{"paper_id":"5f321806-b692-459b-b6bb-c22d59d2217c","body_text":"https://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-\nsaude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1605 \n \n\n\nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-\nsaude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2076 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n\nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-\nsaude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2087 \nE D I T O R A L \n \n \nDiretor-Presidente  \nProfa. Dra. Carla Viana Dendasck   \n \nOrganizadores  \nCarla Viana Dendasck  \nAnísio Francisco Soares \nCláudio Alberto Gellis de Mattos Dias  \nDébora Teixeira da Cruz  \nMarcia Rodrigues Dos Santos  \nDenilson Carlos Ferreira Lopes  \nSabrynna Brito Oliveira  \nEnrico Jardim Clemente Santos  \nIzael Oliveira Silva  \nFernanda Vicioni Marques  \nPaulo Cesar Gonçalves de Azevedo Filho  \nDarlan Tavares dos Santos  \n\nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-\nsaude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2087 \nMesa Editorial   \nAlfredo Cesar Antunes  \nUniversidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG \n  \nAnísio Francisco Soares  \nUniversidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE \n  \nAntonio Luiz da Silva  \nFundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência – \nFUNAD e Instituto dos Cegos da Paraíba – ICPAC – Adalgisa Cunha  \n  \nClaudio Alberto Gellis de Mattos Dias  \nInstituto Federal do Amapá – IFAP \n  \nDaniela da Silva Santos  \nFundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ  \n \nDarlan Tava res dos Santos  \nUniversidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO \n\nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-\nsaude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2087 \nDebora Teixeira da Cruz  \nCentro Universitário Unigran Capital – Campo Grande – MS \n  \nDenilson Carlos Ferreira Lopes  \nAcademia da Força Aérea  \n  \nEliane Silva e Silva  \nFundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Estado do Pará – \nHemopa e Secretaria de Educação do Estado do Pará – SEDUC/PA  \n  \nElisandra Villela Gasparetto Sé  \nEmpresa Almaviva do Brasil e Grupo de Pesquisa COGITES do \nLaboratório de Neurolinguística do Ins tituto de Estudos da Linguagem \nda UNICAMP  \n \nEnrico Jardim Clemente Santos  \nCELLTROVET  \n \n \n \n\nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-\nsaude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2087 \nFabio Peron Carballo  \nUniversidade do Estado de Minas Gerais – UEMG – Unidade \nDivinópolis  \nFabio Rodrigo Ferreira Gomes  \nCentro Universitário Ítalo brasileiro e Universidad e Municipal de São \nCaetano do Sul – USCS \n  \nFelipe Camargo Munhoz  \nInstituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC \n  \nFernanda Ribeiro Martins  \nFaculdade UNIS São Lourenço mantida pela Fundação de Ensino e \nPesquisa do Sul de Minas – FEPESMIG  \n  \nFernanda Vicioni Marques  \nUniversidade de São Paulo, Faculdade de Odontologia de Ribeirão \nPreto – FORP/USP  \n \n \n \n\nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-\nsaude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2087 \nGivanildo de Oliveira Santos  \nSecretaria Estadual de Educação do estado de Goiás, Instituto de \nCapacitação Profissional – ICPsCursos e Centro Univer sitário \nUniMauá  \n \nGuilherme de Andrade Ruela  \nUniversidade Federal de Juiz de Fora – UFJF – Campus Avançado \nGovernador Valadares e Faculdade Presidente Antônio Carlos de \nGovernador Valadares  \n  \nInez Silva de Almeida  \nUniversidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ \n  \nIzael Oliveira Silva  \nCentro Educacional Pesquisa Robótica e Inovação -CEPRI/SEMED de \nSão Miguel dos Campos/AL e Secretaria Estadual de Educação de \nAlagoas SEDUC/AL 2° GERE  \n  \nJoão Carlos Moreno de Azevedo  \nUniversidade Veiga de Almeida -RJ – UVA \n \n\nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-\nsaude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2087 \nJoão Italo Fortaleza de Melo  \nUniversidad San Sebastián – San Lorenzo – Paraguai – UASS \n \nJosé Aderval Aragão  \nUniversidade Federal de Sergipe – UFS \n  \nJosé Felipe Costa da Silva  \nUniversidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN \n  \nJuliana Mara Flores Bicalho  \nFaculdade UNA  \n  \nLuiza Rayanna Amorim de Lima  \nUniversidade de Pernambuco – UPE \n  \nMarcia Rodrigues dos Santos  \nUniversidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, UNIRIO, RJ  \n \n\nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-\nsaude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2087 \nMaria do Rosário de Fátima Brandão de Amorim  \nUniversidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE \n \nMaria Luzinete Alves Vanzeler  \nUniversidade Federal de Mato Grosso (UFMT) – Departamento de \nCiências Básicas em Saúde (DCBS) – Faculdade de Medicina (FM)  \n \nMarina de Oliveira Cardoso Macedo  \nInstituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia. Program a de \nEngenharia de Materiais – Teresina e Universidade Estadual do \nMaranhão – Anexo de Saúde – Caxias -MA \n \nMarina Matos de Moura Faíco  \nCentro universitário de Caratinga – UNEC e Fundação Educacional \nde Caratinga – FUNEC \n  \nPaulo Cesar Gonçalves de Azevedo F ilho \nInstituto Federal do Maranhão – IFMA \n \n \n\nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-\nsaude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2087 \nPatrick Rodrigues Fleury Cabral  \nUniversidade de Cuiabá – UNIC \n \nRenato Araujo da Costa  \nInstituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará  \nRosane de Fatima Zanirato Lizarelli  \nInstituto de Física de São Carlos – USP \n \nSabrynna Brito Oliveira  \nUniversidade Federal de Minas Gerais – UFMG \n \nAssistentes  \n \nSara Stefanie de Oliveira  \nAyla Beatriz Viana Lino Dendasck  \n \n \n \n\nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-\nsaude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2090 \nS U M Á R I O \n \n1. ATUALIZAÇÃO EM EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS DE \nPROTOCOLOS FISIOTERÁPICOS PARA O TRATAMENTO \nDO TORCICOLO CONGÊNITO  \n \nFernanda Ribeiro Marins  \nMarcelo Limborço -Filho \n \n  \n2. O ESTADO DA ARTE DA BIOFOTÔNICA  \n \nAdriana Schapochnik  \nKarina Alexandra Batista da Silva Freitas  \nKarina Jullienne  de Oliveira Souza  \nRosimeire Fernandes da Matta  \nSandra Batista da Costa  \nRosane de Fátima Zanirato Lizarelli  \n \n  \n3. MALOCLUSÃO UMA QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA  \n \nPriscila Pinto Brandão de Araújo  \nCarlos Eduarde Bezerra Pascoal   \nDiana Aparecida Athayde Fernandes   \nFabiane Louly Baptista Santos Silva  \n \n  \n4. A TOXINA BOTULÍNICA TIPO A NO TRATAMENTO DAS \nLINHAS FACIAIS HIPERCINÉTICAS  \n \nVicente Alberto Lima Bessa  \n \n \n \n  \n\nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-\nsaude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2090 \n5. REFLEXÕES SOBRE OS IMPACTOS PSICO -SOCIAIS DA \nSÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA \nADQUIRIDA NA VIDA DOS PACIENTES  \n \nPedro Henrique Tostes Braga   \nMaria Bernardina Cupertino   \nDenise Monteiro da Silva   \nSabrynna Brito Oliveira   \n  \n \n6. PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS CASOS DE SÍFILIS \nGESTACIONAL E SÍFILIS CONGÊNITA NO PERÍODO DE \n2017 A 2021 NO ESTADO DE SÃO PAULO \n \nStefane Santos de Jesus Pitanga   \nLarissa Santos Machado   \nLarissa Da Hora de Souza   \nMárcia Rodrigues dos Santos  \n \n  \n7. MODULAÇÃO ESTROGÊNICA DA DOR RELACIONADA À \nENDOMÉTRIO  \n \nMarina Matos de Moura Faíco  \n \n  \n8. CARACTERÍSTICAS DE PACIENTES OBSTÉTRICAS \nADMITIDAS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA  \n \nPatrícia Saraiva Araújo  \nPriscila Ferreira Saraiva  \nGilson Rogerio Becil de Oliveira  \nJiovania Barbosa Maklouf de Oliveira  \n \n \n \n \n \n  \n\nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-\nsaude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2090 \n9. USO DO ANIS ESTRELADO COMO ANALGÉSICO E NOS \nTRANSTORNOS GÁSTRICOS EM AD ULTOS E CRIANÇAS  \n \nMarílice Winckler de Oliveira  \nLarissa Alves de Oliveira  \nJoão Ítalo Fortaleza de Melo  \n \n  \n10. HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA CONGÊNITA: UMA BREVE \nREVISÃO DA LITERATURA  \n \nJosé Aderval Aragão   \nMatheus Jhonnata Santos Mota   \nVictor Petersen Dantas Moreno  \nIapunira Catarina Sant’Anna Aragão   \nFelipe Matheus Sant’Anna Aragão   \nBárbara Costa Lourenço   \nVera Lúcia Correa Feitosa   \nFrancisco Prado Reis   \n \n  \n11. SÍNDROME DE BURNOUT: SINTOMAS, MÉTODOS \nDIAGNÓSTICOS, ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E \nTRATAMENTOS  \n \nMaria Luzinete Alves Vanzeler  \nLaís Santana Gonçalves  \n  \n \n12. UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LIDERANÇA EM \nENFERMAGEM NO BRASIL  \n \nMarcia Rodrigues Dos Santos  \nCarla Ferreira Rodrigues Dias Barros  \nLuciana Pinheiro Barbosa da Silva  \n \n\nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-\nsaude/ciencias-da-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2092 \nA P R E S E N T A Ç Ã O \n \n“Lembre-se que as pessoas podem tirar tudo de você, menos \no seu conhecimento”. Iniciando com essa afirmação de Albert \nEinstein, convidamos a todos para expandir o próprio e levar ao colega \num pouco mais desse bem tã o precioso.  \nA Revista Núcleo do Conhecimento, por meio da Mesa \nEditorial Ciências da Saúde, permite que leigos, estudantes e \nprofissionais tenham contato com o que há de mais recente em \ndesenvolvimento de conhecimento científico nacional. As mentes que \nestão por trás de cada capítulo podem não serem reconhecidas na rua, \ne aqui cabe a nossa missão, expor ao país as pesquisas em \ndesenvolvimento, para benefício maior sempre de nossa sociedade, e \ndesenvolvimento como nação.  \nDessa forma, nossa equipe trabalha ar duamente para trazer a \nvocê, leitor, nosso compromisso com a expansão do conhecimento, \npara que isso se torne uma cultura frente a demais outras, atualizando -\nse com fontes de conhecimento confiáveis.  \nA leitura desse conteúdo contribui para o aprimoramento de \nseu capital intelectual, que são as informações e experiências obtidas \npor toda a vida por cada indivíduo. Então, aperta as fivelas da poltrona \ne aproveite o voo no conhecimento.  \n \nCom carinho e sabedoria, Profa.  \nDra. Fernanda Vicioni Marques.  \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/2092  \n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n101 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \n7 .  M O D U L A Ç Ã O  E S T R O G Ê N I C A  D A  D O R  \nR E L A C I O N A D A  À  E N D O M E T R I O S E \n \nMarina Matos de Moura Faíco  1 \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \n \n \nI N T R O D U Ç Ã O \n \nA endometriose caracteriza -se pela observação do tecido \nendometrial fora da cavidade uterina, na região pélvica e tecidos \nadjacentes ao útero, e pode desencadear sintomas que variam de \ndismenorreia a dores pélvicas intensas e infertilidade. Um sintoma \nchave na suspeita da doença é o surgimento ou a exacerbação de \ndismenorreia refratária ao tratamento convencional.  \nTem sido observada forte associação entre dor pélvica \ncrônica e endometriose. Apesar disso, a etiologia, a fisiopatologia e as \nvias nociceptivas qu e desencadeiam os sintomas de dor na \nendometriose permanecem não compreendidas, o que tem resultado \nem intervenções terapêuticas não efetivas que comprometem a \nqualidade de vida e a fertilidade da mulher.  \nA IASP ( International Association for the Study of Pain) \ndefine a dor como uma experiência emocional, com sensação \ndesagradável, associada à lesão tecidual presente, potencial ou \ndescrita como tal 43. Sendo assim, eis que a dor por si só poderia \n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n102 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \nestabelecer uma interação cérebro -corpo através do estresse qu e \nprovoca.  \nEntretanto, o estresse “inflamatório periférico” – descrito na \nendometriose – e a potência de sintomas clínicos como a dor crônica \npodem por sua vez induzir a resposta à doença, a qual pode ser \nintitulada “inter -relação corpo -cérebro” (Figura 1)  \n(TARIVERDIAN  et al., 2007; WANG  et al., 2021).  \nTal relação pode subsequentemente perpetuar a percepção do \nestresse e disparar a liberação de hormônio liberador de corticotropina \n(CRH) pelo sistema nervoso central (SNC) e dar início a alterações no \ncomportamento, através da circulação aumentada de citocinas que \ncruzam a barreira hematoencefálica ou pela estimulação de vias \naferentes vagais pelas citocinas pró -inflamatórias peritoneais \n(TARIVERDIAN  et al., 2007; KONINCKX  et al., 2021).  \nA percepção do estress e agrava a angiogênese e a inflamação \nperitoneal, a dor crônica e a infertilidade em pacientes com \nendometriose via circuitos neurais envolvendo as catecolaminas, \nCRH, fator de crescimento neural (NGF), substância P (SP), e \npeptídeo relacionado com o gene da calcitonina (CGRP); isto pode ser \nreferido como “inter -relação cérebro -corpo-cérebro” já que envolve a \nresposta central ao estresse. Como resultado, observa -se um ciclo \nvicioso “cérebro -corpo-cérebro” nas pacientes que sofrem com a \nendometriose (TARIVER DIAN et al. , 2007; MARQUARDT  et al ., \n2019; WANG  et al., 2021).  \n \n \n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n103 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \n \nFigura 1.  Cenário hipotético para endometriose: a “inter -relação \ncérebro–corpo-cérebro”  \n \nBBB: barreira hematoencefálica, CGRP: peptídeo \nrelacionado com o gene da calcitonina, CRH: hormônio liberador de \ncorticotropina, NGF: fator de crescimento neural, SP: substância  P.  \nFonte: Tariverdian  et al. 2007.  \n\n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n104 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \nExistem evidências da modulação de vias ne uronais no SNC \npelos estrogênios.   Duas classes de receptores estrogênicos α e β são \nexpressos em regiões específicas do cérebro. Outros receptores \nlocalizados na membrana plasmática auxiliam na regulação da cascata \nde sinalização intracelular e mediam efe itos rápidos que não envolvem \nativação genômica. Algumas ações estrogênicas no SNC são \npotencialmente relevantes para o processamento da cognição, por \nexemplo (BRYAN  et al ., 2010; MARQUARDT  et al ., 2019; \nCHANTALAT  et al., 2020; WANG  et al., 2021).  \nPesquisa s em animais demonstraram a existência de \nreceptores estrogênicos em regiões corticais e cerebelares, no \nhipocampo, no hipotálamo, no sistema límbico e na amígdala. A \ninteração dos hormônios sexuais com receptores intracelulares resulta \nem alterações genôm icas que incluem a modificação da sequência de \ntranscrição de genes que regulam a síntese e o metabolismo de \nneurotransmissores e que modulam os receptores do fator de \ncrescimento neural. Além disso, observa -se uma ação não -genômica \nque se dá em nível da m embrana celular, permitindo a modulação de \nsistemas que regulam a serotonina ( down-regulation  dos receptores 5 -\nHT2), a noradrenalina ou a dopamina (ROCCA  et al. , 2010; \nMARQUARDT  et al., 2019).  \nOs estrogênios ainda acentuam a plasticidade sináptica, o \ncrescimento neurítico, neurogênese hipocampal e a potenciação a \nlongo-prazo, eventos importantes para o processamento da memória \nepisódica e para a modulação nociceptiva. Esses hormônios \ninfluenciam vários sistemas neurotransmissores, incluindo o da \n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n105 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \nacetilcolin a (importante no processamento da memória), da \nserotonina, da noradrenalina e do glutamato. Neurônios colinérgicos \nna região frontal do cérebro expressam receptores estrogênicos, e a \nadministração de estrogênios acentua/melhora a função colinérgica \napós oo forectomia (HENDERSON, 2008; BRYAN  et al ., 2010; \nROCCA et al., 2010; BULUN  et al., 2019; WANG  et al., 2021).  \nA dor crônica é uma condição frequente em mulheres, \ngeralmente caracterizada pela persistência apesar da remoção do \nestímulo causal ou dor que surge na ausência de qualquer dano \ndetectável (HASSAN  et al., 2014; GUYNTON & HALL, 2021). Uma \nvez que a prevalência de dor crônica nas mulheres é maior entre a \npuberdade e menopausa, ou seja, durante a vida reprodutiva, acredita -\nse que os hormônios ovaria nos possam ser responsáveis por este \nevento. Estudos têm demonstrado que a diversidade de sintomas \ndolorosos crônicos relatados pelas mulheres pode ser atribuída às \nflutuações dos hormônios ovarianos durante o ciclo menstrual \n(HASSAN et al ., 2014; BULUN  et al., 2019; KONINCKX  et al ., \n2021). \nEvidências apontam que a severidade da dor relatada pelas \nmulheres varia conforme a fase do ciclo menstrual. Relata -se aumento \nda severidade da dor pélvica crônica conforme se observa redução \nabrupta dos níveis de estrog ênios (Figura 2). No entanto, tais estudos \nutilizaram diferentes metodologias e não podem ser levados em \nconsideração para se formar um consenso (HASSAN  et al ., 2014; \nCHANTALAT  et al., 2020; KONINCKX  et al., 2021).  \n \n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n106 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \nFigura 2.  Esquema sumarizando as alteraç ões nos níveis de \nestrogênios e  score de dor conforme as variações de um ciclo \nmenstrual típico baseado na revisão de literatura realizada por \nHassan et al., 2014  \n \nFonte: Hassan et al., 2014.  \n \nEmbora o mecanismo exato pelo qual os hormônios ovarianos \nparticipam da modulação da dor permaneça incerto, tais hormônios, \nespecialmente os estrogênios, desempenham função em algumas vias \nde transmissão dos estímulos dolorosos como fibras nervosas \naferentes as quais modulam a transdução de sinais e transmissão dos \nestímulos nociceptivos; na substância gelatinosa da medula espinhal, \nque constitui o portão de modulação da nocicepção, onde se \nexpressam receptores de estrogênios que se modificam conforme \n\n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n107 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \nflutuações na síntese hormonal durante o ciclo menstrual; e, em \nregiões do cérebro que modulam a nocicepção onde se expressam \nreceptores de estrogênio (substância cinzenta periaquedutal, tálamo, \namigdala) (HASSAN  et al ., 2014; BULUN  et al. , 2019; GUYNTON \n& HALL, 2021; WANG  et al., 2021).  \nAlém disso, os hormônios ovarianos podem afetar a \npercepção da dor pela modulação de diversos neurotransmissores \nincluindo: serotonina, dopamina, beta endorfinas e ácido gama -\naminobutírico (GABA). A interação entre estrogênios e  GABA \n(Figura 3) tem sido demonstrada como uma das mais importantes \ninterações na modulação da dor, com os estrogênios modulando a \nsíntese e liberação do GABA, produção e  up regulation  dos receptores \nGABAérgicos, assim como modulando a afinidade deste horm ônio \npelos receptores (MCCARTHY, 2008; HASSAN  et al ., 2014; \nCHANTALAT  et al., 2020; WANG  et al., 2021).  \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n108 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \n \nFigura 3.  Esquema ilustrando a interação GABA/estrogênios em \nnível do SNC  \n \n \nFonte: McCarthy, 2008.  \nA complexa interação entre flutuação dos níveis dos \nhormônios ovarianos durante o ciclo menstrual parece refletir \nsintomas em mulheres relacionados ao SNC, como migrânea/cefaleia \ndecorrente da queda súbita de estrogênios durante o ciclo menstrual, \nque tende a desaparecer após a meno pausa, quando os níveis de \nestrogênios, assim como as flutuações hormonais, diminuem \n\n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n109 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \n(PINKERTON  et al ., 2010; STOVNER  et al ., 2011; \nMARQUARDT  et al., 2019).  \nEmbora acometam partes diferentes do corpo da mulher, a \nendometriose e a migrânea/cefaleia, são inf luenciadas pelos \nhormônios sexuais femininos. Fatores fisiológicos como elevados \nníveis de estrogênios e/ou aumento da sensibilidade estrogênica tem \nsido utilizado para explicar a maior prevalência de migrânea/cefaleia \nem mulheres durante a menacme, assim como ocorre com a \nendometriose. Ainda, considerando que a menstruação seria pré -\nrequisito para o desenvolvimento da endometriose e que as flutuações \nhormonais relacionadas ao ciclo menstrual são o gatilho para disparar \nos ataques de migrânea/cefaleia nas m ulheres, parece aceitável que a \nmenarca precoce seria fator comum entre ambas as desordens \n(STOVNER  et al ., 2011; BULUN  et al ., 2019; KONINCKX  et al ., \n2021). \nA dor pélvica pode apresentar diversas causas e pode ser \ndifícil diferenciá -la da dor causada pela  endometriose. Não existe \nainda uma relação estabelecida entre a lesão (número, tamanho e \ninfiltração) e a dor. Se a endometriose é a causa, o tratamento pode ser \nrealizado com analgésicos, terapia hormonal e/ou cirurgia. Apesar \ndisso, frequentemente a dor  retorna, e parece não necessariamente \nrelacionada ao retorno de lesões endometrióticas (STRATTON & \nBERKLEY, 2010; BOURDEL  et al., 2014; WANG  et al., 2021).  \nPor outro lado, a recorrência de lesões endometrióticas parece \nnão estar associada ao retorno da do r; à produção de estrogênios ou \noutros fatores pró -inflamatórios, imunológicos, angiogênicos ou \n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n110 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \nneurogênicos que, provavelmente causam a dor pélvica crônica \n(STRATTON & BERKLEY, 2010; KONINCKX  et al ., 2021). Isso \ntem sido observado em mulheres que necessit am ser reoperadas pelo \nretorno dos sintomas dolorosos. Nem todas essas mulheres, durante a \nsegunda intervenção cirúrgica (laparoscópica), apresentam novas \nlesões endometrióticas, refletindo uma independência do SNC na \nmodulação da dor e sugerindo que a dor  pode ser devida a outro fator \nque não a endometriose (STRATTON & BERKLEY, 2010; \nBULUN et al., 2019; KONINCKX  et al., 2021).  \n \n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n111 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \nFigura 3.  Desequilíbrio neuroendócrino -imunológico na \nEndometriose\n \nAAb = auto anticorpos, Ach  = acetilcolina, CGRP = peptídeo \nrelacionado com o gene da calcitonina, CRH = hormônio liberador de \ncorticotropina, E = estrogênios, E2 = estradiol, Hb = hemoglobina, HO \n= heme oxigenase, IL = interleucina, HLA = antígeno leucocitário \nhumano, IFN-γ = interferon-γ, KIR = receptor inibidor de células natural \nkiller, M-CSF = fator de estimulação de colônias de macrófagos, MCP -\n1 = proteína quimiotática de monócitos, MHC-I = complexo principal de \n\n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n112 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \nhistocompatibilidade classe-I, MMP = metaloproteinase da matriz, NGF \n= fator de crescimento neural, NK = células natural killer, P = \nprogesterona, PAR-2 = receptor ativado por protease tipo -2, PGE(2) = \nprostaglandina E(2), pHP hepatoglobulina peritoneal, RANTES = \nRegulada sob ativação, expressa e secretada por células T normais, \nsCD23 = CD23 solúvel, SCF = fator de célula tronco, sICAM -1 = \nmolécula de adesão intercelular -1 solúvel, SP = substância P,TGF -β = \nfator de transformação de crescimento beta, TH = tirosina hidroxilase, \nTNF-α = fator de necrose tumoral alfa;, VEGF = fator de crescimento \nendotelial vascular. Fonte: Tariverdian et al., 2007. \nA figura 3, ilustra a complexa resposta neuroendócrino -\nimunológica que ocorre no tecido endometrial ectópico. Destaque -se \na interação das terminações nervosas com os fatores infla matórios \n(TARIVERDIAN  et al ., 2007; KONINCKX  et al ., 2021). Essa \nresposta parece coerente para explicar a manutenção dos sintomas \ndolorosos apesar do tratamento cirúrgico das lesões endometrióticas.  \nAlgumas situações clínicas de pacientes com dor deixam \nclaro que o cérebro pode gerar dor na ausência de impulsos periféricos \ndos nociceptores ou da medula espinhal, por exemplo, a dor de \nmembro fantasma. A nocicepção é a detecção de lesão tecidual por \ntransdutores especializados, os nociceptores, que podem ser alterados \npor mudanças neurais ou inflamatórias. Os mediadores inflamatórios \nagem em sinergismo, aumentando a sensibilidade dos nociceptores, \ncom consequente redução de seu limiar de excitabilidade (GUYNTON \n& HALL, 2021; KONINCKX  et al., 2021).  \n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n113 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \nNa endometr iose, como descrito acima, tanto a persistência \ndo estímulo hormonal para manutenção do ciclo vicioso que resulta \nem inflamação crônica como a estimulação/desenvolvimento de \ninervação própria nos implantes de endométrio ectópico poderia agir \ncomo mediadore s algogênicos locais e explicar a manutenção e/ou \nrecorrência do quadro doloroso apesar da intervenção terapêutica.  \nPor outro lado, considerando a expressão de receptores \nestrogênicos no SNC e a provável modulação exercida por estes \nhormônios na neurotrans missão nociceptiva, mesmo após a remoção \nda lesão endometriótica, as vias nervosas poderiam se manter \nsensibilizadas e perpetuar a manifestação dolorosa.  \nA inflamação parece ter ainda outro papel sobre os nervos \nperiféricos. Nociceptores silentes, uma clas se de aferentes primários \nnão mielinizados que normalmente não são sensíveis a estímulos \ntérmicos e mecânicos intensos, em presença de sensibilização \ninflamatória ou química, tornam -se responsivos, despolarizando -se \nvigorosamente, mesmo na ausência de estí mulo (GUYNTON & \nHALL, 2021; KONINCKX  et al ., 2021). Talvez, este seja o \nmecanismo pelo qual a denominada inflamação neurogênica resultaria \nna variedade de sintomas dolorosos e na persistência destes, mesmo \napós a excisão das lesões na endometriose.  \nAssim, há de se considerar que provavelmente, além da \ndiversidade de fatores etiológicos envolvidos na fisiopatogênese da \nendometriose, o envolvimento do SNC via modulação hormonal \nestrogênica direta ou indireta da nocicepção contribuiria para a \n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n114 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \ndificuldad e no       estabelecimento da adequada intervenção \nterapêutica para a doença e as manifestações associadas como a dor \npélvica crônica (DJOKOVIC & CALHAZ -JORGE, 2014; BULUN  et \nal., 2019; KONINCKX  et al., 2021).  \nApesar dos inúmeros estudos sobre a patogênese da \nendometriose, permanece não estabelecida a etiologia das lesões, \nsendo provável que uma combinação de diversos mecanismos e a \ninteração entre eles contribua para o início e desenvolvimento da \ndoença (Figura 4) (DJOKOVIC & CALHAZ -JORGE, 2014).  \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n115 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \nFigura 4.  Esquema demonstrando a dependência estrogênica na \ncorrelação entre Endometriose e Dor Pélvica Crônica  \n \n \nFonte: Adaptado de Djokovic & Calhaz-Jorge, 2014. \n\n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n116 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \nCONSIDERAÇÕES FINAIS  \nExistem evidências da modulação de vias neuronais no SNC \npelos estrogênios. Agindo em seus receptores α e β em diferentes \nregiões cerebrais, os estrogênios interferem na modulação sináptica e \nneurotransmissão colinérgica, noradrenérgica, serotoninérgica, \nglutamatérgica, gabaérgica entre outros, desempenhando diferentes \nfunções, inclusive na modulação das vias nociceptivas. Estudos tem \ndemonstrado que a diversidade de sintomas crônicos dolorosos \nrelatados pelas mulheres pode ser atribuída às flutuações dos \nhormônios ovarianos durante o ciclo menstrual.  \nNo entanto, de uma forma ou de outra se observa o \nestabelecimento de um quadro inflamatório crônico que é influenciado \npelas variações dos hormônios sexuais femininos e que resulta em \nconstante manifestação dol orosa nas mulheres acometidas pela \ndoença, inclusive em dor pélvica crônica.  \nO conceito de que a queda abrupta ou a redução dos níveis de \nestrogênio aumentaria a severidade da dor sugere que além dos efeitos \nna sensibilização das terminações nervosas, quer  pela modulação \ndireta quer pela manutenção da resposta inflamatória crônica na \nendometriose, as variações nos níveis deste hormônio desencadeiam \nou disparam sintomas dolorosos diversos.  \nEm se tratando dos implantes endometrióticos, a dor parece \nocorrer in dependente das lesões e pode realmente ser decorrente de \nmodulação exercida pelos estrogênios nas terminações nervosas \nenvolvidas na modulação e processamento das informações \n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n117 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \nnociceptivas. Tanto, que a ablação da inervação uterina e a \nneurectomia pré -sacral, dois procedimentos cirúrgicos que avançaram \ncom a intervenção pélvica laparoscópica, interrompem a maioria das \nfibras nervosas sensoriais na região pélvica e nem sempre promovem \nbenefícios nas mulheres que sofrem com dor pélvica crônica.  \nAs evidências d e participação estrogênica na modulação \nperiférica e central das vias nociceptivas devem ser consideradas \ndurante a abordagem terapêutica. Uma provável interação “cérebro -\ncorpo-cérebro” parece justificar, pelo menos em parte, a perpetuação \ndos sintomas dol orosos relacionados à endometriose. As terapias \nalternativas, em especial a acupuntura, que demonstra resultados \nbastante satisfatórios no tratamento da dor pélvica crônica ilustra bem \ntal possibilidade.  \nEmbora não se possa estabelecer como, as evidências \nsugerem que existe correlação estreita e importante entre a \nendometriose e a dor pélvica crônica quer do ponto de vista clínico ou \nterapêutico. Os estrogênios, envolvidos no estabelecimento e \ndesenvolvimento de ambas as condições, parece ser o eixo desta \ncorrelação.  \n \nINFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES \n1 Mestre e Doutora em Fisiologia pela UFMG, Médica Ginecologista \ne Obste tra. ORCID: https://orcid.org/0000 -0003-4694-7008. \nCurrículo lattes: http://lattes.cnpq.br/5256973785497421.  \n \n\nModulação estrogênica da dor relacionada à endometriose \n \n118 \nhttps://www.nucleodoconhecimento.com.br/livros/ciencias-da-saude/ciencias-\nda-saude-jan-fev-2023  \n \nDOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/1747 \nREFERÊNCIAS  \n \nAGARWAL N, SUBRAMANIAN A. Endometriosis – Morphology, \nClinical Presentations and Molecular Pathology.  Journal of \nLaboratory Physicians . 2010; 2(1): 1 -9. \nBOURDEL N, ALVES J, PICKERING G, RAMILO I, ROMAN H, \nCANIS M. Systematic review of endometriosis pain assessment: how \nto choose a scale?  Human Reproduction Update . 2014, 0 (0): 1 –17. \ndoi:10.1093/humupd/dmu046  \nBRYAN KJ, MUDD JC, RICHARDSON SL, CHANG J, LEE H, \nZHU X, SMITH MA, CASADESUS G. Downregulation of Serum \nGonadotropins is as Effective as Estrogen Replacement at Improving \nMenopause -Associated Cognitive Deficits.  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