Endometriosis. Cognitive-behavioral therapy. Coping. Depression.
Stress. Chronic pelvic pain. Quality of life.
Introdução 1
1 Introdução
1.1 Como a endometriose afeta o emocional
A Endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela
presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero e acomete
aproximadamente 10 a 15% da população feminina durante o período em que
menstruam. Estima -se que a prevalência varia de 2 a 11% entre mulheres
assintomáticas, 5 a 50% entre mulheres inférteis e 5 a 21% entre as mulheres
hospitalizadas por dor pélvica (Zondervan et al.,2020), podendo trazer uma série
de intercorrências na vida da paciente como dor crônica, dificuldade na re lação
sexual e infertilidade, além de alterações emocionais como depressão,
ansiedade e estresse, ocasionando considerável queda na qualidade de vida
(Donatti et al., 2017; Carbone et al., 2021 ; Delanerolle et al.,2021; Casalechi et
al.,2021).
Pesquisas apontam que o tratamento da endometriose deve ser
multidisciplinar, incluindo médico, psicólogo, fisioterapeuta e nutricionista
(Podgaec, 2014; Zondervan et al., 2020; Carbone et.al, 2021). Nesse contexto,
recentes estudos, revisões sistemáticas e meta -análises buscaram explorar
como o campo emocional é afetado na endometriose.
Carbone et al. (2021) analis aram estudos que relacionaram elementos
neuropsiquiátricos e endometriose , a fim de identificar informações clínicas
relevantes para o tratamento multidisciplinar personalizado para as pacientes.
Os autores afirmam que a presença de dor pélvica crônica e sintomas
psiquiátricos constituem uma condição multifacetada e complexa, caracterizada
por necessidade que nova abordagem transversal e múltipla seja fundamentada
em uma perspectiva diagnóstica e terapêutica em termos de gestão e tratamento
da endometriose. O tratamento ginecológico e de controle da dor não podem ser
separados de um tratamento cuidadoso em termos da avaliação psiquiátrica em
eficácia clínica e prognóstica. Essas observações reafirmaram a necessidade de
uma equipe multiprofissional em saúde, envolvendo, quando necessário,
Introdução 2
ginecologistas, psicoterapeutas, psiquiatra s, especialistas em dual disorder 1,
algologistas e sexólogos. Esses profissionais devem trabalhar
unidirecionalmente para detectar, analisar e, se possível, quebrar o círculo
vicioso da doença, destacando um tratamento personalizado e direcionado.
Nesse s entido, Casalechi et al., (2021) apontaram evidências sobre a
associação da endometriose com estresse crônico, ansiedade e depressão.
Identificaram que mulheres com sintomas dolorosos apresentaram maiores
índices de estresse e menor qualidade de vida quand o comparado com as
saudáveis. Um importante ponto foi a constatação de que a depressão e a
ansiedade são mais prevalentes em mulheres com endometriose; já a presença
de transtornos psiquiátricos se correlaciona mais com a gravidade da dor
atribuída à endom etriose do que com outras características da doença. O
tratamento médico da endometriose melhorara o estresse percebido, a
ansiedade e os sintomas depressivos. Os distúrbios psicológicos presentes
devido à dor precisam ser tratados de modo eficaz para redu zir a própria carga
emocional da doença.
Ainda, nesse mesmo caminho, a revisão sistemática de Delanerolle et al.,
(2021) buscou examinar a prevalência de sintomas e distúrbios psiquiátricos em
pacientes com endometriose. Para tal, foi desenvolvido um protocolo de revisão
sistemática cuja estratégia de pesquisa foi o uso de múltiplos termos -chave
relacionados à saúde mental para mapear estudos relevantes que observavam
tal temática no contexto da endometriose. Foram incluídos 34 artigos na revisão
sistemática e 15 na meta -análise. Como principal observação sugerem a
presença de sintomas de ansiedade e depressão como resultados de saúde
mental mais comumente relatados no quadro da endometriose e que tais escores
são ainda maiores quando estão presentes dor pélvica crônica e dispareunia.
Recente estudo de Maulitz et al. (2022) postulou que pelo menos um terço das
pacientes com endometriose sofrem de transtornos mentais (principalmente
depressão ou ansiedade) e requerem apoio psiquiátrico ou psicoterapêutico. Por
meio da neuroimagem , foi possível identificar regiões cerebrais ativas
1 Diagnóstico duplo como um transtorno mental somado a uma comorbidade.
Introdução 3
relacionadas não apenas ao processamento da dor em pacientes com
endometriose, mas também à emoção, cognição, autorregulação e recompensa,
o que chamaram de possível constituição do “cérebro da endometriose”. Esse é
um importante estudo postulando a inter -relação corpo e mente diante do
convívio com a endometriose.
Outro estudo recente exploratório de Dowding et al., (2022) buscou
estabelecer a relação temporal entre fatores psicológicos e relacionados à dor
em análise prospectiva de 12 meses com 208 mulheres australianas com
endometriose. Foi possível ent ender que a presença de sofrimento emocional,
ao invés de dor, é o mais importante preditor de sofrimento futuro e incapacidade
em mulheres com endometriose . Q uando não cuidadas, as mulheres que
apresentam sintomas de sofrimento podem estar em maior risco físico e
psicológico após 12 meses.
van Barneveld et al., (2022) ao utilizarem os termos depressão, ansiedade
e endometriose nos bancos de dados Embase, PubMed, Web -of-science e
PsycINFO encontraram 1.837 registros. Após minuciosa análise identificando os
artigos que descreviam associação entre pacientes com endometri ose e
sintomas de depressão ou ansiedade avaliados por ferramentas validadas,
entrevistas psiquiátricas estruturadas ou diagnóstico documentado, 47 artigos
foram selecionados. Destes, 17 estudos foram elegíveis para meta -análise. O
resultado encontrado foi que pacientes com endometriose experimentaram
significativamente mais sintomas de depressão e ansiedade em comparação
com controles saudáveis e tais sintomas ocorrem frequentemente em pacientes
com a doença associada a dor pélvica crônica.
Já o estudo transversal de Geller et al. , (2021) considerou 247 mulheres
em Israel com idade entre 20 e 50 anos. Grupo experimental e controle foram
divididos com base no autorrelato das condições médicas existentes. Mulheres
com endometriose foram divididas em dois gru pos: 73 mulheres apenas com
endometriose e 62 com endometriose e outra doença crônica adicional (como
por exemplo hipertensão, diabetes, doença cardíaca, asma, doença do intestino
irritável, dentre outras). O estudo identificou que mulheres com endometrios e
apresentaram níveis mais elevados de depressão e estresse quando
Introdução 4
relacionadas com mulheres sem endometriose. Observou -se ainda que
mulheres com endometriose e outra doença crônica apresentaram risco ainda
maior de estresse e sofrimento psicológico. De mo do geral, o sofrimento
psicológico pode ser proveniente de preocupações relacionadas à imagem
corporal, autocrítica e intensidade da dor.
Em Volker & Mills (2022) também foi possível observar que o grupo com
endometriose demonstrou uma imagem corporal significativamente pior quando
comparado ao grupo controle e a dor pélvica relacionada à endometriose
mostrou correlação negativa com a imagem corporal , evidenciando a
necessidade de abordagens psicológicas que contemplem mais esse tema.
Um conceito até então não mencionado no campo da endometriose foi
estudado por Mallorqui et al ., (2022), a anedonia (diminuição da motivação e
sensibilidade a estímulos prazerosos ). Como as pacientes com endometriose
geralmente sofrem episódios de dor menstrual aguda e cíclica por longo período
da vida, torna-se este um campo emocional propício para comprometer a saúde
mental e comportamental. A anedonia pode desempenhar papel relevante nas
taxas de depressão entre pacientes com endometr iose, mantendo estados
afetivos negativos ao longo do tempo ou mesmo levando a formas mais
generalizadas de depressão. A complexa interação entre atitudes negativas em
relação à doença (catastrofização) , afeto negativo elevado , foco excessivo na
atenção à dor e motivação diminuída para se engajar em atividades prazerosas,
pode levar, de modo progressivo, ao desenvolvimento silencioso de um sistema
hedônico embotado (sistema prazer e recompensa). Deste modo, intervenções
terapêuticas para liberação de dor no quadro da endometriose seriam mais
desafiadoras em pacientes com anedonia mais alta, pois essa condição pode
impedir que as pacientes explorem e descubram experiências compensatórias
que possam ajudá -las a se desconcentrar da dor persistente . Propostas de
tratamentos cognitivos para a dor crônica que se baseiam na desfocalização da
dor e reorientação da atenção podem melhorar as chances de sucesso
terapêutico.
Evans et al., (2022) buscaram compreender a relação entre fatores
psicossociais, incluindo saúde mental, cogniç ão da dor e suporte social
Introdução 5
associados à intensidade da dor menstrual em mulheres com endometriose. A
catastrofização da dor (especificamente a subescala de desamparo) foi um
componente determinante no mecanismo psicológico de mulheres com
dismenorréia. Entende-se que i ntervenções para reduzir o desamparo da dor
podem ser benéficas no apoio a mulheres com esse tipo de dor.
O estudo genético e fenotípico de Koller et al ., (2023) ampli ou o
entendimento de que a endometriose além de estar associada à possibilidade
de desenvolvimento de quadros de depressão e ansiedade, pode também
aumentar a chance de emergir transtornos alimentares.
Além da dor , Buggio et al. , (2017) também apontaram out ros fatores no
quadro geral da endometriose que podem ter um impacto generalizado negativo
sobre a saúde psicológica das mulheres , como as q uestões que envolvem a
infertilidade e a imagem/identidade ferida do feminino , pontos que podem levar
ao aumento da ansiedade e depressão. Desta forma, sugeriram que as
intervenções psicológicas em pacientes com endometriose não devem ser
focadas exclusivamente na dor e sim em intervenção psicoterapêutica adequada
para ajudar as mulheres a integrarem a doença em suas próprias histórias. Os
autores comentaram que, no entanto, não há pesquisa sistemática explorando a
eficácia da psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental ou psicodinâmica) em
mulheres com endometriose. De modo geral, com base na prática clínica e
pesquisa anterior, os autores sugeriram que as mulheres poderiam se beneficiar
de intervenções psicoterapêuticas expressivas de apoio (intervenções
individuais ou em grupo), visando facilitar a expressão de pensamentos e
sentimentos mais profundos sobre a endome triose, bem como fortalecer sua
identidade feminina. Ensaios adequadamente concebidos são necessários para
definir a magnitude do benefício das intervenções psicoterapêuticas em
diferentes condições clínicas. Para eles, ficou evidente a importância de equipe
multidisciplinar, incluindo terapeuta sexual e psicólogo , para lidar
adequadamente com todas as repercussões multifacetadas que as mulheres
com endometriose frequentemente experimentam, mas podem ser relutantes em
descrever e abordar. A este respeito, a abordagem de cada mulher deve ser
Introdução 6
individualizada, propondo as melhores opções de tratamento com base nos
diferentes sintomas e problemas que a afligem.
Ainda, Brasil et al. , (2020) publicaram revisão sistemática relacionando
endometriose e estresse. Para mapear o estresse utilizaram termos como
estresse, estresse psicológico, esgotamento, fadiga mental, distimia e angústia.
Um total de 15 estudos envolvendo 4.619 mulheres com endometriose foram
inicialmente selecionados, sendo que, destes, nove estudos fo rneceram dados
para estimativa de prevalência de estresse entre pacientes com endometriose
compreendendo 3.962 pacientes. Outros seis estudos forneceram o nível médio
bruto agrupado de estresse de toda a amostra, compreendendo 1027 pacientes
com endometriose. Destes 15 estudos, três permitiram a meta-análise num total
de 370 pacientes. Os resultados validaram a associação entre endometriose e
estresse psicológico. A taxa de prevalência geral de níveis de estresse
psicológico leve e alto em endometriose envo lvendo 4619 mulheres foi de 68%
(IC 95%: 57 -79%). É um estudo que forneceu mais evidências para um papel
importante do estresse no aumento dos mecanismos inflamatórios e de dor que
podem resultar em maior morbidade de pacientes com endometriose que estão
expostas a estresse crônico. Desta forma, evidenciaram que a atitude da equipe
médica em reconhecer o estresse psicológico das pacientes pode afetar
positivamente o seu tratamento. Existe a necessidade do manejo interdisciplinar
da doença ser ampliado também no suporte à saúde mental, nas estratégias de
regulação da emoção, na melhoria da vida profissional e sexual além do cuidado
da dor. A mudança na atitude dos membros da equipe médica, fornecendo
informações adequadas, contribuindo para compartilhar a de cisão,
individualizando planos de tratamento para melhor ajustá -lo às necessidades
das pacientes, reconhecendo sofrimento psicológico e demonstrando empatia
pode ajudar a reduzir o desgaste psicológico, afetando positivamente o
tratamento.
Morán-Sánchez et al. , (2021) desenvolveram estudo caso -controle em
hospital terciário da Espanha entre setembro de 2014 e maio de 2015 onde foi
possível explorar outros aspectos do bem -estar psicológico de mulheres com
endometriose, além de ansiedade e depressão, como o otimismo. Até então este
Introdução 7
aspecto somente havia sido avaliado no contexto de síndrome do ovário
policístico e tratamentos de fertilização in vitro onde tais estudos concluíram que
a resposta aos tratamentos de fertilização in vitro pode ser p rejudicada por
características de personalidade. Evidências sugere m que perfis de
personalidade podem ser modificados diante do convívio com dor crônica e que
a psicoterapia pode auxiliar no reequilíbrio emocional. Fatores como fertilidade
ou intensidade da dor podem afetar o otimismo e, neste sentido, formul ou-se a
hipótese de que a mera consciência de ter endometriose pode estar associada
com menor otimismo devido à carga de uma condição crônica caracterizada por
incerteza. Como o otimismo está relacionad o à percepção da dor, ao risco de
psicopatologia e diminuição da resposta a tratamentos, consider ou-se que
abordar corretamente o tratamento da endometriose exige conduta integrada,
combinando intervenções médicas e psicológicas, como avaliação de
personalidade. Os autores r eforçaram ainda que a abordagem à toda mulher
com endometriose deve ser individualizada, propondo melhores opções de
tratamento com base nos diferentes sintomas, nos problemas angustiantes e
levando em consideração as prioridades e preferências das pacientes.
A correlação entre variáveis psicológicas também foi observada por nosso
grupo (Donatti et al.,2017), onde 171 mulheres em tratamento no setor de
endometriose da Divisão da Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas de
São Paulo d a FMUSP (HCFMUSP) preencheram escalas de coping (COPE
BREVE), depressão (BECK -II), estresse (ISSL -Lipp) e dor (Escala Visual
Analógica - EVA). Relacionou-se o emprego de estratégias positivas de coping
com a diminuição da depressão e do estresse. Ambos apareceram interligados,
de modo que, quanto maior o quadro de estresse, mais grave a manifestação da
depressão e vice-versa, correlação que levou ao estresse psicológico. Quanto
ao quadro de dor, observou-se que, mesmo sem depressão ou sem estresse, a
dor ainda se fez presente em boa porcentagem das pacientes , porém, quando
houve dor severa, prevaleceram níveis mais graves de depressão e o estresse
psicológico. Tendo encontrado correlação positiva entre as variáveis estudadas,
foi possível entender que um a intervenção que atue no desenvolvimento de
estratégias positivas de enfrentamento da doença junto à essas pacientes,
Introdução 8
poderia auxiliar na diminuição do estresse e da depressão e ainda contribuiria
para a melhora na percepção da dor.
Diversos artigos suger em que a endometriose afeta o campo emocional,
porém também apontaram que mais estudos precisam ser feitos para encontrar
um caminho eficaz de intervenção (Marqui, 2014; Pope et al., 2015; Donatti et
al.,2017; Fairbanks et al., 2017; Buggio et al., 2017; Carbone et al., 2021; Kalfas
et.al, 2022).
1.2 Tratamentos psicológicos na endometriose
Ao aprofundar a observação de quais tratamentos psicológicos já estão
estruturados e sendo aplicados, deparamo -nos com poucos estudos, distintas
abordagens e dificuldade de replicação de alguns dos métodos apresentados.
A revisão sistemática que realizamos (Donatti e t al ., 2022) identificou
inicialmente 129 estudos indicando intervenção psicológica em pacientes com
endometriose, porém após leitura e seleção, apenas 5 utilizavam as técnicas da
Terapia Cognitivo-comportamental como estratégia de tratamento. Dentre os 5
estudos, a utilização da psicoeducação, técnicas de relaxamento e mindfulness,
estratégias de coping, resolução de problemas e técnicas cognitivas em
programas de intervenção psicológica de pacientes com endometriose e dor
pélvica crônica proporcion aram a melhora dos escores de dor e depressão,
houve normalização dos níveis de cortisol, o que parece ter auxiliado na redução
da percepção do stress, melhorou a sensação de vitalidade e funcionalidade no
dia-a-dia, aumentou a sensação de bem estar e melhorou o índice de qualidade
de vida.
Em estudo chinês, Wu e colaboradores (2022) buscaram observar a eficácia
da Terapia cognitivo-comportamental diante da depressão, ansiedade e estresse
no pós-cirúrgico de mulheres com endometriose . Foram recrutadas pacientes
entre 18 e 50 anos com endometriose programadas para cirurgia e
randomizadas em dois grupos: grupo caso ou int ervenção (n=48) receberam
cuidados habituais (artes marciais chinesas) com TCC (uma sessão de TCC pré-
cirúrgica e seis sessões de TCC pós-cirúrgica) e o grupo controle (n=48) apenas
Introdução 9
cuidados habituais (artes marciais chinesas). No pós-internação, os índices de
depressão, stress e ansiedade diminuíram em ambos os grupos. No grupo
intervenção os escores estavam mais baixos que no grupo controle . O estudo
descreve os objetivos gerais da intervenção cognitiva e comportamental, porém
o protocolo específico da TCC descrita para a endometriose ainda não foi
publicado.
Ao buscar entender como a dor induzida pela endometriose é tratada para
além das abordagens convencionais, Marqui (2014) encontrou 61 estudos ,
porém selecionou apenas 7 onde mencionavam a acupun tura, massagem e
Terapia Cognitivo-Comportamental. Todos mostraram eficácia das técnicas
utilizadas para melhorar a dor crônica na endometriose, porém ficou claro que o
conhecimento sobre o assunto é escasso, sugerindo a necessidade de estudos
adicionais.
Tais esforços também foram avaliados positivamente em outra meta -
análise (Grossman et al., 2004). Os autores pontuam que quando os problemas
causados pela endometriose envolvem principalmente a dor pélvica, o
tratamento médico (que deve ser direcionado ao alívio sintomático) pode não ser
suficiente, sugerindo que essas pacientes podem se beneficiar
significativamente com as intervenções psicológicas. A este respeito, há
evidências da eficácia das intervenções baseadas em grupo e no mindfulness e
terapia cognitivo -comportamental. Os autores encorajam estudos adicionais
sobre este tipo de intervenção para mulheres com endometriose.
Os estudos de Kold et al. (2012) e Hansen et al. (2017) demonstraram
efeitos significativos e duradouros diante da aplicação da intervenção psicológica
baseada em mindfulness sob o nível de dor, bem -estar e capacidade de lidar
com as questões da vida diária. Resultados que se mantiveram ao longo d as
reavaliações em 12 meses e posteriormente em 6 anos , indicando ser uma
técnica muito relevante para as mulheres com endometriose com potencial para
melhorar a qualidade de vida de modo duradouro. Moreira, Gamboa & Oliveira
(2022) também demonstraram que os efeitos de uma breve Intervenção
Baseada em Mindfulness (bMBI) foi benéfica para gerenciar a dor relacionada à
endometriose e restaurar o bem-estar psicológico das pacientes do estudo.
Introdução 10
Friggi Sebe Petrelluzzi et al. (2012) avaliaram a eficácia da submissão de
mulheres com endometriose e dor pélvica crônica a um protocolo terapêutico
envolvendo terapia física e psicológica (TCC – psicoeducação e coping). Os
resultados foram eficazes na redução do estresse percebido, normalizando os
níveis de cortisol, aument ou a vitalidade, melhorou o papel emocional e saúde
mental, melhorou o funcionamento social e físico.
Lorençatto et al. (2007) estudaram 128 mulheres do Ambulatório de
Endometriose do CAISM/UNICAMP com o objetivo de avaliar os escores de dor
e depressão antes e depois da intervenção multiprofissional em grupo em
mulheres com a doença . A intervenção foi estruturada em dez encontros
semanais, com duração de 2h30, sendo a primeira hora destinada à intervenção
fisioterapêutica e, as demais, à intervenção psicológica definida e estruturada
com base nos princípios da terapia cognitiva comportamental, atividades lúdicas
e ocupacionais e materiais psicoeducativos, como leituras complementar es
sobre o tema abordado. Foram também consideradas as experiências relatadas
de outras intervenções multidisciplinares de dor crônica, tendo como principal
objetivo transmitir informações sobre a endometriose e promover a reabilitação
do bem -estar físico, emocional e social das mulheres com a doença. A
intervenção psicológica seguiu um cronograma estruturado (porém não
uniforme) em temas definidos em: autoconhecimento (correlação entre corpo e
mente), aceitação, significado e enfrentamento da doença e da d or, estresse,
teoria e manejo dos sintomas, endometriose (conceitos atuais e tratamentos
disponíveis) e sexualidade. Também foram realizadas discussões sobre
relacionamentos afetivos (familiares e sociais) e estratégias de resolução de
problemas. Foi ident ificada diminuição significativa dos escores de dor e
depressão ao final da intervenção em grupo. As mulheres que não participaram
dos grupos de apoio mostraram escores maiores de dor quando comparadas
aos escores iniciais das participantes dos grupos. Já os escores de depressão
foram menores no grupo sem intervenção. Foi identificada correlação positiva
entre dor e depressão em ambos os grupos. Concluiu -se que a intervenção em
grupo foi eficaz na diminuição da dor e depressão das mulheres com
endometriose, podendo ser incorporada ao tratamento convencional oferecido
às portadoras dessa doença.
Introdução 11
Dydyk & Gupta (2020) apontaram que a terapia cognitivo -comportamental
desempenhou um papel importante no tratamento integral da endometriose
proporcionando a diminuição da dor e do estresse na medida em que auxilia o
paciente no processo de enfrentamento e compreensão da dor. Também
apontaram mindfulness como uma importante ferramenta utilizadas neste
contexto.
A diretriz oficial (2020/2021) publicada e coordenada pel a Sociedade
Alemã de Ginecologia e Obstetrícia em cooperação com a Sociedade Austríaca
e a Sociedade Suíça de Ginecologia e Obstetrícia orienta que a avaliação
psicológica primária para ansiedade e depressão em pacientes com
endometriose deve ocorrer no co ntexto do cuidado psicossomático básico.
Pacientes com endometriose e alto estresse devido a sintomas mentais, devem
ser encaminhadas para psicoterapia, se possível dentro de um conceito de
tratamento multimodal, visto que a endometriose pode estar associa da a
transtornos mentais, como aumento da ansiedade e/ou depressão.
Muitas pacientes não conhecem ou não têm acesso sobre o funcionamento
de um tratamento psicológico e de como acontece a mudança psíquica. Se essas
informações são inacessíveis acabam sendo também inatingíveis para elas. À
medida que acontece o contato com a psicoterapia e os benefícios começam a
ser percebidos, esse conceito se modifica e a paciente acaba, com o tempo, se
tornando capaz de administrar suas próprias emoções, perceber seus
pensamentos e transformar seus comportamentos em prol de uma melhor
qualidade de vida.
Os atuais estudos nos apontam que , no campo do tratamento psicológico
da endometriose , ainda não existe consenso e estudos suficientes para a
validação das técnicas utili zadas. Poucos são os estudos que mostram
protocolos de aplicação, sendo assim ainda não há a possibilidade de replicação
e comparação entre técnicas e abordagens psicológicas.
A presente pesquisa vem contribuir com tal lacuna na medida que tem
como objetivo verificar a eficácia da Terapia Cognitivo -comportamental na
melhora das estratégias de coping, depressão, estresse, percepção de dor e
qualidade de vida das mulheres com endo metriose. Diante de resultados
Introdução 12
positivos, apresentar de modo precurso r, um protocolo de atendimento
psicológico para as mulheres com endometriose baseado nas técnicas da terapia
cognitivo-comportamental passível de replicação por outros psicólogos capazes
de aplicar as técnicas da TCC.
Objetivos 13
2 Objetivos
2.1 Objetivo Geral
Avaliar os efeitos da terapia cognitivo -comportamental em pacientes com
endometriose e dor pélvica crônica.
2.2 Objetivos Específicos
Avaliar os efeitos da terapia cognitivo-comportamental:
a) na forma de enfrentamento (coping)
b) nos níveis de depressão
c) nas fases e no tipo de estresse
d) na qualidade de vida
e) no nível de dor pélvica
Método 14
3. Método
3.1 Tipo de estudo e Participantes
Este estudo prospectivo foi desenvolvido com dois grupos, um experimental
(n=25) e um controle (n=27), ambos formados por mulheres entre 18 e 45 anos,
diagnosticadas com endometriose, em tratamento no setor de endometriose da
Divisão da Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas de São Paulo da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP).
3.1.1 Critérios de inclusão
(a) faixa etária entre 18 e 45 anos
(b) ter o diagnóstico de endometriose confirmado clinicamente e/ou por exames
específicos de imagem (Ultrassom pélvico e transvaginal com preparo intestinal
ou Ressonância magnética de pelve)
(c) dor pélvica moderada a grave (Escala Visual Analógica de dor ≥ 5)
(d) interesse e disponibilidade de horário para o encontro individual semanal (16
encontros em 4 meses) para a participação nas sessões de intervenção
psicológica em Terapia Cognitivo-comportamental.
3.1.2 Critérios de exclusão
(a) apresentar previamente algum diagnóstico psiquiátrico ou quadro psicológico
grave como depressão, t ranstorno bipolar e transtorno de ansiedade
generalizada, entre outros
(b) apresentar previamente alguma co-morbidade física grave como fibromialgia,
síndrome do intestino irritável, artrite, artrose, entre outras
(c) estar atualmente em processo de psicoterapia
(d) estar atualmente tomando medicação psiquiátrica
Método 15
3.2 Cálculo amostral
Com base na literatura, observou-se que a variabilidade no domínio de dor
no questionário de qualidade de vida SF-36 de pacientes com endometriose foi
de 22,4 pontos (Marques, 2002). Visando melhora de pelo menos 20 pontos na
escala, com poder de 80% e confiança de 95%, a amostra necessária para a
realização do estudo foi de 20 pacientes em cada grupo. Esperando 20% de
perda de seguimento, foram avaliadas, ao menos, 24 pacientes em cada grupo.
3.3 Procedimentos e Instrumentos
O estudo foi iniciado após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da
instituição (Anexo A) e a coleta de dados realizada no setor de endometriose da
Divisão da Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas de São Paulo da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP).
As pacientes que se encaixavam nos critérios de inclusão for am divididas
de modo aleatório para a participação nos grupos intervenção e controle. Com o
aceite e a assinatura do Termo de consentimento livre e esclarecido (Anexos B
e C), as pacientes do grupo intervenção foram agendadas para atendimentos
semanais de 50 minutos no ambulatório do hospital. As pacientes do grupo
controle agendadas para o preenchimento dos instrumentos de avaliação (Anexo
D). Diante das restrições e protocolos advindos da pandemia pelo Coronavirus -
19 não foi possível seguir o atendimento apenas no modo presencial, havendo
alteração dos atendimento para o formato online, sem mudança no conteúdo das
sessões/avaliações. O processo de intervenção foi realizado em 16 encontros,
os quais percorre ram em um total de 4 meses. O grupo experimental finaliz ou
após a intervenção realizada com 2 5 pacientes, tendo o total de todos os
atendimentos acontecido entre 2019 e 2023, período em que também se formou
o grupo controle.
A base para análise e comparação dos dois grupos ( instrumental e
controle) foi construído por meio da aplicação dos instrumentos:
Método 16
a) COPE BREVE (Brasileiro et al., 2016): inventário usado para investigar
as diferentes formas de como as pessoas respondem a situações
estressantes. O COPE BREVE foi desenvolvido na tentativa de diminuir a
sobrecarga dos resp ondentes, dada a existência de instrumentos
relativamente longos. Esta versão reduzida é constituída por 28 itens e
composta por 14 escalas. 1) Coping ativo: iniciar uma ação ou fazer
esforços para remover o estressor; 2) Planejamento: pensar sobre o modo
de se confrontar com o estressor, planejar os esforços de coping ativo; 3)
Suporte instrumental: procurar ajuda, informações ou conselhos sobre o
que fazer; 4) Suporte emocional: conseguir simpatia ou suporte emocional
de alguém; 5) Religiosidade: aumento de participação em atividades
religiosas; 6) Reinterpretação positiva: fazer o melhor da situação,
crescendo com base nela, ou vendo -a de um modo mais favorável; 7)
Autoculpa: culpar e criticar a si mesmo pelo que aconteceu; 8) Aceitação:
aceitar o fato qu e o evento estressante ocorreu, e é real; 9) Desabafo:
aumento da consciência do estresse emocional pessoal e a tendência
concomitante para exprimir ou descarregar esses sentimentos; 10)
Negação: tentativa de rejeitar a realidade do acontecimento estressan te;
11) Autodistração: desinvestimento mental do objetivo com que o
estressor está interferindo; 12) Desinvestimento comportamental: desistir
ou deixar de se esforçar da tentativa para alcançar o objetivo com o qual
o estressor está interferindo; 13) Uso d e substâncias: utilizar álcool ou
outras drogas, que podem até ser medicamentos, como um meio de se
afastar do estressor; e 14) Humor: fazer piadas sobre o estressor. O
questionário é precedido por uma introdução breve em que se pede às
pessoas para responderem sobre o modo como lidam com os problemas
da vida. É avaliado por escala ordinal variando de um a quatro, entre
“nunca faço isto” até “sempre faço isto”, os itens são somados em cada
escala, sendo que quanto maior for a nota obtida maior é o uso de
determinada estratégia de coping.
b) Escala de Depressão de Beck (Beck, 2011): o BDI -II é considerado um
instrumento de autoavaliação composto de 21 itens, referentes a sintomas
e atitudes da depressão, identificando: 1) tristeza; 2) pessimismo; 3)
Método 17
sensação de fracasso; 4) falta de satisfação; 5) sensação de culpa; 6)
sensação de punição; 7) autodepreciação; 8) autoacusações; 9) ideias
suicidas; 10) crises de choro; 11) irritabilidade; 12) retração social; 13)
indecisão; 14) distorção da imagem corporal; 15) inibição para o trabalho;
16) distúrbio do sono; 17) fadiga; 18) perda de apetite; 19) perda de peso;
20) preocupação somática; 21) diminuição de libido. Será identificada a
presença ou ausência de depressão, mediante os resultados obtidos na
escala, encontrando-se: 0 a 13 = sem depressão ou depressão mínima,
de 14 a 19 = depressão leve, de 20 a 28 = depressão moderada, e de 29
a 63 = depressão grave.
c) Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (Lipp, 2005): este
inventário foi desenvolvido por Ma rilda Emmanuel Novaes Lipp, para a
população brasileira, sendo possível a aplicação em pessoas acima de 15
anos. O inventário se divide em três blocos e avalia um grupo de sintomas
experimentados nas últimas 24 horas, na última semana e no último mês.
O re sultado classificará o estresse em fases designadas como alerta,
resistência, quase-exaustão e exaustão. Será também identificado o tipo
de estresse: físico, psicológico, físico -psicológico. A utilização dessa
escala tem o propósito de identificar como as pacientes do presente
estudo percebem a vivência do estresse na sua vida cotidiana e como
avaliam esses episódios.
d) SF-36 (Ciconelli, 1999): instrumento genérico de avaliação de qualidade
de vida, de fácil administração e compreensão, é multidimensional
formado por 36 itens, englobados em 8 escalas ou componentes:
capacidade funcional, aspectos físicos, dor, estado geral da saúde,
vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental.
Apresenta um escore final de 0 a 100, no qual zero corresponde a pior
estado geral de saúde e 100 a melhor estado de saúde.
e) Escala Visual Analógica da Dor – EVA (Huskisson, 1974): por meio de
uma escala de 0 a 10, as pacientes indicam a sensação de dor, durante
e fora do período menstrual. A dor é considerada ausente , quando
Método 18
assinalado zero; média, quando assinalados os escores entre 1 e 3;
moderada, de 4 a 7, e severa, de 8 a 10.
3.4 Dinâmica do estudo
A intervenção foi composta por 16 sessões, com um encontro por semana,
em um total de 4 meses de intervenção por pa ciente (n=25). No grupo controle
foram inclusas 27 pacientes com os mesmos critérios de inclusão e exclusão .
Neste grupo, elas não foram submetidas à intervenção , porém acompanhadas
normalmente em tratamento clínico padrão no ambulatório. Ambos os grupos
preencheram os instrumentos de avaliação em dois momentos distintos: no
primeiro contato e após 4 meses (Figura 1).
Figura 1 – Dinâmica do estudo
3.5 Detalhamento das atividades de cada encontro
Encontro 1 – ambientalização e preenchimento dos instrumentos : a)
apresentação da pesquisa, esclarecimento do objetivo, funcionamento, regras,
forma de conduta dos encontros; b) checagem do grau de entendimento sobre a
endometriose e levantamento dos aspectos individuais sobre a conv ivência e
Grupo intervenção
n=25
Pacientes entre 18 e 45 anos, com
diagnóstico de endometriose
confirmado, com dor >=5 (EVA)
Preenchem escalas: coping, depressão,
stress, dor, qualidade de vida
Passam pela intervenção psicológica com
as técnicas da terapia cognitivo
comportamental (4 meses)
Preenchem novamente as escalas:
coping, depressão, stress, dor, qualidade
de vida
Grupo controle
n=27
Pacientes entre 18 e 45 anos, com
diagnóstico de endometriose
confirmado, com dor >=5 (EVA)
Preenchem escalas: coping, depressão,
stress, dor, qualidade de vida
Seguem em tratamento clínico padrão
no intervalo de 4 meses (equivalente ao
tempo da intervenção)
Preenchem novamente as escalas:
coping, depressão, stress, dor, qualidade
de vida
Método 19
enfrentamento da endometriose; c) aspectos da história de vida relevantes do
contexto atual (para Formulação do caso); d) aplic ação e preenchimento das
escalas – Cope Breve, depressão, estresse, dor, sf-36 (instrumentos citados no
item 3.3).
Encontro 2 – LDM: identificando dificuldades e metas : a) aspectos da história
de vida relevantes do contexto atual (continuação – para formulação do caso);
b) lista de dificuldades e metas; c) definição de metas viáveis de intervenção.
Encontro 3 – Identificando a influência dos pensamentos sobre as emoções e
comportamentos: a) Desenho da representação de si (autoconceito) com
termômetro da emoção; b) desenho da representação da doença com
termômetro da emoção; c) psicoeducação do modelo cognitivo; d) levantamento
de características individuais: pensamentos, emoções, comportamento e
reações fisiológicas.
Encontro 4 – RPD – Registro de Pensamentos Automáticos: a) reconhecimento
e identificação dos pensamentos automáticos. b) treino para registro de
pensamentos disfuncionais.
Encontro 5 – Questionando pensamentos disfuncionais : a) identificação das
evidências a favor e contra os pensamentos disfuncionais; b) identificação das
possibilidades de flexibilização dos pensamentos desadaptados; c) identificando
pensamentos alternativos e emoções envolvidas.
Encontro 6 – Lista de comportamentos desadaptativos e adaptativos: a)
identificação e reconhecimento de comportamentos desadaptativos: vantagens
e desvantagens.
Encontro 7 – Treino de assertividade: a) formas de enfrentamento; b) situações
específicas X formas de enfrentamento; c) flexibilização.
Encontro 8 – Relaxamento e Mindfulness: a) aprendendo a utilizar a técnica de
relaxamento e mindfulness para impulsionar e/ou aprimorar o autoconhecimento,
as mudanças de p ensamento, emoções, comportamento , reações
fisiológicas/percepção corporal.
Encontro 9 – Identificando situações desencadeantes/gatilhos e modificadores:
a) identificação de fatores/situações atuais que, quando presentes, aumentam a
Método 20
probabilidade de manife stação da dificuldade; b) identificação de fatores do
contexto que interferem na severidade das dificuldades quando elas ocorrem, ou
que alteraram o curso de evolução da dificuldade.
Encontro 10 – Desenvolvendo habilidades de solução de problemas : a)
identificar e implementar estratégias positivas de enfrentamento das situações
problema. b) flexibilização de crenças disfuncionais para funcionais.
Encontro 11 – Desafiando crenças e identificando vulnerabilidade com a
paciente: a) identificação das crenças que são desencadeadas nesse processo
(flecha descendente); b) identificação de fatores de vulnerabilidade ou
experiência tardia que tenham contribuído para o desenvolvimento da dificuldade
(objetivo de conscientização).
Encontro 12 – Processos de Manutenção: a) identificação dos mecanismos que
mantém a dificuldade: situações ambientais, reações emocionais e fisiológicas,
comportamento, consequências.
Encontro 13 – Reestruturação cognitiva : a) antes e depois: reavaliando
pensamentos e crenças. Vantag ens e desvantagens da modificação dos
pensamentos disfuncionais para pensamentos mais funcionais.
Encontro 14 – Reconhecendo mudanças: a) identificação de situações que
tenham mudado no dia a dia, reconhecendo pensamentos, emoções,
comportamentos e reações fisiológicas. b) na ausência de mudanças, retomar
e/ou reformular estratégias.
Encontro 15 – Preditores de recaída: a) identificação de situações que possam
vir a ser preditores de recaída, sejam elas ambientais ou constituintes do modo
de funcionamento d a paciente; b) cartões de enfrentamento; c) identificação e
escolha de um símbolo deste processo (como preditor de recaída).
Encontro 16 – Fechamento: a) Desenho da representação de si (autoconceito)
com termômetro da emoção; b) desenho da representação da doença com
termômetro da emoção; c) comparando antes e depois; d) aplicação e
preenchimento das escalas – Cope Breve, depressão, estresse, dor, sf -36; e)
feedback final.
Método 21
3.6 Análise estatística
3.6.1 Variáveis qualitativas e quantitativas
Todos os dados foram descritos através de frequências absolutas e
percentuais (variáveis qualitativas) e por meio de medidas como média, desvio -
padrão, mínimo, mediana e máximo (variáveis quantitativas).
COPE breve:
a) Estratégia de coping mais usada (Adaptativo Foc ado na Emoção,
Desadaptativo Focado na Emoção ou Focado no problema)
b) Classificação de cada estratégia (entre nenhuma, pouca, média e
sempre)
BDI:
a) classificado mínimo, leve, moderado e grave e depois agrupado em
mínimo/leve e moderado/grave:
0-13: Mínimo
14-19: Leve
20-28: Moderado
29-63: Grave
ISSL:
a) estresse para cada quadro (sim/não)
b) tipo de estresse (psicológico, físico e ambos)
c) nível de estresse (sem stress, resistência, quase exaustão e exaustão)
SF36: 8 domínios quantitativos
EVA: Nível de dor antes e Nível de dor mens
a. classificada em sem dor, média, moderada e severa:
Método 22
0: Sem dor
1 a 3: Médio
4 a 7: Moderado
8 a 10: Severo
3.6.2 Descritivas por grupo e tempo
As mudanças de um tempo para o outro foi classificada da seguinte forma:
COPE breve:
a. Estratégia de coping: considerando como melhora qualquer mudança de
nível;
b. Focado no problema: considerando como melhora qualquer mudança de
nível, sendo o "nunca" a pior resposta possível e "sempre" a melhor
resposta possível
c. Adaptativo Focado na Emoção: considerando como melhora qualquer
mudança de nível, sendo o "nunca" a pior resposta possível e "sempre" a
melhor resposta possível
d. Desadaptativo Focado na Emoção: considerando como melhora qualquer
mudança de nível, sendo o "sempre" a pior resposta possível e "nunca"
a melhor resposta possível
BDI: melhora é passar do moderado/grave para mínimo/leve;
ISSL:
a. Estresse: melhora é passar do sim para não
b. Nível de estresse: considerando como melhora qualquer mudança de
nível
SF36: diferença absoluta entre os escores pós e pré
EVA: considerando como melhora qualquer mudança de nível
Método 23
Inicialmente os dados foram descritos através de frequências absolutas e
percentuais (variáveis qualitativas) e por meio de medidas como média, desvio-
padrão, mínimo, mediana e máximo (variáveis quantitativas)
3.6.2 Descritivas por grupos e tempos
Para comparar grupos e tempos quanto às variáveis categóricas ordinais
(tipo de coping, classificação de cada tipo, fase do estresse, e nível de dor fora
o período menstrual) foi proposto um Modelo de regressão logística multinomial
ordinal com efeito aleatório (considerando a presença de medidas repetidas).
Este modelo permite associar variáveis independentes com uma variável
resposta, sendo esta do tipo categórica ordinal com mais de dois níveis. Já para
a comparação quanto ao tipo de estresse foi utiliz ado uma regressão logística
multinomial com efeito aleatório, considerando a característica nominal da
variável de desfecho.
A comparação quanto às variáveis binárias nível de depressão (agrupado
em mínimo/leve e moderado/grave) e estresse em algum quadro (sim/não) foi
analisada através de um modelo de regressão logístico com efeitos aleatórios.
Para as comparações entre grupos e tempos envolvendo os escores do
SF36 foi proposto o modelo de regressão linear com efeitos mistos (efeitos
aleatórios e fixos). Os modelos lineares de efeitos mistos são utilizados na
análise de dados em que as respostas estão agrupadas (mais de uma medida
para um mesmo indivíduo) e a suposição de independência entre as
observações num mesmo grupo não é adequada (Schall, 1991). Esses modelos
têm como pressuposto que seus resíduos tem distribuição normal com média 0
e variância σ² constante, e foram analisados por meio de gráficos pertinentes
como histograma, quantil-quantil e dispersão. Para as comparações foi utilizado
o pós-teste por contrastes ortogonais.
Método 24
3.6.2 Comparações entre grupos quanto aos deltas
Para as comparações entre grupos quanto aos deltas das variáveis
(mudança: pós - pré), considerando melhora/manteve bom versus não
melhora/piora, quanto às variáveis binárias (mudança na classificação focado no
problema, mudança na classificação adaptativo focado na emoção, mudança na
classificação desadaptativo focado na emoção, mudança na estratégia de
coping, mudança na depressão, mudança no stress em algum quadro, mudança
na fase do stress, mudança no nível de dor fora o período menstrual) foi utilizado
um modelo de regressão logística. Já a comparação quanto à mudança nos
escores do SF36 foram analisadas por meio do teste t Student.
Todas as análises apresentadas foram feitas com o auxílio do software SAS
9.4. Para todas as análises adotou-se um nível de significância de 5%.
Resultados 25
4 Resultados
4.1 Caracterização da amostra
As tabelas a seguir trazem dados, informações e características gerais das
pacientes do grupo controle e intervenção (Tabelas 1 a 3).
Tabela 1 – Dados demográficos gerais e clínicos das pacientes no grupo controle
e intervenção
N= número, % = porcentagem
Controle (n=27) Intervenção (n=25)
n (%) n (%)
Estado civil
Casada 12 (44,44%) 12 (48%)
Divorciada 2 (7,41%) 2 (8%)
Solteira 12 (44,44%) 11 (44%)
União Estável 1 (3,7%) 0 (0%)
Tem filhos?
Não 21 (77,78%) 13 (52%)
Sim 6 (22,22%) 12 (48%)
Se tem filhos, quantos são?
1 2 (40%) 8 (66,67%)
2 3 (60%) 4 (33,33%)
Missings 1 0
Etnia
Branco 16 (59,26%) 10 (40%)
Negro 5 (18,52%) 6 (24%)
Pardo 6 (22,22%) 9 (36%)
Escolaridade
Ensino Médio 11 (40,74%) 11 (44%)
Pós - Graduação 6 (22,22%) 7 (28%)
Superior 10 (37,04%) 7 (28%)
Renda familiar
01 Salário Mínimo 4 (14,81%) 3 (12%)
Até 02 Salários Mínimos 8 (29,63%) 5 (20%)
De 02 a 04 salários mínimos 10 (37,04%) 6 (24%)
De 04 a 05 salários mínimos 3 (11,11%) 4 (16%)
Superior a 05 salários mínimos 2 (7,41%) 7 (28%)
Descritivas gerais
Variável
Resultados 26
Tabela 2 - Idade, idade da menarca e quadro clínico dos grupos controle e
intervenção
n= número; DP= desvio padrão
n Média (DP) Mediana (Mín - Máx) n Média (DP) Mediana (Mín - Máx)
Idade 27 32 (7,41) 33 (17 - 43) 25 36,64 (6,66) 39 (22 - 45)
Idade da menarca 26 11,81 (1,55) 12 (9 - 15) 25 11,44 (1,69) 11 (9 - 15)
Há quanto tempo foi
diagnosticada com
endometriose? (anos)
26 5,4 (4,78) 4 (0,02 - 15) 25 11,92 (6,17) 11 (2 - 24)
Dor pélvica crônica 27 7,07 (1,94) 7 (5 - 10) 25 6,68 (2,19) 7 (0 - 10)
Dismenorréia 27 8,3 (2,91) 10 (0 - 10) 25 8,12 (2,01) 8 (0 - 10)
Dispareunia de profundidade 27 5,93 (3,49) 7 (0 - 10) 25 6,2 (2,92) 7 (0 - 10)
Disúria no período menstrual 27 2,56 (3,36) 1 (0 - 10) 25 2,04 (2,75) 1 (0 - 8)
Dor à evacuação no período
menstrual 27 5,67 (3,08) 6 (0 - 10) 25 4,2 (3,03) 3 (0 - 10)
Variável Controle Intervenção
Resultados 27
Tabela 3 – Informações sobre tratamentos atuais ou já realizados no grupo
controle e intervenção.
N= número, % = porcentagem
Alguns dados complementares ainda foram possíveis serem identificados:
em ambos os grupos, a maioria das pacientes sempre sentiu dores desde a
Controle (n=27) Intervenção (n=25)
n (%) n (%)
Já foi operada devido a endometriose?
Não 14 (51,85%) 5 (20%)
Sim 13 (48,15%) 20 (80%)
Está no aguardo para cirurgia da endometriose?
Não 22 (81,48%) 22 (88%)
Sim 5 (18,52%) 3 (12%)
Tem indicação cirúrgica
Não 8 (36,36%) 6 (27,27%)
Sim 14 (63,64%) 16 (72,73%)
Toma alguma medicação/hormônio para endometriose?
Não 7 (25,93%) 10 (40%)
Sim 20 (74,07%) 15 (60%)
Realiza atividade física
Não 7 (25,93%) 9 (36%)
Sim 12 (44,44%) 14 (56%)
Sim, mas já parei 8 (29,63%) 2 (8%)
Faz acompanhamento com nutricionista
Não 16 (59,26%) 24 (96%)
Sim 7 (25,93%) 1 (4%)
Sim, mas já parei 4 (14,81%) 0 (0%)
Fisioterapia Pélvica
Não 20 (74,07%) 25 (100%)
Sim 3 (11,11%) 0 (0%)
Sim, mas já parei 4 (14,81%) 0 (0%)
Acupuntura
Não 20 (74,07%) 24 (96%)
Sim 3 (11,11%) 0 (0%)
Sim, mas já parei 4 (14,81%) 1 (4%)
Meditação
Não 23 (85,19%) 24 (96%)
Sim 2 (7,41%) 1 (4%)
Sim, mas já parei 2 (7,41%) 0 (0%)
Descritivas gerais
Variável
Resultados 28
menarca (grupo controle=88,89% e grupo intervenção=88%). No grupo controle
40,74% cita ter infertili dade atual e 56% no grupo intervenção. Das pacientes
que tiveram filhos, a gestação foi natural em 100% das pacientes (n=5) do grupo
controle e apenas 1 paciente do grupo intervenção a gestação foi por meio da
FIV (n=12), tendo êxito apenas na terceira ten tativa. Duas pacientes do grupo
intervenção fizeram a primeira tentativa de FIV sem sucesso e uma paciente do
grupo intervenção realizou duas tentativas de FIV sem sucesso. A maioria das
pacientes de ambos os grupos citam ter endometrios e profunda
(controle=88,89% e intervenção= 84%). Em ambos os grupos a maioria das
pacientes consideraram que passavam por alguma situação estressante na vida
(controle=96,3% e intervenção=96%).
4.2 Coping (Formas de Enfrentamento)
Conforme observado na Tabela 4, em ambos os grupos, a maior parte das
pacientes já utilizava a estratégia de coping “focada no problema”, considerada
a mais adaptativa, onde os problemas/situações são vividos e resolvidos de
modo assertivo. Usar “poucas vezes” esta estratégia é considerado ruim e usar
“sempre” é considerado bom. É possível observar o aumento do índice de
pacientes que, ao término da intervenção (intervenção tempo 2) passou
a sempre utilizar o coping estilo “focado no problema” (84%), quando comparado
com o tempo 2 do grupo controle (44,44%). Ao observar todos os tipos possíveis
de respostas, nota-se que o estilo “focado no problema” passou a ser
usado por 96% dos participantes pós intervenção psicológica com
TCC (classificação média ou sempre).
Resultados 29
Tabela 4 – Tipos de coping no grupo controle e no grupo intervenção nos tempos
1 (inicio do protocolo) e 2 (final do protocolo) e estratégia de coping mais usada
nos grupos
N= número, % = porcentagem , tempo 1 controle= ao ingressar na pesquisa, tempo 2 controle= após o
período de 4 meses, tempo 1 intervenção= ao iniciar a intervenção, tempo 2 intervenção= ao término das
sessões psicológicas com TCC.
Ao comparar a utilização dos estilos de coping entre os grupos e os
tempos, evidenciou-se que há uma melhora na utilização do tipo "focado no
problema", que é o mais esperado, uma vez que, estima-se que a chance de
melhor resposta no grupo intervenção no tempo 2 seja cerca de 8 vezes maior
do que no tempo 1 deste mesmo grupo (p<0,01). Além disso, estima-se que, em
média, o grupo intervenção tenha cerca de 16 vezes maior chance de usar uma
melhor estratégia de coping no tempo 2 quando comparado ao tempo 1
(considerando a utilização do estilo "focado no problema" como a melhor
resposta possível e o "desadaptativo focado na emoção", a pior resposta
esperada) (p<0,01) (Tabela 5). Para o estilo Adaptativo focado na emoção e
Desadaptativo focado na emoção também foi evidenciada uma melhora entre os
tempos 1 e 2 no grupo intervenção. No grupo controle não foram encontradas
diferenças entre os tempos.
Tempo 1 (n=27) Tempo 2 (n=27) Tempo 1 (n=25) Tempo 2 (n=25)
Classificação (focado no problema)
Pouca 4 (14,81%) 3 (11,11%) 6 (24%) 1 (4%)
Média 12 (44,44%) 12 (44,44%) 9 (36%) 3 (12%)
Sempre 11 (40,74%) 12 (44,44%) 10 (40%) 21 (84%)
Classificação (Adaptativo Focado na Emoção)
Pouca 8 (29,63%) 5 (18,52%) 1 (4%) 1 (4%)
Média 18 (66,67%) 20 (74,07%) 21 (84%) 13 (52%)
Sempre 1 (3,7%) 2 (7,41%) 3 (12%) 11 (44%)
Classificação (Desadaptativo Focado na Emoção)
Nunca 3 (11,11%) 4 (14,81%) 1 (4%) 8 (32%)
Pouca 15 (55,56%) 13 (48,15%) 10 (40%) 15 (60%)
Média 6 (22,22%) 9 (33,33%) 9 (36%) 1 (4%)
Sempre 3 (11,11%) 1 (3,7%) 5 (20%) 1 (4%)
Estratégia de coping mais usada
Adaptativo Focado na Emoção 1 (3,7%) 1 (3,7%) 5 (20%) 0 (0%)
Desadaptativo Focado na Emoção 6 (22,22%) 6 (22,22%) 6 (24%) 1 (4%)
Focado no problema 19 (70,37%) 20 (74,07%) 13 (52%) 24 (96%)
Focado no problema e adaptativo 1 (3,7%) 0 (0%) 1 (4%) 0 (0%)
Cope Controle Intervenção
Resultados 30
Tabela 5 – Comparação dos estilos de Coping (focado no problema, adaptativo
focado na emoção e desadaptativo focado na emoção) entre grupos (intervenção
e controle) e tempos (tempo 1: início do protocolo e tempo 2: final do protocolo)
estimando a chance de melhor ou pior resposta possível e a estrat égia mais
usada
Para uma análise ainda mais precisa (Tabela 6), ao comparar a mudança
entre os dois grupos e não apenas a diferença entre os tempos de cada
grupo, observa-se também diferença significativa na mudança da estratégia de
coping focado no problema e desadaptativo focado na emoção. Em relação à
estratégia “focado no problema”, estima-se que o grupo intervenção tenha uma
chance 5 vezes maior de melhorar ou manter boa a sua utilização quando
comparado ao grupo controle (p>0,01). Já quanto à estratégia “desadaptativo
Odds ratio Valor-p
Intervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 8,88 2,85 27,68 <0,01
Controle (Tempo 2 vs Tempo 1) 1,20 0,52 2,78 0,68
Tempo 1 (Intervenção vs Controle) 0,80 0,28 2,26 0,68
Tempo 2 (Intervenção vs Controle) 5,96 1,68 21,16 <0,01
Odds ratio Valor-p
Intervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 4,18 1,26 13,83 0,02
Controle (Tempo 2 vs Tempo 1) 1,95 0,66 5,76 0,23
Tempo 1 (Intervenção vs Controle) 5,15 1,60 16,61 <0,01
Tempo 2 (Intervenção vs Controle) 11,03 2,50 48,68 <0,01
Odds ratio Valor-p
Intervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 10,48 3,91 28,13 <0,01
Controle (Tempo 2 vs Tempo 1) 1,08 0,57 2,03 0,82
Tempo 1 (Intervenção vs Controle) 0,40 0,14 1,13 0,08
Tempo 2 (Intervenção vs Controle) 3,87 1,32 11,34 0,01
Odds ratio Valor-p
Intervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 16,97 2,21 130,57 <0,01
Controle (Tempo 2 vs Tempo 1) 1,05 0,41 2,69 0,91
Tempo 1 (Intervenção vs Controle) 0,54 0,17 1,71 0,30
Tempo 2 (Intervenção vs Controle) 8,72 0,997 76,20 0,05
Estratégia de coping mais usada: estimando a chance de melhor resposta, sendo "Desadaptativo
Focado na Emoção" a pior resposta possível e "focado no problema" a melhor resposta possível
Comparação Bruto
Intervalo de confiança (95%)
Classificação (Desadaptativo Focado na Emoção): estimando a chance de melhor resposta, sendo o
"sempre" a pior resposta possível e "nunca" a melhor resposta possível
Comparação Bruto
Intervalo de confiança (95%)
Classificação (Adaptativo Focado na Emoção): estimando a chance de melhor resposta, sendo o
"nunca" a pior resposta possível e "sempre" a melhor resposta possível
Comparação Bruto
Intervalo de confiança (95%)
COPE breve
Classificação (focado no problema): estimando a chance de melhor resposta, sendo o "nunca" a pior
resposta possível e "sempre" a melhor resposta possível
Comparação Bruto
Intervalo de confiança (95%)
Resultados 31
focado na emoção”, estima-se que o grupo intervenção tenha uma chance 4
vezes maior de melhorar ou manter boa a sua utilização quando comparado ao
grupo controle (p=0,02). Não houve evidência de diferença quanto à melhora no
tipo de estratégia de coping (p=0,05) e nem quanto à utilização do “adaptativo
focado na emoção” (p=0,06).
Tabela 6 – Comparação da mudança atingida na utilização dos estilos de coping
entre os tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do protocolo) nos grupos controle
e intervenção
considerando melhora/manteve bom versus não melhora/piora
4.3 Depressão
Como descrito, o grau de depressão (mínimo, leve, moderado ou grave) foi
mensurado conforme a Escala de Depressão de Beck (Beck, 2011): 0 a 13 =
sem depressão ou depressão mínima, de 14 a 19 = depressão leve, de 20 a 28
= depressão moderada, e de 29 a 63 = depressão grave. Observa-se que no
tempo 1, a depressão moderada/grave apresentou-se similar nos dois grupos:
controle=62,96%; intervenção=64%. Ao término dos 4 meses, no grupo controle
a depressão moderava/grave atingiu 55,56%, enquanto no grupo intervenção,
após as sessões com TCC, diminuiu para 12% (Tabela 7).
Variável Comparação Odds ratio Valor-p
MUDANÇA NA CLASSIFICAÇÃO
FOCADO NO PROBLEMA
Intervenção vs
Controle 5,65 1,53 20,93 <0,01
MUDANÇA NA CLASSIFICAÇÃO
ADAPTATIVO FOCADO NA
EMOÇÃO
Intervenção vs
Controle 3,23 0,97 10,72 0,06
MUDANÇA NA CLASSIFICAÇÃO
DESADAPTATIVO FOCADO NA
EMOÇÃO
Intervenção vs
Controle 4,22 1,32 13,49 0,02
MUDANÇA NA ESTRATÉGIA DE
COPING
Intervenção vs
Controle 8,47 0,96 75,08 0,05
COPE breve
Intervalo de confiança (95%)
Resultados 32
Tabela 7 – Grau de Depressão no grupo controle e no grupo intervenção nos
tempos 1 (inicio do protocolo) e 2 (final do protocolo)
Nível de Depressão Controle Intervenção
Tempo 1 (n=27) Tempo 2 (n=27) Tempo 1 (n=25) Tempo 2 (n=25)
Mínimo 5 (18,52%) 6 (22,22%) 3 (12%) 22 (88%)
Leve 5 (18,52%) 6 (22,22%) 6 (24%) 0 (0%)
Moderado 6 (22,22%) 4 (14,81%) 6 (24%) 2 (8%)
Grave 11 (40,74%) 11 (40,74%) 10 (40%) 1 (4%)
Moderado/Grave 17 (62,96%) 15 (55,56%) 16 (64%) 3 (12%)
Mínimo/Leve 10 (37,04%) 12 (44,44%) 9 (36%) 22 (88%)
N= número, %=porcentagem
Ao comparar a depressão entre grupos e tempo, observou-se a melhora no
escore de depressão. Estima-se que a chance de atingir o nível mínimo/leve de
depressão seja 13 vezes a mais após a finalização da intervenção em Terapia-
cognitivo comportamental (p<0,01). Quando se observa o tempo 2 dos grupos
intervenção e controle, estima-se que no grupo intervenção exista 9 vezes a mais
de chance de alcançar o nível mínimo/leve em comparação ao controle (p<0,01)
(Tabela 8).
Tabela 8 – Comparação dos níveis de depressão entre grupos (intervenção e
controle) e tempos (tempo 1: início do protocolo e tempo 2: final do protocolo)
estimando a melhor resposta possível (mínimo/leve)
Na Tabela 9 apura-se a mudança na depressão em 9 vezes a mais na
chance de melhora do grupo intervenção em comparação ao grupo controle
(p<0,01).
Odds ratio Valor-p
Intervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 13,04 3,72 45,76 <0,01
Controle (Tempo 2 vs Tempo 1) 1,36 0,75 2,46 0,31
Tempo 1 (Intervenção vs Controle) 0,96 0,31 2,96 0,94
Tempo 2 (Intervenção vs Controle) 9,17 2,20 38,12 <0,01
Comparação Bruto
Intervalo de confiança (95%)
Resultados 33
Tabela 9 – Comparação da mudança atingida nos níveis de depressão entre os
tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do protocolo) nos grupos controle e
intervenção
considerando melhora/manteve bom versus não melhora/piora na depressão
4.4 Stress
Os estágios do estresse (alerta, resistência, quase-exaustão e exaustão) e
tipo de stress (físico, físico -psicológico, psicológico, sem stress) foram
mensurados conforme o ISSL - Inventário de Sintomas de Stress para Adultos
de Lipp (Lipp, 2005). Nota-se (Tabela 10) que o stress do tipo psicológico é o
mais prevalente em ambos os grupos no tempo 1 (controle=74,07% e
intervenção=72%). No tempo 2, o grupo controle se manteve similar com 72% e
no grupo intervenção o índice diminuiu para 24%. A fase de stress mais
prevalente em ambos os grupos no tempo 1 é a “fase resistência”
(controle:44,44% e intervenção: 52%), onde a sensação do stress está presente
em tempo indeterminado trazendo desgaste e cansaço (Lipp, 2005). No tempo
2 do grupo controle, o índice sobe para 52%. No tempo 2 do grupo intervenção,
esse índice cai para 24%. Ao final do programa , 60% das pacientes que
vivenciaram a intervenção psicológica com TCC passaram a ser classificadas
sem stress , enquanto 92,59% do grupo controle , ao final dos 4 meses,
apresentou stress em algum tempo mensurado.
Variável Comparação Odds ratio Valor-p
MUDANÇA NA DEPRESSÃO Intervenção vs Controle 9,17 2,20 38,12 <0,01
BDI
Intervalo de confiança (95%)
Resultados 34
Tabela 10 – Estágios e Fases do Stress no grupo controle e no grupo
intervenção nos tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do protocolo)
ISSL Controle Intervenção
Tempo 1 (n=27) Tempo 2 (n=27) Tempo 1 (n=25) Tempo 2 (n=25)
TIPO DE STRESS
FÍSICO 3 (11,11%) 5 (18,52%) 2 (8%) 4 (16%)
FÍSICO-PSICOLÓGICO 0 (0%) 2 (7,41%) 3 (12%) 0 (0%)
PSICOLÓGICO 20 (74,07%) 18 (66,67%) 18 (72%) 6 (24%)
SEM STRESS 4 (14,81%) 2 (7,41%) 2 (8%) 15 (60%)
FASE DO STRESS
SEM STRESS 4 (14,81%) 2 (7,41%) 2 (8%) 15 (60%)
ALERTA 0 (0%) 1 (3,7%) 0 (0%) 0 (0%)
RESISTÊNCIA 12 (44,44%) 18 (66,67%) 13 (52%) 6 (24%)
QUASE-EXAUSTÃO 9 (33,33%) 6 (22,22%) 7 (28%) 2 (8%)
EXAUSTÃO 2 (7,41%) 0 (0%) 3 (12%) 2 (8%)
STRESS Q1
Não 20 (74,07%) 20 (74,07%) 14 (56%) 22 (88%)
Sim 7 (25,93%) 7 (25,93%) 11 (44%) 3 (12%)
STRESS Q2
Não 6 (22,22%) 2 (7,41%) 2 (8%) 16 (64%)
Sim 21 (77,78%) 25 (92,59%) 23 (92%) 9 (36%)
STRESS Q3
Não 9 (33,33%) 10 (37,04%) 11 (44%) 19 (76%)
Sim 18 (66,67%) 17 (62,96%) 14 (56%) 6 (24%)
STRESS EM ALGUM QUADRO
Não 4 (14,81%) 2 (7,41%) 2 (8%) 15 (60%)
Sim 23 (85,19%) 25 (92,59%) 23 (92%) 10 (40%)
ISSL=Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp; N=número; %=porcentagem ; Q1=stress
sentido em 24h; Q2=stress sentido dentro de uma semana; Q3=stress sentido dentro de um mês. Tempo
1= ao ingressar na pesquisa, tempo 2= após o período de 4 meses ; Intervenção: tempo 1= ao iniciar a
intervenção, tempo 2 = ao término das sessões de intervenção psicológica com TCC.
Estima-se que a chance de atingir o nível sem stress seja 17 vezes a mais
após a finalização da intervenção em Terapia -cognitivo comportamental
(p<0,01). Quando se observa o tempo 2 dos grupos intervenção e controle,
estima-se que no grupo intervenção exista 18 vezes a mais de chance de
alcançar o nível sem stress em comparação ao controle (p<0,01) (Tabela 11).
Resultados 35
Tabela 11 – Comparação dos níveis de stress entre grupos (intervenção e
controle) e tempos (tempo 1: início do protocolo e tempo 2: final do protocolo)
estimando a chance de não stress em algum quadro (Q1: um dia , Q2: uma
semana ou Q3: um mês)
Na Tabela 12 apura-se a mudança para o nível do stress saudável em 18
vezes a mais na chance de melhora do grupo intervenção em comparação ao
grupo controle (p<0,01) e da fase de stress em 9 vezes a mais em comparação
ao controle (p<0,01).
Tabela 12 – Comparação da mudança atingida nos níveis e fases do stress entre
os tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do protocolo) nos grupos controle e
intervenção
4.5 Dismenorreia e dor pélvica crônica
Dismenorreia e dor crônica foram aferidas através da Escala Visual
Analógica de Dor (EVA) (Huskisson,1974) e classificada em sem dor (0), média
(1-3), moderada (4-7) e severa (8-10). Como critério de inclusão foram
consideradas as pacientes que classificavam a dor >=5 (Gráficos 1 e 2).
Odds ratio Valor-p
Intervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 17,25 3,95 75,29 <0,01
Controle (Tempo 2 vs Tempo 1) 0,46 0,10 2,13 0,32
Tempo 1 (Intervenção vs Controle) 0,50 0,08 3,00 0,45
Tempo 2 (Intervenção vs Controle) 18,75 3,61 97,40 <0,01
Comparação Bruto
Intervalo de confiança (95%)
Variável Comparação Odds ratio Valor-p
MUDANÇA NO STRESS EM
ALGUM QUADRO Intervenção vs Controle 18,75 3,61 97,40 <0,01
MUDANÇA NA FASE DO
STRESS Intervenção vs Controle 9,05 2,57 31,84 <0,01
Intervalo de confiança (95%)
Resultados 36
Gráfico 1 – Grau severo de d ismenorreia em ambos os grupos e nos dois
tempos. Ao final da intervenção houve leve alteração na escala de dor
Controle - tempo 1: preenchimento da EVA no momento da inclusão no estudo e tempo 2: preenchimento da EVA após
4 meses). Intervenção - tempo 1: preenchimento da EVA no momento da inclusão no estudo e tempo 2: preenchimento
da EVA após a intervenção psicológica com TCC
Gráfico 2 – Grau severo de dor pélvica crônica em ambos os tempos do grupo
controle. No grupo intervenção, após o programa (tempo 2) houve alteração da
percepção de dor
Controle - tempo 1: preenchimento da EVA no momento da inclusão no estudo e tempo 2: preenchimento da EVA após
4 meses). Intervenção - tempo 1: preenchimento da EVA no momento da inclusão no estudo e tempo 2: preenchimento
da EVA após a intervenção psicológica com TCC
Dismenorreia
Dor pélvica crônica
Resultados 37
Estima-se que a chance de atingir o nível sem dor seja 14 vezes a mais
após a finalização da intervenção em Terapia -cognitivo comportamental
(p<0,01). Quando se observa o tempo 2 dos grupos intervenção e controle,
estima-se que no grupo intervenção exista 8 vezes a mais de chance de alcançar
o nível sem dor em comparação ao controle (p<0,01) (Tabela 13).
Tabela 13 – Comparação do nível de dor pélvica crônica entre grupos
(intervenção e controle) e tempos (tempo 1: início do protocolo e tempo 2: final
do protocolo) estimando a chance de melhor ou pior resposta possível (sem
dor/dor severa)
A Tabela 14 evidencia a mudança do nível de dor pélvica em 17 vezes a
mais na chance de melhora do grupo intervenção em comparação ao grupo
controle (p<0,01).
Tabela 14 – Comparação da mudança atingida no nível de dor pélvica crônica
entre os tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do protocolo)
4.6 Qualidade de Vida
No grupo controle houve discreta mudança entre os escores dos tempos 1
e 2 (Gráfico 3) piora dos aspectos emocionais e leve melhora em limitação dos
aspectos físicos , capacidade funcional e dor . No grupo intervenção o gráfico
demonstra considerável mudança em praticamente todos os escores do SF -36
(Gráfico 4) capacidade funcional, limitação por aspectos físicos, dor, estado geral
de saúde, vitalidade, aspectos sociais, limitação por aspectos emo cionais e
saúde mental.
Odds ratio Valor-p
Intervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 14,27 3,18 64,00 <0,01
Controle (Tempo 2 vs Tempo 1) 1,09 0,62 1,94 0,76
Tempo 1 (Intervenção vs Controle) 0,68 0,25 1,86 0,45
Tempo 2 (Intervenção vs Controle) 8,81 2,17 35,69 <0,01
Comparação Bruto
Intervalo de confiança (95%)
Variável Comparação Odds ratio Valor-p
MUDANÇA NO NÍVEL DE DOR
PELVICA CRÔNICA Intervenção vs Controle 17,00 3,93 73,58 <0,01
Intervalo de confiança (95%)
Resultados 38
Gráfico 3 – Resultado do SF36 nos tempos 1 (início do protocolo)
e 2 (final do protocolo) do grupo controle
Controle - tempo 1: preenchimento do SF36 no momento da inclusão no estudo e tempo 2: preenchimento do SF36 após
4 meses).
Resultados 39
Gráfico 4 – Resultado do SF36 nos tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do
protocolo) no grupo intervenção
Intervenção - tempo 1: preenchimento do SF36 no momento da inclusão no estudo e tempo 2: preenchimento do SF36
após a intervenção psicológica com TCC.
É possível observar mudança positiva nos 8 domínios do SF36 conforme
descrito detalhadamente na Tabela 15.
Resultados 40
Tabela 15 – Comparação nos oito domínios do SF 36 ( capacidade funcional,
limitação por aspectos físicos, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos
sociais, limitação por aspectos emocionais e saúde mental) entre grupos
(intervenção e controle) e tempos (tempo 1: início do protocolo e tempo 2: final
do protocolo) estimando a chance de melhor ou pior resposta possível
Diferença estimada Valor-p
Intervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 13,20 5,40 21,00 <0,01
Controle (Tempo 2 vs Tempo 1) 5,00 -2,50 12,50 0,19
Tempo 1 (Intervenção vs Controle) 8,58 -4,20 21,36 0,18
Tempo 2 (Intervenção vs Controle) 16,78 4,00 29,56 0,01
Diferença estimada Valor-p
Intervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 38,00 21,63 54,37 <0,01
Controle (Tempo 2 vs Tempo 1) 11,11 -4,64 26,87 0,16
Tempo 1 (Intervenção vs Controle) 1,07 -19,29 21,44 0,92
Tempo 2 (Intervenção vs Controle) 27,96 7,60 48,33 <0,01
Diferença estimada Valor-p
Intervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 17,28 9,74 24,82 <0,01
Controle (Tempo 2 vs Tempo 1) 3,44 -3,81 10,70 0,34
Tempo 1 (Intervenção vs Controle) 7,26 -4,04 18,56 0,20
Tempo 2 (Intervenção vs Controle) 21,09 9,79 32,40 <0,01
Diferença estimada Valor-p
Intervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 23,88 17,24 30,52 <0,01
Controle (Tempo 2 vs Tempo 1) 0,56 -5,84 6,95 0,86
Tempo 1 (Intervenção vs Controle) 4,55 -5,50 14,60 0,37
Tempo 2 (Intervenção vs Controle) 27,88 17,82 37,93 <0,01
Diferença estimada Valor-p
Intervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 29,00 19,49 38,51 <0,01
Controle (Tempo 2 vs Tempo 1) 0,00 -9,15 9,15 0,99
Tempo 1 (Intervenção vs Controle) 10,11 -0,90 21,12 0,07
Tempo 2 (Intervenção vs Controle) 39,11 28,10 50,12 <0,01
Diferença estimada Valor-p
Intervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 34,00 24,24 43,76 <0,01
Controle (Tempo 2 vs Tempo 1) 0,93 -8,47 10,32 0,84
Tempo 1 (Intervenção vs Controle) 5,72 -7,57 19,01 0,39
Tempo 2 (Intervenção vs Controle) 38,80 25,51 52,09 <0,01
Diferença estimada Valor-p
Intervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 46,67 31,51 61,82 <0,01
Controle (Tempo 2 vs Tempo 1) -6,17 -20,76 8,41 0,40
Tempo 1 (Intervenção vs Controle) -2,96 -22,66 16,73 0,76
Tempo 2 (Intervenção vs Controle) 49,88 30,18 69,57 <0,01
Diferença estimada Valor-p
Intervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 32,48 25,60 39,36 <0,01
Controle (Tempo 2 vs Tempo 1) 2,07 -4,55 8,70 0,53
Tempo 1 (Intervenção vs Controle) 7,68 -3,40 18,76 0,17
Tempo 2 (Intervenção vs Controle) 38,09 27,00 49,17 <0,01
Limitação por aspectos físicos: comparando médias
Comparação Bruto
Intervalo de confiança (95%)
Saúde mental: comparando médias
Aspectos sociais: comparando médias
Comparação Bruto
Intervalo de confiança (95%)
Vitalidade: comparando médias
Comparação Bruto
Intervalo de confiança (95%)
Estado geral de saúde: comparando médias
Comparação Bruto
Comparação Bruto
Intervalo de confiança (95%)
Limitação por aspectos emocionais: comparando médias
Comparação Bruto
Intervalo de confiança (95%)
Intervalo de confiança (95%)
Dor: comparando médias
Comparação Bruto
Intervalo de confiança (95%)
Capacidade funcional: comparando médias
Comparação Bruto
Intervalo de confiança (95%)
Resultados 41
A Tabela 16 mostra a mudança estimada em cada domínio do SF 36 nos
tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do protocolo): mudança na limitação por
aspectos físicos em 26 vezes mais chance de melhora do grupo intervenção em
comparação ao grupo controle (p =0,02); dor em 13 vezes mais chance de
melhora do grupo intervenção em comparação ao grupo controle (p=0,01);
estado geral da saúde em 23 vezes mais chance de melhor a do grupo
intervenção em comparação ao grupo controle (p<0,01); vitalidade em 29 vezes
mais chance de melhora do grupo intervenção em comparação ao grupo controle
(p<0,01); aspectos sociais em 33 vezes mais chance de melhora do grupo
intervenção em comparação ao grupo controle (p<0,01); limitação por aspectos
emocionais em 52 vezes mais chance de melhora do grupo intervenção em
comparação ao grupo controle (p<0,01); saúde mental em 30 vezes mais chance
de melhora do grupo intervenção e m comparação ao grupo controle (p<0,01)
(Gráfico 5).
Tabela 16 – Comparação da diferença estimada na melhora d os domínios do
SF36 entre os tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do protocolo) nos dois
grupos
Variável Comparação Diferença estimada Valor-p
Mudança na Capacidade
funcional Intervenção vs Controle 8,20 -2,85 19,25 0,14
Mudança na Limitação por
aspectos físicos Intervenção vs Controle 26,89 4,17 49,61 0,02
Mudança na Dor Intervenção vs Controle 13,84 2,97 24,70 0,01
Mudança na Estado geral de
saúde Intervenção vs Controle 23,32 13,83 32,82 <0,01
Mudança na Vitalidade Intervenção vs Controle 29,00 15,39 42,61 <0,01
Mudança nos Aspectos sociais Intervenção vs Controle 33,07 19,22 46,93 <0,01
Mudança na Limitação por
aspectos emocionais Intervenção vs Controle 52,84 31,80 73,88 <0,01
Mudança na Saúde mental Intervenção vs Controle 30,41 20,85 39,96 <0,01
Intervalo de confiança (95%)
Resultados 42
Gráfico 5 – Apresentação geral dos dados na perspectiva de mudanças: o que
e quanto houve de melhora ao comparar grupo controle e grupo intervenção
Q3=dentro do período de 1 mês no instrumento de Lipp (2005); Q2=dentro do período de 1 semana no instrumento de
Lipp (2005); Q1=dentro do período de 24 horas no instrumento de Lipp (2005).
Discussão 43
5 Discussão
Este estudo apresentou importantes mudanças positivas na saúde
emocional da mulher com endometriose após a participação em programa de
tratamento psicológico estruturado e conduzido por meio das estratégias e
técnicas da terapia cognitivo -comportamental. Os resultados apresentados na
melhora da forma de enfr entamento, escores de depressão, nível e tipo de
stress, diminuição da percepção da dor crônica e melhora em aspectos da
qualidade de vida, demonstraram que o uso da TCC é eficaz no tratamento
psicológico das pacientes com endometriose . Tais resultados contribuem com
lacunas até então apontadas em diversos estudos.
A revisão sistemática de Ruszala et al. , (2022) apurou que a falta de
satisfação na vida cotidiana é principalmente devido à dor constante. O processo
de adaptação a uma vida com a endometriose está associado a emoções
negativas, tendo muitas vezes, como consequências psicológicas, a depressão,
ansiedade, impotência, culpa, violência autodirigida e deterioração das relações
interpessoais. É necessário um cuidado multidisciplinar baseado em evidências.
A doença pode tirar a capacidade de ser fisicamente ativo, impactando ações do
cotidiano como estudar, trabalhar continuamente e interagir com os amigos. O s
autores apontam o apoio social e a terapia cognitivo -comportamental como
importantes ferramentas para o reequilíbrio emocional.
No atual estudo, foi possível observar que após a intervenção com TCC ,
verificou-se grande mudança nos domínios do SF36 (Tabela 15): capacidade
funcional (16 vezes mais chance de melhora no grupo intervenção em relação
ao grupo controle (p>0,01)); limitação por aspectos físicos e saúde geral (ambos
em 27 vezes mais chance de melhora no grupo intervenção em relação ao grupo
controle (p>0,01)) ; vitalidade (39 vezes mais chance de melhora no grupo
intervenção em relação ao grupo controle (p>0,01)); aspectos sociais (38 vezes
mais chance de melhora no grupo intervenção em relação ao grupo controle
(p>0,01)).
Discussão 44
A revisão sistemática de Kalfas et al., (2022) que expl orou fatores
psicossociais em relação à dor e qualidade de vida na endometriose, indicou que
a catastrofização e a ansiedade estão associadas a maior dor, enquanto
ansiedade e depressão estão relacionadas a pior qualidade de vida, sugerindo
que tais fatore s psicossociais precisam estar presentes no tratamento da
endometriose, uma vez que melhorar o funcionamento emocional pode levar a
melhorias na dor e na qualidade de vida desta população.
No atual estudo foi possível observar que a mudança no estilo de
enfrentamento proporcionou considerável melhora no quadro psicológico geral.
Pós-intervenção houve cerca de 16 vezes maior chance das pacientes utilizarem
a estratégia de coping “focado no problema” em comparação ao grupo controle
(p<0,01) (Tabela 5) , o que significa desenvolver uma atitude mais ativa e
assertiva diante do próprio tratamento, imprimindo importante transformação na
forma como as pacientes se percebiam e conduziam suas vidas, apesar da
endometriose.
Rees, Kiemle & Slade (2022) estudaram as variáveis psicológicas e
qualidade de vida nas mulheres com endometriose. A percepção das mulheres
sobre sua capacidade de lidar com a dor e o quão incertas elas se sentiam sobre
sua condição, foram fatores importantes na queda da qual idade de vida,
principalmente no domínio físico. Conviver com a incerteza que a doença traz
como o prognóstico, a possível infertilidade, tratamentos diversos e a dificuldade
de lidar com a dor culminam no desenvolvimento da sensação de desamparo ou
fracasso, sentindo -se incapazes de controlar tais aspectos. Como a alta
incerteza da doença está associada a uma baixa autoeficácia da dor e queda na
qualidade de vida, os autores entenderam que cuidar destes fatores em
programas de psicoterapia são altamente indicados.
Durante a intervenção com as técnicas da TCC, nosso estudo teve
enfoque em aspectos como fortalecimento da capacidade de lidar com a atual
condição da endometriose, psicoeducação do modelo cognitivo e da
endometriose e manejo da dor . Após os 4 meses do programa , foi possível
verificar significativa mudança na melhora da qualidade de vida no grupo
intervenção em comparação ao grupo controle , como por exemplo n o domínio
Discussão 45
‘limitação por aspectos emocionais’ e ‘saúde mental’ do SF36, onde estima-se a
chance de melhora em 49 vezes (p<0,01), e 38 vezes (p<0,01), respectivamente,
no tempo final diante da participação na intervenção psicológica (Tabela 15).
O estudo qualitativo de Márki et al., (2022) através de um trabalho focal
com 4 grupos de mulheres com endometriose, conduzido por especialistas
médicos e psicólogos, também constatou que a incerteza e a falta de informação
sobre a endometriose são pontos de desafio trazendo dificuldades e significativo
impacto na vida da mulher. Além da sobrecarga física, as pacientes relataram
que as consequências psicológicas do convívio com a endometriose como a
ansiedade, o estresse e a sensação de desamparo, por vezes se tornavam até
mais desafiadores do que os próprios sintomas físicos. Em um quadro crônico,
o estado emocional negativo moldou de modo prejudicial a maneira de pensar e
conduzir a vida cotidiana, trazendo a sensação de impotência diante da saúde
física-emocional. Os autores denotam que mudar o estilo de vida e assumir um
papel ativo no autocuidado diante do quadro geral da endometriose é necessário
para a recuperação emocional destas pacientes. Estratégias de enfrentamento
ativas e focadas na solução, apoiadas por experiências médicas positivas,
informações confiáveis e apoio social eficaz parecem ser a melhor diretriz.
Programas de promoção da saúde e grupos de apoio gerenciados para facilitar
o enfrentamento e crescimento pós-traumático em mulheres com endometriose
são benéficos. O cumprimento dessas recomendações permitiria às mulheres
viver uma vida assintomática, fértil e equilibrada diante da endometriose.
Além da melhora no estilo de enfrentamento encontrado em nosso
estudo, os índices de estresse também alcançaram melhora no grupo
intervenção. No início da coleta de informações nos grupos, foi possível observar
que o stress do tipo psicológico era o mais prevalente em ambos os grupos no
tempo 1 (controle=74,07% e intervenção=72%) (T abela 10), porém após a
intervenção (tempo 2 dos grupos intervenção e controle ), este grupo atingiu 18
vezes mais a chance de alcançar o nível sem stress em comparação ao controle
(p<0,01) (Tabela 11). É possível inferir que a melhora no estilo de enfrentamento
apresentou papel ativo na amenização do stress nas pacientes do grupo
Discussão 46
intervenção, assim como nas demais variáveis : depressão, percepção da dor
pélvica crônica e qualidade de vida (Gráfico 10).
O breve relatório de Broc & Porro (2022) apontou a necessidade de mais
investigações longitudinais e prospectivas a fim de contribuir com o avanço em
programas que auxiliem na diminuição da carga psicológica no convívio com a
endometriose. Para os autores, a adaptação psicológica à endometriose
depende muito do reconhecimento dos profissionais de saúde e familiares diante
da dor e sofrimento das mulheres. Acreditam que combinar a clínica centrada no
paciente com abordagens como a terapia cognitivo-comportamental se mostra
promissor, assim como a capacitação e treinamento m édico para identificar o
sofrimento psíquico e encaminhar prontamente para tratamento psicológico
visando mudança de comportamento, prevenção e cuidado da fadiga, mudança
do estilo de vida, além de orientação nutricional, campanhas preventivas e de
conscientização.
Em Brooks et al. , (2021) identificaram que a terapia cognitivo -
comportamental, a terapia de aceitação e compromisso e as terapias de atenção
plena foram mais comumente usadas por clínico s de saúde mental que
trabalhavam com mulheres com condições persistentes de dor pélvica, apesar
dos autores apontarem evidências severamente limitadas pela falta de estudos
sobre o uso dessas intervenções psicológicas nesse grupo de clientes.
Acreditamos que os resultados gerais encontrados neste estudo
auxiliem os próximos passos de desenvolvimento de um programa psicológico
baseado nas estratégias e técnicas da TCC em vista das evidências de melhora
nos aspectos citados e que possa guiar os profi ssionais de saúde neste
encaminhamento e assegurar quanto a possibilidade positiva de mudança e
fortalecimento emocional das pacientes beneficiadas.
O estudo prospectivo de 12 meses de Dowding et al., (2022) avaliou o bem-
estar de mulheres australianas com dismenorreia, buscando entender o
componente do impacto biopsicológico da dor pélvica. Os efeitos temporais de
fatores psicológicos relacionados à dor na endometriose mostr aram que o
sofrimento emocional basal foi a única variável para prever a catastrofização da
dor (β = 0,24, p < 0,01), incapacidade funcional da dor (β = 0,16, p < 0,05) e
Discussão 47
sofrimento emocional concomitante (β =.55, p <.001) 12 meses depois,
ajustando para idade e doença crônica. Os resultados sugerem que a presença
de sofrimento emocional, ao invés de dor, é o mais importante preditor de
sofrimento futuro e incapacidade em mulheres com endometriose.
A dor pélvica crônica e dismenorreia contribuem em grande parte com
a piora da qualidade de vida e saúde emocional das pacientes. Neste estudo foi
possível verificar que houve mudança em relação à dor pélvica crônica após a
intervenção com as técnicas da TCC. No grupo intervenção 68% das pacientes
apresentaram melhora na dor pélvica crônic a, enquanto apenas 11% no grupo
controle (Gráfico 10).
O sofrimento emocional também se evidencia e um dos aspectos que
se destaca é a presença da depressão inicialmente em mais de 60% em ambos
os grupos (Tabela 7), porém após a finalização da intervenção em TCC, o grupo
intervenção atingiu 13 vezes mais o nível mínimo/leve de depressão em relação
ao grupo controle (p<0,01) (Tabela 8).
Em estudo clínico multicêntrico randomizado e controlado (Hansen et
al., 2023), cinquenta e oito pacientes for am aleatoriamente designadas em três
grupos - (1) Intervenção psicológica específica baseada em mindfulness e
aceitação chamado “Mind Your ENDOmetriosis” (MY-ENDO), (2) Intervenção
psicológica não específica que correspondia ao MY -ENDO em fatores como
empatia, terapêutica de melhora, mas não incluindo mindfulness, (3) Grupo
controle de lista de espera. O objetivo foi avaliar o efeito das intervenções
psicológicas sobre a dor pélvica crônica e a qualidade de vida em mulheres com
endometriose. O programa “MY -ENDO” foi desenvolvido especificamente para
endometriose, constituído por 10 sessões de grupo semanais de 3 horas com
educação do paciente sobre temas relacionados à endometriose, terapia de
grupo focando nas experiências dos pacientes e nos mecanismos de
enfrentamento em relação a esses temas. As estratégias utilizadas estavam
baseadas na redução do estresse por meio do uso de mindfulness (MBSR) em
combinação com terapia de aceitação e compromisso (ACT). Durante as
sessões eram aplicadas uma variedade de exercícios de mindfulness e ioga,
além disso, os participantes receberam um conjunto de apostilas e foram
Discussão 48
encorajados a praticar 30 -45 min de mindfulness e ioga em casa entre cinco e
sete dias por semana. Neste estudo, a intervenção psicológica não reduziu a dor
pélvica em mulheres que sofrem de endometriose, mas levou a melhorias na
qualidade de vida como ‘controle e impotência’ (P = 0,019, d = 0,78), 'bem-estar
emocional' (P = 0,003, d=1,01) e 'apoio social' (P=0,042, d=0,66), e melhora nos
sintomas relac ionados à endometriose como disquezia (P = 0,047, d=0,43),
constipação (P=0,045, d=0,47) e náusea (P=0,016, d=0,47), apesar de uma
experiência contínua de dor pélvica crônica grave.
A estratégia de mindfulness também esteve presente no protocolo de
atendimento da intervenção deste estudo , a de número 8 . De modo geral, foi
uma sessão muito importante e aplicada de modo planejado no meio do
programa para que as pacientes já pudessem chegar a esta sessão com um bom
grau de entendimento do próprio funcionamento psíquico e para que tal sessão
pudesse alavancar o processo de autoconhecimento e consciência corporal. É
possível dizer que, na grande maioria dos atendimentos, a sessão 8 cumpriu sua
função, tendo um result ado muito positivo para a maioria das pacientes que
relataram a sensação alcançada nessa sessão.
Utilizando Mindfulness - brief Mindfulness-Based Intervention (bMBI) , o
estudo de Moreira et al. (2022) também alcançou um resultado positivo na
melhora significativa no desconforto da dor (f de Cohen2 = 0,67, NNT = 3,2), dor
pélvica (f de Cohen2 = 0,16, NNT = 5,3) e disquezia (f de Cohen2 = 0,23, NNT =
2,9) imediatamente após o tratamento e diminuição de toda a dor relacionada à
endometriose (f de Cohen2 variando de 0,20 a 0,60 e NNT variando de 5 a -9)
após o seguimento. Os autores também observaram efeito positivo do bMBI na
dimensão saúde mental nas medidas de dois pontos de tempo (f de Cohen2 =
0,34 e 0,25, NNT = 3,5 e 2,3) e vitalidade (f de Cohen2 = 0,22, NNT = 2,1) após
o seguimento. Entendendo assim que a utilização de bMBI é útil para gerenciar
a dor relacionada à endometriose e restaurar o bem -estar psicológico das
mulheres.
Ao complementar a utilização de mindfulness com demais técnicas da TCC
aplicadas em nosso estudo, foi possível ampliar os efeitos positivos para as
outras variáveis estudadas neste atual protocolo como os demais domínios do
Discussão 49
SF36, depressão, stress e coping, demostrando como a TCC foi eficaz em ampla
melhora nas pacientes participantes do grupo intervenção.
Importante sugestão se fez presente no estudo de Boersen et al., (2021),
onde todas as mulheres participantes dos grupos focais estruturados apontaram
que a TCC deveria ser oferecida a pacientes submetidas à cirurgia de
endometriose e que este poderia ser um trunfo para melhorar a qualidade de
vida após a cirurgia. As participantes preferiram a terapia individual ou em grupo
presencial, pontuando ser importante que o tratamento seja pers onalizado,
adaptado individualmente às diferentes necessidades de cada paciente.
Desta forma, diante d o levantamento dos atuais artigos e os resultados
obtidos em nosso estudo, é possível inferir que a utilização da TCC no
tratamento psicológico das mulher es com endometriose é benéfica na melhora
das estratégias de enfrentamento (coping), dos sintomas emocionais (depressão
e stress), qualidade de vida e percepção da dor pélvica crônica.
Os resultados obtidos abrem caminho para a construção de um modelo de
tratamento psicológico passível de replicação neste ambulatório e em demais
instituições especializadas no tratamento da endometriose, contribuindo para a
melhora de um quadro que tem se mostrado extremamente desafiador no
manejo clínico da pacie nte com endometriose e até então trabalhado de modo
pouco estruturado: os aspectos emocionais.
Neste estudo foram utilizadas técnicas padrão da Terapia Cognitivo -
comportamental, ponto de sugestão para ampliação de futuros estudos
acrescentando estratégias da chamada terceira onda das terapias cognitivo -
comportamentais como a DBT (Terapia Comportamental Dialética) , TREC
(Terapia Racional Emotiva Comportamental) , ACT (Terapia de Aceitação e
Compromisso) e Terapia Cognitiv a Baseada e m Mindfulness para identificar
possíveis potencializações de mudanças emocionais . Também f oi possível
observar que a quantidade de sessões (16 sessões) foi suficiente para a maioria
das pacientes, mas é importante ressaltar que alguns atendimentos demandam
mais que outros e, eventualmente ampliar o número de sessões pode ser
benéfico para o resultado final em algumas situações. A utilização de
instrumentos específicos para endometriose também poderia acrescentar
Discussão 50
informações relevantes como , por exemplo , o Endometriosis Health Profile
Questionnaire – EHP-30 (Mengarda et.al, 2008). Além disso, s eria importante,
em próximos estudos, ampliar o número da amost ra trabalhada e ainda aplicar
este protocolo paralelamente com outras abordagens da psicologia para avaliar
os resultados aqui encontrados.
Esse protocolo com sessões estruturadas teve metas bem definidas na sua
construção como: aprofundar o autoconhecimen to sobre a doença e sobre o
funcionamento psíquico da paciente, identificar os aspectos fragilizados do
mundo interno, promover a reestruturação cognitiva dos pontos disfuncionais e
capacitar as pacientes a continuarem sendo protagonistas das mudanças
emocionais e comportamentais dos possíveis momentos difíceis que surgissem
em suas vidas.
O cumprimento de tais objetivos durante as sessões, permitiram o
desenvolvimento e/ou fortalecimento da sensação de autonomia diante da
própria melhora, sendo essa uma das grandes estratégias para que o tratamento
se tornasse além de efetivo, duradouro.
O processo de intervenção por meio das técnicas da terapia cognitivo -
comportamental conduz a paciente para a ampliação do autoconhecimento, o
contato com os aspectos positivos e negativos da personalidade, o entendimento
do funcionamento psíquico e com isso, a possibilidade de transformação pessoal
e o desenvolvendo de melhores estratégias de enfrentamento diante dessa
condição, contribuindo assim com a melhora dos sintomas consequentes da
endometriose.
Espera-se que esse novo protocolo de atendimento psicológico por meio
da TCC que trouxe melhora nos aspectos emocionais como a forma de
enfrentamento, depressão, stress, dor pélvica crônica e qualidade de vida das
pacientes com endometriose, contribua para novas pesquisas, uma vez que
pode ser replicado e foi construído com base em evidências.
Até onde sabemos, este é o primeiro estudo brasileiro que avaliou a eficácia
da TCC diante da melhora das estratégias de coping em mulheres com
endometriose e que apresentou uma estrutura de sessões para atendimento
individual utilizando a TCC em pacientes que sofrem com essa doença.
Conclusões 51
6 Conclusões
De acordo com os resultados de nossa pesquisa, concluímos que:
a) A utilização da terapia cognitivo-comportamental trouxe resultados positivos
mostrando-se benéfica na melhora do quadro emocional geral da mulher com
endometriose e dor pélvica crônica.
b) A t erapia cognitivo -comportamental teve efeito positivo na mudança e
melhora:
a) da forma de enfrentamento (coping)
b) dos níveis de depressão
c) das fases de estresse
d) da qualidade de vida
e) do nível de dor pélvica
Anexos 52
7 Anexos
Anexo A – Aprovação do Projeto
.
Anexos 53
.
Anexos 54
Anexos 55
Anexo B - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - grupo
intervenção
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO
PAULO-HCFMUSP
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – grupo intervenção
____________________________________________________________________
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO DA PESQUISA OU RESPONSÁVEL LEGAL
1. NOME: .:............................................................................. ...........................................................
DOCUMENTO DE IDENTIDADE Nº : ........................................ SEXO: .M □ F □
DATA NASCIMENTO: ......../......../......
ENDEREÇO ................................................................................. Nº ........................... APT O:
..................
BAIRRO: ........................................................................ CIDADE
.............................................................
CEP:......................................... TELEFONE: DDD (............)
......................................................................
2.RESPONSÁVEL LEGAL
..............................................................................................................................
NATUREZA (grau de parentesco, tutor, curador etc.)
..................................................................................
DOCUMENTO DE IDENTIDADE:....................................SEXO: M □ F □
DATA NASCIMENTO.: ....../......./......
ENDEREÇO: ............................................................................................. Nº .................. . APTO:
.............................
BAIRRO: ................................................................................ CIDADE:
......................................................................
CEP: .............................................. TELEFONE: DDD
(............)..................................................................................
______________________________________________________________________________
_______________
DADOS SOBRE A PESQUISA
1. TÍTULO DO PROTOCOLO DE PESQUISA
Intervenção psicológica por meio da terapia cognitivo-comportamental em mulheres com
endometriose e dor pélvica crônica.
2. PESQUISADOR: Lilian Donatti
CARGO/FUNÇÃO: Pós-Graduanda do Departamento da Ginecologia da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo.
INSCRIÇÃO CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA Nº: 06/65847
Anexos 56
UNIDADE DO HCFMUSP: Disciplina de Ginecologia HCFMUSP
3. AVALIAÇÃO DO RISCO DA PESQUISA:
RISCO MÍNIMO X RISCO MÉDIO □
RISCO BAIXO □ RISCO MAIOR □
4. DURAÇÃO DA PESQUISA: 4 MESES
5. SOBRE A PESQUISA:
5.1 – JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS DA PESQUISA
Você está sendo convidada, de forma voluntária, para participar desta pesquisa que tem como
objetivo verificar se o tratamento psicológico ajuda na mudança da forma como a mulher com
endometriose convive com esta doença no seu dia -a-dia e se é possível alcançar uma melhor
qualidade de vida.
5.2 – PROCEDIMENTOS QUE SERÃO UTILIZADOS E PROPÓSITOS:
Você participará de 01 encontro semanal durante 4 meses (serão 16 encontros ao todo),
onde no primeiro dia preencherá alguns questionários e nos seguintes será submetida à
encontros preparados com técnicas da psicologia (processo de terapia ou psicoterapia). No
ultimo dia preencherá novamente os mesmos questionários do i nício para efeito de
comparação dos resultados alcançados.
5.3 – RISCOS RELACIONADOS AOS PROCEDIMENTOS:
Os riscos de participar de um processo de psicoterapia são mínimos, pois este é conduzido por
profissional preparado e treinado.
5.4 –DESCONFORTOS E RISCOS ESPERADOS:
A pesquisa não oferece risco ou desconforto. As situações emocionais que surgirão dura nte o
processo serão tratadas no período da pesquisa, tendo a pesquisadora inteira disponibilidade
para trabalhar e/ou esclarecer qualquer aspecto que se faça necessário.
5.5 – BENEFÍCIOS QUE PODERÃO SER OBTIDOS:
Participando desta pesquisa, você estará contribuindo com a construção de um tratamento
psicológico adequado e direcionado às mulheres com endometrioses, ajudando assim a
busca da melhora da qualidade de vida de quem passa por essa situação. Você estará
ajudando futuras pacientes em seu tratament o psicológico. Concordando em participar do
Anexos 57
modo descrito, é necessário esclarecer que você não terá quaisquer benefícios ou direitos
financeiros sobre os eventuais resultados decorrentes da pesquisa. Caso não concorde em
participar desta pesquisa, sua dec isão não influenciará, de modo algum, o seu tratamento.
Salientamos ainda, que você tem a liberdade de retirar o consentimento em qualquer fase
da pesquisa sem prejuízos a seu cuidado e que terá direito de acesso sobre os eventuais
resultados desta pesquis a e toda assistência necessária caso assim o desejar. Os
pesquisadores estarão à sua disposição para quaisquer esclarecimentos no endereço
abaixo especificado. Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre a ética da
pesquisa, entre em contato com o Co mitê de Ética em Pesquisa (CEP) – Rua Ovídio Pires
de Campos, 225 – 5º andar – tel: 3069 -6442 ramais 16, 17, 18 ou 20,FAX:3069 -
6442ramal26–E-mail:
[email protected]
5.6 - CUSTOS:
Você não terá custos ao participar do estudo.
5.7 – TRATAMENTO ALTERNATIVO:
Não existem diferenças nos tratamentos realizados em virtude de sua participação ou não
neste estudo.
6 - ESCLARECIMENTOS DADOS PELO PESQUISADOR SOBRE GARANTIAS DO
SUJEITO DA PESQUISA CONSIGNANDO:
Sua participação no presente estudo é voluntária. Você p ode optar por não participar ou
interromper sua participação no estudo a qualquer momento, sem sanção nem perda de
benefícios aos quais pudesse ter direito. Se decidir interromper antes de terminar o estudo,
será solicitado voltar ao consultório/hospital para uma visita final.
O pesquisador assegura TOTAL sigilo e privacidade quanto aos dados armazenados e
obtidos com este estudo.
A pesquisadora, psicóloga Lilian Donatti poderá retirá -la do estudo sem o seu
consentimento, caso você deixe de seguir o esquema do estudo.
7. INFORMAÇÕES DE NOMES, ENDEREÇOS E TELEFONES DOS RESPONSÁVEIS
PELO ACOMPANHAMENTO DA PESQUISA, PARA CONTATO EM CASO DE
INTERCORRÊNCIAS CLÍNICAS E REAÇÕES ADVERSAS.
A psicóloga Lilian Donatti estará à sua disposição, a qualquer momento, para discutir as
dúvidas que possa ter a respeito de sua endometriose, este estudo e sua participação. O
consultório da psicóloga Lilian Donatti fica na Rua Banco das Palmas, 409, Santana. O
Anexos 58
telefone de seu consultório é (11) 2977.2589, durante o horário comercial.
Se o desenho do estudo ou o uso da informação forem alterados ou se surgir alguma
descoberta significativa durante o estudo que possam afetar seu desejo em participar, você
será informada e será obtido novamente o seu consentimento.
Se t iver quaisquer dúvidas sobre seus direitos como indivíduo de pesquisa ou queixas
referentes a este estudo, você deverá telefonar para: Lilian Donatti: Rua Banco das Palmas,
409, Santana, (11) 2977.2589.
8 - OBSERVAÇÕES COMPLEMENTARES:
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________
9 - CONSENTIMENTO PÓS-ESCLARECIDO
Ao assinar este termo de consentimento livre e esclarecido, reconheço que li e compreendi
a informação precedente descrevendo este estudo. Minhas dúvidas foram satisfatoriamente
esclarecidas e estou assinando este termo de consentimento livre e esclarecido indicando
meu desejo de participar. Compreendo que receberei uma cópia assinada deste termo.
Ao assinar este termo de consentimento livre e esclarecido, não abdiquei de nenhum de
meus direitos legais aos quais eu pudesse fazer jus como participante de um estudo de
pesquisa.
São Paulo, de de .
___________________________________________
Assinatura do paciente/representante
legal
Data / /
-------------------------------------------------------------------------
Anexos 59
Assinatura da testemunha Data / /
para casos de pacientes menores de 18 anos, analfabetos, semi-analfabetos ou
portadores de deficiência auditiva ou visual.
(Somente para o responsável do projeto)
Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e Esclarecido
deste paciente ou representante legal para a participação neste estudo.
-------------------------------------------------------------------------
Assinatura do responsável pelo estudo Data / /
Anexos 60
Anexo C - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - grupo
controle
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DA
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO-HCFMUSP
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – grupo controle
_________________________________________________________________
___
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO DA PESQUISA OU RESPONSÁVEL LEGAL
1. NOME: .:............................................................................. ...........................................................
DOCUMENTO DE IDENTIDADE Nº : ........................................ SEXO: .M □ F □
DATA NASCIMENTO: ......../......../......
ENDEREÇO ................................................................................. Nº ........................... APT O:
..................
BAIRRO: ........................................................................ CIDADE
.............................................................
CEP:......................................... TELEFONE: DDD (............)
......................................................................
2.RESPONSÁVEL LEGAL
..............................................................................................................................
NATUREZA (grau de parentesco, tutor, curador etc.)
..................................................................................
DOCUMENTO DE IDENTIDADE:....................................SEXO: M □ F □
DATA NASCIMENTO.: ....../......./......
ENDEREÇO: ............................................................................................. Nº .................. . APTO:
.............................
BAIRRO: ................................................................................ CIDADE:
......................................................................
CEP: .............................................. TELEFONE: DDD
(............)..................................................................................
______________________________________________________________________________
_______________
DADOS SOBRE A PESQUISA
1. TÍTULO DO PROTOCOLO DE PESQUISA
Intervenção psicológica por meio da terapia cognitivo -comportamental em
mulheres com endometriose e dor pélvica crônica.
2. PESQUISADOR: Lilian Donatti
CARGO/FUNÇÃO: Pós-Graduanda do Departamento da Ginecologia da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo.
INSCRIÇÃO CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA Nº: 06/65847
Anexos 61
UNIDADE DO HCFMUSP: Disciplina de Ginecologia HCFMUSP
3. AVALIAÇÃO DO RISCO DA PESQUISA:
RISCO MÍNIMO X RISCO MÉDIO □
RISCO BAIXO □ RISCO MAIOR □
4. DURAÇÃO DA PESQUISA: 4 MESES
5. SOBRE A PESQUISA:
5.1 – JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS DA PESQUISA
Você está sendo convidada, de forma voluntária, para participar desta pesquisa que tem como
objetivo verificar se o tratamento psicológico ajuda na mudança da fo rma como a mulher com
endometriose convive com esta doença no seu dia -a-dia e se é possível alcançar uma melhor
qualidade de vida.
5.2 – PROCEDIMENTOS QUE SERÃO UTILIZADOS E PROPÓSITOS:
No dia agendado, você preencherá alguns questionários sobre depressão, stress, dor,
qualidade de vida e forma de enfrentamento de situações no seu dia -a-dia. Após o período
de quatro meses será contatada para retornar e preencher outros questionários do mesmo
assunto. Esse intervalo se faz necessário para verificar se houve alguma mudança em
alguns destes resultados.
5.3 – RISCOS RELACIONADOS AOS PROCEDIMENTOS:
Os riscos de participar do preenchimento destes questionários são mínimos. Você estará sendo
acompanhada por profissional preparado e treinado.
5.4 –DESCONFORTOS E RISCOS ESPERADOS:
A pesquisa não oferece risco ou desconforto. A pesquisadora terá inteira disponibilidade para
esclarecer qualquer aspecto que se faça necessário.
5.5 – BENEFÍCIOS QUE PODERÃO SER OBTIDOS:
Participando desta pesquisa, você estará contribuindo com a construção de um tratamento
psicológico adequado e direcionado às mulheres com endometrioses, ajudando assim a
busca da melhora da qualidade de vida de quem passa por essa situação. Você estará
ajudando futuras pacientes em seu tratamento psicológico. Concordando em participar do
modo descrito, é necessário esclarecer que você não terá quaisquer benefícios ou direitos
Anexos 62
financeiros sobre os eventuais resultados decorrentes da pesquisa. Caso não concorde em
participar desta pesquisa, sua decisão não influenciará, de modo algum, o seu tratamento.
Salientamos ainda, que você tem a liberdade de retirar o consentimento em qualquer fase
da pesquisa sem prejuízos a seu cuidado e que terá direito de acesso sobre os eventuais
resultados des ta pesquisa e toda assistência necessária caso assim o desejar. Os
pesquisadores estarão à sua disposição para quaisquer esclarecimentos no endereço
abaixo especificado. Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre a ética da
pesquisa, entre em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) – Rua Ovídio Pires
de Campos, 225 – 5º andar – tel: 3069 -6442 ramais 16, 17, 18 ou 20,FAX:3069 -
6442ramal26–E-mail:
[email protected]
5.6 - CUSTOS:
Você não terá custos ao participar do estudo.
5.7 – TRATAMENTO ALTERNATIVO:
Não existem diferenças nos tratamentos realizados em virtude de sua participação ou não
neste estudo.
6 - ESCLARECIMENTOS DADOS PELO PESQUISADOR SOBRE GARANTIAS DO
SUJEITO DA PESQUISA CONSIGNANDO:
Sua participação no presente estud o é voluntária. Você pode optar por não participar ou
interromper sua participação no estudo a qualquer momento, sem sanção nem perda de
benefícios aos quais pudesse ter direito. Se decidir interromper antes de terminar o estudo,
será solicitado voltar ao consultório/hospital para uma visita final.
O pesquisador assegura TOTAL sigilo e privacidade quanto aos dados armazenados e
obtidos com este estudo.
A pesquisadora, psicóloga Lilian Donatti poderá retirá -la do estudo sem o seu
consentimento, caso você deixe de seguir o esquema do estudo.
7. INFORMAÇÕES DE NOMES, ENDEREÇOS E TELEFONES DOS RESPONSÁVEIS
PELO ACOMPANHAMENTO DA PESQUISA, PARA CONTATO EM CASO DE
INTERCORRÊNCIAS CLÍNICAS E REAÇÕES ADVERSAS.
A psicóloga Lilian Donatti estará à sua disposição, a qualquer momento, para discutir as
dúvidas que possa ter a respeito de sua endometriose, este estudo e sua participação. O
Anexos 63
consultório da psicóloga Lilian Donatti fica na Rua Banco das Palmas, 409, Santana. O
telefone de seu consultório é (11) 2977.2589, durante o horário comercial.
Se o desenho do estudo ou o uso da informação forem alterados ou se surgir alguma
descoberta significativa durante o estudo que possam afetar seu desejo em participar, você
será informada e será obtido novamente o seu consentimento.
Se tiver quaisquer dúvidas sobre seus direitos como indivíduo de pesquisa ou queixas
referentes a este estudo, você deverá telefonar para: Lilian Donatti: Rua Banco das Palmas,
409, Santana, (11) 2977.2589.
8 - OBSERVAÇÕES COMPLEMENTARES:
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________
9 - CONSENTIMENTO PÓS-ESCLARECIDO
Ao assinar este termo de consentimento livre e esclarecido, reconheço que li e compreendi
a informação precedente descrevendo este estudo. Minhas dúvidas foram satisfatoriamente
esclarecidas e estou assinando este termo de consentimento livre e esclarecido indicando
meu desejo de participar. Compreendo que receberei uma cópia assinada deste termo.
Ao assinar este termo de consentimento livre e esclarecido, não abdiquei de nenhum de
meus direitos legais aos quais eu pudesse fazer jus como participante de um estudo de
pesquisa.
São Paulo, de de .
___________________________________________
Assinatura do paciente/representante
legal
Data / /
-------------------------------------------------------------------------
Assinatura da testemunha Data / /
Anexos 64
para casos de pacientes menores de 18 anos, analfabetos, semi-analfabetos ou
portadores de deficiência auditiva ou visual.
(Somente para o responsável do projeto)
Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e Esclarecido
deste paciente ou representante legal para a participação neste estudo.
-------------------------------------------------------------------------
Assinatura do responsável pelo estudo Data / /
Anexos 65
Anexo D – Instrumentos
COPE Breve
Estamos interessados em saber a maneira como você está tentando lidar com uma
situação difícil. Cada item abaixo refere-se a uma maneira específica de lidar com essa
situação. Avalie cada item separadamente, respondendo com as opções 1, 2, 3 ou 4
dentro dos parênteses. Responda as questões da forma mais sincera possível.
1 = Não tenho feito de jeito nenhum
2 = Tenho feito um pouco
3 = Tenho feito mais ou menos
4 = Tenho feito bastante
( ) 1. Tenho me dedicado ao trabalho ou outras atividades para me distrair.
( ) 2. Tenho concentrado meus esforços para fazer alguma coisa em relação à
situação na qual me encontro.
( ) 3. Tenho dito a mim mesmo(a): “isto não é real”.
( ) 4. Tenho consumido álcool ou outras drogas/medicamentos para me sentir
melhor.
( ) 5. Tenho recebido apoio emocional de outras pessoas.
( ) 6. Estou desistindo de enfrentar a situação.
( ) 7. Tenho tomado alguma atitude para tentar melhorar a situação.
( ) 8. Tenho me negado a acreditar que essa situação tenha acontecido.
( ) 9. Tenho dito coisas para extravasar meus sentimentos desagradáveis.
( ) 10. Tenho recebido ajuda e conselhos de outras pessoas.
( ) 11. Tenho consumido álcool ou outras drogas para me ajudar a superar a
situação.
( ) 12. Tenho tentado enxergar a situação de outra forma para fazê-la parecer mais
positiva.
( ) 13. Tenho me criticado.
( ) 14. Tenho tentado criar uma estratégia em relação ao que fazer.
( ) 15. Tenho recebido conforto e compreensão de alguém.
( ) 16. Estou desistindo de tentar enfrentar a situação.
( ) 17. Tenho tentado enxergar algo de bom no que está acontecendo.
( ) 18. Tenho feito piadas sobre a situação.
Anexos 66
( ) 19. Tenho feito coisas para pensar menos na situação como ir ao cinema, ver TV,
ler, sonhar acordado(a), dormir ou ir às compras.
( ) 20. Tenho aceitado a realidade do fato acontecido.
( ) 21. Tenho expressado meus sentimentos negativos.
( ) 22. Tento tentado encontrar conforto em minha religião ou crenças espirituais.
( ) 23. Tenho tentado obter conselho ou ajuda com outras pessoas sobre o que
fazer.
( ) 24. Tenho aprendido a conviver com esta situação.
( ) 25. Tenho pensado bastante sobre os passos que irei dar.
( ) 26. Tenho me culpado pelas coisas que aconteceram.
( ) 27. Tenho orado ou meditado.
( ) 28. Tenho ridicularizado a situação.
Anexos 67
BDI-II Inventário de Depressão de Beck
Nome:__________________________________________________Data:_________________
_
Este questionário consiste em 21 grupos de afirmações. Por favor, leia cuidadosamente.
Depois, escolha uma frase de cada grupo, que melhor descreve o modo como você tem se
sentido nas duas últimas semanas, incluindo o dia de hoje. Faça um círculo em volta do
número (0,1,2,3), correspondente à afirmação escolhida em cada grupo. Se mais de uma
afirmação em um grupo lhe parecer igualmente apropriada, escolha a de número mais alto
neste grupo. Verifique se não marcou mais de uma afirmação por grupo, incluindo o item 16
(alterações no padrão de sono) e o item 18 (alterações de apetite).
1. Tristeza
0 Não me sinto triste.
1 Eu me sinto triste grande parte do tempo.
2 Estou triste o tempo todo.
3 Estou tão triste ou tão infeliz que não consigo suportar.
2. Pessimismo
0 Não estou desanimada a respeito do meu futuro.
1 Eu me sinto mais desanimada a respeito do meu futuro do que de costume.
2 Não espero que as coisas dêem certo para mim.
3 Sinto que não há esperança quanto ao meu futuro. Acho que só vai piorar.
3. Fracasso passado
0 Não me sinto uma fracassada.
1 Tenho fracassado mais do que deveria.
2 Quando penso no passado vejo muitos fracassos.
3 Sinto que como pessoa, sou um fracasso total.
4. Perda de prazer
0 Continuo sentindo o mesmo prazer que sentia com as coisas de que eu gosto.
1 Não sinto tanto prazer com as coisas como costumava sentir.
2 Tenho muito pouco prazer nas coisas que eu costumava gostar.
3 Não tenho mais nenhum prazer nas coisas que costumava gostar.
5. Sentimentos de culpa
0 Não me sinto particularmente culpada.
1 Eu me sinto culpada a respeito de várias coisas que fiz e/ou que deveria ter feito.
2 Eu me sinto culpado a maior parte do tempo.
3 Eu me sinto culpada o tempo todo.
6. Sentimentos de punição
0 Não sinto que estou sendo punida.
1 Sinto que posso ser punida.
2 Eu acho que serei punida.
3 Sinto que estou sendo punida.
Anexos 68
7. Auto-estima
0 Eu me sinto como sempre me senti em relação a mim mesma.
1 Perdi a confiança em mim mesma.
2 Estou desapontada comigo mesma.
3 Não gosto de mim.
8. Autocrítica
0 Não me critico nem me culpo mais do que o habitual.
1 Estou sendo mais crítica comigo mesma do que costumava ser.
2 Eu me critico por todos os meus erros.
3 Eu me culpo por tudo de ruim que acontece.
9. Pensamentos ou desejos suicidas
0 Não tenho nenhum pensamento de me matar.
1 Tenho pensamentos de me matar, mas não levaria isso adiante.
2 Gostaria de me matar.
3 Eu me mataria se tivesse oportunidade.
10. Choro
0 Não choro mais do que chorava antes.
1 Choro mais agora do que costumava chorar.
2 Choro por qualquer coisinha.
3 Sinto vontade de chorar, mas não consigo.
11. Agitação
0 Não me sinto mais inquieta ou agitada do que me sentia antes.
1 Eu me sinto mais inquieta ou agitada do que me sentia antes.
2 Eu me sinto tão inquieta ou agitada que é difícil ficar parada.
3 Estou tão inquieta ou agitada que tenho que estar sempre me mexendo ou fazendo
alguma coisa.
12. Perda de interesse
0 Não perdi o interesse por outras pessoas ou por minhas atividades.
1 Estou menos interessada pelas outras pessoas ou coisas do que costumava estar.
2 Perdi quase todo o interesse por outras pessoas ou coisas.
3 É difícil me interessar por alguma coisa.
13. Indecisão
0 Tomo minhas decisões tão bem quanto antes.
1 Acho mais difícil tomar decisões agora do que antes.
2 Tenho muito mais dificuldade em tomar decisões agora do que antes.
3 Tenho dificuldade para tomar qualquer decisão.
14. Desvalorização
0 Não me sinto sem valor.
1 Não me considero hoje tão útil ou não me valorizo como antes.
2 Eu me sinto com menos valor quando me comparo com outras pessoas.
3 Eu me sinto completamente sem valor.
15. Falta de energia
Anexos 69
0 Tenho tanta energia hoje como sempre tive.
1 Tenho menos energia do que costumava ter.
2 Não tenho energia suficiente para fazer muita coisa.
3 Não tenho energia suficiente para nada.
16. Alterações no padrão de sono
0 Não percebi nenhuma mudança no meu sono
1a Durmo um pouco mais do que o habitual.
1b Durmo um pouco menos do que o habitual.
2a Durmo muito mais do que o habitual.
2b Durmo muito menos do que o habitual.
3a Durmo a maior parte do dia.
3b Acordo 1 ou 2 horas mais cedo e não consigo voltar a dormir.
17. Irritabilidade
0 Não estou mais irritada do que o habitual.
1 Estou mais irritada do que o habitual.
2 Estou muito mais irritada do que o habitual.
3 Fico irritada o tempo todo.
18. Alterações de apetite
0 Não percebi nenhuma mudança no meu apetite.
1a Meu apetite está um pouco menor do que o habitual.
1b Meu apetite está um pouco maior do que o habitual.
2a Meu apetite está muito menor do que antes.
3a Não tenho nenhum apetite.
3b Quero comer o tempo todo.
19. Dificuldade de concentração
0 Posso me concentrar tão bem quanto antes.
1 Não posso me concentrar tão bem como habitualmente.
2 É muito difícil manter a concentração em alguma coisa por muito tempo.
3 Eu acho que não consigo me concentrar em nada.
20. Cansaço ou fadiga
0 Não estou mais cansada ou fatigada do que o habitual.
1 Fico cansada ou fatigada mais facilmente do que o habitual.
2 Eu me sinto cansada ou fatigada para fazer muitas das coisas que costumava fazer.
3 Eu me sinto muito cansada ou fatigada para fazer a maioria das coisas que costumava
fazer.
21. Perda de interesse por sexo
0 Não notei qualquer mudança recente no meu interesse por sexo.
1 Estou menos interessada em sexo do que costumava estar.
2 Estou muito menos interessada em sexo agora.
3 Perdi completamente o interesse por sexo.
Anexos 70
INVENTÁRIO DE SINTOMAS DE STRESS PARA ADULTOS DE LIPP (ISSL)
Marilda Emmanuel Novaes Lipp - Casa do Psicólogo – 2005
Nome:__________________________________________________Data:______________
QUADRO 1
a) Assinalar com (F 1) os sintomas que tem experimentado nas ÚLTIMAS 24 HORAS
( ) 1. MÃO E PÉS FRIOS
( ) 2. BOCA SECA
( ) 3. NÓ NO ESTÔMAGO
( ) 4. AUMENTO DE SUDORESE (muito suor, suadeira)
( ) 5. TENSÃO MUSCULAR
( ) 6. APERTO DA MANDÍBULA/RANGER OS DENTES
( ) 7. DIARRÉIA PASSAGEIRA
( ) 8. INSÔNIA (dificuldade para dormir)
( ) 9. TAQUICARDIA (batedeira no peito)
( ) 10. HIPERVENTILAÇÃO (respirar ofegante, rápido)
( ) 11. HIPERTENSÃO ARTERIAL SÚBITA E PASSAGEIRA (pressão alta)
( ) 12. MUDANÇA DE APETITE
b) Assinalar com (P 1) os sintomas que tem experimentado nas ÚLTIMAS 24 HORAS
( ) 13. AUMENTO SÚBITO DE MOTIVAÇÃO
( ) 14. ENTUSIASMO SÚBITO
( ) 15. VONTADE SÚBITA DE INICIAR NOVOS PROJETOS
QUADRO 2
a) Assinalar com um (F 2) os sintomas que tem experimentado na ÚLTIMA SEMANA:
( ) 1. PROBLEMAS COM A MEMÓRIA
( ) 2. MAL-ESTAR GENERALIZADO, SEM CAUSA ESPECÍFICA
( ) 3. FORMIGAMENTO DAS EXTREMIDADES
( ) 4. SENSAÇÃO DE DESGASTE FÍSICO CONSTANTE
( ) 5. MUDANÇA DE APETITE
( ) 6. APARECIMENTO DE PROBLEMAS DERMATOLÓGICOS (problemas de pele)
( ) 7. HIPERTENSÃO ARTERIAL (pressão alta)
( ) 8. CANSAÇO CONSTANTE
( ) 9. APARECIMENTO DE ÚLCERA
( ) 10. TONTURA/SENSAÇÃO DE ESTAR FLUTUANDO
QUADRO 2
b) Assinalar com um (P 2) os sintomas que tem experimentado na ÚLTIMA SEMANA:
Anexos 71
( ) 11. SENSIBILIDADE EMOTIVA EXCESSIVA (estar muito nervoso)
( ) 12. DÚVIDA QUANTO A SI PRÓPRIO
( ) 13. PENSAR CONSTANTEMENTE EM UM SÓ ASSUNTO
( ) 14. IRRITABILIDADE EXCESSIVA
( ) 15. DIMINUIÇÃO DA LIBIDO (sem vontade de sexo)
QUADRO 3
a) Assinalar com um (F 3) os sintomas que tem experimentado no ÚLTIMO MÊS:
( ) 1. DIARRÉIA FREQUENTE
( ) 2. DIFICULDADES SEXUAIS
( ) 3. INSÔNIA (dificuldade para dormir)
( ) 4. NÁUSEA
( ) 5. TIQUES
( ) 6. HIPERTENSÃO ARTERIAL CONTINUADA
( ) 7. PROBLEMAS DERMATOLÓGICOS PROLONGADOS (problemas de pele)
( ) 8. MUDANÇA EXTREMA DE APETITE
( ) 9. EXCESSO DE GASES
( ) 10. TONTURA FREQÜENTE
( ) 11. ÚLCERA
( ) 12. ENFARTE
b) Assinalar com um (P 3) os sintomas que tem experimentado no ÚLTIMO MÊS:
( ) 13. IMPOSSIBILIDADE DE TRABALHAR
( ) 14. PESADELOS
( ) 15. SENSAÇÃO DE INCOMPETÊNCIA EM TODAS AS ÁREAS
( ) 16. VONTADE DE FUGIR DE TUDO
( ) 17. APATIA, DEPRESSÃO OU RAIVA PROLONGADA
( ) 18. CANSAÇO EXCESSIVO
( ) 19. PENSAR/FALAR CONSTANTEMENTE EM UM SÓ ASSUNTO
( ) 20. IRRITABILIDADE SEM CAUSA APARENTE
( ) 21. ANGUSTIA/ANSIEDADE DIÁRIA
( ) 22. HIPERSENSIBILIDADE EMOTIVA
( ) 23. PERDA DO SENSO DE HUMOR
Anexos 72
EVAD – Escala Visual Analógica de Dor
Em relação à sua dor, assinale os quadros abaixo identificando o nível de dor
que sente de acordo com os momentos citados:
Em uma escala de 0 a 10 como você caracteriza a dor sentida durante a menstruação?
Média Moderada Severa
0 1
2 3 4 5 6 7 8 9 10
Em uma escala de 0 a 10 como você caracteriza a dor sentida fora do período
menstrual?
Média Moderada Severa
0 1
2 3 4 5 6 7 8 9 10
Anexos 73
Versão Brasileira do Questionário de Qualidade de Vida -SF-36
Nome:__________________________________________________
Data:______________
1- Em geral você diria que sua saúde é:
Excelente Muito Boa Boa Ruim Muito Ruim
1 2 3 4 5
2- Comparada há um ano atrás, como você se classificaria sua idade em geral (disposição física,
saúde emocional), agora?
Muito Melhor Um Pouco Melhor Quase a Mesma Um Pouco Pior Muito Pior
1 2 3 4 5
3- Os seguintes itens são sobre atividades que você poderia fazer atualmente durante um
dia comum. Devido à sua saúde, você teria dificuldade para fazer estas atividades? Neste
caso, quando?
Atividades Sim, dificulta
muito
Sim, dificulta
um pouco
Não, não
dificulta de
modo algum
a) Atividades Rigorosas, que exigem
muito esforço, tais como correr, levantar
objetos pesados, participar em esportes
árduos.
1 2 3
b) Atividades moderadas, tais como
mover uma mesa, passar aspirador de
pó, jogar bola, varrer a casa.
1 2 3
c) Levantar ou carregar mantimentos 1 2 3
d) Subir vários lances de escada 1 2 3
e) Subir um lance de escada 1 2 3
f) Curvar-se, ajoelhar-se ou dobrar-se 1 2 3
g) Andar mais de 1 quilômetro 1 2 3
h) Andar vários quarteirões 1 2 3
i) Andar um quarteirão 1 2 3
j) Tomar banho ou vestir-se 1 2 3
4- Durante as últimas 4 semanas, você teve algum dos seguintes problemas com seu
trabalho ou com alguma atividade regular, como consequência de sua saúde física?
Anexos 74
Sim Não
a) Você diminui a quantidade de tempo que se dedicava ao seu
trabalho ou a outras atividades?
1 2
b) Realizou menos tarefas do que você gostaria? 1 2
c) Esteve limitado no seu tipo de trabalho ou a outras atividades. 1 2
d) Teve dificuldade de fazer seu trabalho ou outras atividades (p. ex.
necessitou de um esforço extra).
1 2
5- Durante as últimas 4 semanas, você teve algum dos seguintes problemas com seu
trabalho ou outra atividade regular diária, como consequência de algum problema
emocional (como se sentir deprimido ou ansioso)?
Sim Não
a) Você diminui a quantidade de tempo que se dedicava ao seu
trabalho ou a outras atividades?
1 2
b) Realizou menos tarefas do que você gostaria? 1 2
c) Não realizou ou fez qualquer das atividades com tanto cuidado
como geralmente faz.
1 2
6- Durante as últimas 4 semanas, de que maneira sua saúde física ou problemas
emocionais interferiram nas suas atividades sociais normais, em relação à família,
amigos ou em grupo?
De forma nenhuma Ligeiramente Moderadamente Bastante Extremamente
1 2 3 4 5
7- Quanta dor no corpo você teve durante as últimas 4 semanas?
Nenhuma Muito leve Leve Moderada Grave Muito grave
1 2 3 4 5 6
8- Durante as últimas 4 semanas, quanto a dor interferiu com seu trabalho normal
(incluindo o trabalho dentro de casa)?
De maneira alguma Um pouco Moderadamente Bastante Extremamente
1 2 3 4 5
9- Estas questões são sobre como você se sente e como tudo tem acontecido com você
durante as últimas 4 semanas. Para cada questão, por favor dê uma resposta que mais se
aproxime de maneira como você se sente, em relação às últimas 4 semanas.
Anexos 75
Todo
Tempo
A maior
parte do
tempo
Uma boa
parte do
tempo
Alguma
parte do
tempo
Uma
pequena
parte do
tempo
Nunca
a) Quanto tempo você
tem se sentindo cheio de
vigor, de vontade, de
força?
1 2 3 4 5 6
b) Quanto tempo você
tem se sentido uma
pessoa muito nervosa?
1 2 3 4 5 6
c) Quanto tempo você
tem se sentido tão
deprimido que nada pode
anima-lo?
1 2 3 4 5 6
d) Quanto tempo você
tem se sentido calmo ou
tranquilo?
1 2 3 4 5 6
e) Quanto tempo você
tem se sentido com muita
energia?
1 2 3 4 5 6
f) Quanto tempo você
tem se sentido
desanimado ou abatido?
1 2 3 4 5 6
g) Quanto tempo você
tem se sentido esgotado? 1 2 3 4 5 6
h) Quanto tempo você
tem se sentido uma
pessoa feliz?
1 2 3 4 5 6
i) Quanto tempo você
tem se sentido cansado? 1 2 3 4 5 6
10- Durante as últimas 4 semanas, quanto de seu tempo a sua saúde física ou problemas
emocionais interferiram com as suas atividades sociais (como visitar amigos, parentes,
etc)?
Todo
Tempo
A maior parte do
tempo
Alguma parte do
tempo
Uma pequena
parte do tempo
Nenhuma parte
do tempo
1 2 3 4 5
11- O quanto verdadeiro ou falso é cada uma das afirmações para você?
Definitivamente
verdadeiro
A maioria
das vezes
verdadeiro
Não
sei
A maioria
das vezes
falso
Definitiva-
mente falso
a) Eu costumo obedecer
um pouco mais 1 2 3 4 5
Anexos 76
facilmente que as outras
pessoas
b) Eu sou tão saudável
quanto qualquer pessoa
que eu conheço
1 2 3 4 5
c) Eu acho que a minha
saúde vai piorar 1 2 3 4 5
d) Minha saúde é
excelente 1 2 3 4 5
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