{"paper_id":"09000fb0-1cab-43d6-a77d-ea7abace50c3","body_text":"74 | P á g i n a  \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nPalavras Chave: Endometriose; Infertilidade; Saúde da mulher.   \nCapítulo 10 \nCAROLYNE STEPHANY DE OLIVEIRA GOUVEA¹ \nIASMIM SILVA MENEZES¹ \nJÚLIA FIGUEIREDO JUNCAL1 \nRENATA MOURA PIMENTA1 \n1. Discente - Medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. \nENDOMETRIOSE \n\n \n75 | Página \nINTRODUÇÃO \nA endometriose é uma doença que afeta, \naproximadamente, 10% das mulheres brasilei -\nras (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2023). Ela ca-\nracteriza-se pela modificação do funcionamento \nnormal do organismo fazendo com que o endo -\nmétrio, tecido que reveste o útero, cresça fora \ndeste órgão, como nas tubas uterinas, nos ová -\nrios e, até mesmo, no intestino. A causa dessa \nanomalia ainda é desconhecida pelos pesquisa -\ndores, mas existem teorias que podem justificar \no surgimento dessa doença, tais como a da \nmenstruação retrógrada ou teoria de Sampson e \npredisposição genética. A endometriose possui \ndiferentes tipos, sendo considerada a localiza -\nção, profundidade e grau de comprometimento \ndos órgãos afetados ( CAMBIAGHI, 2021 ). A \nendometriose pode se mostrar assintomática em \n2% a 22% das mulheres, mas, na maioria dos \ncasos, apresenta-se sintomática podendo ocorrer \nfluxo menstrual irregular e inflamações crôni -\ncas, além de estar, frequentemente, associada a \ninfertilidade, sendo a causa mais comum de do-\nres pélvicas em mulheres. Contudo, a apresen -\ntação clínica é variável e não possui sintomas \nespecíficos para a endometrio se, ocasionando \nem um diagnóstico difícil de ser realizado (FE -\nBRASGO, 2021) \nTipos de endometriose \nA laparoscopia é uma técnica que possui a \nsensibilidade entre 94% e 97% e a especifici -\ndade de 77% a 85%, permitindo o reconheci -\nmento e diferenciação das lesões do endométrio \n(PODGAEC, 2014), possibilitando então a sua \nclassificação da endometriose em três tipos, \nsendo eles: peritoneal, ovariana e profunda.  \nPeritoneal ou superficial \nÉ caracterizada por implantes superficiais \nno peritônio e/ou ovário que possuem o tama -\nnho de até 5mm e com diferentes colorações, \ntradicionalmente, segundo a Tabela 10.1, como \npretas, vermelhas ou brancas, Figura 10.1 (PO-\nDGAEC, 2014). \nA coloração enegrecida é reflexo da reten -\nção de hemoglobina.  É importante ressaltar que \nas lesões avermelhadas são histologicamente \nmais ativas por possuírem maior presença de \nglândulas endometriais e uma hipervasculariza-\nção. Já na coloração branca é possível observar \na presença de glândulas, fibrose e hemosside -\nrina (PODGAEC, 2014). \nOs sintomas apresentados geralmente são \ncólicas, irregularidades no ciclo menstrual e in-\nfertilidade (CAMBIAGHI, 2021). \nTabela 1 0.1 Aspecto das lesões de endometriose \nperitoneal \nFonte: Adaptado de PODGAEC, 2014. \nCor da lesão Descrição \nPreta Lesões típicas em “pólvora” \nPuntiformes \nVermelha \n“Chama de vela” \nExcrescências glandulares \nPetéquia peritoneal \nÁreas de hipervascularização \nBranca \nOpacificações brancas \nAderências subovarianas \nDefeito, falha ou janela peritoneal \nLesões amarronzadas \n(amareloamarronzadas), em “café \ncom leite” \n\n \n76 | Página \nFigura 1 0.1 Coloração da endometriose peritoneal via \nvideolaparoscopia \nLegenda: 1. Lesão vermelha; 2 e 4. Lesão preta; 3. Lesão \nbranca. \nFonte: CAMBIAGHI, 2021. \nOvariana \nÉ caracterizada por implantes superficiais \nao ovário que alteram o seu relevo formando \ncistos (endometriomas), há também a presença \nde um líquido castanho espesso, Figura 1 0.2. \n(PODGAEC, 2014) \nAs mulheres geralmente são assintomáticas \ne seu diagnóstico pode ser feito em exames gi -\nnecológicos de rotina e pelo ultrassom. ( CAM-\nBIAGHI, 2021) \nFigura 1 0.2 Endometrioma no interior do ovário es -\nquerdo. Pode-se observar o parênquima ovariano com fo-\nlículos na periferia. As setas indicam os folículos ovaria -\nnos, o endometrioma e o parênquima \nFonte: Oliveira, 2019. \nEndometriose profunda \nDefinida como uma lesão que penetra no pe-\nritônio ou na parede dos órgãos pélvicos, com \nprofundidade de 5 mm ou mais, Figura 10.3. \nSão suspeitas as mulheres que apresentam  \ndores pélvicas incapacitantes, dismenorreia, \ndispareunia de profundidade, dor pélvica crô -\nnica intensa, disúria e disquezia. Diante disso é \nrecomendado a realização de ultrassons e resso-\nnância magnética, para uma melhor análise e ve-\nrificar a necessidade da realização cirúrgica. \n(CAMBIAGHI, 2021) \nFigura 10.3 Imagem sagital de ultrassom transvaginal do \nreto normal obtida após a preparação do intestino mostra \nda camada externa para a camada interna \nFonte: Oliveira, 2019. \nExames para diagnóstico \nA endometriose quando é alvo de suspeita \nclínica pode ser investigada com base na histó -\nria clínica da paciente, questionando -se sobre \nsintomatologias e antecedentes pessoais e fami-\nliares, e no exame físico. Desse modo, a sinto -\nmatologia pode variar de acordo com a similari-\ndade de sintomas entre as várias doenças gine -\ncológicas existentes, a inexistência de um \nachado clínico patognomônico, a alta prevalên -\ncia de endometriose assintomática e a fraca cor-\nrelação com a gravidade da doença (BMC WO-\nMENS HEALTH, 2015). \n\n\n \n77 | Página \nUm histórico bem detalhado com a identifi-\ncação de sintomas sugestivos de endometriose, \npodem auxiliar a determinação de um grupo de \nalto risco para endometriose, conduzindo-o para \nprocedimentos diagnósticos detalhados e espe -\ncíficos.  \nDessa forma, para o diagnóstico da endome-\ntriose pode ser realizado uma ultrassonografia \ntransvaginal e ressonância magnética, exames \nmenos invasivos que não apresentam alta sensi-\nbilidade e especificidade. Bem como, existe um \nbiomarcador sérico que pode ser utilizado em \npacientes com endometriose, sendo ele o CA -\n125, que possui capacidade para diagnosticar  \nquadros de endometriose moderados a grave, \nmas apresenta uma baixa sensibil idade (BER -\nKER & SEVAL, 2015). \nPortanto, o padrão -ouro de acordo com a \nOrganização Mundial da Saúde para o diagnós-\ntico de endometriose consiste na videolaparos -\ncopia com biópsia das lesões para análise anato-\nmopatológica, podendo classificar a doença de \nacordo com o tipo histológico, localização ana -\ntômica, como: peritônio, ovário ou septo retova-\nginal e extensão da doença sobre os órgãos pél-\nvicos. Dessa forma, por ser um diagnóstico in -\nvasivo, possui muitas desvantagens, quando \ncomparado com a ultrassonografia transvaginal \ne a ressonâ ncia magnética, como os riscos do \nprocedimento de dano ao órgão, hemorragia, in-\nfecções e formação de aderência, complicações \nanestésicas, alto custo financeiro associado ao \npaciente e ao sistema de saúde, bem como, sub-\nmeter à um procedimento invasivo desnecessá -\nrio, caso o resultado do diagnóstico não seja en-\ndometriose (FASSBENDER et al., 2015). \nAdemais, o tempo para que seja diagnosti -\ncada a doença pode variar em consequência do \ninício dos sintomas e diagnóstico clínico e cirúr-\ngico, agravando assim, o quadro clínico. Uma \nvez que ocorre  atraso no diagnóstico e trata -\nmento, ocorrem consequências significativas \npara a progressão da doença,  impedindo o tra -\ntamento precoce, que é importante para a me -\nlhora dos níveis de dor, bem como para o funci-\nonamento físico e psicológico (RIAZI et al ., \n2015). \nTratamento \nDeve ser ressaltado que cada organismo \npossui suas particularidades, reagindo a um \nmesmo tratamento de diferentes formas, de -\nvendo ser individualizado para cada indivíduo, \nanalisando de acordo com os sintomas e o me -\nlhor tratamento e o impacto que a doença terá \nsobre a sua qualidade de vida da paciente. Dessa \nforma, é necessário dispor de uma equipe mul -\ntidisciplinar especializada para fornecer um tra-\ntamento capaz de abranger todos os aspectos bi-\nopsicossociais e econômicos da paciente. Pode \nser observado que a patologia prevalece em mu-\nlheres inférteis e portadoras de dor pélvica crô -\nnica, embora haja uma heterogeneidade grande \nnas manifestações clínicas relacionadas à endo-\nmetriose. \nO uso de terapias medicamentosas para en -\ndometriose é baseado no fato da doença ser res-\nponsiva aos hormônios. Sendo assim, os fárma-\ncos que tratam essa patologia são os progestagê-\nnios e os contraceptivos orais combinados \n(COCs), que levam a condições hormonais se -\nmelhantes à observada durante a gravidez, e os \nandrogênios e agonistas do GnRH (GNRHa), \nque promovem a supressão do estrogênio endó-\ngeno. Ademais, quando administrados progesta-\ngênios isolados, anticoncepcionais orais combi-\nnados, gestrinona, danazol e GnRHa, mostram -\nse efetivos no alívio e controle da dor. Contudo, \nos efeitos adversos apresentados e os custos de-\nvem ser levados em consideração quando da es-\ncolha terapêutica, ressaltando a importância do \nacompanhamento da evolução do quadro clínico \n(CHAUDHURY & CHAKRAVARTY, 2012). \n\n \n78 | Página \nPara os quadros de endometriose leve, pode \nser feito uma supressão da função ovariana que \nnão é efetiva para melhorar a fertilidade, mas a \nablação das lesões associadas à adesiólise mos -\ntra-se mais efetiva do que a realização exclusiva \nda laparoscopia diagnóstica. Em pacientes com \na doença moderada a severa é mais indicado a \nfertilização in vitro, principalmente em casos de \ncoexistência de fatores de infertilidade e falha \nde outras aborda gens terapêuticas, levando -se \nem conta a avaliação do uso de agonistas  do \nGnRH por 3 a 6 meses, previamente à realização \nde fertilização in vitro. Em questão do alívio da \ndor, pode ser feita a supressão da função ovari -\nana por 3 a 6 meses em pacientes com a confir -\nmação da doença (NAVARRO et al., 2006). \nUm dos métodos para controle dos endome-\ntriomas é a realização da exérese daqueles que \ntiverem o diâmetro maior do que 4 cm, melho -\nrando a taxa de fecundidade natural, procedi -\nmentos de reprodução assistida e auxilia na re -\ndução da dor e dos riscos de recidiva (NA-\nVARRO et al., 2006). \nAdemais, o tratamento clínico medicamen -\ntoso pode ser realizado por acetato de medroxi-\nprogesterona (AMP), gestrinona, COC, danazol \nou GnRHa que mostram-se  efetivas no alívio da \ndor. Desse modo, o tratamento é baseado no fato \nde que a endometriose responder a hormônios, \nassim, os análogos farmacológicos destas con -\ndições são os progestágenos e contraceptivos \norais combinados, que levam a condições hor -\nmonais semelhantes à vista durante a gravidez, \ne os androgênios e GNRHa, que promovem su-\npressão do estrogênio endógeno (NAVARRO et \nal., 2006). \nContudo, deve ser levado em conta que cada \norganismo responde de uma maneira diferente, \nsendo necessário acompanhamento médico para \ncertificar que houve melhora clínica dos sinto -\nmas ou manifestação de algum efeito adverso \napresentado na literatura, bem como, deve ser \nlevando em conta os custos financeiros que de -\nvem ser adequados a condição financeira das \npacientes, dessa forma, devem ser levados em \nconsideração na hora da escolha terapêutica \n(NAVARRO et al., 2006). \nConsiderações finais  \nPortanto, compreende-se que a Endometri -\nose é uma patologia caracterizada pela presença \ndo endométrio fora do útero, causando inúmeros \nsintomas,a exemplo da infertilidade e do fluxo \nmenstrual irregular. Além disso, essa doença \npode ser classificada em três tipos, sendo eles a \nforma superficial,o variana e profunda. O tipo \nsuperficial ou peritoneal é caracterizado por im-\nplantes superficiais no peritônio e/ou ovário que \npossuem o tamanho de até 5mm e com diferen -\ntes colorações, já a forma ovariana é caracteri -\nzada por implantes superficiais no ovário. Por \nfim, a Endometriose profunda é caracterizada \npor uma lesão que penetra no peritônio ou na \nparede dos órgãos pélvicos, com profundidade \nde 5 mm ou mais e nesses casos queixas como \ndores pélvicas incapacitantes,  dismenorreia e \ndispareunia de profundidade devem ser compre-\nendidas como sintomas de alerta. \nPara a classificação da endometriose em um \ndesses três tipos, é considerado padrão -ouro a \nvideolaparoscopia com biópsia das lesões para \nanálise anatomopatológica, podendo classificar \na doença de acordo com o tipo histológico, lo -\ncalização anatômica, como: peritônio, ovário ou \nsepto retovaginal e extensão da doença sobre os \nórgãos pélvicos. No entanto, não é o primeiro \nexame a ser realizado no diagnóstico, já que se \ntrata de um exame invasivo, tendo como opções \ndisponíveis a Ressonância Magnética e a Ultras-\nsonografia Transvaginal. \nA partir da suspeita diagnóstica de Endome-\ntriose que é baseada na história clínica da paci -\nente e nos antecedentes pessoais e familiares, \n\n \n79 | Página \npodem ser realizadas a ultrassonografia transva-\nginal e a ressonância magnética, além da dosa -\ngem do biomarcador sérico CA-125 capaz de di-\nagnosticar quadros de endometriose moderados \na grave. \nAdemais, o estudo observou que o diagnós-\ntico precoce da Endometriose é fundamental, \numa vez que possibilita a melhora dos níveis de \ndor, bem como contribui para o funcionamento \nfísico e psicológico. Dessa forma, o diagnóstico \ne o tratamento precoces devem ser o foco de po-\nlíticas públicas de saúde, a fim de oferecer uma \nadequada qualidade de vida para as pacientes \nque possuem essa doença. \n  \n\n \n80 | P á g i n a  \nREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS \nBERKER, B. & SEVAL, M. Problems with the diagnosis of endometriosis. Women’s Health (London, England), 2015 \nAug;11(5):597-601. doi: 10.2217/whe.15.44. \nCAMBIAGHI, A.S. Guia Endometriose II.  São Paulo. IPGO, 2021. E-book. \nCHAUDHURY, K. & CHAKRAVARTY, B. Endometriosis: basic concepts and current research trends . Rijeka, \nCroatia: Intech, 2012. doI: 10.5772/1193. \nFASSBENDER, A. et al. Update on Biomarkers for the Detection of Endometriosis. BioMed Research International, \n2015:2015:130854. doi: 10.1155/2015/130854. \nFEBRASGO - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Endometriose. São Paulo: \nFEBRASGO, 2021 (Protocolo FEBRASGO-Ginecologia, n. 78/Comissão Nacional Especializada em Endometriose).  \nOLIVEIRA, J.G.A. et al. Transvaginal ultrasound in deep endometriosis: pictorial essay. Radiologia Brasileira, 52 (5)  \nSep-Oct 2019. doi: 10.1590/0100-3984.2018.0019  \nPODGAEC, S. Manual de endometriose. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia \n(FEBRASGO), 2014. \nQUEIROZ, L. Será que tenho endometriose? Saiba como diagnosticar e tratar a doença pelo SUS. Ministério da Saúde, \n2023. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/marco/sera-que-eu-tenho-endometriose-\nsaiba-como-diagnosticar-e-tratar-a-doenca-pelo-sus>. Acesso em: 28 jul. 2023.  \nRIAZI, H. et al . Clinical diagnosis of pelvic endometriosis: a scoping review. BMC Women’s Health, 2015 May \n8:15:39. doi: 10.1186/s12905-015-0196-z. \nFEBRASGO - Manual de Endometriose. [s.l: s.n.]. Disponível em: <https://professor.pucgoias.edu.br/SiteDocente/  \nadmin/arquivosUpload/13162/material/Manual%20Endometriose%202015.pdf>.  \nNAVARRO, P.A.A.S. et al. Tratamento da endometriose. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 28 (10) • Out \n2006. doi: 10.1590/S0100-72032006001000008.","source_license":"CC0","license_restricted":false}