Background
Chronic pelvic pain is a dise ase of high prevalence and a complex
pathophysiology. The diagnostic methods are ofte n inadequate and, consequently, treatment
and follow-up of women is quite difficult. Several diseases that present with chronic pain has
an inflammatory profile, which has not yet been investigated for the topic. Aim: to quantify
levels of nitric oxide (NO) and metalloprotei nases 2 (MMP-2) and 9 (MMP-9) in plasma of
women with chronic pelvic pain. Methods: 64 women were included in the sudy and divided
into 02 groups: chronic pelvic pain and cont rol group with 37 patients in the first group and
27 patients in the second group. Patients in the study group were follo wed at the Endoscopy
and Pelvic Pain Unit and the control group patients were followed in the Contraception Unit
of the Hospital of the Medica l School of Ribeirão Preto – University of São Paulo. We
performed the measurement of clinical pa in by a unidimensional scale (VAS) and a
multidimensional scale (McGill). Anxiety and depression scales were also filled. Individuals
with any evidence of inflammation, hypertension, smoking or use of hormonal contraceptives
were excluded. Individuals ta king medication for pain, such as painkillers or anti-
inflammatory drugs were asked to stop them 72 hours before entering the study. A blood
sample was collected from 10 ml during the appo intment. This material was stored in bottle
itself with anti-coagulant (EDTA and / or hepari n), processed immediately on site for plasma
separation and stored in a -70 ºC freezer. The c oncentrations of species related to NO were
measured in liquid, always in triplicate by th e method of chemiluminescence, which is one of
the most simple, sensitive and accurate availa ble to measure NO. We used a NO analyzer
(Sievers Model 280 NO Analyzer - Boulder, CO, USA), which allows the measurement of
NO in quantities as small as 1 pmol. The ac tivity of MMP-2 and MMP-9 in plasma was
determined by the zymography method, which consists of an electrophoresis of the samples in
an SDS / PAGE system, which includes the enzyme substrate (gelatin) in the gel separation,
allowing the disclosure and quantification of enzyme activity. Results: Plasma NO levels were
higher in CPP women than in controls (16.8 ± 7.9 versus 12.2 ± 2.4, respectively) (P=0.0016).
Furthermore, plasma nitrate levels were hi gher in CPP women with evidence of pain of
visceral origin than in CPP women with ev idence of an exclusive somatic component or
controls (19.2 ± 8.9 versus 12.4 ± 1.8 vers us 12.2 ± 2.4, respectively) (P=0.0001). No
correlation was detected between NO levels and duration of symptoms or intensity of pain.
Regarding the MMP's, there was no statistical difference between the two groups. Conclusion:
Plasma levels of NO are elevated in women with CPP, especially those with visceral pain.
This fact can be considered an option in trea ting patients with CPP as it can be used as a
serum marker for the disease. On the other ha nd, MMP´s did not turn out to be a good serum
marker for women with CPP.
Key words: chronic pelvic pain, visceral pain, nitric oxide, metalloproteinases, inflammation,
endometriosis.
Lista de Tabelas
Tabela 1. Caracterização dos indivíduos incluídos no estudo ................................................. 50
Lista de Gráficos
Gráfico 1 - Concentração de Óxido Nítrico no plasma de mulheres com dor pélvica
crônica ...................................................................................................................................... 51
Gráfico 2 - Concentração de Metaloproteinase - 2 no plasma de mulheres com dor pélvica
crônica ...................................................................................................................................... 52
Gráfico 3 - Concentração de Metaloproteinase – 9 no plasma de mulheres com dor pélvica
crônica ...................................................................................................................................... 53
Lista de Abreviaturas
NO – Óxido nítrico
DPC – Dor pélvica crônica
MMP-2 – Metaloproteinase 2
MMP-9 – Metaloproteinase 9
NOS – Óxido nítrico sintetase
iNOS – Óxido nítrico sintetase induzida
nNOS – Óxido nítrico sintetase neuronal
eNOS - Óxido nítrico sintetase endotelial
MEC – Matriz extracelular
TIMP – Inibidor tecidual das metaloproteinases
Sumário
1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................26
1.1 Fisiopatologia .................................................................................................................28
1.2 Dor como evento inflamatório........................................................................................28
1.3 O papel da inflamação neurogênica................................................................................29
1.4 Óxido nítrico e inflamação .............................................................................................30
1.5 Associação entre óxido nítrico e doenças associadas à dor pélvica crônica ..................30
1.6 Evidências da associação entre óxido nítrico e dor pélvica crônica...............................31
1.7 Metaloproteinases e inflamação tecidual........................................................................32
1.8 Associação entre MMPs e doenças associadas à dor pélvica crônica ............................33
2. JUSTIFICATIVA ...............................................................................................................34
3. OBJETIVOS .......................................................................................................................36
4. CASUÍSTICA E MÉTODOS ............................................................................................38
4.1 Casuística........................................................................................................................39
4.1.1 Casos........................................................................................................................39
4.1.2 Controles..................................................................................................................39
4.2 Critérios de inclusão .......................................................................................................40
4.2.1 Casos........................................................................................................................40
4.2.2 Controles..................................................................................................................40
4.3 Critérios de exclusão ......................................................................................................40
4.4 Métodos ..........................................................................................................................40
4.4.1 Modelo de Estudo....................................................................................................40
4.4.2 Variáveis do Estudo.................................................................................................41
4.4.3 Mensuração clínica da dor.......................................................................................42
4.4.3.1 Unidimensional.................................................................................................42
4.4.3.2 Multidimensional..............................................................................................42
4.4.3.3 Outras ...............................................................................................................43
4.5 Operacionalização ..........................................................................................................44
4.5.1 Instrumento para coleta de informações – formulário.............................................44
4.5.2 Coleta do sangue......................................................................................................44
4.5.3 Determinação das concentrações plasmáticas de nitratos .......................................44
4.5.4 Determinação das atividades plasmáticas de MMP-2 e MMP-9.............................46
4.6 Banco de dados...............................................................................................................47
4.7 Análise estatística ...........................................................................................................47
4.8 Aspectos éticos ...............................................................................................................47
5. RESULTADOS ...................................................................................................................48
6. DISCUSSÃO .......................................................................................................................54
7. CONCLUSÃO.....................................................................................................................60
8. REFERÊNCIAS .................................................................................................................62
ANEXO....................................................................................................................................71
1. Introdução
Introdução | 27
Dor pélvica crônica é um problema de saúde pública. A prevalência geral estimada é
de 3,8% em mulheres (superior à enxaqueca, asma e dor nas costas) (Zondervan, Yudkin et
al., 1999b; a; Zondervan e Barlow, 2000), varia ndo de 14 a 24% em mulheres na idade
reprodutiva, com impacto direto na sua vida c onjugal, social e profissional. Não sabemos sua
real prevalência em países em desenvolvime nto, como o Brasil, mas estima-se que seja
superior àquela encontrada em países desenvolvidos (Latthe, Latthe et al., 2006). Em recente
estudo realizado por nosso grupo de pesquisa, a prevalência de DPC em Ribeirão Preto ficou
em torno de 11,5% das mulheres. Se separarmos apenas aquelas no me nacme, esses valores
giram em torno de 15,1% (resultados ainda não pub licados). Tem um custo direto e indireto,
incluindo gastos médicos, exames laboratoria is, redução de produtividade, estimado em 39
bilhões de dólares por ano (Mathias, Kuppermann et al., 1996; Parker, Leondires et al., 2006)
e é responsável por 40% a 50% das laparoscopias ginecológicas (no nosso serviço essa taxa se
encontra entre 10% e 15%), cerca de 10% das consultas ginecológicas e 12% de todas as
histerectomias realizadas (Howard, 1993; Broder, Kanouse et al., 2000; Gambone, Mittman et
al., 2002). Apesar de não haver um consenso, a dor pélvica crônica (D PC) é definida, mais
comumente, como dor pélvica não menstrua l, com duração de pelo menos 6 meses
suficientemente severa para in terferir com as atividades ha bituais, e que necessita de
tratamento clínico e/ ou ci rúrgico (Howard, 1993). A etiologi a não é clara e, usualmente,
resulta de uma complexa interação entre os sist emas gastrintestinal, urinário, ginecológico,
músculo-esquelético, neurológico, psicológico e endócrino, influencia do ainda por fatores
socioculturais (Howard, 2003). As estratégias atuais de tratam ento freqüentemente resultam
em insucessos, o que é frustrante para a pacien te e para o profissional de saúde. Investigações
sobre a fisiopatologia da doença são fundamentai s para a proposição de medidas terapêuticas
mais eficazes e seguimento clínico mais objetivo.
Introdução | 28
1.1 Fisiopatologia
Vários são os mecanismos que corroboram para a manutenção e/ ou evolução da dor
pélvica crônica. Entre eles pode mos citar: 1) mudanças neur oplásticas que ocorrem no corno
posterior da medula espinhal em conseqüência de mudanças eletrofisiológicas, bioquímicas e
metabólicas promovidas pelo estímulo nocivo in icial; o que leva à inflamação neurológica
devido à liberação, dentre outros, de fator de cr escimento neural e substância P na periferia,
local de origem do estímulo, exacerbando o mesmo; 2) Sensibilidade cruzada entre vísceras
que compartilham uma mesma iner vação (reflexo víscero-visceral ); e 3) desenvolvimento de
um reflexo víscero-muscular que pode culminar não só em repercussões disfuncionais como
dificuldade miccional, incontinência urinária , mas também no desenvolvimento de síndrome
miofascial e geração de novos pontos de dor (Butrick, 2003). Consequentemente, há uma
sobreposição de sintomas como dispareuni a, dismenorréia, queixas gastrintestinais,
geniturinárias e músculo-esqueléticas.
1.2 Dor como evento inflamatório
Até recentemente, as teorias usadas para explicar a origem da dor eram baseadas na
sintomatologia, marcadores genéticos, autoan ticorpos, etc. Não havi a uma regra geral que
pudesse ser usada para diferentes entidades qu e unificasse as teorias em uma só. Omoigui
propôs uma nova teoria na qual se tem a dor como evento inflamatório, ou seja, toda a origem
da dor seria proveniente da inflamação e da resposta inflamatória gerada por cada entidade
patológica (Omoigui, 2007b; a). Atualmente, o tratamento de doenças que se expressam com
dor crônica, como por exemplo, artrite, dor lombar , cistite intersticial, fibromialgia, migrânea,
ainda tem como alvo central um único mediator inflamatório, geralmente uma prostaglandina.
O fenômeno inflamatório caracteriza-se por uma “sopa” de mediadores bioquímicos que estão
presentes em todas as síndromes dolorosas. É por isso que se faz necessário o conhecimento
Introdução | 29
do perfil inflamatório de cada síndrome dol orosa a fim de propor um tratamento
individualizado e com uma melhor resposta. Na DPC em mulheres ainda não encontramos
esse perfil inflamatório na literatura.
1.3 O papel da inflamação neurogênica
Atualmente vem sendo dada ênfase ao papel da inflamação neurogênica na fisiopatologia
da dor pélvica crônica (Wesselmann, 2001). Para embasar essa hipótese parte-se do princípio,
universalmente aceito, que estímulos nocivos, por dano tecidual, podem aumentar a produção de
substâncias promotoras de dor que estão presen tes nas terminações dos nociceptores aferentes
primários e são liberadas quando o nociceptor é estimulado. Por outro lado, quando uma fibra
sensitiva é estimulada eletricamente o impulso caminha não só em direção à medula espinhal
(sentido ortodrômico), mas também no sentido inverso, para a periferia (sentido anti-drômico).
Quando esse estímulo anti-drômico chega à peri feria, há liberação de inúmeros mediadores
inflamatórios, como óxido nítrico (NO), substância P, CGRP (proteína relacionada ao gene da
calcitonina), neuroquinina A e B, dentre outros. Esses elementos são os mediadores da inflamação
neurogênica, caracterizada por vasodilatação, edema, e hiperalgesia (Wesselmann, 2001). Isso gera
mais lesão tecidual o que fecha o ciclo e faz o estímulo doloroso perpetuar. Por sua vez, as células
inflamatórias podem exercer algumas de suas atividades pela liberação de enzimas degradativas no
espaço extracelular. Entre o grupo dessas enzimas, as metaloproteinases se destacam por serem
moléculas-chaves no remodelamento da matrix extracelular (Le, Xue et al., 2007).
Esse mecanismo permite interpretar que a dor pélvica crônica tem, ao menos em
parte, um componente inflamatório crônico im portante. Neste momento temos interesse na
avaliação do papel do óxido nítrico como media dor primário do processo inflamatório e do
papel das metaloproteinases e seus mecanismos reguladores como eventos secundários à lesão
tecidual, por sua vez, decorrente do processo inflamatório.
Introdução | 30
1.4 Óxido nítrico e inflamação
É cada vez mais evidente que o NO é um importante modulador da cascata
inflamatória. Tanto nos transtornos inflam atórios agudos como nos crônicos, o NO tem
influência sobre diversos processos fisiopatol ógicos como a interação leucócito-endotélio, a
infiltração de leucócitos ativados nos sítios inflamatórios, dentre outros.
1.5 Associação entre óxido nítrico e doenças associadas à dor pélvica crônica
É amplo o conhecimento da associação entr e dor pélvica crônica e algumas doenças,
como: síndrome do intestino irritáve l (Longstreth, 1994; Walker, Gelfand et al., 1996), cistite
intersticial (Butrick, 2003), endometriose (Whiteside e Falcone, 2003; Berkley, Rapkin et al.,
2005; Fauconnier e Chapron, 2005), depressão (Walker, Sullivan et al. , 1993; Lorencatto,
Petta et al. , 2006) e doenças músculo-esqueléticas (P rendergast e Weiss, 2003; Tu, As-Sanie
et al., 2005b; a; 2006). Interessantemente, o óxido nítrico também está associado à maioria
dessas doenças e, provavelmente, tem um papel importante na respectiva fisiopatologia dessas
situações.
O NO pode estar envolvido na fisiopatolo gia da hipersensibilidade visceral em
pacientes com síndrome do cólon irritável, uma vez que o uso de inibidores seletivos das NOS
melhoraram os sintomas dos pacientes(Kuiken, Klooker et al. , 2006), embora não pareça ter
papel relevante na sensação ou tônus retal normal. Na cistite intersticial, a presença de óxido
nítrico intra-vesical permite não só mensurar a inflamação, mas também avaliar objetivamente
a resposta ao tratamento individual, o que o torna um marcador útil no manejo da cistite
intersticial clássica(Hosseini, Ehren et al. , 2004). Com relação à endometriose, grandes
quantidades de NO e NOS estão presentes no tecido endometrial de mulheres com
endometriose, implicando um possível papel para o NO na patogênese da endometriose (Wu,
Chao et al., 2003). O iNOS é a isoforma predominante em fagócitos mononucleares, como os
Introdução | 31
monócitos e os macrófagos. Essa isoforma é cap az de produzir grandes quantidades de NO,
fazendo com que haja uma atividade pró-inflamat ória importante. Em mulheres inférteis com
endometriose, os macrófagos peritoneais e xpressam maiores níveis de iNOS e produzem
maiores quantidades de NO (Osborn, Haney et al. , 2002), justificando sua elevada
concentração em fluido peritoneal de mulher es com endometriose e seu ambiente pró-
inlfamatório (Dong, Shi et al. , 2001). Estudos mostram que os níveis séricos de NO,
especialmente de nitratos, estão elevados em pacientes com depressão (Suzuki, Yagi et al. ,
2001) e que inibidores de NOS tem um papel antidepressivo em animais (Karolewicz, Bruce
et al., 1999). Além disso, está asso ciado à fisiopatologia de outras doenças, como a doença
celíaca, a artrite reumatóide e a doença inflam atória intestinal que possuem um componente
inflamatório importante (Rueda, Lopez-Nevot et al., 2002; Gonzalez-Gay, Llorca et al., 2004;
Tajouri, Martin et al., 2004; Oliver, Gomez-Garcia et al., 2006) ou aquelas com mecanismos
mantenedores e perpetuadores de dor semelhante à dor pélvica crônica, como a dor nas costas
ou lombalgia crônica(Sprott, Gay et al., 2006) e dor orofacial crônica (Gratt e Anbar, 2005).
1.6 Evidências da associação entre óxido nítrico e dor pélvica crônica
Há alguns anos o papel do óxi do nítrico (NO) em vári os processos biológicos e
fisiopatológicos vem sendo estudado, desde a bi ologia tumoral até a tr ansmissão neuronal,
inclusive o seu papel na inflamação crônica (Laroux, Pavlick et al., 2001). O NO é um radical
livre gasoso, lipossolúvel, produzido pela c onversão de L-arginina a L-citrulina por uma
classe de enzimas denominadas óxido nítric o sintetases (NOS) (Moncada e Higgs, 1993).
Existem três isoformas de NOS: a neuronal (nNOS), presente no cérebro e no sistema
intestinal; a endotelial (eNOS), presente nas células endoteliais e a induzida (iNOS) que,
como o nome diz, tem produção induzida por diversos mecanismos, incluindo estímulos
inflamatórios (Moncada, 1997; Murad, 1998). As duas primeiras, em geral, produzem
Introdução | 32
pequenas quantidades, benéficas, de óxido nítr ico, mas a iNOS pode produzi-lo em grande
quantidade e por tempo prolongado (Gratt e Anbar, 2005). Há evid ências significativas que
associam diretamente o óxido nítrico ao dese nvolvimento e à manutenção da nocicepção.
Sabe-se que o óxido nítrico aumenta a sensibi lidade de nociceptores periféricos (Coutaux,
Adam et al. , 2005) e os inibidores de iNOS têm ef eito analgésico na dor neuropática e
inflamatória (De Alba, Clayton et al. , 2006). A associação entre óxido nítrico, nocicepção e
inflamação crônica, embasa nossa hipótese qu e o óxido nítrico possa ter um papel na
fisiopatologia da dor pélvica crônica em mulheres.
1.7 Metaloproteinases e inflamação tecidual
As metaloproteinases de matrix (MMPs) são uma família de endopeptidases zinco-
dependentes, secretadas como pró-enzimas, que degradam a matrix extracelular (MEC). Há
várias décadas tem sido claramente demons trado que as MMPs são moléculas-chaves
associadas com o remodelamento da MEC, o qual é importante em uma série de processos
fisiológicos e patológicos(Birkedal-Hansen, 1995) . Sua atividade é controlada pela regulação
transcricional, ativação da pró-enzima e inibi ção por inibidores teci duais específicos de
MMPs (TIMPs) (Bode, Fernandez-Catalan et al. , 1999). A identificação de novos substratos
para as MMPS fora da matrix extracelular envo lvidos na inflamação, ressaltaram os diversos
papéis das MMPs. Estas enzimas podem aumentar a invasão leucocitária e regular a atividade
inflamatória de proteases, citocinas e quimocinas. Interessantemente, os membros da família
MMP parecem ter uma “personalidade dupla” , no qual as MMPs podem favorecer tanto a
ação anti como pró-inflamatória (Le, Xue et al., 2007).
Vários estudos mostram que a interação entre as MMPs e TIMPs (inibidores
teciduais das MMPS) é a responsáv el pela modulação do processo inflamatório, inclusive em
doenças inflamatórias neuromusculares (Katoh, Hirano et al. , 2002; Matache, Stefanescu et
Introdução | 33
al., 2003; Gardner, Borgmann et al. , 2006; Hurnaus, Mueller-Felber et al. , 2006), a qual
guarda estreita relação com a dor pélvica crôn ica, como descrito nos itens acima. Modelos
animais de indução de inflamação crônica têm observado aumento dos níveis séricos e locais
de MMP-2 (uma colagenase tipo IV com 72 kDa, inibida pela TIMP-2, e sintetizada
basicamente por células mesenquimais como fibr oblastos, macrófagos e células epiteliais e
endoteliais) e MMP-9 (uma colagenase tipo IV com 92kDa, inibida pela TIMP-1, e produzida
por células inflamatórias como monócitos/ macr ófagos, neutrófilos e eosinófilos) (Corbel,
Theret et al. , 2001; Corbel, Belleguic et al. , 2002; Lanchou, Corbel et al. , 2003). Apesar
dessas evidências, não há estudos evidenciando o papel das MMPs com dor pélvica crônica.
1.8 Associação entre MMPs e doenças associadas à dor pélvica crônica
Alguns estudos têm observado maior atividade proteolítica das MMPs, juntamente com
uma redução da expressão de se us inibidores específicos (TIMPs) no endométrio eutópico de
pacientes com endometriose (Szamatowicz, Laudanski et al., 2002; Collette, Bellehumeur et al.,
2004; Collette, Maheux et al., 2006). Por outro lado, a gravidade da lesão da endometriose está
associada à redução da capacidade fagocitária dos macrófagos definida pela redução da atividade
da MMP-9 expressada por eles, independente da atividade do TIMP-1 (Wu, Shoji et al., 2005).
Também há estudos apontando relação sign ificativa das MMPs/ TIMPs com síndromes
inflamatórias intestinais (Baugh, Perry et al. , 1999; Louis, Ribbens et al. , 2000; Mckaig,
Mcwilliams et al., 2003) e aderências peritoniais (Chegini, Kotseos et al., 2001; Chegini, 2002;
Cheong, Shelton et al., 2003), que por sua vez são causas importantes de dor pélvica crônica.
Acreditamos que a expressão de MMP-2 e MMP-9 esteja relacionada ao processo de
remodelamento da MEC conseqüente à injúria in flamatória presente na dor pélvica crônica,
independente da causa primária.
2. Justificativa
Justificativa | 35
A dor pélvica crônica é uma doença de alta prevalência, causada por uma
heterogeneidade de doenças outras, cujo tratam ento clínico e/ ou cirú rgico adequado, muitas
vezes não culmina em remissão dos sintomas. Além disso, os custos financeiros para
pacientes e promotores de saúde são bastante elevados. Acreditamos que a compreensão dos
mecanismos fisiopatológicos imbricados na gênese, manutenção e perpetuação da doença
trará informações essenciais para o delineamento de melhores estratégias de tratamento para a
dor pélvica crônica. Particularmente, acreditam os que, se confirmar a associação entre NO
com dor pélvica crônica, novos caminhos para a terapêutica serão abertos, especialmente
àquelas pacientes não-respondedoras ao tratam ento habitual de sua doença primária ou
àquelas sem doença primária identificável. Como a endometriose é a principal causa
ginecológica de DPC e as metaloproteinase s parecem estar envolvidas no crescimento de
implantes endometriais, entendemos que se cons eguirmos demonstrar uma relação entre DPC
e a expressão plasmática das metaloproteinases, poderemos ter um novo alento para o
seguimento de pacientes com essa patologia.
3. Objetivos
Objetivos | 37
Quantificar os níveis de NO, MMP-2 e MMP- 9 no plasma de mulheres com dor pélvica
crônica;
Verificar a correlação entre os níveis plasmáticos de NO, MMP-2 e MMP-9 com a duração e a
intensidade dos sintomas de dor;
Verificar a associação dos níveis plasmátic os de NO, MMP-2 e MMP-9 com as causas
imputadas de dor pélvica crônica (endometriose e síndrome miofascial).
4. Casuística e Métodos
Casuística e Métodos | 39
4.1 Casuística
Foi realizado um estudo incluindo mulheres de uma série prospectiva de março de
2008 a novembro de 2009 junto ao Ambulatório de dor pélvica crôn ica do Hospital das
Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribe irão Preto da Universidade São Paulo e no
Ambulatório de Dor Pélvica Crônica do Centro de Saúde Escola Pr of. Dr. Joel Domingos
Machado (CSE – Cuiabá), localizado no Distrito Oeste (Sumarezinho) da cidade de Ribeirão
Preto-SP, sob a responsabilidade da FMRP-USP. Esse estudo foi submetido e aprovado pelo
Comitê de Ética em Pesquisa do HC FMRPUSP sob o nº 0112.0.004.000-07, e todas as
mulheres que preencheram os critérios de inclus ão e manifestaram o desejo de participarem
do projeto, assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.
Sessenta e quatro pacientes (37 pacientes com DPC e 27 pacientes sem queixas
ginecológicas compatíveis com DPC) preencher am os critérios de inclusão no período do
estudo.
4.1.1 Casos
Foram incluídas mulheres com dor pélvica crônica definida como uma dor constante,
em região hipogástrica, com uma duração mínima de seis meses, suficientemente severa para
interferir com as atividades habituais, e que necessita de tratamento clínico e/ ou cirúrgico.
Não foi considerado dor pélvica crônica, casos de dores exclusivamente associadas ao ciclo
menstrual, relação sexual ou mulheres que estiveram grávidas no último período de um ano.
4.1.2 Controles
Mulheres saudáveis atendidas pelo setor de ginecologia no Centro Médico Social e
Comunitário de Vila Lobato (assistência prim ária à saúde) e que fizeram coleta de sangue
para outros exames da sua rotina.
Casuística e Métodos | 40
4.2 Critérios de inclusão
4.2.1 Casos
• Diagnóstico de dor pélvica crônica.
• Concordância com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
4.2.2 Controles
• Mulheres saudáveis que aceitaram partic ipar do estudo e que estiveram de
acordo com os termos do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
4.3 Critérios de exclusão
• Mulheres com diagnóstico de osteoart rite, artrite reumatóide, asma, lupus,
trauma agudo ou cirurgia a menos de 3 meses, câncer, gravidez, hipertensão
ou qualquer outra doença sistêmica que tenha um componente inflamatório
crônico significativo;
• Mulheres usuárias de contraceptivos orais nos últimos 3 meses.
• Uso de medicamentos analgésicos ou antinflamatórios nas últimas 72h
• Tabagismo ou uso de drogas ou cafeína
• Prática de atividade física em nível competitivo
4.4 Métodos
4.4.1 Modelo de Estudo
Estudo observacional tipo caso-controle com pareamento por idade e atividade física.
Casuística e Métodos | 41
4.4.2 Variáveis do Estudo
• Idade: número de anos completos.
• Dor pélvica crônica: presença ou ausência.
• Tempo de dor: em meses.
• Intensidade da dor: avaliada pela escal a visual analógica de dor, escala de
categoria numérica e questionário McGill de dor.
• Causa primária da dor pélvica crônica.
• Dismenorréia: presença ou ausência.
• Dispareunia: presença ou ausência.
• Impacto da dismenorréia e/ ou dispar eunia nas atividades diárias: leve,
moderada ou severa.
• Nº. de gestações.
• Nº. de partos.
• Nº. de abortos.
• Nº. de cesárias.
• Nº. de fórceps.
• Epsiotomia prévia.
• Cirurgias na região inferior do abdome.
• Hemograma.
• Níveis sangüíneos de nitratos.
• Níveis sangüíneos de MMP-2.
• Níveis sangüíneos de MMP-9.
Casuística e Métodos | 42
4.4.3 Mensuração clínica da dor
Os instrumentos que foram utilizados nesta etapa já foram validados e são aplicáveis
tanto em pesquisa científica quanto na clínica aplicada. A mensuração clínica da dor foi
realizada através de uma escala unidimensional e uma escala multidimensional (Ong e
Seymour, 2004):
4.4.3.1 Unidimensional
• Escala analógica visual de dor
Consta de uma linha ininterrupta de 10cm de extensão na qual a paciente é orientada
a marcar o ponto que corresponde à dor referi da, lembrando que o início da escala (0)
corresponde à ausência de dor e o término da es cala (10) corresponde à pior dor já vivenciada
(parto sem analgesia, infarto do miocárdio, dor de dente, litíase urinária) ou imaginada. Tem
como vantagem a simplicidade, é amplamente utilizada independente do idioma,
compreensível pela maioria dos pacientes.
4.4.3.2 Multidimensional
• Questionário McGill de dor
Considerado o melhor instrumento e o mais u tilizado para caracterizar e discernir os
componentes afetivo, sensitivo e avaliativo da dor, quando se pretende obter informações
qualitativas e quantitativas a partir de descri ções verbais. É considerado um instrumento
universal, capaz de padronizar a linguagem da dor.
Ausência
de dor
Pior dor
vivenciada
Casuística e Métodos | 43
Consta de um questionário com 78 descri tores de dor, agrupados em 4 classes
(sensorial, afetivo, avaliativo e miscelânea) e 16 subclasses.
4.4.3.3 Outras
A presença e severidade da dismenorréia foram avaliadas através de um sistema
multidimensional destacando o impacto social dos sintomas dolorosos. Este método descreve
a dor conforme a limitação da capacidade de trabalho, a coexistência de sintomas sistêmicos e
a necessidade do uso de analgésicos (Andersch e Milsom, 1982):
0 = Ausente;
1 = Leve: Desconforto pélvico ocasional que não prejudica a atividade diária, uso
eventual de medicação;
2 = Moderada: Dor durante grande parte do ci clo, afeta a atividade diária, responsiva
ao uso de medicação;
3 = Severa: Dor persistente por todo o ciclo, com limitação importante da atividade
diária, uso freqüente de analgésicos potentes, sem resposta efetiva.
A presença e severidade da dispareunia pr ofunda serão avaliadas através de uma
escala que caracteriza a dor de acordo com a limitação da atividade sexual (Biberoglu e
Behrman, 1981) da seguinte maneira:
0 = Ausente;
1 = Leve: Dor tolerável, não leva à interrupção da relação sexual;
2 = Moderada: Dor intensa o suficiente para levar à interrupção da relação sexual;
3 = Severa: Dor que impede a relação sexual.
Casuística e Métodos | 44
4.5 Operacionalização
4.5.1 Instrumento para coleta de informações – formulário
Todas as mulheres com o diagnóstico de dor pélvica crônica foram atendidas pela
equipe médica das instituições lotadas acima e submetidas à entrevista e exame físico que
segue formulário padronizado e adotado pelo Setor de vídeo-endoscopia do Depto.de
Ginecologia e Obstetrícia do HC-FMRP-USP.
4.5.2 Coleta do sangue
A coleta do sangue foi realizada após a consulta médica (ou no dia que a paciente
retornou para colher sangue para eventuais exam es solicitados na consulta e essenciais para
esclarecimento diagnóstico) por um dos pesquisa dores envolvidos utilizando seringa e agulha
descartáveis. A partir dessa coleta foram realizadas as dosagens de hemoglobina, hematócrito,
plaquetas, glóbulos brancos e contagem difere ncial. Foi armazenado em frasco próprio com
anticoagulante, processado imediatamente no lo cal para separação do plasma e armazenado
em freezer, a -70C para mensuração futura.
• Foi solicitado a todas as mulheres do estudo que não usassem medicamentos
antiinflamatórios durante as 72 horas que antecederem a coleta do sangue
(Gratt e Anbar, 2005) e que estivessem em jejum de 12 horas.
4.5.3 Determinação das concentrações plasmá ticas de nitratos (Metzger, Souza-
Costa et al., 2005; Nagassaki, Sertorio et al., 2006)
Os níveis plasmáticos de espécies relaci onadas ao NO refletem a atividade da NOS.
O NO participa de várias e complexas reações químicas no organismo. Sua curta meia-vida e
as suas pequenas concentrações dificultam a avaliação quantitativa da produção in vivo de
Casuística e Métodos | 45
NO pelos tecidos. Por este motivo, quantificaçõe s de espécies relacionadas ao NO têm sido
usadas para avaliar a produção de NO. Entre elas, as concentrações plasmáticas dos principais
produtos da oxidação do NO (nitr itos e nitratos) são mais comume nte utilizadas. Os nitritos
derivam da reação do NO com oxigênio em so lução e são biologica mente ativos. É um
componente instável com dosagens muito inferior es aos nitratos. Em virtude disso não foi
dosado no presente estudo. Os nitratos, que são biologicamente inativos, são produzidos
através da oxidação dos nitritos pela oxihemogl obina nas hemácias. Medidas destes produtos
do NO após 12 horas de jejum refletem a produção endógena de NO, independentemente de
fatores dietéticos.
As concentrações de espécies relaciona das ao NO em líquidos foram medidas,
sempre em triplicata, pelo método da quimi oluminescência, que é um dos métodos mais
simples, sensíveis e precisos di sponíveis para medir NO. Foi utilizado um analisador de NO
(Sievers Model 280 NO Analyzer - Boulder, CO, EUA), o qual permite medir NO em
quantidades tão pequenas quanto 1 pmol.
Resumidamente, a medida das concentr ações de produtos da oxidação de NO
(nitritos e nitratos) em amostras líquidas re quer que estes produtos da oxidação do NO sejam
reduzidos a NO (gás). As quantidades de NO produzidas são medidas após reação do NO com
ozônio numa câmara do analisador de NO. Ne sta câmara, a reação do NO com ozônio cria
moléculas de NO2 que, no seu estado excitado, emitem luz proporcionalmente às quantidades
de NO liberado pela amostra. O analisador cont ém um detector de luz que transforma o sinal
luminoso em sinal elétrico, que é finalmente convertido em sinal analógico e registrado.
Determinação da concentração de nitratos : A concentração plasmática de nitratos é
medida de forma idêntica à descrita no item anterior, com a diferença de que a solução
redutora é aquecida a 90ºC e composta de 3 mL de Vanádio (III) a 0.1 M e 3 mL de HCl a
1M. Esta solução reduz os nitratos e nitrito s presentes na amostra a gás NO. Portanto, a
Casuística e Métodos | 46
concentração real de nitratos corresponde à diferença entre a concentração medida com a
solução de Vanádio (nitratos e nitritos) e a co ncentração medida no item anterior (somente
nitritos).
4.5.4 Determinação das atividades plasmá ticas de MMP-2 e MMP-9 (Gerlach,
Uzuelli et al., 2005; Souza-Tarla, Uzuelli et al., 2005; Martinez, Lopes et al., 2006)
A atividade das MMP-2 e MMP-9 no plasma foram determinadas pelo método da
zimografia, que consiste em uma eletroforese das amostras em um sistema SDS/PAGE que
inclui o substrato da enzima (gelatina) no gel de separação, de modo a permitir a evidenciação
e quantificação da atividade da enzima. Um microlitro de plasma, tr atado com tampão de
amostra não-redutor, será utilizado para eletrofo rese. As enzimas das amostras tratadas foram
separadas por eletroforese em um sistema de scontínuo de tampões, conforme a técnica de
SDS-PAGE descrita por Laemmli, em géis de poliacrilamida na concentração de 12%,
contendo gelatina (substrato enzimático) na concentração de 1%, preparados no próprio
laboratório.
Após a corrida, os géis foram submetidos a dois banhos de Triton X-100 (a 2%, em
água) para remover o SDS e, em seguida, permaneceram submersos durante 16 horas em
solução de Tris-HCl a 50 mM, pH 7,4, contendo CaCl2 a 10 mM , à temperatura de 37C. Em
seguida, os géis foram fixados e corados com solução de Coommassie Blue (metanol a 50%,
ácido acético a 5% e Coomassie Blue G-250 a 0,5%, em água) por 3 horas, sendo então
descorados até a visualização da s bandas características de atividade de MMPs: bandas claras
contra um fundo azul escuro, devido à coloração da gela tina incorporada ao gel e ausência de
coloração nos locais onde houve degradação de gelatina.
A quantificação da atividade gelatinolítica foi realizada através de densitometria das
bandas e comparação entre a presença da forma ativa (menor massa molecular) e a forma
Casuística e Métodos | 47
inativa (maior massa molecular) das enzimas. Dessa maneira, podemos comparar a atividade
total das gelatinases entre os diferentes grupo s e, ainda, comparar em quais amostras houve
predomínio das formas ativas das gelati nases no plasma. Resultados das análises
densitométricas de três corridas de uma mesma am ostra (em géis diferentes, corridos em dias
diferentes) foram utilizados para a obtenção da atividade enzimática média daquela amostra,
valor que foi plotado em gráfico e comparado com outras amostras.
4.6 Banco de dados
Os dados obtidos foram registrados e transf eridos para o banco de dados eletrônico.
A confecção do banco de dados e das planilhas pa ra a análise estatística, tabelas e gráficos
foram realizadas com auxílio do aplicativo FileMaker Pro 8 Advanced. O aplicativo Microsoft
Word® versão 7.0 foi o editor de texto. Os dados de identificação pessoal foram codificados e
mantidos sob sigilo.
4.7 Análise estatística
A análise estatística foi realizada com a ajuda do programa GraphPad Prism (Prism
5, 2007) for Windows.
4.8 Aspectos éticos
Os princípios de confiabilidade dos da dos obtidos, manutenção da autonomia dos
participantes, sigilo à identif icação pessoal e beneficência/ não-maleficência dos propósitos
foram respeitados. O projeto somente foi iniciado após aprovação pela Comissão de Pesquisa
do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia e pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HC da
FMRPUSP.
5. Resultados
Resultados | 49
As caracterização da casuística está apresentada na Tabela 1.
Os níveis plasmáticos de NO foram maiores nas pacientes com DPC quando
comparadas às pacientes do grupo controle (16.8 ± 7.9 versus 12.2 ± 2.4, respectivamente) (P
= 0.0016) (Gráfico 2). Especificamente, os ní veis plasmáticos de NO foram maiores nas
pacientes com DPC de origem visceral ou peritoneal quando comparadas às pacientes com
dor exclusivamente somática ou aos controles saudáveis (19.2 ± 8.9 versus 12.4 ± 1.8 versus
12.2 ± 2.4, respectivamente) (P=0.0001) (Gráfico 3). Não observamos uma correlação entre
os níveis plasmáticos de NO e a duração dos sintomas (em meses) (Spearman r = 0.04,
95%CI:-0.34 to 0.40, P = 0.84) ou com a intens idade dos sintomas avaliado pela EAV
(Spearman r =:-0.18, 95%CI:-0.52 to 0.20, P=0 .34), ou inventário Mc Gill (Spearman r = -
0.06, 95%CI:-0.41 to 0.30, P =0.72). Os níveis plasmáticos das MMPs 2 e 9 não diferiram
entre as pacientes com DPC e as mulheres saudáveis (1.464 ± 0.1392 versus 1.245 ± 0.1412 e
0.5004 ± 0.3541 versus 0.5571 ± 0.8360, respectivamente) (P = 0.2803 e P = 0.3769,
respectivamente) (Gráficos 2 e 3).
Resultados | 50
Tabela 1: Caracterização dos indivíduos incluídos no estudo
Parâmetros
Controles
(n=27)
Casos (n=37) P
Idade, anos (média ± DP) 32.0±1.8 34.7±1.0 0.22
Paridade (mediana, variância) 1.5, 0-11 1, 0-3 0.19
BDI (mediana, variância) 3, 0-16 11, 0-16 0.08
Duração da dor, meses (mediana,
variância)
--- 30, 6-120 ---
EAV (média ± DP) --- 81.8±3.2 ---
McGill (média ± DP) --- 33.8±2.8 ---
Glóbulos vermelhos (média·106 ± DP) 4.5 ± 0.1 4.6±0.1 0.28
Hematócrito (média ± DP) 40.2± 0.5 40.8±0.6 0.54
Hemoglobina (média ± DP) 13.3± 0.2 13.5±0.2 0.63
Leucócitos (média·103 ± DP) 7.1±0.4 8.0±0.4 0.18
BDI: inventário de depressão de Beck; EAV: escala analógica visual, em milímetros;
DP: desvio padrão da média.
Resultados | 51
NO
controles casos somatica visceral
0
10
20
30
40
50
Gráfico 1: Concentração de NO
Resultados | 52
MMP-2
controles casos pré casos pós
0.00
0.25
0.50
0.75
1.00
1.25
1.50
1.75
2.00
2.25
2.50
2.75
3.00
3.25
Gráfico 2: Concentração de MMP-2
Resultados | 53
MMP-9
controles casos pré casos pós
0.5
1.5
2.5
3.5
4.5
Gráfico 3: Concentração de MMP-9
6. Discussão
Discussão | 55
A dor pélvica crônica (DPC) ainda se cons titui de um grande desafio para os
profissionais da área da saúde visto que podemos ter diferentes etiologias e consequentemente
diferentes tratamentos para a mesma patologia. Esses diferentes órgãos e sistemas, de uma
forma ou de outra, levam a um mesmo resultado final, a geração de uma síndrome dolorosa
que geralmente compromete a qualidade de vida das pacientes. Omoigui em 2007 propôs uma
teoria unificadora, ou “lei da dor”, na qual ele afirma que t oda a origem da dor advém da
inflamação e/ou da resposta inflamatória (Omoigui, 2007a). Nesse mesmo trabalho, ele afirma
que o tratamento das síndromes dolorosas deve riam ser baseadas na determinação do perfil
inflamatório da síndrome dolorosa, na inibiç ão ou supressão dos mediadores inflamatórios
produzidos naquela síndrome dolorosa por bloqueadores dos mediadores inflamatórios ou por
intervenção cirúrgica, quando necessária, na in ibição ou supressão da transmissão nervosa,
seja no neurônio aferente, seja no neurônio eferente (motor) por drogas anti-convulsivantes ou
bloqueio anestésico e por modulação da transmi ssão neuronal através de opióides (Omoigui,
2007a). Seguindo a mesma linha de raciocínio, re solvemos, ainda que inicialmente, fazer um
perfil inflamatório das pacientes com DPC. Ap esar de encontrarmos na literatura o perfil
inflamatório de algumas patologias que pode m levar a quadros álgicos crônicos, como a
fibromialgia, a cistite intersticial, a ar trite (Omoigui, 2007b), não encontramos estudos que
abordem, de uma maneira geral, esse perf il inflamatório independentemente do fator
etiológico.
Tem sido repetidamente demonstrado em modelos murinos, que o óxido nítrico
aumenta a sensibilidade das regiões noc iceptoras periféricas (Steel, Terenghi et al. ,
1994)(Meller, Cummings et al., 1994)(Wiertelak, Furness et al., 1994) e que os inibidores da
NOS agem como substâncias analgésicas (Meller, Dykstra et al., 1994)(Babbedge, Wallace et
al., 1993)(Malmberg e Yaksh, 1993)(Bjorkman, 1995) . O efeito álgico do NO pode ocorrer
tanto a nível espinhal quanto a nível periférico. Além disso, in jeções intradérmica de NO em
Discussão | 56
humanos foram capazes de provocar dor em car áter dose-dependente (Wiertelak, Furness et
al., 1994)(Meller, Dykstra et al. , 1994)(Dickenson, 1995)(Gordh, Karlsten et al. , 1995). Isso
nos leva a crer que o conhecimento dos níveis de NO em síndromes dolorosas como a DPC
pode ser de grande valia no acompanhamento durante o tratamento dessa patologia.
É amplo o conhecimento da associação entr e dor pélvica crônica e algumas doenças,
como: síndrome do intestino irritáve l (Longstreth, 1994; Walker, Gelfand et al., 1996), cistite
intersticial (Butrick, 2003), endometriose (Whiteside e Falcone, 2003; Berkley, Rapkin et al.,
2005; Fauconnier e Chapron, 2005), depressão (Walker, Sullivan et al. , 1993; Lorencatto,
Petta et al. , 2006) e doenças músculo-esqueléticas (P rendergast e Weiss, 2003; Tu, As-Sanie
et al., 2005b; a; 2006). Interessantemente, o óxido nítrico também está associado à maioria
dessas doenças e, provavelmente, tem um papel importante na respectiva fisiopatologia dessas
situações. O NO pode estar envolvido na fisiopat ologia da hipersensibilidade visceral em
pacientes com síndrome do cólon irritável, uma vez que o uso de inibidores seletivos das NOS
melhoraram os sintomas dos pacientes(Kuiken, Klooker et al. , 2006), embora não pareça ter
papel relevante na sensação ou tônus retal normal. Na cistite intersticial, a presença de óxido
nítrico intra-vesical permite não só mensurar a inflamação, mas também avaliar objetivamente
a resposta ao tratamento individual, o que o torna um marcador útil no manejo da cistite
intersticial clássica (Hosseini, Ehren et al. , 2004). Nesse trabalho, os autores fizeram a
dosagem de NO usando uma cânula de silicone na bexiga. Através dela, foi infundido cerca
de 25 ml de ar ambiente e, 5 minutos após, es se ar foi retirado e levado a um aparelho que
analisava a quantidade de NO intravesical. Atra vés desse trabalho, os autores conseguiram
descobrir um novo marcador de atividade de ssa doença, visto que houve uma correlação
significativa entre as mudanças nos sintomas e mudanças na formação de NO nos indivíduos
com cistite instersticial clássica. Infelizmente, a dor pélvica crônica apresenta diversos fatores
etiológicos. O que torna a dosagem in locu dessa substância algo ex tremamente difícil de ser
Discussão | 57
realizado. É por isso que a dosagem plasmáti ca do NO torna-se uma nova ferramenta para o
acompanhamento das pacientes com DPC. Com re lação à endometriose, grandes quantidades
de NO e NOS estão presentes no tecido endo metrial de mulheres com endometriose,
implicando um possível papel para o NO na patogênese da endometriose (Wu, Chao et al. ,
2003), isso poderia justificar os níveis elevados dessa substâ ncia encontrados na corrente
sanguínea, uma vez que o NO tem a propriedade de rapidamente se difundir. Mesmo sendo
rapidamente destruído pela hemoglobina quando liberado na corrente sanguínea, os níveis de
NO mostraram-se bastante elevado nas paci entes com DPC, favorecendo o seu uso como
ferramenta para o seguimento desas pacientes. Adicionalmente, macrófagos peritoneais de
mulheres com endometriose associada à infert ilidade expressam maiores níveis de iNOS e
produzem maiores quantidades de NO (Osborn, Haney et al. , 2002), o que justifica sua
elevada concentração em fluido peritoneal de mulheres com endometriose (Dong, Shi et al. ,
2001). Estudos mostram que os níveis séricos de NO, especialmente de nitratos, estão
elevados em pacientes co m depressão (Suzuki, Yagi et al. , 2001) e que inibidores de NOS
tem um papel antidepressivo em animais (Karolewicz, Bruce et al. , 1999). Além disso, está
associado à fisiopatologia de outras doen ças com componente inflamatório importante
(Rueda, Lopez-Nevot et al. , 2002; Gonzalez-Gay, Llorca et al. , 2004; Tajouri, Martin et al. ,
2004; Oliver, Gomez-Garcia et al. , 2006) ou aquelas com mecanismos mantenedores e
perpetuadores de dor semelhante à dor pélvic a crônica, como a dor nas costas ou lombalgia
crônica(Sprott, Gay et al. , 2006) e dor orofacial crônica (G ratt e Anbar, 2005). Observou-se
neste estudo que os níveis plasmáticos de NO foram maiores nas p acientes com DPC quando
comparadas às pacientes do grupo controle ( 16.8 ± 7.9 versus 12.2 ± 2. 4, respectivamente (P
= 0.0016) corroborando com os resultados encontra dos na literatura quando diferentes fatores
etiológicos eram estudados separadamente.Em te rmos práticos, isso é de suma importância,
Discussão | 58
visto que uma dosagem sanguínea é mais fácil e f actível de ser realizada rotineiramente que
uma amostragem do fluido peritoneal.
Alguns estudos têm observado maior ativid ade proteolítica das MMPs, juntamente
com uma redução da expressão de seus inib idores específicos (TIMPs) no endométrio
eutópico de pacientes com endo metriose (Szamatowicz, Laudanski et al. , 2002; Collette,
Bellehumeur et al., 2004; Collette, Maheux et al., 2006). Por outro lado, a gravidade da lesão
da endometriose está associada à redução da cap acidade fagocitária dos macrófagos definida
pela redução da atividade da MMP-9 expressada por eles, independente da atividade do
TIMP-1 (Wu, Shoji et al. , 2005). Também há estudos apontando relação significativa das
MMPs/ TIMPs com síndromes inflamatórias intestinais (Baugh, Perry et al. , 1999; Louis,
Ribbens et al. , 2000; Mckaig, Mcwilliams et al. , 2003) e aderências pe ritoniais (Chegini,
Kotseos et al., 2001; Chegini, 2002; Cheong, Shelton et al., 2003), que por sua vez são causas
importantes de dor pélvica crônica. A comp leta remodulação da matriz extracelular é
necessária para que haja o cres cimento dos implantes ectópicos e isso se faz com a presença
das MMPs. As células do estroma endometria l expressam várias MMPs, incluindo MMP-2 e
MMP-9, as quais parecem desempenhar um pa pel fundamental no desarranjo da matriz
extracelular. A expressão alte rada dessas proteinases podem levar a um estabelecimento e a
uma progressão da endometriose, pois já foi relatado que uma expressão gênica aberrante de
MMP-2 e MMP-9 estaria presente em focos eut ópicos e ectópicos de endometriose (Hulboy,
Rudolph et al. , 1997; Chung, Wen et al. , 2001; Shaco-Levy, Sharabi et al. , 2008; Di Carlo,
Bonifacio et al., 2009).
Entre as causas ginecológicas, a endometriose merece atenção espe cial visto que é a
patologia mais prevalente. Diversos mecanismos parecem estar envolvidos na gênese das
queixas álgicas relacionadas à endometriose, de ntre os quais podemos citar as aderências, a
extensão das lesões, os micro-sangramentos reco rrentes das lesões e, principalmente, o grau
Discussão | 59
de infiltração das lesões. Es te último parece ser o mais be m entendido quando se discute a
relação de endometriose e do r pélvica crônica (Fauconnier e Chapron, 2005).Vários autores
têm mostrado a relação existente entre as metalo proteinases e endometriose. Essa relação tem
sido evidenciada principalmente nos focos de endometriose, existi ndo poucos estudos que
correlacionem com a sua concentração plasmátic a. Alguns autores demonstraram que as
concentrações de metaloproteinases e seus inibidores não podem ser usados como uma
ferramenta válida para inferir a severidade da endometriose (Salata, Stojanovic et al. , 2008)
nos levando a crer que, talvez, não exista um a relação entre os níveis de MMP´s no foco
primário e no plasma. O nosso estudo verifico u que a expressão no plasma não foi diferente
entre as pacientes casos e as pacientes do grupo controle, ou seja, as dosagens podem até estar
elevadas no local do evento, mas no plasma isso não se verifica. Um outro ponto a ser
considerado é que polimorfismos de MMP-2 e MMP-9 parecem estar envolvidos no processo
inflamatório da endometriose (Saare, Lamp et al. , ; Sillem, Prifti et al. , 2001). Isso poderia
justificar a ausência de difere nça estatística no nosso estudo entre os grupos estudados e os
casos controles, necessitando, talvez, que uma dosagem individualizada desses polimórficos
fosse realizada. É possível que se consiga iden tificar um marcador plasmático nas pacientes
com DPC, visto que acreditamos que essas substâncias estão, de alguma forma, relacionadas à
gênese dessa patologia. Entretanto, as MMP´s parecem não conseguir refletir a sua expressão
tecidual com os seus níveis plasmáticos.
7. Conclusão
Conclusão | 61
Podemos concluir neste estudo que os níve is plasmáticos de NO estão aumentados
em mulheres com Dor Pélvica Crônica quando comp aradas àquelas saudáveis. Essa alteração
é ainda mais evidente quando a dor é de or igem visceral, podendo vir a ser um importante
marcador plasmático dessa patologia. Po r outro lado, os níveis plasmáticos de
metaloproteinases não foram diferentes quando se comparou o grande grupo de DPC com as
pacientes controles, mostrando que, apesar das MMPs estarem relacionadas à patogênese de
algumas doenças que causam DPC, particular mente endometriose, sua dosagem plasmática
não reflete isso. Estudos veri ficando se existem polimorfism os envolvidos nessa patologia
devem ser realizados a fim de checarmos se as MMPs podem também atuar como marcadores
plasmáticos na DPC.
8. Referências
Referências | 63
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Anexo
Anexo | 72
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Você está sendo convidada para participar, co mo voluntária, em uma pesquisa. Após ser
esclarecida sobre as informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do estudo, assine ao
final deste documento, que está em duas vias . Uma delas é sua e a outra é do pesquisador
responsável. Em caso de recusa você não será penalizada de forma alguma. Em caso de
dúvida você pode procurar o Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Univ ersidade de São Paulo ou pelo telefone (16)
3602-2228. Título do Projeto: Mediadores inflam atórios na dor pélvica crônica Pesquisador
Responsável: Prof. Dr. Omero Benedicto Po li Neto (16) 3602- 2407 / 2311 Pesquisadores
participantes: Prof. Dr. Ant onio Alberto Nogueira (16) 3602- 2589 / 2311 Prof. Dr. Francisco
José Candido dos Reis (16) 3602-2589 / 2311 Prof . Dr. José Eduardo Tanus dos Santos (16)
3602-3163 1) Este projeto prete nde basicamente estudar a lterações de substâncias
inflamatórias no sangue e peritônio (fina memb rana que reveste o interior da cavidade
abdominal e pélvica) relaciona das à dor pélvica crônica. 2) Você poderá participar da
primeira e/ ou da segunda etapa do projeto c onsentindo separadamente ao final desse termo.
Sua participação na 1ª etapa será permitir a obtenção de 10ml de sangue na primeira consulta
e após 3 e 6 meses de tratamento. Se você consen tir, e caso haja necessidade de cirurgia para
o diagnóstico ou tratamento da sua doença, sua participação na 2ª etapa será permitir a
obtenção de líquido da cavidade pe ritoneal (presente na maioria das mulheres) e amostra de
peritônio de 1x1cm englobando a lesão encontra da durante a cirurgia ou de uma região
aleatória da pelve caso não forem localizad as quaisquer lesões. Salientamos que este
procedimento não compromete sua recuperação a pós a cirurgia, não inte rferirá no tempo para
alta hospitalar, e não compro mete seu tratamento em quais quer circunstâncias. Caso você
esteja incluída no grupo contro le (sem dor pélvica crônica) referente às pacientes que serão
submetidas à laparoscopia por outros motivos, informamos que não haverá incisões (cortes)
adicionais e que não haverá prolongamento do tempo cirúrgico em mais que 2 ou 3 minutos,
nem prolongará sua estadia no hospital ou su a recuperação pós-operatória, tampouco
interferirá no resultado da ciru rgia principal; 3) Você não terá gastos financeiros adicionais,
Anexo | 73
pois as avaliações serão feitas no mesmo período de sua consulta médica e/ ou procedimento
cirúrgico. 4) Caso ha ja dano comprovadamente decorrente da pesquisa você terá direito à
indenização. 5) O projeto não interferirá no te mpo para o diagnóstico definitivo da causa do
seu problema, tampouco nas eventuais indicações cirúrgicas ou nos tratamentos propostos. 6)
Os pesquisadores se comprometem que você será devidamente acompanhada e assistida
durante todo o período de sua participação no pr ojeto, bem como de que lhe será garantida a
continuidade do seu tratamento, após a conclusão dos trabalhos da pesquisa. 7) Os resultados
da pesquisa serão importantes para entende r melhor a doença em questão (dor pélvica
crônica) e, certamente trarão informações que podem facilitar o tratamento de mulheres com a
doença ou que, futuramente, venham a desenvolvê -la. 8) Você terá a segurança de não ser
identificada e ter mantido o caráter confidencial da informação relacionada à sua privacidade.
9) Nos comprometemos a prestar-lhe informaçã o atualizada durante o estudo, ainda que esta
possa afetar a sua vontade de continuar dele participando. 10) Você pode retirar o seu
consentimento para participar deste estudo a qua lquer momento, inclusive sem justificativas e
sem qualquer prejuízo para você. 11) Você terá a garantia de receber a resposta a qualquer
pergunta ou esclarecimento de qualquer dúvi da a respeito dos procedimentos, riscos,
benefícios e de outras situações relacionadas com a pesquisa. Qu alquer questão a respeito do
estudo ou de sua saúde deve ser dirigida aos responsáveis pelo projeto, designados no início
deste termo, o que poderá ser realizada no Am bulatório AGDE que ocorre às 6ª feiras no
período da manhã no balcão 1 – verde claro do Hospital das Clínicas da Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto, Ambulatório de Gi necologia; ou no Ambulatório de dor pélvica
crônica do CSE – Cuiabá que ocorre às 4ª feiras no período da manhã; ou ainda pelos
telefones de contato informados no início de sse termo. O Comitê de Ética em Pesquisa do
HCRP pode lhe oferecer informações cas o você não queira falar com nenhum dos
pesquisadores responsáveis por este estudo. Eu,
___________________________________________________________________, abaixo
assinado, concordo em participar do estudo “M ediadores inflamatórios na dor pélvica
crônica” , como sujeito. Fui devidamente info rmada em detalhes pelo(s) pesquisador(es)
Anexo | 74
responsável(is) no que diz resp eito ao objetivo da pesquisa , aos procedimentos que serei
submetida, aos riscos e benefícios, à forma de ressarcimento no caso de eventuais despesas,
bem como à indenização se houver danos decorren tes da pesquisa. Decl aro que tenho pleno
conhecimento dos direitos e das condições que me foram asseguradas e que posso retirar meu
consentimento a qualquer momento, sem que isto leve a qualquer penalidade ou interrupção
de meu acompanhamento/ assistência/ tratamen to. Declaro, ainda, que concordo inteiramente
com as condições que me foram apresentadas e que, livremente, manifesto a minha vontade
de participar desse estudo. Ri beirão Preto, _____ de ____________________________ de
___________. Se você concordar com a 1ª etapa da pesquisa assine abaixo:
__________________________________________________ Assinatura do voluntário
___________________________________________________Assinatura do investigador/
testemunha
Se você concordar com a 2ª etapa da pesquisa assine abaixo:
___________________________________________________Assinatura do voluntário
___________________________________________________Assinatura do investigador/
testemunha