Endometriosis; Focus groups; Qualitative research; Social isolation.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AGDP: Ambulatório de Endoscopia Ginecológica e Dor Pélvica
DPC: Dor Pélvica Crônica
TFD: Teoria Fundamentada nos Dados
DRS: Divisão Regional de Saúde
GF: Grupo Focal
HCFMRP-USP: Hospital Das Clinicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo
UE: Unidade de Emergência
WEBQDA: Sigla do software utilizado para análise dos dados
SUS: Sistema único de saúde
OMS: Organização mundial de saúde
CAPES: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
FAEPA: Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo
COPE: Committee on Publication Ethics
SRQR: Standards for Reporting Qualitative Research
LISTA DE TABELAS
Tabela1 - Temas relacionados ao impacto da vida social na mulher com endometriose.........38
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Temas relacionados ao impacto da vida social na mulher com endometriose........46
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO 17
2 OBJETIVOS 20
2.1 GERAL 21
3 DESENHO METODOLÓGICO 22
3.1 TIPO DO ESTUDO 23
3.2 NATUREZA DO ESTUDO 23
3.3 LOCAL DO ESTUDO 23
3.4 SELEÇÃO DOS PARTICIPANTES 24
3.5 TÉCNICA DE COLETA DOS DADOS 24
3.5.1 INTRODUÇÃO DO DEBATE 25
3.5.2 CONSTRUÇÃO DO ENTENDIMENTO DO DEBATE 25
3.5.3 DELIMITAÇÃO DAS REGRAS DO DEBATE 26
3.5.4 DISCUSSÃO DO DEBATE 26
3.5.5 CONCLUSÃO DO DEBATE 26
3.6 ARMAZENAMENTO DOS DADOS 26
3.7 ANÁLISE DOS DADOS 27
3.8 ASPECTOS ÉTICOS 34
4 RESULTADOS 35
4.1 CARACTERÍSTICAS DOS ATORES SOCIAIS 36
4.2 TEMAS EMERGENTES 37
TABELA 1 38
5 DISCUSSÃO 40
6 CONCLUSÃO 47
REFERÊNCIAS 49
APÊNDICES 57
APÊNDICE A – ROTEIRO DE DEBATE 57
APÊNDICE B – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO 62
PRODUÇÃO CIENTÍFICA DO ESTUDO 64
1.PUBLICAÇÃO 64
2.APRESENTAÇOES EM CONGRESSOS 76
ANEXOS 77
ANEXO A - TERMO DE APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA 77
ANEXO B - ARTIGO IJGO 77
1 INTRODUÇÃO
17
A dor pélvica crônica (DPC) é uma condição debilitante definida como dor p ersistente
com duração de pelo menos seis meses, que é intensa o suficiente para causar incapacidade e
justificar a intervenção médica (ACOG, 2004). Cabe ressaltar que, a persistência do quadro de
dores é o fator desencadeador da incapacidade física e da necessidade de intervenção médica.
A prevalência da DPC pode variar de 3,8%, em mulheres de 15 a 73 anos, até 24% em
mulheres na idade reprodutiva. Dados norte -americanos estimam que a DPC seja responsável
por cerca de 10% das consultas ginecológicas, 40 a 50% das laparoscopias ginecológicas,
além de 10 a 15% das histerectomias, (HOWARD, 1993; BRODER et al., 2000; GELBAYA
e EL-HALWAGY, 2001; GAMBONE et al., 2002), implicando custo superior a dois bilhões
de dólares por ano (MATHIAS et al., 1996). Em nosso meio encontramos uma prevalência de
11,5%, qual representa um sério problema de saúde pública (NOGUEIRA, et al., 2006), pois,
este impacto atua diretamente na relação conjugal, social e qualidade de vida destas mulheres.
A gênese da DPC pode ser associada às condições ginecológicas, como a
endometriose, aderências, infecção, e por causas não ginecológicas , tais como a síndrome do
intestino irritável , a cistite intersticial , causas musculoesqueléticas ou ainda, causas
neuropáticas (IASP, 2015).
A endometriose é uma doença ginecológica multifatorial, crônica, b enigna, estrogênio-
dependente, cujos sintomas característicos são infertilidade, dismenorreia, dispareunia de
profundidade, dor pélvica crônica e alterações do hábito intestinal (dor à evacuação,
hemorragia retal) e urinário (disúria e hematúria), de fo rma cíclica na época menstrual
(WANG et al., 2009 ). A endometriose é um problema de saúde para as mulheres em idade
reprodutiva (DUNSELMAN et al., 2014) . A prev alência estimada é de até 10% entre as
mulheres em idade reprodutiva (ESKENAZI e WARNER, 1997) e de 50% entre as mu lheres
com dor pélvica crônica (GIUDICE e KAO, 2004) . A história natural da doença é variável.
Entre as mulheres com endometriose e dor pélvica, em 17 a 29% dos casos as lesões
desaparecem espontaneamente em 24 a 64% progridem, e em 9 a 59% permanecem estáveis
ao longo de um ano (SUTTON et al.,1997).
A abordagem multidisciplinar da dor crônica em mulheres com endometriose pélvica,
principalmente o entendimento de que a percepção da dor não está somente ligada à
quantidade de estímulos nociceptivos r ecebidos, e sim a uma combinação de fatores,
incluindo aspectos emocionais e sociais, se faz primordial, dentre eles destacamos a labilidade
emocional e o isolamento social (ALBERT, 1999; GELBAYA; EL -HALWAGY, 2001;
REITER, 1998) . Semelhante a outras condições de dor crônica, a DPC tem um impacto
18
importante sobre as atividades de vida diária e qualidade de vida das mulheres acometidas
(GRACE e ZONDERVAN, 2006).
Diversas evidências sugerem que os laços so ciais são importantes para a saúde humana
(SEEMAN, 1996) em termos de funcionamento e longevidade. As relações sociais têm
implicações importantes para o bem estar físico e psicológico de pacientes com doenças
crônicas (COHEN e JANICKI -DEVERTS, 2009) , como viver mais, ter menor declínio
cognitivo com o envelhecimento, maior resistência a doenças infecciosas, e melhor
prognóstico quando enfrenta a vida com risco de doenças crônicas.
O isolamento social tem sido relatado em algumas condições crônicas, como em
pacientes com infarto agudo do miocárdio onde o risco de mortalidade de um ano associado
com isolamento social é equivalente a elevado nível de colesterol, uso de tabaco, ou
hipertensão arterial (MOOKADAM e ARTHUR, 2004), já na população idosa, o isolamen to
social está associado a maiores taxas de mortalidade (LONGMAN, 2013; SEEMAN et
al.,1993). Os efeitos do isolamento social em seres humanos são semelhantes aos efeitos das
manipulações experimentais no isolamento social de outras espécies. Entendesse com o
isolamento social, um fenômeno sócio cultural que denota a falta de interação social, ou seja,
a ausência de contato entre os indivíduos. Trata -se, portanto, de uma condição (voluntária ou
não) donde alguns indivíduos (isolamento individual), por diverso s motivos, preferem o
isolamento da sociedade.
Muitas respostas biológicas ao isolamento soc ial são descritas, dentre elas, o aumento
do tônus simpático, a resistência a glicocorticoides, a diminuição do c ontrole inflamatório e
imunológico (CACIOPPO et al., 2011). A literatura descreve também os impactos sociais
acarretados em mulheres com fibr omialgia (BELTRÁN -CARRILLO et al.,2013), onde as
condições culminam em dificuldades com as atividades da vida diária, problemas com o
trabalho, limitações de capacidade e de produtividade, e da vida social (KAYO et al, 2012.;
LEMPP et al., 2009).
O impacto social e psicoló gico da endometriose na vida de mulheres, foi investigado
em uma revisão narrativa da literatura, com u m total de 42 arti gos, sendo 23 métodos
quantitativos, 16 métodos qualitativos e 3 estudos de métodos mistos . Apenas vinte e um
artigos inc luídos nesta revisão, ou seja, 50% do total onde 14 eram qualitativos , 5
quantitativos e 2 mistos, apresentaram dados sobre o impacto da endometriose sobre a saúde
mental e o bem -estar emocional, incluindo o estresse, depressão, ansiedade e isolamento
social. Cabe ressaltar que o s estudos qualitativos apresentaram como principal coleta de
dados, as entrevistas e somente um pequeno número de dados foram coletados através de
19
grupos focais, questionários e diários de campo. Embora haja limitação dos métod os
utilizados, alguns estudos relataram níveis mais elevados de estresse percebi do em mulheres
com endometriose ( CULLEY et al.,2013 ). Portanto, identificar as alterações no
comportamento social de mu lheres com dor pélvica crônica associada à endometriose é de
suma relevância para o manejo clínico da dor, uma vez que essas alterações podem corroborar
na falha durante a abordagem da paciente, bem como na falha de comunicação entre a equipe
de saúde e a paciente.
Contudo, o reconhecimento das consequências que o impacto social acarreta na vida de
mulheres acometidas por dor pélvica crônica relacionada à endometriose ainda é muito
recente e pouco extrapolado pela literatura, portanto é essencial para compreendermos as
percepções desenvolvidas ao longo da evolução do quadro clínico de dor crônica.
20
2 OBJETIVOS
21
2.1 Geral
Compreender o significado social que a dor crônica representa na vida de mulheres
acometidas por dor pélvica crônica associada à endometriose.
22
3 DESENHO METODOLÓGICO
23
3.1 Tipo de estudo
Foi realizado um estudo qualitativo com grupos focais.
3.2 Natureza do estudo
Utilizamos a Teoria fundamentada nos dados (TFD), ou também conhecida como a
Grounded Theory, como foi traduzida para o português, visando compreender a realidade a
partir da percepção ou significado que certo contexto ou objeto tem para a pessoa, gerando
conhecimentos, aumentando a compreensão e proporcionando um guia si gnificativo para a
ação. Esse re ferencial foi desenvolvido por Barney Glaser e Anselm Strauss, no início da
década de 60, sociólogos que desfrutavam de conhecimentos inerentes à tradição em pesquisa
na Universida de de Chicago e influência do Interacionismo Simbólico e do pragmatismo.
Assim, originou-se a TFD, cuja sistematização técnica e procedimentos de análise capacitam
o pesquisador para desenvolver teorias sociológicas sobre o mundo da vida dos indivíduos,
uma vez que alcança significação, compatibilidade entre teoria e observação, c apacidade de
generalização, reprodutibilidade, precisão, rigor e verificação.
3.3 Local do estudo
Esta pesquisa teve como campo de estudo o Hospital das Clínicas da Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto, um serviço público de saúde que oferece assistê ncia ambulatorial
e hospitalar e desenvolve atividades de ensino e pesquisa, localizado no sudeste do Brasil.
As coletas de dados ocorreram entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014. Reconhecido
como centro de referência, o complexo do HCFMRP -USP dispõe d e três prédios: dois
situados no Campus Universitário: HC -Campus e o Hemocentro e um situado na área central
da cidade, onde funciona a Unidade de Emergência - UE. A área de atuação do Hospital
concentra-se basicamente no município de Ribeirão Preto e reg ião, entretanto, ante as suas
características de hospital de referência (nível terciário) para atendimentos complexos, é
muito comum encontrar nos corredores dos ambulatórios e enfermarias pessoas vindas de
outros estados e até mesmo de outros países.
24
Os participantes foram recrutados no Ambulatório de Endoscopia Ginecológica e Dor
Pélvica que ocorre às sextas -feiras no período da manhã e presta assistência a mulheres com
diagnósticos de dor pélvica crônica no âmbito da Divisão Regional de Saúde (DRS) XIII.
A escolha pelo ambulatório se fez devido à grande demanda de pacientes atendidas
com o diagnóstico de dor pélvica crônica e endometriose , além do local ser responsável pelo
manejo clínico da dor dessas pacientes e portando local de ensino e pesquisa.
No Ambulatório de Endoscopia Ginecológica, o atendimento funciona por meio de
referenciamento médico das unidades de saúde, o movimento semanal estimado é de 50
pacientes. Das novas avaliações, 40% dos diagnósticos são de dor pélvica crônica.
3.4 Seleção dos participantes
A seleção das participantes ocorreu em dois momentos. No primeiro momento , foi
realizado um convite para a participação na pesquisa durante a realização de consult a médica
no AGDP, n a ocasião eram explicados os objetivos da pesquisa bem c omo a importância da
participação das mulheres acometidas por dor pélvica crônica associada à endometriose , em
um segundo momento, era feita uma consulta detalhada , por um ou dois dos pesquisadores
(BM / AF) , nas listas de pacientes enviadas pelo Serviço A mbulatorial Médico (SAME) , a
pedido dos pesquisadores, de onde eram extraídos contatos telefônicos e posteriormente as
pacientes eram convidadas para a participação no grupo focal.
Como critério de inclusão utilizamos, ainda, o seguimento no se rviço por p elo menos
seis meses e o diagnóstico comprobatório e propedêutico de endometriose através de
videolaparoscopia. Mulheres com suspeita de alteração psico-afetiva foram excluídas.
Todos os grupos focais ocorreram no ambiente mencionado anteriormente. Não houve
necessidade de mudança do local dos grupos focais.
3.5 Técnica da coleta de dados
Para a coleta dos dados foi utilizada a técnica de gr upo focal com o auxílio de um
roteiro semiestruturado de entrevista, contendo questões relacionadas ao objetivo da pesquisa.
As entrevistas foram gravadas e t ranscritas na íntegra. Também era feito um diário de campo
para anotações que os pesquisadores considera vam relevantes, como observações quanto aos
25
sinais não verbais, conversas realizadas antes ou após o tér mino das gravações. Realizamos
seis grupos focais com quatr o a seis mulheres em cada grup o. Os grupos focais foram
conduzidos por três pessoas, um condutor /mediador (FJCR ou BM), um relator (AF) e um
observador (BM ou FJCR). As entrevistas gravadas foram t ranscritas por um dos
entrevistadores e revisada s por outros dois. Durante os grupos focais, foi mantida discrição
quanto à vestimenta, onde apenas o jaleco era importante, usávamos roupas discretas com
cores claras para não causar distração do grupo, também não era revelado às mulheres qual
era a função de cada um dos pesquisadores, apenas nós três sabíamos qual era a função de
cada um.
Na sala, era pedido que as mulheres estivessem com o celular desligado e que não
levassem acompanhantes, havia uma tolerância de 10 m inutos para começarmos o grupo. O s
grupos focais ocorreram em sala com cadeiras móveis de forma a permitir a disposição
circular das mesmas. As reuniões ocorreram de maneira fluida, e sem interrupção externa. A
formação em círculos permitiu a interação face a face, o bom contato visual e, ainda, o
estabelecimento do mesmo campo de visão para todas as mulheres. As disc ussões em grupo
tiveram duração média de aproximadamente 1 hora.
Para conduzir os grupos focais, utilizamos o “Roteiro de Debate”, pelo Mediador, que
foi dividido em cinco partes:
3.5.1 Introdução do debate
Nessa etapa o mediador faz ia uma introdução sobre a pesquisa, sobre os objetivos da
discussão e sobre a importância do estudo. O mediador é o r esponsável pelo início, pela
motivação, pelo desenvolvimento e pela conclusão dos debates, sendo a única que neles deve
intervir e que pode interagir com os participantes. A qualidade dos dados e das informações
levantados no grupo focal está intimamente vinculada a seu desempenho. Essa exposição
durava aproximadamente 5 minutos.
3.5.2 Construção do entendimento do debate
26
Ao final da introdução era aberto um espaço de tempo para que as participantes
tirassem suas dúvidas acerca do que foi exposto. Esse espaço durava aproximadamente 5
minutos.
3.5.3 Delimitação das regras do debate
Na etapa de delimitação das regras ficou estabelecido: a) respeitar a privacidade das
outras participantes; b) não repetir o que foi discutido durante as reuniões fora do grupo focal;
c) falar uma de cad a vez; d) respeitar a opinião dos outros – não criticar n em rejeitar os
comentários das demais participantes; e) dar a cada uma a mesma oportunida de de participar
da discussão. Essa etapa durava aproximadamente 5 minutos.
3.5.4 Discussão do debate
Nessa etapa o mediador apresentava questões-chave às participantes, a partir das quais
a discussão se iniciava . As questões foram divididas em dois momentos (duas questões
chaves). Cada questão chave possuía uma série de que stões orientadoras para discussão, caso
os temas n ão aparecessem espontaneamente (APÊNDICE A, item 4) . A etapa durava
aproximadamente 35 minutos.
3.5.5 Conclusão do debate
Nesta etapa o mediador realizava uma síntese geral da discussão, resumindo
informações q ue as participantes esclareci am ou confirmav am. Também eram esclarecidas
eventuais dúvidas das participantes. Esta etapa durava aproximadamente 10 minutos.
3.6 Armazenamento dos dados
Cada participante recebeu um código (S_G_), onde S era o sujeito e G o número
relacionado à ordem do grupo focal, para que lhe fosse garantido o anonimato.
27
Todas as palavras foram transcritas na íntegra ( verbatim transcription) após gravação
das mesmas com o software de gravação Audacity versão 1.3.12, Free Software Foundation,
Estados Unidos, de modo a garantir a originalidade das ideias. A transcrição ocorreu no dia da
entrevista para que não houvesse prejuízo na análise dos resultados.
Foi realizada pelo relator/observador uma minuta contendo os principais pontos
ocorridos na entrevista para que o pesquisador, durante a codificação e an álise, colocasse
essas questões na interpretação dos dados. Também foi re alizada pelo mediador, relator e
observador uma reunião para se levantar os pontos principais de cada grupo focal.
3.7 Análise dos dados
A análise dos dados e coleta ocorreu de forma simultânea, tendo como base teórica e
metodológica, a T eoria fundamentada nos dados. O processo de análise consistiu em
conceituar os dados coletados por dois pesquisadores e comparados, os eventuais códigos
discordantes eram resolvidos por consenso. Esses dados, inicialmente, constituíam códigos
preliminares, passando a códigos conceituais e, posteriormente, a c ategorias e as categorias
podiam convergir a fenômenos. A categoria pode ser uma palavra ou um conjunto d e palavras
que designa um nível elevado de abstração, enquanto os código s são conceitos que também
podiam ser expressos por palavras ou siglas que, em conju nto, desvelavam o caráter abstrato
constituindo as categorias. Através da análise preliminar dos dad os, foram tomadas decisões
sobre como ajustar a entrevi sta para o próximo grupo focal. Através deste processo interativo
de coleta de dados e análise, nós fomos capazes de identificar e expandir todas as informações
potencialmente relevantes, logo que percebidas.
O processo de amostragem continuou até que a coleta de dados não produziu qualquer
nova visão relevante para a teoria emergente. Após o sexto grupo focal conseguiu a saturação
dos dados. Utilizou-se o conceito de saturação como o ponto em que os n ovos dados obtidos
foram repetitivos. Portanto, a inclusão de novos participantes não acrescentaria informaçõe s
para a teoria construída.
Exemplo dos passos da codificação:
28
Trecho da entrevista Codificação aberta Codificação axial Codificação
seletiva
“Eu sempre estou de
mau humor. Eu fico em
casa o tempo todo”.
*persistência da irritabilidade;
*labilidade emocional;
*alteração de comportamento;
*embotamento afetivo;
*negação de convivência;
*evitar contato/aproximação
com as pessoas (família;
amigos; parceiro).
1º labilidade emocional
(persistência da irritabilidade)
2º alteração de comportamento
(embotamento afetivo;
negação de convivência; evitar
contato /aproximação)
Isolamento social
A plataforma WebQDA foi utilizada para classificar e c odificar os dados, além de
fornecer apoio às interpretações e organização documental.
A revisão da literatura sobre o isolamento social foi realizada após a identificação de
categorias emergentes e a formulação da teoria.
Compreensão das bases conceituais da Teoria Fundamentada nos Dados
Para entender as bases conceituais e a aplicabilidade da Teoria Fundamentada nos
dados, faz -se necessário compreender que a TFD se refere a “abordagem de pesquisa
qualitativa com o objetivo de descobrir teorias, conceito s e hipóteses, baseados nos dados
coletados, ao invés de utilizar aqueles predeterminados”. Possui raízes no Interacionismo
Simbólico e compreende a realidade a partir do conhecimento da percepção ou significado
que certo contexto ou objeto tem para a pessoa. (DUPAS et al, 1997)
Esse referencial foi desenvolvido por Barney Glaser e Anselm Strauss, no início da
década de 60, sociólogos que desfrutavam de conhecimentos inerentes à tradição em pesquisa
na Universidade de C hicago e influência do Interacionismo simbólico e do pragmatismo.
Assim, originou-se a TFD, cuja sistematização técnica e procedimentos de análise capacitam
o pesquisador para desenvolver teorias sociológicas sobre o mundo da vida dos indivíduos,
uma vez que alcança significação, compatibilida de entre teoria e observação, capacidade de
generalização, reprodutibilidade, precisão, rigor e verificação (STRAUSS e CORBIN, 2008;
GLASER, 1967)
29
Complementando tais concepções, a TFD consiste em método para construção de
teoria com base nos dados investi gados de determinada realidade, de maneira indutiva ou
dedutiva que, mediante a organização em categorias conceituais, possibilita a explicação do
fenômeno investigado (STRAUSS e CORBIN, 2008; GLASER, 1967)
Algumas considerações são essenciais quanto às es pecificidades dessa abordagem em
relação às demais de cunho qualitativo: 1) A revisão de literatura não é o passo inicial do
processo de pesquisa, uma vez que emergirá da coleta e análise dos dados e são esses que
direcionarão o pesquisador para obter mais informações na literatura ; 2) As hipóteses são
criadas a partir do processo da coleta e análise dos dados e não antes do pesquisador entrar em
campo; 3) Os dados são coletados e analisados concomitantemente, descrevendo, portanto, as
primeiras reflexões no início da fase de coleta. Esse processo denomina -se análise constante;
4) O método é circular e, por isso, permite ao pesquisador mudar o foco de atenção e buscar
outras direções, reveladas pelos dados que vão entrando em cena. (DANTAS, 2009 ;
STRAUSS e CORBIN, 2008; GLASER, 1967)
Esse referencial trabalha com conceito de amostragem teórica que se refere à
possibilidade de o pesquisador buscar seus dados em locais ou através do depoimento de
pessoas que indicam deter conhecimento acerca da realidade a ser estudada. Assim, podem-se
realizar pesquisas em mais de um campo de coleta de dados onde, mediante a interação e
observação com demais profissionais, haja a possibilidade de coleta de dados. Ou, ainda, pode
haver reestruturação dos instrumentos, com mudanç a no foco das perguntas (no intuito de
especificar e explorar a realidade investigada), ou na forma como é questionada, de modo a se
aproximar do entendimento dos sujeitos e, assim, esgotar o máximo de informações
(DANTAS, 2009; STRAUSS e CORBIN, 2008; GLASER, 1967)
As definições de cada um podem ser assim consideradas: 1) notas teóricas - quando o
pesquisador, chegando aos fatos, registra a interpretação e inferências, faz hipóteses e
desenvolve novos conceitos. Estabelece a ligação com outros conceitos já elaborados, fazendo
interpretações, inferências e outras hipóteses; 2) notas metodológicas - são anotações que
refletem um ato operacional completo ou planejado: uma instrução a si própria, um lembrete,
uma crítica as suas próprias estratégias ( DANTAS, 20 09; STRA USS e CORBIN, 2008;
GLASER, 1967 ). Referem-se aos procedimentos e estratégias metodológicos utilizados, às
decisões sobre o delineamento do estudo, aos problemas encontrados na obtenção dos dados e
à forma de resolvê-los; 3) notas de observação - são descrições sobre eventos experimentados,
principalmente através da observação e audição. Contém a menor interpretação possível
(DANTAS, 2009 ; STRA USS e CORBIN, 2008; GLASER, 1967 ). O uso da literatura é
30
limitado antes e durante a análise, para evitar su a influência excessiva na percepção do
pesquisador, pois a literatura pode dificultar a descoberta de novas dimensões do pesquisador
e dificultar a descoberta de novas dimensões do fenômeno.
Com o propósito de elucidar o método desta abordagem, optamos po r reunir as etapas
apresentadas por STERN (1980), GL ASER & STRAUSS (1967) e STRAUS & CORBIN
(1990).
A) Coleta dos dados empíricos
Uma das opções de coleta de dados qualitativo s é a entrevista, apresentando as
vantagens de propiciar oportunidades para mot ivar e esclarecer o respondente e, permitir
flexibilidade ao questionar o respondente, ao determinar a sequência e ao escolher as palavras
apropriadas; permitir maior controle sobre a situação e finalmente permitir maior avaliação da
validade das respostas m ediante a observação do comportamento não verb al do respondente
(LODI, 1991).
A entrevista pode ser de dois tipos, do tipo formal ou informal. A entrevista formal
segue um plano determinado de ação e é empregada quando se deseja informações em
profundidade que podem ser obtidas em locais privados e com respondentes recrutados em
locais pré-determinados (CHENITZ e SWANSON, 1986). As entrevistas formais podem ser
estruturadas ou não estruturadas. A entrevista estruturada, também denominada
estandardizada ou padronizada, tem a premissa de que todas as respostas devem ser
comparáveis com o mesmo conjunto de perguntas e as diferenças refletirão as diferenças entre
os indivíduos. As questões devem ter o mesmo significado, podendo haver liberdade na
escolha das pa lavras, na sequência e no momento de fazê -las. Na entrevista não estruturada,
não padronizada ou não estandardizada o entrevistador nem sempre tenta obter o mesmo tipo
de resposta usando o mesmo tipo de pergunta . Tem sido referida como entrevista em
profundidade, intensiva ou então denominada entrevista qualitativa. O propósito é obter as
informações com as próprias palavras dos respondentes, obter descrição das situações e
elucidar detalhes. Esses dois tipos não excluem, porém, as entrevistas em que os doi s tipos
são combinados em momentos diferentes, caracterizando uma "entrevista híbrida" ou então as
moderadamente padronizadas, quando existe modificação da sequência, número e palavras
das questões (CASSIANI et al.,1996).
Os dados para análise geralmente c onstam de transições das fitas gravadas, relatórios
de observações e documentos. Após o investigador ter coletado os dados iniciais, transcreve
as fitas, realiza as leituras e procede à codificação ou à análise dos dados.
31
B) Procedimentos de codificação ou análise dos dados
A codificação ou análise dos dados é o procedimento através do qual os dados são
divididos, conceitualizados e estabelecidos suas relações. Todo o processo analítico que neste
momento se inicia, tem por objetivos: construir a teoria, d ar ao processo científico o rigor
metodológico necessário, auxiliar o pesquisador a detectar os vieses, desenvolver o
fundamento, a densidade, a sensibilidade e a integração necessária para gerar uma t eoria
(STRAUSS e CORBIN, 1990).
Obtendo os dados, o inv estigador examina -os minuciosamente, linha por linha e
recorta as unidades de análise. Assim cada unidade de análise é nomeada com uma palavra ou
sentença exprimindo o signifi cado desta para o investigador. Os códigos gerados na teoria
fundamentada nos dad os são de dois tipos: os códigos substantivos que conceitualizam a
substância empírica da pesquisa e os códigos teóricos , aos quais se aplicam esquemas
analíticos aos dados para aumentar sua abstração, tendo por objetivo ajudar o pesquisador a
mover-se de uma estrutura descritiva para uma referencial, favorecendo a abstração do
pesquisador sobre os dados (CASSIANI et al.,1996). Segundo GLASER ,1978, a codificação
substantiva dos dados é feita, através da codificação aberta e codificação seletiva e, a
codificação teórica é realizada através da codificação axial.
I) Codificação Aberta
Durante a fase da codificação aberta inicia -se o processo de comparar os incidentes
aplicáveis a cada categoria (GLASER & STRAUSS, 1967). Assim, o investigador codifica os
incidentes em tantas categorias quanto possível, neste momento, todos os dados são passíveis
de uma codificação. A codificação é o processo em que os dados são codificados, comparados
com outros dados e designados em categorias. Assim que a categoria e as subcate gorias
emergirem, o investigador notará dois tipos: aquelas categorias que ele mesmo construiu e
aquelas que foram abstraídas da linguagem de pesquisa. Notará que os conceitos abstraídos
das situações tenderão a serem os nomes para os processos e comportamentos que estão sendo
explicados, enquanto os conceitos, construídos pelo investigador serão as explicações.
Além disto, a literatura sugere analisar os dados linha por linha, constantemente,
codificando cada sentença, ou palavra, ou parágrafo; sempre inte rromper a codificação para
anotar uma ideia que tenha emergido (mesmos) e não assumir a relevância analítica de
qualquer variável até que ela apareça como relevante (CASSIANI et al.,1996).
32
Os memorandos ou memos são elementos imprescindíveis na elaboração de uma
teoria fundamentada nos dados. Os memorandos são uma forma de registro referente à
formulação da teoria e podem tomar as formas de notas teóricas, notas metodológicas, notas
codificadas e subvariedade delas (CASSIANI et al.,1996). Os memorandos vari am no
conteúdo e tamanho dependendo da fase da pesquisa, objetivos e tipo s de códigos, parecendo
muito simples e superficiais no início do estudo e , devem ser datados, incluindo a ref erência
dos documentos de onde foi extraído. Devem, ainda, conter um título denotando o conceito ou
categoria a que ele pertence. Os memorandos são analisados da mesma maneira que as
unidades de análise e incorporados ao paradigma de análise ou ao texto do relatório como
notas teóricas ou metodológicas.
II) Codificação Axial
Nessa fase da codificação, o investigador tenta descobrir o principal problema na cena
social, do ponto de vista dos atores do estudo e como eles lidam com o problema apresentado.
Comparando todos os dados assim que os recebe, o investigador faz uma opção a respeito da
permanência relativa dos problemas apresentados na cena em estudo.
A seguir, ocorre a redução, que consiste no processo indutivo de agrupamento dos
códigos em categorias. Nele, as categorias já formadas são analisadas comparativamente, à
luz dos novos dados que estão chegando, com o intuito de tentar identificar naquelas
referentes às mais significativas. Esse processo reduz o número de categorias, pois es tas se
tornam mais organizadas. O agrupamento de categorias é uma forma teórica de análise, pois
assim que as integrações emergem, as categorias reunidas formam outras mais gerais. O passo
vital é descobrir o principal processo, denominado variável central, que explica a ação na cena
social. Assim, podemos dizer que a codificação axial é o meio q ue auxilia o pesquisador a
realizar a integração das categorias, tendo como objetivo a reunião d os dados e a elaboração
de conexões entre as categorias e as subcategorias (CASSIANI et al.,1996).
III) Codificação Seletiva
Nesta etapa a busca é pela emergência da variável central e a integração das
categorias. A categoria central emerge no final da análise e forma o pivô ou o principal tema
ao redor do qual todas as categorias giraram.
33
As condições causais, o contexto, as condições intervenientes, as estratégia s e
consequências formam as relações teóricas pelas quais as categorias são relacionadas uma a
outra e à categoria central. Esse procedimento força o investigador a desenvolver alguma
estrutura teórica e é denominando paradigma de análise.
O paradigma se constitui, portanto, do seguinte formato:
condições causais → fenômeno → contexto → condições intervenientes →
→ estratégias de ação / interação → consequências
Neste paradigma a s condições causais são definidas como o conjunto de eventos,
incidentes e acontecimentos que leva ram à ocorrência o u desenvolvimento do fenômeno. O
fenômeno, por sua vez, é a ideia central, o evento, acontecimento e incidente sobre o qual um
grupo de ações ou interações são dirigidas ou estão relacionadas. O contexto é tratado como
um grupo específico de propriedades q ue pertencem ao fenômeno, representando um grupo
particular de condições dentro do qual as e stratégias de ação/interação foram tomadas. As
condições intervenientes são aquelas condições estruturais que se apoia ram nas estratégias de
ação/interação e que pe rtenciam ao fenômeno. Elas facilita ram ou bloquearam as estratégias
tomadas dentro de um contexto específico. As estratégias para lidar, para serem tomadas ou
responder ao fenômeno são denominadas de estratégias de ação/interação (CASSIANI et
al.,1996).
E finalmente as consequências são identificadas como os resultados ou expectativas da
ação/interação.
c) Delimitação da Teoria
A redução das categorias é o meio de se delimitar a teoria emergente, momento em
que o investigador pode descobrir uniformidades no grupo original de categorias ou suas
propriedades e pode, então, formular a teoria com um grupo pequeno de conceitos de alta
34
abstração, deli mitando a terminologia e texto. A lista de categorias é também delimitada
quando elas se torna ram teoricamente saturadas. Desta maneira a quantidade de dedos que o
analista precisa codificar passa a ser consideravelmente reduzida, possibilitando mais tempo
para estudar e analisar dados. Portanto o universo dos dados é o fruto da redução de limitação
e saturação das categorias.
A saturação teórica das categorias ocorre quando: nenhum dado relevante ou novo
emerge; o desenvolvimento da categoria é denso e as relações entre as categorias são bem
estabelecidas e validadas (STRAUSS e CORBIN, 1990). A codificação seletiva d os dados é
empregada de maneira não tão diferente da codificação axial, porém em nível mais abstrato.
Há alguns passos a serem tomados como: relacionar as categorias subsidiárias em torno da
categoria central através do modelo do paradigma, validar essas r elações com os modelos e
finalmente complementar com dados adicionais as categorias que necessitarem de
refinamento e/ou desenvolvimento (CASSIANI et al.,1996). Esses passos não são, entretanto,
lineares.
3.8 Aspectos éticos
Todas as participantes receberam esclarecimentos individuais a respeito dos objetivos,
relevância e metodologia do estudo por meio de exposição oral e escrita. Os princípios de
confiabilidade dos dados obtidos, manutenção da autonomia dos participantes, sigilo à
identificação pessoal e beneficência dos propósitos foram respeitados.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto, segundo Processo nº. 11872/2012 em 21 de novembro de 2012 e as mulheres
que aceitaram participar da pesqu isa assinaram o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (APÊNDICE B).
35
4 RESULTADOS
36
4.1 Características dos atores sociais
Neste item serão apresentados alguns dados das participantes, relacionados à idade,
status marital, antecedentes obstétricos e nível de estadiamento da endometriose.
Obtivemos um total de 29 mulheres, onde a idade variou entre 21 e 49 anos , com
desvio padrão de 39 ± 6 anos; 8 (28%) eram solteiras e 21 (72%) eram casada s; 12 mulheres
(41%) eram nulíparas, 9 mulheres (31%) eram primíparas e 8 (28%) eram multíparas.
As mulheres também foram classificadas de acordo com o estadiamento do grau da
endometriose, segundo a classificação da American Fertility Society , 1985, onde 6 mulheres
(21%) apresentaram estágio I, 6 (21%) estágio II, 3 (10%) estágio III e 14 (48%) em estágio
IV.
37
4.2 Temas Emergentes
A partir das questões-chave, APÊNDICE A - item 4, fizemos um recorte nas
codificações e extraímos as principais falas das mu lheres, pertinentes a cada categoria
emergente, apresentadas na Tabela 1.
38
Tabela 1. Temas Emergentes sobre a percepção dos laços sociais em mulheres com dor
pélvica crônica associada à endometriose.
Categorias
Demonstrações (recorte das falas das mulheres)
Evitar a intimidade com o
parceiro
“Meu noivado terminou em 2001, desde então, tenho estado
sozinha".
"Eu sou divorciada. Eu não tenho um namorado, e eu já não
quero estar em um relacionamento".
"Minha vida sexual acabou".
"Eu sempre evito o meu marido".
Isolamento de amigos e da
família
"Eu estou sempre de mau humor. Eu fico em casa o tempo
todo".
"Eu não posso esperar para o fim de semana para ficar em
casa sozinha".
"Meus parentes sempre evitam minha co mpanhia. Ninguém
me entende".
A falta de compreensão
sobre a doença
"Eu gostaria de entender por que eu estou tendo essa dor
mais uma vez".
"Eu realmente não sei o que é o meu problema".
“A endometriose é uma infecção, uma coisa que eu tenho e
que nunca vai sarar".
Resignação "Eu tenho que viver com esta dor, é parte da minha vida".
"Uma coisa que eu aprendi, nunca mais se queixar".
"Às vezes eu acho que eu não vou mais procurar cuidados
médicos. Eu tive um forte desejo de interromper o
tratamento".
39
Evitar a intimidade com o parceiro nos mostrou o quão às mulheres estavam
intimidadas em manter contato sexual com o parceiro ou ainda de s e recusar a ter um novo
relacionamento, depois de ter tido experiência negativa; o isolamento social d e amigos e da
família trouxe a questão da alteração de humor associada à dor, o isolamento social e também
a recusa da família em não compartilhar os momentos mais difícei s trazidos pela dor; a falta
de compreensão sobre a doença nos mostrou as insegurança s que as mulheres tinham em
relação à causa das dores e também os questionamentos sobre a persistênc ia das dores; a
resignação evidenciou a questão de aceitar a condição de dor, a não reclamar da dor e o
desinteresse nos tratamentos propostos ao longo da história de dor.
40
5 DISCUSSÃO
41
Nos itens seguintes apresenta -se a análise realizada acerca dos dados coletados
articulando-os com achados presentes na literatura científica.
Entrevistamos mulheres com endometriose e dor pélvica crônica sobre como a doença
modificou suas relações sociais. Com base na abordagem da teoria fundamentada nos dados,
fomos capazes de identificar o isolamento social como característica comum em mulheres que
vivem com endometriose e dor pélvica crônica . Nossa hipótese é que a falta de compreensão
sobre a história natural da doença contribui para o comportamento resi gnado e evolui para o
isolamento social.
É importante lembrar que todos os dados apresentados foram produzidos a partir da
comunicação estabelecida entre os pesquisadores e as participantes, através de análise de
prontuários e também por contato telefônico quando os dados de prontuários eram
insuficientes para atender às necessidades da pesquisa.
Esclarece-se ainda que a opção pelo uso da primeira pessoa utilizada para descrever as
falas registradas no momento da entrevista permitiram aos pesquisadores maior fidedignidade
ao relatar o processo de comunicação estabelecido com as participantes durante o trabalho de
campo.
Os dados foram baseados em experiências humanas e este é o principal ponto forte do
nosso estudo. Fomos capazes de analisar as interações sociais das mulheres com endometriose
e dor pélvica crônica em detalhes e em profundidade. Nós também fomos capaz es de
redirecionar nossas perguntas com base em informações e mergentes durante os grupos .
Através da análise preliminar dos dados, foram tomadas as decisões sobre como ajustar a
entrevista para o próximo grupo focal, de acordo com as necessidades trazidas pelas mulheres.
Por meio deste processo interativo de coleta de dados e análise, nós fomos capazes de
identificar e expandir todas as informações potencialmente relevantes, logo que percebidas.
Nosso estudo também apresentou algumas limitações. Primeiro, a s pacientes
receberam vários tratame ntos diferentes e enquanto alguma s estavam em remissão, no
momento da entrevista, outra s ainda estavam apresentando dor. O estudo não foi desenhado
para estratificar os grupos focais de acordo com a intensidade da dor, portanto, não foi
possível analisar a influência da intensi dade da dor sobre a percepção do isolamento social.
Embora tenhamos conseguido saturação, nossos resultados são limitados em generalizar a
uma população maior devido à conc epção qualitativa. O isolamento social pode ser associado
a diversas variá veis, como idade e escolaridade, e e sse problema não pode ser resolvid o
usando um desenho qualitativo, para tanto seria necessário um es tudo quantitativo
epidemiológico para identificar os fatores de risco pa ra o desenvolvimento de isolamento
42
social em mulheres com endometriose e para estimar a magnitude da associação entre a
endometriose e o isolamento social.
Em relaç ão aos temas emergentes, a literatura afirma que o desenvolvimento
psicossexual da mulher pode ficar prejudicado justamente pelo condicionamento negativo que
é produto da doença. Recentemente, estudo no Brasil também informou que 39,3 % das
mulheres com dor pélvica crônica causada pela endometriose eram sexualmente insatisfeitas,
TRIPOLI et al.,2011, e tiveram uma diminuição na frequência da relação sexual , bem como o
vaginismo , aversão sexual e a redução da expressão de sensualidade (DAY et al.,2012). Além
disso, o medo da dor durante a relação sexual também reduziu o desejo sexual. Cabe salientar
que o apoio do parceiro, da família e dos amigos é importante e a sua ausência pode favorecer
transtornos emocionais. Os parceiros, em muitos casos , também passaram por sentimentos de
ansiedade, desamparo e um processo de luto, a lguns deles também relataram que as situações
pelas quais passa ram por causa da doença, prom overam aceitação da condição crônica e
crescimento no relacionamento (FERNANDEZ et al, 2006). Nossos achados elucidaram a
diminuição do desejo afetivo e sexual em prol do medo de sentir d or, assim as mulheres
preferiam se abstiver destas situações ou ainda se negar a ter relacionamentos.
No que concerne ao isolamento social e as limitações físicas, a literatura revela que
com a aquisição de uma doença, muitos pacientes se deparam com a per da de um corpo
saudável e ativo, que pode significar, para muitos, a perda da autonomia e da independência.
Ocorreram também perdas significativas no círculo social em decorrência das limitações que
a doença , e principalmente a dor, trouxeram para a pessoa , alterando a dinâmica social e
afetiva, estas, por si só geradoras de insegurança e ansiedade, são agravadas pela situação de
dependência que , muitos, pacientes qu e sofrem de dor crônica assumem ( BERGQVIST e
THEORELL, 2001). Os dados trazidos pela literatura vão de encontro com os nossos achados
referentes ao isolamento social, especialmente quando muitas mulheres descreveram que se
sentiam menos confiantes porque elas foram incapazes de sair com a frequência que
gostariam, ou elas não foram capazes de in teragir, tão facilmente, quando em público , porque
elas estavam constantemente preocupadas com a dor. Segundo GIUSTI et al., 1998 , apenas a
expectativa de confrontar -se com a d or pode gerar uma reação disfórica e problemas na
contenção da agressividade, qu e acabam por condicionar as relações sociais, desta forma,
podemos presumir que as pacientes acometidas pela dor crônica reagem de forma exacerbada
diante do quadro de dor, produzindo efeitos nos comportam entos diários que se prolongam
com o passar do tempo, determinando, assim, algumas ações que as tornam impotentes e sem
habilidades para controlar a intensidade de seu problema.
43
No que diz respeito às relações familiares, LINCOLN e GUBA, 2000, relataram que o
apoio do parceiro, da família e dos amigos é im portante e , sua ausência pode favorecer
transtornos emocionais. As mulheres disseram não ter com quem contar, que muitas vezes a
própria família as rotulavam de “Maria das dores”, ou ainda , tinham que se equilibrar com o
parceiro, que em algumas situações já não conseguiam ter empatia pela situação que a
companheira estava vivenciando. De acordo com SEKULA, 2010, p. 11, os aspectos da
qualidade de vida dessas mulheres são afetados, incluindo relacionamentos interpessoais,
trabalho, finanças, atividades soci ais e recreativas. A invisibilidade da enfermidade pela falta
de estigmas físicos aumenta o senso de ausência de poder percebido pelas pacientes e
parceiros. Sensações de raiva e frustração podem surgir na “enferma” por se ver doente,
tornar-se um fardo, ou mesmo por se afastar da família, sensações que podem ser t ransferidas
para a equipe de saúde que acompanha a paciente. Nas mulheres com sintomas dolorosos se
considera que a dor pélvica crônica já possa causar prejuízos físicos, psíquicos e sociais,
assim como qualquer doença crônica, tendo em vista que restringe e modifica o convívio
diário da paciente com suas rotinas até então estabelecidas (SEPULCRI, 2007).
Culley et al.,2013, investigou o impacto social e psicológico da endometriose na vida
das mu lheres em uma revisão narrativa , onde vinte e um artigos inc luídos em sua revisão
apresentaram dados sobre o impacto da endometriose sobre a saúde mental e o bem -estar
emocional, incluindo o estresse, depressão, ansiedade e isolamento. Embora haja limitação
dos métodos utilizados, alguns estudos relataram níveis mais elevados de estresse percebido
em mulheres com endometriose.
O iso lamento social tem sido relatado em algumas condições crônicas, como e m
pacientes com infarto agudo do miocárdio onde o risco de mortalidade de um ano associado
com isolamento social é equivalente a elevado nível de colesterol, uso de tabaco, ou
hipertensão arterial (MOOKADAM e ARTHUR, 2004), já na população idosa, o isolamento
social está associado a maiores taxas de mortalidade (LO NGMAN, 2013; SEEMAN et
al.,1993). Os efeitos do isolamento social em seres humanos são semelhantes aos efeitos das
manipulações experimentais no isolamento social de outras espécies. Muitas respostas
biológicas ao isolamento soc ial são descritas, dentre el as, o au mento do tônus simpático, a
resistência a glicocorticoides, diminuição do controle inflamatório e imunidade (CACIOPPO
et al., 2011).
Como fa tores inflamatórios e imunológicos são muito importantes na gênese e
evolução da endometriose, acreditamos que o i solamento social pode desempenhar um papel
na biologia da doença. P ossíveis mecanismos de interação entre o isolamento social e a
44
biologia da endometriose podem ocorrer através de alterações imunológicas ou inflamatórias.
Assim, linfócitos T, B e células “ natural killers” também desempenham papéis essenciais na
implantação e proliferação das células de endometriose (OSUGA et al.,2011; SIKORA et al.,
2011). Já o desenvolvimento e propagação das células de endometriose são facilitados pelas
células e citocina s imunossupressoras presentes no fluido peritoneal (BO RRELLI et al.,
2013). Nos estágios iniciais da endometriose o recrutamento de células mononucleares
periféricas e a secreção de citoci nas inflamatórias são evidenciados através de alterações
imunológicas locais (LAGANÀ et al.,2013) . Segundo Sturlese et al., 2011, a desregulação
progressiva do sistema Fas / FasL, proteína de membrana de células do tipo I (MFAS) com
um domínio extracelular que se liga a FasL e um domínio citoplasmático que transduz o sinal
de morte, em células mononucleares a partir do flu ido peritoneal também contribui para o
desenvolvimento de um ambiente imunológico privilegiado pa ra a progressão da
endometriose. Outras evidências da importância da regulação da resposta imune na biologia
da endometriose são as mudanças no sistema de TNF-alfa / TNFRs, fator de necrose tumoral
do tipo alfa, durante a progressão da doença (SALMERI et al., 2015). O aumento da atividade
inflamatória, também está muito associado à endometriose e a dor pélvica c rônica, onde as
citocinas inflamatórias têm um papel fundamental no surgimento, exacerbação e manutenção
das fibras nervosas s ensoriais, o que pode contribuir para a dor pélvica crô nica relacionada à
endometriose (NEZIRI et al., 2014; TRIOLO et al.,2013) . A m odificação no controle
inflamatório sistêmico associado com o isolamento social pode contribuir para as recorrências
frequentes de dor e falha do controle clínico na endometriose, através da falha na abordagem
à paciente e também falha de comunicação entre a equipe de saúde e a paciente.
A análise interativa das entrevistas nos permitiu a identificação do isolamento social
como uma categoria importante, juntamente com a resignação e a falta de compreensão sobre
a evolução da endometriose. Nossa abordagem , baseada na teoria fundamentada (KENNEDY
et al.,2006) com os ciclos de coleta de dados e análises, permitiu-nos entender por que e como
as mulheres com endometriose e dor pélvica se tornavam isoladas. O ciclo deletério evoluiu
com diversos problemas, como a falha de comunicação entre as mulheres e a equipe de
cuidados de saúde.
A falta de compreensão sobre a doença e a resignação levou a vários graus de
isolamento social, que reduziu as oportunidades de interação entre a mulher e seu parceiro,
sua família, seus amigos e até mesmo com os profissionais de saúde (Figura 1).
Nossos resultados são muito semelhantes aos descritos na literatura para mulheres com
fibromialgia (BELTRÁN -CARRILLO et al.,2013), onde ambas as condições culminam em
45
dificuldades com as atividades da vida diária, problemas com o trabalho, limitações de
capacidade e de produtividade, e da vida social (KAYO et al, 2012.; LEMPP et al., 2009).
46
Figura 1. Ciclo recorrente de isolamento social em mulheres com endometriose e dor pélvica crônica.
Falta de
compreensão
sobre a doença
Dores
recorrentes
Falha na
abordagem da
paciente
Falha na
comunicação
entre equipe de
saúde e paciente
Fatores
imunológicos e
inflamatórios
Progressão da
doença
Redução da
interação social
Resignação
Isolamento
social
47
6 CONCLUSÃO
48
A partir dos nossos resultados podemos concluir que as mulheres com endometriose e
dor pélvica crônica apresentaram alterações nas percepções relac ionadas com seus laços
sociais, como a dificuldade em manter o relacionamento que já existia com o parceiro, amigos
e família ou ainda de se abster em construir novos laços com parceiros, amigos e a família.
Em relação às alterações percebidas no comporta mento social, foi identificada a
relação entre o inicio do quadro de dores e a alteração comportamental , caracterizada por
períodos de irritabilidade, falta de paciência, falta de compreensão e isolamento.
Observamos que o isolamento social era percebido e relacionado aos episódios
recorrentes de dor, que influenciavam as dificuldades de compreensão da evolução cl ínica da
dor e, evoluíam com atitudes de resignação, quais perpetuavam o ciclo deletério da dor.
Os resultados deste estudo podem contribuir para o manejo clínico da dor através da
compreensão das alterações de comportamento de mulheres com endometriose e dor pélvica
crônica. Com base na abordagem da pesquisa qualitativa, acredita-se que encontramos fortes
evidências de isolamento social entre as m ulheres com endometriose e dor pélvica crônica,
assim nossos dados justificam uma maior extrapolação deste fenómeno em nível dessa
população, uma vez que o isolamento social pode ter implicações i mportantes no manejo
clínico da doença , e também enriq uecer a análise ampliando a compreensão sobre o
fenômeno.
REFERÊNCIAS
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57
APÊNDICES
APÊNDICE A – Roteiro de debate dos Grupos Focais
1. Introdução (aproximadamente 5 minutos)
1.1. Visão Geral:
Bom Dia ! Primeiramente gostaria de me apresentar para o grupo: Eu sou Pós
Graduanda do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia e atualmente estou trabalhando
com a questão da Dor Pélvica Crônica associada à Endometriose em conjunto com o Prof. Drº
Francisco José Cândido dos Reis e a estudante de Medicina, Ananda Falcone.
Antes de iniciar gostaria que vocês se apresentassem dizendo o nome, a idade, a
ocupação e como que vocês foram encaminhadas aqui para o Hospital.
1.2. Apresentação das participantes
1.3. Apresentação do funcionamento do encontro
Bem, vocês estão aqui reunidas porque têm algo em comum: a Dor Pélvica Crônica
associada à endometriose. O “tít ulo da pesquisa é: Dor pélvica crônica em mulheres:
abordagem qualitativa por grupos focais”; foi um projeto aprovado pelo Comitê de Ética deste
Hospital.
A coleta dos dados se dará através da realização de um grupo de discussão com
mulheres portadoras de DPC associada à endometriose onde serão discutidos os temas do
58
objetivo do estudo, com a moderação dos pesquisadores. Chamamos esse grupo de discussão
de grupo focal.
Queremos que vocês falem sobre o que vocês pensam e sentem sobre o assunto.
Gravaremos a discussão do grupo para que nada que seja falado aqui seja esquecido
por nós. Mas fiquem tranquilas, pois como já explicamos v ocês não serão identificadas em
momento algum da pesquisa . Nosso objetivo é estudar o conhecimento, as crenças de vocês
em relaç ão à DPC associada à endometriose, assim como a atitude (positiva ou negativa);
saber como vocês enfrentam esse problema no dia a dia; saber como os insucessos de
tratamentos clínicos e ou cirúrgicos da DPC associada à endometriose repercute na vida de
vocês.
É bem provável que a investigação sobre a percepção das mulheres em relação à DPC
associada à endometriose possa, futuramente e junto a outras pesquisas do mesmo caráter,
contribuir para a otimização dos serviços do Ambulatório de Endoscopia Ginecológ ica e Dor
Pélvica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade
de São Paulo (HCFMRP-USP).
2. Construção do entendimento (aproximadamente 5 minutos)
2.1) Eu consegui explicar como irá funcionar nosso encontro? Tem alguém que queira
perguntar alguma coisa antes de iniciarmos a entrevista?
2.2) Então podemos começar?
3. Delimitação das regras (aproximadamente 5 minutos)
59
Respeitar a privacidade das outras participantes; não repetir o que foi discutido durante as
reuniões fo ra do grupo focal; falar uma de cada vez; respeitar a opinião das outras – não
criticar nem rejeitar os comentários das demais participantes; dar a cada uma a mesma
oportunidade de participar da discussão.
4. Discussão para o grupo (aproximadamente 35 minutos)
Questão- chave 1) Gostaria de conhecer a opinião de vocês, de como é viver com a
dor pélvica crônica associada à endometriose? Como é o seu dia, quais são os problemas
que a dor traz para a sua vida? Quem gostaria de começar a falar?
2.1) Como a dor interf ere no relacionamento familiar, conjugal e no trabalho? Vocês
poderiam dizer como é a rotina com a dor? Quais os pontos que mais incomodam
vocês? Família? Companheiro (a)? Trabalho? Amigos? Outros?
2.2) De que maneira vocês perceberam a alteração na vida diári a com a DPC /
Endometriose? O quadro doloroso trouxe alterações nas atividades de vida diárias?
2.3) Em sua opinião como a DPC associada à endometriose interfere nos seus
relacionamentos sociais (família/companheiro (a)/amigos)? Como você costuma lidar
com a questão da dor quando tem algum evento ou compromisso?
2.4) Como vocês me descreveria a vida depois da confirmação da Endometriose? Mudou a
visão de vocês ao saberem que as dores crônicas tinham denominação, tratamento?
2.5) Como vocês enfrentam ou enfrentaram estes problemas? Como vocês tentaram
resolver isto? Pediram auxílio de alguém? Quem?
60
Questão- chave 2) O que vocês pensam a respeito dos esclarecimentos que
receberam sobre o tratamento indicado para DPC associada à endometriose? Se
houveram dúvidas, em qual momento elas surgiram, e quando foram esclarecidas?
2.6) Como tem sido o seu tratamento? Você acha que sabe tudo o que precisa em relação a
ele (tratamento)? Onde você busca informações adicionais a respeito da sua condição
dolorosa e crônica?
2.7) Foi dada a vocês a possibilidade de opinar, em aceitar ou não, pelo tipo de tratamento?
O profissional de saúde foi solicito com sua situação? Permitiu que você expressasse
suas dores, além das físicas?
2.8) Além do tratamento medicamentoso, era dado a vocês outras opções de tratamento?
Fisioterápico? Psicológico? Outros?
2.9) Como perceberam melhora ou não no quadro da sua Dor? Qual foi o seu
comportamento diante desta situação? Você compartilhou essa situação com alguém?
Quem?
2.10) Em algum momento sentiram vontade de desistir do tra tamento? Por quê? Como você
tomou a decisão sobre o tratamento? Contou com a opinião da família ou do
companheiro (a)?
5. Conclusão (aproximadamente 10 minutos)
Contemplou explicações sobre dúvidas a respeito da DPC e agradecimentos da
participação das pac ientes. Além da entrega do Folder explicativo, contendo informações
básicas sobre a Endometriose.
61
Este projeto foi normalizado segundo as diretrizes para apresentação de dissertações e
teses da USP (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2009).
62
FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO-USP
DEPARTAMENTO DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
HOSPITA
HOS
Av. Bandeirantes, 3900 - 8º andar - Ribeirão Preto-SP - CEP 14049- 900
Fone (016) 3602-2231 - Fax (016) 3633-1028
APÊNDICE B – Termo de consentimento livre e esclarecido
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
1. NOME DA PESQUISA: “Dor pélvica crônica em mulheres: abordagem qualitativa por
grupos focais”
2. PESQUISADOR RESPONSÁVEL: Francisco José Cândido dos Reis
3. O que quer dizer esse Termo?
Você está sendo convidada para participar, como voluntária, em uma pesquisa. Após ser
esclarecido sobre as informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do estudo, assine ao
final deste documento, que está em duas vias. Uma delas é sua e a outra é do pesquisador
responsável. Em caso de recusa você não será penalizada de forma alguma. Em caso de
dúvida você pode procurar o Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo ou pelo telefone (16)
3602-2228.
4. O que esse projeto pretende?
Pretendemos basicamente estudar como é a vida das mulheres com Dor Pélvica Crônica.
5. Onde irei participar? Onde os dados desse trabalho ficarão guardados?
Você participará de uma reunião com outras mulheres que possuem a mesma doença que
você. Não mais que 12 mulheres estarão em cada grupo, para que o lugar não fique cheio. Lá
serão discutidos os temas do objetivo do estudo, com a moderação dos pesquisad ores. O
tempo da entrevista em grupo será estimado em 1 hora.
A reunião será gravada para permitir maior fidedignidade de análise, mas você terá a
segurança de não ser identificada e ter mantido o caráter confidencial da informação
relacionada à sua privac idade. Comprometemo -nos a prestar -lhe informação atualizada
durante o estudo, ainda que esta possa afetar a sua vontade de continuar dele participando.
6. Se eu quiser não participar da pesquisa, é possível?
Você pode retirar o seu consentimento para part icipar deste estudo a qualquer momento,
inclusive sem justificativas e sem qualquer prejuízo para você.
Você terá a garantia de receber a resposta a qualquer pergunta ou esclarecimento de qualquer
dúvida a respeito dos procedimentos, riscos, benefícios e de outras situações relacionadas com
63
a pesquisa. Qualquer questão a respeito do estudo ou de sua saúde deve ser dirigida ao
responsável pelo projeto. O Comitê de Ética em Pesquisa do HCRP pode lhe oferecer
informações caso você não queira falar com nenhum dos pesquisadores responsáveis por este
estudo.
Eu, _____________________________________________, abaixo assinado, concordo em
participar do estudo “Dor pélvica crônica em mulheres: abordagem qualitativa por grupos
focais”, como sujeito. Fui devidamente informada em detalhes pelo(s) pesquisador (es)
responsável(is) no que diz respeito ao objetivo e aos procedimentos da pesquisa. Declaro que
tenho pleno conhecimento dos direitos e das condições que me foram asseguradas e que posso
retirar meu consentimento a qualquer momento, sem que isto leve a qualquer penalidade.
Declaro, ainda, que concordo inteiramente com as condições que me foram apresentadas e
que, livremente, manifesto a minha vontade de participar desse estudo.
Ribeirão Preto, _____ de __________________________ de ___________.
Assinatura do voluntário
Assinatura do entrevistador / testemunha
PESQUISADORES RESPONSÁVEIS:
Prof. Dr. Francisco José Cândido dos Reis – CRM: 65.062 – SP
Telefones de contato: 16-3602-2589 (8o Andar) ou 16-3602-2311
Endereço: Avenida Bandeirantes, 3900 - 2º andar - Ribeirão Preto – SP. CEP: 14049-900.
Bruna Helena Mellado – COREN: 209.203 – SP
Telefones de contato: 16-33075015 ou 991423911
Endereço: Rua Francisco Fiorentino, 959 - São Carlos– SP. CEP: 13574-007.
64
PRODUÇÃO CIENTÍFICA DO ESTUDO
1. Publicação IJGO
MELLADO, B.H. Social isolation in women with endometriosis and pelvic pain. IJGO,
2015.
Title: Social isolation in women with endometriosis and pelvic pain.
Author: Bruna Helena Mellado
Author affiliation: Department of Gynecology and Obstetrics of Ribeirão Preto School of
Medicine - University of São Paulo.
Corresponding author
Francisco José Candido dos Reis. Departamento d e Ginecologia e Obstetrícia. Avenue
Bandeirantes 3900, 8o andar, Ri beirao Preto, Brazil, 14049 -900. Fax number: 55 16
36021524. Telephone number: 55 16 36022589. E-mail address:
[email protected]