Perfil epidemiológico das internações por endometriose na 10ª regional de saúde do estado do Pará

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Abstract

Endometriosis is characterized by the presence of endometrial tissue outside the uterine cavity and is considered a serious public health problem due to its high incidence. In this sense, this study is justified by the need to understand the distribution of endometriosis cases in the 10th health region of the state of Pará, aiming to establish preventive measures and formulate public policies that strengthen comprehensive health care for women. Thus, this research aims to describe the epidemiological profile of endometriosis cases in the municipalities located in this region from January 2018 to December 2023. This is a descriptive, cross-sectional and epidemiological study, with a quantitative approach from a secondary database obtained from the Department of Information Technology of the Unified Health System (DATASUS). For analysis, descriptive statistics were applied to the sociodemographic and clinical variables using the SPSS software with a significance level of p<0.05. A total of 139 cases of hospitalization due to endometriosis were reported, with 44 (31.7%) cases reported in 2022. Brown women accounted for 119 (85.6%) cases and 104 (74.8%) cases aged 30 to 49 years, who are the most affected by the disease. Elective care is more frequent in 99 (71.2%) cases. We conclude that endometriosis presents distinct behaviors between municipalities, which highlights the need for local studies to analyze the social determinants of health that directly impact its development in order to disseminate information about the disease in the region, in addition to supporting actions aimed at improving the quality of life of patients.
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Abstract

Endometriosis is characterized by the presence of endometrial tissue outside the uterine cavity and is considered a serious public health problem due to its high incidence. In this sense, this study is justified by the need to understand the distribution of endometriosis cases in the 10th health region of the state of Pará, aiming to establish preventive measures and formulate public policies that strengthen comprehensive health care for women. Thus, this research aims to describe the epidemiological profile of endometriosis cases in the mu nicipalities located in this region from January 2018 to December 2023. This is a descriptive, cross -sectional and epidemiological study, with a quantitative approach from a secondary database obtained from the Department of Information Technology of the U nified Health System (DATASUS). For analysis, descriptive statistics were applied to the sociodemographic and clinical variables using the SPSS software with a significance level of p<0.05. A total of 139 cases of hospitalization due to endometriosis were reported, with 44 (31.7%) cases reported in 2022. Brown women accounted for 119 (85.6%) cases and 104 (74.8%) cases aged 30 to 49 years, who are the most affected by the disease. Elective care is more frequent in 99 (71.2%) cases. We conclude that endometriosis presents distinct behaviors between municipalities, which highlights the need for local studies to analyze the social determinants of health that directly impact its development in order to disseminate information about the disease in the region, in addition to supporting actions aimed at improving the quality of life of patients.

Keywords

endometriosis, infertility, epidemiological profile, prevention. RESUMEN La endometriosis se caracteriza por la presencia de tejido endometrial fuera de la cavidad uterina y se considera un grave problema de salud pública debido a su alta incidencia. En este sentido, este estudio se justifica por la necesidad de comprender la distribución de los casos de endometriosis en la 10ª región de salud del estado de Pará, con el objetivo de establecer medidas preventivas y formular políticas públicas que fortalezcan la atención integral a la salud de la mujer. Así, esta investigación tiene como objetivo describir el perfil epidemiológico de los casos de endometriosis en los municipios ubicados en esta región desde enero de 2018 hasta diciembre de 2023. Se trata de un estudio descriptivo, transversal y epidemiológico, con un enfoque cuantitativo basado en una base de datos secundarios obtenidos del Departamento de Tecnologías de la Información del Sistema Único de Salud (DATASUS). Para el análisis se aplicó estadística descriptiva a las variables sociodemográficas y clínicas utilizando el software SPSS con un nivel de significancia de p<0,05. Se notificaron 139 casos de i ngreso hospitalario por endometriosis, de los cuales 44 (31,7%) casos en 2022. Las mujeres de piel morena representaron 119 (85,6%) casos y 104 (74,8%) casos en edades comprendidas entre 30 y 49 años, quienes son las más afectadas por la enfermedad. La ate nción electiva es más común en 99 (71,2%) casos. Concluimos que la endometriosis presenta comportamientos diferenciados entre municipios, lo que resalta la necesidad de realizar estudios locales que analicen los determinantes sociales de la salud que incid en directamente en su desarrollo con el fin de difundir información sobre la 4 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 jan. 2021 enfermedad en la región, además de apoyar acciones encaminadas a mejorar la calidad. de vida de los pacientes. Palabras clave: endometriosis, infertilidad, perfil epidemiológico, prevención. 1 INTRODUÇÃO A endometriose é uma condição ginecológica crônica que se caracteriza pela presença de tecido endometrial fora do útero e afeta milhares de mulheres no Brasil e no mundo (Poupon et al., 2019). A dor é a queixa mais frequente e incapacitante entre as pacientes com endometriose. Cerca de 50% das mulheres apresentam dores crônicas associadas à condição, enquanto 20% relatam episódios esporádicos de dores decorrentes da doença e, aproximad amente, 30% não apresentam nenhuma sintomatologia (Leuenberger et al., 2022). Além dos sintomas físicos como dor durante a relação sexual, dor pélvica crônica, cólicas menstruais intensas e em alguns casos, infertilidade, a endometriose impacta significativamente a qualidade de vida (QV), refletindo nos aspectos emocionais, sociais, sexuais e no desempenho profissional das mulheres afetadas (Vassilopoulou et al., 2019). As formas clínicas da endometriose são complexas e variam com base em características macroscópicas, como a localização do tecido, a profundidade da infiltração e os órgãos envolvidos, e encontra -se dividida em três categorias: peritoneal superficial (EPS), ovariana e infiltrativa profunda (Araújo et al., 2022). Embora as causas da doença sejam controversas, acredita-se que ela resulta de uma combinação de fatores ambientais, genéticos e hábitos de vida (Annicchino et al., 2020). Para diagnosticar a endometriose, é essencial não apenas confirmar sua presença, mas também determinar a localização, o tipo e o estágio da doença. Nesse sentido, essas informações são fundamentais para um manejo adequado (Pascoal et al., 2022). A anamnese e o exame físico são etapas cruciais para identificar as queixas (Martire et al., 2020). Com base nisso, pode -se levantar hipóteses diagnósticas de endometriose com o auxílio da ultrassonografia (USG) e ressonância magnética (RM). Esses exames, oferecem precisão no diagnóstico e auxiliam no planejamento cirúrgico (Indrielle-Kelly et al., 2022). Embora a endometrios e seja uma condição incurável, existem diversas abordagens que podem proporcionar uma vida mais confortável e sem dor, além de promover o bem -estar das 5 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 jan. 2021 pacientes (Saunders; Horne, 2021). Normalmente, os tratamentos incluem o uso de medicamentos, como anti-inflamatórios não esteroidais (AINE) e contraceptivos hormonais para controle dos sintomas álgicos, além de procedimento cirúrgico para remoção de lesões (Salinas- Asensio et al., 2022). Nesse caso, o tratamento cirúrgico deve ser considerado para pacientes com quadro grave que não apresentaram melhora dos sintomas (Torres et al., 2021) ou quando é necessária a remoção dos focos da doença (Bhurke et al., 2022). Além dos tratamentos médicos, as pacientes podem adotar terapias complementares, como a reeducação alimentar, já que uma alimentação saudável pode ajudar a controlar os sintomas associados à endometriose (Chalub et al., 2020). As medidas preventivas da endometriose sugeridas atualmente são baseadas no consumo de alimentos nutritivos que proporcionem ef eito anti-inflamatório e antioxidantes e em hábitos de vida saudáveis (Barbosa et al., 2022; Aleksandrova et al., 2021). Importante salientar a necessidade de mais estudos a respeito de alternativas para a prevenção da endometriose, pois, com essas informa ções seria possível a implementação de ações em saúde para alertar as mulheres e assim tentar diminuir a incidência de novos casos da doença (Matheus, 2023; Liu et al., 2023). Nesse ínterim, a caminhada das pacientes com endometriose muitas vezes é marcada por desafios significativos que incluem atrasos no diagnóstico devido à falta de informação e expertise sobre a doença, além da complexidade inerente aos seus sintomas (Silva et al., 2021). Para condução eficiente dessa patologia é essencial não apenas o auxílio de ginecologistas especializados, mas também o apoio de profissionais capacitados em saúde mental, fisioterapeutas e outros especialistas, com objetivo de proporcionar uma abordagem multidisciplinar, cuidado integral e centrado na pessoa (Jaeger et al., 2022). Aproximadamente uma em cada dez mulheres apresentam sintomas de endometriose sem ainda ter sido diagnosticada (Aleksandrova et al., 2021). Em 2021, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou mais de 26,4 mil atendimentos relacionados à endometri ose, enquanto a rede pública de saúde contabilizou cerca de oito mil internações devido a essa condição (Quadros et al., 2024). Ademais, nos países industrializados, a endometriose é uma das principais causas de internações ginecológicas e figura entre as condições mais pesquisadas na área de ginecologia (Bellelis; Giacometti, 2023). 6 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 jan. 2021 Por isso, a endometriose é reconhecida como um grave problema de saúde pública e necessita de estudos que possam reduzir a morbidade associada à patologia, especialmente em regiões que enfrentam desafios em diversas áreas, como infraestrutura, acesso à saúde e educação, além de dificuldades relacionadas à distância dos grandes centros, onde há recursos mais modernos para diagnóstico e tratamento da doença. Diante disso, endometr iose é uma doença de grande relevância no cenário da saúde nacional, pois, além de causar repercussões na saúde física e reprodutiva, impacta significativamente o bem-estar emocional, a vida profissional e a situação socioeconômica das pacientes (Costa et al., 2023). Assim, reconhecer as tendências relacionadas a essa patologia em diferentes períodos da vida ajudará a gerar informações que promovam o conhecimento e a conscientização sobre a doença, contribuindo para a redução das hospitalizações, especialmente nos casos de urgência. Além disso, os resultados desta pesquisa poderão estimular novos estudos para o mapeamento da doença, fornecendo dados relevantes que auxiliem no aprimoramento do diagnóstico e tratamento da patologia, beneficiando a comunidade como um todo. Com isso será possível conhecer o perfil das pacientes acometidas, contribuindo com o aumento do conhecimento, sobre os fatores que podem influenciar o desenvolvimento da doença e os impactos causados por ela. Desse modo, o objetivo deste estu do consiste em analisar o perfil epidemiológico das mulheres internadas por endometriose nos nove municípios que compõem a 10ª regional de saúde do estado do Pará. 2 METODOLOGIA Trata-se de um estudo descritivo, transversal, epidemiológico com abordagem quantitativa, através de dados secundários extraídos do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) na base de dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), por meio da plataforma TABNET compreendendo os registros de ca sos de internações por endometriose entre os anos de 2018 a 2023. Foram inclusos no estudo todos os casos de internação por endometriose nos hospitais vinculados ao Sistema Único do Saúde (SUS) pertencentes aos municípios da 10ª regional de 7 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 jan. 2021 saúde no estado do Pará a saber: Altamira, Anapú, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu (SESPA, 2024). Foram excluídas internações por outras causas. Para a coleta das bases de dados do DATASUS, primeiramente fo i selecionada a opção Morbidade Hospitalar do SUS (SIH/SUS) e internação geral a partir de 2008 selecionando a área de abrangência do estado o Pará. Na interface do TABNET utilizou-se o município como variável dependente (Linha), bem como a endometriose na aba seleção disponíveis (lista de morbidade). Estas variáveis foram cruzadas com as variáveis independentes raça, faixa etária, categoria de internação, custo com hospitalização e tempo médio de internação (coluna). Posteriormente todos os dados foram transferidos em um único arquivo excel de modo a avaliar a duplicidade das informações e transferidos para o software SPSS para análise descritiva dos dados. As variáveis numéricas foram descritas por mediana e amplitude interquartílica devido a assimetria dos dados, e comparadas pelo teste de Kruskal-Wallis entre os municípios da região Sudoeste do estado do Pará. O teste Kruskal -Wallis é um teste não paramétrico indicado para comparar variáveis numéricas que não apresentaram distribuição normal entre três ou mais amostras independentes (Moya et al., 2020). As variáveis categóricas foram descritas por frequências absolutas e relativas, e comparadas pelo teste qui -quadrado de associação em conjunto com a análise dos resíduos ajustados. O teste qui -quadrado de a ssociação é utilizado para avaliar a associação entre duas variáveis categóricas e a análise de resíduos ajustados é um teste complementar que indica em quais caselas houve maior contribuição, sendo utilizado então somente se o teste qui -quadrado for significativo. O nível de significância adotado foi de 5% (p<0,05), com índice de confiança em 95% (IC=95%). Todas essas análises foram realizadas no programa SPSS versão 27.0. Vale ressaltar que por se tratar de um trabalho que utiliza dados públicos, o encaminhamento do estudo ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) é dispensado de acordo com a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. 8 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 jan. 2021 3 RESULTADOS Durante os anos de 2018 a 2023, foram notificadas 139 internações por endometriose nos estabelecimentos de saúde vinculados ao Sistema Único de Saúde na região de interesse, conforme demonstra o (gráfico 1). Os resultados mostram diferença estatística na distribuição do percentual de internação ao longo dos anos (p<0,001), sendo significativamente ma ior nos anos de 2022 e 2023. Gráfico 1 – Distribuição das internações por endometriose na 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a 2023. Fonte: elaborado pela autora A (tabela 1) demonstra que a distribuição das internações por endometriose ao longo dos anos é significativamente diferente entre os municípios, sendo que em Altamira e Anapu há maior concentração das internações entre os anos de 2021 e 2022 (p<0,001). Tabela 1 – Distribuição das internações por endometriose por município da 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a 2023. Município Total 2018 2019 2020 2021 2022 2023 p n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) Altamira 78 (56,1) 06 (7,7) 07 (9,0) 07 (9,0) 02 (2,6) 32 (41,0) 24 (30,8) <0,001 Anapú 20 (14,4) 02 (10,0) 01 (5,0) 0 (0,0) 15 (75,0) 0 (0,0) 02 (10,0) <0,001 Brasil Novo 09 (6,5) 05 (55,6) 0 (0,0) 01 (11,1) 0 (0,0) 02 (22,2) 01 (11,1) 0,189 Medicilândia 01 (0,7) 01 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) * Pacajá 05 (3,6) 02 (40,0) 01 (20,0) 01 (20,0) 01 (20,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0,896 Porto de Moz 06 (4,3) 02 (33,3) 0 (0,0) 01 (16,7) 01 (16,7) 02 (33,3) 0 (0,0) 0,881 Senador José Porfírio 02 (1,4) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 02 (100) 0 (0,0) * Uruará 05 (3,6) 01 (20,0) 01 (20,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 03 (60,0) 0,449 Vitória do Xingu 13 (9,4) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 01 (7,7) 06 (46,2) 06 (46,2) 0,146 * não é possível realizar teste estatístico, pois é uma constante. Fonte: elaborado pela autora 19 (13,7%) 10 (7,2%) 10 (7,2%) 20 (14,4%) 44 (31,7%) 36 (25,9%) 0 10 20 30 40 50 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Número de internações 9 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 jan. 2021 Com relação a variável raça, houve prevalência de mulheres que se autodeclararam pardas hospitalizadas com endometriose com 119 (85,6%) casos em toda a região durante o período estudado, com maior atenção aos municípios de Altamira e Anapu que apresentaram resultados significativos (p <0,001) revelando a recorrência dessa patologia. Todavia, os municípios de Pacajá, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu apresentam resultados preocupantes sobre a falta de informação dessa variável em mulheres internadas por endometriose (p <0,001) conforme revela a (tabela 2). Tabela 2 – Internações por endometriose por município da 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a 2023. Município Total Branca Preta Parda Amarela Sem informação n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) Altamira 78 (100) 02 (2,6) 02 (2,6) 72 (92,3)* 02 (2,6) 0 (0,0) Anapu 20 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 20 (100)* 0 (0,0) 0 (0,0) Brasil Novo 09 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 09 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) Medicilândia 01 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 01 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) Pacajá 05 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 01 (20,0) 0 (0,0) 04 (80,0)* Porto de Moz 06 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 06 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) Senador José Porfírio 02 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 01 (50,0) 0 (0,0) 01 (50,0)* Uruará 05 (100) 01 (20,0) 0 (0,0) 04 (80,0) 0 (0,0) 0 (0,0) Vitória do Xingu 13 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 05 (38,5) 0 (0,0) 08 (61,5)* 10ª Região de saúde do estado do Pará 139 (100) 3 (2,2) 2 (1,4) 119 (85,6) 2 (1,4) 13 (9,4) * associação estatisticamente significativa pelo teste dos resíduos ajustados a 5% de significância Fonte: elaborado pela autora Ao comparar a distribuição dos casos de endometrioses atendidos nos hospitais (tabela 3), houve predomínio na faixa etária entre 30 a 49 anos com 104 (74,8%) principalmente nos municípios de Altamira 59 (75,6%) e Anapú 12 (60,0%). Tabela 3 – Internações por endometriose por município da 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a 2023. Município Total <30 anos 30 a 49 anos 50 a 64 anos 65 anos ou mais n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) Altamira 78 (100) 12 (15,4) 59 (75,6) 06 (7,7) 01 (1,3) Anapu 20 (100) 07 (35,0) 12 (60,0) 01 (5,0) 0 (0,0) Brasil Novo 09 (100) 0 (0,0) 07 (77,8) 02 (22,2) 0 (0,0) Medicilândia 01 (100) 0 (0,0) 01 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) Pacajá 05 (100) 01 (16,7) 04 (66,7) 01 (16,7) 0 (0,0) Porto de Moz 06 (100) 01 (20,0) 04 (80,0) 0 (0,0) 0 (0,0) Senador José Porfírio 02 (100) 0 (0,0) 02 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) Uruará 05 (100) 01 (20,0) 03 (60,0) 01 (20,0) 0 (0,0) Vitória do Xingu 13 (100) 0 (0,0) 12 (92,3) 01 (7,7) 0 (0,0) Região de saúde Xingu 139 (100) 22 (15,8) 104 (74,8) 12 (8,6) 1 (0,7) Fonte: elaborado pela autora 10 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 jan. 2021 Dentre as 139 internações durante o período estudado, 99 (71,2%) casos de endometriose necessitaram de atendimento eletivo, sendo que os municípios de Altamira e Brasil Novo apresentaram recorrência desses atendimentos durante os 6 anos de análise (tabela 4). Por outro lado, 40 (28,8%) internações por endometriose necessitaram de atendimento de urgência, sendo os municípios de Pacajá e Porto de Moz com maiores desfechos. Tabela 4 – Internações por endometriose por município da 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a 2023. Município Total Eletiva Urgência n (%) n (%) n (%) Altamira 78 (100) 61 (78,2)* 17 (21,8) Anapu 20 (100) 14 (70,0) 06 (30,0) Brasil Novo 09 (100) 09 (100)* 0 (0,0) Medicilândia 01 (100) 01 (100) 0 (0,0) Pacajá 05 (100) 01 (20,0) 04 (80,0)* Porto de Moz 06 (100) 02 (33,3) 04 (66,7)* Senador José Porfírio 02 (100) 01 (50,0) 01 (50,0) Uruará 05 (100) 03 (60,0) 02 (40,0) Vitória do Xingu 13 (100) 07 (53,8) 06 (46,2) 10ª Região de saúde do estado do Pará 139 (100) 99 (71,2) 40 (28,8) * associação estatisticamente significativa pelo teste dos resíduos ajustados a 5% de significância Fonte: elaborado pela autora Quanto as despesas com serviços hospitalares, o tempo médio foram 06 dias de permanência de internação, com custo médio de R$ 747,00 por dia de assistência em saúde dos casos notificados. Porém, o município de Altamira prevalece com o tempo médio de 26,5 dias de internação apresentando custeio por dia de R$ 8 35,00 com custeio nos serviços hospitalares para tratamento da endometriose (tabela 5). Tabela 5 – Tempo de internação por município da 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a 2023. Município Tempo de permanência Custo (R$) das internações/dia Mediana (P25 – P75) Mediana (P25 – P75) Altamira 26,5 (18 – 83,3) 835 (652 – 946) Anapu 07 (3,5 – 24,8) 729 (482 – 1.000) Brasil Novo 06 (3 – 16) 753 (208 – 963) Medicilândia 04 (4 – 4) 795 (795 – 795) Pacajá 2,5 (1,3 – 6,8) 426 (176 – 741) Porto de Moz 04 (2,3 – 5) 923 (703 – 1.204) Senador José Porfírio 09 (9 – 9) 717 (717 – 717) Uruará 04 (4 – 16) 794 (705 – 835) Vitória do Xingu 13 (2 – 29) 736 (207 – 736) p 0,100 0,681 10ª Região de saúde do estado do Pará 6 (3 – 19) 747 (672 – 924) Fonte: elaborado pela autora 11 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 jan. 2021 4 DISCUSSÕES A pandemia de Covid -19 alterou de forma significativa a dinâmica hospitalar entre os anos de 2019 e 2020, e trouxe consequências que podem ser observadas nessa pesquisa. Com relação ao ano de processamento, destacaram -se dois momentos distintos: os anos de 2020 e 2022. Em 2020, observou-se uma queda na taxa anual de internações, seguida de um aumento gradual nos anos seguintes, o que confirma o impacto da pandemia de Covid -19 nesse período. Nesse período, os hospitais enf rentaram superlotação e a necessidade de priorizar os casos relacionados à Covid -19. A propagação do vírus gerou grande preocupação quanto à contaminação de pacientes que buscavam atendimento por outras patologias, o que resultou no cancelamento de procedimentos eletivos (Cruz, 2022). A taxa de internação em 2022, que foi superior a todos os anos do período analisado, sugere que mais mulheres podem ter sido diagnosticadas com a doença, o que é capaz de estar relacionado a conscientização e intensificação do debate sobre a endometriose, além da ampliação do acesso das mulheres aos serviços de saúde após o período pandêmico (Cruz, 2022). A análise do quantitativo de casos por municípios não é surpreendente, pois a maioria das ocorrências aconteceram em Altami ra. Esta cidade conta com hospitais públicos de referência, que atendem várias comunidades vizinhas, oferecendo uma ampla gama de especialidades, procedimentos e maior acesso à serviços saúde (ASCON, 2022). Além disso, a conscientização a respeito da patol ogia, pode contribuir consideravelmente para a procura precoce por atendimento. Paralelamente, não estão claros os motivos que fazem com que o município de Anapu seja o segundo com o maior número de hospitalizações, uma vez que não se trata de um município com grande contingente populacional nem uma excelência no tratamento da doença. Os baixos números de internações observados nas demais localidades podem ser atribuídos à grande deficiência de profissionais capacitados para o diagnóstico da endometriose (S cheffer et al., 2018). Além disso, muitas mulheres acabam suportando os sintomas devido ao constrangimento ou a uma compreensão equivocada sobre a dor e os sinais associados à doença, o que dificulta a busca por atendimento médico adequado (Illum et al., 2022). Outrossim, apesar da alta incidência de endometriose no Brasil (da Silva et al., 2021), acredita-se que exista ainda 12 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 jan. 2021 muitos casos subnotificados, em decorrer da inespecificidade dos sintomas e a dificuldade no diagnóstico (Cruz et al., 2022). Atualmente, estima-se que a prevalência global esteja em torno de 10% entre mulheres em idade reprodutiva e pode chegar a 50% entre aquelas que não possuem sintomas (Kim et al., 2020). Nesse caso, se esse problema ocorre em grandes cidades, nas meais afastadas dos grandes centros urbanos a situação pode ser ainda mais preocupante (Farias et al., 2019). Em relação a variável raça/cor a pesquisa demonstrou que a maioria das mulheres internadas por endometriose se autodeclararam como pardas, o que está alinhado com a dinâmica populacional brasileira, que segundo o Censo Demográfico 2022 registrou uma prevalência de indivíduos que se identificam dessa forma (Tenório et al., 2024). Ademais, essa informação reforça o impacto dos fatores socioeconômicos na evolução da pat ologia, pois, as dificuldades enfrentadas por essa população, em particular, levam ao atraso no acesso aos cuidados de saúde, o que retarda o diagnóstico e o tratamento, agravando a doença e resultando em estágios avançados que demandam hospitalização (Silva et al., 2021). Em oposição a isso, grande parte da literatura nos mostra, que as mulheres caucasianas são as mais acometidas pela doença (Guedes et al., 2021). Desse modo, é possível observar que as diferentes prevalências entre as etnias podem indicar que não há fatores de riscos genéticos relevantes associados a características raciais (Fontenelle et al., 2024). Ademais, em relação aos resultados expostos na tabela 3, alguns estudos indicam que existem aproximadamente 176 milhões de mulheres com endome triose no mundo (Pannain et al., 2021), e a faixa etária mais afetada é de 25 a 35 anos (Ferreira et al., 2022). Entretanto, o presente estudo observou que a junção dos intervalos de idade onde há um número maior de casos registrados, traz a faixa etária d e 30 a 49 anos como a mais afetada. Esses resultados corroboram com o estudo de Costa et al. (2023), o qual revelou que, entre as 119.467 hospitalizações registradas, mais de 65% eram de pacientes na mesma faixa de idade encontrada nesta pesquisa. Esse pad rão é observado na maioria dos municípios analisados, o que indica que a ocorrência de endometriose está associada a mulheres em idade reprodutiva. Essa tendência pode ser explicada pelo subdiagnóstico e pelo atraso no diagnóstico, uma vez que as evidência s histológicas podem surgir de 5 a 10 anos após os primeiros sinais de endometriose. Além disso, 13 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 jan. 2021 muitos casos são detectados acidentalmente durante exames de fertilidade que, frequentemente, ocorrem depois dos 25 anos de idade (Le Moal et al., 2022). A importância dessa descoberta está relacionada principalmente ao abranger as mulheres que estão nessa faixa etária que são economicamente ativas, e durante esse período que muitas optam por engravidar. Nesse contexto, os sinais e sintomas da endometriose acaba m por dificultar consideravelmente as relações íntimas, a realização de tarefas diárias, o desempenho no trabalho e a convivência social (Soliman et al., 2020). Além disso, a infertilidade representa um fator adicional de impacto psicológico na vida dessas mulheres. Cerca de 30% a 50% das pacientes com endometriose enfrentam dificuldades para engravidar, devido a mecanismos ainda não totalmente compreendidos, que parecem estar relacionados às distorções e obstruções causadas pelo crescimento anormal do endo métrio (Aragão et al., 2021). Mulheres inférteis são afetadas tanto psicologicamente quanto financeiramente (Girard et al., 2023), pois precisam frequentemente de atendimento médico, procedimentos e cirurgias, o que gera despesas e riscos à saúde (Signorile et al., 2022). A tabela 5 mostrou que as internações de caráter eletivo superam as de urgência na maioria dos municípios da região, exceto nas cidades de Pacajá e Porto de Moz. Os números mais elevados de internações na modalidade de urgência nesses dois municípios podem sugerir a carência de um acompanhamento regular ou preventivo e podem ser explicados pelos obstáculos ao atendimento médico, falta de informação ou normalização da doença, e a deficiência de profissionais capacitados para o diagnóstico e tratamento eficaz da patologia, o que pode levar ao agravamento dos casos e à necessidade de atendimento urgente (Scheffer et al., 2018). Por outro lado, um estudo realizado no Brasil por Almeida et al. (2023) corrobora os resultados desta pesquisa sobre o tipo de atendimento nas internações por endometriose, indicando que a maior parte das hospitalizações foi classificada como eletiva. Esse dado sugere que na maioria dos casos houve planejamento prévio de procedimentos relacionados ao manejo da patologia, o que reflete o caráter programado de muitas intervenções associadas a endometriose, como a condução de situações que não necessitam de tratamentos emergenciais ou a remoção de tecido ectópico endometrial. Os dois tipos de hospitalizações possuem impactos distintos na logística hospitalar. As internações de urgência exigem flexibilidade na gestão de leitos e podem levar à superlotação, 14 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 jan. 2021 enquanto as eletivas permitem um melhor planejamento. O equilíbrio entre os dois tipos é essencial para garantir a qualidade do atendimento e a eficiência dos serviços de saúde. Ademais, a distinção entre internação de urgência e eletiva pode refletir na experiência do paciente, o tempo de espera e nos desfechos clínicos (Chaves et al., 2024). A necessidade de internações pode ser justificada em função do agravamento dos casos de endometriose, especialmente quando os sintomas se tornam incapacitantes, como nas dores pélvicas intensas ou na emergência cirúrgica para tratar endometriose profunda em procedimentos de histerectomia ou laparoscopia e em complicações pós -cirúrgicas (Pacheco et al., 2023). Com relação à permanência hospitalar, um estudo realizado no Brasil em 2024 indicou que o tempo médio de internação foi de 2,4 dias, com a região Norte apresentando a maior média, de 2,9 dias (Cardoso et al., 2024). Paralelamente, esse estudo evidenciou que a região de saúde Xingu apresenta uma média de 6 dias de permanência de hospitalização, um número bastante elevado se comparado as médias nacionais e estaduais relativos à endometriose. O município de Altam ira apresentou os maiores índices através desses números, o que pode ser explicado por dois fatores. O primeiro é a qualidade da assistência médica disponível, onde um dos maiores desafios é o longo tempo de espera para consultas com especialistas, dificultando o acesso a cuidados de saúde completos pelo SUS. Além disso, o crescimento da demanda, a maior prevalência de doenças crônicas, aliado à demora na busca por atendimento, tem dificultado o acesso à atenção especializada, o que pode levar ao agravament o dos casos (Farias et al., 2019). Por outro lado, estudos indicam que há uma relação entre o maior acesso a serviços de saúde de maior complexidade e regiões mais desenvolvidas, com melhores estruturas, o que poderia justificar o tempo médio de internação mais elevado nesse município (Salomé et al., 2020). Existe substancial escassez de informações na literatura sobre a duração da internação hospitalar em pacientes com endometriose, o que torna difícil explorar e relacionar o adoecimento com os motivos que contribuem para períodos mais longos de internação. Desse modo, verifica-se que a média de permanência hospitalar é um critério crucial, pois um tempo maior de internação pode resultar em contaminações no ambiente hospitalar e aumentar os custos financeiros do sistema de saúde. Além disso, a ausência dessas mulheres de seus lares, trabalho e convívio familiar gera prejuízos emocionais e financeiros. Portanto, a análise do impacto da 15 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 jan. 2021 duração da internação em mulheres com endometriose é um aspecto importante a ser considerado na discussão sobre a qualidade e eficiência da assistência médica. O fato de Altamira não apresentar os maiores gastos com internações por endometriose, apesar da alta demanda de atendimento e maior tempo de permanência hospitalar, pode ser atribuído à sua capacidade de descentralizar os serviços e direcionar as pacientes para diferentes níveis de complexidade, como o ambulatorial. Essa abordagem torna os sistemas de saúde mais eficientes e geram despesas reduzidas e melhorias nos indicadores de saúde (Ranzi et al., 2024), além de diminuir as chances de complicações que exigem intervenções hospitalares e cirúrgicas, as quais aumentam consideravelmente as despesas (Signorile et al., 2022). As despesas associadas às internações por endometriose constituem uma parte importante dos custos em diversos sistemas de saúde, devido à necessidade frequente de tratamentos médicos e cirúrgicos, que podem resultar em hospitalizações prolongadas, além de exigir suporte para dores crônicas e possíveis complicações da doença, as quais requerem uma gama de recursos hospitalares, como exames diagnósticos, medicamentos e tratamentos de suporte (Battistuz et al., 2024). Assim, quanto mais tempo a paciente demora para receber o diagnóstico ou procurar atendimento médico, como ocorre em municípios menores, maiores serão as chances de agravamento do quadro e, consequentemente, dos gastos com o tratamento. 5 CONCLUSÃO Este estudo destacou o comportamento distinto dos municípios da 10ª regional de saúde do Pará em relação à endometriose, ressaltando a necessidade de estudos locais para analisar os determinantes sociais de saúde que influenciam diretamente seu desenvolvimento. Nesse sentido, fica evidente a relevância do debate sobre a temática, haja vista os poucos e studos destinados à patologia. Além disso, o trabalho pontou a necessidade de destinar maiores investimentos em saúde, com vistas a gerar maior qualidade de vida para essas pacientes, por meio de diagnóstico precoce, tratamento apropriado e acompanhamento de qualidade e por conseguinte, melhor prognóstico. A análise do perfil epidemiológico das pacientes internadas por endometriose na 10ª regional de saúde do estado do Pará apresentou limitações devido à falta de informações 16 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 jan. 2021 necessárias para o entendimento mais amplo do quadro clínico e das causas que levaram a essas hospitalizações. Portanto, os resultados desse estudo poderão contribuir para a melhoria contínua dos processos hospitalares e para a implementação de políticas de saúde mais eficazes, com o objetivo de desenvolver estratégias que reduzam as internações de urgência, além de contribuir consideravelmente para novos estudos e conscientização a respeito da endometriose. Desse modo, evitar os agravos de saúde com protagonismo na atenção primária, seri a uma alternativa capaz de contribuir na diminuição da sobrecarga do sistema e evitar internações desnecessárias. 17 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 jan. 2021 REFERÊNCIAS ALEKSANDROVA, K. et al. Dietary patterns and biomarkers of oxidative stress and inflammation: A systematic review of observational and intervention studies. Redox Biol, v. 42, p. 101869, 2021. ALMEIDA, G. dos S. et al. Endometriose: incidência hospitalar, desafios e perspectivas para a saúde da mulher. Journal of Medical and Biosciences Research, v. 1, n. 3, p. 1236–1245, 2024. ANNICCHINO, G. et al. Is there an Increased Risk for Unfavorable Obstetric Outcomes in Women with Endometriosis? An Evaluation of Evidences. Existe um risco maior para desfechos obstétricos desfavoráveis em mulheres com endometriose? Uma avaliação das evidências. 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