Endometriosis; meiotic spindle; human oocyte quality; polarization
microscopy; ICSI; stimulated cycles.
Lista de Figuras
Figura 1. Esquema representativo de oócitos humanos com extrusão do primeiro
corpúsculo polar (CP) avaliados pela micros copia de polarização imediatamente antes da
realização da Injeção Intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI) ..................................... 47
Lista de Tabelas
Tabela 1 - Comparação dos parâmetros da estimulação ovariana controlada e os
resultados de Injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI) entre mulheres
inférteis do grupo controle (fatores tubários e/ou masculinos) e do grupo endometriose........ 48
Tabela 2 - Análise não invasiva do grau de maturação nuclear e presença/localização do
fuso celular de oócitos com o primeiro cor púsculo polar visível obtidos de ciclos
estimulados de pacientes inférteis do grupo c ontrole (fatores tubários e/ou masculinos) e
do grupo endometriose ............................................................................................................. 49
Tabela 3 - Taxas de fertilização, clivagem e nú mero de embriões de boa qualidade no
segundo e terceiro dia de desenvolvimento prove nientes de oócitos humanos injetados em
metáfase II ou telófase I nos grupos controle, endometriose, grupo endometriose mínima e
leve e endometriose moderada e severa ................................................................................... 50
Tabela 4 - Taxas de fertilização, clivagem e nú mero de embriões de boa qualidade no
segundo e terceiro dia de desenvolvimento prove nientes de oócitos humanos injetados em
metáfase II com ou sem fuso celular visível pela microscopia de polarização nos grupos
controle, endometriose, grupo endometriose mínima e leve e endometriose moderada e
severa........................................................................................................................................ 51
Lista de Abreviaturas
TNF-α – Fator de Necrose Tumoral alfa
TRA – Técnicas de reprodução assistida
FIV – Fertilização in vitro
FMP – Fator promotor de metáfase
MAP-K – Quinase ativadora de mitogênese
DNA – ácido desoxirribonucléico
MII – Metáfase II
HGC – Hibridização genômica comparativa
FISH – Hibridização por fluorescência in situ
VEGF – Fator de crescimento endotélio vascular
ICSI – Injeção Intracitoplasmática de espermatozóides
RA – Reprodução assisistida
IMC – Índice de massa corporal
FSH – Hormônio Folículo Estimulante
HCG – Gonadotrofina coriônica humana
CP – Corpúsculo polar
Sumário
1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................26
2. JUSTIFICATIVA ...............................................................................................................34
3. OBJETIVOS .......................................................................................................................36
3.1. Objetivos principais.......................................................................................................37
3.2. Objetivos secundários....................................................................................................3 7
4. CASUÍSTICA E MÉTODOS ............................................................................................38
4.1 Análise Estatística ..........................................................................................................43
5. RESULTADOS ...................................................................................................................44
6. DISCUSSÃO .......................................................................................................................52
7. CONCLUSÕES...................................................................................................................58
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................60
ANEXOS .................................................................................................................................68
ARTIGO CIENTÍFICO.........................................................................................................78
1. Introdução
Introdução
27
A endometriose é uma doença que afet a a mulher em idade reprodutiva e é
caracterizada por implante e crescimento de teci do endometrial (glândulas e/ou estroma) fora
da cavidade uterina. Tem sido observada em 10% a 50% das pacientes submetidas a
laparotomias ginecológicas. A fisiopatologi a dessa doença ainda permanece obscura. As
teorias mais comuns são (a) menstruação re trógrada com implantação subseqüente, (b)
metaplasia celômica, e (c) transporte hema togênico ou linfático de tecido endometrial
(SANTANAM et al., 2002)
A maioria dos estudos sobre endometriose pélvica são baseados na teoria da
implantação de Sampson (SAMPSON, 1927). De acordo com essa teoria, as células
endometriais descamadas são transportadas at é a cavidade peritonial após a menstruação
retrógrada e as células viáveis implantam e crescem.
Estudos mais recentes sugerem que o flui do menstrual contém fatores que induzem
alterações na morfologia do mesotélio peritoni al (KOKS et al., 2000), p odendo criar sítios de
adesão para as células endometriais. A adesão dessas células parece ser estimulada pela
indução da adesão de moléculas e seus r eceptores (SOMIGLIANA et al., 1996; BELIARD et
al., 1997; SELAM e ARICI, 2000) e pela e xpressão exagerada de ativadores de
metaloproteinases e plasminogênio da matriz ce lular, que estimulam a destruição local da
matriz extracelular, favorecendo o aparecime nto dos implantes de endometriose (VAN
LANGENDONCKT et al., 2002).
Após a adesão, as células endometriais prol iferam e, gradualmente, invadem o tecido
peritoneal. Alguns fatores induzem a vascular ização de implantes endometriais, permitindo o
seu desenvolvimento futuro. Já foi sugerido qu e esse processo leva à formação de lesões
vasculares avermelhadas com grande atividade vascular e metabólica. As citocinas e fatores
de crescimento, como o fator de crescimento-β, interleucina-8, interleucina-1, fator de necrose
tumoral (TNF-α), Interferon-γ, fator de crescimento endotelial (vascular), têm sido implicados
Introdução
28
como indutores de adesão, proliferaçã o, e neovascularização (DONNEZ et al., 1998;
VINATIER et al., 2000). A endometriose também parece estar associada com o aumento no
recrutamento e ativação de macrófa gos, que parecem ter importante papel no
desenvolvimento da doença (HALME et al., 1984; VAN LANGENDONCKT et al., 2002).
Esta afecção pode cursar com uma grande diversidade de manifestações clínicas.
Podemos encontrar desde pacientes assintomá ticas, até quadros de dor pélvica intensa,
sintomas decorrentes de lesões em órgãos nã o reprodutivos e infertil idade. Contudo, dentre o
espectro de sintomas relaciona dos à endometriose, um dos mais intrigantes é a associação da
doença com a infertilidade, principalmente naqu eles casos em que não há alteração mecânica
do trato reprodutivo. É uma questão controversa há várias décadas, mas vários dados têm
apoiado o conceito de diminui ção de fecundidade mesmo ne ste grupo de pacientes com
endometriose (GARRIDO et al., 2000; GARRIDO et al., 2002).
Novas abordagens terapêuticas ao problema da infertilidade relacionada a esta afecção
têm surgido, destacando-se a aplicação, cada vez mais rotineira, das técnicas de reprodução
assistida (TRA) de alta complexidade. A introdução da fertilização in vitro (FIV) no
tratamento da infertilidade secundária à endometriose torn ou-se uma importante ferramenta
para o estudo dos efeitos potenciais da endo metriose em alguns estágios específicos do
processo reprodutivo, incluindo a foliculog ênese, a fertilização, o desenvolvimento
embrionário e a implantação.
Resultados conflitantes de alguns estudos tê m sugerido a ocorrência de menores taxas
de fertilização, implantação e de gestação em portadoras de endometriose (BARNHART et
al., 2002; AL-FADHLI et al., 2006). Três alterações di stintas poderiam ser as responsáveis
por estes achados: a) compro metimento da qualidade oocitár ia e, conseqüentemente,
embrionária; b) defeitos endometriais; e c) defeitos da interação entre o endométrio e o
embrião. Os achados conflitantes da presença de algumas alterações no endométrio eutópico
Introdução
29
de pacientes com endometriose, poderiam exp licar, pelo menos em parte, distúrbios na
interação entre o embrião e o endométrio, ge rando anomalias no processo de implantação
(GARCIA-VELASCO e ARICI, 1999). Entretan to, o achado de taxas de implantação
semelhantes as do grupo controle, em ciclos de transferência de embr iões resultantes de
oócitos doados por mulheres sem esta afecção pa ra o útero de portadoras de endometriose,
tem reforçado o papel crucial da qualidade em brionária no comprometimento da implantação
verificado neste grupo de pacientes (GARRIDO et al ., 2000; (PELLICER et al., 2001;
KATSOFF et al., 2006).
Sabemos que embriões de boa qualidade (a queles com habilidade para implantar e
desenvolver adequadamente), originam-se de oóc itos de boa qualidade, que, por sua vez, são
provenientes de folículos com um adequado meio ambiente, condicionado tanto pelo
conteúdo do fluido folicular, como pela influê ncia das células vizinhas (CANIPARI, 2000).
Desta forma, o comprometimento da qualidade embrionária pode ser induzido tanto por
defeitos prévios à foliculogênese, como por eventos posteriores à fertilização. Alguns estudos
têm sugerido a potencial influência do estresse oxidativo na etiopatogênese da endometriose e
infertilidade associada a esta doença (JACKS ON et al., 2005; GUPTA et al., 2006), o que
poderia, pelo menos teoricamente, promover um comprometimento da qualidade oocitária
nestas pacientes. Foram descritas alte rações na qualidade do oócito, levando ao
comprometimento (BRIZEK et al., 1995) ou completo bloqueio do desenvolvimento
embrionário (PELLICER et al., 1995), em mulheres com endometriose, quando comparadas a
controles saudáveis. Corroborando estes achados, dados clínicos de programas de doação de
oócitos parecem apoiar, como descrito previament e, a teoria de que mulheres afetadas por
endometriose produzem oócitos de qualidade comprometida (GARRIDO et al., 2000).
A qualidade oocitária é decorrente de fatores correlacionados às competências nuclear
e citoplasmática. A maturação citoplasmáti ca pode ser considerad a como o resultado do
Introdução
30
processo de desenvolvimento de uma célula incompetente para uma célula com capacidade de
fertilização e desenvolvimento embrionário in icial (FERREIRA et al., 2009). A competência
nuclear é caracterizada pela qualidade da cromatina e do fuso oocitário (MATTSON e
ALBERTINI, 1990; ALBERTINI, 1992), que é esse ncialmente regulada pela atividade do
Fator Promotor de Metáfase (FPM) (HASHI MOTO e KISHIMOTO, 1988; VERDE et al.,
1990; VERDE et al., 1992) e pela Quinase At ivadora de Mitogênese (MAP-K) (SUN et al.,
1999). O FPM regula direta ou indiretamente t odos os processos ligados à entrada na
metáfase de células eucarióticas, assim como a quebra do envelope nuclear (OOKATA et al.,
1992), a fosforilação da histona (COLLAS, 1999) e a polimerização de microtúbulos
(CHARRASSE et al., 2000). A MAP-K age na regulação dos eventos do ciclo celular nos
oócitos de mamíferos que não têm relação co m o FPM, evitando microtúbulos e cromatina de
entrar em configuração interfásica, sendo ativ ado após a quebra da vesícula germinativa
(SUN et al., 1999).
O fuso meiótico de oócitos humanos em metá fase II (MII) é uma estrutura temporária
e dinâmica, composta por microtúbulos, que está associada com o córtex oocitário e sua rede
de microfilamentos subcorticais. (LIU et al., 2000; WANG e KEEFE, 2002; NAVARRO et
al., 2005). Os microtúbulos são constituídos por unidades heterodiméricas de alfa( α) e
beta(β)-tubulina, capazes de rápida polimerização e despolimerização, compondo 13
protofilamentos arranjados lado a lado para formar uma parede cilíndrica. A tubulina
polimerizada, contudo, está em equilíbrio com a reserva de tubulina do ooplasma. Os
microtúbulos do fuso estão ligados aos ci netócoros dos cromossomos (MANDELBAUM et
al., 2004) e, por isso, participam da segrega ção durante a meiose (WANG e KEEFE, 2002).
Os microfilamentos, por sua vez, controlam os movimentos do citoplasma, incluindo a
divisão celular (KIM et al., 1998). Desta forma, a fecundação normal e o desenvolvimento
embrionário dependem deste controle.
Introdução
31
Um fuso funcionante, essencial em oócitos sadios em MII, gara nte a fidelidade da
segregação cromossômica (VOLARCIK et al., 1998; VAN BLERKOM e DAVIS, 2001; DE
SANTIS et al., 2005). O fuso celular oocitário é extremamente sensível à ação de diversos
fatores, como o envelhecimento, as mudanças térmicas, o suporte insuficiente de oxigênio
durante o tempo de cultura e a manipulação oocitária (HU et al ., 2001; EICHENLAUB-
RITTER et al., 2002; MULLEN et al., 2004).
Existem diferentes metodologias destinadas à avaliação da qualidade oocitária. Tal
avaliação pode ser realizada fisiologicamente, por meio da análise de marcadores biológicos,
ou morfologicamente, de forma invasiva e não-invasiva.
A avaliação da qualidade oocitária por meio da análise da sua fisiologia tem sido
realizada apenas em estudos experimentais, geralmente utilizando modelos animais, não
apresentando aplicabilidade clínica até o momento.
Dispomos de diferentes metodologias inva sivas destinadas à avaliação morfológica
oocitária, que, apesar de permitirem um adeq uado detalhamento das estruturas analisadas,
requerem a fixação e a coloração oocitárias para análise, impossibilitando a utilização clínica
do material estudado. O oócito pode ser avalia do, qualitativamente, por meio da análise
imunocitoquímica por imunofluorescência, tant o da organização microtubular, como das
configurações de ácido desoxirribonucléic o (DNA) (MIYARA et al., 2003), usando-se
microscópios convencionais ou confocais. Também se pode realizar a microinjeção de sondas
no interior do oócito com o obje tivo de se detectar alguns co mponentes estruturais menos
acessíveis, como a gama-tubulina no centrômero, ou para se realizar a an álise da função de
proteínas específicas. Na investigação de anormalidades cromossômicas numéricas, podemos
lançar mão da hibridização genômica comparativa (HGC) ou da hibridização por
fluorescência i n situ (FISH) (GUTIERREZ-MATEO et al ., 2004). Associad a à análise por
imunocitoquímica estática, a detecção da dinâmi ca citoesquelética em oócitos vivos pode ser
Introdução
32
realizada usando-se resgate fluorescente após fotobranqueamento (FRAP) ou citoquímica
ativada por fluorescência.
A metodologia mais utilizada na prática clínica consiste na avaliação morfológica não-
invasiva, que, geralmente, utiliza como critérios a análise de alterações na forma dos oócitos
em MII, a coloração, a presença de granul ações e homogeneidade do citoplasma, o tamanho
do espaço perivitelínico (XIA, 1997), a presença de inclusões citoplasmáticas (SERHAL et
al., 1997) e a morfologia do prim eiro corpúsculo polar e da zona pelúcida (XIA, 1997;
EBNER et al., 1999; KAHRAMAN et al., 20 00; NAVARRO et al., 2009). Contudo, não há
evidências de boa correlação entre a avaliação morfológica oocitária por meio da utilização
destes critérios morfológicos e a capacidade desenvolvimental oocitária.
Alguns autores têm utilizado a microsc opia de polarização como instrumento
destinado à avaliação da qualidad e oocitária, por meio da aná lise da birrefringência do fuso
meiótico e caracterização da zona pelúcida oocitária. A microscopia de polarização, como
descrito em estudos anteriores (WANG et al., 2001; WANG e KEEFE, 2002; WANG et al.,
2002; MOON et al., 2003; NAVARRO et al., 2005; PETERSEN et al., 2009) possibilita a
visualização de estruturas birrefringentes em células vivas, sem a necessidade de fixação ou
coloração, o que permite a utilização dos oó citos analisados por esta metodologia nos
procedimentos de reprodução assistida. Alguns dados sugerem que análise oocitária por esta
metodologia poderia ser útil na triagem de possí veis anormalidades, não só do fuso celular,
como, indiretamente, do alinhamento cromossômico, uma vez que, na grande maioria das
vezes, estas duas alterações estão presen tes conjuntamente ( NAVARRO et al., 2004;
NAVARRO et al., 2006).
Os estudos que procuraram avaliar de forma indireta a qua lidade oocitária em
pacientes com endometriose, utilizaram a análise de fatores parácrinos múltiplos presentes no
fluido folicular, como interleucinas, fator de crescimento do endotélio vascular (VEGF), fator
Introdução
33
de necrose tumoral, além da avaliação de ap optose nas células da granulosa, análise do
número e atividade dos leucócitos circunjacentes, entre outros, como preditores indiretos da
qualidade oocitária (GARRIDO et al., 2002). C ontudo, não dispomos de estudos que tenham
avaliado a qualidade oocitária em portadoras de endometriose por meio da análise de critérios
morfológicos mais objetivos e, potencialmente, mais capazes de predizer a real capacidade
desenvolvimental oocitária.
Métodos não invasivos para a visualização de oócitos são muito importantes quando
se trabalha com um material limitado e valioso como os óvulos humanos. A microscopia de
polarização permite a análise de estruturas birr efringentes, como o fuso celular oocitário, sem
comprometer a sua viabilidade e utilização clínica subsequente (LIU et al., 2000; NAVARRO
et al., 2005; PETERSEN et al., 2009). A visua lização do fuso meiótico em oócitos pode ter
importância clínica em predizer a fertili zação pós-ICSI (Injeção Intracitoplasmática de
espermatozóides) e a qualidade embrioná ria (WANG e KEEFE, 2002; HYUN et al., 2007;
PETERSEN et al., 2009). Por ou tro lado, a identificação da posição do fuso meiótico em
relação ao primeiro corpúsculo polar pode prev enir os embriologistas de danificarem essa
importante estrutura celular durante a ICSI (M OON et al., 2003). Por isso, a visualização do
fuso meiótico pode ser usada para selecionar oóc itos que serão injetados na ICSI e apresenta
especial relevância clínica em países onde ex iste um limite legal do número de oócitos a
serem fertilizados (PETERSEN et al., 2009). Entretanto, não encontramos nenhum estudo na
literatura avaliando de mane ira não invasiva o fuso meiótico de oócitos maturados in vivo de
pacientes inférteis com endometriose.
2. Justificativa
Justificativa
35
Apesar dos esforços despendidos há décadas no sentido de esclarecer os mecanismos
responsáveis pela redução da fecundidade e potencial piora dos resultados de reprodução
assistida em portadoras de endometriose, os dados disponíveis são escassos e controversos.
A observação de maiores taxas de bl oqueio do desenvolvimento embrionário in vitro
em pacientes com endometriose, associada ao fato de mulheres com essa doença, ao serem
submetidas a ciclos de doação de oócitos prove nientes de mulheres sem endometriose, terem
taxas de implantação similares as do grupo co ntrole, sugerem, que o comprometimento da
qualidade oocitária possa mediar a redução nas taxas de implantação e gestação nestas
pacientes. Sugere-se que o es tresse oxidativo possa estar e nvolvido na etiopatogênese da
infertilidade relacionada à endometriose, se ndo passível de promover anomalias meióticas
oocitárias. Hipotetizamos que anomalias na c onclusão da meiose I ou no fuso meiótico de
oócitos em metáfase II possam estar envolvida s na piora da qualidade oocitária e dos
resultados dos procedimentos de reprodução assistida em portadoras de endometriose.
Entretanto, não encontramos nenhum estudo na li teratura que tenha ava liado de maneira não
invasiva o fuso meiótico de oócitos maturados in vivo de pacientes inférteis com
endometriose.
A avaliação da qualidade oocitária por meio da análise morfológica não invasiva do
fuso meiótico e do real estágio de maturação nuc lear pela microscopia de polarização é um
método simples, inócuo, com boa reprodutibilid ade e que poderia ajudar a esclarecer alguns
dos possíveis fatores responsáveis pelas menores taxas de implantação e gestação observadas
em pacientes com endometriose.
3. Objetivos
Objetivos
37
3.1. Objetivos principais
Avaliar o estágio de maturação nuclear e a presença e a localização do fuso meiótico,
em relação ao primeiro corpúsculo polar, de oócitos obtidos em ciclos estimulados de
pacientes inférteis com inferti lidade de causa tubária e/ou ma sculina (grupo controle) e com
endometriose, analisados imediatamente antes da realização da ICSI;
Comparar as taxas de fertilização, clivagem e número de embriões de boa qualidade
entre os oócitos em metáfase II versus te lófase I e entre os oócitos com fuso celular
visualizado ou não, nos grupos controle, e ndometriose, endometriose mínima/leve e
endometriose moderada/severa.
3.2. Objetivos secundários
Comparar a resposta à estimulação ovarian a com gonadotrofinas e os resultados de
ICSI (taxas de fertilização e clivagem, formaçã o de embriões de boa qualidade e taxas de
gestação química) entre paciente s inférteis com endometriose e in fertilidade de causa tubária
e/ou masculina.
4. Casuística e Métodos
Casuística e Métodos
39
Foi realizado um estudo pr ospectivo de Março de 2008 a Março de 2009 junto ao
Setor de Reprodução Humana do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da FMRP-USP.
Esse estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Pesquisa e todos os casais submetidos à
indução da ovulação para a realização de ICSI, que preencheram os critérios de inclusão e
manifestaram o desejo de participar do proj eto, assinaram o termo de consentimento pós-
informado.
Cento e três pacientes (56 pacientes infé rteis por fatores masculino e/ou tubários
correspondendo ao grupo controle, e 47 pacientes com infertilidade relacionada à
endometriose, sendo 26 pacientes com endome triose mínima e leve e 21 pacientes com
endometriose moderada e severa) preencheram os critérios de inclusão no período do estudo.
Foram incluídas pacientes com idade menor ou igual a 38 anos, FSH basal (hormônio folículo
estimulante) menor que 10
mIU/mL (ELGINDY et al., 2008) e IMC (índice de massa corporal)
menor que 30 Kg/m². O critério de inclus ão das pacientes com endometriose era a
confirmação do diagnóstico pela vídeolaparoscopi a, de acordo com os critérios da Sociedade
Americana de Medicina Reprodut iva (Revised American Societ y for Reproductive Medicine
classification of endometrio sis: 1996, 1997), que classifica a doença em quatro estágios:
mínima (estádio I), leve (estádio II), moderada (estádio III) e grave (estádio IV). Pacientes do
grupo controle não apresentaram doenças pé lvicas associadas à infertilidade quando
submetidas à vídeolaparoscopia.
Foram excluídas pacientes com diabetes mellitus ou quaisquer outras endocrinopatias,
doença cardiovascular, lúpus eritematoso sistêmico e outras doenças reumatológicas, infecção
pelo vírus HIV, qualquer infecção ativa, ta bagismo ou o uso de medicações hormonais e
antiinflamatórias hormonais e não-hormonais nos últimos dois meses, previamente à
programação para o procedimento de reprodução assistida.
Casuística e Métodos
40
O bloqueio hipofisário foi iniciado us ando agonista do hormônio liberador de
gonadotrofinas (GnRHa) 10 dias antes do dia de r ealização da ultrason ografia transvaginal
basal (protocolo longo), por meio da administração de acetato de leuprolide (Lupron®,
Abott, Brasil). As pacientes receberam 100 a 300 UI por dia de FSH recombinante (FSHr)
(Gonal-F®, Serono, Brasil; Puregon®, Organon, Br asil), nos primeiros 6 dias da indução.
Quando pelo menos dois folículos atingiram 18 mm de diâmetro médio, foi administrada
gonadotrofina coriônica humana (hCG) recombin ante (Ovidrel®, Serono, Brasil). A captação
dos oócitos foi realizada 34 a 36h após a administração do hCG recombinante.
Todo material aspirado durante captação dos oó citos foi analisado para a identificação
e o isolamento dos complexos oócito-cumulus. Depois de identificados, os complexos oócito-
cumulus foram isolados do fluido folicular e colocados em placa separada. Os complexos
oócito-cumulus foram lavados cuidadosamente em meio de cultura Human Tubal Fluid-
HEPES (HTF, Irvine Scientific), para a remoção de sangue e debris. A seguir foram
colocados em placas NUNC (Multidish 4 wells Nuclon, Delta SI), preenchidas com o meio
de cultura HTF e cobertas com óleo mineral, e levados à incubadora em mistura gasosa de
CO
2 a 5%, sob condições ideais de temperatura (37ºC) e umidade (95%) por um período de 2
a 3 horas. Após este período, para realizarmos a remoção do cumulus oophorus e da corona
radiata, os complexos oócito-cumulus foram co locados em micro-gotas de 25µL de
hialuronidase (H4272 tipo IV-S, Sigma), na di luição de 80 UI/mL de HTF/HEPES (Irvine
Scientific), por no máximo 30 segundos e, en tão, lavados 2 ou 3 vezes com o meio HTF
modificado (HTF/HEPES, Irvine Scientific) su plementado com Soro Sintético Substituto
(SSS) a 10%. A remoção mecânica dos restos celu lares foi feita com o auxílio de uma pipeta
de desnudação (stripper pipette 130 µm denuding pipette, Cook, Melbourne, Australia).
Após a realização do desnudamento oocitário (remoção do cumulus oophorus ),
realizamos a identificação do grau de ma turidade dos oócitos, sob visualização ao
Casuística e Métodos
41
microscópio de luz. Os oócitos imaturos (em es tágio de vesícula germinativa ou metáfase I)
foram descartados. Os oócitos maduros (carac terizados morfologicamente pela presença de
um corpúsculo polar extruso) foram incubados em gotas de 25 µL de HTF + SSS 10% por
mais uma hora (após o desnudamento oocitário) para, então, serem avaliados pelo OCTAX
ICSI GuardTM System (Medical Technology Vertriebs- GmbH, Altdorf, Germany) e injetados
por meio da realização da ICSI.
Os fusos celulares dos oócitos com extrusão do primeiro corpúsculo polar foram
avaliados usando um microscópio inverti do, equipado com uma vídeo câmera e com o
hardware do microscópio de polarização, o qual cons iste de cristais elétricos e de um
controlador eletro-óptico (OCTAX ICSI Guard TM System, Medical Technology Vertriebs-
GmbH, Altdorf, Germany). Os grupos de cristais elétricos são controlados pelo computador
através do software OCTAX EyeWare™ (Universal Imaging Corp., Boston, MA). Os oócitos
foram avaliados a 37 °C, em gotas de 5 µl de HTF/Heppe s + SSS 10%, em placas de Petri
revestidas com vidro na parte inferior ( MatTek Corp., Ashland , MA), colocadas sobre uma
placa aquecida a 37°C.
Para controlar os vieses metodológicos relativos à não visualização do fuso secundária
à realização do desnudamento celular e ao en velhecimento oocitário, o desnudamento foi
realizado 2 a 3 horas após a captação oocitária e, após o mesmo, os oócitos foram recolocados
nas placas de cultivo previamente equilibradas, na incubadora, por mais uma hora, para
somente depois serem submetidos ao imageame nto e à ICSI. Um número máximo de sete
oócitos era analisado em cada placa, sendo o te mpo total, relativo ao necessário para a
realização da análise do fuso celular pela micros copia de polarização mais a ICSI, foi inferior
ou igual a 7 minutos.
Os oócitos com primeiro corpúsculo polar visível (CP) foram analisados pela
microscopia de polarização e caracterizados qu anto ao estágio real de maturação nuclear
Casuística e Métodos
42
(telófase I ou metáfase II), presença ou não de fuso celular visível e localização do fuso
celular dos oócitos em metáfase II. Foram considerados em telófase I, os oócitos que
apresentavam fuso celular alongado, perpendicular à membrana oocitária, estendendo-se até o
primeiro CP. Os fusos celulares em metáfase II foram caracterizados pela presença de fibras
birrefringentes distribuídas radialmente, com a forma de barril e orientadas paralelamente à
membrana cortical. Como os cromossomos são minimamente birrefringentes, não são
adequadamente analisáveis por meio desta metodologia. A localização do fuso celular baseou-
se no ângulo formado entre esta estrutura e o primeiro CP, sendo os oócitos divididos em seis
grupos: com fusos formando ângulos de 0 a 30 º, 30 a 60 º, 60 a 90 º, 90 a 120 º, 120 a 150 º e
150 a 180 º em relação ao primeiro CP.
Cerca de 18 a 19 horas após a ICSI foi avaliada a fertilização, caracterizada pela
presença de 2 pró-nucleos e 2 corpúsculos polares (a taxa de fertilização, a ser calculada nos 2
grupos avaliados, corresponde ao número de oócito s fertilizados, dividi dos pelo número de
oócitos injetados X 100). Cerca de 24 horas após a ICSI foi realizad a a caracterização da
presença de clivagem embrioná ria (a taxa de clivagem, calcu lada nos 2 grupos avaliados,
corresponde ao número de embriões que sofrem clivagem, ou seja, divi são celular, divididos
pelo número total de oócitos fertilizados X 100).
Cerca de 44 a 48 horas após a ICSI (D2) foi realizad a a análise da qualidade
embrionária (quanto ao número e simetria de blastômeros, percentagem de fragmentação e
presença ou não de multinucleação). Foram considerados como embriões de boa qualidade no
segundo dia de desenvolvimento (D2) os que apresentaram 4 blastômeros, simétricos, sem
fragmentação e sem multinucleação. Cerca de 64 a 72 horas após a ICSI (D3) foi realizada
novamente a análise da qualidade, sendo consider ados de boa qualidade os embriões com 8
blastômeros simétricos, sem fragmentação e sem multinucleação.
Casuística e Métodos
43
Realizou-se a transferência embrioná ria em D2 ou D3, de acordo com a
individualização de cada caso. Quatorze dias a pós a transferência embrionária realizou-se a
análise do β-hCG sanguíneo, sendo considerada como gravidez química a presença de β-hCG
positivo (maior ou igual a 25 UI/ml). A taxa de gravidez química foi calculada dividindo-se o
número de pacientes com β-hCG positivo após 14 dias da transferência embrionária pelo
número de ciclos com transferência, multiplicado por 100.
4.1 Análise Estatística
Inicialmente os grupos endometriose e cont role foram analisados comparativamente
quanto às percentagens de oócitos em telófase I, em metáfase II com fuso celular visível e não
visível e de oócitos com fuso celular localiz ado nas diferentes posições, as taxas de
fertilização, de clivagem e a percentagem de ciclos com pelo menos um embrião de boa
qualidade através do teste exato de Fisher. Posteriormente os subgrupos da endometriose
(estádios I/II e III/IV) foram comparados para as variáveis já descrita s pelo teste exato de
Fisher. Para análise comparativa das variáveis quantitativas, foram utilizados os testes t não-
pareado e o teste de Mann-Whitney. Em todas as análises foi considerado o nível de
significância de 5% (p<0,05).
5. Resultados
Resultados
45
Não observamos diferença significativa entr e os três grupos avaliados (controle,
endometriose I/II e endometriose III/IV) com relação à duração da estimulação ovariana, o
número de folículos entre 14 e 17 mm, a es pessura endometrial, o número de oócitos
captados, o número de oócitos maduros, a taxa de clivagem e a percentagem de ciclos com
pelo menos um embrião de boa qualidade tr ansferido em D2. Entretanto, no grupo de
pacientes com endometriose III/IV observamo s um aumento significativo da dose total de
FSH utilizada e uma redução significativa do número de folículos ≥ 18 mm e do número de
oócitos fertilizados, quando comparado aos grupos controle e endometriose I/II. (Tabela 1).
Foram analisados, pela microscopia de polarização, 441 oócito s o com primeiro
corpúsculo polar visível, sendo 254 do grupo controle, 115 do grupo endometriose I/II e 72 do
grupo endometriose III/IV. Entre os oócitos aparentemente maduros, observamos um aumento
significativo de oócitos em telófase I (fi gura 1A) no grupo endometriose III/IV (5,6% de
oócitos em telófase I) quando comparado ao grupo endometriose I/II (0%). Não observamos
diferença significativa entre a percentagem de oócitos em metáfase II com fuso celular visível
(figura 1B) e não visível (figura 1C) en tre os grupos avaliados (88,6%, 91,3%, 88,3%,
respectivamente, nos grupos controle, endometriose I/II e endometriose III/IV). Quase todos
os oócitos apresentaram o fuso celular locali zado entre 0 – 90° em relação ao primeiro
corpúsculo polar. Não observamos diferença significativa entre a percentagem de oócitos com
fuso celular nas localizações entre 0° – 30° (f igura 1D), 30° – 60° (figura 1E), 60° – 90°
(figura 1F) entre os três grupos analisados. Ressalta-se que a percentagem de oócitos com
fusos celulares localizados entre 60 e 90º em relação ao primeiro CP foi pequena nos três
grupos analisados (3,2%, 1,9% e 5%, respectivamente nos grupos controle, endometriose I/II
e endometriose III/IV). (Tabela 2).
Quando analisamos o grau de maturação nuc lear (metáfase II vers us telófase I) e
comparamos com os resultados de reprodu ção assistida, observamos uma diminuição
Resultados
46
significativa das taxas de fertilização (p= 0,01) considerando o tota l de oócitos (grupos
controle e endometriose analisados conjuntam ente) injetados em telófase I (13 oócitos
injetados, sendo 6 fertilizados; taxa de fertil ização de 46,1%) quando comparados ao total de
oócitos injetados em metáfase II (428 oócitos injetados, sendo 338 fertilizados; taxa de
fertilização de 79%). Ao analisarmos os grupos individualmente, houve uma tendência a
manter essa diminuição das taxas de fertiliza ção nos grupos controle (p=0,08), endometriose
(p=0,05) e endometriose III/I V (p=0,09) dos oócitos injetados em telófase I quando
comparados aos em metáfase II. Não obtivemos oócitos em telófase I no grupo endometriose
I/II. Não encontramos diferença significativa entre as taxas de clivagem nos diferentes grupos.
Nenhum oócito fertilizado, após injeção em teló fase I, formou embrião de boa qualidade em
D2 ou D3. (Tabela 3).
Quando comparamos os resultados de repr odução assistida en tre os oócitos em
metáfase II com ou sem fuso celular visível, nã o observamos diferença significativa nas taxas
de fertilização, clivagem e no número de embriões de boa qualidade formados em D2 entre os
grupos controle, endometriose I/II e endomet riose III/IV. Nas pacientes portadoras de
endometriose, os oócitos sem fuso celular visível, que fertilizaram e clivaram, não formaram
embriões de boa qualidade em D3. (tabela 4).
Resultados
47
Figura 1. Oócitos humanos com extrusão do primei ro corpúsculo polar (CP) avaliados pela
microscopia de polarização imediatamente antes da realização da Inje ção Intracitoplasmática
de espermatozóides (ICSI). (A) Fuso celular em telófase I. (B) Fuso celular visível em
metáfase II. (C) Fuso celular não visível em metáfase II. (D) Fuso celular formando ângulo de
0 a 30 º em relação ao primeiro CP. (E) Fuso celular formando ângulo de 30 a 60 º em relação
ao primeiro CP. (F) Fuso celular formando ângulo de 60 a 90 º em relação ao primeiro CP.
Resultados
48
Tabela 1 - Comparação dos parâmetros da estimul ação ovariana controlada e os resultados de
Injeção intracitoplasmática de espermatozóide s (ICSI) entre mulheres inférteis do grupo
controle (fatores tubários e/ou masculinos) e do grupo endometriose.
Endometriose Variáveis Controle
I – II III – IV
p
32,8 ± 3,8
Idade (anos)
Número de pacientes
52
33 ± 3
23
33,5 ± 3,6
19
0,73
-
Número de ciclos iniciados 60 26 21 -
Dose FSH total (UI) 1973 ± 654,6 1709 ± 554,9 2263 ± 671,7 0,02
Duração da estimulação ovariana (dias) 9,1 ± 1,6 8,7 ± 1,3 9,3 ± 1,6 0,36
Folículos entre 14 – 17 mm 4,6 ± 2,4 4,2 ± 2,7 3,6 ± 3,2 0,19
Folículos ≥ 18 mm 4 ± 2,8 3,2 ± 1,8 2 ± 2,2 0,02
Endométrio (mm) 11 ± 2,4 10,1 ± 1,5 10,5 ± 2 0,38
Número de ciclos com captação 60 26 21 -
Número de oócitos captados 6,8 ± 3,9 6,9 ± 3,8 5 ± 3,6 0,38
Número de oócitos maduros 5,2 ± 3,4 5 ± 3,1 3,4 ± 2,9 0,23
Número de oócitos fertilizados 3,4 ± 1,8 3,6 ± 1,6 2,3 ± 1,6 0,03
Taxa de Fertilização (%) 80 (203/2 54) 80 (92/115) 68 (49/72) 0,08
Taxa de Clivagem (%) 84,2 (171/203) 87 (80/92) 90 (44/49) 0,56
Número de ciclos com transferência 57 25 19 -
% de ciclos com pelo menos um embrião
de boa qualidade transferido em D2
21 (12/57) 40 (10/25) 37 (7/19) 0,51
Taxa de Gravidez Química (%) 35 (20/57) 48 (12/25) 37 (7/19) 0,15
Média ± desvio padrão. Diferença significativa: p < 0,05.
Oócitos maduros: oócitos com primeiro corpúsculo polar visível;
Taxa de Fertilização: número de oócitos fertilizados/número de oócitos injetados x 100;
Taxa de Clivagem: número de oócitos clivados/número de oócitos fertilizados x 100
% de ciclos com pelo menos um embrião de boa qualidade transferido em D2: número de ciclos com pelo
menos um embrião com 4 células, simétricas e sem fragmentação em D2/número de ciclos com transferência
x 100
Resultados
49
Tabela 2 - Análise não invasiva do grau de ma turação nuclear e presen ça/localização do fuso
celular de oócitos com o primeiro corpúsculo po lar visível obtidos de ciclos estimulados de
pacientes inférteis do grupo controle (fatores tubários e/ou masculinos) e do grupo
endometriose.
Endometriose Variáveis Controle
I – II III – IV
Maturação Nuclear
- Telófase I (%)
3,5 (9/254)
0
5,6 (4/72)*
- Metáfase II (%)
96,5 (245/254) 100 (115/115) 94,4 (68/72)
Fuso visualização
- Não visível (%)
11,4 (28/245)
8,7 (10/115)
11,8 (8/68)
- Visível (%) 88,6 (217/245) 91,3 (105/115) 88,2 (60/68)
Fuso Localização
- 0° – 30° (%)
- 30° – 60° (%)
- 60° – 90°(%)
- 90° – 120°(%)
85,7 (186/217)
11,1 (24/217)
3,2 (7/217)
0
80 (84/105)
18,1 (19/105)
1,9 (2/105)
0
80 (48/60)
13,3 (8/60)
5 (3/60)
1,7 (1/60)
*P=0,02. Diferença significativa: p < 0,05.
Resultados
50
Tabela 3 - Taxas de fertilização, clivagem e número de embriões de boa qualidade no segundo
e terceiro dia de desenvolvimento provenientes de oócitos humanos injetados em metáfase II
ou telófase I nos grupos controle, endometrios e, grupo endometriose mínima e leve e
endometriose moderada e severa.
Grupo Variável Maturação nuclear p
Metáfase II Telófase I
% (n/N) % (n/N)
Controle Taxa de fertilização 80,8 (198/245) 55,6 (05/09) 0,08
Taxa de Clivagem 84,3 (167/198) 80 (04/05) 0,58
Embrião 4.1.0 12,6 (21/167) 0 -
Embrião 8.1.0 11,5 (12/104) 0 -
Endometriose Taxa de fertilização 76,5 (140/183) 25 (01/04) 0,05
Taxa de Clivagem 87,9 (123/140) 100 (01/01) 1
Embrião 4.1.0 17 (21/123) 0 -
Embrião 8.1.0 18,5 (12/65) 0 -
Endometriose I – II Taxa de fertilização 80 (92/115) 0 -
Taxa de Clivagem 87 (80/92) 0 -
Embrião 4.1.0 17,5 (14/80) 0 -
Embrião 8.1.0 19 (08/42) 0 -
Endometriose III – IV Taxa de fertilização 70,6 (48/68) 25 (01/04) 0,09
Taxa de Clivagem 89,6 (43/48) 100 (01/01) 1
Embrião 4.1.0 16,3 (07/43) 0 0
Embrião 8.1.0 17,4 (04/23) 0 0
Diferença significativa: p < 0,05.
Taxa de Fertilização: número de oócitos fertilizados (n)/número de oócitos injetados (N) x 100;
Taxa de Clivagem: número de oócitos clivados (n)/número de oócitos fertilizados (N) x 100
Embrião 4.1.0: número de embriões com 4 células, simétricas e sem fragmentação em D2 (n)/número
de embriões formados em D2 (N) x 100
Embrião 8.1.0: número de embriões com 8 células, simétricas e sem fragmentação em D3 (n)/número
de embriões formados em D3 (N) x 100
Resultados
51
Tabela 4 - Taxas de fertilização, clivagem e número de embriões de boa qualidade no segundo
e terceiro dia de desenvolvimento provenientes de oócitos humanos injetados em metáfase II
com ou sem fuso celular visível pela micr oscopia de polarização nos grupos controle,
endometriose, grupo endometriose mínima e leve e endometriose moderada e severa.
Grupo Variável Fuso p
Visível Não visível
% (n/N) % (n/N)
Controle Taxa de fertilização 82 (178/217) 71,4 (20/28) 0,2
Taxa de Clivagem 83,1 (148/178) 95 (19/20) 0,33
Embrião 4.1.0 12,2 (18/148) 15,8 (03/19) 0,7
Embrião 8.1.0 11,5 (11/96) 12,5 (01/08) 1
Endometriose Taxa de fertilização 77,6 (128/165) 66,7 (12/18) 0,38
Taxa de Clivagem 86,7 (111/128) 100 (12/12) 0,36
Embrião 4.1.0 15,3 (17/111) 33,3 (04/12) 0,12
Embrião 8.1.0 18,5 (12/65) 0 -
Endometriose I – II Taxa de fertili zação 81,9 (86/105) 60 (06/10) 0,11
Taxa de Clivagem 86 (74/86) 100 (06/06) 1
Embrião 4.1.0 16,2 (12/74) 33,3 (02/06) 0,28
Embrião 8.1.0 19 (08/42) 0 -
Endometriose III – IV Taxa de fertilização 70 (42/60) 75 (06/08) 1
Taxa de Clivagem 88,1 (37/42) 100 (06/06) 1
Embrião 4.1.0 13,5 (05/37) 33,3 (02/06) 0,24
Embrião 8.1.0 17,4 (04/23) 0 -
Diferença significativa: p < 0,05.
Taxa de Fertilização: número de oócitos fertilizados (n)/número de oócitos injetados (N) x 100;
Taxa de Clivagem: número de oócitos clivados (n)/número de oócitos fertilizados (N) x 100
Embrião 4.1.0: número de embriões com 4 células, simétricas e sem fragmentação em D2 (n)/número
de embriões formados em D2 (N) x 100
Embrião 8.1.0: número de embriões com 8 células, simétricas e sem fragmentação em D3 (n)/número
de embriões formados em D3 (N) x 100
6. Discussão
Discussão
53
Encontramos resultados controversos acerca dos resultados da reprodução assistida em
pacientes com endometriose, o que vem sendo foco de diversos estudos e hipóteses (AZEM et
al., 1999; GARCIA-VELASCO e ARICI, 1999; GA RRIDO et al., 2000; AL-FADHLI et al.,
2006). Estas discrepâncias parecem ser multifatorias, uma vez que esses resultados podem ser
afetados por diferentes variáv eis, como o protocolo de es timulação ovariana utilizado, os
critérios de seleção das pacientes avaliadas nos diferentes estudos, os procedimentos
laboratoriais efetuados, a técnica de transferência embrionária usada, entre outros fatores.
Dados de uma meta-análise de oito est udos relevantes (BARNHART et al., 2002)
sugeriram que a implantação está comprometida de forma significativa em pacientes com
endometriose e que a qualidade embrionária é ru im, possivelmente refletindo a má qualidade
oocitária. A qualidade oocitária, por sua vez, depende da ade quada aquisição da maturação
citoplasmática e nuclear, sendo a última dependente da presença de um fuso celular normal.
O fuso meiótico, estrutura fundamental no processo de desenvolvimento oocitário,
precisa manter a sua integridade e funciona bilidade para que o oócito maduro esteja
preparado para a fertilização. Esta estrutura é extremamente sensível à ação de diversos
fatores, entre os quais podemos citar o estr esse oxidativo, passível de promover anomalias
meióticas, instabilidade cromossômica, i ndução da apoptose e comprometimento do
desenvolvimento embrionário pré-implantaçã o. (LIU et al., 2003; NAVARRO et al., 2004;
NAVARRO et al., 2006).
Alguns autores (MANSOUR et al., 2007) demo nstraram danos significativos ao DNA
e aumento de anomalias cromossômicas em oócitos maduros de camundongos, quando
incubados com o fluido peritone al de pacientes com endometri ose. Esses resultados foram
evitados quando houve suplementação do antioxida nte L-carnitina nessa cultura; sugerindo
que o estresse oxidativo esteja envolvido no comprometimento da qualidade oocitária em
portadoras de endometriose (MANSOUR et al., 2009). Outros estudos avaliando os potenciais
Discussão
54
mecanismos envolvidos na gênese das alterações do fuso celular, rela cionadas ao estresse
oxidativo, evidenciaram que o mesmo pode dani ficar diversas proteí nas intracelulares
(STADTMAN, 1992; BERLETT e STADTMAN, 1997) , algumas das quais são importantes
para a organização do fuso celular (ANTON IO et al., 2000; FUNABIKI e MURRAY, 2000;
ABRIEU et al., 2001) e, ao mesmo tempo ou independentemente, lesar o DNA e induzir o
inadequado alinhamento cromossômico (B ECKMAN e AMES, 1998; LIMOLI et al., 1998)
produzindo, desta forma, anormalidades no ciclo celular.
Diferentes metodologias podem ser utilizad as com a finalidade de avaliar o fuso
celular oocitário, entre as quais citamos a microscopia de polarização, que permite a
observação e caracterização de estruturas birrefr ingentes em células vivas, sem a necessidade
de fixação (PETERSEN et al., 2009). Trata- se de metodologia inócua, que permite a
utilização dos oócitos avaliados para a r ealização de ICSI, sem comprometimento do
desenvolvimento embrionário subseqüente.
Observou-se neste estudo que o fuso meió tico foi visualizado em 89,3% dos oócitos
examinados, estando de acordo com dados na literatura onde a visualização do fuso celular
pode variar entre 62,8 a 91% (RIENZI et al., 2003; MADASCHI et al., 2008). A alta
percentagem de oócitos com fuso celular visí vel evidenciada neste estudo, nos três grupos
analisados, pode ser atribuída ao rigoroso c ontrole metodológico, incluindo a incubação dos
oócitos por uma hora após desnudamento e o ad equado controle das condições ambientais
(manutenção da temperatura e pH ideais e limitado tempo de exposição à luz durante a análise
e fora da incubadora) (ROBERTS et al., 2002).
Com relação à localização do fuso celular , não observamos dife rença significativa
entre os grupos em relação à localização do fuso celular oocitário. Oitenta e três por cento do
total de oócitos com fusos celulares visíveis estavam localizados entre 0° – 30° em relação ao
corpúsculo polar, sendo pequena a percentagem de oócitos com fusos celulares localizados
Discussão
55
entre 60 e 90º em relação ao primeiro CP nos três grupos analisados. Estudos na literatura,
que avaliaram a relação do ângulo formado entre o corpúsculo polar e o fuso celular e as
respectivas taxas de fertili zação, evidenciaram que quando esse ângulo é menor do que
90°não há comprometimento desta variável (R IENZI et al., 2003; FANG et al., 2007). Desta
forma, sugerimos que a localização do fuso cel ular oocitário em posições anômalas não seria
uma variável responsável pela piora da qualid ade oocitária em portadoras de infertilidade
relacionada à endometriose.
Dados de uma meta-análise (PETERSE N et al., 2009) evidenciaram aumento
significativo na taxa de fertilização, clivagem e de embriões de boa qualidade no terceiro dia
de desenvolvimento de oócitos com fuso celular visível quando comparados àqueles sem fuso
celular visível. Esses resultados sugerem que a presença do fuso celular poderia ser um fator
de predição para se obter maiores taxas de fertilização, clivagem e de embriões de boa
qualidade em D3. Nossos resultados foram di scordantes com a literatura, pois não
observamos diferença significativa entre as taxas de fertilização e declivagem quando
avaliamos a presença ou não de fuso celular visível nos grupos es tudados. Todavia,
ressaltamos que, nas pacientes portadoras de endometriose, nenhum dos oócitos sem fuso
celular visível que fertilizou e clivou formou embriões de boa qualidad e no terceiro dia de
desenvolvimento, sugerindo uma associação positiva entre a ausência de fuso celular visível
em oócitos de mulheres inférteis com endometr iose e a não formação de embriões de boa
qualidade em D3.
Oócitos em telófase I ainda não finali zaram a meiose I mas podem apresentar, à
microscopia óptica, características morfológi cas semelhantes a oócitos que completaram a
meiose I e estão em metáfase II (HYUN et al., 2007). No presente estudo observou-se um
aumento significativo de oócitos maturados in vivo, que, apesar de aparentemente maduros,
estavam em telófase I, nas pacientes com infertilidade relacionada à endometriose moderada e
Discussão
56
severa. Esses dados corroboram achados recen tes em que se evidenciou uma tendência a
maior proporção de telófase I em oócitos maturados in vitro obtidos de ciclos estimulados de
pacientes com endometriose, quando compara dos ao grupo controle (BARCELOS et al.,
2009). O presente achado agrega a informação de que este potencial atraso ou
comprometimento da meiose I ocorra não apenas nos oócitos maturados in vitro, como
também naqueles maturados in vivo nas portadoras de infe rtilidade relacionada à
endometriose. Convém ressaltar que no presente estudo este achado foi observado apenas no
subgrupo de pacientes com endome triose III/IV, sugerindo que a severidade da doença possa
estar associada ao comprometimento da conclusã o da meiose I e, conseqüentemente, à piora
da qualidade oocitária.
As anomalias meióticas podem, por sua vez, contribuir para a falência do
desenvolvimento celular por meio de diferentes vias, que vão desde a inabilidade do oócito
em completar o processo de maturação, torn ando-se incapaz de se r fertilizado, até a
ocorrência de erros variáveis no processo de maturação meiótica que não impossibilitam a
fertilização, mas, contudo, podem comprometer o desenvolvimento embrionário pré e/ou pós-
implantação, bem como a viabilidade futura do concepto (PAVLOK et al., 1992;
LONERGAN et al., 1994; ARMSTRONG, 2001). Assim, qualquer alteração no complemento
cromossômico, que possa ser originada por um a alteração do fuso meiótico, poderia conduzir
a um estado de aneuploidia por não-disjunçã o, junção desbalanceada ou disjunção prematura
das cromátides e perda de cromossomos, (VAN BLERKOM e HENRY, 1992; BATTAGLIA
et al., 1996; MANDELBAUM et al., 2004) comprometendo o desenvolvimento embrionário.
Alguns autores (HYUN et al., 2007) demonstraram que oócitos maturados in vitro
que, apesar de aparentemente maduros (com prim eiro CP visível), estavam em telófase I,
segundo análise por microscopia de polarizaçã o, apresentaram taxa de fertilização
significativamente menor do que os oócitos que concluíram a meiose I (15,8% x 80%,
Discussão
57
respectivamente). No nosso estudo, também observamos uma diminuição significativa das
taxas de fertilização quando analis amos o total de oócitos maturados in vivo que foram
injetados em telófase I quando comparados ao total de oócitos injetados em metáfase II
(46,1% x 79%, respectivamente) e uma tendê ncia a diminuição dessas taxas nos grupos
controle e endometriose III/IV, quando estudado s individualmente. A ampliação da presente
casuística poderá permi tir a aquisição de significância es tatística nestes grupos. Além disso,
os oócitos em telófase I que clivaram não form aram embriões de boa qualidade, tanto em D2
quanto em D3 em ambos os grupos. Com base nos dados analisados sugere-se que a utilização
de oócitos com o primeiro CP visualizado, em telófase I (ou seja, que, apesar de
aparentemente maduros, não concluíram a me iose I) em procedimentos de reprodução
assistida (ICSI) esteja associada a piores prognósticos re lativos ao sucesso gestacional
subseqüente, relativos tanto a menores taxas de fertilização, como formação de embriões de
boa qualidade.
Nas pacientes inférteis com endometriose III/IV o aumento significativo de oócitos em
telófase I poderia contribuir para o número significativamente menor de oócitos fertilizados
neste grupo, observado na casuística analisada, corroborando estudos que evidenciaram piores
taxas de fertilização em portadoras de infertil idade relacionada à endometriose (AZEM et al.,
1999; AL-FADHLI et al., 2006). É possível que a an álise do estágio de maturação nuclear
oocitária possa ser utilizada como fator de pred ição das taxas de fertilização neste grupo de
pacientes, o que precisa ser analisado em est udos com maiores casuísticas. É possível que se
postergarmos a inseminação dos oócitos em te lófase I, especialmente nas portadoras de
endometriose moderada e severa, possamos ter um melhor resultado dos procedimentos de
reprodução assistida, o que precisa ser av aliado por meio de es tudo com metodologias
pertinentes.
7. Conclusões
Conclusões
59
Não observamos diferença significativa en tre os grupos analisados quanto à
visualização e localização do fu so celular em oócitos maturados in vivo com o primeiro CP
visível. Todavia, observamos um aumento signi ficativo de oócitos em telófase I nos oócitos
de portadoras de endometriose modera da e severa, sugerindo um retardo ou
comprometimento na conclusão da meiose I. Considerando que os oócitos injetados em
telófase I apresentam piores taxas de fertiliz ação do que os injetados em metáfase II, este
achado poderia justificar o comprometimento dos resultados de reprodução assistida em
mulheres inférteis com endometriose moderada e severa. A análise não invasiva do fuso
celular oocitário, por meio da microscopia de polarização, pode ser utilizada como fator de
predição das taxas de fertilização e qualidad e oocitária pós-ICSI neste grupo de pacientes, o
que precisará ser mais bem analisado ampliando-se a presente casuística.
8. Referências Bibliográficas
Referências Bibliográficas
61
ABRIEU, A. et al. Mps1 is a kinetochore-associated kinase essential for the vertebrate mitotic
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Anexos
Anexos
69
ANEXO A – Termo Consentimento Livre e Esclar ecido para pacientes inférteis por fatores
tubários e/ou masculino (grupo controle).
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DE
RIBEIRÃO PRETO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
Campos Universitário Monte Alegre - Fone: 3602-1000 - Fax: 3633-1144
CEP: 14048-900 Ribeirão Preto - São Paulo.
1. NOME DA PESQUISA: “Avaliação do balanço oxidante e antioxidante em mulheres inférteis
com endometriose e Síndrome dos Ovários Policís ticos submetidas à indução da ovulação para a
realização de procedimentos de reprodução assistida de alta complexidade”
2. PESQUISADOR RESPONSÁVEL: Prof. Dra. Paula Andrea de A. Salles Navarro
Você está sendo convidada a participar da pesquisa intitulada “Avaliação do balanço oxidante
e antioxidante em mulheres inférteis com endometriose e Síndrome dos Ovários Policísticos
submetidas à indução da ovulação para a realização de procedimentos de reprodução assistida de alta
complexidade”
Sabemos que o estresse oxidativo compromete a fertilidade masculina. Temos suspeita de que o
estresse oxidativo também possa comprometer a fertilid ade feminina, porém os dados disponíveis até o
presente momento são escassos e controversos. A e ndometriose e a Síndrome dos Ovários Policísticos
(SOMP) são causas bastante comuns de dificuldade para engravid ar (denominada infertilidade) e
aventa-se a possibilidade do estresse oxidativo partic ipar da ocorrência destas duas freqüentes doenças,
podendo, inclusive, contribuir para a infertilidade associada às mesmas. Desta forma, determinar os
níveis de substâncias oxidantes e antioxidantes, no sangue e no fluido folicular (fluido contido no
folículo onde os óvulos se desenvolvem) de mulh eres inférteis com estas doenças poderia auxiliar a
descobrir alguns dos mecanismos en volvidos na causa da infertilidade, o que, poderia auxiliar na
identificação de tratamentos futuros. Contudo, pa ra podermos dizer se os níveis de substâncias
oxidantes e antioxidantes, no sangue e no fluido folicular de mulheres inférteis com estas doenças, são
diferentes daqueles de mulheres inférteis sem estas doenças, precisamos comparar os mesmos com os
provenientes de um grupo de pacientes tido como grupo controle, ou seja, cujos níveis sejam
considerados como padrão de normalidade, aonde você estaria incluída.
É possível que a estimulação da ovulação, que você realizará com o uso de medicações
específicas, possa alterar o balanço de substânci as oxidantes e antioxidantes, no sangue e no fluido
folicular. Para avaliarmos se isto é verdadeiro, pro pomos avaliar os níveis de diferentes substâncias
oxidantes e antioxidantes no sangue (em quatro diferentes momentos, quando vocês vêm normalmente a
este serviço, visando a realização de procedimentos de reprodução assistida: no dia da consulta pré-
basal, no dia de início da estimulação da ovulação, no dia em que for prescrito o uso da gonadotrofina
coriônica humana e no dia da realização da captação de óvulos). Desta forma, autorizo a realização de
coleta de sangue venoso, nos 4 dias propostos. Fui informada de que o procedimento pode ocasionar
discreta dor local, podendo aparecer hematomas no lo cal da punção. Também autorizo a utilização do
fluido folicular e das células da granulosa (cél ulas que envolvem o óvulo, representando a parede do
folículo ovariano) obtidos, durante o procedimento de captação dos óvulos, após a identificação e
separação dos óvulos pela bióloga responsável, como realizado na prática do laboratório de reprodução.
Fui informada de que, após o isolamento dos óvulos, o fluido folicular e as células da granulosa (que
ficam misturadas ao fluido) são desprezados, uma vez que não apr esentam qualquer utilidade para o
procedimento de reprodução ao qual serei submetida. Fui informada de que ser á realizada a análise dos
níveis de algumas substâncias oxidantes e antioxidantes no fluido folicular, assim como a avaliação da
capacidade antioxidante das células da granulosa ( por meio da análise da expressão de enzimas
envolvidas na neutralização das substâncias oxidantes).
Anexos
70
Temos indícios de que o estresse oxidativo possa também comprometer a qualidade dos óvulos,
levando a redução das chances de gravidez, mesmo quando se realizam procedimentos de reprodução
assistida. Nas mulheres inférteis com endometri ose e SOMP, questiona-se se um dos motivos
responsáveis pela maior dificuldade em engravidar , seja a inadequada qualidade dos óvulos (oócitos),
que poderão produzir embriões também de má qualid ade e, conseqüentemente, gerar uma gestação
menos viável. Contudo, na atualidade, não se rea liza a avaliação adequada da qualidade oocitária,
devido à ausência de métodos bem estabelecidos capazes de predizer se os óvulos são bons ou não.
A identificação da presença de alterações nos óvulos de pacientes portadoras de endometriose e
SOMP, não somente ajudaria a elucidar um dos po ssíveis mecanismos caus adores da infertilidade,
como também abriria perspectivas futuras de tratam ento para este grupo de pacientes. Contudo, para
podermos dizer se os óvulos destas pacientes com endometriose ou SOMP são ou não são de boa
qualidade, precisamos comparar a qualidade dos mesmos com a de óvulos provenientes de um grupo de
pacientes tido como grupo controle, ou seja, cuja qualidade dos óvulos seja considerada como padrão de
normalidade. Desta forma, você está sendo convidada para participar deste estudo na posição de
paciente do grupo controle, ou seja, cujos óvulos sejam considerados como padrão de normalidade, para
fins de comparação com os óvulos das pacientes com endometriose e SOMP.
Uma forma indireta de avaliarmos a qualidad e dos seus óvulos, sem lhe causar qualquer risco
adicional ou prejuízo do sucesso de você engravidar durante este procedimento de reprodução assistida,
seria analisar a presença de algumas característi cas dos seus óvulos (como uma estrutura microscópica
em seu interior chamada de “fuso celular”, um dos possíveis responsáveis pela qualidade dos seus
oócitos), por meio de um microscópio de polarização, que não ocasiona qualquer dano aos óvulos e nem
ao desenvolvimento dos embriões gerados a partir destes óvulos. Devemos, portanto, ressaltar que o
estudo dos seus óvulos usando esta microscopia de polarização, não vai interferir no seu tratamento para
engravidar, assim como não causará prejuízo algum para a sua saúde, nem para a do futuro bebê.
Ressaltamos que a utilização desta metodologia já ocorre de rotina na prática diária do laboratório de
reprodução do presente serviço, sendo que apenas solicitamos a autorização para utilizar os dados
obtidos por meio da utilização desta metodologia.
Também devemos ressaltar que a sua par ticipação no presente estudo não implicará na
realização de nenhum procedimento complementar durante o seu tratamento para tentar engravidar, com
exceção da coleta de sangue no dia de início de estimulação da ovulação, no dia em que for prescrito o
uso da gonadotrofina coriônica humana e no dia da r ealização da captação de óvulos, como descrito
acima.
Sua colaboração, portanto, no fornecimento de am ostras de sangue, fluido folicular e células da
granulosa, bem como autorizando a utilizar os dados obtidos com o uso da microscopia de polarização
dos seus óvulos, será imprescindível para um melhor conhecimento do balanço oxidante e antioxidante
e qualidade dos oócitos de pacientes com dificuldade para engravidar devido à Endometriose e SOMP.
Este conhecimento no futuro poderá ser usado no senti do de propiciar um tratamento mais eficaz da
infertilidade associada à Endometriose e à SOMP. É importante ressaltarmos que este estudo não trará
nenhuma despesa para você e seu companheiro. Todo o material obtido será utilizado exclusivamente
para a avaliação do balanço oxidante/antioxidante no sangue, fluido folicular e células da granulosa, e
análise das características dos óvulos (não poderão ser utilizados para outros fins que não os desta
pesquisa). Autorizo, caso haja amos tras remanescentes de materiais colhidos (sangue, fluido folicular e
células da granulosa), ao armazenamento das mesm as, sendo que somente poderão ser utilizadas para a
realização de pesquisas futuras, caso eu dê a minha autorização expressa, mediante a assinatura do
termo de consentimento livre e esclarecido específico da nova(s) pesquisa(s). No caso de haver
amostras remanescentes, eu assinarei um termo de consentimento específico, autorizando a sua
estocagem e onde conste os tipos e quantidades de alíquotas armazenadas.
3. INFORMAÇÕES ADICIONAIS: Todos as dúvid as com relação ao estudo que, porventura,
possam ocorrer durante o seu tratamento para engravidar, serão prontamente esclarecidas pelos
pesquisadores responsáveis pelo presente estudo. Você te m a liberdade de retirar o seu consentimento e
de deixar de participar do estudo, a qualquer mo mento, sem que isto traga qualquer prejuízo à
continuidade do seu tratamento. Asseguramos o total sigilo em relação aos nomes dos integrantes deste
estudo, bem como garantimos que será mantido o caráter confidencial de toda informação relacionada a
sua privacidade. Temos o compromisso de que serão prestadas informações at ualizadas durante todo o
Anexos
71
estudo, ainda que isto possa afetar a vossa vontade de continuar dele partic ipando. Asseguramos o
compromisso de que você será devidamente acompanhada e assistida durante todo o período de
participação neste projeto, bem como de que será ga rantida a continuidade do seu tratamento, após a
conclusão dos trabalhos da pesquisa.
Eu, __________________ ___________________________, RG nº:___________ abaixo assinada,
declaro que fui informada e estou inteiramente de acordo com o exposto acima e aceito livremente
participar do estudo em questão, fornecendo amostras de sangue, fluido folicular e células da granulosa,
bem como autorizando a utilizar os dados obtidos co m o uso da microscopia de polarização dos meus
óvulos,. Autorizo a pesquisadora abaixo mencionada a utilizá-los para a pesquisa : “Avaliação do
balanço oxidante e antioxidante em mulheres inférteis com endometriose e Síndrome dos Ovários
Policísticos submetidas à indução da ovulação para a realização de procedimentos de reprodução
assistida de alta complexidade”, estando ciente que terei a liberdade de retirar o meu consentimento e de
deixar de participar do estudo a qualquer momento, sem que isto traga qualquer prejuízo à continuidade
do meu tratamento.
Ribeirão Preto _______ / _______ / _________
_______________________________ ___________________________
Assinatura- Paciente Assinatura do Pesquisador
4. PESQUISADORA RESPONSÁVEL:
Prof. Dra. Paula Andrea de A. Salles Navarro – CRM: 84930 – SP
Telefone de contato: 16-3602-2231
Endereço: Av. Bandeirantes, 3900 - 1º a ndar (Hospital das Clínicas- Setor de
Reprodução Humana), Ribeirão Preto – SP. CEP: 14049-900.
Anexos
72
ANEXO B – Termo Consentimento Livre e Es clarecido para pacientes inférteis com
endometriose.
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DE
RIBEIRÃO PRETO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
Campos Universitário Monte Alegre - Fone: 3602-1000 - Fax: 3633-1144
CEP: 14048-900 Ribeirão Preto - São Paulo.
1. NOME DA PESQUISA: “Avaliação do balanço oxidante e antioxidante em mulheres inférteis
com endometriose e Síndrome dos Ovários Policís ticos submetidas à indução da ovulação para a
realização de procedimentos de reprodução assistida de alta complexidade”
2. PESQUISADOR RESPONSÁVEL: Prof. Dra. Paula Andrea de A. Salles Navarro
Você está sendo convidada a participar da pesquisa intitulada “Avaliação do balanço oxidante
e antioxidante em mulheres inférteis com endometriose e Síndrome dos Ovários Policísticos
submetidas à indução da ovulação para a realização de procedimentos de reprodução assistida de alta
complexidade”, na qualidade de membro do grupo de pacientes portadoras de endometriose.
Sabemos que o estresse oxidativo compromete a fertilidade masculina. Temos suspeita de que o
estresse oxidativo também possa comprometer a fertilid ade feminina, porém os dados disponíveis até o
presente momento são escassos e controversos. A e ndometriose e a Síndrome dos Ovários Policísticos
(SOMP) são causas bastante comuns de dificuldade para engravid ar (denominada infertilidade) e
aventa-se a possibilidade do estresse oxidativo partic ipar da ocorrência destas duas freqüentes doenças,
podendo, inclusive, contribuir para a infertilidade associada as mesmas. Desta forma, determinar os
níveis de substâncias oxidantes e antioxidantes, no sangue e no fluido folicular (fluido contido no
folículo onde os óvulos se desenvolvem) de mulh eres inférteis com estas doenças poderia auxiliar a
descobrir alguns dos mecanismos en volvidos na causa da infertilidade, o que, poderia auxiliar na
identificação de tratamentos futuros.
É possível que a estimulação da ovulação, que você realizará com o uso de medicações
específicas, possa alterar o balanço de substânci as oxidantes e antioxidantes, no sangue e no fluido
folicular. Para avaliarmos se isto é verdadeiro, pro pomos avaliar os níveis de diferentes substâncias
oxidantes e antioxidantes no sangue (em quatro diferentes momentos, quando vocês vêm normalmente a
este serviço, visando a realização de procedimentos de reprodução assistida: no dia da consulta pré-
basal, no dia de início de estimulação da ovulação, no dia em que for prescrito o uso da gonadotrofina
coriônica humana e no dia da realização da captação de óvulos). Desta forma, autorizo a realização de
coleta de sangue venoso, nos 4 dias propostos. Fui informada de que o procedimento pode ocasionar
discreta dor local, podendo aparecer hematomas no lo cal da punção. Também autorizo a utilização do
fluido folicular e das células da granulosa (cél ulas que envolvem o óvulo, representando a parede do
folículo ovariano) obtidos, durante o procedimento de captação dos óvulos, após a identificação e
separação dos óvulos pela bióloga responsável, como realizado na prática do laboratório de reprodução.
Fui informada de que, após o isolamento dos óvulos, o fluido folicular e as células da granulosa (que
ficam misturadas ao fluido) são desprezados, uma vez que não apr esentam qualquer utilidade para o
procedimento de reprodução ao qual serei submetida. Fui informada de que ser á realizada a análise dos
níveis de algumas substâncias oxidantes e antioxidantes no fluido folicular, assim como a avaliação da
capacidade antioxidante das células da granulosa ( por meio da análise da expressão de enzimas
envolvidas na neutralização das substâncias oxidantes).
Temos indícios de que o estresse oxidativo possa também comprometer a qualidade dos óvulos,
levando a redução das chances de gravidez, mesmo quando se realizam procedimentos de reprodução
assistida. Nas mulheres inférteis com endometri ose e SOMP, questiona-se se um dos motivos
responsáveis pela maior dificuldade em engravidar , seja a inadequada qualidade dos óvulos (oócitos),
que poderão produzir embriões também de má qualid ade e, conseqüentemente, gerar uma gestação
Anexos
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menos viável. Contudo, na atualidade, não se rea liza a avaliação adequada da qualidade oocitária,
devido à ausência de métodos bem estabelecidos cap azes de predizer se os óvulos são bons ou não. A
identificação da presença de alterações nos óvulos de pacientes portadoras de endometriose e SOMP,
não somente ajudaria a elucidar o mecanismo cau sador da infertilidade, como também abriria
perspectivas futuras de tratamento para este grupo de pacientes.
Uma forma indireta de avaliarmos a qualidad e dos seus óvulos, sem lhe causar qualquer risco
adicional ou prejuízo do sucesso de você engravidar durante este procedimento de reprodução assistida,
seria analisar a presença de algumas característi cas dos seus óvulos (como uma estrutura microscópica
em seu interior chamada de “fuso celular”, um dos possíveis responsáveis pela qualidade dos seus
oócitos), por meio de um microscópio de polarização, que não ocasiona qualquer dano aos óvulos e nem
ao desenvolvimento dos embriões gerados a partir destes óvulos. Devemos, portanto, ressaltar que o
estudo dos seus óvulos usando esta microscopia de polarização, não vai interferir no seu tratamento para
engravidar, assim como não causará prejuízo algum para a sua saúde, nem para a do futuro bebê.
Ressaltamos que a utilização desta metodologia já ocorre de rotina na prática diária do laboratório de
reprodução do presente serviço, sendo que apenas solicitamos a autorização para utilizar os dados
obtidos por meio da utilização desta metodologia.
Também devemos ressaltar que a sua par ticipação no presente estudo não implicará na
realização de nenhum procedimento complementar durante o seu tratamento para tentar engravidar, com
exceção da coleta de sangue no dia de início de estimulação da ovulação, no dia em que for prescrito o
uso da gonadotrofina coriônica humana e no dia da r ealização da captação de óvulos, como descrito
acima.
Sua colaboração, portanto, no fornecimento de am ostras de sangue, fluido folicular e células da
granulosa, bem como autorizando a utilizar os dados obtidos com o uso da microscopia de polarização
dos seus óvulos, será imprescindível para um melhor conhecimento do balanço oxidante e antioxidante
e qualidade dos oócitos de pacientes com dificuldade para engravidar devido à Endometriose e SOMP.
Este conhecimento no futuro poderá ser usado no senti do de propiciar um tratamento mais eficaz da
infertilidade associada à Endometriose e à SOMP. É importante ressaltarmos que este estudo não trará
nenhuma despesa para você e seu companheiro. Todo o material obtido será utilizado exclusivamente
para a avaliação do balanço oxidante/antioxidante no sangue, fluido folicular e células da granulosa, e
análise das características dos óvulos (não poderão ser utilizados para outros fins que não os desta
pesquisa). Autorizo, caso haja amos tras remanescentes de materiais colhidos (sangue, fluido folicular e
células da granulosa), ao armazenamento das mesm as, sendo que somente poderão ser utilizadas para a
realização de pesquisas futuras, caso eu dê a minha autorização expressa, mediante a assinatura do
termo de consentimento livre e esclarecido específico da nova(s) pesquisa(s). No caso de haver
amostras remanescentes, eu assinarei um termo de consentimento específico, autorizando a sua
estocagem e onde conste os tipos e quantidades de alíquotas armazenadas.
3. INFORMAÇÕES ADICIONAIS: Todos as dúvid as com relação ao estudo que, porventura,
possam ocorrer durante o seu tratamento para engravidar, serão prontamente esclarecidas pelos
pesquisadores responsáveis pelo presente estudo. Você te m a liberdade de retirar o seu consentimento e
de deixar de participar do estudo, a qualquer mo mento, sem que isto traga qualquer prejuízo à
continuidade do seu tratamento. Asseguramos o total sigilo em relação aos nomes dos integrantes deste
estudo, bem como garantimos que será mantido o caráter confidencial de toda informação relacionada a
sua privacidade. Temos o compromisso de que serão prestadas informações at ualizadas durante todo o
estudo, ainda que isto possa afetar a vossa vontade de continuar dele partic ipando. Asseguramos o
compromisso de que você será devidamente acompanhada e assistida durante todo o período de
participação neste projeto, bem como de que será ga rantida a continuidade do seu tratamento, após a
conclusão dos trabalhos da pesquisa.
Eu, __________________ ___________________________, RG nº:___________ abaixo assinada,
declaro que fui informada e estou inteiramente de acordo com o exposto acima e aceito livremente
participar do estudo em questão, fornecendo amostras de sangue, fluido folicular e células da granulosa,
bem como autorizando a utilizar os dados obtidos co m o uso da microscopia de polarização dos meus
óvulos,. Autorizo a pesquisadora abaixo mencionada a utilizá-los para a pesquisa : “Avaliação do
Anexos
74
balanço oxidante e antioxidante em mulheres inférteis com endometriose e Síndrome dos Ovários
Policísticos submetidas à indução da ovulação para a realização de procedimentos de reprodução
assistida de alta complexidade”, estando ciente que terei a liberdade de retirar o meu consentimento e de
deixar de participar do estudo a qualquer momento, sem que isto traga qualquer prejuízo à continuidade
do meu tratamento.
Ribeirão Preto _______ / _______ / _________
_______________________________ ___________________________
Assinatura- Paciente Assinatura do Pesquisador
4. PESQUISADORA RESPONSÁVEL:
Prof. Dra. Paula Andrea de A. Salles Navarro – CRM: 84930 – SP
Telefone de contato: 16-3602-2231
Endereço: Av. Bandeirantes, 3900 - 1º a ndar (Hospital das Clínicas- Setor de
Reprodução Humana), Ribeirão Preto – SP. CEP: 14049-900.
Anexos
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ANEXO C – Modelo de ficha de avaliação dos sujeitos do estudo
Dados Clínicos e Laboratoriais
Infertilidade: Primár ia Secundária G__P__C__A__
Endometriose: Mínima Leve Moderada Severa
Endometrioma no ciclo atual nã o sim Número:________ Tamanho:____________
Endometrioma prévio não sim Número:________ Tamanho:____________
exérese com cápsula esvaziamento + cauterização cápsula conduta expectante
Fator tubário Salpingectomia Laqueadura Tubá ria Hidrossalpinge (não visualizada ao
US) Outros ____________________________
Fator masculino: Sim Não Mo rfologia > 8% > 4 % (____/___/____)
Morfologia > 8% > 4 % (____/___/____)
Técnica de processamento seminal: Swim up Gradiente Lavagem
Qualidade seminal dia ICSI:
mais de 5 milhões de sp tz móveis recuperados (SMR)
2-5 milhões de SMR e morfologia > 4% (exames prévios)
< 2milhões de SMR ou morfologia < 4% (exames prévios)
sptz obtido por PESA
sptz obtido por TESE
Sêmen Doador: Sim Não Pós-descongelamento (vide acima)
Laparoscopia: Sim Não Local:________________ Data:_____________
Idade: _________ FSH Basal (____/_____/____): _________
Peso:_____________ Estatura:__________ IMC:_________
Terapia de Reprodução Assistida prévia: Sim Não N
o de ciclos:________
IUI ____________ FIV- ICSI: _________
Medicações em uso: Sim Não
Nome:_____________ Dose:___________ Tempo de uso:_________
_____________________________________________________
Anexos
76
Diabetes mellitus Doença cardiovascular
Outras endocrinopatias _________________
Dislipidemia Lupus eritematoso sistêm ico Outras doen ças reumatológicas
Infecção pelo HIV Qualquer infecção ativa
Tabagismo N
o cigarros dia:_____________
Consumo de Álcool Frequência:____________ Tipo de bebida:__________
Dados da indução
FSH-r (total UI): __________(dose diária):_________Nº dias de indução:________
hMG-hp (total UI): ___________(dose diária):_________Nº dias de indução:_________
Nº total de dias de indução: __________
Total folículos ≥ 14mm no dia hCG: ________ OD: ______ OE: ______
Total folículos ≥ 18mm no dia hCG: _______ OD: ______ OE: ______
Dados da captação e fertilização
Nº de oócitos captados: _______ Nº de folículos puncionados: _______
No de oócitos degenerados: __________
Maturidade oocitária: GV: ________MI: ________MII: _________
Nº oócitos injetados: ____ Nº de oócitos fertilizados:_____Taxa de fertilização:_____%
Nº de embriões formados:____ Nº embriões clivados:____Taxa de Clivagem: ____%
Qualidade Oocitária
D0
Fuso
Oócito
Maturação
Nuclear
(MN)
Citoplasma
(CGC)
Vacúolos
(V)
Corpúsculo
Polar (CP) EIM +/- Loc
1
2
3
4
5
6
7
EIM: Estágios intermediários da meiose (TI: telófase I; AII: anáfase II; TII: telófase II)
Anexos
77
Qualidade Embrionária
D1 D2 D3
Embrião
CP
PN
S
N
No
Células
S
F
M
No
Células
S
F
M
Destino
1
2
3
4
5
6
7
Dados de Transferência
Dia da transferência: □ D2 □ D3
Nº embriões transferidos: ________ Numeração dos embriões transferidos:__________
Dados da Gestação
ßHCG: Positivo □ Negativo □ Data: ____/___/_____Valor:_______
Gravidez Clínica: Sim Não
No sacos gestacionais (US 4 semanas após TE):_______________
Taxa de implantação (no sacos gestacionais US 4 semanas após TE /no embriões transferidos):
_________%
Nº de sacos gestacionais (US 12 semanas): _________
Gravidez: única gemelar trigemelar quadrigemelar
Perdas gestacionais: Sim Não Idade gestacional:___________________
Nascidos vivos: Sim Não N
o:_______ Idade gestacional:_______________
Vitalidade:_____________________
Complicações obstétricas: Sim Não
Descreva:___________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
Artigo Científico
Artigo Científico
79
Title
Higher percentage of telophase I in living human oocytes from patients with moderate and
severe endometriosis
Running title
Meiotic spindle in oocytes from infertile women with endometriosis
Luciana A. Dib
a, Maria C.P.M. Araújo a, Roberta Cristina Giorgenon a, Gustavo S. Romão a,
MD, PhD, Rui A. Ferriania,b, MD, PhD, Paula A. Navarro, MD, PhDa,b*
aDepartment of Obstetrics and Gynecology, Ribeirão Preto Medical School, São Paulo
University, Ribeirão Preto, SP, Brazil.
bNational Institute of Hormones and Women's Health, Ribeirão Preto, SP, 14049-900, Brazil
*Corresponding author:
Paula A. A. S. Navarro
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo
Av. Bandeirantes, 3900, Ribeirão Preto, São Paulo 14049-900, Brasil
Fax number: 55-16-3633 0946
E-mail:
[email protected]
Artigo Científico
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FINANCIAL SUPPORT
Luciana A. Dib was supported by a scholarship granted by Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior (CAPES) – Brazil
Conselho Nacional de Desenvolvimento Cien tífico e Tecnológico (CNPq) - Edital
MCT/CNPq 15/2007 - Processo 478396/2007-4)
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) - 2008/58197-6
Artigo Científico
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