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Palavras Chave: Endometriose; Infertilidade; Saúde da mulher.
Capítulo 10
CAROLYNE STEPHANY DE OLIVEIRA GOUVEA¹
IASMIM SILVA MENEZES¹
JÚLIA FIGUEIREDO JUNCAL1
RENATA MOURA PIMENTA1
1. Discente - Medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.
ENDOMETRIOSE
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INTRODUÇÃO
A endometriose é uma doença que afeta,
aproximadamente, 10% das mulheres brasilei -
ras (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2023). Ela ca-
racteriza-se pela modificação do funcionamento
normal do organismo fazendo com que o endo -
métrio, tecido que reveste o útero, cresça fora
deste órgão, como nas tubas uterinas, nos ová -
rios e, até mesmo, no intestino. A causa dessa
anomalia ainda é desconhecida pelos pesquisa -
dores, mas existem teorias que podem justificar
o surgimento dessa doença, tais como a da
menstruação retrógrada ou teoria de Sampson e
predisposição genética. A endometriose possui
diferentes tipos, sendo considerada a localiza -
ção, profundidade e grau de comprometimento
dos órgãos afetados ( CAMBIAGHI, 2021 ). A
endometriose pode se mostrar assintomática em
2% a 22% das mulheres, mas, na maioria dos
casos, apresenta-se sintomática podendo ocorrer
fluxo menstrual irregular e inflamações crôni -
cas, além de estar, frequentemente, associada a
infertilidade, sendo a causa mais comum de do-
res pélvicas em mulheres. Contudo, a apresen -
tação clínica é variável e não possui sintomas
específicos para a endometrio se, ocasionando
em um diagnóstico difícil de ser realizado (FE -
BRASGO, 2021)
Tipos de endometriose
A laparoscopia é uma técnica que possui a
sensibilidade entre 94% e 97% e a especifici -
dade de 77% a 85%, permitindo o reconheci -
mento e diferenciação das lesões do endométrio
(PODGAEC, 2014), possibilitando então a sua
classificação da endometriose em três tipos,
sendo eles: peritoneal, ovariana e profunda.
Peritoneal ou superficial
É caracterizada por implantes superficiais
no peritônio e/ou ovário que possuem o tama -
nho de até 5mm e com diferentes colorações,
tradicionalmente, segundo a Tabela 10.1, como
pretas, vermelhas ou brancas, Figura 10.1 (PO-
DGAEC, 2014).
A coloração enegrecida é reflexo da reten -
ção de hemoglobina. É importante ressaltar que
as lesões avermelhadas são histologicamente
mais ativas por possuírem maior presença de
glândulas endometriais e uma hipervasculariza-
ção. Já na coloração branca é possível observar
a presença de glândulas, fibrose e hemosside -
rina (PODGAEC, 2014).
Os sintomas apresentados geralmente são
cólicas, irregularidades no ciclo menstrual e in-
fertilidade (CAMBIAGHI, 2021).
Tabela 1 0.1 Aspecto das lesões de endometriose
peritoneal
Fonte: Adaptado de PODGAEC, 2014.
Cor da lesão Descrição
Preta Lesões típicas em “pólvora”
Puntiformes
Vermelha
“Chama de vela”
Excrescências glandulares
Petéquia peritoneal
Áreas de hipervascularização
Branca
Opacificações brancas
Aderências subovarianas
Defeito, falha ou janela peritoneal
Lesões amarronzadas
(amareloamarronzadas), em “café
com leite”
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Figura 1 0.1 Coloração da endometriose peritoneal via
videolaparoscopia
Legenda: 1. Lesão vermelha; 2 e 4. Lesão preta; 3. Lesão
branca.
Fonte: CAMBIAGHI, 2021.
Ovariana
É caracterizada por implantes superficiais
ao ovário que alteram o seu relevo formando
cistos (endometriomas), há também a presença
de um líquido castanho espesso, Figura 1 0.2.
(PODGAEC, 2014)
As mulheres geralmente são assintomáticas
e seu diagnóstico pode ser feito em exames gi -
necológicos de rotina e pelo ultrassom. ( CAM-
BIAGHI, 2021)
Figura 1 0.2 Endometrioma no interior do ovário es -
querdo. Pode-se observar o parênquima ovariano com fo-
lículos na periferia. As setas indicam os folículos ovaria -
nos, o endometrioma e o parênquima
Fonte: Oliveira, 2019.
Endometriose profunda
Definida como uma lesão que penetra no pe-
ritônio ou na parede dos órgãos pélvicos, com
profundidade de 5 mm ou mais, Figura 10.3.
São suspeitas as mulheres que apresentam
dores pélvicas incapacitantes, dismenorreia,
dispareunia de profundidade, dor pélvica crô -
nica intensa, disúria e disquezia. Diante disso é
recomendado a realização de ultrassons e resso-
nância magnética, para uma melhor análise e ve-
rificar a necessidade da realização cirúrgica.
(CAMBIAGHI, 2021)
Figura 10.3 Imagem sagital de ultrassom transvaginal do
reto normal obtida após a preparação do intestino mostra
da camada externa para a camada interna
Fonte: Oliveira, 2019.
Exames para diagnóstico
A endometriose quando é alvo de suspeita
clínica pode ser investigada com base na histó -
ria clínica da paciente, questionando -se sobre
sintomatologias e antecedentes pessoais e fami-
liares, e no exame físico. Desse modo, a sinto -
matologia pode variar de acordo com a similari-
dade de sintomas entre as várias doenças gine -
cológicas existentes, a inexistência de um
achado clínico patognomônico, a alta prevalên -
cia de endometriose assintomática e a fraca cor-
relação com a gravidade da doença (BMC WO-
MENS HEALTH, 2015).
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Um histórico bem detalhado com a identifi-
cação de sintomas sugestivos de endometriose,
podem auxiliar a determinação de um grupo de
alto risco para endometriose, conduzindo-o para
procedimentos diagnósticos detalhados e espe -
cíficos.
Dessa forma, para o diagnóstico da endome-
triose pode ser realizado uma ultrassonografia
transvaginal e ressonância magnética, exames
menos invasivos que não apresentam alta sensi-
bilidade e especificidade. Bem como, existe um
biomarcador sérico que pode ser utilizado em
pacientes com endometriose, sendo ele o CA -
125, que possui capacidade para diagnosticar
quadros de endometriose moderados a grave,
mas apresenta uma baixa sensibil idade (BER -
KER & SEVAL, 2015).
Portanto, o padrão -ouro de acordo com a
Organização Mundial da Saúde para o diagnós-
tico de endometriose consiste na videolaparos -
copia com biópsia das lesões para análise anato-
mopatológica, podendo classificar a doença de
acordo com o tipo histológico, localização ana -
tômica, como: peritônio, ovário ou septo retova-
ginal e extensão da doença sobre os órgãos pél-
vicos. Dessa forma, por ser um diagnóstico in -
vasivo, possui muitas desvantagens, quando
comparado com a ultrassonografia transvaginal
e a ressonâ ncia magnética, como os riscos do
procedimento de dano ao órgão, hemorragia, in-
fecções e formação de aderência, complicações
anestésicas, alto custo financeiro associado ao
paciente e ao sistema de saúde, bem como, sub-
meter à um procedimento invasivo desnecessá -
rio, caso o resultado do diagnóstico não seja en-
dometriose (FASSBENDER et al., 2015).
Ademais, o tempo para que seja diagnosti -
cada a doença pode variar em consequência do
início dos sintomas e diagnóstico clínico e cirúr-
gico, agravando assim, o quadro clínico. Uma
vez que ocorre atraso no diagnóstico e trata -
mento, ocorrem consequências significativas
para a progressão da doença, impedindo o tra -
tamento precoce, que é importante para a me -
lhora dos níveis de dor, bem como para o funci-
onamento físico e psicológico (RIAZI et al .,
2015).
Tratamento
Deve ser ressaltado que cada organismo
possui suas particularidades, reagindo a um
mesmo tratamento de diferentes formas, de -
vendo ser individualizado para cada indivíduo,
analisando de acordo com os sintomas e o me -
lhor tratamento e o impacto que a doença terá
sobre a sua qualidade de vida da paciente. Dessa
forma, é necessário dispor de uma equipe mul -
tidisciplinar especializada para fornecer um tra-
tamento capaz de abranger todos os aspectos bi-
opsicossociais e econômicos da paciente. Pode
ser observado que a patologia prevalece em mu-
lheres inférteis e portadoras de dor pélvica crô -
nica, embora haja uma heterogeneidade grande
nas manifestações clínicas relacionadas à endo-
metriose.
O uso de terapias medicamentosas para en -
dometriose é baseado no fato da doença ser res-
ponsiva aos hormônios. Sendo assim, os fárma-
cos que tratam essa patologia são os progestagê-
nios e os contraceptivos orais combinados
(COCs), que levam a condições hormonais se -
melhantes à observada durante a gravidez, e os
androgênios e agonistas do GnRH (GNRHa),
que promovem a supressão do estrogênio endó-
geno. Ademais, quando administrados progesta-
gênios isolados, anticoncepcionais orais combi-
nados, gestrinona, danazol e GnRHa, mostram -
se efetivos no alívio e controle da dor. Contudo,
os efeitos adversos apresentados e os custos de-
vem ser levados em consideração quando da es-
colha terapêutica, ressaltando a importância do
acompanhamento da evolução do quadro clínico
(CHAUDHURY & CHAKRAVARTY, 2012).
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Para os quadros de endometriose leve, pode
ser feito uma supressão da função ovariana que
não é efetiva para melhorar a fertilidade, mas a
ablação das lesões associadas à adesiólise mos -
tra-se mais efetiva do que a realização exclusiva
da laparoscopia diagnóstica. Em pacientes com
a doença moderada a severa é mais indicado a
fertilização in vitro, principalmente em casos de
coexistência de fatores de infertilidade e falha
de outras aborda gens terapêuticas, levando -se
em conta a avaliação do uso de agonistas do
GnRH por 3 a 6 meses, previamente à realização
de fertilização in vitro. Em questão do alívio da
dor, pode ser feita a supressão da função ovari -
ana por 3 a 6 meses em pacientes com a confir -
mação da doença (NAVARRO et al., 2006).
Um dos métodos para controle dos endome-
triomas é a realização da exérese daqueles que
tiverem o diâmetro maior do que 4 cm, melho -
rando a taxa de fecundidade natural, procedi -
mentos de reprodução assistida e auxilia na re -
dução da dor e dos riscos de recidiva (NA-
VARRO et al., 2006).
Ademais, o tratamento clínico medicamen -
toso pode ser realizado por acetato de medroxi-
progesterona (AMP), gestrinona, COC, danazol
ou GnRHa que mostram-se efetivas no alívio da
dor. Desse modo, o tratamento é baseado no fato
de que a endometriose responder a hormônios,
assim, os análogos farmacológicos destas con -
dições são os progestágenos e contraceptivos
orais combinados, que levam a condições hor -
monais semelhantes à vista durante a gravidez,
e os androgênios e GNRHa, que promovem su-
pressão do estrogênio endógeno (NAVARRO et
al., 2006).
Contudo, deve ser levado em conta que cada
organismo responde de uma maneira diferente,
sendo necessário acompanhamento médico para
certificar que houve melhora clínica dos sinto -
mas ou manifestação de algum efeito adverso
apresentado na literatura, bem como, deve ser
levando em conta os custos financeiros que de -
vem ser adequados a condição financeira das
pacientes, dessa forma, devem ser levados em
consideração na hora da escolha terapêutica
(NAVARRO et al., 2006).
Considerações finais
Portanto, compreende-se que a Endometri -
ose é uma patologia caracterizada pela presença
do endométrio fora do útero, causando inúmeros
sintomas,a exemplo da infertilidade e do fluxo
menstrual irregular. Além disso, essa doença
pode ser classificada em três tipos, sendo eles a
forma superficial,o variana e profunda. O tipo
superficial ou peritoneal é caracterizado por im-
plantes superficiais no peritônio e/ou ovário que
possuem o tamanho de até 5mm e com diferen -
tes colorações, já a forma ovariana é caracteri -
zada por implantes superficiais no ovário. Por
fim, a Endometriose profunda é caracterizada
por uma lesão que penetra no peritônio ou na
parede dos órgãos pélvicos, com profundidade
de 5 mm ou mais e nesses casos queixas como
dores pélvicas incapacitantes, dismenorreia e
dispareunia de profundidade devem ser compre-
endidas como sintomas de alerta.
Para a classificação da endometriose em um
desses três tipos, é considerado padrão -ouro a
videolaparoscopia com biópsia das lesões para
análise anatomopatológica, podendo classificar
a doença de acordo com o tipo histológico, lo -
calização anatômica, como: peritônio, ovário ou
septo retovaginal e extensão da doença sobre os
órgãos pélvicos. No entanto, não é o primeiro
exame a ser realizado no diagnóstico, já que se
trata de um exame invasivo, tendo como opções
disponíveis a Ressonância Magnética e a Ultras-
sonografia Transvaginal.
A partir da suspeita diagnóstica de Endome-
triose que é baseada na história clínica da paci -
ente e nos antecedentes pessoais e familiares,
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podem ser realizadas a ultrassonografia transva-
ginal e a ressonância magnética, além da dosa -
gem do biomarcador sérico CA-125 capaz de di-
agnosticar quadros de endometriose moderados
a grave.
Ademais, o estudo observou que o diagnós-
tico precoce da Endometriose é fundamental,
uma vez que possibilita a melhora dos níveis de
dor, bem como contribui para o funcionamento
físico e psicológico. Dessa forma, o diagnóstico
e o tratamento precoces devem ser o foco de po-
líticas públicas de saúde, a fim de oferecer uma
adequada qualidade de vida para as pacientes
que possuem essa doença.
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