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Internacional (CC BY 4.0).
1
Revista Brasileira de
ISSN 3085-8208 vol. 2, n. 18, 2026
Saúde
Data de Aceite: 22/10/2026
Elaine Guedes da Silva
UL23121599. UNIPLAN - Centro Universitario Paulista Polo Altamira Pará
Emelly Santos de Almeida
UL23105493 - Centro Universitario Paulista Polo Altamira Pará
Fernando Efraim Queiroz Viana
UL23115011 - Centro Universitario Paulista Polo Altamira Pará
Júlio Cesar Santos da Costa
UL23115014 - Centro Universitario Paulista Polo Altamira Pará
Mayse Prates Nunes
Orientadora. Professora Especialista
A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA
PÉLVICA NO TRATAMENTO
DA ENDOMETRIOSE
ARTIGO 15
DOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015
ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE
2
RESUMO: Introdução: A endometriose
é uma doença ginecológica crônica carac-
terizada pela presença de tecido endome-
trial fora da cavidade uterina, causando
sintomas como dor pélvica intensa, dispa-
reunia, alterações menstruais e impactos na
qualidade de vida da mulher. Diante disso,
a fisioterapia pélvica surge como uma im-
portante alternativa terapêutica comple-
mentar no tratamento da doença, atuan-
do na redução da dor, melhora da função
muscular e promoção do bem-estar físico e
emocional das pacientes. Objetivos: anali-
sar a importância da fisioterapia pélvica no
tratamento da endometriose, destacando os
benefícios das intervenções fisioterapêuticas
na diminuição dos sintomas e na melhoria
da qualidade de vida das mulheres acome-
tidas pela doença. Os objetivos específicos
buscaram compreender os impactos da
endometriose na saúde feminina, identifi-
car os principais recursos fisioterapêuticos
utilizados e discutir a atuação do fisiotera-
peuta pélvico no cuidado multidisciplinar.
Justificativa: baseia-se na necessidade de
ampliar o conhecimento acadêmico e cien-
tífico sobre a eficácia da fisioterapia pélvica
como método complementar no manejo
da endometriose, considerando que muitas
mulheres convivem diariamente com dores
crônicas e limitações funcionais decorrentes
da doença. Além disso, o tema possui gran-
de relevância social e acadêmica devido ao
crescente número de casos diagnosticados e
à busca por tratamentos menos invasivos e
mais humanizados. Metodologia: Carac-
teriza-se como uma pesquisa bibliográfica
de abordagem qualitativa, desenvolvida
por meio da análise de artigos científicos,
livros, periódicos e publicações acadêmicas
relacionadas à endometriose e à fisioterapia
pélvica. As informações foram coletadas em
bases de dados científicas confiáveis, permi-
tindo uma análise ampla sobre os benefícios
fisioterapêuticos no tratamento da doença.
Resultados: os estudos analisados demons-
traram que a fisioterapia pélvica pode con-
tribuir para a redução da dor pélvica e para
a melhora da qualidade de vida de mulheres
com endometriose. As intervenções fisiote-
rapêuticas apresentam benefícios no mane-
jo dos sintomas. Discussão: os achados de-
monstram que a fisioterapia pode ser uma
abordagem complementar no tratamento
da endometriose, contribuindo para alívio
da dor pélvica e a melhora da qualidade de
vida. Entretanto, foram observadas limita-
ções nas evidências cientificas disponíveis,
destacando a necessidade de novos estudos
que comprovem a eficácia das diferentes
técnicas fisioterapêuticas. Conclusão: con-
clui-se que a fisioterapia pélvica desempe-
nha papel fundamental no tratamento da
endometriose, contribuindo significativa-
mente para o alívio da dor, melhora fun-
cional, relaxamento muscular e qualidade
de vida das pacientes. Dessa forma, eviden-
cia-se a importância da inserção do fisiote-
rapeuta pélvico na equipe multidisciplinar,
bem como a necessidade de novas pesquisas
que fortaleçam a valorização dessa área de
atuação na saúde da mulher.
PALAVRAS- CHAVES: Endometriose;
Fisioterapia Pélvica; Dor Pélvica; Saúde da
Mulher; Qualidade de Vida; T ratamento
Fisioterápico.
DOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015
ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE
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INTRODUÇÃO
A endometriose é uma doença crônica
caracterizada pelo crescimento de tecido en-
dometrial funcional fora da cavidade uteri-
na. Essa condição provoca dor intensa na re-
gião pélvica, independentemente da fase do
ciclo menstrual da mulher, podendo causar
complicações significativas na qualidade de
vida. A fisioterapia no tratamento da endo-
metriose deve incluir recursos como cinesio-
terapia, terapia manual, incluindo terapia
visceral, fisioterapia pélvica, entre outros.
(Wójcik; Szczepaniak; Placek, 2022).
A fisioterapia pélvica atua na preven-
ção e reabilitação das disfunções do assoalho
pélvico, auxiliando no alívio das dores inca-
pacitantes, no tratamento da rigidez muscu-
lar, na redução da inflamação da região pél-
vica, na melhora da função muscular e no
aumento da mobilidade. Essa abordagem
envolve exercícios e técnicas específicas para
tratar os sintomas da endometriose, utili-
zando alongamentos, massagens e exercícios
voltados ao relaxamento da musculatura da
região pélvica. Dessa forma, a fisioterapia
pélvica tem se mostrado bastante benéfica
como auxílio no tratamento da endometrio-
se, proporcionando melhora significativa na
qualidade de vida das pacientes. (Wójcik;
Szczepaniak; Placek, 2022).
Observa-se que mulheres com me-
narca precoce estão mais propensas ao de-
senvolvimento da endometriose, devido ao
maior número de episódios de menstruação
retrógrada. Além disso, a dificuldade de con-
cepção está relacionada à resposta inflama-
tória local gerada pelas células endometriais
ectópicas, levando ao aumento dos níveis de
citocinas inflamatórias. (DUARTE, 2021).
A endometriose pode se manifestar de
diferentes maneiras. Quando sintomática,
os principais sintomas incluem dismenor-
reia, dispareunia, dor pélvica crônica seve-
ra, infertilidade, gestações tardias, alterações
intestinais e, em casos extremamente raros,
carcinoma endometrial ou carcinoma de cé-
lulas claras associados às lesões endometrió-
ticas. (T eixeira et al., 2022).
Em alguns casos, a mulher não apre-
senta dor ou qualquer tipo de desconforto.
Em outras situações, a dor manifesta-se em
forma de cólicas intensas durante o período
menstrual, podendo incapacitar a mulher
para a realização de suas atividades diárias.
A doença também pode ser assintomática,
o que dificulta e atrasa o diagnóstico. Mes-
mo na ausência de dor, a endometriose pode
evoluir silenciosamente, ocasionando a for-
mação de cistos nos ovários. (T eixeira et al.,
2022).
Assim, a presente pesquisa busca abor-
dar a importância da fisioterapia pélvica no
tratamento da Endometriose, destacando
seus benefícios na redução da dor, na fun-
cionalidade do assoalho pélvico e na promo-
ção da saúde integral da mulher.
JUSTIFICATIVA
A Endometriose é considerada uma
doença inflamatória crônica que acome-
te mulheres em idade reprodutiva, sendo
caracterizada pela presença de tecido se-
melhante ao endométrio fora da cavidade
uterina. Essa enfermidade provoca sintomas
como dor pélvica crônica, dismenorreia,
dispareunia e infertilidade, comprometen-
do significativamente a qualidade de vida
das pacientes e impactando aspectos físicos,
emocionais e sociais (MOURA; GURGEL;
CHAGAS, 2024).
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ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE
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A relevância deste estudo está rela-
cionada ao aumento do número de casos
de endometriose e às limitações funcionais
causadas pela doença, principalmente devi-
do à intensidade da dor pélvica e às altera-
ções musculoesqueléticas associadas. Muitas
mulheres convivem durante anos com sin-
tomas incapacitantes até obterem diagnósti-
co e tratamento adequados, o que evidencia
a necessidade de abordagens terapêuticas
complementares que auxiliem no controle
dos sintomas e na melhora da qualidade de
vida (TAVARES; SILVA; ALVES, 2025).
Nesse contexto, a fisioterapia pélvica
vem se destacando como importante recur-
so terapêutico no tratamento da endome-
triose, atuando de forma não invasiva na re-
dução da dor, relaxamento da musculatura
do assoalho pélvico, melhora da mobilidade
e funcionalidade da região pélvica, além de
contribuir para o bem-estar físico e emocio-
nal das pacientes (VIDAL, 2024).
Além disso, estudos demonstram que
técnicas fisioterapêuticas como terapia ma-
nual, liberação miofascial, cinesioterapia e
eletroterapia apresentam resultados positivos
no controle da dor pélvica crônica associada
à endometriose, favorecendo a melhora fun-
cional e a qualidade de vida das mulheres
acometidas pela doença (CAN, 2025).
Dessa forma, o presente pré-projeto
justifica-se pela necessidade de ampliar o co-
nhecimento científico acerca da importân-
cia da fisioterapia pélvica no tratamento da
endometriose, destacando sua contribuição
dentro de uma abordagem multidisciplinar
voltada à saúde da mulher.
O estudo também possui relevância
acadêmica e social, pois poderá contribuir
para a formação de profissionais mais capa-
citados e para o desenvolvimento de novas
pesquisas relacionadas à atuação fisiotera-
pêutica na endometriose.
OBJETIVOS
Objetivos gerais
Analisar a importância da fisioterapia
pélvica no tratamento da Endometriose,
destacando seus benefícios na redução da
dor pélvica e na melhora da qualidade de
vida das mulheres acometidas pela doença.
Objetivos específicos
• Compreender os principais aspectos
da Endometriose e seus sintomas.
• Identificar os recursos utilizados pela
fisioterapia pélvica no tratamento da
endometriose.
• Avaliar os benefícios da fisioterapia
pélvica na redução da dor e na melhora
funcional das pacientes.
• Analisar a contribuição da fisioterapia
pélvica para a qualidade de vida das
mulheres com endometriose.
• Destacar a importância da atuação fi-
sioterapêutica no tratamento multidis-
ciplinar da endometriose.
METODOLOGIA
Tipo de pesquisa
O presente estudo caracteriza-se como
uma pesquisa bibliográfica, de abordagem
qualitativa, com caráter exploratório e des-
critivo, tendo como finalidade analisar a
importância da fisioterapia pélvica no tra-
tamento da endometriose, com ênfase na
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redução da dor pélvica, melhora funcional e
qualidade de vida das mulheres acometidas
pela doença.
Segundo Gil (2019), a pesquisa biblio-
gráfica é desenvolvida a partir de materiais já
elaborados, principalmente livros e artigos
científicos, possibilitando ao pesquisador
reunir diferentes conhecimentos e perspec-
tivas sobre determinado tema. Dessa forma,
a pesquisa bibliográfica permite analisar a
produção científica existente e compreender
as contribuições da fisioterapia pélvica para
o tratamento da endometriose.
Fontes de pesquisa e estratégia de
busca
A pesquisa foi realizada por meio de
levantamento bibliográfico nas bases de da-
dos PubMed, SciELO, Literatura Latino-A-
mericana e do Caribe em Ciências da Saú-
de (LILACS), Biblioteca Virtual em Saúde
(BVS) e Google Acadêmico.
Foram utilizados como descritores e
palavras-chave os termos: “endometriose”,
“fisioterapia”, “fisioterapia pélvica”, “as-
soalho pélvico”, “dor pélvica”, “qualidade
de vida”, “endometriosis”, “physiothera-
py”, “pelvic floor”, “pelvic pain” e “quality
of life”. Os termos foram combinados por
meio dos operadores booleanos AND e OR,
de acordo com as possibilidades de cada base
consultada.
Período de publicação e idiomas
Foram considerados artigos científi-
cos publicados no período de 2018 a 2025,
contemplando estudos publicados em todos
os anos compreendidos nesse intervalo.
Quanto ao idioma, foram incluídos
estudos publicados em português, inglês e
espanhol, devido à relevância da produção
científica nacional e internacional relaciona-
da à endometriose e à fisioterapia pélvica.
Critérios de inclusão
Foram estabelecidos como critérios de
inclusão: artigos científicos publicados entre
2018 e 2025; estudos disponíveis nos idio-
mas português, inglês ou espanhol; artigos
disponíveis em texto completo; estudos re-
alizados com mulheres diagnosticadas com
endometriose; pesquisas que abordassem a
fisioterapia, fisioterapia pélvica ou recursos
fisioterapêuticos relacionados ao tratamento
da endometriose; e estudos que apresentas-
sem resultados relacionados à dor pélvica,
dismenorreia, dispareunia, função do assoa-
lho pélvico, funcionalidade ou qualidade de
vida.
Também foram considerados estudos
que apresentassem informações metodoló-
gicas e resultados suficientes para análise e
que possuíssem relação direta com os objeti-
vos estabelecidos nesta pesquisa.
Critérios de exclusão
Foram excluídos artigos publicados
antes de 2018 ou após 2025; estudos publi-
cados em idiomas diferentes do português,
inglês e espanhol; artigos sem acesso ao tex-
to completo; estudos que não abordassem
diretamente a endometriose; pesquisas que
não apresentassem relação com a fisiotera-
pia ou fisioterapia pélvica; estudos realizados
exclusivamente com animais ou in vitro; ar-
tigos duplicados; além de trabalhos acadê-
micos que não correspondessem ao formato
de artigo científico e materiais sem relação
direta com os objetivos da pesquisa.
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Seleção dos estudos
Após a realização das buscas nas bases
de dados selecionadas, foram identificados
35 artigos relacionados aos descritores uti-
lizados. Inicialmente, foi realizada a análise
dos títulos e resumos, considerando a rela-
ção dos estudos com o tema e os critérios de
inclusão previamente estabelecidos.
Posteriormente, os artigos potencial-
mente relevantes foram submetidos à leitura
do texto completo. Durante esse processo,
foram excluídos os estudos que não aten-
diam aos critérios estabelecidos, incluindo
aqueles que não apresentavam relação direta
com os objetivos da pesquisa, estudos dupli-
cados e publicações que não correspondiam
aos critérios de idioma, período ou disponi-
bilidade do texto completo.
Ao final do processo de seleção, 10
artigos foram considerados elegíveis e utili-
zados para a composição deste estudo, en-
quanto 25 artigos foram excluídos por não
atenderem aos critérios estabelecidos.
Os dez artigos selecionados foram
analisados considerando informações como
autor, ano de publicação, objetivo, caracte-
rísticas dos participantes, recursos fisiotera-
pêuticos utilizados, principais resultados e
conclusões.
Análise dos dados
A análise dos artigos selecionados foi
realizada de maneira qualitativa e descritiva,
buscando identificar os principais recur-
sos empregados pela fisioterapia pélvica no
tratamento da endometriose e seus efeitos
sobre os sintomas e a funcionalidade das
pacientes.
Os resultados foram organizados con-
siderando quatro aspectos principais: recur-
sos fisioterapêuticos utilizados, redução da
dor e de outros sintomas, melhora funcional
e qualidade de vida.
Também foi considerada a atuação
da fisioterapia pélvica como parte da abor-
dagem multidisciplinar da endometriose,
buscando compreender sua contribuição no
tratamento e no manejo dos impactos cau-
sados pela doença.
Dessa maneira, a metodologia possi-
bilitou reunir e analisar estudos científicos
publicados entre 2018 e 2025, selecionando
dez artigos que apresentaram informações
relevantes para responder aos objetivos pro-
postos nesta pesquisa.
RESUL TADOS
A análise da literatura demonstrou que
a fisioterapia pode exercer papel relevante
no tratamento complementar das mulheres
com endometriose, principalmente no con-
trole da dor pélvica e na melhora de aspec-
tos relacionados à função física e à qualidade
de vida. Os estudos encontrados utilizaram
diferentes recursos fisioterapêuticos, o que
demonstra que a abordagem não é baseada
em uma única técnica, mas pode envolver
exercícios terapêuticos, terapia manual e
recursos eletrofísicos, de acordo com as ca-
racterísticas apresentadas por cada paciente
(ABRIL-COELLO et al., 2023; CAN et al.,
2026).
Abril-Coello et al. (2023) realizaram
uma revisão sistemática com metanálise
para avaliar os efeitos de intervenções con-
servadoras não farmacológicas em mulheres
com endometriose. Foram incluídos seis es-
tudos na metanálise.
Os autores encontraram uma redução
estatisticamente significativa na intensida-
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de da dor, com diferença padronizada das
médias de -0,89 (IC95%: -1,21 a -0,57; I²
= 69%). Na avaliação da qualidade de vida,
o resultado estatisticamente significativo foi
observado no domínio de função física, com
diferença padronizada das médias de -1,49
(IC95%: -2,88 a -0,10; I² = 95%). Dessa
maneira, os resultados sugerem que inter-
venções conservadoras não farmacológicas
podem contribuir principalmente para o
controle da dor e para aspectos relaciona-
dos à capacidade física das mulheres com
endometriose.
Resultados semelhantes foram observa-
dos por Can et al. (2026), que investigaram
especificamente a utilização da fisioterapia
para a dor pélvica associada à endometriose.
Dos estudos encontrados pelos autores, oito
foram considerados elegíveis e sete foram in-
cluídos na análise quantitativa. A compara-
ção entre fisioterapia e intervenções que não
utilizaram fisioterapia demonstrou redução
da dor, com diferença média de -1,97 ponto
(IC95%: -2,99 a -0,95). Entre as modalida-
des analisadas, os recursos de eletroterapia
e dispositivos de laser apresentaram uma
diferença média de -2,03 pontos (IC95%:
-3,90 a -0,14). Os autores também obser-
varam que as técnicas aplicadas diretamente
na região relacionada à dor apresentaram
maior redução dos sintomas do que as abor-
dagens aplicadas de maneira geral (CAN et
al., 2026).
A literatura também apresenta resulta-
dos relacionados especificamente à terapia
manual. Em um ensaio clínico randomiza-
do realizado com 41 mulheres com dor pél-
vica relacionada à endometriose, 21 partici-
pantes foram submetidas à terapia manual
e 20 integraram o grupo placebo. O proto-
colo teve duração de oito semanas. Após a
intervenção, o grupo submetido à terapia
manual apresentou melhora significativa da
intensidade da dor, da sensação de incapaci-
dade, da mobilidade lombar e do domínio
físico da qualidade de vida. A melhora da in-
tensidade da dor também foi observada no
acompanhamento realizado um e seis meses
após a intervenção (GONZÁLEZ-ESPI-
NOSA et al., 2023).
Uma revisão sistemática e metanálise
publicada por Mena-González, Leirós-Ro-
dríguez e Hernández-Lucas (2026) avaliou
diferentes técnicas fisioterapêuticas empre-
gadas para o tratamento dos sintomas da
endometriose. Os autores analisaram estu-
dos que utilizaram diferentes modalidades
de fisioterapia e observaram resultados fa-
voráveis para alguns dos principais sintomas
associados à doença, incluindo dor e altera-
ções relacionadas à qualidade de vida. Na
análise da qualidade de vida, foi encontrada
diferença padronizada das médias de 1,52
(IC95%: 0,76–2,27; p < 0,001). Apesar
desses resultados, os pesquisadores destaca-
ram a existência de heterogeneidade entre os
estudos e limitações metodológicas, fatores
que devem ser considerados ao interpretar
os resultados (MENA-GONZÁLEZ; LEI-
RÓS-RODRÍGUEZ; HERNÁNDEZ-
-LUCAS, 2026).
A fisioterapia pélvica possui particular
importância porque as manifestações da en-
dometriose não estão restritas à presença das
lesões, podendo estar associadas a alterações
musculoesqueléticas, dor pélvica persistente
e disfunções relacionadas ao assoalho pél-
vico. Nesse contexto, o fisioterapeuta espe-
cializado em saúde pélvica pode trabalhar
aspectos relacionados à função muscular,
atividade física, estratégias de gerenciamento
das atividades e qualidade de vida. A diretriz
da European Society of Human Reproduc-
tion and Embryology (ESHRE), entretanto,
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ressalta que a literatura disponível especifi-
camente sobre fisioterapia em mulheres com
endometriose ainda era limitada quando a
diretriz foi publicada, não sendo possível
estabelecer recomendações específicas para
todas as técnicas fisioterapêuticas (ESHRE,
2022).
Essa limitação da literatura é impor-
tante porque os estudos disponíveis não
utilizam necessariamente os mesmos proto-
colos. Algumas pesquisas avaliam exercícios,
outras investigam terapia manual ou recur-
sos eletrofísicos, enquanto determinados
trabalhos associam a fisioterapia a outras es-
tratégias terapêuticas. Por esse motivo, os re-
sultados não devem ser interpretados como
evidência de que uma única técnica seja res-
ponsável pela melhora observada. A aborda-
gem deve considerar a avaliação individual
da paciente, seus sintomas predominantes,
presença de dor pélvica, alterações muscula-
res e possíveis disfunções do assoalho pélvi-
co (ESHRE, 2022; CAN et al., 2026).
De maneira geral, os resultados encon-
trados apontam que a fisioterapia pode con-
tribuir para o manejo da endometriose prin-
cipalmente por meio da redução da dor e
da melhora de determinados aspectos físicos
e funcionais. Os achados de Abril-Coello et
al. (2023) demonstraram benefício na in-
tensidade da dor e na função física, enquan-
to Can et al. (2026) encontraram redução
da dor associada à utilização de diferentes
modalidades fisioterapêuticas.
Além disso, o ensaio clínico de Gon-
zález-Espinosa et al. (2023) apresentou re-
sultados favoráveis após um protocolo de
terapia manual, especialmente em relação à
dor, mobilidade lombar e qualidade de vida
física.
Apesar dos resultados positivos, a fisio-
terapia deve ser compreendida como parte
do tratamento multidisciplinar da endome-
triose e não como substituta do acompanha-
mento médico. A própria ESHRE destaca
que a fisioterapia pode abordar questões
relacionadas ao movimento, função, assoa-
lho pélvico, atividade física e manejo da dor,
mas também reconhece que a quantidade
de pesquisas específicas sobre sua utilização
na endometriose ainda é limitada (ESHRE,
2022).
Assim, os resultados desta revisão indi-
cam que a fisioterapia pélvica apresenta po-
tencial como estratégia complementar para
mulheres com endometriose, especialmente
no controle da dor e na melhora da função
física e da qualidade de vida. Entretanto,
as diferenças entre os protocolos utilizados
e as limitações metodológicas de parte dos
estudos demonstram a necessidade de novas
pesquisas, principalmente ensaios clínicos
com amostras maiores, protocolos bem de-
finidos e períodos mais longos de acompa-
nhamento. Dessa forma, a fisioterapia pode
ser incorporada ao cuidado dessas pacientes
de maneira individualizada, considerando as
manifestações clínicas e funcionais apresen-
tadas por cada mulher.
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Tabela de comparação
Autor/Ano Principais resultados
Abril-Co-
elho et al.
(2023)
Redução da dor e melho-
ra da função física.
González-
-Espinosa et
al. (2023)
Melhora da dor e da qua-
lidade de vida.
ESHERE
(2022).
Evidências insuficientes para
recomendar técnicas especificas.
Xie et al.
(2025)
Exercícios podem contribuir
para reduzir a dor e melho-
rar a qualidade de vida.
Rodrígue-
z-Ruiz et
al. (2025)
Resultados positivos relacionados
à dor e à qualidade de vida.
Wójcik,
Szczepaniak
e Placek
(2022).
Destacam recursos fisioterapêuticos
como terapia manual e exercícios.
Duarte
(2021).
Relaciona a endometriose a
alterações inflamatórias e di-
ficuldades de concepção.
T eixeira et.al
(2022)
Descreve manifestações clí-
nicas e diagnósticos.
Moura,
Gurgel e
Chagas
Abordam diagnóstico e tra-
tamento da endometriose.
Evidenciam os impactos da
doença na qualidade de vida.
Tavares,
Silva e Alves
Discute intervenções fisiotera-
pêuticas. Destacam a fisioterapia
como recurso complementar para
os sintomas e a qualidade de vida.
Vidal et al.
(2024)
Investiga a influência da fisiotera-
pia pélvica na qualidade de vida.
Can et al.
(2025/2026)
Avalia a fisioterapia para dor
pélvica associada à endometriose.
Abril-Co-
elho et al.
(2023)
Avalia intervenções conserva-
doras não farmacológica.
Gil (2019)
Fundamenta a metodologia biblio-
gráfica. Explica a utilização de ma-
teriais já publicados para reunir e
analisar conhecimentos científicos.
DISCUSSÃO
A endometriose é uma condição gine-
cológica crônica cuja repercussão ultrapassa
a presença das lesões endometrióticas. A dor
associada à doença pode permanecer mesmo
quando o foco inicial do processo doloroso
é tratado, o que demonstra a complexidade
dos mecanismos envolvidos. Nesse sentido,
compreender a endometriose apenas como
uma alteração anatômica pode ser insufi-
ciente para explicar a persistência dos sin-
tomas apresentados por alguns pacientes. A
literatura descreve a participação de altera-
ções neurológicas e musculoesqueléticas, in-
cluindo fenômenos de sensibilização e pre-
sença de disfunções miofasciais, que podem
contribuir para a manutenção da dor pél-
vica (STRATTON; BERGER; BOLTON,
2018).
A presença desses mecanismos ajuda
a compreender por que algumas mulheres
continuam apresentando dor mesmo após
intervenções direcionadas às lesões da endo-
metriose. Stratton, Berger e Bolton (2018)
discutem que a sensibilização do sistema
nervoso e as alterações miofasciais podem
participar da manutenção da dor crônica as-
sociada à doença. A partir dessa perspectiva,
torna-se relevante considerar intervenções
que não tenham como objetivo somente a
lesão endometriótica, mas também as con-
sequências funcionais provocadas pela dor
persistente. É nesse ponto que a fisioterapia
pélvica pode apresentar uma contribuição
importante, atuando sobre movimento,
função muscular, comportamento motor e
alterações relacionadas à região pélvica.
Essa compreensão também encontra
respaldo nos resultados de revisões sistemá-
ticas recentes. Abril-Coello et al. (2023),
ao analisarem seis estudos, identificaram
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redução significativa da intensidade da dor
após intervenções conservadoras não farma-
cológicas, além de melhora significativa no
domínio de função física da qualidade de
vida. Esses resultados sugerem que o bene-
fício das intervenções fisioterapêuticas não
deve ser analisado somente pela redução da
intensidade dolorosa, mas também pelo im-
pacto que essa redução pode exercer sobre a
capacidade funcional da mulher.
A redução da dor também foi obser-
vada na revisão sistemática e metanálise de
Can et al. (2026). Os autores verificaram
que as intervenções fisioterapêuticas produ-
ziram uma diferença média de -1,97 ponto
na dor quando comparadas às intervenções
que não utilizaram fisioterapia. Além dis-
so, as modalidades de eletroterapia e laser
apresentaram uma diferença média de -2,03
pontos. Apesar desses resultados, a própria
diversidade das técnicas avaliadas demonstra
que não existe uma única abordagem fisiote-
rapêutica capaz de representar toda a inter-
venção sobre a endometriose.
Outro aspecto relevante é a relação
entre a dor pélvica e as alterações muscu-
loesqueléticas. A permanência da dor pode
favorecer estratégias de proteção e alterações
no movimento, contribuindo para aumento
da tensão muscular e manutenção de pon-
tos dolorosos. Nesse contexto, a fisiotera-
pia pélvica pode atuar por meio de técnicas
manuais, exercícios terapêuticos, educação
e estratégias de relaxamento, buscando re-
duzir as repercussões funcionais relacio-
nadas à dor. Entretanto, essa atuação deve
ser baseada na avaliação individual, pois a
presença de endometriose não significa que
todas as mulheres apresentarão o mesmo
padrão de alteração muscular ou funcio-
nal (STRATTON; BERGER; BOLTON,
2018; ESHRE, 2022).
A terapia manual constitui um exem-
plo dessa abordagem individualizada. Em
estudo clínico randomizado realizado com
mulheres com dor pélvica relacionada à en-
dometriose, a aplicação de um protocolo de
terapia manual foi associada a melhorias em
aspectos como dor, incapacidade, mobilida-
de lombar e qualidade de vida física. Esses
resultados são relevantes porque demons-
tram que a intervenção fisioterapêutica pode
produzir efeitos sobre diferentes dimensões
relacionadas à dor, e não somente sobre sua
intensidade (GONZÁLEZ-ESPINOSA et
al., 2023).
Entretanto, é importante evitar uma
interpretação excessivamente generalizada
desses resultados. A diretriz da European
Society of Human Reproduction and Em-
bryology (ESHRE), publicada em 2022,
apontou que ainda havia pouca literatura
específica sobre fisioterapia em mulheres
com endometriose. A organização também
destacou que os estudos disponíveis apre-
sentavam diferenças importantes entre as
intervenções e que não havia evidências su-
ficientes para recomendar um protocolo es-
pecífico de treinamento do assoalho pélvico
para essa população. Portanto, a indicação
da fisioterapia deve considerar as necessida-
des individuais da paciente e não ser baseada
em um protocolo único (ESHRE, 2022).
Apesar dessa limitação identificada
pela ESHRE, a produção científica poste-
rior apresenta resultados que ampliam as
evidências disponíveis.
A revisão de Mena-González, Lei-
rós-Rodríguez e Hernández-Lucas (2026)
reuniu estudos que utilizaram diferentes es-
tratégias, como terapia manual, exercícios,
educação, eletroterapia, relaxamento e acu-
puntura. Os autores encontraram redução
significativa da dor pélvica e da dispareunia,
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ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE
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além de melhora da qualidade de vida. Con-
tudo, a elevada heterogeneidade observada
entre os estudos demonstra que esses resul-
tados devem ser interpretados com cautela
e que ainda é necessário determinar quais
intervenções são mais adequadas para dife-
rentes manifestações da doença (MENA-
-GONZÁLEZ; LEIRÓS-RODRÍGUEZ;
HERNÁNDEZ-LUCAS, 2026).
A atividade física também merece ser
considerada dentro da discussão sobre fisio-
terapia. O exercício pode contribuir para a
manutenção da função física e para o bem-
-estar geral, mas sua aplicação em mulheres
com endometriose deve levar em considera-
ção a intensidade dos sintomas, o nível de
condicionamento e as limitações apresenta-
das pela paciente. Dessa forma, a fisioterapia
pode auxiliar na adaptação e progressão do
exercício de maneira individualizada, evi-
tando que a atividade seja prescrita de forma
indiscriminada.
Uma revisão sistemática com metaná-
lise publicada em 2025 reforçou a possibili-
dade de benefícios relacionados à atividade
física e ao exercício em mulheres com endo-
metriose, incluindo efeitos sobre dor e qua-
lidade de vida. Entretanto, os autores tam-
bém apontaram diferenças entre os estudos
avaliados, o que limita a definição de uma
modalidade ou intensidade de exercício que
possa ser considerada ideal para todas as pa-
cientes (LI et al., 2025). Esse aspecto reforça
a necessidade de uma prescrição individu-
alizada e de acompanhamento profissional.
A importância da individualização tor-
na-se ainda mais evidente quando se consi-
dera que a dor relacionada à endometriose
pode apresentar diferentes mecanismos.
Uma paciente pode apresentar maior com-
ponente miofascial, enquanto outra pode
ter maior comprometimento relacionado à
função sexual, mobilidade, atividade física
ou outras manifestações pélvicas. Por esse
motivo, a avaliação fisioterapêutica deve
preceder a escolha das técnicas, permitin-
do identificar as principais limitações fun-
cionais e estabelecer objetivos terapêuticos
específicos.
Outro ponto relevante é a qualidade
de vida. A endometriose pode interferir em
atividades cotidianas, relações sexuais, ativi-
dade física e aspectos emocionais, fazendo
com que o impacto da doença ultrapasse a
manifestação física da dor.
A revisão de Abril-Coello et al. (2023)
encontrou melhora significativa especifi-
camente no domínio de função física, en-
quanto Mena-González, Leirós-Rodríguez
e Hernández-Lucas (2026) observaram me-
lhora global da qualidade de vida nos estu-
dos analisados. Esses resultados sugerem que
a fisioterapia pode apresentar relevância não
somente por reduzir sintomas, mas tam-
bém por favorecer a recuperação funcional
da mulher (ABRIL-COELLO et al., 2023;
MENA-GONZÁLEZ; LEIRÓS-RODRÍ-
GUEZ; HERNÁNDEZ-LUCAS, 2026).
Uma evidência mais recente também
amplia essa discussão. Uma revisão siste-
mática e metanálise em rede, publicada em
2026, analisou 33 ensaios clínicos randomi-
zados envolvendo 2.323 mulheres e com-
parou diferentes intervenções não farma-
cológicas para endometriose. A fisioterapia
apresentou benefícios significativos para dor
geral e qualidade de vida quando compa-
rada ao cuidado convencional. Entretanto,
como o estudo avaliou diferentes interven-
ções não farmacológicas e realizou compara-
ções entre modalidades distintas, seus resul-
tados devem ser utilizados como evidência
complementar, e não como justificativa para
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ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE
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considerar a fisioterapia superior às demais
formas de tratamento (WANG et al., 2026).
Diante dessas evidências, a fisiotera-
pia pélvica pode ser compreendida como
uma ferramenta de cuidado voltada princi-
palmente para as repercussões funcionais e
sintomáticas da endometriose. Sua atuação
pode envolver educação, exercícios, terapia
manual, recursos eletrofísicos, técnicas de
relaxamento e outras estratégias, desde que
exista indicação clínica. O objetivo não deve
ser tratar isoladamente a lesão endometri-
ótica, mas reduzir o impacto que a doença
produz sobre a função e a qualidade de vida
da paciente.
É importante ressaltar, entretanto, que
os resultados positivos encontrados na lite-
ratura não significam que a fisioterapia seja
capaz de curar a endometriose ou substituir
o tratamento médico. A doença apresenta
características crônicas e multifatoriais, exi-
gindo acompanhamento adequado e, quan-
do necessário, associação de diferentes mo-
dalidades terapêuticas. A própria ESHRE
recomenda uma abordagem centrada na
paciente e reconhece a necessidade de consi-
derar estratégias não farmacológicas dentro
do cuidado integral, embora ressalte as limi-
tações das evidências específicas disponíveis
para algumas intervenções fisioterapêuticas
(ESHRE, 2022).
Outro fator que deve ser considerado
é a heterogeneidade dos estudos. As pesqui-
sas disponíveis utilizam diferentes técnicas,
períodos de tratamento, instrumentos de
avaliação e características de participantes.
Na metanálise de Mena-González, Leirós-
-Rodríguez e Hernández-Lucas (2026), por
exemplo, a heterogeneidade foi elevada tan-
to para dor pélvica quanto para qualidade
de vida. Embora os resultados agrupados
tenham sido estatisticamente significativos,
essa variabilidade indica que os efeitos en-
contrados não devem ser automaticamente
atribuídos a uma única técnica ou repro-
duzidos da mesma maneira em todas as pa-
cientes (MENA-GONZÁLEZ; LEIRÓS-
-RODRÍGUEZ; HERNÁNDEZ-LUCAS,
2026).
Portanto, a principal contribuição da
fisioterapia pélvica no contexto da endo-
metriose parece estar relacionada à possi-
bilidade de abordar a paciente de maneira
funcional e individualizada. A avaliação
das características da dor, da função mus-
cular, da mobilidade, da atividade física e
das possíveis alterações do assoalho pélvico
permite estabelecer uma intervenção dire-
cionada às necessidades apresentadas. Essa
perspectiva é especialmente importante
diante da natureza complexa da dor associa-
da à endometriose, na qual podem coexistir
mecanismos inflamatórios, neurológicos e
musculoesqueléticos.
Em síntese, os estudos analisados apre-
sentam evidências favoráveis à utilização da
fisioterapia como parte do tratamento multi-
disciplinar da endometriose, principalmente
para redução da dor e melhora da função e
da qualidade de vida. Ao mesmo tempo, as
limitações metodológicas e a heterogeneida-
de das pesquisas demonstram que ainda não
é possível estabelecer uma única técnica ou
protocolo como padrão para todas as mu-
lheres. Dessa maneira, a fisioterapia pélvica
deve ser aplicada de forma individualizada
e integrada às demais estratégias de trata-
mento, com o objetivo de reduzir o impacto
funcional da doença e favorecer uma melhor
qualidade de vida.
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ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE
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CONCLUSÃO
A partir da análise dos estudos selecio-
nados, foi possível observar que a fisioterapia
pélvica apresenta importante contribuição
no tratamento da endometriose, principal-
mente no manejo dos sintomas que afetam
a funcionalidade e a qualidade de vida das
mulheres. Os achados analisados demons-
tram que a abordagem fisioterapêutica pode
ser utilizada como parte do tratamento mul-
tidisciplinar, considerando as diferentes ma-
nifestações da doença.
Entre os recursos descritos nos estudos,
destacam-se as terapias manuais, técnicas de
relaxamento e alongamento, exercícios dire-
cionados ao assoalho pélvico e outras estra-
tégias fisioterapêuticas, utilizadas de acordo
com as necessidades apresentadas por cada
paciente. Esses recursos estão relacionados
principalmente ao controle da dor pélvica, à
redução de alterações musculares e à melho-
ra da função da região pélvica.
A análise também permitiu identificar
que a endometriose pode provocar impactos
que vão além da dor, interferindo nas ativi-
dades diárias, na função sexual, no bem-es-
tar físico e emocional e, consequentemen-
te, na qualidade de vida. Nesse contexto, a
fisioterapia pélvica pode contribuir para o
tratamento desses comprometimentos, pro-
porcionando uma abordagem direcionada
às alterações musculoesqueléticas e funcio-
nais associadas à doença.
Dessa forma, os objetivos propostos
neste estudo foram alcançados, uma vez
que foi possível identificar recursos utiliza-
dos pela fisioterapia pélvica, analisar seus
benefícios relacionados à dor e à funcio-
nalidade e compreender sua contribuição
para a qualidade de vida das mulheres com
endometriose.
Conclui-se, portanto, que a fisioterapia
pélvica constitui uma importante estratégia
complementar no manejo da endometriose,
especialmente quando integrada ao acom-
panhamento multiprofissional. Entretanto,
são necessários mais estudos clínicos com
amostras maiores, protocolos fisioterapêuti-
cos bem definidos e acompanhamento em
longo prazo, a fim de ampliar a compreensão
sobre a efetividade das diferentes técnicas e
contribuir para uma atuação fisioterapêutica
cada vez mais baseada em evidências.
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