ENDOMETRIOSE

In: Ginecologia e Obstetrícia - Edição V · 2023 · pp. 35–43 · doi:10.59290/978-65-6029-019-8.5 · W4385783680
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Endometriosis is a common benign gynecological condition characterized by endometrial tissue outside the uterine cavity, often causing dysmenorrhea and dyspareunia, with multifactorial origins and distinct peritoneal, ovarian, and deep forms.

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The paper provides an overview of endometriosis, describing its definition as a chronic inflammatory gynecologic condition characterized by endometrial tissue located outside the uterine cavity and miometrium, and outlining associated symptoms such as dysmenorrhea and deep dyspareunia. It discusses epidemiologic aspects, including the predominance in reproductive-age women, challenges in estimating true prevalence due to diagnostic variability and asymptomatic cases, and Brazilian hospitalization numbers from 2013–2022, while noting caveats such as inconsistent data sources and COVID-19–related fluctuations. It summarizes major proposed etiologic and pathophysiologic theories, including Sampson’s retrograde menstruation hypothesis, limitations of the metaplasia theory, and growing attention to genetic/epigenetic alterations, then lists clinical manifestations and diagnostic and treatment approaches at a high level. This paper is centrally about endometriosis — it reviews epidemiology, physiopathology theories, clinical manifestations, and diagnostic/therapeutic options.

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35 | P á g i n a Palavras Chave: Endometriose; Dismenorreia; Dispareunia; Dor pélvica. Capítulo 5 MAYRA HERINGER MOTTA DA COSTA E SILVA1 VANESSA OLIVEIRA SILVEIRA AZEVEDO1 EMANUELLE SOUSA COUTINHO1 ELIANA GOMES XAVIER1 1. Discente - Medicina do Centro Universitário de Caratinga - UNEC. ENDOMETRIOSE 36 | Página INTRODUÇÃO A endometriose é uma ginecopatia be - nigna muito encontrada nos consultórios mé - dicos da atenção primária e de especialistas, possuindo como principal sintoma relacio - nado a dismenorreia e dispareunia. Ela é defi- nida como doença crônica, de caráter inflama- tório que ocorre pela presença de tecido glan- dular e estromal endometriais localizados fora da cavidade uterina e do miométrio, frequen - temente, no peritônio pélvico, ovários e urete- res (CRUZ ARAÚJO & SCHMIDT, 2020; DUARTE & RIGHI, 2021; FEBRASGO, 2021). Sabe-se que a endometriose é uma enti - dade conhecida há cerca de quatro séculos. Entretanto, essa doença é considerada uma pa- tológica do século XX e atualmente é conhe - cida como “doença da mulher moderna”. Isso se explica por ela ter ganhado maior destaque após a teoria de Sampson em meados dos anos 20 que sugere o fluxo menstrual retrógado e implantação de fra gmentos endometriais nos revestimentos externos dos órgãos. Ademais, acredita-se que a doença esteja ligada ao estilo de vida das mulheres modernas que diminuí - ram a quantidade da prole, gravidez tardia, alto nível de estresse e hábitos de vida menos saudáveis (SAMPSON, 1927; SOUZA et al., 2017; SILVA et al., 2019; NISOLLE & DON- NEZ, 1997; PODGAEC et al., 2018). O mecanismo fisiopatológico da endome- triose ainda não foi completamente elucidado e não existem estudos conclusivos sobre fato- res predisponentes da doença. Acredita-se que o desenvolvimento dos focos ectópicos de en- dométrio esteja associado a uma origem mul- tifatorial que combina fatores ambientais, ge- néticos, hormonais e imunológicos (CRUZ ARAÚJO & SCHMIDT, 2020). Apesar da dificuldade de se definir uma fisio- patologia completa para essa doença a dependên - cia hormonal e os fatores inflamatórios dela são bem concretizados no meio médico. Uma vez que a doença é mais prevalente em mulheres em idade reprodutiva, reconhecendo uma associação entre a dependência do estrogênio e uma resistência à progesterona (VANNUCCINI et al., 2022). Atualmente a endometriose é dividida em três doenças distintas: peritoneal que é caracterizada por implantes superficiais no peritônio; a ovariana onde o tecido endometrial se fixa nas superfícies ovarianas e/ou na forma de cistos denominados endometriomas; e a profunda que ocorre devido a penetração das lesões no espaço retroperitoneal ou em órgãos pélvicos, apresentando uma profundi - dade igual ou maior que 5 mm (NISOLLE & DONNEZ, 1997; PODGAEC et al., 2018). O diagnóstico da endometriose pode ser reali- zado de forma clínica, com o auxílio de exames de imagem, como a ultrassonografia e ressonância magnética e também cirúrgico por meio de lapa - roscopia diagnóstica e curativa. O tratamento para a doença é realizado de forma individualizado de acordo com as queixas e quadro clínico de cada paciente, podendo este evoluir para o tratamento cirúrgico quando necessário (SOUZA et al., 2017; SILVA et al., 2019). Atualmente a endometriose é considerada um problema de saúde pública devido, tanto ao seu impacto na saúde física e psicológica da mulher, quanto socioeconômico em virtude dos altos cus - tos para diagnóstico e tratamentos. Ela é uma do - ença que ainda possui muitos estudos em curso para que possa ser realmente definida e tratada corretamente, sendo importante para o conheci - mento médico as teorias patogênicas, quadro clí - nico, repercussões da doença, diagnós tico e op - ções terapêuticas. 37 | Página Epidemiologia A endometriose é uma doença que está di- retamente relacionada e dependente de fatores hormonais, no caso estrogênio e progesterona. Desta forma, ela é concentrada, predominan - temente, em mulheres na idade reprodutiva, ou seja, na menacme, mas também pode ser encontrada em adolescentes e mulheres que realizaram terapias hormonais na pós meno - pausa. O levantamento epidemiológico da endo - metriose ainda é um desafio, pois existem di - versos fatores no diagnósti co da doença que dificultam a coleta de dados, como ampla apresentação clínica, forma assintomática di - vergências diagnósticas na literatura e segui - mento da doença. Dessa forma, existem diver- sos vieses relacionados a epidemiologia da endometriose, contudo um dos mais conside - rados é a grande parcela de mulheres portado- ras que são assintomáticas, sendo este grupo estimado em cerca de 16% (SOUZA et al ., 2017; DUCCINI et al., 2019). No Brasil, mesmo com a inconsistência dos dados epidemiológicos e os sub -diagnós- ticos, no período de 2013 a 2022 foram regis- trados 119.467 casos de endometriose. Além dos obstáculos da própria doença, a epidemi - ologia atual encontrou dificuldades para regis- tros de dados, principalmente, no ano de 2020, em decorrência da COVID -19 que impactou diretamente na redução do número de procura ao atendimento médico, registrando o menor número de internações no período estudado com cerca de 7.200 casos neste ano. Em con - traste, em 2021 e 2022 foram registrados au - mentos de casos, respect ivamente, 8.424 e 13.420 internações (DA COSTA et al., 2023; BRASIL, 2023). Sabe-se que a idade média para o diagnós- tico da endometriose varia entre 25 a 30 anos, sendo este raro em meninas que não tiveram a menarca e mulheres em pós menopausa sem uso de terapia hormonal. Em relação a outros fa tores associados à patologia existem controvérsias na literatura, principalmente, no que diz respeito à idade, raça e status socioeconômico. Entretanto, no Brasil no período de 2013 a 2022 a cor/raça branca registr ou 44.507 internações, corrobo - rando com a literatura que prevê uma maior pre - valência da doença neste grupo, seguidas das mu- lheres pardas (BRASIL, 2023; DA COSTA et al., 2023). Ademais, existem alguns fatores de risco que estão descritos no Quadro 5.1 que podem estar associados ao desenvolvimento da doença. Quadro 5.1 Fatores de Risco para o desenvolvimento da en- dometriose. História Familiar de primeiro grau; Primiparidade Tardia; Nuliparidade; Menarca precoce; Ciclos menstruais curtos; Duração de fluxo menstrual aumentado; Fluxo menstrual aumentado; Malformações uterinas; Estenoses cervicais; Raça Branca. Fonte: FERNANDES, 2018; FEBRASGO, 2021. A prevalência da endometriose na população feminina na menacme é muito importante para a saúde pública, uma vez que afeta cerca de 5 a 10% de toda essa população. Logo, além de possuir uma alta prevalência suas repercussões clínicas são de extremo impacto, principalmente, no que diz respeito à infertilidade. Acredita -se que cerca de 50% dos casos de mulheres inférteis estejam relacionados à dor pélvica e à endometriose (FE - BRASGO, 2021; BRASIL, 2023; DA COSTA et al., 2023). 38 | Página Fisiopatologia Existem diversas discussões acerca da fi - siopatologia da endometriose que apresentam teorias baseadas em evidências clínicas e ex - perimentais, ou seja, ainda não estão comple- tamente consolidadas. Embora este aspecto da doença ainda seja discutido não existe uma resposta concreta com teorias universalmente aceitas, mas sim complementares que possam ser responsáveis pela explicação da ocorrên - cia da endometriose (GINECOLOGIA DE WILLIAMS, 2013; FERNANDES, 2018; FE- BRASGO, 2021). Atualmente, a teoria proposta por Samp - son em 1927 é uma das mais utilizadas e ela descreve a fixação de tecido endometrial na cavidade peritoneal ou órgãos adjacentes ao útero devido ao fluxo tubário retrógrado. As - sim, acredita-se que a regurgitação trans tubá- ria ao longo da menstruação possa ser a res - ponsável pela disseminação de células endo - metriais na cavidade peritoneal, causando a doença. Tal teoria se tornou mais aceita, pois cerca de 90% das mulheres na menacme com tubas uterinas pérvias podem apresentar o efluente menstrual e dessas, cerca de 10% são susceptíveis ao desenvolvimento da endome - triose ( GINECOLOGIA DE WILLIAMS, 2013; FERNANDES, 2018; CRUZ ARAÚJO & SCHMIDT, 2020; FEBRASGO, 2021). Sabe-se que a menstruação retrógrada é um evento considerado fisiológico e poucas mulheres desenvolvem a endometriose. Desse modo, a coexistência desse fluxo e o desen - volvimento da doença ainda devem ser asso - ciados a fatores adicionais, como ambiente fa- vorável para o desenvolvimento das lesões ba- seados em fatores hormonais e imunológicos predisponentes que não eliminaram as células desse local inapropriado (FERNANDES, 2018; CRUZ ARAÚJO & SCHMIDT, 2020; FEBRASGO, 2021). Outra teoria muito difundida no meio médico é a da metaplasia celômica que se baseia no de - senvolvimento das lesões da endometriose em te- cidos normais (mesotélio celômico) mediante a transformações celulares metaplásicas via células totipotentes do peritônio. Dessa forma, esta teoria assume que ocorre uma transformação do epitélio celômico ovariano e peritoneal em tecido endo - metrial. Tal teoria não é sustentada, pois só ex - plica a endometriose em casos em que a mulher não menstrua (pré -menstrual ou pós menopausa) ou em homens com uso de estrogênio oral em altas doses (FALCONE & FLYCKT, 2018; FERNAN- DES, 2018; CRUZ ARAÚJO & SCHMIDT, 2020; FEBRASGO, 2021). Atualmente, a teoria que mais está ganhando força é a das alterações genéticas ou epigenéticas. Ela ainda não está totalmente consolidada, mas busca explicar as lesões da endometriose indepen- dentemente da célula inicial da lesão, mas sim as alterações genéticas que podem ocorrer no ambi - ente peritoneal decorrente de processos inflama - tórios, mediadores imunológicos, fatores hormo - nais e estresse oxidativo que poderiam ser respon- sáveis pela doença em todas as suas formas (FAL- CONE, & FLYCKT, 2018; FERNANDES, 2018; FEBRASGO, 2021). A descoberta da origem do endométrio ectó - pico ainda necessita de muita investigação que consiga explicar as alterações e lesões de forma geral no endométrio tópico e/ou no microambi - ente peritoneal. Como ainda os estudos estão em andamento endometriose se torna uma doença enigmática de difícil controle que necessita de parcimônia, conhecimento e métodos adicionais diagnósticos para que sejam conhecidos seus reais aspectos fisiológicos e efeitos (FERNANDES, 2018; FEBRASGO, 2021). 39 | Página Manifestações clínicas O diagnóstico precoce da endometriose é de suma importância, sendo imprescindível que o médico, principalmente, o ginecologista saiba reconhecer os principais sinais e sintomas da doença ao longo da anamnese e exame físico (GINECOLOGIA DE WILLIAMS, 2013; SILVA, 2019; FEBRASGO, 2021). No Quadro 5.2, observa -se os principais sinais e sintomas apon tados pelas pacientes ao longo da anamnese e exame físico. Quadro 5.2 Sinais e sintomas mais comuns referente ao quadro clínico da endometriose Sinais de endometriose ao exame físico e ao exame especular Sintomas ligados a endometriose Nódulos ou rugosidades enegrecidas em fundo de saco posterior ao exame especular; Ao toque, útero com pouca mobilidade sugere aderências pélvicas; Nódulos geralmente dolorosos em fundo de saco posterior podem estar associados a lesões retro- cervical, nos ligamentos uterossacros, no fundo de saco vaginal posterior ou intestinais; Anexos fixos e dolorosos; Presença de massas anexiais, podem estar re- lacionados a endometriomas ovarianos. Dismenorreia progressiva; Dor pélvica crônica ou dor acíclica; Dispareunia de profundidade de início recente; Alterações intestinais cíclicas (distensão abdominal, sangramento nas fezes, constipação, disquezia e dor anal no período menstrual); Alterações urinárias cíclicas (disúria, hematúria, polaciúria e urgência miccional no período menstrual); Infertilidade; Fonte: PODGAEC, 2018. Diagnóstico Para o diagnóstico definitivo da endome - triose são necessários exames de imagem ou mais invasivos como ferramentas auxiliares devido à dificuldade de diagnosticar clinica - mente a doença por suas diversas formas clí - nicas. Tais exames devem ser solicitados após um exame físico minucioso com a posterior a hipótese de endometriose, pois algumas vezes a propedêutica pode ser mais invasiva e pre - cisa ser direcionada a cada caso ( FERNAN- DES, 2018; CRUZ ARAÚJO & SCHMIDT, 2020; FEBRASGO, 2021). Torna-se desejo e material de estudo a descoberta de exames não invasivos capazes de diagnosticar a doença de forma precoce que apresenta alta sensibilidade e especificidade, mas no momento ainda não é uma realidade da medi- cina. No momento, a investigação inicia com uma história clínica bem estruturada, um exame semi - ológico minucioso, exames de imagem e marca - dores biológicos que podem apresentar bons valo- res preditivos positivos. Entretanto, em alguns ca- sos é necessário abrir o leque de possibilidades e expandir a investigação para o diagnóstico explo- ratório e invasivo com laparoscopia e vídeo lapa - roscopia com biópsia, esses são padrão ouro (FE- BRASGO, 2021). No quadro 3, observa-se os exa- mes com maior acurácia para a endometriose. 40 | Página Quadro 5.3 Exames diagnósticos utilizados na suspeita da endometriose. Exames Principais usos na suspeita da endometriose CA-125 Geralmente elevado em casos de endometriose moderada ou grave, mas não é específico da doença. Utilizado para controle da doença e progres- são após tratamento Ultrassonografia Transvaginal Útil para o diagnóstico do endometrioma ovariano maiores que 5 mm, doença vesical ou retrovaginal Ultrassonografia Por via Abdomi- nal e Transvaginal com Preparo abdominal Ultimamente o exame mais empregado para o diagnóstico e estadia- mento da endometriose. O uso do enema retal uma hora antes do exame reduz os resíduos fecais melhorando a acurácia do método para o diag- nóstico da doença. Ressonância magnética do ab- dome e pelve com preparo Intes- tinal Um dos principais métodos para diagnóstico e estadiamento da endome - triose, mas não diagnóstica pequenos implantes peritoneais. Laparoscopia Utilizada para pacientes com exames normais com falha no tratamento clínico. Permite a visualização direta dos implantes, sendo utilizada para coleta de biópsia, para estudo histopatológico e também para ressecar e cauterizar focos de endometriose. Urografia Excretora e Uroresso- nância Permite observar o acometimento vesical e dos óstios ureterais. Fonte: FEBRASGO, 2021. Tratamento A abordagem à paciente com endometri - ose deverá ser realizada considerando a do - ença como crônica, necessitando de acompa - nhamento ao longo de toda a vida fértil da mu- lher. Para iniciar o tratamento é necessária uma abordagem terapêutica que seja baseada nas queixas da paciente, extensão das lesões, localização, desejo de gestação e idade (FER- NANDES, 2018; FEBRASGO, 2021). O tratament o de mulheres com diagnós - tico de endometriose e que possuem disme - norreia deve ser pautado em analgesia para alívio temporário da dor e o tratamento hor - monal via contraceptivos combinados, pro - gestágenos ou agonistas do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH). Além disso, a associação a tratamentos complementares como acupuntura, fisioterapia pélvica, psicoterapia e clínica da dor estão associados a uma melhora clínica da paci - ente (FERNANDES, 2018; PODGAEC et al ., 2018; DUCCINI et al., 2019; FEBRASGO, 2021). Na Figura 5.1 é possível observar o fluxo- grama para manejo da dor pélvica decorrente da endometriose, sendo que o foco do tratamento clí- nico é para alívio dos sintomas álgicos, melhora na qualidade de vida e controle da doença no ge - ral, mas não diminuição das lesões ou remissão total da doença. 41 | Página Figura 5.1 Fluxograma do manejo clínico e tratamento da dor pélvica na paciente com endometriose. Fonte: Podgaec S. Endometriose. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FE - BRASGO); 2018. Sabe-se que fisiologicamente a gestação e a menopausa são condições que estão fre - quentemente associadas à melhora clínic a e resolutividade da dor provocada pela endome- triose. O uso das terapias medicamentosas e seus benefícios ocorrem, principalmente, de - vido a responsividade da endometriose frente à terapia hormonal. Os análogos farmacológi- cos dessas condições, no geral, promovem ações semelhantes às fisiológicas, sendo os anticoncepcionais orais combinados e proges- tagênios responsáveis pela similaridade dos níveis hormonais da gestação e os agonistas do GnRH promovendo a supressão do estro - gênio endógeno assim como ocorre no clima- tério (DA CONCEIÇÃO et al., 2019; SILVA et al., 2019; FEBRASGO, 2021). Inicialmente a terapia medicamentosa é com a utilização de qualquer anticoncepcional oral combinado, pois não existem dados reve- lando superioridade em relação a nenhuma combinação. Eles devem ser utilizados sem inter- rupção e atuam na decidualização e atrofia do te - cido miometrial diminuindo a formação de tecidos ectópicos e consequentemente os sintomas da pa- ciente (FEBRASGO, 2021; VANNUCCINI et al., 2022). No geral, é preferível a utilização de progesta- gênios isolados, considerados como primeira li - nha no manejo terapêutico. Eles agem diretamente no bloqueio ovulatório e inibição do crescimento endometrial e também possuem efeito s antiinfla- matórios. São indicados o uso via oral do acetato de noretindrona na dose de 2,5 mg a 10 mg ao dia; dienogest 2 mg ao dia ou a gestrinona 2,5 a 5 mg dia. Ainda existem alternativas subcutâneas con - tendo etonogestrel, via intramuscular com acetato de medroxiprogesterona na dose de 150 mg a cada três meses e o dispositivo intrauterino (DIU) libe- rador de levonorgestrel (DUCCINI et al., 2019; CRUZ ARAÚJO & SCHMIDT, 2020; FE - BRASGO, 2021. 42 | Página Outra alternativa considerada segunda li - nha de tratamento clínico é muito utilizada são os agonistas do GnRH. Eles atuam direta - mente no hipotálamo competindo pelos recep- tores do GnRH, culminando na inibição da li- beração do hormônio folículo -estimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH). Ocor- reu então, um estado de inibição da ovulação e hipoestrogenismo, realizando então uma su- pressão hormonal semelhante à que ocorre em mulheres na menopausa. Entretanto, muitos profissionais não utilizam desta terapia, ou a realizam por períodos curtos, devido os seus efeitos colaterais, como fogachos, resseca - mento vaginal, diminuição da libido, redução mineral óssea (FEBRASGO, 2021; VANNU- CCINI et al., 2022). Quando ocorre falha ou contra indicação para tratamento clínico para a endometriose, o tratamento cirúrgico deve ser oferecido às pa- cientes. A intervenção cirúrgica abrange di - versos procedimentos e complexibilidades, sendo que em alguns casos existe ainda a ne - cessidade de remoção radical das lesões base- adas em princípios oncológicos, como em es - tenose intestinal ou uretral ou massas ovarianas de origem duvidosa. Atualmente, as condutas ten - dem a ser menos invasivas e a cirurgia mais indi - cada e padrão ouro para o tratamento da endome- triose é a videolaparoscopia, objetivando a remo - ção completa de todos os focos de implantação de tecido endometrial ectópico via laser, restaurando a anatomia da pelve e manter a função reprodutiva da paciente. (DUCCINI et al., 2019; CRUZ ARA- ÚJO & SCHMIDT, 2020; VANNUCCINI et al., 2022). No geral, as intervenções via videolaparosco- pia são mais efetivas do que a laparoscopia diag - nóstica. Entretanto, é válido ressaltar que assim como no tratamento clínico, a conduta cirúrgica varia de acordo com os padrões das lesões, locali- zação e indicação correta. A cirurgia ainda é con- siderada o padrão ouro para o diagnóstico defini - tivo da endometriose, mas é necessário que sua in- dicação seja indiscutível e embasada na individu- alidade do cuidado e abordagem multidisciplinar (FALCONE & FLYCKT, 2018; DA COSTA et al., 2023; FEBRASGO, 2021). 43 | Página REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA BRASIL. Ministério da Saúde. Banco de dados do Sistema Único de Saúde - DATASUS. Informações de Saúde, Sistema de Informações sobre Morbidade no SUS. 2023. CRUZ ARAÚJO, F.W. & SCHMIDT, D.B. Endometriose um problema de saúde pública: revisão de literatura. Revista Saúde e Desenvolvimento, [S. l.] , v. 14, n. 18, 2020. Disponível em: https://www.revistasuninter.com/ revistasaude/index.php/saudeDesenvolvimento/article/view/989. Acesso em: 30 maio. 2023. DA CONCEIÇÃO, H.N. et al. Endometriose: aspectos diagnósticos e terapêuticos. Revista Eletrônica Acervo Saúde, n. 24, p. e472-e472, 2019. DA COSTA, H. D . et al. 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