Infertility; Endometriosis; Assisted Reproduction.
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 08
2. JUSTIFICATIVA ..................................................................................................... 12
3. OBJETIVO ............................................................................................................. 13
4. METODOLOGIA .................................................................................................... 14
4.1 Critérios de inclusão ...................................................................................... 14
4.2 Critérios de exclusão ..................................................................................... 14
4.3 Gestão de dados ............................................................................................ 15
4.4 Análise estatística .......................................................................................... 16
5. RESULTADOS ....................................................................................................... 18
6. DISCUSSÃO .......................................................................................................... 29
7. CONCLUSÃO ........................................................................................................ 33
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 34
ANEXO 1 ............................................................................................................... 38
ANEXO 2 ............................................................................................................... 43
8
1 INTRODUÇÃO
A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela presença de
tecido endometrial fora do útero ( Kennedy et al. , 2005 ). Ela está associada a
repercussões e impactos negativos sobre a qualidade de vida das pacientes. Além de
importante redução da produtividade laboral (C ulley et al., 2013), tem custos econômicos
diretos e indiretos na ordem de US$50 bilhões por ano nos Es tados Unidos da América
(EUA) (Simoens et al., 2012). Estima-se que a prevalência de endometriose na população
feminina geral varie de 5 a 10% e até 50% nas mulheres com infertilidade (Eskenazi;
Warner, 1997 ). Embora algumas mulheres possam sofrer com a doen ça após a
menopausa, as estimativas são de que ao menos 190 milhões de mulheres na idade
reprodutiva, principal fase acometida, sejam afetadas por essa doença em todo o mundo
(Gemmell et al., 2017).
De acordo com a Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia
(ESHRE), existe um atraso no diagnóstico da endometriose. Estudos mais recentes
mostram que o tempo médio para o diagnóstico definitivo varia de 4 a 11 anos, mesmo
nas populações com acess o universal ao sistema de saúde (Hudelist et al. , 2012 ).
Considerando uma possível progressão da doença em algumas mulheres, é possível que
o diagnóstico precoce esteja associado a uma doença menos extensa e, portanto,
melhores resultados clínicos como redução da distorção anatômica dos órgãos pélvicos e
estruturas reprodutivas e menor comprometimento da fertilidade (Dunselman et al., 2014).
A laparoscopia com verificação histológica é descrita como método padrão ouro no
diagnóstico de endometriose, embora se defenda o tratamento dos sintomas antes do
diagnóstico cirúrgico definitivo (Dunselman et al., 2014). Mesmo que seguro, a
laparoscopia não é isenta de riscos operatórios e é dependente de cirurgiões qualificados,
o que pode limitar o acesso ao procedimento em algumas regiões (Fuentes et al., 2014).
Como a l aparoscopia é um procedimento com potencial morbidade, desenvolver
uma abordagem diagnóstica não invasiva confiável, com alta sensibilidade e
especificidade, acessível e idealmente barata, seria o método preferível. As técnicas de
imagem comumente utilizad as em ginecologia incluem ultrassonografia (US) e
9
ressonância magnética (RM). Protocolos mais recentes recomendam o uso de US e RM
no diagnóstico de endometriose, porém, um achado negativo não exclui o diagnóstico da
doença, principalmente na doença peritoneal superficial (Becker et al., 2022). Atualmente,
diante de suspeita clínica da doença, baseada em sintomas, porém com exames de
imagem negativos, a opção tem sido pelo tratamento empírico hormonal. Sendo assim, a
indicação de laparoscopia tem se limitad o aos casos refratários ao tratamento clínico,
principalmente do sintoma de dor ou casos em que há imagem de lesão profunda com
acometimento funcional de órgãos envolvidos, tais como hematúria, tenesmo vesical,
estreitamento da luz intestinal, hematoquezia, dentre outros. Nestes casos, a laparoscopia
deve ser diagnóstica e ao mesmo tempo terapêutica (Nisenblat et al., 2016).
A sintomatologia das pacientes é variável, podendo as pacientes estarem
assintomáticas ou manifestarem sinais e sintomas até incapacit antes. Embora as
evidências para predizer endometriose, baseadas na apresentação clínica, sejam
incompletas, os médicos devem considerar esse diagnóstico em mulheres que possam
apresentar dor pélvica, dismenorreia, sangramento menstrual anormal, infertilid ade,
dispareunia e/ou sangramento pós coito e/ou diagnóstico prévio de cisto ovariano,
síndrome do intestino irritável ou doença inflamatória pélvica (Ballard et al., 2008 ). Em
estudo prospectivo com mulheres submetidas à laparoscopia para subfertilidade,
encontrou-se que somente dismenorreia grave foi preditora de endometrios e (Forman et
al., 1993), apoiando outros trabalhos que associaram o aumento da gravidade da
dismenorreia à presença de endometriose (Eskenazi et al., 2001).
Até o momento, não existe cura para endometriose, apenas controle da doença. O
tratamento, nos casos em que a queixa principal é a dor, consiste no tratamento
hormonal, com uso de contraceptivos orais combinados, alguns progestágenos isolados
ou de drogas que induzam ao hipo estrogenismo, como os análogos ou antagonistas do
GnRH. Essas medidas podem promover a redução do processo inflamatório e
consequentemente dos sintomas associados (Crosignani et al., 2006).
Além da dor como um dos principais sintomas da doença, as paciente s podem ter
problemas associados à fertilidade. Em mulheres com diagnóstico de endometriose, em
torno de 25 a 40% são infértei s (Houston et al., 1987). Embora exista uma relação entre
essa doença e baixa fecundidade, os mecanismos envolvidos ainda são bast ante
10
controversos. Diversas hipóteses foram propostas a fim de elucidar essa relação. A
presença de aderências pélvicas pode causar alterações mecânicas, que comprometem a
fertilidade por obst rução das trompas, por exempl o ( Schenken et al. , 1984 ). Além das
distorções anatômicas, vários outros mecanismos são aventados para relacionar a
infertilidade à endometriose: comprometimento do processo ovulatório (redução da
quantidade e qualidade dos oócitos), comprometimento do desenvolvimento folicular e
luteal, alterações do eixo hipotálamo -hipófise-ovariano, comprometimento da capacidade
de fertilização dos oócitos, alterações do processo impla ntatório e aumento das taxas de
aborto (Stilley; Birt; Sharpe-Timms, 2012).
Em alguns casos, os vários distúrbios fisiopat ológicos podem interagir. Parece
haver uma associação entre a extensão da doença e o grau de infertilidade na
endometriose (Guzick et al. , 1997). Entre as mulheres com endometriose mínima/leve,
aproximadamente 50% apresentam gestação espontânea, enquanto e m mulheres com
doença moderada, apenas 25% engravidarão espontaneamente, e poucas concepções
espontâneas ocorrem no caso de doença grave (Olive et al., 1985).
Porém, trabalhos mais atuais acreditam que a endometriose s ó teria impacto na
fertilidade se asso ciada a disfunção tubária, seja por obstrução ou por aderências,
inferindo que mulheres com endometriose sem acometimento tub ário teria a mesma
chance reprodutiva comparada com uma paciente hígida, justificando mais uma vez o
quanto ainda é obscuro a fisio patologia d a endometriose na infertilidade (Zoccoli ; La
Marca, 2024).
Aos que defendem que a endometriose impacta a fertilidade por diversos outros
fatores, acredita-se que os implantes de endometriose induzem uma reação inflamatória
aguda, que está associada ao recrutamento e ativação de células T do organismo. Após a
resolução da fase aguda, os monócitos e macrófagos mantêm uma inflamação crônica,
que contribui para a formação de aderências peritoneais e angiogênes e ( Tanbo;
Fedorcsak, 2017).
Além do mecanismo acima, a inflamação crônica induzida pela endometriose leva a
um aumento na concentração de interleucina-1β (IL -1β), IL -8, IL -10 e fator de necrose
tumoral-α em folículos adjacentes a endometriomas , o que está associado à redução da
11
resposta ovariana, prejudicando a fertilidad e (Opøien et al., 2013). Outra interleucina (IL)
parece ter associação com a infertilidade de pacientes com endometriose, a IL -6 presente
no fluido peritoneal de pacientes com endometriose está elevado e inibe a motilidade dos
espermatozoides ( Yoshida; Harada; Iwabe, 2004 ). Além disso, o estresse oxidativo, as
prostaglandinas e as citocinas podem interferir nas interações oócito -espermatozoide,
prejudicando o desenvolvimento do embrião e dificultar a implantaçã o ( Pellicer et al. ,
1995).
Diante disso, a fertilização in vitro (FIV) ganha espaço para evitar a exposição dos
oócitos a todos esses meios inflamatórios, uma vez que os o ócitos são aspirados antes
da exposição (Ata; Somigliana, 2024).
Nos casos em que a queixa principal da paciente é a infertilidade, os tratamentos
clínicos hormonais habitualmente propostos para tratamento da dor não se aplicam, uma
vez que na sua maioria impedem a ocorrência d e ovulação. Segundo membros do
Endometriosis Guideline Core Group, a exérese dos focos de endometriose em situações
de endometriose mínima e leve parece aumentar a fertilidade espontânea destas
mulheres. Já para pacientes com endometriose moderada e grave, que implica
geralmente na presença de lesões profundas ou comprometimento da anatomia tubária, a
recomendação é de que o melhor custo -benefício ocorre com procedimentos de
Reprodução Assistida (RA) d e alta complexidade (FIV/ICSI ) (Becker et al ., 2022). A
realização de cirurgia para remoção de lesões previamente ao procedimento parece não
aumentar as chances de sucesso do tratamento, além de, no caso dos endometriomas,
poderem comprometer ainda mais a reserva ovariana da paciente por destruição de
parênquima adjacente ao cisto no momento da cistectomia (Ata; Unco, 2015).
12
2 JUSTIFICATIVA
Tendo em vista a sabida influência negativa da endometriose na vida reprodutiva
das mulheres, avaliar fatores preditores de sucesso em desfechos reprodutivos de
mulheres inférteis portadoras de endometriose submetidas a técnicas de R eprodução
Assistida é de extrema importância para melhor caracterização dessas pacientes, e
poder, então, buscar meios para melhorar seus desfechos reprodutivos.
13
3 OBJETIVO
Este estudo visa avaliar os desfecho s reprodutivos das pacientes portadoras de
endometriose, submetidas a reprodução assistida em nosso serviço ao longo de cinco
anos (2016-2021) e avaliar possíveis fatores preditores de sucesso em seus desfechos
reprodutivos.
14
4 METODOLOGIA
Trata-se de um estudo observacional tipo c orte transversal em que foi realizado o
levantamento de dados a partir de prontuários médicos das pacientes com endometriose
submetidas a tratamento de reprodução assistida no período de janeiro de 2016 a
dezembro de 2021 e dos arquivos de procedimentos do Centro de Reprodução Assistida
do HC-FMRP-USP deste mesmo período. Foram incluídos todas as pacientes atendidas
neste período que realizaram tratamento de reprodução assistida de alta complexidade,
desde que constasse objetivamente em prontuário que eram portadoras de endometriose,
com diagnóstico bem documentado. Optado por não realizar grupo controle pois não
podemos afirmar com certeza a ausência de endometriose nas demais pacientes.
Foram selecionadas um tota l de 252 pacientes que preenchiam todos os critérios
de inclusão e não tinham os de exclusão listados abaixo.
4.1 Critérios de Inclusão:
- Paciente em tentativa de conceber há pelo menos 12 meses;
- Diagnóstico de endometriose confirmado por videolaparosc opia ou com imagem
fortemente suspeita de lesões de endometriose (ultrassonografia ou ressonância
magnética da pelve);
- Submetidas a procedimento de Reprodução Assistida no HC -FMRP entre 2016 a
2021.
4.2 Critérios de Exclusão:
- Preenchimento incompleto do prontuário médico.
- Pacientes submetidas somente a procedimentos de Reprodução Assistida de
baixa complexidade (coito programado ou inseminação intrauterina).
15
As variáveis analisadas foram: índice de massa corporal (IMC), idade, presença de
fator masculino, ovulatório ou tubário associados, tipo de infertilidade (primária ou
secundária), procedimento ao qual foi submetida, medicamentos utilizados para a indução
de ovulação, número de dias de indução, droga utilizada para o bloqueio do eixo
hipotálamo-hipófise-ovariano, medicamento utilizado no para disparo da ovulação
(trigger), número de folículos puncionados, número de folículos maiores que 14 mm no dia
do trigger, número de oócitos maduros (MII) captados, número de embriões formad os,
número de embriões transferidos e taxa de formação embrionária.
Os desfechos avaliados foram: pacientes que não engravidaram, nascidos vivos,
perda gestacional precoce (abortamento) e gestação bioquímica.
Na tentativa de evitar viés no estudo, foi realizada uma triagem rigorosa das
pacientes incluídas, sendo necessário diagnóstico de certeza de endometriose bem
documentado em prontuário. Aquelas com suspeita diagn óstica apenas pelo quadro
clínico foram excluídas.
4.3 Gestão de dados:
Foi elaborado um banco de dados com todas as variáveis citadas acima, em que
as pacientes foram identificadas pelas iniciais do nome e registro HCRP, sendo os dados
de identificação de acesso restrito aos pesquisadores responsáveis pelo preenchimento e
conferência do banco de dados. A coleta de dados e alimentação do banco de dados foi
realizado entre outubro de 2023 a março de 2024.
Os dados estão mantidos na nuvem, de maneira criptograf ada. Estes dados serão
mantidos armazenados mesmo após o término da pesquisa para eventuais auditorias ou
checagem de dados que possam ser requeridos, por um período de 5 anos.
16
4.4 Análise estatística:
Os dados obtidos na revisão de prontuário s e regist ros do laboratório foram
inseridos em formulário próprio desenvolvido especificamente para esta pesquisa.
Foi realizada uma análise exploratória dos dados considerando as medidas de
posição central (média e mediana) e de dispersão (desvio padrão e interval o interquartil).
As variáveis qualitativas foram sumarizadas considerando as frequências absolutas e
relativas.
O teste Qui -Quadrado foi aplicado para verificar quais das variáveis qualitativas
estavam associadas de forma independente com os desfechos.
Para comparar as médias das variáveis quantitativas em relação aos desfechos foi
aplicado o teste t de Student . Foi checado os pressupostos do teste através de gráficos
de normalidade e de box-plot.
Com o intuito de reduzir o número de variáveis independentes no modelo de
regressão logística foi verificada a colinearidade entre as variáveis independentes
considerando o Variance inflation factor (VIF). O VIF é uma ferramenta de diagnóstico
amplamente usada na análise de regressão para detectar multicolinearidad e, que é
conhecida por afetar a estabilidade e a interpretabilidade dos coeficientes de regressão.
Mais tecnicamente, o VIF funciona quantificando o quanto a variação de um coeficiente de
regressão é inflada devido às correlações entre os preditores. As va riáveis com VIF
maiores do que 1 foram desconsideradas do modelo de regressão logística.
Um modelo de regressão logística penalizado multivariado foi construído para
verificar quais das variáveis independentes são preditoras dos desfechos de interesse. Foi
utilizado a abordagem de verossimilhança penalizada de Firth no modelo de regressão
logística, esta ferramenta aborda questões de separabilidade, tamanhos amostrais
pequenos e viés das estimativas dos parâmetros.
Os resultados foram testados para a normal idade, sendo considerados valores de
p<0,1 para significância estatística.
As análises foram implementadas considerando o programa SAS versão 9.4.
17
Este estudo foi aprovado pela comissão de pesquisa do Departamento de
Ginecologia e Obstetrícia (CCP-DGO) e pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HC-FMRP-
USP (n. CA AE 58869122.5.0000.5440). Foi solicitada a dispensa do termo de
consentimento por tratar-se de levantamento de banco de dados, inclusive com pacientes
que já não estão mais em seguimento no serviço.
18
5 RESULTADOS
Foi realizada uma análise exploratória dos dados considerando as medidas de
posição central (média e mediana) e de dispersão (desvio padrão e intervalo interquartil).
Foi construído um modelo de regressão log ística penalizado multivariado com a intenção
de verificar quais das variáveis independentes são preditores dos desfechos de interesse.
Os resultados estão expostos em formato de tabelas, separados pelos desfechos
analisados – não engravidou, nascimento, perda precoce ou gestação bioquímica.
No total, foram 562 pacientes atendidas no serviço no período de 2016 a 2021 com
endometriose. Destas, 252 atenderam aos critérios de inclusão e exclusão , sendo que 70
mulheres apresentaram gestação (28%). Dentre as pac ientes que engravidaram, 42
tiveram como desfecho nascidos vivos (60%), 16 apresentaram perda gestacional
precoce (22,9%), 8 gestações bioquímicas (11,4%) e 4 tiveram outros desfechos (5,7%).
A Tabela 1 trata -se das variáveis quantitativas analisadas. Observa-se a
semelhança entre a média do IMC (Kg/m2) e da idade (anos) das pacientes que
engravidaram e as que não engravidaram (24,67 e 25,31 vs 35,93 e 36,32,
respectivamente). Apresentou diferença estatística nas pacientes que engravidaram maior
número de oócitos madu ros (MII) (4,93 vs 4,16; p=0,0739), o número de embriões totais
(3,12 vs 2,4; p=0,0042) e o número de embriões transferidos (1,81 vs 1,65; p=0,0502).
19
Tabela 1 - Resultados pacientes com endometriose que engravidaram separados
pelas variáveis quantitativas analisadas.
Variável Engravidou N Média Desvio
Padrão Mediana P-valor
IMC SIM 68 24,67 3,08 24,3 0,2185
NÃO 177 25,31 3,85 24,6
Idade SIM 70 35,93 3,46 36 0,4273
NÃO 182 36,32 3,5 37
Núm. folículos
antrais
SIM 67 10,3 7,02 9 0,117
NÃO 180 8,82 6,38 7
Núm. folículos
maiores 14mm
SIM 67 5,52 3,04 5 0,8802
NÃO 180 5,42 5,42 4,5
Núm. MII SIM 68 4,96 2,94 4 0,0739
NÃO 181 4,16 3,18 3
Núm.
embriões
SIM 68 3,12 2,07 2 0,0042
NÃO 181 2,4 1,6 2
Núm.
embriões
transferidos
SIM 68 1,81 0,43 2 0,0502
NÃO 181 1,65 0,6 2
Taxa de
formação
embrionária
SIM 68 69,56 27,26 71 0,6487
NÃO 180 67,76 27,85 67
Fonte: Calzavara (2025).
Dentre as variáveis qualitativas analisadas neste grupo, representadas na Tabela
2, destaca -se principalmente a presença de quase metade da amostra com fator
masculino associado (44,29%) , com diferença estatística (p=0,0938). A infertilidade
primária foi absoluta (100%; p=<0,0001 ) entre todas as pacientes que engravidaram.
Ainda, o diagnóstico cirúrgico predominante nas pacientes que engravidaram (56,06%)
apresentou diferença estatística nesse grupo (p=0,0244).
20
Tabela 2 - Resultados pacientes com endometriose que engravidaram separados pelas
variáveis qualitativas analisadas.
Engravidaram
SIM NÃO P-valor
Fator
masculino
NÃO 39 (55,71) 122 (67,03) 0,0938
SIM 31 (44,29) 60 (32,97)
Fator
ovulatório
NÃO 64 (91,43) 157 (86,26) 0,2635
SIM 6 (8,57) 25 (13,74)
Fator tubário
NÃO 49 (70) 140 (76,92) 0,2556
SIM 21 (30) 42 (23,08)
Somente
endometriose
NÃO 40 (57,14) 92 (50,55) 0,3479
SIM 30 (42,86) 90 (49,45)
Tipo
infertilidade
PRIMÁRIA 70 (100) 124 (68,13) <,0001
SECUNDÁRIA 0 (0) 58 (31,87)
Transferência
de embriões
D2 27 (38,57) 61 (33,52) 0,5099
D3 37 (52,86) 110 (60,44)
D5 6 (8,57) 11 (6,04)
Realizou
cirurgia
NÃO 32 (46,38) 73 (41,48) 0,4858
SIM 37 (53,62) 103 (58,52)
Diagnóstico
IMAGEM 29 (43,94) 104 (60,12) 0,0244
CIRÚRGICO 37 (56,06) 69 (39,88)
Fonte: Calzavara (2025).
Após análise multivariada, observa -se que o número de oócito s maduros (MII)
captados (IC95% 1,004; 0,887 -1,137), número de embriões totais (IC95% 1,329; 1,043 -
1,692), número de embriões transferidos (IC95% 1,144; 0,635 -2,06) e o tipo de
infertilidade (IC95% 83,285; 4,82 -999), tiveram diferença estatística para a concepção
dessas pacientes (Tabela 3).
21
Tabela 3 - Resultados da análise multivariada de pacientes com end ometriose que
engravidaram, com diferença estatística.
Engravidaram OR IC 95%
LI LS
Núm. MII 1,004 0,887 1,137
Núm. Embriões 1,329 1,043 1,692
Núm. Embriões
Transferidos 1,144 0,635 2,06
Tipo de Infertilidade 83,285 4,82 999
Fonte: Calzavara (2025).
A Tabela 4 retrata as variáveis quantitativas do desfecho de nascidos vivos. O IMC
e a idade mantêm -se uma semelhança entre as mé dias os dois grupos, com desfecho
favorável e desfavorável (24,92 e 35,26 vs 25,17 e 36,4, respectivamente) , porém neste
grupo a idade apresentou diferença estatística (p=0,0532) , além do número de oócitos
maduros (p=0,0594), número de embriões (p=0,0015) e embriões transferidos (p=0,0224).
Tabela 4 - Resultados pacientes com endometriose que engravidaram e nasceram,
separados pelas variáveis quantitativas analisadas.
Variável Nascidos
vivos N Média Desvio
Padrão Mediana P-valor
IMC NÃO 204 25,17 3,72 24,5 0,6828
SIM 41 24,92 3,36 24,3
Idade NÃO
SIM
210
42
36,4
35,26
3,47
3,45
37
35,5 0,0532
Núm.
folículos
antrais
NÃO 206 9,12 6,49 8 0,5706
SIM 41 9,76 7,05 9
Núm.
folículos
maiores
14mm
NÃO 206 5,47 5,2 5 0,8544
SIM 41 5,32 2,82 5
Núm. MII NÃO 208 4,21 3,11 3 0,0594
SIM 41 5,22 3,14 5
Núm.
embriões
NÃO 208 2,44 1,61 2 0,0015
SIM 41 3,39 2,26 3
Núm.
embriões
transferidos
NÃO 208 1,66 0,58 2 0,0224
SIM 41 1,88 0,4 2
Taxa de
formação
embrionária
NÃO 207 67,47 27,81 67 0,3157
SIM 41 72,22 26,79 75
Fonte: Calzavara (2025).
22
Dentre as variáveis qualitativas analisadas neste grupo, representadas na Tabela
5, metade das pacientes tinham fator masculino associado, com diferença estatística
(p=0,0401), e fator tubário (38,1% ; p=0,0318 ) O tipo do diagnóstico nesse gru po de
pacientes também apresentou diferença estatística (p=0,0975).
Tabela 5 - Resultados pacientes com endometriose que engravidaram e nasceram,
separados pelas variáveis qualitativas analisadas.
Nascidos vivos
NÃO SIM P-valor
Fator
masculino
NÃO 140 (66,67) 21 (50) 0,0401
SIM 70 (33,33) 21 (50)
Fator
ovulatório
NÃO 181 (86,19) 40 (95,24) 0,1032
SIM 29 (13,81) 2 (4,76)
Fator tubário
NÃO 163 (77,62) 26 (61,9) 0,0318
SIM 47 (22,38) 16 (38,1)
Somente
endometriose
NÃO 106 (50,48) 26 (61,9) 0,1758
SIM 104 (49,52) 16 (38,1)
Tipo
infertilidade
PRIMÁRIA 152 (72,38) 42 (100) 0,1758
SECUNDÁRIA 58 (27,62) 0 (0)
Transferência
de embriões
D2 71 (33,81) 17 (40,48) 0,4444
D3 126 (60) 21 (50)
D5 13 (6,19) 4 (9,52)
Realizou
cirurgia
NÃO 86 (42,36) 19 (45,24) 0,7319
SIM 117 (57,64) 23 (54,76)
Diagnóstico
IMAGEM 116 (58,00) 17 (43,59) 0,0975
CIRÚRGICO 84 (42,00) 22 (56,41)
Fonte: Calzavara (2025).
23
Após análise multivariada, observa-se que o número de número de embriões totais
(IC95% 1,384; 1,151 -1,666) e o tipo de infertilidade (IC95% 47,541; 2,53 -893,386),
tiveram diferença estatística para o desfecho favorável dessas pacientes (Tabela 6).
Tabela 6 - Resultados da análise multivariada de pacientes com endometrio se que
engravidaram e nasceram, com diferença estatística.
Nascidos vivos OR IC 95%
LI LS
Núm. embriões 1,384 1,151 1,666
Tipo infertilidade 47,541 2,53 893,386
Fonte: Calzavara (2025).
O próximo desfe cho avaliado trata -se de pacientes que engravidaram, porém
tiveram perda gestacional precoce (abortamento), independente do motivo. A Tabela 7
retrata as variáveis quantitativas analisadas neste grupo. Nenhuma das variáveis
apresentou diferença estatística neste grupo.
24
Tabela 7 - Resultados pacientes com endometriose que engravidaram e tiveram
perda gestacional precoce, separados pelas variáveis quantitativas analisadas.
Variável Perda
precoce N Média Desvio
Padrão Mediana P-valor
IMC NÃO 230 25,15 3,71 24,45 0,7959
SIM 15 24,89 2,84 24,5
Idade NÃO 236 36,22 3,53 37 0,8613
SIM 16 36,06 2,82 37
Núm. folículos
antrais
NÃO 232 9,11 6,5 8 0,2811
SIM 15 11 7,71 8
Núm. folículos
maiores 14mm
NÃO 232 5,44 4,97 5 0,8996
SIM 15 5,6 3,54 4
Núm. MII NÃO 234 4,36 3,18 3 0,7129
SIM 15 4,67 2,26 4
Núm. embriões NÃO 234 2,57 1,76 2 0,3641
SIM 15 3 1,85 2
Núm. embriões
transferidos
NÃO 234 1,68 0,57 2 0,2238
SIM 15 1,87 0,35 2
Taxa de
formação
embrionária
NÃO 233 68,33 27,84 67 0,8717
SIM 15 67,13 25,17 67
Fonte: Calzavara (2025).
Dentre as variáveis qualitativas neste grupo (Tabela 8) , nenhuma variável
apresentou diferença estatística.
25
Tabela 8 - Resultados pacientes com endometriose que engravidaram e tiveram
perda gestacional precoce, separados pelas variáveis qualitativas analisadas.
Perda precoce
NÃO SIM P-valor
Fator
masculino
NÃO 150 (63,56) 11 (68,75) 0,6757
SIM 86 (36,44) 5 (31,25)
Fator
ovulatório
NÃO 206 (87,29) 15 (93,75) 0,4463
SIM 30 (12,71) 1 (6,25)
Fator tubário
NÃO 175 (74,15) 14 (87,5) 0,2328
SIM 61 (25,85) 2 (12,5)
Somente
endometriose
NÃO 126 (53,39) 6 (37,5) 0,2181
SIM 110 (46,61) 10 (62,5)
Tipo
infertilidade
PRIMÁRIA 178 (75,42) 16 (100) 0,0238
SECUNDÁRIA 58 (24,58) 0 (0)
Transferência
de embriões
D2 82 (34,75) 6 (37,5) 0,539
D3 137 (58,05) 10 (62,5)
D5 17 (7,2) 0 (0)
Realizou
cirurgia
NÃO 98 (42,79) 7 (43,75) 0,9405
SIM 131 (57,21) 9 (56,25)
Diagnóstico
IMAGEM 126 (56,5) 7 (43,75) 0,3213
CIRÚRGICO 97 (43,5) 9 (56,25)
Fonte: Calzavara (2025).
Neste cenário, após análise multivariada, apenas o tipo de infertilidade (IC95%
12,881; 1,204-137,783) teve diferença estatística (Tabela 9).
26
Tabela 9 - Resultados da análise multivariada de pacientes com endometriose que
engravidaram e tiveram perda gestacional precoce, com diferença estatística.
Perda precoce OR IC 95%
LI LS
Tipo infertilidade 12,881 1,204 137,783
Fonte: Calzavara (2025).
O último desfecho analisado, gestação bioquímica, ou seja, aquelas que positivam
Beta-hCG, porém não desenvolveram saco gestacional, destaca-se, nas variáveis
quantitativas (Tabela 10), a idade média mais avançada nesse grupo (39 ; p=0,0211) e o
número de embriões transferidos menor nesse grupo, com diferença estatística (p=0,023).
Tabela 10 - Resultados pacientes com endometriose que tiveram gestação
bioquímica, separados pelas variáveis quantitativas analisadas.
Variável Gestação
bioquímica N Média Desvio
Padrão Mediana P-valor
IMC NÃO 237 25,17 3,69 24,5 0,3644
SIM 8 23,98 2,03 23,8
Idade NÃO 244 36,12 3,46 37 0,0211
SIM 8 39 3,38 41
Núm. folículos
antrais
NÃO 240 9,18 6,57 8 0,5059
SIM 7 10,86 7,01 9
Núm. folículos
maiores 14mm
NÃO 240 5,41 4,92 5 0,4869
SIM 7 6,71 3,59 7
Núm. MII NÃO 241 4,36 3,12 3 0,6487
SIM 8 4,88 3,6 3,5
Núm.
embriões
NÃO 241 2,61 1,76 2 0,7166
SIM 8 2,38 1,85 1,5
Núm.
embriões
transferidos
NÃO 241 1,71 0,56 2 0,023
SIM 8 1,25 0,46 1
Taxa de
formação
embrionária
NÃO 240 68,6 27,47 67 0,2755
SIM 8 57,75 32,8 46,5
Fonte: Calzavara (2025).
27
A Tabela 11 descreve as variáveis qualitativas deste cenário , porém nenhuma variável
com diferença estatística.
Tabela 11 - Resultados pacientes com endometriose que tiveram gestação
bioquímica, separados pelas variáveis qualitativas analisadas.
Gestação bioquímica
NÃO SIM P-valor
Fator
masculino
NÃO 156 (63,93) 5 (62,5) 0,9338
SIM 88 (36,07) 3 (37,5)
Fator
ovulatório
NÃO 215 (88,11) 6 (75) 0,2664
SIM 29 (11,89) 2 (25)
Fator tubário
NÃO 184 (75,41) 5 (62,5) 0,4067
SIM 60 (24,59) 3 (37,5)
Somente
endometriose
NÃO 127 (52,05) 5 (62,5) 0,5603
SIM 117 (47,95) 3 (37,5)
Tipo
infertilidade
PRIMÁRIA 186 (76,23) 8 (100) 0,116
SECUNDÁRIA 58 (23,77) 0 (0)
Transferência
de embriões
D2 86 (35,25) 2 (25) 0,1101
D3 143 (58,61) 4 (50)
D5 15 (6,15) 2 (25)
Realizou
cirurgia
NÃO 102 (42,86) 3 (42,86) 1,0000
SIM 136 (57,14) 4 (57,14)
Diagnóstico
IMAGEM 130 (56,03) 3 (42,86) 0,4893
CIRÚRGICO 102 (43,97) 4 (57,14)
Fonte: Calzavara (2025).
Após análise multivariada, observa -se que a idade (IC95% 1,359; 1,056 -1,749), o
IMC (IC 95% 0,928; 0,762 -1,131), o número de oócitos maduros (MII) captados (IC95%
28
0,993; 0,767-1,285), número de embriões totais (IC95% 1,38; 0,83-2,292) e o número de
embriões transferidos (IC95% 0,201; 0,047 -0,86) tiveram diferença estatística para o
desfecho desfavorável dessas pacientes (Tabela 12).
Tabela 12 - Resultados da análise multivariada de pacientes com endometrios e
que engravidaram e tiveram gestação bioquímica, com diferença estatística.
Gestação bioquímica OR IC 95%
LI LS
Idade 1,359 1,056 1,749
IMC 0,928 0,762 1,131
Núm. MII 0,993 0,767 1,285
Núm. embriões 1,38 0,83 2,292
Núm. embriões
transferidos 0,201 0,047 0,86
Fonte: Calzavara (2025).
29
6 DISCUSSÃO
É sabido e bem documentado na literatura que a endometriose é uma doença
multifatorial, subdiagnosticada e tem íntima relação com infertilidade, principalmente em
estágios avançados de endometri ose profunda. Porém, o que n ão há consenso e
necessita ainda mais estudos, é como a endometriose pode impactar a fertilidade d essas
pacientes, e principalmente se existem fatores que podem predizer sucesso no tratamento
da infertilidade.
No presente estud o, apenas 28% das pacientes com endometriose apresentaram
como desfecho gestação, porém menos ainda, apenas aproximadamente 17% tiveram
como desfecho nascido vivo , e as demais tiveram abortamento ou gestação bioquímica.
Considerando a estimativa segundo a ESHRE de aproximadamente 50% de chance de
sucesso de gestação com FIV em pacientes entre 35 e 37 anos (mesma m édia das
pacientes do nosso estudo), houve de fato uma queda na taxa de sucesso de gestação
das pacientes com endometriose neste estudo.
Semelhante a isso, Harb HM et al. realizou uma metanálise com 27 estudos
evidenciando uma diminuição na taxa de implantação e gravidez clínica em mulheres com
endometriose profunda (graus III/IV) submetidas a fertitilização in vitro (Harb et al., 2013).
Analisando o contexto, as pacientes que engravidaram neste estudo apresentaram
aproximadamente 1,5 folículos antrais a mais, comparado com as pacientes que não
engravidaram, além de maior número de oócitos maduros e, consequentemente, maior
número de embriões for mados e transferidos. Por outro lado, quase 50% dessas
pacientes tinham fator masculino associado , todos esses dados com diferença estatística
para o sucesso de uma gestação . Acredita-se que esses achados podem estar
relacionados tanto à menor fo rmação de óvulos maduros por fatores ainda não bem
definidos, quanto pela maior dificuldade de puncionar folículos em pacientes com
endometrioma, um verdadeiro obstáculo mecânico na coleta oocitária (Zoccoli et al.,
2024).
Em contrapartida, Somigliana et al., mostrou em seu estudo em 2023 que a taxa de
blastocistos euploides de mulheres com endometriose foi semelhante à de mulheres com
30
a mesma idade sem endometriose, mostrando que talvez a endometriose n ão tenha
impacto direto na qualidade oocitá ria, sendo maior o impacto na quantidade de oócitos, e
consequentemente na menor formação embrionária, o que corrobora com achados do
nosso estudo.
Este mesmo autor pondera em um outro artigo a influência da adenomiose
sobreposta nas pacientes com endometriose, que muitas vezes é subdignosticada, e que
poderia impactar na implantação embrionária e piores resultados de gravidez em
pacientes desse grupo (Ata; Somigliana, 2024)
Hamdan et al., em 2015, publicou uma metanálise com 36 estudos comparando
mulheres com e sem endometriose submetidas a técnicas de reprodução assistida de alta
complexidade. Foi observado semelhança entre as taxas de nascidos vivos, porém
pacientes com endometriose apresentaram menor taxa de gravidez clínica, menor número
de oócitos ca ptados por ciclo (diferença de aproximadamente 2 oócitos por ciclo) e taxa
de aborto espontâneo semelhante, achados equivalentes com nosso estudo.
Há um dilema sobre o impacto do tratamento cirúrgico na melhora das taxas de
nascidos vivos e gravidez em p acientes com endometriose. Este estudo não mostrou
diferença estatística da cirurgia na melhora dessas taxas , porém cerca de 54% das
pacientes que engravidaram realizaram algum procedimento cirúrgico previamente para
endometriose, mas nosso estudou não separou pacientes submetidas a cirurgia ovariana
para endometriose ou abordagem de focos de endometriose em outros sítios . Inclusive,
em pacientes com endometrioma, já é documentado na literatura o impacto negativo da
cirurgia, com danos ao córtex o variano e consequente diminuição da reserva ovariana
(Rangi et al., 2023).
Em pacientes com endometrioma ou outras topografias de focos de endometriose
com programação cirúrgica, com indicação de reprodução assistida de alta complexidade,
seja devido à en dometriose ou outro fator de infertilidade, é prudente e praticamente
consenso na literatura a realização do ciclo de FIV antes da cirurgia. No estudo de Santulli
et al. (2021), foram incluídas 146 mulheres e totalizou 258 ciclos de estimulação ovariana,
e evidenciou que mulheres com histórico de cirurgia ovariana para endometriose
apresentou uma menor quantidade de óvulos na punção ovariana.
31
Na nossa amostra, a idade média (anos) e IMC médio (Kg/m²) dos dois grupos
principais (engravidaram vs não engravidaram) foi semelhante (24,67 e 25,31 vs 35,93 e
36,32, respectivamente), motivo pelo qual não teve diferença estatística em nossa
amostra, porém é sabido e documentado na literatura a influência negativa da idade
avançada e da obesidade na fertilidade (Cobo et al., 2020).
Em 2020, Cobo et al. publicaram um estudo de coorte retrospectivo que incluiu 485
pacientes com endometriose . A idade média foi de 35,7 anos, semelhante à do nosso
estudo, e mostrou um maior número de óvulos congelados em pacie ntes não cirúrgicas e,
ainda, pacientes menores que 35 anos tiveram uma resposta ovariana maior e maior taxa
de nascidos vivos, corroborando para o forte impacto da variável idade na fertilidade.
Ainda, em nosso estudo, as pacientes que engravidaram apres entavam maior
número de folículos antrais (10,3 vs 8,82), maior número de oócitos maduros (MII) (4,93
vs 4,16), maior número de embriões totais formados (3,12 vs 2,4) e de embri ões
transferidos (1,81 vs 1,65), o que corrobora com achados da literatura (Cobo et al., 2020;
Santulli et al., 2021).
Santulli et al. em 2021 avaliou fatores prognósticos na preservação da fertilidade de
pacientes com endometriose . Os dois fatores que mais implicaram negativamente no
número de oócitos recuperados foi a história de cirurgia para endometriose ovariana a
idade da paciente e a dose total de gonadotrofina utilizada.
Em relação às pacientes com endometriose que apresentaram gestação não
evolutiva, abortamento ou gestação bioquímica, Sachs et. a l, em 2023, publicou um
estudo caso-controle com 66 transferências de pacientes com endometriose e comparou
com 96 mulheres com infertilidade sem causa aparente, e um dos desfechos avaliados foi
a taxa de abortamento. Em seu estudo, a taxa de aborto espont âneo foi maior no grupo
com endometriose (19,7% vs. 7,3%, p = 0,018) e em relação ao estágio da endometriose,
foi maior em pacientes com est ágio III/IV (p=0,030). Em nosso estudo, nenhuma variável
teve relevância estatística para o desfecho de abortamento. Já em pacientes com
gestação bioquímica, a idade e o n úmero de embriões transferidos houve diferença
estatística para o desfecho de gestação bioquímica.
32
Uma limitação do nosso estudo é que, devido à sua natureza observacional e
descritiva, ele não incluiu um grupo controle, o que permitiria a comparação dos
resultados obtidos por pacientes com endometriose com aqueles obtido s por controles
não afetados pela doença no mesmo grupo de pacientes . Outro fator limitante para a não
realização de grupo controle foi a restrição de informações nos prontuários das pacientes,
não podendo descartar que algumas dessas pacientes também apre sentassem
endometriose em estágios mais iniciais, subdiagnosticadas. Além disso, fatores
intimamente relacionados com infertilidade não foram considerados, como comorbidades
das pacientes, estilo de vida.
33
7 CONCLUSÃO
Nosso estudo mostrou que o número de embriões formados, o número de
embriões transferidos e o número de oócitos maduros captados (MII) para predizer
desfecho reprodutivo favorável em pacientes com endometriose que foram submetidas a
reprodução assistida de alta complexidade.
Portanto, concluímos que a endometriose seja uma potencial causa de um menor
número de oócitos captados e menor qualidade oocitária, formando menor número de
embriões e consequentemente gerando menores taxas de gravidez cl ínica e de nascidos
vivos.
Os achados fornecidos neste estudo podem ser úteis para fins de avaliação das
características do serviço, além de servir para aconselhamento às pacientes, visto que a
endometriose está cada vez mais frequente e diagnosticada em nosso meio, graças aos
avanços na área.
34
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41. SOMIGLIANA E. et al. Endometriosis and IVF treatment outcomes: unpacking the
process. Reprod Biol Endocrinol 21, 107, 2023.
42. ATA B .; SOMIGLIANA E. Endometriosis, staging, infertility and assisted
reproductive technology: time for a rethink . Reproductive BioMedicine Online, Volume
49, Issue 1, 103943, 2024.
43. SOMIGLIANA E.; LI PIANI L.; PAFFONI A. et al. Endometriosis and IVF treatme nt
outcomes: unpacking the process. Reprod Biol Endocrinol 21, 107, 2023.
44. HAMDAN M.M. et al. Influence of Endometriosis on Assisted Reproductive
Technology Outcomes. A Systematic Review and Meta -analysis. Obstetrics &
Gynecology, 125(1):p 79-88, 2015.
45. SACHS M.K. et al. Higher miscarriage rate in subfertile women with
endometriosis receiving unbiopsied frozen -warmed single blastocyst transfers.
Front Cell Dev Biol. 2023 Apr 14;11:1092994.
38
ANEXO 1
PARECER CONSUBSTANCIADO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA (CEP).
USP - HOSPITAL DAS
CLÍNICAS DA FACULDADE DE
MEDICINA DE RIBEIRÃO
PRETO DA USP -
PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP
Pesquisador:
Título da Pesquisa:
Instituição Proponente:
Versão:
CAAE:
Desfechos reprodutivos de pacientes inférteis com endometriose atendidas no Centro
de Reprodução Humana do HCRP
Ana Carolina Japur de Sá Rosa e Silva
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP -
1
58869122.5.0000.5440
Área Temática:
DADOS DO PROJETO DE PESQUISA
Número do Parecer: 5.439.878
DADOS DO PARECER
A endometriose é uma doença ginecológica que acomete cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva.
Uma das principais consequencias desta doença é a infertilidade, causada por diversas alterações
estruturais, funcionais e moleculares no sistema reprodutivo feminino. O tratamento de escolha nos casos
de endometriose, em que a queixa principal é a infertilidade, é a Reprodução Assistida (RA) de alta
complexidade (fertilização in vitro). Sendo o HCRP um dos poucos serviços que oferecem RA para
pacientes do SUS, temos grande casuística de pacientes portadoras desta condição.
Apresentação do Projeto:
Avaliar os desfechos reprodutivos de mulheres inférteis portadoras de endometriose submetidas à
Reprodução Assistida no HCFMRP-USP entre 2016 e 2021, e identificar fatores prognósticos de sucesso
reprodutivo nesta mesma população.
Objetivo da Pesquisa:
Riscos: Por tratar-se de levantamento de dados de prontuários médicos, apesar de estar previsto
Avaliação dos Riscos e Benefícios:
Reprodução Humana (pesquisas que se ocupam com o funcionamento do aparelho
reprodutor, procriação e fatores que afetam a saúde reprodutiva de humanos, sendo que
nessas pesquisas serão considerados "participantes da pesquisa" todos os que forem
afetados pelos procedimentos delas):
(Reprodução Humana que não necessita de análise ética por parte da CONEP;);
Financiamento PróprioPatrocinador Principal:
14.048-900
(16)3602-2228 E-mail:
[email protected]
Endereço:
Bairro: CEP:
Telefone:
CAMPUS UNIVERSITÁRIO
MONTE ALEGRE
UF: Município:SP RIBEIRAO PRETO
Fax: (16)3633-1144
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USP - HOSPITAL DAS
CLÍNICAS DA FACULDADE DE
MEDICINA DE RIBEIRÃO
PRETO DA USP -
Continuação do Parecer: 5.439.878
uma banco de dados protegidos e criptografados na plataforma RedCAP, com acesso restrito apenas a
alguns dos pesquisadores às informações brutas e anonimização dos dados após inserção no banco, há
sempre o risco de quebra de sigilo destes bancos.
Benefícios:
Não haverá benefício direto da pesquisa aos sujeitos de pesquisa. O benefício será pela ampliação do
conhecimento na área, a fim de informar prognóstico e eventualmente reformulaçao de protocolos
assistenciais para pacientes futuras com a mesma doença (endometriose).
Trata-se de um estudo de caso-controle em que será realizado o levantamento de dados a partir de
prontuários médicos das pacientes com Endometriose submetidas a tratamento de Reprodução Assistida no
período de 2016 a 2021 e dos arquivos de procedimentos do Centro De Reprodução Assistida do HCFMRP-
USP deste mesmo período (para os desfechos do laboratório de embriologia- registro oficial da clínica de
Reprodução Assistida). Como grupo controle serão avaliadas pacientes inférteis submetidas a procedimento
de Reprodução Assistida no serviço ao longo deste mesmo período, pareadas por IMC e idade com as
pacientes e que não sejam portadoras de endometriose. Por ser esta uma amostra de conveniência, a
determinação do tamanho da amostra foi baseado no N de casos de reprodução Assistida no período e na
prevalência de endometriose obtida em estudo prévio realizado no serviço. Estima-se haverá cerca de 500
pacientes com endometriose no período e será selecionado o mesmo N de pacientes no grupo controle,
pareando-as por IMC e idade.
Comentários e Considerações sobre a Pesquisa:
Documentos devidamente apresentados. Solicita a dispensa de aplicação do Termo de Consentimento Livre
e Esclarecido. Trata-se de projeto de levantamento de dados de prontuário e registros do laboratório de
Reprodução Assistida do HCRP-FMRP, de pacientes submetidas a procedimentos de Reprodução Assistida
no período de 2016 a 2021. Muitas destas pacientes já concluíram seus tratamentos e não se encontram
mais em acompanhamento neste serviço e ainda, muitas destas pacientes são de fora de Ribeirão Preto,
uma vez que para procedimentos de Reprodução de alta complexidade esse serviço é referência para toda
a DRS-XIII.
Considerações sobre os Termos de apresentação obrigatória:
não se aplica
Recomendações:
14.048-900
(16)3602-2228 E-mail:
[email protected]
Endereço:
Bairro: CEP:
Telefone:
CAMPUS UNIVERSITÁRIO
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MEDICINA DE RIBEIRÃO
PRETO DA USP -
Continuação do Parecer: 5.439.878
Diante do exposto e à luz da Resolução CNS 466/2012, o projeto de pesquisa, assim como a solicitação de
dispensa de aplicação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, podem ser enquadrados na
categoria APROVADO.
Conclusões ou Pendências e Lista de Inadequações:
Projeto Aprovado: Tendo em vista a legislação vigente, devem ser encaminhados ao CEP, relatórios parciais
anuais referentes ao andamento da pesquisa e relatório final ao término do trabalho. Qualquer modificação
do projeto original deve ser apresentada a este CEP em nova versão, de forma objetiva e com justificativas,
para nova apreciação.
Considerações Finais a critério do CEP:
Este parecer foi elaborado baseado nos documentos abaixo relacionados:
Tipo Documento Arquivo Postagem Autor Situação
Informações Básicas
do Projeto
PB_INFORMAÇÕES_BÁSICAS_DO_P
ROJETO_1951750.pdf
20/05/2022
11:28:01
Aceito
Outros Folha_de_rosto_CEP_assinada2.pdf 20/05/2022
11:27:24
Ana Carolina Japur
de Sá Rosa e Silva
Aceito
Projeto Detalhado /
Brochura
Investigador
PROJETO_ENDOMTRIOSE_INFERT3.
pdf
20/05/2022
11:22:59
Ana Carolina Japur
de Sá Rosa e Silva
Aceito
Cronograma Cronograma_2.pdf 20/05/2022
11:22:18
Ana Carolina Japur
de Sá Rosa e Silva
Aceito
TCLE / Termos de
Assentimento /
Justificativa de
Ausência
SOLICITACAO_DISPENSA_TCLE_PRO
JETO_EDT_INFERTILIDADE_ASSINAD
O.pdf
20/05/2022
11:21:49
Ana Carolina Japur
de Sá Rosa e Silva
Aceito
Folha de Rosto Folha_de_rosto_CEP_assinada.pdf 20/05/2022
00:49:38
Ana Carolina Japur
de Sá Rosa e Silva
Aceito
Orçamento Orcamento.pdf 20/05/2022
00:49:11
Ana Carolina Japur
de Sá Rosa e Silva
Aceito
Situação do Parecer:
Aprovado
Necessita Apreciação da CONEP:
Não
14.048-900
(16)3602-2228 E-mail:
[email protected]
Endereço:
Bairro: CEP:
Telefone:
CAMPUS UNIVERSITÁRIO
MONTE ALEGRE
UF: Município:SP RIBEIRAO PRETO
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CLÍNICAS DA FACULDADE DE
MEDICINA DE RIBEIRÃO
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RIBEIRAO PRETO, 31 de Maio de 2022
MARCIA GUIMARÃES VILLANOVA
(Coordenador(a))
Assinado por:
14.048-900
(16)3602-2228 E-mail:
[email protected]
Endereço:
Bairro: CEP:
Telefone:
CAMPUS UNIVERSITÁRIO
MONTE ALEGRE
UF: Município:SP RIBEIRAO PRETO
Fax: (16)3633-1144
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43
ANEXO 2
PLANILHA DE EXTRAÇÃO DE DADOS.
Registro imc age f_masc f_ovul f_tub f_endom t_infert clas_emb f_antral f_maior14 n_mii n_emb n_emb_transfer t_form_emb cx_endom
0244797A 22,3 27 0 0 0 1 0 2 10 6 4 3 2 75 1
1423061F 22,7 27 0 0 0 1 0 3 5 1 1 1 1 100 1
1281284J 25,7 27 0 0 0 1 0 3 1 2 3 2 2 67 1
0244797A 21,3 28 0 0 0 1 0 5 9 7 8 4 2 50 1
1510519G 28 28 1 0 1 0 0 2 11 6 8 4 2 50 0
1225518I 33,1 29 1 0 1 0 0 3 14 7 12 8 2 67 1
1356255D 21,7 29 0 0 0 1 1 3 20 8 9 8 2 89 1
1361778E 27,5 29 0 1 0 0 1 2 37 4 5 2 2 40 0
1447114D 21 29 0 0 0 1 1 5 8 6 3 1 1 33 0
0209085k 30 1 0 0 0 0 5 3 3 3 1 1 33 1
1392677I 23,4 30 0 0 0 1 0 3 11 3 2 2 2 100 1
0801593J 24,3 30 1 0 0 0 0 2 7 2 1 1 1 100 1
0678661I 28,7 30 1 0 0 0 0 3 16 8 10 10 2 100 1
1325752J 34,5 30 1 0 0 0 1 3 0 2 3 3 2 100 1
0487360B 24,3 30 1 0 0 0 0 3 8 8 8 5 2 63 0
1137344C 23,3 31 0 0 0 1 0 2 19 12 4 2 1 50 1
1399888F 20,6 31 1 0 0 0 0 3 16 3 5 2 2 40 0
1369773C 19,8 31 0 0 1 0 0 2 2 2 1 1 1 100 0
0801593J 25,5 31 1 0 0 0 0 2 12 6 2 1 1 50 1
1382965H 22,5 31 1 0 0 0 0 3 13 8 4 2 2 50 1
1444109F 28,2 31 0 0 0 1 1 3 13 4 2 2 2 100 0
1458271G 28,1 31 1 0 0 0 1 3 9 3 3 2 2 67 0
1335186D 31,7 31 1 0 1 0 0 3 11 6 5 2 2 40 1
0198429K 20 31 1 0 0 0 0 3 9 4 4 3 2 75 1
1297868G 21 32 1 0 0 0 0 3 3 3 7 5 2 71 0
0474883E 21,5 32 1 0 0 0 0 3 30 22 25 5 5 20 0
1460997A 18,8 32 0 1 0 0 0 2 4 3 2 2 1 100 1
1363677K 24,6 32 0 0 0 1 0 3 5 4 7 6 2 86 1
1558736I 25,9 32 0 0 0 1 0 3 7 7 2 1 1 50 1
1369011G 22,1 32 1 0 0 0 0 3 11 4 5 4 2 80 1
1520787G 27,6 32 1 0 1 0 0 3 10 5 6 3 2 50 0
1386077H 22,5 32 0 0 0 1 1 3 19 5 5 5 2 100 1
1410518D 26,9 32 0 0 0 1 0 3 12 4 7 5 2 71 1
1476098K 22 32 0 0 0 1 1 5 5 6 4 1 1 25 0
1108517C 25 32 1 0 0 0 0 2 24 8 12 7 2 58 1
0182741D 32 1 0 0 0 0 2 17 13 7 5 2 71 0
1358281k 21,4 32 0 0 0 1 1 2 10 5 3 2 2 67 1
1358281K 21,8 32 0 0 0 1 0 2 15 4 3 2 2 67 1
1512149D 24,3 33 0 0 0 1 0 2 9 3 2 2 2 100 0
1363840H 21,3 33 0 0 0 1 0 3 8 4 1 1 1 100 1
1538420I 21,4 33 0 0 0 1 0 3 3 4 3 2 2 67 1
0467004G 24,2 33 1 0 1 0 0 3 12 5 4 3 1 75 1
1450840K 23,9 33 0 0 1 0 0 2 43 6 5 4 2 80 1
1496173F 23,5 33 0 0 0 1 0 2 3 4 3 3 2 100 0
1520829H 32,5 33 0 1 0 0 0 3 22 5 5 2 2 40 0
1120508K 19,9 33 0 0 0 1 0 3 8 5 2 63 0
0133030f 23,3 33 0 0 0 1 0 2 9 3 3 2 2 67 0
1465597C 23,5 33 0 0 0 1 0 5 11 13 10 6 1 60 1
1358287e 28 33 0 0 0 1 0 2 4 6 5 5 2 100 1
1489564E 21,8 33 1 0 1 0 0 5 16 8 6 3 2 50 0
1410660D 27,5 33 1 0 1 0 0 3 5 3 1 1 1 100 1
1382965H 22,9 33 0 0 0 1 1 3 9 5 9 4 2 44 1
1131915F 32 33 0 1 0 0 1 3 7 8 7 5 2 71 1
1029437B 24,2 33 1 0 1 0 0 2 11 2 2 1 1 50 1
1515124K 24,4 33 0 0 0 1 0 3 6 5 10 6 2 60 1
1164832G 31,7 33 0 1 0 0 1 2 9 3 6 4 2 67 0
1399298E 26,7 33 1 0 1 0 1 2 4 1 3 2 2 67 1
1399298E 26,7 33 0 0 0 1 1 2 9 5 4 2 2 50 1
1442943K 28,1 33 0 0 0 1 1 5 11 9 9 2 1 22 1
1308662H 22 33 0 0 1 0 0 3 3 3 5 5 2 100 1
1354054A 21,5 33 0 0 1 0 0 2 4 5 1 1 1 100 1
0774905B 26,2 33 1 0 0 0 0 2 11 3 4 2 2 50 0
1182391H 24,4 34 1 0 1 0 0 2 8 5 4 4 2 100 1
1363840H 20,7 34 1 0 0 0 0 3 8 2 2 1 1 50 1
1344343J 20,6 34 0 0 0 1 0 2 4 5 4 2 2 50 0
1569242H 25,7 34 1 0 0 0 0 3 19 16 5 4 2 80 0
1147413C 28,9 34 1 0 1 0 0 3 7 3 4 3 2 75 0
1300557F 29,2 34 1 0 0 0 0 3 20 4 7 5 2 71 1
1446021B 25,8 34 0 1 0 0 0 3 6 5 7 5 2 71 1
1379926A 24,6 34 1 0 1 0 0 2 12 3 4 3 2 75 1
1410660D 27,5 34 1 0 0 0 0 3 3 3 2 1 1 50 1
1395038G 28,8 34 0 0 0 1 0 2 11 5 5 2 2 40 0
1305483B 23,7 34 0 0 0 1 0 3 4 4 4 2 2 50 0
1305483B 23,2 34 0 0 0 1 0 2 2 2 2 2 2 100 0
1305180F 24,2 34 1 0 1 0 0 2 6 2 4 3 2 75 1
1559625A 21,5 34 1 1 0 0 1 2 2 4 2 2 2 100 0
1442943K 25,8 34 0 0 0 1 1 2 10 2 2 2 2 100 1
1358289C 29,3 34 1 0 1 0 0 2 3 4 2 2 2 100 0
0594514G 21,1 35 0 0 0 1 0 2 6 2 0 1 1 1
0514310A 23,3 35 0 0 0 1 0 3 13 9 8 1 1 13 1
0104843C 30,4 35 0 0 1 0 0 3 5 1 1 1 1 100 1
1349802K 23 35 0 0 1 0 0 2 25 4 3 3 2 100 1
1344343j 22,4 35 0 0 0 1 0 3 7 7 3 1 1 33 0
1434682H 25,6 35 1 0 1 0 0 3 7 2 3 1 1 33 1
0602546I 28,7 35 1 0 0 0 0 3 10 6 4 1 1 25 0
1405103I 27,2 35 0 0 0 1 0 2 12 7 2 1 1 50 1
1502396A 25,4 35 0 1 0 0 0 3 8 5 10 8 2 80 0
1497837C 25 35 0 0 0 1 0 3 9 11 3 1 1 33 0
1516465C 23 35 0 1 0 0 0 2 1 2 2 2 1 100 1
0754511I 21,7 35 0 1 0 0 0 3 20 14 7 2 2 29 0
1460687E 21,7 35 0 0 1 0 1 3 5 4 3 3 2 100 0
1378993J 30,4 35 0 0 0 1 1 3 18 4 5 3 2 60 1
1442651K 27,3 35 0 0 0 1 1 3 9 7 3 3 2 100 0
1423224G 29,3 35 1 0 0 0 0 2 2 8 6 5 2 83 0
1444600F 21,4 35 0 0 0 1 1 3 5 4 4 3 2 75 0
1294831E 19,5 35 1 0 0 0 0 3 13 6 6 2 2 33 0
1435914J 19,3 35 1 0 0 0 0 3 3 3 6 3 2 50 0
1426855B 23,4 35 1 0 1 0 0 3 10 2 6 3 2 50 1
0790279B 21,3 35 1 0 0 0 0 3 12 9 9 3 1 33 0
0820224B 20,4 35 0 0 0 1 0 3 15 5 3 2 2 67 1
0594514G 22,8 36 0 0 0 1 0 3 6 1 2 2 2 100 1
0594514G 21,1 36 0 0 0 1 0 2 5 3 3 2 2 67 1
1372199K 29,3 36 0 0 0 1 0 3 7 2 3 2 2 67 1
1372199K 29,3 36 0 0 0 1 0 3 5 2 2 2 2 100 1
1448765C 17,1 36 1 0 1 0 0 3 9 4 8 2 2 25 0
1073745K 36 1 0 1 0 0 2 6 2 3 2 2 67 0
1238534H 24,8 36 1 0 1 0 0 3 12 8 6 2 2 33 1
1508525G 27,8 36 1 0 1 0 0 5 11 10 14 1 1 7 1
1210884K 28,3 36 1 0 1 0 0 3 35 8 7 4 2 57 1
1379926A 23,8 36 1 0 1 0 0 3 8 6 3 1 1 33 1
1074400B 28,5 36 1 0 0 0 0 2 13 8 1 1 1 100 1
1206964K 24,3 36 0 0 0 1 0 5 23 11 7 3 1 43 1
1460687E 23,3 36 0 0 0 1 1 3 5 1 4 1 1 25 0
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