Keywords
chronic pelvic pain; Endometriosis; Anthropometric evaluation.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Descrição e comparação das variáveis demográficas d as mulheres avaliadas
com endometrioses (n=46) e sem endometriose (n=45)........................................................... 42
Tabela 2: Características nutricionais das mulheres avaliadas com endometriose (n=45) e
sem endometriose (n=46) através da classificação do estado nutricional de acordo com o
Índice de massa corporal – IMC ............................................................................................... 43
Tabela 3: Descrição das variáveis antropométricas (IMC, perím etro do braço, perímetro
da cintura, perímetro abdominal, perímetro do quadr il, relação da cintura quadril e %
gordura corporal), valores expressos em média (± de svio padrão), mediana, minímo,
máximo, das mulheres com endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46). ..................... 44
Tabela 4: Descrição da classificação do percentual de gordura corporal das mulheres com
endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) avali ado através do exame de
bioimpedância elétrica .............................................................................................................. 45
Tabela 5: Descrição da média de valores obtidos através da Es cala Analogica visual de
dor – EVA, das mulheres avaliadas com endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) ... 47
Tabela 6: Resultados da Média obtida através da análise bioq uímica do exame de
lipidrograma (Colesterol total, LDL – colesterol, H DL – colesterol e Triglicérides) das
mulheres avaliadas com endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) ............................. 48
Tabela 7: Descrição do resultado dos micronutrientes através do recordatório alimentar de
24 horas (kcal – calorias; carboidratos, proteínas e lipídios) das mulheres com
endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) .................................................................... 49
Tabela 8: Descrição do resultado dos micronutrientes do recor datório alimentar de 24
horas (Vitamina A, C, D, E, cálcio, ferro, magnésio , zinco, selênio e triptofano) das
mulheres com endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) ............................................ 54
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Descrição da média de Ansiedade obtido através da Escala hospitalar de
ansiedade e depressão - HAD das mulheres com endome triose (n=46) e sem endometriose
(n=45) ....................................................................................................................................... 46
Figura 2: Descrição da média de depressão obtido através da Escala hospitalar de
ansiedade e depressão - HAD das mulheres com endome triose (n=46) e sem endometriose
(n=45) ....................................................................................................................................... 47
Figura 3: Ánalise e comparação do consumo de carboidratos in geridos pelas mulheres
com endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) a valiado através do recordatório
alimentar de 24 horas comparados aos valores de Recomendação diária – DRIs .................... 50
Figura 4: Ánalise e comparação do consumo de proteínas ingeri dos pelas mulheres com
endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) avali ado através do recordatório
alimentar de 24 horas comparado aos valores de Recomendação diária – DRIs ..................... 51
Figura 5: Ánalise e comparação do consumo de lipídios ingeri dos pelas mulheres com
endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) avali ado através do recordatório
alimentar de 24 horas comparados aos valores de Recomendação diária – DRIs .................... 52
LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Pontos de corte IMC estabelecidos para Adultos .................................................. 22
Quadro 2: Valores de referencia para Colesterol Total, LDL-C, HDL-C e TG ..................... 27
LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS
DPC – Dor Pélvica crônica
IMC – Índice de Massa Corporal
P – Perímetro
PC – Perímetro da Cintura
PAB – Perímetro do Abdômen
PQ – Perímetro do Quadril
RCQ – Relação da Cintura Quadril
HCFMRP-USP – Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo
AGDP – Ambulatório de Ginecologia e Dor Pélvica Crônica
EVA – Escala visual analógica de dor
Kg – Quilogramas
M – metros
GC – Gordura Corporal
BIA – Impedância bioelétrica
CT – Colesterol Total
LDL – Lipoproteína de baixa densidade
HDL – Lipoproteína de alta densidade
TG – Triglicérides
TMB – Taxa Metabólica Basal
HAD – Escala de ansiedade e depressão hospitalar
ERO – Espécies Reativas de Oxigênio
Hz – Hertz
n – Número. Refere-se ao número amostral de uma populaç ão ou ao número de indivíduos
retirados de uma determinada população e incluso em um grupo de estudo para análises
estatísticas
p <0,05 – Valor de probabilidade < 0,05 estatisticamente significativo
p – Valor de probabilidade
DP – Desvio padrão
% – Porcentagem
R 24h – Recordatório de 24 horas
SBC – Sociedade Brasileira de Cardiologia
RDA – Ingestão dietética recomendada
AMDR – Intevalo de distribuição aceitável de micronutrientes
g – gramas
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 17
1.1 Dor Pélvica Crônica (DPC) ................................................................................................ 17
1.1.1 Endometriose ................................................................................................................... 18
1.2 Obesidade ........................................................................................................................... 20
1.3 Antropometria e composição corporal ............................................................................... 21
1.4 Bioimpedância .................................................................................................................... 24
1.5 Dislipidemia X Endometriose ............................................................................................ 26
2 JUSTIFICATIVA ................................................................................................................ 29
3 HIPÓTESE ........................................................................................................................... 31
4 OBJETIVOS ........................................................................................................................ 32
4.1 Objetivo Geral .................................................................................................................... 32
4.2 Objetivos Específicos ......................................................................................................... 32
5 CASUÍSTICA E MÉTODOS ............................................................................................. 33
5.1 Casuística ............................................................................................................................ 33
5.2 Aspectos éticos ................................................................................................................... 33
5.3 Critérios de inclusão ........................................................................................................... 34
5.4 Critérios de exclusão .......................................................................................................... 34
5.5 Cálculo amostral ................................................................................................................. 35
5.6 Agendamento ...................................................................................................................... 35
5.7 Coleta e Análise de Dados .................................................................................................. 36
5.7.1 Caraterização da Amostra e antropometria ..................................................................... 36
5.7.2 Avaliação Sócio-demográfica.......................................................................................... 39
5.7.3 Avaliação de escalas de ansiedade e depressão ............................................................... 39
5.7.4 Avaliação de escala unidimensional ................................................................................ 40
5.7.5 Análise de dados .............................................................................................................. 40
5.7.6 Análise estatística ............................................................................................................ 41
6 RESULTADOS .................................................................................................................... 42
6.1 Descrição das varíaveis demográficas ................................................................................ 42
6.2 Análise dos marcadores antropométricos ........................................................................... 43
6.3 Escala de ansiedade e depressão ......................................................................................... 46
6.4 Escala unidimensional – Escala análogica de dor - EVA ................................................... 47
6.5 Análise bioquímica - Lipidograma ..................................................................................... 48
6.6 Ánalise recordatório alimentar – Calorias e macronutrientes ............................................ 49
6.7 Ànalise recordatório alimentar – Micronutrientes e aminoácido ....................................... 53
7 DISCUSSÃO ........................................................................................................................ 57
8 CONCLUSÃO ...................................................................................................................... 65
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 66
ANEXOS ................................................................................................................................. 75
Anexo I: Aprovação do Comitê de ética. ................................................................................. 75
Anexo II: Termo de Consentimento Livre Esclarecido ............................................................ 76
Anexo III: orientações para realização do exame ..................................................................... 79
Anexo IV: Modelo do resultado de Bioimpedância ................................................................. 80
Anexo V: Escala de Ansiedade e Depressão Hospitalar .......................................................... 81
APÊNDICES ........................................................................................................................... 82
Apêndice I: Questionário para avaliação .................................................................................. 82
Apêndice II: Recodatório alimentar de 24 horas ...................................................................... 85
Introdução | 17
1 INTRODUÇÃO
1.1 Dor Pélvica Crônica (DPC)
A dor pélvica crônica (DPC) é queixa frequente na prática ginecológica. É definida como
dor localizada na região da pelve, não exclusivamente menstrual, persistente por pelo menos seis
meses e intensa o suficiente para causar incapacida de funcional, necessitando de tratamento
clínico ou cirúrgico. Assim como tantas outras doen ças crônicas, a DPC produz sofrimento e
compromete a qualidade de vida da mulher. A prevalência da DPC não está bem estabelecida. A
estimativa é de 3,8% em mulheres de 15 a 73 anos e 14 a 24% em mulheres na idade reprodutiva
(Howard, 1993; Broder, Kanouse et al. , 2000; Gelbaya e El-Halwagy, 2001); Gambone, Mittman
et al. (2002). Dados norte-americanos estimam que a DPC é responsável por cerca de 10% das
consultas ginecológicas, 40 a 50% das laparoscopias ginecológicas, além de 10 a 15% das
histerectomias (Howard, 1993; Broder, Kanouse et al. , 2000; Gelbaya e El-Halwagy, 2001;
Gambone, Mittman et al. , 2002), implicando custo superior a dois bilhões d e dólares por ano
(Mathias, Kuppermann et al. , 1996). Estima-se que a prevalência da DPC nos paí ses em
desenvolvimento, como o Brasil, seja superior àquel a encontrada em países desenvolvidos
(Latthe, Latthe et al. , 2006), sendo que um estudo realizado com mulheres da Cidade de Ribeirão
Preto – São Paulo, detectou pela primeira vez no Brasil uma alta prevalência em mulheres com
DPC de 11,5%, sendo que 15,1% destas mulheres em i dade reprodutiva (Silva et al, 2011). O
que representa um sério problema de saúde pública (Nogueira, Reis et al. , 2006).
O modelo etiológico multifatorial aceita a particip ação de vários fatores na gênese da
DPC. Entre estes fatores está a complexa interação entre os sistemas gastrintestinal, gênito-
urinário, músculo-esquelético, nervoso e endócrino, influenciada ainda por fatores
socioculturais. Alguns estudos têm tentado identifi car fatores de risco para a DPC, mas os
Introdução | 18
resultados não são conclusivos. Há evidências que f atores como abuso de drogas ou álcool,
abortos, fluxo menstrual aumentado, doença inflamat ória pélvica, cesáreas, patologias
pélvicas e comorbidades psicológicas estejam associ adas com um aumento do risco para a
doença (Latthe, Mignini et al. , 2006).
É consenso na literatura científica de que o melhor tratamento para a DPC é a
abordagem multidisciplinar, sendo que a base do tra tamento deve envolver procedimentos
pouco complicados, de baixo risco e que visem melho rar a qualidade de vida da mulher. O
objetivo das intervenções nem sempre é a cura da DP C e sim o alívio da dor e o retorno da
paciente às atividades de vida diária, ao convívio social e familiar (Flor, Fydrich et al. , 1992 ;
Duleba et al., 1996; Reiter, 1998; Duffy, 2001; Gelbaya e El- Halwagy, 2001; Howard, 2003).
As informações sobre o consumo alimentar de mulhere s com dor pélvica crônica,
ainda são poucos exploradas, no entanto estudos rec entes demonstram que a suplementação
adequada de algumas vitaminas, minerais e até mesmo ácidos graxos poli-insaturados, possam
na diminuição do processo inflamatório e auxiliar n a redução de sintomas e alivio da dor
(Francesco, et al, 2010).
1.1.1 Endometriose
Dentre as causas ginecológicas relacionadas à DPC e stá a endometriose, que tem
como principal problema clínico a síndrome dolorosa , manifestando-se como dismenorreia,
dor pélvica, dor abdominal, dispareunia, e defecaçã o dolorosa (Farquhar C, 2007). Estima-se
que a endometriose afete 2-18% das mulheres em idad e reprodutiva e, acima de 40% das
mulheres com infertilidade (Missmer, S.A.; Cramer, D.W. 2003), em mulheres com DPC
submetidas a laparoscopia a presença de endometrios e esta acima de 30%. (Howard, F. M.
1993).
Introdução | 19
Os mecanismos envolvidos ainda não são claros e a n atureza da dor associada à
endometriose tem sido mal caracterizada. Evidencias sugerem que a dor possa ser causada por
inflamação peritoneal, formação de aderências e les ão nervosa significativa, específica das
lesões de endometriose que possivelmente estejam co rrelacionadas com uma infiltração
profunda de tecido endometrial. (Vercellini P , 1997 & Fedele, L. et al, 1990). Outra provável
explicação para tal proposição baseia-se no mecanismo conhecido como sensibilização central
que é um processo resultante da atividade sustentad a que acontece na fibra aferente primária,
após a sensibilização periférica, favorecendo a lib eração de neurotransmissores excitatórios.
Esta sensibilização central pode resultar em uma de spolarização excessiva de neurônios do
corno dorsal causando excitotoxicidade, disfunção s ubsequente de células, e perda de
inibição. A barragem nociceptiva do tecido endometr ial também pode causar
hiperexcitabilidade central de neurônios do corno d orsal da medula. (Finegold, A. A.; Perez,
F. M.; Iadarola, M. J, 2001 & Constandil, L. et al, 2003)
O papel da dieta no desenvolvimento de doenças hormonais como a endometriose, tem
se tornado um tema de interesse nos últimos anos (I ngram Et ai, 1987; Fentiman et al., 1988).
Existe uma potencial relação entre as vitaminas (mi cronutrientes) e a endometriose
especialmente as vitaminas C e E que possuem propri edades antioxidantes potentes e causa
efeito na peroxidação lipídica, onde a mesma contri bui para o desenvolvimento progressivo
de doenças crônicas inflamatórias (Traber e Stevens, 2011; Parazzini, et al, 2013). As espécies
reativas de oxigenio (EROS) podem ser iniciadas e produzidas por diversas fontes, o que pode
causar uma relação casual entre o estresse oxidativ o e a endometriose, caso seja confirmado a
terapia antioxidante será muito benefica. De acordo com Lambrinoudaki et al., 2009; Mier-
Cabrera et al., 2011; Parazzini, et al, 2013, os ma rcadores de estresse oxidativo foram
encontrados como sendo elevados em soro e fluído pe ritoneal em pacientes com
endometriose. Uma dieta antioxidante com taxas elev adas (vitaminas C e E) testada por 4
Introdução | 20
(quatro) meses, apresentou efeito positivo diminuin do a oxidação dos marcadores de estresse
oxidativo, melhorando a atividade das enzimas antio xidantes e as concentrações de vitaminas
no sangue periférico.
A relação entre a ingesão de gordura na dieta e a e ndometriose também foi analisada
em diversos estudos o que demonstrou resultados inc onclusivos sobre a ingestão de gordura
total e a endometriose (Britton et al. 2000; Missme r et al., 2010; Trabert et al., 2011;
Parazzini, et al, 2013). Vários estudos sugerem que uma maior ingestão de legumes e frutas
frescas podem diminuir o risco de endometriose, qua nto que a ingestão de carnes vermelhas
em excesso poderiam aumentar o risco (Parazzini, et al, 2009; Parazzini, et al, 2013).
1.2 Obesidade
A obesidade é uma doença metabólica crônica caracte rizada pelo excesso de gordura
corporal (GC) (Corrêa, et al, 2003). Definida como um aumento do depósito de triglicérides
nas células adiposas determinado por um desequilíbr io entre consumo e gasto de energia
(Raskin, et al, 2000). De acordo com Willet, (1999) é considerada uma doença complexa e
multifatorial, de prevalência crescente, que já ati ngiu proporções epidêmicas, acometendo
cerca de 30% das mulheres adultas na sociedade ocid ental. A evidência científica sobre
relação de sobrepeso e obesidade em mulheres com DPC ainda não está clara.
Como um dos prováveis fatores que predispõe a DPC, o sistema endócrino também é
responsável por regular o metabolismo, vale ressalt ar que a obesidade é um distúrbio
metabólico sendo considerada como uma desordem hete rogênea, de múltiplas causas
(Francischiet al., 2000). Também possui uma etiolog ia multifatorial apresentando influências
de fatores psicológicos, biológicos, e sócio – econ ômicos. Nos últimos anos tanto em países
desenvolvidos como em países em desenvolvimento o a umento da obesidade é alarmante,
Introdução | 21
tornando-a um grave problema de saúde pública. A pr evalência no sexo feminino é ainda
maior, principalmente na perimenopausa, podendo ati ngir 60% das mulheres, provavelmente
devido às alterações metabólicas inerentes neste pe ríodo. Estão ainda associadas aos maus
hábitos alimentares e a predisposição genética. (Lins e Sichieri, 2001).
É definida como excesso de gordura corporal quando comparada à massa magra
(músculos) (Oliveira et al. 2003). O acúmulo de gordura visceral está sabidamente associado à
maior prevalência de desarranjos metabólicos, hormo nais, inflamatórios e hemodinâmicos
(ROSA, et al, 2005). A sua maior concentração lipíd ica está na metade superior do tronco, ou
seja, tem uma distribuição central ou abdominal pre dominante, sendo dividido em dois tipos,
andróide, que eleva o depósito de gordura abdominal e da cintura, sendo que cada vez mais a
obesidade visceral têm se apresentado através das doenças secundárias e distúrbios endócrinos
(STUNKARD, 1996) e o tipo ginecóide que se difere metabolicamente da periférica ou glúteo
femural e está mais presente no período reprodutivo (RASKIN, et al, 2000).
1.3 Antropometria e composição corporal
Desenvolvida por antropologistas no final do século XIX, a antropometria são medidas
simples usadas para quantificar diferenças na forma humana (Acunã e Cruz, 2004 & Shils
ME, Olson JA, Moshe S. 1994), porém durante a prime ira guerra mundial iniciou-se a era
moderna da antropometria nutricional, com a preocup ação com a eficiência física dos
soldados (Shils ME, Olson JA, Moshe S. 1994).
Antropometria é o método disponível para avaliar o tamanho, proporções e
composição do corpo humano, não-invasivo de baixo c usto e universalmente aplicável. O
gênero e a idade são fatores importantes, pois exis tem diferencas expressivas entre o tamanho
Introdução | 22
de homens e mulheres e as medidas recomendadas e os padrões de referências são baseados
de acordo com os mesmo (WHO, 1995).
De acordo com Willett W, (1998) os metodos antropom étricos são os mais utilizados
em estudos epidemiologicos, pois fornecem informaçõ es como peso, altura, suas
combinações, perímetros e pregas cutâneas. Podem au xiliar no diagnóstico de obesidade,
(GOKCEL, et al., 2002). O peso é uma medida antropo metrica tradicional, bastante utilizada
na prática clínica. A massa ou volume corporal expr essa a dimensão, que é constituída pelos
tecidos adiposos, muscular e ósseo. A estatura é a segunda medida antropometrica mais
utilizada na prática clinica que expressa a dimensã o longitudinal ou linear do corpo humano.
(Miranda, et al. 2012).
Um método prático, rápido, barato, que aproxima a d eterminação da quantidade de
gordura corporal é o Índice de Massa Corporal (IMC) ou Índice de Quetelet, que se obtêm a
partir da relação entre o peso e a estatura (STUNKARD, 1996). É necessário dividir o peso (Kg)
pelo quadrado da estatura (metros), o que resulta e m um valor expresso em Kg/altura 2 (m), onde
se classifica o estado nutricional (Miranda, et al, 2012). A obesidade é classificada com valores
de IMC igual ou maior a 30kg/m2 (conforme quadro 1, abaixo), e caracteriza-se pelo excesso
de GC em relação à massa magra. Contudo, em algumas ocasiões o IMC pode não refletir a
GC, sua medida específica torna-se importante (Weyer C, et al, 2004).
Quadro 1: Pontos de corte IMC estabelecidos para Adultos.
Diagnóstico Nutricional IMC (Kg/m 2)
Subnutrição
Eutrófico
Sobrepeso
Obesidade Grau I
Obesidade Grau II
Obesidade Grau III
=40
Fonte: OMS (1995)
Introdução | 23
Os marcadores antropométricos como o IMC e perímetr o abdominal têm se revelado
importantes instrumentos na avaliação e monitoramen to das comorbidades associadas à
obesidade (SEIDELL, 2001). O método do IMC é muito utilizado devido a sua aplicabilidade,
boa correlação com as medidas da gordura corporal e a sua capacidade de expressar reservas
energéticas. Independente do peso corpóreo as princ ipais complicações da obesidade estão
associadas ao maior acúmulo da gordura na região ab dominal. Para Organização Mundial de
Saúde (OMS) fornece uma subclassificação em grau para obesos, através dos nìveis de IMC.
Atualmente existem técnicas mais efetivas para real izar a avaliação da obesidade
visceral como a ressonância magnética, a tomografia computadorizada avaliação de dobras
cutâneas, ultrassonografia para medição da espessur a da gordura subcutânea, densidade
corporal, medida de potássio corporal, condutividad e elétrica, interactância infravermelha,
absorciometria de fótons e bioimpedância tetrapolar (Wajchenberg BL, et al, 1995 &
Scharfetter H, 2001) e a medida do perímetro da cintura (PC), bem como o RCQ – relação da
cintura/ quadril (STUNKARD, 1996), muito utilizada em estudos epidemiológicos
internacionais (Barbosa, et al, 2009), sendo que o perímetro da cintura por ser um método
rápido e de baixo custo é o mais utilizada na práti ca clínica, (STUNKARD, 1996) que reflete
tanto a gordura abdominal quanto a total (SEIDELL, 2001). Os valores de cortes utilizados
para avaliar o PC de acordo com OMS, (2000) para mu lheres são valores de ≥ 80 cm. E os
valores de corte para RCQ são valore abaixo de 0,85 , que indica baixo risco para doenças
cardiovasculares.
Vale ressaltar que pode haver diferenças na associa ção que o PC pode apresentar com
a adiposidade abdominal devido as diferenças com re lação às proporções corporais e à
constituição física das populações (WHO, 1995). Seg undo Barbosa et al, 2009, as variações
na composição corporal de diferentes grupos raciais podem modificar o poder de predição
desse indicador.
Introdução | 24
1.4 Bioimpedância
A bioimpedancia elétrica (BIA – bioletrical impedance analysis ) é um metodo que se
baseia no principio da condutividade elétrica, para a estimativa de compartimentos corpóreos.
Por ser um método não invasivo na avaliação da comp osição corporal, e com algumas
características tais como, velocidade no processame nto das informações, praticidade,
reprodutibilidade e de médio a baixo custo, possibi lita estimar os componentes corporais, a
distribuição de fluídos nos espaços intra e extracelulares de maneira simples. Este método tem
sido muito utilizado para estimar e avaliar o estad o nutricional e a composição corporal de
indivíduos saudáveis e com diversas doenças, tais c omo, desnutrição, traumas, câncer, pré e
pós-operatório, hepatopatias, insuficiência renal, gestação, tanto em crianças como adultos,
idosos e também atletas (EICKEMBERG et al., 2011).
A oposição chamada impedância (Z) tem dois vetores, denominados resistência (R) e a
Reactância (Xc). Os tecidos corporais oferecem dife rentes oposições à passagem elétrica, no
corpo, este é princípio fundamental da BIA (Kyle, L orenzo, Rosenberg, Roubenoff, et al,
2004). Os tecidos magros apresentam baixa resistênc ia a passagem da corrente elétrica, pois
estes tecidos são altamente condutores, devida a gr ande quantidade de água e eletrólitos. No
caso da gordura, ossos e pele apresentam um meio de baixa condutividade, apresentando
portanto, uma elevada resistência. (Brito; Mesquita , 2004 & Kamimura; Draibe; Sigulen;
Cuppari, 2004).
Desde a década de 1990, diversos aparelhos de bioimpedância tornaram-se disponíveis
comercialmente, é possível encontrar avaliadores da composição corporal de forma
tradicional ou segmentar (Kyle, Lorenzo, Rosenberg, Roubenoff, et al, 2004), dos tipos
monofrequênciais (50 KHz) mais utilizados ou multif requênciais, com frequência de 5 a
1,000 KHz (Rodrigues, Silva, Monteiro, Farinatti, 2001).
Introdução | 25
Segundo EICKEMBERG et al., (2011) através de quatro sensores metálicos (modelo
tetrapolar), que em contato com mãos e pés se da a transmissão da corrente elétrica pelo
corpo, que registra a impedância dos segmentos corp orais entre os membros superiores e o
tronco, sendo este o modelo mais utilizado para avaliação da composição corporal.
A queda de tensão e corrente de excitação que é apl icada aos eletrodos-fonte (distais)
na mão e no pé, provocada pela impedância é detecta da pelo eletrodo-sensor (proximal)
localizado no pulso e no tornozelo. Bseado em uma c orrente elétrica de baixa amplitude (800
µA) e alta frequência (50 kHz) (Heyward, Stolarczyk, 2000 & Britto, Mesquita, 2008).
As possíveis causam que dificultam o estabeleciment o de um consenso acerca de seu
uso, são bastantes discutidas na literatura, pois apesar de ser um método preciso e confiável os
resultados obtidos em determinas pesquisas podem re velar alguma discrepância, devido a
utilização de uma variabilidade de equações disponí veis para vários grupos de indivíduos,
podendo ser uma das principais razões, que euitas v ezes estas equações são aplicadas em
amostras bem heterogêneas (Barbosa, Santarem, Jacob Filho, Meirelles, Marucci, 2001 &
Rodrigues, Silva, Monteiro, Farinatti, 2001).
Para a confiabilidade do método da BIA na prática c línica, o controle prévio de alguns
fatores devem ser observados, para que os resultado s não sejam afetados (Jambassi Filho,
Cyrino, Gurjão, Braz, Gonçalves, Gobbi, 2010), como por exemplo a calibração do aparelho,
realizada regularmente; manutenção dos eletrodos em sacos fechados e protegidos do calor;
posição do indivíduo avaliado, conforme recomendação do fabricante; jejum de 4 horas, antes
do exame; abstinência alcoólica de 8 horas, antes d o exame; abstinência de atividade física e
sauna, por 8 horas, antes do exame; esvaziamento da bexiga antes da realização do exame;
temperatura do ambiente em torno de 22ºC; pele sem lesões e limpa com álcool; distância
entre os eletrodos de, no mínimo, 5cm; observância do ciclo menstrual; presença de
obesidade; utilização de material isolante, como to alha entre as pernas; impedimento de
Introdução | 26
contato com superfície metálica; vedação do proced imento para portadores de marca-passo
(EICKEMBERG et al., 2011).
1.5 Dislipidemia X Endometriose
As dislipemias também chamadas de hiperlipidemia, r efere-se ao aumento dos lipídios
(gordura) no sangue, principalmente do colesterol e dos triglicerídeos (SOCIEDADE
BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2015). São alterações me tabólicas lipidicas decorrentes
de distúbios do metabolismo lipidico em qualquer fa se, que repercute nos níveis séricos de
lipoproteinas (JONES, et al., 2009), estando associ ada a fatores genéticos e ambientais que
desencadeia um grupo de doenças multifatoriais (ORDOVAS, 2006; YAMADA et al, 2007).
Segundo a SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, (201 5) São
classificadas em primárias com ou sem causa aparent e, podem ser classificadas ainda em:
genotípicas, onde são divididas em monogênicas, cau sadas por mutações em um só gene ou
poligênicas, por associação de mutações multíplas q ue isoladas não teriam grande impacto.
Fenotípicas que é realizada através de análise bioq uímicas, considerando os valores de
Colesterol total (CT), lipoproteína de baixa densid ade ligada ao cholesterol (LDL-C),
triglicerídes (TG) e lipoproteína de alta intensida de ligada ao colesteol (HDL-C). O perfil
lipídico é definido pelas determinações bioquímicas , medindo-se os níveis plasmáticos de
colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos, após u m jejum de 12 horas e em função desses
valores de referência. As dislipidemias podem ser c lassificadas como: Hipercolesterolemia
isolada (aumento isolado do LDL colesterol - ≥160 m g/dl); Hipertrigliceridemia isolada
(aumento isolado dos triglicerídeos- ≥150mg/dl); Hi perlipidemia mista (aumento do LDL
colesterol ≥160 mg/dl e dos triglicerídeos ≥150mg/d l) e HDL baixo (diminuição isolada do
HDL colesterol ˂50mg/dl ou em associação a aumento dos triglicerídeos ou LDL colesterol).
Introdução | 27
Os valores de referência de para classificação de d islipidemias são apresentados a seguir no
quadro 2.
Quadro 2. Valores de referencia para Colesterol Total, LDL-C, HDL-C e TG
Lipídes Valores mg/dl Categoria
CT
< 200 Desejável
200-239 Limitrofe
≥ 240 Alto
LDL-C
60 Desejável
<40 Baixo
TG
< 150 Baixo
150-200 Limítrofe
200-499 Alto
≥ 500 Muito alto
Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia
Estudos recentes têm sugerido que a endometriose te m ligação com à inflamação
crônica sistêmica, perfil lipídico aterogênico e o estresse oxidativo (Donnez, Binda et al. ,
2016)
A ativação dos macrofagos na região peritoneal da e ndometriose pélvica, promove o
estresse oxidativo, que é definido como o desequilí brio entre a produção e neutralização das
espécies reativas de oxigênio conhecidas como ERO, causando a peroxidação dos lipídios, de
seus produtos de degradação e dos produtos que são formados através da interação com as
lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e outras proteínas. Um desequilibrio entre os mecanismo
de defesa do organismo (antioxidantes) e os agentes pró-oxidantes (radicais livres), desencandeam
o estresse oxidativo, que está envolvido na etiopat ogênese de diversas doenças, assim como a
endometriose (Polak, Mazurek et al. , 2011; Carvalho, Samadder et al. , 2012).
Introdução | 28
Alguns autores evidenciaram um aumento significativ o das concentrações de
peróxidos lipidicos no flupido peritoneal de mulher es com endometrioses pélvica, isto porque
a produção de pró –oxidantes (radicais livres) prom ove a peroxidação lipidica dos ácidos
graxos poli-insaturados presentes nas membranas cel ulares ((Lemay, Brideau et al. , 1991;
Zuin, Rigatelli et al. , 2016). Ao serem decompostos, os lipídios geram pr odutos como o
malondialdeído (MDA), que são reconhecidos como cor pos estranhos, gerando assim uma
produção de anticorpos devida a resposta antigênica desencadeada (PETEAN, et al., 2007).
De acordo com Shanti, et al, (1999) Mulheres com en dometriose apresentam níveis elevados
de autoanticorpos que são maracadores de estresse oxidativo.
Justificativa | 29
2 JUSTIFICATIVA
A Dor Pélvica Crônica e suas causas secundárias com o a endometriose é uma
condição muito comum, acarreta custos significantes para os serviços de saúde e, várias
pacientes permanecem sem diagnóstico específico e, consequentemente, sem um tratamento
apropriado. Acredita-se que pacientes com DPC possa m apresentar excesso de peso, presença
de ansiedade, depressão ou ambos e, tudo o que cont ribui para um maior conhecimento sobre
os marcadores antropométricos, pode contribuir para um melhor manejo das pacientes com
DPC e assim tentar melhorar sua qualidade de vida.
A obesidade em adultos está associada com uma gama de alterações músculo-
esquelético, doenças tais como osteoartrite, dor lo mbar baixa e outros tipos de dor músculo-
esquelética, bem como distúrbios de marcha, Anandac oomarasamy et al (2008) e também a
um aumento na intensidade da dor (com síndromes de dor crônica, em alguns casos),
morbidade somática e, também psicológica (Silva et al 2006). A evidência científica sobre
relação de sobrepeso e obesidade em mulheres com DP C ainda não está clara. Recentemente,
Han et al.(1997) relataram que uma relação cintura- quadril elevada (RCQ), indicou um
padrão de obesidade central, e foi significativamen te associada com dor lombar crônica em
mulheres, mas não em homens.
Este estudo foi baseado em outro estudo do mesmo de partamento (GURIAN, M.B.F.
Evolução do limiar doloroso em comparação com a res posta clinica ao tratamento de
mulheres com dor pélvica crônica. 2013. Tese (Doutorado) – Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2013), que analisou a
porcentagem de gordura de mulheres com dor pélvica crônica e encontrou uma média de
33,25% de gordura nas mulheres avaliadas, valores e stes significatrivos entre estas mulheres,
dessa forma, fica clara a relevância da pesquisa em buscar a compreensão dos marcadores
Justificativa | 30
antropométricos e a importância de se conhecer a composição corporal e o consumo alimentar
de mulheres com dor pélvica de forma a contribuir p ara redução de fatores associados e
melhorar a qualidade de vida., uma vez que existe u ma lacuna na literatura científica a este
respeito.
Hipótese | 31
3 HIPÓTESE
As mulheres com DPC secundário a endometriose tem u m percentual de gordura
corporal diferente das mulheres com DPC secundário a outras causas.
Objetivos | 32
4 OBJETIVOS
4.1 Objetivo Geral
Determinar a média da composição corporal (% gordura corporal) através do exame de
Bioimpedância e dos marcadores antropométricos (mas sa corporal, estatura, índice de Massa
Corporal, perímetro da Cintura, perímetro abdominal e perímetro do Quadril, comparando
dois grupos de mulheres com DPC (secundário a endometriose e secundário a outras causas).
4.2 Objetivos Específicos
Avaliar o consumo alimentar destas pacientes com DP C (com e sem endometriose)
através da ingestão alimentar utilizando o recordatório de 24 horas.
Analisar o perfil lipidico através do lipidograma ( colesterol total e as frações (LDL e
HDL)) e triglicerides.
Avaliar os resultados obtidos da escala visual anál ogica (EVA) comparados com a
porcentagem de gordura corporal.
Casuística e Métodos | 33
5 CASUÍSTICA E MÉTODOS
5.1 Casuística
Foi realizado um estudo do tipo caso-controle, fora m convidadas 122 mulheres com
diagnóstico clínico de DPC secundária à endometriose e secundário a outras causas, através do
método de seleção de amostra não probalística ou intencionada onde há uma escolha deliberada
da amostra e os indivíduos são escolhidos por acaso , ou seja, os indivíduos empregados nesta
pesquisa são selecionados porque eles estão prontam ente disponíveis. Sua utilização é muito
frequente em vários âmbitos, por exemplo em estudos clínicos com voluntários, nestes estudos
indivíduos com determinadas características partici pam voluntariamente para fazer parte de
alguma pesquisa ou tratamento, o que não afetara os resultados, independentemente da região que
o voluntário resida. (Malhotra, 2010), neste estudo as mulheres foram selecionadas através da
seleção de amostra por conveniência, recrutadas no Ambulatório de Dor Pélvica Crônica do
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo
(AGDP-HCFMRP-USP). Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Unive rsidade São Paulo, em 20/02/2014, de
acordo com o Processo HCRP n° 12192/2013 (Anexo 01).
5.2 Aspectos éticos
As pesquisas envolvendo seres humanos devem atender aos fundamentos éticos e
científicos pertinentes. Na resolução Nº 466, DE 12 de Dezembro de 2012, no capítulo III
DOS ASPECTOS ÉTICOS DA PESQUISA ENVOLVENDO SERES HUMANOS, paragráfo
1, determina a eticidade a ser utilizada com seres humanos: a) respeito ao participante da
pesquisa em sua dignidade e autonomia, reconhecendo sua vulnerabilidade, assegurando sua
Casuística e Métodos | 34
vontade de contribuir e permanecer, ou não, na pesq uisa, por intermédio de manifestação
expressa, livre e esclarecida. b) ponderação entre riscos e benefícios, tanto conhecidos como
potenciais, individuais ou coletivos, comprometendo -se com o máximo de benefícios e o
mínimo de danos e riscos. c) garantia de que danos previsíveis serão evitados. d) relevância
social da pesquisa, o que garante a igual considera ção dos interesses envolvidos, não
perdendo o sentido de sua destinação sócio-humanitá ria (CONSELHO NACIONAL DE
SAÚDE - RESOLUÇÃO Nº 466, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2012).
Todas as mulheres que aceitaram participar do estud o receberam esclarecimentos
individuais a respeito dos objetivos, relevância e metodologia do estudo por meio de
exposição oral e escrita através do termo de conset imento livre e esclarecido TCLE (anexo
02). Os princípios de confiabilidade dos dados obti dos, manutenção da autonomia dos
participantes, sigilo à identificação pessoal e beneficência dos propósitos serão respeitados.
5.3 Critérios de inclusão
Foram incluídas mulheres com idade entre 18 e 49 an os, com pré menopausa,
diagnosticadas com dor pélvica crônica secundária a endometriose e a outras possíveis causas
de DPC, com duração de pelo menos seis meses, sufic ientemente intensa para interferir em
atividades habituais, necessitando de tratamento clínico ou cirúrgico.
5.4 Critérios de exclusão
Foram excluídas mulheres com idade acima de 50 anos e aquelas que estavam na
menopausa, tabagistas, gestantes, em amamentação no s últimos seis meses e as que se
recusaram a participar do estudo.
Casuística e Métodos | 35
5.5 Cálculo amostral
Baseado nos objetivos deste estudo o cálculo do dim ensionamento amostral foi
realizado utilizando-se o programa do Laboratório d e Estatistica e Epidemiologia – Lee,
(1995) http://www.lee.dante.br/pesquisa/amostragem/amostra.html com nível de significância
de 0,05 e poder do teste de 0,80, temos que o taman ho da amostra determinada é igual a 90
mulheres, divididas em dois grupos de 45 pacientes cada. Este cálculo foi realizado com base
em um estudo anterior realizado em mulheres no ambu latório de Dor Pélvica Crônica e
estimou-se que a media de (%) gordura corporal 32,17% com um desvio-padrão de 7,05.
5.6 Agendamento
Após a primeira consulta médica neste serviço e ade quação aos critérios de inclusão e
exclusão, as mulheres com DPC foram convidadas a participar do estudo.
Todas as voluntárias foram orientadas a não modific ar o comportamento alimentar
(Machado, Tachotti et al. , 2006), não ingerir produtos com cafeína: café, ch á e chocolate
(Fenster, Quale et al. , 1999; Straneva, Maixner et al. , 2002), bebidas alcoólicas (Marvan e
Cortes-Iniestra, 2001; Tassorelli, Sandrini et al. , 2002; Fernandez, Weis et al. , 2003) ou
medicamentos. (Bajaj, Arendt-Nielsen et al. , 2001; Granot, Yarnitsky et al. , 2001) nas 24
horas que antecedeu a coleta (anexo 03)
Para o dia da avaliação, foi solicitado que as mulh eres viessem em jejum de 12 horas,
procedimento este utilizado para a avaliação do per centual de gordura corporal, realizada por
análise eletrônica (impedância bioelétrica) (Anexo 04); e também para coleta de sangue para o
exame de lipidrograma. Sendo assim, no dia que foi marcada a avaliação, foi realizado o
Casuística e Métodos | 36
preenchimento dos questionários (Apendice 01) e col eta dos dados, estas avaliações foram
realizadas em uma sala de consulta do ambulatório AGDP.
5.7 Coleta e Análise de Dados
5.7.1 Caraterização da Amostra e antropometria
Foram registrados as variáveis depedentes como a id ade e os dados antropométricos,
como massa corporal, estatura, perímetros do braço, cintura, abdomen, quadril e percentual de
gordura. Com a combinação de massa corporal e estat ura, será obtido o índice de massa
corporal (IMC = massa corporal / estatura
2) (QUETELET, 1870) . Para aferição da massa
corporal e da estatura as mulheres estavam descalça s obrigatoriamente e sem excesso de
roupas ou acessórios, corpo ereto, os pés juntos e os braços estendidos ao longo do corpo,
olhando para um ponto fixo no horizonte, as medidas foram mensuradas em uma balança
Filizola (escala de 0,1 kg) com estadiômetro acoplado (escala de 0,5 cm).
Foi realizado a verificação dos perímetros do braço , Cintura, abdômen e quadril, que
são definidas como o perímetro máximo de um segment o corporal, medido em âgulo reto em
relação ao seu maior eixo. Segundo Queiróga, 2005 a s medidas de perímetros, são muito
utlizadas, pois são fundamentais para avaliar e qua ntidade da gordura corporal, sendo
realizadas com auxilio de uma fita inelástica, com precisão de 1 mm.
O perímetro do braço (PB), representa a soma das ár eas constituídas pelos tecidos
ósseos, muscular e gorduroso do braço. Para sua obt enção, localizar e marcar o ponto médio
entre o acrômio e olecrano, com o braço a ser medido flexicionado em direção ao tórax. Após,
solicitar que o cliente estenda o braço ao longo do corpo, com a palma da mão voltada para a
coxa. No ponto marcado, contornar o braço com a fit a métrica flexível de forma ajustada,
Casuística e Métodos | 37
evitando compressão da pele ou folgaencontrou-se o ponto médio entre o acrômio e
articulação úmero-radial do braço direito, com o propósito de fornecer o índice de depósito de
gordura e de massa muscular local (Rossi, 2015 & Pe troski, 2003). O perímetro da cintura
(PC) utilizou-se o procedimento descrito por Callaw ay et al, a saber, o avaliado em pé com
abdômen relaxado, os braços descontraídos ao lado d o corpo, a fita colocada horizontalmente
no ponto médio entre a borda inferior da última cos tela e a crista ilíaca; as medidas foram
realizadas com a fita firme sobre a pele; todavia, sem compressão dos tecidos. Para perímetro
do quadril (PQ), foram seguidos os mesmos passos de scritos por Callaway et al. para PC,
entretanto, a fita métrica foi colocada horizontalm ente em volta do quadril na parte mais
saliente dos glúteos. Os perímetros de cintura e qu adril possibilitaram a construção do RCQ,
obtido pelo quociente entre o PC e o PQ
A verificação do perímetro abdominal (PAB) foi medi do, também com uma fita
métrica, a 2,5 cm em cima da cicatriz umbilical. Os valores superiores a 88 e 102 cm para
mulheres e homens respectivamente, podem aumentar a s chances do aparecimento de
comorbidades relacionadas à obesidade (LEAN, HANS, MORRISON, 1995;
MACDONALD, 2000; WHO, 2003). Shah et al, 2013 most rou em seu estudo sobre a análise
corporal e endometriose que as mulheres com uma rel ação cintura-quadril de 0,60 pode estar
em aumento do risco.
O inquérito dietético consiste em um método indireto para avaliar o estado nutricional
e a ingestão alimentar do indivíduo. Foi aplicado u m recordatório alimentar de 24 horas
(R24h) (Anexo 02) vem sendo muito utilizado para qu antificar todo o consumo de alimentos
nas 24 horas anteriores à entrevista ou durante o d ia anterior. È um método que descreve uma
grande variedade de alimentos, quando se deseja com parar a ingestão média de nutrientes e
energia de diferentes populações é o mais utilizado. Este método tem como vantagem a rápida
Casuística e Métodos | 38
aplicação, a população estudada não precisa ser alf abetizada e a recordação recente do
consumo também é um dos pontos positivos (COSTA, et al, 2006; Willet, 1998).
A análise quantitativa do consumo alimentar foi realizada com o software Diet Smart -
Smardata soluções inteligentes, mococa, (2015), sen do calculada a ingestão de energia e
macronutrientes comparada com as AMDRs – Acceptable Macronutrient Distribution Ranges
(INSTITUTE OF MEDICINE, 2002), que recomendam inges tão calórica, proveniente de
carboidrato entre 45 e 65%; de proteínas entre 10 e 35%; e de lipídeos entre 20 e 35%. Os
dados de ingestão de micronutrientes foram comparad os com as recomendações das DRIs
Dietary Reference Intakes (2005) de EAR Estimated A verage Requirements, que
recomendam, para indivíduos com as idades e sexos a nalisados, as seguintes quantidades de
nutrientes: Cálcio (800-100mg/dia), Ferro (5-6mg/di a), Magnésio (255-265 mg), Zinco (6,8
mg), Selênio (45 µg), Vitamina A (500 µg), Vitamina C (60 mg), Vtamina D (10mcg),
Vitamina E (12mg) e Triptofano (4mg/kg) (INSTITUTE OF MEDICINE, 2002).
O percentual de gordura foi avaliado através do Mon itor de Composição Corporal
Bioimpedância (BIODYNAMICS modelo 310), emite corre nte elétrica sub-limiar (800
µA, 50 kHz – freqüência única) que é um monitor que fornece de maneira rápida e pr ecisa
as quantidades de massa gorda, massa magra, água co rporal total, metabolismo energético
basal e peso ideal. Seu princípio está baseado na B ioimpedância Elétrica apresentando
níveis de correlação, comparado aos métodos mais pr ecisos existentes atualmente
(FORBES, 1999).
Consiste no emprego de quatro eletrodos fixados no hemicorpo direito das mulheres
avaliadas: na mão, próximos à articulação metacarpo -falângea da superfície dorsal; no pulso,
entre as proeminências distais do rádio e da ulna; no pé, no arco transverso da superfície
superior; e no tornozelo, entre os maléolos medial e lateral (EICKEMBERG et al., 2011)
Casuística e Métodos | 39
5.7.2 Avaliação Sócio-demográfica
Foram coletados e analisados os seguintes dados sóc io-demográficos: escolaridade,
estado civil, ocupação e paridade.
Houve a coleta 5 ml de sangue, por professional cap acitado, para que seja analisado o
lipidrograma, em relação a gordura corporal present e no organismo através do exame de
sangue. Foi informado a participante que no moment o da coleta de sangue poderia haver
alguma dor decorrente da punção da pele, ou uma peq uena perda de sangue da veia no local
da punção geralmente há um pequeno hematoma (mancha arroxeada) que desaparece em
poucos dias. As complicações de coleta de sangue rotineira são raras e geralmente de pequeno
porte. E as amostras serão armazenadas até o seu processamento.
5.7.3 Avaliação de escalas de ansiedade e depressão
Para avaliar sintomas ansiosos e depressivos foi ut ilizada a Escala hospitalar de
ansiedade e depressão – HAD (Hospital anxietyanddep ressionscale) (Anexo 05). É formada
por 14 itens divididos em duas subescalas, cada uma delas consta de sete itens bem definidos
para cada transtorno de humor, sendo que sete pesqu isam ansiedade (HAD-A) e sete
depressão (HAD-D). Para cada item existem quatro al ternativas com uma pontuação que vai
de 0 a 3. A soma da pontuação obtida para os itens de cada subescala fornece uma pontuação
total que vai de0 a 21. O ponte de corte para ansie dade é 8 e para depressão é 9. (Botegaet al
1998).
Casuística e Métodos | 40
5.7.4 Avaliação de escala unidimensional
- Escala analógica visual de dor
Consta de uma linha ininterrupta de 10cm de extensã o na qual a paciente é orientada a
marcar o ponto que corresponde à sua dor referida, lembrando que o início da escala (0)
corresponde à ausência de dor e o término da escala (10) corresponde à pior dor já vivenciada
(parto sem analgesia, infarto do miocárdio, dor de dente, litíase urinária) ou imaginada. Tem
como vantagem a simplicidade. É amplamente utilizad a independente do idioma, sendo
compreensível pela maioria dos pacientes.
5.7.5 Análise de dados
A confecção do banco de dados e das planilhas para a análise estatística, tabelas e
gráficos foram realizadas com auxílio dos aplicativ os Microsoft Office Excel® versão 7.0, a
planilha continha dados como número de registro das pecientes, nome, idade, estado civil,
paridade, peso, altura, índice de massa corporal, p erímetro do braço, perímetro da cintura,
perímetro do abdômen, perímetro do quadril, os valo res relacionados a relação da cintura
quadril, o resultados dos exames de bioimpedância (% gordura corporal, peso da gordura, taxa
metabólica basal, peso da massa magra, total de águ a corpórea), valores do teste HAD
ansiedade e depressão, valores obtidos com a Escala Visual análogica, o resultados do exame
de lipidrograma (Colesterol total, LDL – colesterol , HDL – colesterol, Triglicerides), e os
dados obtidos através do recordatório alimentar de 24 horas (Kcal, carboidratos, proteínas,
lipídios, gorduras saturas, gorduras monoinsaturada s, gorduras poli-insaturadas, colesterol,
Ausência
de dor
Pior dor
vivenciada
Casuística e Métodos | 41
fibra alimentar, vitamina A, vitamina C, vitamina D , vitamina E, cálcio, ferro, magnésio,
zinco, selênio e triptofano). A escolha dos micronu trientes que foram avaliados, se dá através
de pesquisas em relação ao tema endometriose e a re lação deste micronutrientes. Para a
edição de texto será utilizado o aplicativo Microso ft Word® versão 7.0 e os dados de
identificação pessoal codificado e mantidos sob sig ilo. Para cálculo e análise dos
recordatórios alimentares, foi utilizado o programa Diet Smart – Smardata soluções
inteligentes, mococa, 2015, que forneceu os resulta dos sobre os macronutrientes e
micronutrientes (Kcal, carboidratos, proteínas, lip ídios, gorduras saturas, gorduras
monoinsaturadas, gorduras poli-insaturadas, coleste rol, fibra alimentar, vitamina A, vitamina
C, vitamina D, vitamina E, cálcio, ferro, magnésio, zinco, selênio e triptofano).
5.7.6 Análise estatística
Os dados numéricos foram apresentados em valores de média, desvio-padrão e valores
mínimos e máximos. Inicialmente foi realizado uma a nálise exploratória de dados através de
medidas de posição central de dispersão e gráficos de normalidade. Devido a assimetria da
distribuição de algumas variáveis, um teste não par amétrico de Mann Whitney foi utilizado
para comparar as distribuições das variáveis quanti tativas em relação ao grupo com
endometriose e sem endometriose. Na comparação entr e grupos o nível de significância será
considerado quando p<0.05. O software utilizado par a análise estatística The SAS®
University edition. SAS Institute Inc. All Rights Reserved
Resultados | 42
6 RESULTADOS
6.1 Descrição das varíaveis demográficas
Foram convidadas a participar do estudo 122 mulhere s com diagnóstico clínico de
DPC secundário à endometriose e secundário à outras causas. Tomaram parte da avaliação 96
mulheres, sendo que destas 7 mulheres foram excluíd as, pois não se encaixaram nos critérios
de inclusão descritos no estudo, encontravam-se na menopausa período que interfere na
porcentagem de gordura corporal, restaram no entant o 91 mulheres sendo que 45 mulheres
foram diagnosticadas com DPC secundário a outras causas, denominado Grupo Controle (sem
endometriose) e 46 mulheres diagnosticadas com DPC secundário a endometriose,
denominado Grupo Caso (com endometriose). O período de recrutamento e avaliação foi de
abril de 2014 à outubro de 2015.
Tabela 1: Descrição e comparação das variáveis demo gráficas das mulheres avaliadas com endometrioses ( n=46)
e sem endometriose (n=45).
Variavéis Média DP Média DP
Idade (anos) 36,78 ± 7,58 38,33 ±7,42
Paridade 1,42 ±1,25 2,09 ±1,24
Estado civil n % n %
Casadas 31 68,89 34 73,91
Não casadas 14 31,11 12 26,09
Escolaridade n % n %
Primário 1 2,22 2 4,35
1º grau 16 35,56 15 32,6
2º grau 19 42,22 22 47,83
3º grau 9 20 7 15,22
Profissão n % n %
Trabalha 30 65,91 31 68,89
Não trabalha 15 34,09 15 31,11
Com endometriose
(n=46)
Sem endometriose
(n=45)
Resultados | 43
A média de idade das mulheres do grupo com endometr iose era de 36,78 anos ±7,58 e
do grupo sem endometriose 38,33 anos ±7,42, sendo q ue a maioria eram casada ou tinha uma
relação estável, 31 (68,89%) mulheres do grupo com endometriose e 34 (73,91%) mulheres
do grupo sem endometriose. De acordo com a escolari dade a maior concentração se dá no 1 e
2º Grau em ambos os grupos, sendo que 16 mulheres ( 35,56%) do grupo com endometriose e
15 mulheres (32,60%) do grupo sem endometriose freq uentaram até o 1 grau e 19 mulheres
(42,22%) do grupo com endometriose e 22 mulheres (4 7,83%) do grupo sem endometriose
frequentaram o 2ºgrau. Em relação a profissão 65,91 % (30 mulheres) do grupo com
endometriose e 68,89% (31 mulheres) do grupo sem en dometriose trabalham (tabela 1:
caracterização da amostra). È importante ressaltar que a maioria das mulheres com
endometriose apresentaram mais execesso de peso e o besidade dos que as mulheres sem
endometriose, embora não tenha diferença significativa.
6.2 Análise dos marcadores antropométricos
Tabela 2: Características nutricionais das mulheres avaliadas com endometriose (n=45) e sem endometrio se
(n=46) através da classificação do estado nutricional de acordo com o Índice de massa corporal – IMC.
Fonte: WHO, 2000
Observou-se na tabela 2 – classificação do IMC de a cordo com os grupos analisados
que 40% (n=18) das mulheres do grupo com endometrio se encontravam-se com sobrepeso e
no grupo sem endometriose 30,43% (n=14) das mulhere s, o que caracteriza maior parte da
com endometriose sem endometriose
IMC N (45) % N (46) %
18,5 – 24,9 9 20 9 19, 57
25 – 29,9 18 40 14 30,43
30 – 34,9 12 26,67 10 21,74
35 – 39,9 2 4,44 8 17,3 9
>40 4 8,89 5 10, 87 Obesidade (Grau III)
Classificação EN
Eutrofia
Sobrepeso
Obesidade (Grau I)
Obesidade (Grau II)
Resultados | 44
amostra de ambos os grupos estão com excesso de pes o. Entre as mulheres com endometriose
26,67% (n=12) foram classificadas como obesidade gr au I sendo que no grupo sem
endometriose 21,74% (n=10) houve um percentual menor, mas muito expressivo.
Tabela 3: Descrição das variáveis antropométricas ( IMC, perímetro do braço, perímetro da cintura, perí metro
abdominal, perímetro do quadril, relação da cintura quadril e % gordura corporal), valores expressos e m média
(± desvio padrão), mediana, minímo, máximo, das mul heres com endometriose (n=45) e sem endometriose
(n=46).
*IMC: Índice de Massa Corporal; ** PB: Perímetro do Braço; *** PC: Perímetro da Cintura; **** PA: Perí metro do
Abdômen; ***** PQ: Perímetro do Quadril; ****** RCQ: Relação da Cintura Quadril.
De acordo com a tabela 3 sobre os dados antropométr icos avaliados não há uma
diferença siginificativa entre as variavéis avaliad as. Em relação ao IMC o grupo com
endometriose encontra-se em sobrepeso (29,26 Kg/m 2 ± 6,23) de acordo com a média
apresentada, já o grupo sem endometriose apresenta obesidade leve (30,84 Kg/ m 2 ±6,22), é
importante resaltar que mesmo sem diferença signifi cativa (p. 0,2681) entre os grupos para a
variável do IMC eles se apresentam em classificação diferente de acordo com OMS, (1998).
Em relação o PA os dois grupos avaliados de acordo com OMS encontram-se com
com risco aumentado devido aos valores acima da med ia recomendada que é de > 88 cm
caracterizando risco aumentado para doenças cardiov asculares. O grupo com endometriose
apresenta média de 95,13 cm ±13,67 e o grupo sem en dometriose apresenta media de 98,39
cm ±14,33, demonstrando que ambos grupos apresenta um excesso de gordura na região
abdominal.
Variavéis antropométricas Média DP Mediana Minímo Máximo Média DP Mediana Minímo Máximo p.
IMC (Kg/m2)* 29,26 ±6,23 28,83 18,47 44,89 30,84 ± 6,22 29,75 21,6 44,29 0 ,2681
PB (cm)** 30,63 ±4,37 31 22 43 31,06 ±4,94 30 21 42 0,8329
PC (cm)*** 88,04 ±13,47 88 64 126 90,98 ±14,36 91 65 121 0,2477
PA (cm)**** 95,13 ±13,67 93 94 135 98,39 ±14,33 97,5 68 130 0,1195
PQ (cm)***** 106,4 ±12,97 105 78 144 107,2 ±12,71 107,5 75 131 0,4593
RCQ ****** 0,83 ±0,09 0,83 0,67 1,11 0,84 ±0,76 0,85 0,66 1,08 0,1937
% gordura (%) 34,92 ±6,1 35,1 22,7 47,2 36,01 ±6,22 36,8 15,66 47,3 0,2733
Com endomeriose (n=45) Sem endometriose (n=46)
Resultados | 45
Já na RCQ ambos os grupos caracterizou risco modera do, pois os valores encontram-
se abaixo de <0,85 de acordo com OMS, (1998), sabe -se que é uma variável importante para
analisar o risco para doenças cardiovasculares, ape sar do PA estar apresentar risco
aumentando os valores de RCQ para o grupo com endom etriose (0,83 ±0,09) e para o grupo
sem endometriose (0,84±0,76) estão abaixo dos valores recomendados.
A média de porcentagem de gordura avaliada para o g rupo com endometriose foi de
34,92% ± 6,1 e de 36,01 ±6,22 para o grupo sem endo metriose, sendo que a recomendação
adequada para esta variável é entre 15 – 25% de gor dura corporal, no entanto estas mulheres
apresentam uma média de porcentagem de gordura muito alta de acordo com a recomendação.
Conforme mostra a tabela 4 sobre a classificação do percentual de gordura em ambos
os grupos não houve nenhuma mulher que estivesse co m o nível de gordura abaixo do
recomendado e apenas 3 mulheres (6,67%) do com endo metriose e 2 mulheres (4,35%) do
sem endometriose encontravam-e com o percentual de gordura adequado. Mais da metade das
mulheres estão classificadas como muito alto a taxa de porcentagem de gordura no grupo sem
endometriose este valor ainda mais expressivo pois 27 mulheres representando 58,7% da
amostra, quanto que no grupo com endometriose 23 mulheres representando 51,1%.
Tabela 4: Descrição da classificação do percentual de gordura corporal das mulheres com endometriose ( n=45) e
sem endometriose (n=46) avaliado através do exame de bioimpedância elétrica.
Fonte: Lohman, 1987, adaptado de Heyward & Stolarczyk, 1996
Classificação Porcentagem
de gordura
n (45) % n
(46) %
Baixo 10 – 15% 0 0 0 0
Ótimo 15 -25 % 3 6,67% 2 4,35%
Moderadamen
te Alto 25 – 30% 6 13,33% 6 13,04%
Alto 30 – 35 % 13 28,89% 11 23,91%
Muito alto >30% 23 51,11% 27 58,70%
Com endometriose Sem endometriose
Resultados | 46
6.3 Escala de ansiedade e depressão
Na avaliação feita através da Escala hospitalar de ansiedade e depressão – HAD
(Hospital anxietyanddepressionscale) de acordo com a figura 1 observou-se que a média de
ansiedade para o grupo com endometriose foi de 9,97 e para o grupo sem endometriose 10,52
sem diferença significativa (p.0,5014) entre os gru pos, porém de acordo com o ponto de corte
estabelecido pela HAD para ansiedade seria 9, o que demonstra que ambos os grupos estão
acima deste ponto de corte apresentado níveis de ansiedade alterados.
Figura 1: Descrição da média de Ansiedade obtido at ravés da Escala hospitalar de ansiedade e depressão - HAD
das mulheres com endometriose (n=46) e sem endometriose (n=45).
Em relação a avaliação da Escala hospitalar de ansi edade e depressão – HAD para
depressão de acordo com a representação da figura 2 as mulheres do grupo com endometriose
apresentaram valores 8,24 e as mulheres do grupo se m endometriose 9,23 também sem
diferença significativa (p.0,1905) entre os grupos, o ponto de corte para depressão é de 9
sendo que somente o grupo controle apresentou valor acima do ponto de corte.
Resultados | 47
Figura 2: Descrição da média de depressão obtido at ravés da Escala hospitalar de ansiedade e depressão - HAD
das mulheres com endometriose (n=46) e sem endometriose (n=45).
6.4 Escala unidimensional – Escala análogica de dor - EVA
De acordo com a escala analógica visual de dor, que foi avaliada nestes dois grupos
obteve uma diferença significante p. 0,0375, onde o grupo com endometriose apresentou
média de 7,20 ±2,05 e o grupo sem endometriose médi a de 5,99 ±2,62, lembrando que a
variação da escala é de 0 a 10 e que 0 é a menor do r (ausencia de dor) e 10 a pior do sentida.
Apesar dos dois grupos apresentarem históricos de d or, o grupo com endometriose de acordo
com estudos e relato das mulheres apresentam uma maior intensidade de dor (conforme tabela
5).
Tabela 5: Descrição da média de valores obtidos atr avés da Escala Analogica visual de dor – EVA, das m ulheres
avaliadas com endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46)
EVA Média DP Mediana Mínimo Máximo p.
Com endometriose n (45) 7,2 ± 2,05 7,6 1 9 0,0375
Sem endometriose n (46) 5,99 ± 2,62 5,75 1 9,9
Resultados | 48
6.5 Análise bioquímica - Lipidograma
Segundo a avalição do lipidograma, através de análi se bioquímica apresentada na
tabela 6, observou-se que em relação ao colesterol total a média apresentada pelo grupo com
endometriose foi de 191,11 mg/dl ±41,04 e no grupo sem endometriose 198,15 mg/dl ±42,32
em ambos os grupos a média encontra-se abaixo do qu e é recomendado pela SBC (2015) que
taxa de colesterol total <200 mg/dl, classificado c omo ótimo, representando que não há uma
diferença significativa (p.0,2785) entre os grupos.
Tabela 6: Resultados da Média obtida através da aná lise bioquímica do exame de lipidrograma (Colestero l total,
LDL – colesterol, HDL – colesterol e Triglicérides) das mulheres avaliadas com endometriose (n=45) e s em
endometriose (n=46).
Em relação ao LDL – colesterol obteve-se como média 119,13 mg/dl ±41,04 para o
grupo com endometriose e 124,70 mg/dl ±40,66 (p.0,4 798), sendo que para ambos os grupos
apresentam taxas abaixo da recomendação (SBC, 2015) representando que as taxas de LDL-
colesterol estão desejáveis, que seria valores cons iderados entre 100 - 129 mg/dl. Para o HDL
– colesterol a média obtida para o grupo com endome triose foi de 45,90 mg/dl ±12,73 e no
grupo sem endometriose 51,50 ±28,54 (p.0,8550), con siderando que os valores adequados
para o mesmo está entre 40mg/dl e 60 mg/dl e ambos os grupos se encontram nesta taxa.
Sobre os valores de triglicérides a média encontrad a para o grupo com endometriose é de
111,62mg/dl ±52,85 e do grupo sem endometriose 115, 11mg/dl ±50,85 (p. 05228),
Variavéis
Média DP Mediana Minímo Máximo Média DP Mediana Míni mo Máximo p.
Colesterol Total (mg/dl) 191,11 ±41,04 186 131 316 198,15 ±42,32 191,5 85 295 0,2785
LDL (mg/dl) 119,13 ±41,04 186 0 228 124,70 ±40,66 121,5 31 2 31 0,4798
HDL (mg/dl) 45,90 ±12,73 46 0 68 51,50 ±28,54 44 27 183 0 ,855
Triglicérides (mg/dl) 111,62 ±52,85 102 35 99 115,11 ±50,85 115,5 37 3 04 0,5228
Sem endometriose n=46 Com endometriose n=45
Resultados | 49
caracterizando que estão abaixo do recomendado que são valores <150 mg/dl e que não houve
diferença significativa em relação a ánalise bioquímica dos grupos.
6.6 Ánalise recordatório alimentar – Calorias e macronutrientes
De acordo com a análise realizada através do record atório alimentar pode se observar
que a média de calorias ingeridas no dia do recorda tório no grupo com endometriose foi de
1633,76 kcal ±714,63 e do grupo sem endometriose 1 473,04 ±691,60, neste caso o grupo
com endometriose tem uma ingestão maior de calorias em relação ao grupo sem
endometriose, mas quando avaliado a taxa metabólica basal que foram analisados pelo exame
de bioimpedância as mulheres do grupo com endometri ose apresentam de taxa metabólica
basal (TMB) média menor 1462,31 Kcal ±186,36 compar ado ao grupo sem endometriose que
apresenta uma média de TMB maior 1504,57 ±273,15, m as que comparado ao valor
necessário de calorias diárias acrescido do fator atividade, neste caso utilizou-se o valor de 1,3
o grupo com endometriose apresenta menor quantide d e calorias diárias 1901 Kcal ±242,92
em relação ao grupo sem endometriose 1955,93 kcal ± 355,10, percebe-se que a diferença de
calorias entre os grupos são insignificantes, mas d e acordo com a ánalise do recordatório de
24 horas ambos os grupos estão ingerindo menos que o recomendado (tabela 7).
Tabela 7: Descrição do resultado dos micronutriente s através do recordatório alimentar de 24 horas (kc al –
calorias; carboidratos, proteínas e lipídios) das mulheres com endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46).
Avaliando os macronutrientes do recordatório alimen tar a ingestão média de calorias
provenientes dos carboidratos foi de 201,73 g ± 97, 61 para o grupo com endometriose e de
Variavéis Dietéticas
Kcal/dia Média DP Mediana Mínimo Máximo Média DP Mediana Mínimo Máximo p.
Calorias 24 hs 1633,76 ±714,63 1570 0 3479 1473,04 ± 691,60 14 36,5 314 3935 0,1398
Carboidratos g/dia 201.73 ±97,61 188.67 0 445.75 368.19 ±157, 45 180.81 31.68 523.00 0,9462
Proteínas g/dia 76.86 ±42,09 79.09 0 233.76 66.12 ±35, 91 63.36 9.58 198.83 0,1388
Lipidios g/dia 58.29 ±40,78 55.22 0 279.03 48.10 ±31, 53 40.66 9.33 164.09 0,0347
com endometriose n=45 Sem endometriose n=46
Resultados | 50
368,19g ±157,45 para o grupo sem endometriose, onde apesar das mulheres com endometriose ter
uma média menor na ingestão de carboidratos não houve diferença significativa entre os grupos
(p=0,9462). De acordo com a recomendação de RDA em gramas o valor médio para mulheres
desta faixa etária é de 130g/dia e os valores de AM DR (INSTITUTE OF MEDICINE, 2002),
apresentados no gráfico 3 – apresentam que 30,23% (n=13 mulheres) do grupo com endometriose
consumiram abaixo de 45% do recomendado de carboidr atos diários e no grupo sem
endometriose 26,19% (11 mulheres). Mais da metade das mulheres de ambos os grupos de
acordo com o recordatório de 24 horas estavam com a ingestão de carboidratos adequado (46 -
64%), no grupo com endometriose 55,81% (n=24 mulher es) e no grupo sem endometriose
61,90% (n=26 mulheres). Acima do recomendado (>65%) encontravam-se apenas 13,95% (n=6
mulheres) do grupo com endometriose e 11,90% (n=5 mulheres) do grupo sem endometriose. È
importante ressaltar que apesar do excesso de gordu ra apresentada pela maioria de ambos os
grupos o consumo de carboidratos pode não ser o principal causador deste excesso.
Figura 3: Ánalise e comparação do consumo de carboi dratos ingeridos pelas mulheres com endometriose (n =45)
e sem endometriose (n=46) avaliado através do recor datório alimentar de 24 horas comparados aos valore s de
Recomendação diária – DRIs.
30,23
55,81
13,95
26,19
61,9
11,9
0,00
10,00
20,00
30,00
40,00
50,00
60,00
70,00
Baixo do recomendado Adequado Acima do Recomendado
Ingestão de Carboidrato - Recordatório de 24 horas
com endometriose sem endometriose
Resultados | 51
A ingestão média de calorias provenientes proteínas foi de 76,86 g ± 42,09 para o
grupo com endometriose e de 66,12 ±35,91 para o gru po sem endometriose, neste caso o
grupo com endometriose teve uma maior ingestão de p roteínas em relação ao grupo sem
endometriose, não havendo diferença significativa e ntre a ingestão de ambos (p=0,1388). No
entanto a recomendação diária de proteínas em grama s para esta faixa etária é de 46g/dia e
ambos os grupos estão com media bem acima do ideal, 77,78% (n=33) das mulheres do grupo
com endometriose e 71,74% (n=31) das mulheres do gr upo sem endometriose consumiram
além da recomendação indicada. A porcentagem recom endada de acordo com AMDR para
ingestão total de calorias em relação a proteína é de 10 – 35 % (gráfico 4), sendo que no
grupo com endometriose apenas 2,22% (n=1) consumiu abaixo do recomendado (< 10%). A
quantidade de mulheres que consumiram a quantidade adequada (10 – 35%) de acordo com a
recomendação foi minima de acordo com a amostra tot al, no grupo com endometriose 11,11
% (n=5) e 13,04% (n=6) do grupo sem endometriose. S endo que 86,67% (n=39) do grupo
com endometriose e 86,89% (n=40) do grupo sem endom etriose ingeriram mais do que a
recomendação (>35%) de AMDR (INSTITUTE OF MEDICINE, 2002).
Figura 4: Ánalise e comparação do consumo de proteí nas ingeridos pelas mulheres com endometriose (n=45 ) e
sem endometriose (n=46) avaliado através do recorda tório alimentar de 24 horas comparado aos valores d e
Recomendação diária – DRIs.
2,22
11,11
86,67
0,00
13,04
86,96
0,00
10,00
20,00
30,00
40,00
50,00
60,00
70,00
80,00
90,00
100,00
Abaixo do recomendado Adequado Acima do Recomendado
Ingestão de Proteínas - Recordatório 24 horas
com endometriose Sem endometriose
Resultados | 52
A ingestão média de calorias provenientes lipídios (gorduras) foi de 58,29g ± 40,78 para o
grupo com endometriose e de 48,10 ±31,53 para o grupo sem endometriose, neste caso o grupo
com endometriose teve uma maior ingestão de lipídios em relação ao grupo sem endometriose,
demonstrando uma diferença significativa entre a ingestão de ambos (p=0,0347). O fato que esta
diferença não está associado aos valores de média de porcentagem de gordura apresentada pela
amostra, pois o grupo sem endometriose têm uma maior porcentagem e uma menor ingestão de
calorias provenientes dos lipídios, o que é observado também em relação ao colesterol total, LDL
– colesterol, HDL – colesterol e triglicéride no grupo sem endometriose. A recomendação diária
de lípidios em gramas para esta faixa etária é de 65g/dia e ambos os grupos apresentam media de
ingestão abaixo do recomendado. A porcentagem reco mendada de acordo com AMDR para
ingestão total de calorias em relação aos lipidios é de 20 - 35 % (gráfico 5), sendo que no grupo
com endometriose apenas 6,67% (n=3) consumiu abaixo do recomendado (< 20 %). A quantidade
de mulheres que consumiram a quantidade adequada (21 - 34%) de acordo com a recomendação
foi a maior parte de acordo com a amostra total, no grupo com endometriose 68,89 % (n=31) e
63,04% (n=29) do grupo sem endometriose. Sendo que 22,22% (n=10) do grupo com
endometriose e 23,91% (n=11) do grupo sem endometri ose ingeriram mais do que a
recomendação (>35%) de AMDR.
Resultados | 53
Figura 5: Ánalise e comparação do consumo de lipídios ingerid os pelas mulheres com endometriose (n=45) e
sem endometriose (n=46) avaliado através do recorda tório alimentar de 24 horas comparados aos valores de
Recomendação diária – DRIs.
6.7 Ànalise recordatório alimentar – Micronutrientes e aminoácido
Em relação aos micronutrientes foram analisados: vi taminas (A, C, E e D) e os
minerais (cálcio, ferro, magnésio, Zinco, Selênio) e um aminoácido (triptofano). Conforme a
tabela 8 a média de ingestão de vitamina A é de 300 ,53µg ±420,09 no grupo com
endometriose e no grupo sem endometriose 576,74 µg ±293,02 sendo que ambos os grupos
apresentam média de ingestão menor que o RDA que é de 700 µg/dia, sendo que destas
mulheres que se encontram com ingestão abaixo do re comendado 91,11 % (n=41) do grupo
com endometriose e 91,30% (n=42) do grupo sem endom etriose, que não houve diferença
significativa (0,1862) em relação a ingestão de vitamina A nos grupos.
A média de ingestão de vitamina C é de 144,58 mg ±2 88,42 no grupo com
endometriose e no grupo sem endometriose 111,48 mg± 128,57 sendo que ambos os grupos
apresentam média de ingestão maior que o RDA que é de 75 mg/dia. No grupo com
endometriose 62,22% (n=28) e no grupo sem endometri ose 56,52% (n=26) das mulheres
ingeriram quantidades maiores que as recomendadas pelo RDA. Sendo que 37,78% (n=17) do
grupo com endometriose e 43,48% (n=20) do grupo sem endometriose ingeriram quantidade
6,67
68,89
22,22
13,04
63,04
23,91
0,00
10,00
20,00
30,00
40,00
50,00
60,00
70,00
80,00
Abaixo do
recomendado
Adequado Acima do
Recomendado
Ingestão de Lípidios - Recordatório 24 horas
com endometriose sem endometriose
Resultados | 54
maior que o recomendado pelo RDA, não apresentando diferença significativa (p.04532) entre
os grupos.
Em relação a média de ingestão de vitamina E é de 1 1,04 mg ±7,50 no grupo com
endometriose e no grupo sem endometriose 8,53 mg±3, 78 sendo que ambos os grupos
apresentam média de ingestão maior que o RDA que é de 75 mg/dia. No grupo com
endometriose 62,22% (n=28) e no grupo sem endometri ose 56,52% (n=26) das mulheres
ingeriram quantidades maiores que as recomendadas pelo RDA. Sendo que 37,78% (n=17) do
grupo com endometriose e 43,48% (n=20) do grupo sem endometriose ingeriram quantidade
maior que o recomendado pelo RDA, sem diferença significativa (p. 0,2353) entre os grupos.
O grupo com endometriose apresenta uma média de ingestão de vitamina D de 1,92 µg
±2,46 e no grupo sem endometriose 20,17 µg ±10,48 s endo que a ingestão recomendada pelo
RDA é de 5 µg/dia e o grupo com endometriose aprese ntam média de ingestão abaixo do
recomendado, e o grupo sem endometriose tem média d e ingestão superestimada em relação
ao RDA. No grupo com endometriose 86,67% (n=39) e n o grupo sem endometriose 93,48%
(n=43) das mulheres ingeriram quantidades abaixo qu e as recomendadas pelo RDA. Sendo
que 13,33% (n=06) do grupo com endometriose e 6,52% (n=9) do grupo sem endometriose
ingeriram quantidades maiores que o recomendado pelo RDA.
Tabela 8: Descrição do resultado dos micronutriente s do recordatório alimentar de 24 horas (Vitamina A , C, D,
E, cálcio, ferro, magnésio, zinco, selênio e tripto fano) das mulheres com endometriose (n=45) e sem
endometriose (n=46).
Variavéis Dietéticas
Micronutrientes Média DP Mediana Mínimo Máximo Média DP Mediana Mínimo Máximo p.
Vitamina A mcg 300, 53 ±420,09 130.26 0 1970.87 576.74 ±29 3,02 84.27 0.00 1558.81 0,1862
Vitamina C 144.58 ±288,42 42.18 1,44 1757.96 111.48 ± 128,57 66.22 1.44 602.67 0,4532
Vitamina E 11.04 ±7,50 10.80 0,56 33.75 8.53 ±3 ,78 8.87 0.56 16.31 0,2353
Vitamina D mcg 1.92 ±2,46 0.50 0 10.49 20.17 ±10,48 0 .51 0.00 690.20 0,4543
Calcio 486.95 ±402,68 347.24 37,76 1909.73 369.94 ±281,28 275.50 37.76 1445.14 0,2171
Ferro 11.54 ± 6,86 11.50 1,45 35.24 22.15 ±75 ,77 9.35 1.57 523.26 0,9399
Magnesio 185.38 ±94,08 176.05 3,45 378.30 163.79 ±11 1,78 145.57 3.45 627.51 0,153
Zinco 11,46 ±9,98 9.34 0 59.10 8.17 ±7,77 5. 72 0.00 30.67 0,0417
Selenio 24.58 ±22,48 15.51 0 96.15 27.81 ±26,10 2 1.58 0.00 129.23 0,5649
Triptofano 506.55 ±407,89 509.53 0 2061.15 373.57 ±392, 48 310.62 0.00 2014.40 0,0494
Com endometriose n=45 Sem endometriose n=46
Resultados | 55
D
ando continuidade a ánalise da tabela 8 , os valores de recomendados pelo RDA para
ingestão de cálcio diária é 1000 mg, a média de ing estão de Cálcio 486,95 mg ±402,68 do
grupo com endometriose e no grupo sem endometriose 369,94 mg ±281,28 observa-se que
ambos os grupos apresentam média de ingestão de cálcio em relação ao recordatório analisado
abaixo do recomendado, sendo que no grupo com endom etriose 88,89% (n=40) e no grupo
sem endometriose 97,83% (n=45) das mulheres ingerir am quantidades abaixo que as
recomendadas pelo RDA. Sendo que 11,11% (n=05) do g rupo com endometriose e 2,17%
(n=1) do grupo sem endometriose ingeriram quantidad es maiores que o recomendado pelo
RDA. Sem diferença estásticas (p.0,2171) significativa entre os grupos.
Sobre a ingestão média de ferro a recomendação é 18 mg/dia segundo RDA. A média
apresentas pelos grupos foram 11,54 mg ±6,86 no gru po com endometriose e no grupo sem
endometriose 22,15 mg ±75,77, o que demonstra que o grupo com endometriose teve uma
média de ingestão abaixo do recomendado (18mg/dia). Mas 88,89% (n=40) do grupo com
endometriose teve uma ingestão maior que o recomend ado, apesar da média de ingestão estar
abaixo do recomendado. No grupo sem endometriose 80,43% (n=37) teve uma ingestão acima
da ingestão recomendada. não houve diferença estást icas significativa (p. 0,9399) entre os
grupos avaliados.
Em relação a ingestão de magnésio também não houve diferença estásticas (p. 0,1533)
significativa entre os grupos. O RDA recomenda uma ingestão de 320 mg/dia. Ambos os
grupos tiveram ingestão média abaixo do recomendado , o grupo com endometriose teve uma
ingestão média de 185,38 mg ±94,08 e o grupo sem en dometriose 163,79 mg ±111,78. Destes
88,89% (n=40) do grupo com endometriose e 91,30% (n =42) do grupo sem endometriose
ingeriram menor quantidade de magnésio de acordo com a recordatório analisado.
O zinco apresentou uma diferença estástica significante (p.0,0417) em relação aos dois
grupos analisados. O grupo com endometriose teve um a ingestão média 11,46 mg ±9,98 e o
Resultados | 56
grupo sem endometriose 8,17mg ±7,77, onde ambos os grupos tiveram ingestão maiores que a
recomendação, mas o grupo com endometriose teve uma maior ingestão comparando os dois
grupos. Dentro da ingestão abaixo do recomendado a grupo sem endometriose apresentou
uma quantidade maior das mulheres avaliadas 65,22% (n=30) e no grupo com endometriose
44,19% (19), as que ingeriram uma quantidade maior que a recomendação é maior no grupo
sem endometriose 55,81% (n=24) do grupo com endometriose e 34,78% (n=16) do grupo sem
endometriose.
Já o selênio não apresentou diferença estásticas si gnificativa (p. 0,5649) entre os
grupos avaliados. Ambos tiveram uma média de ingest ão abaixo da recomendação de RDA
(55 mg/dia). O grupo com endometiose apresentou méd ia de ingestão de 24,58 mg ±22,48 e o
grupo sem endometriose 27,81 mg ±26,10. O percentua l de ingestão do grupo com
endometriose 84,44% (n=38) e do grupo sem endometri ose 89,13% (n=41) apesar de estar
com ingestão média abaixo do recomendado uma grande parte das avaliadas em amabos os
grupos estavam ingeriram mais que o recomendado.
O aminoácido triptofano apresentou diferença signif icativa (0,0494) entre os grupos
avaliados. A recomendação diária (RDA) para triptof ano é 5 mg/dia. O grupo com
endometriose teve uma média de ingestão de 506,55 m g ±407,89 e o grupo sem endometriose
373,57 mg ±392,48. Entre as mulheres avaliadas 93,3 3% (n=42) do grupo com endometriose
estavam ingerindo mais do que a recomendação e 84,78% (n=39) do grupo sem endometriose.
Discussão | 57
7 DISCUSSÃO
Neste estudo foram avaliados os parâmetros antropom étricos em mulheres com DPC
(secundário a endometriose (grupo caso/ com endomet riose) e secundária a outras causas
(grupo controle/ sem endometriose)), através do exa me de bioimpedância, avaliação
antropométrica (peso, altura, IMC, PC, PA, PQ). Aná lise do recordatório de 24 horas
(Macronutrientes – carboidratos, proteínas e lipídi os e os micronutrientes – vitminas e
minerais e aminoácido), avaliação de dor através da EVA e escore de Ansiedade e Depressão
através HAD. Demonstrando que as mulheres com sobre peso de acordo com o IMC são na
sua maioria do grupo com endometriose, mas as mulhe res do grupo sem endometriose
apresentam uma maior porcentagem de gordura corpora l e também uma ingestão calórica
maior que o grupo das mulheres com endometriose, ap esar de ambos os grupos ingerirem
quantidades menores que o recomendado. Em relação a ingestão de zinco, onde apresentou
uma diferença significativa em ambos os grupos, per cebe-se que o grupo com endometriose
têm uma ingestão maior do que o grupo sem endometriose.
Poucos são os estudos que avaliaram nutricionalment e e antropometricamente
mulheres com DPC (secundária a endometriose e secun dária a outras causas). Alguns
pesquisadores sugeriram que a dieta pode contribuir positivamente reduzindo sintomas e
controlando o estresse oxidativo sistêmico através do alto consumo de nutrientes
antioxidantes ou pelo fornecimento destes nutriente s sob a forma de suplementos. O primeiro
artigo científico que aborda o assunto, foi publica do em 2004. Os autores Avaliaram 504
mulheres com idade entre 20 e 65 anos, através de u m questionário de freqüência alimentar,
onde descobriram que a ingestão de frutas, verduras e legumes estão associados ao baixo risco
de desenvolver a endometriose, quanto que o consumo de embutidos foi identificado como
um fator de risco para o desenvolvimento da doença (Parazzini et al, 2004). O presente estudo
Discussão | 58
mostra que o grupo com endometriose apresenta um n maior de mulheres com sobrepeso (25
Kg/m 2 – 29,9 Kg/m 2) e com obesidade grau I (30 Kg/m 2 - 34,9 Kg/m 2) do que o grupo sem
endometriose (tabela 2). Em um estudo realizado por Ferrero, Anserini et al. , (2005) mostra
que as mulheres com endometriose têm menor IMC, rar amente são obesas em relação ao
grupo sem endometriose avaliado. O que pode se obse rvar neste estudo que a maior parte das
mulheres encontram-se com obesidade grau II (35 Kg/ m 2 - 40 Kg/m 2). A obesidade está
associada com aumentos significativos tanto em morb idade e mortalidade; os obesos estão
mais propensos a ter condições de comorbidade inclu indo a hipertensão, dislipidemia,
diabetes de tipo II mellitus, doença cardíaca, acid ente vascular cerebral, disfunção pulmonar
coronária, e outras doenças crónicas (GUIDELINE, 19 98). Algumas pesquisas sugerem que a
endometriose está associada com o baixo peso medido pelo IMC (Viganò et al., 2012). No
entanto, o IMC é um marcador de massa corporal tota l, sem subdividir a massa gorda, massa
magra, ossos e etc. Além de não refletir a distribu ição de Gordura corporal (Deurenberg, Yap,
& van Staveren, 1998; Shah & Braverman, 2012).
De acordo com Ferrero, et al, 2005 & Ayas, 2012 nã o foi estabelecida qualquer
correlação definitiva entre a presença de endometri ose e os valores de IMC. O estudo mostra
que mulheres com endometriose têm menor IMC, freqüe ntemente são magras e não
apresentam obesidade em relação aos indivíduos cont roles. O que se observa-se contrastante
em nosso estudo é que ambos os grupos apresentam IM C acima do que é considerado
adequado (24,9 Kg/m 2), onde grupo com endometriose apresenta sobrepeso (29,26 Kg/m 2
±6,23) e o grupo sem endometriose apresenta obesida de (30,84 Kg/ m 2 ±6,22), diferindo de
diversos estudos. A obesidade está associada com a umentos significativos na morbidade e
mortalidade, sendo os pacientes obesos mais propens os a terem condições comórbidas como
hipertensão, dislipidemia, diabetes Mellitus tipo I I, doença cardíaca coronária, acidente
Discussão | 59
vascular cerebral, disfunção pulmonar, entre outras doenças crônicas assim como o agravo da
endometriose.
McCann Et al, 1993 descobriram que a endometriose está inversamente relacionada
com a relação cintura / quadril (RCQ) e relação cin tura / coxa (RCC) em mulheres <30 Anos
de idade, mas não observaram diferenças significati vas. De acordo com nosso estudo (tabela
3) os valores apresentados de RCQ entre os grupos t ambém não apresentam diferença
estastistica significativa sendo a única relação av aliada no estudo. Assim também não
apresentou diferença deste estudo para o estudo de Darrow, 1994 & Sangi-Haghpeykar,
Poindexter, 1995 que mulheres com endometriose comp aradas a um grupo sem endometriose
não apresentaram correlação entre endometriose e o IMC. Estes estudos estão em contraste
com os Signorello et al, 1997 que descobriram que o risco de endometriose está positivamente
associada à altura e inversamente associado ao peso e IMC.
O percentual de gordura das mulheres com DPC apres entado neste estudo foi acima
dos níveis recomendados para a saúde WHO, (1998). A pesar de haver poucos estudos de
composição corporal relacionados a mulheres com DPC e suas causas secundárias como a
endometriose podemos compreender este percentual au mentado provavelmente devido a
alguns fatores como sedentarismo, hábitos alimentares, alterações metabólicas e predisposição
genética de cada mulher, Lins e Sichieri (2001). Se gundo WING et al., (1991) e LEY et al.
(1992), a média de ganho de peso corporal na perime nopausa é estimada em 2 a 4 Kg em três
anos, com aumento de 20% na gordura corporal total. Neste estudo a media de idade das
mulheres avaliadas corresponde a fase perimenopausa.
Em um estudo feito por Ayas, et al, (2012) que aval iou 73 mulheres sendo 36 com
endometriose e 37 sem endometriose, observou que o IMC e a porcentagem de gordura
corporal não foram estatisticamente diferentes (p> 0,05). O IMC médio foi de 25,68 Kg/ m 2 ±
5,34, apresentando mulheres com endometriose com so brepeso assim como neste estudo
Discussão | 60
(29,26 Kg/m 2±6,23) e Em relação ao grupo controle de Ayas, et a l, (2012), o IMC médio foi
de 24,37 Kg/m 2 ± 3,52, enquanto que neste estudo apresentou-se ma is alto (30,84 Kg/m 2
±6,22) do que o grupo com endometriose e consequentemente uma maior porcentagem de
gordura (36,01%) classificada como muito alta també m e contrastando no mesmo estudo que
encontrou 23,70% no grupo de controle. Em relação a porcentagem de gordura encontrou
20,78% no grupo com endometriose considera como ade quada de acordo com a classificação
de Lohman, 1987 adaptado por Heyward & Stolarczyk, 1996, enquanto que neste estudo as
mulheres com endometriose apresentaram 34,92 % de g ordura sendo classificadas com muito
alta a taxa de gordura.
Um estudo realizado por Gurian, et al, 2014 no mesmo departamento de Ginecologia e
obstetrícia que este estudo, teve como objetivo ana lisar parâmetros antropométricos (IMC e
%GC), a dor clínica e a dor experimental em mulhere s com DPC, revelou que 50 (54,8%) das
91 mulheres avaliadas apresentou a porcentagem de g ordura corporal > 32, ou seja, risco de
doença associada a obesidade de acordo com (Heyward & Stolarczyk 1996).
A endometriose é uma das doenças ginecológicas mas que podem acarretar a uma
considerável perturbação física, psicológica, causa ndo um impacto social na vida da paciente
(Friedl, et al, 2015). A qualidade de vida é afetad a de maneira complexa pela saúde física,
estado psicológico, nível de independência, relacio namentos sociais, crenças pessoais e
relação com as características salientes do seu amb iente, mulheres com endometriose relatam
maior nível de estresse e maiores escores de depres são, especialmente aqueles com
endometriose estágio 3 e 4 (Siedentopf, et al, 2008; Friedl, et al, 2015).
Friedl, et al, 2015 em seu estudo sobre o Impacto d a endometriose na qualidade de
vida, ansiedade e depressão, avaliou 123 mulheres (sendo 61 mulheres sem endometriose e 62
mulheres com endometriose) utilizou a escala HAD, o nde a presença de ansiedade foi
detectada 29% (n = 18), das mulheres com endometrio se. No grupo de controle, 15,7% (n =
Discussão | 61
10) apresentaram ansiedade. Em relação aos sintoma s de depressão 14,6% (n = 9) das
mulheres com endometriose apresentaram sintomas de depressão. No grupo controle os
sintomas depressivos foram encontrados em 15,7% (n = 10).
Visscher, Lobbezoo et al. , 2004 relata em seu estudo que a intensidade da dor tem uma
grande importância na prática clínica e é reconheci da como uma das mais relevantes
experiências de dor subjetiva. A EVA uma medida com estrutura unidimensional é
considerada a avaliaçao da dor limitada à dimensão de intensidade, com o intuito de verificar
a eficiência de determinados tratamentos, diversos estudos têm utilizado essa escala para
mensurar a dor, tanto clínica e experimental. Estud os realizados através de ensaios clínicos
randomizados e estudos clínicos, a EVA está entre a s escalas de dor amplamente utilizada em
que objetivam verificar a eficiência de terapêutica s e comparar a eficácia de diferentes
tratamentos ativos. Mostrou-se eficaz para avaliar o resultado dos tratamentos propostos em
alguns estudos em RCT aplicados em mulheres com DPC de causas diversas utilizaram a
EVA como desfecho primário e, como nesse estudo. (Z ullo, Palomba et al. , 2003; Abbott,
Jarvis et al. , 2006; Haugstad, Haugstad et al. , 2008; Stratton, Sinaii et al. , 2008; Daniels, Gray
et al. , 2009; Walch, Unfried et al. , 2009; Gerlinger, Schumacher et al. , 2010).
O tecido adiposo esta envolvido no desenvolvimento de endometriose através de vias
imunológicas (Lumeng et al., 2007). As mulheres com endometriose têm concentração de
marcadores de peroxidação lipídica no sangue e flui do peritoneal, que promove a adesão
celular e ativação de macrófagos. Estes, por sua ve z, liberam oxigênio e nitrogênio, levando à
formação de stress (Halpern, et al, 2015). A predominância do macrófago M2 indica ação anti
– inflamatória e promove angiogenese e restauração dos tecidos, enquanto que o a
predominância dos macrófagos M1 promove a inflamaçã o inibindo a angiogenese e
remodelação tecidual. Quanto maior a quantidade de gordura corporal presente maior a
Discussão | 62
predominância de macrófagos M1, com possibilidade d e maior presença de dor. (Lumeng et
al., 2007; Brown et al., 2012; Jetten et al., 2014; Ruffell et al., 2009).
A presença de fatores de angiogênese é observada em maior quantidade na pelve de
mulheres com endometriose (Weitz-Schmidt, 2006). Es tudos experimentais mostram que
estatinas diminuem efetivamente processos inflamató rios, elas representam as classes de
drogas que efetivamente podem baixar os níveis séri cos de colesterol, sendo largamente
usadas no tratamento de hipercolesterolemia, pois t êm efeito inibitório na multiplicação
celular e modulam negativamente a proliferação endo metrial e a angiogênese (Barsante, et al,
2005; Carloni et al, 2006; Corsini et al, 1997). As estatinas possuem atividade antioxidante
intrínseca, sendo a sinvastatina citada como a mais efetiva. Contribui também na
etiopatogenia da endometriose o estresse oxidativo, uma vez que as mulheres com
endometriose apresentam níveis elevados de autoanti corpos que são marcadores do estresse
oxidativo (Esfandiari et al, 2005; Taylor, et al, 2002).
Através de um desequilibrio causado entre pró-oxida nte e os antioxidantes ocorre o
estresse oxidativo, isto se dá através do aumento d os níveis de espécies reativas de oxigênio
(EROS) e/ ou de espécies reativas de nitrogênio (ER NS) ou de uma diminuição nos
mecanismos defesa (Diplock, 1994). Uma produção exc essiva de EROS, pode afetar o
sistema de defesa antioxidante natural, causando um ambiente inadequado para as reações
fisiológicas femininas, podendo por sua vez levar a doenças reprodutivas, incluindo a
endometriose, Síndrome do Ovário poliscitico (SOP) e infertilidade inexplicada. Foi sugerida
a possibilidade de a endometriose ser uma doença or iginada ou associada ao estresse
oxidativo (Murphy, Santanam, Parthasarathy, 1998; Petean et al, 2007).
A dieta é um fator de risco potencialmente modificá vel para a endometriose, por sua
vez é considerada uma condição crônica e progressiv a, poucos estudos têm-se centrado na
compreensão e na relação mecanicista entre a ingest ão dietética específica e o risco de
Discussão | 63
endometriose. No entanto, uma série de estudos epid emiológicos têm implicado dietas
específicas para a endometriose na população em ger al. Por exemplo, o consumo de peixes
ricos em ácidos graxos como o ômega 3, vegetais ver des, frutas e produtos lactéos não estão
associados com risco aumentado de endometriose. Por outro lado, à ingestão de carne
vermelha, gorduras trans e goduras saturadas foram associadas a um risco aumentado para p
desenvolvimento da doença (Heard, et al, 2016; Para zzini, et al, 2004; Harris, et al, 2013;
Missmer, et al, 2010).
Os ácidos graxos são conhecidos, pois aumentam os níveis sistêmicos IL-6 e outros
marcadores inflamatórios, que se apresentam em conc entrações mais elevadas entre as
mulheres com endometriose (Heard, 2016; Bedaiwy et al, 2002). Portanto, o consumo de uma
dieta rica em antioxidantes, podem proteger as mulheres contra o desenvolvimento da doença.
No entanto, a ligação entre excesso de peso, dietas e risco de endometriose permanece incerto
(Bedaiwy et al, 2002; Mier-Cabrera, et al, 2009; Carvalho, et al, 2012).
As vitaminas A, C e E são nutrientes antioxidantes que previnem a peroxidação
lipídica, um fenômeno que contribui para o desenvol vimento e progressão de doenças
crônicas com características inflamatórias. O impac to da dieta sobre os elementos da
patogênese da endometriose, incluindo o estresse ox idativo, níveis de estrogénio e
metabolismo das prostaglandinas. Estas mesmas vitam inas A, C e E podem estar envolvidas
na remoção de radicais livres e espécies reativas d e oxigênio (EROS), que implicam no
crescimento e adesão de células endometriais na cav idade peritoneal em mulheres com
endometriose (Jackson, Schisterman, Dey-Rao, Browne, Armstrong, 2005).
De acordo com o estudo de coorte prospectivo realiz ado por Darling, et al, 2006, as
vitaminas do complexo B, em especial a piridoxina ( B6), aumentam o metabolismo do
estrogénio numa forma inativa e auxilia na transfor mação de ácido Linoleico ao ácido gama-
linolénico, componente essencial da produção da sér ie 1 Prostaglandinas anti-inflamatórias, o
Discussão | 64
que inibiria a ação destas prostaglandinas inibindo o crescimento do tecido endometrial.
Corroborando com esses dados, Mier-Cabrera et al, ( 2009), encontraram uma redução nos
marcadores de estresse oxidativo em pacientes com e ndometriose com administração de uma
dieta rica em vitaminas A, C e E durante quatro meses.
Além de sua ação conhecida sobre o metabolismo ósse o a vitamina D tem sido
extensivamente estudada pelo seu efeito anti-inflam atórios, imunomodulador e ação
antiproliferativa (Halpern, Schor, Kopelman, 2014).
No estudo de Lasco, Catalano, Benvenga, 2012, que u tilizou uma dose de 300.000 UI
de vitamina D antes do período menstrual, houve uma redução da dor e do uso dos
antiinflamatórios não esteroidais (AINEs) durante o período comparando com o grupo
placebo, apresentou uma resposta melhor nas pacient es que relataram maior intensidade de
dor no início do estudo.
Conclusão | 65
8 CONCLUSÃO
Os dados apresentados neste trabalho nos permitiram concluir que:
• Os grupos com endometriose e sem endometriose avali ados de acordo com
os dados antropométricos principalmente quanto a po rcentagem de gordura não
apresentaram estastiscamente diferenças significativas.
• Em relação a avaliação de dor através da escala unidimensional EVA (escala
análogica de dor) o grupo com endometriose apresent ou uma diferença significativa
em relação ao grupo sem endometriose.
• Sobre a avaliação bioquímica do lipidograma, também não houve diferença
significativa entre os grupos e nem valores conside rados acima do valor estabelecido
pela SBC.
• A análise do recordatório alimentar de 24 horas dem onstrou em relação aos
macronutrientes uma diferença significativa em rela ção aos lipídios (gorduras)
consumidas para o grupo com endometriose.
• A análise do recordatório alimentar de 24 horas dem onstrou em relação aos
micronutrientes uma diferença significativa em rela ção ao mineral zinco e ao
aminoácido triptofano, sendo que o grupo com endome triose em ambos os casos
obteve um maior consumo.
Referências Bibliográficas | 66
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Anexos | 75
ANEXOS
Anexo I: Aprovação do Comitê de ética.
Anexos | 76
Anexo II: Termo de Consentimento Livre Esclarecido
Anexos | 77
Anexos | 78
Anexos | 79
Anexo III: orientações para realização do exame
Anexos | 80
Anexo IV: Modelo do resultado de Bioimpedância
Anexos | 81
Anexo V: Escala de Ansiedade e Depressão Hospitalar
Apêndices | 82
APÊNDICES
Apêndice I: Questionário para avaliação
Apêndices | 83
Apêndices | 84
Apêndices | 85
Apêndice II: Recodatório alimentar de 24 horas