Keywords
Endometriosis; Quality of life; Inflammation.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1. Localização de implantes endometrióticos ................................................. 18
Figura 2. Papel do estrogênio e receptores de estrogênio no endométrio normal e
lesões de endometriose .............................................................................................. 20
Figura 3. Teorias de origem da endometriose ............................................................ 21
Figura 4. Sensibilização central, periférica e cruzada do sistema nervoso em
pacientes com endometriose ....................................................................................... 32
Figura 5. Estágio I- Lesão superficial no peritônio ..................................................... 41
Figura 6. Foto real de um endometrioma ................................................................... 41
Figura 7. Endometriose infiltrativa profunda: bloqueio de fundo de saco por
aderências. ................................................................................................................... 42
Figura 8. Esquematização sobre a avaliação da dor neuromusculoesquelética em
pacientes com endometriose ....................................................................................... 62
Figura 9. Teste de Carnett ......................................................................................... 64
Figura 10. Escala Visual Analógica (EVA) .................................................................. 65
Figura 11. Escala de New Perfect............................................................................... 66
Figura 12. Biofeedback eletromiográfico New Miotoo da Miotec ............................... 67
Figura 13. Tela inicial do Biofeedback eletromiogáfico com os filtros ....................... 67
Figura 14. Posicionamento dos eletrodos de EMG para o músculo bulbocavernoso
direito, corpo perineal e eletrodo intracavitário respectivamente ............................... 68
Figura 15. Tela de EMG demonstrando hiperatividade em repouso no eletrodo
intracavitário e o silêncio eletromiográfico em musculatura acessória....................... 69
Figura 16. Tela de EMG: Treino de contração perineal em três tempos para
conscientização perineal. ............................................................................................. 70
Figura 17. Tela de EMG: Treino de contração perineal com ativação tônica e fásica,
respectivamente ........................................................................................................... 72
Figura 18. Eletroestimulador com eletrodos em musculatura superficial do assoalho
pélvico ........................................................................................................................... 72
Figura 19. Medicações específicas para endometriose ............................................. 79
Figura 20. Medicações para dor ................................................................................ 80
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AFC - Contagem de folículos antrais
AINES - Anti-inflamatórios Não Esteroides
Akt/FOXO3 - Akt-Forkhead box O
AMH - Hormônio anti-Mulleriano
ASRM - American Society for Reproductive Medicine
ASRM - Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva
BDNF - Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro
CGRP - Peptídeo relacionado ao gene da calcitonina
CYP19A1 – Citocromo P450 Família 19 Subfamília A Membro 1
DIE - Endometriose infiltrativa profunda
DNG - Dienogeste
EAU - Associação Europeia de Urologia
EHP-30 - Endometriosis Health Profile Questionnaire
EMG - Eletromiografia
EVA - Escala Visual Analógica
EVN - Escala Visual Numérica
E2 - Estradiol
GDL - GUIDELINE
HPA - Hipotálamo-Hipófise-Adrenal
IASP - Associação Internacional para o Estudo da Dor
Ig - imunoglobulinas
IGF-1 - Fator de crescimento semelhante à insulina-1
IGFBP-1 - Proteína 1 de ligação ao fator de crescimento semelhante à insulina
IL-1β - Interleucina-1β
IL-37 Interleucina 37
IL-6 - Interleucina-6
IL-8 - Interleucina-8
IMC – Índice de Massa Corporal
MAP - Músculos do assoalho pélvico
MS - Ministério da Saúde
LEED - Laboratório Experimental do Estudo da Dor
mTOR - Mammalian target of rapamycin
NF - Neurotrofinas
NGF - Fator de Crescimento Nervoso
OMS - Organização Mundial de Saúde
PI3K – Fosfatidilinositol 3-quinase
PTEN - Homólogo da tensina deletados na via do cromossomo 10
QV - Qualidade de Vida
QVRS - Qualidade de Vida Relacionada à Saúde
RE-α - Receptor de Estrogênio alfa
RE-β - Receptor de Estrogênio -beta
ROS - Espécies reativas de oxigênio
SHBG - Globulina ligadora de hormônios sexuais
SNA - Sistema Nervoso Autônomo
SNC - Sistema Nervoso Central
StAR - Proteína reguladora aguda esteroidogênica
TENS - Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation
TGF - Fator de crescimento transformador
TMAP - treinamento da musculatura do assoalho pélvico
TNF-α - Fator de Necrose Tumoral
TrkA - Receptor de Tropomiosina Quinase A
TRPV1 - Transient Receptor Potential Vanilloid Type-1
UFMA - Universidade Federal no Maranhão
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 14
2 REFERENCIAL TEÓRICO ....................................................................................... 17
2.1 Definição e Epidemiologia da Endometriose ................................................... 17
2.2 Localização dos focos endometrióticos ........................................................... 17
2.3 Fisiopatologia da endometriose ......................................................................... 19
2.3.1 Inflamação da Endometriose ........................................................................... 22
2.4 Imunologia da Endometriose.............................................................................. 24
2.5 Sintomas da Endometriose ................................................................................. 25
2.5.1 Dor ....................................................................................................................... 25
2.5.2 Comprometimento nervoso ............................................................................. 26
2.5.3 Comprometimento miofascial ......................................................................... 29
2.5.3.1 Sensibilização periférica na endometriose ................................................ 31
2.5.3.2 Sensibilização central na endometriose ..................................................... 34
2.4 Sensibilização cruzada na endometriose ......................................................... 36
2.5 Infertilidade ........................................................................................................... 37
2.6 Classificação da endometriose .......................................................................... 40
2.7 Diagnóstico de endometriose ........................................................................... 43
2.8 Endometriose e qualidade de vida..................................................................... 44
2.8.1 Fatores de risco da endometriose .................................................................. 48
2.9 Tratamento da endometriose.............................................................................. 49
2.9.1 Tratamento medicamentoso da endometriose ............................................. 50
2.9.1.1 Contraceptivos hormonais ........................................................................... 50
2.9.1.2 Analgésicos e opióides ................................................................................. 52
2.9.1.3 Antidepressivos e inibidores de recaptação de seratonina.....................53
2.9.2 Tratamento fisioterapêutico da endometriose .............................................. 53
2.9.3 Tratamento cirúrgico da endometriose .......................................................... 58
3 OBJETIVOS .............................................................................................................. 59
3.1 Objetivo geral ........................................................................................................ 59
3.2 Objetivos específicos .......................................................................................... 59
4 MATERIAL E MÉTODOS ......................................................................................... 60
4.1 Tipo de estudo ...................................................................................................... 60
4.2 Local da pesquisa ................................................................................................ 60
4.3 Definição da amostra ........................................................................................... 60
4.3.1 Critérios de inclusão e não-inclusão .............................................................. 60
4.3.12 Critérios de exclusão ...................................................................................... 61
4.4 Cálculo amostral .................................................................................................. 61
4.5 Desfechos de interesse ....................................................................................... 61
4.6 Procedimentos estatísticos ................................................................................ 62
4.7 Coleta dos dados ................................................................................................. 63
4.8 Riscos e benefícios .............................................................................................. 73
4.9 Comitê de Ética..................................................................................................... 74
5 RESULTADOS .......................................................................................................... 75
5.1 Distribuição das características sociodemográficas ...................................... 75
5.2 Descrição da avaliação física dos pacientes ................................................... 76
5.3 Descrição do Esquema PERFECT (Power, Endurance, Repetition, Fast,
Every, Contractions, Timed) de mulheres com endometriose ............................. 82
5.4 Avaliação da qualidade de vida das pacientes ................................................ 83
8 DISCUSSÃO ............................................................................................................. 85
9 CONCLUSÃO.......................................................................................................... 105
REFERÊNCIAS .......................................................................................................... 107
APÊNDICES ............................................................................................................... 122
ANEXOS ..................................................................................................................... 188
14
1 INTRODUÇÃO
Esta pesquisa surgiu a partir de vivências clínicas com as portadoras de
endometriose e pelo interesse em uma pesquisa experimental intitulada: “Avaliação
da dor e processo inflamatório na endometriose: uso da talidomida em modelo
experimental”, realizada no Laboratório Experimental do Estudo da Dor (LEED) da
Universidade Federal no Maranhão (UFMA), grupo ao qual faço parte. Além da alta
prevalência da endometriose e dos desfechos negativos na saúde das mulheres (a
nível físico, psicológico e social), se fazem cada vez mais necessárias a realização
de pesquisas que possam descrever e tentar elucidar a possível relação existente
entre a dor, a disfunção muscular no assoalho pélvico e a qualidade de vida das
pacientes com essa doença.
Os primeiros relatos descritos da endometriose datam de mais de 1500 a.C.
documentados por registros egípcios com sintomas similares aos descritos na
atualidade. Existem descrições europeias, de 1600 d.C. de um médico alemão que
publicou um livro com informações sobre um mal que acometia mulheres em idade
reprodutiva, causando inflamações com lesões e aderências em órgãos da cavidade
pélvica (Marques, 2005).
A endometriose é uma doença inflamatória benigna dependente de
estrogênio, sendo a causa mais comum de dor pélvica crônica em mulheres em
idade reprodutiva (Bulun et al., 2019). Atualmente, 70 milhões de mulheres em todo
o mundo apresentam endometriose . A doença afeta 10 % das mulheres em idade
reprodutiva, até 80% das mulheres com dor pélvica e 20 a 50% das mulheres com
infertilidade (Lin et al., 2018; Bafort et al., 2020; França et al., 2022).
Avanços nas últimas duas décadas, revelaram a endometriose como uma
síndrome clínica complexa caracterizada por um processo inflamatório crônico que
afeta principalmente os tecidos pélvicos, incluindo os ovários. Embora a
endometriose seja um processo comum e não maligno, o tecido ectópico semelhante
ao endométrio e a inflamação resultante , podem causar dismenorreia (dor no
período menstrual), dor pélvica não cíclica, dispareunia (dor na relação sexual),
menorragia (aumento excessivo de fluxo menstrual ), disúria (dor, queimação,
ardência ou desconforto durante ou após o ato de urinar ), disque sia (dor ou
dificuldade para evacuar), dor crônica e infertilidade. Os sintomas podem variar de
mínimos a severamente debilitantes (V annuccini et al., 2022; Bulun et al., 2019).
15
Além disso, muitos estudos relatam a correlação entre ansiedade e depressão com
sintomas de dor e perda de fertilidade, levando a uma taxa de quase 87% das
mulheres com endometriose desenvolvendo algum tipo de transtorno psiquiátrico
(França et al., 2022).
Estudos apontam vários fatores de risco para a doença, tais como: história
familiar com parentes em 1º grau ou história de doença autoimune na família ,
menarca precoce, nuliparidade, ciclos menstruais curtos, exposição à análogos
estrogênios, dieta pobre em frutas e sedentarismo ( Bozdag; Gurkan, 2015; Vigano,
2004; Zubrzycka et al., 2015).
Durante o processo de menstruação em mulheres acometidas pela
endometriose, ocorre um sangramento não somente do revestimento uterino, mas
também dos implantes endometrióticos, os quais ativam a inflamação local e
ocasionam a dor pélvica nesse público ( Zondervan et al., 2018). Esse processo
inflamatório prolongado nas lesões, pode levar à formação de aderências e
cicatrizes (fibrose), bem como sintomas debilitantes (Arion et al., 2020).
Muitas vezes, de forma recidiva e crônica, a doença pode ter impacto
significativo na qualidade de vida, perpassando o bem-estar físico, mental, sexual e
social da mulher ( Silva; de Marqui, 2014). Por esse motivo, foram criados os
instrumentos de avaliação global da qualidade de vida, para dimensionar o impacto
da doença através de questionários, os quais interrogam sobre o estado atual da
afecção, além de questões sobre funcionamento físico, psicológico e social do
público feminino (Mengarda et al., 2008).
Um dos instrumentos que podem fazer essa parametrização é o questionário
específico, Endometriosis Health Profile Questionnaire (EHP-30), já validado em
português, que possibilita uma avaliação ampla das pacientes transcedendo os
aspectos biológicos (Gao et al., 2006; Jones et al., 2006).
Um outro ponto relevante e investigado desde a década de 90, se refere a
relação dos sintomas álgicos com o local dos focos endometrióticos. Apesar de mais
de uma década de estudos, ainda há muito o que esclarecer (Stratton et al., 2015).
Alguns dos sintomas dolorosos que acompanham pacientes com
endometriose, parecem não ser diretamente causados pela doença de forma
essencial, mas pelo impacto da dor crônica no sistema nervoso central e no
desenvolvimento da memória de dor. A dor provocada pela endometriose, pode
levar à dores musculares específicas, principalmente com a presença de pontos de
16
gatilho. A compreensão dos mecanismos de sensibilização central envolvidos na
doença faz com que o tratamento não seja focado apenas na periferia (pelve), mas
sim no sistema nervoso central , por isso a precocidade do tratamento da dor é
fundamental no prognóstico e qualidade de vida des sas pacientes (Stratton et al.,
2015).
Devido à alta prevalência da endometriose e dos desfechos negativos na
saúde das mulheres (a nível físico, psicológico e social), se fazem cada vez mais
necessárias a realização de pesquisas que possam descrever e elucidar a possível
relação existente entre a dor, a disfunção muscular no assoalho pélvico e a
qualidade de vida das pacientes com essa doença. Dessa forma, o presente estudo
busca identificar os efeitos da dor e da disfunção muscular no assoalho pélvico e na
qualidade de vida das pacientes com endometriose.
17
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Definição e epidemiologia da endometriose
A endometriose configura-se como uma doença inflamatória dependente de
estrogênio caracterizada pela presença de glândulas endometriais e estroma fora do
útero, em locais como os ovários (onde os óvulos são produzidos ), as trompas de
falópio (que ligam os ovários e o útero) e a pelve . O endométrio ectópico é
funcionalmente igual ao endométrio tópico (Lin et al., 2018; Bulan et al., 2019; Solar
et al., 2021).
Sabe-se que desde os anos 80, existem descobertas correlacionadas com os
produtos de células endometriais e células do sistema imunológico no fluido
peritoneal com possibilidades de interferência na função reprodutiva. As etapas da
reprodução afetadas pela endometriose referenciam à fase de recepção do ovócito
secundário pelas fímbrias das tubas uterinas; mobilidade e sobrevivência de
espermatozoides; interação entre gametas feminino e masculino; alé m de
implantação e desenvolvimento do embrião. Sendo que, alguns desses efeitos ,
puderam ser revertidos, ainda naquela década, por tratamento hormonal (Nothnick,
2001). Sampson (1927), foi o pioneiro a descrever a endometriose com a sugestão
de menstruação retrógrada como provável etiologia da doença.
A endometriose afeta mais de 70 milhões de mulheres em todo o mundo. No
Brasil, o número de mulheres que sofrem de endometriose é preocupante. Segundo
estimativas do M inistério da Saúde (MS), cerca de 7 milhões de brasileiras são
portadoras da doença, tornando-a um problema de saúde pública devido a sua alta
prevalência, etiopatogenia indefinida, cronicidade e morbidade. Ating e 10% das
mulheres de 15 a 45 anos, promovendo um percentual de 70% de mulheres com
histórico de nuliparidade, em que mulheres com essa condição têm 20 vezes mais
chances de serem inférteis (Scheck et al., 2022).
2.2 Localização dos focos endometrióticos
De acordo com Nacul e Spritzer (2010), a endometriose é causada pela
presença de tecido funcional semelhante ao do endométrio localizado fora da
cavidade uterina, sendo mais comum nos ovários, peritônio pélvico e a área entre a
vagina e o reto (figura 1), principalmente no septo retovaginal. En tretanto, outros
18
órgãos também podem apresentar a endometriose como, por exemplo, o útero,
intestino e a bexiga.
A dor endometrial está localizada na região hipogástrica e fossa ilíaca, com
irradiação frequente para a região lombar . A irradiação para a superfície anterior e
interna da coxa indica envolvimento ovariano, enquanto a irradiação perineal é um
sinal de envolvimento do cólon nos últimos 20 cm (Amro et al., 2022).
Figura 1 - Localização de implantes endometrióticos.
Fonte: IPGO (2024).
A endometriose pélvica, que pode envolver superfícies peritoneais pélvicas,
gordura subperitoneal, espaço retovaginal ou ovários, ocorre principalmente por
meio de menstruação retrógrada e compreende a grande maioria de todos os casos
de endometriose. A do ença também pode afetar a bexiga, intestino (mais
comumente o reto e o apêndice), nervos pélvicos profundos, ureteres e parede
abdominal anterior . Além disso, localizações extra peritoneais também são
descritas, tais quais pleura, diafragma , pulmões, peri cárdio e cérebro e 30% dos
casos de endometriose estão associados a adenomiose (infiltração por estroma
endometrial e glândulas no miométrio) (S achedina; Todd, 2020; V annuccini et al.,
2022).
19
2.3 Fisiopatologia da endometriose
A fisiopatologia desta doença não é totalmente compreendida, mas os
antecedentes endócrinos e inflamatórios estão bem caracterizados, reconhecendo
uma dependência de estrogênio e uma resistência à progesterona. Os principais
mecanismos envolvidos na localização ectópica das células endometriais incluem
menstruação retrógrada, disseminação vascular e linfática e/ou metaplasia/células-
tronco. A teoria da menstruação retrógrada ainda é vista como o principal fator
etiopatogênico da endometriose. Juntamente com e ssa teoria, outros fatores
etiológicos têm sido relacionados ao desenvolvimento da endometriose , como
disfunção imunológica, predisposição genética, fatores ambientais (dioxina e
bifenil policlorado) e fatores de risco relacionados ao estilo de vida, incluindo álcool
e cafeína (Anastasiu et al., 2020; Corte et al., 2020; Vannuccini et al., 2022).
O estrogênio e a exposição ao estrogênio desempenham um papel crucial
na evolução da doença através dos Receptores de Estrogênio ( Rees) que também
incluem Receptor de Estrogênio alfa (RE -α) e Receptor de Estrogênio -beta (RE -
β) (Tang et al., 2019).
O estradiol (E2) que é a forma mais ativa do estrogênio natural do corpo, é
um hormônio fundamental para o crescimento e persistência do tecido
endometrial, bem como a inflamação e a dor associadas a ele. O E2 atinge o
endométrio pela circulação sanguínea, e o acúmulo local desse hormônio tem sido
considerado um papel significante no desenvolvimento e progressão das lesões
de endometriose por ligação e ativação de Res. Este processo como é mostrado
na Figura 2 é regulado positivamente em tecido endometrial, alterando as
atividades das enzimas envolvidas na biossíntese e inativação do E2 (Tang et al.,
2019).
Não obstante , os tecidos endometriais possuem a capacidade de sintetizar
novamente E2 a partir do colesterol, já que existe uma alta expressão de duas
enzimas importantes envolvidas no processo de biossíntese de estrogênio:
aromatase (CYP19A1) (enzima que catalisa a conversão da testosterona em
estradiol) e proteína reguladora aguda esteroid ogênica (StAR). Um endométrio
normal não tem capacidade para sintetizar estrogênio devido à ausência dessas
enzimas (T ang et al., 2019).
20
Figura 2 – Papel do estrogênio e receptores de estrogênio no endométrio normal
e lesões de endometriose .
Fonte: Figura adaptada de Chantalat et al. (2020).
Existem, algumas teorias (Figura 3) para a explicar a endometriose, porém as
mais aceitas são: A primeira é a t eoria da metaplasia celômica que defende que
tanto as células endometriais quanto as peritoneais são da mesma superfície. A
segunda teoria defende que o transporte linfático ou vascular levaria células
endometriais uterinas para outras regiões como a disseminação iatrogênica e a
menstruação retrógrada que foi proposta por Sampson em 1927. A terceira teoria é
a da indução que é uma combinação das duas primeiras teorias e defende que o
extravasamento de substâncias desconhecidas do endométrio pode induzir a
produção de tecido endometrial através de células mesênquimas indiferenciadas
(Cacciatori; Medeiros, 2016).
21
Figura 3 – Teorias de origem da endometriose.
Fonte: Figura retirada do livro “Patologia básica”, 9ª edição. Robbins (2014).
A quarta teoria acerca dessa temática é que a alteração imunológica pode
estar convergente com a adesão e progressão do tecido endometrial ectópico nas
mulheres que apresentam endometriose. Uma sucessão de acontecimentos,
incluindo a inatividade das células natura l killers e produção de citocinas, como as
interleucinas 1 e 6 e os fatores de necrose tumoral, influem à alteração imunológica
e, consequente, adesão e progressão do tecido endometrial ectópico (L ebovic;
Mueller; Taylor, 2001; Matalliotakis et al., 2012).
De acordo com Guterre s et al. (2017), a segunda dentre essas teoria s é a
mais aceita : T eoria do transporte de células endometriais. A endometriose está
presente em cerca de 10% das mulheres em período reprodutivo, como
consequência das várias funções executadas pelas mulheres na atualidade, que
além de diminuir o número de gestações, tende a postergá -las, dessa forma
resultando em um número maior de menstruações deixando -as mai s expostas a
essa ocorrência. Entretanto, um dos aspectos que mais chamam atenção nessa
teoria é que embora 70% a 90% das mulheres que apresentam menstruação
retrógrada, apenas uma minoria acaba desenvolvendo a doença. Com isso, os
22
dados sugerem que fatores genéticos, hormonais e ambientais, influenciam na
ocorrência da doença nas mulheres (Silva; De Marqui, 2014).
Normalmente, todo mês há um ciclo reprodutivo nas mulheres, preparando o
corpo para uma possível gravidez. Quando não ocorre a fecundação, as paredes
internas do útero passam por um processo de descamação, no qual o endométrio
se desprende, ocasionando o sangramento. Esse processo dura média 28 dias,
porém pode acontecer uma variação desse período em algumas mulheres (Da Silva
et al., 2017).
Segundo a teoria do transporte de células endometriais defendida por
Sampson em 1927, durante a menstruação ocorre um refluxo do tecido endometrial
através das trompas de falópio. Para que ocorra a endometriose, é importante que
as células endometriais se mantenham viáveis e capazes de implantação fora do
endométrio, independentemente da sua origem. Nesse caso, essa teoria acredita
que a expressão clínica da doença dada pela menstruação retrógrada, pode
ocasionar irritação decorrente da presença de sangue e resíduos (C acciatori;
Medeiros, 2016).
2.3.1 Inflamação da endometriose
As lesões endometrióticas e o líquido peritoneal de pacientes com
endometriose contêm muitas células inflamatórias, citocinas e quimiocinas, criando
um microambiente inflamatório.
A menstruação normal é um processo inflamatório que aumenta as células
imunológicas residentes nos tecidos. Durante a menstruação retrógrada, células
inflamatórias são recrutadas para lesões endometrióticas ectópicas recentemente
desenvolvidas. Macrófagos, mastócitos e neutrófilos juntamente com outras células
inflamatórias são recrutados, elevando assim, a produção de muitos fatores
inflamatórios, incluindo Interleucinas (IL), como IL-1β, IL-37 e IL-6; Fator de Necrose
Tumoral (TNF)-α; Fator de Crescimento Nervoso (NGF); e substâncias associadas
à dor, como prostaglandina, substância P e glicodelina (Song et al., 2023).
Essas citocinas, quimiocinas e mediadores inflamatórios associados à
inflamação podem atuar nas células inflamatórias, aumentando o recrutamento de
células inflamatórias. Este ciclo vicioso pode aumentar ainda mais o crescimento e
23
a infiltração de lesões endometrióticas e induzir um microambiente inflamatório
crônico e, portanto, dor pélvica crônica (Song et al., 2023).
Das muitas células imunológicas que participam do desenvolvimento da
inflamação crônica na endometriose, os macrófagos são recrutados para remover
restos celulares em lesões endometrióticas e promover a neovascularização da
endometriose, gerando proliferação e sinalização pró -angiogênica. Os macrófagos
são divididos em dois tipos: macrófagos M1, que são ativados e produzem citocinas
e quimiocinas pró-inflamatórias, e macrófagos M2, que estão ligados nas respostas
anti-inflamatórias e no reparo tecidual (Yao; Narumiya, 2019).
Os macrófagos nas lesões endometrióticas são dominantes em M2 e estão
envolvidos no crescimento do endométrio ectópico e na remodelação tecidual. Os
macrófagos podem ativar o fator de transcrição pró -inflamatório NF-KB e aumentar
a expressão de TNF-α, IL-6, IL-1β e fator de crescimento transformador (TGF) -β no
nível da proteína (Yao; Narumiya, 2019).
O número de mastócitos ativados está aumentado na endometriose,
especialmente na endometriose infiltrativa profunda. Além de liberar mediadores de
reações alérgicas, os mastócitos podem produzir fatores de crescimento,
mediadores pró -inflamatórios como IL -2, IL -3, IL -6, IL -7, IL -9, IL -10, interferon -γ,
TNF-α e quimiocinas (CXCL8, CCL2 e CCL5) (Mortaz et al., 2018).
A infiltração de neutrófilos no peritônio aumenta significativamente em
mulheres com endometriose. Os neutrófilos podem contribuir para o crescimento de
lesões endometrióticas, produzindo fatores pró -angiogênicos e fatores de
crescimento endotelial vascular (Burns et al., 2018).
As prostaglandinas também são mediadores cruciais da inflamação crônica e
geram dor diretamente. El as podem ativar terminações nervosas para sentir dor e
liberar outros mediadores algésicos, como histamina, serotonina, NGF e
prostanóides de outras células ou nervos aferentes. Em pacientes com
endometriose, sabe -se que níveis aumentados de prostaglandina E 2 e
prostaglandina F2 α estão associados à dismenorreia e dispareunia graves e à dor
pélvica não cíclica (Burns et al., 2018).
24
2.4 Imunologia na endometriose
Várias alterações na função imunológica, tanto a nível sistêmico quanto
peritonial, têm sido observadas em pacientes com endometriose, sugerindo que o
sistema imunológico possa estar associado com a instalação e o desenvolvimento
da endometriose. Nas duas últimas décadas, vários estudos associaram a
endometriose com alterações na imunidade humoral e na imunidade celular. As
células envolvidas são linfócitos B, linfócitos T, granulócitos, monócitos, macrófagos
e células NK (Dmowski, 2004).
Os fatores solúveis incluem citocinas, proteínas da fase aguda da resposta
inflamatória, complemento e imunoglobulinas. No entanto, ainda não está claro se
as alterações imunológicas precedem a endometriose ou são induzidas pela doença.
As alterações na imunidade humoral e celular têm sido observadas em mulheres e
em macacas rhesus com endometriose, assim como em animais de laboratório cuja
endometriose foi induzida experimentalmente. Mulheres com endometriose
apresentam uma maior atividade dos macrófagos e da resposta humoral, e uma
diminuição na imunidade celular e na atividade das células T e das células NK
(Dmowski, 2004).
A vigilância imunológica foi realizada em mulheres com endometriose e
concluiu que imunoglobulinas (Ig) elevadas, como autoanticorpos IgG, IgM, IgA e
autoanticorpos antiendometriais, deprimiam a imunidade mediada por células em
termos de atividade celular. No entanto, de acordo com o resultado deste estudo, o
número de células T, células B e células assassinas naturais foi elevado ( Harris;
Simard; Arkema, 2016)
Em virtude das semelhanças com doenças autoimunes, alguns estudos
salientaram maior incidência destas doenças, assim como de doenças endócrinas e
reumatológicas, em mulheres com endometriose. Assim como, a tentou-se que
mulheres com endometriose manifestaram prevalência aumentada de doenças
atópicas, como asma, rinite alérgica e fibromialgia, do que mulheres sem
endometriose (Matalliotakis et al., 2012).
Evidências apontam que o estresse oxidativo tem ligação direta tanto na
patogênese quanto no quadro evolutivo da doença. Fatores genéticos, ambientais e
estilo de vida, parecem estar associados ao desenvolvimento e manutenção da
endometriose (Parazzini et al., 2013).
25
2.5 Sintomas da endometriose
As pacientes portadoras de endometriose podem ser assintomáticas, porém,
a grande maioria apresenta queixas clínicas, sendo as principais: dismenorreia, dor
pélvica crônica, infertilidade, dispareunia de profundidade durante o ato sexual,
sintomas intestin ais e urinários cíclicos, como dor, sangramentos ao evacuar ou
urinar durante o período menstrual (Mendes et al., 2013).
2.5.1 Dor
A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), define dor como
uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a, ou semelhante
àquela associada a dano real ou potencial ao tecido (Raja et al., 2020).
No complexo estudo da dor, existe uma divisão entre a dor aguda e a dor
crônica. Sendo as dores agudas normalmente ligadas a uma reação do organismo
a algo instantâneo, já as dores crônicas são aquelas de longa duração que não se
resolvem espontaneamente . Sendo assim, a d or pélvica crônica, também
denominada persistente é definida como dor percebida como proveniente da pelve
e que persiste por mais de 06 (seis) meses, afetando as atividades diárias,
relacionamentos familiares, sociais e profissionais dos indivíduos (Rodrigues et al.,
2022).
A dor associada à endometriose possui forma variável como um subconjunto
de dor pélvica persistente ou como uma condição discreta. Várias definições
surgiram de diretrizes e classificações para facilitar e auxiliar o atendimento à
paciente e a pesquisa, e evoluíram ao longo do tempo. A mais recente Classificação
Internacional de Doenças da Or ganização Mundial da Saúde (CID -11) entitula
síndromes de dor primária crônica, distintas da dor secundária crônica associada a
outros diagnósticos (Mcnamara; Frawley; Donoghue, 2021)
Como um subconjunto da dor secundária crónica, a dor visceral secundária
crônica pode ser ainda definida como tendo uma condição causal como a
endometriose. Alternativamente, a Associação Internacional para o Estudo da Dor
(IASP) diferencia entre doenças (endometriose, dismenorreia secundária com
endometriose) e síndromes de dor pélvica cr ônica e define especificamente
26
síndrome de dor associada à endometriose. Da mesma forma, a Associação
Europeia de Urologia (EAU) separa as síndromes dolorosas sem diagnóstico óbvio
das síndromes dolorosas pélvicas primárias cr ônicas e das síndromes não
dolorosas, e segue a IASP ao definir separadamente síndrome dolorosa associada
à endometriose (McNamara; Frawley; Donoghue, 2021).
A dor associada à endometriose surge devido a eventos inflamatórios e
nociceptivos locais iniciais. Pode persistir em função de sensibilização periférica,
central e cruzada e sabe -se que os fatores psicossociais podem contribuir
(McNamara; Frawley; Donoghue, 2021).
A endometriose, classificada como dor crônica, em particular, impacta todos
os aspectos da vida da mulher, interferindo nas atividades cotidianas, nas relações
interpessoais, afetando a vida familiar, social e profissional das mulheres, sendo
fundamental considerar esses aspectos biopsicossociais ao traçar protocolos de
tratamento para a endometriose , visando proporcionar bem -estar às pacientes
(Rodrigues et al., 2022).
Devido a sua longa duração, a dor crônica perde a função de manter a
homeostase, assim como seu sinal de alerta, causando comprometimento funcional,
sofrimento, incapacidade progressiva e custo socioeconômico (M artinez et al.,
2004). Mulheres com diagnóstico de endometriose apontam que sentem uma dor
que beira o insuportável, que pode ultrapassar qualquer mensuração e, em especial
destacam que somente é reconhecida e legitimada por quem a vivência de fato
(Bento; Moreira, 2018).
2.5.2 Comprometimento nervoso
A dor associada à endometriose está ligada a alterações como redução da
inervação do sistema nervoso simpático, aumento da inervação sensorial e
alterações nos marcadores inflamatórios no fluido peritoneal (Coxon; Horne; Vincent,
2018).
As inervações das lesões endometrióticas desempenham um papel crucial na
dor pélvica crônica dessas pacientes. Esse processo álgico reconhece estímulos
nocivos ao nível das fibras nervosas periféricas (nociceptores) e transmite à medula
espinhal e ao cérebro. Lesões endometrióticas ectópicas disseminadas na cavidade
27
peritoneal não possuem suprimento nervoso intrínseco, o que indica que novas
fibras nervosas precisam se formar para transmitir a dor da lesão ( Asante; Taylor,
2011).
É importante salientar que a densidade é maior no tecido patológico
endometrial e peritoneal das fibras nervosas, incluindo fibras nervosas sensoriais A,
sensoriais C, colinérgicas e adrenérgicas em comparação com o peritônio saudável
(Coxon; Horne; Vincent, 2018).
Um estudo de Coxon, Horne e Vicent (2018), constatou que o fluido peritoneal
de pacientes com endometriose eleva o surgimento de neurites sensoriais dos
gânglios da raiz dorsal. O s autores levantaram a hipótese de que o Fator de
Crescimento Neural (NGF) e a Interleucina (IL) -1β no líquido peritoneal causariam
um desequilíbrio nas fibras nervosas positivas para a substância P, criando assim
um ambiente pró-inflamatório que, por sua vez, pode afetar o líquido peritoneal.
Pacientes com endometriose com escores de dor aumentados para
dismenorreia e dor pélvica manifestaram concentrações significativamente
aumentadas de marcadores neuronais (neurofilamento e produto gênico de
proteína), e a dismenorreia grave foi positivament e correlacionada com fibras
nervosas associadas à endometriose (McKinnon et al., 2012). A elevação de NGFs
em pacientes com endometriose foi relacionada a um nível aumentado de
suprimento nervoso denso, que foi associado a dor intensa (Kajitani et al., 2013).
Não só as modificações nas fibras nervosas sensoriais, o sistema nervoso
autônomo também está intimamente ligado à dor associada à endometriose. Esse
sistema não apenas modula a atividade contrátil do músculo liso vascular/não
vascular, o movimento intesti nal, a secreção glandular e a interação das células
imunológicas, mas também transmite informações sobre o ambiente interno e
potenciais estímulos nocivos ao sistema nervoso central. Alguns estudos expuseram
que a falta de equilíbrio entre a inervação simpática, parassimpática e sensorial, bem
como a secreção fora dos padrões de normalidade de citocinas, pode mediar a
neurogênese na endometriose e induzir neuroinflamação periférica ( Coxon; Horne;
Vicent, 2018; Wei et al., 2020).
A rigor, m esmo que, o mecanismo exato, não tenha sido determinado,
modificações na estrutura e função das fibras nervosas simpáticas estão associadas
à inflamação cr ônica, como é evidente em outras doenças inflamatórias cr ônicas,
como a síndrome inflamatória intestinal e a artrite reumatóide (Coxon; Horne; Vicent,
28
2018). Além do processo inflamatório, modificações na inervação endometriótica
podem modificar toda a inervação da cavidade pélvica. Essas modificações,
associadas com alterações da rede neural, podem afetar a evolução da dor
neuropática periférica (Liang; Yao, 2016).
Importante salientar que, o nível de neurotrofinas (NF), que consistem em
proteínas proteolíticas processadas e excretadas no espaço extracelular, com papel
trófico bem estabelecido sobre neurônios para promover o seu crescimento e atuar
na prevenção da su a morte no período embrionário, parecem estar bem
relacionadas à dor associada à endometriose. Alterações no NGF, estão
positivamente correlacionadas com a densidade das fibras nervosas e a dor
neuropática (Song et al., 2023).
A sinalização NGF / Receptor de Tropomiosina Quinase A (TrkA), ligada à dor
crônica e inflamação, está intimamente relacionada ao desenvolvimento,
crescimento, sobrevivência e função neuronal (Duan et al., 2018). O NGF aumenta
a expressão de neuropeptídeos que podem modular a transmissão central da dor, a
substância P e os peptídeos relacionados ao gene da calcitonina (Howard, 2009). O
NGF pode elevar os neurônios sensoriais que estão relacionados na sensação de
dor e está envolvido à hiperalgesia ou dor inflamatória persistente (Pezet; McMahon,
2006).
Um índice elevado de NGF e TrkA foi encontrado em pacientes com
endometriose, e a imunointensidade de NGF no estroma está intimamente ligada à
densidade local das fibras nervosas e à gravidade da dispareunia profunda (Song et
al., 2023).
O Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF, do inglês Brain Derived
Neurotrophic Factor ), é outra neurotrofina que está elevada em pacientes com
endometriose, sendo que essa é a neurotrofina mais expressa no sistema nervoso
central, encontrada em altas concentrações no hipocampo e córtex cerebral. O
BDNF possui relação com o crescimento, sobrevivência e diferenciação de células
neuronais e também está relacionado à inflamação e demonstrou desempenhar um
papel pró -nociceptivo em um modelo inflamatório, a umentando a resposta
hiperalgésica (Song et al., 2023).
Ainda existem outros fatores de crescimento, além das neurotrofinas, como o
fator de crescimento endotelial vascular e o f ator de transformação do crescimento
beta (TGF-β), que também estão aumentados no líquido peritoneal de mulheres com
29
endometriose. Um aumento neste fator de crescimento pode dar origem ao
crescimento de células nervosas recém -desenvolvidas e contribui para o aumento
da densidade das fibras nervosas em lesões endometrióticas (Song et al., 2023).
Focos endometrióticos são vias de inflamação, citocinas, fatores
angiogênicos e fatores de crescimento nervoso. Mediadores inflamatórios em ambos
os locais dos focos e do líquido peritoneal foram investigados como potenciais
ativadores de vias nociceptivas . Mediadores inflamatórios inclusive Interleucina -1β
(IL-1β), Interleucina-6 (IL-6), Interleucina-8 (IL-8), regulados após ativação, células
T normais expressas e secretadas e Fator de Necrose Tumoral alfa (TNF -α) e
quimiocinas, assim como proteína quimiot ática de monócitos 1 estão aumentados
no líquido peritoneal de mulheres com endometriose (Colgrave et al., 2021).
Considera-se que assim como o tecido endometrial, as lesões
endometrióticas circulam e sangram em resposta a alterações no estrogênio e na
progesterona. Existem indícios que as alterações cíclicas sejam responsáveis pela
hemorragia nos locais das lesões visualizadas na laparoscopia. Porém, dados mais
recentes sugerem que as lesões endometrióticas raramente circulam em sincronia
com o endométrio eutópico. As lesões endometrióticas são heterogêneas na
morfologia histológica e na resposta hormonal, somente a lgumas lesões
demonstrando alterações cíclicas. Reconhecer a heterogeneidade das lesões
endometrióticas é um passo importante para a compreensão da complexidade da
dor pélvica endometriótica e do seu tratamento (Colgrave et al., 2021).
2.5.3 Comprometimento miofascial
Sabe-se que a endometriose é uma doença na qual lesões endometriais
ectópicas hormonais dependentes, inflamatórias, envolvem os sistemas reprodutivo,
endócrino, vascular, musculoesquelético e neuronal. Por esse motivo, cabe a
importância do entendimento do envolvimento do sistema nervoso central com a
endometriose, e como ocorre o envolvimento miofascial no quadro patológico
(Simons; Travell; Simons, 1999).
A dor miofascial acontece com a disfunção muscular e no tecido conjuntivo
circundante. Apesar de ser um quadro patológico comum, com uma prevalência ao
longo da vida de 85% na população em geral, a dor miofascial é um componente
30
subdiagnosticado e muitas vezes esquecido. Uma determinação específica do seu
diagnóstico é a presença de pontos de gatilho na região sintomática, que
caracterizam-se como nódulos palpáveis e hiper irritáveis, localizados em faixas
tensas do músculo esqu elético e que estão em estado de contratura sustentada
(Simons; Travell; Simons, 1999).
Os pontos de gatilhos são notadamente dolorosos (ativos) ou dolorosos
apenas após perturbações (latentes), e normalmente referem dor em padrões
previsíveis. Esses pontos também podem causar distúrbios motores e autonômicos
e afetar a função dos órgãos viscerais (Stratton et al., 2015).
As algias relacionadas aos pontos de gatilho podem ser encontradas em todo
o corpo, incluindo o assoalho pélvico, podendo ocasionar dor uretral, vaginal, retal,
ou ainda no cóccix, sacro, região lombar, parte inferior do abdome e coxas
posteriores (Stratton et al., 2015).
Comumente esse quadro álgico patológico também acomete os músculos da
região pélvica, o que favorece a dispareunia, disquezia e disúria, que configuram
entre os sintomas mais comuns entre mulheres com dor pélvica miofascial, embora
esses sintomas também possam refletir condições ginecológicas, gastrointestinais e
urológicas coincidentes (Stratton et al., 2015).
De uma forma geral, os pontos de gatilho podem ser secundários à
sobrecarga ou uso excessivo de certos músculos. Eles também estão associados a
uma variedade de condições médicas, incluindo as de origem metabólica, visceral,
endócrina, infecciosa e psicológica. Estudos demonstraram que os pontos de gatilho
dolorosos estão associados à endometriose e à cistite intersticial / síndrome da
bexiga dolorosa bem como outras condições ginecológicas, geniturinárias e
gastrointestinais, como vulvodínia e síndrome do intestino irritável (Shah et al. ,
2015).
As contraturas, e condições osteomusculares dolorosas compõem a dor
experimentada com qualquer uma dessas condições. E especialmente os pontos de
gatilhos abdominais e pélvicos comumente são encontrados em mulheres com dor
pélvica crônica e endometriose comprovada por biópsia (Stratton et al., 2015).
Ressaltando que, um componente miofascial da dor pélvica acrescenta outra
dimensão à doença do paciente e requer seu próprio diagnóstico e tratamento. Uma
vez presentes, os pontos de gatilho podem se tornar uma fonte autossustentável de
dor, mesmo após a resolução do insulto visceral (Stratton et al., 2015).
31
Esses pontos em particular, servem como fonte de nocicepção
contínua; portanto o tratamento adequado pode reduzir os limiares da dor, melhorar
a dor visceral e referida, sensibilizando o sistema nervoso. Em relação à
endometriose, os pontos de gatilho que se desenvolvem secundariamente à doença,
podem sustentar a dor e a disfunção, apesar da remoção da lesão e do controle
hormonal (Shah et al., 2015).
A avaliação da dor pode ser feita, inicialmente por meio da autoavaliação e
observação clínica, mas existem os instrumentos de mensuração, como as escalas,
que funcionam como medida complementar. Atualmente, há uma grande variedade
de instrumentos de mensu ração, podendo ser unidimensionais (mensuram uma
única dimensão ou domínio) ou multidimensionais (mensuram diferentes dimensões
ou domínios) (Barbosa et al., 2020).
Revisão realizada em 2019, sobre as principais escalas de mensuração da
dor do paciente oncológico, mostrou que as mais utilizadas pelo profissional de
saúde são a Escala Visual Analógica (EVA) e a Escala Visual Numérica (EVN), por
serem objetivas e consideradas uma forma mais rápida de indicação da dor (Oliveira;
Roque; Maia, 2019).
2.5.3.1 Sensibilização periférica na endometriose
A sensibilização periférica (Figura 7) é o mecanismo que pode elucidar a
persistência álgica comum nas pacientes, mesmo depois da remoção das lesões
endometrióticas (McNamara; Frawley; Donoghue, 2021).
Essa refere-se à elevação da capacidade de resposta e redução do limiar dos
neurônios nociceptivos na periferia à estimulação de seus campos receptivos.
Presume-se que exista relação entre a persistência da dor associada a
endometriose e a sensibilização do sistema nervoso periférico. Os mecanismos que
podem contribuir para a sensibilização periférica: elevação da densidade nervosa
nos locais das lesões, alterações no líquido peritoneal, invasão perineural e
alterações no sistema nervoso simpático (McNamara; Frawley; Donoghue, 2021).
A estrutura e a função dos nervos periféricos estão diferenciados na
endometriose. Alterações na densidade nervosa foram notadas na endometriose
peritoneal, endometriomas ovarianos e endometriose infiltrativa profunda (DIE). Um
32
número considerável de fibras nervosas são encontradas em lesões endometrióticas
em comparação ao peritônio normal, o mesmo acontece com endometriomas
ovarianos em comparação ao tecido ovariano normal, assim como, a DIE tem maior
densidade de fibras nervosas em comparação com a endometriose em outros locais;
percebeu-se ainda, que a endometriose no septo retovaginal tem maior densidade
de fibras nervosas em comparação com a endometriose peritoneal superficial. Além
disso, foi demonstrado que o aumento da de nsidade das fibras nervosas positivas
para o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) nas lesões se associa
positivamente com a intensidade da dor em pacientes com endometriose ( Yan; Liu;
Guo, 2019).
Figura 4 – Sensibização central, periférica e cruzada do sistema nervoso em
pacientes com endometriose.
Fonte: Franchi et al. (2023).
A sensibilização periférica é, geralmente, causada por alterações
inflamatórias do ambiente químico das fibras nervosas. Como já foi mencionado, as
células inflamatórias mastócitos, macrófagos, neutrófilos, neurotrofinas, citocinas e
quimiocinas estão todas aumentadas nas lesões endometrióticas. Os nociceptores
possuem mais de um receptor de superfície celular que reconhece e responde a
33
agentes anti -inflamatórios e pró -álgicos. As interações interrelacionadas podem
aumentar a excitabilidade e a sensibilidade das fibras nervosa (M cKinnon et al. ,
2015).
O NGF propicia a sobrevivência e o desenvolvimento neuronal, e age no
terminal nociceptor periférico, o Transient Receptor Potential Vanilloid Type -1
(TRPV1), para elevar a sensibilidade por meio da interação NGF / TrkA ( Defaye et
al., 2022).
O NGF pode ser transportado de volta ao núcleo nociceptor para elevar a
expressão da substância proteica nociceptiva P, TRPV1 e subunidade do canal de
Na dependente de voltagem NAV1 (Yu et al., 2018).
Semelhante à outras doenças inflamatórias dolorosas em que o TRPV1 está
correlacionado com a dor, um estudo demonstrou que a expressão do TRPV1
aumentada, também foi elevada no gânglio da raiz dorsal de ratas com
endometriose. (Lian et al., 2017). Outra consideração importante está nos níveis
aumentados de IL-1β, IL-6 ou Fator de Necrose Tumoral (TNF) -α que aumentam a
produção de prostaglandinas, NGF e bradicinina, promovendo assim
hipersensibilidade (Basbaum et al., 2009).
Sabe-se que no câncer ginecológico existe uma invasão perineural, que é a
disseminação da lesão por meio do plexo lombossacral e do nervo autonômico
pélvico até os nervos periféricos, acredita -se que o mesmo acontece nas lesões
endometrióticas (Sousa; Capek, 2015). Um estudo com 22 pacientes relatou invasão
perineural em pacientes com endometriose. Destas, 95% com disseminação de
nervos periféricos demonstraram sintomas de dor, e o envolvimento perineural em
pacientes com endometriose infiltrativa profunda foi positivamente associado com a
gravidade da dor pélvica crônica. A invasão perineural também está ligada à
neurogênese e angiogênese, e NGF e TGF -α podem promover invasão perineural
lesional (McNamara; Frawley; Donoghue, 2021).
A alteração na homeostase do Sistema Nervoso Autônomo (SNA) pode elevar
ainda mais a sensibilização periférica. Algumas lesões endometrióticas apresentam
menor densidade de fibras nervosas simpáticas, enquanto a densidade das fibras
nervosas sensoriais permanece inalterada. O prejuízo de fibras nervosas simpáticas
está intimamente relacionado à inflamação crônica e é percebida em várias doenças
inflamatórias crónicas. Contudo, os mecanismos pelos quais a desregulação do SNA
34
contribui para a dor pélvica endometriótica permanecem vago (McNamara; Frawley;
Donoghue, 2021).
2.5.3.2 Sensibilização central na endometriose
A sensibilização central (Figura 7) traduz -se pela excitabilidade aumentada
do Sistema Nervoso Central (SNC) em resposta a estímulos nocivos (IASP, 2021).
A mesma pode ser definida como aumento da excitabilidade dos neurônios
nociceptivos no corno dorsal d a medula espinhal , após exposição contínua ou
recorrente a estímulos nocivos, lesão tecidual ou lesão nervosa (Coxon; Horne;
Vicent, 2018).
Mulheres com endometriose apresentam dor intensa que não se correlaciona
com a gravidade da doença e frequentemente apresentam hiperalgesia em partes
do corpo fora da pelve. As evidências são confusas quando mulheres com dor
pélvica com endometriose e mulheres com dor pélvica sem endometriose são
comparadas, com estudos encontrando hiperalgesia a umentada naquelas com
endometriose comprovada por biópsia, ou nenhuma diferença (Song et al., 2023).
A sensibilização central parece desempenhar um papel importante na
conversão da nocicepção em dor cr ônica (Song et al., 2023). Nesse sentido,
modificações nos neurônios do corno dorsal são exibidos como redução do limiar de
dor e aumento da resposta à dor. Variações subsequentes na eficácia sináptica nos
nervos circundantes dão origem à facilitação central, com dor sentida devido a
estímulos inóc uos. A modulação descendente prejudicada da dor ao nível dos
neurônios do corno dorsal também pode contribuir par a a sensibilização central
(McNamara; Frawley; Donoghue, 2021).
Mulheres com dor associada à endometriose apresentam volume reduzido
em áreas do cérebro associadas ao processamento da dor, incluindo o tálamo, a
ínsula e o putâmen (As-Sanie et al., 2012). Essa redução do volume tecidual ocorre
em virtude da atrofia neuronal, neurodegeneração ou efeitos de medicamentos
(Coxon; Horne; Vicent, 2018).
Em um modelo animal de endometriose, foi constatado aumento de alodínia
ou hiperalgesia devido a estímulos nocivos, como calor ou distensão vaginal, que
35
não estão relacionados com endometriose ( Nagabukuro; Berkley, 2007; McAllister
et al., 2009; Li; Mamillapalli, 2018).
Por meio de ressonância magnética funcional, foi demonstrado que a dor das
pacientes com endometriose aumentaram a conectividade no estado de repouso
entre regiões de processamento da dor, incluindo a ínsula anterior, em comparação
com mulheres com endometriose e sem dor, e controles saudáveis (As-Sanie et al.,
2012).
Pacientes com dismenorreia apresentam ativação aumentada de regiões de
processamento da dor em resposta a estímulos nocivos tanto na pelve quanto na
periferia (Vincent et al., 2011).
Em adolescentes com endometriose, a conectividade funcional entre a ínsula
anterior e o cerebelo foi associada com o nível de intensidade da dor autorreferida.
Porém, a ressonância magnética funcional e a tomografia por emissão de pósitrons
possam investigar indiretamente a função cerebral medindo a atividade metabólica,
a atividade elétrica do cérebro em mulheres com endometriose também foi
investigada usando um eletroencefalograma. Em pacientes com dor pélvica crônica
associada à endometriose, a conectividade da rede relacionada à dor foi alterada, e
pacientes com endometriose apresentaram maior conectividade do córtex
somatossensorial, o que indica ativação sustentad a do sistema de dor
somatossensorial. A dor pélvica crônica relacionada à endometriose foi associada
ao aumento das amplitudes das ondas delta e beta em repouso, o que poderia estar
associado ao tônus colinérgico e à reatividade ao estresse (Song et al., 2023).
Sendo assim a sensibilização central pode ocorrer como consequência de
alterações no eixo Hipotálamo -Hipófise-Adrenal (HPA). Pacientes com dor pélvica
persistente apresentam alterações no eixo HPA e na resposta à dor mediada pelo
eixo HPA. A dor persistente modifica o eixo HPA e sua capacidade de montar uma
resposta de estresse a estímulos nocivos. Sendo assim, mulheres com dismenorreia
apresentam níveis reduzidos de cortisol em comparação com mulheres sem dor.
(Vincent et al., 2011).
Uma ferramenta de avaliação da sensibilização central indicou que mulheres
com endometriose possuem uma prevalência de sensibilização central superior a
40%. Pontuações elevadas de sensibilização central foram relacionadas a
endometriose infiltrativa profunda e maus resultados de dor pós-operatória (Song et
al., 2023).
36
2.5.4 Sensibilização cruzada na endometriose
A sensibilização cruzada (Figura 7) traduz-se por estímulos nociceptivos de
um tecido doente que impactam a percepção da dor decorrente de tecido normal
adjacente. A sensibilização cruzada foi examinada entre os órgãos pélvicos da
bexiga, cólon, útero e vagina. É possível que os nervos aferentes sensibilizados do
útero e da vagina deem origem à sensibilização nos aferentes viscerais de outros
órgãos. Essas vias nervosas aferentes periféricas se sobrepõem, convergindo para
áreas semelhantes da medula espinhal. Fato conhecido como convergência viscero-
visceral. A sensibilização cruzada também foi observada entre os músculos do
assoalho pélvico e as vísceras pélvicas. Isto é conhecido como convergência
somato-visceral (McNamara; Frawley; Donoghue, 2021).
Pacientes com endometriose têm elevadas comorbidades com outras
síndromes de dor crônica relacionadas à sensibilização do sistema nervoso, como
síndrome do intestino irritável, síndrome da bexiga dolorosa e vestibulodínia vulvar .
As pacientes com endometriose têm cerca de 43-60% de síndrome de dor na bexiga
coexistente, que é uma dor na bexiga associada a sintomas urinários, como urgência
e frequência. A taxa de síndrome do intestino irritável, que é um distúrbio
gastrointestinal funcional com dor abdominal relacionada a uma mudança no hábito
intestinal, chega a 60% em mulheres com endometriose, e a vulvodínia coexiste com
endometriose em 11% das mulheres (Song et al., 2023).
O mecanismo exato de sensibilização cruzada não foi identificado, mas
acredita-se que a sobreposição da via aferente periférica dentro dos gânglios da raiz
dorsal e da medula espinhal seja uma parte crucial do mecanismo. Múltiplas fibras
nervosas de vários órgãos se reúnem em um único corpo celular dentro do gânglio
da raiz dorsal, afetando -se mutuamente. Essas vias compartilhadas podem
coordenar funções dos órgãos pélvicos, como micção, defecação e funções sexuais.
Porém, na endometriose, essas vias de dor podem ser sensibilizadas em uma
condição patológica que permite a ocorrência de sensibilização cruzada de ó rgãos.
Sendo assim, é possível que a hiperalgesia víscero-visceral, que é um aumento da
dor em mulheres com endometriose e a síndrome de dor associada, esteja m
associadas à intensidade da dor da endometriose (Song et al., 2023).
37
2.5.5 Infertilidade
A qualidade de vida no âmbito sexual é uma das viabilidades da concepção
natural, porém muitas vezes é negligenciada, cabendo destacar que esse pode ser
um fator relevante envolvido na infertilidade associada à endometriose. A dor pode
ser um fator envolvi do na infertilidade relacionada à endometriose quando a
dispareunia superficial (dor que ocorre dentro ou ao redor do intróito vaginal) dificulta
a relação sexual ou a dispareunia profunda dificulta a manutenção da relação sexual,
levando à evitação da ati vidade sexual. No entanto, apenas alguns estudos se
concentraram na relação entre dispareunia superficial e endometriose e é
frequentemente concomitante com dispareunia profunda (Mabrouk et al., 2020)
Um estudo transversal com amostra de 300 mulheres com endometriose
confirmada histologicamente evidenciou que a gravidade da dispareunia superficial
estava associada a maiores chances de problemas de infertilidade (Wahl et al .,
2020)
A condição sintomatológica da dor pélvica crônica não menstrual associada à
endometriose pode influenciar a vida sexual, reduzindo o desejo, a frequência das
relações sexuais, a excitação ou o orgasmo. Isso terá um influência negativa de
forma significativa nos relacionamentos íntimos, no bem -estar emocional e na
qualidade de vida em geral (Mabrouk et al., 2020).
Existem ainda, fatores mecânicos da endometriose associados com a
infertilidade como: aderências pélvicas e distorções anatômicas que afetam
diretamente o processo de concepção na endometriose. Além dos fatores
fisiopatológicos envolvidos, como: Inflamação, fibrose, e sequelas cirúrgicas.
Distorções anatômicas e fatores mecânicos podem prejudicar a liberação de
ovócitos do ovário, inibir a captação ou transporte do óvulo tubário e/ou bloquear a
transferência de espermatozoides para a trompa de Fal ópio. Curiosamente,
nenhuma gravidez a termo ocorreu em um modelo animal primata não humano de
endometriose induzida quando foram observadas aderências anexiais no mesmo
lado em que ocorreu a ovulação ( Bonavina; Taylor, 2022).
A reserva ovariana é um dos principais fatores prognósticos em relação à
fertilidade e está em grande parte relacionada à idade da mulher , pois o ovário é o
local mais prevalente da endometriose, no entanto não existe uma ferramenta clínica
que preveja com precisão a reserva ovariana (Gleicher; Weghofer; Barad, 2011).
38
Mesmo com a importância do papel dos ovários , somente a contagem de
folículos antrais (AFC) e os níveis séricos de hormônio anti -Mulleriano (AMH) são
atualmente os índices de função ovariana mais amplamente utilizados (Bonavina;
Taylor, 2022).
O AMH é mais viável na identificação de mulheres que podem ter insucesso
com a estimulação de gonadotrofinas no contexto de tecnologias de reprodução
assistida (TARV). As concentrações de AMH não são muito afetadas pelo ciclo
menstrual ou pelos contraceptivos orais, tornando possível a medição a qualquer
momento (Mabrouk et al., 2020).
O mecanismo fisiopatológico da redução da reserva ovariana na
endometriose permanece obscuro. No entanto, há uma crescente evidência
molecular, histológica e morfológica de que os endometriomas têm um efeito
prejudicial sobre função ovariana. Ainda não se sabe se o endometrioma reduz a
quantidade de tecido funcional disponível pelo efeito de ocupação de espaço (dano
por estiramento mecânico) ou por um efeito tóxico direto (Bonavina; Taylor, 2022).
O endometrioma é um cisto de caracter benigno peculiar sem cápsula real;
portanto, existe troca do conteúdo do cisto com o córtex ovariano saudável
adjacente. Diferente de outros cistos benignos, o fluido do cisto endometriótico é
capaz de levar ao estresse oxidativo em células viáveis e potencialmente causar
danos ao tecido saudável. A análise molecular comparativa do fluido cístico revelou
altas concentrações de ferro livre que é capaz de mediar a produção de espécies
reativas de oxigênio (ROS) q ue são altamente difusíveis através dos
compartimentos celulares. Foi encontrado um aumento na concentração de ferro no
fluido folicular dos folículos em contato com o endometrioma em comparação com o
ovário saudável contralateral (Sanchez et al., 2014).
No microambiente do fluido do cisto endometriótico foram encontradas
enzimas proteolíticas, moléculas inflamatórias e de adesão . Assim, a liberação do
conteúdo tóxico dos cistos no parênquima ovariano adjacente pode levar ao estresse
oxidativo, fibrose, perda do estroma cortical, metaplasia das células musculares
lisas, vascularização prejudicada e, em estágio posterior, redução da maturação
folicular e atresia nos folículos iniciais (Sanchez et al., 2014).
A demonstração de aumento do estresse oxidativo interferindo no córtex
ovariano normal ao redor do endometrioma sugere fortemente uma resposta
39
fibrogênica induzida por EROs, levando à inibição da angiogênese e ao dano
folicular (Matsuzaki; Schubert, 2009).
Maneschi et al. (1993), encontraram pela primeira vez um número e atividade
folicular reduzidos antes da cirurgia em comparação com amostras histopatológicas
de endometriomas em comparação com outros cistos benignos; esses achados
foram posteriormente confirmados em outros estudos semelhantes que avaliaram a
densidade folicular (Kitajima et al., 2014; Pavone et al. 2014).
Um estudo histopatológico também encontrou aumento do tecido fibrótico ao
redor do endometrioma em comparação com outros cistos benignos (Schubert et al.,
2005). Teoricamente, foi sugerido que a inflamação focal no córtex ovariano dos
ovários afetados com endometriose causa aumento do recrutamento folicular e
atresia como resultado da fibrose e perda do estroma específico do córtex que
mantém o nicho folicular. Sendo assim, a ativação excessiva do folículo primordial
foi proposta como um mecanismo de perda do reservatório folicular na endometriose
ovariana (Dolmans et al., 2007; Takeuchi et al., 2019).
A ativação do folículo primordial é um processo irreversível e resulta em
depleção folicular. As vias de sinalização PI3K/PTEN/Akt/FOXO3 e PI3K/Akt/mTOR
são os reguladores mais bem caracterizados da ativação do folículo primordial
durante o recrutamento inicial (Bonavina; Taylor, 2022).
Takeuchi et al. (2019), demonstraram que o número de folículos primordiais
diminuiu, enquanto o número de folículos primários, secundários, antrais e em
crescimento aumentou em ovários humanos com endometrioma, e esse efeito foi
mediado pela via PI3K -PTEN-Akt-Foxo3. Igualmente, as células granulosa s
luteinizadas de mulheres com endometriose são caracterizadas por aumento da
apoptose, no entanto, o suposto mecanismo específico que leva à perda celular não
foi ainda identificado (Sanchez et al., 2016).
Um estudo de 2019 descobriu que as proteínas envolvidas nas vias
apoptóticas estavam significativamente aumentadas no tecido cortical ao redor de
pequenos cistos endometrióticos (<3cm), mas não naqueles que circundam outros
cistos benignos (Di Nisio et al., 2019).
Os achados clínicos confirmam esta perspectiva; um recente, grande estudo
de coorte prospectivo, com amostra de 106.633 pacientes com endometriose na pré-
menopausa e confirmada por laparoscopia, demonstrou maior risco de menopausa
natural precoce em comparação com aquelas sem endometriose, especialmente em
40
mulheres nulíparas e naquelas que nunca utilizaram contraceptivos orais (Thombre
et al., 2022)
2.6 Classificação de Endometriose
A endometriose pode ser classificada de acordo com os critérios da American
Society for Reproductive Medicine (ASRM), como uma doença relacionada à
profundidade dos implantes e a presença de aderências tubo -ovarianas. Existem
quatro estágios diferentes da endometriose: estágio I (mínima) , o qual se refere a
presença de tecido endometrial em um local isolado, sem aderências significantes;
o estágio II (leve) , que está relacionado à presença de tecido endometrial com
menos de 5 cm, sem aderências significantes; o estágio III (moderada) que diz
respeito ao surgimento de tecido endometrial em vários locais da tuba uterina e nos
ovários, inclusive a volta dessas estruturas, com aderências evidentes; estágio IV
(severa), trata -se da ocorrência de tecidos endometriais em áreas superficiais e
profundas com aderências densas e firmes (Cardoso et al., 2021).
Três entidades principais da endometriose pélvica foram identificadas com
base em sua histopatologia e localizações anatômicas: cistos endometrióticos
ovarianos ou endometriomas ovarianos (Figura 4), endometriose peritoneal
superficial (Figura 5) e Endometriose Infiltrativa Profunda (DIE) (Figura 6). A
endometriose superficial geralmente aparece na superfície ou nos tecidos moles
subserosos do peritônio ou órgãos viscerais e é a forma mais branda da doença.
Nesse tipo, o tecido semelhante ao endo métrio se liga ao peritônio. A maioria dos
casos é oculta nos exames de imagem (Kido et al., 2022). Os ovários são os locais
mais frequente s de tecido endometrial ectópico e ocorrem cistos endometrióticos
ovarianos, o tipo de endometriose mais comum caracterizada por cistos marrons
típicos. A DIE é definida histologicamente como endometriose que infiltra o peritônio
a uma profundidade > 5 mm. Aproximadamente 80% das mulheres com
endometriose apresentam lesões superficiais, enquanto 20% apresentam
endometriose infiltrativa profunda (P iessens; Edwards, 2020; França et al., 2022;
Kido et al., 2022).
Figura 5 - Estágio I- Lesão superficial no peritônio.
41
Fonte: Faúndes (2024).
Figura 6 – Foto real de um endometrioma.
Fonte: Faúndes (2024).
A DIE (Figura 6) ocorre comumente em locais anatômicos com inervações
ricas, como septo retovaginal, espaço pararretal, ligamento uterossacro, reto e
ureter, e é mais provavelmente associada à dor do que a endometriose peritoneal
ou o endometrioma ovariano (Song et al., 2023).
42
Figura 7 - Endometriose infiltrativa profunda: bloqueio de fundo de saco por
aderências (seta).
Fonte: Faúndes (2024).
Lesões endometrióticas retais nas DIE, apresentaram densidade de fibras
nervosas seis vezes maior em comparação com controles normais e níveis
aumentados do marcador de crescimento de neurites GAP-43 (Wei et al., 2020).
Na endometriose entérica, foi verificado que o fator 1 estimulador de colônias
de macrófagos produzido por neurônios entéricos modifica as respostas
inflamatórias dos macrófagos musculares próximos às lesões endometrióticas. O
recrutamento precoce de macró fagos na endometriose eleva a secreção do fator 1
estimulador de colônias de macrófagos, que estimula a sobrevivência dos
macrófagos e consequentemente a inflamação. Com o agravamento inflamatório, as
modificações na microbiota intestinal e no microambien te inflamatório podem
aumentar ainda mais a concentração de prostaglandinas, que por sua vez
somatizam os sintomas de dor. Como também, as células enteroendócrinas, como
as células neurópodes, podem enviar sinais do intestino para o tronco cerebral em
um milissegundo, e essa transmissão rápida pode ser a fonte de dor intensa em
pacientes com endometriose infiltrativa profunda (Song et al., 2023).
A endometriose infiltrativa profunda também pode estar associada à
disfunção hipertônica ou não relaxante dos músculos do assoalho pélvico (MAP)
(Mabrouk et al., 2018). No entanto, problemas de coordenação e relaxamento dos
43
MAP podem contribuir para disfunções intestinais, urinárias e sexuais ( Faubion;
Shuster; Bharucha, 2012).
2.7 Diagnóstico de Endometriose
Apesar da estimativa numérica alta, com 10% das mulheres em idade
sexualmente ativa, existem dificuldades no diagnóstico da doença. A banalização
da dor durante o período menstrual contribui para a falta de diagnóstico precoce.
Além disso, o diagnóstico muitas vezes é tardio, levando em média 6, 7 anos desde
o início dos sintomas até o diagnóstico final, o que não apenas agrava o quadro de
saúde da mulher, mas também reduz sua qualidade de vida (Silva et al., 2021).
Existe recomendação para que não seja realizada medição de biomarcadores
no tecido endometrial, sangue, fluidos menstruais ou uterinos para diagnosticar
endometriose (Mol et al., 1998; May et al., 2010; May et al., 2011; Liu et al., 2015;
Cosar et al., 2016; Gupta et al., 2016; Hirsch et al., 2016; Nisenblat et al., 2016a;
Vanhie et al., 2019; Moustafa et al., 2020).
O ideal seria a realização de imagens, como ultrassonografia ou ressonância
magnética na investigação diagnóstica da endometriose, mas o corpo clínico precisa
estar ciente de que um resultado negativo não exclui a endometriose,
particularmente a doença peritoneal superficial (Bazot et al., 2009; Manganaro et al.,
2012; Guerriero et al., 2014; Thomeer et al., 2014; Nisenblat et al., 2016b; Moura et
al., 2019).
Nas mulheres com resultados de imagem negativos ou onde o tratamento
empírico não teve sucesso ou foi inapropriado, o GUIDELINE(GDL) recomenda que
os médicos levem em consideração a laparoscopia para o diagnóstico e tratamento
de suspeita de endometriose (Becker et al., 2022).
O mesmo orienta que a identificação laparoscópica de lesões endometrióticas
seja confirmada por histologia, embora a histologia negativa não exclua totalmente
a doença, deve-se sempre considerar o diagnóstico de endometriose em indivíduos
que apresentem os seguintes sinais e sintomas cíclicos e não cíclicos: dismenorreia,
dispareunia profunda, disúria, disquesia, sangramento retal doloroso ou hematúria,
dor na ponta dos ombros, catamenia (fluxo sanguíneo periódico) , pneumotórax,
tosse cíclica/hemoptise/dor no peito, inchaço e d or cíclica da cicatriz, fadiga e
44
infertilidade ( Forman et al., 1993; Eskenazi et al., 2001; Ballard et al., 2008;
Nnoaham et al., 2012).
Embora os profissionais de saúde façam diagnósticos provisórios com base
nos sintomas, exames físicos, imagem e resposta ao tratamento, a avaliação
cirúrgica com revisão histológica adjunta continua sendo o padrão -ouro de
diagnóstico (Cromeens et al., 2021).
A exigência de um diagnóstico laparoscópico tem sido questionada por suas
limitações e riscos. Este padrão atua como uma barreira, compondo obstáculos ao
diagnóstico para pacientes, provedores e sistemas de saúde (Cromeens et al.,
2021). Para muitas mulheres, a jornada para o diagnóstico de endometriose é longa
e repleta de barreiras e erros de diagnóstico. Os desafios inerentes incluem um
padrão-ouro baseado em um procedimento cirúrgico invasivo (laparoscopia) e
sintomatologia diversificada, contribuindo para o atraso bem estabelecido de 4 a 11
anos desde o início dos primeiros sintomas até o diagnóstico cirúrgico (Agarwal et
al., 2019).
2.8 Endometriose x Qualidade de Vida (QV)
A Organização Mundial de Saúde (OMS), define Qualidade de Vida (QV)
como a percepção do indivíduo de sua inserção na vida, no contexto da cultura e
sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos,
expectativas, padrões e preocupações. Na conceituação de QV são identificadas
duas tendências do termo na área da saúde: um conceito mais genérico e um
relacionado à saúde, que designa uma série de modelos conceituais, que definem o
constructo através de dimensões da vida e da percepção indi vidual da saúde
(Campolina et al., 2011).
Desta forma, a QV pode se constituir em um indicador de saúde, tanto no seu
uso em novas terapias e medicamentos, quanto em análise de sua qualidade, e para
isso procuram-se maneiras para a validação de tais índices, com base na avaliação
do estado físico geral, capacidade funcional para o trabalho, atividade doméstica,
interação social no ambiente de trabalho e familiar, função cognitiva em relação à
concentração (memória) e, finalmente, ao estado emocional dos pacientes, com
respeito à ansiedade e depressão (Campolina et al., 2011).
45
Qualidade de Vida Relacionada à Saúde (QVRS) envolve, de maneira geral,
a ideia da saúde e dos aspectos sociais, psicológicos e físicos sobre ela, que incluem
aqueles relacionados à saúde, mas excluem outros mais genéricos como, por
exemplo, ganho salarial, liberdade e qualidade do meio a mbiente (Zanni; Bianchin;
Marques, 2009).
De acordo com Colwell et al. (1998), o conceito de QVRS é multidimensional
e engloba aspectos psicossociais e físicos. Costuma ser mensurada por meio de
instrumentos que avaliam o paciente, levando em conta os aspectos globais de sua
vida, nos quais são questionados sobre os sintomas mais recentes e o atual
funcionamento físico, psicológico e social (Detmar, 2003; Mengarda et al., 2008).
Nesse contexto, o uso de questionários que mensuram QV (Gao et al., 2006),
permite uma avaliação ampla, que transcende os aspectos biológicos do indivíduo
(Dubernard et al., 2008; Minson et al., 2012).
Segundo Mengarda et al. (2008), para avaliação de QVRS em mulheres com
endometriose, dois instrumentos específicos estão disponibilizados: o Endometriosis
Health Profile Questionnaire (EHP-30) (ANEXO A), desenvolvido por Jones et al.
(2001).
O EHP -30 trata -se de u m instrumento de autorrelato desenhado para
avaliação de qualidade de vida relacionada à saúde, específico para endometriose,
com itens desenvolvidos a partir de entrevistas com as pacientes e com perfil
psicométrico estabelecido. Esse questionário é composto por duas partes: uma parte
central do questionário de 30 itens, aplicável a todas as mulheres com endometriose,
abrange cinco subescalas (11 itens de dor, 6 de controle e impotência, 6 de
emoções, 4 de apoio social e 3 de autoimagem) e uma segundo , o questionário
modular de 23 itens contém seis subescalas (5 itens sobre vida profissional, 2 sobre
relacionamento com filhos, 5 sobre relação sexual, 4 sobre profissão médica, 3 sobre
tratamento e 4 sobre infertilidade) (Grundström et al., 2020).
A parte modular do EHP -30 não se aplica necessariamente a todas as
pacientes com endometriose, somente aquelas que tem filhos. As categorias de
resposta são classificadas em uma escala Likert de cinco pontos (0 -4), e os itens
dentro de cada subescala são somados para criar uma pontuação bruta. de 30 itens
que avaliam 5 dimensões: dor, controle e impotência, bem -estar emocional, apoio
social e autoimagem, e de um questionário modular com 23 itens distribuídos em
46
seis escalas: relações sexuais, trabalho, profissão médica, infertilidade,
relacionamento com filhos e tratamento (Grundström et al., 2020).
As respostas são graduadas em nunca (1), raramente (2), algumas vezes (3),
muitas vezes (4) e sempre (5). O cálculo é realizado utilizando a pontuação máxima
de 5 pontos para cada item da escala (cada questão), dividido pelo escore total bruto
possível multiplicado por 100. O escore obtido indica que quanto melhor a qualidade
de vida menor o escore total, ou seja, escore zero indica melhor qualidade de vida e
escore 100 indica pior qualidade de vida (Grundström et al., 2020). Este instrumento
foi validado para o português em uma amostra de 54 pacientes com diagnóstico de
endometriose (Mengarda et al., 2008).
O segundo é o Health-related Quality-of-life Instrument, elaborado por Colwell
et al. (1998). No entanto, somente o EHP-30 teve seus itens gerados diretamente a
partir de entrevistas com mulheres com endometriose, além de avaliar a QVRS
(Mengarda et al., 2008), sendo então escolhido e utilizado para a coleta de dados
do presente estudo. Pesquisas já realizadas mostraram a aplicabilidade do EHP-30
para avaliar a QVRS de mulheres com endometriose. Este questionário foi utilizado
em estudo com 1686 mulheres norte -americanas com endometriose, para avaliar
melhorias na QVRS delas, após uso de me dicação ao longo de seis meses, e
mostrou-se adequado para atender ao objetivo proposto (Taylor et al., 2020).
Ainda nesse sentido, estudo realizado com 61 mulheres com diagnóstico de
endometriose nos Estados Unidos utilizou o EHP-30 para avaliar QVRS antes e após
a realização da laparosc opia e também houve adequabilidade do instrumento para
atingir os resultados esperados (Rindos; Fulcher; Donnellan, 2020).
Além do quadro patológico, a endometriose traz consequências psicológicas,
físicas e sociais às mulheres, tais como flutuações de humor, depressão e
ansiedade, encontrados em mais de 60% dos casos. A forte prevalência destas
alterações emocionais pode esta r relacionada ao longo tempo entre os primeiros
sintomas e o diagnóstico (em média 7 anos). Frustração e isolamento, comuns
nessas mulheres, favorecem a não adesão ao tratamento, diminuição da função
física e psíquica e a piora da qualidade de vida (Marques et al., 2004).
A análise de lâminas histológicas de casos de endometriose foi relacionada à
qualidade de vida das pacientes . Os subtipos de endometriose variam entre GI e
GM, sendo o GI mais comumente encontrado no septo reto -vaginal e o GM
predominante no intestino. A avaliação histológica das lesões foi de extrema
47
relevância, pois pôde auxiliar no desenvolvimento de fármacos destinados a
mitigar a dor , proporcionando uma melhor qualidade de vida às pessoas afetadas
(Porto et al., 2015).
De acordo com Donatti et al. (2017), a endometriose tem grande influência na
qualidade de vida das pacientes, inclusive em fatores psicológicos. Por esse motivo,
a intervenção multidisciplinar é de grande relevância para o progresso do
tratamento, sendo importante que o mesmo seja individualizado buscando entender
o convívio e o enfretamento das pacientes com a doença. Outro fator apontado por
estes autores referidos anteriormente, é que a demora no diagnóstico leva a piora
das queixas clinicas como a dor g ênito pélvica, consecutivamente piorando a
qualidade de vida das pacientes e os distúrbios emocionais.
Os sintomas relacionados à endometriose podem afetar a saúde geral da
mulher e o bem-estar mental e social. Causa uma deterioração significativa na
qualidade de vida. Em 66% das mulheres com endometriose, os primeiros
sintomas da doença aparecem antes dos 20 anos . O sintoma onipresente é a dor:
dor pélvica cíclica, dismenorreia, dor periovulatória, dor pélvica crônica não cíclica,
dispareunia (posicional ou permanente), disquezia e disúria, dor na região sacral da
coluna, dor irradiada para as costas, menstruação irregular abundante, sangue nas
fezes, diarreia ou constipação, infertilidade e fadiga crônica (Smolarz et al., 2021;
Laganà et al., 2019).
De acordo ainda com os autores acima referidos, a endometriose pode gerar
sérios transtornos profissionais, pois como sua incidência está em mulheres jovens
que se encontram em fase de ascensão profissional, dores frequentes acarretam
perdas de dias de tra balho, influenciando negativamente na carreira. Por condição
semelhante, podem ocorrer rompimentos das relações familiares e conjugais, com
consequências negativas na vida das mulheres. Para autores como Oliveira,
Brilhante e Lourinho (2018), o estresse e ansiedade têm sido considerados fatores
de risco para o aparecimento e progressão da doença.
Apesar das diversas abordagens de tratamento para endometriose, ainda não
existe um tratamento que seja capaz de eliminar completamente a doença e seus
sintomas (Araújo; Schmidt, 2020). Assim, melhorar a qualidade de vida dessas
mulheres tem sido uma das m etas principais para os profissionais da saúde que
atendem as pacientes com endometriose.
48
2.8.1 Fatores de risco da endometriose
De forma quantitativa, considera-se atualmente que uma relação entrelaçada
entre status socioeconômico, história familiar, fatores constitucionais, hábitos
pessoais, estado reprodutivo e ginecológico, bem como fatores ambientais, constitui
um dos primeiros passos em relação à ocorrência de endometriose e
comprometimento da qualidade de vida (Saunders; Horne, 2021; Filip et al., 2020).
Com relação aos fatores ambientais, foi sugerido que a exposição a níveis
elevados de bi fenilos policlorados, dioxina, ésteres de ftalato, bisfenol A ou
poluentes organoclorados e perfluoroquímicos podem desempenhar um papel no
desenvolvimento da endometriose. Quanto aos traços comportamentais, a relação
entre preferências alimentares, ingestão de álcool e cafeína, tabagismo e atividade
física estão associados à patogênese da síndrome . A ingestão de cafeína e álcool
pode desempenhar um papel na patogênese da endometriose, alterando os
hormônios reprodutivos por meio da ativação das arômatas , que aumenta a
conversão de testosterona em estrogênio (Agarwal et al., 2019).
Em termos de fatores reprodutivos e ginecológicos, a maioria dos fatores de
risco associados à endometriose se concentra na idade da menarca, duração do
ciclo menstrual, duração do fluxo e paridade. Menarca começando em idade
precoce e ciclos menstruais longos e intensos foram correlacionados com
maior risco devido a concentrações mais altas de estradiol e estrona, enquanto a
paridade e o uso de contraceptivos orais foram relacionados ao estado protetor
(Anastasiu et al., 2020; Filip et al., 2020).
A endometriose pode ter um impacto profundo na vida das mulheres,
incluindo dor associada, infertilidade, diminuição da qualidade de vida e interferência
na vida diária, relacionamentos e meios de subsistência (Cromeens et al., 2021).
Indivíduos com endometriose incorrem em custos significativos na forma de
perda de produtividade no trabalho e despesas com saúde . Prolongar a busca por
um diagnóstico e atrasar o tratamento pode significar longos períodos de
agravamento das perdas financeiras. Um estudo citou que indivíduos
sintomáticos relatam perda de produtividade no trabalho (absenteísmo e
presenteísmo), estando fora do trabalho até 10 ou mais horas por semana
(Cromeens et al., 2021).
49
A importância da endometriose como um grande problema de saúde com
impacto socioeconômico é sublinhada pelo estudo EndoCost, que mostrou que os
custos decorrentes da endometriose são comparáveis aos de outras doenças
crônicas, como diabetes mellitus (Kalaitzopoulos et al., 2021; Cromeens et al., 2021).
A endometriose não tem apenas efeitos físicos, mas também psicológicos, causando
depressão, ansiedade, e comprometer as relações sociais. Além disso, a
endometriose afeta negativamente a vida sexual e as relações sociais (Corte et al.,
2020).
2.9 Tratamento de Endometriose
O objetivo do tratamento é melhorar a qualidade de vida e a função geral do
paciente, com ênfase no envolvimento do paciente no auto-gerenciamento. A terapia
baseada em evidências para a endometriose permanece limitada e muitas vezes se
concentra no alívio dos sintomas (Cheong; Smotra; Williams, 2014).
Qualquer processo patológico óbvio deve ser tratado, embora mesmo o
tratamento direcionado possa não resultar na resolução da dor. A causa e a
consequência da dor podem envolver múltiplos mecanismos, pelo que o tratamento
requer uma abordagem holística que aborde componentes físicos, comportamentais,
psicológicos e sexuais (Margatho et al., 2020).
Existem alguns protocolos de tratamento da endometriose, que incluem
medicamentos para controlar a dor e impedir o avanço da doença, outro protocolo é
a cirurgia em pacientes com o estágio grave da doença, o tipo de tratamento é
definido através dos seguintes fatores: idade, gravidade dos sintomas, gravidade da
doença e o desejo da paciente em ter ou não filhos (Da Silva et al., 2017).
O tratamento da endometriose deve ser acompanhado por uma equipe
multiprofissional composta por médicos ginecologistas, psicólogos ou profissionais
da saúde mental, fisioterapeutas, enfermeiros, terapeuta sexual ou psicoterapeuta.
O acompanhamento multipro fissional permite um atendimento holístico as
pacientes, com focos físicos e psíquicos da doença (Marqui, 2014).
O guidiline recomenda que os médicos discutam questões não -medicinais,
estratégias para abordar a qualidade de vida psicológica e bem-estar das mulheres
que controlam os sintomas do endométrio. (Becker et al., 2022).
50
Apesar dos avanços recentes nos tratamentos que modificam a doença, a dor
continua sendo o sintoma mais importante para muitas mulheres com endometriose.
O tratamento da dor associada à endometriose requer, além de uma avaliação
detalhada de suas causas e impacto para a paciente, o fornecimento coordenado de
estratégias terapêuticas farmacológicas, cirúrgicas, psicológicas e da fisioterapia
(Morotti; Vincent; Becker, 2017).
2.9.1 Tratamento medicamentoso da endometriose
O manejo médico deve abordar a causa subjacente da dor pélvica, se
conhecida. Se o tratamento for inadequado ou a causa da dor não for conhecida, a
terapia farmacológica visa o alívio dos sintomas (Brown et al., 2018). Recomenda-
se oferecer às mulheres tratamento hormonal (contraceptivos hormonais
combinados, progestágenos, agonistas de GnRH ou antagonistas de GnRH) como
uma das opções para reduzir a dor associada à endometriose (Grandi et al., 2019).
2.9.1.1 Contraceptivos hormonais
O guideline orienta que os médicos adotem uma tomada de decisão
compartilhada e levem em consideração as preferências individuais, os efeitos
colaterais, a eficácia individual, os custos e a disponibilidade ao escolher
tratamentos hormonais para a dor associada à endometriose (Becker et al., 2022).
Muitos protocolos terapêuticos têm sido utilizados para tratar a endometriose
e controlar seus sintomas, incluindo tratamento medicamentoso e cirúrgico. O
tratamento conservador mais utilizado inclui medicamentos anti -inflamatórios não
hormonais, análogos do hormônio liberador de gonadotropinas (GNRH), derivados
de androgênios, anticoncepcionais orais combinados e progestágenos. No entanto,
os efeitos colaterais destes medicamentos são frequentes e pode acontecer desde
acne, hirsutismo, aumento de peso, hipertrofia mamária, alterações na tonalidade da
voz e fogachos, bem como atrofia vaginal, perda da massa óssea, diminuição da
libido e dispareunia (Petta et al., 2005).
51
Nessa perspectiva, os progestágenos normalmente tem efeitos ainda piores
como: sangramentos irregulares e, em alguns casos, aumento do peso e alteração
de humor. Em virtude desses efeitos, o uso de alguns medicamentos, como os
análogos do GNRH e derivados de androgênios, deve ser limitado a curtos períodos
de tempo e sua suspensão possibilita a recidiva dos sintomas (Nogueira; Abrão,
2000).
Recomenda-se prescrever às mulheres um contracetivo hormonal combinado
(oral, anel vaginal ou transdérmico) para reduzir a dispareunia associada à
endometriose, a dismenorreia e a dor não menstrual ( Brown et al., 2018; Jensen et
al., 2018; Grandi et al., 2019).
Às pacientes que sofrem de dismenorreia associada à endometriose pode ser
oferecido o uso contínuo de uma pílula contraceptiva hormonal combinada ( Hee et
al., 2013; Z orbas et al., 2015; M uzii et al., 2016). Orienta-se prescrever
progestágenos às mulheres para diminuir a dor associada à endometriose
(Momoeda et al., 2009; Brown et al., 2012; Petraglia et al., 2012; Andres et al., 2015;
Dragoman; Gaffield, 2016).
O guideline também recomenda que os médicos levem em consideração os
diferentes perfis de efeitos colaterais dos progestágenos ao prescrevê-los (Grandi et
al., 2019). Recomenda-se prescrever às mulheres um sistema intrauterino liberador
de levonorgestrel (SIU -LNG) ou um implante subdérmico liberador de etonogestrel
para reduzir a dor associada à endometriose (Lan et al., 2013; Margatho et al., 2020),
bem como a prescrição de agonistas de GnRH às mulheres para reduzir a dor
associada à endometriose, embora as evidências sejam limitadas quanto à dosagem
ou duração do tratamento (Brown et al., 2010; Tang et al., 2017).
Além disso, é mais prudente que os agonistas do GnRH sejam prescritos
como segunda linha (por exemplo, se os contraceptivos hormonais ou os
progestágenos forem ineficazes) devido ao seu perfil de efeitos colaterais (Margatho
et al., 2020). Os médicos devem considerar a prescrição de terapia hormonal
combinada juntamente com a terapia com agonistas de GnRH para prevenir perda
óssea e sintomas hipoestrogênicos ( Wu et al., 2014; Sauerbrun-Cutler; Alvero,
2019).
Não obstante, d eve-se levar em consideração que antagonistas de GnRH,
ajudam a reduzir a dor associada à endometriose, embora as evidências sejam
52
limitadas em relação à dosagem ou duração do tratamento ( Taylor et al., 2017;
Donnez et al., 2020; Osuga. et al., 2021).
Existe a recomendação para que os antagonistas do GnRH sejam prescritos
como de segunda linha (por exemplo, se contraceptivos hormonais ou
progestágenos foram ineficazes) devido ao seu lado perfil de efeito. Em mulheres
com dor refratária associada à endometriose a outro tratamento médico ou cirúrgico,
é recomendado prescrever inibidores de aromatase, pois eles podem reduzir a dor
associada à endometriose. Inibidores de aromatase podem ser prescritos em
combinação com contraceptivos, progestágenos, agonista s de GnRH ou GnRH
antagonistas ( Ferrero et al., 2011; Almassinokiani et al., 2014; Agarwal; Foster,
2015).
No caso da endometriose, agonistas injetáveis do hormônio liberador de
gonadotrofina, como a goserelina (Zoladex), apresentam efeitos mais duradouros do
que a medroxiprogesterona de depósito. Os efeitos adversos hipoestrogênicos
podem ser minimizados com terapia hormonal. Foi demonstrado que o sistema
intrauterino liberador de levonorgestrel (Mirena) diminui a recorrência da
dismenorreia se colocado após o tratamento laparoscópico da endometriose
(Engeler; Baranowski; Borovicka, 2015).
2.9.1.2 Analgésicos e opióides
Analgésicos como paracetamol e antiinflamatórios não esteroides são bem
tolerados, porém uma revisão cochrane trouxe como resultado que os
antiinflamatórios não esteroidais não são eficazes no tratamento da dor pélvica
crônica associada à endometriose . Existe eficácia nos contraceptivos orais para o
tratamento da dismenorreia associada à endometriose, com apenas evidências
limitadas de que são úteis para a dor pélvica não menstrual (Speer; Mushkbar;
Erbele, 2016).
Os opióides podem ser considerados quando outras opções tiverem sido
esgotadas. Seu uso em síndromes de dor somática funcional é controverso e o
encaminhamento para um subespecialista em tratamento da dor (Speer; Mushkbar;
Erbele, 2016).
53
2.9.1.3 Antidepressivos e inibidores de recaptação de seratonina
Em casos de endometriose com dor neuropática, antidepressivos tricíclicos,
inibidores da recaptação de serotonina-norepinefrina ou anticonvulsivantes (por
exemplo, gabapentina [Neurontin], pregabalina [Lyrica]) podem ser úteis (Cheong et
al., 2015). Embora os dados sobre sua eficácia no tratamento da dor pélvica crônica
sejam limitados, há evidências de benefícios no tratamento da dor neuropática em
geral. Uma revisão cochrane sobre antidepressivos tricíclicos para o tratamento da
dor neuropática concluiu que eles são eficazes (Speer; Mushkbar; Erbele, 2016).
Existem ainda, evidências de benefício para inibidores da recaptação de
serotonina-norepinefrina (por exemplo, venlafaxina, duloxetina [Cymbalta]) . Já a
gabapentina alivia a dor neuropática, em pouco tempo (Engeler; Baranowski;
Borovicka, 2015). Um estudo sobre dor pélvica crónica sugeriu que a gabapentina
utilizada isoladamente ou em combinação com a amitriptilina é mais eficaz do que a
amitriptilina isoladamente (Sator-Katzenschlager; Scharbert; Kress, 2005).
Uma resposta positiva à gabapentina ou a pregabalina pode ser um preditor
de resposta à neuromodulação. Os dados são insuficientes para recomendar
inibidores seletivos da recaptação da serotonina para a dor neuropática, mas são
eficazes se houver depressão subjacente (Engeler; Baranowski; Borovicka, 2015).
2.9.2 Tratamento fisioterapêutico da endometriose
A fisioterapia do assoalho pélvico é uma aliada para o tratamento da dor
pélvica crônica. Seus adeptos citam benefícios importantes para o tratamento. O
encaminhamento deve ser considerado quando há sensibilidade no assoalho
pélvico. Cabe destacar, que mesmo a fisioterapia se mostrando promissora em
estudos pequenos e bem desenhados quando a dor miofascial é identificada, uma
revisão sistemática concluiu que a base de evidências atual é muito limitada para
orientar a prática (Loving et al., 2012; Fitzgerald et al., 2013).
Os fisioterapeutas especializados em saúde pélvica ou na saúde da
mulher, trabalham com a pelve, core, coluna e abdómen. Estes profissionais avaliam
o alinhamento, a musculatura, os sistemas faciais e os padrões de movimento da
54
pelve e do corpo, procurando elucidar problemas que tenham relação com a dor
intensa e com a consequente diminuição da qualidade de vida. Depois dessa
avaliação, é planejado um programa de tratamentos personalizado e adaptado às
necessidades específicas de cada paciente (Sarrie, 2015).
Sabe-se ainda que o uso de biofeedback eletromiográfico é bem indicado
para avaliação da musculatura estriada esquelética do assoalho pélvico , o mesmo
pode ser usado para avaliação e tratamento . O biofeedback auxilia as pacientes a
reconhecer a ação dos músculos do assoalho pélvico e proporciona melhor alívio da
dor do que eletroestimulação ou massagem (Engeler; Baranowski; Borovicka, 2015).
A avaliação e tratamento na fisioterapia pélvica com a técnica do biofeedback
eletromiográfico, envia sinais contínuos e instantâneos que possibilita m verificar os
respostas musculares superficiais e profundos do assoalho pélvico das pacientes
em forma de sinais visuais (luzes) , gráficos e/ou auditivos (sons). Tendo como
principais resultados positivos , a reabilitação funcional, propriocepção,
coordenação, fortalecimento, uma recuperação funcional para essa mulher (Hoga;
Mendes, 2017).
Nesse sentido, a técnica de biofeedback eletromiográfico consiste na
colocação de eletrodos de superfície no períneo que emitem informações visuais ou
sonoras sobre a contração do períneo através de um programa de computador, é
frequentemente utilizada pela fisioterapia para orientar a respeito d o relaxamento,
contração e coordenação do assoalho pélvico (Reis, 2015).
A técnica de biofeedback eletromiográfico torna possível obter informação
durante o processo normal, fisiológico e inconsciente da contração muscular do
assoalho pélvico, a qual normalmente é introduzida ao paciente e/ou ao terapeuta
como sinal visual, auditivo ou tátil (Oliveira, 2018).
A avaliação da função muscular do assoalho pélvico também pode ser
realizada por meio da escala de New Perfect. Essa escala foi descrita em 2008 por
Laycock, como um teste que avalia a funcionalidade do assoalho pélvico através da
palpação intra -vaginal bidigital, sendo realizado conforme a sequência abaixo
descrita:
P-(Power): graduada de zero a cinco, avaliando a presença e a intensidade
da contração muscular voluntária máxima, de acordo com a classificação de Oxford
adaptada e graduada de 0 -5 (0-ausência de contração;1-esboço de contração não
55
sustentada; 2 - contração fraca sustentada; 3 - contração moderada; 4 - contração
satisfatória; 5- contração forte).
E-(Endurance): manutenção da contração com sustentação em até 10
segundos;
R-(Repetition): repetição das contrações mantidas com sustentações
satisfatórias Dois minutos de repouso 39;
F-(Fast): número de contrações rápidas até 10 repetições;
E-(Elevation): Elevação da parede posterior da vagina;
C-(Co-Contraction): Contração abdominal durante o recrutamento da
musculatura do assoalho pélvico;
T- (Timing): Contração da musculatura do assoalho pélvico durante um
esforço, por exemplo, durante a tosse (Kari et al., 2005).
A fisioterapia pode ser protagonista no tratamento da endometriose e
principalmente na dor pélvica, utilizando técnicas específicas para reabilitação, como
por exemplo: crioterapia, cinesioterapia, neuromodulação, eletroestimulação e
fotobiomodulação. O tratamento tem por intuito alcançar mudanças nas
musculaturas lisa e estriada, sistema nervoso central e vísceras pélvicas, não só
com os recursos já descritos como também com a terapia manual, especialmente a
liberação miofascial, além da necessid ade de adaptação personalizada de
exercícios para fortalecimento muscular, massagens, bandagens elásticas
funcionais, acupuntura e reeducação postural, que irão atuar tanto no tratamento
álgico, quanto na dispaurenia e hipomobilidade, trazendo melhora significativa na
qualidade de vida dessa mulher. Vale lembrar que a fisioterapia é um tratamento
complementar para portadoras de endometriose, auxiliando para que essa
paciente não se sinta dominada pela doença, e não torne o diagnóstico u ma
penitência, mas que consiga ter uma vida normal e com qualidade, uma vez que a
endometriose não tem cura (Freitas et al., 2011; Arazawa, 2021; Varela.; Veneziano,
2023).
Os estudos demonstram que os fisioterapeutas são fundamentais nas
equipes multidisciplinares que trabalham com a endometriose , visto que as suas
intervenções proporcionam benefícios e principalmente a diminuição dos sintomas
associados e desequilíbrios osteomusculares, além de melhorar a qualidade de vida
desse público alvo (Ribeiro; Fornari, 2017).
56
De acordo com Amaral (2017), o principal sintoma da endometriose é a dor
pélvica crônica e a fisioterapia é o tratamento conservador mais indicado para a
DPC. O foco dessa abordagem é o de alívio da sintomatologia dolorosa sendo
imprescindível que o profissional de saúde saiba reconhecer as estruturas
musculoesqueléticas do pavimento pélvico. Embora, a endometriose não tenha cura,
o tratamento fisioterapêutico tem o objetivo de minimizar os sinais e sintomas da
doença (Ribeiro; Fornari, 2017).
O fisioterapeuta atua na resolução do desfecho do ciclo “tensão-dor-tensão”,
com o objetivo de relaxar a musculatura da pelve, melhorar a mobilidade pélvica e a
percepção corporal, reduzir posturas antálgicas, prevenir contraturas musculares,
melhorar a resposta imunológica da mulher, aumentar a disposição física pela
resposta cardiorrespiratória e melhorar as funções desejadas pela pacient e,
consequentemente melhorando a qualidade de vida dessa mulher (N ascimento;
Kraievski, 2017).
O uso de terapias manuais na região pélvica, através de compressão
isquêmica e massagem perineal, também podem auxiliar nos espasmos musculares
desde os mais simples até a síndrome miofascial complexa. Sendo o tratamento
sempre voltado para o alívio da dor e correção musculoesquelética
(Oliveira et al., 2012). Por outro lado, os protocolos desenvolvidos utilizando a
cinesioterapia, exercícios passivos e ativos, auxilia m no fortalecimento dos
músculos do assoalho pélvico e na amplitude de movimento, desse modo,
resulta de forma positivo, principalmente, relacionado a dispareunia (Freitas et al.,
2011; Berek, 2008; Varela.; Veneziano, 2023)
De acordo com Miranda, Schor e Girão (2009), algumas mulheres com
endometriose podem apresentar postura inapropriada, decorrente de uma
adaptação da pessoa, na tentativa de aliviar a dor. Nesse estudo os autores
relataram que devido à postura inadequada, cerca de 85% das pacientes
apresentam disfunç ões do sistema musculoesquelético, incluindo hiperlordose
lombar, hiperextensão de joelhos e tilt anterior, assim como espasmo do músculo
levantador do ânus e síndrome do piriforme. Outro estudo, aponta que o tratamento
dessas alterações musculoesqueléticas, promove uma melhora nas dores
associadas a endometriose que seria uma consequência dessas disfunções (Vieira,
2018).
57
O tratamento fisioterapêutico das disfunções posturais associadas à
endometriose é também um dos objetivos do tratamento, trabalhando a reeducação
postural das pacientes, proporcionando um relaxamento global através de
massagens, pompagens, alongamentos , liberação miofascial extra e intracavitária
promovendo uma melhora também na musculatura interna do canal vaginal (Rocha;
Mejia, 2016).
Segundo Marqui (2014), a prática regular de atividades físicas e uma
alimentação balanceada são imprescindíveis para as pacientes com endometriose,
pois auxilia na proteção de doenças que envolvem processos inflamatórios, e mostra
benefícios como o aumento da imunidade. Outra abordagem importante para
melhora da dor pélvica crônica são as massagens perineais que levam estimulações
nervosas proprioceptivas favorecendo a liberação de encefalinas e endorfinas,
responsáveis pela modulação da dor local, dessa fo rma sendo muito eficaz na
melhora da DPC (Lucheti, 2019).
Outro tratamento fisioterapêutico bem indicado é o método pilates,
caracterizado por um método de condicionamento físico, terapêutico e preventivo
como o uso de exercícios na postura em pé, sentada na bola e atividades de
conscientização da pelve em posição neutra durante a contração mostraram
contribuir para melhora na intensidade da dor (Soares, 2020).
A acupuntura com ou sem moxabustão também pode ser uma técnica
favorável, pois existem relatos de melhora da dor e reversão da infertilidade,
proporcionando uma melhor qualidade de vida, saúde mental e física (Soares, 2020).
Apesar das diversas abordagens de tratamento para endometriose, ainda não
existe um tratamento que seja capaz de eliminar completamente a doença e seus
sintomas (A raújo; S chmidt, 2020). Assim, melhorar a qualidade de vida dessas
mulheres tem sido uma das metas principais para os profissionais da saúde que
atendem as pacientes com endometriose.
58
2.9.3 Tratamento cirúrgico da endometriose
Por outro lado, o tratamento cirúrgico para as pacientes com endometriose
normalmente é realizado por laparoscopia com ablação a laser ou diatermia do
tecido endometrial, drenagem ou remoção dos cistos ovarianos, remoção dos nervos
sacrais, histerectomia e ooforectomia bilateral (Nogueira et al., 2018).
No entanto, a efetividade, principalmente quando listados os riscos inerentes
a qualquer cirurgia, é inconclusiva. E quando colocamos os riscos, destacam -se
principalmente a fibrose e aderências pós-operatórias, que podem trazer dor pélvica,
induzidas agora por uma nova etiologia. Como a endometriose é uma doença com
bastante recidiva, 85% das mulheres submetidas ao procedimento cirúrgico, podem
referir dor novamente (Marques et al., 2004).
Embora não haja ainda um tratamento que elimine a doença, artigos mais
atuais norteiam que os hábitos alimentares e atividades corporais ativariam o
sistema imunológico, ampliando o controle do estresse e da dor e favorecendo a
melhora da saúde mental e da qualidade de vida dessas mulheres (De Aguiar, 2020).
Vale destacar nesse contexto que um aliado ao tratamento da endometriose
é a fisioterapia pélvica. Normalmente, quando se segue corretamente o tratamento
paliativo a paciente consegue ter uma vida normal e com qualidade sem que seja
necessário o tratamento cirúrgico (Costa et al., 2018).
59
3 OBJETIVOS
3.1 Geral
Avaliar o impacto da fisioterapia pélvica na qualidade de vida relacionado à
dor e a disfunção muscular no assoalho pélvico das pacientes com endometriose.
3.2 Específicos
• Identificar as características sociodemográficas
• Aplicar Endometriosis Health Profile Questionnaire (EHP-30) para avaliar a
qualidade de vida das pacientes com endometriose;
• Descrever as condições álgicas mais prevalentes nas pacientes com
endometriose;
• Realizar intervenção com 05 etapas de fisioterapia pélvica com biofeedback
eletromiográfico e comparar antes e depois.
• Comparar os achados da avaliação e pós intervenção de 05 (cinco) etapas de
Fisioterapia Pélvica com o uso equipamento Biofeedback Eletromiográfico New
Miotool da Miotec;
• Correlacionar os resultados d a escala New Perfect (Escala de Qualificação
Muscular) na avaliação inicial e pós intervenção do tratamento fisioterapêutico.
• Avaliar efetividade do tratamento fisioterapêutico em 05 (cinco) etapas de
Fisioterapia Pélvica na qualidade de vida das em mulheres com endometriose.
60
4 MATERIAL E MÉTODOS
4.1 Tipo de estudo
Trata-se de um estudo de corte transversal, com caráter descritivo e
abordagem mista (qualitativa e quantitativa).
4.2 Local da pesquisa
A pesquisa foi desenvolvida na Clínica Escola de Fisioterapia da Faculdade
Anhanguera Unidade Turu 1, na Clínica Fisioáudio e no Instituto Dr. Alisson Chianca,
em São Luis – MA. Ressalta-se que todos concederam anuência e possuem infra -
estrutura adequada para a pesquisa, com um ambulatório de Uroginecologia
(ANEXO 1).
4.3 Definição da amostra
O presente estudo cont ou com pacientes com diagnóstico comprovado de
endometriose por videolaparoscopia com biópsia ou exame s de imagem com
preparo intestinal.
4.3.1 Critérios de inclusão e não inclusão
Foram elegíveis para a inclusão, mulheres a partir de 18 anos, que tinham
diagnóstico comprovado de endometriose por laparoscopia e biópsia, ou exame de
imagem com preparo intestinal, após a assinatura do Termo de Consentimento Livre
Esclarecido (TCLE). Por outro lado, não foram incluídas na pesquisa, pacientes que
não aceitaram assinar o TCLE.
61
4.3.2 Critérios de exclusão
Foram excluídas da pesquisa as pacientes que possuíam algum tipo de
transtorno cognitivo, que impossibilitava na compreensão e resposta aos
questionamentos da pesquisa, pacientes gestantes ou com quadros oncológicos.
4.4 Cálculo amostral
Utilizou-se o software G*Power (F aul et al., 2007; Faul et al., 2009) versão
3.1.9.2 (Universität Fiel, Germany), para cálculo do tamanho amostral. No software
foi selecionada a família de testes T, sendo o teste estatístico selecionado a análise
entre duas médias de grupos independentes. Tipo de análise do cálculo amostral
selecionado foi a priori com duas caldas conforme as predefinições a seguir:
tamanho de efeito d de Cohen de 1,005; alfa adotado igual a 0,05; poder estatístico
de 0,95.
Tamanho de efeito d de Cohen de 0,669 foi baseado no estudo de Fraga et
al. (2021), um estudo com modelo experimental semelhante e mesmo desfecho de
análise – PERFECT scheme de Laycock e Jerwood (2001) – conforme as
recomendações de Field (2013). Desta forma, obteve -se um tamanho amostral de
74 voluntári as. Considerando uma perda amostral de aproximadamente 20%,
intencionou-se realizar o estudo com um total de 90 voluntárias.
4.5 Desfechos de interesse
1) Endometriosis Health Profile Questionnaire (EHP-30):
• Escore individual e escore agrupado de dor, controle e impotência, bem-estar
emocional, apoio social e autoimagem nas escalas de relações sexuais, trabalho,
profissão, infertilidade, relacionamento com filhos e tratamento.
2) Miótomo de pontos-gatilho miofasciais (bilateral):
62
• Escore individual de dor e escore agrupado de dor de: Temporal, Masseter,
Reto abdominal, Oblíquo externo, Ilíaco, Adutor longo, adutor magno, Vasto
medial, Trapézio, Supraespinal, Glúteo Máximo em L5, em S1 e em S2 (Figura
7).
FIGURA 8 - Esquematização sobre a avaliação da dor neuromusculoesquelética em
pacientes com endometriose ( Miótomo de pontos -gatilho miofasciais -bilateral).
Legenda: Músculos, dermátomos e ligamentos interespinhosos avaliados no exame
neuromusculoesquelético. Círculos: Músculos avaliados para pontos -gatilho
miofasciais e limiares de dor à pressão. Triângulos: Os limiares de dor por pressão
do ligamento interespinhoso mediram todos os outros segmentos do cervical -1 ao
sacral-1. Linhas: Alodinia paraespinhal e hiperalges ia dos dermátomos cervical-2 a
sacral-2. Fonte: Fernandez-de-Las-Penas e Dommerholt (2018).
3) Funcionalidade do assoalho pélvico conforme teste PERFECT scheme de
Laycock e Jerwood (2001) com Biofeedback Eletromiográfico New Miotool da
Miotec;
• Escores individuais de: Endurance, Repetition, Fast, Elevation, Co -
Contraction e Timing.
63
4.6 Procedimentos estatísticos
Para a análise estatística inferencial dos efeitos pré e pós intervenção dos
dados numéricos contínuos foi utilizado o teste T para medidas repetidas com
tamanho de efeito d de Cohen, enquanto que para os dados categóricos ordinais foi
utilizado o teste de Wilcoxon com tamanho de efeito r, já para os dados categóricos
nominais foi utilizado o teste de McNemar com tamanho de efeito W (Cohen, 1988).
Todos procedimentos estatísticos adotados foram realizados conforme as
recomendações de Field (2013), com alfa de 0,05 e o software utilizado foi o IBM
SPSS Statistics versão 23.0.
4.7 Coleta de dados
As coletas de dados foram realizadas pela pesquisadora responsável do
presente projeto. Todas as mulheres que comparece ram à Clínica Escola de
Fisioterapia da Faculdade Pitágoras , Instituto Alisson Chianca e Clínica Fisioáudio
no período de janeiro de 202 1 a dezembro de 2023 e que se enquadrar am nos
critérios de seleção desta pesquisa receber am informações e foram convidadas a
participar do estudo.
Aquelas que aceitar am participar, atender am aos critérios de inclusão e
assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ( TCLE) e foram
submetidas a uma avaliação com os seguintes itens:
• Entrevista: A entrevista contemplou perguntas gerais de identificação: dados
sociodemográficos (nome , ocupação e renda ), diagnóstico clínico, histórico
patológico, medicamentos em uso e questões especificas sobre dor no corpo
(APÊNDICE B);
• Avaliação da qualidade de vida: Como instrumento foi utilizado o
questionário Endometriosis Health Profile Questionnaire (EHP-30) (ANEXO 2), já
validado em português, para avaliação da qualidade de vida da paciente com
endometriose.
A avaliação física das pacientes foi composta pela avaliação postural estática
na posição ortostática lateral, ortostática póstero -anterior e ortostática ântero -
64
posterior, ou seja, de lado, de frente e de costas, além da avaliação da marcha de
forma dinâmica.
O objetivo do exame físico é identificar o dermátomo, tecidos, nervos,
músculos e órgãos que reproduzem os sintomas de dor do paciente na tentativa de
determinar a causa subjacente. Os achados raramente são normais em mulheres
com dor pélvica crônica. No entanto, eles podem ser inesp ecíficos e, portanto,
inconclusivos.
O exame físico, incluindo um exame com espéculo, deve ser realizado com
cuidado para limitar a exacerbação da dor. O abdômen e a pelve devem ser
examinados em busca de pontos -gatilho, cicatrizes cirúrgicas. Um exame da pelve
e do abdome com uma só mão, usa ndo a ponta plana do dedo indicador da mão
dominante, para identificar as estruturas relacionadas à sensibilidade focal.
Alternativamente, um cotonete pode ser usado.
A genitália externa deve ser examinada quanto condições dermatológicas
inflamatórias. O exame da musculatura do assoalho pélvico pode revelar
hipertonicidade, sensibilidade ou pontos-gatilho. A sensibilidade à palpação na parte
inferior das costas, nas articulações sacroilíacas ou na sínfise púbica pode indicar
uma origem musculoesquelética da dor. O teste de Carnett foi utilizado para
diferenciar dor visceral de dor na parede abdominal (Figura 8).
Figura 9 - Teste de Carnett
Fonte: Lamvu et al. (2021).
65
O exame neuromusculoesquelético teve como objetivo avaliar os
dermátomos, esclerótomos e miótomos para identificar locais de dor generalizada,
sensibilização e disfunção miofascial (A redo et al., 2017). Os dermátomos do
segmento cervical-2 até o sacro-2 foram avaliados de cefálico a caudal para alodinia
e hiperalgesia bilateralmente, aproximadamente 2,5 cm lateral ao processo
espinhoso (Figura 8). Alodinia e hiperalgesia foram determinadas usando um
monofilamento de Semmes -Weinstein de 300 g (Touch Test Sensory Evaluator,
North Coast Medical Inc, Morgan Hill, Califórnia) e um cata-vento de Wartenberg.
O limiar de dor à pressão, a quantidade mínima de pressão que provoca dor
(Simão et al., 2017), foi medido sobre os ligamentos interespinhosos de cervical-1 a
sacral-1, utilizando a escala de Escala Visual Analógica (EVA) (figura 10). Um baixo
limiar de dor à pressão para ligamentos interespinhosos será definido com escala de
EVA de 1 à 4 (Pereira et al., 2019; Wolfe et al., 1990).
Figura 10 – Escala Visual Analógica (EVA)
Fonte: Adaptado de Simão et al. (2017).
O miótomo foi examinado para pontos-gatilho miofasciais nos treze músculos
pareados (26 regiões avaliadas), avaliados rotineiramente em pacientes submetidos
à avaliação para fibromialgia (Figura 7). Os critérios usados para identificar os
66
pontos-gatilho miofasciais são loci palpáveis, discretos e hiper irritáveis dentro de
uma faixa tensa do músculo esquelético ( Fernandez-de-Las-Penas; Dommerholt,
2018; Simons; Travell; Simons, 2005).
A avaliação do assoalho pélvico de forma funcional, foi avaliada com a escala
New Perfect (figura 11 e ANEXO C ) e por meio de Eletromiógrafo New Miotool da
marca Miotec®. Durante o treinamento de feedback eletromiográfico usamos o
software Biotrainer com dispositivo USB (figura 12) . O equipament o possui oito
canais, porém foram usados 02 sensores, sensores conectados ativos diferenciais,
com resolução de 16 bits, 2Khz frequência de amostragem, filtro passa-baixa de 20
Hz, passa-alta de 500 Hz filtro, entalhe de 60 Hz, uma conexão de braçadeira e um
eletrodo de referência (chão). Para captar o sinal elétrico , utilizamos o mesmo
dispositivo com eletrodos duplos, com dimensões de 44 mm de comprimento, 21
mm de largura.
A referência eletrodo (terra) foi posicionad a sobre a espinha ilíaca ântero-
superior. Utilizamos 02 tipos de eletrodos, um intracavitário de uso individual, e 1 par
de eletrodos de superfície na região abdominal. As áreas onde foi colocado o cabo
de referência e os eletrodos abdominais foram esterilizados com algodão embebido
em clorexidina alcoólica 5% antes da colocação dos eletrodos para todas as sessões
quando biofeedback eletromiográfico foi empregado (figura 13).
Figura 11 - Escala de New Perfect.
Fonte: Driusso e Beleza (2018).
67
Figura 12 - Biofeedback eletromiográfico New Miotoo da Miotec
Fonte: Autoria própria (2024).
Fonte: Autoria própria (2024).
Figura 13 - Tela inicial do Biofeedback eletromiogáfico com os filtros.
Fonte: Autoria própria (2024).
68
Figura 14 - Posicionamento dos eletrodos de EMG para o músculo bulbocavernoso
direito, corpo perineal e eletrodo intracavitário respectivamente.
Fonte: Acervo pessoal (2024).
69
Também foi avaliado por meio de eletromiografia, a hiperatividade muscular
em repouso, e a utilização de musculatura acessória para contrair o assoalho pélvico
(figura 14).
Figura 15 - Tela de EMG demonstrando hiperatividade em repouso no eletrodo
intracavitário e o silêncio eletromiográfico em musculatura acessória.
Fonte: Autoria própria (2024).
Depois da avaliação já descrita, as pacientes foram conduzidas aos 10 atendimentos
de Fisioterapia Pélvica, com a realização de 05 (cinco) fases de reabilitação para
cada paciente:
Fase 1: As pacientes receberam as informações anatômicas necessárias no
início do treinamento da musculatura do assoalho pélvico ( TMAP). O protocolo foi
iniciado com readequação postural com alongamentos de membros superiores e
inferiores, mobilização sacral e pélvica com abordagem mais específica para o
músculo psoas, glúteo máximo, médio e mínimo e treinamento dos movimentos de
inclinação anterior, posterior e lateral.
Fase 2: Eletroanalgesia com corrente elétrica bifásica alternada e assimétrica
com frequência de 5 (cinco)hz e duração de pulso de 500 microssegundos, para
máxima liberação de opioides endógenos objetivando bloqueio analgésico
temporário, sendo a intensidade variável em virtude da personalização do protocolo,
70
sendo utilizado 02 tipos de eletrodos: intracavitário e superficial. Eletrodo
intracavitário posicionado em região intra -vaginal e os superficiais em região
paraperineal e abdominal inferior.
Fase 3: Intervenção pélvica extra e intracavitária com liberação miofascial das
musculaturas superficiais: bulbocavernoso, isquiocavernoso, transverso do períneo
e esfíncter anal externo e das musculaturas profundas: pubovaginal, puboperineal,
puboanal, puboreal e os coccígeos. Cons cientização perineal com abordagem
desde o auto -conhecimento até o ato correto de contrair e relaxar com auxílio de
biofeedback eletromiogáfico (figura 15). A evolução de fase só foi realidade depois
de completada a fase 2.
Figura 16 - Tela de EMG: Treino de contração perineal em três tempos para
conscientização perineal
Fonte: Autoria própria (2024).
71
Fase 4: Para a Intervenção de fortalecimento do assoalho pélvico com
evolução de fase tônica (contração lenta) para fase fásica (contração rápida) para
endurance e resistência utilizando biofeedback eletromiográfico (Figura 16),
eletroestimuladores com eletrodos superficiais (Figura 17) com evolução frequência,
duração de pulso e intensidade contrátil visualmente.
As pacientes foram solicitad as a esvaziar a bexiga antes do treinamento.
Eram posicionadas em decúbito dorsal com os joelhos levemente flexionados e a
cabeça levemente elevada. Sondas EMG de superfície foram colocadas no músculo
reto abdominal, e uma sonda intracavitária foi posicionada na cavidade vaginal, e o
cabo referência posicionado na espinha ilíaca ântero -superior. As pacientes foram
solicitados apenas a contrair os músculos do assoalho pélvico, e não os músculos
abdominais. E las também foram solicitad as para acompanhar a contração e o
relaxamento dos músculos do assoalho pélvico em um monitor e a certificar -se de
que estavam contraindo o grupo muscular correto; permitindo assim a participação
ativa no programa educacional.
Dessa forma, as pacientes foram ensinad as a identificar os músculos do
assoalho pélvico e a usar os músculos do assoalho pélvico seletivamente, sem usar
os músculos abdominais. As pacientes foram inscrit as em sessões de TMAP
assistidas por biofeedback duas vezes por semana (um total de 60 minutos, com
cada sessão durando em média 20 minutos) durante 5 semanas.
72
Figura 17- Tela de EMG: Treino de contração perineal com ativação tônica e fásica,
respectivamente.
Fonte: Autoria própria (2024).
Figura 18 - Eletroestimulador com eletrodos em musculatura superficial do assoalho
pélvico.
Fonte: Autoria própria (2024).
73
Fase 5: Orientações comportamentais com o a manutenção dos treinos de
movimentos pós alta e fase de reeducação da higiene íntima, higiene do sono,
importância do controle alimentar anti-inflamatório, antioxidante e que seja favorável
para microbiota intestinal.
A reavaliação acontece u após os 10 atendimentos, duração entre 40 a 60
minutos, levando em consideração todos os dados avaliados no primeiro contato,
incluindo avaliação da qualidade de vida por meio do EHP-30.
4.8 Riscos e Benefícios
Os riscos se remetem a possibilidade de divulgação das informações de
maneira indevida, a ponto de quebrar o sigilo das pacientes de endometriose, por
este motivo os dados serão arquivados pelas responsáveis da pesquisa e serão
mantidos por um período de cinco anos e posteriormente destruídos (incinerados).
Além disso, a pesquisa poderá provocar nas pacientes a sensação de
desconforto emocional ou constrangimentos por relembrarem, durante a entrevista,
situações que as entristecem, trazendo como consequência uma possível evasão
das mesmas da pesquisa e, exacerbação dos sintomas de depressão. Com isso, a
equipe tentará minimizar esse risco, proporcionando no momento da entrevista, se
assim for possível, uma relação confortável e acolhedora.
A entrevistadora, se comprometerá e não emitir opiniões que possam
influenciar ou intimidar o participante em suas respostas. Mas caso a participante
ache necessário, poderá interromper a entrevista a qualquer momento ou mesmo
deixar de responder às perguntas, se isso lhe trouxer algum constrangimento ou a
mesmo sentir que está prejudicando a sua integridade. Se houver identificação de
exacerbação dos sintomas de depressão, os riscos poderão ser minimizados com a
solicitação de assistência psicológica.
Por outro lado, os benefícios esperados dizem respeito à possibilidade de
melhorar a qualidade de vida das pacientes com endometriose, e verificar os
impactos da endometriose no assoalho pélvico. Assim, será possível orientar de
forma preventiva essas paci entes com o intuito de contribuir para evitar o
agravamento da doença.
74
4.9 Comitê de Ética
O projeto de pesquisa do candidato faz parte de um projeto maior intitulado:
HÁBITOS ALIMENTARES, PREVALÊNCIA DE FIBROMIALGIA E QUALIDADE DE
VIDA EM MULHERES COM ENDOMETRIOSE; o qual é financiado pelo órgão de
fomento CADPROD-05197/17 e Apoio da Faculdade Pitágoras São Luís – MA. Esse
projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética da instituição, sob o parecer
de número: 140074/2019 (ANEXO 6).
75
5 RESULTADOS
5.1 Distribuição das características sociodemográficas
Ao final do estudo , das 74 pacientes que iniciaram (Tabela 1), apenas 2
desistiram, devido respectivamente à óbito por pneumonia e mudança de endereço
para outro estado.
Tabela 01 - Tabela de descrição das características antropométricas e sociais da
amostra.
Características numéricas M ± DP (IC95%)
Idade (anos) 24,60 ± 5,24 (23,49 - 25,71)
Massa (kg) 68,13 ± 6,39 (66,78 - 69,49)
Estatura (cm) 1,60 ± 0,07 (1,59 - 1,61)
IMC (kg/cm²) 26,57 ± 2,18 (26,11 - 27,04)
Tempo Diagnóstico (anos) 6,13 ± 2,43 (5,62 - 6,65)
Número de Laparoscopias 0,75 ± 0,97 (0,54 - 0,95)
Característica categóricas Categoria N (%)
Estado Marital
Solteira
União Estável
Casada
Viúva
29 (33,0%)
32 (36,4%)
23 (25,0%)
5 (5,7%)
Renda Familiar
Menos de 1
Acima de 1 até 2
Acima de 2 até 3
Acima de 3
14 (15,9%)
49 (55,7%)
9 (10,2%)
16 (18,2%)
Estadiamento da Endometriose
I
II
III
IV
19 (21,8%)
29 (32,2%)
23 (25,3%)
18 (20,7%)
Emprego Não
Sim
77 (87,5%)
11 (12,5%)
Endometriose na família Não
Sim
47 (53,4%)
41 (46,6%)
Gestações
Nenhuma
1 gestação
2 gestações
67 (76,1%)
15 (17,6%)
6 (6,8%)
Abortos
Nenhum
1 aborto
2 abortos
70 (76,1%)
14 (17,6%)
4 (6,8%)
Fibromialgia Não
Sim
34,5 (36%)
57 (65,5%)
Fisioterapia pélvica Não
Sim
52 (59,1%)
36 (40,9%)
M: Média. DP: Desvio padrão. IC95%: Intervalo de confiança de 95% dos dados.
76
A faixa etária m édia foi de 24,60 ± 5,24 (23,49 - 25,71), estatura 1,6 ± 0,07
(1,59 - 1,61). A maioria está em situação de união estável 32 (36,4%) ou solteiras
29 (33,0%) e há um baixo percentual de viúvas 5 (5,7%).
O tempo médio para diagnóstico clínico das pacientes do estudo tiveram
média ± desvio padrão 6,13 ± 2,43 (5,62 - 6,65). Todas as mulheres aqui
investigadas possuíam o diagnóstico de endometriose com exame de imagem ou
videolaparoscopia com biópsia, deste total 47 (53,4%) relatou não possuir alguma
outra mulher na família com mesmo diagnóstico.
Houve pacientes do estudo já haviam realizado videolaparoscopia com
biópsia para diagnóstico ou tratamento 0,75 ± 0,97 (0,54 - 0,95), O restante do grupo
nunca realizou o procedimento como tratamento.
O estadiamento da endometriose apresentou, dentro da amostra, uma
distribuição mais homogênea, a maior parcela das pacientes está no Estadiamento
II 29 (32, 2%), seguida do Estadiamento III 23 (25, 3%) e do Estadiamento I 19
(21,6%). O menor percentual de mulheres foi posicionado no Estadiamento IV 18
(20,7%).
No estudo , 77 (87,5%) das pacientes estavam desempregadas e a r enda
familiar estava acima de 1 até 2 salários mínimos 49 (55,7%). Notou-se que 67
(76,1%), tratavam-se de pacientes nulíparas e 70 (76,1%) nunca sofreram aborto.
Sendo importante destacar que a maioria das pacientes possui diagnóstico
de fibromialgia associado 57 (65,5%). Outro dado importante, foi que 54 (60%) nunca
tinha realizado fisioterapia pélvica
5.2 Descrição da avaliação física das pacientes
Na tabela 02 percebeu-se que 63 (71,6%) das pacientes relataram ausência
da prática regular de atividade física nos últimos seis meses, sendo que pós
intervenção a frequência da prática regular de atividade física aumentou para 5 5
(62,5%) com p 0,001 tamanho de efeito médio e das pacientes que praticavam
alguma modalidade pré-intervenção, uma parcela significativa era adepta da
caminhada 13 (52%), seguida da academia 7 (2 8%), corrida 4 (16%) e natação 1
(4%).
77
Tabela 02 - Resultados descritivos das variáveis numéricas contínuas e
inferências do teste de McNemar para medidas repetidas para comparação pré e
pós intervenção
Variável
Categórica Nominal Categoria Pré
N (%)
Pós
N (%)
Sig
(r; X²; 1-β)
Exercício 2x semana Não
Sim
63 (71,6%)
25 (28,4%)
33 (37,5%)
55 (62,5%)
<0,001* L
(0,535; 28,033; 0,704)
Descrição do
Tipo de exercício
Caminhada
Academia
Natação
Corrida
Tênis
13 (52%)
7 (28%)
1 (4%)
4 (16%)
0 (0%)
38 (69,1%)
10 (18,2%)
1 (1,8%)
4 (7,3%)
2 (3,6%)
Avaliação postural
Normal
Protetiva
Disfunção
23 (26,1%)
55 (62,5%)
10 (11,4%)
69 (78,4%)
9 (10,2%)
10 (11,4%)
<0,001* M
(0,497; -6,635; 0,99)
Dor pélvica Não
Sim
6 (6,8%)
82 (93,2%)
61 (69,3%)
27 (30,7%)
<0,001* L
(0,89; 53,018; 0,813)
Dor à palpação
abdominal
Não
Sim
5 (5,7%)
83 (94,3%)
53 (30,1%)
35 (19,9%)
<0,001* L
(0,84; 40,907; 0,799)
Dor associada
cintura escapular
Não
Sim
42 (47,7%)
46 (52,3%)
79 (89,8%)
9 (10,2%)
<0,001* L
(0,511; 31,61; 0,695)
Dor associada braço Não
Sim
39 (44,3%)
49 (55,7%)
79 (89,8%)
9 (10,2%)
<0,001* L
(0,539; 34,568; 0,705)
Dor associada
antebraço
Não
Sim
20 (22,7%)
68 (77,3%)
80 (90,9%)
8 (9,1%)
<0,001* L
(0,762; 58,017; 0,777)
Dor associada
quadril
Não
Sim
29 (33%)
59 (67%)
80 (90,9%)
8 (9,1%)
<0,001* L
(0,658; 47,17; 0,745)
Dor associada perna Não
Sim
29 (33%)
59 (67%)
80 (90,9%)
8 (9,1%)
<0,001* L
(0,668; 49,02; 0,748)
Dor associada
mandíbula
Não
Sim
33 (37,5%)
55 (62,5%)
80 (90,9%)
8 (9,1%)
<0,001* L
(0,628; 45,021; 0,735)
Dor associada tórax Não
Sim
18 (20,5%)
70 (79,5%)
81 (92%)
7 (8%)
<0,001* L
(0,785; 61,016; 0,784)
Dor associada
abdômen
Não
Sim
35 (39,8%)
53 (60,2%)
80 (90,9%)
8 (9,1%)
<0,001* L
(0,572; 37,961; 0,716)
Dor associada
lombar
Não
Sim
38 (43,7%)
49 (56,3%)
84 (95,5%)
4 (4,5%)
<0,001* L
(18,996; 44,022; 1)
Medicações para
endometriose
Não
Sim
18 (20,5%)
70 (79,5%)
49 (55,7%)
39 (44,3%)
<0,001* L
(0,658; 29,032; 0,745)
Medicações para dor Não
Sim
0 (0%)
88 (100%)
66 (75%)
22 (25%)
<0,001* L
(0,985; 64,015; 0,838)
Sintomas urinários
associados
Não
Sim
65 (73,9%)
23 (26,1%)
78 (88,6%)
10 (11,4%)
<0,001* N
(0; 0; 0,5)
Sintomas intestinais
associados
Não
Sim
24 (27,3%)
64 (72,7%)
80 (90,9%)
8 (9,1%)
<0,001* L
(0,72; 55,018; 0,764)
Dispareunia Não
Sim
9 (10,2%)
79 (89,8%)
75 (85,2%)
13 (14,8%)
<0,001* L
(0,862; 63,13; 0,806)
Pontos dolorosos
Occipital
Não
Sim
15 (17%)
73 (83%)
77 (87,5%)
11 (12,5%)
<0,001* L
(0,799; 60,016; 0,788)
Pontos dolorosos
Trapézio
Não
Sim
4 (4,5%)
84 (95,5%)
74 (84,1%)
14 (15,9%)
<0,001* L
(0,935; 69,014; 0,825)
Pontos dolorosos
Supraespinhoso
Não
Sim
6 (6,8%)
82 (93,2%)
74 (84,1%)
14 (15,9%)
<0,001* L
(0,897; 65,127; 0,815)
78
A postura pré-intervenção tinha maior percentual protetivo com protração dos
ombros, hipercifose e hiperextensão dos joelhos 5 5 (62,5%), com queda de
percentual para 9 (10,2 %) na pós-intervenção com p 0,001 e grande tamanho de
efeito. Na tabela 02 , a dor pélvica aparece na avaliação inicial em 8 2 (93,2%) das
mulheres e pós -intervenção tem -se p 0,001 com valor de grande efeito com a
queda para 27 (30,7%) para dor pélvica como também houve resultado significante
para dispareunia (dor na relação sexual) com queda de 79 (89,9%) na avaliação
inicial para 13 (14,8%) com p 0,001 com grande valor de efeito.
Em relação aos pontos dolorosos na avaliação inicial, mais de 90% pacientes
relataram possuir pontos com dores na região do trapézio 84 (95,5%), supra
espinhoso 82 (93,2%) e quadrante externo do glúteo 83 (94,3%), assim como dor à
palpação abdominal 83 (94,3%). Além disso, cabe destacar outros dados álgicos em
virtude da mudança com relação a pós intervenção: dor associada à cintura
escapular de 46 (52,3%) para 9 (10,2%) com p 0,001 e grande valor de efeito; dor
associada ao braço de 49 (55,7%) para 9 (10,2%) p 0,001 com valor de grande
efeito; dor associada ao antebraço de 68 (77,3%) para 8 (9,1%) p 0,001 com valor
Pontos dolorosos
Glúteos
Não
Sim
5 (5,7%)
83 (94,3%)
79 (89,8%)
9 (10,2%)
<0,001* L
(0,927; 73,013; 0,823)
Pontos dolorosos
Trocânter maior
Não
Sim
25 (28,4%)
63 (71,6%)
79 (89,8%)
9 (10,2%)
<0,001* L
(0,686; 49,424; 0,754)
Pontos dolorosos
Vértebra c5 a c7
Não
Sim
22 (25%)
66 (75%)
75 (85,2%)
13 (14,8%)
<0,001* L
(0,715; 50,161; 0,763)
Pontos dolorosos
Junção 2 costelas
Não
Sim
28 (31,8%)
60 (68,2%)
71 (80,7%)
17 (19,3%)
<0,001* L
(0,616; 37,532; 0,731)
Pontos dolorosos
Epicôndilo lateral
Não
Sim
43 (48,9%)
45 (51,1%)
74 (84,1%)
14 (15,9%)
<0,001* M
(0,401; 19,149; 0,656)
Pontos dolorosos
Joelho
Não
Sim
23 (26,1%)
65 (73,9%)
61 (69,3%)
27 (30,7%)
<0,001* L
(0,629; 33,581; 0,735)
Pontos dolorosos
Abdome
Não
Sim
28 (31,8%)
60 (68,2%)
53 (60,2%)
35 (39,8%)
<0,001* M
(0,416; 14,049; 0,661)
Pontos dolorosos
Lombar
Não
Sim
14 (15,9%)
74 (84,1%)
57 (64,8%)
31 (35,2%)
<0,001* L
(0,665; 32,327; 0,747)
Coordenação Não
Sim
79 (89,8%)
9 (10,2%)
3 (3,4%)
85 (96,6%)
<0,001* L
(0,921; 71,309; 0,822)
Pontos dolorosos
intracavitários
Não
Sim
0 (0%)
88 (100%)
84 (95,5%)
4 (4,5%)
<0,001* L
(0,988; 83,012; 0,838)
Reflexos Não
Sim
3 (3,4%)
85 (96,6%)
3 (3,4%)
85 (96,6%)
1,000 N
(0; 0; 0,5)
N: Número de casos. %: percentual relativo ao número total de casos. sig: valor de p para o
teste de McNemar; TE: classificação do tamanho do efeito (N: r negligenciável [menor que 0,1];
S: r pequeno [0,1 – 0,3]; M: r médio [0,3 – 0,5]; L: r grande [0,5 ou maior]). Comparações
significativas são destacadas com um asterisco (*). r: tamanho de efeito r para o teste de
McNemar. X²: Índice estatístico qui-quadrado. 1-β: poder estatístico observado.
79
de grande efeito; dor associada ao quadril de 59 (67%) para 8 (9,1%) p 0,001 com
valor de grande efeito ; dor associada a perna de 59 (67%) para 8 (9,1%) p 0,001
com valor de grande efeito, dor associada a mandíbula de 55 (62,2%) para 8 (9,1%)
p 0,001 com valor de grande efeito ; dor associada ao tórax de 7 0 (79,5%) para 7
(8%) p 0,001 com valor de grande efeito , dor associada a região lombar de 49
(56,3%) para 4 (4,5%) p 0,001 com valor de grande efeito ; dor associada ao
trocânter maior de 6 3 (71,6%) para 9 (10, 2%); dor associada ao espaço vertebral
c5- c7 de 6 6 (75%) para 13 (14, 8%) p 0,001 com valor de grande efeito ; pontos
dolorosos na junção de 2 costelas 60 (68,2%) para 17 (19,3%) p 0,001 com valor
de grande efeito ; pontos dolorosos no joelho de 6 5 (73,9%) para 27 (30, 7%) As
demais regiões podem ser observadas na Tabela 2.
Na mesma tabela, percebe-se que 70 (79,5%) utilizam medicação específica
para endometriose, na figura 18 é possível identificar as medicações utilizadas.
Figura 19 - Medicações específicas para endometriose.
Fonte: Autoria própria (2024).
Na avaliação inicial todas as pacientes relataram fazer uso de medicação para
dor. Na figura 19, é possível visualizar as medicações utilizadas pelas pacientes do
estudo.
dianogeste
de 2mg
didrogestero
na 10 mg
(DIU)
hormonal
Mirena
(DIU)
hormonal
Kyleena
implante de
gestrinona
PORCENTAGEM DE PACIENTES 47.72% 9.09% 12.50% 9.09% 3.40%
0.00%
10.00%
20.00%
30.00%
40.00%
50.00%
60.00%
MEDICAÇÕES ESPECÍFICAS PARA
ENDOMETRIOSE
80
Figura 20 - Medicações para dor.
Fonte: Autoria própria (2024).
Dentre os sintomas associados a endometriose, a maioria das mulheres
estudadas na avaliação inicial apresentaram 64 (72,7%) de sintomas intestinais,
entretanto, somente 23 (2 6,1%) afirmaram não possuir sintomas urinários . Já na
pós-intervenção houve queda para 8 (9,1%) no caso de sintomas intestinais com p
0,001 com valor de grande efeito e 10 (11,4%) para os urinários , conforme tabela
02.
Os pontos dolorosos intracavitários foram unanimidade na avaliação
intestinal, com pós intervenção de 4 (4,5%) com p 0,001 com valor de grande efeito
e somente 9 (10,2%) das pacientes, apresentavam o assoalho pélvico coordenado,
sendo que na pós-intervenção tivemos 85 (96,6%) das pacientes coordenadas com
p 0,001 com valor de grande efeito, conforme tabela 02. A descrição de dados
relacionados à fadiga/cansaço, irritação/nervosismo, trofismo, tônus e sensibilidade
estão descritos na tabela 03.
Tabela 03 - Resultados descritivos das variáveis categóricas ordinais e
inferências do teste de Wilcoxon para medidas repetidas para comparação pré e
pós intervenção.
Variável
Categórica Ordinal Categoria Pré
N (%)
Pós
N (%)
Sig
(w; Z; 1-β)
Fadiga / cansaço
durante a última
semana
Nunca
Leve
Moderada
Severa
7 (8%)
28 (31,8%)
26 (29,5%)
27 (30,7%)
7 (8%)
35 (39,8%)
24 (27,3%)
22 (25%)
0,253 N
(0,085; -1,144; 0,1)
Dipirona
Ò de 1
mg
Toragesi
c
sublingal
de 10
mg,
Tramal
retard
de 100
mg,
Tramal
50 mg
Paraceta
mol
Ibuprofe
no
PORCENTAGEM DE PACIENTES 21.00% 22.00% 15.00% 21.00% 12.00% 9.00%
0.00%
5.00%
10.00%
15.00%
20.00%
25.00%
MEDICAÇÕES PARA DOR
81
Frequência de fadiga/
cansaço
Nunca
Raramente
Frequentemente
Sempre
7 (8%)
14 (15,9%)
42 (47,7%)
25 (28,4%)
7 (8%)
48 (54,5%)
31 (35,2%)
2 (2,3%)
<0,001* L
(0,526; -7,059; 1)
Frequência
preocupada/ irritada ou
nervosa
Nunca
Raramente
Frequentemente
Sempre
7 (8%)
7 (8%)
10 (11,4%)
64 (72,7%)
7 (8%)
42 (47,7%)
22 (25%)
17 (19,3%)
2 cm
56 (63,6%)
12 (13,6%)
7 (8%)
13 (14,8%)
0 (0%)
39 (44,3%)
36 (40,9%)
13 (14,8%)
<0,001* L
(0,559; -7,481; 1)
Trofismo mmii
Normal
Protetiva
Disfunção
56 (63,6%)
8 (9,1%)
24 (27,3%)
23 (26,1%)
42 (47,7%)
23 (26,1%)
<0,001* M
(0,416; -5,578; 0,95)
Tônus do corpo
perineal
Normal
Hipertônico
Hipotêonico
6 (6,8%)
67 (76,1%)
15 (17%)
56 (63,6%)
12 (13,6%)
20 (22,7%)
<0,001* M
(0,356; -4,767; 0,89)
Tônus do esfíncter anal
externo
Normal
Hipertônico
Hipotêonico
68 (77,3%)
0 (0%)
20 (22,7%)
5 (5,7%)
65 (73,9%)
18 (20,5%)
<0,001* M
(0,406; -5,411; 0,92)
Tônus de mmii
Normal
Hipertônico
Hipotêonico
68 (77,3%)
0 (0%)
20 (22,7%)
65 (73,9%)
1 (1,1%)
22 (25%)
0,731 N
(0,026; -0,344; 0,05)
Sensibilidade
Diminuida
Normal
Aumentada
57 (64,8%)
27 (30,7%)
4 (4,5%)
11 (12,5%)
75 (85,2%)
2 (2,3%)
<0,001* M
(0,479; -6,429; 0,99)
N: Número de casos. %: percentual relativo ao número total de casos. sig: valor de p para o teste
de Wilcoxon; TE: classificação do tamanho do efeito (N: w negligenciável [menor que 0,1]; S: w
pequeno [0,1 – 0,3]; M: w médio [0,3 – 0,5]; L: w grande [0,5 ou maior]). Comparações significativas
são destacadas com um asterisco (*). r: tamanho de efeito r par a o teste de Wilcoxon. Z: Índice
estatístico Z. 1-β: poder estatístico observado.
A fadiga/cansaço foi considerada frequente em 42 (47,7%) dos casos, sendo
que na pós intervenção, apresentou-se 31 (35,2%) com p 0,001 com valor de
grande efeito. Já na inspeção do assoalho pélvico 56 (63,6%) apresentando grau 0
de abertura vaginal, com níveis zerados na pós -intervenção com grau 0 com p
0,001 com valor de grande efeito como visto na tabela 03.
Na mesma tabela a hiperatividade de corpo perineal estava presente 67
(76,1%) com melhora para 1 2 (13,6%) com p 0,001 com médio efeito. Já a
hiperatividade do esfíncter anal externo 65 (7 3,9%) foi um achado relevante com
alteração pós intervenção para zerada com p0,001 com valor de médio efeito.
Assim como, a sensibilidade apresentou -se diminuída em 5 7 (64,8%) na
avaliação inicial com 4 (4, 5%) aumentada, já na pós -intervenção 75 (85,2%)
apresentou sensibilidade normal com p0,001 com tamanho de efeito médio.
82
Houve resultado s significantes na tabela 04 para sintomas de cólica em
período menstrual em 84 (94,4%) com duração de 4.95 ± 1.76 pré-intervenção, com
queda para 34 (38,6%) e duração 3.18 ± 0.76 pós-intervenção com p 0,001 com
grande valor tamanho de efeito.
Tabela 04 - Resultados descritivos e inferenciais das variáveis numéricas contínuas
(teste T) e categóricas ordinais (teste de McNemar) do questionário.
Variável
Categórica Nominal Categoria Pré
N (%)
Pós
N (%)
Sig
(d ou r; T ou X²;; 1-β)
Cólica menstrual Não
Sim
5 (5,6%)
84 (94,4%)
54 (61,4%)
34 (38,6%)
<0,001* L
(0,843; 41,891; 0,8)
Variável
Numérica contínua
Pré
M ± DP
(IC95%)
Pós
M ± DP
(IC95%)
Duração das cólicas
4,95 ± 1,76
(4,25 - 5,11)
3,18 ± 0,76
(0,86 -1,54)
<0,001 L
(2.67; 12.919; 1)
Número de
Laparoscopias
0,74 ± 0,97
(0,54 - 0,95)
0,92 ± 0,96
(0,72 -1,12)
<0,001 S
(-0,26; -4,392; 0,408)
M: Média. DP: Desvio padrão. IC 95%: Intervalo de confiança de 95% dos dados. sig: valor de p para o
teste T de medidas repetidas; TE: classificação do tamanho do efeito (N: d negligenciável [menor que
0,2]; S: d pequeno [0,20 – 0,49]; M: d médio [0,5 – 0,79]; L: d grande [0,8 ou maior]). (N: r negligenciável
[menor que 0,1]; S: r pequeno [0,1 – 0,3]; M: r médio [0,3 – 0,5]; L: r grande [ 0,5 ou maior]).
Comparações significativas são destacadas com um asterisco (*). r: tamanho de efeito r para o teste
de McNemar X²: Índice estatístico qui-quadrado. d: tamanho de efeito d de Cohen. T: Índice estatístico
T. 1-β: poder estatístico observado. Comparações significativas são destacadas com um asterisco (*).
5.3 Descrição do Esquema PERFECT (Power, Endurance, Repetition, Fast,
Every, Contractions, Timed) de mulheres com endometriose
Para avaliação funcional da musculatura do assoalho pélvico, foi utilizado o
Esquema New PERFECT, por comando verbal, que traduz -se como um acrônimo
em que cada letra possui um significado, onde P (força) que utiliza a escala de força
de OXFORD modificada de 0-5 com ordem crescente de força, E (endurance), R
(número de repetição das contrações lentas ) e F (número de repetição das
contrações rápidas) , T (Co -contração) com a utilização do Biofeedback
Eletromiográfico New Miotool da Miotec e o E (Elevação) percebido pela contração
do músculo puboretal com palpação intravaginal.
A escala de New PERFECT apresentou melhora pós-intervenção em P
(Força), E (Endurance), R (Repetição), F (Fast) e nos índices E (Elevação), C (Co-
contração) e T (Contração Involuntária), com significância em todas variáveis com
p 0,001 e com grande valor de tamanho de efeito (tabela 5).
83
Tabela 5 - Resultados descritivos e inferenciais das variáveis numéricas
contínuas (teste T) e categóricas nominal (teste de McNemar) da escala
PERFECT.
Variável
Numérica contínua
Pré
M ± DP
(IC95%)
Pós
M ± DP
(IC95%)
Sig
(d ou r; T ou X²;; 1-β)
PERFECT P
Força
1,31 ± 0,94
(1,11 - 1,51)
3,63 ± 0,91
(3,43 - 3,82)
<0,001* L
(-3,55; -23,061; 1)
PERFECT E
Endurance
1,02 ± 0,68
(0,88 - 1,17)
6,67 ± 2,19
(6,21 - 7,13)
<0,001* L
(-4,978; -23,646; 1)
PERFECT R
Repetição
1,74 ± 0,63
(1,6 - 1,87)
4,74 ± 1,62
(4,39 - 5,08)
<0,001* L
(-3,495; -17,684; 1)
PERFECT F
Fast
1,07 ± 0,66
(0,93 - 1,21)
5,26 ± 1,48
(4,95 - 5,58)
<0,001* L
(-5,219; -24,345; 1)
Variável
Categórica Nominal Categoria Pré
N (%)
Pós
N (%)
PERFECT E
Elevação
Não
Sim
77 (87,5%)
11 (12,5%)
0 (0%)
88 (100%)
<0,001* L
(2,533; 77,013; 0,994)
PERFECT C
Cocontração
Não
Sim
88 (100%)
0 (0%)
36 (40,9%)
52 (59,1%)
<0,001* L
(0,53; -7,072; 1)
PERFECT T
Contração
Involuntária
Não
Sim
56 (63,6%)
32 (36,4%)
3 (3,4%)
85 (96,6%)
<0,001* L
(0,507; -6,77; 1)
M: Média. DP: Desvio padrão. IC95%: Intervalo de confiança de 95% dos dados. sig: valor de p para
o teste T de medidas repetidas; TE: classificação do tamanho do efeito (N: d negligenciável [menor
que 0,2]; S: d pequeno [0,20 – 0,49]; M: d médio [0,5 – 0,79]; L: d grande [0,8 ou maior]). (N: r
negligenciável [menor que 0,1]; S: r pequeno [0,1 – 0,3]; M: r médio [0,3 – 0,5]; L: r grande [0,5 ou
maior]). Comparações significativas são destacadas com um asterisco (*). r: tamanho de efeito r
para o teste de McNemar X²: Índice estatístico qui-quadrado. d: tamanho de efeito d de Cohen. T:
Índice estatístico T. 1-β: poder estatístico observado. Comparações significativas são destacadas
com um asterisco (*).
5.4 Avaliação da qualidade de vida das pacientes
A análise da qualidade de vida, medida através do Endometriosis Health
Profile Questionnaire (EHP-30) pode ser verificada na tabela 0 6, com a descrição
dos itens do questionário central e do questionário modular.
84
O questionário EHP também apresentou melhora em todos os seus índices
do questionário central após a intervenção, com p 0,001 com grande valor tamanho
de efeito, com significância semelhante no EHP modular nas seções A, B e C, já nas
seções D, E, F houve significância com p 0,001, porém com médio valor tamanho
de efeito (tabela 06).
Tabela 06 - Resultados descritivos das variáveis numéricas contínuas e inferências
do teste T para medidas repetidas para comparação pré e pós intervenção.
Variável
Numérica contínua
Pré
M ± DP
(IC95%)
Pós
M ± DP
(IC95%)
Sig
(d; T; 1-β)
EHP Dor 70,93 ± 11,18
(68,58 - 73,27)
48,67 ± 12,04
(46,12 - 51,23)
<0,001* L
(2,708; 13,769; 1)
EHP Controle 71,11 ± 11,73
(68,65 - 73,57)
56,86 ± 13,37
(54,02 - 59,69)
<0,001* L
(1,603; 7,707; 1)
EHP Suporte Social 75,57 ± 18,9
(71,56 - 79,57)
65,64 ± 10,15
(63,49 - 67,79)
<0,001* L
(0,889; 4,711; 0,994)
EHP Bem Estar 65,61 ± 15,31
(62,36 - 68,85)
51,48 ± 10,33
(49,29 - 53,67)
<0,001* L
(1,466; 7,505; 1)
EHP Autoimagem 68,75 ± 14,93
(65,59 - 71,91)
67,8 ± 10,14
(65,65 - 69,95)
0,635 N
(0,091; 0,476; 0,086)
EHP Central Total 70,44 ± 10,27
(68,26 - 72,61)
58,09 ± 5,55
(56,92 - 59,27)
<0,001* L
(2,059; 10,718; 1)
EHP Seção A Trabalho 79,61 ± 13,02
(75,5 - 83,72)
66,34 ± 14,14
(61,88 - 70,81)
<0,001* L
(1,398; 8,102; 1)
EHP Seção B Relação
com os filhos
80 ± 11,06
(74,67 - 85,33)
71,05 ± 9,37
(66,54 - 75,57)
<0,001* L
(1,235; 4,819; 1)
EHP Seção C Atividade
Sexual
77,37 ± 14,93
(73,89 - 80,85)
64,55 ± 21,38
(59,56 - 69,54)
<0,001* L
(1; 4,728; 1)
EHP Seção D Médico 70,28 ± 16,89
(66,71 - 73,86)
62,44 ± 12,59
(59,77 - 65,11)
<0,001* M
(0,698; 3,719; 0,996)
EHP Seção E Tratamento 74,17 ± 16,1
(70,75 - 77,58)
65,76 ± 11,4
(63,34 - 68,17)
<0,001* M
(0,78; 3,775; 0,999)
EHP Seção F Infertilidade 85,85 ± 9,56
(83,58 - 88,11)
80,56 ± 16,72
(76,6 - 84,52)
0,004* M
(0,552; 2,972; 0,957)
M: Média. DP: Desvio padrão. IC95%: Intervalo de confiança de 95% dos dados. sig: valor de p para
o teste T de medidas repetidas; TE: classificação do tamanho do efeito (N: d negligenciável [menor
que 0,2]; S: d pequeno [0,20 – 0,49]; M: d médio [0,5 – 0,79]; L: d grande [0,8 ou maior]).
Comparações significativas são destacadas com um asterisco (*). d: tamanho de efeito d de Cohen.
T: Índice estatístico T. 1-β: poder estatístico observado.
85
6 DISCUSSÃO
O presente estudo descreveu avaliação clínica de 90 pacientes com
diagnóstico comprovado de endometriose, comtemplando avaliação funcional do
assoalho pélvico com a escala de New PERFECT e biofeedback eletromiográfico,
além da avaliação de qualidade de vida com questionário EHP -30, com posterior
submissão à protocolo de intervenção composto por 05 (cinco) semanas de
atendimentos fisioterapêuticos pélvicos em etapas: A, B, C, D, E; com perda mínima
de amostragem, com reavaliação pós-intervenção de 88 pacientes com os mesmos
instrumentos da avaliação inicial, visando determinar os benefícios potenciais de um
programa personalizado com recursos, exercícios, mobilizações terapêuticas e
terapia comportamental para a progressão da qualidade de vida de pacientes co m
endometriose e história de sintomas clínicos com dor e disfunção muscular, apesar
da falta de estudos com objetivo semelhante para a discussão, pôde -se encontrar
estudos com impacto positivo preliminar observado para esta abordagem
fisioterapêutica em pacientes com área afetada semelhante ( Lozano-Lozano et al.,
2021; Park et al., 2016).
A faixa etária média foi de 24,51 anos, estando em concordância com estudo
Osayande e Suarnamehulic (2014) que trouxe a incidência maior em mulheres de
25 a 29 anos e menor, nas com mais de 44 anos, assim como o estudo de Ruszała
et al. (2022). Destaca-se que, Zondervan et al. (2020) afirmaram que a endometriose
afeta cerca de 190 milhões de meninas e mulheres em idade fértil no mundo . Esse
dado, aparece até o momento como um dos únicos em que os pesquisadores
seguem um consenso, pois mesmo sem etiologia definida a endometriose possui
público alvo específico com relação à idade (Zondervan et al., 2020).
Esse estudo apresentou maior número de participantes com relações do tipo
união estável e solteiras. Para a maioria das pessoas com dores pélvicas crônicas,
os comportamentos e crenças dos parceiros são de considerável importância na
forma como a condição é vivenciada e gerenciada ( Ferreira et al. , 2016). Segundo
Yela et al. (2020), o apoio e aconselhamento orientado para a mulher encoraja a sua
participação ativa em programas de tratamento e promove resultados benéficos,
além de ajudar a controlar as suas emoções, melhora a adesão a terapias, diminui
o stress e reduz a ansiedade, p romove sentimentos de segurança e aumenta a
satisfação de vida.
86
Existe um peso psicológico no diagnóstico da endometriose que acaba
tornando o quadro sintomatológico além de crônico, penitente, requerendo apoio
familiar, especialmente do parceiro e clinicamente respondendo melhor quando
aparada por especialista (Yela et al., 2020).
O índice de massa corpórea também foi mensurado, com média de IMC 26,46
kg/m². considerada como sobrepeso segundo a Organização Mundial da Saúde
(OMS) que classifica o IMC de acordo com 5 faixas de resultado: baixo peso (IMC <
18,5kg/m²), peso adequado (18 ,5 - 24,9 kg/m²), sobrepeso (25 - 29,9kg/m²),
obesidade (30 - 39,9 kg/m²) ou obesidade mórbida (≥ 40kg/m²) (Duarte et al., 2019).
O achado de sobrepeso está em concordância com alguns autores que relacionaram
a qualidade de vida com o IMC, concluindo que m ulheres com IMC mais alto, têm
menos qualidade de vida, além de menor autoestima, da mesma maneira, as
mulheres com IMC muito baixo apresentam os mesmos resultados ( Bién et al .,
2020).
Sabe-se da importância da manutenção do peso para evitar sobrecarga no
assoalho pélvico das pacientes com endometriose, pois pacientes com quadros de
obesidade seguem uma dinâmica de evolução clássica com aumento da pressão
abdominal com consequente vetor para baixo em direção aos músculos do assoalho
pélvico, sobrecarga esta, que pode gerar inicialmente fraqueza com posterior
hiperatividade com inibição da musculatura (Bién et al., 2020).
O tempo médio para diagnóstico clínico das pacientes do estudo tiveram
média ± desvio padrão 6,14 ± 2,41. Adoamnei (2021) considera a endometriose um
problema de saúde pública, em virtude do tempo que decorre desde o início dos
sintomas, até ao seu diagnóstico e tratamento, o que aumenta o seu impacto na vida
das mulheres com endometriose. Tennfjord et al. (2021), justificam que o diagnóstico
de endometriose ocorre alguns anos após o início dos primeiros sintomas (7 a 10
anos), o que acontece devido à compl exa etiopatogenia e diversidade de
sintomatologia presente. Durante o tempo de espera até ao diagnóstico da doença,
a mulher pode desenvolver alterações músculoesqueléticas secundárias à
endometriose, assim como distúrbios psicológicos e que os resultados deste e de
outros estudos possibilitam compreender como é a experiência de mulheres que têm
endometriose, pois enfrentam um tortuoso caminho até obter o diagnóstico definitivo.
Indiscutivelmente, a demora para o diagnóstico da endometriose é um
problema de saúde pública com várias vertentes, primeiro a dificuldade de acesso
87
aos exames de imagem ou mesmo a laparoscopia diagnóstica, além da escassez
de mão de obra clínica radiológica especializada para elucidação das imagens, ou
ainda, médicos ginecologistas com expertise para as laparoscopias minimamente
invasivas. Essas duas vertentes por si só, geram aumento do quadro inflamatório
em virtude da falta de terapia efetiva pela ausência do diagnóstico, além de piora
global pela postura protetiva que essas pacientes adotam e por inatividade física em
virtude das algias constantes (Adoamnei, 2021).
No presente estudo 52,2% das pacientes não apresentaram história familiar
diagnosticada com endometriose, porém Mińko et al. (2021) afirmam que os fatores
de risco que não são possíveis de modificação na endometriose são: a idade, história
familiar, nível de educação e menarca. Apesar, do estudo não demonstrar correlação
clínica para amostragem, percebe -se que coincidentemente ou não, as pacientes
que possuem história familiar patológica apresentam piora dos sintomas gerais
álgicos.
A grande maioria das pacientes, 72% utilizam medicação específica para
endometriose e 100% utilizam medicação específica para dor. C osta et al. (2018)
afirmam que a terapia que envolve os anticoncepcionais combinados é um método
bastante prático e de fácil administração para o tratamento da endometriose em
pacientes com sintomas leves a moderados. Porém, há estudos controversos sobre
sua eficácia em relação à d or pélvica em pacientes submetidas à laparoscopia
previamente (Chen et al. 2019).
Além disso, estudos abordando o uso de dispositivos e pílulas de
progestágenos isolados, tais como o sistema intrauterino liberador de levonorgestrel,
dispositivo uterino SIU -LNG (SIU -LNG) e dienogeste (DNG) por exemplo. Esses
medicamentos agem através da intervenção no eixo neuroendócrino, interferindo no
mecanismo de estimulação ovariana pelas gonadotrofinas, intervindo diretamente
no mecanismo de feedback. Desse modo, promove-se o bloqueio gonadotrófico, em
especial no pico de hormônio luteinizante, impedindo por fim, a ovulação (C osta et
al., 2018). A viabilidade da conduta farmacológica é fisiologicamente explicável para
essas pacientes com endometriose, pois o bloqueio hormonal não só reduzi o quadro
inflamatório, como também evita a proliferação de novos focos endometrióticos.
Todas as pacientes estudadas informaram fazer uso de terapia
medicamentosa para controlar a dor, entretanto um estudo realizado por
Gambadauro et al . (2019), afirma que o tratamento farmacológico para controle
88
álgico pode falhar em uma a cada três mulheres, por consequência dos efeitos
colaterais dos medicamentos, ou ainda por mal controle da dor.
Costa et al. (2018) ressaltam que na farmacologia é fundamento o alívio da
dor, utilizando analgésicos comuns, AINES e opióides, além disso pode diminuir a
progressão da afecção utilizando medicação hormonal, porém o tratamento
hormonal possui lado negativo quanto ao tema de infertilidade, pois al guns
desses fármacos inibem a ovulação, porém estima -se que o uso de hormônios,
por exemplo a progesterona, pode aliviar sintomas como a dor pélvica crônica
e dismenorreia, e que também existe a opção dos contraceptivos combinados,
esses medicamentos são para controle da lesão e não a “cura”. O mesmo autor
afirma que existe a terapêutica cirúrgica e como todas os outros modelos de
tratamento, é para a diminuição da dor, a recorrência e para fertilidade.
Corroborando com Farsh i et al . (2020) que afirma que o tratamento tem como
principal objetivo o alívio dos sintomas, melhora da QV, prevenir recidivas e reduzir
o impacto da doença a nível anatómico patológico.
A conduta para o quadro álgico é amplamente discutida pela comunidade
científica e pelos congressos de especialidades e o que se percebe é um movimento
para redução de opiódies e uma abordagem mais conservadora com predileção para
classe dos gabapentinoides associada à fisioterapia pélvica, psicoterapia e nutrição.
O estadiamento da endometriose apresentou, dentro da amostra, uma
distribuição mais homogênea, a maior parcela das pacientes está no Estadiamento
II (32,6%). O método atual de estadiamento da endometriose é baseado nas
diretrizes da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM, na sigla em
inglês). Os estágios variam de I (um) a IV (quatro), sendo I o mais leve e IV o mais
grave (Gambadauro et al., 2019).
Fauconnier et al. (2002) afirmam que a correlação entre os sintomas, os
estadiamentos e a localização anatômica ainda mantêm -se inconclusivos na
endometriose pélvica, porém pode -se notar alguma associação entre a dor pélvica
com a profundidade da infiltração dos cistos endometrióticos. Observaram que 17%
das mulheres que apresentam lesões infiltrativas menores de 1 mm referiam dor
pélvica, e, em mulheres com lesões infiltrantes de 2 a 4 mm, a presença de dor foi
de 53%. Nos casos com lesões de 5 a 10 mm de profundidade, a dor pélvica esteve
presente em 37% das mulheres não apresentando correlação com a intensidade.
Ainda descreveram a relação positiva da dismenorréia com os cistos
89
endometrióticos presentes no fundo do saco de Douglas, e a dispareunia, com o
desenvolvimento da endometriose no ligamento útero-sacro. Já Fedele et al. (1999),
relataram que pode existir uma correlação entre a severidade da dismenorréia e o
estadiamento da lesão, mas suas afirmações não são conclusivas.
Costa et al . (2018), afirma m que esses estágios não se correlacionam
necessariamente com os sintomas experimentados, visto que uma mulher com
estágio IV pode ser assintomática (não apresentar sintomas), enquanto uma mulher
com estágio I pode apresentar sintomas debilitantes.
Clinicamente essa discussão é uma incógnita, nota -se que alguns pacientes
possuem vários focos de endometriose com invaginações inclusive intestinais e não
possuem sintoma algum, enquanto que outras apresentam endometriose superficial,
mas possuem sintomatologia ampla com dor pélvica, dispareunia importante,
disquesia, síndrome miofascial e pelve congelada, gerando confusão para a
comunidade científica, porém já existe a caracterização álgica nociplástica que
começaria a elucidar pelo menos a condição álgic o como uma alteração no
processamento da dor, com sensibilização central ou periférica.
Na pesquisa, 76,7% são nulíparas e 80% nunca sofreram nenhum tipo de
aborto. Existe um consenso relacionando nuliparidade com maior incidência na
endometriose, observando -se maior tempo de exposição estrogênica na paciente
nuligesta, sem a proteção progestacional da gestação (Chen et al., 2019).
A fadiga foi um dos achados frequentes em 46,7% dos casos, assim como a
irritação, preocupação ou nervosismo apresentaram-se como sempre frequentes em
72,2% dos casos. Sendo que 28,9% apresentaram quadro de fadiga moderada e
30% fadiga severa. DiBenedetti et al. (2020) afirmam que a fadiga pode ser
interligada com as dores menstruais ou não, com stress e hemorragias irregulares
nas pacientes com endometriose.
Em seguida, alguns estudos apontam a fadiga crônica, como sintoma
proveniente da incapacidade provocada por esta doença, da mesma maneira que
relatam a insônia, depressão e stress (Álvarez -Salvago et al., 2020). Além disso, a
endometriose pode estar associada a comorbilidades sistêmicas: imunitárias (asma,
artrite reumatoide, psoríase e esclerose múltipla), inflamatórias (doença inflamatória
intestinal e doença de Crohn) e perturbações psiquiátricas, hab itualmente incluem-
se a ansiedade e depressão (Chen et al. 2020).
90
Os resultados obtidos por DiBenedetti et al. (2020), concluem que a fadiga
relacionada com a endometriose tem impacto nas atividades diárias (tarefas
domésticas, autocuidado), atividades sociais, humor e/ou emoções (irritação fácil,
humor deprimido), relações familiares e conjugais, trabalho ou escola (capacidade
de concen tração, necessidade de faltar ou sair mais cedo) e na atividade física,
comprovando o seu forte impacto na QV das mulheres. Cerca de 40% das mulheres
com endometriose apresentam déficits no que se refere ao crescimento na carreira
e 50% apresenta diminuição na capacidade profissional devido à doença.
Pokrzywinski et al. (2020) afirmam que o cansaço, fadiga e irritabilidade estão
presentes em mais de 60% das mulheres e 40% delas apresentam algum tipo de
incapacidade na realização de suas atividades sociais, sendo a dor a principal causa
desses sintomas, ratificando os dados do nosso estudo em que 80,36 das pacientes
afirmaram sempre estarem nervosas ou irritadas.
É difícil chegar a uma conclusão sobre a associação entre a fadiga crônica e
endometriose. Percebe -se que dentre os fatores que favorecem a sensação de
cansaço extremo em portadoras de endometriose, estão o desequilíbrio hormonal,
o enfraquecimento do sistema imunológico, as dores e o abalo emocional
provocados pela doença, o sono irregular, entre outras causas.
Dentre os sintomas associados a endometriose, a maioria das mulheres
estudadas apresentaram um percentual alto de problemas intestinais (72,2%),
entretanto, 74,4% afirmaram não possuir sintomas urinários, estando de acordo com
Jiang et. al . (2021), que apresenta m a inflamação intestinal como um sintoma
característico da endometriose, porém Kössi et al . (2013), referem os sintomas
relacionados à endometriose intestinal com maior tempo de atraso diagnóstico e que
coincidentemente apresentam a menor prevalênci a, apesar das dores abdominais,
constipação, sensação de pressão ao evacuar, dor, sangramento ou mesmo
estenose e oclusão intestinal, explicando que em geral os sintomas da endometriose
intestinal são comuns também a outras doenças e, um exemplo disto é a dificuldade
de diferenciação da presença de sangue nas fezes com o sangue proveniente da
menstruação.
Os achados corroboram com De Cicco et al. (2010), Gabriel et al. (2011) e
Knabben et al. (2015), que afirmam que a endometriose do trato urinário é uma
entidade rara, inespecífica e acomete aproximadamente 1 % destas mulheres e que
existem sintomas urinários irritativos, como disúria, hematúria e até mesmo
91
infecções urinárias de repetição relacionados a esta afecção, e que em casos graves
pode evoluir silenciosamente para a falência renal. Encontra-se 13% de prevalência
de tais sintomas, no entanto somente 0,1% das mulheres consideraram este quadro
como o sintoma principal.
Existem várias vias de ligação entre a endometriose e as alterações
intestinais, a primeira é a muscular, visto que a musculatura profunda do assoalho
pélvico, especialmente os elevadores do ânus e pubo retal apresentam
hiperatividade clássica na endometriose, o que favorece os episódios de
constipação. Aliado a isso, tem -se as aderências abdominais e pontos de gatilhos,
principalmente em psoas e até mesmo no diafragma o que também altera fluxo
intestinal.
Nesse estudo 71,1% das pacientes relataram a ausência da prática regular
de atividade física. Febbraio (2005), relata efeito protetor de exercícios, caso sejam
praticados precocemente e durante ao menos duas horas semanais no quadro
álgico da endometriose. Uma diminuição dos níveis séricos de estradiol em mulheres
que praticam exercícios aeróbicos regularmente é a provável explicação para esse
achado, às custas de liberação de beta endorfinas que inibiriam o GnRH e
consequentemente o eixo hipotálamo-hipófise-ovariano.
Febbraio (2005), afirma que tal fato é relevante também ao considerar que a
atividade física regrada tem ação positiva na imunidade, o que pode ser altamente
positivo para portadoras de endometriose que têm nas alterações imunológicas uma
participação efet iva na etiopatogenia do processo. Evidências sugerem que os
sintomas relacionados à endometriose resultam de um processo inflamatório
peritoneal local causado pelos implantes endometriais ectópicos. O fator protetor da
atividade física regular tem sido ava liado no tratamento de doenças envolvendo
processos inflamatórios, tendo em vista alguns estudos que descrevem que a
atividade física aumentaria os níveis sistêmicos de várias citocinas com
propriedades antiinflamatórias.
O mesmo autor, afirma ainda que o músculo estriado tem sido identificado
como um órgão endócrino, que através da contração estimula a produção e liberação
de miocitocinas, que podem influenciar e regular o metabolismo e produção de
citocinas em tecidos e órgãos.
Em uma revisão sistemática de 2014, Bonocher concluiu que, com a literatura
atualmente disponível, não é possível definir o real papel que a prática de exercícios
92
físicos exerce na endometriose. Seriam necessários mais estudos controlados e
randomizados para fazer a ponte com as evidências atuais.
Friberg et a l. (2011) e Wu et al. (2007) citam que a atividade física pode
aumentar os níveis de globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), o que
diminui os estrogênios biodisponíveis, e que se realizada de forma constante
também reduziria a resistência à insulina e a hiperinsulinemia . A hiperinsulinemia
pode aumentar a concentração de estrogênios, diminuindo a concentração de SHBG
e elevando a concentração do fator de crescimento semelhante à insulina-1 (IGF-1),
que pode estimular a proliferação de células endometriais diminuindo as
concentrações da proteína 1 de ligação ao fator de crescimento semelhante à
insulina. IGFBP-1). Por fim, a atividade física regular parece ter efeitos protetores
nos processos inflamatórios e no estresse oxidativo, pois eleva os níveis sistêmicos
de citocinas anti-inflamatórias.
Tennfjord et al. (2021), afirma que a realização de atividade física melhora
não só a intensidade da dor, como os níveis evidenciados de stress e bem-estar ou
autoimagem das pacientes com dor pélvica crônica.
Os benefícios da atividade física para a saúde são indiscutíveis. A prática
constante de exercícios pode diminuir a probabilidade de aparecimento e até mesmo
ajudar no tratamento de algumas doenças. Nota-se que a adoção de hábitos de vida
saudável pode ser benéfico para o alívio dos sintomas da endometriose. Observa-
se que a prática de atividades físicas regulares ameniza os desconfortos da
endometriose. Hormônios como serotonina, endorfina e dopamina, liberados com os
exercícios físicos, contribuem para aliviar a dor intensa sentida pelas pacientes; além
de exercer influência no humor, e no estado redox que pode reduzir o quadro
inflamatório e ativar imunomoduladores, contribuindo para uma melhor qualidade de
vida da paciente.
Nota-se respectivamente média e desvio padrão de 0,74 ± 0,97 (0,54 - 0,95)
das pacientes estudadas para o número de laparoscopias, porém essa técnica é
habitualmente utilizada como recurso de diagnóstico (Carbone et al ., 2021). Sob
essa perspectiva, Bastu et al. (2020), afirma m que o tratamento por via
laparoscópica tem a finalidade de remoção total de todas as lesões endometrióticas
e nódulos, visando a redução de dor pós-operatória e aumenta a qualidade de vida.
93
Assim como existe a dificuldade da laparoscopia diagnóstica, o mesmo
acontece para a cirúrgica com exérese dos focos. Percebe-se que nos quadros com
sintomatologia mais ampla, somente o tratamento cirúrgico reduz a condição álgica.
A dor pélvica é o sintoma mais frequente nas portadoras de endometriose,
cerca de 93,3% das mulheres estudadas apresentaram dor pélvica e cólica
menstrual (94,4%), sendo um fator debilitante em suas atividades diárias,
corroborando com os autores Zondervan et al. (2020), que demostram que esses
sintomas ocorrem devido a um processo inflamatório prolongado dos implantes
endometrióticos, levando a formação de aderências a cicatrizes.
Carbone et al. (2021), afirma que a dor pélvica crónica pode ou não estar
associada à menstruação, tendo o seu início na zona pélvica e duração de pelo
menos seis meses, podendo ser considerada incapacitante a nível funcional. Muitas
vezes, leva à procura de cuidados m édicos, necessitando de cirurgia em alguns
casos. O impacto resultante da dor é subjetivo e diferente de mulher para mulher, o
que significa que é afetada pela personalidade, emoções, comportamentos, e
crenças de cada pessoa, o que influencia a sua duração, intensidade e tolerância.
De acordo com Chmaj -Wierzchowska et al. (2020), o grau de dor evidenciado pela
mulher não é proporcional à gravidade da doença. Isto, porque a presença de
pequenos focos de endometriose peritoneal pode significar dores fortes, enquanto
os quistos grandes podem não necessariamente causar qualqu er queixa
significativa.
Corte et al . (2020), confirma m que como consequência da inflamação
resultante da endometriose, a mulher apresenta vários sintomas, como:
dismenorreia, dispareunia, disquesia, disúria e dores pélvicas crónicas.
Corroborando ainda com Augusto (2019), em seu estudo feito com 90 pacientes com
endometriose no estado de Ceará, o principal sintoma encontrado foi a dor pélvica
crônica em baixo ventre em 83% nas mulheres, seguido pela dispareunia
apresentando em 40%, a infertilidade apareceu em 22% das pacientes e as demais
possuíam outras manifestações clínicas.
Acredita-se que a dor pélvica crônica ocorra na endometriose devido à
inflamação, aderências e cicatrizes. Alguns estudiosos acreditam que quando o
tecido endometrial adere em órgãos próximos ao útero, como bexiga e ovários,
causa dor e desconforto (Corte et al., 2020).
94
A dor durante o ciclo menstrual acontece porque o tecido que cresceu fora do
útero é formado por células endometriais, desse modo, ainda responde a hormônios
reprodutivos. Então, quando ocorre o ciclo menstrual, esse tecido aumenta seu
tamanho e sofre sangr amento, ação que resulta em inflamação e dor. Percebe -se
que algumas mulheres são mais sensíveis à dor e sofrem com maior intensidade. A
resposta para essa questão está na sensibilização do sistema nervoso central. O
sistema nervoso normalmente nos alerta , protegendo o corpo de estímulos que
podem ser nocivos (Corte et al., 2020).
Yela, Quagliato e Pinto ( 2020), avaliaram 60 mulheres com endometriose
profunda com idade média de 37,2 anos, com ocorrência de dismenorreia em 50%,
dispareunia em 57% e metade delas tinham dor pélvica crônica, sendo que ainda
nesses estudos as pacientes relataram a interferência da patologia na qualidade de
vida que afetava os aspectos emocionais, autoestima, disposição, bem -estar social
e a relação sexual.
O presente estudo notou correlação clínica com a condição álgica associada
à cintura escapular direita e esquerda (53,3%), braço direito e esquerdo (55,6%)
antebraço direito e esquerdo (77,8%), quadril direito e esquerdo (nádegas e
trocânter) (67,8%), perna direita e esquerda (66,7%), mandíbula (62,2%), tórax
(80%), costas região cervical (60%), costas na região torácica (59,6%) e costas na
região lombar (57,3%). Em concordância com Ribeiro; Fornari, (2017), que
demonstraram em seu estudo sintomas assoc iados a endometriose como as dores
e desequilíbrios osteomusculares.
Outro ponto importante da dor crônica é o quadro patológico persistente, que
pode acontecer muitas vezes após o estímulo iniciante, ou mesmo sem ele. Esse
resultado causa uma reorganização nas funções e estruturas do sistema nervoso
central, que mantém a percepção da dor (Yela; Quagliato, Pinto, 2020).
Quadros álgicos globais surgem como resultado de rearranjos funcionais e
estruturais do SNC, para manter a percepção da dor e facilitar sua expansão para
regiões distantes. Sabe -se que os aferentes viscerais primários entram na medula
espinal e arborizam extensivamente para penetrar em vários segmentos espinais,
acima e abaixo do segmento de entrada. Estes aferentes estabelecem contato
sináptico, com neurón ios superficiais e profundos do corno dorsal ipsilateral e
contralateral. O resultado é uma ativação ampla e difusa do sistema nervoso central
(Yela; Quagliato, Pinto, 2020),
95
Nesse estudo, 90% das mulheres afirmaram ter dispareunia, de modo a
interferir na qualidade de vida destas mulheres e ocasionando disfunções sexuais
em concordância com Arion et al. (2020) os quais demonstraram em seu estudo que
a dispareunia de profundidade é um sintoma relatado com recorrência nas
portadoras de endometriose, podendo ou não estar associada de sintomas de
disquezia e disúria que causam prejuízos na sexualidade, bem como a uma baixa
frequência das relações, insatisfação sexual e anorgasmia.
Um fato curioso é a baixa porcentagem de pacientes com lesão
endometriótica vaginal, porém um dos principais sintomas da doença é a
dispareunia, e traduz-se como um dos sintomas que mais afeta a qualidade de vida
dessas pacientes e nota -se que é um sintoma com maior característica miofascial
do que inflamatória.
Em Marqui et al. (2014) fizeram um estudo prospectivo observacional com
mulheres entre 18 e 45 anos com atividade sexual, portadoras de endometriose,
comparadas a pacientes com função sexual ativa, porém sem diagnostico de
endometriose. Onde foi aplicado o questionário de função sexual, Female Sexual
Function Index (FSFI). Como resultado, mostraram que existia diferença significativa
entre essas mulheres para dispareunia, onde 75% do grupo com endometriose
apresentou, contra 34% do outro grupo. Não houve di ferença quanto à pontuação
do Female Sexual Function Index (FSFI).
No estudo Augusto 2019, usando pontuação FSFI ( Female Sexual Function
Index) relataram que 70% das mulheres com DIE (Endometriose Profunda
Infiltrativa), têm disfunção sexual em comparação com 60% de mulheres saudáveis.
Eles descobriram maior relato de dor durante a relação sexual em pacientes com
endometriose do que em mulheres sa udáveis e não há diferenças em relação ao
desejo, excitação e orgasmo na pontuação total do FSFI.
Segundo Tatiana et al. (2011), cerca de 40% das mulheres com endometriose
e dor pélvica crônica são sexualmente insatisfeit as e tem uma diminuição na
frequência da relação sexual.
O tônus genital também foi um dado importante com 63.3% apresentando
grau 0 (zero) para abertura vaginal, assim como hipertonia de corpo perineal 75,6%
e esfíncter anal externo 73,9%. Autores como Berlezi et al. (2009) e Bellelis et al.
(2010) afirmam que a deficiência estrogênica, por sua vez , está presente na
endometriose, doença na qual o tecido endometrial localiza -se fora da cavidade
96
uterina e geralmente responde à estimulação hormonal e que tal deficiência gera
uma diminuição da vascularização alterando o tônus da musculatura do assoalho
pélvico (MAP).
Loving et al. (2014), afirmam que a maioria das disfunções ginecológicas com
comprometimento de assoalho pélvico apresentam não só a hiperatividade, como
um aumento do tônus muscular em repouso, diminuição da capacidade de
relaxamento, diminuição da força máxima, aumento de e spasmos musculares e da
sensibilidade dolorosa durante o exame físico.
Não obstante, Ferreira (2011), afirma m que a inflamação ou congestão em
órgãos reprodutivos, e mesmo do trato urinário ou digestivo de causa patológica
como a endometriose, pode causar dor visceral, e até em músculos e pele com
inervação oriunda de um mesmo segmento espinal, causando contração
involuntária, recorrente ou persistente, dos músculos do períneo adjacentes ao terço
inferior da vagina, sendo que essa contração pode variar desde leve, induzindo
alguma tensão e desconforto à penetração, até severa, impedindo a penetração.
A hipertonia dos músculos do assoalho pélvico na endometriose acontece por
uma deficiência caracterizada pela tens ão muscular excessiva para as demandas
funcionais, cabendo salientar que existe uma rela ção positiva entre o estresse
pessoal e a hipertonia muscular do assoalho pélvico.
Nessa pesquisa, 96,6% das pacientes apresentaram o movimento de
contração involuntária (valsava) quando solicitada a contração da musculatura do
assoalho pélvico. Existe uma forte evidência de que 85% das pacientes com dor
pélvica crônica apresentem disfun ção do sistema musculoesquelético, incluindo
mudanças posturais, espasmos na musculatura do assoalho pélvico (MAP) e
síndrome miofascial da parede abdominal (P rendergast; W eiss, 2003; T u et al .,
2008; Gyang et al., 2013).
A postura protetiva esteve presente em 62, 2% das mulheres, com protração
dos ombros, hipercifose e hiperextensão dos joelhos. Fitzgerald e Kotarinos (2003),
afirmam que algumas mulheres com dor pélvica crônica para aliviar a dor, adotam
posturas antálgicas que geram sobrecarga na musculatura pélvica, ligamentos e
articulações, levando a mudanças na função dos seus MAP, ou seja, alterações na
força muscular, c apacidade de contração, coordenação e resistência desses
músculos. Esse desequilíbrio muscular pode criar um constante estiramento dos
MAP, levando ao seu relaxamento; o que pode gerar as duas mudanças mais
97
frequentes nos MAP como os espasmos e pontos gatilhos (L ukic, 2015). Pontos
gatilhos são pontos muito sensíveis que geram incapacidade de contração e
relaxamento muscular, são doloridos à compressão, podem causar dor referida e
podem aparecer após situações traumáticas ou microtraumas repetitivos no músculo
(Doggweiler-Wiygul; Wiygul, 2002).
Os espasmos musculares são respostas motoras involuntárias que estimulam
receptores de dor constantemente e causam isquemia local (Y ap, 2007). Notou-se
ainda que mais de 50% das pacientes da pesquisa apresentaram pontos dolorosos
em região de occipital, trapézio, supra espinhoso , quadrante superior externo do
glúteo.
Estudos como o de Loving et al. (2014) evidenciaram que a presença de
espasmos musculares em mulheres com dor pélvica crônica provoca uma
hiperalgesia não só dos músculos do assoalho pélvico ou músculos proximais, pois
são comuns pontos dolorosos distais, o que leva a uma consequente hipertonia
(Loving et al., 2014). Esses músculos ficam encurtados e quando solicitados a
contrair geram menor força muscular que um músculo em sua posição normal
(Fitzgerald; Kotarinos, 2003).
Telles et al. (2017) apontam relação importante entre a associação das algias
pélvicas com doenças como a depressão, fibromialgia e a síndrome da fadiga
crônica vêm sendo relatadas em alguns estudos, semelhante ao que foi encontrado
na pesquisa com 57,14% das pacientes com diagnóstico associado de endometriose
e fibromialgia.
Pasoto et al. (2005), compararam prospectivamente as manifestações
dolorosas de 45 mulheres que apresentavam endometriose pélvica com 21 mulheres
sem endometriose pélvica confirmada pós videolaparoscopia. As mulheres com
endometriose tiveram mais manifestações musculoesqueléticas particularmente a
poli artralgia e os sintomas de fibromialgia. Em achados anteriores, Sinaii et al.
(2002) analisaram a frequência de doenças endócrinas, autoimunes, fibromialgia,
síndrome da fadiga crônica e doenças atípicas em mulheres com endometriose, e
os membros da American Endometriosis Association concluiram que o
hipotiroidismo, a fibromialgia, a síndrome de fadiga crônica, doenças autoimunes,
alergias e asmas são mais comuns em mulheres com endometriose pélvica do que
nas mulheres americanas em geral.
98
A endometriose pélvica e a fibromialgia possuem características patogênicas
similares. As manifestações dolorosas podem ser confundidas e/ou acentuadas
quando as doenças estão associadas. Porém, a associação dos diagnósticos ainda
requer melhor elucidação (Pasoto et al., 2005),
Todas as pacientes que participaram da pesquisa possuíam dor na palpação
intracavitária e 65,6% apresentaram redução de sensibilidade. Berkley et al. (2004)
afirmaram que uma das causas das dores intracavitária poderia ser a proximidade
dos implantes com nervos, sua pesquisa mostrou que as porcentagens de mulheres
com implantes profundos em áreas bastante inervadas sentiam mais dores que as
mulheres com outros tipos de implantes de endométrio.
Também foi notado que implantes mais velhos têm maior chance de serem
infiltrados por nervos, o que geraria mais dor, o mesmo autor afirma que foi visto
em experiências utilizando ratos que os implantes ectópicos podem desenvolver
um suprime nto nervoso simpático e sensorial, apresentando conexão direta
com a via de nervos esplâncnicos e nervo vago, pois a via de entrada com a
medula espinhal se localiza no mesmo segmento de chegada com os nervos
dos ureteres, e superior ao segmento de chegada dos nervos provenientes do
canal vaginal e bexiga. Com isso, existe a possibilidade de que as hiperalgesias
vaginais e dores nos ureteres estejam relacionadas à mecanismos neurais de dor
(Berkley et al., 2004).
Outro resultado que chama a atenção é o fato de que 90% as pacientes da
pesquisa apresentaram incoordenação da musculatura do assoalho pélvico, e 94,4%
apresentaram dor à palpação abdominal. Garcia et al. (2006), relatam que a dor à
palpação abdominal é um achado comum dos casos de endometriose intestinal.
Na avaliação inicial das pacientes no esquema New Perfect e por meio do
biofeedback eletromiográfico observou -se comprometimento importante na
musculatura do assoalho pélvico.
Em relação ao esquema de New Perfect e resistência dos MAP, ou seja, o
tempo de sustentação da contração, não foram encontrados estudos que avaliassem
mulheres com endometriose, mas para Fitzgerlad e Kotarinos (2003), essas
mulheres possuem fraqueza dessa musculatura e não conseguem sustentar a
contração, pois seus MAP entram em fadiga mais rápido. Outra justificativa é que os
MAP de mulheres com DPC por abrigarem pontos gatilhos, são encurtados e geram
menor força de contração e consequentemente menor resistência muscular.
99
Cabe lembrar que o assoalho pélvico também é musculatura estriada
esquelética, composto por 70% de fibras tônicas e 30% de fibras fásicas, sendo
assim, essa musculatura quando está comprometida com pontos de gatilhos ou
hipertonia acaba não conseguindo desempenhar contração e relaxamento de forma
efetiva (Garcia et al., 2006).
No presente estudo cerca de 70% das pacientes apresentou
comprometimento da qualidade de vida. A qualidade de vida das portadoras de
endometriose é afetada devido a alterações psicológicas como: depressão,
ansiedade, aumento dos índices de estresse e piora no desempenho no ambiente
de trabalho. Sima et al. (2021) observou que quanto maior o escore de dor causada
pela endometriose, pior a qualidade de vida das portadoras da doença.
O estudo de Minson et al. (2012), analisou a qualidade de vida das pacientes
com endometriose afim de identificar seus principais efeitos na qualidade de vida
das mulheres também encontrando efeitos deletérios, apesar de não ter usado o
EHP-30 corroboraram com esse estudo com relação aos achados. Corte et al. (2020)
ainda afirmam que esta patologia influencia diretamente a qualidade de vida da
mulher com endometriose.
Na análise da qualidade de vida, medida através do Endometriosis Health
Profile Questionnaire (EHP-30) na pesquisa, pode-se observar que tanto no módulo
do questionário central, quanto no bloco do questionário modular índices
comprometidos.
Nas pacientes da pesquisa outro comprometimento significante está no
controle/impotência, suporte social, e na relação com os filhos e tratamento. Em
1999, Laumann sugeriu que para analisar a função sexual feminina
precisa estar ciente de que existem diversos fatores relacionados, tais
quais ansiedade, depressão, renda, amamentação, menopausa, doenças
crônicas, infertilidade, anticoncepcionais orais e antidepressivos, abuso sexual,
estresse, fatores religiosos, relacionamento conjugal, cirurgia, similaridades
de doenças neurológica, endócrina, vascular e uroginecológica.
De Graaff et al . (2015), afirmaram que muitas mulheres alegaram não
conseguir ter relacionamentos afetivos sólidos ou simplesmente não os tinham,
pois após a descoberta da doença seus parceiros terminaram o relacionamento e
que essas mulheres com endometriose tive ram os relacionamentos conjugais
afetados pelos sintomas da endometriose, especialmente a dor pélvica, e que
100
isso influenciou negativamente a qualidade de vida, muitas mulheres alegaram
não conseguir ter relacionamentos afetivos sólidos ou simplesmente não os
tinham, pois após a descoberta da doença seus parceiros terminaram o
relacionamento.
Concordando com os achados da pesquisa, Braundmeier et al . (2016)
corroboram a diminuição da satisfação sexual das pacientes com endometriose o
que acarreta em divórcio.
Chapron et al. (2015) ainda afirmam que a endometriose prejudica bastante
o bem -estar, a condição física , a vida conjugal e sexual , semelhante ao que foi
encontrado na pesquisa. Devido ao tratamento lento e pouco eficaz, as participantes
afetadas referem um aumento da aversão sexual, ocasionando uma
diminuição na frequência de relações sexuais e satisfação sexual comprometida
pela dispareunia.
Os resultados encontrados no presente estudo, corroboram com Chapron et
al. (2015), que afirmam que a qualidade de vida das pacientes com endometriose
não é apenas a ausência da dor pélvica, mas engloba amplos e variados aspectos
da vida da mulher no contexto biopsicossocial que precisam ser considerados a fim
de traçar protocolos de tratamento com enfoque nas principais reclamações da
paciente, visando sempre proporcionar bem-estar.
O protocolo de tratamento fisioterapêutico de 05 (cinco) fases do estudo
apresentou-se significante, uma vez que demonstrou pós intervenção, melhora na
escala new PERFECT em todos os quesitos, assim como melhora em todos os
quesitos do questionário EHP apresentou melhora em todos os seus índices após o
tratamento.
Apesar de não termos identificado nenhum estudo publicado com mesmo
objetivo para fomentar a discussão, principalmente com relação ao detalhamento da
avaliação e reavaliação da musculatura do assoalho pélvico com biofeedback
eletromiográfico de pacientes com endometriose, assim como a análise do assoalho
pélvico com escala de new perfect dessas pacientes, trouxemos embasamentos das
técnicas utilizadas no protocolo fisioterapêutico desenvolvido para essa pesquisa,
visto que é um modelo original de tratamento composto por cinco fases.
De acordo com Oliveira et al. (2017), a fisioterapia é o tratamento conservador
mais indicado para a DPC. O foco dessa abordagem é o de alívio da sintomatologia
dolorosa e é imprescindível que o profissional de saúde saiba reconhecer as
101
estruturas musculoesqueléticas do pavimento pélvico. Embora a endometriose não
tenha cura, o tratamento fisioterapêutico tem o objetivo de melhorar a qualidade de
vida dessas pacientes, minimizando os sinais e sintomas da doença.
A fisioterapeuta atua nos sintomas funcionais como a DPC, com o poder de
minimizar os sinais e sintomas da doença como a melhora ou minimização da dor,
realizar o desfecho do ciclo “tensão -dor-tensão”, relaxar a musculatura da pelve,
melhorar a mobilidade pélvica e a percepção corporal, reduzir posturas antálgicas,
prevenir contraturas musculares, melhorar a resposta imunológica da mulher,
aumentar a disposição física pela resposta cardiorrespiratória e melhorar as funções
desejadas pela paciente, consequentemente melhorando a qualidade de vida dessa
mulher (Nascimento, 2017).
Neste sentido, a fisioterapia, altamente especializada no tratamento da dor
crônica, poderá oferecer potenciais benefícios que, em combinação com os
cuidados médicos habituais, poderão levar a um melhor controlo da dor. Além disso,
esta abordagem terapêutica também pode implicar uma redução significativa dos
custos diretos e/ou indiretos da endometriose (Nascimento, 2017).
De acordo com Miranda, Schor e Girão (2009), algumas mulheres com DPC
têm postura anormal, que pode vir de uma adaptação na tentativa de aliviar a dor,
cerca de 85% das pacientes apresentam disfunções do sistema musculoesquelético,
incluindo hiperlordose lombar, hiperextensão de joelhos e anterioriz ação pélvica,
assim como espasmo do músculo levantador do ânus e síndrome do piriforme, o
tratamento dessas disfunções promove uma melhora nas dores colaterais a
endometriose que seria uma consequência dessas disfunções.
O tratamento fisioterapêutico da DPC inicia com correção das disfunções
posturais, que também é um dos objetivos do tratamento, trabalhando a reeducação
postural das pacientes, proporcionando um relaxamento global através de
massagens, pompagens, alongamen tos, liberação miofascial extra e intra cavitaria
promovendo uma melhora também em sintomas como a dispareunia.
Outra técnica utilizada no tratamento da DPC é a massagem perineal que
aumenta a flexibilidade dos músculos e reduz a resistência muscular, fazendo o
alongamento da região perineal, promovendo o relaxamento dessa musculatura.
Inicialmente o fisioterapeuta pode iniciar a massagem perineal através do toque
unidigital, evoluindo para o bidigital, são feitos movimentos em forma de “U”, para
cima, lateralmente na vagina, com pressão para baixo, estirando o períneo, de um
102
lado para o outro. O tempo de aplicação da técnica varia de acordo com o
fisioterapeuta e o relaxamento da musculatura. Com a evolução da paciente a
técnica pode ser executada pela paciente, como forma de auxilio em seu tratamento.
Dentre os recursos da eletroterapia no tratamento da DPC, temos a
Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (TENS). Quando impulsos aferentes via
fibras grossas (tipo A) por onde são transmitidos os impulsos do TENS, são de
intensidade maior do que os das fibras C, os impulsos chegam primeiro ao corno
posterior da medula e despolarizam a substancia gelatinosa, impedindo que os
estímulos da dor passem para o tálamo, ou seja os portões da dor são fechados
(Morgan; Santos, 2011).
A TENS é um dos recursos terapêuticos de simples manuseio e fácil
aplicação, podendo ser de grande valia para alívio da dor sintomática o que torna
uma das técnicas mais utilizadas na área da eletroterapia para endometriose,
O objetivo principal do uso desta abordagem terapêutica é de promover
analgesia nas pacientes, desta forma se tornando uma ótima alternativa para as
mulheres minimizarem o uso de medicamentos para esta finalidade. Além da
analgesia, o TENS possui outros e feitos fisiológicos como: estimulação muscular,
vasodilatação, redução de edema, diminuição da inibição reflexa, entre outros (Reis;
Souza; Bueno, 2016).
A TENS é um método usado no controle da dor onde, seus mecanismos de
ação estimulam a liberação de endorfinas, formando uma possível solução de alívio
da dor para mulheres que sofrem com a cólica menstrual e que não conseguem por
outro meio de tratamento. É um recurso de estimulação dos nervos periféricos por
meio de eletrodos acoplados à pele, atuando nos sistemas moduladores da dor,
provocando analgesia e aumentando a tolerância à dor (F erreira; A zanki, 2010;
Paulino; Teles; Lordêlo, 2014).
Bai et al. (2017) cita m que houve uma melhora imediata da intensidade da
dor relacionada com a dismenorreia primária com o uso do dispositivo TENS,
embora, não houve diferença na melhora da qualidade de vida entre os participantes
do grupo de estudo e do grupo controle.
A conscientização perineal é essencial antes de iniciar qualquer tratamento
fisioterapêutico para o assoalho pélvico, e o biofeedback pode ser usado para
auxiliar nessa abordagem. A cinesioterapia através do toque bidigital do
fisioterapeuta é outra técnica utilizada com essa finalidade, associado à escala new
103
PERFECT. A evolução dos exercícios intracavitários como series de contração
rápidas e lentas, reflexo miotático de estiramento associado a contrações feitas pelo
paciente, contrações resistidas com o biofeedback ou toque bidigital, reforça a
resistência uretral e melhora os elementos de sustentação dos órgãos pélvicos,
melhorando a força da musculatura do assoalho pélvico, hipertrofiando
principalmente as fibras musculares estriadas tipas II dos diafragmas urogenital e
pélvico (Marcon; Santos, 2021).
O tratamento fisioterapêutico pode ser realizado com alta tecnologia com a
técnica do Biofeedback eletromiográfico, na qual utiliza-se o aparelho eletrônico que
envia sinais contínuos e instantâneos que possibilita verificar os acontecimentos
fisiológicos internos das pacientes em forma de sinais visuais (luzes) e/ou auditivos
(sons). Tendo como princ ipais resultados positivos o fortalecimento, uma
recuperação e consciência da mulher no que diz ao conhecimento da força que seu
assoalho pélvico possui (Hoga; Mendes, 2017).
Dessa forma, a técnica proporciona à paciente com endometriose um
tratamento completo e efetivo, contribuindo para esclarecer as causas da condição
muscular, como medida para diminuição da dor e a melhora na qualidade de vida
destas pacientes (Hoga; Mendes, 2017).
A cinesioterapia é a terapia através de movimentos. Com essa abordagem é
possível observar a sintomatologia da paciente e melhorar esses sintomas através
de várias técnicas que envolvem exercícios com mobilizações globais, exercícios
passivos, alongamento muscular global, exercícios para fortalecimento muscular,
coordenação motora, equilíbrio, série de Willians para alongamento e estabilização
da região toraco -lombar, exercícios para fortalecimento do assoalho pélvico,
melhorando dessa forma todo o pavimento pélvico (Nascimento; Kraievski, 2017).
A conscientização perineal, com a correta contração e relaxamento, são
fundamentais para qualificar o assoalho pélvico da paciente com endometriose.
Assim como o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico é uma das
principais modalidades de tratamento para pacientes com endometriose. Buscando
a conscientização das pacientes quanto à forma correta de realizar os exercícios.
Por isso, a realização das orientações comportamentais de caráter
educacional a respeito da contração correta do assoalho pélvico, bem como os
comandos de voz adequados são imprescindíveis para uma terapêutica adequada,
104
assim como para manutenção da qualificação do assoalho pélvico mesmo após a
alta.
105
7 CONCLUSÃO
A presente pesquisa expôs como resultados através da aplicação do
questionário EHP -30, que as mulheres diagnosticadas com endometriose
apresentam qualidade de vida comprometida pela dor pélvica, a qual afeta a vida
profissional e principalmente a vida sexual dessas mulheres, tendo por
consequência impactos negativos nos âmbitos psicológico, físico e social , com
comprometimento físico de caráter osteomuscular de vários segmentos.
Nas mulheres avaliadas, os aspectos influenciados pela dor pélvica
relacionada à endometriose foram a sexualidade e a vida profissional, acarretando
prejuízos biopsicossociais.
A análise da musculatura superficial e profunda do assoalho pélvico das
pacientes com endometriose que foram avaliadas por meio do biofeedback
eletromiográfico de forma inédita , mostrou comprometimento significante mesmo
sem outras pesquisas para discussão.
Os resultados deste estudo indicam que pacientes com endometriose podem
apresentar quadro clínico reversível com intervenção fisioterapêutica ,
principalmente com relação à dor, disfunções musculares e miofasciais. Pois, ao
realizarem protoco lo de fisioterapia pélvica em cinco fases, observou -se na
reavaliação eletromiográfica melhora da força e funcionalidade do assoalho pélvico,
além de redução dos sintomas álgicos pela escala de EVA e melhora da qualidade
de vida de acordo com o EHP-30.
Pesquisas futuras, especialmente estudos experimentais prospetivos, são
necessárias para ampliar e discutir os achados desse estudo.
O uso da fisioterapia e suas formas como tratamento adjuvante da
endometriose requer pesquisas científicas para testar a eficácia da fisioterapia com
especificidade e determinar qual forma será a melhor para a reabilitação funcional
da paciente com endometriose. Devido ao pequeno número de publicações, parece
que o uso da fisioterapia no tratamento da endometriose é subestimado.
Diante do exposto, sugere -se que novas pesquisas sejam realizadas com
número maior de participantes com endometriose que apresentem a dor pélvica
como principal sintoma, assim como disfunções musculares a fim de melhor elucidar
quais são as áreas mais afetadas da vida dessas mulheres e, com isso, estabelecer
106
tratamento condizente com as queixas mais relevantes para promover qualidade de
vida e intervenção em saúde de modo holístico.
Portanto, a falta de informação acerca da endometriose ainda é alarmante,
pois, a grande maioria das mulheres desconhecem aspectos básicos dessa afecção
ginecológica, principalmente com relação aos benefícios da fisioterapia pélvica, além
das inúmeras complicações que podem acometer essas pacientes . Além disso, o
alto custo dos exames diagnósticos e tratamento cirúrgico da doença. Reforça-se,
ainda, a importância da capacitação dos profissionais de saúde, para que esses
conheçam os principais sinais e forma s de apresentação da doença, bem como da
geração de novas diretrizes e portarias que otimizem o manejo da endometriose nos
dias de hoje, para que não haja negligência dos sinais e sintomas, visto que a própria
sociedade tende a fazer naturalização da dor pélvica feminina, o que agrava ainda
mais a qualidade de vida dessas pacientes.
Assim, esta tese destaca a importância de disseminar mais informações a
respeito desta patologia, que é complexa, sendo crucial investimento dos gestores
de saúde pública não só no tratamento da endometriose, como na conscientização
pública, na educação dos profis sionais de saúde, afim de aprimorar e tornar mais
acessível o tratamento e o suporte às mulheres acometidas por esta doença
107
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122
APÊNDICES
123
APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO – UFMA
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA SAÚDE
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Você está sendo convidado, como voluntário, para participar da pesquisa
“IMPACTO NA QUALIDADE DE VIDA RELACIONADO À DOR E A DISFUNÇÃO
MUSCULAR NO ASSOALHO PÉLVICO DE PACIENTES COM ENDOMETRIOSE”.
Você foi selecionado, pois possui diagnóstico funcional de dor pélvica e
dispareunia, com ou sem diagnóstico clínico de endometriose, mas a sua
participação não é obrigatória. A qualquer momento, você poderá desistir de
participar e retirar seu consentimento, sem que para isto sofra qualquer penalidade
ou prejuízo na continuidade do seu acompanhamento. O objetivo principal deste
estudo consiste em avaliar a qualidade de vida relacionada à dor e a disfunção
muscular no assoalho pélvico das pacientes com endometriose; Caso você aceite
participar da pesquisa, a mesma acontecerá da seguinte forma: Uma entrevista para
fornecer informações desde a sua identificação, até os aspectos relacionados à
endometriose, responderá o questionário Endometriosis Health Profile
Questionnaire (EHP-30), já validado em português, para avaliação da qualidade de
vida da paciente com endometriose e será submetida à uma avaliação física e
intracavitária.
Os riscos se remetem a possibilidade de divulgação das informações de
maneira indevida, a ponto de quebrar o sigilo das pacientes de endometriose, por tal
motivo os dados serão arquivados pelas responsáveis da pesquisa e sendo
mantidos por um período de cinco anos e posteriormente destruídos (incinerados).
A pesquisa poderá provocar nas pacientes a sensação de desconforto
emocional ou constrangimentos por relembrarem, durante a pesquisa, situações que
as entristecem, trazendo como consequência uma possível evasão das mesmas da
pesquisa e, exacerbação dos sintomas de depressão. Os quais serão minimizados
124
proporcionando no momento da entrevista, se assim for possível, pois se trata de
ambiente ambulatorial, uma relação confortável e acolhedora, sendo que a
entrevistadora, nesta ocasião, não poderá emitir opiniões que possam influenciar ou
intimidar o participante em suas respostas. Mas caso ache necessário, poderá
interromper a entrevista a qualquer momento ou mesmo deixar de responder às
perguntas, caso isso traga algum constrangimento ou prejudique a sua integridade.
Se houver exacerbação dos sintomas de depressão, os riscos poderão ser
minimizados com a solicitação de assistência psicológica.
Os benefícios esperados dizem respeito à possibilidade de melhorar a
qualidade de vida das pacientes com endometriose, e verificar os impactos da
endometriose no assoalho pélvico. Assim, será possível orientar de forma preventiva
essas pacientes com o intuito de contribuir para evitar o agravamento da doença.
As informações obtidas através dessa pesquisa serão confidenciais e
asseguramos o sigilo sobre sua participação. Os dados não serão divulgados de
forma a possibilitar sua identificação, pois o instrumento para registro dos dados será
identificado por números.
Este termo é impresso em duas vias, rubricadas em todas as suas páginas
e assinadas, ao seu término, por você, ou por seu representante legal, assim como
pela pesquisadora responsável, ou pela(s) pessoa(s) por ele delegada(s). Você
receberá uma via onde consta o telefone e o endereço institucional do pesquisador
principal, do orientador e do Comitê de Ética em Pesquisa, podendo tirar suas
dúvidas sobre o projeto e sua participação, agora ou a qualquer momento.
Os Comitês de Ética em Pesquisa são colegiados interdisciplinares e
independentes, de relevância pública, de caráter consultivo, deliberativo e educativo,
criados para garantir a proteção dos participantes da pesquisa em sua integridade e
dignidade e para contribuir no desenvolvimento da pesquisa dentro de padrões
éticos.
Em caso de concordância com as informações que lhe foram expostas e
aceitação de sua participação na pesquisa rubrique todas as folhas e assine abaixo.
Pesquisador Responsável:
Prof. Profª Dra. Maria do Socorro de Sousa Cartagenes/ Telefone para contato: (98)
98864- 6465
125
Pesquisadora Assistente:
Leydianne dos Santos Sousa/ Telefone para contato: (98) 99126- 0525
COMITÊ DE ETICA: Avenida dos Portugueses, 1966 CEB Velho
Bloco C, Sala 7, Comitê de Ética
UF: MA Município: SÃO LUIS
Fax: (98)3272-8708
CLÍNICA ESCOLA DE FISIOTERAPIA FACULDADE PITÁGORAS: Avenida São
Luís Rei de França, 32 Turu- Jardim de Fátima, São Luís-MA
CEP: 65065-470
FONE: (98)99126-0525
___________________________
Pesquisador responsável
_________________________
Participante da pesquisa
126
APÊNDICE B – FICHA DE AVALIAÇÃO E EXAME FÍSICO
1. Nome:___________________________________________________________
_
2. Data de Nascimento:_____/______/_______. 3. Idade:__________.
4. Sexo: ______________________.
5. Endereço:________________________________________________________
6. Telefone:_____________________________.
7. Cidade:_______________________________.
8. Renda Familiar ( somando todos os moradores da residência)
Emprego: ( )SIM________________________ ( )NÃO
( )Até 1 salário ( )De 1 salário à 2 salários ( )De 2 salários à 3 salários
( ) Acima de 3 salários.
9. HDA:____________________________________________________________
_
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
___
10. HPP:___________________________________________________________
_
__________________________________________________________________
_
11. Idade: |___|___|
12. Diagnóstico de Endometriose: (1) sim (2) não
13. Tempo do diagnóstico de Endometriose;____________
14. Tem histórico de endometriose na sua família? (1) sim (2) não
Caso sim, qual o grau de parentesco?______________________________
15. Quantas vezes a Sra. já ficou grávida? |____|____|
16. Quantos filhos a Sra. teve? |____|____| [ ] NENHUM
17. Quantos partos foram normais? |____|____| [ ] NENHUM
18. Quantos partos foram cesareas? |____|____| [ ] NENHUM
19. Quantos abortos teve? |____|____| [ ] NENHUM
20. Você está grávida? (1) sim (2) não
21. Estado marital: |__| em união |__| separada |__| solteira |__| viúva
22. Dor pélvica: leve(1) moderada(2) forte(3)
23. Cólica menstrual: : (1) sim (2) não
24. Qual a duração da cólica menstrual: ( ) 1 dia ( ) 2 dias ( ) 3 dias ( ) Mais.
25. Dor pélvica: leve(1) moderada(2) forte(3)
26. Dores associadas: [ ] cintura escapular direita [ ] cintura escapular direita [ ]
braço direito [ ] braço esquerdo [ ] antebraço direito [ ] antebraço esquerdo [ ]
quadril direito (nádega e trocânter) [ ] quadril esquerdo (nádega e trocânter) [ ] coxa
direita [ ] coxa esquerda [ ] perna direita [ ] perna esquerda [ ] mandíbula direita [ ]
mandíbula esquerda [ ] tórax [ ] abdômen [ ] região superior das costas [ ] região
inferior das costas [ ]Pescoço.
27. Indique o nível de severidade da fadiga/cansaço durante a última semana:
[ ] nunca [ ] leve
[ ] moderada. [ ] grave
28. Com que frequência se sente cansada?__________
[ 1 ] sempre [ 2 ] frequentemente [ 3 ] raramente [ 4 ] nunca
127
29. Com que frequência se sente preocupada, irritada ou nervosa?
[ 1 ] sempre [ 2 ] frequentemente [ 3 ] raramente [ 4 ] nunca
30. Medicação p/ Endometriose: (1) sim (2) não
Caso sim, quais?______________________________
______________________
Frequência de
Uso:___________________________________________________
31 Medicação p/ Dor: (1) sim (2) não
Caso sim,
quais?_____________________________________________________
Frequência de
Uso:___________________________________________________
32. Sintomas Urinários Associados: (1) sim (2) não
Frequência Urinária Diurna:
Frequência Urinária Noturna:
Aspecto da Urina:
IINCONTINÊNCIA DE ESFORÇO
Coloração:
Proteções: ( ) Absorvente feminino ( ) Fraldas ( ) Protetor diário ( ) Fralda
geriátrica ( )
Quantos por dia:
Motivos da troca: necessidade ou higiene?
SINTOMAS DE ARMAZENAMENTO:
( ) Urgência
( ) Urge-incontinência
( ) Noctúria
SINTOMAS DE ESVAZIAMENTO:
( ) IUE
( ) Enurese
( ) Esforço
( ) Jato fraco
( ) Interrupções
( ) Disúria
( ) Hesitação
( ) Distúrbios de Sensação Vesical (vontade espontânea de ir ao banheiro)
( ) Gotejamento pós-miccional (Goteja na calcinha?)
( ) Gotejamento terminal – goteja ainda no vaso logo depois que termina de
urinar. Pode estar associado à disfunção do detrusor, SNParassimpático não é
inibido
( ) Sensação de esvaziamento incompleto
( ) Desejo pós miccional
Com
128
( ) Constipação
SITUAÇÕES DE PERDAS:
( ) Espontâneas ( ) Tosse ( ) Espirro ( ) Agachar ( ) Erguer Peso ( ) Riso ( )
Caminhada ( ) Mudança de posição ( ) Relação sexual ( ) Mudar de decúbito (
) Subir/descer escadas ( ) Outros:
Qualidade da perda: ( ) em gotas ( ) em jatos ( ) contínuas
Qual a freqüência dessas perdas?
Quando iniciou essas perdas?
PERDAS ASSOCIADAS À URGEINCONTINÊNCIA:
( ) Aumento ou perdas ao contato com a água
( ) Aumento da vontade em ambientes frios
OUTROS SINTOMAS DOS MAP´S: ( ) Nenhum
Dor do lado direito
( x ) Perda de flatos vaginais (Não)
( ) Sensação de peso vaginal
( ) Sensação de bola na vagina
Caso sim,
quais?________________________________________________________
33. Sintomas Intestinais Associados: (1) sim (2) não
Como você se sente? ( ) Normal ( ) Constipação ( ) Soilling
Frequência evacuatória: /semana ( Melhora da frequência
( ) Esforço evacuatório
( ) Fezes endurecidas
( ) Manobras evacuátorias:
( ) Sensação de bloqueio fecal
( ) Vaso entope com frequência – sinal de constipação pelos critérios de Roma IV
( ) Sensação de esvaziamento incompleto
( ) Perda de flatos
( ) Hemorróidas
( ) Plicomas
( ) Incontinência Anal
ꙌꙌꙌꙌꙌꙌꙌꙌꙌꙌꙌꙌꙌꙌEscala de Bristol:
INTOLERÂNCIA A LACTOSE MAIS PARA CONSTIPAÇÃO
Percepção (desejo de evacuação e distinção fezes/gases)? ( ) Sim ( ) Não
SITUAÇÕES DE PERDA FECAL:
129
( ) Espontâneas ( ) Tosse ( ) Espirro ( ) Agachar ( ) Erguer Peso ( ) Riso ( )
Caminhada ( ) Mudança de posição ( ) Relação sexual ( ) Mudar de decúbito (
) Subir/descer escadas.
Qual a frequência dessas perdas?
Proteções: ( ) Absorvente feminino ( ) Fraldas ( ) Protetor diário ( ) Fralda
geriátrica
Quantos por dia:
Cirurgia colorretal?
Medicamento para evacuar?
Outras observações:
Caso sim,
quais?________________________________________________________
34. Tem realizado, nos últimos 6 meses, ao menos 2 vezes semanais por pelo
menos 30 minutos, algum tipo de exercício? (1)sim (2)não
35. Se sim, qual? (1) caminhada (3) ginástica localizada (5) alongamento
(2) corrida (4) natação Outra:________
36. Dados do diagnóstico:
36.1 Data do último diagnóstico ou estadiamento: __ __ / __ __ / __ __
36.2 Estadiamento da endometriose: Estadío I ( ) II ( ) III ( ) IV ( ) IGN ( )
36.3 Número de laparoscopias/laparotomias realizadas na vida |___|___|
36.4 Dispareunia: antes: Presente ( ) Ausente ( ) após: Presente ( ) Ausente ( )
37. Você tem diagnóstico médico de fibromialgia? (1) sim (2) não
HISTÓRIA SEXUAL
• ( ) Ativo / Qual a frequência? Semanalmente
• ( ) Inativo / Há quanto tempo? Há 10 anos
• Tem vontade de ter relação sexual? ( ) sempre ( ) ocasionalmente ( )
nunca
• ( ) Lubrificação
• ( ) Ereção Clitoridiana ( Múltiplas )
• ( ) Prática masturbatória ( não tem )
• Tem orgasmo? (x ) sempre ( ) ocasionalmente ( ) nunca
• ( ) Perda de flatos vaginais
• ( ) Dispareunia / Em alguma posição especifica?
• EVA:
• Descrição da Dor:
• Tem perda de urina na relação? ( ) Durante a penetração ( ) Durante o
orgasmo ( ) urina
• Urina antes da relação com medo de perder? ( ) sim ( ) não
• Existe algo que piora os sintomas de perda? (álcool, alimentos etc.)
• Utiliza alguma estratégia para diminuir as perdas
AVALIAÇÃO ABDOMINAL E DO ASSOALHO PÉLVICO
130
INSPEÇÃO ABDOMINAL
Abdome (presença de cicatriz, impactação fecal...):
( ) Sensibilidade
( ) Pontos dolorosos
( ) Cicatriz ( ) Cicatriz Hipertófica ( ) Cicatriz com Quelóide
( ) Ferida ( )Tecido fibroso ( ) Aderência ( )Edema
• Diástase abdominal: ( ) Sim ( ) Não
• DIR: Supraumbilical: /Circunferência
Umbilical: /Circunferência
Infraumbilical: /Circunferência
Método: ( )Unidigital ( )Bidigital
• Temperatura (Há calor?): ( ) Sim ( ) Não
CONSCIÊNCIA PERINEAL:
( ) Presente ( ) Ausente ( ) Dificuldade
( )Cicatriz ( )Episiotomia ( )Laceração ( )Fístula ( )Queloide
( )Ferida ( )Tecido fibroso ( )Assadura ( )Aderência ( )Fissuras
( )Secreção vaginal ( )Odor ( )Processo infeccioso ( )Inflamação ( )Varizes
pélvicas
• Abertura vulvo-vaginal: ( )0 ( )+ ( )++ ( )+++
• Coloração da pele: ( )Rosácea ( )Esbranquiçada ( )Hiperêmica ( )Escura
( )Ùmida ( )Seca ( ) Brilhante
• POP: ( )Sim ( ) Não
• Hemorróida: ( ) Sim ( ) Não
Se sim: ( ) interna ( ) externa ( ) mista
• Atrofia vulvar: ( ) Sim ( ) Não
INSPEÇÃO MAP
1. MUSCULATURA SUPERFICIAIS – ATIVIDADE VOLUNTARIA: (CIF b7608)
• Bulbocavernosos (pequena junção - piscada): ( ) presente ( )
ausente
• Isquiocavernosos (testa para baixo): ( ) presente ( ) ausente
• Transverso Perineal: ( ) presente ( ) ausente
• Esfincter Anal Externo: ( ) presente ( ) ausente
2. MUSCULATURA PROFUNDA – ATIVIDADE VOLUNTARIA: (CIF b7608)
• Movimento Cranial: ( ) Presente ( ) Ausente ( ) Caudal
• Movimento Caldal: ( ) Presente ( ) Ausente ( ) Cranial
• Co- contrações: ( ) Respiratórios (apneia) ( )Abdominais ( )
Adutores ( )Glúteos ( ) Ausente
3. REFLEXOS (ATIVIDADE INVOLUNTARIA):
• Tosse: ( ) Cranial ( ) Ausente ( )Caudal
131
( )Antes ( ) Durante ( )Depois
• Vassalva: ( ) Cranial ( ) Ausente ( )Caudal
( )Antes ( ) Durante ( )Depois
• Abertura (expulsão): ( ) Caudal ( ) Cranial
( ) Presente ( ) Ausente
4. INCONTINÊNCIA INTRA TESTE:
• Tosse: ( ) Urinária ( ) Anal
• Vassalva: ( ) Urinária ( ) Anal
• Abertura (expulsão): ( ) Urinária ( ) Anal
PALPAÇÃO:
1. SENSIBILIDADE
• Quadriceps: ( ) D>E ( ) Normal ( ) E>D
• Adutores: ( ) D>E ( ) Normal ( ) E>D
• Isquiotibiais: ( ) D>E ( ) Normal ( ) E>D
• Cutaneo Femoral: ( ) D>E ( ) Normal ( ) E>D
• Ilioiguinal: ( ) D>E ( ) Normal ( ) E>D
• Iliohipogastrico: ( ) D>E ( ) Normal ( ) E>D
2. ATIVIDADE REFLEXA
• Clitoridiano: ( ) Presente ( ) Ausente ( ) Aumentado ( ) Diminuído
• Anu cutâneo: ( ) Presente ( ) Ausente ( ) Aumentado ( ) Diminuído
• Cremasterico: ( ) Presente ( ) Ausente ( ) Aumentado ( ) Diminuído
• Levantadores: ( ) Presente ( ) Ausente ( ) Aumentado ( ) Diminuído
3. DOR E PONTOS GATILHO (CIF b28018)
( ) presente ( ) ausente
( ) Pontos gatilho
( ) Desconforto à palpação
EVA:
Quais os pontos (músculos/nervo pudendo)?
4. Função proprioceptiva - (CIF b260)
Parede anterior: ( ) presente ( ) ausente
Parede posterior: ( ) presente ( ) ausente
Lateral direita: ( ) presente ( ) ausente
Lateral esquerda: ( ) presente ( ) ausente
PALPAÇÃO DINÂMICA
1. ATIVIDADE VOLUNTARIA: MOVIMENTO: (CIF b7608)
( ) Completo ( )Pvs e Pr ( ) Pvs ( ) Ausente
2. FORÇA (PRESSÃO) - ESCALA DE OXFORD
132
Posição em Litotomia
0 Ausência de contração ( )
1 Esboço de contração ( )
2 Contração fraca, com sustentação ( )
3 Contração moderada com elevação da
parede vaginal posterior
( )
4 Contração normal com elevação em
direção à Sínfise púbica
( )
5 Contração forte ( )
Método ( )Unidigital ( )Bidigital LAYCOCK: JERWOOD, 2001.
3. RELAXAMENTO
( )Completo ( )Parcial ( )Retardado ( )Ausente
Escala de NEW PERFECT
P Contração voluntaria máxima -
Oxford
F. POTÊNCIA ENDURANCE
E Resistência – tempo Seg. 0- 10 S
R Repetição de contrações
mantidas
N° 1-14 A 11 1-9 A 7S
F Número de contrações rápidas N° 2-10 A 6 2-6 A 4 S
E Elevação da parede vaginal
posterior?
Co-contração de abdome
inferior?
Presença de reflexo na
tosse?
( ) Sim ( )
Não
( ) Sim ( )
Não
( ) Sim ( )
Não
3- 5 A 1 3-3 A 1S
C 4-ZERO 4-ZERO
T
LAYCOCK; JERWOOD, 2001
DIAGNÓSTICO FISIOTERAPÊUTICO
SUPERFICIAIS LEVANTADORES OBTURADORES PIRIFORMES
( ) Hiperativo ( ) Hiperativo ( ) Hiperativo ( ) Hiperativo
( ) Normal ( ) Normal ( ) Normal ( ) Normal
( ) Hipoativo ( ) Hipoativo ( ) Hipoativo ( ) Hipoativo
( ) Incoordenado
( )
Desprogramado
133
APÊNDICE C – ARTIGO 1 E COMPROVANTE DE SUBMISSÃO
Evaluation and treatment of pearl pain with electromyographic biofeedback in
female pearl association: a systematic review of the literature.