Full text
24,051 characters
· extracted from
oa-pdf
· click to expand
1 | P á g i n a
Palavras-Chave: Saúde Reprodutiva; Biomarcadores; Infertilidade.
Capítulo 1
ELISA WEIRICH BRAIDO¹
GIOVANNA VISSOKY CÉ1
ISADORA DE CARVALHO SCHRAMM1
JORDANA LUÍSA PETTER1
LUANA COLARES DOS SANTOS DA COSTA1
LUISA CERA BALDIN1
LUIZA MACHADO BLANK1
MARIA VICTORIA WALTRICK MORSCH1
MARIANA RISCH DE FREITAS1
1Discente – Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
ENDOMETRIOSE: REVISÃO DA
CLÍNICA, DIAGNÓSTICO E
IMPLICAÇÕES PROGNÓSTICAS
10.59290/2120504830
2 | P á g i n a
INTRODUÇÃO
A endometriose é reconhecida como um
importante problema de saúde pública, tanto no
Brasil quanto no cenário global, afetando apro-
ximadamente 10% das mulheres em idade re -
produtiva — o que corresponde a mais de 190
milhões de pessoas no mundo. No Brasil, mi -
lhões de mulheres são impactadas, embora a
subnotificação e o atraso diagnóstico dificultem
estimativas precisas. A prevalência varia con-
forme o método diagnóstico e o perfil populaci-
onal, podendo alcançar até 28% entre mulheres
com dor pélvica crônica e 25% naquelas com
infertilidade.
O impacto da endometriose na qualidade de
vida é expressivo e multifatorial. A doença ca -
racteriza-se por dor pélvica crônica, dismenor -
reia, dispareunia, fadiga, sintomas gastrointesti-
nais e urinários, além de infertilidade em até
50% dos casos. Esses desfechos repercutem ne-
gativamente na saúde mental, função sexual,
produtividade laboral e bem -estar geral, repre-
sentando elevados custos socioeconômicos —
estimados em bilhões de dólares anuais em paí-
ses de alta renda. Ademais, há associação com
comorbidades sistêmicas, como enxaqueca, do-
enças cardiovasculares e condições autoimu -
nes.
Um dos principais desafios é o diagnóstico
tardio: o intervalo entre o início dos sintomas e
a confirmação da doença pode variar de 5 a 12
anos, favorecendo a progressão das lesões, a
fibrose pélvica e a infertilidade, além de am -
pliar o impacto psicossocial. Embora a laparos-
copia continue sendo o padrão -ouro diagnósti-
co, trata-se de um método invasivo e de acesso
limitado. Atualmente, não existem biomarcado-
res validados para uso clínico rotineiro, mas
avanços recentes em técnicas de imagem e em
biologia molecular têm aberto novas perspec -
tivas para a triagem não invasiva, estratificação
de risco e monitoramento terapêutico.
Diante desse cenário, a identificação de fer-
ramentas diagnósticas mais precoces, acessí -
veis e menos invasivas é essencial para reduzir
complicações e promover equidade no cuidado.
O objetivo deste capítulo é revisar a apre -
sentação clínica e os protocolos diagnósticos da
endometriose, com ênfase nas perspectivas e -
mergentes de biomarcadores plasmáticos e em
sua potencial aplicação no diagnóstico precoce
e no prognóstico da doença.
MÉTODO
A elaboração deste capítulo fundamentou -
se em uma revisão narrativa da literatura vol -
tada à atualização em saúde da mulher, com fo-
co na endometriose. A busca bibliográfica foi
realizada na base de dados PubMed, contem -
plando o período de janeiro de 2020 a maio de
2025, utilizando os descritores “ Endometriosis
AND Diagnosis ”, “ Endometriosis AND Bio -
markers” e “Endometriosis AND Clinical Fea-
tures”. Foram incluídos artigos publicados em
inglês e português, abrangendo estudos origi -
nais, revisões sistemáticas e narrativas, além de
consensos de especialistas. Excluíram-se publi-
cações em outros idiomas, trabalhos fora do in-
tervalo temporal definido e estudos sem relação
direta com diagnóstico, manifestações clínicas
ou biomarcadores da doença.
A seleção ocorreu em duas etapas: inicial -
mente, avaliou-se a pertinência de títulos e resu-
mos, seguida da leitura integral dos textos con-
siderados relevantes, com extração das princi -
pais informações. Entre as referências de maior
impacto destacam-se revisões abrangentes que
sintetizam os avanços recentes no entendimento
da endometriose (SAUNDERS & HORNE,
2021; SANIE et al ., 2025), estudos originais
sobre manifestações clínicas específicas (WU
et al ., 2023), análises relacionadas ao manejo
3 | P á g i n a
terapêutico e ao impacto clínico ( OTTOLINA
et al ., 2024), bem como investigações acerca
dos mecanismos celulares e moleculares envol-
vidos na fisiopatologia (GARCIA GARCIA et
al., 2023; ADILBAYEVA & KUNZ, 2024).
Essa estratégia metodológica permitiu inte-
grar evidências atualizadas e de qualidade, ofe-
recendo uma base sólida para a discussão dos
aspectos clínicos, diagnósticos e das perspec -
tivas futuras relacionadas à endometriose no
contexto da saúde da mulher.
ASPECTOS CLÍNICOS DA ENDO-
METRIOSE
A endometriose é uma doença inflamatória
crônica, benigna e estrogênio -dependente, ca -
racterizada pela presença de glândulas e estro -
ma endometriais fora da cavidade uterina. Esti-
ma-se que acometa entre 5% e 10% das mulhe-
res em idade reprodutiva, com pico de incidên-
cia entre os 25 e 35 anos. Embora possa atingir
diferentes sítios — como intestino, diafragma e
até cavidade pleural —, a pelve constitui o local
mais frequentemente acometido.
Por ser uma condição estrogênio-dependen-
te, a sintomatologia manifesta-se principalmen-
te durante o período reprodutivo. O tecido ectó-
pico preserva a capacidade de responder aos
estímulos hormonais, sofrendo alterações cícli-
cas semelhantes às do endométrio eutópico. A
descamação mensal dessas lesões induz infla -
mação crônica, fibrose e formação de aderên -
cias, contribuindo para a variabilidade e inten -
sidade dos sintomas.
As manifestações clínicas mais comuns in -
cluem dor abdominal e pélvica crônica (cíclica
ou acíclica), dismenorreia, dispareunia, menor-
ragia e infertilidade. Dependendo da localiza -
ção das lesões, podem surgir sintomas adicio -
nais, como alterações do hábito intestinal, dor à
evacuação, sangramento uterino anormal, dor
lombar, fadiga persistente e queixas urinárias.
Apesar disso, parte das pacientes pode perma -
necer assintomática, sendo o diagnóstico esta -
belecido incidentalmente durante procedimen -
tos cirúrgicos indicados por outras razões. Um
aspecto relevante é que a gravidade dos sin -
tomas não guarda relação direta com a extensão
ou o número das lesões, o que reforça a com -
plexidade da doença e a necessidade de uma
abordagem individualizada.
A endometriose pode ser classificada em
três principais subtipos, que diferem em fre -
quência, localização e gravidade clínica.
A endometriose peritoneal superficial
corresponde à forma mais comum, presente em
cerca de 80% das pacientes diagnosticadas. Ca-
racteriza-se por implantes de tecido endometri-
al na superfície do peritônio, geralmente rasos
e de pouca invasão. Pode ser assintomática em
até 40% dos casos, mas, quando manifesta, as -
socia-se principalmente à infertilidade, disme -
norreia e dispareunia profunda. A endométrio-
se ovariana (OMA), também conhecida como
endometrioma, é definida pela formação de cis-
tos ovarianos preenchidos por conteúdo hemá -
tico e fibroso, popularmente chamados de “cis-
tos de chocolate”. Essa forma está fortemente
associada à dor pélvica crônica, dismenorreia,
dispareunia, dor à evacuação, infertilidade e
desconforto intestinal, além de apresentar cor -
relação com maior risco de alguns subtipos de
câncer de ovário. Já a endometriose infiltrati-
va profunda é considerada a forma mais grave
da doença, caracterizando-se por lesões que pe-
netram abaixo da superfície peritoneal e podem
acometer estruturas ret roperitoneais e órgãos
adjacentes. Nesses casos, predominam dor pél-
vica intensa, dispareunia e infertilidade, fre -
quentemente relacionadas ao processo inflama-
tório crônico e à distorção anatômica secundá -
ria.
4 | P á g i n a
PROTOCOLOS DIAGNÓSTICOS
TRADICIONAIS
O diagnóstico da endometriose representa
um desafio clínico, dada a variabilidade dos sin-
tomas e a ausência de métodos não invasivos
com acurácia total. A avaliação deve integrar
anamnese detalhada, exame físico direcionado
e exames complementares de imagem, reser -
vando a laparoscopia para casos selecionados.
Anamnese e exame físico
A anamnese constitui o primeiro passo na
investigação da doença, sendo fundamental ex-
plorar sintomas como dor pélvica crônica, dis -
menorreia progressiva e refratária, dispareunia
profunda, alterações urinárias ou intestinais
cíclicas, fadiga e infertilidade. No exame físico,
podem ser identificados sinais sugestivos de
endometriose, incluindo nódulos dolorosos em
fundo de saco posterior, redução da mobilidade
uterina e massas ovarianas palpáveis. Além dis-
so, a palpação dos músculos do assoalho pélvi-
co pode revelar mialgia associada à dor pélvica
crônica. No entanto, a endometriose superficial
geralmente não é detectável por exame físico, e
a ausência de achados não exclui a doença. A
detecção de lesões em vagina, umbigo ou cica-
trizes cirúrgicas deve levar ao encaminhamento
para avaliação especializada e possível biópsia.
Ultrassonografia Transvaginal (USTV)
A USTV é atualmente o exame de imagem
de primeira linha, recomendado mesmo na a -
tenção básica. Ela permite a detecção de endo -
metriomas ovarianos e lesões infiltrativas pro -
fundas localizadas em intestino, ureter, bexiga
e ligamentos uterossacros, além de auxiliar na
avaliação de aderências pélvicas por meio da
mobilidade uterina e ovariana. A sensibilidade
do exame varia de 70 a 100% e a especificidade
de 94 a 100% para endometriose profunda, sen-
do limitada na detecção da forma superficial. A
precisão do exame depende da experiência do
operador, e técnicas de preparo intestinal po -
dem otimizar a visualização das lesões. Quando
a via transvaginal não é viável, a ultrassono -
grafia abdominal constitui uma alternativa, em-
bora com acurácia menor.
Ressonância Magnética (RM)
A RM pélvica é indicada como exame com-
plementar, especialmente em casos de suspeita
de endometriose profunda complexa ou acome-
timento extrapélvico, bem como quando a US -
TV não fornece informações conclusivas. A R-
M permite mapear múltiplos focos em um único
exame e oferece excelente definição anatômica,
sendo útil para o planejamento terapêutico. Sua
sensibilidade varia de 39 a 100% e a especifici-
dade de 80 a 100% para diferentes sítios acome-
tidos, incluindo ovários, vagina, retrossigmói -
de, septo retrovaginal, ligamentos uterossacros
e bexiga. A interpretação correta exige experi -
ência em imagem ginecológica especializada, e
a disponibilidade do exame pode limitar seu
uso. Diretrizes atuais recomendam que a RM
seja solicitada principalmente quando a USTV
for inconclusiva ou quando houver alta suspeita
de lesões ovarianas ou profundas.
Laparoscopia diagnóstica
A laparoscopia com biópsia histológica
continua sendo o padrão-ouro diagnóstico, per-
mitindo a visualização direta das lesões, defini-
ção da extensão da doença e exclusão de malig-
nidade em endometriomas. Durante o procedi -
mento, as lesões podem apresentar-se de formas
variadas: lesões iniciais com opacificação bran-
ca ou manchas vermelhas, endometriose super-
ficial em tons escuros semelhantes a pólvora,
endometriose profunda como nódulos multifo -
cais infiltrando órgãos adjacentes e endometrio-
mas com conteúdo marrom-escuro, característi-
cos dos “cistos de chocolate”. Apesar de sua
precisão, a laparoscopia é invasiva e em até
5 | P á g i n a
40% dos casos realizados para dor pélvica não
são identificadas lesões. Além disso, as defini -
ções histopatológicas ainda carecem de padro -
nização, principalmente em mulheres jovens.
Atualmente, a laparoscopia é indicada quando
métodos não invasivos são inconclusivos ou
quando há necessidade de tratamento cirúrgico
simultâneo.
Atraso Diagnóstico
O atraso diagnóstico da endometriose per -
manece significativo, com média de 5 a 12 anos
desde o início dos sintomas. Esse atraso decorre
de fatores relacionados à paciente, como demo-
ra na procura por atendimento e normalização
da dor menstrual; fatores médicos, incluindo di-
agnósticos incorretos ou baixa suspeita clínica;
e fatores do sistema de saúde, como acesso li -
mitado a especialistas e exames de imagem de
qualidade. O impacto desse atraso é relevante,
resultando em piora dos sintomas, infertilidade,
necessidade de múltiplas intervenções e com -
prometimento da qualidade de vida, incluindo
efeitos psicológicos como frustração, estresse e
prejuízo da autoimagem. Para minimizar essas
consequências, há tendência crescente de ado -
tar o “diagnóstico de trabalho”, no qual se inicia
tratamento clínico baseado em forte suspeita
clínica e achados de imagem, postergando a la-
paroscopia apenas para casos refratários ou in -
conclusivos.
BIOMARCADORES NO DIAGNÓS-
TICO DA ENDOMETRIOSE
Nos últimos anos, a busca por biomarcado-
res plasmáticos para o diagnóstico da endome -
triose tem se intensificado, motivada pela ne -
cessidade de reduzir a dependência de métodos
invasivos, como a laparoscopia, e pela persis -
tente demora no diagnóstico clínico, que fre -
quentemente ultrapassa vários anos. Biomarca-
dores são substâncias mensuráveis em fluidos
corporais, como sangue, líquido peritoneal ou
urina, que refletem processos biológicos espe -
cíficos associados à presença de tecido endome-
trial ectópico . Na endometriose, esses marca -
dores podem indicar inflamação local e sistêmi-
ca, angiogênese anômala, remodelação tecidual
e ativação imunológica, fenômenos característi-
cos da fisiopatologia da doença.
Entre os biomarcadores mais investigados
estão as glicoproteínas séricas, sobretudo o CA-
125. Apesar de sua baixa sensibilidade e especi-
ficidade quando analisado isoladamente, e a
combinação com outros marcadores mostrou
melhor desempenho. Estudos apontam que as -
sociações entre CA-125, citocinas inflamatórias
e moléculas angiogênicas alcançam sensibilida-
des próximas a 90% e especificidades acima de
70%, sugerindo utilidade em painéis multimo -
leculares para aumentar a acurácia diagnóstica.
Interleucinas como IL-6, IL-8 e IL-1β, além
de moléculas como TNF -α, MCP -1 e MIF,
apresentam níveis aumentados em mulheres
com endometriose, refletindo a ativação exa -
cerbada de macrófagos peritoneais e a manuten-
ção do microambiente inflamatório característi-
co da doença. Além disso, fatores angiogênicos
como VEGF, IL-17A e bFGF estão envolvidos
na formação de novos vasos que irrigam os
implantes ectópicos. Esses achados sustentam o
potencial das citocinas e dos fatores angiogêni-
cos como biomarcadores, embora a variabilida-
de entre estudos ainda limite sua aplicação clí -
nica isolada.
No campo da biologia molecular, estudos
genômicos mostraram que o endométrio eutópi-
co de mulheres com endometriose apresenta pa-
drões distintos de expressão gênica, com clas -
sificadores capazes de distinguir presença e gra-
vidade da doença com elevada acurácia. Altera-
ções em microRNAs, como os da família miR -
200, também foram associadas a processos de
6 | P á g i n a
invasividade celular, reforçando seu potencial
diagnóstico e prognóstico.
Mais recentemente, a proteômica tem se
destacado como abordagem promissora. Um
estudo multicêntrico identificou e validou o
ProMarker, um painel de dez proteínas plasmá-
ticas com excelente desempenho, alcançando
valores de AUC próximos a 1,0 para diferenciar
casos de endometriose de controles, inclusive
em estágios iniciais. Esses achados demons -
tram o potencial da proteômica para fornecer
testes não invasivos de alta acurácia e aplicabi-
lidade clínica futura.
Apesar dos avanços, ainda existem limita -
ções importantes. A maioria dos estudos apre -
senta amostras pequenas, heterogeneidade me -
todológica e variabilidade biológica significati-
va, influenciada por fatores como o ciclo mens-
trual e o uso de hormônios. Além disso, técnicas
avançadas como proteômica e microarrays pos-
suem custos elevados e exigem infraestrutura
especializada. Dessa forma, embora os biomar-
cadores representem uma perspectiva inovado-
ra e promissora, ainda não há consenso ou va -
lidação suficiente para sua adoção rotineira na
prática clínica.
DIAGNÓSTICO PRECOCE E O
PROGNÓSTICO
Nos estudos já realizados, não existe uma
determinação de tempo médio até o diagnóstico
de endometriose por meio dos biomarcadores
séricos. No entanto, tendo em vista de que esse
teste diagnóstico apresenta 79,4% de sensibili -
dade e 75,9% de especificidade na detecção de
um estágio inicial da doença, as perspectivas de
um tempo reduzido até o diagnóstico são cada
vez mais favoráveis.
Diferentemente da detecção de biomarca -
dores, a laparoscopia diagnóstica é feita após
tentativas de tratamento empírico e realização
de diversos exames de imagem e diversas rea -
valiações da paciente. A confirmação do quadro
de endometriose, então, é realizada após todo
esse processo, quando há a visualização cirúrgi-
ca de lesões e/ou análise histopatológica do te -
cido, explicados acima. A principal preocupa -
ção nesse caso é a progressão da doença durante
todo esse período de investigação, uma vez que
a cirurgia não é realizada com caráter de urgên-
cia, e muitas vezes nem mesmo após poucas
consultas. Outro benefício de termos uma fer -
ramenta diagnóstica não invasiva para essa con-
dição é a redução da morbimortalidade inerente
ao procedimento cirúrgico. Enquanto ainda não
é aprovado o uso do painel de biomarcadores
séricos para o diagnóstico de endometriose, os
estudos apontam um benefício do uso destes co-
mo forma de triagem para a realização do pro -
cedimento laparoscópico.
O diagnóstico precoce é fundamental para
evitar a progressão do quadro inflamatório ge -
rado pelos focos endometriais. A inflamação
coriônica e as aderências pélvicas precipitadas
pela endometriose são importantes fatores de
redução da taxa de fertilidade. Dessa forma, o
diagnóstico precoce permite não apenas um ma-
nejo eficiente de um quadro de dismenorreia,
por exemplo, mas permite preservar a fertilida-
de e o bem-estar das mulheres acometidas des-
de o início dos seus sintomas.
CONCLUSÃO
A endometriose permanece como um im -
portante desafio de saúde pública pela alta pre-
valência, impacto multidimensional na qualida-
de de vida e custos socioeconômicos significa -
tivos. Apesar dos avanços em métodos de ima -
gem, o diagnóstico ainda depende de procedi -
mentos invasivos, o que contribui para atrasos
substanciais no reconhecimento da doença e
maior morbidade associada.
Para a prática clínica, o diagnóstico da en -
dometriose deve apoiar-se em uma abordagem
7 | P á g i n a
integrada: anamnese detalhada, exame físico
direcionado e exames de imagem de alta pre -
cisão, enquanto a laparoscopia diagnóstica per-
manece o padrão-ouro para confirmação da do-
ença e análise histopatológica das lesões. Os
métodos não invasivos, incluindo USTV e RM,
têm papel crescente na triagem e no planeja -
mento terapêutico, permitindo reduzir atrasos
diagnósticos, preservar a fertilidade e otimizar
o manejo da dor.
Os achados recentes reforçam a relevância
da incorporação de biomarcadores séricos e
moleculares como ferramentas complementares
ao arsenal diagnóstico. Esses marcadores têm o
potencial de permitir triagem não invasiva, es -
tratificação de risco e monitoramento terapêuti-
co, além de encurtar o intervalo entre o início
dos sintomas e o diagnóstico definitivo. Embo-
ra nenhum biomarcador isolado tenha atingido
validação suficiente para aplicação rotineira,
painéis multimoleculares e abordagens basea -
das em proteômica e biologia de sistemas mos-
tram-se promissores e devem ser objeto de con-
tínua investigação.
O futuro do manejo da endometriose depen-
de de uma abordagem integrada, que combine
diagnóstico precoce, conscientização profissio-
nal, educação das pacientes e desenvolvimento
de biomarcadores confiáveis. Esse caminho po-
de otimizar o tratamento, preservar a fertilida -
de, reduzir a morbidade associada à doença e,
consequentemente, melhorar a qualidade de vi-
da das mulheres acometidas.
8 | P á g i n a
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ADILBAYEVA, et al . Pathogenesis of endometriosis and endometriosis -associated cancers. International Journal of
Molecular Sciences, v. 25, n. 14, p. 7624, 2024. doi:10.3390/ijms25147624.
ANASTASIU, et al. Biomarkers for the Noninvasive Diagnosis of Endometriosis: State of the Art and Future Perspectives.
International Journal of Molecular Sciences, v. 21, n. 5, p. 1750, 2020. doi:10.3390/ijms21051750.
AS-SANIE, S. et al. Endometriosis. JAMA, v. 334, n. 1, p. 64-78, 2025. doi:10.1001/jama.2025.2975.
BECKER, C.M. et al . ESHRE guideline: endometriosis. Human Reproduction Open , v. 2022, n. 2, 26 fev. 2022.
doi:10.1093/hropen/hoac009.
DAVE, H.B. et al. Bowel Endometriosis: Systematic Approach to Diagnosis with US and MRI. Radiographics, v. 45, n. 4, 20
mar. 2025. DOI:10.1148/rg.240102.
GIUDICE, L.C et al. Endometriosis in the era of precision medicine and impact on sexual and reproductive health across the
lifespan and in diverse populations. FASEB Journal, v. 37, n. 9, e23130, 2023. doi:10.1096/fj.202300907.
GARCIA GARCIA et al. Endometriosis: cellular and molecular mechanisms leading to fibrosis. Reproductive Sciences, v.
30, n. 5, p. 1453-1461, 2023. doi:10.1007/s43032-022-01083-x.
HAWKINS, S.S. Barriers to Diagnosis and Innovations in Care for Endometriosis. Journal of Obstetric, Gynecologic &
Neonatal Nursing, v. 54, n. 2, p. 151-163, 2025. doi:10.1016/j.jogn.2025.01.002.
HORNE, A.W.; MISSMER, S.A. Pathophysiology, Diagnosis, and Management of Endometriosis . BMJ, v. 379, n. 379, p.
e070750, 14 nov. 2022. doi:10.1136/bmj-2022-070750.
LI, W et al. Factors contributing to the delayed diagnosis of endometriosis—a systematic review and meta-analysis. Frontiers
in Medicine, v. 12, p. 1576490, 2025. doi:10.3389/fmed.2025.1576490.
NICE. Overview | Endometriosis: diagnosis and management | Guidance | NICE. Disponível em:
https://www.nice.org.uk/guidance/ng73. Acesso em: 14 set. 2025.
OTTOLINA, J et al. Endometriosis and adenomyosis: modern concepts of their clinical outcomes, treatment and management.
Journal of Clinical Medicine, v. 13, n. 14, p. 3996, 2024. doi:10.3390/jcm13143996.
ROSENDO-CHALMA, et al. Endometriosis: challenges in clinical molecular diagnostics and treatment. International Journal
of Molecular Sciences, v. 26, n. 9, p. 3979, 2025. doi:10.3390/ijms26093979.
SAUNDERS, P.T.K.; HORNE, A.W. Endometriosis: etiology, pathobiology and therapeutic prospects. Cell, v. 184, n. 11, p.
2807–2824, 2021. doi:10.1016/j.cell.2021.04.041.
SAUNDERS, T.K.; HORNE, A.W. Endometriosis: new insights and opportunities for relief of symptoms. Biology of
Reproduction, v. 113, n. 5, p. 1029-1043, 2025. doi:10.1093/biolre/ioaf164.
SCHOEMAN, E.M. et al. Identification of plasma protein biomarkers for endometriosis and the development of statistical
models for disease diagnosis. Human Reproduction, v. 40, n. 2, p. 270-279, 2024. doi:10.1093/humrep/deae278.
SINGH, S.S. et al. Guideline No. 449: Diagnosis and Impact of Endometriosis – A Canadian Guideline. Journal of Obstetrics
and Gynaecology Canada, v. 46, n. 5, p. 102450–102450, 1 maio 2024. doi:10.1016/j.jogc.2024.102450.
WU, Y, J. et al. The clinical features and long -term surgical outcomes of different types of abdominal wall endometriosis.
Archives of Gynecology and Obstetrics, v. 307, n. 1, p. 163-168, 2023. doi:10.1007/s00404-022-06579-0.
XU, S. et al. Global, regional, and national burden of endometriosis among women of childbearing age from 1990 to 2021: a
cross-sectional analysis from the 2021 Global Burden of Disease Study. International Journal of Surgery, v. 111, n. 9, p. 5927-
5940, 2025. doi:10.1097/JS9.0000000000002647.
ZONDERVAN, K et al . Endometriosis. The New England Journal of Medicine , v. 382, n. 13, p. 1244 -1256, 2020.
doi:10.1056/NEJMra1810764.
Text is read by the "Ask this paper" AI Q&A widget below.
Extraction quality varies by source — PMC NXML preserves structure
cleanly, OA-HTML may include some navigation residue, and OA-PDF can
have broken hyphenation. The publisher copy
(via DOI)
is the canonical version.