{"paper_id":"54007c77-2e05-49cb-9f21-d56be99d220f","body_text":"UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO \nFACULDADE DE MEDICINA  \n \n \n \n \nLilian Donatti \n  \n   \n  \nIntervenção psicológica por meio da terapia cognitivo-\ncomportamental em mulheres com endometriose e dor \npélvica crônica \n  \n \nVersão original \n  \n \n \n \n  \n \n \n    \nSão Paulo  \n2023   \n\n\nLilian Donatti \n  \n   \n \n  \nIntervenção psicológica por meio da terapia cognitivo-\ncomportamental em mulheres com endometriose e dor \npélvica crônica \n  \n  \n \n \nTese apresentada à Faculdade de \nMedicina da Universidade de São Paulo \npara obtenção do Título de Doutora em \nCiências  \nPrograma de Obstetrícia e Ginecologia \nOrientador: Prof. Dr. Sergio Podgaec \n \n  \n  \n  \n \n \n \n   \n  \nSão Paulo  \n2023   \n\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n  \n\n\nDedicatória \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nDedico esse trabalho a todas as pacientes que aceitaram estar \ncomigo nesta jornada e que tive o prazer de conhecer cada \nfuncionamento psíquico e guiá-las em importantes transformações \nrumo ao aprofundamento do autoconhecimento e a melhora da \nqualidade de vida. \nDedico à todas as pacientes com endometriose que precisam de \napoio especializado no campo emocional. \nDedico ao meu filho e aos meus pais que sempre me apoiaram e \nincentivaram, sem eles eu não teria conseguido seguir em frente. \n\nAgradecimentos \n \n \nAgradeço ao meu orientador Prof. Dr. Sergio Podgaec , pela excelência e \nprecisão em sua orientação, pelo incentivo e apoio na  construção desta \npesquisa, pelos ensinamentos e ricos direcionamentos.  \nAgradeço ao Prof. Dr. Edmund Baracat, Professor Titular da Disciplina de \nGinecologia do Departamento  de Obstetrícia e Ginecologia , pela oportunidade \nem abrir as portas para falarmos da parte emocional da endometriose e sempre \nincentivar esse caminho. \nAgradeço à todos os coordenadores e residentes que atuaram no Hospital \ndas Clínicas ao longo do tempo da pesquisa e que me auxiliaram no \nencaminhamento das pacientes que aqui participaram. \nAgradeço à todos os enfermeiros e funcionários da Clínica Ginecológica do \nHospital das Clínicas que sempre foram solícitos às minhas necessidades \ndurante o tempo de coleta de dados. \nAgradeço à todos os professores das disciplinas do Doutorado que me \nauxiliaram a aprimorar e construir novas ideias. \nAgradeço ao apoio imprescindível da  administração, secretaria, biblioteca \ne suporte, em especial através dos nomes de Lucinda Cristina Pereira e Claudia \nVieira, estendendo-se a todos que fazem parte destas importantes áreas. \n \n  \n\nSumário \n  \n \nSumário ......................................................................................................................................... 6 \n1 Introdução .................................................................................................................................. 1 \n1.1 Como a endometriose afeta o emocional ..................................................................... 1 \n1.2 Tratamentos psicológicos na endometriose ....................................................................... 8 \n2 Objetivos .................................................................................................................................. 13 \n2.1 Objetivo Geral ....................................................................................................................... 13 \n2.2 Objetivos Específicos ............................................................................................................. 13 \n3. Método ................................................................................................................................ 14 \n3.1 Tipo de estudo e Participantes .......................................................................................... 14 \n3.1.1 Critérios de inclusão ................................................................................................... 14 \n3.1.2 Critérios de exclusão .................................................................................................. 14 \n3.2 Cálculo amostral ................................................................................................................ 15 \n3.3 Procedimentos e Instrumentos ......................................................................................... 15 \n3.4 Dinâmica do estudo........................................................................................................... 18 \n3.5 Detalhamento das atividades de cada encontro .............................................................. 18 \n3.6 Análise estatística .............................................................................................................. 21 \n3.6.1 Variáveis qualitativas e quantitativas ......................................................................... 21 \n3.6.2 Descritivas por grupo e tempo ................................................................................... 22 \n3.6.2 Descritivas por grupos e tempos ................................................................................ 23 \n3.6.2 Comparações entre grupos quanto aos deltas .......................................................... 24 \n4 Resultados ................................................................................................................................ 25 \n4.1 Caracterização da amostra ................................................................................................ 25 \n4.2 Coping (Formas de Enfrentamento) .................................................................................. 28 \n4.3 Depressão .......................................................................................................................... 31 \n4.4 Stress ................................................................................................................................. 33 \n4.5 Dismenorreia e dor pélvica crônica ................................................................................... 35 \n4.6 Qualidade de Vida ............................................................................................................. 37 \n5 Discussão .................................................................................................................................. 43 \n6 Conclusões ................................................................................................................................ 51 \n7 Anexos ...................................................................................................................................... 52 \n8 Referências ............................................................................................................................... 77 \n \n\nLista de Siglas e Abreviaturas \n \n \nACT Terapia de Aceitação e Compromisso \nbMBI breve Intervenção Baseada em Mindfulness \nDBT Terapia Comportamental Dialética \nEHP-30 Endometriosis Health Profile Questionnaire \nEVA Escala Visual Analógica \nFIV fertilização in vitro \nFMUSP Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo \nHCFMUSP Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da \nUniversidade de São Paulo \nISSL Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp \nLDM Lista de dificuldades e metas \nRPD Registro de Pensamentos Automáticos \nTCC Terapia Cognitivo-comportamental \nTREC Terapia Racional Emotiva Comportamental \n \n  \n\nLista de Figura \n  \n \nFigura 1 Dinâmica do estudo............................................................. 17 \n   \n \n \n \n \n    \n\nLista de Tabelas \n  \n \nTabela 1 Dados demográficos gerais e clínicos das pacientes no \ngrupo controle e intervenção............................................ \n \n24 \n   \nTabela 2 Idade, idade da menarca e quadro clínico dos grupos \ncontrole e intervenção....................................................... \n \n25 \n   \nTabela 3 Informações sobre tratamentos atuais ou já realizados no \ngrupo controle e intervenção............................................ \n \n25 \n   \nTabela 4 Tipos de coping no grupo controle e no grupo intervenção \nnos tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do protocolo) \ne estratégia de coping mais usada nos grupos.................. \n \n \n27 \n   \nTabela 5 Comparação dos estilos de Coping (focado no problema, \nadaptativo focado na emoção e desadaptativo focado na \nemoção) entre grupos (intervenção e controle) e tempos \n(tempo 1: início do protocolo e tempo 2: final do \nprotocolo)   estimando a chance de melhor ou pior \nresposta possível e a estratégia mais usada................... \n \n \n \n \n \n28 \n   \nTabela 6 Comparação da mudança atingida na utilização dos \nestilos de coping entre os tempos 1 (início do protocolo) \ne 2 (final do protocolo) nos grupos controle e intervenção \n \n \n30 \n   \nTabela 7 Grau de Depressão no grupo controle e no grupo \nintervenção nos tempos 1 (inicio do protocolo) e 2 (final \ndo protocolo) .................................................................... \n \n \n31 \n   \nTabela 8 Comparação dos níveis de depressão entre grupos \n(intervenção e controle) e tempos (tempo 1: início do \nprotocolo e tempo 2: final do protocolo)  estimando a \nmelhor resposta possível (mínimo/leve) .......................... \n \n \n \n31 \n   \nTabela 9 Comparação da mudança atingida nos níveis de \ndepressão entre os tempos 1 (início do protocolo) e 2 \n(final do protocolo) nos grupos controle e intervenção...... \n \n \n32 \n   \nTabela 10 Estágios e Fases do Stress no grupo controle e no grupo \nintervenção nos tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final \ndo protocolo) ................................................................... \n \n \n32 \n   \nTabela 11 Comparação dos níveis de stress entre grupos \n(intervenção e controle) e tempos (tempo 1: início do \nprotocolo e tempo 2: final do protocolo)  estimando a \n \n \n \n \n\nchance de não stress em algum quadro (Q1: um dia, Q2: \numa semana ou Q3: um mês) ........................................... \n \n33 \n   \nTabela 12 Comparação da mudança atingida nos níveis e fases do \nstress entre os tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do \nprotocolo) nos grupos controle e intervenção................... \n \n \n34 \n   \nTabela 13 Comparação do nível de dor pélvica crônica entre grupos \n(intervenção e controle) e tempos (tempo 1: início do \nprotocolo e tempo 2: final do protocolo) estimando a \nchance de melhor ou pior resposta possível (sem dor/dor \nsevera) ............................................................................. \n \n \n \n \n36 \n   \nTabela 14 Comparação da mudança atingida no nível de dor pélvica \ncrônica entre os tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final \ndo protocolo) .................................................................... \n \n \n36 \n   \nTabela 15 Comparação nos oito domínios do SF 36 (capacidade \nfuncional, limitação por aspectos físicos, dor, estado \ngeral de saúde, vitalidade, aspectos sociais, limitação por \naspectos emocionais e saúde mental) entre grupos \n(intervenção e controle) e tempos (tempo 1 : início do \nprotocolo e tempo 2: final do protocolo)  estimando a \nchance de melhor ou pior resposta possível..................... \n \n \n \n \n \n \n38 \n   \nTabela 16 Comparação da diferença estimada na melhora dos \ndomínios do SF36 entre os tempos 1 (início do protocolo) \ne 2 (final do protocolo) nos dois grupos............................ \n \n \n40 \n \n  \n\nLista de Gráficos \n \n \nGráfico 1 Grau severo de dismenorreia em ambos os grupos e nos \ndois tempos. Ao final da intervenção houve leve alteração \nna escala de dor.................................................................. \n \n \n34 \n   \nGráfico 2 Grau severo de dor pélvica crônica em ambos os tempos do \ngrupo controle. No grupo intervenção, após o programa \n(tempo 2) houve alteração da percepção de dor................... \n \n \n35 \n   \nGráfico 3 Resultado do SF36 nos tempos 1 (início do protocolo) e 2 \n(final do protocolo) do grupo controle................................... \n \n37 \n   \nGráfico 4 Resultado do SF36 nos tempos 1 (início do protocolo) e 2 \n(final do protocolo) no grupo intervenção............................... \n \n37 \n   \nGráfico 5 Apresentação geral dos dados na perspectiva de \nmudanças: o que e quanto houve de melhora ao comparar \ngrupo controle e grupo intervenção...................................... \n \n \n41 \n \n     \n\nResumo \n  \n \nDonatti L. Intervenção psicológica por meio da terapia cognitivo-comportamental \nem mulheres com endometriose e dor pélvica crônica  [tese]. São Paulo: \nFaculdade de Medicina, Universidade de São Paulo; 2023.  \nIntrodução: A Endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada \npela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero e acomete \naproximadamente 10 a 15% da popu lação feminina durante o período em que \nmenstruam. É uma doença que pode trazer uma série de intercorrências na vida \nda paciente como dores crônicas, dificuldade na relação sexual e infertilidade, \nalém de alterações emocionais como depressão, ansiedade e e stresse, \nocasionando considerável queda na qualidade de vida. Diversos artigos sugerem \nque a endometriose afeta o campo emocional, porém também apontaram que \nmais estudos precisam ser feitos para encontrar um caminho eficaz de \nintervenção. Os atuais estudo s nos apontam que no campo do tratamento \npsicológico da endometriose ainda não existe um consenso e estudos suficientes \npara a validação das técnicas utilizadas. Poucos são os estudos que mostram \nprotocolos de aplicação, sendo assim ainda não há a possibilidade de replicação \ne comparação entre técnicas e abordagens psicológicas. Objetivo: Esse estudo \nvisa verificar a eficácia da Terapia Cognitivo-comportamental (TCC) na melhora \ndas estratégias de coping, depressão, estresse, percepção de dor e qualidade \nde vida das mulheres com endometriose. Diante de possíveis resultados \npositivos, apresentar de modo precursor, um protocolo de atendimento \npsicológico individual para as mulheres com endometriose baseado nas técnicas \nda terapia cognitivo -comportamental passív el de replicação por outros \npsicólogos especialistas em TCC. Método: Estudo prospectivo com 52 \npacientes divididas em grupo intervenção (n=25) e controle (n=27), ambos \nformados por mulheres entre 18 e 45 anos, diagnosticadas com endometriose, \nem tratamento no setor de endometriose da Divisão da Clínica Ginecológica do \nHospital das Clínicas de São Paulo da Faculdade de Medicina da Universidade \nde São Paulo. Os dados foram coletados entre 2019 e 2023. As 52 pacientes \npreencheram os instrumentos Cope Breve, Depressão de Beck, ISSL, EVA e SF-\n36 em dois momentos: início e ao final dos 4 meses. As pacientes do grupo \ncontrole foram acompanhadas na parte médica clínica em tratamento \nconvencional.  As pacientes do grupo intervenção passaram por 16 sessões \nindividuais semanais de 50 minutos de duração onde foram utilizadas as \nestratégias e técnicas da terapia cognitivo -comportamental. Os dados foram \ndescritos através de frequências absolutas e percentuais, um modelo de \nregressão logística multinomial ordinal com efeito  aleatório foi utilizado para \ncomparar grupos e tempos quanto às variáveis categóricas ordinais, para as \n\nvariáveis binárias foi utilizado um modelo de regressão logístico com efeitos \naleatórios e para os escores do SF36 foi proposto o modelo de regressão linear \ncom efeitos mistos (efeitos aleatórios e fixos). Para uma maior precisão, ao final \nas comparações entre grupos ainda foram avaliadas qu anto aos deltas das \nvariáveis. Resultados: Ao término do programa de intervenção (4 meses), foi \npossível observar significativa mudança positiva em todas as variáveis estudas \nno grupo intervenção quando comparado com o grupo controle. Quanto aos \nestilo de coping, o grupo intervenção apresentou cerca de 16 vezes maior \nchance de usar uma melhor estratégia de coping assertiva(p<0,01); na \ndepressão, estimou-se que a chance de atingir o nível mínimo/leve de depressão \nfoi 13 vezes a mais após a finalização da intervenção em Terapia-cognitivo \ncomportamental (p<0,01); Ao final do programa, 60% das pacientes que \nvivenciaram a intervenção psicológica com TCC passaram a ser classificadas \nsem stress, enquanto 92,59% do grupo controle, ao final dos 4 meses, \napresentou stress em algum tempo mensurado; No grupo intervenção, a chance \nde atingir o nível sem dor pélvica crônica foi 14 vezes a mais após a finalização \nda intervenção em comparação ao controle (p<0,01). Quanto a qualidade de \nvida, houve considerável melhora nos escores aspectos físicos, dor, estado geral \nda saúde, vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental. \nConclusão: O atual estudo propôs um protocolo de tratamento psicológico que \ntrabalha a adequação da forma de enfrentamento utilizando técnicas da Terapia \nCognitivo-comportamental. Diante do desenvolvimento do enfrentamento \nadaptativo, houve melhora nos escores de depressão, stress, qualidade de vida, \npercepção de dor e sofrimento emocional, podendo inferir que a Terapia \nCognitivo-comportamental é benéfica na melhora do quadro emocional geral da \nmulher com endometriose. \nPalavras-chave: Endometriose. Terapia cognitivo-comportamental. \nComportamento Adaptativo. D epressão. Estresse. D or pélvica crônica . \nQualidade de vida. \n  \n       \n\nAbstract \n \n  \nDonatti L. Psychological intervention through cognitive-behavioral therapy in \nwomen with endometriosis and chronic pelvic pain [thesis]. São Paulo: \n“Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo; 2023. \nIntroduction: Endometriosis is a chronic inflammatory disease characterized by \nthe presence of tissue similar to the endometrium outside the uterus and affects \napproximately 10 to 15% of the female population during the period in which they \nmenstruate. It is a disease that can bring a series of intercurrences in the patient's \nlife, such as chronic pain, difficulty in sexual intercourse and infertility, in addition \nto emotional changes such as depression, anxiety and stress, causing a \nconsiderable drop in quality of life. Several articles suggest t hat endometriosis \naffects the emotional field, but also point out that more studies need to be done \nto find an effective path of intervention. Current studies indicate that in the field \nof psychological treatment of endometriosis there is still no consensu s and \nsufficient studies to validate the techniques used. There are few studies that show \napplication protocols, so there is still no possibility of replicating and comparing \npsychological techniques and approaches. Objective: This study aims to verify \nthe effectiveness of Cognitive -Behavioral Therapy (CBT) in improving coping \nstrategies, depression, stress, pain perception and quality of life of women with \nendometriosis. Faced with possible positive results, present, in a precursory way, \nan individual psychological care protocol for women with endometriosis based on \ncognitive-behavioral therapy techniques that can be replicated by other \npsychologists specializing in CBT.  Method: Prospective study with 52 patients \ndivided into intervention (n=25) and control (n=27) groups, both formed by women \nbetween 18 and 45 years old, diagnosed with endometriosis, undergoing \ntreatment in the endometriosis sector of the Division of the Gynecological Clinic \nof the Hospital das Clínicas de São Paulo, Faculty of Medicine, University of São \nPaulo. Data were collected between 2019 and 2023. The 52 patients completed \nthe Cope Breve, Beck Depression, ISSL, VAS and SF -36 instruments at two \nmoments: beginning and at the end of the 4 months. The patients in the control \ngroup were followed up in the medical clinic under conventional treatment. The \npatients in the intervention group underwent 16 individual weekly sessions of 50 \nminutes each, where cognitive -behavioral therapy strategies and techniques \nwere used. Data were described using absolute and percentage frequencies, an \nordinal multinomial logistic regression model with random effect was used to \ncompare groups and times regarding ordinal categorical variables, a logistic \nregression model with random effects was used for binary var iables, and for the \nSF36 scores a linear regression model with mixed effects was proposed (random \nand fixed effects). For greater precision, at the end the comparisons between \n\ngroups were still evaluated regarding the deltas of the variables. Results: At the \nend of the intervention program (4 months), it was possible to observe a \nsignificant positive change in all variables studied in the intervention group when \ncompared to the control group. As for coping styles, the intervention group was \nabout 16 times more likely to use a better assertive coping strategy (p<0.01); in \ndepression, it was estimated that the chance of reaching the minimum/mild level \nof depression was 13 times more after the completion of the Cognitive-Behavioral \nTherapy intervention (p<0.01) ; At the end of the program, 60% of the patients \nwho underwent the psychological intervention with CBT were classified without \nstress, while 92.59% of the control group, at the end of the 4 months, presented \nstress at some measured time; In the intervention group, the chance of reaching \nthe level without chronic pelvic pain was 14 times more after the end of the \nintervention compared to the control (p<0.01). As for quality of life, there was a \nconsiderable improvement in scores for physical aspects, pain, g eneral health, \nvitality, social aspects, emotional aspects and mental health.  Conclusion: The \ncurrent study proposed a psychological treatment protocol that works on adapting \nthe way of coping using Cognitive-Behavioral Therapy techniques. In view of the \ndevelopment of adaptive coping, there was an improvement in the scores of \ndepression, stress, quality of life, perception of pain and emotional suffering, \nwhich may infer that Cognitive-Behavioral Therapy is beneficial in improving the \ngeneral emotional condition of women with endometriosis. \n \nKeywords: Endometriosis.  Cognitive-behavioral therapy. Coping. Depression. \nStress. Chronic pelvic pain. Quality of life. \n \n \n\nIntrodução  1 \n \n1 Introdução  \n \n \n1.1 Como a endometriose afeta o emocional  \nA Endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela \npresença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero e acomete \naproximadamente 10 a 15% da população feminina durante o período em que \nmenstruam.  Estima -se que a prevalência varia de  2 a 11% entre mulheres \nassintomáticas, 5 a 50% entre mulheres inférteis e 5 a 21% entre as mulheres \nhospitalizadas por dor pélvica (Zondervan et al.,2020), podendo trazer uma série \nde intercorrências na vida da paciente como dor crônica, dificuldade na re lação \nsexual e infertilidade, além de alterações emocionais como depressão, \nansiedade e estresse, ocasionando considerável queda na qualidade de vida \n(Donatti et al., 2017; Carbone et al., 2021 ; Delanerolle et al.,2021; Casalechi et \nal.,2021).   \nPesquisas apontam que o tratamento da endometriose deve ser \nmultidisciplinar, incluindo  médico, psicólogo, fisioterapeuta  e nutricionista \n(Podgaec, 2014; Zondervan et al., 2020; Carbone et.al, 2021). Nesse contexto, \nrecentes estudos, revisões sistemáticas e meta -análises buscaram explorar \ncomo o campo emocional é afetado na endometriose. \nCarbone et al.  (2021) analis aram estudos que relacionaram elementos \nneuropsiquiátricos e endometriose , a fim de identificar informações clínicas \nrelevantes para o tratamento multidisciplinar personalizado para as pacientes. \nOs autores afirmam que a  presença de dor pélvica crônica e sintomas \npsiquiátricos constituem uma condição multifacetada e complexa, caracterizada \npor necessidade que nova abordagem transversal e múltipla seja fundamentada \nem uma perspectiva diagnóstica e terapêutica em termos de gestão e tratamento \nda endometriose. O tratamento ginecológico e de controle da dor não podem ser \nseparados de um tratamento cuidadoso em termos da avaliação psiquiátrica em \neficácia clínica e prognóstica. Essas observações reafirmaram a necessidade de \numa equipe multiprofissional em saúde, envolvendo, quando necessário, \n\nIntrodução  2 \n \nginecologistas, psicoterapeutas, psiquiatra s, especialistas em dual disorder 1, \nalgologistas e sexólogos. Esses profissionais devem trabalhar \nunidirecionalmente para detectar, analisar e, se possível, quebrar o círculo \nvicioso da doença, destacando um tratamento personalizado e direcionado. \nNesse s entido, Casalechi et al., (2021) apontaram evidências sobre a \nassociação da endometriose com estresse crônico, ansiedade e depressão. \nIdentificaram que mulheres com sintomas dolorosos apresentaram maiores \níndices de estresse e menor qualidade de vida quand o comparado com as \nsaudáveis. Um importante ponto foi a constatação de que a depressão e a \nansiedade são mais prevalentes em mulheres com endometriose; já a presença \nde transtornos psiquiátricos se correlaciona mais com a gravidade da dor \natribuída à endom etriose do que com outras características da doença. O \ntratamento médico da endometriose melhorara o estresse percebido, a \nansiedade e os sintomas depressivos. Os distúrbios psicológicos presentes \ndevido à dor precisam ser tratados de modo eficaz para redu zir a própria carga \nemocional da doença. \nAinda, nesse mesmo caminho, a revisão sistemática de Delanerolle et al., \n(2021) buscou examinar a prevalência de sintomas e distúrbios psiquiátricos em \npacientes com endometriose. Para tal, foi desenvolvido um protocolo de revisão \nsistemática cuja estratégia de pesquisa foi o uso de múltiplos termos -chave \nrelacionados à saúde mental para mapear estudos relevantes que observavam \ntal temática no contexto da endometriose. Foram incluídos 34 artigos na revisão \nsistemática e 15 na meta -análise. Como principal observação sugerem a \npresença de sintomas de ansiedade e depressão como resultados de saúde \nmental mais comumente relatados no quadro da endometriose e que tais escores \nsão ainda maiores quando estão presentes dor pélvica crônica e dispareunia. \nRecente estudo de Maulitz et al. (2022) postulou que pelo menos um terço das \npacientes com endometriose sofrem de transtornos mentais (principalmente \ndepressão ou ansiedade) e requerem apoio psiquiátrico ou psicoterapêutico. Por \nmeio da neuroimagem , foi possível identificar regiões cerebrais ativas \n \n1 Diagnóstico duplo como um transtorno mental somado a uma comorbidade. \n\nIntrodução  3 \n \nrelacionadas não apenas ao processamento da dor  em pacientes com \nendometriose, mas também à emoção, cognição, autorregulação e recompensa, \no que chamaram de possível constituição do “cérebro da endometriose”. Esse é \num importante estudo postulando a inter -relação corpo e mente diante do \nconvívio com a endometriose. \nOutro estudo recente exploratório de Dowding et al., (2022) buscou \nestabelecer a relação temporal entre fatores psicológicos e relacionados à dor \nem análise prospectiva de 12 meses com 208 mulheres australianas com \nendometriose. Foi possível ent ender que a presença de sofrimento emocional, \nao invés de dor, é o mais importante preditor de sofrimento futuro e incapacidade \nem mulheres com endometriose . Q uando não cuidadas, as mulheres que \napresentam sintomas de sofrimento podem estar em maior risco físico e \npsicológico após 12 meses.  \nvan Barneveld et al., (2022) ao utilizarem os termos depressão, ansiedade \ne endometriose nos bancos de dados Embase, PubMed, Web -of-science e \nPsycINFO encontraram 1.837 registros. Após minuciosa análise identificando os \nartigos que descreviam associação entre pacientes com endometri ose e \nsintomas de depressão ou ansiedade avaliados por ferramentas validadas, \nentrevistas psiquiátricas estruturadas ou diagnóstico documentado, 47 artigos \nforam selecionados. Destes, 17 estudos foram elegíveis para meta -análise. O \nresultado encontrado foi  que pacientes com endometriose experimentaram \nsignificativamente mais sintomas de depressão e ansiedade em comparação \ncom controles saudáveis e tais sintomas ocorrem frequentemente em pacientes \ncom a doença associada a dor pélvica crônica.  \nJá o estudo transversal de Geller et al. , (2021) considerou 247 mulheres \nem Israel com idade entre 20 e 50 anos. Grupo experimental e controle foram \ndivididos com base no autorrelato das condições médicas existentes. Mulheres \ncom endometriose foram divididas em dois gru pos: 73 mulheres apenas com \nendometriose e 62 com endometriose e outra doença crônica adicional (como \npor exemplo hipertensão, diabetes, doença cardíaca, asma, doença do intestino \nirritável, dentre outras). O estudo identificou que mulheres com endometrios e \napresentaram níveis mais elevados de depressão e estresse quando \n\nIntrodução  4 \n \nrelacionadas com mulheres sem endometriose. Observou -se ainda que \nmulheres com endometriose e outra doença crônica apresentaram risco ainda \nmaior de estresse e sofrimento psicológico. De mo do geral, o sofrimento \npsicológico pode ser proveniente de preocupações relacionadas à imagem \ncorporal, autocrítica e intensidade da dor. \nEm Volker & Mills (2022) também foi possível observar que o grupo com \nendometriose demonstrou uma imagem corporal significativamente pior quando \ncomparado ao grupo controle e a dor pélvica relacionada à endometriose \nmostrou correlação negativa com a imagem corporal , evidenciando a \nnecessidade de abordagens psicológicas que contemplem mais esse tema.  \nUm conceito até então  não mencionado no campo da endometriose foi \nestudado por Mallorqui et al ., (2022), a anedonia  (diminuição da motivação e \nsensibilidade a estímulos prazerosos ). Como as pacientes com endometriose \ngeralmente sofrem episódios de dor menstrual aguda e cíclica por longo período \nda vida, torna-se este um campo emocional propício para comprometer a saúde \nmental e comportamental. A anedonia pode desempenhar  papel relevante nas \ntaxas de depressão entre pacientes com endometr iose, mantendo estados \nafetivos negativos ao longo do tempo ou mesmo levando a formas mais \ngeneralizadas de depressão. A complexa interação entre atitudes negativas em \nrelação à doença (catastrofização) , afeto negativo elevado , foco excessivo na \natenção à dor e motivação diminuída para se engajar em atividades prazerosas, \npode levar, de modo progressivo, ao desenvolvimento silencioso de um sistema \nhedônico embotado (sistema prazer e recompensa). Deste modo, intervenções \nterapêuticas para liberação de dor no quadro da  endometriose seriam mais \ndesafiadoras em pacientes com anedonia mais alta, pois essa condição pode \nimpedir que as pacientes explorem e descubram experiências compensatórias \nque possam ajudá -las a se desconcentrar da dor persistente . Propostas de  \ntratamentos cognitivos para a dor crônica que se baseiam na desfocalização da \ndor e reorientação da atenção podem melhorar as chances de sucesso \nterapêutico.  \nEvans et al.,  (2022) buscaram compreender a relação entre fatores \npsicossociais, incluindo saúde  mental, cogniç ão da dor e suporte social \n\nIntrodução  5 \n \nassociados à intensidade da dor menstrual em mulheres com endometriose. A \ncatastrofização da dor (especificamente a subescala de desamparo) foi um \ncomponente determinante no mecanismo psicológico de mulheres com \ndismenorréia. Entende-se que i ntervenções para reduzir o desamparo da dor \npodem ser benéficas no apoio a mulheres com esse tipo de dor. \nO estudo genético e fenotípico de Koller et al ., (2023) ampli ou o \nentendimento de que a endometriose além de estar associada à possibilidade \nde desenvolvimento de quadros de depressão e ansiedade, pode também \naumentar a chance de emergir transtornos alimentares.  \nAlém da dor , Buggio et al. , (2017) também apontaram out ros fatores no \nquadro geral da endometriose que podem ter um impacto generalizado negativo \nsobre a saúde psicológica das mulheres , como as q uestões que envolvem a \ninfertilidade e a imagem/identidade ferida do feminino , pontos que podem levar \nao aumento da ansiedade e depressão. Desta forma, sugeriram que as \nintervenções psicológicas em pacientes com endometriose não devem ser \nfocadas exclusivamente na dor e sim em intervenção psicoterapêutica adequada \npara ajudar as mulheres a integrarem a doença em suas próprias histórias. Os \nautores comentaram que, no entanto, não há pesquisa sistemática explorando a \neficácia da psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental ou psicodinâmica) em \nmulheres com endometriose.  De modo geral, com base na prática clínica e \npesquisa anterior, os autores sugeriram que as mulheres poderiam se beneficiar \nde intervenções psicoterapêuticas expressivas de apoio (intervenções \nindividuais ou em grupo), visando facilitar a expressão de pensamentos e \nsentimentos mais profundos sobre a endome triose, bem como fortalecer sua \nidentidade feminina. Ensaios adequadamente concebidos são necessários para \ndefinir a magnitude do benefício das intervenções psicoterapêuticas em \ndiferentes condições clínicas. Para eles, ficou evidente a importância de equipe \nmultidisciplinar, incluindo terapeuta sexual e psicólogo , para lidar \nadequadamente com todas as repercussões multifacetadas que as mulheres \ncom endometriose frequentemente experimentam, mas podem ser relutantes em \ndescrever e abordar. A este respeito, a  abordagem de cada mulher deve ser \n\nIntrodução  6 \n \nindividualizada, propondo as melhores opções de tratamento com base nos \ndiferentes sintomas e problemas que a afligem. \nAinda, Brasil et al. , (2020) publicaram revisão sistemática relacionando \nendometriose e estresse. Para  mapear o estresse utilizaram termos como \nestresse, estresse psicológico, esgotamento, fadiga mental, distimia e angústia. \nUm total de 15 estudos envolvendo 4.619 mulheres com endometriose foram \ninicialmente selecionados, sendo que, destes, nove estudos fo rneceram dados \npara estimativa de prevalência de estresse entre pacientes com endometriose \ncompreendendo 3.962 pacientes. Outros seis estudos forneceram o nível médio \nbruto agrupado de estresse de toda a amostra, compreendendo 1027 pacientes \ncom endometriose. Destes 15 estudos, três permitiram a meta-análise num total \nde 370 pacientes. Os resultados validaram a associação entre endometriose e \nestresse psicológico. A taxa de prevalência geral de níveis de estresse \npsicológico leve e alto em endometriose envo lvendo 4619 mulheres foi de 68%  \n(IC 95%: 57 -79%). É um estudo que forneceu mais evidências para um papel \nimportante do estresse no aumento dos mecanismos inflamatórios e de dor que \npodem resultar em maior morbidade de pacientes com endometriose que estão \nexpostas a estresse crônico. Desta forma, evidenciaram que a atitude da equipe \nmédica em reconhecer o estresse psicológico das pacientes pode afetar \npositivamente o seu tratamento. Existe a necessidade do manejo interdisciplinar \nda doença ser ampliado também no suporte à saúde mental, nas estratégias de \nregulação da emoção, na melhoria da vida profissional e sexual além do cuidado \nda dor. A mudança na atitude dos membros da equipe médica, fornecendo \ninformações adequadas, contribuindo para compartilhar a de cisão, \nindividualizando planos de tratamento para melhor ajustá -lo às necessidades \ndas pacientes, reconhecendo sofrimento psicológico e demonstrando empatia \npode ajudar a reduzir o desgaste psicológico, afetando positivamente o \ntratamento. \nMorán-Sánchez et al. , (2021) desenvolveram estudo caso -controle em \nhospital terciário da Espanha entre setembro de 2014 e maio de 2015  onde foi \npossível explorar outros aspectos do bem -estar psicológico de mulheres com \nendometriose, além de ansiedade e depressão, como o otimismo. Até então este \n\nIntrodução  7 \n \naspecto somente havia sido avaliado no contexto de síndrome do ovário \npolicístico e tratamentos de fertilização in vitro onde tais estudos concluíram que \na resposta aos tratamentos de fertilização in vitro pode ser p rejudicada por \ncaracterísticas de personalidade.  Evidências sugere m que perfis de \npersonalidade podem ser modificados diante do convívio com dor crônica e que \na psicoterapia pode auxiliar no reequilíbrio emocional. Fatores como fertilidade \nou intensidade da dor podem afetar o otimismo e, neste sentido, formul ou-se a \nhipótese de que a mera consciência de ter endometriose pode estar associada \ncom menor otimismo devido à carga de uma condição crônica caracterizada por \nincerteza. Como o otimismo está relacionad o à percepção da dor, ao risco de \npsicopatologia e diminuição da resposta a tratamentos, consider ou-se que \nabordar corretamente o tratamento da endometriose exige conduta integrada, \ncombinando intervenções médicas e psicológicas, como avaliação de \npersonalidade. Os autores r eforçaram ainda que a abordagem à toda mulher \ncom endometriose deve ser individualizada, propondo melhores opções de \ntratamento com base nos diferentes sintomas, nos problemas angustiantes e \nlevando em consideração as prioridades e preferências das pacientes. \nA correlação entre variáveis psicológicas também foi observada por nosso \ngrupo (Donatti et al.,2017), onde 171 mulheres em tratamento no setor de \nendometriose da Divisão da Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas de \nSão Paulo d a FMUSP (HCFMUSP) preencheram escalas de coping (COPE \nBREVE), depressão (BECK -II), estresse (ISSL -Lipp) e dor (Escala Visual \nAnalógica - EVA). Relacionou-se o emprego de estratégias positivas de coping \ncom a diminuição da depressão e do estresse. Ambos apareceram interligados, \nde modo que, quanto maior o quadro de estresse, mais grave a manifestação da \ndepressão e vice-versa, correlação que levou ao estresse psicológico. Quanto \nao quadro de dor, observou-se que, mesmo sem depressão ou sem estresse, a \ndor ainda se fez presente em boa porcentagem das pacientes , porém, quando \nhouve dor severa, prevaleceram níveis mais graves de depressão e o estresse \npsicológico. Tendo encontrado correlação positiva entre as variáveis estudadas, \nfoi possível entender que um a intervenção que atue no desenvolvimento de \nestratégias positivas de enfrentamento da doença junto à essas pacientes, \n\nIntrodução  8 \n \npoderia auxiliar na diminuição do estresse e da depressão e ainda contribuiria \npara a melhora na percepção da dor. \nDiversos artigos suger em que a endometriose afeta o campo emocional, \nporém também apontaram que mais estudos precisam ser feitos para encontrar \num caminho eficaz de intervenção (Marqui, 2014; Pope et al., 2015; Donatti et \nal.,2017; Fairbanks et al., 2017; Buggio et al., 2017; Carbone et al., 2021; Kalfas \net.al, 2022).  \n \n1.2 Tratamentos psicológicos na endometriose \nAo aprofundar a observação  de quais tratamentos psicológicos já estão \nestruturados e sendo aplicados, deparamo -nos com poucos estudos, distintas \nabordagens e dificuldade de replicação de alguns dos métodos apresentados. \nA revisão sistemática que realizamos (Donatti e t al ., 2022) identificou \ninicialmente 129 estudos indicando intervenção psicológica em pacientes com \nendometriose, porém após leitura e seleção, apenas 5 utilizavam as técnicas da \nTerapia Cognitivo-comportamental como estratégia de tratamento. Dentre os 5 \nestudos, a utilização da psicoeducação, técnicas de relaxamento e mindfulness, \nestratégias de coping, resolução de problemas  e técnicas cognitivas  em \nprogramas de intervenção psicológica de pacientes com endometriose e dor \npélvica crônica proporcion aram a melhora dos escores de dor e depressão, \nhouve normalização dos níveis de cortisol, o que parece ter auxiliado na redução \nda percepção do stress, melhorou a sensação de vitalidade e funcionalidade no \ndia-a-dia, aumentou a sensação de bem estar e melhorou o índice de qualidade \nde vida.  \nEm estudo chinês, Wu e colaboradores (2022) buscaram observar a eficácia \nda Terapia cognitivo-comportamental diante da depressão, ansiedade e estresse \nno pós-cirúrgico de mulheres com endometriose . Foram recrutadas pacientes \nentre 18 e 50 anos com endometriose  programadas para cirurgia  e \nrandomizadas em dois grupos: grupo caso ou int ervenção (n=48) receberam \ncuidados habituais (artes marciais chinesas) com TCC (uma sessão de TCC pré-\ncirúrgica e seis sessões de TCC pós-cirúrgica) e o grupo controle (n=48) apenas \n\nIntrodução  9 \n \ncuidados habituais (artes marciais chinesas). No pós-internação, os índices de \ndepressão, stress e ansiedade diminuíram em ambos os grupos.  No grupo \nintervenção os escores estavam mais baixos que no grupo controle . O estudo \ndescreve os objetivos gerais da intervenção cognitiva e comportamental, porém \no protocolo específico  da TCC descrita para a endometriose ainda não foi \npublicado. \nAo buscar entender como a dor induzida pela endometriose é tratada para \nalém das abordagens convencionais, Marqui (2014)  encontrou 61 estudos , \nporém selecionou apenas 7 onde mencionavam a acupun tura, massagem e \nTerapia Cognitivo-Comportamental. Todos mostraram eficácia das técnicas \nutilizadas para melhorar a dor crônica na endometriose, porém ficou claro que o \nconhecimento sobre o assunto é escasso, sugerindo a necessidade de estudos \nadicionais.  \nTais esforços também foram avaliados positivamente em outra meta -\nanálise (Grossman et al., 2004). Os autores pontuam que quando os problemas \ncausados pela endometriose envolvem principalmente a dor pélvica, o \ntratamento médico (que deve ser direcionado ao alívio sintomático) pode não ser \nsuficiente, sugerindo que essas pacientes podem se beneficiar \nsignificativamente com as intervenções psicológicas. A este respeito, há \nevidências da eficácia das intervenções baseadas em grupo e no mindfulness e \nterapia cognitivo -comportamental. Os autores encorajam estudos adicionais \nsobre este tipo de intervenção para mulheres com endometriose. \nOs estudos de Kold et al. (2012)  e Hansen et al. (2017)  demonstraram \nefeitos significativos e duradouros diante da aplicação da intervenção psicológica \nbaseada em mindfulness sob o nível de dor, bem -estar e capacidade de lidar \ncom as questões da vida diária. Resultados que se mantiveram ao longo d as \nreavaliações em  12 meses e posteriormente em 6 anos , indicando ser uma \ntécnica muito relevante para as mulheres com endometriose com potencial para \nmelhorar a qualidade de vida  de modo duradouro. Moreira, Gamboa & Oliveira \n(2022) também demonstraram que os efeitos de uma breve Intervenção \nBaseada em Mindfulness (bMBI) foi benéfica para gerenciar a dor relacionada à \nendometriose e restaurar o bem-estar psicológico das pacientes do estudo. \n\nIntrodução  10 \n \nFriggi Sebe Petrelluzzi et al. (2012) avaliaram a eficácia da submissão de \nmulheres com endometriose e dor pélvica crônica a um protocolo terapêutico \nenvolvendo terapia física e psicológica  (TCC – psicoeducação e coping). Os \nresultados foram eficazes na redução do estresse percebido, normalizando os \nníveis de cortisol, aument ou a vitalidade, melhorou o papel emocional  e saúde \nmental, melhorou o funcionamento social e físico. \nLorençatto et al. (2007)  estudaram 128 mulheres do Ambulatório de \nEndometriose do CAISM/UNICAMP com o objetivo de avaliar os escores de dor \ne depressão antes e depois da intervenção multiprofissional em grupo em \nmulheres com a doença . A intervenção foi estruturada em dez encontros \nsemanais, com duração de 2h30, sendo a primeira hora destinada à intervenção \nfisioterapêutica e, as demais, à intervenção psicológica  definida e estruturada \ncom base nos princípios da terapia cognitiva comportamental, atividades lúdicas \ne ocupacionais e materiais psicoeducativos, como leituras complementar es \nsobre o tema abordado. Foram também consideradas as experiências relatadas \nde outras intervenções multidisciplinares de dor crônica, tendo como principal \nobjetivo transmitir informações sobre a endometriose e promover a reabilitação \ndo bem -estar físico,  emocional e social das mulheres com a doença. A \nintervenção psicológica seguiu um cronograma estruturado (porém não \nuniforme) em temas definidos em: autoconhecimento (correlação entre corpo e \nmente), aceitação, significado e enfrentamento da doença e da d or, estresse, \nteoria e manejo dos sintomas, endometriose (conceitos atuais e tratamentos \ndisponíveis) e sexualidade. Também foram realizadas discussões sobre \nrelacionamentos afetivos (familiares e sociais) e estratégias de resolução de \nproblemas. Foi ident ificada diminuição significativa dos escores de dor e \ndepressão ao final da intervenção em grupo. As mulheres que não participaram \ndos grupos de apoio mostraram escores maiores de dor quando comparadas \naos escores iniciais das participantes dos grupos. Já os escores de depressão \nforam menores no grupo sem intervenção. Foi identificada correlação positiva \nentre dor e depressão em ambos os grupos. Concluiu -se que a intervenção em \ngrupo foi eficaz na diminuição da dor e depressão das mulheres com \nendometriose, podendo ser incorporada ao tratamento convencional oferecido \nàs portadoras dessa doença. \n\nIntrodução  11 \n \nDydyk & Gupta (2020) apontaram que a terapia cognitivo -comportamental \ndesempenhou um papel importante no tratamento integral da endometriose \nproporcionando a diminuição da dor e do estresse na medida em que auxilia o \npaciente no processo de enfrentamento e compreensão da dor.  Também \napontaram mindfulness como uma importante ferramenta utilizadas neste \ncontexto.  \nA diretriz oficial (2020/2021) publicada e coordenada pel a Sociedade \nAlemã de Ginecologia e Obstetrícia em cooperação com a Sociedade Austríaca \ne a Sociedade Suíça de Ginecologia e Obstetrícia orienta que a avaliação \npsicológica primária para ansiedade e depressão em pacientes com \nendometriose deve ocorrer no co ntexto do cuidado psicossomático básico. \nPacientes com endometriose e alto estresse devido a sintomas mentais, devem \nser encaminhadas para psicoterapia, se possível dentro de um conceito de \ntratamento multimodal, visto que a endometriose pode estar associa da a \ntranstornos mentais, como aumento da ansiedade e/ou depressão. \nMuitas pacientes não conhecem ou não têm acesso sobre o funcionamento \nde um tratamento psicológico e de como acontece a mudança psíquica. Se essas \ninformações são inacessíveis acabam sendo  também inatingíveis para elas. À \nmedida que acontece o contato com a psicoterapia e os benefícios começam a \nser percebidos, esse conceito se modifica e a paciente acaba, com o tempo, se \ntornando capaz de administrar suas próprias emoções, perceber seus \npensamentos e transformar seus comportamentos em prol de uma melhor \nqualidade de vida.  \nOs atuais estudos nos apontam que , no campo do tratamento psicológico \nda endometriose , ainda não existe consenso e estudos suficientes para a \nvalidação das técnicas utili zadas. Poucos são os estudos que mostram \nprotocolos de aplicação, sendo assim ainda não há a possibilidade de replicação \ne comparação entre técnicas e abordagens psicológicas. \nA presente pesquisa vem contribuir com tal lacuna na medida que tem \ncomo objetivo verificar a eficácia da Terapia Cognitivo -comportamental na \nmelhora das estratégias de coping, depressão, estresse, percepção de dor e \nqualidade de vida das mulheres com endo metriose. Diante de resultados \n\nIntrodução  12 \n \npositivos, apresentar de modo precurso r, um protocolo de atendimento \npsicológico para as mulheres com endometriose baseado nas técnicas da terapia \ncognitivo-comportamental passível de replicação por outros psicólogos capazes \nde aplicar as técnicas da TCC.  \n\nObjetivos  13 \n \n2 Objetivos   \n  \n2.1 Objetivo Geral \nAvaliar os efeitos da terapia cognitivo -comportamental em pacientes com \nendometriose e dor pélvica crônica.  \n  \n2.2 Objetivos Específicos \nAvaliar os efeitos da terapia cognitivo-comportamental: \na) na forma de enfrentamento (coping) \nb) nos níveis de depressão \nc) nas fases e no tipo de estresse \nd) na qualidade de vida \ne) no nível de dor pélvica \n \n \n\nMétodo  14 \n \n3. Método \n \n \n3.1 Tipo de estudo e Participantes \nEste estudo prospectivo foi desenvolvido com dois grupos, um experimental \n(n=25) e um controle (n=27), ambos formados por mulheres entre 18 e 45 anos, \ndiagnosticadas com endometriose, em tratamento no setor de endometriose da \nDivisão da Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas de São Paulo da \nFaculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). \n \n3.1.1 Critérios de inclusão  \n(a) faixa etária entre 18 e 45 anos \n(b) ter o diagnóstico de endometriose confirmado clinicamente e/ou por exames \nespecíficos de imagem (Ultrassom pélvico e transvaginal com preparo intestinal \nou Ressonância magnética de pelve) \n(c) dor pélvica moderada a grave (Escala Visual Analógica de dor ≥ 5) \n(d) interesse e disponibilidade de horário para o encontro individual semanal (16 \nencontros em 4 meses)  para a participação nas sessões de intervenção \npsicológica em Terapia Cognitivo-comportamental. \n  \n3.1.2 Critérios de exclusão  \n(a) apresentar previamente algum diagnóstico psiquiátrico ou quadro psicológico \ngrave como depressão, t ranstorno bipolar e transtorno de ansiedade \ngeneralizada, entre outros \n(b) apresentar previamente alguma co-morbidade física grave como fibromialgia, \nsíndrome do intestino irritável, artrite, artrose, entre outras \n(c) estar atualmente em processo de psicoterapia \n(d) estar atualmente tomando medicação psiquiátrica \n\nMétodo  15 \n \n \n3.2 Cálculo amostral \nCom base na literatura, observou-se que a variabilidade no domínio de dor \nno questionário de qualidade de vida SF-36 de pacientes com endometriose foi \nde 22,4 pontos (Marques, 2002). Visando melhora de pelo menos 20 pontos na \nescala, com poder de 80% e confiança de 95%, a amostra necessária para a \nrealização do estudo foi de 20 pacientes em cada grupo. Esperando 20% de \nperda de seguimento, foram avaliadas, ao menos, 24 pacientes em cada grupo.  \n \n3.3 Procedimentos e Instrumentos \nO estudo foi iniciado após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da \ninstituição (Anexo A) e a coleta de dados realizada no setor de endometriose da \nDivisão da Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas de São Paulo da \nFaculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). \nAs pacientes que se encaixavam nos critérios de inclusão for am divididas \nde modo aleatório para a participação nos grupos intervenção e controle. Com o \naceite e a assinatura do Termo de consentimento livre e esclarecido  (Anexos B \ne C), as pacientes  do grupo intervenção  foram agendadas para atendimentos \nsemanais de 50 minutos no ambulatório do hospital.  As pacientes do grupo \ncontrole agendadas para o preenchimento dos instrumentos de avaliação (Anexo \nD). Diante das restrições e protocolos advindos da pandemia pelo Coronavirus -\n19 não foi possível seguir o atendimento apenas no modo presencial, havendo \nalteração dos atendimento para o formato online, sem mudança no conteúdo das \nsessões/avaliações. O processo de intervenção foi realizado em 16 encontros, \nos quais percorre ram em um total de 4 meses. O grupo experimental finaliz ou \napós a intervenção realizada com 2 5 pacientes, tendo o total de todos os \natendimentos acontecido entre 2019 e 2023, período em que também se formou \no grupo controle.  \nA base para análise e comparação dos dois grupos ( instrumental e \ncontrole) foi construído por meio da aplicação dos instrumentos:  \n\nMétodo  16 \n \na) COPE BREVE (Brasileiro et al., 2016):  inventário usado para investigar \nas diferentes formas de como as pessoas respondem a situações \nestressantes. O COPE BREVE foi desenvolvido na tentativa de diminuir a \nsobrecarga dos resp ondentes, dada a existência de instrumentos \nrelativamente longos. Esta versão reduzida é constituída por 28 itens e \ncomposta por 14 escalas. 1) Coping ativo: iniciar uma ação ou fazer \nesforços para remover o estressor; 2) Planejamento: pensar sobre o modo \nde se confrontar com o estressor, planejar os esforços de coping ativo; 3) \nSuporte instrumental: procurar ajuda, informações ou conselhos sobre o \nque fazer; 4) Suporte emocional: conseguir simpatia ou suporte emocional \nde alguém; 5) Religiosidade: aumento de participação em atividades \nreligiosas; 6) Reinterpretação positiva: fazer o melhor da situação, \ncrescendo com base nela, ou vendo -a de um modo mais favorável; 7) \nAutoculpa: culpar e criticar a si mesmo pelo que aconteceu; 8) Aceitação: \naceitar o fato qu e o evento estressante ocorreu, e é real; 9) Desabafo: \naumento da consciência do estresse emocional pessoal e a tendência \nconcomitante para exprimir ou descarregar esses sentimentos; 10) \nNegação: tentativa de rejeitar a realidade do acontecimento estressan te; \n11) Autodistração: desinvestimento mental do objetivo com que o \nestressor está interferindo; 12) Desinvestimento comportamental: desistir \nou deixar de se esforçar da tentativa para alcançar o objetivo com o qual \no estressor está interferindo; 13) Uso d e substâncias: utilizar álcool ou \noutras drogas, que podem até ser medicamentos,  como um meio de se \nafastar do estressor; e 14) Humor: fazer piadas sobre o estressor. O \nquestionário é precedido por uma introdução breve em que se pede às \npessoas para responderem sobre o modo como lidam com os problemas \nda vida. É avaliado por escala ordinal variando de um a quatro, entre \n“nunca faço isto” até “sempre faço isto”, os itens são somados em cada \nescala, sendo que quanto maior for a nota obtida maior é o uso de \ndeterminada estratégia de coping. \nb) Escala de Depressão de Beck (Beck, 2011): o BDI -II é considerado um \ninstrumento de autoavaliação composto de 21 itens, referentes a sintomas \ne atitudes da depressão, identificando: 1) tristeza; 2) pessimismo; 3) \n\nMétodo  17 \n \nsensação de  fracasso; 4) falta de satisfação; 5) sensação de culpa; 6) \nsensação de punição; 7) autodepreciação;  8) autoacusações;  9) ideias \nsuicidas; 10) crises de choro; 11) irritabilidade; 12) retração social; 13) \nindecisão; 14) distorção da imagem corporal; 15) inibição para o trabalho; \n16) distúrbio do sono; 17) fadiga; 18) perda de apetite; 19) perda de peso; \n20) preocupação somática; 21) diminuição de libido. Será identificada a \npresença ou ausência de depressão, mediante os resultados obtidos na \nescala, encontrando-se: 0 a 13 = sem depressão ou depressão mínima, \nde 14 a 19 = depressão leve, de 20 a 28 = depressão moderada, e de 29 \na 63 = depressão grave. \nc) Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (Lipp, 2005): este \ninventário foi desenvolvido por Ma rilda Emmanuel Novaes Lipp, para a \npopulação brasileira, sendo possível a aplicação em pessoas acima de 15 \nanos. O inventário se divide em três blocos e avalia um grupo de sintomas \nexperimentados nas últimas 24 horas, na última semana e no último mês. \nO re sultado classificará o estresse em fases designadas como alerta, \nresistência, quase-exaustão e exaustão. Será também identificado o tipo \nde estresse: físico, psicológico, físico -psicológico. A utilização dessa \nescala tem o propósito de identificar como as pacientes do presente \nestudo percebem a vivência do estresse na sua vida cotidiana e como \navaliam esses episódios. \nd) SF-36 (Ciconelli, 1999): instrumento genérico de avaliação de qualidade \nde vida, de fácil administração e compreensão, é multidimensional \nformado por 36 itens, englobados em 8 escalas ou componentes: \ncapacidade funcional, aspectos físicos, dor, estado geral da saúde, \nvitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental. \nApresenta um escore final de 0 a 100, no qual zero corresponde a pior \nestado geral de saúde e 100 a melhor estado de saúde. \ne) Escala Visual Analógica da Dor – EVA (Huskisson, 1974): por meio de \numa escala de 0 a 10, as pacientes indicam a sensação de dor, durante \ne fora do período menstrual.  A dor é considerada ausente , quando \n\nMétodo  18 \n \nassinalado zero; média, quando assinalados os escores entre 1 e 3; \nmoderada, de 4 a 7, e severa, de 8 a 10. \n \n3.4 Dinâmica do estudo \nA intervenção foi composta por 16 sessões, com um encontro por semana, \nem um total de 4 meses de intervenção por pa ciente (n=25). No grupo controle \nforam inclusas 27 pacientes com os mesmos critérios de inclusão e exclusão . \nNeste grupo, elas  não foram submetidas à intervenção , porém acompanhadas \nnormalmente em tratamento clínico padrão no ambulatório. Ambos os grupos \npreencheram os instrumentos de avaliação em dois momentos distintos: no \nprimeiro contato e após 4 meses (Figura 1). \n \nFigura 1 – Dinâmica do estudo \n \n \n3.5 Detalhamento das atividades de cada encontro \nEncontro 1  – ambientalização e preenchimento dos instrumentos : a) \napresentação da pesquisa, esclarecimento do objetivo, funcionamento, regras, \nforma de conduta dos encontros; b) checagem do grau de entendimento sobre a \nendometriose e levantamento dos aspectos individuais sobre a conv ivência e \nGrupo intervenção\nn=25\nPacientes entre 18 e 45 anos, com \ndiagnóstico de endometriose \nconfirmado, com dor >=5 (EVA)\nPreenchem escalas: coping, depressão, \nstress, dor, qualidade de vida \nPassam pela intervenção psicológica com \nas técnicas da terapia cognitivo \ncomportamental  (4 meses)\nPreenchem novamente as escalas: \ncoping, depressão, stress, dor, qualidade \nde vida \nGrupo controle\nn=27\nPacientes entre 18 e 45 anos, com \ndiagnóstico de endometriose \nconfirmado, com dor >=5 (EVA)\nPreenchem escalas: coping, depressão, \nstress, dor, qualidade de vida \nSeguem em tratamento clínico padrão \nno intervalo de 4 meses (equivalente ao \ntempo da intervenção)\nPreenchem novamente as escalas: \ncoping, depressão, stress, dor, qualidade \nde vida \n\nMétodo  19 \n \nenfrentamento da endometriose; c) aspectos da história de vida relevantes do \ncontexto atual (para Formulação do caso); d) aplic ação e preenchimento das \nescalas – Cope Breve, depressão, estresse, dor, sf-36 (instrumentos citados no \nitem 3.3). \nEncontro 2 – LDM: identificando dificuldades e metas : a) aspectos da história \nde vida relevantes do contexto atual (continuação – para formulação do caso); \nb) lista de dificuldades e metas; c) definição de metas viáveis de intervenção. \nEncontro 3 – Identificando a influência dos pensamentos sobre as emoções e \ncomportamentos: a) Desenho da representação de si (autoconceito) com \ntermômetro da emoção; b) desenho da representação da doença com \ntermômetro da emoção; c) psicoeducação do modelo cognitivo; d) levantamento \nde características individuais: pensamentos, emoções, comportamento e \nreações fisiológicas. \nEncontro 4 – RPD – Registro de Pensamentos Automáticos: a) reconhecimento \ne identificação dos pensamentos automáticos. b) treino para registro de \npensamentos disfuncionais. \nEncontro 5  – Questionando pensamentos disfuncionais : a) identificação das \nevidências a favor e contra os pensamentos  disfuncionais; b) identificação das \npossibilidades de flexibilização dos pensamentos desadaptados; c) identificando \npensamentos alternativos e emoções envolvidas.  \nEncontro 6  – Lista de comportamentos desadaptativos e adaptativos:  a) \nidentificação e reconhecimento de comportamentos desadaptativos: vantagens \ne desvantagens. \nEncontro 7 – Treino de assertividade: a) formas de enfrentamento; b) situações \nespecíficas X formas de enfrentamento; c) flexibilização. \nEncontro 8 – Relaxamento e Mindfulness: a) aprendendo a utilizar a técnica de \nrelaxamento e mindfulness para impulsionar e/ou aprimorar o autoconhecimento, \nas mudanças de p ensamento, emoções, comportamento , reações \nfisiológicas/percepção corporal. \nEncontro 9 – Identificando situações desencadeantes/gatilhos e modificadores: \na) identificação de fatores/situações atuais que, quando presentes, aumentam a \n\nMétodo  20 \n \nprobabilidade de manife stação da dificuldade; b) identificação de fatores do \ncontexto que interferem na severidade das dificuldades quando elas ocorrem, ou \nque alteraram o curso de evolução da dificuldade. \nEncontro 10  – Desenvolvendo habilidades de solução de problemas : a) \nidentificar e implementar estratégias positivas de enfrentamento das situações \nproblema. b) flexibilização de crenças disfuncionais para funcionais. \nEncontro 11  – Desafiando crenças e identificando vulnerabilidade com a \npaciente: a) identificação das crenças que são desencadeadas nesse processo \n(flecha descendente); b) identificação de fatores de vulnerabilidade ou \nexperiência tardia que tenham contribuído para o desenvolvimento da dificuldade \n(objetivo de conscientização). \nEncontro 12 – Processos de Manutenção: a) identificação dos mecanismos que \nmantém a dificuldade: situações ambientais, reações emocionais e fisiológicas, \ncomportamento, consequências. \nEncontro 13  – Reestruturação cognitiva : a) antes e depois: reavaliando \npensamentos e crenças. Vantag ens e desvantagens da modificação dos \npensamentos disfuncionais para pensamentos mais funcionais. \nEncontro 14  – Reconhecendo mudanças:  a) identificação de situações que \ntenham mudado no dia a dia, reconhecendo pensamentos, emoções, \ncomportamentos e reações  fisiológicas. b) na ausência de mudanças, retomar \ne/ou reformular estratégias. \nEncontro 15 – Preditores de recaída: a) identificação de situações que possam \nvir a ser preditores de recaída, sejam elas ambientais ou constituintes do modo \nde funcionamento d a paciente; b) cartões de enfrentamento; c) identificação e \nescolha de um símbolo deste processo (como preditor de recaída). \nEncontro 16 – Fechamento: a) Desenho da representação de si (autoconceito) \ncom termômetro da emoção; b) desenho da representação da  doença com \ntermômetro da emoção; c) comparando antes e depois; d) aplicação e \npreenchimento das escalas – Cope Breve, depressão, estresse, dor, sf -36; e) \nfeedback final. \n \n\nMétodo  21 \n \n3.6 Análise estatística \n3.6.1 Variáveis qualitativas e quantitativas \nTodos os dados foram descritos através de frequências absolutas e \npercentuais (variáveis qualitativas) e por meio de medidas como média, desvio -\npadrão, mínimo, mediana e máximo (variáveis quantitativas). \n \nCOPE breve:  \na) Estratégia de coping mais usada (Adaptativo Foc ado na Emoção, \nDesadaptativo Focado na Emoção ou Focado no problema) \nb) Classificação de cada estratégia (entre nenhuma, pouca, média e \nsempre) \n \nBDI: \na) classificado mínimo, leve, moderado e grave e depois agrupado em \nmínimo/leve e moderado/grave: \n0-13: Mínimo \n14-19: Leve \n20-28: Moderado \n29-63: Grave \n \nISSL:  \na) estresse para cada quadro (sim/não) \nb) tipo de estresse (psicológico, físico e ambos) \nc) nível de estresse (sem stress, resistência, quase exaustão e exaustão) \nSF36: 8 domínios quantitativos \nEVA: Nível de dor antes e Nível de dor mens \na. classificada em sem dor, média, moderada e severa: \n\nMétodo  22 \n \n0: Sem dor \n1 a 3: Médio \n4 a 7: Moderado \n8 a 10: Severo \n \n3.6.2 Descritivas por grupo e tempo \nAs mudanças de um tempo para o outro foi classificada da seguinte forma: \nCOPE breve:  \na. Estratégia de coping: considerando como melhora qualquer mudança de \nnível; \nb. Focado no problema: considerando como melhora qualquer mudança de \nnível, sendo o \"nunca\" a pior resposta possível e \"sempre\" a melhor \nresposta possível \nc. Adaptativo Focado na Emoção: considerando como melhora qualquer \nmudança de nível, sendo o \"nunca\" a pior resposta possível e \"sempre\" a \nmelhor resposta possível \nd. Desadaptativo Focado na Emoção: considerando como melhora qualquer \nmudança de nível, sendo o \"sempre\" a pior resposta possível e  \"nunca\" \na melhor resposta possível \nBDI: melhora é passar do moderado/grave para mínimo/leve; \nISSL: \na. Estresse: melhora é passar do sim para não \nb. Nível de estresse: considerando como melhora qualquer mudança de \nnível \nSF36: diferença absoluta entre os escores pós e pré \nEVA: considerando como melhora qualquer mudança de nível \n \n\nMétodo  23 \n \nInicialmente os dados foram descritos através de frequências absolutas e \npercentuais (variáveis qualitativas) e por meio de medidas como média, desvio-\npadrão, mínimo, mediana e máximo (variáveis quantitativas) \n \n3.6.2 Descritivas por grupos e tempos \nPara comparar grupos e tempos quanto às variáveis categóricas ordinais \n(tipo de coping, classificação de cada tipo, fase do estresse, e nível de dor fora \no período menstrual) foi proposto um Modelo de regressão logística multinomial \nordinal com efeito aleatório (considerando a presença de medidas repetidas).  \nEste modelo permite associar variáveis independentes com uma variável \nresposta, sendo esta do tipo categórica ordinal com mais de dois níveis. Já para \na comparação quanto ao tipo de estresse foi utiliz ado uma regressão logística \nmultinomial com efeito aleatório, considerando a característica nominal da \nvariável de desfecho.  \nA comparação quanto às variáveis binárias nível de depressão (agrupado \nem mínimo/leve e moderado/grave) e estresse em algum quadro  (sim/não) foi \nanalisada através de um modelo de regressão logístico com efeitos aleatórios. \nPara as comparações entre grupos e tempos envolvendo os escores do \nSF36 foi proposto o modelo de regressão linear com efeitos mistos (efeitos \naleatórios e fixos). Os modelos lineares de efeitos mistos são utilizados na \nanálise de dados em que as respostas estão agrupadas (mais de uma medida \npara um mesmo indivíduo) e a suposição de independência entre as \nobservações num mesmo grupo não é adequada (Schall, 1991). Esses modelos \ntêm como pressuposto que seus resíduos tem distribuição normal com média 0 \ne variância σ² constante, e foram analisados por meio de gráficos pertinentes \ncomo histograma, quantil-quantil e dispersão. Para as comparações foi utilizado \no pós-teste por contrastes ortogonais. \n \n\nMétodo  24 \n \n3.6.2 Comparações entre grupos quanto aos deltas \nPara as comparações entre grupos quanto aos deltas das variáveis \n(mudança: pós - pré), considerando melhora/manteve bom versus não \nmelhora/piora, quanto às variáveis binárias (mudança na classificação focado no \nproblema, mudança na classificação adaptativo focado na emoção, mudança na \nclassificação desadaptativo focado na emoção, mudança na estratégia de \ncoping, mudança na depressão, mudança no stress em algum quadro, mudança \nna fase do stress, mudança no nível de dor fora o período menstrual) foi utilizado \num modelo  de regressão logística. Já a comparação quanto à mudança nos \nescores do SF36 foram analisadas por meio do teste t Student. \nTodas as análises apresentadas foram feitas com o auxílio do software SAS \n9.4. Para todas as análises adotou-se um nível de significância de 5%. \n \n\n Resultados  25 \n4 Resultados  \n \n \n4.1 Caracterização da amostra \nAs tabelas a seguir trazem dados, informações e características gerais das \npacientes do grupo controle e intervenção (Tabelas 1 a 3).  \n \nTabela 1 – Dados demográficos gerais e clínicos das pacientes no grupo controle \ne intervenção \n \n N= número, % = porcentagem  \nControle (n=27) Intervenção (n=25)\nn (%) n (%)\nEstado civil\nCasada 12 (44,44%) 12 (48%)\nDivorciada 2 (7,41%) 2 (8%)\nSolteira 12 (44,44%) 11 (44%)\nUnião Estável 1 (3,7%) 0 (0%)\nTem filhos? \nNão 21 (77,78%) 13 (52%)\nSim 6 (22,22%) 12 (48%)\nSe tem filhos, quantos são?\n1 2 (40%) 8 (66,67%)\n2 3 (60%) 4 (33,33%)\nMissings 1 0\nEtnia\nBranco 16 (59,26%) 10 (40%)\nNegro 5 (18,52%) 6 (24%)\nPardo 6 (22,22%) 9 (36%)\nEscolaridade\nEnsino Médio 11 (40,74%) 11 (44%)\nPós - Graduação 6 (22,22%) 7 (28%)\nSuperior 10 (37,04%) 7 (28%)\nRenda familiar\n01 Salário Mínimo 4 (14,81%) 3 (12%)\nAté 02 Salários Mínimos 8 (29,63%) 5 (20%)\nDe 02 a 04 salários mínimos 10 (37,04%) 6 (24%)\nDe 04 a 05 salários mínimos 3 (11,11%) 4 (16%)\nSuperior a 05 salários mínimos 2 (7,41%) 7 (28%)\nDescritivas gerais\nVariável\n\n Resultados  26 \nTabela 2 - Idade, idade da menarca e quadro clínico dos grupos controle e \nintervenção \n \nn= número; DP= desvio padrão  \n  \nn Média (DP) Mediana (Mín - Máx) n Média (DP) Mediana (Mín - Máx)\nIdade 27 32 (7,41) 33 (17 - 43) 25 36,64 (6,66) 39 (22 - 45)\nIdade da menarca 26 11,81 (1,55) 12 (9 - 15) 25 11,44 (1,69) 11 (9 - 15)\nHá quanto tempo foi \ndiagnosticada com \nendometriose? (anos)\n26 5,4 (4,78) 4 (0,02 - 15) 25 11,92 (6,17) 11 (2 - 24)\nDor pélvica crônica 27 7,07 (1,94) 7 (5 - 10) 25 6,68 (2,19) 7 (0 - 10)\nDismenorréia 27 8,3 (2,91) 10 (0 - 10) 25 8,12 (2,01) 8 (0 - 10)\nDispareunia de profundidade 27 5,93 (3,49) 7 (0 - 10) 25 6,2 (2,92) 7 (0 - 10)\nDisúria no período menstrual 27 2,56 (3,36) 1 (0 - 10) 25 2,04 (2,75) 1 (0 - 8)\nDor à evacuação no período \nmenstrual 27 5,67 (3,08) 6 (0 - 10) 25 4,2 (3,03) 3 (0 - 10)\nVariável Controle Intervenção\n\n Resultados  27 \nTabela 3 – Informações sobre tratamentos atuais ou já realizados no grupo \ncontrole e intervenção.\nN= número, % = porcentagem \n \nAlguns dados complementares ainda foram possíveis serem identificados: \nem ambos os grupos, a maioria das pacientes sempre sentiu dores desde a \nControle (n=27) Intervenção (n=25)\nn (%) n (%)\nJá foi operada devido a endometriose? \nNão 14 (51,85%) 5 (20%)\nSim 13 (48,15%) 20 (80%)\nEstá no aguardo para cirurgia da endometriose? \nNão 22 (81,48%) 22 (88%)\nSim 5 (18,52%) 3 (12%)\nTem indicação cirúrgica \nNão 8 (36,36%) 6 (27,27%)\nSim 14 (63,64%) 16 (72,73%)\nToma alguma medicação/hormônio para endometriose? \nNão 7 (25,93%) 10 (40%)\nSim 20 (74,07%) 15 (60%)\nRealiza atividade física\nNão 7 (25,93%) 9 (36%)\nSim 12 (44,44%) 14 (56%)\nSim, mas já parei 8 (29,63%) 2 (8%)\nFaz acompanhamento com nutricionista\nNão 16 (59,26%) 24 (96%)\nSim 7 (25,93%) 1 (4%)\nSim, mas já parei 4 (14,81%) 0 (0%)\nFisioterapia Pélvica\nNão 20 (74,07%) 25 (100%)\nSim 3 (11,11%) 0 (0%)\nSim, mas já parei 4 (14,81%) 0 (0%)\nAcupuntura\nNão 20 (74,07%) 24 (96%)\nSim 3 (11,11%) 0 (0%)\nSim, mas já parei 4 (14,81%) 1 (4%)\nMeditação\nNão 23 (85,19%) 24 (96%)\nSim 2 (7,41%) 1 (4%)\nSim, mas já parei 2 (7,41%) 0 (0%)\nDescritivas gerais\nVariável\n\n Resultados  28 \nmenarca (grupo controle=88,89% e grupo intervenção=88%). No grupo controle \n40,74% cita ter infertili dade atual e 56% no grupo intervenção. Das pacientes \nque tiveram filhos, a gestação foi natural em 100% das pacientes (n=5) do grupo \ncontrole e apenas 1 paciente do grupo intervenção a gestação foi por meio da \nFIV (n=12), tendo êxito apenas na terceira ten tativa. Duas pacientes do grupo \nintervenção fizeram a primeira tentativa de FIV sem sucesso e uma paciente do \ngrupo intervenção realizou duas tentativas de FIV sem sucesso. A maioria das \npacientes de ambos os grupos citam ter endometrios e profunda \n(controle=88,89% e intervenção= 84%). Em ambos os grupos a maioria das \npacientes consideraram que passavam por alguma situação estressante na vida \n(controle=96,3% e intervenção=96%). \n \n4.2 Coping (Formas de Enfrentamento) \nConforme observado na Tabela 4, em ambos os grupos, a maior parte das \npacientes já utilizava a estratégia de coping “focada no problema”, considerada \na mais adaptativa, onde os problemas/situações são vividos e resolvidos de \nmodo assertivo. Usar “poucas vezes” esta estratégia é considerado ruim e usar \n“sempre” é considerado bom. É possível observar o aumento do índice de \npacientes que, ao término da intervenção (intervenção tempo 2) passou \na sempre utilizar o coping estilo “focado no problema” (84%), quando comparado \ncom o tempo 2 do grupo controle (44,44%). Ao observar todos os tipos possíveis \nde respostas, nota-se que o estilo “focado no problema” passou a ser \nusado por 96% dos participantes pós intervenção psicológica com \nTCC (classificação média ou sempre).  \n  \n\n Resultados  29 \nTabela 4 – Tipos de coping no grupo controle e no grupo intervenção nos tempos \n1 (inicio do protocolo) e 2 (final do protocolo) e estratégia de coping mais usada \nnos grupos \n \nN= número, % = porcentagem , tempo 1  controle= ao ingressar na pesquisa, tempo 2 controle= após o \nperíodo de 4 meses, tempo 1 intervenção= ao iniciar a intervenção, tempo 2 intervenção= ao término das \nsessões psicológicas com TCC. \n \nAo comparar a utilização dos estilos de coping entre os grupos e os \ntempos, evidenciou-se que há uma melhora na utilização do tipo \"focado no \nproblema\", que é o mais esperado, uma vez que, estima-se que a chance de \nmelhor resposta no grupo intervenção no tempo 2 seja cerca de 8 vezes maior \ndo que no tempo 1 deste mesmo grupo (p<0,01). Além disso, estima-se que, em \nmédia, o grupo intervenção tenha cerca de 16 vezes maior chance de usar uma \nmelhor estratégia de coping no tempo 2 quando comparado ao tempo 1 \n(considerando a utilização do estilo \"focado no problema\" como a melhor \nresposta possível e o \"desadaptativo focado na emoção\", a pior resposta \nesperada) (p<0,01) (Tabela 5).  Para o estilo Adaptativo focado na emoção e \nDesadaptativo focado na emoção também foi evidenciada uma melhora entre os \ntempos 1 e 2 no grupo intervenção. No grupo controle não foram encontradas \ndiferenças entre os tempos. \n  \nTempo 1 (n=27) Tempo 2 (n=27) Tempo 1 (n=25) Tempo 2 (n=25)\nClassificação (focado no problema)\nPouca 4 (14,81%) 3 (11,11%) 6 (24%) 1 (4%)\nMédia 12 (44,44%) 12 (44,44%) 9 (36%) 3 (12%)\nSempre 11 (40,74%) 12 (44,44%) 10 (40%) 21 (84%)\nClassificação (Adaptativo Focado na Emoção)\nPouca 8 (29,63%) 5 (18,52%) 1 (4%) 1 (4%)\nMédia 18 (66,67%) 20 (74,07%) 21 (84%) 13 (52%)\nSempre 1 (3,7%) 2 (7,41%) 3 (12%) 11 (44%)\nClassificação (Desadaptativo Focado na Emoção)\nNunca 3 (11,11%) 4 (14,81%) 1 (4%) 8 (32%)\nPouca 15 (55,56%) 13 (48,15%) 10 (40%) 15 (60%)\nMédia 6 (22,22%) 9 (33,33%) 9 (36%) 1 (4%)\nSempre 3 (11,11%) 1 (3,7%) 5 (20%) 1 (4%)\nEstratégia de coping mais usada\nAdaptativo Focado na Emoção 1 (3,7%) 1 (3,7%) 5 (20%) 0 (0%)\nDesadaptativo Focado na Emoção 6 (22,22%) 6 (22,22%) 6 (24%) 1 (4%)\nFocado no problema 19 (70,37%) 20 (74,07%) 13 (52%) 24 (96%)\nFocado no problema e adaptativo 1 (3,7%) 0 (0%) 1 (4%) 0 (0%)\nCope Controle Intervenção\n\n Resultados  30 \nTabela 5 – Comparação dos estilos de Coping (focado no problema, adaptativo \nfocado na emoção e desadaptativo focado na emoção) entre grupos (intervenção \ne controle) e tempos (tempo 1: início do protocolo e tempo 2: final do protocolo) \nestimando a chance de melhor ou pior resposta possível  e a estrat égia mais \nusada \n \n \nPara uma análise ainda mais precisa (Tabela 6), ao comparar a mudança \nentre os dois grupos e não apenas a diferença entre os tempos de cada \ngrupo, observa-se também diferença significativa na mudança da estratégia de \ncoping focado no problema e desadaptativo focado na emoção. Em relação à \nestratégia “focado no problema”, estima-se que o grupo intervenção tenha uma \nchance 5 vezes maior de melhorar ou manter boa a sua utilização quando \ncomparado ao grupo controle (p>0,01). Já quanto à estratégia “desadaptativo \nOdds ratio Valor-p\nIntervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 8,88 2,85 27,68 <0,01\nControle (Tempo 2 vs Tempo 1) 1,20 0,52 2,78 0,68\nTempo 1 (Intervenção vs Controle) 0,80 0,28 2,26 0,68\nTempo 2 (Intervenção vs Controle) 5,96 1,68 21,16 <0,01\nOdds ratio Valor-p\nIntervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 4,18 1,26 13,83 0,02\nControle (Tempo 2 vs Tempo 1) 1,95 0,66 5,76 0,23\nTempo 1 (Intervenção vs Controle) 5,15 1,60 16,61 <0,01\nTempo 2 (Intervenção vs Controle) 11,03 2,50 48,68 <0,01\nOdds ratio Valor-p\nIntervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 10,48 3,91 28,13 <0,01\nControle (Tempo 2 vs Tempo 1) 1,08 0,57 2,03 0,82\nTempo 1 (Intervenção vs Controle) 0,40 0,14 1,13 0,08\nTempo 2 (Intervenção vs Controle) 3,87 1,32 11,34 0,01\nOdds ratio Valor-p\nIntervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 16,97 2,21 130,57 <0,01\nControle (Tempo 2 vs Tempo 1) 1,05 0,41 2,69 0,91\nTempo 1 (Intervenção vs Controle) 0,54 0,17 1,71 0,30\nTempo 2 (Intervenção vs Controle) 8,72 0,997 76,20 0,05\nEstratégia de coping mais usada: estimando a chance de melhor resposta, sendo \"Desadaptativo \nFocado na Emoção\" a pior resposta possível e \"focado no problema\" a melhor resposta possível \nComparação Bruto\nIntervalo de confiança (95%)\nClassificação (Desadaptativo Focado na Emoção): estimando a chance de melhor resposta, sendo o \n\"sempre\" a pior resposta possível e  \"nunca\" a melhor resposta possível\nComparação Bruto\nIntervalo de confiança (95%)\nClassificação (Adaptativo Focado na Emoção): estimando a chance de melhor resposta, sendo o \n\"nunca\" a pior resposta possível e \"sempre\" a melhor resposta possível\nComparação Bruto\nIntervalo de confiança (95%)\nCOPE breve\nClassificação (focado no problema): estimando a chance de melhor resposta, sendo o \"nunca\" a pior \nresposta possível e \"sempre\" a melhor resposta possível\nComparação Bruto\nIntervalo de confiança (95%)\n\n Resultados  31 \nfocado na emoção”, estima-se que o grupo intervenção tenha uma chance 4 \nvezes maior de melhorar ou manter boa a sua utilização quando comparado ao \ngrupo controle (p=0,02). Não houve evidência de diferença quanto à melhora no \ntipo de estratégia de coping (p=0,05) e nem quanto à utilização do “adaptativo \nfocado na emoção” (p=0,06). \n  \nTabela 6 – Comparação da mudança atingida na utilização dos estilos de coping \nentre os tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do protocolo) nos grupos controle \ne intervenção \n \nconsiderando melhora/manteve bom versus não melhora/piora \n \n4.3 Depressão \nComo descrito, o grau de depressão (mínimo, leve, moderado ou grave) foi \nmensurado conforme a Escala de Depressão de Beck (Beck, 2011): 0 a 13 = \nsem depressão ou depressão mínima, de 14 a 19 = depressão leve, de 20 a 28 \n= depressão moderada, e de 29 a 63 = depressão grave. Observa-se que no \ntempo 1, a depressão moderada/grave apresentou-se similar nos dois grupos: \ncontrole=62,96%; intervenção=64%. Ao término dos 4 meses, no grupo controle \na depressão moderava/grave atingiu 55,56%, enquanto no grupo intervenção, \napós as sessões com TCC, diminuiu para 12% (Tabela 7). \n \n \n  \nVariável Comparação Odds ratio Valor-p\nMUDANÇA NA CLASSIFICAÇÃO \nFOCADO NO PROBLEMA\nIntervenção vs \nControle 5,65 1,53 20,93 <0,01\nMUDANÇA NA CLASSIFICAÇÃO \nADAPTATIVO FOCADO NA \nEMOÇÃO\nIntervenção vs \nControle 3,23 0,97 10,72 0,06\nMUDANÇA NA CLASSIFICAÇÃO \nDESADAPTATIVO FOCADO NA \nEMOÇÃO\nIntervenção vs \nControle 4,22 1,32 13,49 0,02\nMUDANÇA NA ESTRATÉGIA DE \nCOPING\nIntervenção vs \nControle 8,47 0,96 75,08 0,05\nCOPE breve\nIntervalo de confiança (95%)\n\n Resultados  32 \nTabela 7 – Grau de Depressão no grupo controle e no grupo intervenção nos \ntempos 1 (inicio do protocolo) e 2 (final do protocolo) \nNível de Depressão Controle Intervenção \nTempo 1 (n=27) Tempo 2 (n=27) Tempo 1 (n=25) Tempo 2 (n=25) \nMínimo 5 (18,52%) 6 (22,22%) 3 (12%) 22 (88%) \nLeve 5 (18,52%) 6 (22,22%) 6 (24%) 0 (0%) \nModerado 6 (22,22%) 4 (14,81%) 6 (24%) 2 (8%) \nGrave 11 (40,74%) 11 (40,74%) 10 (40%) 1 (4%) \n          \nModerado/Grave 17 (62,96%) 15 (55,56%) 16 (64%) 3 (12%) \nMínimo/Leve 10 (37,04%) 12 (44,44%) 9 (36%) 22 (88%) \nN= número, %=porcentagem \n \nAo comparar a depressão entre grupos e tempo, observou-se a melhora no \nescore de depressão. Estima-se que a chance de atingir o nível mínimo/leve de \ndepressão seja 13 vezes a mais após a finalização da intervenção em Terapia-\ncognitivo comportamental (p<0,01). Quando se observa o tempo 2 dos grupos \nintervenção e controle, estima-se que no grupo intervenção exista 9 vezes a mais \nde chance de alcançar o nível mínimo/leve em comparação ao controle (p<0,01) \n(Tabela 8). \n \nTabela 8 – Comparação dos níveis de depressão entre grupos (intervenção e \ncontrole) e tempos (tempo 1: início do protocolo e tempo 2: final do protocolo)  \nestimando a melhor resposta possível (mínimo/leve)  \n \n \nNa Tabela 9 apura-se a mudança na depressão em 9 vezes a mais na \nchance de melhora do grupo intervenção em comparação ao grupo controle \n(p<0,01).  \n \n \n \n \nOdds ratio Valor-p\nIntervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 13,04 3,72 45,76 <0,01\nControle (Tempo 2 vs Tempo 1) 1,36 0,75 2,46 0,31\nTempo 1 (Intervenção vs Controle) 0,96 0,31 2,96 0,94\nTempo 2 (Intervenção vs Controle) 9,17 2,20 38,12 <0,01\nComparação Bruto\nIntervalo de confiança (95%)\n\n Resultados  33 \nTabela 9 – Comparação da mudança atingida nos níveis de depressão entre os \ntempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do protocolo) nos grupos controle e \nintervenção \n \nconsiderando melhora/manteve bom versus não melhora/piora na depressão \n \n \n4.4 Stress \nOs estágios do estresse (alerta, resistência, quase-exaustão e exaustão) e \ntipo de stress (físico, físico -psicológico, psicológico, sem stress)  foram \nmensurados conforme o ISSL - Inventário de Sintomas de Stress para Adultos \nde Lipp (Lipp, 2005). Nota-se (Tabela 10) que o stress do tipo psicológico é o \nmais prevalente em ambos os grupos no tempo 1  (controle=74,07% e \nintervenção=72%). No tempo 2, o grupo controle se manteve similar com 72% e \nno grupo intervenção  o índice diminuiu para 24%.  A fase de stress mais \nprevalente em ambos os grupos no tempo 1 é a “fase resistência”  \n(controle:44,44% e intervenção: 52%), onde a sensação do stress está presente \nem tempo indeterminado trazendo desgaste e cansaço (Lipp, 2005). No tempo \n2 do grupo controle, o índice sobe para 52%. No tempo 2 do grupo intervenção, \nesse índice cai para 24%. Ao final do programa , 60% das pacientes que \nvivenciaram a intervenção psicológica com TCC passaram a ser classificadas \nsem stress , enquanto 92,59% do grupo controle , ao final dos 4 meses, \napresentou stress em algum tempo mensurado. \n  \nVariável Comparação Odds ratio Valor-p\nMUDANÇA NA DEPRESSÃO Intervenção vs Controle 9,17 2,20 38,12 <0,01\nBDI\nIntervalo de confiança (95%)\n\n Resultados  34 \nTabela 10 – Estágios e Fases do  Stress no grupo controle e no grupo \nintervenção nos tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do protocolo)  \nISSL Controle Intervenção \nTempo 1 (n=27) Tempo 2 (n=27) Tempo 1 (n=25) Tempo 2 (n=25) \nTIPO DE STRESS         \nFÍSICO 3 (11,11%) 5 (18,52%) 2 (8%) 4 (16%) \nFÍSICO-PSICOLÓGICO 0 (0%) 2 (7,41%) 3 (12%) 0 (0%) \nPSICOLÓGICO 20 (74,07%) 18 (66,67%) 18 (72%) 6 (24%) \nSEM STRESS 4 (14,81%) 2 (7,41%) 2 (8%) 15 (60%) \n          \nFASE DO STRESS         \nSEM STRESS 4 (14,81%) 2 (7,41%) 2 (8%) 15 (60%) \nALERTA 0 (0%) 1 (3,7%) 0 (0%) 0 (0%) \nRESISTÊNCIA 12 (44,44%) 18 (66,67%) 13 (52%) 6 (24%) \nQUASE-EXAUSTÃO 9 (33,33%) 6 (22,22%) 7 (28%) 2 (8%) \nEXAUSTÃO 2 (7,41%) 0 (0%) 3 (12%) 2 (8%) \n          \nSTRESS Q1         \nNão 20 (74,07%) 20 (74,07%) 14 (56%) 22 (88%) \nSim 7 (25,93%) 7 (25,93%) 11 (44%) 3 (12%) \n          \nSTRESS Q2         \nNão 6 (22,22%) 2 (7,41%) 2 (8%) 16 (64%) \nSim 21 (77,78%) 25 (92,59%) 23 (92%) 9 (36%) \n          \nSTRESS Q3         \nNão 9 (33,33%) 10 (37,04%) 11 (44%) 19 (76%) \nSim 18 (66,67%) 17 (62,96%) 14 (56%) 6 (24%) \n          \nSTRESS EM ALGUM QUADRO       \nNão 4 (14,81%) 2 (7,41%) 2 (8%) 15 (60%) \nSim 23 (85,19%) 25 (92,59%) 23 (92%) 10 (40%) \nISSL=Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp; N=número; %=porcentagem ; Q1=stress \nsentido em 24h; Q2=stress sentido dentro de uma semana; Q3=stress sentido dentro  de um mês. Tempo \n1= ao ingressar na pesquisa, tempo 2= após o período de 4 meses ; Intervenção: tempo 1= ao iniciar a \nintervenção, tempo 2 = ao término das sessões de intervenção psicológica com TCC. \n \nEstima-se que a chance de atingir o nível sem stress seja 17 vezes a mais \napós a finalização da intervenção em Terapia -cognitivo comportamental \n(p<0,01). Quando se observa  o tempo 2 dos grupos intervenção e controle, \nestima-se que no grupo intervenção exista 18 vezes a mais de chance de \nalcançar o nível sem stress em comparação ao controle (p<0,01) (Tabela 11). \n \n\n Resultados  35 \nTabela 11 – Comparação dos níveis de stress  entre grupos (intervenção e \ncontrole) e tempos (tempo 1: início do protocolo e tempo 2: final do protocolo)  \nestimando a chance de não stress em algum quadro  (Q1: um dia , Q2: uma \nsemana ou Q3: um mês) \n \n \nNa Tabela 12 apura-se a mudança para o nível do stress saudável em 18 \nvezes a mais na chance de melhora do grupo intervenção em comparação ao \ngrupo controle (p<0,01) e da fase de stress em 9 vezes a mais em comparação \nao controle (p<0,01). \n \nTabela 12 – Comparação da mudança atingida nos níveis e fases do stress entre \nos tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do protocolo) nos grupos controle e \nintervenção  \n \n \n4.5 Dismenorreia e dor pélvica crônica \nDismenorreia e dor crônica foram aferidas através da Escala Visual \nAnalógica de Dor (EVA) (Huskisson,1974) e classificada em sem dor (0), média \n(1-3), moderada  (4-7) e severa  (8-10). Como critério de inclusão  foram \nconsideradas as pacientes que classificavam a dor >=5 (Gráficos 1 e 2).  \n \n  \nOdds ratio Valor-p\nIntervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 17,25 3,95 75,29 <0,01\nControle (Tempo 2 vs Tempo 1) 0,46 0,10 2,13 0,32\nTempo 1 (Intervenção vs Controle) 0,50 0,08 3,00 0,45\nTempo 2 (Intervenção vs Controle) 18,75 3,61 97,40 <0,01\nComparação Bruto\nIntervalo de confiança (95%)\nVariável Comparação Odds ratio Valor-p\nMUDANÇA NO STRESS EM \nALGUM QUADRO Intervenção vs Controle 18,75 3,61 97,40 <0,01\nMUDANÇA NA FASE DO \nSTRESS Intervenção vs Controle 9,05 2,57 31,84 <0,01\nIntervalo de confiança (95%)\n\n Resultados  36 \nGráfico 1 – Grau severo de d ismenorreia em ambos os grupos  e nos dois \ntempos. Ao final da intervenção houve leve alteração na escala de dor \n \nControle - tempo 1: preenchimento da EVA no momento da inclusão no estudo e tempo 2: preenchimento da EVA após \n4 meses). Intervenção - tempo 1: preenchimento da EVA no momento da inclusão no estudo e tempo 2: preenchimento \nda EVA após a intervenção psicológica com TCC \n \nGráfico 2 – Grau severo de dor pélvica crônica em ambos os tempos do grupo \ncontrole. No grupo intervenção, após o programa (tempo 2) houve alteração da \npercepção de dor \n \nControle - tempo 1: preenchimento da EVA no momento da inclusão no estudo e tempo 2: preenchimento da EVA após \n4 meses). Intervenção - tempo 1: preenchimento da EVA no momento da inclusão no estudo e tempo 2: preenchimento \nda EVA após a intervenção psicológica com TCC \n \nDismenorreia \nDor pélvica crônica \n\n Resultados  37 \nEstima-se que a chance de atingir o nível sem dor seja 14 vezes a mais \napós a finalização da intervenção em Terapia -cognitivo comportamental \n(p<0,01). Quando se observa  o tempo 2 dos grupos intervenção e controle, \nestima-se que no grupo intervenção exista 8 vezes a mais de chance de alcançar \no nível sem dor em comparação ao controle (p<0,01) (Tabela 13). \n \nTabela 13 – Comparação do nível de dor pélvica crônica entre grupos \n(intervenção e controle) e tempos (tempo 1: início do protocolo e  tempo 2: final \ndo protocolo) estimando a chance de melhor ou pior resposta possível  (sem \ndor/dor severa) \n \n \nA Tabela 14 evidencia a mudança do nível de dor pélvica em 17 vezes a \nmais na chance de melhora do grupo intervenção em comparação ao grupo \ncontrole (p<0,01). \n \nTabela 14 – Comparação da mudança atingida no nível de dor pélvica crônica \nentre os tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do protocolo)  \n \n \n \n4.6 Qualidade de Vida \nNo grupo controle houve discreta mudança entre os escores dos tempos 1 \ne 2 (Gráfico 3) piora dos aspectos emocionais e leve melhora em limitação dos \naspectos físicos , capacidade funcional e dor . No grupo intervenção o gráfico \ndemonstra considerável mudança em praticamente todos os escores do SF -36 \n(Gráfico 4) capacidade funcional, limitação por aspectos físicos, dor, estado geral \nde saúde, vitalidade, aspectos sociais, limitação por aspectos emo cionais e \nsaúde mental. \n \nOdds ratio Valor-p\nIntervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 14,27 3,18 64,00 <0,01\nControle (Tempo 2 vs Tempo 1) 1,09 0,62 1,94 0,76\nTempo 1 (Intervenção vs Controle) 0,68 0,25 1,86 0,45\nTempo 2 (Intervenção vs Controle) 8,81 2,17 35,69 <0,01\nComparação Bruto\nIntervalo de confiança (95%)\nVariável Comparação Odds ratio Valor-p\nMUDANÇA NO NÍVEL DE DOR \nPELVICA CRÔNICA Intervenção vs Controle 17,00 3,93 73,58 <0,01\nIntervalo de confiança (95%)\n\n Resultados  38 \nGráfico 3 – Resultado do SF36 nos tempos 1 (início do protocolo) \ne 2 (final do protocolo) do grupo controle \n \nControle - tempo 1: preenchimento do SF36 no momento da inclusão no estudo e tempo 2: preenchimento do SF36 após \n4 meses).  \n \n  \n\n\n Resultados  39 \nGráfico 4 – Resultado do SF36 nos tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do \nprotocolo) no grupo intervenção \n \nIntervenção - tempo 1: preenchimento do SF36 no momento da inclusão no estudo e tempo 2: preenchimento do SF36 \napós a intervenção psicológica com TCC. \n \nÉ possível observar mudança positiva nos 8 domínios do SF36  conforme \ndescrito detalhadamente na Tabela 15. \n  \n\n\n Resultados  40 \nTabela 15 – Comparação nos oito domínios do SF 36 ( capacidade funcional, \nlimitação por aspectos físicos, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos \nsociais, limitação por aspectos emocionais e saúde mental)  entre grupos \n(intervenção e controle) e tempos (tempo 1: início do protocolo e tempo 2: final \ndo protocolo)  estimando a chance de melhor ou pior resposta possível \n \nDiferença estimada Valor-p\nIntervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 13,20 5,40 21,00 <0,01\nControle (Tempo 2 vs Tempo 1) 5,00 -2,50 12,50 0,19\nTempo 1 (Intervenção vs Controle) 8,58 -4,20 21,36 0,18\nTempo 2 (Intervenção vs Controle) 16,78 4,00 29,56 0,01\nDiferença estimada Valor-p\nIntervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 38,00 21,63 54,37 <0,01\nControle (Tempo 2 vs Tempo 1) 11,11 -4,64 26,87 0,16\nTempo 1 (Intervenção vs Controle) 1,07 -19,29 21,44 0,92\nTempo 2 (Intervenção vs Controle) 27,96 7,60 48,33 <0,01\nDiferença estimada Valor-p\nIntervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 17,28 9,74 24,82 <0,01\nControle (Tempo 2 vs Tempo 1) 3,44 -3,81 10,70 0,34\nTempo 1 (Intervenção vs Controle) 7,26 -4,04 18,56 0,20\nTempo 2 (Intervenção vs Controle) 21,09 9,79 32,40 <0,01\nDiferença estimada Valor-p\nIntervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 23,88 17,24 30,52 <0,01\nControle (Tempo 2 vs Tempo 1) 0,56 -5,84 6,95 0,86\nTempo 1 (Intervenção vs Controle) 4,55 -5,50 14,60 0,37\nTempo 2 (Intervenção vs Controle) 27,88 17,82 37,93 <0,01\nDiferença estimada Valor-p\nIntervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 29,00 19,49 38,51 <0,01\nControle (Tempo 2 vs Tempo 1) 0,00 -9,15 9,15 0,99\nTempo 1 (Intervenção vs Controle) 10,11 -0,90 21,12 0,07\nTempo 2 (Intervenção vs Controle) 39,11 28,10 50,12 <0,01\nDiferença estimada Valor-p\nIntervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 34,00 24,24 43,76 <0,01\nControle (Tempo 2 vs Tempo 1) 0,93 -8,47 10,32 0,84\nTempo 1 (Intervenção vs Controle) 5,72 -7,57 19,01 0,39\nTempo 2 (Intervenção vs Controle) 38,80 25,51 52,09 <0,01\nDiferença estimada Valor-p\nIntervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 46,67 31,51 61,82 <0,01\nControle (Tempo 2 vs Tempo 1) -6,17 -20,76 8,41 0,40\nTempo 1 (Intervenção vs Controle) -2,96 -22,66 16,73 0,76\nTempo 2 (Intervenção vs Controle) 49,88 30,18 69,57 <0,01\nDiferença estimada Valor-p\nIntervenção (Tempo 2 vs Tempo 1) 32,48 25,60 39,36 <0,01\nControle (Tempo 2 vs Tempo 1) 2,07 -4,55 8,70 0,53\nTempo 1 (Intervenção vs Controle) 7,68 -3,40 18,76 0,17\nTempo 2 (Intervenção vs Controle) 38,09 27,00 49,17 <0,01\nLimitação por aspectos físicos: comparando médias\nComparação Bruto\nIntervalo de confiança (95%)\nSaúde mental: comparando médias\nAspectos sociais: comparando médias\nComparação Bruto\nIntervalo de confiança (95%)\nVitalidade: comparando médias\nComparação Bruto\nIntervalo de confiança (95%)\nEstado geral de saúde: comparando médias\nComparação Bruto\nComparação Bruto\nIntervalo de confiança (95%)\nLimitação por aspectos emocionais: comparando médias\nComparação Bruto\nIntervalo de confiança (95%)\nIntervalo de confiança (95%)\nDor: comparando médias\nComparação Bruto\nIntervalo de confiança (95%)\nCapacidade funcional: comparando médias\nComparação Bruto\nIntervalo de confiança (95%)\n\n Resultados  41 \nA Tabela 16 mostra a mudança estimada em cada domínio do SF 36 nos \ntempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do protocolo): mudança na limitação por \naspectos físicos em 26 vezes mais chance de melhora do grupo intervenção em \ncomparação ao grupo controle (p =0,02); dor em 13  vezes mais chance de \nmelhora do grupo intervenção em comparação ao grupo controle (p=0,01); \nestado geral da saúde em 23 vezes mais chance de melhor a do grupo \nintervenção em comparação ao grupo controle (p<0,01); vitalidade em 29 vezes \nmais chance de melhora do grupo intervenção em comparação ao grupo controle \n(p<0,01); aspectos sociais em 33 vezes mais chance de melhora do grupo \nintervenção em comparação ao grupo controle (p<0,01);  limitação por aspectos \nemocionais em 52 vezes mais chance de melhora do grupo intervenção em \ncomparação ao grupo controle (p<0,01); saúde mental em 30 vezes mais chance \nde melhora do grupo intervenção e m comparação ao grupo controle (p<0,01)  \n(Gráfico 5). \n \nTabela 16 – Comparação da diferença estimada na melhora d os domínios do \nSF36 entre os tempos 1 (início do protocolo) e 2 (final do protocolo) nos dois \ngrupos \n \n \nVariável Comparação Diferença estimada Valor-p\nMudança na Capacidade \nfuncional Intervenção vs Controle 8,20 -2,85 19,25 0,14\nMudança na Limitação por \naspectos físicos Intervenção vs Controle 26,89 4,17 49,61 0,02\nMudança na Dor Intervenção vs Controle 13,84 2,97 24,70 0,01\nMudança na Estado geral de \nsaúde Intervenção vs Controle 23,32 13,83 32,82 <0,01\nMudança na Vitalidade Intervenção vs Controle 29,00 15,39 42,61 <0,01\nMudança nos Aspectos sociais Intervenção vs Controle 33,07 19,22 46,93 <0,01\nMudança na Limitação por \naspectos emocionais Intervenção vs Controle 52,84 31,80 73,88 <0,01\nMudança na Saúde mental Intervenção vs Controle 30,41 20,85 39,96 <0,01\nIntervalo de confiança (95%)\n\n Resultados  42 \nGráfico 5 – Apresentação geral dos dados na perspectiva de mudanças: o que \ne quanto houve de melhora ao comparar grupo controle e grupo intervenção \n \nQ3=dentro do período de 1 mês no instrumento de Lipp  (2005); Q2=dentro do período de 1 semana no instrumento de \nLipp (2005); Q1=dentro do período de 24 horas no instrumento de Lipp (2005). \n \n \n\n\n Discussão  43 \n5 Discussão  \n \n \nEste estudo apresentou importantes mudanças positivas na saúde \nemocional da mulher com endometriose após a participação em programa de \ntratamento psicológico estruturado e conduzido por meio das estratégias e \ntécnicas da terapia cognitivo -comportamental.  Os resultados apresentados  na \nmelhora da forma de enfr entamento, escores de depressão, nível e tipo de \nstress, diminuição da percepção da dor crônica e melhora em aspectos da \nqualidade de vida, demonstraram que o uso da TCC é eficaz  no tratamento \npsicológico das pacientes com endometriose . Tais resultados contribuem com \nlacunas até então apontadas em diversos estudos. \nA revisão sistemática de Ruszala et al. , (2022) apurou que a falta de \nsatisfação na vida cotidiana é principalmente devido à dor constante. O processo \nde adaptação a uma vida com a  endometriose está associado a emoções \nnegativas, tendo muitas vezes, como consequências psicológicas, a depressão, \nansiedade, impotência, culpa, violência autodirigida e deterioração das relações \ninterpessoais. É necessário um cuidado multidisciplinar baseado em evidências. \nA doença pode tirar a capacidade de ser fisicamente ativo, impactando ações do \ncotidiano como estudar, trabalhar continuamente e interagir com os amigos. O s \nautores apontam o  apoio social e a terapia cognitivo -comportamental como \nimportantes ferramentas para o reequilíbrio emocional. \nNo atual estudo, foi possível observar que após a intervenção com TCC , \nverificou-se grande mudança nos domínios do SF36  (Tabela 15): capacidade \nfuncional (16 vezes mais chance de melhora no grupo intervenção em relação \nao grupo controle (p>0,01)); limitação por aspectos físicos e saúde geral (ambos \nem 27 vezes mais chance de melhora no grupo intervenção em relação ao grupo \ncontrole (p>0,01)) ; vitalidade (39 vezes mais chance de melhora no grupo \nintervenção em relação ao grupo controle (p>0,01)); aspectos sociais (38 vezes \nmais chance de melhora no grupo intervenção em relação ao grupo controle \n(p>0,01)). \n\n Discussão  44 \nA revisão sistemática de Kalfas et al., (2022) que expl orou fatores \npsicossociais em relação à dor e qualidade de vida na endometriose, indicou que \na catastrofização e a ansiedade estão associadas a maior dor, enquanto \nansiedade e depressão estão relacionadas a pior qualidade de vida, sugerindo \nque tais fatore s psicossociais precisam estar presentes no tratamento da \nendometriose, uma vez que melhorar o funcionamento emocional pode levar a \nmelhorias na dor e na qualidade de vida desta população. \nNo atual  estudo foi possível observar que a mudança no estilo de \nenfrentamento proporcionou considerável melhora no quadro psicológico geral. \nPós-intervenção houve cerca de 16 vezes maior chance das pacientes utilizarem \na estratégia de coping “focado no problema” em comparação ao grupo controle \n(p<0,01) (Tabela 5) , o que significa desenvolver uma atitude mais ativa e \nassertiva diante do próprio tratamento, imprimindo importante transformação na \nforma como as pacientes se percebiam e conduziam suas vidas, apesar da \nendometriose. \n Rees, Kiemle & Slade  (2022) estudaram as variáveis psicológicas e \nqualidade de vida nas mulheres com endometriose. A percepção das mulheres \nsobre sua capacidade de lidar com a dor e o quão incertas elas se sentiam sobre \nsua condição, foram fatores importantes na queda da qual idade de vida, \nprincipalmente no domínio físico. Conviver com a incerteza que a doença traz \ncomo o prognóstico, a possível infertilidade, tratamentos diversos e a dificuldade \nde lidar com a dor culminam no desenvolvimento da sensação de desamparo ou \nfracasso, sentindo -se incapazes de controlar tais aspectos. Como a  alta \nincerteza da doença está associada a uma baixa autoeficácia da dor e queda na \nqualidade de vida, os autores entenderam que cuidar destes fatores em \nprogramas de psicoterapia são altamente indicados.  \n Durante a intervenção com as técnicas da TCC, nosso estudo teve \nenfoque em aspectos como fortalecimento da capacidade de lidar com a atual \ncondição da endometriose, psicoeducação do modelo cognitivo e da \nendometriose e manejo da dor . Após os 4 meses do programa , foi possível \nverificar significativa mudança na melhora da qualidade de vida no grupo \nintervenção em comparação ao grupo controle , como por exemplo n o domínio \n\n Discussão  45 \n‘limitação por aspectos emocionais’ e ‘saúde mental’ do SF36, onde estima-se a \nchance de melhora em 49 vezes (p<0,01), e 38 vezes (p<0,01), respectivamente, \nno tempo final diante da participação na intervenção psicológica (Tabela 15). \n O estudo qualitativo de Márki et al., (2022) através de um trabalho focal \ncom 4 grupos de mulheres com endometriose, conduzido por especialistas \nmédicos e psicólogos, também constatou que a incerteza e a falta de informação \nsobre a endometriose são pontos de desafio trazendo dificuldades e significativo \nimpacto na vida da mulher.  Além da sobrecarga física, as pacientes relataram \nque as consequências psicológicas do convívio com a endometriose como a \nansiedade, o estresse e a sensação de desamparo, por vezes se tornavam até \nmais desafiadores do que os próprios sintomas físicos. Em um quadro crônico, \no estado emocional negativo moldou de modo prejudicial a maneira de pensar e \nconduzir a vida cotidiana, trazendo a sensação de impotência diante da saúde \nfísica-emocional. Os autores denotam que mudar o estilo de vida e assumir um \npapel ativo no autocuidado diante do quadro geral da endometriose é necessário \npara a recuperação emocional destas pacientes. Estratégias de enfrentamento \nativas e focadas na solução, apoiadas por experiências médicas positivas, \ninformações confiáveis e apoio social eficaz parecem ser a melhor diretriz. \nProgramas de promoção da saúde e grupos de apoio gerenciados para facilitar \no enfrentamento e crescimento pós-traumático em mulheres com endometriose \nsão benéficos. O cumprimento dessas recomendações permitiria às mulheres \nviver uma vida assintomática, fértil e equilibrada diante da endometriose. \n Além da melhora no estilo de enfrentamento encontrado em nosso \nestudo, os índices de estresse também alcançaram melhora no grupo \nintervenção. No início da coleta de informações nos grupos, foi possível observar \nque o stress do tipo psicológico era o mais prevalente em ambos os grupos no \ntempo 1  (controle=74,07% e intervenção=72%) (T abela 10), porém após a \nintervenção (tempo 2 dos grupos intervenção e controle ), este grupo atingiu 18 \nvezes mais a chance de alcançar o nível sem stress em comparação ao controle \n(p<0,01) (Tabela 11). É possível inferir que a melhora no estilo de enfrentamento \napresentou papel ativo na amenização do stress nas pacientes  do grupo \n\n Discussão  46 \nintervenção, assim como nas demais variáveis : depressão, percepção da dor \npélvica crônica e qualidade de vida (Gráfico 10). \n O breve relatório de Broc & Porro (2022) apontou a necessidade de mais \ninvestigações longitudinais e prospectivas a fim de contribuir com o avanço em \nprogramas que auxiliem na diminuição da carga psicológica no convívio com a \nendometriose. Para os autores, a  adaptação psicológica à endometriose \ndepende muito do reconhecimento dos profissionais de saúde e familiares diante \nda dor e sofrimento das mulheres. Acreditam que combinar a clínica centrada no \npaciente com abordagens como a terapia cognitivo-comportamental se mostra \npromissor, assim como a capacitação e treinamento m édico para identificar o \nsofrimento psíquico  e encaminhar prontamente para tratamento psicológico  \nvisando mudança de comportamento, prevenção e cuidado da fadiga, mudança \ndo estilo de vida, além de orientação nutricional, campanhas preventivas e de \nconscientização.  \n Em Brooks et al. , (2021) identificaram que a terapia cognitivo -\ncomportamental, a terapia de aceitação e compromisso e as terapias de atenção \nplena foram mais comumente usadas por clínico s de saúde mental que \ntrabalhavam com mulheres com condições persistentes de dor pélvica, apesar \ndos autores apontarem evidências severamente limitadas pela falta de estudos \nsobre o uso dessas intervenções psicológicas nesse grupo de clientes. \n Acreditamos que os resultados gerais encontrados neste estudo \nauxiliem os próximos passos de desenvolvimento de um programa psicológico \nbaseado nas estratégias e técnicas da TCC em vista das evidências de melhora \nnos aspectos citados e que possa guiar os profi ssionais de saúde neste \nencaminhamento e assegurar quanto a possibilidade positiva de mudança e \nfortalecimento emocional das pacientes beneficiadas.  \nO estudo prospectivo de 12 meses de Dowding et al., (2022) avaliou o bem-\nestar de mulheres australianas com dismenorreia, buscando entender o \ncomponente do impacto biopsicológico da dor pélvica. Os efeitos temporais de \nfatores psicológicos relacionados à dor na endometriose mostr aram que o \nsofrimento emocional basal foi a única variável para prever a catastrofização da \ndor (β = 0,24, p < 0,01), incapacidade funcional da dor (β = 0,16, p < 0,05) e \n\n Discussão  47 \nsofrimento emocional concomitante (β =.55, p <.001) 12 meses depois, \najustando para idade e doença crônica. Os resultados sugerem que a presença \nde sofrimento emocional, ao invés de dor, é o mais importante preditor de \nsofrimento futuro e incapacidade em mulheres com endometriose. \n A dor pélvica crônica e dismenorreia contribuem em grande parte com \na piora da qualidade de vida e saúde emocional das pacientes. Neste estudo foi \npossível verificar que houve mudança em relação à dor pélvica crônica após a \nintervenção com as técnicas da TCC. No grupo intervenção 68% das pacientes \napresentaram melhora na dor pélvica crônic a, enquanto apenas 11% no grupo \ncontrole (Gráfico 10).  \n O sofrimento emocional também se evidencia e um dos aspectos que \nse destaca é a presença da depressão inicialmente em mais de 60% em ambos \nos grupos (Tabela 7), porém após a finalização da intervenção em TCC, o grupo \nintervenção atingiu 13 vezes mais o nível mínimo/leve de depressão em relação \nao grupo controle (p<0,01) (Tabela 8). \n Em estudo clínico multicêntrico randomizado e controlado (Hansen et \nal., 2023), cinquenta e oito pacientes for am aleatoriamente designadas em três \ngrupos - (1) Intervenção psicológica específica baseada em mindfulness e \naceitação chamado “Mind Your ENDOmetriosis” (MY-ENDO), (2) Intervenção \npsicológica não específica que correspondia ao MY -ENDO em fatores como \nempatia,  terapêutica de melhora, mas não incluindo mindfulness, (3) Grupo \ncontrole de lista de espera. O objetivo foi avaliar o efeito das intervenções \npsicológicas sobre a dor pélvica crônica e a qualidade de vida em mulheres com \nendometriose. O programa “MY -ENDO” foi desenvolvido especificamente para \nendometriose, constituído por 10 sessões de grupo semanais de 3 horas com \neducação do paciente sobre temas relacionados à endometriose, terapia de \ngrupo focando nas experiências dos pacientes e nos mecanismos de  \nenfrentamento em relação a esses temas. As estratégias utilizadas estavam \nbaseadas na redução do estresse por meio do uso de mindfulness (MBSR) em \ncombinação com terapia de aceitação e compromisso (ACT). Durante as \nsessões eram aplicadas uma variedade de exercícios de mindfulness e ioga, \nalém disso, os participantes receberam um conjunto de apostilas e foram \n\n Discussão  48 \nencorajados a praticar 30 -45 min de mindfulness e ioga em casa entre cinco e \nsete dias por semana. Neste estudo, a intervenção psicológica não reduziu a dor \npélvica em mulheres que sofrem de endometriose, mas levou a melhorias na \nqualidade de vida como ‘controle e impotência’ (P = 0,019, d = 0,78), 'bem-estar \nemocional' (P = 0,003, d=1,01) e 'apoio social' (P=0,042, d=0,66), e melhora nos \nsintomas relac ionados à endometriose como disquezia (P = 0,047, d=0,43), \nconstipação (P=0,045, d=0,47) e náusea (P=0,016, d=0,47), apesar de uma \nexperiência contínua de dor pélvica crônica grave.  \n A estratégia de mindfulness também esteve presente no protocolo de \natendimento da intervenção deste estudo , a de número 8 . De modo geral, foi \numa sessão muito importante e aplicada de modo planejado no meio do \nprograma para que as pacientes já pudessem chegar a esta sessão com um bom \ngrau de entendimento do próprio funcionamento psíquico e para que tal sessão \npudesse alavancar o processo de autoconhecimento e consciência corporal.  É \npossível dizer que, na grande maioria dos atendimentos, a sessão 8 cumpriu sua \nfunção, tendo um result ado muito positivo para a maioria das pacientes que \nrelataram a sensação alcançada nessa sessão. \nUtilizando Mindfulness - brief Mindfulness-Based Intervention (bMBI) , o \nestudo de Moreira et al. (2022) também alcançou um resultado positivo  na \nmelhora significativa no desconforto da dor (f de Cohen2 = 0,67, NNT = 3,2), dor \npélvica (f de Cohen2 = 0,16, NNT = 5,3) e disquezia (f de Cohen2 = 0,23, NNT = \n2,9) imediatamente após o tratamento e diminuição de toda a dor relacionada à \nendometriose (f de Cohen2 variando de 0,20 a 0,60 e NNT variando de 5 a -9) \napós o seguimento. Os autores também observaram efeito positivo do bMBI na \ndimensão saúde mental nas medidas de dois pontos de tempo (f de Cohen2  = \n0,34 e 0,25, NNT = 3,5 e 2,3) e vitalidade (f de Cohen2 = 0,22, NNT = 2,1) após \no seguimento. Entendendo assim que a utilização de bMBI é útil para gerenciar \na dor relacionada à endometriose e restaurar o bem -estar psicológico das \nmulheres. \nAo complementar a utilização de mindfulness com demais técnicas da TCC \naplicadas em nosso estudo, foi possível ampliar os efeitos positivos para as \noutras variáveis estudadas neste atual protocolo  como os demais domínios do \n\n Discussão  49 \nSF36, depressão, stress e coping, demostrando como a TCC foi eficaz em ampla \nmelhora nas pacientes participantes do grupo intervenção. \nImportante sugestão se fez presente no estudo de Boersen et al., (2021), \nonde todas as mulheres participantes dos grupos focais estruturados apontaram \nque a TCC deveria ser oferecida a pacientes submetidas à cirurgia de \nendometriose e que este poderia ser um trunfo para melhorar a qualidade de \nvida após a cirurgia. As participantes preferiram a terapia individual ou em grupo \npresencial, pontuando ser importante que o tratamento seja pers onalizado, \nadaptado individualmente às diferentes necessidades de cada paciente. \nDesta forma, diante d o levantamento dos atuais artigos e os resultados \nobtidos em nosso estudo, é possível inferir que a utilização da TCC no \ntratamento psicológico das mulher es com endometriose é benéfica na melhora \ndas estratégias de enfrentamento (coping), dos sintomas emocionais (depressão \ne stress), qualidade de vida e percepção da dor pélvica crônica.  \nOs resultados obtidos abrem caminho para a construção de um modelo de \ntratamento psicológico passível de replicação neste ambulatório e em demais \ninstituições especializadas no tratamento da endometriose, contribuindo para a \nmelhora de um quadro que tem se mostrado extremamente desafiador no \nmanejo clínico da pacie nte com endometriose e até então trabalhado de modo \npouco estruturado: os aspectos emocionais. \nNeste estudo foram utilizadas técnicas padrão da Terapia Cognitivo -\ncomportamental, ponto de sugestão para ampliação de futuros  estudos \nacrescentando estratégias da chamada terceira onda  das terapias cognitivo -\ncomportamentais como a DBT  (Terapia Comportamental Dialética) , TREC  \n(Terapia Racional  Emotiva Comportamental) , ACT  (Terapia de Aceitação e \nCompromisso) e Terapia Cognitiv a Baseada e m Mindfulness para identificar  \npossíveis potencializações de mudanças emocionais . Também f oi possível \nobservar que a quantidade de sessões (16 sessões) foi suficiente para a maioria \ndas pacientes, mas é importante ressaltar que alguns atendimentos demandam \nmais que outros e, eventualmente ampliar o número de sessões pode ser \nbenéfico para  o resultado final  em algumas situações.  A utilização de \ninstrumentos específicos para endometriose também poderia acrescentar \n\n Discussão  50 \ninformações relevantes como , por exemplo , o Endometriosis Health Profile \nQuestionnaire – EHP-30 (Mengarda et.al, 2008). Além disso, s eria importante, \nem próximos estudos, ampliar o número da amost ra trabalhada e ainda aplicar \neste protocolo paralelamente com outras abordagens da psicologia para avaliar \nos resultados aqui encontrados. \nEsse protocolo com sessões estruturadas teve metas bem definidas na sua \nconstrução como: aprofundar o autoconhecimen to sobre a doença e sobre o \nfuncionamento psíquico da paciente, identificar os aspectos fragilizados do \nmundo interno, promover a reestruturação cognitiva dos pontos disfuncionais e \ncapacitar as pacientes a continuarem sendo protagonistas das mudanças \nemocionais e comportamentais dos possíveis momentos difíceis que surgissem \nem suas vidas.  \nO cumprimento de tais objetivos durante as sessões, permitiram o \ndesenvolvimento e/ou fortalecimento da sensação de autonomia diante da \nprópria melhora, sendo essa uma das grandes estratégias para que o tratamento \nse tornasse além de efetivo, duradouro.  \nO processo de intervenção por meio das técnicas da terapia cognitivo -\ncomportamental conduz a paciente para a ampliação do autoconhecimento, o \ncontato com os aspectos positivos e negativos da personalidade, o entendimento \ndo funcionamento psíquico e com isso, a possibilidade de transformação pessoal \ne o desenvolvendo de melhores estratégias de enfrentamento diante dessa \ncondição, contribuindo assim com a melhora dos sintomas consequentes da \nendometriose.  \nEspera-se que esse novo protocolo de atendimento psicológico por meio \nda TCC que trouxe melhora nos aspectos emocionais como a forma de \nenfrentamento, depressão, stress, dor pélvica crônica e  qualidade de vida das \npacientes com endometriose, contribua para novas pesquisas, uma vez que \npode ser replicado e foi construído com base em evidências.  \nAté onde sabemos, este é o primeiro estudo brasileiro que avaliou a eficácia \nda TCC diante da melhora das estratégias de coping em mulheres com \nendometriose e que apresentou uma estrutura de sessões para atendimento \nindividual utilizando a TCC em pacientes que sofrem com essa doença.  \n\nConclusões  51 \n6 Conclusões \n \n \nDe acordo com os resultados de nossa pesquisa, concluímos que: \n \na) A utilização da terapia cognitivo-comportamental trouxe resultados positivos \nmostrando-se benéfica na melhora do quadro emocional geral da mulher com \nendometriose e dor pélvica crônica.  \nb) A t erapia cognitivo -comportamental teve efeito positivo na mudança e \nmelhora: \na) da forma de enfrentamento (coping) \nb) dos níveis de depressão \nc) das fases de estresse \nd) da qualidade de vida \ne) do nível de dor pélvica \n \n \n\nAnexos  52 \n7 Anexos \n \n \nAnexo A – Aprovação do Projeto  \n \n. \n\n\nAnexos  53 \n \n. \n\n\nAnexos  54 \n \n\n\nAnexos  55 \nAnexo B - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido  - grupo \nintervenção \n \nHOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO \nPAULO-HCFMUSP \n \nTERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – grupo intervenção \n \n____________________________________________________________________  \nDADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO DA PESQUISA OU RESPONSÁVEL LEGAL  \n1. NOME: .:............................................................................. ........................................................... \nDOCUMENTO DE IDENTIDADE Nº : ........................................ SEXO:    .M □   F □  \nDATA NASCIMENTO: ......../......../......  \nENDEREÇO ................................................................................. Nº ........................... APT O: \n.................. \nBAIRRO:  ........................................................................ CIDADE  \n............................................................. \nCEP:.........................................  TELEFONE: DDD (............) \n...................................................................... \n2.RESPONSÁVEL LEGAL \n.............................................................................................................................. \nNATUREZA (grau de parentesco, tutor, curador etc.) \n.................................................................................. \nDOCUMENTO DE IDENTIDADE:....................................SEXO:  M □   F □   \nDATA NASCIMENTO.: ....../......./...... \nENDEREÇO: ............................................................................................. Nº .................. . APTO: \n............................. \nBAIRRO: ................................................................................ CIDADE: \n...................................................................... \nCEP: .............................................. TELEFONE: DDD \n(............).................................................................................. \n______________________________________________________________________________\n_______________ \nDADOS SOBRE A PESQUISA \n1. TÍTULO DO PROTOCOLO DE PESQUISA \nIntervenção psicológica por meio da terapia cognitivo-comportamental em mulheres com \nendometriose e dor pélvica crônica. \n \n     2. PESQUISADOR: Lilian Donatti \nCARGO/FUNÇÃO: Pós-Graduanda do Departamento da Ginecologia da Faculdade de \nMedicina da       Universidade de São Paulo.  \n        INSCRIÇÃO CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA Nº: 06/65847 \n\nAnexos  56 \n        UNIDADE DO HCFMUSP: Disciplina de Ginecologia HCFMUSP \n \n     3. AVALIAÇÃO DO RISCO DA PESQUISA: \n     RISCO MÍNIMO X  RISCO MÉDIO □ \n RISCO BAIXO □  RISCO MAIOR □ \n  \n4. DURAÇÃO DA PESQUISA: 4 MESES \n \n5. SOBRE A PESQUISA: \n5.1 – JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS DA PESQUISA \nVocê está sendo convidada, de forma voluntária, para participar desta pesquisa que tem como \nobjetivo verificar se o tratamento psicológico ajuda na mudança da forma como a mulher com \nendometriose convive com esta doença no seu dia -a-dia e se é possível alcançar uma melhor \nqualidade de vida. \n \n5.2 – PROCEDIMENTOS QUE SERÃO UTILIZADOS E PROPÓSITOS: \nVocê participará de 01 encontro semanal durante 4 meses (serão 16 encontros ao todo), \nonde no primeiro dia preencherá alguns questionários e nos seguintes será submetida à \nencontros preparados com técnicas da psicologia (processo de terapia ou psicoterapia). No \nultimo dia preencherá novamente os mesmos questionários do i nício para efeito de \ncomparação dos resultados alcançados.    \n5.3 – RISCOS RELACIONADOS AOS PROCEDIMENTOS: \nOs riscos de participar de um processo de psicoterapia são mínimos, pois este é conduzido por \nprofissional preparado e treinado.  \n \n5.4 –DESCONFORTOS E RISCOS ESPERADOS: \n \nA pesquisa não oferece risco ou desconforto. As situações emocionais que surgirão dura nte o \nprocesso serão tratadas no período da pesquisa, tendo a pesquisadora inteira disponibilidade \npara trabalhar e/ou esclarecer qualquer aspecto que se faça necessário.  \n \n5.5 – BENEFÍCIOS QUE PODERÃO SER OBTIDOS: \nParticipando desta pesquisa, você estará contribuindo com a construção de um tratamento \npsicológico adequado e direcionado às mulheres com endometrioses, ajudando assim a \nbusca da melhora da qualidade de vida de quem passa por essa situação. Você estará \najudando futuras pacientes em seu tratament o psicológico. Concordando em participar do \n\nAnexos  57 \nmodo descrito, é necessário esclarecer que você não terá quaisquer benefícios ou direitos \nfinanceiros sobre os eventuais resultados decorrentes da pesquisa. Caso não concorde em \nparticipar desta pesquisa, sua dec isão não influenciará, de modo algum, o seu tratamento. \nSalientamos ainda, que você tem a liberdade de retirar o consentimento em qualquer fase \nda pesquisa sem prejuízos a seu cuidado e que terá direito de acesso sobre os eventuais \nresultados desta pesquis a e toda assistência necessária caso assim o desejar. Os \npesquisadores estarão à sua disposição para quaisquer esclarecimentos no endereço \nabaixo especificado. Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre a ética da \npesquisa, entre em contato com o Co mitê de Ética em Pesquisa (CEP) – Rua Ovídio Pires \nde Campos, 225 – 5º andar – tel: 3069 -6442 ramais 16, 17, 18 ou 20,FAX:3069 -\n6442ramal26–E-mail:cappesq@hcnet.usp.br \n5.6 - CUSTOS: \n Você não terá custos ao participar do estudo. \n5.7 – TRATAMENTO ALTERNATIVO:  \nNão existem diferenças nos tratamentos realizados em virtude de sua participação ou não \nneste estudo. \n6 - ESCLARECIMENTOS DADOS PELO PESQUISADOR SOBRE GARANTIAS DO \nSUJEITO DA PESQUISA CONSIGNANDO: \nSua participação no presente estudo é voluntária. Você p ode optar por não participar ou \ninterromper sua participação no estudo a qualquer momento, sem sanção nem perda de \nbenefícios aos quais pudesse ter direito. Se decidir interromper antes de terminar o estudo, \nserá solicitado voltar ao consultório/hospital para uma visita final. \nO pesquisador assegura TOTAL sigilo e privacidade quanto aos dados armazenados e \nobtidos com este estudo. \nA pesquisadora, psicóloga  Lilian Donatti poderá retirá -la do estudo sem o seu \nconsentimento, caso você deixe de seguir o esquema do estudo. \n \n7. INFORMAÇÕES DE NOMES, ENDEREÇOS E TELEFONES DOS RESPONSÁVEIS \nPELO ACOMPANHAMENTO DA PESQUISA, PARA CONTATO EM CASO DE \nINTERCORRÊNCIAS CLÍNICAS E REAÇÕES ADVERSAS. \nA psicóloga Lilian Donatti estará à sua disposição, a qualquer momento, para discutir as \ndúvidas que possa ter a respeito de sua endometriose, este estudo e sua participação. O \nconsultório da psicóloga Lilian Donatti fica na Rua Banco das Palmas, 409, Santana. O \n\nAnexos  58 \ntelefone de seu consultório é (11) 2977.2589, durante o horário comercial. \nSe o desenho do estudo ou o uso da informação forem alterados ou se surgir alguma \ndescoberta significativa durante o estudo que possam afetar seu desejo em participar, você \nserá informada e será obtido novamente o seu consentimento. \nSe t iver quaisquer dúvidas sobre seus direitos como indivíduo de pesquisa ou queixas \nreferentes a este estudo, você deverá telefonar para: Lilian Donatti: Rua Banco das Palmas, \n409, Santana, (11) 2977.2589. \n8 - OBSERVAÇÕES COMPLEMENTARES: \n________________________________________________________________________\n________________________________________________________________________\n________________________________ \n \n9 - CONSENTIMENTO PÓS-ESCLARECIDO \nAo assinar este termo de consentimento livre e esclarecido, reconheço que li e compreendi \na informação precedente descrevendo este estudo. Minhas dúvidas foram satisfatoriamente \nesclarecidas e estou assinando este termo de consentimento livre e esclarecido indicando \nmeu desejo de participar. Compreendo que receberei uma cópia assinada deste termo. \nAo assinar este termo de consentimento livre e esclarecido, não abdiquei de nenhum de \nmeus direitos legais aos quais eu pudesse fazer jus como participante de um estudo de \npesquisa. \n \nSão Paulo,       de                               de               . \n \n___________________________________________ \nAssinatura do paciente/representante \nlegal \nData         /       /        \n \n-------------------------------------------------------------------------  \n\nAnexos  59 \nAssinatura da testemunha Data         /       /        \npara casos de pacientes menores de 18 anos, analfabetos, semi-analfabetos ou \nportadores de deficiência auditiva ou visual. \n \n(Somente para o responsável do projeto) \nDeclaro que obtive de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e Esclarecido \ndeste paciente ou representante legal para a participação neste estudo.  \n \n-------------------------------------------------------------------------  \nAssinatura do responsável pelo estudo Data         /       /        \n \n \n  \n\nAnexos  60 \nAnexo C - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido  - grupo \ncontrole \nHOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DA \nUNIVERSIDADE DE SÃO PAULO-HCFMUSP \n \nTERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – grupo controle \n \n_________________________________________________________________\n___ \nDADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO DA PESQUISA OU RESPONSÁVEL LEGAL  \n1. NOME: .:............................................................................. ........................................................... \nDOCUMENTO DE IDENTIDADE Nº : ........................................ SEXO:    .M □   F □ \nDATA NASCIMENTO: ......../......../......  \nENDEREÇO ................................................................................. Nº ........................... APT O: \n.................. \nBAIRRO:  ........................................................................ CIDADE  \n............................................................. \nCEP:.........................................  TELEFONE: DDD (............) \n...................................................................... \n2.RESPONSÁVEL LEGAL \n.............................................................................................................................. \nNATUREZA (grau de parentesco, tutor, curador etc.) \n.................................................................................. \nDOCUMENTO DE IDENTIDADE:....................................SEXO:  M □   F □   \nDATA NASCIMENTO.: ....../......./...... \nENDEREÇO: ............................................................................................. Nº .................. . APTO: \n............................. \nBAIRRO: ................................................................................ CIDADE: \n...................................................................... \nCEP: .............................................. TELEFONE: DDD \n(............).................................................................................. \n______________________________________________________________________________\n_______________ \nDADOS SOBRE A PESQUISA \n1. TÍTULO DO PROTOCOLO DE PESQUISA \nIntervenção psicológica por meio da terapia cognitivo -comportamental em \nmulheres com endometriose e dor pélvica crônica. \n \n     2. PESQUISADOR: Lilian Donatti \nCARGO/FUNÇÃO: Pós-Graduanda do Departamento da Ginecologia da Faculdade de \nMedicina da       Universidade de São Paulo.  \n        INSCRIÇÃO CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA Nº: 06/65847 \n\nAnexos  61 \n        UNIDADE DO HCFMUSP: Disciplina de Ginecologia HCFMUSP \n \n     3. AVALIAÇÃO DO RISCO DA PESQUISA: \n     RISCO MÍNIMO X  RISCO MÉDIO □ \n RISCO BAIXO □  RISCO MAIOR □ \n  \n4. DURAÇÃO DA PESQUISA: 4 MESES \n \n5. SOBRE A PESQUISA: \n5.1 – JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS DA PESQUISA \nVocê está sendo convidada, de forma voluntária, para participar desta pesquisa que tem como \nobjetivo verificar se o tratamento psicológico ajuda na mudança da fo rma como a mulher com \nendometriose convive com esta doença no seu dia -a-dia e se é possível alcançar uma melhor \nqualidade de vida. \n \n5.2 – PROCEDIMENTOS QUE SERÃO UTILIZADOS E PROPÓSITOS: \nNo dia agendado, você preencherá alguns questionários sobre depressão, stress, dor, \nqualidade de vida e forma de enfrentamento de situações no seu dia -a-dia. Após o período \nde quatro meses será contatada para retornar e preencher outros questionários do mesmo \nassunto. Esse intervalo se faz necessário para verificar  se houve alguma mudança em \nalguns destes resultados. \n5.3 – RISCOS RELACIONADOS AOS PROCEDIMENTOS: \nOs riscos de participar do preenchimento destes questionários são mínimos. Você estará sendo \nacompanhada por profissional preparado e treinado.  \n \n5.4 –DESCONFORTOS E RISCOS ESPERADOS: \n \nA pesquisa não oferece risco ou desconforto. A pesquisadora terá inteira disponibilidade para \nesclarecer qualquer aspecto que se faça necessário.  \n \n5.5 – BENEFÍCIOS QUE PODERÃO SER OBTIDOS: \nParticipando desta pesquisa, você estará contribuindo com a construção de um tratamento \npsicológico adequado e direcionado às mulheres com endometrioses, ajudando assim a \nbusca da melhora da qualidade de vida de quem passa por essa situação. Você estará \najudando futuras pacientes em seu  tratamento psicológico. Concordando em participar do \nmodo descrito, é necessário esclarecer que você não terá quaisquer benefícios ou direitos \n\nAnexos  62 \nfinanceiros sobre os eventuais resultados decorrentes da pesquisa. Caso não concorde em \nparticipar desta pesquisa, sua decisão não influenciará, de modo algum, o seu tratamento. \nSalientamos ainda, que você tem a liberdade de retirar o consentimento em qualquer fase \nda pesquisa sem prejuízos a seu cuidado e que terá direito de acesso sobre os eventuais \nresultados des ta pesquisa e toda assistência necessária caso assim o desejar. Os \npesquisadores estarão à sua disposição para quaisquer esclarecimentos no endereço \nabaixo especificado. Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre a ética da \npesquisa, entre em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) – Rua Ovídio Pires \nde Campos, 225 – 5º andar – tel: 3069 -6442 ramais 16, 17, 18 ou 20,FAX:3069 -\n6442ramal26–E-mail:cappesq@hcnet.usp.br \n5.6 - CUSTOS: \n Você não terá custos ao participar do estudo. \n5.7 – TRATAMENTO ALTERNATIVO:  \nNão existem diferenças nos tratamentos realizados em virtude de sua participação ou não \nneste estudo. \n6 - ESCLARECIMENTOS DADOS PELO PESQUISADOR SOBRE GARANTIAS DO \nSUJEITO DA PESQUISA CONSIGNANDO: \nSua participação no presente estud o é voluntária. Você pode optar por não participar ou \ninterromper sua participação no estudo a qualquer momento, sem sanção nem perda de \nbenefícios aos quais pudesse ter direito. Se decidir interromper antes de terminar o estudo, \nserá solicitado voltar ao consultório/hospital para uma visita final. \nO pesquisador assegura TOTAL sigilo e privacidade quanto aos dados armazenados e \nobtidos com este estudo. \nA pesquisadora, psicóloga  Lilian Donatti poderá retirá -la do estudo sem o seu \nconsentimento, caso você deixe de seguir o esquema do estudo. \n \n \n7. INFORMAÇÕES DE NOMES, ENDEREÇOS E TELEFONES DOS RESPONSÁVEIS \nPELO ACOMPANHAMENTO DA PESQUISA, PARA CONTATO EM CASO DE \nINTERCORRÊNCIAS CLÍNICAS E REAÇÕES ADVERSAS. \nA psicóloga Lilian Donatti estará à sua disposição,  a qualquer momento, para discutir as \ndúvidas que possa ter a respeito de sua endometriose, este estudo e sua participação. O \n\nAnexos  63 \nconsultório da psicóloga Lilian Donatti fica na Rua Banco das Palmas, 409, Santana. O \ntelefone de seu consultório é (11) 2977.2589, durante o horário comercial. \nSe o desenho do estudo ou o uso da informação forem alterados ou se surgir alguma \ndescoberta significativa durante o estudo que possam afetar seu desejo em participar, você \nserá informada e será obtido novamente o seu consentimento. \nSe tiver quaisquer dúvidas sobre seus direitos como indivíduo de pesquisa ou queixas \nreferentes a este estudo, você deverá telefonar para: Lilian Donatti: Rua Banco das Palmas, \n409, Santana, (11) 2977.2589. \n8 - OBSERVAÇÕES COMPLEMENTARES: \n________________________________________________________________________\n________________________________________________________________________\n________________________________ \n \n9 - CONSENTIMENTO PÓS-ESCLARECIDO \nAo assinar este termo de consentimento livre e esclarecido, reconheço que li e compreendi \na informação precedente descrevendo este estudo. Minhas dúvidas foram satisfatoriamente \nesclarecidas e estou assinando este termo de consentimento livre e esclarecido indicando \nmeu desejo de participar. Compreendo que receberei uma cópia assinada deste termo. \nAo assinar este termo de consentimento livre e esclarecido, não abdiquei de nenhum de \nmeus direitos legais aos quais eu pudesse fazer jus como participante de um estudo de \npesquisa. \n \nSão Paulo,       de                                de                . \n___________________________________________ \nAssinatura do paciente/representante \nlegal \nData         /       /        \n-------------------------------------------------------------------------  \nAssinatura da testemunha Data         /       /        \n\nAnexos  64 \npara casos de pacientes menores de 18 anos, analfabetos, semi-analfabetos ou \nportadores de deficiência auditiva ou visual. \n(Somente para o responsável do projeto) \nDeclaro que obtive de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e Esclarecido \ndeste paciente ou representante legal para a participação neste estudo.  \n \n-------------------------------------------------------------------------  \nAssinatura do responsável pelo estudo Data         /       /        \n \n \n  \n\nAnexos  65 \nAnexo D – Instrumentos  \n \n \nCOPE Breve \n \nEstamos interessados em saber a maneira como você está tentando lidar com uma \nsituação difícil. Cada item abaixo refere-se a uma maneira específica de lidar com essa \nsituação. Avalie cada item separadamente, respondendo com as opções 1, 2, 3 ou 4 \ndentro dos parênteses. Responda as questões da forma mais sincera possível. \n \n1 = Não tenho feito de jeito nenhum  \n2 = Tenho feito um pouco \n3 = Tenho feito mais ou menos \n4 = Tenho feito bastante \n \n(    ) 1.  Tenho me dedicado ao trabalho ou outras atividades para me distrair. \n(    ) 2. Tenho concentrado meus esforços para fazer alguma coisa em relação à \nsituação na qual me encontro. \n(    ) 3. Tenho dito a mim mesmo(a): “isto não é real”. \n(    ) 4. Tenho consumido álcool ou outras drogas/medicamentos para me sentir \nmelhor. \n(    ) 5. Tenho recebido apoio emocional de outras pessoas. \n(    ) 6. Estou desistindo de enfrentar a situação. \n(    ) 7. Tenho tomado alguma atitude para tentar melhorar a situação. \n(    ) 8. Tenho me negado a acreditar que essa situação tenha acontecido. \n(    ) 9. Tenho dito coisas para extravasar meus sentimentos desagradáveis. \n(    ) 10. Tenho recebido ajuda e conselhos de outras pessoas. \n(    ) 11. Tenho consumido álcool ou outras drogas para me ajudar a superar a \nsituação. \n(    ) 12. Tenho tentado enxergar a situação de outra forma para fazê-la parecer mais \npositiva. \n(    ) 13. Tenho me criticado. \n(    ) 14. Tenho tentado criar uma estratégia em relação ao que fazer. \n(    ) 15. Tenho recebido conforto e compreensão de alguém. \n(    ) 16. Estou desistindo de tentar enfrentar a situação. \n(    ) 17. Tenho tentado enxergar algo de bom no que está acontecendo. \n(    ) 18. Tenho feito piadas sobre a situação. \n\nAnexos  66 \n(    ) 19. Tenho feito coisas para pensar menos na situação como ir ao cinema, ver TV, \nler, sonhar acordado(a), dormir ou ir às compras. \n(    ) 20. Tenho aceitado a realidade do fato acontecido. \n(    ) 21. Tenho expressado meus sentimentos negativos. \n(    ) 22. Tento tentado encontrar conforto em minha religião ou crenças espirituais. \n(    ) 23. Tenho tentado obter conselho ou ajuda com outras pessoas sobre o que \nfazer. \n(    ) 24. Tenho aprendido a conviver com esta situação. \n(    ) 25. Tenho pensado bastante sobre os passos que irei dar. \n(    ) 26. Tenho me culpado pelas coisas que aconteceram. \n(    ) 27. Tenho orado ou meditado. \n(    ) 28. Tenho ridicularizado a situação. \n \n \n  \n\nAnexos  67 \nBDI-II Inventário de Depressão de Beck \n \nNome:__________________________________________________Data:_________________\n_ \n \nEste questionário consiste em 21 grupos de afirmações. Por favor, leia cuidadosamente. \nDepois, escolha uma frase de cada grupo, que melhor descreve o modo como você tem se \nsentido nas duas últimas semanas, incluindo o dia de hoje. Faça um círculo em volta do \nnúmero (0,1,2,3), correspondente à afirmação escolhida em cada grupo. Se mais de uma \nafirmação em um grupo lhe parecer igualmente apropriada, escolha a de número mais alto \nneste grupo. Verifique se não marcou mais de uma afirmação por grupo, incluindo o item 16 \n(alterações no padrão de sono) e o item 18 (alterações de apetite). \n \n \n1. Tristeza \n    0 Não me sinto triste. \n    1 Eu me sinto triste grande parte do tempo. \n    2 Estou triste o tempo todo. \n    3 Estou tão triste ou tão infeliz que não consigo suportar. \n \n2. Pessimismo \n    0 Não estou desanimada a respeito do meu futuro. \n    1 Eu me sinto mais desanimada a respeito do meu futuro do que de costume. \n    2 Não espero que as coisas dêem certo para mim. \n    3 Sinto que não há esperança quanto ao meu futuro. Acho que só vai piorar. \n \n3. Fracasso passado \n    0 Não me sinto uma fracassada. \n    1 Tenho fracassado mais do que deveria. \n    2 Quando penso no passado vejo muitos fracassos. \n    3 Sinto que como pessoa, sou um fracasso total. \n \n4. Perda de prazer \n    0 Continuo sentindo o mesmo prazer que sentia com as coisas de que eu gosto. \n    1 Não sinto tanto prazer com as coisas como costumava sentir. \n    2 Tenho muito pouco prazer nas coisas que eu costumava gostar. \n    3 Não tenho mais nenhum prazer nas coisas que costumava gostar.  \n \n5. Sentimentos de culpa \n    0 Não me sinto particularmente culpada. \n    1 Eu me sinto culpada a respeito de várias coisas que fiz e/ou que deveria ter feito. \n    2 Eu me sinto culpado a maior parte do tempo. \n    3 Eu me sinto culpada o tempo todo. \n \n6. Sentimentos de punição \n    0 Não sinto que estou sendo punida. \n    1 Sinto que posso ser punida. \n    2 Eu acho que serei punida.  \n    3 Sinto que estou sendo punida. \n \n \n\nAnexos  68 \n7. Auto-estima \n \n    0 Eu me sinto como sempre me senti em relação a mim mesma. \n    1 Perdi a confiança em mim mesma. \n    2 Estou desapontada comigo mesma. \n    3 Não gosto de mim. \n \n8. Autocrítica \n    0 Não me critico nem me culpo mais do que o habitual. \n    1 Estou sendo mais crítica comigo mesma do que costumava ser. \n    2 Eu me critico por todos os meus erros. \n    3 Eu me culpo por tudo de ruim que acontece. \n \n9. Pensamentos ou desejos suicidas \n    0 Não tenho nenhum pensamento de me matar. \n    1 Tenho pensamentos de me matar, mas não levaria isso adiante. \n    2 Gostaria de me matar. \n    3 Eu me mataria se tivesse oportunidade. \n \n10. Choro \n    0 Não choro mais do que chorava antes. \n    1 Choro mais agora do que costumava chorar. \n    2 Choro por qualquer coisinha. \n    3 Sinto vontade de chorar, mas não consigo.  \n \n11. Agitação \n    0 Não me sinto mais inquieta ou agitada do que me sentia antes. \n    1 Eu me sinto mais inquieta ou agitada do que me sentia antes. \n    2 Eu me sinto tão inquieta ou agitada que é difícil ficar parada. \n    3 Estou tão inquieta ou agitada que tenho que estar sempre me mexendo ou fazendo \nalguma coisa. \n \n12. Perda de interesse \n    0 Não perdi o interesse por outras pessoas ou por minhas atividades. \n    1 Estou menos interessada pelas outras pessoas ou coisas do que costumava estar. \n    2 Perdi quase todo o interesse por outras pessoas ou coisas. \n    3 É difícil me interessar por alguma coisa.  \n \n13. Indecisão \n    0 Tomo minhas decisões tão bem quanto antes. \n    1 Acho mais difícil tomar decisões agora do que antes.  \n    2 Tenho muito mais dificuldade em tomar decisões agora do que antes. \n    3 Tenho dificuldade para tomar qualquer decisão. \n \n14. Desvalorização \n    0 Não me sinto sem valor.  \n    1 Não me considero hoje tão útil ou não me valorizo como antes.  \n    2 Eu me sinto com menos valor quando me comparo com outras pessoas. \n    3 Eu me sinto completamente sem valor.  \n \n15. Falta de energia \n\nAnexos  69 \n    0 Tenho tanta energia hoje como sempre tive. \n    1 Tenho menos energia do que costumava ter. \n    2 Não tenho energia suficiente para fazer muita coisa. \n    3 Não tenho energia suficiente para nada. \n \n16. Alterações no padrão de sono \n    0 Não percebi nenhuma mudança no meu sono \n    1a Durmo um pouco mais do que o habitual. \n    1b Durmo um pouco menos do que o habitual. \n    2a Durmo muito mais do que o habitual. \n    2b Durmo muito menos do que o habitual. \n    3a Durmo a maior parte do dia. \n    3b Acordo 1 ou 2 horas mais cedo e não consigo voltar a dormir. \n \n17. Irritabilidade \n    0 Não estou mais irritada do que o habitual. \n    1 Estou mais irritada do que o habitual. \n    2 Estou muito mais irritada do que o habitual. \n    3 Fico irritada o tempo todo. \n \n \n18. Alterações de apetite  \n    0 Não percebi nenhuma mudança no meu apetite.  \n    1a Meu apetite está um pouco menor do que o habitual. \n    1b Meu apetite está um pouco maior do que o habitual.  \n    2a Meu apetite está muito menor do que antes. \n    3a Não tenho nenhum apetite. \n    3b Quero comer o tempo todo. \n \n19. Dificuldade de concentração  \n    0 Posso me concentrar tão bem quanto antes.  \n    1 Não posso me concentrar tão bem como habitualmente. \n    2 É muito difícil manter a concentração em alguma coisa por muito tempo. \n    3 Eu acho que não consigo me concentrar em nada.  \n \n20. Cansaço ou fadiga \n    0 Não estou mais cansada ou fatigada do que o habitual. \n    1 Fico cansada ou fatigada mais facilmente do que o habitual. \n    2 Eu me sinto cansada ou fatigada para fazer muitas das coisas que costumava fazer. \n    3 Eu me sinto muito cansada ou fatigada para fazer a maioria das coisas que costumava \nfazer. \n \n21. Perda de interesse por sexo \n    0 Não notei qualquer mudança recente no meu interesse por sexo.  \n    1 Estou menos interessada em sexo do que costumava estar. \n    2 Estou muito menos interessada em sexo agora.  \n    3 Perdi completamente o interesse por sexo. \n \n \n\nAnexos  70 \nINVENTÁRIO DE SINTOMAS DE STRESS PARA ADULTOS DE LIPP (ISSL) \nMarilda Emmanuel Novaes Lipp - Casa do Psicólogo – 2005 \n \n \nNome:__________________________________________________Data:______________ \n \n \nQUADRO 1 \n \na) Assinalar com (F 1) os sintomas que tem experimentado nas ÚLTIMAS 24 HORAS  \n \n(      ) 1. MÃO E PÉS FRIOS  \n(      ) 2. BOCA SECA \n(      ) 3. NÓ NO ESTÔMAGO  \n(      ) 4. AUMENTO DE SUDORESE (muito suor, suadeira) \n(      ) 5. TENSÃO MUSCULAR  \n(      ) 6. APERTO DA MANDÍBULA/RANGER OS DENTES  \n(      ) 7. DIARRÉIA PASSAGEIRA  \n(      ) 8. INSÔNIA (dificuldade para dormir)  \n(      ) 9. TAQUICARDIA (batedeira no peito)  \n(      ) 10. HIPERVENTILAÇÃO (respirar ofegante, rápido)  \n(      ) 11. HIPERTENSÃO ARTERIAL SÚBITA E PASSAGEIRA (pressão alta) \n(      ) 12. MUDANÇA DE APETITE \n \nb) Assinalar com (P 1) os sintomas que tem experimentado nas ÚLTIMAS 24 HORAS \n \n(      ) 13. AUMENTO SÚBITO DE MOTIVAÇÃO  \n(      ) 14. ENTUSIASMO SÚBITO  \n(      ) 15. VONTADE SÚBITA DE INICIAR NOVOS PROJETOS \n \n \nQUADRO 2 \n \na) Assinalar com um (F 2) os sintomas que tem experimentado na ÚLTIMA SEMANA: \n \n(      ) 1. PROBLEMAS COM A MEMÓRIA  \n(      ) 2. MAL-ESTAR GENERALIZADO, SEM CAUSA ESPECÍFICA \n(      ) 3. FORMIGAMENTO DAS EXTREMIDADES  \n(      ) 4. SENSAÇÃO DE DESGASTE FÍSICO CONSTANTE  \n(      ) 5. MUDANÇA DE APETITE  \n(      ) 6. APARECIMENTO DE PROBLEMAS DERMATOLÓGICOS (problemas de pele)  \n(      ) 7. HIPERTENSÃO ARTERIAL (pressão alta)  \n(      ) 8. CANSAÇO CONSTANTE  \n(      ) 9. APARECIMENTO DE ÚLCERA  \n(      ) 10. TONTURA/SENSAÇÃO DE ESTAR FLUTUANDO \n \n \nQUADRO 2 \n \nb) Assinalar com um (P 2) os sintomas que tem experimentado na ÚLTIMA SEMANA: \n \n\nAnexos  71 \n(      ) 11. SENSIBILIDADE EMOTIVA EXCESSIVA (estar muito nervoso)  \n(      ) 12. DÚVIDA QUANTO A SI PRÓPRIO \n(      ) 13. PENSAR CONSTANTEMENTE EM UM SÓ ASSUNTO \n(      ) 14. IRRITABILIDADE EXCESSIVA  \n(      ) 15. DIMINUIÇÃO DA LIBIDO (sem vontade de sexo) \n \n \nQUADRO 3 \n \na) Assinalar com um (F 3) os sintomas que tem experimentado no ÚLTIMO MÊS: \n \n(      ) 1. DIARRÉIA FREQUENTE \n(      ) 2. DIFICULDADES SEXUAIS  \n(      ) 3. INSÔNIA (dificuldade para dormir) \n(      ) 4. NÁUSEA  \n(      ) 5. TIQUES  \n(      ) 6. HIPERTENSÃO ARTERIAL CONTINUADA  \n(      ) 7. PROBLEMAS DERMATOLÓGICOS PROLONGADOS (problemas de pele) \n(      ) 8. MUDANÇA EXTREMA DE APETITE  \n(      ) 9. EXCESSO DE GASES  \n(      ) 10. TONTURA FREQÜENTE  \n(      ) 11. ÚLCERA  \n(      ) 12. ENFARTE \n \nb) Assinalar com um (P 3) os sintomas que tem experimentado no ÚLTIMO MÊS: \n \n(      ) 13. IMPOSSIBILIDADE DE TRABALHAR  \n(      ) 14. PESADELOS  \n(      ) 15. SENSAÇÃO DE INCOMPETÊNCIA EM TODAS AS ÁREAS \n(      ) 16. VONTADE DE FUGIR DE TUDO  \n(      ) 17. APATIA, DEPRESSÃO OU RAIVA PROLONGADA \n(      ) 18. CANSAÇO EXCESSIVO  \n(      ) 19. PENSAR/FALAR CONSTANTEMENTE EM UM SÓ ASSUNTO  \n(      ) 20. IRRITABILIDADE SEM CAUSA APARENTE  \n(      ) 21. ANGUSTIA/ANSIEDADE DIÁRIA \n(      ) 22. HIPERSENSIBILIDADE EMOTIVA  \n(      ) 23. PERDA DO SENSO DE HUMOR \n \n  \n\nAnexos  72 \nEVAD – Escala Visual Analógica de Dor \n \nEm relação à sua dor, assinale os quadros abaixo identificando o nível de dor \nque sente de acordo com os momentos citados: \n \n \nEm uma escala de 0 a 10 como você caracteriza a dor sentida durante a menstruação? \n \n \nMédia  Moderada  Severa  \n0 1 \n \n2 3 4 5 6 7 8 9 10 \n  \n \n         \n \n \nEm uma escala de 0 a 10 como você caracteriza a dor sentida fora do período \nmenstrual? \n \n \n \nMédia  Moderada  Severa  \n0 1 \n \n2 3 4 5 6 7 8 9 10 \n  \n \n         \n \n \n \n \n \n\n\nAnexos  73 \nVersão Brasileira do Questionário de Qualidade de Vida -SF-36 \n \n \nNome:__________________________________________________ \nData:______________ \n \n  \n1- Em geral você diria que sua saúde é:  \n \nExcelente Muito Boa Boa Ruim Muito Ruim \n1 2 3 4 5 \n \n2- Comparada há um ano atrás, como você se classificaria sua idade em geral (disposição física, \nsaúde emocional), agora? \nMuito Melhor Um Pouco Melhor Quase a Mesma Um Pouco Pior Muito Pior \n1 2 3 4 5 \n \n3- Os seguintes itens são sobre atividades que você poderia fazer atualmente durante um \ndia comum. Devido à sua saúde, você teria dificuldade para fazer estas atividades? Neste \ncaso, quando?  \n \nAtividades Sim, dificulta \nmuito \nSim, dificulta \num pouco \nNão, não \ndificulta de \nmodo algum \na) Atividades Rigorosas, que exigem \nmuito esforço, tais como correr, levantar \nobjetos pesados, participar em esportes \nárduos. \n1 2 3 \nb) Atividades moderadas, tais como \nmover uma mesa, passar aspirador de \npó, jogar bola, varrer a casa. \n1 2 3 \nc) Levantar ou carregar mantimentos 1 2 3 \nd) Subir vários  lances de escada 1 2 3 \ne) Subir um lance de escada 1 2 3 \nf) Curvar-se, ajoelhar-se ou dobrar-se 1 2 3 \ng) Andar mais de 1 quilômetro 1 2 3 \nh) Andar vários quarteirões 1 2 3 \ni) Andar um quarteirão 1 2 3 \nj) Tomar banho ou vestir-se 1 2 3 \n \n4- Durante as últimas 4 semanas, você teve algum dos seguintes problemas com seu \ntrabalho ou com alguma atividade regular, como consequência de sua saúde física?   \n\nAnexos  74 \n \n Sim Não \na) Você diminui a quantidade de tempo que se dedicava ao seu \ntrabalho ou a outras atividades? \n1 2 \nb) Realizou menos tarefas do que você gostaria? 1 2 \nc) Esteve limitado no seu tipo de trabalho ou a outras atividades. 1 2 \nd) Teve dificuldade de fazer seu trabalho ou outras atividades (p. ex. \nnecessitou de um esforço extra).   \n1 2 \n \n5- Durante as últimas 4 semanas, você teve algum dos seguintes problemas com seu \ntrabalho ou outra atividade regular diária, como consequência de algum problema \nemocional (como se sentir deprimido ou ansioso)?  \n \n Sim Não \na) Você diminui a quantidade de tempo que se dedicava ao seu \ntrabalho ou a outras atividades? \n1 2 \nb) Realizou menos tarefas do que você gostaria? 1 2 \nc) Não realizou ou fez qualquer das atividades com tanto cuidado \ncomo geralmente faz. \n1 2 \n \n6- Durante as últimas 4 semanas, de que maneira sua saúde física ou problemas \nemocionais interferiram nas suas atividades sociais normais, em relação à família, \namigos ou em grupo? \n \nDe forma nenhuma Ligeiramente Moderadamente Bastante Extremamente \n1 2 3 4 5 \n \n7- Quanta dor no corpo você teve durante as últimas 4 semanas?  \n \nNenhuma Muito leve Leve Moderada Grave Muito grave \n1 2 3 4 5 6 \n \n8- Durante as últimas 4 semanas, quanto a dor interferiu com seu trabalho normal \n(incluindo o trabalho dentro de casa)? \n \nDe maneira alguma Um pouco Moderadamente Bastante Extremamente \n1 2 3 4 5 \n \n \n9- Estas questões são sobre como você se sente e como tudo tem acontecido com você \ndurante as últimas 4 semanas. Para cada questão, por favor dê uma resposta que mais se \naproxime de maneira como você se sente, em relação às últimas 4 semanas.  \n \n\nAnexos  75 \n \nTodo \nTempo \nA maior \nparte do \ntempo \nUma boa \nparte do \ntempo \nAlguma \nparte do \ntempo \nUma \npequena \nparte do \ntempo \nNunca \na) Quanto tempo você \ntem se sentindo cheio de \nvigor, de vontade, de \nforça?  \n1 2 3 4 5 6 \nb) Quanto tempo você \ntem se sentido uma \npessoa muito nervosa? \n1 2 3 4 5 6 \nc) Quanto tempo você \ntem se sentido tão \ndeprimido que nada pode \nanima-lo? \n1 2 3 4 5 6 \nd) Quanto tempo você \ntem se sentido calmo ou \ntranquilo? \n \n1 2 3 4 5 6 \ne) Quanto tempo você \ntem se sentido com muita \nenergia? \n1 2 3 4 5 6 \nf) Quanto tempo você \ntem se sentido \ndesanimado ou abatido? \n1 2 3 4 5 6 \ng) Quanto tempo você \ntem se sentido esgotado? 1 2 3 4 5 6 \nh) Quanto tempo você \ntem se sentido uma \npessoa feliz? \n1 2 3 4 5 6 \ni) Quanto tempo você \ntem se sentido cansado?  1 2 3 4 5 6 \n \n10- Durante as últimas 4 semanas, quanto de seu tempo a sua saúde física ou problemas \nemocionais interferiram com as suas atividades sociais (como visitar amigos, parentes, \netc)?  \n \nTodo \nTempo \nA maior parte do \ntempo \nAlguma parte do \ntempo \nUma pequena \nparte do tempo \nNenhuma parte \ndo tempo \n1 2 3 4 5 \n \n11- O quanto verdadeiro ou falso é cada uma das afirmações para você?  \n Definitivamente \nverdadeiro \nA maioria \ndas vezes \nverdadeiro \nNão \nsei \nA maioria \ndas vezes \nfalso \nDefinitiva- \nmente falso \na) Eu costumo obedecer  \num pouco mais 1 2 3 4 5 \n\nAnexos  76 \nfacilmente que as outras \npessoas \nb) Eu sou tão saudável \nquanto qualquer pessoa \nque eu conheço \n1 2 3 4 5 \nc) Eu acho que a minha \nsaúde vai piorar 1 2 3 4 5 \nd) Minha saúde é \nexcelente 1 2 3 4 5 \n \n \n \n \n \n  \n \n  \n  \n  \n\nReferências  77 \n8 Referências  \n \n \nBeck AT, Steer RA, Brown GK. 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