A importância da fisioterapia pélvica no tratamento da endometriose

In: Revista Brasileira de Saúde · 2026 · vol. 2(18) , pp. 1–14 · doi:10.22533/at.ed.820821826141015 · W7223198932
OA: bronze CC0
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This bibliographic review analyzes pelvic physiotherapy as a complementary treatment for endometriosis, finding it contributes to reducing pelvic pain and improving the quality of life of affected women.

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This bibliographic review analyzes the role of pelvic physiotherapy as a complementary treatment for endometriosis, focusing on its capacity to alleviate chronic pelvic pain and improve functional mobility. The authors examine existing literature to demonstrate that interventions such as manual therapy, myofascial release, and kinesiotherapy contribute to reduced inflammation and enhanced quality of life for patients. However, the paper explicitly notes limitations in the current scientific evidence, highlighting the need for further rigorous studies to validate the efficacy of specific physiotherapeutic techniques. This paper is centrally about endometriosis — specifically the application of pelvic physiotherapy to manage pain and functional symptoms associated with the disease.

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Todo o conteúdo desta revista está licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0). 1 Revista Brasileira de ISSN 3085-8208 vol. 2, n. 18, 2026 Saúde Data de Aceite: 22/10/2026 Elaine Guedes da Silva UL23121599. UNIPLAN - Centro Universitario Paulista Polo Altamira Pará Emelly Santos de Almeida UL23105493 - Centro Universitario Paulista Polo Altamira Pará Fernando Efraim Queiroz Viana UL23115011 - Centro Universitario Paulista Polo Altamira Pará Júlio Cesar Santos da Costa UL23115014 - Centro Universitario Paulista Polo Altamira Pará Mayse Prates Nunes Orientadora. Professora Especialista A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE ARTIGO 15 DOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015 ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE 2 RESUMO: Introdução: A endometriose é uma doença ginecológica crônica carac- terizada pela presença de tecido endome- trial fora da cavidade uterina, causando sintomas como dor pélvica intensa, dispa- reunia, alterações menstruais e impactos na qualidade de vida da mulher. Diante disso, a fisioterapia pélvica surge como uma im- portante alternativa terapêutica comple- mentar no tratamento da doença, atuan- do na redução da dor, melhora da função muscular e promoção do bem-estar físico e emocional das pacientes. Objetivos: anali- sar a importância da fisioterapia pélvica no tratamento da endometriose, destacando os benefícios das intervenções fisioterapêuticas na diminuição dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida das mulheres acome- tidas pela doença. Os objetivos específicos buscaram compreender os impactos da endometriose na saúde feminina, identifi- car os principais recursos fisioterapêuticos utilizados e discutir a atuação do fisiotera- peuta pélvico no cuidado multidisciplinar. Justificativa: baseia-se na necessidade de ampliar o conhecimento acadêmico e cien- tífico sobre a eficácia da fisioterapia pélvica como método complementar no manejo da endometriose, considerando que muitas mulheres convivem diariamente com dores crônicas e limitações funcionais decorrentes da doença. Além disso, o tema possui gran- de relevância social e acadêmica devido ao crescente número de casos diagnosticados e à busca por tratamentos menos invasivos e mais humanizados. Metodologia: Carac- teriza-se como uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio da análise de artigos científicos, livros, periódicos e publicações acadêmicas relacionadas à endometriose e à fisioterapia pélvica. As informações foram coletadas em bases de dados científicas confiáveis, permi- tindo uma análise ampla sobre os benefícios fisioterapêuticos no tratamento da doença. Resultados: os estudos analisados demons- traram que a fisioterapia pélvica pode con- tribuir para a redução da dor pélvica e para a melhora da qualidade de vida de mulheres com endometriose. As intervenções fisiote- rapêuticas apresentam benefícios no mane- jo dos sintomas. Discussão: os achados de- monstram que a fisioterapia pode ser uma abordagem complementar no tratamento da endometriose, contribuindo para alívio da dor pélvica e a melhora da qualidade de vida. Entretanto, foram observadas limita- ções nas evidências cientificas disponíveis, destacando a necessidade de novos estudos que comprovem a eficácia das diferentes técnicas fisioterapêuticas. Conclusão: con- clui-se que a fisioterapia pélvica desempe- nha papel fundamental no tratamento da endometriose, contribuindo significativa- mente para o alívio da dor, melhora fun- cional, relaxamento muscular e qualidade de vida das pacientes. Dessa forma, eviden- cia-se a importância da inserção do fisiote- rapeuta pélvico na equipe multidisciplinar, bem como a necessidade de novas pesquisas que fortaleçam a valorização dessa área de atuação na saúde da mulher. PALAVRAS- CHAVES: Endometriose; Fisioterapia Pélvica; Dor Pélvica; Saúde da Mulher; Qualidade de Vida; T ratamento Fisioterápico. DOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015 ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE 3 INTRODUÇÃO A endometriose é uma doença crônica caracterizada pelo crescimento de tecido en- dometrial funcional fora da cavidade uteri- na. Essa condição provoca dor intensa na re- gião pélvica, independentemente da fase do ciclo menstrual da mulher, podendo causar complicações significativas na qualidade de vida. A fisioterapia no tratamento da endo- metriose deve incluir recursos como cinesio- terapia, terapia manual, incluindo terapia visceral, fisioterapia pélvica, entre outros. (Wójcik; Szczepaniak; Placek, 2022). A fisioterapia pélvica atua na preven- ção e reabilitação das disfunções do assoalho pélvico, auxiliando no alívio das dores inca- pacitantes, no tratamento da rigidez muscu- lar, na redução da inflamação da região pél- vica, na melhora da função muscular e no aumento da mobilidade. Essa abordagem envolve exercícios e técnicas específicas para tratar os sintomas da endometriose, utili- zando alongamentos, massagens e exercícios voltados ao relaxamento da musculatura da região pélvica. Dessa forma, a fisioterapia pélvica tem se mostrado bastante benéfica como auxílio no tratamento da endometrio- se, proporcionando melhora significativa na qualidade de vida das pacientes. (Wójcik; Szczepaniak; Placek, 2022). Observa-se que mulheres com me- narca precoce estão mais propensas ao de- senvolvimento da endometriose, devido ao maior número de episódios de menstruação retrógrada. Além disso, a dificuldade de con- cepção está relacionada à resposta inflama- tória local gerada pelas células endometriais ectópicas, levando ao aumento dos níveis de citocinas inflamatórias. (DUARTE, 2021). A endometriose pode se manifestar de diferentes maneiras. Quando sintomática, os principais sintomas incluem dismenor- reia, dispareunia, dor pélvica crônica seve- ra, infertilidade, gestações tardias, alterações intestinais e, em casos extremamente raros, carcinoma endometrial ou carcinoma de cé- lulas claras associados às lesões endometrió- ticas. (T eixeira et al., 2022). Em alguns casos, a mulher não apre- senta dor ou qualquer tipo de desconforto. Em outras situações, a dor manifesta-se em forma de cólicas intensas durante o período menstrual, podendo incapacitar a mulher para a realização de suas atividades diárias. A doença também pode ser assintomática, o que dificulta e atrasa o diagnóstico. Mes- mo na ausência de dor, a endometriose pode evoluir silenciosamente, ocasionando a for- mação de cistos nos ovários. (T eixeira et al., 2022). Assim, a presente pesquisa busca abor- dar a importância da fisioterapia pélvica no tratamento da Endometriose, destacando seus benefícios na redução da dor, na fun- cionalidade do assoalho pélvico e na promo- ção da saúde integral da mulher. JUSTIFICATIVA A Endometriose é considerada uma doença inflamatória crônica que acome- te mulheres em idade reprodutiva, sendo caracterizada pela presença de tecido se- melhante ao endométrio fora da cavidade uterina. Essa enfermidade provoca sintomas como dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia e infertilidade, comprometen- do significativamente a qualidade de vida das pacientes e impactando aspectos físicos, emocionais e sociais (MOURA; GURGEL; CHAGAS, 2024). DOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015 ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE 4 A relevância deste estudo está rela- cionada ao aumento do número de casos de endometriose e às limitações funcionais causadas pela doença, principalmente devi- do à intensidade da dor pélvica e às altera- ções musculoesqueléticas associadas. Muitas mulheres convivem durante anos com sin- tomas incapacitantes até obterem diagnósti- co e tratamento adequados, o que evidencia a necessidade de abordagens terapêuticas complementares que auxiliem no controle dos sintomas e na melhora da qualidade de vida (TAVARES; SILVA; ALVES, 2025). Nesse contexto, a fisioterapia pélvica vem se destacando como importante recur- so terapêutico no tratamento da endome- triose, atuando de forma não invasiva na re- dução da dor, relaxamento da musculatura do assoalho pélvico, melhora da mobilidade e funcionalidade da região pélvica, além de contribuir para o bem-estar físico e emocio- nal das pacientes (VIDAL, 2024). Além disso, estudos demonstram que técnicas fisioterapêuticas como terapia ma- nual, liberação miofascial, cinesioterapia e eletroterapia apresentam resultados positivos no controle da dor pélvica crônica associada à endometriose, favorecendo a melhora fun- cional e a qualidade de vida das mulheres acometidas pela doença (CAN, 2025). Dessa forma, o presente pré-projeto justifica-se pela necessidade de ampliar o co- nhecimento científico acerca da importân- cia da fisioterapia pélvica no tratamento da endometriose, destacando sua contribuição dentro de uma abordagem multidisciplinar voltada à saúde da mulher. O estudo também possui relevância acadêmica e social, pois poderá contribuir para a formação de profissionais mais capa- citados e para o desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas à atuação fisiotera- pêutica na endometriose. OBJETIVOS Objetivos gerais Analisar a importância da fisioterapia pélvica no tratamento da Endometriose, destacando seus benefícios na redução da dor pélvica e na melhora da qualidade de vida das mulheres acometidas pela doença. Objetivos específicos • Compreender os principais aspectos da Endometriose e seus sintomas. • Identificar os recursos utilizados pela fisioterapia pélvica no tratamento da endometriose. • Avaliar os benefícios da fisioterapia pélvica na redução da dor e na melhora funcional das pacientes. • Analisar a contribuição da fisioterapia pélvica para a qualidade de vida das mulheres com endometriose. • Destacar a importância da atuação fi- sioterapêutica no tratamento multidis- ciplinar da endometriose. METODOLOGIA Tipo de pesquisa O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, com caráter exploratório e des- critivo, tendo como finalidade analisar a importância da fisioterapia pélvica no tra- tamento da endometriose, com ênfase na DOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015 ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE 5 redução da dor pélvica, melhora funcional e qualidade de vida das mulheres acometidas pela doença. Segundo Gil (2019), a pesquisa biblio- gráfica é desenvolvida a partir de materiais já elaborados, principalmente livros e artigos científicos, possibilitando ao pesquisador reunir diferentes conhecimentos e perspec- tivas sobre determinado tema. Dessa forma, a pesquisa bibliográfica permite analisar a produção científica existente e compreender as contribuições da fisioterapia pélvica para o tratamento da endometriose. Fontes de pesquisa e estratégia de busca A pesquisa foi realizada por meio de levantamento bibliográfico nas bases de da- dos PubMed, SciELO, Literatura Latino-A- mericana e do Caribe em Ciências da Saú- de (LILACS), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Google Acadêmico. Foram utilizados como descritores e palavras-chave os termos: “endometriose”, “fisioterapia”, “fisioterapia pélvica”, “as- soalho pélvico”, “dor pélvica”, “qualidade de vida”, “endometriosis”, “physiothera- py”, “pelvic floor”, “pelvic pain” e “quality of life”. Os termos foram combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, de acordo com as possibilidades de cada base consultada. Período de publicação e idiomas Foram considerados artigos científi- cos publicados no período de 2018 a 2025, contemplando estudos publicados em todos os anos compreendidos nesse intervalo. Quanto ao idioma, foram incluídos estudos publicados em português, inglês e espanhol, devido à relevância da produção científica nacional e internacional relaciona- da à endometriose e à fisioterapia pélvica. Critérios de inclusão Foram estabelecidos como critérios de inclusão: artigos científicos publicados entre 2018 e 2025; estudos disponíveis nos idio- mas português, inglês ou espanhol; artigos disponíveis em texto completo; estudos re- alizados com mulheres diagnosticadas com endometriose; pesquisas que abordassem a fisioterapia, fisioterapia pélvica ou recursos fisioterapêuticos relacionados ao tratamento da endometriose; e estudos que apresentas- sem resultados relacionados à dor pélvica, dismenorreia, dispareunia, função do assoa- lho pélvico, funcionalidade ou qualidade de vida. Também foram considerados estudos que apresentassem informações metodoló- gicas e resultados suficientes para análise e que possuíssem relação direta com os objeti- vos estabelecidos nesta pesquisa. Critérios de exclusão Foram excluídos artigos publicados antes de 2018 ou após 2025; estudos publi- cados em idiomas diferentes do português, inglês e espanhol; artigos sem acesso ao tex- to completo; estudos que não abordassem diretamente a endometriose; pesquisas que não apresentassem relação com a fisiotera- pia ou fisioterapia pélvica; estudos realizados exclusivamente com animais ou in vitro; ar- tigos duplicados; além de trabalhos acadê- micos que não correspondessem ao formato de artigo científico e materiais sem relação direta com os objetivos da pesquisa. DOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015 ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE 6 Seleção dos estudos Após a realização das buscas nas bases de dados selecionadas, foram identificados 35 artigos relacionados aos descritores uti- lizados. Inicialmente, foi realizada a análise dos títulos e resumos, considerando a rela- ção dos estudos com o tema e os critérios de inclusão previamente estabelecidos. Posteriormente, os artigos potencial- mente relevantes foram submetidos à leitura do texto completo. Durante esse processo, foram excluídos os estudos que não aten- diam aos critérios estabelecidos, incluindo aqueles que não apresentavam relação direta com os objetivos da pesquisa, estudos dupli- cados e publicações que não correspondiam aos critérios de idioma, período ou disponi- bilidade do texto completo. Ao final do processo de seleção, 10 artigos foram considerados elegíveis e utili- zados para a composição deste estudo, en- quanto 25 artigos foram excluídos por não atenderem aos critérios estabelecidos. Os dez artigos selecionados foram analisados considerando informações como autor, ano de publicação, objetivo, caracte- rísticas dos participantes, recursos fisiotera- pêuticos utilizados, principais resultados e conclusões. Análise dos dados A análise dos artigos selecionados foi realizada de maneira qualitativa e descritiva, buscando identificar os principais recur- sos empregados pela fisioterapia pélvica no tratamento da endometriose e seus efeitos sobre os sintomas e a funcionalidade das pacientes. Os resultados foram organizados con- siderando quatro aspectos principais: recur- sos fisioterapêuticos utilizados, redução da dor e de outros sintomas, melhora funcional e qualidade de vida. Também foi considerada a atuação da fisioterapia pélvica como parte da abor- dagem multidisciplinar da endometriose, buscando compreender sua contribuição no tratamento e no manejo dos impactos cau- sados pela doença. Dessa maneira, a metodologia possi- bilitou reunir e analisar estudos científicos publicados entre 2018 e 2025, selecionando dez artigos que apresentaram informações relevantes para responder aos objetivos pro- postos nesta pesquisa. RESUL TADOS A análise da literatura demonstrou que a fisioterapia pode exercer papel relevante no tratamento complementar das mulheres com endometriose, principalmente no con- trole da dor pélvica e na melhora de aspec- tos relacionados à função física e à qualidade de vida. Os estudos encontrados utilizaram diferentes recursos fisioterapêuticos, o que demonstra que a abordagem não é baseada em uma única técnica, mas pode envolver exercícios terapêuticos, terapia manual e recursos eletrofísicos, de acordo com as ca- racterísticas apresentadas por cada paciente (ABRIL-COELLO et al., 2023; CAN et al., 2026). Abril-Coello et al. (2023) realizaram uma revisão sistemática com metanálise para avaliar os efeitos de intervenções con- servadoras não farmacológicas em mulheres com endometriose. Foram incluídos seis es- tudos na metanálise. Os autores encontraram uma redução estatisticamente significativa na intensida- DOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015 ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE 7 de da dor, com diferença padronizada das médias de -0,89 (IC95%: -1,21 a -0,57; I² = 69%). Na avaliação da qualidade de vida, o resultado estatisticamente significativo foi observado no domínio de função física, com diferença padronizada das médias de -1,49 (IC95%: -2,88 a -0,10; I² = 95%). Dessa maneira, os resultados sugerem que inter- venções conservadoras não farmacológicas podem contribuir principalmente para o controle da dor e para aspectos relaciona- dos à capacidade física das mulheres com endometriose. Resultados semelhantes foram observa- dos por Can et al. (2026), que investigaram especificamente a utilização da fisioterapia para a dor pélvica associada à endometriose. Dos estudos encontrados pelos autores, oito foram considerados elegíveis e sete foram in- cluídos na análise quantitativa. A compara- ção entre fisioterapia e intervenções que não utilizaram fisioterapia demonstrou redução da dor, com diferença média de -1,97 ponto (IC95%: -2,99 a -0,95). Entre as modalida- des analisadas, os recursos de eletroterapia e dispositivos de laser apresentaram uma diferença média de -2,03 pontos (IC95%: -3,90 a -0,14). Os autores também obser- varam que as técnicas aplicadas diretamente na região relacionada à dor apresentaram maior redução dos sintomas do que as abor- dagens aplicadas de maneira geral (CAN et al., 2026). A literatura também apresenta resulta- dos relacionados especificamente à terapia manual. Em um ensaio clínico randomiza- do realizado com 41 mulheres com dor pél- vica relacionada à endometriose, 21 partici- pantes foram submetidas à terapia manual e 20 integraram o grupo placebo. O proto- colo teve duração de oito semanas. Após a intervenção, o grupo submetido à terapia manual apresentou melhora significativa da intensidade da dor, da sensação de incapaci- dade, da mobilidade lombar e do domínio físico da qualidade de vida. A melhora da in- tensidade da dor também foi observada no acompanhamento realizado um e seis meses após a intervenção (GONZÁLEZ-ESPI- NOSA et al., 2023). Uma revisão sistemática e metanálise publicada por Mena-González, Leirós-Ro- dríguez e Hernández-Lucas (2026) avaliou diferentes técnicas fisioterapêuticas empre- gadas para o tratamento dos sintomas da endometriose. Os autores analisaram estu- dos que utilizaram diferentes modalidades de fisioterapia e observaram resultados fa- voráveis para alguns dos principais sintomas associados à doença, incluindo dor e altera- ções relacionadas à qualidade de vida. Na análise da qualidade de vida, foi encontrada diferença padronizada das médias de 1,52 (IC95%: 0,76–2,27; p < 0,001). Apesar desses resultados, os pesquisadores destaca- ram a existência de heterogeneidade entre os estudos e limitações metodológicas, fatores que devem ser considerados ao interpretar os resultados (MENA-GONZÁLEZ; LEI- RÓS-RODRÍGUEZ; HERNÁNDEZ- -LUCAS, 2026). A fisioterapia pélvica possui particular importância porque as manifestações da en- dometriose não estão restritas à presença das lesões, podendo estar associadas a alterações musculoesqueléticas, dor pélvica persistente e disfunções relacionadas ao assoalho pél- vico. Nesse contexto, o fisioterapeuta espe- cializado em saúde pélvica pode trabalhar aspectos relacionados à função muscular, atividade física, estratégias de gerenciamento das atividades e qualidade de vida. A diretriz da European Society of Human Reproduc- tion and Embryology (ESHRE), entretanto, DOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015 ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE 8 ressalta que a literatura disponível especifi- camente sobre fisioterapia em mulheres com endometriose ainda era limitada quando a diretriz foi publicada, não sendo possível estabelecer recomendações específicas para todas as técnicas fisioterapêuticas (ESHRE, 2022). Essa limitação da literatura é impor- tante porque os estudos disponíveis não utilizam necessariamente os mesmos proto- colos. Algumas pesquisas avaliam exercícios, outras investigam terapia manual ou recur- sos eletrofísicos, enquanto determinados trabalhos associam a fisioterapia a outras es- tratégias terapêuticas. Por esse motivo, os re- sultados não devem ser interpretados como evidência de que uma única técnica seja res- ponsável pela melhora observada. A aborda- gem deve considerar a avaliação individual da paciente, seus sintomas predominantes, presença de dor pélvica, alterações muscula- res e possíveis disfunções do assoalho pélvi- co (ESHRE, 2022; CAN et al., 2026). De maneira geral, os resultados encon- trados apontam que a fisioterapia pode con- tribuir para o manejo da endometriose prin- cipalmente por meio da redução da dor e da melhora de determinados aspectos físicos e funcionais. Os achados de Abril-Coello et al. (2023) demonstraram benefício na in- tensidade da dor e na função física, enquan- to Can et al. (2026) encontraram redução da dor associada à utilização de diferentes modalidades fisioterapêuticas. Além disso, o ensaio clínico de Gon- zález-Espinosa et al. (2023) apresentou re- sultados favoráveis após um protocolo de terapia manual, especialmente em relação à dor, mobilidade lombar e qualidade de vida física. Apesar dos resultados positivos, a fisio- terapia deve ser compreendida como parte do tratamento multidisciplinar da endome- triose e não como substituta do acompanha- mento médico. A própria ESHRE destaca que a fisioterapia pode abordar questões relacionadas ao movimento, função, assoa- lho pélvico, atividade física e manejo da dor, mas também reconhece que a quantidade de pesquisas específicas sobre sua utilização na endometriose ainda é limitada (ESHRE, 2022). Assim, os resultados desta revisão indi- cam que a fisioterapia pélvica apresenta po- tencial como estratégia complementar para mulheres com endometriose, especialmente no controle da dor e na melhora da função física e da qualidade de vida. Entretanto, as diferenças entre os protocolos utilizados e as limitações metodológicas de parte dos estudos demonstram a necessidade de novas pesquisas, principalmente ensaios clínicos com amostras maiores, protocolos bem de- finidos e períodos mais longos de acompa- nhamento. Dessa forma, a fisioterapia pode ser incorporada ao cuidado dessas pacientes de maneira individualizada, considerando as manifestações clínicas e funcionais apresen- tadas por cada mulher. DOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015 ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE 9 Tabela de comparação Autor/Ano Principais resultados Abril-Co- elho et al. (2023) Redução da dor e melho- ra da função física. González- -Espinosa et al. (2023) Melhora da dor e da qua- lidade de vida. ESHERE (2022). Evidências insuficientes para recomendar técnicas especificas. Xie et al. (2025) Exercícios podem contribuir para reduzir a dor e melho- rar a qualidade de vida. Rodrígue- z-Ruiz et al. (2025) Resultados positivos relacionados à dor e à qualidade de vida. Wójcik, Szczepaniak e Placek (2022). Destacam recursos fisioterapêuticos como terapia manual e exercícios. Duarte (2021). Relaciona a endometriose a alterações inflamatórias e di- ficuldades de concepção. T eixeira et.al (2022) Descreve manifestações clí- nicas e diagnósticos. Moura, Gurgel e Chagas Abordam diagnóstico e tra- tamento da endometriose. Evidenciam os impactos da doença na qualidade de vida. Tavares, Silva e Alves Discute intervenções fisiotera- pêuticas. Destacam a fisioterapia como recurso complementar para os sintomas e a qualidade de vida. Vidal et al. (2024) Investiga a influência da fisiotera- pia pélvica na qualidade de vida. Can et al. (2025/2026) Avalia a fisioterapia para dor pélvica associada à endometriose. Abril-Co- elho et al. (2023) Avalia intervenções conserva- doras não farmacológica. Gil (2019) Fundamenta a metodologia biblio- gráfica. Explica a utilização de ma- teriais já publicados para reunir e analisar conhecimentos científicos. DISCUSSÃO A endometriose é uma condição gine- cológica crônica cuja repercussão ultrapassa a presença das lesões endometrióticas. A dor associada à doença pode permanecer mesmo quando o foco inicial do processo doloroso é tratado, o que demonstra a complexidade dos mecanismos envolvidos. Nesse sentido, compreender a endometriose apenas como uma alteração anatômica pode ser insufi- ciente para explicar a persistência dos sin- tomas apresentados por alguns pacientes. A literatura descreve a participação de altera- ções neurológicas e musculoesqueléticas, in- cluindo fenômenos de sensibilização e pre- sença de disfunções miofasciais, que podem contribuir para a manutenção da dor pél- vica (STRATTON; BERGER; BOLTON, 2018). A presença desses mecanismos ajuda a compreender por que algumas mulheres continuam apresentando dor mesmo após intervenções direcionadas às lesões da endo- metriose. Stratton, Berger e Bolton (2018) discutem que a sensibilização do sistema nervoso e as alterações miofasciais podem participar da manutenção da dor crônica as- sociada à doença. A partir dessa perspectiva, torna-se relevante considerar intervenções que não tenham como objetivo somente a lesão endometriótica, mas também as con- sequências funcionais provocadas pela dor persistente. É nesse ponto que a fisioterapia pélvica pode apresentar uma contribuição importante, atuando sobre movimento, função muscular, comportamento motor e alterações relacionadas à região pélvica. Essa compreensão também encontra respaldo nos resultados de revisões sistemá- ticas recentes. Abril-Coello et al. (2023), ao analisarem seis estudos, identificaram DOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015 ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE 10 redução significativa da intensidade da dor após intervenções conservadoras não farma- cológicas, além de melhora significativa no domínio de função física da qualidade de vida. Esses resultados sugerem que o bene- fício das intervenções fisioterapêuticas não deve ser analisado somente pela redução da intensidade dolorosa, mas também pelo im- pacto que essa redução pode exercer sobre a capacidade funcional da mulher. A redução da dor também foi obser- vada na revisão sistemática e metanálise de Can et al. (2026). Os autores verificaram que as intervenções fisioterapêuticas produ- ziram uma diferença média de -1,97 ponto na dor quando comparadas às intervenções que não utilizaram fisioterapia. Além dis- so, as modalidades de eletroterapia e laser apresentaram uma diferença média de -2,03 pontos. Apesar desses resultados, a própria diversidade das técnicas avaliadas demonstra que não existe uma única abordagem fisiote- rapêutica capaz de representar toda a inter- venção sobre a endometriose. Outro aspecto relevante é a relação entre a dor pélvica e as alterações muscu- loesqueléticas. A permanência da dor pode favorecer estratégias de proteção e alterações no movimento, contribuindo para aumento da tensão muscular e manutenção de pon- tos dolorosos. Nesse contexto, a fisiotera- pia pélvica pode atuar por meio de técnicas manuais, exercícios terapêuticos, educação e estratégias de relaxamento, buscando re- duzir as repercussões funcionais relacio- nadas à dor. Entretanto, essa atuação deve ser baseada na avaliação individual, pois a presença de endometriose não significa que todas as mulheres apresentarão o mesmo padrão de alteração muscular ou funcio- nal (STRATTON; BERGER; BOLTON, 2018; ESHRE, 2022). A terapia manual constitui um exem- plo dessa abordagem individualizada. Em estudo clínico randomizado realizado com mulheres com dor pélvica relacionada à en- dometriose, a aplicação de um protocolo de terapia manual foi associada a melhorias em aspectos como dor, incapacidade, mobilida- de lombar e qualidade de vida física. Esses resultados são relevantes porque demons- tram que a intervenção fisioterapêutica pode produzir efeitos sobre diferentes dimensões relacionadas à dor, e não somente sobre sua intensidade (GONZÁLEZ-ESPINOSA et al., 2023). Entretanto, é importante evitar uma interpretação excessivamente generalizada desses resultados. A diretriz da European Society of Human Reproduction and Em- bryology (ESHRE), publicada em 2022, apontou que ainda havia pouca literatura específica sobre fisioterapia em mulheres com endometriose. A organização também destacou que os estudos disponíveis apre- sentavam diferenças importantes entre as intervenções e que não havia evidências su- ficientes para recomendar um protocolo es- pecífico de treinamento do assoalho pélvico para essa população. Portanto, a indicação da fisioterapia deve considerar as necessida- des individuais da paciente e não ser baseada em um protocolo único (ESHRE, 2022). Apesar dessa limitação identificada pela ESHRE, a produção científica poste- rior apresenta resultados que ampliam as evidências disponíveis. A revisão de Mena-González, Lei- rós-Rodríguez e Hernández-Lucas (2026) reuniu estudos que utilizaram diferentes es- tratégias, como terapia manual, exercícios, educação, eletroterapia, relaxamento e acu- puntura. Os autores encontraram redução significativa da dor pélvica e da dispareunia, DOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015 ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE 11 além de melhora da qualidade de vida. Con- tudo, a elevada heterogeneidade observada entre os estudos demonstra que esses resul- tados devem ser interpretados com cautela e que ainda é necessário determinar quais intervenções são mais adequadas para dife- rentes manifestações da doença (MENA- -GONZÁLEZ; LEIRÓS-RODRÍGUEZ; HERNÁNDEZ-LUCAS, 2026). A atividade física também merece ser considerada dentro da discussão sobre fisio- terapia. O exercício pode contribuir para a manutenção da função física e para o bem- -estar geral, mas sua aplicação em mulheres com endometriose deve levar em considera- ção a intensidade dos sintomas, o nível de condicionamento e as limitações apresenta- das pela paciente. Dessa forma, a fisioterapia pode auxiliar na adaptação e progressão do exercício de maneira individualizada, evi- tando que a atividade seja prescrita de forma indiscriminada. Uma revisão sistemática com metaná- lise publicada em 2025 reforçou a possibili- dade de benefícios relacionados à atividade física e ao exercício em mulheres com endo- metriose, incluindo efeitos sobre dor e qua- lidade de vida. Entretanto, os autores tam- bém apontaram diferenças entre os estudos avaliados, o que limita a definição de uma modalidade ou intensidade de exercício que possa ser considerada ideal para todas as pa- cientes (LI et al., 2025). Esse aspecto reforça a necessidade de uma prescrição individu- alizada e de acompanhamento profissional. A importância da individualização tor- na-se ainda mais evidente quando se consi- dera que a dor relacionada à endometriose pode apresentar diferentes mecanismos. Uma paciente pode apresentar maior com- ponente miofascial, enquanto outra pode ter maior comprometimento relacionado à função sexual, mobilidade, atividade física ou outras manifestações pélvicas. Por esse motivo, a avaliação fisioterapêutica deve preceder a escolha das técnicas, permitin- do identificar as principais limitações fun- cionais e estabelecer objetivos terapêuticos específicos. Outro ponto relevante é a qualidade de vida. A endometriose pode interferir em atividades cotidianas, relações sexuais, ativi- dade física e aspectos emocionais, fazendo com que o impacto da doença ultrapasse a manifestação física da dor. A revisão de Abril-Coello et al. (2023) encontrou melhora significativa especifi- camente no domínio de função física, en- quanto Mena-González, Leirós-Rodríguez e Hernández-Lucas (2026) observaram me- lhora global da qualidade de vida nos estu- dos analisados. Esses resultados sugerem que a fisioterapia pode apresentar relevância não somente por reduzir sintomas, mas tam- bém por favorecer a recuperação funcional da mulher (ABRIL-COELLO et al., 2023; MENA-GONZÁLEZ; LEIRÓS-RODRÍ- GUEZ; HERNÁNDEZ-LUCAS, 2026). Uma evidência mais recente também amplia essa discussão. Uma revisão siste- mática e metanálise em rede, publicada em 2026, analisou 33 ensaios clínicos randomi- zados envolvendo 2.323 mulheres e com- parou diferentes intervenções não farma- cológicas para endometriose. A fisioterapia apresentou benefícios significativos para dor geral e qualidade de vida quando compa- rada ao cuidado convencional. Entretanto, como o estudo avaliou diferentes interven- ções não farmacológicas e realizou compara- ções entre modalidades distintas, seus resul- tados devem ser utilizados como evidência complementar, e não como justificativa para DOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015 ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE 12 considerar a fisioterapia superior às demais formas de tratamento (WANG et al., 2026). Diante dessas evidências, a fisiotera- pia pélvica pode ser compreendida como uma ferramenta de cuidado voltada princi- palmente para as repercussões funcionais e sintomáticas da endometriose. Sua atuação pode envolver educação, exercícios, terapia manual, recursos eletrofísicos, técnicas de relaxamento e outras estratégias, desde que exista indicação clínica. O objetivo não deve ser tratar isoladamente a lesão endometri- ótica, mas reduzir o impacto que a doença produz sobre a função e a qualidade de vida da paciente. É importante ressaltar, entretanto, que os resultados positivos encontrados na lite- ratura não significam que a fisioterapia seja capaz de curar a endometriose ou substituir o tratamento médico. A doença apresenta características crônicas e multifatoriais, exi- gindo acompanhamento adequado e, quan- do necessário, associação de diferentes mo- dalidades terapêuticas. A própria ESHRE recomenda uma abordagem centrada na paciente e reconhece a necessidade de consi- derar estratégias não farmacológicas dentro do cuidado integral, embora ressalte as limi- tações das evidências específicas disponíveis para algumas intervenções fisioterapêuticas (ESHRE, 2022). Outro fator que deve ser considerado é a heterogeneidade dos estudos. As pesqui- sas disponíveis utilizam diferentes técnicas, períodos de tratamento, instrumentos de avaliação e características de participantes. Na metanálise de Mena-González, Leirós- -Rodríguez e Hernández-Lucas (2026), por exemplo, a heterogeneidade foi elevada tan- to para dor pélvica quanto para qualidade de vida. Embora os resultados agrupados tenham sido estatisticamente significativos, essa variabilidade indica que os efeitos en- contrados não devem ser automaticamente atribuídos a uma única técnica ou repro- duzidos da mesma maneira em todas as pa- cientes (MENA-GONZÁLEZ; LEIRÓS- -RODRÍGUEZ; HERNÁNDEZ-LUCAS, 2026). Portanto, a principal contribuição da fisioterapia pélvica no contexto da endo- metriose parece estar relacionada à possi- bilidade de abordar a paciente de maneira funcional e individualizada. A avaliação das características da dor, da função mus- cular, da mobilidade, da atividade física e das possíveis alterações do assoalho pélvico permite estabelecer uma intervenção dire- cionada às necessidades apresentadas. Essa perspectiva é especialmente importante diante da natureza complexa da dor associa- da à endometriose, na qual podem coexistir mecanismos inflamatórios, neurológicos e musculoesqueléticos. Em síntese, os estudos analisados apre- sentam evidências favoráveis à utilização da fisioterapia como parte do tratamento multi- disciplinar da endometriose, principalmente para redução da dor e melhora da função e da qualidade de vida. Ao mesmo tempo, as limitações metodológicas e a heterogeneida- de das pesquisas demonstram que ainda não é possível estabelecer uma única técnica ou protocolo como padrão para todas as mu- lheres. Dessa maneira, a fisioterapia pélvica deve ser aplicada de forma individualizada e integrada às demais estratégias de trata- mento, com o objetivo de reduzir o impacto funcional da doença e favorecer uma melhor qualidade de vida. DOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015 ARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE 13 CONCLUSÃO A partir da análise dos estudos selecio- nados, foi possível observar que a fisioterapia pélvica apresenta importante contribuição no tratamento da endometriose, principal- mente no manejo dos sintomas que afetam a funcionalidade e a qualidade de vida das mulheres. Os achados analisados demons- tram que a abordagem fisioterapêutica pode ser utilizada como parte do tratamento mul- tidisciplinar, considerando as diferentes ma- nifestações da doença. Entre os recursos descritos nos estudos, destacam-se as terapias manuais, técnicas de relaxamento e alongamento, exercícios dire- cionados ao assoalho pélvico e outras estra- tégias fisioterapêuticas, utilizadas de acordo com as necessidades apresentadas por cada paciente. Esses recursos estão relacionados principalmente ao controle da dor pélvica, à redução de alterações musculares e à melho- ra da função da região pélvica. A análise também permitiu identificar que a endometriose pode provocar impactos que vão além da dor, interferindo nas ativi- dades diárias, na função sexual, no bem-es- tar físico e emocional e, consequentemen- te, na qualidade de vida. Nesse contexto, a fisioterapia pélvica pode contribuir para o tratamento desses comprometimentos, pro- porcionando uma abordagem direcionada às alterações musculoesqueléticas e funcio- nais associadas à doença. Dessa forma, os objetivos propostos neste estudo foram alcançados, uma vez que foi possível identificar recursos utiliza- dos pela fisioterapia pélvica, analisar seus benefícios relacionados à dor e à funcio- nalidade e compreender sua contribuição para a qualidade de vida das mulheres com endometriose. Conclui-se, portanto, que a fisioterapia pélvica constitui uma importante estratégia complementar no manejo da endometriose, especialmente quando integrada ao acom- panhamento multiprofissional. Entretanto, são necessários mais estudos clínicos com amostras maiores, protocolos fisioterapêuti- cos bem definidos e acompanhamento em longo prazo, a fim de ampliar a compreensão sobre a efetividade das diferentes técnicas e contribuir para uma atuação fisioterapêutica cada vez mais baseada em evidências. REFERÊNCIAS 1. ABRIL-COELLO, R. et al. Benefits of phy- sical therapy in improving quality of life and pain associated with endometriosis: a syste- matic review and meta-analysis. International Journal of Gynecology & Obstetrics, v. 162, n. 1, p. 233-243, 2023. DOI: 10.1002/ijgo.14645. (PubMed) 2. BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE (BVS). Disponível em: https://bvsalud.org/. Acesso em: 27 maio 2026. 3. CAN, Gökçe et al. 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