JIANINI, B.T.G.M. Peritoneal fluid from infertile women with minimal/mild
endometriosis compromises the meiotic spindle of metaphase II bovine oocytes.
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2015.
The etiopathogenic mechanisms of endometriosis -related infertility are not well elucidated,
especially in women with early stages of the disease (minimal and mild endometriosis), where
significant anatomical abnormalities in the pelvic cavity are not observed. We question if
alterations in the peritoneal microenvironment of infertile women with endometriosis might
affect oocyte competence acquisition and in this way, compromise the natural fertility in these
women. To be competent, the oocyte must be mature and have a morphologically normal and
functional meiotic spindle, which ensure the fidelity of chromosome segregation during the
divisions of meiosis. Thus, the aim of the present study was to compare the potencial impact
of different concentrations (1% and 10%) of peritoneal fluid (PF) from fertile women without
endometriosis and infertile women with minimal and mild endometriosis (EI/II) on spindle
integrity and chromosomes alignment of bovine oocytes in vitro matured (IVM). We
performed an experimental study , where PF samples were obtained from 12 women (six
fertile women without endometriosis and six infertile women with minimal and mild
endometriosis) submitted to laparoscopy , respectively for tubal ligation and investigation of
infertility. Immature bovine oocytes were submitted to IVM in the absence of PF, in the
presence of 1% and 10% PF from fertile women without endometriosis and in the presence of
1% and 10% PF from infertile women with EI/II. We performed 6 experiments of IVM and
each PF sample was us ed in only one experiment. The oocytes were fixed,
immunofluorescence staining and then, analyzed by confocal microscopy. The percentage of
meiotically normal oocytes was significantly higher for oocytes that underwent IVM in the
absence of PF (88.46%) and in the presence of 1% (78.57%) and 10% (84.62%) PF from
fertile women without endometriosis than for oocytes that underwent IVM in the presence of
1% (62.50%) and 10% (56.25%) PF from infertile women with EI/II. Furthermore, in the
endometriosis group, the percentage of meiotically normal oocytes was significantly higher
for oocytes that underwent IVM in the presence of 1% (62.50%) than in the presence of 10%
(56.25%) PF, suggesting a dose -dependent effect of PF from women with endometriosis on
the occurrence of meiotic oocyte damage. The study have demonstrated that PF from infertile
women with EI/II compromised the oocyte nuclear maturation during the IVM, in a dose-
dependent manner , promoting meiotic abnormalities in metaphase II oocytes. Our results
contribute to a better understanding of the etiopathogenic mechanisms of infertility related to
EI/II and open perspectives in the design of new therapeutic approaches to improve the
natural fertility of these infertile women.
Key words: female i nfertility; minimal and mild endometriosis; peritoneal fluid; oocyte
quality; meiotic spindle.
Lista de figuras
Figura 1 – Esquema de preparo das diluições a fim de manter a concentração adequada de
suplementação ao meio TCM após a adição de fluido peritoneal.............................................41
Figura 2 – Imagens de microscopia confocal de oócitos bovinos matura dos in vitro na
ausência de fluido peritoneal (No-FP), na presença de fluido peritoneal de mulheres férteis
sem endometriose (C -PF) ou de mulheres inférteis com endometriose mínima e leve (EI/II -
FP). (A) Oócito em metáfase II em visão sagital (analisável). (B) Oócito em metáfase II em
visão polar (não analisável). Verde: fuso marcado com anticorpo anti -β-tubulina e anticorpo
secundário conjugado com isotiocianato de fluoresceína; azul: cromosso mos marcados com
Hoechst 33342. Barra de escala =
5μm….......................................................................................................................................44
Figura 3 – Imagens de microscopia confocal de oócitos bovinos maturados in vitro na
ausência de fluido peritoneal (No-FP), na presença de fluido peritoneal de mulheres férteis
sem endometriose (C -FP) ou de mulheres inférteis com endometriose mínima e leve (EI/II -
FP). (A) Oócito em MII normal mostrando cromossomos alinhados adequadamente na região
central de um fuso meióti co em forma de barril. (B) Oócito em MII anormal com
cromossomos desalinhados e fuso normal em forma de barril. ( C) Oócito em MII anormal
com cromossomos alinhados e fuso anormal (dimensão longitudinal reduzida). (D) Oócito em
MII anormal com cromossomos desalinhados e fuso anormal. Verde: fuso marcado com
anticorpo anti-β-tubulina e anticorpo secundário conjugado com isotiocianato de fluoresceína;
azul: cromossomos marcados com Hoechst 33342. Barra de escala =
5μm…………………………………………………………………………………………...45
Lista de tabelas
Tabela 1 – Estágios de maturação nuclear e porcentagem de oócitos em metáfase II normais e
anormais maturados em meio sem adição de fluido peritoneal (No -FP), e com duas diferentes
concentrações de fluido peritoneal de mulheres férteis sem endometriose (C -FP) e com
endometriose mínima e leve (EI/II-FP)....................................................................................50
Lista de abreviaturas
AP Ativação partenogenética
ASRM Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva
CAT Catalase
CO2 Dióxido de carbono
COC Complexo cumulus-oócito
CP Corpúsculo polar
DNA Ácido desoxirribonucléioco
DTT Ditiotreitol
EI/II Endometriose mínima e leve
EIII/IV Endometriose moderada e grave
EO Estresse oxidativa
FITC Fluorocromo isotiocianato
FIV Fertilização in vitro
FMRP Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
FP Fluido peritoneal
FSH Hormônio folículo estimulante
GSR Glutationa redutase
HIV Vírus da imunodeficiência humana
IMC Índice de massa corpórea
LH Hormônio luteinizante
MgCl2 Cloreto de magnésio
MI Metáfase I
MII Metáfase II
MIV Maturação in vitro
MTSB XF Fixador tampão estabilizador de microtúbulos
NaCl Cloreto de sódio
NaN3 Azida sódica
PBS Tampão fosfato-salino
SBE Sociedade Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva
SBF Soro bovino fetal
SEM Média ± erro padrão da média
TFM Taxa de fecundidade mensal
TI Telófase I
TNF Fator de necrose tumoral
UI Unidade internacional
USP Universidade de São Paulo
Sumário
1. Introdução............................................................................................................................24
2. Justificativa..........................................................................................................................31
3. Objetivos..............................................................................................................................34
4. Materiais e Métodos............................................................................................................36
4.1. Seleção de pacientes...........................................................................................................37
4.2. Coleta e processamento do fluido peritoneal.....................................................................38
4.3. Coleta de oócitos bovinos..................................................................................................38
4.4. Maturação in vitro..............................................................................................................39
4.5. Fixação dos oócitos............................................................................................................41
4.6. Imunofluorescência............................................................................................................41
4.7. Classificação oocitária baseada na morfologia do fuso meiótico e no alinhamento
cromossômico por microscopia confocal..................................................................................42
4.8. Análise estatística...............................................................................................................43
5. Resultados............................................................................................................................46
6. Discussão..............................................................................................................................50
7. Conclusões............................................................................................................................56
8. Referências Bibliográficas..................................................................................................58
Anexos......................................................................................................................................64
Anexo 1 – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido........................................................65
Anexo 2 – Manuscrito...............................................................................................................71
1. Introdução
Introdução 25
A endometriose é considerada uma doença ginecológica comum, benigna, estrógeno
dependente ( MINICI et al., 2008 ), caracterizada pela presença de tecido endometrial
(glândulas e/ou estroma) fora da cavidade uterina (GUPTA et al., 2006; FOURQUET et al.,
2010). O principal local acometido pela doença é a cavidade pélvica, sendo mais comumente
encontrada nos ovários, trompas de Falópio, fundo do saco de Douglas, intestino e bexiga
(MACER E TAYLOR, 2012 ; ACIÉN E VELASCO, 2013 ). Alguns sintomas são
característicos da endometriose, como dor pélvica, dismenorréia, dispaneurina, irregularidade
menstrual e infertilidade (MINICI et al., 2008), entretanto essa afecção pode apresentar -se,
incompreensivelmente, de forma assintomática em algumas mulheres (20 -25%) (BULLETTI
et al., 2010). Estudos têm mostrado que os sintomas associados a endometriose causam um
impacto negativo sobre diferentes aspectos na vida dessas mulheres (FOURQUET et al.,
2010; MORADI et al., 2014). Além do sofrimento físico caus ado pelos diversos sintomas, a
doença causa um impacto profundo e negativo na vida das mulheres, alterando seu
rendimento profissional, sua relação familiar e afetiva , reduzindo sua qualidade de vida e
principalmente sua auto -estima (LORENÇATTO et al., 2007). Além disso, em países
desenvolvidos, a endometriose está entre as principais causas de hospitalização ginecológica,
gerando altas taxas de internações hospitalare s e procedimentos cirúrgicos (FOURQUET et
al., 2010; SPIGOLON et al., 2012). Dessa forma, tanto pelo seu impacto físico, social e
emocional sobre as mulheres (FOURQUET et al., 2010; MORADI et al., 2014), como pelo
seu impacto sóci o-econômico devido aos cus tos no diagnóstico e tratamento, esta doença
pode ser considerada um problema atual de saúde pública (SIGNORILE; BALDI, 2010) e
merece maior importância.
A endometriose é uma doença feminina. E stima-se que a doença esteja presente em
10-15% das mulheres em idade reprodutiva (AUGOULEA et al., 2012; MACER E TAYLOR,
2012). De acordo com Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente
Introdução 26
Invasiva (SBE), a doença afeta cerca de 176 milhões de mulheres no mundo, sendo 6 milhões
apenas no Brasil (Sociedade Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente
Invasiva). Nos últimos anos, o número de casos de mulheres com a doença vem aumentando
possivelmente em razão do estilo de vida da mulher moderna (SOUZA et al., 2009).
Atualmente, as mulheres assumiram uma dupla jornada de trabalho, ficando muitas vezes
expostas a uma má alimentação e altos níveis de estresse, condições essas que podem
prejudicar o funcionamento do sistema imunológico deixando -as susceptíveis ao
aparecimento de novas doenças (SOUZA et al., 2009). Essa nova rotina das mulheres leva
ainda ao adiamento da maternidade e menos filhos, expondo -as a um maior número de ciclos
menstruais, o que pode contribuir para o aparecimento da endometriose (ABRÃO et al., 2007;
SOUZA et al., 2009).
A Sociedade American a de Medicina Reprodutiva (ASRM) classifica a endometriose
em 4 estágios (I-mínima, II-leve, III-moderada e IV-grave), conforme a gravidade da doença.
Essa classificação leva em conta a localização, extensão e profundidade dos implantes
endometrióticos; presença e severidade de aderências; e ainda a presença de endometriomas.
Endometriose mínima e leve (EI/II) são caracterizadas por implantes endometrióticos isolados
e superficiais, sem a presença de aderência s significativas, enquanto que endometriose
moderada e grave (EIII/IV) são caracterizadas por múltiplos implantes endometrióticos
superficiais e profundos, com presença de aderências densas e firmes e presença de
endometriomas (Revised American Society for Reproductive Medicine classification of
endometriosis: 1996, 1997).
A endometriose têm sido muito associada a infertilidade (GUPTA et al. , 2008 ;
BULLETTI et al., 2010) e esta condição, segundo um consenso da ASRM, é definida como a
falência de um casal em idade reprodutiva de conceber uma gravidez depois de no mínimo 12
meses de coito regular, sem contracepção (MEDICINE, 2013). A literatura afirma que a taxa
Introdução 27
de fecundidade mensal (TFM) de casais normais varia entre 0,15 a 0,20, enquanto que a TFM
de casa is com endometriose varia entre 0,02 a 0,10 (BULLETTI et al., 2010; MACER E
TAYLOR, 2012). Epidemiologicamente, a incidência da endometriose em mulheres inférteis
gira em torno de 25 -50% e a incidência da infertilidade em mulheres com a doença gira em
torno de 30-50% (BULLETTI et al., 2010; MACER E TAYLOR, 2012).
Apesar de estudos apoiarem o conceito de diminuição de f ecundidade em mulheres
portadoras de endometriose (GARRIDO et al. , 2002; BULLETTI et al., 2010) e muitos
mecanismos tenham sido propostos para explicar a presença da infertilidade nessas mulheres,
a relação entre a doença e infertilidade ainda não está clara (GUPTA et al., 2008). Nos
estágios avançados na doença (endometriose moderada e grave), essa relação tem sido
associada as aderências p élvicas severas, que causam uma diversidade de alterações
anatômicas no trato reprodutivo e dessa forma podem atrapalhar a captura e transporte do
óvulo. No entanto, nos estágios iniciais da doença (endometriose mínima e leve), essa relação
não é muito visível, uma vez que as aderências pélvicas não são suficientemente severas para
causar alterações anatômicas expressivas (CARVALHO et al., 2012). Diante disso, poderia-se
conferir maior atenção à endome triose mínima e leve a fim de desvendar os mecanismos
pelos quais esta poderia comprometer a fecundidade natural, o que propiciaria o
desenvolvimento de novas terapias para o tratamento da infertilidade.
Um estudo canadense avaliou a probabilidade de gestação de mulheres inférteis com
EI/II após a realização da laparosco pia com ou sem tratamento cirúrgico das lesões
endometrióticas e concluiu que aquelas mulheres submetidas a laparoscopia com remoção das
lesões tiveram uma melhora significativa em sua fertilid ade natural, quando comparadas
àquelas que foram submetidas apenas a laparosocopia, sem remoção das lesões (MARCOUX
et al., 1997). Esses achados confrontam com os achados de um estudo italiano que não
conseguiu demonstrar qualquer benefício significativo da remoção das lesões endometrióticas
Introdução 28
na melhora da fertilidade natural de mulheres inférteis com EI/II ( PARAZZINI et al., 1999).
No entanto, apesar de resultados conflitantes entre os estudos, as taxas de fecundidade de
mulheres inférteis com EI/II continuam sendo menores (0,019 e 0,024) quando comparadas as
de mulheres férteis normais (0,15 a 0,20) (MARCOUX et al., 1997; PARAZZINI et al.,
1999;). Além disso, outro estudo evidenciou que a probabilidade de gestação natural de
mulheres inférteis com EI/II é significantemente menor quando comparadas a de mulhe res
inférteis sem causa aparente, durante um período de 3 anos (36% versus 55%,
respectivamente), sugerindo que a endometriose mesmo em estágios iniciais, tem relação com
a infertilidade (AKANDE et al., 2004).
Até o momento, os mecanismos responsáveis pela diminuição da ferti lidade em
mulheres com EI/II ainda são muito controversos e cheios de incertezas . No entanto, é
provável que os efeitos da doença não sejam apenas devido a alterações da anatomia pélvica
normal, mas decorrentes de um efeito negativo direto sobre o desenvolvimento do folículo, do
oócito, do embrião (BARNHART et al., 2002) e também de defeitos endometriais (BRIZED
et al., 1995; PELLICER et al., 1995; KUMBARK et al., 2008).
De acordo com um pequeno estudo que avaliou resultados de fertilização in vitro
(FIV) em programas de ovodoação, as taxas de gravidez são semelhantes em mulheres com
endometriose e mulheres com outra causa de infertilidade submetidas a FIV com oócito de
doadoras sem a doença, sugerindo um papel importante da qualidade oocitária na infertilidade
apresentada por essas mulheres (SIMÓN et al., 1994; GARRIDO et al., 2000; PELLICER et
al., 2001).
A qualidade ooc m maturação
citoplasmática e nuclear (FERREIRA et al., 2009), sendo que a última dependente da
presença de um fuso celular normal. O fuso celular meiótico de oócitos em metáfase II (MII)
é uma estrutura temporária e dinân ima, em forma de barril, composta por microtúbulos
Introdução 29
formados por dímeros de tubulina que se polimerizam e despolimerizam nos diversos estágios
do ciclo celular, sendo relevante para assegurar a segregação cromossômica durante o
processo meiótico ( CHOI et al., 2007; BARCELOS et al. , 2008, 2009). O fuso é bastante
sensível a ações de diversos fatores, entre eles o estresse oxidativo ( EO) (HU et al., 2001;
EICHENLAUB-RITTER et al., 2002; MULLEN et al., 2004), capaz de causar anomalias
meióticas, instabilidade cromossômica , indução de apoptose e comprometimento do
desenvolvimento embrionário pré-implantação (NAVARRO et al., 2004, 2006).
Alguns autores têm associado a endometriose ao EO (AGARWAL et al. , 2003;
SZCZEPANSKA et al., 2003; GUPTA et al., 2008), estando sua origem possivelmente
relacionada a uma r esposta inflamatória aos implantes endometriais ectópicos (M URPHY et
al., 1998). Esses implantes ectópicos causariam a liberação de citocinas inflamatórias e
ativação de macrófagos, levando a produção de espécies reativas de oxigênio e de nitrogênio.
O aumento nessa produção, provocaria um maior consumo de antioxida ntes pelo nosso
organismo na tentativa de manterem os níveis de espécies reativas dentro dos limites
fisiológicos. No entanto, quando ocorre uma alteração no balanço oxidante/antioxidante do
nosso organismo, seja por maior produção e/ou inadequação da capa cidade antioxidante, é
estabelecido o EO (ANDRADE et al., 2010), podendo este estar envolvido na etiopatogênese
da infertilidade relacionada à endometriose ( CAMPOS PETEAN et al., 2008; GUPTA et al.,
2008; ANDRADE et al., 2010; PRIETO et al., 2012).
O fluido peritoneal (FP) é uma solução encontrada na cavidade vesicouterina ou cul-
de-sac e banha toda a cavidade pélvica, útero, trompas de Falópio e ovário (BEDAIWY;
FALCONE, 2003), podendo refletir o status oxidativo deste microambiente. Acredita-se que o
FP seja o principal fator de contr ole do microambiente peritoneal que influencia o
desenvolvimento e progressão da endometriose (HARADA et al., 2001). Diferentes estudos
avaliando os níveis de constituintes do fluido peritoneal, apontam a existência de alterações
Introdução 30
em mulheres com a doença (GUPTA et al., 2008 ; BEDAIWY; FALCONE, 2003). Segundo
Bulletti et al (2010), mulheres com endometriose possuem um maior volume de FP, com altas
concentrações de macrófagos ativados, prostaglandinas, interleucina -1, fator de necrose
tumoral (TNF) e proteases (BULLETTI et al., 2010). Além disso, estudos também
evidenciam a presença de EO no FP de mulheres com endometriose (A UGOULEA et al.,
2012; GUPTA et al., 2008), inclusive nos estágios iniciais da doença ( MIER-CABRERA et
al., 2011).
Estudo de Mansour et al (2009, 2010) demonstraram que o FP de mulheres com
endometriose promove anomalias nos microtúbulos e cromossomos de oócit os maduros de
camundongos, e estas foram reduzidas por meio da suplementação no meio de cultivo com L-
carnitina, um antioxidante, sugerindo que substâncias presentes no FP de mulheres com a
doença promovem comprometimento da qualidade oocitária e subsequente qualidade
embrionária, tendo o EO como provável mediador (MANSOUR et al., 2009, 2010). No
entanto, Mansour et al (2009, 2010) avaliaram exclusivamente o impacto do FP de mulheres
com endometriose sobre os oócitos maduros, não investigando seu potencial impacto sobre a
foliculogênese e/ou maturação oocitária (MANSOUR et al., 2009, 2010).
Considerando que os ovários humanos estão em íntimo contato com o FP, supomos
que possa haver influência do mesmo sobre os oócitos, não apenas após a ovulação, mas
também durante todo o processo de foliculogênese e/ou maturação oocitária. Até o presente,
nenhum estudo avaliou o efeito do FP de mulheres inférteis com EI/II durante a
foliculogênese, investigando seu papel na maturação e qualidade oocitária.
2. Justificativa
Justificativa 32
A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de tecido endometrial
(glândulas e/ou estroma) fora da cavidade uterina (GUPTA et al., 2006; FOURQUET et al.,
2010). Estima-se que a doença esteja presente em 10-15% das mulheres em idade reprodutiva
(AUGOULEA et al., 2012; MACER E TAYLOR , 2012). Entre suas manifestações clínicas
mais freqüentes , destaca -se a infertilidade, presente em 30 a 50% das suas portadoras
(BULLETTI et al., 2010; MACER E TAYLOR, 2012).
Apesar de muitos mecanismos terem sido propostos para explicar a presença da
infertilidade em mulheres com endometriose, a relação entre a doença e infertilidade ainda
não está clara (GUPTA et al., 2008), especialmente nos estágios iniciais da doença, em que
não são observadas alterações anatômicas expressivas (CARVALHO et al., 2012).
Alguns autores têm associado a endometriose ao EO (AGARWAL et al., 2003;
SZCZEPANSKA et al., 2003; GUPTA et al., 2008), sendo este capaz de causar anomalias
meióticas oocitárias (NAVARRO et al., 2004, 2006). Nesse sentido, estudos têm evidenciado
um aumento de marcadores inflamatórios e de EO no FP de mulheres com endometriose
(AUGOULEA et al., 2012; GUPTA et al., 2008), inclusive nos estágios iniciais da doença
(MIER-CABRERA et al., 2011).
Questiona-se se a piora da qualidade oocitária seja um dos principais fatores
relacionados à infertilidade nestas mulheres (BARCELOS et al., 2009; DA BROI et al., 2014;
GIORGI et al., 2015). Todavia, diante do número reduzido de oócitos humanos disponíveis
para a pesquisa, a experimentação com animais torna -se relevante para a investigação dos
mecanismos etiopatogênicos da infertilidade relacionada à endometriose . O modelo
experimental bovino neste estudo se justifica pela similaridade no tamanho e morfolog ia dos
ovários humano e bovino, por ambas as espécies serem monovulatórias e policíclicas e por ser
um material abundante, barato, e de fácil manipulação (MALHI et al., 2005).
Embora haja estudos evidenciando um potencial papel deletério do FP de mulheres
Justificativa 33
com endometriose sobre a qualidade oocitária de oócitos maduros de camundongos
(MANSOUR et al., 2009, 2010), não encontramos até o momento nenhum estudo que tenha
avaliado o potencial impacto do FP de mulheres inférteis com EI/II durante a foliculogênese,
investigando seu papel na maturação e qualidade oocitária.
O fluido peritoneal (FP) é uma solução encontrada na cavidade vesicouterina ou cul-
de-sac e banha toda a cavidade pélvica, útero, trompas de Falópio e ovário (BEDAIWY;
FALCONE, 2003), podendo refletir o status oxidativo deste microambiente. Considerando
que os ovários humanos estão em íntimo contato com o FP, supomos que possa haver
influência do mesmo sobre os oócitos, não apenas após a ovulação, mas também durante todo
o processo de foliculogênese e/ou maturação oocitária.
A observação de maior incidência de anomalias meióticas em oócitos submetidos a
maturação in vitro (MIV) com FP de mulheres inférteis com EI/II poderia contribuir com a
elucidação dos mecanismos envolvidos na etiopatogênes e da infertilidade relacionada a estes
estágios da doença.
3. Objetivos
Objetivos 35
Comparar o potencial impacto das concentrações 1% e 10 % de fluido peritoneal de
mulheres férteis sem endometriose e de mulheres inférte is com endometriose mínima/leve
sobre o grau de maturidade nuclear e a integridade do fuso celula r e distribuição
cromossômica de oócitos bovinos maturados in vitro dentro de cada grupo (controle e
endometriose mínima/leve).
Comparar o potencial impacto das concentrações 1% e 10% de flu ido peritoneal de
mulheres férteis sem endometriose e de mulheres inférteis com endometriose mínima/leve
sobre o grau de maturidade nuclear e a integridade do fuso celular e distribuição
cromossômica de oócitos bovinos maturados in vitro entre os grupos se m fluido peritoneal,
controle e endometriose mínima/leve.
4. Materiais e métodos
Materiais e Métodos 37
Realizou-se um estudo experimental junto ao Setor de Reprodução Humana do
Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
(FMRP), Universidade de São Paulo (USP). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa do Hospital das Clínicas, FMRP -USP (protocolo 12201/2008), e pelo Comitê de
Ética em Experimentação Animal, FMRP-USP (protocolo 169/2008).
Entre 2008 e 2010, amostras de FP foram obtidas de mulheres submetidas à
videolaparoscopia no setor de Reprodução Humana, Departamento de Ginecologia e
Obstetrícia, FMRP-USP. Entre 2009 e 2011 foram realizados os experimentos de MIV, e em
seguida os oócitos foram fixados para subsequente realização da imunofluorescência.
As pacientes que preencheram os critérios de elegibilidade e manifestaram o desejo de
participar do projeto, assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (Anexo 1)
previamente à inclusão no estudo.
4.1. Seleção de pacientes
O grupo endometriose consistiu em mulheres com infertilidade associada
exclusivamente a presença de EI/II [com ciclo ovulatório normal, presença de permeabilidade
tubária e parceiros com parâmetros seminais normais (COOPER et al., 2009)]; essas mulheres
foram submetidas à videolaparoscopia para investigação da infertilidade , diagnosticadas e
classificadas de acordo com os critérios da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva
(1997), por um cirurgião experiente. O grupo controle consistiu e m mulheres férteis sem
endometriose; ess as mulheres foram submetidas a videolaparoscopia para a realização de
laqueadura tubária.
Os c ritérios de não elegibilidade f m: ≥ 38 , í c massa corpórea
(IMC) ≥ 30 kg/m², concentração sérica do hormônio folículo estimulante (FSH) no terceiro
dia do ciclo menstrual ≥ 10 mUI/mL; v l c ô c , presença de hidrossalpinge ou de
Materiais e Métodos 38
doenças crônicas (tais como diabetes mellitus ou qualquer outra endocrinopatia), doença
cardiovascular, dislipidemia, lúpus eritematoso sistêmico ou qualquer outra do ença
reumatológica, infecção pelo vírus HIV ou qua lquer infecção ativa, tabagismo e uso de
vitaminas, medicações hormonais ou antiinflamatórios hormonais ou não hormonais durante
os 6 meses anteriores à inclusão neste estudo. Os critérios de não elegibilidade visaram evitar
como fatores de confusão situações relacionadas ao EO e/ou à piora da qualidade oocitária.
Não houve diferença significativa entre o s grupos controle e endometriose em relação
a média de idade (30.6 ± 1.43 e 29.0 ±1.31 anos, respectivamente) ou IMC (23.9 ± 0.90 e 24.4
± 0.73 kg/m², respectivamente). Os dados foram apresentados em média ± erro padrão da
média (SEM).
4.2. Coleta e processamento do fluido peritoneal
As a mostras de FP de cada doadora foram obtidas durante a realização da
videolaparoscopia para investigação de infertilidade ou realização de laqueadura tubária. Cada
amostra foi coletada em tubo estéril individual, sem a presença de meio de cultura, a partir do
fundo de saco posterior sob visualização direta para evitar contaminação com sangue
(amostras com contaminação sanguínea foram excluídas do estudo) . Em seguida, as amos tras
foram centrifugadas a 300 g por 10 minut os para separar as células rema nescentes, e o
sobrenadante foi estocado a -80ºC, em tubo individual, para uso futuro.
4.3. Coleta dos oócitos bovinos
Ovários bovinos foram coletados logo após o abate em frigorífico local e transportados
em um recipiente térmico contendo solução fisiológica (0,9% NaCl) a 35 -38,5ºC. No
laboratório, os ovários foram borrifados com álcool 70%, lavados em solução fisiológica pré -
aquecida à 38,5ºC contendo 0,05 g/L de sulfato de estreptomicin a e mantidos nesta mesma
Materiais e Métodos 39
solução, em banho-maria, até o final da aspiração dos complexos cumulus-oócito (COCs). Os
COCs imaturos foram aspirados de folículos com tamanho entre 2 mm a 8 mm de diâmetro ,
utilizando-se agulhas de 18 mm acopladas a seringas de 10 mL e o conteúdo foi depositado
em um cálice cônico esté ril mantido a 38,5ºC. Após o término da aspiração dos folículos, o
conteúdo aspirado permaneceu em repouso durante 10 minutos para deposição dos COCs.
Após a sedimentação, os COCs foram selecionados sob estereomicroscópio em placas
de Petri de 100 mm contendo o meio de lavagem Talp Hepes (Invitrogen, Gibco Laboratories
Life Technologies Inc., Grand Island, NY, USA). Para o cultivo in vitro, somente os COCs
morfologicamente saudáveis, ou seja, com citoplasma homogêneo e com pelo menos três
camadas de células do cummulus oophurus , foram selecionados (ADONA; LEAL, 2004;
FERREIRA et al., 2009).
4.4. Maturação in vitro
O meio de MIV utilizado foi o TCM -199 contendo sais de Earle e bicarbonato
(Invitrogen, Gibco Laboratories Life Technologies Inc., Grand Island, NY, USA),
suplementado com 0,4 mM de piruvato de sódio, 0,5 µg/mL de gentamicina, 5 µg/mL de
FSH, 5 mg/mL de LH, 1 µg/mL de estradiol e 10% de soro bovino fetal (SBF) (FCS; Gibco)
(FERREIRA et al., 2009).
Imediatamente após a seleção, os COCs foram randomicamente divididos em cinco
diferentes condições de cultivo: na ausência de FP (No -FP); na presença de 1% e 10% de
fluido peritoneal de pacientes controle (C -FP); e na presença de 1% e 10% de fluido
peritoneal de pacientes com EI/II (EI/II -FP). A fim de manter a concentração adequada de
suplementação ao meio TCM após a adição de fluido FP, elim inando-se, assim, o efeito da
diluição dos suplementos, optou-se por preparar um TCM 10% mais concentrado, ao qual, de
acordo com cada diluição, foi adicionado FP e/ou meio TCM puro, conforme esquema
Materiais e Métodos 40
apresentado na figura 1.
O cultivo foi realizado em gotas de 400 µL de meio (aproximadamente, 20 oócitos por
gota), a 38,5ºC, 95% de umidade e 5% de CO2 em ar (HASHIMOTO et al., 2002; ADONA;
LEAL, 2004; FERREIRA et al., 2009) por um período de 22-24 horas, em placas NUNC® de
4 poços, em um sistema de cultivo sem óleo mineral.
Foram realizadas seis replicatas, cada uma com os cinco grupos descritos acima (No-
FP, 1% C-FP, 10% C-FP, 1% EI/II-FP and 10% EI/II-FP) utilizando as duas concentrações de
FP de pacientes férteis sem endometriose e de pacientes inférteis com EI/II. Cada amostra de
FP foi utilizada em apenas uma replicata.
Figura 1 – Esquema de preparo das diluições a fim de manter a concentração
adequada de suplementação ao meio TCM após a adição de fluido peritoneal.
Materiais e Métodos 41
4.5. Fixação dos oócitos
Após a MIV, os oócitos foram desnudados (separados das células do cummulus
oophurus) mecanicamente por pipetagem , em meio tamponado Talp Hepes , utilizando placas
de vidro escavadas . Ocorrido o desnudamento, os oócitos foram colocados em uma solução
fixadora MTSB XF, composta por 1X de Tampão Estabilizador (0,1M de Pipes, 5mM de
MgCl2 e 2,5mM de EGTA), 50% de Óxido de Deutério, 0,01% de Aprotinina de pulmão
b v , 1 mM DTT, 1 μM T x l, 0,5% T -X, 2% de Formaldeído e água de
MilliQ, aquecida previa mente por 30 minutos em estufa à 38,5 °C, e deixados por mais 30
minutos em estufa à 38,5 °C para estabilização de microtúbulos (LIU; JU; YANG, 1998;
FERREIRA et al., 2009). Após isso, os oócitos permaneceram nesta solução a 4°C até o
processamento da imunofluorescência e confecção das lâminas.
4.6. Imunofluorescência
Os oócitos previamente fixados foram lavados extensivamente e m meio de
lavagem tampão f osfato (PBS suplementado com 0,02% Na N3, 0,01% Triton X -100, 0,2%
leite seco sem gordura, 2% soro de cabra, 2% de albumina sé rica bovina e 0,1 M de glicina) e
bloqueados durante uma noite ( overnight) a 4ºC . Passado esse período , foram incubados
overnight a 4ºC com anticorpo monoclonal murino anti -β-tubulina ( diluição 1:1000). Após
nova lavagem , os oócitos foram incubados com o anticorpo secundário anti-IgG de
camundongo conjugado com isotiocianato de fluoresceína (FITC) ( diluição 1:500, Zymed
Laboratories, Invitrogen, Carlsbad, CA, EUA) a 38,5ºC por 2h. Os oócitos foram novamente
submetidos a mais uma lavagem e, então, foram marcados com Hoechst 33342 (10 mg/mL),
em meio de montag em Vectashield (H-1000, Vector, Burlingame, CA, EUA) , à temperatura
ambiente, sobre uma lâmina de vidro coberta por uma lamínula.
Materiais e Métodos 42
As lâminas foram estocadas a 4ºC até a observação em microscópio confocal de alta
performance (Confocal Leica TCS SP5, Leica Microsystems, Mannheim, Alemanha)
utilizando aumento óptico de 40X e os lasers Diodo 405 UV e HeNe 543. O intervalo máximo
entre a confecção das lâminas e a leitura das mesmas foram de 10 dias.
4.7. Classificação oocitária baseada na morfologia do fuso meiótico e no alinhamento
cromossômico por microscopia confocal
Os oócitos foram classificados de acordo com o estágio de maturação nuclear em que
se encontravam : metá fase I (MI), telófase I (TI), metáfase II (MII), ou ativados
partenogeneticamente (AP – caracterizada pela extrusão espontânea de um segundo CP sem
ter ocorrido ferti lização). Oócitos em MII foram subdivididos em analisáveis e não
analisáveis. Oócitos foram considerados analisáveis quand o o fuso meiótico era visualizado
em uma posição lateral ou sagital (Figura IA), permitindo uma avaliação global do fuso e do
arranjo cromossômico, e considerados não analisáveis quando o fuso era visualizado em uma
posição polar (Figura IB) (JU et al., 2005), impedindo uma avaliação global do fuso e apenas
permitindo uma visão do arranjo cromossômico . Na posição polar, embora os cromossomos
possam estar alinhados, o fuso oocitário não é observado, e assim, o mesmo pode estar
anormal (LIU et al., 2013; DA BROI et al. ,2014). D essa forma , para evitar subestimar o
número de oócitos anormais, os oócitos em posição polar foram excluídos da análise.
Oócitos considerados como analisáveis foram ainda classificados como normais
quando apresentaram fuso meiótico em forma de barril com microtúbulos organizados de um
polo a outro, cromossomos alinhados na placa metafásica no equador do fuso e presença de
um corpúsculo polar (Figura IIA) (CP); ou considerados como anormais quando apresentaram
fuso meiótico alterado (dimensão longitudinal r eduzida, microtúbulos desorganizados ou
Materiais e Métodos 43
ausentes) e/ou configuração cromossômica alterada (dispersos ou deslocados do plano da
placa metafásica) (Figura IIB-D).
4.8. Análise estatística
Os dados foram analisados usando modelo lin ear generalizado (PROC G ENMOD) pelo
software SAS 2003 (2002–2003, SAS Institute, Inc., Cary, NC, USA). A Distribuição de Poisson
foi utilizada para as variáveis de contagem (número total de oócitos fixados, número de oócitos
em MI, TI, MII e AP) e a distribuição gama para as porc entagens (porcentagem de oócitos
normais e anormais em MII). Os grupos foram comparados utilizando o Teste X2, com o nível de
significância em P < 0.01.
Materiais e Métodos 44
Figura 2 – Imagens de microscopia confocal de oócitos bovinos maturados in vitro na
ausência de fluido peritoneal (No -FP), na presença de FP de mulheres férteis sem
endometriose (C-PF) ou de mulheres inférteis com endometriose mínima e leve (EI/II -FP).
(A) Oócito em metáfase II em visão sagital (analisável). ( B) Oócito em metáfase II em
visão polar (não analisável). Verde: fuso marcado com anticorpo anti -β-tubulina e
anticorpo secundário conjugado com isotiocianato de fluoresceína; azul: cromossomos
marcados com Hoechst 33342. Barra de escala = 5μm.
Materiais e Métodos 45
Figura 3 – Imagens de microscopia confocal de oócitos bovinos maturados in vitro na
ausência de fluido peritoneal (No -FP), presença de FP de mulheres férteis sem
endometriose (C-FP) ou de mulheres inférteis com endometriose mínima e leve (EI/II-FP).
(A) Oócito em MII normal mostrando cromossomos alinhados adequadamente na região
central de um fuso meiótico em forma de barril. (B) Oócito em MII anormal com
cromossomos desalinhados e fuso normal em forma de barril. ( C) Oócito em MII anormal
com cromossomos alinhados e fuso anormal ( dimensão longitudinal reduzida). (D) Oócito
em MII anormal com cromossomos desalinhados e fuso anormal. Verde: fuso marcado
com anticorpo anti -β-tubulina e anticorpo secundário conjugado com isotiocianato de
fluoresceína; azul: cromossomos marcados com Hoechst 33342. Barra de escala = 5μm.
5. Resultados
Resultados 47
Um total de 241 oócitos foram visualizados por microscopia confocal [35 oócitos
estavam em MI (14,52%), 2 em TI (0,83%), 200 em MII (82,99%) e 4 sofreram AP (1,66%) ].
Dos 200 oócitos em MII, 112 foram considerados analisáveis (visão sagital ou lateral) e 88
foram considerados não analisáveis (visão polar) (Tabela I).
No grupo sem fluido peritoneal (No -FP), um total de 48 oócitos foram avaliados; 41
(85,42%) estavam em MII e destes, 26 ( 63,41%) foram considerados analisáveis. Dos oócitos
em MII analisáveis, 23 (88,46%) foram considerados normais e 3 (11,54%) anormais (Tabela
I). Dentre os oócitos anormais, 1 (33,33%) apresentou apenas fuso anormal, e 2 (66,67%)
apresentaram tanto fuso anormal como desalinhamento cromossômico.
No grupo controle com concentração de 1% de FP, um total de 57 oócitos foram
avaliados; 44 (77,19%) estavam em MII e destes, 28 (63,63%) foram considerados
analisáveis. Dos oócitos em MII analisáveis, 22 (78,57%) foram cons iderados normais e 6
(21,43%) anormais (Tabela I). Dentre os oócitos anormais, 3 (50,00%) apresentaram apenas
fuso anormal, e 3 (50,00%) apresentaram tanto fuso anormal como desalinhamento
cromossômico.
No grupo controle com concentração de 10% de FP, um total de 63 oócitos foram
avaliados; 55 (87,30%) estavam em MII e destes, 26 (47,27%) foram considerados
analisáveis. Dos oócitos em MII analisáveis, 22 (84,62%) foram considerados normais e 4
(15,38%) anormais (Tabela I). Dentre os oócitos anormais, 3 (75 ,00%) apresentaram apenas
fuso anormal, e 1 (25,00%) apresentou apenas desalinhamento cromossômico.
No grupo endometriose com concentração de 1% de FP, um total de 43 oócitos foram
avaliados; 35 (81,40%) estavam em MII e destes, 16 (45,71%) foram consid erados
analisáveis. Dos oócitos em MII analisáveis, 10 (62,50%) foram considerados normais e 6
(37,50%) anormais (Tabela I). Dentre os oócitos anormais, 1 (16,66%) apresentou apenas
Resultados 48
fuso anormal, 1 (16,66%) apresentou apenas desalinhamento cromossômico, e 4 (66,68%)
apresentaram tanto fuso anormal como desalinhamento cromossômico.
No grupo endometriose com concentração de 10% de FP, um total de 30 oócitos
foram avaliados; 25 (83,33%) estavam em MII e destes, 16 (64,00%) foram considerados
analisáveis. Dos MII analisáveis, 9 (56,25%) foram considerados normais e 7 (43,75%)
anormais (Tabela I). Dentre os oócitos anormais, 1 (14,29%) apresentou apenas fuso anormal,
e 6 (85,71%) apresentaram tanto fuso anormal como desalinhamento cromossômico.
A porcentagem de oócitos meioticamente normais foi similar para oócitos submetidos
a MIV na ausência de FP (88,46%) assim como para aqueles oócitos submetidos a MIV na
presença de 1% (78,57%) e 10% (84,62%) de FP de mulheres férteis (C-FP) (Tabela I).
A porcentagem de o ócitos meioticamente normais foi significantemente maior para
oócitos submetidos a MIV na ausência de FP (88,46%) e na presença de 1% (78,57%) e 10%
(84,62%) de FP de mulheres férteis (C -FP) do que aqueles oócitos submetidos a MIV na
presença de 1% (62,50% ) e 10% (56,25%) de FP de mulheres inférteis com endometriose
mínima e leve (EI/II-FP) (Tabela I).
No grupo controle, a porcentagem de oócitos meioticamente normais foi similar para
oócitos submetidos a MIV na presença de 1% (78,57%) e 10% (84,61%) de FP.
No grupo endometriose, a porcentagem de oócitos meioticamente normais foi
significantemente maior para oócitos submetidos a MIV na presença de 1% (62,50%) quando
na presença 10% (56,25%) de FP.
Resultados 49
Grupo Concentração
de FP
(%)
Número total de
oócitos
visualizados
(n)
MI
n (%)
TI
n (%)
AP
n (%)
Número
total de MII
n (%)
MII
Analisáveis
n (%)
Normal
n (%)
Anormal
n (%)
No-FP 0 48 5 (10,42) 1 (2,08) 1 (2,08) 41 (85,42) 26 (63,41) 23 (88,46)a 3 (11,54)
C-FP 1 57 9 (15,79) 1 (1,75) 3 (5,27) 44 (77,19) 28 (63,63) 22 (78,57)a 6 (21,43)
10 63 8 (12,70) 0 0 55 (87,30) 26 (47,27) 22 (84,62)a 4 (15,38)
EI/II-FP 1 43 8 (18,60) 0 0 35 (81,40) 16 (45,71) 10 (62,50)b 6 (37,50)
10 30 5 (16,67) 0 0 25 (83,33) 16 (64,00) 9 (56,25)c 7 (43,75)
Nota: No-PF, oócitos submetidos a MIV em meio sem adição de FP; C -FP, oócitos submetidos a MIV em meio suplementado com FP de mulheres férties
sem endometriose; EI/II -FP, oócitos submetidos a MIV em meio suplementado com FP de mulheres inférteis com endome triose mínima e leve;
Analisáveis, oócitos com fuso fixado em visão sagital ou lateral; MI, metáfase I; TI, telófase I; MII, metáfase II; AP, ativa ção partenogenêtica espontânea
(extrusão do segundo corpúsculo polar na ausência de fertilização). Dados são resultados de 6 replicatas. Letras diferentes na mesma coluna indicam uma
diferença significativa, P < 0.01, usando distribuição de Poisson, gama e o teste qui-quadrado.
Tabela I: Estágios de maturação nuclear e porcentagem de oócitos em metáfase II normais e anormais maturados em meio sem adição de fl uido peritoneal
(No-FP), e com duas diferentes concentrações de fluido peritoneal de mulheres férteis sem endometriose (C -FP) e m ulheres inférteis com endometriose
mínima e leve (EI/II-FP).
6. Discussão
Discussão 51
A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de tecido endometrial
(glândulas e/ou estroma) fora da cavidade uterina (GUPTA et al., 2006; FOURQUET et al.,
2010). Entre suas manifestações clínicas mais freqüentes, destaca-se a infertilidade, presente
em 30 a 50% das suas portadoras (BULLETTI et al., 2010; MACER E TAYLOR, 2012). Os
mecanismos envolvidos na etiopatogênes da infertil idade relacionada a endometriose,
principalmente nos casos de doença mínima e leve, ainda não estão claros (HOLOCH;
LESSEY, 2010). Alguns estudos têm apoiado o conceito de diminuição de fecundidade em
mulheres portadores de endometriose (GARRIDO et al., 2002; BULLETTI et al. , 2010 ),
sugerindo um papel importante da qualidade oocitária na infertilidade apresentada por es sas
mulheres (SIMÓN et al., 1994; GARRIDO et al., 2000; PELLICER et al., 2001).
Embora haja trabalhos relatando o efeito do FP de mulheres com endometriose sobre a
qualidade oocitária em oócitos maduros (MANSOUR et al., 2009, 2010), não se encontrou
nenhum estudo que tenha avaliado o efeito do FP de mulheres inférteis com EI/II durante a
foliculogênese, investigando seu papel na maturação e qualidade oocitária. Assim, o objetivo
do nosso estudo foi comparar o potencial impacto das concentrações 1% e 10% de FP
provenientes de mulheres férteis sem endometriose (grupo controle) e de mulheres inférteis
com EI/II na maturação e qualidade oocitár ia, analisada pela normalidade do fuso celular e a
distribuição cromossômica, durante a MIV de oócitos bovinos.
Sabe-se que a MIV, por si só, pode promover aumento significativo da ocorrência de
anormalidades meióticas oocitárias ( LI et al., 2006). Todavia, a mesma metodologia de MIV
foi aplicada para os dois diferentes grupos (mulheres férteis sem endometriose e mulheres
inférteis com EI/II), de modo que as diferenças encontradas são decorrentes de diferenças nos
constituintes do FP e não devido ao processo de MIV.
De acordo com os resultados do nosso estudo, não foi encontrada diferença
significativa no número de oócitos em estágio de MI, TI, AP e MII entre os grupos, o que
Discussão 52
demonstra não haver comprome timento da maturação nuclear de oócitos maturados in vitro
na presença de FP de mulheres inférteis com EI/II.
A porcentagem de oócitos meioticamente normais foi similar para oócitos submetidos
a MIV na ausência de FP e na presença de FP de mulheres férteis (1% e 10%), sugerindo que
o FP de mulheres férteis nas duas concentrações testadas não compromete a por centagem de
oócitos em metáfase II com fuso meiót ico e distribuição cromossômica normais. Este
resultado era esperado, uma vez qu e durante a seleção das pa cientes, tivemos o cuidado de
excluir fatores possivelmente relacionados ao comprometimento da qualid ade oocitária e/ou
EO. Estes achados sugerem que as concentrações testadas a priori não são suprafisiológicas.
Considerando-se qu e os ovários são banhados pelo FP, mas que os folículos em
desenvolvimento não estão em contato íntimo com o fluido durante a foliculogênese, estando
protegidos mecanicamente pela túnica albugínea e epitélio germinativo, um dos desafios seria
encontrar con centrações do FP de mulheres férteis que não comprometessem a maturação
oocitária, bem como sua normalidade, o que pôde ser observado com as duas concentrações
testadas (1% e 10%).
No entanto, quando os oócitos foram submetidos a MIV na presença de FP de
mulheres inférteis com EI/II (1% e 10%), a porcentagem de oócitos meioticamente normais
foi significantemente menor do que aqueles submetidos a MIV na ausência de FP e na
presença de FP de mulheres férteis (1% e 10%), sugerindo que o FP de mulheres inférteis com
endometriose em estágios inicias pode promover anomalias meióticas nos oócitos durante o
processo de MIV, e assim prejudicar a qualidade oocitária. Em contraste com o grupo
controle, no grupo endometriose, a porcentagem de oócitos meioticamente normais foi
significantemente maior na concentração de 1% de FP quando comparada com a concentração
de 10% de FP, sugerindo um efeito dose -dependente do FP de mulheres com EI/II sobre a
ocorrência de danos meióticos oocitários. Uma vez que concentrações menores (abaixo de
Discussão 53
1%) não foram testadas, não é possível garantir que 1% seja a concentração mais baixa de FP
de mulheres com EI/II capaz de comprometer o fuso meiótico e a distribuição cromossômica
durante o processo de MIV.
Nossos resultados corroboram os estudos de Mansour et al (2009, 2010), ao
evidenciarmos o impacto deletério do FP de mulheres com endometriose na promoção de
anomalias meióticas oocitárias. No entanto, metodologicamente, nosso estudo diferiu do
estudo de M ansour et al (2009, 2010) em três aspectos: em nosso trabalho foram incluídas
somente pacientes com estágios iniciais da doença, enquanto que Mansour et al (2009, 2010)
não descreveram o estágio da endometriose presente nas mulheres incluídas em seu s estudos;
todas as mulheres com endometriose que fizeram parte do nosso estudo apresentavam
infertilidade, enquanto que Mansour et al (2009, 2010) não especificaram se as mulheres com
endometriose apresentavam infertilidade; e por último nós avaliamos o efeito do FP de
mulheres com endometriose em oócitos maturados in vitro , enquanto que Mansour et al
(2009, 2010) avaliaram seu efeito apenas em oócitos já maduros, não sendo possível avaliar o
impacto do FP de mulheres com endometriose sobre o processo de maturação oocitária.
Marcadores de EO tem sido observados no FP de mulheres inférteis com endometriose
(GUPTA et al., 2008; AUGOULEA et al. , 2012 ), inclusive nos estágio s iniciais da doença
(MIER-CABRERA et al. , 2011 ). Mansour et al (2009, 2010) demonstraram que o FP de
mulheres com endometriose promove anomalias meióticas oocitárias, e essas foram reduzidas
por meio da suplementação no meio de cultivo com L -carnitina, um antioxidante, sugeri ndo
que substâncias presentes no FP de mulheres com a doença promovem um comprometimento
da qualidade oocitária e subsequente qualidade embrionária, tendo o EO como provável
mediador (MANSOUR et al., 2009, 2010) . Como previamente apontado, o EO é capaz de
causar anomalias meióti cas, instabilidade cromossômica , indução de apoptose e
comprometimento do desenvolvimento embr ionário pré -implantação (NAVARRO et al. ,
Discussão 54
2004, 2006). Considerando que os ovários humanos estão em íntimo contato com o FP ,
supomos que possa haver influência do mesmo sobre os oócitos, não apenas após a ovulação,
mas também durante todo o processo de foliculog ênese e/ou maturação oocitária. Dessa
forma, hipotetizamos que o mesmo pode refletir o EO presente neste microambiente de
mulheres inférteis com endometriose, mesmo que em estágios iniciais.
Reforçando nossa hipótese, um estudo conduzido por nosso grupo, usando modelo
experimental bovino, comparou o potencial im pacto do FP de mulheres férteis e mulheres
inférteis com e sem EI/II sobre a expressão de genes relacionados as principais enzimas
antioxidantes em oócitos maturados in vitro. O estudo mostrou que o FP de mulheres inférteis
com EI/II promove uma redução significativa na expressão dos genes GSR e CAT em oócitos
bovinos, sugerindo um maior consumo dessas enzimas antioxidantes na tentativa de prevenir
os danos oocitários durante a MIV (MALVEZZI, 2011).
O atual estudo trouxe contribuições inéditas para o esclarecimento da etiopatogênese
da infertilidade relacionada à endometriose em estágios iniciais, no entanto, contamos com
algumas limitações. Uma delas foi a utilização de oócitos bovinos. Optamos por utilizar este
modelo animal devido a similaridade em tamanho e morfologia dos ovários humanos e
bovinos, e também porque ambas as espécies são mono-ovulatórias e policíclicas. Além disso,
oócitos bovinos são abundantes, apresentam baixo custo e são facilmente manipulados
(MALHI et al. , 2005). Estudos com modelos animais podem não necessariamente ser
extrapolados para os seres humanos e estudos com oócitos de mulheres inférteis com EI/II
maturados in vivo são importantes para confirmar nossos resultados. No entanto, considerando
o número reduzido de oócitos humanos destinados à pesquisa, e o fato da análise por
imunofluorescência ser um m étodo invasivo que necessita de fixação da amostra, o uso de
modelo animal tornou-se uma importante alternativa neste estudo. Outra limitação foi devido
aos rigorosos critér ios de seleção de doadores de FP; consequentemente, o estudo teve um
Discussão 55
tamanho amostral pequeno (6 casos e 6 controles); dessa forma , novas inve stigações
utilizando uma maior número de pacientes são necessárias para confirmar nossos resultados.
Caso os presentes achados sejam confirmados em estudo s com maiores casuísticas , nossos
dados poderão contribuir para confimar que o FP de pacientes com EI/II causa danos ao fuso
meiótico e à distr ibuição cromossômica de oócitos durante a foliculogênese e/ou maturação
oocitária.
Em resumo, nós evidenciamos pela primeira vez que o FP de mulheres inférteis com
EI/II promove um efeito deletério sobre o fuso meiótico e a distribuição cromossômica de
oócitos bovinos em metáfase II, submetidos à MIV na presença de duas diferentes
concentrações (1% e 10%) . Estes achados abrem perspectivas p ara o entendimento dos
mecanismos patogênicos da infertilidade relacionada à doença em estágios iniciais, sugerindo
que alterações no microambiente peritoneal de mulheres inférteis com EI/II sejam passíveis
de comprometer a ma turação e qualidade oocitária. Um melhor conhecimento dos
mecanismos etiopatogênicos da infertilidade relacionada à endometriose inicial poderão
ajudar na concepção de novas abordagens terapêuticas para melhorar a fertilidade n atural
destas mulheres.
7. Conclusões
Conclusões 57
As duas concentrações (1% e 10%) de FP de mulheres férteis sem endometriose não
promoveram atraso ou bloqueio no processo de maturação oocitária em oócitos bovinos
submetidos a MIV. Tampouco promoveram aumento na porcentagem de a normalidades
meióticas nos oócitos em metáfase II.
As duas concentrações (1% e 10%) de FP de mulheres inférteis com EI/II também não
promoveram atraso ou bloqueio no processo de maturação oocitária em oócitos bovinos
submetidos a MIV. Todavia, observou-se um efeito deletério concentração dependente do FP
de mulheres inférteis com EI/II sobre o fuso meiótico e a distribuição cromossômica de
oócitos bovinos em MII, submetidos a MIV na presença de FP. Uma vez que concentrações
menores (abaixo de 1%) de FP não foram testadas, n ão é possível garantir que 1% seja a
concentração mais baixa de FP de mulheres com EI/II capaz de comprometer o fuso meiótico
e a distribuição cromossômica durante o processo de MIV.
Estes achados sugerem um papel deletério do FP de mulheres inférteis com EI/II sobre
a qualidade oocitária, o que poderia estar envolvido na diminuição da ferti lidade natural de
mulheres portadoras de infertilidade relacionada à endometriose em estágios inicias.
Futuros estudos, com maior es casuísticas, que analisem possíveis componentes
alterados no FP de mulheres inférteis com endometriose, são de grande importância para se
tentar elucidar potenciais fatores promotores dos danos meióticos oocitários encontrados no
presente estudo, em decor rência da adição de FP de mulheres com a doença ao meio de
maturação. O melhor entendimento dos mecanismos etiopatogênicos da infertili dade
relacionada à endometriose em estágios iniciais poderão ajudar na concepção de novas
abordagens terapêuticas para melhorar a fertilidade natural destas mulheres inférteis.
8. Referências Bibliográficas
Referências Bibliográficas 59
ABRÃO, M.S.; PODGAEC, S.; JUNIOR, J.A.D. Endometriose, a mulher moderna e o Brasil.
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Anexos
Anexos 65
Anexo 1 – Termos de Consentimento Livre e Esclarecido
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
(Fluido Peritoneal - Grupo Controle – FERTILIDADE COMPROVADA)
1. NOME DA PESQUISA: “Av l c l m c fl folicular e
peritoneal de pacientes inférteis com endometriose na gênese de anomalias meióticas
c v lv m mb , l z m l x m l b v ”
2. PESQUISADOR RESPONSÁVEL: Prof. Dra. Paula Andrea de A. Salles Navarro
V cê c v c l “Av l c l
impacto dos fluidos folicular e peritoneal de pacientes inférteis com endometriose na gênese
de anomalias meióticas oocitárias e no desenvolvimento embrionário, utilizand o modelo
x m l b v ”
Sabemos que o estresse oxidativo (que aparece quando ocorre um desequilíbrio entre as
defesas antioxidantes e a produção de espécies reativas) compromete a fertilidade masculina.
Temos suspeita de que o estresse oxidativo pos sa comprometer também a fertilidade feminina,
porém até o presente momento encontramos poucos dados sobre este assunto, os quais, muitas
vezes, são contraditórios. A endometriose é uma causa bastante comum de dificuldade para
engravidar (denominada inferti lidade) e estuda -se a possibilidade do estresse oxidativo
participar da ocorrência desta freqüente doença, podendo, inclusive, contribuir para a
infertilidade associada à mesma. Temos indícios de que o estresse oxidativo possa prejudicar a
qualidade dos óv ulos, levando à redução das chances de gravidez, mesmo quando se realizam
procedimentos de reprodução assistida. Nas mulheres inférteis com endometriose, questiona -se
se um dos motivos responsáveis pela maior dificuldade em engravidar seja a inadequada
qualidade dos óvulos (oócitos), que poderão produzir embriões também de má qualidade e,
conseqüentemente, gerar uma gestação menos viável. Um estudo usando óvulos de
camundongos, publicado recentemente, sugeriu que o fluido peritoneal (líquido contido na
cavidade pélvica, onde ficam os órgãos internos femininos, a bexiga e a parte baixa do
intestino) de mulheres com endometriose pode comprometer a qualidade dos óvulos e
embriões.
Assim, a avaliação do efeito do fluido peritoneal de mulheres inférteis com
endometriose sobre a qualidade dos óvulos e embriões poderia auxiliar a descoberta de alguns
dos mecanismos envolvidos na causa da infertilidade, o que ajudaria na identificação de
tratamentos futuros. Contudo, para podermos dizer se o efeito do fluido perito neal de mulheres
Anexos 66
inférteis com endometriose é diferente daquele de de mulheres férteis (que já tiveram filho),
precisamos de um grupo tido como controle, ou seja, fluido peritoneal de mulheres férteis
submetidas à laqueadura, no qual você estaria incluída.
Para estudarmos o possível efeito prejudicial do fluido peritoneal de mulheres com
endometriose e compará -lo com o que ocorre em mulheres sem a doença, propomos avaliar o
efeito da adição de fluido peritoneal no cultivo in vitro de óvulos e embriões bovi nos (de
vacas). Assim, para a realização dessa pesquisa, será necessária a doação de uma amostra de
fluido peritoneal coletada durante a videolaparoscopia que você será submetida para a
realização da ligadura das suas trompas. Este procedimento é rápido e isento de riscos
adicionais à sua saúde. A coleta de fluido peritoneal durante a realização da sua
videolaparoscopia diagnóstica não promoverá aumento do tempo da cirurgia ou do risco
cirúrgico, sendo, portanto, isenta de efeitos colaterais previsíveis.
Desta forma, você está sendo convidada para participar deste estudo na posição de
paciente do grupo controle, ou seja, cujo fluido peritoneal seja considerado como padrão de
normalidade, para fins de comparação com os fluidos das pacientes com endometriose. Sua
colaboração, portanto, no fornecimento de amostra de fluido peritoneal será imprescindível
para um melhor conhecimento do efeito do fluido peritoneal de pacientes com dificuldade para
engravidar sem endometriose, sobre os oócitos e embriões (utilizan do um modelo animal para
esta avaliação, ou seja, utilizando óvulos e embriões de vaca). Estes dados serão comparados
aos de mulheres com dificuldade para engravidar devido à endometriose. Este conhecimento no
futuro poderá ser usado no sentido de propicia r um tratamento mais eficaz da infertilidade
associada a endometriose. Contudo, ressaltamos que você não terá nenhum tipo de benefício
imediato participando do presente estudo.
É importante ressaltarmos que este estudo não trará nenhuma despesa para você. Todo
o material obtido será utilizado exclusivamente para cultivo de óvulos e embriões bovinos.
Também devemos ressaltar que a sua participação no presente estudo não implicará na
realização de nenhum procedimento complementar durante a sua videolaparoscopia.
Fui informada de que o fluido peritoneal será coletado durante a minha
videolaparoscopia, sem promover aumento dos riscos operatórios. Fui informada também de
que o fluido peritoneal coletado durante a minha videolaparoscopia será utilizado para cult ivo
de óvulos e embriões bovinos. Desta forma, autorizo a coleta e utilização do fluido peritoneal
obtido durante laparoscopia diagnóstica de rotina exclusivamente no presente estudo.
Anexos 67
3. INFORMAÇÕES ADICIONAIS: Todas as dúvidas com relação ao estudo que,
porventura, possam ocorrer durante o seu tratamento para engravidar, serão prontamente
esclarecidas pelos pesquisadores responsáveis pelo presente estudo. Você tem a liberdade de
retirar o seu consentimento e de deixar de participar do estudo, a qualquer momento, sem que
isto traga qualquer prejuízo à continuidade do seu tratamento. Asseguramos o total sigilo em
relação aos nomes dos integrantes deste estudo, bem como garantimos que será mantido o
caráter confidencial de toda informação relacionada a sua privacidade. Temos o compromisso
de que serão prestadas informações atualizadas durante todo o estudo, ainda que isto possa
afetar a sua vontade de continuar dele participando. Asseguramos o compromisso de que você
será devidamente acompanhada e assistida durante todo o período de participação neste
projeto, bem como de que será garantida a continuidade do seu tratamento, após a conclusão
dos trabalhos da pesquisa.
Eu, _______________________________ ______________, RG nº:___________ abaixo
assinada, declaro que fui informada e estou inteiramente de acordo com o exposto acima e
aceito livremente participar do estudo em questão, fornecendo amostras fluido peritonal.
Autorizo a pesquisadora abaixo mencionada a utilizá -l : “Av l
potencial impacto dos fluidos folicular e peritoneal de pacientes inférteis com endometriose na
gênese de anomalias meióticas oocitárias e no desenvolvimento embrionário, utilizando
m l x m l b v ”, c l b ar o meu
consentimento e de deixar de participar do estudo a qualquer momento, sem que isto traga
qualquer prejuízo à continuidade do meu tratamento.
Ribeirão Preto _______ / _______ / _________
_______________________________ ___________________________
Assinatura- Paciente Assinatura do Pesquisador
4. PESQUISADORAS RESPONSÁVEIS:
Prof. Dra. Paula Andrea de A. Salles Navarro – CRM: 84930 – SP
Telefone de contato: 16-3602-2231
Endereço: Av. Bandeirantes, 3900 - 1º andar (Hospital das Clínicas -Setor de
Reprodução Humana), Ribeirão Preto – SP. CEP: 14049-900.
Bruna Talita Gazeto Melo Jianini
Pós-graduanda do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia – FMRP-USP
Telefone de contato: 16-3637-9673
Endereço: Av. Bandeir antes, 3900 - 1º andar (Hospital das Clínica s-Setor de
Reprodução Humana), Ribeirão Preto – SP. CEP: 14049-900.
Anexos 68
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
(Fluido Peritoneal - GRUPO ENDOMETRIOSE)
1. NOME DA PESQUISA: “Av l c l m c fluidos folicular e
peritoneal de pacientes inférteis com endometriose na gênese de anomalias meióticas
c v lv m mb , l z m l x m l b v ”
2. PESQUISADOR RESPONSÁVEL: Prof. Dra. Paula Andrea de A. Salles Navarro
V cê c v c l “Av l c l
impacto dos fluidos folicular e peritoneal de pacientes inférteis com endometriose na gênese
de anomalias meióticas oocitárias e no desenvolvimento embrionário , utilizando modelo
x m l b v ”
Sabemos que o estresse oxidativo (que aparece quando ocorre um desequilíbrio entre as
defesas antioxidantes e a produção de espécies reativas) compromete a fertilidade masculina.
Temos suspeita de que o estresse ox idativo possa comprometer também a fertilidade feminina,
porém até o presente momento encontramos poucos dados sobre este assunto, os quais, muitas
vezes, são contraditórios. A endometriose é uma causa bastante comum de dificuldade para
engravidar (denomin ada infertilidade) e estuda -se a possibilidade do estresse oxidativo
participar da ocorrência desta freqüente doença, podendo, inclusive, contribuir para a
infertilidade associada à mesma. Temos indícios de que o estresse oxidativo possa prejudicar a
qualidade dos óvulos, levando à redução das chances de gravidez, mesmo quando se realizam
procedimentos de reprodução assistida. Nas mulheres inférteis com endometriose, questiona -se
se um dos motivos responsáveis pela maior dificuldade em engravidar seja a ina dequada
qualidade dos óvulos (oócitos), que poderão produzir embriões também de má qualidade e,
conseqüentemente, gerar uma gestação menos viável. Um estudo usando óvulos de
camundongos, publicado recentemente, sugeriu que o fluido peritoneal (líquido cont ido na
cavidade pélvica, onde ficam os órgãos internos femininos, a bexiga e a parte baixa do
intestino) de mulheres com endometriose pode comprometer a qualidade dos óvulos e
embriões.
Assim, a avaliação do efeito do fluido peritoneal de mulheres infért eis com
endometriose sobre a qualidade dos óvulos e embriões poderia auxiliar a descoberta de alguns
dos mecanismos envolvidos na causa da infertilidade, o que ajudaria na identificação de
tratamentos futuros. Contudo, ressaltamos que você não terá nenhum tipo de benefício imediato
participando do presente estudo.
Anexos 69
Para estudarmos o possível efeito prejudicial do fluido peritoneal de mulheres com
endometriose e compará -lo com o que ocorre em mulheres sem a doença, propomos avaliar o
efeito da adição de flui do peritoneal no cultivo in vitro de óvulos e embriões bovinos (de
vacas). Assim, para a realização dessa pesquisa, será necessária a doação de uma amostra de
fluido peritoneal coletada durante a videolaparoscopia que você será submetida. Este
procedimento é rápido e isento de riscos adicionais à sua saúde. A coleta de fluido peritoneal
durante a realização da sua videolaparoscopia diagnóstica não promoverá aumento do tempo da
cirurgia ou do risco cirúrgico, sendo, portanto, isenta de efeitos colaterais previsíveis.
Desta forma, você está sendo convidada para participar deste estudo na posição de
paciente do grupo de estudo, ou seja, com endometriose. Sua colaboração, portanto, no
fornecimento de amostra de fluido peritoneal será imprescindível para um melh or
conhecimento do efeito do fluido peritoneal de mulheres com endometriose sobre os oócitos e
embriões (utilizando um modelo animal para esta avaliação, ou seja, utilizando óvulos e
embriões de vaca, cultivados com o seu fluido peritoneal). Este conhecime nto no futuro poderá
ser usado no sentido de propiciar um tratamento mais eficaz da infertilidade associada a esta
doença. Contudo, ressaltamos que você não terá nenhum tipo de benefício imediato
participando do presente estudo.
É importante ressaltarmos que este estudo não trará nenhuma despesa para você. Todo
o material obtido será utilizado exclusivamente para cultivo de óvulos e embriões bovinos.
Também devemos ressaltar que a sua participação no presente estudo não implicará na
realização de nenhum procedimento complementar durante a sua videolaparoscopia.
Fui informada de que o fluido peritoneal será coletado durante a minha
videolaparoscopia, sem promover aumento dos riscos operatórios. Fui informada também de
que o fluido peritoneal coletado durante a minha videolaparoscopia será utilizado para cultivo
de óvulos e embriões bovinos. Desta forma, autorizo a coleta e utilização do fluido peritoneal
obtido durante laparoscopia diagnóstica de rotina exclusivamente no presente estudo.
3. INFORMAÇÕES ADIC IONAIS: Todas as dúvidas com relação ao estudo que,
porventura, possam ocorrer durante o seu tratamento para engravidar, serão prontamente
esclarecidas pelos pesquisadores responsáveis pelo presente estudo. Você tem a liberdade de
retirar o seu consentimen to e de deixar de participar do estudo, a qualquer momento, sem que
isto traga qualquer prejuízo à continuidade do seu tratamento. Asseguramos o total sigilo em
relação aos nomes dos integrantes deste estudo, bem como garantimos que será mantido o
caráter confidencial de toda informação relacionada a sua privacidade. Temos o compromisso
Anexos 70
de que serão prestadas informações atualizadas durante todo o estudo, ainda que isto possa
afetar a sua vontade de continuar dele participando. Asseguramos o compromisso de que você
será devidamente acompanhada e assistida durante todo o período de participação neste
projeto, bem como de que será garantida a continuidade do seu tratamento, após a conclusão
dos trabalhos da pesquisa.
Eu, _______________________________ ______________, RG nº:___________ abaixo
assinada, declaro que fui informada e estou inteiramente de acordo com o exposto acima e
aceito livremente participar do estudo em questão, fornecendo amostras fluido peritoneal.
Autorizo a pesquisadora abaixo menciona da a utilizá -l : “Av l
potencial impacto dos fluidos folicular e peritoneal de pacientes inférteis com endometriose na
gênese de anomalias meióticas oocitárias e no desenvolvimento embrionário, utilizando
modelo experimental bovin ”, c l b m
consentimento e de deixar de participar do estudo a qualquer momento, sem que isto traga
qualquer prejuízo à continuidade do meu tratamento.
Ribeirão Preto _______ / _______ / _________
_______________________________ ___________________________
Assinatura- Paciente Assinatura do Pesquisador
4. PESQUISADORAS RESPONSÁVEIS:
Prof. Dra. Paula Andrea de A. Salles Navarro – CRM: 84930 – SP
Telefone de contato: 16-3602-2231
Endereço: Av. Bandeirantes, 3900 - 1º andar (Hospital das Clínicas - Setor de
Reprodução Humana), Ribeirão Preto – SP. CEP: 14049-900.
Bruna Talita Gazeto Melo Jianini
Pós-graduanda do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia – FMRP-USP
Telefone de contato: 16-3637-9673
Endereço: Av. Bandeirantes, 3900 - 1º andar (Hospital das Clínicas - Setor de
Reprodução Humana), Ribeirão Preto – SP. CEP: 14049-900.
Anexos 71
Anexo 2 – Manuscrito
Peritoneal fluid from infertile women with minimal/mild endometriosis compromises the
meiotic spindle of metaphase II bovine oocytes
B.T.G.M. Jianini1*, V.S.I. Giorgi1, M.G. Da Broi1, C.C.P. de Paz2, J.C.R. e Silva1, R.A.
Ferriani 1,3, P.A.A.S. Navarro 1,3.
1 Human Reproduction Division, Department of Gynecol ogy and Obstetrics, Ribeirão Preto
School of Medicine, University of São Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brazil
2 Department of Genetics, Ribeirão Preto School of Medicine , University of São Paulo,
Ribeirão Preto, SP, Brazil
3 National Institute of Hormones and W m ’ H l h, CNP , P Al g , RS, B z l
Institution: Ribeirão Preto School of Medicine, University of São Paulo, Ribeirão Preto, SP,
Brazil.
Corresponding author:
Bruna Talita Gazeto Melo Jianini
Avenida Bandeirantes, 3900 - Ribeirao Preto, SP, Brazil
CEP: 14049-900; Tel: +55 16 3602 2821; Fax: +55 16 3633 1028
E-mail:
[email protected]
Anexos 72