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DOI: 10.1055/s-0046-1824137
ABORDAGEM COMBINADA TRANSABDOMINAL E TRANSANAL NO MANEJO CIRÚRGICO DE FÍSTULA RETOVAGINAL COMPLEXA EM PACIENTE COM ENDOMETRIOSE PROFUNDA COMPLICADA
Authors
Autor correspondente: OMAR FÉRES -
[email protected]
Apresentação do caso Mulher, 41 anos, com diagnóstico de endometriose e acometimento do cólon sigmoide. Previamente submetida a histerectomia, sigmoidectomia e anastomose colorretal em outra instituição. Evoluiu com deiscência da anastomose e peritonite fecal grave, resultando em seis laparotomias subsequentes por complicações abdominais sépticas. A anastomose colorretal foi desfeita e a paciente submetida a colostomia terminal e ileostomia em alça. Admitida em nossa instituição com hérnia incisional, ileostomia prolapsada à direita, colostomia à esquerda e coto retal sepultado abaixo do promontório. Optado pela reconstrução do trânsito intestinal com anastomose colorretal e manutenção da ileostomia protetora. No pós-operatório, identificaram-se duas fístulas retovaginais. Optou-se por nova abordagem combinada. Pela via transanal, realizou-se liberação do cólon da cúpula vaginal. Pela via abdominal, realizaram-se dissecção e ressecção do segmento fistulizado. Uma nova anastomose colorretal foi confeccionada por via transanal. O segundo trajeto fistuloso foi tratado com interposição de pericárdio bovino entre a parede posterior da vagina e o reto. Durante o seguimento, após fechamento completo das fístulas, o trânsito intestinal foi restabelecido sem comprometimento da continência fecal.
Discussão A fístula retovaginal é uma condição desafiadores para o coloproctologista. As abordagens disponíveis incluem vias transvaginal, transretal, transperineal e abdominal. No caso apresentado, optou-se pela combinação das vias abdominal e transanal por se tratar de doença complexa, com duplo trajeto fistuloso. O caso evidenciou os desafios do manejo da endometriose profunda, frequentemente associada a complicações sépticas pós-operatórias, que resultam em distorções anatômicas e dificuldade técnica. A seleção adequada da abordagem cirúrgica foi essencial para o desfecho favorável.
Comentários Finais A abordagem cirúrgica das fístulas retovaginais deve ser individualizada e planejada de forma criteriosa, considerando a complexidade anatômica e o contexto clínico da paciente. Técnicas combinadas podem ser fundamentais para o sucesso terapêutico em situações de alta complexidade, como no caso apresentado.
Publication History
Article published online:
26 May 2026
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