Patients with endometriosis have double the sexual
dysfunction as compared to women without the disease.
Descriptors: Endometriosis. Sexuality. Sexual dysfunction, physiological .
Quality of life. Sexual behavior. Sex.
1 INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO - 2
O conceito de Saúde definido pela Organização Mundial da Saúde
(OMS) é a situação de completo bem -estar físico, mental e social, e n ão
somente a ausência de doença (1986). Apesar da dificuldade no encontro de
estado tão sublime de perfeição, motivo de críticas à definição (Segre e Ferraz,
1997), ela ainda se mostra atual no que tange a abranger a saúde sexual como
um pilar básico.
A sexualidade, conjunto de fenômenos sexuais dos indivíduos com
fins reprodutivos e eróticos, portanto, é parte inte grante e fundamental do
conceito de saúde. A Saúde Sexual, segundo a OMS, seria a integração dos
aspectos psicológico, afetivo, intelectual e social de um ser sexual, numa
maneira de que, desses aspectos, resultasse um enriquecimento e
desenvolvimento da p ersonalidade humana, da comunicação e do amor
(Mahler, 1986; Segre e Ferraz, 1997; Sadana, 2002).
O estudo dos papéis sexuais associa -se à história das sociedades
humanas em suas variedades. Um fato, entretanto, as aproxima: a grande
importância que sempre é atribuída ao sexo. Ora o sexo é valorizado por
representar força, riqueza e fecundidade, ora é condenado quando deixa de
cumprir sua função reprodutora (Seixas, 1998).
As doenças crônicas, como é o caso da endometriose, podem afetar a
atividade sexual d a mulher em diversos aspectos. Já se reconhece que o
impacto psicológico vivido nessas circunstâncias, representado por insatisfação
INTRODUÇÃO - 3
pessoal e/ou conjugal, depressão em seus variados graus e modificações
objetivas ou subjetivas da autoimagem corporal possam estar associadas ao
surgimento ou desenvolvimento de disfunções sexuais (Rosen et al., 2006).
Além disso, a própria doença tem características relacionadas aos aspectos de
sua fisiopatologia e história natural que também levam, em maior ou menor
grau, a prejuízos físicos e anatômicos, comprometendo a atividade sexual
(Moradi et al., 2014). O impacto da doença orgânica na experiência sexual e no
comportamento do indivíduo é, frequentemente, pouco avaliado e pouco
estudado, além de, em muitos casos, a doenç a não ser a única responsável
pelas alterações da atividade sexual do paciente (McInnes, 2003).
Esse estudo destina -se a avaliar aspectos da função sexual feminina
em pacientes com endometriose. A escassez de pesquisas que investiguem
as alterações sexuais experimentadas pelas mulheres com endometriose e a
ampla prevalência das disfunções sexuais femininas e da endometr iose
realçam a importância deste projeto.
1.1 Sexualidade Humana
A sexualidade humana é regida pela busca do prazer, além da
procriação para a manutenção da espécie. As diversas religiões, criadoras
de dogmas e doutrinas orientadoras do comportamento das populações há
milhares de anos, aproximaram a atividade sexual humana daquela exercida
por espécies animais irracionais, fazendo com que se a creditasse na
finalidade exclusiva do encontro sexual para a reprodução e considerando
inadequada qualquer prática que buscasse exclusivamente o prazer e a
satisfação (Ramadan e Abdo, 2010).
INTRODUÇÃO - 4
A sociedade humana, nas últimas décadas, passou por uma grande
revolução: a separação formal da sexualidade com fins reprodutivos,
daquela com finalidade erótica. Houve redução expressiva nas taxas de
nascimentos, mas a frequência de atividade sexual se manteve inalterada
nas populações sexualmente saudáveis ( Morin et al., 2014). O interesse na
sexualidade humana remonta ao século XIX, mas estudos mais rigorosos,
focados na satisfação sexual e nas práticas sexuais, começaram, somente,
um século mais tarde (Gray, 2013).
O ciclo de resposta sexual é mais uniforme no homem do que na
mulher; inicialmente acreditou -se num modelo único, linear, proposto por
Masters e Johnson na década de 1960, que seria aplicável a ambos os
gêneros e composto por quatro fases (excitação, platô, orgasmo e
resolução). Com o avanço dos conheciment os em fisiologia sexual e melhor
observação da resposta sexual da mulher, Helen Kaplan afirmou, em finais
da década de 1970, que antecedendo à excitação viria o desejo, de
importância primordial em todas as fases subsequentes ( Kaplan, 1977).
Finalmente, em 2000, Basson propôs um novo modelo de resposta sexual
feminina, segundo o qual a mulher pode sair de uma situação de
neutralidade e experimentar a plena satisfação sexual por meio da
estimulação subjetiva (que se tornaria progressivamente mais objetiva),
sendo que, durante essa transição, adviria o desejo. Esse novo conceito
revolucionou o entendimento da atividade sexual nas mulheres, que não
mais precisavam encaixar -se nos moldes estanques previamente propostos
para que fossem consideradas sexualmente saudáveis.
INTRODUÇÃO - 5
1.2 Sexualidade Feminina Funcional e Disfuncional
A sexualidade feminina exibe aspectos peculiares, relacionados direta
ou indiretamente às características próprias do gênero feminino como um
todo (Abdo e Fleury, 2006). Elementos como história de vida, iniciação
sexual, relacionamentos prévios e situação conjugal atual, situação
hormonal e principalmente as crenças, mitos e tabus que acompanham a
mulher em relação à sexualidade influenciam seu papel sexual e são
determinantes para que a qualidade de vida e prática sexuais sejam mais ou
menos saudáveis ( Abdo, 2000). O bem -estar sexual é determinado tanto
pelo ato sexual, em si, quanto pela própria dinâmica do relacionamento
conjugal, além de características próprias do indivíduo. A qualidade da
comunicação do casal, o nível de satisfação na relação e a duração do
relacionamento podem interferir na avaliação global da qualidade da vida
sexual (McCabe, 2001; Hayes, 2008; Timm e Keiley, 2011).
Leiblum (1999) propôs que algumas mulheres manifestavam excitação
em resposta ao estímulo da parceria antes de experimentarem o desejo
consciente e não poderiam, por essa razão, serem consideradas disfuncionais.
Este conceito foi ampliado por Basson (2000) que afirmou que muitas mulheres
iniciavam a atividade sexual buscando a intimidade, antes que a sensação
erótica as envolvesse. Desta maneira, estabelecia-se um princípio fundamental
da diferença entre a sexualidade masculina e a feminina, onde esta última não
necessariamente deveria obedecer à sequência desejo excitação orgasmo
resolução para ser considerada adequada e saudável. Atualmente, um dos
modelos mais aceitos sobre a sexualidade feminina é o modelo circular de
Basson (2000). Nele considera-se que a ausência de desejo sexual espontâneo
INTRODUÇÃO - 6
no início da atividade sexual não significa disfunção e corrobora-se a ideia de
que o desejo tem papel primordial na resposta sexual feminina. O ciclo de
resposta sexual feminino seria, então, composto por cinco fases (Basson,
2000), conforme demonstrado na Figura 1.
1 - início da atividade sexual por motivo não necessariamente sexual,
com ou sem consciência do desejo;
2 - excitação subjetiva e resposta física desencadeadas pelo
estímulo erótico;
3 - sensação de excitação progressiva e consciência do desejo;
4 - aumento g radativo da excitação e do desejo atingindo ou não o
orgasmo;
5 - satisfação física e emocional com receptividade para futuros atos.
Figura 1 - Ciclo de resposta sexual feminino (Adaptado de Basson, 2000)
INTRODUÇÃO - 7
Em relação às disfunções sexuais femininas, carac teriza-se como
disfunção sexual a falta ou excesso, desconforto ou dor na expressão ou
desenvolvimento do ciclo de resposta sexual ( APA, 200 0). O Manual de
Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais , 5a ed. (DSM-V) ( APA,
2013) classifica as disfunçõ es sexuais como grupo heterogêneo de
distúrbios que provocam alteração clinicamente significativa na habilidade do
indivíduo responder sexualmente ou experimentar prazer sexual. Ressalta,
como fatores relevantes para a etiologia e tratamento, aqueles relat ivos à
parceria, ao relacionamento, à vulnerabilidade individual e às comorbidades
psiquiátricas (www.dsm5.org). A maioria dos autores concorda com a
necessidade de se identificar o sofrimento como fator -chave para que
determinado problema seja caracteriza do como disfunção, visto que, em
alguns casos, quando n ão traz sofrimento pessoal, mesmo com alguns
parâmetros que se distanciem da média populacional, o indivíduo pode ser
considerado sexualmente saudável (Latif e Diamond, 2013).
As disfunções sexuais fem ininas são problema frequente e complexo.
Diversos fatores, biológicos (saúde ou presença de doenças), psicológicos e
sócio-demográficos podem exercer influência na função sexual ( Amato,
2006). A mulher experimenta oscilações hormonais durante várias etapa s do
ciclo menstrual, bem como nas diferentes fases da vida reprodutiva
(puberdade, menacme, climatério) que acarretam diferentes posturas em
relação à prática sexual ( Thomas e Thurston, 2016). Já na adolescência
algumas condições podem favorecer, futurame nte, o surgimento de
disfunção sexual, motivo pelo qual o atendimento cuidadoso a esse público,
visando ao encontro de sinais ou sintomas específicos – como dismenorreia
INTRODUÇÃO - 8
severa, dispareunia, infecções genitais, dores pélvicas, sintomas ansiosos e
depressivos – deve ser minuciosamente realizado. Há grande dificuldade, na
literatura, em se conduzir estudos exclusivamente com a população
adolescente no que tange à função sexual, logo os resultados de pesquisas
com a população adulta costumam ser extrapolados à faixa abaixo de 18
anos (Greydanus e Matytsina, 2010).
A classificação das disfunções sexuais femininas varia entre
diferentes grupos. A Associaç ão Psiquiátrica Americana, através da 4 a ed.,
Texto Revisado do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno s Mentais
(DSM-IV-TR), em 2002, propôs uma classificação, na qual três categorias
destacavam-se: distúrbio do desejo sexual hipoativo, dispareunia e
disfunção orgásmica (APA, 2000).
Transtornos do desejo sexual
- Transtorno do desejo sexual hipoativo: defi ciência ou ausência
de fantasias sexuais e desejo de ter atividade sexual.
- Transtorno de aversão sexual: aversão e esquiva ativa do
contato sexual genital com um parceiro sexual.
Transtornos da excitação sexual
- Transtorno da excitação sexual feminina: incapacidade
persistente ou recorrente de adquirir ou manter uma resposta de
excitação sexual adequada de lubrificação -turgescência até a
consumação da atividade sexual.
- Transtorno erétil masculino: incapacidade persistente ou recorrente
de obter ou manter ereção adequada até a conclusão da atividade
sexual.
INTRODUÇÃO - 9
Transtornos do orgasmo
- Transtorno do orgasmo feminino: atraso ou ausência persistente ou
recorrente de orgasmo, após uma fase normal de excitação sexual.
- Transtorno do orgasmo masculino: atraso ou ausência persistente
ou recorrente de orgasmo, após uma fase normal de excitação
sexual.
- Ejaculação precoce: início persistente ou recorrente de orgasmo
e ejaculação com estimulação mínima antes, durante ou logo
após a penetração e antes que o indivíduo o deseje.
Transtornos sexuais dolorosos
- Dispareunia (feminina e masculina): dor genital associada com
intercurso sexual. Embora a dor seja experimentada com maior
frequência durante o coito, também pode ocorrer antes ou após o
intercurso.
- Vaginismo: contração involuntária, recorrente ou persistente, dos
músculos do períneo adjacentes ao terço inferior da vagina,
quando é tentada a penetração vaginal com pênis, dedo, tampão
ou espéculo.
Disfunção sexual devida a uma condição médica geral : presença de
disfunção sexual clinicamente significativa, considerada
exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos diretos de uma
condição médica geral.
Disfunção sexual induzida por substância : disfunção sexual
clinicamente significativa que tem como resultado um acentuado
sofrimento ou dificuldade interpessoal, plenamente explicada pelos
INTRODUÇÃO - 10
efeitos fisiológicos diretos de uma substância (droga de abuso,
medicamento ou exposição à toxina).
Disfunção sexual sem outra especificação : disfunções sexuais que
não satisfazem os critérios para qualquer disfunção sexual
específica.
A mesma associação, em maio de 2013, publicou o DSM -V, onde
alguns conceitos foram revistos e classes de disfunções foram reagrupadas;
uma mudança significativa foi a união dos transtornos de desejo e excitação
femininos em uma única classe (transtorno do interesse/excitação sexual
femininos), pois compreendeu -se que essas fases estariam vinculadas no
ciclo de resposta sexual da mulher. Além disso, os transtornos sexuais
dolorosos, anteriormente separ ados em dispareunia e vaginismo, também
foram reunidos sob a denominação “transtornos de dor genitopélvica/à
penetração”. A comunidade científica já apresentou críticas a essa nova
classificação, que vem sendo revista (McCabe et al., 2016).
Estudos populacionais, em geral, mostram alta prevalência de disfunção
sexual em todas as faixas etárias e segmentos populacionais, atingindo cifras
entre 43,0 a 50,9% (Laumann et al., 1999; Abdo et al., 2004). O estudo Sexual
Problems and Distress in United States Women : Prevalence and Correlates
(PRESIDE), conduzido por Shifren et al. (2008), avaliou 31581 mulheres entre
18 e 65 anos; além da prevalência geral de 44,2% de uma ou mais disfunções
sexuais nas pacientes estudadas, em todas as faixas verificou -se que a
diminuição do desejo sexual foi a mais frequente.
Diversas causas podem contribuir ou agravar as disfunções sexuais
femininas, sendo algumas fisiológicas, como o puerpério ou o próprio
INTRODUÇÃO - 11
envelhecimento e outras atribuídas às condições patológicas. As queixas
sexuais estão entre as mais comuns das mulheres na transição
menopáusica; no início do climatério cerca de 42% das mulheres têm
alguma queixa sexual, mas no final desta fase, em torno dos 65 anos de
idade, mais de 85% da população feminina refere alguma disfun ção sexual
(Dennerstein et al., 2003; Prairie et al., 2015).
Na esfera ginecológica, algumas doenças, como a endometriose e os
miomas uterinos, podem apresentar disfunções sexuais associadas. Nelas, a
dispareunia de profundidade constitui uma das principai s queixas ( Ertunc et
al., 2009; Bellelis et al., 2010). Na miomatose isolada, sem coexistência de
outras doenças, a localização dos miomas pode ter impacto na intensidade
da dispareunia, mas n ão causam piora na função sexual, que se apresenta
similar a gru pos controles. Mas, se houver doença pélvica associada, como
endometriose, aderências ou doença inflamatória pélvica, após correção de
eventuais vieses, pode -se responsabilizar a miomatose por prejuízo na
função sexual (Ferrero et al., 2006).
Há ainda, con dições clínicas de dor pélvica constante, como a
síndrome da bexiga dolorosa e a doença inflamatória intestinal, cujas
pacientes apresentam dispareunia como uma das maiores queixas álgicas,
com sérias repercussões na função sexual, além da perda de desejo sexual
e menores índices de satisfaç ão (Nickel et al., 2008; Marin et al., 2013). Em
grande estudo envolvendo mais de 140 mil pacientes com queixas
miccionais, entrevistadas via telefone sobre aspectos da sua vida sexual, as
mulheres apresentaram taxas de 88% de queixas, mostrando que a doença,
altamente debilitante, causa severos prejuízos na qualidade de vida sexual
INTRODUÇÃO - 12
(Bogart et al ., 2011). As pacientes com síndrome da bexiga dolorosa, no
entanto, consideram a recuperação da função sexual uma das etapas
primordiais do tratamento da doença (Webster, 1997; Liu et al., 2014).
Causas iatrogênicas também podem determinar disfunções sexuais.
Desde a prescrição de medicamentos das mais diversas classes, até cirurgias
pélvicas, ginecológicas ou n ão-ginecológicas, como a histerectomia ou a
correção de incontinência urinária, podem ser responsáveis pelo
desencadeamento de problemas na esfera sexual (Zobbe et al., 2004; Levin et
al., 2016).
Assim, a importância da avaliação da função sexual, nas doenças
crônicas, é prim ordial e deve ser incentivada junto aos profissionais de
saúde, pois, dados atuais refletem ser essa, ainda, uma questão pouco
investigada e diagnosticada (McInnes, 2003; Trompeter et al., 2016).
1.3 Endometriose
A endometriose caracteriza -se pelo implante , crescimento e
desenvolvimento de glândula e/ou estroma endometriais em localização
extrauterina (D’Hooghe et al ., 2003). Estima -se que 10% da população
feminina na menacme apresentam essa doença ( Missmer e Cramer, 2003)
e, quando são estudadas populações específicas de mulheres com dor
pélvica ou infertilidade, a prevalência pode atingir até 47% dos casos
(Kennedy et al., 2005; Bulun, 2009; De Ziegler et al., 2010).
A doença pode ser classificada sob vários aspectos. Quanto à
profundidade de invasão no te cido, Cornillie et al . (1990) propuseram a s
INTRODUÇÃO - 13
denominações “superficial”, “intermediária” e “profunda” quando a invasão
atingisse menos que 1 mm, entre 2 e 4 mm de profundidade e mais que 5
mm de profundidade , respectivamente . Já em 1991, reconheceu -se a
associação entre a forma profunda e maior gravidade da doença (Koninckx
et al ., 1991). Atualmente, emprega -se a classificação de Nisolle e Donnez
(1997) que separa as três classes histológicas: endometriose superficial,
endometriose ovariana e doença profunda.
Diversos estudos defendem que o enfoque multidisciplinar é
fundamental na abordagem da paciente com endometriose, priorizando,
além de aspectos médicos, o acompanhamento psicológico das mesmas,
pois têm risco elevado de síndromes ansiosas e depressivas, provavelmente
devido às dores crônicas ( Belaisch e Allart, 2006; Schleedoorn et al., 2106).
Butler et al ., em 2006, reconheceram essa condição de favorecimento à
depressão e ansiedade em portadoras de dor pélvica e, para abordá -las
adequadamente, postulara m a necessidade de abordagem conjunta do
binômio dor -transtorno psiquiátrico, sem a qual n ão haveria progresso na
condução do tratamento da dor.
Os principais sintomas relacionados à doença envolvem a dor pélvica,
em suas múltiplas facetas (dismenorreia, dispareunia e dor pélvica crônica) e
a infertilidade, além de alterações dos hábitos intestinal e urinário durante o
período menstrual. Nem sempre há relação entre a extensão ou
estadiamento da doença e severidade do quadro doloroso, de modo que
algumas pac ientes com doença inicial podem apresentar quadros álgicos
mais exuberantes que outras com graus mais avançados de endometriose
(Podgaec e Abrão, 2005).
INTRODUÇÃO - 14
Tratando-se de uma doença crônica, com reconhecida morbidade
física e emocional, a endometriose pode de terminar impacto negativo na
qualidade de vida ( Marques et al., 2004; De Graaff et al., 2013). A redução
das atividades, o isolamento social, a interferência nas relações afetivas e
familiares, além de graus diversos de dor e a infertilidade, que pode atin gir
até 50% das pacientes, determinam um cenário que pode favorecer
depressão, baixa autoestima e perda da qualidade de vida em geral
(Fauconnier e Chapron, 2005 ; Mengarda et al ., 2008). Para ter uma
abordagem mais profunda sobre o tema, em nosso meio, Minson et al .
(2012) estudaram 130 pacientes com endometriose comprovada por
biópsias colhidas durante videolaparoscopia e nelas aplicaram o
questionário SF -36, constituído de 36 itens que avaliam, primordialmente,
dois grandes grupos de sintomas (físicos e m entais) e, secundariamente,
oito subgrupos entre eles, envolvendo análises de autopercepç ão corporal,
funcionamento orgânico em geral, vitalidade e aspectos socioemocionais.
Os resultados mostraram que as pacientes com endometriose tiveram
menores índices de vitalidade que a populaç ão geral e que a intensidade da
dor teve correlação positiva com menores escores de qualidade de vida.
Como cursa, frequentemente, com dor pélvica crônica, Tripoli et al .
(2011) avaliaram a qualidade de vida, em geral, e a funçã o sexual de 49
pacientes com endometriose e 35 pacientes com dor pélvica crônica,
comparando-as a outras com dor pélvica crônica de diferentes etiologias,
Não encontraram diferenças estatisticamente significativas entre os dois
grupos, mas ambos se mostraram mais afetados (com escores inferiores) do
que um grupo controle composto por mulheres saudáveis.
INTRODUÇÃO - 15
Em pacientes submetidas a tratamento cirúrgico, estudos visando à
avaliação da qualidade de vida pré e pós -operatória também foram
realizados. Aplicando o q uestionário SF-36 em 151 mulheres submetidas a
ressecção segmentar intestinal entre 2002 e 2009, Bassi et al . (2011)
encontraram melhora superior a 90% nos escores anteriores ao
procedimento cirúrgico e após 12 meses do mesmo. Confirmaram, assim,
que a abo rdagem cirúrgica para esses casos alcançara o propósito básico
do tratamento de melhorar, globalmente, a qualidade de vida. Já outro
estudo, conduzido por Porto et al . (2015), analisou a correlação entre a
classificação histológica da endometriose, local da doença e qualidade de
vida, aplicando o questionário SF -36 no pré e pós -operatório de pacientes
com endometriose glandular mista e glandular indiferenciada, cujas lesões
se localizavam no peritônio, intestino e ligamentos uterossacros. Seus
resultados mostraram que, após o tratamento cirúrgico laparoscópico, houve
melhora dos escores de qualidade de vida nas pacientes com endometriose
indiferenciada peritoneal, mas n ão se encontraram diferenças nesses
escores em pacientes com endometriose intestinal.
Além dos sintomas já mencionados, a endometriose também envolve
aspectos psicológicos e emocionais. Características como enfrentamento à
doença, em si, e aos tratamentos necessários, podem ser alteradas em
mulheres acometidas pela endometriose, conforme demonstrado por Eriksen et
al. (2008) num estudo em que foram avaliadas 63 pacientes com doença
comprovada por laparoscopia. Dentre elas, 20 eram assintomáticas, e
comparadas entre si quanto aos aspectos psicológicos primordiais
(enfrentamento, ansiedade, depressão e inibição emocional), o enfrentamento
INTRODUÇÃO - 16
foi a característica mais afetada, sugerindo que isso tivesse alguma implicação
no tratamento da doença. No entanto, esse estudo não conseguiu comprovar
associação da dor com aumento de sintomas ansiosos ou depressivos.
Há, portanto, impacto negativo na qualidade de vida das mulheres
com endometriose, sendo os domínios de dor e desempenho psicossocial
(atividades diárias, relacionamento íntimo, planejamento, maternidade,
educação, trabalho, saúde geral, saúde mental e bem-estar emocional) mais
comprometidos (Culley et al., 2013).
1.4 Atividade Sexual e Endometriose
O interesse na avaliação da atividade sexual de pacientes com
endometriose é recente. Em 1995, Montgomery e Pereira publicaram o
primeiro trabalho que t ratava da questão em nosso meio. Avaliaram 26
pacientes com diagnóstico prévio de endometriose, as quais foram tratadas
com análogos do GnRH (goserelina) por oito meses e contraceptivos orais
combinados por mais 12 meses, além de psicoterapia de apoio. Não havia
desejo de gestação em nenhuma das pacientes tratadas, e, apesar do
hipoestrogenismo induzido pela goserelina, que determinava menor
lubrificação vaginal à estimulação sexual, 21 mulheres (80,7%) referiram
melhora significativa da vida sexual após o tratamento.
Dentre as queixas sexuais mais comuns relacionadas à endometriose
destaca-se a dispareunia, que pode ser fruto de alteração anatômica pélvica
e da presença de nódulos da doença profunda, ter natureza inflamatória,
com acometimento do peritônio local ou também ser causada por transtorno
INTRODUÇÃO - 17
psicológico (Brauer et al., 2009). Afirma-se que cerca de 15% das mulheres,
em geral, sofram de dispareunia crônica, sendo uma entidade pouco
compreendida e de difícil manejo clínico ( Weijmar et al ., 2005). A elev ada
incidência de dispareunia de profundidade nas mulheres com endometriose
pode ser responsável por prejuízos na vida particular e conjugal das
pacientes e merece enfoque multidisciplinar durante o acompanhamento
terapêutico especializado (Vercellini et al., 2011).
Diversos centros especializados no atendimento a pacientes com
endometriose propuseram -se, ao longo das últimas décadas, a avaliar a
função sexual dessas mulheres. Ferrero et al . (2004) compararam
portadoras da doença com outras pacientes com di spareunia de
profundidade, concluindo que o principal fator relacionado à piora de
qualidade da vida sexual na endometriose estava relacionado ao local de
acometimento da doença, fundamentalmente aos focos localizados nos
ligamentos uterossacros, que dific ultavam a penetração profunda e, muitas
vezes, impediam a prática sexual. O mesmo grupo de pesquisadores
investigou, em 2006, outras doenças ginecológicas benignas altamente
prevalentes, como os miomas uterinos, e a qualidade de vida sexual; mesmo
em mioma s grandes e numerosos não se encontraram diferenças
significativas em relação às queixas de dispareunia e satisfação sexual. O
resultado mostrou que o tipo de doença em questão, quando comparadas
miomatose e endometriose, estava diretamente relacionado com a
possibilidade de satisfação sexual e ressaltou que, na endometriose, dadas
as próprias características inflamatórias da doença, já se esperava um maior
prejuízo nos indicadores de qualidade de vida sexual.
INTRODUÇÃO - 18
A avaliação dos resultados dos estudos envolven do as características
da função sexual das portadoras de endometriose revela, em maior ou
menor grau, sentimentos de baixa autoestima, insatisfação, piores índices de
qualidade de vida, deterioração de relacionamentos e, por vezes, abandono
completo da ati vidade sexual ( Denny e Mann, 2007; Ter Kuille et al., 2010;
Souza et al. , 2011; Fritzer et al ., 2013; Evangelista et al ., 2014). A
experiência dolorosa trazida de relações sexuais prévias teria sido o
principal marcador de limitação da função sexual no presente.
Estudos comparando a eficácia de determinadas modalidades
terapêuticas sobre a função sexual nas mulheres com endometriose também
foram conduzidos por diversos pesquisadores. Apesar de casuísticas
distintas, os resultados mostraram, de forma consist ente, benefícios no
tratamento cirúrgico da endometriose profunda, por via laparoscópica,
permitindo que muitas mulheres retomassem uma atividade sexual mais
satisfatória ( Mabrouk et al ., 2012; Setälä et al ., 2012; Kossi et al ., 2013).
Esses autores compro varam o benefício da nodulectomia vaginal na
qualidade de vida dessas mulheres, principalmente nos quesitos de
desconforto no ato sexual ou dispareunia, além de domínios da qualidade de
vida em geral, como vitalidade e estresse.
Fritzer et al . (2013), aval iando a função sexual de 125 pacientes
distribuídas em oito centros terciários especializados em endometriose na
Áustria e na Alemanha, também encontraram índices elevados de disfunção
sexual (32%) e sofrimento atribuído ao sexo (77%). A exploraç ão
pormenorizada de características desse profundo desconforto associado à
vida sexual permitiu -lhes perceber que a paciente com endometriose n ão
INTRODUÇÃO - 19
restringia sua insatisfação sexual apenas à dispareunia, mas , sobretudo a
baixo número de intercursos sexuais mensais, s entimentos de culpa em
relação a fracassos no relacionamento conjugal, perda da feminilidade e,
após algum tempo, limitação da atividade sexual com finalidade reprodutiva.
O mesmo grupo de pesquisadores publicou, em 2014, uma meta -análise do
impacto do tra tamento cirúrgico da endometriose na qualidade de vida em
geral e na função sexual, reforçando o conceito benéfico da cirurgia para
melhora da dor crônica e da dispareunia, e consequente restabelecimento
de melhores parâmetros de qualidade de vida e atividade sexual.
1.5 Justificativa do Estudo
Em recente revisão bibliográfica no PubMed (junho/2016) foram
encontrados de mais de 22000 artigos sobre endometriose . No entanto,
especificamente sobre o tema “Sexualidade e Endometriose”, encontraram -
se apenas 112 artigos indexados, correspondentes a 0,5% do total de
trabalhos publicados.
O quadro completo da mulher com endometriose é preocupante sob
diversos aspectos e ainda mal compreendido. Em todas as queixas
relacionadas à dor pélvica e à infertilidade pode hav er prejuízo da função
sexual, que se torna mais incômoda e menos prazerosa. A sexualidade da
paciente com endometriose é influenciada por fatores de ordem orgânica
(anatômica e funcional, relacionadas aos sítios de acometimento da
doença), bem como por fat ores psicológicos e/ou psiquiátricos, podendo
compor um quadro crônico de dor e depressão em seus variados graus, com
INTRODUÇÃO - 20
implicação direta no sucesso terapêutico. A presente pesquisa procura
elucidar alguns pontos ainda obscuros no entendimento da complexa
relação entre sexualidade e endometriose e tem como propósito final auxiliar
no manejo clínico e na melhora da qualidade de vida dessas pacientes.
2 OBJETIVOS
OBJETIVOS - 22
2.1 Objetivo Geral
Identificar a presença de disfunções sexuais nas pacientes com
endometriose.
2.2 Objetivos Específicos
a) Avaliar a prevalência de diferentes disfunções sexuais nas
pacientes com endometriose, classificando -as de acordo com as principais
disfunções reconhecidas, de acordo com o Manual Estatístico de Doenças
Mentais, 4a ed., texto revisado (DSM-IV-TR, 2000):
- transtorno do desejo;
- transtorno da excitação sexual feminina;
- transtornos sexuais dolorosos;
- transtorno do orgasmo feminino.
b) Correlacionar as disfunções sexuais em portadoras de
endometriose com:
- a idade da paciente;
- o quadro clínico referido;
- os tipos de doença: peritoneal superficial, ovariana e profunda.
3 MÉTODOS
MÉTODOS - 24
Esse estudo foi realizado no Ambulatório do Setor de Endometriose da
Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medi cina da
Universidade de São Paulo, no Ambulatório de Ginecologia Geral do mesmo
serviço e no Ambulatório da Unidade Básica de Saúde Jardim Regina da
Prefeitura do Município de São Paulo. Foram respeitados os princípios éticos,
práticos e de biossegurança e stipulados pelo Ministério da Saúde e pelas
Comissões de Ética em Pesquisa com Seres Humanos das instituições, bem
como os protocolos técnicos do hospital e dos médicos envolvidos. O estudo foi
iniciado após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa de am bas as
Instituições, conforme documentos em anexo (Anexo A). Todas as pacientes
assinaram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexos B e C).
3.1 Cálculo da Amostra
O cálculo do tamanho amostral foi baseado em estudos realizados em
nosso meio, os quais observaram que a prevalência de disfunção sexual na
população geral feminina é de cerca de 40% ( Bancroft et al., 2003; Abdo et
al., 2010). Tendo em vista as alterações inflamatórias e anatômicas
presentes na pelve de pacientes com endometriose, que pod em provocar
quadro clínico álgico importante, esperava -se que essas mulheres
apresentassem prevalência maior que esse percentual, em torno de 50%.
MÉTODOS - 25
Usando confiança de 95% e poder de 95%, a amostra calculada foi de 247
pacientes em cada grupo do estudo. Res peitando-se os critérios de inclusão
e exclusão, confirmados apenas após o preenchimento dos questionários,
verificou-se a necessidade de ampliação substancial da amostra, para que
se chegasse ao número de pacientes almejado no cálculo amostral.
Assim, for am estudadas, inicialmente, 1001 pacientes, divididas em
dois grupos: pacientes com endometriose (grupo EDT) e pacientes sem a
doença (grupo CONTROLE). Após as entrevistas realizadas pela
pesquisadora, foram aplicados os três questionários (Quociente Sexua l
Feminino [QSF], Inventário de Beck para ansiedade e Inventário de Beck
para depressão) (Anexos D, E e F).
A amostra definitiva, portanto, envolveu 583 pacientes, sendo 254
pacientes no grupo endometriose (grupo EDT), e 329 mulheres no grupo
CONTROLE.
3.2 Critérios de Inclusão
Foram considerados critérios de inclusão para ambos os grupos:
- idade entre 18 e 45 anos;
- vida sexual ativa nos últimos seis meses;
- ausência de depressão e ansiedade severas, comprovada
mediante avaliação através dos questionári os de Beck específicos
para ansiedade e para depressão;
- ausência de quadro clínico de climatério ou falência ovariana
prematura;
MÉTODOS - 26
- capacidade de responder aos questionários.
Para o grupo EDT, além disso, era necessária a presença de
endometriose comprovada por ultrassonografia especializada com preparo
intestinal, ressonância magnética da pelve ou videolaparoscopia e biópsia.
Para o grupo CONTROLE era necessária a ausência de suspeita
clínica de endometriose, considerada relevante quando eram referidos d ois
ou mais dos seguintes sintomas: dismenorreia com escala visual analógica ≥
7, dor pélvica crônica com escala visual analógica ≥ 7, dispareunia de
profundidade com alteração no exame de toque vaginal do fundo -de-saco
posterior (presença de nódulos ou es pessamentos), infertilidade, alteração
intestinal ou urinária cíclicas caracterizadas por dor ou sangramento na
evacuação ou na diurese.
3.3 Questionário para Avaliação da Função Sexual
A função sexual feminina pode ser avaliada por instrumentos confiáveis
disponíveis na literatura. O Quociente Sexual - Versão Feminina é um
instrumento de autorresposta, desenvolvido e validado no Brasil, com 10
questões que avaliam diferentes dimensões da atividade sexual feminina
(desejo, excitação, dor, orgasmo e satisfação sexual), no qual a paciente toma
como base a atividade sexual ocorrida nos seis últimos meses. Cada questão
deve ser respondida numa escala de pontos, que variam de “nunca” (0) a (5)
“sempre”. O resultado final do QSF é dado pela soma de todos os itens
multiplicada por dois. Assim, o escore total varia de 0 a 100. O resultado da
atividade sexual, segundo o escore obtido, é assim considerado:
MÉTODOS - 27
- 0 a 20 = quociente sexual nulo a ruim;
- 22 a 40 = quociente sexual ruim a desfavorável;
- 42 a 60 = quociente sexual desfavorável a regular;
- 62 a 80 = quociente sexual regular a bom;
- 82 a 100 = quociente sexual bom a excelente.
Escores menores ou iguais a 60 indicam disfunção sexual em geral
(Abdo, 2006).
Os domínios acometidos da função sexual podem ser identi ficados
separadamente. A interpretação desses resultados segue a tabulação:
- diminuição do desejo sexual mulheres que atingem po ntuação ≤ 2
nas questões 1 e 2;
- problemas de excitação quando atingem escores ≤ 2 nas questões
3 e 4;
- presença de dor durante a relação sexual quando a pontuação for
> 2 na questão 7;
- dificuldade de orgasmo quando o escore for ≤ 2 na questão 9;
- insatisfação sexual quando o escore for ≤ 2 na questão 10.
Assim, as pacientes foram avaliadas por meio do QS -F e seus
resultados refletiram a base das disfunções sexuais presentes em ambos os
grupos, conforme ilustrado no Anexo D.
MÉTODOS - 28
3.4 Questionários para Avaliação de Depressão e Ansiedade
O Inventário de Depressão Beck é uma escala de autoavaliação
reconhecida mundialmente para detectar sintomas depressivos. O inventário
contém 21 itens que devem ser respondidos com base nos fatos vivenciados
na última semana. O es core final é obtido pela soma da pontuação de cada
item e varia de 0 a 63. A classificação da depressão é assim representada:
- ausência de depressão: escore de 0 a 14 pontos;
- depressão leve ou disforia: escore de 15 a 19 pontos;
- depressão moderada: escore de 20 a 29 pontos;
- depressão severa: escores de 30 a 63 pontos.
Indivíduos que atingem escores maiores que 20 (equivalente aos
níveis de depressão moderada ou grave) são considerados deprimidos
(Beck, 1961) (Anexo E).
Já o Inventário de Ansiedade Be ck é uma e scala de autoavaliação
constituída por 21 itens nos quais são atribuídos pontos que refletem níveis
de gravidade crescentes de cada sintoma comum da ansiedade. O paciente
deve assinalar “absolutamente não”, “levemente: não me incomodou muito”,
“moderadamente: foi muito desagradável, mas pude suportar” ou
“gravemente: difícil de suportar” para cada um dos sintomas de ansiedade
apresentados. O escore total é o resultado da soma dos escores de cada
item. A pontuação total permite a seguinte classificação:
- ansiedade mínima: escore de zero a 7 pontos;
- ansiedade leve: escore de 8 a 15 pontos;
- ansiedade moderada: escore de 16 a 25 pontos;
- ansiedade grave: escore de 26 a 63 pontos.
MÉTODOS - 29
Indivíduos s ão considerados ansiosos quando os escores s ão
maiores ou iguais a 16 (Beck et al., 1988) (Anexo F).
3.5 Dinâmica do Estudo
As pacientes acompanhadas nos Setores de Endometriose (grupo
EDT) e Ambulatórios de Ginecologia Geral da Unidade Básica de Saúde
Jardim Regina ou do Hospital das Clínicas da FMUSP (grupo CONTROLE),
no período de abril de 2013 a abril de 2015, foram submetidas à anamnese
visando confirmar os critérios de inclusão.
Os seis sintomas clínicos mais característicos da endometriose foram
questionados (dismenorreia, dispareunia de profundidade, do r pélvica
crônica, infertilidade, alterações intestinais cíclicas e alterações urinárias
cíclicas). Aplicou -se a escala visual analógica para os sintomas dolorosos,
considerando-os significativos quando seu valor foi maior ou igual a sete.
As pacientes com endometriose foram classificadas segundo o tipo de
doença: peritoneal superficial, ovariana (quando houvesse doen ça ovariana
associada ou nāo à doença superficial) e doença profunda (quando os
implantes de endometriose fossem ≥ 5 mm de profundidade, associados ou
nāo às categorias anteriormente mencionadas). O critério de gravidade foi
crescente e respeitou a sequênc ia doença superficial peritoneal < doença
ovariana < doença profunda.
Nesse momento, além da comprovação da endometriose para o
grupo EDT e da ausência da suspeita clínica para o CONTROLE, foram
aplicados o QS -F, para avaliar a função sexual, e os questionários de
MÉTODOS - 30
depressão e de ansiedade de Beck para verificar a presença de sintomas
dessas doenças. Pacientes com depressão e/ou ansiedade severas foram
excluídas do estudo.
A dinâmica do estudo está representada na Figura 2.
Figura 2 - Fluxograma da distribuição das pacientes nos grupos EDT e CONTROLE
MÉTODOS - 31
3.6 Análise Estatística
Os diferentes transtornos de sexualidade e demais características
qualitativas, avaliados pelo questionário, foram descritos segundo grupos
com uso de frequências absolutas e relativas e verificada a associação com
os grupos com uso de testes qui -quadrado ou teste exato de Fisher
(Kirkwood e Sterne, 2006). Foram utilizados os softwares Excel 2003 e
SPSS 20.0.
As idades das pacientes e os escores de ansiedade, depressão e QS-
F foram descri tos quantitativamente, segundo grupos com uso de medidas
resumo (média, desvio padrão, mediana, mínimo e máximo) e comparados
com uso de testes t -Student ou testes Mann -Whitney (Kirkwood e Sterne,
2006).
Foi criado o modelo de regressão logística múltipla (Hosmer e
Lemeshow, 2000) para explicar a presença de disfunção sexual segundo
idade, sintomas e grupo e para verificar se, independentemente dessas
características, as pacientes com EDT apresentam diferenças nas taxas de
disfunção.
As categorias de disfun ção e escalas de ansiedade e depressão nas
pacientes com EDT foram descritas segundo características pessoais de
interesse e sintomas ginecológicos, com uso de frequências absolutas e
relativas, e verificadas as associações com uso de testes qui -quadrado ou
testes exatos de Fisher ou teste da razão de verossimilhanças.
Os testes foram realizados com nível de significância de 5%.
4 RESULTADOS
RESULTADOS - 33
A Tabela 1 mostra que os graus de ansiedade e depressão foram
estatisticamente maiores nas pacientes com EDT ( p < 0,001), sendo que
quase 7% das mulheres apresentaram depressão severa e mais de 20% das
mulheres apresentaram ansiedade severa.
Tabela 1 - Descrição dos resultados obtidos com os questionários de
Beck de ansiedade e depressão nos grupos Controle e com
endometriose (EDT)
Variável
Grupo Total p Controle EDT
n % n % n %
Depressão < 0,001
Ausente 430 70,3 209 56,3 639 65,0
Mínima 70 11,4 55 14,8 125 12,7
Moderada 82 13,4 69 18,6 151 15,4
Severa 30 4,9 38 10,2 68 6,9
Total 612 100 371 100 983 100
Ansiedade < 0,001
Ausente 193 36,0 90 24,8 283 31,5
Mínima 150 28,0 100 27,5 250 27,8
Moderada 100 18,7 74 20,4 174 19,4
Severa 93 17,4 99 27,3 192 21,4
Total 536 100 363 100 899 100
Teste Mann-Whitney
RESULTADOS - 34
Os Gráficos 1 e 2 mostram a dispersão das pacientes quando
comparados os resultados entre os escores do QS -F e os escores dos
inventários de Beck para ansiedade e depressão, respectivamente. Existe clara
associação entre o aumento dos escores de ansiedade e depressão com a
diminuição dos escores do QS-F, refletindo piora da função sexual em geral.
Gráfico 1 - Distribuição do grupo de pacientes com endometriose
quanto à presença de Ansiedade e aos resultados dos
escores do Quociente Sexual Feminino (QS-F)
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
0 10 20 30 40 50 60
QS-F
Ansiedade
r = -0,314
p<0,001
r = -0,314
p < 0,001
RESULTADOS - 35
Gráfico 2 - Distribuição do grupo de pacientes com endometriose
quanto à presença de Depressão e aos resultados dos
escores do Quociente Sexual Feminino (QS-F)
Pela Tabela 2, verifica -se que os seis sintomas mais frequentemente
associados à endometriose foram signific ativamente mais prevalentes nas
pacientes do grupo EDT (p<0,001).
Tabela 2 - Descrição dos sintomas das pacientes dos grupos Controle
e EDT e resultados dos testes estatísticos
Sintomas
Grupo Total p Controle EDT
(N = 329) (N =254) (N = 583)
Dismenorreia (EVA > 7) 29/329 (8,8) 128/254 (50,4) 157/583 (26,9) < 0,001
Dispareunia de
profundidade 48/329 (14,6) 149/253 (58,9) 197/582 (33,8) < 0,001
Algia pélvica crônica 19/328 (5,8) 152/254 (59,8) 171/582 (29,4) < 0,001
Infertilidade 17/328 (5,2) 85/253 (33,6) 102/581 (17,6) < 0,001
Alteração intestinal cíclica 24/329 (7,3) 121/254 (47,6) 145/583 (24,9) < 0,001
Alteração urinária cíclica 0/329 (0) 38/254 (15) 38/583 (6,5) < 0,001
Teste qui-quadrado
r = -0,320
p < 0,001
RESULTADOS - 36
Conforme a classificação dos tipos de doença, a casuística estudada
mostrou que a endometriose superficial foi encontrada em 9 pacientes (3,8%), a
doença ovariana foi encontrada em 42 pacientes (17,5%) e a doença profunda
foi a mais frequente nessas pacientes, atingindo 189 mulheres (78,8%).
A Tabela 3 mostra que as médias de respostas às questões sobre
disfunção sexual e os escores de disfunção sexual foram estatisticamente
superiores nas pacientes com EDT (p < 0,05) , demonstrando que todos as
fases da resposta sexual das pacientes com endometriose est avam
comprometidas.
Tabela 3 - Descrição do número de pacientes que apresentaram
disfunção em cada uma das questões do QS -F nos grupos
Controle e EDT e resultados dos testes de associação.
Considera-se disfunção quando o escore da resposta é ≤ 2
Variável
Grupo Total p Controle EDT
N (%) N (%) N (%)
Disfunção na
questão QS-F1 163 (49,5) 151 (59,4) 314 (53,9) 0,017
Disfunção na
questão QS-F2 71 (21,6) 99 (39) 170 (29,2) < 0,001
Disfunção na
questão QS-F3 28 (8,5) 50 (19,7) 78 (13,4) < 0,001
Disfunção na
questão QS-F4 39 (11,9) 78 (30,7) 117 (20,1) < 0,001
Disfunção na
questão QS-F5 34 (10,3) 70 (27,6) 104 (17,8) < 0,001
Disfunção na
questão QS-F6 31 (9,4) 73 (28,7) 104 (17,8) < 0,001
Disfunção na
questão QS-F7 53 (16,1) 116 (45,7) 169 (29) < 0,001
Disfunção na
questão QS-F8 72 (21,9) 86 (33,9) 158 (27,1) 0,001
Disfunção na
questão QS-F9 78 (23,7) 100 (39,4) 178 (30,5) < 0,001
Disfunção na
questão QS-F10 53 (16,1) 89 (35) 142 (24,4) < 0,001
Teste qui-quadrado
Disfunção em cada questão quando escore individual ≤ 2 pontos na questão
RESULTADOS - 37
A Ta bela 4 mostra que as pacientes com endometriose apresentam
maiores índices de disfunção sexual em todos os domínios da função sexual
feminina: desejo sexual, excitação sexual, dor à relação sexual, orgasmo e
satisfação sexual, bem como o escore total do QS -F. Todos foram
significativamente alterados nas mulheres com endometriose , sendo que, no
escore geral, 17,6% das mulheres sem endometriose e 43,3% das pacientes
com a doença apresentaram disfunção sexual.
Tabela 4 - Resultados das análises dos escores dos domínios do
Quociente Sexual Feminino (QSF) e os respectivos
diagnósticos das disfunções sexuais comparando -se os
grupos Controle e Endometriose (EDT)
Categoria de
disfunção
Controle
n = 329
N (%)
EDT
n = 254
N (%)
Total
n = 583
N (%)
p
Transtorno do desejo sexual 52 (15,8) 63 (24,8) 115 (19,7) 0,007
Transtorno da excitação
sexual 13 (4,0) 40 (15,7) 53 (9,1) < 0,001
Transtornos sexuais
dolorosos 53 (16,1) 116 (45,7) 169 (29) < 0,001
Transtorno do orgasmo e/ou
satisfação sexual 43 (13,1) 75 (29,5) 118 (20,2) < 0,001
Disfunção sexual geral
(escore QSF) 58 (17,6) 110 (43,3) 168 (28,8) < 0,001
Teste qui-quadrado
A Tabela 5, por meio de modelo de regressão logística, mostra que os
principais fa tores relacionados à ocorrência de endometriose, bem como à
ocorrência de disfunção sexual, nesta casuística, foram os sintomas
classicamente atribuídos à endometriose (dismenorreia, dispareunia de
profundidade e algia pélvica crônica). Ressalta-se a assoc iação entre
RESULTADOS - 38
dispareunia e transtornos sexuais dolorosos (OR = 9,54), dor pélvica crônica
e transtornos de orgasmo e satisfação sexual (OR = 3,33), bem como a
relação entre os sintomas de algia pélvica crônica e infertilidade com o
diagnóstico de endometriose (OR = 9,13 e OR = 9,86, respectivamente).
Tabela 5 - Resultado do modelo de regressão logística múltipla para
verificar as principais variáveis envolvidas nos desfechos
disfunções sexuais (por classificação), disfunção sexual
geral e endometriose, segundo idade, sintomas e grupo
Desfecho Variável OR IC (95%) p Inferior Superior
Transtornos no
desejo sexual
Idade (> 35 anos) 1,74 1,14 2,65 0,011
Dispareunia 2,17 1,42 3,32 7) 3,03 1,61 5,72 0,001
Alteração intestinal
cíclica 2,77 1,47 5,21 0,002
Transtornos sexuais
dolorosos
Dispareunia 9,54 6,10 14,91 35 anos) 1,59 1,03 2,46 0,035
Algia pélvica crônica 3,33 2,16 5,12 35 anos) 1,97 1,32 2,94 0,001
Dismenorreia (EVA > 7) 1,91 1,20 3,04 0,006
Dispareunia 2,48 1,57 3,91 35 anos) 1,70 1,05 2,74 0,031
Dismenorreia (EVA > 7) 6,02 3,29 11,05 < 0,001
Dispareunia 1,91 1,09 3,36 0,024
Algia pélvica crônica 9,13 4,82 17,29 < 0,001
Infertilidade 9,86 4,75 20,49 < 0,001
Alteração intestinal 3,14 1,62 6,10 0,001
Regressão logística múltipla
RESULTADOS - 39
Pela Tabela 6, tem-se que, assim como os diagnósticos de depressão e
ansiedade, os escores quantitativos do QS-F também foram estatisticamente
maiores nas pacientes com EDT (p < 0,05). Os escores de disfunção sexual
também foram estatisticamente menores nas pacientes com EDT (p < 0,05),
exceção apenas das questões 1 e 8 (p = 0,255 e p = 0,091).
Tabela 6 - Descrição das médias dos resultados das respostas das
pacientes às escalas de ansiedade e depressão e dos escores
das questões de disfunção sexual quantitativamente segundo
grupos e resultado dos testes comparativos
Variável Grupo Mediana Mínimo Máximo N p
Escore de depressão Controle 7 0 29 329 < 0,001 EDT 10 0 28 254
Escore de ansiedade Controle 9 0 25 329 0,010 EDT 11 0 25 254
QSF1 Controle 2 0 5 329 0,255 EDT 2 0 5 254
QSF2 Controle 4 0 5 329 < 0,001 EDT 3 0 5 254
QSF3 Controle 5 0 5 329 0,001 EDT 4 0 5 254
QSF4 Controle 4 0 5 329 0,002 EDT 4 0 5 254
QSF5 Controle 4 0 5 329 < 0,001 EDT 4 0 5 254
QSF6 Controle 4 0 5 329 < 0,001 EDT 4 0 5 254
QSF7 Controle 1 0 5 329 < 0,001 EDT 2 0 5 254
QSF8 Controle 4 0 5 329 0,091 EDT 3 0 5 254
QSF9 Controle 4 0 5 329 0,017 EDT 3 0 5 254
QSF10 Controle 4 0 5 329 < 0,001 EDT 4 0 5 254
QSF Controle 76 2 100 329 < 0,001 EDT 66 0 98 254
Teste Mann-Whitney
RESULTADOS - 40
A Tabela 7 mostra que pacientes com endometriose com idade acima
de 35 anos apresentaram maior frequência de disfunção no desejo sexual.
Houve tendência (apesar de não ser significativament e demonstrada) da
disfunção sexual global em mulheres acima de 35 anos (p = 0,056).
Tabela 7 - Descrição dos diagnósticos de disfunções sexuais segundo
faixas etárias nas pacientes com EDT
Variável
Faixa etária Total
p 35 anos
(n = 112)
N (%)
(n = 142)
N (%)
(n = 254)
N (%)
Transtorno do desejo
sexual 21 (18,8) 42 (29,6) 63 (24,8) 0,047
Transtorno da excitação
sexual 15 (13,4) 25 (17,6) 40 (15,7) 0,360
Transtornos sexuais
dolorosos 51 (45,5) 65 (45,8) 116 (45,7) 0,970
Transtorno do orgasmo e
satisfação sexual 27 (24,1) 48 (33,8) 75 (29,5) 0,093
Disfunção sexual geral 41 (36,6) 69 (48,6) 110 (43,3) 0,056
Teste qui-quadrado
RESULTADOS - 41
A Tabela 8 mostra que mulheres com endometriose e dismenorreia
apresentaram maior grau de depressão (p< 0, 001) e transtornos sexuais
dolorosos (p = 0,004).
Tabela 8 - Descrição dos diagnósticos de depressão, ansiedade e
disfunções sexuais, segundo presença de dismenorreia,
nas pacientes com EDT
Variável
Dismenorreia Total
p Não Sim
(n = 126)
N (%)
(n = 128)
N (%)
(n = 254)
N (%)
Depressão 20 (15,9) 50 (39,1) 70 (27,6) < 0,001
Ansiedade 77 (61,1) 88 (68,8) 165 (65) 0,202
Transtorno do desejo sexual 30 (23,8) 33 (25,8) 63 (24,8) 0,716
Transtornos na excitação sexual 16 (12,7) 24 (18,8) 40 (15,7) 0,186
Transtornos sexuais dolorosos 46 (36,5) 70 (54,7) 116 (45,7) 0,004
Transtornos do orgasmo e
satisfação sexual 34 (27) 41 (32) 75 (29,5) 0,378
Disfunção sexual geral 47 (37,3) 63 (49,2) 110 (43,3) 0,055
Teste qui-quadrado
RESULTADOS - 42
Pela Tabela 9, tem-se que os diagnósticos de depressão (p = 0,001),
disfunção do desejo sexual (p = 0,005), disfunção sexual dolorosa (p <
0,001), disfunção no orgasmo e satisfação sexual (p = 0,037) e disfunção
sexual em geral (p < 0,001) foram estatisticamente mais frequentes na s
mulheres com endometriose com sintomas de dispareunia de profundidade.
Tabela 9 - Descrição dos diagnósticos de depressão, ansiedade e
disfunções sexuais, segundo presença de dispareunia, nas
pacientes com EDT
Variável
Dispareunia de
profundidade Total
p Não Sim
(n = 104)
N (%)
(n = 149)
N (%)
(N = 253)
N (%)
Depressão 17 (16,3) 53 (35,6) 70 (27,7) 0,001
Ansiedade 61 (58,7) 103 (69,1) 164 (64,8) 0,086
Transtornos no desejo sexual 16 (15,4) 46 (30,9) 62 (24,5) 0,005
Transtornos na excitação sexual 11 (10,6) 28 (18,8) 39 (15,4) 0,075
Transtornos sexuais dolorosos 14 (13,5) 102 (68,5) 116 (45,8) < 0,001
Transtornos no orgasmo e
satisfação sexual 23 (22,1) 51 (34,2) 74 (29,2) 0,037
Disfunção sexual geral 28 (26,9) 81 (54,4) 109 (43,1) < 0,001
Teste qui-quadrado
RESULTADOS - 43
A Tabela 10 mostra que mulheres com endometriose com sintoma de
algia pélvica crônica apresentaram estatisticamente maior frequência de
depressão (p < 0,001), ansiedade (p = 0,001), transtornos sexuais dolorosos
(p < 0,001), transtor no de orgasmo e satisfação sexual (p = 0,002) e
disfunção sexual em geral (p < 0,001).
Tabela 10 - Descrição dos diagnósticos de depressão, ansiedade e
disfunções sexuais, segundo presença de algia pélvica
crônica, nas pacientes com EDT
Variável
Algia pélvica crônica Total
p Não Sim
(n = 102)
N (%)
(n = 152)
N (%)
(n = 254)
N (%)
Depressão 13 (12,7) 57 (37,5) 70 (27,6) < 0,001
Ansiedade 54 (52,9) 111 (73) 165 (65) 0,001
Transtornos no desejo
sexual 21 (20,6) 42 (27,6) 63 (24,8) 0,203
Transtornos na excitação
sexual 11 (10,8) 29 (19,1) 40 (15,7) 0,075
Transtornos sexuais
dolorosos 25 (24,5) 91 (59,9) 116 (45,7) < 0,001
Transtornos no orgasmo e
satisfação sexual 19 (18,6) 56 (36,8) 75 (29,5) 0,002
Disfunção sexual geral 29 (28,4) 81 (53,3) 110 (43,3) < 0,001
Teste qui-quadrado
RESULTADOS - 44
A Tabela 11 mostra que não houve diferença estatisticamente
significativa nos índices de disfunção sexual entre as pacientes com
endometriose que apresentavam infertilidade, quando comparadas às
pacientes com endometriose e sem infertilidade.
Tabela 11 - Descrição dos diagnósticos de depressão, ansiedade e
disfunções sexuais, segundo presença de infertilidade, nas
pacientes com EDT
Variável
Infertilidade Total
p Não Sim
(n = 158)
N (%)
(n = 85)
N (%)
(n = 253)
N (%)
Depressão 44 (26,2) 25 (29,4) 69 (27,3) 0,587
Ansiedade 110 (65,5) 54 (63,5) 164 (64,8) 0,759
Transtornos no desejo sexual 41 (24,4) 22 (25,9) 63 (24,9) 0,797
Transtornos na excitação
sexual 23 (13,7) 17 (20) 40 (15,8) 0,194
Transtornos sexuais dolorosos 73 (43,5) 43 (50,6) 116 (45,8) 0,282
Transtornos no orgasmo e
satisfação sexual 51 (30,4) 24 (28,2) 75 (29,6) 0,727
Disfunção sexual geral 70 (41,7) 40 (47,1) 110 (43,5) 0,414
Teste qui-quadrado
RESULTADOS - 45
Pela Tabela 12, tem -se que a depressão e a ansiedade foram
estatisticamente mais graves nas mulheres com endometriose com sintoma
de alteração intestinal (p < 0,05). Todas as modalidades de disfunção sexual
foram estatisticamente mais incidentes nesse grupo, conforme pode-se
observar quanto à disfunção do desejo sexual, excitação, transtornos de dor
à relação sexual, orgasmo e satisfação sexual (p= 0,02, p =0,006, p< 0,001,
p= 0,045, respectivamente).
Tabela 12 - Descrição dos diagnósticos de depressão, ansiedade e
disfunções sexuais, segundo pre sença de alteração
intestinal cíclica, nas pacientes com EDT
Variável
Alteração intestinal cíclica Total
p Não Sim
(n = 133)
N (%)
(n = 121)
N (%)
(n = 254)
N (%)
Depressão 22 (16,5) 48 (39,7) 70 (27,6) < 0,001
Ansiedade 76 (57,1) 89 (73,6) 165 (65) 0,006
Transtornos no desejo
sexual 25 (18,8) 38 (31,4) 63 (24,8) 0,020
Transtornos na excitação
sexual 13 (9,8) 27 (22,3) 40 (15,7) 0,006
Transtornos sexuais
dolorosos 39 (29,3) 77 (63,6) 116 (45,7) <0,001
Transtornos no orgasmo e
satisfação sexual 32 (24,1) 43 (35,5) 75 (29,5) 0,045
Disfunção sexual geral 46 (34,6) 64 (52,9) 110 (43,3) 0,003
Teste qui-quadrado
RESULTADOS - 46
A Tabela 13 mostra que o diagnóstico de depressão, ansiedade e as
disfunções na excitação sexual, transtornos de dor à relação sex ual e no
total do QS -F foram estatisticamente mais frequentes nas mulheres com
EDT com sintoma de alteração urinária cíclica (p < 0,05).
Tabela 13 - Descrição dos diagnósticos de depressão, ansiedade e
disfunções sexuais, segundo presença de alteração
urinária cíclica, nas pacientes com EDT
Variável
Alteração urinária cíclica Total
p Não Sim
(n = 216)
N (%)
(n = 38)
N (%)
(n = 254)
N (%)
Depressão 51 (23,6) 19 (50) 70 (27,6) 0,001
Ansiedade 135 (62,5) 30 (78,9) 165 (65) 0,050
Transtornos no desejo sexual 50 (23,1) 13 (34,2) 63 (24,8) 0,145
Transtornos na excitação sexual 29 (13,4) 11 (28,9) 40 (15,7) 0,015
Transtornos sexuais dolorosos 86 (39,8) 30 (78,9) 116 (45,7) < 0,001
Transtornos no orgasmo e
satisfação sexual 62 (28,7) 13 (34,2) 75 (29,5) 0,493
Disfunção sexual geral 86 (39,8) 24 (63,2) 110 (43,3) 0,007
Teste qui-quadrado
RESULTADOS - 47
A Tabela 14 mostra que, nas pacientes com endometriose, o tipo de
doença, segundo a classificação em superficial, ovariana e profunda, não
mostrou correlação estatística com o desenvolvimento de disfunção sexual.
Tabela 14 - Descrição dos resultados da análise estatística do grupo
EDT, quanto à presença de disfunção sexual em função do
tipo da doença
Pacientes EDT
(n = 254)
Disfunção sexual
p Não
N (%)
Sim
N (%)
Total
N (%)
EDT superficial 99 (42,9) 3 (33,3) 102 (42,5) 0,737
EDT ovário 86 (43,4) 16 (38,1) 102 (42,5) 0,525
EDT profunda 19 (37,7) 73 (46,8) 109 (43,1) 0,393
5 DISCUSSÃO
DISCUSSÃO - 49
A endometriose, como doença multifatorial, pode ter interferência na
qualidade de vida, na qualidade dos relacionamentos e na função sexual das
mulheres acometidas. Caso a questão sexual não seja abordada de forma
adequada no contexto de uma doença crônica, diversos malefícios, por
vezes irrecuperáveis, podem se instala r na vida do paciente ( Araújo et al .,
2010). Nas avaliações da função sexual, alguns estudos mostram escores
piores que aqueles observados entre mulheres da população geral, maiores
índices de insatisfação sexual e resultados menos satisfatórios nos
tratamentos específicos do que os encontrados em mulheres saudáveis
(Culley et al., 2013, De Graaf et al., 2013). As amostras desses estudos, no
entanto, s ão pequenas, normalmente inferiores a 100 indivíduos. Como a
prevalência de disfunção sexual na população f eminina em geral é de
aproximadamente 40% das mulheres ( Leiblum, 1999), o cálculo do tamanho
amostral requer um número de participantes elevado para que, de fato,
possam ser encontrados resultados relevantes.
Este estudo envolveu, inicialmente, 1001 mulher es, baseado num
cálculo amostral que previa uma exclusão de quase 50% da amostra e,
mesmo assim, chegaria às 494 pacientes necessárias, distribuídas entre os
grupos com endometriose (EDT) e Controle.
Houve diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos
quanto à idade, sendo a média etária das pacientes do grupo Controle de
DISCUSSÃO - 50
33,6 anos e a do grupo EDT de 35,8 anos (p<0,001), provavelmente porque
as pacientes do grupo Controle eram constituídas por mulheres que
procuravam a assistência básica de saúde, portanto, com frequência anual,
demanda espontânea e fácil acesso ao serviço de saúde. Já as pacientes do
grupo EDT eram representadas por mulheres com sintomatologia e
confirmação imagenológica e/ou histopatológica da endometriose, fato que,
como já foi amplamente demonstrado por outros autores, representa grande
atraso diagnóstico, com média de 8,1 anos para confirmação do mesmo
(Arruda et al ., 2003; Moradi et al ., 2014; Staal et al ., 2016 ). Apesar de
significativa do ponto de vista estatístico, a diferença absoluta de dois anos
não representa fator de interferencia na função sexual, pois o risco efetivo de
disfunção sexual relacionado à idade, nas mulheres, associa -se à
menopausa, que não ocorre, rotineiramente, entre os 33 e 35 anos de idade
(Thomas e Thurston, 2016).
Pacientes com endometriose têm muitas características que podem
ser atribuídas à piora da qualidade de vida e da função sexual. Tratando-se
de uma doença crônica, com reconhecida morbidade física e emocional, a
endometriose pode dete rminar impacto negativo na qualidade de vida
(Marques et al., 2004, De Graaf et al., 2013).
Diversas podem ser as causas que levam a paciente com endometriose
à depressão. A presença da dor crônica representa um dos elos dessa cadeia,
mas a ocorrência de infertilidade associada, ou mesmo a demora diagnóstica
que pode ser superior a sete anos, podem gerar sentimentos de isolamento e
frustração (Eriksen et al ., 2008). O estresse crônico e a ansiedade podem
também piorar o prognóstico da doença, visto não have r correlação entre a
DISCUSSÃO - 51
extensão da mesma e a intensidade da sintomatologia (Sepulcri e Amaral,
2005). A redução das atividades, o isolamento social, a interferência nas
relações afetivas e familiares, além de graus diversos de dor e a infertilidade,
que atin gem até 50% das pacientes, acentuam o cenário que favorece
depressão, baixa auto -estima e perda da qualidade de vida em geral
(Fauconnier e Chapron, 2005; Mengarda et al., 2008). A depressão também
pode anteceder o aparecimento da endometriose, ou mesmo as duas doenças
podem apenas coexistir (Eriksen et al., 2008). Os instrumentos utilizados nesse
estudo não puderam avaliar a ordem cronológica de aparecimento da
endometriose e dos sintomas ansiosos e depressivos que, conforme já
mencionado, acometeram muitas pacientes, inclusive atingindo a classificação
de “severos” em um terço das mulheres inicialmente entrevistadas.
Os sintomas mais comuns apresentados pelas pacientes com
endometriose são a dismenorreia progressiva, dispareunia de profundidade,
algia pélvica crônica, infertilidade, alterações intestinais cíclicas (disquezia,
puxo, tenesmo e enterorragia) e alterações urinárias cíclicas (disúria,
hematúria, frequência), conforme já amplamente relatado na literatura
(Bellelis et al ., 2010). Na presente casuí stica, os seis sintomas mais
prevalentes também se mostraram mais comuns nas pacientes do grupo
EDT, conforme demonstrado na Tabela 2, com resultados estatisticamente
significativos (p<0,001) para todos eles.
O estudo de cada sintoma, isoladamente, objetiv ou averiguar qual ou
quais deles seriam primordiais no desencadeamento de disfunções sexuais
em mulheres com endometriose. Encontraram -se resultados relevantes do
ponto de vista estatístico. Os sintomas dispareunia de profundidade, algia
DISCUSSÃO - 52
pélvica crônica, a lteração intestinal cíclica e alteração urinária cíclica
correlacionaram-se com a ocorrência de disfunções sexuais (p<0,05); a
dismenorreia, apesar de não ter exibido resultados significativos do ponto de
vista estatístico, também mostrou uma forte tendênc ia a ser correlacionada
com a ocorrência de disfunções sexuais (p = 0,055). Na literatura, existem
poucos estudos que tentaram analisar somente os sintomas em relação ao
surgimento de disfunção sexual, já que a maioria deles trata a sintomatologia
da endometriose de modo agrupado e a correlaciona com qualidade de vida
sexual em geral ( Dubuisson et al., 2013). Resultado que se destacou foi a
ausência de correlação entre a infertilidade e as disfunções sexuais nas
pacientes com endometriose; contrariamente ao que se encontra na
literatura, em que grande parte dos estudos mostra existir relação positiva
entre infertilidade e disfunção sexual ( Winkelman et al., 2016), nossa
casuística comportou -se n ão encontrou essa associação (p = 0,414). A
confirmação desses r esultados pretende ser feita em estudos futuros, visto
discordarem do restante da literatura.
A amostra inicial deste trabalho, composta por 983 pacientes
efetivamente incluídas, apresentou índices de depressão e ansiedade severos
muito elevados (294/983, 29,9% do total de entrevistadas), motivo pelo qual
essas mulheres precisaram ser excluídas. Sabidamente, há forte relação
entre depressão e ansiedade severas e disfunção sexual (Leiblum e Wiegel,
2002), logo esse poderia ser um fator de viés caso as referi das pacientes
tivessem sido mantidas na amostra. Em nosso meio, Lorençatto et al. (2006)
estudaram 100 pacientes submetidas à videolaparoscopia por dor pélvica.
Dentre aquelas que tiveram o diagnóstico de endometriose, encontraram 86%
DISCUSSÃO - 53
de depressão, utiliza ndo o inventário de Beck. O mesmo grupo de
pesquisadores, em 2002, já tinha estudado a prevalência de depressão
associada à endometriose num grupo menor, composto por 50 mulheres,
encontrando 92% de pacientes com sintomas depressivos, sendo que, em
56% desses, já poderiam ser considerados moderados ou severos. Como era
preciso avaliar o papel da endometriose, em si, na função sexual feminina, e
nessa doença os índices de depressão e ansiedade também são elevados, a
exclusão de quase um terço da amostra inicial fez-se necessária.
Sabe-se, todavia, que na prática assistencial diária, essas mulheres
não podem ser negligenciadas. Mulheres com endometriose e psicopatias
severas associadas compõem um número significativo das pacientes
atendidas e, em última anális e, a própria terapêutica da endometriose pode
ser comprometida caso a psicopatia concomitante n ão seja corretamente
abordada e tratada ( Lorençatto et al ., 2006; Pope et al ., 2015). Apesar de
numerosos estudos apontarem a necessidade de acompanhamento
psicológico para essas pacientes ( Dick, 2004; Audebert, 2006), ainda não é
consenso e não está disponível em todos os serviços especializados este
tipo de atendimento.
Com a exclusão do eventual viés causado pelas psicopatias já
mencionadas, pode-se avaliar, com maior rigor, como de fato se apresenta a
função sexual das portadoras de endometriose. Este estudo, após a
aplicação do modelo de regressão logística (Tabela 4), permitiu observar
que a endometriose sintomática pode ser responsabilizada pelo aumento
significativo da chance de ocorrência de uma disfunção sexual. Sendo
assim, de modo efetivo e com uma amostra numérica bastante significativa,
DISCUSSÃO - 54
percebeu-se que a paciente com endometriose sintomática tem grande
prejuízo na sua função sexual, globalmente e também em todos os domínios
específicos (desejo sexual, excitação, dor, orgasmo e satisfação
prejudicadas). As cifras deste estudo mostraram mais que o dobro de
disfunções sexuais exclusivamente atribuídas à doença nessas pacientes,
quando comparadas à população geral (43,3% versus 17,6%).
Doenças ginecológicas altamente prevalentes, como a miomatose
uterina, também podem apresentar algum prejuízo na qualidade de vida
global, mas seu impacto seria de menor importância na função sexual,
quando comparadas à das mulheres afetadas e à da população feminina em
geral, n ão havendo correlação direta no prejuízo da função sexual e
presença da doença ( Ferrero et al., 2006). Outras doenças, como o próprio
câncer de mama, também podem afetar severamente a função sexual
feminina; pacientes com câncer de mama apresentam cerca de 52% de
queixas de disfunções sexuais ( Bober e Varela, 2012; Safarinejad et al .,
2013). Esses dados mostram a importância da consideração da avaliação de
função sexual no atendimento global às mulheres, inclusive no cenário
oncoginecológico.
A escolha do questionário para avaliação da função sexual foi
criteriosa. Existem vários questionários que objetivam estudar a função
sexual feminina, entre eles o Female Sexual Function Index (FSFI), o Estudo
do comportamento sexual no Brasil (ECOS), a Escala Modificada de McCoy,
o Female Sexual Distress Scale (FSDS) e o QSF. Todos constituem
instrumentos deautorresposta, facilmente aplicados e com respostas breves;
a grande maioria, com exceção do FSDS, avalia todos os domínios da
DISCUSSÃO - 55
função sexual, logo podem ser considerados equivalentes ( Lima et al .,
2010). A existência de tantos questionários com a mesma função remete à
ideia de que, provavelmente, n ão exista consenso na literatura sobre qual
seria o melhor instrument o a ser aplicado. Como o QSF é amplamente
empregado em nosso meio, o que facilitou a técnica, além de ser
considerado t ão satisfatório quanto os outros, foi selecionado para o
presente estudo (Lara e Abdo, 2015 e 2016).
O estudo dos domínios específicos da função sexual feminina também
pôde ser realizado através da análise das respostas a cada questão do QSF.
De acordo com a s Tabela 4 – que permitiu agrupar as respostas isoladas,
em busca do domínio sexual efetivamente comprometido – demonstrou-se
que as pa cientes com endometriose apresentaram todos os domínios da
função sexual afetados, sendo os resultados significativos, do ponto de vista
estatístico: desejo sexual, excitação sexual, dor à relação sexual, orgasmo e
satisfação sexual e para a análise da dis função sexual global, representada
pelo escore total do QSF inferior ou igual a 60 pontos. Em 2013, a
Associação Psiquiátrica Americana publicou a quinta edição do DSM (DSM -
V), que reuniu os transtornos de desejo e excitação femininos em um só
grupo chamad o transtornos do interesse/excitação sexual feminino. Sob
essa nova classificação, reagrupando as incidências já significativas dos
transtornos sexuais encontrados nas mulheres com endometriose para as
categorias isoladas (desejo e excitação), pode-se supo r que os resultados
desta análise pudessem ser ainda mais exacerbados quanto às diferenças
na função sexual de mulheres com e sem endometriose. Nosso projeto de
estudo foi aprovado e coleta dos dados iniciada em abril de 2013, antes da
DISCUSSÃO - 56
publicação da quinta edição do DSM, motivo pelo qual foi utilizada a
nomenclatura do DSM -IV TR na classificação das disfunções sexuais
encontradas nas pacientes com endometriose. Como a literatura vem
discutindo essa classificação, criticando o agrupamento dos transtornos de
desejo sexual e excitação sexual femininos – alguns autores voltaram a
defender que se tratam de situações distintas – e já se pensa em elaborar a
revisão desta quinta edição do DSM, julga-se que a adoção da nomenclatura
mais tradicional, que separava os t ranstornos sexuais de desejo, excitação,
dor, orgasmo e satisfação sexual possa ser mais adequada ( McCabe et al.,
2016).
Estudos gerais de disfunção sexual feminina mostram que os
distúrbios do desejo sexual costumam ser os mais frequentes ( Hayes et al.,
2007; Maserejian et al., 2010). Buster, em 2013, publicou uma ampla revisão
sobre disfunções sexuais femininas que considera o transtorno do desejo
sexual hipoativo como o maior desafio no campo sexual, pois, segundo o
autor, seria o motor para as demais di sfunções (distúrbios da excitação, do
orgasmo e dispareunia); por outro lado, em grande parte das vezes, sua
solução facilitaria o tratamento das outras disfunções mais comuns. Como
não se encontraram estudos semelhantes a este na literatura, até o presente
momento, há que se comparar os resultados aqui encontrados com
pacientes de grupos gerais, com a ressalva de que, ao que se analisou, na
endometriose todos os domínios da função sexual estão afetados.
Trabalhos disponíveis na literatura n ão permitem comp aração direta,
uma vez que o número de pacientes por eles analisado é pequeno (inferior a
100 mulheres), os questionários de avaliação da função sexual utilizados
DISCUSSÃO - 57
são diferentes, n ão houve exclusão de psicopatias severas concomitantes,
além de sua abordage m direcionar-se, na maioria dos casos, à comparação
entre qualidade de vida sexual pré e pós -operatória, diferindo do presente
estudo em que se avaliou uma população geral de pacientes que convivem
com a endometriose em suas diferentes apresentações e estádios.
Mesmo assim, de maneira geral, todos os trabalhos que avaliaram a
atividade sexual de mulheres com endometriose, inclusive o trabalho aqui
apresentado, apontam para prejuízos na função sexual dessas pacientes
(Binik et al., 2002; Fritzer et al., 2013; Di Donato et al., 2014; Fritzer et al.,
2016). O arsenal terapêutico clássico disponível para o tratamento da
endometriose compõe-se de medicamentos analgésicos, anti -inflamatórios e
supressores hormonais, além de cirurgias por vezes complexas, todos com
potencial de interferir, em maior ou menor grau, na resposta sexual ( Fritzer
et al., 2013). Sabe-se, por exemplo, que os androgênios facilitam o interesse
pelo sexo; estudos mostram que as taxas de testosterona nas mulheres são
mais elevadas na terceira d écada de vida e apresentam declínio a partir da
quarta década ( Leão et al ., 2005). Sabidamente, quando se impõe um
bloqueio sobre o eixo hormonal, como é o caso dos esteroides sintéticos,
componentes dos contraceptivos orais, amplamente empregados no
tratamento da endometriose, há ativação de uma série de mecanismos
endógenos que modificam a resposta sexual normal. Um deles é o aumento
da produção hepática da proteína carreadora dos ester oides sexuais
(SHBG), que reduz a fraç ão livre de androgênios e estrog ênios; o outro
mecanismo primordial é o bloqueio do pico pré -ovulatório de estradiol e dos
androgênios. Ambos os mecanismos, no ciclo menstrual espontâneo, s ão
DISCUSSÃO - 58
facilitadores da resposta sexual, mas, se bloqueados, como ocorre
frequentemente em pacientes co m endometriose, podem ter influência
negativa sobre a mesma (Lonsdorf et al., 2015).
Em resumo, a terapia atual da doença envolve o uso de métodos de
bloqueio hormonal, indução de amenorreia, cirurgias, tratamentos para
infertilidade, mas, via de regra, n ão se estabelece, como rotina, a avaliação
da vida sexual. Os índices elevados de depressão e ansiedade encontrados
entre essas pacientes também merecem destaque; sabidamente, enquanto
não tratados corretamente, pioram o prognóstico dos quadros de dor crôni ca
e da perspectiva de vida em geral.
Em nossa opinião, muito há que se avançar para que a assistência à
mulher com endometriose seja, de fato, completa: a inclusão da avaliação
psicológica permanente, não só no início do acompanhamento, mas durante
todo o processo terapêutico, bem como a avaliação contínua das questões
relacionadas à função sexual que s ão de primordial importância para o
sucesso no tratamento e para o restabelecimento de uma qualidade de vida
adequada, que atenda aos princípios da OMS.
Há pontos de fragilidade neste estudo que devem ser considerados. A
avaliação da função sexual deve abranger, sempre que possível, os dois
membros do casal, pois, comprovadamente, a disfunção sexual em um deles
pode comprometer a função sexual da parceria ( Abdo, 2000). Esta amostra
pretendeu, num primeiro momento, avaliar concomitantemente os dois
indivíduos do casal; no entanto, dada a dificuldade na obtenção das respostas
masculinas, uma vez que se fazia necessária a presença in loco do parceiro
sexual (para que respondesse ao questionário masculino), e o mesmo
DISCUSSÃO - 59
raramente comparecia às consultas, optou -se pela avaliação feminina
exclusiva, sendo que as pacientes envolvidas responderam à questão sobre a
funcionalidade da parceria sexual. Dessa maneira, em alguns casos, a falta da
avaliação masculina específica pode ter impactado nos resultados encontrados.
Há necessidade de se avaliar, em uma amostra semelhante, o casal
simultaneamente, para permitir a comparação dos resultados. Além disso,
sabe-se, baseados em dados da literatura, que 10% das mulheres em idade
reprodutiva têm endometriose, logo pode-se entender que no grupo controle,
apesar dos critérios de ausência de sintomas, essa porcentagem também deva
ser encontrada (Missmer e Cramer, 2003). Claramente há impossibilidade de
submeter mulheres assintomáticas a procedimentos videolaparoscópicos
apenas para garantir a ausência de endometriose, logo a possibilidade deste
viés foi aceita pelos pesquisadores. Por fim, a análise pormenorizada dos tipos
de tratamento clínico oferecidos às pacientes e seu impacto sobre a função
sexual também merece ser estudada, no intuito de oferecer à equipe
assistencial opções terapêuticas mais individualizadas, de acordo com a função
sexual prévia da paciente e sua evolução durant e o acompanhamento
especializado.
Sendo assim, pacientes com endometriose têm risco significativamente
elevado para o desenvolvimento de disfunções sexuais. O manejo adequado
dessa situação é de fundamental importância para que a abordagem
terapêutica seja efetiva, pois, como já salientado, a garantia da boa qualidade
de vida, em geral, também engloba a manutenção da boa qualidade da vida
sexual dessas mulheres.
6 CONCLUSÕES
CONCLUSÕES - 61
Este estudo permitiu-nos concluir que:
a) Pacientes com endometriose apresent aram mais que o dobro de
disfunções sexuais quando comparadas às mulheres sem suspeita clínica da
doença.
b) Os transtornos de desejo sexual, excitação sexual, transtorno da dor à
relação sexual, transtorno do orgasmo e satisfação sexual s ão mais
prevalentes em mulheres com endometriose do que em mulheres sem a
doença.
Dentre as mulheres com endometriose, observamos as seguintes
conclusões:
a) A faixa etária (acima de 35 anos) foi relevante para a ocorrência de
transtorno de desejo sexual.
b) Os sintomas di smenorreia, dispareunia, algia pélvica crônica,
alterações intestinais cíclicas e alterações urinárias cíclicas foram significativos,
do ponto de vista estatístico, para a ocorrência de disfunções sexuais.
c) A infertilidade n ão se mostrou significativa, d o ponto de vista
estatístico, para a ocorrência de disfunção sexual.
d) Os tipos de doença (peritoneal superficial, ovariana e profunda) não
se correlacionaram à ocorrência de disfunções sexuais.
7 ANEXOS
ANEXOS - 63
Anexo A - Aprovação dos Comitês de Ética em Pesquisa (CAPPesq –
HCFMUSP e CEP - PMSP)
ANEXOS - 64
ANEXOS - 65
ANEXOS - 66
Anexo B - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pós -informado
para pacientes com endometriose
A endometriose é uma doença muito comum. Quase 10% das mulheres têm
endometriose. Já sabemos muito s obre a doença, suas principais causas, tipos de
tratamentos mais eficazes, entre outros. Porém, ainda temos um longo caminho a seguir até
que todas as informações sobre a doença sejam conhecidas. Com a preocupação de
melhorar, futuramente, o tratamento das pacientes com endometriose, sentimos a
necessidade de conhecer melhor o dia a dia da sexualidade das pacientes e de seus
parceiros. Sendo assim, começamos um estudo que pretende entender a vida sexual das
pacientes através da aplicação de questionários co m perguntas para as pacientes e seus
parceiros.
Nosso estudo será feito com as pacientes do Ambulatório de Ginecologia – Setor de
Endometriose – do Hospital das Clínicas da FMUSP. Depois de concordarem em participar
assinando esse documento as pacientes re ceberão 3 questionários para serem
preenchidos; o ideal é que a paciente complete o questionário por si mesma, mas a
pesquisadora (Dra. Flávia) estará presente para ajudá -las em qualquer dúvida. Os dois
questionários iniciais (inventários de Beck) terão o objetivo de verificar se a paciente
apresenta sinais de depressão ou ansiedade, doenças que, na dependência do grau,
podem comprometer a qualidade de vida e a vida sexual. O terceiro questionário (QS -F)
estudará a função sexual da paciente. O parceiro sexu al será convidado a preencher um
questionário que estuda a parte sexual masculina.
A privacidade do casal e os dados obtidos serão mantidos em absoluto sigilo e
usados, exclusivamente, para a pesquisa em questão.
Esclarecemos, portanto, através deste docum ento, que a Senhora e seu parceiro
participarão de um estudo realizado no Ambulatório de Ginecologia do Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que pretende melhorar o
conhecimento sobre a sexualidade das pacientes com endometriose.
Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre a ética da pesquisa, entre em contato
com o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) – Rua Ovídio Pires de Campos, 225 - 5º andar -
tel: 2661 -6442 ramais 16, 17, 18 ou 20, FAX: 2661 -6442 ramal 26 - E-mail:
[email protected]
Após essas considerações gerais, solicitamos que preencha os campos abaixo:
Eu, __________________________________ ,RG _______________________ ,
concordo em participar do estudo “Aspectos da Sexualidade em portadoras de
Endometriose”.São Paulo, ____/______/20___.
ANEXOS - 67
Anexo C - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pós -informado
para pacientes do Ambulatório de Ginecologia Geral
A endometriose é uma doença ginecológica benigna, bastante comum que afeta
cerca de 10% da população feminina. Seus sintomas principais são a cólica menstru al
severa, dor abdominal principalmente abaixo do umbigo e nas laterais, dor nas relações
sexuais e dificuldade para engravidar. Em nossos dias, já conhecemos muito sobre a
doença, suas principais causas, tipos de tratamentos mais eficazes, entre outros. P orém
ainda temos um longo caminho a seguir até que todos os aspectos da doença estejam
esclarecidos.
Com a preocupação de melhorar, futuramente, o tratamento da paciente com
endometriose, sentimos a necessidade de conhecer melhor o dia -a-dia da sexualidade das
pacientes e de seus parceiros. Sendo assim, começamos um estudo que pretende entender
a vida sexual das pacientes através da aplicação de questionários com perguntas para as
pacientes e seus parceiros.
Para podermos entender as diferenças entre as pac ientes com endometriose e as
mulheres sem essa doença, precisamos estudar dois grupos de mulheres, com e sem
endometriose. Para as representantes das mulheres sem endometriose, escolhemos as
pacientes do Ambulatório de Planejamento Familiar por já terem fi lhos, então apresentarem
uma chance pequena de ter endometriose. Os dois grupos de pacientes e seus parceiros
sexuais responderão questionários aplicados pela equipe médica do hospital, que respeitará
a privacidade do casal e manterá os dados obtidos em a bsoluto sigilo. Serão aplicados os
questionários chamados Quociente Sexual – Versão Feminina (QS -F) para as mulheres,
Quociente Sexual – Versão Masculina (QS -M) para os homens e dois questionários para
verificar a existência de depressão e ansiedade nas mulheres, chamados Beck.
Como a sexualidade do casal pode ser afetada por múltiplos fatores, como outras
doenças ou medicações usadas habitualmente, será necessária uma avaliação médica de
todas as participantes, realizada através de uma consulta com o especialista.
Esclarecemos, através deste documento, que a Senhora e seu parceiro participarão
de um estudo realizado no Ambulatório de Ginecologia do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que pretende melhorar o
conhecimento sobre a sexualidade das pacientes com endometriose.
Sua participação é absolutamente voluntária e gratuita. Não haverá qualquer
prejuízo em sua assistência médica e hospitalar caso não haja interesse em participar do
grupo. Todas as suas dúvidas serão esclarecidas pela equipe envolvida na pesquisa. Seu
contato será feito através da pesquisadora responsável, Dra. Flávia Fairbanks Lima de
Oliveira Marino, CRM 93879, que se coloca à disposição nos telefones (11) 3885 -3937 e
(11) 3885-4194 ou pelo e-mail
[email protected].
Após essas considerações gerais, solicitamos que preencha os campos abaixo:
Eu, __________________________________ ,RG _______________________ ,
concordo em participar do estudo “Aspectos da Sexualidade em portadoras de
Endometriose”.São Paulo, ____/______/20___.
ANEXOS - 68
Anexo D - Quociente Sexual Feminino - QS-F
Responda a este questionário, com sinceridade, baseando -se nos últimos 6 meses de sua
vida sexual e considerando a seguinte pontuação:
0 = nunca; 1 = raramente; 2 = às vezes; 3 = aproximadamente metade das vezes; 4 = a
maioria das vezes; 5 = sempre.
1. Você costuma pensar espontaneamente em sexo, lembra de s exo ou se imagina
fazendo sexo?
0 1 2 3 4 5
2. O seu interesse por sexo é suficiente para você participar da relação sexual com
vontade?
0 1 2 3 4 5
3. As preliminares (carícias, beijos, abraços, afagos etc.) a estimula m a continuar a
relação sexual?
0 1 2 3 4 5
4. Você costuma ficar lubrificada (molhada) durante a relação sexual?
0 1 2 3 4 5
5. Durante a relação sexual, à medida que a excitação do seu parceiro vai aumentando,
você também se sente mais estimulada para o sexo?
0 1 2 3 4 5
6. Durante a relação sexual, você relaxa a vagina o suficiente para f acilitar a penetração
do pênis?
0 1 2 3 4 5
7. Você costuma sentir dor durante a relação sexual, quando o pênis penetra em sua
vagina?
0 1 2 3 4 5
ANEXOS - 69
8. Você consegue se envolver, sem se distrair (sem perder a concentra ção), durante a
relação sexual?
0 1 2 3 4 5
9. Você consegue atingir o orgasmo (prazer máximo) nas relações sexuais que realiza?
0 1 2 3 4 5
10. O grau de satisfação que você consegue com a relação sexual lhe dá vontade de fazer
sexo outras vezes em outros dias?
0 1 2 3 4 5
ANEXOS - 70
Anexo E - Inventário de Depressão de Beck (BDI)
Neste questionário existem grupos de afirmativas. Leia com atenção cada uma delas e
selecione a af irmativa que melhor descreve como você se sentiu na SEMANA QUE
PASSOU, INCLUINDO O DIA DE HOJE.
Marque um X no quadrado ao lado da afirmativa que você selecionou. Certifique -se de ter
lido todas as afirmativas antes de fazer sua escolha.
1. □ 0 = não me sinto triste
□ 1 = sinto-me triste
□ 2 = sinto-me triste o tempo todo e não consigo sair disto
□ 3 = estou tão triste e infeliz que não posso aguentar
2. □ 0 = não estou particularmente desencorajado(a) frente ao futuro
□ 1 = sinto-me desencorajado(a) frente ao futuro
□ 2 = sinto que não tenho nada por que esperar
□ 3 = sinto que o futuro é sem esperança e que as coisas não vão melhorar
3. □ 0 = não me sinto fracassado(a)
□ = sinto que falhei mais do que um indivíduo médio
□ 2 = quando olho para trás em minha vida, só vejo uma porção de fracassos
□ 3 = sinto que sou um fracasso completo como pessoa
4. □ 0 = obtenho tanta satisfação com as coisas como costumava fazer
□ 1 = não gosto das coisas da maneira como costumava gostar
□ 2 = não consigo mais sentir satisfação real com coisa alguma
□ 3 = estou insatisfeito(a) ou entediado(a) com tudo
5. □ 0 = não me sinto particularmente culpado(a)
□ 1 = sinto-me culpado(a) boa parte do tempo
□ 2 = sinto-me muito culpado(a) a maior parte do tempo
□ 3 = sinto-me culpado(a) o tempo todo
6. □ 0 = não sinto que esteja sendo punido(a)
□ 1 = sinto que posso ser punido(a)
□ 2 = espero ser punido(a)
□ 3 = sinto que estou sendo punido(a)
ANEXOS - 71
7. □ 0 = não me sinto desapontado(a) comigo mesmo(a)
□ 1 = sinto-me desapontado(a) comigo mesmo(a)
□ 2 = sinto-me aborrecido(a) comigo mesmo(a)
□ 3 = eu me odeio
8. □ 0 = não sinto que seja pior que qualquer pessoa
□ 1 = critico minhas fraquezas ou erros
□ 2 = responsabilizo-me o tempo todo por minhas falhas
□ 3 = culpo-me por todas as coisas ruins que acontecem
9. □ 0 = não tenho nenhum pensamento a respeito de me matar
□ 1 = tenho pensamentos a respeito de me matar mas não os levaria adiante
□ 2 = gostaria de me matar
□ 3 = eu me mataria se tivesse uma oportunidade
10. □ 0 = não costumo chorar mais do que o habitual
□ 1 = choro mais agora do que costumava chorar antes
□ 2 = atualmente choro o tempo todo
□ 3 = eu costumava chorar, mas agora não consigo, mesmo que queira
11. □ 0 = não me irrito mais agora do que em qualquer outra época
□ 1 = fico incomodado(a) ou irritado(a) mais facilmente do que costumava
□ 2 = atualmente sinto-me irritado(a) o tempo todo
□ 3 = absolutamente não me irrito com as coisas que costumam irritar-me
12. □ 0 = não perdi o interesse nas outras pessoas
□ 1 = interesso-me menos do que costumava pelas outras pessoas
□ 2 = perdi a maior parte do meu interesse pelas outras pessoas
□ 3 = perdi todo o meu interesse nas outras pessoas
13. □ 0 = tomo as decisões quase tão bem como em qualquer outra época
□ 1 = adio minhas decisões mais do que costumava
□ 2 = tenho maior dificuldade em tomar decisões do que antes
□ 3 = não consigo mais tomar decisões
ANEXOS - 72
14. □ 0 = não sinto que minha aparência seja pior do que costumava ser
□ 1 = preocupo-me por estar parecendo velho(a) ou sem atrativos
□ 2 = sinto que há mudanças em minha aparência que me fazem parecer sem
atrativos
□ 3 = considero-me feio(a)
15. □ 0 = posso trabalhar mais ou menos tão bem quanto antes
□ 1 = preciso de um esforço extra para começar qualquer coisa
□ 2 = tenho que me esforçar muito até fazer qualquer coisa
□ 3 = não consigo fazer trabalho nenhum
16. □ 0 = durmo tão bem quanto de hábito
□ 1 = não durmo tão bem quanto costumava
□ 2 = acordo 1 ou 2 horas mais cedo do que de hábito e tenho dificuldade de voltar a
dormir
□ 3 = acordo várias horas mais cedo do que costumava e tenho dificuldade de voltar
a dormir
17. □ 0 = não fico mais cansado(a) do que de hábito
□ 1 = fico cansado(a) com mais facilidade do que costumava
□ 2 = sinto-me cansado(a) ao fazer qualquer coisa
□ 3 = estou cansado(a) demais para fazer qualquer coisa
18. □ 0 = o meu apetite não está pior do que de hábito
□ 1 = meu apetite não é tão bom como costumava ser
□ 2 = meu apetite está muito pior agora
□ 3 = não tenho mais nenhum apetite
19. □ 0 = não perdi muito peso se é que perdi algum ultimamente
□ 1 = perdi mais de 2,5 kg # estou por vontade própria
□ 2 = perdi mais de 5,0 kg tentando perder peso,
□ 3 = perdi mais de 7,0 kg comendo menos: ___ sim ___ não
ANEXOS - 73
20. □ 0 = não me preocupo mais do que de hábito com minha saúde
□ 1 = preocupo-me com problemas físicos como dores e aflições, ou perturbações no
estômago, ou prisões de ventre
□ 2 = estou preocupado(a) com problemas físi cos e é difícil pensar em muito mais do
que isso
□ 3 = estou tão preocupado(a) em ter problemas físicos que não consigo pensar em
outra coisa
21. □ 0 = não tenho observado qualquer mudança recente em meu interesse sexual
□ 1 = estou menos interessado(a) por sexo do que acostumava
□ 2 = estou bem menos interessado(a) por sexo atualmente
□ 3 = perdi completamente o interesse por sexo
ANEXOS - 74
Anexo F - Inventário de Ansiedade de Beck (Beck-A)
Abaixo temos uma lista de sintomas comuns à ansiedade. Favor preench er cada item da
lista cuidadosamente. Indique agora os sintomas que você apresentou durante A ÚLTIMA
SEMANA, INCLUINDO HOJE.
Marque com um X os espaços correspondentes a cada sintoma.
Ausente = 0
Leve (não me incomoda muito) = 1
Moderado (é desagradável, mas consigo suportar) = 2
Grave (quase não consigo suportar) = 3
1. Dormência ou formigamento
2. Sensações de calor
3. Tremor nas pernas
4. Incapaz de relaxar
5. Medo de acontecimentos ruins
6. Confuso ou delirante
7. Coração batendo forte e rápido
8. Inseguro(a)
9. Apavorado(a)
10. Nervoso(a)
11. Sensação de sufocamento
12. Tremor nas mãos
13. Trêmulo(a)
14. Medo de perder o controle
15. Dificuldade de respirar
16. Medo de morrer
17. Assustado(a)
18. Indigestão
19. Desmaio/“cabeça leve”
20. Rosto quente/enrubescido
21. Suor frio/quente
8 REFERÊNCIAS
APÊNDICES - 76
Abdo CH, Oliveira WM Jr, Moreira ED Jr, Fittipaldi JA. Prevalence of sexual
dysfunctions and correlated conditions in a sample of Brazilian women --