This is a clinical, prospective, longitudinal and comparative study
which included 26 patients that were divided into two groups according to the
findings of the transvaginal ultras ound with bowel preparation. Eleven
women without evidence of DIE composed the control group and were
submitted to eutopic endometrium sampling. Fifiteen women presented with
evidence for DIE detected by pelvic ultrasound were also submitted to
eutopic endometrium sampling before and after surgical treatment. Surgical
procedures revealed the presence of relevant DIE. Total RNA extraction of
all samples was performed and followed by real time PCR to evaluate
microRNAs -21, -451, -29c and protein FKBP52 expression. RESULTS:
MicroRNAs -21 and -451 expression anal ysis did not show statistically
significant difference among samples. Nonetheless, expression of
microRNA-29c was elevated in eutopic endometrium of women suffering
from DIE in comparison to the control group. After surgery, the microRNA-
29c expression in eutopic endometrium became equivalent to the control
group. The expression for FKBP52 was lower in women having DIE than
those without endometriosis. The su rgical treatment increased the
expression of the protein FKBP52 in eutopic endometrial samples, turning it
similar to the control group. CONCLUS IONS: The results of this study
suggest that the presence of DIE mi ght increase the expression of
microRNA-29c in eutopic endometrium and consequently decrease the
expression of one of its target messenger RNA that codifies the protein
FKBP52. After surgical removal of endometriosis lesions, the microRNA-29c
and the FKBP52 expression returned to a level similar to the control group.
Descriptors: endometriosis; microRNA; tacrolimus binding proteins; infertility.
1 Introdução
Introdução
2
1 INTRODUÇÃO
A mudança no papel social da mulher, sobretudo após a introdução
dos anticoncepcionais hormonais e outras tecnologias para o controle da
natalidade, trouxe desafios ao consultório do ginecologista. O controle e a
autonomia sobre o planejam ento familiar possibilitaram às mulheres
assumirem papel de igualdade em relação ao seu parceiro. Dessa forma,
elas passaram a ocupar novos espaços s o c i a i s , p o l í t i c o s e e c o n ô m i c o s .
Como resultado dessas transformações, a programação gestacional passou
a ocorrer após a consolidação das prioridades socioeconômicas femininas,
em idades menos favoráveis. Isso acrescentou a essas mulheres uma série
de inconvenientes, como maiores taxas de morbimortalidade materno-fetal1,2
e elevação da incidência de câncer de mama 3. Consequentemente, a
endometriose vem ganhando posiç ão de destaque no cotidiano do
ginecologista.
1.1 Endometriose
A endometriose é definida como a presença ectópica de células
endometriais glandulares e estromais em diferentes compartimentos,
geralmente na cavidade pélvica4. Tal definição demanda, portanto, uma
avaliação anatomopatológica para confirmação diagnóstica. Considerada
padrão ouro, a laparoscopia com visualização direta da lesão permite, via de
regra, a obtenção dessa amostra tecidual. Na medida que o diagnóstico é
concluído de forma invasiva, muitas vezes, a suspeição diagnóstica é
baseada na história clínica (dismenorreia, dor pélvica acíclica e infertilidade)
e nos exames de imagem (ultrassono grafia transvaginal com preparo
intestinal ou ressonância nuclear magnética). Assim, o cálculo de incidência
e de prevalência é prejudicado pela não uniformização da obtenção de
dados epidemiológicos. No e n t a n t o , e s t i m a - s e q u e a p r e v a l ê n c i a d e s s a
Introdução
3
doença seja de, aproximadamente, 10% na população em geral de mulheres
em idade reprodutiva, atingindo 50 - 60% nas mulheres inférteis5,6.
O impacto da doença extrapola o âmbito d o s c o n s u l t ó r i o s , p o i s t r a z
prejuízos para a qualidade de vida da paciente, refletindo também na família
e na sociedade. Um estudo conduzido em 12 centros médicos de 10 países
com objetivo de analisar custos e impacto na qualidade de vida mostra uma
média de 6,4 anos de sintomas até o diagnóstico de endometriose e um
prejuízo de 19% na qualidade de vida, e m c o m p a r a ç ã o c o m p e s s o a s e m
situação ideal de saúde. Além disso, mostra custo anual médio de 33.526
reais (R$) ou 9.579 Euros (€) por pessoa, sendo R$ 10.895 (€ 3.113) de
gastos diretos (cirurgia, hospitalização, exames, honorários médicos, etc.) e
R$ 22.043 (€ 6.298) de gastos indiretos (perda de produtividade). Compara,
ainda, os gastos diretos com outras doenças crônicas que apresentam
custos semelhantes em países europeus, como diabete melito (R$ 10.003),
doença de Crohn (R$ 10.885 - 26.064) e artrite reumatoide (R$ 14.994)7.
Nnoaham et al. calcularam que cada mulher com endometriose perde 10,8
horas de trabalho por semana8.
No Canadá, estima-se custo de R$ 12.740 ou 5.200 dólares
canadenses (C$) por ano, por paciente, com diagnóstico confirmado de
endometriose, sendo 78% devido à perda de produtividade e à perda de
tempo de lazer. O custo anual para a sociedade canadense seria de R$ 4,41
bilhões (C$ 1,8 bilhões)9. No Brasil, infelizmente, faltam estudos que
estimam os custos com a endometriose10.
A etiologia e a fisiopatologia da endometriose ainda não estão
totalmente elucidadas. Acredita-se que a endometriose seja uma doença
multifatorial e que algumas teorias formuladas podem explicar a presença e
o desenvolvimento ectópico do tecido endometrial.
A teoria da menstruação retrógrada tem melhores evidências e, por
isso, é a mais aceita. Atribui-se a Sampson, em 1927, a primeira menção
dessa hipótese, em estudo que preconizava a disseminação venosa e
linfática do tecido endometrial11. As evidências foram sustentando tal
Introdução
4
hipótese12 e até modelos animais de endometriose foram criados com base
nessa teoria13.
A teoria imunológica e a das células tronco podem ser
desdobramentos da primeira. Acr edita-se que as pacientes com
endometriose tenham alterações na resposta imune o que favoreceria a
perpetuação das células endometriais que atingiram a cavidade pélvica pela
menstruação retrógrada14. Pela mesma via, células progenitoras do epitélio
endometrial e células tronco mesenquimais originariam implantes
ectópicos15.
Além disso, a teoria da metaplasia celômica, originalmente proposta
por Ferguson, em 196916, ainda pode ser aventada principalmente para
explicar a gênese dos endometriomas15 e , d e i g u a l m o d o , a t e o r i a d o s
remanescentes dos ductos Müllerianos, para explicar as lesões no fundo de
saco vaginal e ligamentos útero-sacros15.
É clara a relação entre endometriose e infertilidade. Sabe-se que a
taxa de fecundidade dos casais cujas mulheres têm endometriose não
tratada é de, aproximadamente, 2 a 10%, enquanto daqueles, sem
problemas de fertilidade essa taxa é de 15 a 20%17. Após seguimento de 3
anos de mulheres submetidas à videolaparoscopia por infertilidade, aquelas
com endometriose tiveram menor chance de gravidez em relação às com
infertilidade sem causa aparente, 36% e 55%, respectivamente 18.
Alguns mecanismos explicam a infertilidade relacionada à
endometriose. A exacerbação de células inflamatórias e de citocinas pode
afetar a função tubária e a sincronia das contrações miometriais,
prejudicando o transporte dos gamet as e do embrião. Alterações na
ovulação e na produção oocitária, igualmente, são creditadas à inflamação
associada aos endometriomas. Ademai s, a receptividade endometrial
também pode estar comprometida, não apenas pelo ambiente inflamatório,
mas também pela resistência à progesterona14,19.
De fato, apesar de não consensual n a l i t e r a t u r a , a l g u n s a u t o r e s
demonstram que o tratamento cirúrgico pode beneficiar o tratamento de
Introdução
5
reprodução assistida. Em estudo clínico e prospectivo, em 2008, Bianchi et
al. demostraram o benefício da cirurgia laparoscópica para as pacientes com
endometriose profunda que se submeteram ao tratamento de fertilização in
vitro após a laparoscopia. Nesse estudo, foram comparados dois grupos de
pacientes: um grupo que optou pela fertilização in vitro sem a cirurgia prévia
e outro que foi submetido à ressecção laparoscópica dos focos de
endometriose profunda e, posteriormente, à fertilização in vitro. A chance de
gravidez no grupo operado foi 2,45 vezes maior20.
Dessa forma, uma vez que a endometriose se associa a alterações
moleculares que dificultam a gestação, questiona-se a possibilidade de
reverter tais distúrbios, após o tratamento cirúrgico da endometriose e, por
conseguinte, obter melhores resultados nos tratamentos de reprodução
assistida14. Com a intenção de investigar essa hipótese, foram selecionados
a proteína FKBP52 e os microRNAs (miRNAs) para analisar as modificações
endometriais pós tratamento cirúrgico.
1.2 Endometriose e proteína FKBP52
Descoberta em 1985, a proteína FKBP52 pertence à subclasse das
imunofilinas devido a sua característica de poder se ligar ao
imunossupressor FK506 (tacrolimus). É composta por quatro regiões que lhe
conferem diversas propriedades, dentre e l a s d e s t a c a - s e a m o d u l a ç ã o d o s
receptores de esteroides por meio de sua interação com a heat shock
protein 90 kDa (Hsp90). Trata-se de um regulador positivo para o receptor
de glicocorticoide, de androgênio e de progesterona, mas não de estrogênio
e de mineralocorticoide. Essa ação é competitiva e antagonizada pela
proteína FKBP51 que é um regulador negativo para os receptores de
esteroides21,22.
Tranguch et al. estudaram ratos knock-out para o gene que codifica a
FKBP52 e observaram um fenótipo com função ovulatória normal, mas
esses animais eram inférteis devido à alteração na receptividade uterina
Introdução
6
conferida pela redução da atividade do receptor de progesterona23. Em
estudo posterior, os mesmos autores mostraram evidências sugerindo que a
deficiência da FKBP52 está envolvida na gênese da endometriose em ratos
e em humanos, por meio da alteração de móleculas que estimulariam o
crescimento das células endometrióticas, aumentariam a inflamação e
promoveriam a angiogênese24.
Ainda para corroborar a preservação dessa alteração entre espécies,
Jackson et al. d e s c r e v e r a m a d e f i c i ê n c i a da FKBP52 no endométrio do
modelo de endometriose induzida em b a b u í n o s c o m p a r a n d o c o m a s
amostras de animais do grupo controle25. De forma similar, Yang et al.
relataram menor expressão dessa proteína no endométrio de mulheres com
endometriose em comparação ao en dométrio de pacientes sem
endometriose26.
A alteração na receptividade uterina pela modificação da expressão
da FKBP52 é um mecanismo que pode prejudicar a implantação embrionária
nas pacientes com endometriose submetidas à fertilização in vitro (FIV) e
transferência embrionária.
Dessa forma, pelos motivos expostos, incluiu-se a análise dessa
proteína no presente estudo.
1.3 MicroRNA
Em 1993, um grupo de pesquisado res publicaram a primeira
descrição dos miRNAs27. Estudando o gene lin-4 que age no controle do
desenvolvimento larval do Caenorhabditis elegans, descobriram que esse
gene não traduzia uma proteína, mas dois pequenos RNAs de 22 e 61
nucleotídeos. Posteriormente, notou-se que o maior era precursor do menor
e esses pequenos RNAs tinham uma complementaridade antisense no gene
lin-14, gene esse que já se sabia ser modulado pelo lin-4. Logo após,
observou-se que esse controle da expressão do lin-14 pelo lin-4 ocorria
Introdução
7
reduzindo o nível de proteína traduzido pelo lin-14, sem alterar seus níveis
de RNA mensageiro (mRNA)28.
Decorridos sete anos, um s egundo gene, let-7, também do
nematódeo C. elegans f o i d e s c r i t o c o m o t r a n s c ritor de um RNA com 21
nucleotídeos29. E, em menos de um ano, outros três grupos descreveram
mais de 100 genes que transcrevem miRNAs30–32.
Até o presente momento, são descritos mais de 1880 sequências de
miRNAs nos Homo sapiens33. Estima-se que, aproximadamente, 30% das
proteínas codificadas pelo genoma humano (mais de 5.300 genes) podem
ser alvos dos miRNAs34. Lim et al., utilizando a ferramenta MirScan,
calcularam que aproximadamente 1 % d o s g e n e s p r e d i t o s n o g e n o m a
humano (entre 200 a 255 genes) são possíveis codificadores de miRNAs35.
Diferentemente dos RNAs interferentes pequenos (siRNA), a maioria
dos genes que codificam os miRNAs estão localizados em regiões intrônicas
do genoma humano. Esses genes são tr anscritos pela polimerase II,
originando os miRNA primários (pri-miRNA). Os pri-miRNA têm o formato de
grampo de cabelo e são processados pela enzima Drosha, liberando os
miRNA precursores (pre-miRNA) que têm aproximadamente 70 nucleotídeos.
Os pre-miRNA são exportados para o citoplasma pela Exportina-5 e
processados pela enzima Dicer para formar duplas de miRNA-miRNA* de 21
a 24 nucleotídeos. As helicases quebram essas duplas em fitas únicas de
miRNA e a que apresentar o pareamento de bases mais fraco na região 5’,
junta-se às proteínas Argonautas para formar o complexo de inativação
induzido por RNA (RISC)36,37.
O complexo RISC, por sua vez, guiado pela fita única de miRNA liga-
se ao mRNA alvo. Após esse processo, o mRNA pode ser degradado ou
pode ocorrer a inibição da tradução (mais comum). O grau de homologia
entre miRNA e o mRNA alvo parece determinar o mecanismo que será
sucedido. Em geral, a complementaridade parcial leva à inibição da tradução,
ao passo que, a alta complementaridade leva à degradação do mRNA38
(Figura 1).
Introdução
8
Fonte: Teague et al., 201037.
Figura 1 - Biogênese dos miRNAs
1.3.1 MiRNA e doenças ginecológicas
Algumas características dos miRNAs facilitam o seu estudo, como o
fato de estarem presentes em diversos tecidos e fluidos corporais e a
necessidade de pouca amostra de material para sua análise. Além disso, a
possibilidade de modular diversas expressões gênicas confere aos miRNAs
potencial objeto de investigações vinculadas não somente a etiopatogenia,
Introdução
9
mas também como biomarcadores ou ainda alvos terapêuticos ou de
seguimento terapêutico de algumas doenças.
Os miRNAs foram estudados em algumas doenças benignas e
malignas ginecológicas, por exem plo: leiomioma, endometriose,
abortamento de repetição, câncer do endométrio, do colo uterino, do ovário
e das mamas. Grande parte dessas pesquisas descreve perfis de miRNAs
que apresentam maior ou menor expressão em alguma situação patológica
comparada a um grupo controle. Em estudo de revisão, Gilabert-Estelles et
al. agruparam em quadros os princi pais estudos de algumas doenças
ginecológicas e os miRNAs envolvidos39.
Introdução
10
Quadro 1 - Estudos de miRNA no câncer de endométrio
miRNA com
regulação para cima
miRNA com
regulação para baixo Grupos Associação Métodos Referência
Let-7c, miR-103, -106a, -
107, -181a, -185, -210, -
423
let 7i, miR-30c, -152,-
193,-221
CEE vs HA vs
endométrio
normal
microssérie
RT-qPCR Boren 2008
miR-10a, -17-5p, -23a*, -
25, -28, -34a, -95, -103, -
106a,-107, -130b, -141, -
151, -155, -182, -183,
-184, -191, -194, -200a/c,
-203, -205, -210, -215, -
223, -301, -325, -326, -
330
miR-10a,
CEE vs
endométrio
normal
microssérie
RT-qPCR Chung 2009
miR-10a, -31, -96, -141,
142-5p, -155, -182, -
200a/b/c, -203, -205, -
210, -363, -429, -432, -
449
miR-99b, -133b, -193a,
-193b, -204, -368
CEE vs
endométrio
adjacente
m i c r o s s é r i e W u W 2 0 0 9
miR-9, -19b; -146, -181c,
-183, -200c, -205, -223, -
423, -425
let-7a, miR-32, -33b, -
369, -409, -424, -431, -
451, -496, -503,-516
CEE
(estádio I) vs
endométrio
normal
↑ miR-199c
vs ↑
sobrevida
microssérie
RT-qPCR Cohn 2010
miR-34a, -182, -183, -
200a, -205, -572, -622, -
650
miR-411, 487b
CEE vs
endométrio
normal
microssérie
RT-qPCR Ratner 2010
miR-7, -10a/a*, -17,
18a/b, -23a*, -30c2*, -31,
-33b*, -95, -96, -106a, -
125a-3p, -134, -135a*/b, -
150*, -182, -183, -188-5p,
-193a-5p, -198,
-200a/a*/b/b*/c, -202, -
203, -205, -210, -223, -
224, -330-3p, -371-5p, -
425, -429, -483-5p,
-494, -501-5p, -505*, -
513a-5p, -513b, -518c*, -
557, -564, -575, -601, -
622, -623, -629*, -630, -
652, -663, -760, -765, -
768-5p, -801, -877, -
892b, -923, -939, -1224-
5p, -1225-5p,-1226*
miR-1, -10b*, -23b, -24-
1*, -27b, -29b, -33a, -
34b/b*, -34c-5p, -101,
-127-3p, -132*, -
133a/b, -136/136*, -
139-5p,-140-3p/5p, -
142-3p/5p,
-143/143*, -145/145*, -
152, -195, -196b, -
199a-5p, -199b-3p/5p, -
214/214*, -299-3p/5p, -
337-5p,
-376a/c, -377, -379, -
381, -410, -411, -424, -
450a, -455-3p/5p, -497,
-503, -542-3p, -542-5p,
-654-3p, -873
CES vs
endométrio
normal
↓ miR-152
& miR-101
vs
prognóstico
reservado
microssérie
RT-qPCR Hiroki 2010
miR-15b, -135a/b, -141, -
142-5p/3p, -200a/b/c, -
203, -205, -210, -429, -
519a, -888
miR-1, -125b-2, -129-
3p, -133a/b, -137, -504
CEE vs
endométrio
normal
CES vs
endométrio
normal
TLDA
RT-qPCR Devor 2011
miR-9/-9*, -18a, -96, -
141, -146a, -200a/b/b*/c,
-203, -205, -210, -421, -
429, -516a-5p, -605, -
614, -936
miR-10b*, 23a*, -100, -
127-3p, -152, -199b-3p,
-199b-5p, -370, -
376a/c, -381, -410,-
424, -424*, -431, -432,
-503, -542-3p/5p, -596,
-610, -630, -632, -760
CEE vs HA
vs
endométrio
normal
microssérie
RT-qPCR
Snowdon
2011
CEE: carcinoma endometrial endometrióide; CES: carcinoma endometrial seroso; HA: hiperplasia atípica; TLDA:
Taqman Low Density Array; RT-qPCR: reação em cadeia da polimerase quantitativa em tempo real; miR: miRNA
Fonte: Gilabert-Estelles et al., 201239
Introdução
11
Quadro 2 - Estudos de miRNA no câncer de colo do útero
miRNA com
regulação para
cima
miRNA com
regulação para
baixo
Grupos Associação Métodos Referência
miR-21 miR-143
miR-126,-143,
6 amostras de
câncer cervical vs 5
amostras normais
29 amostras
pareadas de cancer
cervical e amostras
normais
Sequência
e análise
Northern
Lui 2007
miR-15b, 16, -146a,
-155, -223
miR-126,-143, -145,
-218, -424
Tecido de câncer
cervical vs amostra
normal
microssérie
análise
Northernblot
Wang 2008
miR-193b, -200c miR-143, -145, -218,
-497
Linhagens celulares
de câncer cervical vs
amostra normal
microssérie
análise
Northernblot
RT-qPCR
Martinez
2008
miR-9, -127, 133a/b,
-199a/a*,
-199b,-214
miR-149, -203
10 amostras de
câncer cervical e 10
amostras cervicais
normais
miR-127
marcador
para
metástase
linfática e
miR-199a um
potencial
alvo
terapêutico
RT-qPCR Lee 2008
miR-10a, -148a, -
196a
miR-29a, -143, -145,
-199a,
-203
19 amostras
cervicais normais vs
4 carcinomas de
células escamosas,
5 lesões
intraepiteliais de alto
grau e 9 de baixo
grau
m i c r o s s é r i e Pereira
2010
102 amostras de
câncer cervical
miR-200a e
miR-9 com
sobrevida ao
câncer
RT-qPCR Hu 2010
miR-10a*, -30a*, -
610, -886-5p
miR-302d, -346, -
518b
12 pares de tumor
cervical vs tecido
são adjacente
miR-886-5p
inibe
apoptose por
regular para
baixo a
expressão de
Bax
microssérie Li 2011
RT-qPCR: reação em cadeia da polimerase quantitativa em tempo real; miR: miRNA
Fonte: Gilabert-Estelles et al., 201239
Introdução
12
Quadro 3 - Estudos de miRNA no câncer de ovário
miRNA com
regulação para
cima
miRNA com
regulação para
baixo
Grupos Associação Métodos Referência
miR-200 family
(mIR-200a/b/c, -
141, -429), miR-21,
-203,-205
miR-199a, -140, -
145, -125b1
Câncer vs tecido
ovariano normal microssérie
RT-qPCR Iorio 2007
let-7 family, miR-
125a/b
Câncer vs tecido
ovariano normal Spizzo
2009
mIR-200a/b/c, -
141, -16, -21, -93
let-7b, miR-99a, -
100, -125b,- 145, -
214
Câncer vs tecido
ovariano normal microssérie
RT-qPCR Nam 2008
let-7f, miR-23a, -
182, -200, -210, -
222
miR-145, -214 Metástase vs
tumor primário microssérie
RT-qPCR
Vaksman
2011
Amostras de câncer
ovariano avançado
miR-410, 645
negativamente
associado
com sobrevida
microssérie
RT-qPCR Shih 2011
Amostra de câncer
ovariano
27 miRNAs e
resposta à
quimioterapia
microssérie
RT-qPCR
Boren
2009
Amostra de câncer
ovariano
miR-214
regulado para
baixo em
tumors
resistentes à
platina
microssérie
RT-qPCR
Yang H
2008
Amostra de câncer
ovariano
família miR-
200 e
resultado
clínico
(controverso)
microssérie
RT-qPCR
Shih, Nam,
Hu, Eitan
miR-21, -141, -
200a/b/c, -203, -
214
Exossomos
(câncer vs doença
benigna)
m i c r o s s é r i e Taylor
2008
miR-21, -29a, -92, -
93, -126
miR-99b, -127, -
155 Soro TLDA
RT-qPCR
Resnick
2009
miR-30c1* miR-181a*, -342-
3p, - 450b-5p Sangue microssérie Häusler
2010
RT-qPCR: reação em cadeia da polimerase quantitativa em tempo real; TLDA: Taqman Low Density Array; miR:
miRNA
Fonte: Gilabert-Estelles et al., 201239
Introdução
13
A análise dos quadros revela o perfil dos estudos que associam os
miRNAs com alguns cânceres ginecológicos. Observa-se que são pesquisas
com menos de 10 anos, em sua maioria, descrevendo perfis de miRNAs
diferentemente expressos na doença em estudo. Ressalta-se, ainda, que os
grupos de comparação não são homogêneos, fato que pode enviesar a
comparação entre eles. No entanto, d e m o n s t r a - s e a c o m p l e x i d a d e d e
interações e vias moleculares envol vidas, bem como o potencial de
utilização para o diagnóstico, prognóstico, tratamento e seguimento das
doenças.
A descrição do perfil de alteração de miRNAs em determinada
doença pode servir como biomarcador e, a s s i m , p r o p i c i a r u m d i a g n ó s t i c o
precoce e/ou menos invasivo dessas enfermidades. Por exemplo, para o
câncer de ovário que é uma doença oligossintomática e cujo diagnóstico em
muitos casos é feito somente em estádios avançados, a detecção precoce
pode mudar o prognóstico do tratamento. Nesse sentido, Resnick et al.,
comparando amostras do soro de pacientes com câncer de ovário com
controles saudáveis, demonstraram cinco miRNAs com expressão para cima
(-21, -92, -93, -126 e -29a) e três com expressão para baixo (-155, -127 e
-99b). Destacaram os miRNAs -21, -92 e -93 que já eram descritos como
oncomirs e podem ser candidatos a biomarcadores dessa doença40. Häusler
et al. submeteram o sangue total de pac ientes com câncer de ovário e
controles saudáveis à análise de microsséries, tendo identificado 147
miRNAs com expressão alterada. Após análise de bioinformática e cálculos
estatísticos, avaliaram a eficácia de detecção da doença por meio do perfil
de miRNAs e concluíram que não há sensibilidade e especifidade suficiente
para ser aplicada na população. No entanto, destacaram que os cânceres
produzem perfis de miRNAs característicos no sangue e, sendo assim,
podem ser utilizados para melhorar a detecção do câncer de ovário 41.
A utilização dos miRNAs como alvos de terapia de doenças ainda é
recente e predominantemente em experimentos com animais42. No entanto,
destaca-se um estudo clínico de fase 2 que demonstrou a eficácia de uma
Introdução
14
medicação que antagoniza o miRNA-122 para controle do vírus da hepatite
C em portadores crônicos da doença43.
1.4 Endometriose e miRNA
A pluralidade funcional de cada miRNA nos diversos processos
celulares confronta-se à idéia da etiologia multifatorial da endometriose.
Dessa forma, questiona-se a atuação dos miRNAs na endometriose. Os
resultados do estudo in silico de Wren et al., em 2007, sugerem que alguns
genes potencialmente envolvidos na fisiopatologia da endometriose eram
regulados após a transcrição44.
O primeiro trabalho a relacionar os miRNAs com a endometriose foi
publicado, em 2007, por Pan et al.45. Nesse estudo, foram comparadas
amostras endometriais de pacientes com e sem endometriose e, utilizando
microsséries, observaram 48 miRNAs diferentemente expressos nessa
doença. Confirmaram ainda essa diferença de expressão pela PCR (reação
em cadeia da polimerase) em tempo real de sete miRNAs selecionados,
além de demonstrarem que os esteroides ovarianos podem influenciar na
expressão de alguns miRNAs.
A partir de então, outros estudos acrescentaram outros miRNAs que
podem estar envolvidos na fisiopatologia da endometriose. Teague et al.,
201037, propuseram alguns miRNAs candidatos a contribuir para os diversos
mecanismos que levam à endometriose (Figura 2).
Introdução
15
Fonte: Teague et al., 201037.
Figura 2 - MiRNAs envolvidos na patogênese da endometriose
Em estudo utilizando o model o de endometriose em babuínos,
realizaram-se microsséries em amostras endometriais de animais com
endometriose e sem endometriose. Foram encontrados 8 miRNAs
diferentemente expressos dentre esses grupos, a saber: hsa-miR-451, hsa-
miR-181a, hsa-miR-200a, hsa-miR-19b, hsa-miR-424, hsa-miR-21, hsa-miR-
29c e hsa-miR-14146. Os miRNAs -21, -29c e -451 apresentaram maior
diferença de expressão e foram selecionados para as análises do presente
estudo.
Diante das observações clínic as que sugerem benefícios do
tratamento cirúrgico da endometriose, antecedendo a reprodução assistida e
os conhecimentos moleculares envolvidos, poder-se-ia formular a hipótese
de que, na endometriose, existam miRNAs que alteram a síntese de
proteínas essenciais ao preparo endometrial para o sucesso da implantação
embrionária.
Introdução
16
Portanto, considerando-se que essa hipótese seja uma questão a ser
testada, o objetivo da presente pesquisa é investigar o papel da remoção do
tecido ectópico de endometriose na expressão dos miRNAs -21, -451 e -29c
e da proteína FKBP52.
2 Objetivos
Objetivos
18
2 OBJETIVOS
2.1 Geral
- Analisar o efeito da remoção cirúrgica das lesões de endometriose na
expressão dos miRNAs -21, -451 e -29c e da proteína FKBP52 no
endométrio de pacientes com endometriose.
2.2 Específicos
a) Avaliar a expressão do miRNA-21 nas amostras obtidas: endométrio pré-
operatório, endométrio pós-operatório e lesão de endometriose e
compará-las entre si e com amos tra endometrial de mulheres sem
endometriose;
b) Avaliar a expressão do miRNA-451 nas amostras obtidas: endométrio
pré-operatório, endométrio pós-operatório e lesão de endometriose e
compará-las entre si e com amostr a endometrial de mulheres sem
endometriose;
c) Avaliar a expressão do miRNA-29c n a s a m o s t r a s o b t i d a s : e n d o m é t r i o
pré-operatório, endométrio pós-operatório e lesão de endometriose e
compará-las entre si e com amos tra endometrial de mulheres sem
endometriose;
d) Avaliar a expressão da prot eína FKBP52 nas amostras obtidas:
endométrio pré-operatório, endométrio pós-operatório e lesão de
endometriose e compará-las entre si e c o m a m o s t r a e n d o m e t r i a l d e
mulheres sem endometriose.
3 Métodos
Métodos
20
3 MÉTODOS
Esta pesquisa clínica, prospectiva, longitudinal e comparativa foi
realizada no período de fevereiro de 2012 a fevereiro de 2014, com
pacientes portadoras de endometriose e submetidas à cirurgia laparoscópica,
fruto da parceria entre a Disciplina de Ginecologia do Departamento de
Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo, a Huntington Medicina Reprodutiva e o Departamento de Obstetrícia,
Ginecologia e Medicina Reprodutiva da Michigan State University. Trata-se
de um estudo de pesquisa molecula r, que analisou fragmentos de
endométrio ectópico e tópico.
A análise laboratorial de expressão dos miRNA e da expressão da
proteína FKBP52 foi realizada na Michigan State University n o Van Andel
Institute, laboratório coordenado pelo Prof. Asgerally T. Fazleabas.
3.1 Ética em Pesquisa
O presente estudo foi desenvolvido segundo o projeto de pesquisa
que foi elaborado obedecendo todas as orientações contidas na Resolução
466 do Conselho Nacional de Saúde47 e recebeu aprovação dos seguintes
comitês:
- Comitê de Ética e Conselho de Departamento do Departamento de
Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade
de São Paulo
- Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (Anexo A)
Todos os sujeitos envolvidos receberam e consentiram em participar
no estudo por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexos
B e C).
Métodos
21
3.2 Casuística
A presente casuística é constituída por pacientes que procuraram a
Huntington Medicina Reprodutiva para aconselhamento e tratamento de
infertilidade. Nesse serviço, o atendimento incluiu propedêutica clínica e
exames subsidiários completos e adequados às queixas para a condução do
tratamento dessas pacientes.
O enfoque do estudo foi direcionado às mulheres com suspeita clínica
e diagnóstico ultrassonográfico de endometriose. Nos casos selecionados,
essas pacientes foram submetidas à cirurgia laparoscópica para a exérese
das lesões endometrióticas com o intuito de propiciar otimização das taxas
de gestação da FIV20. Dessa maneira, as pacientes com endometriose e
com a proposta cirúrgica de trat amento, antecedendo a FIV, foram
convidadas a participar do estudo. Para o grupo controle foram convidadas
as pacientes que não apresentavam endometriose.
3.2.1 Critérios de inclusão
Foram considerados os seguintes critérios de inclusão:
1) Idade entre 18 e 44 anos;
2) Índice de massa corporal (IMC) menor que 30 Kg/m2 ( c a l c u l a d o d e
acordo com a seguinte fórmula: peso (kg)/altura x altura (m2));
3) Presença de ambos ovários;
4) Não apresentar doença sistêmica clinicamente significativa, como
diabete melito, hipertensão arterial, cardiopatia, doenças autoimunes,
entre outras;
5) Ter aceito e assinado voluntariamente o termo de consentimento livre e
esclarecido.
Métodos
22
6) Para o grupo de estudo: apres entar diagnóstico de endometriose
profunda realizado pela ultrassonografia transvaginal com preparo
intestinal;
7) Para o grupo controle: apresentar u l t r a s s o n o g r a f i a t r a n s v a g i n a l c o m
preparo intestinal negativo para endometriose.
3.2.2 Critérios de não inclusão
Os critérios de não inclusão foram:
1) Estar reconhecidamente infectada pelo vírus da imunodeficiência
humana (HIV), hepatite C ou hepatite B;
2) Apresentar sangramento ginecológico anormal, não diagnosticado na
seleção;
3) Ciência de abuso de qualquer substância ou uso de hormônios, além dos
sugeridos pelo médico, no período do tratamento;
4) Revogação do termo de consentimento livre e esclarecido.
3.2.3 Constituição dos grupos de estudo
Grupo de estudo
O grupo de estudo foi constituído por 15 pacientes que apresentaram
alterações à ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, sugestivas
de endometriose profunda. Essas mulheres f o r a m s u b m e t i d a s à c i r u r g i a
laparoscópica com exérese extensa das lesões endometrióticas para
aumentar a probabilidade de sucesso na FIV.
Métodos
23
Grupo controle
As pacientes que não apresentaram alterações ultrassonográficas
sugestivas de endometriose foram convidadas a participar e compor o grupo
controle (11 pacientes).
3.3 Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal
Considerando a alta prevalência da endometriose na população de
mulheres inférteis, a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal tem
papel fundamental na propedêutica a rmada. Não apenas possibilita a
descrição minuciosa das lesões, ma s também auxilia o planejamento
cirúrgico do tratamento48,49 (Anexo D e E).
Neste estudo, todas as pacientes realizaram esse exame com um
único examinador e seguindo protocolo estabelecido50.
3.4 Tratamento cirúrgico
Após avaliação pré-cirúrgica completa, todas as pacientes do grupo
de estudo foram submetidas à videolaparoscopia para ressecção dos focos
de endometriose. Vale ressaltar que todos os procedimentos foram
realizados por dois cirurgiões experientes, utilizando técnicas semelhantes e
com táticas praticamente idênticas51 (Anexo F).
Destacam-se algumas premissas que norteiam o sucesso da
cirurgia52,53:
- Jejum de pelo menos 8 horas;
- Preparo intestinal prévio ao procedimento;
- Profilaxia infecciosa e antitrombótica;
- Ressecção ampla de todas as lesões superficiais e profundas;
Métodos
24
- Preservação da inervação pélvica, principalmente, nos casos em que as
lesões intestinais encontravam-se a 8,0 centímetros ou menos da borda
anal;
- Cautela com a introdução da dieta oral pós-cirúrgica.
3.5 Obtenção de amostras de tecido
3.5.1 Grupo de estudo
No grupo de estudo, foram obtidas a m o s t r a s e n d o m e t r i a i s a p ó s a
anestesia e antes do início da cirurgia laparoscópica, bem como amostras
de lesões de endometriose profunda dur ante o procedimento cirúrgico.
Posteriormente, aproximadamente 6 meses após a cirurgia, novas amostras
endometriais foram adquiridas. As biópsias endometriais foram realizadas
com a cânula de Pipelle.
As amostras endometriais e de tecidos obtidas durante a cirurgia
foram armazenadas em criotubos estéreis, livres de DNA humano, DNase e
RNase (Cryo.s, Greiner Bio-One, Germany), imersas em RNA later (Ambion,
Austin/Texas/USA) e mantidas a -80qC.
No momento da coleta dos tecidos, separou-se parte deles para
análise anatomopatológica. Nas amostras endometriais, esses estudos
permitiram confirmar a fase do ciclo menstrual e, nas lesões endometrióticas,
houve a confirmação histológica da doença. A técnica de parafinação e a
confecção dos blocos de tecidos foram realizadas de acordo com as
padronizações de cada laboratório, bem como os parâmetros para datação
endometrial.
Posteriormente, as amostras foram separadas de acordo com a fase
do ciclo menstrual em que foram coletadas para a análise comparativa entre
os grupos. Vale ressaltar que apenas as amostras obtidas durante a fase
secretória foram analisadas.
Métodos
25
3.5.2 Grupo controle
Nas pacientes do grupo controle , procedeu-se a obtenção de
amostras endometriais utilizando-se a cânula de Pipelle (Pipelle de Cornier,
Laboratoire C. C. D., Paris-France) sem sedação, sob técnica padronizada.
Esse procedimento foi executado pelo pesquisador e outros médicos afeitos
ao procedimento.
3.6 Extração de RNA
A extração de RNA total das am ostras endometriais e de tecido
endometriótico foi realizada utilizando o reagente Trizol (Invitrogen, Carlsbad,
CA), segundo o protocolo do fabric ante. O RNA extraído foi, então,
submetido à análise quantitativa pelo NanoDrop 2000 (Thermo Scientific,
USA). A seguir, as amostras foram diluídas para 20 ng/uL
(nanogramas/microlitro) com a intenção de facilitar o manuseio para as
reações seguintes.
3.7 Análise pelo RT-qPCR
Para os miRNAs, foi realizada a reação de transcrição reversa com
probes e s p e c í f i c o s p a r a o s m i R N A s a n a l i s a d o s , u t i l i z a n d o o TaqMan®
MicroRNA Reverse Transcription Kit (Applied Biosystems, USA). A seguir, a
expressão do DNA complementar (cDNA) foi realizada utilizando o
TaqMan® miR Assays e o TaqMan® Universal PCR Master Mix ( A p p l i e d
Biosystems, USA).
Para a análise da expressão gênica de mRNA alvos, obteve-se o
cDNA utilizando o kit High Capacity cDNA synthesis ( A p p l i e d B i o s y s t e m s ,
USA). A seguir, utilizou-se primers específicos para FKBP52 e RPS17 e o kit
PCR Master Mix (Applied Biosystems, USA) para sua análise de RT-qPCR.
Métodos
26
Por fim, confeccionaram-se os pratos de PCR com 96 poços os quais
foram analisados pelo sistema de RT-qPCR Vii A7 (Applied Biosystems,
USA).
Todas as reações de RT-qPCR foram realizadas em duplicata e por
40 ciclos. A expressão relativa foi calculada pelo método delta-delta Ct 54.
Para estimar a diferença de expressão, utilizou-se o fold change q u e f o i
calculado pela razão entre as médias de expressão relativa. Para os miRNA,
utilizou-se o siRNA U6 como controle interno e para a expressão gênica, o
gene codificador da proteína RPS17.
3.8 Análise estatística
As variáveis numéricas foram apresentadas como média e desvio
padrão e, devido ao tamanho amostral limitado, optou-se pelos testes
estatísticos não paramétricos. Dessa forma, para a comparação dos dados
entre os grupos, utilizou-se o teste de Mann Whitney. As variáveis nominais
foram apresentadas como porcentagem e as frequências comparadas por
meio do teste de qui-quadrado. O nível de significância considerado foi de
5%.
4 Resultados
Resultados
28
4 RESULTADOS
Foram incluídas, neste estudo, 26 pacientes cujas características
podem ser observadas na Tabela 1. Quinze mulheres com média de idade
de 35,2 anos (± 3,5) e índice de massa corporal (IMC) médio de 22,1 kg/m2
(± 1,9) apresentaram altera ções de endometriose profunda à
ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e foram incluídas no
grupo de estudo. Para o grupo controle, foram incluídas 11 mulheres com
média de idade de 37,9 anos (± 4,8) e IMC médio de 22,4 kg/m2 (± 3,4).
Nenhuma das pacientes era tabagista. Nove indivíduos (60%) do
grupo de estudo já haviam realizado tratamento de reprodução assistida
(fertilização in vitro) e do grupo controle, cinco mulheres (45%). No que se
refere ao antecedente de abortamento recorrente definido por dois episódios
ou mais de perda gestacional55, houve duas pacientes (13%) do grupo de
estudo e nenhuma do grupo controle.
Na análise comparativa entre os dois grupos, não se observou
diferença estatisticamente significante no que diz respeito às seguintes
características: idade, IMC, falhas de FIV e abortamento recorrente.
Tabela 1 - Características dos grupos endometriose e controle - São
Paulo, SP - 2012 a 2014
G r u p o d e e s t u d o G r u p o c o n t r o l e p
Idade (anos)1 35,2 ± 3,5 37,9 ± 4,8 0,121
IMC (kg/m2) 1 22,1 ± 1,9 22,4 ± 3,4 0,600
Falhas de FIV (%) 60 45 0,918
Abortamento
recorrente (%) 13 0 0,525
IMC = índice de massa corporal; FIV = fertilização in vitro
1 Valores expressos em média ± desvio padrão
Resultados
29
É importante destacar que a maioria das pacientes com endometriose,
incluídas neste estudo, segundo classificação da American Fertility Society56,
foram consideradas moderada ou severa. Como revela a Tabela 2, nenhuma
das mulheres operadas apresentava a classificação mínima, ao passo que
80% delas era moderada ou severa.
Tabela 2 - Estadiamento cirúrgico da endometriose segundo a American
Fertility Society, 1996 - São Paulo, SP - 2012 a 2014
Estadiamento Grupo de estudo
Mínima (rAFS I) 0
Leve (rAFS II) 3 (20%)
Moderada (rAFS III) 3 (20%)
Severa (rAFS IV) 9 (60%)
rAFS - revised American Fertility Society
Valores expressos em número e porcentagem
Resultados
30
A seguir, para a análise da expressão de RNAs, as amostras foram
separadas de acordo com a fase do ciclo menstrual, como mostra a Tabela
3. No grupo controle, obtiveram-se três (27%) amostras endometriais da
fase proliferativa e oito (73%}, da fase secretória. No grupo de estudo, os
espécimes analisados incluem endométrio no pré-operatório, lesão de
endometriose e endométrio no p ó s - o p e r a t ó r i o . D a s a mostras endometriais
pré-operatórias, seis (40%) são de fase proliferativa e nove (60%), de fase
secretória. Das lesões de endomet riose, cinco (36%) são de fase
proliferativa e nove (64%), de fase s e c r e t ó r i a . E , d o s e s p é c i m e s
endometriais pós-operatórios, sete (64%) são de fase proliferativa e quatro
(36%), de fase secretória.
Vale ressaltar que em umas das pacientes com endometriose, não
houve coleta de amostra de lesão de endometriose profunda. Em quatro
pacientes, não foi possível realizar a a m o s t r a g e m e n d o m e t r i a l p ó s -
operatória.
Tabela 3 - Caracterização das amostras t e c i d u a i s a n a l i s a d a s s e g u n d o f a s e
do ciclo menstrual - São Paulo, SP - 2012 a 2014
G r u p o d e e s t u d o G r u p o c o n t r o l e
Endométrio pré-operatório fase
proliferativa 6 (40%) 3 (27%)
Endométrio pré-operatório fase
secretória 9 (60%) 8 (73%)
Lesão peritoneal fase proliferativa 5 (36%) NA1
Lesão peritoneal fase secretória 9 (64%) NA 1
Endométrio pós-operatório fase
proliferativa 7 (64%) NA1
Endométrio pós-operatório fase
secretória 4 (36%) NA 1
Valores expressos em número e porcentagem
1 NA - não se aplica
Resultados
31
4.1 Análise de MiRNAs
4.1.1 MiRNA-21
O Gráfico 1, em diagrama de barras, mostra a expressão de miRNA-
21 nos diferentes tecidos em relação ao RNA nuclear pequeno (snRNA) U6.
Semelhantemente, a Tabela 4 demons tra as relações entre essas
expressões em relação ao grupo controle.
Observa-se que não houve diferença estatisticamente significante nas
expressões de miRNA-21, entre os diferentes tecidos, ao serem comparados
com o grupo controle.
Gráfico 1 - Expressão do miRNA-21 - São Paulo, SP - 2012 a 2014
miR: miRNA; Eosis: grupo de estudo
Resultados
32
Tabela 4 - Relação da expressão de miRNA-21 nas amostras e comparação
com o grupo controle - São Paulo, SP - 2012 a 2014
Média da expressão
relativa
Desvio
padrão p Fold
change
Controle 1,01 0,34
Estudo pré-
operatório 1,25 0,64 0,396 1,24
Lesão 2,32 2,19 0,396 2,30
Estudo pós-
operatório 1,01 0,23 0,759 1,00
As comparações entre as amostras do grupo de estudo pré-operatório
e lesão, pré-operatório e pós-operatório e lesão e pós-operatório não foram
estatisticamente significantes, como mostra a Tabela 5.
Tabela 5 - Comparação da expressão do miRNA-21 entre as amostras do
grupo de estudo - São Paulo, SP - 2012 a 2014
p Fold change
Pré-op x Lesão 0,773 1,85
Pré-op x Pós-op 0,724 1,24
Lesão x Pós-op 0,724 2,30
Resultados
33
4.1.2 MiRNA-451
Os dados do Gráfico 2, bem co mo da Tabela 6, revelam as
expressões do miRNA-451 nas a m o s t r a s e s u a s r e l a ç õ e s . N o t a - s e q u e a
expressão desse miRNA tem maior nível nas lesões de endometriose em
comparação ao endométrio do grupo controle (p = 0,007 e fold change =
13,0). Nas outras análises, não foram observadas relações estatisticamente
significantes no que concerne à contraposição da expressão do miRNA-451
em relação ao grupo controle.
Gráfico 2 - Expressão de miRNA-451 - São Paulo, SP - 2012 a 2014
miR: miRNA; Eosis: grupo de estudo
Tabela 6 - Relação da expressão de miRNA-451 nas amostras e
comparação com o grupo controle - São Paulo, SP - 2012 a 2014
Média da
expressão relativa
Desvio
padrão p Fold
change
Controle 0,98 0,46
Estudo pré-
operatório 1,17 0,84 0,86 1,20
Lesão 12,68 16,99 0,007 13,00
Estudo pós-
operatório 2,41 2,07 0,153 2,47
Resultados
34
Comparando as amostras do grupo de estudo, observa-se que a
expressão relativa de miRNA-451 nas l e s õ e s d e e n d o m e t r i o s e p r o f u n d a é
significativamente maior do que no endométrio dessas pacientes (p = 0,043
e fold change = 10,86). Já as comparações das amostras pré-operatório e
pós-operatório e lesão e pós-operatório não mostrou diferença estatística,
apesar de apresentarem fold change significativo (Tabela 7).
Tabela 7 - Comparação da expressão do miRNA-451 entre as amostras do
grupo de estudo - São Paulo, SP - 2012 a 2014
p Fold change
Pré-op x Lesão 0,043 10,86
Pré-op x Pós-op 0,289 2,06
Lesão x Pós-op 0,157 5,27
4.1.3 MiRNA-29c
Diferentemente dos miRNAs -21 e-451, a análise de expressão
relativa do miRNA-29c revela diferenças de expressão entre os tecidos,
como mostram o Gráfico 3 e a Tabela 6.
A expressão é maior no endométrio de pacientes com endometriose
ao comparar com as do grupo controle (p = 0,002). Parece ser ainda maior
nas lesões de endometriose quando comparadas a esse mesmo grupo.
Nesse caso, apesar de não apresentar diferença estatística significante
(p = 0,059), tem fold change expressivo (6,53). Após a cirurgia, os níveis de
miRNA-29c caem e equiparam-se aos níveis do grupo controle (p = 0,734).
Resultados
35
Gráfico 3 - Expressão de miRNA-29c - São Paulo, SP - 2012 a 2014
miR: miRNA; Eosis: grupo de estudo
Tabela 8 - Relação da expressão de miRNA-29c nas amostras e
comparação com o grupo controle - São Paulo, SP - 2012 a 2014
Média da expressão
relativa
Desvio
padrão p Fold
change
Controle 1,08 0,41
Estudo pré-
operatório 2,62 1,39 0,002 2,44
Lesão 7,03 6,91 0,059 6,53
Estudo pós-
operatório 0,98 0,47 0,734 1,09
Resultados
36
Verifica-se, na Tabela 9, que a análise das amostras do endométrio
pré-operatório mostrou maior expressão do miRNA-29c em relação às
amostras do endométrio pós-operatório (p = 0,021 e fold change = 2 , 6 7 ) .
Resultado não obtido ao comparar os grupos pré-operatório e lesão e lesão
e pós-operatório, apesar da expressão gênica comparativa apresentar fold
change significativo.
Tabela 9 - Comparação da expressão do miRNA-29c entre as amostras do
grupo de estudo - São Paulo, SP - 2012 a 2014
p Fold change
Pré-op x Lesão 0,501 2,68
Pré-op x Pós-op 0,021 2,67
Lesão x Pós-op 0,089 7,15
4.2 Análise da proteína FKBP52
A expressão relativa do mRNA que codifica a proteína FKBP52
utilizando a RPL17 como controle in terno é menor no endométrio das
pacientes com endometriose em relação àquelas do grupo controle (p =
0,005 e fold change = 1 , 8 8 ) , a s s i m c o m o n a s l e s õ e s e n d o m e t r i ó t i c a s
comparadas ao mesmo grupo (p < 0,001 e fold change = 3 , 1 9 ) . A p ó s o
tratamento cirúrgico da endometriose, a expressão da FKBP52 aumenta e
assemelha-se à do grupo controle (p = 0,61), como mostram o Gráfico 4 e a
Tabela 10.
Resultados
37
Gráfico 4 - Expressão da proteína FKBP52 - São Paulo, SP - 2012 a 2014
Eosis: grupo de estudo
Tabela 10 - Relação da expressão da FKBP52 nas amostras e comparação
com o grupo controle - São Paulo, SP - 2012 a 2014
Média da
expressão relativa Desvio padrão p Fold
change
Controle 1,05 0,30
Estudo pré-
operatório 0,56 0,14 0,005 1,88
Lesão 0,33 0,15 <0,001 3,19
Estudo pós-
operatório 1,19 0,62 0,61 1,13
Resultados
38
A expressão relativa das lesões de endometriose é menor quando
comparada ao endométrio pré-operatório (p = 0,009 e fold change= 1,69) e
ao pós-operatório (p = 0,02 e fold change = 3,62). A despeito de apresentar
expressão 2,14 maior no endométrio pós-operatório, quando comparada ao
pré-operatório, essa diferença não se mostrou estatisticamente significativa,
como mostra a Tabela 11.
Tabela 11 - Comparação da expressão da FKBP52 entre as amostras do
grupo de estudo - São Paulo, SP - 2012 a 2014
p Fold change
Pré-op x Lesão 0,009 1,69
Pré-op x Pós-op 0,09 2,14
Lesão x Pós-op 0,02 3,62
5 Discussão
Discussão
40
5 DISCUSSÃO
5.1 Conduta cirúrgica na endometriose
A opção pelo tratamento cirúrgico da endometriose associado à
infertilidade é um desafio corriqueiro no cotidiano dos que militam na
medicina reprodutiva. Trata-se de decisão que envolve diversas informações
como a idade, reserva ovariana e outras causas de infertilidade.
Para os casos de endometriose mínima ou leve (rAFS I e II), em
relação ao tratamento cirúrgico, os consensos apontam melhores taxas de
gravidez espontânea ou quando realizam t r a t a m e n t o d e r e p r o d u ç ã o
assistida57–59. Por outro lado, o benefício da cirurgia para os casos de
endometriose moderada ou severa (rAFS III e IV) não é unânime na
literatura17,58. No entanto, fruto de uma rotina rígida e completa na
abordagem das pacientes com endometriose, demonstrou-se, em pesquisa
anterior, que aquelas pacientes que fo ram submetidas ao tratamento
cirúrgico dessa doença, antes do tr atamento de reprodução assistida,
tiveram melhores taxas de gravidez20. Dessa maneira, com a intenção de
explorar os caminhos moleculares que possam explicar os resultados do
estudo referido, sob a mesma rotina de abordagem das p a c i e n t e s c o m
endometriose do estudo mencionado, construiu-se o presente estudo.
5.2 Diagnóstico ultrassonográfico da endometriose
Trata-se de um ponto de discussão a divisão dos grupos de estudo
baseada no resultado da ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal.
Sabe-se que o padrão ouro para o diagnóstico da endometriose é a
laparoscopia com biópsia das áreas s u s p e i t a s e c o r r o b o r a ç ã o a n a t o m o -
patológica57. No entanto, do ponto de vista prático, submeter todas as
Discussão
41
pacientes inférteis à intervenção vi deolaparoscópica sob a premissa
investigativa não é factível.
A alta prevalência dessa enfermidade nas mulheres inférteis obriga o
clínico a incluir essa hipótese em sua propedêutica6. Considerando que uma
parcela das mulheres com endometriose relata pouco ou nenhum sintoma60,
nota-se uma demanda de exames dirigidos para o seu diagnóstico. Nesse
contexto, incluiu-se a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal na
propedêutica do casal infértil. Em estudo comparativo em relação ao exame
de toque vaginal e à ressonância nucle ar magnética, a ultrassonografia
transvaginal com preparo intestinal m o s t r o u m e l h o r sensibilidade,
especificidade, valor preditivo positivo, valor preditivo negativo e acurácia
para o diagnóstico de endometriose profunda retrocervical e do
retossigmóide61.
No presente estudo, o grupo controle é constituído de mulheres sem
alterações na ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal. Apesar
de apresentar a desvantagem de não passarem pelo teste padrão ouro para
o diagnóstico da endometriose, refletem melhor a prática clínica e, assim,
seus desdobramentos práticos são mais condizentes com a aplicabilidade
no cotidiano do clínico em medicina reprodutiva.
5.3 MiRNAs e fase do ciclo menstrual
As alterações hormonais que controlam o ciclo menstrual causam
modificações nos órgãos pélvicos. Imagina-se, por isso, que os processos
moleculares envolvidos, incluindo os miRNAs, também sofram alterações
durante o ciclo.
Rekker et al. recrutaram 9 pacientes saudáveis e coletaram amostras
de sangue em 4 períodos do ciclo menstrual: primeiro dia do ciclo, sétimo
dia do ciclo, dia do pico de LH e sétimo dia após pico de LH. Analisaram o
perfil de miRNAs (375 miRNAs) nessas diferentes fases de amostras de
sangue total e de plasma. Não houve diferença na expressão dos miRNAs
Discussão
42
nos diferentes momentos do ciclo menstrual e, por fim, concluíram que as
alterações cíclicas nas mulheres não afetaram a expressão de miRNAs no
sangue62.
Por outro lado, apesar de não haver evidências de diferenças no nível
sérico, a expressão de miRNAs no endométrio não é a mesma nos
diferentes momentos do ciclo menstrual. Kuokannen et al. realizaram estudo
a fim de relacionar o perfil de miRNAs e mRNAs no endométrio de fase
proliferativa tardia e de fase secretória média. Submeteram essas amostras
endometriais a estudo de microssérie de miRNAs e de mRNAs. Além de
descreverem perfis diferentes de miRNAs expressos nessas duas diferentes
fases do ciclo menstrual, notaram que alguns miRNAs reguladores do ciclo
celular estavam com expressão maior na fase secretória média em relação à
proliferativa tardia63.
Outros estudos similarmente corroboram a expressão dos miRNAs
relacionada à fase do ciclo menstr ual. Alguns estudos descrevem a
expressão dos miRNAs influenciada pelos esteroides, como o estradiol e a
progesterona64: por exemplo, o miRNA 145 que pode diminuir a tradução do
receptor de estrogênio alfa por se ligar ao mRNA dessa proteína e inibir sua
tradução65. Outro estudo demonstra diferença de expressão de alguns
miRNAs entre a fase proliferativa e secretória, em amostras de endométrio
de pacientes sem endometriose e de endometriomas, mas não em amostras
de endométrio de pacientes com endometriose e de lesões peritoneais e
retrocervicais66.
De maneira semelhante, a ex pressão da FKBP52 também é
dependente da fase do ciclo menstrual. Yang et al., ao demostrar uma
provável regulação da expressão da FKBP52 pelo fator de transcrição
homeobox A10 (HOXA10), notaram que ambas as moléculas tinham
expressão diferente nas fases proliferativa e secretória em um modelo de
cultura de células estromais de endométrio humano26.
Considerando-se essas observações e que a racionalidade do
presente estudo baseia-se em um possível benefício do tratamento cirúrgico
Discussão
43
da endometriose no que concerne à infertilidade, mais especificamente à
implantação embrionária, optou-se pela inclusão apenas das amostras
coletadas durante a fase secretória do ciclo menstrual. Tal fato reduziu o
tamanho da amostra o que incorreu na restrição do poder de distinção das
análises estatísticas. Nesse sentido, a i n d a c a b e m e n c i o n a r a d i f i c u l d a d e
encontrada para incluir amostras de endométrio do pós-operatório. Não
apenas relacionada à fase menstrual , mas também outros fatores
dificultaram a amostragem desse grupo, como: gravidez espontânea após a
cirurgia, falta de indicação de biópsia endometrial após a cirurgia e demora
ou não retorno ao tratamento reprodutivo após o procedimento cirúrgico.
5.4 MiRNA-21
O miRNA-21 é um dos mais antigos descrito nos mamíferos e tem a
sua sequência bem conservada por meio da evolução. É codificado pelo
gene MIR-21 localizado em região intrônica do cromossomo 17q23.267.
Essa molécula é bastante associada aos cânceres pois tem a função
relacionada à proliferação celular e à metástase. Por tal sorte, é considerada
um oncomir. Apresenta expressão aumentada em glioblastomas, câncer de
mama, pulmão, próstata, cólon, e s t ô m a g o , e s ô f a g o , g a r g a n t a ,
leiomiossarcoma uterino e linfoma difuso de grandes células B. Além disso,
no câncer de pâncreas, sua expressão elevada relaciona-se com metástase
hepática e no câncer de mama, com doença avançada, metástase linfática e
pior prognóstico68.
Em relação à endometriose, Rámon et al. demonstraram expressão
aumentada em amostra de endometrioma e de lesão retovaginal em
comparação ao endométrio tópico de pacientes com endometriose e
também em relação ao endométrio de mulheres sem endometriose66. Já, em
estudo no qual mensurou-se a expressão de miRNAs no plasma sanguíneo,
o miRNA-21 apresentou maior expressão em pacientes com endometriose
em relação às sem a doença na análise de microssérie (fold change = 2,36 e
Discussão
44
p = 0,034). No entanto, em confirmação com PCR quantitativo em tempo
real, essa informação não foi corroborada (p = 0,41)69.
No presente estudo, a expressão desse miRNA não apresentou
diferença estatística significante entre as diversas amostras. Considerando-
se que sua função esteja vinculada à proliferação celular, esperava-se
encontrar maior expressão nas amostras de lesões em relação ao
endométrio das pacientes com e sem endometriose, supondo-se que o
endométrio refluído para a cavidade abdominal teria maior capacidade de
proliferação. Apesar de não apresent arem significância estatística,
analisando apenas os fold changes, poder-se-ia inferir algo semelhante ao
esperado. As lesões de endometriose apresentam fold change de 2,30 em
relação ao endométrio do grupo controle e de 1,85 e 2,30 em relação ao
endométrio do grupo endometriose, antes e após a cirurgia, respectivamente.
5.5 MiRNA-451
Em estudo realizado por meio de a m o s t r a s d e s a n g u e d e m u l h e r e s
saudáveis, dos 375 miRNAs analisados, o miRNA-451 foi o mais
abundante62. Trata-se de uma molécula traduzida pelo gene MIR451
localizado no cromossomo 17q11.270.
Dentre suas funções, pode-se citar: p r o l i f e r a ç ã o , d i f e r e n c i a ç ã o ,
migração e invasão celular. Semelh ante ao miRNA-21, também está
relacionado a diversos tipos de cânc er, como gastrointestinal, glioma,
esofageano, mama, osteossarcoma e vesical71.
No que tange à endometriose, Nothnick et al. demonstraram, a partir
de modelos em ratos, que a expr essão diminuída do miRNA-451
endometrial não é causa, mas consequência da doença. Relataram também
que esse perfil de expressão diminuída não contribui para o tecido que reflui
para a cavidade abdominal originar uma lesão de endometriose71. Os dados
obtidos por meio do modelo de babuínos são consoantes com esses dados
e também mostraram expressão reduzida do miRNA-451, após a indução da
Discussão
45
endometriose. No entanto, diferente do estudo anterior, esse demonstrou
que o miRNA-451 contribui para a fisiopatologia da endometriose por
aumentar a proliferação celular devido à elevação da proteína YWHAZ, um
dos alvos desse miRNA46.
Hawkins et al. utilizaram a análise de microssérie para traçar o perfil
de miRNAs diferentemente expressos no endométrio de pacientes com
endometriose em relação ao tecido de endometrioma. Dentre outros
miRNAs, demonstraram que o -451 tem maior expressão no endometrioma72.
Os dados obtidos neste estudo são condizentes com o trabalho de
Hawkins et al. pois se verificou maior expressão do miRNA-451 nas
amostras de lesão de endometriose em relação ao endométrio do grupo
controle (p = 0,07 e fold change = 13,00) e em relação ao endométrio das
pacientes com endometriose (p = 0,04 e fold change = 10,86). Porém, não
foi condizente com os estudos de modelos em animais pois, a expressão
desse miRNA, comparando o grupo controle com aquele com endometriose
pré-operatório, não apresentou diferenç a estatisticamente significante,
contrariando a expectativa de diminuição nesse grupo.
5.6 MiRNA-29c
O miRNA-29c é codificado pelo gene MIR29c que está localizado no
cromossomo 1q32.273,74. Considerando as diferentes fases do ciclo
menstrual, apresenta expressão mais alta na fase secretória média em
relação à proliferativa tardia, como mostra o estudo de Kuokkanen et al.63.
Portanto, isso sugere que esse miRNA tem relação com a progesterona.
Além disso, atribui-se como funções, o remodelamento da matriz
extra-celular e ação como supressor de metástase. Está relacionado a
alguns tipos de cânceres, como de nasofaringe e leucemia linfocítica crônica,
principalmente naqueles com elevada capacidade de invasão e metástase68.
Em relação à endometriose, os resultados obtidos no presente estudo
mostram que a expressão do miRNA-29c é maior no endométrio das
Discussão
46
pacientes com endometriose profunda em relação ao grupo controle. É
ainda maior nas lesões de endometriose e, após a cirurgia, restaura-se para
níveis similares ao do grupo controle. A comparação do grupo lesão e o
grupo controle não apresenta diferença estatisticamente significante (p =
0,059), no entanto, apresenta fold change expressivo (6,53).
Esses dados são condizentes co m alguns dados da literatura.
Ohlsson Teague et al. mostraram que esse miRNA está aumentado no
endométrio ectópico em relação ao tópico em amostras pareadas75. Hawkins
et al. notaram expressão aumentada do miRNA-29c ao comparar amostras
de endometriomas à de endométrio de pacientes sem endometriose. Ruan
et al. descreveram níveis aumentados d e m i R N A - 2 9 c n o e n d o m é t r i o d e
pacientes com endometriose em relação ao de pacientes sem
endometriose76.
Contrapondo a maioria das evidências, há um estudo que relatou
expressão para baixo do miRNA-29c em endométrio ectópico em relação ao
tópico. Concluiu, ainda, que essa molécula é um supressor da endometriose
por inibir a proliferação, invasão e apoptose das células endometriais77.
5.7 FKBP52
A FKBP52 é uma proteína codifi cada pelo gene FKBP4 que se
encontra no cromossomo 12p13.33 78. Como foi mencionado, está
relacionada ao receptor de progesterona e o regula positivamente. Na
endometriose, parece ter papel na etiopatogenia24 e n a r e c e p t i v i d a d e
endometrial e infertilidade associada26.
A ferramenta Targetscan (www.targetscan.org) revela que o mRNA
que traduz a proteína FKBP52 é um dos a l v o s d o m i R N A - 2 9 c . O s í t i o d e
ligação está descrito na Figura 3.
Discussão
47
Figura 3 - Sítio de ligação miRNA-29c e FKBP52
Os dados obtidos neste estudo mostram que o comportamento da
expressão dessa proteína é inversa ao do miRNA-29c. O endométrio de
pacientes com endometriose apresenta menor expressão da FKBP52 em
relação ao grupo controle. Após o tratamento cirúrgico, ocorre aumento dos
níveis de expressão do mRNA dessa proteína, níveis esses que se tornam
equiparáveis aos do grupo controle. Além disso, a expressão da FKBP52 é
menor na lesão de endometriose quando comparada ao endométrio do
grupo controle e ao das pacientes com endometriose antes e após a cirurgia.
Os níveis diminuídos da expressão dessa proteína no endométrio de
pacientes com endometriose também foram descritos em outros estudos24,26
e podem explicar a decidualização alterada e a infertilidade relacionada à
implantação embrionária. Nota-se, também, que os menores níveis de
expressão da FKBP52 ocorrem nas lesões de endometriose, o que
corrobora o estudo de Hirota et al., no qual descreveram a p r o m o ç ã o d a s
lesões de endometriose pela redução da FKBP5224.
A relação entre as expressões do miRNA-29c e da FKBP52 não tem
precedentes na literatura médica. Apesar de carecer de outras evidências
como expressão em nível proteico ou estudos funcionais, os dados obtidos
no presente estudo, mesmo que de forma inicial, mostram um provável
papel do miRNA-29c por meio da modulação da expressão da FKBP52 na
etiopatogenia da endometriose, bem como um mecanismo que explica a
alteração na decidualização e consequente contribuição para a infertilidade.
Esses processos podem ser reverti dos pelo tratamento cirúrgico da
endometriose com remoção das lesões, como se pode inferir pelo retorno da
expressão do miRNA-29c e da FKBP52 p a r a n í v e i s s e m e l h a n t e s a o d o
3’ UTR da FKBP52 (Posição 426-432)…UGUGGCCUCCAUGUGGGUGCUAG.......
Sítio de ligação do miRNA-29c.....….….AUUGGCUAAAGUUUACCACGAU….....
Discussão
48
endométrio de mulheres sem endometriose após a cirurgia, conforme se
constatou no presente estudo.
6 Conclusões
Conclusões
50
6 CONCLUSÕES
A análise dos dados obtidos permite concluir:
a) A análise da expressão do miRNA-21 nas diferentes amostras não
demonstrou diferenças estatisticamente significantes;
b) A análise da expressão do miRNA-451 não evidenciou diferença
estatística significante no endométrio das pacientes com
endometriose em comparação às das mulheres sem endometriose.
Por outro lado, a expressão do miRNA-451 nas lesões de
endometriose foi significativamente maior do que no endométrio
do grupo controle, bem como no das pacientes do grupo
endometriose pré-operatório;
c) Em relação ao miRNA-29c, verificou-se expressão aumentada no
endométrio de pacientes do grupo endometriose em relação ao
controle. Após o tratamento cirúrgico, a expressão desse miRNA
retorna a níveis semelhantes aos do grupo controle. Além disso,
nas lesões de endometriose a sua expressão não mostrou
diferença estatística significante em relação ao endométrio do
grupo controle (p = 0,059), porém, o fold change f o i e x p r e s s i v o
(6,53);
d) A avaliação da proteína FKBP52 analisada pela expressão de seu
mRNA apresentou comportamento inverso ao do miRNA-29c. A
expressão foi menor no endométrio de pacientes com
endometriose em relação às sem endometriose e ainda menor nas
lesões de endometriose. Após a remoção das lesões
endometrióticas, a expressão da FKBP52 é restaurada para níveis
semelhantes ao do endométrio de mulheres do grupo controle.
7 Anexos
Anexos
52
7 ANEXOS
Anexo A - Parecer do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo
Anexos
53
Anexos
54
Anexo B - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido do Grupo de
Estudo
FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
_____________________________________________________________
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO DA PESQUISA OU RESPONSÁVEL
LEGAL
1. NOME: .:....................................................................................................................
DOCUMENTO DE IDENTIDADE Nº : ...................................... SEXO : .M Ƒ F Ƒ
DATA NASCIMENTO: ......../......../......
ENDEREÇO ............................................................... Nº ................... APTO: ..........
BAIRRO: ...............................................................CIDADE .....................................
CEP:.............................. TELEFONE: DDD (............) …...........................................
2. RESPONSÁVEL LEGAL: .........................................................................................
NATUREZA (grau de parentesco, tutor, curador etc.): ...............................................
DOCUMENTO DE IDENTIDADE:....................................SEXO: M Ƒ F Ƒ
DATA NASCIMENTO.: ....../......./......
ENDEREÇO…............................................................. Nº ............... APTO: .............
BAIRRO: ................................................. CIDADE: ..................................................
CEP:....................................TELEFONE: DDD(............).............................................
___________________________________________________________________
DADOS SOBRE A PESQUISA
1. TÍTULO DO PROTOCOLO DE PESQUISA “Perfil de expressão de MicroRNAs
em pacientes inférteis com endometriose antes e após a remoção cirúrgica do
tecido ectópico”
2. PESQUISADOR Executante: Eduardo Hideki Miyadahira
PESQUISADOR Responsável : Edmund Chada Baracat
CARGO/FUNÇÃO: Professor Titular da Disciplina de Ginecologia.
INSCRIÇÃO CONSELHO REGIONAL Nº 28.085
3. AVALIAÇÃO DO RISCO DA PESQUISA:
RISCO MÍNIMO X RISCO MÉDIO Ƒ
RISCO BAIXO Ƒ R I S C O M A I O R Ƒ
4.DURAÇÃO DA PESQUISA: 36 meses
Anexos
55
FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
1 – Desenho do estudo e objetivo(s): Essas informações estão sendo fornecidas
para sua participação voluntária neste estudo. Sabe-se que algumas
pacientes beneficiam-se da cirurgia de remoção do tecido ectópico da
endometriose. Dessa forma, os objetivos deste estudo são identificar
microRNAs (pequenas moléculas de RNA) diferentemente expressos em
pacientes com endometriose e pacientes sem endometriose; verificar se após
a remoção cirúrgica do tecido endometrial ectópico há alteração na
expressão de microRNAs em pacientes com endometriose; relacionar a
expressão de microRNAs endometriais com as características gerais e
reprodutivas de pacientes com ou sem endometriose.
2 – Descrição dos procedimentos que serão realizados: Serão executados:
a) Ultrassom transvaginal com preparo intestinal e/ou ressonância
magnética para pesquisa de endometriose profunda. Estes exames são
pouco invasivos, com raras complicações e têm duração de
aproximadamente uma hora ambos. No caso do ultrassom, o desconforto se
deve somente pela via o qual é realizada, a transvaginal e não tem
complicações. E, no caso da ressonância, é um exame indolor, apenas
chama-se a atenção para as pessoas que tem claustrofobia (incômodo ao
permanecer em lugares fechados), pois ele é realizado em uma câmara
fechada. A complicação mais comum é a reação alérgica ao contraste
utilizado no exame.
b) Biópsia endometrial, antes e após cirurgia para tratamento da
endometriose, através da técnica utilizada na rotina clínica, não
havendo, portanto, maior risco durante ou após o procedimento
cirúrgico. Neste procedimento, iremos realizar um exame especular
ginecológico e, após visualização do colo do útero, um fino catéter é
colocado dentro da cavidade do útero. Por meio de vácuo, uma pequena
amostra de endométrio (camada interna do útero) é aspirada. Este pequeno
procedimento, não requer obrigatoriamente uma anestesia, porém pode
causar dor em cólica no momento que o catéter é inserido dentro da
cavidade do útero que, geralmente, é suportável. Tem duração de
aproximadamente 15 minutos. As complicações são raras e as mais comuns
Anexos
56
são o falso trajeto dentro do útero e o sangramento aumentado após o
procedimento.
c) Retirada de amostra de sangue por punção periférica, antes e após a
cirurgia para tratamento da endometriose, a qual também é utilizada na
rotina clínica. A punção de veia periférica é um pequeno procedimento
rápido (aproximadamente 5 minutos) e pouco doloroso. Utilizamos uma
agulha fina para acessar o interior do vaso sanguíneo e coletar amostra de
sangue. A complicação mais comum é a transfixação da veia puncionada.
d) Cirurgia laparoscópica por técnica convencional previamente indicada
por suspeita clínica e/ou radiológica de endometriose, no qual serão
realizadas biópsias do tecido endometrial e do tecido ectópico. A
técnica cirúrgica aplicada será a mesma utilizada normalmente na
prática clínica, não havendo, portanto, maior risco durante ou após o
procedimento cirúrgico. Trata-se de cirurgia realizada por técnica
conhecida como ”minimamente invasiva” pois os cortes realizados na pele
são pequenos. A duração da cirurgia é variável e depende da extensão da
sua doença. As complicações mais comuns são a dor pós-operatória e a
lentidão do trânsito intestinal, quadro conhecido como íleo paralítico.
3 – Relação dos procedimentos rotineiros e como são realizados: Ultrassom
transvaginal realizado por técnica convencional e por operador qualificado ou
ressonância nuclear magnética; biópsia endometrial realizada com Catéter de
Pipelle sob técnica convencional; coleta de sangue por punção periférica da
veia do antebraço; cirurgia para tratamento da endometriose por vídeo-
laparoscopia realizada por cirurgião especializado.
4 – Descrição dos desconfortos e riscos esperados nos procedimentos: Não
haverá nenhum desconforto ou risco adicional durante a realização da
pesquisa já que os procedimentos fazem parte do tratamento proposto para
dor e/ou infertilidade.
5 – Benefícios para o participante: Não há benefício direto para o participante
visto que o presente estudo não tem por objetivo estabelecer novo tratamento
para a endometriose. No entanto, o avanço na compreensão dos mecanismos
envolvidos nesta doença pode proporcionar o estudo de novas alternativas
de tratamento. Além disso, seus dados serão mantidos em sigilo absoluto.
Anexos
57
6 – Relação de procedimentos alternativos que possam ser vantajosos, pelos quais
o paciente pode optar: O tratamento proposto contempla o quadro clínico de
cada paciente, desta forma, entende-se que esta é a alternativa mais
adequada.
7 – Garantia de acesso: e m q u a l q u e r m o m e n t o d o e s t u d o , a s e n h o r a t e r á
acesso aos profissionais responsáveis pela pesquisa para esclarecimento de
eventuais dúvidas. O investigador principal é o Dr. Eduardo Hideki Miyadahira
que pode ser encontrado no endereço: Av. Dr. Enéas de Carvalho, 255,
Instituto Central, Ginecologia, 10º andar, fone: 2661-6647 (Clínica
Ginecológica). Caso tenha alguma consideração ou dúvida sobre a ética da
pesquisa, entre em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) – Av.
Dr. Arnaldo, 455 – Instituto Oscar Freire – 2º andar– tel: 3061-8004, FAX: 3061-
8004 – E-mail:
[email protected]
8 – É garantida a liberdade da retirada de consentimento a qualquer momento e
deixar de participar do estudo, sem qualquer prejuízo à continuidade de seu
tratamento na Instituição;
09 – Direito de confidencialidade – As informações obtidas serão analisadas em
conjunto com as demais pacientes, não sendo divulgada a sua identificação;
10 – Direito de ser mantida atualizada sobre os resultados parciais e totais das
pesquisas, quando em estudos abertos, ou de resultados que sejam do
conhecimento dos pesquisadores;
11 – Despesas e compensações: não há despesas adicionais para o
participante em qualquer fase do estudo, apenas os relacionados ao
tratamento proposto. Também não há compensação financeira relacionada à
sua participação.
12 – Em caso de dano pessoal, diretamente causado pelos procedimentos ou
tratamentos propostos neste estudo (nexo causal comprovado), o participante tem
direito a tratamento médico na Instituição.
13 - Compromisso do pesquisador de armazenar as amostras coletadas em local
seguro e utilizá-las somente para este estudo.
Anexos
58
Acredito ter sido suficientemente informado a respeito das informações que li ou
que foram lidas para mim, descrevendo o estudo ” Perfil de expressão de
MicroRNAs em pacientes inférteis com endometriose antes e após a remoção
cirúrgica do tecido ectópico”.
Eu discuti com o Dr. Eduardo Hideki Miyadahira sobre a minha decisão em
participar nesse estudo. Ficaram claros para mim quais são os propósitos do
estudo, os procedimentos a serem realizados, seus desconfortos e riscos, as
garantias de confidencialidade e de esclarecimentos permanentes. Ficou claro
também que minha participação é isenta de despesas e que tenho garantia do
acesso a tratamento hospitalar quando necessário. Concordo voluntariamente em
participar deste estudo e poderei retirar o meu consentimento a qualquer momento,
antes ou durante o mesmo, sem penalidades ou prejuízo ou perda de qualquer
benefício que eu possa ter adquirido, ou no meu atendimento neste Serviço.
-------------------------------------------------
Assinatura do paciente/representante
legal Data / /
-------------------------------------------------------------------------
Assinatura da testemunha Data / /
(para casos de pacientes menores de 18 anos, analfabetos, semi-analfabetos ou
portadores de deficiência auditiva ou visual)
(Somente para o responsável do projeto)
Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e
Esclarecido deste paciente ou representante legal para a participação neste estudo.
-------------------------------------------------------------------------
Assinatura do responsável pelo estudo Data / /
Anexos
59
Anexo C - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido do Grupo
Controle
FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
_______________________________________________________________
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO DA PESQUISA OU RESPONSÁVEL
LEGAL
1. NOME: .:....................................................................................................................
DOCUMENTO DE IDENTIDADE Nº : ..................................... SEXO : .M Ƒ F Ƒ
DATA NASCIMENTO: ......../......../......
ENDEREÇO: ................................................... Nº: ..................... APTO: ..................
BAIRRO: .............................................................. CIDADE: ....................................
CEP: ................................... TELEFONE: DDD (............) ........................................
2.RESPONSÁVEL LEGAL ...........................................................................................
NATUREZA (grau de parentesco, tutor, curador etc.)................................................
DOCUMENTO DE IDENTIDADE :....................................SEXO: M Ƒ F Ƒ
DATA NASCIMENTO.: ....../......./......
ENDEREÇO: .................................................. Nº .................. APTO: .......................
BAIRRO: ........................................................ CIDADE: ............................................
CEP:...................................TELEFONE: DDD(............).............................................
___________________________________________________________________
DADOS SOBRE A PESQUISA
1. TÍTULO DO PROTOCOLO DE PESQUISA “Perfil de expressão de MicroRNAs
em pacientes inférteis com endometriose antes e após a remoção cirúrgica do
tecido ectópico”
2. PESQUISADOR Executante: Eduardo Hideki Miyadahira
PESQUISADOR Responsável : Edmund Chada Baracat
CARGO/FUNÇÃO: Professor Titular da Disciplina de Ginecologia.
INSCRIÇÃO CONSELHO REGIONAL Nº 28.085
3. AVALIAÇÃO DO RISCO DA PESQUISA:
RISCO MÍNIMO X RISCO MÉDIO Ƒ
RISCO BAIXO Ƒ R I S C O M A I O R Ƒ
4.DURAÇÃO DA PESQUISA: 36 meses
Anexos
60
FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
1 – Desenho do estudo e objetivo(s): Essas informações estão sendo fornecidas
para sua participação voluntária neste estudo. Sabe-se que algumas
pacientes beneficiam-se da cirurgia de remoção do tecido ectópico da
endometriose. Dessa forma, os objetivos deste estudo são identificar
microRNAs (pequenas moléculas de RNA) diferentemente expressos em
pacientes com endometriose e pacientes sem endometriose; verificar se após
a remoção cirúrgica do tecido endometrial ectópico há alteração na
expressão de microRNAs em pacientes com endometriose; relacionar a
expressão de microRNAs endometriais com as características gerais e
reprodutivas de pacientes com ou sem endometriose. No seu caso, como não
há evidência clínica ou radiológica de endometriose gostaríamos de incluí-la
dentro do grupo de comparação às pacientes com endometriose,
aproveitando a biópsia endometrial que faz parte do seu tratamento.
2 – Descrição dos procedimentos que serão realizados: Serão executados:
a) Ultrassom transvaginal com preparo intestinal e/ou ressonância
magnética para pesquisa de endometriose profunda. Estes exames são
pouco invasivos, com raras complicações e têm duração de
aproximadamente uma hora ambos. No caso do ultrassom, o desconforto se
deve somente pela via o qual é realizada, a transvaginal e não tem
complicações. E, no caso da ressonância, é um exame indolor, apenas
chama-se a atenção para as pessoas que tem claustrofobia (incômodo ao
permanecer em lugares fechados), pois ele é realizado em uma câmara
fechada. A complicação mais comum é a reação alérgica ao contraste
utilizado no exame.
b) Biópsia endometrial através da técnica utilizada na rotina clínica, não
havendo, portanto, maior risco durante ou após o procedimento
cirúrgico. Neste procedimento, iremos realizar um exame especular
ginecológico e, após visualização do colo do útero, um fino catéter é
colocado dentro da cavidade do útero. Por meio de vácuo, uma pequena
amostra de endométrio (camada interna do útero) é aspirada. Este pequeno
procedimento, não requer obrigatoriamente uma anestesia, porém pode
causar dor em cólica no momento que o catéter é inserido dentro da
cavidade do útero que, geralmente, é suportável. Tem duração de
Anexos
61
aproximadamente 15 minutos. As complicações são raras e as mais comuns
são o falso trajeto dentro do útero e o sangramento aumentado após o
procedimento.
c) Retirada de amostra de sangue por punção periférica a qual também é
utilizada na rotina clínica. A punção de veia periférica é um pequeno
procedimento rápido (aproximadamente 5 minutos) e pouco doloroso.
Utilizamos uma agulha fina para acessar o interior do vaso sanguíneo e
coletar amostra de sangue. A complicação mais comum é a transfixação da
veia puncionada.
3 – Relação dos procedimentos rotineiros e como são realizados: Ultrassom
transvaginal realizado por técnica convencional e por operador qualificado ou
ressonância nuclear magnética; biópsia endometrial realizada com Catéter de
Pipelle sob técnica convencional; coleta de sangue por punção periférica da
veia do antebraço.
4 – Descrição dos desconfortos e riscos esperados nos procedimentos: Não
haverá nenhum desconforto ou risco adicional durante a realização da
pesquisa já que os procedimentos fazem parte do tratamento proposto para
dor e/ou infertilidade.
5 – Benefícios para o participante: Não há benefício direto para o participante
visto que o presente estudo não tem por objetivo estabelecer novo tratamento
para a endometriose. No entanto, o avanço na compreensão dos mecanismos
que causam esta doença pode contribuir para a descoberta ou investigação
de novas alternativas de tratamento. Além disso, seus dados serão mantidos
em sigilo absoluto.
6 – Relação de procedimentos alternativos que possam ser vantajosos, pelos quais
o paciente pode optar: O tratamento proposto contempla o quadro clínico de
cada paciente, desta forma, entende-se que esta é a alternativa mais
adequada.
7 – Garantia de acesso: e m q u a l q u e r m o m e n t o d o e s t u d o , a s e n h o r a t e r á
acesso aos profissionais responsáveis pela pesquisa para esclarecimento de
eventuais dúvidas. O investigador principal é o Dr. Eduardo Hideki Miyadahira
que pode ser encontrado no endereço: Av. Dr. Enéas de Carvalho, 255,
Instituto Central, Ginecologia, 10º andar, fone: 2661-6647 (Clínica
Anexos
62
Ginecológica). Caso tenha alguma consideração ou dúvida sobre a ética da
pesquisa, entre em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) – Av.
Dr. Arnaldo, 455 – Instituto Oscar Freire – 2º andar– tel: 3061-8004, FAX: 3061-
8004 – E-mail:
[email protected]
8 – É garantida a liberdade da retirada de consentimento a qualquer momento e
deixar de participar do estudo, sem qualquer prejuízo à continuidade de seu
tratamento na Instituição;
09 – Direito de confidencialidade – As informações obtidas serão analisadas em
conjunto com as demais pacientes, não sendo divulgada a sua identificação;
10 – Direito de ser mantida atualizada sobre os resultados parciais e totais das
pesquisas, quando em estudos abertos, ou de resultados que sejam do
conhecimento dos pesquisadores;
11 – Despesas e compensações: não há despesas adicionais para o
participante em qualquer fase do estudo, apenas os relacionados ao
tratamento proposto. Também não há compensação financeira relacionada à
sua participação.
12 – Em caso de dano pessoal, diretamente causado pelos procedimentos ou
tratamentos propostos neste estudo (nexo causal comprovado), o participante tem
direito a tratamento médico na Instituição.
13 - Compromisso do pesquisador de armazenar as amostras coletadas em locais
seguros e utilizá-las somente para este estudo.
Acredito ter sido suficientemente informado a respeito das informações que li ou
que foram lidas para mim, descrevendo o estudo ” Perfil de expressão de
MicroRNAs em pacientes inférteis com endometriose antes e após a remoção
cirúrgica do tecido ectópico”.
Anexos
63
Eu discuti com o Dr. Eduardo Hideki Miyadahira sobre a minha decisão em
participar nesse estudo. Ficaram claros para mim quais são os propósitos do
estudo, os procedimentos a serem realizados, seus desconfortos e riscos, as
garantias de confidencialidade e de esclarecimentos permanentes. Ficou claro
também que minha participação é isenta de despesas e que tenho garantia do
acesso a tratamento hospitalar quando necessário. Concordo voluntariamente em
participar deste estudo e poderei retirar o meu consentimento a qualquer momento,
antes ou durante o mesmo, sem penalidades ou prejuízo ou perda de qualquer
benefício que eu possa ter adquirido, ou no meu atendimento neste Serviço.
-------------------------------------------------
Assinatura do paciente/representante
legal Data / /
-------------------------------------------------------------------------
Assinatura da testemunha Data / /
(para casos de pacientes menores de 18 anos, analfabetos, semi-analfabetos ou
portadores de deficiência auditiva ou visual)
(Somente para o responsável do projeto)
Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e
Esclarecido deste paciente ou representante legal para a participação neste estudo.
-------------------------------------------------------------------------
Assinatura do responsável pelo estudo Data / /
Anexos
64
Anexo D - Ilustração auxiliar ao laudo da ultrassonografia
transvaginal com preparo intestinal
* Cedido por Dra. Luciana Chamié
Anexos
65
Anexo E - Inventário pélvico cirúrgico (relacionado ao caso do Anexo C)
Anexos
66
Anexo F - Aspecto pós-cirúrgico (relacionado ao caso do Anexo C)
8 Referências
Referências
68
8 REFERÊNCIAS
1. Donoso E, Carvajal JA, Poblete JA. La edad de la mujer como factor
de riesgo de mortalidad materna, fetal, neonatal e infantil. Rev Med
Chil. 2014:142(2):168-74.
2. Carolan M, Frankowska D. Advanced maternal age and adverse
perinatal outcome: a review of the evidence. Midwifery. 2011;27(6):
793-801.
3. INCA. INCA - CÂNCER - Tipo - Mama. [cited 2015 Apr 3]. Available
from:
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/ma
ma/cancer_mama++
4. Giudice LC. Endometriosis. N Engl J Med. 2010;362(25):2389-98.
5. Viganò P, Parazzini F, Somigliana E, Vercellini P. Endometriosis:
epidemiology and aetiological factors. Best Pract Res Clin Obstet
Gynaecol. 2004;18(2):177-200.
6. Meuleman C, Vandenabeele B, Fieuws S, Spiessens C, Timmerman D,
D’Hooghe T. High prevalence of endometriosis in infertile women with
normal ovulation and normospermic partners. Fertil Steril. 2009;92(1):
68-74.
7. Simoens S, Dunselman G, Dirksen C, Hummelshoj L, Bokor A,
Brandes I, et al. The burden of endometriosis: costs and quality of life
of women with endometriosis and treated in referral centres. Hum
Reprod. 2012;27(5):1292-9.
Referências
69
8. Nnoaham KE, Hummelshoj L, Webster P, d'Hoogher T, de Cicco
Nardone F, de Cicco Nardone C, et al. Impact of endometriosis on
quality of life and work productivity: a multicenter study across ten
countries. Fertil Steril. 2011;96(2):366-73.e8.
9. Levy AR, Osenenko KM, Lozano-Ortega G, Sambrook R, Jeddi M,
Bélisle S, Reod RL. Economic burden of surgically confirmed
endometriosis in Canada. J Obstet Gynaecol Can. 2011;33(8):830-7.
10. Spigolon DN, Amaral VF, Barra CMCM. Endometrioseௗ: impacto
econômico e suas perspectivas. Femina. 2012;40:129-34.
11. Sampson JA. Metastatic or embolic endometriosis, due to the
menstrual dissemination of endometrial tissue into the venous
circulation. Am J Pathol. 1927;3(2):93-110.43.
12. Halme J, Hammond MG, Hulka JF, Raj SG, Talbert LM. Retrograde
menstruation in healthy women and in patients with endometriosis.
Obstet Gynecol. 1984;64(2):151-4.
13. Hastings JM, Fazleabas AT. A baboon model for endometriosis:
implications for fertility. Reprod Biol Endocrinol. 2006;4 Suppl 1:S7.
14. Macer ML, Taylor HS. Endometriosis and infertility: a review of the
pathogenesis and treatment of endometriosis-associated infertility.
Obstet Gynecol Clin North Am. 2012;39(4):535-49.
15. Vercellini P, Viganò P, Somigliana E, Fedele L. Endometriosis:
pathogenesis and treatment. Nat Rev Endocrinol. 2013;10(5):261-75.
Referências
70
16. Ferguson BR, Bennington JL, Haber SL. Histochemistry of
mucosubstances and histology of mixed müllerian pelvic lymph node
glandular inclusions. Evidence for histogenesis by müllerian metaplasia
of coelomic epithelium. Obstet Gynecol. 1969;33(5):617-25.
17. Pages A. Endometriosis and infertility: a committee opinion. Fertil Steril.
2012;98(3):591-8.
18. Akande VA, Hunt LP, Cahill DJ, Jenkins JM. Differences in time to
natural conception between women with unexplained infertility and
infertile women with minor endometriosis. Hum Reprod. 2004;19(1):96-
103.
19. Holoch KJ, Lessey BA. Endometriosis and infertility. Clin Obstet
Gynecol. 2010;53(2):429-38.
20. Bianchi P, Pereira R. Extensive excision of deep infiltrative
endometriosis before in vitro fertilization significantly improves
pregnancy rates. J Minim Invasive Gynecol. 2009;16(2):174-80.
21. Davies TH, Sánchez ER. FKBP52. Int J Biochem Cell Biol. 2005;37(1):
42-7.
22. Storer CL, Dickey CA, Galigniana MD, Rein T, Cox MB. FKBP51 and
FKBP52 in signaling and disease. Trends Endocrinol Metab.
2011;22(12):481-90.
23. Tranguch S, Cheung-Flynn J, Daikoku T, Prapapanich V, Cox MB, Xie
H, et al. Cochaperone immunophilin FKBP52 is critical to uterine
receptivity for embryo implantation. Proc Natl Acad Sci U S A.
2005;102(40):14326-31.
Referências
71
24. Hirota Y, Tranguch S, Daikoku T, Hasegawa A, Osuga Y, Taketani Y,
Dey SK. Deficiency of immunophilin FKBP52 promotes endometriosis.
Am J Pathol. 2008;173(6):1747-57.
25. Jackson KS, Brudney A, Hastings JM, Mavrogianis PA, Kim JJ,
Fazleabas AT. The altered distribution of the steroid hormone
receptors and the chaperone immunophilin FKBP52 in a baboon model
of endometriosis is associated with progesterone resistance during the
window of uterine receptivity. Reprod Sci. 2007;14(2):137-50.
26. Yang H, Zhou Y, Edelshain B, Schatz F, Lockwood CJ, Taylor HS.
FKBP4 is regulated by HOXA10 during decidualization and in
endometriosis. Reproduction. 2012;143(4):531-8.
27. Lee RC, Feinbaum RL, Ambros V. The C. elegans heterochronic gene
lin-4 encodes small RNAs with antisense complementarity to lin-14.
Cell. 1993;75(5):843-54.
28. Wightman B, Ha I, Ruvkun G. Posttranscriptional regulation of the
heterochronic gene lin-14 by lin-4 mediates temporal pattern formation
in C. elegans. Cell. 1993;75(5):855-62.
29. Reinhart BJ, Slack FJ, Basson M, Pasquinelli AE, Bettinger JC,
Rougvie AE, et al. The 21-nucleotide let-7 RNA regulates
developmental timing in Caenorhabditis elegans. Nature.
2000;403(6772):901-6.
30. Lee RC, Ambros V. An extensive class of small RNAs in
Caenorhabditis elegans. Science. 2001;294(5543):862-4.
31. Lau NC, Lim LP, Weinstein EG, Bartel DP. An abundant class of tiny
RNAs with probable regulatory roles in Caenorhabditis elegans.
Science. 2001;294(5543):858-62.
Referências
72
32. Lagos-Quintana M, Rauhut R, Lendeckel W, Tuschl T. Identification of
novel genes coding for small expressed RNAs. Science.
2001;294(5543):853-8.
33. MiRBase. Homo sapiens miRNAs (1881 sequences). [cited 2015 Apr
7]. Available from: http://www.mirbase.org/cgi-
bin/mirna_summary.pl?org=hsa
34. Lewis BP, Burge CB, Bartel DP. Conserved seed pairing, often flanked
by adenosines, indicates that thousands of human genes are
microRNA targets. Cell. 2005;120(1):15-20.
35. Lim LP, Glasner ME, Yekta S, Burge CB, Bartel DP. Vertebrate
microRNA genes. Science. 2003;299(5612):1540.
36. Kim Y-K, Kim VN. Processing of intronic microRNAs. EMBO J. 2007;
26(3):775-83.
37. Teague EMCO, Print CG, Hull ML. The role of microRNAs in
endometriosis and associated reproductive conditions. Hum Reprod
Update. 2010;16(2):142-65.
38. Brodersen P, Voinnet O. Revisiting the principles of microRNA target
recognition and mode of action. Nat Rev Mol Cell Biol. 2009;10(2):141-
8.
39. Gilabert-Estelles J, Braza-Boils A, Ramon LA, Zorio E, Medina P,
Espana F, Estelles A. Role of microRNAs in gynecological pathology.
Curr Med Chem. 2012;19(15):2406-13.
Referências
73
40. Resnick KE, Alder H, Hagan JP, Richardson DL, Croce CM, Cohn DE.
The detection of differentially expressed microRNAs from the serum of
ovarian cancer patients using a novel real-time PCR platform. Gynecol
Oncol. 2009;112(1):55-9.
41. Häusler SFM, Keller A, Chandran PA, Ziegler K, Zipp K, Heuer S, et al.
Whole blood-derived miRNA profiles as potential new tools for ovarian
cancer screening. Br J Cancer. 2010;103(5):693-700.
42. Elmén J, Lindow M, Schütz S, Lawrence M, Petri A, Obad S, et al.
LNA-mediated microRNA silencing in non-human primates. Nature.
2008;452(7189):896-9.
43. Janssen HLA, Reesink HW, Lawitz EJ, Zeuzem S, Rodriguez-Torres M,
Patel K, et al. Treatment of HCV infection by targeting microRNA. N
Engl J Med. 2013;368(18):1685-94.
44. Wren JD, Wu Y, Guo S-W. A system-wide analysis of differentially
expressed genes in ectopic and eutopic endometrium. Hum Reprod.
2007;22(8):2093-102.
45. Pan Q, Luo X, Toloubeydokhti T, Chegini N. The expression profile of
micro-RNA in endometrium and endometriosis and the influence of
ovarian steroids on their expression. Mol Hum Reprod. 2007;13(11):
797-806.
46. Joshi NR, Su RW, Chandramouli GVR, Khoo SK, Jeong JW, Young SL,
et al. Altered expression of microRNA-451 in eutopic endometrium of
baboons (Papio anubis) with endometriosis. Hum Reprod.
2015;30(12):2881-91.
Referências
74
47. Saúde CN de. Resolução número 466. 2012. [cited 2015 Jun 7].
Available from:
http://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2012/Reso466.pdf
48. Hudelist G, English J, Thomas AE, Tinelli A, Singer CF, Keckstein J.
Diagnostic accuracy of transvaginal ultrasound for non-invasive
diagnosis of bowel endometriosis: systematic review and meta-
analysis. Ultrasound Obstet Gynecol. 2011;37(3):257-63.
49. Pereira RMA, Zanatta A, de Mello Bianchi PH, Chamié LP, Gonçalves
MOC, Serafini PC. Transvaginal ultrasound after bowel preparation to
assist surgical planning for bowel endometriosis resection. Int J
Gynaecol Obstet. 2009;104(2):161.
50. Chamié LP, Pereira RMA, Zanatta A, Serafini PC. Transvaginal US
after bowel preparation for deeply infiltrating endometriosis: protocol,
imaging appearances, and laparoscopic correlation. Radiographics.
2010;30(5):1235-49.
51. Pereira RMA, Zanatta A, Preti CDL, de Paula FJF, da Motta ELA,
Serafini PC. Should the gynecologist perform laparoscopic bowel
resection to treat endometriosis? Results over 7 years in 168 patients.
J Minim Invasive Gynecol. 2009;16(4):472-9.
52. Redwine DB, Wright JT. Laparoscopic treatment of complete
obliteration of the cul-de-sac associated with endometriosis: long-term
follow-up of en bloc resection. Fertil Steril. 2001;76(2):358-65.
53. Landi S, Ceccaroni M, Perutelli A, Allodi C, Barbieri F, Fiaccavento A,
et al. Laparoscopic nerve-sparing complete excision of deep
endometriosis: is it feasible? Hum Reprod. 2006;21(3):774-81.
Referências
75
54. Livak KJ, Schmittgen TD. Analysis of relative gene expression data
using real-time quantitative PCR and the 2(-Delta Delta C(T)) Method.
Methods. 2001;25(4):402-8.
55. Kolte AM, Bernardi LA, Christiansen OB, Quenby S, Farquharson RG,
Goddijn M, et al. Terminology for pregnancy loss prior to viability: a
consensus statement from the ESHRE early pregnancy special interest
group. Hum Reprod. 2015;30(3):495-8.
56. American Society for Reproductive Medicine. Revised American
Society for Reproductive Medicine classification of endometriosis: 1996.
Fertil Steril. 1997;67(5):817-21.
57. Dunselman GAJ, Vermeulen N, Becker C, Calhaz-Jorge C, D'Hooghe
T, De Bie B, et al. ESHRE guideline: management of women with
endometriosis. Hum Reprod. 2014;29(3):400-12.
58. Johnson NP, Hummelshoj L. Consensus on current management of
endometriosis. Hum Reprod. 2013;28(6):1552-68.
59. Opøien HK, Fedorcsak P, Byholm T, Tanbo T. Complete surgical
removal of minimal and mild endometriosis improves outcome of
subsequent IVF/ICSI treatment. Reprod Biomed Online. 2011;23(3):
389-95.
60. Koninckx PR. Biases in the endometriosis literature. Illustrated by 20
years of endometriosis research in Leuven. Eur J Obstet Gynecol
Reprod Biol. 1998;81(2):259-71.
61. Abrao MS, Gonçalves MO da C, Dias JA, Podgaec S, Chamie LP,
Blasbalg R. Comparison between clinical examination, transvaginal
sonography and magnetic resonance imaging for the diagnosis of deep
endometriosis. Hum Reprod. 2007;22(12):3092-7.
Referências
76
62. Rekker K, Saare M, Roost AM, Salumets A, Peters M. Circulating
microRNA Profile throughout the menstrual cycle. PLoS One. 2013;
8(11):e81166.
63. Kuokkanen S, Chen B, Ojalvo L, Benard L, Santoro N, Pollard JW.
Genomic profiling of microRNAs and messenger RNAs reveals
hormonal regulation in microRNA expression in human endometrium.
Biol Reprod. 2010;82(4):791-801.
64. Cochrane DR, Cittelly DM, Richer JK. Steroid receptors and
microRNAs: relationships revealed. Steroids. 2011;76(1-2):1-10.
65. Spizzo R, Nicoloso MS, Lupini L, Lu Y, Fogarty J, Rossi S, et al. miR-
145 participates with TP53 in a death-promoting regulatory loop and
targets estrogen receptor-alpha in human breast cancer cells. Cell
Death Differ. 2010;17(2):246-54.
66. Ramón LA, Braza-Boïls A, Gilabert-Estellés J, Gilabert J, España F,
Chirivella M, Estellés A. microRNAs expression in endometriosis and
their relation to angiogenic factors. Hum Reprod. 2011;26(5):1082-90.
67. MiRBase. MiRBase. [cited 2012 May 20]. Available from:
http://www.mirbase.org/cgi-bin/mirna_entry.pl?acc=MI0000077
68. Nicoloso MS, Spizzo R, Shimizu M, Rossi S, Calin GA. MicroRNAs--
the micro steering wheel of tumour metastases. Nat Rev Cancer.
2009;9(4):293-302.
69. Jia S-Z, Yang Y, Lang J, Sun P, Leng J. Plasma miR-17-5p, miR-20a
and miR-22 are down-regulated in women with endometriosis. Hum
Reprod. 2013;28(2):322-30.
Referências
77
70. MiRBase. MiRBase. [cited 2012 May 20]. Available from:
http://www.mirbase.org/cgi-bin/mirna_entry.pl?acc=MI0001729
71. Nothnick WB, Graham A, Holbert J, Weiss MJ. miR-451 deficiency is
associated with altered endometrial fibrinogen alpha chain expression
and reduced endometriotic implant establishment in an experimental
mouse model. PLoS One. 2014;9(6):e100336.
72. Hawkins SM, Creighton CJ, Han DY, Zariff A, Anderson ML,
Gunaratne PH, Matzuk MM. Functional microRNA involved in
endometriosis. Mol Endocrinol. 2011;25(5):821-32.
73. MiRBase. MiRBase. [cited 2016 Mar 1]. Available from:
http://www.mirbase.org/cgi-bin/mirna_entry.pl?acc=MI0000735
74. NCBI. MIR29C microRNA 29c [Homo sapiens (human)] - Gene - NCBI.
[cited 2016 Mar 14]. Available from:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/gene/407026
75. Ohlsson Teague EMC, Van der Hoek KH, Van der Hoek MB, Perry N,
Wagaarachchi P, Robertson SA, Print CG, Hull LM. MicroRNA-
regulated pathways associated with endometriosis. Mol Endocrinol.
2009;23(2):265-75.
76. Ruan Y, Qian W, Zhang C, Zhou L, Hou Z. [Study on microRNA
expression in endometrium of luteal phase and its relationship with
infertility of endometriosis]. Zhonghua Fu Chan Ke Za Zhi. 2013;
48(12):907-10.
77. Long M, Wan X, La X, Gong X, Cai X. miR-29c is downregulated in the
ectopic endometrium and exerts its effects on endometrial cell
proliferation, apoptosis and invasion by targeting c-Jun. Int J Mol Med.
2015;35(4):1119-25.
Referências
78
78. NCBI. FKBP4 FK506 binding protein 4 [Homo sapiens (human)]. [cited
2016 Mar 1]. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/gene/2288