{"paper_id":"d0718802-7fca-4dc5-8fbe-3620f90a1158","body_text":"1 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \nPerfil epidemiológico das internações por endometriose na 10ª regional de \nsaúde do estado do Pará \n \nEpidemiological profile of hospitalizations due to endometriosis in the 10th \nhealth region of the state of Pará \n \nPerfil epidemiológico de los internações por endometriosis na 10ª regional de \nsalud del estado de Pará \n \nDOI: 10.55905/revconv.18n.2-138 \n \nOriginals received: 01/10/2025 \nAcceptance for publication: 02/03/2025 \n \nAdriana de Souza Ribeiro \nGraduanda em Medicina \nInstituição: Universidade Federal do Pará (UFPA) \nEndereço: Altamira – Pará, Brasil \nE-mail: adriana.ribeiro@altamira.ufpa.br \nOrcid: https://orcid.org/0000-0001-7342-3432 \n \nGiannluca Giannini \nGraduando em Medicina \nInstituição: Universidade Federal do Pará (UFPA) \nEndereço: Altamira – Pará, Brasil \nE-mail: giannluca.giannini@altamira.ufpa.br \nOrcid: https://orcid.org/0000-0002-7936-8048 \n \nGrace Ellen Pereira Costa \nGraduanda em Medicina \nInstituição: Universidade Federal do Pará (UFPA) \nEndereço: Altamira – Pará, Brasil \nE-mail: grace.costa@altamira.ufpa.br \nOrcid: https://orcid.org/0000-0001-5101-4152 \n \nCibelly Castro Alves Ribeiro \nGraduanda em Medicina \nInstituição: Universidade Federal do Pará (UFPA) \nEndereço: Altamira – Pará, Brasil \nE-mail: cibelly1105@gmail.com \nOrcid: https://orcid.org/0000-0002-0537-5982 \n  \n\n  \n2 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \nLeandro Henrique Ferreira Cardoso \nGraduando em Medicina \nInstituição: Universidade Federal do Pará (UFPA) \nEndereço: Altamira – Pará, Brasil \nE-mail: leandro.cardoso@altamira.ufpa.br \nOrcid: https://orcid.org/0000-0002-5371-5478 \n \nAnderson Costa de Alencar \nGraduando em Medicina \nInstituição: Universidade Federal do Pará (UFPA) \nEndereço: Altamira – Pará, Brasil \nE-mail: anderssn33@gmail.com \nOrcid: https://orcid.org/0000-0002-1897-4423 \n \nKaio Vinícius Paiva Albarado \nMestre em Sociedade, Ambiente e Qualidade de Vida \nInstituição: Universidade Federal do Pará (UFPA) \nEndereço: Altamira – Pará, Brasil \nE-mail: kaioalbarado@ufpa.br \nOrcid: https://orcid.org/0000-0002-0687-7124 \n \nTayane Moura Martins \nMestra em Promoção da Saúde, Desenvolvimento Humano e Sociedade \nInstituição: Universidade Federal do Pará (UFPA) \nEndereço: Altamira – Pará, Brasil \nE-mail: tayanemartins@ufpa.br \nOrcid: https://orcid.org/0000-0003-3236-8574 \n \nRESUMO \nA endometriose é caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina \nconsiderada um grave problema de saúde pública devido sua elevada incidência. Nesse sentido, \neste estudo, justifica -se pela necessidade de compreender a distribuiçã o dos casos de \nendometriose na 10ª regional de saúde do estado do Pará, visando estabelecer medidas \npreventivas e formular políticas públicas que fortaleçam a atenção integral à saúde das mulheres. \nAssim, esta pesquisa pretende descrever o perfil epidemiológico dos casos de endometriose nos \nmunicípios situados nessa região no período de janeiro de 2018 a dezembro de 2023. Trata-se de \num estudo descritivo, transversal e epidemiológico, com abordagem quantitativa a partir de um \nbanco de dados secundários obtidos no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde \n(DATASUS). Para análise, aplicou -se a estatística descritiva nas variáveis sociodemográfica e \nclínica através do software SPSS com nível de significância p<0,05. Foram notificados 139 casos \nde internação hospitalar por endometriose, sendo o ano de 2022 apresentando 44 (31,7%) casos. \nMulheres pardas totalizaram 119 (85,6%) casos e 104 (74,8%) casos com idade entre 30 a 49 \nanos, são as mais acometidas pela doença. O atendimento eletivo é mais recorr ente em 99 \n(71,2%) casos. Concluímos que a endometriose apresenta comportamentos distintos entre os \nmunicípios, o que destaca a necessidade de estudos locais para analisar os determinantes sociais \nda saúde que impactam diretamente no seu desenvolvimento af im de disseminar informações \n\n  \n3 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \nsobre a doença na região, além de apoiar ações voltadas à melhoria da qualidade de vida das \npacientes. \n \nPalavras-chave: endometriose, infertilidade, perfil epidemiológico, prevenção. \n \nABSTRACT \nEndometriosis is characterized by the presence of endometrial tissue outside the uterine cavity \nand is considered a serious public health problem due to its high incidence. In this sense, this \nstudy is justified by the need to understand the distribution of endometriosis cases in the 10th \nhealth region of the state of Pará, aiming to establish preventive measures and formulate public \npolicies that strengthen comprehensive health care for women. Thus, this research aims to \ndescribe the epidemiological profile of endometriosis cases in the mu nicipalities located in this \nregion from January 2018 to December 2023. This is a descriptive, cross -sectional and \nepidemiological study, with a quantitative approach from a secondary database obtained from \nthe Department of Information Technology of the U nified Health System (DATASUS). For \nanalysis, descriptive statistics were applied to the sociodemographic and clinical variables using \nthe SPSS software with a significance level of p<0.05. A total of 139 cases of hospitalization due \nto endometriosis were reported, with 44 (31.7%) cases reported in 2022. Brown women \naccounted for 119 (85.6%) cases and 104 (74.8%) cases aged 30 to 49 years, who are the most \naffected by the disease. Elective care is more frequent in 99 (71.2%) cases. We conclude that \nendometriosis presents distinct behaviors between municipalities, which highlights the need for \nlocal studies to analyze the social determinants of health that directly impact its development in \norder to disseminate information about the disease in the region, in addition to supporting actions \naimed at improving the quality of life of patients. \n \nKeywords: endometriosis, infertility, epidemiological profile, prevention. \n \nRESUMEN \nLa endometriosis se caracteriza por la presencia de tejido endometrial fuera de la cavidad uterina \ny se considera un grave problema de salud pública debido a su alta incidencia. En este sentido, \neste estudio se justifica por la necesidad de comprender la distribución de los casos de \nendometriosis en la 10ª región de salud del estado de Pará, con el objetivo de establecer medidas \npreventivas y formular políticas públicas que fortalezcan la atención integral a la salud de la \nmujer. Así, esta investigación tiene como objetivo describir el perfil epidemiológico de los casos \nde endometriosis en los municipios ubicados en esta región desde enero de 2018 hasta diciembre \nde 2023. Se trata de un estudio descriptivo, transversal y epidemiológico, con un enfoque \ncuantitativo basado en una base de datos secundarios obtenidos del Departamento de Tecnologías \nde la Información del Sistema Único de Salud (DATASUS). Para el análisis se aplicó estadística \ndescriptiva a las variables sociodemográficas y clínicas utilizando el software SPSS con un nivel \nde significancia de p<0,05. Se notificaron 139 casos de i ngreso hospitalario por endometriosis, \nde los cuales 44 (31,7%) casos en 2022. Las mujeres de piel morena representaron 119 (85,6%) \ncasos y 104 (74,8%) casos en edades comprendidas entre 30 y 49 años, quienes son las más \nafectadas por la enfermedad. La ate nción electiva es más común en 99 (71,2%) casos. \nConcluimos que la endometriosis presenta comportamientos diferenciados entre municipios, lo \nque resalta la necesidad de realizar estudios locales que analicen los determinantes sociales de la \nsalud que incid en directamente en su desarrollo con el fin de difundir información sobre la \n\n  \n4 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \nenfermedad en la región, además de apoyar acciones encaminadas a mejorar la calidad. de vida \nde los pacientes. \n \nPalabras clave: endometriosis, infertilidad, perfil epidemiológico, prevención. \n \n \n1 INTRODUÇÃO \n \nA endometriose é uma condição ginecológica crônica que se caracteriza pela presença de \ntecido endometrial fora do útero e afeta milhares de mulheres no Brasil e no mundo (Poupon et \nal., 2019). A dor é a queixa mais frequente e incapacitante entre as pacientes com endometriose. \nCerca de 50% das mulheres apresentam dores crônicas associadas à condição, enquanto 20% \nrelatam episódios esporádicos de dores decorrentes da doença e, aproximad amente, 30% não \napresentam nenhuma sintomatologia (Leuenberger et al., 2022). \nAlém dos sintomas físicos como dor durante a relação sexual, dor pélvica crônica, cólicas \nmenstruais intensas e em alguns casos, infertilidade, a endometriose impacta significativamente \na qualidade de vida (QV), refletindo nos aspectos emocionais, sociais, sexuais e no desempenho \nprofissional das mulheres afetadas (Vassilopoulou et al., 2019). \nAs formas clínicas da endometriose são complexas e variam com base em características \nmacroscópicas, como a localização do tecido, a profundidade da infiltração e os órgãos \nenvolvidos, e encontra -se dividida em três categorias: peritoneal superficial (EPS), ovariana e \ninfiltrativa profunda (Araújo et al., 2022). Embora as causas da doença sejam controversas, \nacredita-se que ela resulta de uma combinação de fatores ambientais, genéticos e hábitos de vida \n(Annicchino et al., 2020). \nPara diagnosticar a endometriose, é essencial não apenas confirmar sua presença, mas \ntambém determinar a localização, o tipo e o estágio da doença. Nesse sentido, essas informações \nsão fundamentais para um manejo adequado (Pascoal et al., 2022). A anamnese e o exame físico \nsão etapas cruciais para identificar as queixas (Martire et al., 2020). Com base nisso, pode -se \nlevantar hipóteses diagnósticas de endometriose com o auxílio da ultrassonografia (USG) e \nressonância magnética (RM). Esses exames, oferecem precisão no diagnóstico e auxiliam no \nplanejamento cirúrgico (Indrielle-Kelly et al., 2022). \nEmbora a endometrios e seja uma condição incurável, existem diversas abordagens que \npodem proporcionar uma vida mais confortável e sem dor, além de promover o bem -estar das \n\n  \n5 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \npacientes (Saunders; Horne, 2021). Normalmente, os tratamentos incluem o uso de \nmedicamentos, como anti-inflamatórios não esteroidais (AINE) e contraceptivos hormonais para \ncontrole dos sintomas álgicos, além de procedimento cirúrgico para remoção de lesões (Salinas-\nAsensio et al., 2022). \nNesse caso, o tratamento cirúrgico deve ser considerado para pacientes com quadro grave \nque não apresentaram melhora dos sintomas (Torres et al.,  2021) ou quando é necessária a \nremoção dos focos da doença (Bhurke et al., 2022). Além dos tratamentos médicos, as pacientes \npodem adotar terapias complementares, como a reeducação  alimentar, já que uma alimentação \nsaudável pode ajudar a controlar os sintomas associados à endometriose (Chalub et al., 2020). \nAs medidas preventivas da endometriose sugeridas atualmente são baseadas no consumo \nde alimentos nutritivos que proporcionem ef eito anti-inflamatório e antioxidantes e em hábitos \nde vida saudáveis (Barbosa et al.,  2022; Aleksandrova et al.,  2021). Importante salientar a \nnecessidade de mais estudos a respeito de alternativas para a prevenção da endometriose, pois, \ncom essas informa ções seria possível a implementação de ações em saúde para alertar as \nmulheres e assim tentar diminuir a incidência de novos casos da doença (Matheus, 2023; Liu et \nal., 2023). \nNesse ínterim, a caminhada das pacientes com endometriose muitas vezes é marcada por \ndesafios significativos que incluem atrasos no diagnóstico devido à falta de informação e \nexpertise sobre a doença, além da complexidade inerente aos seus sintomas (Silva et al., 2021). \nPara condução eficiente dessa patologia é essencial não apenas o auxílio de ginecologistas \nespecializados, mas também o apoio de profissionais capacitados em saúde mental, \nfisioterapeutas e outros especialistas, com objetivo de proporcionar uma abordagem \nmultidisciplinar, cuidado integral e centrado na pessoa (Jaeger et al., 2022). \nAproximadamente uma em cada dez mulheres apresentam sintomas de endometriose sem \nainda ter sido diagnosticada (Aleksandrova et al., 2021). Em 2021, o Sistema Único de Saúde \n(SUS) registrou mais de 26,4 mil atendimentos relacionados à endometri ose, enquanto a rede \npública de saúde contabilizou cerca de oito mil internações devido a essa condição (Quadros et \nal., 2024). Ademais, nos países industrializados, a endometriose é uma das principais causas de \ninternações ginecológicas e figura entre as condições mais pesquisadas na área de ginecologia \n(Bellelis; Giacometti, 2023). \n\n  \n6 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \nPor isso, a endometriose é reconhecida como um grave problema de saúde pública e \nnecessita de estudos que possam reduzir a morbidade associada à patologia, especialmente em \nregiões que enfrentam desafios em diversas áreas, como infraestrutura, acesso à saúde e \neducação, além de dificuldades relacionadas à distância dos grandes centros, onde há recursos \nmais modernos para diagnóstico e tratamento da doença. \nDiante disso, endometr iose é uma doença de grande relevância no cenário da saúde \nnacional, pois, além de causar repercussões na saúde física e reprodutiva, impacta \nsignificativamente o bem-estar emocional, a vida profissional e a situação socioeconômica das \npacientes (Costa et al., 2023). Assim, reconhecer as tendências relacionadas a essa patologia em \ndiferentes períodos da vida ajudará a gerar informações que promovam o conhecimento e a \nconscientização sobre a doença, contribuindo para a redução das hospitalizações, especialmente \nnos casos de urgência. \nAlém disso, os resultados desta pesquisa poderão estimular novos estudos para o \nmapeamento da doença, fornecendo dados relevantes que auxiliem no aprimoramento do \ndiagnóstico e tratamento da patologia, beneficiando a comunidade como um todo. Com isso será \npossível conhecer o perfil das pacientes acometidas, contribuindo com o aumento do \nconhecimento, sobre os fatores que podem influenciar o desenvolvimento da doença e os \nimpactos causados por ela. \nDesse modo, o objetivo deste estu do consiste em analisar o perfil epidemiológico das \nmulheres internadas por endometriose nos nove municípios que compõem a 10ª regional de saúde \ndo estado do Pará. \n \n2 METODOLOGIA \n \nTrata-se de um estudo descritivo, transversal, epidemiológico com abordagem \nquantitativa, através de dados secundários extraídos do Sistema de Informações Hospitalares do \nSUS (SIH/SUS) na base de dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde \n(DATASUS), por meio da plataforma TABNET compreendendo os registros de ca sos de \ninternações por endometriose entre os anos de 2018 a 2023. \nForam inclusos no estudo todos os casos de internação por endometriose nos hospitais \nvinculados ao Sistema Único do Saúde (SUS) pertencentes aos municípios da 10ª regional de \n\n  \n7 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \nsaúde no estado do Pará a saber: Altamira, Anapú, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá, Porto de \nMoz, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu (SESPA, 2024). Foram excluídas \ninternações por outras causas. \nPara a coleta das bases de dados do DATASUS, primeiramente fo i selecionada a opção \nMorbidade Hospitalar do SUS (SIH/SUS) e internação geral a partir de 2008 selecionando a área \nde abrangência do estado o Pará. Na interface do TABNET utilizou-se o município como variável \ndependente (Linha), bem como a endometriose na aba seleção disponíveis (lista de morbidade). \nEstas variáveis foram cruzadas com as variáveis independentes raça, faixa etária, categoria de \ninternação, custo com hospitalização e tempo médio de internação (coluna). \nPosteriormente todos os dados foram transferidos em um único arquivo excel de modo \na avaliar a duplicidade das informações e transferidos para o software SPSS para análise \ndescritiva dos dados. As variáveis numéricas foram descritas por mediana e amplitude \ninterquartílica devido a assimetria dos dados, e comparadas pelo teste de Kruskal-Wallis entre os \nmunicípios da região Sudoeste do estado do Pará. O teste Kruskal -Wallis é um teste não \nparamétrico indicado para comparar variáveis numéricas que não apresentaram distribuição \nnormal entre três ou mais amostras independentes (Moya et al., 2020). \nAs variáveis categóricas foram descritas por frequências absolutas e relativas, e \ncomparadas pelo teste qui -quadrado de associação em conjunto com a análise dos resíduos \najustados. O teste qui -quadrado de a ssociação é utilizado para avaliar a associação entre duas \nvariáveis categóricas e a análise de resíduos ajustados é um teste complementar que indica em \nquais caselas houve maior contribuição, sendo utilizado então somente se o teste qui -quadrado \nfor significativo.  O nível de significância adotado foi de 5% (p<0,05), com índice de confiança \nem 95% (IC=95%). Todas essas análises foram realizadas no programa SPSS versão 27.0. \nVale ressaltar que por se tratar de um trabalho que utiliza dados públicos, o \nencaminhamento do estudo ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) é dispensado de acordo com \na Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. \n  \n\n  \n8 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \n3 RESULTADOS \n \nDurante os anos de 2018 a 2023, foram notificadas 139 internações por endometriose \nnos estabelecimentos de saúde vinculados ao Sistema Único de Saúde na região de interesse, \nconforme demonstra o (gráfico 1). Os resultados mostram diferença estatística na distribuição do \npercentual de internação ao longo dos anos (p<0,001), sendo significativamente ma ior nos anos \nde 2022 e 2023. \n \nGráfico 1 – Distribuição das internações por endometriose na 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a \n2023. \n \nFonte: elaborado pela autora \n \nA (tabela 1) demonstra que a distribuição das internações por endometriose ao longo \ndos anos é significativamente diferente entre os municípios, sendo que em Altamira e Anapu há \nmaior concentração das internações entre os anos de 2021 e 2022 (p<0,001). \n \nTabela 1 – Distribuição das internações por endometriose por município da 10ª regional de saúde do estado do \nPará, 2018 a 2023. \nMunicípio Total 2018 2019 2020 2021 2022 2023 p \n n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) n (%)  \nAltamira 78 (56,1) 06 (7,7) 07 (9,0) 07 (9,0) 02 (2,6) 32 (41,0) 24 (30,8) <0,001 \nAnapú 20 (14,4) 02 (10,0) 01 (5,0) 0 (0,0) 15 (75,0) 0 (0,0) 02 (10,0) <0,001 \nBrasil Novo 09 (6,5) 05 (55,6) 0 (0,0) 01 (11,1) 0 (0,0) 02 (22,2) 01 (11,1) 0,189 \nMedicilândia 01 (0,7) 01 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) * \nPacajá 05 (3,6) 02 (40,0) 01 (20,0) 01 (20,0) 01 (20,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0,896 \nPorto de Moz 06 (4,3) 02 (33,3) 0 (0,0) 01 (16,7) 01 (16,7) 02 (33,3) 0 (0,0) 0,881 \nSenador José Porfírio 02 (1,4) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 02 (100) 0 (0,0) * \nUruará 05 (3,6) 01 (20,0) 01 (20,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 03 (60,0) 0,449 \nVitória do Xingu 13 (9,4) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 01 (7,7) 06 (46,2) 06 (46,2) 0,146 \n* não é possível realizar teste estatístico, pois é uma constante. \nFonte: elaborado pela autora \n \n19 (13,7%)\n10 (7,2%) 10 (7,2%)\n20 (14,4%)\n44 (31,7%)\n36 (25,9%)\n0\n10\n20\n30\n40\n50\n2018 2019 2020 2021 2022 2023\nNúmero de internações\n\n  \n9 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \nCom relação a variável raça, houve prevalência de mulheres que se autodeclararam \npardas hospitalizadas com endometriose com 119 (85,6%) casos em toda a região durante o \nperíodo estudado, com maior atenção aos municípios de Altamira e Anapu que apresentaram \nresultados significativos (p <0,001) revelando a recorrência dessa patologia. Todavia, os \nmunicípios de Pacajá, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu apresentam resultados \npreocupantes sobre a falta de informação dessa variável em mulheres internadas por \nendometriose (p <0,001) conforme revela a (tabela 2). \n \nTabela 2 – Internações por endometriose por município da 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a 2023.  \nMunicípio Total Branca Preta Parda Amarela Sem informação \n n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) \nAltamira 78 (100) 02 (2,6) 02 (2,6) 72 (92,3)* 02 (2,6) 0 (0,0) \nAnapu 20 (100) 0 (0,0)  0 (0,0) 20 (100)* 0 (0,0) 0 (0,0) \nBrasil Novo 09 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 09 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) \nMedicilândia 01 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 01 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) \nPacajá 05 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 01 (20,0) 0 (0,0) 04 (80,0)* \nPorto de Moz 06 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 06 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) \nSenador José Porfírio 02 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 01 (50,0) 0 (0,0) 01 (50,0)* \nUruará 05 (100) 01 (20,0) 0 (0,0) 04 (80,0) 0 (0,0) 0 (0,0) \nVitória do Xingu 13 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) 05 (38,5) 0 (0,0) 08 (61,5)* \n10ª Região de saúde do \nestado do Pará \n139 (100) 3 (2,2) 2 (1,4) 119 (85,6) 2 (1,4) 13 (9,4) \n* associação estatisticamente significativa pelo teste dos resíduos ajustados a 5% de significância \nFonte: elaborado pela autora \n \nAo comparar a distribuição dos casos de endometrioses atendidos nos hospitais (tabela 3), \nhouve predomínio na faixa etária entre 30 a 49 anos com 104 (74,8%) principalmente nos \nmunicípios de Altamira 59 (75,6%) e Anapú 12 (60,0%). \n \nTabela 3 – Internações por endometriose por município da 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a 2023.  \nMunicípio Total <30 anos 30 a 49 anos 50 a 64 anos 65 anos ou mais \n n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) \nAltamira 78 (100) 12 (15,4) 59 (75,6) 06 (7,7) 01 (1,3) \nAnapu 20 (100) 07 (35,0) 12 (60,0) 01 (5,0) 0 (0,0) \nBrasil Novo 09 (100) 0 (0,0) 07 (77,8) 02 (22,2) 0 (0,0) \nMedicilândia 01 (100) 0 (0,0) 01 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) \nPacajá 05 (100) 01 (16,7) 04 (66,7) 01 (16,7) 0 (0,0) \nPorto de Moz 06 (100) 01 (20,0) 04 (80,0) 0 (0,0) 0 (0,0) \nSenador José Porfírio 02 (100) 0 (0,0) 02 (100) 0 (0,0) 0 (0,0) \nUruará 05 (100) 01 (20,0) 03 (60,0) 01 (20,0) 0 (0,0) \nVitória do Xingu 13 (100) 0 (0,0) 12 (92,3) 01 (7,7) 0 (0,0) \nRegião de saúde Xingu 139 (100) 22 (15,8) 104 (74,8) 12 (8,6) 1 (0,7) \nFonte: elaborado pela autora \n \n\n  \n10 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \nDentre as 139 internações durante o período estudado, 99 (71,2%) casos de \nendometriose necessitaram de atendimento eletivo, sendo que os municípios de Altamira e Brasil \nNovo apresentaram recorrência desses atendimentos durante os 6 anos de análise (tabela 4). Por \noutro lado, 40 (28,8%) internações por endometriose necessitaram de atendimento de urgência, \nsendo os municípios de Pacajá e Porto de Moz com maiores desfechos. \n \nTabela 4 – Internações por endometriose por município da 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a 2023.  \nMunicípio Total Eletiva Urgência \n n (%) n (%) n (%) \nAltamira 78 (100) 61 (78,2)* 17 (21,8) \nAnapu 20 (100) 14 (70,0) 06 (30,0) \nBrasil Novo 09 (100) 09 (100)* 0 (0,0) \nMedicilândia 01 (100) 01 (100) 0 (0,0) \nPacajá 05 (100) 01 (20,0) 04 (80,0)* \nPorto de Moz 06 (100) 02 (33,3) 04 (66,7)* \nSenador José Porfírio 02 (100) 01 (50,0) 01 (50,0) \nUruará 05 (100) 03 (60,0) 02 (40,0) \nVitória do Xingu 13 (100) 07 (53,8) 06 (46,2) \n10ª Região de saúde do \nestado do Pará \n139 (100) 99 (71,2) 40 (28,8) \n* associação estatisticamente significativa pelo teste dos resíduos ajustados a 5% de significância  \nFonte: elaborado pela autora \n \nQuanto as despesas com serviços hospitalares, o tempo médio foram 06 dias de \npermanência de internação, com custo médio de R$ 747,00 por dia de assistência em saúde dos \ncasos notificados. Porém, o município de Altamira prevalece com o tempo médio de 26,5 dias \nde internação apresentando custeio por dia de R$ 8 35,00 com custeio nos serviços hospitalares \npara tratamento da endometriose (tabela 5). \n \nTabela 5 – Tempo de internação por município da 10ª regional de saúde do estado do Pará, 2018 a 2023.  \nMunicípio Tempo de permanência \n \nCusto (R$) das \ninternações/dia \n Mediana (P25 – P75) Mediana (P25 – P75) \nAltamira 26,5 (18 – 83,3) 835 (652 – 946) \nAnapu 07 (3,5 – 24,8) 729 (482 – 1.000) \nBrasil Novo 06 (3 – 16) 753 (208 – 963) \nMedicilândia 04 (4 – 4) 795 (795 – 795) \nPacajá 2,5 (1,3 – 6,8) 426 (176 – 741) \nPorto de Moz 04 (2,3 – 5) 923 (703 – 1.204) \nSenador José Porfírio 09 (9 – 9) 717 (717 – 717) \nUruará 04 (4 – 16) 794 (705 – 835) \nVitória do Xingu 13 (2 – 29) 736 (207 – 736) \np 0,100 0,681 \n10ª Região de saúde do \nestado do Pará \n6 (3 – 19) 747 (672 – 924) \nFonte: elaborado pela autora \n\n  \n11 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \n4 DISCUSSÕES \n \nA pandemia de Covid -19 alterou de forma significativa a dinâmica hospitalar entre os \nanos de 2019 e 2020, e trouxe consequências que podem ser observadas nessa pesquisa. Com \nrelação ao ano de processamento, destacaram -se dois momentos distintos: os anos de 2020 e \n2022. \nEm 2020, observou-se uma queda na taxa anual de internações, seguida de um aumento \ngradual nos anos seguintes, o que confirma o impacto da pandemia de Covid -19 nesse período. \nNesse período, os hospitais enf rentaram superlotação e a necessidade de priorizar os casos \nrelacionados à Covid -19. A propagação do vírus gerou grande preocupação quanto à \ncontaminação de pacientes que buscavam atendimento por outras patologias, o que resultou no \ncancelamento de procedimentos eletivos (Cruz, 2022). \nA taxa de internação em 2022, que foi superior a todos os anos do período analisado, \nsugere que mais mulheres podem ter sido diagnosticadas com a doença, o que é capaz de estar \nrelacionado a conscientização e intensificação do  debate sobre a endometriose, além da \nampliação do acesso das mulheres aos serviços de saúde após o período pandêmico (Cruz, 2022). \nA análise do  quantitativo de casos por municípios não é surpreendente, pois a maioria \ndas ocorrências aconteceram em Altami ra. Esta cidade conta com hospitais públicos de \nreferência, que atendem várias comunidades vizinhas, oferecendo uma ampla gama de \nespecialidades, procedimentos e maior acesso à serviços saúde (ASCON, 2022). Além disso, a \nconscientização a respeito da patol ogia, pode contribuir consideravelmente para a procura \nprecoce por atendimento. Paralelamente, não estão claros os motivos que fazem com que o \nmunicípio de Anapu seja o segundo com o maior número de hospitalizações, uma vez que não \nse trata de um município  com grande contingente populacional nem uma excelência no \ntratamento da doença. \nOs baixos números de internações observados nas demais localidades podem ser atribuídos à \ngrande deficiência de profissionais capacitados para o diagnóstico da endometriose (S cheffer et \nal., 2018). Além disso, muitas mulheres acabam suportando os sintomas devido ao \nconstrangimento ou a uma compreensão equivocada sobre a dor e os sinais associados à doença, \no que dificulta a busca por atendimento médico adequado (Illum et al., 2022). Outrossim, apesar \nda alta incidência de endometriose no Brasil (da Silva et al., 2021), acredita-se que exista ainda \n\n  \n12 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \nmuitos casos subnotificados, em decorrer da inespecificidade dos sintomas e a dificuldade no \ndiagnóstico (Cruz et al., 2022). Atualmente, estima-se que a prevalência global esteja em torno \nde 10% entre mulheres em idade reprodutiva e pode chegar a 50% entre aquelas que não possuem \nsintomas (Kim et al., 2020). Nesse caso, se esse problema ocorre em grandes cidades, nas meais \nafastadas dos grandes centros urbanos a situação pode ser ainda mais preocupante (Farias et al., \n2019). \nEm relação a variável raça/cor a pesquisa demonstrou que a maioria das mulheres \ninternadas por endometriose se autodeclararam como pardas, o que está alinhado com a dinâmica \npopulacional brasileira, que segundo o Censo Demográfico 2022 registrou uma prevalência de \nindivíduos que se identificam dessa forma (Tenório et al.,  2024). Ademais, essa informação \nreforça o impacto dos fatores socioeconômicos na evolução da pat ologia, pois, as dificuldades \nenfrentadas por essa população, em particular, levam ao atraso no acesso aos cuidados de saúde, \no que retarda o diagnóstico e o tratamento, agravando a doença e resultando em estágios \navançados que demandam hospitalização (Silva et al., 2021). \nEm oposição a isso, grande parte da literatura nos mostra, que as mulheres caucasianas \nsão as mais acometidas pela doença (Guedes et al., 2021). Desse modo, é possível observar que \nas diferentes prevalências entre as etnias podem indicar que não há fatores de riscos genéticos \nrelevantes associados a características raciais (Fontenelle et al., 2024). \nAdemais, em relação aos resultados expostos na tabela 3, alguns estudos indicam que \nexistem aproximadamente 176 milhões de mulheres com endome triose no mundo (Pannain et \nal., 2021), e a faixa etária mais afetada é de 25 a 35 anos (Ferreira et al., 2022). Entretanto, o \npresente estudo observou que a junção dos intervalos de idade onde há um número maior de \ncasos registrados, traz a faixa etária d e 30 a 49 anos como a mais afetada. Esses resultados \ncorroboram com o estudo de Costa et al. (2023), o qual revelou que, entre as 119.467 \nhospitalizações registradas, mais de 65% eram de pacientes na mesma faixa de idade encontrada \nnesta pesquisa. \nEsse pad rão é observado na maioria dos municípios analisados, o que indica que a \nocorrência de endometriose está associada a mulheres em idade reprodutiva. Essa tendência pode \nser explicada pelo subdiagnóstico e pelo atraso no diagnóstico, uma vez que as evidência s \nhistológicas podem surgir de 5 a 10 anos após os primeiros sinais de endometriose. Além disso, \n\n  \n13 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \nmuitos casos são detectados acidentalmente durante exames de fertilidade que, frequentemente, \nocorrem depois dos 25 anos de idade (Le Moal et al., 2022). \nA importância dessa descoberta está relacionada principalmente ao abranger as mulheres \nque estão nessa faixa etária que são economicamente ativas, e durante esse período que muitas \noptam por engravidar. Nesse contexto, os sinais e sintomas da endometriose acaba m por \ndificultar consideravelmente as relações íntimas, a realização de tarefas diárias, o desempenho \nno trabalho e a convivência social (Soliman et al., 2020). \nAlém disso, a infertilidade representa um fator adicional de impacto psicológico na vida \ndessas mulheres. Cerca de 30% a 50% das pacientes com endometriose enfrentam dificuldades \npara engravidar, devido a mecanismos ainda não totalmente compreendidos, que parecem estar \nrelacionados às distorções e obstruções causadas pelo crescimento anormal do endo métrio \n(Aragão et al.,  2021). Mulheres inférteis são afetadas tanto psicologicamente quanto \nfinanceiramente (Girard et al.,  2023), pois precisam frequentemente de atendimento médico, \nprocedimentos e cirurgias, o que gera despesas e riscos à saúde (Signorile et al., 2022). \nA tabela 5 mostrou que as internações de caráter eletivo superam as de urgência na \nmaioria dos municípios da região, exceto nas cidades de Pacajá e Porto de Moz. Os números \nmais elevados de internações na modalidade de urgência nesses dois  municípios podem sugerir \na carência de um acompanhamento regular ou preventivo e podem ser explicados pelos \nobstáculos ao atendimento médico, falta de informação ou normalização da doença, e a \ndeficiência de profissionais capacitados para o diagnóstico e tratamento eficaz da patologia, o \nque pode levar ao agravamento dos casos e à necessidade de atendimento urgente (Scheffer et \nal., 2018). \nPor outro lado, um estudo realizado no Brasil por Almeida et al. (2023) corrobora os \nresultados desta pesquisa sobre o  tipo de atendimento nas internações por endometriose, \nindicando que a maior parte das hospitalizações foi classificada como eletiva. Esse dado sugere \nque na maioria dos casos houve planejamento prévio de procedimentos relacionados ao manejo \nda patologia, o que reflete o caráter programado de muitas intervenções associadas a \nendometriose, como a condução de situações que não necessitam de tratamentos emergenciais \nou a remoção de tecido ectópico endometrial. \nOs dois tipos de hospitalizações possuem impactos distintos na logística hospitalar. As \ninternações de urgência exigem flexibilidade na gestão de leitos e podem levar à superlotação, \n\n  \n14 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \nenquanto as eletivas permitem um melhor planejamento. O equilíbrio entre os dois tipos é \nessencial para garantir a qualidade do atendimento e a eficiência dos serviços de saúde. Ademais, \na distinção entre internação de urgência e eletiva pode refletir na experiência do paciente, o tempo \nde espera e nos desfechos clínicos (Chaves et al., 2024). \nA necessidade de internações pode  ser justificada em função do agravamento dos casos \nde endometriose, especialmente quando os sintomas se tornam incapacitantes, como nas dores \npélvicas intensas ou na emergência cirúrgica para tratar endometriose profunda em \nprocedimentos de histerectomia ou laparoscopia e em complicações pós -cirúrgicas (Pacheco et \nal., 2023). \nCom relação à permanência hospitalar, um estudo realizado no Brasil em 2024 indicou \nque o tempo médio de internação foi de 2,4 dias, com a região Norte apresentando a maior média, \nde 2,9 dias (Cardoso et al., 2024). Paralelamente, esse estudo evidenciou que a região de saúde \nXingu apresenta uma média de 6 dias de permanência de hospitalização, um número bastante \nelevado se comparado as médias nacionais e estaduais relativos à endometriose. \nO município de Altam ira apresentou os maiores índices através desses números, o que \npode ser explicado por dois fatores. O primeiro é a qualidade da assistência médica disponível, \nonde um dos maiores desafios é o longo tempo de espera para consultas com especialistas, \ndificultando o acesso a cuidados de saúde completos pelo SUS. Além disso, o crescimento da \ndemanda, a maior prevalência de doenças crônicas, aliado à demora na busca por atendimento, \ntem dificultado o acesso à atenção especializada, o que pode levar ao agravament o dos casos \n(Farias et al., 2019). Por outro lado, estudos indicam que há uma relação entre o maior acesso a \nserviços de saúde de maior complexidade e regiões mais desenvolvidas, com melhores estruturas, \no que poderia justificar o tempo médio de internação  mais elevado nesse município (Salomé et \nal., 2020). \nExiste substancial escassez de informações na literatura sobre a duração da internação \nhospitalar em pacientes com endometriose, o que torna difícil explorar e relacionar o \nadoecimento com os motivos que  contribuem para períodos mais longos de internação. Desse \nmodo, verifica-se que a média de permanência hospitalar é um critério crucial, pois um tempo \nmaior de internação pode resultar em contaminações no ambiente hospitalar e aumentar os custos \nfinanceiros do sistema de saúde. Além disso, a ausência dessas mulheres de seus lares, trabalho \ne convívio familiar gera prejuízos emocionais e financeiros. Portanto, a análise do impacto da \n\n  \n15 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \nduração da internação em mulheres com endometriose é um aspecto importante a ser considerado \nna discussão sobre a qualidade e eficiência da assistência médica. \nO fato de Altamira não apresentar os maiores gastos com internações por endometriose, \napesar da alta demanda de atendimento e maior tempo de permanência hospitalar, pode ser \natribuído à sua capacidade de descentralizar os serviços e direcionar as pacientes para diferentes \nníveis de complexidade, como o ambulatorial. Essa abordagem torna os sistemas de saúde mais \neficientes e geram despesas reduzidas e melhorias nos indicadores de saúde (Ranzi et al., 2024), \nalém de diminuir as chances de complicações que exigem intervenções hospitalares e cirúrgicas, \nas quais aumentam consideravelmente as despesas (Signorile et al., 2022). \nAs despesas associadas às internações por endometriose constituem uma parte importante \ndos custos em diversos sistemas de saúde, devido à necessidade frequente de tratamentos \nmédicos e cirúrgicos, que podem resultar em hospitalizações prolongadas, além de exigir suporte \npara dores crônicas e possíveis complicações da doença, as quais requerem uma gama de recursos \nhospitalares, como exames diagnósticos, medicamentos e tratamentos de suporte (Battistuz et al., \n2024). Assim, quanto mais tempo a paciente demora para receber o diagnóstico ou procurar \natendimento médico, como ocorre em municípios menores, maiores serão as chances de \nagravamento do quadro e, consequentemente, dos gastos com o tratamento. \n \n5 CONCLUSÃO \n \nEste estudo destacou o comportamento distinto dos municípios da 10ª regional de saúde \ndo Pará em relação à endometriose, ressaltando a necessidade de estudos locais para analisar os \ndeterminantes sociais de saúde que influenciam diretamente seu desenvolvimento. Nesse sentido, \nfica evidente a relevância do debate sobre a temática, haja vista os poucos e studos destinados à \npatologia. \nAlém disso, o trabalho pontou a necessidade de destinar maiores investimentos em \nsaúde, com vistas a gerar maior qualidade de vida para essas pacientes, por meio de diagnóstico \nprecoce, tratamento apropriado e acompanhamento de qualidade e por conseguinte, melhor \nprognóstico. \nA análise do perfil epidemiológico das pacientes internadas por endometriose na 10ª \nregional de saúde do estado do Pará apresentou limitações devido à falta de informações \n\n  \n16 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \nnecessárias para o entendimento mais amplo do quadro clínico e das causas que levaram a essas \nhospitalizações. \nPortanto, os resultados desse estudo poderão contribuir para a melhoria contínua dos \nprocessos hospitalares e para a implementação de políticas de saúde mais eficazes, com o \nobjetivo de desenvolver estratégias que reduzam as internações de urgência, além de contribuir \nconsideravelmente para novos estudos e conscientização a respeito da endometriose. Desse \nmodo, evitar os agravos de saúde com protagonismo na atenção primária, seri a uma alternativa \ncapaz de contribuir na diminuição da sobrecarga do sistema e evitar internações desnecessárias. \n  \n\n  \n17 \nContribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-19, 2025 \n \n jan. 2021 \nREFERÊNCIAS \n \nALEKSANDROVA, K. et al. Dietary patterns and biomarkers of oxidative stress and \ninflammation: A systematic review of observational and intervention studies. Redox Biol, v. \n42, p. 101869, 2021. \nALMEIDA, G. dos S. et al. Endometriose: incidência hospitalar, desafios e perspectivas para a \nsaúde da mulher. Journal of Medical and Biosciences Research, v. 1, n. 3, p. 1236–1245, \n2024. \nANNICCHINO, G. et al. Is there an Increased Risk for Unfavorable Obstetric Outcomes in \nWomen with Endometriosis? An Evaluation of Evidences. Existe um risco maior para \ndesfechos obstétricos desfavoráveis em mulheres com endometriose? 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