{"paper_id":"9fa06b02-47b2-4aa6-b6da-25b227127aae","body_text":"1 | P á g i n a  \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nPalavras-Chave: Saúde Reprodutiva; Biomarcadores; Infertilidade. \n  \nCapítulo 1 \n \nELISA WEIRICH BRAIDO¹ \nGIOVANNA VISSOKY CÉ1 \nISADORA DE CARVALHO SCHRAMM1 \nJORDANA LUÍSA PETTER1 \nLUANA COLARES DOS SANTOS DA COSTA1 \nLUISA CERA BALDIN1 \nLUIZA MACHADO BLANK1 \nMARIA VICTORIA WALTRICK MORSCH1 \nMARIANA RISCH DE FREITAS1 \n \n \n1Discente – Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. \nENDOMETRIOSE: REVISÃO DA \nCLÍNICA, DIAGNÓSTICO E \nIMPLICAÇÕES PROGNÓSTICAS \n10.59290/2120504830 \n\n \n2 | P á g i n a  \nINTRODUÇÃO \nA endometriose é reconhecida como um \nimportante problema de saúde pública, tanto no \nBrasil quanto no cenário global, afetando apro-\nximadamente 10% das mulheres em idade re -\nprodutiva — o que corresponde a mais de 190 \nmilhões de pessoas no mundo. No Brasil, mi -\nlhões de mulheres são impactadas, embora a \nsubnotificação e o atraso diagnóstico dificultem \nestimativas precisas. A prevalência varia con-\nforme o método diagnóstico e o perfil populaci-\nonal, podendo alcançar até 28% entre mulheres \ncom dor pélvica crônica e 25% naquelas com \ninfertilidade. \nO impacto da endometriose na qualidade de \nvida é expressivo e multifatorial. A doença ca -\nracteriza-se por dor pélvica crônica, dismenor -\nreia, dispareunia, fadiga, sintomas gastrointesti-\nnais e urinários, além de infertilidade em até \n50% dos casos. Esses desfechos repercutem ne-\ngativamente na saúde mental, função sexual, \nprodutividade laboral e bem -estar geral, repre-\nsentando elevados custos socioeconômicos — \nestimados em bilhões de dólares anuais em paí-\nses de alta renda. Ademais, há associação com \ncomorbidades sistêmicas, como enxaqueca, do-\nenças cardiovasculares e condições autoimu -\nnes. \nUm dos principais desafios é o diagnóstico \ntardio: o intervalo entre o início dos sintomas e \na confirmação da doença pode variar de 5 a 12 \nanos, favorecendo a progressão das lesões, a \nfibrose pélvica e a infertilidade, além de am -\npliar o impacto psicossocial. Embora a laparos-\ncopia continue sendo o padrão -ouro diagnósti-\nco, trata-se de um método invasivo e de acesso \nlimitado. Atualmente, não existem biomarcado-\nres validados para uso clínico rotineiro, mas \navanços recentes em técnicas de imagem e em \nbiologia molecular têm aberto novas perspec -\ntivas para a triagem não invasiva, estratificação \nde risco e monitoramento terapêutico. \nDiante desse cenário, a identificação de fer-\nramentas diagnósticas mais precoces, acessí -\nveis e menos invasivas é essencial para reduzir \ncomplicações e promover equidade no cuidado. \nO objetivo deste capítulo é revisar a apre -\nsentação clínica e os protocolos diagnósticos da \nendometriose, com ênfase nas perspectivas e -\nmergentes de biomarcadores plasmáticos e em \nsua potencial aplicação no diagnóstico precoce \ne no prognóstico da doença. \nMÉTODO \nA elaboração deste capítulo fundamentou -\nse em uma revisão narrativa da literatura vol -\ntada à atualização em saúde da mulher, com fo-\nco na endometriose. A busca bibliográfica foi \nrealizada na base de dados PubMed, contem -\nplando o período de janeiro de 2020 a maio de \n2025, utilizando os descritores “ Endometriosis \nAND Diagnosis ”, “ Endometriosis AND Bio -\nmarkers” e “Endometriosis AND Clinical Fea-\ntures”. Foram incluídos artigos publicados em \ninglês e português, abrangendo estudos origi -\nnais, revisões sistemáticas e narrativas, além de \nconsensos de especialistas. Excluíram-se publi-\ncações em outros idiomas, trabalhos fora do in-\ntervalo temporal definido e estudos sem relação \ndireta com diagnóstico, manifestações clínicas \nou biomarcadores da doença. \nA seleção ocorreu em duas etapas: inicial -\nmente, avaliou-se a pertinência de títulos e resu-\nmos, seguida da leitura integral dos textos con-\nsiderados relevantes, com extração das princi -\npais informações. Entre as referências de maior \nimpacto destacam-se revisões abrangentes que \nsintetizam os avanços recentes no entendimento \nda endometriose (SAUNDERS & HORNE, \n2021; SANIE et al ., 2025), estudos originais \nsobre manifestações clínicas específicas (WU \net al ., 2023), análises relacionadas ao manejo \n\n \n3 | P á g i n a  \nterapêutico e ao impacto clínico ( OTTOLINA \net al ., 2024), bem como investigações acerca \ndos mecanismos celulares e moleculares envol-\nvidos na fisiopatologia (GARCIA GARCIA et \nal., 2023; ADILBAYEVA & KUNZ, 2024). \nEssa estratégia metodológica permitiu inte-\ngrar evidências atualizadas e de qualidade, ofe-\nrecendo uma base sólida para a discussão dos \naspectos clínicos, diagnósticos e das perspec -\ntivas futuras relacionadas à endometriose no \ncontexto da saúde da mulher. \nASPECTOS CLÍNICOS DA ENDO-\nMETRIOSE \nA endometriose é uma doença inflamatória \ncrônica, benigna e estrogênio -dependente, ca -\nracterizada pela presença de glândulas e estro -\nma endometriais fora da cavidade uterina. Esti-\nma-se que acometa entre 5% e 10% das mulhe-\nres em idade reprodutiva, com pico de incidên-\ncia entre os 25 e 35 anos. Embora possa atingir \ndiferentes sítios — como intestino, diafragma e \naté cavidade pleural —, a pelve constitui o local \nmais frequentemente acometido. \nPor ser uma condição estrogênio-dependen-\nte, a sintomatologia manifesta-se principalmen-\nte durante o período reprodutivo. O tecido ectó-\npico preserva a capacidade de responder aos \nestímulos hormonais, sofrendo alterações cícli-\ncas semelhantes às do endométrio eutópico. A \ndescamação mensal dessas lesões induz infla -\nmação crônica, fibrose e formação de aderên -\ncias, contribuindo para a variabilidade e inten -\nsidade dos sintomas. \nAs manifestações clínicas mais comuns in -\ncluem dor abdominal e pélvica crônica (cíclica \nou acíclica), dismenorreia, dispareunia, menor-\nragia e infertilidade. Dependendo da localiza -\nção das lesões, podem surgir sintomas adicio -\nnais, como alterações do hábito intestinal, dor à \nevacuação, sangramento uterino anormal, dor \nlombar, fadiga persistente e queixas urinárias. \nApesar disso, parte das pacientes pode perma -\nnecer assintomática, sendo o diagnóstico esta -\nbelecido incidentalmente durante procedimen -\ntos cirúrgicos indicados por outras razões. Um \naspecto relevante é que a gravidade dos sin -\ntomas não guarda relação direta com a extensão \nou o número das lesões, o que reforça a com -\nplexidade da doença e a necessidade de uma \nabordagem individualizada. \nA endometriose pode ser classificada em \ntrês principais subtipos, que diferem em fre -\nquência, localização e gravidade clínica. \nA endometriose peritoneal superficial  \ncorresponde à forma mais comum, presente em \ncerca de 80% das pacientes diagnosticadas. Ca-\nracteriza-se por implantes de tecido endometri-\nal na superfície do peritônio, geralmente rasos \ne de pouca invasão. Pode ser assintomática em \naté 40% dos casos, mas, quando manifesta, as -\nsocia-se principalmente à infertilidade, disme -\nnorreia e dispareunia profunda. A endométrio-\nse ovariana (OMA), também conhecida como \nendometrioma, é definida pela formação de cis-\ntos ovarianos preenchidos por conteúdo hemá -\ntico e fibroso, popularmente chamados de “cis-\ntos de chocolate”. Essa forma está fortemente \nassociada à dor pélvica crônica, dismenorreia, \ndispareunia, dor à evacuação, infertilidade e \ndesconforto intestinal, além de apresentar cor -\nrelação com maior risco de alguns subtipos de \ncâncer de ovário. Já a endometriose infiltrati-\nva profunda é considerada a forma mais grave \nda doença, caracterizando-se por lesões que pe-\nnetram abaixo da superfície peritoneal e podem \nacometer estruturas ret roperitoneais e órgãos \nadjacentes. Nesses casos, predominam dor pél-\nvica intensa, dispareunia e infertilidade, fre -\nquentemente relacionadas ao processo inflama-\ntório crônico e à distorção anatômica secundá -\nria. \n \n\n \n4 | P á g i n a  \nPROTOCOLOS DIAGNÓSTICOS \nTRADICIONAIS \nO diagnóstico da endometriose representa \num desafio clínico, dada a variabilidade dos sin-\ntomas e a ausência de métodos não invasivos \ncom acurácia total. A avaliação deve integrar \nanamnese detalhada, exame físico direcionado \ne exames complementares de imagem, reser -\nvando a laparoscopia para casos selecionados. \nAnamnese e exame físico \nA anamnese constitui o primeiro passo na \ninvestigação da doença, sendo fundamental ex-\nplorar sintomas como dor pélvica crônica, dis -\nmenorreia progressiva e refratária, dispareunia \nprofunda, alterações urinárias ou intestinais \ncíclicas, fadiga e infertilidade. No exame físico, \npodem ser identificados sinais sugestivos de \nendometriose, incluindo nódulos dolorosos em \nfundo de saco posterior, redução da mobilidade \nuterina e massas ovarianas palpáveis. Além dis-\nso, a palpação dos músculos do assoalho pélvi-\nco pode revelar mialgia associada à dor pélvica \ncrônica. No entanto, a endometriose superficial \ngeralmente não é detectável por exame físico, e \na ausência de achados não exclui a doença. A \ndetecção de lesões em vagina, umbigo ou cica-\ntrizes cirúrgicas deve levar ao encaminhamento \npara avaliação especializada e possível biópsia. \nUltrassonografia Transvaginal (USTV) \nA USTV é atualmente o exame de imagem \nde primeira linha, recomendado mesmo na a -\ntenção básica. Ela permite a detecção de endo -\nmetriomas ovarianos e lesões infiltrativas pro -\nfundas localizadas em intestino, ureter, bexiga \ne ligamentos uterossacros, além de auxiliar na \navaliação de aderências pélvicas por meio da \nmobilidade uterina e ovariana. A sensibilidade \ndo exame varia de 70 a 100% e a especificidade \nde 94 a 100% para endometriose profunda, sen-\ndo limitada na detecção da forma superficial. A \nprecisão do exame depende da experiência do \noperador, e técnicas de preparo intestinal po -\ndem otimizar a visualização das lesões. Quando \na via transvaginal não é viável, a ultrassono -\ngrafia abdominal constitui uma alternativa, em-\nbora com acurácia menor. \nRessonância Magnética (RM) \nA RM pélvica é indicada como exame com-\nplementar, especialmente em casos de suspeita \nde endometriose profunda complexa ou acome-\ntimento extrapélvico, bem como quando a US -\nTV não fornece informações conclusivas. A R-\nM permite mapear múltiplos focos em um único \nexame e oferece excelente definição anatômica, \nsendo útil para o planejamento terapêutico. Sua \nsensibilidade varia de 39 a 100% e a especifici-\ndade de 80 a 100% para diferentes sítios acome-\ntidos, incluindo ovários, vagina, retrossigmói -\nde, septo retrovaginal, ligamentos uterossacros \ne bexiga. A interpretação correta exige experi -\nência em imagem ginecológica especializada, e \na disponibilidade do exame pode limitar seu \nuso. Diretrizes atuais recomendam que a RM \nseja solicitada principalmente quando a USTV \nfor inconclusiva ou quando houver alta suspeita \nde lesões ovarianas ou profundas. \nLaparoscopia diagnóstica \nA laparoscopia com biópsia histológica \ncontinua sendo o padrão-ouro diagnóstico, per-\nmitindo a visualização direta das lesões, defini-\nção da extensão da doença e exclusão de malig-\nnidade em endometriomas. Durante o procedi -\nmento, as lesões podem apresentar-se de formas \nvariadas: lesões iniciais com opacificação bran-\nca ou manchas vermelhas, endometriose super-\nficial em tons escuros semelhantes a pólvora, \nendometriose profunda como nódulos multifo -\ncais infiltrando órgãos adjacentes e endometrio-\nmas com conteúdo marrom-escuro, característi-\ncos dos “cistos de chocolate”. Apesar de sua \nprecisão, a laparoscopia é invasiva e em até \n\n \n5 | P á g i n a  \n40% dos casos realizados para dor pélvica não \nsão identificadas lesões. Além disso, as defini -\nções histopatológicas ainda carecem de padro -\nnização, principalmente em mulheres jovens. \nAtualmente, a laparoscopia é indicada quando \nmétodos não invasivos são inconclusivos ou \nquando há necessidade de tratamento cirúrgico \nsimultâneo. \nAtraso Diagnóstico \nO atraso diagnóstico da endometriose per -\nmanece significativo, com média de 5 a 12 anos \ndesde o início dos sintomas. Esse atraso decorre \nde fatores relacionados à paciente, como demo-\nra na procura por atendimento e normalização \nda dor menstrual; fatores médicos, incluindo di-\nagnósticos incorretos ou baixa suspeita clínica; \ne fatores do sistema de saúde, como acesso li -\nmitado a especialistas e exames de imagem de \nqualidade. O impacto desse atraso é relevante, \nresultando em piora dos sintomas, infertilidade, \nnecessidade de múltiplas intervenções e com -\nprometimento da qualidade de vida, incluindo \nefeitos psicológicos como frustração, estresse e \nprejuízo da autoimagem. Para minimizar essas \nconsequências, há tendência crescente de ado -\ntar o “diagnóstico de trabalho”, no qual se inicia \ntratamento clínico baseado em forte suspeita \nclínica e achados de imagem, postergando a la-\nparoscopia apenas para casos refratários ou in -\nconclusivos. \nBIOMARCADORES NO DIAGNÓS-\nTICO DA ENDOMETRIOSE \nNos últimos anos, a busca por biomarcado-\nres plasmáticos para o diagnóstico da endome -\ntriose tem se intensificado, motivada pela ne -\ncessidade de reduzir a dependência de métodos \ninvasivos, como a laparoscopia, e pela persis -\ntente demora no diagnóstico clínico, que fre -\nquentemente ultrapassa vários anos. Biomarca-\ndores são substâncias mensuráveis em fluidos \ncorporais, como sangue, líquido peritoneal ou \nurina, que refletem processos biológicos espe -\ncíficos associados à presença de tecido endome-\ntrial ectópico . Na endometriose, esses marca -\ndores podem indicar inflamação local e sistêmi-\nca, angiogênese anômala, remodelação tecidual \ne ativação imunológica, fenômenos característi-\ncos da fisiopatologia da doença.  \nEntre os biomarcadores mais investigados \nestão as glicoproteínas séricas, sobretudo o CA-\n125. Apesar de sua baixa sensibilidade e especi-\nficidade quando analisado isoladamente, e a \ncombinação com outros marcadores mostrou \nmelhor desempenho. Estudos apontam que as -\nsociações entre CA-125, citocinas inflamatórias \ne moléculas angiogênicas alcançam sensibilida-\ndes próximas a 90% e especificidades acima de \n70%, sugerindo utilidade em painéis multimo -\nleculares para aumentar a acurácia diagnóstica.  \nInterleucinas como IL-6, IL-8 e IL-1β, além \nde moléculas como TNF -α, MCP -1 e MIF, \napresentam níveis aumentados em mulheres \ncom endometriose, refletindo a ativação exa -\ncerbada de macrófagos peritoneais e a manuten-\nção do microambiente inflamatório característi-\nco da doença. Além disso, fatores angiogênicos \ncomo VEGF, IL-17A e bFGF estão envolvidos \nna formação de novos vasos que irrigam os \nimplantes ectópicos. Esses achados sustentam o \npotencial das citocinas e dos fatores angiogêni-\ncos como biomarcadores, embora a variabilida-\nde entre estudos ainda limite sua aplicação clí -\nnica isolada. \nNo campo da biologia molecular, estudos \ngenômicos mostraram que o endométrio eutópi-\nco de mulheres com endometriose apresenta pa-\ndrões distintos de expressão gênica, com clas -\nsificadores capazes de distinguir presença e gra-\nvidade da doença com elevada acurácia. Altera-\nções em microRNAs, como os da família miR -\n200, também foram associadas a processos de \n\n \n6 | P á g i n a  \ninvasividade celular, reforçando seu potencial \ndiagnóstico e prognóstico. \nMais recentemente, a proteômica tem se \ndestacado como abordagem promissora. Um \nestudo multicêntrico identificou e validou o \nProMarker, um painel de dez proteínas plasmá-\nticas com excelente desempenho, alcançando \nvalores de AUC próximos a 1,0 para diferenciar \ncasos de endometriose de controles, inclusive \nem estágios iniciais. Esses achados demons -\ntram o potencial da proteômica para fornecer \ntestes não invasivos de alta acurácia e aplicabi-\nlidade clínica futura. \nApesar dos avanços, ainda existem limita -\nções importantes. A maioria dos estudos apre -\nsenta amostras pequenas, heterogeneidade me -\ntodológica e variabilidade biológica significati-\nva, influenciada por fatores como o ciclo mens-\ntrual e o uso de hormônios. Além disso, técnicas \navançadas como proteômica e microarrays pos-\nsuem custos elevados e exigem infraestrutura \nespecializada. Dessa forma, embora os biomar-\ncadores representem uma perspectiva inovado-\nra e promissora, ainda não há consenso ou va -\nlidação suficiente para sua adoção rotineira na \nprática clínica. \nDIAGNÓSTICO PRECOCE E O \nPROGNÓSTICO \nNos estudos já realizados, não existe uma \ndeterminação de tempo médio até o diagnóstico \nde endometriose por meio dos biomarcadores \nséricos. No entanto, tendo em vista de que esse \nteste diagnóstico apresenta 79,4% de sensibili -\ndade e 75,9% de especificidade na detecção de \num estágio inicial da doença, as perspectivas de \num tempo reduzido até o diagnóstico são cada \nvez mais favoráveis.  \nDiferentemente da detecção de biomarca -\ndores, a laparoscopia diagnóstica é feita após \ntentativas de tratamento empírico e realização \nde diversos exames de imagem e diversas rea -\nvaliações da paciente. A confirmação do quadro \nde endometriose, então, é realizada após todo \nesse processo, quando há a visualização cirúrgi-\nca de lesões e/ou análise histopatológica do te -\ncido, explicados acima. A principal preocupa -\nção nesse caso é a progressão da doença durante \ntodo esse período de investigação, uma vez que \na cirurgia não é realizada com caráter de urgên-\ncia, e muitas vezes nem mesmo após poucas \nconsultas. Outro benefício de termos uma fer -\nramenta diagnóstica não invasiva para essa con-\ndição é a redução da morbimortalidade inerente \nao procedimento cirúrgico. Enquanto ainda não \né aprovado o uso do painel de biomarcadores \nséricos para o diagnóstico de endometriose, os \nestudos apontam um benefício do uso destes co-\nmo forma de triagem para a realização do pro -\ncedimento laparoscópico. \nO diagnóstico precoce é fundamental para \nevitar a progressão do quadro inflamatório ge -\nrado pelos focos endometriais. A inflamação \ncoriônica e as aderências pélvicas precipitadas \npela endometriose são importantes fatores de \nredução da taxa de fertilidade. Dessa forma, o \ndiagnóstico precoce permite não apenas um ma-\nnejo eficiente de um quadro de dismenorreia, \npor exemplo, mas permite preservar a fertilida-\nde e o bem-estar das mulheres acometidas des-\nde o início dos seus sintomas. \nCONCLUSÃO \nA endometriose permanece como um im -\nportante desafio de saúde pública pela alta pre-\nvalência, impacto multidimensional na qualida-\nde de vida e custos socioeconômicos significa -\ntivos. Apesar dos avanços em métodos de ima -\ngem, o diagnóstico ainda depende de procedi -\nmentos invasivos, o que contribui para atrasos \nsubstanciais no reconhecimento da doença e \nmaior morbidade associada. \nPara a prática clínica, o diagnóstico da en -\ndometriose deve apoiar-se em uma abordagem \n\n \n7 | P á g i n a  \nintegrada: anamnese detalhada, exame físico \ndirecionado e exames de imagem de alta pre -\ncisão, enquanto a laparoscopia diagnóstica per-\nmanece o padrão-ouro para confirmação da do-\nença e análise histopatológica das lesões. Os \nmétodos não invasivos, incluindo USTV e RM, \ntêm papel crescente na triagem e no planeja -\nmento terapêutico, permitindo reduzir atrasos \ndiagnósticos, preservar a fertilidade e otimizar \no manejo da dor. \nOs achados recentes reforçam a relevância \nda incorporação de biomarcadores séricos e \nmoleculares como ferramentas complementares \nao arsenal diagnóstico. Esses marcadores têm o \npotencial de permitir triagem não invasiva, es -\ntratificação de risco e monitoramento terapêuti-\nco, além de encurtar o intervalo entre o início \ndos sintomas e o diagnóstico definitivo. Embo-\nra nenhum biomarcador isolado tenha atingido \nvalidação suficiente para aplicação rotineira, \npainéis multimoleculares e abordagens basea -\ndas em proteômica e biologia de sistemas mos-\ntram-se promissores e devem ser objeto de con-\ntínua investigação. \nO futuro do manejo da endometriose depen-\nde de uma abordagem integrada, que combine \ndiagnóstico precoce, conscientização profissio-\nnal, educação das pacientes e desenvolvimento \nde biomarcadores confiáveis. Esse caminho po-\nde otimizar o tratamento, preservar a fertilida -\nde, reduzir a morbidade associada à doença e, \nconsequentemente, melhorar a qualidade de vi-\nda das mulheres acometidas.\n   \n\n \n8 | P á g i n a  \nREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS \nADILBAYEVA, et al . 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