Associação entre endometriose e o aumento do risco coronariano em mulheres/ Association between endometriosis and increased coronary risk in women

In: Brazilian Journal of Health Review · 2022 · vol. 5(3) , pp. 8648–8654 · doi:10.34119/bjhrv5n3-052 · W4281776166
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Abstract

Introdução: A endometriose é uma condição crônica que representa uma das doenças ginecológicas benignas mais comuns, caracterizada pela existência de tecido endometrial em localizações ectópicas. As localizações mais frequentes são no peritoneu pélvico, nos ovários e no septo reto vaginal. Quando sintomática associa-se a dor pélvica, dismenorreia e infertilidade. Em mulheres com endometriose células imunes anômalas, quimiocinas, prostaglandinas e metaloproteinases estão aumentados no soro e no líquido peritoneal o que pode promover o desenvolvimento e progressão da doença coronariana aterosclerótica. Objetivo: Este estudo tem por objetivo verificar a associação entre endometriose e aumento do risco coronário na mulher, descritos na literatura brasileira. Metodologia: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura indexada entre 2016 e 2020, publicados nas bases de dados Scientific Eletronic Library e PubMed. Foram incluídos artigos publicados em língua portuguesa e inglesa. Discussão: Os resultados do estudo permitiram concluir que as mulheres com endometriose têm risco de doença coronária significativamente mais elevada. A lesão aterosclerótica mais precoce – a estria lipídica – é uma lesão puramente inflamatória. Existem evidências de que a endometriose cursa com um estado de inflamação crônica sistêmica, o que pode contribuir para o aumento do risco coronário. As mulheres com endometriose apresentaram valores significativamente mais elevados de marcadores de inflamação e ativação endotelial (ICAM-I, VCAM-I, E-selectina, fator de von Willebrand e cofator ristocetina), que constituem etapas precoces do processo aterosclerótico. Conclusão: Os resultados apontam que mulheres com endometriose apresentam o risco coronário aumentado entre os 25 e os 60 anos de idade. Esse aumento deve-se principalmente ao estado de inflamação crónica e à eventual intervenção médica, como a histerectomia e/ou ooforectomia, e ainda a potenciais fatores como: o recurso a anti-inflamatórios não esteroides e aos análogos das gonadotrofinas hipotalâmicas; e a suscetibilidade geneticamente determinada. É importante avaliar precocemente os marcadores de risco e de doença cardiovascular nestas mulheres, de forma a prevenir e fazer o diagnóstico precoce de eventos coronários. Além disso, é importante sensibilizar as doentes com endometriose para o risco acrescido de eventos cardiovasculares a fim de promover e enaltecer os estilos de vida saudáveis.

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openalex
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