Abstract
......................................................................................................... 8
LISTA DE GRÁFICOS ...................................................................................... 11
LISTA DE TABELAS ........................................................................................ 12
LISTA DE ABREVIATURAS ............................................................................. 13
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................. 19
1.1. Endometriose ........................................................................................ 19
1.2. DNA mitocondrial .................................................................................. 20
1.3. Haplogrupos mitocondriais ................................................................... 22
1.4. Heteroplasmia ....................................................................................... 24
1.5. DNA mitocondrial e endometriose ........................................................ 26
1.6. Justificativa do estudo .......................................................................... 27
2. OBJETIVO .................................................................................................... 29
3. CASUÍSTICA E MÉTODOS .......................................................................... 31
3.1. Casuística ............................................................................................. 31
3.1.1. Critérios de inclusão ........................................................................ 31
3.1.2. Critérios de exclusão ....................................................................... 31
3.1.3. Dinâmica do estudo ......................................................................... 32
3.1.4. Cálculo do tamanho da amostra ..................................................... 34
3.2. Métodos ................................................................................................ 34
3.2.1. Coleta de amostras ......................................................................... 34
3.2.2. Extração de DNA ............................................................................. 34
3.2.3. Amplificação do mtDNA .................................................................. 35
3.2.4. Reação de sequenciamento ............................................................ 36
3.2.5. Análise estatística ........................................................................... 38
4. RESULTADOS ............................................................................................. 40
4.1. Avaliação Clínica .................................................................................. 40
4.2. Análise Genética ................................................................................... 43
5. DISCUSSÃO ................................................................................................. 50
6. CONCLUSÕES ............................................................................................. 60
REFERÊNCIAS ................................................................................................. 63
ANEXOS ........................................................................................................... 74
APÊNDICES...................................................................................................... 86
1. INTRODUÇÃO
Marina de Paula Andres INTRODUÇÃO
19
1. INTRODUÇÃO
1.1. Endometriose
Endometriose é definida pela presença de tecido endometrial (glândulas
e/ou estroma) fora do útero. Estima-se que esta doença atinja de 10 a 15% das
mulheres em idade fértil, chegando, entre mulheres com dor pélvica crônica ou
infertilidade, a 40% e 48%, respectivamente (1).
Existem inúmeras classificações propostas para a endometriose. A
American Society for Reproductive Medicine (ASRM) classifica a endometriose
em estádios de I a IV, de acordo com o tamanho das lesões, presença de
aderências e bloqueio do fundo de saco de Douglas (2).
Morfologicamente, podemos dividi r a doença em endometriose peritoneal
superficial, endometrioma ovariano ou endometriose profunda. A endometriose
superficial é caracterizada por focos de lesões localizados no peritônio de forma
superficial, histologicamente semelhantes ao endométrio tópico (3). Os
endometriomas ovarianos estão presentes em até 44% das pacientes com
endometriose e caracterizam -se por cistos de conteúdo espesso de cor
“achocolatada”, usualmente associados a aderências ao peritônio posterior e ao
ligamento largo, com patogênese ainda controversa (3). Os implantes profundos
são definidos por nódulos de profundidade maior que cinco milímetros.
Usualmente, os principais sítios acometidos são: ligamentos útero-sacros, região
retrocervical, terço superior de vagina, retossigmoide, bexiga e ureter (4).
A suspeita clínica da endometriose é feita com base em dados de
anamnese e exame físico. Os sintomas mais comumente apresentados por
essas pacientes são: dor pélvica em cólica no período menstrual (dismenorreia),
dor pélvica crônica (ou acíclica), dispareunia de profundidade, sintomas
intestinais ou urinários cíclicos e infertilidade. Tais queixas podem variar de
acordo com o local dos implantes endometrióticos, podendo acometer
praticamente todos os locais do organismo, mesmo sítios não usuais como, por
exemplo, pulmão, plexo sacral e pâncreas (4).
A prevalência correta dos tipos de endometriose na população geral não é
bem estabelecida, visto que o diagnóstico definitivo é hist ológico (4). A
abordagem moderna da endometriose se baseia no reconhecimento do tipo de
Marina de Paula Andres INTRODUÇÃO
20
acometimento das lesões, sendo o diagnóstico correto d a endometriose
profunda o maior desafio para a obtenção de bons resultados terapêuticos (5).
Diversas teorias foram propostas para explicar a etiopatogenia da doença
e a mais aceita ainda é a da menstruação retrógrada (6). Diversos fatores
determinam a adesão e proliferação das células endometriais na cavidade
pélvica, como alterações imunológicas, inflamatórias e o stress oxidativo (7-11).
Além disso, a regulação de inúmeros desses mecanismos parece ser
determinada por fatores genéticos, podendo levar a p erda ou ganho de função,
secundárias à instabilidade de microssatélite, instabilidade cromossômica, perda
de heterozigose, polimorfismos , mutações de genes nucleares e mutações do
DNA mitocondrial (mtDNA) (10).
O desbalanço entre a produção de espécies reativas de oxigênio, que são
metabólitos intermediários da metabolização normal do oxigênio, e os sistemas
anti-oxidativos, que são designados para controlar a produção e inativar os
radicais livres de oxigênio e reparar as células danificadas, caracteriza o stress
oxidativo (12). Sendo a mitocôndria a organela responsável pelo metabolismo de
oxigênio intracelular, alterações no mtDNA poderiam alterar a transcrição,
tradução e replicação do mesmo, e interferir nas vias de sinalização nuclear (13).
1.2. DNA mitocondrial
As mitocôndrias são organelas citoplasmáticas encontradas em todas as
células nucleadas, responsáveis pelo metabolismo de oxigênio intracelular (13).
O mtDNA é composto por uma dupla fita circular q ue contém 16.569 pares de
bases onde se localizam 37 genes, todos envolvidos no metabolismo de oxigênio
e produção de energia na célula (14).
Os componentes da cadeia respiratória localizam -se na membrana interna
da mitocôndria sob a forma de quatro complexos proteína-lipídeos: o complexo I
(NADH ubiquinona oxidoreductase) com mais de 40 polipeptí deos, o complexo
II (succinato-ubiquinona oxidoreduc tase), o complexo III (ubiquinolcitocromo c
oxidoreductase) e o complexo IV (citocromo c oxidase). A cadeia respiratória
mitocondrial possui ainda dois transportadores de elétrons: a ubiquinona e o
citocromo c. Estes constituintes, bem como o complexo V (ATP sintetase),
formam o sistema de fosforilação oxidativa, que fo rnece o ATP necessário à
Marina de Paula Andres INTRODUÇÃO
21
célula (15). O complexo I mitocondrial é formado por um grande número de
proteínas e possui 46 subunidades, sendo sete codificadas por gene s
mitocondriais e as restantes pelo DNA nuclear. Devido à complexidade desse
sistema, defeitos genéticos resultam em uma grande variedade de fenótipos
clínicos (15).
Há também uma região não codificadora denominada região control adora,
D-loop (Displacement Loop) ou região hipervariável (HV), responsável pela
regulação da transcrição e replicação do mtDNA. Essa região compreende três
segmentos: HV1, localizado entre as posições 16.024 e 16.365; HV2, da posição
73 a 340; e HV3, da posição 438 a 574 (Figura 1) (16-18).
Figura 1 - Mapa do genoma mitocondrial humano e diagrama da região controladora
A designação dos genes tRNA são indicados por for a do círculo . A numeração na região
controladora se refere à sequência referência de Anderson et al. (19).
Fonte: adaptado de MITOMAP (www.mitomap.org)
O mtDNA apresenta uma taxa de mutaç ão 5 a 10 vezes maior do que o
DNA nuclear, sua herança é exclusivamente materna e a molécula não sofre
Marina de Paula Andres INTRODUÇÃO
22
recombinação, resultando no acúmulo de mutações ao longo das linhagens
matrilineares (20).
As mutações encontradas em mais de 1% da população são denominadas
polimorfismos e são definidas a partir da comparação da sequência do mtDNA
do indivíduo analisado com uma sequência padrão, sendo atualmente utilizada
a Revised Cambridge Reference Sequence (rCRS) (21). O conjunto de
polimorfismos do DNA mitocondrial de um indivíduo é denominado de haplótipo.
1.3. Haplogrupos mitocondriais
Haplogrupo mitocondrial refere-se ao grupo de indivíduos que apresentam
determinados polimorfismos em comum, característicos de um grupo étnico e de
uma origem geográfica (13).
O modelo “out of Africa” (22) sugere uma origem única dos homens
modernos originada na África há aproximadamente 250.000 anos (Figura 2). A
partir de um haplogrupo ancestral, novas mutações surgiram, formando novos
haplogrupos e, consequentemente, novas linhagens evolutivas. Com o advento
das migrações e com o isolamento geográfico dessas populações, os
haplogrupos e os polimorfismos mitocondriais formaram linhagens
independentes, tornando -se específicos para cada região geográfica,
classificados nos grandes grupos africano, europeu, asiático e a meríndio (13;
23).
Conforme o aumento no número de diferentes populações estudadas,
polimorfismos adicionais população-específicos vão sendo descritos e, portanto,
os haplogrupos mitocondriais vão sendo constantemente rearranjados e
subdivididos. A Figura 3 ilustra um diagrama da filogenia dos haplogrupos.
Todos os mtDNA africanos estão incluídos no macro haplogr upo L. O
haplogrupo africano L0 é a linhagem mais antiga do mtDNA encontrada na
população Koi-San e L1 e L2 são encontrados em populações de pigmeus
africanos. Os macro haplogrupos M e N surgiram na região subsaariana a partir
de L3 do nordeste africano e migraram para formar as populações indígenas ,
europeia e asiática. Enquanto o haplogrupo M ficou confinado à Ásia, os
haplogrupos A, C e D ocuparam o nordeste da Sibéria e migraram ao longo do
estreito de Bering há cerca de 20.000 anos para formar os nativ os americanos.
Marina de Paula Andres INTRODUÇÃO
23
Migrações adicionais trouxeram para as Américas os haplogrupos B e X, e o
haplogrupo B colonizou as Ilhas do Pacífico (9).
Figura 2 - Representação gráfica do padrão de migração das linhagens mitocondriais
As letras representam a distribuição dos haplogrupos mitocondriais para cada região do mapa.
Fonte: MITOMAP (24).
Figura 3 - Filogenia simplificada do DNA mitocondrial ilustrando o uso de letras do alfabeto para
a designação do haplogrupo
A raiz da árvore é indicada pela inscrição mt -MRCA (matrilineal most recent common ancestor ).
Os haplogrupos L são as linhagens mais antigas. Haplogrupo L3 deu origem aos haplogrupos
M e N, que abrangem toda a var iação observada fora da África.
Fonte: Phylotree, 2016. ("http://www.phylotree.org” ).
Nesse sentido, os haplogrupos mitocondriais, por serem caracterizados por
polimorfismos específicos, podem estar associados a condições fisiológicas no
Marina de Paula Andres INTRODUÇÃO
24
metabolismo intracelular ou a doenças: os haplogrupos T e U, por exemplo, já
foram associados com redução na motilidade do esperma (25); haplogrupos J e
Uk são encontrados em corredores de alta performance de curtas distâncias e o
haplogrupo I em corredores de alta performance de longa distância. De forma
inversa, os polimorfismos e, portanto, seus respectivos haplogrupos, podem
determinar alterações cruciais no metabolismo de oxigênio e aumento do stress
oxidativo e já foram associados a diversas doenças metabólicas, degenerativas,
infecciosas e autoimunes como diabetes melito, miopatias, carcinoma
hepatocelular, dentre outras (23; 26-30).
1.4. Heteroplasmia
Algumas doenças associadas ao mtDNA e suas variações fenotípicas
poderiam ser explicadas pela presença de heteroplasmia do mtDNA, que
consiste na co-expressão, em um mesmo indivíduo, da variante selvagem e da
variante polimórfica em graus variados (31; 32). Devido ao grande número de
cópias do mtDNA em cada célula, uma mutação ocorrida em apenas algumas
delas pode resultar em uma mistura de diversas sequê ncias de mtDNA dentro
da mitocôndria, célula, tecido ou órgão (33).
A heteroplasmia pode se manifestar de duas maneiras: sequência e
comprimento (deleção ou inserção). A heteroplasmia de sequência, ou de ponto,
tem origem quando duas linhagens de mtDNA diferem pela substituição de uma
única base (Figura 4). A heteroplasmia de comprimento é definida quando há
variação no número de bases em uma região homopolimérica, tipicamente na
concentração de bases C
s ou repetições de AC s (Figura 5). As regiões
homopoliméricas de C-stretch estão localizadas entre as posições 16.184 e
16.193 na região HV1, entre 303 e 315 em HV2 e entre 568 e 573 em HV3. Na
região HV3, entre os nucleotídeos 515 e 524, pode ser observada a ocorrência
de heteroplasmia de comprimento com adição ou deleção de dinucleotídeos ACs
(Figura 6) (31; 34).
O aumento da quantidade de heteroplasmia intracelular pode conferir uma
vantagem adaptativa ou determinar um defeito bioquímico no metabolismo de
oxigênio celular, aumentando a produção de radicais livres de oxigênio,
causando defeito na síntese de ATP, disfunção e morte celular (22).
Marina de Paula Andres INTRODUÇÃO
25
Figura 4 - Eletroferogramas exemplificando heteroplasmias de ponto
A: Indivíduo com heteroplasmia de ponto na posição 16.278, com a presença das bases T e C.
B: Indivíduo com heteroplasmia de ponto na posição 16.241, com a presença das bases A e G.
Fonte: Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho,
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
Figura 5 - Eletroferogramas exemplificando uma heteroplasmia de comprimento na região HV1
A: Indivíduo sem a heteroplasmia de comprimento. B: Indivíduo com heteroplasmia de
comprimento devido à presença de 1C na posição 16.189 (ao invés do T) e a inserção de 1C na
posição 16.193, resultando em um trecho heteroplasmático, que resulta na leitura fora de fase a
3’ do ponto de heteroplasmia.
Fonte: Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho, FMUSP.
Figura 6 - Eletroferogramas exemplificando heteroplasmia de comprimento na região HV3
.
A: Indivíduo sem a heteroplasmia de comprimento, com 5 conjuntos de dinucleotídeos AC. B:
Indivíduo com heteroplasmia de comprimento devido à inserção de um dinucleotídeo AC na
posição 524. C: Indivíduo com heteroplasmia de comprimento devido à deleção de um
dinucleotídeo AC na posição 524.
Fonte: Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho, FMUSP.
Marina de Paula Andres INTRODUÇÃO
26
1.5. DNA mitocondrial e endometriose
Alguns trabalhos já relacionaram o DNA mitocondrial e a presença de
endometriose em populações asiáticas e são descritos abaixo.
Cho et al. (36), em 2012, analisaram 365 mulheres coreanas na menacme
submetidas a cirurgias eletivas, sendo 198 diagnosticadas com endometriose e
167 controles. As pacientes com endometriose foram classificadas como estádio
I (n = 26), II (n = 11), III (n = 80) e IV (n = 81), de acordo com a ASRM (2). Foram
avaliados os polimorfismos A10.398G, G13 .708A e T16.189C. Dentre esses, o
T16.189C foi encontrado em uma frequência significativamente maior no grupo
com endometriose quando comparado ao grupo controle (45,9% versus 34,7%;
p = 0,03), com odds ratio de 1,598 (IC 95%: 1,046 - 2,442).
Govatati et al. (37), em 2012, pesquisaram os polimorfismos do mtDNA em
amostras de endométrio tópico e de lesões de endometriose em 32 pacientes
indianas com endometriose moderada ou grave e avaliaram os haplogrupos
mitocondriais de 128 amostras de sangue periférico de pacientes com
endometriose confirmada e de 90 controles. Foram observados diferentes
polimorfismos na região controladora em 45,1% das amostras de endométrio,
sendo 6 heteroplasmias de ponto observadas apenas nas lesões de
endometriose. Foram identificados 39 haplogrupos mitocondriais entre pacientes
e controles, sendo que o haplogrupo M5 (característico de populações do Sul da
Ásia) apresentou frequência significativamente mais elevada entre pacientes
com endometriose em comparação ao grupo controle (19,5% versus 3,3% ,
respectivamente; p = 0,00069).
Em 2013, o mesmo grupo de Govatati et al. (17) estudou 152 mulheres
indianas com idades entre 20 e 40 anos e endometriose confirmada
histologicamente. As pacientes apresentavam endometriose estádio III (n = 98)
ou IV (n = 54) da ASRM (2). Foram incluídas 150 pacientes inférteis no grupo
controle, submetidas à laparoscopia diagnóstica, sem endometriose. A partir do
sequenciamento completo da região controladora do mtDNA de todas as
amostras, observou-se que as frequências dos polimorfismos A189G (49%
versus 33%; p = 0,0455), 310C (51% versus 43%; p = 0,354) e T16.189C (41%
versus 17%; p = 0,0005) foram significativamente maiores nas pacientes com
endometriose quando comparadas àquelas sem a doença.
Marina de Paula Andres INTRODUÇÃO
27
1.6. Justificativa do estudo
Crescente evidência tem demonstrado que o stress oxidativo pode estar
relacionado à etiopatogenia da endometriose (12). Sendo a mitocôndria o maior
gerador intracelular de espécies reativas de oxigênio, polimorfismos na região
controladora do DNA mitocondrial podem alterar a transcrição e expressão dos
genes mitocondriais, aumentando ou diminuindo a produção de tais elem entos.
Além disso, estudos em famílias e irmãs gêmeas sugerem também uma
predisposição genética ao desenvolvimento da endometriose. A avaliação
genômica desses indivíduos já permitiu identificar diversos polimorfismos em
genes que codificam proteínas relac ionadas à resposta imune, citocinas,
moléculas de adesão, inflamação e stress oxidativo relacionados com a doença
(10; 38).
A relação do mtDNA e endometriose já foi descrita em alguns estudos que
avaliaram o fluido peritoneal e lesões da doença (39; 40). Nas populações
coreana e indiana já foi sugerida a associação de alguns polimorfismos da região
controladora do mtDNA com a endometriose (17; 36; 37; 41).
Dessa forma, baseado no conhecimento de que os polimorfismos podem
ser específicos para cada população estudada e que a brasileira é altamente
miscigenada, elaboramos o presente estudo para avaliar de forma inédita a
possível associação dos polimorfismos da região controladora do DNA
mitocondrial e dos haplogrupos mitocondriais com a presença de endometriose,
em amostra de mulheres brasileiras.
2. OBJETIVO
29
2. OBJETIVO
Avaliar
a associação dos polimorfismos da região controladora ( D-loop)
do DNA mitocondrial e dos haplogrupos mitocondriais com a presença de
endometriose em amostra de mulheres brasileiras.
Marina de Paula Andres OBJETIVO
3. CASUÍSTICA E MÉTODOS
Marina de Paula Andres CASUÍSTICA E MÉTODOS
31
3. CASUÍSTICA E MÉTODOS
3.1. Casuística
Esse estudo foi realizado no Setor de Endometriose da Divisão de Clínica
Ginecológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo ( FMUSP), onde foram recrutadas as participantes ,
em colaboração com o Laboratório de Imuno -Hematologia e Hematologia
Forense (LIM 40), do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina
Social e do Trabalho da FMUSP, onde foi realizada a análise genética do mtDNA.
As pacientes foram divididas em dois grupos: endometriose (pacientes com
endometriose confirmada histologicamente, n = 90) e controles (pacientes sem
endometriose, n = 92). As pacientes foram previamente informadas sobre o
estudo e o material biológico (sangue) foi coletado após a assinatura do Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexos A e B). A coleta das amostras
respeitou os protocolos técnicos do hospital e dos médicos envolvidos e a
pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa
(CAPPesq) do Hospital das Clínicas da FMUSP sob o parecer 534714/14 (Anexo
C).
3.1.1. Critérios de inclusão
Para o grupo com endometriose , os critérios de inclusão foram: mulheres
com idade entre 18 e 50 anos com endometriose comprovada histologicamente.
Para o grupo controle, foram selecionadas mulheres entre 18 e 50 anos
submetidas a cirurgias por leiomioma uterino, hidrossalpinge, teratoma ovariano,
cistos benignos ovarianos ou laqueadura tubária, de acordo com indicação
apropriada dos Setor es de Planejamento Familiar e Grupo Cirúrgico Geral da
Divisão de Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas da FMUSP, momento
em que foi verificada a ausência de endometriose.
3.1.2. Critérios de exclusão
Foi considerado critério de exclusão a presença de comorbidades
previamente associadas aos polimorfismos do mtDNA, como insuficiência renal
Marina de Paula Andres CASUÍSTICA E MÉTODOS
32
crônica, carcinoma hepatocelular e doença coronariana (42). Foram também
excluídas pacientes com diagnóstico de adenomiose.
3.1.3. Dinâmica do estudo
Após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, foi
realizada a coleta de amostra de sangue periférico das pacientes que atenderam
aos critérios de inclusão e exclusão acima descritos, no ambulatório do Setor de
Endometriose (grupo endometriose) ou na enfermaria da Divisão de Clínica
Ginecológica do Hospital da Clínicas da FMUSP (grupo controle). O fluxograma
da dinâmica do estudo está representado na Figura 7.
Todas as pacientes incluídas responderam a um questionário (Anexo D)
aplicado por esta pesquisadora, com dados demográficos, presença dos
sintomas típicos da doença (dismenorreia, dor pélvica crônica, dispareunia de
profundidade, dor ao evacuar cíclica, disúria cíclica e infertilidade), graduação de
zero a dez dos sintomas dolorosos pela escala visual analógica de do r (EVA),
uso de medicações e comorbidades.
Os dados cirúrgicos foram levantados do prontuário eletrônico, bem como o
estádio da doença pela cla ssificação da ASRM (Anexo E), resultado do exame
anatomopatológico da lesão e classificação por tipo de lesão: superficial (doença
exclusivamente peritoneal, com infiltração menor que 5 mm), ovariana (presença
do endometrioma cístico ovariano com ou sem le são peritoneal) ou profunda
(presença de qualquer lesão profunda com infiltração maior que 5 mm) (3).
As amostras foram processadas e analisadas no Laboratório de Imuno -
Hematologia e Hematologia Forense (LIM 40) da FMUSP.
Marina de Paula Andres CASUÍSTICA E MÉTODOS
33
Figura 7 - Fluxograma representando a dinâmica do estudo
ASRM: American Society for Reproductive Medicine (2).
Fonte: Departamento de Ginecologia e Obstetrícia , FMUSP.
Grupo endometriose
(n = 90)
Grupo Controle
(n = 92)
Coleta de 4 mL de sangue periférico
Assinatura do TCLE
Extração do DNA
Sequenciamento da região
controladora do mtDNA
Comparação com a Sequência de
Cambridge revisada
(Polimorfismos)
Determinação dos haplótipos e
haplogrupos mitocondriais
• Mulheres 18-50 anos
• Diagnóstico histológico
• Classificação ASRM
• Tipo de endometriose
(superficial, ovariana,
profunda)
• Mulheres 18-50 anos
• Mioma uterino (n=44)
• Laqueadura tubária (n=30)
• Teratoma ovariano (n=13)
• Hidrossalpinge (n=2)
• Cistoadenoma ovariano (n=3)
Marina de Paula Andres CASUÍSTICA E MÉTODOS
34
3.1.4. Cálculo do tamanho da amostra
Não havendo estudo prévio sobre o mtDNA e endometriose em mulheres
brasileiras, o cálculo amostral foi baseado no estudo de Govatati et al. (25), no
qual o polimorfismo T16.189C foi encontrado em apr oximadamente 17% da
população geral e em 41% das mulheres com endometriose. Baseado nesses
dados, com intervalo de confiança e poder de 95%, a amostra necessária para
encontrar esta diferença em mulheres brasileiras seria de 87 mulheres em cada
grupo (com e sem a doença).
O cálculo da amostra seguiu a fórmula abaixo (31):
Onde: p
1 é a frequência do polimorfismo T16 .189C nas mulheres sem
endometriose; p2 é a frequência do polimorfismo T16 .189C nas mulheres com
endometriose; e Z são os valores da distribuição normal padrão com confiança
1-α e poder 1-β.
3.2. Métodos
3.2.1. Coleta de amostras
Foram coletados, por punção venosa periférica de antebraço , 4 mL de
sangue total em tubo com EDTA e armazenad os em geladeira a 4 ºC para
posterior processamento.
3.2.2. Extração de DNA
A extração do DNA foi realizada pelo processo de Salting-out, de acordo
com protocolo previamente publicado (44), à medida que as amostras foram
coletadas. O DNA extraído foi eluído em tampão de Tris-EDTA, quantificado em
espectrofotômetro Nanodrop 2.000 (Thermo Fisher), aliquotado e armazenado
em microtubos a temperatura de -20 °C para posterior sequenciamento e análise
de polimorfismos.
( ) ( )
( )
2
21
2211
2
βα/2
pp
)p(1p)p(1px ZZn
-
-+-+=
Marina de Paula Andres CASUÍSTICA E MÉTODOS
35
3.2.3. Amplificação do mtDNA
A região controladora do mtDNA foi amplificada e analisada em todas as
amostras para construção das sequências, análise dos polimorfismos dessa
região, composição dos haplótipos e classificação dos respectivos haplogrupos
mitocondriais.
Os DNAs foram submetidos a uma única reação de PCR para amplificação
da sequência do nucleotídeo 15.879 ao 727, contendo 1.417 pb, abrangendo as
três regiões de interesse (HV1, HV2 e HV3). Os componentes, bem como as
condições de ciclagem necessárias para realização da reação de PCR, estão
descritos nas Tabelas 1 e 2, respectivamente. Os primers utilizados (Invitrogen
Life Technologies) foram o L15.879 e H727 e suas respectivas sequências estão
descritas na Tabela 3. Após este procedimento, foi realizada a purificação dos
produtos de PCR com a utilização de Exonuclease I e Shrimp Alkaline
Phosphatase (EXO/SAP, Thermo Fisher Scientific), segundo recomendações do
fabricante.
Tabela 1 - Volume e concentrações dos reagentes utilizados na reação de cadeia da polimerase
(PCR) para amplificação da região controladora do DNA mitocondrial
Componentes Concentração
Volume
(uL)
DNA 50 ng/uL 2
Primer Forward (F) 2,5 pmol/uL 0,4
Primer Reverse (R) 2,5 pmol/uL 0,4
dNTP 1,25 mM 0,8
Enzima Taq DNA Polimerase 5U/uL 0,15
Tampão da Enzima 10x 1
MgCl2 50 mM 0,3
Água ultrapura - 4,95
DNA: ácido desoxirribonucleico ; dNTP: desoxirribonucleotídeo tri -fosfatado; MgCL2: cloreto de
magnésio
Marina de Paula Andres CASUÍSTICA E MÉTODOS
36
Tabela 2 - Condições de temperatura , tempo e número de ciclos da reação de cadeia da
polimerase (PCR) utilizadas para amplificação da região controladora do DNA mitocondrial
Etapas
Temperatura
(°C)
Tempo
(min)
Ciclos
(n)
Desnaturação inicial 95 1 1
Desnaturação 95 1
36 Anelamento 60 1
Extensão 72 1
Extensão Final 72 7 1
Min: minutos; n: número de ciclos; °C: graus Celsius.
3.2.4. Reação de sequenciamento
Os produtos de PCR foram sequenciados com a utilização do BigDye
Terminator Cycle Sequencing Kit v3.1 (Applied Biosystems, Foster City, CA),
conforme protocolo do fabricante. As amostras foram sequenciadas nas duas
direções, forward e reverse, utilizando-se os mesmos primers da reação de PCR,
L15.879 e H727, respectivamente. Nas amostras que apresentaram
heteroplasmia de comprimento nas regiões HV1 ou HV2 foram usados
adicionalmente os primers H16.548 e L16.413 (Tabela 3), respectivamente, em
uma nova reação de sequenciamento para garantir a leitura de todas as bases
dessas regiões.
Após as reações de sequenciamento, foi realizada eletroforese capilar com
a utilização do sequenciador automático ABI3130 ( Applied Biosystems, Foster
City, CA).
Marina de Paula Andres CASUÍSTICA E MÉTODOS
37
Tabela 3 - Primers utilizados no estudo para as reações de PCR e sequenciamento da região
controladora do DNA mitocondrial
Primer Região Sequência Direção
L15.879 HV 1 5’-AATGGGCCTGTCCTTGTAGT-3’ Foward
H16.548 HV 1 5’-GGGAACGTGTGGGCTATTTA-3’ Reverse
H727 HV 3 5’-AGGGTGAACTCACTGGAACG-3’ Reverse
L16.413 HV 2 5’-TGAAATCAATATCCCGCACA-3’ Foward
As sequências individuais foram alinhadas e comparadas com a
sequência padrão Revised Cambridge Reference Sequence (rCRS) (21)
utilizando o programa BioEdit (http://www.mbio.ncsu.edu/BioEdit/bioedit.html).
Os polimorfismos são apresentados como sendo diferenças em relação à
sequência referência rCRS. Todos os polimorfismos observados só foram
considerados reais quando confirmados pelo sequenciamento da fita reversa e
nomeados de acordo com as recomendações (18; 45-47).
Para definição final do haplótipo foi utilizado o programa Haplosite
(http://www.haplosite.com/haplosearch) e, a partir dos haplótipos finais
individuais, foi possível a classificação dos haplogrupos mitocondriais, utilizando
o aplicativo Haplogrep (http://haplogrep.uibk.ac.at). Esse aplicativo é baseado
em dados do site Phylotree, que utiliza algoritmos para a classificação
automática dos haplogrupos mitocondriais. O programa apresenta como
resultado a posição filogenética do respectivo haplogrupo, em forma de árvores
filogenéticas, proporcionando assim, uma explicação detalhada de como e
porque o indivíduo foi classificado naquele haplogrupo (48).
Para as análises das frequências dos polimorfismos encontrados e para
conferir a existência de seus relatos anteriores, foi consultado o banco de dados
do genoma mitocondrial humano, MITOMAP (24). Esse banco relata dados
publicados e não publicados sobre as variações do mtDNA.
O sequenciamento e a análise dos polimorfismos da região controladora do
mtDNA compreendendo as regiões HV1, HV2 e HV3 foram realizados em todas
as amostras.
Marina de Paula Andres CASUÍSTICA E MÉTODOS
38
3.2.5. Análise estatística
As variáveis qualitativas foram descritas segundo grupos com uso de
frequências absolutas e relativas e foi verificada a associação com os grupos
com uso de testes qui-quadrado, teste da razão de verossimilhanças ou teste
exato de Fisher. As variáveis contínuas foram descritas segundo grupos com uso
de medidas resumo (média e desvio padrão) e comparadas entre os grupos com
uso do teste T-Student ou teste Mann-Whitney (43). Foram considerados
estatisticamente significantes os valores de p menores que 0,05.
4. RESULTADOS
Marina de Paula Andres RESULTADOS
40
4. RESULTADOS
4.1. Avaliação Clínica
Foram incluídas 90 pacientes no grupo endometriose (EDT) e 92 no grupo
controle (CT). A média etária das pacientes foi de 39,2 ± 6,2 anos no grupo EDT
e de 40,1 ± 9,8 anos no grupo CT. Os grupos foram semelhantes quanto à idade,
grau de instrução e cor de pele autodeclarada (Tabela 4).
As mulheres incluídas nos grupos endometriose eram, em sua maioria,
casadas ou amasiadas ( 69,8%), de pele branca (49,4%) e sem comorbidades
(63,3%). O grupo controle foi composto, em sua maioria, de mulheres casadas
ou amasiadas (65,2%), de pele parda (46,2%) e sem comorbidades (64,1%). As
principais comorbidades observadas foram hipertensão arterial ( 17,8% grupo
endometriose vs. 21,7% grupo controle, respectivamente), diabetes melito tipo 2
(2,2% vs. 4,3%) e hipotireoidismo (3,3% vs. 1,0%). Quando comparadas ao
grupo controle, as mulheres do grupo endometriose apresentaram menor
número de gestações (1,1 ± 1,4 vs. 2,0 ± 1,7 ; p<0,001, respectivamente). No
grupo controle, as pacientes usavam menos métodos contraceptivos hormonais,
em comparação ao grupo endometriose (29,7% versus 44,9%; p = 0,034; Tabela
4).
Marina de Paula Andres RESULTADOS
41
Tabela 4 - Dados demográficos e clínicos das pacientes incluídas no estudo no s grupos controle
(CT) e endometriose (EDT)
Variável
Grupo, n (%)
Total p
Controle (n=92) EDT (n=90)
Estado civil
Solteira 27 (29,3) 21 (23,6) 48 (26,4)
0,1161
Casada/ Amasiada 60 (65,2) 62 (69,7) 122 (67,0)
Separada 2 (2,2) 6 (6,7) 8 (4,4)
Viúva 3 (3,3) 0 (0) 3 (1,7)
Instrução
1º Grau 21 (22,8) 18 (20,2) 39 (21,5)
0,1781 2º Grau 51 (55,4) 40 (44,9) 91 (50,3)
Superior 20 (21,7) 31 (34,8) 51 (28,2)
Cor de pele
Branca 36 (39,6) 44 (49,4) 80 (44,4)
0,6051
Parda 42 (46,2) 35 (39,3) 77 (42,8)
Negra 12 (13,2) 9 (10,1) 21 (11,7)
Amarela 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1)
Anticoncepcional hormonal 27 (29,7) 40 (44,9) 67 (37,2) 0,0342
Sem comorbidades 59 (64,1) 57 (63,3) 116 (63,7) 0,9112
Tabagismo 9 (9,9) 5 (5,6) 14 (7,8) 0,2852
AF de endometriose 3 (3,3) 8 (9) 11 (6,1) 0,1112
AF: antecedente familiar. 1Teste da razão de verossimilhanças; 2Teste qui-quadrado.
Foram incluídas no grupo controle mulheres submetidas à cirurgia por
mioma uterino (47,8 %, n = 44), laqueadura tubária (3 2,6%, n = 30), teratoma
ovariano (14,1%, n = 13), cistoadenoma ovariano (3,3%, n = 3) e hidrossalpinge
(2,2%, n = 2). No Gráfico 1 estão representadas as pacientes do grupo
endometriose por tipo e estádio da ASRM da doença (2).
Marina de Paula Andres RESULTADOS
42
Gráfico 1 - Classificação da American Society for Reproductive Medicine e por tipo de lesão
das pacientes incluídas no grupo endometriose (n= 90)
ASRM: American Society for Reproductive Medicine (2).
Fonte: Departamento de Ginecologia e Obstetrícia , FMUSP.
As pacientes do grupo endometriose apresent aram como principal
sintoma a dismenorreia (73,3%), seguido de dor pélvica crônica (56,7%). Os
sintomas álgicos típicos da doença ocorreram em maior frequência no grupo
EDT quando comparados ao grupo CT para todos os sintomas avaliados . A
dismenorreia foi classificada como severa (EVA ≥ 7) em maior número de
mulheres no grupo endometriose quando comparadas ao grupo controle (62,2%
vs. 41,8%, p = 0,006). Os resultados se encontram resumidos na Tabela 5.
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
18
0
36 36
17
3
70
ASRM
Marina de Paula Andres RESULTADOS
43
Tabela 5 - Quadro clínico das pacientes incluídas nos grupos controle (CT) e endometriose (EDT)
Sintoma
Grupo, n (%)
Total p*
CT (n=92) EDT (n=90)
Infertilidade 5 (5,5) 23 (25,8) 28 (15,6) <0,001
Dismenorreia (EVA ≥ 7) 38 (41,8) 56 (62,2) 94 (51,9) 0,006
Dispareunia de
profundidade
28 (30,8) 48 (53,3) 76 (42) 0,002
Dor pélvica crônica 21 (23,1) 51 (56,7) 72 (39,8) <0,001
Alterações intestinais 0 (0) 21 (23,3) 21 (11,6) <0,001
Alterações urinárias 2 (2,2) 9 (10) 11 (6,1) 0,028
EVA: escala visual analógica de dor. *Teste qui-quadrado.
4.2. Análise Genética
Foram observados 205 polimorfismos diferentes na região controladora do
mtDNA nas amostras avaliadas. Destes, 85,3% estavam localizados nas regiões
hipervariáveis: 120 (58,5%) na HV1, 35 (17,0%) na HV2 e 20 (9,7%) na HV3
(Apêndices A e B).
As heteroplasmias encontradas est ão resumidas na Tabela 6. Foram
observadas heteroplasmias de ponto em dois indivíduos do grupo endometriose
e dois do grupo controle, todas na posição 73 (A/G), sem diferença entre os
grupos (2,2% vs. 2,2%, respectivamente; p > 0,999). A heteroplasmia de
comprimento foi a forma mais comum das heteroplasmias na s mulheres
incluídas. Na região HV1, a transição de T para C na posição 16.189 (T16.189C)
ocorreu em 43,3% (n = 39) das pacientes no grupo endometriose e 3 4,0% (n =
37) no grupo controle, sem diferença estatisticamente significante (p = 0,450). A
combinação do polimorfismo T16.189C com a inserção de Cs na posição 16.193
foi também semelhante entre os grupos avaliados (Tabela 6 , Figura 8). Nas
regiões HV2 e HV3 também foram observadas heteroplasmias de comprimento,
nas posições 310, 315, 523 e 524, com frequências semelhantes entre os grupos
avaliados (Tabela 6). Alguns exemplos estão nas Figuras 9 e 10 . Na posição
573, a inserção de 2 citosinas foi observada em maior frequência no grupo
controle (29,3%) em comparação ao grupo endometriose (5,6%).
Marina de Paula Andres RESULTADOS
44
Tabela 6 - Análise estatística das h eteroplasmias da região controladora do DNA mitocondrial
encontradas nos grupos controle (CT) e endometriose (EDT)
Heteroplasmia Grupo, n(%)
p*
Tipo Região Localização CT (n=92) EDT (n=90)
Ponto HV3 73 A/G 2 (2,2) 2 (2,2) >0,999
Comprimento HV1 16.182C 3 (3,3) 4 (4,4) 0,719
16.189C 34 (37,0) 39 (43,3) 0,450
16.188C.1C 2 (2,2) 7 (7,8) 0,098
16.188C.2C 24 (26,1) 22 (24,4) 0,865
Comprimento HV2 310.1C 44 (47,8) 48 (53,3) 0,463
310.2C 5 (5,4) 10 (11,1) 0,187
315.1C 89 (96,7) 90 (100) 0,246
Comprimento HV3 524.1AC 1 (1,1) 2 (2,2) 0,619
524.2AC 0 (0) 2 (2,2) 0,243
523del 35 (38,0) 31 (34,4) 0,646
524del 35 (38,0) 31 (34,4) 0,646
573.1C 4 (4,3) 0 (0) 0,121
573.2C 27 (29,3) 5 (5,6) <0,001
*Teste Qui-quadrado.
Marina de Paula Andres RESULTADOS
45
Figura 8 - Eletroferogramas de indivíduos com heteroplasmia de comprimento na região 16.193
e transição no nucleotídeo 16.189
As setas pretas indicam a heteroplasmia de comprimento e as setas vermelhas a heteroplasmia
de ponto.
A: inserção de 1C na posição 16.193. B: inserção de 2Cs na posição 16.193.
Fonte: Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho,
FMUSP.
Figura 9 - Eletroferogramas apresentando indivíduos com heteroplasmia de comprimento na
região HV2, posição 309 e inserção de 1C na posição 315
A: inserção de 1C na posição 309 e 1C na posição 315. B: inserção de 2C s na posição 309 e
1C na posição 315.
Fonte: Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho,
FMUSP.
Figura 10 - Heteroplasmia de comprimento na região HV3, entre os nucleotídeos 515 e 524
A: Indivíduo com adição de um AC na posição 524 (AC 6). B: Indivíduo com adição de 2 ACs na
posição 524 (AC7).
Fonte: Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho,
FMUSP.
Marina de Paula Andres RESULTADOS
46
Uma paciente com diagnóstico de teratoma ovariano apresentou uma
duplicação de 15 nucleotídeos na região HV 1, da posição 16.032 à 16.118
(TCTCTGTTCTTTCAT), representada na Figura 11, pertencente ao haplogrupo
africano L1C2.
Figura 11 - Duplicação de 15 nucleotídeos entre as posições 16.018 e 16.032 do DNA
mitocondrial
A: Eletroferograma de um indivíduo mostrando a sequência normal entre as posições 16.018 e
16.032 (colchetes). B: Eletroferograma mostrando a sequência de nucleotídeos de uma paciente
com teratoma ovariano com duplicação de 15 nucleotídeos entre as posições 1 6.018 e 16.032
(colchetes).
Marina de Paula Andres RESULTADOS
47
Na Tabela 7 estão destacados os polimorfismos com diferença
estatisticamente significante entre os grupos: 4 deles relacionados com a
presença de endometriose (G185A, T236C, G499A e T16.217C) e um (T146C)
associado à ausência de doença. Além disso, encontram-se listados a
frequência dos polimorfismos A189G e 310C , relacionados previamente à
endometriose por outros autores, que, no entanto, tiveram frequência
semelhante entre os grupos em nossa amostra.
Tabela 7 - Polimorfismos na região controladora do DNA mitocondrial nos grupos controle (CT)
e endometriose (EDT)
Posição rCRS SNP
Grupo, n(%)
Total,
n(%)
p* CT (n=92) EDT (n=90)
146 T C 30 (32,6) 17 (18,9) 47 (25,8) 0,042
185 G A 0 (0) 6 (6,7) 6 (3,3) 0,013
236 T C 0 (0) 5 (5,6) 5 (2,7) 0,028
499 G A 4 (4,3) 12 (13,3) 16 (8,8) 0,038
16.217 T C 5 (5,4) 13 (14,4) 18 (9,9) 0,049
189 A G 11 (12) 12 (13,3) 23 (12,6) 0,826
310 - 1C 44 (47,8) 48 (53,3) 92 (50,5) 0,463
310 - 2C 5 (5,4) 10 (11,1) 15 (8,2) 0,187
*Teste exato de Fisher; rCRS: sequência referência de Cambridge revisada (21); SNP: single
nucleotide polymorphism ou polimorfismo de base única.
Na amostra total foram encontrados 182 haplótipos. Desses, 180 foram
únicos e 2 comuns a mais de um indivíduo. A distribuição dos haplogrupos
mitocondriais foi semelhante entre os grupos e est á resumida na Tabela 8. Os
resultados mostraram que das 92 pacientes do grupo controle , 48,9%
pertenciam a haplogrupos africanos, 30,4% a haplogrupos ameríndios, 19,6%
europeus e 1,1% asiáticos. No grupo endometriose, a maioria das pacientes
apresentou haplogrupo africano (40,0%), seguidas do ameríndio (33,3%),
europeu (21,1%) e asiático (5,6%).
Marina de Paula Andres RESULTADOS
48
Tabela 8 - Distribuição e análise estatística dos haplogrupos mitocondriais nos grupos controle
(CT) e endometriose (EDT)
Haplogrupo
Grupo, n(%)
Total p*
CT (n=92) EDT (n=90)
Africano 45 (48,9) 36 (40) 81 (44,5)
0,263
Ameríndio 28 (30,4) 30 (33,3) 58 (31,9)
Europeu 18 (19,6) 19 (21,1) 37 (20,3)
Asiático 1 (1,1) 5 (5,6) 6 (3,3)
*Teste da razão de verossimilhanças .
A distribuição dos subhaplogrupos mitocondriais foi semelhante entre os
grupos endometriose e controle ( Apêndice C). No grupo endometriose, não
houve diferença nos haplogrupos entre os estádios da ASRM e os tipos de lesão
(Tabela 9). Na avaliação do grupo controle, a distribuição também foi semelhante
por tipo de doença tratada ou laqueadura tubária (Tabela 10).
Tabela 9 - Distribuição dos h aplogrupos mitocondriais por estádio e tipo de lesão no grupo
endometriose
Variável
Haplogrupo, n(%)
Total
(n=90)
p*
Africano
(n=36)
Ameríndio
(n=30)
Europeu
(n=19)
Asiático
(n=5)
Estádio ASRM
I - II 6 (16,7) 4 (13,3) 7 (36,8) 1 (20) 18 (20)
0,255
III - IV 30 (83,3) 26 (86,7) 12 (63,2) 4 (80) 72 (80)
Tipo EDT
Superficial 5 (13,9) 5 (16,7) 6 (31,6) 1 (20) 17 (18,9)
Ovariana 1 (2,8) 0 (0) 1 (5,3) 1 (20) 3 (3,3) 0,310
Profunda 30 (83,3) 25 (83,3) 12 (63,2) 3 (60) 70 (77,8)
ASRM: American Society for Reproductive M edicine; EDT: endometriose; *Teste da razão de
verossimilhanças.
Marina de Paula Andres RESULTADOS
49
Tabela 10 - Distribuição dos haplogrupos mitocondriais por subgrupo no grupo controle
Diagnóstico
Haplogrupo, n(%)
Total
(n=92)
p* Africano
(n=45)
Ameríndio
(n=28)
Europeu
(n=18)
Asiático
(n=1)
Laqueadura 15 (33,3) 6 (21,4) 8 (44,4) 1 (100) 30 (32,6)
0,375
Mioma 23 (51,1) 14 (50) 7 (38,9) 0 (0) 44 (47,8)
Teratoma 5 (11,1) 6 (21,4) 2 (11,1) 0 (0) 13 (14,1)
Cistoadenoma 2 (4,4) 0 (0) 1 (5,6) 0 (0) 3 (3,3)
Hidrossalpinge 0 (0) 2 (7,1) 0 (0) 0 (0) 2 (2,2)
*Teste da razão de verossimilhanças .
5. DISCUSSÃO
Marina de Paula Andres DISCUSSÃO
51
5. DISCUSSÃO
Endometriose é uma doença ginecológica benigna, caracterizada por
sintomas dolorosos intensos, relacionados ao período menstrual (49). Há
evidências crescentes de que o estresse oxidativo está envolvido na sua
patogênese (11; 12). Dessa forma, os polimorfismos na região controladora do
mtDNA podem levar à alteração na replicação e transcrição dos genes
mitocondriais, afetando a função mitocondrial e a geração intracelular de
espécies reativas de oxigênio (12). Estudos recentes sugerem que os
polimorfismos do mtDNA estão relacionados à endometriose (17; 36; 37).
No presente trabalho realizamos o sequenciamento e a identificação dos
polimorfismos e haplogrupos da regiã o controladora do mtDNA em mulheres
com e sem endometriose.
Dados clínicos e epidemiológicos
Em nosso estudo, incluímos pacientes com endometriose confirmada
histologicamente e, em aproximadamente 70% dos casos , o acometimento era
do tipo profundo, sendo 70% estádios III-IV da ASRM (2).
Os sintomas foram prevalentes e acometeram a maioria das pacientes
com endometriose incluídas, sendo a dismenorreia o mais importante deles,
afetando 73,3% das mulheres, com intensidade classificada como severa em
62,2% dos casos. Todos os sintomas dolorosos tipicamente relacionados à
endometriose foram mais prevalentes no grupo EDT em comparação ao grupo
controle (4). Alguns autores, de forma concordante com nosso trabalho, já
demonstraram a correlação da presença e intensidade dos sintomas com a
doença, podendo chegar a uma p revalência de 62,9% de dismenorreia nas
pacientes com endometriose profunda (4; 50; 51).
Em casais inférteis, 54% podem apresentar endometriose e, entre
mulheres com endometriose, a prevalência de infertilidade é de
aproximadamente 35% (1; 52; 53). Esses resultados são comparáveis aos
obtidos em nossa amostra, na qual o grupo endometriose apresentou maior
frequência de infertilidade conjugal (25,8% vs. 5,5%) e número de gestações
menor (1,1 ± 1,4 vs. 2,0 ± 1,7 gestações) em comparação ao grupo controle.
Marina de Paula Andres DISCUSSÃO
52
O tratamento dos sintomas da endometriose baseia -se no bloqueio
ovulatório com o uso de contraceptivos hormonais, buscando, assim, a
supressão hormonal dos focos de doença e diminuição da inflamação local (54).
O principal objetivo desse tratamento é a melhora da qualidade de vida,
relacionada à melhora do quadro clínico, estabilização da lesão e diminuição da
taxa de recorrência da doença. O contraceptivo hormonal é a primeira linha n o
tratamento dos sintomas dolorosos relacionados à endometriose, tem baixo
custo e é de fácil acesso, além de promover o planejamento familiar (49). Dessa
forma, é esperada uma alta prevalência do uso de tratamento hormonal nas
pacientes com endometriose que, em nossa casuística, foi observado em quase
metade das pacientes com a doença.
Quanto ao grupo controle, este foi representado em 48% por mulheres
portadoras de mioma uterino e 50% por laqueadura tubária ou cistoadenoma de
ovário. Os miomas são os tumores ginecológicos mais frequentes em mulheres
em idade reprodutiva e podem acometer até 77% das mulheres (55). Dentre os
fatores de risco no seu desenvolvimento est ão etnia, idade e obesidade (55).
Tipicamente, esses tumores são hormônio-dependentes, surgindo durante o
período reprodutivo. Estudos GWAS (genome-wide association studies )
demonstraram que genes nucleares estão associados aos miomas uterinos;
porém, até o presente momento, nenhum polimorfismo ou alteração na
expressão do mtDNA foi identificado (55).
Pejić et al. (56), em 2009, compararam o stress oxidativo em amostras de
endométrio de pacientes com miomas uterinos, pólipos endometriais, hiperplasia
de endométrio e câncer endometrial . Os resultados mostraram que os miomas
uterinos têm atividade oxidativa diminuída e atividade anti-oxidativa aumentada
em relação às doenças pré-malignas e malignas (56). De forma inversa, estudo
de Ota H et al. (57), mostrou que a atividade da enzima catalase é aumentada
no endométrio tópico e nas lesões de pacientes com endometriose e
adenomiose, mostrando um aumento da atividade oxidativa. Dessa forma, tendo
como limitação o número de pacientes submetidas a laqueadura tubária em
nosso serviço, o fato de que não há evidência de que os miomas uterinos estão
relacionados ao stress oxidativo e baseado na análise por subgrupo do grupo
controle, que não demonstrou diferença significativa na frequência de
Marina de Paula Andres DISCUSSÃO
53
polimorfismos e haplogrupos mitocondriais (Tabela 10), a inclusão de pacientes
submetidas à cirurgia por leiomioma uterino no grupo controle parece se
justificar.
Polimorfismos do DNA mitocondrial
Os polimorfismos mitocondriais herdados, como aqueles que definem os
haplogrupos mitocondriais, podem afetar diretamente o metabolismo oxidativo
intracelular e a susceptibilidade a doenças (58). Em nosso estudo, encontramos
diferença significativa entre as mulheres com e sem endometriose e a presença
dos polimorfismos T146C, G185A, T236C, G499A, 573.2C e T16.217C, os quais
serão detalhados a seguir.
Posição 146
O polimorfismo T146C é característico do haplogrupo mitocondrial
africano L2 e foi observado em maior frequência no grupo controle (32,6%), em
comparação ao grupo endometriose (18,9%; p = 0,042). Govatati et al., em 2013
(1), reportaram frequência também maior no grupo controle (22.7%) em
comparação ao grupo endometriose (15.8% ), porém sem diferença
estatisticamente significante.
Alguns estudos já relacionaram a presença desse polimorfismo como fator
de risco independente em algumas neoplasias , como linfoma não-Hodking e
carcinoma hepatocelular (59-61). No entanto, no que concerne doenças
ginecológicas, esse é o primeiro relato da literatura. Apesar de ser considerada
uma doença benigna, a endometriose muitas vezes tem um comportamento
semelhante aos tumores malignos, como invasão e destruição de tecidos,
disseminação linfo-hemática e implantação à distância (62). Além disso, as
lesões de endometriose podem ter expressão desregulada de genes como o
Connective Tissue Growth Factor, p53 e MYC, os quais já foram descritos em
vias de sinalização do câncer, atuando na adesão celular, facilitação de
metástases e contribuição ao processo de malignização das células (63).
Marina de Paula Andres DISCUSSÃO
54
Posição 185
O polimorfismo G185A foi observado em nossa amostra em 6 (6,7%)
mulheres com endometriose e nenhuma paciente d o grupo controle (p = 0,01).
De forma semelhante, Govatati et al . (17) reportaram uma baixa frequência
desse polimorfismo, identificado em apenas 0,6% das pacientes com
endometriose (1/152) e nenhuma do grupo controle (0/150).
O polimorfismo G185A pertence aos haplogrupos J1b1a1d e J1C. O
haplogrupo J é identificado em aproximadamente 12% das populações nativas
da Europa, sendo o subhaplogrupo J1 o mais frequente, em torno de 80%, e
espalhado uniformemente por todo o continente europeu (64). O polimorfismo
G185A não foi associado a nenhuma doença até o presente momento, no
entanto, o haplogrupo mitocondrial J1 já foi relacionado com o aumento de 2,4
vezes na incidência de diabetes melito tipo 2 e com o au mento da penetrância
da Neuropatia Óptica Hereditária de Leber (65; 66).
Posição 236
O polimorfismo T236C foi observado apenas em mulheres com
endometriose em nosso estudo ( n = 5, 5,6%; p = 0,028). Esse polimorfismo é
característico do haplogrupo mitocondrial L0 e já foi associado à Síndrome de
Leigh, caracterizada pela deficiência isolada do Complexo I da cadeia
respiratória mitocondrial (67). Não há dados na literatura que correlacionem esse
polimorfismo com endometriose ou outras doenças ginecológicas até o presente
momento.
Posição 499
A troca de G por A na posição 499 esteve significativamente associada à
presença de endometriose em noss o trabalho (13,3% versus 4,3%; p = 0,03).
Esse polimorfismo é característico do haplogrupo mitocondrial U4, concentrado
principalmente nas populações europeias. Embora o polimorfismo G499A não
tenha sido descrito em nenhuma doença até o momento, o haplogru po U4 foi
relacionado com maior proteçã o contra acidente vascular cerebral (68) e
diminuição da velocidade de progressão d a Síndrome da Imunodeficiência
Adquirida (69).
Marina de Paula Andres DISCUSSÃO
55
Posição 573
Em nossa amostra, observamos frequência menor da inserção de duas
citosinas na posição 573 (573.2C) em mulheres com endometriose em relação
ao grupo controle (5,6% vs. 29,3%; p <0,001). Nessa posição, tipicamente pode
ocorrer a heteroplasmia de comprimento, definida pela co existência de pelo
menos duas populações de moléculas de mtDNA em um extrato de DNA que
diferem no número de nucleotídeos e, portanto, no s eu comprimento (23). Em
geral, as heteroplasmias são observadas em trechos homopoliméricos que
ocorrem em grande frequência entre as posições 16,024–16,365, 73–340 e 438–
574 (23).
A relevância biológica das heteroplasmias ainda não é completamente
compreendida. Sabe-se que os tecidos de um mesmo indivíduo podem
apresentar diferentes heteroplasmias de comprimento, o que poderia determinar
diferentes fenótipos. Além disso, o acúmulo de heteroplasmias ao longo das
gerações pode levar ao aparecimento de determinadas doenças, como miopatia
mitocondrial ácido lática e episódios semelhantes a ac idente vascular cerebral,
síndrome de Kearns–Sayre e epilepsia mioclônica com fibras rotas vermelhas
(70).
Futuramente, a avaliação destas heteroplasmias em amostras de
endométrio tópico e ectópic o poderá trazer novas informações para a
patogênese da endometriose.
Posição 16217
O polimorfismo T16.217C pertencente ao haplogrupo B4 , característico
do sul da Ásia, foi observado em frequência maior no grupo endometriose
(14,4%) em comparação ao controle (5,4%; p = 0,049). Em estudo de 2013, com
população coreana (17), este mesmo polimorfismo foi observado em frequência
menor que a nossa: 1,9% das pacientes com endometriose e 0,7% daquelas
sem a doença, sem diferença significante entre os grupos.
Outras doenças relacionadas ao stress oxidativo, como diabetes melito ,
também já foram relacionadas à presença do T16.217C (71).
Marina de Paula Andres DISCUSSÃO
56
Posição 10.018
Observamos uma duplicação de 15 pb potencialmente patogênica na
região HV1 do mtDNA, entre os nucleotídeos 16.018 e 16.032, em uma paciente
do grupo controle com teratoma ovariano maduro. Essa duplicação engloba
parte do gene mitochondrially encoded tRNA proline (MT-TP gene), que é
compreendido entre as posições 15.955 e 16.023 do mtDNA e que codifica o
MT-TP, um RNA pequeno, não codificador, de 68 nucleotídeos (19; 26). Outras
mutações nesse gene já foram reportadas em pacientes com e pilepsia
mioclônica com fibras rotas vermelhas (72), retinose pigmentar (73), surdez (73),
miopatias (74) e cardiomiopatia dilatada (26).
As duplicações mitocondriais acometem principalmente a região
controladora (D-loop). A mais comum é uma duplicação de 260 pb entre os
nucleotídeos 308 e 567, reportada em pacientes com miopatia mitocondrial (75).
Duplicações já foram relatadas também em pacientes com diferentes tipos de
câncer, dentre eles gástrico, mamário, hepatocelular, cólon e pulmonar (76),
além de oftalmoplegia crônica progressiva externa (77; 78), síndrome de Kearns-
Sayre (79) e síndrome de Pearson (80).
Os teratomas são tumores nos quais estão presentes os tipos celulares
representativos das três camadas germinativas (ectoderme, mesoderme e
endoderme) e são as neoplasia ovarianas benignas mais comuns, com
incidência de 20 a 25% (81; 82). Além disso, a capacidade de formação de
teratomas representa um marcador da pluripotência no estudo de indução da
formação de células tronco pluripotentes (iPSCs), que são derivadas de células
adultas somáticas (83; 84). As iPSCs são semelhantes às células -tronco
pluripotentes naturais em muitos aspectos, tais como a expressão de genes e
proteínas, padrões de metilação da cromatina e tempo de duplicação (85).
Existem poucos estudos sobre o papel do metabolismo mitocondrial n o
mecanismo biológico das células-tronco e estes demonstraram que aquelas
células que apresentam baixa taxa de consumo de oxigênio a nível mitocondrial
tem uma capacidade reduzida de formar teratomas (85; 86).
A duplicação encontrada em nosso trabalho é inédita em pacientes com
teratoma ovariano. Outrossim, já foi relatada previamente por nosso grupo em
um indivíduo com cardiomiopatia dilatada (26). Ambos indivíduos foram
Marina de Paula Andres DISCUSSÃO
57
classificados como pertencentes ao haplogroupo L1c2, de forma que a
duplicação pode tratar-se de uma mutação rara por efeito fundador comum aos
dois pacientes.
Posições 189, 310 e 16.189
No presente estudo não encontramos associação entre endometriose e
os polimorfismos T16.189C, A189G e 310C, previamente reportada nas
populações coreana e indiana (17; 36).
A frequência do polimorfismo A189G em nossa amostra foi de 13,3% no
grupo endometriose, enquanto na população indiana, essa frequência chegou a
41% de mulheres com a doença (17). No grupo sem endometriose, a frequência
que observamos do A189G foi de 12,0%, pouco menor do que a reportada por
outros autores, de 17% (17).
A inserção de uma citosina na posição 310 (310C) foi observada no nosso
estudo em 53,3% das pacientes incluídas com endometriose e 47,8% daquelas
sem endometriose, sem diferença estatisticamente significante. Essa frequência
foi diferente daquela reportada por Govatati et al., em 2013, que observaram
maior prevalência desse polimorfismo em pacientes com a doença ( 33,5% vs.
22,7%; p<0,05) (17)
A substituição do nucleotídeo T pelo C na posição 16.189 não esteve
associada a presença de endometriose em nossa casuística, resultado oposto
daquele encontrado por outros autores (17; 36). A frequência desse polimorfismo
em nossa amostra de mulheres com endometriose foi de 43,3%, semelhante à
reportada na população coreana (45,9%), porém maior que a reportada na
população indiana (27,0%). Por outro lado, nas mulheres sem endometriose,
encontramos frequência de 37,0%, superior à reportada em ambos os estudos
(34,7% e 11,3%, respectivamente) (17; 36).
Haplogrupos mitocondriais
A ancestralidade mitocondrial é diretamente relacionada com o proc esso
de migração das populações, de forma que se observa uma distribuição não
homogênea nas diferentes regiões do Brasil, fruto do processo de colonização.
Na região Nordeste predomina a ancestralidade mitocondrial africana, resultado
Marina de Paula Andres DISCUSSÃO
58
da imigração dos escravos africanos; na região Norte, predomina a
ancestralidade ameríndia, proveniente da ocupação dos povos indígenas sul-
americanos; enquanto na s regiões Sul e Sudeste predomina a ancestralidade
europeia, proveniente dos colonos europeus (87-89).
Em nosso trabalho, observamos maior prevalência do haplogrupo
mitocondrial africano (44,5%), seguido do ameríndio (31,9%), europeu (20,3%)
e asiático (3,3%). Essa proporção foi semelhante à relatada por outros autores
em indivíduos brasileiros do estado de São Paulo (90-92).
Não encontramos associação significativa de nenhuma das
ancestralidades ou haplogrupos mitocondriais com a presença de endometriose,
estádio da ASRM ou por subtipo da doença (superficial, ovariana ou profunda).
Esse resultado foi diferente do de Govatati et al., em população indiana, que
encontraram uma frequência maior dos haplogrupos mitocondriais M5 e N em
mulheres com endometriose em relação aos controles (37; 41). O haplogrupo
M5 é específico do sul asiático e não foi observado em nenhuma paciente em
nossa amostra, enq uanto o haplogrupo N é derivado do haplogrupo L3,
distribuído pelo norte da África, Eurásia e Oceania, e foi observado em apenas
6 pacientes (3,2%) em nossa casuística (93; 94).
Considerações finais
O presente estudo avaliou de forma inédita da associação dos
polimorfismos e haplogrupos da região controladora do mtDNA com
endometriose no Brasil. As limitações deste trabalho encontram-se
principalmente na heterogeneidade do subgrupo das pacientes incluídas que,
por serem recrutadas em um hospital terciário, no grupo endometriose incluíram
em sua maioria doenças do tipo profundo e estádios avançados e, no grupo
controle, incluiu doenças do trato genital feminino, como mioma uterino e
teratoma ovariano em aproximadamente metade dos casos.
Os resultados encontrados mostraram associação de determinados
polimorfismos do mtDNA com a presença de endometriose em mulheres
brasileiras que diferiram, porém, de estudos realizados previamente em
populações homogêneas da Coreia e Índia. Vale ressaltar, que estudos
genéticos na população brasileira são particularmente desafiadores, uma vez
Marina de Paula Andres DISCUSSÃO
59
que esta possui múltiplas ancestralidades e alta miscigenação. Tais resultados
díspares suscitam a questão de fisiopatologias diferentes, multifatoriais,
concorrendo para uma via final comum, a endometriose. Ademias, tendo em
vista que até o presente momento poucos estudos foram conduzidos nessa
temática e que a frequência das mutacões do mtDNA são específicas para cada
região geográfica, para a generalização dos resultados, faz-se necessária a
avaliação do mtDNA em mulheres com endometriose em diferentes populações
e regiões do Brasil e do mundo. Não obstante, na era da medicina de precisão,
caracterizada pelo uso de análises genômicas par a o desenvolvimento de
diagnósticos e tratamentos direcionados para cada paciente, estudos em
pesquisa básica são fundamentais não apenas para aprofundar nosso
entendimento sobre a fisiopatologia de doenças complexas, como também para
servir de fundamento para novos potencias alvos terapêuticos, dando a
esperança aos nossos pacientes de sempre melhorar e direcionar seus
cuidados, especialmente para uma doenç a prevalente e debilitante como a
endometriose.
6. CONCLUSÕES
Marina de Paula Andres CONCLUSÃO
61
6. CONCLUSÕES
Os polimorfismos G185A, T236C, G499A e T16217C da região
controladora do DNA mitocondrial foram associados com a presença de
endometriose em amostra de mulheres brasileiras, enquanto o s polimorfismos
T146C e 573.2C foram associados com a ausência da doença. Não houve
diferença significativa entre a ancestralidade ou haplogrupos mitocondriais e a
presença, estádio da ASRM ou tipo de endometriose.
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Marina de Paula Andres REFERÊNCIAS
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ANEXOS
Marina de Paula Andres ANEXOS
74
ANEXOS
ANEXO A - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (grupo controle)
Marina de Paula Andres ANEXOS
75
Continuação do ANEXO A - Termo de Consentimento Livr e e Esclarecido (grupo controle)
Marina de Paula Andres ANEXOS
76
Conclusão do ANEXO A - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (grupo controle)
Marina de Paula Andres ANEXOS
77
ANEXO B - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (grupo endometriose)
Marina de Paula Andres ANEXOS
78
Continuação do ANEXO B - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (grupo endometriose)
Marina de Paula Andres ANEXOS
79
Conclusão do ANEXO B - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (grupo endometriose)
Marina de Paula Andres ANEXOS
80
ANEXO C - Parecer consubstanciado da Comissão de Ética para Análise de Projetos de
Pesquisa (CAPPesq)
Marina de Paula Andres ANEXOS
81
Conclusão do ANEXO C - Parecer consubstanciado da Comissão de Ética para Análise de
Projetos de Pesquisa (CAPPesq)
Marina de Paula Andres ANEXOS
82
ANEXO D - Questionário para coleta de dados das pacientes incluídas no estudo
Marina de Paula Andres ANEXOS
83
Conclusão do ANEXO D - Questionário para coleta de dados das pacientes incluídas no
estudo
Marina de Paula Andres ANEXOS
84
ANEXO E - Estadiamento da endometriose proposto pela American Society for Reproductive
Medicine em 1996 (2).
Estadiamento da endometriose ASRM (1996)
ENDOMETRIOSE 3 cm
PERITÔNIO
Superficial 1 2 4
Profunda 2 4 6
OVÁRIO D
Superficial 1 2 4
Profunda 4 16 20
OVÁRIO E
Superficial 1 2 4
Profunda 4 16 20
OBLITERACAO DO FUNDO DE SACO
POSTERIOR
Parcial Completa
4 40
ADERÊNCIAS 2/3 Envolvidos
OVÁRIO D
Velamentosa 1 2 4
Densa 4 8 16
OVÁRIO E
Velamentosa 1 2 4
Densa 4 8 16
TROMPA D
Velamentosa 1 2 4
Densa 4* 8* 16
TROMPA E
Velamentosa 1 2 4
Densa 4* 8* 16
Estádio I (mínima): 1 -5 Estádio II (leve): 6 -15
Estádio III (moderada): 16 -40 Estádio IV (severa): >40
*Se as fímbrias tubárias estiverem totalmente envolvidas por aderências, mude o escore para 16.
Porcentagem de implantes:
Lesões vermelhas (claras, vermelhas, rosadas, em chama, vesículas): ___%
Lesões brancas (brancas, amareladas, marrons, defeitos de peritônio): ___%
Lesões pretas (pretas, depósitos de hemossi derina, azuis): ___%
Endometriose adicional : _________________________________________
Usar em caso de trompas
e ovários normaisE D
Usar em caso de trompas
e ovários anormaisE D
APÊNDICES
Marina de Paula Andres APÊNDICES
86
APÊNDICES
APÊNDICE A - Polimorfismos da região controladora do DNA mitocondrial das posições 16024
a 16387, contendo a região HV1 nos grupos endometriose e controle
Variável
Controle
(N = 92)
EDT
(N = 90)
Total
(N = 182)
p
1. 16.031G 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
2. 16.051G 3 (3,3) 4 (4,4) 7 (3,8) 0,719
3. 16.063C 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
4. 16.067T 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
5. 16.071T 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
6. 16.073.1C 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
7. 16.078T 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
8. 16.086C 5 (5,4) 2 (2,2) 7 (3,8) 0,444
9. 16.087C 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
10. 16.092C 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
11. 16.093C 6 (6,5) 5 (5,6) 11 (6) >0,999
12. 16.097C 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
13. 16.098G 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
14. 16.104T 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
15. 16.111T 11 (12) 4 (4,4) 15 (8,2) 0,104
16. 16.114A 3 (3,3) 1 (1,1) 4 (2,2) 0,621
17. 16.123A 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
18. 16.124C 8 (8,7) 3 (3,3) 11 (6) 0,212
19. 16.126C 11 (12) 9 (10) 20 (11) 0,814
20. 16.129A 13 (14,1) 12 (13,3) 25 (13,7) >0,999
21. 16.129C 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
22. 16.145A 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
23. 16.148T 0 (0) 4 (4,4) 4 (2,2) 0,058
24. 16.153A 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
25. 16.154C 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
26. 16.162G 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
27. 16.163G 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
Marina de Paula Andres APÊNDICES
87
Continuação APÊNDICE A - Polimorfismos da região controladora do DNA mitocondrial das
posições 16024 a 16387, contendo a região HV1 nos grupos endometriose e controle
Variável
Controle
(N = 92)
EDT
(N = 90)
Total
(N = 182)
p
28. 16.168T 0 (0) 3 (3,3) 3 (1,6) 0,119
29. 16.171 DEL 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
30. 16.172C 6 (6,5) 10 (11,1) 16 (8,8) 0,306
31. 16.176T 0 (0) 4 (4,4) 4 (2,2) 0,058
32. 16.178C 1 (1,1) 3 (3,3) 4 (2,2) 0,365
33. 16.179T 2 (2,2) 1 (1,1) 3 (1,6) >0,999
34. 16.182C 3 (3,3) 4 (4,4) 7 (3,8) 0,719
35. 18.182 DEL 0 (0) 2 (2,2) 2 (1,1) 0,243
36. 16.183C 10 (10,9) 16 (17,8) 26 (14,3) 0,208
37. 19183DEL 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
38. 16.184T 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
39. 16.185T 1 (1,1) 2 (2,2) 3 (1,6) 0,619
40. 16.187T 14 (15,2) 10 (11,1) 24 (13,2) 0,512
41. 16.188T 14 (15,2) 10 (11,1) 24 (13,2) 0,512
42. 16.188G 0 (0) 4 (4,4) 4 (2,2) 0,058
43. 16.188 INS 1C 2 (2,2) 7 (7,8) 9 (4,9) 0,098
44. 16.188 INS 2C 24 (26,1) 22 (24,4) 46 (25,3) 0,865
45. 16.189C 34 (37) 39 (43,3) 73 (40,1) 0,450
46. 16.192T 6 (6,5) 2 (2,2) 8 (4,4) 0,278
47. 16.193T 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
48. 16.197G 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
49. 16.203G 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
50. 16.207G 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
51. 16.209C 4 (4,3) 2 (2,2) 6 (3,3) 0,682
52. 16.213A 5 (5,4) 1 (1,1) 6 (3,3) 0,211
53. 16.214T 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
54. 16.215G 2 (2,2) 0 (0) 2 (1,1) 0,497
55. 16.217C 5 (5,4) 13 (14,4) 18 (9,9) 0,049
Marina de Paula Andres APÊNDICES
88
Continuação APÊNDICE A - Polimorfismos da região controladora do DNA mitocondrial das
posições 16024 a 16387, contendo a região HV1 nos grupos endometriose e controle
Variável
Controle
(N = 92)
EDT
(N = 90)
Total
(N = 182)
p
56. 16.218T 2 (2,2) 0 (0) 2 (1,1) 0,497
57. 16.221T 0 (0) 2 (2,2) 2 (1,1) 0,243
58. 16.223T 69 (75) 55 (61,1) 124 (68,1) 0,056
59. 16.224C 1 (1,1) 4 (4,4) 5 (2,7) 0,208
60. 16.230G 0 (0) 4 (4,4) 4 (2,2) 0,058
61. 16.234T 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
62. 16.235G 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
63. 16.239T 1 (1,1) 2 (2,2) 3 (1,6) 0,619
64. 16.241G 1 (1,1) 2 (2,2) 3 (1,6) 0,619
65. 16.245T 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
66. 16.246T 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
67. 16.248T 3 (3,3) 0 (0) 3 (1,6) 0,246
68. 16.249C 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
69. 16.256T 2 (2,2) 1 (1,1) 3 (1,6) >0,999
70. 16.260T 0 (0) 4 (4,4) 4 (2,2) 0,058
71. 16.261T 2 (2,2) 2 (2,2) 4 (2,2) >0,999
72. 16.262T 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
73. 16.263C 2 (2,2) 1 (1,1) 3 (1,6) >0,999
74. 16.264T 5 (5,4) 3 (3,3) 8 (4,4) 0,721
75. 16.265C 3 (3,3) 3 (3,3) 6 (3,3) >0,999
76. 16.266T 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
77. 16.270T 8 (8,7) 3 (3,3) 11 (6) 0,212
78. 16.271C 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
79. 16.274A 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
80. 16.278T 30 (32,6) 26 (28,9) 56 (30,8) 0,632
81. 16.284G 3 (3,3) 0 (0) 3 (1,6) 0,246
82. 16.286A 0 (0) 2 (2,2) 2 (1,1) 0,243
83. 16.286G 3 (3,3) 1 (1,1) 4 (2,2) 0,621
Marina de Paula Andres APÊNDICES
89
Continuação APÊNDICE A - Polimorfismos da região controladora do DNA mitocondrial das
posições 16024 a 16387, contendo a região HV1 nos grupos endometriose e controle
Variável
Controle
(N = 92)
EDT
(N = 90)
Total
(N = 182)
p
84. 16.286T 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
85. 16.287T 2 (2,2) 0 (0) 2 (1,1) 0,497
86. 16.288C 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
87. 16.290T 12 (13) 8 (8,9) 20 (11) 0,479
88. 16.291T 3 (3,3) 4 (4,4) 7 (3,8) 0,719
89. 16.292T 4 (4,3) 4 (4,4) 8 (4,4) >0,999
90. 16.293G 6 (6,5) 2 (2,2) 8 (4,4) 0,278
91. 16.294T 21 (22,8) 15 (16,7) 36 (19,8) 0,354
92. 16.295T 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
93. 16.296T 2 (2,2) 2 (2,2) 4 (2,2) >0,999
94. 16.298C 8 (8,7) 8 (8,9) 16 (8,8) >0,999
95. 16.301T 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
96. 16.302G 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
97. 16.304C 3 (3,3) 3 (3,3) 6 (3,3) >0,999
98. 16.305G 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
99. 16.309G 7 (7,6) 8 (8,9) 15 (8,2) 0,793
100. 16.311C 21 (22,8) 17 (18,9) 38 (20,9) 0,586
101. 16.312G 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
102. 16.316G 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
103. 16.318T 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
104. 16.319A 10 (10,9) 8 (8,9) 18 (9,9) 0,805
105. 16.320T 6 (6,5) 7 (7,8) 13 (7,1) 0,781
106. 16320A 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
107. 16.324C 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
108. 16.325C 9 (9,8) 7 (7,8) 16 (8,8) 0,795
109. 16.327T 10 (10,9) 8 (8,9) 18 (9,9) 0,805
110. 16.335T 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
111. 16.342C 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
Marina de Paula Andres APÊNDICES
90
Conclusão APÊNDICE A - Polimorfismos do Da região controladora do DNA mitocondrial das
posições 16024 a 16387, contendo a região HV1 nos grupos endometriose e controle
Variável
Controle
(N = 92)
EDT
(N = 90)
Total
(N = 182)
p
112. 16.343G 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
113. 16.344T 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
114. 16.355T 4 (4,3) 1 (1,1) 5 (2,7) 0,368
115. 16.360T 8 (8,7) 4 (4,4) 12 (6,6) 0,372
116. 16.362C 22 (23,9) 19 (21,1) 41 (22,5) 0,724
117. 16.368C 2 (2,2) 1 (1,1) 3 (1,6) >0,999
118. 16.372C 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
119. 16.380A 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
120. 16.381C 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
Dados expressos como n (%); Teste exato de Fisher .
Marina de Paula Andres APÊNDICES
91
APÊNDICE B - Polimorfismos da região controladora do DNA mitocondrial das posições 1 a 727,
contendo as regiões HV2 e HV3 nos grupos endometriose e controle
Variável
Controle
(N = 92)
EDT
(N = 90)
Total
(N = 182)
p
121. 45G 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
122. 57G 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
123. 59C 2 (2,2) 0 (0) 2 (1,1) 0,497
124. 62A 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
125. 64T 6 (6,5) 7 (7,8) 13 (7,1) 0,781
126. 65A 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
127. 73G 79 (85,9) 75 (83,3) 154 (84,6) 0,685
128. 73R 2 (2,2) 2 (2,2) 4 (2,2) >0,999
129. 89C 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
130. 93G 5 (5,4) 7 (7,8) 12 (6,6) 0,565
131. 95C 0 (0) 3 (3,3) 3 (1,6) 0,119
132. 103A 0 (0) 3 (3,3) 3 (1,6) 0,119
133. 143A 9 (9,8) 4 (4,4) 13 (7,1) 0,249
134. 146C 30 (32.6) 17 (18.9) 47 (25.8) 0,042
135. 150T 17 (18,5) 10 (11,1) 27 (14,8) 0,211
136. 151T 12 (13) 5 (5,6) 17 (9,3) 0,125
137. 152C 49 (53,3) 41 (45,6) 90 (49,5) 0,304
138. 153G 10 (10,9) 8 (8,9) 18 (9,9) 0,805
139. 182T 18 (19,6) 9 (10) 27 (14,8) 0,095
140. 183G 2 (2,2) 1 (1,1) 3 (1,6) >0,999
141. 185A 0 (0) 6 (6.7) 6 (3.3) 0,013
142. 185T 6 (6,5) 2 (2,2) 8 (4,4) 0,278
143. 186A 9 (9,8) 4 (4,4) 13 (7,1) 0,249
144. 188G 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
145. 189C 9 (9,8) 4 (4,4) 13 (7,1) 0,249
146. 189G 11 (12) 12 (13.3) 23 (12.6) 0,826
147. 194T 4 (4,3) 2 (2,2) 6 (3,3) 0,682
148. 195C 32 (34,8) 27 (30) 59 (32,4) 0,529
Marina de Paula Andres APÊNDICES
92
Continuação APÊNDICE B - Polimorfismos da região controladora do DNA mitocondrial das
posições 1 a 727, contendo as regiões HV2 e HV3 nos grupos endometriose e controle
Variável
Controle
(N = 92)
EDT
(N = 90)
Total
(N = 182)
p
149. 198T 11 (12) 9 (10) 20 (11) 0,814
150. 199C 4 (4,3) 2 (2,2) 6 (3,3) 0,682
151. 200G 7 (7,6) 9 (10) 16 (8,8) 0,610
152. 204C 4 (4,3) 3 (3,3) 7 (3,8) >0,999
153. 207A 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
154. 210G 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
155. 211G 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
156. 215G 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
157. 217C 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
158. 228A 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
159. 235G 11 (12) 9 (10) 20 (11) 0,814
160. 236C 0 (0) 5 (5.6) 5 (2.7) 0,028
161. 239C 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
162. 247A 15 (16,3) 12 (13,3) 27 (14,8) 0,678
163. 249 DEL 8 (8,7) 8 (8,9) 16 (8,8) >0,999
164. 251A 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
165. 252C 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
166. 257G 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
167. 263G 88 (95,7) 87 (96,7) 175 (96,2) >0,999
168. 271T 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
169. 279C 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
170. 290 DEL 7 (7,6) 7 (7,8) 14 (7,7) >0,999
171. 291 DEL 7 (7,6) 7 (7,8) 14 (7,7) >0,999
172. 293C 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
173. 295G 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
174. 297G 7 (7,6) 6 (6,7) 13 (7,1) >0,999
175. 310 INS 1C 44 (47.8) 48 (53.3) 92 (50.5) 0,463
176. 310 INS 2C 5 (5.4) 10 (11.1) 15 (8.2) 0,187
Marina de Paula Andres APÊNDICES
93
Continuação APÊNDICE B - Polimorfismos da região controladora do DNA mitocondrial das
posições 1 a 727, contendo as regiões HV2 e HV3 nos grupos endometriose e controle
Variável
Controle
(N = 92)
EDT
(N = 90)
Total
(N = 182)
p
177. 315 INS 1C 89 (96,7) 90 (100) 179 (98,4) 0,246
178. 316A 9 (9,8) 4 (4,4) 13 (7,1) 0,249
179. 325T 2 (2,2) 1 (1,1) 3 (1,6) >0,999
180. 337 INS 1A 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
181. 340T 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
182. 357G 6 (6,5) 2 (2,2) 8 (4,4) 0,278
183. 385G 1 (1,1) 3 (3,3) 4 (2,2) 0,365
184. 408A 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
185. 418T 2 (2,2) 1 (1,1) 3 (1,6) >0,999
186. 445A 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
187. 447T 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
188. 455 INS.1T 0 (0) 2 (2,2) 2 (1,1) 0,243
189. 460C 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
190. 471C 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
191. 489C 10 (10,9) 11 (12,2) 21 (11,5) 0,820
192. 493G 4 (4,3) 5 (5,6) 9 (4,9) 0,746
193. 497T 1 (1,1) 1 (1,1) 2 (1,1) >0,999
194. 499A 4 (4.3) 12 (13.3) 16 (8.8) 0,038
195. 508G 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
196. 511T 0 (0) 1 (1,1) 1 (0,5) 0,495
197. 512A 2 (2,2) 1 (1,1) 3 (1,6) >0,999
198. 523 DEL 35 (38) 31 (34,4) 66 (36,3) 0,646
199. 524 DEL 35 (38) 31 (34,4) 66 (36,3) 0,646
200. 524 INS.1CA 1 (1,1) 2 (2,2) 3 (1,6) 0,619
201. 524 INS.1CACA 0 (0) 2 (2,2) 2 (1,1) 0,243
202. 534T 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
203. 548G 1 (1,1) 0 (0) 1 (0,5) >0,999
204. 573 INS.1C 4 (4,3) 0 (0) 4 (2,2) 0,121
205. 573 INS.2C 27 (29,3) 5 (5,6) 32 (17,6) <0,001
Marina de Paula Andres APÊNDICES
94
APÊNDICE C - Distribuição dos subhaplogrupos mitocondriais nos grupos controle (CT) e
endometriose (EDT)
Subhaplogrupo Haplogrupo CT EDT Total p*
n % n % n %
A Ameríndio 0 0,0 1 1,1 1 0,5 0,06
A2 Ameríndio 11 12,0 5 5,6 16 8,8
A5 Ameríndio 1 1,1 0 0,0 1 0,5
A6 Ameríndio 0 0,0 2 2,2 2 1,1
B2 Ameríndio 4 4,3 6 6,7 10 5,5
B4 Ameríndio 1 1,1 7 7,8 8 4,4
B6 Ameríndio 0 0,0 1 1,1 1 0,5
C0 Ameríndio 3 3,3 0 0,0 3 1,6
C1 Ameríndio 6 6,5 2 2,2 8 4,4
C2 Ameríndio 0 0,0 1 1,1 1 0,5
C3 Ameríndio 0 0,0 1 1,1 1 0,5
C4 Ameríndio 0 0,0 1 1,1 1 0,5
C5 Ameríndio 0 0,0 1 1,1 1 0,5
C6 Ameríndio 0 0,0 1 1,1 1 0,5
D1 Ameríndio 1 1,1 0 0,0 1 0,5
D4 Ameríndio 1 1,1 1 1,1 2 1,1
H1 Europeu 3 3,3 2 2,2 5 2,7
H10 Europeu 0 0,0 2 2,2 2 1,1
H2 Europeu 4 4,3 0 0,0 4 2,2
H27 Europeu 0 0,0 2 2,2 2 1,1
H3 Europeu 0 0,0 3 3,3 3 1,6
H4 Europeu 1 1,1 0 0,0 1 0,5
H5 Europeu 1 1,1 0 0,0 1 0,5
H6 Europeu 0 0,0 1 1,1 1 0,5
HV0 Europeu 1 1,1 0 0,0 1 0,5
JT Europeu 1 1,1 0 0,0 1 0,5
K1 Europeu 1 1,1 3 3,3 4 2,2
L0 Africano 0 0,0 5 5,6 5 2,7
L1 Africano 14 15,2 7 7,8 21 11,5
L2 Africano 12 13,0 11 12,2 23 12,6
L3 Africano 18 19,6 13 14,4 31 17,0
L4 Africano 1 1,1 0 0,0 1 0,5
M2 Asiático 0 0,0 1 1,1 1 0,5
M9 Asiático 1 1,1 0 0,0 1 0,5
N1 Asiático 0 0,0 1 1,1 1 0,5
N9 Asiático 0 0,0 1 1,1 1 0,5
R0 Europeu 0 0,0 2 2,2 2 1,1
T2 Europeu 2 2,2 2 2,2 4 2,2
U2 Europeu 0 0,0 1 1,1 1 0,5
U3 Europeu 1 1,1 0 0,0 1 0,5
U5 Europeu 2 2,2 0 0,0 2 1,1
W3 Europeu 0 0,0 1 1,1 1 0,5
W6 Europeu 1 1,1 0 0,0 1 0,5
X2 Asiático 0 0,0 1 1,1 1 0,5
Z4 Asiático 0 0,0 1 1,1 1 0,5
*Teste da razão de verossimilhanças .