Keywords
endometriosis, female infertility, oocyte quality, extracellular vesicles, microRNA.
11
Lista de figuras
Figura 1: Mecanismos de comunicação intercelular entre vesículas extracelulares e
célula-alvo.....................................................................................................................24
Figura 2: Vesículas extracelulares no folículo ovariano..............................................26
Figura 3: Figura esquemática representando o protocolo de centrifugações seriadas para
preparo de fluidos para posterior isolamento de vesículas extracelulares....................36
Figura 4: Fluxograma do estudo..................................................................................41
Figura 5: Diagrama de Venn representando a intersecção dos 73 microRNAs
provenientes das comparações entre as vesículas extracelulares isoladas do fluido
folicular de mulheres inférteis com e sem endometriose..............................................45
Figura 6: microRNAs diferencialmente expressos em mulheres inférteis sem
endometriose (grupo Controle) e inférteis com endometriose avançada (grupo
Endometriose)...............................................................................................................48
Figura 7: Análise de enriquecimento das 10 principais vias preditas modulada pelo
microRNA proveniente de vesículas extracelulares isoladas do fluido folicular de
mulheres inférteis sem endometriose (grupo Controle)................................................49
Figura 8: Análise de enriquecimento das 10 principais vias preditas moduladas pelos
microRNAs provenientes de vesículas extracelulares isoladas do fluido folicular de
mulheres inférteis com endometriose avançada (grupo Endometriose).......................50
Figura 9: Análise de enriquecimento das 10 principais vias preditas moduladas pelos
microRNAs provenientes de vesículas extracelulares isoladas do fluido folicular
diferencialmente expressos entre mulheres inférteis sem endometriose (grupo Controle)
e com endometriose avançada (grupo Endometriose)..................................................51
12
Lista de tabelas
Tabela 1: Características clínicas das participantes da pesquisa do grupo controle e
do grupo endometriose avançada................................................................................ 42
Tabela 2: Quantificação e diâmetro das vesículas extracelulares no soro dos grupos
Controle e Endometriose avançada............................................................................. 43
Tabela 3: Quantificação e diâmetro das vesículas extracelulares no fluido folicular dos
grupos Controle e Endometriose avançada.................................................................. 43
Tabela 4: Quantificação e diâmetro das Vesículas Extracelulares entre soro e fluido
folicular do grupo Endometriose avançada................................................................. 44
Tabela 5: microRNAs diferencialmente expressos em vesículas extracelulares isoladas
do fluido folicular de mulheres inférteis com endometriose avançada comparadas aos
controles inférteis sem endometriose........................................................................... 45
13
Lista de siglas
AMH Hormônio Anti-mülleriano
ASRM American Society of Reproductive Medicine
ATP Adenosina Trifosfato
cAMP Adenosina Monocíclica Fosfato
CC Células do Cumulus
CEP Comissão de Ética em Pesquisa
CFA Contagem de Folículos Antrais
CG Células da Granulosa
cGMP Guanosina Monocíclica Fosfato
COC Complexo Cumulus-Oócito
CRH Centro de Reprodução Humana
CT Cycle threshold
CTEP Contagem Total de Espermatozoides Móveis
DGO Departamento de Ginecologia e Obstetrícia
DNA Ácido Desoxirribonucleico
DNAse Desoxirribonuclease
DP Desvio Padrão
EGF Fator de Crescimento Epidérmico
EGFR Receptor do Fator de Crescimento Epidérmico
EO Estresse Oxidativo
EOC Estimulação Ovariana Controlada
Epac Proteína de troca diretamente ativada por cAMP
ErbB Receptores Tirosina Quinase
ERK1/2 Quinases reguladas por sinal extracelular 1/2
ESHRE European Society of Human Reproduction and Embryology
FC Fold Change
FF Fluido Folicular
FMRP Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
FP Fluido Peritoneal
FSH Hormônio Folículo Estimulante
FSHr Hormônio Folículo Estimulante recombinante
14
FZ Receptor Frizzled
FZEA Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos
GnRH Hormônio Liberador de Gonadotrofinas
HC Hospital das Clínicas
hCG Gonadotrofina Coriônica Humana
HIF-1a Fator Induzido por Hipóxia
Hippo Protein Kinase Hpo
HIV Vírus da Imunodeficiência humana
Hm/Ms/Rt T1 snRNA Human/Mouse/Rat small nuclear RNA
hpHMG Highly Purified Human Menopausal Gonadotrophin
ISEV Sociedade Internacional de Vesículas Extracelulares
ICSI Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide
IGF1 Insulin-like Growth Factor 1
ILV Vesículas Intraluminais
IMC Índice de Massa Corporal
IOP Insuficiência Ovariana Precoce
KEEG Kyoto Encyclopedia of Genes and Genomes
LH Hormônio Luteinizante
LMMD Laboratório de Morfofisiologia Molecular do Desenvolvimento
MAPK Mitogen-Activated Protein Kinase
MEK1 Meiotic Chromosome-axis-associated Kinase 1
MII metáfase II
miRNAs microRNAs
ml Mililitro
MPF Fator Promotor de Maturação
MS Ministério da Saúde
mtDNA DNA mitocondrial
MVB Multivesicular Body
ng Nanograma
nm Nanômetro
NTA Nanoparticle Tracking Analysis
OMS Organização Mundial de Saúde
PI3K/Akt Fosfatidilinusitol 3-quinase/Proteína quinase B
15
RAF1 proto-oncogene serine/threonine-protein kinase 1
Rap1 Proteína-1 relacionada a Ras
Ras RAt Sarcoma vírus
RNA Ácido Ribonucleico
RNAt Ácido Ribonucleico transportador
RNAm Ácido Ribonucleico mensageiro
RNAse Ribonuclease
RT PCR Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real
SOP Síndrome de Ovários Policísticos
TAZ Transcriptional co-Activator with PDZ-binding motif
TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
TEAD TEA Domain Family Member
TGF-ß Fator de Transformação do Crescimento Beta
TRA Tratamento de Reprodução Assistida
TSH Hormônio Tireoestimulante
TZP Projeções Transzonais
USP Universidade de São Paulo
UStv Ultrassonografia Transvaginal
VE Vesículas Extracelulares
VLPSC Videolaparoscopia
WNT Wingless-related Integration Site
YAP Yes-Associated Protein
ZP
μl
Zona pelúcida
Microlitro
16
Sumário
1 Introdução..................................................................................................18
1.1 Endometriose.........................................................................................18
1.2 Endometriose e infertilidade..................................................................19
1.3 Endometriose e foliculogênese..............................................................21
1.4 Vesículas extracelulares e qualidade oocitária......................................23
1.5 MicroRNAs e qualidade oocitária.........................................................26
1.6 Vesículas extracelulares e seu conteúdo de microRNAs na infertilidade
relacionada à endometriose............................................................................29
2 Objetivos.....................................................................................................31
2.1 Objetivos Primários...............................................................................31
2.2 Objetivos Secundários...........................................................................31
3 Casuística e Métodos.................................................................................32
3.1 Considerações Éticas.............................................................................32
3.2 Desenho do estudo e local realizado......................................................32
3.3 Participantes e Critérios de Elegibilidade..............................................32
3.4 Protocolo de Estimulação Ovariana e Suplementação da Fase Lútea...33
3.5 Delineamento Experimental..................................................................35
3.5.1 Coleta e armazenamento das amostras.........................................35
3.5.2 Isolamento das Vesículas Extracelulares......................................35
3.5.3 Caracterização das Vesículas Extracelulares................................36
3.5.3.1 Nanoparticle Tracking Analysis (NTA)...........................36
3.5.4. Extração de RNA das Vesículas Extracelulares..........................37
3.5.5 Transcrição Reversa.....................................................................37
3.5.6 Análise da expressão relativa dos microRNAs por Reação em
Cadeia de Polimerase em Tempo Real (RT-PCR).........................................37
3.5.7 Cálculo da expressão relativa dos microRNAs............................38
4 Análise Estatística.....................................................................................39
5 Resultados..................................................................................................40
5.1 Fluxograma do estudo...........................................................................40
5.2 Caracterização das participantes da pesquisa........................................41
5.3 Caracterização das Vesículas Extracelulares........................................42
17
5.3.1 Comparação entre os grupos Controle e Endometriose
avançada........................................................................................................42
5.3.2 Comparação entre soro e o fluido folicular do grupo
Controle.........................................................................................................44
5.3.3 Comparação entre o soro e o fluido folicular do grupo Endometriose
avançada........................................................................................................45
5.4 Perfil de microRNAs em Vesículas Extracelulares obtidas do fluido
folicular.........................................................................................................45
5.5 Análise de bioinformática dos microRNAs.........................................48
5.5.1 Análise de enriquecimento dos microRNAs exclusivamente
expressos em Vesículas Extracelulares isoladas do fluido folicular do grupo
Controle........................................................................................................48
5.5.2 Análise de enriquecimento dos microRNAs exclusivamente
expressos em Vesículas Extracelulares isoladas do fluido folicular do grupo
Endometriose................................................................................................49
5.5.3 Análise de enriquecimento dos microRNAs diferencialmente
expressos em Vesículas Extracelulares isoladas do fluido folicular de mulheres
inférteis sem e com endometriose avançada (grupo Controle e
Endometriose)...............................................................................................50
6 Discussão...................................................................................................52
7 Conclusões.................................................................................................64
Referências................................................................................................65
Anexo A.....................................................................................................83
Anexo B.....................................................................................................85
Anexo C.....................................................................................................95
18
1 Introdução
1.1 Endometriose
A endometriose é uma doença ginecológica inflamatória estrogênio dependente
caracterizada pela presença de implantes endometriais (glândula e ̸ ou estroma) fora da cavidade
uterina (Gupta et al., 2006). Pode apresentar quadro clínico bastante diversificado, variando
desde assintomático até a presença de dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia,
sangramento uterino anormal e infertilidade (Bulletti et al., 2010). A prevalência da doença fica
entre 10% a 15% entre as mulheres em idade reprodutiva (OMS) (OMS, 2021). No Brasil,
estima-se que uma a cada dez mulheres sofr a com a endometriose de acordo com os dados do
Ministério da Saúde (MS, 2022) . Entretanto, essa prevalência tende a aumentar devido ao
avanço nas tecnologias de diagnóstico. É importante ressaltar que a doença é um problema de
saúde pública (OMS, 2021) devido ao seu impacto negativo na qualidade de vida dessas
mulheres, tanto na saúde física quanto na mental, devido aos sintomas de dor incapacitante e
ao atraso em diagnosticar a doença . Além disso, há o impacto socioeconômico causado pela
eventual dificuldade de acesso aos métodos diagnósticos especializados e pelo alto custo do
diagnóstico e do tratamento (Hughes et al., 2015; Zondervan et al., 2020).
A etiopatogenia da endometriose perm anece controversa . A teoria da menstruação
retrógrada de Sampson é a mais aceita pela comunidade científica. Segundo essa teoria,
ocorreria o refluxo de células endometriais descamadas na menstruação através das t ubas
uterinas, com subsequente implantação e crescimento na cavidade peritoneal (Sampson, 1927).
Embora a teoria de Sampson explique o deslocamento físico dos fragmentos endometriais,
observa-se que, embora 70 a 90% das mulheres apresentem menstruação retrógrada, apenas
uma minoria irá desenvolver a doença (Bricou & Chapron, 2008).
Sendo assim, sugere -se que a combinação de fatores genéticos, hormonais,
imunológicos e ambientais poderiam contribuir para maior suscetibilidade em desenvolver
endometriose (Lamceva et al., 2023; Li et al., 2024; Bedrick et al., 2024). Muitos estudos têm
tentado explicar fatores de risco e proteção para o desenvolvimento da doença, além de uma
melhor caracterização da população acometida. Fatores como início precoce da menarca,
gestações tardias, hábitos alimentares e estilo de vida estressante das grandes cidades foram
associados a um aumento no risco do surgimento da endometriose (Missmer et al., 2010;
Vitonis et al., 2010; Chapron et al., 2016). Enq uanto paridade, tabagismo, prática intensa de
atividade física e obesidade são considerados fatores protetores da doença devido ao aumento
da taxa de anovulação crônica e a irregularidade menstrual (Cramer et al., 1986; Peterson et al.,
19
2013; Chapron et al., 2016). Contudo, os mecanismos dessas associações ainda permanecem
incertos e, portanto, devem ser interpretados com cautela. Até pouquíssimo tempo atrás, a
videolaparoscopia (VLPSC) com biópsia das lesões para análise anatomopatológica era o
padrão-ouro no diagnóstico da endometriose. Entretanto, a última diretriz da European Society
of Human Reproduction and Embryology (ESHRE) recomenda a VLPSC somente para
mulheres com ultrassonografia pélvica transvaginal e ressonância magnética negativas, uma
vez que esses exames vêm demonstrando grande sensibilidade, especificidade e alto grau de
confiabilidade, principalmente, na identificação de focos de endometriose infiltrativa profunda
(Abrão et al. , 2007) e endometriomas (Moore et al. , 2002), e /ou falha nos tratamentos
convencionais já utilizados (Becker et al., 2022).
A endometriose pode ser classificada de acordo com sua localização anatômica
(peritônio, ovário ou septo retovaginal ), pelo tipo histológico dos implantes ou pela extensão
da doença sobre os órgãos pélvicos. A classificação mais utilizada atualmente é a da American
Society of Reproductive Medicine (ASRM) que gradua a doença em 4 estágios: I – mínima, II
– leve, III – moderada, IV – grave, de acordo com a severidade da doença (ASRM, 1997). Essa
classificação é útil porém possui limitações. No sentido de melhorar a associação entre a clínica
e o estadiamento/classificação da doença, recentes avanços recomendam uma nova
classificação baseada nos tipos morfológicos da endometriose, dividindo -a em: endometriose
superficial, endometrioma ovariano e endometriose profunda, sendo que esta última
classificação relaciona a doença com a sua fisiopatolo gia e também com a sintomatologia
apresentada (Nogueira Neto et al., 2022).
1.2 Endometriose e infertilidade
A diminuição da fertilidade em portadoras de endometriose não é totalmente
estabelecida. Contudo, essa associação está fundamentada na alta prevalência da doença,
identificada em 25% a 50% das mulheres inférteis (Bulletti et al., 2010), sendo que 30% a 50%
das portadoras de endometriose têm dificuldade em ter filhos ( ASRM, 2012; Hodgson et al.,
2020). Sabe-se que a taxa de fecundidade mensal de casais normais em idade reprodutiva é
estimada em torno de 15 % a 20%, enquanto a de mulheres com endometriose está estimada
entre 2% e 10% (Hughes et al., 1993; Bulletti et al., 2010).
Nos estágios avançados da doença (estágios III e IV e doença infiltrativa profunda), essa
relação, com frequência, tem sido associada a aderências pélvicas severas, que causam uma
diversidade de alterações anatômicas no trato reprodutivo e dessa forma pode m impedir a
liberação oocitária pelo ovário ou a captação deste oócito pela tuba uterina (Bulletti et al., 2010).
20
Todavia, mulheres com endometriose avançada não necessariamente apresentam distorções
evidentes da anatomia tubária, e, mesmo assim, apresentam maior risco de infertilidade do que
mulheres sem a doença (Ruder et al., 2008; Daniilidis et al., 2022; Imperiale et al., 2023).
Vários mecanismos têm sido propostos para esclarecer essa associação entre
infertilidade e endometriose, como alterações na resposta imunológica, na função peritoneal,
disfunções hormonais e na receptividade uterina e piora da qualidade oocitária (Da Broi et al.,
2019; Simopoulou et al., 2021). Entretanto, a patogênese da infertilidade relacionada a
endometriose, não apenas nos estágios iniciais, mas também em estágios avançados, precisa ser
mais bem compreendida.
A ocorrência de risco aumentado de baixa reserva ovariana em mulheres com
endometriose moderada e severa (Seyhan et al., 2015) pode estar relacionada a indução ,
ocasionada pelos focos endometriais ectópicos , de resposta inflamatória local, com
recrutamento de macrófagos, liberação de citocinas e substâncias vasoativas , geração de
espécies reativas de oxigênio e aumento da atividade mitótica que levariam a um ambiente
pélvico adverso (Szczepánska et al., 2003; Gupta et al., 2006; Mansour et al., 2009 ; Miller et
al., 2017). Como consequência, o microambiente peritoneal seria afetado levando a alterações
no fluido peritoneal (FP) que poderia prejudicar a capacidade reprodutiva dessas mulheres
(Gupta et al., 2008; Mansour et al., 2009; Mansour et al., 2010; Jianini et al., 2017).
Corroborando com os achados citados acima, marcadores de estresse oxidativo (EO) foram
encontrados alterados no FP de portadoras de endometriose avançada (Polak et al., 2013;
Santulli et al., 2015), suger indo que o microambiente peritoneal está sob efeito pró -oxidante
nessas mulheres.
O estabelecimento do EO no FP pode ser refletido a nível sistêmico (Andrade et al.,
2010; Liu et al., 2013; Singh et al., 2013 ; Da Broi et al., 2016 a; Nasiri et al., 2017) e, assim,
atingir os ovários e afetar o desenvolvimento intrafolicular oocitário, uma vez que o córtex
ovariano é altamente vascularizado, especialmente no final da foliculogênese (Tamanini & De
Ambrogi, 2004). Portadoras de endometriose avançada, mesmo quando submetidas a técnicas
de reprodução assistida, apresentam redução da implantação, menores taxas de gestação clínica
e uma tendência a diminuição de nascidos vivos (Harb et al., 2013).
Uma boa forma de compreender os mecanismos inerentes à endometriose e como tais
processos influenciam na diminuição do potencial reprodutivo dessas mulheres seria por meio
da análise do microambiente folicular. O microambiente folicular abriga os oócitos, de modo
que alterações em sua composição podem ter efeitos adversos nos processos reprodutivos
(Agarwal et al., 2005).
21
1.3 Endometriose e foliculogênese
O ovário possui uma reserva de folículos ovarianos que são, periodicamente, recrutados
a se desenvolver. No início do desenvolvimento folicular, também chamado foliculogênese, o
folículo se encontra no estágio de folículo primordial, que é composto de um oócito quiescente
envolto por uma camada de células somáticas. No decorrer do processo, a proliferação e a
diferenciação das células somáticas foliculares em células da teca, células da granulosa (CG) e
células do cumulus (CC) ocorre em sincronia com as alterações morfológicas e endócrinas que
ocorrem no folículo, possibilitando o crescimento e o amadurecimento do oócito (Adonaab et
al., 2012; da Broi et al.; 2018a). Concomitantemente, o oócito passa por processos que incluem
a maturação citoplasmática e, posteriormente, a nuclear, visando torná-lo competente (Sirard et
al., 2006; Ferreira et al., 2009). Quando o oócito adquire competência oocitária, indica que ele
está apto para finalizar a sua maturação, ser fertilizado, gerar um embrião viável e um indivíduo
saudável (Dumesic et al., 2015; di Pietro, 2016).
Paralelamente ao crescimento do folículo ovariano , ocorre o acúmulo de um líquido,
composto por secreção das células foliculares e produtos do plasma sanguíneo que atravessam
a barreira hematofolicular , chamado fluido folicular (FF) (Fortune, 1994). O FF é um
microambiente metabolicamente ativo que contém uma grande variedade de moléculas como
proteínas, peptídeos, aminoácidos, eletrólitos, açúcares, hormônios esteroides, fatores de
crescimento, fatores anti-coagulantes, espécies reativas de oxigênio, antioxidantes, entre outros
(Revelli et al., 2009). O FF mantém íntima correlação com o oócito intermediando a
comunicação entre os vários tipos celulares presentes no folículo, atuando em um papel crítico
no crescimento folicular, na maturação citoplasmática e nuclear oocitária (Hennet & Combelle,
2012). Deste modo, a composição do FF pode ser um importante indicativo de qualidade
oocitária e embrionária pois reflete todo o metabolismo folicular. Ademais, por ser constituído,
em parte, pelo exsudato plasmático pode ser modificado por doenças com manifestações
sistêmicas, como a endometriose, relacionada a presença de inflamação e EO peritoneal,
folicular e sistêmico (Da Broi et al., 2018b).
Embriões de boa qualidade (aqueles com habilidade para implantar e se desenvolver
adequadamente) originam -se de oócitos competentes, que por sua vez, são originados de
folículos com um adequado microambiente, condicionado tanto pelo conteúdo do FF, como
pela influência das células vizinhas. Sendo assim, qualquer alteração nesse microambiente pode
resultar em dano oocitário, e consequentemente, embrionário.
Estudos do nosso grupo apontaram para a baixa reserva ovariana (Coelho Neto et al.,
2016) e a piora da qualidade oocitária como um fator importante relacionado à etiopatogenia
22
da infertilidade relacionada à endometriose (Barcelos et al., 2008; Barcelos et al., 2009; Dib et
al., 2013; Da Broi et al., 2014; Barcelos et al., 2015; Jianini et al., 2017). Interessantemente,
uma revisão sistemática e metánalise demonstrou que portadoras de endometriose com presença
de endometrioma submetidas ao tratamento de reprodução assistida ( TRA), apresentaram
número significantemente menor de oócitos recuperados e de oócitos em metáfase II (MII)
quando comparadas às inférteis por fator masculino e/ou tubário (Alshehre et al., 202 1).
Ademais, as taxas de implantação de embriões resultantes de oócitos doados por mulheres sem
endometriose para o útero de portadoras da doença foram semelhantes às do grupo controle
(Garrido et al., 2000). Esses achados podem indicar que os oócitos liberados por essas mulheres
podem apresentar pior qualidade.
Uma das possíveis causas desses achados pode estar na comunicação intercelular
durante a foliculogênese (da Silveira et al., 2012). A comunicação intercelular é um importante
evento fisiológico do sistema reprodutivo e envolve extensiva e afinada coordenação entre CG,
FF, CC e oócito (Dumesic et al., 2015) , e é essencial para o desenvolvimento do folículo,
maturação e aquisição de competência oocitária (Coticchio et al., 2015; da Broi et al., 2018a).
Os mecanismos estabelecidos de comunicação intercelular incluem a sinalização
parácrina, a comunicação bidirecional por interação direta através das junções comunicantes,
também conhecida como junções GAP (da Broi et al., 2018a), o transporte mediado por
vesículas extracelulares (VEs) (Théry et al., 2002; da Silveira et al., 2012; Van Der Pol et al.,
2012) e mais recentemente descrito, a comunicação por contato através das VEs e junções GAP
presentes na fenda das projeções transzonais (TZP) da zona pelúcida (ZP) (Macaulay et al.,
2014; Maculay et al., 2016). Nos últimos anos, o transporte de moléculas através das VEs tem
tido sua importância ressaltada nas principais fases do processo reprodutivo , como na
gametogênese feminina e masculina, e no estabelecimento d a gestação ( Burns et al., 201 4;
Ruiz‐González et al., 2015; Saadeldin et al., 2015; Burns et al., 2016; Bridi et al., 2021).
VEs já foram relacionadas ao desenvolvimento folicular e maturação oocitária
(Santonocito et al., 2014), fertilização (Barraud -Lange et al., 2007; Siciliano et al., 2008),
implantação embrionária (Ng et al., 2013; Burns et al., 2014), desenvolvimento embrioná rio
(Varela et al., 2009; Burns et al., 2014; Burns et al., 2016), comunicação entre embrião e
endométrio (Ng et al., 2013; Burns et al., 2014; Saadeldin et al., 2015; Burns et al., 2016), e,
até mesmo, na comunicação entre embriões co-cultivados in vitro (Mellisho et al., 2017).
23
1.4 Vesículas extracelulares e qualidade oocitária
Segundo a Sociedade Internacional de Vesículas Extracelulares (ISEV), VE é o termo
genérico para caracterizar partículas naturalmente liberadas da célula que são delimitadas por
uma bicamada lipídica e não se replicam, ou seja, não contêm um núcleo funcion al (Théry et
al., 2018). Atualmente, não há consenso sobre a classificação das VE s pois atribuir uma VE a
uma via de biogênese específica só é possível através da captura da VE no momento de sua
liberação. A maioria dos autores usa as características físic as ( diâmetro e densidade),
composição bioquímica e descrições de condições ou célula de origem das VE para classificá-
las. As VE s diferem em diâmetro e biogênese, o diâmetro varia entre 40 e 4000 nm e inclui
exossomos, microvesículas e corpos apoptóticos (Théry et al., 2009). Sendo assim, o termo
“vesícula extracelular (VE)” será utilizado para se referir às vesículas com diâmetro de 40 a
200nm (Théry et al., 2018).
VEs são nanopartículas heterogêneas secretadas por diferentes tipos celulares (György
et al., 2011; Raposo & Stoorvogel, 2013; Machtinger et al., 2021) e possuem ações importantes
em processos biológicos. Uma das possíveis vias de biossíntese das VEs é a part ir de corpos
multivesiculares (Multivesicular body – MVB) produzindo vesículas intraluminais (ILV) por
endocitose. Mediante a fusão dos MVB com a membrana plasmática, as ILV são liberadas para
o meio extracelular (van Niel et al., 2018). VEs são liberadas no ambiente extracelular de forma
constitutiva em resposta a estímulos específicos, em situações fisiológicas e patológicas
(Cocucci et al., 2009; El Andaloussi et al., 2013; Tannetta et al., 2014). O conteúdo transportado
por VE varia com o tipo celula r que a produz, assim como o ambiente em que a célula se
encontra (Machtinger et al., 2016). Essas vesículas são capazes de capturar diferentes tipos de
macromoléculas das células e transferi -las para outras células, induzindo modificações
funcionais nas células receptoras (Lee et al., 2012; Villarroya-Beltri et al., 2014; Nguyen et al.,
2016).
Os mecanismos propostos na interação entre as VEs e as células receptoras, com a
finalidade de liberar o conteúdo das VEs, podem ocorrer por meio da ligação direta com
receptores de superfície celular ou produtos da clivagem das proteínas da membrana das VEs
com receptores de superfície da célula -alvo através da sinalização justácrina (Mathivanan &
Simpson, 2010), fusão direta e completa das VEs com a membrana plasmática da célula -alvo
(Mathivanan & Simpson, 2010; Mathieu et al., 2019; Bhagyashree et al., 2 020) e fusão “Kiss
and run ”, mecanismo para a endocitose rápida no qual as vesículas extracelulares entram,
brevemente, em contato com a membrana plasmática da célula -alvo por meio de um pequeno
poro de fusão (Wen et al., 2017) (Figura 1).
24
A especificidade das células receptoras parece ser dirigida por receptores específicos
entre as células-alvo e as vesículas (Simon et al., 2018). A compartimentalização de compostos
é uma das características mais vantajosas da comunicação intercelular medi ada por VE pois
protege o conteúdo da vesícula da degradação enzimática mediada pelas enzimas presentes no
meio extracelular. Além do mais, permite o transporte de mais de um composto na mesma
vesícula (Manning & Kuhen, 2013). Através das VE, diferentes moléculas como lipídios (Subra
et al., 2007), proteínas (Simpson et al., 2008) e ácidos nucléicos (DNA, mRNAs, RNAs não
codificantes, fragmentos de tRNA e miRNAs) (Valadi et al., 2007) podem ser transferidos de
célula para célula e transportados, através do sangue, por longas distâncias (Valadi et al., 2007;
da Silveira et al., 2012, Andronico et al., 2019).
Figura 1: Mecanismos de comunicação intercelular entre vesículas extracelulares e célula-alvo.
(A) Interação das proteínas da membrana das vesículas extracelulares com receptores de
superfície da célula -alvo através da sinalização justácrina. (B) Interação dos produtos da
clivagem das proteínas da membrana das vesículas extracelulares com receptores de superfície
da célula -alvo através da sinalização justácrina. Esses mecanismos, por sua vez, ativa m a
cascata de sinalização dentro da célula -alvo. (C) Transferência de moléculas, de maneira não
seletiva, por meio da fusão direta entre vesículas extracelulares e célula -alvo. (D) Fusão “Kiss
and run ”, mecanismo para a endocitose rápida no qual as vesículas extracelulares entram,
brevemente, em contato com a membrana plasmática da célula-alvo por meio de um pequeno
poro de fusão. Fonte: adaptado de Mathivan & Simpson, 2010; Wen et al., 2017; Bhagyashree
et al., 2020.
Uma importante função atribuída às VEs é seu papel crucial na comunicação intercelular
dentro do folículo ovariano (Hung et al., 2015). Até o momento, vários estudos têm isolado
VEs do FF de equinos (da Silveira et al., 2012), bovinos (Sohel et al., 2013; Hung et al., 2015;
25
Navakanitworakul et al., 2016; Morales et al., 2019), suínos (Matsuno et al., 2019) e humanos
(Santonocito et al., 2014; Machtinger et al., 2016). Tais VEs estão envolvidas tanto na regulação
de vias que controlam o crescimento folicular e a resposta hormo nal, bem como na maturação
citoplasmática do oócito e na retomada da meiose (da Silveira et al., 2017).
Embora, suponha-se que a maioria das VEs isoladas do FF, são secretadas pelas CG e
CC (Figura 2), não se pode excluir que algumas dessas vesículas podem se originar de células
da teca, dos oócitos, e até mesmo de tecido não ovariano (Machtinger et al., 2016). A atividade
secretória de comunicação entre células somáticas e oócitos foi demonstrada por meio da
presença de material bioativo de VEs isoladas do FF nas CG, nas CC (da Silveira et al., 2012),
no complexo cumulus-oócito (COC) (Sohel at el., 2013) e n a extremidade próxima ao oócito
das TZP ( Macaulay et al. , 2014) indicando a tiva comunicação intercelular entre as células
somáticas e o oócito e absorção do conteúdo das VEs no decorrer da maturação oocitária e do
desenvolvimento embrionário inicial in vitro.v
A literatura já comprovou que a expansão do COC é um evento crítico para a adequada
ovulação de um oócito competente (da Broi et al., 2018a). A presença de VEs, provenientes de
pequenos folículos antrais, parece induzir a expansão do COC in vitro (Hung et al., 2015). VEs
isoladas do FF de folículos com 3 ± 6 mm, usadas como suplemento durante a maturação
oocitária e o desenvolvimento embrionário inicial in vitro , parecem melhorar o
desenvolvimento embrionário (da Silveira et al., 2017). Uma vez que os oócit os imaturos
presentes em folículos em desenvolvimento precisam acumular RNA mensageiro (RNAm),
sofrer maturação epigenética e adquirir competência oocitária para realizar o desenvolvimento
inicial do embrião até a ativação do genoma embrionário, essa suple mentação parece regular
parcialmente a expressão gênica, modificando os níveis de transcrição de genes relacionados
ao metabolismo e ao desenvolvimento embrionário inicial através da modulação de miRNAs,
da metilação global e da hidroximetilação (da Silveira et al., 2017).
Ademais, descobriu -se que VEs isoladas de pequenos, médios e grandes folículos
bovinos foram similares no diâmetro. Em contrapartida, a concentração das VEs diminuiu
progressivamente com o aumento do diâmetro do folículo (Navakanitworakul et al., 2016).
Esses achados confirmam o papel de mediador da comunicação celular através das VEs no FF
(da Silveira et al., 2012) transportando informações do FF para as células foliculares e oócito
durante o desenvolvimento oocitário, folicular e embrionário inicial (da Silveira et al., 2017).
26
Figura 2: Vesículas extracelulares no folículo ovariano. Fonte: adaptado de Machtinger et al.,
2016.
Atualmente, há um crescente interesse na caracterização das VEs do FF a fim de
melhorar a expansão das CC e a aquisição de competência oocitária (Neyroud et al., 2022). A
maioria das pesquisas direciona o foco do estudo para o FF pois, sua composição composta por
hormônios, fatores de crescimento, citocinas e quimiocinas é extremamente importante para o
desenvolvimento oocitário, mas também, devido à sua proximidade com o oócito, o conteúdo
do FF potencialmente pode refletir o estado fisiológico do oócito (di Pietro et al., 2016). Deste
modo, a análise dos componentes do FF pode fornecer informações úteis sobre a qualidade
oocitária e as vias envolvidas na diferenciação e no desenvolvimento folicular. De fato,
qualquer alteração na composição bioquímica do F F estará, frequentemente, associada a
alterações na qualidade dos oócitos.
1.5 MicroRNAs e qualidade oocitária
Um dos conteúdos mais bem caracterizados como constituintes das VEs na
comunicação intercelular são os microRNAs (miRNAs) (Navakanitworakul et al, 2016;
Neyroud et al., 2022). A relação entre miRNAs e qualidade oocitária é amplamente estudada
na literatura (Xu et al., 2011; Assou et al., 2013; Uhde et al., 2017; Matchinger et al., 2017;
Tesfaye et al., 2018).
Devido às restrições éticas e escassez de oócitos humanos maduros doados para a
pesquisa, a maioria dos estudos relacionados à qualidade oocitária são realizados indiretamente
através da avaliação das CC e/ou do conteúdo do FF em modelos animais (revisado por Llobat,
2021). O resultado é que vários processos reprodutivos e vias de sinalização são influenciados
27
pelos miRNAs, incluindo o desenvolvimento folicular (da Silveira et al., 2012). Durante o
crescimento oocitário, as células foliculares são capazes de captar e transferir miRNAs, através
dos componentes do microambiente folicular, regulando assim a prolife ração celular, o
crescimento e a maturação oocitária, atresia folicular, luteólise, fertilização e desenvolvimento
embrionário inicial (da Silveira et al., 2018). Deste modo, uma crítica regulação da expressão
gênica deve ocorrer em vista de suportar o desenvolvimento da próxima geração (McGinnis et
al., 2015). Estima-se que os miRNAs são capazes de regular 10 -50% da expressão gênica do
genoma humano (Lu & Clark, 2012).
Os miRNAs são pequenas moléculas endógenas de RNA não -codificante com 17 a 25
nucleotídeos que estão envolvidos, em um nível pós-transcricional, na regulação da expressão
gênica dos mais variados processos biológicos (Lee et al., 1993; Wightman et al. 1993;
Saliminejad et al., 2019). A primeira observação da existência destes pequenos RNAs foi
realizada em C. elegans (Lee et al., 1993; Wightman et al., 1993) . De acordo com o banco de
dados da miRBase versão 22 (www.mirbase.org), atualmente, existem mais de 38 mil miRNAs
identificados e catalogados. Acredita-se que cerca de 60% do RNAm humano seja regulado por
miRNAs ( Ha & Kim, 2014 ), porém a função de muitos deles ainda não é totalmente
compreendida (Kozomara et al., 2018). A localização dos miRNAs no genoma é variada,
podendo estar localizados em regiões intrônicas ou exôgenicas de genes codificadores de
proteínas ou em regiões intergênicas (revisto em Kim, 2005 ; Saliminejad et al., 201 9). Essa
característica permite que os miRNAs sejam evolutivamente conservados.
A maioria dos miRNAs apresenta efeito inibitório na expressão gênica, causado pelo
impedimento da tradução proteica do RNA m-alvo. No entanto, quando o miRNA se liga à
região promotora de um gene, seu efeito pode ser oposto, causando a ativação de sua expressão
(Jorge et al., 2021). O pequeno tamanho dos miRNAs e a tolerância de complementariedade
parcial com seu alvo permitem a interação com grande número de RNAms, ou seja, um único
miRNA pode regular vários RNAm -alvos. Assim como, vários miRNAs podem coope rar no
controle da expressão gênica em um único RNAm (Saliminejad et al., 2019). Tal fato reforça a
importância dos miRNAs na regulação da expressão gênica em diversos processos biológicos
e patológicos (Walayat et al., 2018).
Em processos biológicos de modelos animais, o conteúdo de miRNAs provenientes de
VE isoladas do FF de suínos difere e pode afetar o padrão de distribuição mitocondrial durante
a maturação oocitária (Gad et al., 2022). Em bovinos, VE isoladas de folículos pequenos (3 a 5
mm) apresentaram conteúdo de miRNAs que foram associados a genes relevantes para vias de
desenvolvimento celular, proliferação celular e apoptose indicando o estágio inicial do
28
crescimento do folículo antral (Navakanitworakul et al., 2016). Já, VE isoladas de folículos
maiores (acima de 9 mm) apresentaram conteúdo de miRNAs que foram relacionados a genes
envolvidos em vias de resposta inflamatória, aumento da permeabilidade vascular e
angiogênese (Navakanitworakul et al., 2016). Em equinos, o perfil de express ão de miRNAs
provenientes de VEs isoladas do FF também estavam presentes nas GC e CC circundantes (da
Silveira et al., 2012). Além disso, detectou -se três miRNAs que estavam expressos em
quantidades significantemente maiores em VE isoladas do FF de éguas idosas quando
comparadas a éguas jovens (da Silveira et al., 2012).
Apesar da correlação encontrada em animais domésticos, evidências mais diretas s ão
necessárias para estabelecer o conteúdo e possíveis papéis funcionais d as VE ao longo d o
desenvolvimento folicular humano. Além disso, resultados encontrados em modelo animal de
mamíferos podem não ser, necessariamente, extrapolados para humanos e vice-versa, tornando
importante o estudo das VE do fluido folicular humano.
Avanços na temática em humanos demonstram ser possível avaliar a expressão de
miRNAs provenientes de VE isoladas do microambiente folicular. Até o presente somente seis
estudos avaliaram a expressão das VEs e seu conteúdo de miRNAs no FF humano (Sang et al.,
2013; Santonocito et al., 2014; Diez-Fraile et al. 2014; Machtinger et al., 2017; Martinez et al.,
2018; Zhang et al., 2021). Desses estudos, Sang e colaboradores (2013) reportaram 116
miRNAs provenientes de VEs isoladas do FF de mulheres saudáveis submetidas ao TRA por
injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) , Machtinger e colaboradores (2017)
detectaram 207 miRNAs e Martinez e colaboradores (2018), 22 miRNAs. Já Santonocito e
colaboradores (2014) evidenciaram 22 miRNAs diferencialmente expressos (hiperexpressos)
provenientes das VEs isoladas do FF comparados aos miRNAs provenientes das VE isoladas
do plasma das mesm as participantes da pesquisa. Semelhantemente aos achados encontrados
em modelos equino (da Silveira et al., 2012), miRNAs provenientes de VEs isoladas do FF de
mulheres com menos que 31 anos de idade estavam diferencialmente expressos dos encontrados
naquelas com mais que 38 anos de idade (Diez-Fraile et al. 2014). E para finalizar, Martinez e
colaboradores (2018) revelaram diferença nos miRNAs proven ientes VEs do FF de mulheres
submetidas a estimulação ovariana para ICSI encontrados em oócitos que fertilizaram e
falharam em fertilizar, e Zhang e colaboradores (2021) identificaram que miRNAs provenientes
de VEs isoladas do FF de mulheres submetidas a estimulação ovariana para ICSI estavam
diferencialmente expressos entre o FF de oócitos com alta e baixa qualidade. Quando
comparados aos miRNAs provenientes de VEs isoladas do FF do grupo de oócitos com alta
qualidade, os miRNAs do FF de oócitos classificados como de baixa qualidade ( contagem de
29
folículos antrais [CFA] menor que 10 e níveis de hormônio anti -mulleriano [AMH] abaixo de
1.5 ng/mL), mostraram-se superexpressos (Zhang et al., 2021).
Esses resultados sugerem que as VE têm um importante papel em carregar miRNAs
envolvidos no desenvolvimento folicular, na retomada da meiose, na comunicação celular
dentro do folículo ovariano, e também na ativação e/ou desenvolvimento embrionário inicial.
Essa crítica regulação envolve vias de sinalização que incluem TGF -ß e WNT (da Silveira et
al., 2018).
Sabe-se que o perfil de miRNAs difere significativamente entre pessoas saudáveis e
doentes (Sang et al., 2013; Schwarzenbach et al., 2014). Desde então, mudanças na expressão
de miRNAs específicos foram observad as em uma variedade de doenças, incluindo cânceres
ginecológicos (cervical, ovariano e endometrial) (Srivastava et al., 2017), adenocarcinomas
(Zhang et al., 2008), leiomiomas uterinos (Wang et al., 2007), síndrome de ovários policísticos
(SOP) (Jiang et al., 2021), insuficiência ovariana precoce (IOP) (Zhou et al., 2021) e
endometriose (Cosar et al., 2017), além de distúrbios gestacionais, como pré -eclâmpsia e
prematuridade (Traver et al., 2014; Santamaria et al., 2014).
1.6 Vesículas extracelulares e seu conteúdo de microRNAs na infertilidade relacionada à
endometriose
O interesse em conhecer o papel das VE na infertilidade relacionada à endometriose
expandiu, rapidamente, nos últimos anos (Machtinger et al., 2021; Zhou et al., 2021). Visto que
a presença de VE foi relatada no endométrio eutópico, nas lesões endometrióticas, no conteúdo
do endometrioma, no soro, no plasma e no FP de portadoras d a doença (Scheck et al., 2022),
alguns estudos indicam que a comunicação intercelular mediada por essas vesículas contribui
para desenvolvimento e progressão da endometriose (Harp et al., 2016; Sun et al., 2018;
Schjenken et al., 2019). Todavia, a maioria dos estudos direciona o foco para o endométrio
eutópico, as lesões endometrióticas ectópicas e o endometrioma, explorando muito pouco o
soro e o plasma e ainda mais raramente o FP e o microambiente folicular.
Apenas um único estudo avaliou a caracterização das VE quanto ao diâmetro e à
quantificação no FP de mulheres com infertilidade secundária à endometriose (Nazri et al.,
2020). Essa avaliação evidenciou aumento na concentração de VE isoladas do FP de mulheres
inférteis por endometriose nos estágios I e II comparadas a mulheres férteis tanto na fase
proliferativa quanto na secretória do ciclo menstrual (Nazri et al., 2020). Apesar desse estudo
não ter avaliado o conteúdo de miRNAs das VE, o s achados sugerem q ue o envolvimento de
células inflamatórias seja mais proeminente nos estágios iniciais da doença em comparação aos
30
estágios mais tardios que, frequentemente, é caracterizado por lesões endometrióticas
profundas que já foram removidas do contato direto com o FP. O resultado é que essa
característica inflamatória do FP pode afetar os folículos ovarianos em desenvolviment o e,
consequentemente, interferir na qualidade oocitária (Chen et al., 2019; Nazri et al., 2020).
Vários estudos têm demonstrado que a qualidade oocitária tem importância significativa
no comprometimento da fertilidade de mulheres com endometriose (Barcelos et al., 2009, Da
Broi et al., 2014; Barcelos et al., 2015; Donabela et al., 2015; Da Broi & Navarro, 2016; da Luz
et al., 2017; da Luz et al., 2021, da Silva et al., 2021 ). A avaliação direta do oócito humano
maduro é eticamente complicada e é rara a sua doação para pesquisas que inviabilizam a sua
utilização clínica. Deste modo, uma alternativa utilizada para avaliar a qualidade oocitária é por
meio de preditores indiretos como o FF e as CC (Dumesic et al., 2015; Da Broi et al., 2018a).
O FF e as CC são microambientes ativos com papel crucial na aquisição de competência
oocitária, além de manterem íntima correlação com o oócito (Dumesic et al., 2015; Da Broi et
al., 2018 a). Dados recentes da literatura apontam para a importância da comunicação
intercelular mediada por VE na infertilidade relacionada à endometriose (Harp et al., 2016;
Schjenken et al., 2019; Zhang et al., 2019; Huang et al., 2022; Wu et al., 2022). Apenas um
único estudo detectou 21 miRNAs diferencialmente expressos em VE isoladas do FP e do
plasma de mulheres com infertilidade relacionada a endometriose. Esses miRNAs estavam
envolvidos em alterações do sistema imune e processos metabólicos (Khalaj et al., 2019). Esses
achados sugerem que as VE do FP carregam um conteúdo de miRNAs diferente das VE isoladas
do plasma.
Apesar da existência de vários estudos sobre miRNAs e infertilidade associada a
endometriose, grande parte deles estão direcionados para miRNAs circulantes, ou seja, não são
miRNAs provenientes de VE, que é o foco do nosso estudo. Em consequência disso, constata-
se uma ausência na literatura de estudos investigando a potencial associação entre infertilidade,
endometriose e qualidade oocitária, mediada pelo conteúdo de VE.
Neste contexto, a caracterização das VE em relação ao seu diâmetro em nanômetros
(nm) e à quantificação de VE por mililitros (ml) no soro e no FF de mulheres com infertilidade
relacionada à endometriose torna nosso estudo pioneiro nesta temática. Ademais, a análise da
expressão de miRNAs provenientes de VE isoladas do FF de mulheres com infertilidade devido
à endometriose ainda não foi explorada. Em consequência disso, o presente estudo será uma
realização inédita capaz de esclarecer vias metabólicas e mecanismos moleculares desregulados
que estão relacionados com o papel da endometriose na infertilidade e seu impacto na aquisição
de competência oocitária.
31
2 Objetivos
2.1 Objetivos Primários
Caracterizar e comparar o diâmetro, em nm, e a concentração de VEs por ml no soro de
mulheres inférteis com endometriose avançada e com infertilidade por fator masculino
submetidas à estimulação ovariana controlada (EOC) para realização de fertilização in vitro.
Caracterizar e comparar diâmetro, em n m, e a concentração de VEs por ml no FF de
mulheres inférteis com endometriose avançada e com infertilidade por fator masculino
submetidas à EOC para realização de fertilização in vitro.
Comparar a expressão de 82 miRNAs maduros e precursores isolados d e VEs
provenientes do FF de mulheres inférteis com endometriose avançada e com infertilidade por
fator masculino submetidas à EOC para realização de fertilização in vitro.
2.2 Objetivos Secundários
Comparar o diâmetro, em n m, e a quantidade de VE por ml entre o soro e o FF de
mulheres com infertilidade por fator masculino submetidas à EOC para realização de
fertilização in vitro.
Comparar o diâmetro, em n m, e a quantidade de VE por ml entre o soro e o FF de
mulheres inférteis com endometriose avançada submetidas à EOC para realização de
fertilização in vitro.
Identificar os miRNAs em VE do FF entre os grupos controle infértil sem endometriose
e infértil por endometriose avançada. Predizer as vias metabólicas nas quais esses miRNAs
possam estar envolvidos.
32
3 Casuística e Métodos
3.1 Considerações éticas
O projeto foi aprovado pela Comissão de Pesquisa do DGO da FMRP da USP, pela
Comissão de Ética em Pesquisa (CEP) do HC/FMRP/USP sob número do parecer: 5.793.443 e
CAAE: 64403022.3.0000.5440.
3.2 Desenho do estudo e local realizado
Trata-se de um estudo observacional caso -controle não multicêntrico desenvolvido
junto ao Setor de Reprodução Humana, do D epartamento de Ginecologia e Obstetrícia da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (DGO/F MRP/USP),
que incluiu pacientes no período de novembro de 2018 a dezembro de 2022 . O recrutamento
das participantes da pesquisa, a coleta e o preparo do material foram realizados no Centro de
Reprodução Humana (CRH) do Hospital das Clínicas da F MRP/USP (HCFMRP/USP). Os
procedimentos de isolam ento, caracterização e avaliação da quantificação de VE por ml e
diâmetro das VE em nm, e a análise do perfil de miRNA isolados das VEs das amostras de soro
e FF foram feitos no Laboratório de Morfofisiologia Molecular do Desenvolvimento (LMMD)
do Departamento de Medicina Veterinária da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de
Alimentos (FZEA) , Ca mpus Fernando Costa da Uni versidade de São Paulo (USP),
Pirassununga, São Paulo.
3.3 Participantes e Critérios de Elegibilidade
Mulheres com infertilidade que preencher am os critérios de elegibilidade, foram
convidadas a participar do estudo no dia de início do ciclo de estimulação ovariana para ICSI ,
após a realização do ultrassonografia transvaginal ( UStv). As pacientes que concordaram em
conceder as amostras de sangue periférico e FF assinaram o termo de consentimento livre e
esclarecido (TCLE) previamente à inclusão no estudo. Como rotina do serviço de Reprodução
Humana, todas as pacientes são clinicamente examinadas para determinar o fator de
infertilidade e somente foram incluídas pacientes que foram submetidas aos protocolos de EOC
definidos no estudo para a realização de ICSI. Para este estudo, as participantes da pesquisa
foram divididas no grupo endometriose e grupo controle infértil (fator masc ulino de
infertilidade).
Foram consideradas elegíveis as pacientes com idade inferior a 40 anos, índice de massa
corporal ( IMC) entre 18,5 kg ̸m2 e 30 kg ̸m2, sem quaisquer outras condições patológicas
33
associadas como dislipidemia, doenças autoimunes, SOP, neoplasias malignas, IOP,
anovulação crônica, hidrossalpinge , doença cardiovascular, doenças reumatológicas, doenças
renais, hepatopatias, doenças crônicas como diabetes melittus e outras endocrinopatias (exceto
hipotireoidismo controlado com TSH menor que 2,5UI/ml ), infecção pelo vírus HIV,
hipertensão, qualquer infecção ativa, tabagismo ou uso crônico de medicações
antidislipidêmicas, hormonais, anti-inflamatórios hormonais e não hormonais e medicamentos
como tiazídicos, betabloqueadores e corticoides nos três meses anteriores à inclusão no estudo.
No grupo endometriose foram elegíveis pacientes com infertilidade associada
exclusivamente à endometriose, diagnosticada por VLPSC nos estágios III e IV ou com doença
infiltrativa profunda diagnosticada por VLPSC, UStv ou ressonância magnética pélvica, sem
endometrioma ovariano no ciclo de participação no estudo. O grupo controle foi constituído
por pacientes sem diagnóstico de endometriose (sem quadro clínico e exames de imagem
sugestivos da doença) e que apresent avam infertilidade por fator masculino. Com o fator
masculino foi considerado a presença de contagem total de espermatozoides mó veis (CTEP)
menor que 10 milhões. A CTEP foi obtida pela multiplicação do volume da ejaculação em
mililitros pela concentração de espermatozóides e a proporção de espermatozóides com
motilidade progressiva dividida por 100% (Smith et al., 1977; Ayala et al., 1996; Hamilton et
al., 2015).
Foram excluídas as participantes da pesquisa que, após o recrutamento, for am
submetidas a protocolos de EOC distintos dos propostos para o estudo, que utilizar am a
medicação incorretamente ou que ti veram o ciclo cancelado e não realizar am captação
oocitária.
3.4 Protocolo de Estimulação Ovariana e Suplementação de Fase Lútea
Com o objetivo de sincronizar e programar o início do ciclo de EOC foi utilizada a
programação da menstruação, por meio do uso de anticoncepcionais orais combinados
diariamente, iniciados no período menstrual do ciclo precedente até cinco dias antes do previsto
para o início da estimulação ovariana.
A EOC foi iniciada cinco dias após a interrupção dos contraceptivos orais combinados
usados para a programação do ciclo. Todas as mulheres foram monitorizadas apenas por UStv
(Martins et al., 2014), submetidas ao protocolo flexível com antagonista do hormônio liberador
de gonadotrofinas ( GnRH) e a EOC foi realizada de acordo com um dos três protocolos
descritos a seguir:
34
- Protocolo flexí vel com antagonista e alfacorifolitropina (Elonva®, Schering -Plough,
Brasil). Cinco dias após a interrupção do contraceptivo oral combinado foi administrada a
alfacorifolitropina na dose de 100 mcg para participantes da pesquisa com até 60kg e 150 mcg
para participantes da pesquisa com mais de 60kg. Seis dias após a administração da
alfacorifolitropina foi realizada a primeira US tv para monitorização do ciclo. O bloqueio
hipofisário foi realizado com antagonista do GnRH (Cetrotid®, Merck Serono, Rio de Janeiro,
Brasil ou Orgalutran®, Merck & Co), iniciado quando houve um folículo com tamanho médio
≥ 14 mm e mantido até o dia da administração da gonadotrofina coriônica humana (hCG)
(Ovidrel®, Serono, Brasil). No oitavo dia após a administração da alfacorifolitropina, as
participantes da pesquisa que não apresentar am critério para uso do hCG recombinante,
iniciaram o uso diário de gonadotrofinas (150 -300 IU/dia), usadas até a véspera do dia de uso
do hCG.
- Protocolo flexível com antagonista e hormônio folículo estimulante (FSH) recombinante
(FSHr) (Gonal-F®, Serono, Brasil; Puregon®, Organon, Brasil). Cinco dias após a interrupção
do contraceptivo oral combinado foi administrado FSHr, 150 a 300 UI por dia, durante os seis
primeiros dias da EOC. A partir do sétimo dia EOC, a dose foi ajustada de acordo com o
crescimento folicular, monitorado com US tv diariamente ou em dias alternados e mantida até
a véspera do dia de uso do hCG. O bloqueio hipofisário foi realizado com antagonista do GnRH
(Cetrotid®, Merck Serono, Rio de Janeiro, Brasil ou Orgalutran®, Merck & Co), iniciado
quando houve um folículo com tamanho médio ≥ 14 mm e mantido até o dia da administração
da hCG (Ovidrel®, Serono, Brasil).
- Protocolo flexível com antagonista e hpHMG (Menopur©, Ferring, Aalst, Belgium ou
Pergoveris). Cinco dias após a interrupção do contraceptivo oral combinado foi administrado
hpHMG 225 a 300 UI por dia, pela via subcutânea, durante os seis primeiros dias da EOC. O
monitoramento do crescimento folicular foi realizado por US tv a cada dois dias. O bloqueio
hipofisário foi realizado com antagonista do GnRH (Cetrotid®, Merck Serono, Rio de Janeiro,
Brasil ou Orgalutran®, Merck & Co), iniciado quando houve um folículo com tamanho médio
≥ 14 mm e mantido até o dia da administração da hCG, que foi realizada com a injeção
subcutânea de uma ampola de hCG recombinante (Ovidrel®, Serono, Brasil), no dia seguinte
(em torno das 22-23h) à observação de um folículo ≥ 16 mm, ou no dia da observação de um
folículo ≥ 18 mm.
Quando pelo menos dois folículos atingiram 17 mm de tamanho médio, foi administrado
250 µg de hCG recombinante neste dia ou no dia seguinte às 22:00. A captação dos oócitos foi
realizada 34 a 36h após a administração do hCG recombinante.
35
A suplementação da fase lútea foi realizada com progesterona natural micronizada
(Utrogestan®, Besins Healthcare, Brasil) por via vaginal na dose de 200mg, três vezes ao dia,
a partir do dia da captação oocitária e mantida até a décima segunda semana da gestação, nas
participantes da pesquisa que engravidaram.
3.5 Delineamento experimental
3.5.1 Coleta e armazenamento das amostras
Para a aspiração folicular , as participantes da pesquisa foram submetidas a sedação
endovenosa com propofol (Diprivan®, Zeneca -Astra, Brasil) e fentanil (Fentanil®, Jansen -
Cilag, Brasil). O FF e os COCs foram aspirados por via endovaginal, guiada por um transdutor
de ultrassom transvaginal. Uma agulha padrão de lúmen único (Wallace, Smiths Medical,
Mexico) foi usada, com pressão aspirativa artificial constante de 100mmHg , obtida com uma
bomba de sucção controlada eletronicamente (Craft® Bomba de sucção, Rocket Medical,
Inglaterra).
O FF coletado em cada tubo foi analisado em estereomicroscópio e, após a identificação
e remoção dos COCs , foi separado. As amostras de FF usadas na pesquisa foram obtidas
juntando-se todo o FF obtido de todos os folículos puncionados de cada pa rticipante da
pesquisa, originando um pool de FF. O pool de FF foi reunido em tubos estéreis, individuais,
aquecidos a 37°C, sem meio de cultura. Imediatamente após a coleta, as amostras de FF foram
centrifugadas à 800xg por 10 minutos à 4°C para a separação do líquido de interesse dos debris
celulares e armazenadas a -80°C para posterior isolamento e caracterização das VE.
As amostras de sangue foram coletadas no momento da punção venosa para
administração da sedação. As amostras de sangue foram deixadas em temperatura ambiente por
20 minutos para que se efetuasse a coagulação. Em seguida, foram centrifugadas duas vezes à
1000 x g por 10 minutos à 4°C para a separação do soro. O soro foi, imediatamente, transferido
para microtubos e armazenados a -80°C para posterior isolamento e caracterização das VE.
3.5.2 Isolamento das Vesículas Extracelulares
VE menores de 200nm (semelhantes a exossomos), foram obtidas do soro e FF. 1ml
dessas amostras de cada participante da pesquisa de ambos os grupos, endometriose e controle,
foram descongeladas à temperatura ambiente por 5 minutos e passaram por centrifugações
seriadas. A primeira centrifugação foi de 300 x g por 10 minutos à 4°C para a retirada de células.
O sobrenadante foi retirado e adicionado novos microtubos que foram centrifugados em 2000
x g por 10 minutos à 4°C para retirada de debris celulares. Novamente, o sobrenadante foi
36
retirado e adicionado a novos microtubos que foram centrifugados em 16.500 x g por 30
minutos à 4°C para a separação das VEs pequenas (exosossomos) e microvesículas (MV).
Após a centrifugação seriada, as MV foram armazenadas a -80°C. O sobrenadante, que
corresponde à VEs pequenas, foi transferido para microtubos e filtrado em filtro com poro de
0,22µm (Kasvi). Em seguida, foi ultracentrifugado a 119.700 x g por 70 minutos à 4°C (Optima
XE-90 Ultracentrifuge; rotor 70 Ti; Beckman Coulter). Após a primeira ultracentrifugação , o
pellet foi diluído em 2 ml de tampão fosfato -salino (1xPBS) livre de cálcio e magnésio e
ultracentrifugado, novamente, a 119.700 x g por 70 minutos à 4°C. O pellet (Figura 3) obtido a
partir da segunda centrifugação foi diluído em 50μl de 1xPBS livre de cálcio e magnésio, 20ul
foi transferido para microtubos destinados à análise de miRNA e armazenado a -80°C, e 10ul
foi destinado à análise do diâmetro e da concentração das VE.
Figura 3: Figura esquemática representando o protocolo de centrifugações seriadas para
preparo de fluidos para posterior isolamento de vesículas extracelulares. Fonte: própria autoria.
3.5.3 Caracterização das Vesículas Extracelulares
A suspensão de VE isoladas do soro e FF foi analisada pela metodologia de rastreamento
de nanopartículas (NTA). A NTA é uma metodologia óptica de visualização e caracterização
de nanopartículas amplamente utilizada nas pesquisas tratando com VEs (V an der Pol et al.,
2012).
3.5.3.1 Nanoparticle Tracking Analysis (NTA)
Para estimar o diâmetro (média das modas) e a quantificação das VE, 10µL da
suspensão de VEs isoladas foi diluído em 50µL de 1xPBS livre de cálcio e magnésio. A análise
das VEs foi realizada no aparelho Nanosight® (NS300; NTA 3.1 Build 3.1.45; Mal Vern)
através da captura de 5 vídeos de 30 segundo s para cada amostra. Os parâmetros utilizados
foram: fator de diluição utilizado para leitura foi de 7.1x10, tipo de câmera sCMOS, camera
level 13, velocidade de bombeamento da seringa 60 e temperatura controlada a 37°C. As
análises foram realizadas considerando um threshold 5.
37
3.5.4 Extração de RNA das Vesículas Extracelulares
O conteúdo de RNA total das VE, incluindo os miRNAs, foi extraído usando o protocolo
QIAzol® (QIAzol®Lysis Reagent, Qiagen, EUA), segundo instruções do fabricante, com
adição do coprecipitante GlycoBlue® (15µg/mL, Thermo Fisher Scientific) para aumentar a
precipitação de RNA. O protocolo QIAzol® combina a lise do Qiazol com métodos padrão de
homogeneização e precipitação com isopropanol. O pellet de RNA total foi ressuspendido em
10µL de água livre de RNAse e DNAse.
As concentrações (ng/µL) foram determinadas por espectrofotometria por meio do
espectrofotômetro NanoDrop® 2000 (Thermo Fisher Science). Resumidamente, 1µL da
suspensão de RNA total foi utilizada para a quantificação do RNA. Para evitar a contaminação
com DNA, 9 µL da suspensão de RNA total de cada amostra foi tratada com DNAse I
(Invitrogen. Thermo Fisher Scientific, EUA & Canadá) segundo as instruções do fabricante.
3.5.5 Transcrição Reversa
Para obtenção do cDNA de miRNAs foi realizada a transcrição reversa utilizando o kit
comercial microscript microRNA cDNA Synthesis Kit (Norgen, Biotec Corp., Canadá) .
Resumidamente, 5µL do 2x Reaction Mix; 0,5µL da TruScript microRNA Enzyme Mix e 4,5µL
da suspensão de RNA total de cada amostra foram incubadas em termociclador ProFlex™ PCR
System (Life Technologies, EUA) seguindo as instruções do fabricante: 30 minutos incubação
à 37°C, seguido por 30 minutos à 50°C e 15 minutos à 70°C. O resultado obtido pa ra cada
amostra foi 10 µL de reação contendo concentração entre 80 e 120 ng totais de RNA total.
3.5.6 Análise da expressão relativa dos microRNAs por Reação em Cadeia da
Polimerase em Tempo Real (RT – PCR)
A amplificação de 82 miRNAs em VE do FF de mulheres inférteis com e sem
endometriose foi avaliada por RT-PCR. Para obter os miRNAs fo ram selecionados apenas
primers de miRNAs relacionados à qualidade oocitária e que já foram identificados em outros
tecidos de portadoras de endometriose, como endométrio eutópico, lesões peritoneais,
endometrioma, soro, plasma e FP (Anexo A).
RT-PCR foi realizado usando o kit GoTaq® qPCR Mastex Mix ( Promega, EUA),
Universal PCR Reverse Primer, água livre de RNA, microRNA cDNA e microRNA específicos
Foward Primer (5 µM) (todos da Norgen Biotek Cop., Canadá), totalizando reações de 6 μl.
38
As amplificações foram realizadas no equipamento QuantStudio 6 Flex (Life
Technology). As temperaturas e tempos utilizados foram 95°C por 5 minutos para o início da
desnaturação das fitas de cDNA seguido de 45 ciclos de 95°C por 10 segundos para
desnaturação, 60°C por 30 segundos para anelamento dos primers e 70°C por 30 segundos para
extensão, quando ocorre a captação da fluorescência. A amplificação foi confirmada pela
análise da curva de melting.
3.5.7 Cálculo da expressão relativa dos microRNAs
Para análise dos miRNAs das VEs obtidas do FF, Cycle threshold (CT) maior que 37
foram excluídos. Os valores brutos de CT foram normalizados utilizando o Hm/Ms/Rt T1
snRNA. As amostras foram avaliadas quanto à repetibilidade dentro de cada grupo. Os miRNAs
foram considerados presentes apenas quando observados em pelo menos 50% amostras do
mesmo grupo. Os miRNAs identificados em ambos os grupos foram comparados através das
médias de expressão relativa de cada miRNA dos dois grupos. Para saber a expressão
diferencial dos miRNAs, os níveis de transcritos foram calculados usando o método 2 -∆CT
(Schmittgen & Livak, 2008).
3.5.8 Enriquecimento funcional
Para identificação das vias relacionadas, os miRNAs encontrados foram inseridos n o
software de predição miRPath v.4 da plataforma DIANA Tools
(http://62.217.122.229/app/miRPathv4). O DIANA-miRPath permite identificar, com alta
precisão, interações de miRNA s preditos experimentalmente baseado no DIANA-TargetScan
v.8 e miRBase v.22.1 ( Tastsoglou et al., 2023). A análise de enriquecimento dos múltiplos
genes-alvos comparando o conjunto de miRNAs para todas as vias conhecidas na base de dados
Kyoto Encyclopedia of Genes and Genomes (KEEG) (P-value threshold 0.05).
39
4 Análise Estatística
Para a comparação das características clínicas das participantes da pesquisa como idade,
IMC, FSH, CFA, tempo de infertilidade , número de oócitos captados, número de oócitos
maduros, número de oócitos fertilizados, tempo da EOC, número de embriões em D2, número
de embriões em D3, número de blastocistos, número total de embriões formados, número de
embriões transferidos a fresco , número de embriões vitrificados , presença ou ausência de
transferência a fresco e tipo de infertilidade entre os grupos endometriose avançada e controle
infértil foi usado a média dos dados e o desvio padrão (DP) com p referente ao teste paramétrico
para dua s amostras independentes , teste t de Student (p < 0,05). A análise estatística foi
realizada utilizando-se o programa SAS® 9.3
Para a análise do diâmetro e da quantificação das VEs foi aplicado o teste t de Student.
As análises foram realizadas no programa SAS® 9.3. Para análise dos miRNAs exclusivos das
VEs obtidas do FF em cada grupo fo i utilizado o Diagrama de Venn. A expressão relativa de
cada miRNA dos dois grupos foi comparada através das médias dos grupos utilizando teste t de
Student considerando 5% de probabilidade. A expressão diferencial dos miRNAs foi calculada
através do Fold Change (FC), considerando log2 FC ≥ 1.5 e p < 0.05, por meio da plataforma
Metaboanalyst 5.0 (https://www.metaboanalyst.ca/).
A análise de enriquecimento foi realizada com o software de predição miRPath v.4 da
plataforma DIANA Tools ( http://62.217.122.229/app/miRPathv4) e do banco de dados Kyoto
Encyclopedia of Genes and Genomes (KEEG) (P-value threshold 0.05).
40
5 Resultados
5.1 Fluxograma do estudo
No período de novembro de 2018 a dezembro de 2022 foram analisados um total de
1303 prontuários de mulheres admitidas por infertilidade conjugal no Serviço de Reprodução
Assistida do CRH -HCFMRP-USP. Dessas mulheres, 1256 não atenderam os critérios de
elegibilidade. Assim, as 47 elegíveis para participação no estudo foram entrevistadas, 7 não
aceitaram participar do estudo e 40 assinaram o TCLE (Anexo B), sendo 20 do grupo
endometriose avançada e 20 do grupo controle. Dessas 40, 5 do grupo endometriose tiveram o
ciclo cancelado por apresentarem má resposta ovariana . Desta forma, obtivemos soro e FF
doados por 20 mulheres do grupo controle (infértil por fator masculino) e 15 do grupo
endometriose avançada. Amostras de soro e FF de 5 mulheres do grupo endometriose avançada
foram perdidas devido a um problema no freezer -80°C no período da pandemia de COVID-19
em que o CRH -HCFMRP-USP esteve fechado. Finalizando, as análises foram realizadas em
20 participantes da pesquisa com infertilidade conjugal exclusiva por fator masculino
representando o grupo Controle e em 10 participantes da pesquisa com infertilidade relacionada
à endometriose avançada configurando o grupo endometriose . O fluxograma do estudo está
representado na figura 4.
41
Figura 4: Fluxograma do estudo. Total de participantes da pesquisa avaliadas quanto a
elegibilidade, elegíveis, incluídas e excluídas no estudo. Divisão nos Grupos Controle e
Endometriose avançada.
5.2 Caracterização das participantes da pesquisa
A comparação entre os grupos Controle e Endometriose avançada não evidenciou
diferenças estatisticamente significa tivas em relação às características clínicas das pacientes:
idade, IMC, FSH, CFA, tempo de infertilidade (meses), tempo da EOC (dias), número de
oócitos captados, número de oócitos maduros, número de oócitos fertilizados, número total de
embriões formados, número de embriões em D2, número de embriões em D3, número de
blastocistos, número de embriões transferidos a fresco e número de embriões vit rificados
conforme apresentado na Tabela 1.
42
Tabela 1: Características clínicas das pa rticipantes da pesquisa do grupo controle e do grupo
endometriose Avançada.
Variável Endometriose
n= 10
Controle
n= 20
P
Idade (anos) 36.60 (3.31) 35.90 (3.01) 0.5653
IMC (kg/m2) 24.20 (3.20) 25.29 (2.75) 0.3404
FSH (mIU/mL) 6.58 (1.97) 6.15 (3.98) 0.7632
CFA 10.60 (8.44) 13.65 (6.26) 0.2723
Tempo de infertilidade (meses) 76.80 (40.99) 66.90 (42.26) 0.5463
Tempo de EOC (dias) 11.00 (2.11) 10.85 (1.79) 0.8395
N° de oócitos captados 7.20 (2.70) 6.10 (3.65) 0.4075
N° de oócitos maduros 5.70 (2.87) 5.00 (3.34) 0.5763
N° de oócitos fertilizados 3.80 (2.39) 3.20 (3.09) 0.5953
N° de total de embriões formados 3.00 (1.94) 2.35 (2.16) 0.4292
N° de embriões em D2 3.30 (1.89) 3.05 (2.93) 0.8086
N° de embriões em D3 2.90 (2.33) 2.55 (2.91) 0.7438
N° de blastocistos 0.30 (0.95) 0.35 (1.35) 0.9174
N° de embriões transferidos a fresco 0.80 (0.92) 0.75 (0.97) 0.8930
N° de embriões vitrificados 2.20 (2.35) 1.45 (2.14) 0.3880
Nota. Dados expressos como média (desvio padrão), p referente ao teste t de Student para duas
amostras independentes (p < 0,05). Endometriose nos estágios avançada; IMC: índice de massa
corporal; FSH: hormônio folículo estimulante; CFA: contagem de folículos antrais; OO:
oócitos; EOC: estimulação ovariana controlada. A análise estatística foi realizada utilizando-se
o programa SAS® 9.3.
A comparação entre os grupos Controle e Endometriose avançada também não
evidenciou diferenças estatisticamente significativas em relação ao tipo de infertilidade,
primária ou secundária, (p = 0.4475) e presença de embrião top transferido (p = 0.7703).
43
5.3 Caracterização das Vesículas Extracelulares
As VE obtidas a partir do isolamento do soro e FF foram mensuradas e contabilizadas
por NTA. O diâmetro médio, em nanômetros, das partículas no soro e no FF dos grupos
Controle e Endometriose avançada estavam de acordo com o esperado para VEs.
5.3.1 Comparação entre os grupos Controle e Endometriose avançada
A quantificação de VEs por ml e o diâmetro das VEs, em nm, no soro não apresentaram
diferença entre os grupos (p = 0.3412 e p = 0.1954, respectivamente) (Tabela 2).
Tabela 2: Quantificação e diâmetro das vesículas extracelulares no soro dos grupos Controle e
Endometriose avançada.
Variável Endometriose Controle P
Quantificação (VE/ml) 6,67x109 (2,06 x109) 7,5x109 (2,04 x109) 0.3412
Diâmetro (nm) 153.13 (18.88) 153.55 (15.87) 0.1954
NOTA: Dados expressos como média (desvio padrão). Teste t de Student para duas amostras
independentes. Nível de significância de 95%. Endometriose: mulheres inférteis por
endometriose avançada. Controle: mulheres inférteis fator masculino sem endometriose .
Diâmetro = média das modas.
A quantificação de VEs por ml no FF não demonstrou diferença entre os grupos (p =
0.5132). Todavia, o diâmetro das VEs, em nanômetros, no FF foi significativamente maior no
grupo endometriose avançada comparado ao controle (Tabela 3).
Tabela 3: Quantificação e diâmetro das vesículas extracelulares no fluido folicular dos grupos
Controle e Endometriose avançada.
Variável Endometriose Controle P
Quantificação (VE/ml) 9,71x109 (4,38x109) 8,77x109 (2,6 x109) 0.5132
Diâmetro (nm) 162.24 (12.34) 155.08 (15.30) 0.0405
NOTA: Dados expressos como média (desvio padrão). Teste t de student para duas amostras
independentes. Nível de significância de 95%. Endometriose: mulheres inférteis por
endometriose avançada. Controle: mulheres inférteis sem endometriose. Diâmetro = média das
modas.
44
5.3.2 Comparação entre soro e o fluido folicular do grupo Controle
A concentração e o diâmetro das VE no grupo Controle não apresentaram diferença
significativa (p < 0.05) entre o soro e o FF (p = 0.0896 e p = 0.7579, respectivamente).
5.3.3 Comparação entre soro e fluido folicular do grupo Endometriose avançada
A quantificação de VE por ml e o diâmetro das VE em nanômetros no grupo
Endometriose foram estatisticamente maiores no FF quando comparadas ao soro (Tabela 4).
Tabela 4: Quantificação e diâmetro das vesículas extracelulares entre soro e fluido folicular do
grupo Endometriose avançada.
Variável Soro Fluido Folicular P
Concentração 6,67x109 (2,06x109) 9,7x109 (4,38 x109) 0.0334
Diâmetro 153,55 (18,88) 162.24 (12,34) 0.0021
NOTA: Dados expressos como média (desvio padrão). Teste t de student para duas amostras
pareadas. Nível de significância de 95%. Endometriose: mulheres inférteis por endometriose
avançada. Diâmetro = média das modas.
5.4 Perfil de microRNAs em Vesículas Extracelulares obtidas do fluido folicular
O perfil de miRNAs das VE obtidas do FF foi avaliado utilizando um painel
customizado contendo as sequências de 82 miRNAs. Foram detectados 73 miRNAs nos dois
grupos. Desses, 59 foram comuns em ambos os grupos, 1 foi exclusivo do grupo controle e 13
foram exclusivos do grupo endometriose avançada (Figura 5).
45
Figura 5: Diagrama de Venn representando a intersecção dos 73 microRNAs provenientes das
comparações entre as vesículas extracelulares isoladas do fluido folicular de mulheres inférteis
com e sem endometriose.
Entre os 59 miRNAs presentes em ambos os grupos, 24 estavam diferencialmente
expressos entre os grupos ( |log2 FC| ≥ 1.5 e p < 0.05), sendo todos elevados no grupo
endometriose avançada (Tabela 5 e Figura 6).
Tabela 5 : microRNAs diferencialmente expressos em vesículas extracelulares isoladas do
fluido folicular de mulheres inférteis com endometriose avançada comparadas aos controles
inférteis sem endometriose.
miRNA p value Fold Change (FC) Status
miR-24-3p 0.0008 6.6464 Hiperexpressos
miR-145-5p 0.0165 6.0871 Hiperexpressos
miR-151-3p < 0.0001 5.7267 Hiperexpressos
miR-206 0.0043 5.705 Hiperexpressos
miR-141-3p 0.0424 5.4108 Hiperexpressos
miR-885-5p < 0.0001 5.0663 Hiperexpressos
miR-214-3p < 0.0001 4.9985 Hiperexpressos
miR-21-5p 0.0327 4.9303 Hiperexpressos
46
miR-31-5p 0.0008 4.7659 Hiperexpressos
miR-139-5p 0.00025 4.7206 Hiperexpressos
miR-330-3p 0.0004 3.8784 Hiperexpressos
miR-185-5p 0.0053 3.6476 Hiperexpressos
miR-127-3p < 0.0001 3.5234 Hiperexpressos
miR-425-3p 0.0019 3.3947 Hiperexpressos
miR-504-3p 0.0264 3.3922 Hiperexpressos
miR-378a-3p < 0.0001 2.9698 Hiperexpressos
miR-490-3p 0.0009 2.9432 Hiperexpressos
miR-92a-3p 0.0228 2.8707 Hiperexpressos
miR-574-5p 0.00018 2.3866 Hiperexpressos
miR-30c-5p 0.0012 2.3805 Hiperexpressos
miR-877-5p 0.0006 2.3443 Hiperexpressos
miR-187-3p 0.0002 2.1903 Hiperexpressos
miR-191-5p < 0.0001 2.0446 Hiperexpressos
miR-423-3p 0.002 1.936 Hiperexpressos
NOTA: Status de expressão dos miRNAs no grupo infértil por endometriose avançada em
relação ao grupo controle infértil sem endometriose (Fold change ≥ 1.5 e p value < 0.05).
47
48
Figura 6: microRNAs diferencialmente expressos em mulheres inférteis sem endometriose
(grupo Controle) e inférteis por endometriose avançada (grupo Endometriose). (A–X) Os 24
miRNAs hiperexpressos em mulheres inférteis por endometriose avançada. Análise estatística
realizada pelo tese t de Student. Nível de significância de 95%.
5.5 Análise de bioinformática dos microRNAs
A análise de bioinformática foi utilizada para identificar as vias reguladas pelos
miRNAs identificados e potencialmente envolvidas na aquisição de competência oocitária. Os
miRNAs que foram exclusivos em cada grupo e os miRNAs que foram diferencialmente
expressos entre os grupos foram utilizados para selecionar as vias moduladas.
5.5.1 Análise de enriquecimento dos microRNAs exclusivamente expressos em Vesículas
Extracelulares isoladas do fluido folicular do grupo Controle
A análise de enriquecimento do grupo Controle considerou as 10 principais vias
metabólicas que evidenciaram processos biológicos e vias de atuação correlacionadas com o
miRNA encontrado, exclusivamente, em VEs do FF de mulheres inférteis sem endometriose
(Figura 7 A e B). As vias foram classificadas por meio dos valores mais baixos do p-value
(p≤0.05). O mir-155-5p é predito de regular 58 vias de sinalização (Anexo C – Tabela 1). Dentre
as 10 principais vias, as vias de sinalização mAPK, regulatória das cé lulas-tronco de
pluripotência, mTOR, TGF-β e de prolactina estão correlacionadas com o possível impacto na
aquisição oocitária.
49
Figura 7: Análise de enriquecimento das 10 principais vias preditas modulada pelo microRNA
proveniente de vesículas extracelulares isoladas do fluido folicular de mulheres inférteis sem
endometriose (grupo Controle). (A) Representação do número de genes alvos dos miRNAs em
cada via de sinalização. (B) Representação da significância de modulação da via de acordo com
o valor de p. Os valores de p foram normalizados utilizando -log10.
5.5.2 Análise de enriquecimento dos microRNAs exclusivamente expressos em
Vesículas Extracelulares isoladas do fluido folicular do grupo Endometriose
As 10 principais vias metabólicas preditas moduladas pelos miRNAs identificados
exclusivamente no grupo Endometriose foram classificadas por meio dos valores mais baixos
do p-value (p≤0.05) com o objetivo de evidenciar os processos biológicos e as vias de atuação
(Figura 8 A e B). Os 13 miRNAs exclusivos em endometriose III/IV são preditos de regularem
149 vias de sinalização (Anexo C – Tabela 2). Dentre as 10 principais vias, as vias de
sinalização MAPK, Ras, regulação do citoesqueleto de actina, adesão f ocal e ErbB se
50
correlacionaram com o potencial papel da endometriose na infertilidade e seu possível impacto
na aquisição oocitária.
Figura 8: Análise de enriquecimento das 10 principais vias preditas moduladas pelos
microRNAs provenientes de vesículas extracelulares isoladas do fluido folicular de mulheres
inférteis com endometriose III/IV (grupo Endometriose). ( A) Representação do número de
genes alvos dos miRNAs em cada via de sinalização. ( B) Representação da significância de
modulação da via de acordo com o valor de p. Os valores de p foram normalizados utilizando -
log10.
5.5.3 Análise de enriquecimento dos microRNAs diferencialmente expressos em
Vesículas Extracelulares isoladas do fluido folicular de mulheres inférteis sem e com
endometriose avançada (grupos Controle e Endometriose)
A análise de enriquecimento foi realizada para definir as vias biológicas preditas pelos
miRNAs diferencialmente expressos entre mulheres inférteis sem endometriose e inférteis com
51
endometriose avançada. Nas VE isoladas do FF de mulheres inférteis com endometriose
avançada, 24 miRNAs estavam hiperexpressos e foram preditos de regularem 152 vias de
sinalização (Anexo C – Tabela 3). As 10 principais vias metabólicas envolvidas nos processos
biológicos e nas vias de atuação foram classificadas por meio dos valores mais baixos do p-
value (p≤0.05) (Figura 9 A e B). Das 10 principais vias, as vias de sinalização Ras, cAMP,
Rap1, WNT, Hippo, regulatória das células -tronco de pluripotência e ErbB estão
correlacionadas com o potencial papel da endometriose na infertilidade e seu possível impacto
na aquisição da competência oocitária.
Figura 9: Análise de enriquecimento das 10 principais vias preditas moduladas pelos
microRNAs provenientes d e vesículas extracelulares isoladas do fluido folicular
diferencialmente expressos entre mulheres inférteis sem endometriose (grupo Controle) e com
endometriose avançada (grupo Endometriose). ( A) Representação do número de genes alvos
dos miRNAs em cada via de sinalização. (B) Representação da significância de modulação da
via de acordo com o valor de p. Os valores de p foram normalizados utilizando -log10.
52
6 Discussão
A associação entre endometriose e infertilidade encontra fundamento na alta prevalência
desta doença em populações de mulheres inférteis (Missmer et al., 2004; ASRM, 2012; OMS,
2021). O efeito deletério da endometriose na qualidade oocitária foi suspeitado há cerca de três
décadas, ao se observar que as taxas de gestação de mulheres com endometriose usando seus
próprios oócitos foram menores do que as de mulheres sem a doença (Simón et al., 1994).
Entretanto, mulheres com endometriose , usando oócitos doados por mulheres sem a doença,
apresentaram taxas de implantação similares as de mulheres sem endometriose (Simón et al.,
1994). A qualidade oocitária comprometida tem sido considerada um dos possíveis fatores
envolvidos na infertilidade apresentada por mulheres com endometriose e uma série de estudos
tem procurado entender os mecanismos pelos quais a endometriose poderia favorecer o
comprometimento da qualidade gamética (Barcelos et al., 2009; da Broi et al., 2014; Barcelos
et al., 2015; Donabela et al., 2015; da Broi et al., 2016; Giorgi et al., 2016; Jianini et al., 2017;
da Luz et al., 2017; da Broi et al., 2018a; da Broi et al., 2019; da Luz et al., 2021; da Silva et
al., 2021; Simopoulou et al., 2021).
Oócitos de boa qualidade dependem da adequada aquisição de competência oocitária,
que é condicionada pelo conteúdo do FF e pela influência das células da granulosa e do cumulus
(da Broi et al., 2018a). Esses fatores estabelecem um microambiente ovariano propício para o
desenvolvimento do folículo, maturação oocitária e, subsequente, ovulação. Dentro desse
microambiente, é necessário que ocorra uma comunicação precisa e bidirecional entre as CG e
o COC , influenciada pelo microambiente folicular (Hung et al., 2015). Essa comunicação
celular é mediada, entre outros, pelas VE (da Silveira et al., 2012), que atuam como moléculas
sinalizadoras envolvidas na ativação de vias de sinalização incluindo regulação da
foliculogênese, maturação oocitária, retomada da meiose, ovulação, fertilização ,
desenvolvimento embrionário (Zhang et al., 2009; da Silveira et al., 2012; Santonocito et al.,
2014; Hung et al., 2015) e controlando a esteredoigênese ovariana (Sohel et al., 2013; Andrade
et al., 2017).
Até o momento, os dados apresentados pelos estudos de VE no microambiente folicular
de várias espécies, incluindo mamíferos, avaliaram apenas o conteúdo de miRNAs dessas VE
sem focar em sua liberação, quantidade e diâmetro. Entretanto, análises realizadas em situações
patológicas (Stavrou & Ortiz, 2022) , como por exemplo tumores malignos, demonstraram
valiosas alterações na quantidade de VE liberadas (Kalluri, 2016; Djusberg et al., 2017; Patton
et al., 2020) e em seu diâmetro (Patton et al., 2020). Desta forma, propusemos um estudo inédito
de análise do diâmetro e concentração de VE por ml no soro e no FF de mulheres inférteis sem
53
e com endometriose avançada, seguido pela análise do perfil de miRNAs provenientes das VE
isoladas do FF com o objetivo de avaliar se ocorre alguma alteração importante na regulação
de processos biológicos e vias de atuação para aquisição e manutenção da qualidade oocitária,
almejando obter mais informações sobre os mecanismos pelo os quais a endometriose poderia
interferir no comprometimento gamético ocasionando a infertilidade nessas mulheres.
Ao compararmos os grupos infértil sem endometriose e com endometriose avançada,
não encontramos diferença significativa entre o diâmetro e a concentração de VE por ml obtidas
do soro. Todavia, apesar da concentração de VE por ml no FF tenha sido similar entre os grupos,
o diâmetro das VE isoladas do FF evidenciou VE maiores em mulheres inférteis por
endometriose avançada. Variações no diâmetro dessas vesículas ainda são pouco
compreendidas. Em células tumorais, foi demonstrado que as VE apresentaram aumento em
seu diâmetro favorecendo a comunicação intercelular, o crescimento e a proliferação tumoral
(Zhang & Yu, 2019) através da supressão da resposta imunológica, promoção de metástase e
estimulação da angiogênese (Yáñez-Mó et al., 2015). Já em outras situações patológicas, como
a hipóxia extrema, foi observada a diminuição do diâmetro médio das VE como um mecanismo
adaptativo de sobrevivência ( Patton et al., 2020). Dados prévio s demonstraram que as VE
liberadas por portadoras de endometriose são ricas em mediadores pró-inflamatórios e citocinas
capazes de induzir a resposta inflamatória e desencadear o estresse oxidativo (Khalaj et al.,
2019; Chen et al., 2019; Zhang et al., 2020; Nazri et al., 2020; Zhou et al., 2020; Jiang et al.,
2022; Wu et al., 2022; Nazri et al., 2023). Sendo assim, sugerimos que o aumento no diâmetro
das VE do FF somente no grupo inférteis por endometriose avançada possa ser devido à
exacerbada quantidade de fatores inflamatórios e oxidativos presentes no microambiente
folicular dessas mulheres que não é observado em mulheres inférteis sem a doença.
Quando comparamos o diâmetro e a concentração de VE por ml entre o soro e o FF
somente do grupo infértil sem endometriose não encontramos diferença significativa.
Entretanto, ao analisarmos somente o grupo infértil por endometriose avançada, foi evidenciado
que o diâmetro e a concentração de VE por ml do FF é maior que a encontrada no soro . Em
relação ao aumento da concentração de VE por ml do FF , evidências recentes sugerem que
células foliculares expostas à estressores metabólicos, como por exemplo, fatores inflamatórios
e pró-oxidantes, que é uma característica marcante do microambiente folicular em portadoras
de endometriose (da Broi & Navarro, 2016), mantém uma comunicação ativa enviando sinais
moleculares para as células vizinhas com a finalidade de ajustar o metabolismo e reestabelecer
o equilíbrio desse microambiente na tentativa de proteger os oócitos desses estressores (de
Maio; 2011; Gebremedhn et al., 2020). Deste modo, u ma possível explicação para esses
54
achados seria que o aumento na concentração de VE por ml somente no FF, e não no soro, de
mulheres inférteis por endometriose avançada seja um mecanismo de proteção ao oócito uma
vez que o constante estresse metabólico presente no microambiente folicular dessas mulheres
poderia comprometer a qualidade gamética.
Todavia, também foi observado que o diâmetro das VE do FF estava maior do que o
diâmetro das VE encontradas no soro somente no grupo infértil por endometriose avançada .
Esse achado corrobora com o resultado citado acima de que os fatores estressores localizados
no microambiente folicular podem provocar modificações conteúdo da s VE, como maior
liberação e aumento no diâmetro. Evidências demonstraram que, em situações patológicas, as
VE atuam como mediadoras do progresso da doença (Stavrou & Ortiz, 2022). Por exemplo, VE
secretadas de células tumorais apresentaram em seu conteúdo fatores que são capazes de
promover a sobrevivência celular e prevenir a apoptose nas células receptoras ( Fonseka et al.,
2019). Ademais, o conteúdo molecular bioativo das VE liberadas de células submetidas a uma
variedade de estressores ambientais e metabólicos parece ser distinto e divergente quando
comparados às VE obtidas de células não estressadas (Eldh et al., 2010; Yentrapalli et al., 2017).
Deste modo sugerimos que , apesar o au mento na concentração de VE liberadas no FF possa
tentar reestabelecer o equilíbrio no microambiente folicular, porém o conteúdo inflamatório e
pró-oxidativo dessas vesículas poderia contribuir para que as VE atuassem como mediadoras e
perpetuadoras da inflamação ( Sanwlani & Gangoda, 2021 ) e do EO (Ho et al., 2022)
comprometendo o desenvolvimento folicular e a qualidade gamética (da Broi et al., 2019) já
relatada nessas mulheres (Polak et al., 2013; Da Broi et al., 2014; Donabela et al., 2015; Da
Broi et al., 2016; Da Broi & Navarro, 2016; Giorgi et al., 2016; Nasiri et al., 2017; Jianini et
al., 2017; Da Broi et al., 2018a; Da Broi et al., 2019; Ferreira et al., 2019; Da Luz et al., 2021,
Da Silva et al., 2021; Giorgi et al., 2023; Casalechi et al., 2023; Wang et al., 2024).
Esses achados abrem grandes perspectivas para estudos futuros que visem esclarecer
por meio de quais mecanismos as VE poderiam influenciar na qualidade oocitária e contribuir
para o comprometimento da fertilidade natural nessas mulheres.
Na última década, plausíveis evidências indicam que o conteúdo de miRNAs das VE do
FF representa um novo mecanismo de regulação de eventos relacionados com a qualidade
oocitária (da Silveira et al., 2012; Sang et al., 2013; Sohel et al. 2013; Santonocito et al., 2014;
Hung et al., 2015 ; Navakanitworakul et al., 2016 ; Machtinger et al., 201 7; da Silveira et al.,
2017; da Silveira et al., 2018; Matsuno et al., 2019; Hu et al., 2020; Inoue et al., 2020; Zhang
et al., 2021; Shen et al., 2023 ). Apesar dos recentes avanços, dispomos de raríssimos estudos
que avaliaram esses miRNAs em VE do FF humano (Sang et al., 2013; Santonocito et al., 2014;
55
Diez-Fraile et al. 2014; Machtinger et al., 2017; Martinez et al., 2018; Zhang et al., 2021) e, até
o presente momento, não há dados na literatura analisando a identificação e a expressão de
miRNAs em VE do FF de mulheres inférteis por patologias como a endometriose. Sendo assim,
o presente estudo comparou a expressão de 82 miRNAs, que j á foram correlacionados com
qualidade oocitária , extraídos de VE isoladas do FF de mulheres inférteis sem e com
endometriose avançada.
Os resultados obtidos identificaram 73 miRNAs. Desses 59, 24 miRNAs (miR-127-3p,
miR-139-5p, miR-141-3p, miR-145-5p, miR-151-3p, miR-185-5p, miR-187-3p, miR-191-5p,
miR-206, miR-21-5p, miR-214-3p, miR-24-3p, miR-30c-5p, miR-31-5p, miR-330-3p, miR-
378-3p, miR-423-3p, miR-425-3p, miR-490-3p, miR-504-3p, miR-574-5p, miR-885-5p, miR-
877-5p e miR-92a-3p) apresentaram expressão elevada no grupo infértil por endometriose
avançada em relação ao controle infértil sem endometriose . O genes regulados por esses
miRNAs estão envolvidos em vias relacionadas, em sua maioria, a processos que controlam o
desenvolvimento, o crescimento e a atresia folicular, e comprometem a parada e a retomada da
meiose oocitária (Castanon et al., 2012; Wang et al., 2x013; Liu & Ge, 2013; Wang et al., 2018;
Ma et al., 2019; Dey et al., 2020 ) (cAMP, Rap1, Ras, ErbB, Hippo e WNT). Uma vez que os
miRNAs atuam como silenciadores da expressão gênica (Singh et al., 2008), acreditamos que
há menor expressão dessas vias na doença avançada.
No microambiente folicular, u m conceito muito bem estabelecido é que a parada da
meiose oocitária na prófase da primeira divisão meiótica depende de altas concentrações do s
mensageiros secundários adenosina mon ocíclica fosfato (cAMP) e guanosina monocíclica
fosfato (cGMP) (Conti et al., 2002; Conti et al., 2012). Inicialmente, acreditava -se que esses
mensageiros secundários eram fornecidos ao oócito pelas células somáticas por meio de junções
GAP (Dekel, 1988), devido à dependência oocitária das células da granulosa. Entretanto, com
o avanço dos estudos nesse mecanismo, descobriu-se que toda a maquinaria molecular
necessária para os produzir é expressa pelos próprios oócitos e a atividade desses componentes
endógenos é suficiente para manter cAMP e cGMP em níveis que impedem a maturação
oocitária até que ocorra o pico do hormônio luteinizante (LH) (Wang et al., 2018). Em resposta
ao pico de LH, a concentração de cGMP no folículo pré -ovulatório diminui e o cAMP é ,
rapidamente, hidrolisado levando à ativação do fator promotor de maturação (MPF) que inicia
a retomada da meiose e a segregação cromossômica liberando o oócito da parada meiótica
(Arroyo et al., 2020). Um dos mecanismos de parada da meiose oocitária é por meio da ativação
da proteína de troca diretamente ativada por cAMP (Epac) (de Rooij et al., 1998; Kawasaki et
al., 1998 ). A proteína Epac é responsável pela ativação direta de uma molécula efetora de
56
cAMP, chamada proteína-1 relacionada a Ras (Rap1) (de Rooij et al., 1998). Uma vez ativada
a proteína Rap1 , inicia-se a via de sinalização Rap1 que está envolvid a no controle da
morfologia celular , no início da atividade d as moléculas de adesão celular mediada p elas
integrinas (Kitayama et al., 1989), na sinalização efetora das proteínas Ras e na ativação da via
de sinalização MAPK (Vossler et al., 1997; York et al., 1998).
A via de sinalização Ras é responsável pelos processos de progressão do ciclo celular,
apoptose, reorganização dos filamentos de actina e dinâmica dos microtúbulos do citoesqueleto
de actina (Zwartkruis et al., 1999) regulando, assim, a proliferação e sobrevivência celular (Cox
et al., 2003). Já a via MAPK tem um papel crucial na reativação d o MPF após meiose I por
meio das quinases reguladas por sinal extracelular 1/2 (ERK1/2) (Sun et al., 1999; Fan et al.,
2004) e, posteriormente, na manutenção da parada na meiose II (Araki et al., 1996).
A via ErbB , composta por 4 membros de receptores com atividade tirosina quinase
(RTK) [receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR)/ErbB1, ErbB2, ErbB3 e ErbB4] ,
regula processos relacionados ao crescimento e sobrevivência celular (Orofiamma et al., 2022)
e uma complexa rede de sinalização intracelular responsável pelo controle do ciclo celular,
apoptose, reorganização do citoesqueleto de actina (Yardenn & Shilo, 2007; Lemmon &
Schlessinger, 2010; Wee & Wang, 2017) , regulação da expressão gênica (Holbro & Hynes,
2004) e ativação de diversas vias de sinalização (Miaczynska et al., 2004). No folículo ovariano,
os receptores ErbB são mediadores do efeito induzido pelo LH na maturação oocitária,
expansão das CC e luteinização das CG (Park et al., 2004 ; Reizel et al., 2010). A ativação de
ErbB nas CG são essenciais para ovulação pois ativam a via ErbB-ERK1/2 nas CC (Arroyo et
al., 2020). Uma vez ativada, essa via induz a fosforilação de ERK1/2, por meio de Ras quinase,
e ERK1/2 fosforiladas aumentam a expressão de genes relacionados à expansão d as CC no
COC (Arroyo et al., 2020). Ademais, a via ErbB está envolvida no aumento na demanda da
produção de energia (Zhang et al., 2019).
A via de sinalização Hippo atua na diferenciação e especialização celular em
decorrência da complexa rede de sinais que controlam a atividade de dois efetores principais,
Transcriptional co-activator with PDZ -binding motif (TAZ) e Yes-Associated Protein (YAP)
que, por sua vez, ligam-se aos fatores de transcrição TEA domain family member (TEAD) e
regulam a expressão de diversos genes (Piccolo et al., 2014). No microambiente folicular, a via
Hippo, uma cascata de sinalização serina/treonina quinase evolutivamente conservada, é
responsável pela transdução de sinais envolvidos na ativação e crescimento folicular, oogênese,
bem como na esteredoigênese, regulando assim, o desenvolvimento do folículo ovariano ( Ma
et al., 2019; Dey et al., 2020; Zhu et al., 2023). A ativação da transição dos folículos primordiais
57
para os folículos primários ocorre através da proteína YAP expressa em diferentes estágios dos
folículos (Kawamura et al., 2013; De Roo et al., 2017; Gershon & Dekel, 2020). A subunidade
YAP1 foi encontrada em oócitos maduros (Yan et al., 2013) e está relacionada com o processo
de ovulação (Sun & Diaz, 2019). Antes da ovulação, o oócito maduro inibe a via Hippo para
ativar a YAP1 e aumentar a sobrevivência e proliferação das células da granulosa e inibir a
diferenciação celular (Sun & Diaz, 2019). Com a ovulação, esses efeitos são revertidos através
da inibição e degradação da YAP1 concomitante com a promoção da proliferação celular (Sun
& Diaz, 2019). Já, a via WNT impacta nas funções reprodutivas, incluindo a regulação de
processos cruciais de desenvolvimento ovariano e do tecido do ovário, esteroidogênese,
desenvolvimento folicular, maturação oocitária, indução embrionária e geração de polaridade
celular (Cadigan & Nusse 1997, Miller et al. 1999, Komiya & Habas 2008; Hernandez Gifford,
2015). Através da interação com seu receptor frizzled (FZ), a via WNT inicia três cascatas de
transdução de sinal separadas, sendo a canônica , fundamental para regulação da maturação
folicular, governada pela interação com a ß-catenina (Hernandez Gifford, 2015).
Durante o desenvolvimento folicular, níveis moderados de espécies reativas de oxigênio
atuam como moléculas sinalizadoras cruciais para maturação folicular, meiose oocitária e
ovulação. Níveis controlados de espécies reativas de oxigênio asseguram a atresia de folículos
não dominantes, permitindo o amadurecimento apenas dos mais saudáveis. As espécies reativas
de oxigênio também desempenham um papel fundamental na resposta inflamatória essencial
para a ovulação, regulam genes envolvidos na proteólise e remodelação tecidual (Shkolnik et
al., 2011; Kala et al., 2017), impactam na sobrevivência e função das células lúteas, afetando a
produção de progesterona e angiogênese para manutenção do corpo lúteo (Jamil et al., 2020;
Wang et al, 20 21; Tian et al., 2022; Liang et al., 2023 ). Deste modo, o equilíbrio entre a s
espécies reativas de oxig ênio e os agentes antioxidantes é essencial para processos ovarianos
normais. No entanto, sua produção em excesso pode desencadear o estresse oxidativo (Silva et
al., 2011; Sies, 2015; Tsikas, 2017). O estresse oxidativo está associado a altas taxas de morte
folicular, comprometendo severamente a qualidade dos folículos (Saeed-Zidane et al., 2017)
através da peroxidação de membranas lipídicas, dano oxidativo aos ácidos nucléicos e
carboidratos e ainda a oxidação de grupos sulfidrilas nas proteínas (Dornas, et al., 2007). Esses
eventos resultam em mau funcionamento do DNA, perda da integridade da membrana e
disfunção mitocondrial (Wu et al., 2011). Além disso, o estresse oxidativo pode, ainda, ativar
importantes vias indutoras de apoptose, além de regular positivamente o nível de expressão de
proteínas pró -apoptóticas resultando, dessa forma, no comprometimento da estrutura dos
folículos ovarianos (Hori et al., 2013). Deste modo, o e stresse oxidativo já encontrado em
58
mulheres inférteis por endometriose (da Broi e Navarro, 2016), associado a menor ativação das
vias cAMP, Rap1, Ras, ErbB, Hippo e WNT pode indicar que o microambiente folicular esteja
sofrendo dano oxidati vo e inflamatório com comprometimento do desenvolvimento folicular
que, certamente, afetarão a maturação e qualidade oocitárias.
Esses achados corroboram com evidências da literatura de que a diminuição nos níveis
intracelulares de cAMP não seriam suficientes para manter o oócito inativo, permitindo, assim,
a retomada precoce da meiose oocitária (Dekel, 1996; Hinckley et al., 2005; Kawamura et al.,
2011). A diminuição da sinalização da via Rap1 poderia afetar a via MAPK, interferindo na
segunda parada meiótica, e a via Ras resultando em alterações de processos que controlam a
reorganização do citoesqueleto de actina, a formação do fuso meiótico e a inibição da apoptose,
comprometendo a qualidade oocitária, culminando com anormalidades meióticas, instabilidade
cromossômica e aumento da apoptose (Liu et al. 2003; Navarro et al. , 2004; Navarro et al. ,
2006; Da Broi et al., 2019 ). Ademais, a interferência na adesão focal permit iria a progressão
descontrolada do ciclo e da proliferação celular (Cox et al., 2003). Já, a diminuição da via Hippo
que é, altamente, suscetível à inibição por fatores de crescimento como por exemplo insulin -
like growth factor 1 (IGF1) e EGF (Zhou et al., 2020), poderia levar a perda da homeostase
folicular, secreção anormal das gonadotrofinas e outros hormônios ovarianos prejudicando,
consequentemente, a fertilidade nessas mulheres (Hu et al., 2019; Siegel et al., 2020; Chang &
Dunaif, 2021). Nesse sentido, Hsueh & Kawamura, (2020) evidenciaram que a perda da YAP
nas CG aumenta a apoptose celular e leva a subfertilidade e Song et al., 2016 demonstrou o
crítico papel da via Hippo/YAP na endometriose, o que reforça nossos achados.
Deste modo, sugerimos que as a lterações no ciclo celular, na proliferação e
diferenciação das células foliculares ovarianas, na retomada da meiose oocitária, na expansão
das CC, na indução da apoptose, na diminuição da produção de energia, na formação do corpo
lúteo e na produção de esteroides induzida pela diminuição da ativação dessas vias resultaria
em danos à regulação d o desenvolvimento folicular e da maturação oocitária que poderiam
afetar a qualidade gamética em portadoras de endometriose avançada com consequente
alteração na fertilidade natural feminina dessas mulheres (Park et al., 2004; Holbro & Hynes ,
2004; Khan et al., 2005; Hsieh et al., 2007; Hsieh et al., 2011; Conti et al., 2012; Velthut-Meikas
et al., 2013; Li et al. 2014; Hernandez Gifford, 2015; Richani & Gilchrist, 2018; Zhang et al.,
2019; Fan et al., 2023).
Ao comparamos os grupo s infértil sem endometriose e com endometriose avançada o
observamos que os miRNAs miR-1271-5p, miR-146b-5p, miR-150-5p, miR-17-5p, miR-193a-
5p, miR-196b-5p, miR-215-5p, miR-22-5p, miR-28-5p, miR-542-5p, miR-628-5p, miR-708-
59
5p e miR -9-5p foram encontrados, exclusivamente, em VE do FF no grupo endometriose
avançada. Dentre eles, o miR -215-5p já foi identificado em VEs do soro de portadoras de
endometriose (Wu et al., 2022). Por meio da análise de enriquecimento verificamos que, juntos,
esses 13 miRNAs podem regular genes envolvidos em 149 vias, que quando alteradas ,
comprometem processos envolvidos na adesão focal e montagem do fuso meiótico, atenuam a
extrusão do corpo polar, enfraquecem o nível de acetilação da α-tubulina, alteram o controle do
ciclo e da proliferação celular, danificam a função das mitocôndrias, induzindo o declínio do
conteúdo de ATP e a elevação de espécies reativas de oxigênio que resultam em apoptose
precoce e danos ao DNA, causam alterações epigenéticas que modificam a metilação das
histonas e desencadeiam a ativação das vias de sinalização MAPK, ErbB e Ras culminando
com danos à maturação oocitária.
A adesão focal é um evento crucial para o adequado desenvolvimento folicular e
maturação oocitária. Através dela, as proteínas transmembranas do tipo integrinas ( Hynes,
2002) se ligam, internamente, aos microfilamentos do citoesqueleto de actina e, externamente,
à matriz extracelular possibilitando a transdução de sinais para o interior da célula (Hynes,
2002). Esse mecanismo é responsável pela estreita comunicação entre o oócito e as células
somáticas ao seu redor com a função de fornecer suporte metabólico e permitir a sinalização de
estímulos endócrinos ou parácrinos. A fim de suportar as alterações metabólicas envolvidas no
desenvolvimento folicular bem como na maturação oocitária citoplasmática e nuclear , e ssa
comunicação é mediada tanto pelas junções GAP como pelas VE (McGinnis & Kinsey, 2015).
Alterações na adesão focal, geralmente, interfere m na transdução de sinais que servem para
modular diversos aspectos do comportamento celular incluindo crescimento, proliferação,
diferenciação, sobrevivência/apop tose, polaridade, motilidade e expressão gênica (Hynes,
2002).
A reorganização do citoesqueleto de actina é responsável pelas divisões celulares
assimétricas e consecutivas que geram o gameta haplóide e funcional (Yi & Li, 2012). Essa
divisão assimétrica permite que o oócito maduro mantenha, em seu citoplasma, não somente os
cromossomos maternos, mas também, uma reserva energética e de nutrientes vitais para manter
a formação e o desenvolvimento embrionário até que o código genético do embrião seja ativado
(Nikalayevich & Terret, 202 3). Para assegurar a assimetria em c ada divisão e a segregação
cromossômica durante a meiose, o fuso meiótico de oócitos humanos em metáfase II, que é
uma estrutura dinâmica e temporária composta por microtúbulos, deve estar assimetricamente
posicionado próximo a um lado do córtex oocitário e sua rede subcortical de filamentos de
60
actina deve estabelecer a polaridade cortical (Wang & Keefe, 2002; Navarro et al., 2005; De
Santis et al., 2005; Yi & Li, 2012; Duan & Sun, 2019).
Um dos mecanismos que leva a alterações no posicionamento assimétrico do fuso e/ou
na polarização cortical , e influencia a perda da adesão intercelular é o estresse oxidativo
(Navarro et al., 2005; Barcelos et al., 2008; Barcelos et al., 2009 ; Dib et al., 2013; Da Broi et
al., 2014; Donabela et al., 2015; Da Broi et al., 201 6; Jianini et al., 2017; Da Luz et al., 2017;
Da Broi et al., 2018a; Da Broi et al., 2019; Giorgi et al., 2021; Da Luz et al., 2021, Da Silva et
al., 2021 ). O fuso meiótico oocitário é extremamente sensível ao EO (Hu et al., 2001;
Eichenlaub-Ritter et al., 2002; Mullen et al., 2004) que, por sua vez, quando alterado promove
anomalias meiótica s, instabilidade c romossômica, aumento da apoptose e prejuízos ao
desenvolvimento oocitário e ao embrião pré-implantacional (Liu et al., 2003; Navarro et al.,
2004, Navarro et al., 2006).
A correlação entre endometriose e EO é ampla na literatura (Agarwal et al., 2005; Rizzo
et al., 2011; Carvalho et al., 2012; Luderer, 2014; Prasad et al., 2016; Simopoulou et al., 2021).
O desequilíbrio entre as espécies reativas de oxigênio e os antioxidantes permite o aumento das
espécies reativas de oxigênio e seu influxo no FP (Jianini et al., 2017), folículo ovariano
(Barcelos et al., 2008; Barcelos et al., 2009; d a Luz et al., 2017; Giorgi et al., 2021; da Luz et
al., 2021; da Silva et al., 2021 ) e FF (da Broi et al., 2014) resultando em impacto deletério na
sinalização celular, na maturação oocitária, na esteredoigênese ovariana, na ovulação, na
luteólise, na interação gamética, na capacidade de implantação e na formação do blastocisto
(Agarwal et al. 2005; Simopoulou et al., 2021).
A relação encontrada entre os miRNAs derivados de VE do FF de portadoras de
endometriose avançada com adesão focal e reorganização do citoesqueleto de actina, sugere
que o FF esteja sofrendo dano oxidativo com tentativa de reparo de DNA e indução da apoptose,
o que poderia comprometer o desenvolvimento folicular, a maturação e a qualidade oocitárias
nessas mulheres. Esses achados corroboram com evidências da literatura de comprometimento
da qualidade oocitária através de anormalidades meióticas, instabilida de cromossômica e
aumento da apoptose (Liu et al. 2003; Navarro et al., 2004; Navarro et al., 2006; Da Broi et al.,
2019) mediadas pelo aumento da produção de espécies reativas de oxigênio no FP (Jianini et
al., 2017), FF (Da Broi et al., 2014; Giorgi et al., 2016; Giorgi et al., 2021; Giorgi et al., 2023),
CC (Barcelos et al., 2015; Donabela et al., 2015; Da Luz et al., 2021; Da Silva et al., 2021) e
oócitos (Barcelos et al., 2009; Da Broi et al., 2018a) de portadoras de endometriose. Ademais,
resultados da análise do fuso meiótico celular e da distribuição cromossômica de oócitos
imaturos, maturados in vitro, obtidos de mulheres inférteis com endometriose sugerem que a
61
meiose I está potencialmente atrasada ou comprometida nessas mulheres evidenciando, ainda
mais, a relação entre endometriose e anormalidades meióticas oocitária (Barcelos et al. 2009).
Todavia, estudos futuros são necessários para melhor elucidar essa questão.
Cada vez mais, estudos sugerem que os miRNAs de VE podem ser possíveis reguladores
das vias de sinalização, como por exemplo a via MAPK, modulando negativamente a maturação
de folículos e oócitos em mamíferos (da Silveira et al., 2012; Sohel et al., 2013; Santonocito et
al., 2014; da Silveira et al., 2014). Oócitos incompetentes apresentaram MAPK na sua forma
não fosforilada, supostamente, inativa (Goudet et al., 1998) sugerindo que a falta de aquisição
de competência oocitária é provável resultado de uma deficiência de reguladores do MPF e/ou
da incapacidade de fosforilar a MAPK. Sabe-se que ERK1/2 fosforiladas aumentam a expressão
de genes relacionados à expansão das CC no COC e de genes relacionados à esteredoigênese
em CG (Arroyo et al., 2020). Corroborando com nossos resultados, falhas na maturação
oocitária em camundongos foram correlacionadas com a ruptura das ERK1/2 nas CG (Fan et
al., 2009) e níveis reduzidos, porém mensuráveis, das ERK1/2 fosforiladas foram detectados
em folículos de camundongos mutantes nos quais a maturação oocitária foi prejudicada
(Panigone et al., 2008).
A via de sinalização Ras, já descrita acima, parece ser divergente em sua atuação (Fan
et al., 2008) . A ativação transitória de Ras e a fosforilação de seus alvos , as vias
RAF1/MEK1/ERK1/2 e PI3K/Akt, são cruciais para intermediar respostas apropriadas das CG
aos hormônios gonadotrópicos FSH e LH, levando ao adequado desenvolvimento folicular e,
subsequente, ovulação (Fan et al., 2008). Em contrapartida, a ativação persistente da forma
ativa de Ras resulta em progressão desregulada do ciclo celular e prolif eração celular
descontrolada (Cox et al., 2003) prejudicando o desenvolvimento folicular, a ovulação e a
expressão de genes relacionados à ovulação (Fan et al., 2008). Ademais, a expressão de Ras no
estágio inicial do desenvolvimento folicular parece alterar, drasticamente, o destino das CG,
impedindo sua diferenciação, proliferação e apoptose, e prejudicando as respostas das CG às
gonadotrofinas podendo culminar com alterações no desenvolvimento folicular, na diminuição
da reserva ovariana e na falência ovariana precoce (Fan et al., 2008; Fan et al., 2023). Essa
divergência sugere potente silenciamento epigenético de genes promotores específicos agindo
na função das CG que pode estar relacionado com a presença de miRNAs específicos atuando
nesse silenciamento.
Deste modo, sugerimos que a correlação da via Ras com os miRNAs em VE do FF de
mulheres inférteis por endometriose avançada pode indicar que o microambiente folicular esteja
sofrendo danos resultante da ativação contínua de Ras desde o início do desenvolvimento
62
folicular. Esses achados corroboram com o fato de que portadoras d a doença demonstram
alterações no ciclo celular, aumento da apoptose e modificações nos mecanismos moleculares
envolvidos no desenvolvimento e crescimento das CG (Nakahara et al., 1998; Toya et al., 2000;
Fan et al., 2008; Almeida et al., 2018).
Curiosamente, todas as vias de sinalização se interligam, a via ErbB ativa a via MAPK,
por meio da proteína Ras ( Holbro & Hynes, 2004; Orofiamma et al., 2022) , que gerando um
ciclo de feedback positivo da via MAPK/Ras que, por sua vez, também ativa a transcrição de
genes ErbB (Yarden & Sliwkowski, 2001). Um dos mecanismos em comum entre as vias ErbB,
MAPK e Ras é a modulação da expressão gênica e da função proteica, a fim de regulação a
produção de energia ( Zhang et al., 2009; Conti et al., 2012; Zhang et al., 2019), seja pela
metabolização de carboidratos ( Hsu et al., 2015), glicose (Heiden & Cantley, 2009; Potter et
al., 2016), aminoácidos (Tsuchihashi et al., 2016) e glutamina (Gao et al., 2009), pela oxidação
de ácidos graxos e biossíntese de colest erol (Huang et al., 2020; Römer et al., 2021) ou pela
síntese do fator induzido por hipóxia (HIF-1a), um fator de transcrição ativado durante a hipóxia
(Déry et al., 2005; Peng et al., 2006; Lee et al., 2009).
O oócito em si não é capaz de gerar energia (Sanchez-Lazo et al., 2014) e o
desenvolvimento folicular demanda alto consumo de energia para a diferenciação das células
somáticas, proliferação celular, reorganização das organelas citoplasmática , divisão nuclear,
crescimento e aquisição de competência oocitária ( Hsu et al., 2015 ), as mitocôndrias têm um
papel vital neste metabolismo de produção de energia, sob forma de ATP, através das células
foliculares que circundam o oócito (Fan et al., 2023).
Deste modo, a modulação da expressão gênica e da função proteica mediada pelos
miRNAs exclusivos em mulheres inférteis por endometriose avançada e sua correlação com as
vias ErbB, MAPK e Ras pode indicar uma maior necessidade de aporte energético frente ao
estresse oxidativo folicular já evidenciado na doença (Barcelos et al., 2008; Barcelos et al.,
2009; Da Broi et al., 2014; Donabela et al., 2015; Da Broi et al., 201 6; Jianini et al., 2017; Da
Broi et al., 2018a; Da Broi et al., 2019; Giorgi et al., 2021; Da Luz et al., 2021, Da Silva et al.,
2021). Em resposta aos estressores oxidativos, as vias ErbB, MAPK e Ras podem interagir nas
funções metabólicas mitocondriais, a fim de garantir energia. Um dos mecanismo de aumento
energético é por meio da produção de ATP é proveniente da fosforilação oxidativa dos ácidos
graxos presentes nas CG e CC com consequente liberação de elétrons (Römer et al., 2021 ;
Christie, 202 4). Esse mecanismo molecular ocorre por meio de complexos da cadeia de
respiração mitocondrial localizada na membrana interna da mitocôndria (Pitangui-Molina et al.,
2017; Da Luz et al., 2021). As mitocôndrias do COC estão em um estado metabólico de baixa
63
atividade a fim de reduzir sua produção de espécies reativas de oxigênio. No entanto, o processo
de maturação oocitária , em si, já modifica esse estado de quiescência exigindo aumento no
número, acentuação da mobilidade e agrupamento mitocondrial em uma área específica do
oócito (Chiaratti et al., 2018a; 2018b).
Dados da literatura evidenciam que alterações no ciclo celular das CG (Toya et al., 2000)
e na função mitocondrial das CG e CC (Hsu et al., 2015; Sanchez et al., 2016) estão relacionadas
com o aumento da apoptose no microambiente folicular (Toya et al., 2000; Demirel et al., 2001;
Sanchez et al., 2016) . Portadoras de endometriose apresentam atividade mitocondrial
comprometida, redução da expressão de mtDNA nas CC (Hsu et al., 2015), despolarização do
potencial da membrana mitocondrial das CG (Sanchez et al., 2016), aumento na expansão da
biogênese mitocondrial (Puigserver et al., 1998), senescência das CG e CC (Dai et al., 2023),
aumento na ingestão de glicose e geração de lactato pelas CG (Mao et al., 2022), anormalidades
na biossíntese de hormônios esteroides e metabolismo lipídico (Dai et al., 2023), danos ao
DNA, destruição do citoesqueleto de actina e alterações na membrana celular (Dai et al., 2023)
que podem resultar em menor qualidade oocitária nessas mulheres e as torna infértil devido a
endometriose.
Por fim, a endometriose parece não afeta r diretamente o oócito, porém prejudica
indiretamente o desenvolvimento folicular e a qualidade oocitária . A presença dos implantes
ectópicos na cavidade peritoneal promove inflamação e estresse oxidativo crônicos que podem
levar a fibrose ovariana, afetando o suprimento sanguíneo do ovário. Consequentemente, os
folículos em crescimento não conseguem obter suporte nutricional suficiente e entram em
estado de atresia (Fan et al., 2023). A inflamação e o estresse oxidativo presentes na cavidade
peritoneal pode m atingir a circulação sistêmica e alterar o microambiente folicular que é
altamente vascularizado (Fan et al., 2023), levando ao recrutamento de folículos primordiais
que crescerão e se desenvolverão em um ambiente desfavorável resultante de perturbações no
ciclo celular, inibição da apoptose das CG, inibição da síntese de esteroides pelas CG e
alterações no metabolismo energético mitocondrial das células foliculares (Fan et al., 2023). O
resultado é um ciclo vicioso que influencia na diminuição da reserva ovariana e no
comprometimento da qualidade oocitária, frequentemente, observada nessas mulheres.
Nosso estudo trouxe avanços no entendimento do papel das vesículas extracelulares em
situações patológicas como a endometriose e contribuiu com inéditas descobertas dos processos
biológicos e as vias de atuação associadas ao papel da endometriose na infert ilidade e seu
impacto na aquisição de competência oocitária.
64
7 Conclusões
A comparação entre o diâmetro e a quantidade de VE por ml obtidas do soro entre os
grupos controle infértil sem endometriose e com endometriose avançada não evidenciou
diferença significativa. Por outro lado, o diâmetro das VE do FF de mulheres inférteis por
endometriose avançada foi significantemente maior do que no grupo controle, apesar de não
ser observada diferença na quantidade de VE por ml do FF entre os grupos. Baseado nesses
achados, hipotetizamos que o microambiente folicular de mulheres com endometriose avançada
é estimulado a liberar VE com diâmetro aumentado, possivelmente devido ao estresse
metabólico resultante do aumento local de fatores inflamatórios e oxidativos observado nessas
mulheres.
Ao compararmos o diâmetro e a quantidade de VE por ml intragrupos, observamos que,
no grupo controle, não foi evidenciada diferença nestas variáveis entre o soro e o FF. Todavia,
no grupo infértil com endometriose avançada, o diâmetro e a quantidade de VE por ml no FF
foi maior que no soro. Sugerimos que o maior diâmetro dessas vesículas possa ser decorrente
do acúmulo intravesicular de fatores estressores presentes no FF de ssas mulheres , os quais
também podem induzir a liberação de maior quantidade de VE, na tentativa de combater esses
fatores e reestabelecer o equilíbrio. Contudo, esses achados reforçam a importância de estudos
futuros investigando o papel das VE do FF na qualidade oocitária de mulheres inférteis com
endometriose avançada.
Ao compararmos a expressão de 82 miRNAs extraídos de VE isoladas do FF de
mulheres inférteis sem e com endometriose avançada, detectamos 73 miRNAs, sendo um
exclusivo no grupo controle, treze exclusivos no grupo com endometriose avançada e 25
miRNAs presentes em ambos os grupos, mas diferencialmente expressos entre eles , dos quais
24 apresentaram expressão mais elevada no grupo infértil com endometriose avançada. Os
miRNAs hiperexpressos ou exclusivos em VE isoladas do FF de mulheres inférteis com
endometriose avançada estão relacionados a vias de adesão e regulação da reorganização do
citoesqueleto de actina, assim como em vias de sinalização , incluindo ErbB, Ras, MAPK,
Hippo, Rap1, cAMP e WNT , que estão relacionad as com desenvolvimento folicular e a
aquisição de competência oocitária. Deste modo, sugerimos que a desregulação desses miRNAs
possa estar comprometendo vias biológicas cruciais para o adequado desenvolvimento folicular
e a aquisição de competência oocitária , agregando conhecimento inédito que auxilia no
entendimento dos mecanismos relacionados ao comprometimento da qualidade gamética em
portadoras de endometriose avançada.
65
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exosomal microRNAs in human ovarian follicular fluid with oocyte quality. Biochem Biophys
Res Commun. 2021 Jan 1;534:468-473.
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microRNA in exosomes derived from endometrial stromal cells of women with endometriosis-
associated infertility. Reprod Biomed Online.;41(2):170–81, 2020.
Zhou G, Gu Y, Zhou F, Zhang M, Zhang G, Wu L, Hua K, Ding J. The Emerging Roles
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Zhou, X., Chen, N., Xu, H., Zhou, X., Wang, J., Fang, X., et al. (2020). Regulation of
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Zwartkruis FJ and Bos JL: Ras and Rap1: Two highly related small GTPases with
distinct function. Exp Cell Res 253: 157‑165, 1999.
83
ANEXOS
ANEXO A
Tabela 1 – Sequência de nucleotídeos dos microRNAs utilizados na análise de RT -PCR
quantitativo.
Sequência de nucleotídeos
miRNA humano
TGAGGTAGTAGGTTGTATAGTT
CTAGACTGAAGCTCCTTGAGG
TGAGGTAGTAGGTTGTGTGGTT
TGAGATGAAGCACTGTAGCTCG
AGAGGTAGTAGGTTGCATAGTT
TACAGTATAGATGATGTACTAG
TGAGGTAGTAGATTGTATAGTT
GTCCAGTTTTCCCAGGAATCCCT
TGGAGTGTGACAATGGTGTTTG
TAGGTTATCCGTGTAGCCTTCG
TCCCTGAGACCCTAACTTGTGA
TGAGAACTGAATTCCATAGGCTGT
TCGGATCCGTCTGAGCTTGGCT
TTAATGCTAATCGTGATAGGGGT
TCACAGTGAACCGGTCTCTTT
TAGCAGCACATCATGGTTTACA
ACTCCATTTGTTTTGATGATGGA
TCTCCCAACCCTTGTACCAGTGT
CAGTGCAATGTTAAAAGGGCAT
TAGCAGCACGTAAATATTGGC
TCTACAGTGCACGTGTCTCCAGT
CAAAGTGCTTACAGTGCAGGTAGT
TAACACTGTCTGGTAAAGATGG
TAAGGTGCATCTAGTGCAGATA
AACATTCATTGTTGTCGGTGGGT
TAGCTTATCAGACTGATGTTGACT
CAACGGAATCCCAAAAGCAGCTG
TAATACTGCCTGGTAATGATG
AACTGGCCTACAAAGTCCCAGT
AGTTCTTCAGTGGCAAGCTTTA
TGGAGAGAAAGGCAGTTCCTGA
ACCTTGGCTCTAGACTGCTTACT
TCGTGTCTTGTGTTGCAGCCGG
ACAGCAGGCACAGACAGGCAGT
TAGCAGCACAGAAATATTGGCA
ATGACCTATGAATTGACAGACA
TAGGTAGTTTCCTGTTGTTGGGA
TTGTGCTTGATCTAACCATGTG
ACAGTAGTCTGCACATTGGTTA
GTGCCTACTGAGCTGATATCAGT
TGGAATGTAAGGAAGTGTGTGG
TGGCTCAGTTCAGCAGGAACAG
CCCAGTGTTCAGACTACCTGTT
TTCAAGTAATTCAGGATAGGTT
TAAAGTGCTTATAGTGCAGGTAG
AAGGAGCTCACAGTCTATTGAG
TAACACTGTCTGGTAACGATGTT
CTAGCACCATCTGAAATCGGTTA
TGTAAACATCCTACACTCTCAGC
hsa-let-7a-3p
hsa-miR-151-3p
hsa-let-7b/hsa-let-7b-5p
hsa-miR-143-3p
hsa-let-7d
hsa-miR-144-5p
hsa-let-7f
hsa-miR-145/hsa-miR-145-5p
hsa-miR-122
hsa-miR-154-5p
hsa-miR-125b-5p
hsa-miR-146b-3p
hsa-miR-127-3p
hsa-miR-155
hsa-miR-128a/hsa-miR-128-1-5p
hsa-miR-15b-5p
hsa-miR-136-3p
hsa-miR-150-5p
hsa-miR-130a
hsa-miR-16b
hsa-miR-139-3p
hsa-miR-17-5p
hsa-miR-141
hsa-miR-18a/hsa-miR-18a-5p
hsa-miR-181d
hsa-miR-21
hsa-miR-191
hsa-miR-200b
hsa-miR-193a-3p
hsa-miR-22
hsa-miR-185-5p
hsa-miR-212
hsa-miR-187
hsa-miR-214
hsa-miR-195
hsa-miR-215-5p
hsa-miR-196b-5p
hsa-miR-218-1
hsa-miR-199a-3p
hsa-miR-3074-5p
hsa-miR-206
hsa-miR-3074-5p
hsa-miR-199a-5p
hsa-miR-26b-5p
hsa-miR-20a/hsa-miR-20a-5p
hsa-miR-28-5p
hsa-miR-200a
hsa-miR-129a
hsa-miR-30c-5p
84
ATCGGGAATGTCGTGTCCGCCC
GCAAAGCACACGGCCTGCAGAGA
ATGACACGATCACTCCCGTTGA
AGGCAAGATGCTGGCATAGCT
AAACCGTTACCATTACTGAGTTT
TATTGCACATGACTAAGTTGCAT
AGGTTGTCCGTGGTGAGTTCGCA
AAAAGCTGGGTTGAGAGGGCGA
TAATCCTTGCTACCTGGGTGAGA
GTGCATTGTAGTTGCATTGCA
TTGAAAGGCTGTTTCTTGGTC
TCTCACACAGAAATCGCACCCATCT
GTGACATCACATATATGGCGAC
AATCCTTGGAACCTAGGTGTGAGT
CAACCTGGAGGACTCCATGCTG
ACTGGACTTGGAGTCAGAAGGC
AGACCCTGGTCTGCACTCTGTC
AAGCTCGGTCTGAGGCCCCTCAGT
GGAGAAATTATCCTTGGTGTGT
CAAAACGTGAGGCGCTGCTAT
TGGAGTGTGACAATGGTGTTTG
CAGCAGCAATTCATGTTTTGA
CACCCGTAGAACCGACCTTGCG
TCGGGGATCATCATGTCACGAG
ATGCTGACATATTTACTAGAGG
TGAGTGTGTGTGTGTGAGTGTGTG
AAGGAGCTTACAATCTAGCTGGG
GTAGAGGAGATGGCGCAGGG
TCCATTACACTACCCTGCCTCT
ATAAAGCTAGATAACCG
TCTTTGGTTATCTAGCTGTATG
TATTGCACTTGTCCCGGCCTGT
CTTGGCACCTAGTAAGTACTCA
hsa-miR-425
hsa-miR-330-5p
hsa-miR-425
hsa-miR-31
hsa-miR-451a
hsa-miR-32-3p
hsa-miR-323b-5p
hsa-miR-320a
hsa-miR-500a-3p
hsa-miR-33a-5p
hsa-miR-488
hsa-miR-342-3p
hsa-miR-489
hsa-miR-362-5p
hsa-miR-490-5p
hsa-miR-378/hsa-miR-378a-3p
hsa-miR-504
hsa-miR-423-3p
hsa-miR-539-5p
hsa-miR-424-3p
hsa-miR-122
hsa-miR-424-5p
hsa-miR-99b-5p
hsa-miR-542-5p
hsa-miR-628-3p
hsa-miR-574-3p
hsa-miR-708
hsa-miR-877-5p
hsa-miR-885-3p
hsa-miR-9-3p
hsa-miR-9-5p
hsa-miR-92a
hsa-miR-1271-5p
85
ANEXO B
1. TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO E PARA A GUARDA DE
Material
Biológico descreve o motivo, os procedimentos e os potenciais ben efícios e
desconfortos/riscos desta pesquisa. Por favor, sinta -se à vontade para fazer quantas perguntas
quiser. É necessário ler e assinar este termo de consentimento antes que você possa participar.
Sua decisão de participar ou não participar neste estudo não terá qualquer interferência sobre o
seu tratamento para engravidar.
A endometriose é uma doença caracterizada pela presença do endométrio (tecido que
reveste o interior do útero) fora da cavidade uterina e é uma causa bastante comum de
dificuldade para engravidar (denominada infertilidade, que é a não ocorrência de gravidez após
12 meses de atividade sexual regular sem uso de métodos para evitar a gestação). Nas mulheres
inférteis com endometriose, questiona -se se um dos motivos responsáveis por essa maior
dificuldade em engravidar é a inadequada qualidade dos óvulos (oócitos), que poderão produzir
embriões também de má qualidade, impossibilitando a gestação. Dentro do ovário, o óvulo é
rodeado por camadas de células, chamadas células do cumulus, e está mergulhado em um
líquido chamado fluido folicular. Juntos, esses compon entes formam o folículo ovariano e
permitem o desenvolvimento do óvulo até que ele possa ser fertilizado pelo espermatozoide.
Algumas evidências sugerem que na presença da endometriose possa haver modificações nas
chamadas vesículas extracelulares, que são pequenas estruturas presentes no sangue e no fluido
folicular, formadas por uma camada dupla composta de lipídeos e proteínas, e repletas de
moléculas em seu interior. Essas vesículas extracelulares permitem a troca de diversos
componentes entre células, ajudando na comunicação celular e agindo na regulação de eventos
fisiológicos em resposta a condições ambientais específicas, e podem estar envolvidas em
91
processos normais ou patológicos. Um dos componentes encontrados dentro destas vesículas
extracelulares são os miRNAs (microRNAs), que são pequenos RNAs (ácidos ribonucléicos),
conservados ao longo da evolução, que agem como potentes reguladores pós-transcricionais da
expressão gênica. Alterações na expressão dos miRNAs podem causar danos aos óvulos,
prejudicar a sua qualidade e levar à redução das chances de gravidez mesmo quando se realizam
procedimentos de fertilização assistida (obtenção e fertilização dos óvulos no laboratório
utilizando os espermatozoides do parceiro, seguido pela colocação do embrião dentro da
cavidade uterina). Para saber se realmente existem danos nos óvulos, seria importante analisar
os componentes do folículo ovariano e o sangue d e mulheres com endometriose e comparar
com os de mulheres sem endometriose. Quando é realizada a captação oocitária (procedimento
do tratamento de reprodução assistida em que são coletados os óvulos), junto com os óvulos é
aspirado o fluido folicular (que é o líquido no qual os óvulos estão mergulhados e não tem uso
no tratamento da paciente, sendo descartado). Essa amostra que é descartada (fluido folicular),
juntamente com a amostra de sangue (coletada durante a anestesia feita para o procedimento de
captação oocitária) serão utilizadas para se avaliar se existem danos nos folículos de mulheres
com e sem a doença.
4. POR QUE VOCÊ ESTÁ SENDO CONVIDADA A PARTICIPAR?
A senhora está sendo convidada a participar deste estudo na posição de participante da pesquisa
do grupo endometriose, para saber se o perfil de miRNAs de microvesículas do fluido folicular
e do sangue de mulheres com endometriose são alterados em relação aos de mulheres sem a
doença. Sua colaboração, portanto, no fornecimento das amostras será fundamental para um
melhor conhecimento dos mecanismos envolvidos em casos de infertilidade com endometriose.
Esses dados também serão fundamentais para um melhor entendimento da qualidade do óvulo,
e se, quando alterados, podem contribuir para menores chances de gestação em mulheres
inférteis com endometriose, o que ajudaria na identificação de tratamentos futuros.
5. OBJETIVO DO ESTUDO
Como não há na literatura nenhuma análise direta da concentração e do tamanho das vesículas
extracelulares, assim como do conteúdo de miRNAs das vesículas extracelulares presentes no
soro e fluido folicular humano de mulheres inférteis com endometriose, o objetivo desse estudo
é isolar e caracterizar vesículas extracelulares e avaliar o perfil de 82 miRNAs maduros e
precursores carregados por vesículas extracelulares no soro e fluido folicular de mulheres
inférteis com endometriose e com infertilidade por f ator tubário e/ou masculino submetidas à
estimulação ovariana controlada para realização de fertilização in vitro.
6. O QUE ENVOLVE A SUA PARTICIPAÇÃO?
Para estudarmos as alterações moleculares de mulheres inférteis com endometriose e compará-
los com o que ocorre em mulheres inférteis sem a doença coletaremos uma amostra de sangue
no dia da captação dos óvulos, antes da anestesia geral. Durante a aspiração folicular (aspiração
dos óvulos realizada através de um aparelho de ultrassom, em que se é acoplada uma agulha
que será guiada até o ovário para que seja aspirado seu conteúdo), junto com os óvulos também
vem o líquido aonde os óvulos se desenvolvem (flu ido folicular). Esse componente é
normalmente descartado, não tendo utilidade no procedimento de reprodução assistida, de
modo que solicitamos para que seja concedido para a presente pesquisa. A concessão dessa
amostra para este estudo não prejudicará o se u tratamento, nem promoverá intervenções
complementares às da rotina assistencial. Para este estudo não será realizado nenhum
procedimento adicional além daquele que você já vai realizar para fazer o tratamento de
reprodução assistida. A única diferença é que o material que seria descartado será concedido
para esta pesquisa. Devemos, portanto, ressaltar que este estudo não irá interferir em seu
92
tratamento para engravidar, assim como não causará prejuízo nenhum para sua saúde, nem para
a do futuro bebê.
7. POSSÍVEIS BENEFÍCIOS
A sua participação neste estudo não implica em benefícios diretos para você. Caso haja
benefícios oriundos da sua participação, eles serão indiretos, ou seja, poderão contribuir para o
melhor entendimento dos mecanismos relacionados a pior qualidade do óvu lo em mulheres
inférteis com endometriose e, talvez, no futuro poderão ser usados no sentido de auxiliar na
elaboração de novos tratamentos para a infertilidade associada à endometriose.
8. POSSÍVEIS DESCONFORTOS E RISCOS:
Para conceder uma amostra de sangue serão coletados 20mL de sangue utilizando a punção
venosa realizada pelo anestesista para a realização da sedação endovenosa para a aspiração dos
folículos. Pode haver discreto dolorimento local e formação de hematoma, mas estes possíveis
desconfortos podem ocorrer pela punção, que será realizada como rotina assistencial. Para
conceder amostra de fluido folicular não haverá qualquer desconforto adicional ao do
procedimento, realizado como parte da rotina assistencial para obtenção dos óvulos para o seu
tratamento.
9. O QUE ACONTECE SE VOCÊ NÃO QUISER PARTICIPAR?
Sua participação neste estudo é totalmente voluntária. Se você decidir não participar, não haverá
penalidade, perda de benefícios ou redução na qualidade dos cuidados médicos.
10. E SE VOCÊ QUISER SAIR DO ESTUDO APÓS TER ACEITADO PARTICIPAR?
Você tem a liberdade de retirar o seu consentimento e de deixar de participar do estudo, a
qualquer momento, sem que isto traga qualquer prejuízo à continuidade do seu tratamento. Caso
você deseje retirar o seu consentimento, favor notificar as investigadoras, através do número de
telefone listado no item 14 deste Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para a
Guarda de Material Biológico.
11. SIGILO E DIVULGAÇÃO DE INFORMAÇÕES PESSOAIS
Asseguramos o total sigilo em relação aos nomes das integrantes deste estudo, bem como
garantimos que será mantido o caráter confidencial de toda informação relacionada a sua
privacidade.
12. CUSTOS E REMUNERAÇÃO
É importante ressaltarmos que este estudo não trará nenhuma despesa para você e seu
companheiro. Você não terá que pagar para participar deste estudo e nem será paga por sua
participação. Você também não terá que pagar por nenhum procedimento que será real izado
neste estudo, uma vez que as amostras serão coletadas exclusivamente nos dias que você terá
retorno no serviço por indicação médica. Todavia, se houver necessidade de comparecer ao
serviço, exclusivamente para a pesquisa, para fins de esclarecimento ou outra demanda
relacionada, você e seu acompanhante terão direito ao ressarcimento dos gastos decorrentes de
sua participação, como por exemplo gastos com transporte e alimentação.
13. NO CASO DE DANO RELACIONADO À PESQUISA
A Resolução CNS N° 466 de 2012 define como dano associado (ou decorrente) da pesquisa o
“agravo imediato ou posterior, direto ou indireto, ao indivíduo ou à coletividade, decorrente da
pesquisa” (item II.6). Caso você sofra algum dano supostamente relacion ado a esta pesquisa,
você tem o direito de buscar indenização, assim como direito à assistência integral imediata, de
93
forma gratuita, pelo tempo que for necessário providenciada pelas pesquisadoras e pelo
HC/FMRP-USP/SP como estabelecido dentro do padrão internacional de boas práticas clínicas
e resolução vigente no Brasil.
14. CONTATO PARA MAIS INFORMAÇÕES
As pesquisadoras estarão disponíveis para responder a quaisquer perguntas que você possa ter
em relação ao estudo que, porventura, possam ocorrer durante a investigação da causa da
infertilidade ou do seu tratamento para engravidar. Se você tiver alguma dú vida sobre esta
pesquisa, você pode entrar em contato com uma das pesquisadoras principais (Profa. Dra. Paula
Andrea de A. Salles Navarro, Dra Michele Gomes da Broi e Mayra Beraldo Andozia) pelos
telefones (16) 3602 -2816 e/ou (16) 3602 -2815 ou procurá -las diretamente no setor de
Reprodução Humana do HC -FMRP-USP, sito à avenida Bandeirantes, 3900, Campus
Universitário da USP, 1º andar, Ribeirão Preto, SP, de Segunda à Sexta -feira das 08hrs00min
às 16hrs00min. Caso ocorra alguma emergência poderá entrar em co ntato pelo telefone (16)
99179-5680 disponível 24 horas. Se você tem alguma dúvida sobre seus direitos como
participante da pesquisa ou em caso de julgamento relacionado com uma lesão, entre em contato
com o médico do estudo ou o seu médico de confiança. Caso você queira falar com alguém não
diretamente envolvido neste estudo sobre os seus direitos, preocupações, danos relacionados à
pesquisa, você pode se comunicar com o Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina de Ribei rão Preto da Universidade de São Paulo no Campus
Universitário, S/N, Monte Alegre, Prédio Central, Subsolo - 14048-900 – Ribeirão Preto/SP,
em (16) 3602-2228 com horário de funcionamento de Segunda à Sexta -feira das 08hrs00min
às 17hrs00min. Você também poderá entrar em contato, caso se sentir coagida para aceitar ou
continuar a participar da pesquisa.
15. INFORMAÇÕES ADICIONAIS
Este estudo encontra-se registrado no Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e na Comissão
Nacional de Ética em Pesquisa. Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) é um colegiado que deve
existir nas instituições que realizam pesquisa envolvendo seres humanos no Brasil, criado para
defender os interesses dos participantes da pesquisa em sua integridade e dignidade e para
contribuir no desenvolvimento da pesquisa dentro de padrões éticos (Resolução nº 466/12
Conselho Nacional de Saúde).
16. BIORREPOSITÓRIO
Biorrepositório é o armazenamento de material biológico para uso em curto prazo. Esta
pesquisa está vinculada ao biorrepositório de sangue e fluido folicular para avaliação de
características moleculares (tamanho, concentração e conteúdo de miRNAs das vesí culas
extracelulares) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP com
o objetivo de guardar amostras de sangue e fluido folicular para o melhor compreendimento da
infertilidade por endometriose. Gostaríamos de convidá -la a autor izar a coleta, o depósito, o
armazenamento e a utilização dos materiais biológicos humano acima discriminados para fins
de pesquisa e análise científica. Será coletado 20 ml de sangue por punção venosa e amostras
de fluido folicular por aspiração folicular no dia da aspiração de folículos durante o seu
tratamento de Reprodução Assistida. Após coletadas, as amostras serão processadas,
congeladas e armazenadas em Biorrepositório localizado no Laboratório de Ginecologia e
Obstetrícia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP até que
o material esteja completo para ser analisado. As pesquisadoras responsáveis pela equipe se
comprometem a identificar as amostras e os dados coletados por meio do número de prontuário,
de modo que garan ta o seu sigilo e a sua confidencialidade. Após a conclusão do estudo,
94
qualquer material remanescente será destruído de acordo com as boas práticas clínicas. Sua
participação é voluntária, tendo liberdade de aceitar ou não que a sua amostra seja guardada,
sem risco de qualquer penalização ou prejuízo no atendimento e tratamento que está recebendo.
A Sra. também tem o direito de retirar seu consentimento de guarda e utilização do sangue e
fluido folicular armazenados a qualquer momento. Solicitamos também os seus dados de
contato para possa ser encontrada posteriormente.
17. ASSINALE AS AMOSTRAS QUE DESEJA CONCEDER:
( ) Sangue ( ) Fluido Folicular
18. CONSENTIMENTO
Ao assinalar as amostras, assinar e datar este termo, você irá confirmar que foi suficiente
informada sobre a natureza e a finalidade deste estudo. Confirma também que foi capaz de
discutir dúvidas em detalhes com a pesquisadora, e que estas, foram complet amente e
satisfatoriamente respondidas. Este termo consta em duas vias. Você receberá uma via datada
e assinada e a outra via ficará com a pesquisadora.
_____________________________________ __________________ ___________
Nome da participante da pesquisa Assinatura Data
____________________________________ ____________________ ___________
Nome da pesquisadora Assinatura Data
_____________________________________ ____________________ ___________
Nome do(a) responsável pela coleta Assinatura Data
95
ANEXO C
Tabela 1 – Vias preditas de serem reguladas pelo microRNA que foi exclusivo nas Vesículas
Extracelulares obtidas do fluido olicular do grupo Controle
Vias preditas de serem reguladas pelo miR-155-5p exclusivo do grupo controle
KEGG pathway Genes(n) miRNA(n) miRNA p-value
Pathways in cancer 39 1 hsa-miR-155-5p 1.7082821001798e-08
Signaling pathways regulating
pluripotency of stem cells 18 1 hsa-miR-155-5p 1.46653958316825e-07
Breast cancer 17 1 hsa-miR-155-5p 1.39200098334898e-06
Gastric cancer 17 1 hsa-miR-155-5p 1.27670540244495e-06
Prolactin signaling pathway 11 1 hsa-miR-155-5p 3.04860812905044e-06
Colorectal cancer 12 1 hsa-miR-155-5p 3.19524553427849e-06
MAPK signaling pathway 24 1 hsa-miR-155-5p 6.4569646849647e-06
T cell receptor signaling
pathway 13 1 hsa-miR-155-5p 1.03619549987702e-05
Acute myeloid leukemia 10 1 hsa-miR-155-5p 1.23548219893408e-05
Hepatocellular carcinoma 16 1 hsa-miR-155-5p 1.80714184538805e-05
Longevity regulating pathway 12 1 hsa-miR-155-5p 2.03740713124604e-05
Hedgehog signaling pathway 9 1 hsa-miR-155-5p 2.21892728827181e-05
Neurotrophin signaling
pathway 13 1 hsa-miR-155-5p 2.35449069568732e-05
Rap1 signaling pathway 17 1 hsa-miR-155-5p 5.25965426483445e-05
PI3K-Akt signaling pathway 24 1 hsa-miR-155-5p 4.91944244993311e-05
mTOR signaling pathway 15 1 hsa-miR-155-5p 7.00785200446317e-05
TGF-beta signaling pathway 11 1 hsa-miR-155-5p 8.47733291408408e-05
Renal cell carcinoma 9 1 hsa-miR-155-5p 8.90950126723118e-05
cAMP signaling pathway 17 1 hsa-miR-155-5p 0.000103728587314935
AMPK signaling pathway 12 1 hsa-miR-155-5p 0.000167519667740704
Endometrial cancer 8 1 hsa-miR-155-5p 0.000191210468245777
Insulin signaling pathway 13 1 hsa-miR-155-5p 0.000207837942930446
Ras signaling pathway 17 1 hsa-miR-155-5p 0.000225612560296029
EGFR tyrosine kinase
inhibitor resistance 9 1 hsa-miR-155-5p 0.000304570150211147
Prostate cancer 10 1 hsa-miR-155-5p 0.000332208817362951
B cell receptor signaling
pathway 11 1 hsa-miR-155-5p 0.000356820163790912
Autophagy - animal 12 1 hsa-miR-155-5p 0.000492272523933608
Hepatitis C 13 1 hsa-miR-155-5p 0.000683547022611071
Hepatitis B 13 1 hsa-miR-155-5p 0.000846857057981338
Endocrine resistance 10 1 hsa-miR-155-5p 0.00113777747916423
Osteoclast differentiation 13 1 hsa-miR-155-5p 0.00115252279949868
Relaxin signaling pathway 11 1 hsa-miR-155-5p 0.00108318361237378
Pancreatic cancer 8 1 hsa-miR-155-5p 0.00103390169896483
Chronic myeloid leukemia 8 1 hsa-miR-155-5p 0.00112457460316882
Ubiquitin mediated proteolysis 11 1 hsa-miR-155-5p 0.00136789954307524
96
Hippo signaling pathway 12 1 hsa-miR-155-5p 0.00137565509346418
Basal cell carcinoma 7 1 hsa-miR-155-5p 0.00174297636041243
ErbB signaling pathway 8 1 hsa-miR-155-5p 0.00195151282183209
Choline metabolism in cancer 9 1 hsa-miR-155-5p 0.00196868329609854
Proteoglycans in cancer 14 1 hsa-miR-155-5p 0.00215175965236356
Growth hormone synthesis,
secretion and action 10 1 hsa-miR-155-5p 0.00222827388098867
TNF signaling pathway 10 1 hsa-miR-155-5p 0.00249593820097659
Regulation of actin
cytoskeleton 14 1 hsa-miR-155-5p 0.00254107337242014
Amphetamine addiction 7 1 hsa-miR-155-5p 0.0033679300250272
Transcriptional misregulation
in cancer 13 1 hsa-miR-155-5p 0.00329930995350718
FoxO signaling pathway 10 1 hsa-miR-155-5p 0.00383565080517514
Mitophagy - animal 7 1 hsa-miR-155-5p 0.00391290419299402
Melanoma 7 1 hsa-miR-155-5p 0.00391290419299402
Parathyroid hormone
synthesis, secretion and action 9 1 hsa-miR-155-5p 0.00407602898024067
Longevity regulating pathway
- multiple species 7 1 hsa-miR-155-5p 0.00485268105795882
Shigellosis 15 1 hsa-miR-155-5p 0.00512983324934412
PD-L1 expression and PD -1
checkpoint pathway in cancer 8 1 hsa-miR-155-5p 0.0052962132881104
Cellular senescence 13 1 hsa-miR-155-5p 0.0055281064796357
Insulin resistance 9 1 hsa-miR-155-5p 0.00564293040241742
Yersinia infection 10 1 hsa-miR-155-5p 0.0056908791289624
Fluid shear stress and
atherosclerosis 10 1 hsa-miR-155-5p 0.00624933730836738
IL-17 signaling pathway 8 1 hsa-miR-155-5p 0.00706175852352549
Cushing syndrome 11 1 hsa-miR-155-5p 0.00715034497313553
97
Tabela 2 – Vias preditas de serem reguladas pelos microRNAs exclusivos nas Vesículas
Extracelulares obtidas do fluido folicular do grupo endometriose.
Vias preditas de serem reguladas pelos miRNAs exclusivos do grupo endometriose
KEEG pathway Genes(n) miRNAs(n) miRNAs P-value
Axon guidance 186 8 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-196b-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p,hsa-miR-1271-5p
9.4378E-43
Pathways in cancer 555 7 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-miR-
22-5p,hsa-miR-628-5p,hsa-miR-1271-
5p
3.34994E-36
Focal adhesion 213 7 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-miR-
22-5p,hsa-miR-628-5p,hsa-miR-1271-
5p
5.88356E-33
ErbB signaling pathway 86 8 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-196b-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p,hsa-miR-1271-5p
1.98927E-30
Proteoglycans in cancer 220 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p,hsa-miR-1271-5p
4.48216E-29
Ras signaling pathway 241 7 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-196b-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-628-5p,hsa-miR-
1271-5p
4.024E-26
EGFR tyrosine kinase
inhibitor resistance
82 7 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-miR-
22-5p,hsa-miR-628-5p,hsa-miR-1271-
5p
1.06088E-25
Gastric cancer 162 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-miR-
22-5p,hsa-miR-628-5p
2.45645E-24
Regulation of actin
cytoskeleton
224 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p,hsa-miR-1271-5p
7.59839E-24
PI3K-Akt signaling pathway 372 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p,hsa-miR-1271-5p
1.39805E-23
Hepatocellular carcinoma 177 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-miR-
22-5p,hsa-miR-628-5p
1.61794E-23
MAPK signaling pathway 329 5 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
1271-5p
7.05733E-23
Neurotrophin signaling
pathway
124 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p,hsa-miR-1271-5p
1.05882E-22
Prostate cancer 101 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-196b-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p
5.64496E-22
FoxO signaling pathway 139 5 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-628-5p,hsa-miR-
1271-5p
6.12314E-22
98
Breast cancer 163 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-miR-
22-5p,hsa-miR-628-5p
9.26413E-22
Chronic myeloid leukemia 79 7 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-miR-
22-5p,hsa-miR-628-5p,hsa-miR-1271-
5p
1.74639E-20
Prolactin signaling pathway 73 8 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-196b-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p,hsa-miR-1271-5p
3.80908E-20
Growth hormone synthesis,
secretion and action
129 6 hsa-miR-9-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p,hsa-miR-1271-5p
4.70448E-20
Rap1 signaling pathway 214 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p,hsa-miR-1271-5p
2.09964E-19
Wnt signaling pathway 173 4 hsa-miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-628-5p
2.53497E-19
Glioma 79 7 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-miR-
22-5p,hsa-miR-628-5p,hsa-miR-1271-
5p
5.46939E-19
Autophagy - animal 146 4 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-628-5p,hsa-miR-1271-5p
6.5557E-19
Renal cell carcinoma 70 5 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
1271-5p
1.19314E-18
Hippo signaling pathway 164 5 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p
2.17882E-18
Pancreatic cancer 78 5 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p
2.4184E-17
Phospholipase D signaling
pathway
158 5 hsa-miR-9-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-628-5p,hsa-miR-
1271-5p
1.61262E-16
Colorectal cancer 88 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p,hsa-miR-1271-5p
1.85421E-16
Thyroid hormone signaling
pathway
137 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-miR-
22-5p,hsa-miR-1271-5p
4.64221E-16
Cholinergic synapse 122 4 hsa-miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-628-5p,hsa-miR-1271-5p
6.97279E-16
Melanoma 76 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-miR-
22-5p,hsa-miR-628-5p
9.46292E-16
Signaling pathways
regulating pluripotency of
stem cells
156 5 hsa-miR-9-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p
5.87167E-15
Choline metabolism in
cancer
106 7 hsa-miR-9-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-196b-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-628-5p,hsa-miR-
1271-5p
8.95199E-15
Non-small cell lung cancer 81 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p,hsa-miR-1271-5p
1.48165E-14
99
mTOR signaling pathway 177 5 hsa-miR-9-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p
1.71812E-14
Cushing syndrome 176 5 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
1271-5p
2.44396E-14
Longevity regulating
pathway
105 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p,hsa-miR-1271-5p
9.03347E-14
Endometrial cancer 61 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-miR-
22-5p,hsa-miR-628-5p
2.12097E-13
HIF-1 signaling pathway 112 4 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p
3.20803E-13
Oxytocin signaling pathway 161 4 hsa-miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-628-5p,hsa-miR-1271-5p
3.55966E-13
Insulin signaling pathway 153 5 hsa-miR-196b-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-628-5p,hsa-miR-
1271-5p
7.17309E-13
cGMP-PKG signaling
pathway
175 4 hsa-miR-9-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p
8.20348E-13
cAMP signaling pathway 226 4 hsa-miR-9-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p
2.37555E-12
Parathyroid hormone
synthesis, secretion and
action
118 4 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p
7.83029E-12
Relaxin signaling pathway 138 5 hsa-miR-9-5p,hsa-miR-196b-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
1271-5p
1.33419E-11
Transcriptional
misregulation in cancer
206 5 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
1271-5p
4.54701E-11
AMPK signaling pathway 130 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
628-5p,hsa-miR-1271-5p
5.23827E-11
Insulin resistance 124 5 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-628-5p,hsa-miR-
1271-5p
9.50627E-11
GnRH secretion 74 4 hsa-miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p
1.15554E-10
Hedgehog signaling pathway 59 3 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-
miR-628-5p
1.21932E-10
Spinocerebellar ataxia 145 5 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-miR-
1271-5p
1.55581E-10
Shigellosis 268 3 hsa-miR-150-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-1271-5p
1.75526E-10
Glutamatergic synapse 117 3 hsa-miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-1271-5p
2.13268E-10
Small cell lung cancer 100 4 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-628-5p
2.52305E-10
Endocrine resistance 118 6 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-miR-
22-5p,hsa-miR-1271-5p
2.91047E-10
TGF-beta signaling pathway 103 3 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-22-5p
2.9401E-10
Circadian rhythm 31 3 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-
miR-22-5p
3.16582E-10
100
Hepatitis B 177 5 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-miR-
22-5p
3.54175E-10
Endocytosis 311 3 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-542-5p
1.22709E-09
Human papillomavirus
infection
406 4 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-150-5p,hsa-miR-542-5p
1.54669E-09
Mitophagy - animal 76 3 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-28-5p,hsa-
miR-708-5p
1.935E-09
Calcium signaling pathway 246 3 hsa-miR-22-5p,hsa-miR-628-5p,hsa-
miR-1271-5p
2.52872E-09
Basal cell carcinoma 66 3 hsa-miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-
miR-22-5p
2.65591E-09
Melanogenesis 107 4 hsa-miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p
3.97953E-09
Ubiquitin mediated
proteolysis
142 3 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-628-5p
7.17708E-09
Adherens junction 79 3 hsa-miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-1271-5p
7.16138E-09
Phosphatidylinositol
signaling system
101 4 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-542-5p,hsa-miR-22-5p
1.62221E-08
Long-term potentiation 71 2 hsa-miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p 2.57699E-08
Morphine addiction 101 2 hsa-miR-542-5p,hsa-miR-22-5p 3.38036E-08
Yersinia infection 147 4 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-9-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p
3.47633E-08
Sphingolipid signaling
pathway
133 4 hsa-miR-150-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p
3.77314E-08
Circadian entrainment 100 3 hsa-miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-1271-5p
5.97257E-08
Apelin signaling pathway 140 2 hsa-miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p 6.63398E-08
Gap junction 99 3 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-1271-5p
1.20594E-07
Dopaminergic synapse 143 3 hsa-miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-1271-5p
1.21322E-07
p53 signaling pathway 75 3 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-22-5p
1.37937E-07
AGE-RAGE signaling
pathway in diabetic
complications
115 3 hsa-miR-22-5p,hsa-miR-628-5p,hsa-
miR-1271-5p
1.62998E-07
MicroRNAs in cancer 334 3 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-150-5p,hsa-
miR-1271-5p
1.79038E-07
Aldosterone-regulated
sodium reabsorption
37 2 hsa-miR-542-5p,hsa-miR-22-5p 1.81935E-07
Bacterial invasion of
epithelial cells
80 2 hsa-miR-9-5p,hsa-miR-1271-5p 2.37426E-07
Metabolic pathways 1634 2 hsa-miR-22-5p,hsa-miR-628-5p 9.02745E-07
Insulin secretion 92 4 hsa-miR-9-5p,hsa-miR-542-5p,hsa-
miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p
1.00185E-06
GnRH signaling pathway 97 2 hsa-miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p 1.07911E-06
Glycosaminoglycan
biosynthesis - heparan
sulfate / heparin
25 2 hsa-miR-22-5p,hsa-miR-628-5p 1.19641E-06
Adrenergic signaling in
cardiomyocytes
161 3 hsa-miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-1271-5p
1.41694E-06
Lysine degradation 69 3 hsa-miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-628-5p
1.47688E-06
Bladder cancer 43 1 hsa-miR-17-5p 3.62217E-06
101
Fc gamma R -mediated
phagocytosis
101 3 hsa-miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-1271-5p
4.16888E-06
T cell receptor signaling
pathway
115 3 hsa-miR-9-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-1271-5p
4.76595E-06
Other types of O -glycan
biosynthesis
49 3 hsa-miR-9-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-628-5p
5.1787E-06
Chemokine signaling
pathway
215 3 hsa-miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-1271-5p
5.29581E-06
Longevity regulating
pathway - multiple species
79 2 hsa-miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p 5.29405E-06
Long-term depression 64 2 hsa-miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p 7.07134E-06
GABAergic synapse 100 3 hsa-miR-542-5p,hsa-miR-22-5p,hsa-
miR-1271-5p
7.27105E-06
Hepatitis C 173 2 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-150-5p 1.79956E-05
Kaposi sarcoma -associated
herpesvirus infection
245 2 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-150-5p 2.83155E-05
PD-L1 expression and PD -1
checkpoint pathway in
cancer
101 2 hsa-miR-150-5p,hsa-miR-22-5p 2.91058E-05
Type II diabetes mellitus 57 2 hsa-miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p 3.02081E-05
Renin secretion 72 1 hsa-miR-1271-5p 6.12652E-05
Platelet activation 136 2 hsa-miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p 9.8217E-05
Inflammatory mediator
regulation of TRP channels
101 2 hsa-miR-542-5p,hsa-miR-22-5p 9.76255E-05
Estrogen signaling pathway 167 1 hsa-miR-1271-5p 0.000115798
Autophagy - other 33 1 hsa-miR-22-5p 0.000127825
Central carbon metabolism
in cancer
74 2 hsa-miR-150-5p,hsa-miR-22-5p 0.000140677
Cortisol synthesis and
secretion
78 1 hsa-miR-1271-5p 0.000143931
Glycosaminoglycan
biosynthesis - chondroitin
sulfate / dermatan sulfate
21 2 hsa-miR-9-5p,hsa-miR-22-5p 0.000162985
Progesterone-mediated
oocyte maturation
104 2 hsa-miR-9-5p,hsa-miR-1271-5p 0.000179463
Acute myeloid leukemia 69 2 hsa-miR-9-5p,hsa-miR-22-5p 0.000215008
Platinum drug resistance 75 1 hsa-miR-22-5p 0.000236272
Human cytomegalovirus
infection
306 2 hsa-miR-17-5p,hsa-miR-1271-5p 0.000267408
Alanine, aspartate and
glutamate metabolism
38 1 hsa-miR-22-5p 0.000271981
Vasopressin-regulated water
reabsorption
47 1 hsa-miR-9-5p 0.000308966
Synaptic vesicle cycle 89 1 hsa-miR-542-5p 0.000350263
N-Glycan biosynthesis 51 1 hsa-miR-22-5p 0.000430406
Aldosterone synthesis and
secretion
110 1 hsa-miR-1271-5p 0.000451751
Fluid shear stress and
atherosclerosis
149 2 hsa-miR-150-5p,hsa-miR-22-5p 0.000450863
Adipocytokine signaling
pathway
88 1 hsa-miR-22-5p 0.000519492
Salmonella infection 277 1 hsa-miR-150-5p 0.000622366
Vascular smooth muscle
contraction
138 2 hsa-miR-22-5p,hsa-miR-1271-5p 0.000642268
Glucagon signaling pathway 114 1 hsa-miR-1271-5p 0.000663888
102
Pathogenic Escherichia coli
infection
222 1 hsa-miR-22-5p 0.00082426
Nicotine addiction 42 1 hsa-miR-22-5p 0.000836426
Endocrine and other factor -
regulated calcium
reabsorption
57 2 hsa-miR-542-5p,hsa-miR-22-5p 0.000868276
Mucin type O -glycan
biosynthesis
34 1 hsa-miR-22-5p 0.000889629
Measles 161 2 hsa-miR-150-5p,hsa-miR-22-5p 0.001015487
SNARE interactions in
vesicular transport
33 1 hsa-miR-22-5p 0.001592813
Amphetamine addiction 74 1 hsa-miR-542-5p 0.003077163
Inositol phosphate
metabolism
78 1 hsa-miR-22-5p 0.00325241
Oocyte meiosis 134 1 hsa-miR-1271-5p 0.003420484
Cellular senescence 219 1 hsa-miR-1271-5p 0.004027249
Human immunodeficiency
virus 1 infection
277 1 hsa-miR-1271-5p 0.004012487
JAK-STAT signaling
pathway
168 1 hsa-miR-22-5p 0.004152533
Regulation of lipolysis in
adipocytes
61 1 hsa-miR-22-5p 0.004408795
Leukocyte transendothelial
migration
120 1 hsa-miR-542-5p 0.005264539
Pantothenate and CoA
biosynthesis
21 1 hsa-miR-22-5p 0.005312422
Pyrimidine metabolism 57 1 hsa-miR-628-5p 0.006614233
Fc epsilon RI signaling
pathway
79 1 hsa-miR-1271-5p 0.006701088
Purine metabolism 137 1 hsa-miR-9-5p 0.006979135
Sphingolipid metabolism 59 1 hsa-miR-9-5p 0.00726121
Gastric acid secretion 80 1 hsa-miR-542-5p 0.007378341
beta-Alanine metabolism 30 1 hsa-miR-22-5p 0.008317317
Hippo signaling pathway -
multiple species
30 1 hsa-miR-22-5p 0.008317317
Serotonergic synapse 126 1 hsa-miR-22-5p 0.008305937
TNF signaling pathway 131 1 hsa-miR-22-5p 0.008690432
Cell cycle 129 1 hsa-miR-22-5p 0.009406269
Cocaine addiction 53 1 hsa-miR-542-5p 0.010274138
Nicotinate and nicotinamide
metabolism
37 1 hsa-miR-22-5p 0.010704334
Arrhythmogenic right
ventricular cardiomyopathy
79 1 hsa-miR-22-5p 0.015135863
Retrograde
endocannabinoid signaling
166 1 hsa-miR-22-5p 0.016269375
103
Tabela 3 – Vias preditas de serem reguladas pelos microRNAs diferencialmente expressos em
Vesículas extracelulares isoladas do fluido folicular do grupo controle x endometriose.
Vias preditas de serem reguladas pelos miRNAs diferencialmente expressos entre
os grupos controle e endometriose
KEEG pathway Genes(n) miRNAs (n) miRNAs p-value
Axon guidance 186 15 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-24-
3p,hsa-miR-31-5p,hsa-miR-
92a-3p,hsa-miR-30c-5p,hsa-
miR-139-5p,hsa-miR-214-
3p,hsa-miR-141-3p,hsa-miR-
145-5p,hsa-miR-206,hsa-miR-
330-3p,hsa-miR-425-3p,hsa-
miR-574-5p,hsa-miR-885-
5p,hsa-miR-504-3p
3.1199E-61
Pathways in cancer 555 11 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-24-
3p,hsa-miR-31-5p,hsa-miR-
139-5p,hsa-miR-214-3p,hsa-
miR-141-3p,hsa-miR-206,hsa-
miR-330-3p,hsa-miR-425-
3p,hsa-miR-574-5p,hsa-miR-
504-3p
3.078E-44
Proteoglycans in cancer 220 12 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-31-
5p,hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
139-5p,hsa-miR-141-3p,hsa-
miR-145-5p,hsa-miR-206,hsa-
miR-330-3p,hsa-miR-425-
3p,hsa-miR-574-5p,hsa-miR-
885-5p,hsa-miR-504-3p
1.7324E-42
ErbB signaling pathway 86 11 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-30c-5p,hsa-miR-
139-5p,hsa-miR-214-3p,hsa-
miR-145-5p,hsa-miR-330-
3p,hsa-miR-425-3p,hsa-miR-
574-5p,hsa-miR-885-5p,hsa-
miR-504-3p
3.0197E-33
Hippo signaling pathway 164 9 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-139-
5p,hsa-miR-214-3p,hsa-miR-
145-5p,hsa-miR-206,hsa-miR-
330-3p,hsa-miR-425-3p,hsa-
miR-574-5p,hsa-miR-504-3p
4.2453E-31
Rap1 signaling pathway 214 8 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-214-
3p,hsa-miR-141-3p,hsa-miR-
145-5p,hsa-miR-206,hsa-miR-
425-3p,hsa-miR-574-5p,hsa-
miR-504-3p
3.5759E-29
Ras signaling pathway 241 11 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-24-
3p,hsa-miR-31-5p,hsa-miR-
30c-5p,hsa-miR-139-5p,hsa-
miR-214-3p,hsa-miR-145-
5p,hsa-miR-206,hsa-miR-425-
3p,hsa-miR-574-5p,hsa-miR-
504-3p
1.6382E-28
Signaling pathways
regulating pluripotency of
stem cells
156 12 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-31-
5p,hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
30c-5p,hsa-miR-214-3p,hsa-
4.5103E-28
104
miR-145-5p,hsa-miR-206,hsa-
miR-330-3p,hsa-miR-425-
3p,hsa-miR-574-5p,hsa-miR-
885-5p,hsa-miR-504-3p
cAMP signaling pathway 226 8 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-30c-
5p,hsa-miR-139-5p,hsa-miR-
214-3p,hsa-miR-330-3p,hsa-
miR-425-3p,hsa-miR-574-
5p,hsa-miR-504-3p
5.0406E-27
Wnt signaling pathway 173 9 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-30c-
5p,hsa-miR-214-3p,hsa-miR-
141-3p,hsa-miR-206,hsa-miR-
330-3p,hsa-miR-425-3p,hsa-
miR-574-5p,hsa-miR-504-3p
2.6904E-26
FoxO signaling pathway 139 8 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-31-
5p,hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
30c-5p,hsa-miR-214-3p,hsa-
miR-145-5p,hsa-miR-574-
5p,hsa-miR-504-3p
2.2462E-25
Regulation of actin
cytoskeleton
224 9 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-30c-5p,hsa-miR-
214-3p,hsa-miR-145-5p,hsa-
miR-206,hsa-miR-425-3p,hsa-
miR-574-5p,hsa-miR-504-3p
1.1657E-24
MAPK signaling pathway 329 8 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-24-
3p,hsa-miR-31-5p,hsa-miR-
141-3p,hsa-miR-145-5p,hsa-
miR-206,hsa-miR-574-5p,hsa-
miR-504-3p
3.9899E-24
EGFR tyrosine kinase
inhibitor resistance
82 10 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-24-
3p,hsa-miR-31-5p,hsa-miR-
92a-3p,hsa-miR-30c-5p,hsa-
miR-214-3p,hsa-miR-206,hsa-
miR-425-3p,hsa-miR-574-
5p,hsa-miR-504-3p
1.2401E-22
Focal adhesion 213 8 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-139-
5p,hsa-miR-145-5p,hsa-miR-
206,hsa-miR-330-3p,hsa-miR-
425-3p,hsa-miR-574-5p,hsa-
miR-504-3p
1.2578E-22
Neurotrophin signaling
pathway
124 9 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-31-
5p,hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
30c-5p,hsa-miR-214-3p,hsa-
miR-145-5p,hsa-miR-206,hsa-
miR-330-3p,hsa-miR-504-3p
2.2452E-22
Oxytocin signaling pathway 161 8 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-30c-5p,hsa-miR-
214-3p,hsa-miR-145-5p,hsa-
miR-206,hsa-miR-574-5p,hsa-
miR-504-3p
9.5709E-22
TGF-beta signaling pathway 103 9 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-31-
5p,hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
214-3p,hsa-miR-145-5p,hsa-
miR-206,hsa-miR-330-3p,hsa-
miR-574-5p,hsa-miR-504-3p
2.1687E-21
cGMP-PKG signaling
pathway
175 7 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-30c-5p,hsa-miR-
206,hsa-miR-330-3p,hsa-miR-
574-5p,hsa-miR-504-3p
5.5642E-21
105
Dopaminergic synapse 143 7 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-30c-
5p,hsa-miR-139-5p,hsa-miR-
214-3p,hsa-miR-425-3p,hsa-
miR-574-5p,hsa-miR-504-3p
7.0896E-21
Melanogenesis 107 7 hsa-miR-24-3p,hsa-miR-31-
5p,hsa-miR-214-3p,hsa-miR-
206,hsa-miR-425-3p,hsa-miR-
574-5p,hsa-miR-504-3p
1.6499E-20
Renal cell carcinoma 70 9 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-31-
5p,hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
139-5p,hsa-miR-206,hsa-miR-
330-3p,hsa-miR-151a-3p,hsa-
miR-425-3p,hsa-miR-504-3p
9.22E-20
Apelin signaling pathway 140 7 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-214-3p,hsa-miR-
206,hsa-miR-330-3p,hsa-miR-
574-5p,hsa-miR-504-3p
2.1224E-19
Calcium signaling pathway 246 6 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-30c-5p,hsa-miR-
425-3p,hsa-miR-574-5p,hsa-
miR-504-3p
3.5336E-19
Cushing syndrome 176 7 hsa-miR-24-3p,hsa-miR-31-
5p,hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
214-3p,hsa-miR-206,hsa-miR-
425-3p,hsa-miR-504-3p
3.653E-19
Ubiquitin mediated
proteolysis
142 5 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-30c-
5p,hsa-miR-214-3p,hsa-miR-
574-5p,hsa-miR-885-5p
1.1433E-18
Cholinergic synapse 122 7 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-30c-5p,hsa-miR-
214-3p,hsa-miR-425-3p,hsa-
miR-574-5p,hsa-miR-504-3p
1.5974E-18
Growth hormone synthesis,
secretion and action
129 8 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-30c-5p,hsa-miR-
214-3p,hsa-miR-330-3p,hsa-
miR-425-3p,hsa-miR-574-
5p,hsa-miR-504-3p
4.8847E-18
Adrenergic signaling in
cardiomyocytes
161 6 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-206,hsa-miR-425-
3p,hsa-miR-574-5p,hsa-miR-
504-3p
5.3216E-18
Glutamatergic synapse 117 8 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-30c-5p,hsa-miR-
141-3p,hsa-miR-206,hsa-miR-
425-3p,hsa-miR-574-5p,hsa-
miR-504-3p
3.0679E-17
Circadian entrainment 100 7 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-30c-5p,hsa-miR-
214-3p,hsa-miR-425-3p,hsa-
miR-574-5p,hsa-miR-504-3p
4.339E-17
Hepatocellular carcinoma 177 7 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-31-
5p,hsa-miR-214-3p,hsa-miR-
145-5p,hsa-miR-206,hsa-miR-
425-3p,hsa-miR-504-3p
5.0834E-17
Long-term potentiation 71 8 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-30c-5p,hsa-miR-
206,hsa-miR-330-3p,hsa-miR-
425-3p,hsa-miR-574-5p,hsa-
miR-504-3p
7.3577E-17
106
Insulin signaling pathway 153 6 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-214-3p,hsa-miR-
330-3p,hsa-miR-425-3p,hsa-
miR-504-3p
1.5216E-16
Glioma 79 6 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
206,hsa-miR-330-3p,hsa-miR-
425-3p,hsa-miR-574-5p,hsa-
miR-504-3p
9.2763E-16
Transcriptional
misregulation in cancer
206 6 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-141-3p,hsa-miR-
145-5p,hsa-miR-206,hsa-miR-
574-5p
1.6791E-15
PI3K-Akt signaling pathway 372 7 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-214-
3p,hsa-miR-141-3p,hsa-miR-
206,hsa-miR-425-3p,hsa-miR-
574-5p,hsa-miR-504-3p
1.9349E-15
Choline metabolism in
cancer
106 6 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-30c-
5p,hsa-miR-214-3p,hsa-miR-
206,hsa-miR-425-3p,hsa-miR-
504-3p
2.5231E-15
Colorectal cancer 88 5 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-31-
5p,hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
139-5p,hsa-miR-504-3p
3.4899E-15
AMPK signaling pathway 130 7 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-30c-
5p,hsa-miR-214-3p,hsa-miR-
141-3p,hsa-miR-425-3p,hsa-
miR-574-5p,hsa-miR-504-3p
5.2235E-15
Thyroid hormone signaling
pathway
137 5 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
206,hsa-miR-330-3p,hsa-miR-
574-5p,hsa-miR-504-3p
1.6224E-14
Breast cancer 163 5 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-206,hsa-miR-330-
3p,hsa-miR-504-3p
8.4306E-14
Gastric cancer 162 4 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-31-
5p,hsa-miR-145-5p,hsa-miR-
504-3p
9.9904E-14
Phosphatidylinositol
signaling system
101 5 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-30c-
5p,hsa-miR-214-3p,hsa-miR-
425-3p,hsa-miR-504-3p
1.7273E-13
Sphingolipid signaling
pathway
133 5 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-425-3p,hsa-miR-
574-5p,hsa-miR-504-3p
2.7151E-13
Pancreatic cancer 78 6 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-31-
5p,hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
206,hsa-miR-574-5p,hsa-miR-
504-3p
4.2331E-13
Phospholipase D signaling
pathway
158 6 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-30c-
5p,hsa-miR-214-3p,hsa-miR-
425-3p,hsa-miR-574-5p,hsa-
miR-504-3p
7.2665E-13
Chronic myeloid leukemia 79 6 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-141-
3p,hsa-miR-145-5p,hsa-miR-
206,hsa-miR-330-3p,hsa-miR-
504-3p
8.8188E-13
Hedgehog signaling pathway 59 4 hsa-miR-141-3p,hsa-miR-425-
3p,hsa-miR-574-5p,hsa-miR-
504-3p
1.0921E-12
Insulin resistance 124 4 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-214-3p,hsa-miR-
425-3p
1.1656E-12
107
Tight junction 182 5 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-141-
3p,hsa-miR-145-5p,hsa-miR-
206,hsa-miR-425-3p
1.1979E-12
Adherens junction 79 4 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-145-
5p,hsa-miR-206,hsa-miR-574-
5p
1.2487E-12
Autophagy - animal 146 6 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-30c-5p,hsa-miR-
214-3p,hsa-miR-425-3p,hsa-
miR-504-3p
2.489E-12
Inflammatory mediator
regulation of TRP channels
101 6 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-214-3p,hsa-miR-
425-3p,hsa-miR-574-5p,hsa-
miR-504-3p
3.0953E-12
Morphine addiction 101 4 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-139-
5p,hsa-miR-574-5p,hsa-miR-
504-3p
3.4361E-12
Arrhythmogenic right
ventricular cardiomyopathy
79 4 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-30c-
5p,hsa-miR-145-5p,hsa-miR-
504-3p
6.5999E-12
Longevity regulating
pathway
105 5 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-30c-5p,hsa-miR-
214-3p,hsa-miR-425-3p
1.6252E-11
Endocytosis 311 5 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-30c-
5p,hsa-miR-145-5p,hsa-miR-
206,hsa-miR-574-5p
2.1961E-11
Yersinia infection 147 6 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-30c-
5p,hsa-miR-145-5p,hsa-miR-
206,hsa-miR-425-3p,hsa-miR-
504-3p
3.1178E-11
GnRH secretion 74 4 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-425-3p,hsa-miR-
574-5p
1.0064E-10
Hepatitis B 177 6 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-31-
5p,hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
214-3p,hsa-miR-141-3p,hsa-
miR-504-3p
1.074E-10
GnRH signaling pathway 97 5 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-206,hsa-miR-330-
3p,hsa-miR-504-3p
2.3141E-10
Bacterial invasion of
epithelial cells
80 4 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-145-
5p,hsa-miR-206,hsa-miR-425-
3p
2.9417E-10
AGE-RAGE signaling
pathway in diabetic
complications
115 4 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-
206,hsa-miR-425-3p,hsa-miR-
574-5p
4.0278E-10
Aldosterone synthesis and
secretion
110 4 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-145-
5p,hsa-miR-574-5p,hsa-miR-
504-3p
7.4413E-10
Shigellosis 268 4 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-145-
5p,hsa-miR-151a-3p,hsa-miR-
425-3p
1.1834E-09
Spinocerebellar ataxia 145 4 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-30c-5p,hsa-miR-
574-5p
1.6678E-09
Parathyroid hormone
synthesis, secretion and
action
118 4 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-425-
3p,hsa-miR-574-5p,hsa-miR-
504-3p
2.3065E-09
Endometrial cancer 61 3 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-504-3p
2.6649E-09
108
Fc gamma R -mediated
phagocytosis
101 3 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
206,hsa-miR-425-3p
3.3057E-09
mTOR signaling pathway 177 4 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-141-
3p,hsa-miR-425-3p,hsa-miR-
504-3p
4.6167E-09
Melanoma 76 5 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-31-
5p,hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
206,hsa-miR-504-3p
6.8266E-09
Insulin secretion 92 3 hsa-miR-425-3p,hsa-miR-574-
5p,hsa-miR-504-3p
6.9822E-09
Other types of O -glycan
biosynthesis
49 3 hsa-miR-214-3p,hsa-miR-574-
5p,hsa-miR-504-3p
8.0493E-09
HIF-1 signaling pathway 112 5 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-31-
5p,hsa-miR-214-3p,hsa-miR-
425-3p,hsa-miR-504-3p
7.8667E-09
Gastric acid secretion 80 3 hsa-miR-425-3p,hsa-miR-574-
5p,hsa-miR-504-3p
8.0709E-09
Central carbon metabolism
in cancer
74 3 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
206,hsa-miR-151a-3p
1.1578E-08
Circadian rhythm 31 2 hsa-miR-214-3p,hsa-miR-504-
3p
3.5746E-08
Prostate cancer 101 3 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-214-
3p,hsa-miR-504-3p
5.4776E-08
Synaptic vesicle cycle 89 2 hsa-miR-141-3p,hsa-miR-504-
3p
1.0662E-07
Amphetamine addiction 74 3 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-30c-
5p,hsa-miR-504-3p
1.3595E-07
Regulation of lipolysis in
adipocytes
61 3 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-214-3p
1.8369E-07
SNARE interactions in
vesicular transport
33 2 hsa-miR-24-3p,hsa-miR-504-
3p
2.2978E-07
Long-term depression 64 3 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-574-
5p,hsa-miR-504-3p
2.3538E-07
Hypertrophic
cardiomyopathy
99 3 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-30c-
5p,hsa-miR-504-3p
3.3844E-07
Longevity regulating
pathway - multiple species
79 3 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-425-3p
5.8965E-07
Endocrine and other factor -
regulated calcium
reabsorption
57 3 hsa-miR-425-3p,hsa-miR-574-
5p,hsa-miR-504-3p
7.2168E-07
Inositol phosphate
metabolism
78 3 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-425-
3p,hsa-miR-504-3p
7.3065E-07
Metabolic pathways 1634 2 hsa-miR-214-3p,hsa-miR-504-
3p
9.1321E-07
Non-small cell lung cancer 81 3 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-
206,hsa-miR-504-3p
1.0248E-06
Human papillomavirus
infection
406 3 hsa-miR-206,hsa-miR-425-
3p,hsa-miR-504-3p
1.3952E-06
Basal cell carcinoma 66 1 hsa-miR-504-3p 1.5422E-06
Platelet activation 136 4 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-425-3p,hsa-miR-
504-3p
1.9802E-06
Small cell lung cancer 100 3 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p,hsa-miR-504-3p
2.4182E-06
Mannose type O -glycan
biosynthesis
24 1 hsa-miR-425-3p 2.9728E-06
Pentose and glucuronate
interconversions
37 1 hsa-miR-141-3p 3.3235E-06
109
p53 signaling pathway 75 3 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-425-
3p,hsa-miR-504-3p
3.3359E-06
Thyroid hormone synthesis 84 3 hsa-miR-425-3p,hsa-miR-574-
5p,hsa-miR-504-3p
4.3938E-06
MicroRNAs in cancer 334 2 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-92a-
3p
5.0467E-06
Endocrine resistance 118 3 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-
206,hsa-miR-504-3p
5.6319E-06
Prolactin signaling pathway 73 2 hsa-miR-214-3p,hsa-miR-504-
3p
8.4044E-06
Ascorbate and aldarate
metabolism
33 1 hsa-miR-141-3p 9.5755E-06
Dilated cardiomyopathy 107 2 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-504-
3p
9.6074E-06
Mucin type O -glycan
biosynthesis
34 3 hsa-miR-214-3p,hsa-miR-574-
5p,hsa-miR-504-3p
1.283E-05
VEGF signaling pathway 61 3 hsa-miR-206,hsa-miR-425-
3p,hsa-miR-504-3p
1.351E-05
Nicotine addiction 42 2 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-574-
5p
1.4661E-05
Glycerophospholipid
metabolism
116 2 hsa-miR-214-3p,hsa-miR-504-
3p
1.5606E-05
Relaxin signaling pathway 138 2 hsa-miR-574-5p,hsa-miR-504-
3p
2.1446E-05
Cocaine addiction 53 2 hsa-miR-214-3p,hsa-miR-425-
3p
3.0169E-05
Vascular smooth muscle
contraction
138 2 hsa-miR-574-5p,hsa-miR-504-
3p
3.512E-05
Hippo signaling pathway -
multiple species
30 2 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-574-
5p
3.7776E-05
GABAergic synapse 100 2 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-574-
5p
4.6238E-05
Glycosaminoglycan
biosynthesis - heparan
sulfate / heparin
25 2 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-214-
3p
4.9696E-05
Glycosaminoglycan
biosynthesis - chondroitin
sulfate / dermatan sulfate
21 2 hsa-miR-214-3p,hsa-miR-206 5.0949E-05
Acute myeloid leukemia 69 2 hsa-miR-92a-3p,hsa-miR-504-
3p
6.0219E-05
Vibrio cholerae infection 60 2 hsa-miR-206,hsa-miR-425-3p 6.3859E-05
Leukocyte transendothelial
migration
120 2 hsa-miR-425-3p,hsa-miR-574-
5p
9.5797E-05
Cellular senescence 219 2 hsa-miR-21-5p,hsa-miR-206 9.8322E-05
Thyroid cancer 43 2 hsa-miR-206,hsa-miR-504-3p 0.00010927
Porphyrin and chlorophyll
metabolism
46 1 hsa-miR-141-3p 0.00016326
Aldosterone-regulated
sodium reabsorption
37 2 hsa-miR-206,hsa-miR-574-5p 0.00016287
Cytokine-cytokine receptor
interaction
333 1 hsa-miR-21-5p 0.00019752
Retrograde
endocannabinoid signaling
166 1 hsa-miR-574-5p 0.00026432
Vasopressin-regulated water
reabsorption
47 2 hsa-miR-214-3p,hsa-miR-425-
3p
0.00028336
Fluid shear stress and
atherosclerosis
149 2 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-92a-
3p
0.00030931
110
Protein processing in
endoplasmic reticulum
194 1 hsa-miR-30c-5p 0.0003146
Bile secretion 98 1 hsa-miR-141-3p 0.00039186
Gap junction 99 1 hsa-miR-31-5p 0.00042149
Hepatitis C 173 2 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-504-
3p
0.00044261
Glycosphingolipid
biosynthesis - lacto and
neolacto series
29 1 hsa-miR-214-3p 0.00051769
T cell receptor signaling
pathway
115 2 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-504-
3p
0.00057317
Bladder cancer 43 1 hsa-miR-206 0.0006323
Glucagon signaling pathway 114 1 hsa-miR-92a-3p 0.00063952
Lysine degradation 69 1 hsa-miR-214-3p 0.00064585
Cortisol synthesis and
secretion
78 1 hsa-miR-92a-3p 0.00075311
Progesterone-mediated
oocyte maturation
104 1 hsa-miR-92a-3p 0.00083639
C-type lectin receptor
signaling pathway
116 1 hsa-miR-21-5p 0.00086545
Purine metabolism 137 2 hsa-miR-31-5p,hsa-miR-504-
3p
0.00088647
Drug metabolism - other
enzymes
85 1 hsa-miR-141-3p 0.00133218
Phosphonate and
phosphinate metabolism
6 1 hsa-miR-145-5p 0.00177112
Biosynthesis of cofactors 173 1 hsa-miR-141-3p 0.00183676
Sphingolipid metabolism 59 1 hsa-miR-504-3p 0.0019843
Mineral absorption 62 1 hsa-miR-574-5p 0.00224104
JAK-STAT signaling
pathway
168 1 hsa-miR-21-5p 0.00247343
Alcoholism 195 1 hsa-miR-206 0.0035303
Estrogen signaling pathway 167 1 hsa-miR-92a-3p 0.00385297
Glycosaminoglycan
biosynthesis - keratan sulfate
14 1 hsa-miR-31-5p 0.00478453
Fatty acid degradation 43 1 hsa-miR-214-3p 0.00491418
Notch signaling pathway 63 1 hsa-miR-214-3p 0.00755991
N-Glycan biosynthesis 51 1 hsa-miR-504-3p 0.00831635
Platinum drug resistance 75 1 hsa-miR-31-5p 0.00902131
Renin secretion 72 1 hsa-miR-504-3p 0.00959391