{"paper_id":"3004c75a-f4ab-434b-be83-26bc4f91bd3a","body_text":"Todo o conteúdo desta revista está licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 \nInternacional (CC BY 4.0).\n1\nRevista Brasileira de\nISSN 3085-8208                                                                               vol. 2, n. 18, 2026\nSaúde\nData de Aceite: 22/10/2026\nElaine Guedes da Silva\nUL23121599. UNIPLAN - Centro Universitario Paulista Polo Altamira Pará\nEmelly Santos de Almeida\nUL23105493 - Centro Universitario Paulista Polo Altamira Pará\nFernando Efraim Queiroz Viana\nUL23115011 - Centro Universitario Paulista Polo Altamira Pará\nJúlio Cesar Santos da Costa\nUL23115014 - Centro Universitario Paulista Polo Altamira Pará\nMayse Prates Nunes\nOrientadora. Professora Especialista\nA IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA \nPÉLVICA NO TRATAMENTO \nDA ENDOMETRIOSE\nARTIGO 15\n\nDOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015\nARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE\n2\nRESUMO: Introdução: A endometriose \né uma doença ginecológica crônica carac-\nterizada pela presença de tecido endome-\ntrial fora da cavidade uterina, causando \nsintomas como dor pélvica intensa, dispa-\nreunia, alterações menstruais e impactos na \nqualidade de vida da mulher. Diante disso, \na fisioterapia pélvica surge como uma im-\nportante alternativa terapêutica comple-\nmentar no tratamento da doença, atuan-\ndo na redução da dor, melhora da função \nmuscular e promoção do bem-estar físico e \nemocional das pacientes. Objetivos: anali-\nsar a importância da fisioterapia pélvica no \ntratamento da endometriose, destacando os \nbenefícios das intervenções fisioterapêuticas \nna diminuição dos sintomas e na melhoria \nda qualidade de vida das mulheres acome-\ntidas pela doença. Os objetivos específicos \nbuscaram compreender os impactos da \nendometriose na saúde feminina, identifi-\ncar os principais recursos fisioterapêuticos \nutilizados e discutir a atuação do fisiotera-\npeuta pélvico no cuidado multidisciplinar. \nJustificativa: baseia-se na necessidade de \nampliar o conhecimento acadêmico e cien-\ntífico sobre a eficácia da fisioterapia pélvica \ncomo método complementar no manejo \nda endometriose, considerando que muitas \nmulheres convivem diariamente com dores \ncrônicas e limitações funcionais decorrentes \nda doença. Além disso, o tema possui gran-\nde relevância social e acadêmica devido ao \ncrescente número de casos diagnosticados e \nà busca por tratamentos menos invasivos e \nmais humanizados. Metodologia:  Carac-\nteriza-se como uma pesquisa bibliográfica \nde abordagem qualitativa, desenvolvida \npor meio da análise de artigos científicos, \nlivros, periódicos e publicações acadêmicas \nrelacionadas à endometriose e à fisioterapia \npélvica. As informações foram coletadas em \nbases de dados científicas confiáveis, permi-\ntindo uma análise ampla sobre os benefícios \nfisioterapêuticos no tratamento da doença. \nResultados: os estudos analisados demons-\ntraram que a fisioterapia pélvica pode con-\ntribuir para a redução da dor pélvica e para \na melhora da qualidade de vida de mulheres \ncom endometriose. As intervenções fisiote-\nrapêuticas apresentam benefícios no mane-\njo dos sintomas. Discussão: os achados de-\nmonstram que a fisioterapia pode ser uma \nabordagem complementar no tratamento \nda endometriose, contribuindo para alívio \nda dor pélvica e a melhora da qualidade de \nvida. Entretanto, foram observadas limita-\nções nas evidências cientificas disponíveis, \ndestacando a necessidade de novos estudos \nque comprovem a eficácia das diferentes \ntécnicas fisioterapêuticas. Conclusão: con-\nclui-se que a fisioterapia pélvica desempe-\nnha papel fundamental no tratamento da \nendometriose, contribuindo significativa-\nmente para o alívio da dor, melhora fun-\ncional, relaxamento muscular e qualidade \nde vida das pacientes. Dessa forma, eviden-\ncia-se a importância da inserção do fisiote-\nrapeuta pélvico na equipe multidisciplinar, \nbem como a necessidade de novas pesquisas \nque fortaleçam a valorização dessa área de \natuação na saúde da mulher.\nPALAVRAS- CHAVES: Endometriose; \nFisioterapia Pélvica; Dor Pélvica; Saúde da \nMulher; Qualidade de Vida; T ratamento \nFisioterápico.\n\nDOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015\nARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE\n3\nINTRODUÇÃO \nA endometriose é uma doença crônica \ncaracterizada pelo crescimento de tecido en-\ndometrial funcional fora da cavidade uteri-\nna. Essa condição provoca dor intensa na re-\ngião pélvica, independentemente da fase do \nciclo menstrual da mulher, podendo causar \ncomplicações significativas na qualidade de \nvida. A fisioterapia no tratamento da endo-\nmetriose deve incluir recursos como cinesio-\nterapia, terapia manual, incluindo terapia \nvisceral, fisioterapia pélvica, entre outros. \n(Wójcik; Szczepaniak; Placek, 2022). \nA fisioterapia pélvica atua na preven-\nção e reabilitação das disfunções do assoalho \npélvico, auxiliando no alívio das dores inca-\npacitantes, no tratamento da rigidez muscu-\nlar, na redução da inflamação da região pél-\nvica, na melhora da função muscular e no \naumento da mobilidade. Essa abordagem \nenvolve exercícios e técnicas específicas para \ntratar os sintomas da endometriose, utili-\nzando alongamentos, massagens e exercícios \nvoltados ao relaxamento da musculatura da \nregião pélvica. Dessa forma, a fisioterapia \npélvica tem se mostrado bastante benéfica \ncomo auxílio no tratamento da endometrio-\nse, proporcionando melhora significativa na \nqualidade de vida das pacientes. (Wójcik; \nSzczepaniak; Placek, 2022). \nObserva-se que mulheres com me-\nnarca precoce estão mais propensas ao de-\nsenvolvimento da endometriose, devido ao \nmaior número de episódios de menstruação \nretrógrada. Além disso, a dificuldade de con-\ncepção está relacionada à resposta inflama-\ntória local gerada pelas células endometriais \nectópicas, levando ao aumento dos níveis de \ncitocinas inflamatórias. (DUARTE, 2021). \nA endometriose pode se manifestar de \ndiferentes maneiras. Quando sintomática, \nos principais sintomas incluem dismenor-\nreia, dispareunia, dor pélvica crônica seve-\nra, infertilidade, gestações tardias, alterações \nintestinais e, em casos extremamente raros, \ncarcinoma endometrial ou carcinoma de cé-\nlulas claras associados às lesões endometrió-\nticas. (T eixeira et al., 2022). \nEm alguns casos, a mulher não apre-\nsenta dor ou qualquer tipo de desconforto. \nEm outras situações, a dor manifesta-se em \nforma de cólicas intensas durante o período \nmenstrual, podendo incapacitar a mulher \npara a realização de suas atividades diárias. \nA doença também pode ser assintomática, \no que dificulta e atrasa o diagnóstico. Mes-\nmo na ausência de dor, a endometriose pode \nevoluir silenciosamente, ocasionando a for-\nmação de cistos nos ovários. (T eixeira et al., \n2022).\nAssim, a presente pesquisa busca abor-\ndar a importância da fisioterapia pélvica no \ntratamento da Endometriose, destacando \nseus benefícios na redução da dor, na fun-\ncionalidade do assoalho pélvico e na promo-\nção da saúde integral da mulher. \nJUSTIFICATIVA \nA Endometriose é considerada uma \ndoença inflamatória crônica que acome-\nte mulheres em idade reprodutiva, sendo \ncaracterizada pela presença de tecido se-\nmelhante ao endométrio fora da cavidade \nuterina. Essa enfermidade provoca sintomas \ncomo dor pélvica crônica, dismenorreia, \ndispareunia e infertilidade, comprometen-\ndo significativamente a qualidade de vida \ndas pacientes e impactando aspectos físicos, \nemocionais e sociais (MOURA; GURGEL; \nCHAGAS, 2024). \n\nDOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015\nARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE\n4\nA relevância deste estudo está rela-\ncionada ao aumento do número de casos \nde endometriose e às limitações funcionais \ncausadas pela doença, principalmente devi-\ndo à intensidade da dor pélvica e às altera-\nções musculoesqueléticas associadas. Muitas \nmulheres convivem durante anos com sin-\ntomas incapacitantes até obterem diagnósti-\nco e tratamento adequados, o que evidencia \na necessidade de abordagens terapêuticas \ncomplementares que auxiliem no controle \ndos sintomas e na melhora da qualidade de \nvida (TAVARES; SILVA; ALVES, 2025).  \nNesse contexto, a fisioterapia pélvica \nvem se destacando como importante recur-\nso terapêutico no tratamento da endome-\ntriose, atuando de forma não invasiva na re-\ndução da dor, relaxamento da musculatura \ndo assoalho pélvico, melhora da mobilidade \ne funcionalidade da região pélvica, além de \ncontribuir para o bem-estar físico e emocio-\nnal das pacientes (VIDAL, 2024).  \nAlém disso, estudos demonstram que \ntécnicas fisioterapêuticas como terapia ma-\nnual, liberação miofascial, cinesioterapia e \neletroterapia apresentam resultados positivos \nno controle da dor pélvica crônica associada \nà endometriose, favorecendo a melhora fun-\ncional e a qualidade de vida das mulheres \nacometidas pela doença (CAN, 2025).  \nDessa forma, o presente pré-projeto \njustifica-se pela necessidade de ampliar o co-\nnhecimento científico acerca da importân-\ncia da fisioterapia pélvica no tratamento da \nendometriose, destacando sua contribuição \ndentro de uma abordagem multidisciplinar \nvoltada à saúde da mulher.\nO estudo também possui relevância \nacadêmica e social, pois poderá contribuir \npara a formação de profissionais mais capa-\ncitados e para o desenvolvimento de novas \npesquisas relacionadas à atuação fisiotera-\npêutica na endometriose. \nOBJETIVOS \nObjetivos gerais\nAnalisar a importância da fisioterapia \npélvica no tratamento da Endometriose, \ndestacando seus benefícios na redução da \ndor pélvica e na melhora da qualidade de \nvida das mulheres acometidas pela doença.\nObjetivos específicos\n• Compreender os principais aspectos \nda Endometriose e seus sintomas. \n• Identificar os recursos utilizados pela \nfisioterapia pélvica no tratamento da \nendometriose. \n• Avaliar os benefícios da fisioterapia \npélvica na redução da dor e na melhora \nfuncional das pacientes. \n• Analisar a contribuição da fisioterapia \npélvica para a qualidade de vida das \nmulheres com endometriose. \n• Destacar a importância da atuação fi-\nsioterapêutica no tratamento multidis-\nciplinar da endometriose. \nMETODOLOGIA\nTipo de pesquisa\nO presente estudo caracteriza-se como \numa pesquisa bibliográfica, de abordagem \nqualitativa, com caráter exploratório e des-\ncritivo, tendo como finalidade analisar a \nimportância da fisioterapia pélvica no tra-\ntamento da endometriose, com ênfase na \n\nDOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015\nARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE\n5\nredução da dor pélvica, melhora funcional e \nqualidade de vida das mulheres acometidas \npela doença.\nSegundo Gil (2019), a pesquisa biblio-\ngráfica é desenvolvida a partir de materiais já \nelaborados, principalmente livros e artigos \ncientíficos, possibilitando ao pesquisador \nreunir diferentes conhecimentos e perspec-\ntivas sobre determinado tema. Dessa forma, \na pesquisa bibliográfica permite analisar a \nprodução científica existente e compreender \nas contribuições da fisioterapia pélvica para \no tratamento da endometriose.\nFontes de pesquisa e estratégia de \nbusca\nA pesquisa foi realizada por meio de \nlevantamento bibliográfico nas bases de da-\ndos PubMed, SciELO, Literatura Latino-A-\nmericana e do Caribe em Ciências da Saú-\nde (LILACS), Biblioteca Virtual em Saúde \n(BVS) e Google Acadêmico.\nForam utilizados como descritores e \npalavras-chave os termos: “endometriose”, \n“fisioterapia”, “fisioterapia pélvica”, “as-\nsoalho pélvico”, “dor pélvica”, “qualidade \nde vida”, “endometriosis”, “physiothera-\npy”, “pelvic floor”, “pelvic pain” e “quality \nof life”. Os termos foram combinados por \nmeio dos operadores booleanos AND e OR, \nde acordo com as possibilidades de cada base \nconsultada.\nPeríodo de publicação e idiomas\nForam considerados artigos científi-\ncos publicados no período de 2018 a 2025, \ncontemplando estudos publicados em todos \nos anos compreendidos nesse intervalo.\nQuanto ao idioma, foram incluídos \nestudos publicados em português, inglês e \nespanhol, devido à relevância da produção \ncientífica nacional e internacional relaciona-\nda à endometriose e à fisioterapia pélvica.\nCritérios de inclusão\nForam estabelecidos como critérios de \ninclusão: artigos científicos publicados entre \n2018 e 2025; estudos disponíveis nos idio-\nmas português, inglês ou espanhol; artigos \ndisponíveis em texto completo; estudos re-\nalizados com mulheres diagnosticadas com \nendometriose; pesquisas que abordassem a \nfisioterapia, fisioterapia pélvica ou recursos \nfisioterapêuticos relacionados ao tratamento \nda endometriose; e estudos que apresentas-\nsem resultados relacionados à dor pélvica, \ndismenorreia, dispareunia, função do assoa-\nlho pélvico, funcionalidade ou qualidade de \nvida.\nTambém foram considerados estudos \nque apresentassem informações metodoló-\ngicas e resultados suficientes para análise e \nque possuíssem relação direta com os objeti-\nvos estabelecidos nesta pesquisa.\nCritérios de exclusão\nForam excluídos artigos publicados \nantes de 2018 ou após 2025; estudos publi-\ncados em idiomas diferentes do português, \ninglês e espanhol; artigos sem acesso ao tex-\nto completo; estudos que não abordassem \ndiretamente a endometriose; pesquisas que \nnão apresentassem relação com a fisiotera-\npia ou fisioterapia pélvica; estudos realizados \nexclusivamente com animais ou in vitro; ar-\ntigos duplicados; além de trabalhos acadê-\nmicos que não correspondessem ao formato \nde artigo científico e materiais sem relação \ndireta com os objetivos da pesquisa.\n\nDOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015\nARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE\n6\nSeleção dos estudos\nApós a realização das buscas nas bases \nde dados selecionadas, foram identificados \n35 artigos relacionados aos descritores uti-\nlizados. Inicialmente, foi realizada a análise \ndos títulos e resumos, considerando a rela-\nção dos estudos com o tema e os critérios de \ninclusão previamente estabelecidos.\nPosteriormente, os artigos potencial-\nmente relevantes foram submetidos à leitura \ndo texto completo. Durante esse processo, \nforam excluídos os estudos que não aten-\ndiam aos critérios estabelecidos, incluindo \naqueles que não apresentavam relação direta \ncom os objetivos da pesquisa, estudos dupli-\ncados e publicações que não correspondiam \naos critérios de idioma, período ou disponi-\nbilidade do texto completo.\nAo final do processo de seleção, 10 \nartigos foram considerados elegíveis e utili-\nzados para a composição deste estudo, en-\nquanto 25 artigos foram excluídos por não \natenderem aos critérios estabelecidos.\nOs dez artigos selecionados foram \nanalisados considerando informações como \nautor, ano de publicação, objetivo, caracte-\nrísticas dos participantes, recursos fisiotera-\npêuticos utilizados, principais resultados e \nconclusões.\nAnálise dos dados\nA análise dos artigos selecionados foi \nrealizada de maneira qualitativa e descritiva, \nbuscando identificar os principais recur-\nsos empregados pela fisioterapia pélvica no \ntratamento da endometriose e seus efeitos \nsobre os sintomas e a funcionalidade das \npacientes.\nOs resultados foram organizados con-\nsiderando quatro aspectos principais: recur-\nsos fisioterapêuticos utilizados, redução da \ndor e de outros sintomas, melhora funcional \ne qualidade de vida.\nTambém foi considerada a atuação \nda fisioterapia pélvica como parte da abor-\ndagem multidisciplinar da endometriose, \nbuscando compreender sua contribuição no \ntratamento e no manejo dos impactos cau-\nsados pela doença.\nDessa maneira, a metodologia possi-\nbilitou reunir e analisar estudos científicos \npublicados entre 2018 e 2025, selecionando \ndez artigos que apresentaram informações \nrelevantes para responder aos objetivos pro-\npostos nesta pesquisa.\nRESUL TADOS\nA análise da literatura demonstrou que \na fisioterapia pode exercer papel relevante \nno tratamento complementar das mulheres \ncom endometriose, principalmente no con-\ntrole da dor pélvica e na melhora de aspec-\ntos relacionados à função física e à qualidade \nde vida. Os estudos encontrados utilizaram \ndiferentes recursos fisioterapêuticos, o que \ndemonstra que a abordagem não é baseada \nem uma única técnica, mas pode envolver \nexercícios terapêuticos, terapia manual e \nrecursos eletrofísicos, de acordo com as ca-\nracterísticas apresentadas por cada paciente \n(ABRIL-COELLO et al., 2023; CAN et al., \n2026).\nAbril-Coello et al. (2023) realizaram \numa revisão sistemática com metanálise \npara avaliar os efeitos de intervenções con-\nservadoras não farmacológicas em mulheres \ncom endometriose. Foram incluídos seis es-\ntudos na metanálise. \nOs autores encontraram uma redução \nestatisticamente significativa na intensida-\n\nDOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015\nARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE\n7\nde da dor, com diferença padronizada das \nmédias de -0,89 (IC95%: -1,21 a -0,57; I² \n= 69%). Na avaliação da qualidade de vida, \no resultado estatisticamente significativo foi \nobservado no domínio de função física, com \ndiferença padronizada das médias de -1,49 \n(IC95%: -2,88 a -0,10; I² = 95%). Dessa \nmaneira, os resultados sugerem que inter-\nvenções conservadoras não farmacológicas \npodem contribuir principalmente para o \ncontrole da dor e para aspectos relaciona-\ndos à capacidade física das mulheres com \nendometriose.\nResultados semelhantes foram observa-\ndos por Can et al. (2026), que investigaram \nespecificamente a utilização da fisioterapia \npara a dor pélvica associada à endometriose. \nDos estudos encontrados pelos autores, oito \nforam considerados elegíveis e sete foram in-\ncluídos na análise quantitativa. A compara-\nção entre fisioterapia e intervenções que não \nutilizaram fisioterapia demonstrou redução \nda dor, com diferença média de -1,97 ponto \n(IC95%: -2,99 a -0,95). Entre as modalida-\ndes analisadas, os recursos de eletroterapia \ne dispositivos de laser apresentaram uma \ndiferença média de -2,03 pontos (IC95%: \n-3,90 a -0,14). Os autores também obser-\nvaram que as técnicas aplicadas diretamente \nna região relacionada à dor apresentaram \nmaior redução dos sintomas do que as abor-\ndagens aplicadas de maneira geral (CAN et \nal., 2026). \nA literatura também apresenta resulta-\ndos relacionados especificamente à terapia \nmanual. Em um ensaio clínico randomiza-\ndo realizado com 41 mulheres com dor pél-\nvica relacionada à endometriose, 21 partici-\npantes foram submetidas à terapia manual \ne 20 integraram o grupo placebo. O proto-\ncolo teve duração de oito semanas. Após a \nintervenção, o grupo submetido à terapia \nmanual apresentou melhora significativa da \nintensidade da dor, da sensação de incapaci-\ndade, da mobilidade lombar e do domínio \nfísico da qualidade de vida. A melhora da in-\ntensidade da dor também foi observada no \nacompanhamento realizado um e seis meses \napós a intervenção (GONZÁLEZ-ESPI-\nNOSA et al., 2023). \nUma revisão sistemática e metanálise \npublicada por Mena-González, Leirós-Ro-\ndríguez e Hernández-Lucas (2026) avaliou \ndiferentes técnicas fisioterapêuticas empre-\ngadas para o tratamento dos sintomas da \nendometriose. Os autores analisaram estu-\ndos que utilizaram diferentes modalidades \nde fisioterapia e observaram resultados fa-\nvoráveis para alguns dos principais sintomas \nassociados à doença, incluindo dor e altera-\nções relacionadas à qualidade de vida. Na \nanálise da qualidade de vida, foi encontrada \ndiferença padronizada das médias de 1,52 \n(IC95%: 0,76–2,27; p < 0,001). Apesar \ndesses resultados, os pesquisadores destaca-\nram a existência de heterogeneidade entre os \nestudos e limitações metodológicas, fatores \nque devem ser considerados ao interpretar \nos resultados (MENA-GONZÁLEZ; LEI-\nRÓS-RODRÍGUEZ; HERNÁNDEZ-\n-LUCAS, 2026). \nA fisioterapia pélvica possui particular \nimportância porque as manifestações da en-\ndometriose não estão restritas à presença das \nlesões, podendo estar associadas a alterações \nmusculoesqueléticas, dor pélvica persistente \ne disfunções relacionadas ao assoalho pél-\nvico. Nesse contexto, o fisioterapeuta espe-\ncializado em saúde pélvica pode trabalhar \naspectos relacionados à função muscular, \natividade física, estratégias de gerenciamento \ndas atividades e qualidade de vida. A diretriz \nda European Society of Human Reproduc-\ntion and Embryology (ESHRE), entretanto, \n\nDOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015\nARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE\n8\nressalta que a literatura disponível especifi-\ncamente sobre fisioterapia em mulheres com \nendometriose ainda era limitada quando a \ndiretriz foi publicada, não sendo possível \nestabelecer recomendações específicas para \ntodas as técnicas fisioterapêuticas (ESHRE, \n2022). \nEssa limitação da literatura é impor-\ntante porque os estudos disponíveis não \nutilizam necessariamente os mesmos proto-\ncolos. Algumas pesquisas avaliam exercícios, \noutras investigam terapia manual ou recur-\nsos eletrofísicos, enquanto determinados \ntrabalhos associam a fisioterapia a outras es-\ntratégias terapêuticas. Por esse motivo, os re-\nsultados não devem ser interpretados como \nevidência de que uma única técnica seja res-\nponsável pela melhora observada. A aborda-\ngem deve considerar a avaliação individual \nda paciente, seus sintomas predominantes, \npresença de dor pélvica, alterações muscula-\nres e possíveis disfunções do assoalho pélvi-\nco (ESHRE, 2022; CAN et al., 2026). \nDe maneira geral, os resultados encon-\ntrados apontam que a fisioterapia pode con-\ntribuir para o manejo da endometriose prin-\ncipalmente por meio da redução da dor e \nda melhora de determinados aspectos físicos \ne funcionais. Os achados de Abril-Coello et \nal. (2023) demonstraram benefício na in-\ntensidade da dor e na função física, enquan-\nto Can et al. (2026) encontraram redução \nda dor associada à utilização de diferentes \nmodalidades fisioterapêuticas. \nAlém disso, o ensaio clínico de Gon-\nzález-Espinosa et al. (2023) apresentou re-\nsultados favoráveis após um protocolo de \nterapia manual, especialmente em relação à \ndor, mobilidade lombar e qualidade de vida \nfísica. \nApesar dos resultados positivos, a fisio-\nterapia deve ser compreendida como parte \ndo tratamento multidisciplinar da endome-\ntriose e não como substituta do acompanha-\nmento médico. A própria ESHRE destaca \nque a fisioterapia pode abordar questões \nrelacionadas ao movimento, função, assoa-\nlho pélvico, atividade física e manejo da dor, \nmas também reconhece que a quantidade \nde pesquisas específicas sobre sua utilização \nna endometriose ainda é limitada (ESHRE, \n2022). \nAssim, os resultados desta revisão indi-\ncam que a fisioterapia pélvica apresenta po-\ntencial como estratégia complementar para \nmulheres com endometriose, especialmente \nno controle da dor e na melhora da função \nfísica e da qualidade de vida. Entretanto, \nas diferenças entre os protocolos utilizados \ne as limitações metodológicas de parte dos \nestudos demonstram a necessidade de novas \npesquisas, principalmente ensaios clínicos \ncom amostras maiores, protocolos bem de-\nfinidos e períodos mais longos de acompa-\nnhamento. Dessa forma, a fisioterapia pode \nser incorporada ao cuidado dessas pacientes \nde maneira individualizada, considerando as \nmanifestações clínicas e funcionais apresen-\ntadas por cada mulher.\n\nDOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015\nARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE\n9\nTabela de comparação\nAutor/Ano Principais resultados\nAbril-Co-\nelho et al.\n(2023)\nRedução da dor e melho-\nra da função física.\nGonzález-\n-Espinosa et \nal. (2023)\nMelhora da dor e da qua-\nlidade de vida.\nESHERE \n(2022).\nEvidências insuficientes para \nrecomendar técnicas especificas.\nXie et al. \n(2025)\nExercícios podem contribuir \npara reduzir a dor e melho-\nrar a qualidade de vida.\nRodrígue-\nz-Ruiz et \nal. (2025)\nResultados positivos relacionados \nà dor e à qualidade de vida.\nWójcik, \nSzczepaniak \ne Placek\n(2022).\nDestacam recursos fisioterapêuticos \ncomo terapia manual e exercícios.\nDuarte \n(2021).\nRelaciona a endometriose a \nalterações inflamatórias e di-\nficuldades de concepção.\nT eixeira et.al \n(2022)\nDescreve manifestações clí-\nnicas e diagnósticos. \nMoura, \nGurgel e \nChagas\nAbordam diagnóstico e tra-\ntamento da endometriose. \nEvidenciam os impactos da \ndoença na qualidade de vida.\nTavares, \nSilva e Alves\nDiscute intervenções fisiotera-\npêuticas. Destacam a fisioterapia \ncomo recurso complementar para \nos sintomas e a qualidade de vida.\nVidal et al. \n(2024)\nInvestiga a influência da fisiotera-\npia pélvica na qualidade de vida.\nCan et al. \n(2025/2026)\nAvalia a fisioterapia para dor \npélvica associada à endometriose.\nAbril-Co-\nelho et al. \n(2023)\nAvalia intervenções conserva-\ndoras não farmacológica.\nGil (2019)\nFundamenta a metodologia biblio-\ngráfica. Explica a utilização de ma-\nteriais já publicados para reunir e \nanalisar conhecimentos científicos. \nDISCUSSÃO\nA endometriose é uma condição gine-\ncológica crônica cuja repercussão ultrapassa \na presença das lesões endometrióticas. A dor \nassociada à doença pode permanecer mesmo \nquando o foco inicial do processo doloroso \né tratado, o que demonstra a complexidade \ndos mecanismos envolvidos. Nesse sentido, \ncompreender a endometriose apenas como \numa alteração anatômica pode ser insufi-\nciente para explicar a persistência dos sin-\ntomas apresentados por alguns pacientes. A \nliteratura descreve a participação de altera-\nções neurológicas e musculoesqueléticas, in-\ncluindo fenômenos de sensibilização e pre-\nsença de disfunções miofasciais, que podem \ncontribuir para a manutenção da dor pél-\nvica (STRATTON; BERGER; BOLTON, \n2018). \nA presença desses mecanismos ajuda \na compreender por que algumas mulheres \ncontinuam apresentando dor mesmo após \nintervenções direcionadas às lesões da endo-\nmetriose. Stratton, Berger e Bolton (2018) \ndiscutem que a sensibilização do sistema \nnervoso e as alterações miofasciais podem \nparticipar da manutenção da dor crônica as-\nsociada à doença. A partir dessa perspectiva, \ntorna-se relevante considerar intervenções \nque não tenham como objetivo somente a \nlesão endometriótica, mas também as con-\nsequências funcionais provocadas pela dor \npersistente. É nesse ponto que a fisioterapia \npélvica pode apresentar uma contribuição \nimportante, atuando sobre movimento, \nfunção muscular, comportamento motor e \nalterações relacionadas à região pélvica. \nEssa compreensão também encontra \nrespaldo nos resultados de revisões sistemá-\nticas recentes. Abril-Coello et al. (2023), \nao analisarem seis estudos, identificaram \n\nDOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015\nARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE\n10\nredução significativa da intensidade da dor \napós intervenções conservadoras não farma-\ncológicas, além de melhora significativa no \ndomínio de função física da qualidade de \nvida. Esses resultados sugerem que o bene-\nfício das intervenções fisioterapêuticas não \ndeve ser analisado somente pela redução da \nintensidade dolorosa, mas também pelo im-\npacto que essa redução pode exercer sobre a \ncapacidade funcional da mulher. \nA redução da dor também foi obser-\nvada na revisão sistemática e metanálise de \nCan et al. (2026). Os autores verificaram \nque as intervenções fisioterapêuticas produ-\nziram uma diferença média de -1,97 ponto \nna dor quando comparadas às intervenções \nque não utilizaram fisioterapia. Além dis-\nso, as modalidades de eletroterapia e laser \napresentaram uma diferença média de -2,03 \npontos. Apesar desses resultados, a própria \ndiversidade das técnicas avaliadas demonstra \nque não existe uma única abordagem fisiote-\nrapêutica capaz de representar toda a inter-\nvenção sobre a endometriose.\nOutro aspecto relevante é a relação \nentre a dor pélvica e as alterações muscu-\nloesqueléticas. A permanência da dor pode \nfavorecer estratégias de proteção e alterações \nno movimento, contribuindo para aumento \nda tensão muscular e manutenção de pon-\ntos dolorosos. Nesse contexto, a fisiotera-\npia pélvica pode atuar por meio de técnicas \nmanuais, exercícios terapêuticos, educação \ne estratégias de relaxamento, buscando re-\nduzir as repercussões funcionais relacio-\nnadas à dor. Entretanto, essa atuação deve \nser baseada na avaliação individual, pois a \npresença de endometriose não significa que \ntodas as mulheres apresentarão o mesmo \npadrão de alteração muscular ou funcio-\nnal (STRATTON; BERGER; BOLTON, \n2018; ESHRE, 2022). \nA terapia manual constitui um exem-\nplo dessa abordagem individualizada. Em \nestudo clínico randomizado realizado com \nmulheres com dor pélvica relacionada à en-\ndometriose, a aplicação de um protocolo de \nterapia manual foi associada a melhorias em \naspectos como dor, incapacidade, mobilida-\nde lombar e qualidade de vida física. Esses \nresultados são relevantes porque demons-\ntram que a intervenção fisioterapêutica pode \nproduzir efeitos sobre diferentes dimensões \nrelacionadas à dor, e não somente sobre sua \nintensidade (GONZÁLEZ-ESPINOSA et \nal., 2023).\nEntretanto, é importante evitar uma \ninterpretação excessivamente generalizada \ndesses resultados. A diretriz da European \nSociety of Human Reproduction and Em-\nbryology (ESHRE), publicada em 2022, \napontou que ainda havia pouca literatura \nespecífica sobre fisioterapia em mulheres \ncom endometriose. A organização também \ndestacou que os estudos disponíveis apre-\nsentavam diferenças importantes entre as \nintervenções e que não havia evidências su-\nficientes para recomendar um protocolo es-\npecífico de treinamento do assoalho pélvico \npara essa população. Portanto, a indicação \nda fisioterapia deve considerar as necessida-\ndes individuais da paciente e não ser baseada \nem um protocolo único (ESHRE, 2022). \nApesar dessa limitação identificada \npela ESHRE, a produção científica poste-\nrior apresenta resultados que ampliam as \nevidências disponíveis.\nA revisão de Mena-González, Lei-\nrós-Rodríguez e Hernández-Lucas (2026) \nreuniu estudos que utilizaram diferentes es-\ntratégias, como terapia manual, exercícios, \neducação, eletroterapia, relaxamento e acu-\npuntura. Os autores encontraram redução \nsignificativa da dor pélvica e da dispareunia, \n\nDOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015\nARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE\n11\nalém de melhora da qualidade de vida. Con-\ntudo, a elevada heterogeneidade observada \nentre os estudos demonstra que esses resul-\ntados devem ser interpretados com cautela \ne que ainda é necessário determinar quais \nintervenções são mais adequadas para dife-\nrentes manifestações da doença (MENA-\n-GONZÁLEZ; LEIRÓS-RODRÍGUEZ; \nHERNÁNDEZ-LUCAS, 2026).\nA atividade física também merece ser \nconsiderada dentro da discussão sobre fisio-\nterapia. O exercício pode contribuir para a \nmanutenção da função física e para o bem-\n-estar geral, mas sua aplicação em mulheres \ncom endometriose deve levar em considera-\nção a intensidade dos sintomas, o nível de \ncondicionamento e as limitações apresenta-\ndas pela paciente. Dessa forma, a fisioterapia \npode auxiliar na adaptação e progressão do \nexercício de maneira individualizada, evi-\ntando que a atividade seja prescrita de forma \nindiscriminada.\nUma revisão sistemática com metaná-\nlise publicada em 2025 reforçou a possibili-\ndade de benefícios relacionados à atividade \nfísica e ao exercício em mulheres com endo-\nmetriose, incluindo efeitos sobre dor e qua-\nlidade de vida. Entretanto, os autores tam-\nbém apontaram diferenças entre os estudos \navaliados, o que limita a definição de uma \nmodalidade ou intensidade de exercício que \npossa ser considerada ideal para todas as pa-\ncientes (LI et al., 2025). Esse aspecto reforça \na necessidade de uma prescrição individu-\nalizada e de acompanhamento profissional.\nA importância da individualização tor-\nna-se ainda mais evidente quando se consi-\ndera que a dor relacionada à endometriose \npode apresentar diferentes mecanismos. \nUma paciente pode apresentar maior com-\nponente miofascial, enquanto outra pode \nter maior comprometimento relacionado à \nfunção sexual, mobilidade, atividade física \nou outras manifestações pélvicas. Por esse \nmotivo, a avaliação fisioterapêutica deve \npreceder a escolha das técnicas, permitin-\ndo identificar as principais limitações fun-\ncionais e estabelecer objetivos terapêuticos \nespecíficos.\nOutro ponto relevante é a qualidade \nde vida. A endometriose pode interferir em \natividades cotidianas, relações sexuais, ativi-\ndade física e aspectos emocionais, fazendo \ncom que o impacto da doença ultrapasse a \nmanifestação física da dor. \nA revisão de Abril-Coello et al. (2023) \nencontrou melhora significativa especifi-\ncamente no domínio de função física, en-\nquanto Mena-González, Leirós-Rodríguez \ne Hernández-Lucas (2026) observaram me-\nlhora global da qualidade de vida nos estu-\ndos analisados. Esses resultados sugerem que \na fisioterapia pode apresentar relevância não \nsomente por reduzir sintomas, mas tam-\nbém por favorecer a recuperação funcional \nda mulher (ABRIL-COELLO et al., 2023; \nMENA-GONZÁLEZ; LEIRÓS-RODRÍ-\nGUEZ; HERNÁNDEZ-LUCAS, 2026). \nUma evidência mais recente também \namplia essa discussão. Uma revisão siste-\nmática e metanálise em rede, publicada em \n2026, analisou 33 ensaios clínicos randomi-\nzados envolvendo 2.323 mulheres e com-\nparou diferentes intervenções não farma-\ncológicas para endometriose. A fisioterapia \napresentou benefícios significativos para dor \ngeral e qualidade de vida quando compa-\nrada ao cuidado convencional. Entretanto, \ncomo o estudo avaliou diferentes interven-\nções não farmacológicas e realizou compara-\nções entre modalidades distintas, seus resul-\ntados devem ser utilizados como evidência \ncomplementar, e não como justificativa para \n\nDOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015\nARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE\n12\nconsiderar a fisioterapia superior às demais \nformas de tratamento (WANG et al., 2026). \nDiante dessas evidências, a fisiotera-\npia pélvica pode ser compreendida como \numa ferramenta de cuidado voltada princi-\npalmente para as repercussões funcionais e \nsintomáticas da endometriose. Sua atuação \npode envolver educação, exercícios, terapia \nmanual, recursos eletrofísicos, técnicas de \nrelaxamento e outras estratégias, desde que \nexista indicação clínica. O objetivo não deve \nser tratar isoladamente a lesão endometri-\nótica, mas reduzir o impacto que a doença \nproduz sobre a função e a qualidade de vida \nda paciente.\nÉ importante ressaltar, entretanto, que \nos resultados positivos encontrados na lite-\nratura não significam que a fisioterapia seja \ncapaz de curar a endometriose ou substituir \no tratamento médico. A doença apresenta \ncaracterísticas crônicas e multifatoriais, exi-\ngindo acompanhamento adequado e, quan-\ndo necessário, associação de diferentes mo-\ndalidades terapêuticas. A própria ESHRE \nrecomenda uma abordagem centrada na \npaciente e reconhece a necessidade de consi-\nderar estratégias não farmacológicas dentro \ndo cuidado integral, embora ressalte as limi-\ntações das evidências específicas disponíveis \npara algumas intervenções fisioterapêuticas \n(ESHRE, 2022). \nOutro fator que deve ser considerado \né a heterogeneidade dos estudos. As pesqui-\nsas disponíveis utilizam diferentes técnicas, \nperíodos de tratamento, instrumentos de \navaliação e características de participantes. \nNa metanálise de Mena-González, Leirós-\n-Rodríguez e Hernández-Lucas (2026), por \nexemplo, a heterogeneidade foi elevada tan-\nto para dor pélvica quanto para qualidade \nde vida. Embora os resultados agrupados \ntenham sido estatisticamente significativos, \nessa variabilidade indica que os efeitos en-\ncontrados não devem ser automaticamente \natribuídos a uma única técnica ou repro-\nduzidos da mesma maneira em todas as pa-\ncientes (MENA-GONZÁLEZ; LEIRÓS-\n-RODRÍGUEZ; HERNÁNDEZ-LUCAS, \n2026). \nPortanto, a principal contribuição da \nfisioterapia pélvica no contexto da endo-\nmetriose parece estar relacionada à possi-\nbilidade de abordar a paciente de maneira \nfuncional e individualizada. A avaliação \ndas características da dor, da função mus-\ncular, da mobilidade, da atividade física e \ndas possíveis alterações do assoalho pélvico \npermite estabelecer uma intervenção dire-\ncionada às necessidades apresentadas. Essa \nperspectiva é especialmente importante \ndiante da natureza complexa da dor associa-\nda à endometriose, na qual podem coexistir \nmecanismos inflamatórios, neurológicos e \nmusculoesqueléticos.\nEm síntese, os estudos analisados apre-\nsentam evidências favoráveis à utilização da \nfisioterapia como parte do tratamento multi-\ndisciplinar da endometriose, principalmente \npara redução da dor e melhora da função e \nda qualidade de vida. Ao mesmo tempo, as \nlimitações metodológicas e a heterogeneida-\nde das pesquisas demonstram que ainda não \né possível estabelecer uma única técnica ou \nprotocolo como padrão para todas as mu-\nlheres. Dessa maneira, a fisioterapia pélvica \ndeve ser aplicada de forma individualizada \ne integrada às demais estratégias de trata-\nmento, com o objetivo de reduzir o impacto \nfuncional da doença e favorecer uma melhor \nqualidade de vida.\n\nDOI https:/ /doi.org/10.22533/at.ed.820821826141015\nARTIGO 15 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE\n13\nCONCLUSÃO\nA partir da análise dos estudos selecio-\nnados, foi possível observar que a fisioterapia \npélvica apresenta importante contribuição \nno tratamento da endometriose, principal-\nmente no manejo dos sintomas que afetam \na funcionalidade e a qualidade de vida das \nmulheres. Os achados analisados demons-\ntram que a abordagem fisioterapêutica pode \nser utilizada como parte do tratamento mul-\ntidisciplinar, considerando as diferentes ma-\nnifestações da doença.\nEntre os recursos descritos nos estudos, \ndestacam-se as terapias manuais, técnicas de \nrelaxamento e alongamento, exercícios dire-\ncionados ao assoalho pélvico e outras estra-\ntégias fisioterapêuticas, utilizadas de acordo \ncom as necessidades apresentadas por cada \npaciente. Esses recursos estão relacionados \nprincipalmente ao controle da dor pélvica, à \nredução de alterações musculares e à melho-\nra da função da região pélvica.\nA análise também permitiu identificar \nque a endometriose pode provocar impactos \nque vão além da dor, interferindo nas ativi-\ndades diárias, na função sexual, no bem-es-\ntar físico e emocional e, consequentemen-\nte, na qualidade de vida. Nesse contexto, a \nfisioterapia pélvica pode contribuir para o \ntratamento desses comprometimentos, pro-\nporcionando uma abordagem direcionada \nàs alterações musculoesqueléticas e funcio-\nnais associadas à doença.\nDessa forma, os objetivos propostos \nneste estudo foram alcançados, uma vez \nque foi possível identificar recursos utiliza-\ndos pela fisioterapia pélvica, analisar seus \nbenefícios relacionados à dor e à funcio-\nnalidade e compreender sua contribuição \npara a qualidade de vida das mulheres com \nendometriose.\nConclui-se, portanto, que a fisioterapia \npélvica constitui uma importante estratégia \ncomplementar no manejo da endometriose, \nespecialmente quando integrada ao acom-\npanhamento multiprofissional. Entretanto, \nsão necessários mais estudos clínicos com \namostras maiores, protocolos fisioterapêuti-\ncos bem definidos e acompanhamento em \nlongo prazo, a fim de ampliar a compreensão \nsobre a efetividade das diferentes técnicas e \ncontribuir para uma atuação fisioterapêutica \ncada vez mais baseada em evidências.\nREFERÊNCIAS\n1. ABRIL-COELLO, R. et al. Benefits of phy-\nsical therapy in improving quality of life and \npain associated with endometriosis: a syste-\nmatic review and meta-analysis. International \nJournal of Gynecology & Obstetrics, v. 162, n. \n1, p. 233-243, 2023. DOI: 10.1002/ijgo.14645. \n(PubMed)\n2. BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE \n(BVS). Disponível em: https://bvsalud.org/. \nAcesso em: 27 maio 2026. \n3. CAN, Gökçe et al. Physiotherapy for endo-\nmetriosis-associated pelvic pain: a systema-\ntic review and meta-analysis. Pain Medicine, \n2025. Disponível em: https://academic.oup.\ncom/painmedicine . Acesso em: 26 maio \n2026. \n4. 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