Abstract
Carmo, M. A. M. V. The reliability of three-dimensional ultrasonography in the
evaluation of morphological and biometric parameters of the pelvic floor of women
with chronic pelvic pain and dyspareunia. 92p. Tese (Doutorado) Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2019.
Introduction
Chronic pelvic pain is a debilitating condition in women of childbearing
age, considered a public health problem, responsible for annual US spending of over
US $ 5 billion, with an unknown diagnosis in about 60% of the cases and is
associated with dyspareunia in 50% of cases. It is fundamental to obtain diagnostic
Methods
for this pathology. Three-dimensional ultrasonography has shown to be a
reliable method for evaluation of the pelvic floor. Objective: to assess levator ani
muscle (LAM) injury and intra/interobserver reliability of pelvic floor biometry by 3D
ultrasound in women with chronic pelvic pain and dyspareunia. Methods: The study
included 49 women with pelvic pain and dyspareunia of the HCFMRP-USP. Two
examiners performed the acquisition of 3D ultrasound via transperineal using the
probe RIC5-9D independently and blindly. There were collected three blocks per
patient (total 147) that were analyzed by the observer A (intraobserver study) and A
and B (interobserver study). The analysis of the intraobserver measurements was
performed in two times with 90 days apart. The following parameters were evaluated:
the hiatal transverse diameter, hiatal anteroposterior diameter, hiatal area, thickness
of the LAM at the 3 h and 9 h positions and right and left levator–urethra gap (LUG)
measurements and calculated the intra-class correlation coefficient (ICC) and
concordance correlation coefficient (CCC). Plots of correlation and Bland and
Altmann with the limits of agreement (LoA) were constructed. Additionally, the
observers evaluated the LAM injury using a score system. Results: In the
intraobserver analisys the best parameters were the anteroposterior diameter (CCC
0.98; ICC 0.99 and LoA 4.5%), the hiatal area Omni-VCI (CCC 0.99; ICC 0.98 and
LoA 3,8%) and hiatal area render (CCC 0.99; ICC 0.99 and LC 5.4%). The least
reproducible parameters were the LAM thickness at 3 h (CCC 0.58, ICC 0.90 and LC
28.2%) and 9 h (CCC 0.53, ICC 0.93 and LC 29.7%). In relation to the interobserver
analysis the best parameters were the anteroposterior diameter (CCC 0.96; ICC 0.97
and LoA 5.4) and the hiatal area Omni-VCI (CCC 0.97; ICC 0.97 and LC 8.9%). The
worst results were LAM thickness at 3 h (CCC 0.30; ICC 0.34 and LC de 38.2%) and
at 9 h (CCC 0.32; ICC 0.32 and LC 35.1%). Such findings were enforced by Bland
and Altman and correlation plots. The LAM injuries were observed in 10.2% (5/49)
with excellent concordance. Conclusions: The assessment of pelvic floor by
transperineal ultrasound in patients with chronic pelvic pain and dyspareunia was
reproducible either by morphology of LAM injuries or by biometric study, using intra
or interobserver analysis for the anteroposterior diameter, hiatal area render and
Omni-VCI. However, the measurements for the hiatal transverse diameter, levator ani
thickness, right and left LUG and urethra-anus distance are not recommended for
clinical use and it should be restricted for research purpose.
Keywords
Pelvic floor. Tridimensional ultrasound. Intraobserver. Interobserver.
Chronic pelvic pain. Dyspareunia.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Coeficiente de correlação de concordância e coeficiente de correlação
intraclasse intraobservador e limites de concordância .............................................. 23
Tabela 2. Coeficiente de correlação de concordância e coeficiente de correlação
intraclasse interobservador e limites de concordância .............................................. 24
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Ultrassonografia 3D do assoalho pélvico na técnica de renderização -
determinação do plano de dimensões mínimas hiatal demonstrando os diâmetros
ântero-posterior e transverso .................................................................................... 18
Figura 2. Ultrassonografia 3D do assoalho pélvico na técnica de renderização -
determinação do plano de dimensões mínimas hiatal demonstrando a área hiatal
render ........................................................................................................................ 18
Figura 3. Ultrassonografia 3D do assoalho pélvico na técnica Omniview-VCI -
determinação do plano de dimensões mínimas hiatal demonstrando a área hiatal
Omni-VCI................................................................................................................... 18
Figura 4. Ultrassonografia 3D do assoalho pélvico na técnica de renderização -
determinação do plano de dimensões mínimas hiatal demonstrando a espessura
do músculo levantador do ânus às 3 e 9 h ................................................................ 18
Figura 5. Ultrassonografia 3D do assoalho pélvico na técnica de renderização -
determinação do plano de dimensões mínimas hiatal demonstrando a distância
entre a inserção do músculo levantador do ânus no púbis e a uretra à direita e
esquerda ................................................................................................................... 19
Figura 6. Ultrassonografia 3D do assoalho pélvico na técnica de renderização -
determinação do plano de dimensões mínimas hiatal demonstrando a distância
entre a uretra e a borda superior do ânus ................................................................. 19
Figura 7. Ultrassonografia 3D do assoalho pélvico na técnica de TUI
(tomographic ultrasound imaging) - determinação do plano de dimensões
mínimas hiatal demonstrando a lacuna levantador púbis (LLP) entre as cabeças
de seta ...................................................................................................................... 19
Figura 8. Ultrassonografia 3D do assoalho pélvico na técnica de renderização -
determinação do plano de dimensões mínimas hiatal e técnica de renderização ..... 20
Figura 9. Técnica Omni-VCI ..................................................................................... 20
Figura 10. Técnica de TUI (Tomographic Ultrasound Imaging). A . Paciente com
musculatura íntegra. B. Rotura do MLA a direita – score 3 (> de 50%). C. Rotura
total do músculo à direita, seta (score 4); LLP – distância da rotura entre o
músculo e o pube (entre as cabeças de seta) ........................................................... 21
Figura 11. Gráficos de Bland-Altman da análise intraobservador para os
seguintes parâmetros: A – área hiatal render; B – área hiatal – Omni-VCI; C –
diâmetro ântero-posterior; D – diâmetro transverso; E – espessura do músculo
levantador do ânus (MLA) às 3 h; F – espessura do MLA às 9 h. G – distância
músculo levantador uretra (DMLU) esquerdo; H – DMLU direito e I – distância
uretra-ânus. O eixo X representa a média das medidas no tempo 1 e 2 para o
mesmo observador e o eixo Y a diferença absoluta entre as medidas ..................... 26
Figura 12. Gráficos de correlação da análise intraobservador para os seguintes
parâmetros: A – área hiatal render; B – área hiatal – Omni-VCI; C – diâmetro
ântero-posterior; D – diâmetro transverso; E – espessura do músculo levantador
do ânus (MLA) às 3 h; F – espessura do MLA às 9 h. G – distância levantador
uretra (DMLU) esquerdo; H – DMLU direito e I – distância uretra-ânus. O eixo X
representa as medidas no tempo 1 e o eixo Y as medidas no tempo 2 para o
mesmo observador .................................................................................................... 28
Figura 13. Gráficos de Bland-Altman da análise interobservador para os
seguintes parâmetros: A – área hiatal render; B – área hiatal Omni-VCI; C –
diâmetro ântero-posterior; D – diâmetro transverso; E – espessura do músculo
levantador do ânus (MLA) às 3 h; F – espessura do MLA às 9 h. G – distância
músculo levantador uretra (DMLU) esquerdo; H – DMLU direito e I – distância
uretra-ânus. O eixo X representa a média das medidas dos examinadores A e B e
o eixo Y a diferença absoluta entre as medidas ........................................................ 30
Figura 14. Gráficos de correlação da análise interobservador para os seguintes
parâmetros: A – área hiatal render; B – área hiatal – Omni-VCI; C – diâmetro
ântero-posterior; D – diâmetro transverso; E – espessura do músculo levantador
do ânus (MLA) às 3 h; F – espessura do MLA às 9 h. G – distância músculo
levantador uretra (DMLU) esquerdo; H – DMLU direito e I – distância uretra-ânus.
O eixo X representa as medidas no tempo 1 do examinador A e o eixo Y as
medidas do examinador B ......................................................................................... 32
LISTA DE ABREVIATURAS
2D: bidimensional
3D: tridimensional
4D: ultrassonografia tridimensional em tempo real
AP: ântero-posterior
AVC: Anselmo Verlangieri Carmo
CCC: coeficiente de correlação de concordância ou concordance correlation coefficient
CCI: coeficiente correlação intraclasse
DMLU: distâncias entre o músculo levantador do ânus e a uretra
DMLU-D: distâncias entre o músculo levantador do ânus e a uretra direita
DMLU-E: distâncias entre o músculo levantador do ânus e a uretra esquerda
DP: desvio padrão
DPC: dor pélvica crônica
EAI: esfíncter anal interno
EAE: esfíncter anal externo
EP: erro padrão
EPN: endplate noise
HCFMRP-USP: Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto –
Universidade de São Paulo
IC: intervalo de confiança
ICC: intraclass coefficient correlation
IMC: índice de massa corpórea
LAM: levator ani muscle
LC: limite de concordância
LLP: lacuna do osso púbico ao levantador
LoA: limits of agreement
LUG: levator–urethra gap
FAAM: Francisco Antônio Akinaga Magário
MAMVC: Maria Aparecida Mazzutti Verlangieri Carmo
MAP: musculatura do assoalho pélvico
MLA: Músculo levantador do ânus
MTrP: myofascial trigger points
PG: pontos de gatilho
PHQ-4: the Patient Health Questionnaire-4
SDd: standard deviation difference
SDMA: síndrome da dor miofascial abdominal
SRI: speckle reduction imaging
SRQ-20: Self Reporting Questionnaire20
SMFA: Síndrome miofascial abdominal
T: transverso
TUI: tomographic ultrasound imaging
Omni: OmniView
VCI: volume contrast imaging
VAS: visual analogue scale
US: ultrassonografia
LISTA DE SÍMBOLOS
%: percentagem
kg/m2: quilograma por metro quadrado.
Δ: diferença média
SUMÁRIO
Figuras ..................................................................................................................... 17
Tabelas ..................................................................................................................... 22
Gráficos .................................................................................................................... 25
Apresentação ........................................................................................................... 34
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 37
1.1 Definições e Aspectos Gerais ............................................................................. 38
1.2 Prevalência e Fatores Associados ...................................................................... 38
1.3 Comprometimento do assoalho pélvico............................................................... 40
1.3.1 Aspectos anatômicos ....................................................................................... 40
1.3.2 Fisiopatologia da dor pélvica crônica ............................................................... 41
1.3.2.1 Sensibilização periférica ................................................................................ 41
1.3.2.2 Sensibilização central (medula ou cérebro) ................................................... 42
1.3.2.3 Cross-talking entre vísceras e/ou músculos .................................................. 42
1.3.3 Dor da parede abdominal como causa de dor pélvica crônica ......................... 43
1.3.4 Fisiopatologia da dispareunia ........................................................................... 44
1.3.4.1 Vulvodínia ...................................................................................................... 44
1.3.4.2 Vaginismo ...................................................................................................... 45
1.3.4.3 Dispareunia pós-parto ................................................................................... 46
1.3.4.4 Dispareunia por endometriose ...................................................................... 46
1.3.4.5 Espasmo do levantador ................................................................................. 47
1.4 Métodos de análise e avaliação do assoalho pélvico .......................................... 49
1.5 Estudos relevantes .............................................................................................. 53
2 OBJETIVOS ........................................................................................................... 55
2.1 Geral.................................................................................................................... 56
2.2 Específicos .......................................................................................................... 56
3 MATERIAL E MÉTODOS ...................................................................................... 57
3.1 Avaliação da dor e assoalho pélvico ................................................................... 58
3.2 Protocolo de avaliação pela ultrassonografia ...................................................... 59
3.2.1 Aquisição do volume ultrassonográfico ............................................................ 59
3.2.2 Análise dos volumes......................................................................................... 60
3.2.2.1 Técnica de renderização ............................................................................... 61
3.2.2.2 Técnica VCI-OmniView ................................................................................. 62
3.2.2.3 Técnica do TUI (Tomographic Ultrasound Imaging) ...................................... 63
4 ESTATÍSTICA ........................................................................................................ 64
5 RESULTADOS ....................................................................................................... 67
6 DISCUSSÃO .......................................................................................................... 71
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 79
Figuras
Tabelas | 18
Figura 2. Ultrassonografia 3D do
assoalho pélvico na técnica de
renderização - determinação do
plano de dimensões mínimas
hiatal demonstrando a área hiatal
render.
Figura 1. Ultrassonografia 3D do
assoalho pélvico na técnica de
renderização - determinação do
plano de dimensões mínimas
hiatal demonstrando os diâmetros
ântero-posterior e transverso.
Figura 3. Ultrassonografia 3D do
assoalho pélvico na técnica
Omniview-VCI - determinação do
plano de dimensões mínimas
hiatal demonstrando a área hiatal
Omni-VCI.
Figura 4. Ultrassonografia 3D do
assoalho pélvico na técnica de
renderização - determinação do
plano de dimensões mínimas hiatal
demonstrando a espessura do
músculo levantador do ânus às 3 e
9 h.
Tabelas | 19
Figura 7. Ultrassonografia 3D do assoalho pélvico na técnica de TUI (tomographic
ultrasound imaging) - determinação do plano de dimensões mínimas hiatal demonstrando a
lacuna levantador púbis (LLP), entre as cabeças de seta.
Figura 5. Ultrassonografia 3D do
assoalho pélvico na técnica de
renderização - determinação do
plano de dimensões mínimas hiatal
demonstrando a distância entre a
inserção do músculo levantador do
ânus no púbis e a uretra à direita e
esquerda.
Figura 6. Ultrassonografia 3D do
assoalho pélvico na técnica de
renderização - determinação do
plano de dimensões mínimas
hiatal demonstrando a distância
entre a uretra e a borda superior
do ânus.
Tabelas | 20
Figura 8. Ultrassonografia 3D do assoalho pélvico na técnica de renderização -
determinação do plano de dimensões mínimas hiatal. Técnica de renderização.
Figura 9. Técnica Omni-VCI.
Tabelas | 21
Figura 10. Técnica de TUI (Tomographic Ultrasound Imaging). A. Paciente com musculatura
íntegra. B. Rotura do MLA a direita – score 3 (> de 50%). C. Rotura total do músculo à
direita, seta (sore 4); LLP – distância da rotura entre o músculo e o pube (entre as cabeças
de seta).
Tabelas
Tabelas | 23
Tabela 1. Coeficiente de correlação de concordância e coeficiente de correlação intraclasse intraobservador e limites de concordância.
Observador A
(tempo 1)
Observador A
(tempo 2)
CCC
(IC 95%)
CCI
(IC 95%)
LC
(limites 2.5% a 97.5%) % LC
Diâmetro ântero-posterior hiatal (mm) 51,5±5,9 51,4±6,2 0,98 (0,97-0,99) 0,99 (0,94-1,00) -2,2 a 2,4 4,5
Diâmetro transverso hiatal (mm)1 40,1±3,6 40,6±3,6 0,85 (0,75-0,91) 0,92 (0,69-0,98) -4,4 a 3,3 9,6
Área hiatal Render (cm²) 15,0±2,6 15,0±2,7 0.99 (0.98-0.99) 0,99 (0,96-1,00) -0.8 a 0.8 5.4
Área hiatal Omni-VCI (cm²) 15,0±2.7 15.0±2.7 0,99 (0,99-1,00) 0,98 (0,93-1,00) -0,6 a 0,6 3,8
Espessura do levantador do ânus 3h (mm)2 8,6±1,7 7,7±1,1 0,58 (0,42-0,70) 0,90 (0,62-0,98) -1,4 a 3,2 28,2
Espessura do levantador do ânus 9h (mm)3 8,7±1,8 7,8±1,0 0,53 (0,38-0,66) 0,93 (0,71-0,98) -1,5 a 3,4 29,7
Distância músculo levantador uretra à direita (mm) 21,9±4.4 22,3±4,0 0,96 (0,94-0,98) 0,98 (0,91-0,99) -2,6 a 1,6 9,6
Distância músculo levantador uretra à esquerda
(mm) 21,2±2,7 21,6±2,4 0,89 (0,82-0,94) 0,92 (0,67-0,98) -2,6 a 2,0 10,7
Distância uretra-ânus (mm) 27,1±5,1 26,8±5,0 0,96 (0,93-0,98) 0,99 (0,99-1,00) -2,3 a 3,1 10,0
Notes: CCC = coeficiente de correlação de concordância; CCI coeficiente de correlação intraclasse; IC intervalo de confiança; LC = limites de concordância;
1 Medida do diâmetro transverso hiatal excluindo casos de lesão do levantador: CCC = 0,83 (0,72 a 0,90); LC = -4,6 a 3,5; % LC = 9,6%.
2 Espessura do levantador do anus (3h), medidas excluindo casos de lesão do levantador: CCC = 0,61 (0,44 a 0,73); LC = -1.4 a 3,0; % LC = 28,2%.
3 Espessura do levantador do anus (9h), medidas excluindo casos de lesão do levantador: CCC = 0,57 (0,41 a 0,69); LC = -1,6 a 3,2; % LC = 30,0%.
Tabelas | 24
Tabela 2. Coeficiente de correlação de concordância e coeficiente de correlação intraclasse interobservador e limites de concordância
Observador A Observador B CCC
(IC 95%)
CCI
(IC 95%)
LC
(limites 2.5% - 97.5%) % LC
Diâmetro ântero-posterior hiatal (mm) 51,5±5.9 52,2±6.2 0,96 (0,94-0,98) 0,97 (0,96-0,98) -3,5 a 2,1 5,4
Diâmetro transverso hiatal (mm)1 40,1±3.6 39,5±4,7 0,62 (0,3-0,76 0,73 (0,62-0,80) -6,7 a 7,8 18,2
Área hiatal Render (cm²) 15,0±2,6 15,3±3,0 0,93 (0,89-0,96) 0,96 (0,94-0,97) -2,2 a 1,7 13,0
Área hiatal Omni-VCI (cm²) 15,0±2,7 15,2±2,8 0,97 (0,94-0,98) 0,97 (0,96-0,98) -1,6 a 1,1 8,9
Espessura do levantador do ânus 3h (mm)2 8,6±1,7 7,5±1,0 0,30 (0,12-0,46) 0,34 (0,08-0,52) -2,0 a 4,1 38,2
Espessura do levantador do ânus 9h (mm)3 8,7±1,8 7,5±0,8 0,32 (0,18-0,45) 0,32 (0,13-0,59) -1,6 a 4,1 35,1
Distância músculo levantador uretra à direita (mm) 21,9±4,4 21,5±4,3 0,94 (0,89-0,96) 0,95 (0,93-0,96) -2,7 a 3,4 14,1
Distância músculo levantador uretra à esquerda
(mm) 21,2±2.7 21,5±2.6
0,78 (0,65-0,87)
0,80 (0,73-0,86) -3,7 a 3,2 16,3
Distância uretra-ânus (mm) 27,1±5,1 28,2±4,4
0,90 (0,84-0,94)
0,90 (0,83-0,93) -4,8 a 2,7 13,5
Notes: CCC = coeficiente de correlação de concordância; CCI coeficiente de correlação intraclasse; IC intervalo de confiança; LC = limites de concordância;
1 Medida do diâmetro transverso hiatal excluindo casos de lesão do levantador: CCC = 0,67 (0,47 a 0,80); LC = -4,6 a 6,5; %LC = 18,2%.
2 Espessura do levantador do anus (3h), medidas excluindo casos de lesão do levantador: CCC = 0,45 (0,29 a 0,58); LC = -1,7 a 3,3; %LC = 38,2%.
3 Espessura do levantador do anus (9h), medidas excluindo casos de lesão do levantador: CCC = 0,39 (0,25 a 0,51); LC = -1,6 a 3,7; %LC = 35,1%.
4 Medida da distância do músculo levantador uretra excluindo casos de lesão do músculo levantador: CCC = 0,82 (0,70 a 0 ,90); LC = -2,5 a 1 ,6; %LC =
10,7%.
Gráficos
Gráficos | 26
Figura 11. Gráficos de Bland-Altman da análise intraobservador para os seguintes
parâmetros: A – área hiatal render; B – área hiatal – Omni-VCI; C – diâmetro ântero-
posterior; D – diâmetro transverso; E – espessura do músculo levantador do ânus (MLA) às
3 h; F – espessura do MLA às 9 h. O eixo X representa a média das medidas no tempo 1 e 2
para o mesmo observador e o eixo Y a diferença absoluta entre as medidas.
Gráficos | 27
Continuação da Figura 11. Gráficos de Bland-Altman da análise intraobservador para os
seguintes parâmetros: G – distância músculo levantador uretra (DMLU) esquerdo; H –
DMLU direito e I – distância uretra-ânus. O eixo X representa a média das medidas no
tempo 1 e 2 para o mesmo observador e o eixo Y a diferença absoluta entre as medidas.
Gráficos | 28
Figura 12. Gráficos de correlação da análise intraobservador para os seguintes parâmetros:
A – área hiatal render; B – área hiatal – Omni-VCI; C – diâmetro ântero-posterior; D –
diâmetro transverso; E – espessura do músculo levantador do ânus (MLA) às 3 h; F –
espessura do MLA às 9 h. O eixo X representa as medidas no tempo 1 e o eixo Y as
medidas no tempo 2 para o mesmo observador.
Gráficos | 29
Continuação da Figura 12. Gráficos de correlação da análise intraobservador para os
seguintes parâmetros: G – distância levantador uretra (DMLU) esquerdo; H – DMLU direito e
I – distância uretra-ânus. O eixo X representa as medidas no tempo 1 e o eixo Y as medidas
no tempo 2 para o mesmo observador.
Gráficos | 30
Figura 13. Gráficos de Bland-Altman da análise interobservador para os seguintes
parâmetros: A – área hiatal render; B – área hiatal Omni-VCI; C – diâmetro ântero-posterior;
D – diâmetro transverso; E – espessura do músculo levantador do ânus (MLA) às 3 h; F –
espessura do MLA às 9 h. O eixo X representa a média das medidas dos examinadores A e
B e o eixo Y a diferença absoluta entre as medidas.
Gráficos | 31
Continuação da Figura 13. Gráficos de Bland-Altman da análise interobservador para os
seguintes parâmetros: G – distância músculo levantador uretra (DMLU) esquerdo; H –
DMLU direito e I – distância uretra-ânus. O eixo X representa a média das medidas dos
examinadores A e B e o eixo Y a diferença absoluta entre as medidas.
Gráficos | 32
Figura 14. Gráficos de correlação da análise interobservador para os seguintes parâmetros:
A – área hiatal render; B – área hiatal – Omni-VCI; C – diâmetro ântero-posterior; D –
diâmetro transverso; E – espessura do músculo levantador do ânus (MLA) às 3 h; F –
espessura do MLA às 9 h. O eixo X representa as medidas no tempo 1 do examinador A e o
eixo Y as medidas do examinador B.
Gráficos | 33
Continuação da Figura 14. Gráficos de correlação da análise interobservador para os
seguintes parâmetros: G – distância músculo levantador uretra (DMLU) esquerdo; H –
DMLU direito e I – distância uretra-ânus. O eixo X representa as medidas no tempo 1 do
examinador A e o eixo Y as medidas do examinador B.
Apresentação
Apresentação | 35
O interesse em desenvolver este trabalho ocorreu a partir da leitura de artigos
na área de uroginecologia relacionados ao estudo do assoalho pélvico em pacientes
com distopias urogenitais com clínica de incontinência urinária e fecal. Além disso, a
participação no ambulatório de dor pélvica crônica na FMUSP -RP e o incentivo do
meu orientador des pertaram o interesse em estudar o assoalho pélvico nas
pacientes com dor pélvica crônica e dispareunia. Sabe -se que a prevalência dessa
patologia em unidades de atendimento primário em ginecologia é próxima de 40%. A
sua etiologia não é clara e envolve a i nteração de diversos sistemas, dentre esses o
sistema músculo-esquelético, em específico o assoalho pélvico. Cerca de 50% das
mulheres portadoras de dor pélvica crônica apresentam dispareunia de moderada a
grave. Esse sinto ma está diretamente relacionado ao espasmo da musculatura do
assoalho pélvico representado prioritariamente pelo músculo elevador do ânus
independentemente da causa primária da doença. Conforme o exposto acima, faz -
se mister investigar as áreas diretamente envolvidas nessa co ndição e o assoalho
pélvico provavelmente seja uma das mais relevantes.
Atualmente não se utiliza método de imagem rotineiro na avaliação do
assoalho pélvico para a patologia em questão. A utilização da ultrassonografia 3D do
assoalho pélvico pode contrib uir para determinação da etiologia e fatores
relacionados a dor pélvica crônica e dispareunia visto que representa avanço
quando comparada à palpação digital, devido à sua maior subjetividade.
A investigação do assoalho pélvico pode re presentar o início d o
esclarecimento da gênese dessa patologia tão frequente e debilitante que causa
significativo impacto na vida social, familiar e no trabalho afetando negativamente a
qualidade de vida das pacientes.
Apresentação | 36
A contribuição da presente investiga ção relaciona-se ao melhor entendimento
dos fatores envolvidos na fisiopatologia da dor pélvica crônica com dispareunia. Tais
achados poderão contribuir para o avanço no diagnóstico e, consequentemente, no
tratamento de tal condição.
1 Introdução
Introdução | 38
1.1 Definições e Aspectos Gerais
A dor pélvica crônica (DPC) é condição comum e debilitante entre mulheres
em idade reprodutiva, sendo atualmente considerada um problema de saúde
pública. Dentre as muitas dificuldades no manejo da DPC, a própria definição é uma
delas. A International Association of Study of Pain1 2 define a DPC como sendo dor
crônica ou recorrente de origem aparentemente ginecológica, mas sem causa ou
lesão definitiva. Esta definição enfoca a DPC como não tendo causa aparente, o que
dificulta sua abordagem clínica. Definição comumente utilizada para dor pélvica
crônica é de Campbell e Collett3 que a definem como sendo dor pélvica não
menstrual com duração de no mínimo seis meses e severa o suficiente para causar
inabilidade funcional e necessitar de tratamento médico ou cirúrgico. Outra definição
mais atual e completa da DPC em mulheres é a de dor não cíclica, ou seja, não
relacionada exclusivamente ao período menstrual ou à atividade sexual, com
duração de pelo menos 6 meses, localizada na pelve anatômica, na parede
abdominal anterior (região umbilical ou abaixo desta), na região lombossacra ou nos
glúteos e que seja suficientemente severa para causar incapacidade funcional ou
levar à procura por cuidados médicos4 5.
Dispareunia pode ser definida como dor recorrente ou persistente na tentativa
ou na penetração vaginal completa e/ou intercurso vaginal6.
1.2 Prevalência e Fatores Associados
A dor pélvica crônica é onipresente com prevalência variando de 5,7 a
26,6%7. Ela acomete a população feminina entre 15 e 73 anos7-9, com prevalência
Introdução | 39
superior à enxaqueca, asma e lombalgia. Em Ribeirão Preto a prevalência estimada
é de 11,5%10, no Egito chega a 26,6%11, no Estados Unidos é de 20,0 %12 e na
Aústria apenas 5,7%13. Há impacto direto na vida conjugal, social e profissional,
transformando-a em sério problema de saúde pública14-16. Estima-se um custo anual
direto total de $2,8 bilhões de dólares nos EUA em 1996 que se for atualizado chega
a $5,68 bilhões de dólares17.
Em relação à etiologia da dor pélvica crônica destacam-se as seguintes:
origem gastrointestinal (37%), e.g. síndrome do intestino irritável; sistema urológico
(31%), e.g. cistites; sistema genital (20%), e.g. endometriose e adenomiose; e outras
como as músculo-esqueléticas (e.g. síndrome músculo facial)18. Cerca de 60% das
mulheres com a doença nunca receberam diagnóstico específico e 20% nunca
realizaram investigação diagnóstica para elucidar a causa da dor19. Mesmo após a
realização de laparoscopia diagnóstica 30 a 40% não terão diagnóstico20. Em
unidades de cuidados primários 39% das mulheres queixam-se de dor pélvica. Esta
é responsável por 40-50% das laparoscopias ginecológicas, 10% das consultas
ginecológicas e 12% das histerectomias21.
Alguns fatores de risco podem ser citados como: aborto espontâneo, cirurgia
não ginecológica (incluindo cesárea anterior), queixa somática não pélvica22, história
de múltiplos parceiros sexuais, trauma ou abuso psicossexual8 22-24, abuso de álcool
ou droga, aumento do fluxo menstrual, doença inflamatória pélvica, patologia pélvica
e comorbidade psicológica8. Pacientes com dor pélvica crônica possuem quatro
vezes mais chance de apresentar doença inflamatória pélvica25, têm alta incidência
de constipação, síndrome de intestino irritável, depressão e ansiedade comparadas
com o grupo controle26.
Introdução | 40
A dispareunia apresenta prevalência de 12-21% em mulheres de 20 a 60
anos de idade27-30. Nas adolescentes (16-19 anos) a prevalência de dispareunia é
mais elevada atingindo 20%31, comparada às de 50-60 anos (6,5%). Portanto
mulheres mais jovens apresentam prevalência mais elevada comparada às mais
velhas com risco relativo de 2,0 27.
Diversos fatores podem estar associados à dispareunia, dentre eles
ressaltam-se a menopausa, variações anatômicas, episiotomia e rotura perineal
(associados à dispareunia superficial) e endometriose (dispareunia superficial e
profunda), dor pélvica crônica (dispareunia profunda)8 32 doença inflamatória pélvica,
abuso sexual, ansiedade e depressão8.
1.3 Comprometimento do assoalho pélvico
1.3.1 Aspectos anatômicos
A pelve feminina consiste de uma interação complexa entre ligamentos,
musculatura e nervos. A musculatura do assoalho pélvico pode ser dividida em
superficial e profunda, conforme a sua localização na pelve. O assoalho profundo da
pelve é formado pelo grupo de músculos coccígeo e levantador do ânus que
consistem nos músculos puboretal, pubococcígeo e o íliococcígeo33. A fraqueza
desses músculos do assoalho pélvico tem sido associada com uma variedade de
patologias e implicada em algumas causas de dispareunia profunda34 35.
A inervação dos órgãos pélvicos na maioria das vezes origina-se da medula
espinhal sacral e lombar, do tronco simpático e alguns nervos periféricos33 36. O
nervo pudendo é um dos mais importantes na anatomia pélvica, em especial para a
Introdução | 41
região anogenital, pois dá origem à diferentes ramos para várias estruturas
perineais37. Estes incluem o nervo retal inferior, nervo perineal e o nervo dorsal do
clitóris. O nervo pudendo é composto de ramos somáticos do plexo sacral de S2 a
S433 36. Em virtude de sua localização na pelve o nervo pudendo está sujeito à lesão
durante cirurgias pélvicas ou parto. O nervo pudendo pode em alguns casos inervar
músculos do assoalho pélvico e estar associado à sensação da genitália externa,
embora a maioria da inervação do assoalho pélvico origine-se de ramos nervosos
provenientes do plexo sacral33. Esta é a razão pela qual ele é um dos mais
importantes nervos relacionados à dispareunia e dor pélvica38.
1.3.2 Fisiopatologia da dor pélvica crônica
1.3.2.1 Sensibilização periférica
A plasticidade das vias de condução da medula espinhal (corno dorsal) é
deteriorada frente a estímulos nocivos prolongados e pode resultar em significativa
alteração no processo de informação sensorial39 40. O trauma agudo estimula
processo inflamatório com liberação de prostaglandina, substância P, bradicinina,
dentre outras substâncias algiogênicas41. Estas substâncias sensibilizam as
terminações nervosas das fibras nociceptivas Aδ e C (nociceptores), reduzindo o
limiar para a dor dos nociceptores ativos e ativando nociceptores silenciosos,
gerando hiperalgesia42 43. Na persistência da lesão esse mecanismo assume papel
fundamental, resultando na mudança fenotípica do neurônio em virtude de sua
plasticidade44.
Introdução | 42
Por outro lado, quando uma fibra sensitiva é estimulada eletricamente o
impulso caminha não só em direção à medula espinhal (sentido ortodrômico), mas
também no sentido inverso, para a periferia (sentido antidrômico). Quando esse
estímulo antidrômico chega à periferia, há liberação de óxido nítrico, substância P,
CGRP (proteína relacionada ao gene da calcitonina), neuroquininas A e B, dentre
outros, que causam a inflamação neurogênica, caracterizada por vasodilatação,
edema e hiperalgesia45. Isso gera mais lesão tecidual, o que fecha o ciclo e faz o
estímulo doloroso se perpetuar. Esse mecanismo permite interpretar que a dor
pélvica crônica tem, ao menos em parte, um componente inflamatório crônico
importante18.
1.3.2.2 Sensibilização central (medula ou cérebro)
A dor crônica pode apresentar características de sensibilização central 46 47
com consequente hipersensibilidade a dor no tecido não -inflamado alterando a
resposta sensorial induz ida por aferências normais . Tal aumento na sensibilidade a
dor pode ser atribuído à manutenção dos sintomas mesmo após o desaparecimento
da causa inicial e na ausência de patologia periférica48.
1.3.2.3 Cross-talking entre vísceras e/ou músculos
Podem ocorrer reflexos visceros somáticos, visceroviscerais, ou ambos, que
podem levar ao desenvolvimento da síndrome miofascial e à ocorrência de novos
pontos dolorosos 49 denominado cross -talking, existente entre vísceras e entre
víscera(s) e músculo(s) que pode gerar uma sensibilização cruzada ou cross-
Introdução | 43
sensitization. Embora existam evidências clínicas e experimentais da sua ocorrência,
os mecanismos fisiopatológicos envolvidos ain da não são compreendidos. Os
mecanismos envolvidos seriam a projeção convergente de neurônios de segunda
ordem da medula espinhal, entretanto mecanismos periféricos também são
essenciais como determinantes da c ondição50. Tal situação ocorre geralmente entre
vísceras e/ou músculos que compartilham em diversos momentos um mesmo
segmento de inervação medular 50. O estímulo nociceptivo originado em uma víscera
também induz à sensibilização central, levando à hipersensibilidade viscerovisceral e
viscerosomática51. Miranda et al. 52 e Giamberardino et al.53 relatam que a dor
referida pode ter mecanismo bidirecional, como é o caso da dor visceral causando
hiperalgesia em áreas de dor referida e por outra via a aferência somática podendo
levar à hiperalgesia visceral.
1.3.3 Dor da parede abdominal como causa de dor pélvica crônica
Em relação a dor da parede abdominal, a neuropatia e a síndrome miofascial
são algumas das m ais importantes. As neuropatias mais comuns afetam os nervos
iliohipogástrico, ilioinguinal e genitofemoral. Elas são causadas pela secção do nervo
(com a formação de neuroma ou pobre neuroplasticidade adaptativa), ligadura
inadvertida de nervo ou cicatriz fibrosa do tecido adjacente englobando o nervo 54. A
síndrome miofascial tem fisiopatologia mais obscura e é atribuída à isquemia
tecidual devido a contração muscular prolongada e consequente acúmulo de
substâncias inflamatórias tais como serotonina, histamina e prostaglandina. Estas
substâncias têm a pro priedade de induzir contração muscular que geraria um ciclo
vicioso de reverberação mesmo após cessação do evento desencadeador55.
Introdução | 44
Ela é primariamente c aracterizada pela presença dos pontos de gatilho (PG)
na parede abdominal , embora isso não necessariamente exclu a a origem visceral
para a dor persistente 56 57 . Tais PGs são definidos com pequenas áreas de
hiperalgia localizadas nas regiões dos músculos esqueléticos ou fáscias (e.g. no reto
abdominal e músculo oblíquo externo), que comprimidos causam a dor supracitada
(em um dermátomo corresponde nte ou distante) com ou sem contratura perceptível
dos músculos locais e/ou mudanças autonômicas na pele subjacente tais como pilo -
ereção e suor 58. Embora ele não faça parte do exame ginecológico, os PGs podem
ser facilmente identificados por observadores treinados59.
1.3.4 Fisiopatologia da dispareunia
1.3.4.1 Vulvodínia
A vulvodínia representa a maior causa de dispareunia superficial. Ela é
caracterizada pela dor em queimação, desconforto e hiperalgesia na região vulvar
na ausência de qualquer doença clínica ou neurológica34 36. A vulvodínia pode ser
de dois tipos, essencial primária, a qual não possui etiologia conhecida e,
secundária, decorrente de inflamação ou infecção vulvovaginal34 60. Múltiplos fatores
estâo envolvidos na etiologia da vulvodínia, como os fatores psicológicos visto que
mulheres com vulvodínia apresentam baixo limiar para dor. Outro fator etiológico
tem sido atribuído à disfunção da musculatura do assoalho pélvico secundário à sua
fraqueza com interferência na inervação local. A teoria multifatorial é corroborada
pelo fato de mulheres com vulvodínia tenderem a sofrer de outras síndromes
dolorosas crônicas como fibromialgia, cistite intersticial e dor de cabeça crônica34.
Introdução | 45
A inervação sensorial da vulva é suprida na sua maioria pelo nervo pudendo,
o qual submetido ao trauma e inflamação pode ser precursor de lesão em pacientes
com vulvodínia61. O aumento na inervação da derme papilar e intraepitelial ao redor
da vulva e vestíbulo tem sido descrito em mulheres com vulvodínia60. Outro fator é o
aumento de nociceptores desencadeado por processo inflamatório e calor, dentre
outros fatores62. Tais achados suportam a hipótese de associação do aumento da
invervação e atividade neuronal, além de um processo inflamatório na vulva e
vestíbulo estarem associados à vulvodínia.
1.3.4.2 Vaginismo
É definido como dificuldade recorrente ou persistente da mulher permitir a
entrada vaginal do pênis, dedo ou qualquer outro objeto, apesar do seu desejo
expresso de fazê-lo63. Em geral isso tem sido atribuído ao medo de dor, disfunção
do assoalho pélvico ou de natureza comportamental. Vaginismo primário, existente
do início de qualquer esforço sexual, é atribuído à dificuldades com a criação e
atribuído à desconforto com a sexualidade em geral. Vaginismo secundário é reativo
a um processo de doença (e.g. síndrome vestibular vulvar) ou questões de
relacionamento, começando após um período de relações sexuais com sucesso64.
Dor e/ou espasmo no levantador pode também ocorrer quando os músculos
do intróito desenvolveram o padrão de contração involuntária. Entretanto os dois
grupos de músculos podem funcionar independentemente. Isto significa que o
vaginismo do intróito pode existir sem o espasmo do levantador e vice-versa64.
Introdução | 46
1.3.4.3 Dispareunia pós-parto
O modo de parto e trauma perineal podem estar associado à dispareunia. Mc
Donald et al.65 investigaram se o modo de parto e trauma perineal estão associados
à dispareunia. A razão de chances de dispareunia era maior após o parto em
mulheres submetidas à parto vaginal com vácuo extrator (razão de chances ajustada
2,28, IC 95% 1,3–4,1; p = 0,005) ou cesárea de emergência (razão de chances
ajustada – 2,41, IC 95% 1,4–4,0; p = 0,001) comparadas àquelas que tiveram
cesárea eletiva (razão de chances ajustada 1,71, 95% IC 0,9–3,2; p = 0,087) ou
parto vaginal com períneo intacto (razão de chances ajustada 1,0) aos 18 meses
pós-parto.
1.3.4.4 Dispareunia por endometriose
A endometriose é causa bem conhecida de dispareunia profunda em
mulheres em idade reprodutiva61 66. A prevalência de endometriose em mulheres em
idade reprodutiva é de 10%, e destas, a metade apresenta dispareunia profunda66.
Em pacientes com endometriose foi observado aumento na densidade de ramos
nervosos nociceptivos nos ligamentos uterossacrais sendo proposto neurogênese
local como a causa de dispareunia profunda67. A dispareunia profunda tem sido
associada à presença de lesões endometrióticas profundas nos ligamentos
uterossacros68. Mulheres com esse tipo de lesão tem dispareunia profunda mais
intensa que àquelas com lesões em outros locais69. Isto pode estar associado à
presença de nervos sensórios e sensórios motores nesses ligamentos que podem
estar infiltrados por lesões endometrióticas70. A dispareunia profunda também pode
Introdução | 47
ser causada por tração dos ligamentos uterossacrais fibrosados durante a relação
sexual e também pela pressão em nódulos endometrióticos infiltrados por tecido
fibrótico. Além disso, a imobilização dos orgãos pélvicos durante coito ativo pode
contribuir para a patogênese da dispareunia profunda71.
1.3.4.5 Espasmo do levantador
O espasmo dos músculos do levantador do ânus pode estar associado ao
vaginismo. Isso pode se desenvolver na presença de desconforto visceral resultante
de patologia pélvica ou após cirurgia para correção de tais patologias. Uma vez que
o hábito muscular é estabelecido ele pode persistir após a causa original ser
corrigida. Esse problema é comum em mulheres com dor pélvica diária ou
dispareunia72.
Independente da causa primária, é comum a identificação da sensibilidade na
musculatura do assoalho pélvico nas mulheres com dor pélvica crônica73. Tem-se
observado que 50% das mulheres portadoras dessa condição apresentam
dispareunia moderada a severa. Esse sintoma está diretamente associado à
presença de espasmo da musculatura do assoalho pélvico (músculo elevador do
ânus) detectado clinicamente independente da causa primária da doença 73.
Acredita-se que tal comprometimento não seja a condição primária na maioria dos
casos, mas provavelmente oriundo de cross-talk, dor referida. Existem inúmeros
elementos fisiopatológicos que justificam tal fato, particularmente na síndrome da
dor miofascial abdominal (SDMA) na qual a placa nervosa terminal (endplate noise-
EPN) nos pontos de gatilho (myofascial trigger points, MTrP) e as conexões entre
este e o cordão espinhal foram descritas74. Diversos fatores podem perpetuar
Introdução | 48
SDMA, como a perda de massa muscular, isquemia muscular e dor visceral referida,
dentre outros. O mecanismo para explicar a geração e perpetuação do estímulo do
MTrP é desconhecido, entretanto a liberação facilitada de acetilcolina nas placas
nervosas terminais motoras e das substâncias neuronais e vasculares é acreditado
resultar na despolarização e, consequentemente, na contração sustentada da fibra
muscular75. Esta leva à isquemia localizada causando a liberação de neuroquinina,
histamina, setoronina e prostaglandina que estimulam os nociceptores, aumentando
a liberação de acetilcolina. Isto gera contração muscular reflexa resultando em um
ciclo sustentado de dor e espasmo. Outra explicação seria que a sobrecarga
transitória da musculatura poderia causar dano no retículo sarcoplamático e no
sistema de túbulos T levando a liberação do íons cálcio estocados, retomando o
processo na área injuriada causando contração muscular permanente76. Todavia em
algumas pacientes observa-se que o espasmo do assoalho pélvico é o único
elemento objetivo capaz de explicar os sintomas percebidos por elas. Embora se
tenha observado resultados promissores na reabiltação desses músculos não se
dispõe de ferramenta objetiva e reprodutível para mensurar o impacto de tais
medidas na funcionalidade do assoalho pélvico, tampouco na sua anatomia. Lesões
como avulsão do músculo dos assoalho pélvico após o parto ou cirurgias pélvicas
dificilmente são detectadas clinicamente com precisão e técnica utilizadas para
avaliar sintomas associados ao espasmo do músculo levantador do ânus (MLA) 77.
De modo geral a literatura carece de um método objetivo e amplamente reprodutível
para identificar eventual lesão dos músculos do assoalho pélvico. Desde o final do
último século, a ultrassonografia 3D e a ressonância magnética têm sido destaques
na uroginecologia para avaliação de incontinência urinária, prolapso genital e
Introdução | 49
implantes de telas78 mas ainda não foram exploradas na população de mulheres
com DPC.
1.4 Métodos de análise e avaliação do assoalho pélvico
A avaliação da dor pélvica crônica de causa musculo-esquelética, ou seja,
que envolve o assoalho pélvico é desafiadora. O exame dessas estruturas causam
desconforto às pacientes seja pela palpação intravaginal ou intrarretal. O diagnóstico
da causa musculo-esquelética é difícil em virtude da falta de um teste de referência
que confirme a disfunção tecidual seja pelo exame físico, biópsia, estudo de
imagem, eletromiografia ou marcadores séricos. Os critérios de consenso entre os
especialistas que incluem história clínica, sintomas e achados do exame físico têm
servido como substitutos de marcadores objetivos para muitas condições clínicas.
Infelizmente não existe um critério diagnóstio de consenso para dor pélvica de causa
musculo-esquelética, o que tem, provavelmente dificultado a pesquisa nessa área.
Além disso, os estudos existentes têm limitações significativas: inefetividade,
aplicação incorreta de teste diagnóstico e falhas nos desenhos79. Essas
considerações podem ser aplicadas à musculatura do assoalho pélvico.
Diversos métodos têm sido utilizados na avaliação do assoalho pélvico como:
palpação digital, perineometria, eletromiografia, ultrassonografia e ressonância
magnética. A palpação digital, embora fidedigna, é subjetiva, o que dificulta a
avaliação prospectiva, particularmente quando a paciente será examinada por
profissionais diversos em momentos distintos. A perineometria é medida objetiva da
pressão vaginal que apresenta boa concordância com a avaliação digital. Entretanto,
ela pode sofrer influência de vários fatores (ativação da musculatura sinérgica,
Introdução | 50
principalmente do músculos da parede abdominal, dos músculos respiratórios, dos
músculos glúteos e adutores da coxa) e não tem a capacidade de medir a força ou
função do assoalho pélvico e sim a pressão vaginal80. Além disso, os diferentes
modelos de dispositivos intravaginais disponíveis impedem a comparação de
resultados entre os estudos81 82. De qualquer forma embora haja acordo entre os
métodos de avaliação digital e por aferição de pressão eles não podem ser
considerados válidos, sensíveis e reprodutíveis para o propósito científico83. A
eletromiografia mensura a atividade elétrica dos músculos e pode ser de superfície
ou intramuscular. A avaliação superficial pode sofrer influências externas diversas e
a intramuscular é tecnicamente limitante. Além disso, para avaliar apenas uma
unidade motora, as respostas obtidas podem não ser lineares, portanto não
representar a atividade muscular como um todo84. A ressonância nuclear magnética
tem se mostrado muito eficaz na avaliação do assoalho pélvico, porém as limitações
para a execução do exame e o custo operacional praticamente inviabilizam a sua
utilização de rotina85-87. A ultrassonografia, particularmente por via transperineal tem
se mostrado muito eficiente em avaliar a morfologia e a função do assoalho pélvico
em mulheres. O método tem várias vantagens sobre outras modalidades de
imagem, incluindo a ausência de radiação ionizante, relativa facilidade de utilização,
mínimo desconforto, custo/efetividade, curto tempo para realização e ampla
disponibilidade. No entanto, o conhecimento geral da ultrassonografia do assoalho
pélvico não é difundido, além de haver diferentes especialistas envolvidos,
(radiologistas, urologistas, ginecologistas e cirurgiões colorretais) limitam a difusão
da técnica78 88-103. Com o advento da ultrassonografia tridimensional o método
passou a ser utilizado com certa frequência para avaliação da incontinência urinária
e fecal e prolapso genital88 92. Até o momento não há descrição na literatura da
Introdução | 51
utilização da ultrassonografia transperineal como método de avaliação do assoalho
pélvico de mulheres portadoras de dor pélvica crônica, assim como não há descrição
do uso da sonda RIC5-9D (endovaginal) para obtenção de imagens do assoalho
pélvico via transperineal, o que é passível do ponto de vista clínico, pela alta
frequência permitindo o detalhamento da imagem.
A ultrassonografia tridimensional oferece diversas possibilidades diagnósticas.
O 3D cine, o qual melhora a avaliação da percepção de profundidade; a
ultrassonografia tridimensional em tempo real (4D) provê a visão de movimento
tridimensional em tempo real; o TUI (tomography ultrasound image) permite a
exibição de vários planos paralelos em apenas uma imagem; o VCI (volume contrast
imaging) mehora a imagem contrastada e diminui o artefato entre os tecidos;
Omniview retifica estruturas curvelíneas para serem vistas no mesmo plano104.
As principais vias de exame com ultrassonografia 3D/4D para avaliação da
musculatura do assoalho pélvico são transperineal, transvaginal e endoanal. Na via
transperineal utiliza-se transdutor convexo com frequência de 3,5 a 6 MHz com a
paciente em posição de litotomia com os quadris flexionados e levemente abduzidos
ou na posição ortostática. O transdutor é colocado no corpo perineal no plano
médio-sagital a fim de delinear os músculos e órgãos do assoalho pélvico. As
imagens são obtidas com a paciente em repouso, durante a manobra de Valsalva e
durante contração. Esse acesso é superior à via transabdominal98. O transdutor
transvaginal 3D de 9-16 MHz pode ser usado na posição de litotomia descrita acima.
O transdutor é girado 1800 para visualização do ânus e estruturas adjacentes,
incluindo o esfíncter anal interno (EAI) e o esfíncter anal externo (EAE). A avaliação
sagital da porção anterior do períneo mostra a vagina distal, bexiga, uretra e o septo
retovaginal105.
Introdução | 52
Algumas medidas anatômicas podem ser obtidas neste plano: perímetro do
músculo puborretal, ângulos uretrovesical posterior e anorretal e diâmetro hiatal. A
distância entre a margem posterior da sínfise púbica e o limite posterior da junção
anorretal representa o perímetro puborretal. A diferença de comprimento entre a
medida em repouso e durante o esforço define a atividade dinâmica deste músculo,
que normalmente encurta durante a contração. O ângulo anorretal é medido onde o
eixo longitudinal do canal anal se encontra a margem posterior da parede retal. O
ângulo uretrovesical ou junção uretrovesical é medido traçando-se uma linha
perpendicular ao eixo x da imagem que continua até a margem da base da bexiga
quando a paciente está em repouso. O diâmetro do hiato deve ser medido no plano
axial e é a distância entre a superfície dorsal da sínfise púbica e a superfície ventral
do músculo puborretal. Quando o transdutor é mantido em posição transversal,
orientada a 45º na direção oposta ao nível do introito vaginal, uma visão diferente do
esfíncter anal pode ser visualizada. Como é o caso do eixo axial, o esfíncter anal
externo parece ser hipoecóide. Esta rota foi usada para avaliar o complexo do
esfíncter anal, doença hemorroidária, fístulas anais e lesões pós-parto no assoalho
pélvico78.
A via transvaginal é realizada com a paciente na posição de litotomia como
descrito na via transperineal. Pode ser utilizada uma sonda eletrônica biplana (linear
com matrizes transversais perpendiculares) de 5-12 MHz com rotação mecânica de
alta frequência (9-16 MHz) ou com sonda eletrônica radial. É importante para manter
o transdutor inserido na vagina em posição neutra e evitar pressão excessiva sobre
as estruturas adjacentes, de modo a não distorcer a anatomia105.
As sondas eletrônicas biplano fornecem imagens sagitais seccionais 2D
(matriz linear) e imagens axiais (matriz transversal) dos compartimentos anterior e
Introdução | 53
posterior. A imagem é geralmente obtida com o paciente em repouso e durante a
manobra de Valsalva e contração dos músculos do assoalho pélvico 101.
A via endoanal requer transdutor de alta frequência (7 MHz ou mais) que
produz imagem panorâmica de 360º e é utilizado para visualizar o complexo
do esfíncter anal e auxiliar no diagnóstico da incontinência fecal. Visto que as
imagens obtidas exibem todo o canal anal, sua relação com o complexo
esfincteriano e o assoalho pélvico, esse método pode ser usado para delinear
fístulas, abscessos e tumores106.
1.5 Estudos relevantes
Atualmente existe evidência de disfunção da musculatura do assoalho pélvico
em pacientes com dor pélvica crônica72 73 107. Por outro lado, outro estudo avaliou
mulheres com e sem DPC e comparou a disfunção musculo-esquelética pélvica e do
assoalho pélvico. Concluíram que a frequência de sensibilidade muscular foi
significativamente maior nas mulheres com DPC108. Tal envolvimento da
musculatura do assoalho pélvico pode estar associado à DPC de forma direta ou
indireta. O trauma muscular durante a gestação, parto ou cirurgia pélvica são
exemplos do mecanismo direto. A DPC que pode ser causada pelo reflexo víscero-
visceral ou víscero-muscular afetando as estruturas inervadas pelos mesmos
segmentos neurais são hipóteses para os mecanismos indiretos que pode ser
exemplificado pela cistite intersticial acompanhada do espasmo da musculatura do
assoalho pélvico109. Outros trabalhos demonstram a redução significativa na força
média e resistência dos músculos do assoalho pélvico em pacientes com DPC,
comparados com àquelas sem DPC72 110 111.
Introdução | 54
A avaliação do assoalho pélvico pela ultrassonografia 3D tem sido validada
por estudos de variabilidade intra e interobservador em diversas investigações 96 112-
114. Alguns estudos relatam reprodutibilidade satisfatória para medidas do assoalho
pélvico. Van Delft et al.115 realizaram estudo de variabilidade intra e interobservador
das medidas do assoalho pélvico em primigestas antes do parto, no pós-parto
precoce e três meses pós-parto através de ultrassonografia endovaginal 3D. Os
seguintes parâmetros foram avaliados: área hiatal, diâmetro ântero-posterior e
transverso, espessura do músculo às 3 e 9 h e a distância entre o músculo
levantador do ânus e a uretra direita e esquerda (DMLU-D e DMLU-E). Os autores
concluíram que os parâmetres confiáveis foram a área hiatal, diâmetro ântero-
posterior e a conexão entre o LAM e o osso púbico, entretando os menos confiáveis
foram a espessura do músculo e os DMLU. Santoro et al90 avaliaram pacientes
nulíparas assintomáticas utilizando ultrassonografia 3D endovaginal e realizaram
medidas da área hiatal e diâmetros transverso e ântero-posterior do hiato. Esses
autores encontraram variabilidade satisfatória intra e interobservador para tais
parâmetros.
Por fim, ressalta estudo prospectivo realizado via transperineal com sonda
RAB4-8-D que avaliou medidas do assoalho pélvico como diâmetros ântero-
posterior e transverso e a área hiatal116. Foram incluídas no estudo gestantes
primigestas examinadas com 12 semanas, com 35-37 semanas de gestação. A
variabilidade intra e interobservador demonstrou muito boa concordância para
pacientes avaliadas em repouso nos casos realizados por examinador experiente e
com treinamento.
2 Objetivos
Objetivos | 56
2.1 Geral
Avaliar as lesões do músculo levantador do ânus e a confiabilidade intra e
interobservador da biometria do assoalho pélvico em mulheres com dor pélvica
crônica e dispareunia.
2.2 Específicos
2.2.1 Avaliar a ultrassonografia transperineal utilizando-se a sonda vaginal
RIC5-9-D como método fidedigno e reprodutível na realização de medidas do
assoalho pélvico e identificação de lesões do músculo levantador do ânus em
mulheres portadoras de dor pélvica crônica e dispareunia;
2.2.2 Verificar a aplicabilidade e a confiabilidade inter e intraexaminador da
ultrassonografia tridimensional na mensuração de estruturas do assoalho pélvico de
mulheres portadoras de dor pélvica crônica e dispareunia.
3 Material e Métodos
Material
e Métodos | 58
O protocolo de estudo número 128.942 foi aprovado pelo comitê de ética do
Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto e o consentimento informado
assinado pelas pacientes após a seleção das mesmas.
O estudo foi transversal para avaliação da variabilidade intra e
interobservador incluindo 49 mulheres portadoras de dor pélvica crônica com
dispareunia sem causa aparente com mais de seis meses de duração, no período de
março de 2014 a outubro de 2015. Essas mulheres foram recrutadas no ambulatório
de dor pélvica e ginecologia endoscópica do Hospital das Clínicas da Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP). Não
foram elegíveis mulheres após a menopausa, com idade inferior a 18 anos ou
superior a 50 anos, índice de massa corporal superior a 40 kg/m2, portadoras de
incontinência urinária ou fecal, cirurgias perineais e histerectomia. Foram também
excluídas mulheres com diagnóstico prévio de endometriose (diagnosticada através
de inspeção visual durante laparoscopia, histologia ou sugerido por dismenorréia
severa117, síndrome da bexiga dolorosa (dor quando a bexiga começa a encher,
frequência urinária, noctúria ou urgência, cistoscopia evidenciando glomerulações,
úlcera de Hunner, síndrome do intestino irritável (critério de Roma III)118, sinal de
Carnett ou abdominal ou neuralgia típica, considerada presente quando a paciente
apresentou dor intermitente episódica espontânea com duração relativamente curta;
a dor era descrita como penetrante, perfurante ou choque e apresentada com
disestesia e/ou parestesia, incluindo coceira, dormência, formigamento e comichão.
3.1 Avaliação da dor e assoalho pélvico
O protocolo de pesquisa incluiu avaliação clínica ginecológica,
ultrassonografia abdominal e pélvica, avaliação da intensidade da dor pela escala
Material
e Métodos | 59
visual (VAS- visual analogue scale) em relação a dor média experimentada no último
mês bem como medida da ansiedade, depressão e sintomas psíquicos usando “the
Patient Health Questionnaire-4 (PHQ-4)119” e o “Self Reporting Questionnaire20
(SRQ-20)120.
3.2 Protocolo de avaliação pela ultrassonografia
3.2.1 Aquisição do volume ultrassonográfico
O volume 3D estático foi adquirido de todos os participantes como
previamente descrito por Dietz et al. 100 por dois examinadores experientes em
ultrassonografia 3D, examinador 1 (MAMVC) e examinador 2 (FAAM) cegos às
informações clínicas. Cada exame (ultrassonografia transperineal) consistiu da
obtenção de um bloco 3D. Para a coleta destes blocos utilizou-se o aparelho
Voluson E8 Expert (GE Healthcare, Zipf, Austria) com a sonda RIC5-9-D coberta
com preservativo estéril a qual foi posicionada translabial no plano médio sagital e
com ângulo de aquisição de 1200 SRI II 2D 2, SRI II 3D 3, power 92% (0,7 MI, TIs
0,0), threshold 28, maximum quality, Mix 100/0. O preset usado foi Gynecology
render com ganho de 0. Tal plano incluiu todo o hiato do músculo levantador do
ânus, a sínfise púbica, a uretra, vagina, tecidos paravaginais, reto e alça do músculo
(ou feixe) puborretal da parede pélvica lateral na área do arco tendíneo do músculo
levantador do ânus até a margem posterior da junção anorretal78. Previamente ao
exame era solicitado às pacientes esvaziarem a bexiga. Para cada paciente eram
colhidos três blocos em posição de litotomia. Entre a coleta de cada bloco era
solicitado à paciente o ato de se levantar e retornar à posição anterior. A coleta dos
Material
e Métodos | 60
blocos foi realizada em uma sequência pré-estabelecida de forma alternada entre as
pacientes: sequência 1 (examinador 1, examinador 2, examinador 1) ou sequência 2
(examinador 2, examinador 1, examinador 2).
3.2.2 Análise dos volumes
Todos os volumes foram salvos na máquina de ultrassonografia e
posteriormente realizado back up em um hard disk externo para análise posterior no
aparelho descrito acima. Os blocos foram analisados pelos examinadores A (MAVC,
autor) e B (AVC) de forma cega (identificação do paciente omitida no aparelho) e
aleatória. Cada avaliação dos examinadores partiu dos blocos e não de imagens
pré-selecionadas. Os dois examinadores possuíam experiência mínima em análise
de blocos 3D de um ano. Realizou-se estudo de reprodutibilidade intra e
interobservador para os parâmetros analisados. A análise intraobservador foi
realizada no intervalo de 90 dias (setembro e dezembro de 2015) e a
interobservador em momento único. As medidas foram obtidas nos planos
seccionais médio sagital usado para identificar a distância mínima entre a borda
posterior hiperecogênica da sínfise púbica e a borda anterior hiperecogênica da
placa do levantador, justamente posterior ao ângulo anorretal. Após inclinação do
volume 3D apropriadamente, o arco púbico (formado pelas margens inferiores dos
ramos púbicos), a uretra média, o canal anal e ambos os lados da parte
pubococcígea do músculo levantador do ânus (MLA) foram visualizados no plano
axial. Neste plano foram realizadas as seguintes medidas: diâmetro ântero-posterior
(AP) (Figura 1), diâmetro transverso (T) (Figura 1), área hiatal Render (Figura 2) e
Omni-VCI (Figura 3), espessura do MLA às 3 e 9 h (Figura 4), distância entre o MLA
Material
e Métodos | 61
e a uretra (DMLU) direita e esquerda (Figura 5), distância uretra-ânus (Figura 6) e,
na presença de avulsão do MLA, a lacuna entre o levantador e o osso púbico (LLP)
(Figura 7). O plano das dimensões mínimas hiatal do levantador foi usado para
avaliar a inserção do MLA ao osso púbico (nível pubococcígeo) (Figura 8). O
seguinte sistema de score foi usado como descrito previamente na ressonância
magnética 121 122 e estudos de ultrassonografia endovaginal 123: (1) inserção
completa do músculo ao osso púbico, sem qualquer lesão; (2) <50% de lesão
muscular; (3) ≥50% de lesão muscular (avulsão parcial ≥50%); (4) avulsão completa
muscular e completo destacamento do músculo ao osso púbico. No caso de
avulsão, a lacuna do osso púbico ao levantador (LLP) foi medida como a distância
entre o remanescente do músculo pubococígeo e a inserção original ao osso púbico.
A parte puborretal do MLA foi avaliada usando-se o mesmo sistema de score,
movendo-se o bloco mais distal em relação ao plano axial. Para avaliação da
avulsão entre o músculo elevador do ânus e o osso púbico foi utilizado o método TUI
(tomographic ultrasound imaging).
3.2.2.1 Técnica de renderização
Para todos volumes realizaram-se as medidas usando-se a técnica de
renderização como previamente descrita 100 124. Em síntese, o volume 3D era aberto
e checado para alinhamento apropriado nos vários planos. A rotação no plano A era
realizada para alinhar a margem posterior da sínfise púbica à margem anterior do
músculo puboretal, onde se define o ângulo anoretal no mesmo nível horizontal. A
aplicação da renderização 3D era então ativada. Os volumes renderizados eram
ajustados a espessura de 1,5 a 2,5 mm com o plano das dimensões mínimas incluso
Material
e Métodos | 62
na região de interesse, a qual delineava o volume renderizado com a direção da
renderização colocada no sentido caudal para cranial. A espessura era ajustada
para otimizar a visualização da inserção do músculo puborretal a qual depende de
um número de fatores, incluindo a massa muscular da paciente e qualidade da
imagem. Foi utilizado o preset padrão de renderização superfície/mínimo (80/20) e
com transparência colocada em 5078 (Figura 8).
3.2.2.2 Técnica VCI-OmniView
A técnica VCI superpõe e inclui diferentes camadas de tecido na construção
da imagem, reduzindo e eliminando artefatos que são gerados randomicamente,
enquanto que estruturas anatômicas são realçadas levando a melhora no contraste
e suavidade nas imagens. É semelhante ao modo multiplanar onde cada imagem
representa uma fatia muito fina do bloco vistos de planos longitudinal, coronal e
transversal simultaneamente. O VCI tem a mesma representação, mas cada fatia é
mais espessa e a transparência e espessura da fatia podem ser ajustadas. Por outro
lado, a técnica OmniView permite fatiar o volume no modo multiplanar ao longo de
qualquer plano requerido pela simples exibição de uma linha ao longo do plano
selecionado. Portanto, a combinação do OmniView e VCI permite a análise do
volume 3D ao longo de qualquer plano, incluindo uma fatia com a espessura
designada, produzindo imagens suaves e com elevado contraste. No presente
estudo esse método foi aplicado para o plano das dimensões mínimas da área hiatal
previamente descrito. Este último plano compreende a margem posterior da sínfise
púbica à margem anterior do músculo pubo retal, onde se encontra o ângulo
anorretal. O volume 3D era aberto e observado em relação ao alinhamento
Material
e Métodos | 63
apropriado nos vários planos. A aplicação Omni-View era então ativada. O plano das
dimensões mínimas da área hiatal era obtido desenhando-se a linha no plano médio
sagital da margem posterior da sínfise púbica à margem anterior do músculo
puborretal no ângulo anorretal incluindo a espessura de 10 a 20 mm, evitando-se a
necessidade de rotação do plano Z 88 (Figura 9).
3.2.2.3 Técnica do TUI (Tomographic Ultrasound Imaging)
A imagem de ultrassonografia tomográfica foi obtida de volumes a intervalos
de 2,5 mm, variando de 5,0 mm abaixo e 12,5 mm acima do plano de dimensões
mínimas da área hiatal 94 (Figura 10A).
4 Estatística
Estatística | 65
Os dados foram armazenados em banco de dados (Microsoft® Excel® 2013)
e analisados estatisticamente por meio do programa estatístico SPSS, versão 23,0
(SPSS Inc., Chicago, IL, USA) e software R Studio versão 0.99.903 para Mac OS.
A confiabilidade das medidas obtidas nos blocos de US 3D foi avaliada da
seguinte maneira: i) pela análise da concordância intra-observador feita entre as
medidas obtidas pelo examinador A em dois momentos distintos (setembro/2015 e
dezembro/2015); ii) pela concordância inter-observador, isto é, entre as medidas
feitas pelo examinador A em setembro/2015 e pelo examinador B.
O coeficiente de correlação intraclasse e respectivos intervalos de confiança a
95% (IC 95%) foram calculados para ambas as etapas de análise de concordância
e interpretados de acordo com o sistema de escore: 0,99 concordância muito boa125. O modelo aleatório de duas
vias com concordância absoluta foi utilizado para esse cálculo (teste e reteste).
Os coeficientes de correlação de concordância com os respectivos intervalos
de confiança a 95% (IC 95%) foram calculados para ambas as etapas de análise de
concordância utilizando o pacote epiR e interpretado com o seguinte sistema de
score 0,99 quase
perfeito.
Posteriormente, a análise de Bland-Altman foi utilizada para construir gráficos
dos limites de concordância (LC) das mensurações intra-observador e
interobservador 126 127. Essa abordagem é mais robusta do que a análise de
correlação isolada quando se deseja avaliar a concordância entre duas medidas
contínuas visto que o desvio padrão das diferenças entre as medidas realizadas
pelos dois métodos provê um bom índice de comparação entre os mesmos. Para
Estatística | 66
tanto, a diferença média (Δ) e o DP (SDd) entre as duas medidas foram calculados.
O LC foi obtido pela seguinte fórmula: LCi (inferior) = Δ – (1,96 x SDd) e LCs
(superior) = Δ + (1,96 x SDd). O IC 95% dos LC (inferior e superior) foram obtidos
pela subtração e adição do erro padrão do Δ (EP Δ) aos respectivos LC 128. Para
propósito clínico, a confiabilidade/concordância foi interpretada usando a diferença
relativa entre medidas, ou seja uma porcentagem, ao invés da diferença absoluta,
como sugerido por Martins e Nastri125, seguindo os critérios:> 50%: muito ruim, 20-
50%: ruim, 10-20%: moderado, 5-10%: bom, <5%: muito bom.
Idealmente a amplitude aceitável do LC deve ser determinada antes da
análise, baseada em informações prévias sobre o tema do estudo. Como a literatura
é carente dessa informação, Bland e Altman sugerem que, nesse caso, a
interpretação do LC deve ser feita com base na experiência clínica 127.
5 Resultados
Resultados | 68
A idade das pacientes variou de 22 a 49 anos com idade média de 39 anos. O
IMC médio foi de 27,7 kg/m2. A escolaridade variou de 8 a 12 anos com média de 10
anos. A média de gestações foi 1 (variação de 0 a 4), sendo 22 nulíparas. O número
de cesáreas variou de 0 a 3 e o número de partos normai s de 0 a 4. A média na
escala analógica visual de dor foi de 78 mm, a mediana do PHQ-4 foi 6 e do SRQ-20
foi 8. Oito mulheres (16,3%) foram submetidas à episiotomia prévia. A prevalência de
lesão do levantador do ânus foi 10,2% (n = 5 /49) com concordância quase perfeita.
Considerando mulheres multíparas a prevalência foi de 18,5 (n= 5/27). Destas, duas
possuíam score 4 (lesão completa) (Figura 10C) com lacuna entre o levantador e o
púbis variando de 6,1 mm a 9,3 mm; duas pacientes apresentaram score 3 (lesão
maior que 50%) (Figura 10B) e uma score 2 (lesão menor que 50%, especificamente
10%). Duas pacientes com lesão score 4 e duas com score 3 foram vistas pelos dois
examinadores em todos os blocos enquanto que uma com lesão score 2 foi vista
somente pelo ex aminador B. Dentre todas essas cinco pacientes quatro tinham
parto normal sendo duas com episiotomia. Todas as lesões identificadas era m do
lado direito.
Em relação ao estudo intraobservador, a Tabela 1 mostra os resultados
obtidos de 147 blocos de 49 pa cientes (três blocos por paciente). O CCI médio
variou de 0,90 a 0,99. Os CCIs mais elevados com os seus respectivos intervalos
de confiança foram o diâmetro AP (0,99, IC 0,94 -1,0), a área hiatal render (0,99, IC
0,96-1,0), a área hiatal OMNI-VCI (0,98, IC 0,93-1,0), DMLU-D (0.98, IC 0,91-0,99) e
a distância ure tra-ânus (0,99, IC 0,99 -1,0). Por outro lado o único parâmetro
considerado pobre foi a espessura do MLA às 3 h com CCI de 0,90 (IC 0,62-0,98).
A análise intraobservador mostrou CCC maior que 0,90 para o diâmetro
ântero-posterior, área hiatal, DMLU -D e di stância uretra ânus, com LC menor que
Resultados | 69
10%. No geral, o diâmetro transverso do hiato e a espessura do levantador do ânus
às 3 e 9 h apresentaram correlação pobre (CCC = 0,85, 0,58, 0,53 e LC de 9,6%,
28,2% e 29,7%, respectivamente). Após a exclusão dos caso s de lesão do
levantador do ânus, observamos melhora do CCC para essas medidas (0,83, 0,61 e
0,57, respectivamente), porém sem melhora do correspondente LC.
Em relação aos gráficos de Bland e Altma n a análise intraobservador
demonstrou LCs muito bons para o diâmetro ântero-posterior e área hiatal Omni -
VCI, bom para o diâmetro transverso hiatal, a área hiatal render, DMLU -D,
moderados para a DMLU -E e distância uretra -ânus e ruim para espessura do
levantador às 3 e 9 h.
Os dados acima podem ser visualizados na Tabela 1 e ilustrados nos gráficos
de Bland e Altman com seus respectivos LCs na Figura 11. Os gráficos de
correlação demostram que os pontos estão agrupados ao longo de uma linha de 45 0
com pou ca variação entre eles para as medidas dos: diâmetros ântero -posterior,
área hiatal OMNI -VCI, área hiatal render e DMLU -D e demais valores com maior
dispersão dos pontos, conforme pode ser observado na Figura 12.
Os resultados do estudo de variabilidade interobservador (Tabela 2)
demonstraram ICC médio com variação de 0,32 a 0,97. Os parâmetros com melhor
CCI e menor intervalo de confiança foram: diâmetro AP, CCI 0,97 (IC de 0,96-0,98),
área hiatal Omni-VCI, CCI 0,97 (IC de 0,96-0,98) e área hiatal render, CCI 0,96 (IC
de 0,94-0,97). Por outro lado os parâmetros com CCI menores e IC mais alargados
foram: espessura do MLA às 3 h, ICC 0,34 (IC de 0,08 a 0,52), espessura do MLA
às 9 h, ICC 0,32 (IC de 0,13 a 0,59) e diâmetro transverso, CCI 0,73 (IC de 0,62 a
0,89).
Resultados | 70
A análise interobservador mostrou CCC moderado a substancial, exceto para
o diâmetro transverso, espessura do MLA às 3 e 9 h e DMLU-E, os quais
apresentaram pobre CCC interobservador (0,62, 0,30, 0,32, 0,78, respectivamente),
com LCs superiores a 15%. Quanto à análise interobservador, após a exclusão dos
casos de lesão do levantador do ânus, observamos uma melhora do CCC para
essas medidas (0,67, 0,45, 0,39, 0,66, respectivamente), porém sem melhora do
limite de concordância correspondente (Tabela 2).
A análise dos gráficos de Bland e Altman e seus LCs para cada parâmetro
demonstraram que os melhores resultados (LCs considerados bons) foram para o
diâmetro ântero-posterior e área hiatal Omni-VCI, moderados para diâmetro
transverso, área hiatal render, DMLU-D e DMLU-E e ruins para ruins para
espessura do MLA às 3 e 9 h (Figura 13). Os gráficos de correlação exibem a
distribuição dos pontos ao longo da reta de 450 com pouca variação entre eles para
as medidas: diâmetros ântero-posterior, área hiatal OMNI-VCI, área hiatal render e
demais valores com maior dispersão dos pontos, conforme pode ser observado na
Figura 14.
6 Discussão
Discussão | 72
Nossos achados evidenciam que a ultrassonografia transperineal do assoalho
pélvico de mulheres com dor pélvica crônica apresenta boa confiabilidade intra e
interobservador para mensuração dos parâmetros morfológicos e para identificação
objetiva de dano da integridade da musculatura do assoalho pélvico (MAP) em se
tratando de lesão completa94 128. Os achados do presente trabalho são similares aos
dados da literatura, apesar de estudar uma população ainda não avaliada por este
método127 128. A identificação da lesão do levantador do ânus foi muito boa, exceto
pela avulsão parcial identificada pelo observador 2. Clinicamente essa mudança
pode não ser signiticativa visto que o defeito observado foi apenas de 20% o que
representa no máximo 2,5 mm de avulsão. Em um consenso entre observadores e
outros autores, após a análise, nós definimos que não havia lesão.
Apenas 10% das pacientes apresentaram lesões do músculo elevador do
ânus na análise pelo TUI. Tais achados reforçam a ideia de que essas lesões não
sejam a causa principal da dor em mulheres com dor pélvica crônica e dispareunia.
As lesões do MLA puderam ser identificadas na presente investigação, em especial
para avulsões completas, o que pode ser corroborado por outros pesquisadores94
128.
A análise intraobservador do diâmetro ântero-posterior e área hiatal render e
Omni-VCI demonstrou serem os parâmetros morfológicos mais confiáveis com seus
CCC, CCI e limites de concordância indicando que eles podem ser usados com
propósitos clínicos e de pesquisa. De forma análoga considerando-se a análise
interobservador tais parâmetros foram considerados adequados para uso com
propósitos clínicos e de pesquisa de forma cautelosa. Além disso, essas medidas
estáticas estão de acordo com descrições de normalidade prévias para mulheres
sem prolapso113 129. Por essas razões nós acreditamos que essa técnica deveria ser
Discussão | 73
usada sistematicamente com objetivo de avaliação do assoalho pélvico em
pacientes com DPC e dispareunia em pesquisas futuras.
Por outro lado, medidas do diâmetro transverso do hiato, espessura do
músculo levantador do ânus não foram confiáveis, mesmo que usando a técnica
que, ao nosso ponto de vista, minimizou a subjetividade. Nós, de fato, não
esperavamos isso. Alguns autores descreveram boa confiabilidade para medidas do
diâmetro transverso hiatal91 93, entretando, outros autores têm relatado resultados
semelhantes ao nosso, embora para diferentes populações e utilizando sonda
endovaginal (variabilidade intra e interobservador da biometria e avulsão do músculo
levantador do ânus utilizando ultrassonografia tridimensional endovaginal)130.
Mesmo após a exclusão de casos com avulsão do levantador no presente estudo, a
confiabilidade não foi melhorada significativamente.
Em relação aos parâmetros DMLU-D, DMLU-E e distância uretra-ânus o único
que apresentou bons resultados em relação ao CCC, CCI e LC na análise
intraobservador foi o DMLU-D. Portanto tais parâmetros não podem ser utilizados
para o propósito clínico. É provável que o melhor treinamento para medida desses
parâmetros melhore esses resultados, idéia compartilhada por outros autores116 131
O presente trabalho demonstrou que a reprodutibilidade das medidas do
assoalho pélvico foram satisfatórias (CCI e CCC com resultados satisfatórios para os
parâmetros analisados, exceto para as espessuras do músculo levantador do ânus
no estudo interobservador (CCI e CCC muito pobres). Os parâmetros com melhor
desempenho foram o diâmetro ântero-posterior, área hiatal render e OmniView-VCI
que apresentaram CCI e CCC bons, tanto para a análise intra quanto
interobservador. Tais achados são concordantes com Dietz et al.113 que avaliaram
52 nuligestas com transdutor transabdominal usado na posição translabial de 7-4
Discussão | 74
MHz. Encontraram CCI bom para a área hiatal e diâmetro transverso e muito bom
para o diâmetro ântero-posterior. Em 2006 Yang et al(32) estudaram 59 nulíparas
chinesas com sonda endovaginal de 5-9 mHz, translabial. Encontraram CCI muito
bom para o diâmetro ântero-posterior, bom para a área hiatal e diâmetro transverso.
Majida et al(33) avaliaram 17 mulheres assintomáticas e usaram sonda RAB 4-8
MHz translabial. Encontraram concordância muito boa para os diâmetros AP,
transverso e área hiatal. Van Delft et al128 avaliaram gestantes no terceiro trimestre,
no pós-parto imediato e tardio e utilizaram sonda endovaginal pela via endovaginal.
Esses autores encontraram concordâncias muito boa para a área hiatal, boa a muito
boa para o diâmetro AP e fraca a moderada para a espessura do músculo
levantador do ânus às 3 e 9 h. A medida do DMLU apresentou achados discordantes
(concordância de baixa a boa em diferentes populações). Em relação a visualização
da inserção do músculo elevador do ânus ao osso púbico concluíram que a mesma
pode ser identificada pela metodologia utilizada, fato em concordância com os
achados da presente investigação. Van Veelen et al116 examinaram 40 pacientes
acompanhadas sonda RAB 4-8 MHz com a paciente na posição supina, durante a
gestação e no pós-parto através de análise intra e interobservador, utilizando
examinador com maior e menor experiência, para os seguintes parâmetros: área
hiatal, diâmetro AP e T, DMLU D e DMLU E e encontraram concordância que variou
de boa a muito boa. Em relação à medida do DMLU realizada durante a gestação a
confiabilidade interobservador foi de fraca a moderada após a primeira sessão de
treino (ICC, 0,14-0,54) e melhorou após a segunda sessão (ICC, 0,38-0,71). Esses
autores sugerem que a medida do DMLU requer maior treinamento do examinador.
Santoro et al90 avaliaram a área hiatal, diâmetro AP e T em pacientes nulíparas
utilizando-se sonda endovaginal. Na análise intradisciplinar encontraram ICC muito
Discussão | 75
bom para o diâmetro T e área hiatal e de bom a muito bom para o diâmetro AP. Na
análise interdisciplinar encontraram ICC muito bom para o diâmetro transverso e de
bom a muito bom para o diâmetro AP e área hiatal. Lone et al.132 avaliaram
pacientes da clínica uroginecológica pela via transperineal com sonda convexa de 6
MHz e pela via endovaginal com sonda 3D de 9-16 MHz. Dentre outros parâmetros,
investigaram o diâmetro AP, T e área hiatal, utilizando sonda endovaginal-3D e
encontraram concordância boa para tais parâmetros na análise interobservador. Van
Delft et al.133 compararam avaliação pela ultrassonografia transvaginal e
transperineal na avaliação da biometria do levantador do ânus e avulsão em
nulíparas e primíparas e determinaram a concordância entre a avulsão do levantador
pela palpação e ultrassonografia. Tais autores avaliaram 269 nulíparas com 36
semanas de gestação e, destas, 191 pacientes três meses após o parto. Realizaram
ultrassonografia 3D transperineal (sonda 4–8 MHz) e transvaginal (sonda 9-16 MHz)
no repouso. Concluíram que ambos os métodos de avaliação ultrassonográfica
podem ser utilizados para avaliar a área do levantador do hiato, o diâmetro ântero-
posterior no repouso e diagnosticar a sua avulsão, entretanto, o segundo método é
menos efetivo para analisar o medida do DMLU. A palpação correlacionou-se
apenas razoavelmente com as duas metodologias. As medidas da espessura do
levantador apresentaram pobre correlação e limites de concordância. Youssef et al.
134 utilizaram 124 mulheres nulíparas assintomáticas e 118 com sintomas de
disfunção do assoalho pélvico e compararam a técnica OmniView-VCI e o método
3D de renderização em relação à medida da área hiatal utilizando sonda RAB 4-8
MHz via translabial. Encontraram alta reprodutibilidade intra e interobservador nos
dois grupos de pacientes, achados repetidos em estudo no ano seguinte135.
Discussão | 76
Nós acreditamos que certos fatores podem interferir nessas medidas
incluindo: 1) angulação, a qual pode ser menor, permitindo melhora da resolução
lateral; 2) foco, o qual pode ser único ao nível dessa região aumentando a resolução
lateral; 3) a imagem do tecido adjacente, a qual pode ser similar ao músculo
dificultando a sua definição, pode ser minimizado pela técnica OmniView-VCI; 4) a
obtenção de um bloco de imagem desses músculos através do feixe central do raio
de ultrassom associado a treinamento específico do examinador. Por fim, 5) a
utilização de sonda matrix que representa uma nova tecnologia em ultrassonografia
3D/4D, a qual apresenta melhor resolução e qualidade de imagem superior ainda
não disponível no nosso serviço. Tais fatores poderiam melhorar a variabilidade das
medidas em especial da espessura do músculo levantador do ânus que foi achado
comum aos principais estudos 90 128 131 133.
A utilização da sonda endovaginal não é padronizada para avaliação do
assoalho pélvico, entretanto pode ser utilizada para tal fim em virtude de diversas
vantagens. A primeira refere-se ao fato de que apresenta elevada frequência, por
conseguinte melhor resolução da imagem permitindo identificação da anatomia
normal e de possíveis lesões existentes. Outro aspecto relevante é que é utilizada
de forma rotineira para exame pélvico não havendo a necessidade de troca do
transdutor, o que implica em ganho de tempo, menor custo com esterilização e
maior conforto para as pacientes devido à menor área de contato, em especial para
aquelas com dor pélvica crônica e dispareunia. A profundidade da sonda utilizada no
presente trabalho pode alcançar 16 cm sendo que a área estudada do assoalho
pélvico varia de 2 cm a 4 cm. Desse modo a utilização da referida sonda é adequada
ao estudo nessa região anatômca 136. Em virtude desses argumentos, acreditamos
que o método transperineal é melhor e deveria se o escolhido para tal propósito na
Discussão | 77
população estudada, além do fato de que os resultados menos satisfatórios
relacionados ao DMLU e espessura do músculo às 3 e 9 h foram semelhantes a
outro trabalho que utilizou sonda 3D endovaginal e sonda 3D/4D por via
transperineal 133.
Uma limitação do nosso estudo que merece ser mencionada é a ausência de
avaliação dinâmica. Em razão desse fato não podemos fazer qualquer inferência
sobre avaliação funcional do assoalho pélvico nessa população.
Em virtude dos enormes recursos gastos na gestão de dor pélvica crônica
(estimada em 881 milhões dólares em 1994), a utilização de procedimentos não
comprovados só aumentará esta despesa sem melhorar os resultados137. A dor
pélvica crônica tem incidência que se aproxima à da asma e da dor lombar e merece
uma rigorosa abordagem de investigação compatível com a sua importância na
saúde pública138. Para se obter os potenciais benefícios do tratamento de distúrbios
da dor músculo-esquelética a reduzir a carga global de sofrimento nesses pacientes,
há necessidade urgente de se desenvolver e avaliar adequadamente testes de
diagnóstico para estas condições.
Uma pesquisa promissora futura refere-se ao uso de sondas matrix para
medidas da musculatura do assoalho pélvico. A melhor resolução da imagem dessa
sonda pode aumentar a reprodutibilidade intra e interobservador e permitir a sua
aplicabilidade clínica. Talvez a limitação relacionada à reprodutibilidade dos
músculos em especial às 3 e 9 h possa ser superada.
Além disso, pesquisas relacionadas a ultrassonografia 3D/4D para avaliação
das espessuras do MLA em estudo estático e das áreas hiatais durante a contração
perineal nas pacientes com DPC e dispareunia comparadas às pacientes normais
Discussão | 78
poderiam auxiliar na identificação dessa associação patológica contribuindo para um
tratamento mais efetivo.
A dor pélvica crônica apresenta etiologia multifatorial sendo que a maioria das
pacientes não obtém diagnóstico preciso. Ela representa área carente de pesquisa
para se preencher lacuna no conhecimento humano. Faz-se mister estudo detalhado
de todos os fatores envolvidos na sua etiologia com o objetivo de sistematizar a sua
investigação. A contribuição do trabalho atual refere-se a futuras pesquisas
comparando-se os seus achados com padrões de normalidade. Outro aspecto
importante diz respeito ao detalhamento da população com dor pélvica crônica e
dispareunia que pode ser realizado em pesquisas futuras objetivando-se relacionar
alterações do sistema músculo esquelético com população específica como por
exemplo vaginismo, vulvodínia e aquelas com SMFA.
Em conclusão, a ultrassonografia 3D utilizando-se a sonda endovaginal é
confiável para identificar lesão significativa do músculo levantador do ânus e medir
parâmetros morfológicos, especificamente o diâmetro ântero-posterior e área hiatal
ao nível das dimensões mínimas do assoalho pélvico. As medidas do diâmetro
transverso do hiato, da espessura do músculo levantador ânus e da distância entre o
músculo levantador do ânus e a uretra não deveriam ser recomentadas para
avaliação do assoalho pélvico em mulheres com DPC e dispareunia.
7 Referências Bibliográficas
Referências Bibliográficas | 80
1. IASP. Classification of chronic pain. Descriptions of chronic pain syndromes and
definitions of pain terms. Prepared by the International Association for the Study
of Pain, Subcommittee on Taxonomy. Pain Suppl 1986;3:1-226.
2. IASP. Chronic Pelvic and Urog enital Pain Syndromes. Pain Clinical Updates
2008;41:1-4.
3. Campbell F, Coll ett BJ. Chronic pelvic pain. British journal of anaesthesia.
1994;73(5):571-3.
4. Williams RE, Hartmann KE, Sandler RS, Miller WC, Steege JF. Prevalence and
characteristics of irr itable bowel syndrome among women with chronic pelvic
pain. Obstet Gynecol. 2004;104(3):452-8.
5. ACOG Practice Bulletin No. 51. Chronic pelvic pain. Obstet Gynecol.
2004;103(3):589-605.
6. Basson R, Leiblum S, Brotto L, Derogatis L, Fourcroy J, Fugl -Meyer K, et al.
Definitions of women's sexual dysfunction reconsidered: advocating expansion
and revision. Journal of psychosomatic obstetrics and gynaecology.
2003;24(4):221-9.
7. Ahangari A. Prevalence of chronic pelvic pain among women: an updated
review. Pain physician. 2014;17(2):E141-7.
8. Latthe P, Latthe M, Say L, Gulmezoglu M, Khan KS. WHO systematic review of
prevalence of chronic pelvic pain: a neglected reproductive health morbidity.
BMC public health. 2006;6:177.
9. Latthe P, Mignini L, Gray R, Hill s R, Khan K. Factors predisposing women to
chronic pelvic pain: systematic re view. BMJ : British Medical Journal.
2006;332(7544):749-55.
10. Silva GP, Nascimento AL, Michelazzo D, Alves Junior FF, Rocha MG, Silva JC,
et al. High prevalence of chronic pelvi c pain in women in Ribeirao Preto, Brazil
and direct association with abdomin al surgery. Clinics (Sao Paulo, Brazil).
2011;66(8):1307-12.
11. Muhammad YY, Nossier SA, El -Dawaiaty AA. Prevalence and characteristics of
chronic pelvic pain among women in Alex andria, Egypt. The Journal of the
Egyptian Public Health Association. 2011;86(1-2):33-8.
Referências Bibliográficas | 81
12. Choung RS, Herrick LM, Locke GR, 3rd, Zinsmeister AR, Talley NJ. Irritable
bowel syndrome and chronic pelvic pain: a population -based study. Journal of
clinical gastroenterology. 2010;44(10):696-701.
13. Marszalek M, Wehrberger C, Temml C, Ponholzer A, Berger I, Madersbacher S.
Chronic pelvic pain and lower urinary tract symptoms in both sexes: analysis of
2749 participants of an urban health screening project. European urology.
2009;55(2):499-507.
14. Romao AP, Gorayeb R, Romao GS, Poli -Neto OB, dos Reis FJ, Rosa -e-Silva
JC, et al. Chronic pelvic pain: multifactorial influences. Journal of evaluation in
clinical practice. 2011;17(6):1137-9.
15. Romao AP, Gorayeb R, Romao GS, Poli -Neto OB, dos Reis FJ, Rosa -e-Silva
JC, et al. High levels of anxiety and depression have a negative effect on quality
of life of women with chronic pelvic pain. International journal of clinical practice.
2009;63(5):707-11.
16. Souza PP, Rom ao AS, Rosa -e-Silva JC, Reis FC, Nogueira AA, Poli -Neto OB.
Qualitative research as the basis for a biopsychosocial approach to women with
chronic pelvic pain. Journal of psychosomatic obstetrics and gynaecology.
2011;32(4):165-72.
17. Ayorinde AA, Macfarlane GJ, Saraswat L, Bhattacharya S. Chronic pelvic pain in
women: an epidemio logical perspective. Women's health (London, England).
2015;11(6):851-64.
18. Nogueira AA, Reis FJCd, Poli Neto OB. Abordagem da dor pélvica crônica em
mulheres. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. 2006;28(12):733-40.
19. Zondervan K, Barlow D H. Epidemiology of chronic pelvic pain. Bailliere's best
practice & research Clinical obstetrics & gynaecology. 2000;14(3):403-14.
20. Garry R. Diagnosis of en dometriosis and pelvic pain. Fertility and sterility.
2006;86(5):1307-9; discussion 17.
21. Broder MS, Kanouse DE, Mittman BS, Bernstein SJ. The appropriateness of
recommendations for hysterectomy. Obstet Gynecol. 2000;95(2):199-205.
22. Reiter RC, Gambone JC. Demographic and historic variables in women with
idiopathic chronic pelvic pain. Obstet Gynecol. 1990;75(3 Pt 1):428-32.
Referências Bibliográficas | 82
23. Walling MK, Reiter RC, O'Hara MW, Milburn AK, Lilly G, Vincent SD. Abuse
history and chronic pain in women: I. Prevalences of sexual abuse and physical
abuse. Obstet Gynecol. 1994;84(2):193-9.
24. Collett BJ, Cordle CJ, Stewart CR, Jagger C. A comparative study of women with
chronic pelvic pain, chronic nonpelvic pain and those with no history of pain
attending general practitioners. British journal of obstetrics and gynaecology.
1998;105(1):87-92.
25. Ryder RM. Chronic pelvic pain. American family physician. 1996;54(7):2225-32, 37.
26. Stein SL. Chronic pelvic pain. Gastroenterology clinics of North America.
2013;42(4):785-800.
27. Danielsson I, Sjoberg I, Stenlund H, Wikman M. Prevalence and incidence of
prolonged and sever e dyspareunia in women: results from a population study.
Scandinavian journal of public health. 2003;31(2):113-8.
28. Harlow BL, Stewart EG. A population -based assessment of chronic unexplained
vulvar pain: have we underestimated the prevalence of vulvodyn ia? Journal of
the American Medical Women's Association (1972). 2003;58(2):82-8.
29. Harlow BL, Wise LA, Stewart EG. Prevalence and predictors of chronic lower
genital tract discomfort. Am J Obstet Gynecol. 2001;185(3):545-50.
30. Laumann EO, Paik A, Rosen RC. Sexual dysfunction in the United States:
prevalence and predictors. Jama. 1999;281(6):537-44.
31. Landry T, Bergeron S. How young does vulvo -vaginal pain beg in? Prevalence
and characteristics of dyspareunia in adolescents. The journal of sexual
medicine. 2009;6(4):927-35.
32. MacNeill C. Dyspareunia. Obstet Gynecol Clin North Am. 2006;33(4):565-77, viii.
33. Prather H, Dugan S, Fitzgerald C, Hunt D. Review of anatomy, evaluation, and
treatment of musculoskeletal pelvic floor pain in women. PM & R : the journal of
injury, function, and rehabilitation. 2009;1(4):346-58.
34. Edwards L. Vulvodynia. Clinical obstetrics and gynecology. 2015;58(1):143-52.
35. Seehusen DA, Baird DC, Bode DV. Dyspareunia in women. American family
physician. 2014;90(7):465-70.
Referências Bibliográficas | 83
36. Ventolini G. Vulvar pain: Anatomic and recent pathophysiologic considerations.
Clinical Anatomy. 2013;26(1):130-3.
37. Plochocki JH, Rodriguez -Sosa JR, Adrian B, Ruiz SA, Hall MI. A functional and
clinical reinterpretation of human perineal neuromuscular anatomy: Application to
sexual function and continence. Clinical anatomy (New York, NY).
2016;29(8):1053-8.
38. Alimi Y, Iwanaga J, Oskouian RJ, Loukas M , Shane Tubbs R. The Clinical
Anatomy of Dyspareunia: A Review. Clinical anatomy (New York, NY). 2018.
39. Woolf CJ. Evidence for a central component of post -injury pain hypersensitivity.
Nature. 1983;306(5944):686-8.
40. Poli-Neto OB, Filho AA, Rosa e Sil va JC, Barbosa Hde F, Candido Dos Reis FJ,
Nogueira AA. Increased capsaicin receptor TRPV1 in the peri toneum of women
with chronic pelvic pain. The Clinical journal of pain. 2009;25(3):218-22.
41. Rang HP, Bevan S, Dray A. Chemical activation of nociceptiv e peripheral
neurones. British medical bulletin. 1991;47(3):534-48.
42. Treede RD, Meyer RA, Raja SN, Campbell JN. Peripheral and central
mechanisms of cutaneous hyperalgesia. Progress in neurobiology.
1992;38(4):397-421.
43. Schmidt R, Schmelz M, Forster C, Ringkamp M, Torebjork E, Handwerker H.
Novel classes of responsive and unresponsive C nociceptors i n human skin. The
Journal of neuroscience : the official journal of the Society for Neuroscience.
1995;15(1 Pt 1):333-41.
44. Neumann S, Doubell TP, Lesli e T, Woolf CJ. Inflammatory pain hypersensitivity
mediated by phenotypic switch in myelinated primary sensory neurons. Nature.
1996;384(6607):360-4.
45. Wesselmann U. Neurogenic inflammation and chronic pelvic pain. World J Urol.
2001;19(3):180-5.
46. Staud R, Vierck CJ, Cannon RL, Mauderli AP, Price DD. Abnormal sensitization
and temporal summation of sec ond pain (wind -up) in patients with fibromyalgia
syndrome. Pain. 2001;91(1-2):165-75.
Referências Bibliográficas | 84
47. Bajaj P, Bajaj P, Graven -Nielsen T, Arendt -Nielsen L. Osteoarthritis and its
association with muscle hyperalgesia: an experimental controlled study. Pain.
2001;93(2):107-14.
48. Latremoliere A, Woolf CJ. Central sensitization: a generator of pain
hypersensitivity by central neural plasticity. The journal of pain : official journal of
the American Pain Society. 2009;10(9):895-926.
49. Chen HS, He X, Wang Y, Wen WW, You HJ, Arendt -Nielsen L. Roles of
capsaicin-sensitive primary afferents in differential rat models of inflammatory
pain: a systematic comparative study in conscious rats. Experimental neurology.
2007;204(1):244-51.
50. Brumovsky PR, Gebhart GF. Visceral organ cross-sensitization - an integrated
perspective. Autonomic neuroscience : basic & clinical. 2010;153(1-2):106-15.
51. Sarkar S, Aziz Q, Woolf CJ, Hobson AR, Thompson DG. Contribution of central
sensitisation to the development of non -cardiac chest pain. Lancet (London,
England). 2000;356(9236):1154-9.
52. Miranda A, Peles S, Rudolph C, Shaker R, Sengupta JN. Altered visceral
sensation in response to somatic pain in the rat. Gastroenterology.
2004;126(4):1082-9.
53. Giamberardino MA, Costantini R, Affaitati G, Fabrizio A, Lapenna D, Tafuri E, et
al. Viscero-visceral hyperalgesia: characterization in different clinical models.
Pain. 2010;151(2):307-22.
54. Perry CPM. Peripheral Neuropathies and Pelvic Pain: Diagnosis and
Management. Clinical Obstetrics & Gynecology. 2003;46(4):789-96.
55. Partanen JV, Ojala TA, Arokoski JP. Myofascial syndrome and pain: A
neurophysiological approach. Pathophysiology : the official journal of the
International Society for Pathophysiology. 2010;17(1):19-28.
56. Jarrell J. Endome triosis and abdominal myofascial pain in adults and
adolescents. Current pain and headache reports. 2011;15(5):368-76.
57. Jarrell J, Giamberardino MA, Robert M, Nasr -Esfahani M. Bedside testing for
chronic pelvic pain: discriminating visceral from somatic pain. Pain research and
treatment. 2011;2011:692102.
Referências Bibliográficas | 85
58. Simons DG. The nature of myofascial trigger points. The Clinical journal of pain.
1995;11(1):83-4.
59. Nogueira AA, Rosa e Silva JC, Poli Neto OB. The Potential of Cesarean Section
as a Causative Factor of Chronic Pelvic Pain. Revista brasileira de ginecologia e
obstetricia : revista da Federacao Brasileira das Sociedades de Ginecologia e
Obstetricia. 2016;38(2):53-5.
60. Tympanidis P, Terenghi G, Dowd P. Increased innervation of the vulval vestibule
in patients with vulvodynia. The British journal of dermatology. 2003;148(5):1021-
7.
61. Howard FM, Perry CP, Carter JE, El -Minawi AM. Pelvic pain: Diagnosis and
management. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins; 2000. 1-529 p.
62. Tympanidis P, Casula MA, Yiangou Y, Terenghi G, Dowd P, Anand P. Increased
vanilloid receptor VR1 innervation in vulvodynia. European journal of pain
(London, England). 2004;8(2):129-33.
63. Weijmar Schultz W, Basson R, Binik Y, Eschenbach D, Wesselmann U, Van
Lankveld J. Women's sexual pain and its management. The journal of sexual
medicine. 2005;2(3):301-16.
64. Steege JF, Zolnoun DA. Evaluation and treatment of dyspareunia. Obstet
Gynecol. 2009;113(5):1124-36.
65. McDonald EA, Gartland D, Small R, Brown SJ. Dyspareunia a nd childbirth: a
prospective cohort study. BJOG. 2015;122(5):672-9.
66. Yong PJ, Williams C, Yosef A, Wong F, Bedaiwy MA, Lisonkova S, et al.
Anatomic Sites and Associated Cl inical Factors for Deep Dyspareunia. Sexual
medicine. 2017;5(3):e184-e95.
67. Williams C, Hoang L, Yosef A, Alotaibi F, Allaire C, Brotto L, et al. Nerve Bundles
and Deep Dyspareunia in Endometriosis. Reproductive sciences (Thousand
Oaks, Calif). 2016;23(7):892-901.
68. Porpora MG, Koninckx PR, Piazze J, Natili M, Colagrande S, Cosmi EV .
Correlation between endometriosis and pelvic pain. The Journal of the American
Association of Gynecologic Laparoscopists. 1999;6(4):429-34.
Referências Bibliográficas | 86
69. Ferrero S, Esposito F, Abbamonte LH, Anserini P, Remorgida V, Ragni N.
Quality of sex life in women with endom etriosis and deep dyspareunia. Fertility
and sterility. 2005;83(3):573-9.
70. Butler-Manuel SA, Buttery LD, A'Hern RP, Polak JM, Barton DP. Pelvic nerve
plexus trauma at radical and simple hysterectomy: a quantitative study of nerve
types in the uterine su pporting ligaments. Journal of the Society for Gynecologic
Investigation. 2002;9(1):47-56.
71. Olive DL, Blackwell RE, Copperman AB. Endometriosis and pelvic pain. In: Blackwell
RE, Olive DL, editors. Chronic pelvic pain. New York: Springer-Verlag; 1998.
72. Tu FF, Holt J, Gonzales J, Fitzgerald CM. Physical therapy evaluation of patients
with chronic pelvic pain: a controlled study. Am J Obstet Gyn ecol.
2008;198(3):272.e1-7.
73. Montenegro ML, Mateus-Vasconcelos EC, Rosa e Silva JC, Nogueira AA, Dos Reis
FJ, Poli Neto OB. Importance of pelvic muscle tenderness evaluation in women with
chronic pelvic pain. Pain medicine (Malden, Mass). 2010;11(2):224-8.
74. Montenegro ML, Gomide LB , Mateus -Vasconcelos EL, Rosa -e-Silva JC,
Candido-dos-Reis FJ, Nogueira AA, et al. Abdominal myofascial pain syndrome
must be considered in the differential diagnosis of chronic pelvic pain. European
journal of obstetrics, gynecology, and reproductive biology. 2009;147(1):21-4.
75. Yap EC. Myofascial pain --an overview. Annals of the Academy of Medicine,
Singapore. 2007;36(1):43-8.
76. Hong CZ, Simons DG. Pathophysiologic and electrophysiologic mechanisms of
myofascial trigger points. Archives of physical me dicine and rehabilitation.
1998;79(7):863-72.
77. Montenegro ML, Mateus -Vasconcelos EC, Candido dos Reis FJ, Rosa e Silva
JC, Nogueira AA, Poli Neto OB. Thiele massage as a therapeutic option for
women with chronic pelvic pain caused by tenderness of pelvi c floor muscles.
Journal of evaluation in clinical practice. 2010;16(5):981-2.
78. Dietz HP. Pelvic floor ultrasound: a review. Am J Obstet Gynecol.
2010;202(4):321-34.
79. Tu FF, As-Sanie S, Steege JF. Musculoskeletal causes of chronic pelvic pain: a
systematic review of diagnosis: part I. Obstetrical & gynecological survey.
2005;60(6):379-85.
Referências Bibliográficas | 87
80. Uyar Y, Baytur YB, Inceboz U. Perineometer and digital examination for
assessment of pelvic floor strength. International journal of gynaecology and
obstetrics: the official organ of the International Federation of Gynaecology and
Obstetrics. 2007;98(1):64-5.
81. Nunes FR, Martins CC, Guirro EC, Guirro RR. Reliability of bidirectional and
variable-opening equipment for the measurement of pelvic floor muscle streng th.
PM & R : the journal of injury, function, and rehabilitation. 2011;3(1):21-6.
82. Bo K, Raastad R, Finckenhagen HB. Does the size of the vaginal probe affect
measurement of pelvic floor muscle strength? Acta obstetricia et gynecologica
Scandinavica. 2005;84(2):129-33.
83. Bo K, Finckenhagen HB. Vaginal palpation of pelvic floor muscle strength: inter-
test reproducibility and comparison between palpation and vaginal squeeze
pressure. Acta obstetricia et gynecologica Scandinavica. 2001;80(10):883-7.
84. Bo K, Sherburn M. Eval uation of female pelvic -floor muscle function and
strength. Physical therapy. 2005;85(3):269-82.
85. Torricelli P, Pecchi A, Caruso Lombardi A, Vetruccio E, Vetruccio S, Romagnoli
R. Magnetic resonance imaging in evaluating functional disorders of female
pelvic floor. La Radiologia medica. 2002;103(5-6):488-500.
86. De Almeida FG, Rodriguez LV, Raz S. Magnetic resonance imaging in the
diagnosis of pelvic floor disorders. International braz j urol : official journal of the
Brazilian Society of Urology. 2002;28(6):553-9.
87. Barbaric ZL, Marumoto AK, Raz S. Magneti c resonance imaging of the perineum
and pelvic floor. Topics in magnetic resonance imaging : TMRI. 2001;12(2):83-
92.
88. Santoro GA, Wieczorek AP, Dietz HP, Mellgren A, Sultan AH, Shobeiri SA, et al.
State of the art: an integrated approach to pelvic floor ultrasonography.
Ultrasound in obstetrics & gynecology : the official journal of the International
Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology. 2011;37(4):381-96.
89. Speksnijder L, Rousian M , Steegers EAP, Van Der Spek PJ, Koning AHJ,
Steensma AB. Agreement and reliability of pelvic floor measurements during
contraction using three -dimensional pelvic floor ultrasound and virtual reality.
Ultrasound Obstet Gynecol. 2012;40(1):87-92.
Referências Bibliográficas | 88
90. Santoro GA, Wieczorek AP, Shobeiri SA, Mueller ER, Pilat J, Sta nkiewicz A, et
al. Interobserver and interdisciplinary reproducibility of 3D endovaginal
ultrasound assessment of pelvic floor anatomy. Int Urogynecol J Pelvic Floor
Dysfunct. 2011;22(1):53-9.
91. Yang JM, Yang SH, Huang WC. Biometry of the pubovisceral muscle and levator
hiatus in nulliparous Chinese women. Ultrasound Obstet Gynecol.
2006;28(5):710-6.
92. Yang SH, Huang WC, Yang SY, Yang E, Yang JM. Validation of new ultrasound
parameters for q uantifying pelvic floor muscle contraction. Ultrasound in
obstetrics & gynecology : the official journal of the International Society of
Ultrasound in Obstetrics and Gynecology. 2009;33(4):465-71.
93. Majida M, Braekken IH, Umek W, Bo K, Saltyte Benth J, E llstrom Engh M.
Interobserver repeatability of three - and four -dimensional transperineal
ultrasound assessment of pelvic floor muscle anatomy and function. Ultrasound
in obstetrics & gynecology : the official journal of the International Society of
Ultrasound in Obstetrics and Gynecology. 2009;33(5):567-73.
94. Dietz HP, Shek KL. Tomographic ultrasound imaging of the pelvic floor: Which
levels matter most? Ultrasound Obstet Gynecol. 2009;33(6):698-703.
95. Brækken IH, Majida M, Engh ME, Bø K. Test -retest re liability of pelvic floor
muscle contraction measured by 4D ult rasound. Neurourol Urodyn.
2009;28(1):68-73.
96. Braekken IH, Majida M, Ellstrom -Engh M, Dietz HP, Umek W, Bo K. Test -retest
and intra -observer repeatability of two -, three - and four -dimensional perineal
ultrasound of pelvic floor muscle anatomy and functi on. Int Urogynecol J Pelvic
Floor Dysfunct. 2008;19(2):227-35.
97. Thompson JA, O'Sullivan PB, Briffa NK, Neumann P. Assessment of voluntary
pelvic floor muscle contraction in continent and inc ontinent women using
transperineal ultrasound, manual muscle te sting and vaginal squeeze pressure
measurements. Int Urogynecol J Pelvic Floor Dysfunct. 2006;17(6):624-30.
98. Thompson JA, O'Sullivan PB, Briffa NK, Neumann P. Comparison of
transperineal and transabdominal ultrasound in the assessment of voluntary
pelvic floor muscle contractions and functional manoeuvres in continent and
incontinent women. Int Urogynecol J Pelvic Floor Dysfunct. 2007;18(7):779-86.
Referências Bibliográficas | 89
99. Dietz HP, Hyland G, Hay -Smith J. The ass essment of levator trauma: A
comparison between palpation and 4D pelvic floor ultrasound. Neurourol Urodyn.
2006;25(5):424-7.
100. Dietz HP. Ultrasound imaging of the pelvic floor. Part II: Three -dimensional or
volume imaging. Ultrasound Obstet Gynecol. 2004;23(6):615-25.
101. Dietz HP. Ultrasound imaging of the pelvi c floor. Part I: two -dimensional
aspects. Ultrasound in obstetrics & gynecology : the official journal of the
International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology. 2004;23(1):80-
92.
102. Dietz HP, Wilson PD, Clarke B. The use of perineal ultras ound to quantify
levator activity and teach pelvic floor muscle exercises. Int Urogynecol J Pelvic
Floor Dysfunct. 2001;12(3):166-8; discussion 8-9.
103. Bo K, Sherburn M, Allen T. Transabdominal ultrasound measurement of pelvic
floor muscle activity when activated directly or via a transversus abdominis
muscle contraction. Neurourol Urodyn. 2003;22(6):582-8.
104. Barra DA, Martins WP. Specific Three -Dimensional Display Modes: 3D Cine,
4D, TUI, VCI, Omniview, SonoVCAD, and STIC. In: Araujo Júnior E, Martins WP,
editors. Advanced Topics on Three -dimensional Ultrasound in Obstetrics and
Gynecology. Sharjah, UAE: Bentham eBooks imprint; 2016. p. 25-34.
105. Carmo MAV, Poli-Neto OB. Three-dimensional Ultrasound for the
Assessment of the Pelvic Floor. In: Araujo Jr.E, Martins WP, editors. Advanced
Topics on Three -dimensional Ultrasound in Obstetrics and Gynecology.
Sharjah,UAE: Bentham Science Publishers. p. 345-54.
106. de la Portilla F, Rubio Manzanares Dorado M, Pino Diaz V, Vazquez Monchul
JM, Palacios C, Dia z Pavon JM, et al. The role of tridimensional dynamic
ultrasound for pelvic floor evaluation. Cirugia espanola. 2015;93(8):530-5.
107. Hetrick DC, Ciol MA, Rothman I, Turner J A, Frest M, Berger RE.
Musculoskeletal dysfunction in men with chronic pelvic pai n syndrome type III: a
case-control study. The Journal of urology. 2003;170(3):828-31.
108. Sedighimehr N, Manshadi FD, Shokouhi N, Baghban AA. Pelvic
musculoskeletal dysfunct ions in women with and without chronic pelvic pain.
Journal of bodywork and movement therapies. 2018;22(1):92-6.
Referências Bibliográficas | 90
109. Prendergast SAM, Weiss JMM. Screening for Musculoskeletal Causes of
Pelvic Pain. Clinical Obstetrics & Gynecology. 2003;46(4):773-82.
110. Loving S, Thomsen T, Jaszczak P, Nordling J. Pelvic floor muscle
dysfunctions ar e prevalent in female chronic pelvic pain: a cross -sectional
population-based study. European journal of pain (London, England).
2014;18(9):1259-70.
111. Fitzgerald CM, Neville CE, Mallinson T, Badillo SA, Hynes CK, Tu FF. Pelvic
floor muscle examination i n female chronic pelvic pain. The Journal of
reproductive medicine. 2011;56(3-4):117-22.
112. Kruger JA, Heap SW, Murphy BA, Dietz HP. Pelvic floor functi on in nulliparous
women using three -dimensional ultrasound and magnetic resonance imaging.
Obstet Gynecol. 2008;111(3):631-8.
113. Dietz HP, Shek C, Clarke B. Biometry of the pubovisceral muscle and levator
hiatus by three -dimensional pelvic floor ultrasou nd. Ultrasound Obstet Gynecol.
2005;25(6):580-5.
114. Braekken IH, Majida M, Engh ME, Bo K. Test -retest reliability of pelvic floor
muscle contraction measured by 4D ultrasound. Neurourol Urodyn.
2009;28(1):68-73.
115. van Delft K, Shobeiri SA, Thakar R, Schwertner -Tiepelmann N, Sultan AH.
Intra- and interobserver reliability of levator ani muscle biometry and avulsion
using three-dimensional endovaginal ultrasonography. Ultrasound in obstetrics &
gynecology : the offici al journal of the International Society of Ultrasound in
Obstetrics and Gynecology. 2014;43(2):202-9.
116. Van Veelen GA, Schweitzer KJ, Va n Der Vaart CH. Reliability of pelvic floor
measurements on three - and four -dimensional ultrasound during and after f irst
pregnancy: Implications for training. Ultrasound Obstet Gynecol. 2013;42(5):590-
5.
117. Dunselman GA, Vermeulen N, Becker C, Calhaz-Jorge C, D'Hooghe T, De Bie
B, et al. ESHRE guideline: management of women with endometriosis. Human
reproduction (Oxford, England). 2014;29(3):400-12.
118. Longstreth GF, Thompson WG, Chey WD, Houghton LA, Mearin F, Spiller RC.
Functional bowel disorders. Gastroenterology. 2006;130(5):1480-91.
Referências Bibliográficas | 91
119. Lowe B, Wahl I, Rose M, Spitzer C, Glaesmer H, Wingenfeld K, et al. A 4 -item
measure of depression and anxiety: validation and standardization of the Patient
Health Questionnaire -4 (PHQ -4) in the general populatio n. Journal of affective
disorders. 2010;122(1-2):86-95.
120. Van der Westhuizen C, Wyatt G, Williams JK, Stein DJ, So rsdahl K. Validation
of the Self Reporting Questionnaire 20 -Item (SRQ -20) for Use in a Low - and
Middle-Income Country Emergency Centre Sett ing. International journal of
mental health and addiction. 2016;14(1):37-48.
121. DeLancey JO, Morgan DM, Fenner DE, Kearney R, Guire K, Miller JM, et al.
Comparison of levator ani muscle defects and function in women with and
without pelvic organ prolapse. Obstet Gynecol. 2007;109(2 Pt 1):295-302.
122. DeLancey JO, Trowbridge ER, Miller JM, Morgan DM, Guire K, Fenner DE , et
al. Stress urinary incontinence: relative importance of urethral support and
urethral closure pressure. The Journal of urology. 2008;179(6):2286-90;
Discussion
90.
123. Rostaminia G, White D, Hegde A, Quiroz LH, Davila GW, Shobeiri SA. Levator
ani def iciency and pelvic organ prolapse severity. Obstet Gynecol.
2013;121(5):1017-24.
124. Dietz HP, Moegni F, Shek KL. Diagnosis of levator avu lsion injury: A
comparison of three methods. Ultrasound Obstet Gynecol. 2012;40(6):693-8.
125. Martins WP, Nastri CO. Interpreting reproducibility results for ultrasound
measurements. Ultrasound in obstetrics & gynecology : the official journal of the
International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology.
2014;43(4):479-80.
126. Bland JM, Altman DG. Statistica l methods for assessing agreement between
two methods of clinical measurement. Lancet (London, England).
1986;1(8476):307-10.
127. Bland JM, Altman DG. Applying the right statistics: analyses of measurement
studies. Ultrasound in obstetrics & gynecology : the official journal of the
International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology. 2003;22(1):85-
93.
128. Van Delft K, Shobeiri SA, Thakar R, Schwertner -Tiepelmann N, Sultan AH.
Intra- and interobserver reliability of levator ani muscle biometry and avulsion
using three -dimensional endovaginal ultrasonography. Ultrasound Obstet
Gynecol. 2014;43(2):202-9.
Referências Bibliográficas | 92
129. Dietz HP, Shek C, De L eon J, Steensma AB. Ballooning of the levator hiatus.
Ultrasound Obstet Gynecol. 2008;31(6):676-80.
130. Santoro GA, Wieczorek AP, Shobeiri SA, Stankiewicz A. Endovaginal
ultrasonography: Methodology and normal pelvic floor anatomy. Pelvic Floor
Disorders: Imaging and Multidisciplinary Approach to Management : Springer
Milan; 2010. p. 61-78.
131. van Veelen GA, Schweitze r KJ, van Delft K, Kluivers KB, Weemhoff M, van
der Vaart CH. Diagnosing levator avulsions after first delivery by tomographic
ultrasound: reliability between observers from different centers. Int Urogynecol J
Pelvic Floor Dysfunct. 2014;25(11):1501-6.
132. Lone F, Sultan AH, Stankiewicz A, Thakar R. Interobserver agreement of
multicompartment ultrasound in the assessment of pelvic floor anat omy. The
British journal of radiology. 2016;89(1059):20150704.
133. Van Delft KW, Sultan AH, Thakar R, Shobeiri SA, Kluivers KB. Agreement
between palpation and transperineal and endovaginal ultrasound in the diagnosis
of levator ani avulsion. Int Urogynecol J. 2015;26(1):33-9.
134. Youssef A, Montaguti E, Sanlorenzo O, Ca riello L, Awad EE, Pacella G, et al.
A new simple technique for 3 -dimensional sonographic assessment of the pelvic
floor muscles. Journal of ultrasound in medicine : official journal of th e American
Institute of Ultrasound in Medicine. 2015;34(1):65-72.
135. Youssef A, Montaguti E, Sanlorenzo O, Cariello L, Salsi G, Morganelli G, et al.
Reliability of new three -dimensional ultrasound technique for pelvic hiatal area
measurement. Ultrasound in obstetrics & gynecology : the official journal of the
International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology.
2016;47(5):629-35.
136. Sondas e biópsias. Manual básico do usuário Voluson® E8/Voluson® E8
Expert Revisão 1 KTI106190-127: GE Medical Systems; 2007. p. 54.
137. Mathias SD, Kuppermann M, Liberman RF, Lipschutz RC, Steege JF. Chronic
pelvic pain: prevalence, health -related quality of life, and economic correlates.
Obstet Gynecol. 1996;87(3):321-7.
138. Zondervan KT, Yudkin PL, Vesse y MP, Dawes MG, Barlow DH, Kennedy SH.
Prevalence and incidence of chronic pelvic pain in primary care: evidence from a
national general practice database. British journal of obstetrics and gynaecology.
1999;106(11):1149-55.
Text is read by the "Ask this paper" AI Q&A widget below.
Extraction quality varies by source — PMC NXML preserves structure
cleanly, OA-HTML may include some navigation residue, and OA-PDF can
have broken hyphenation. The publisher copy
(via DOI)
is the canonical version.