{"paper_id":"1d0985d9-6655-49e4-bf5c-a320871ccb6d","body_text":"UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO \nFACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO \n \n \n \n \n \nJOYCE BEATRIZ DA SILVA  \n \n \n \n \nAvaliação antropométrica em  \nmulheres com dor pélvica crônica \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nRibeirão Preto- SP \n2017 \n\n \n \nJOYCE BEATRIZ DA SILVA \n \n \n \n \n \n \nAvaliação antropométrica em  \nmulheres com dor pélvica crônica \n \n \n \n                                     \n \n \n \n \n \nOrientador: Dr. Júlio César Rosa e Silva \n \n \n \n \nRibeirão Preto – SP \n2017 \nDissertação apresentada a Faculdade de \nMedicina de Ribeirão Preto da Universidade de \nSão Paulo para a obtenção do título de Mestre \nem Ciências Médicas.     \nÁrea de Concentração: Ginecologia e \nObstetrícia  \n \n\n \n \nAUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL  DESTE \nTRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔN ICO, \nPARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE.  \n   \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nFicha Catalográfica \n  \n  \n  \n  \n  \n   \n \nSilva, Joyce Beatriz  \n  \nAvaliação antropométrica em mulheres com dor pélvic a crônica, \n2017.   \n  \n85p. Il. 30cm. \n \nDissertação de mestrado apresentada à Faculdade de Medicina de \nRibeirão Preto da Universidade de São Paulo/USP – Á rea de Concentração: \nGiencologia e Obstetrícia, opção Biologia da Reprodução.   \n  \nOrientador: Rosa-e-Silva, Júlio César  \n  \n1. Dor pélvica crônica, 2. Endometriose,  \n3. Análise da Porcentagem de gordura, 4. Análise alimentar, 5. Dislipidemia. \n \n\n \n \nFOLHA DE APROVAÇÃO \n \n \nJoyce Beatriz da Silva \n \nAvaliação antropométrica em mulheres com dor pélvica crônica. \n \nDissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de \nMedicina de Ribeirão Preto da Universidade de São \nPaulo, para obtenção do Título de Mestre . Área de \nconcentração: Clínica Médica.  \n \n \n \n \n \nAprovado em: \n \nBanca Examinadora \n \n \n \n \n \nProf. Dr.: ___________________________________________________________________   \nInstituição:______________________________Assinatura: __________________________  \n \nProf. Dr.: ___________________________________________________________________   \nInstituição:______________________________Assinatura: __________________________  \n \nProf. Dr.: ___________________________________________________________________   \nInstituição:______________________________Assinatura: __________________________  \n \n\n \n \nDEDICATÓRIA \n \nDedico este trabalho aos meus pais Luiz Alcalino da  Silva (in memoriam) e Neuza \nAparecida Chieregato da Silva, que sempre me ensina ram o caminho da verdade e \nhonestidade e que apesar das dificuldades me ensina ram a correr atrás dos sonhos. Meu muito \nobrigada a vocês que me deram a oportunidade de viver e trilhar caminhos desconhecidos sem \nme sentir sozinha. \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n \n \nAGRADECIMENTOS \n \nAgradeço a Deus que por me fortalecer todos os dias  para percorrer caminhos com \ndeterminação, força, coragem e fé. \nAgradeço em especial a Maria Beatriz Ferreira Guria n que posso dizer ser a \nresponsável por inicar e finalizar este trabalho, e la que me incentivou, auxiliou que me levou \npela mão e nunca exitou em ajudar. \nAo meu Orientador o Prof. Dr. Julio Cesar Rosa e Si lva, que me acolheu e acreditou \nem mim, mesmo quando nem eu mesmo acreditava, fico desprovida de palavras para retribuir \ntoda a atenção, dedicação, preocupação, disponibili dade. Por sempre estar pronto a transmitir \nseus conhecimentos sem exitar.  \nAo meu companheiro de longas datas Celso, pelo comp anheirismo atenção e carinho, \npela disponibilidade que sempre teve em me ajudar, pelos puxões de orelha que sempre me \ndeu, tentando mostrar que sempre há uma nova forma de resolver pequenos empecilhos, sem \nsofrer por antecipação e sem fazer a tempestade que  sempre faço. Por me emprestar seu \nombro para desabafar e por todas as palavras de enc orajamento, que me ajudou muito a \nchegar até aqui e não me deixou desaminar. \nA minha família meus irmãos (Jairo e Jean), as minh as cunhadas (Sheila, Hadí e \nDaniela) e aos meus sobrinhos (Letícia, Brenda, Vic tor, Bianca, Ana Karolina, Eduarda \nKaroline e Bruna) estes que se espelham na minha bu sca profissional e acreditam na \nminha capacidade, até mais do que eu, que tiram o s ossego, o silêncio mas trazem imensas \nalegrias.  \nA minha tia mãe Zenaide Chieregato, por ser muito p resente em nossas vidas, em \ntodos os momentos principalmente nas perdas, que ch ora junto pelas nossas tristezas, e que \nchora e também se alegra muito com nossas conquista s. Aos meus tios (Luiz César e Leila) \npor serem presentes em minha vida e sempre acredita r em mim. Aos tios Zilda Chieregato e \nJoão Matheus e seus filhos João Paulo e Josiane e e m especial Jaqueline que sempre foi um \nexemplo de pessoa e profissional, que mesmo distant e me apoiou e acreditou em mim no \nmomento delicado de minha vida, serei eternamente grata. \n\n \n \nAgradeço aos meus verdadeiros amigos, aqueles que s em interesse se preocuparam e \nainda se preocupam, Luciene Carrijo, Lilian Mendonç a (a mais nova na lista de verdadeiros e \neternos), Mariza Manochio Branco, Rosa Maria Ferrei ra, especial Silvana Prado (in \nmemoriam), que mostrou-me o quanto é importante viv er e para ser feliz depende única e \nsimplesmente de nós mesmos, que nós podemos trilhar  nosso caminho, lembrando que as \ndificuldades sempre existiram, mas que devemos ter jogo de cintura para saber dribla-lá e \nchegar a uma final feliz. \nAos amigos que conquistei durante este período de pesquisa, Ana Paula Moreira, Kalil \nTawasha e em especial Andréia Mitidieri que me ensi nou valor de um amigo e que nunca \nhesitou em me ajudar e se doar, muito obrigada.  \nAgradeço a Océlia (a enfermeira braço direito, pois  sem ela jamais teria conseguido \nalcançar estes resultados, muitos sanguinhos tirado s). A Suellen Soares secretária do \ndepartamento pela paciência em explicar e auxiliar sempre que necessário. A Suleimy a \nestatística que com toda sua paciência e dedicação, me ajudou nos resultados. Enfim agradeço \na todos aqueles que direta ou indiretamente que mes mo sem citar nomes estiveram presentes \nnesta conquista, pois com certeza um sonho que se s onha só é apenas um sonho, mas um \nsonho que se sonha junto é realidade. \n  \n\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n“Nossos pensamentos podem ser nosso grande \ninimigo ou nosso maior defensor e amigo. \nA nossa maneira de pensar é a nossa prisão ou a \nchave dela.\" \n(Silvana Prado, 1998)  \n \n \n \n \n \n\n \n \nRESUMO \n \nSilva, J. B. Avaliação antropométrica em mulheres com dor pélvic a crônica.  2017. \nDissertação (mestrado) – Faculdade de Medicina de R ibeirão Preto, Universidade de São \nPaulo, Ribeirão Preto, 2017. \nIntrodução: A dor pélvica crônica (DPC) é queixa frequente na prática ginecológica. É definida \ncomo dor localizada na região da pelve, não exclusi vamente menstrual, persistente por pelo \nmenos seis meses e intensa o suficiente para causar  incapacidade funcional. Dentre as causas \nginecológicas relacionadas à DPC está a endometriose, que tem como principal problema clínico \na síndrome dolorosa, manifestando-se como dismenorr eia, dor pélvica, dor abdominal, \ndispareunia, e defecação dolorosa. Objetivo: o objetivo deste estudo foi determinar a média da \ncomposição corporal e de marcadores antropométricos, análise do comportamento alimentar e \navalição de dor, comparando dois grupos de mulheres com DPC (dor pélvica crônica) secundário \na endometriose e secundário a outras causas. Metodologia: Foram convidadas 122 mulheres com \ndiagnóstico clínico de DPC secundária à endometriose e secundário a outras causas, através do \nmétodo de seleção de amostra não probalística, recr utadas no Ambulatório de Dor Pélvica \nCrônica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de \nSão Paulo (AGDP-HCFMRP-USP). Ao aceitarem participar da pesquisa, assinaram o termo de \nconsentimento livre e esclarecido. E foram submetid as a uma avaliação antropométrica (peso, \naltura, circunferência cintura, abdômen e quadril), avaliação alimentar (recordatório de 24 horas), \nexame de bioimpedância para avaliar a porcentagem de gordura e a escala visual Analógica – \nEVA, que trata-se de uma escala de 0 a 10 para aval iar dor. Trata-se de um estudo tipo caso-\ncontrole. O grupo caso é caracterizado por mulheres com DPC secundário a outras causas como \nsíndrome miosfascial, dispareunia, entre outras e o  grupo controle caracterizado por mulheres \ncom DPC secundário a endometriose, diagnosticadas através de avaliação de exames específicos.  \nResultados:  Das 122 mulheres convidadas apenas 91 mulheres finalizaram o estudo, sendo que \ndestas 46 mulheres diagnosticadas com DPC secundário a endometriose e 45 mulheres com DPC \nsecundário a outras causas. Caracterizados como grupo com endometriose e sem endometriose. A \nmédia de idade do grupo com endometriose era é de 36,78 ± 7,58 e do grupo sem endometriose \n38,55 ± 7,5 anos. Não houve diferente significativa entre a porcentagem de gordura (p. 0,2153) \nsendo que a média do percentual de gordura no grupo com endometriose foi 34,92% ±6,11 e sem \nendometriose 36,95 ±6,1. A análise de intensidade d a dor foi: 7,2±2,06 no grupo com \nendometriose e 5,93 ±2,64 no grupo sem endometriose (p. 0,0302). Em relação ao recordatório \nalimentar que avaliou macronutrientes e micronutrientes, também não houve diferença entre os \nmacronutrientes avaliados, a média da ingestão de c alorias do grupo com endometriose foi de \n1633,76 Kcal ± 714,63 e sem endometriose de 1477,5±707,11 (p. 0,1581). Mas com relação aos \nmicronutrientes, o zinco apresentou diferença significante (p.0,0417) em relação aos dois grupos \nanalisados, sendo no grupo endometriose uma ingestão média 11,46 mg ±9,98 e o grupo sem \nendometriose 8,17mg ±7,77, onde ambos os grupos tiv eram ingestão maiores que a \nrecomendação pela OMS, O aminoácido triptofano apresentou diferença significativa (0,0494) \nentre os grupos avaliados. A recomendação diária (RDA) para triptofano é 5 mg/dia. O grupo \ncaso teve uma média de ingestão de 506,55 mg ±407,89 e o grupo controle 373,57 mg ±392,48. \nConclusão:  Conclui-se que não existe diferença em relação a t odos os parâmetros \nantropométricos avaliados em ambos os grupos a não ser o que diz sobre o micronutriente zinco e \no aminoácido triptofano analisados pelo recordatório alimentar de 24 horas, o que demonstra que \ndevem ser realizados intervenções semelhantes em am bos os grupos, mas que novos estudos \nainda são necessários. \nPalavras Chave:  dor pélvica crônica; endometriose; avaliação antropométrica. \n\n \n \nABSTRACT \n \nSilva, J. B. A nthropometric evaluation of women with chronic pelv ic pain. 2017. \nDissertation  (master's degree) - Ribeirão Preto Medical School,  University of São Paulo, \nRibeirão Preto, 2017. \nIntroduction : Chronic pelvic pain (DPC) is a frequent complaint in gynecological practice. It is \ndefined as localized pain in the region of the pelvis, not exclusively menstrual, persistent for at \nleast six months and intense enough to cause functi onal disability. Among the gynecological \ncauses related to CPD is endometriosis, which has as main clinical problem the painful syndrome, \nmanifesting itself as dysmenorrhea, pelvic pain, ab dominal pain, dyspareunia, and painful \ndefecation. Objective:  The objective of this study was to determine the mean body composition \nand anthropometric markers, food behavior analysis and pain assessment, comparing two groups \nof women with CPD (chronic pelvic pain) secondary t o endometriosis and secondary to other \ncauses. Methodology : Twenty-two women with clinical diagnosis of PCD s econdary to \nendometriosis and secondary to other causes were in vited through the non-probalistic sample \nselection method, recruited at the Chronic Pelvic Pain Clinic of the Hospital das Clínicas of the \nMedical School of Ribeirão Preto Of São Paulo (AGDP -HCFMRP-USP). Upon agreeing to \nparticipate in the research, they signed the informed consent form. They were submitted to an \nanthropometric evaluation (weight, height, waist ci rcumference, abdomen and hip), food \nevaluation (24 hour recall), bioimpedance test to evaluate fat percentage and visual analog scale - \nEVA, which is Of a scale from 0 to 10 to assess pain. It is a case-control study. The case group is \ncharacterized by women with PCD secondary to other causes such as myosfascial syndrome, \ndyspareunia, among others, and the control group characterized by women with CPD secondary \nto endometriosis, diagnosed through evaluation of specific exams. Results:  Of the 122 women \ninvited, only 91 women completed the study, of whic h 46 women were diagnosed with PCD \nsecondary to endometriosis and 45 women with PCD secondary to other causes. Characterized as \na group with endometriosis and without endometriosi s. The mean age of the group with \nendometriosis was 36.78 ± 7.58 and the group withou t endometriosis was 38.55 ± 7.5 years. \nThere was no significant difference between the per centage of fat (p <0.2153) and the mean \npercentage of fat in the group with endometriosis was 34.92% ± 6.11 and without endometriosis \n36.95 ± 6.1. The analysis of pain intensity was: 7.2 ± 2.06 in the group with endometriosis and \n5.93 ± 2.64 in the group without endometriosis (p 0 .0302). In relation to the food recall that \nevaluated macronutrients and micronutrients, there was also no difference between the \nmacronutrients evaluated, the average calorie intake of the group with endometriosis was 1633.76 \nKcal ± 714.63 and without endometriosis of 1477.5 ± 707, 11 (p.15,151). However, in relation to \nthe micronutrients, zinc presented a significant difference (p.0.0417) in relation to the two groups \nanalyzed, being in the endometriosis group an average intake of 11.46 mg ± 9.98 and the group \nwithout endometriosis 8.17 ± 7 , 77, where both gro ups had higher intakes than the WHO \nrecommendation. The amino acid tryptophan had a significant difference (0.0494) between the \ngroups evaluated. The daily recommendation (RDA) for tryptophan is 5 mg / day. The case group \nhad an average intake of 506.55 mg ± 407.89 and the  control group 373.57 mg ± 392.48. \nConclusion:  It is concluded that there is no difference in relation to all anthropometric parameters \nevaluated in both groups, except for what is said about the zinc micronutrient and the tryptophan \namino acid analyzed by the 24-hour food recall, which demonstrates that they must be performed \nInterventions in both groups, but that further studies are still needed. \nKeywords:  chronic pelvic pain; Endometriosis; Anthropometric evaluation. \n\n \n \nLISTA DE TABELAS \n \nTabela 1: Descrição e comparação das variáveis demográficas d as mulheres avaliadas \ncom endometrioses (n=46) e sem endometriose (n=45)........................................................... 42  \nTabela 2: Características nutricionais das mulheres avaliadas  com endometriose (n=45) e \nsem endometriose (n=46) através da classificação do  estado nutricional de acordo com o \nÍndice de massa corporal – IMC ............................................................................................... 43 \nTabela 3: Descrição das variáveis antropométricas (IMC, perím etro do braço, perímetro \nda cintura, perímetro abdominal, perímetro do quadr il, relação da cintura quadril e % \ngordura corporal), valores expressos em média (± de svio padrão), mediana, minímo, \nmáximo, das mulheres com endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46).  ..................... 44 \nTabela 4: Descrição da classificação do percentual de gordura  corporal das mulheres com \nendometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) avali ado através do exame de \nbioimpedância elétrica .............................................................................................................. 45 \nTabela 5: Descrição da média de valores obtidos através da Es cala Analogica visual de \ndor – EVA, das mulheres avaliadas com endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) ... 47 \nTabela 6:  Resultados da Média obtida através da análise bioq uímica do exame de \nlipidrograma (Colesterol total, LDL – colesterol, H DL – colesterol e Triglicérides) das \nmulheres avaliadas com endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) ............................. 48 \nTabela 7: Descrição do resultado dos micronutrientes através do recordatório alimentar de \n24 horas (kcal – calorias; carboidratos, proteínas e lipídios) das mulheres com \nendometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) .................................................................... 49 \nTabela 8: Descrição do resultado dos micronutrientes do recor datório alimentar de 24 \nhoras (Vitamina A, C, D, E, cálcio, ferro, magnésio , zinco, selênio e triptofano) das \nmulheres com endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) ............................................ 54 \n \n \n \n \n \n \n\n \n \nLISTA DE FIGURAS \n \nFigura 1:  Descrição da média de Ansiedade obtido através da Escala hospitalar de \nansiedade e depressão - HAD das mulheres com endome triose (n=46) e sem endometriose \n(n=45) ....................................................................................................................................... 46 \nFigura 2:  Descrição da média de depressão obtido através da Escala hospitalar de \nansiedade e depressão - HAD das mulheres com endome triose (n=46) e sem endometriose \n(n=45) ....................................................................................................................................... 47 \nFigura 3:  Ánalise e comparação do consumo de carboidratos in geridos pelas mulheres \ncom endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) a valiado através do recordatório \nalimentar de 24 horas comparados aos valores de Recomendação diária – DRIs .................... 50 \nFigura 4: Ánalise e comparação do consumo de proteínas ingeri dos pelas mulheres com \nendometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) avali ado através do recordatório \nalimentar de 24 horas comparado aos valores de Recomendação diária – DRIs ..................... 51 \nFigura 5:  Ánalise e comparação do consumo de lipídios ingeri dos pelas mulheres com \nendometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) avali ado através do recordatório \nalimentar de 24 horas comparados aos valores de Recomendação diária – DRIs .................... 52 \n \n\n \n \nLISTA DE QUADROS \n \nQuadro 1:  Pontos de corte IMC estabelecidos para Adultos .................................................. 22 \nQuadro 2:  Valores de referencia para Colesterol Total, LDL-C, HDL-C e TG ..................... 27 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n \n \nLISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS \n \nDPC – Dor Pélvica crônica  \nIMC – Índice de Massa Corporal \nP – Perímetro \nPC  – Perímetro da Cintura \nPAB – Perímetro do Abdômen \nPQ – Perímetro do Quadril  \nRCQ – Relação da Cintura Quadril \nHCFMRP-USP –  Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da \nUniversidade de São Paulo \nAGDP – Ambulatório de Ginecologia e Dor Pélvica Crônica \nEVA – Escala visual analógica de dor \nKg – Quilogramas \nM – metros \nGC – Gordura Corporal \nBIA – Impedância bioelétrica \nCT – Colesterol Total \nLDL – Lipoproteína de baixa densidade \nHDL – Lipoproteína de alta densidade \nTG  – Triglicérides \nTMB – Taxa Metabólica Basal   \nHAD – Escala de ansiedade e depressão hospitalar \n\n \n \nERO – Espécies Reativas de Oxigênio \nHz – Hertz \nn – Número. Refere-se ao número amostral de uma populaç ão ou ao número de indivíduos \nretirados de uma determinada população e incluso em  um grupo de estudo para análises \nestatísticas \np <0,05 – Valor de probabilidade < 0,05 estatisticamente significativo  \np – Valor de probabilidade  \nDP – Desvio padrão  \n% – Porcentagem \nR 24h – Recordatório de 24 horas \nSBC – Sociedade Brasileira de Cardiologia \nRDA – Ingestão dietética recomendada  \nAMDR  – Intevalo de distribuição aceitável de micronutrientes \ng – gramas  \n \n \n \n \n \n\n \n \nSUMÁRIO \n \n1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 17 \n1.1 Dor Pélvica Crônica (DPC) ................................................................................................ 17 \n1.1.1 Endometriose ................................................................................................................... 18 \n1.2 Obesidade ........................................................................................................................... 20 \n1.3 Antropometria e composição corporal ............................................................................... 21 \n1.4 Bioimpedância .................................................................................................................... 24 \n1.5 Dislipidemia X Endometriose ............................................................................................ 26 \n \n2 JUSTIFICATIVA ................................................................................................................ 29 \n \n3 HIPÓTESE ........................................................................................................................... 31 \n \n4 OBJETIVOS ........................................................................................................................ 32 \n4.1 Objetivo Geral .................................................................................................................... 32 \n4.2 Objetivos Específicos ......................................................................................................... 32 \n \n5 CASUÍSTICA E MÉTODOS ............................................................................................. 33 \n5.1 Casuística ............................................................................................................................ 33 \n5.2 Aspectos éticos ................................................................................................................... 33 \n5.3 Critérios de inclusão ........................................................................................................... 34 \n5.4 Critérios de exclusão .......................................................................................................... 34 \n5.5 Cálculo amostral ................................................................................................................. 35 \n5.6 Agendamento ...................................................................................................................... 35 \n5.7 Coleta e Análise de Dados .................................................................................................. 36 \n5.7.1 Caraterização da Amostra e antropometria ..................................................................... 36 \n5.7.2 Avaliação Sócio-demográfica.......................................................................................... 39 \n5.7.3 Avaliação de escalas de ansiedade e depressão ............................................................... 39 \n5.7.4 Avaliação de escala unidimensional ................................................................................ 40 \n5.7.5 Análise de dados .............................................................................................................. 40 \n5.7.6 Análise estatística ............................................................................................................ 41 \n \n6 RESULTADOS .................................................................................................................... 42 \n6.1 Descrição das varíaveis demográficas ................................................................................ 42 \n\n \n \n6.2 Análise dos marcadores antropométricos ........................................................................... 43 \n6.3 Escala de ansiedade e depressão ......................................................................................... 46 \n6.4 Escala unidimensional – Escala análogica de dor - EVA ................................................... 47 \n6.5 Análise bioquímica - Lipidograma ..................................................................................... 48 \n6.6 Ánalise recordatório alimentar – Calorias e macronutrientes ............................................ 49 \n6.7 Ànalise recordatório alimentar – Micronutrientes e aminoácido ....................................... 53 \n \n7 DISCUSSÃO ........................................................................................................................ 57 \n \n8 CONCLUSÃO ...................................................................................................................... 65 \n \nREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 66 \n \nANEXOS ................................................................................................................................. 75 \nAnexo I: Aprovação do Comitê de ética. ................................................................................. 75 \nAnexo II: Termo de Consentimento Livre Esclarecido ............................................................ 76 \nAnexo III: orientações para realização do exame ..................................................................... 79 \nAnexo IV: Modelo do resultado de Bioimpedância ................................................................. 80 \nAnexo V: Escala de Ansiedade e Depressão Hospitalar .......................................................... 81 \n \nAPÊNDICES ........................................................................................................................... 82 \nApêndice I: Questionário para avaliação .................................................................................. 82 \nApêndice II: Recodatório alimentar de 24 horas ...................................................................... 85 \n \n \n\nIntrodução   |  17 \n \n1 INTRODUÇÃO \n \n1.1 Dor Pélvica Crônica (DPC) \n \nA dor pélvica crônica (DPC) é queixa frequente na prática ginecológica. É definida como \ndor localizada na região da pelve, não exclusivamente menstrual, persistente por pelo menos seis \nmeses e intensa o suficiente para causar incapacida de funcional, necessitando de tratamento \nclínico ou cirúrgico. Assim como tantas outras doen ças crônicas, a DPC produz sofrimento e \ncompromete a qualidade de vida da mulher. A prevalência da DPC não está bem estabelecida. A \nestimativa é de 3,8% em mulheres de 15 a 73 anos e 14 a 24% em mulheres na idade reprodutiva \n(Howard, 1993; Broder, Kanouse  et al. , 2000; Gelbaya e El-Halwagy, 2001); Gambone, Mittman  \net al.  (2002). Dados norte-americanos estimam que a DPC é responsável por cerca de 10% das \nconsultas ginecológicas, 40 a 50% das laparoscopias  ginecológicas, além de 10 a 15% das \nhisterectomias (Howard, 1993; Broder, Kanouse  et al. , 2000; Gelbaya e El-Halwagy, 2001; \nGambone, Mittman  et al. , 2002), implicando custo superior a dois bilhões d e dólares por ano \n(Mathias, Kuppermann  et al. , 1996). Estima-se que a prevalência da DPC nos paí ses em \ndesenvolvimento, como o Brasil, seja superior àquel a encontrada em países desenvolvidos \n(Latthe, Latthe  et al. , 2006), sendo que um estudo realizado com mulheres da Cidade de Ribeirão \nPreto – São Paulo, detectou pela primeira vez no Brasil uma alta prevalência em mulheres com \nDPC de 11,5%, sendo que 15,1%  destas mulheres em i dade reprodutiva (Silva et al,  2011).  O \nque representa um sério problema de saúde pública (Nogueira, Reis  et al. , 2006). \nO modelo etiológico multifatorial aceita a particip ação de vários fatores na gênese da \nDPC. Entre estes fatores está a complexa interação entre os sistemas gastrintestinal, gênito-\nurinário, músculo-esquelético, nervoso e endócrino,  influenciada ainda por fatores \nsocioculturais. Alguns estudos têm tentado identifi car fatores de risco para a DPC, mas os \n\nIntrodução   |  18 \n \nresultados não são conclusivos. Há evidências que f atores como abuso de drogas ou álcool, \nabortos, fluxo menstrual aumentado, doença inflamat ória pélvica, cesáreas, patologias \npélvicas e comorbidades psicológicas estejam associ adas com um aumento do risco para a \ndoença (Latthe, Mignini  et al. , 2006). \nÉ consenso na literatura científica de que o melhor  tratamento para a DPC é a \nabordagem multidisciplinar, sendo que a base do tra tamento deve envolver procedimentos \npouco complicados, de baixo risco e que visem melho rar a qualidade de vida da mulher. O \nobjetivo das intervenções nem sempre é a cura da DP C e sim o alívio da dor e o retorno da \npaciente às atividades de vida diária, ao convívio social e familiar (Flor, Fydrich  et al. , 1992 ; \nDuleba et al., 1996; Reiter, 1998; Duffy, 2001; Gelbaya e El- Halwagy, 2001; Howard, 2003).     \nAs informações sobre o consumo alimentar de mulhere s com dor pélvica crônica, \nainda são poucos exploradas, no entanto estudos rec entes demonstram que a suplementação \nadequada de algumas vitaminas, minerais e até mesmo ácidos graxos poli-insaturados, possam \nna diminuição do processo inflamatório e auxiliar n a redução de sintomas e alivio da dor \n(Francesco, et al, 2010). \n \n1.1.1 Endometriose \n \nDentre as causas ginecológicas relacionadas à DPC e stá a endometriose, que tem \ncomo principal problema clínico a síndrome dolorosa , manifestando-se como dismenorreia, \ndor pélvica, dor abdominal, dispareunia, e defecaçã o dolorosa (Farquhar C, 2007). Estima-se \nque a endometriose afete 2-18% das mulheres em idad e reprodutiva e, acima de 40% das \nmulheres com infertilidade (Missmer, S.A.; Cramer, D.W. 2003), em mulheres com DPC \nsubmetidas a laparoscopia a presença de endometrios e esta acima de 30%. (Howard, F. M. \n1993). \n\nIntrodução   |  19 \n \nOs mecanismos envolvidos ainda não são claros e a n atureza da dor associada à \nendometriose tem sido mal caracterizada. Evidencias sugerem que a dor possa ser causada por \ninflamação peritoneal, formação de aderências e les ão nervosa significativa, específica das \nlesões de endometriose que possivelmente estejam co rrelacionadas com uma infiltração \nprofunda de tecido endometrial. (Vercellini P , 1997 & Fedele, L. et al, 1990). Outra provável \nexplicação para tal proposição baseia-se no mecanismo conhecido como sensibilização central \nque é um processo resultante da atividade sustentad a que acontece na fibra aferente primária, \napós a sensibilização periférica, favorecendo a lib eração de neurotransmissores excitatórios. \nEsta sensibilização central pode resultar em uma de spolarização excessiva de neurônios do \ncorno dorsal causando excitotoxicidade, disfunção s ubsequente de células, e perda de \ninibição. A barragem nociceptiva do tecido endometr ial também pode causar \nhiperexcitabilidade central de neurônios do corno d orsal da medula. (Finegold, A. A.; Perez, \nF. M.; Iadarola, M. J, 2001 & Constandil, L. et al, 2003)  \nO papel da dieta no desenvolvimento de doenças hormonais como a endometriose, tem \nse tornado um tema de interesse nos últimos anos (I ngram Et ai, 1987; Fentiman et al., 1988). \nExiste uma potencial relação entre as vitaminas (mi cronutrientes) e a endometriose \nespecialmente as vitaminas C e E que possuem propri edades antioxidantes potentes e causa \nefeito na peroxidação lipídica, onde a mesma contri bui para o desenvolvimento progressivo \nde doenças crônicas inflamatórias (Traber e Stevens, 2011; Parazzini, et al, 2013). As espécies \nreativas de oxigenio (EROS) podem ser iniciadas e produzidas por diversas fontes, o que pode \ncausar uma relação casual entre o estresse oxidativ o e a endometriose, caso seja confirmado a \nterapia antioxidante será muito benefica. De acordo  com Lambrinoudaki et al., 2009; Mier-\nCabrera et al., 2011; Parazzini, et al, 2013, os ma rcadores de estresse oxidativo foram \nencontrados como sendo elevados em soro e fluído pe ritoneal em pacientes com \nendometriose. Uma dieta antioxidante com taxas elev adas (vitaminas C e E) testada por 4 \n\nIntrodução   |  20 \n \n(quatro) meses, apresentou efeito positivo diminuin do a oxidação dos marcadores de estresse \noxidativo, melhorando a atividade das enzimas antio xidantes e as concentrações de vitaminas \nno sangue periférico.                     \nA relação entre a ingesão de gordura na dieta e a e ndometriose também foi analisada \nem diversos estudos o que demonstrou resultados inc onclusivos sobre a ingestão de gordura \ntotal e a endometriose (Britton et al. 2000; Missme r et al., 2010; Trabert et al., 2011; \nParazzini, et al, 2013). Vários estudos sugerem que  uma maior ingestão de legumes e frutas \nfrescas podem diminuir o risco de endometriose, qua nto que a ingestão de carnes vermelhas \nem excesso poderiam aumentar o risco  (Parazzini, et al, 2009; Parazzini, et al, 2013).   \n \n1.2 Obesidade \n \nA obesidade é uma doença metabólica crônica caracte rizada pelo excesso de gordura \ncorporal (GC) (Corrêa, et al, 2003). Definida como um aumento do depósito de triglicérides \nnas células adiposas determinado por um desequilíbr io entre consumo e gasto de energia \n(Raskin, et al, 2000). De acordo com Willet, (1999)  é considerada uma doença complexa e \nmultifatorial, de prevalência crescente, que já ati ngiu proporções epidêmicas, acometendo \ncerca de 30% das mulheres adultas na sociedade ocid ental.  A evidência científica sobre \nrelação de sobrepeso e obesidade em mulheres com DPC ainda não está clara.  \nComo um dos prováveis fatores que predispõe a DPC, o sistema endócrino também é \nresponsável por regular o metabolismo, vale ressalt ar que a obesidade é um distúrbio \nmetabólico sendo considerada como uma desordem hete rogênea, de múltiplas causas \n(Francischiet al., 2000). Também possui uma etiolog ia multifatorial apresentando influências \nde fatores psicológicos, biológicos, e sócio – econ ômicos. Nos últimos anos tanto em países \ndesenvolvidos como em países em desenvolvimento o a umento da obesidade é alarmante, \n\nIntrodução   |  21 \n \ntornando-a um grave problema de saúde pública. A pr evalência no sexo feminino é ainda \nmaior, principalmente na perimenopausa, podendo ati ngir 60% das mulheres, provavelmente \ndevido às alterações metabólicas inerentes neste pe ríodo. Estão ainda associadas aos maus \nhábitos alimentares e a predisposição genética. (Lins e Sichieri, 2001).  \nÉ definida como excesso de gordura corporal quando comparada à massa magra \n(músculos) (Oliveira et al. 2003). O acúmulo de gordura visceral está sabidamente associado à \nmaior prevalência de desarranjos metabólicos, hormo nais, inflamatórios e hemodinâmicos \n(ROSA, et al, 2005). A sua maior concentração lipíd ica está na metade superior do tronco, ou \nseja, tem uma distribuição central ou abdominal pre dominante, sendo dividido em dois tipos, \nandróide, que eleva o depósito de gordura abdominal  e da cintura, sendo que cada vez mais a \nobesidade visceral têm se apresentado através das doenças secundárias e distúrbios endócrinos \n(STUNKARD, 1996) e o tipo ginecóide que se difere metabolicamente da periférica ou glúteo \nfemural e está mais presente no período reprodutivo (RASKIN, et al, 2000).   \n \n1.3 Antropometria e composição corporal  \n \nDesenvolvida por antropologistas no final do século XIX, a antropometria são medidas \nsimples usadas para quantificar diferenças na forma  humana (Acunã e Cruz, 2004 & Shils \nME, Olson JA, Moshe S. 1994), porém durante a prime ira guerra mundial iniciou-se a era \nmoderna da antropometria nutricional, com a preocup ação com a eficiência física dos \nsoldados (Shils ME, Olson JA, Moshe S. 1994).  \nAntropometria é o método disponível para avaliar o tamanho, proporções e \ncomposição do corpo humano, não-invasivo de baixo c usto e universalmente aplicável. O \ngênero e a idade são fatores importantes, pois exis tem diferencas expressivas entre o tamanho \n\nIntrodução   |  22 \n \nde homens e mulheres e as medidas recomendadas e os  padrões de referências são baseados \nde acordo com os mesmo (WHO, 1995). \nDe acordo com Willett W, (1998) os metodos antropom étricos são os mais utilizados \nem estudos epidemiologicos, pois fornecem informaçõ es como peso, altura, suas \ncombinações, perímetros e pregas cutâneas. Podem au xiliar no diagnóstico de obesidade, \n(GOKCEL, et al., 2002). O peso é uma medida antropo metrica tradicional, bastante utilizada \nna prática clínica. A massa ou volume corporal expr essa a dimensão, que é constituída pelos \ntecidos adiposos, muscular e ósseo. A estatura é a segunda medida antropometrica mais \nutilizada na prática clinica que expressa a dimensã o longitudinal ou linear do corpo humano. \n(Miranda, et al. 2012).  \nUm método prático, rápido, barato, que aproxima a d eterminação da quantidade de \ngordura corporal é o Índice de Massa Corporal (IMC)  ou Índice de Quetelet, que se obtêm a \npartir da relação entre o peso e a estatura (STUNKARD, 1996). É necessário dividir o peso (Kg) \npelo quadrado da estatura (metros), o que resulta e m um valor expresso em Kg/altura 2 (m), onde \nse classifica o estado nutricional (Miranda, et al,  2012). A obesidade é classificada com valores \nde IMC igual ou maior a 30kg/m2 (conforme quadro 1,  abaixo), e caracteriza-se pelo excesso \nde GC em relação à massa magra. Contudo, em algumas  ocasiões o IMC pode não refletir a \nGC, sua medida específica torna-se importante (Weyer C, et al, 2004).   \n \nQuadro 1: Pontos de corte IMC estabelecidos para Adultos. \nDiagnóstico Nutricional IMC (Kg/m 2) \nSubnutrição \nEutrófico \nSobrepeso \nObesidade Grau I \nObesidade Grau II \nObesidade Grau III \n< 18,5  \n18,5 – 24,9  \n25 – 29,9 \n30 – 34,9 \n35 – 39,9 \n>=40 \nFonte: OMS (1995) \n\nIntrodução   |  23 \n \nOs marcadores antropométricos como o IMC e perímetr o abdominal têm se revelado \nimportantes instrumentos na avaliação e monitoramen to das comorbidades associadas à \nobesidade (SEIDELL, 2001). O método do IMC é muito utilizado devido a sua aplicabilidade, \nboa correlação com as medidas da gordura corporal e  a sua capacidade de expressar reservas \nenergéticas. Independente do peso corpóreo as princ ipais complicações da obesidade estão \nassociadas ao maior acúmulo da gordura na região ab dominal. Para Organização Mundial de \nSaúde (OMS) fornece uma subclassificação em grau para obesos, através dos nìveis de IMC. \nAtualmente existem técnicas mais efetivas para real izar a avaliação da obesidade \nvisceral como a ressonância magnética, a tomografia  computadorizada avaliação de dobras \ncutâneas, ultrassonografia para medição da espessur a da gordura subcutânea, densidade \ncorporal, medida de potássio corporal, condutividad e elétrica, interactância infravermelha, \nabsorciometria de fótons e bioimpedância tetrapolar  (Wajchenberg BL, et al, 1995 & \nScharfetter H, 2001) e a medida do perímetro da cintura (PC), bem como  o RCQ – relação da \ncintura/ quadril (STUNKARD, 1996), muito utilizada em estudos epidemiológicos \ninternacionais (Barbosa, et al, 2009),  sendo que o  perímetro da cintura por ser um método \nrápido e de baixo custo é o mais utilizada na práti ca clínica, (STUNKARD, 1996) que reflete \ntanto a gordura abdominal quanto a total (SEIDELL, 2001). Os valores de cortes utilizados \npara avaliar o PC de acordo com OMS, (2000) para mu lheres são valores de ≥ 80 cm. E os \nvalores de corte para RCQ são valore abaixo de 0,85 , que indica baixo risco para doenças \ncardiovasculares. \nVale ressaltar que pode haver diferenças na associa ção que o PC pode apresentar com \na adiposidade abdominal devido as diferenças com re lação às proporções corporais e à \nconstituição física das populações (WHO, 1995). Seg undo Barbosa et al, 2009, as variações \nna composição corporal de diferentes grupos raciais  podem modificar o poder de predição \ndesse indicador. \n\nIntrodução   |  24 \n \n1.4 Bioimpedância \n \nA bioimpedancia elétrica (BIA – bioletrical impedance analysis ) é um metodo que se \nbaseia no principio da condutividade elétrica, para  a estimativa de compartimentos corpóreos. \nPor ser um método não invasivo na avaliação da comp osição corporal, e com algumas \ncaracterísticas tais como, velocidade no processame nto das informações, praticidade, \nreprodutibilidade e de médio a baixo custo, possibi lita estimar os componentes corporais, a \ndistribuição de fluídos nos espaços intra e extracelulares de maneira simples. Este método tem \nsido muito utilizado para estimar e avaliar o estad o nutricional e a composição corporal de \nindivíduos saudáveis e com diversas doenças, tais c omo, desnutrição, traumas, câncer, pré e \npós-operatório, hepatopatias, insuficiência renal, gestação, tanto em crianças como adultos, \nidosos e também atletas (EICKEMBERG et al., 2011). \nA oposição chamada impedância (Z) tem dois vetores, denominados resistência (R) e a \nReactância (Xc). Os tecidos corporais oferecem dife rentes oposições à passagem elétrica, no \ncorpo, este é princípio fundamental da BIA (Kyle, L orenzo, Rosenberg, Roubenoff, et al, \n2004). Os tecidos magros apresentam baixa resistênc ia a passagem da corrente elétrica, pois \nestes tecidos são altamente condutores, devida a gr ande quantidade de água e eletrólitos. No \ncaso da gordura, ossos e pele apresentam um meio de  baixa condutividade, apresentando \nportanto, uma elevada resistência. (Brito; Mesquita , 2004 & Kamimura; Draibe; Sigulen; \nCuppari, 2004).  \nDesde a década de 1990, diversos aparelhos de bioimpedância tornaram-se disponíveis \ncomercialmente, é possível encontrar avaliadores da  composição corporal de forma \ntradicional ou segmentar (Kyle, Lorenzo, Rosenberg,  Roubenoff, et al, 2004), dos tipos \nmonofrequênciais (50 KHz) mais utilizados ou multif requênciais, com frequência de 5 a \n1,000 KHz (Rodrigues, Silva, Monteiro, Farinatti, 2001). \n\nIntrodução   |  25 \n \nSegundo EICKEMBERG et al., (2011) através de quatro  sensores metálicos (modelo \ntetrapolar), que em contato com mãos e pés se da a transmissão da corrente elétrica pelo \ncorpo, que registra a impedância dos segmentos corp orais entre os membros superiores e o \ntronco, sendo este o modelo mais utilizado para avaliação da composição corporal.  \nA queda de tensão e corrente de excitação que é apl icada aos eletrodos-fonte (distais) \nna mão e no pé, provocada pela impedância é detecta da pelo eletrodo-sensor (proximal) \nlocalizado no pulso e no tornozelo. Bseado em uma c orrente elétrica de baixa amplitude (800 \nµA) e alta frequência (50 kHz) (Heyward, Stolarczyk, 2000 & Britto, Mesquita, 2008). \nAs possíveis causam que dificultam o estabeleciment o de um consenso acerca de seu \nuso, são bastantes discutidas na literatura, pois apesar de ser um método preciso e confiável os \nresultados obtidos em determinas pesquisas podem re velar alguma discrepância, devido a \nutilização de uma variabilidade de equações disponí veis para vários grupos de indivíduos, \npodendo ser uma das principais razões, que euitas v ezes estas equações são aplicadas em \namostras bem heterogêneas (Barbosa, Santarem, Jacob  Filho, Meirelles, Marucci, 2001 & \nRodrigues, Silva, Monteiro, Farinatti, 2001). \nPara a confiabilidade do método da BIA na prática c línica, o controle prévio de alguns \nfatores devem ser observados, para que os resultado s não sejam afetados (Jambassi Filho, \nCyrino, Gurjão, Braz, Gonçalves, Gobbi, 2010), como  por exemplo a calibração do aparelho, \nrealizada regularmente; manutenção dos eletrodos em   sacos fechados e protegidos do calor; \nposição do indivíduo avaliado, conforme recomendação do fabricante; jejum de 4 horas, antes \ndo exame; abstinência alcoólica de 8 horas, antes d o exame; abstinência de atividade física e \nsauna, por 8 horas, antes do exame; esvaziamento da  bexiga antes da realização do exame; \ntemperatura do ambiente em torno de 22ºC; pele sem lesões e limpa com álcool; distância \nentre os eletrodos de, no mínimo, 5cm; observância do ciclo menstrual; presença de \nobesidade; utilização de material isolante, como to alha entre as pernas; impedimento de \n\nIntrodução   |  26 \n \ncontato com superfície metálica; vedação do  proced imento para portadores de marca-passo \n(EICKEMBERG et al., 2011). \n \n1.5 Dislipidemia X Endometriose \n \nAs dislipemias também chamadas de hiperlipidemia, r efere-se ao aumento dos lipídios \n(gordura) no sangue, principalmente do colesterol e  dos triglicerídeos (SOCIEDADE \nBRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2015). São alterações me tabólicas lipidicas decorrentes \nde distúbios do metabolismo lipidico em qualquer fa se, que repercute nos níveis séricos de \nlipoproteinas (JONES, et al., 2009), estando associ ada a fatores genéticos e ambientais que \ndesencadeia um grupo de doenças multifatoriais (ORDOVAS, 2006; YAMADA et al, 2007).  \nSegundo a SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, (201 5) São \nclassificadas em primárias com ou sem causa aparent e, podem ser classificadas ainda em: \ngenotípicas, onde são divididas em monogênicas, cau sadas por mutações em um só gene ou \npoligênicas, por associação de mutações multíplas q ue isoladas não teriam grande impacto. \nFenotípicas que é realizada através de análise bioq uímicas, considerando os valores de \nColesterol total (CT), lipoproteína de baixa densid ade ligada ao cholesterol (LDL-C), \ntriglicerídes (TG) e lipoproteína de alta intensida de ligada ao colesteol (HDL-C). O perfil \nlipídico é definido pelas determinações bioquímicas , medindo-se os níveis plasmáticos de \ncolesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos, após u m jejum de 12 horas e em função desses \nvalores de referência. As dislipidemias podem ser c lassificadas como: Hipercolesterolemia \nisolada (aumento isolado do LDL colesterol - ≥160 m g/dl); Hipertrigliceridemia isolada \n(aumento isolado dos triglicerídeos- ≥150mg/dl); Hi perlipidemia mista (aumento do LDL \ncolesterol ≥160 mg/dl e dos triglicerídeos ≥150mg/d l) e HDL baixo (diminuição isolada do \nHDL colesterol  ˂50mg/dl ou em associação a aumento  dos triglicerídeos ou LDL colesterol). \n\nIntrodução   |  27 \n \nOs valores de referência de para classificação de d islipidemias são apresentados a seguir no \nquadro 2. \n \nQuadro 2. Valores de referencia para Colesterol Total, LDL-C, HDL-C e TG \nLipídes Valores mg/dl Categoria \nCT \n< 200 Desejável \n200-239 Limitrofe \n≥ 240 Alto  \nLDL-C \n< 100 Ótimo \n100- 129 Desejável \n130-159 Limítrofe \n160-189 Alto  \n≥ 190 Muito alto \nHDL-C >60 Desejável \n<40 Baixo \nTG \n< 150 Baixo \n150-200 Limítrofe \n200-499 Alto  \n≥ 500 Muito alto \nFonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia \n \nEstudos recentes têm sugerido que a endometriose te m ligação com à inflamação \ncrônica sistêmica, perfil lipídico aterogênico e o estresse oxidativo (Donnez, Binda  et al. , \n2016)  \nA ativação dos macrofagos na região peritoneal da e ndometriose pélvica, promove o \nestresse oxidativo, que é definido como o desequilí brio entre a produção e neutralização das \nespécies reativas de oxigênio conhecidas como ERO, causando a peroxidação dos lipídios, de \nseus produtos de degradação e dos produtos que são formados através da interação com as \nlipoproteínas de baixa densidade (LDL) e outras proteínas.  Um desequilibrio entre os mecanismo \nde defesa do organismo (antioxidantes) e os agentes pró-oxidantes (radicais livres), desencandeam \no estresse oxidativo, que está envolvido na etiopat ogênese de diversas doenças, assim como a \nendometriose (Polak, Mazurek  et al. , 2011; Carvalho, Samadder  et al. , 2012). \n\nIntrodução   |  28 \n \nAlguns autores evidenciaram um aumento significativ o das concentrações de \nperóxidos lipidicos no flupido peritoneal de mulher es com endometrioses pélvica, isto porque \na produção de pró –oxidantes (radicais livres) prom ove a peroxidação lipidica dos ácidos \ngraxos poli-insaturados presentes nas membranas cel ulares ((Lemay, Brideau  et al. , 1991; \nZuin, Rigatelli  et al. , 2016). Ao serem decompostos, os lipídios geram pr odutos como o \nmalondialdeído (MDA), que são reconhecidos como cor pos estranhos, gerando assim uma \nprodução de anticorpos devida a resposta antigênica  desencadeada (PETEAN, et al., 2007). \nDe acordo com Shanti, et al, (1999) Mulheres com en dometriose apresentam níveis elevados \nde autoanticorpos que são maracadores de estresse oxidativo. \n\nJustificativa   |  29 \n \n2 JUSTIFICATIVA \n \nA Dor Pélvica Crônica e suas causas secundárias com o a endometriose é uma \ncondição muito comum, acarreta custos significantes  para os serviços de saúde e, várias \npacientes permanecem sem diagnóstico específico e, consequentemente, sem um tratamento \napropriado. Acredita-se que pacientes com DPC possa m apresentar excesso de peso, presença \nde ansiedade, depressão ou ambos e, tudo o que cont ribui para um maior conhecimento sobre \nos marcadores antropométricos, pode contribuir para  um melhor manejo das pacientes com \nDPC e assim tentar melhorar sua qualidade de vida.  \nA obesidade em adultos está associada com uma gama de alterações músculo-\nesquelético, doenças tais como osteoartrite, dor lo mbar baixa e outros tipos de dor músculo-\nesquelética, bem como distúrbios de marcha, Anandac oomarasamy et al (2008) e também a \num aumento na intensidade da dor (com síndromes de dor crônica, em alguns casos), \nmorbidade somática e, também psicológica (Silva et al 2006). A evidência científica sobre \nrelação de sobrepeso e obesidade em mulheres com DP C ainda não está clara. Recentemente, \nHan et al.(1997) relataram que uma relação cintura- quadril elevada (RCQ), indicou um \npadrão de obesidade central, e foi significativamen te associada com dor lombar crônica em \nmulheres, mas não em homens. \n   \nEste estudo foi baseado em outro estudo do mesmo de partamento  (GURIAN, M.B.F.  \nEvolução do limiar doloroso em comparação com a res posta clinica ao tratamento de \nmulheres com dor pélvica crônica. 2013. Tese (Doutorado) – Faculdade de Medicina de \nRibeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão  Preto, 2013), que analisou a \nporcentagem de gordura de mulheres com dor pélvica crônica e encontrou uma média de \n33,25% de gordura nas mulheres avaliadas, valores e stes significatrivos entre estas mulheres, \ndessa forma, fica clara a relevância da pesquisa em buscar a compreensão dos marcadores \n\nJustificativa   |  30 \n \nantropométricos e a importância de se conhecer a composição corporal e o consumo alimentar \nde mulheres com dor pélvica de forma a contribuir p ara redução de fatores associados e \nmelhorar a qualidade de vida., uma vez que existe u ma lacuna na literatura científica a este \nrespeito. \n \n \n\nHipótese   |  31 \n \n3 HIPÓTESE  \n \nAs mulheres com DPC secundário a endometriose tem u m percentual de gordura \ncorporal diferente das mulheres com DPC secundário a outras causas. \n \n \n \n \n \n\nObjetivos   |  32 \n \n4 OBJETIVOS  \n \n4.1 Objetivo Geral  \n \nDeterminar a média da composição corporal (% gordura corporal) através do exame de \nBioimpedância e dos marcadores antropométricos (mas sa corporal, estatura, índice de Massa \nCorporal, perímetro da Cintura, perímetro abdominal  e perímetro do Quadril, comparando \ndois grupos de mulheres com DPC (secundário a endometriose e secundário a outras causas). \n \n4.2 Objetivos Específicos \n \nAvaliar o consumo alimentar destas pacientes com DP C (com e sem endometriose) \natravés da ingestão alimentar utilizando o recordatório de 24 horas.  \nAnalisar o perfil lipidico através do lipidograma ( colesterol total e as frações (LDL e \nHDL)) e triglicerides. \nAvaliar os resultados obtidos da escala visual anál ogica (EVA) comparados com a \nporcentagem de gordura corporal. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\nCasuística e Métodos   |  33 \n \n5 CASUÍSTICA E MÉTODOS \n \n5.1 Casuística  \n \nFoi realizado um estudo do tipo caso-controle, fora m convidadas 122 mulheres com \ndiagnóstico clínico de DPC secundária à endometriose e secundário a outras causas, através do \nmétodo de seleção de amostra não probalística ou intencionada onde há uma escolha  deliberada \nda amostra e os indivíduos são escolhidos por acaso , ou seja, os indivíduos empregados nesta \npesquisa são selecionados porque eles estão prontam ente disponíveis. Sua utilização é muito \nfrequente em vários âmbitos, por exemplo em estudos clínicos com voluntários, nestes estudos \nindivíduos com determinadas características partici pam voluntariamente para fazer parte de \nalguma pesquisa ou tratamento, o que não afetara os resultados, independentemente da região que \no voluntário resida. (Malhotra, 2010), neste estudo as mulheres foram selecionadas através da \nseleção de amostra por conveniência, recrutadas no Ambulatório de Dor Pélvica Crônica do \nHospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo \n(AGDP-HCFMRP-USP). Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas \nda Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Unive rsidade São Paulo, em 20/02/2014, de \nacordo com o Processo HCRP n° 12192/2013 (Anexo 01). \n \n5.2 Aspectos éticos \n \nAs pesquisas envolvendo seres humanos devem atender  aos fundamentos éticos e \ncientíficos pertinentes. Na resolução Nº 466, DE 12  de Dezembro de 2012, no capítulo III \nDOS ASPECTOS ÉTICOS DA PESQUISA ENVOLVENDO SERES HUMANOS, paragráfo \n1, determina a eticidade a ser utilizada com seres humanos: a) respeito ao participante da \npesquisa em sua dignidade e autonomia, reconhecendo  sua vulnerabilidade, assegurando sua \n\nCasuística e Métodos   |  34 \n \nvontade de contribuir e permanecer, ou não, na pesq uisa, por intermédio de manifestação \nexpressa, livre e esclarecida. b) ponderação entre riscos e benefícios, tanto conhecidos como \npotenciais, individuais ou coletivos, comprometendo -se com o máximo de benefícios e o \nmínimo de danos e riscos. c) garantia de que danos previsíveis serão evitados. d) relevância \nsocial da pesquisa, o que garante a igual considera ção dos interesses envolvidos, não \nperdendo o sentido de sua destinação sócio-humanitá ria (CONSELHO NACIONAL DE \nSAÚDE - RESOLUÇÃO Nº 466, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2012).  \nTodas as mulheres que aceitaram participar do estud o receberam esclarecimentos \nindividuais a respeito dos objetivos, relevância e metodologia do estudo por meio de \nexposição oral e escrita através do termo de conset imento livre e esclarecido TCLE (anexo \n02). Os princípios de confiabilidade dos dados obti dos, manutenção da autonomia dos \nparticipantes, sigilo à identificação pessoal e beneficência dos propósitos serão respeitados.  \n \n5.3 Critérios de inclusão \n \nForam incluídas mulheres com idade entre 18 e 49 an os, com pré menopausa, \ndiagnosticadas com dor pélvica crônica secundária a  endometriose e a outras possíveis causas \nde DPC, com duração de pelo menos seis meses, sufic ientemente intensa para interferir em \natividades habituais, necessitando de tratamento clínico ou cirúrgico. \n \n5.4 Critérios de exclusão \n \nForam excluídas mulheres com idade acima de 50 anos  e aquelas que estavam na \nmenopausa, tabagistas, gestantes, em amamentação no s últimos seis meses e as que se \nrecusaram a participar do estudo. \n\nCasuística e Métodos   |  35 \n \n5.5 Cálculo amostral \n \nBaseado nos objetivos deste estudo o cálculo do dim ensionamento amostral foi \nrealizado utilizando-se o programa do Laboratório d e Estatistica e Epidemiologia – Lee, \n(1995) http://www.lee.dante.br/pesquisa/amostragem/amostra.html com nível de significância \nde 0,05 e poder do teste de 0,80, temos que o taman ho da amostra determinada é igual a 90 \nmulheres, divididas em dois grupos de 45 pacientes cada. Este cálculo foi realizado com base \nem um estudo anterior realizado em mulheres no ambu latório de Dor Pélvica Crônica e \nestimou-se que a media de (%) gordura corporal 32,17% com um desvio-padrão de 7,05. \n \n5.6 Agendamento \n \nApós a primeira consulta médica neste serviço e ade quação aos critérios de inclusão e \nexclusão, as mulheres com DPC foram convidadas a participar do estudo.  \nTodas as voluntárias foram orientadas a não modific ar o comportamento alimentar \n(Machado, Tachotti  et al. , 2006), não ingerir produtos com cafeína: café, ch á e chocolate \n(Fenster, Quale  et al. , 1999; Straneva, Maixner  et al. , 2002), bebidas alcoólicas (Marvan e \nCortes-Iniestra, 2001; Tassorelli, Sandrini  et al. , 2002; Fernandez, Weis  et al. , 2003) ou \nmedicamentos. (Bajaj, Arendt-Nielsen  et al. , 2001; Granot, Yarnitsky  et al. , 2001) nas 24 \nhoras que antecedeu a coleta (anexo 03) \nPara o dia da avaliação, foi solicitado que as mulh eres viessem em jejum de 12 horas, \nprocedimento este utilizado para a avaliação do per centual de gordura corporal, realizada por \nanálise eletrônica (impedância bioelétrica) (Anexo 04); e também para coleta de sangue para o \nexame de lipidrograma. Sendo assim, no dia que foi marcada a avaliação, foi realizado o \n\nCasuística e Métodos   |  36 \n \npreenchimento dos questionários (Apendice 01) e col eta dos dados, estas avaliações foram \nrealizadas em uma sala de consulta do ambulatório AGDP.  \n \n5.7 Coleta e Análise de Dados \n \n5.7.1 Caraterização da Amostra e antropometria \n \nForam registrados as variáveis depedentes como a id ade e os dados antropométricos, \ncomo massa corporal, estatura, perímetros do braço, cintura, abdomen, quadril e percentual de \ngordura. Com a combinação de massa corporal e estat ura, será obtido o índice de massa \ncorporal (IMC = massa corporal / estatura \n2) (QUETELET, 1870) . Para aferição da massa \ncorporal e da estatura as mulheres estavam descalça s obrigatoriamente e sem excesso de \nroupas ou acessórios, corpo ereto, os pés juntos e os braços estendidos ao longo do corpo, \nolhando para um ponto fixo no horizonte, as medidas  foram mensuradas em uma balança \nFilizola (escala de 0,1 kg) com estadiômetro acoplado (escala de 0,5 cm). \nFoi realizado a verificação dos perímetros do braço , Cintura, abdômen e quadril, que \nsão definidas como o perímetro máximo de um segment o corporal, medido em âgulo reto em \nrelação ao seu maior eixo. Segundo Queiróga, 2005 a s medidas de perímetros, são muito \nutlizadas, pois são fundamentais para avaliar e qua ntidade da gordura corporal, sendo \nrealizadas com auxilio de uma fita inelástica, com precisão de 1 mm.  \nO perímetro do braço (PB), representa a soma das ár eas constituídas pelos tecidos \nósseos, muscular e gorduroso do braço. Para sua obt enção, localizar e marcar o ponto médio \nentre o acrômio e olecrano, com o braço a ser medido flexicionado em direção ao tórax. Após, \nsolicitar que o cliente estenda o braço ao longo do  corpo, com a palma da mão voltada para a \ncoxa. No ponto marcado, contornar o braço com a fit a métrica flexível de forma ajustada, \n\nCasuística e Métodos   |  37 \n \nevitando compressão da pele ou folgaencontrou-se o ponto médio entre o acrômio e \narticulação úmero-radial do braço direito, com o propósito de fornecer o índice de depósito de \ngordura e de massa muscular local (Rossi, 2015 & Pe troski, 2003). O perímetro da cintura \n(PC) utilizou-se o procedimento descrito por Callaw ay et al, a saber, o avaliado em pé com \nabdômen relaxado, os braços descontraídos ao lado d o corpo, a fita colocada horizontalmente \nno ponto médio entre a borda inferior da última cos tela e a crista ilíaca; as medidas foram \nrealizadas com a fita firme sobre a pele; todavia, sem compressão dos tecidos. Para perímetro \ndo quadril (PQ), foram seguidos os mesmos passos de scritos por Callaway et al. para PC, \nentretanto, a fita métrica foi colocada horizontalm ente em volta do quadril na parte mais \nsaliente dos glúteos. Os perímetros de cintura e qu adril possibilitaram a construção do RCQ, \nobtido pelo quociente entre o PC e o PQ \nA verificação do perímetro abdominal (PAB) foi medi do, também com uma fita \nmétrica, a 2,5 cm em cima da cicatriz umbilical. Os  valores superiores a 88 e 102 cm para \nmulheres e homens respectivamente, podem aumentar a s chances do aparecimento de \ncomorbidades relacionadas à obesidade (LEAN, HANS, MORRISON, 1995; \nMACDONALD, 2000; WHO, 2003).  Shah et al, 2013 most rou em seu estudo sobre a análise \ncorporal e endometriose que as mulheres com uma rel ação cintura-quadril de 0,60 pode estar \nem aumento do risco. \n O inquérito dietético consiste em um método indireto para avaliar o estado nutricional \ne a ingestão alimentar do indivíduo. Foi aplicado u m recordatório alimentar de 24 horas \n(R24h) (Anexo 02) vem sendo muito utilizado para qu antificar todo o consumo de alimentos \nnas 24 horas anteriores à entrevista ou durante o d ia anterior. È um método que descreve uma \ngrande variedade de alimentos, quando se deseja com parar a ingestão média de nutrientes e \nenergia de diferentes populações é o mais utilizado. Este método tem como vantagem a rápida \n\nCasuística e Métodos   |  38 \n \naplicação, a população estudada não precisa ser alf abetizada e a recordação recente do \nconsumo também é um dos pontos positivos (COSTA, et al, 2006; Willet, 1998).  \nA análise quantitativa do consumo alimentar foi realizada com o software Diet Smart -\nSmardata soluções inteligentes, mococa, (2015), sen do calculada a ingestão de energia e \nmacronutrientes comparada com as AMDRs – Acceptable  Macronutrient Distribution Ranges \n(INSTITUTE OF MEDICINE, 2002), que recomendam inges tão calórica, proveniente de \ncarboidrato entre 45 e 65%; de proteínas entre 10 e  35%; e de lipídeos entre 20 e 35%. Os \ndados de ingestão de micronutrientes foram comparad os com as recomendações das DRIs \nDietary Reference Intakes (2005) de EAR Estimated A verage Requirements, que \nrecomendam, para indivíduos com as idades e sexos a nalisados, as seguintes quantidades de \nnutrientes: Cálcio (800-100mg/dia), Ferro (5-6mg/di a), Magnésio (255-265 mg), Zinco (6,8 \nmg), Selênio (45 µg), Vitamina A (500 µg), Vitamina  C (60 mg), Vtamina D (10mcg), \nVitamina E (12mg) e Triptofano (4mg/kg) (INSTITUTE OF MEDICINE, 2002).  \nO percentual de gordura foi avaliado através do Mon itor de Composição Corporal \nBioimpedância (BIODYNAMICS modelo 310), emite corre nte elétrica sub-limiar (800 \nµA, 50 kHz – freqüência única)  que é um monitor que fornece de maneira rápida e pr ecisa \nas quantidades de massa gorda, massa magra, água co rporal total, metabolismo energético \nbasal e peso ideal. Seu princípio está baseado na B ioimpedância Elétrica apresentando \nníveis de correlação, comparado aos métodos mais pr ecisos existentes atualmente \n(FORBES, 1999).  \nConsiste no emprego de quatro eletrodos fixados no hemicorpo direito das mulheres \navaliadas: na mão, próximos à articulação metacarpo -falângea da superfície dorsal; no pulso, \nentre as proeminências distais do rádio e da ulna; no pé, no arco transverso da superfície \nsuperior; e no tornozelo, entre os maléolos medial e lateral (EICKEMBERG et al., 2011) \n\nCasuística e Métodos   |  39 \n \n5.7.2 Avaliação Sócio-demográfica \n \nForam coletados e analisados os seguintes dados sóc io-demográficos: escolaridade, \nestado civil, ocupação e paridade. \nHouve a coleta 5 ml de sangue, por professional cap acitado, para que seja analisado o \nlipidrograma, em relação a gordura corporal present e no organismo através do exame de \nsangue.  Foi informado a participante que no moment o da coleta de sangue poderia haver \nalguma dor decorrente da punção da pele, ou uma peq uena perda de sangue da veia no local \nda punção geralmente há um pequeno hematoma (mancha  arroxeada) que desaparece em \npoucos dias. As complicações de coleta de sangue rotineira são raras e geralmente de pequeno \nporte. E as amostras serão armazenadas até o seu processamento. \n \n5.7.3 Avaliação de escalas de ansiedade e depressão \n \nPara avaliar sintomas ansiosos e depressivos foi ut ilizada a Escala hospitalar de \nansiedade e depressão – HAD (Hospital anxietyanddep ressionscale) (Anexo 05). É formada \npor 14 itens divididos em duas subescalas, cada uma  delas consta de sete itens bem definidos \npara cada transtorno de humor, sendo que sete pesqu isam ansiedade (HAD-A) e sete \ndepressão (HAD-D). Para cada item existem quatro al ternativas com uma pontuação que vai \nde 0 a 3. A soma da pontuação obtida para os itens de cada subescala fornece uma pontuação \ntotal que vai de0 a 21. O ponte de corte para ansie dade é 8 e para depressão é 9. (Botegaet al \n1998). \n \n\nCasuística e Métodos   |  40 \n \n5.7.4 Avaliação de escala unidimensional \n \n- Escala analógica visual de dor  \n Consta de uma linha ininterrupta de 10cm de extensã o na qual a paciente é orientada a \nmarcar o ponto que corresponde à sua dor referida, lembrando que o início da escala (0) \ncorresponde à ausência de dor e o término da escala  (10) corresponde à pior dor já vivenciada \n(parto sem analgesia, infarto do miocárdio, dor de dente, litíase urinária) ou imaginada. Tem \ncomo vantagem a simplicidade. É amplamente utilizad a independente do idioma, sendo \ncompreensível pela maioria dos pacientes.  \n \n \n \n5.7.5 Análise de dados  \n \nA confecção do banco de dados e das planilhas para a análise estatística, tabelas e \ngráficos foram realizadas com auxílio dos aplicativ os Microsoft Office Excel® versão 7.0, a \nplanilha continha dados como número de registro das  pecientes, nome, idade, estado civil, \nparidade, peso, altura, índice de massa corporal, p erímetro do braço, perímetro da cintura, \nperímetro do abdômen, perímetro do quadril, os valo res relacionados a relação da cintura \nquadril, o resultados dos exames de bioimpedância (% gordura corporal, peso da gordura, taxa \nmetabólica basal, peso da massa magra, total de águ a corpórea), valores do teste HAD \nansiedade e depressão, valores obtidos com a Escala  Visual análogica, o resultados do exame \nde lipidrograma (Colesterol total, LDL – colesterol , HDL – colesterol, Triglicerides), e os \ndados obtidos através do recordatório alimentar de 24 horas (Kcal, carboidratos, proteínas, \nlipídios, gorduras saturas, gorduras monoinsaturada s, gorduras poli-insaturadas, colesterol, \nAusência \nde dor  \nPior dor \nvivenciada \n\nCasuística e Métodos   |  41 \n \nfibra alimentar, vitamina A, vitamina C, vitamina D , vitamina E, cálcio, ferro, magnésio, \nzinco, selênio e triptofano). A escolha dos micronu trientes que foram avaliados, se dá através \nde pesquisas em relação ao tema endometriose e a re lação deste micronutrientes. Para a \nedição de texto será utilizado o aplicativo Microso ft Word® versão 7.0 e os dados de \nidentificação pessoal codificado e mantidos sob sig ilo. Para cálculo e análise dos \nrecordatórios alimentares, foi utilizado o programa  Diet Smart – Smardata soluções \ninteligentes, mococa, 2015, que forneceu os resulta dos sobre os macronutrientes e \nmicronutrientes (Kcal, carboidratos, proteínas, lip ídios, gorduras saturas, gorduras \nmonoinsaturadas, gorduras poli-insaturadas, coleste rol, fibra alimentar, vitamina A, vitamina \nC, vitamina D, vitamina E, cálcio, ferro, magnésio, zinco, selênio e triptofano). \n \n5.7.6 Análise estatística \n \nOs dados numéricos foram apresentados em valores de  média, desvio-padrão e valores \nmínimos e máximos. Inicialmente foi realizado uma a nálise exploratória de dados através de \nmedidas de posição central de dispersão e gráficos de normalidade. Devido a assimetria da \ndistribuição de algumas variáveis, um teste não par amétrico de Mann Whitney foi utilizado \npara comparar as distribuições das variáveis quanti tativas em relação ao grupo com \nendometriose e sem endometriose. Na comparação entr e grupos o nível de significância será \nconsiderado quando p<0.05. O software utilizado par a análise estatística The SAS® \nUniversity edition. SAS Institute Inc. All Rights Reserved  \n \n \n\nResultados   |  42 \n \n6 RESULTADOS  \n \n6.1 Descrição das varíaveis demográficas \n \nForam convidadas a participar do estudo 122 mulhere s com diagnóstico clínico de \nDPC secundário à endometriose e secundário à outras  causas. Tomaram parte da avaliação 96 \nmulheres, sendo que destas 7 mulheres foram excluíd as, pois não se encaixaram nos critérios \nde inclusão descritos no estudo, encontravam-se na menopausa período que interfere na \nporcentagem de gordura corporal, restaram no entant o 91 mulheres sendo que 45 mulheres \nforam diagnosticadas com DPC secundário a outras causas, denominado Grupo Controle (sem \nendometriose) e 46 mulheres diagnosticadas com DPC secundário a endometriose, \ndenominado Grupo Caso (com endometriose). O período  de recrutamento e avaliação foi de \nabril de 2014 à outubro de 2015.  \n \nTabela 1: Descrição e comparação das variáveis demo gráficas das mulheres avaliadas com endometrioses ( n=46) \ne sem endometriose (n=45). \n \n \nVariavéis Média     DP Média     DP \nIdade (anos) 36,78  ± 7,58 38,33  ±7,42 \nParidade 1,42 ±1,25 2,09  ±1,24 \nEstado civil n                      % n                  % \nCasadas 31 68,89 34 73,91 \nNão casadas 14 31,11 12 26,09 \nEscolaridade n                    % n             %\nPrimário 1 2,22 2 4,35 \n1º grau 16 35,56 15 32,6 \n2º grau 19 42,22 22 47,83 \n3º grau 9 20 7 15,22 \nProfissão n                   % n                   %\nTrabalha 30 65,91 31 68,89 \nNão trabalha 15 34,09 15 31,11 \nCom endometriose \n(n=46) \nSem endometriose \n(n=45) \n\nResultados   |  43 \n \nA média de idade das mulheres do grupo com endometr iose era de 36,78 anos ±7,58 e \ndo grupo sem endometriose 38,33 anos ±7,42, sendo q ue a maioria eram casada ou tinha uma \nrelação estável, 31 (68,89%) mulheres do grupo com endometriose e 34 (73,91%) mulheres \ndo grupo sem endometriose. De acordo com a escolari dade a maior concentração se dá no 1 e \n2º Grau em ambos os grupos, sendo que 16 mulheres ( 35,56%) do grupo com endometriose e \n15 mulheres (32,60%) do grupo sem endometriose freq uentaram até o 1 grau e 19 mulheres \n(42,22%) do grupo com endometriose e 22 mulheres (4 7,83%) do grupo sem endometriose \nfrequentaram o 2ºgrau. Em relação a profissão 65,91  % (30 mulheres) do grupo com \nendometriose e 68,89% (31 mulheres) do grupo sem en dometriose trabalham (tabela 1: \ncaracterização da amostra). È importante ressaltar que a maioria das mulheres com \nendometriose apresentaram mais execesso de peso e o besidade dos que as mulheres sem \nendometriose, embora não tenha diferença significativa. \n \n6.2 Análise dos marcadores antropométricos \n \nTabela 2: Características nutricionais das mulheres  avaliadas com endometriose (n=45) e sem endometrio se \n(n=46) através da classificação do estado nutricional de acordo com o Índice de massa corporal – IMC. \n \nFonte: WHO, 2000 \n \nObservou-se na tabela 2 – classificação do IMC de a cordo com os grupos analisados \nque 40% (n=18) das mulheres do grupo com endometrio se encontravam-se com sobrepeso e \nno grupo sem endometriose 30,43% (n=14) das mulhere s, o que caracteriza maior parte da \ncom endometriose sem endometriose \nIMC N (45)             % N (46)              % \n18,5 – 24,9 9                      20 9                      19, 57 \n25 – 29,9 18                   40 14                   30,43 \n30 – 34,9 12                  26,67 10                   21,74\n35 – 39,9 2                    4,44 8                     17,3 9 \n>40 4                    8,89 5                      10, 87 Obesidade (Grau III) \nClassificação EN \nEutrofia \nSobrepeso \nObesidade (Grau I) \nObesidade (Grau II) \n\nResultados   |  44 \n \namostra de ambos os grupos estão com excesso de pes o. Entre as mulheres com endometriose \n26,67% (n=12) foram classificadas como obesidade gr au I sendo que no grupo sem \nendometriose 21,74% (n=10) houve um percentual menor, mas muito expressivo.  \n \nTabela 3: Descrição das variáveis antropométricas ( IMC, perímetro do braço, perímetro da cintura, perí metro \nabdominal, perímetro do quadril, relação da cintura  quadril e % gordura corporal), valores expressos e m média \n(± desvio padrão), mediana, minímo, máximo, das mul heres com endometriose (n=45) e sem endometriose \n(n=46). \n \n*IMC: Índice de Massa Corporal; ** PB: Perímetro do  Braço; *** PC: Perímetro da Cintura; **** PA: Perí metro do \nAbdômen; ***** PQ: Perímetro do Quadril; ****** RCQ: Relação da Cintura Quadril. \n \nDe acordo com a tabela 3 sobre os dados antropométr icos avaliados não há uma \ndiferença siginificativa entre as variavéis avaliad as. Em relação ao IMC o grupo com \nendometriose encontra-se em sobrepeso (29,26 Kg/m 2 ± 6,23) de acordo com a média \napresentada, já o grupo sem endometriose apresenta obesidade leve (30,84 Kg/ m 2 ±6,22), é \nimportante resaltar que mesmo sem diferença signifi cativa (p. 0,2681) entre os grupos para a \nvariável do IMC eles se apresentam em classificação diferente de acordo com OMS, (1998).  \nEm relação o PA os dois grupos avaliados de acordo com OMS encontram-se com \ncom risco aumentado devido aos valores acima da med ia recomendada que é de > 88 cm \ncaracterizando risco aumentado para doenças cardiov asculares. O grupo com endometriose \napresenta média de 95,13 cm ±13,67 e o grupo sem en dometriose apresenta media de 98,39 \ncm ±14,33, demonstrando que ambos grupos apresenta um excesso de gordura na região \nabdominal.  \nVariavéis antropométricas Média DP Mediana Minímo Máximo Média DP Mediana Minímo Máximo p. \nIMC (Kg/m2)* 29,26 ±6,23 28,83 18,47 44,89 30,84 ± 6,22 29,75 21,6 44,29 0 ,2681 \nPB (cm)** 30,63 ±4,37 31 22 43 31,06 ±4,94 30 21 42 0,8329 \nPC (cm)*** 88,04 ±13,47 88 64 126 90,98 ±14,36 91 65 121 0,2477 \nPA (cm)**** 95,13 ±13,67 93 94 135 98,39 ±14,33 97,5 68 130 0,1195 \nPQ (cm)***** 106,4 ±12,97 105 78 144 107,2 ±12,71 107,5 75 131 0,4593 \nRCQ ****** 0,83 ±0,09 0,83 0,67 1,11 0,84 ±0,76 0,85 0,66 1,08 0,1937 \n% gordura (%) 34,92 ±6,1 35,1 22,7 47,2 36,01 ±6,22 36,8 15,66 47,3 0,2733 \nCom endomeriose (n=45) Sem endometriose (n=46) \n\nResultados   |  45 \n \nJá na RCQ ambos os grupos caracterizou risco modera do, pois os valores encontram-\nse abaixo de <0,85 de acordo com  OMS, (1998), sabe -se que é uma variável importante para \nanalisar o risco para doenças cardiovasculares, ape sar do PA estar  apresentar risco \naumentando os valores de RCQ para o grupo com endom etriose (0,83 ±0,09) e para o grupo \nsem endometriose (0,84±0,76) estão abaixo dos valores recomendados. \nA média de porcentagem de gordura avaliada para o g rupo com endometriose foi de \n34,92% ± 6,1 e de 36,01 ±6,22 para o grupo sem endo metriose, sendo que a recomendação \nadequada para esta variável é entre 15 – 25% de gor dura corporal, no entanto estas mulheres \napresentam uma média de porcentagem de gordura muito alta de acordo com a recomendação. \nConforme mostra a tabela 4 sobre a classificação do  percentual de gordura em ambos \nos grupos não houve nenhuma mulher que estivesse co m o nível de gordura abaixo do \nrecomendado e apenas 3 mulheres (6,67%) do com endo metriose e 2 mulheres (4,35%) do \nsem endometriose encontravam-e com o percentual de gordura adequado. Mais da metade das \nmulheres estão classificadas como muito alto a taxa  de porcentagem de gordura no grupo sem \nendometriose este valor ainda mais expressivo pois 27 mulheres representando 58,7% da \namostra, quanto que no grupo com endometriose 23 mulheres representando 51,1%.   \n \nTabela 4: Descrição da classificação do percentual de gordura corporal das mulheres com endometriose ( n=45) e \nsem endometriose (n=46) avaliado através do exame de bioimpedância elétrica. \n \nFonte: Lohman, 1987, adaptado de Heyward & Stolarczyk, 1996 \nClassificação Porcentagem \nde gordura \nn (45)      % n \n(46)         %\nBaixo 10 – 15% 0 0 0 0\nÓtimo 15 -25 % 3 6,67% 2 4,35% \nModeradamen \nte Alto 25 – 30% 6 13,33% 6 13,04% \nAlto 30 – 35 % 13 28,89% 11 23,91% \nMuito alto >30% 23 51,11% 27 58,70% \nCom endometriose Sem endometriose \n\nResultados   |  46 \n \n6.3 Escala de ansiedade e depressão \n \nNa avaliação feita através da Escala hospitalar de ansiedade e depressão – HAD \n(Hospital anxietyanddepressionscale) de acordo com a figura 1 observou-se que a média de \nansiedade para o grupo com endometriose foi de 9,97  e para o grupo sem endometriose 10,52 \nsem diferença significativa (p.0,5014) entre os gru pos, porém de acordo com o ponto de corte \nestabelecido pela HAD para ansiedade seria 9, o que  demonstra que ambos os grupos estão \nacima deste ponto de corte apresentado níveis de ansiedade alterados. \n \n \nFigura 1: Descrição da média de Ansiedade obtido at ravés da Escala hospitalar de ansiedade e depressão  - HAD \ndas mulheres com endometriose (n=46) e sem endometriose (n=45). \n \nEm relação a avaliação da Escala hospitalar de ansi edade e depressão – HAD para \ndepressão de acordo com a representação da figura 2  as mulheres do grupo com endometriose \napresentaram valores 8,24 e as mulheres do grupo se m endometriose 9,23 também sem \ndiferença significativa (p.0,1905) entre os grupos,  o ponto de corte para depressão é de 9 \nsendo que somente o grupo controle apresentou valor acima do ponto de corte. \n\n\nResultados   |  47 \n \n \nFigura 2: Descrição da média de depressão obtido at ravés da Escala hospitalar de ansiedade e depressão  - HAD \ndas mulheres com endometriose (n=46) e sem endometriose (n=45). \n \n6.4 Escala unidimensional – Escala análogica de dor - EVA \n \nDe acordo com a escala analógica visual de dor, que  foi avaliada nestes dois grupos \nobteve uma diferença significante p. 0,0375, onde o  grupo com endometriose apresentou \nmédia de 7,20 ±2,05 e o grupo sem endometriose médi a de 5,99 ±2,62, lembrando que a \nvariação da escala é de 0 a 10 e que 0 é a menor do r (ausencia de dor) e 10 a pior do sentida. \nApesar dos dois grupos apresentarem históricos de d or, o grupo com endometriose de acordo \ncom estudos e relato das mulheres apresentam uma maior intensidade de dor (conforme tabela \n5). \n \nTabela 5: Descrição da média de valores obtidos atr avés da Escala Analogica visual de dor – EVA, das m ulheres \navaliadas com endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46) \n \n \nEVA Média DP Mediana Mínimo Máximo p. \nCom endometriose n (45) 7,2 ± 2,05 7,6 1 9 0,0375 \nSem endometriose n (46) 5,99 ± 2,62 5,75 1 9,9 \n\nResultados   |  48 \n \n6.5 Análise bioquímica - Lipidograma \n \nSegundo a avalição do lipidograma, através de análi se bioquímica apresentada na \ntabela 6, observou-se que em relação ao colesterol total a média apresentada pelo grupo com \nendometriose foi de 191,11 mg/dl ±41,04 e no grupo sem endometriose 198,15 mg/dl ±42,32 \nem ambos os grupos a média encontra-se abaixo do qu e é recomendado pela SBC (2015)  que \ntaxa de colesterol total <200 mg/dl, classificado c omo ótimo, representando que não há uma \ndiferença significativa (p.0,2785) entre os grupos. \n \nTabela 6: Resultados da Média obtida através da aná lise bioquímica do exame de lipidrograma (Colestero l total, \nLDL – colesterol, HDL – colesterol e Triglicérides)  das mulheres avaliadas com endometriose (n=45) e s em \nendometriose (n=46). \n \n \nEm relação ao LDL – colesterol obteve-se como média  119,13 mg/dl ±41,04 para o \ngrupo com endometriose e 124,70 mg/dl ±40,66 (p.0,4 798), sendo que para ambos os grupos \napresentam taxas abaixo da recomendação (SBC, 2015)  representando que as taxas de LDL-\ncolesterol estão desejáveis, que seria valores cons iderados entre 100 - 129 mg/dl. Para o HDL \n– colesterol a média obtida para o grupo com endome triose foi de 45,90 mg/dl ±12,73 e no \ngrupo sem endometriose 51,50 ±28,54 (p.0,8550), con siderando que os valores adequados \npara o mesmo está entre 40mg/dl e 60 mg/dl e ambos os grupos se encontram nesta taxa. \nSobre os valores de triglicérides a média encontrad a para o grupo com endometriose é de \n111,62mg/dl ±52,85 e do grupo sem endometriose 115, 11mg/dl ±50,85 (p. 05228), \nVariavéis \nMédia   DP Mediana Minímo Máximo Média   DP Mediana Míni mo Máximo p. \nColesterol Total (mg/dl) 191,11      ±41,04 186 131 316 198,15     ±42,32 191,5 85 295 0,2785 \nLDL (mg/dl) 119,13      ±41,04 186 0 228 124,70      ±40,66 121,5 31 2 31 0,4798 \nHDL (mg/dl) 45,90        ±12,73 46 0 68 51,50        ±28,54 44 27 183 0 ,855 \nTriglicérides (mg/dl) 111,62      ±52,85 102 35 99 115,11      ±50,85 115,5 37 3 04 0,5228 \nSem endometriose n=46 Com endometriose n=45 \n\nResultados   |  49 \n \ncaracterizando que estão abaixo do recomendado que são valores <150 mg/dl e que não houve \ndiferença significativa em relação a ánalise bioquímica dos grupos. \n6.6 Ánalise recordatório alimentar – Calorias e macronutrientes \n \nDe acordo com a análise realizada através do record atório alimentar pode se observar \nque a média de calorias ingeridas no dia do recorda tório no grupo com endometriose foi de \n1633,76 kcal  ±714,63 e do grupo sem endometriose 1 473,04 ±691,60, neste caso o grupo \ncom endometriose tem uma ingestão maior de calorias  em relação ao grupo sem \nendometriose, mas quando avaliado a taxa metabólica  basal que foram analisados pelo exame \nde bioimpedância as mulheres do grupo com endometri ose apresentam de taxa metabólica \nbasal (TMB) média menor 1462,31 Kcal ±186,36 compar ado ao grupo sem endometriose que \napresenta uma média de TMB maior 1504,57 ±273,15, m as que comparado ao valor \nnecessário de calorias diárias acrescido do fator atividade, neste caso utilizou-se o valor de 1,3 \no grupo com endometriose apresenta menor quantide d e calorias diárias 1901 Kcal ±242,92 \nem relação ao grupo sem endometriose 1955,93 kcal ±  355,10, percebe-se que a diferença de \ncalorias entre os grupos são insignificantes, mas d e acordo com a ánalise do recordatório de \n24 horas ambos os grupos estão ingerindo menos que o recomendado (tabela 7). \n \nTabela 7: Descrição do resultado dos micronutriente s através do recordatório alimentar de 24 horas (kc al – \ncalorias; carboidratos, proteínas e lipídios) das mulheres com endometriose (n=45) e sem endometriose (n=46). \n \n \nAvaliando os macronutrientes do recordatório alimen tar a ingestão média de calorias \nprovenientes dos carboidratos foi de 201,73 g ± 97, 61 para o grupo com endometriose e de \nVariavéis Dietéticas \nKcal/dia Média DP Mediana Mínimo Máximo Média DP Mediana Mínimo Máximo p. \nCalorias 24 hs 1633,76    ±714,63 1570 0 3479 1473,04     ± 691,60  14 36,5 314 3935 0,1398 \nCarboidratos g/dia 201.73        ±97,61 188.67 0 445.75 368.19       ±157, 45 180.81 31.68 523.00 0,9462 \nProteínas g/dia 76.86         ±42,09 79.09 0 233.76 66.12          ±35, 91 63.36 9.58 198.83 0,1388 \nLipidios g/dia 58.29         ±40,78 55.22 0 279.03 48.10          ±31, 53 40.66 9.33 164.09 0,0347 \ncom endometriose n=45 Sem endometriose n=46 \n\nResultados   |  50 \n \n368,19g ±157,45 para o grupo sem endometriose, onde apesar das mulheres com endometriose ter \numa média menor na ingestão de carboidratos não houve diferença significativa entre os grupos \n(p=0,9462). De acordo com a recomendação de RDA em gramas o valor médio para mulheres \ndesta faixa etária é de 130g/dia e os valores de AM DR (INSTITUTE OF MEDICINE, 2002), \napresentados no gráfico 3 – apresentam que 30,23% (n=13 mulheres) do grupo com endometriose \nconsumiram abaixo de 45% do recomendado de carboidr atos diários e no grupo sem \nendometriose 26,19% (11 mulheres).  Mais da metade das mulheres de ambos os grupos de \nacordo com o recordatório de 24 horas estavam com a ingestão de carboidratos adequado (46 -\n64%), no grupo com endometriose 55,81% (n=24 mulher es) e no grupo sem endometriose \n61,90% (n=26 mulheres). Acima do recomendado (>65%) encontravam-se apenas 13,95% (n=6 \nmulheres) do grupo com endometriose e 11,90% (n=5 mulheres) do grupo sem endometriose. È \nimportante ressaltar que apesar do excesso de gordu ra apresentada pela maioria de ambos os \ngrupos o consumo de carboidratos pode não ser o principal causador deste excesso. \n \n \nFigura 3: Ánalise e comparação do consumo de carboi dratos ingeridos pelas mulheres com endometriose (n =45) \ne sem endometriose (n=46) avaliado através do recor datório alimentar de 24 horas comparados aos valore s de \nRecomendação diária – DRIs. \n \n30,23 \n55,81 \n13,95 \n26,19 \n61,9 \n11,9 \n0,00 \n10,00 \n20,00 \n30,00 \n40,00 \n50,00 \n60,00 \n70,00 \nBaixo do recomendado Adequado Acima do Recomendado \nIngestão de Carboidrato - Recordatório de 24 horas \ncom endometriose sem endometriose \n\nResultados   |  51 \n \nA ingestão média de calorias provenientes proteínas  foi de 76,86 g ± 42,09 para o \ngrupo com endometriose e de 66,12 ±35,91 para o gru po sem endometriose, neste caso o \ngrupo com endometriose teve uma maior ingestão de p roteínas em relação ao grupo sem \nendometriose, não havendo diferença significativa e ntre a ingestão de ambos (p=0,1388). No \nentanto a recomendação diária de proteínas em grama s para esta faixa etária é de 46g/dia e \nambos os grupos estão com media bem acima do ideal, 77,78% (n=33) das mulheres do grupo \ncom endometriose e 71,74% (n=31) das mulheres do gr upo sem endometriose consumiram \nalém da recomendação indicada.  A porcentagem recom endada de acordo com AMDR para \ningestão total de calorias em relação a proteína é de 10 – 35 % (gráfico 4), sendo que no \ngrupo com endometriose apenas 2,22% (n=1) consumiu abaixo do recomendado (< 10%). A \nquantidade de mulheres que consumiram a quantidade adequada (10 – 35%) de acordo com a \nrecomendação foi minima de acordo com a amostra tot al, no grupo com endometriose 11,11 \n% (n=5) e 13,04% (n=6) do grupo sem endometriose. S endo que 86,67% (n=39) do grupo \ncom endometriose e 86,89% (n=40) do grupo sem endom etriose ingeriram mais do que a \nrecomendação (>35%) de AMDR (INSTITUTE OF MEDICINE, 2002). \n \n \nFigura 4: Ánalise e comparação do consumo de proteí nas ingeridos pelas mulheres com endometriose (n=45 ) e \nsem endometriose (n=46) avaliado através do recorda tório alimentar de 24 horas comparado aos valores d e \nRecomendação diária – DRIs. \n2,22 \n11,11 \n86,67 \n0,00 \n13,04 \n86,96 \n0,00 \n10,00 \n20,00 \n30,00 \n40,00 \n50,00 \n60,00 \n70,00 \n80,00 \n90,00 \n100,00 \nAbaixo do recomendado Adequado Acima do Recomendado \nIngestão de Proteínas - Recordatório 24 horas \ncom endometriose Sem endometriose \n\nResultados   |  52 \n \n \nA ingestão média de calorias provenientes lipídios (gorduras) foi de 58,29g ± 40,78 para o \ngrupo com endometriose e de 48,10 ±31,53 para o grupo sem endometriose, neste caso o grupo \ncom endometriose teve uma maior ingestão de lipídios em relação ao grupo sem endometriose, \ndemonstrando uma diferença significativa entre a ingestão de ambos (p=0,0347). O fato que esta \ndiferença não está associado aos valores de média de porcentagem de gordura apresentada pela \namostra, pois o grupo sem endometriose têm uma maior porcentagem e uma menor ingestão de \ncalorias provenientes dos lipídios, o que é observado também em relação ao colesterol total, LDL \n– colesterol, HDL – colesterol e triglicéride no grupo sem endometriose. A recomendação diária \nde lípidios em gramas para esta faixa etária é de 65g/dia e ambos os grupos apresentam media de \ningestão abaixo do recomendado.  A porcentagem reco mendada de acordo com AMDR para \ningestão total de calorias em relação aos lipidios é de 20 - 35 % (gráfico 5), sendo que no grupo \ncom endometriose apenas 6,67% (n=3) consumiu abaixo do recomendado (< 20 %). A quantidade \nde mulheres que consumiram a quantidade adequada (21 - 34%) de acordo com a recomendação \nfoi a maior parte de acordo com a amostra total, no grupo com endometriose 68,89 % (n=31) e \n63,04% (n=29) do grupo sem endometriose. Sendo que 22,22% (n=10) do grupo com \nendometriose e 23,91% (n=11) do grupo sem endometri ose ingeriram mais do que a \nrecomendação (>35%) de AMDR. \n \n\nResultados   |  53 \n \n \nFigura 5: Ánalise e comparação do consumo de lipídios ingerid os pelas mulheres com endometriose (n=45) e \nsem endometriose (n=46) avaliado através do recorda tório alimentar de 24 horas comparados aos valores de \nRecomendação diária – DRIs. \n6.7 Ànalise recordatório alimentar – Micronutrientes e aminoácido \n \nEm relação aos micronutrientes foram analisados: vi taminas (A, C, E e D) e os \nminerais (cálcio, ferro, magnésio, Zinco, Selênio) e um aminoácido (triptofano). Conforme a \ntabela 8 a média de ingestão de vitamina A é de 300 ,53µg ±420,09 no grupo com \nendometriose e no grupo sem endometriose 576,74 µg ±293,02 sendo que ambos os grupos \napresentam média de ingestão menor que o RDA que é de 700 µg/dia, sendo que destas \nmulheres que se encontram com ingestão abaixo do re comendado 91,11 % (n=41) do grupo \ncom endometriose e 91,30% (n=42) do grupo sem endom etriose, que não houve diferença \nsignificativa (0,1862) em relação a ingestão de vitamina A nos grupos. \nA média de ingestão de vitamina C é de 144,58 mg ±2 88,42 no grupo com \nendometriose e no grupo sem endometriose 111,48 mg± 128,57 sendo que ambos os grupos \napresentam média de ingestão maior que o RDA que é de 75 mg/dia. No grupo com \nendometriose 62,22% (n=28) e no grupo sem endometri ose 56,52% (n=26) das mulheres \ningeriram quantidades maiores que as recomendadas pelo RDA. Sendo que 37,78% (n=17) do \ngrupo com endometriose e 43,48% (n=20) do grupo sem  endometriose ingeriram quantidade \n6,67 \n68,89 \n22,22 \n13,04 \n63,04 \n23,91 \n0,00 \n10,00 \n20,00 \n30,00 \n40,00 \n50,00 \n60,00 \n70,00 \n80,00 \nAbaixo do \nrecomendado \nAdequado Acima do \nRecomendado \nIngestão de Lípidios - Recordatório 24 horas \ncom endometriose sem endometriose \n\nResultados   |  54 \n \nmaior que o recomendado pelo RDA, não apresentando diferença significativa (p.04532) entre \nos grupos. \nEm relação a média de ingestão de vitamina E é de 1 1,04 mg ±7,50 no grupo com \nendometriose e no grupo sem endometriose 8,53 mg±3, 78 sendo que ambos os grupos \napresentam média de ingestão maior que o RDA que é de 75 mg/dia. No grupo com \nendometriose 62,22% (n=28) e no grupo sem endometri ose 56,52% (n=26) das mulheres \ningeriram quantidades maiores que as recomendadas pelo RDA. Sendo que 37,78% (n=17) do \ngrupo com endometriose e 43,48% (n=20) do grupo sem  endometriose ingeriram quantidade \nmaior que o recomendado pelo RDA, sem diferença significativa (p. 0,2353) entre os grupos. \nO grupo com endometriose apresenta uma média de ingestão de vitamina D de 1,92 µg \n±2,46 e no grupo sem endometriose 20,17 µg ±10,48 s endo que a ingestão recomendada pelo \nRDA é de 5 µg/dia e o grupo com endometriose aprese ntam média de ingestão abaixo do \nrecomendado, e o grupo sem endometriose tem média d e ingestão superestimada em relação \nao RDA. No grupo com endometriose 86,67% (n=39) e n o grupo sem endometriose 93,48% \n(n=43) das mulheres ingeriram quantidades abaixo qu e as recomendadas pelo RDA. Sendo \nque 13,33% (n=06) do grupo com endometriose e 6,52%  (n=9) do grupo sem endometriose \ningeriram quantidades maiores que o recomendado pelo RDA. \n \nTabela 8: Descrição do resultado dos micronutriente s do recordatório alimentar de 24 horas (Vitamina A , C, D, \nE, cálcio, ferro, magnésio, zinco, selênio e tripto fano) das mulheres com endometriose (n=45) e sem \nendometriose (n=46). \n \nVariavéis Dietéticas \nMicronutrientes Média DP Mediana Mínimo Máximo Média DP Mediana Mínimo Máximo p. \nVitamina A mcg 300, 53        ±420,09 130.26 0 1970.87 576.74      ±29 3,02 84.27 0.00 1558.81 0,1862 \nVitamina C 144.58         ±288,42 42.18 1,44 1757.96 111.48      ± 128,57 66.22 1.44 602.67 0,4532 \nVitamina E 11.04           ±7,50 10.80 0,56 33.75 8.53          ±3 ,78 8.87 0.56 16.31 0,2353 \nVitamina D mcg 1.92            ±2,46 0.50 0 10.49 20.17        ±10,48 0 .51 0.00 690.20 0,4543 \nCalcio 486.95        ±402,68 347.24 37,76 1909.73 369.94      ±281,28 275.50 37.76 1445.14 0,2171 \nFerro 11.54          ± 6,86 11.50 1,45 35.24 22.15        ±75 ,77 9.35 1.57 523.26 0,9399 \nMagnesio 185.38        ±94,08 176.05 3,45 378.30 163.79      ±11 1,78 145.57 3.45 627.51 0,153 \nZinco 11,46          ±9,98 9.34 0 59.10 8.17          ±7,77 5. 72 0.00 30.67 0,0417 \nSelenio 24.58         ±22,48 15.51 0 96.15 27.81        ±26,10 2 1.58 0.00 129.23 0,5649 \nTriptofano 506.55       ±407,89 509.53 0 2061.15 373.57      ±392, 48 310.62 0.00 2014.40 0,0494 \nCom endometriose n=45 Sem endometriose n=46 \n\nResultados   |  55 \n \n \nD\nando continuidade a ánalise da tabela 8 , os valores de recomendados pelo RDA para \ningestão de cálcio diária é 1000 mg, a média de ing estão de Cálcio 486,95 mg ±402,68 do \ngrupo com endometriose e no grupo sem endometriose 369,94 mg ±281,28 observa-se que \nambos os grupos apresentam média de ingestão de cálcio em relação ao recordatório analisado \nabaixo do recomendado, sendo que no grupo com endom etriose 88,89% (n=40) e no grupo \nsem endometriose 97,83% (n=45) das mulheres ingerir am quantidades abaixo que as \nrecomendadas pelo RDA. Sendo que 11,11% (n=05) do g rupo com endometriose e 2,17% \n(n=1) do grupo sem endometriose ingeriram quantidad es maiores que o recomendado pelo \nRDA. Sem diferença estásticas (p.0,2171) significativa entre os grupos. \nSobre a ingestão média de ferro a recomendação é 18  mg/dia segundo RDA. A média \napresentas pelos grupos foram 11,54 mg ±6,86 no gru po com endometriose e no grupo sem \nendometriose 22,15 mg ±75,77, o que demonstra que o  grupo com endometriose teve uma \nmédia de ingestão abaixo do recomendado (18mg/dia).  Mas 88,89% (n=40) do grupo com \nendometriose teve uma ingestão maior que o recomend ado, apesar da média de ingestão estar \nabaixo do recomendado. No grupo sem endometriose 80,43% (n=37) teve uma ingestão acima \nda ingestão recomendada. não houve diferença estást icas significativa (p. 0,9399) entre os \ngrupos avaliados. \nEm relação a ingestão de magnésio também não houve diferença estásticas (p. 0,1533) \nsignificativa entre os grupos. O RDA recomenda uma ingestão de 320 mg/dia. Ambos os \ngrupos tiveram ingestão média abaixo do recomendado , o grupo com endometriose teve uma \ningestão média de 185,38 mg ±94,08 e o grupo sem en dometriose 163,79 mg ±111,78. Destes \n88,89% (n=40) do grupo com endometriose e 91,30% (n =42) do grupo sem endometriose \ningeriram menor quantidade de magnésio de acordo com a recordatório analisado. \nO zinco apresentou uma diferença estástica significante (p.0,0417) em relação aos dois \ngrupos analisados. O grupo com endometriose teve um a ingestão média 11,46 mg ±9,98 e o \n\nResultados   |  56 \n \ngrupo sem endometriose 8,17mg ±7,77, onde ambos os grupos tiveram ingestão maiores que a \nrecomendação, mas o grupo com endometriose teve uma  maior ingestão comparando os dois \ngrupos. Dentro da ingestão abaixo do recomendado a grupo sem endometriose  apresentou \numa quantidade maior das mulheres avaliadas 65,22% (n=30) e no grupo com endometriose \n44,19% (19), as que ingeriram uma quantidade maior que a recomendação é maior no grupo \nsem endometriose 55,81% (n=24) do grupo com endometriose e 34,78% (n=16) do grupo sem \nendometriose. \nJá o selênio não apresentou diferença estásticas si gnificativa (p. 0,5649) entre os \ngrupos avaliados. Ambos tiveram uma média de ingest ão abaixo da recomendação de RDA \n(55 mg/dia). O grupo com endometiose apresentou méd ia de ingestão de 24,58 mg ±22,48 e o \ngrupo sem endometriose 27,81 mg ±26,10. O percentua l de ingestão do grupo com \nendometriose 84,44% (n=38) e do grupo sem endometri ose 89,13% (n=41) apesar de estar \ncom ingestão média abaixo do recomendado uma grande  parte das avaliadas em amabos os \ngrupos estavam ingeriram mais que o recomendado. \nO aminoácido triptofano apresentou diferença signif icativa (0,0494) entre os grupos \navaliados. A recomendação diária (RDA) para triptof ano é 5 mg/dia. O grupo com \nendometriose teve uma média de ingestão de 506,55 m g ±407,89 e o grupo sem endometriose \n373,57 mg ±392,48. Entre as mulheres avaliadas 93,3 3% (n=42) do grupo com endometriose \nestavam ingerindo mais do que a recomendação e 84,78% (n=39) do grupo sem endometriose.  \n\nDiscussão   |  57 \n \n7 DISCUSSÃO  \n \nNeste estudo foram avaliados os parâmetros antropom étricos em mulheres com DPC \n(secundário a endometriose (grupo caso/ com endomet riose) e secundária a outras causas \n(grupo controle/ sem endometriose)), através do exa me de bioimpedância, avaliação \nantropométrica (peso, altura, IMC, PC, PA, PQ). Aná lise do recordatório de 24 horas \n(Macronutrientes – carboidratos, proteínas e lipídi os e os micronutrientes – vitminas e \nminerais e aminoácido), avaliação de dor através da  EVA e escore de Ansiedade e Depressão \natravés HAD. Demonstrando que as mulheres com sobre peso de acordo com o IMC são na \nsua maioria do grupo com endometriose, mas as mulhe res do grupo sem endometriose \napresentam uma maior porcentagem de gordura corpora l e também uma ingestão calórica \nmaior que o grupo das mulheres com endometriose, ap esar de ambos os grupos ingerirem \nquantidades menores que o recomendado. Em relação a  ingestão de zinco, onde apresentou \numa diferença significativa em ambos os grupos, per cebe-se que o grupo com endometriose \ntêm uma ingestão maior do que o grupo sem endometriose. \nPoucos são os estudos que avaliaram nutricionalment e e antropometricamente \nmulheres com DPC (secundária a endometriose e secun dária a outras causas). Alguns \npesquisadores sugeriram que a dieta pode contribuir  positivamente reduzindo sintomas e \ncontrolando o estresse oxidativo sistêmico através do alto consumo de nutrientes \nantioxidantes ou pelo fornecimento destes nutriente s sob a forma de suplementos. O primeiro \nartigo científico que aborda o assunto, foi publica do em 2004. Os autores Avaliaram 504 \nmulheres com idade entre 20 e 65 anos, através de u m questionário de freqüência alimentar, \nonde descobriram que a ingestão de frutas, verduras e legumes estão associados ao baixo risco \nde desenvolver a endometriose, quanto que o consumo  de embutidos foi identificado como \num fator de risco para o desenvolvimento da doença (Parazzini et al, 2004). O presente estudo \n\nDiscussão   |  58 \n \nmostra que o grupo com endometriose apresenta um n maior de mulheres com sobrepeso (25 \nKg/m 2 – 29,9 Kg/m 2) e com obesidade grau I (30 Kg/m 2 - 34,9 Kg/m 2) do que o grupo sem \nendometriose (tabela 2). Em um estudo realizado por  Ferrero, Anserini  et al. , (2005) mostra \nque as mulheres com endometriose têm menor IMC, rar amente são obesas em relação ao \ngrupo sem endometriose avaliado. O que pode se obse rvar neste estudo que a maior parte das \nmulheres encontram-se com obesidade grau II (35 Kg/ m 2 - 40 Kg/m 2). A obesidade está \nassociada com aumentos significativos tanto em morb idade e mortalidade; os obesos estão \nmais propensos a ter condições de comorbidade inclu indo a hipertensão, dislipidemia, \ndiabetes de tipo II mellitus, doença cardíaca, acid ente vascular cerebral, disfunção pulmonar \ncoronária, e outras doenças crónicas (GUIDELINE, 19 98). Algumas pesquisas sugerem que a \nendometriose está associada com o baixo peso medido  pelo IMC (Viganò et al., 2012). No \nentanto, o IMC é um marcador de massa corporal tota l, sem subdividir a massa gorda, massa \nmagra, ossos e etc. Além de não refletir a distribu ição de Gordura corporal (Deurenberg, Yap, \n& van Staveren, 1998; Shah & Braverman, 2012). \n De acordo com Ferrero, et al, 2005 & Ayas, 2012 nã o foi estabelecida qualquer \ncorrelação definitiva entre a presença de endometri ose e os valores de IMC. O estudo mostra \nque mulheres com endometriose têm menor IMC, freqüe ntemente são magras e não \napresentam obesidade em relação aos indivíduos cont roles. O que se observa-se contrastante \nem nosso estudo é que ambos os grupos apresentam IM C acima do que é considerado \nadequado (24,9 Kg/m 2), onde grupo com endometriose apresenta sobrepeso (29,26 Kg/m 2 \n±6,23) e o grupo sem endometriose apresenta obesida de (30,84 Kg/ m 2 ±6,22), diferindo de \ndiversos estudos.  A obesidade está associada com a umentos significativos na morbidade e \nmortalidade, sendo os pacientes obesos mais propens os a terem condições comórbidas como \nhipertensão, dislipidemia, diabetes Mellitus tipo I I, doença cardíaca coronária, acidente \n\nDiscussão   |  59 \n \nvascular cerebral, disfunção pulmonar, entre outras  doenças crônicas assim como o agravo da \nendometriose.  \n McCann Et al, 1993  descobriram que a endometriose  está inversamente relacionada \ncom a relação cintura / quadril (RCQ) e relação cin tura / coxa (RCC) em mulheres <30 Anos \nde idade, mas não observaram diferenças significati vas. De acordo com nosso estudo (tabela \n3) os valores apresentados de RCQ entre os grupos t ambém não apresentam diferença \nestastistica significativa sendo a única relação av aliada no estudo. Assim também não \napresentou diferença deste estudo para o estudo de Darrow, 1994 & Sangi-Haghpeykar, \nPoindexter, 1995 que mulheres com endometriose comp aradas a um grupo sem endometriose \nnão apresentaram correlação entre endometriose e o IMC. Estes estudos estão em contraste \ncom os Signorello et al, 1997 que descobriram que o risco de endometriose está positivamente \nassociada à altura e inversamente associado ao peso e IMC.  \n O percentual de gordura das mulheres com DPC apres entado neste estudo foi acima \ndos níveis recomendados para a saúde WHO, (1998). A pesar de haver poucos estudos de \ncomposição corporal relacionados a mulheres com DPC  e suas causas secundárias como a \nendometriose podemos compreender este percentual au mentado provavelmente devido a \nalguns fatores como sedentarismo, hábitos alimentares, alterações metabólicas e predisposição \ngenética de cada mulher, Lins e Sichieri (2001). Se gundo WING et al., (1991) e LEY et al. \n(1992), a média de ganho de peso corporal na perime nopausa é estimada em 2 a 4 Kg em três \nanos, com aumento de 20% na gordura corporal total.  Neste estudo a media de idade das \nmulheres avaliadas corresponde a fase perimenopausa. \nEm um estudo feito por Ayas, et al, (2012) que aval iou 73 mulheres sendo 36 com \nendometriose e 37 sem endometriose, observou que o IMC e a porcentagem de gordura \ncorporal não foram estatisticamente diferentes (p> 0,05). O IMC médio foi de 25,68 Kg/ m 2 ± \n5,34, apresentando mulheres com endometriose com so brepeso assim como neste estudo \n\nDiscussão   |  60 \n \n(29,26 Kg/m 2±6,23) e Em relação ao grupo controle de Ayas, et a l, (2012), o IMC médio foi \nde 24,37 Kg/m 2 ± 3,52, enquanto que neste estudo apresentou-se ma is alto (30,84 Kg/m 2 \n±6,22)  do que o grupo com endometriose e consequentemente uma maior porcentagem de \ngordura (36,01%) classificada como muito alta també m e contrastando no mesmo estudo que \nencontrou 23,70% no grupo de controle. Em relação a  porcentagem de gordura encontrou \n20,78% no grupo com endometriose considera como ade quada de acordo com a classificação \nde Lohman, 1987 adaptado por Heyward & Stolarczyk, 1996, enquanto que neste estudo as \nmulheres com endometriose apresentaram 34,92 % de g ordura sendo classificadas com muito \nalta a taxa de gordura.  \n Um estudo realizado por Gurian, et al, 2014 no mesmo departamento de Ginecologia e \nobstetrícia que este estudo, teve como objetivo ana lisar parâmetros antropométricos (IMC e \n%GC), a dor clínica e a dor experimental em mulhere s com DPC, revelou que 50 (54,8%) das \n91 mulheres avaliadas apresentou a porcentagem de g ordura corporal > 32, ou seja, risco de \ndoença associada a obesidade de acordo com (Heyward & Stolarczyk 1996).  \nA endometriose é uma das doenças ginecológicas mas que podem acarretar a uma \nconsiderável perturbação física, psicológica, causa ndo um impacto social na vida da paciente \n(Friedl, et al, 2015). A qualidade de vida é afetad a de maneira complexa pela saúde física, \nestado psicológico, nível de independência, relacio namentos sociais, crenças pessoais e \nrelação com as características salientes do seu amb iente, mulheres com endometriose relatam \nmaior nível de estresse e maiores escores de depres são, especialmente aqueles com \nendometriose estágio 3 e 4 (Siedentopf, et al, 2008; Friedl, et al, 2015). \nFriedl, et al, 2015 em seu estudo sobre o Impacto d a endometriose na qualidade de \nvida, ansiedade e depressão, avaliou 123 mulheres (sendo 61 mulheres sem endometriose e 62 \nmulheres com endometriose) utilizou a escala HAD, o nde a presença de ansiedade foi \ndetectada 29% (n = 18), das mulheres com endometrio se. No grupo de controle, 15,7% (n = \n\nDiscussão   |  61 \n \n10) apresentaram ansiedade.  Em relação aos sintoma s de depressão 14,6% (n = 9) das \nmulheres com endometriose apresentaram sintomas de depressão. No grupo controle os \nsintomas depressivos foram encontrados em 15,7% (n = 10). \nVisscher, Lobbezoo  et al. , 2004 relata em seu estudo que a intensidade da dor tem uma \ngrande importância na prática clínica e é reconheci da como uma das mais relevantes \nexperiências de dor subjetiva. A EVA uma medida com  estrutura unidimensional é \nconsiderada a avaliaçao da dor limitada à dimensão de intensidade, com o intuito de verificar \na eficiência de determinados tratamentos, diversos estudos têm utilizado essa escala para \nmensurar a dor, tanto clínica e experimental. Estud os realizados através de ensaios clínicos \nrandomizados e estudos clínicos, a EVA está entre a s escalas de dor amplamente utilizada em \nque objetivam verificar a eficiência de terapêutica s e comparar a eficácia de diferentes \ntratamentos ativos. Mostrou-se eficaz para avaliar o resultado dos tratamentos propostos em \nalguns estudos em RCT aplicados em mulheres com DPC  de causas diversas utilizaram a \nEVA como desfecho primário e, como nesse estudo. (Z ullo, Palomba  et al. , 2003; Abbott, \nJarvis  et al. , 2006; Haugstad, Haugstad  et al. , 2008; Stratton, Sinaii  et al. , 2008; Daniels, Gray  \net al. , 2009; Walch, Unfried  et al. , 2009; Gerlinger, Schumacher  et al. , 2010). \nO tecido adiposo esta envolvido no desenvolvimento de endometriose através de vias \nimunológicas (Lumeng et al., 2007). As mulheres com  endometriose têm concentração de \nmarcadores de peroxidação lipídica no sangue e flui do peritoneal, que promove a adesão \ncelular e ativação de macrófagos. Estes, por sua ve z, liberam oxigênio e nitrogênio, levando à \nformação de stress (Halpern, et al, 2015). A predominância do macrófago M2 indica ação anti \n– inflamatória e promove angiogenese e restauração dos tecidos, enquanto que o a \npredominância dos macrófagos M1 promove a inflamaçã o inibindo a angiogenese e \nremodelação tecidual. Quanto maior a quantidade de gordura corporal presente maior a \n\nDiscussão   |  62 \n \npredominância de macrófagos M1, com possibilidade d e maior presença de dor. (Lumeng et \nal., 2007; Brown et al., 2012; Jetten et al., 2014; Ruffell et al., 2009). \nA presença de fatores de angiogênese é observada em  maior quantidade na pelve de \nmulheres com endometriose (Weitz-Schmidt, 2006). Es tudos experimentais mostram que \nestatinas diminuem efetivamente processos inflamató rios, elas representam as classes de \ndrogas que efetivamente podem baixar os níveis séri cos de colesterol, sendo largamente \nusadas no tratamento de hipercolesterolemia, pois t êm efeito inibitório na multiplicação \ncelular e modulam negativamente a proliferação endo metrial e a angiogênese (Barsante, et al, \n2005; Carloni et al, 2006; Corsini et al, 1997). As  estatinas possuem atividade antioxidante \nintrínseca, sendo a sinvastatina citada como a mais  efetiva. Contribui também na \netiopatogenia da endometriose o estresse oxidativo,  uma vez que as mulheres com \nendometriose apresentam níveis elevados de autoanti corpos que são marcadores do estresse \noxidativo (Esfandiari et al, 2005; Taylor, et al, 2002). \nAtravés de um desequilibrio causado entre pró-oxida nte e os antioxidantes ocorre o \nestresse oxidativo, isto se dá através do aumento d os níveis de espécies reativas de oxigênio \n(EROS) e/ ou de espécies reativas de nitrogênio (ER NS) ou de uma diminuição nos \nmecanismos defesa (Diplock, 1994). Uma produção exc essiva de EROS, pode afetar o \nsistema de defesa antioxidante natural, causando um  ambiente inadequado para as reações \nfisiológicas femininas, podendo por sua vez levar a  doenças reprodutivas, incluindo a \nendometriose, Síndrome do Ovário poliscitico (SOP) e infertilidade inexplicada. Foi sugerida \na possibilidade de a endometriose ser uma doença or iginada ou associada ao estresse \noxidativo (Murphy, Santanam, Parthasarathy, 1998; Petean et al, 2007).  \nA dieta é um fator de risco potencialmente modificá vel para a endometriose, por sua \nvez é considerada uma condição crônica e progressiv a, poucos estudos têm-se centrado na \ncompreensão e na relação mecanicista entre a ingest ão dietética específica e o risco de \n\nDiscussão   |  63 \n \nendometriose. No entanto, uma série de estudos epid emiológicos têm implicado dietas \nespecíficas para a endometriose na população em ger al. Por exemplo, o consumo de peixes \nricos em ácidos graxos como o ômega 3, vegetais ver des, frutas e produtos lactéos não estão \nassociados com risco aumentado de endometriose. Por  outro lado, à ingestão de carne \nvermelha, gorduras trans e goduras saturadas foram associadas a um risco aumentado para p \ndesenvolvimento da doença (Heard, et al, 2016; Para zzini, et al, 2004; Harris, et al, 2013; \nMissmer, et al, 2010).  \n Os ácidos graxos são conhecidos, pois aumentam os níveis sistêmicos IL-6 e outros \nmarcadores inflamatórios, que se apresentam em conc entrações mais elevadas entre as \nmulheres com endometriose (Heard, 2016; Bedaiwy et al, 2002). Portanto, o consumo de uma \ndieta rica em antioxidantes, podem proteger as mulheres contra o desenvolvimento da doença. \nNo entanto, a ligação entre excesso de peso, dietas  e risco de endometriose permanece incerto \n(Bedaiwy et al, 2002; Mier-Cabrera, et al, 2009; Carvalho, et al, 2012). \nAs vitaminas A, C e E são nutrientes antioxidantes que previnem a peroxidação \nlipídica, um fenômeno que contribui para o desenvol vimento e progressão de doenças \ncrônicas com características inflamatórias. O impac to da dieta sobre os elementos da \npatogênese da endometriose, incluindo o estresse ox idativo, níveis de estrogénio e \nmetabolismo das prostaglandinas. Estas mesmas vitam inas A, C e E podem estar envolvidas \nna remoção de radicais livres e espécies reativas d e oxigênio (EROS), que implicam no \ncrescimento e adesão de células endometriais na cav idade peritoneal em mulheres com \nendometriose (Jackson, Schisterman, Dey-Rao, Browne, Armstrong, 2005).  \nDe acordo com o estudo de coorte prospectivo realiz ado por Darling, et al, 2006, as \nvitaminas do complexo B, em especial a piridoxina ( B6), aumentam o metabolismo do \nestrogénio numa forma inativa e auxilia na transfor mação de ácido Linoleico ao ácido gama-\nlinolénico, componente essencial da produção da sér ie 1 Prostaglandinas anti-inflamatórias, o \n\nDiscussão   |  64 \n \nque inibiria a ação destas prostaglandinas inibindo  o crescimento do tecido endometrial. \nCorroborando com esses dados, Mier-Cabrera et al, ( 2009), encontraram uma redução nos \nmarcadores de estresse oxidativo em pacientes com e ndometriose com administração de uma \ndieta rica em vitaminas A, C e E durante quatro meses. \nAlém de sua ação conhecida sobre o metabolismo ósse o a vitamina D tem sido \nextensivamente estudada pelo seu efeito anti-inflam atórios, imunomodulador e ação \nantiproliferativa (Halpern, Schor, Kopelman, 2014). \nNo estudo de Lasco, Catalano, Benvenga, 2012, que u tilizou uma dose de 300.000 UI \nde vitamina D antes do período menstrual, houve uma  redução da dor e do uso dos \nantiinflamatórios não esteroidais (AINEs) durante o  período comparando com o grupo \nplacebo, apresentou uma resposta melhor nas pacient es que relataram maior intensidade de \ndor no início do estudo. \n\nConclusão   |  65 \n \n8 CONCLUSÃO \n \nOs dados apresentados neste trabalho nos permitiram concluir que:  \n• Os grupos com endometriose e sem endometriose avali ados de acordo com \nos dados antropométricos principalmente quanto a po rcentagem de gordura não \napresentaram estastiscamente diferenças significativas. \n• Em relação a avaliação de dor através da escala unidimensional EVA (escala \nanálogica de dor) o grupo com endometriose apresent ou uma diferença significativa \nem relação ao grupo sem endometriose. \n• Sobre a avaliação bioquímica do lipidograma, também  não houve diferença \nsignificativa entre os grupos e nem valores conside rados acima do valor estabelecido \npela SBC. \n• A análise do recordatório alimentar de 24 horas dem onstrou em relação aos \nmacronutrientes uma diferença significativa em rela ção aos lipídios (gorduras) \nconsumidas para o grupo com endometriose.  \n• A análise do recordatório alimentar de 24 horas dem onstrou em relação aos \nmicronutrientes uma diferença significativa em rela ção ao mineral zinco e ao \naminoácido triptofano, sendo que o grupo com endome triose em ambos os casos \nobteve um maior consumo. \n\nReferências Bibliográficas   |  66 \n \nREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  \n \nAKITA, H., K. 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Geneva, 1995 \n \n \n \n \n \n\nAnexos   |  75 \n \nANEXOS \n \nAnexo I: Aprovação do Comitê de ética. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n\nAnexos   |  76 \n \nAnexo II: Termo de Consentimento Livre Esclarecido \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n  \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n\nAnexos   |  77 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n\nAnexos   |  78 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n\nAnexos   |  79 \n \nAnexo III: orientações para realização do exame  \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n\nAnexos   |  80 \n \nAnexo IV: Modelo do resultado de Bioimpedância \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n\nAnexos   |  81 \n \nAnexo V: Escala de Ansiedade e Depressão Hospitalar \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n\nApêndices   |  82 \n \nAPÊNDICES \n \nApêndice I: Questionário para avaliação  \n \n \n\n\nApêndices   |  83 \n \n \n \n \n\n\nApêndices   |  84 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n\nApêndices   |  85 \n \nApêndice II: Recodatório alimentar de 24 horas","source_license":"CC0","license_restricted":false}