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35 | P á g i n a
Palavras Chave: Endometriose; Dismenorreia; Dispareunia; Dor pélvica.
Capítulo 5
MAYRA HERINGER MOTTA DA COSTA E SILVA1
VANESSA OLIVEIRA SILVEIRA AZEVEDO1
EMANUELLE SOUSA COUTINHO1
ELIANA GOMES XAVIER1
1. Discente - Medicina do Centro Universitário de Caratinga - UNEC.
ENDOMETRIOSE
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INTRODUÇÃO
A endometriose é uma ginecopatia be -
nigna muito encontrada nos consultórios mé -
dicos da atenção primária e de especialistas,
possuindo como principal sintoma relacio -
nado a dismenorreia e dispareunia. Ela é defi-
nida como doença crônica, de caráter inflama-
tório que ocorre pela presença de tecido glan-
dular e estromal endometriais localizados fora
da cavidade uterina e do miométrio, frequen -
temente, no peritônio pélvico, ovários e urete-
res (CRUZ ARAÚJO & SCHMIDT, 2020;
DUARTE & RIGHI, 2021; FEBRASGO,
2021).
Sabe-se que a endometriose é uma enti -
dade conhecida há cerca de quatro séculos.
Entretanto, essa doença é considerada uma pa-
tológica do século XX e atualmente é conhe -
cida como “doença da mulher moderna”. Isso
se explica por ela ter ganhado maior destaque
após a teoria de Sampson em meados dos anos
20 que sugere o fluxo menstrual retrógado e
implantação de fra gmentos endometriais nos
revestimentos externos dos órgãos. Ademais,
acredita-se que a doença esteja ligada ao estilo
de vida das mulheres modernas que diminuí -
ram a quantidade da prole, gravidez tardia,
alto nível de estresse e hábitos de vida menos
saudáveis (SAMPSON, 1927; SOUZA et al.,
2017; SILVA et al., 2019; NISOLLE & DON-
NEZ, 1997; PODGAEC et al., 2018).
O mecanismo fisiopatológico da endome-
triose ainda não foi completamente elucidado
e não existem estudos conclusivos sobre fato-
res predisponentes da doença. Acredita-se que
o desenvolvimento dos focos ectópicos de en-
dométrio esteja associado a uma origem mul-
tifatorial que combina fatores ambientais, ge-
néticos, hormonais e imunológicos (CRUZ
ARAÚJO & SCHMIDT, 2020).
Apesar da dificuldade de se definir uma fisio-
patologia completa para essa doença a dependên -
cia hormonal e os fatores inflamatórios dela são
bem concretizados no meio médico. Uma vez que
a doença é mais prevalente em mulheres em idade
reprodutiva, reconhecendo uma associação entre a
dependência do estrogênio e uma resistência à
progesterona (VANNUCCINI et al., 2022).
Atualmente a endometriose é dividida em três
doenças distintas: peritoneal que é caracterizada
por implantes superficiais no peritônio; a ovariana
onde o tecido endometrial se fixa nas superfícies
ovarianas e/ou na forma de cistos denominados
endometriomas; e a profunda que ocorre devido a
penetração das lesões no espaço retroperitoneal ou
em órgãos pélvicos, apresentando uma profundi -
dade igual ou maior que 5 mm (NISOLLE &
DONNEZ, 1997; PODGAEC et al., 2018).
O diagnóstico da endometriose pode ser reali-
zado de forma clínica, com o auxílio de exames de
imagem, como a ultrassonografia e ressonância
magnética e também cirúrgico por meio de lapa -
roscopia diagnóstica e curativa. O tratamento para
a doença é realizado de forma individualizado de
acordo com as queixas e quadro clínico de cada
paciente, podendo este evoluir para o tratamento
cirúrgico quando necessário (SOUZA et al., 2017;
SILVA et al., 2019).
Atualmente a endometriose é considerada um
problema de saúde pública devido, tanto ao seu
impacto na saúde física e psicológica da mulher,
quanto socioeconômico em virtude dos altos cus -
tos para diagnóstico e tratamentos. Ela é uma do -
ença que ainda possui muitos estudos em curso
para que possa ser realmente definida e tratada
corretamente, sendo importante para o conheci -
mento médico as teorias patogênicas, quadro clí -
nico, repercussões da doença, diagnós tico e op -
ções terapêuticas.
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Epidemiologia
A endometriose é uma doença que está di-
retamente relacionada e dependente de fatores
hormonais, no caso estrogênio e progesterona.
Desta forma, ela é concentrada, predominan -
temente, em mulheres na idade reprodutiva,
ou seja, na menacme, mas também pode ser
encontrada em adolescentes e mulheres que
realizaram terapias hormonais na pós meno -
pausa.
O levantamento epidemiológico da endo -
metriose ainda é um desafio, pois existem di -
versos fatores no diagnósti co da doença que
dificultam a coleta de dados, como ampla
apresentação clínica, forma assintomática di -
vergências diagnósticas na literatura e segui -
mento da doença. Dessa forma, existem diver-
sos vieses relacionados a epidemiologia da
endometriose, contudo um dos mais conside -
rados é a grande parcela de mulheres portado-
ras que são assintomáticas, sendo este grupo
estimado em cerca de 16% (SOUZA et al .,
2017; DUCCINI et al., 2019).
No Brasil, mesmo com a inconsistência
dos dados epidemiológicos e os sub -diagnós-
ticos, no período de 2013 a 2022 foram regis-
trados 119.467 casos de endometriose. Além
dos obstáculos da própria doença, a epidemi -
ologia atual encontrou dificuldades para regis-
tros de dados, principalmente, no ano de 2020,
em decorrência da COVID -19 que impactou
diretamente na redução do número de procura
ao atendimento médico, registrando o menor
número de internações no período estudado
com cerca de 7.200 casos neste ano. Em con -
traste, em 2021 e 2022 foram registrados au -
mentos de casos, respect ivamente, 8.424 e
13.420 internações (DA COSTA et al., 2023;
BRASIL, 2023).
Sabe-se que a idade média para o diagnós-
tico da endometriose varia entre 25 a 30 anos,
sendo este raro em meninas que não tiveram a
menarca e mulheres em pós menopausa sem uso
de terapia hormonal. Em relação a outros fa tores
associados à patologia existem controvérsias na
literatura, principalmente, no que diz respeito à
idade, raça e status socioeconômico. Entretanto,
no Brasil no período de 2013 a 2022 a cor/raça
branca registr ou 44.507 internações, corrobo -
rando com a literatura que prevê uma maior pre -
valência da doença neste grupo, seguidas das mu-
lheres pardas (BRASIL, 2023; DA COSTA et al.,
2023). Ademais, existem alguns fatores de risco
que estão descritos no Quadro 5.1 que podem
estar associados ao desenvolvimento da doença.
Quadro 5.1 Fatores de Risco para o desenvolvimento da en-
dometriose.
História Familiar de primeiro grau;
Primiparidade Tardia;
Nuliparidade;
Menarca precoce;
Ciclos menstruais curtos;
Duração de fluxo menstrual aumentado;
Fluxo menstrual aumentado;
Malformações uterinas;
Estenoses cervicais;
Raça Branca.
Fonte: FERNANDES, 2018; FEBRASGO, 2021.
A prevalência da endometriose na população
feminina na menacme é muito importante para a
saúde pública, uma vez que afeta cerca de 5 a 10%
de toda essa população. Logo, além de possuir
uma alta prevalência suas repercussões clínicas
são de extremo impacto, principalmente, no que
diz respeito à infertilidade. Acredita -se que cerca
de 50% dos casos de mulheres inférteis estejam
relacionados à dor pélvica e à endometriose (FE -
BRASGO, 2021; BRASIL, 2023; DA COSTA et
al., 2023).
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Fisiopatologia
Existem diversas discussões acerca da fi -
siopatologia da endometriose que apresentam
teorias baseadas em evidências clínicas e ex -
perimentais, ou seja, ainda não estão comple-
tamente consolidadas. Embora este aspecto da
doença ainda seja discutido não existe uma
resposta concreta com teorias universalmente
aceitas, mas sim complementares que possam
ser responsáveis pela explicação da ocorrên -
cia da endometriose (GINECOLOGIA DE
WILLIAMS, 2013; FERNANDES, 2018; FE-
BRASGO, 2021).
Atualmente, a teoria proposta por Samp -
son em 1927 é uma das mais utilizadas e ela
descreve a fixação de tecido endometrial na
cavidade peritoneal ou órgãos adjacentes ao
útero devido ao fluxo tubário retrógrado. As -
sim, acredita-se que a regurgitação trans tubá-
ria ao longo da menstruação possa ser a res -
ponsável pela disseminação de células endo -
metriais na cavidade peritoneal, causando a
doença. Tal teoria se tornou mais aceita, pois
cerca de 90% das mulheres na menacme com
tubas uterinas pérvias podem apresentar o
efluente menstrual e dessas, cerca de 10% são
susceptíveis ao desenvolvimento da endome -
triose ( GINECOLOGIA DE WILLIAMS,
2013; FERNANDES, 2018; CRUZ ARAÚJO
& SCHMIDT, 2020; FEBRASGO, 2021).
Sabe-se que a menstruação retrógrada é
um evento considerado fisiológico e poucas
mulheres desenvolvem a endometriose. Desse
modo, a coexistência desse fluxo e o desen -
volvimento da doença ainda devem ser asso -
ciados a fatores adicionais, como ambiente fa-
vorável para o desenvolvimento das lesões ba-
seados em fatores hormonais e imunológicos
predisponentes que não eliminaram as células
desse local inapropriado (FERNANDES,
2018; CRUZ ARAÚJO & SCHMIDT, 2020;
FEBRASGO, 2021).
Outra teoria muito difundida no meio médico
é a da metaplasia celômica que se baseia no de -
senvolvimento das lesões da endometriose em te-
cidos normais (mesotélio celômico) mediante a
transformações celulares metaplásicas via células
totipotentes do peritônio. Dessa forma, esta teoria
assume que ocorre uma transformação do epitélio
celômico ovariano e peritoneal em tecido endo -
metrial. Tal teoria não é sustentada, pois só ex -
plica a endometriose em casos em que a mulher
não menstrua (pré -menstrual ou pós menopausa)
ou em homens com uso de estrogênio oral em altas
doses (FALCONE & FLYCKT, 2018; FERNAN-
DES, 2018; CRUZ ARAÚJO & SCHMIDT,
2020; FEBRASGO, 2021).
Atualmente, a teoria que mais está ganhando
força é a das alterações genéticas ou epigenéticas.
Ela ainda não está totalmente consolidada, mas
busca explicar as lesões da endometriose indepen-
dentemente da célula inicial da lesão, mas sim as
alterações genéticas que podem ocorrer no ambi -
ente peritoneal decorrente de processos inflama -
tórios, mediadores imunológicos, fatores hormo -
nais e estresse oxidativo que poderiam ser respon-
sáveis pela doença em todas as suas formas (FAL-
CONE, & FLYCKT, 2018; FERNANDES, 2018;
FEBRASGO, 2021).
A descoberta da origem do endométrio ectó -
pico ainda necessita de muita investigação que
consiga explicar as alterações e lesões de forma
geral no endométrio tópico e/ou no microambi -
ente peritoneal. Como ainda os estudos estão em
andamento endometriose se torna uma doença
enigmática de difícil controle que necessita de
parcimônia, conhecimento e métodos adicionais
diagnósticos para que sejam conhecidos seus reais
aspectos fisiológicos e efeitos (FERNANDES,
2018; FEBRASGO, 2021).
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Manifestações clínicas
O diagnóstico precoce da endometriose é
de suma importância, sendo imprescindível
que o médico, principalmente, o ginecologista
saiba reconhecer os principais sinais e
sintomas da doença ao longo da anamnese e
exame físico (GINECOLOGIA DE WILLIAMS,
2013; SILVA, 2019; FEBRASGO, 2021). No
Quadro 5.2, observa -se os principais sinais e
sintomas apon tados pelas pacientes ao longo da
anamnese e exame físico.
Quadro 5.2 Sinais e sintomas mais comuns referente ao quadro clínico da endometriose
Sinais de endometriose ao exame físico e ao
exame especular
Sintomas ligados a endometriose
Nódulos ou rugosidades enegrecidas em
fundo de saco posterior ao exame especular;
Ao toque, útero com pouca mobilidade sugere
aderências pélvicas;
Nódulos geralmente dolorosos em fundo de
saco posterior podem estar associados a lesões retro-
cervical, nos ligamentos uterossacros, no fundo de saco
vaginal posterior ou intestinais;
Anexos fixos e dolorosos;
Presença de massas anexiais, podem estar re-
lacionados a endometriomas ovarianos.
Dismenorreia progressiva;
Dor pélvica crônica ou dor acíclica;
Dispareunia de profundidade de início recente;
Alterações intestinais cíclicas (distensão abdominal,
sangramento nas fezes, constipação, disquezia e dor anal no
período menstrual);
Alterações urinárias cíclicas (disúria, hematúria,
polaciúria e urgência miccional no período menstrual);
Infertilidade;
Fonte: PODGAEC, 2018.
Diagnóstico
Para o diagnóstico definitivo da endome -
triose são necessários exames de imagem ou
mais invasivos como ferramentas auxiliares
devido à dificuldade de diagnosticar clinica -
mente a doença por suas diversas formas clí -
nicas. Tais exames devem ser solicitados após
um exame físico minucioso com a posterior a
hipótese de endometriose, pois algumas vezes
a propedêutica pode ser mais invasiva e pre -
cisa ser direcionada a cada caso ( FERNAN-
DES, 2018; CRUZ ARAÚJO & SCHMIDT,
2020; FEBRASGO, 2021).
Torna-se desejo e material de estudo a
descoberta de exames não invasivos capazes
de diagnosticar a doença de forma precoce que
apresenta alta sensibilidade e especificidade, mas
no momento ainda não é uma realidade da medi-
cina. No momento, a investigação inicia com uma
história clínica bem estruturada, um exame semi -
ológico minucioso, exames de imagem e marca -
dores biológicos que podem apresentar bons valo-
res preditivos positivos. Entretanto, em alguns ca-
sos é necessário abrir o leque de possibilidades e
expandir a investigação para o diagnóstico explo-
ratório e invasivo com laparoscopia e vídeo lapa -
roscopia com biópsia, esses são padrão ouro (FE-
BRASGO, 2021). No quadro 3, observa-se os exa-
mes com maior acurácia para a endometriose.
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Quadro 5.3 Exames diagnósticos utilizados na suspeita da endometriose.
Exames Principais usos na suspeita da endometriose
CA-125 Geralmente elevado em casos de endometriose moderada ou grave, mas
não é específico da doença. Utilizado para controle da doença e progres-
são após tratamento
Ultrassonografia Transvaginal Útil para o diagnóstico do endometrioma ovariano maiores que 5 mm,
doença vesical ou retrovaginal
Ultrassonografia Por via Abdomi-
nal e Transvaginal com Preparo
abdominal
Ultimamente o exame mais empregado para o diagnóstico e estadia-
mento da endometriose. O uso do enema retal uma hora antes do exame
reduz os resíduos fecais melhorando a acurácia do método para o diag-
nóstico da doença.
Ressonância magnética do ab-
dome e pelve com preparo Intes-
tinal
Um dos principais métodos para diagnóstico e estadiamento da endome -
triose, mas não diagnóstica pequenos implantes peritoneais.
Laparoscopia Utilizada para pacientes com exames normais com falha no tratamento
clínico. Permite a visualização direta dos implantes, sendo utilizada para
coleta de biópsia, para estudo histopatológico e também para ressecar e
cauterizar focos de endometriose.
Urografia Excretora e Uroresso-
nância
Permite observar o acometimento vesical e dos óstios ureterais.
Fonte: FEBRASGO, 2021.
Tratamento
A abordagem à paciente com endometri -
ose deverá ser realizada considerando a do -
ença como crônica, necessitando de acompa -
nhamento ao longo de toda a vida fértil da mu-
lher. Para iniciar o tratamento é necessária
uma abordagem terapêutica que seja baseada
nas queixas da paciente, extensão das lesões,
localização, desejo de gestação e idade (FER-
NANDES, 2018; FEBRASGO, 2021).
O tratament o de mulheres com diagnós -
tico de endometriose e que possuem disme -
norreia deve ser pautado em analgesia para
alívio temporário da dor e o tratamento hor -
monal via contraceptivos combinados, pro -
gestágenos ou agonistas do hormônio liberador de
gonadotrofina (GnRH). Além disso, a associação
a tratamentos complementares como acupuntura,
fisioterapia pélvica, psicoterapia e clínica da dor
estão associados a uma melhora clínica da paci -
ente (FERNANDES, 2018; PODGAEC et al .,
2018; DUCCINI et al., 2019; FEBRASGO,
2021). Na Figura 5.1 é possível observar o fluxo-
grama para manejo da dor pélvica decorrente da
endometriose, sendo que o foco do tratamento clí-
nico é para alívio dos sintomas álgicos, melhora
na qualidade de vida e controle da doença no ge -
ral, mas não diminuição das lesões ou remissão
total da doença.
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Figura 5.1 Fluxograma do manejo clínico e tratamento da dor pélvica na paciente com endometriose.
Fonte: Podgaec S. Endometriose. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FE -
BRASGO); 2018.
Sabe-se que fisiologicamente a gestação e
a menopausa são condições que estão fre -
quentemente associadas à melhora clínic a e
resolutividade da dor provocada pela endome-
triose. O uso das terapias medicamentosas e
seus benefícios ocorrem, principalmente, de -
vido a responsividade da endometriose frente
à terapia hormonal. Os análogos farmacológi-
cos dessas condições, no geral, promovem
ações semelhantes às fisiológicas, sendo os
anticoncepcionais orais combinados e proges-
tagênios responsáveis pela similaridade dos
níveis hormonais da gestação e os agonistas
do GnRH promovendo a supressão do estro -
gênio endógeno assim como ocorre no clima-
tério (DA CONCEIÇÃO et al., 2019; SILVA
et al., 2019; FEBRASGO, 2021).
Inicialmente a terapia medicamentosa é
com a utilização de qualquer anticoncepcional
oral combinado, pois não existem dados reve-
lando superioridade em relação a nenhuma
combinação. Eles devem ser utilizados sem inter-
rupção e atuam na decidualização e atrofia do te -
cido miometrial diminuindo a formação de tecidos
ectópicos e consequentemente os sintomas da pa-
ciente (FEBRASGO, 2021; VANNUCCINI et al.,
2022).
No geral, é preferível a utilização de progesta-
gênios isolados, considerados como primeira li -
nha no manejo terapêutico. Eles agem diretamente
no bloqueio ovulatório e inibição do crescimento
endometrial e também possuem efeito s antiinfla-
matórios. São indicados o uso via oral do acetato
de noretindrona na dose de 2,5 mg a 10 mg ao dia;
dienogest 2 mg ao dia ou a gestrinona 2,5 a 5 mg
dia. Ainda existem alternativas subcutâneas con -
tendo etonogestrel, via intramuscular com acetato
de medroxiprogesterona na dose de 150 mg a cada
três meses e o dispositivo intrauterino (DIU) libe-
rador de levonorgestrel (DUCCINI et al., 2019;
CRUZ ARAÚJO & SCHMIDT, 2020; FE -
BRASGO, 2021.
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Outra alternativa considerada segunda li -
nha de tratamento clínico é muito utilizada são
os agonistas do GnRH. Eles atuam direta -
mente no hipotálamo competindo pelos recep-
tores do GnRH, culminando na inibição da li-
beração do hormônio folículo -estimulante
(FSH) e do hormônio luteinizante (LH). Ocor-
reu então, um estado de inibição da ovulação
e hipoestrogenismo, realizando então uma su-
pressão hormonal semelhante à que ocorre em
mulheres na menopausa. Entretanto, muitos
profissionais não utilizam desta terapia, ou a
realizam por períodos curtos, devido os seus
efeitos colaterais, como fogachos, resseca -
mento vaginal, diminuição da libido, redução
mineral óssea (FEBRASGO, 2021; VANNU-
CCINI et al., 2022).
Quando ocorre falha ou contra indicação
para tratamento clínico para a endometriose, o
tratamento cirúrgico deve ser oferecido às pa-
cientes. A intervenção cirúrgica abrange di -
versos procedimentos e complexibilidades,
sendo que em alguns casos existe ainda a ne -
cessidade de remoção radical das lesões base-
adas em princípios oncológicos, como em es -
tenose intestinal ou uretral ou massas ovarianas de
origem duvidosa. Atualmente, as condutas ten -
dem a ser menos invasivas e a cirurgia mais indi -
cada e padrão ouro para o tratamento da endome-
triose é a videolaparoscopia, objetivando a remo -
ção completa de todos os focos de implantação de
tecido endometrial ectópico via laser, restaurando
a anatomia da pelve e manter a função reprodutiva
da paciente. (DUCCINI et al., 2019; CRUZ ARA-
ÚJO & SCHMIDT, 2020; VANNUCCINI et al.,
2022).
No geral, as intervenções via videolaparosco-
pia são mais efetivas do que a laparoscopia diag -
nóstica. Entretanto, é válido ressaltar que assim
como no tratamento clínico, a conduta cirúrgica
varia de acordo com os padrões das lesões, locali-
zação e indicação correta. A cirurgia ainda é con-
siderada o padrão ouro para o diagnóstico defini -
tivo da endometriose, mas é necessário que sua in-
dicação seja indiscutível e embasada na individu-
alidade do cuidado e abordagem multidisciplinar
(FALCONE & FLYCKT, 2018; DA COSTA et
al., 2023; FEBRASGO, 2021).
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