 10% foram definidas como “2+”;
3) marcações entre 10 e 50%, conferiram o score de “3+”;
4) marcações entre 51 e 80% foram definidas como “4+”;
5) E, por f im, marcações superiores a 80% foram associadas ao score de
“5+”.
Em relação às marcações de PCNA:
35
1) marcações inferiores a 20% definiu-se o score “1+”;
2) marcações entre 20 e 70% conferiram o status de “2+”;
3) marcações superiores a 70% estabeleceram o score de “3+”.
4.5 Expressão gênica (extração do RNA total, síntese do cDNA, quant ificação
da expressão por PCR em tempo real)
As amostras de tecido congeladas em RNA later à -80ºC foram
descongeladas e lavadas em PBS 1X.
O RNA total foi extraído a partir de 50 mg de tecido utilizando Trizol Plus RNA
Purification Kit (Ambion, part number 12183 -555) de acordo com as instruções do
fabricante. O DNA genômico foi removido usando DNA -free Kit (Ambion, part
number AM1906). Após o tratamento com DNase, o RNA total fo i quantificado por
espectrofotometria à OD 260/280 (NanoDrop2000c, Thermo Scientific). Em seguida,
o cDNA foi sintetizado a partir de 1000 ηg de RNA total utilizando High Capacity
cDNA Reverse Transcription Kit with RNase Inhibitor (Applied Biosystems, par t
number 4374966) que faz uso de primers randômicos. A PCR em tempo real foi
realizada utilizando o equipamento 7500 Fast Real -time PCR System (Applied
Biosystems). As seguintes sondas de hidrólise do tipo TaqMan (Applied Biosystems)
foram utilizadas neste estudo: Rn00582935_m1 ( Vegfa), Rn00565719_m1 ( Cald1),
Rn01514538_g1 (Pcna), Rn99999017_m1 (Tnf), Rn01644671_m1 (Sparc). Os ciclos
de PCR foram os seguintes: um ciclo de 95ºC durante 20 segundos, 40 ciclos de
95ºC por 3 segundos e a 60ºC por 30 minutos. Ca da reação de PCR foi realizada
em triplicata. Os genes Actb (Rn00667869_m1) e B2m (Rn 00560865_m1) foram
utilizados como gene s de referência para normalizar as reações. As eficiências das
sondas e primers foram testadas na reação de amplificação dos genes
selecionados. Para esse estudo, foram consideradas ideais as eficiências na faixa
de 90 a 110%. A expressão relativa p ara os genes analisados foi calculada para
cada amostra de acordo com o método de 2-ΔΔCT.
4.6 Análise estatística
Primeiramente realizou -se análise exploratória dos dados. Esta metodologia
tem como objetivo sintetizar uma série de valores de mesma natur eza, permitindo
que se tenha uma visão global da variação de tais valores organizando e
36
descrevendo os dados de duas maneiras: PROC FREQ por meio de tabelas com
medidas descritivas e por gráficos.
A análise descritiva foi realizada com o software SAS® 9.0, utilizando o PROC
MEANS e os gráficos (Apêndice A) foram plotados utilizando-se o software R.
Parte 1: Para verificar a associação entre os grupos e os marcadores foi
utilizado o teste exato de Fisher. Os cálculos foram realizados através do software
SAS® 9.0, utilizando o PROC FREQ.
Parte 2.1 – Para comparar os grupos em cada local, propusemos a análise de
variância (ANOVA). Esta análise tem como pressuposto que seus resíduos tenham
distribuição normal com média 0 de variância 02 constantes. Para as var iáveis que
não atingiram esse pressuposto utilizou -se uma transformação logarítmica na
variável resposta. Esse procedimento foi realizado através do software SAS® 9.0,
utilizando-se o PROC GLM.
Parte 2.2 e 3 - Para a comparação o modelo de regressão com e feitos mistos
(efeitos aleatórios e fixos).
Os modelos lineares de efeito misto são utilizados na análise de dados em
que as respostas estão agrupadas e a suposição de independência entre as
observações num mesmo grupo não é adequada. Esses modelos têm co mo
pressuposto que seus resíduos tenham distribuição normal com média 0 de
variância 02 constantes. Para as variáveis que não atingiram esse pressuposto
usou-se a transformação logarítmica na variável resposta. Este procedimento foi
realizado através do s oftware SAS® 9.0, utilizando o PROC MIXED. Para a
comparação foi utilizado o pós-teste por contrastes ortogonais (Team, 2011).
É possível representar os resultados das análises de marcações
Imunohistoquímica em uma tabela de contingência. Na qual nas linhas são
representados os scores de marc ação para as proteínas em tecidos obtidos a partir
de endométrio eutópico (útero). Enquanto nas colunas são representados os scores
das análises de tecido obtido a partir das lesões, para as mesmas proteínas.
As frequências em que há concordância de scores entre os diferentes tecidos
se encontram na diagonal da tabela. A proporção de concordância será o número de
casos em que os dois tecidos estão em concordância em relação ao score para a
mesma proteína (soma das frequências da diagonal) sobre o número total de casos.
37
O Kappa de Cohen é uma medida de concordância que pondera a proporção
de concordância observada para a concordância obtida pelo acaso, ou seja, é o
quociente entre a proporção de concordância observada menos a proporção de
concordância esperada pelo acaso e a concordância máxima, ou seja 1, menos a
concordância esperada pelo acaso(Borkowf e Gail, 1997; Borkowf et al., 1997).
Embora não haja muitos critérios para avaliar os valores de Kappa entre 0 e
1, Landis e Koch em 1977 sugeriram a seguinte escala (Koch et al., 1977; Landis e
Koch, 1977a; b):
Tabela 1 - Avaliação do Kappa de Cohen.
Kappa entre: Concordância:
0.00 e 0.20 Pobre
0.21 e 0.40 Razoável
0.41 e 0.60 Moderada
0.61 e 0.80 Substancial
0.80 e 1.00 Alta
38
5. Resultados
39
5.1 Caracterização dos grupos e perdas
Foram utilizadas 30 ratas da rasta Wistar. Dessas, 10 foram utilizadas em
cada grupo conforme descrito na metodologia.
Não houve perda de animais, não foram observados processos infecciosos ou
desprezo de material por qualquer motivo . Observou-se em todos os grupos
eutanasiados a presença de lesões bilateralmente localizadas na parede abdominal
dos animais, visíveis macroscopicamente com tamanho aproximado de 1cm de
comprimento.
À análise imunohistoquímica, observamos que não houve material satisfatório
para análise nas lâminas confeccionadas para o estudo dos tecidos obtidos do
animal de número 10 do grupo PB para os marcadores MTs, CASP8 e TIMP-2.
Para a análise de expressão gênica também observamos perdas no estudo
por material apresentando quantidade insuficiente de cDNA em algumas amostras, a
saber: Cald1 do tecido obtido da lesão ectópica do animal 9, do grupo P A; Vegf, Tnf,
Pcna, e Sparc do tecido obtido da lesão ectópica dos animais 8, do grupo PB e 1, do
grupo C.
5.2 Imunohistoquímica
Na análise Imunohistoquímica dos tecidos obtidos a partir das lesões de
endometriose induzidas e endométrio eutópico (útero) a s marcações foram
quantificadas e realizada análise comparativa entre as diferentes variáveis.
Não foram observadas diferenças significativas para os marcadores MMP -9,
TIMP-2, CASP8 e PCNA. Entretanto, para a s MTs, houve redução significativa de
marcação após tratamento, dose independente, tanto em endométrio tópico como
em ectópico (Tabela 2).
40
Tabela 2 - Comparações entre as variáveis relacionadas a imunohistoquímica.
Variáveis Grupos
MMP_9_UTERO
C
(n=10)
PA
(n=10)
PB
(n=10)
Total p-valor
3+ 1 (10) 1 (10) 1 (10) 3 0,8638
4+ 2 (20) 3 (30) 1 (10) 6
5+ 7 (70) 6 (60) 8 (80) 21
MMP_9_LESAO
1+ 6 (60) 4 (40) 9 (90) 19 0,3423
2+ 0 (0) 1 (10) 0 (0) 1
3+ 1 (10) 0 (0) 0 (0) 1
4+ 1 (10) 1 (10) 0 (0) 2
5+ 2 (20) 4 (40) 1 (10) 7
MTs_UTERO
1+ 0 (0) 9 (90)
8
(88,89)
17 0,0001
3+ 0 (0) 1 (10) 0 (0) 1
4+ 1 (10) 0 (0)
1
(11,11)
2
5+ 9 (90) 0 (0) 0 (0) 9
MTs_LESAO
1+ 2 (20) 9 (90)
8
(88,89)
19 0,0018
3+ 0 (0) 1 (10) 0 (0) 1
4+ 1 (10) 0 (0)
1
(11,11)
2
5+ 7 (70) 0 (0) 0 (0) 7
CASP8_UTERO
1+ 0 (0) 1 (10) 0 (0) 1 0,6202
2+ 0 (0) 1 (10) 0 (0) 1
3+ 1 (10) 1 (10) 0 (0) 2
4+ 1 (10) 2 (20)
1
(11,11)
4
41
5+ 8 (80) 5 (50)
8
(88,89)
21
CASP8_LESAO
1+ 4 (40) 6 (60)
6
(66,67)
16 0,0806
2+ 0 (0) 2 (20)
3
(33,33)
5
3+ 1 (10) 1 (10) 0 (0) 2
5+ 5 (50) 1 (10) 0 (0) 6
TIMP2_UTERO
1+ 0 (0) 4 (40) 0 (0) 4 0,0848
3+ 1 (10) 0 (0) 0 (0) 1
4+ 1 (10) 0 (0)
1
(11,11)
2
5+ 8 (80) 6 (60)
8
(88,89)
22
TIMP2_LESAO
1+ 4 (40) 5 (50)
6
(66,67)
15 0,1266
2+ 0 (0) 2 (20)
3
(33,33)
5
3+ 0 (0) 1 (10) 0 (0) 1
4+ 1 (10) 0 (0) 0 (0) 1
5+ 5 (50) 2 (20) 0 (0) 7
PCNA_UTERO
2+ 1 (10) 5 (50) 1 (10) 7 0,0507
3+ 9 (90) 5 (50) 9 (90) 23
PCNA_LESAO
1+ 4 (40) 4 (40) 8 (80) 16 0,2968
2+ 1 (10) 1 (10) 1 (10) 3
3+ 5 (50) 5 (50) 1 (10) 11
42
Segundo a avaliação de proporção de concordância (kappa de Cohen) obtida
entre os scores de marcação do tecido uterino e tecido ectópico, observamos uma
correlação de 1 (alta) para a análise Imunohistoquímica da s proteínas MTs, nos
diferentes grupos. Para as demais proteínas as corr elações são baixas (<0,20)
(Tabela 3).
Tabela 3 - Concordância entre as variáveis da lesão e do útero em cada grupo.
Variáveis Grupos
MMP_9_UTERO
C
(n=10)
PA
(n=10)
PB
(n=10)
Total p-valor
3+ 1 (10) 1 (10) 1 (10) 3 0,8638
4+ 2 (20) 3 (30) 1 (10) 6
5+ 7 (70) 6 (60) 8 (80) 21
MMP_9_LESAO
1+ 6 (60) 4 (40) 9 (90) 19 0,3423
2+ 0 (0) 1 (10) 0 (0) 1
3+ 1 (10) 0 (0) 0 (0) 1
4+ 1 (10) 1 (10) 0 (0) 2
5+ 2 (20) 4 (40) 1 (10) 7
METALOTIONEINA_UTERO
1+ 0 (0) 9 (90)
8
(88,89)
17 0,0001
3+ 0 (0) 1 (10) 0 (0) 1
4+ 1 (10) 0 (0)
1
(11,11)
2
5+ 9 (90) 0 (0) 0 (0) 9
METALOTIONEINA_LESAO
1+ 2 (20) 9 (90)
8
(88,89)
19 0,0018
3+ 0 (0) 1 (10) 0 (0) 1
4+ 1 (10) 0 (0)
1
(11,11)
2
5+ 7 (70) 0 (0) 0 (0) 7
43
CASPASE8_UTERO
1+ 0 (0) 1 (10) 0 (0) 1 0,6202
2+ 0 (0) 1 (10) 0 (0) 1
3+ 1 (10) 1 (10) 0 (0) 2
4+ 1 (10) 2 (20)
1
(11,11)
4
5+ 8 (80) 5 (50)
8
(88,89)
21
CASPASE8_LESAO
1+ 4 (40) 6 (60)
6
(66,67)
16 0,0806
2+ 0 (0) 2 (20)
3
(33,33)
5
3+ 1 (10) 1 (10) 0 (0) 2
5+ 5 (50) 1 (10) 0 (0) 6
TIMP2_UTERO
1+ 0 (0) 4 (40) 0 (0) 4 0,0848
3+ 1 (10) 0 (0) 0 (0) 1
4+ 1 (10) 0 (0)
1
(11,11)
2
5+ 8 (80) 6 (60)
8
(88,89)
22
TIMP2_LESAO
1+ 4 (40) 5 (50)
6
(66,67)
15 0,1266
2+ 0 (0) 2 (20)
3
(33,33)
5
3+ 0 (0) 1 (10) 0 (0) 1
4+ 1 (10) 0 (0) 0 (0) 1
5+ 5 (50) 2 (20) 0 (0) 7
PCNA_UTERO
2+ 1 (10) 5 (50) 1 (10) 7 0,0507
3+ 9 (90) 5 (50) 9 (90) 23
44
PCNA_LESAO
1+ 4 (40) 4 (40) 8 (80) 16 0,2968
2+ 1 (10) 1 (10) 1 (10) 3
3+ 5 (50) 5 (50) 1 (10) 11
5.3 Expressão gênica
Detectamos diferenças significativas entre os níveis de expressão de Pcna
obtidos na lesão e ntre os grupos c ontrole e os grupos tratados . No presente estudo
não fora m observadas diferenças significativas em relação à expressão de Cald1,
Sparc, Vegfa e Tnf, nas lesões, nos três grupos analisados. Os resultados são
apresentados nas tabelas que seguem.
Tabela 4 - Comparação da expressão gênica de Pcna (Lesão) entre os grupos.
Pcna (Lesão)
Grupo N Média
Desvio
Padrão
p-valor
Pós teste de
Dunn*
C 9 1,21 0,77
0,02
a
PA 10 0,48 0,4 b
PB 9 0,73 0,27 ab
*Letras diferentes representam diferenças significativas ao nível de significância de
0,05. Expressão gêni ca em unidades arbitrárias. C=Grupo controle; PA=Grupo
tratado com propranolol a 0,1 mg/kg; PB=Grupo tratado com propranolol a 0,05
mg/kg.
Tabela 5 - Comparação da expressão gênica de Sparc (Lesão) entre os grupos.
Sparc (Lesão)
Grupo n Média
Desvio
Padrão
p-valor
C 9 1,29 1,08
0,09 PA 10 0,6 0,37
PB 9 1,06 0,7
Expressão gênica em unidades arbitrárias. C=Grupo controle; PA=Grupo tratado com propranolol a
0,1 mg/kg; PB=Grupo tratado com propranolol a 0,05 mg/kg.
45
Tabela 6 - Comparação da expressão gênica de Cald1 (Lesão) entre os grupos.
Cald1 (Lesão)
Grupo n Média
Desvio
Padrão
p-valor
C 9 1,49 1,51
0,08 PA 9 0,57 0,53
PB 9 0,36 0,31
Expressão gênica em unidades arbitrárias. C=Grupo controle; PA=Grupo tratado com propranolol a
0,1 mg/kg; PB=Grupo tratado com propranolol a 0,05 mg/kg.
Tabela 7 - Comparação da expressão gênica de Tnf (Lesão) entre os grupos.
Tnf (Lesão)
Grupo n Média
Desvio
Padrão
p-valor
C 9 1,24 0,86
0,15 PA 10 1,16 0,5
PB 9 1,9 1,3
Expressão gênica em unidad es arbitrárias. C=Grupo controle; PA=Grupo tratado com propranolol a
0,1 mg/kg; PB=Grupo tratado com propranolol a 0,05 mg/kg.
Tabela 8 - Comparação da expressão gênica de Vegfa (Lesão) entre os grupos.
Vegfa (Lesão)
Grupo n Média
Desvio
Padrão
p-valor
C 9 1,2 0,64
0,77 PA 10 1,42 1,91
PB 9 1,29 1,12
Expressão gênica em unidades arbitrárias. C=Grupo controle; PA=Grupo tratado com propranolol a
0,1 mg/kg; PB=Grupo tratado com propranolol a 0,05 mg/kg.
46
A análise de expressão gênica no fragmento ute rino entre os grupos Controle
e grupos que receberam a medicação não revelou diferenças estatísticas
significantes para Pcna, Sparc, Vegfa, Tnf e Cald1. Os resultados são apresentados
abaixo:
Tabela 9 - Comparação da expressão gênica de Vegfa (Útero) entre os grupos.
Vegfa (Útero)
Grupo n Média
Desvio
Padrão
p-valor
C 10 1,08 0,46
0,49 PA 10 1,19 0,56
PB 10 1,69 1,14
Expressão gênica em unidades arbitrárias. C=Grupo controle; PA=Grupo tratado com propranolol a
0,1 mg/kg; PB=Grupo tratado com propranolol a 0,05 mg/kg.
Tabela 10 - Comparação da expressão gênica de Tnf (Útero) entre os grupos.
Tnf (Útero)
Grupo n Média
Desvio
Padrão
Valor p
C 10 1,23 0,73
0,16 PA 10 2,42 1,71
PB 10 1,7 1,13
Expressão gênica em unidades arbitrárias. C=Grupo co ntrole; PA=Grupo tratado com propranolol a
0,1 mg/kg; PB=Grupo tratado com propranolol a 0,05 mg/kg.
Tabela 11 - Comparação da expressão gênica de Pcna (Útero) entre os grupos.
Pcna (Útero)
Grupo n Média
Desvio
Padrão
Valor p
C 10 1,09 0,5
0,41 PA 10 1,32 0,52
PB 10 1,68 1,31
Expressão gênica em unidades arbitrárias. C=Grupo controle; PA=Grupo tratado com propranolol a
0,1 mg/kg; PB=Grupo tratado com propranolol a 0,05 mg/kg.
47
Tabela 12. Comparação da expressão gênica de Sparc (Útero) entre os grupos.
Sparc
Grupo n Média
Desvio
Padrão
Valor p
C 10 1,04 0,3
0,42 PA 10 0,95 0,39
PB 10 0,88 0,65
Expressão gênica em unidades arbitrárias. C=Grupo controle; PA=Grupo tratado com propranolol a
0,1 mg/kg; PB=Grupo tratado com propranolol a 0,05 mg/kg.
Tabela 13 - Comparação da expressão gênica de Cald1 (Útero) entre os grupos.
Cald1
Grupo n Média
Desvio
Padrão
Valor p
C 10 1,69 1,28
0,09 PA 10 2,08 1,81
PB 10 4,17 3,34
Expressão gênica em unidades arbitrárias. C=Grupo controle; PA=Gr upo tratado com propranolol a
0,1 mg/kg; PB=Grupo tratado com propranolol a 0,05 mg/kg.
48
49
6. Discussão
50
A capacidade de adesão, invasão e desenvolvimento das lesões de
endometriose estão rel acionadas ao desequilíbrio entre as enzimas que degradam
os componentes da matriz extracelular (como a MMP 9), e seus reguladores
endógenos – os inibidores de tecidos de metaloproteinases (como o TIMP-2). A
viabilidade do tecido ectópico é atribuída em partes à ocorrência de neoangiogênese
estimulada pelo fator de crescimento do endotélio vascular (VEGF) e citocinas.
O uso de inibidores de neoangiogênese têm sido amplamente estudados no
tratamento de endometriose (Hsiao et al., 2014; Pittatore et al., 2014; Arosh et al.,
2015; Ozcan Cenksoy et al. , 2015) . β -bloqueadores como o propranolol, devido à
sua ação em inibição de neoangiogênese, possuem efeitos antitumorais em
diferentes tipos de tumores, e principalmente tumores vasculares (Koch et al., 1977;
Ji et al., 2012; Stiles et al., 2013; Xu et al., 2013).
Por meio de análises imunohistoquímicas e estudos de biologia molecular foi
possível analisar a resposta das lesões experimentalmente induzidas, bem como
dos tecidos obtidos a partir de endométrio eutópico.
A presença de lesões de endometriose no modelo experimental utilizado foi
comprovada macroscopicamente pela presença de implantes típicos na face
peritoneal das ratas, e também microscopicamente, por meio de estudo
imunohistoquímico com hematoxilina -eosina e observação de glândula e estroma
endometrial nos tecidos excisados, confirmando o sucesso da técnica empregada no
estudo.
Com o intuito de avaliar os efeitos do propranolol nas lesões endometrióticas
induzidas, em vários aspectos, alguns marcadores foram selecionados afim de que
alguns mecanismos como neoangiogênese, apoptose, proliferação celular,
motilidade e invasão celular fossem avaliados. Para tanto, os marcadores MTs,
PCNA, C ASP8, MMP -9 e TIMP-2 foram analisados por imunohistoquímica, e por
biologia molecular foram analisadas as expressões dos genes Vegfa, Tnf, Sparc e
Cald1.
A MT é uma proteína de baixo peso molecular com papéis funcionais no
crescimento celular, diferenciação e reparação, inversamente correlacionada com o
índice de apoptose. A lo calização perinuclear da metalotioneína é importante para a
função de proteção contra danos no DNA e apoptose induzida por estímulos
51
externos de estresse (Tsangaris e Tzortzatou -Stathopoulou, 1998; Levadoux -Martin
et al., 2001; Cherian et al., 2003; Theocharis et al., 2004).
As MTs têm diversas funções que continuam a ser descobertas como
armazenamento, transporte e metabolismo de metais, proteção contra radicais livres,
controle da concentração de traços de element os livres como zinco e cobre,
proteção contra condições de estresse e proteção contra danos cerebrais (Jacob et
al., 1998)
O estudo de Tapiero e Tew (Tapiero e Tew, 2003) sugere que altos níveis de
MTs podem estar presentes em te cidos com rápido crescimento e desenvolvimento.
As MTs fornecem zinco e cobre para o metabolismo de ácidos nucléicos, síntese
de proteínas e outros processos metabólicos, portanto pode haver uma ligação entre
MTs e tumores cancerosos.
De acordo com o estudo de Wicherek e colaboradores (Wicherek et al., 2005)
a superexpressão de MT pode proteger as células tumorais da apoptose e, assim,
contribuir para a expansão do tumor. A expressão de MT foi aumentada em casos
de carcinoma endometrial quando comparado com lesões endometriais
hiperplásicas benignas. Em adenocarcinoma endometrial, o conteúdo elevado de
MT foi associado com alto grau de câncer e estágio da doença (Mccluggage et al.,
1999).
No presente estudo houve uma redução significativa de marcação desta
proteína após tratamento, dose independente, tanto em endométrio tópico como em
ectópico, sugerindo que o tratamento com propranol foi eficaz.
O PCNA (antígeno de proliferação celular ) é uma proteína nuclear e sua
expressão se relaciona com o estado proliferativo das células (Yu et al., 1991). O
antígeno é expresso no núcleo das células, durante a fase de síntese do DNA. Ele
pode ser usado para a classificação de diferentes lesões neoplásicas e benignas
com comportamento proliferativo. O PCNA é um marcador de proliferação específica
validado que é resistente à fixação (Theile e Muller, 1996)
O estudo de Fujishita e colaboradores (Fujishita et al., 1999) avaliou o PCNA
em endometriose e mostrou maiores níveis proteicos em lesões vermelhas, quando
comparadas a lesões brancas e negras. Há diferenças relevantes no padrão proteico
de PCNA em diferentes estadios de endometriose e em câncer de endométrio. Estes
marcadores podem ser úteis para avaliar a agressividade e a invasão endometriótica
52
em diferentes localizações. A expressão de PCNA foi significativamente maior em
endometriose colorretal que em endometriose peritoneal e carcinoma endometrial
(Korbel et al., 2010; Weigel et al., 2012), sugerindo uma maior atividade mitótica nas
lesões de endometriose.
Estudos demonstram que drogas antiestrogênicas usadas no tratamento da
endometriose diminuem a expressão do PCNA, provavelmente por diminuírem a
proliferação de células mediadas por estrogênio e consequentemente diminuir as
lesões ectópicas (Kulak et al. , 2011) . A avaliação de pacientes tratadas com
agonistas de GnRH e com Sistema Intrauterino liberador de Levonorgestrel (SIU -
LNG) mostrou uma redução na proliferação celular avaliada por uma menor
expressão de PCNA em células estromais e glandulares do endométrio eutópico e
ectópico (Gomes et al., 2009).
Esses resultados corroboram o nosso estudo, pois observamos uma menor
expressão significativa de Pcna em ratas tratadas com propranolol. Portanto a
redução de proliferação celular, devido a uma menor expressão de Pcna poderia
sugerir uma provável resposta terapêutica.
Tanto a apoptose e a proliferação de células são alvos de tratamentos
habitualmente utilizados para controlar a dor em pacientes com endometriose
(Gomes et al., 2009).
Durante o ciclo menstrual a apoptose auxilia a manutenção da homeostasia
celular, pois, durante a fase secretora tardia, ocorre a eliminação de células
envelhecidas presentes na camada funcional do endométrio uterino (Suganuma et
al., 1997) . As células mais resistentes à apoptose são as células endometriais
ectópicas obtidas de sítios da endometriose (Gebel et al., 1998).
Um estudo de Dmowsk (Dmowski et al., 2001) reportou um baixo índice de
apoptose celular em mulheres com endometriose na fase secretora tardia e
proliferativa precoce do ciclo menstrual. Esse baixo índice de apoptose pode levar
a um aumento de células endometriais viáveis regurgitadas na cavidade pélvica
durante a menstruação. Dessa forma há uma maior facilidade de sobrevivência e
implantação ectópica. A apoptose, portanto pode ser apenas um mecanismo de
controle do desenvolvimento e evolução da endometriose.
As Caspases são um grupo de proteases baseadas em cisteína. São
importantes para a apoptose celular e algumas caspases são essenciais para o
53
sistema imunológico, pois são responsáveis pela maturação de citocinas. Existem
dois tipos de caspases: caspases iniciadoras e caspases efetoras . Caspases
iniciadoras ( CASP8, CASP9) clivam pro -formas inativas de caspases efetoras e
assim as ativam. As caspases efetoras ( CASP3, CASP7) c livam outros substratos
protéicos da célula levando ao processo apoptótico. O início da reação em cascata é
regulada por inibidores de caspases (Lavrik et al., 2005; Mcilwain et al., 2013)
No entanto, algumas evid ências estão emergindo que suportam a existência
de muitas outras funções não-apoptóticos destas caspases, que são essenciais para
a homeostase do tecido e recuperação pós -lesão. As caspases apoptóticas em
células que morrem induzidas pelo estresse podem ativar os sinais mitogênicos que
conduzem à proliferação de células vizinhas, um fenómeno denominado proliferação
induzida por apoptose. Aparentemente, estas funções não apoptóticas das caspases
precisam ser controladas e contidas durante o desenvolvimento para evitar os seus
efeitos prejudiciais. Os estudos de acumulação sugerem que a célula cancerígena é
capaz de utilizar estas funções de caspases para permitir a sua sobrevivência,
proliferação e metástase, a fim de crescer e progredir (Dabrowska et al., 2016).
Entretanto, e m nosso estudo não houve diferen ças significativas para a
marcação de CASP8 nos grupos tratados e controle.
As metaloproteinases de matriz ( MMPs) são uma família de endopep tidases
zinco-dependente que estão envolvidas na degradação de matriz extracelular
(Woessner, 1991; Raza e Cornelius, 2000; Di Nezza et al. , 2002) . Elas são de
grande importância em processos fisiológicos e patológ icos, tais como angiogênese,
infiltração e propagação de tumores malignos. Além disso, elas estão presentes em
endométrio eutópico e ectópico (Osteen et al., 2003; Uzan et al., 2004; Kim et al.,
2007) As MMPs t êm e xpressão multigênica e quando estão associadas ao seus
inibidores tissulares de metaloproteinases ( TIMPs) são possíveis mediadores da
remodelagem da matriz extracelular (Page-Mccaw et al., 2007).
A MMP -2 (gelatinase A) é uma colagenase tipo IV, que é especialmente
importante para o a degradação da membrana basal (Stetler-Stevenson, 1994). Uma
sobre expressão tem sido encontrada em muitos tumores malignos e também no
endométrio de pacientes com endometriose (Chung, M. K. et al. , 2002) . A MMP -9
(gelatinase B) também processa o colagénio tipo IV e além disso divide colágeno
tipo II e V. A sua presença, em muitos tipos de câncer, incluindo células malignas e
54
estroma circundante tem sido demonstrada. MMP -9 pode ser encontrada em
endometriose infiltrante (Xin et al., 2015; Liu et al., 2016)
As MMP-2 e MMP -9 estão prese ntes não só no endométrio normal na fase
proliferativa, mas também em endométrio hiperplásico e carcinoma do endométrio
(Graesslin et al. , 2006). Por conseguinte, a MMP -2 e MMP -9, entre outras MMPs,
parecem ser fatores importantes para a progressão de tumores e invasão de câncer
do endométrio. Os padrões de expressão destas MMPs também são de interesse
em diferentes tipos de endometriose também (Amalinei et al., 2011). Em mulheres
com endometriose, foram observados elevados níveis de MMPs em endométrio
ectópico em relação ao endométrio tópico. A superexpressão de MMPs pode auxiliar
o desenvolvimento da endometriose (Kokorine et al., 1997; Di Carlo et al., 2009).
O estudo de Weigel (Weigel et al., 2012) mostrou que a expressão de MMP-2
e MMP-9 em carcinoma maligno é mais alta que em endometriose. MMP-2 foi mais
expressa em endometriose colorretal invasiva que em endometriose peritoneal
superficial, portanto é possível sugerir que a MMP-2 é um forte fator de promoção da
proliferação em tecido endometrial.
O TIMP-2 ( Tissue Inhibitor of Matrix Metalloproteinase) é um membro da
família de genes TIMPs. Os TIMPs são uma família de inibidores naturais e
específicos das MMPs. Esses dois fatores têm importante papéis na manutenção da
estabilidade e integridade estrutural dos componentes da matriz extracelular (Taylor
et al., 2002; Loffek et al., 2011). Estudos têm mostrado que a desordem das MMPs /
TIMPs pode promover a destruição e degradação da matriz extracelular do peritônio,
provocando o desenvolvimento de endometriose (Gottschalk et al., 2000; Chung, H.
W. et al., 2002).
Mulheres com endometri ose expressam baixos níveis de TIMP-2, levando a
uma alta atividade proteolítica da MMP e favorecendo a invasão de células
endometrióticas. O equilíbrio entre MMPs e TIMPs é importante para manter a
atividade adequada de MMP. A incapacidade de manter esse equilíbrio pode auxiliar
a degradação da matriz e invasão celular. O estrogênio pode aumentar a expressão
de MMP-2 e promover a implantação de tecido en dometrial ectópico, entretanto a
progesterona pode inibir a expressão de TIMP-2 e melhorar a invasão de endométrio
ectópico promovendo sua implantação (Hulboy et al., 1997; Londero et al., 2012).
55
Em nosso estudo nã o houve diferença significativamente estatística para os
grupos controle e tratados em relação à marcação de MMP-9 e TIMP-2.
Quanto aos resultados de biologia molecular demonstrados neste trabalho, ao
analisar a expressão dos genes Vegfa, Tnf, Sparc e Cald1 no grupo controle e nos
grupos de lesões tratadas com baixa e alta dose de propranolol, bem como no
endométrio tópico desses animais, observamos que não houve diferença
significativa da expressão gênica.
O Fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) colabora com a
patogênese e progressão da endometriose pela indução da proliferação celular
endotelial, migração, diferenciação, organização em t úbulos e formação de
capilares. Ademais, alguns trabalhos observaram aumentos tanto dos níveis
proteicos quanto nos transcritos de VEGF no fluido peritoneal e soro de pacientes
com endometriose (Mclaren et al., 1996; Pupo -Nogueira et al., 2007). Esses dados
demonstram a importância do VEGF na patogênese da endometriose.
Avaliando o resultado obtido em nosso estudo, como não houve diferença
significativamente estatística entre os grupos estudados, provavelmente o
propranolol nas doses administradas não foi capaz de inibir a angiogênese e
diminuir a expressão de Vegf.
O fator de necrose tumoral (TNF) é uma citocina secretada principalmente por
macrófagos. Em resposta ao estímulo inflamatório, o TNFα é secretado e pode
induzir a morte celular por apoptose ou necrose de algumas linhas de células
tumorais. O TNF também pode ind uzir a proliferação e diferenciação celulares em
muitos tipos de células (Ihlenfeld, 2008).
A meta -análise de Lu e colaboradores (Lu et al. , 2013) não encontrou
nenhuma evidência de benefício clínico quando administraram medicamentos anti -
TNF-α (infliximab) ao analisar estudos que versavam sobre a lesão de endometriose,
dismenorreia, dispareunia e sensibilidade pélvica. Um aumento de expressão de
citocinas pró -inflamatórias, IL -1, 6, 8, TNF e HGF foi observada em tecido
endometrial ectópico e tópico de mulheres com endometriose (Berbic et al., 2009).
Em nosso estudo não houve diferença significativa entre os grupos
estudados, sugerindo que não houve diminuição de expressão de Tnf nas ratas
tratadas com propranolol.
56
Osteonectina (ON), também conhecida como proteína secretada ácida e rica
em cisteína (SPARC) ou proteína de membrana basal -40 (BM-40) (Swaroop et al.,
1988). Ela a presenta várias funções biológicas e está relacionada com a
angiogênese, proliferação e migração de células tumorais (Maillard et al., 1992).
Estudos recentes demonstram que a desregulação dos genes SPARC, MYC,
MMP3, IGFBPI e PAEP pode ser responsável pela perda da homeostase celular em
lesões endometrióticas, consequentemente pode auxiliar a impl antação e
sobrevivência do tecido endometrial ectópico (Meola et al., 2010)
Em nossa amostra, não detectamos diferença significativa nos níveis de
expressão de Sparc entre os grupos tratados com alta e baixa dose e o grupo
controle de lesões induzidas.
Caldesmon (CALD1) é uma proteína de ligação a calmodulina. A CALD1 inibe
tonicamente a atividade ATPase da miosina no músculo liso (Hayashi et al., 1992).
Alguns estudos demonstram que o gene CALD1 é superexpresso em lesões
endometrióticas de pacientes com endometriose na fase proliferativa do ciclo
menstrual (Meola et al. , 2010) e em endometrioma ovariano por CGH -array
(Zafrakas et al., 2008). CALD1 auxilia a predição de desregulação endometrial em
pacientes com endometriose (Meola et al., 2009).
Não foram encontradas diferenças significativas de expressão de Cald1 entre
os grupos controle e tratados com propranolol.
Uzunlar e colaboradores (Uzunlar et al. , 2014) sugerem que o propranolol
possa suprimir o desenvolvimento da lesão endometrióticas devido a sua atividade
antiangiogênica pela inibição de VEGF, MMP -2 e MMP -9. O presente estudo não
observou essa inibição, entretanto observou uma redução nos níveis proteicos de
MTs sugerindo que o propranolol possa apresentar uma provável resposta
terapêutica.
Também observamos uma redução na expressão de Pcna, não corroborada
pela redução de marcação imunohistoquímica d a p roteína PCNA nos grupos
estudados. Uma análise in silico revelou uma discordância entre os níveis de
expressão do transcriptoma e proteínas associada com o processo da endometriose
(Wren et al., 2007). Isto sugere que a expressão gênica não é somente regulada em
57
nível de transcriptoma, mas que mecanismos regulatórios pós -transcricionais
possam atuar na endometriose. Um exemplo deste tipo de regulação atualmente
muito estudado na doença é a regulação por microRNAs (Pan et al., 2007; Burney et
al., 2009; Ohlsson Teague et al., 2009; Filigheddu et al., 2010).
A pesquisa experimental é uma maneira de se obter conclusões causais, com
relação a intervenções ou tratamentos e estabelecer se um ou mais fatores causam
uma mudança em um resultado . N o presente estudo observamos, de maneira
reprodutível, a ação do propranolol sob diferentes regimes de dose diária sobre a
marcação proteica e expressão gêni ca de proteínas e genes envolvidos na
patogenia da endometriose. É conveniente abordar que a pesquisa experimental
pode criar situações artificiais que não são extrapoláveis para a prática clínica. Isto é
em grande parte devido ao fato de que todas as outr as variáveis são rigorosamente
controladas que podem não criar uma situação totalmente r eal. As principais
limitações desse estudo são a não utilização dos mesmos marcadores na análise
imunohistoquímica e na quantificação de expressão gênica, reduzindo n osso poder
de análise da interferência da medicação estudada sobre o comportamento da
doença à observação das lesões.
58
7. Conclusões
59
No presente estudo de lesões endometrióticas experimentalmente induzidas
em ratas e tratadas com propranolol observou-se que houve redução significativa de
marcação de Metalotioneína após tratamento, dose independente, tanto em
endométrio tópico como em ectópico, sugerindo que o tratamento com propranol ol
foi eficaz.
Tais achados nos permitem crer em futuras abordagens no tratamento clínico
da endometriose que podem incluir inibidores de neoangiogênese. Poderíamos
aventar um estudo randomizado duplo -cego em humanos, com o uso adjuvante do
propranolol às terapêuticas já existentes, ou outras medicações com conhecida ação
de inibição sobre a cascata de angiogênese. A descoberta de novas drogas seguras
com alvo sobre essa etapa do estabelecimento da lesão de endometriose poderia
beneficiar milhões de mulheres acometidas, que diariamente sofrem com redução da
qualidade de vida, dor e/ou dificuldade em conceber.
60
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Anexo
ANEXO A – Aprovação do comitê de ética em experimentação animal
76
77
Apêndice
78
APÊNDICE A – Gráficos de descrição das amostras
79
80
81
82
83
APÊNDICE B – Manuscrito
Influência de agentes antiangiogênicos (propranolol) em
endometriose experimentalmente induzida em ratas
Effect of anti-angiogenics drugs (propranolol) in experimentally induced endometrios is in rats
ZANARDI JVC¹, MEOLA J¹, SILVA AR¹, FORTUNATO GG¹, POLI-NETO OB¹, NOGUEIRA AA¹, ROSA-E-SILVA JC¹,
¹ Department of Obstetrics andGynecology, University of Sao Paulo, Ribeirao Preto, Sao Paulo, Brazil.
RESUMO
Propõe-se que a angiogênese represente um importante passo no processo de adesão, implantação, invasão e crescimento
das células endometriais, visto que, semelhante aos tumores metastáticos, implantes endometrióticos dependem de
neovascularização para se proliferarem. Tal constatação sugere qu e a supressão do desenvolvimento de vasos sanguíneos
por meio da inibição de fatores angiogênicos específicos pode ser uma nova oportunidade terapêutica na abordagem da
endometriose. Estudos demonstram um efeito antiangiogênico do propranolol anticanceríge no em diferentes tipos de tumores.
Tal achado sugere que o propranolol pode contribuir clinicamente exercendo papel sobre a inibição de neoangiogênese, e tal
efeito resultar em um impacto sobre as lesões de endometriose. Foi estudado o efeito do propranolo l sobre marcadores de
diferenciação (Metalotioneínas MT1 e MT2), invasão (MMP9 e TIMP2), proliferação celular (PCNA) e apoptose (CASP8 –
caspase 8) por coloração imunohistoquímica, e também a influência sobre a adesão, motilidade e angiogênese das lesões d e
endometriose por quantificação da expressão relativa (RQ) por PCR em tempo real dos genes Vegf, Cald1, Pcna, Tnf e Sparc.
Foram utilizadas 30 ratas adultas Wistar, fêmeas, virgens que foram submetidas a laparotomia para indução de lesões de
endometriose. As ratas foram separadas em três grupos, e sacrificados após 14 dias de tratamento de dose baixa (PB, n = 10)
e dose elevada (PA, n = 10) de propranolol; e o grupo de controlo (C, n = 10) sem tratamento. As lesões foram excisadas para
análise histológica com o corno uterino contralateral, com confirmação da presença de tecido glandular e estroma endometrial.
No presente estudo foi observada uma redução na marcação imunohistoquímica para Metalotioneínas, com 60% de
positividade no grupo controle, 10% e 11,1% para o PA, PB, respectivamente (p <0,05). Também observamos uma diminuição
na expressão do gene de Pcna (C = 1,04; PA = 0,32; PB = 0,69). Em outros marcadores de imunohistoquímica e quantificação
da expressão gênica nas lesões e no tecido uterino não for am observadas diferenças significativas. O tratamento com drogas
antiangiogênicas como propranolol oferece novas perspectivas de abordagem terapêutica para pacientes com endometriose.
Palavras-chave: Endometriose. Angiogênese. Proliferação celular. Apoptose. Propranolol. Ratas.
1. Introdução
A endometriose é definida pela presença de tecido endometrial, seja ele glandular ou estromal, fora da cavidade
uterina, denominado endométrio ectópico 1. Afeta 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva 2.
Semelhante aos tumores metastáticos, implantes endometrióticos dependem de neovascularização para se
estabelecerem, implantarem e invadirem 3-5. A supressão do desenvolvimento de vasos sanguíneos por meio da inibição de
fatores angiogênicos específicos pode ser uma nova oportunidade terapêutica no tratamento da endometriose 6-8.
A ação anticancerígena do propranolol em diferentes tipos de tumores 9-12, além de efeito antitumoral dos β -
bloqueadores em sarcomas in vivo e in vitro 11,13, e por fim, pelo sinergismo entre quimioterapia e β-bloqueadores em câncer de
mama e neuroblastoma, por mecanismos ainda não totalmente elucidados 14,15 é sugerido que o propranolol possa contribuir
clinicamente exercendo papel sobre a inibição de neoangiogênese, e tal efeito resultar em um impacto sobre as lesões de
endometriose.
Foi proposto o uso dessa droga em um modelo experimen tal consagrado 16-20 para a observação do comportamento
de lesões de endometriose in vivo, com e sem tratamento, e aventar uma nova opção terapêutica clínic a no tratamento de
pacientes com endometriose.
2. Materiais e métodos
Após uma vasta revisão da literatura sobre o tema e aprovações pela Comissão de Pesquisa do Departamento de
Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (protoco lo nº 339/2011) e pela Comissão de Ética em
Experimentação Animal (protocolo 183/2011), foram solicitadas as ratas e aplicado o modelo técnico -cirúrgico para indução de
84
lesões de endometriose 16-20. Foram utilizadas trinta ratas Wistar, virgens, da mesma ninhada, de aproximadamente 250 g no
início do experimento, idade de quarenta e nove dias, Tais ratas, mantidas em ad libitum (livre acesso à água e ração Nu vilab
CR1 autoclavável), inicialmente permaneceram por sete dias para ambientarem -se em gaiolas metabólicas (41 cm x 32 cm x
17 cm) sob controle de umidade e temperatura (22º a 25°C) e regime de luz com ciclo claro -escuro de 12/12 horas. Após este
período, os grupos, descritos abaixo, foram submetidos à laparotomia para indução da lesão de endometriose.
Os animais foram alocados em 3 grupos de 10 animais divididos da seguinte forma:
Grupo C (controle, n=10): ratas com endometriose induzida experimentalmente e sem tratamento da droga no pós -
operatório.
Grupo PB (propranolol baixa dose, n=10): ratas que receberam diariamente droga propranolol em baixa dose (0,05
mg/Kg) por 2 semanas após 4 semanas da cirurgia para indução das lesões.
Grupo PA (propranolol alta dose, n=10): ratas que receberam diariamente droga propranolol em alta dose (0,1 mg/kg)
por 2 semanas após 4 semanas da cirurgia para indução das lesões.
A indução da lesão de endometriose foi realizada após injeção intramuscular com 1 ml de Xilazina 2 mg /mL
(Dopaser, Hertape Calier), e 1 ml cloridrato de cetamina 10% (Ketamina Agener, União Química Farmacêutica Nacional AS,
Uso veterinário), sendo 0,15 unidades para cada 100 g de peso do animal.
Após anestesia, foi realizado tricotomia pélvica, seguida dos cuidados de antissepsia com lavagem das luvas de látex
com soro fisiológico para redução da formação de aderências. Todos os procedimentos foram realizados pelo mesmo
pesquisador. A cavidade pélvica foi aberta com incisão longitudinal mediana de aproximadamente 2 cm, sendo a 2 cm do púbis
do animal. Posteriormente, ressecado cerca de 4 cm do corno uterino direito seguido de sutura do coto proximal. A porção
uterina dissecada foi imersa em soro fisiológico 0,9% a 4°C por cerca de 2 minutos e então incisada longitudinalmente, sendo
retirado dois fragmentos de 5 x 5mm. Estes fragmentos de tecido endometrial foram suturados ao peritônio próximo ao trato
reprodutivo da rata utilizando fio Vicryl 6.0 com a face endometrial livre voltada para a cavidade abdominal , sendo um
fragmento suturado a direita e outro a esquerda, com posterior fechamento da incisão cirúrgica. Nenhuma suplementação
hormonal ou antimicrobiana foi administrada antes ou após a laparotomia.
Quatro semanas após a cirurgia, tempo necessário para a implantação da lesão 21,22, os grupos de estudo receberam
diariamente a injeção intraperi toneal de propranolol (0.05mg/Kg ou 0.1mg/kg) por 2 semanas, sendo então eutanasiadas. O
grupo controle foi eutanasiado após estas quatro semanas de seguimento inicial.
Ao término do protocolo, as ratas foram eutanasiadas e realizado o inventário da cavida de abomino -pélvica,
identificando e documentando as lesões. Observou -se em todos os grupos eutanasiados a presença de lesões bilateralmente
localizadas na parede abdominal dos animais, visíveis macroscopicamente com tamanho aproximado de 1cm de comprimento.
Após esta etapa, as lesões de endometriose foram excisadas para análise histológica e molecular.
As ratas foram pesadas após 4 semanas, e a cada semana de droga administrada, fizemos o ajuste de dose da
medicação conforme estabelecido previamente pelo protocolo dose/peso.
Os tecidos retirados foram divididos ao meio, sendo que metade seguiu o protocolo para técnicas de
Imunohistoquímica e a outra metade foi incluída em RNA later Solution (Ambion, par number AM7020) e após 24hs à 4 C, o
tecido foi armazenado à -80C para posteriores análises de expressão gênica.
85
Os tecidos retirados foram divididos ao meio, sendo uma parte fixada em formol 10%, processada para inclusão em
parafina e corada por hematoxilina e eosina (HE) com objetivo de identificar a presen ça de lesões compatíveis com
endometriose e posterior realização de Imunohistoquímica. Foram realizados cortes histológicos com 4 a 5µm. Os cortes foram
desparafinizados em xileno e desidratados em uma série de álcoois. A atividade da peroxidase endógena f oi bloqueada em
uma solução contendo 0,3% de peróxido de hidrogênio por 30 minutos. Os cortes foram submetidos à recuperação antigênica
com tampão de citrato a 10 mM e colocados em panela a vapor por 40 minutos e, logo após, as amostras foram resfriadas po r
30 minutos em temperatura ambiente e incubadas a 4º C overnight com o anticorpo primário. Aplicado o protocolo de
sequências conforme o Kit Mach 4:
- Primeiro dia: recuperação antigênica: Tampão citrato pH 6.0, 35 minutos, lavagem com Tris Buffered Sa line-TBS,
bloqueio da peroxidase endógena 10 minutos, lavagem com TBS por 5 minutos, bloqueio da proteína BSA 2% por 10 minutos,
lavagem com TBS e incubação com anticorpo primário overnight;
- Segundo dia: lavagem, incubação no pós primário por 30 minutos , lavagem com TBS por 3 minutos, incubação no
polímero por 30 minutos, lavagem com TBS e aplicação de DAB (3,3 diaminobenzina).
Os anticorpos utilizados neste estudo, suas diluições e respectivas marcas foram: PCNA (1:500, PC10:SC -56, Santa
Cruz Biotechno logy, INC), CASPASE - 8 (1:100, clone 11B6, Novacastra Laboratories, United Kingdom),
METALOTIONEINA(1:100, clone E9, Dako, USA), TIMP -2 (1:100, 3A4, Novacastra Laboratories, United Kingdom), MMP -9
(1:100, 15W2, Leica Biosystem, United Kingdom).
O tecido coletado foi analisado por Imunohistoquímica quanto aos seguintes marcadores:
Índice de proliferação celular através da marcação do PCNA (proliferative cell nuclear antigen), marcação de núcleo;
Índice de apoptose através da marcação da Caspase-8, marcação de citoplasma e núcleo;
Expressão de moléculas envolvidas na diferenciação celular como Metalotioneína (Monoclonal Mouse Anti -
Metallothionein Clone E9);
Marcadores de invasão tecidual como MMP -9 (Mouse Monoclonal Antibody Matrix Metaloproteínases 9) e TIMP-2
(Tissue Inhibitor of Matrix Metaloproteínases 2), marcação de citoplasma.
As lâminas foram analisadas por dois médicos (ARS e JVCZ). As células foram marcadas positiva ou negativamente,
para cada marcador, segundo critérios utilizados na literatura - Imuno Reactive Score 23. Para MMP-9, Metalotioneína, TIMP-2
e Caspase-8 a ausência de marcação (0%) foi definida como “1+”. Marcações entre 1 e 10% foram defi nidas como “2+”. Por
sua vez, marcações avaliadas entre 10 e 50%, conferiram o score de “3+”. Já para as observações que continham entre 51 e
80% das células marcadas foram definidas como “4+”. E, por fim, marcações superiores a 80% foram associadas ao sco re de
“5+”. Em relação às marcações de PCNA definiu -se o score “1+” para marcações inferiores a 20% das células. Marcações
entre 20 e 70% conferiram o status de “2+”. Da mesma maneira, marcações superiores a 70% estabeleceram o score de “3+”.
As amostras de tecido congeladas em RNA later à -80ºC foram descongeladas e lavadas em PBS 1X.
O RNA total foi extraído a partir de 50 mg de tecido utilizando Trizol Plus RNA Purification Kit (Ambion, part number
12183-555) de acordo com as instruções do fabricante. O RNA total foi quantificado por espectrofotometria à OD 260/280
(NanoDrop2000c, Thermo Scientific). O DNA genômico foi removido usando DNA -free Kit (Ambion, part number AM1906). Em
seguida, o cDNA foi sintetizado a partir de 1000 ηg de RNA total utilizando High Capacity cDNA Reverse Transcription Kit with
RNase Inhibitor (Applied Biosystems, part number 4374966). A PCR em tempo real foi realizada utilizando o equipamento 7500
Fast Real -time PCR System (Applied Biosystems). As seguintes sondas de hidrólise d o tipo TaqMan (Applied Biosystems)
86
foram utilizadas neste estudo: Rn00582935_m1 ( Vegfa), Rn00565719_m1 (Cald1), Rn01514538_g1 (Pcna), Rn99999017_m1
(Tnf), Rn01644671_m1 ( Sparc). Os ciclos de PCR foram os seguintes: um ciclo de 95ºC durante 20 segundos, 40 ciclos de
95ºC por 3 segundos e a 60ºC por 30 minutos. Cada reação de PCR foi realizada em triplicata. Os genes Actb
(Rn00667869_m1) e B2m (Rn 00560865_m1) foram utilizados como gene de referência para normalizar as reações. As
eficiências das sondas e pri mers foram testadas na reação de amplificação dos genes selecionados. Para esse estudo, foram
consideradas ideais as eficiências na faixa de 90 a 110%. A expressão relativa para os genes analisados foi calculada para
cada amostra de acordo com o método de 2-ΔΔCT.
3. Resultados
Foram utilizadas 30 ratas da rasta Wistar. Dessas, 10 foram utilizadas em cada grupo conforme descrito na
metodologia.
Não houve perda de animais, não foram observados processos infecciosos ou desprezo de material por qualquer
motivo.
À análise imunohistoquímica, observamos que não houve material satisfatório para análise nas lâminas
confeccionadas para o estudo dos tecidos obtidos do animal de número 10 do grupo PB para os marcadores Metalotioneína,
Caspase-8 e Timp-2.
Para a análi se de expressão gênica também observamos perdas no estudo por material apresentando quantidade
insuficiente de cDNA em algumas amostras, a saber: CALD1 do tecido obtido da lesão ectópica do animal 9, do grupo PA;
VEGF, TNF, PCNA, e SPARC do tecido obtido da lesão ectópica dos animais 8, do grupo PB e 1, do grupo C.
Imunohistoquímica
Na análise Imunohistoquímica dos tecidos obtidos a partir das lesões de endometriose induzidas e endométrio
eutópico (útero) as marcações foram quantificadas e realizada análise comparativa entre as diferentes variáveis.
Não foram observadas diferenças significativas para os marcadores MMP-9, TIMP-2, Caspase-8 e PCNA. Entretanto,
para a Metalotioneína, houve redução significativa de marcação após tratamento, dose independente, tanto em endométrio
tópico como em ectópico (Tabela 1).
Tabela 1 - Comparações entre as variáveis relacionadas à imunohistoquímica.
Variáveis Grupos
C (n=10) PA (n=10) PB (n=10) Total p-valor
METALOTIONEINA_UTERO
1+ 0 (0) 9 (90) 8 (88,89) 17 0,0001
3+ 0 (0) 1 (10) 0 (0) 1
4+ 1 (10) 0 (0) 1 (11,11) 2
5+ 9 (90) 0 (0) 0 (0) 9
METALOTIONEINA_LESAO
1+ 2 (20) 9 (90) 8 (88,89) 19 0,0018
3+ 0 (0) 1 (10) 0 (0) 1
4+ 1 (10) 0 (0) 1 (11,11) 2
5+ 7 (70) 0 (0) 0 (0) 7
87
Expressão gênica
Detectamos diferenças significativas entre os níveis de expressão de PCNA obtidos na lesão entre os grupos
controle e os grupos tratados. No presente estudo não foram observadas diferenças significativas em relação à expressão de
CALD1, SPARC, VEGFA e TNF, nas lesões, nos três grupos analisados, conforme é observado na tabela 2.
Tabela 2 - Comparação da expressão gênica de PCNA (Lesão) entre os grupos.
PCNA (Lesão)
Grupo N Média
Desvio
Padrão
p-valor Pós teste de Dunn*
C 9 1,21 0,77
0,02
a
PA 10 0,48 0,4 b
PB 9 0,73 0,27 ab
*Letras diferen tes representam diferenças significativas ao nível de significância de 0,05.
Expressão gênica em unidades arbitrárias. C=Grupo controle; PA=Grupo tratado com
propranolol a 0,1 mg/kg; PB=Grupo tratado com propranolol a 0,05 mg/kg.
88
Discussão
A capacidade de adesão, invasão e desenvolvimento das lesões de endometriose estão relacionadas ao
desequilíbrio entre as enzimas que degradam os componentes da matriz extracelular (como a Metaloproteínase 9 ), e seus
reguladores endógenos – os inibidores de tecidos de metaloproteinases (como o Timp -2). A viabilidade do tecido ectópico é
atribuída em partes à ocorrência de neoangiogênese estimulada pelo fator de crescimento do endotélio vascular (VEGF) e
citocinas.
O uso de inibidores de neoangiogênese têm sido amplamente estudados no tratamento de endometriose 24-27.
β-bloqueadores como o propranolol, devido à sua ação em inibição de neoangiogênese, possuem efeitos
antitumorais em diferentes tipos de tumores, e principalmente tumores vasculares 10,11,13,28.
Por meio de análises imunohistoquímicas e estudos de biologia molecular foi possível analisar a resposta das lesões
experimentalmente induzidas, bem como dos tecidos obtidos a partir de endométrio eutópico.
Os anticorpos empregados nas análises imunohistoquímica e em biologia molecular foram Metalotioneína (MT),
PCNA, Caspase-8, MMP-9, TIMP-2, VEGFA, TNF, SPARC, CALD1.
A MT é uma proteína de baixo peso molecular com papéis funcionais no crescimento celular, diferenciação e
reparação, inversamente correlacionada com o índice de apoptose 29-32. Altos níveis de MTs podem estar presentes em tecidos
com rápido crescimento e desenvolvimento. As MTs fornecem zinco e cobre para o metabolismo de ácidos nucléicos, síntese
de proteínas e outr os processos metabólicos, portanto pode haver uma ligação entre MTs e tumores cancerosos 33. A
superexpressão de MT pode proteger as células tumorais da apoptose e, assim, contribuir para a expansão do tumor 34. Para
essa proteína houve redução significativa de marcação após tratamento, dose independente, tanto em endométrio tópico como
em ectópico, sugerindo que o tratamento com propranol foi eficaz.
O antígeno de proliferação celular ( PCNA) é uma proteína nuclear e sua expressão se relaciona com o estado
proliferativo das células 35. O antígeno é expresso no núcleo das células, durante a fase de síntese do DNA. Ele pode ser
usado para a classificação de diferentes lesões neoplásicas e benignas com comportamento proliferativo. O PCNA é um
marcador de proliferação específica validado que é resistente à fixação 36
Observa-se maior expressão de PCNA entre lesões vermelhas, quando comparadas a lesões brancas e negras 3. Há
diferenças relevantes no padrão de expressão de PCNA em diferentes estadios de endometriose e em câncer de endométrio.
Demonstrou-se previamente que drogas antiestrogênicas usadas no tratamento da endometriose diminuem a expressão do
PCNA, provavelmente por diminuírem a proliferação de células mediadas por estrogênio e consequentemente diminuir as
lesões ectópicas 37. A avaliação de paciente s tratadas com agonistas de GnRH e com Sistema Intrauterino liberador de
Levonorgestrel (SIU -LNG) mostrou uma redução na proliferação celular avaliada por uma menor expressão de PCNA em
células estromais e glandulares do endométrio eutópico e ectópico 38. Esses resultados corroboram o nosso estudo, pois
observamos uma menor expressão significativa de PCNA em ratas tratadas com propranolol. Portanto a redução de
proliferação celular, devido a uma menor expressão de PCNA sugere uma provável resposta terapêutica.
As Caspases são importantes para a apoptose celular e algumas caspases são essenciais para o sistema
imunológico, algumas evidências estão emergindo que suportam a existência de muitas outras funções não-apoptóticos destas
caspases, que são essenciais para a homeostase do tecido e recuperação pós-lesão. As caspases apoptóticas em células que
morrem induzidas pelo stress podem ativar os sinais mitogênicos que cond uzem à proliferação de células vizinhas, um
89
fenómeno denominado “Proliferação Induzida Por Apoptose”. Entretanto, em nosso estudo não houve diferen ça estatísticas
significante para a marcação de caspases nos grupos tratados e controle.
As metaloproteinases de matriz (MMPs) são uma família de endopeptidases zinco -dependente que estão envolvidas
na degradação de matriz extracelular 39-41. Elas são de grande importân cia em processos fisiológicos e patológicos, tais como
angiogênese, infiltração e propagação de tumores malignos. Além disso, elas estão presentes em endométrio eutópico e
ectópico 42-44 As MMPs, tem expressão multigênica e quando estão associadas aos seus inibidores tissulares e
metaloproteinases (TIMPs) são possíveis mediadores da remodelagem da matriz extracelular 45. Observa-se que a expressão
de MMP-2 e MMP-9 em carcinoma maligno é mais elevada que a ob servada em endometriose. MMP-2 foi mais expressa em
endometriose colorretal invasiva que em endometriose peritoneal superficial, portanto é possível sugerir que a MMP-2 é um
forte fator de promoção da proliferação em tecido endometrial 23.
O TIMP-2 (Tissue Inhibitor of Matrix Metalloproteinase) é um membro da família de genes TIMPs. Os TIMPs são uma
família de inibidores naturais e específicos das MMPs. Esses dois fatores têm importante papéis na manutenção da
estabilidade e integridade estrutural dos componentes da matriz extracelular Mulheres com endometriose expressam baixos
níveis de TIMP-2, levando a uma alta atividade proteolítica da MMP e favorecendo a inva são de células endometrióticas. O
equilíbrio entre MMPs e TIMPs é importante para manter a atividade adequada de MMP. A incapacidade de manter esse
equilíbrio pode auxiliar a degradação da matriz e invasão celular. O estrogênio pode aumentar a expressão de MMP-2 e
promover a implantação de tecido endometrial ectópico, entretanto a progesterona pode inibir a expressão de TIMP-2 e
melhorar a invasão de endométrio ectópico promovendo sua implantação 46,47.
Em nosso estudo não houve diferença significativamente estatística para os grupos controle e tratados em relação à
marcação de MMP-9 e TIMP-2.
Quanto aos result ados de biologia molecular demonstrados neste trabalho, ao analisar a expressão dos genes:
VEGFA, TNF, PCNA, SPARC, CALD1 no grupo controle e nos grupos de lesões tratadas com baixa e alta dose de propranolol,
bem como no endométrio tópico desses animais, observamos que não houve diferença significativa da expressão gênica.
O Fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) colabora com a patogênese e progressão da endometriose pela
indução da proliferação celular endotelial, migração, diferenciação, organização em túbulos e formação de capilares. Ademais,
alguns trabalhos observaram altos níveis de VEGF no fluido peritoneal, soro, expressão de RNAm e proteínas em pacientes
com endometriose 48,49. Esses dados demonstram a importância do VEGF na patogênese da endometriose.
Avaliando o resultado obtido em nosso estudo, como não houve diferença significativamen te estatística entre os
grupos estudados, provavelmente o propranolol nas doses administradas não foi capaz de inibir a angiogênese e diminuir a
expressão de VEGF.
O fator de necrose tumoral (TNF) é uma citocina secretada principalmente por macrófagos. Em resposta ao estímulo
inflamatório, o TNFα é secretado e pode induzir a morte celular por apoptose ou necrose de algumas linhas de células
tumorais. O TNF também pode induzir a proliferação e diferenciação celulares em muitos tipos de células 50.
Em nosso estudo não houve diferença significativa entre os grupos estudados, sugerindo que não houve diminuição
de expressão de TNF nas ratas tratadas com propranolol.
Osteonectina (ON), também co nhecida como proteína secretada ácida e rica em cisteína (SPARC) ou proteína de
membrana basal-40 (BM-40) 51. Ela apresenta várias funções biológicas e está relacionada com a angiogênese, proliferação e
migração de células tumorais 52.
90
Estudos recentes demonstram que a desregulação dos genes SPARC, MYC, MMP3, IGFBPI e PAEP pode ser
responsável pela perda da homeostase celular em l esões endometrióticas, consequentemente pode auxiliar a implantação e
sobrevivência do tecido endometrial ectópico 53.
Em nossa amostra, não detectamos diferença significativa nos níveis de expressão de SPARC entre os grupos
tratados com alta e baixa dose e o grupo controle de lesões induzidas.
Caldesmona (CALD1) é uma proteína de ligação a calmodulina. A CALD1 inibe tonicamente a atividade ATPase da
miosina no músculo liso 54. Alguns estudos demonstram que o gene CALD1 é superexpresso em lesões endometrióticas de
pacientes com endometriose na fase proliferativa do ciclo menstrual. e em endometrioma ovariano por CGH -array 55,56. CALD1
auxilia a predição de desregulação endometrial em pacientes com endometriose 53.
Não foram encontradas diferenças significativas de expressão de CALD1 entre os grupos controle e tratados com
propranolol.
Uzunlar e colaboradores 57 sugerem que o propranolol possa suprimir o desenvolvimento da lesão endometrióticas
devido a sua atividade antiangiogênica pela inibição de VEGF, MMP -2 e MMP -9. O presente estudo não observou essa
inibição, entretanto observou uma redução da expressão de MTs, sugerindo que o propranolol possa apresentar uma provável
resposta terapêutica.
Também observamos uma redução na expressão de Pcna, não corroborada pela redução de marcação
imunohistoquímica da proteína PCNA nos grupos estudados. Uma análise in silico revelou uma discordância entre os níveis de
expressão do transcriptoma e proteínas associada com o processo da endometriose (Wren et al., 2007). Isto sugere que a
expressão gênica não é somente regulada em nível de transcriptoma, mas que mecanismos regulatórios pós -transcricionais
possam atuar na endometriose.
5. Conclusões
No presente estudo de lesões endometrióticas experimentalment e induzidas em ratas e tratadas com propranolol
observou-se redução significativa de marcação de Metalotioneína após tratamento, dose independente, tanto em endométrio
tópico como em ectópico, sugerindo que o tratamento com propranol foi eficaz.
Tais achados nos permitem crer em futuras abordagens no tratamento clínico da endometriose que podem incluir
inibidores de neoangiogênese.
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