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Palavras Chave: Diagnóstico de endometriose; Infertilidade; Dor pélvica
Capítulo 8
MARTA LOPES¹
LIGIA MARIA OLIVEIRA DE SOUZA¹
ANDREA PAOLA BRITOS²
ROMINA MARICEL ESPÍNOLA SÁNCHEZ³
1. Discente - Universidad Politécnica y Artistica del Paraguay- UPAP
2. Docente - Universidad Politécnica y Artistica del Paraguay- UPAP
3. Médica del Instituto de Prevención Social.
ENDOMETRIOSE
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INTRODUÇÃO
A endometriose é uma patologia que afeta
milhares de mulheres em todo o mundo. Atual -
mente não se sabe a proporção exata de mulhe -
res com esta patologia, porém alguns estudos
demonstram que cerca de 2 a 10% das mulheres
em idade reprodutiva, 3% das mulheres que es -
tão na pós-menopausa e 40% das que são infér-
teis são afetadas pela endometriose.
(BORGHESE et al., 2017; DONATTI et al.,
2017; MARQUI, 2014). No Brasil, os números
são igualmente preocupantes. Dados do Minis -
tério da Saúde (MS) apontam que mais de 7 mi-
lhões de mulheres têm a doença (SOUZA et al.,
2020), porém ainda é uma patologia que tem
certo déficit em seu diagnóstico precoce. A en -
dometriose na adolescênc ia deve receber mais
atenção. O maior risco de iniciar endometriose
após a puberdade foi indiretamente confirmado
pela incidência de laparoscopias para endome -
triose nos Emirados Árabes Unidos, França,
Bélgica e EUA. Essas observações semelhantes
em países árabes, Europa e EUA, sugerem um
mecanismo fundamental envolvendo estrógenos
e o microbioma peritoneal, menos afetado pela
ingestão de alimentos ou clima ou a mbiente
(AMRO et al., 2022).
Dados da literatura indicam que a endome -
triose é encontrada em 0,1 –53% das mulheres
operadas por laparoscopia ou por laparotomia,
das quais 12–32% são mulheres após laparosco-
pia diagnóstica devido a atrasos na dor pélvica e
10% a 60% das pacientes após laparoscopia di -
agnóstica por incapacidade (NÁCUL & SPRIT-
ZER, 2010).
A endometriose é classicamente definida
como a presença de glândulas endometriais e es-
troma fora da cavidade uterina. Como a defini -
ção sugere que a confirmação histopatológica
do estroma endometrial ectópico e glândulas em
localização ectópica deve ser necessária para o
diagnóstico de endometriose. Portanto, essa si -
tuação leva à necessidade de cirurgias como a
laparoscopia para o diagnóstico (BERKER &
SEVAL, 2015).
O objetivo deste estudo foi investigar de ma-
neira minuciosa os protocolos de diagnóstico da
endometriose e as implicações clínicas da do -
ença em seu diagnóstico, por se tratar de uma
patologia muitas vezes camuflada, o que difi -
culta seu diagnóstico de maneira mais assertiva.
Sintomas
A endometriose é uma condição comum as-
sociada à infertilidade que causa dor crônica em
muitas, mas não em todas, as mulheres. É defi -
nida pela presença de tecido semelhante ao en -
dométrio fora do útero. Embora a causa e a his-
tória natural do transtorno permaneçam incertas,
fatores hormonais, neurológicos e imunológicos
estão implicados nos mecanismos que contri -
buem para o desenvolvimento dos sintomas
(SAUNDERS & HORNE, 2021).
Essa patologia ocorre devido à presença de
tecido endometrial extrauterino, que responde à
estimulação hormonal e pode causar uma reação
inflamatória resultando em sintomas como dor
pélvica crônica severa e infertilidade (TOMÁS
& METELLO, 2019). Endometriose é uma do -
ença inflamatória crônica, caracterizada pela
presença de tecido endometrial fora da cavidade
uterina. As lesões endometrias possibilitam au -
mento de sensibilidade ao estrogenio, pela pro -
liferação do endometrio, o que favorece o de -
senvolvimento da patologia. O tecido ect ópico
através das lesões formadas pode levar ao apa -
recimento de dores cr ónicas e outros sintomas
incapacitantes (BORGHESE et al., 2017).
A determinação correta da faixa etária da
endometriose na mulher tem passado por novas
análises e estudos, sendo identificada a presença
de algumas dificuldades para se estabelecer uma
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incidência real quanto à idade e as primeiras ma-
nifestações, algumas exemplificações seriam o
acesso à saúde que ocorre na maioria dos países
de forma desigual, a determinação de estudos
sobre grupos fechados não sendo possível ava -
liar de forma correta a extensão da doença, outro
fato é que muitas pacientes são assintomáticas
por longos períodos e acabam tendo o seu
achado por coincidência, ou o ocultamento dos
sintomas faz com que a mulher só seja diagnos-
ticada após longos períodos a partir do desen -
volvimento dos primeiros sintomas(DE
SOUZA CARDOSO et al., 2017).
O quadro clínico, é determinado como uma
condição estrogênio -dependente, podendo va -
riar de assintomático ou apresentar os principais
sintomas clássicos de endometriose como: dis -
menorreia, dor pélvica e infertilidade (BAIL -
LEUL et al., 2021).
Alguns casos pode ter acometimento do
septo retovaginal, do reto e sigmoide pela endo-
metriose levando a sintomas intenso como a dis-
menorreia, dor pélvica, dispareunia profunda,
tenesmo e hematoquezia em mulheres jovens e
de meia-idade durante os períodos, em alguns
casos não pode ser claramente identificada na
laparoscopia diagnóstica, pode ser completa -
mente visualizada com ultrassom transvaginal
(TVS) no espaço extraperitoneal sem ter que re-
movê-la com uma operação arriscada. Isso é
particularmente úti l quando as lesões não são
sintomáticas e/ou não mostram crescimento
progressivo (KECKSTEIN & HOOPMANN,
2023).
Tratamento
Os tratamentos atuais mais comuns incluem
cirurgia, terapia de supressão ovariana ou am -
bos. Tratamentos farmacológicos que não ini -
bem a função ovariana estão sendo investigados
(NÁCUL & SPRITZER, 2010)
A eficácia do tratamento varia para dor pél-
vica e infertilidade. A dor associada à endome -
triose pode responder ao tratamento clínico e ci-
rúrgico. O uso de terapia medicamentosa para
infertilidade associada à endometriose não é
apoiado por estudos atuais. O manejo cirúrgico
da infertilidade pode ser eficaz quando a anato-
mia pélvica é distorcida devido à endometriose.
O uso de estratégias de superovulação e fertili -
zação in vitro tem se mostrado eficaz na supera-
ção da infertilidade associada à endometriose
(SAUNDERS & HORNE, 2021).
A hiperestimulação ovariana controlada
com inseminação intrauterina é recomendada na
endometriose em estágio inicial e corrigida ci -
rurgicamente. A cirurgia combinada com trata -
mento análogo de Hormônio liberador de gona-
dotrofina (GnRH) tem sido proposta como tera-
pia de primeira linha, seguida de FIV como te -
rapia de segunda linha em casos avançados. En-
saios clínicos randomizados mais rigorosa -
mente delineados com foco nos aspectos endo -
crinológicos, imunológicos e genéticos da endo-
metriose são necessários para refinar as conclu-
sões sobre a etiopatogenia e as inovações tera -
pêuticas dessa doença desconcertante (OZKAN
& ARICI 2009).
O tratamento da endometriose tem se apre -
sentado como um desafio para os profissionais
da saúde, pois como não se sabe ao certo a sua
causa, torna-se mais difícil escolher a melhor in-
tervenção terapêutica. Portanto, o tratamento
deve ser individualizado e levar em considera -
ção qual é o objetivo do tratamento: aliviar a dor
e outros sintomas relacionados à endometriose;
bloquear a progressão da doença; restaurar a fer-
tilidade nas pacientes que desejam gestar ou
preservar a função reprodutiva nas que ainda
não querem engravidar. Os tratamentos mais di-
fundidos, atualmente são os medicamentosos,
os cirúrgicos ou a combinação de ambos. O tra-
tamento farmacológico, tem como objetivo leva
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a uma estabilização ou regressão das lesões, in-
cluindo o uso de progestágenos, os anticoncep -
cionais orais combinados, os análogos do GnRH
e o danazol. Entretanto, como mostram diversos
estudos os dados relacionados à sua eficácia
ainda são bastante conflitantes, a taxa de recor -
rência dos sintomas é alta após a parada do tra -
tamento clínico e o manejo mais definitivo
dessa doença normalmente necessita de um tra-
tamento cirúrgico. O tratamento cirúrgico pode
ser feito com laparotomia ou laparoscopia (ou
videolaparoscopia). Os implantes de endometri-
ose são destruídos por coagulação a laser, vapo-
rização de alta frequência ou bisturi elétrico. O
tratamento cirúrgico pode ser conservador ou
radical, sendo que o conservador é que res -
guarda a fertilidade e o radical é aquele que re -
aliza histerectomia e salpingo-oforectomia bila-
teral. Alguns estudos evidenciam uma redução
da sintomatologia da doença após o tratamento
conservador em até 80% dos casos (DA CON -
CEIÇÃO et al., 2019).
A prevalência da endometriose é bastante
elevada, especialmente em pacientes portadoras
de infertilidade e dor pélvica crônica. O impacto
bio-psicossocial desta doença intrigante e enig -
mática é elevado, tanto em nível individual,
como de saúde pública. O tratamento sempre
deve ser individualizado, considerando não só
as evidências existentes em relação à eficácia
dos diferentes regimes terapêuticos, como as de-
mais variáveis determinantes do sucesso tera -
pêutico. Em última instância, deve -se buscar a
promoção da melhoria global na qualidade de
vida das pacientes. É importante ressaltar que a
controvérsia sobre o tratamento da endometri -
ose e seus sintomas são inúmeras, especial -
mente aquelas relacionadas com infertilidade
associada a esta doença (NAVARRO et al.,
2006).
O tratamento cirúrgico pode ser dividido em
duas categorias, conservador ou radical, sendo o
conservador o que preserva a fertilidade da pa -
ciente e o radical aquele que leva à histerecto -
mia e à salpingooforectomia bilateral. Este é er-
roneamente considerado como tratamento defi -
nitivo para endometriose, pois cursa com taxas
de recidiva da dor pélvica crônica em até 10%
dos casos. Por esta razão, parece impróprio con-
siderá-lo definitivo. Contudo, caso a histerecto-
mia e a salpingooforectomia bilateral ten ham
sido realizadas em pacientes jovens, reco -
menda-se prescrever terapia de reposição hor -
monal, cujo melhor regime ainda não está bem
estabelecido. Desta forma, deve -se individuali-
zar a prescrição, considerando a relação risco -
benefício da terapia de reposição hormonal para
cada caso particular (NAVARRO et al., 2006).
Em pacientes com endometriose mínima ou
leve a supressão da função ovariana não é efe -
tiva para melhorar a fertilidade, mas a ablação
das lesões associadas à adesiólise parece ser
mais efetiva do que a realização exclusiva da la-
paroscopia diagnóstica. Não há evidências sufi-
cientes para determinar se a excisão cirúrgica
em casos de doença moderada ou severa melho-
raria as taxas de gestação. A fertilização in vitro
parece ser uma abordagem adequada, especial -
mente nos casos de coexistência de fatores de
infertilidade e/ou falha de outras abordagens te-
rapêuticas. Deve -se avaliar a possibilidade de
usar agonistas do GnRH por 3 a 6 meses, previ-
amente à realização de fertilização in vitro. Em
relação ao alívio da dor, verifica -se que a su -
pressão da função ovariana por 3 a 6 meses em
pacientes com doença confirmada laparoscopi -
camente reduz a dor associada à endometriose.
Todas as medicações estudadas parecem apre -
sentar eficácia similar, embora os efeitos adver-
sos e de os custos sejam diferentes. A ablação
das lesões endometrióticas reduz a dor associ -
ada à endometriose, sendo menos efetiva nos ca-
sos de doença mínima. A exérese de endometri-
omas com diâmetro > 4 cm parece melhorar a
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taxa de fecundidade natural e após procedimen-
tos de reprodução assistida, além de reduzir a
dor e os riscos de recidiva (NAVARRO et al.,
2006).
No entanto, é de extrema importância ressal-
tar que ainda existem muitas controvérsias e de-
verão ser revistas à medida que estudos clínicos
randomizados, controlados e com casuística
adequada gerarem evidências mais concretas e
confiáveis.
Em relação aos endometriomas estudos re -
centes, para determinar a técnica cirúrgica mais
efetiva no tratamento de endometriomas, abla -
ção ou exérese da cápsula, avaliou dois estudos
randomizados sobre o manejo laparoscópico de
endometriomas com diâmetro > 3 cm. Dois
RCT foram incluídos na análise. Os resultados
demonstraram que a exérese laparoscópica da
cápsula estava associada à diminu ição tanto na
taxa de recorrência do endometrioma (OR =
0,41; IC95% = 0,18-0,93) como na necessidade
de reintervenção (OR = 0,21; IC95% = 0,05 -
0,79), além do aumento na taxa de gravidez es -
pontânea (avaliada 12 a 24 meses após a abor -
dagem cirúrgica) em mulheres com subfertili -
dade documentada (OR = 5,21; IC95% = 2,04 -
13,29)19. Independentemente da técnica cirúr -
gica utilizada, recomenda-se enviar para análise
anatomopatológica parte da cápsula do endome-
trioma para confirmar o diagnóstico clínico e
excluir a presença de malignidade (risco esti -
mado de malignização de 0,7%) (NAVARRO et
al., 2006).
Diagnóstico
A endometriose é uma doença benigna com
uma grande variedade de manifestações e sinto-
mas, que afeta principalmente mulheres em
idade fértil e, em alguns casos, tem um impacto
fundamental e permanente na sua qualidade de
vida. Embora a gênese ainda não esteja clara,
apesar de uma grande variedade de modelos ex-
plicativos, sabemos que a doença pode ter um
caráter progressivo e que o diagnóstico não ra -
ramente é feito tardiamente, o que pode ter con-
sequências devastadoras para a mulher. O me -
canismo subjacente a esse problema é multifa -
torial, mas o fator mais provável é a crença per-
sistente de que o diagnóstico só pode ser feito
por cirurgia ( KECKSTEIN & HOOPMANN,
2023).
O que se verifica é que há uma demora no
diagnóstico desta patologia, acarretando depre -
ciação na qualidade de vida e agravos importan-
tes e até irreversíveis na saúde da paciente (PES-
SANHA et al., 2015).
Estudos prospectivos demonstraram que
mulheres com endometriose são subdiagnosti-
cadas pela mesma tendo uma grande diversi -
dade em sua manifestação e por não ter um
exame específico para seu diagnóstico. Entre -
tanto, alguns pesquisadores consideram para di-
agnóstico padrão -ouro a laparoscopia, pela
mesma ser assertiva em estabelecer o diagnós -
tico tanto em adolescentes quanto em adultos,
pois permite dimensionar e analisar de forma
correta a posição dos focos da patologia, ge -
rando maior confiabilidade e diagnóstico asser-
tivo para o paciente. Também é lançada mão do
exame de ultrassonografia transvaginal e da res-
sonância magnética nuclear da pelve, mostrando
os locais da doença avançada e infiltrativa.
Um dos biomarcadores utilizados é o CA -
125, porém não é sensível nem específico sufi -
ciente para utilizar na triagem da doença, sendo
assim utilizado apenas para acompanhamento.
As últimas pesquisas estão buscando um bio -
marcador não invasivo, uma das opções são
marcadores inflamatórios, já que a patologia
tem como marca a inflamação. Foi descoberto
que IL-6, IL-10, IL-13 e TNF -α são altamente
expressos no líquido peritoneal de pacientes
com endometriose. Com essa base, esses fatores
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inflamatórios (IL-6, IL-10, IL-13 e TNF-α) po-
dem ser usados como índices de referência es -
senciais para o diagnóstico de endometriose
complicada com infertilidade (RASHEED et
al., 2020).
Os estudos avaliaram biomarcadores endo -
metriais em fases específicas do ciclo menstrual
ou fora dele, e os estudos testaram os biomarca-
dores no fluido menstrual, em todo o tecido en-
dometrial ou em componentes endometriais se -
parados. Vinte e sete estudos avaliaram o de -
sempenho diagnóstico de 22 biomarcadores en-
dometriais para endometriose. Estes foram an -
giogênese e fatores de crescimento (PROK‐1),
moléculas de adesão celular (integrinas α3β1,
α4β1, β1 e α6), moléculas de reparo de DNA
(hTERT), proteoma endometrial e mitocondrial,
marcadores hormonais (CYP19, 17βHSD2, ER‐
α, ER‐β), marcadores inflamatórios (IL‐1R2),
marcadores miogênicos (caldesmon, CALD‐1),
marcadores neurais (PGP 9.5, VIP, CGRP, SP,
NPY, NF) e marcadores tumorais (CA‐125). A
maioria desses biomarcadores foi avaliada em
estudos únicos, enquanto apenas dados para
PGP 9.5 e CYP19 estavam disponíveis para me-
tanálise. Esses dois biomarcadores demonstra -
ram diversidade significativa para as estimati -
vas diagnósticas entre os estudos; no entanto, os
dados eram muito limitados para determinar de
forma confiável as fontes de heterogeneidade.
As sensibilidades e especificidades médias do
PGP 9,5 (7 estudos, 361 mulheres) foram 0,96
(intervalo de confiança (IC) 95% 0,91 a 1,00) e
0,86 (IC 95% 0,70 a 1,00), após a exclusão de
um estudo outlier, e para o CYP19 (8 estudos,
444 mulheres), foram 0,77 (IC 95% 0,70 a 0,85)
e 0,74 (IC 95% 0,65 a 84), respectivamente. Não
foi possível avaliar estatisticamente outros bio -
marcadores de forma significativa. Ou tros 31
estudos avaliaram 77 biomarcadores que não
mostraram evidências de diferenças nos níveis
de expressão entre os grupos de mulheres com e
sem endometriose (GUPTA et al., 2016).
Embora o diagnóstico definitivo de endo -
metriose necessite de intervenção cirúrgica,
principalmente por laparoscopia, muitos acha -
dos obtidos por exame físico e exames de ima -
gem e laboratoriais podem predizer, com alto
grau de confiabilidade, que a paciente é porta -
dora de endometriose (NÁCUL & SPRITZER,
2010).
No desenvolvimento de biomarcadores para
endometriose, a urina é significativamente me -
nos direcionada em relação ao sangue. E apenas
11% dos biomarcadores de endometriose foram
relatados com base na urina desde 2010.Os re -
sultados mostraram que três biomarcadores
(enolase não-neuronal, proteína ligadora de vi -
tamina D, e perfil peptídico urinário) pode dis -
tinguir melhor mulheres com ou sem endome -
triose enquanto a citoqueratina 19 não apresen -
taram diferença significativa. Em geral, nenhum
dos biomarcadores urinários mencionados
acima preencheu os critérios para um teste de
substituição ou um teste de triagem, embora vá-
rios biomarcadores urinários possam ter poten -
cial diagnóstico e uma avaliação mais aprofun -
dada ainda se ja necessária antes da introdução
da prática clínica de rotina (TIAN et al., 2020).
O problema com a maioria dos potenciais
candidatos a biomarcadores é que eles têm alta
precisão apenas em casos de doença grave. Por-
tanto, é necessário examinar outros potenciais
biomarcadores mais de perto. Associações entre
saúde microbiana do trato gastrointestinal e ge -
nital e endometriose têm sido identificadas. Por
exemplo, a síndrome do intestino irritável é
mais comum em mulheres com endometriose, e
o desequilíbrio hormonal tem um impacto nega-
tivo no microbioma do trato genital e do sistema
gastrointestinal. Um interrogatório mais apro -
fundado dessas associações pode ter potencial
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significado diagnóstico e pode identificar novos
caminhos terapêuticos (KOVÁCS et al., 2021).
O atraso no diagnóstico da endometriose
pode ser justificado por diversos fatores entre
eles a inespecificidade do quadro clínico, po -
dendo seus sintomas ser confundidos com os de
outras enfermidades tais como infecções pélvi -
cas, miomatose uterina, afecções urológicas e
gastrointestinais. Em casos de infertilidade o
atraso é de cerca de três anos, porém nos casos
de dor pélvica pode chegar a 12 anos, podendo
ser, ainda maior, quando os sintomas começam
na adolescência (DA CONC EIÇÃO et al .,
2019).
Tendo em vista que a endometriose é uma
doença causada por fatores genéticos e ambien-
tais, diversas tecnologias emergentes trouxeram
os fatores de risco genéticos para o foco das pes-
quisas. O surgimento de estudos de associação
genômica ampla torna possível detectar poli -
morfismos de nucleotídeo único que estão inti -
mamente relacionados ao alto risco de uma de -
terminada doença ou condição. Polimorfismos
de nucleotídeo único em seis regiões genômicas
foram identificados como possivelmente envol-
vidos na fi siopatologia da endometriose. Outra
técnica que merece destaque são os miRNAs, ou
seja, pequenos RNAs não codificantes que re -
primem a tradução, regulando assim o grau de
expressão gênica. Estudos sugeriram que a des-
regulação de miRNA pode estar envolvida na fi-
siopatologia da endometriose. Os RNAs circu -
lares são diferencialmente expressos entre endo-
métrio eutópico e normal, mas hoje em dia não
há RNA não codificante que possa ser usado
como biomarcadores confiáveis para endome -
triose, independentemente de ser único ou em
painel. No entanto, com o progresso contínuo
das tecnologias experimentais, haverá tecnolo -
gias emergentes mais promissoras para tentar -
mos explorar no futuro. Apesar de décadas de
pesquisa, ainda existem grandes desafios no di-
agnóstico e tratamento da endometriose. Uma
ampla gama de fatores, incluindo hormônios, ci-
tocinas, glicoproteínas, fatores angiogênicos,
moléculas do citoesqueleto, marcadores de cres-
cimento nervoso, marcadores de estresse oxida-
tivo, marcadores tumorais, etc., tem sido exten-
sivamente estudada, mas nenhum deles pode
identificar isoladamente ou com precisão a do -
ença com sucesso. Um painel de biomarcadores
ou uma combinação de diferentes métodos diag-
nósticos não invasivos provavelmente será um
alvo promissor para o diagnóstico de endome -
triose. A pesquisa sobre biomarcadores ainda é
aberta e valiosa, e futuros novos métodos de bi-
ologia molecular e bioinformática podem trazer
o início da solução deste problema (TIAN et al.,
2020).
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