Keywords
endometriosis, infertility, epidemiological profile, prevention.
RESUMEN
La endometriosis se caracteriza por la presencia de tejido endometrial fuera de la cavidad uterina
y se considera un grave problema de salud pública debido a su alta incidencia. En este sentido,
este estudio se justifica por la necesidad de comprender la distribución de los casos de
endometriosis en la 10ª región de salud del estado de Pará, con el objetivo de establecer medidas
preventivas y formular políticas públicas que fortalezcan la atención integral a la salud de la
mujer. Así, esta investigación tiene como objetivo describir el perfil epidemiológico de los casos
de endometriosis en los municipios ubicados en esta región desde enero de 2018 hasta diciembre
de 2023. Se trata de un estudio descriptivo, transversal y epidemiológico, con un enfoque
cuantitativo basado en una base de datos secundarios obtenidos del Departamento de Tecnologías
de la Información del Sistema Único de Salud (DATASUS). Para el análisis se aplicó estadística
descriptiva a las variables sociodemográficas y clínicas utilizando el software SPSS con un nivel
de significancia de p<0,05. Se notificaron 139 casos de i ngreso hospitalario por endometriosis,
de los cuales 44 (31,7%) casos en 2022. Las mujeres de piel morena representaron 119 (85,6%)
casos y 104 (74,8%) casos en edades comprendidas entre 30 y 49 años, quienes son las más
afectadas por la enfermedad. La ate nción electiva es más común en 99 (71,2%) casos.
Concluimos que la endometriosis presenta comportamientos diferenciados entre municipios, lo
que resalta la necesidad de realizar estudios locales que analicen los determinantes sociales de la
salud que incid en directamente en su desarrollo con el fin de difundir información sobre la
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enfermedad en la región, además de apoyar acciones encaminadas a mejorar la calidad. de vida
de los pacientes.
Palabras clave: endometriosis, infertilidad, perfil epidemiológico, prevención.
1 INTRODUÇÃO
A endometriose é uma condição ginecológica crônica que se caracteriza pela presença de
tecido endometrial fora do útero e afeta milhares de mulheres no Brasil e no mundo (Poupon et
al., 2019). A dor é a queixa mais frequente e incapacitante entre as pacientes com endometriose.
Cerca de 50% das mulheres apresentam dores crônicas associadas à condição, enquanto 20%
relatam episódios esporádicos de dores decorrentes da doença e, aproximad amente, 30% não
apresentam nenhuma sintomatologia (Leuenberger et al., 2022).
Além dos sintomas físicos como dor durante a relação sexual, dor pélvica crônica, cólicas
menstruais intensas e em alguns casos, infertilidade, a endometriose impacta significativamente
a qualidade de vida (QV), refletindo nos aspectos emocionais, sociais, sexuais e no desempenho
profissional das mulheres afetadas (Vassilopoulou et al., 2019).
As formas clínicas da endometriose são complexas e variam com base em características
macroscópicas, como a localização do tecido, a profundidade da infiltração e os órgãos
envolvidos, e encontra -se dividida em três categorias: peritoneal superficial (EPS), ovariana e
infiltrativa profunda (Araújo et al., 2022). Embora as causas da doença sejam controversas,
acredita-se que ela resulta de uma combinação de fatores ambientais, genéticos e hábitos de vida
(Annicchino et al., 2020).
Para diagnosticar a endometriose, é essencial não apenas confirmar sua presença, mas
também determinar a localização, o tipo e o estágio da doença. Nesse sentido, essas informações
são fundamentais para um manejo adequado (Pascoal et al., 2022). A anamnese e o exame físico
são etapas cruciais para identificar as queixas (Martire et al., 2020). Com base nisso, pode -se
levantar hipóteses diagnósticas de endometriose com o auxílio da ultrassonografia (USG) e
ressonância magnética (RM). Esses exames, oferecem precisão no diagnóstico e auxiliam no
planejamento cirúrgico (Indrielle-Kelly et al., 2022).
Embora a endometrios e seja uma condição incurável, existem diversas abordagens que
podem proporcionar uma vida mais confortável e sem dor, além de promover o bem -estar das
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pacientes (Saunders; Horne, 2021). Normalmente, os tratamentos incluem o uso de
medicamentos, como anti-inflamatórios não esteroidais (AINE) e contraceptivos hormonais para
controle dos sintomas álgicos, além de procedimento cirúrgico para remoção de lesões (Salinas-
Asensio et al., 2022).
Nesse caso, o tratamento cirúrgico deve ser considerado para pacientes com quadro grave
que não apresentaram melhora dos sintomas (Torres et al., 2021) ou quando é necessária a
remoção dos focos da doença (Bhurke et al., 2022). Além dos tratamentos médicos, as pacientes
podem adotar terapias complementares, como a reeducação alimentar, já que uma alimentação
saudável pode ajudar a controlar os sintomas associados à endometriose (Chalub et al., 2020).
As medidas preventivas da endometriose sugeridas atualmente são baseadas no consumo
de alimentos nutritivos que proporcionem ef eito anti-inflamatório e antioxidantes e em hábitos
de vida saudáveis (Barbosa et al., 2022; Aleksandrova et al., 2021). Importante salientar a
necessidade de mais estudos a respeito de alternativas para a prevenção da endometriose, pois,
com essas informa ções seria possível a implementação de ações em saúde para alertar as
mulheres e assim tentar diminuir a incidência de novos casos da doença (Matheus, 2023; Liu et
al., 2023).
Nesse ínterim, a caminhada das pacientes com endometriose muitas vezes é marcada por
desafios significativos que incluem atrasos no diagnóstico devido à falta de informação e
expertise sobre a doença, além da complexidade inerente aos seus sintomas (Silva et al., 2021).
Para condução eficiente dessa patologia é essencial não apenas o auxílio de ginecologistas
especializados, mas também o apoio de profissionais capacitados em saúde mental,
fisioterapeutas e outros especialistas, com objetivo de proporcionar uma abordagem
multidisciplinar, cuidado integral e centrado na pessoa (Jaeger et al., 2022).
Aproximadamente uma em cada dez mulheres apresentam sintomas de endometriose sem
ainda ter sido diagnosticada (Aleksandrova et al., 2021). Em 2021, o Sistema Único de Saúde
(SUS) registrou mais de 26,4 mil atendimentos relacionados à endometri ose, enquanto a rede
pública de saúde contabilizou cerca de oito mil internações devido a essa condição (Quadros et
al., 2024). Ademais, nos países industrializados, a endometriose é uma das principais causas de
internações ginecológicas e figura entre as condições mais pesquisadas na área de ginecologia
(Bellelis; Giacometti, 2023).
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Por isso, a endometriose é reconhecida como um grave problema de saúde pública e
necessita de estudos que possam reduzir a morbidade associada à patologia, especialmente em
regiões que enfrentam desafios em diversas áreas, como infraestrutura, acesso à saúde e
educação, além de dificuldades relacionadas à distância dos grandes centros, onde há recursos
mais modernos para diagnóstico e tratamento da doença.
Diante disso, endometr iose é uma doença de grande relevância no cenário da saúde
nacional, pois, além de causar repercussões na saúde física e reprodutiva, impacta
significativamente o bem-estar emocional, a vida profissional e a situação socioeconômica das
pacientes (Costa et al., 2023). Assim, reconhecer as tendências relacionadas a essa patologia em
diferentes períodos da vida ajudará a gerar informações que promovam o conhecimento e a
conscientização sobre a doença, contribuindo para a redução das hospitalizações, especialmente
nos casos de urgência.
Além disso, os resultados desta pesquisa poderão estimular novos estudos para o
mapeamento da doença, fornecendo dados relevantes que auxiliem no aprimoramento do
diagnóstico e tratamento da patologia, beneficiando a comunidade como um todo. Com isso será
possível conhecer o perfil das pacientes acometidas, contribuindo com o aumento do
conhecimento, sobre os fatores que podem influenciar o desenvolvimento da doença e os
impactos causados por ela.
Desse modo, o objetivo deste estu do consiste em analisar o perfil epidemiológico das
mulheres internadas por endometriose nos nove municípios que compõem a 10ª regional de saúde
do estado do Pará.
2 METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo, transversal, epidemiológico com abordagem
quantitativa, através de dados secundários extraídos do Sistema de Informações Hospitalares do
SUS (SIH/SUS) na base de dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde
(DATASUS), por meio da plataforma TABNET compreendendo os registros de ca sos de
internações por endometriose entre os anos de 2018 a 2023.
Foram inclusos no estudo todos os casos de internação por endometriose nos hospitais
vinculados ao Sistema Único do Saúde (SUS) pertencentes aos municípios da 10ª regional de
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saúde no estado do Pará a saber: Altamira, Anapú, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá, Porto de
Moz, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu (SESPA, 2024). Foram excluídas
internações por outras causas.
Para a coleta das bases de dados do DATASUS, primeiramente fo i selecionada a opção
Morbidade Hospitalar do SUS (SIH/SUS) e internação geral a partir de 2008 selecionando a área
de abrangência do estado o Pará. Na interface do TABNET utilizou-se o município como variável
dependente (Linha), bem como a endometriose na aba seleção disponíveis (lista de morbidade).
Estas variáveis foram cruzadas com as variáveis independentes raça, faixa etária, categoria de
internação, custo com hospitalização e tempo médio de internação (coluna).
Posteriormente todos os dados foram transferidos em um único arquivo excel de modo
a avaliar a duplicidade das informações e transferidos para o software SPSS para análise
descritiva dos dados. As variáveis numéricas foram descritas por mediana e amplitude
interquartílica devido a assimetria dos dados, e comparadas pelo teste de Kruskal-Wallis entre os
municípios da região Sudoeste do estado do Pará. O teste Kruskal -Wallis é um teste não
paramétrico indicado para comparar variáveis numéricas que não apresentaram distribuição
normal entre três ou mais amostras independentes (Moya et al., 2020).
As variáveis categóricas foram descritas por frequências absolutas e relativas, e
comparadas pelo teste qui -quadrado de associação em conjunto com a análise dos resíduos
ajustados. O teste qui -quadrado de a ssociação é utilizado para avaliar a associação entre duas
variáveis categóricas e a análise de resíduos ajustados é um teste complementar que indica em
quais caselas houve maior contribuição, sendo utilizado então somente se o teste qui -quadrado
for significativo. O nível de significância adotado foi de 5% (p<0,05), com índice de confiança
em 95% (IC=95%). Todas essas análises foram realizadas no programa SPSS versão 27.0.
Vale ressaltar que por se tratar de um trabalho que utiliza dados públicos, o
encaminhamento do estudo ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) é dispensado de acordo com
a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.
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3 RESULTADOS
Durante os anos de 2018 a 2023, foram notificadas 139 internações por endometriose
nos estabelecimentos de saúde vinculados ao Sistema Único de Saúde na região de interesse,
conforme demonstra o (gráfico 1). Os resultados mostram diferença estatística na distribuição do
percentual de internação ao longo dos anos (p<0,001), sendo significativamente ma ior nos anos
de 2022 e 2023.
Gráfico 1 – Distribuição das internações por endometriose na 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a
2023.
Fonte: elaborado pela autora
A (tabela 1) demonstra que a distribuição das internações por endometriose ao longo
dos anos é significativamente diferente entre os municípios, sendo que em Altamira e Anapu há
maior concentração das internações entre os anos de 2021 e 2022 (p<0,001).
Tabela 1 – Distribuição das internações por endometriose por município da 10ª regional de saúde do estado do
Pará, 2018 a 2023.
Município Total 2018 2019 2020 2021 2022 2023 p
n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) n (%)
Altamira 78 (56,1) 06 (7,7) 07 (9,0) 07 (9,0) 02 (2,6) 32 (41,0) 24 (30,8) <0,001
Anapú 20 (14,4) 02 (10,0) 01 (5,0) 0 (0,0) 15 (75,0) 0 (0,0) 02 (10,0) <0,001
Brasil Novo 09 (6,5) 05 (55,6) 0 (0,0) 01 (11,1) 0 (0,0) 02 (22,2) 01 (11,1) 0,189
Medicilândia 01 (0,7) 01 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) *
Pacajá 05 (3,6) 02 (40,0) 01 (20,0) 01 (20,0) 01 (20,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0,896
Porto de Moz 06 (4,3) 02 (33,3) 0 (0,0) 01 (16,7) 01 (16,7) 02 (33,3) 0 (0,0) 0,881
Senador José Porfírio 02 (1,4) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 02 (100) 0 (0,0) *
Uruará 05 (3,6) 01 (20,0) 01 (20,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 03 (60,0) 0,449
Vitória do Xingu 13 (9,4) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 01 (7,7) 06 (46,2) 06 (46,2) 0,146
* não é possível realizar teste estatístico, pois é uma constante.
Fonte: elaborado pela autora
19 (13,7%)
10 (7,2%) 10 (7,2%)
20 (14,4%)
44 (31,7%)
36 (25,9%)
0
10
20
30
40
50
2018 2019 2020 2021 2022 2023
Número de internações
9
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Com relação a variável raça, houve prevalência de mulheres que se autodeclararam
pardas hospitalizadas com endometriose com 119 (85,6%) casos em toda a região durante o
período estudado, com maior atenção aos municípios de Altamira e Anapu que apresentaram
resultados significativos (p <0,001) revelando a recorrência dessa patologia. Todavia, os
municípios de Pacajá, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu apresentam resultados
preocupantes sobre a falta de informação dessa variável em mulheres internadas por
endometriose (p <0,001) conforme revela a (tabela 2).
Tabela 2 – Internações por endometriose por município da 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a 2023.
Município Total Branca Preta Parda Amarela Sem informação
n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) n (%)
Altamira 78 (100) 02 (2,6) 02 (2,6) 72 (92,3)* 02 (2,6) 0 (0,0)
Anapu 20 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 20 (100)* 0 (0,0) 0 (0,0)
Brasil Novo 09 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 09 (100) 0 (0,0) 0 (0,0)
Medicilândia 01 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 01 (100) 0 (0,0) 0 (0,0)
Pacajá 05 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 01 (20,0) 0 (0,0) 04 (80,0)*
Porto de Moz 06 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 06 (100) 0 (0,0) 0 (0,0)
Senador José Porfírio 02 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 01 (50,0) 0 (0,0) 01 (50,0)*
Uruará 05 (100) 01 (20,0) 0 (0,0) 04 (80,0) 0 (0,0) 0 (0,0)
Vitória do Xingu 13 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 05 (38,5) 0 (0,0) 08 (61,5)*
10ª Região de saúde do
estado do Pará
139 (100) 3 (2,2) 2 (1,4) 119 (85,6) 2 (1,4) 13 (9,4)
* associação estatisticamente significativa pelo teste dos resíduos ajustados a 5% de significância
Fonte: elaborado pela autora
Ao comparar a distribuição dos casos de endometrioses atendidos nos hospitais (tabela 3),
houve predomínio na faixa etária entre 30 a 49 anos com 104 (74,8%) principalmente nos
municípios de Altamira 59 (75,6%) e Anapú 12 (60,0%).
Tabela 3 – Internações por endometriose por município da 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a 2023.
Município Total <30 anos 30 a 49 anos 50 a 64 anos 65 anos ou mais
n (%) n (%) n (%) n (%) n (%)
Altamira 78 (100) 12 (15,4) 59 (75,6) 06 (7,7) 01 (1,3)
Anapu 20 (100) 07 (35,0) 12 (60,0) 01 (5,0) 0 (0,0)
Brasil Novo 09 (100) 0 (0,0) 07 (77,8) 02 (22,2) 0 (0,0)
Medicilândia 01 (100) 0 (0,0) 01 (100) 0 (0,0) 0 (0,0)
Pacajá 05 (100) 01 (16,7) 04 (66,7) 01 (16,7) 0 (0,0)
Porto de Moz 06 (100) 01 (20,0) 04 (80,0) 0 (0,0) 0 (0,0)
Senador José Porfírio 02 (100) 0 (0,0) 02 (100) 0 (0,0) 0 (0,0)
Uruará 05 (100) 01 (20,0) 03 (60,0) 01 (20,0) 0 (0,0)
Vitória do Xingu 13 (100) 0 (0,0) 12 (92,3) 01 (7,7) 0 (0,0)
Região de saúde Xingu 139 (100) 22 (15,8) 104 (74,8) 12 (8,6) 1 (0,7)
Fonte: elaborado pela autora
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Dentre as 139 internações durante o período estudado, 99 (71,2%) casos de
endometriose necessitaram de atendimento eletivo, sendo que os municípios de Altamira e Brasil
Novo apresentaram recorrência desses atendimentos durante os 6 anos de análise (tabela 4). Por
outro lado, 40 (28,8%) internações por endometriose necessitaram de atendimento de urgência,
sendo os municípios de Pacajá e Porto de Moz com maiores desfechos.
Tabela 4 – Internações por endometriose por município da 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a 2023.
Município Total Eletiva Urgência
n (%) n (%) n (%)
Altamira 78 (100) 61 (78,2)* 17 (21,8)
Anapu 20 (100) 14 (70,0) 06 (30,0)
Brasil Novo 09 (100) 09 (100)* 0 (0,0)
Medicilândia 01 (100) 01 (100) 0 (0,0)
Pacajá 05 (100) 01 (20,0) 04 (80,0)*
Porto de Moz 06 (100) 02 (33,3) 04 (66,7)*
Senador José Porfírio 02 (100) 01 (50,0) 01 (50,0)
Uruará 05 (100) 03 (60,0) 02 (40,0)
Vitória do Xingu 13 (100) 07 (53,8) 06 (46,2)
10ª Região de saúde do
estado do Pará
139 (100) 99 (71,2) 40 (28,8)
* associação estatisticamente significativa pelo teste dos resíduos ajustados a 5% de significância
Fonte: elaborado pela autora
Quanto as despesas com serviços hospitalares, o tempo médio foram 06 dias de
permanência de internação, com custo médio de R$ 747,00 por dia de assistência em saúde dos
casos notificados. Porém, o município de Altamira prevalece com o tempo médio de 26,5 dias
de internação apresentando custeio por dia de R$ 8 35,00 com custeio nos serviços hospitalares
para tratamento da endometriose (tabela 5).
Tabela 5 – Tempo de internação por município da 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a 2023.
Município Tempo de permanência
Custo (R$) das
internações/dia
Mediana (P25 – P75) Mediana (P25 – P75)
Altamira 26,5 (18 – 83,3) 835 (652 – 946)
Anapu 07 (3,5 – 24,8) 729 (482 – 1.000)
Brasil Novo 06 (3 – 16) 753 (208 – 963)
Medicilândia 04 (4 – 4) 795 (795 – 795)
Pacajá 2,5 (1,3 – 6,8) 426 (176 – 741)
Porto de Moz 04 (2,3 – 5) 923 (703 – 1.204)
Senador José Porfírio 09 (9 – 9) 717 (717 – 717)
Uruará 04 (4 – 16) 794 (705 – 835)
Vitória do Xingu 13 (2 – 29) 736 (207 – 736)
p 0,100 0,681
10ª Região de saúde do
estado do Pará
6 (3 – 19) 747 (672 – 924)
Fonte: elaborado pela autora
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4 DISCUSSÕES
A pandemia de Covid -19 alterou de forma significativa a dinâmica hospitalar entre os
anos de 2019 e 2020, e trouxe consequências que podem ser observadas nessa pesquisa. Com
relação ao ano de processamento, destacaram -se dois momentos distintos: os anos de 2020 e
2022.
Em 2020, observou-se uma queda na taxa anual de internações, seguida de um aumento
gradual nos anos seguintes, o que confirma o impacto da pandemia de Covid -19 nesse período.
Nesse período, os hospitais enf rentaram superlotação e a necessidade de priorizar os casos
relacionados à Covid -19. A propagação do vírus gerou grande preocupação quanto à
contaminação de pacientes que buscavam atendimento por outras patologias, o que resultou no
cancelamento de procedimentos eletivos (Cruz, 2022).
A taxa de internação em 2022, que foi superior a todos os anos do período analisado,
sugere que mais mulheres podem ter sido diagnosticadas com a doença, o que é capaz de estar
relacionado a conscientização e intensificação do debate sobre a endometriose, além da
ampliação do acesso das mulheres aos serviços de saúde após o período pandêmico (Cruz, 2022).
A análise do quantitativo de casos por municípios não é surpreendente, pois a maioria
das ocorrências aconteceram em Altami ra. Esta cidade conta com hospitais públicos de
referência, que atendem várias comunidades vizinhas, oferecendo uma ampla gama de
especialidades, procedimentos e maior acesso à serviços saúde (ASCON, 2022). Além disso, a
conscientização a respeito da patol ogia, pode contribuir consideravelmente para a procura
precoce por atendimento. Paralelamente, não estão claros os motivos que fazem com que o
município de Anapu seja o segundo com o maior número de hospitalizações, uma vez que não
se trata de um município com grande contingente populacional nem uma excelência no
tratamento da doença.
Os baixos números de internações observados nas demais localidades podem ser atribuídos à
grande deficiência de profissionais capacitados para o diagnóstico da endometriose (S cheffer et
al., 2018). Além disso, muitas mulheres acabam suportando os sintomas devido ao
constrangimento ou a uma compreensão equivocada sobre a dor e os sinais associados à doença,
o que dificulta a busca por atendimento médico adequado (Illum et al., 2022). Outrossim, apesar
da alta incidência de endometriose no Brasil (da Silva et al., 2021), acredita-se que exista ainda
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muitos casos subnotificados, em decorrer da inespecificidade dos sintomas e a dificuldade no
diagnóstico (Cruz et al., 2022). Atualmente, estima-se que a prevalência global esteja em torno
de 10% entre mulheres em idade reprodutiva e pode chegar a 50% entre aquelas que não possuem
sintomas (Kim et al., 2020). Nesse caso, se esse problema ocorre em grandes cidades, nas meais
afastadas dos grandes centros urbanos a situação pode ser ainda mais preocupante (Farias et al.,
2019).
Em relação a variável raça/cor a pesquisa demonstrou que a maioria das mulheres
internadas por endometriose se autodeclararam como pardas, o que está alinhado com a dinâmica
populacional brasileira, que segundo o Censo Demográfico 2022 registrou uma prevalência de
indivíduos que se identificam dessa forma (Tenório et al., 2024). Ademais, essa informação
reforça o impacto dos fatores socioeconômicos na evolução da pat ologia, pois, as dificuldades
enfrentadas por essa população, em particular, levam ao atraso no acesso aos cuidados de saúde,
o que retarda o diagnóstico e o tratamento, agravando a doença e resultando em estágios
avançados que demandam hospitalização (Silva et al., 2021).
Em oposição a isso, grande parte da literatura nos mostra, que as mulheres caucasianas
são as mais acometidas pela doença (Guedes et al., 2021). Desse modo, é possível observar que
as diferentes prevalências entre as etnias podem indicar que não há fatores de riscos genéticos
relevantes associados a características raciais (Fontenelle et al., 2024).
Ademais, em relação aos resultados expostos na tabela 3, alguns estudos indicam que
existem aproximadamente 176 milhões de mulheres com endome triose no mundo (Pannain et
al., 2021), e a faixa etária mais afetada é de 25 a 35 anos (Ferreira et al., 2022). Entretanto, o
presente estudo observou que a junção dos intervalos de idade onde há um número maior de
casos registrados, traz a faixa etária d e 30 a 49 anos como a mais afetada. Esses resultados
corroboram com o estudo de Costa et al. (2023), o qual revelou que, entre as 119.467
hospitalizações registradas, mais de 65% eram de pacientes na mesma faixa de idade encontrada
nesta pesquisa.
Esse pad rão é observado na maioria dos municípios analisados, o que indica que a
ocorrência de endometriose está associada a mulheres em idade reprodutiva. Essa tendência pode
ser explicada pelo subdiagnóstico e pelo atraso no diagnóstico, uma vez que as evidência s
histológicas podem surgir de 5 a 10 anos após os primeiros sinais de endometriose. Além disso,
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muitos casos são detectados acidentalmente durante exames de fertilidade que, frequentemente,
ocorrem depois dos 25 anos de idade (Le Moal et al., 2022).
A importância dessa descoberta está relacionada principalmente ao abranger as mulheres
que estão nessa faixa etária que são economicamente ativas, e durante esse período que muitas
optam por engravidar. Nesse contexto, os sinais e sintomas da endometriose acaba m por
dificultar consideravelmente as relações íntimas, a realização de tarefas diárias, o desempenho
no trabalho e a convivência social (Soliman et al., 2020).
Além disso, a infertilidade representa um fator adicional de impacto psicológico na vida
dessas mulheres. Cerca de 30% a 50% das pacientes com endometriose enfrentam dificuldades
para engravidar, devido a mecanismos ainda não totalmente compreendidos, que parecem estar
relacionados às distorções e obstruções causadas pelo crescimento anormal do endo métrio
(Aragão et al., 2021). Mulheres inférteis são afetadas tanto psicologicamente quanto
financeiramente (Girard et al., 2023), pois precisam frequentemente de atendimento médico,
procedimentos e cirurgias, o que gera despesas e riscos à saúde (Signorile et al., 2022).
A tabela 5 mostrou que as internações de caráter eletivo superam as de urgência na
maioria dos municípios da região, exceto nas cidades de Pacajá e Porto de Moz. Os números
mais elevados de internações na modalidade de urgência nesses dois municípios podem sugerir
a carência de um acompanhamento regular ou preventivo e podem ser explicados pelos
obstáculos ao atendimento médico, falta de informação ou normalização da doença, e a
deficiência de profissionais capacitados para o diagnóstico e tratamento eficaz da patologia, o
que pode levar ao agravamento dos casos e à necessidade de atendimento urgente (Scheffer et
al., 2018).
Por outro lado, um estudo realizado no Brasil por Almeida et al. (2023) corrobora os
resultados desta pesquisa sobre o tipo de atendimento nas internações por endometriose,
indicando que a maior parte das hospitalizações foi classificada como eletiva. Esse dado sugere
que na maioria dos casos houve planejamento prévio de procedimentos relacionados ao manejo
da patologia, o que reflete o caráter programado de muitas intervenções associadas a
endometriose, como a condução de situações que não necessitam de tratamentos emergenciais
ou a remoção de tecido ectópico endometrial.
Os dois tipos de hospitalizações possuem impactos distintos na logística hospitalar. As
internações de urgência exigem flexibilidade na gestão de leitos e podem levar à superlotação,
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enquanto as eletivas permitem um melhor planejamento. O equilíbrio entre os dois tipos é
essencial para garantir a qualidade do atendimento e a eficiência dos serviços de saúde. Ademais,
a distinção entre internação de urgência e eletiva pode refletir na experiência do paciente, o tempo
de espera e nos desfechos clínicos (Chaves et al., 2024).
A necessidade de internações pode ser justificada em função do agravamento dos casos
de endometriose, especialmente quando os sintomas se tornam incapacitantes, como nas dores
pélvicas intensas ou na emergência cirúrgica para tratar endometriose profunda em
procedimentos de histerectomia ou laparoscopia e em complicações pós -cirúrgicas (Pacheco et
al., 2023).
Com relação à permanência hospitalar, um estudo realizado no Brasil em 2024 indicou
que o tempo médio de internação foi de 2,4 dias, com a região Norte apresentando a maior média,
de 2,9 dias (Cardoso et al., 2024). Paralelamente, esse estudo evidenciou que a região de saúde
Xingu apresenta uma média de 6 dias de permanência de hospitalização, um número bastante
elevado se comparado as médias nacionais e estaduais relativos à endometriose.
O município de Altam ira apresentou os maiores índices através desses números, o que
pode ser explicado por dois fatores. O primeiro é a qualidade da assistência médica disponível,
onde um dos maiores desafios é o longo tempo de espera para consultas com especialistas,
dificultando o acesso a cuidados de saúde completos pelo SUS. Além disso, o crescimento da
demanda, a maior prevalência de doenças crônicas, aliado à demora na busca por atendimento,
tem dificultado o acesso à atenção especializada, o que pode levar ao agravament o dos casos
(Farias et al., 2019). Por outro lado, estudos indicam que há uma relação entre o maior acesso a
serviços de saúde de maior complexidade e regiões mais desenvolvidas, com melhores estruturas,
o que poderia justificar o tempo médio de internação mais elevado nesse município (Salomé et
al., 2020).
Existe substancial escassez de informações na literatura sobre a duração da internação
hospitalar em pacientes com endometriose, o que torna difícil explorar e relacionar o
adoecimento com os motivos que contribuem para períodos mais longos de internação. Desse
modo, verifica-se que a média de permanência hospitalar é um critério crucial, pois um tempo
maior de internação pode resultar em contaminações no ambiente hospitalar e aumentar os custos
financeiros do sistema de saúde. Além disso, a ausência dessas mulheres de seus lares, trabalho
e convívio familiar gera prejuízos emocionais e financeiros. Portanto, a análise do impacto da
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duração da internação em mulheres com endometriose é um aspecto importante a ser considerado
na discussão sobre a qualidade e eficiência da assistência médica.
O fato de Altamira não apresentar os maiores gastos com internações por endometriose,
apesar da alta demanda de atendimento e maior tempo de permanência hospitalar, pode ser
atribuído à sua capacidade de descentralizar os serviços e direcionar as pacientes para diferentes
níveis de complexidade, como o ambulatorial. Essa abordagem torna os sistemas de saúde mais
eficientes e geram despesas reduzidas e melhorias nos indicadores de saúde (Ranzi et al., 2024),
além de diminuir as chances de complicações que exigem intervenções hospitalares e cirúrgicas,
as quais aumentam consideravelmente as despesas (Signorile et al., 2022).
As despesas associadas às internações por endometriose constituem uma parte importante
dos custos em diversos sistemas de saúde, devido à necessidade frequente de tratamentos
médicos e cirúrgicos, que podem resultar em hospitalizações prolongadas, além de exigir suporte
para dores crônicas e possíveis complicações da doença, as quais requerem uma gama de recursos
hospitalares, como exames diagnósticos, medicamentos e tratamentos de suporte (Battistuz et al.,
2024). Assim, quanto mais tempo a paciente demora para receber o diagnóstico ou procurar
atendimento médico, como ocorre em municípios menores, maiores serão as chances de
agravamento do quadro e, consequentemente, dos gastos com o tratamento.
5 CONCLUSÃO
Este estudo destacou o comportamento distinto dos municípios da 10ª regional de saúde
do Pará em relação à endometriose, ressaltando a necessidade de estudos locais para analisar os
determinantes sociais de saúde que influenciam diretamente seu desenvolvimento. Nesse sentido,
fica evidente a relevância do debate sobre a temática, haja vista os poucos e studos destinados à
patologia.
Além disso, o trabalho pontou a necessidade de destinar maiores investimentos em
saúde, com vistas a gerar maior qualidade de vida para essas pacientes, por meio de diagnóstico
precoce, tratamento apropriado e acompanhamento de qualidade e por conseguinte, melhor
prognóstico.
A análise do perfil epidemiológico das pacientes internadas por endometriose na 10ª
regional de saúde do estado do Pará apresentou limitações devido à falta de informações
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necessárias para o entendimento mais amplo do quadro clínico e das causas que levaram a essas
hospitalizações.
Portanto, os resultados desse estudo poderão contribuir para a melhoria contínua dos
processos hospitalares e para a implementação de políticas de saúde mais eficazes, com o
objetivo de desenvolver estratégias que reduzam as internações de urgência, além de contribuir
consideravelmente para novos estudos e conscientização a respeito da endometriose. Desse
modo, evitar os agravos de saúde com protagonismo na atenção primária, seri a uma alternativa
capaz de contribuir na diminuição da sobrecarga do sistema e evitar internações desnecessárias.
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