Background
- The objective of the present stuciy was to evaluate lipici
peroxidation capacity in the peritoneal fluid of infertile women with pelvic
enciometriosis and fertile women.
CASES AND METHODS - Thirty - two women were selecteci anci ciivicieci
into two groups: enciometriosis Group , consisting of 17 infertile women with
pelvic enciometriosis confirmeci by laparoscopy anci biopsy, and control
Group, consisting of 15 women without endometriosis, as confirmed by
laparosopy, and submitted to bilateral tube ligation. Lipid peroxidation
potencial were determined from thiobarbituric acid reactive substances
(TBARS) and were expressed as MOA nm/ml anci µL/ml. Peritoneal fluid
was collected during laparoscopy in the follicular phase.
RESUL TS - No significant ciifference in MOA levels was detected between
endometriosis Group and control B, with respectiva median values of 0.07
nmol/ml and 0.04 nmol/ml (p=0.09). Median MDA/Cu2+ levels were 0.34
nmol/mL in enciometriosis Group and 0.21 nmol/ml in control Group. When
MOA and MDA/Cu2+ leveis were compareci, MOA/Cu2+
were founci to be
higher intragroup in both enciometriosis Group anci control Group (p<0.01 ).
No significant difference in CSO levels were found between Group A anci
Group B, with respectiva median values of 0.24 and 0.25 ug/ml (p=0.50).
Conclusion
- The present study ciid not ciemonstrate an increase in lipid
peroxidation potencial in the peritoneal fluici of infertile women with pelvic
enciometriosis when compareci to fertile women.
AVALIAÇÃO DO POTENCIAL DE PEROXIDAÇÃO LIPÍDICA NO
FLUIDO PERITONEAL DE MULHERES INFÉRTEIS COM
ENDOMETRIOSE PÉLVICA
OBJETIVO - A meta do presente estudo foi avaliar a capacidade de
peroxidação lipídica no fluido peritoneal de mulheres inférteis com
endometriose pélvica e mulheres normais.
CASUÍSTICA E MÉTODOS - Foram selecionadas prospectivamente 32
mulheres, distribuídas em dois grupos, dispostos em Grupo endometriose,
composto por 17 mulheres inférteis com endometriose pélvica, comprovada por
laparoscopia e biópsia, e Grupo controle, determinado por 15 mulheres sem
endometriose pélvica, comprovada por laparoscopia e submetidas à
laqueadura tubárea bilateral. A peroxidação lipídica foi avaliada através da
peroxidação de substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS)
determinados pelo malondialdeído (MOA), malondialdeído com adição de
cobre (MDA/Cu2+
) e pelo colest- 3,5- dieno- 7- ona (CSD) expressos em
nmol/mL e µg/mL respectivamente. As amostras de fluido peritoneal foram
colhidas durante a laparoscopia, na fase folicular do ciclo menstrual.
RESULTADOS - Não encontramos diferença estatística nos níveis de MOA
entre os Grupos endometriose (mediana de 0.07 nmol/mL) e controle (mediana
de 0.04 nmol/mL) (p=0.09). Após a peroxidação provocada pelo cobre também
não houve diferença entre os grupos endometriose (0.34 nmol/mL) e controle
(0.21 nmol/mL) mas houve uma elevação intragrupo (p<0.01). Não
encontramos diferença estatística dos níveis de CSD nos Grupos endometriose
e controle (mediana de 0.24 e 0.25 µg/mL, respectivamente) (p=0.50).
CONCLUSÃO- Nosso estudo não demonstrou aumento do potencial de
peroxidação lipídica no fluido peritoneal de mulheres inférteis com
endometriose pélvica comparadas a mulheres férteis.
Unitermos endometriose, peroxidação lipídica,oxisterol, malondialdeído
INTRODUÇÃO
A infert ilidade acomete entre 20 e 50% de mulheres portadoras de
endometriose pélvica (Wheeller & Malinak,1988;Thomas,1993). O fluido
peritoneal é um dos fatores relevantes envolvidos neste mecanismo. Em
mulheres com endometriose pélvica ocorre um processo infla matório crônico
intraperitoneal associado à infertilidade mesmo na vigência de função
ovulatória normal e evidente alteração anatômica em tuba uterina, local, onde
ocorre a fertilização (Halme et ai., 1982; Khamse et al.,2001 ).
Alguns estudos sugerem que mulheres com endometriose pélvica são
predispostas a um aumento do estresse oxidativo devido processo inflamatório.
Com isso estariam predispostas a maior quantidade de radicais livres e
reduzidas concentrações de seu varredor, a enzima superóxido dismutase
(SOO). Esta alteração resulta da interação dos peróxidos lipídicos com as
proteínas (lshikawa et ai., 1993; Shanti et ai., 1999).
Necessitam-se de estudos prospectivos e randomizados para elucidar a
participação dos radicais livres nos distúrbios da fertilidade para se determinar
a verdadeira alteração por eles gerados na função reprodutiva
CASUÍSTICA E MÉTODOS
Foram selecionadas prospectivamente 32 mulheres distribuídas em 2
grupos. Grupo endometriose composto por 17 mulheres com infertilidade e
endometriose pélvica e o Grupo controle representado por 15 mulheres sem
endometriose pélvica submetidas a laqueadura tubária bilateral.
Foram critérios de inclusão do Grupo Endometriose: presença de infertilidade
por fator feminino de pelo menos 2 anos de duração, ausência de qualquer
tratamento clínico prévio a laparoscopia num período de no mínimo 6
meses;ausência de tratamento clínico ou cirúrgico da endometriose; ausência
de uso de antiinflamatório (hormonal e não hormonal) por pelo menos 7 dias
antes da coleta do fluido; diagnóstico de endometriose pélvica comprovada por
laparoscopia e biópsia; presença de fluido peritoneal em cavidade abdominal
durante a laparoscopia; idade superior a 18 anos e inferior a 40 anos.
Grupo controle: ausência de endometriose pélvica ou patologias ginecológicas
no momento da laparoscopia , presença de fluido peritoneal em cavidade
abdominal durante a laparoscopia e ausência de uso de antiinflamatório
(hormonal e não hormonal) por pelo menos 7 dias antes da coleta do fluido. As
amostras de fluido peritoneal foram obtidas durante a laparoscopia realizada
durante a fase folicular do ciclo menstrual. O fluido peritoneal será centrifugado
a 2 500 rpm, (1 900 x g) durante 1 O minutos. Em seguida, o sobren adante era
pipetado e aliquotado em tubos de ensaio secos e estocados a -80° C até o
momento da análise laboratorial.
As mulheres com endometriose pélvica foram estadiadas de acordo com
a Classificação da American Society for Reproductive Medicine (1997) das
quais 7 mulheres eram do estádio 1, 5 do estádio 11, 7 do estádio li e 2 do
estádio IV.
O potencial de peroxidação lipídica (PLPP) foi avaliado a partir da
utilização do cobre na formação de substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico
(TBARS). A peroxidação foi determinada por método enzimático pelo
malondialdeído (MOA), malondialdeído com adição de cobre (MDA/Cu2+
) e pelo
Colest- 3,5- dieno- 7- ona (CSD) expressos em nmol/ml e ug/ml
respectivamente.
A análise estatística foi realizada com o programa Stata. Os testes
utilizados de acordo com as variáveis foram o Mann Whitney e o Wilcoxon. Foi
considerado estatisticamente significativo o p<0.05.
RESULTADOS
Os níveis de MOA no fluido peritoneal das mulheres com endometriose
pélvica variaram de 0.01 a 0.55 nmol/ml, sendo a mediana de 0.07 nmol/ml.
Nas mulheres do Grupo controle os valores do MOA demonstraram uma
variação de 0.007 a 0.27 nmol/ml e uma mediana de 0.04 nmol/ml (p=0.09).
O valor mínimo do MOA com adição de cobre (MONCu 2+) obtido em
mulheres com endometriose pélvica foi de 0.02 nmol/ml e o máximo foi de
0.79 nmol/ml, sendo a mediana de 0.34 nmol/ml. Em mulheres do Grupo
controle os níveis de MOA com adição de cobre (MONCu 2+) foram
semelhantes ao Grupo endometriose (p=0.50), sendo o valor mínimo de 0.006
nmol/ml e o máximo de 0.73 nmol /ml com mediana de 0.21 nmol/ml
(p=0.028). Ao compararmos intragrupo a equivalência do MOA e MDNCu2+ em
ambos os grupos, observamos um aumento dos níveis com adição do cobre
(p<0.01). Os níveis de CSO no Grupo endometriose variaram de 0.07 a 0.60
µg/ml, sendo a mediana encontrada de 0.24 µg/ml. Nas mulheres do Grupo
controle os valores do CSD apresentaram uma variação de 0.09 a 0.50 µg/ml
e uma mediana de 0.25 µg/ml, sem diferença estatística (p=0.50).
Comparando-se os níveis de MOA em mulheres portadoras de
endometriose pélvica com o estadiamento da doença, observou-se que a
mediana foi de 0.07 nmol/ml em mulheres com endometriose estádio 1, 0.09
nmol/ml em casos de endometriose estádio 11, O .04 nmol/ml em casos de
endometriose estádio Ili e 0.31 nmol/ml em endometriose estádio IV, sem
diferença estatística entre os níveis de MOA nos diferentes estádios da
doença. Ao correlacionarmos os níveis de MONCu 2+
e CSD no fluido
peritoneal de mulheres com endometriose pélvica e o estadiamento da doença
observamos que a mediana deste marcador foi de 0.48 nmol/ml e 0.12 µg/ml
respectivamente no estádio I da doença, 0.52 nmol/ml e 0.24 µg/ml no
estádio 11, foi de 0.15 nmol/ml e 0.23 µg/ml no estádio Ili e 0.22 nmol/ml e
0.30 µg/ml respectivamente no estádio IV sem diferença estatística nos
diferentes estádios da endometriose (p=0.27 e p=0.16). Avaliamos
separadamente a presença de lesões típicas ou pigmentadas (negras)
sugestivas de doença crônica e atípicas ou não pigmentadas (vermelha)
sugestivas de doença ativa. Não observamos relação de lesões predominantes
(típicas ou atípicas) com os níveis de CSD, MOA e MDA/Cu2+
(p = ns).
Não encontramos relação dos níveis de MOA com a idade de mulheres
com endometr iose pélvica (p=ns). Em relação ao CSD observamos uma
relação negativa (p=0.02). Em mulheres do Grupo controle, houve uma relação
positiva da idade com níveis de MOA e nenhuma relação com os níveis de
CSD (p=0.02 e p=0.39 respectivamente).
DISCUSSÃO
O fluido peritoneal um papel importante nos processos de fertilidade, por
esta razão diversas pesquisas se destacam neste campo. Um dos campos que
tem sido destaque é o papel do estresse oxidativo e de algumas espécies
reativas ao oxigênio (ROS) (Wang et ai. 1997; Murphy et ai., 1998a; Shanti et
ai., 1999; Ota et ai., 1999; Polak et ai., 2000).
Murphy et ai. (1998b), levantaram a possibilidade do desenvolvimento da
endometriose a partir do estresse oxidativo. Como conseqüência , haveria
danos oxidativos das células vermelhas sanguíneas e das células endometriais
em processo de apoptose. Os restos de tecidos endometriais agiriam como um
recrutamento e ativação de fagócitos mononucleares . Na vigência de
endometriose pélvica, haveria uma resposta inadequada a estes estímulos em
nível de receptores de macrófagos varredores sem comprometer sua resposta
secretora (Murphy et ai., 1998a).
A ativação dos macrófagos na cavidade peritoneal seria responsável
pelo estresse oxidativo determinado pela peroxidação dos lipídeos, seus
produtos de degradação e os produtos formados pela sua interação com o LDL
e outras proteínas (Murphy et al.,1998b). Os lipídeos peroxidados ao se
submeter à decomposição, geram produtos como o malondialdeído. Estes
produtos reagem com os grupos aminas dos resíduos de lisina das proteínas.
Os grupos amina dos lipídeos também são vulneráveis a estas alterações.Com
isso, estes lipídeos passam a ser estranhos e começam a desencadear uma
resposta antigênica formando então anticorpos (Murphy et al.,1998b ;Polak et
al.,2000).
Avaliarmos o potencial de peroxidação lipídica representado pelo MOA e
MDA/Cu2+
com o estadiamento da doença, não encontramos relação com os
mesmos. Shanti et ai (1999) estudaram a presença de autoanticorpos para
MOA e LDL colesterol no soro de 36 mulheres com endometriose pélvica e 16
mulheres normais submetidas à laqueadura tubárea bilateral. Não encontraram
correlação dos autoanticorpos com o estádio, morfologia ou sintomas da
endometriose. Estes dados são semelhantes aos nossos achados embora a
técnica utilizada tenha sido diferente. Com relação ao fluido peritoneal, não
encontraram autoanticorpos para três antígenos presentes no fluido. Os
autoanticorpos dos marcadores de estresse oxidativo estavam aumentados em
mulheres com endometriose pélvica comprovando a participação desta
enfermidade. Ao avaliarmos os níveis de CSD comparados à severidade da
doença, também não encontramos relação. Não há relatos na literatura para
discutirmos estes achados.
A coloração dos implantes reflete os achados hemorrágicos, vasculares,
hemopigmentados e fibrose (Brosens, 1997). As lesões negras e brancas têm
sido representadas como evolução da lesão vermelha, caracterizando assim a
presença de endometriose crônica além da reação inflamatória local, após
sangramento recorrente e conseqüente fibrose. Diversos estudos sugerem
que, com o passar dos anos, ocorre um decréscimo na incidência de lesões
não pigmentadas, principalmente as vermelhas (Redwine, 1987b; Nisolle et ai.,
1993; Brosens et ai., 1994; Abrão e lkeda.,2000).
Em nosso estudo, ao avaliarmos os níveis do MOA no fluido peritoneal,
não observamos diferença entre os Grupos endometriose e controle. Ao
compararmos os valores do MOA e MOAfCu2+ no Grupo endometriose
observamos que os níveis do MOAfCu2+ foram significativamente mais
elevados. Quanto ao Grupo controle, encontramos resultados semelhantes,
mas ao compararmos os níveis individuais em ambos os grupos sem diferença
estatística (Figura 1). Não podemos comparar estes achados com a literatura
pois os trabalhos que avaliaram radicais livres, espécies reativas ao oxigênio
ou peroxidação lipídica utilizaram métodos diferentes. Estudos avaliando níveis
séricos, utilizaram o MOA já oxidado pelo cobre (MOAfCu2+
) pelos TBARS em
mulheres com endometriose pélvica e laqueadura tubárea (Murphy et
ai., 1998b) ou observaram o MOAfCu2+ e vitamina E em mulheres com outras
patologias (Tang et ai, 1997). Baseado neste dados inéditos na literatura,
calcularmos também a porcentagem de incremento com adição de cobre nas
amostras com MDA. Não observamos diferença estatística em qualquer dos
Grupos. O trabalho descrito a respeito de status antioxidante totais e
malondialdeído por método Elisa no fluido peritoneal de mulheres inférteis
utilizou apenas mulheres com endometriose mínima e leve como controle
(Polak et ai, 2000). O objetivo deste trabalho foi avaliar as pacientes com
infertilidade sem causa aparente (ISCA). Encontraram, apesar da casuística
limitada, valores significativamente elevados em pacientes com ISCA e
endometriose comparados ao grupo controle determinado por pacientes com
tumor ovariano não inflamatório. Não encontraram diferença do status
antioxidante total. Concluíram que o desequilíbrio entre a lipoperoxidação e o
sistema antioxidade é um dos fatores determinantes da ESCA.
Em casos de endometriose associada à inferti lidade, fator imunológico e
predisposição genética, ainda há muitas perguntas sem respostas. A presença
de um fator preditivo da doença facilitaria seu seguimento em casos de dor
pélvica importante e infertilidade.
Mesmo com os métodos mais sofisticados de leitura por
espectofotometria spin as limitações ainda existem pois as espécies reativas
ao oxigênio têm uma vida média muito curta. A possível detecção dos mesmos
e posterior terapêutica direcionada aos achados, seriam de grande valia para
as mulheres inférteis com endometriose pélvica.
Não encontramos nos níveis de peroxidação lipídica pelos TBARS um
bom parâmetro de avaliação do fluido peritoneal de mulheres inférteis com
endometriose pélvica. Nosso estudo não descarta a possibilidade de outras
espécies reativas ao oxigênios estarem envolvidas nesta patologia sugerindo ,
portanto, novas investigações nesta área.
0.8 ,,
0.7 ♦
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Endometriose(MDA/Cu
2+>1 Endometriose (MOA} Controle (MOA} Controle (MOA/Cu2♦
•
Figura 1- Comparação entre os níveis de MOA com e sem adição de cobre, no
Grupos endometriose e controle (p<0.01)