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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO
ATIVIDADE DA AROMATASE EM CÉLULAS DA GRANULOSA
DE MULHERES COM ENDOMETRIOSE SUBMETIDAS A
TÉCNICAS DE REPRODUÇÃO ASSISTIDA
Ribeirão Preto, São Paulo
2005
Lauriane Giselle de Abreu
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO
ATIVIDADE DA AROMATASE EM CÉLULAS DA GRANULOSA
DE MULHERES COM ENDOMETRIOSE SUBMETIDAS A
TÉCNICAS DE REPRODUÇÃO ASSISTIDA
Lauriane Giselle de Abreu
Dissertação de Mestrado apresentada à
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo, para obtenção do título
de Mestre em Medicina na área de concentração:
Tocoginecologia
Orientador: Prof. Dr. Marcos Dias de Moura
Ribeirão Preto, São Paulo
2005
11
Ficha catalográfica
Abreu, Lauriane Giselle de
Atividade da Aromatase em Células da Granulosa de Mulheres com
Endometriose Submetidas a Técnicas de Reprodução Assistida/
Lauriane Giselle de Abreu. Ribeirão Preto, São Paulo, 2005.
xix, 97p., il.
Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo, Departamento de
Tocoginecologia.
Data da Defesa: 31/05/2005
BANCA EXAMINADORA
Prof. Dr. Marcos Dias de Moura
Julgamento: _ ________________ _ _
Assinatura: --------------------
Profa. Dra. Rosana Maria dos Reis
Julgamento: _ ____________ _____ _
Assinatura: ----------------- ---
Prof. Dr. Mauri Piazza
Julgamento: _ ____________ ______ _
Assinatura: --------------------
iii
"Sejam quais forem os sentimentos e os interesses
humanos, o intelecto é, também ele, uma força. Esta não consegue
prevalecer imediatamente, mas por fim os seus efeitos revelam-se ainda
mais peremptórios. A verdade que mais fere acaba sempre por ser notada
e por se impor, assim que os interesses que lesa e as emoções que suscita
tenham esgotado a sua virulência."
Sigmund Freud
IV
Ao meu pai, Luiz Antonio.
A minha mãe, Rosemarie.
DEDICATÓRIAS
Dedico a vocês, com muito amor, este trabalho e todas as minhas
realizações. Minha enorme gratidão pela confiança e apoio que sempre me
ofereceram.
Aos meus irmãos, Luciana e Júnior, pelo apoio.
Ao meu companheiro, Marcelo, pela confiança e paciência.
V
AGRADECIMENTOS
Ao Prof Dr. Marcos Dias de Moura, agradecimento especial pela confiança na
realização deste trabalho. Minha total admiração pelo seu talento como
dÕcente, como médico, como pesquisador e grande cientista. Também minha
gratidão pela orientação e pela amizade e gentileza sempre presentes.
Ao Prof. Dr. Marcos Felipe Silva de Sá, chefe da pós-graduação na área de
Tocoginecologia, grande mestre, toda a admiração por seu trabalho como
docente e cientista e minha gratidão pelo apoio científico e confiança neste
trabalho.
vi
AGRADECIMENTOS
Ao Prof. Dr. Fernando Mangieri Sobrinho e Prof. Inácio Teruo lnoue; pela
amizade, estímulo para a carreira científica e confiança.
Aos Profs. Rosana Maria dos Reis e Rui Alberto Ferriani, pela atenção e
incentivo para a realização deste trabalho.
A todos os docentes do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da FMRP,
pela imensa colaboração em minha formação.
A sra. Maria Albina Verceze Bortoliero, que me ensinou a técnica do cultivo
celular e realizou as dosagens hormonais, minha enorme gratidão pelo seu
carinho, dedicação e auxílio em todo o processo.
A sra. llza Rezende Mazzocato, minha gratidão pela amizade e auxílio.
Às sras. Renata Maria Rebouças, Maria Cristina Piccinato Araújo; Maria
Auxiliadora Pádua, Sandra Viana, Maria Aparecida Carneiro Vasconcelos,
Marilda Hatsumi Yamada Dantas, pelo auxílio prestado neste trabalho,
disponibilidade e amizade.
Aos meus colegas de pós-graduação: Luciana de Barros Duarte, Carolina
Sales Vieira, Alessandra Marcolin, Laura Ferreira Santana, Arlene de Oliveira
Fernandes, e todos em geral, pela amizade e apoio.
Vll
SUMÁRIO
Abreviaturas ...................................................................................................... x
Lista de tabelas ............................................................................................... xii
Lista de figuras .............................................................................................. xiv
Resumo .......................................................................................................... xv
Summary ...................................................................................................... xvii
1. Introdução .................................................................................................. 19
1.1. Etiopatogenia da Endometriose .................................................. 19
1.2. Aroma ta se e Endometriose ........................................................ 27
2. Objetivo ...................................................................................................... 34
3. Pacientes e Métodos ................................................................................. 35
3.1. Delineamento do estudo .................................................................. 35
3.2. Amostra ...................................... ..................................................... 35
3.3. Local de realização do estudo ......................................................... 35
3.4. Comitê de ética ................................................................................ 35
3.5. Seleção de pacientes ....................................................................... 35
3.5.1. Critérios de inclusão para os dois grupos ................................. 36
3.5.2. Critérios de inclusão para o grupo-estudo ................................ 36
3.5.3. Critérios de exclusão para o grupo-estudo ............................... 36
3.5.4. Critérios de inclusão para o grupo-controle .............................. 36
3.5.5. Critérios de exclusão para o grupo-controle ............................. 36
3.6. Protocolo de Hiperestimulação Ovaria na Controlada ...................... 37
viii
SUMÁRIO
3.7. Captação de oócitos ........................................................................ 38
3.8. Cultivo de Células da Granulosa .................................................... .40
3.8.1. Procedimento do Cultivo Celular ............................................. 42
3.9. Atividade da aromatase ................................................................... 45
3.1 O. Experimentos realizados ............................................................... 46
3.11. Dosagens hormonais ..................................................................... 4 7
3.11.1 Estradiol ................................................................................. 47
3.11.2. Progesterona ........................................................................ 47
3.12. Análise Estatística .......................................................................... 48
4. Resultados ................................................................................................ 49
4.1. Características clínicas das pacientes do estudo ............................. 49
4.2. Dosagens Hormonais nos Fluidos de Cultivas Celulares ................. 56
4.2.1. Estradiol ..................................................................................... 56
4.2.2. Atividade da aromatase ............................................................. 57
4.2.3. Progesterona ............................................................................. 63
5. Discussão .................................................................................................. 67
6. Conclusão ................................................................................................. 71
7. Referências Bibliográficas ......................................................................... 72
Apêndice 01 .................................................................................................. 82
Apêndice 02 .................................................................................................. 84
Anexos .......................................................................................................... 86
lX
ABREVIATURAS
A - androstenediona
Bax - proteína anti-apoptótica denominada proteína X associada à Bcl-2
Bcl-2 - proteína anti-apoptótica derivada da célula B CLUlinfoma 2
CC - citrato de clomifeno
E1 - estrona
E2 - estradiol
FIV - Fertilização ln Vitro
FMRP - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
FSH - hormônio folículo-estimulante
FSHr - hormônio folículo-estimulante recombinante
GnRH - hormônio liberador de gonadotrofinas
GnRHa - análogos do GnRH
hCG - gonadotrofina coriônica humana
hMG ou HMG- gonadotrofinas menopausais humanas
ICSI - Injeção lntracitoplasmática de Espermatozóide
IGF-1 - fator de crescimento insulina símile tipo 1
IL- interleucina
IUI - Inseminação Intra uterina
LH - hormônio luteinizante
M - concentração molar
mlCAM - molécula de adesão intercelular forma de membrana
X
ABREVIATURAS
MMTPs - metaloproteinases
NK - células de citotoxidade natural
PCR - reação em cadeia de polimerase
P4 - progesterona
P450 - termo genérico para denominar a família de enzimas oxidativas
contendo o pigmento 450 cuja absorbância muda enquanto é reduzido
P450 arom - aromatase P450
RNAm - ácido ribonucléico mensageiro
ROS - espécies reativas de oxigênio
SD - desvio padrão
slCAM - molécula de adesão intercelular tipo solúvel
sTAR- proteína de regulação aguda da esteroidogênese
TEC - transferência de embriões congelados
TIMPs - inibidores das metaloproteinases
Th1- subpopulação de linfócitos T auxiliares tipo 1
Th2 - subpopulação de linfócitos T auxiliares tipo2
TGF - fator de crescimento tumoral
TNF - fator de necrose tumoral
USG - ultrassonografia
UI - unidades internacionais
VEGF - fator de crescimento vascular endotelial
xi
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Preparo dos meios para cultivo de células da granulosa.
Tabela 2 - Características clínicas das mulheres do grupo controle: idade,
tempo de infertilidade, tratamentos de infertilidade prévios e causa da
infertilidade.
Tabela 3 - Características clínicas das mulheres do grupo com endometriose:
idade, tempo de infertilidade, tratamentos de infertilidade prévios, classificação
da endometriose e antecedente familiar de endometriose.
Tabela 4 - Características da hiperestimulação ovariana controlada para FIV
ou ICSI das pacientes do grupo com endometriose e controle.
Tabela 5 - Características da captação de oócitos e transferência embrionária
para FIV e ICSI nos grupo controle e endometriose.
Tabela 6 - Valores em média das dosagens de estradiol em pg/ml de fluidos
de cultivas de células da granulosa de mulheres sem endometriose (grupo
controle) submetidas à reprodução assistida.
Xll
LISTA DE TABELAS
Tabela 7 -Valores em média das dosagens de estradiol em pg/ml de fluidos de
cultivas de células da granulosa de mulheres com endometriose submetidas à
reprodução assistida.
Tabela 8 - Valores em média das dosagens de progesterona em ng/ml de
fluidos de cultivas de células da granulosa de mulheres sem endometriose
(grupo controle) submetidas à reprodução assistida.
Tabela 9 - Valores em média das dosagens de progesterona em ng/ml de
fluidos de cultivas de células da granulosa de mulheres com endometriose
submetidas à reprodução assistida.
Xlll
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Possíveis alterações fisiopatológicas na cavidade peritoneal de
mulheres com endometriose.
Figura 2 - mecanismo de estresse oxidativo na endometriose.
Figura 3 - lnativação defectiva de estradiol na endometriose.
Figura 4 - Esquema de hiperestimulação ovariana controlada para FIV ou ICSI
Figura 5 - Esquema do procedimento de cultivo de células da granulosa.
Figura 6 - Níveis de P4 (ng/ml) produzidos em condições basais e em
resposta à adição de testosterona (2 x 10"6M e 2 x 10"5M) em cultivo de células
da granulosa do grupo de mulheres com endometriose e controle.
Gráfico 1 - Níveis de E2 (pg/ml) em fluido de cultivo de células da granulosa
do grupo de mulheres com endometriose e controle, em condições basais.
Gráficos 2 e 3 - Atividade da aromatase expressa em níveis de E2 (pg/ml)
produzidos em resposta à adição de testosterona na concentração de 2 x 10-6M
(Gráfico 2) e 2 x 1 o·5M (Gráfico 3) em cultivo de células da granulosa de
mulheres com endometriose e controle.
XIV
RESUMO
Abreu LG. Atividade da aromatase em células da granulosa de mulheres
com endometriose submetidas a técnicas de reprodução assistida. 2005.
97p. Dissertação de Mestrado - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto,
Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto.
Endometriose significa presença de tecido endometrial fora da cavidade
uterina. Sua associação com infertilidade é inequívoca, entretanto, os
mecanismos envolvidos ainda permanecem não totalmente esclarecidos e
aberrações moleculares emergem como possíveis alvos de defeitos. Acredita
se em comprometimento poligênico com alterações de citocinas, moléculas do
estresse oxidativo e enzimas relacionadas à esteroidogênese como a
aromatase. Esta é responsável por catalisar a transformação de andrógenos
em estrógenos; está presente em vários tecidos e na célula da granulosa é de
primordial importância para a foliculogênese. Em mulheres com endometriose,
foram encontradas alterações da aromatase tanto em implantes
endometrióticos como no endométrio tópico, além de redução de sua atividade
em células da granulosa, com possível comprometimento da qualidade
oocitária. Este trabalho tem por objetivo medir a atividade da aromatase nas
XV
células da granulosa in vitro de mulheres com endometriose submetidas à
reprodução assistida.
Pacientes e Métodos: Estudo caso-controle, com 8 pacientes com
endometriose e 8 com outras causas de infertilidade submetidas à FIV ou ICSI.
Coletaram-se células da granulosa a partir de folículos pré-ovulatórios no dia
da captação oocitária e realizou-se cultivo destas células por 24 horas, na
presença ou não de testosterona nas concentrações de 2 x 1 o-6M e 2 x 10-5 M;
FSH (50 ng/ml) e IGF-1 (50 ng/ml) e foi feita dosagem posterior de estradiol
(radioimunoensaio) e progesterona (quimioluminescência) nos fluidos de
cultivo.
Resultados: Houve redução da atividade da aromatase nas células da
granulosa de mulheres com endometriose quando comparadas ao controle,
quando houve adição de testosterona na concentração de 2 x 10-6M (p=0,
0303). A produção de estradiol e progesterona, basal ou estimulada por IGF-1
e FSH, não mostrou nenhuma diferença entre os grupos. Também não houve
nenhuma diferença na produção de progesterona mediante adição de
testosterona.
Palavras-chave: Aromatase; endometriose; células da granulosa; reprodução
assistida.
xvi
SUMMARY
Abreu LG. Aromatase activity in granulosa cells of women with
endometriosis undergoing assisted reproduction techniques. 2005. 97p.
Dissertação de Mestrado - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto,
Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto.
Endometriosis represents the presence of endometrial tissue outside the uterine
cavity. The infertility-endometriosis association is unequivocal; however,
the mechanisms involved are still not totally elucidated and molecular
aberrations have been proposed as possible targets. There is a belief that a
polygenic insult results in molecular alterations of cytokines, molecules of the
oxidative stress and enzymes related to steroid synthesis, such as aromatase.
This enzyme is responsible for converting androgens to estrogens, is present in
severa! tissues and in granulosa cells and is of primordial importance
for folliculogenesis. ln women with endometriosis, aromatase alterations have
been found both in endometriotic implants and in topic endometrium, as well as
reduced activity in granulosa cells, with possible oocyte damage. The aim of
this study was to measure aromatase activity in granulosa cells of women with
endometriosis undergoing assisted reproductive techniques.
xvu
Patients and Methods: A case-contrai study was conducted on 8 patients with
endometriosis and 8 with other infertility causes submitted to IVF or ICSI.
Granulosa cells were obtained from a pre-ovulatory follicle during oocyte
retrieval and cultured for 24 hours in the presence or absence of testosterane at
2 x 1 o-s M and 2 x 10-5 M concentration, FSH (50 ng/ml) and IGF-1 (50 ng/ml).
Estradiol (radioimmunoassay) and progesterone (quimiolumminescence) were
then measured in culture fluids.
Results: Reduced aromatase activity was detected in granulosa cells of women
with endometriosis compareci to contrai when testosterone was added at 2x 1 o-s
M concentration (p=0.0303). The production of estradiol and
pragesterane under basal conditions or in the presence of stimulation with IGF-
1 and FSH did not differ between groups. Also, no difference in pragesterone
production was observed in the presence of testosterone.
Key-words: aromatase; endometriosis; granulosa cells; assisted repraduction
techniques.
XVlll
1. Introdução
1.1. Etiopatogenia da Endometriose
Endometriose, por definição, siginifica presença de endométrio (com
glândula e estrema) fora da cavidade uterina (Noble et ai., 1996 Speroff et ai.,
1999). Clinicamente, apresenta-se sob a tríade: dor pélvica crônica,
dismenorréia e infertilidade, porém, não se encontra correspondência entre
estágio da doença e severidade dos sintomas, de maneira que pequenas lesões
podem causar sintomas exuberantes e vice-versa (Moura et ai., 1999). Atinge
preferencialmente mulheres no menacme, sendo infreqüente antes da menarca
e após a menopausa (Schenken, 1996; Moura et ai., 1999; Neme et ai., 2001) e
representa uma doença crônica e de elevada morbidade, a qual acomete cerca
de 10% das mulheres em idade reprodutiva e 25 a 35% das inférteis (Wheeler,
1989; Schenken, 1996; Moura et ai., 1999; Speroff et ai., 1999). Na verdade, a
prevalência da endometriose depende muito do método empregado para seu
diagnóstico e a população estudada. Wheeler (1989) demonstrou prevalência de
aproximadamente 10% em achados cirúrgicos em mulheres em idade
reprodutiva com outros diagnósticos, Hess (1988), por sua vez, encontrou 9,4%
de endometriose em mulheres submetidas à laparoscopia por algia pélvica
crônica (Neme et ai., 2001). Quando se analisam mulheres com infertilidade e
dor pélvica associadas, pode-se encontrar até 50% de prevalência de
endometriose (Cornillie et ai., 1990), por outro lado, mulheres assintomáticas
apresentam incidência de cerca de 1-2% (Moura et ai., 1999).
19
Admite-se que a etiopatogenia de endometriose seja multifatorial e
existem várias teorias para tentar explicá-la (Pellicer et ai., 1998; Bulun et ai.,
2002). De acordo com a teoria de Sampson, a mais aceita, os debris mestruais
que refluem para a cavidade peritoneal possuem células endometriais viáveis
que potencialmente podem formar um implante endometriótico. Entretanto, por
que existe refluxo em 90% das mulheres e somente 10% delas têm
endometriose? Acredita-se que algumas destas células endometriais das
pacientes com endometriose apresentam características singulares
geneticamente determinadas que possam aumentar sua probabilidade de
implantar-se, bem como a existência de um mecanismo imunológico aberrante
que possa aumentar a sobrevida destas células e favorecer a formação de
implante endometriótico (Zeitoun et ai., 1999; Bulun et ai., 2002).
Outras teorias tentam explicar a presença de lesões de endometriose fora
da cavidade pélvica. Em 1927, Meyer (1924) propôs que a endometriose seria
resultado de uma metaplasia das células da linhagem peritoneal; esta teoria
explica a endometriose em homens, em pré-púberes, mulheres que nunca
menstruaram e lesões em sítios atípicos, como cavidade pleural e meninges.
A constatação da presença de células endometriais viáveis na luz de
vasos sanguíneos e linfáticos por Halban e Sampson (1925) levou-os a
especular que focos distantes de endometriose poderiam surgir a partir da
disseminação de células endometriais por via hematogênica ou linfática. Esta
teoria explicaria lesões na pleura, umbigo, espaço retroperitoneal, vagina e colo
do útero.
Acredita-se que a endometriose também represente uma doença
poligênica com envolvimento de alterações moleculares, principalmente as
20
citocinas 0/Vu & Ho, 2003); enzimas relacionadas à esteroidogênese como a
aromatase (Zeitoun et ai., 1999; Bulun et ai., 2002) e moléculas envolvidas com
o estresse oxidativo celular (Langendonckt et ai., 2002; Szczepanska et ai.,
2003).
Kao e colaboradores (2003), através da análise de microarrays em
amostras de endométrio de mulheres com endometriose, encontraram 91 genes
com expressão aumentada e 115 reduzidos significativamente nestas mulheres;
entre estes genes alterados incluem aqueles envolvidos com resposta imune e
apoptose celular, receptor de progesterona, fatores angiogênicos e o gene da
aromatase. Arvanitis e colaboradores (2003) também encontraram a presença
de um polimorfismo no gene da aromatase associado com endometriose.
Com relação ao sistema imune, encontram-se alterações tanto na
imunidade celular quanto humoral na endometriose, de maneira que ocorra um
ambiente peritoneal favorável à maior sobrevida das células endometriais após o
fluxo retrógrado para formação dos implantes endometrióticos (Pellicer et ai.,
1998; Wu & Ho, 2003). O fluido peritoneal de pacientes com endometriose
apresenta um maior número e maior atividade macrocítica; entretanto, estes
apresentam atividade fagocítica reduzida e produzem maior quantidade de
fatores de crescimento e citocinas que estimulam a adesão celular e expressão
de metaloproteinases (substâncias modeladoras da matriz extracelular),
favorecendo a formação dos implantes endometrióticos (Clive et ai., 1985; Zeller
et ai., 1987; Dunselman et ai., 1988). As células NK (Natural Killer) também
apresentam atividade de citotoxidade reduzida na endometriose, levando a uma
menor capacidade de clearence das células endometriais refluídas (Oosterlynck
et ai., 1991; Wilson et ai., 1994). Entre os linfócitos, há uma dominância na
21
atividade dos linfócitos da subpopulação Th2 em relação à Th1 r,Nu & Ho,
2003). Quanto à imunidade humoral, sugere-se a associação entre
endometriose e doenças auto-imunes (Gallová et ai., 2002). Em estudo realizado
com 313 mulheres inférteis com endometriose (261 estágios I e li; 62 estágios Ili
e IV) comparativamente a 101 mulheres inférteis sem endometriose, houve
maiores níveis de auto-anticorpos do tipo antifosfolípide contra inositol,
cardiolipina, etanolamida e �2glicoproteína nas pacientes com endometriose,
sendo mais exuberante naquelas nos estágios I e li. E em 40% das pacientes
com endometriose graus leve e mínimo apresentaram anticorpos antizona
pelúcida (Gallová et ai., 2002).
Além disso, níveis elevados de citocinas no fluido peritoneal de pacientes
com endometriose foram relatados em diversos estudos. Entre elas estão IL-1,
IL-6, IL-8, IL-10, VEGF, TNFcx, TGF� 0/Vu & Ho, 2003). (Figura 1)
Destaque merece ser dado à IL-6, que corresponde a uma interleucina
das mais importantes na etiopatogenia da endometriose. Está envolvida com a
produção esteroidogênica ovariana, foliculogênese e implantação embrionária,
apresenta atividade multifuncional e possui efeitos angiogênicos, induzindo a
expressão de VEGF. Além disso, por estímulo de IL-1, ocorre produção de IL-6
em células endometriais de pacientes com endometriose, porém não em
pacientes sem a doença. A IL-6 também estimula a produção da aromatase em
células adiposas 0/Vitz et ai., 2000), e, em elevadas concentrações, é
embriotóxica em ratos (Wu & Ho, 2003). (Figura 1)
22
Macrófago
IL 1, IL6, IL8, IL 10
TNFa, TGF�; VEGFj
Adesão, angiogênese
AM-1, VEGF, IL6, IL8 TNF
.. _,,. ... -� �
,, '--' · . -7 _
MMTPs/TIMPs
Bcl-2/Bax
ROS/antioxidantes
Th2
IL4, ILS, IL 10 i
Th1
1�
Célula NK
IFN � t
Figura 1 - Possíveis alterações fisiopatológicas na cavidade peritoneal de mulheres com
endometriose. O endométrio anormal da endometriose em ROS ( espécies reativas de oxigênio),
antioxidantes, metaloproteinases e seus inibidores (MMPs e TIMPs). Thl = subpopulação de
linfócitos 1; Th2 = subpopulação de linfócitos 2. sICAM-1: molécula de adesão intercelular
forma solúvel. VEGF = fator de crescimento vascular endotelial. Bcl-2 e Bax = proteínas anti
apoptóticas. (adaptado de Wu & Ho. 2003).
23
Pesquisa-se também a presença de alterações nos mecanismos de
controle de proliferação celular do endométrio de pacientes com endometriose.
A "homeostase tecidual" normalmente é produto de um equilíbrio entre
mecanismos de destruição ou degradação celular (apoptose) e de proliferação
celular. Na endometriose parece haver um desbalanço nesta homeostase, com
maior proliferação celular nas lesões endometrióticas e menor apoptose,
permitindo a sobrevivência e crescimentos das lesões. (Fujishita et ai., 1999;
Dmowski et ai., 200; Braun et ai., 2002; Toya et ai., 2002). As proteínas anti
apoptóticas Bcl2 e Bax apresentam aumento de sua expressão em macrófagos
e células endometriais de pacientes com endometriose (:Nu & Ho, 2003).
Ainda, acredita-se que a cavidade peritoneal de pacientes com
endometriose represente um ambiente pró-oxidante, com produção de
substâncias denominadas espécies reativas de oxigênio (ROS) que podem
contribuir para a reação inflamatória associada à endometriose (Langendonckt et
ai., 2002).
Existem algumas evidências de estresse oxidativo na endometriose: (1) A
enzima óxido nítrico-sintetase encontra-se superexpressa levando a uma maior
produção de óxido nítrico (substância pró-oxidante); (2) aumento da peroxidação
lipídica com produção de produtos reativos como o malonaldeído e
lisofosfatidilcolina; (3) expressão aumentada de enzimas antioxidantes no
endométrio de pacientes com endometriose, que ocorreria em resposta à
presença de maior quantidade de espécies reativas de oxigênio; (4) níveis
reduzidos de vitamina E no fluido peritoneal de mulheres com endometriose
consumida durante reações de oxidação; (5) presença de indutores potenciais
de estresse oxidativo na cavidade peritoneal como eritrócitos, debris celulares e
24
os macrófagos (Langendonckt et ai., 2002; Szczepanska et ai., 2003). (Figura 2).
Os efeitos sobre a fertilidade residem sobre a toxicidade do fluido peritoneal
sobre os espermatozóides, ovulação, sobre o desenvolvimento embrionário pré
implantação e na implantação (Langendonckt et ai., 2002) (Figura 2).
Debris --,
/
celul;res
Macrófagos
Dioxina,
agentes tóxicos
, ......
...
'=-'-- - - --► Estresse
oxidativo
NOS
+
4 ______ NO
+
Vasodilatação
Menstruação
retrógrada + Hemácias + Hb + Heme + F�rro + Biliverdina + CO,
Sangramento da
lesão endometriótica
Figura 2 - mecanismo de estresse oxidativo na endometriose. ( adaptado de
Langendonckt et al., 2002). (Hb = hemoglobina; C02 = dióxido de carbono;
NO= óxido nítrico; NOS= óxido nítrico sintase).
Outras moléculas também se mostraram como alvos de alterações na
endometriose: (1) Metaloproteinases - as metaloproteinases (MMP) e seus
inibidores (TIMPs) são reguladores fisiológicos da remodelação da matriz
extracelular. Um desbalanço entre eles pode produzir uma doença invasiva e
favorecer a implantação endometrial no peritôneo. Na endometriose, pode
ocorrer uma falta de inibidores das metaloproteinases, bem como aumento dos
níveis das próprias metaloproteinases do tipo 1 e 2, como já foi detectado. A
MMP2 é considerada um marcador de possível invasão por tumores epiteliais e
25
encontra-se aumentada na endometriose (Wu & Ho, 2003). (2) Moléculas de
adesão (ICAM, SIGAM) - molécula de adesão intercelular, é fortemente expressa
em células endometriais e sua forma de expressão de membrana (mlCAM) é
importante para interação com o sistema imune e para a eliminação destas
células do peritôneo. Entretanto, existe uma forma solúvel (slCAM) que se liga
às células imunológicas, impedindo-as de interagir com a mlCAM, em última
instância, prevenindo a destruição das células endometriais do peritôneo. A
elevação de níveis séricos e no fluido peritoneal de slCAM foi detectada na
endometriose. A presença desta molécula (slCAM) corresponde a mais um
mecanismo das células endometriais na endometriose de escapar da ação
imune e aumentar sua sobrevida no ambiente peritoneal favorecendo sua
implantação em sítios ectópicos (Wu & Ho, 2003).
Além da etiopatogenia, também existem controvérsias sobre o
comportamento da endometriose e sua classificação. Nisolle & Donnez (1997)
defendem a hipótese das três doenças, ou seja, que, a endometriose peritoneal,
a ovariana e a de septo retovaginal representariam três doenças distintas com
comportamentos clínicos e histopatológicos diferentes. Brosens (2000), por sua
vez, classifica a endometriose de acordo com sua topografia, em superficial e
profunda: a forma superficial ou adenomiose seguiria o trajeto dos duetos
mullerianos incluindo útero, fórnices vaginais, septo retovaginal e ligamentos
uterinos; as lesões profundas seriam aquelas localizadas fora da extensão dos
duetos de Muller e incluiriam lesões peritoneais e ovarianas.
26
1.2. Aromatase e Endometriose
Como já foi relatado, emerge a teoria de que a endometriose represente
uma doença poligênica hereditária com envolvimento de alterações moleculares
com expressão aberrante de citocinas e enzimas relacionadas à
esteroidogênese como a 17beta-hidróxi-esteróide-desidrogenase e a aromatase
(Zeitoun & Bulun, 1999; Attia et ai., 2001; Neme et ai., 2001; Bulun et ai., 2002).
De fato, evidências apontam neste sentido, especialmente no caso
da aromatase (Bulun et ai., 1995; Noble et ai., 1996; Zeitoun & Bulun, 1999;
Neme et ai., 2001; Bulun et ai., 2002).
Esta é uma enzima codificada pelo gene CYP 19 localizado no
cromossomo 15 (Meinhart & Mullis, 2002), corresponde a um complexo
enzimático do citocromo P450 responsável por catalisar a transformação de
andrógenos (testosterona, androstenediona) em estrógenos (estradiol, estrona,
respectivamente) (Zeitoun & Bulun, 1999; Neme et ai., 2001; Bulun et ai., 2002;
Karaer et ai., 2004). Ela está presente em vários tecidos: ovários (células da
granulosa), testículo, tecido adiposo, placenta, cérebro, músculo, fibroblastos da
pele e do tecido ósseo (Karaer et ai., 2004). Vários promotores tecido
específicos regulam a sua expressão, e, apesar da presença de primeiros exons
alternativos e de promoters tecido-específicos que permitem a regulação local
da enzima, a proteína expressa é a mesma (Meinhart & Mullis, 2002; Karaer et
ai., 2004). Na célula da granulosa, a aromatase apresenta um papel essencial
na foliculogênese e produção de estradiol: sua expressão aumenta à medida
que o desenvolvimento folicular progride (Tetsuka & Hillier, 1997; Guet et ai.,
1999), sob influência do FSH, segundo a teoria das duas células-duas
27
gonadotrofinas (Speroff et ai., 1999). Portanto, a aromatase é uma enzima de
primordial importância na célula da granulosa e responsável por produzir um
microambiente estrogênico folicular, essencial ao seu processo de
desenvolvimento e maturação (Speroff et ai., 1999).
O envolvimento da aromatase e a produção de estradiol na etiopatogenia
da endometriose tem sido alvo de numerosos estudos (Bulun et ai., 1995; Noble
et ai., 1996; Zeitoun & Bulun, 1999; Neme et ai., 2001; Attia et ai., 2001; Bulun et
ai., 2002). Uma vez que a endometriose é considerada uma doença estrogênio
dependente, a expressão da enzima aromatase torna-se essencial para a
etiopatogenia da doença. O estrógeno é um mitógeno para os tecidos
mullerianos (Bulun et ai., 2002) e a possível ação autócrina deste hormônio, ou
seja, sua ação local sobre o endométrio de mulheres com endometriose pode
ser um facilitador para a implantação e desenvolvimento de implantes na
cavidade peritoneal. (Noble et ai., 1996; Fang et ai., 2002) Foram detectados
níveis estrogênicos significativamente aumentados no sangue menstrual de
mulheres com endometriose (Neme et ai., 2001). Além disso, níveis muito
elevados da aromatase em implantes endometrióticos e endometriomas por
meio de PCR (po/ymerase chain reaction) (Noble et ai., 1996; Kitawaki et ai.,
2002) e RNAm da aromatase foi detectado em endométrio eutópico de mulheres
com endometriose porém não naquelas sem a doença (Bulun et ai., 1995).
Porém, a quantidade de aromatase encontrada no endométrio tópico de
mulheres com endometriose foi menor do que nos implantes peritoneais; a
hipótese é que este endométrio defectivo, quando reflui para a cavidade
peritoneal, causa uma reação inflamatória que aumenta exponencialmente a
expressão da aromatase, já que a prostaglandina E2 é o mais potente
28
estimulador desta enzima. Desta forma, se estabelece um ciclo vicioso de
produção de estradiol e prostaglandinas que facilita a formação dos implantes
endometrióticos e perpetua este mecanismo fisiopatológico que favorece as
características proliferativas e inflamatórias da endometriose (Zeitoun & Bulun,
1999; Bulun et ai., 2002) (Figura 3). A proteína sTAR (steroidogenic acute
regulatory protein) também encontra-se alterada nos tecidos endometrióticos e
também sofre estímulo das prostaglandinas (Sun et ai., 2003).
Além disso, acredita-se numa resistência à ação da progesterona na
endometriose (Zeitoun & Bulun, 1999; Bulun et ai., 2002). A progesterona
estimula a ação da enzima denominada 17beta-hidróxi-esteróide-desidrogenase
tipo 2, que faz a inativação do estradiol para estrona. A expressão desta enzima
apresenta-se deficiente nas células endometrióticas glandulares, portanto, o
efeito protetor da progesterona é reduzido na endometriose. (Bulun et ai., 2002)
(Figura 3). Attia et ai. (2001) relataram alterações na expressão das isoformas
de receptores de progesterona na endometriose: não foi detectada a expressão
da isoforma B do receptor de progesterona no tecido endometriótico,
responsável por mediar a ação progesterônica nos tecidos-alvo; a isoforma A,
cuja função é ser repressora da forma B, apresentou-se expressa na
endometriose.
29
Célula estromal
Vaso sanauíneo
Célula epitelial
17 HSD-1
E1
HSD-
------�... + ,' ', ,
......... ,
,..._ r
-------- PgE2
+ ,,', ,
,
,
,
,
E2
Figura 3 - Inativação defectiva de estradiol na endometriose. Os estrógenos estradiol (E2)
e estrona (El) e a androstenediona (A) chegam às lesões endometrióticas através da
corrente sanguínea, a aromatase (P450 arom) na célula estromal endometriótica catalisa a
transformação de androstenediona (A) para estrona (El), que, por sua vez, é convertida à
E2 pela ação da enzima 17 beta hidroxiesteroidedesidrogenase tipol (17pHSD-l). O E2
normalmente é inativado para El através da enzima 17 betadesidrogenasetipo2 (17pHSD-
2) na célula epitelial glandular do endométrio tópico na fase secretória. Na célula
endometriótica, no entanto, a l 7j3HSD-2 apresenta-se defeituosa, mantendo E2 em
elevados níveis locais. E2 promove crescimento do tecido endometriótico e produção de
prostaglandinas (PGE2) que, por sua vez, estimula a aromatase, completando um ciclo de
feedback positivo de E2 e PGE2. (Adaptado de Zeitoun & Bulun, 1999)
30
Em suma, o envolvimento da aromatase com a endometriose se explica
da seguinte maneira: em primeiro lugar, a endometriose é uma doença do
menacme, portanto, sua etiopatogenia possivelmente se relaciona com a
esteroidogênese (Zeitoun & Bulun, 1999; Neme et ai., 2001; Bulun et ai., 2002) e
a aromatase está diretamente envolvida neste processo. Em segundo lugar,
alterações da aromatase na endometriose já foram relatadas: níveis muito
elevados da aromatase foram encontrados em implantes endometrióticos e em
endometriomas (Noble et ai., 1996) e também foi detectado RNAm da
aromatase em endométrio eutópico de pacientes com endometriose mas não em
mulheres sem a doença (Bulun et ai., 1995).
Ora, se existe funcionamento aberrante da aromatase em implantes
endometrióticos ou endométrio tópico de pacientes com endometriose, por que
não ocorreria o mesmo dentro da célula da granulosa com comprometimento da
foliculogênese e qualidade oocitária, com conseqüências sobre a fertilidade?
Harlow e cols. ( 1996) pesquisaram a atividade da aromatase em
pacientes com endometriose de graus leve e mínimo através de cultura de
células da granulosa na qual avaliaram a produção de estrógeno frente à adição
de testosterona ao meio de cultura. Encontraram redução da atividade da
aromatase nas pacientes com endometriose em comparação ao controle. A
escassez de outros estudos similares, bem como o uso de outros métodos mais
específicos para tal avaliação, estimulou a proposta deste estudo.
31
Se se considerar a associação infertilidade-endometriose, esta é
inequívoca, entretanto, os mecanismos envolvidos ainda permanecem não
totalmente esclarecidos. Quando há defeito anatômico pélvico não existe dúvida
quanto à sua relação com infertilidade, porém, quando isto não ocorre, encontra
se dificuldade para explicá-la (Schenken, 1996; Speroff et ai., 1999; Ferriani et
ai., 2000). Neste caso, os mecanismos propostos compreendem: (1) alterações
no microambiente folicular ou no oócito (Schenken, 1996; Speroff et ai., 1999;
Ferriani et ai., 2000; Pellicer et ai., 1998); (2) falência na implantação (Ferriani et
ai., 2000); (3) disfunção ovulatória (Speroff et ai., 1999; Ferriani et ai., 2000); (4)
defeitos imunológicos inclusive relacionados a processo auto-imune (Lucena &
Cubillos, 1999); (5) hiperativação dos macrófagos peritoneais (Pellicer et ai.,
1998; Wu & Ho, 2003); (6) alterações nas citocinas no fluido folicular e
sistemicamente particularmente da interleucina 6 (Oliveira, 2002; Pellicer et ai.,
1998; Witz, 2000; Wu & Ho, 2003); (7) síndrome do folículo luteinizado não roto
(Moura et ai., 1999; Speroff et ai., 1999; Ferriani et ai., 2000); (8) alterações no
desenvolvimento embrionário precoce (Moura et ai., 1999); (9) apoptose celular
aumentada em células da granulosa (Toya et ai., 2002); além de (10) alterações
endócrinas como fase lútea inadequada e hiperprolactinemia (Gomes, 2002;
Moura et ai., 1999; Ferriani et ai., 2000).
A Fertilização in Vitro (FIV) tem se tornado o método de escolha para
tratamento da infertilidade associada à endometriose (Neme et ai., 2001).
Numerosos estudos foram realizados para avaliar se a endometriose afeta os
resultados da FIV e seus achados foram controversos (Rinesi et ai., 2002).
Entretanto, Barnhart e cols (2002) realizaram uma metanálise de 22 estudos
sobre o assunto e verificaram que todos os parâmetros encontravam-se
32
alterados nas pacientes com endometriose quando comparadas àquelas com
outras causas de infertilidade, com redução na taxa de fertilização, número de
oócitos captados, taxas de implantação e gestação.
Considerando-se as evidências de que o principal fator alterado nas
pacientes inférteis com endometriose e submetidas à FIV seja a qualidade
oocitária (Pellicer et ai., 1998; Barnhart et ai., 2002; Diaz et ai., 2000) em
detrimento de outros fatores como a receptividade endometrial (Diaz et ai.,
2000); o estudo da atividade da aromatase nas células da granulosa visa a um
esclarecimento dos mecanismos responsáveis por este comprometimento
oocitário, bem como busca um possível alvo terapêutico.
33
2. Objetivo
O objetivo deste trabalho é:
✓ Medir a atividade da enzima aromatase nas células da granulosa em
cultivo in vitro de mulheres com endometriose em comparação àquelas
sem endometriose submetidas a técnicas de reprodução assistida (FIV ou
ICSI).
A hipótese a ser validada é que:
✓ Mulheres com endometriose apresentam redução da atividade da
aromatase nas células da granulosa in vitro.
34
3. Pacientes e Métodos
3.1. Delineamento do estudo - estudo caso-controle.
3.2. Amostra - 08 pacientes para cada grupo.
3.3. Local de realização do estudo: Serviço de Reprodução Humana do
Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão
Preto, São Paulo, Brasil.
3.4. Comitê de Ética em Pesquisa: o presente estudo foi aprovado pela
Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) de acordo com o parecer
número 1492/2004. Cada paciente assinou um termo de consentimento antes da
realização do procedimento de reprodução assistida e da realização da
pesquisa, após os devidos esclarecimentos (vide Anexos).
3.5. Seleção de Pacientes
Foram selecionadas 16 pacientes inférteis com indicação para FIV ou
ICSI, com um total 08 para cada grupo (com e sem endometriose). Os critérios
para seleção de pacientes de ambos os grupos estão descritos abaixo:
35
3.5.1. Critérios de inclusão para os dois grupos: estar cadastrada no
Programa de Reprodução Assistida do Setor de Reprodução Humana do
Departamento de Tocoginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto; ter idade inferior a 40 anos, apresentar ciclos
menstruais regulares e dosagens de LH e FSH ( 3° dia do ciclo) normais para o
menacme.
3.5.2. Critérios de inclusão para o grupo-estudo: presença de
endometriose em qualquer estágio de acordo com a classificação da Sociedade
Americana de Medicina Reprodutiva diagnosticada por laparoscopia prévia
realizada até 6 meses antes do estudo.
3.5.3. Critérios de exclusão para o grupo-estudo: idade acima de 40
anos, presença de outros fatores de infertilidade ou patologias endócrinas
associadas à endometriose.
3.5.4. Critérios de inclusão para o grupo-controle: ausência de
endometriose confirmada por laparoscopia prévia há no máximo 6 meses,
ausência de doenças endócrinas associadas.
3.5.5. Critérios de exclusão para o grupo-controle: idade acima de
40 anos, presença de outras doenças endócrinas associadas.
36
3.6. Protocolo de Hiperestimulação Ovariana Controlada
Inicialmente, realizou-se a programação do período menstrual através de
uso de anticoncepcionais orais combinados no ciclo prévio àquele da indução da
ovulação. Do 1 °-3° dia do ciclo de estimulação ovariana, foi realizada uma
ultrassonografia (USG) transvaginal para excluir cistos ovarianos e então
iniciada a estimulação ovariana controlada com gonadotrofinas: hMG
(Menogon®, Ferring, Brasil; Pergonal®, Serona, Brasil) ou FSH recombinante
(Puregon®, Organon, Brasil.; Gonal-F®, Serona, Brasil) nos primeiros 5 dias na
dose de 200 a 450 UI/dia e a partir do 6° dia a dose da gonadotrofina foi
ajustada de acordo com o crescimento folicular monitorizado por USG. Quando
houve pelo menos 2 folículos com 17 mm de diâmetro, foi administrado hCG
intramuscular (Profasi®, Serona, Brasil) 10.000 UI ou hCG recombinante 250µg
via subcutânea (Ovidrel®, Sereno, Brasil) e após 34 a 36 horas, realizada a
captação de oócitos. Para dessensibilização hipofisária, foi utilizado o agonista
do GnRH, acetato de leuprolide (Lupron®, Abbott; Reliser®, Serono, Brasil), 1 O
UI/dia via subcutânea ou nafarelina via nasal 400 µg/dia (Synarel®, Pharmacia,
Brasil) conforme protocolo longo, ou seja, iniciado na fase lútea do ciclo prévio
ou sete dias antes da menstruação programada (Ferriani et ai., 2004). A
suplementação lútea foi iniciada a partir do dia da captação oocitária e, no caso
de gravidez, até a 12ª semana de gestação (Figura 4); as progesteronas
utilizadas foram: diidrogesterona 30 mg/dia (Duphaston®; Solvay; Brasil) ou a
progesterona gel uma aplicação diária (Crinone 8%; Sereno; Brasil).
37
3. 7. Captação de Oócitos
A captação oocitária foi realizada sob anestesia geral tipo sedação com
uso de propofol (Diprivan®, Astra Zeneca, Brasil) associado ao fentanil
(Fentanil®, Janssen Cilag, Brasil), administrados por via endovenosa. O
procedimento foi feito via vaginal através de punção de fundo de saco e guiado
por ultrassonografia. O conteúdo de cada folículo foi aspirado em tubos de
Falcon sob pressão de 120-130 mmHg e mantido a 37° e os oócitos
manuseados e separados do restante do fluido folicular em capela de fluxo de ar
laminar para depois serem mantidos em meio de cultura em incubadora com
temperatura controlada a 37°C e concentração de CO2 de 5%
38
Programação da
menstruação
BH M
Gonadotrofina diária
GnRH-agonista
USG basal hCG
Suplementação
da fase lútea
co TE
Figura 4 - Esquema de hiperestimulação ovanana controlada para FIV ou ICSI
conforme protocolo longo. (BH = Bolqueio hipofisário; M = menstruação; USG =
ultrassonografia basal; M-USG = monitorização ultrassonográfica; MF = maturidade
folicular; CO = captação oocitária; TE = transferência embrionária).
(Adaptado de Ferriani et al., 2004).
39
3.8. Cultivo de Células da Granulosa
Para o cultivo das células da granulosa foi usada a técnica do Instituto
Valenciano de Infertilidade da Universidade de Medicina de Valencia, Espanha
(Pellicer e cais., 1998), com algumas modificações (Silva, 1997) descritas
abaixo:
Colunas de Percoll: para preparação das colunas de Percoll foram adicionados 9
mi de Percoll® (Pharmacia, Upsala, Suécia) a 1 mi de Meio-199 (Instituto Adolfo
Lutz, São Paulo, Brasil), e a estes 1 O mi foram adicionados 1 O mi de meio de
lavado (HAM-F1 O® com 20% de Soro Fetal Bovino (SFB)®, ambos da Cultilab,
Campinas, Brasil). Alíquotas de 5 mi foram distribuídas em quatro tubos,
mantidos sob refrigeração a 4° C. ( Tabela 1)
Meio de Cultivo: foi usado o Meio-199 com 20% de Soro Fetal Bovino (SFB®) e
L-Glutamina 2 mM (Sigma®, Estados Unidos). A preparação do meio de cultivo
foi realizada sob fluxo laminar utilizando-se material estéril. O Meio-199 é
constituído por uma combinação de vitaminas, aminoácidos, sais inorgânicos e
outros componentes como fonte nutritiva definida para cultura celular. O Soro
Fetal Bovino, por sua vez, é composto por inúmeras substâncias ainda pouco
definidas, porém é necessária sua adição para culturas celulares prolongadas
(Fernandes; 2004). Foram adicionados 2 antibióticos ao meio de cultivo com
objetivo de evitar contaminação bacteriana: (1) Penicilina Cristalina (Cristalpen®,
Biolab, Brasil) na concentração de 100.000 UI/mi e sulfato de estreptomicina
(Estreptomicina®, FURP, Brasil) na concentração de 20 mg/ml (Tabela 1).
40
Tabela 1 - Preparo dos meios para cultivo de células da granulosa.
Meio de Lavado 40ml
HAM F10 32 mi
SFB 20% 8ml
Colunas de Percoll 20 mi
Percoll 9ml
Meio 199 1 mi
Meio de lavado 10 mi
Meio de Cultivo 10 mi
Meio 199 8ml
SFB 20% 2ml
Estreptomicina 50 µI
Penicilina 10 µI
L-glutamina 2,92 mg
Antibióticos
Estreptomicina 1 g
H2O destilada 50ml
Penicilina cristalina 5.000.000 UI
H2O destilada 50ml
41
3.8.1. Procedimento do Cultivo Celular:
Isolamento das Células da Granulosa: Os grumos de células da granulosa,
presentes no fluido folicular ou no lavado do aspirado folicular, foram captados
com pipeta Pasteur sob visualização em microscópio invertido (Coleman® ST-
302L, Brasil), após a espera de que o sangue aspirado se depositasse no fundo
das placas de Petri, onde foram vertidos o fluido folicular e o meio de lavado
após o isolamento dos oócitos. Os grumos celulares captados, então, foram
transferidos para outra placa contendo meio de lavado (HAM F10® e SFB®)
onde, novamente, foi aguardado o tempo necessário para que as células
sanguíneas se depositassem no fundo da placa de Petri. A seguir, o conteúdo
desta placa foi transferido, com pipeta Pasteur, para o tubo de Falcon e
centrifugado a 1500 rpm por 10 minutos a 4°C (centrífuga Spin VI®, lncibrás,
Brasil). O sobrenadante foi, então, retirado e foram adicionados 2 mi de meio de
lavado ao pellet, misturando-se bem com pipeta Pasteur, para que as células se
separassem. Este conteúdo, então, foi transferido delicadamente sobre as
colunas de Percoll preparadas previamente, e centrifugado a 500 rpm por 30
minutos a 4ºC. As células da granulosa ficaram na interface da coluna de
Percoll, e foram captadas com pipeta Pasteur e, após, transferidas para outro
tubo de Falcon estéril no qual foi adicionado 4 mi de meio de lavado para
posterior centrifugação por 10 minutos a 1500 rpm a 4ºC. Por fim, deste
conteúdo, foi desprezado o sobrenadante e o precipitado foi dissolvido em 1 mi
de meio de cultivo, para posterior contagem da viabilidade das células da
granulosa.
42
Contagem e Viabilidade das Células da Granulosa: 50 µI da suspensão celular
anterior foram colocados em tubo de hemólise e adicionados 450 µI de Azul de
Trypan (Trypanblau®, Merck, Alemanha) a 0,4 % na diluição 1: 1 O. A seguir, este
conteúdo foi colocado em uma câmara de Newbauer para contagem do número
de células viáveis. Para calcular o número total, multiplicou-se o número de
células vivas contadas por 104 e pelo fator de diluição dez. As células mortas
mostraram-se coradas pelo Azul de Trypan e as células vivas ficaram brancas
com aspecto refringente à visualização no microscópio óptico (Coleman® N 107,
Brasil). Da suspensão celular obtida, após cálculo do número total das células
vivas, calculou-se a concentração das células por placa de maneira que se
tivesse uma concentração de 50.000 células por placa de cultivo. Para a
realização de todos os experimentos (6 experimentos em triplicata), era
necessária uma concentração total de, no mínimo, 900.000 células viáveis.
Cultivo Celular: as células foram cultivadas em placas de cultivo celular 35 x 1 O
mm. Assim, foram colocadas 50.000 células da granulosa viáveis por placa de
cultivo, e foi adicionado meio de cultivo de forma a completar um volume total de
1 mi por placa de cultivo. O ensaio foi realizado em triplicata. Os cultivas
celulares foram mantidos em estufa com atmosfera gasosa a 5% de CO2 e em
temperatura de 37ºC por um tempo de 24 horas. Após esse período, os meios
de cultivo foram aspirados e estocados a -20° C para posterior análise.
43
Captar os grumos tk céls
com pipeta Je Pasl<'llr
Tran,-,f.-rir p/ placa
contendo meio de
lavado
Transferir p/
tubo cônico
.., ,,,.
Retirar o
sohrenaJante
o
Dissolver o
precipitado em
2 mi Je meio de
lavado
i Colocar sobre a
coluna ele Percoll
Centrifuqar
o 10mm
1500 rpm
Centr ifuqar
o 30 min
500 rpm
Captar as CG na
interface da
coluna de Percoll
Transferir para tubo
cônico contendo 4 mi de
meio de lavado
Centrifuqar
Desprezar o
sobrenadante
o Dissolver o precipitado em
1 mi de meio de cultivo
o 10mm
1500 rpm
Contagem das celulas
na Câmara de
Newbawer
Figura 5 - Esquema do procedimento de cultivo de células da granulosa (Fernandes,
2004).
44
3.9. Atividade da Aromatase
A atividade da enzima aromatase nas células da granulosa em cultivo
celular in vitro foi medida através da produção de estradiol frente à adição de
testosterona (substrato da aromatase) ao meio de cultivo. A testosterona®
(Sigma, Estados Unidos) foi adicionada ao meio de cultivo nas concentrações
finais de 2x10 -6 Me a 2x10- 5 M. O tempo de incubação foi de 24 horas em estufa
com atmosfera gasosa a 5% de CO2 e em temperatura de 37°C e,
posteriormente, foi dosado o estradiol produzido, através de radioimunoensaio
(DPC Medlab, EUA). Para controle, foi avaliada a produção de estradiol quando
não foi adicionada testosterona ao meio de cultivo. Este método foi aplicado
para os dois grupos (com e sem endometriose).
45
3.1 O. Experimentos realizados
Para cada paciente selecionada (tanto no grupo com endometriose como
no grupo controle), foram realizados 6 experimentos diferentes, em triplicata,
com adição reagentes específicos a cada um deles.
Os reagentes utlizados foram: testosterona (Sigma, Estados Unidos);
FSH (Recombinant human FSH for B/0 studies, Serona, Estados Unidos) e IGF-
1 (Human IGF-1 for BI0 studies, Serona, Estados Unidos), ambos na
concentração final de 50 ng/ml. A testosterona foi adicionada como substrato da
enzima aromatase (Harlow et ai., 1996); e os reagentes FSH e IGF-1 como
estimuladores da ação da aromatase (Erickson et ai., 1989; deMoura et ai.,
1997; Fernandes, 2004).
Experimento 1: somente células da granulosa;
Experimento 2: Células da granulosa + Testosterona (2 x 10"6M);
Experimento 3: Células da granulosa Testosterona a (2 x 10·5 M);
Experimento 4: Células da granulosa+ FSH e IGF-1 (50 ng/ml);
Experimento 5: Células da granulosa + Testosterona (2 x 1 o·6M) + FSH e
IGF-1 (50 ng/ml);
Experimento 6: Células da granulosa + Testosterona (2 x 1 o·6M) + FSH e
IGF-1 (50 ng/ml).
46
3.11. Dosagens Hormonais
3.11.1. Estradiol
A determinação quantitativa do estradiol no fluido de cultivo celular foi
realizada através de radioimunoensaio no laboratório de Ginecologia e
Obstetrícia, Hospital das Clínicas, FMRP, Ribeirão Preto, São Paulo. Utilizou-se
o kit Double Antibody, fase sólida, da DPC, USA, com sensibilidade de 1,4
pg/ml. A medida da radioatividade gama para o isótopo 1125 foi realizada pelo
aparelho Cobra li Auto-Gama®, Brasil. O erro intra-ensaio foi de 5,8%.
Houve amostras que necessitaram de diluição, que foram feitas
utilizando-se o meio 199.
3.11.2. Progesterona
A determinação quantitativa de progesterona no fluido de cultivo celular
foi realizada através de quimioluminescência no laboratório de Ginecologia e
Obstetrícia, Hospital das Clínicas, FMRP, Ribeirão Preto, São Paulo; utilizando
se kit da DPC, USA e leitura no aparelho lmmulite 2000®, também da DPC. A
sensibilidade foi de 0,2 ng/ml e algumas amostras necessitaram de diluição
realizada com meio 199. O erro intra-ensaio foi de 4,9%.
47
Para excluir a presença de estradiol, progesterona ou testosterona nos
meios de cultivo que pudessem interferir nos resultados, foram realizadas as
respectivas dosagens em seus componentes: 1 )Meio 199®; 2)SFB® ; 3) HAM
F1 O®, todos indetectáveis através de radioimunoensaio (Fernandes, 2004; Silva,
1997).
3.12. Análise Estatística
Para a análise dos dados, primeiramente foi realizado o teste da
normalidade para os dados referentes às dosagens de estradiol e progesterona
nos fluidos de cultivo celular. Os dados apresentaram distribuição gaussiana
verificados através do teste KS, porém as variâncias foram diferentes em alguns
grupos analisados, dessa forma, foi usada a correção de Welch ou a
normalização da variável para fins de análise estatística. Os resultados foram
comparados entre os dois grupos (controle e endometriose) através do teste T
não pareado. Para comparações dentro de um mesmo grupo (controle ou
endometriose), foi realizado o teste T pareado.
O programa usado para realização dos cálculos estatísticos foi o
GraphPad Prism® versão 3.0.
Considerou-se um nível de significância de 5% ( p <0,05).
48
4. Resultados
4.1. Características clínicas das pacientes do estudo
A idade das pacientes variou de 28 a 37 anos de idade, e não houve
diferença estatística quanto à idade entre os grupos controle e endometriose (p=
O, 1450) (Tabela 2 e 3). Do total de 16 pacientes, 14 eram nuligestas e 04 já
haviam engravidado previamente, 02 do grupo com endometriose tiveram um
aborto de primeiro trimestre e 02 pacientes do grupo controle tiveram filhos (uma
delas teve uma cesárea prévia e outra, 03 partos vaginais).
Quanto ao tempo de infertilidade, 13 do total de 16 pacientes tinham um
tempo de infertilidade superior a quatro anos, somente 03 pacientes tinham
tempo inferior a 4 anos (uma delas com 1 ano e outra com 02 anos de
infertilidade). Quatorze pacientes já tinham realizado tratamentos prévios de
infertilidade e somente 2 delas ainda não tinham realizado nenhum tipo de
tratamento. (Tabelas 2 e 3)
Do total de 08 pacientes do grupo controle, 05 delas tinham fator tubáreo
(uma delas com laqueadura prévia e as outras com provável etiologia infecciosa)
e 03 pacientes apresentavam fator masculino (uma delas com parceiro com
oligospermia moderada e as outras 02 pacientes apresentavam parceiros com
asteno e teratozoospermia). No grupo com endometriose, 03 pacientes
apresentavam endometriose grau leve, 01 tinha grau mínimo, 03 delas grau
moderado e 01 grau severo ou grave. (Tabelas 2 e 3)
49
Tabela 2 - Características clínicas das mulheres do grupo controle: idade, tempo de
infertilidade, tratamentos de infertilidade prévios e causa da infertilidade. (DP = desvio
padrão).
w - rn w w
rn e rn owc c(cw o cC - o t- e e( e� 1-
a.. g f/)
z z rn e z o �..JQ e( WQ::J e( ::J w z - �-- rn-w i= z w c(>I- :::, 1-
1- a::: e( e 1- •W 0:: e( a::: � w- e( � a::: w o�LI.. e a.. LI.. z
1- � z
01 10 32 CC + IUI (1) Fator masculino
02 05 33 FIV + ICSl(7) Fator masculino
03 05 28 Fator masculino
04 02 33 FIV (1) Fator tubáreo
05 >4 32 FIV (1) Fator tubáreo
06 11 37 Fator tubáreo
07 >4 35 CC Fator tubáreo
08 05 34 FIV(1) Fator tubáreo
Média± DP 33 ± 2,62
50
Tabela 3 - Características clínicas das mulheres do grupo com endometriose: idade,
tempo de infertilidade, tratamentos de infertilidade prévios, classificação da endometriose
e antecedente familiar de endometriose. (DP = desvio-padrão).
w -rn e rn
o
e(
-
o w
o. 9 tn z z o :5::!0 e(
w z -
w .... z w
(.) .... o:: li( e e( w- e( 0. L&. e z
01 6 30
02 10 34
03 11 32
04 08 28
05 01 29
06 02 28
07 >4 33
08 04 34
Média± DP 31 ±2,56
C/) w owc ..,. e e(
z rn e
WQ:::::J :5 --
e( > .... 1--•W O::
�,x:W
0. L&.
.... �
CC
FIV(1) +
TEC(1)
CC
ICSI (1)
ICSI (1)
FIV(1) +
ICSl(2)
ICSI (1)
IUI (2)
o wrn 1<(
o, o
e( ii: o e( ....
U:::cW - :e
tn o rn e :3 z o w
leve
leve
grave
moderada
moderada
moderada
mínima
leve
wwwCI) .... co z -w a:: a:: e e( ..,.
w-w
(.) :::! :5 w :::E o..,. e( ez L&. z e( w
Não
não
Não
Sim (mãe)
Sim (irmã)
Não
Não
Não
Em relação ao protocolo de hiperestimulação ovariana, os dados estão
representados abaixo (tabela 4):
51
Tabela 4- Características da hiperestimulação ovariana controlada para FIV ou ICSI das
pacientes do grupo com endometriose e controle, quanto à duração do bloqueio
hipofisário; tipo da gonadotrofina usada (FSHr ou HMG), dias de indução e unidades
totais de gonadotrofinas usadas. * variâncias estatisticamente diferentes.
U) o o e( w o e(
w U) a:: e w o e a:: e
1- :::::, cu - w 1- e( e
1<( e( 1- e( :e U) e o U) e o z o o a::e( o e U)
e( o, j::: w e U)
z :::::, ::, e 0.. z a CL e( <( e e z e( e( :E � - j:: z e( z e( w o z o z :::::, o z
1- C) ii: z a C) ii:
Controle
01 21 FSHr 10 2200UI
02 33 FSHr 12 5250UI
03 21 FSHr 09 2250UI
04 22 FSHr 11 2050UI
05 20 FSHr 10 2850UI
06 20 FSHr 08 2400UI
07 20 FSHr 10 3000UI
08 30 FSHr 10 2000UI
Média± 5D 23,38 ± 5,12 10 ± 1,19 2750 ± 1072 *
Endometriose
01 17 HMG 10 2150UI
02 21 FSHr 11 3300UI
03 20 FSHr 08 1800UI
04 21 FSHr 10 2250UI
05 19 FSHr 11 1700UI
06 19 FSHr 08 1600UI
07 19 FSHr 10 2000UI
08 22 FSHr 12 2400UI
Média± 5D 19,75 ± 1,58 10±1,41 2150 ± 540,5*
52
Ainda em relação ao procedimento de hiperestimulação ovariana
controlada, não houve diferença significativa quanto ao tempo do bloqueio
hipofisário (p = 0,0766), dias de indução (p = 1,0) e quantidade de gonadotrofina
usada (p = 0,5760). Das 16 pacientes do estudo, 13 delas utilizaram a nafarelina
como agonista do GnRH para bloqueio hipofisário. Somente 03 pacientes
utilizaram o acetato de leuprolide. Somente uma paciente com endometriose
apresentou a síndrome de hiperestimulação ovariana grau leve.
As características da captação de oócitos e da transferência embrionária
estão descritas na tabela 5. Não houve diferença estatística quanto ao número
de folículos puncionados (p = 0,7844) e número de oócitos captados (p =
0,6619) entre os grupos controle e endometriose.
53
Tabela 5 - Características da captação de oócitos e transferência embrionária para FIV e
ICSI nos grupo controle e endometriose.
ti) ti) ti) ti)
ti) o o ti) ti) w o w ..J e o o ,o ::, <C !::: e � õ2 z 0 o z o <C w w z ':::l o ·O ... m u o u o a. :E
<C <C w z LL. z 0
� a. o ::, z o
a. z
Controle
01 22 14 02
02 05 02 02
03 20 13 03
04 14 09 03
05 16 09 01
06 13 07 01
07 28 16 03
08 25 09 03
Média± SD 17,88 ± 7,4 9,875 ± 4,42 2,250 ± 0,89
Endometriose
01 28 15 03
02 13 07 03
03 10 07 03
04 19 11 03
05 30 08 03
06 15 05 03
07 18 07 03
08 18 12 03
Média± SD 18,88 ± 6,94 9,0 ± 3,34 3,0 ± 0,0
54
Do grupo com endometriose, 04 pacientes engravidaram: duas delas
tiveram gestação gemelar e duas tiveram gestação única. Do grupo controle, 04
pacientes também apresentaram gravidez: uma delas apresentou aborto no
primeiro trimestre de gestação; duas pacientes tiveram gestação única e uma
gemelar.
55
4.2. Dosagens Hormonais nos Fluidos de Cultivos Celulares
4.2.1. Estradiol
Os valores das dosagens de estradiol (radioimunoensaio) realizadas nas
pacientes do grupo com endometriose e grupo controle, em triplicata,
apresentam-se descritas no apêndice 01. As dosagens em média estão na
tabela 6 e 7.
A produção basal de estradiol nas células da granulosa, ou seja, sem a
adição de nenhum reagente ao meio de cultivo, apresentou diferença entre os
grupos controle e endometriose (p = 0,0390) (Gráfico 1 ). A adição de FSH e
IGF-1 não acarretou aumento na produção de estradiol tanto no grupo controle
(p = O, 1228) como no grupo com endometriose (p = O, 6051).
56
4.2.2. Atividade da aromatase
A atividade da aromatase nas células da granulosa in vitro foi avaliada
através de adição de testosterona ao meio de cultivo (substrato da aromatase)
com medida da produção de estradiol frente a esta adição (ver métodos). Neste
estudo, foi adicionada a testosterona em duas concentrações ao meio de cultivo.
Na concentração final de 2 x 1 o-6 M houve diferença na produção de estradiol
comparando-se o grupo de mulheres com endometriose e controle (p = 0,303)
(Gráfico 2). No entanto, a testosterona na concentração final de 2x10-5 M
adicionada não apresentou diferença na produção de estradiol entre controle e
endometriose (p = 0,6759; Gráfico 3). Além disso, a suplementação de IGF-1 e
de FSH ao meio de cultivo juntamente à testosterona em ambas as
concentrações não acarretou diferença significante na produção de estradiol (p =
0,8322 quando testosterona a 2x 1 o-s M e p = 0,8558 com a concentração de
testosterona de 2x10-5 M).
57
Tabela 6 - Valores em média das dosagens de estradiol em pg/ml de fluidos de cultivos
de células da granulosa de mulheres sem endometriose (grupo controle) submetidas à
reprodução assistida.
Pacientes Exp 1 Exp2 Exp3 Exp4 Nº
01 269,84 1097, 15 5920,43 257,25
02 2267,4 2577,05 10700,38 1453,8
03 805,10 711,86 1853, 17 1380,45
04 651,29 1071,08 1304, 10 1153,03
05 184,56 370, 16 1278,80 197,90
06 143,05 689,45 1244,87 175,40
07 417,96 467,28 1698,90 228,63
08 165,06 332,33 808,56 176,06
Média 613,03 914,54 3101, 15 627,81
Experimento 1: Células da granulosa;
Experimento 2: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10� ;
Experimento 3: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10º5M;
Experimento 4: Células da granulosa+ FSH (50 ng/ml) + IGF-1 (50 ng/ml);
Exp5 Exp6
710,00 6826,57
1752, 1 7327,20
1138,5 2188,53
1397,44 1561,30
349,50 1490,20
314,93 1242,03
278,53 1576,97
306,33 1607,90
780,91 2977,58
Experimento 5: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10"6M + FSH (50 ng/ml) + IGF-1 (50 ng/ml);
Experimento 6: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10"5M + FSH (50 ng/ml) + IGF•l (50 ng/ml).
58
Tabela 7 - Valores em média das dosagens de estradiol em pg/ml de fluidos de cultivos
de células da granulosa de mulheres com endometriose submetidas à reprodução
assistida.
Pacientes
Nº Exp 1 Exp2 Exp3 Exp4
01 111,20 120,66 141,66 160,00
02 7,43 7, 11 7,79 7,69
03 436,66 383,00 273,00 402,00
04 311,66 262,66 230,00 469,33
05 214,50 161,66 165,83 152,00
06 1 70, 16 189,26 110,93 213,33
07 301,33 192,66 247,00 270,66
08 717,25 562, 16 253,50 643,33
Média 283,77 234,90 178,71 289,79
Experimento 1: Células da granulosa;
Experimento 2: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10·6M ;
Experimento 3: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10"5M;
Experimento 4: Células da granulosa+ FSH (50 ng/ml) + IGF-1 (50 ng/ml);
ExpS Exp6
120,33 144,53
7,30 9,70
541,00 505,33
300,66 223,50
352,50 646,00
226,50 143,50
330,33 408,33
448,50 382,00
290,89 307,86
Experimento 5: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10� + FSH (50 ng/ml) + IGF-1 (50 ng/ml);
Experimento 6: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10"5M + FSH (50 ng/ml) + IGF-1 (50 ng/ml).
59
3000
E 2000
* W 1000
$ 0-----------------
C-- endometriose
___:::controle
Gráfico 1 - Níveis de E2 (pg/ml) em fluido de cultivo de células da granulosa do grupo
de mulheres com endometriose e controle, em condições basais. * p<0,05
60
2500
2000
cii 1500
1000 w
500
o
*
$
1
endometriose
c::::::::J controle
Gráfico 2 - Atividade da aromatase expressa em níveis de E2 em pg/ml produzidos em
resposta à adição de testosterona na concentração final de 2 x 10-
6
M em cultivo de células
da granulosa do grupo de mulheres com endometriose e controle.
* p<0,05
61
12000
controle
endometriose
-E 8000
4000
Gráfico 3 - Atividade da aromatase expressa em níveis de E2 (estradiol) em pg/ml
produzidos em resposta à adição de testosterona na concentração final de 2 x 10-5M em
cultivo de células da granulosa do grupo de mulheres com endometriose e controle.
62
4.2.3. Progesterona
Os valores das dosagens de progesterona nos fluidos de cultives
celulares da granulosa de mulheres com endometriose e controle, submetidas à
FIV ou ICSI, encontram-se descritas no apêndice 02 (triplicata). Os valores
expressos em média estão contidos nas tabelas 8 e 9.
Não foi observada nenhuma diferença na produção de progesterona
pelas células da granulosa de mulheres com endometriose e pacientes do grupo
controle em condições .. basais, ou seja, sem adição de nenhum reagente ao meio
de cultivo (p = 0,8830); ou com adição de testosterona a 2x1 o-6M (p = 0,6933) ou
a 2 x 1 o-5M (p = O, 1603) (Figura 6). Ainda, também não houve diferença nos
níveis de progesterona quando foi adicionado IGF-1 ou FSH ao meio de cultivo
sozinho (p = O, 1306) ou associados à testosterona (p = 0,6795 quando à 2x 1 o-s
M e p = 0,5790 com a concentração de 2x10-5 M).
63
Tabela 8- Valores em média das dosagens de progesterona em ng/ml de fluidos de
cultivos de células da granulosa de mulheres sem endometriose (grupo controle)
submetidas à reprodução assistida.
Pacientes
Nº Exp 1 Exp2 Exp3 Exp4
01 182,66 178,33 93,53 145,53
02 349,33 256,50 312, 16 247,00
03 198,33 170,00 236,33 341,00
04 391,00 463,33 417,66 489,00
05 213,33 235,33 195,33 289,33
06 38,47 70,60 42,26 41,3
07 210,00 153,50 176,00 141,86
08 414,33 406,00 323,00 331,00
Média 249,68 241,70 224,53 253,25
Experimento 1: Células da granulosa;
Experimento 2: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10� ;
Experimento 3: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10"5M;
Experimento 4: Células da granulosa+ FSH (50 ng/ml) + IGF-1 (50 ng/ml);
Exp5 Exp6
122, 10 135,56
303,33 365,33
336,66 338,00
500,00 588,66
272,66 234,66
41,96 28,70
80,26 138,00
355,66 378,66
251,58 275,95
Experimento 5: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10� + FSH (50 ng/ml) + IGF-1 (50 ng/ml);
Experimento 6: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10º5M + FSH (50 ng/ml) + IGF-1 (50 ng/ml).
64
Tabela 9 - Valores em média das dosagens de progesterona em ng/ml de fluidos de
cultivos de células da granulosa de mulheres com endometriose submetidas à reprodução
assistida.
Pacientes
Nº Exp 1 Exp2 Exp3 Exp4
01 111,20 120,66 141,66 160,00
02 7,43 7, 11 7,79 7,69
03 436,66 383,00 273,00 402,00
04 311,66 262,66 230,00 469,33
05 214,50 161,66 165,83 152,00
06 170, 16 189,26 110,93 213,33
07 301,33 192,66 247,00 270,66
08 717,25 562,16 253,50 643,33
Média 283,77 234,90 178,71 289,79
Experimento 1: Células da granulosa;
Experimento 2: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10� ;
Experimento 3: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10·5M;
Experimento 4: Células da granulosa+ FSH (50 ng/ml) + IGF-1 (50 ng/ml);
ExpS Exp6
120,33 144,53
7,30 9,70
541,00 505,33
300,66 223,50
352,50 646,00
226,50 143,50
330,33 408,33
448,50 382,00
290,89 307,86
Experimento S: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10� + FSH (50 ng/ml) + IGF-1 (50 ng/ml);
Experimento 6: Células da granulosa+ Testosterona a 2 x 10-5M + FSH (50 ng/ml) + IGF-1 (50 ng/ml).
65
750
-
E 500
ã;
0. 250
:::-500
E
ã;
C.. 250
1000-
_ 750-
E
ã;
,S 500-
11::1'
0.
250-
o--- ---- ----------
(A)
controle
endometriose
(B)
(C)
Figura 6 - Níveis de P4 (ng/ml) produzidos em condições basais (gráfico A); em
resposta à adição de testosterona na concentração final de 2 x 10-6M (gráfico B) e 2 x
10·5M (gráfico C) em cultivo de células da granulosa do grupo de mulheres com
endometriose e controle.
66
Discussão
Aromatase é uma enzima que se tornou alvo de crescente interesse em
reprodução humana. Primeiramente porque representa uma enzima "chave" no
processo de foliculogênese com envolvimento direto com a qualidade oocitária
(Guet et ai., 1999); em segundo lugar, seu envolvimento na etiopatogenia da
endometriose vem sendo extensivamente estudado com evidências importantes
de alterações em sua expressão nos tecidos endometrióticos, bem como no
endométrio tópico de mulheres com endometriose (Bulun et ai., 2002), além de
possível defeito genético envolvendo polimorfismos do seu gene associados
com a endometriose (Arvanitis et ai., 2003). E, em terceiro lugar, o impacto que
representa esta enzima sobre o tratamento da infertilidade e endometriose com
o advento de drogas denominadas inibidoras da aromatase (Neme et ai., 2001;
Karaer et ai., 2004).
Estas drogas inibidoras da enzima aromatase têm apresentado resultados
favoráveis como indutores de ovulação. O mecanismo de ação se baseia no fato
de que esta droga levaria ao bloqueio do estradiol no início do ciclo menstrual,
reduzindo o "feedback" central, com elevação dos níveis de gonadotrofinas
(Mitwally & Casper; 2002). Ainda, com o bloqueio da conversão de andrógenos a
estrógenos no ovário, os andrógenos acumulados na fase inicial de
desenvolvimento folicular parecem ter um efeito estimulatório sobre a ação do
FSH, aumentando a expressão de seus receptores (Mitwally & Casper, 2002;
2004). Neste sentido, os inibidores da aromatase podem substituir o uso do
clomifeno no futuro, com as vantagens de não apresentar os efeitos anti
estrogênicos deste. Contudo, os estudos ainda apresentam casuísticas
67
limitadas, com estudos não randomizados nem placebo-controlados (Mitwally &
Casper, 2002).
Em adição, o acúmulo de andrógenos no folículo na fase inicial do ciclo
mesntrual também pode estimular o IGF-1, agindo em sinergismo com o FSH no
processo de foliculogênese (Mitwally & Casper, 2002; 2004). Com isso,
encontra-se uma possível associação entre aromatase, sistema IGF-1 e FSH;
todos agindo de maneira parácrina no folículo. A alteração deste sinergismo com
a expressão aberrante da aromatase como provavelmente acontece na
endometriose, pode comprometer a foliculogênese e produzir oócitos de má
qualidade (Harlow et ai., 1996). De fato, neste estudo observou-se a produção
basal de estradiol reduzida na endometriose em relação ao controle, na
progesterona, entretanto, não houve diferença.
No presente estudo, encontrou-se redução da atividade da aromatase nas
mulheres com endometriose em comparação àquelas do grupo controle. Porém,
esta diferença foi encontrada somente quando a concentração de testosterona
adicionada ao meio de cultivo foi de 2 x 10-6M, achado concordante com o
estudo de Harlow et ai. (1996). Na maior concentração utilizada neste estudo, de
2x10-5M, não foi encontrada diferença entre os dois grupos, apesar de os
valores de produção de estradiol (pg/ml) em média apresentarem-se superiores
no grupo controle em relação ao grupo com endometriose. Poderá existir algum
mecanismo intrínseco enzimático de regulação da atividade da enzima, como a
própria saturação de seus receptores, que impeça que mesmo adições
crescentes de substrato, neste caso a testosterona, não acarrete aumento da
atividade da aromatase como esperado.
68
Quanto à suplementação de FSH e IGF-1 ao meio de cultivo, há a
descrição de seus efeitos estimulatórios sobre a aromatase (Erickson et ai.,
1989; Fernandes, 2004). No presente estudo não encontramos qualquer
diferença quanto à atividade da aromatase quando foram adicionados os
reagentes FSH e IGF-1 ao meio de cultivo. Uma das hipóteses desse achado no
grupo com endometriose seria o comprometimento, nesta doença, da
responsividade das células da granulosa a agentes estimulatórios como o FSH e
IGF-1 (Cahill et ai., 2003). Outra hipótese seria a baixa densidade celular no
meio de cultivo. Em nosso estudo utilizamos placas de 35 x 1 O mm, com um
volume total de 1 mi. DeMoura et ai. (1997) relataram que a menor densidade
celular pode afetar estímulos autócrinos ou parácrinos devido ao menor contato
entre as células no cultivo na placa. Ainda, outro fator envolvido poderia ser o
tempo de cultivo. DeMoura et ai. (1997) encontraram uma correlação positiva do
IGF-I (50ng/ml) e do FSH (20 ng/ml) em placas de cultivo contendo 2 x 106
células viáveis/placa num período de 72 h; no presente estudo utilizamos 50.000
células viáveis/placa e um tempo de cultivo de 24 horas. Esta redução no
número de células/placa bem como no tempo de cultivo podem ter ocasionado
interferência nos resultados encontrados, com discordância quanto aos dados
da literatura sobre o papel sinérgico do IGF-I e FSH sobre a esteroidogênese
ovariana. Fernandes (2004) também não encontrou qualquer efeito estimulatório
do IGF-1 e FSH sobre a produção de estradiol e progesterona ovarianos in vitro
através de cultivo celular da granulosa usando a mesma densidade de células
do presente estudo (50.000 células viáveis/placa), com um tempo de cultivo de
48 horas.
69
Ainda em relação à aromatase e endometriose, essa enzima apresenta
importância indiscutível na etiopatogenia da endometriose. E nesta doença,
caracterizada por diversas interações moleculares em seu processo
fisiopatológico, o tratamento clínico hormonal ainda não se apresenta satisfatório
(Neme et ai., 2001). Os inibidores de aromatase representam uma emergente
modalidade terapêutica na endometriose, pois atuam diminuindo os níveis
séricos de estrógenos com inibição do crescimento do tecido endometriótico e
também atuam reduzindo a expressão do gene da aromatase (Neme et ai.,
2001)
Diante deste intenso envolvimento fisiopatológico entre aromatase e
endometriose, espera-se que a expressão desta enzima possa ser
implementada no processo de diagnóstico da endometriose, com o advento de
técnicas sensíveis e específicas que possam identificar até mesmo estágios
iniciais desta doença.
70
6. Conclusão
Observou-se no presente estudo a redução da atividade da
aromatase nas células da granulosa in vitro em mulheres com endometriose
comparadas às pacientes do grupo controle, submetidas à reprodução
assistida (FIV e ICSI) quando houve adição de testosterona a 2 x 10-6M. A
produção basal de estradiol também foi menor no grupo com endometriose.
A suplementação de FSH e IGF-1, entretanto, não mostrou quaisquer
diferenças entre os grupos controle e endometriose.
71
7. Referências Bibliográficas
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03 207 169
222 191
427 580
04 714,5 401
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05 221 258
212 194
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30,75 37,2
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375 433
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267 345
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136 98,6
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320
267
231
43,7
50,7
31,5
70,4
82,5
87,9
395
381
291
Apêndice 02 - Níveis de progesterona em ng/ml de fluidos de cultivo celular de células da granulosa de mulheres inférteis sem endometriose
(grupo controle) submetidas à reprodução assistida (FIV ou ICSI). x = valores desconsiderados.
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8,48 9,05 6,69 6,97 8,35 6,29
02 9,24 5,84 8,92 8,39 5,04 12
4,56 6,44 7,76 7,71 8,52 10 8
489 408 348 548 468 773
03 442 311 209 167 X 381
379 430 262 491 614 362
301 271 278 465 283 231
04 271 229 197 356 256 216
363 288 215 587 363 X
318 177 272 138 390 520
05 189,5 142,5 115 173 478 653
136 165,5 110,5 145 189,5 765
136 314 108,5 253 149,5 118,5
06 253 106,8 125,5 254 281 154
121,5 147 98,8 133 249 158
444 192 303 317 512 224
07 222 171 206 281 266 684
238 215 232 214 213 317
919,5 487 240 962 421 513
08 X 707,5 X 265 X 318
515 492 267 703 476 315
Apêndice 02 - Níveis de progesterona em ng/ml de fluidos de cultivo celular de células da granulosa de mulheres inférteis com endometriose submetidas à
reprodução assistida {FIV ou ICSI). x = valores desconsiderados.
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01 259,75 1141,00 4986,70 295,16 732,40
245,76 X 6276,70 246,43 802,80
2514,00 X 10904,00 1206,80 1696,60
02 2020,80 2573,40 9206,40 1700,80 X
X 2580,70 11990,75 X 1807,60
724,40 552,30 1956,50 X 1096,50
03 852,15 846,60 1671,90 1572,00 1148,60
838,74 736,70 1931, 10 1188,90 1170,40
634,24 1247,04 1207,6 1401,24 1230,00
04 X 960,08 1170,1 1142,57 1420,85
668,34 1006,12 1534,6 915,28 1541,46
193,9 379,0 1220, 1 210,7 372,3
05 185,1 374,8 1114,7 189,9 332,9
174,7 356,7 1501,6 193,1 343,3
X X 1220, 1 181,3 322,9
06 125,4 1023,5 1242,9 191,8 341,6
160,7 355,4 1271,6 153,1 280,3
394,9 X 1992,0 259,6 190,0
07 436,6 457,3 1341,6 237,5 263,6
422,4 477,26 1763,1 188,8 382,0
174,7 295,2 812,2 175,6 328,4
08 168,2 434,0 848,7 179,1 294,8
152,3 267,79 764,8 173,5 295,8
Apêndice 01 - Níveis de estradiol em pg/ml de fluidos de cultivo celular de células da granulosa de mulheres inférteis sem endomet riose
(grupo controle) submetidas à reprodução assistida (FIV ou ICSI). x = valores desconsiderados.
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2337,00
1997,60
1435,3
1656, 1
1592,5
X
1480,7
1499,7
1165, 1
1119,0
1442,0
1676,0
1561,6
1493,3
1739,9
1761,6
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175,58 560,20 6379,00 X 542,30
01 99,86 488,00 6601,20 157,82 537,90
119,28 674,26 5904,20 156,12 539,30
52,20 59,10 191,50 52,93 117,30
02 64,89 50,90 331,60 82,46 96,80
30,15 76,80 276,80 80,93 89,30
987,20 838,78 914,8 884,85 1449,9
03 X 852,70 1070,9 907,0 1503,0
708,20 X 1006,7 865,89 1530,32
460,07 652,60 2633,5 541,61 681,15
04 404,98 778,75 2115,2 470,19 658,03
556,17 703,39 2283,8 713,87 767,84
305,2 619,24 1692,5 250,31 512,13
05 347,76 513, 18 1818,8 292,88 X
252,39 577,62 1794, 1 259,34 642,62
358,7 X 834,2 X 351,9
06 478,7 496,3 943,8 349,7 388,6
370,9 302,8 1149,0 300,85 411,8
386,0 384,4 752,9 X 568,2
07 403,0 373,5 745,9 358,7 443,9
336,1 363,2 634,9 340,5 388,6
350,2 424,1 556,4 436,1 339,4
08 648,7 X 919,7 311,7 X
273,8 X 578,1 334,9 775,5
Apêndice 01 - Níveis de estradiol em pg/ml de fluidos de cultivo celular de células da granulosa de mulheres inférteis com
endometriose submetidas à reprodução assistida (FIV ou ICSI). x = valores desconsiderados.
�= o \C�rl.)��ioor..�E-<'b �•< � �00 ....
ªu-... co�
"'�
--
���< e lfl � z _.... E-o
4857,20
4487,40
5801,90
414,10
389,80
302,15
1597,9
1139, 1
938,80
2484,6
2045,6
1874,7
2520,6
3040,0
3244,0
1123,9
1255,3
1260,2
613,1
903,0
812,9
746,6
731,8
519,5
ANEXOS
86
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Eu, - --------------------- --- -
abaixo assinado, tendo sido devidamente esclarecida sobre todas as
condições do documento "ESCLARECIMENTO AO SUJEITO DA PESQUISA"
(anexo 2), de que se trata o Projeto de Pesquisa intitulado "ATIVIDADE DA
AROMATASE EM CÉLULAS DA GRANULOSA DE PACIENTES COM
ENDOMETRIOSE SUBMETIDAS À TÉCNICAS DE REPRODUÇÃO
ASSISTIDA", que tem como pesquisadora responsável a mestranda Lauriane
Giselle de Abreu, sob orientação do Prof. Dr. Marcos Dias de Moura,
especialmente no que diz respeito ao objetivo da pesquisa, aos procedimentos
a que serei submetida, aos riscos e benefícios, à forma de ressarcimento no
caso de eventuais despesas, bem como a forma de indenização por danos
decorrentes da pesquisa, declaro que tenho pleno conhecimento dos direitos e
das condições que me foram asseguradas, a seguir relacionadas:
1. A garantia de obter resposta a qualquer pergunta ou esclarecimento de
qualquer dúvida a respeito dos procedimentos, riscos, benefícios e de
outras situações relacionadas com a pesquisa e o tratamento a que
serei submetida;
2. A liberdade de retirar o meu consentimento e deixar de participar do
estudo a qualquer momento, sem que isso traga prejuízo à
continuidade do meu tratamento;
87
3. A segurança de que não serei identificada e que será mantido o caráter
confidencial da informação relacionada à minha privacidade;
4. O compromisso de que será prestada informação atualizada durante o
estudo, ainda que esta possa afetar a minha vontade de continuar dele
participando;
5. O compromisso de que serei devidamente acompanhada e assistida
durante todo o período de minha participação no projeto, bem como de
que será garantida a continuidade do meu tratamento após a conclusão
dos trabalhos da pesquisa.
Declaro, ainda, que concordo inteiramente com as condições que foram
apresentadas e que, livremente, manifesto a vontade de participar do referido
projeto.
Ribeirão Preto, __ de _______ de __ _
Assinatura da paciente
88
ESCLARECIMENTO AO SUJEITO DA PESQUISA
1. TITULO DA PESQUISA:
"ATIVIDADE DA AROMATASE EM CÉLULAS DA GRANULOSA DE
PACIENTES COM ENDOMETRIOSE SUBMETIDAS A TÉCNICAS DE
REPRODUÇÃO ASSISTIDA"
2. PESQUISADORA RESPONSÁVEL:
LAURIANE GISELLE DE ABREU, CRM/SP Nº 111.248 (ALUNA de
MESTRADO NA LISP/RIBEIRÃO PRETO)
3. ORIENTADOR:
PROFESSOR DOUTOR MARCOS DIAS DE MOURA, CRM Nº 49.816/SP
4. PROMOTORA DA PESQUISA:
FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO DA UNIVERSIDADE
DE SÃO PAULO.
Vimos, por meio desta, solicitar sua participação neste estudo.
Ele tem como objetivo testar a hipótese de que a aromatase (uma
enzima, ou seja, uma substância que o organismo produz normalmente que se
relaciona com o funcionamento do oócito, ou óvulo), e que estaria alterada nas
células da granulosa (células componentes do oócito), presentes no fluido
folicular (líquido que fica junto ao oócito). Isto será verificado em pacientes
89
normais (sem endometriose) e naquelas que possuem endometriose (doença
na qual as células do endométrio, que correspondem à camada interna do
útero, se implantam em outros locais fora do útero).
Estamos propondo este estudo pois pesquisas similares apontam para
esta alteração nestas pacientes com endometriose e isto poderia ser um fator
correlacionado à infertilidade e resultados insatisfatórios apresentados por
estas pacientes nas Técnicas de Reprodução Assistida (FIV - Fertilização in
Vitro e ICSI - Injeção lntracitoplasmática de Espermatozóide, ou seja, técnica
em que se injeta o espermatozóide dentro do óvulo).
Desta maneira, estamos propondo este estudo que constará de 2
grupos: (1) grupo de pacientes sem endometriose e (2) grupo de pacientes
com endometriose, todas submetidas a técnicas de reprodução assistida (FIV
ou ICSI). No final do estudo, realizaremos a comparação entre estes dois
grupos e checaremos se há diferença na atividade da aromatase nas células
da granulosa destas pacientes e também se há diferenças nos resultados da
FIV ou da ICSI.
Participando deste projeto, você receberá o tratamento da
mesma forma que as pacientes que não participam, com todos o exames e
recursos disponíveis para melhor atendê-la.
Durante a coleta de oócitos para a FIV ou ICSI, é aspirado o fluido
folicular que contém o oócito que será utilizado. Este fluido, normalmente,
depois é desprezado. Neste projeto pretendemos, com o seu consentimento,
usar este fluido contendo as células da granulosa para pesquisar a atividade
da enzima aromatase, como já foi exposto previamente. Não será necessário
90
submeter-se a nenhum procedimento adicional, além do que já ocorre
normalmente no processo da FIV ou da ICSI.
Informamos que seu nome e seus dados pessoais não aparecerão no
trabalho ou em outro meio de informação, ou seja, o sigilo será mantido.
Além disso, a qualquer momento você poderá solicitar sua saída do
trabalho, se assim desejar, sem nenhum prejuízo à continuação de seu
tratamento neste serviço.
Ficamos à disposição para esclarecer todas as dúvidas que
surgirem, inclusive sobre o andamento da pesquisa e seus resultados.
Os pesquisadores.
91
Protocolo de Pesquisa
Grupo
Procedimento
Nome
RG
Diagnóstico
Antecedentes Pessoais
Cirurgias Prévias
( ) Caso
) FIV
Paridade G ...... P ...... c ........ A ..... .
Endometriose ( )mínima ( )leve
( ) fator masculino - ( ) oligo
( ) fator tubáreo
( ) ESCA ( ) outros -......... ..
( ) Controle
( ) ICSI
Idade
Filhos Vivos
)moderada
( ) terato
Antecedente Familiar ( )endometriose Grau de Parentesco ..... .
Tempo de Infertilidade ....... anos
....... anos
. ..............
) grave
( ) asteno
Tratamentos de ( ) sim - ( ) Clomifeno ( ) IUI ......... ( )FIV.......... ( ) ICSI .............. .
infertilidade anteriores ( ) não
Laparoscopia Data -... / ... ./,,,,,
(descrição)
Anátomo patológico
Histeroscopia
Histerossalpingografia
Espermograma
( ) não ( ) sim .......................... .
Data -.... / .... / .... ............................... .
Data -... / .... / .... ................................ .
.......... mi Nº ........ Milhões/mi Vitalidade ....... %
A ....... % B ........ % C ....... %
Nº spz móveis no
recuperadoNº ......
D ....... % Morfologia ....... % (Kruger) Milhões/mi
FSH
Protocolo de indução
Medicamento
Análogo GnRH
Folículos puncionados
Data ... / .... /..... nível. ............. ng/dl
Nº dias ........... ..
( ) FSHr -dose................................. ( ) outros - nome -
( ) HMG -dose................................. - dose
( )agonista - nome......................... ( )antagonista -
nome .................... .
Nº de oócitos captados
Nº
dias ........... .
........... %
92
Nº de embriões formados ..........
transferidos ..........
Endométrio no dia da Transferência ....................... mm
Passagem do catéter ( ) fácil
Complementação lútea ( ) duphaston 30 mg/dia
Cultivo N
No de células
Data da incubação ....... /....... ,.......
Dosagem estradiol 1.1
2.1
3.1
4.1
5.1
6.1
PHCG ( )pos
Gravidez clínica ( )s im
Nº sacos ( ) 1 (
gestacionais +
lntercorrências
Grupos:
1. Célula + meio cultivo
ng/ml
( ) neg
( ) não
) 2 ( ) 3 ou
1.2
2.2
3.2
4.2
5.2
6.2
Aborto
Qualidade:
( ) difícil -
( ) crinone gel 8%
Data da retirada
1.3 Média
2.3
3.3
4.3
5.3
6.3
( ) não ( )sim
2. Célula + 20 1,.11 solução mãe Testosterona + meio de cultivo
3. Célula + 200 1,.11 solução mãe Testosterona + meio de cultivo
4. Célula+ 10 1,.11 FSH + 10 1,.1I IGF-1 + meio de cultivo
1
2
3
4
especificar:
( ) outro
....... /........ /.......
Mediana
5. Célula +20 1,.11 de solução mãe Testosterona+ 10 1,.11 FSH + 10 µI IGF-1 + meio de cultivo
6. Célula+ 200µ1 de solução mãe Testosterona+ 10 1,.11 FSH + 10 µI IGF-1 + meio de cultivo
93
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA
DE RIBEIRÃO PRETO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
CEP. 14048-900
RIBEIRÃO PRETO· S.P.
BRASIL
CAMPUS UNIVERSITÀRIO • MONTE ALEGRE
FONE: 602-1000 • FAX (016) 633-1144
Ribeirão Preto, O 1 de setembro de 2004
Oficio nº 2501/2004
CEP/SPC
PROCESSO HCRP nº 5694/2004
Senhor Professor:
O Comitê de Ética em Pesquisa, em sua 187ª
Reunião Ordinária realizada em 30/08/2004, tomou conhecimento e
aprovou a recomendação solicitada pela CONEP, em Parecer nº
1492/2004, referente ao Projeto de Pesquisa intitulado: "ATIVIDADE
DA AROMATASE EM CÉLULAS DA GRANULOSA DE PACIENTES COM
ENDOMETPJOSE SUBMETIDAS A TÉCNICAS DE REPRODUÇÃO
ASSISTIDA".
Aproveito a oportunidade· para renovar a
Vossa Senhoria protestos de estima e consider�ção. _____ ..,.
Ilustríssimo Senhor
PROF. DR. MARCOS DIAS DE MOURA
LAURlANE GISELLE D� ABREU (Aluna)
Depto. de Ginecologia e Obstetrícia
Em mãos
94
FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO-USP
DEPARTAMENTO DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
Av. Bandeirantes, 3900 - 1º andar. Ribeirão Preto-SP • CEP 14049- 900
Fone (016) 633-0216 - Fax (016) 633-0946
S11tor de Reprodução Humana 1
REPRODUÇAO ASSISTIDA
TERMO DE CONSENTIMENTO
Eu .......... ....... ....... .. ..................... .. ...... .. .......... .. .... ............ .... .. .. ........... ........................ ............ ... .......... ..... ..... ........ ...... ........... .
e aneu m;;irido ........ ...... .. .. .. .... ......... . .. ... . ... ....... ...... . . .. ..... ... ... . .. . ... . .. ....... ... ...... .. ..... ..... ........... ...... ... ... .. ..... .. . .... ..... ......... ... ........... .
nos �ub111e1emos livrt:menh:: 11 p11rticip11r tlc proct.-<linu.·mmc que vhmm li uhhmi;ilu de umn gi:slm;tlo d.:vido li infürtiliúmlt:: cun jugnl.
Fomo11 infonnndos dos diversos ospectos m.:úico.o;, éticos e jurfdicos 4ue envolvem os dili:rente:. trn111111ento:1. assim como dos
rcsultlldos já obtidos nessa uniwidc de 1.rnt11mento. Como participantes do Prognuna de Fertiliznçllo Assislitla do HCRP-USP <lama.�
livre e voluntariamente nosso consentimento e autorimçilo ao Setor de Reprodução Humana do HCRP dn Faculdade de Medicina de
Ribcirtlo Preto da Unh·crsiuade de Sllo Pnulo. seus diretores. métlicos e ussistcnlcs n rcnliznrem os scguinlcs procet.iimenlu.1
as:."inalooos:
lNSEMI.N
§
AÇ: � INTRA-ÚTERO
NÃO
NÃO SE APLICA
Para a r=liznção de inscmiuação intra-ütero (IU[) autorizamos a indução da ovulação e o preparo do sêmen do meu marido
(cnpocitaçllo ) pnm postarior inscmúui çllo iutm-útcro. Pnm a reolizoçilo de3sc procedimento entendo que di:vcrci utilizar drosos que
podem ter efeitos colalet11is, os quais me foram devidamente esc:larccidos. sendo os pri nci pa is II Sindrome de Hipereslimulação
Ovariana e a Multiparidadc: (gravidez múltipla). Isentamos a equipe de qualquer responsabilidade sohre as complicações ou efeitos
col11tcrais que venham a ocorrer.
Em nlgun111s situações pod e oçorrcr c:<cessiva re,postn aos mcdicruncntos utiliz:idos e nesse cnsos o trntamcnto pode ser
interrompiuo ou ser mudauo para oulro procedimento como a fertilização i11 \litro (FIV). Seremos informados dessa situação e
po<lc:remos reali7.ar a opçã o de continuarmos o tratamento com a FIV ou intcrTomp,:r a inseminai;ão intra-útero :k::m p rejuízo para
futuru insemino,;i1cs.
FERTILIZA ÇÃO IN nTRO (FIV) E MJCR
§
O�� .IPULAÇÃO DE GAMETAS (ICSI)
NÃO
NÃO SE APLICA
Fomos infonnados de que pura a remimçilo de F[V e/ou [CS( s.to necessárias diversas ctnpas. a saber: 1. indução da
o,'Ulnçllo que: ,isn a obtenção de wn grnndc número de 6yulos a pnrtir da utilização de medicações (gonadotrotinas); 2. monitoriznçilo
da ovulação feita por ullra-sonogratia • tnlllSvnsin al �ada � 3. cap tação de óvulos que se i:onslitui do aspiração dos folfculos feita
através da punção transvaginal guiada pe lo ultra-som sob anestesia gemi endovenosa; 4. in seminação e cultivo dos óvulos capl4dos po r
meio de FTV ou ICSl, ícita no lahorat6rio; S. t.ran,fcrência de at� 4 embriões ao útero, de ocnrdo com meu c:on�e11tiina11tn no dia da
trn11:1ícrêncio; 6. rase lilleo que se constitui da utili7.açllo de mecfü:uçi1es pm-11 suplc:mcuuir a prudm;,io Jc honnünios dos ovárin.'i.
Autoriz amos n reuli2açdo de: Iodas =itas etnpas ocima llc:icrilas e nos re:,-ponsabilizamos pelo oueqUllWl utilização tias mcúicaçõcs
p rescritas.
Fomos oriC11todos de que podem ocorrer tilllllls cm diversos pontos do processo para rcaiizaç do de F[V e/ou [CS[: fülha ele:
resposta â induçllo da ovulaç ão, aus!ncia ou rcduziuo número de 6vul011 captados e falha ou baixa l.ixa de fcrtiliznçllo dos óv\llos
inseminados, o que pode resultar em po ucos ou nenhum embrillo a St:l(em) transfcrido(s). Aus.:nlmnos a equi pe de prolissionnis
responsáveis pe lo nos.'10 tratomcnto de quaisquer dcstos intercotrêncins que: po.'1$1U1l vir a ocorrer llurnnte o nos,"IO trotamento. Fomos
também esclarecidos das ta.us de gcslac;lo deste serviço.
Fomos infonnados de que podem ocorrer eleitos colaterais e/ou complicações decorrentes do uso das medicações indutoras
da ovulaçllo (Slndrome de Hiperestimulaçllo Ovariana). da captação oocitária (sangramento no locai da pw \Çlo e risco anestésico) e
dos riscos de gestações 111últip lns. [sentamos a equi po: de tod4 e qualquer responsabilidade sobre as comp lica ções ou eleitos colatcmis
que venham a ocorrer.
A micromanipulaç ão (ICSI) é uma técnica onde é realizada a i njeção de wn ünico espc:rmaw1.óidc no interior de um óvulo.
Concortlamn., que II indicaçllo de FTV ou TCSI sem de n:sponsnhilidadc Jn cqui p: mc!tfü:11 e de cmhri11l11j1i:lla:1 n:spo1\-a\vci:1 pel o no.w1
lrnl1111K.'tllo. F111111�'1 i111i>mu1tl11,'I ili: 1111c: 11 ICSI é lcs:nii:11 i11lm1hr,.i1l11 ,1,:-ul,! 11)1111'. nh� 1111111t1w11l1111111L11l1�, �,J111111111111111111!1111 1ili1H'i rlt•
11111ltiirnu1ç1� li.-t11i:c 1111:1 '-'fin11c;11:1 1v1:u:id11s llfKl!I c:tln lcs:nicn nllu silo c1>111:hL'IÍv11�. IIUL'I nllo �ll!.(Clcm lu1vc1 c:tlc 11111111:ntu c111 1 dm;Jlu 1111
esperado cm gestações csponlãncas. Isentamos a equi pe de profissionais responsáveis pelo nosso tratamento de qua lquer distürbio
gcstacional e: anomalia c:ongênilll ou 1naltormaçilo fütal que por vcntum venham 11 ocorrer, Imito dn rcnlizu çilo de FIV como de ICSI.
96
CONGELAMENTO DE EMBRIÕES
§ SIM
. N
Ã
O
NÃO SE APLICA
. No decorrer �e um ciclo de _fertilização in vi lro (FIV) ou de núcromauipuloção de gamelas (iCSI) pode ser produzido umnumero mmor de cmhnõcs do que o numero que pode ser trnnslcriúo no mesmo ciclo. Caso existmn cmhrifü:s excedentes, os mesmospoderão ser cong elados. Concordamos co1� o congelamento 110 dia a ser determinado pcln ,:qtúpc mcúic;i. Estamo:. cientes que apósdc:scongclamc:nlo. algmlS ou lodos os cmbnõ.:s podem não sobreviver ao proccs.<;tl de congclamculo.
Concordamos com 11 estOC11gem dos embriões congclodo!I por um pcrtodo máximo de 3 imos. /\pós 3 anos de cstoc:ngcm dost.inbriões con gelatlos, cnS<> niio desejemos a trnn.�fercnci11 cios c:mbriiies dt."SCongelodos e \'Ínvcis, cunconlmnos com a Joaçüo :111õ11imndos embriões pnrn outro(�) cnsnl(is) que dcseje(m) gravidez.
. Cn .so ucorrn 1> liilccima,10 de llOl dos cônjuge., ou de n mbos, divórcio ou doença.,; graves em 1un ou .:111 ambos <>S ciinjugcs,que mcnpocucm o(s) m.:.o;mo(s) a tomor(em) <.lc:cisõc.'I. autori1.nmos 11 <lonçRn n11611ima de lurcscrvndos porauutro(s) ca:;o�is) que dcscje(m) gravidez.
No uio <ln n:rui1i1çiio do congelaint.•11lo Jus emhriiic:s 110:1 scrj íomo:ciJo um 11uvu lo:n11u ok o.:011s,:11li111t.,1lo inlunnudo, undc:
constará o número lolnl de embriões que foram efcliv1unentc congclodos, onde <lnn.'lllos ciência..
Fomos infonm1dos de que, caso niio concordemos com a realização tle o.:ongelamcnlo tle pos.'<ivo:is cinhriõe.• remanesco:nlc:s.
opiamos pela inseminnçlio de um níuncro máximo de S óvulos (se lbr produzido um niunero maior. ns 6'-ulos devcriln ser descnrUldos
ou doados, confonne consentimento especifico sobre donçffo de óvulos).
DOR
�f;
ÓVULOS
D NÃ.O Sl!. A.l'L\CA..
Concorúo.n,os com a doaçãu anâ1úmo uc óvu\os, que sem fcil11 openns qu1111üo o llllllld'0 de 1)\'lllos obtidos lor superior li �.
OU superior li S se tlecitlimos 11.'10 congelnr embriões. Estamos cientes t1e quo: as crinm;us 1111SCid.lll u pm1ir c.1.a uU111;00 tl.: óvulos s.1o
moral e legalmente Je lit.'US pais que n geraram. nio .havendo de nossa parte ncnhwn interesse c:111 conh1.-ccr n sua evolução nem de
pedir Jireitos legais sobre estas crianças. Fomos iníonnados de que a autorização para doannos ou mio óniloli em nada inílucnciarã a
conduto <ln equipe de profissionais deste Serviço pcnll\te o \\osso tmtamenlo dc infcrtilidlldc.
A doação não lerá caráter lucrativo ou comercial e os doadores não devem c:onhecer a idenlid11c.lc Jos recc:plores e vice-versa.
Em situações especiais. as informações sobre os doadores, por motivo médico, podem ser fornecidas e.'\clusivamente para médicos.
resguardando-se a identidade civil do doador. O Serviço de Reprodução Humnna monlém um registro de dados clínicos de cmúler
gemi, a fim de evitar que Wll doador tenha produzido nuus do que duas gcstoçõcs, de sc.xos diferentes, numa nrca de wu ntilhlio de
habitantes. A escolha de doadores é de responsabilidade da wúdade e, dentro do passivei deverá garantir que o doador tenha a maior
semelhança cum a n:ceplora.
DOAÇÃO DE EMBRIÕES
§ SIM
NÃO
NÃO SE APLICA
Concor<lnmos com a doação de embriões que .11ão ser.lo utilizados por nós. Estamos cientes d.: que as crianças 1111.,;ci<lns a
partir de embriões dondos stlo moral e leg11lma1tc dos pois que vllo gerar o(s) lilho(s), 1lllo havendo de nosso p111te ne11lnun interesse
cm conhecer a sua evolução nem de pedir direitos legais sobre estas crianças. A autorização pam doam1os ou não embriões em nada
intluenciarà a postura da equipe de profissionais dcsle Serviço perante o nosso tratamento de infcrtilidauc.
A doação não terá Cllrátcr lucmlivo ou comercial e os doadores n4o devem conhecer a identidade dos rcc:cptores e vice-verso.
Em situações especiais, ns infom1ações sobre os doodorcs. por motivo mt!dico, podem ser fornecidas exclusivamente pará médicas,
resguardando-se a identidade civil do doador. O Serviço de Reprodução Humwia mantém wn registro de dlldos cllnicos de caráter
geral, a fim de evitar que um doador lenha produzido mais dó que duns gestações, de se.xos diferentes, nw,111 arca de 1111\ milhão de
habitontes. A escolha de doadores é de responsabilidade da wudade e, dentro do pos:nvcl deverá gnmntir que o dondor tenha 11 mllior
sc:mc:Jhanç:a com a receptora.
Tendo lido com atenção e compreendido todas·as in íonnações contidas nas duas págin8ll deste doc1u11ento, recc=bido infom1nçõ es
adicionais e esclarecimt.'lltos. concordamos espontanerunente em participar do Programa de Ft:rtilizaç.'kl Assistida do HCRP. Nós
entcni.lemos que em todo tmtnma\to médico, bem como t\11 Rcproduçito Assistida existem riscos e efüitos 1.-olatcrnis aos quais
estamos expostos, tendo sido esclarecidos todas as nossas dúviJas cm relnção ao procedimento. É Je nosso conhecimento que o
tratamento proposto poderá ser suspenso II critério medico e que também poderemos nos recusar a continuar o tratamento, sem
nos isentarmos dos cu.,tos ou responsabilidades já WL'lurniclas. Eximimos a equipe médica de qlllllquer responsabilidade em
eventuais ocorrêneins de complicações como abortnmento , nmlfonnnções li:tais ou patologias nmto:rtUL'I em cn.'IO de gmvi<le1_
Não havendo dúvidas, datamos e ob11ixo assinamos:
Casal : Sr .............................................................. •.· •··••·••·· •··••· ···· ·· ······ ··· ·· ··············································· ··········· ·· ·····
Sr" .......................... ............. ... ....... ..... ...... ... ... .... • ....... ...... . ..... .. ............ ........... ........... .... .. .... .......... ... ..... ...... .
Teslen 11uú111S: ................................................. _ ... ...... ..... .. ........ .............. ....... .. ...................................................... .
Ribciriio P�to, ........ dr;: ... .................. de 21.(1. .... .
97
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