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PONTOS-CHAVE
• A infertilidade associada à endometriose é multifatorial e heterogênea. Seu impacto se estende por todo
o continuum reprodutivo, influenciando o potencial de fertilidade, o curso da gravidez e os resultados
obstétricos.
• O diagnóstico deve se basear em uma avaliação clínica estruturada e exames de imagem realizados por
especialistas, com a ultrassonografia transvaginal como ferramenta de primeira linha e o uso seletivo da
ressonância magnética.
• O uso da laparoscopia diagnóstica de rotina não é indicado em mulheres inférteis assintomáticas com
exames de imagem normais.
• A endometriose pode prejudicar a fertilidade por meio de mecanismos inflamatórios, oxidativos, anatômicos,
ovarianos e endometriais, que muitas vezes atuam de modo concomitante.
• Endometriomas ovarianos e cirurgia ovariana estão associados à redução da reserva ovariana.
• O tratamento medicamentoso hormonal não melhora os resultados da fertilidade natural.
• Apesar da cirurgia beneficiar determinadas mulheres, é necessário avaliar o ganho reprodutivo em relação
ao risco de danos ovarianos.
RECOMENDAÇÕES
• O manejo da infertilidade associada à endometriose deve ser individualizado e baseado em uma avaliação
integrada da idade da mulher, duração da infertilidade, reserva ovariana, fenótipo da doença, presença de
outros fatores relacionados à infertilidade (como fatores masculinos ou tubários), intensidade dos sintomas,
tratamentos prévios e objetivos reprodutivos da paciente.
• O diagnóstico deve ser baseado em uma abordagem clínica e de imagem estruturada, com ultrassonografia
transvaginal como modalidade de primeira linha, reservando a laparoscopia para casos de tratamento
cirúrgico planejado ou sintomas persistentes, apesar da avaliação não invasiva.
• O tratamento medicamentoso hormonal não deve ser prescrito com o objetivo de melhorar os resultados de
fertilidade em mulheres que desejam engravidar, pois não aumenta as taxas de concepção e pode retardar o
tempo para a gravidez.
• Quando a cirurgia for indicada, o manejo laparoscópico deve priorizar a excisão completa das lesões
endometrióticas superficiais, visto que as abordagens ablativas ou puramente diagnósticas não são mais
consideradas tratamento padrão.
• A excisão cirúrgica de endometriomas ovarianos não deve ser realizada rotineiramente antes de técnicas de
reprodução assistida, devendo ser utilizada em indicações bem definidas, como dor significativa, suspeita de
malignidade, crescimento rápido do cisto ou barreiras técnicas à coleta de oócitos.
FEBRASGO POSITION STATEMENT
Diagnóstico e manejo da
infertilidade associada à
endometriose
Número 4 – 2026
As Comissões Nacionais Especializadas em Reprodução Assistida e em Endometriose da Federação Brasileira
de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) referendam este documento. A produção do conteúdo é baseada em
evidências científicas sobre a temática proposta, e os resultados apresentados contribuem para a prática clínica.
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• As técnicas de reprodução assistida devem ser priorizadas em mulheres com infertilidade associada à
endometriose com 35 anos ou mais, que apresentem infertilidade prolongada, reserva ovariana diminuída,
doença avançada, infertilidade concomitante por fator masculino e/ou danos tubários, ou que não tenham
obtido sucesso em tratamentos cirúrgicos anteriores. O aconselhamento sobre preservação da fertilidade
deve ser oferecido a mulheres com risco reprodutivo aumentado, idealmente antes da cirurgia ovariana e
em faixas etárias mais jovens, para mitigar a perda prevista da reserva ovariana.
• O Índice de Fertilidade da Endometriose pode ser usado para orientar o aconselhamento pós-operatório
e o momento do encaminhamento para técnicas de reprodução assistida, mas as decisões clínicas devem
sempre integrar marcadores de reserva ovariana, histórico reprodutivo e preferências da paciente.
• Mulheres com endometriose devem receber aconselhamento abrangente e baseado em evidências sobre
as perspectivas de fertilidade e os potenciais riscos relacionados à gravidez, particularmente em fenótipos
graves da doença e quando houver presença de adenomiose, garantindo uma perspectiva integrada de
saúde reprodutiva e obstétrica.
CONTEXTO CLÍNICO
A endometriose é uma condição inflamatória crônica
fortemente associada à infertilidade que afeta mulhe-
res em idade reprodutiva. (1,2) Também está associada
a muitas disfunções reprodutivas, incluindo prejuízos
à foliculogênese e à qualidade oocitária, alterações
na função tubária, além de redução da receptivida -
de endometrial e da reserva ovariana resultantes de
mecanismos relacionados à doença e/ou à cirurgia
ovariana prévia.(2-4) Apesar do impacto nos resultados
reprodutivos, a endometriose ainda é subdiagnostica -
da e tratada de forma inconsistente com frequência,
especialmente em mulheres submetidas à avaliação
de infertilidade.(1,2)
A relação entre endometriose e infertilidade é com-
plexa e multifatorial. A inflamação pélvica, a distorção
anatômica, o estresse oxidativo folicular, os endo -
metriomas ovarianos e as alterações moleculares no
endométrio eutópico podem coexistir e afetar a fe -
cundidade de forma variável, o que explica a dispari -
dade interindividual nos desfechos reprodutivos.(3,4) Os
avanços em exames de imagem, cirurgia minimamente
invasiva e tecnologias de reprodução assistida (TRA)
mudaram a abordagem da infertilidade associada à
endometriose na prática clínica. Ao mesmo tempo, a
crescente conscientização sobre os potenciais danos
associados a cirurgias ovarianas desnecessárias ou re-
petidas reforçou a importância de estratégias de ma -
nejo cautelosas e individualizadas.(4,5)
As diretrizes internacionais atuais, particularmente
as da European Society of Human Reproduction and
Embriology (ESHRE), enfatizam que o manejo da infer-
tilidade associada à endometriose não deve se basear
apenas no estágio da doença. As decisões de trata -
mento demandam uma avaliação integrada, incluindo
idade, duração da infertilidade, reserva ovariana, fenó-
tipo da doença, intensidade dos sintomas, presença de
outros fatores relacionados com a infertilidade e trata-
mentos anteriores.(5) As TRAs, especialmente a fertiliza-
ção in vitro (FIV), desempenham um papel central em
muitos cenários clínicos. A cirurgia deve ser reservada
para indicações bem definidas, como o controle dos sin-
tomas ou barreiras técnicas à reprodução assistida.(3-5)
A comparação das principais recomendações de so -
ciedades internacionais sobre o diagnóstico e o trata -
mento da infertilidade associada à endometriose é
apresentada no quadro 1.
O objetivo deste posicionamento oficial da Febrasgo
é revisar criticamente e sintetizar as melhores evi -
dências disponíveis sobre o diagnóstico e o manejo
da infertilidade associada à endometriose. Ao inte -
grar dados de revisões sistemáticas, ensaios clínicos
randomizados e diretrizes internacionais, este docu -
mento fornece recomendações práticas e baseadas
em evidências para apoiar a tomada de decisões in -
dividualizadas e centradas na paciente, minimizando
o sobretratamento e evitando atrasos injustificados no
cuidado voltado para a fertilidade.
QUAL O IMPACTO DA ENDOMETRIOSE
NA FERTILIDADE FEMININA?
A endometriose afeta a fertilidade feminina por meio
de diversos mecanismos que frequentemente coexis -
tem e interferem na ovulação, fertilização, desenvol -
vimento embrionário e implantação, contribuindo de
forma variável e relativa conforme o fenótipo da doen-
ça e o contexto reprodutivo individual.(2-4,6)
A distorção anatômica desempenha um papel re -
levante em casos moderados e graves da doença. A
inflamação crônica promove a formação de fibrose e
aderências, levando à redução da motilidade tubária,
à alteração na captura de oócitos e à diminuição do
transporte de gametas. Os endometriomas ovarianos
podem afetar ainda mais a anatomia tubo-ovariana
e contribuir para a infertilidade mecânica, particular -
mente em estágios avançados da doença.(3,6)
Na endometriose mínima e leve, a infertilidade é
mediada predominantemente por um ambiente peri -
toneal pró-inflamatório, e não por fatores mecânicos.
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Diagnóstico e manejo da infertilidade associada à endometriose
O aumento das concentrações de macrófagos ativados,
prostaglandinas e citocinas inflamatórias afeta negati-
vamente a função espermática, a fertilização e o desen-
volvimento embrionário inicial, mesmo na ausência de
distorção anatômica evidente.(3,7) Além disso, o estresse
oxidativo associado a alterações nos microambientes
peritoneal, sérico e/ou folicular pode prejudicar ainda
mais a qualidade dos oócitos.(8)
A função ovariana é frequentemente comprometi -
da, especialmente em mulheres com endometriomas
ovarianos. O microambiente do endometrioma é ca -
racterizado por estresse oxidativo, sobrecarga de fer -
ro e disfunção mitocondrial, que danificam as células
da granulosa e os oócitos, resultando em redução da
competência oocitária e comprometimento do de -
senvolvimento embrionário. Clinicamente, esses me -
canismos se refletem em níveis mais baixos de hor -
mônio antimülleriano (AMH) e redução na contagem
de folículos antrais, indicando diminuição da reserva
ovariana.(7,9,10)
O tratamento cirúrgico de endometriomas pode
agravar ainda mais o dano ovariano. Revisões sistemá-
ticas e metanálises apresentam evidências robustas de
uma queda significativa nos níveis de AMH no pós-ope-
ratório, com impacto acentuado em casos de doença
bilateral e em reintervenções cirúrgicas. Esses achados
destacam o risco iatrogênico associado à cirurgia ova-
riana e reforçam a necessidade de tomada de decisão
cautelosa e individualizada quando a preservação da
fertilidade for uma prioridade.(11)
A receptividade endometrial também pode estar al-
terada em mulheres com endometriose devido à resis-
tência à progesterona e à desregulação da sinalização
do estrogênio. Alterações moleculares no endométrio
eutópico prejudicam a decidualização e a interação
embrião-endométrio, contribuindo ainda mais para re-
duzir o potencial de implantação.(12)
Evidências de modelos de doação de óvulos cor -
roboram o papel central de fatores relacionados aos
óvulos na infertilidade associada à endometriose. As
taxas de implantação e gravidez são mais baixas quan-
do óvulos de mulheres com endometriose são trans -
feridos para receptoras sem a doença, enquanto re -
ceptoras com endometriose que recebem óvulos de
doadoras saudáveis alcançam resultados reprodutivos
comparáveis aos controles.(6)
A endometriose interfere na fertilidade feminina por
meio de mecanismos anatômicos, inflamatórios e mo-
leculares interligados que afetam múltiplos estágios
do processo reprodutivo. A contribuição relativa de
cada mecanismo varia entre os indivíduos, ressaltando
a necessidade de estratégias de manejo personaliza -
das para integrar a conduta expectante, cirurgia e TRA,
de acordo com o contexto clínico e os objetivos repro-
dutivos.(3,6,12)
COMO DEVE SER O DIAGN ÓSTICO DE
ENDOMETRIOSE EM MULHERES SUBMETIDAS
À AVALIAÇÃO DE INFERTILIDADE?
Na avaliação de infertilidade, a endometriose deve ser
considerada em mulheres que apresentam dor pélvica
associada ou naquelas cuja causa da infertilidade per-
manece indeterminada após a propedêutica padrão. As
Quadro 1. Posicionamento oficial das principais sociedades sobre a infertilidade associada à endometriose
ESHRE ASRM Posicionamento oficial da Febrasgo
Estratégia diagnóstica Diagnóstico baseado em
exames de imagem. A
laparoscopia é reservada para
casos selecionados.
A laparoscopia não é rotina
em casos de infertilidade
assintomática.
Abordagem clínica e por imagem
estruturada. Cirurgia apenas quando o
tratamento estiver planejado.
Tratamento médico
para fertilidade
Não é recomendado para
melhorar a fertilidade.
Não há evidências de
benefício para a fertilidade.
Não indicado para aumento da
fertilidade.
Cirurgia para doença
superficial
Pode melhorar a gravidez
espontânea.
Benefício em casos
selecionados.
Realizar tratamento cirúrgico quando a
laparoscopia estiver indicada.
Cirurgia para
endometrioma ovariano
Não é um procedimento de
rotina antes da reprodução
assistida.
Evitar cirurgia apenas para
melhorar os resultados das
TRA.
Indicação seletiva. Priorizar a
preservação da reserva ovariana.
Cirurgia para
endometriose profunda
Indicação baseada em
sintomas.
Cirurgia não deve ser
realizada para fertilidade
isoladamente.
Cirurgia para dor ou disfunção orgânica.
Para fertilidade, a reprodução assistida
é priorizada.
Papel da TRA Papel central em prognósticos
desfavoráveis.
FIV é preferível em casos de
doença avançada ou falha
cirúrgica.
Reprodução assistida precoce quando a
idade, a reserva ovariana ou a gravidade
da doença forem desfavoráveis.
Preservação da
fertilidade
Recomendada em casos
selecionados.
Considerar antes da cirurgia
ovariana.
Fortemente recomendada antes da
cirurgia ovariana em mulheres de alto
risco.
ESHRE: European Society of Human Reproduction and Embryology; ASRM: American Society for Reproductive Medicine; Febrasgo: Federação Brasileira das
Associações de Ginecologia e Obstetrícia; TRA: técnica de reprodução assistida; FIV: fertilização in vitro.
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evidências atuais apoiam uma abordagem diagnóstica
que prioriza a avaliação clínica e os exames de ima -
gem, reservando a confirmação cirúrgica para situa -
ções específicas.(2-5,13)
A suspeita clínica deve ser levantada em mulheres
inférteis que relatam dismenorreia progressiva ou com
pouca resposta a analgésicos, dispareunia profunda,
sintomas intestinais ou urinários cíclicos ou dor pélvi-
ca crônica. Embora esses sintomas sejam inespecíficos
quando considerados individualmente, sua associação
com a infertilidade aumenta a probabilidade de en -
dometriose subjacente. O exame físico pode revelar
sensibilidade uterossacral, nodularidade, redução da
mobilidade uterina ou massas anexiais sugestivas de
endometrioma. No entanto, um exame regular não ex-
clui a doença, particularmente se for do tipo mínima
ou superficial, e não deve atrasar a investigação adi -
cional quando houver suspeita clínica.(2-4,13)
A ultrassonografia transvaginal é recomendada
como método de imagem de primeira linha na inves -
tigação de mulheres inférteis com suspeita de endo -
metriose. O exame apresenta alta precisão diagnóstica
para endometriomas ovarianos e, quando realizado de
forma sistemática por operadores experientes, permi -
te a identificação confiável de focos de endometriose
profunda em compartimento posterior, intestino ou be-
xiga. O uso de protocolos de escaneamento padroniza-
dos melhora a detecção de doença profunda e auxilia
no planejamento do tratamento. Uma ultrassonografia
comum não exclui endometriose peritoneal superficial,
e os achados de imagem devem sempre ser interpreta-
dos em conjunto com a apresentação clínica.(4,5)
A ressonância magnética deve ser utilizada como
método complementar quando a ultrassonografia for
inconclusiva, na suspeita de endometriose profunda
ou extrapélvica, ou necessidade de avaliação anatômi-
ca pré-operatória detalhada. A ressonância magnéti -
ca oferece uma avaliação anatômica mais abrangente
e é particularmente útil para avaliar o envolvimento
intestinal, vesical, ureteral ou diafragmático, embora
sua sensibilidade para doença superficial permaneça
limitada.(5)
O papel da laparoscopia diagnóstica na avaliação
da infertilidade passou por substancial redefinição. As
atuais diretrizes da American Society for Reproductive
Medicine (ASRM) e da ESHRE não recomendam a lapa-
roscopia diagnóstica de rotina em mulheres inférteis
assintomáticas com exames de imagem normais, visto
que a detecção de doença mínima ou leve tem impac-
to limitado nos resultados reprodutivos e não justifica
o risco cirúrgico ou atraso no tratamento. A laparos -
copia deve ser reservada para mulheres com sinto -
mas persistentes, doença confirmada por imagem que
exija intervenção cirúrgica, ou quando a confirmação
histológica for relevante para as decisões de trata -
mento individualizadas. Quando realizada, a laparos -
copia deve ter caráter terapêutico, e não puramente
diagnóstico.(2,3,5,13)
Atualmente, nenhum biomarcador não invasivo
possui acurácia suficiente para substituir exames de
imagem ou cirurgia no diagnóstico de endometriose.
O CA 125 sérico apresenta baixa sensibilidade para
doença em estágio inicial e sobreposição significati -
va com outras condições benignas ou inflamatórias, o
que limita sua utilidade na avaliação da infertilidade.
Biomarcadores emergentes permanecem em fase de
investigação e não são recomendados para uso clínico
de rotina.(2,4)
O diagnóstico de endometriose em mulheres inférteis
deve seguir uma estratégia integrada e gradual, baseada
na suspeita clínica, em exames de imagem sistemáticos
e no uso seletivo da laparoscopia. Essa abordagem mini-
miza cirurgias desnecessárias, reduz o atraso no diagnós-
tico e permite o alinhamento oportuno das decisões de
tratamento com os objetivos reprodutivos, a gravidade da
doença e as preferências da paciente.
COMO DEVE SER A AVALIAÇÃO INICIAL
DAS MULHERES COM SUSPEITA OU
CONFIRMAÇÃO DE ENDOMETRIOSE NO
CONTEXTO DA INFERTILIDADE?
A avaliação inicial de mulheres com suspeita ou confir-
mação de endometriose que apresentam infertilidade
deve seguir uma abordagem estruturada e centrada no
casal, que integre o histórico reprodutivo, a avaliação
da reserva ovariana e da anatomia pélvica e a identi -
ficação de fatores femininos e masculinos coexisten -
tes que possam, de forma independente ou sinérgica,
prejudicar a fertilidade.(3,4,14,15) As diretrizes atuais enfa -
tizam que a infertilidade associada à endometriose é
multifatorial e a avaliação isolada da presença ou do
estágio da doença é insuficiente para aconselhamento
prognóstico ou planejamento do tratamento.(3,14)
Um histórico reprodutivo detalhado representa a
base da avaliação inicial e deve incluir a idade da mu-
lher, a duração da infertilidade, gestações anteriores e
tratamentos de fertilidade prévios.(14,15) A idade da mu -
lher é um determinante prognóstico dominante, visto
que o avanço da idade e a endometriose exercem efei-
tos negativos aditivos sobre a fecundidade, a reserva
ovariana e os resultados reprodutivos.(4,14) A duração da
infertilidade e o histórico de gestação anterior forne -
cem informações prognósticas adicionais e são incor -
porados em modelos preditivos validados, incluindo o
Índice de Fertilidade da Endometriose (EFI).(16)
A avaliação da reserva ovariana é um componente
crítico da investigação inicial. A dosagem do AMH e/ou
a contagem de folículos antrais são recomendadas para
todas as mulheres com endometriose com desejo de en-
gravidar, pois a associação entre a endometriose, parti-
cularmente endometriomas ovarianos, e a diminuição da
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Diagnóstico e manejo da infertilidade associada à endometriose
reserva ovariana é consistente.(3,14) Evidências de estudos
populacionais e metanálises demonstram que a reserva
ovariana pode estar reduzida, mesmo na ausência de
cirurgia ovariana prévia, ressaltando a importância da
avaliação e do aconselhamento precoces. Os marcadores
de reserva ovariana devem ser interpretados no contexto
da idade, do fenótipo da doença e do histórico cirúrgico,
além de orientar as discussões sobre o momento ideal
para o tratamento e as estratégias de preservação da fer-
tilidade, quando apropriado.(4,14)
A avaliação da anatomia pélvica e da permeabilida-
de tubária é essencial, pois a endometriose pode com-
prometer a fertilidade por meio de obstrução tubária,
aderências peritubárias e disfunção fimbrial. (3,15) A his-
terossalpingografia ou a histerossalpingossonografia
são exames de primeira linha, apropriados para ava -
liação tubária. A laparoscopia deve ser reservada para
mulheres com sintomas persistentes, doença confir -
mada por exames de imagem ou quando o tratamento
cirúrgico estiver planejado. A laparoscopia diagnóstica
de rotina, em mulheres inférteis assintomáticas e com
exames de imagem normais, não é recomendada pelas
principais sociedades.(14,15)
A avaliação uterina sistemática também deve ser re-
alizada, com atenção especial à frequente coexistência
de adenomiose, que pode, independentemente, preju-
dicar a implantação e os resultados reprodutivos. (3) A
ultrassonografia transvaginal é a modalidade de pri -
meira linha, reservando a ressonância magnética pél -
vica para casos duvidosos ou na necessidade de uma
avaliação anatômica detalhada.(15) A avaliação paralela
do parceiro masculino é obrigatória em todos os casais
com infertilidade associada à endometriose, visto que
a infertilidade por fator masculino é responsável por
uma proporção substancial de casos e pode influenciar
significativamente na escolha do tratamento e nos re-
sultados reprodutivos.(15) A análise do sêmen deve ser
obtida precocemente na avaliação, para evitar atrasos
desnecessários ou intervenções inadequadas voltadas
para a mulher.
Quando os achados cirúrgicos estiverem disponí -
veis, o estadiamento da doença e a avaliação prognós-
tica devem ser integrados à tomada de decisão clínica.
Embora a classificação revisada da ASRM forneça esta-
diamento anatômico, sua correlação com os resultados
de fertilidade é limitada.(3) O EFI é atualmente a ferra -
menta mais amplamente validada para prever a pro -
babilidade de concepção espontânea após a cirurgia
e pode orientar o aconselhamento pós-operatório e o
momento do encaminhamento para técnicas de repro-
dução assistida.(16)
A avaliação inicial deve sintetizar informações clí -
nicas, laboratoriais, de imagem e cirúrgicas (quando
disponíveis) para apoiar o aconselhamento individu -
alizado e o planejamento oportuno do tratamento.
Essa abordagem integrada permite que os médicos
equilibrem o potencial de concepção espontânea
com o fator tempo da fertilidade, particularmente em
mulheres com idade avançada ou reserva ovariana
comprometida.(4,14)
O TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
MELHORA OS RESULTADOS DE FERTILIDADE
EM MULHERES COM INFERTILIDADE
ASSOCIADA À ENDOMETRIOSE?
As evidências disponíveis mostram que o uso do trata-
mento medicamentoso isoladamente não melhora os
resultados de fertilidade. (2,3,5,17) Apesar da eficácia das
terapias hormonais para o controle da dor, seu meca -
nismo de ação baseia-se na supressão da ovulação e
da produção de estrogênio, o que inerentemente im -
pede a concepção durante o tratamento e pode atrasar
o tempo até a gravidez.(2,3)
Essa posição tem forte apoio de diretrizes interna -
cionais. A ASRM afirma não haver evidências de melho-
ra da fertilidade com o tratamento medicamentoso da
endometriose. Ensaios clínicos randomizados tampouco
mostram diferença nas taxas de gravidez ao analisar a
supressão hormonal e a conduta expectante em mu -
lheres que buscam a concepção.(3) Essas conclusões são
endossadas de forma consistente por revisões científi-
cas e documentos de consenso de especialistas.(2,17)
Evidências de alta qualidade provenientes de re -
visões sistemáticas também reforçam essa recomen -
dação. Uma revisão histórica da Cochrane que avaliou
a supressão da ovulação para infertilidade associada
à endometriose demonstrou que a terapia hormonal
não trouxe benefícios em comparação com placebo ou
nenhum tratamento para alcançar o desfecho da gravi-
dez, independentemente do agente utilizado, incluindo
danazol, progestinas, contraceptivos orais combinados
ou agonistas de GnRH. (18) Revisões subsequentes da
Cochrane confirmaram a falta de eficácia da terapia
medicamentosa para aumentar a fertilidade, em con -
traste com o benefício observado com o tratamento
cirúrgico em pacientes selecionadas.(17)
O papel da terapia medicamentosa torna-se mais
complexo no contexto das TRA. O pré-tratamento pro-
longado com agonistas de GnRH antes da FIV tem sido
explorado como estratégia para melhorar os resulta -
dos, impulsionado principalmente por estudos iniciais
que relataram taxas mais altas de gravidez clínica.(3) No
entanto, evidências mais recentes, incluindo análises
atualizadas da Cochrane e ensaios clínicos randomi -
zados, aumentaram a incerteza sobre seu impacto nas
taxas de nascidos vivos. Como a qualidade geral das
evidências foi classificada como baixa ou muito bai -
xa(19,20), o pré-tratamento hormonal de rotina antes da
FIV não é universalmente recomendado e deve ser con-
siderado seletivamente, particularmente em mulheres
com doença avançada ou falha prévia em TRA.(2,19)
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A supressão hormonal pós-operatória representa
outra área de debate clínico. Revisões sistemáticas e
metanálises mostram que as taxas gerais de gravidez
e de nascidos vivos não melhoram significativamente
com a terapia hormonal pós-operatória em mulheres
que buscam a concepção. (9,10) Embora as análises de
subgrupos sugiram um benefício modesto com o uso
de agonistas de GnRH por pelo menos três meses, essa
vantagem potencial deve ser cuidadosamente ponde -
rada em relação à perda de tempo reprodutivo, espe -
cialmente em mulheres com idade reprodutiva avança-
da ou com reserva ovariana diminuída.(21)
A terapia medicamentosa pode atrasar as tentativas
de concepção, uma preocupação relevante em mulhe-
res com a janela de oportunidade limitada da fertilida-
de. Como os tratamentos hormonais suprimem a ovula-
ção, esses atrasos podem afetar negativamente as taxas
cumulativas de gravidez.(2,15) Por esse motivo, as diretrizes
sólidas enfatizam que o manejo da endometriose foca-
do na fertilidade deve priorizar estratégias com benefício
reprodutivo comprovado, incluindo tratamento cirúrgico
em casos selecionados, indução da ovulação com inse-
minação intrauterina para doença mínima ou leve e FIV
como a opção mais eficaz para muitas pacientes.(2,3,15)
De modo geral, as evidências disponíveis apoiam a
conclusão de não utilizar o tratamento medicamentoso
como terapia primária para melhorar a fertilidade em
mulheres com endometriose. A supressão hormonal
desempenha um papel importante no controle da dor
e pode ter um papel limitado e individualizado como
terapia adjuvante em protocolos de TRA, mas não au -
menta a fecundidade natural e pode atrasar a concep-
ção quando a gravidez for o objetivo principal.(2,3,17)
QUAL O PAPEL DA CIRURGIA NO
TRATAMENTO DA INFERTILIDADE
ASSOCIADA À ENDOMETRIOSE?
A cirurgia tem um papel seletivo no tratamento da in -
fertilidade associada à endometriose e deve ser consi-
derada individualmente.(2-4) A indicação cirúrgica deve
ser guiada pelo fenótipo da doença, intensidade dos
sintomas, reserva ovariana, idade da paciente e obje -
tivos reprodutivos, e não apenas pela infertilidade de
forma isolada.(3,4,22)
As evidências mais robustas que apoiam a interven-
ção cirúrgica dizem respeito à endometriose peritoneal
mínima e leve. Ensaios clínicos randomizados e me -
tanálises da Cochrane demonstram que a excisão ou
ablação laparoscópica de lesões superficiais aumenta
significativamente as taxas de gravidez espontânea em
comparação com a laparoscopia diagnóstica isolada.
(22) Logo, ao realizar a laparoscopia em mulheres infér-
teis com suspeita de endometriose, deve-se priorizar o
tratamento cirúrgico em vez da exploração diagnóstica
isolada.(3,22)
Em casos de doença moderada e grave, as evidên -
cias provêm principalmente de estudos observacionais.
A cirurgia conservadora tem sido associada a melhores
taxas de concepção espontânea em comparação com
a conduta expectante, particularmente em mulheres
sem outros fatores de infertilidade. (3) No entanto, os
resultados de fertilidade após a cirurgia são hetero-
gêneos, e a ausência de ensaios clínicos randomizados
reforça a necessidade de uma seleção criteriosa das
pacientes.(2,3)
A endometriose infiltrativa profunda representa um
cenário particularmente complexo. Dados observacio -
nais sugerem que a cirurgia pode melhorar as taxas
de gravidez espontânea em mulheres sintomáticas. (23)
Contudo, estudos comparativos e metanálises indicam
que a cirurgia de primeira linha e as TRAs de primeira
linha alcançam taxas semelhantes de gravidez e nas -
cidos vivos em mulheres inférteis com endometriose
profunda.(24) Em pacientes assintomáticas com objetivo
principal de engravidar, a TRA pode ser preferida, re -
servando a cirurgia para mulheres com dor significati-
va ou disfunção orgânica.(4,23)
O manejo dos endometriomas ovarianos permane -
ce o aspecto mais controverso da tomada de decisão
cirúrgica. Evidências robustas demonstram que a cirur-
gia de endometrioma, particularmente a cistectomia,
está associada a uma redução significativa e sustenta-
da da reserva ovariana, refletida pela diminuição dos
níveis de AMH e da contagem de folículos antrais. (24,25)
Diversas revisões sistemáticas mostram que a remoção
cirúrgica de endometriomas não melhora os resulta -
dos da FIV e pode reduzir a produção de oócitos sem
aumentar as taxas de nascidos vivos.(25) Por outro lado,
a remoção cirúrgica de endometriomas pode melho -
rar as chances de concepção natural e ser considerada
em mulheres mais jovens com reserva ovariana pre -
servada, na ausência de associação com infertilidade
tubária ou por fator masculino, considerando as prefe-
rências da paciente e o acesso aos cuidados médicos.
As diretrizes internacionais recomendam que endo-
metriomas assintomáticos não sejam removidos roti -
neiramente antes da FIV, visto que a cirurgia não ofe -
rece benefícios reprodutivos e pode ser prejudicial.(3) A
intervenção cirúrgica pode ser considerada em casos
selecionados, como cistos grandes que comprometem
o acesso aos folículos, suspeita de malignidade ou dor
intensa, com aconselhamento completo sobre o im -
pacto potencial na reserva ovariana.(3,25)
A reintervenção cirúrgica deve ser abordada com
cautela, pois o dano ovariano cumulativo está bem
documentado. Evidências consistentes mostram que
a intervenção cirúrgica repetida raramente melhora a
fertilidade e está associada a danos ovarianos cumula-
tivos.(3) Quando a cirurgia inicial não consegue restau -
rar a fertilidade, a TRA geralmente é mais eficaz do que
repetir o procedimento.(3)
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Diagnóstico e manejo da infertilidade associada à endometriose
A cirurgia é uma estratégia importante, porém não
universal, na infertilidade associada à endometriose. O
tratamento laparoscópico da doença peritoneal super-
ficial melhora as taxas de gravidez espontânea e deve
ser realizado quando a laparoscopia estiver indicada.(22)
Em contraste, os endometriomas ovarianos e a endo -
metriose profunda requerem uma abordagem conser -
vadora e individualizada, priorizando a FIV quando a
fertilidade for o principal objetivo e os sintomas míni-
mos.(3,4,25) Ensaios randomizados em curso, incluindo o
estudo SVIDOE, deverão refinar ainda mais o papel da
cirurgia versus TRA neste contexto.(26)
COMO O ESTÁGIO DA DOENÇA, A INTENSIDADE
DOS SINTOMAS E A RESERVA OVARIANA
INFLUENCIAM A ESCOLHA DO TRATAMENTO?
O estágio da doença é um importante determinante
na escolha do tratamento em mulheres com infertili -
dade associada à endometriose, pois influencia tanto
o prognóstico quanto a probabilidade de concepção
espontânea. Em casos de doença mínima ou leve (es -
tágios I/II), a infertilidade está predominantemente
relacionada a mecanismos inflamatórios e funcionais,
e não a distorções anatômicas. Nesse contexto, a con-
duta expectante ou estratégias conservadoras costu -
mam ser apropriadas. As evidências disponíveis não
demonstram um benefício consistente do tratamento
cirúrgico da endometriose peritoneal superficial nas
taxas de gravidez espontânea. (2,3,15) A indução da ovu -
lação com inseminação intrauterina também pode ser
considerada em mulheres cuidadosamente seleciona-
das, com reserva ovariana preservada e sem outros fa-
tores de infertilidade.(3)
Em contrapartida, a doença moderada a grave (es -
tágios III/IV), caracterizada por endometriomas ova -
rianos, endometriose infiltrativa profunda ou extensas
aderências, está associada a uma probabilidade subs-
tancialmente menor de concepção espontânea. Nessas
pacientes, a distorção anatômica, a disfunção tubária
e a reserva ovariana comprometida frequentemente
justificam o encaminhamento imediato para TRA ou
uma abordagem combinada de cirurgia e TRA, quando
houver indicação clínica.(3,4,15) Logo, o estágio da doen -
ça desempenha um papel central no aconselhamento
prognóstico e na definição da intensidade e do mo -
mento da intervenção.
A intensidade dos sintomas é um fator chave na
priorização do tratamento. Embora a gravidade da dor
tenha baixa correlação com o estágio da doença, sin -
tomas como dismenorreia, dor pélvica crônica e dis -
pareunia têm forte influência na tomada de decisão
centrada na paciente. Nas mulheres com a dor como
queixa principal, é possível priorizar o tratamento me-
dicamentoso ou a cirurgia mesmo quando a fertilidade
for um objetivo concomitante. (2,5) Por outro lado, mu -
lheres inférteis assintomáticas podem, razoavelmente,
optar diretamente pela TRA, reservando a cirurgia para
casos de dor refratária ou com barreiras anatômicas à
concepção claramente definidas.(2,3)
O impacto funcional e a qualidade de vida refi -
nam ainda mais o manejo individualizado. Quando
os sintomas relacionados à doença interferem signi -
ficativamente nas atividades diárias, na saúde sexual
ou no bem-estar psicossocial, uma abordagem mais
abrangente pode ser necessária, incluindo tratamento
cirúrgico e cuidados multidisciplinares. (2,5) Os resulta -
dos relatados pelas pacientes complementam o es -
tadiamento anatômico e devem orientar a seleção do
tratamento.
A avaliação da reserva ovariana é fundamental para
a tomada de decisões reprodutivas. A dosagem do
AMH e a contagem de folículos antrais fornecem infor-
mações prognósticas essenciais, particularmente em
mulheres com endometriomas ovarianos ou cirurgia
ovariana prévia.(4,15) A diminuição da reserva ovariana
favorece o uso precoce de TRA e contraindica atrasos
desnecessários relacionados à conduta expectante
prolongada ou a reintervenções cirúrgicas.
A integração do estágio da doença, da intensidade
dos sintomas, do impacto funcional e da reserva ova -
riana permite um cuidado verdadeiramente individua-
lizado. Uma mulher jovem com doença em estágio I/II,
reserva ovariana preservada e sintomas mínimos pode
ser tratada de forma conservadora. Já uma mulher
mais velha com doença em estágio III/IV, sintomas sig-
nificativos e reserva ovariana reduzida tem maior pro-
babilidade de se beneficiar da TRA precoce, reservando
a cirurgia para o controle dos sintomas ou indicações
anatômicas específicas.(2-4,15) Essa abordagem integrada
reflete o consenso internacional atual e visa maximizar
os resultados reprodutivos, minimizando a morbidade
e a perda do potencial reprodutivo.
COMO TRATAR OS ENDOMETRIOMAS
OVARIANOS EM MULHERES QUE
PRETENDEM ENGRAVIDAR?
Os endometriomas ovarianos estão presentes em até
50% das mulheres com infertilidade associada à endo-
metriose, com forte associação a uma reserva ovariana
reduzida e potencial reprodutivo comprometido, o que se
reflete em níveis mais baixos de AMH e da contagem de
folículos antrais.(4,27,28) O diagnóstico é geralmente estabe-
lecido por ultrassom transvaginal, que oferece elevada
precisão diagnóstica e permite a avaliação longitudinal
do tamanho do cisto e da morfologia ovariana.(27,29) As de-
cisões de manejo devem integrar o estado de infertili-
dade, a gravidade dos sintomas, a reserva ovariana, as
características do cisto e os planos reprodutivos.
A conduta expectante é adequada para mulheres as-
sintomáticas que desejam engravidar, particularmente
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Silva Filho AL, Lamaita RM, Podgaec S, Quintairos RA, Navarro PA, Ferriani R
quando a reserva ovariana já está reduzida, o endo -
metrioma é pequeno e o acesso aos folículos duran -
te a TRA não está comprometido. (15,27,29) Essa estratégia
evita danos ovarianos iatrogênicos, preserva a reserva
ovariana existente e previne atrasos desnecessários no
tratamento de fertilidade. As diretrizes internacionais
preconizam a conduta expectante na ausência de dor,
características suspeitas nas imagens ou barreiras téc-
nicas à TRA.(3,27,29)
A intervenção cirúrgica deve ser reservada para
indicações claramente definidas, incluindo dor sig -
nificativa, cistos grandes (geralmente mais de 4 cm),
com suspeita de malignidade, crescimento rápido do
cisto ou impedimentos técnicos à aspiração de oóci -
tos.(27) As abordagens cirúrgicas disponíveis incluem a
cistectomia, técnicas ablativas ou métodos combina -
dos. Embora a cistectomia ofereça taxas de recorrência
mais baixas e um controle da dor superior, está asso -
ciada a um maior risco de perda da reserva ovariana
pós-operatória em comparação com as técnicas ablati-
vas.(28,30) As abordagens ablativas podem preservar me-
lhor o tecido ovariano, mas estão associadas a taxas de
recorrência mais elevadas. A escolha da técnica deve
ser individualizada, realizada por cirurgiões experien -
tes e precedida de aconselhamento detalhado sobre o
potencial impacto reprodutivo.(27,30)
Tanto a presença de um endometrioma como a sua
remoção cirúrgica podem afetar negativamente a re -
serva ovariana. Os endometriomas podem comprome-
ter a função ovariana através de inflamação crônica e
causar lesões no parênquima ovariano circundante,
enquanto a cirurgia, particularmente a cistectomia,
pode reduzir ainda mais a reserva ovariana, especial -
mente em casos de doença bilateral ou de repetição
de procedimentos.(25,27,28) A avaliação pré-operatória da
reserva ovariana é essencial, e as estratégias de pre -
servação da fertilidade devem ser discutidas caso a
mulher tenha risco adicional de perda da reserva.
Evidências atuais consistentes mostram que a exci -
são cirúrgica de rotina de endometriomas antes da FIV
ou da Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides
(ICSI) não melhora os resultados reprodutivos.
Metanálises e revisões sistemáticas demonstram taxas
comparáveis de nascidos vivos e de gravidez clínica
com ou sem cirurgia prévia, enquanto a cirurgia está
associada a níveis mais baixos de AMH e a uma me -
nor recuperação de oócitos.(25,30) A cirurgia não deve ser
realizada apenas para melhorar os resultados da TRA,
mas reservada para indicações clínicas selecionadas.
O tratamento dos endometriomas ovarianos em
mulheres que pretendem engravidar deve seguir uma
abordagem individualizada e multidisciplinar. A con -
duta expectante é a preferida para mulheres assin -
tomáticas que mantêm a possibilidade de recorrer à
TRA, enquanto a cirurgia é reservada para casos de dor,
suspeita de malignidade ou impedimentos técnicos.
Na indicação da cirurgia, as técnicas de preservação
do ovário e o aconselhamento sobre a preservação da
fertilidade são essenciais para minimizar os danos re -
produtivos.(5,27-30)
QUAL O PAPEL DA CIRURGIA PARA
ENDOMETRIOSE PROFUNDA EM
MULHERES INFÉRTEIS?
A cirurgia para endometriose infiltrativa profunda em
mulheres inférteis deve ser indicada principalmen -
te para o controle dos sintomas e a preservação da
função dos órgãos, e não para a melhora isolada dos
resultados de fertilidade. As diretrizes internacionais
da ESHRE, da American College of Obstetricians and
Gynecologists e da Sociedade Mundial de Endometriose
recomendam consistentemente que a intervenção ci -
rúrgica se restrinja às mulheres com dor intensa, com-
prometimento intestinal, ureteral ou vesical, disfunção
orgânica progressiva ou significativa distorção anatô -
mica impedindo o acesso à TRA.(2,3,31)
Em mulheres sintomáticas que desejam engravidar,
a excisão cirúrgica da endometriose profunda pode
resultar em concepção espontânea em um subgrupo
de pacientes cuidadosamente selecionadas. Estudos
observacionais e revisões sistemáticas sugerem que a
restauração da anatomia pélvica e a redução da carga
inflamatória podem melhorar o potencial de fertilidade
em mulheres com dor intensa ou doença obstrutiva.(32)
No entanto, faltam evidências robustas que apoiem a
cirurgia como intervenção para melhorar a fertilidade
em mulheres inférteis assintomáticas. Estudos compa-
rativos indicam que os resultados reprodutivos após
cirurgia de primeira linha ou reprodução assistida de
primeira linha são amplamente semelhantes nessa po-
pulação.(32,33)
Em mulheres assintomáticas com o objetivo prin -
cipal da concepção, a cirurgia não deve ser realizada
rotineiramente apenas para melhorar a fertilidade. O
tratamento cirúrgico da endometriose profunda está
associado a um risco não negligenciável de complica -
ções graves, aderências pós-operatórias e potenciais
efeitos adversos na reserva ovariana ou na função
pélvica, que podem superar os benefícios reproduti -
vos incertos.(2,33) Nesses casos, a preferência costuma
ser pelo encaminhamento direto para TRA, particular -
mente em mulheres com idade reprodutiva avançada,
reserva ovariana diminuída ou infertilidade por fator
masculino concomitante.
O tratamento da endometriose profunda exige uma
abordagem multidisciplinar em centros terciários es -
pecializados, dada a complexidade técnica da cirurgia
e o frequente envolvimento do intestino, do trato uri -
nário ou outros órgãos pélvicos. A colaboração com ci-
rurgiões colorretais, urológicos e, quando necessário,
torácicos, é essencial para minimizar a morbidade e
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Diagnóstico e manejo da infertilidade associada à endometriose
otimizar os resultados. (4,31) Os principais objetivos da
cirurgia são o alívio da dor, a preservação da função
dos órgãos e a melhora da qualidade de vida. As con -
siderações sobre fertilidade devem ser abordadas por
meio de tomada de decisão compartilhada, distinguin-
do claramente as indicações cirúrgicas baseadas em
sintomas dos objetivos do tratamento focados na fer -
tilidade.(33,34)
A cirurgia para endometriose infiltrativa profunda
em mulheres inférteis deve ser guiada pelos sinto -
mas, e não pela fertilidade. Embora a excisão cirúrgica
possa facilitar a concepção espontânea em pacientes
sintomáticas selecionadas, a TRA continua sendo o tra-
tamento de primeira linha preferencial para mulheres
assintomáticas. Ensaios clínicos randomizados em an-
damento, que comparam a cirurgia à reprodução assis-
tida, permitirão refinar a estratégia de manejo desses
casos. No entanto, as evidências atuais apoiam uma
abordagem individualizada e centrada na paciente,
que priorize a segurança, o controle dos sintomas e o
momento reprodutivo.
QUANDO PRIORIZAR AS TÉCNICAS DE
REPRODUÇÃO ASSISTIDA NA INFERTILIDADE
ASSOCIADA À ENDOMETRIOSE?
A infertilidade associada à endometriose é multifato -
rial e envolve mecanismos inflamatórios, tubários, ova-
rianos e endometriais que, em última análise, reduzem
a fecundidade. (2,15,35) As TRA devem ser consideradas
precocemente em mulheres com infertilidade associa-
da à endometriose que apresentem fatores prognósti-
cos adversos. Estes incluem idade igual ou superior a
35 anos, duração da infertilidade superior a dois anos,
reserva ovariana diminuída, doença avançada (estágio
III ou IV), infertilidade por fator masculino associada,
lesão tubária, falha em tratamento cirúrgico prévio ou
distorção anatômica pélvica significativa. (2,15,35) Nestes
contextos clínicos, a TRA representa a estratégia mais
eficaz para alcançar a gravidez e não deve ser des -
necessariamente adiada por conduta expectante ou
intervenções não benéficas. A quadro 2 descreve os
principais cenários clínicos em que as TRA devem ser
priorizadas em mulheres com infertilidade associada à
endometriose.
A figura 1 apresenta um fluxograma terapêutico ba-
seado nas diretrizes da Febrasgo, integrando o quadro
clínico, os fatores prognósticos e os achados anatômi-
cos para nortear a conduta voltada à fertilidade.(36)
A idade da mulher é um importante determinante
na escolha do tratamento. Após os 35 anos, a fecun -
didade diminui rapidamente, e os efeitos negativos da
endometriose e do envelhecimento reprodutivo pare -
cem ser progressivos, com redução nas taxas cumula -
tivas de nascidos vivos e aumento do risco de aborto
espontâneo.(3,15) Da mesma forma, a duração prolonga-
da da infertilidade está associada a uma probabilidade
progressivamente menor de concepção espontânea,
o que justifica o encaminhamento precoce para TRA
quando a infertilidade ultrapassa dois anos.(3,35)
A avaliação da reserva ovariana desempenha um
papel central na tomada de decisão. Mulheres com ní-
veis baixos de AMH ou contagem reduzida de folículos
antrais devem ser aconselhadas a iniciar precocemen-
te a TRA para maximizar o potencial reprodutivo an -
tes que ocorra maior redução da reserva ovariana. (35)
Endometriose avançada, cirurgia prévia sem sucesso
ou extensas aderências pélvicas justificam ainda mais
a priorização da TRA, visto que as taxas de gravidez es-
pontânea nesses cenários são baixas e a intervenção
cirúrgica pode acarretar riscos adicionais sem um claro
benefício em termos de fertilidade.(3,15,35)
O tratamento cirúrgico antes da TRA deve ser sele -
tivo, e não rotineiro. A cirurgia pode ser considerada
Quadro 2. Quando priorizar as técnicas de reprodução assistida na endometriose
Fator prognóstico Implicações clínicas Abordagem sugerida
Idade igual ou superior a 35 anos Fecundidade e qualidade dos oócitos reduzidas Encaminhamento precoce para
a TRA
Infertilidade há mais de 2 anos Menor probabilidade de concepção espontânea Evitar a conduta expectante
prolongada
Níveis baixos de AMH ou número reduzido de
folículos antrais
Janela de tempo reprodutiva limitada Priorizar a TRA
Doença em estágio III ou IV Distorção anatómica e reserva reduzida TRA é preferível à conduta
expectante
Fracasso cirúrgico anterior Baixa probabilidade de benefício com uma
nova cirurgia
TRA em vez de uma nova
cirurgia
Endometriose profunda sem dor Baixa probabilidade de a cirurgia melhorar a
fertilidade
TRA como estratégia de
primeira linha
Infertilidade por fator masculino Menor probabilidade de concepção espontânea TRA é indicada
Lesão tubária (bilateral ou unilateral grave) Transporte de gametas e fertilização prejudicadosTRA é preferível
TRA: técnica de reprodução assistida.
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Silva Filho AL, Lamaita RM, Podgaec S, Quintairos RA, Navarro PA, Ferriani R
em mulheres com dor intensa, endometriomas gran -
des que dificultam o acesso aos folículos ou barreiras
anatômicas significativas à coleta de oócitos. No en -
tanto, a endometriose em si e o tratamento cirúrgico,
particularmente a cirurgia ovariana, estão associados
a uma maior redução da reserva ovariana, e a cirurgia
pré-reprodução assistida de rotina não melhora as ta-
xas de nascidos vivos.(2,3) Consequentemente, a cirurgia
não deve ser realizada unicamente para melhorar os
resultados de fertilidade antes da TRA.
Os resultados da TRA em mulheres com endome -
triose mínima ou leve são geralmente comparáveis aos
observados em outras etiologias de infertilidade. Em
contraste, mulheres com doença avançada tendem a
apresentar menor produção de oócitos e taxas redu -
zidas de nascidos vivos, reforçando a importância do
aconselhamento individualizado e do encaminhamen-
to precoce para TRA nesse subgrupo. (3,35) Em casos se -
lecionados, uma abordagem combinada envolvendo
cirurgia guiada por sintomas seguida de TRA pode ser
apropriada. Particularmente na coexistência de dor e
infertilidade ou se a anatomia pélvica limitar a viabili-
dade da TRA.(35)
A TRA deve ser priorizada em mulheres com inferti -
lidade associada à endometriose de idade avançada,
que apresentem infertilidade prolongada, reserva ova-
riana diminuída, fator masculino e/ou tubário, doença
avançada ou falha em cirurgias anteriores. As decisões
de tratamento devem ser individualizadas, integrando
idade, reserva ovariana, gravidade da doença, inter -
venções prévias e preferências da paciente. As diretri -
zes atuais da ASRM e de outras sociedades importan -
tes apoiam o uso precoce de TRA em mulheres com
prognóstico reprodutivo desfavorável, em vez de adiar
o tratamento com estratégias ineficazes ou potencial -
mente prejudiciais.(2,3,15,35)
DE QUE FORMA AS FERRAMENTAS
PROGNÓSTICAS, COMO O ÍNDICE DE
FERTILIDADE DA ENDOMETRIOSE, PODEM
AUXILIAR NA TOMADA DE DECISÕES CLÍNICAS?
O EFI é uma ferramenta prognóstica validada, desen -
volvida para estimar a probabilidade de gravidez es -
pontânea e não resultante de TRA após o tratamento
cirúrgico da endometriose. Deve ser utilizado como um
auxílio complementar à tomada de decisões clínicas
individualizadas, e não como um preditor determinís -
tico do resultado reprodutivo.(16,37,38) O EFI integra variá-
veis históricas, incluindo idade da mulher, duração da
infertilidade e gravidez anterior, e achados intraopera-
tórios, principalmente o escore de menor função, que
reflete a função tubária e ovariana residual ao final da
cirurgia. O escore final varia de 0 a 10, sendo que va -
lores mais altos indicam um prognóstico reprodutivo
mais favorável.(16,37,38)
O EFI foi validado externamente em diversas popu -
lações com evidências consistentes de forte associa -
ção com o tempo até a concepção espontânea após a
cirurgia. Uma revisão sistemática e metanálise incluin-
do quase 4.600 mulheres relatou taxas cumulativas de
gravidez não decorrente de TRA em 36 meses, variando
de aproximadamente 10% para escores EFI de 0 a 2 a
quase 70% para escores de 9 a 10, com uma razão de
chances de aproximadamente 1,3 por aumento de um
ponto e desempenho discriminatório global moderado.
(16) Em todos os estudos, cada aumento de um ponto no
escore EFI está associado a um aumento clinicamente
INFERTILIDADE
Suspeita de endometriose
Endometrioma ovariano > 6 cm
Lesão em ureter, íleo, apêndice ou
retossigmoide (com sinais de
suboclusão)
Avaliar fatores prognósticos:
• Idade
• Tempo de infertilidade
• Reserva ovariana
• Outros fatores de infertilidade
Reprodução assistida.
Baixa ou alta complexidade
Dor pélvica
Não Sim
Sem gestação Bom prognóstico Mau prognóstico
Fertilização in vitro
Sem gestação
Tratamento cirúrgico
Figura 1. Fluxograma terapêutico para pacientes com suspeita clínica de infertilidade associada à endometriose
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Diagnóstico e manejo da infertilidade associada à endometriose
significativo na probabilidade de gravidez, reforçando
seu papel no aconselhamento de fertilidade pós-ope -
ratório.(38,39) Entre todos os componentes do EFI, o es -
core de menor função apresenta-se sistematicamente
como o preditor mais robusto dos desfechos de ferti -
lidade, o que reforça a relevância da preservação da
integridade tubo-ovariana.(16,38,39)
Na prática clínica, o EFI auxilia na estratificação de
mulheres em grupos prognósticos e orienta o momen-
to e a intensidade do tratamento de fertilidade após
a cirurgia. Mulheres com escores EFI elevados, geral -
mente 7 ou mais, têm uma probabilidade favorável
de concepção espontânea e podem tentar engravidar
naturalmente por 12 a 24 meses antes de serem enca-
minhadas para TRA. Em contrapartida, mulheres com
escores EFI baixos, tipicamente 4 ou menos, têm uma
probabilidade limitada de gravidez sem TRA e devem
ser encaminhadas precocemente para este procedi -
mento, evitando atrasos desnecessários que com -
prometam ainda mais os resultados reprodutivos. (40,41)
Estudos prospectivos e análises de custo-efetividade
sugerem que o manejo guiado pelo EFI melhora a alo-
cação de recursos de TRA, com o benefício relativo da
TRA aumentando à medida que os escores EFI dimi -
nuem.(40,41)
Embora originalmente concebido como um escore
pós-operatório, o EFI pode ser estimado no pré-ope -
ratório utilizando o histórico clínico e exames de ima -
gem, apesar de atualmente não existir uma versão não
cirúrgica totalmente validada. Isso amplia sua utilida -
de na tomada de decisão compartilhada antes da ci -
rurgia e apoia discussões sobre os papéis relativos da
intervenção cirúrgica, da conduta expectante e da TRA
em mulheres com infertilidade associada à endome -
triose.(37)
Apesar de seus pontos fortes, o EFI tem limitações
importantes. Sua precisão preditiva é moderada, e uma
proporção substancial da variabilidade dos resultados
de fertilidade é explicada por fatores não contempla -
dos na pontuação. (16,38) Existe alguma subjetividade,
particularmente na avaliação da pontuação de menor
função e marcadores de reserva ovariana, como AMH e
contagem de folículos antrais, não são incorporados,
embora influenciem o prognóstico independentemen-
te.(16,42) Além disso, o EFI é mais confiável para prever a
concepção espontânea do que os resultados da TRA,
e não deve ser usado de forma isolada para orientar
decisões complexas sobre fertilidade.(35,42)
O EFI supera o estadiamento rASRM isoladamente na
previsão dos resultados de fertilidade, mas seu maior
valor reside na integração com outras variáveis clínicas
importantes, incluindo idade, reserva ovariana, dura -
ção da infertilidade, intensidade dos sintomas e pre -
ferências da paciente.(35,38) Quando interpretado dentro
desse contexto clínico mais amplo, o EFI representa
uma ferramenta valiosa para apoiar o manejo indivi -
dualizado e centrado na paciente com endometriose.
QUANDO A PRESERVAÇÃO DA
FERTILIDADE DEVE SER DISCUTIDA EM
MULHERES COM ENDOMETRIOSE?
A preservação da fertilidade deve ser discutida em ca-
sos de mulheres com endometriose selecionadas, que
apresentam risco aumentado de perda futura do po -
tencial reprodutivo, particularmente antes de cirurgias
ovarianas planejadas, na presença de endometriomas
bilaterais ou recorrentes, em mulheres com reser -
va ovariana diminuída e naquelas diagnosticadas em
idade jovem que podem adiar a gravidez. (43-46) Essa es-
tratégia é apoiada por evidências consistentes em que
tanto a endometriose em si quanto seu tratamento
cirúrgico, especialmente a excisão de endometriomas
ovarianos, demonstram associação com uma redução
clinicamente relevante, e às vezes irreversível, da re -
serva ovariana, refletida pela diminuição dos níveis de
AMH e da contagem de folículos antrais.(44-46)
Diretrizes internacionais e consenso de especialis -
tas recomendam que o aconselhamento sobre preser-
vação da fertilidade ocorra, idealmente, antes de qual-
quer cirurgia ovariana, particularmente quando uma
cistectomia estiver planejada ou uma nova cirurgia
prevista.(43-46) Dentre as técnicas disponíveis, a criopre -
servação de óvulos é a opção mais consolidada e am -
plamente recomendada, pois não requer um parceiro
e oferece maior autonomia reprodutiva. A criopreser -
vação de embriões pode ser considerada em mulheres
com um parceiro estável, enquanto a criopreservação
de tecido ovariano permanece experimental no con -
texto da endometriose e deve ser reservada para casos
altamente selecionados.(43,46)
A preservação da fertilidade pode ser particular -
mente relevante em mulheres com fenótipos graves
da doença, incluindo endometriomas grandes, envol -
vimento ovariano bilateral, endometriose infiltrativa
profunda que requer cirurgia complexa ou histórico
de procedimentos ovarianos prévios, todos associa -
dos a danos ovarianos cumulativos.(44-47) Mulheres com
fatores de risco adicionais para insuficiência ovariana
prematura ou evidências de declínio rápido da reserva
ovariana também podem se beneficiar de aconselha -
mento individualizado.(47)
O momento da intervenção é um determinante
crítico da eficácia. Evidências consistentes mostram
que a preservação da fertilidade produz melhores
resultados quando realizada em idades mais jovens,
preferencialmente antes dos 35 anos, e antes da ci -
rurgia ovariana, visto que tanto a quantidade quanto
a qualidade dos oócitos diminuem com a idade, com
aumento do comprometimento por lesões ovarianas
cirúrgicas.(45,46,48) No entanto, a preservação da ferti -
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Silva Filho AL, Lamaita RM, Podgaec S, Quintairos RA, Navarro PA, Ferriani R
lidade não é universalmente indicada para todas as
mulheres com endometriose e não deve ser oferecida
indiscriminadamente. Em vez disso, deve ser individu -
alizada com base na idade, reserva ovariana, gravida -
de da doença, histórico cirúrgico, planos reprodutivos
e preferências da paciente. (48)
A preservação da fertilidade representa uma estra -
tégia proativa dentro do manejo mais amplo da infer -
tilidade associada à endometriose, visando mitigar a
perda prevista da reserva ovariana, em vez de tratar a
infertilidade já estabelecida. Seu papel complementa
as abordagens cirúrgicas e de reprodução assistida e
deve ser incorporado à tomada de decisão comparti -
lhada em mulheres com maior risco reprodutivo.
COMO A ENDOMETRIOSE AFETA OS
RESULTADOS REPRODUTIVOS E AS
COMPLICAÇÕES RELACIONADAS À GRAVIDEZ?
A endometriose está associada a uma redução clinica-
mente significativa do potencial reprodutivo em todo
o continuum reprodutivo. Mulheres com endometriose
apresentam menores taxas de concepção espontânea
e de nascidos vivos, além de maior probabilidade de
necessitarem de TRA para engravidar. As evidências
disponíveis sugerem que as taxas de nascidos vivos
podem ser reduzidas em aproximadamente 10 a 20%
em comparação com mulheres sem endometriose, re -
fletindo comprometimento da competência dos oóci -
tos, alteração da fertilização, redução da implantação
e disfunção endometrial.(5,49,50)
Não se deve aconselhar as pacientes a engravida -
rem unicamente com o objetivo de tratar a endome -
triose, visto que a gravidez nem sempre leva à melhora
dos sintomas ou à redução da progressão da doença.(5)
As lesões de endometriose podem sofrer alterações
na aparência durante a gravidez. Caso seja observado
um endometrioma atípico na ultrassonografia, reco -
menda-se o encaminhamento da paciente a um centro
especializado para avaliação.(5)
A perda gestacional também ocorre com mais fre -
quência em mulheres com endometriose. De acordo
com grandes estudos de coorte e revisões sistemá -
ticas, o risco de aborto espontâneo no primeiro tri -
mestre aumenta em aproximadamente 30% a 70% em
comparação com mulheres sem a doença. A diretriz
da ESHRE reconhece essa associação e recomenda
que os médicos estejam cientes do risco aumentado
de aborto espontâneo e gravidez ectópica em mulhe -
res com endometriose. (5,49,50)
Além do início da gravidez, a endometriose tem sido
consistentemente associada a um risco aumentado de
desfechos obstétricos adversos. Mulheres com endo -
metriose apresentam um risco 20 a 70% maior de parto
prematuro e um risco substancialmente aumentado de
placenta prévia. Outras complicações, incluindo distúr-
bios hipertensivos da gravidez, diabetes gestacional,
má apresentação fetal e parto cesáreo, também ocor -
rem com mais frequência, embora o aumento do risco
absoluto permaneça moderado.(5,49,51)
Desfechos neonatais adversos também são mais
comuns. Gestações afetadas por endometriose estão
associadas a maiores taxas de baixo peso ao nascer,
recém-nascidos pequenos para a idade gestacional,
internação em unidades de terapia intensiva neona -
tal e mortalidade perinatal. É importante ressaltar que
essas associações são observadas tanto em concep -
ções espontâneas quanto em concepções assistidas,
sugerindo que a própria endometriose contribui para
o risco obstétrico e neonatal, independentemente do
método de concepção.(5,50,51)
O fenótipo da doença influencia a magnitude do ris-
co. Mulheres com doença grave, endometriose infiltra-
tiva profunda ou adenomiose concomitante apresen -
tam consistentemente as maiores taxas de desfechos
reprodutivos e obstétricos adversos. Esses achados são
biologicamente plausíveis e acredita-se que estejam
relacionados à inflamação crônica, resistência à pro -
gesterona, decidualização prejudicada e placentação
anormal.(4,5,49)
As evidências atuais apoiam o reconhecimento da
endometriose como uma condição associada ao au -
mento do risco reprodutivo e obstétrico. De acordo
com as diretrizes da ESHRE, mulheres com endome -
triose devem receber aconselhamento adequado sobre
os potenciais riscos relacionados à gravidez. Embora a
intensificação rotineira da vigilância pré-natal não seja
universalmente recomendada, o acompanhamento
obstétrico individualizado pode ser considerado, par -
ticularmente em mulheres com fenótipos de doenças
graves ou fatores de risco adicionais.(5,49)
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS RISCOS
DO SOBRETRATAMENTO OU ATRASO
NO TRATAMENTO DA INFERTILIDADE
ASSOCIADA À ENDOMETRIOSE?
O manejo da infertilidade associada à endometriose
exige evitar duas estratégias opostas, porém igualmen-
te prejudiciais: o sobretratamento e o atraso injustifi -
cado no tratamento. O quadro 3 resume as principais
recomendações práticas e as armadilhas comuns no
manejo da fertilidade em mulheres com endometriose.
Essas recomendações refletem o consenso internacio-
nal atual e fundamentam os princípios descritos neste
posicionamento oficial.
O sobretratamento, particularmente sob a forma
de intervenção cirúrgica excessiva ou mal indicada,
representa uma grande ameaça à fertilidade futura. A
cirurgia ovariana, especialmente a excisão de endo -
metriomas, tem associação robusta com uma redução
significativa, e por vezes irreversível, da reserva ova -
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Diagnóstico e manejo da infertilidade associada à endometriose
riana, refletida pela diminuição dos níveis de AMH, da
contagem de folículos antrais e do número de oóci -
tos obtidos em TRA. (25,27) Além da perda direta de te -
cido ovariano funcional, a cirurgia pode induzir lesão
isquêmica, comprometimento vascular e aderências
pós-operatórias, prejudicando ainda mais o potencial
reprodutivo e aumentando a morbidade cirúrgica. (25,27)
Por esse motivo, as principais sociedades, incluindo a
ASRM, enfatizam que a conduta expectante ou o en -
caminhamento direto para TRA são preconizados em
mulheres assintomáticas ou com endometriomas pe -
quenos, particularmente quando a reserva ovariana já
estiver comprometida.(3,27)
Por outro lado, o tratamento tardio — especialmente
o adiamento da TRA em mulheres com idade avança -
da, infertilidade prolongada, reserva ovariana diminu -
ída ou doença em estágio avançado — acarreta risco
reprodutivo substancial. A endometriose é uma condi-
ção progressiva, e seu impacto negativo na fertilidade
é agravado pela diminuição da quantidade e qualida -
de dos oócitos relacionada à idade.(4,15) Nesses casos, a
conduta expectante prolongada ou intervenções repe-
tidas de baixa eficácia podem resultar em janelas de
oportunidade perdidas para a gestação e na redução
cumulativa das taxas de nascidos vivos. (15,25) Há sólido
consenso na literatura em favor do início precoce da
TRA em mulheres com doença avançada, baixa reser -
va ovariana ou cirurgia prévia sem sucesso, visto que
atrasos no tratamento podem prejudicar severamente
a probabilidade de sucesso.(15,25)
Além das consequências reprodutivas, o tratamento
tardio ou ineficaz pode permitir a progressão da doen-
ça, levando ao agravamento da dor, aumento da distor-
ção anatômica e maior complexidade cirúrgica caso a
intervenção seja necessária.(4,27) Assim, ambos os extre-
mos, cirurgia desnecessária e atraso injustificado, po -
dem afetar negativamente os resultados de fertilidade.
Portanto, o manejo ideal depende de uma tomada
de decisão individualizada e multidisciplinar, que inte-
gre a gravidade da doença, a intensidade dos sintomas,
a idade, a reserva ovariana, a duração da infertilidade,
os tratamentos prévios e as preferências da paciente.
A cirurgia deve ser reservada para indicações bem de-
finidas, como dor refratária ao tratamento clínico, dis-
função orgânica, suspeita de malignidade ou barreiras
técnicas à TRA. Quando os fatores prognósticos forem
desfavoráveis, a TRA deve ser iniciada prontamente.(3,25,27)
É fundamental realizar o aconselhamento precoce
acerca da preservação da fertilidade em mulheres sob
risco de perda progressiva da função ovariana.
O objetivo na infertilidade associada à endometrio-
se não é a intervenção máxima, mas sim o tratamento
oportuno e proporcional, equilibrando a preservação
da reserva ovariana com a prevenção de atrasos des -
necessários, a fim de otimizar os resultados reproduti-
vos e a qualidade de vida a longo prazo.
Quadro 3. O que fazer e o que não fazer no manejo da
infertilidade associada à endometriose
FAZER NÃO FAZER
Baseie a tomada de decisão
clínica em uma avaliação
integrada da idade, reserva
ovariana, fenótipo da doença,
intensidade dos sintomas,
duração da infertilidade,
infertilidade concomitante
por fator masculino e/ou
lesão tubária e objetivos
reprodutivos.
Não se baseie
exclusivamente no estágio
da doença para determinar
o prognóstico de fertilidade
ou a estratégia terapêutica.
Utilize a ultrassonografia
transvaginal como ferramenta
diagnóstica de primeira
linha, complementada por
ressonância magnética
quando houver suspeita
de doença profunda ou
complexa.
Não realize laparoscopia
diagnóstica de rotina
em mulheres inférteis
assintomáticas com exames
de imagem normais.
Incorpore marcadores de
reserva ovariana desde o
início do aconselhamento
para orientar a sequência
do tratamento e o momento
ideal para as TRA.
Não prescreva supressão
hormonal com a expectativa
de melhorar a fertilidade
natural ou como substituto
para um tratamento eficaz
centrado para a fertilidade.
Priorize as TRA em mulheres
com fatores prognósticos
desfavoráveis, incluindo
idade avançada, infertilidade
prolongada, reserva ovariana
diminuída ou doença
avançada.
Não remova endometriomas
ovarianos sistematicamente
antes da TRA na ausência de
dor, suspeita de malignidade
ou dificuldade técnica de
acesso ao folículo.
Reserve a intervenção
cirúrgica para indicações bem
definidas, como dor refratária
ao tratamento clínico,
disfunção orgânica, suspeita
de malignidade ou barreiras
técnicas à TRA.
Não atrase o encaminhamento
para reprodução assistida em
mulheres com idade avançada,
reserva ovariana reduzida
ou histórico de tratamento
cirúrgico sem sucesso.
Ofereça aconselhamento
sobre preservação da
fertilidade a mulheres com
risco de dano ovariano
cumulativo, principalmente
antes de cirurgias ovarianas
planejadas e antes dos 35
anos de idade.
Não repita a cirurgia
ovariana como estratégia
para melhorar a fertilidade
após falha cirúrgica prévia.
Aplique ferramentas
prognósticas, por exemplo
o EFI, como auxílio
complementar dentro
de uma estrutura clínica
individualizada mais ampla.
Não subestime o impacto
cumulativo da endometriose
e das intervenções cirúrgicas
na função ovariana a longo
prazo.
Garanta a tomada de
decisões compartilhada,
alinhando claramente as
estratégias terapêuticas com
as preferências da paciente e
as prioridades reprodutivas
sensíveis ao tempo.
Não busque a intervenção
máxima quando um
tratamento proporcional e
oportuno preservar melhor
o potencial reprodutivo e os
desfechos.
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Silva Filho AL, Lamaita RM, Podgaec S, Quintairos RA, Navarro PA, Ferriani R
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A endometriose é uma condição complexa e heterogê-
nea, com impacto negativo bem estabelecido na ferti -
lidade feminina. Seus efeitos são mediados por múl -
tiplos mecanismos, que incluem inflamação pélvica,
distorção anatômica, reserva ovariana comprometida,
qualidade oocitária prejudicada, receptividade endo -
metrial alterada e, em alguns casos, as consequências
do tratamento cirúrgico. Consequentemente, a ava -
liação e o manejo da infertilidade em mulheres com
endometriose devem ser individualizados, baseados
em evidências e alinhados aos objetivos reprodutivos,
fenótipo da doença, intensidade dos sintomas e prefe-
rências da paciente. Nos últimos anos, evidências cres-
centes expandiram o entendimento sobre a patologia,
transcendendo o foco tradicional em seu papel exclu -
sivo na infertilidade. Particularmente em suas formas
graves, e quando associada à adenomiose, a endome -
triose tem sido cada vez mais relacionada a desfechos
adversos na gravidez e no período neonatal, incluindo
aborto espontâneo, parto prematuro, distúrbios hiper-
tensivos da gravidez, complicações relacionadas à pla-
centa e baixo peso ao nascer. Esses achados reforçam
o conceito de que a endometriose pode influenciar a
saúde reprodutiva em todo o continuum reprodutivo,
da concepção aos desfechos da gravidez. A tomada de
decisões clínicas não deve se concentrar exclusivamen-
te nos resultados de fertilidade, mas sim considerar o
contexto reprodutivo mais amplo. Mulheres com endo-
metriose devem receber aconselhamento abrangente
que aborde não apenas as chances de concepção, seja
espontânea ou assistida, mas também as potenciais
implicações para a gravidez, evitando medicalizações
desnecessárias. Embora a gravidez em mulheres com
endometriose não deva ser universalmente classifica -
da como de alto risco, o acompanhamento obstétrico
individualizado pode ser apropriado em casos selecio-
nados, particularmente naquelas com endometriose
profunda, adenomiose, fenótipos graves da doença ou
fatores de risco maternos adicionais. Nesse contexto,
o manejo da infertilidade e da gravidez associadas à
endometriose requer estreita colaboração entre gine -
cologistas, especialistas em reprodução e obstetras.
Uma abordagem integrada e centrada na paciente,
fundamentada em evidências atuais e na tomada de
decisões compartilhadas, oferece a melhor oportuni -
dade para otimizar os resultados reprodutivos, garantir
gestações seguras e melhorar a saúde reprodutiva ge-
ral de mulheres com endometriose.
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10.1080/14767058.2020.1793326
214 |
FEMINA 2026;54(3):199-214
Silva Filho AL, Lamaita RM, Podgaec S, Quintairos RA, Navarro PA, Ferriani R
Como citar:
Silva Filho AL, Lamaita RM, Podgaec S, Quintairos RA, Navarro
PA, Ferriani R. Diagnóstico e manejo da infertilidade associada
à endometriose. Femina. 2026;54(3):199-214.
*Este artigo é a versão em língua portuguesa do trabalho
“Diagnosis and management of endometriosis-associated
infertility”, publicado na Rev Bras Ginecol Obstet. 2026;48:e-FPS4.
Agnaldo Lopes da Silva Filho
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil
Rívia Mara Lamaita
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil
Sérgio Podgaec
Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo,
SP, Brasil
Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, São
Paulo, SP, Brasil
Ricardo de Almeida Quintairos
Faculdade Porto Dias, Belém, PA, Brasil
Paula Andrea Navarro
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São
Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brasil
Rui Ferriani
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São
Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brasil
Conflitos de interesse:
nada a declarar.
Disponibilidade dos dados:
os dados da pesquisa estão disponíveis no artigo.
Comissão Nacional Especializada em Endometriose da
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e
Obstetrícia (Febrasgo)
Presidente:
Ricardo de Almeida Quintairos
Vice-presidente:
Marcia Mendonça Carneiro
Secretário:
Carlos Augusto Pires Costa Lino
Membros:
Marcia Cristina Franca Ferreira
Raquel Papandreus Dibi
Julio Cesar Rosa e Silva
Helizabeth Salomão Abdalla Ayroza Ribeiro
Carlos Alberto Petta
Eduardo Schor
João Nogueira Neto
João Sabino Lahorgue da Cunha Filho
Marco Aurelio Pinho de Oliveira
Marcos Tcherniakovsky
Mauricio Simões Abrão
Sidney Pearce Furtado
Sergio Podgaec
Omero Benedicto Poli Neto
Comissão Nacional Especializada em Reprodução Assistida
da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e
Obstetrícia (Febrasgo)
Presidente:
Rivia Mara Lamaita
Vice-presidente:
Rui Alberto Ferriani
Secretário:
Pedro Augusto Araujo Monteleone
Membros:
Maria do Carmo Borges de Souza
Rafaella Gehm Petracco
Alexandre Vieira Santos Moraes
Karina de Sá Adami Gonçalves Brandão
Claudio Barros Leal Ribeiro
Eduardo Pandolfi Passos
João Antonio Dias Junior
Marta Curado Carvalho Franco Finotti
Natalia Ivet Zavattiero Tierno
Paula Andrea de Albuquerque Salles Navarro
Paulo Gallo de Sá
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