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FEMINA 2022;50(8):454-60
1. Departamento de Ginecologia e
Obstetrícia, Faculdade de Medicina,
Universidade Federal do Maranhão,
São Luís, MA, Brasil.
2. Departamento de Ginecologia,
Beneficência Portuguesa de São
Paulo, São Paulo, SP, Brasil.
3. Disciplina de Ginecologia,
Departamento de Obstetrícia e
Ginecologia, Faculdade de Medicina,
Universidade de São Paulo, São
Paulo, SP, Brasil.
4. Departamento de Ginecologia,
Escola Paulista de Medicina,
Universidade Federal de São Paulo,
São Paulo, SP, Brasil.
5. Departamento de Ginecologia e
Obstetrícia, Faculdade de Medicina
de Ribeirão Preto, Universidade de
São Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brasil.
Conflitos de interesse:
Nada a declarar.
Autor correspondente:
João Nogueira Neto
Praça Gonçalves Dias, s/n, Centro,
65020-240, São Luís, MA, Brasil
[email protected]
Como citar:
Nogueira Neto J, Abrão MS, Schor
E, Rosa-e-Silva JC. Classificação
cirúrgica da endometriose. Femina.
2022;50(8):454-60.
Classificação cirúrgica
da endometriose
João Nogueira Neto1, Mauricio Simões Abrão2,3, Eduardo Schor4, Julio Cesar Rosa-e-Silva5
A
endometriose é uma doença ginecológica crônica, benigna, estrog ê-
nio-dependente e de natureza multifatorial que acomete principal -
mente mulheres em idade reprodutiva. Pode ser definida pela presen-
ça de tecido que se assemelha à glândula e/ou ao estroma endometrial fora
do útero, com predomínio, mas não exclusivo, na pelve feminina.(1) Estima-se
que 10% das mulheres em idade reprodutiva tenham essa doença, o que
representa em torno de 176 milhões de mulheres no mundo, gerando custos
diretos aos sistemas de saúde e indiretos por diminuição de produtividade,
além de sofrimento físico e psicológico, secundários aos quadros de dor e
infertilidade, com consequente perda da qualidade de vida.(2)
Nas últimas décadas, em consequência das muitas dificuldades impostas
pela endometriose, ela vem sendo bastante pesquisada.(3,4) Uma das dificul-
dades encontradas é a sua classificação. Um sistema de classificação repro-
duzível, de fácil aplicação e bem organizado é necessário não apenas para
esclarecer a comunicação entre os médicos, mas também para padronizar a
estratégia de tratamento ideal e homogeneizar os estudos clínicos.(2,5)
A Comissão Nacional Especializada (CNE) em Endometriose da Federação
Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) analisou
as diferentes formas de classificação escolhidas pela World Endometriosis
Society (WES),(5) com o objetivo de uniformizar e padronizar nacionalmente a
classificação vigente para os serviços brasileiros que diagnosticam e tratam
essa enfermidade.
Devido à falta de uma classificação única que avalie todas as manifesta-
ções possíveis da endometriose, foram padronizadas quatro classificações,
entre as quais: a classificação revisada da American Society for Reproductive
Medicine (ASRM) (Figura 1), a classificação ENZIAN (Figura 2), o Endometriosis
Fertility Index (EFI) (Figura 3) e a classificação da American Association of
Gynecologic Laparoscopists (AAGL) (Figuras 4 e 5).(2,6-11)
ANÁLISE CRÍTICA
Foi publicado pela WES o primeiro consenso internacional sobre a classifica-
ção da endometriose por meio de metodologia rigorosa no ano de 2017.(5) Por
falta de uma classificação que avalie todas as faces dessa doença, foi pro -
posta a junção das classificações mais relevantes que pudessem ser usadas
por todos os profissionais que trabalham com mulheres com endometriose,
a partir da qual os cirurgiões podem selecionar os componentes apropriados
e garantir que isso seja documentado no registro da paciente.(5)
A classificação inicial da ASRM propôs uma abordagem única em 1979.(7) O
estágio da endometriose é derivado de uma pontuação cumulativa de acor-
do com a localização e o tamanho das lesões observadas durante a cirur -
gia.(2,7) O sistema de estadiamento sofreu modificações em 1996 e atualmente
é dividido em I (1 a 5 pontos, mínima), II (6 a 15 pontos, leve), III (16 a 40
pontos, moderada) e IV (superior a 40 pontos, severa).
As vantagens dessa classificação são sua aceitação global, sendo muito
utilizada, fácil aplicação e ajuda às pacientes para entenderem facilmente o
estágio de sua doença.(2)
CAPA
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Nogueira Neto J, Abrão MS, Schor E, Rosa-e-Silva JC
456 |
FEMINA 2022;50(8):454-60
Fonte: Hornstein MD, Gleason RE, Orav J, Haas ST, Friedman AJ, Rein MS, et al. The reproducibility of the revised American Fertility Society classification of
endometriosis. Fertil Steril. 1993;59(5):1015-21.(7)
Figura 1. Classificação da endometriose da American Society for Reproductive Medicine
CLASSIFICAÇÃO DA ENDOMETRIOSE – SOCIEDADE AMERICANA DE MEDICINA REPRODUTIVA
(1979, revisada em 1985 e 1997)
Nome da paciente: ....................................................... Data: ..........................................
Estágio I (Mínima) 1-5 Laparoscopia: ................. Laparotomia: ................... Fotografia: .................
Estágio II (Leve) 6-15 Tratamento recomendado: ................................................................
Estágio III (Moderada) 16-40 ........................................................................................
Estágio IV (Severa) > 40 ........................................................................................
Total ................ Prognóstico: .............................................................................
Peritônio
Endometriose 3 cm
Superficial 1 2 4
Profundo 2 4 6
Ovário
Direito superficial 1 2 4
Direito profundo 4 16 20
Esquerdo superficial 1 2 4
Esquerdo profundo 4 16 20
Obliteração do fundo de saco posterior
Parcial Completa
4 40
Ovário
Aderências 2/3 envolvida
Direito fina 1 2 4
Direito densa 4 8 16
Esquerdo fina 1 2 4
Esquerdo densa 4 8 16
Tuba
Direita fina 1 2 4
Direita densa 4 8 16
Esquerda fina 1 2 4
Esquerda densa 4* 8* 16
*Se as fímbrias da tuba uterina estiverem completamente envolvidas por aderências, mude a pontuação para 16. Descreva a aparência dos implantes como
vermelho [(V), vermelho, vermelho-rosa, semelhante a chama, bolhas vesiculares ou vesicular clara], branco [(B), opacificações, defeitos peritoniais ou
amarelo-marrom] ou preto [(P), depósito de hemossiderina ou azul]. Apresente a percentagem do total descrito como V ....%, B ....% e P ....%. O total deve ser
igual a 100%.
Endometriose adicional: ................................... Patologias associadas: .......................................
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ...........................................................
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ...........................................................
Usar com trompas e ovários normais Usar com trompas e ovários anormais
D E D E
CLASSIFICAÇÃO CIRÚRGICA DA ENDOMETRIOSE
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FEMINA 2022;50(8):454-60
Fonte: Keckstein J, Saridogan E, Ulrich UA, Sillem M, Oppelt P, Schweppe KW, et al. The #Enzian classification: A comprehensive non-invasive and surgical
description system for endometriosis. Acta Obstet Gynecol Scand. 2021;100(7):1165-75.(6)
Figura 2. Classificação da endometriose profunda ENZIAN
PERITÔNIO OVÁRIO TUBA ENDOMETRIOSE PROFUNDA
Peritônio Ovário Condição
tubo-ovariana
Parede lateral
pélvica
Parede lateral
pélvica
Útero
Parede lateral pélvica
Útero
Intestino, LUS
Espaço retrovaginal
Vagina
Área retrocervical
Lig. uterossacro
Lig. cardinais
Parede lateral
pélvica
Reto
Maior diâmetroMaior diâmetroMaior diâmetroSoma dos diâmetros
Esquerdo
Esquerdo
M = ovário ausente
X = desconhecido ou ausente
M = ovário ausente
X = desconhecido ou ausente
+ ou - = cromatubagem
Esquerda
Esquerda
Aderência
Esquerda
Esquerda
Direito
Direito
Direita
Direita
Direita
Direita (Localização)
Soma dos diâmetros
denomiose
exiga
ntestino
reter
• Diafragma
• Pulmão
• Nervo
• ..............
Localização
Mobilidade
Cromotubagem
DESCRIÇÕES DA PERDA FUNCIONAL
Estrutura Disfunção Descrição
Tuba Mínima Lesão leve na serosa
Moderada Lesão moderada da serosa ou muscular;
limitação moderada na mobilidade
Severa Fibrose ou salpingite ístmica nodosa leve a
moderada; limitação severa na mobilidade
Sem função Obstrução tubária completa, fibrose
extensa ou salpingite ístmica nodosa
Fímbria Mínima Lesão leve com cicatriz mínima
Moderada Lesão moderada, com cicatriz moderada,
perda moderada da arquitetura fimbrial
e mínima fibrose intrafimbrial
Severa Lesão severa, com cicatriz severa, perda severa da
arquitetura fimbrial e moderada fibrose intrafimbrial
Sem função Lesão grave, com cicatriz extensa, perda
completa da arquitetura fimbrial, obstrução
tubária completa ou hidrossalpinge
Ovário Mínima Tamanho normal ou quase normal; lesão
mínima ou leve na serosa ovariana
Moderada Tamanho ovariano reduzido em um terço ou
mais; lesão moderada na superfície ovariana
Severa Tamanho ovariano reduzido em dois terços
ou mais; lesão grave na superfície
Sem função Ovário ausente ou completamente
envolto em aderências
Fonte: Adamson GD, Pasta DJ. Endometriosis fertility index: the new, validated endometriosis staging system. Fertil Steril. 2010;94(5):1609-15. (9)
Figura 3. Classificação do Índice de Fertilização na Endometriose (EFI)
ÍNDICE DE FERTILIDADE EM PACIENTE
COM ENDOMETRIOSE SUBMETIDA
A TRATAMENTO CIRÚRGICO
PONTUAÇÃO FUNCIONAL (PF)
OBSERVADA NA CIRURGIA
Pontuação Descrição
4 = Normal
3 = Disfunção mínima
2 = Disfunção moderada
1 = Disfunção severa
0 = Sem função ou ausente
Para calcular a pontuação PF, some a pontuação in-
ferior do lado esquerdo com a pontuação inferior
do lado direito. Se um ovário estiver ausente em um
lado, dobre a pontuação do lado do ovário presente.
Esquerdo Direito
Trompa de
Falópio
Fímbrias
Ovário
Pontuação
inferior + =
Esquerdo Direito PF
Nogueira Neto J, Abrão MS, Schor E, Rosa-e-Silva JC
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FEMINA 2022;50(8):454-60
meses
9-10
Pontuação EFI
6
4
7-8
5
0-3
Nível 1 Excisão ou dissecção de implantes superficiais
e aderências avasculares finas simples
Nível 2 Remoção de endometriomas ovarianos;
apendicectomia; endometriose profunda que
não envolve a vagina, bexiga (não requer
sutura), intestino ou ureter; aderências densas
não envolvendo o intestino e/ou o ureter
Nível 3 Aderências densas envolvendo o intestino e/
ou o ureter; cirurgia da bexiga que requer sutura;
ureterólise; cirurgia de intestino sem ressecção (shaver)
Nível 4 Ressecção intestinal com anastomose
terminoterminal; reimplante ureteral ou
anastomose
ÍNDICE DE FERTILIDADE EM PACIENTE
COM ENDOMETRIOSE (EFI)
FATORES HISTÓRICOS
Fator Descrição Pontos
Idade Idade ≤ 35 anos 2
Idade entre 36 e 39 anos 1
Idade ≥ 40 anos 0
Anos de
infertilidade
Infértil ≤ de 3 anos 2
Infértil > de 3 anos 0
Gravidez
anterior
Histórico de gravidez anterior 1
Histórico sem gravidez anterior 0
Total de fatores históricos
FATORES CIRÚRGICOS
Fator Descrição Pontos
Pontuação PF PF = 7 a 8 (alta pontuação) 3
PF = 4 a 6 (moderada pontuação) 2
PF = 1 a 3 (baixa pontuação) 0
Pontuação da
AFS parcial
Pontuação da AFS das lesões
de endometriose < 16
1
Pontuação da AFS das lesões
de endometriose ≥ 16
0
Pontuação
da AFS total
Pontuação da AFS total < 16 1
Pontuação da AFS total ≥ 16 0
Total de fatores cirúrgicos
EFI = Total de fatores históricos + Total de fatores cirúrgicos
+ =
Histórico Cirúrgico Pontuação EFI
PERCENTUAL DE GRAVIDEZ ESTIMADO
PELA PONTUAÇÃO DO EFI
100% -
80% -
60% -
40% -
20% -
0% -
0 12 306 2418 36
Fonte: Traduzida e adaptada de Chapron C, Abrao MS, Miller CE.
Endometriosis classifications need to be revisited: a new one is arriving.
NewsScope. 2012;26(4):9.(10)
Figura 4. Classificação da endometriose segundo a American
Association of Gynecologic Laparoscopists (AAGL), de acordo
com a dificuldade no tratamento cirúrgico
Entre as desvantagens, estão diferenças entre a en -
dometriose diagnosticada histologicamente e o estágio
feito por visualização, sua baixa reprodutibilidade, a
baixa correlação entre os sintomas e seu estadiamen -
to, não avaliar a gravidade da dor e da infertilidade e
não considerar a presença de endometriose infiltrativa
profunda em locais como os ligamentos uterossacrais,
bexiga, vagina e intestino.(2,7,12,13)
A classificação ENZIAN foi introduzida em 2005, para
determinar a extensão da endometriose profunda du -
rante o tratamento cirúrgico, complementando a clas -
sificação da ASRM-r. Essa classificação já foi revisada
em 2010 e 2011 para corrigir sua sobreposição com a
ASRM-r e, assim, tornar mais fácil sua utilização. (2,8)
Em 2021, ela foi novamente revista, para introdução
da avaliação das formas de endometriose peritoneal
e ovariana, assim como a avaliação da permeabilida -
de tubária por meio da cromotubagem e aderências
secundárias.(6) Essa última revisão teve como objetivo
propor uma classificação anatômica lógica para uso
por método não invasivo (ressonância magnética e ul -
trassonografia pélvica) pré-operatória, possibilitando
um planejamento cirúrgico mais adequado, e no in -
traoperatório, permitindo uma classificação consisten -
te e clara da endometriose profunda. Estudos futuros
são necessários para avaliar sua validade clínica, acu -
rácia e reprodutibilidade. (2,6)
As vantagens são: descrever as estruturas retroperito-
neais; poder ser determinada por modalidade de ima -
gem e usada para planejamento cirúrgico; e o fato de a
localização e a extensão da doença estarem associadas
com a presença e a gravidade de diferentes sintomas
como a dor.(2,5,14)
Entre as desvantagens, estão: o baixo nível de aceita-
ção global devido a sua complexidade; a dificuldade das
pacientes em compreender a classificação informada
devido à complexidade dos estágios e ao conhecimen-
to insuficiente da anatomia pélvica por pessoas leigas;
a classificação será imprecisa se a abordagem cirúrgica
das lesões profundas for realizada de forma incompleta
ou se o estudo de imagem não for confirmado no ato
cirúrgico; e, por fim, mesmo que a classificação seja pre-
viamente feita por modalidade de imagem, ainda não
há evidências científicas sobre a utilidade da classifi -
cação determinada por imagem, apesar de ter grande
potencial futuro devido à porcentagem crescente de pa-
cientes em seguimento clínico da doença.(2)
Outra classificação existente, realizada por meio
do EFI, tem o objetivo de desenvolver um Índice de
Fertilidade para pacientes com endometriose e pre -
ver a taxa de gravidez espontânea em pacientes com
endometriose submetidas a tratamento cirúrgico que
não tentarão engravidar com técnicas de reprodução
assistida.(9)
O EFI considera fatores históricos como idade, dura -
ção da infertilidade e gestações anteriores, associados
aos achados intraoperatórios. A pontuação funcional
CLASSIFICAÇÃO CIRÚRGICA DA ENDOMETRIOSE
| 459
FEMINA 2022;50(8):454-60
indica qual a situação dos órgãos pélvicos para uma
possível gestação espontânea futura. As pontuações
funcionais são determinadas pelo cirurgião e variam de
0 a 4 pontos, como segue: ausente ou não funcional (0),
disfunção grave (1), disfunção moderada (2), disfunção
leve (3) e normal (4). Não apenas a pontuação funcional
mínima, mas também outros fatores cirúrgicos, como
pontuação total de ASRM-r e pontuação de lesões de
endometriose de ASRM-r, estão incluídos. Por fim, a gra-
duação final do EFI é calculada somando-se as pontua-
ções do histórico e dos achados cirúrgicos, que variam
de 0 a 10 pontos, com 10 indicando o melhor prognósti-
co e 0, o pior prognóstico.(2,9)
O EFI tem uma vantagem clara na previsão do resul -
tado da gravidez e reflete a possível taxa de gestação
futura melhor do que a classificação da ASRM-r, na qual
o escore de 6 ou mais tem resultado de RA melhores do
que uma pontuação de 5 ou menos.(2,15,16) Essa classifica-
ção já foi validada externamente inúmeras vezes e nos
parece uma ferramenta interessante para pacientes com
endometriose e infertilidade.
No entanto, o EFI tem as seguintes desvantagens: a
pontuação da classificação não se correlaciona com a
dor, pois não foi idealizada para esse fim; como a menor
Fonte: Traduzida e adaptada de Abrao MS, Andres MP, Miller CE, Gingold JA, Rius M, Siufi Neto J, et al. AAGL 2021 Endometriosis Classification: an anatomy-based
surgical complexity score. J Minim Invasive Gynecol. 2021;28(11):1941-950.e1.(11)
Figura 5. Sistema de Classificação de Endometriose pela American Association of Gynecologic Laparoscopists (AAGL)
Superficial Pontos
< 3 cm 2
≥ 3 cm 4
Vagina (muscular) Pontos
< 3 cm 5
≥ 3 cm 8
Ovário esquerdo Pontos
Superficial 2
< 3 cm 5
≥ 3 cm 7
Ureter esquerdo Pontos
Extrínseco 6
Intrínseco 8
Hidroureter 9
Trompa esquerda Pontos
Leve envolvimento da serosa 2
Imobilidade moderada 4
Imobilidade severa 6
Obstrução completa 7
Fundo de saco obliterado Pontos
Parcial 6
Completo 9
Retossigmoide Pontos
< 3 cm 7
≥ 3 cm 9
Septo vaginal Pontos
Presente 8
Retrocervical Pontos
< 3 cm 5
≥ 3 cm 8
Bexiga/detrusor Pontos
< 3 cm 5
≥ 3 cm 7
Ovário direito Pontos
Superficial 2
< 3 cm 5
≥ 3 cm 7
Ureter direito Pontos
Extrínseco 6
Intrínseco 8
Hidroureter 9
Trompa direita Pontos
Leve envolvimento da serosa 2
Imobilidade moderada 4
Imobilidade severa 6
Obstrução completa 7
Intestino delgado/cecum Pontos
< 3 cm 6
≥ 3 cm 8
Apêndice Pontos
Presente 5
CLASSIFICAÇÃO DA ENDOMETRIOSE
AAGL Pontos totais
Estágio 1 21
pontuação de função é julgada subjetivamente, a pon -
tuação total pode variar de acordo com o cirurgião; e
é mais complexa de se usar do que a classificação da
ASRM-r e o ENZIAN, pois requer o cálculo e a adição de
pontuações de várias categorias.(2,9) Porém, para o grupo
de pacientes com endometriose e infertilidade e com o
objetivo de calcular a probabilidade de gestação futura,
ele nos parece interessante e útil.
Em 2010, a AAGL iniciou um projeto para desenvol -
ver uma nova classificação de endometriose. (10) Trinta
especialistas em endometriose foram solicitados a
atribuir pontuações que variam de 0 a 10 pontos, com
base na dor, infertilidade e dificuldade cirúrgica encon-
tradas nas pacientes com endometriose. Além disso, as
dificuldades cirúrgicas foram categorizadas em quatro
níveis, conforme a figura 4.(10) Para a validação do siste-
ma de pontuação, os escores da escala visual analógica
e o histórico de infertilidade foram coletados das pa -
cientes antes da cirurgia. Em 2012, o Grupo de Interesse
Especial da AAGL relatou que os resultados preliminares
apresentados na reunião da AAGL em Las Vegas foram
encorajadores e que a classificação da AAGL para endo-
metriose foi verificada como relacionada à dor, à inferti-
lidade e à dificuldade cirúrgica.(10)
Nogueira Neto J, Abrão MS, Schor E, Rosa-e-Silva JC
460 |
FEMINA 2022;50(8):454-60
O passo seguinte foi a realização de estudo multi -
cêntrico prospectivo com mais de 1.500 pacientes para
validação dessas informações. Segundo seus autores, a
classificação da AAGL ainda requer adequações e me -
lhorias para que seja globalmente aceita e aplicada,
sendo necessárias mais investigações e discussões so -
bre essa nova classificação, mas avaliações iniciais con-
cluíram que ela permite identificar achados intraopera-
tórios objetivos que discriminam de forma confiável os
níveis de complexidade cirúrgica melhor do que o siste-
ma de estadiamento da ASRM e o estágio de gravidade
correlaciona-se com os sintomas de dor e infertilidade
com o estágio ASRM. (11) Outro dado interessante dessa
classificação é sua facilidade de aplicação em forma de
aplicativo com a criação de versão final em PDF, facili -
tando seu armazenamento e cópia para a paciente ( ht-
tps://apps.apple.com/us/app/aagl-endo-classification/
id1592383297 ou https://play.google.com/store/apps/
details?id=br.com.medicinia.aagl&hl=en&gl=US). A AAGL,
como uma das maiores sociedades médicas globais no
campo da cirurgia ginecológica, está colocando esforços
para testar o uso da classificação mesmo antes da cirur-
gia, por métodos por imagem.
Concluindo, a busca por uma melhor atenção às pa-
cientes com endometriose é constante, em razão do
grande comprometimento que essa doença causa à
saúde física, social, sexual, reprodutiva e psicológica,
e requer atenção especial à sua classificação para que
possamos uniformizá-la globalmente. Nesse sentido,
acreditamos que a classificação proposta recentemente
pela AAGL possa ter todos os quesitos necessários para
essa ampla utilização futura.
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