Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose

In: Ciências da Saúde: Atualização de Área - janeiro e fevereiro de 2023 · 2023 · doi:10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 · W4363624476
book-chapter OA: bronze CC0 ⤵ 1 in-corpus citation
AI-generated summary by claude@2026-06, 2026-06-09

Endometriosis-associated pelvic pain, exacerbated by inflammation, involves a complex "brain-body-brain" interplay through stress, neurotransmitters, and cytokines that perpetuates the condition.

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O capítulo revisa a dor relacionada à endometriose, descrevendo a doença como presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina e destacando sintomas como dismenorreia intensa e dores pélvicas crônicas, frequentemente associadas a endometriose. A autora discute que, apesar da forte associação entre dor pélvica crônica e endometriose, a etiologia, a fisiopatologia e as vias nociceptivas que geram os sintomas permanecem pouco compreendidas, o que limita a efetividade das intervenções terapêuticas e afeta qualidade de vida e fertilidade. Como base conceitual, o texto usa a definição da IASP de dor como experiência emocional ligada a lesão tecidual presente ou potencial. Este paper é um capítulo de revisão centrado em endometriose — focado na modulação estrogênica da dor relacionada à condição.

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Abstract

A endometriose caracteriza-se pela observação do tecido endometrial fora da cavidade uterina, na região pélvica e tecidos adjacentes ao útero, e pode desencadear sintomas que variam de dismenorreia a dores pélvicas intensas e infertilidade. Um sintoma chave na suspeita da doença é o surgimento ou a exacerbação de dismenorreia refratária ao tratamento convencional. Tem sido observada forte associação entre dor pélvica crônica e endometriose. Apesar disso, a etiologia, a fisiopatologia e as vias nociceptivas que desencadeiam os sintomas de dor na endometriose permanecem não compreendidas, o que tem resultado em intervenções terapêuticas não efetivas que comprometem a qualidade de vida e a fertilidade da mulher. A IASP (International Association for the Study of Pain) define a dor como uma experiência emocional, com sensação desagradável, associada à lesão tecidual presente, potencial ou descrita como tal43. Sendo assim, eis que a dor por si só poderia estabelecer uma interação cérebro-corpo através do estresse que provoca. Entretanto, o estresse “inflamatório periférico” – descrito na endometriose – e a potência de sintomas clínicos como a dor crônica podem por sua vez induzir a resposta à doença, a qual pode ser intitulada “inter-relação corpo-cérebro” (Figura 1) (TARIVERDIAN et al., 2007; WANG et al., 2021). Tal relação pode subsequentemente perpetuar a percepção do estresse e disparar a liberação de hormônio liberador de corticotropina (CRH) pelo sistema nervoso central (SNC) e dar início a alterações no comportamento, através da circulação aumentada de citocinas que cruzam a barreira hematoencefálica ou pela estimulação de vias aferentes vagais pelas citocinas pró-inflamatórias peritoneais (TARIVERDIAN et al., 2007; KONINCKX et al., 2021). A percepção do estresse agrava a angiogênese e a inflamação peritoneal, a dor crônica e a infertilidade em pacientes com endometriose via circuitos neurais envolvendo as catecolaminas, CRH, fator de crescimento neural (NGF), substância P (SP), e peptídeo relacionado com o gene da calcitonina (CGRP); isto pode ser referido como “inter-relação cérebro-corpo-cérebro” já que envolve a resposta central ao estresse. Como resultado, observa-se um ciclo vicioso “cérebro-corpo-cérebro” nas pacientes que sofrem com a endometriose (TARIVERDIAN et al., 2007; MARQUARDT et al., 2019; WANG et al., 2021).
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Carla Viana Dendasck Organizadores Carla Viana Dendasck Anísio Francisco Soares Cláudio Alberto Gellis de Mattos Dias Débora Teixeira da Cruz Marcia Rodrigues Dos Santos Denilson Carlos Ferreira Lopes Sabrynna Brito Oliveira Enrico Jardim Clemente Santos Izael Oliveira Silva Fernanda Vicioni Marques Paulo Cesar Gonçalves de Azevedo Filho Darlan Tavares dos Santos https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da- saude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2087 Mesa Editorial Alfredo Cesar Antunes Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG Anísio Francisco Soares Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE Antonio Luiz da Silva Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência – FUNAD e Instituto dos Cegos da Paraíba – ICPAC – Adalgisa Cunha Claudio Alberto Gellis de Mattos Dias Instituto Federal do Amapá – IFAP Daniela da Silva Santos Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ Darlan Tava res dos Santos Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da- saude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2087 Debora Teixeira da Cruz Centro Universitário Unigran Capital – Campo Grande – MS Denilson Carlos Ferreira Lopes Academia da Força Aérea Eliane Silva e Silva Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Estado do Pará – Hemopa e Secretaria de Educação do Estado do Pará – SEDUC/PA Elisandra Villela Gasparetto Sé Empresa Almaviva do Brasil e Grupo de Pesquisa COGITES do Laboratório de Neurolinguística do Ins tituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP Enrico Jardim Clemente Santos CELLTROVET https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da- saude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2087 Fabio Peron Carballo Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG – Unidade Divinópolis Fabio Rodrigo Ferreira Gomes Centro Universitário Ítalo brasileiro e Universidad e Municipal de São Caetano do Sul – USCS Felipe Camargo Munhoz Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC Fernanda Ribeiro Martins Faculdade UNIS São Lourenço mantida pela Fundação de Ensino e Pesquisa do Sul de Minas – FEPESMIG Fernanda Vicioni Marques Universidade de São Paulo, Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – FORP/USP https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da- saude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2087 Givanildo de Oliveira Santos Secretaria Estadual de Educação do estado de Goiás, Instituto de Capacitação Profissional – ICPsCursos e Centro Univer sitário UniMauá Guilherme de Andrade Ruela Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF – Campus Avançado Governador Valadares e Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares Inez Silva de Almeida Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ Izael Oliveira Silva Centro Educacional Pesquisa Robótica e Inovação -CEPRI/SEMED de São Miguel dos Campos/AL e Secretaria Estadual de Educação de Alagoas SEDUC/AL 2° GERE João Carlos Moreno de Azevedo Universidade Veiga de Almeida -RJ – UVA https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da- saude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2087 João Italo Fortaleza de Melo Universidad San Sebastián – San Lorenzo – Paraguai – UASS José Aderval Aragão Universidade Federal de Sergipe – UFS José Felipe Costa da Silva Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN Juliana Mara Flores Bicalho Faculdade UNA Luiza Rayanna Amorim de Lima Universidade de Pernambuco – UPE Marcia Rodrigues dos Santos Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, UNIRIO, RJ https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da- saude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2087 Maria do Rosário de Fátima Brandão de Amorim Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE Maria Luzinete Alves Vanzeler Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) – Departamento de Ciências Básicas em Saúde (DCBS) – Faculdade de Medicina (FM) Marina de Oliveira Cardoso Macedo Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia. Program a de Engenharia de Materiais – Teresina e Universidade Estadual do Maranhão – Anexo de Saúde – Caxias -MA Marina Matos de Moura Faíco Centro universitário de Caratinga – UNEC e Fundação Educacional de Caratinga – FUNEC Paulo Cesar Gonçalves de Azevedo F ilho Instituto Federal do Maranhão – IFMA https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da- saude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2087 Patrick Rodrigues Fleury Cabral Universidade de Cuiabá – UNIC Renato Araujo da Costa Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará Rosane de Fatima Zanirato Lizarelli Instituto de Física de São Carlos – USP Sabrynna Brito Oliveira Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG Assistentes Sara Stefanie de Oliveira Ayla Beatriz Viana Lino Dendasck https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da- saude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2090 S U M Á R I O 1. ATUALIZAÇÃO EM EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS DE PROTOCOLOS FISIOTERÁPICOS PARA O TRATAMENTO DO TORCICOLO CONGÊNITO Fernanda Ribeiro Marins Marcelo Limborço -Filho 2. O ESTADO DA ARTE DA BIOFOTÔNICA Adriana Schapochnik Karina Alexandra Batista da Silva Freitas Karina Jullienne de Oliveira Souza Rosimeire Fernandes da Matta Sandra Batista da Costa Rosane de Fátima Zanirato Lizarelli 3. MALOCLUSÃO UMA QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA Priscila Pinto Brandão de Araújo Carlos Eduarde Bezerra Pascoal Diana Aparecida Athayde Fernandes Fabiane Louly Baptista Santos Silva 4. A TOXINA BOTULÍNICA TIPO A NO TRATAMENTO DAS LINHAS FACIAIS HIPERCINÉTICAS Vicente Alberto Lima Bessa https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da- saude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2090 5. REFLEXÕES SOBRE OS IMPACTOS PSICO -SOCIAIS DA SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA ADQUIRIDA NA VIDA DOS PACIENTES Pedro Henrique Tostes Braga Maria Bernardina Cupertino Denise Monteiro da Silva Sabrynna Brito Oliveira 6. PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS CASOS DE SÍFILIS GESTACIONAL E SÍFILIS CONGÊNITA NO PERÍODO DE 2017 A 2021 NO ESTADO DE SÃO PAULO Stefane Santos de Jesus Pitanga Larissa Santos Machado Larissa Da Hora de Souza Márcia Rodrigues dos Santos 7. MODULAÇÃO ESTROGÊNICA DA DOR RELACIONADA À ENDOMÉTRIO Marina Matos de Moura Faíco 8. CARACTERÍSTICAS DE PACIENTES OBSTÉTRICAS ADMITIDAS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA Patrícia Saraiva Araújo Priscila Ferreira Saraiva Gilson Rogerio Becil de Oliveira Jiovania Barbosa Maklouf de Oliveira https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da- saude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2090 9. USO DO ANIS ESTRELADO COMO ANALGÉSICO E NOS TRANSTORNOS GÁSTRICOS EM AD ULTOS E CRIANÇAS Marílice Winckler de Oliveira Larissa Alves de Oliveira João Ítalo Fortaleza de Melo 10. HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA CONGÊNITA: UMA BREVE REVISÃO DA LITERATURA José Aderval Aragão Matheus Jhonnata Santos Mota Victor Petersen Dantas Moreno Iapunira Catarina Sant’Anna Aragão Felipe Matheus Sant’Anna Aragão Bárbara Costa Lourenço Vera Lúcia Correa Feitosa Francisco Prado Reis 11. SÍNDROME DE BURNOUT: SINTOMAS, MÉTODOS DIAGNÓSTICOS, ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E TRATAMENTOS Maria Luzinete Alves Vanzeler Laís Santana Gonçalves 12. UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LIDERANÇA EM ENFERMAGEM NO BRASIL Marcia Rodrigues Dos Santos Carla Ferreira Rodrigues Dias Barros Luciana Pinheiro Barbosa da Silva https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da- saude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2092 A P R E S E N T A Ç Ã O “Lembre-se que as pessoas podem tirar tudo de você, menos o seu conhecimento”. Iniciando com essa afirmação de Albert Einstein, convidamos a todos para expandir o próprio e levar ao colega um pouco mais desse bem tã o precioso. A Revista Núcleo do Conhecimento, por meio da Mesa Editorial Ciências da Saúde, permite que leigos, estudantes e profissionais tenham contato com o que há de mais recente em desenvolvimento de conhecimento científico nacional. As mentes que estão por trás de cada capítulo podem não serem reconhecidas na rua, e aqui cabe a nossa missão, expor ao país as pesquisas em desenvolvimento, para benefício maior sempre de nossa sociedade, e desenvolvimento como nação. Dessa forma, nossa equipe trabalha ar duamente para trazer a você, leitor, nosso compromisso com a expansão do conhecimento, para que isso se torne uma cultura frente a demais outras, atualizando - se com fontes de conhecimento confiáveis. A leitura desse conteúdo contribui para o aprimoramento de seu capital intelectual, que são as informações e experiências obtidas por toda a vida por cada indivíduo. Então, aperta as fivelas da poltrona e aproveite o voo no conhecimento. Com carinho e sabedoria, Profa. Dra. Fernanda Vicioni Marques. DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2092 Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 101 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 7 . M O D U L A Ç Ã O E S T R O G Ê N I C A D A D O R R E L A C I O N A D A À E N D O M E T R I O S E Marina Matos de Moura Faíco 1 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 I N T R O D U Ç Ã O A endometriose caracteriza -se pela observação do tecido endometrial fora da cavidade uterina, na região pélvica e tecidos adjacentes ao útero, e pode desencadear sintomas que variam de dismenorreia a dores pélvicas intensas e infertilidade. Um sintoma chave na suspeita da doença é o surgimento ou a exacerbação de dismenorreia refratária ao tratamento convencional. Tem sido observada forte associação entre dor pélvica crônica e endometriose. Apesar disso, a etiologia, a fisiopatologia e as vias nociceptivas qu e desencadeiam os sintomas de dor na endometriose permanecem não compreendidas, o que tem resultado em intervenções terapêuticas não efetivas que comprometem a qualidade de vida e a fertilidade da mulher. A IASP ( International Association for the Study of Pain) define a dor como uma experiência emocional, com sensação desagradável, associada à lesão tecidual presente, potencial ou descrita como tal 43. Sendo assim, eis que a dor por si só poderia Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 102 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 estabelecer uma interação cérebro -corpo através do estresse qu e provoca. Entretanto, o estresse “inflamatório periférico” – descrito na endometriose – e a potência de sintomas clínicos como a dor crônica podem por sua vez induzir a resposta à doença, a qual pode ser intitulada “inter -relação corpo -cérebro” (Figura 1) (TARIVERDIAN et al., 2007; WANG et al., 2021). Tal relação pode subsequentemente perpetuar a percepção do estresse e disparar a liberação de hormônio liberador de corticotropina (CRH) pelo sistema nervoso central (SNC) e dar início a alterações no comportamento, através da circulação aumentada de citocinas que cruzam a barreira hematoencefálica ou pela estimulação de vias aferentes vagais pelas citocinas pró -inflamatórias peritoneais (TARIVERDIAN et al., 2007; KONINCKX et al., 2021). A percepção do estress e agrava a angiogênese e a inflamação peritoneal, a dor crônica e a infertilidade em pacientes com endometriose via circuitos neurais envolvendo as catecolaminas, CRH, fator de crescimento neural (NGF), substância P (SP), e peptídeo relacionado com o gene da calcitonina (CGRP); isto pode ser referido como “inter -relação cérebro -corpo-cérebro” já que envolve a resposta central ao estresse. Como resultado, observa -se um ciclo vicioso “cérebro -corpo-cérebro” nas pacientes que sofrem com a endometriose (TARIVER DIAN et al. , 2007; MARQUARDT et al ., 2019; WANG et al., 2021). Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 103 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 Figura 1. Cenário hipotético para endometriose: a “inter -relação cérebro–corpo-cérebro” BBB: barreira hematoencefálica, CGRP: peptídeo relacionado com o gene da calcitonina, CRH: hormônio liberador de corticotropina, NGF: fator de crescimento neural, SP: substância P. Fonte: Tariverdian et al. 2007. Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 104 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 Existem evidências da modulação de vias ne uronais no SNC pelos estrogênios. Duas classes de receptores estrogênicos α e β são expressos em regiões específicas do cérebro. Outros receptores localizados na membrana plasmática auxiliam na regulação da cascata de sinalização intracelular e mediam efe itos rápidos que não envolvem ativação genômica. Algumas ações estrogênicas no SNC são potencialmente relevantes para o processamento da cognição, por exemplo (BRYAN et al ., 2010; MARQUARDT et al ., 2019; CHANTALAT et al., 2020; WANG et al., 2021). Pesquisa s em animais demonstraram a existência de receptores estrogênicos em regiões corticais e cerebelares, no hipocampo, no hipotálamo, no sistema límbico e na amígdala. A interação dos hormônios sexuais com receptores intracelulares resulta em alterações genôm icas que incluem a modificação da sequência de transcrição de genes que regulam a síntese e o metabolismo de neurotransmissores e que modulam os receptores do fator de crescimento neural. Além disso, observa -se uma ação não -genômica que se dá em nível da m embrana celular, permitindo a modulação de sistemas que regulam a serotonina ( down-regulation dos receptores 5 - HT2), a noradrenalina ou a dopamina (ROCCA et al. , 2010; MARQUARDT et al., 2019). Os estrogênios ainda acentuam a plasticidade sináptica, o crescimento neurítico, neurogênese hipocampal e a potenciação a longo-prazo, eventos importantes para o processamento da memória episódica e para a modulação nociceptiva. Esses hormônios influenciam vários sistemas neurotransmissores, incluindo o da Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 105 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 acetilcolin a (importante no processamento da memória), da serotonina, da noradrenalina e do glutamato. Neurônios colinérgicos na região frontal do cérebro expressam receptores estrogênicos, e a administração de estrogênios acentua/melhora a função colinérgica após oo forectomia (HENDERSON, 2008; BRYAN et al ., 2010; ROCCA et al., 2010; BULUN et al., 2019; WANG et al., 2021). A dor crônica é uma condição frequente em mulheres, geralmente caracterizada pela persistência apesar da remoção do estímulo causal ou dor que surge na ausência de qualquer dano detectável (HASSAN et al., 2014; GUYNTON & HALL, 2021). Uma vez que a prevalência de dor crônica nas mulheres é maior entre a puberdade e menopausa, ou seja, durante a vida reprodutiva, acredita - se que os hormônios ovaria nos possam ser responsáveis por este evento. Estudos têm demonstrado que a diversidade de sintomas dolorosos crônicos relatados pelas mulheres pode ser atribuída às flutuações dos hormônios ovarianos durante o ciclo menstrual (HASSAN et al ., 2014; BULUN et al., 2019; KONINCKX et al ., 2021). Evidências apontam que a severidade da dor relatada pelas mulheres varia conforme a fase do ciclo menstrual. Relata -se aumento da severidade da dor pélvica crônica conforme se observa redução abrupta dos níveis de estrog ênios (Figura 2). No entanto, tais estudos utilizaram diferentes metodologias e não podem ser levados em consideração para se formar um consenso (HASSAN et al ., 2014; CHANTALAT et al., 2020; KONINCKX et al., 2021). Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 106 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 Figura 2. Esquema sumarizando as alteraç ões nos níveis de estrogênios e score de dor conforme as variações de um ciclo menstrual típico baseado na revisão de literatura realizada por Hassan et al., 2014 Fonte: Hassan et al., 2014. Embora o mecanismo exato pelo qual os hormônios ovarianos participam da modulação da dor permaneça incerto, tais hormônios, especialmente os estrogênios, desempenham função em algumas vias de transmissão dos estímulos dolorosos como fibras nervosas aferentes as quais modulam a transdução de sinais e transmissão dos estímulos nociceptivos; na substância gelatinosa da medula espinhal, que constitui o portão de modulação da nocicepção, onde se expressam receptores de estrogênios que se modificam conforme Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 107 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 flutuações na síntese hormonal durante o ciclo menstrual; e, em regiões do cérebro que modulam a nocicepção onde se expressam receptores de estrogênio (substância cinzenta periaquedutal, tálamo, amigdala) (HASSAN et al ., 2014; BULUN et al. , 2019; GUYNTON & HALL, 2021; WANG et al., 2021). Além disso, os hormônios ovarianos podem afetar a percepção da dor pela modulação de diversos neurotransmissores incluindo: serotonina, dopamina, beta endorfinas e ácido gama - aminobutírico (GABA). A interação entre estrogênios e GABA (Figura 3) tem sido demonstrada como uma das mais importantes interações na modulação da dor, com os estrogênios modulando a síntese e liberação do GABA, produção e up regulation dos receptores GABAérgicos, assim como modulando a afinidade deste horm ônio pelos receptores (MCCARTHY, 2008; HASSAN et al ., 2014; CHANTALAT et al., 2020; WANG et al., 2021). Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 108 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 Figura 3. Esquema ilustrando a interação GABA/estrogênios em nível do SNC Fonte: McCarthy, 2008. A complexa interação entre flutuação dos níveis dos hormônios ovarianos durante o ciclo menstrual parece refletir sintomas em mulheres relacionados ao SNC, como migrânea/cefaleia decorrente da queda súbita de estrogênios durante o ciclo menstrual, que tende a desaparecer após a meno pausa, quando os níveis de estrogênios, assim como as flutuações hormonais, diminuem Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 109 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 (PINKERTON et al ., 2010; STOVNER et al ., 2011; MARQUARDT et al., 2019). Embora acometam partes diferentes do corpo da mulher, a endometriose e a migrânea/cefaleia, são inf luenciadas pelos hormônios sexuais femininos. Fatores fisiológicos como elevados níveis de estrogênios e/ou aumento da sensibilidade estrogênica tem sido utilizado para explicar a maior prevalência de migrânea/cefaleia em mulheres durante a menacme, assim como ocorre com a endometriose. Ainda, considerando que a menstruação seria pré - requisito para o desenvolvimento da endometriose e que as flutuações hormonais relacionadas ao ciclo menstrual são o gatilho para disparar os ataques de migrânea/cefaleia nas m ulheres, parece aceitável que a menarca precoce seria fator comum entre ambas as desordens (STOVNER et al ., 2011; BULUN et al ., 2019; KONINCKX et al ., 2021). A dor pélvica pode apresentar diversas causas e pode ser difícil diferenciá -la da dor causada pela endometriose. Não existe ainda uma relação estabelecida entre a lesão (número, tamanho e infiltração) e a dor. Se a endometriose é a causa, o tratamento pode ser realizado com analgésicos, terapia hormonal e/ou cirurgia. Apesar disso, frequentemente a dor retorna, e parece não necessariamente relacionada ao retorno de lesões endometrióticas (STRATTON & BERKLEY, 2010; BOURDEL et al., 2014; WANG et al., 2021). Por outro lado, a recorrência de lesões endometrióticas parece não estar associada ao retorno da do r; à produção de estrogênios ou outros fatores pró -inflamatórios, imunológicos, angiogênicos ou Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 110 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 neurogênicos que, provavelmente causam a dor pélvica crônica (STRATTON & BERKLEY, 2010; KONINCKX et al ., 2021). Isso tem sido observado em mulheres que necessit am ser reoperadas pelo retorno dos sintomas dolorosos. Nem todas essas mulheres, durante a segunda intervenção cirúrgica (laparoscópica), apresentam novas lesões endometrióticas, refletindo uma independência do SNC na modulação da dor e sugerindo que a dor pode ser devida a outro fator que não a endometriose (STRATTON & BERKLEY, 2010; BULUN et al., 2019; KONINCKX et al., 2021). Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 111 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 Figura 3. Desequilíbrio neuroendócrino -imunológico na Endometriose AAb = auto anticorpos, Ach = acetilcolina, CGRP = peptídeo relacionado com o gene da calcitonina, CRH = hormônio liberador de corticotropina, E = estrogênios, E2 = estradiol, Hb = hemoglobina, HO = heme oxigenase, IL = interleucina, HLA = antígeno leucocitário humano, IFN-γ = interferon-γ, KIR = receptor inibidor de células natural killer, M-CSF = fator de estimulação de colônias de macrófagos, MCP - 1 = proteína quimiotática de monócitos, MHC-I = complexo principal de Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 112 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 histocompatibilidade classe-I, MMP = metaloproteinase da matriz, NGF = fator de crescimento neural, NK = células natural killer, P = progesterona, PAR-2 = receptor ativado por protease tipo -2, PGE(2) = prostaglandina E(2), pHP hepatoglobulina peritoneal, RANTES = Regulada sob ativação, expressa e secretada por células T normais, sCD23 = CD23 solúvel, SCF = fator de célula tronco, sICAM -1 = molécula de adesão intercelular -1 solúvel, SP = substância P,TGF -β = fator de transformação de crescimento beta, TH = tirosina hidroxilase, TNF-α = fator de necrose tumoral alfa;, VEGF = fator de crescimento endotelial vascular. Fonte: Tariverdian et al., 2007. A figura 3, ilustra a complexa resposta neuroendócrino - imunológica que ocorre no tecido endometrial ectópico. Destaque -se a interação das terminações nervosas com os fatores infla matórios (TARIVERDIAN et al ., 2007; KONINCKX et al ., 2021). Essa resposta parece coerente para explicar a manutenção dos sintomas dolorosos apesar do tratamento cirúrgico das lesões endometrióticas. Algumas situações clínicas de pacientes com dor deixam claro que o cérebro pode gerar dor na ausência de impulsos periféricos dos nociceptores ou da medula espinhal, por exemplo, a dor de membro fantasma. A nocicepção é a detecção de lesão tecidual por transdutores especializados, os nociceptores, que podem ser alterados por mudanças neurais ou inflamatórias. Os mediadores inflamatórios agem em sinergismo, aumentando a sensibilidade dos nociceptores, com consequente redução de seu limiar de excitabilidade (GUYNTON & HALL, 2021; KONINCKX et al., 2021). Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 113 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 Na endometr iose, como descrito acima, tanto a persistência do estímulo hormonal para manutenção do ciclo vicioso que resulta em inflamação crônica como a estimulação/desenvolvimento de inervação própria nos implantes de endométrio ectópico poderia agir como mediadore s algogênicos locais e explicar a manutenção e/ou recorrência do quadro doloroso apesar da intervenção terapêutica. Por outro lado, considerando a expressão de receptores estrogênicos no SNC e a provável modulação exercida por estes hormônios na neurotrans missão nociceptiva, mesmo após a remoção da lesão endometriótica, as vias nervosas poderiam se manter sensibilizadas e perpetuar a manifestação dolorosa. A inflamação parece ter ainda outro papel sobre os nervos periféricos. Nociceptores silentes, uma clas se de aferentes primários não mielinizados que normalmente não são sensíveis a estímulos térmicos e mecânicos intensos, em presença de sensibilização inflamatória ou química, tornam -se responsivos, despolarizando -se vigorosamente, mesmo na ausência de estí mulo (GUYNTON & HALL, 2021; KONINCKX et al ., 2021). Talvez, este seja o mecanismo pelo qual a denominada inflamação neurogênica resultaria na variedade de sintomas dolorosos e na persistência destes, mesmo após a excisão das lesões na endometriose. Assim, há de se considerar que provavelmente, além da diversidade de fatores etiológicos envolvidos na fisiopatogênese da endometriose, o envolvimento do SNC via modulação hormonal estrogênica direta ou indireta da nocicepção contribuiria para a Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 114 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 dificuldad e no estabelecimento da adequada intervenção terapêutica para a doença e as manifestações associadas como a dor pélvica crônica (DJOKOVIC & CALHAZ -JORGE, 2014; BULUN et al., 2019; KONINCKX et al., 2021). Apesar dos inúmeros estudos sobre a patogênese da endometriose, permanece não estabelecida a etiologia das lesões, sendo provável que uma combinação de diversos mecanismos e a interação entre eles contribua para o início e desenvolvimento da doença (Figura 4) (DJOKOVIC & CALHAZ -JORGE, 2014). Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 115 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 Figura 4. Esquema demonstrando a dependência estrogênica na correlação entre Endometriose e Dor Pélvica Crônica Fonte: Adaptado de Djokovic & Calhaz-Jorge, 2014. Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 116 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 CONSIDERAÇÕES FINAIS Existem evidências da modulação de vias neuronais no SNC pelos estrogênios. Agindo em seus receptores α e β em diferentes regiões cerebrais, os estrogênios interferem na modulação sináptica e neurotransmissão colinérgica, noradrenérgica, serotoninérgica, glutamatérgica, gabaérgica entre outros, desempenhando diferentes funções, inclusive na modulação das vias nociceptivas. Estudos tem demonstrado que a diversidade de sintomas crônicos dolorosos relatados pelas mulheres pode ser atribuída às flutuações dos hormônios ovarianos durante o ciclo menstrual. No entanto, de uma forma ou de outra se observa o estabelecimento de um quadro inflamatório crônico que é influenciado pelas variações dos hormônios sexuais femininos e que resulta em constante manifestação dol orosa nas mulheres acometidas pela doença, inclusive em dor pélvica crônica. O conceito de que a queda abrupta ou a redução dos níveis de estrogênio aumentaria a severidade da dor sugere que além dos efeitos na sensibilização das terminações nervosas, quer pela modulação direta quer pela manutenção da resposta inflamatória crônica na endometriose, as variações nos níveis deste hormônio desencadeiam ou disparam sintomas dolorosos diversos. Em se tratando dos implantes endometrióticos, a dor parece ocorrer in dependente das lesões e pode realmente ser decorrente de modulação exercida pelos estrogênios nas terminações nervosas envolvidas na modulação e processamento das informações Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 117 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 nociceptivas. Tanto, que a ablação da inervação uterina e a neurectomia pré -sacral, dois procedimentos cirúrgicos que avançaram com a intervenção pélvica laparoscópica, interrompem a maioria das fibras nervosas sensoriais na região pélvica e nem sempre promovem benefícios nas mulheres que sofrem com dor pélvica crônica. As evidências d e participação estrogênica na modulação periférica e central das vias nociceptivas devem ser consideradas durante a abordagem terapêutica. Uma provável interação “cérebro - corpo-cérebro” parece justificar, pelo menos em parte, a perpetuação dos sintomas dol orosos relacionados à endometriose. As terapias alternativas, em especial a acupuntura, que demonstra resultados bastante satisfatórios no tratamento da dor pélvica crônica ilustra bem tal possibilidade. Embora não se possa estabelecer como, as evidências sugerem que existe correlação estreita e importante entre a endometriose e a dor pélvica crônica quer do ponto de vista clínico ou terapêutico. Os estrogênios, envolvidos no estabelecimento e desenvolvimento de ambas as condições, parece ser o eixo desta correlação. INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES 1 Mestre e Doutora em Fisiologia pela UFMG, Médica Ginecologista e Obste tra. ORCID: https://orcid.org/0000 -0003-4694-7008. Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/5256973785497421. Modulação estrogênica da dor relacionada à endometriose 118 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias- da-saude-jan-fev-2023 DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 REFERÊNCIAS AGARWAL N, SUBRAMANIAN A. Endometriosis – Morphology, Clinical Presentations and Molecular Pathology. Journal of Laboratory Physicians . 2010; 2(1): 1 -9. BOURDEL N, ALVES J, PICKERING G, RAMILO I, ROMAN H, CANIS M. Systematic review of endometriosis pain assessment: how to choose a scale? Human Reproduction Update . 2014, 0 (0): 1 –17. doi:10.1093/humupd/dmu046 BRYAN KJ, MUDD JC, RICHARDSON SL, CHANG J, LEE H, ZHU X, SMITH MA, CASADESUS G. Downregulation of Serum Gonadotropins is as Effective as Estrogen Replacement at Improving Menopause -Associated Cognitive Deficits. J Neurochem . 2010; 112(4): 870 –881. BULUN SE, YILMAZ BD, SISON C, MIYAZAKI K, BERNARDI L, LIU S, KOHLMEIER A, YIN P, MILAD M, WEI J. Endometriosis. 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