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Promoção e Proteção
da Saúde da Mulher
ATM 2026/2
Alunos
Adolfo Moraes de Souza
Afonso Henrique Cover Soares
André Luiz Vicente Ritta
André Tavares Porto Alegre
Augusto Colferai Marcon
Augusto Reginatto
Aurélio Alexsander P . Ribeiro
Bernardo Dama
Bruno Vernochi Conceição
Carolina Sayuri Arashiro
Caroline Souza
Cláudia Griebler Félix
Diego Anastacio da Silva
Diego Pires de Moura
Eduardo Brittes Rott
Ezequiel Tavares dos Reis
Fernanda Detoni
Gabriela Patulé Vieira
Guilherme Carvalho Serena
Isabella Cardia Lorenzoni
Isadora C. de Melo Abrahão
Isadora Didio
Johannes T. Braatz Wildner
Júlia Razera Oro
Lara Angi Souza
Laura Kersting
Leonardo André S. Loebens
Lucas Teixeira
Luís Gustavo Sampaio
Maria Eduarda R. de Souza
Maria Fernanda J. de Oliveira
Maria Gabriela VergaArriero
Michel de Azeredo Azevedo
Nathália Zarichta
Pedro Manzke Glänzel
Piettra Gontijo Salvati Targa
Rogério Bender Júnior
Santiago Diefenthaeler
Sophia Pedroso Kaminski
Vinícius da Silva Gregory
Willian Elias Dias de Oliveira
Zilma Rosa da Silva
Monitores
Felipe Jung Spielmann
Jeovana Ceresa
Jordy Guimarães Costa
Nicole Mastella
Roberta Moschetta
Professores
Adriani Oliveira Galão
Alberto Mantovani Abeche
Daniela Vanessa Vettori
Helena von Eye Corleta
Janete Vettorazzi
João Sabino da Cunha FIlho
José Geraldo Lopes Ramos
Suzana Arenhart Pessini
Ana Selma Picoloto
Maria Lúcia R. Oppermann
Roberta Moschetta
Sérgio H.A. Martins Costa
Adriani Oliveira Galão
Edison Capp
organizadores
Promoção e Proteção da Saúde da Mulher - ATM 2026/2
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Faculdade de Medicina
Departamento de Ginecologia e Obstetrícia
Promoção e Proteção da Saúde
da Mulher
ATM 2026/2
Porto Alegre 2023
UFRGS
Endereço:
Departamento de Ginecologia e Obstetrícia
FAMED – UFRGS
Rua Ramiro Barcelos, 2400/4º andar
CEP 900035-003 – Porto Alegre – RS
Editoração, diagramação e capa: Edison Capp
Imagens da capa: www.pexels.com por Andrea Piacquadio, Ana Schvets,
Christina Morillo, Dalila Dalprat, Edu Carvalho, Guilherme Almeida, Jonas
Kakaroto, Jopwell, Kelvin Octa, Ketut Subiyanto, Luizmedeirosph, Mentatdgt,
Picha Stock, Pixabay, Pragyan Bezbaruah, Radomir Jordanovic.
Adequação e procedência das citações e das ilustrações, considerações e
conceitos contidos nos textos são de responsabilidade dos autores.
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Promoção e Proteção da Saúde da Mulher - ATM 2026/2
Associação entre pesticidas e o desenvolvimento
de endometriose: uma revisão sistemática
Júlia Razera Oro
Sophia Pedroso Kaminski
Nicole Mastella
João Sabino Lahorgue da Cunha FIlho
A endometriose é uma condição médica complexa,
benigna e dependente de estrogênio, que afeta primariamente
as mulheres de 20 aos 40 anos .Essa enfermidade ocorre pelo
crescimento anormal de tecido semelhante ao endométrio,
que normalmente reveste o interior do útero, com presença
de glândulas endometriais e estroma fora da cavidade uterina,
podendo conter tecido fibroso, hemático e cistos .O tecido
endometrial fora do útero pode se fixar em órgãos adjacentes,
como os ovários, trompas de Falópio e outros tecidos pélvicos.O
desenvolvimento ectópico de células endometriais gera uma
resposta inflamatória que desencadeia sinais e sintomas, mínimos
a severamente debilitantes, como dor pélvica intensa, desconforto
menstrual e infertilidade (BULLETTI et al., 2010)¹.
Etiologias prováveis
As etiologias da endometriose são variadas e ainda
objeto de investigação .Enquanto as causas exatas não estão
completamente elucidadas, várias teorias são propostas .Uma
delas é a teoria da menstruação retrógrada, na qual células
endometriais migram através das trompas de Falópio para a
cavidade pélvica durante a menstruação, estabelecendo-se fora
do útero (VERCELLINI et al., 2013)².Além disso, fatores genéticos
parecem desempenhar um papel relevante no desenvolvimento
da doença (KONINCKX et al., 2019)³, visto que mulheres com
histórico familiar têm maior predisposição.Outros elementos como
desequilíbrios hormonais, problemas no sistema imunológico e
fatores ambientais também são investigados.
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A pesquisa atual sobre a endometriose e suas etiologias
ainda apresenta desafios e divergências entre profissionais da
área.Enquanto muitos estudos buscam elucidar os mecanismos
moleculares subjacentes à doença e investigar novos tratamentos.A
falta de consenso é refletida nas diversas teorias propostas
e na dificuldade de determinar uma única causa .A pesquisa
contínua envolve estudos clínicos, abordagens genômicas, bem
como investigações sobre a interação entre fatores hormonais
e imunológicos .A complexidade dessa condição desafia a
comunidade médica a buscar um entendimento mais completo
e aprimorado, a fim de melhorar o diagnóstico precoce e o
tratamento eficaz da endometriose (MISSMER; CRAMER, 2003)4.
Perfil da doença na população brasileira
No Brasil, a epidemiologia da endometriose revela-se
como uma preocupação significativa na saúde das mulheres .
Segundo dados recentes do Ministério da Saúde e de estudos
populacionais, estima-se que cerca de 10% das mulheres em idade
reprodutiva no país sejam afetadas por essa condição (SHAFRIR
et al., 2018) 5.A endometriose tem sido mais frequentemente
diagnosticada entre mulheres de 25 a 35 anos.Esses números são
obtidos a partir de diversas fontes de dados, incluindo registros
hospitalares, pesquisas clínicas e estudos epidemiológicos .
Essa alta prevalência destaca a importância de uma abordagem
abrangente para a compreensão e gestão da endometriose no
contexto brasileiro.
Adicionalmente, acredita-se que a incidência da doença
possa ser mais alta do que os dados atuais .Existe a menor
sensibilidade da ressonância magnética (MRI) na identificação de
lesões endometrióticas em estágios iniciais ou em casos menos
graves da doença em comparação com a referência padrão
de visualização por meio de intervenção cirúrgica (SMARR;
KANNAN; BUCK LOUIS, 2016) 6.A diferença na sensibilidade
entre os métodos de detecção pode resultar na subestimação
da verdadeira prevalência da doença, ressaltando a importância
de uma abordagem cuidadosa na interpretação dos dados
epidemiológicos e na avaliação da carga da doença na população.
As complicações associadas à endometriose representam
um desafio substancial para a saúde pública no Brasil .Além
das dores pélvicas crônicas que frequentemente acompanham
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a condição, há também uma associação preocupante com a
infertilidade.De acordo com estudos epidemiológicos, entre
30% e 40% das mulheres com endometriose podem enfrentar
dificuldades na gravidez (TORRES et al., 2021) 7.Além disso, a
endometriose também pode levar a outras complicações, como
cistos ovarianos e aderências que afetam a função dos órgãos
pélvicos e extrapélvicos .Essas complicações podem não apenas
reduzir a qualidade de vida das mulheres afetadas, mas também
aumentar as demandas no sistema de saúde.
Por fim,no aspecto financeiro, a endometriose apresenta
um desafio considerável, com implicações econômicas
especialmente para o Sistema Único de Saúde (SUS) .Os custos
diretos e indiretos associados ao diagnóstico, tratamento e
gerenciamento da endometriose englobam consultas médicas,
tratamento medicamentoso e cirúrgico, exames diagnósticos,
hospitalizações e acompanhamento contínuo.
Relevância da área de pesquisa
A pesquisa sobre endometriose é complexa e enfrenta
desafios inerentes, incluindo a ausência de um biomarcador
definitivo para a condição (AHN; SINGH; TAYADE, 2017) 8.Essa
lacuna tem implicações significativas na realização de estudos em
nível populacional.A falta de um biomarcador confiável dificulta a
identificação precisa da prevalência da endometriose na população
em geral.Esta consideração é de extrema importância, já que a
endometriose pode ser assintomática para algumas mulheres,
e nem todas as mulheres sintomáticas buscam tratamento
clínico.Essa limitação metodológica destaca a necessidade de
abordagens inovadoras para a pesquisa, a fim de compreender
tanto os casos sintomáticos quanto os não diagnosticados.
A realização de pesquisas na área de endometriose,
particularmente em relação aos pesticidas, é de relevância crítica.
Há quatro preocupações principais que devem ser consideradas .
Primeiramente, a escolha da estrutura de amostragem, seja ela
baseada em clínicas/hospitais ou na população em geral, influencia
a generalização dos resultados .Além disso, a metodologia
diagnóstica adotada, seja por visualização cirúrgica com ou sem
confirmação histológica, ou auto relatada pela paciente, pode
afetar a precisão dos resultados .A seleção do meio biológico
para quantificar compostos disruptores endócrinos (EDCs), como
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gordura, sangue ou urina, também apresenta implicações na
interpretação dos achados.Por fim, a temporalidade da exposição
em relação ao diagnóstico é um fator crítico a ser considerado.As
quatro preocupações citadas abordam desafios metodológicos
que devem ser cuidadosamente ponderados ao investigar a
relação entre endometriose e pesticidas.
Endometriose e seus fatores de risco
Os fatores de risco ligados à endometriose, alvo essencial
de investigação, enfrentam complexidades na compreensão
da fisiopatologia .A endometriose, classificada como doença
benigna, inflamatória, estrogênio-sensível e multifatorial, tem
sua evolução afetada por elementos variados e constantes na
vida das mulheres .A gama de fatores de risco abordados inclui
exposição prolongada a estrogênios devido a menarca precoce e
menopausa tardia, ciclo menstrual, hipermenorreia, nuliparidade,
exposição a poluentes como dioxinas, tabagismo, distúrbios
imunológicos, anomalias mullerianas e histórico familiar (SHAFRIR
et al., 2018)5, (HEMMERT et al., 2018)9, (SMARR; KANNAN; BUCK
LOUIS, 2016) 6.Adicionalmente, fatores protetores emergem,
como paridade, lactação, exercícios regulares e dieta balanceada.
Dentre os riscos, a exposição estrogênica, nuliparidade, menarca
precoce e menopausa tardia aumentam o risco.A hipermenorreia
é outro fator, devido ao sangue menstrual .A endometriose
também tem componentes genéticos sugeridos como fatores de
risco, como o locus cromossômico 10q26 e genes como EMX2
e PTEN, mas essa hipótese tem sido refutada em estudos mais
recentes (TRELOAR et al., 2007)10.
Os fatores de risco ligados à poluição ambiental,
notadamente a exposição a poluentes, desempenham um papel
que tem sido cada vez mais estudado em um contexto global
contemporâneo.Dentro dessa perspectiva, é preciso avaliar o
impacto das dioxinas e bifenilas policloradas (PCBs), que podem
exercer influência sobre o sistema imunológico e afetar a evolução
da endometriose (SMARR; KANNAN; BUCK LOUIS, 2016) 6.As
dioxinas, substâncias químicas tóxicas formadas frequentemente
durante a queima de materiais clorados, como plásticos e produtos
industriais, podem também estar presentes em alimentos e no ar,
devido a seus resíduos industriais .Por sua vez, os PCBs, embora
atualmente proibidos em muitos países, foram largamente
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utilizados na indústria para fins como isolamento elétrico em
equipamentos, lubrificantes e aditivos plásticos.Ambos compostos
são classificados como poluentes orgânicos persistentes (POPs)
(CETESB, 2019)11, tendo a capacidade de persistir no ambiente
por longos períodos e acumular-se nos tecidos de organismos
vivos, incluindo seres humanos .Existem estudos que associam a
exposição desses poluentes com uma influência desregulatória
no sistema imunológico e hormonal, potencialmente contribuindo
para o desenvolvimento de endometriose.
Estratégias para a prevenção primária da endometriose
A prevenção primária da endometriose tem sido objeto
de investigação em estudos científicos, buscando compreender
as estratégias que podem reduzir a ocorrência da doença .Entre
as medidas já estabelecidas, destaca-se a promoção de hábitos
de vida saudáveis, como a adoção de uma dieta rica em vegetais,
frutas e fibras, e a prática regular de exercícios físicos (HEMMERT
et al., 2018) 9.Essas intervenções podem contribuir para a
manutenção do equilíbrio hormonal e a redução do acúmulo de
tecido endometrial fora do útero .Além disso, a moderação no
consumo de álcool e a não utilização do tabaco também têm sido
apontadas como fatores de prevenção importantes, uma vez que
essas substâncias podem afetar o sistema hormonal e a resposta
imunológica, potencialmente influenciando o desenvolvimento
da endometriose.
A conscientização sobre os riscos associados a exposições
ambientais, como produtos químicos disruptores endócrinos,
também tem ganhado destaque na prevenção primária da
endometriose.A minimização da exposição a esses compostos,
que podem imitar ou interferir nos hormônios, pode ser alcançada
através da escolha de produtos de cuidados pessoais livres de
substâncias químicas prejudiciais e da redução do consumo de
alimentos e produtos embalados com contato direto com plásticos
ou materiais contaminados .Em conjunto, essas abordagens
voltadas para a prevenção primária têm o potencial de mitigar os
fatores de risco e, assim, contribuir para a redução da incidência
da endometriose, beneficiando a saúde das mulheres.
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O Papel dos compostos disruptores endócrinos (EDCs)
Quando falamos sobre essas substâncias presentes no
ambiente e que possuem influência no organismo humano,
podemos citar os EDCs, desreguladores endócrinos, entre os
quais a dioxinas e os PCBs se enquadram .EDCs caracterizam-se
por serem produtos químicos exógenos que podem interferir na
ação e no equilíbrio dos hormônios do sistema endócrino, além
de mimetizar a ação dos hormônios naturais.
Além de sua associação com a endometriose, os
compostos disruptores endócrinos têm sido extensivamente
estudados quanto ao seu impacto em diversas outras doenças .
Alguns estudos têm revelado que EDCs podem estar ligados a
diversas condições de saúde, incluindo distúrbios endócrinos,
como diabetes tipo 2 e disfunções tireoidianas (PATISAUL, 2021)12
(EGALINI et al., 2022) 13, bem como desregulações metabólicas
e obesidade (HEINDEL et al., 2017) 14 (BRAUN, 2016) 15, câncer
de mama ou próstata (PLAZA-DÍAZ et al., 2019)16 (PALIOURA;
DIAMANTI-KANDARAKIS, 2015) 17 (MODICA; BENEVENTO;
COLAO, 2022) 18 e distúrbios neurológicos (VUONG et al.,
2020)19.A exposição prolongada a EDCs tem sido associada à
disrupção do sistema endócrino, podendo levar a consequências
adversas para a saúde humana em vários estágios da vida, desde
o desenvolvimento fetal até a idade adulta.
O papel dos poluentes orgânicos persistentes
Muitos dos artigos dessa discussão levam em consideração
a definição dos POPs, poluentes orgânicos persistentes, que
são compostos sintéticos com características únicas como
semivolatilidade, persistência, bioacumulação e toxicidade
A persistência dos POPs é medida em sua meia-vida,
indicando quanto tempo levam para se degradar química ou
biologicamente.A Convenção de Estocolmo define persistência
baseada em critérios como a meia-vida superior a dois meses em
água e mais de seis meses em solo e sedimento.
A bioacumulação é outro aspecto dos POPs, definido
pela maior concentração nos tecidos dos organismos do que no
ambiente circundante .Isso ocorre através da alimentação e da
inalação, com destaque para áreas onde POPs entram nas cadeias
alimentares, como evidenciado entre os inuítes na Groenlândia.
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Por fim, a toxicidade dos POPs é preocupante, contribuindo
para doenças como câncer (LIM et al., 2017)20 (ENNOUR-IDRISSI;
AYOTTE; DIORIO, 2019)21, malformações congênitas (REN et al.,
2011)22 (GOLDMAN, 1997) 23, distúrbios imunológicos (GASCON
et al., 2013)24, reprodutivos e neurológicos (REN et al., 2011)22,
o que ressalta a importância de regulamentações globais em
resposta a esses impactos à saúde pública e ao meio ambiente.
Objetivo
Esse estudo tem como objetivo auxiliar na busca por
maiores esclarecimentos acerca da associação entre endometriose
e poluentes ambientais, especificamente pesticidas .Com esse
intuito,foi realizada uma revisão sistemática de artigos publicados
até a presente data que abordassem a relação entre mulheres
com o diagnóstico da doença e a exposição aos fatores de
risco analisados.Amplamente, o presente estudo visa esclarecer
a relação concreta entre meio ambiente e endometriose .
Dessa maneira, pretende-se contribuir com a progressão do
conhecimento científico nas áreas ginecológicas, endocrinológicas
e suas correlações com fatores exógenos.
Metodologia
Essa seção lança luz à abordagem meticulosa empregada
para a seleção, avaliação e análise dos estudos incluídos.A escolha
criteriosa das bases de dados é uma etapa crucial, pois influencia
diretamente a amplitude e a qualidade das informações reunidas.
Sabendo disso, uma avaliação das bases disponíveis foi realizada
com a ajuda de profissionais da área da biblioteconomia, optando-
se pela utilização das bases PubMed e Embase, duas fontes de
renome em suas respectivas áreas.
Os métodos de pesquisa foram delimitados de forma
a obter o maior número de resultados condizentes com os
parâmetros previamente estabelecidos .Primeiramente, ao
PubMed, foi determinado o algoritmo a seguir, sendo que este
leva em conta a pesquisa por termos com o mesmo radical das
palavras chave indicadas; assim como a pesquisa desse conjunto
de entradas determinadas não somente nas palavras chave
indicadas no artigos, mas também em seus títulos e resumos.
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(ENDOMETRIOSIS[mesh] OR ENDOMETRIOSIS*[tiab])
AND (PESTICIDES[mesh] OR PESTICIDE*[tiab])
Já na base de dados Embase, foi utilizado o algoritmo
“ENDOMETRIOSIS AND PESTICIDES”, semelhante ao usado no
PubMed.é importante ressaltar que não foi realizada nenhuma
restrição por data, idioma ou veículo das publicações.
Esse primeiro passo, de busca nos bancos de dados,
resultou em 49 artigos advindos do PubMed e 259 da Embase .
Foram então determinados critérios de seleção para a seleção
dos artigos que entrariam na análise, sendo esses:
1.Definição de grupo com endometriose e grupo controle;
2.Definição da exposição ao pesticida bem definida;
3.Estudo em humanos.
A análise dos 308 artigos foi realizada triplamente,
buscando concordância entre os primeiros dois revisores e então
última análise crítica por um terceiro revisor acerca dos artigos
indicados.Os critérios de exclusão foram: 1 .artigos de revisão
ou relatos de caso, sem grupos de estudo; 2 .endometriose não
era desfecho do estudo; 3 .estudo em animais; 4 .sem relação
clara com pesticidas; e 5 .sem relação clara com endometriose .
Além disso, 4 artigos foram eliminados por falta de acesso ao
texto original e, na análise terciária, mais criteriosa, artigos foram
retirados do estudo por serem duplicatas entre os bancos, ou
por representarem análises de mesmas populações já citadas em
estudos incluídos.Uma análise mais clara da inclusão e exclusão
de artigos pode ser feita de acordo com a figura 1.
O processo de triagem dos estudos identificados nas
bases de dados PubMed e Embase culminou em um conjunto
final de 10 artigos elegíveis para a análise detalhada .Após a
triagem inicial, o grupo de pesquisa realizou uma análise mais
aprofundada dos artigos restantes, lendo integralmente cada um
para avaliar sua aderência aos objetivos da revisão e sua qualidade
metodológica.Durante essa etapa, foram considerados aspectos
como a metodologia de pesquisa empregada, a validade interna e
externa dos resultados apresentados e a clareza na apresentação
dos dados.Os dados coletados são apresentados no quadro 1.
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Promoção e Proteção da Saúde da Mulher - ATM 2026/2
Figura 1 - Fluxograma de seleção de artigos.
Resultados
No estudo “Associations between serum levels of selected
organochlorine compounds and endometriosis in infertile Japanese
women” (HIROMASA TSUKINO et al., 2005)26, não foi observada
uma relação estatisticamente significante entre os níveis séricos
de compostos organoclorados e a presença de endometriose .
No entanto, o estudo revelou associações entre esses mesmos
compostos e irregularidades no ciclo menstrual, como na duração
do ciclo, com média de 28.5 dias para os casos de endometriose
e 30.4 dias para os controles. .Essas descobertas indicam a
necessidade de um entendimento mais profundo das possíveis
influências dos compostos organoclorados nas características
do ciclo menstrual, e como essas modificações realçam a
complexidade das interações entre compostos organoclorados e
a saúde reprodutiva, mostrando que enquanto não houve uma
relação estatisticamente significante com endometriose em si,
mudanças nas características do ciclo menstrual podem sugerir
influências sutis desses compostos no sistema reprodutivo das
mulheres estudadas.
Ainda com base no artigo “Organochlorine pesticides and
endometriosis” (LEBEL et al., 1998)25, foi observada uma associação
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Quadro 1 - Triagem dos estudos identificados nas bases de dados PubMed e Embase.
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entre as concentrações séricas de β-HCH (β-hexaclorociclohexano)
e endometriose, com uma relação mais robusta quando os
casos foram restritos àqueles com endometriose ovariana .Esses
resultados apontam para uma possível associação específica entre
a exposição ao β-HCH e a endometriose ovariana, indicando
um potencial papel deste pesticida na etiologia dessa forma
específica da doença .É importante ressaltar que o β-HCH não é
produzido intencionalmente, mas sim um componente do HCH
de grau técnico, que foi utilizado como inseticida agrícola nos
Estados Unidos até meados da década de 1970.
Além disso, de acordo com o estudo “Persistent Lipophilic
Environmental Chemicals and Endometriosis: The ENDO study”
(LOUIS et al., 2012)28, observou-se uma significância, com razão
de probabilidade ajustada de 1,7, para a relação do β-HCH quando
a análise foi restrita a casos de endometriose com visualização
e histologia, bem como para estágios 2 e 4 da doença .Essa
inversão na direção da associação sugere uma possível influência
diferencial do β-HCH em subgrupos específicos da endometriose.
Esses resultados indicam a complexidade da relação entre
exposição a pesticidas e a endometriose, demonstrando que os
efeitos podem variar com base em características específicas da
doença, como a severidade ou o método de diagnóstico utilizado.
Conforme indicado no estudo “Organochlorine pesticides
and endometriosis” (LEBEL et al., 1998) 25, foi constatado um
aumento no risco de endometriose associado aos níveis séricos
de mirex e fungicidas aromáticos, com razão de probabilidade
ajustada de 5,3; além de inseticidas ciclodienos, com razão de 2,7.
Ainda que o uso do mirex tenha diminuído ao longo do tempo,
a investigação sobre sua relação com a endometriose permanece
pertinente, especialmente devido à exposição potencial em
certos grupos populacionais .Isso engloba indivíduos que
consomem peixes de lagos e corpos d’água contaminados pelo
mirex nos Grandes Lagos, além de residentes em áreas árticas,
com destaque para comunidades indígenas .Essas constatações
enfatizam a necessidade de examinar os possíveis efeitos da
exposição ao mirex, dadas as potenciais repercussões na saúde
reprodutiva, especialmente em contextos com exposição mais
acentuada.
De acordo com as descobertas do estudo “Persistent
Lipophilic Environmental Chemicals and Endometriosis: The
ENDO study” (LOUIS et al., 2012)28, as concentrações de poluentes
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orgânicos persistentes (POPs) foram mais elevadas na gordura
omental do que no soro para todos os POPs investigados.O estudo
buscou analisar os níveis de POPs, que são compostos químicos
persistentes e lipofílicos encontrados no ambiente, em tecidos
adiposos e soro sanguíneo.Esses POPs podem incluir pesticidas,
produtos químicos industriais e outros poluentes ambientais que
se acumulam em tecidos gordurosos .No grupo de pacientes
submetidas a procedimentos cirúrgicos, o β-hexaclorocicloexano
(β-HCH) foi o único POP que apresentou uma associação positiva
significativa com a endometriose, de razão de probabilidade
1,27.Esse achado sugere que a presença de β-HCH pode estar
relacionada à ocorrência da doença.
No contexto do estudo “Persistent Lipophilic Environmental
Chemicals and Endometriosis: The ENDO study” (LOUIS et
al., 2012) 28, os compostos mencionados, PBDE-183 (razão de
probabilidade ajustada - AOR - 1,2) e PCB-151 (AOR - 1,31), são
poluentes orgânicos persistentes (POPs) que foram analisados em
relação à endometriose com base em suas concentrações em tecido
adiposo.PBDE-183 refere-se ao éter difenílico polibromado-183,
que é uma classe de substâncias conhecidas como retardadores
de chama bromados .Essas substâncias são frequentemente
usadas em produtos industriais e de consumo, como móveis e
eletrônicos, para diminuir o risco de incêndios .PCB-151 refere-se
a uma bifenila policlorada específica, que pertence a um grupo
de compostos químicos utilizados anteriormente em diversas
aplicações industriais, incluindo isolamento elétrico .Ambos os
compostos são persistentes no ambiente e podem se acumular
em tecidos gordurosos de seres vivos.A análise dos níveis desses
compostos em tecido adiposo no estudo visa compreender suas
potenciais associações com a endometriose.
No contexto do estudo “Association of urinary
metabolites of organophosphate and pyrethroid insecticides,
and phenoxy herbicides with endometriosis” (LI et al., 2020)31, o
agente mencionado é o diazinon, composto químico que serve
como precursor do metabólito IMPY (AOR 1,89) .Além disso, são
mencionados os compostos clorpirifós e clorpirifós-metil, que
atuam como precursores do metabólito TCPY (AOR 1,65) .Esses
compostos pertencem à classe de inseticidas organofosforados e
herbicidas da classe das fenoxiácidos .O diazinon é um pesticida
frequentemente utilizado na agricultura para controle de insetos,
enquanto o clorpirifós e o clorpirifós-metil também são inseticidas
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amplamente empregados na proteção de culturas.No estudo em
questão, sugere-se a possibilidade de associação entre esses
compostos e a endometriose.
De acordo com os resultados do estudo “Associations
between persistent organic pollutants and endometriosis: A
multiblock approach integrating metabolic and cytokine profiling”
(MATTA et al., 2022) 32, a análise das citocinas pró-inflamatórias
desempenha um papel significativo na compreensão da relação
entre endometriose e poluentes orgânicos persistentes .Por
meio de uma abordagem que integra a análise metabólica e
de citocinas, o estudo investigou a possível associação entre
poluentes e a endometriose .Entre os resultados observados,
destaca-se a associação do pesticida trans-nonacloro (razão de
probabilidade, odds ratio - OR - 3,38) com a endometriose .Além
disso, foi identificada uma interação entre o trans-nonacloro
e outros PCBs (bifenilas policloradas), o que intensificou os
efeitos nos níveis mais elevados de concentração .A presença
de citocinas pró-inflamatórias pode sugerir um mecanismo pelo
qual a exposição a poluentes pode desencadear uma resposta
inflamatória no contexto da endometriose.
Ainda sobre a inflamação associada à doença estudada.O
estudo “Associations between persistent organic pollutants and
endometriosis: A multiblock approach integrating metabolic and
cytokine profiling” (MATTA et al., 2022) 32 examinou a relação
entre o ambiente inflamatório e a endometriose, revelando um
perfil inflamatório aumentado nos casos dessa condição .Os
resultados indicaram um aumento nas citocinas pró-inflamatórias,
como a interleucina-8 e a proteína quimiotática de monócitos-1,
nos indivíduos com endometriose.Além disso, chamou a atenção
para um padrão metabólico específico caracterizado pela
desregulação da homeostase dos ácidos biliares e da atividade
da lipase.A presença desse ambiente inflamatório e as alterações
metabólicas sugerem uma complexa interação entre fatores
biológicos e químicos na etiologia da endometriose.
No âmbito do estudo “Endometriosis and
Organochlorinated Environmental Pollutants: A Case–Control
Study on Italian Women of Reproductive Age” (PORPORA et al.,
2009)33, os compostos citados referem-se a bifenilas policloradas
(PCBs), que são um grupo de poluentes orgânicos persistentes.Os
PCBs são substâncias químicas sintéticas que foram amplamente
usadas em várias aplicações industriais, como isolantes elétricos,
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refrigerantes e lubrificantes, até sua proibição devido a
preocupações ambientais e de saúde.Esses compostos persistem
no ambiente e podem acumular-se em tecidos animais, incluindo
os humanos.O estudo investigou as concentrações de diferentes
PCBs em mulheres italianas em idade reprodutiva com e sem
endometriose.Os resultados mostraram que as concentrações
de todos os PCBs analisados foram mais elevadas nos casos de
endometriose do que nos controles.Além disso, a soma de todos
os 11 congêneres analisados foi significativamente maior nos
casos de endometriose do que nos controles.
No estudo “Endometriosis and Organochlorinated
Environmental Pollutants: A Case–Control Study on Italian Women
of Reproductive Age” (PORPORA et al., 2009)33, os compostos
citados se referem a diferentes tipos de poluentes orgânicos
persistentes.Os PCBs (bifenilas policloradas) foram descritos no
parágrafo anterior.Os C-TEQs (equivalentes tóxicos cumulativos)
representam uma medida para quantificar a toxicidade de uma
mistura de poluentes, como os PCBs .O HCB (hexaclorobenzeno)
é um pesticida organoclorado que já foi usado na agricultura .O
p,p’-DDE é um metabólito do DDT, um pesticida amplamente
utilizado no passado e também proibido devido aos seus efeitos
prejudiciais.O estudo examinou a possível correlação entre as
concentrações séricas desses compostos e o tipo e localização
da endometriose .Para isso, os casos de endometriose foram
estratificados em peritoneal, profunda ou ovariana, e os níveis
de PCBs totais, C-TEQs, HCB e p,p’-DDE foram comparados
entre os grupos .No entanto, não foram encontradas diferenças
significativas nos níveis médios dos compostos entre as mulheres
com diferentes tipos de endometriose .Isso sugere que os
compostos analisados podem não estar diretamente associados
ao tipo específico da doença.
Riscos de viés
A presença de viés de seleção é um aspecto crucial a
ser considerado em pesquisas que envolvem pacientes com
endometriose, especialmente devido às diferentes formas de
diagnóstico que podem resultar em uma subestimação dos
casos reais da doença .A endometriose é conhecida por ser uma
condição que frequentemente passa despercebida ou não é
adequadamente diagnosticada devido à sua natureza assintomática
53
Promoção e Proteção da Saúde da Mulher - ATM 2026/2
ou à semelhança de sintomas com outras doenças.A utilização de
diferentes métodos de diagnóstico, como laparoscopia e exames
de imagem (LI et al., 2020)3 (LEBEL et al., 1998)25 (PORPORA et al.,
2009)33, pode introduzir viés na seleção dos casos, levando a uma
possível inclusão insuficiente de pacientes com endometriose não
diagnosticada.Esse viés de seleção pode distorcer os resultados
da pesquisa, subestimando a verdadeira prevalência e impacto
da endometriose na população estudada .Portanto, ao avaliar
os resultados dessas pesquisas, é fundamental reconhecer a
possibilidade de que muitos casos de endometriose possam não
ter sido diagnosticados, o que pode influenciar as conclusões e
interpretações feitas a partir dos dados disponíveis.
Quando se considera o método de diagnóstico por
ressonância magnética (MRI) (LI e t a l . , 2 0 2 0 )3, é importante
destacar que o diagnóstico da endometriose pode apresentar
sensibilidade e especificidade limitadas em relação à visualização
direta, dependendo da presença de lesões clássicas ou atípicas,
bem como da gravidade da doença .A capacidade de detecção
de lesões por MRI pode variar, e as limitações desse método
podem levar a resultados distorcidos ou incompletos .Em casos
nos quais as lesões possuem características atípicas ou a doença
está em estágios menos avançados, o diagnóstico por MRI pode
ser menos confiável, resultando em um possível subdiagnóstico
de casos reais de endometriose.Essa variabilidade na acurácia do
diagnóstico pode introduzir um viés no estudo, afetando a validade
interna e externa das conclusões obtidas .Portanto, ao interpretar
os resultados de pesquisas que empregam o diagnóstico por MRI
para endometriose, é crucial reconhecer as limitações e potenciais
viéses associados a esse método diagnóstico e avaliar como essas
considerações podem afetar a interpretação global dos resultados.
Sobre estudos usando a laparoscopia como método
diagnóstico, como a maioria dos artigos desta revisão (LI et al.,
2020)3.Embora esses estudos sejam geralmente convenientes e
econômicos, e possuam a vantagem de confirmar a ausência da
doença entre os controles, eles podem ter produzido resultados
enviesados se a indicação para tal avaliação estiver associada
à carga de OCP (poluentes orgânicos persistentes) .A seleção
de mulheres para laparoscopia pode estar influenciada pela
suspeita prévia de endometriose, a qual, por sua vez, pode
estar relacionada com a carga de OCPs no corpo .Essa possível
associação entre a exposição a poluentes e a indicação para
54
Departamento de Ginecologia e Obstetrícia - UFRGS
laparoscopia introduz um elemento de viés na seleção dos
participantes, potencialmente distorcendo os resultados .Essa
situação pode afetar a validade interna dos estudos, resultando
em conclusões que não são generalizáveis para a população mais
ampla.Portanto, ao interpretar os resultados de pesquisas que
envolvem estudos restritos a pacientes submetidas à laparoscopia,
é crucial considerar o possível viés introduzido pela seleção dos
participantes e avaliar de que forma essa influência pode impactar
a confiabilidade das conclusões obtidas.
Discussão
Assim como em outros estudos, o presente trabalho
encontrou associações na revisão de literatura acerca da relação
entre pesticidas e outros EDCs e a doença endometriose .As
pesquisas atuais encontram-se em avanço para esclarecer a lacuna
sobre o assunto, ainda assim, faz-se possível o estabelecimento
associativo entre EDCs, como pesticidas, e endometriose com os
resultados prévios dos artigos analisados.
Estudos clínicos do ano de 2006 (BRUNER-TRAN et al.,
2008)35 já demonstraram a relação que inferiu-se pela metanálise
presente.Este analisou a presença de metais e elementos, como
cádmio e chumbo, em amostras de sangue e urina de mulheres
com endometriose, encontrando uma associação positiva entre
esses compostos e a doença .Além desse, estudos de 2012
(SMARR; KANNAN; BUCK LOUIS, 2016)6 analisaram a presença
de várias substâncias químicas, incluindo organoclorados, PBDEs
e PFAAs, em amostras de gordura e de soro de mulheres com
endometriose, novamente encontrando associações positivas para
alguns desses compostos, como os já citados organoclorados;
no estudo citado, o β-hexaclorocicloexano (β-HCH), o qual é um
subproduto de um pesticida usado na agricultura, foi associado
ao desenvolvimento de endometriose.
Ademais, pode-se afirmar que o presente trabalho
registrou resultados congruentes com o da literatura atual,
reafirmando a importância da prevenção da endometriose e da
diminuição da exposição de mulheres aos possíveis fatores de
risco.Ainda, corroborando a bibliografia, é necessário afirmar
sobre a necessidade de mais pesquisas (SMARR; KANNAN; BUCK
LOUIS, 2016) 6 na área para aprofundar as relações associativas
entre pesticidas e endometriose e assim elucidar uma prática
55
Promoção e Proteção da Saúde da Mulher - ATM 2026/2
clínica de manejo da doença adequados com os fatores ambientais
associados à saúde das mulheres na sociedade atual.
Com o presente estudo existe a necessidade da
continuidade na discussão sobre as implicações que mudanças do
âmbito ambiental possuem diretamente no organismo humano
(MATTA, K. et al., 2020)32, afetando níveis séricos de hormônios e
desregulando suas atuações metabólicas (HIROMASA TSUKINO
et al., 2005)26.A endometriose caracteriza-se por uma doença de
prevalência relevante e presente em mulheres de idade reprodutiva
globalmente em ampla escala (MISSMER; CRAMER, 2003)4.; com
esse conhecimento faz-se necessário instruir a população, ainda que
os resultados sejam preliminares e exista a necessidade de novas
pesquisas na área, sobre o risco e a associação que os pesticidas
possuem e representam no desenvolvimento e agravamento da
endometriose (UPSON, K. et al. )29.É cabível enfatizar o papel dos
ginecologistas e dos médicos da atenção primária na elucidação
da doença e de suas relações ambientais, a fim de minimizar a
exposição de mulheres a produtos, subprodutos e compostos
que possuem alta concentração de EDCs, ainda que persistam
limitações no conhecimento acerca do assunto (SMARR, M .M.;
KANNAN, K.; BUCK LOUIS, G.M)6.
Posto isso, a associação de EDCs e as doenças hormônio
dependentes gera implicações no âmbito público e privado acerca
da saúde feminina.A instrução de mulheres em idade reprodutiva
como citado e a ação efetiva legislativa sobre a regulamentação da
quantidade e concentração desses compostos, devido a possível
implicância na saúde humana (UPSON, K . et al. )29, é um assunto
que necessita ser abordado com o avanço das pesquisas na área.
Com o presente trabalho e a análise da literatura abordada, a
elucidação do tema e de suas associações continua a ser definida.A
relação entre o distúrbio inflamatória e dependente de estrógeno
com substâncias como pesticidas apresentou-se como um objeto
de estudo necessário para a compreensão dos riscos existentes
na exposição de mulheres a esses fatores ambientais químicos
e biológicos (UPSON, K . et al. )29, entretanto pesquisas futuras
possuem a necessidade de incluir quadros de amostragem clínica
e populacional integrados que permitam a incorporação de novas
modalidades de diagnóstico, além da coleta de diferentes meios
biológicos, incluindo tecidos-alvo, para quantificar as exposições
a esses compostos; desenho de estudos que ofereçam múltiplos
grupos de comparação para avaliar etiologias compartilhadas com
56
Departamento de Ginecologia e Obstetrícia - UFRGS
outros distúrbios ginecológicos faz-se também necessário, assim
como o uso de abordagens laboratoriais e estatísticas inovadoras
para explorar todos os EDCs medidos e seus efeitos em doses
baixas e análises causais para delinear empiricamente as relações
entre estes e endometriose (MATTA, K. et al., 2020)32.
Destarte, o presente estudo faz-se fundamental para
a discussão da prevenção e controle da endometriose em
mulheres atualmente (MISSMER; CRAMER, 2003) 4.A relação
de plausibilidade biológica existente entre a ingestão e o
contato com pesticidas e o desenvolvimento da patogênese
da endometriose é corroborada pelos estudos que analisam a
prevalência de pacientes específicos com o diagnóstico e sua
exposição aos ECDs (UPSON, K . et al. )29.Com o esclarecimento
da literatura atual e novos estudos sobre essa associação pode-se
elucidar efetivamente os fatores de risco para o desenvolvimento
de endometriose e como estes atuam sobre a fisiopatologia da
doença, de maneira que a conduta médica possa ser aprimorada
e os mecanismos para o manejo e, principalmente, diminuição da
incidência de novos casos possam ser melhores controlados.
Conclusão
Os ECDs possuem a capacidade de interferir com a ação
hormonal e podem atuar como agonistas ou antagonistas dos
receptores de hormônios (PLAZA-DÍAZ et al., 2019) 16, como o
estrogênio.Esses compostos podem causar alterações na síntese
hormonal, por meio da disrupção de hormônios ou modulação
de receptores, de modo que esses compostos podem agir
como substâncias semelhantes ao estrogênio, ligarem-se aos
seus receptores no organismo e ativar ou inibir a sua sinalização
hormonal.Como o estrogênio é um hormônio essencial para o
crescimento e desenvolvimento do tecido endometrial, a exposição
a EDCs pode levar a níveis desequilibrados de estrogênio no
corpo, o que pode influenciar o desenvolvimento e a progressão
da endometriose.Além disso, a angiogênese que os compostos
disruptores endócrinos podem causar ao mimetizar o estrogênio
caracteriza-se como fator que corrobora a plausibilidade biológica
entre o desenvolvimento e agravamento da doença e esses
compostos.Desse modo, a formação de novos vasos sanguíneos
é fundamental para o crescimento do tecido endometrial
ectópico, envolvido na patogênese da endometriose .Estudos
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Promoção e Proteção da Saúde da Mulher - ATM 2026/2
atuais (UPSON, K . et al. )29 sugerem que EDCs, como pesticidas
específicos, podem promover a angiogênese, fornecendo aos
tecidos ectópicos os vasos sanguíneos necessários para crescer e
se manter.Ademais, sabe-se que a endometriose é uma doença
inflamatória, desse modo, os compostos endógenos em debate
podem aumentar a resposta inflamatória no corpo, o que pode
agravar a inflamação associada à endometriose e contribuir para
os sintomas dolorosos da doença.Ainda, há evidências crescentes
de que a exposição a certos EDCs durante a gravidez pode afetar o
desenvolvimento fetal e a diferenciação do sistema reprodutivo, o
que pode levar a alterações que aumentam o risco de desenvolver
posteriormente a esse período a endometriose.
Nesse ínterim, a plausibilidade biológica entre a relação
dos ECDs e da endometriose se estabelece e se fortalece devido
a pesquisas que demonstram os efeitos desses compostos
químicos no sistema endócrino e nos mecanismos conhecidos da
doença e sua gravidade (MATTA et al., 2022)32.
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