Chronic pain, Endometriosis, Non-pharmacological
approach, Psychology, Therapy.
Non-pharmacological approach to pain in endometriosis*
Abordagem não farmacológica da dor em endometriose
Alessandra Bernadete Trovó de Marqui1
*Recebido da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Uberaba, MG, Brasil.
1. Universidade Federal do T riângulo Mineiro, Uberaba, MG, Brasil.
Apresentado em 13 de junho de 2014.
Aceito para publicação em 27 de outubro de 2014.
Conflito de interesses: não há. Fomentos de fomento: não há.
Endereço para correspondência:
Alessandra Bernadete T rovó de Marqui
UFTM, Instituto de Ciências Biológicas e Naturais/ICBN, Deptº de Patologia, Genética e
Evolução, Disciplina de Genética, Campus I
Praça Manoel T erra, 330
38015-050 Uberaba, MG, Brasil.
E-mail:
[email protected]
© Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
ReSumo
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A endometriose é uma con-
dição ginecológica caracterizada principalmente por dor crônica
e infertilidade. Para tratamento da dor associada à endometriose,
o foco ainda é baseado no tratamento convencional. No entanto,
as terapias com abordagem não farmacológica constituem novas
opções, mas ainda não há consenso sobre a utilização dessas tera-
pias como recurso efetivo no controle da dor. Diante do exposto,
este estudo teve como objetivo contribuir com os conhecimentos
nesta área e analisar a produção bibliográfica a respeito da aplica-
ção dessas técnicas no tratamento da dor em endometriose.
CONTEÚDO: Foi realizada uma pesquisa bibliográfica, no
Pubmed, sem restrição de período, utilizando o termo endome-
triosis cruzado com acupuncture, massage, Pilates e cognitive beha-
vioral therapy. Foram identificados na busca eletrônica 61 artigos
científicos e, de acordo com os critérios de inclusão e exclusão
pré-estabelecidos, sete foram selecionados para leitura. T rês deles
empregaram acupuntura, dois massagem e dois terapia cognitiva
comportamental para alívio da dor em endometriose. O método
Pilates não foi aplicado para controle da dor em endometriose.
T odos os estudos mostraram eficácia das técnicas empregadas na
redução da dor crônica nessa doença.
CONCLUSÃO: Ficou evidente que a produção de conhecimen-
to sobre a temática é escassa, o que sugere a necessidade de estu-
dos adicionais. Ainda, tais opções deveriam ser incorporadas ao
tratamento convencional oferecido a pacientes com endometrio-
se por serem de baixo custo, exibirem poucos efeitos adversos e
apresentarem resultados satisfatórios para o alívio da dor.
Descritores: Dor crônica, Endometriose, Psicologia, T erapêuti-
ca, T ratamento não farmacológico.
InTRodução
Endometriose é uma condição ginecológica crônica caracterizada
principalmente por dor crônica e infertilidade que acomete cerca
de 10% das mulheres em idade reprodutiva. É definida pela pre-
sença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Os sintomas
incluem dismenorreia, dispareunia, dor pélvica crônica (DPC), di-
suria, disquezia e infertilidade. A dismenorreia, também conheci-
da como cólica menstrual, é uma dor pélvica que ocorre antes ou
durante o período menstrual. A dispareunia corresponde à dor na
relação sexual, disuria e disquezia são definidas como dor ao urinar
e defecar, respectivamente
1. Dois estudos independentes mostraram
que a prevalência de dismenorreia foi de 94,42 e 573; 74,32 e 60%3
das mulheres relataram dor crônica e a dispareunia esteve presente
ARTIGo de ReVISão
doI 10.5935/1806-0013.20140065
301
Abordagem não farmacológica da dor em endometriose Rev Dor. São Paulo, 2014 out-dez;15(4):300-3
em 70,12 e 47%3 das pacientes investigadas. Das mulheres com dis-
pareunia, 80% alteraram seu comportamento sexual ao interromper
ou evitar as relações sexuais devido à dor3. Dentre os sintomas mais
comuns coexistentes relacionados à dor destacaram-se dores nas
costas e pernas em 75,7% e tontura/dores de cabeça em 60,7%
2.
Devido aos sintomas da doença, as pacientes exibem redução da
produtividade no trabalho e taxas elevadas de absenteísmo
2-4.
As queixas álgicas constantes relatadas pelas pacientes com endo-
metriose exercem impacto negativo, direto e indireto, na vida das
portadoras dessa doença. Assim, para controle dessa dor, são empre-
gados tratamentos convencionais à base de hormônios e/ou cirurgia.
Os tratamentos farmacológicos desencadeiam vários efeitos adversos
(fogachos, alterações emocionais, diminuição da massa óssea, resse-
camento vaginal, ganho de peso, acne, diminuição da libido, hirsu-
tismo, entre outros) e a cirurgia está associada a risco de recidiva ou
complicações
5. Um estudo recente mostrou que os gastos com cirur-
gia em endometriose corresponderam a 29% e aqueles com fárma-
cos foram responsáveis por 10% dos custos com cuidados à saúde
6.
Para tratamento da dor associada à endometriose, o foco ainda é
baseado no tratamento convencional. No entanto, as terapias com
abordagem fisioterapêutica (Pilates e massagem), acupuntura e psi-
cológica (terapia cognitiva comportamental (TCC)) constituem
novas opções, mas ainda não há consenso sobre a utilização dessas
terapias como recurso efetivo no controle da dor.
Diante do exposto, o objetivo deste estudo foi contribuir com os co-
nhecimentos nesta área e analisar a produção bibliográfica a respeito
da aplicação dessas técnicas no manuseio da dor em endometriose.
ConTeúdo
T rata-se de uma pesquisa bibliográfica realizada no Pubmed, sem
restrição de período, utilizando o termo endometriosis cruzado com
acupuncture, massage, pilates e cognitive behavioral therapy.
Os critérios de inclusão dos artigos foram: 1) estar intimamente re-
lacionado ao objetivo deste estudo, sendo a seleção realizada pela
análise do título e/ou abstract; 2) estar publicado no idioma inglês
ou português; 3) com disponibilidade gratuita do manuscrito na ín-
tegra; 4) com aplicação do(s) método(s) em humanos; 5) ser artigo
do tipo original/pesquisa. Foram excluídos artigos de revisão, atuali-
zação, carta ao editor, relato de caso e relato de experiência.
Foram identificados na busca eletrônica 61 artigos científicos e sete
cumpriram com os critérios estabelecidos e foram incluídos neste
estudo. Os resultados dessa pesquisa bibliográfica estão resumidos
na tabela 1.
T rês estudos avaliaram a contribuição da acupuntura no controle
da dor em endometriose
7-9. No estudo de 2002, 67 pacientes com
endometriose e dismenorreia foram divididas em dois grupos, sen-
do 37 submetidas a acupuntura auricular (EAT) e 30 tratadas com
fármacos chineses (CD). Os escores para pré e pós-tratamento no
grupo EAT foram 12,19±2,42 e 5,53±2,17, respectivamente, com-
parados a 11,22±3,11 (pré) e 10,34±3,51 (pós-tratamento) no gru-
po CD. Ao se comparar os efeitos terapêuticos dos dois tratamentos,
a taxa efetiva total foi de 91,9% para EAT e 60% para CD. Ambos
os resultados destacaram a superioridade da acupuntura na diminui-
ção da dor em endometriose
7. Um estilo japonês de acupuntura foi
aplicado em 14 mulheres jovens (idade média: 17 anos) com diag-
nóstico de endometriose e DPC
8. Nove pacientes foram submetidas
a acupuntura ativa e cinco a acupuntura sham, em um total de 16
sessões de acupuntura, duas vezes por semana por oito semanas con-
secutivas. A média (desvio padrão) dos níveis de dor antes do início
do tratamento foi 7,7 (2,3) e 7,6 (0,9) para acupuntura ativa e sham,
respectivamente. Após 4 semanas, o declínio foi significativamente
maior no grupo acupuntura ativa quando comparado ao controle,
isto é, -4,8 (2,4) versus -1,4 (2,1), respectivamente. Após 8 semanas
e 6 meses do início do estudo, a redução da dor no grupo ativo per-
maneceu ligeiramente maior, mas a diferença entre os grupos não
foi estatisticamente significativa [ativa versus sham após 8 semanas:
-4,3 (3,6) versus -3,8 (1,7); ativa versus sham após 6 meses: -3,6
(3,0) versus -2,8 (3,8)]
8. No estudo conduzido por Rubi-Klein et
al.9, 83 pacientes foram divididas em dois grupos e cada um recebeu
duas unidades de 10 sessões de acupuntura, duas vezes por semana
por um período de cinco semanas. O grupo 1 foi composto por 42
Tabela 1. Resultados da busca eletrônica no Pubmed
Autores Descritores
utilizados
Nº. de artigos
identificados
Nº de artigos excluídos/Motivo Nº. de artigos sele-
cionados para leitura
Xiang et al.7
Wayne et al.8
Rubi-Klein et al.9
Endometriosis
and acupuncture
35 32 excluídos
12 artigos de revisão
8 estudos em outros idiomas (7 em chinês)
1 carta ao editor
7 não relacionados ao tema
3 artigos de revisão e publicados em outro idioma
1 relato de caso
3
Valiani et al.10
Missmer e Bove11
Endometriosis
and massage
5 3 excluídos
2 relato de caso
1 não relacionado ao objetivo do estudo
2
- Endometriosis
and Pilates
8 8 excluídos
Nenhum dos artigos mencionou a aplicação do mé-
todo Pilates em endometriose no título e/ou resumo
-
Lorençatto et al.12
Mendes e Figueiredo13
Endometriosis and
cognitive behavio-
ral therapy
13 11 excluídos
3 artigos de revisão
8 não relacionados ao tema
2
Total 61 54 7
302
T rovó-Marqui ABRev Dor. São Paulo, 2014 out-dez;15(4):300-3
pacientes com endometriose e o grupo 2 por 41. Na unidade 1, o
grupo 1 realizou acupuntura e o grupo 2 não e na unidade 2 ocorreu
o inverso, de acordo com delineamento crossover. O grupo 1 exibiu
uma redução significativa da intensidade da dor após as primeiras 10
sessões e o grupo 2 apresentou alívio da dor após o crossover.
Apenas dois estudos empregaram a massagem para controle da dor
em endometriose
10,11. Em um deles a técnica de massagem foi apli-
cada em 23 pacientes com endometriose e dismenorreia e os escores
da escala analógica visual (EAV) foram medidos em três períodos
distintos como apresentado na tabela 2. Antes da intervenção, cerca
de 52% das pacientes referiam dor intensa e seis semanas após a in-
tervenção 65% delas relataram ausência de dor menstrual
10. O outro
estudo empregou massagem e acupuntura para alívio de dores nas
pernas
11. Das 94 pacientes com endometriose avaliadas, 48 (51%)
revelaram a presença desse sintoma. A dor nas pernas foi bilateral,
unilateral esquerda e unilateral direita em 59, 24 e 17%, respecti-
vamente, com escore mediano na EAV de 5. Em 46% dos casos, o
clínico não sugeriu qualquer opção de tratamento para esse sintoma.
Entretanto, a maioria das mulheres realizou vários tipos de trata-
mento e 2/3 delas referiram benefícios. A massagem e a acupuntura
foram realizadas por 61 (25) e 31% (12), respectivamente, com rela-
to de melhora da dor em 79 (19) e 67% (8) dos casos
11.
O método Pilates não foi aplicado nas pacientes com endometriose
para controle da dor.
Dois estudos avaliaram o papel da TCC no controle da dor em en-
dometriose
12,13. O segundo estudo propôs a aplicação da TCC em
mulheres portuguesas com endometriose com a finalidade de me-
lhor conhecer a doença, em uma perspectiva psicológica, na dimen-
são qualitativa e quantitativa. O delineamento da TCC foi baseado
nos sintomas psicológicos e físicos (ansiedade, estresse, depressão,
dor, fadiga), relacionamento (parceiro/sexualidade, família e social) e
trabalho
13. O primeiro estudo avaliou 128 mulheres brasileiras com
endometriose, divididas igualmente em dois grupos, que receberam
ou não a intervenção do Grupo de Apoio Psicológico e Fisioterapêu-
tico às Mulheres com Endometriose (GAPFAME)
12. O GAPFAME
foi oferecido a todas as mulheres do Ambulatório de Endometriose
do CAISM/UNICAMP como tratamento complementar aos de-
mais atendimentos e procedimentos usuais (clínico e cirúrgico). Foi
definido e estruturado com base nos princípios da TCC e também
nas experiências relatadas de outras intervenções multidisciplinares
de dor crônica, tendo como principal objetivo transmitir informa-
ções sobre a endometriose e promover a reabilitação do bem-estar fí-
sico, emocional e social das mulheres com a doença. Foi estruturado
em 10 encontros semanais, com duração de 2h30, sendo a primeira
hora destinada à fisioterapia e as demais à intervenção psicológica.
A intensidade da dor foi medida pela EAV no grupo de apoio e
sem intervenção e os valores obtidos foram 4,2±3,3 e 6,6±2,4, res-
pectivamente, expressos como média±desvio padrão. No grupo de
apoio, os níveis de dor foram avaliados semanalmente e houve uma
redução significativa ao longo do tempo da intervenção (da primeira
à nona semana, p<0,0001), atingindo o valor de 2,6±2,6 na última
semana. A média de dor encontrada no grupo sem intervenção foi
maior do que a relatada pelas mulheres no início do grupo de apoio.
No entanto, não houve nenhum critério específico para a seleção
dos grupos que justificasse a diferença encontrada referente à EAV .
Ao final dos grupos, foram frequentes os relatos de melhoras refe-
rentes ao aspecto físico e emocional associados à diminuição da dor.
Nesse sentido, a intervenção proposta no grupo de apoio atingiu
plenamente seus objetivos, pois promoveu redução nos escores de
dor e depressão contribuindo para a melhora da qualidade de vida
das pacientes
12.
dISCuSSão
Em endometriose, a dor crônica é o sintoma que mais aflige as por-
tadoras, pois ela tem impacto negativo na qualidade de vida das mu-
lheres, afetando os relacionamentos, a capacidade no trabalho e a
funcionalidade, entre outros aspectos da vida diária.
Os resultados dos estudos apresentados mostraram que a acupuntu-
ra foi efetiva no tratamento da dor em endometriose, mas dois deles
reforçaram a necessidade de pesquisas adicionais
8,9. Um deles con-
cluiu que o pequeno tamanho da amostra empregada nesse estudo
piloto limitou a obtenção de conclusões definitivas, mas enfatizou a
receptividade das pacientes jovens com endometriose ao tratamen-
to
8. Uma revisão da literatura publicada em 201114 identificou 24
estudos que empregaram acupuntura para controle da dor em en-
dometriose. No entanto, apenas um cumpriu com os critérios de in-
clusão e foi considerado nesta revisão. Os autores concluíram que a
evidência científica que suporta a eficácia da acupuntura para dor na
endometriose é limitada, com base nos resultados de um único es-
tudo
14. A acupuntura tem sido aplicada com sucesso no tratamento
da dor pélvica, infertilidade e dismenorreia, todos sintomas frequen-
tes em pacientes com endometriose
15. Também tem sido utilizada
como uma terapia complementar satisfatória no tratamento da dor
em odontologia
16. Um achado interessante foi que sete artigos publi-
cados em chinês empregaram a acupuntura para tratamento da dor
em pacientes com endometriose. Isso ocorreu porque a acupuntura
é uma das ciências mais antigas e respeitadas do mundo, principal-
mente pelos orientais, em especial na China, onde essa técnica mi-
lenar começou a se difundir como segredo de família
16.
A massagem também foi efetiva no manuseio da dor em endome-
triose minimizando os sintomas de dor menstrual e dores nas per-
Tabela 2. Escores da dor menstrual de acordo com escala analógica visual em três períodos distintos
Intensidade da dor menstrual Antes da intervenção
(n e %)
Imediatamente após a intervenção
(n e %)
Seis semanas após a intervenção
(n e %)
0 (nenhuma dor) 0 (0) 8 (34,8) 15 (65,2)
1-3 (leve) 1 (4,3) 6 (26) 7 (30,5)
4-6 (moderada) 10 (43,4) 5 (21,7) 1 (4,3)
7-10 (intensa) 12 (52,3) 4 (17,3) 0 (0)
Total 23 (100) 23 (100) 23 (100)
303
Abordagem não farmacológica da dor em endometriose Rev Dor. São Paulo, 2014 out-dez;15(4):300-3
nas, sendo esses considerados relacionados e coexistentes à endome-
triose, respectivamente10,11.
Apesar de não existirem artigos publicados sobre aplicação de Pi-
lates em endometriose, dois estudos destacaram a eficácia desse
método na redução da dor crônica da coluna vertebral
17 e disme-
norreia primária18. O primeiro estudo identificou diminuição sig-
nificativa de 66% da dor no grupo experimental (20 universitárias
com idade entre 18 e 25 anos com diagnóstico de escoliose não
estrutural) (p=0,0002)
17. A pesquisa de 2012 submeteu as pacien-
tes com dismenorreia a um protocolo de 16 exercícios, de solo e
bola, voltados para a região pélvica, baseados no método Pilates.
O valor médio da dor, de acordo com a EAV , antes do tratamento
foi de 7,89±1,96 e após 2,56±0,56 (p<0,001)
18. Ambos os estu-
dos mostraram que o Pilates proporcionou alívio das dores, com
ótimos resultados17,18. Nesse sentido, e considerando a ausência de
artigos científicos aplicando esta técnica no controle da dor endo-
metriótica, sugere-se a utilização do referido método como recurso
não farmacológico para o tratamento da dor em mulheres com
endometriose.
Em relação à TCC, outro estudo confirmou o sucesso dessa es-
tratégia para o manuseio da dor
19. Nessa pesquisa, 79 indivíduos
com dor crônica (72 do gênero feminino) de diferentes etiolo-
gias participaram de um Programa de Controle da Dor Crônica,
com abordagem psicoeducativa e enfoque cognitivo-compor-
tamental, liderado por uma enfermeira e realizado por equipe
multidisciplinar (fisioterapeuta, enfermeiro, psicólogo, terapeuta
ocupacional e nutricionista). Ao final do programa (duração:
oito semanas), observou-se redução significativa na intensidade
da dor, incapacidade e sintomas depressivos
19. Os resultados en-
contrados nesse estudo evidenciaram os benefícios desse tipo de
tratamento no manuseio da dor crônica e corroboraram aqueles
publicados previamente por Lorençatto et al.
12. Os autores do
estudo de 2012 sugerem que essa intervenção seja utilizada em
centros especializados no tratamento da dor, centros de reabilita-
ção ou serviços de medicina preventiva
19. Já Lorençatto et al.12 re-
comendam a incorporação dessa abordagem ao tratamento con-
vencional oferecido às pacientes com endometriose. No entanto,
isso exigiria a participação de uma equipe multiprofissional para
sua aplicação e efetividade.
Vale ainda considerar que o impacto econômico dessas técnicas e
o custo da sessão não são significativos e onerosos ao paciente. O
tratamento alternativo é seguro, não possui contraindicações e os
efeitos adversos são praticamente ine xistentes, desde que o paciente
seja atendido por um profissional habilitado e que os princípios da
técnica sejam seguidos à risca, considerando as condições sis têmicas
apresentadas por cada indivíduo.
Os dados evidenciaram que o tratamento não farmacológico/cirúr-
gico da dor em endometriose ainda é pouco explorado e utilizado na
área da saúde. Nessa direção, mais pesquisas devem ser realizadas para
que se conheça a real contribuição dessas terapias no alívio da dor. No
entanto, os escassos trabalhos publicados mostraram resultados pro-
missores dessas técnicas no controle da dor em endometriose.
ConCLuSão
As poucas pesquisas apresentadas neste estudo mostraram que acu-
puntura, Pilates, massagem e TCC proporcionaram redução nos
escores de dor em pacientes com endometriose. Contudo, mais es-
tudos voltados para essa temática devem ser realizados com amostra
maior e em outras condições caracterizadas por dor crônica, para
comprovar os resultados das pesquisas aqui apresentadas. Tais op-
ções deveriam ser incorporadas ao tratamento convencional ofere-
cido a pacientes com endometriose por serem de baixo custo, exibi-
rem poucos efeitos colaterais e apresentarem resultados satisfatórios
no alívio da dor. Ainda, ficou evidente a importância da inclusão de
uma equipe multiprofissional no atendimento à endometriose, em
virtude da complexidade dessa condição ginecológica.
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