Conclusions
During the endometrial injury procedure, no difference was observed
in the quantification of pain between the groups studied. Use of ibuprofen alon e or in
combination with lorazepam was not effective in reducing the level of pain or
changing the acceptability of the procedure when compared to placebo.
Key words: Endometrial injury. Infertility. Pain. Ibuprofen. Lorazepan. Assisted
reproductive techniques. Ovarian stimulation.
Lista de Figuras
Lista de Figuras
Figura 1 - Sensibilização dos neurônios periféricos à injúria tecidual ............... 25
Figura 2 - Sistema noceptivo e percepção de dor ............................................ 26
Figura 3 - Sistema de supressão da dor ........................................................... 26
Figura 4 - Gráfico dotplot, distribuição de pontos referentes à idade entre
linhas horizontais, representantes da média e do desvio padrão ..... 37
Figura 5 - Gráfico dotplot, distribuição dos pontos referentes ao peso entre
linhas horizontais, representantes da média e do desvio padrão ..... 37
Figura 6 - Gráfico dotplot, distribuição dos pontos referentes à altura (cm),
entre linhas horizontais, representantes da média e do desvio
padrão .............................................................................................. 38
Figura 7 - Gráfico dotplot, distribuição de pontos referentes ao IMC
(Kg/m²), entre linhas horizontais, representantes da média e do
desvio padrão ................................................................................... 38
Figura 8 - Gráfico dotplot da distribuição dos pontos d a dor máxima EVA
entre linhas horizontais, representativas da mediana e dos
percentis 25 e 75 .............................................................................. 40
Figura 9 - Gráfico dotplot da distribuição dos pontos d a dor máxima EVA
entre linhas horizontais, representativas da mediana e dos
percentis 25 e 75 .............................................................................. 40
Figura 10 - Gráfico dotplot da média entre dor máxima EVA e dor máxima
EVN, com distribuição dos pontos e ntre linh as horizontais,
representativas da mediana e dos percentis 25 e 75 ....................... 41
Figura 11 - Gráfico dotplot da distribuição dos pontos d a dor EVA relatada
após cinco minutos do final do procedimento, e ntre linhas
horizontais, representativas da mediana e dos percentis 25 e 75 .... 43
Figura 12 - Gráfico dotplot da distribuição dos pontos da dor EVN relatada
após cinco minutos, e ntre linhas horizontais, representativas da
mediana e dos percentis 25 e 75 ...................................................... 43
Figura 13 - Gráfico dotplot com distribuição dos pontos da mé dia de dor
EVA e EVN após cinco minutos, e ntre linhas horizontais,
representativas da mediana e dos percentis 25 e 75 ....................... 44
Figura 14 - Gráfico dotplot com distribuição dos pontos da resposta
concordante em repetir o procedimento, entre linhas
horizontais, representativas da mediana e dos percentis 25 e 75 .... 44
Lista de Tabelas
Lista de Tabelas
Tabela 1 - Definição para anestesia geral e do nível analgesia/sedação ............... 25
Tabela 2 - Características sociodemográficas dos grupos de estudo ..................... 36
Tabela 3 - Distribuição dos valores encontrados nos desfechos primário e
secundário, entre os grupos estudados ................................................. 39
Tabela 4 - Distribuição dos valores encontrados no desfecho secundário: dor
após cinco minutos do procedimento .................................................... 41
Tabela 5 - Análise da concordância em repetir o procedimento nos grupos .......... 42
Lista de Siglas e Abreviaturas
Lista de Siglas e Abreviaturas
AA- Ácido araquidônico
AINE- Anti-inflamatório não esteroidal
ASA- American Society of Anesthesiology
COX- Ciclo-oxigenase
DST- Doença sexualmente transmissível
EO- Estimulação ovariana
ESCA- Esterilidade sem causa aparente
EVA- Escala visual analógica
EVN- Escala verbal numérica
FIV- Fertilização in vitro
FRI- Falha repetida de implantação
GABA- Ácido-gama-amino-butírico
GABA-A- Receptor A do ácido-gama-amino-butírico
HCFMRP-USP- Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicia de Ribeirão Preto
da Universidade de São Paulo
HIV- Human immunodeficiency virus.
IO- Indução ovulatória
IUI- Inseminação intrauterina Paulo
ICSI- Injeção intracitoplasmática de espermatozoide
PG- Prostaglandina
SD- Desvio padrão
TCLE- Termo de Consentimento Livre e Escalrecido
TRA- Técnicas de reprodução assistida
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 18
1.1. Infertilidade ................................ ................................ ................................ ............... 19
1.2. Importância da receptividade endometrail e implantação ................................ .......... 20
1.3. Injúria endometrial ................................ ................................ ................................ .... 21
1.4. Efeitos adversos ................................ ................................ ................................ ....... 21
1.5. Mecanismos d dor e injúria ................................ ................................ ....................... 22
1.6. Iimportância da redução da dor para injúria ................................ .............................. 23
1.6.1. Anti-inflamatórios não esteroidais (AINE) ................................ ........................ 23
1.6.2. Benzodiazepínicos................................ ................................ ........................... 24
1.7. Validade do uso da escala analógica de dor: escala verbal analógica/numérica
de dor e escala likert para avaliar a rejeição a novo tratamento ............................... 27
2. OBJETIVOS .......................................................................................................... 28
3. MATERIAL E MÉTODOS ..................................................................................... 30
3.1. Desenho do estudo ................................ ................................ ................................ ... 31
3.2. Participantes ................................ ................................ ................................ ............. 31
3.3. Intervenções ................................ ................................ ................................ ............. 31
3.4. Caracterização das pacientes ................................ ................................ ................... 32
3.5. Desfechos estudados ................................ ................................ ................................ 32
3.5.1. Desfecho primário................................ ................................ ............................ 32
3.5.2. Desfechos secundários ................................ ................................ ................... 32
3.6. Dimensionamento amostral ................................ ................................ ....................... 33
3.7. Randomização ................................ ................................ ................................ .......... 33
3.8. Mascaramento (blinding) ................................ ................................ ........................... 34
3.9. Métodos estatísticos ................................ ................................ ................................ .. 34
3.10. Aspectos estatísticos ................................ ................................ ............................... 34
4. RESULTADOS ...................................................................................................... 35
4.1. Desfecho pçrimário ................................ ................................ ................................ ... 39
4.2. Desfecho secundário ................................ ................................ ................................ . 41
5. DISCUSSÃO ......................................................................................................... 45
5.1. Principais resultados ................................ ................................ ................................ . 46
5.2. Limitações deste estudo ................................ ................................ ............................ 46
5.3. Comparação com outros estudos ................................ ................................ .............. 47
6. CONCLUSÕES ..................................................................................................... 49
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 51
1- Introdução
Introdução | 19
1.1 Infertilidade
Subfertilidade/infertilidade são termos equivalentes (1,2). Sinalizam
dificuldade acima da encontrada pela maioria dos casais para engravidar, uma
condição comum que atinge entre 7% e 15% dos casais em idade reprodutiva (3-5).
As causas mais comuns de subfertilidade são: fatores de origem masculina (30%),
desordens ovulatórias (25%), dano tubário (20%), alterações uterinas ou peritoneais
(10%); sendo q ue em cerca de 40% dos casos podem ser encontradas alterações,
tanto no homem quanto na mulher, enquanto que em aproximadamente 25% dos
casos não é possível identificar uma causa específica para a dificuldade de
engravidar (ESCA - Esterilidade sem causa aparente) (6).
Havendo permeabilidade tubá ria e aceitável qualidade seminal, é possível
engravidar espontaneamente. Cinquenta por cento desses casais engravidam em
três anos (7), utilizando técnicas de reprodução assistida (TRA), ou não ; indução
ovulatória (IO) para coito programado e/ou inseminação intrauterina (IUI) (8-10).
Desses, 15% buscam TRA envolvendo estimulação ovariana e transfer ência
embrionária ou de gametas intrauterinas, fertilização in vitro (FIV) e injeção
intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) (8).
Situações especiais também necessitam da assistência reprodutiva, IUl ou
TRA: indivíduos portadores de infecção viral (HIV, hepatite C, hepatite B), que não
desejam manter relações sexuais desprotegidas (risco de DST), casais com pessoas
do mesmo sexo, mulher desejosa de conceber de forma independente, pessoas com
necessidades especiais que impeçam relações vaginais, casos de doenças ligadas
ao sexo, preservação de fertilidade (tratamentos quimioterapia ou radioterápico) e
transplante entre irmãos (2).
Todos os tratamentos envolvem repetidas tentativas. A exemplificar, o Centro
de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto (HCFMRP -USP) permite aos casais seis ciclos de IUI, de pendendo
da idade da paciente, associação de fatores, condições financeiras, ansiedade do
casal, tempo e causa de infertilidade. Para tratamentos com TRA são permitidos três
ciclos.
Introdução | 20
Os tratamentos são psico -afetivamente desgastantes e financeiramente
dispendiosos. Os c asais experimentam grandes angústias (11-13). Vinte e três por
cento interrompem o tratamento prematuramente devido a carga ansiogênica (14),
1/3 não engravidam (15) e outros não se adaptam à não maternidade (16-18). As
chances de sucesso são baixas: 30 -40% de gravidez clínica e 20 -30% de nascidos
vivos por ciclo iniciado (19,20). A chave do sucesso está diretamente relacionada ao
adequado processo implantacional, à qualidade embrionária e receptividade
endometrial (21,22).
1.2 Importância da receptividade endometrial e implantação
O endométrio é receptivo ao embrião na fase lútea (19º ao 23º dia do ciclo
menstrual, janela de implantação ou início da descidualização) (7).
A implantação embrionária bem -sucedida depende da qualidade do
blastocisto, da receptividade endomet rial e sua sincronização com a embriogênese.
O estrogênio e progesterona regem as etapas do processo (aposição, adesão e
invasão), mediadas por ação enzimática das células do endométrio e blastocisto.
Esse mecanismo é pouco elucidado (23-26). Ocorrem modificações celulares
estromais endometriais, glandulares, vasculares e do sistema imunológico (7),
reguladoras da expressão molecular inflamatória (27) e facilitadoras da implantação.
Acredita-se que a receptividade endometrial inadequada é responsável po r dois
terços das transferências embrionárias mal sucedidas (28).
São consideradas falhas repetidas de implantação (FRI) a ausência de
gravidez clínica após três ciclos de T RA com transferência embrionária a fresco (ao
mesmo ciclo do tratamento) ou congelado, com taxa acumulativa de transferências
de ao menos quatro embriões em mulheres abaixo 40 anos de idade (29,30).
Apenas 32% das transferências a fresco resultam em gravidez clínica, mesmo que
elevadas as taxas de fertilização em cultivo embrionário (2). Dados recentes
reforçam que a implantação ainda é um passo limitante ao sucesso das TRA (31),
associando diretamente a FRI à inadequada função endometrial, aos fatores
ansiogênicos (28) e ao desejo de não engravidar (13).
Introdução | 21
1.3 Injúria endometrial
“Lesão intencional”, intervenção na cavidade endometrial, descrita há mais de
uma década por Barash, em TRA, impactando melhores taxas de implantação,
gravidez clínica e nascidos vivos (25). Mostra -se promissora, particularmente para
FRI (21,32-34). Estudos recentes trazem resultados sobre injúria, receptividade
endometrial (35,36) e seus benefícios (37-42). O trauma mecânico desencadeia
mudanças endometriais induzidas por citocinas, favoráveis à implantação e
descidualização (41). As taxas de implantação são menores em ciclos de EO d o que
em ciclos naturais, ou ciclos de doação oocitária. A cicatrização pós -injúria parece
reduzir a velocidade da preparação endometrial adequando -o para a transferência
embrionária nesses ciclos de EO (42).
A “Pipelle” é utilizada para instrumentação da cavidade na maioria dos
estudos, com ou sem orientação ultrassonográfica (42). Através do canal
endocervical se transpõe o orifício interno do colo uterino até o fundo da cavidade
endometrial e processa -se o vácuo, iniciando movimentos rotacionais (3 60º).
Desliza-a do fundo até o orifício interno do colo, sem retirá -la; percorre pontos da
cavidade, em média, por 30 segundos, e então é retirada. A sucção gera pequenas
amostras de tecido de pontos endometriais ocasionando a “injuria/lesão” endometrial
(38).
Existe heterogeneidade quanto ao método, à duração, frequência e repetição
do procedimento (43), inclusive em qual fase realizar: lútea (43,44), folicular do ciclo
anterior (39,42), ou no mesmo ciclo de EO (37,42).
Hoje, a injúria é vista de forma benéfica, sendo mais uma intervenção
empregada em clínicas em todo o mundo (37,38,44,45), particularmente em casos
classificados como FRI (21,37), mas também para procedimentos de baixa
complexidade como IO, coito programado e IUI (7).
1.4 Efeitos adversos
Fibras nervosas têm expressão na camada funcional do endométrio e podem
contribuir para o estímulo doloroso durante a manipulação da cavidade (46). Estudos
Introdução | 22
atuais, revisionais, já publicados ou em andamento, associam injúria endometrial à
dor como efeito adverso (37,47-49), e suas consequências, inclusive o reflexo vaso -
vagal (40). A dor ocasiona rec usa por parte das pacientes em repetir o
procedimento, a despeito do potencial benéfico: chance de gravidez. Nastri et al.
(37), em 2015, desenvolveram um estudo relacionando dor à injúria, porém sem
evidências de qualidade . Dess e modo, parece importante identificar formas que
minimizem a dor da injúria.
1.5 Mecanismo de dor e injúria
A lesão tissular, injúria, desenca deia uma reação inflamatória, biologicamente
adaptativa, facilitando o reparo tecidual. Rompendo a parede celular libera-se a ação
dos mediadores químicos e estimuladores de fibras sensoriais e simpáticas. Há
vasodilatação e extravasamento de proteínas plasmáticas e células inflamatórias. Os
mastócitos, macrófagos, linfócitos e plaquetas se agrupam a mediadores
inflamatórios, hidrogênio, norepinefrina, bradicinina, histamina, potássio, citocinas,
serotonina, fator de crescimento neural, óxido nítrico e prod utos das vias ciclo -
oxigenase, lipo-oxigenase, ácido araquidônico (AA) (leucotrienos, prostaglandinas e
tromboxane (50) (Figura 1). Este “composto sensibilizador” despolariza a membrana
neuronal gerando impulsos elétricos conduzidos por fibras de alto limiar, ”C” e “Aδ”
(Delta) ao corno posterior da medula espinhal. A transmissão continua até o tronco
encefálico gerando re spostas neurovegetativas e de estruturação espacial da dor.
No córtex encefálico é processada a percepção dolorosa, e no sistema límbico é
interpretada como uma sensação sofrível e desconfortável (51) (Figura 2).
Os estímulos doloroso s, emociona is ou cognitivo s, aumentam a síntese de
neurotransmissores serotoninérgicos, de encefalina (morfinas endógenas) e
serotoninas (opiáceos endógenos) no sistema nervoso central. Projetados na
substância cinzenta da medula espinhal e das estruturas encefálicas, inibem o
sistema nociceptivo, neutralizando a dor (52) (Figura 3).
Introdução | 23
1.6 Importância da redução da dor para a injúria
A dor aguda é resultado do trauma a um tecido, desencadeando
manifestações inflamatórias. Torna -se fundamental conhecer o manejo das
substâncias moduladoras desses fatores inflamatórios para controle da dor.
A biópsia endometrial é um procedimen to ambulatorial simples, barato e
seguro, inicialmente indicada para diagnóstico em casos de sangramento vaginal na
pós-menopausa (53,54) e não requer intervenção anestésica como a curetagem
uterina (38).
A percepção a dor em procedime ntos ginecológicos se origina na
manipulação do colo e/ou corpo uterino, principalmente ao transpor o orifício interno
do colo. Acentua -se ao pinçar o colo com “pozzi” para fixação e/ou tração (55-57),
atenua-se durante o fluxo menstrual, pois o colo dilatado facilita a instrumentação,
reduzindo o número de tentativas (38).
As diretrizes da “Sociedade Americana de Anestesiologia” (ASA) permite ao
clínico oferecer a seus pacientes os benefícios da sedação e analgesia durante
procedimentos desagradáveis, aliviando a ansiedade, o desconfor to ou a dor,
minimizando os riscos associados; sendo utilizada a a nestesia local isolada ou
associada a medicamentos orais e/ou intramusculares . Pacientes ambulatoriais são
classificadas em categorias I ou II, para risco anestésico; consideradas saudáveis ou
com problemas médicos leves e pontuais (58,59) (Tabela 1).
1.6.1 Anti-inflamatórios não esteroidais (AINE)
São considerados a principal ferramenta no tratamento da dor. O Ibuprofeno é
amplamente utilizado nesse controle (60), em todo mundo, tanto em dor aguda
como crônica (61). Seu principal mecanismo de ação ocorre por meio da inibição
específica da ciclo -oxigenase (COX) e consequente redução da conversão do AA
em prostaglandinas (PG). Atua perifericamente e no sistema nervoso central (62,63);
reduz a atividade uterina e a dor ao inibir a COX em suas isoforma (COX -1
fisiológica e COX -2 inflamatória), impedi ndo a circulação de PG e, portanto, sua
ação sensibilizadora para os nociceptores periféricos. As COX -1 e COX -2 estão
Introdução | 24
presentes na maioria dos tecidos. Há um provável tipo, COX -3, presente
principalmente no córtex cerebral, que parece sofrer suas influênci as (56). Sua ação
é dose/resposta limitada, e 1.200 mg/dia é a dose máxima recomendada para
adultos (63). Essencialmente, os AINEs são convertidos em metabólitos inativos pelo
fígado e são, predominantemente, excretados pela urina. Efeitos adversos
associam-se ao seu uso crônico: sangramento de trato gastroin testinal superior por
inibição da agregação plaquetária, lesão hepática e renal aguda e insuficiência
cardíaca. No entanto, esses efeitos são reduzidos se usados em curto prazo (64).
Além do estímulo doloroso, a ansiedade prévia ao procedimento afeta a
percepção dolorosa durante e após o procedimento. Altos níveis de ansiedade
necessitam de maior quantidade de analgesia e, potencialmente, se beneficiariam
do uso de ansiolíticos (65).
1.6.2 Benzodiazepínicos
Possuem efeitos amnésicos, anticonvulsivantes, sedativos, hipnóticos,
ansiolíticos, mas não analgésicos diretos. Seu mecanismo de ação (hipnótica e
ansiolítica) se processa no sistema inibitório de neurotransmissã o, junto ao ácido -
gama-amino-butírico (GABA), particularmente ao receptor GABA -A, abrindo os
canais de cloro e, consequentemente , facilitando o influxo do ânion para dentro do
neurônio, hiperpolarizando a célula e inibindo sua atividade (51).
O Lorazepam é um benzodiazepínico de ação intermediária, tem meia-vida de
12 a 40 horas. Alguns serviços utilizam 1 a 2 mg para ansiólise (54). Como feitos
adversos citam -se: fraqueza muscular, náuseas, vômitos, dores abdominais,
articulares e torácicas, além de incontinência urinária e diarreia. Todos são tempo e
dose dependente do uso da medicação (66).
Estudos recentes utilizam ansiolíticos associados a analgésico antes de
procedimentos dolorosos (67,68), sendo o Lorazepam frequentemente utilizado com
essa finalidade, inclusive associado ao Ibuprofeno (49,69).
Introdução | 25
Figura 1 - Sensibilização dos neurônios periféricos à injúria tecidual
Fonte: (Adaptado de Klaumann, Wouk, Sillas, 2008) (70).
Tabela 1 - Definição para anestesia geral e do nível analgesia/sedação
Sedação mínima
ansiólise
Sedação consciente
moderada Sedação profunda Anestesia geral
Capacidade de resposta Responsivo ao
estimulo verbal
Responsivo ao
estímulo intencional
verbal ou tátil
Resposta após
estimulação repetida
ou dolorosa
Inconsciente.
Não desperta
mesmo ao
estímulo doloroso
Via respiratória Não afeta Não requer
intervenção
Não requer
intervenção Requer
Ventilação espontânea Não afeta Adequado Eventualmente
inadequado
Inadequado com
frequência
Função cardíaca Não afeta Usualmente
preservado
Usualmente
preservado
Pode estar
prejudicado
Fonte: http://anesthesiology.pubs.asahq.org/pdfaccess.ashx?url=/data/journals/jasa/931219/.
Introdução | 26
Figura 2 - Sistema noceptivo e percepção da dor
Fonte: (Adaptado de Recognition and alleviation of pain in laboratory animals) (71)
Figura 3 - Sistema de supressão da dor
Fonte: (Adaptado de Recognition and alleviation of pain in laboratory animals) (71)
Introdução | 27
1.7 Validade do uso da escala analógica de dor: escala verbal
analógica/numérica de dor e escala de Likert para avaliar a rejeição a um
novo tratamento.
A quantificação da dor é sempre dependente da interpretação pessoal do
estímulo doloroso. No entanto, existem maneiras de padronizar e quantificar a dor,
como os sistemas comparativos (72), constituídos por questionários e índices como
a escala visual analógica (EVA) e a escala numérica verbal (EVN), formas simples e
comprovadamente validadas. Ao escolher a EVA, uma linha de 10 cm é desenhada.
Em uma extremidade está o ponto refer ente à ausência de dor e na outra, a
referência à pior dor possível (73). Sua precisão melhora quando se associa outra
escala, como a EVN. Nela, o sujeito classifica a dor em uma escala de 0 -10,
verbalmente (74).
Para procedimentos envolvendo biópsia endometrial, pacientes toleram a dor,
classificam-na entre cinco e sete pontos em EVA. Valores acima de 6 sugerem a
necessidade de alívio da dor (75-77).
Sabendo-se da reincidência de tratamentos com TRA ; considerando,
principalmente, as FRI, pretendeu-se, ainda, avaliar a rejeição a novo procedimento,
por meio de uma escala de Likert de cinco pontos, método bastante u tilizado para
analisar a opinião pessoal, inclusive em relação à dor (78,79).
2. Objetivos
Objetivos | 29
O objetivo principal deste estudo foi avaliar se o uso de Ibuprofeno associado
com Lorazepan, ou isoladamente, pode reduzir a dor associada à raspagem
endometrial e/ou à rejeição a um novo procedimento.
3. Material e Métodos
Material
e Métodos | 34
pesquisadores envolvidos na alocação, realizaram a intervenção e obtiveram os
questionários e escalas (WPM e SPL) sem conhecimento do grupo para qual cada
participante foi alocada. A alocação ocorreu no momento da inclusão da paciente no
estudo, com ingestão do medicamento na sequência.
3.8 Mascaramento (blinding)
As participantes, os médicos assistentes e pesquisadores envolvidos na
realização da raspagem endometrial, na obtenção d os questionários e da escala de
dor não tiveram conhecimento da alocação até o término do estudo.
3.9 Métodos estatísticos
Foram realizadas comparações múltiplas para os dados amostrais
paramétricas e não paramétricas. A ver testes adequados. Todas as va riáveis
contínuas foram sumarizadas através de mediana e intervalo interquartil. A variável
rejeição à repetição do procedimento foidescrito através de frequências absolutas e
relativas. As comparações entre os grupos de estudos para o desfecho EVA e EVN
foram realizadas através de teste não paramétrico de Kruskall Wallis com um pós -
teste de Dunn. O teste qui -quadrado foi utilizado para comparar proporções de
respostas entre os grupos em relação à rejeição à repetição do procedimento.
3.10 Aspectos éticos
No Setor de Reprodução Humana do HCFMRP -USP, as mulheres são,
atualmente, submetidas à raspagem endometrial sem a utilização de qualquer tipo
de analgesia. Muitas dessas mulheres se queixam de dor após a realização do
procedimento. Assim, foi proposto ava liar o efeito de dois esquemas de analgesia
para essa situação. Todas as mulheres elegíveis foram convidadas a participar do
estudo e assinaram o TCLE, que foi lido e esclarecido por um dos pesquisadores
envolvidos na pesquisa. Este projeto foi aprovado pe lo Comitê de Ética do
HCFMRP-USP.
4. Resultados
Resultados | 36
Cento e cinquenta pacientes aceitaram participar do estudo, sendo
randomizadas em três grupos. Todas receberam a intervenção proposta (I+L, I+P
ou P+P) e aproximadam ente uma hora após esta intervenção, todas foram
submetidas à injúria endometrial. Foram realizadas 150 injúrias endometriais de
acordo com a indicação e o critério clínico (estar iniciando ciclo em tratamento
com TRA). Foram obtidas 150 respostas dos ques tionários aplicados pela EVA
(dor máxima durante o procedimento e dor após) e pela EVN (dor máxima durante
o procedimento e dor após), assim como resposta ao questionário de L ikert de
cinco pontos sobre a afirmação “Eu repetiria este procedimento”. Os dado s de
todas as pacientes randomizadas foram inclusos na análise estatística.
A caracterização das participantes está descrita na Tabela 2. Apenas em
relação à variável altura notou-se diferença no limite da significância estatística.
Tabela 2 - Características sociodemográficas dos grupos de estudo
I+L I+P P+P
Variável Média (DP) Média (DP) Média (DP) P-valor*
Idade 35,4 (4) 36,1 (3,8) 35,4 (4,2) 0,63
Peso 67,9 (11,1) 68 (10,3) 72,9 (12,9) 0,05
Altura 161,7 (6,2) 162 (7,4) 164,8 (6,3) 0,04
IMC 26 (4,2) 26 (4,4) 26,8 (4) 0,58
Escolaridade n (%)
0,38**
Fundamental 7 (14%) 5 (0,1%) 5 (1%)
Medio 27 (54%) 24 (,48%) 19 (38%)
Superior 16 (32%) 21 (42%) 26 (52%)
*P-valor referente a análise de variância ; **P-valor referente ao teste qui -quadrado;
I+L= (Ibubrofeno+Lorazepan); I+P= (Ibubrofeno+Placebo); P+P= (Placebo+Placebo).
Analisando os gráficos representativos da distribuição das características
antropodemográficas das participantes, ficou clara sua distribuição homogênea,
inclusive comparativamente entre os grupos (Figuras 4 a 7).
Resultados | 37
Figura 4 - Gráfico dotplot, distribuição d os pontos referente s à idade entre linhas
horizontais, representativas da média e do desvio padrão.
Figura 5 - Gráfico dotplot, distribuição do s pontos referentes ao peso entre linhas
horizontais, representativas da média e do desvio padrão
Resultados | 38
Figura 6 - Gráfico dotplot, distribuição dos pontos referentes à altura (cm), entre linhas
horizontais, representativas da média e do desvio padrão
Figura 7 - Gráfico dotplot, distribuição dos pontos referentes ao IMC (Kg/m²), entre linhas
horizontais, representativas da média e do desvio padrão
Resultados | 39
4.1 Desfecho primário
A avaliação do desfecho p rimário está demonstrada na Tabela 3. Para a
análise estatística da dor máxima e a média de dor máxima em todos os grupos
de estudo, assim como a resposta das participantes na pesquisa de rejeição à
repetição do procedimento, foi utilizado o teste não para métrico de Kruskall Walil
(p-valor).
A variabilidade dos dados encontrados entre os grupos está representada
na Tabela 3 e nas Figuras 8 a 10. Os valores encontrados para cada análise se
concentraram sobre a mediana, se estendendo aos percentis 25 e 75. A diferença
entre esses quartis (Q1 -Q3) representa a medida de variabilidade entre os
valores encontrados nos desfechos primário e secundário nos grupos estudados.
Tabela 3 - Distribuição dos valores encontrados nos desfechos primário e secundário
entre os grupos estudados
I+L I+P P+P
Variável Mediana (Q1-Q3) Mediana (Q1-Q3) Mediana (Q1-Q3) P-valor*
Dor máxima (EVA) 3,7 (1,3-6,0) 4,8 (2,8-6,6) 3,3 (1,2-5,9) 0,18
Dor máxima (EVN) 5,0 (2,0-7,0) 5,0 (3,0-7,0) 4,0 (2,0-7,0) 0,43
Dor máxima (Média) 4,2 (2,0-6,1) 5,0 (2,9-6,9) 3,9 (2,1-6,1) 0,33
Dor após 5 min (EVA) 0,3 (0,0-1,4) 0,7 (0,0-2,7) 1,1 (0,0-2,9) 0,09
Dor após 5 min (EVN) 0,0 (0,0-2,0) 0,5 (0,0-3,3) 1,0 (0,0-2,3) 0,17
Dor após 5 min (Média) 0,2 (0,0-1,7) 0,8 (0,0-2,9) 1,1 (0,0-2,8) 0,15
Repetir o procedimento 1,0 (1,0-1,0) 1,0 (1,0-2,0) 1,0 (1,0-1,0) 0,1
*P-valor referente ao teste não paramétrico de Kruskall Walil; EVA= escala visual analógica; EVN= Escala
verbal numérica; (Q1-Q3)= teste qui-quadrado.
Resultados | 40
Figura 8 - Gráfico dotplot da distri buição dos pontos da dor máxima EVA e ntre linhas
horizontais, representativas da mediana e dos percentis 25 e 75
Figura 9 - Gráfico dotplot da distribuição dos pontos da dor máxima EVN, e ntre linhas
horizontais, representativas da mediana e dos percentis 25 e 75
Resultados | 41
Figura 10 - Gráfico dotplot da média entre dor máxima EVA e dor máxima EVN, com
distribuição dos pontos entre linhas horizontais, representativas da mediana
e dos percentis 25 e 75
4.2 Desfecho secundário
A avaliação do desfecho secundário (quantificação da dor 5 minutos após o
procedimento) está apresentada na Tabela 4. Notou -se que esses valores
concentrados sobre a mediana se estenderam aos percentis 25 e 75. A diferença
entre quartis (Q1 -Q3) representa a medida desta variabilidade.
Tabela 4 - Distribuição dos valores encontrados no desfecho secundário: dor após cinco
minutos do procedimento
*P-valor referente ao teste não paramétrico de Kruskall Walil; EVA= Escala visual analógica; EVN= Escala
verbal numérica; (Q1-Q3)= teste qui-quadrado.
I+L I+P P+P
Variável Mediana (Q1-Q3) Mediana (Q1-Q3) Mediana (Q1-Q3) P-valor*
Dor após 5 min (EVA) 0,3 (0,0-1,4) 0,7 (0,0-2,7) 1,1 (0,0-2,9) 0,09
Dor após 5 min (EVN) 0,0 (0,0-2,0) 0,5 (0,0-3,3) 1,0 (0,0-2,3) 0,17
Dor após 5 min (Média) 0,2 (0,0-1,7) 0,8 (0,0-2,9) 1,1 (0,0-2,8) 0,15
Resultados | 42
A avaliação do desfecho secundário, rejeição em repetir o procedimento,
está apresentada na Tabela 5. Agrupando-se os itens 1 e 2 da escala de Likert
em relação à concordância em repetir o procedimento não se observou diferença
estatística ( p-valor=0,44) entre os grupos de estudo, sendo estes os itens de
maior frequência, respostas 1 e 2.
Ao analisar os gráficos em dotplot para a medida da dor máxima pela EV A
e EVN, cinco minutos após a finalização do procedimento e média entre elas,
verificou-se que os limites de concordância foram mais estreitos e homogêneos,
próximos de zero, ou seja, mínima dor possível (Figuras 11 a 14). Não houve
diferença significativa na avaliação da dor, em relação aos grupos estudados,
considerando o teste não paramétrico de Kruskal Wallis. Dessa forma, é possível
inferir que as pacientes incluídas neste estudo repetiriam o procedimento, se
clinicamente indicado para o tratamento.
Tabela 5 - Análise da concordância em repetir o procedimento nos grupos
I+L I+P P+P
Variável n (%) n (%) n (%) P-valor*
Repetir o procedimento (proporção de não 1-2) 1 (02%) 3 (06%) 1 (02%) 0,44
Repetir o procedimento
Concordo plenamente 41 (82%) 34 (68%) 42 (84%) 0,45
Concordo 8 (16%) 13 (26%) 7 (14%)
Não concordo nem discordo 1 (02%) 1 (02%) 0 (0%)
Discordo 0 (0%) 2 (04%) 1 (02%)
Descordo plenamente 0 (0%) 0 (0%) 0 (0%)
*P-valor referente ao teste qui-quadrado.
Resultados | 43
Figura 11 - Gráfico dotplot da distribuição dos pontos da dor EVA, relatada após cinco
minutos do final do procedimento, e ntre linhas horizontais, representativas
da mediana e dos percentis 25 e 75
Figura 12 - Gráfico dotplot da distribuição dos pontos da d or EVN, relatada após cinco
minutos, e ntre linhas horizontais, representativas da mediana e dos
percentis 25 e 75
Resultados | 44
Figura 13 - Gráfico dotplot com distribuição dos pontos da média de dor EVA e EVN,
após cinco minutos, e ntre linhas horizont ais, representativas da mediana e
dos percentis 25 e 75
Figura 14 - Gráfico dotplot com distribuição dos pontos da resposta concordante em
repetir o procedimento, entre linhas horizontais, representativas da mediana
e dos percentis 25 e 75
5. Discussão
Discussão | 46
5.1 Principais resultados
Analisando os resultados deste estudo verificou -se que as opções utilizadas
para analgesia à injúria (raspagem) endometrial, apresentaram o mesmo padrão de
resposta, tanto para os grupos dor máxima pela EVA ao Ibuprofeno administrado
isoladamente (I+P) ou associado ao benzodiazepínico (I+L) como para o grupo que
utilizou placebo (P+P), (3,7 vs 4,8 vs 3,3; p=0,18). Da mesma forma, para dor
máxima pela EVN, o grupo Ibuprofeno isolado (I+P) apresentou valores
estatisticamente próximos ao grupo associado a lorazepan (I+L) e placebo (P+P), (5
vs 5 vs 4; p=0,43). Dados confirmados ao se analisarem as médias, dor máxima
EVA, EVN e placebo (5 vs 4,2 vs 3,9; p=0,33).
No segundo desfecho, a análise da dor cinco minutos após o procedimento,
encontrou-se o mesmo comportamento nos três grupos, tanto em EVA (0,7 vs 0,3 vs
1,1; p=0,09) como em EVN (0,5 vs 0 vs 0,1 P= 0,17), e também confirmada a análise
das médias (0,8 vs 0,2 vs 1,1; p=0,15).
Os valores de dor nas escalas de quantificação EVA/EVN se concentraram
abaixo de seis, podendo ser considerados valores moderados com referência às
escalas de dor (81). Assim como a concordância em repetir o procedimento, em
sendo clinicamente indicado, mostrou -se homogênea entre os grupos, com valores
pela escala de Likert, item 1, concordo em repetir o procedimento (p=0,1).
Todos os desfechos a nalisados se mostraram com distribuição homogênea
de suas variáveis nos limites entre quartis.
5.2 Limitações deste estudo
As limitações do estudo estão associadas à dificuldade em lidar com a dor em
procedimentos ginecológicos ambulatoriais, pois ainda não se definiu um método de
analgesia ou sedação, com adequado controle da dor considerada moderada e
fugaz (49).
As avaliações envolveram apenas medicações de controle de dor por via
sistêmica e de absorção gastroentérica, de acordo com a proposta de analgesia e
Discussão | 47
ansiólise; podendo, a seguir, avaliar a possibilidade de associação com anestésicos
locais (absorção transdérmica) (82).
Outro ponto de fragilidade questionável é a necessidade de prévia
discriminação quanto ao nível de ansiedade, pois algumas mulheres com FRI,
procedimentos intrauterinos prévios , ou mesmo portad oras de informações prévias
sobre a biópsia endometrial pela Internet, que pode trazer informações ansiogênicas
maiores. Cabe também discriminar o número de gestações e tipos de partos,
cirurgias de colo uterin o prévias e procedimentos ambulatoriais que en volvam
experiência em dor.
5.3 Comparação com outros estudos
Embora a avaliação da dor tenha um componente subjetivo, existe a
preocupação de se criarem instrumentos para uniformizar o acompanhamento das
pacientes com características álgicas em procedimentos ginecológicos ambulatoriais
(49). Assim como também há preocupação de minimizar a dor de pacientes em
procedimento de raspagem endometrial em cicl os de TRA. Muitos outros
pesquisadores se envolveram com estudos em analgesia para intervenções
ambulatoriais em ginecologia como histeroscopia diagnóstica ambulatorial, biópsia
do colo uterino, biópsia endometrial e inserção de dispositivo intraútero
(49,53,54,83,84). Alguns, inclusive, levando em consideração o uso de anestésicos
locais isolados (82,85-89), ou associados a outras intervenções (90).
No presente estudo, a avaliação de dor em escalas unidirecionais anal ógicas
e numéricas revelou valores abaixo daqueles relacionados a moderado nível de dor,
previamente aceito e validado (81). Isso demonstra que a dor é um ef eito adverso
presente na raspagem endometrial, cuja intensidade parece não ultrapassar valores
em escalas de análise da dor, a partir dos quais seria considerada prejudicial (EVA
sete a dez) (77), aceita como suportável.
Com relação à intensidade de dor na raspagem endometrial, realizada no
início do ciclo menstrual, os achados deste estudo são compatíveis àqueles relatos
em que parece não haver diferença quanto à intensidade de dor se a raspagem for
realizada em outras fases do ciclo, como na fase lútea (48).
Discussão | 48
Também o período reprodutivo da vida da mulher influi na percepção da dor à
manipulação da cavidade endomet rial. Quando se empregou a Pipelle no período
menopausal, a percepção de dor se intensificou. Isto corrobora a característica
hipotrófica do endométrio, que também se processa no uso de métodos
contraceptivos, em que a maior intensidade é perceptível (91,92).
No transcorrer do estudo não houve necessidade de instrumentação do colo
com a pinça Pozzi, fator descrito por outros autores como desencadeante de dor,
assim como o reflexo vaso -vagal (40,49,82). Independentemente de sua
fisiopatologia, pode estar associado a componente doloroso, podendo acometer
essas pacientes em tratamento com TRA, ao se submeterem ao procedimento de
raspagem da cavidade endometrial ; mas no pres ente estudo não se registrou este
efeito colateral.
Vários são os estudos relacionando injúria endometrial a IUI, TRA e/ou FRI,
porém poucos descrevem seus efeitos adversos (37,55). Já outros autores se
referem à dor como suportável, porém não a quantificam (42). Em uma revisão de
Lensen et (48), apenas um estudo definiu esta dor em escala visual 6/10 (SD=1,5).
Os achados deste estudo atingiram valores em escalas EVA e EVN abaixo de 6 /10.
Assim, concluiu-se que a dor à injuria é aceitável na população em tratamento
com TRA, não sendo necessária intervenção analgésica, à exceção de casos
isolados, em que o Ibuprofeno e/ou os anestésicos locais (82) podem ser
empregados.
6. Conclusões
Conclusões | 50
Como conclusões deste estudo foi possível afirmar que o procedimento,
injúria endometrial, ocasiona dor, porém logo após esse procedimento, a maioria das
mulheres não percebe mais a dor.
Durante o procedimento de injúria endometrial não se observou diferença na
quantificação da dor entre os grupos estudados. O uso de ibuprofeno iso lado ou
associado ao Lorazepam não foi eficaz para reduzir o nível de dor ou mudar a
aceitação para este procedimento, quando comparado ao placebo.
Poucas mulheres se recusaram a repetir o procedimento, o que leva à
conclusão de que esta intervenção não é efetiva para modificar a aceitação a um
novo procedimento, caso seja clinicamente indicado.
Uma vez considerando a possibilidade do emprego da raspagem ao restante
da população em tentativas de gestação (IO e IUI), além da população a ser
submetida à TRA, devia-se identificar e testar outras intervenções para reduzir a dor
relacionada ao procedimento, antes de ser empregada como prática clínica.
7. Referências Bibliográficas1
1Elaboradas de acordo com as Diretrizes para Apresentação de Dissertações e Teses da USP:
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