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PONTOS-CHAVE
• A endometriose é uma doença crônica e heterogênea. Seu tratamento cirúrgico deve ser seletivo e
individualizado.
• Para guiar a tomada de decisão cirúrgica, a carga de sintomas, o fenótipo da doença, o impacto na qualidade
de vida e os objetivos reprodutivos são mais relevantes do que o estágio da doença.
• A cirurgia não é terapia de primeira linha e tem benefício limitado em mulheres com sintomas leves ou
resposta adequada ao tratamento medicamentoso.
• O benefício cirúrgico é observado de forma mais consistente em endometriomas ovarianos sintomáticos e
endometriose infiltrativa profunda associada à disfunção de órgãos.
• Uma avaliação pré-operatória é fundamental para equilibrar o ganho clínico com o risco cirúrgico,
principalmente em relação à reserva ovariana e à morbidade em longo prazo.
• A cirurgia não é curativa e deve ser considerada como um componente de uma estratégia de manejo
longitudinal, que frequentemente requer terapia medicamentosa pós-operatória.
• Fenótipos complexos da doença e cirurgias com preservação da fertilidade se beneficiam de cuidados
especializados ou multidisciplinares.
RECOMENDAÇÕES
• O tratamento cirúrgico deve ser considerado apenas em mulheres com sintomas clinicamente significativos,
disfunção de órgãos ou indicações clínicas bem definidas.
• O tratamento deve ser conservador em mulheres com sintomas leves ou controle adequado com terapia
medicamentosa.
• Para orientar o planejamento cirúrgico e o aconselhamento, a avaliação pré-operatória deve incluir
ultrassonografia transvaginal estruturada e ressonância magnética pélvica quando houver suspeita de
doença profunda.
• Em mulheres com endometriomas ovarianos e planos reprodutivos, a avaliação da reserva ovariana deve ser
considerada antes da cirurgia, particularmente em casos de cirurgia bilateral ou repetida.
• No período pré-operatório, as pacientes devem receber aconselhamento sobre expectativas realistas, risco
de recorrência, impacto potencial na fertilidade e o papel do manejo pós-operatório a longo prazo.
• Protocolos estruturados de cuidados perioperatórios, incluindo protocolos de Otimização da Recuperação
Pós-Operatória (ERAS), devem ser implementados na cirurgia de endometriose para acelerar a recuperação
pós-operatória, reduzir a morbidade e melhorar a experiência da paciente.
• O encaminhamento para centros especializados ou multidisciplinares deve ser considerado em casos
de doença infiltrativa profunda, endometriomas ovarianos complexos ou cirurgia para preservação da
fertilidade com previsão de alta complexidade.
FEBRASGO POSITION STATEMENT
Manejo cirúrgico da endometriose:
indicações, preparo da paciente e
planejamento perioperatório
Número 6 – 2026
A Comissão Nacional Especializada em Endometriose da Federação Brasileira das Associações
de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a Sociedade Brasileira de Endometriose referenda
este documento. A produção do conteúdo baseia-se em evidências científicas sobre a
temática proposta, e os resultados apresentados contribuem para a prática clínica.
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Manejo cirúrgico da endometriose: indicações, preparo da paciente e planejamento perioperatório
CONTEXTO CLÍNICO
A endometriose é uma doença crônica e heterogênea
associada à dor pélvica, infertilidade e comprometi -
mento da qualidade de vida. O tratamento cirúrgico
não é a terapia de primeira linha e deve ser reservado
para casos clínicos selecionados, quando o tratamento
medicamentoso for ineficaz, contraindicado ou inade -
quado. As indicações claras incluem: dor persistente
ou intensa refratária à terapia hormonal otimizada;
intolerância ou contraindicação ao tratamento medi -
camentoso; endometriomas ovarianos com indicações
específicas, como tamanho grande ou características
suspeitas em exames de imagem; doença infiltrativa
profunda associada à disfunção de órgãos; e casos se-
lecionados de infertilidade associada à endometriose,
quando a correção anatômica possibilitar melhores
resultados ou se a reprodução assistida não for prefe-
rência ou se for inviável.(1-4)
O fenótipo da doença e a carga de sintomas são
fundamentais para a tomada de decisão cirúrgica, uma
vez que os benefícios e os riscos diferem substancial -
mente entre a doença peritoneal superficial, os endo -
metriomas ovarianos e a endometriose infiltrativa pro-
funda.(2-5) As prioridades da paciente, particularmente
os objetivos reprodutivos e o impacto na qualidade de
vida, devem ser explicitamente integrados à indicação
cirúrgica.(3-6)
A avaliação pré-operatória deve incluir avaliação
clínica abrangente, exames de imagem estruturados
com ultrassonografia transvaginal e/ou ressonância
magnética para mapeamento da doença e avaliação
da fertilidade, quando relevante.(2,4,6) Em casos comple-
xos, particularmente na doença infiltrativa profunda,
recomenda-se o planejamento multidisciplinar para
otimizar os resultados e minimizar as complicações.(1,3,5)
Como esta cirurgia não é curativa e a recorrência é
comum, o aconselhamento deve abordar expectativas
realistas, potencial impacto na reserva ovariana, riscos
perioperatórios e a provável necessidade de terapia
médica pós-operatória quando não há desejo de uma
gravidez imediata.(1,2,4)
Esta Declaração de Posicionamento define as in -
dicações apropriadas para o tratamento cirúrgico da
endometriose e enfatiza a tomada de decisão seletiva
e individualizada com base no fenótipo da doença, na
gravidade dos sintomas, na qualidade de vida e nos
objetivos reprodutivos. A Figura 1 resume uma estru -
tura pré-operatória multidimensional estruturada,
projetada para orientar a indicação e o planejamento
cirúrgico apropriados em mulheres com endometriose.
QUAIS SÃO AS INDICAÇÕES CLÍNICAS
CLARAS PARA O TRATAMENTO CIRÚRGICO
EM MULHERES COM ENDOMETRIOSE?
O tratamento cirúrgico tem um papel definido no ma -
nejo da endometriose. É reservado para cenários clíni-
cos claramente estabelecidos, particularmente quando
a terapia medicamentosa for ineficaz, não tolerada ou
contraindicada.(2,4) A Figura 2 apresenta um fluxograma
terapêutico da Febrasgo, integrando a apresentação clí-
nica, os achados em exames de imagem e a resposta ao
tratamento para apoiar a tomada de decisão cirúrgica
seletiva na dor pélvica relacionada à endometriose.(7)
Os endometriomas ovarianos são uma indicação
importante para cirurgia na presença de critérios clíni-
cos ou de imagem específicos. O tratamento cirúrgico
pode ser considerado em casos de sintomas persisten-
tes mesmo com otimização da terapia medicamento -
sa, se houver resultados de imagem com suspeita de
malignidade ou se os endometriomas contribuírem
para a infertilidade, distorção pélvica ou interferirem
Figura 1. Quadro de tomada de decisão pré-operatória para o manejo cirúrgico da endometriose.
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em técnicas de reprodução assistida (TRA). Nesses ce -
nários, a cirurgia pode ser necessária para o controle
dos sintomas, esclarecimento diagnóstico ou manejo
individualizado com foco na fertilidade.(2,8)
A indicação da cirurgia é clara em casos de endo -
metriose infiltrativa profunda associada à disfunção
de órgãos. Mulheres que apresentam acometimento
urinário ou gastrointestinal, incluindo hematúria, he -
matoquezia ou sintomas obstrutivos que afetam o in -
testino ou o trato urinário, particularmente quando há
evidência de comprometimento de órgãos, podem se
beneficiar do tratamento cirúrgico realizado em cen -
tros especializados com habilidade multidisciplinar.(2)
A infertilidade associada à endometriose representa
uma indicação mais específica. O tratamento cirúrgi -
co pode ser considerado em mulheres selecionadas,
em particular naquelas com doença leve a moderada
ou quando endometriomas, aderências ou distorção
pélvica possivelmente comprometem a função tubária
ou interferem na coleta de oócitos. Nesses casos, os
potenciais benefícios reprodutivos devem ser cuidado-
samente ponderados em relação ao risco de redução
da reserva ovariana, especialmente em mulheres com
endometriomas ovarianos.(1,8,9)
A cirurgia também é indicada em quadros severos
ou de incerteza diagnóstica, como dor pélvica agu -
da, massas anexiais com suspeita de malignidade ou
cenários que exigem diagnóstico e tratamento ime -
diatos.(4,5)
Em mulheres com sintomas persistentes e graves,
refratários ao tratamento conservador e sem objetivos
reprodutivos, é possível considerar o tratamento cirúr-
gico definitivo. A histerectomia com excisão completa
da doença visível é uma opção em pacientes cuida -
dosamente selecionadas, com dor refratária, particu -
larmente quando associada a outras doenças uterinas,
como adenomiose e leiomiomatose.(2)
Exame físico e de imagens
normais
Endometrioma ovariano e/ou
endometriose profunda
Tratamento clínico
Ausência de melhora
Laparoscopia Laparoscopia
Considerações clínicas
• Tamanho da lesão
• Acometimento ureteral
• Acometimento do íleo terminal
• Acometimento apendicular
• Suboclusão intestinal
Dor Pélvica
Figura 2. Fluxograma terapêutico para pacientes com suspeita
clínica de dor pélvica associada à endometriose (Febrasgo
2023)
A decisão cirúrgica na endometriose deve ser in -
dividualizada e baseada na gravidade dos sintomas,
no fenótipo da doença, nos objetivos reprodutivos e
nas preferências da paciente. Os riscos potenciais, in -
cluindo complicações cirúrgicas e efeitos adversos na
reserva ovariana, devem ser analisados em oposição
aos benefícios esperados, ressaltando a importância
da tomada de decisão compartilhada e do encaminha-
mento a centros especializados para procedimentos
complexos.(2,3,8)
QUAIS PACIENTES COM ENDOMETRIOSE
APRESENTAM BAIXO POTENCIAL DE
BENEFÍCIO CIRÚRGICO E DEVEM SER
MANTIDAS EM MANEJO CONSERVADOR?
Mulheres com endometriose leve ou assintomática e
aquelas com sintomas controlados usando terapias
hormonais de primeira linha têm baixo potencial de
benefício cirúrgico e geralmente devem receber trata -
mento conservador. Nessa população, a cirurgia não
proporciona benefício adicional em termos de contro-
le da dor ou qualidade de vida e expõe as pacientes a
riscos operatórios desnecessários.(2-4,10)
Em mulheres sem objetivos reprodutivos futuros
nem dor intensa, disfunção de órgãos ou endome -
triomas ovarianos volumosos, a terapia medicamen -
tosa supressiva em longo prazo é geralmente eficaz.
Regimes hormonais contínuos, incluindo contracepti -
vos orais combinados, terapias apenas com progestina
e sistemas intrauterinos, proporcionam alívio susten -
tado dos sintomas e são preferíveis na ausência de in-
dicações cirúrgicas claras.(1,4,6)
O tratamento conservador é particularmente ade -
quado para mulheres com contraindicações à cirurgia,
risco cirúrgico aumentado ou comorbidades significati-
vas, nas quais os potenciais benefícios da cirurgia são
superados pelos riscos de complicações perioperató -
rias, recorrência dos sintomas e danos cumulativos,
especialmente após procedimentos repetidos ou ex -
tensos, que podem comprometer ainda mais a reserva
ovariana.(1,6,11)
Em mulheres com fenótipos de dor centralizada, dor
em múltiplos locais ou sintomas persistentes após ci -
rurgia prévia, uma nova intervenção cirúrgica raramen-
te proporciona benefício sustentado e pode exacerbar
a cronicidade da dor. Nesses casos, o tratamento deve
ser direcionado para uma estratégia conservadora
multimodal, incluindo neuromodulação e outras abor-
dagens que visem os mecanismos centrais da dor.(1,6,11,12)
O consenso atual apoia uma abordagem seletiva e
focada nos sintomas. A cirurgia é reservada para mu -
lheres com sintomas refratários, disfunção de órgãos
ou infertilidade não responsiva ao tratamento medi -
camentoso. Para a maioria das mulheres sem essas
indicações, a supressão hormonal a longo prazo e o
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Manejo cirúrgico da endometriose: indicações, preparo da paciente e planejamento perioperatório
manejo multidisciplinar da dor, incluindo fisioterapia
do assoalho pélvico para avaliação e tratamento da
disfunção miofascial associada, continuam sendo a
base do tratamento.(1,4,6,11,13,14)
COMO A CARGA DE SINTOMAS, O FENÓTIPO DA
DOENÇA E O IMPACTO NA QUALIDADE DE VIDA
DEVEM ORIENTAR A INDICAÇÃO CIRÚRGICA?
A carga de sintomas é o principal determinante para a
recomendação de tratamento cirúrgico em mulheres
com endometriose. A cirurgia deve ser considerada prin-
cipalmente em mulheres com dor intensa, persistente
ou resistente a hormônios, com impacto substancial
nas atividades diárias ou na qualidade de vida, espe -
cialmente quando a terapia medicamentosa for ineficaz,
contraindicada ou não tolerada. (2-4,6) Em contrapartida,
mulheres com sintomas leves, doença incidental ou sin-
tomas controlados com terapia hormonal provavelmen-
te não terão benefício adicional com a cirurgia e, em
geral, devem receber manejo conservador.(2-4,6)
O fenótipo da doença tem influência significativa no
benefício esperado com a cirurgia. Na endometriose
peritoneal superficial, evidências limitadas apoiam a
intervenção cirúrgica e como o alívio da dor costuma
ser inconsistente, a preferência é pelo tratamento con-
servador, a não ser que os sintomas sejam claramente
refratários.(2,15) Os endometriomas ovarianos justificam
consideração cirúrgica principalmente quando são
grandes, sintomáticos, suspeitos em exames de ima -
gem ou interferem no tratamento de fertilidade. No
entanto, dada a associação consistente entre a cirur -
gia excisional e a redução da reserva ovariana, mulhe-
res com desejo de preservar a fertilidade demandam
aconselhamento cuidadoso.(3,8,16)
Na endometriose infiltrativa profunda, que envolve o
intestino, a bexiga ou o ureter e está associada à dis -
função de órgãos, a indicação de tratamento cirúrgico é
clara. Nesses casos, a cirurgia pode aliviar os sintomas,
prevenir danos progressivos aos órgãos e melhorar a
qualidade de vida. Deve ser realizada por equipes mul-
tidisciplinares experientes em centros especializados.(2,6)
O impacto na qualidade de vida e a tomada de de -
cisão centrada no paciente são fundamentais para
definir o tratamento. A avaliação deve incorporar não
apenas a intensidade da dor, mas também a limitação
funcional, o sofrimento psicológico e o alinhamento
com os objetivos e preferências da paciente. Mulheres
com dor predominantemente localizada ou em múlti -
plos locais têm menor probabilidade de ganho clínico
com a cirurgia e a preferência deve ser pelo manejo
conservador multimodal.(2,4,6,14)
O tratamento cirúrgico é reservado para mulheres
com carga sintomática substancial, indicações especí -
ficas do fenótipo ou impacto significativo na qualidade
de vida. A tomada de decisão compartilhada deve in -
tegrar os objetivos reprodutivos e as preferências da
paciente.(2-4,6,8,14-17)
A DECISÃO CIRÚRGICA DEVE SER BASEADA
NO ESTÁGIO DA DOENÇA OU EM UM
CONTEXTO CLÍNICO INDIVIDUALIZADO?
A decisão cirúrgica na endometriose deve ser guiada
por um contexto clínico individualizado, integrando
a carga sintomática, o fenótipo da doença, o impac -
to na qualidade de vida e os objetivos reprodutivos,
em vez de basear-se principalmente no estágio da do-
ença. A classificação revisada da American Society for
Reproductive Medicine - rASRM (Sociedade Americana
de Medicina Reprodutiva) tem limitações para prever
a intensidade da dor, a resposta ao tratamento ou o
prognóstico. Mulheres com endometriose mínima po -
dem apresentar sintomas graves, enquanto outras com
doença avançada podem permanecer assintomáticas,
ressaltando a fraca correlação entre o estadiamento
anatômico e a apresentação clínica.(3,18)
Diretrizes e revisões atuais convergem no sentido de
que o estadiamento da doença, de forma isolada, não
deve fundamentar a indicação cirúrgica, que é recomen-
dada principalmente para mulheres com sintomas gra-
ves ou refratários, disfunção de órgãos ou infertilidade
não responsiva ao tratamento medicamentoso. Por ou-
tro lado, a intervenção cirúrgica de rotina não é indicada
em mulheres assintomáticas ou com doença leve bem
controlada com tratamento medicamentoso.(2,6,16)
O fenótipo da doença oferece subsídios clínicos
mais relevantes do que o estadiamento isolado. Casos
de endometriose infiltrativa profunda, endometriomas
ovarianos grandes ou suspeitos e lesões com acometi-
mento intestinal, vesical ou ureteral têm maior proba-
bilidade de ganho clínico com uma intervenção cirúrgi-
ca. Em paralelo, as prioridades da paciente — incluindo
os objetivos de fertilidade, o potencial risco de perda
da reserva ovariana e o impacto psicossocial dos sin -
tomas — devem ser centrais para tomada de decisão
compartilhada e aconselhamento transparente sobre
os possíveis benefícios e riscos.(2-6,19,20)
Apesar dos avanços nas técnicas cirúrgicas, impor -
tantes lacunas de evidências persistem. Dados robus -
tos que relacionem fenótipos específicos e perfis de
sintomas a resultados cirúrgicos ideais ainda são limi-
tados. Além disso, os sistemas de classificação atuais
não capturam adequadamente a complexidade da do-
ença nem predizem benefícios em longo prazo. Há uma
nítida necessidade de melhor estratificação fenotípica
e estudos prospectivos focados em resultados centra-
dos na paciente.(14,17,18,21)
O consenso atual apoia uma abordagem cirúrgica
seletiva e guiada pelos sintomas da endometriose. A
intervenção cirúrgica deve ser reservada para mulhe -
res com carga significativa de sintomas, fenótipos da
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doença associados a comprometimento de órgãos ou
disfunção reprodutiva, ou impacto substancial na qua-
lidade de vida, e não deve ser determinada pelo está -
gio da doença isoladamente.(2,3,6,14,16-22)
QUAIS SÃO OS OBJETIVOS REALISTAS
E PREDEFINIDOS DA CIRURGIA DE
ENDOMETRIOSE E COMO ELES DEVEM
INFLUENCIAR O PLANEJAMENTO E
A EXTENSÃO DA CIRURGIA?
Os objetivos do tratamento cirúrgico da endometriose
devem ser realistas, predefinidos e alinhados com re -
sultados centrados na paciente. A cirurgia visa reduzir
a dor, restaurar a anatomia pélvica, tratar disfunções
de órgãos, melhorar a fertilidade em casos seleciona -
dos e excluir malignidade. Vale destacar que a cirurgia
não é curativa e a recorrência permanece comum. Com
frequência; a terapia medicamentosa pós-operatória é
necessária para reduzir o risco de recorrência e auxiliar
no controle da doença em longo prazo.(1-4,10,21)
O planejamento e a extensão da cirurgia devem ser
guiados pela carga de sintomas, pelo fenótipo da do -
ença e pelo impacto na qualidade de vida, e não pelo
estágio da doença de forma isolada. A intensidade dos
sintomas e o comprometimento funcional são os prin-
cipais determinantes da indicação cirúrgica, visto que
o estágio da doença prediz pouco a gravidade da dor
ou a resposta ao tratamento.(1-4)
Assim, a cirurgia deve ser considerada principal -
mente para mulheres com dor intensa, persistente ou
resistente a hormônios, para aquelas com endome -
triomas ovarianos grandes ou suspeitos, para doen -
ça infiltrativa profunda associada a disfunção intes -
tinal, vesical ou ureteral e para casos selecionados
de infertilidade não passíveis de tratamento com TRA.
Destaca-se que a intervenção cirúrgica também pode
ser indicada em pacientes assintomáticas selecio -
nadas quando a endometriose representar um risco
de dano progressivo a órgãos, como o íleo terminal,
apendicite ou ceco, lesões ureterais associadas à hi -
dronefrose ou acometimento retal profundo atingin -
do mais de 50% da circunferência intestinal. Nesses
casos, a indicação cirúrgica é determinada pelo risco
de comprometimento funcional, e não pela intensi -
dade dos sintomas. Por outro lado, em mulheres com
sintomas leves, doença incidental ou sintomas con -
trolados com terapia medicamentosa, a chance de
ganho clínico com cirurgia é baixa e, em geral, a pre -
ferência é pelo manejo conservador. (1-5,16,19)
O fenótipo da doença tem implicações diretas na
estratégia cirúrgica. A excisão extensa na endometrio -
se peritoneal superficial não traz benefício consisten -
te. Em endometriomas ovarianos e na endometriose
infiltrativa profunda, geralmente são necessários pro -
cedimentos mais complexos, idealmente em centros
multidisciplinares capacitados. Nesses casos, é essen-
cial ponderar os potenciais benefícios em relação aos
riscos conhecidos, incluindo perda da reserva ovaria -
na, complicações pós-operatórias precoces e tardias e
recorrência da doença, particularmente em mulheres
com objetivos reprodutivos futuros.(1-5,16,19)
A tomada de decisão compartilhada e o cuidado
interdisciplinar são essenciais. Os objetivos e a ex -
tensão da cirurgia devem estar alinhados com as
prioridades da paciente, seus objetivos reprodutivos,
expectativas de qualidade de vida e, sempre que pos -
sível, utilizando a medida de desfecho relatado pela
paciente. Estratégias conservadoras e que preser -
vem a fertilidade são preferíveis quando adequado,
enquanto procedimentos mais extensos podem ser
necessários na presença de disfunção de órgãos ou
risco de malignidade. (5,14,16,19,21)
Os objetivos da cirurgia de endometriose — redução
da dor, melhora funcional, otimização da fertilidade
em casos selecionados, manejo do acometimento de
órgãos e exclusão de malignidade — devem orientar
diretamente a indicação, o momento e a extensão da
cirurgia. A tomada de decisão cirúrgica deve perma -
necer individualizada, orientada pelos sintomas e cen-
trada na paciente, com um equilíbrio cuidadoso entre
benefícios e riscos de recorrência, perda da reserva
ovariana e morbidade cirúrgica.(1-5,10,14,16,19,21)
COMO OS OBJETIVOS REPRODUTIVOS DEVEM
INFLUENCIAR A INDICAÇÃO, O MOMENTO E
A EXTENSÃO DO TRATAMENTO CIRÚRGICO?
Os objetivos reprodutivos desempenham um papel
central na definição da indicação, do momento e da
extensão do tratamento cirúrgico em mulheres com
endometriose. Dada a natureza crônica, estrogênio-de-
pendente e heterogênea da doença, o manejo deve ser
individualizado e centrado na paciente, principalmente
quando ela priorizar a preservação da fertilidade ou a
concepção.(1-3,10,21,23)
Em mulheres que desejam fertilidade imediata ou
futura, as decisões relativas à cirurgia, ao tratamen -
to medicamentoso, à conduta expectante ou às TRA
devem equilibrar os potenciais benefícios e riscos.
Embora o manejo cirúrgico possa melhorar a concep -
ção espontânea em mulheres selecionadas, principal -
mente nos casos de doença leve a moderada, ele não
deve ser recomendado de forma rotineira para todas
as pacientes inférteis e não substitui as TRA.(6,16,19-21)
Na infertilidade associada à endometriose, a TRA
geralmente é a terapia de primeira linha de preferên -
cia, especialmente na presença de fatores adicionais
de infertilidade, reserva ovariana reduzida ou quando
se deseja uma concepção rápida. A cirurgia pode ser
considerada em casos selecionados, para restaurar a
anatomia pélvica, melhorar a fertilidade natural, faci -
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Manejo cirúrgico da endometriose: indicações, preparo da paciente e planejamento perioperatório
litar o acesso aos ovários para TRA ou na presença de
hidrossalpinge, situação em que a salpingectomia traz
ganhos clínicos evidentes antes da TRA. No entanto,
um aconselhamento cuidadoso sobre o benefício es -
perado, o potencial atraso na concepção e o risco de
perda da reserva ovariana é fundamental.(6,16,19,21)
O momento da cirurgia deve refletir a carga de sin -
tomas, o fenótipo da doença e as prioridades reprodu-
tivas. Embora a intervenção precoce possa beneficiar
mulheres que buscam a concepção espontânea, o po -
tencial impacto negativo na reserva ovariana, particu -
larmente após a excisão de endometriomas ovarianos,
deve ser discutido de forma clara. Recomenda-se a
avaliação pré-operatória da fertilidade e, quando apro-
priado, uma avaliação multidisciplinar. Em mulheres
com dor intensa, disfunção de órgãos ou endometrio -
mas grandes ou suspeitos, a cirurgia pode ser indicada
independentemente dos planos reprodutivos, mas o
momento da intervenção deve ser coordenado com as
estratégias de fertilidade sempre que possível.(3,8,16,19,21)
A extensão da cirurgia deve ser adaptada ao fenó -
tipo da doença e à intenção reprodutiva. Técnicas de
preservação da fertilidade e estratégias de excisão
conservadora são preferíveis para pacientes com dese-
jo reprodutivo. Procedimentos mais radicais, incluindo
histerectomia ou excisão extensa, que têm implicações
em longo prazo para a função ovariana e a saúde geral,
devem ser reservados para casos refratários ou mulhe-
res sem objetivos reprodutivos futuros.(3-5,8,16,19,21)
A indicação, o momento e a extensão do tratamento
cirúrgico na endometriose são diretamente influencia-
dos pelos objetivos reprodutivos da paciente. O mane-
jo deve integrar a carga de sintomas, o fenótipo da do-
ença e o impacto na qualidade de vida dentro de uma
estrutura individualizada, multidisciplinar e que pre -
serve a fertilidade. A tomada de decisão compartilhada
é essencial para equilibrar os potenciais benefícios da
cirurgia e os riscos de perda da reserva ovariana, recor-
rência e atraso na concepção.(1-6,8,10,16,19-21)
QUAL AVALIAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA CLÍNICA,
POR IMAGEM E LABORATORIAL É ESSENCIAL
ANTES DA CIRURGIA DE ENDOMETRIOSE?
O manejo cirúrgico da endometriose requer uma ava -
liação pré-operatória abrangente e centrada na pa -
ciente, integrando a carga de sintomas, o fenótipo da
doença, o impacto na qualidade de vida e os objetivos
reprodutivos. Estes fatores devem orientar a indicação
cirúrgica, o momento e a extensão da intervenção, com
ênfase na tomada de decisão individualizada em vez
do estadiamento da doença isoladamente.(1,2,5,19,21)
A avaliação clínica deve incluir uma anamnese de -
talhada, com foco nas características da dor, respos -
ta a tratamentos anteriores, histórico menstrual e de
fertilidade, cirurgias prévias e o impacto funcional e
psicossocial dos sintomas. O exame físico deve incluir
avaliação com espéculo e bimanual, com atenção à
sensibilidade pélvica, nodularidade uterossacral, mas-
sas anexiais, mobilidade uterina reduzida e sinais su -
gestivos de doença infiltrativa profunda.(2,4,24)
Os achados de imagem desempenham papel cen -
tral no planejamento pré-operatório. A ultrassonogra-
fia transvaginal é recomendada como modalidade de
imagem de primeira linha para suspeita de endome -
triose, particularmente para detectar endometriomas
ovarianos e doença pélvica profunda, especialmente
quando realizada por operadores experientes, ado -
tando protocolos estruturados e se aplicável, com
preparo intestinal para melhorar a visualização de le -
sões do compartimento posterior. Em pacientes com
desejo reprodutivo, deve-se realizar a contagem de
folículos antrais (CFA). A ressonância magnética pélvi -
ca é recomendada quando há suspeita de doença in -
filtrativa profunda, especialmente com possível aco -
metimento intestinal, vesical ou ureteral, ou diante
da conveniência de um mapeamento detalhado para
antecipar a complexidade cirúrgica e os requisitos
multidisciplinares. (4,21,24,25)
Os exames laboratoriais têm valor diagnóstico limi-
tado. A dosagem sérica de CA-125, por sua baixa especi-
ficidade, não é recomendada como avaliação de rotina.
Em mulheres com endometriomas ovarianos e dese -
jos reprodutivos, recomenda-se a avaliação da reser -
va ovariana, particularmente dos níveis do hormônio
antimülleriano (AMH), para orientar o aconselhamento
sobre os riscos cirúrgicos e as estratégias de preserva-
ção da fertilidade.(3,19,21)
Incentiva-se a avaliação formal da qualidade de
vida e dos objetivos reprodutivos utilizando medidas
de desfecho relatadas pela paciente validadas. O es -
clarecimento das intenções reprodutivas deve influen-
ciar diretamente o planejamento cirúrgico, priorizando
as abordagens de preservação da fertilidade quando
houver desejo reprodutivo futuro.(3,5,19,21)
O planejamento multidisciplinar é recomendado
para casos suspeitos ou confirmados de doença infil -
trativa profunda ou apresentações complexas. Deve-se
considerar o encaminhamento para centros especia -
lizados e a coordenação com cirurgiões colorretais,
urologistas, especialistas em fertilidade e equipes de
manejo da dor para reduzir o risco perioperatório e oti-
mizar os resultados.(1,19,21,24)
A avaliação pré-operatória essencial antes da ci -
rurgia de endometriose inclui avaliação clínica de -
talhada, ultrassonografia transvaginal estruturada e
ressonância magnética pélvica para mapeamento da
doença, avaliação laboratorial seletiva, incluindo a re-
serva ovariana quando apropriado, avaliação formal
da qualidade de vida e dos objetivos reprodutivos e
planejamento multidisciplinar para doenças comple -
xas. Esses elementos devem orientar diretamente a
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Silva-Filho AL, Podgaec S, Quintairos RA, Rosa-e-Silva JC
indicação cirúrgica, o momento ideal e a extensão da
intervenção.(1-5,19,21,24,25)
DE QUE MANEIRA OS EXAMES DE
IMAGEM AVANÇADOS E O MAPEAMENTO
PRÉ-OPERATÓRIO DA DOENÇA DEVEM
INFLUENCIAR A ESTRATÉGIA CIRÚRGICA
E O ACONSELHAMENTO DA PACIENTE?
Os exames de imagem avançados e o mapeamento
pré-operatório da doença devem orientar diretamente
a estratégia cirúrgica e o aconselhamento da paciente
com endometriose, permitindo a caracterização preci-
sa do fenótipo, da extensão e da distorção anatômica
da doença. A avaliação guiada por imagem auxilia na
tomada de decisões individualizadas com base na car-
ga de sintomas, no impacto na qualidade de vida e nos
objetivos reprodutivos, refletindo a transição de um
diagnóstico definido cirurgicamente para uma aborda-
gem baseada na clínica e em exames de imagem.(2,4,21,26)
A ultrassonografia transvaginal é a modalidade de
imagem de primeira linha, recomendada por sua aces-
sibilidade e custo-efetividade, e possui alta precisão
diagnóstica para endometriomas ovarianos e sensi -
bilidade moderada para doença infiltrativa profunda.
Técnicas avançadas de ultrassom, incluindo avaliação
dinâmica e avaliação compartimental, realizadas por
operadores experientes com uso de protocolos estru -
turados, melhoram a detecção de aderências e lesões
profundas e fornecem informações relevantes para o
planejamento cirúrgico.(2,21,27-30)
A ressonância magnética oferece sensibilidade su -
perior para doenças infiltrativas profundas e permi -
te avaliação panorâmica pélvica e extrapélvica com
menor dependência do operador. É particularmente
vantajosa para o mapeamento pré-operatório do aco -
metimento intestinal, vesical e ureteral, avaliação de
distorções anatômicas complexas e avaliação do risco
de malignidade. No entanto, tanto o ultrassom quan -
to a ressonância magnética têm sensibilidade limita -
da para doenças peritoneais superficiais, e exames de
imagem negativos não excluem endometriose.(21,26-29,31,32)
O mapeamento pré-operatório estruturado da do -
ença, mediante avaliação por compartimentos e o
reconhecimento de padrões, facilita o planejamento
cirúrgico, a comunicação interdisciplinar e o encami -
nhamento adequado. A ultrassonografia é particular -
mente útil para a avaliação dinâmica de aderências
e infiltração da parede intestinal, enquanto a resso -
nância magnética fornece uma visão abrangente da
distribuição da doença e suas relações espaciais, au -
xiliando no planejamento cirúrgico multidisciplinar
quando necessário. (21,25,28-32)
Os achados de imagem devem orientar a escolha
da abordagem cirúrgica, a extensão da ressecção e a
necessidade de envolvimento multidisciplinar. A en -
dometriose infiltrativa profunda e extensa, com aco -
metimento intestinal, vesical ou ureteral pode exigir
intervenções complexas em centros especializados,
ao passo que endometriomas ovarianos isolados po -
dem ser manejados via cistectomia ovariana com pre-
servação da fertilidade. A imagem também ajuda a
identificar pacientes com maior risco de complicações
cirúrgicas ou comprometimento da reserva ovariana,
apoiando o aconselhamento individualizado e a estra-
tificação de risco.(2,6,21,28,31)
O aconselhamento da paciente deve incorporar
os achados de imagem para estabelecer expectati -
vas realistas em relação à complexidade cirúrgica,
probabilidade de exérese completa, à eventual ne -
cessidade de procedimentos estagiados ou multi -
disciplinares e impacto previsto na dor, fertilidade e
taxas de recorrência. O aconselhamento baseado em
imagem potencializa a tomada de decisão comparti -
lhada, alinhando os objetivos cirúrgicos às priorida -
des da paciente e às considerações sobre qualidade
de vida. (6,17,21,26,27)
Apesar dos avanços, persistem limitações, como a
variabilidade na experiência diagnóstica, a falta de
padronização universal dos protocolos e o acesso de -
sigual a exames de imagem avançados. Ferramentas
emergentes, incluindo interpretação assistida por inte-
ligência artificial e estratégias de imagem multimodal,
podem aprimorar ainda mais a acurácia diagnóstica
e o cuidado individualizado, mas requerem validação
antes da implementação rotineira.(21,26,27,29)
Exames de imagem avançados e o mapeamento pré-
-operatório da doença são essenciais para a estratégia
cirúrgica individualizada e o aconselhamento da pa -
ciente com endometriose. A avaliação guiada por ima-
gem permite o planejamento cirúrgico personalizado,
apoia o atendimento multidisciplinar e fundamenta a
tomada de decisão compartilhada e informada, em li -
nha com as recomendações atuais.(2,4,6,17,21,25-32)
QUAL O PAPEL DA SUPRESSÃO HORMONAL
PRÉ-OPERATÓRIA INTENCIONAL ANTES
DA CIRURGIA DE ENDOMETRIOSE?
O tratamento hormonal pré-operatório visa suprimir
a atividade ovariana, reduzir a inflamação e induzir a
regressão das lesões endometrióticas, potencialmente
melhorando o controle dos sintomas e facilitando o
planejamento cirúrgico. Essa justificativa se baseia na
fisiopatologia inflamatória e dependente de estrogênio
da endometriose, apesar da controvérsia em torno de
seu uso rotineiro antes da cirurgia.(2,3,11,21,33,34)
As opções farmacológicas disponíveis incluem te -
rapias combinadas de estrogênio e progestina, pro -
gestinas e agonistas ou antagonistas do hormônio li -
berador de gonadotrofina. Esses agentes suprimem a
ovulação e a atividade menstrual, induzem atrofia do
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Manejo cirúrgico da endometriose: indicações, preparo da paciente e planejamento perioperatório
tecido endometrial ectópico e reduzem mediadores
inflamatórios. Embora eficazes para controle dos sin -
tomas, possuem impacto limitado e inconsistente nos
resultados cirúrgicos.(2,3,11,33)
Evidências de ensaios randomizados e revisões sis -
temáticas não apoiam a supressão hormonal pré-ope-
ratória rotineira para todas as pacientes. Estudos não
demonstraram reduções consistentes na dor pós-ope-
ratória, taxas de recorrência ou melhorias nos resulta-
dos de fertilidade em comparação com a cirurgia iso -
lada. Uma importante revisão Cochrane concluiu que
a terapia medicamentosa pré-operatória não confere
claro benefício adicional na maioria dos casos, posição
que é refletida nas recomendações das diretrizes con-
temporâneas.(21,33,35,36)
A terapia hormonal pré-operatória pode ser con -
siderada em cenários clínicos selecionados. Estes
incluem mulheres com dor intensa que necessitam
de controle dos sintomas antes da cirurgia, doença
extensa ou infiltrativa profunda com atividade infla -
matória acentuada, endometriomas ovarianos gran -
des em que a supressão hormonal temporária pode
auxiliar na avaliação pré-operatória, ou pacientes
que necessitam de otimização antes da cirurgia de -
vido a comorbidades ou risco cirúrgico aumenta -
do. A supressão hormonal também pode ser usada,
temporariamente, em estratégias de preservação da
fertilidade, visando permitir a criopreservação de
oócitos ou embriões antes da cistectomia de endo -
metriomas. (2,4,10,11,21,36)
A terapia hormonal pré-operatória não é recomen -
dada em mulheres com objetivos reprodutivos imedia-
tos, pois a supressão da ovulação atrasa a concepção,
tampouco para aquelas que não respondem ao tra -
tamento medicamento ou que apresentam contrain -
dicações à hormonioterapia. Seu uso deve ser indivi -
dualizado, guiado pela carga de sintomas, fenótipo da
doença, impacto na qualidade de vida e planejamento
reprodutivo, com aconselhamento claro sobre os be -
nefícios e limitações esperados.(4,21,33,36,37)
As evidências em relação à seleção do agente ideal,
duração da terapia e identificação dos subgrupos de
pacientes com maior probabilidade de se beneficiarem
ainda são limitadas. Estudos de alta qualidade são ne-
cessários para melhor integrar as estratégias hormo -
nais pré-operatórias em protocolos de cuidados cirúr-
gicos personalizados.(33,35-37)
O tratamento hormonal pré-operatório pode ser
considerado em mulheres selecionadas com sintomas
graves, doença extensa ou profunda, ou necessidades
clínicas específicas antes da cirurgia, mas não é reco -
mendado rotineiramente. As decisões devem ser indi -
vidualizadas e alinhadas com a carga de sintomas, o
fenótipo da doença, a qualidade de vida e os objetivos
reprodutivos, reconhecendo a base de evidências limi-
tada e heterogênea.(2-4,10,11,21,33-37)
COMO DEVE SER O ACONSELHAMENTO
DAS PACIENTES NO PRÉ-OPERATÓRIO COM
RELAÇÃO AOS BENEFÍCIOS ESPERADOS,
RISCOS, RECORRÊNCIA E OPÇÕES
ALTERNATIVAS DE TRATAMENTO?
O aconselhamento pré-operatório para cirurgia de en-
dometriose deve ser centrado na paciente e estrutu -
rado em torno da tomada de decisão compartilhada,
integrando a carga de sintomas, o fenótipo da doença,
o impacto na qualidade de vida e os objetivos reprodu-
tivos. O aconselhamento deve enfatizar que a cirurgia
não é curativa e os resultados são variáveis, conforme
as características da doença e os fatores individuais da
paciente.(1,16,20,21)
Os benefícios esperados da cirurgia incluem redu -
ção da dor, melhora na qualidade de vida, restauração
da anatomia pélvica e potencial aumento da fertilidade
em casos selecionados. O tratamento cirúrgico é mais
eficaz para doença infiltrativa profunda, endometrio -
mas ovarianos grandes ou sintomáticos, dor resistente
a hormônios e casos associados à disfunção de órgãos.
Os benefícios são menos previsíveis para doença peri-
toneal superficial, e as pacientes devem receber acon-
selhamento em consonância.(1-5,9,20,38)
Os riscos devem ser discutidos de forma transpa -
rente e incluem sangramento, infecção, lesão de ór -
gãos pélvicos e perda da reserva ovariana, particular -
mente após a excisão de endometriomas ovarianos. A
recorrência é comum; estudos longitudinais mostram
taxas de recorrência da dor de aproximadamente 40–
45%, necessidade de nova cirurgia em até dois anos
em 15–20% das mulheres e reoperação em cinco a sete
anos em até 50%. A dor persistente ou recorrente é
mais frequente em mulheres com síndromes de dor
centralizada ou multifatorial.(1-5,38)
O risco de recorrência pós-operatória e o manejo
em longo prazo devem ser abordados no pré-operató-
rio. Para mulheres que não desejam engravidar imedia-
tamente, recomenda-se o uso da supressão hormonal
pós-operatória com contraceptivos orais combinados,
progestinas, ou sistemas intrauterinos liberadores de
levonorgestrel para reduzir a recorrência e manter o
controle dos sintomas. Após a cirurgia, a maioria das
pacientes necessita de terapia medicamentosa em lon-
go prazo.(2,10,21,35,37)
As opções de tratamento alternativas devem ser
apresentadas de forma clara, incluindo anti-inflama -
tórios não esteroides, terapias hormonais e conduta
expectante. Em geral, a cirurgia deve ser reservada
para mulheres em que o tratamento medicamentoso é
ineficaz, contraindicado ou não tolerado, para aquelas
com doença profunda ou endometriomas grandes que
causam sintomas significativos ou comprometimento
de órgãos. Em casos de infertilidade, o aconselhamen-
to deve enfatizar que a cirurgia pode melhorar a con -
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Silva-Filho AL, Podgaec S, Quintairos RA, Rosa-e-Silva JC
cepção espontânea em casos selecionados, mas não
substitui as TRA, que permanecem a estratégia mais
eficaz para muitas pacientes.(2,4,5,10,20,21)
As pacientes também devem ser informadas sobre
as incertezas existentes, incluindo a escassez de dados
comparativos de alta qualidade sobre o alívio da dor
em longo prazo, resultados de fertilidade e benefícios
na qualidade de vida em diferentes fenótipos da do -
ença e técnicas cirúrgicas. Essas incertezas devem ser
incorporadas ao aconselhamento para apoiar expec -
tativas realistas e um consentimento informado.(2,9,21,38)
O aconselhamento pré-operatório deve comunicar
claramente que a cirurgia pode melhorar os sintomas
e a fertilidade em mulheres selecionadas, mas acarre-
ta riscos relevantes, incluindo recorrência e potencial
perda da reserva ovariana. A terapia medicamentosa
de longo prazo é frequentemente necessária, e opções
clínicas e reprodutivas alternativas devem ser discuti -
das. As decisões cirúrgicas devem ser individualizadas
e alinhadas com a gravidade dos sintomas, o fenótipo
da doença, a qualidade de vida e os objetivos reprodu-
tivos.(1-5,9,10,16,20,21,35,37,38)
QUAL É O PAPEL DOS PROTOCOLOS
ESTRUTURADOS DE CUIDADOS
PERIOPERATÓRIOS, INCLUINDO OS
PROGRAMAS DE OTIMIZAÇÃO DA
RECUPERAÇÃO PÓS-OPERATÓRIA (ERAS),
NA CIRURGIA DE ENDOMETRIOSE?
Os protocolos estruturados de cuidados perioperató -
rios, incluindo os programas de ERAS, desempenham
um papel central na cirurgia de endometriose contem-
porânea, reduzindo a dor pós-operatória, acelerando
a recuperação e melhorando a satisfação da paciente
em diferentes fenótipos da doença, incluindo endome-
triose infiltrativa profunda e ovariana.(39-49)
Os principais componentes do ERAS incluem anal -
gesia multimodal com poupadores de opioides, mobi -
lização precoce, alimentação enteral precoce, redução
do tempo de jejum com carga de carboidratos, absten-
ção do preparo mecânico intestinal de rotina e educa-
ção pré-operatória estruturada. Essas medidas estão
associadas a reduções significativas no consumo de
opioides, melhor controle da dor aguda, recuperação
gastrointestinal mais rápida e menor tempo de inter -
nação hospitalar.(40-43,47)
Estratégias de analgesia multimodal reduzem o uso
de opioides no período perioperatório em até 60%,
com menores pontuações de dor pós-operatória pre -
coce. A mobilização e a alimentação precoces dimi -
nuem o íleo pós-operatório e reduzem o tempo de re-
cuperação gastrointestinal, enquanto a administração
pré-operatória de carboidratos atenua a resposta ao
estresse cirúrgico e melhora a estabilidade metabólica
perioperatória.(40-43)
A educação estruturada do paciente e o gerencia -
mento de expectativas são partes integrantes dos pro-
tocolos de recuperação e estão associados à maior
satisfação do paciente, melhor recuperação funcio -
nal e maiores taxas de alta no mesmo dia ou precoce,
sem maiores taxas de complicações ou readmissões. O
aconselhamento pré-operatório dentro dos protocolos
ERAS deve ser visto como uma intervenção terapêutica,
e não como uma etapa puramente informativa.(40,44,45,48)
Em mulheres submetidas à cirurgia para endometriose
infiltrativa profunda, a implementação do protocolo ERAS
reduz o tempo de internação em aproximadamente um a
um dia e meio, e está associada à menor morbidade pós-
-operatória, mesmo em procedimentos complexos, como
ressecção intestinal. Esses protocolos não afetam ne -
gativamente os resultados de fertilidade. A preservação
da reserva ovariana depende principalmente da técnica
cirúrgica, e não dos protocolos perioperatórios, embora
uma recuperação mais rápida possa facilitar indireta -
mente o planejamento reprodutivo.(8,39,48,50)
Os protocolos ERAS devem ser adaptados à com -
plexidade da doença, à carga de sintomas e a fatores
específicos da paciente, incluindo dor pélvica crônica,
síndromes de sensibilização central e uso prévio de
opioides. Seu impacto na fertilidade é indireto e media-
do pela redução da morbidade e pela recuperação mais
rápida, em vez de efeitos reprodutivos diretos.(8,50,51)
Os protocolos estruturados de cuidados periopera -
tórios, incluindo o ERAS, são um componente essencial
do manejo cirúrgico de alta qualidade na endometrio-
se. Quando adequadamente adaptados e aplicados de
forma consistente, melhoram a recuperação, reduzem
a dor pós-operatória e o uso de opioides, encurtam o
tempo de hospitalização e aprimoram o cuidado cen -
trado na paciente, sem comprometer os resultados
reprodutivos. A implementação dos protocolos ERAS
deve ser considerada um parâmetro de qualidade na
cirurgia de endometriose.
QUANDO A CIRURGIA DE ENDOMETRIOSE
DEVE SER ENCAMINHADA PARA CENTROS
ESPECIALIZADOS OU MULTIDISCIPLINARES?
A cirurgia para endometriose deve ser encaminha -
da para centros especializados ou multidisciplinares
quando as pacientes apresentarem doença infiltrativa
profunda, endometriomas ovarianos grandes ou com -
plexos, acometimento do intestino, ureter, bexiga ou
estruturas torácicas, sintomas graves ou refratários,
disfunção de órgãos ou quando a preservação da fer -
tilidade for uma prioridade em contextos de alta com-
plexidade cirúrgica prevista.(1-4,10,16,17,19,21,52)
O encaminhamento é particularmente indicado
quando as terapias médicas de primeira linha são inefi-
cazes, não toleradas ou contraindicadas, e na presença
de comprometimento de órgãos clinicamente relevan-
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FEMINA 2026;54(4):306-18
Manejo cirúrgico da endometriose: indicações, preparo da paciente e planejamento perioperatório
te, como hidronefrose, obstrução intestinal, hematúria
ou hematoquezia, ou quando há suspeita de maligni -
dade. Recomendações internacionais contemporâneas
enfatizam que as decisões de encaminhamento devem
ser individualizadas e baseadas na carga de sintomas,
no fenótipo da doença, nos achados de imagem e nos
objetivos reprodutivos, dentro de uma estrutura de to-
mada de decisão compartilhada.(1,2,4,10,16,17,19)
A endometriose infiltrativa profunda frequentemen-
te envolve sítios anatômicos complexos, incluindo o
cólon retossigmoide, a bexiga, os ureteres e, menos
comumente, estruturas torácicas. Endometriomas ova-
rianos grandes ou atípicos, particularmente aqueles
com mais de cinco centímetros, aumentam ainda mais
a complexidade e o risco cirúrgicos. Esses cenários exi-
gem exames de imagem avançados, mapeamento pré-
-operatório estruturado da doença e alto nível de com-
petência cirúrgica, visto que os procedimentos podem
envolver ureterólise, ressecção intestinal ou interven -
ção torácica coordenada, com potenciais implicações
para a fertilidade e morbidade pós-operatória.(1-3,17,52)
Evidências de coortes observacionais e recomenda-
ções baseadas em diretrizes sustentam o manejo da
endometriose complexa em centros de alto volume,
com equipes multidisciplinares coordenadas. Essas
equipes geralmente incluem cirurgiões ginecológicos
com expertise avançada em cirurgia minimamente
invasiva, coloproctologistas, urologistas, radiologis -
tas, anestesiologistas e especialistas em reprodução,
quando apropriado. Essa abordagem está associada a
maior radicalidade cirúrgica, menores taxas de com -
plicações e melhores desfechos funcionais, particular-
mente em pacientes com doença infiltrativa profunda
e acometimento multiorgânico.(1,3,17,21,52)
O fenótipo da doença e a gravidade dos sinto -
mas devem orientar as decisões de encaminhamen -
to. Doenças infiltrativas profundas e endometriomas
grandes estão associados a cirurgias mais longas,
maior risco de complicações e maior probabilidade de
comprometimento da reserva ovariana, reforçando a
importância de equipes experientes e planejamento
multidisciplinar. As considerações sobre a preservação
da fertilidade, incluindo o risco de redução da reserva
ovariana após a cistectomia de endometrioma, devem
ser explicitamente discutidas e incorporadas aos flu -
xos de encaminhamento e à estratégia cirúrgica.(3,16,19,21)
O impacto na qualidade de vida e os objetivos re -
produtivos devem ser sistematicamente avaliados e in-
tegrados ao planejamento cirúrgico. O uso de medidas
de desfecho relatados pela paciente e validadas é in -
centivado para quantificar a carga de sintomas e apoiar
o atendimento individualizado. O aconselhamento pré-
-operatório deve abordar os benefícios esperados, o
risco de recorrência, a necessidade potencial de tera -
pia medicamentosa pós-operatória e as implicações
para a fertilidade em longo prazo, particularmente em
mulheres em idade reprodutiva submetidas a cirurgia
ovariana complexa ou pélvicas profundas.(1-3,16,17)
O encaminhamento para centros especializados
ou multidisciplinares é recomendado para mulheres
com endometriose infiltrativa profunda, endometrio -
mas grandes ou complexos, acometimento de órgãos,
sintomas graves ou refratários, ou quando a preserva-
ção da fertilidade for prioridade em um contexto de
alta complexidade cirúrgica. Essa abordagem garante
o acesso a exames de imagem avançados, cuidados
interdisciplinares coordenados e expertise em técni -
cas cirúrgicas complexas, otimizando os resultados e
minimizando os riscos, de acordo com as recomenda -
ções atuais baseadas em diretrizes internacionais e
nas melhores práticas clínicas.(1-4,10,16,17,19,21,52) Certos cená-
rios clínicos exigem o encaminhamento para centros
especializados ou multidisciplinares a fim de otimizar
os resultados, minimizar a morbidade e abordar ade -
quadamente a preservação da fertilidade e os riscos
específicos de cada órgão (Tabela 1).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O tratamento cirúrgico da endometriose requer uma
abordagem seletiva, individualizada e centrada na pa-
Tabela 1. Indicações para encaminhamento a centros especializados ou multidisciplinares
Cenário clínico Justificativa para encaminhamento Considerações importantes
Endometriose infiltrativa
profunda
Alta complexidade cirúrgica, acometimento
frequente do intestino, ureter ou bexiga
Requer exames de imagem avançados,
mapeamento da doença e expertise cirúrgica
coordenada
Acometimento intestinal
ou do trato urinário
Risco de disfunção de órgãos silenciosa e danos
irreversíveis
O planejamento multidisciplinar com cirurgiões
colorretais e urológicos é essencial
Endometriomas ovarianos
grandes ou complexos
Aumento do risco de comprometimento da
reserva ovariana e complicações cirúrgicas
Estratégias de preservação da fertilidade e
técnicas de preservação ovariana devem ser
consideradas
Sintomas refratários ou
cirurgia prévia
Maior risco de complicações e benefício limitado
de cirurgia repetida
A seleção criteriosa de pacientes e o
aconselhamento realista são obrigatórios
Prioridade de preservação
da fertilidade
Necessidade de equilibrar o controle dos
sintomas e os resultados reprodutivos
A integração com especialistas em reprodução
melhora a tomada de decisões
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Silva-Filho AL, Podgaec S, Quintairos RA, Rosa-e-Silva JC
ciente. A cirurgia deve ser considerada um componente
de uma estratégia de tratamento abrangente e longitu-
dinal, e não uma solução definitiva. As decisões rela -
tivas à indicação, ao momento, à extensão da cirurgia
e ao nível de encaminhamento devem integrar a carga
de sintomas, o fenótipo da doença, o impacto na qua-
lidade de vida e os objetivos reprodutivos, com o su -
porte de exames de imagem estruturados e avaliação
multidisciplinar, quando apropriado. O aconselhamen-
to transparente e a tomada de decisão compartilhada
são essenciais para alinhar os objetivos cirúrgicos às
expectativas da paciente e otimizar os resultados em
longo prazo.
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Como citar:
Silva-Filho AL, Podgaec S, Quintairos RA, Rosa-e-Silva JC. Manejo
cirúrgico da endometriose: indicações, preparo da paciente e
planejamento perioperatório. FEMINA. 2026;54(4):306-18.
*Este artigo é a versão em língua portuguesa do trabalho
“Surgical management of endometriosis: indications, patient
preparation, and perioperative planning”, publicado na Rev Bras
Ginecol Obstet. 2026;48:e-FPS6.
Agnaldo Lopes da Silva Filho
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil
Sérgio Podgaec
Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP, Brasil
Ricardo de Almeida Quintarios
Universidade do Estado do Pará, Belém, PA, Brasil
Júlio César Rosa e Silva
Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, Ribeirão
Preto, SP, Brasil
Conflitos de interesse:
nada a declarar.
Disponibilidade dos dados:
os dados da pesquisa estão disponíveis no artigo.
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FEMINA 2026;54(4):306-18
Silva-Filho AL, Podgaec S, Quintairos RA, Rosa-e-Silva JC
Comissão Nacional Especializada em Endometriose da
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e
Obstetrícia (Febrasgo)
Presidente:
Ricardo de Almeida Quintairos
Vice-presidente:
Marcia Mendonça Carneiro
Secretário:
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Membros:
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Sociedade Brasileira de Endometriose
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