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Palavras Chave: Endometriose; Dor pélvica; Tratamento
Capítulo 10
MARIA EDUARDA RIBEIRO DE FIGUEIREDO¹
MARINA HENRIQUES AMARAL¹
PAULA SALOMÃO LIBÂNIO¹
RODRIGO VELOSO SOUTO ROCHA¹
1. Acadêmico de Medicina da Faculdade Ciências Medicas de Minas Gerais
ENDOMETRIOSE
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INTRODUÇÃO
A endometriose é uma doença definida pela
presença de glândulas e estroma do tecido endo-
metrial funcionante, camada interna de revesti -
mento do útero, em locais fora da cavidade ute-
rina. Essa patologia é uma condição caracteri -
zada por inflamação crônica local das regiões
onde o tecido endometrial se implanta, sendo os
sítios anatômicos para ocorrência desse fenô -
meno a cavidade abdominal, os ovários, bolsa
retrouterina, saco de Douglas, ligamentos uteri-
nos e as tubas uterinas (REA, et al., 2020).
Tal afecção pode cursar com uma grande di-
versidade de manifestações clínicas, sendo pos-
sível encontrar desde pacientes oligossintomáti-
cas ou assintomáticas, até quadros de infertili -
dade, dismenorreia, dispareunia, sangramentos
irregulares e dores abdominais do tipo cólica.
(NAVARRO et al., 2006). No quesito dor, a en-
dometriose é a principal cau sa de dor pélvica
crônica (DPC) e, muitas vezes, não há melhora
dessa dor com os tratamentos existentes (SA -
CHEDIN & TODD, 2020)
A sua etiopatogenia ainda não está bem de -
finida, porém, algumas teorias foram formula -
das para explicá -la, sendo uma das mais rele-
vantes a teoria da implantação, na qual ocorreria
um refluxo de tecido endometrial através das
trompas de falópio durante a menstruação, com
subsequente implantação desse tecido em outros
sítios anatômicos (SAMPSON, 1927). No en -
tanto, ressalta-se que, embora cerca de 70 a 90%
das mulheres apresentem menstruação retró -
grada, apenas uma pequena parcela dessas irá
desenvolver um quadro de endometriose (BRI -
COU et al., 2008).
Tal realidade sugere a existência de outros
fatores que poderiam determinar uma maior sus-
cetibilidade ao desenvolvimento da doença, po-
dendo esses serem imunológicos, genéticos,
hormonais ou ambientais (BRICOU et al.,
2008). A hereditariedade e o histórico familiar
de endometriose são de grande relevância para
o desenvolvimento da condição e aumenta o seu
risco consideravelmente. Além disso, um ensaio
clínico envolvendo 473 mulheres de idade entre
18 a 44 anos com diagnóstico de endometriose
confirmado por meio de laparoscopia mostrou
que a cafeína, o álcool, o fumo e a atividade fí -
sica alteram a síntese de esteroides sexuais, o
que pode promover um risco aumentado para
doenças ginecológicas dependentes de hormô -
nios, como a endometriose. (HEMMERT et al.,
2018)
Outra teoria também aceita é a teoria de dis-
seminação linfática e hematog ênica, invocada
para explicar os implantes extrapélvicos e linfo-
nodais, na qual os fragmentos de tecido endo -
metrial seriam drenados no interior da cavidade
uterina por meio dos vasos linfáticos e vênulas
pélvicas e implantados em outros órgãos e teci-
dos. O sítio anatômico de mais comum implan -
tação endometrial à distância é o pulmão (AL,
2010).
Um dos principais fatores de risco para a en-
dometriose é a dismenorreia, uma vez que ela é
causada por contração uterina mais vigorosa,
que pode também predispor ao refluxo mens -
trual. Além dela, é notada também a nulipari -
dade, menarca precoce e ciclos menores que 27
dias, os quais se explicam por serem causadores
de uma maior quantidade de ciclos durante a
vida reprodutiva da mulher, gerando assim
maior possibilidade de refluxo. Por último, é no-
tada uma relação entre fluxos menstruais com
volume aumentado, dieta rica em gorduras e his-
tória familiar com a maior ocorrência de endo -
metriose.
Os sintomas clínicos da endometriose po -
dem ser confundíveis com outros quadros que
acometem o andar inferior do abdômen, como a
doença inflamatória pélvica ou infecções uriná-
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rias. Sendo assim, para confirmação do diagnós-
tico é necessário a visualização direta dos im -
plantes endometriais, seja por meio de laparoto-
mia, cistoscopia ou sigmoidoscopia. A biópsia é
desnecessária, mas também confirmaria o qua -
dro (LIU, 2022).
Sua sintomatologia é caracterizada por dis -
menorreia, dispareunia, dor pélvica (causada
por aderências entre órgãos), sangramento irre -
gular e dor a evacuação (caso o implante esteja
localizado no reto) e uma de suas principais
complicações é a infertilidade.
À visualização direta, são observadas lesões
de tamanho variável de acordo com o ciclo
menstrual, mas normalmente, as lesões iniciais
são claras ou hemorrágicas. Essa variação
quanto ao tamanho das lesões ocorre porque, as-
sim como o tecido endometrial, os implantes
passam pelas fases do ciclo menstrual, possuem
período de sangramento e podem chegar a se
manifestar mais dolorosamente durante a "re -
gra". À medida que o sangue nas lesões se
oxida, elas adquirem o aspecto de manchas mar-
rons azuladas, semelhante à queimaduras por
pólvora (LIU, 2022).
Em relação aos exames de imagem, eles não
detectam de forma confiável a doença. Entre -
tanto, podem demonstrar a extensão da endome-
triose e, portanto, podem ser usados após o di -
agnóstico como forma de monitorização da res-
posta ao tratamento. Uma ultrassonografia
mostrando um cisto ovariano consistente com
um endometrioma é altamente sugestiva do di -
agnóstico. A presença e o tamanho dos endome-
triomas ovarianos são parte do sistema de esta -
diamento da endometriose e a diminuição no ta-
manho do endometrioma pode evidenciar uma
resposta ao tratamento.
Somado a isso, o diagnóstico de endometri-
ose pode também ser estabelecido por meio da
detecção por polimorfismo gênico nos genes
responsáveis pela fase de desintoxicação dos re-
ceptores de estrogênio e outros componentes
imunomoduladores (TOCZEK et al., 2021).
Epidemiologicamente, a endometriose é
uma patologia de grande relevância clínica, pois
está presente em cerca de 6 a 10% das mulheres
em idade reprodutiva e em 25 a 38% das adoles-
centes com dor pélvica crônica. (NODLER et
al., 2020). Ela pode ser considerada um fator
responsável por grande impact o socioeconô -
mico e na qualidade de vida das mulheres por -
tadoras do quadro, uma vez que acomete pes -
soas profissionalmente ativas e a dor impossibi-
lita essas jovens de realizarem atividades do dia
a dia. Além disso, existe um impacto psicoló -
gico significativo nas portadoras de endometri -
ose, devido às preocupações sobre a possível in-
fertilidade que acompanha esse quadro (SAUN-
DERS & HORNE, 2021).
As hipóteses que podem justificar a inferti -
lidade causada pela endometriose são o ambi -
ente inflamatório, d evido ao implante, que é
hostil para o espermatozoide, ovócito e para o
desenvolvimento adequado do embrião, a modi-
ficação do endométrio que dificulta a sua im -
plantação, além da fibrose, que é responsável
por promover uma obstrução na luz das tubas
uterinas. Sendo assim, é de suma importância
buscar formas de tratamento, com o intuito de
aliviar os sintomas e prevenir as sequelas desse
quadro para as pacientes.
Há muita controvérsia na literatura em rela-
ção aos tratamentos para a endometriose, po -
rém, os mais difundidos atualmente são a cirur-
gia, a terapia de supressão ovariana ou a associ-
ação de ambas (NÁCUL et al., 2010). Com o
intuito de elucidar alguns tratamentos possíveis
nos quadros de endometriose, tendo como moti-
vação a prevalência da doença e seu tratamento
insatisfatório para uma expressiva parcela das
pacientes com o quadro, a seguir serão apresen-
tadas novas propostas terapêuticas, em busca de
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melhorar o tratamento e a qualidade de vida des-
sas pacientes.
Dentre os novos tratamentos analisados, in-
clui-se o uso de vitamina C, vitamina E, vita -
mina D, Ômega 3, além do uso de Relugolix e
Linzagolix.
Uso de Linzagolix, antagonista do
hormônio liberador de gonadotrofina
Sendo a endometriose uma condição infla -
matória, ela cursa com uma ampla d iversidade
de sintomas, sendo as mais comuns dismenor -
reias, dor pélvica não coincidente com o período
menstrual, dispareunia e disquezia, e os mais ra-
ros constipações intestinais e disúria (DONNEZ
et al., 2020). Historicamente, os anticoncepcio-
nais orais sempre foram a primeira linha de tra-
tamento, uma vez que inibem a ovulação, redu-
zem o fluxo menstrual e diminuem a prolifera -
ção celular em implantes endometriais. Na in -
tenção de gerenciar os níveis de estrogênio para
minimizar os sintomas e sequelas causados pela
abstinência de estrogênio, e, ainda assim mantê-
los baixos o suficiente para que haja significa -
tiva redução da dor relacionada à endometriose,
os antagonistas orais do hormônio liberador de
gonadotrofina (GnRH) (Cetrorelix, Iturelix, Ga-
nirelix, Elagolix, Linzagolix) se mostraram uma
potencial alternativa para um controle dose de -
pendente dos níveis de estradiol (KEAM, 2022).
O Elagolix, antagonista GnRH, já utilizado pre-
viamente, possui uma meia vida curta, de apro -
ximadamente 4-6 horas. Dessa maneira, esse es-
tudo investigou a eficácia do uso de Linzagolix,
outro antagonista GnRH, com uma meia vida
maior que a do Elagolix, de 15-18 horas, no tra-
tamento de dores associadas à endometriose
(DONNEZ, et al, 2020).
Para o estudo em questão, fora m seleciona-
das pacientes com idade entre 18 e 45 anos, que
se encontravam na pré -menopausa e haviam
tido diagnóstico de endometriose confirmado
por meio da visualização direta dos implantes
endometriais e quadros moderados a intensos de
dor associada. Havia seis grupos de tratamento:
placebo, dose fixa de 50 mg, 75 mg, 100 mg e
200 mg e dose progressiva, iniciada em 75 mg.
A randomização foi feita de acordo com uma
lista sorteada por um software aleatoriamente, e
as pacientes tiveram que se comprometer a r es-
ponder um relato diário toda noite durante as 24
semanas de tratamento. Foi pedido que as paci -
entes reportassem dor pélvica, sangramento ute-
rino, dispareunia, disquezia (semanalmente),
uso de analgésico e dificuldade de efetuar tare -
fas diárias. O estrógeno sérico das pacientes foi
medido em cada visita.
Como resultados, foram observadas quedas
significativas na intensidade da dor pélvica e
disquezia das pacientes utilizando as doses de
75 mg, 100 mg e 200 mg. Nas pacientes com
doses fixas de 200 mg, houve uma menor queixa
de dispareunia, uso de analgésicos diminuído e
redução da dificuldade de exercer tarefas diárias
a partir da décima segunda semana. Além disso,
foi notada também um aumento da dose depen-
dente dos índices de amenorreia desde a quarta
semana. Com base nos resultados do questioná-
rio respondido diariamente, o tratamento com
Linzagolix resultou em melhorias aparentes e
significativas na qualidade de vida social e pro-
fissional das pacientes (DONNEZ et al., 2020).
Somado a isso, foi observado a redução dos
níveis séricos de estradiol, que ficaram entre 11
pg/mL e 16 pg/mL nas pacientes que fizeram
uso de 200 mg. Pacientes que utilizaram outras
doses apresentaram um nível maior de estradiol,
variando entre 20 pg/mL e 60 pg/mL. Já no
grupo qu e utilizou placebo, foi observado um
aumento no nível do estrógeno, chegando até
102 pg/mL, relacionado aos ciclos irregulares.
(DONNEZ et al., 2020).
Com o tratamento, foi evidenciado, como
efeito colateral desse medicamento, a redução
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da Densidade Mineral Óssea (DMO) na coluna
vertebral, no quadril e no colo do fêmur, devido
à redução dos níveis de estrógeno, hormônio
responsável pelo remodelamento e reparação
óssea (DONNEZ et al., 2020).
Além disso, outros efeitos adversos do tra -
tamento foram ondas de calor, dores de cabeça,
dores abdominais e náuseas, mais prevalentes
em doses maiores do fármaco. Em um número
reduzido de pacientes, foram observadas gesta -
ções com recém-nascidos saudáveis e sem ano-
malias, e gestações ectópicas tratadas com sal -
pingectomias. Ambos resultados não estão rela-
cionados ao tratamento com Linzagolix ( DON-
NEZ et al., 2020).
Dois indivíduos em uso de 100mg tiveram
um aumento nos níveis de alanina aminotrans -
ferase (ALT) sem aumento concomitante da bi-
lirrubina total. Não foi observado aumento ex -
pressivo de gama glutamiltransferase (GGT),
LDL, HDL e Triglicérides ao fim do tratamento
(DONNEZ et al., 2020).
Entre as semanas 12 e 24 do tratamento,
houve uma redução da espessura do endométrio,
mais perceptível em doses entre 100 a 200 mg.
Foi feita biópsia endometrial caso a espessura
total apresentasse uma redução maior que 5mm,
sendo observado um caso isolado de hiperplasia
sem atipia celulares em um indivíduo em trata -
mento com 200 mg (DONNEZ et al., 2020).
Suplementação com vitamina D ou
ômega 3
A endometriose é uma condição pró -infla-
matória caracterizada por concentrações eleva -
das de citocinas e fatores de crescimento, além
de diminuição da apoptose celular e aumento da
angiogênese, todos os quais podem estar associ-
ados a maior dor. Sendo assim, foi avaliado
nesse estudo o uso de vitamina D com o objetivo
de diminuir a proliferação do fator inflamatório
e aumentar a apoptose celular e o uso dos ácidos
graxos ω-3 para diminuir os fatores de cresci -
mento e limitar a sobre vivência celular, o que
possivelmente reduziria a progressão da endo -
metriose (NODLER et al., 2020).
Foram recrutadas mulheres não grávidas
com idades entre 12 e 25 anos com diagnóstico
cirúrgico de endometriose da Clínica de Gine-
cologia Pediátrica do Hospital Infantil de Bos -
ton (BCH) entre outubro de 2014 e novembro de
2015. Os participantes elegíveis deveriam ter
uma pontuaçã o na escala visual analógica
(VAS) ≥ 3 em 10 para sua pior dor no mês ante-
rior à inscrição no estudo. Os participantes com
concentração basal de 25 -hidroxivitamina D
[25(OH)D] ≥ 100 ng/mL foram excluídos.
Os participantes foram obrigados a descon -
tinuar todas as vitaminas e suplementos nutrici-
onais de uso prévio desde o momento da inscri-
ção até a avaliação fina l 6 meses após o início
do estudo. A participação começou ≥6 semanas
após a cirurgia para endometriose. Os partici -
pantes foram aleatoriamente designados para re-
ceber 1.000 mg de óleo de peixe diariamente,
2.000 UI de vitamina D diariamente, ou um
comprimido de placebo tomado por via oral di-
ariamente por 6 meses.
A medida de resultado primário foi a pior
dor no último mês medida us ando o VAS vali -
dado, que quantifica a dor em uma escala de 0 a
10, com 0 representando nenhuma dor e 10 re -
presentando dor intensa. Além disso, uma alte -
ração “clinicamente significativa” nos escores
de dor VAS foi definida como ≥1,6 com base
em estudos a nteriores. Os resultados secundá -
rios incluíram a qualidade de vida, medida pelo
questionário validado Short Form 12, que tem
componentes físicos e mentais que são pontua -
dos em uma escala de 0 a 100, com 0 indicando
a pior qualidade de vida . O pensamento catas -
trófico, uma medida validada de sensibilidade à
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dor, realizada em uma escala de 0 a 52, com
pontuações mais altas indicando uma maior
quantidade de catastrofização, como “acho que
a dor nunca vai melhorar”. Os participantes tam-
bém relataram o número médio de comprimidos
não narcóticos para dor tomados por semana.
Todas as medidas foram avaliadas na linha de
base, e houve visitas de estudo aos 3 meses e 6
meses (NODLER et al., 2020).
Todos os 3 braços do estudo demonstraram
melhorias na gravidade da dor , com os escores
VAS médios de “pior dor no último mês” me -
lhorando desde o início até 6 meses no placebo
vitamina D e óleo de peixe. No entanto, uma
mudança estatisticamente significativa foi ob -
servada apenas no braço da vitamina D. Além
disso, não houve diferenças estatisticamente
significativas na mudança nos escores de dor
VAS ao comparar vitamina D ou óleo de peixe
com placebo. Nenhum padrão consistente de
mudanças na qualidade de vida física ou mental
foi observado dentro dos grupos e não houve di-
ferenças consideráveis nas mudanças relatadas
nessas medidas de qualidade de vida ao compa-
rar vitamina D ou óleo de peixe com placebo du-
rante a intervenção de 6 meses (NODLER et al.,
2020).
Os participantes em todos os 3 braços do es-
tudo demonstraram melhora na pontuação do
pensamento catastrófico, com uma melhora na
pontuação médi a estatisticamente significativa
desde o início até 6 meses apenas no braço da
vitamina D. Não foram observadas diferenças
relevantes entre os grupos ou mudanças ao
longo do tempo no número médio de comprimi-
dos não narcóticos para dor tomados por semana
(NODLER et al., 2020).
Foi concluído que a suplementação com vi-
tamina D em adolescentes com endometriose
confirmada cirurgicamente levou a melhorias
estatisticamente significativas na dor pélvica e
pensamento catastrófico; no entanto, eles não
diferiram em magnitude do efeito observado en-
tre aqueles que receberam placebo.
Suplementação combinada de
vitamina C e vitamina E
A endometriose tem como possível causa o
estresse oxidativo, desequilíbrio entre as espé -
cies reativas de oxigênio (ROS) e os antioxidan-
tes biológicos, levando aos sintomas da doença.
Assim, foi avaliado o papel da suplementação
com vitaminas antioxidantes (C e E) nos índices
de estresse oxidativo e na gravidade da dor em
mulheres com essa condição.
O estudo, desenvolvido por Leila Amni, Ra-
zieh Chekini e colaboradores, envolveu 60 mu -
lheres em idade reprodutiva (15 a 45 anos) com
dor pélvica e endometriose comprovada por la -
paroscopia. As participantes foram divididas em
dois grupos com o mesmo número de mulheres,
A e B, pelo método de randomização simples. O
grupo A recebeu uma combinação de vitamina
C (1000 mg/dia) e vitamina E (800 UI/dia), en -
quanto o grupo B recebeu pílulas de placebo di-
ariamente durante um período de 8 semanas.
Após a conclusão do estudo e com os resul-
tados analisados, foi observado que a adminis -
tração da combinação de vitamina C e vitamina
E reduziu estatisticamente os níveis de Malon -
dialdeído (MDA) e ROS em comparação com a
ingestão de placebo, mas não alterou os níveis
da capacidade antioxidante total (TAC). A lém
disso, ao comparar o grupo A com o B, obser -
vou-se uma maior redução significativa de dis -
menorreia, dispareunia e de dor pélvica crônica
no grupo A, que recebeu as vitaminas antioxi -
dantes, do que no grupo B (AMINI et al., 2021).
Assim, o estudo confi rmou que a vitamina
C e a vitamina E podem ter efeitos interativos
para reduzir o dano celular induzido por ROS,
podendo ser usadas para neutralizar esse dano
oxidativo na endometriose. Além disso, como
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foi observada uma redução significativa da dor
após 8 semanas de tratamento com vitamina C e
vitamina E em comparação com placebo, foi su-
gerido que a diminuição da inflamação pode su-
primir moléculas geradoras de dor (AMINI et
al., 2021).
Desse modo, após a análise dos estudos
apresentados no decorrer deste capítulo, é im -
portante ressaltar que a endometriose, sendo
uma condição inflamatória de caráter crônico e
progressivo, não apresenta uma cura, tendo
como principal abordagem terapêutica a redu -
ção dos níveis estrogênicos, com o intuito de re-
duzir a proliferação do tecido endometrial.
Dentro desta abordagem, a primeira linha de
tratamento envolve o uso de contraceptivos
orais ou tratamento apenas com progesterona,
visto que o uso constante deste hormônio leva à
atrofia dos implantes e, da mesma forma que os
anticoncepcionais, elimina o processo inflama -
tório causado pela doença. No caso de dores re-
fratárias à esta primeira linha de tratamento, são
utilizados os antagonistas de GnRH, que estão
limitados para uso por até 6 meses devido aos
prejuízos à densidade óssea. E, por fim, o uso de
vitaminas C, D e E, além da suplementação de
ômega 3 mostram -se eficazes na redução dos
sintomas provocados pelo quadro.
Portanto, a fim de reduzir a proliferação de
tecido endometrial nos quadros de endometriose
e os sintomas da doença, e assim promover a
melhoria da qualidade de vida de muitas mulhe-
res, gerando conscientização sobre a patologia,
tornam-se necessários mais estudos que bus -
quem soluções medicamentosas e propostas t e-
rapêuticas para estes casos, além da ampla di -
vulgação dos resultados promissores a serem
encontrados (RASP et al., 2022).
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