Abstract
Introdução: A endometriose é uma condição ginecológica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio — com glândulas e estroma — localizado fora da cavidade uterina. Quando sintomática, pode manifestar-se por dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia, fadiga e infertilidade, variando conforme a localização dos implantes. Embora a etiopatogenia não seja completamente elucidada, a literatura combina a teoria da disseminação linfovascular com a hipótese da metaplasia celômica. Entre as formas raras da doença, destaca-se a endometriose cervical, cuja apresentação clínica pode ser sutil, muitas vezes associada a sangramento pós-coital. O reconhecimento dessa manifestação atípica é essencial para o diagnóstico e tratamento adequados. Relato de Caso: Paciente de 44 anos, com história prévia de endometriose ovariana esquerda tratada por laparoscopia, tendo também realizado laqueadura tubária. Foi encaminhada ao serviço de Patologia do Trato Genital Inferior devido a episódios recorrentes de sangramento durante o ato sexual. Negava dismenorreia, dor pélvica ou sangramento uterino disfuncional. Ao exame colposcópico, observou-se colo uterino de volume aumentado, com área arroxeada no lábio anterior, além de pequenas ilhotas sugestivas de metaplasia. Realizou-se biópsia dirigida na zona de epitélio iodo-negativo. O exame histopatológico revelou tecido conjuntivo subepitelial com sinais de congestão e hemorragia, associado à presença de glândulas com núcleos basais e epitélio cilíndrico simples, compatível com endometriose cervical. Após seguimento inicial com conduta expectante, a paciente evoluiu, cerca de um ano depois, com hemorragia uterina anormal de difícil controle, optando-se pela realização de histerectomia total. A análise anatomopatológica da peça cirúrgica confirmou a presença de foco de endometriose cervical. Comentários: A endometriose cervical é uma apresentação incomum da doença e pode permanecer subdiagnosticada devido à sua sintomatologia pouco específica. O achado de sangramento pós-coital em pacientes com história prévia de endometriose deve levantar suspeita clínica, sendo a colposcopia com biópsia ferramenta fundamental para o diagnóstico. Embora alguns casos possam ser manejados de forma conservadora, sintomas persistentes ou complicações, como sangramentos recorrentes, podem indicar a necessidade de intervenção cirúrgica. Este caso ilustra a importância do reconhecimento da forma cervical da endometriose e ressalta o papel do acompanhamento clínico na definição da conduta terapêutica mais adequada.
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EP19: Colposcopia ciência e arte: relato de caso de endometriose cervical
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP19Palavras-chave:
endometriose, colposcopia, doenças cervicouterinasResumo
Introdução: A endometriose é uma condição ginecológica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio
— com glândulas e estroma — localizado fora da cavidade uterina. Quando sintomática, pode manifestar-se
por dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia, fadiga e infertilidade, variando conforme a localização dos implantes.
Embora a etiopatogenia não seja completamente elucidada, a literatura combina a teoria da disseminação linfovascular
com a hipótese da metaplasia celômica. Entre as formas raras da doença, destaca-se a endometriose cervical, cuja apresentação
clínica pode ser sutil, muitas vezes associada a sangramento pós-coital. O reconhecimento dessa manifestação
atípica é essencial para o diagnóstico e tratamento adequados. Relato de Caso: Paciente de 44 anos, com história prévia
de endometriose ovariana esquerda tratada por laparoscopia, tendo também realizado laqueadura tubária. Foi encaminhada
ao serviço de Patologia do Trato Genital Inferior devido a episódios recorrentes de sangramento durante o ato
sexual. Negava dismenorreia, dor pélvica ou sangramento uterino disfuncional. Ao exame colposcópico, observou-se
colo uterino de volume aumentado, com área arroxeada no lábio anterior, além de pequenas ilhotas sugestivas de metaplasia.
Realizou-se biópsia dirigida na zona de epitélio iodo-negativo. O exame histopatológico revelou tecido conjuntivo
subepitelial com sinais de congestão e hemorragia, associado à presença de glândulas com núcleos basais e epitélio
cilíndrico simples, compatível com endometriose cervical. Após seguimento inicial com conduta expectante, a paciente
evoluiu, cerca de um ano depois, com hemorragia uterina anormal de difícil controle, optando-se pela realização de histerectomia
total. A análise anatomopatológica da peça cirúrgica confirmou a presença de foco de endometriose cervical.
Comentários: A endometriose cervical é uma apresentação incomum da doença e pode permanecer subdiagnosticada
devido à sua sintomatologia pouco específica. O achado de sangramento pós-coital em pacientes com história prévia
de endometriose deve levantar suspeita clínica, sendo a colposcopia com biópsia ferramenta fundamental para o diagnóstico.
Embora alguns casos possam ser manejados de forma conservadora, sintomas persistentes ou complicações,
como sangramentos recorrentes, podem indicar a necessidade de intervenção cirúrgica. Este caso ilustra a importância
do reconhecimento da forma cervical da endometriose e ressalta o papel do acompanhamento clínico na definição da
conduta terapêutica mais adequada.
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