<!-- Brazil - Associação entre endometrioma ovariano e endometriose profunda infiltrativa Associação entre endometrioma ovariano e endometriose profunda infiltrativa window.dataLayer = window.dataLayer || []; function gtag(){dataLayer.push(arguments);} gtag('js', new Date()); gtag('config', 'G-MKLVK7B5B6'); .articleTxt{ top: -16px; } .scielo__border-top{ border-top: 1px solid #ccc !important; } @media (max-width: 575.98px) { .articleCtt > .container{ padding-left: 0; padding-right: 0; } .articleCtt .articleTxt{ padding-left: 16px !important; padding-right: 16px !important; } } @media (min-width: 768px){ .scielo__truncate{ display: block; max-width: 285px; } } menu Menu Brazil Journal list by title Journal list by subject area Search Metrics (abre em nova aba) Sobre o SciELO Brazil Contacts Report error SciELO.org - The SciELO Network (abre em nova aba) National and thematic collections (abre em nova aba) Journal list by title (abre em nova aba) Journal list by subject (abre em nova aba) Search (abre em nova aba) Metrics (abre em nova aba) OAI and RSS (abre em nova aba) About the SciELO Network (abre em nova aba) Contacts (abre em nova aba) Blog SciELO in Perspective (abre em nova aba) document.addEventListener('DOMContentLoaded', function () { const wrapper = document.getElementById('scieloMainMenu'); const toggle = document.getElementById('scieloMainMenuToggle'); const panel = document.getElementById('scieloMainMenuNav2'); if (!wrapper || !toggle || !panel) return; const icon = toggle.querySelector('.material-icons-outlined'); const focusableSelector = [ 'a[href]', 'button:not([disabled])', 'input:not([disabled])', 'select:not([disabled])', 'textarea:not([disabled])', '[tabindex]:not([tabindex="-1"])' ].join(','); function setIcon(iconName) { if (icon) { icon.textContent = iconName; } } function getFocusableItems() { return Array.prototype.slice.call(panel.querySelectorAll(focusableSelector)) .filter(function (item) { return item.offsetParent !== null; }); } function openMenu() { panel.hidden = false; toggle.setAttribute('aria-expanded', 'true'); wrapper.classList.add('is-open'); setIcon('close'); const focusableItems = getFocusableItems(); if (focusableItems.length) { focusableItems[0].focus(); } } function closeMenu(options) { const settings = options || {}; panel.hidden = true; toggle.setAttribute('aria-expanded', 'false'); wrapper.classList.remove('is-open'); setIcon('menu'); if (settings.restoreFocus) { toggle.focus(); } } function isMenuOpen() { return toggle.getAttribute('aria-expanded') === 'true'; } toggle.addEventListener('click', function (event) { event.preventDefault(); event.stopPropagation(); if (isMenuOpen()) { closeMenu({ restoreFocus: true }); } else { openMenu(); } }); panel.addEventListener('click', function (event) { event.stopPropagation(); }); document.addEventListener('click', function (event) { if (isMenuOpen() && !wrapper.contains(event.target)) { closeMenu(); } }); document.addEventListener('keydown', function (event) { if (!isMenuOpen()) return; if (event.key === 'Escape') { event.preventDefault(); closeMenu({ restoreFocus: true }); return; } if (event.key !== 'Tab') return; const focusableItems = getFocusableItems(); if (!focusableItems.length) return; const firstItem = focusableItems[0]; const lastItem = focusableItems[focusableItems.length - 1]; if (event.shiftKey && document.activeElement === firstItem) { event.preventDefault(); toggle.focus(); return; } if (!event.shiftKey && document.activeElement === toggle) { event.preventDefault(); firstItem.focus(); return; } if (!event.shiftKey && document.activeElement === lastItem) { closeMenu(); } }); }); Brazil language en English Português Español Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia Mostrar opções launch Submission of manuscripts info About the journal help_outline Política editorial people Editorial Board help_outline Instructions to authors email Contact show_chart Metrics home Table of contents navigate_before previous current next navigate_next Abstract Abstract (Portuguese) Abstract (English) Text (PT) Text (Portuguese) PDF Download PDF (Portuguese) article Conteúdo: Text (PT) Abstract (Portuguese) Abstract (English) Text (Portuguese) Download PDF (Portuguese) (abre em nova aba) share Whatsapp BlueSky Mastodon Facebook Mais home Table of contents share Whatsapp BlueSky Mastodon Facebook Mais Abstract Abstract (Portuguese) Abstract (English) Text (PT) Text (Portuguese) PDF Download PDF (Portuguese) (abre em nova aba) Artigos Originais • Rev. Bras. Ginecol. Obstet. 34 (9) • Set 2012 • https://doi.org/10.1590/S0100-72032012000900006 link copiar Associação entre endometrioma ovariano e endometriose profunda infiltrativa Association between ovarian endometrioma and deep infiltrating endometriosis Autoria SCIMAGO INSTITUTIONS RANKINGS Resumo OBJETIVO: Avaliar a associação do endometrioma ovariano e a presença de lesões de endometriose profunda infiltrativa (EPI) em uma amostra de mulheres do Sul do Brasil. MÉTODOS: Foi conduzida uma análise retrospectiva com informações dos prontuários de mulheres submetidas a tratamento cirúrgico de endometriose durante o período de janeiro de 2010 e junho de 2012. As pacientes foram divididas em dois grupos de acordo com a presença ou não de endometrioma ovariano. As pacientes portadoras de endometrioma ovariano foram subdivididas em dois grupos de acordo com o diâmetro do endometrioma (40 mm). Os parâmetros comparados entre os grupos incluíram: dosagem sérica de cancer antigen (CA) 125, tamanho do endometrioma, presença e número de lesões profundas. A análise estatística foi conduzida com o programa Statistica versão 8.0, utilizando-se o teste exato de Fisher, o teste t de Student e o teste de Mann-Whitney, quando necessário. Os valores p<0,05 foram considerados estatisticamente significativos. RESULTADOS: Durante o período de estudo, um total de 201 mulheres foram submetidas a tratamento cirúrgico laparoscópico de endometriose. Cinquenta e seis pacientes (27,9%) eram portadoras de endometrioma ovariano e 180 pacientes (89,5%) apresentaram EPI confirmada histologicamente. As mulheres com endometrioma ovariano apresentaram um CA 125 sérico mais alto (39,5 versus 24,1 U/mL; p<0,01) e uma maior associação com a presença de lesões de EPI (98,2 versus 86,2%; p=0,01) e de EPI intestinal (57,1 versus 37,9%; p=0,01). Não houve diferença significativa quando se comparou os grupos com endometriomas 40 mm. CONCLUSÕES: O endometrioma ovariano é um marcador para a presença de lesões de EPI, incluindo EPI com comprometimento intestinal. Endometriose; Laparoscopia; Doenças inflamatórias intestinais Abstract PURPOSE: To evaluate the association between ovarian endometrioma and the presence of deep infiltrating endometriosis (DIE) lesions in a sample of women of the South of Brazil. METHODS: A retrospective study was conducted in all women undergoing surgical treatment of endometriosis from January 2010 to June 2012. Patients were divided into 2 groups according to the presence or not of ovarian endometrioma. Patients presenting an ovarian endometrioma were subsequently divided into 2 groups according to the diameter of the endometrioma (40 mm). The following parameters were compared between the groups: cancer antigen (CA) 125 level, size of the endometrioma, presence and number of deep lesions. The statistical analysis was performed with Statistica version 8.0 using Fisher's exact test, Student's t-test and Mann-Whitney test, when needed. The p values of <0.05 were considered statistically significant. RESULTS: During the study period, a total of 201 women underwent laparoscopic surgical treatment of endometriosis. Fifty-five patients (27.9%) presented ovarian endometrioma and 180 patients (89.5%) presented DIE confirmed by pathologic examination. Women presenting an ovarian endometrioma had higher CA 125 levels (39.5 versus 24.1 U/mL; p<0.01) and stronger association with the presence of DIE lesions (98.2 versus 86.2%; p=0.01) and intestinal DIE (57.1 versus 37.9%; p=0.01). There was no difference between the groups with endometriomas 40 mm. CONCLUSIONS: Ovarian endometrioma is a marker for the presence of DIE lesions, including intestinal DIE. Endometriosis; Laparoscopy; Inflammatory bowel diseases ARTIGO ORIGINAL Associação entre endometrioma ovariano e endometriose profunda infiltrativa Association between ovarian endometrioma and deep infiltrating endometriosis William Kondo I, II ; Reitan Ribeiro II ; Carlos Henrique Trippia III ; Monica Tessmann Zomer I, II I Centro Médico-Hospitalar Sugisawa - Curitiba (PR), Brasil II Hospital Vita Batel - Curitiba (PR), Brasil III Hospital Nossa Senhora das Graças - Curitiba (PR), Brasil Correspondência RESUMO OBJETIVO: Avaliar a associação do endometrioma ovariano e a presença de lesões de endometriose profunda infiltrativa (EPI) em uma amostra de mulheres do Sul do Brasil. MÉTODOS: Foi conduzida uma análise retrospectiva com informações dos prontuários de mulheres submetidas a tratamento cirúrgico de endometriose durante o período de janeiro de 2010 e junho de 2012. As pacientes foram divididas em dois grupos de acordo com a presença ou não de endometrioma ovariano. As pacientes portadoras de endometrioma ovariano foram subdivididas em dois grupos de acordo com o diâmetro do endometrioma (40 mm). Os parâmetros comparados entre os grupos incluíram: dosagem sérica de cancer antigen (CA) 125, tamanho do endometrioma, presença e número de lesões profundas. A análise estatística foi conduzida com o programa Statistica versão 8.0, utilizando-se o teste exato de Fisher, o teste t de Student e o teste de Mann-Whitney, quando necessário. Os valores p<0,05 foram considerados estatisticamente significativos. RESULTADOS: Durante o período de estudo, um total de 201 mulheres foram submetidas a tratamento cirúrgico laparoscópico de endometriose. Cinquenta e seis pacientes (27,9%) eram portadoras de endometrioma ovariano e 180 pacientes (89,5%) apresentaram EPI confirmada histologicamente. As mulheres com endometrioma ovariano apresentaram um CA 125 sérico mais alto (39,5 versus 24,1 U/mL; p<0,01) e uma maior associação com a presença de lesões de EPI (98,2 versus 86,2%; p=0,01) e de EPI intestinal (57,1 versus 37,9%; p=0,01). Não houve diferença significativa quando se comparou os grupos com endometriomas 40 mm. CONCLUSÕES: O endometrioma ovariano é um marcador para a presença de lesões de EPI, incluindo EPI com comprometimento intestinal. Palavras-chave: Endometriose/cirurgia, Laparoscopia/métodos, Doenças inflamatórias intestinais/cirurgia ABSTRACT PURPOSE: To evaluate the association between ovarian endometrioma and the presence of deep infiltrating endometriosis (DIE) lesions in a sample of women of the South of Brazil. METHODS: A retrospective study was conducted in all women undergoing surgical treatment of endometriosis from January 2010 to June 2012. Patients were divided into 2 groups according to the presence or not of ovarian endometrioma. Patients presenting an ovarian endometrioma were subsequently divided into 2 groups according to the diameter of the endometrioma (40 mm). The following parameters were compared between the groups: cancer antigen (CA) 125 level, size of the endometrioma, presence and number of deep lesions. The statistical analysis was performed with Statistica version 8.0 using Fisher's exact test, Student's t -test and Mann-Whitney test, when needed. The p values of <0.05 were considered statistically significant. RESULTS: During the study period, a total of 201 women underwent laparoscopic surgical treatment of endometriosis. Fifty-five patients (27.9%) presented ovarian endometrioma and 180 patients (89.5%) presented DIE confirmed by pathologic examination. Women presenting an ovarian endometrioma had higher CA 125 levels (39.5 versus 24.1 U/mL; p<0.01) and stronger association with the presence of DIE lesions (98.2 versus 86.2%; p=0.01) and intestinal DIE (57.1 versus 37.9%; p=0.01). There was no difference between the groups with endometriomas 40 mm. CONCLUSIONS: Ovarian endometrioma is a marker for the presence of DIE lesions, including intestinal DIE. Keywords: Endometriosis/surgery, Laparoscopy/methods, Inflammatory bowel diseases/surgery Introdução A endometriose afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva e pode ser responsável por sintomas dolorosos 1,2 e/ou infertilidade 3 . Apesar de o diagnóstico padrão-ouro da endometriose em mulheres com dor pélvica crônica ser a inspeção visual da pelve realizada por laparotomia ou, preferencialmente, por laparoscopia 4 , vários autores têm demonstrado a possibilidade de se mapear a doença no pré-operatório utilizando exames de imagem, notadamente nos casos de endometriose profunda infiltrativa (EPI) e de endometriomas ovarianos 5-8 . Existe uma forte associação entre o endometrioma ovariano e a presença de doença pélvica extensa, EPI e comprometimento intestinal 9-11 . Dada a complexidade do tratamento cirúrgico da EPI 12-14 e a taxa considerável de potenciais complicações pós-operatórias 2,15 , é sensato e necessário que se identifiquem na investigação pré-operatória marcadores de severidade da doença para o aconselhamento adequado da paciente e para o planejamento cirúrgico apropriado 10 . Na ausência de equipe especializada para o tratamento das formas avançadas de endometriose, a identificação de tais marcadores pode alertar o cirurgião para a possibilidade de presença de EPI, levando-o a referenciar a paciente a um centro especializado no tratamento da doença. Neste artigo estudamos a associação do endometrioma ovariano com as formas mais severas de endometriose, principalmente com relação à presença de lesões de EPI e de comprometimento intestinal. Métodos Foi realizada uma análise retrospectiva incluindo mulheres portadoras de endometriose operadas por um único ginecologista em um serviço privado no Sul do Brasil, durante o período compreendido entre janeiro de 2010 e junho de 2012. O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Vita Batel e o termo de consentimento livre e esclarecido foi obtido de todas as pacientes no momento da indicação do procedimento cirúrgico. Todas as mulheres submetidas à cirurgia laparoscópica para investigação e tratamento de dor pélvica crônica com endometriose comprovada histologicamente foram incluídas no estudo. O procedimento cirúrgico foi realizado com o intuito de remover completamente a doença. Os achados intra e pós-operatórios foram coletados prospectivamente e armazenados em um banco de dados. Durante o procedimento cirúrgico foram avaliadas a presença de endometrioma ovariano, de lesões sugestivas de endometriose superficial e de EPI. As lesões de EPI foram classificadas em oito localizações principais: ligamento redondo, serosa uterina anterior/reflexão peritonial vesicouterina, bexiga, ligamento uterossacro, região retrocervical, vagina, intestino e ureter, de acordo com classificação previamente descrita na literatura 1 . O diagnóstico de endometriose/endometrioma ovariano em cada local foi confirmado pela presença de glândulas e estroma endometriais no estudo histológico das peças cirúrgicas. As pacientes foram divididas em dois grupos de acordo com a presença ou não de endometrioma ovariano. Os parâmetros comparados entre os grupos incluíram: idade, índice de massa corporal (IMC), dosagem sérica de cancer antigen (CA) 125 (valor de referência 35 U/mL), tamanho do endometrioma, presença e número de lesões profundas, sangramento intraoperatório, tempo cirúrgico, escore da American Fertility Society revised (AFSr) 16 e tempo de permanência hospitalar. As pacientes portadoras de endometrioma ovariano foram subdivididas em 2 grupos de acordo com o diâmetro do endometrioma: 40 mm. Os mesmos parâmetros supracitados foram comparados em ambos os grupos. A análise estatística foi conduzida com o programa Statistica versão 8.0. As variáveis qualitativas foram comparadas utilizando-se o teste exato de Fisher. O teste de Kolmogorov-Smirnov foi aplicado para testar a normalidade da distribuição nas variáveis quantitativas. As variáveis com distribuição normal foram testadas utilizando-se o teste t de Student. As variáveis sem distribuição normal foram analisadas pelo teste de Mann-Whitney. Os valores p<0,05 foram considerados estatisticamente significativos. As variáveis com distribuição normal foram expressadas como média±desvio padrão. As variáveis sem distribuição normal foram expressadas como mediana (variação mínimo-máximo). Resultados Durante o período de estudo, 201 pacientes foram submetidas a tratamento cirúrgico laparoscópico de endometriose. A média de idade da amostra estudada foi de 35±7,3 anos e o IMC mediano foi de 24 kg/m 2 (18-35,5 kg/m 2 ). Cinquenta e seis pacientes (27,9%) eram portadoras de endometrioma ovariano e 180 pacientes (89,5%) apresentaram EPI confirmada histologicamente. A Tabela 1 mostra a comparação entre as mulheres portadoras de endometriose com e sem endometrioma ovariano associado. Não houve diferença estatisticamente significativa quanto à idade e IMC entre os dois grupos. As mulheres com endometrioma ovariano apresentaram CA 125 sérico mais elevado (39,5 versus 24,1U/ml; p<0,01) e maior associação com a presença de lesões de EPI (98,2 versus 86,2%; p=0,01) e de EPI intestinal (57,1 versus 37,9%; p=0,01). O número de lesões de EPI e de EPI intestinal foi mais alto no grupo de mulheres com endometrioma ovariano associado. O tempo cirúrgico e a perda sanguínea estimada foram superiores no grupo com endometrioma ovariano, assim como o tempo de permanência hospitalar e o escore da AFSr. Thumbnail Quando as mulheres portadoras de endometrioma ovariano foram divididas em dois grupos de acordo com o diâmetro da lesão ( Tabela 2 ), não se observou diferença estatisticamente significativa em nenhum dos parâmetros comparados, com exceção do tamanho do cisto que obviamente foi maior no grupo com endometriomas >40 mm (50 versus 30 mm; p40 mm apresentaram lesões associadas de EPI, enquanto que 96,1% das pacientes com endometrioma <40 mm eram portadoras de lesões de EPI concomitante. O comprometimento intestinal associado foi observado em 65,4 e em 50,0% das pacientes com endometrioma 40 mm, respectivamente. O tempo cirúrgico e a perda sanguínea foram semelhantes em ambos os grupos, assim como o tempo de permanência hospitalar e o escore da AFSr. Thumbnail Discussão Neste estudo retrospectivo demonstramos que na presença de endometrioma ovariano, independentemente do seu tamanho, observa-se alta incidência de lesões de EPI associadas. Tais achados confirmam resultados achados de estudos previamente publicado 9-11 e novamente chamam a atenção dos ginecologistas para o fato de que a identificação de um endometrioma ovariano em um exame de imagem implica necessariamente em uma investigação para identificação de outras lesões de endometriose. Há algum tempo tem-se observado que a existência de endometriose ovariana superficial ou profunda é um marcador da presença de doença intestinal e pélvica extensa. Consequentemente, os cirurgiões que diagnosticam e tratam apenas os endometriomas ovarianos podem estar subdiagnosticando e subtratando suas pacientes 9 . Em um estudo prospectivo 10 , incluindo 295 mulheres com diagnóstico histológico confirmado de endometriose, 21% apresentavam endometrioma ovariano. Observou-se infiltração intestinal em 77% das mulheres com endometrioma comparado a apenas 21% das mulheres sem endometrioma. Uma forte relação foi observada entre a presença de endometrioma e obliteração do fundo de saco posterior, doença em retossigmoide e envolvimento da camada seromuscular do intestino. A presença de endometrioma aumentou a probabilidade de se ter doença em retossigmoide em 6,9 vezes. Um outro estudo 11 , que incluiu 500 mulheres com diagnóstico de EPI, observou que, na presença de endometrioma ovariano associado, o número médio de lesões de endometriose profunda foi superior. Para as mulheres com endometrioma ovariano associado, as lesões profundas de endometriose foram mais severas, com maior taxa de lesões em vagina, intestino e ureter. Os achados supracitados, combinados com os resultados demonstrados no presente estudo, permitem-nos concluir que na presença de endometrioma ovariano deve-se conduzir um mapeamento pré-operatório adequado em busca de lesões de EPI por um radiologista habituado com o diagnóstico da doença. O tratamento cirúrgico geralmente é complexo e inclui a ressecção de várias lesões de endometriose e a equipe que realizará o tratamento cirúrgico da paciente deve ser qualificada para o tratamento da EPI, incluindo os implantes em trato urinário e intestinal, quando necessário. Recentemente, em um interessante estudo 17 que incluiu 300 mulheres com diagnóstico histológico confirmado de endometrioma ovariano observou-se que a severidade da dor pélvica estava significativamente relacionada à presença de lesões EPI associadas e não somente ao endometrioma ovariano per se. Esses achados foram ratificados quando se demonstrou que o endometrioma ovariano é a lesão de endometriose que tem o menor número de fibras nervosas no seu interior 18 . O número de fibras nervosas em lesões de endometriose foi de 29,7/mm 2 no ligamento uterossacro, 24,5/mm 2 no septo vaginal, 17,0/mm 2 no recesso retouterino, 6,7/mm 2 na doença superficial peritonial e 0,07/mm 2 na parede dos endometriomas ovarianos. Portanto, na presença de endometriomas ovarianos é importante que se trate a doença profunda associada, uma vez que muito provavelmente o não tratamento das lesões profundas deve fazer com que a melhora dos sintomas dolorosos no pós-operatório seja pouco significativa. Os pontos fortes do nosso estudo incluem a coleta prospectiva dos dados (apesar de a análise realizada ter sido retrospectiva) e o fato de todos os procedimento terem sido realizados pelo mesmo cirurgião, o que favorece a padronização da técnica cirúrgica e dos dados coletados. A grande limitação deste estudo é que se trata de uma amostra com viés, pois 89,5% de todas as pacientes operadas em decorrência de dor pélvica crônica eram portadoras de EPI (o esperado seria algo em torno de 33% 19 ). No entanto, mesmo com essa amostra tendenciosa, houve diferença significativa em vários parâmetros avaliados quando se comparou o grupo de pacientes portadoras e não portadoras de endometriomas ovarianos. Caso nossa amostra incluísse mais pacientes com endometriose superficial, muito provavelmente também encontrássemos diferença significativa na incidência de lesões de EPI de trato urinário (bexiga e ureter) entre os grupos. Um achado que chama a atenção em nosso estudo é que a existência de EPI concomitante está associada à presença do endometrioma ovariano, independentemente do seu tamanho; ou seja, um endometrioma de pequeno volume não necessariamente será de tratamento mais simples do que um endometrioma volumoso e vice-versa. Como nossa amostra de pacientes não é tão grande, esses resultados devem ser avaliados com cautela e estudos com uma amostra maior de pacientes são necessários para confirmar tais achados. Conflito de interesses: não há. Recebido 16/07/2012 Aceito com modificações 13/08/2012 Trabalho realizado no Hospital Vita Batel e Centro Médico-Hospitalar Sugisawa - Curitiba (PR), Brasil. Referências bibliográficas 1. Kondo W, Ribeiro R, Tripia C, Zomer MT. Deep infiltrating endometriosis: anatomical distribution and surgical treatment. Rev Bras Ginecol Obstet. 2012;34(6):278-84. 2. Kondo W, Bourdel N, Tamburro S, Cavoli D, Jardon K, Rabischong B, et al. Complications after surgery for deeply infiltrating pelvic endometriosis. BJOG. 2011;118(3):292-8. 3. Kondo W, Ferriani RA, Petta CA, Abrão MS, Amaral VF. Endometriose e infertilidade: causa ou consequência? JBRA Assist Reprod. 2009;13(2):33-8. 4. Kennedy S, Bergqvist A, Chapron C, D'Hooghe T, Dunselman G, Greb R, et al. 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Correspondência William Kondo Hospital Vita Batel Rua Alferes Ângelo Sampaio, 1896 - Batel CEP: 80420-160 Curitiba (PR), Brasil Datas de Publicação Publicação nesta coleção 26 Nov 2012 Data do Fascículo Set 2012 Histórico Recebido 16 Jul 2012 Aceito 13 Ago 2012 This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License. Autoria .author-card { border-bottom: 1px solid #ccc; padding: 1rem 0; } .author-card:last-child { border-bottom: 0px; } .author-name { font-weight: 600; } .orcid-button { padding-left: 2.5rem; } .modal-body { padding-bottom: 3rem; } .orcid-button::before { content: ""; position: absolute; background-image: url(https://ds.scielo.org/img/logo-orcid.svg); background-repeat: no-repeat; background-size: 1.5em auto; background-position: .5em center; display: block; width: 60px; height: 60px; top: -10px; left: 0; } person William Kondo school Centro Médico-Hospitalar Sugisawa, Curitiba, PR, Brasil Centro Médico-Hospitalar Sugisawa Brasil Curitiba, PR, Brasil Centro Médico-Hospitalar Sugisawa, Curitiba, PR, Brasil school Hospital Vita Batel, Curitiba, PR, Brasil Hospital Vita Batel Brasil Curitiba, PR, Brasil Hospital Vita Batel, Curitiba, PR, Brasil person Reitan Ribeiro school Hospital Vita Batel, Curitiba, PR, Brasil Hospital Vita Batel Brasil Curitiba, PR, Brasil Hospital Vita Batel, Curitiba, PR, Brasil person Carlos Henrique Trippia school Hospital Nossa Senhora das Graças, Curitiba, , Brazil Hospital Nossa Senhora das Graças Brazil Curitiba, , Brazil Hospital Nossa Senhora das Graças, Curitiba, , Brazil person Monica Tessmann Zomer school Centro Médico-Hospitalar Sugisawa, Curitiba, PR, Brasil Centro Médico-Hospitalar Sugisawa Brasil Curitiba, PR, Brasil Centro Médico-Hospitalar Sugisawa, Curitiba, PR, Brasil school Hospital Vita Batel, Curitiba, PR, Brasil Hospital Vita Batel Brasil Curitiba, PR, Brasil Hospital Vita Batel, Curitiba, PR, Brasil SCIMAGO INSTITUTIONS RANKINGS Centro Médico-Hospitalar Sugisawa, Curitiba, PR, Brasil Centro Médico-Hospitalar Sugisawa Brasil Curitiba, PR, Brasil Centro Médico-Hospitalar Sugisawa, Curitiba, PR, Brasil Hospital Vita Batel, Curitiba, PR, Brasil Hospital Vita Batel Brasil Curitiba, PR, Brasil Hospital Vita Batel, Curitiba, PR, Brasil Hospital Nossa Senhora das Graças, Curitiba, , Brazil Hospital Nossa Senhora das Graças Brazil Curitiba, , Brazil Hospital Nossa Senhora das Graças, Curitiba, , Brazil Tabelas Tabelas (2) Thumbnail Thumbnail table_chart table_chart Como citar link copiar function currentDate() { var today = new Date(); var months = ['Janeiro', 'Fevereiro', 'Março', 'Abril', 'Maio', 'Junho', 'Julho', 'Agosto', 'Setembro', 'Outubro', 'Novembro', 'Dezembro'] today.setTime(today.getTime()); return today.getDate() + " " + months[today.getMonth()] + " " + today.getFullYear(); } var citation = 'Kondo, William et al. Associação entre endometrioma ovariano e endometriose profunda infiltrativa. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia [online]. 2012, v. 34, n. 9 [Acessado CURRENTDATE], pp. 420-424. Disponível em: . Epub 26 Nov 2012. ISSN 1806-9339. https://doi.org/10.1590/S0100-72032012000900006.'.replace('CURRENTDATE', currentDate()); document.getElementById('citation').innerHTML = citation; document.getElementById('citationCut').value = citation.replace('<', ' "); more_horiz Ferramentas do artigo file_download PDFs show_chart Metrics image Figuras e tabelas translate Versions and translations link How to cite this article article Related articles location_on Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia Av. Brigadeiro Luís Antônio, 3421, sala 903 - Jardim Paulista, 01401-001 São Paulo SP - Brasil, Tel. (55 11) 5573-4919 - Rio de Janeiro - RJ - Brazil E-mail:
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